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MANUAL DE REDAÇÃO

Prof. Msc. Samantha de Sousa

@sousaprofessora

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CONTEÚDO

QUERO ESCREVER BEM, O QUE EU FAÇO?...............................................................................3


COMO MINHA REDAÇÃO SERÁ CORRIGIDA?...........................................................................8
COMPETÊNCIAS DE AVALIAÇÃO................................................................................................8
ESTRUTURA DA REDAÇÃO.........................................................................................................11
FORMAS DE DESENVOLVER O TÓPICO FRASAL...................................................................12
DICAS DE COMO SE INICIAR UMA REDAÇÃO........................................................................13
OPERADORES ARGUMENTATIVOS...........................................................................................15
PRINCIPAIS OPERADORES ARGUMENTATIVOS.....................................................................16
FAZENDO CITAÇÕES.....................................................................................................................22
A PROPOSTA DE INTERVENÇÃO................................................................................................24
OUTRAS DICAS...............................................................................................................................28
A PONTUAÇÃO...............................................................................................................................31
A IMPESSOALIDADE NO TEXTO.................................................................................................35
E PARA FINALIZAR........................................................................................................................36

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QUERO ESCREVER BEM, O QUE EU FAÇO?

São Paulo – “O escritor é um homem que, mais do que qualquer outro, tem dificuldade para
escrever”, disse o alemão Thomas Mann, vencedor do prêmio Nobel de literatura de 1929.

A frase é um alento para aqueles que sofrem diante da página em branco. As palavras,
afinal, exigem suor e empenho até dos artistas mais brilhantes.

Apesar disso, fatores como a influência da tecnologia têm trazido prejuízos adicionais para a
escrita do cotidiano, afirma Diogo Arrais, professor de português no Damásio Educacional.

“Com a rapidez trazida pela internet, a maioria dos profissionais precisa se comunicar de
uma forma praticamente imediata no trabalho”, diz ele.

Com a pressa, sobram mensagens ambíguas e mal construídas – que, por sua vez, podem
levar a erros operacionais, conflitos com colegas e até prejuízos financeiros para a empresa.

A influência da comunicação oral e a falta de familiaridade com a escrita também fazem


com que muitos textos corporativos sejam infestados de problemas estruturais, diz Rosângela
Cremaschi, professora de comunicação escrita na Faap.

“Ambiguidades, redundâncias, clichês, jargões, erros de sintaxe, pontuação incorreta e


excesso de estrangeirismos são extremamente comuns”, afirma ela.

A boa notícia é que todas essas “pragas” têm remédio. Veja a seguir nove conselhos para lhe
ajudar a melhorar a sua redação:

1. Adote um livro de cabeceira

Você certamente já ouviu que, para escrever bem, é preciso ler muito. Arrais corrobora o
conselho e diz mais: escolha um livro do seu interesse e não passe um dia sem abri-lo, nem que seja
para ler poucas páginas.

O ideal é priorizar obras de ficção. “Além de trazer repertório gramatical e vocabular, a


literatura apresenta analogias e metáforas, o que ajuda a escrever melhor sobre qualquer assunto”,
diz o professor do Damásio.

2. Use qualquer pretexto para escrever

Se você prestar atenção, verá que o cotidiano abre espaço para pequenas redações o tempo todo.
“Escreva e-mails, recados, bilhetes, lembretes, cartas e até poemas”, sugere Rosângela. O
importante é usar todas as oportunidades possíveis para treinar a escrita.

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Arrais vai além e propõe alimentar um blog ou até um perfil nas redes sociais com textos mais
“autorais”. Nesse exercício, diz o professor, a prioridade não é tanto o conteúdo dos artigos, mas
sim a atenção que você dedicará à sua forma.

3. Pense no leitor (e peça feedback)

Na pressa do dia a dia, é comum apertar o botão “enviar” do e-mail sem revisar o texto.
Nada pode ser mais nocivo para a qualidade da comunicação, dizem os professores.

Se você quer aperfeiçoar a sua redação, é importante investir um minuto para reler o que
você escreveu. Falta alguma informação? A mensagem está realmente clara? Segundo Arrais, é
fundamental se imaginar no lugar do leitor ou até pedir comentários e críticas sobre o seu texto a
colegas, familiares e amigos.

4. Desabilite o corretor ortográfico

Rosângela diz que não são poucos os profissionais que ficam reféns de corretores
automáticos. “O problema é que esse tipo de instrumento é incapaz de compreender nossas ideias e
nosso estilo de escrita”, afirma a professora da Faap. Em vez de ajudar, a tecnologia acaba
confundindo e gerando insegurança.

Para ganhar confiança e independência, a dica é substituir a ferramenta por bons materiais
de consulta, como um dicionário atualizado pelo novo acordo ortográfico e uma gramática
confiável.

5. Investigue o que você (ainda) não sabe

Ao se deparar com uma dúvida de português, você costuma mudar a frase para evitar a
construção que está causando insegurança? Esse tipo de fuga é muito frequente, mas desperdiça
grandes chances de aprendizado, afirma Rosângela.

Quando você questiona a escrita de alguma palavra, o uso de determinada expressão ou a


construção de uma frase, essa é a hora de consultar os materiais de referência mencionados no item
anterior. Segundo a professora, a pior alternativa é ignorar o problema e, assim, perpetuar a dúvida

6. Seja simples e direto

Há quem acredite que a bela escrita deve ser repleta de “enfeites”. No entanto, leitores e
escritores em geral preferem textos inteligíveis, sem floreios desnecessários. O que é melhor:
entender o texto ou observar que ele contém várias palavras que você nunca viu na vida?

O grau de complexidade do texto pode variar de acordo com o público-alvo, mas é bom
evitar complicações desnecessárias. Dê preferência a palavras e construções simples, que a maior
quantidade de pessoas possa entender.

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Se possível, também mantenha suas frases curtas. Uma quantidade aproximada de 8 a 14
palavras por frase e 3 a 5 linhas por parágrafo é ótima. Embora isso não seja uma regra, é
comprovadamente mais fácil entender conteúdos curtos e diretos.

Além disso, optar pela simplicidade é uma maneira de eliminar tudo o que é desnecessário.
Segundo Ernest Hemingway, grande nome da literatura americana, “a perfeição é alcançada não
quando não há mais nada a adicionar, mas sim quando não há mais o que retirar” (tradução nossa).

Não importa qual o seu estilo, na escrita, a “perfeição” se dá quando cada palavra é
necessária.

7. Estruture bem seu texto

Existem diversos recursos com o único propósito de organizar e estruturar a linguagem.


Pontuação, conjunções, a divisão entre orações, frases, parágrafos. Utilize todos pelo bem do seu
texto.

Lembre-se de que cada parágrafo deve conter uma ideia, nem mais, nem menos. Acumular
ideias diferentes em um único parágrafo costuma confundir o leitor e torna o texto mais pesado.

Existem autores que apoiam o uso de diversos parágrafos para apenas uma ideia, às vezes
para apenas uma frase. A ideia é facilitar a leitura, independemente das regras gramaticais. O
resultado, no entanto, pode ser um texto que parece básico e mal estruturado.

Tome cuidado para não utilizar vírgulas onde não deve. Há a ideia equivocada de que elas
representam as pausas para a respiração enquanto falamos. Vírgulas cumprem o papel de separar
diferentes orações ou elementos deslocados.

Uma oração em ordem linear, ou seja, com sujeito seguido por predicado, não deve ser
separada por vírgula. Por mais longa que seja a frase, incluir esses símbolos onde não é necessário é
como dizer “Eu, te amo”.

8. Pratique muito

Todos já estamos cansados de saber que “a prática leva a perfeição”. Mesmo assim, em
especial quando se trata das artes, muitas pessoas acreditam que só o talento basta, que só o talento
serve.

Ainda que exista uma aptidão natural para desempenhar certas atividades, somente o esforço
pode consolidar o potencial de alguém. Desdenhar a dedicação e o treinamento leva a “gênios”
frustrados, que nunca conseguiram se tornar tudo aquilo que esperavam ser um dia.

Tenha você facilidade para a escrita ou não, ao dedicar horas diárias a ela e desempenhar
exercícios variados, sua técnica melhorará muito. Escreva sobre tudo. Escreva sobre sua casa, sua
família, os gatos da vizinhança, a previsão do tempo, seus livros favoritos, política, o sentido da
vida, a teoria das cores.

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Observe o mundo ao seu redor e o torne em uma narrativa. Experimente outros estilos de
texto também. Até receitas culinárias ou bulas de remédio podem ser úteis para você um dia.

9. Leia muito e leia bem

Se você acompanha o nosso blog ou busca fontes alternativas para aprender a escrever
melhor, já deve saber que a leitura é um aliado essencial. Mas o que deve ser lido? A resposta certa
é tudo. Nada melhor para o enriquecimento cultural do que ler os mais variados tipos de textos,
escritos por autores diversos.

No entanto, pode ser útil ter certo direcionamento, considerando que é natural se espelhar
de alguma forma nos autores lidos. Pessoas que passam muito tempo se comunicando em outro
idioma, por exemplo, podem ter dificuldade para escrever de forma fluente na própria língua nativa.
Nesse caso, é recomendável ler mais autores nacionais.

O direcionamento não deve ser um recurso para imitar os estilos de outros escritores, mas de
remediar certos problemas que você pode encontrar na sua escrita ou até um caminho experimental
para encontrar a própria voz.

Ainda tem dúvidas sobre como fazer redação? 6 dicas para nunca mais errar no
desenvolvimento da sua redação! Ainda não sabe como fazer redação? Prepare-se: com esta
lista, você vai fazer uma redação perfeita!

Neste resumo, vamos ver 6 dicas incríveis para que você nunca mais tenha dúvidas na hora de
desenvolver o seu texto. Elas servem para os temas de caráter objetivo, como Questões Sociais,
Atualidades, Leis e Projetos. É muito importante saber que existem ferramentas, perguntas certas,
objetivos para cada tipo de tema; isso pode nos ajudar a tirar uma boa nota e até mesmo nota 1000.

1. Reconhecer um paradoxo ou círculo vicioso

Durante o desenvolvimento da sua redação, alguns objetivos podem ser trabalhados, garantindo
uma abordagem ampla do assunto. Reconhecer um paradoxo é muito bom para apresentar pontos
positivos e negativos, prós e contras; geralmente, temas sobre questões sociais envolvem grandes
contradições da realidade brasileira.
Caso você não consiga reconhecer um paradoxo, tentar montar um círculo vicioso também pode
ser uma boa estratégia. Verificar que ocorre uma relação de dependência e benefício entre
instituições e o povo mostra uma capacidade de percepção muito valorizada pela banca. Entretanto,
deve-se trabalhar com fatos, com relações visíveis. Não crie um círculo vicioso apenas para ser
conveniente ao tema proposto.
Por exemplo: se o tema da sua redação envolver as questões sociais falando sobre a Reforma
Agrária, você pode notar um paradoxo no fato de que poucas pessoas possuem muita terra e muitas
pessoas têm pouca ou nenhuma terra. Já o círculo vicioso pode ser observado na relação entre a
população carente, políticos e eleições. A população é carente e pouco assistida e os políticos
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esperam pelo momento das eleições, quando enviam ajuda para o povo; este, por sua vez, se sente
bem, tornando-se público eleitoral àqueles que a beneficiaram. Assim, esse quadro se mantém
durante o período eleitoral e tende a se repetir no próximo e assim por diante.
 

2. Analisar com postura científica

Ao defendermos um ponto de vista, devemos tomar muito cuidado para que o nosso discurso
não seja um jargão político-demagógico. O nosso objetivo na dissertação é bem diferente. O que
queremos é mostrar a capacidade de argumentação sobre determinado assunto, tendo embasamento
e fontes seguras. Por isso, evite os discursos apelativos e o tom panfletário como “precisamos
mudar o mundo” ou “juntos venceremos”.

3. Evidenciar o lado humano da questão

Ao mesmo tempo em que é preciso falar cientificamente numa redação, é necessário evidenciar
o lado humano, também. Como isso acontece? Bom, você pode exemplificar a questão, apontando
situações humanizadas, como, por exemplo, os relacionamentos familiares. Lembre-se: o êxito
argumentativo vai depender da maneira como o texto é escrito, do tipo de linguagem (formal) e do
distanciamento equilibrado a respeito do tema. 

4. Apontar o fenômeno social

Quando falamos sobre leis e projetos, um bom recurso argumentativo é falar sobre o momento
social que originou a necessidade para a criação dessa lei ou desse projeto. Contextualizar, ver a
origem do problema e o que está por trás da regulamentação de fenômenos sociais são boas
estratégias para organizar o pensamento e mostrar conhecimento sobre o tema proposto. Exemplos
disso é o projeto de lei que propõe a redução da maioridade penal para 16 anos e a lei seca.

5. Reconhecer a essência da polêmica

Se o tema não for polêmico, provavelmente não será tema de redação. Assim, precisamos
perceber a essência do assunto, isto é, o que transforma o assunto em algo que é propício para a
discussão. É preciso, portanto, um momento para analisar a proposta de redação, organizar as
causas para que aquele tema seja o escolhido. Exemplos de temas polêmicos: Liberação da
Maconha, Legalização do Aborto, Doação Automática de Órgãos.

6. Análise dialética

É aquela análise que apresenta uma tese, uma antítese, chegando a uma síntese. Essa ferramenta
é muito boa para abordar aspectos positivos e negativos, fazendo um contraponto de ideias,
chegando a uma síntese que permite que você supere a contradição existente.
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Por exemplo: a dialética é um método de raciocínio que faz com que você olhe para uma
realidade e fale sobre ela de forma aprofundada, vendo os dois lados da questão. Se o tema fala
sobre A Comunicação na Era da Tecnologia, essa dualidade pode ser vista na pergunta: “A
tecnologia facilita ou dificulta a comunicação entre as pessoas?”. Percebe-se que é possível abordar
dois lados da questão. Isso é uma análise dialética. Após a abordagem desses dois aspectos, chega-
se numa síntese, um “resultado” para o diálogo ou confronto desses dois posicionamentos.

COMO MINHA REDAÇÃO SERÁ CORRIGIDA?

Se antigamente a definição do que viria a ser um bom texto contava somente com a obra em
si, as palavras que utilizou (ou não!) em sua estrutura, hoje se sabe que tanto o projeto na mente de
quem escreve quanto os critérios de aceitação por parte de quem lê o formato final carregam a
mesma importância para que se atinja a eficácia em qualquer redação. Diante desse cenário, é
fundamental que o candidato entenda de que critérios parte quem o corrige, assim como de que
forma sua nota final é calculada. Assim, aumentam muito as chances de o resultado ser compatível
com as expectativas de quem decide a nota final.

Composição da nota final

Dentre todas as avaliações que compõem o Enem, a redação é a única em que se pode obter
a tão temida nota zero, resultado de uma ou mais falhas listadas a seguir:

Fuga total do tema; fuga da tipologia proposta; redação em branco; redação com até sete
linhas; desrespeito aos direitos humanos; impropérios (ofensas, xingamentos); e trechos
desconexos, ou seja, fragmentos textuais que fogem completamente ao que se discute ao longo de
todo o texto.

Mudando o foco do mínimo para o que de melhor se pode obter em termos de qualificação
para o texto, os 1000 pontos máximos colocam-se distribuídos em 5 competências, cabendo a cada
uma delas 200 pontos. Cada redação é inicialmente corrigida por dois avaliadores, surgindo como
valor final a média aritmética entre suas notas. Havendo diferença igual ou superior a 100 pontos
entre as notas finais atribuídas ao texto por ambos ou a 80 pontos em uma única competência, um
terceiro corretor passa a fazer parte do processo e a média aritmética que proporciona a nota final,
nesse caso, passa a ser a obtida a partir das duas entre as três notas (Avaliador 1, Avaliador 2 e,
nesse contexto, Avaliador 3) que mais se aproximarem.

COMPETÊNCIAS DE AVALIAÇÃO

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Competência 1 – Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita. Expor conhecimento
gramatical, assegurando comunicação em linguagem formal. Por se tratar de um conteúdo
desenvolvido ao longo de toda uma vida escolar, existe a real chance de ocorrerem lacunas do ponto
de vista teórico, o que se pode confirmar a partir de itens que, por envolverem prática textual até
mesmo cotidiana, são mais suscetíveis ao desvio, o que se chamou durante muito tempo “erro
gramatical”: acentuação gráfica; ortografia; crase; concordâncias nominal e verbal; regência;
colocação pronominal; e pontuação.

Obs. Ortografia e Concordâncias são gramaticalmente os itens que mais comprometem a percepção
do avaliador não só quanto à qualidade textual, mas também no que se refere muitas vezes à
capacidade intelectual do candidato, a partir do instante em que ele demonstra desconhecimentos
considerados incompatíveis ao estágio de formação escolar em que se encontra.

Competência 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas do


conhecimento, para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-
argumentativo. Dentro desse único aspecto da correção da redação do ENEM, existem três
exigências simultâneas, que, em Bancas de outros vestibulares, comporiam perfeitamente itens
isolados para a aferição da nota final. Duas delas, observadas isoladamente, aparecem como razões
suficientes para que a redação seja zerada: tipologia textual (respeitar as características da
dissertação argumentativa); e atendimento ao tema (demonstrar entendimento do tema oferecido
pela Banca). Caso a fuga aos traços acima seja apenas parcial, ocorre perda de pontos, mas sem
comprometer a avaliação inteira.

Obs. Trechos descritivos e narrativos podem contribuir muito para que a argumentação se
solidifique mais, o que não significa que parágrafos inteiros com essas estruturas sejam bem vistos.

Competência 3 – Selecionar: Cuidar do volume de dados com que conta o texto. O excesso de
exemplos de argumentos ou mesmo o aprofundamento do estudo de causas para situações-problema
atuais não colaboram em nada para que a redação se torne mais qualificada, além de ainda gerar o
risco de fuga parcial da tipologia dissertativa. Mostra-se bem mais produtivo investir um pouco em
cada argumento do que muito em uma única defesa de tese.

Relacionar: Os parágrafos de desenvolvimento precisam se conectar à Introdução numa estratégia


de defesa do posicionamento escolhido pelo texto, antes mesmo de que pensemos em liga-los uns
aos outros. Ler o primeiro parágrafo do texto mais uma vez a cada revisão de parágrafo de
Desenvolvimento, mesmo que rapidamente, pode evitar que cheguem ao avaliador sustentações
fracas, desvinculadas da tese.

Organizar: Mede-se o quanto os dados foram colocados em posições adequadas: introdução com
tese, argumentos nos parágrafos intermediários e retomada de posicionamento no final da redação.
Vale ressaltar que não há uma ordem considerada como correta para os argumentos no
Desenvolvimento: começar pelo considerado mais forte ou por uma ideia não tão impactante é
indiferente ao avaliador em termos práticos de pontuação.

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Interpretar: Verbo mais inusitado entre os quatro presentes na Competência 3, aponta a maneira de
lidar com a coletânea de textos oferecida pela Banca. Sabe-se que copiar trechos dessas obras é
extremamente nocivo, inclusive se desconsiderando as linhas em que haja qualquer reprodução
literal desse tipo, o que não significa, entretanto, que os dados ali encontrados não possam servir de
inspiração ou referência para que, reescritos com outras palavras, solidifiquem ainda mais a
estratégia de defesa da tese.

Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a


construção da argumentação envolvendo ligações físicas entre as partes da redação. A Competência
4 soma-se ao que a Competência 1 já havia proposto como domínio linguístico, porém cuida em
especial do que verbalmente favorece a defesa da tese na estrutura textual como um todo e foge de
certa maneira de usos gramaticais mais localizados no nível da construção de um período, por
exemplo. Os principais caminhos para se chegar a esse tipo de conexão (Coesões Referencial e
Sequencial) são os focos de avaliação.Redações qualificadas cuidam da coerência entre seus dados,
mas também fazem questão de verbalmente facilitarem a vida de um avaliador que, orientado por
conectores, tem muito menos trabalho de pressupor ou mesmo adivinhar que ligação semântica
existiria entre certas orações ou períodos. Além de um cuidado interno ao parágrafo, investir na
ligação entre as partes do texto destaca– o em meio a uma massa de candidatos normalmente
indiferentes a esse tipo de estratégia. Conjunções coordenativas, como as conclusivas no último
parágrafo, advérbios oferecendo noções de continuidade entre ideias (“também”, “primeiramente” e
“ainda”, por exemplo) e expressões introduzidas por pronomes (como “outro fator” e “outro
aspecto”) podem fazer com que parágrafos surjam completamente encadeados, estimulando a
percepção de uma unidade textual mais firme.

Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os


direitos humanos. Mesmo que alguns temas não exponham transtornos de forma clara, a
Competência 5, sendo um critério de correção de redação, falando em “problema abordado”,
confirma a existência de algo a ser resolvido. A proposta de solução, dividida em descrição do
processo em si, método de execução e figuras agentes, fundamentada em valores humanísticos
universais, assim como o texto como um todo, tende a funcionar mais quando há um cuidado maior
em não torná-la emocional a ponto de comprometer uma descrição “fria” dessa intervenção e em
percebê-la como um projeto de cunho nacional, já que um dos pressupostos do tema Enem é
exatamente dizer respeito ao país inteiro, sem privilegiar segmentos sociais particulares.

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ESTRUTURA DA REDAÇÃO

Aqui você vai problematizar o tema e


colocar seu ponto de vista sobre ele. Se
você que ganha em conteúdo no seu texto,
ao invés de adiantar seus argumentos, use
Introdução esse espaço para explicar porque a
situação abordada é um problema ou
implicar em algum problema, quais as
consequências que ela provoca e o que
você pensa sobre ela.
Problematizada a questão principal, você
vai explicar o seu ponto de vista. OBS:
Os argumentos justificam o ponto de
vista apresentado na introdução. No
desenvolvimento, você vai apresentar pelo
Desenvolvimento menos dois argumentos, divididos em dois
parágrafos (cada argumento em um
parágrafo!). Ao desenvolver cada
argumento, você vai focar em um
raciocínio, apresente a ideia e a explique
detalhadamente.
Aqui, você pode recapitular as ideias já
exploradas ao longo do texto ou mostrar
uma forma de solucionar o problema
apresentado, mas isso depende da forma
como o texto foi desenvolvido, assim:

Conclusão  Se você já falou sobre as soluções


ao longo do texto, não precisa
apresentar uma nova ideia na
conclusão, apenas recapitular o
que já foi explicado.
 Se você apenas citou os problemas
e suas consequências, você pode
fazer a proposta de intervenção na
conclusão, mostrando de que
forma o problema pode ser
resolvido, quem pode interferir na
situação e quais os resultados
possíveis a partir das atitudes
abordadas.

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FORMAS DE DESENVOLVER O TÓPICO FRASAL

1- Explicação
Como você sabe que o tópico frasal é uma síntese da ideia que vai ser desenvolvida no parágrafo, a
forma mais fácil de você fazer a sua ampliação é através da explicação. Com ela, você vai explicar
tudo o que está contido no seu tópico. Mais simples que isso impossível, né?

2- Exemplificação

A exemplificação é outro método de ampliação do tópico frasal, pois são casos concretos que vão
ilustrar uma ideia. Mas você deve ter muito cuidado: os exemplos são bons para ilustrar, porém, se
eles forem utilizados em excesso, podem ter um efeito contrário e afundar sua redação. Tome
cuidado, ok?

3- Argumento de Autoridade

Já o argumento de autoridade é uma citação de fonte confiável, normalmente de um especialista no


assunto, um líder, um político, um artista famoso ou um pensador que seja um especialista no
assunto abordado. Só não vale inventar nenhuma frase, muito menos falar sobre algum artista
somente do seu conhecimento! Não se esqueça que, para sua redação ser bem pontuada, você deve
utilizar argumentos consagrados, pois o corretor tem que possuir o mesmo conhecimento de mundo
que você.

4- Causas e Consequências

Além dos métodos vistos nos outros tópicos, você pode também falar de causas e consequências.
Ou seja, você apresenta causas para um determinado aspecto e depois trabalha as consequências
desse fato. Muito fácil, não é mesmo?

5- Dados Estatísticos

A utilização dos dados estatísticos é como a exemplificação. Ela serve para ilustrar o que você
utilizou no tópico frasal. Porém, você deve ter cuidado se essa informação estiver contida na
coletânea de textos, pois todos os participantes do ENEM podem ter a mesma ideia e você acaba
não se diferenciando com a sua redação.

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DICAS DE COMO SE INICIAR UMA REDAÇÃO

Levantamento de Frases-modelo para Introdução de um texto

Estas frases ajudam no início da introdução. Não tomem estas frases como regra infalível. Antes de
usá-las, analise bem o tema planeje incansavelmente o desenvolvimento, use sua inteligência, para
ter certeza daquilo que será incluso em seu texto. Só depois disso, use estas frases: 

a) É de conhecimento geral que

b) Todos sabem que, em nosso país, há tempos, observa-se…

c) Nesse caso, utilizei circunstância de lugar (em nosso país) e de tempo (há tempos). Isso é só para
mostrar que é possível acrescentar circunstâncias diversas na introdução, não necessariamente estas
que aqui estão. Outro elemento com o qual se deve tomar muito cuidado é o pronome se. Nesse
caso, ele é partícula apassivadora, portanto o verbo deverá concordar com o elemento que vier à
frente (singular ou plural)

d) Cogita-se, com muita frequência de…


O mesmo raciocínio da questão anterior, agora com a circunstância de modo (com muita
frequência)

a) Muito se tem discutido, recentemente, acerca de…


b) Muito se debate, hoje em dia…
Partícula apassivadora novamente. Cuidado com a concordância.
a) O (A) __________ é de fundamental importância em…
b) É de fundamental importância o (a)___________.
c) É indiscutível que…/ inegável que…
d) Muito se discute a importância de…
e) Comenta-se, com freqüência, a respeito de…
f) Não raro, toma-se conhecimento, por meio de…, de
g) Apesar de muitos acreditarem que… (refutação).
h) Ao contrário do que muitos acreditam … (refutação).
i) Pode-se afirmar que, em razão de …( devido a, pelo)
j) Ao fazer uma análise da sociedade, busca-se descobrir as causas de…
1) Talvez seja difícil dizer o motivo pelo qual…
m) Ao analisar o (a, os, a)…, é possível conhecer o (a, os, as)…, pois…
 
Frases-modelo para o Desenvolvimento de um texto

Frases que ajudam no início do desenvolvimento. Não tomem estas frases como receita infalível.
Antes de usá-las, analise bem o tema, planeje incansavelmente o desenvolvimento, use sua
inteligência, para ter certeza daquilo que será incluso em seu texto. Só depois disso, use estas frases:
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a) Frases para parágrafos que explorem causas e conseqüências:
Ao se examinarem alguns… yerifica-seque …
Pode-se mencionar, por exemplo…,
Em conseqüência disso, vê-se, a todo instante,…
b) Frases para parágrafos que explorem prós e contras
Alguns argumentam que… . Além disso … . Isso sem contar que …..
Outros, porém,… Há registros históricos de… que…
c) Frases para parágrafos que explorem trajetória histórica
No século… / Em meados dos anos… Quando…, percebia-se que…
Atualmente, observa-se que…
Em consequência disso, nota-se…
d) Outras frases:
Dentre os inúmeros motivos que levaram  o (ao) ….. é incontestável que…
Conectivos a serem Utilizados na ligação entre os parágrafos do Desenvolvimento
É muito importante que os parágrafos do desenvolvimento tenham ligação; a fim de que não
transformem o texto em uma seqüência de parágrafos desconexos. Segue, a seguir, uma série de
frases para a ligação entre os parágrafos.

a) Além disso…
b) Outro fator existente
c)Outra preocupação constante…
d) Ainda convém lembrar …
e) Por outro lado…
f) Porém, mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto …
g) Expressões do tipo “quanto ao primeiro item”, “No que tange ao…” “Finalmente no que diz
respeito…”. Vão dar coesão ao texto.

Frases-modelo, para o inicio da Conclusão


 
– Frases que podem ajudar no início da conclusão. Não tomem estás frases como receita infalível.
Antes de usá-las, analise bem o tema, planeje incansavelmente o desenvolvimento, use sua
inteligência, para ter certeza daquilo que será incluso no seu texto. Só depois disso, use estas frases:

a) Em virtude dos fatos mencionados…


b) Por isso tudo…
c) Levando-se em consideração esses aspectos…
d) Dessa forma…
e) Em vista dos argumentos apresentados…
f) Dado o exposto…
g) Tendo em vista aspectos observados…
h) Levando-se em conta o que foi observado…
i) Em virtude do que foi mencionado…
j) Por todos, esses aspectos…
k) Pela observação dos aspectos analisados…

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1) Portanto … / logo…/ então…/Assim… –
m) Em face aos dados apresentados… Em face a essa realidade …..

Após a frase inicial, pode-se continuar a conclusão com as seguintes frases:


somos levados a acreditar que

entendemos que
entende-se que
concluímos que…
conclui-se que…
percebemos que…
percebe-se que…
resta aos homens…
é imprescindível que todos se conscientizem, que se sensibilizem de que de…
só nos resta esperar que …
é preciso que…
é necessário que…
faz se necessário que

OPERADORES ARGUMENTATIVOS

As conjunções ou operadores argumentativos são palavras ou expressões que são


responsáveis pela ligação, pela coesão de duas orações. Outra função é mostrar a força
argumentativa dos enunciados, a direção (sentido) para o qual apontam.
Portanto, ao fazer essa ligação, eles indicam que tipo de relação: causa e consequência,
conclusão, oposição ou ressalva, soma de duas ideias, objetivo ou finalidade, e assim por
diante.
Por isso, há vários tipos desses operadores argumentativos, que indicam argumentos
diferentes e sentidos diferentes no texto. Vejamos o esquema:

Período composto Operador argumentativo


indica:
João quer ir à ...porquequer ter uma profissão melhor. porque indica  causa
escola... explicação ou justificativa.
... portanto terá empregos melhores portantoindica conclusão.
...mas terá de se esforçar para aprender. mas indica argumento
contrário, e mais forte.
... apesar de trabalhar muito. apesar indica ressalva, mas o
seu argumento é mais fraco que
o outro.
... para ter um futuro melhor. para indica finalidade,
objetivo.

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... se tiver tempo. se indica implicação (=
relação de uma coisa com
outra).
... quando mudar para a cidade. quando não indica argumento,
mas tempo.

PRINCIPAIS OPERADORES ARGUMENTATIVOS

Operadores que somam argumentos a favor de uma mesma conclusão, isto é, eles
indicam a soma de duas ideias: e, também, ainda, não só... mas também, além de..., além
disso..., aliás... Exemplo:
a) João é o melhor candidato: além de ter boa formação em Economia, tem experiência no
cargo, e também não se envolve em negociatas.
Observe que alémde e e também dão ideia de soma. Somam as idéias de boa formação em
Economia + não se envolver em negociatas.
Outro exemplo para melhor fixação do assunto:
b) João é o melhor candidato: a par de uma boa formação em Economia, também tem
experiência no cargo; além de que, não se envolver em negociatas.
Novamente temos operadores -a par de, também e além de- que somam argumentos a favor de
uma mesma conclusão.
Operadores que indicam a conclusão relativamente a argumentos apresentados em
enunciados (= frases, orações) anteriores: portanto, logo, por conseguinte, pois, em decorrência,
consequentemente...
Exemplo:
a) O custo de vida continua subindo bastante; as condições de saúde do povo brasileiro são
péssimas e a educação vai de mal a piorportanto (= logo, por consequinte, consequentemente) o
Brasil não é um país de primeiro mundo.
Operadores que indicam comparação entre elementos, com vista a uma dada conclusão:
mais... que, menos... que, tão... como, etc. Exemplos:
Antônio propõe:
_Vamos convocar Lúcia para redigir o contrato.
Jorge responde:
_ Márcia é tão competente quanto    Lúcia.
Operadores que indicam uma causa, justificativa ou explicação relativamente ao
enunciado (= frase, oração) anterior: porque, que, já que, pois (= porque), por causa de, por...
Exemplo:
Estou alegre porque fiz um bom exame.
Fiz isso por você.

Operadores que apresentam argumentos queindicam ideias contrárias, ou seja,


operadores que ligam enunciados (= orações, frases) de sentido contrário, aqui temos dois grupos:

Grupo A: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, etc;

17
Grupo B: embora, ainda que, posto que, apesar de (que),...

Toda  oração que vemà direita dos operadores: mas, porém,contudo, todavia e no
entanto sempre tem o argumento mais forte, o argumento que predomina. Exemplo:

 a) O candidato esforçou-se para causar boa impressãomas ele não foi selecionado.
Observe que o argumento que está à direita do mas é o mais forte, podemos dizer que ele
vence o argumento anterior.

É diferente, porém, o que acontece com os operadores: embora, ainda que, posto que,
apesar de (que). Esses operadores admitem o outro argumento, colocando apenas uma ressalva.
Por isso, o argumento introduzido por eles não predomina sobre o outro argumento.
Exemplos:

a) Embora o time tenha jogado bem, perdeu.


Mesmo trocando a ordem das orações, não mudaria o efeito de sentido.

b) O time perdeu, embora tenha jogado bem.

Operadores que indicam o argumento mais forte de um enunciado (= frase, oração): até,
mesmo, até mesmo, inclusive, pelo menos, no mínimo.
Exemplos:

a) A apresentação foi coroada de sucesso: estiveram presentes personalidades do mundo


artístico, pessoas influentes nos meios políticos e até o Presidente da República.

b) O homem teme o pensamento como nada mais sobre a terra, mais ainda que a ruína e
mesmo mais que a morte. (Bertrand Russel) -O filósofousou o operador mesmo para indicar o que
seria (para ele) o argumento mais forte neste enunciado.

c) O rapaz era dotado de grandes ambições; pensava em ser, no mínimo, prefeito da cidade
onde tinha nascido.
Operadores que se distribuem em escalas opostas: quase: o argumento indica maioria;
apenas(só, somente, poucos): o argumento aponta para a negação da totalidade. Exemplos:

A maioria dos alunos estuda bastante: quase 80%.


São poucos os alunos que não estudam,apenas 20%.

Operadores que indicam uma relação de condição, de condicionalidade, de implicação


entre um antecedente e um consequente: se, caso. Exemplo:

Se o aluno estudar, (então) fará uma boa prova.

A condição de o aluno estudar, implica numa boa prova.

18
Os operadores que indicam uma relação de tempo no enunciado: quando, assim que,
logo que. no momento em que...
Exemplo:

a) Assim queAntonio chegar, peça para ele vir a minha sala.

Operadores que indicam finalidade, objetivo no enunciado:para, para que, a fim de (que)...
Exemplo:

a)Eu estudo para entender melhor a minha profissão.

Eu estudo com que objetivo?com que finalidade?

 COESÃO

Coesão é microestrutural, ou seja, acontece nas frases, perto uma das outras. Ela está
sempre marcada no texto. E fácil de vê-la. Há basicamente dois tipos de coesão:

a) a coesão por substituição, que é aquela que diz respeito ao modo como as palavras e as
frases do texto substituem umas às outras .

b) a coesão por ligação é como uma palavra liga uma frase à outra. Quem faz essa ligação
e determinam a sua linha argumentativa são os operadores argumentativos.

Os principais elementos de coesão são quatro: a referência, a elipse,a conjunção - cujos


elementos são também chamados de operadores argumentativos ea coesão lexical.

Coesão referencial. É quando uma palavra remete a outra para ser entendida. Exemplos de
coesão referencial: endófora-anáfora, catáfora e exófora.

Endófora. A referência éendofórica quando o referente se acha expresso no próprio


texto, é divididaem: anáfora e catáfora.

Anáfora:Ela acontece quando o referente precede o item coesivo.


Por exemplo:Antônio saiu. Ele volta logo.

Catáfora:Ela acontece quando o referente vem após o item coesivo.


Por exemplo: João trouxe vários objetos: lápis, borracha, caneta, etc.

Exófora.Ela acontece quando a remissão é feita a algum elemento que está fora dotexto.
Por exemplo: Você está no [Português | Concurso]

O referente "você" está fora da estrutura textual, ou seja, uma remissão exofórica.

19
Coesão por elipse. É a omissão de uma palavra, uma frase ou parte de um texto, mas que
facilmente entendemos qual seja. Exemplos:

Quero estudar para ter conhecimento. (O eu não aparece, mas facilmente entende-
sequem quer ter alguma coisa. Ele está elíptico. )

Queremos mais explicações. (O pronome nós é quem está elíptico.)

 COERÊNCIA

A coerência é macroestrutural, ou seja, para que você possa achar um de seus elementos,
deve ler o texto todo. Diferentemente da Coesão, ela pode, muitas vezes, estar oculta,
subentendida, implícita.
Para que a textualidade aconteça, quatro fatores são necessários: a continuidade, a
progressão, a articulação e a não-contradição.
A continuidade é a retomada de conceitos e ideias no decorrer do texto e ideias só podem
ser retomadas por palavras... Ela acontece pela repetição da mesma palavra por um sinônimo,
por um pronome, por uma palavra da mesma área semântica do assunto principal do texto.

Levantamento dos elementos de ligação mais usuais empregados na dissertação — advérbios,


locuções, conjunções, verbos e preposições. Os itens seguintes encerram o significado de cada
grupo de elementos de ligação.

RELAÇÃO DE ELEMENTOS DE LIGAÇÃO DE IDÉIAS


SENTIDO

Prioridade, Em primeiro lugar, acima de tudo precipuamente, principalmente,


relevância primordialmente, sobretudo.

Tempo (frequência, Então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio,
duração, ordem, pouco antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida,
sucessão, afinal, por fim, finalmente, agora, atualmente, hoje, freqüentemente,
anterioridade, constantemente, às vezes, eventualmente, por vezes, ocasionalmente,
posteridade) sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente, nesse
ínterim, nesse meio tempo, enquanto, quando, antes que, depois que, logo
que, sempre que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas.

Semelhança, Igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo,


comparação, similarmente, semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira
conformidade idêntica, de conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o
mesmo ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como,bem como,
corno se.

Condição, hipótese Se, caso, eventualmente, desde que, contanto que, a não ser que, salvo se,
como, conforme, segundo, de acordo com, em conformidade com,

20
consoante, para, em consonância.

Alternância Ou, ora…ora, já…já, seja…seja, quer,..quer.

Explicação Pois, porque, por, porquanto, uma vez que, visto que, já que, em virtude de.

Fazer concessão Apesar de, embora, ainda que, se bem que, por mais que,por menos que,
por melhor que, por muito que, mesmo que.

Para concluir Portanto, por isso, assim sendo, por conseguinte, conseqüentemente, então,
deste modo, desta maneira, em vista disso, diante disso, mediante o
exposto, em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto,
assim, dessa forma, dessa maneira, logo, pois, portanto, pois, (depois do
verbo), com isso, desse/deste modo; dessa/desta maneira, dessa/desta
forma, assim, em vista disso, por conseguinte, então, logo, destarte.

Para incluir Também, inclusive, igualmente, até (inclusive)

Adição, continuação Além disso,outrossim, ainda mais, ainda por cima, por outro lado, também
e as conjunções aditivas (e nem, não só…mas também e, nem, também,
ainda além de, não apenas…como também, não só…bem como, também,
inclusive igualmente, até, bem como, não só… mas ainda, não somente
mas também, alem de, com efeito, por outro lado, ainda, realmente, ora,
acrescentando-se que, acrescente-se que, saliente-se ainda que,
paralelamente, alem disso, ademais, alem do mais, alem do que, tanto…
quanto, como se não bastasse,tanto… como.

Dúvida Talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é


certo, se é que.

Certeza, ênfase De certo, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente,


sem dúvida, inegavelmente,com toda a certeza.

Surpresa, Inesperadamente, inopinadamente, de súbito, imprevistamente


imprevisto surpreendentemente.

Ilustração, Por exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber.
esclarecimento

Propósito, Com o fim de, a fim de, com o propósito de


intenção,Finalidade

Lugar, proximidade, Perto de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro fora, mais adiante,
distância além,acolá, lá, ali, algumas preposições e os pronomes demonstrativos.

Resumo, Em suma, em síntese, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma,


recapitulação, dessa maneira, por isso, assim sendo, por conseguinte, conseqüentemente
conclusão então, deste modo, desta maneira,em vista disso, diante disso.

Causa, consequência Assim, de fato, com efeito, que, já que, uma vez que, visto que, por
21
e explicação conseguinte, logo, pois (posposto ao verbo), então conseqüentemente, em
vista disso, diante disso, em vista do que, de (tal) sorte que, de (tal) modo
que de, (tal) maneira que…, por conseqüência, como resultado, tão…que,
tanto…que, tamanha(o)…que, tal … que…,decorrente de, em decorrência
de, conseqüentemente, com isso, que, porque, pois, como, por causa de, já
que, uma vez que, porquanto; na medida em que, visto que.

Contraste, oposição, Pelo contrário em contraste com, salvo, exceto, menos, mas, contudo,
restrição, ressalva todavia, entretanto, embora, apesar, ainda que, mesmo que, posto que,
conquanto que, se bem que, por mais que, por menos que, porém, contudo,
todavia, entretanto, no entanto, não obstante, senão, opor-se, contrariar,
negar, impedir, surgir em oposição, surgir em contraposição apresentar em
oposição, ser contrário.

Afirmação Consistir, constituir, significar, denotar, mostrar, traduzir-se por, expressar,


representar, evidenciar.

Causalidade Causar, motivar, originar, ocasionar, gerar, propiciar, resultar, provocar,


produzir, contribuir, determinar, criar.

Finalidade Visar, ter em vista, objetivar, ter por objetivo, pretender, tencionar, cogitar,
tratar, servir para, prestar-se para.

Palavras de Palavras responsáveis pela coesão do texto por estabelecem a inter-relação


transição entre os enunciados (orações, frases, parágrafos), são preposições,
conjunções alguns advérbios e locuções adverbiais. Inicialmente (começo
introdução) desde já (começo introdução) a principio, a priori (começo),
em primeiro lugar (começo)além disso (continuação), do mesmo modo
(continuação), acresce que (continuação), ainda por cima (continuação),
bem como (continuação),  outrossim (continuação), enfim (conclusão),
dessa forma (conclusão), em suma (conclusão), nesse sentido (conclusão),
portanto (conclusão), afinal (conclusão),logo após (tempo), ocasionalmente
(tempo), posteriormente (tempo)atualmente (tempo), enquanto isso
(tempo), imediatamente (tempo), não raro (tempo), concomitantemente
(tempo), igualmente (semelhança, conformidade), segundo (semelhança,
conformidade), conforme (semelhança conformidade) assim também
(semelhança, conformidade), de acordo com (semelhança, conformidade),
daí (causa e consequência), por isso (causa e consequência), de fato (causa
e consequência), em virtude de (causa e consequência), assim (causa é
consequência) naturalmente (causa e consequência),  então (exemplificação
esclarecimento), por exemplo (exemplificação, esclarecimento) isto é
(exemplificação esclarecimento), a saber (exemplificação, esclarecimento),
em outras palavras (exemplificação esclarecimento), ou seja
(exemplificação esclarecimento) quer dizer (exemplificação
esclarecimento) rigorosamente falando (exemplificação, esclarecimento).

Coesão por Substituição de um nome (pessoa, objeto, lugar etc.) verbos períodos ou
22
substituição trechos do texto por uma palavra ou expressão que tenha sentido próximo,
evitando a repetição no corpo do texto. Ex.: Porto Alegre pode ser
substituída  por “a capital gaucha;Castro Alves pode ser substituído por “O
Poeta dos Escravos ;João Paulo II: Sua Santidade;

FAZENDO CITAÇÕES

40 citações filosóficas para usar em sua redação

A prova de redação, principalmente a do Enem, é extremamente interdisciplinar. Espera-se


que o candidato, além de demonstrar conhecimento da norma culta da língua portuguesa e de
técnicas para construção dos parágrafos de introdução, desenvolvimento e conclusão, transpareça
também o domínio do tema e suas consequências no mundo atual.

E para deixar claro que realmente tem essa habilidade, é importante que o aluno lance mão
de estratégias na construção de sua argumentação, principalmente através de alusões históricas
(fazer paralelos entre passado, presente e futuro, relembrando acontecimentos históricos
importantes) e citações filosóficas.

O uso de citações literárias ou filosóficas na construção da redação, quando incluídas no


contexto correto, agregam riqueza ao texto. Uma citação bem utilizada informa ao corretor que o
candidato tem conhecimentos que vão além do que está presente nos textos de apoio, além de
aprimorar a argumentação com falas de mestres no assunto.

Porém, é de suma importância que os estudantes usem citações filosóficas em sua redação
com cuidado. Se usá-la fora de contexto ou errar a autoria, será muito prejudicado na sua nota final.

Abaixo, deixo alguns exemplos de citações interessantes que podem ser usadas em
diferentes contextos nas suas redações. Tomei a liberdade de destacar em negrito as minhas
preferidas.

1. “Toda hora é hora de fazer o que é certo.” - Martin Luther King


2. “O ser humano é aquilo que a educação faz dele.” - Immanuel Kant
3. “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens.” - Pitágoras
4. "A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar." - Martin Luther
King
5. "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons." - Martin Luther King
6. "Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer" - Aristóteles
7. "Os fins justificam os meios" - Maquiavel | "O mundo se tornou mais parecido com aquele
de Maquiavel" - Bertrand Russell
8. "O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado" - Jean-Jacques Rousseau
9. "A vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos" - Jean-Jacques Rousseau.
10. "Deixe a mulher compartilhar dos direitos e ela emulará as virtudes do homem" - Mary
Wollstonecraft

23
11. "Todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo" -
Arthur Schopenhauer
12. "Sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano" - John Stuart Mill
13. "A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história da luta de classes" - Karl
Marx
14. "Deve o cidadão, por um momento sequer, renunciar à sua consciência em favor do
legislador?" - Henry David Thoreau
15. "O homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um
abismo" - Friedrich Nietzsch
16. "Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo" - George
Santayana
17. "A história não nos pertence: nós pertencemos a ela" - Hans-Georg Gadamer
18. "Quanto aos homens, não é o que eles são que me interessa, mas o que eles podem se tornar"
- Jean-Paul Sartre
19. "O sentido fundamental da liberdade é liberdade dos grilhões" - Isaiah Berlin
20. "O que faríamos sem uma cultura?" - Mary Midgley
21. "A arte é uma forma de vida" - Richard Wollheim
22. "Os Estados não são agentes morais; as pessoas são" - Noam Chomsky
23. "A sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições" - Jürgen Habermas
24. "Que tipo de mundo podemos preparar para os nossos bisnetos?" - Richard Rorty
25. "Se podemos contar uns com os outros, não precisamos depender de mais nada" - Richard
Rorty
26. "Sem um fim social o saber será a maior das futilidades." - Gilberto Freyre
27. "A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces." - Aristóteles
28. "É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da
humanidade." - Immanuel Kant
29. "A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor." - Padre Antônio Vieira
30. "Toda a educação, no momento, não parece motivo de alegria, mas de tristeza. Depois, no
entanto, produz naqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça." - Bíblia
(Hebreus 12:11)
31. "A vida deve ser uma constante educação." - Gustave Flaubert
32. "O resultado mais sublime da educação é a tolerância." - Helen Keller
33. "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina." - Cora Coralina
34. "A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo." - Nelson
Mandela
35. "Devemos promover a coragem onde há medo, promover o acordo onde existe conflito, e
inspirar esperança onde há desespero." - Nelson Mandela
36. "A maior necessidade de um Estado é a de governantes corajosos." - Johann Goethe
37. "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." -
Paulo Freire
38. "Ninguém liberta ninguém. As pessoas se libertam em comunhão." - Paulo Freire
39. "Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes." - Paulo Freire
40. "Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém." - Paulo Freire

24
A PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

Antes de montar sua proposta, procure responder perguntas como:

 O que é possível apresentar como proposta de intervenção para o problema


abordado pelo tema?
 Quem deve executá-la?
 Como viabilizar essa proposta?
 Qual efeito ela pode alcançar?

Atente-se aos detalhes!

1. A prova pede uma intervenção, não uma solução

As questões sociais apresentadas na prova são frequentemente complexas e muitas vezes


históricas – ou seja, já recebem atenção da sociedade e dos governos há muito tempo. Portanto, não
se espera que o candidato, no Enem, apresente uma proposta que vá resolver a situação, mas sim
enfrentá-la. E essa proposta não precisa necessariamente ser original e inédita. Ela pode envolver
medidas já propostas no passado ou ampliar ações já adotadas (como aumentar o valor de multas,
por exemplo). O importante é que essa proposta seja apresentada com bons argumentos.

Esse aspecto é destacado pelo professor Yeso Osawa, do Curso Positivo, de Curitiba:
“Proposta de intervenção não é apenas aquilo que está por ser feito. Pode ser que alguém, em algum
lugar, já tenha experimentado o que você está propondo. Está aí um bom chamariz para valorizar o
seu texto. É possível mencionar um procedimento já existente como aquilo que pode balizar a sua
sugestão.”

2. Detalhe sua proposta

Propostas completas são fundamentais para garantir os 200 pontos, porque expressam sua
capacidade de compreender a abrangência e complexidade de questões sociais e de como podem ser
encaminhadas. Segundo Ana Paula Dibbern, professora e coordenadora do Cursinho Maximize, de
São Paulo, “é recomendável que a proposta de intervenção social contemple mais de uma ação. Ou
seja, sobre o tema da Lei Seca, por exemplo, a proposta poderia conter uma intervenção no sentido
de conscientizar as pessoas (educação para o trânsito) e outra relacionada à regulação e fiscalização.
Mas é preciso ser cuidadoso, já que as duas ações precisam estar detalhadas, interligadas e claras.”

Sua proposta deve conter:

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Síntese – Explicite por que sua proposta interfere positivamente na questão colocada.

O agente ou agentes sociais – Quem implementará a proposta: a família, a comunidade, secretarias


municipais ou estaduais de saúde, de educação, o Ministério da Educação ou da Cultura, um dos
governos (federal, estadual ou municipal), as escolas da Educação Básica, as universidades,
organizações governamentais?

Implementação – Como ela será feita? Por exemplo, com a adoção de um programa de governo e
por meio de atendentes presenciais, como assistentes sociais ou enfermeiros; por campanhas
públicas de comunicação, por campanhas educativas, com a inclusão nos livros didáticos, com
distribuição de recursos como alimentos, remédios, vacinas…

Outros mecanismos – Sugerir formas de custeio demonstram compreensão dos diferentes


mecanismos existentes e possíveis, como um novo imposto, verba do orçamento público, taxas
sociais, criação de fundos de governo, participação da iniciativa privada, royalties de exploração do
petróleo etc. Procure informar-se a respeito.

3. Respeite os direitos humanos

Desrespeitar os direitos humanos em sua redação pode zerar a sua nota. Para garantir que sejam
levados em conta, no entanto, é preciso inteirar-se sobre o que são eles. Após a aprovação da
Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas, depois da II
Guerra Mundial, outras convenções posteriores incorporaram novos direitos, como os das pessoas
com deficiência, por exemplo. Procure saber mais sobre eles.

A professora Dibbern sugere que você se pergunte: “Será que a implantação de minha ideia
prejudicaria ou seria injusta com algum grupo na sociedade? A realização do projeto que defendo
aqui traria algum dano ambiental? Essa proposição traz argumentos contrários àqueles defendidos
pelos movimentos sociais? Se a resposta for sempre “não”, provavelmente você está no caminho
certo.”

4. Situe a questão nos níveis individual e social

A proibição de desrespeitar os direitos humanos na sua redação já sugere a preocupação da prova


com essas duas dimensões, a do indivíduo e a coletiva, da sociedade. Isso porque inúmeras questões
sociais só podem evoluir e melhorar com mudanças de comportamento das pessoas. Pense, para sua
argumentação, aspectos envolvendo as duas dimensões e como sua proposta interfere em cada uma
delas.

Devo colocar a proposta sempre no final do texto?

26
Depende. A proposta de intervenção social tem mais força quando aparece no fim da redação, desde
que esteja amarrando com clareza sua argumentação. “É importante que os argumentos defendidos
pelo estudante sejam coerentes entre si e contribuam na defesa do seu ponto de vista. Ou seja, as
ideias apresentadas ao longo do texto devem culminar na proposta de intervenção. É mais seguro
seguir o modelo tradicional de ‘introdução – argumentação – conclusão’, e inserir a proposta de
intervenção na conclusão” recomenda Dibbern. Mas não é proibido fazer uma afirmação de
propostas no início da dissertação, desde que isso seja retomado na conclusão. O professor Ieso
Osawa ressalva: “Seu texto pode antecipar algumas ideias com relação ao que seriam as formas de
intervenção. Ao condensar tudo naquele último parágrafo, e quando são muitas coisas, há a
possibilidade de que fique tudo “embolado” naquele trecho, e você corre o risco de perder unidade
com a argumentação e o foco.”

RECAPITULANDO...
O ideal é que sua proposta de intervenção venha no último parágrafo e ocupe mais ou menos 6
linhas. Ao avaliá-la, o corretor irá observar se você:

1. REAFIRMOU SUA TESE NO INÍCIO DO PARÁGRAFO DE CONCLUSÃO

É inadequado já começar o parágrafo com a proposta de intervenção. Contextualize que você


está concluindo a ideia geral do texto por meio de uma retomada de tese. Não se trata de repeti-la,
mas sim reafirmá-la. A retomada é importante para demonstrar que você sabe fazer o bom
encadeamento das ideias em toda a redação. Mas, atenção: seja breve.

2. DETALHOU BEM A PROPOSTA

Você deve levar em conta que há um espaço limitado e que tudo o que for apresentado como
problema na sua argumentação deve ser resolvido no final. Organize-se para conseguir ser
completo: apresentar QUEM irá resolver o problema, DE QUE FORMA isso será feito e PARA
QUAL PROPÓSITO.

3. DIVIDIU AS RESPONSABILIDADES

É próprio do senso comum responsabilizar exclusivamente o governo na proposta. O ideal é que


você atribua responsabilidades sociais. Grave o macete: GOMIFES > Governo, ONGs, Mídia,
Indivíduo, Família, Escola e Sociedade. Escolha o agente mais adequado para resolver a situação-
problema e estabeleça, por exemplo, parcerias entre eles. Ex.: Governo e mídia… Família e
Escola…

4. APRESENTOU SOLUÇÕES VIÁVEIS


27
É realmente possível colocar em prática sua proposta? Se sim, ela é viável. Não dê soluções
fantasiosas, lembre-se de que o Enem não espera uma solução inovadora desde 2013. Além disso,
observe se o agente escolhido é, de fato, capaz de intervir na situação. Você pode, inclusive,
aprimorar uma proposta já existente, como o governo ampliar leis já em vigor ou a mídia divulgar
assiduamente campanhas já veiculadas sobre determinado assunto, por exemplo.

5. RESPEITOU OS DIREITOS HUMANOS

Desrespeitar os Direitos Humanos é um erro comum e que pode levar o candidato à nota zero. Todo
cidadão tem direito à igualdade, à livre manifestação religiosa, entre outros. Portanto, não dê
propostas que vão contra esses direitos e cuidado com as expressões tendenciosas que incitam à
violência. Observe alguns trechos de propostas que receberam nota zero na redação no Enem 2015
pelo Inep:

“ser massacrado na cadeia”;

“deve sofrer os mesmos danos causados à vítima, não em todas as situações, mas em algumas ou até
mesmo a pena de morte”;

“fazer sofrer da mesma forma a pessoa que comete esse crime”;

“deveria ser feita a mesma coisa com esses marginais”;

“as mulheres fazerem justiça com as próprias mãos”;

“merecem apodrecer na cadeia”;

“muitos dizem […] devem ser castrados, seria uma boa ideia”.

6. FINALIZOU O TEXTO

A redação não deve acabar “do nada”. Elabore um período breve e objetivo que dê fechamento às
ideias Não use frases de efeito e evite linguagem que remeta ao sentimentalismo, por exemplo:
“Com tais medidas será possível, por fim, salvar as crianças de situações lamentáveis como essas.”
A ideia de que a sua proposta irá salvar as crianças é um tanto utópica e você não pode garantir isso.
Portanto, evite.

É comum surgirem muitas ideias para resolver o problema. Por isso, seja criterioso e opte por
descrever a intervenção que melhor se aplica aos problemas.

OUTRAS DICAS

28
Verbos
Os verbos dão o recado. São o mapa que norteia o caminho da locomotiva-sujeito e dos vagões-
predicados. Quando fracos e vagos, deixam a frase sem vigor. Acompanhe estes enunciados,
comuns em teses, dissertações, e-mails, reportagens de jornais e revistas:

 Este trabalho visa analisar as causas da violência doméstica.


 Nossa pesquisa busca conhecer a realidade dos meninos de rua.
 Esta tese pretende discutir o preconceito racial nas escolas.
 O presidente da República deve anunciar a candidatura à reeleição em dois meses.
 O cantor pode apresentar nova canção durante o espetáculo.

O que eles têm em comum? Usam mais de um verbo para dizer alguma coisa. O tom da
frase torna-se hesitante. O autor parece fugir da raia. Fala, mas fica em cima do muro. Que
tal conjugar o verbo assumir?

 Este trabalho apontará as causas da violência doméstica.


 Nossa pesquisa revela a realidade dos meninos de rua.
Esta tese analisa o preconceito racial nas escolas.
 O presidente da República anunciará a candidatura à reeleição em dois meses.
 O cantor apresentará nova canção durante o espetáculo.

Locuções

Locuções são duplas, trios, quartetos de vocábulos que cumprem, juntos, uma função na
frase. É possível passar o facão – menos palavras podem dar o recado. Deste jeito:

Verbo + substantivo

pôr ordem nas ideias = ordenar as ideias


pôr moeda em circulação = emitir moeda
fazer uma redação = redigir
fazer um discurso = discursar
fazer uma viagem = viajar
ver a beleza da noiva = admirar a noiva

Ficou mais preciso e elegante, não? Fazer, pôr, dizer, ter e ver são figurinhas carimbadas nas
locuções vagas. Substitua-as.

beleza de anjo = beleza angelical


líquido sem cheiro = líquido inodoro
29
população das margens dos rios = população ribeirinha
paixões sem freios = paixões desenfreadas
água boa para beber = água potável
material de guerra = material bélico

Percebeu a diferença? As duplinhas substantivo + preposição podem ser trocadas por pares de
substantivos e adjetivos. A alteração de uma forma pela outra deixou as expressões mais
sofisticadas, não é? Trata-se de mudança sutil, mas relevante.

Redundâncias

Redundância, nome sofisticado para o blá-blá-blá, é um tipo de prolixidade. Nada criativa, repete a
ideia com palavras diferentes. Parece que o autor duvida da capacidade do leitor de entender o
recado. Observe estes exemplos:

A decisão de toda a diretoria foi unânime. [Não seria unânime se alguém da diretoria tivesse
discordado.]

É terminantemente proibido pichar a parede. [Proibir quer dizer proibido em qualquer


circunstância.]

Há casos mais sutis. Analise este texto, extraído de tese apresentada à Universidade de São Paulo
para obtenção de título de doutor:

Em muitos países, os formuladores de políticas estratégicas e os planejadores das atividades


turísticas precisam justificar economicamente o porquê da necessidade de exploração do turismo
em áreas consideradas ambientalmente sensíveis.

Ora, ao dizer que técnicos precisam justificar economicamente a exploração do turismo em áreas
ambientalmente sensíveis, o autor dispensa o uso da expressão “o porquê da necessidade”.

Quer mais pleonasmos? Aqui vão velhos conhecidos:

Abusar (demais), amanhecer (o dia), amigo (pessoal), brigadeiro (da Aeronáutica), certeza
(absoluta), comparecer (pessoalmente), (completamente) vazio, consenso (geral), continua a
(permanecer), criar (novo), descer (para baixo), detalhes (minuciosos), elo (de ligação),
empréstimo (temporário), erário (público), encarar (de frente), exultar (de alegria), ganhar (de
graça, grátis), gritar (bem alto), jantar (de noite), manter (a mesma), minha opinião (pessoal),
monopólio (exclusivo), multidão (de pessoas), (outra) alternativa, panorama (geral), (pequenos)
detalhes, planos (para o futuro), prevenir (antes que aconteça), retornar (de novo), sorriso (nos
lábios), surpresa (inesperada), última versão (definitiva), vereador (da cidade).

30
Queísmo

Responda rápido: que palavra aparece com mais frequência nos textos? Aposte no quê. Esse senhor
é mais rotineiro do que (olha ele aí, gente!!) ônibus. Dê um jeito nele. Há saídas:

Elimine que é, que foi, que era

O presidente do Sindicato dos Artistas, (que foi) famoso ator de teatro, pediu demissão do cargo.

Marina recusou milionária proposta de trabalho, (que é) sonho de muitos médicos, para ficar com
os filhos.

Os políticos, (que eram) respeitados no passado, agora são vaiados nas ruas.

A maior parte da população de Bogotá, (que é) capital da Colômbia, já se acostumou om a


insegurança nas ruas.

Troque oração adjetiva por nome

pessoa que se alimenta de carne = pessoa carnívora

criança que não tem educação = criança mal-educada

homem que planta café = cafeicultor

pessoa que trabalha na agricultura = agricultor

Reduza orações

Já que encomendei o bolo, esquecerei a dieta.

Encomendado o bolo, esquecerei a dieta.

Depois que tiver escrito o capítulo, farei os cortes.

Escrito o capítulo, farei os cortes.

Assim que tiver terminado o curso, viajarei para a Europa.

Terminado o curso, viajarei para a Europa.

Substitua a oração pelo termo nominal

A sociedade exige que o parlamentar seja afastado.

A sociedade exige o afastamento do parlamentar.


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Ninguém duvida de que a inflação esteja sob controle.

Ninguém duvida do controle da inflação.

Ficou muito melhor, não? Economize. Bote os quês para correr.

A PONTUAÇÃ O

A língua falada é muito rica de expressões, por este motivo é preciso aprimorar as frases da
língua escrita, de modo a facilitar a compreensão da informação. Os sinais de pontuação não
possuem a riqueza das palavras ditas oralmente, mas eles estruturam os textos e estabelecem as
pausas comuns na fala, além das entonações.

Veja os seguintes exemplos, sem sinal de pontuação:

Maria comeu dois lanches

Antônio pode fazer um favor para mim

João Pedro e Gustavo são amigos de infância

Não aceito

Na primeira frase, poderíamos colocar um ponto de interrogação, um ponto de exclamação e


também um ponto final, dependendo de como desejamos nos expressar.

É uma pergunta sobre quantos lanches Maria comeu? Uma surpresa por ela ter comido dois
lanches? Ou apenas uma comunicação da quantidade?

Até reticências servem aqui: Maria comeu dois lanches…

Na segunda oração, temos também três opções: uma pergunta direta para Antônio,
questionando se ele pode fazer o favor, com ponto de interrogação no final da pergunta e vírgula
após o nome (vocativo); uma comunicação, informando da disponibilidade de Antônio a outra
pessoa, ou até mesmo uma exclamação, caso não seja comum a Antônio fazer favores.

No terceiro enunciado, você consegue entender quantos homens são amigos de infância?

32
Podem ser dois (João Pedro e Gustavo) ou três (João, Pedro e Gustavo). Aqui temos também
três possibilidades: uma pergunta sobre se eles são amigos de infância, uma exclamação pela
surpresa do tempo de amizade, ou apenas uma informação, com ponto final.

Na última frase, pode ser uma negação (como está, apenas acrescida de ponto final), uma
exclamação ou então uma resposta de pergunta (não, aceito).

Conseguiu perceber a importância dos sinais de pontuação? É incrível, não é mesmo? São
muitas possibilidades trazidas por eles!

A VÍRGULA

A vírgula é indicativa de pausa pequena na frase, deixando o interlocutor à espera de


continuação. Ela é utilizada em diversas situações, que serão exemplificadas abaixo:

 Em datas, onde o nome da cidade aparece: Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 2018.


 Em respostas afirmativas ou negativas, no início da frase: sim, por favor.
 Em correspondências sociais ou comerciais, após a saudação: Atenciosamente, Paulo.

Ela também é usada para separar termos com mesma função sintática:

Exemplo: Emanuel levou duas calças, três camisas, um boné e um par de meias.

Obs.: entre o penúltimo e o último termo, a conjunção “e” deve substituir a vírgula.

Também utiliza-se vírgula para destacar elementos intercalados, como:

 Conjunções: Trabalhamos por um ano, portanto, temos direito a férias por trinta dias.
 Adjuntos adverbiais: Gerônimo, com certeza, passará por esta rua.
 Vocativo: Tereza, abra essa porta!
 Aposto: Lucas, o atacante do time, está suspenso.
 Expressões explicativas: Gabriel e Mariana, isto é, um casal de namorados, foram vistos
juntos.

Outras utilizações:

 Para separar termos destacados da posição normal da frase: A bolsa térmica que estava aqui,
você viu?
 Em separação de elementos paralelos de um provérbio: Filho de peixe, peixinho é.

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 Para destacar pleonasmo antecipado ao verbo: Minhas amigas, as receberei amanhã para um
café.
 Na indicação de elipse de um termo: Mariele foi de carro; eu, de metrô.
 Para isolar elementos repetitivos: No dia do meu casamento, eu estava muito, muito, muito
feliz!
 Na separação de orações intercaladas: O essencial, insistia ele, era invisível aos olhos.
 Na separação de orações coordenadas assindéticas: O carro buzinou e foi andando, não
desacelerou, não parou na faixa de segurança.
 Nas orações coordenadas adversativas, conclusivas, explicativas e em algumas orações
alternativas: Estude bastante, pois a caneta é mais leve do que a pá.
 Na separação de orações subordinadas substantivas e adverbiais, quando estivem antes da
oração principal: Quem fez isto, eu gostaria de saber.
 Para isolar orações subordinadas adjetivas explicativas: Natália, que é uma amiga fiel, me
ajudou em momentos de necessidade.

O PONTO E VÍRGULA

Ao contrário da vírgula, a pausa é maior quando se utiliza ponto e vírgula em uma oração.
Contudo, é menor que o ponto.

Ele indica, na “melodia” da frase, um tom ligeiramente descendente, assinalando que a frase
ainda não acabou. É utilizando quando:

 Se deseja separar orações coordenadas onde não há uma conjunção, mas há relação
entre si: O dia está lindo; vamos fazer um piquenique.
 Se quer separar orações coordenadas, quando pelo menos uma delas já utiliza
elementos separados por vírgula: O que aconteceu foi isto: doze pessoas foram a
favor do plano; três, contra;
 É preciso separar itens em enumeração: Vamos comprar brinquedos; roupas;
calçados.
 Se pretende alongar a pausa em conjunções adversativas: Gostaria de ir ao cinema;
contudo, não tenho dinheiro.
 Houver separação de orações coordenadas adversativas, e a conjunção aparecer no
meio da oração: Pretendia fazer compras hoje; choveu, entretanto, e atrapalhou meu
plano.

DOIS PONTOS:

A utilização de dois pontos acontece para causar uma sensível suspensão na comunicação, em frase
à espera de conclusão. Devemos utilizá-los:

 Para anunciar falas de personagens: Ao entrar no quarto dele, perguntei: – Você gostaria de
jantar logo?

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 Quando mencionar uma citação: Como na música de Legião Urbana: “Até bem pouco
tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem?”.
 Para anunciar uma enumeração: Tenho várias frutas aqui: duas maçãs, três bananas, cinco
pêssegos e um melão.
 Antes de orações apositivas: Só aceito com uma condição: serás leal a mim.
 Na indicação de esclarecimentos, resultados ou resumos: Resultado do dia: um braço
quebrado.
 Na invocação de correspondências: Caro colega de trabalho: Pedimos a gentileza de…

PONTO FINAL

O ponto final é a pausa máxima da voz, com melodia descendente. Seu emprego acontece:

 No fechamento de períodos declarativos e/ou imperiosos: Falei com Joaquim na manhã de


hoje. Outro exemplo: Não aceito que faças isto em minha casa.
 Nas abreviaturas: N. Sra. Aparecida. Mais um: Dr.

TRAVESSÃO

Não confunda travessão com hífen, porque o travessão é maior. Ele é empregado em diversos casos,
como:

 No discurso direto, para indicar a fala do personagem ou mudança de interlocutor em um


diálogo. Exemplos: – Jeferson, você viu que seu telefone caiu no chão? – Não, eu tinha
percebido.
 Na separação de expressões ou frases explicativas, se estiverem intercaladas: Ele atravessou
a rua sem olhar – estava muito alterado para prestar atenção – e não reparou que vinha um
carro em alta velocidade.
 Quando se deseja destacar algum elemento no interior da frase, podendo ou não reforçar o
aposto: O time do Flamengo – com todos os jogadores titulares – entrou em campo disposto
a ganhar a taça.
 Em alguns casos, como substituto de parênteses, dois pontos ou vírgula: As férias mal
começaram – e não dá para acreditar – já acabaram.

ASPAS

As aspas destacam uma parte do texto. Que partes podem ser estas?

 Antes e depois de transcrições ou citações textuais: Conforme consta no livro O Pequeno


Príncipe: “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.”.

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 Na representação de títulos ou legendas: O último livro de Dan Brown, lançado no Brasil,
chama-se “Origem”.
 Quando são escritos termos estrangeiros, gírias, neologismos, expressões populares ou
ironia: O “show” vai começar.
 Para realçar palavras ou expressões: Ex.: Estas são algumas preposições: “de”, “por”,
“entre” e “ante”.

A IMPESSOALIDADE NO TEXTO

Ser impessoal é:

 Se afastar do texto;
 Evitar expressões e posicionamentos extremistas ou muito pessoais;
 Usar ideias e reflexões de outros teóricos para fortalecer sua argumentação;
 Ser o mais generalista possível na exposição das ideias.

Marcas da Subjetividade Marcas da impessoalidade


 Verbos em 1ª pessoa:  Verbos em 3ª pessoa ou com sujeito
Compreendemos, percebemos, observamos indeterminado:
Compreende-se / É possível
 Determinação por pronomes: compreender
Nosso país precisa investir mais em educação. Percebe-se / É perceptível
Nossa nação se caracteriza pela miscigenação. Observa-se / É possível observar

 Substituição dos determinantes por


outras expressões:
O Brasil precisa investir mais em educação.
A nação brasileira se caracteriza pela
miscigenação.

Exemplos:
Texto em 1ª pessoa:

“Assistimos hoje ao fenômeno da expansão das redes sociais no mundo virtual, um crescimento que
ganha atenção por sua alta velocidade de propagação, trazendo como consequência, diferentes
impactos para o nosso cotidiano. Assim, faz-se necessário um cuidado, uma cautelosa discussão a
fim de encarar essa nova realidade com uma postura crítica e cidadã para então desfrutarmos dos
benefícios que a globalização dos meios de comunicação pode nos oferecer.”

Texto em 3ª pessoa:

“A sociedade assiste hoje ao fenômeno da expansão das redes sociais no mundo virtual, um
crescimento que ganha atenção por sua alta velocidade de propagação, trazendo como
consequência, diferentes impactos para o cotidiano dos indivíduos. Assim, faz-se necessário um
cuidado, uma cautelosa discussão a fim de encarar essa nova realidade com uma postura crítica e
cidadã para então se poder desfrutar dos benefícios que a globalização dos meios de comunicação
pode oferecer.”

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E PARA FINALIZAR...
35 TEMAS PARA VOCÊ PESQUISAR E TREINAR!

1. Saúde Mental

Já ouvimos falar que a depressão é o mal do século XXI. Realmente, muitas doenças mentais têm
afetado a população, como depressão, ansiedade, bipolaridade e síndrome do pânico. Inclusive,
essas enfermidades, muitas vezes, são causadoras de suicídios, assunto que foi muito tratado em
2017 devido ao jogo Baleia Azul e à série 13 Reasons Why.

2. O Combate às Doenças Epidêmicas

O combate à dengue já foi muito discutido na sociedade e vira-e-mexe tem outra doença epidêmica
assombrando a população brasileira, como o Zika Vírus e a Chikungunya. Esse ano, é a febre
amarela que tem se propagado. Vale a pena se inteirar sobre o assunto.

3. A Influência da Ciência na Sociedade

Os avanços científicos são muito importantes para a população. Inclusive, isso foi muito discutido
quanto à produção de vacinas para as doenças epidêmicas que tratamos no assunto anterior. Os dois
temas podem ser abordados conjuntamente.

4. Situação do Idoso no Brasil

A reforma da previdência está em evidência no governo atual. Dentro dessa perspectiva, é plausível
cair um tema que aborde a situação dos idosos, principalmente focando na questão econômica,
como a aposentadoria.

5. O Papel do Esporte na Sociedade

Esse é um assunto sempre cogitado em épocas de Olimpíadas e Copa do Mundo. Muitos atletas têm
ascensão social devido à carreira no esporte, assim como muitas organizações têm projetos sociais
voltados a isso.

6. Violência Urbana

Assaltos e roubos estão ficando cada vez mais frequentes nas cidades, principalmente nas
metrópoles. As causas de tanta violência e como lidar com isso são formas de como essa temática
pode aparecer na sua prova.

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7. Sistema de Segurança Pública

Falando em violência urbana, uma das formas de combatê-la é a segurança pública. O Presidente do
Senado apresentou, no início desse ano, o desejo de desenvolver um sistema integrado de segurança
pública. É importante entender essa proposta e saber como isso funcionaria, assim como suas
vantagens ou desvantagens.

8. Sistema Carcerário

Sabemos que o sistema carcerário no Brasil está superlotado, deixando os presos em condições
subumanas. Essa situação tem gerado muitas rebeliões em todo o país, principalmente na região
norte.

9. Saída Temporária de Presos

Um projeto de lei está discutindo proibir a saída temporária de presos em datas comemorativas,
como dia das mães e natal. Para pensar nessa situação, é importante compreender tanto a situação
do preso como as consequências das “saidinhas” para a sociedade.

10. Veracidade de Informações nas Redes Sociais

Outro projeto de lei coloca a propagação de informações falsas (fake news) nas redes sociais como
crime, sujeito à reclusão. Isso pode gerar discussões sobre o papel da internet quanto às informações
nela contidas.

11. Privacidade na Internet

Dentro do assunto internet, outra temática provável é quanto à privacidade de informações pessoais,
tanto em questão a fotos íntimas como sobre nossos dados pessoais usados pelos sites e aplicativos
para ofertar produtos e serviços. O controle que o Estado faz dessas informações também pode ser
abordado nessa discussão.

12. Corrupção na Política

A operação Lava Jato e o julgamento do ex-presidente Lula são exemplos de atualidades com essa
temática. Recentemente, também se tem discutido sobre o pagamento de auxílio moradia para
políticos com altos salários.

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13. Impactos Ambientais Causados Por Grandes Corporações

No último ano, isso foi muito discutido por causa da tragédia em Mariana, em Minas Gerais,
causada por uma empresa do grupo Vale do Rio Doce. Essa temática pode voltar a aparecer sobre
diversas outras perspectivas, então é válido acompanhar notícias sobre o assunto.

14. Os Direitos da População Indígena

Respeito à cultura indígena e demarcação de terras são duas abordagens que esse tema pode ter.
Entender a história e os direitos da população indígena ajuda a argumentar nesse tema.

15. Consumo de Álcool e Cigarro por Menores de Idade

Tem-se debatido proibir a venda de cigarros com aromas e sabores diferentes, como mentolados,
para não incentivar o consumo por adolescentes. Entretanto, menores de idade já são proibidos de
consumir álcool e cigarro, mas sabemos que, na prática, muitos conseguem utilizar e comprar tais
produtos. Como limitar mais esse consumo pode ser um tema de redação na sua prova, assim como
os efeitos desse consumo e de outras drogas que afetam a saúde humana.

16. Educação Domiciliar

Outro projeto de lei defende que ensinar os filhos em casa, ao invés de optar pela educação
tradicional nas escolas, não seja crime. Podemos pensar no impacto disso quanto à sociabilidade das
crianças e a padronização do ensino, assim como associar essa decisão dos pais à precariedade do
ensino público brasileiro.

17. Sistema de Votos Eleitorais

Atualmente, o voto no Brasil é obrigatório. Em outros países, é facultativo, ou seja, só vota quem
realmente quer participar dessa decisão política. Como é ano de eleição, essa discussão certamente
pode aparecer na sociedade.

18. Homofobia e Transfobia

O respeito às pessoas homossexuais, travestis e transexuais é algo que, com certeza, precisamos
discutir, já que muito preconceito e violência física e moral ainda ocorre com essa parcela da
sociedade.

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19. Pichação e Grafite

Nossa legislação determina que pichação é crime, mas grafite não. Essa diferenciação é muito
discutida quanto à liberdade de manifestação política e criação artística. É importante saber a
diferença e ver opiniões diferentes sobre esse tema.

20. Padrão Estético Corporal

Usar Photoshop para retocar celulite em fotos de famosas e alisar cabelos são exemplos de como
acontece a padronização de um corpo ideal. A busca por esse ideal pode causar doenças físicas e
emocionais, além de preconceitos como gordofobia e racismo.

21. A prática do bullying e cyberbullyng nas escolas escolas brasileiras

Um dos temas de Redação para o Enem 2018 mais cotados é a prática de bullying e cyberbulling
nas escolas brasileiras. O tema é atual e tem sido alvo de muitas discussões. Por isso, é um grande
candidato para o Enem.

Bullying significa uma situação em que são utilizadas agressões intencionais que podem ser físicas
ou verbais, de forma repetitiva. A agressão pode ser feita por uma ou mais pessoas — geralmente
adolescentes em fase escolar — contra um ou mais colegas.

Já o cyberbullying consiste no uso de tecnologias de informação e comunicação para incentivar


comportamentos agressivos praticados por um ou mais indivíduos.

De acordo o Pisa — Programa Internacional de Avaliação de Estudantes —, 17,5% dos estudantes


das escolas brasileiras, na faixa de 15 anos, revelaram terem sido alvo de algum tipo de bullying.

Atualmente é muito comum tanto o bullying quanto o cyberbullying em escolas e, na maioria das
vezes, eles caminham juntos.

Com a perspectiva de evitar esse tipo de comportamento, entrou em vigor a lei antibullying, que
prevê diversas ações contra esse tipo de violência, principalmente nas escolas. Mas, apesar dos
diversos casos de bullying e cyberbullying todo ano, a lei ainda esbarra em problemas de
fiscalização e por falta de práticas preventivas.

Segundo Luciene Tognetta, que é especialista em psicologia escolar pela Universidade Estadual
Paulista (Unesp), falta monitoramento dos casos de bullying. Além disso, existe ainda uma grande
dificuldade em estudar e entender o assunto.

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22. O aumento de DST’s entre os jovens brasileiros.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, só em 2005, o número de casos de HIV passaram de
16,2% para 33,1% em um grupo de 100 mil habitantes entre as idades de 20 a 24 anos.

O HIV representa apenas uma das DST’s comuns entre os jovens. Hepatite C, gonorreia, sífilis,
herpes genital, HPV, clamídia e outras doenças têm crescido nas estatísticas entre os jovens
brasileiros.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo, os casos de sífilis no estado
tiveram um crescimento de 603% em apenas 6 anos. No que se refere à Aids, é preocupante o
número de infecção entre os jovens. Ainda segundo dados do Ministério da Saúde, o número de
casos entre jovens cresceu 35,3% em 2014.

Diante desses números, é preciso criar propostas de intervenções e soluções para barrar esse
crescimento. É preciso trabalhar a educação de forma mais assertiva entre os jovens. Se antes o
HIV, por exemplo, assustava por ser uma sentença de morte, hoje não causa tanto medo.

Por isso, todas as DST’s devem ser discutidas, inclusive entre os país e na escola, com foco na
valorização da vida e nas consequências negativas da doença.

23. A população em situação de rua no Brasil

De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, existia em 2016
cerca de 14,2 mil pessoas em situação de moradia nas ruas da cidade. Estima-se, inclusive, que esse
número aumentou 150% nos últimos quatro anos.

Infelizmente, essa é uma realidade comum nas capitais brasileiras. Apesar de existir legislação para
garantir serviços como saúde e educação para as pessoas moradoras de rua, essas pessoas vivem
com muita dificuldade.

O Plano Nacional para População em Situação de Rua, instituído em dezembro de 2009, não tem
sido suficiente para levar saúde, educação, moradia e dignidade para essas pessoas. Isso mostra que,
mais do que uma lei, os moradores de rua precisam de políticas públicas dos estados e municípios
para que a lei seja colocada em prática.

24. Divulgação de Fake News e seus impactos

Com o aumento do uso das redes sociais, um termo tem sido muito utilizado pelos internautas: fake
news. Apesar do termo parecer inofensivo, seus efeitos podem ser devastadores para indivíduos e
para a sociedade.

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Fake news são mentiras revestidas de artifícios que fazem com que elas sejam tidas — e
compartilhadas — como verdades. O que faz com que elas sejam tão perigosas é a escala em que
são difundidas.

Uma das consequências dessas notícias é o fato de colocar em xeque as demais notícias, fazendo
com que seja muito difícil descobrir qual está com a verdade. Infelizmente, essas ações têm
influenciado bastante o público — principalmente nas redes sociais —, afetando não só a vida
política e social do país, mas também de figuras públicas. É o caso da vereadora Marielle Franco,
assassinada recentemente no Rio de Janeiro. Ela teve fatos sobre sua vida distorcidos e criados com
o objetivo de difamá-la e desconstruir sua trajetória política e social.

Existe um projeto de lei que pretende criminalizar a divulgação ou o compartilhamento de


informação falsa ou incompleta na internet. Criado pelo Deputado Luiz Carlos Hauly, do PSDB-PR,
o projeto prevê detenção de 2 a 8 meses e pagamento de multa.

25. Escravidão contemporânea e seus efeitos

Essa é outra opção que está cotada para os temas de Redação para o Enem 2018. Com a recente
mudança feita pelo Governo de Michel Temer por meio de uma portaria, o assunto volta a ficar em
evidência, levando a vários debates.

Antes dessa mudança, os conceitos utilizados para determinar o que é trabalho escravo eram da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Código Penal Brasileiro. Isso quer dizer que,
antes, a condição análoga à de escravo era a submissão a trabalhos forçados.

Com a nova portaria, o trabalho só será considerado análogo à de escravo se houver submissão a
trabalho exigido sob ameaça de punição. Isso abriu margens para diversas críticas, inclusive de
juízes, procuradores e auditores fiscais do trabalho .

Entidades que representam auditores fiscais do trabalho, juízes e procuradores criticam a mudança
feita pelo governo e avaliam que a nova regra é um retrocesso no combate ao trabalho escravo no
país.

Segundo eles, a nova regra representa um retrocesso e pode barrar o combate ao trabalho escravo no
país. Outra mudanças que a nova portaria trouxe são:

 jornada exaustiva foi substituído por: restrição de transporte para reter trabalhador no local
de trabalho em razão de dívida;
 condições degradantes de trabalho: uso de segurança armada para reter trabalhador em razão
de dívida;
 restrição da locomoção em razão de dívida: retenção da documentação pessoal do
trabalhador.

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26. Os obstáculos para doação de órgãos no Brasil

A doação de órgãos pode salvar vidas e isso não é novidade para ninguém. Mas, os números ainda
não são os mais favoráveis. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de
Órgãos (ABTO), 47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral, em
2013. E o pior é que esse número cresceu, já que em 2012 o número era 41%.

Segundo o nefrologista José Medina Pestana, o problema não é a falta de estrutura, mas a negativa
familiar em doar os órgãos. Medina diz ainda que as famílias justificam que a negativa se deve ao
fato de nunca terem conversado com seus parentes sobre o desejo de doar ou não.

Isso abre brecha para a importância de declarar o desejo de ser doador de órgãos. Esse é um assunto
que precisa ser tema de debate. Só assim, será possível mudar as estatísticas e salvar mais vidas.

27. Os perigos da automedicação na cultura brasileira

Quem nunca tomou um remédio por conta própria? Infelizmente, esse é um hábito comum da
população brasileira.

A automedicação — que é o uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas
não habilitadas para tratamento de doenças — pode levar a consequências graves.

Algumas delas são:

 agravamento de doenças;
 aumento da resistência de microorganismos;
 anular ou potencializar o efeito de outro medicamento;
 reações alérgicas;
 dependência; e até
 morte.

É preciso muita atenção na hora de utilizar um remédio. É preciso, ainda, ficar atento a propagandas
e anúncios que induzem ao consumo de medicamentos. O assunto é tão sério que a intoxicação por
medicamentos ocupa o topo na lista de intoxicação em todo o Brasil.

Os analgésicos, anti-inflamatórios e antitérmicos são os mais consumidos sem prescrição médica.


Apesar de parecerem inofensivos, eles podem levar a uma das consequências que citamos acima.

Para diminuir os casos de intoxicação por automedicação, é necessário um trabalho sério de


educação. Lutar contra um hábito que vem desde muito tempo não é fácil. Mas, com campanhas
educativas com foco nas suas consequências pode ser um bom começo.

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28. Os desafios no combate a obesidade no Brasil

Segundo informações de uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, o número de pessoas obesas
— índice de massa corporal a partir de 30 — aumentou nos últimos 10 anos. O aumento foi de
11,8% em 2006 para 18,9% em 2016.

O números são tão preocupantes que o Ministério da Saúde assumiu compromissos que fazem parte
dos eventos da Década das Ações das Nações Unidas para a nutrição. O objetivo é diminuir a
obesidade no Brasil, promovendo acesso a todos a dietas mais saudáveis.

Dentre as metas do governo, podemos citar:

 barrar o crescimento da obesidade na população adulta no país até 2019;


 Aumentar o consumo de hortaliças e frutas em 17,8%; e
 reduzir o consumo de sucos artificiais e refrigerantes em 30%.

Além disso, o Governo pretende levar conscientização às escolas públicas por meio de campanhas
que estimulem a alimentação saudável desde cedo.

Segundo o Ministro da Saúde, por meio dessas ações as crianças podem aprender sobre a
importância da alimentação e do manuseio de alimentos e também da prática de atividade física.
Desse modo, os índices de obesidade infantil — cerca de 18% das crianças brasileiras —, podem
reduzir.

O assunto é tão preocupante que os números de casos de obesidade no Brasil são maiores que de
pessoas com fome. Desse modo, o que precisa ser feito é ensinar as pessoas a se alimentar
corretamente e incentivá-las e se movimentar mais.

29. A demarcação de terras e a sobrevivência da cultura indígena

Os indígenas no Brasil têm um passado bastante dramático e, apesar de todas as dificuldades que ao
longo das décadas, sua população voltou a crescer. O motivo para esse crescimento não se deve
necessariamente à taxa demográfica e sim pelo aumento do número de pessoas que se reconhecem
como indígenas.

Segundo dados do Censo feito em 1992 no Brasil — quando indígena foi considerado raça pela
primeira vez — 294 mil pessoas se declararam indígenas (0,2% da população brasileira). No
entanto, dados mais recentes (Censo 2010) mostraram que esse número subiu 890 mil, distribuídos
em 305 etnias.

Com esse crescimento, vieram também a necessidade de direitos. E, apesar de existirem diversos
projetos de emenda constitucional e projetos de lei, os indígenas ainda enfrentam bastante
dificuldades, principalmente no que se refere às demarcações de terras.

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A PEC 215, por exemplo, altera as regras de demarcações de terras indígenas e quilombolas
representa um retrocesso para essa população. O motivo é que a PEC transfere para o Congresso
Nacional o poder de demarcação dessas terras.

30. O esporte como ferramenta de inclusão social no brasil

Inclusão social é um assunto atual e pode ser um dos temas de Redação para o Enem 2018,
principalmente por se tratar de um ano de copa de mundo. Por isso, vale a pena destacar que o
esporte é uma das ferramentas inclusivas de maior destaque hoje em dia.

Além dos benefícios para a saúde física e mental, o esporte proporciona acesso a novos ciclos
sociais, promovendo diversão e ocupação, principalmente para jovens e crianças em condições mais
desfavoráveis.

Os programas sociais ligados ao esporte no país estão mudando a vidas nas comunidades carentes,
ensinando fundamentos como disciplina, trabalho em equipe, respeito às regras etc. Além disso,
promovem interação e favorecem a saúde física e psicológica de crianças de jovens que poderiam
ceder à criminalidade por falta de oportunidade.

Um exemplo que pode ilustrar isso é o projeto fluminense Segundo Tempo/Viva Rio. Segundo
estatísticas, 99,2% dos jovens entre 7 e 24 anos atendidos no estado estão frequentando a escola.
Esses são dados animadores e mostram que projetos como esse realmente fazem a diferença na vida
de muitas pessoas.

31. Conceito de família no século XXI

As configurações familiares mudaram bastante nos últimos anos. Pela Constituição, família é aquela
composta pela união de um casal heterossexual e seus filhos dentro deste núcleo, descartando as
demais relações, como as monoparentais ou a união homossexual. Devido a isso, debates foram
levantados quanto à validade desse conceito: por que as relações que fogem ao tradicional não
podem ser consideradas familiares? O tema é relevante e possível de ser cobrado na redação.

32. O aumento da depressão entre os jovens no brasil

O número de jovens acometidos pelo mal da depressão está cada vez maior na modernidade. Alguns
fatores desencadeantes são a pressão com vestibulares, instabilidade emocional, ansiedade e o
imediatismo não atendido. O uso de drogas e entorpecentes também é um fator que pode causar a
doença, além do vício nas redes sociais, que pode expor o jovem a uma busca excessiva pela
aceitação e pelo ideal estético, constantemente instigados pela comparação feita, o que acaba
frustrando-o. É importante pensar nas causas, consequências e propor mudanças para essa realidade
cada vez mais expressiva na sociedade.

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33. Doenças epidêmicas

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), desde a década de 70, 39 novas doenças se
desenvolveram, e nos últimos cinco anos foram identificadas mais de 1,1 mil epidemias, como as de
ebola e gripe aviária. O fluxo intenso e constante de pessoas viajando de avião todos os anos
corrobora para que as doenças ressurjam, e ainda há o fator de resistências dos vírus aos
medicamentos desenvolvidos. Este é um tópico possível de ser cobrado, no qual o aluno deverá
discutir as medidas eficientes e ineficientes que estão sendo tomadas quanto ao problema, que é
grave e merece atenção imediata.

34. Mobilidade urbana

O fluxo intenso de veículos prejudica a mobilidade urbana e impacta negativamente o meio


ambiente. Pensando nisso, uma estratégia seria instigar os cidadãos a usarem o transporte público.
Este, porém, tende a ser precário, o que faz com que as pessoas continuem investindo em seus
veículos próprios. Projetos para a melhoria do trânsito são pensados constantemente, para modificar
o caos dos grandes centros urbanos, porém, a frota de veículos aumenta, e o planejamento urbano
está cada vez mais difícil. Há uma evidente urgência para que o problema seja solucionado, o que
justifica a possibilidade de suscitar a questão como tema da redação do Enem.

35. Resíduos urbanos

Nesse tema, cabe toda a questão sobre como tratar o lixo, envolvendo a reciclagem, e de como se
manter a coleta urbana de maneira sustentável, sendo que os locais de depósito de lixo estão ficando
cada vez mais cheios e que não vamos mais ter a capacidade de fazer a coleta de tanto lixo. Além
disso, podemos estudar sobre a questão de como diminuir os aterros sanitários.

Por exemplo, fiquei sabendo que na região onde moro, uma usina de tratamento de resíduos será
construída. Qual será a função dessa usina? Ao invés de termos um aterro sanitário, o lixo será
enviado por essa usina que tem maquinário capaz de separar o lixo orgânico do reciclável. O lixo
reciclável será enviado para as cooperativas enquanto que o orgânico será transformado em gás, ou
seja, será transformado em energia, praticamente acabando com o resíduo. Sendo as sobras
queimadas, liberando um tipo de poluente que não agride tanto o meio ambiente.

Além disso, para a construção da usina, a prefeitura irá fornecer um terreno e será feita uma
licitação para uma empresa privada para que ela faça esse trabalho da separação dos lixos e da
transformação do lixo em gás.

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