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Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso

PJe - Processo Judicial Eletrônico

04/09/2020

Número: 1001009-07.2018.8.11.0021
Classe: REINTEGRAÇÃO / MANUTENÇÃO DE POSSE
Órgão julgador: 1ª VARA DE ÁGUA BOA
Última distribuição : 26/07/2018
Valor da causa: R$ 10.000,00
Assuntos: Acessão
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
JOSE EURIPEDES DE SOUZA (AUTOR(A)) RODRIGO CALIXTO GUMIERO (ADVOGADO(A))
Desconhecidos (REU)
ADRIANO FERREIRA NOGUEIRA (REU) SILVIO BEZERRA DA SILVA (ADVOGADO(A))
RENATO WENTZ MANHAES (ADVOGADO(A))
LILIANE SOARES EVANGELISTA (REU) SILVIO BEZERRA DA SILVA (ADVOGADO(A))
OGIER DE OLIVEIRA LOBO FILHO (REU) SILVIO BEZERRA DA SILVA (ADVOGADO(A))
JADIRA ALVES DE MELO (REU) SILVIO BEZERRA DA SILVA (ADVOGADO(A))
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
38413 04/09/2020 16:02 Decisão Decisão
604
Estado de Mato Grosso
Poder Judiciário
Comarca de Água Boa
1ª Vara

PJE nº 1001009-07.2018.8.11.0021

DECISÃO

1 – Por serem tempestivos, este Juízo CONHECE, contudo, NEGA PROVIMENTO aos embargos
de declaração opostos em id. 37532120. O autor pretende rediscutir o mérito da decisão
proferida, finalidade que não se coaduna com o instrumento processual adotado.

Vale destacar que, independentemente da terminologia adotada pelo sistema PJE, a decisão foi
suficientemente clara quanto aos marcos temporais adotados, inclusive, anexando link de acesso
ao Diário de Justiça do Estado, prestigiando a transparência e cooperação processual. Além
disso, o próprio sistema também consignou o movimento “Publicado decisão em 16/07/2020”, o
que, aparentemente, foi ignorado de maneira deliberada pelo causídico (id. 34854236).

Nessa senda, este Juízo ADVERTE à parte autora que se abstenha de praticar atos com intuito
protelatório ou que possam dificultar o andamento processual, sob pena de incorrer em multa por
litigância de má-fé (art. 80 do CPC).

2 – INDEFERE-SE o pedido de id. 37631999, uma vez que a comprovação da tempestividade do


recurso deve ser realizada no ato da interposição e não posteriormente, operando-se assim a
preclusão quanto à matéria. Nesse sentido se orienta a jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça, in verbis:

PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ORDINÁRIO.


PUBLICAÇÃO APÓS A VIGÊNCIA DO NOVO CPC/2015. COMPROVAÇÃO DE SUPOSTA
TEMPESTIVIDADE EM MOMENTO POSTERIOR À INTERPOSIÇÃO DO RECURSO.
IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. PRECEDENTES. 1. Cuida-se de Agravo Interno que discute
a decisão monocrática que reconheceu a intempestividade do Recurso Ordinário. 2. O referido
decisum está em consonância com o atual entendimento jurisprudencial do STJ, fruto de
evolução hermenêutica para acompanhar a mens legis do CPC/2015. 3. O CPC/2015 não
possibilita a mitigação ao conhecimento de recurso intempestivo. De fato, nos casos em que a
decisão recorrida tenha sido publicada já na vigência do novo CPC, descabe a aplicação da regra
do art. 932, parágrafo único, do CPC/2015, para permitir a correção do vício, com a comprovação
posterior da tempestividade do recurso (AgInt no AREsp 1.032.692/DF, Ministra Assusete
Magalhães, Segunda Turma, DJe 9.6.2017; AgInt no AREsp 1.005.100/SP, Ministro Sérgio
Kukina, Primeira Turma, DJe 29.5.2017). 4. No caso em disceptação, a parte recorrente foi

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intimada do acórdão recorrido em 18.8.2016. O prazo recursal é de 15 dias. O Recurso Especial
foi interposto somente no dia 12.9.2016, sem ao menos comprovar, no ato da propositura
do recurso, a existência de eventual feriado ou suspensão do expediente forense conforme
determina a norma atual. 5. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, em
20.11.2017, nos autos do AREsp 957.821/MS (Rel. Ministra Nancy Andrighi), entendeu que,
na vigência do Novo Código de Processo Civil, a comprovação posterior da
tempestividade, mesmo se por indisponibilidade do sistema, deve ser feita no ato da
interposição do recurso. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no RMS 56.418/BA, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/08/2018, DJe 16/11/2018)

3 - Diante da certidão carreada aos autos (id. 38211518), haja vista que, conforme relatado pelas
oficialas de justiça, um dos retiros da área a ser reintegrada está desocupado, enquanto o outro
conta com a presença de apenas de um caseiro, não havendo notícias acerca da presença de
armamento na área ou outras questões que possam suscitar ameaça à ordem pública, este Juízo
DISPENSA a realização de estudo de situação, com amparo nos artigos 377 e 378 da CNGC –
Foro Judicial.

4 – Dessa forma, em face a ausência de atribuição de efeito suspensivo ao agravo de instrumento


interposto pelo autor, DETERMINA-SE o cumprimento do mandado de reintegração de posse no
prazo de 48 (quarenta e oito) horas.

5 – Considerando que, de acordo com a referida certidão, a unidade de Cocalinho/MT não


disporia de efetivo suficiente para apoiar o cumprimento do mandado, OFICIE-SE ao Comando
da Polícia Militar do município de Água Boa/MT, requisitando a disponibilização de força policial
para acompanhamento da diligência, a fim de garantir a segurança das auxiliares da justiça.

6 – CERTIFIQUE-SE o escoamento do prazo para as partes se manifestarem acerca da proposta


dos honorários periciais e INTIME-SE o perito nomeado para manifestação quanto às
impugnações apresentadas.

7 – Por fim, CONSIGNA-SE que foram prestadas nesta data informações referentes ao Agravo de
Instrumento n. 1018356-48.2020.8.11.0021 – TJ/MT, encaminhadas por malote digital ao e.
Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Água Boa/MT, 04 de setembro de 2020.

JEAN PAULO LEÃO RUFINO

Juiz de Direito em Designação

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