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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

Departamento de Ciência Política

Disciplina: Aspectos Legais da Gestão Pública

Instituições Democráticas
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1- Introdução

As instituições democráticas são instituições políticas criadas com regras e


procedimentos que permitem a representação, a participação e a deliberação dos
cidadãos no contexto político- democrático atual. Sendo que o surgimento desse tipo de
instituição se deu entre as democracias gregas, sobretudo em Atenas. Em 507 a.C. os
atenienses adotaram um sistema de governo popular que durou aproximadamente dois
séculos. Atenas, ainda hoje, com incorporável influência na filosofia política, é
considerada exemplo primordial de participação dos cidadãos ou democracia participante.
Isso se dava por meio da primeira das instituições democráticas, a Assembleia, em que
todos os cidadãos estavam autorizados a participar nas tomadas de decisão da pólis.
Desde então foram se desenvolvendo, juntamente com a evolução da democracia, novos
mecanismos, novas instituições que procuram incluir o cidadão, na medida do possível,
nos processos de decisão política, legitimando assim as tais instituições democráticas.

As instituições políticas, para DAHL, são arranjos necessários para a efetivação da


democracia. Em sua exposição ele define os critérios democráticos ideais. Para o
surgimento da democracia é necessário a transição de um sistema não democrático para
um sistema democrático, essa transição requer que os arranjos políticos deixem de ser
meramente práticas ao longo do tempo, para se configurarem em instituições. Os
parâmetros para definir quais as instituições políticas garantem a democracia em grande
escala são definidos por meio de comparação entre as sociedades mais democráticas,
consideradas assim por sua população, pela população de outros paises e pelos
jornalistas. Com isto, o autor chega a seis pontos fundamentais:

 Funcionários eleitos

 Eleições livres, justas e frequentes

 Liberdade de expressão

 Fontes de informação diversificadas

 Autonomia para as associações

 Cidadania inclusiva

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2- Instituições Políticas para uma democracia em grande escala

Os representantes eleitos são a forma que os cidadãos podem participar


efetivamente das decisões e dos rumos da sociedade. Sendo inviável a democracia direta
na maioria dos estados, a representação se faz necessária para que as decisões, ainda
que de forma desigual, atendam os interesses do povo.

As eleições devem ser livres, ou seja sem o risco de repressão ou indução ao voto;
justas, com o voto de cada cidadão com o mesmo valor, e freqüentes para que haja um
revezamento no poder e renovação dos quadros periodicamente. O voto secreto é uma
importante estratégia para minimizar as coerções e injustiças nos sistemas democráticos,
mas existem ao longo da história registros de eleições de caráter extremamente
antidemocrático, o “voto de cabresto” no Brasil é um exemplo.

Liberdade de expressão: É um requisito básico para que os cidadãos realmente


participem da vida política. A livre expressão não significa apenas ter o direito de ser
ouvido, mas ter também o direito de ouvir o que os outros têm para dizer.

Para adquirir a competência cívica, os candidatos precisam de oportunidades para


expressar seus pontos de vista, aprender uns com os outros, discutir e deliberar, ler,
escutar e questionar especialistas, candidatos políticos e pessoas cujas opiniões confiem.
Por fim, sem a liberdade de expressão, os cidadãos logo perderiam sua capacidade de
influenciar o programa de planejamento das decisões do governo. A democracia depende
de uma sociedade civil educada e bem informada cujo acesso à informação lhe permite
participar tão plenamente quanto possível na vida pública da sua sociedade e criticar
funcionários do governo ou políticas insensatas e tirânicas. Os cidadãos e os seus
representantes eleitos reconhecem que a democracia depende de acesso mais amplo
possível a ideias, dados e opiniões não sujeitos a censura.

Fontes de informação diversificada: Diversos critérios democráticos básicos exigem


que fontes de informação alternativas e relativamente independentes estejam disponíveis
para as pessoas. Os cidadãos devem ter acesso a fontes de informação que não estejam
sob o controle do governo ou que sejam dominadas por qualquer grupo ou ponto de vista.

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Autonomia para as associações: é necessário que um cidadão possa se associar


ou se filiar a qualquer grupo político, seja um partido ou qualquer outro tipo de
organização. Essas associações acabam sendo desejáveis, pois além de criarem um
aparato de discussão política acabam, também, sendo fontes de educação e
esclarecimento cívico.

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3- Artigos da Constituição que abordam as Instituições Democráticas

1. Funcionários eleitos

O controle das decisões do governo sobre a política é investido constitucionalmente a


funcionários eleitos pelos cidadãos.

A Constituição de República de 1988 já prevê em seu primeiro artigo a eleição de


representantes para o povo exercer o poder nas casas legislativa e executiva. Ora,
todo poder emana do povo.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados
e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem
como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Eleição de Governadores

Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de


quatro anos, realizar-se-á noventa dias antes do término do mandato de seus
antecessores, e a posse ocorrerá no dia 1º de janeiro do ano subsequente, observado,
quanto ao mais, o disposto no art. 77.

Eleição para composição do Congresso Nacional

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Art. 44. O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de quatro anos.

Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito


Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.

Eleição para Presidente

Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á,


simultaneamente, noventa dias antes do término do mandato presidencial vigente.

2. Eleições livres, justas e frequentes

Funcionários eleitos são escolhidos em eleições frequentes e justas em que a coerção


é relativamente incomum.

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e
secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: (ECR no 4/94 e EC
no 16/97)

I – plebiscito;

II – referendo;

III – iniciativa popular.

§ 1o O alistamento eleitoral e o voto são:

I – obrigatórios para os maiores de dezoito anos;

II – facultativos para:

a) os analfabetos;

b) os maiores de setenta anos;

c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.

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§ 2o Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do


serviço militar obrigatório, os conscritos.

§ 3o São condições de elegibilidade, na forma da lei:

I – a nacionalidade brasileira;

II – o pleno exercício dos direitos políticos;

III – o alistamento eleitoral;

IV – o domicílio eleitoral na circunscrição;

V – a filiação partidária;

VI – a idade mínima de:

a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;

b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;

c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito,


Vice-Prefeito e juiz de paz;

d) dezoito anos para Vereador.

§ 4o São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

§ 5o O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os


Prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão
ser reeleitos para um único período subseqüente.

§ 6o Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores


de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos
mandatos até seis meses antes do pleito.

§ 7o São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes


consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da
República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou

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de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

§ 8o O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:

I – se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;

II – se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e,
se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

§ 9o Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de


sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para o
exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do
exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.

§ 10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de
quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder
econômico, corrupção ou fraude.

§ 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça,


respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.

3. Liberdade de expressão

Os cidadãos têm o direito de se expressar sem o risco de sérias punições em


questões políticas amplamente definidas, incluindo a crítica aos funcionários, o
governo, o regime, a ordem socioeconômica e a ideologia prevalecente.

Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(EC no 45/2004)

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,


independentemente de censura ou licença;

4. Fontes de informação diversificadas


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Os cidadãos têm o direito de buscar fontes de informação diversificadas e


independentes de outros cidadãos, especialistas, jornais, revistas, livros,
telecomunicações e afins.

Art. 5º (...)

XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,


quando necessário ao exercício profissional;

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob


qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o
disposto nesta Constituição.

§ 1o Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade
de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o
disposto no art. 5o, IV, V, X, XIII e XIV.

§ 2o É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

§ 3o Compete à lei federal:

I – regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao poder público informar


sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários
em que sua apresentação se mostre inadequada;

II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de


se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o
disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que
possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

§ 4o A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos,


medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do
parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios
decorrentes de seu uso.

5o Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto


de monopólio ou oligopólio.

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§ 6o A publicação

5. Autonomia para as associações

Para obter seus vários direitos, até mesmo os necessários para o funcionamento
eficaz das instituições políticas democráticas, os cidadãos também têm o direito de
formar associações ou organizações relativamente independentes, como também
partidos políticos e grupos de interesses.

Art. 5º (...)

XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter


paramilitar;

XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de


autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;

XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas


atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em
julgado;

XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade


para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;

6. Cidadania inclusiva

A nenhum adulto com residência permanente no país e sujeito a suas leis podem ser
negados os direitos disponíveis para os outros e necessários às cinco instituições
políticas anteriormente listadas. Entre esses direitos, estão o direito de votar para a
escolha dos funcionários em eleições livres e justas; de se candidatar para os postos
eletivos; de livre expressão; de formar e participar organizações políticas
independentes; de ter acesso a fontes de informação independentes; e de ter direitos
a outras liberdades e oportunidades que sejam necessárias para o bom funcionamento
das instituições políticas da democracia em grande escala.

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Art. 1o A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados
e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem
como fundamentos:

(...)

II – a cidadania;

(...)

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida
e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

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4- Análise das Instituições Democráticas com base na Constituição

A constituição de 1988 emerge após um período de grande repressão do regime


militar, nesse contexto, os legisladores se preocuparam em detalhar e garantir a rigidez
do texto no que diz respeito a seus aspectos democráticos. A definição do representante
de forma direta era um dos principais anseios da sociedade naquela época.

As eleições e forma como elas deve acontecer também são detalhadas com
bastante cuidado, visto o histórico brasileiro na manipulação dessa instituição
democrática.

Liberdade de expressão: A liberdade de expressão é um direito fundamental


consagrado na Constituição Federal de 1988, trata dos Direitos e Garantias fundamentais
no Estado Democrático. Quando a liberdade de expressão começa a ser cerceada em
determinado Estado, a tendência é que este se torne autoritário. A liberdade de expressão
serve como instrumento decisivo de controle de atividade governamental e do próprio
exercício do poder. O princípio democrático tem um elemento indissociável que é a
liberdade de expressão, em contraposição a esse elemento, existe a censura que
representa a supressão do Estado democrático. A divergência de ideias e o direito de
expressar opiniões não podem ser restringidos para que a verdadeira democracia possa
ser vivenciada. Dentro dos Art. 5º “Todos são iguais perante a lei...” e IX - “ é livre a
expressão da atividade intelectual” nos leva a igualdade total de direitos, sem distinção,
demonstrando a liberdade de expressão na sua forma legal.

Diante do exposto nos artigos da constituição que se fala das fontes de informação
diversificada, a imprescindibilidade da informação é justificada quase que da mesma
forma que se justifica a liberdade de expressão, na verdade as fontes alternativas fazem
parte da liberdade de expressão, pois sem essas fontes só teríamos acesso às
informações trazidas pelo governo o que prejudicaria a compreensão absoluta do
contexto político. Os artigos constitucionais asseguram o acesso à informação,
manifestação de pensamentos, liberdade de expressão em qualquer meio de
comunicação. Tudo isso garante que os cidadãos possam participar da vida política
proporcionada por várias fontes de comunicação e informações bastante amplas.
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Visto a perspectiva de Robert Dhall sobre plena inclusão :”O corpo dos cidadãos
num estado democraticamente governado deve incluir todas as pessoas sujeitas às leis
desse estado, com exceção dos que estão de passagem e os incapazes de cuidar de si
mesmos” e que nesse corpo, nenhum adulto residente no país e sujeito a suas leis, deve
ter negado os direitos disponíveis para os outros e os necessários já mencionados às
cinco instituições políticas também já mencionadas, pode-se iniciar aqui a análise, no que
diz respeito a nossa Constituição Federal, sobre as teorias que formulam a Cidadania
Inclusiva. No artigo 1º da C.F. é afirmado que a República Federativa do Brasil constitui-
se em Estado Democrático de Direito, este, por sua vez, tem como um de seus
fundamentos a cidadania. Portanto, assim como na plena inclusão de Dhall, a C.F
também garante a cidadania como direito comum, ou seja, inclui à todos, os que fazem
parte de Estados, Municípios e Distrito Federal da República, o direito de exercer seu
papel de cidadão.

Outros conceitos que constroem a Cidadania Inclusiva de Dhall são: o


entendimento esclarecido e o controle do programa. Estes como exigência para se ter
uma democracia. Esses dois conceitos só podem ocorrer tendo como base uma
educação mínima, que garanta ao cidadão competência mínima para proteger seus
valores e interesses fundamentais. Logo, a educação passa a ter uma posição
privilegiada pelos defensores da democracia. Agora, a educação cívica não se detém à
escola formal, mas também à discussão pública, à deliberação, ao debate, à controvérsia,
à pronta disponibilidade de informação confiável e outras instituições de uma sociedade
livre. Analisando essa literatura com a C.F., verifica-se que esta, também dá à educação o
papel de preparar o cidadão ao exercício de cidadania(artigo 205).Incluindo à todos os
direitos necessários para permanência na escola(artigo 206, inciso I), como a ideia de
igualdade de direitos de Dhall citada anteriormente. Visto que o cidadão deve se abster de
uma educação mínima, que lhe permita formar um caráter competente de cidadão, a C.F.
assegura conteúdos mínimos para o ensino fundamental, e o dever do Estado de garantir
a efetivação deste.(artigos 210 e 208, inciso I, respectivamente).Já no que diz respeito à
nossa concepção de educação (deliberação, debate, controvérsia, etc.),esta, também é
concebida pela C.F. no artigo 206, inciso II, III e VI, num quadro de liberdade de
expressão e pluralismo de ideias, inseridos numa gestão democrática de ensino público,
permitindo então o controle do programa do ensino, tendo em vista a inclusão. Porém, e
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por fim, é importante ressaltar se as instituições de ensino público no Brasil têm


desempenhado com qualidade a formação mínima de caráter de um cidadão, dado que
nos artigos 206 ,inciso VII;208 , inciso V e 214, inciso III a qualidade da educação, sua
melhoria e acesso também são asseguradas pela Constituição Federal.

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5- Referências Bibliográficas

DAHL, Robert, Que instituições requer a democracia em grande escala? IN: Sobre a
Democracia. Brasília: Editora: Universidade de Brasília. 2001.

Brasil, Constituição da República Federativa do (1988).Vade Mecum.Ed. RT.7ª


edição,2012.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>. acessado em
outubro de 2012.

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