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Supremo Tribunal Federal

Ementa e Acórdão

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06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO


AGTE.(S) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE
RORAIMA
ADV.(A/S) : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
AGDO.(A/S) : GOVERNADORA DO ESTADO DE RORAIMA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE RORAIMA

Ementa: PROCESSO CONSTITUCIONAL.


AGRAVO REGIMENTAL EM AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. DESPROVIMENTO.
1. As prerrogativas processuais dos entes
públicos, tal como prazo recursal em dobro
e intimação pessoal, não se aplicam aos
processos em sede de controle abstrato.
2. Agravo regimental não provido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do


Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, sob a presidência do
Ministro Dias Toffoli, na conformidade da ata de julgamento, por maioria
de votos, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto
do Relator, vencidos os Ministros Dias Toffoli (Presidente) e Marco
Aurélio.
Brasília, 6 de fevereiro de 2019.

MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - RELATOR

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Relatório

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06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO


AGTE.(S) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE
RORAIMA
ADV.(A/S) : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
AGDO.(A/S) : GOVERNADORA DO ESTADO DE RORAIMA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE RORAIMA

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO (RELATOR):

1. A Assembleia Legislativa do Estado de Roraima interpõe


agravo regimental contra decisão monocrática que não conheceu do
recurso, na presente ação direta de inconstitucionalidade, pelos seguintes
fundamentos:

Trata-se de agravo regimental interposto em face de


decisão monocrática que deu parcial provimento à medida
cautelar da presente ação direta de inconstitucionalidade, que
tem por objeto a Lei Orçamentária do Estado de Roraima.
Nota-se que a decisão agravada foi publicada no Diário de
Justiça eletrônico em 09/05/2018, tendo como termo final para
interposição do recurso o dia 30/05/2018, conforme Certidão de
Decurso de Prazo (peça nº 82 dos autos eletrônicos).
A petição de agravo regimental foi apresentada
eletronicamente, perante o Supremo Tribunal Federal, em
06/06/2018, o que não atende ao requisito da tempestividade, de
acordo com os arts. 224, §2, e 1070 do CPC.
É importante assinalar que o envio da decisão por correio
possui mero caráter informativo às partes, não cumprindo
função para contagem de prazo.
Diante do exposto, não conheço do presente recurso em

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

decorrência da intempestividade.

2. Alega a Agravante que a decisão não deve ser mantida.


Sustenta que a Assembleia Legislativa do Estado possui natureza de
pessoa jurídica de direito público e que, portanto, seus prazos deveriam
ser contados em dobro e a partir de intimação pessoal, de acordo com os
arts. 182 e 183 do CPC e dos arts. 81, inciso II e 104, § 4º ambos do RISTF.
Requer seja dado provimento ao presente agravo.

3. É o relatório.

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO (RELATOR):

Ementa: PROCESSO CONSTITUCIONAL.


AGRAVO REGIMENTAL EM AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. DESPROVIMENTO.
1. As prerrogativas processuais dos entes
públicos, tal como prazo recursal em dobro
e intimação pessoal, não se aplicam aos
processos em sede de controle abstrato.
2. Agravo regimental não provido.

1. O Agravo Regimental não merece provimento.

2. A jurisprudência do Supremo tribunal Federal se firmou


no sentido de não haver, em sede de controle normativo abstrato,
prerrogativas processuais provenientes das regras de processo de
natureza subjetiva. Conforme entendimento expresso pelo Min. Celso de
Mello, no julgamento da ADI 2.674, “o processo de fiscalização normativa
abstrata ostenta, ordinariamente, posição de autonomia em relação aos institutos
peculiares aos processos de índole meramente subjetiva”.

3. Dessa forma, não merecem prosperar as alegações trazidas


pela requerente acerca da aplicabilidade das prerrogativas processuais de
entes públicos a processo em sede de fiscalização normativa abstrata.
Nessa linha, confiram-se os seguintes julgados relativos ao não cabimento
de prazo recursal em dobro:

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

“EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM FACE DE


DECISÃO EXTINTIVA DE ADI. INTERPOSIÇÃO
EXTERMPORÂNEA. INAPLICABILIDADE, AOS
PROCESSOS DE CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE, DE PRERROGATIVAS
PROCESSUAIS DA FAZENDA PÚBLICA, DENTRE ELAS A
CONTAGEM DE PRAZO EM DOBRO. AGRAVO NÃO
CONHECIDO” (ADI 5.449-AgR/RR, Rel. Min. Alexandre de
Moraes, grifo nosso).

“NÃO HÁ PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO


PROCESSO DE CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE – Não se aplica ao processo
objetivo de controle abstrato de constitucionalidade a norma
inscrita no art. 188 do CPC, cuja incidência restringe-se,
unicamente, ao domínio dos processos subjetivos, que se
caracterizam pelo fato de admitirem, em seu âmbito, a
discussão de situações concretas e individuais. Precedente.
Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo abstrato, a
possibilidade de o prazo recursal ser computado em dobro,
ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa
especial nos processos de índole subjetiva. ” (RTJ 181/535, Rel.
Min. Celso de Mello)

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.


PRAZOS RECURSAIS. As normas gerais disciplinadoras dos
feitos de índole subjetiva, de ordinário, não se aplicam às
ações da espécie, de natureza objetiva, nas quais, ademais, não
se cuida de interesse jurídico da Fazenda Pública. Assim, nas
ações da espécie não cabem prazos recursais em dobro (art.
188 do CPC), privilégio de que não goza nenhuma das partes
nelas envolvidas, a saber: o requerente; o órgão requerido,
responsável pela edição do ato normativo impugnado; o
Advogado-Geral da União; e o Procurador-Geral da República.
Agravo regimental não conhecido. ” (ADI 1.797-AgR/PE, Rel.

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

Min. Ilmar Galvão, grifo nosso)

4. No que se refere à inexistência do dever de intimação


pessoal, veja-se:

EMENTA Agravo regimental. Arguição de


descumprimento de preceito fundamental. Intimação pessoal
da Fazenda Pública. Inaplicabilidade. Processo de natureza
objetiva. Intempestividade. Recurso não subscrito pelo
Governador do Estado. Ilegitimidade recursal. Precedentes.
Agravo do qual não se conhece. 1. A jurisprudência desta Corte
é pacífica no sentido de que as normas processuais destinadas a
resguardar os interesses da Fazenda Pública não são aplicáveis
aos processos de índole objetiva. Precedentes: ADI 2674-MC-
AgR-ED, Rel. Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, DJe de
13/6/16; ADI 2130 AgR, Relator o Ministro Celso de Mello,
Tribunal Pleno, DJ de 14/12/01; ADI 1797 MC-AgR-ED, Relator
o Ministro Ilmar Galvão, Tribunal Pleno, DJ de 29/06/01. 2.
Considerando a remansosa jurisprudência do Tribunal,
reiterada recentemente pelo Plenário, é inaplicável ao controle
concentrado a exigência de intimação pessoal dos entes
públicos (art. 183 do CPC/2015), a revelar a intempestividade
do recurso. 3. O agravo também é insuscetível de
conhecimento, pois, embora alegadamente interporto pelo
Governador do Estado do Piauí, foi assinado unicamente por
Procurador do Estado, e não pelo Chefe do Poder Executivo
estadual, único legitimado a instaurar os processos objetivos de
constitucionalidade e a interpor os respectivos recursos.
Precedentes. 4. Agravo regimental do qual não se conhece.
(ADPF 205 AgR-segundo, Rel. Min. Dias Toffoli, grifo nosso).

“EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGADA OMISSÃO


QUANTO À NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL DO
ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO DE DECISÃO PROFERIDA
EM AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
REAFIRMAÇÃO DOS ARGUMENTOS ESGRIMIDOS

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Voto - MIN. ROBERTO BARROSO

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

QUANDO DA INTERPOSIÇÃO DO AGRAVO REGIMENTAL.


Balda que não se configura, posto haver o acórdão embargado
ressaltado que as normas processuais destinadas a resguardar
os interesses da Fazenda Pública não são aplicáveis a ações de
índole objetiva. Impossibilidade de apreciação dos demais
argumentos do embargante, uma vez que manifestados
inoportunamente. Embargos rejeitados” (ADI 1797 MC-AgRED,
Relator o Ministro Ilmar Galvão, Tribunal Pleno, grifo nosso).

5. Diante do exposto, mantenho a decisão agravada por seus


próprios fundamentos e nego provimento ao agravo regimental.

É como voto.

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Antecipação ao Voto

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INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Presidente,


a hipótese não é rigorosamente a mesma, mas muito próxima. É um
recurso extraordinário interposto pela Assembleia Legislativa do Estado
de Roraima contra decisão monocrática minha que não conhecia do
recurso extraordinário, por intempestividade, aplicando a jurisprudência
– que considero consolidada – da Casa.
Eu ouvi e acho que os argumentos que Vossa Excelência traz são
relevantes e substanciosos. Acho até que qualquer solução aqui seria
razoável. Porém, Presidente, eu verifiquei que esta jurisprudência é uma
jurisprudência consolidada de muitos anos e que tem precedentes de
quase todos os Ministros da Casa: Ministro Celso de Mello, eu mesmo,
Ministra Cármen Lúcia, Ministro Teori Zavascki, Ministro Alexandre de
Moraes, Ministro Gilmar Mendes. Em certas matérias, a menos que haja
uma mudança relevante na compreensão do direito na situação de fato,
não vejo muita razão para alterarmos uma jurisprudência consolidada.
De modo que, entendendo e louvando as razões de Vossa Excelência, não
me animo a multiplicar as hipóteses de prazo em dobro. O processo
brasileiro já é tão prolongado, já temos uma cultura de procrastinação que
precisamos enfrentar, de modo que, pedindo todas as vênias a Vossa
Excelência, estou aqui mantendo a jurisprudência, no sentido de que, em
processo objetivo, não se contam em dobro os prazos da Fazenda Pública.
Por via de consequência, estou negando provimento, no meu caso, que é
a ADI 5.814/RR-MC. E no caso de Vossa Excelência, Ministro Dias Toffoli,
eu, igualmente, estou desprovendo o agravo regimental, pedindo todas as
vênias a Vossa Excelência.

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Voto - MIN. DIAS TOFFOLI

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AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE):


Eu vou apenas registrar meu voto divergente, no caso da relatoria de
Vossa Excelência, no sentido de dar provimento ao agravo para que se
considere tempestivo o recurso interposto.

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Voto - MIN. ALEXANDRE DE MORAES

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INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES: Com a devida vênia


a eventuais posições divergentes, tenho que a solução da controvérsia se
ampara nos fundamentos constantes do alentado voto da eminente
Ministra CÁRMEN LÚCIA.

Penso que a posição de S. Exa. contempla as peculiaridades


condizentes com o Recurso Extraordinário interposto em face de acórdão
proferido pelos tribunais de justiça em ação direta de
inconstitucionalidade.

De fato, esta CORTE, inicialmente, se viu compelida a decidir se


seria cabível a interposição do RE em tais contextos. Replico o seguinte
trecho do voto do Ilustre relator da emblemática Reclamação 383/SP,
importante precedente para o desate dessa questão. Consignou o ilustre
Ministro MOREIRA ALVES que:

“(...) nas ações diretas de inconstitucionalidade estaduais,


em que lei municipal ou federal seja considerada
inconstitucional em face de preceito da Constituição estadual
que reproduza preceito central da Constituição federal, nada
impede que nessa ação se impugne, como inconstitucional, a
interpretação que se dê ao preceito de reprodução existente na
Constituição do Estado por ser ela violadora da norma
reproduzida, que não pode ser desrespeitada, na federação,
pelos diversos níveis de governo . E a questão virá a esta Corte,
como, aliás, tem vindo, nos vários recursos extraordinários
interpostos em ações diretas de inconstitucionalidade de leis
locais em face da Constituição Federal ajuizadas nas Cortes
locais, a questão da impossibilidade jurídica dessas arguições
(RREE 91740, 93088 e 92169, que foram todos conhecidos e

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Voto - MIN. ALEXANDRE DE MORAES

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providos).”

Especificamente sobre o prazo em dobro para os entes públicos no


referido contexto, tive a oportunidade de externar minha visão
doutrinária a Vossas Excelências. Na ADI 5.449-AgR, julgada em
ambiente virtual (Dje de 21/11/2017), afirmei:

“(...) Em virtude da natureza objetiva do processo de


fiscalização da constitucionalidade das leis e atos normativos,
os princípios e regras processuais a que estão submetidas as
ações diretas de inconstitucionalidade genérica, interventiva e
por omissão e a ação declaratória de constitucionalidade não
são os mesmos que regem os demais processos jurisdicionais. O
processo de fiscalização abstrata da constitucionalidade do
ordenamento jurídico necessita de um conjunto próprio de
regras processuais, sendo, portanto, o direito processual
constitucional um direito processual autonômo, regido por
princípios próprios, em que são afastados os interesses
meramente subjetivos. (Constituição do Brasil Interpretada e
Legislação Constitucional, p. 2.204, 9ª ed., 2013, Atlas)”

Logo, como destacado pelo nosso ilustre Decano, no RE 1.103.079


(DJe de 26/2/2018), “a norma inscrita no art. 188 do CPC/73, hoje
reproduzida no art. 183, do CPC/15, não se aplica ao processo objetivo de
controle abstrato de constitucionalidade (...)”, compreensão já edificada
por esta SUPREMA CORTE na ADI 1.797, em que se ressaltou que às
ações diretas de inconstitucionalidade, dada a natureza objetiva desses
procedimentos, não se observam as normas gerais reguladoras dos
processos de ordem subjetiva, uma vez que, naquelas lides, sobreleva a
dimensão política da atividade institucional, sendo, portanto,
“instrumento básico de defesa objetiva da ordem normativa inscrita na
Constituição.” (ADI 416-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO, DJe de
3/11/2014).

Como visto, o STF, atento a essas distinções, consignou que a

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recorribilidade na via extraordinária não tem o condão de convolar a


natureza objetiva do processo de controle abstrato de constitucionalidade
deflagrado na origem em demanda subjetivada, na qual se remete a
contextos jurídicos concretos e individualizados, em que se justifica a
elasticidade do prazo recursal à Fazenda Pública, que atua, nessas
circunstâncias, no interesse coletivo em contraposição ao interesse individual
(CUNHA, Leonardo Carneiro da. A Fazenda Pública em Juízo, 13ª ed. Rio
de Janeiro, Forense, 2016, p. 29).

Nessa quadra litigiosa, vigora o interesse secundário da


Administração Pública, centrado no resguardo do erário, o que exige, no
cumprimento dessa finalidade, o deferimento de vantagens com fulcro no
princípio da igualdade aristotélica, “justificadas pelo excessivo volume de
trabalho, pelas dificuldades estruturais da Advocacia Pública e pela
burocracia inerente à sua atividade, que dificulta o acesso aos fatos,
elementos e dados da causa que reforça a desigualdade da Fazenda
Pública e os particulares, justificando a existência de prerrogativas
processuais em favor do Poder Público”, leciona CUNHA (Id. 2016, p. 33).

Por sua vez, nos processos objetivos, não há conflito de interesses


entre as partes nem se encontram particulares nos polos, o que, por si só,
já revela a prescindibilidade do gozo do prazo dobrado pautado na
isonomia.

Embora haja interesse público, na presente questão reverbera o


interesse de grau primário, descrito primorosamente pelo eminente
Ministro BARROSO como “a razão de ser do Estado e sintetiza-se nos fins
que cabe a ele promover: justiça, segurança e bem-estar social. Estes são
os interesses de toda a sociedade”, ao passo que o “interesse público
secundário é o da pessoa jurídica de direito público que seja parte em
uma determinada relação jurídica quer se trate da União, do Estado-
membro, do Município ou das suas autarquias. Em ampla medida, pode
ser identificado como o interesse do erário, que é o de maximizar a

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Voto - MIN. ALEXANDRE DE MORAES

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arrecadação e minimizar as despesas.” (ACO 2178 – TA, DJe de


13/11/2013).

Essa dicotomia entre os processos demanda, deste Tribunal, vigília


constante, a fim de “evitar tentativas de aplicação contra naturam das regras
do processo civil a situações em que elas não podem ser aplicadas (...)”, nos
termos do magistério de VITALINO CANAS, a quem se reportou o
eminente Ministro CELSO DE MELLO no ARE 915.768 (DJe de 1º/8/2016),
que assentou: “o Plenário do Supremo Tribunal Federal veio a assinalar,
(...) que os prazos recursais , em sede de controle normativo abstrato, são
singulares, não se lhes aplicando, em consequência, a norma
excepcional inscrita no art. 188 do CPC/73.” (grifos originais).

Diante de tais considerações, NEGO PROVIMENTO ao Agravo. É


como voto.

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AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


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ANTECIPAÇÃO AO VOTO
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN - Senhor Presidente,
eminentes Pares, eu irei juntar declaração de voto, por meio da qual
examinei a matéria.
Também aqui peço vênia a Vossa Excelência. Entendo que o
tratamento isonômico, em matéria de controle concentrado, de uma parte,
parece-me consentâneo com a orientação jurisprudencial de numerosos
precedentes desta Corte. Por outro lado, é também uma decorrência de
um eixo fundamental do texto constitucional, que é o princípio
republicano. Estou citando, nesta dimensão da fiscalização abstrata, o
precedente da lavra do eminente Ministro Celso de Mello, na ADI 2.130;
e, portanto, pedindo vênia a Vossa Excelência, eu também estou votando
pelo não provimento, acompanhando o Ministro Luís Roberto Barroso no
feito que foi apregoado e que consta em lista, da relatoria de Sua
Excelência. E, no outro, estou-me permitindo acompanhar a Relatora, não
acompanhando a divergência.
Agradeço a Vossa Excelência.

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Trata-se de agravo


regimental interposto contra decisão que negou seguimento a agravo
regimental em medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade,
por entender intempestivo o recurso.

A discussão dos autos cinge-se a saber se o fato de tratar-se de uma


ação direta de inconstitucionalidade, ajuizada pela Governadora do
Estado de Roraima, afasta a aplicação da norma do Código de Processo
Civil que estabelece o prazo em dobro para o ente federativo e demais
entidades de direito público a ele vinculadas recorrer. Assim está posta,
no atual Código de Processo Civil, a norma do artigo 183:

“Art. 183 A União, os Estados, o Distrito Federal, os


Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito
público gozarão de prazo em dobro para todas as suas
manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da
intimação pessoal.”

Não se trata de discussão inédita no Plenário deste Supremo


Tribunal Federal. Há diversas decisões desta Corte, tanto em sua
composição plenária, quanto na de suas duas turmas, as quais afirmam a
tese de que não se reconhece a prerrogativa do prazo em dobro dos entes
federativos e membros do Ministério Público, quando se tratar de
processo objetivo, tendo em vista que nele não há propriamente o
envolvimento de interesse subjetivo público a ser resguardado. Nesse
sentido, confiram-se os seguintes precedentes:

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. PRAZOS RECURSAIS. As

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

normas gerais disciplinadoras dos feitos de índole subjetiva, de


ordinário, não se aplicam às ações da espécie, de natureza
objetiva, nas quais, ademais, não se cuida de interesse jurídico
da Fazenda Pública. Assim, nas ações da espécie não cabem
prazos recursais em dobro (art. 188 do CPC), privilégio de que
não goza nenhuma das partes nelas envolvidas, a saber: o
requerente; o órgão requerido, responsável pela edição do ato
normativo impugnado; o Advogado-Geral da União; e o
Procurador-Geral da República. Agravo regimental não
conhecido. (ADI 1.797, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 22.11.2000)

E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA POR
GOVERNADOR DE ESTADO - DECISÃO QUE NÃO A
ADMITE, POR INCABÍVEL - RECURSO DE AGRAVO
INTERPOSTO PELO PRÓPRIO ESTADO-MEMBRO -
ILEGITIMIDADE RECURSAL DESSA PESSOA POLÍTICA -
INAPLICABILIDADE, AO PROCESSO DE CONTROLE
NORMATIVO ABSTRATO, DO ART. 188 DO CPC - RECURSO
DE AGRAVO NÃO CONHECIDO. O ESTADO-MEMBRO
NÃO POSSUI LEGITIMIDADE PARA RECORRER EM SEDE
DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO. (…) NÃO HÁ
PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO PROCESSO DE
CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE. - Não se aplica, ao processo
objetivo de controle abstrato de constitucionalidade, a norma
inscrita no art. 188 do CPC, cuja incidência restringe-se,
unicamente, ao domínio dos processos subjetivos, que se
caracterizam pelo fato de admitirem, em seu âmbito, a
discussão de situações concretas e individuais. Precedente.
Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo abstrato, a
possibilidade de o prazo recursal ser computado em dobro,
ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa
especial nos processos de índole subjetiva. (ADI 2.130/SC, Rel.
Min. Celso de Mello, DJ 14.12.2001)

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. INTEMPESTIVIDADE
DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. PRAZO RECURSAL EM
DOBRO: INAPLICABILIDADE. MUNICÍPIO: CONTAGEM
DO PRAZO A PARTIR DA PUBLICAÇÃO NO ÓRGÃO
OFICIAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA
PROVIMENTO. (ARE 873.738, Rel. Min. Carmen Lúcia, DJe
03.08.2015)

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE


INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. CARIMBO COM A
DATA DE PROTOCOLO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO
ILEGÍVEL. ENTIDADE PÚBLICA. PRAZO PARA RECORRER.
CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL AO
QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. O carimbo do protocolo no
recurso extraordinário deve ser claro o suficiente para permitir
a verificação da data de interposição. 2. Não se aplica o
privilégio do art. 188 do Código de Processo Civil nos processos
de controle concentrado de constitucionalidade. (AI 633.998/RS-
AgR, Primeira Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, DJe
de 23/10/09)

EMENTA: RECURSO. Embargos de declaração. Caráter


infringente. Embargos recebidos como agravo. Controle
abstrato de constitucionalidade de lei local em face de
Constituição estadual. Processo de cunho objetivo. Prazo
recursal em dobro. Inaplicabilidade. Recurso extraordinário não
conhecido. Agravo regimental improvido. Precedentes. São
singulares os prazos recursais das ações de controle abstrato de
constitucionalidade, em razão de seu reconhecido caráter
objetivo. (RE 579.760/RS-ED, Segunda Turma, Relator o
Ministro Cezar Peluso, DJe de 20/11/09)

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO


EXTRAORDINÁRIO INTEMPESTIVO. INAPLIBILIDADE DO
PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO ÂMBITO DO
CONTROLE ABSTRATO DE NORMAS. PRECEDENTES.
AGRAVO IMPROVIDO. I – O Supremo Tribunal Federal fixou
o entendimento de que o prazo recursal em dobro, previsto no
art. 188 do CPC, não se aplica aos processos de controle abstrato
de normas, mesmo para efeito de interposição de recurso
extraordinário dirigido a esta Corte. II - Agravo regimental
improvido.(AI 788.453/SC, Relator o Ministro Ricardo
Lewandowski, DJ de 18/3/10)

E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO -
ACÓRDÃO QUE CONFIRMA INDEFERIMENTO DE MEDIDA
CAUTELAR - ATO DECISÓRIO QUE NÃO SE REVESTE DE
DEFINITIVIDADE - MERA ANÁLISE DOS PRESSUPOSTOS
DO "FUMUS BONI JURIS" E DO "PERICULUM IN MORA" -
INVIABILIDADE DO APELO EXTREMO - RECURSO
IMPROVIDO. - Não cabe recurso extraordinário contra decisões
que concedem ou que denegam medidas cautelares ou
provimentos liminares, pelo fato de que tais atos decisórios -
precisamente porque fundados em mera verificação não
conclusiva da ocorrência do "periculum in mora" e da
relevância jurídica da pretensão deduzida pela parte
interessada - não veiculam qualquer juízo definitivo de
constitucionalidade, deixando de ajustar-se, em conseqüência,
às hipóteses consubstanciadas no art. 102, III, da Constituição
da República. Precedentes. (RE 375.525, Relator o Ministro
Celso de Mello, DJ de 3/11/09)

A questão posta nos autos implica análise do âmbito de proteção do


princípio republicano. As prerrogativas legalmente reconhecidas aos
entes federativos, bem como suas respectivas autarquias e fundações de
direito público, pela legislação infraconstitucional impõem interpretação
rigidamente circunscrita às razões pelas quais foram concebidas e de
modo que não sejam tomadas como privilégios especiais ou símbolos de

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

distinção entre instituições, agrupadas em classes ou categorias distintas.

Trata-se o princípio republicano de um dos pilares fundamentais da


Constituição, pois porta uma decisão estruturante do Estado constituído.
Princípio constitucional assim também considerado pelo art. 34, VII, “a”,
da CRFB, a ele se confere a função primordial de interpretação do Texto
Constitucional.

O princípio republicano encontra, na proibição de tratamentos


discriminatórios e na vedação da instituição de privilégios odiosos, uma
de suas mais importantes emanações. Cuida-se, portanto, de princípio
normativo vinculante e informador do caminho hermenêutico a ser
percorrido pelo intérprete na aplicação das normas constitucionais.

A natureza jurídica do processo de controle abstrato de


constitucionalidade impõe considerar, isonomicamente, as prerrogativas
de todos os atores potencialmente legitimados para o debate. O
Ministério Público e os entes federativos elencados no rol do artigo 103, I
a IX, da CRFB, quando atuam como legitimados, nos processos de
controle abstrato de constitucionalidade, devem fazê-lo nas mesmas
condições e com iguais oportunidades que o fazem todos os demais
legitimados.

Em seu voto na ADI 2.130, o Ministro Celso de Mello registra:

É preciso ter em perspectiva que, em sede de fiscalização


abstrata, o exercício jurisdicional do poder de controle
destinado a preservar a supremacia da Constituição põe em
evidência a dimensão essencialmente política em que se projeta
a atividade institucional do Supremo Tribunal Federal, pois, no
processo de indagação constitucional, reside a magna
prerrogativa outorgada a esta Corte de definir os limites das
competências estatais, de determinar o alcance dos direitos e
garantias fundamentais e de decidir, em ultima análise, sobre a

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Voto - MIN. EDSON FACHIN

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

própria substância do poder.” (ADI 2.130/SC, Rel. Min. Celso


de Mello, DJ 14.12.2001)

A jurisprudência desta Suprema Corte, consolidada desde os anos


2000, tem prestigiado, portanto, compreensão republicana de que, nos
processos de controle abstrato, e em virtude de sua natureza política,
todos os legitimados encontram-se em situação isonômica quanto ao
interesse público perseguido, de modo que não se aplicam as
prerrogativas próprias da legislação infraconstitucional direcionadas aos
processos de índole subjetiva.

Assim sendo, entendo deva ser mantida esta compreensão porque,


de onde vejo a questão posta para o debate, não há razões
suficientemente robustas para justificar uma virada jurisprudencial nesta
temática.

Ante o exposto, nego provimento ao agravo, por entender que a


decisão agravada estava correta ao afirmar a intempestividade do agravo
interno interposto.

É como voto.

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Voto - MIN. ROSA WEBER

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06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

A Senhora Ministra Rosa Weber: Senhor Presidente, eminentes


pares, a questão se circunscreve à aplicabilidade da prerrogativa prevista
no art. 188 do CPC/1973 (atual art. 183 do CPC/2015). Entendo, com a
devida vênia dos que pensam de modo diverso, que essa prerrogativa
não é aplicável quando se trata de recurso interposto em ação direta de
inconstitucionalidade.
A propósito, enfatizo que a jurisprudência desta Suprema Corte
consolidou-se no sentido da inaplicabilidade das normas disciplinadoras
dos feitos de natureza subjetiva às ações diretas de inconstitucionalidade,
que têm caráter objetivo:

“EMENTA: AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. PRAZOS RECURSAIS. As
normas gerais disciplinadoras dos feitos de índole subjetiva,
de ordinário, não se aplicam às ações da espécie, de natureza
objetiva, nas quais, ademais, não se cuida de interesse
jurídico da Fazenda Pública. Assim, nas ações da espécie não
cabem prazos recursais em dobro (art. 188 do CPC), privilégio
de que não goza nenhuma das partes nelas envolvidas, a
saber: o requerente; o órgão requerido, responsável pela edição
do ato normativo impugnado; o Advogado-Geral da União; e o
Procurador-Geral da República. Agravo regimental não
conhecido.” (ADI 1797 AgR, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO,
Tribunal Pleno, julgado em 22/11/2000, DJ 23-02-2001 PP-00083
EMENT VOL-02020-01 PP-00080)

“EMENTA: AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA POR
GOVERNADOR DE ESTADO - DECISÃO QUE NÃO A
ADMITE, POR INCABÍVEL - RECURSO DE AGRAVO

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Voto - MIN. ROSA WEBER

Inteiro Teor do Acórdão - Página 22 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

INTERPOSTO PELO PRÓPRIO ESTADO-MEMBRO -


ILEGITIMIDADE RECURSAL DESSA PESSOA POLÍTICA -
INAPLICABILIDADE, AO PROCESSO DE CONTROLE
NORMATIVO ABSTRATO, DO ART. 188 DO CPC - RECURSO
DE AGRAVO NÃO CONHECIDO. O ESTADO-MEMBRO
NÃO POSSUI LEGITIMIDADE PARA RECORRER EM SEDE
DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO. (...) NÃO HÁ
PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO PROCESSO DE
CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE. - Não se aplica, ao processo
objetivo de controle abstrato de constitucionalidade, a norma
inscrita no art. 188 do CPC, cuja incidência restringe-se,
unicamente, ao domínio dos processos subjetivos, que se
caracterizam pelo fato de admitirem, em seu âmbito, a
discussão de situações concretas e individuais. Precedente.
Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo abstrato,
a possibilidade de o prazo recursal ser computado em dobro,
ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa
especial nos processos de índole subjetiva.” (ADI 2130 AgR,
Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado
em 03/10/2001, DJ 14-12-2001 PP-00022 EMENT VOL-02053-03
PP-00485)

“EMENTA: AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PERANTE
TRIBUNAL DE JUSTIÇA ESTADUAL (CF, art. 125, § 2º) –
RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS INTERPOSTOS, EM
REFERIDO PROCESSO DE CONTROLE ABSTRATO, PELO
ESTADO DO AMAZONAS, POR SUA ASSEMBLEIA
LEGISLATIVA E PELO PROCURADOR-GERAL DO ESTADO –
DECISÃO DO RELATOR QUE NÃO CONHECEU DOS
MENCIONADOS APELOS EXTREMOS, POR
INTEMPESTIVOS – INAPLICABILIDADE, AO PROCESSO
OBJETIVO DE CONTROLE NORMATIVO ABSTRATO DE
CONSTITUCIONALIDADE, DA NORMA EXCEPCIONAL
INSCRITA NO ART. 188 DO CPC, MESMO PARA EFEITO DE

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Voto - MIN. ROSA WEBER

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ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO


DIRIGIDO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – A
QUESTÃO DA LEGITIMIDADE ATIVA (E RECURSAL) DO
PRÓPRIO ESTADO-MEMBRO E DE SEU PROCURADOR-
GERAL, EM SEDE DE FISCALIZAÇÃO CONCENTRADA DE
CONSTITUCIONALIDADE – RECURSOS DE AGRAVO
IMPROVIDOS. NÃO HÁ PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO
PROCESSO DE CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE. - Não se aplica, ao processo
objetivo de controle abstrato de constitucionalidade, a norma
inscrita no art. 188 do CPC, cuja incidência restringe-se,
unicamente, ao domínio dos processos subjetivos, que se
caracterizam pelo fato de admitirem, em seu âmbito, a
discussão de situações concretas e individuais. Precedentes.
Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo abstrato,
a possibilidade de o prazo recursal ser computado em dobro,
ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa
especial nos processos de índole subjetiva. (...)” (RE 658375
AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma,
julgado em 25/03/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-077
DIVULG 23-04-2014 PUBLIC 24-04-2014)

“EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE


INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. CARIMBO COM A
DATA DE PROTOCOLO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO
ILEGÍVEL. ENTIDADE PÚBLICA. PRAZO PARA RECORRER.
CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL AO
QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. O carimbo do protocolo no
recurso extraordinário deve ser claro o suficiente para permitir
a verificação da data de interposição. 2. Não se aplica o
privilégio do art. 188 do Código de Processo Civil nos
processos de controle concentrado de constitucionalidade.”
(AI 633998 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira
Turma, julgado em 25/08/2009, DJe-200 DIVULG 22-10-2009
PUBLIC 23-10-2009 EMENT VOL-02379-11 PP-02362)

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Voto - MIN. ROSA WEBER

Inteiro Teor do Acórdão - Página 24 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

“EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. CONTROLE
CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE.
INAPLICABILIDADE DOS PRAZOS ESTABELECIDOS
NOS ARTS. 188 E 191 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE
NEGA PROVIMENTO.” (ARE 707339 AgR, Relator(a): Min.
CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 25/06/2013,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-159 DIVULG 14-08-2013
PUBLIC 15-08-2013)

“Embargos de declaração nos embargos de declaração em


recurso extraordinário. 2. Decisão monocrática. Embargos de
declaração recebidos como agravo regimental. 3. Pessoa
jurídica de direito público. Prazo em dobro. Art. 188 do CPC.
Inaplicabilidade ao processo de controle concentrado de
constitucionalidade. Intempestividade do recurso. Precedente.
4. Art. 191 do CPC. Inaplicabilidade. 5. Agravo regimental a que
se nega provimento.” (RE 561935 ED-ED, Relator(a): Min.
GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 14/05/2013,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-163 DIVULG 20-08-2013
PUBLIC 21-08-2013)

“EMENTA: RECURSO. Embargos de declaração. Caráter


infringente. Embargos recebidos como agravo. Controle
abstrato de constitucionalidade de lei local em face de
Constituição estadual. Processo de cunho objetivo. Prazo
recursal em dobro. Inaplicabilidade. Recurso extraordinário
não conhecido. Agravo regimental improvido. Precedentes.
São singulares os prazos recursais das ações de controle
abstrato de constitucionalidade, em razão de seu reconhecido
caráter objetivo.” (RE 579760 ED, Relator(a): Min. CEZAR
PELUSO, Segunda Turma, julgado em 27/10/2009, DJe-218
DIVULG 19-11-2009 PUBLIC 20-11-2009 EMENT VOL-02383-05
PP-01057 RTJ VOL-00213-01 PP-00716)

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. ROSA WEBER

Inteiro Teor do Acórdão - Página 25 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

“Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE


INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO INTEMPESTIVO. INAPLIBILIDADE DO
PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO ÂMBITO DO
CONTROLE ABSTRATO DE NORMAS. PRECEDENTES.
AGRAVO IMPROVIDO. I – O Supremo Tribunal Federal fixou
o entendimento de que o prazo recursal em dobro, previsto no
art. 188 do CPC, não se aplica aos processos de controle
abstrato de normas, mesmo para efeito de interposição de
recurso extraordinário dirigido a esta Corte. II - Agravo
regimental improvido.” (AI 788453 AgR, Relator(a): Min.
RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em
28/06/2011, DJe-155 DIVULG 12-08-2011 PUBLIC 15-08-2011
EMENT VOL-02565-03 PP-00425)

Em consonância com os precedentes desta Suprema Corte, tal como


assentado na decisão unipessoal agravada, não há falar em
tempestividade do primeiro agravo regimental interposto pela
Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, uma vez manejado depois
do prazo fatal.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental, renovando
meu pedido de vênia aos que esposam entendimento distinto.
É como voto.

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. LUIZ FUX

Inteiro Teor do Acórdão - Página 26 de 42

06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO LUIZ FUX - Senhor Presidente, egrégia


Corte, ilustre representante do Ministério Público, senhores advogados.
Senhor Presidente, quando da elaboração do novo Código Processo
de Civil, levamos em consideração a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, as leis especiais que não permitem, mas, principalmente, dois
fatores muito importantes. Um deles até está sub judice em uma das
causas que vão ser julgadas aqui entre hoje e amanhã.
Nós levamos em consideração, em primeiro lugar, o núcleo essencial
da reforma, que foi a duração razoável do processo.
Depois, também levamos em consideração a questão dos prazos em
dias úteis. E aí chegamos à conclusão de que o que estava previsto nas leis
especiais e na jurisprudência do Supremo se manteria. A jurisprudência
do Supremo, segundo a comissão, dever-se-ia manter pelo fato de que o
próprio Código estabelece que a jurisprudência deve ser íntegra, coerente
e estável.
Com relação a esse tratamento diferenciado para a Fazenda Pública,
nessas ações de controle concentrado, nós entendemos de não intervir
porque o art. 7º do novo Código de Processo Civil - pela primeira vez esse
Código traz uma Parte Geral de acordo com a Constituição - dispõe:

"Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em


relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de
defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais,
competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório."

Então, essa Parte Geral efetivamente pode se aplicar a todas as leis


especiais que não tenham uma parte geral. Mas, já no caso específico
desse recurso extraordinário, num processo considerado um recurso
extraordinário B, conforme se referiu o Ministro Gilmar Mendes,

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. LUIZ FUX

Inteiro Teor do Acórdão - Página 27 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

efetivamente temos um panorama diferente.


Quando, por exemplo, a Defensoria Pública ou o Ministério Público
vai recorrer, tem o prazo em dobro porque não tem contato com as
provas, com as partes, vai oferecer um recurso. Mas a Fazenda Pública,
neste caso, é a representante da Unidade Federada onde há a declaração
de inconstitucionalidade daquela lei editada pela própria Unidade
Federada. Então, ela tem contato direto com essa questão, e não se
justifica o prazo em dobro por todas essas razões: duração razoável,
paridade, jurisprudência estável e coerente do Supremo Tribunal Federal
e a própria razão de ser dessa prerrogativa da Fazenda Pública.
Então, com esses fundamentos, Senhor Presidente, vou acompanhar
o voto da Ministra Cármen Lúcia, que tenho aqui em meu poder. E aí,
então, na verdade, estarei negando provimento em ambos os casos, com a
vênia de Vossa Excelência.

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 28 de 42

06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - Como votei antes,


apenas reafirmo o que antes alegado como fundamento no sentido da
necessidade de se manter essa jurisprudência, considerando que, neste
caso, a desigualdade dos prazos atende exatamente à finalidade das
normas.
Eu queria lembrar, Presidente, porque Vossa Excelência levantou
aqui um ponto importante do número de Municípios no Brasil, todos eles
tendo de cumprir, a consolidação da jurisprudência do Supremo nesse
sentido seria um fator - e sempre é, quando devidamente assentada - de
segurança para todos os advogados que atuam nestes casos.
Chamo a atenção apenas para a circunstância que a própria distinção
de prazo que havia - prazo em dobro, prazo em quádruplo para contestar
- era objeto, há muito tempo, o Ministro Barroso talvez se lembre de
quando ainda, como diz Vossa Excelência, em outra encarnação, éramos
procuradores, ou fomos, pretérito perfeito, que o professor Geraldo
Ataliba cansou de, em congressos da advocacia pública, chamar a atenção
para a circunstância de que o que tinha levado tradicionalmente a esses
prazos diferenciados era uma burocracia administrativa que fazia com
que um advogado público precisasse de pedir informações de outro
órgão, e isso demorava para acontecer.
O mundo hoje é outro. Isso se faz eletronicamente. O processo é
eletrônico. Tudo é eletrônico. Quem tem que informar informa. Quem
tem que contestar contesta. E há quantos anos foi embora o Professor
Geraldo Ataliba? Já era objeto de questionamento pelos advogados. Ele
era duro com os advogados públicos, então, exatamente, talvez o
Ministro Barroso se lembre, naquela condição, de como ele dizia: "Isso não
é bom para advocacia pública. Parece que vocês não têm competência para fazer
nos termos dos outros." E a gente justificava com isso.

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 29 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

Não é o caso da ação de controle abstrato, porque aqui se discute


direito - o Ministro Gilmar Mendes tem afirmado isso -, neste caso, a
matéria é outra.
E também, ainda observando, Presidente, quando Vossa Excelência
afirma, em brilhante voto, que aqui se tem um interesse muito maior -
interesse subjetivo, econômico ou específico -, mas como é matéria
somente jurídica, neste caso, não haveria a necessidade desse trâmite
diferenciado de aquisição de informações, para se fazer, por exemplo, o
recurso. Essa é a razão pela qual penso que a finalidade da norma foi
distinguir para aperfeiçoar a prestação jurisdicional.
De toda sorte, pedindo vênia a Vossa Excelência, no caso relatado
pelo Ministro Roberto Barroso, eu acompanho a relatoria, negando
provimento ao recurso.

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Voto - MIN. RICARDO LEWANDOWSKI

Inteiro Teor do Acórdão - Página 30 de 42

06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI - Senhor


Presidente, louvo Vossa Excelência por ter trazido essa questão a
Plenário, no sentido de uniformizar o entendimento, que era necessário
para evitar qualquer dúvida quanto a essa questão do prazo.
Mas vou pedir vênia a Vossa Excelência, tendo em conta a
jurisprudência já consolidada e os argumentos agora expendidos pelos
Colegas, no sentido de acompanhar os relatores originais e discordar de
Vossa Excelência, respeitosamente.

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. GILMAR MENDES

Inteiro Teor do Acórdão - Página 31 de 42

06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES - Eu também, como já


disse na intervenção feita ao voto de Vossa Excelência, estou pedindo
todas as vênias, mas acompanhando as relatorias, tendo em vista que
aqui temos, de fato, um processo especial, que é o processo
constitucional.
Esses dias até me dei ao trabalho, a pedido da Corte Constitucional
Portuguesa, de fazer uma reflexão sobre a construção do processo
constitucional no Brasil. E, de fato, a lei básica do processo constitucional
no Brasil é a do habeas corpus. É a matriz de todo esse desenvolvimento,
que depois se desdobra no mandado de segurança e, depois, passamos a
ter, então, as representações, a partir da representação interventiva.
É muito curioso, porque a lei, a primeira lei da representação
interventiva, nos anos 50, manda aplicar a lei do mandado de segurança.
É um elemento marcante nesse processo. E a partir daí, passamos, então,
a ter as várias experiências com as representações de
inconstitucionalidade: a interventiva e a chamada em abstrato, mas
sempre com procedimentos especiais.
O Ministro Fux já lembrou, inclusive, no próprio Código de Processo
Civil, agora o novo Código, que se faz, no parágrafo específico, menção à
ideia de que esses prazos não se aplicam aos procedimentos especiais.
Tanto é que o próprio professor Paulo Bonavides já vinha sustentando a
ideia de se ter, talvez, em algum momento, em função das várias leis que
temos sobre o processo constitucional, a ideia de um código da jurisdição
constitucional, um código dos procedimentos de jurisdição
constitucional.
Captei bem a preocupação de Vossa Excelência, especialmente tendo
como pano de fundo, como leitmotiv, o recurso extraordinário, porque se
coloca realmente essa peculiaridade, que é o nosso recurso de amparo, de

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Voto - MIN. GILMAR MENDES

Inteiro Teor do Acórdão - Página 32 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

alguma forma, ou é a nossa Verfassungsbeschwerde. É um pouco isso que a


gente tem aqui. E por isso tem que se ter um tratamento também, me
parece, uniforme e homogêneo. Parece que terá que ser o mesmo prazo.
Salvo engano, acho que foram o Ministro Alexandre e o Ministro Fux
que lembraram, inclusive, das peculiaridades quanto à legitimação para
propor ação de controle concentrado. No passado, batíamos cabeça um
pouco com isso, quando o Governador assinava a ADI, ou quando o
Procurador-Geral assinava; ou a questão da necessidade de procuração.
Em suma, o Tribunal foi fazendo construções em torno do tema, dizendo:
"esse é um processo peculiar".
Em relação à questão da objetivação do processo, remarco aqui o
aspecto interessantíssimo do debate que se travou desde São Paulo, em
reclamações, a propósito do cabimento, ou não, da representação no
âmbito estadual, tendo em vista normas de parâmetro de controle que
reproduziam normas da Constituição Federal.
Houve aqui debates intensos entre duas correntes que se formaram,
lideradas pelos Ministros Moreira Alves e Sepúlveda Pertence. Vencedora
restou a posição do Ministro Moreira Alves, que sustentava que a norma
federal, replicada no âmbito estadual, é norma estadual para os fins da
ADI.
Todavia, veio Moreira Alves e assentou o cabimento do recurso
extraordinário, que chamei o "RE do B", porque, de sua decisão resultava
uma decisão com eficácia erga omnes, de modo que se deu aqui realmente
uma evolução muito interessante. Em relação ao recurso extraordinário,
parece-me que a disciplina tem de ser essa, uniforme.
De modo que, cumprimentando Vossa Excelência e entendendo as
boas razões que inspiraram Vossa Excelência no sentido, de fato, de
uniformizar e evitar essa perplexidade, acompanho os relatores.
Ressalto ainda um ponto: de fato, como lembrou agora a Ministra
Cármen Lúcia, essa questão do prazo em dobro para recorrer pela
Fazenda Pública sempre foi muito criticada no campo da isonomia,
sempre foi algo que nós que passamos pela Advocacia Pública sabemos
da importância, tendo em vista a necessidade de uma re-equiparação das

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. GILMAR MENDES

Inteiro Teor do Acórdão - Página 33 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

relações entre as advocacias privadas e públicas, considerando também as


assimetrias existentes. Isso porque a procuradoria de um dado município
não se qualifica como a Procuradoria de São Paulo ou de outra capital.
Em suma, temos aqui assimetrias. Mas a mim me parece que este é um
procedimento muito peculiar, que exige de quem vem fazê-lo um
treinamento específico, um aggiornamento, para que se faça da maneira
mais adequada. Desde que nós publicizemos essa orientação, acredito
que a segurança jurídica estará devidamente respeitada, porque se saberá
que esse é o prazo, o prazo da lei federal e da legislação específica.

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Voto - MIN. MARCO AURÉLIO

Inteiro Teor do Acórdão - Página 34 de 42

06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Decididamente,


Presidente, o sistema não fecha. No processo subjetivo, em que os
interesses são balizados no processo, são interesses estritos, há o prazo
em dobro para a pessoa jurídica de direito público atuar. Mas, no
processo objetivo, no qual o pronunciamento tem repercussão muito
maior, em termos de interesse público, não há o prazo em dobro.
Isso se faz sem que se tenha como evocar o princípio da
especialidade. Não existe tratamento diferenciado da matéria, cogitando
da duplicidade de prazos. Há preceito linear revelando que as pessoas
jurídicas de direito público têm prazo em dobro para recorrer – artigo
188, pertinente à espécie, do Código de Processo Civil Buzaid, de 1973.
Como distinguir – e aprendi isso desde cedo, em termos de interpretação
e aplicação do Direito – onde o legislador não distinguiu, e para restringir
atuação que se faz no campo do interesse coletivo, no campo do interesse
público?
Não posso, porque a atuação do julgador é vinculada; é uma atuação
vinculada ao direito aprovado pelo Congresso Nacional, pela Câmara dos
Deputados e pelo Senado. Não cabe criar critérios, muito menos de
plantão, partindo como que para uma autodefesa visando, mediante o
encurtamento de prazo legal, não ter a sobrecarga que há hoje em dia.
Repito, na regência especial do processo objetivo não existe norma
prevendo prazo simples para interposição de recurso. Aplica-se – e
estamos diante, inclusive, num dos casos de um recurso extraordinário –
o prazo em dobro previsto no citado artigo 188. E não posso "dar uma no
cravo e outra na ferradura". Não posso dizer: "Olha, no processo
subjetivo, a pessoa jurídica tem prazo em dobro, mas, no processo
objetivo, sem a distinção normativa, não tem prazo em dobro".
Acompanho Vossa Excelência nos votos proferidos.

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. CELSO DE MELLO

Inteiro Teor do Acórdão - Página 35 de 42

06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

VOTO

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Não assiste razão


à parte agravante, eis que a decisão de que ora se recorre ajusta-se, com
integral fidelidade, à diretriz jurisprudencial que o Supremo Tribunal
Federal firmou na matéria ora em exame.

É importante salientar, Senhor Presidente, que a norma inscrita no


art. 188 do CPC de 1973 (e, agora, no art. 183, “caput”, do CPC/2015) não
se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade,
consoante evidenciam reiterados julgamentos proferidos no âmbito
desta Suprema Corte (AI 726.763/SP, Rel. Min. CELSO DE MELLO –
RE 556.331/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO – RE 560.197/RJ, Rel. Min.
EROS GRAU – RE 568.354/PR, Rel. Min. CEZAR PELUSO – RE 579.760-
-ED/RS, Rel. Min. CEZAR PELUSO – RE 594.709/SP, Rel. Min. CÁRMEN
LÚCIA – RE 603.293-AgR/SP, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA, v.g.):

“NÃO HÁ PRAZO RECURSAL EM DOBRO NO


PROCESSO DE CONTROLE CONCENTRADO DE
CONSTITUCIONALIDADE.
– Não se aplica, ao processo objetivo de controle abstrato
de constitucionalidade, a norma inscrita no art. 188 do CPC, cuja
incidência restringe-se, unicamente, ao domínio dos processos
subjetivos, que se caracterizam pelo fato de admitirem, em seu âmbito,
a discussão de situações concretas e individuais. Precedente.
Inexiste, desse modo, em sede de controle normativo
abstrato, a possibilidade de o prazo recursal ser computado em dobro,
ainda que a parte recorrente disponha dessa prerrogativa especial nos
processos de índole subjetiva.”
(RTJ 181/535, Rel. Min. CELSO DE MELLO)

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. CELSO DE MELLO

Inteiro Teor do Acórdão - Página 36 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.


PRAZOS RECURSAIS.
As normas gerais disciplinadoras dos feitos de índole
subjetiva, de ordinário, não se aplicam às ações da espécie, de
natureza objetiva, nas quais, ademais, não se cuida de interesse
jurídico da Fazenda Pública.
Assim, nas ações da espécie não cabem prazos recursais em
dobro (art. 188 do CPC), privilégio de que não goza nenhuma das
partes nelas envolvidas, a saber: o requerente; o órgão requerido,
responsável pela edição do ato normativo impugnado; o
Advogado-Geral da União; e o Procurador-Geral da República.
Agravo regimental não conhecido.”
(ADI 1.797-AgR/PE, Rel. Min. ILMAR GALVÃO – grifei)

“I – O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que


o prazo recursal em dobro, previsto no art. 188 do CPC, não se
aplica aos processos de controle abstrato de normas, mesmo para
efeito de interposição de recurso extraordinário dirigido a esta Corte.
II – Agravo regimental improvido.”
(AI 788.453-AgR/SC, Rel. Min. RICARDO
LEWANDOWSKI – grifei)

“Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Direito


Administrativo. 3. Não há prazo recursal em dobro no processo
de controle concentrado de constitucionalidade. Precedente do
STF. 4. Não observância do prazo legal para interposição do agravo
regimental. Intempestividade. 4. Agravo regimental a que se nega
provimento.”
(RE 670.890-AgR/SP, Rel. Min. GILMAR MENDES –
grifei)

Cabe enfatizar que o magistério jurisprudencial desta Corte


Suprema firmou-se no sentido de que “o processo de fiscalização
normativa abstrata ostenta, ordinariamente, posição de autonomia em relação
aos institutos peculiares aos processos de índole meramente subjetiva”
(ADI 1.797-AgR/PE, Rel. Min. ILMAR GALVÃO – ADI 2.674-MC-AgR-

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. CELSO DE MELLO

Inteiro Teor do Acórdão - Página 37 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

-ED/PI, Rel. Min. CELSO DE MELLO – RE 658.375-AgR/AM, Rel. Min.


CELSO DE MELLO).

Isso significa, portanto, considerado o magistério jurisprudencial em


referência, que, nos processos de fiscalização normativa abstrata (inclusive
naqueles instaurados com fundamento no art. 125, § 2º, da Constituição,
perante os Tribunais de Justiça), não há a prerrogativa processual dos
prazos em dobro, mesmo para efeito de interposição de recurso
extraordinário dirigido a esta Suprema Corte.

Essa diretriz jurisprudencial nada mais reflete senão o


entendimento de que o processo de fiscalização normativa abstrata ostenta,
ordinariamente, posição de autonomia em relação aos institutos
peculiares aos processos de índole meramente subjetiva, valendo referir, por
relevante, nesse mesmo sentido, a lição de ALEXANDRE DE MORAES
(“Constituição do Brasil Interpretada e Legislação Constitucional”,
p. 2.142, 8ª ed., Atlas):

“Regência do controle abstrato de constitucionalidade


por regras processuais próprias: Em virtude da natureza
objetiva do processo de fiscalização da constitucionalidade das leis e
atos normativos, os princípios e regras processuais a que estão
submetidas as ações diretas de inconstitucionalidade genérica,
interventiva e por omissão, e a ação declaratória de
constitucionalidade não são os mesmos que regem os demais
processos jurisdicionais. O processo de fiscalização abstrata da
constitucionalidade do ordenamento jurídico necessita de um
conjunto próprio de regras processuais, sendo, portanto, o direito
processual constitucional um direito processual autonômo, regido
por princípios próprios, em que são afastados os interesses
meramente subjetivos.” (grifei)

É por tal razão que VITALINO CANAS (“Os Processos de


Fiscalização da Constitucionalidade e Legalidade pelo Tribunal
Constitucional – Natureza e Princípios Estruturantes”, p. 87/89, 1986,

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. CELSO DE MELLO

Inteiro Teor do Acórdão - Página 38 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

Coimbra Editora) acentua que o processo de controle de constitucionalidade,


quando analisado em seus lineamentos fundamentais, apresenta-se
irredutível à generalidade das normas que se aplicam ao processo comum
(ou subjetivo).

Eis a observação constante do magistério desse publicista português


e ilustre Professor da Universidade de Lisboa (“op. loc. cit.”), que, ao
distinguir entre o processo constitucional de controle abstrato, de índole
marcadamente objetiva, e o processo comum ou geral, de caráter
eminentemente subjetivo, assinala:

“De tudo o que escrevemos nas páginas anteriores só se pode


extrair uma conclusão: o direito processual constitucional não
pode deixar de ser um direito processual autônomo, regido por
princípios próprios, necessariamente pouco fungíveis com os
dos processos jurisdicionais típicos.
Estes últimos têm por fim resolver lides ou conflitos
intersubjectivos de interesses que se manifestem em concreto. E se não
se quiser ficar preso no conceito, porventura demasiado rígido, de lide,
pelo menos terá de se reconhecer que nesses processos vêm sempre
envolvidos interesses subjectivos.
…...................................................................................................
Diferentemente, os processos de fiscalização da
constitucionalidade (…) são processos objectivos, já que não
visam ao julgamento de lides ou até mesmo de simples controvérsias
(embora por vezes haja controvérsia sobre a questão; isso não é, porém,
indispensável ou inevitável), mas sim de questões de
constitucionalidade suscitadas em abstracto (…).
…...................................................................................................
Por esse motivo, os princípios processuais a que está
submetido o processo constitucional não são os mesmos que regem,
por natureza, os processos jurisdicionais.
…...................................................................................................
O processo constitucional exige, portanto, um corpo
próprio de regras de processo (…).
.......................................................................................................

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Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. CELSO DE MELLO

Inteiro Teor do Acórdão - Página 39 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

Esta última condição requer do Tribunal Constitucional


uma constante vigília, de modo a evitar tentativas de aplicação
contra naturam das regras do processo civil a situações em que elas
não podem ser aplicadas.” (grifei)

Essa orientação é igualmente perfilhada por outros autores nacionais


(CHARLES ANDRADE FROEHLICH e ELIA DENISE HAMMES,
“Manual do Controle Concentrado de Constitucionalidade”, p. 97/103,
item n. 3.2, 2009, Juruá, v.g.), como se depreende da lição de LUIZ
VICENTE DE MEDEIROS QUEIROZ NETO (“A Pertinência Temática
como Requisito da Legitimidade Ativa para o Processo Objetivo de
Controle Abstrato de Normas”, “in” Revista do Tribunal Regional
Federal 1ª Região, p. 59, jul/2003):

“As regras próprias do processo ortodoxo (seja civil, penal,


trabalhista, administrativo etc.) não se aplicam ao processo
objetivo de controle abstrato de constitucionalidade. Ambos são
regidos por princípios processuais distintos (ADIn 1.350-RO, Rel.
Min. Celso de Mello, julgada em 27/06/96). Essa característica do
processo objetivo é de suma importância, da qual decorrem as
demais, explicitadas nos outros itens componentes deste tópico.”
(grifei)

Daí a advertência de LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA


(“A Fazenda Pública em Juízo”, p. 49/50, item n. 3.3.6, 8ª ed., 2010,
Dialética):

“Ademais, não se aplica ao processo objetivo de controle


abstrato de constitucionalidade o art. 188 do CPC, contando-se os
prazos de forma simples (…).” (grifei)

Vê-se, pois – considerados os fundamentos ora expostos –, a razão


pela qual o Plenário do Supremo Tribunal Federal veio a assinalar,
nos precedentes referidos, que os prazos recursais, em sede de controle
normativo abstrato, são singulares, não se lhes aplicando, em consequência,

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Voto - MIN. CELSO DE MELLO

Inteiro Teor do Acórdão - Página 40 de 42

ADI 5814 MC-AGR-AGR / RR

a norma excepcional inscrita no art. 188 do CPC/73 ou no art. 183,


“caput”, do CPC/2015.

Torna-se lícito concluir, desse modo – especialmente se se considerar


que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 –
RT 504/217 – RT 611/155 – RT 698/209 – RF 251/244) –, que se extinguiu,
“pleno jure”, no caso, com a fluência, “in albis”, do respectivo lapso
temporal, o direito de a parte deduzir o recurso pertinente:

“– Os prazos recursais são peremptórios e preclusivos


(RT 473/200 – RT 504/217 – RT 611/155 – RT 698/209 –
RF 251/244). Com o decurso, ‘in albis’, do prazo legal, extingue-se,
de pleno direito, quanto à parte sucumbente, a faculdade
processual de interpor, em tempo legalmente oportuno, o recurso
pertinente.
– A tempestividade – que se qualifica como pressuposto
objetivo inerente a qualquer modalidade recursal – constitui matéria
de ordem pública, passível, por isso mesmo, de conhecimento
‘ex officio’ pelos juízes e Tribunais. A inobservância desse requisito
de ordem temporal, pela parte recorrente, provoca, como necessário
efeito de caráter processual, a incognoscibilidade do recurso
interposto.”
(RTJ 203/416, Rel. Min. CELSO DE MELLO)

Desse modo, corretas as decisões proferidas pelos eminentes


Relatores, Ministra CÁRMEN LÚCIA (ARE 830.727-AgR/SC) e Ministro
ROBERTO BARROSO (ADI 5.814-MC-AgR-AgR/RR), motivo pelo qual
peço vênia para negar provimento aos agravos internos ora em
julgamento.

É o meu voto.

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Supremo Tribunal Federal
Observação

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06/02/2019 PLENÁRIO

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814 RORAIMA

OBSERVAÇÃO

O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE):


Eu penso até que vou propor uma súmula vinculante, porque
poderíamos deixar bem clara essa distinção.

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Observo que se


acha presente, na espécie, o pressuposto constitucional autorizador
da formulação de súmula vinculante (CF, art. 103-A, “caput”), eis que há,
na matéria, inúmeros precedentes firmados por este E. Plenário do STF.

O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (PRESIDENTE):


Eu vou apresentar depois, na forma regimental, uma proposta de
súmula. Esses casos são importantes exatamente para deixar pública a
posição da Corte.

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Supremo Tribunal Federal
Extrato de Ata - 06/02/2019

Inteiro Teor do Acórdão - Página 42 de 42

PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA

AG.REG. NO AG.REG. NA MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE 5.814
PROCED. : RORAIMA
RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO
AGTE.(S) : ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE RORAIMA
ADV.(A/S) : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
AGDO.(A/S) : GOVERNADORA DO ESTADO DE RORAIMA
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DE RORAIMA

Decisão: O Tribunal, por maioria, negou provimento ao agravo


regimental, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros
Dias Toffoli (Presidente) e Marco Aurélio. Plenário, 6.2.2019.

Presidência do Senhor Ministro Dias Toffoli. Presentes à


sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Marco Aurélio, Gilmar
Mendes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Rosa Weber,
Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.

Procuradora-Geral da República, Dra. Raquel Elias Ferreira


Dodge.

Carmen Lilian Oliveira de Souza


Assessora-Chefe do Plenário

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