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ANAIS

I ENCONTRO INTERNACIONAL
FRONTEIRAS E
TERRITORIALIDADES

UNIRIO
05 a 07 de novembro de 2018

1
2
Sumário

Caminhos de uma diplomacia: o Império do Brasil no Rio da Prata (1828-1835) -


Luan Mendes de Medeiros Siqueira (Doutorando - UFRJ) .......................................................4
La frontera Alto Paranaense y la eclosión de una elite local en el Territorio
Nacional de Misiones entre 1880 y 1900 - Alberto Daniel Alcaráz (UNaM-Conicet) e
Adriana Noelia Spaciuk (UNaM)……………………………………………………………..15
Espaço em disputa: viajantes brasileiros e argentinos na fronteira (1882-1905) -
Bruno Pereira de Lima Aranha (Doutorando - UNIRIO)........................................................33
Colônias Militares no Brasil Meridional: O caso da Colônia Militar do Chapecó -
Leticia Maria Venson (Mestranda da Universidade da Fronteira Sul) e Antonio Marcos
Myskiw (Professor da Universidade da Fronteira Sul)………………………………………47
Vila de Ega: espaço de sociabilidades em região de fronteira (Amazônia, 1781-
1791) - Simei Maria de Souza Torres (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).........59
Configurações da indústria do alumínio na Amazônia: território produtivo e
relações de trabalho - Carla Regina Assunção Pereira (Universidade Federal do
Maranhão)................................................................................................................................80
A aquisição de terras por estrangeiros na Amazônia Legal: a articulação do
latifúndio e do capital monopolista - Carlos Alberto Vieira Borba (UNIMES) ...................90
Uma disputa por súditos: indígenas, portugueses e espanhóis nos espaços da
fronteira sul (1750 - 1761) - Hevelly Ferreira Acruche (UFRJ) ..........................................108
Uma vida oscilante: o caso do réu do Santo Ofício de Goa Jorge Cardozo de
Mendonsa - Eduardo Borges de Carvalho Nogueira (UERJ e Colégio Dom Pedro II)........123
De bonzos a letrados do ocidente: jesuítas na China Continental, nos séculos XVI
e XVII - Adriana de Souza Carvalho (UERJ)........................................................................142
Delimitando fronteiras, organizando a cobrança da dízima da Alfândega (Século
XVIII) - Valter Lenine Fernandes (Professor do IFsul) e Helena Trindade de Sá (Doutoranda
-UNIRIO).........................................................................................................................161
O Trabalho das Famílias nos Seringais do Amazonas (1946 -1966) - Agda Lima
Brito (Doutoranda - UERJ)..............................................................................................171
O Pampa argentino entre a civilização e a barbárie: espaços de fronteira, deserto
e zonas de contato nos oitocentos - Ana Carollina Gutierrez Pompeu (Professora da
Universidade Federal Fluminense).......................................................................................182

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Espaço em disputa: viajantes brasileiros e argentinos na fronteira (1882-1905)
Bruno Pereira de Lima Aranha (Doutorando - UNIRIO)1

1. ENTRE O URUGUAI E O IGUAÇU: UM ESPAÇO INDEFINIDO


A fronteira atual entre Brasil e Argentina compreende uma extensão total de 1261,3
quilômetros. O histórico de sua demarcação remonta ao período colonial, onde o Tratado de
Madri (1750) assinalou o rio Uruguai como o marco divisor natural entre as coroas espanhola
e portuguesa. Mais ao norte, o rio Iguaçu veio a demarcar a fronteira entre as duas nações sul-
americanas já emancipadas do julgo europeu. Durante todo o século XIX, restava ainda a
definição dos limites dentro de uma área que abarcava um grande espaço entre esses dois rios.
A região permaneceu sob um status de indefinição até o ano de 1895, momento em que
ocorreu a assinatura do Tratado de Palmas. O acordo foi mediado pelo presidente
estadunidense Stephen Grover Cleveland, que arbitrou a causa a favor do Brasil, tendo a
Argentina perdido uma porção de território que considerava como parte da região leste da
província de Misiones.
O tratado, no entanto, não representava o fim das pretensões de ambos os Estados
sobre o espaço e, tampouco, cessava os diversos movimentos de fronteira que seguiram
ocorrendo século XX adentro. Mesmo após a assinatura do tratado, as duas nações seguiram
com as suas respectivas incursões sobre a região fronteiriça. O tratado era apenas uma
formalidade. Era a efetiva ocupação do espaço que iria garantir a posse formal, tanto do
território, como das gentes que habitavam este espaço.
Em meio a esse processo, as sociedades locais seguiam travando contato com os
forasteiros que, por sua vez, intentavam impor seus projetos de nação e integrar os nativos em
suas respectivas “comunidades imaginadas”. Sendo assim, não se tratava apenas de uma
disputa entre as duas nações. Seguir com o colonialismo interno e controlar o outro interno
também era parte das agendas políticas dos dois países.
A ciência teve papel primordial nesse processo. A crença no evolucionismo projetava a
ocupação da fronteira e a submissão dos nativos como uma evolução natural do

1
Doutorando em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Órgão financiador:
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Mestre em Integração da América
Latina pelo PROLAM-Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São
Paulo (USP). Graduado e licenciado em História pela USP.
E-mail: bruno.aranha@usp.br

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desenvolvimento da nação. O progresso estaria fadado a acontecer. Conforme a mentalidade
da elite politica do período, o processo civilizador era algo irrefreável.
Os preceitos científicos eram pragmáticos para os interesses estatais e,
consequentemente, para os interesses econômicos. Esta ciência, de cunho oficial, legitimava
os interesses estatais de tirar proveito das potencialidades econômicas da fronteira e integrá-la
ao moderno sistema capitalista. Tratava-se, portanto, de uma ciência a serviço do poder oficial
que não levava em consideração os saberes locais. Toda a dinâmica de exploração que já
existia na região antes da chegada dos forasteiros, deveria ser dominada e integrada ao
mercado nacional e internacional. A erva-mate e a madeira, não deveriam mais servir à
dinâmica das sociedades locais. Seriam, a partir daquele momento, potencialidades
econômicas que deveriam ser escoadas pelos argentinos pela via do rio Paraná até o porto de
Buenos Aires e pelos brasileiros que escoariam esses recursos oriundos do oeste paranaense
até os portos da costa atlântica.
No que diz respeito à dinâmica de avanço das fronteiras americanas, ciência e poder
estavam totalmente entrelaçados. Daí resulta a pertinência das expedições científicas em
direção à fronteira. Ainda que essa ciência de caráter oficial fosse herdeira de uma matriz
europeia de pensamento, é necessário pontuar que, as expedições aqui analisadas são todas
compostas por nacionais.

2. EXPEDIÇÕES BRASILEIRAS RUMO À FRONTEIRA-SERTÃO


Durante o século XIX, em meio ao contexto da emergência das novas nações
americanas recém-independentes, o Brasil manteve um projeto de ocupação da fronteira
relativamente sólido. As expedições científicas de reconhecimento dos espaços interiores, de
norte a sul do país, já aconteciam antes mesmo da independência. A própria chegada da
família real em 1808 foi determinante para o início destas expedições.
Após a independência, tal política seguiu vigente. Ainda que seja necessário ter
ponderações a respeito da influência do cientificismo sobre a corte, 2 é inegável o fato de que
tal conjuntura tenha ocorrido. A criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB)
em 1838 denota o quanto a ciência estava atrelada a agenda política do Império. Fortemente
influenciado pelo contexto iluminista, a sua criação estava conectada com a política do
Império de construir um Estado centralizado e forte. Outro dado importante a ser destacado é
que o Instituto foi formado em meio a uma assembleia da Sociedade Auxiliadora da Indústria
2
Segundo Karoline Viana Teixeira, tais limitações eram decorrentes dos entraves burocráticos e da forte
influência do catolicismo sobre a Corte. Teixeira (2015: 51)
34
Nacional, órgão de cunho privado que visava fomentar a indústria nacional. Vemos, portanto,
que ciência, política e interesses privados confluíam no que tocava as potencialidades
econômicas da fronteira que necessitavam serem descobertas e utilizadas em proveito da
nação. Tanto o IHGB, quanto a Sociedade Auxiliadora, eram instituições particulares, embora
seja importante acrescentar que seus membros transitavam pela corte. Eram políticos
influentes que angariavam inversões do Estado para o fomento de suas próprias atividades.
Outro ponto a se destacar é o de que já existia, por parte do IHGB, um esforço
nativista de realizar expedições compostas apenas por cientistas brasileiros. Nesse período era
bastante comum o trânsito de viajantes europeus, não só pelo Brasil, como por toda a
América. Eles poderiam estar a serviço de algum Estado europeu ou mesmo trabalhando para
algum governo americano. O simples fato de serem europeus os credenciava para as
atividades científicas. No entanto, dentro do contexto das atividades do IHGB, é possível
detectar um esforço em consolidar uma ciência genuinamente nacional que inclusive fazia
oposição à ideia de autoridade dos cientistas europeus. Em 1856, num discurso realizado
dentro do próprio Instituto, o zoólogo Manuel Ferreira Lagos se dirigiu diretamente ao
Imperador Dom Pedro II para o alertar sobre a necessidade de se compor uma expedição de
engenheiros e naturalistas nacionais para explorar as províncias mais longínquas do Brasil. O
mais curioso era que o seu principal intuito, além da exploração em si, era questionar os
resultados da viagem do naturalista francês Francis de la Porte e de outros europeus que
estiveram pelo Brasil que, segundo ele, teriam cometidos inúmero equívocos em suas
atividades de exploração e reconhecimento da fronteira. 3
As premissas de Lagos foram concretizadas três anos depois com a formação da
Comissão Científica de Exploração das Províncias do Norte, composta apenas por cientistas
brasileiros, 4 provenientes do IHGB e de outras instituições privadas. Contava também com o
patrocínio do próprio Império. O esforço de consolidar uma ciência autenticamente nacional
também estava inserido no contexto da ascensão dos nacionalismos, tanto na Europa, como na
América. Sendo que o Império brasileiro não deixou de fazer parte desta conjuntura que
aliava ciência, política e nacionalismo.
Para a historiadora Heloisa Bertol, essas expedições científicas nacionais visavam
prosseguir com a colonização do interior idealizado como brasileiro. Dentro do contexto
capitalista que estava sendo engendrado, a incorporação do vasto sertão proveria a nação de
imensas riquezas. Isso era parte da lógica utilitarista do período que considerava que o mundo
3
Teixeira (2015: 44)
4
Para maiores informações a respeito desta expedição, ver: Kury (Org) (2009).
35
natural serviria justamente para atender a esta demanda.5 Caminhando dentro do mesmo
raciocínio, Maria Margaret Lopes entende esse contexto com uma manifestação do projeto
imperial de realizar uma “expansão para dentro” do seu espaço considerado como indivisível.
6

Considerando especificamente o contexto da fronteira sul e pensando na lógica


evolucionista da época, gradativamente, o avanço imperial foi adentrando oeste adentro.
Dentro de uma escala evolutiva, considerando Curitiba como uma centralidade, a fronteira foi
se deslocando em direção à Guarapuava e Palmas. Faltava, no entanto, alcançar a região da
desembocadura do rio Iguaçu no Paraná, ponto máximo da fronteira oeste.
Dentro desta dinâmica de fronteira móvel, contatos foram travados com o outro
interno, representado pelas diversas sociedades indígenas e caboclas que habitavam este
espaço. Alcançar a foz do rio Iguaçu, ademais do contato com as sociedades projetadas como
nacionais, representava também o encontro com o outro externo. Era uma questão geopolítica
assumir o controle deste canto recôndito da nação, ameaçados pelos estrangeiros de origem
hispânica, leia-se, argentinos e paraguaios.
A expedição do sertanista José Francisco Thomaz do Nascimento, realizada em 1885,
7
tinha como principal objetivo, conectar os campos do Chagú, boca de sertão e posto
avançado de ocupação brasileira no oeste paranaense, através de uma picada que pudesse
alcançar a margem esquerda do rio Paraná. Ele era ligado à Sociedade Auxiliadora da
Indústria Nacional, tendo antes realizado uma expedição na Bahia em busca de exploração de
minérios. 8 Tal experiência o credenciou a obter autorização do Império para realizar a mesma
empreitada no extremo oeste da província paranaense. 9
A expedição foi um fracasso e não chegou ao seu destino final. O viajante atribuiu o
insucesso justamente ao fato de não deter um conhecimento profundo da região e também
pela hostilidade de indígenas kaingangs que impediram que a expedição - também composta
por indígenas aliados - seguisse adiante até o rio Paraná. Embora projetasse o lugar como
pertencente ao Império Brasileiro, seu relato descreve um mundo desconhecido, apresenta
5
Domingues (2009: 168)
6
Lopes (2009)
7
Atualmente corresponde à área do município paranaense de Laranjeiras do Sul.
8
Decreto nº 5324 de 2 de Julho de 1873 concede a José Francisco Thomaz do Nascimento, permissão para
explorar e lavrar minas de turfa, carvão de pedra e schistos betuminosos, nas terras de sua propriedade sitas nas
Comarcas de Porto Seguro e Ilhéos, na Provincia da Bahia. Disponível em:
<http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaTextoSigen.action?norma=408318&id=14384615&idBinario=156333
73&mime=application/rtf > Acesso em 5 ago. 2018.
9
Decreto nº 9261, de 16 de agosto de 1884 concede permissão a José Francisco Thomaz do Nascimento para
explorar mineraes na Provincia do Paraná. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-
1899/decreto-9261-16-agosto-1884-543978-publicacaooriginal-54773-pe.html> Acesso em 4 ago. 2018.
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várias nações indígenas e revela contatos e negociações travadas com uma série de caciques
sertão adentro.
Ademais do caráter oficial do seu relato, publicado pela revista do IHGB, e, do teor
colonialista de sua narrativa, uma análise mais apurada, seguindo o que propõe Paul Carter, 10
aponta para as possibilidades de detectar as entrelinhas deste processo. Apesar da tentativa de
nomear os lugares e de batizar indígenas com nomes cristãos, o próprio relato revela o quanto
este processo demonstrou ser falho. Logo, não se tratava simplesmente de um processo onde o
colonizador submetia o colonizado.
É possível também detectar a resistência dos nativos ante a presença estrangeira em
seu território. Em dado momento, o viajante relata o momento em que solicitou a algumas
tribos kaingangs que se transladassem para as margens do rio Ivaí para trabalharem em
atividades relacionadas à moagem de cana. José Francisco registrou com precisão a resposta
dos indígenas e inclusive apontou o cacique Janguiô como o porta voz do grupo:
Janguiô falou por todos, dizendo-me que eles não querem sahir donde estão acostumados e onde têm
seus cemitérios (mostrando por esta fórma eles serem mais religiosos que nós), além do que, dizem
eles, aquellas terras são melhores que as do Ivahy (...) queixaram-se eles dos Portuguezes, 11 nos seus
povoados, depois de se terem aproveitado dos seus trabalhos e vigílias, correram com eles, o que isto é
verdade, pois lá tem acontecido e está acontecendo; dizem mais que sahindo eles daqueles lugares, os
Guaranys veem tomar conta, o que não gostam, porque são seus inimigos; disseram-me mais que os
caciques Jambré o capitão Barão, que habitam perto das Sete Quedas, 12 não querem tão pouco sahir
d´alli.13

Para além de registrar a própria resistência dos nativos ante a presença estrangeira,
transparece também a questão dos conflitos entre guaranis e kaingangs. O que nos dá uma
ideia do complexo quadro de relações existente dentro deste espaço fronteiriço. Também
resulta importante chamar a atenção para o fato de José Francisco registrar os domínios dos
caciques da região das Sete Quedas, mesmo não tendo chegado até este lugar, idealizado por
ele como parte do Brasil, e que tampouco chegou a botar os pés. Indiretamente, apontava que
os indígenas ainda eram os senhores da região idealizada como fronteira política com as
nações vizinhas. Eram eles que poderiam leva-lo até lá. A informação da possibilidade de
navegação do rio Piquiri até a desembocadura no Paraná provinha da própria ciência indígena.
O que denota o quanto a matriz científica europeia, por si só, não obteria êxito nestas

10
Carter (1987: 25)
11
Conforme aponta o relato, os indígenas não faziam distinção entre portugueses e brasileiros. A categoria de
português era atrelada a qualquer homem branco que travasse contato com os indígenas.
12
Os Saltos de Sete Quedas, eram localizados no rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, formavam a
maior cachoeira do mundo em volume de água, até o seu desaparecimento com a formação do lago da Usina
Hidrelétrica de Itaipu, construída durante a década de 1970. Os paraguaios e argentinos o denominavam como
Saltos del Guairá.
13
Nascimento (1886: 273)
37
paragens.
Obviamente, não era necessariamente do interesse do viajante apresentar o outro lado
da história. No entanto, analisar o relato de viagem dentro de uma perspectiva pós-colonial
nos possibilita detectar as intencionalidades do discurso oficial e captar, ainda que de maneira
indireta, como o agente externo dá voz ao outro. O próprio ato de demonstrar um interesse em
dominar um espaço que, todavia não lhe pertence, revela o quanto seu discurso emana apenas
as projeções de um poder meramente idealizado.
Apesar de não ter logrado alcançar o objetivo de alcançar às margens do rio Paraná, o
relato de José Francisco nos dá um panorama dos diversos movimentos de fronteira que
existiram antes da assinatura do Tratado de 1895. Indígenas guaranis e kaingangs mantinham
relações hostis entre si antes e depois da chegada do colonizador. As hostilidades também
afetaram os interesses do viajante que não logrou avançar com a expedição. Mesmo os
indígenas aliados expressaram desconfiança em relação às propostas do forasteiro, atreladas a
uma lógica de trabalho concernente à Divisão Internacional do Trabalho, uma realidade
bastante distante para os indígenas.
No que tocava as relações com o outro externo, José Francisco não chegou a travar
contato com argentinos. No entanto, tal problemática também era uma preocupação sua. Ele
registrou, através das informações repassadas pelos próprios indígenas, que “guaranys
trabalhavam para as gentes do outro lado do rio Iguassú, que (..) andam caminhando com fogo
por cima d´agua (embarcações a vapor).” 14
Tratava-se dos exploradores argentinos que - utilizando mão de obra indígena -
escoavam madeira e erva-mate rio Paraná abaixo até Buenos Aires. Tal conjuntura despertava
preocupação no viajante. Significava que o extremo oeste da província paranaense estava
desguarnecido de presença brasileira e livre para que estrangeiros tirassem proveito
econômico de um território considerado brasileiro: “o certo é que as nossas fronteiras com o
Paraguay e Corrientes só têm por guardas os rios Paraná e Iguassú. (...) não sei porque não se
abre caminho (...) basta o Governo querer e estará por ali tudo povoado, e a fonte aberta para
o comércio e riqueza! 15
Para além da preocupação para com a falta de presença brasileira na fronteira com as
nações estrangeiras, José Francisco também chamava a atenção para que o Império pudesse
empreender políticas públicas que remediassem tal situação.
Em realidade, a problemática que deve ser por nós elencada, também tem que levar em
14
Nascimento (1886: 278)
15
Nascimento (1886: 278)
38
conta a conjuntura política interna do Brasil na altura em que ocorria a expedição de José
Francisco. A monarquia já estava com os seus dias contados em meio à ascensão dos
republicanos e sua posterior chegada ao poder três anos após o lançamento da edição da
revista do IHGB onde foi publicado o relato do viajante. As próprias críticas que o autor
realizou ao governo, no que tocava à falta de investimento em políticas de ocupação da
fronteira denotam o contexto de transição pelo qual vivia o país no período.
Exercendo papel ativo dentro da questão republicana, foram os militares que
empreenderam as expedições que por fim chegaram à região da desembocadura do Iguaçu.
Conforme os preceitos científicos de então, tratou-se de um novo passo rumo ao progresso.
Nesse caso, seria então o governo republicano o novo detentor das rédeas do processo
civilizatório.

3. EXPEDIÇÕES ARGENTINAS RUMO ÀS BORDAS DA PÁTRIA


IMAGINADA
Antes da unificação argentina, ocorrida em 1862, algumas expedições para a fronteira
sul foram empreendidas em 1833 pelo governo de Buenos Aires durante a gestão de Juan
Manuel Rosas. As mesmas respondiam ao anseio da possibilidade de incorporação de terras
para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Daí resultou a problemática de projetar a
Patagônia como um imenso deserto a ser ocupado pela elite portenha. No entanto, a falta de
um projeto nacional unificado, somado à questão das guerras civis entre unitários, defensores
do poder centralizado em Buenos Aires, e federais, que advogavam pela autonomia das
províncias do interior, impossibilitava que houvesse uma política pública que fomentasse
expedições, não apenas para a fronteira sul, mas também para a fronteira norte.
O problema da ocupação da fronteira transpassou todo o século XIX. Era uma questão
de primeira ordem do governo de Julio Argentino Roca, iniciado em 1880. Junto a este
governo, emergiu um amplo ambiente intelectual que alicerçava as suas diretrizes. Esse grupo
de letrados que posteriormente foi denominada pela alcunha de Generación del 80, defendia
posturas cientificistas atreladas ao positivismo de Auguste Comte. Acreditavam cegamente no
progresso, identificando tal conceito com o crescimento econômico e com o advento da
modernidade. A ordem era considerada uma condição necessária para tal progresso. Tal
discurso legitimava uma ordem burguesa em detrimento do modo de vida camponês e de
subsistência. Um valor originalmente europeu que - guardadas as devidas seleções - encontrou
correspondência no discurso das elites americanas, incluindo a brasileira e a argentina.

39
Tendo como referência a dicotomia centro-periferia, a projeção dos desertos, tanto ao
sul, como ao norte de Buenos Aires, negava os seus respectivos modelos de sociedades até
então autônomos e considerados periférico pelos portenhos. Tal discurso colocava essas
regiões numa posição de subordinação ante o modelo de centralidade proveniente da cidade
porto. Tratava-se de um contexto onde as elites americanas se apropriavam do discurso que
legitimava a ordem burguesa europeia. 16
Esses ideais encontravam-se em total consonância com as diretrizes do governo de
Roca. Foi em meio a esse contexto que se inseriram as expedições científicas que partiram de
Buenos Aires rumo às bordas da nação idealizada pelos portenhos, não sem estarem imbuídos
pelo discurso cientificista que era emanado pelo governo portenho. Eram os civilizados da
cidade-porto que partiam em direção à barbárie desconhecida dos espaços projetados como
fronteiras da pátria.
Ciência e governo estavam aliados nessa empreitada porque a elite governante
necessitava de uma descrição científica minuciosa das regiões até então desconhecidas, daí a
pertinência dos cientistas descreverem tudo o que se relacionava com a geografia, o clima, a
fauna e a descrição etnográfica de uma região que estava em meio ao processo de ser
submetida formalmente ao Estado Argentino. Tratava-se de questões utilitárias sobre como o
Estado poderia tirar proveito dessas novas terras conquistadas. Foi durante o governo do
presidente Avellaneda, predecessor e apoiador de Roca, que foi promulgada pelo governo
argentino no ano de 1875 a ley de exploración científica de los territórios nacionales, lei esta
que visava fomentar e apoiar as expedições científicas dirigidas aos territórios nacionais das
fronteiras norte e sul.
As expedições de exploração direcionadas às diversas partes do território do país
durante o governo Roca geraram uma riqueza ignota, que demandava trabalho ordenado e
sem pausa. Esse contexto exerceu influência direta sobre o ambiente intelectual que alicerçou
o governo a partir de 1880. Era necessário mapear, identificar e descrever as regiões até então
consideradas recônditas. O governo viu a necessidade de estar alicerçado por um ambiente
intelectual que colaborasse com tal empreendimento. Pessoas que acreditavam no progresso
humano e que se empenhassem no labor de levar a civilização para os cantos mais recônditos
da nação. As expedições científicas eram parte dessa dinâmica, como bem sinaliza o
historiador argentino Jorge Rafael Alcaráz, os viajantes faziam parte dessa dinâmica:
Los viajes de exploración constituyeron uno de los procedimientos aceptados para la construcción del
escenario geográfico nacional, bajo el supuesto de la elaboración de un conocimiento exhaustivo de

16
Pratt (1999: 37)
40
los «nuevos territorios» que demostraba la capacidad de un Estado para conquistarlo no sólo por las
armas, sino a través del saber: creando jerarquías, taxonomías, promoviendo la explotación de las
riquezas naturales.17

Ainda em 1872, durante a gestão do presidente Sarmiento, foi criada a Sociedad


Científica Argentina, considerado como o primeiro esforço de coordenar o desenvolvimento
científico argentino na época. Dessa instituição se ramificaram outras de caráter científico,
dentre elas estava o Instituto Geográfico Argentino. 18
O Instituto Geográfico Argentino foi criado às vésperas da ascensão de Roca ao poder,
em meio ao contexto em que as instituições científicas tiveram um papel central nesse
empreendimento “civilizatório”. A política de expansão das fronteiras, empreendida pelo
governo, demandava o apoio logístico dessas instituições. Os membros dessas instituições,
muitas vezes transitavam livremente entre o ambiente científico e o espaço político
propriamente dito, tendo cargos importantes em ministérios e alguns sendo inclusive
nomeados governadores de províncias argentinas.
Estanislao Severo Zeballos foi o primeiro presidente do Instituto Geográfico
Argentino. Além da constante atuação no meio científico argentino, foi deputado nacional e
Ministro de Relações Exteriores, exercendo um papel fundamental nas questões limítrofes
com o Chile e com o Brasil. A combinação entre ciência e política pode ser sintetizada nas
palavras abaixo, deferidas por ele próprio:
Mas a conquista do deserto fechava um problema mais urgente; o estudo e colonização daqueles
territórios; e foi então que os mesmos estudantes daquele tempo acharam necessário fundar o Instituto
Geográfico Argentino, para que estivesse a frente das pesquisas que tinham por objetivo civilizar
nossos desertos. 19

O Instituto Geográfico Argentino estava em total consonância com a ideologia do


governo no que concernia à ocupação da fronteira. Tratava-se de um contexto bastante
parecido com o brasileiro, onde o IHGB dava o suporte intelectual e material para as políticas
públicas, tanto do governo imperial, quanto do republicano, de empreender o avanço sobre a
fronteira-sertão.

4. OS VIAJANTES BRASILEIROS
Elencamos a seguir, as expedições empreendidas por nacionais em direção à região
fronteiriça com a Argentina. Elas ocorreram antes e depois da assinatura do Tratado de Palmas

17
Alcaráz (2007: 42)
18
Zusman (1996: 24)
19
Zusman (1996: 29)
41
em 1895.
 José Maria de Brito empreendeu viagem no ano de 1889. Militar nascido no Piauí,
integrou a expedição, organizada no Rio de Janeiro, e que partiu de Guarapuava, no
centro oeste paranaense, para fundar a Colônia Militar de Foz do Iguaçu.
 José Cândido da Silva Muricy realizou sua expedição em 1892. Era militar nascido em
Curitiba. Foi designado a fazer parte de uma expedição que deveria inspecionar a
Colônia Militar do Iguaçu. Os apontamentos de viagem, escritos inicialmente em seu
diário em 1892, foram publicados mais tarde, em 1896. Nele, o autor descreve
aspectos naturais do território e principalmente, narra à situação em que se encontra a
Colônia Militar nesse período.
 Domingos Nascimento viajou em 1903. Era militar e foi designado a participar de
uma expedição militar que tinha como intuito verificar a situação das três colônias
militares estabelecidas no extremo oeste paranaense: Iguaçu, Chopim e Chapecó.
Também adentrou em território argentino.
 Artur Martins Franco era funcionário do governo do Paraná e, em 1903, comandou
atividades de demarcação e medição de terras dos empresários argentinos Domingo
Barthe, Pedro Núñez e Lázaro Gibaja, que atuavam na exploração da erva-mate no
oeste paranaense.
 Manuel Azevedo da Silveira Neto era funcionário público federal. Seu relato resultou
de suas conferências proferidas no Rio de Janeiro, em 1910, nas quais narrava sua
viagem à região oeste do Paraná, realizada em 1905. Fora encarregado de instalar a
Mesa de Rendas do Ministério da Fazenda em Foz do Iguaçu. O interesse despertado
pelas conferências levou o governo paranaense a lançar a primeira edição da obra, em
1914.

5. OS VIAJANTES ARGENTINOS
Elencamos a seguir, as expedições empreendidas por argentinos para o então Território
20
Nacional de Misiones, região fronteiriça com os três estados do sul do Brasil. Da mesma
maneira que as expedições brasileiras, elas ocorreram antes e depois da assinatura do Tratado
de Palmas em 1895.
 Ramón Lista era militar e político portenho. Foi presidente da Sociedad Geográfica
Argentina, realizou expedições para a Patagônia e Misiones, na fronteira com o Brasil,

20
Misiones tornou-se província apenas em 1953.
42
esta última no ano de 1882. Entre 1887 e 1892 foi governador do então recém-criado
Território Nacional de Santa Cruz, na Patagônia.
 Rafael Hernández foi enviado à fronteira pelo governo de Buenos Aires em 1883 para
atuar como agrimensor, mensurando as duas colônias do então recém-criado Território
Nacional de Misiones: Santa Ana e Candelaria. Escreveu relatos de viagem sobre a
fronteira para o La Tribuna Oficial, jornal oficial do governo argentino.
 Eduardo Ladislao Holmberg era botánico. Viajou para a fronteira em 1886 a serviço
da Academia Nacional de Ciencias.
 Juan Bautista Ambrosetti, botânico e antropólogo, era genro de Holmberg. Realizou
três expedições para a fronteira entre Misiones e o sul do Brasil: A primeira em 1891,
a serviço do Museo de La Plata. A segunda em 1892, liderando a Expedición Nordeste
del Museo de La Plata. A terceira viagem, realizada em 1894, era parte da expedição
do Gabinete de História Natural.
 Florencio de Basaldúa realizou uma expedição entre 1897 e 1898. Em 1900 foi
governador do então Território Nacional de Chubut, na recém-ocupada Patagônia.
Participou ativamente das atividades ligadas ao Museo de Ciencias Naturales de
Buenos Aires, da Sociedad Científica Argentina e do Instituto Geográfico Argentino.
Foi representante da Argentina nas Exposições Universais de Chicago (1893) e de
Paris em 1900, tendo essa última como temática os produtos das províncias de Entre
Ríos, Corrientes e Misiones.

6. COMENTÁRIOS FINAIS
Existem algumas diferenças entre as expedições argentinas e brasileiras. Embora o
cientificismo esteja presente em ambos os projetos nacionais, tal conjuntura é muito mais
evidente nas expedições argentinas. Todos os viajantes argentinos são oriundos de instituições
científicas, cujos relatos foram publicados logo em seguida às suas respectivas expedições. Já
existia em Buenos Aires um mercado editorial apto para publicar esse tipo de literatura.
Somava-se ainda o fato destas instituições científicas estarem totalmente alinhadas com a
política do governo argentino de mapear e ocupar os territórios de fronteira, sendo o Território
Nacional de Misiones um lugar estratégico onde a fronteira com o Brasil estava sob uma
disputa legal de demarcação.
As expedições brasileiras respondiam aos anseios dos militares, que antes mesmo da
proclamação da República, pressionavam o governo imperial no sentido de ocupar a fronteira

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com a Argentina. Dos cinco relatos expostos aqui, três são de militares. São de cunho técnico
e reportavam, sobretudo, ao Ministério da Guerra. Ainda que as outras duas expedições
fossem capitaneadas por agentes civis, elas seguiam propósitos parecidos, já que estes
funcionários foram até a fronteira para instalar a aduana e os demais órgãos representativos do
Estado brasileiro. Os relatos brasileiros foram publicados muito tempo depois da realização
das viagens e respondiam aos anseios do governo do estado do Paraná de legitimar o oeste
paranaense como parte da identidade do estado.
Para concluir, há que demarcar que os relatos de ambos os países representam uma
fonte importante para compreendermos a visão que esses agentes estatais projetavam sobre
este espaço fronteiriço, apontado como atrasado, mas que deveria ser integrado a seus
respectivos projetos de nação. Esse é o objetivo da nossa investigação que está em curso no
Programa de Pós-Graduação em História da UNIRIO.

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Decreto nº 9261, de 16 de agosto de 1884 concede permissão a José Francisco Thomaz do


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