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Lucas Bonifácio Eguchi 7179701 Avaliação Final – DPM0319 – 20201NO – Prova 02

Questão 01
1) Segue o disposto no Decreto-Lei 2.848 de 1940 (Código Penal):

“Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
(...)
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
(...)
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas”. (grifo próprio)

Deste modo, há que se ponderar a existência ou não do qualificador “concurso de


pessoas”. Para que este exista, é necessário o cumprimento de quatro fatores: a pluralidade
dos agentes e das condutas; que entre estas condutas haja nexo de causalidade; um vínculo
subjetivo entre os agentes para a consecução do delito; e que haja uma unidade da infração
penal, isto é, todos atuem para obter o mesmo fim.
Pelo que se lê da história, não há nexo de causalidade entre os atos delituosos, pois
um crime foi cometido de forma absolutamente independente do outro. E também não
existe liame subjetivo, dado que os irmãos sequer possuíam ciência da conduta criminosa
um do outro. Portanto não há que se falar em concurso de pessoas.

B) No caso de não ser afastada a capitulação da sentença, é possível afastar a pena


de reclusão ou de privação de direitos e aplicação apenas a pena de multa. Isto pode ser
feito a partir da translação para a tipificação de furto privilegiado, prescrito no art. 155, §
2º, do Código Penal. Isto se faz em consonância com a súmula 511 do STJ, aqui transcrita
literalmente: “É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do
CP nos casos de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o
pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva”. Como as condenações
não transitaram em julgado, os réus são primários. O valor do que foi furtado é inferior a
um salário mínimo, além do fato de o casal furtado é bastante rico, e os réus estão em
condições de miserabilidade. Por fim, a qualificadora, o concurso de pessoas, é de ordem
objetiva, pois é constatação de um fato, não de um juízo, como no caso do abuso de
confiança.

28 de junho de 2020
Lucas Bonifácio Eguchi 7179701 Avaliação Final – DPM0319 – 20201NO – Prova 02

Questão 02
O crime praticado é o de extorsão com majorante, assim definido pelo Decreto-
Lei 2.848 de 1940 (Código Penal):

“Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter
para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de
fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a
pena de um terço até metade”.

Como se percebe do relato, houve um constrangimento a partir de uma grave


ameaça (a imputação injusta de um crime insuscetível de graça, indulto, anistia ou fiança
e cuja pena é bastante gravosa) com o fito de se obter uma vantagem econômica, que no
caso é a quantia exigida de R$ 8.000,00. Como houve conluio de cinco policias para
prática, está caracterizado a condição majorante do § 1º.
Há também a prática do crime previsto no art. 33 da Lei Federal 11.343 de 2006,
in verbis:

“Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda,
oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a
consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e
quinhentos) dias-multa”.

Com os devidos majorantes previstos no art. 40 da mesma Lei, que são dois, mas
que por motivos óbvios serão considerados apenas um pela própria natureza das situações
majorantes (não se pode majorar duas vezes):

“Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços,
se:
(...)
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de
educação, poder familiar, guarda ou vigilância; (...)
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou
qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva (...)”.

28 de junho de 2020