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DIREITO PENAL – PARTE GERAL

Lei Penal − Classificação Normal Penal em Branco


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LEI PENAL − CLASSIFICAÇÃO NORMAL PENAL EM BRANCO

LEI PENAL

É a fonte formal imediata do Direito Penal. Além disso, de acordo com a dou-
trina clássica, é a única fonte formal do Direito Penal.

Estrutura da lei penal


• Preceito primário: dispõe a conduta criminosa do agente. Ex.: matar
alguém (Art. 121, caput, CP);
• Preceito secundário: é a sanção penal que será aplicada ao agente. Ex.:
pena de reclusão de seis a vinte anos (Art. 121, caput, CP).

Caráter descritivo da lei penal


Proibição direta vs. proibição indireta: o Direito Penal não traz uma proibição direta
das condutas (ex.: não matar alguém), pois o caráter é descritivo, ou seja, o Direito
Penal descreve o próprio comportamento criminoso e o proíbe indiretamente.
Nesse sentido, o Direito Penal não irá proibir diretamente as condutas que
são passíveis de punição, contudo, irá descrever uma conduta. Dessa forma,
caso o agente pratique essa conduta e se ela se adequar à norma penal, então
será imposta uma sanção.
A técnica da proibição indireta foi trazida por Karl Binding e foi adotada pelo
Código Penal Brasileiro.

Direto do concurso
1. (DELEGADO/PC-GO/2012) O criminoso na realidade não viola a lei penal,
e sim a proposição que lhe prescreve o modelo de sua conduta, que é um
preceito não escrito.

Comentário
Na realidade, o criminoso não viola a lei penal propriamente dita, mas o conceito
não escrito.
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Classificação da lei penal


1. Incriminadoras: definem as infrações penais e estabelecem a sanção
penal. Elas também se dividem em:
a) Completas ou perfeitas: possuem todos os elementos da conduta crimi-
nosa (ex.: Art. 155, CP – furto); e
b) Incompletas ou imperfeitas: são normas que exigem complementação
para que façam sentido. Tais complementações podem ser oriundas de outra
lei, de um ato administrativo (normas penais em branco) ou do próprio julgador
(tipos penais abertos).
2. Não incriminadoras: também chamadas de lei penal em sentido amplo.
Elas se dividem em vários tipos:
a) Permissivas justificantes: causas excludentes de ilicitude (Arts. 23 a 25,
CP e parte especial do CP, como no Art. 128);
b) Permissivas exculpantes: retiram a culpabilidade do agente. Ex.: normas
que tratam da menoridade penal, da prescrição (Art. 109, CP), dentre outras;
c) Interpretativas: explicam o significado de outras normas penais. Ex.:
Art. 327, CP (definição de servidor público para fins penais, necessária para os
crimes do art. 312 e seguintes);
d) Complementares: têm a função de delimitar a aplicação da lei penal. Ex.:
Art. 5º, CP (princípio da territorialidade);
e) De extensão ou integrativa: necessárias para incriminar condutas espe-
cíficas. Ex.: Art. 14, II, CP (tentativa).

 Obs.: apesar de ser muito importante conhecer os conceitos acima, estes não
costumam ser cobrados em sua literalidade em provas de concursos
públicos.

Normas incriminadoras incompletas ou imperfeitas


1. Tipo penal aberto
Depende da interpretação, da valoração do julgador no caso concreto para
que determinada conduta seja incriminada.
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Ex.: Art. 246 (abandono intelectual) – Deixar, sem justa causa, de prover à


instrução primária de filho em idade escolar.
No caso do dispositivo acima, a lei não dispõe qual é essa justa causa. Nesse
caso, a definição dessa justa causa será feita pelo juiz na análise do caso con-
creto. Outro exemplo é o Art. 233, CP, que prevê o crime de ato obsceno.

2. Lei penal em branco (“norma cega”)


Norma penal que depende de complemento para que possua validade no
ordenamento jurídico.
O preceito primário da norma é incompleto e exige complementação de outra
lei ou de ato da Administração Pública.
O jurista alemão Franz von Liszt a definia como “corpo errante em busca de alma”.

A lei penal em branco ainda se divide em dois tipos: homogênea e heterogênea.


1. Norma penal em branco homogênea (em sentido amplo ou imprópria):
O complemento da norma penal possui a mesma natureza jurídica e emana
da mesma fonte de produção (do mesmo órgão legislativo).
Divide-se em norma penal em branco homogênea homovitelina e norma
penal em branco homogênea heterovitelina. A primeira é aquela cujo comple-
mento está no mesmo diploma legal que a norma penal em branco, já na segunda,
o complemento se encontra em diploma legal distinto. Vide o quadro abaixo:

Homovitelina Heterovitelina
Natureza jurídica do
Lei Lei
complemento
A complementação A complementação
encontra-se no mesmo encontra-se em diploma
Diploma legislativo
diploma legislativo que a legislativo distinto da
norma penal incriminadora norma penal incriminadora
CP, Art. 312 (peculato) e
CP, Art.  169, Par. Único, I
demais crimes praticados
(apropriação de tesouro) –
Exemplos por funcionário público
CC, Art. 1.264 (definição de
contra a Adm. Púb. – CP,
tesouro).
Art. 327.
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2. Norma penal em branco heterogênea (em sentido estrito ou própria)


O complemento da norma penal possui natureza jurídica diversa e não
emana do legislador, mas de fonte de produção distinta (atos administrativos).
Apesar de pequena parcela da doutrina defender a inconstitucionalidade da
norma penal em branco heterogênea, a doutrina majoritária e a jurisprudên-
cia entendem que ela seja constitucional.
Ex.: Substâncias que são proibidas para fins de aplicação da Lei de Drogas
(Lei n. 11.343/2006). O  complemento encontra-se em portaria da Anvisa e do
Ministério da Saúde.

Direto do concurso
2. (DELEGADO/PC-GO/2012) Normas penais em branco impróprias são aque-
las em que o complemento se encontra contido em outra lei emanada de
outra instância legislativa.

Comentário
As normas penais em branco impróprias são as homogêneas, ou seja, aquelas
em que o complemento deve constar em diploma de mesma natureza jurídica
(lei) e que seja emanado pelo mesmo órgão legislativo.

3. (JUIZ/TJ-PR/2008) NÃO constitui situação de violação do princípio de lega-


lidade:
a. Incriminação com base em analogia.
b. Uso de norma penal em branco em sentido estrito.
c. Retroatividade de lei incriminadora desfavorável ao réu.
d. Incriminação em casos dos chamados delitos de acumulação.

Comentário
a. Não se admite a analogia para incriminar alguém.
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b. Já foi compreendida como constitucional a possibilidade de complemen-


tação por meio de atos administrativos no caso das normas penais em
branco homogêneas.
c. A lei não pode retroagir para prejudicar o réu.
d. Nos delitos de acumulação é exigida uma repetição da conduta para que
ela seja incriminada.

3. Norma penal em branco ao avesso (às avessas, inversa, ao  revés,


invertida)
A complementação é exigida pelo preceito secundário da norma penal e
não pelo preceito primário.
Ex.: Arts. 1º a 3º da Lei n. 2.889/1956 – genocídio.

4. Norma penal em branco ao quadrado:


A norma penal exige complementação e esta, por sua vez, também requer
complementação.
Ex.: Art. 38 da Lei n. 9.605/1998 (crimes ambientais) – “Destruir ou danificar
floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou
utilizá-la com infringência das normas de proteção.” As áreas de preservação
permanente estão relacionadas na Lei n. 12.651/2012 (Código Florestal), que,
por sua vez, requer nova complementação por ato do Chefe do Poder Executivo.

5. Norma penal em branco de fundo constitucional:


O complemento da norma penal encontra-se na Constituição Federal.
• Ex.1: Homicídio qualificado contra autoridades e agentes de segurança
(Art.  121, §2º, inciso VII, CP). Os  integrantes dos órgãos de segurança
pública estão descritos nos artigos 142 e 144, da CF/1988.
• Ex.2: Art. 246, CP (abando no intelectual) – o conceito de “instrução primá-
ria” encontra-se no Art. 208, I, da CF/1988.
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GABARITO
1. C
2. E
3. b

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor Érico Palazzo.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do con-
teúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela
leitura exclusiva deste material.
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