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DIREITO PENAL – PARTE GERAL

Conflito Aparente de Normas Penais II


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CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS II

1. Conflito Aparente de Normas Penais


1.2. Subsidiariedade (Lex Primaria Derogat Legi Subsidiarie)
Norma primária, mais grave, deve prevalecer sobre a norma subsidiária, mais
branda. A norma subsidiária age como “soldado de reserva”, devendo ser apli-
cada quando não estiverem presentes todas as elementares da norma principal.
Ao contrário do princípio da especialidade, a aplicação do princípio da subsi-
diariedade se dará mediante análise do caso concreto.

1.2.1. Subsidiariedade Expressa


A lei declara explicitamente a subsidiariedade da norma. Exemplo: Art. 132 x
Art. 251 do Código Penal; Art. 304 x Art. 307 do Código Penal.

Decreto-Lei n. 2.848 de 1940


Código Penal
Perigo Para a Vida ou Saúde de Outrem
Art. 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena – Detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
(...)
Explosão
Art. 251. Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, me-
diante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de
substância de efeitos análogos:
Pena – Reclusão, de três a seis anos, e multa.
(...)
Uso de documento falso
Art. 304. Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se re-
ferem os arts. 297 a 302:
Pena – A cominada à falsificação ou à alteração.
(...)
Falsa Identidade
Art. 307. Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em
proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem:
Pena – Detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui ele-
mento de crime mais grave.
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1.2.2. Subsidiariedade Tácita


O fato típico mais grave é aplicado em detrimento do fato típico menos grave,
o qual integra a descrição típica do primeiro. Exemplo: Art. 146 x Art. 213 do
Código Penal.

Decreto-Lei n. 2.848 de 1940


Código Penal
Constrangimento Ilegal
Art. 146. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de
lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não
fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena – Detenção, de três meses a um ano, ou multa.
(...)
Estupro
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjun-
ção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:
Pena – Reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.

1.3. Alternatividade
Há três posições doutrinárias:
a) o princípio da alternatividade é uma forma do princípio da consunção;
b) a aplicação de uma norma penal no caso concreto afasta outra que também
prevê determinada conduta como delito. Exemplo: Art. 213 x Art. 215 do Código
Penal;
c) tipos penais que possuem várias condutas (verbos), conhecidos como tipos
mistos alternativos, de ação múltipla ou de conteúdo variado.

Exemplo: Art. 180 do Código Penal.


Decreto-Lei n. 2.848 de 1940
Código Penal
Art. 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou
alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé,
a adquira, receba ou oculte.
(...)
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Violação Sexual Mediante Fraude


Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, median-
te fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da
vítima:
Pena – Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

1.4. Consunção (Lex Consumens Derogat Legi Consumptae)


A norma consuntiva derroga a norma consumida. A norma mais grave e abran-
gente absorve a norma menos grave abrangente. O crime fim absorve o crime
meio. Afasta-se o bis in idem, uma vez que o fato menos amplo seria punido
separadamente do fato mais amplo, do qual é integrante.
1ª Hipótese: crime complexo (crimes que resultam da fusão de dois ou mais
tipos penais). Exemplos: roubo = furto + ameaça ou lesão corporal; extorsão
mediante sequestro = sequestro ou cárcere privado + extorsão.

Atenção!
Parte da doutrina discorda que o crime complexo seja uma hipótese de princípio
da consunção, uma vez que não há conflito se a própria lei criou um tipo penal
específico, resultante da fusão de dois ou mais tipos penais.

2ª Hipótese: crime progressivo (crimes de ação de passagem). O dolo do


agente é voltado para um resultado que, necessariamente, passa por outro tipo
penal. O ato final (dolo) consome os atos anteriores. Exemplo: João utiliza uma
arma de corte para ceifar a vida de José. Assim, o golpeia repetidas vezes na
região do tórax, até que consegue alcançar seu objetivo. João irá responder
somente por homicídio.
3ª Hipótese: progressão criminosa. O dolo do agente é voltado para um crime
menor. Todavia, após consumá-lo, substitui seu dolo para alcançar um resultado
mais grave. Exemplo: João pretende gerar lesões corporais em José e, para
tanto, desfere socos em sua face. Após alcançar seu intento, altera seu dolo e
continua desferindo socos com a finalidade de tirar sua vida.
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4ª Hipótese: fatos impuníveis O crime meio é absorvido pelo crime fim.


Exemplos: o crime de furto em interior de residência (Art. 155 do Código Penal)
absorve o crime de violação de domicílio (Art. 150 do Código Penal); lesões cor-
porais leves suportados por uma mulher vítima de estupro são absorvidas por
esse delito.

Atenção!
Súmula n. 17 do STJ: quando o falso se exaure no estelionato, sem mais
potencialidade lesiva, é por este absorvido.
Muitas vezes, o crime de falso é mais grave que o crime de estelionato.
É justamente aí que está a impropriedade técnica da Súmula n. 17 do STJ,
alvo de diversas críticas, que constitui uma exceção ao princípio da consunção.

5ª Hipótese: pós-fatos impuníveis. Nova ofensa praticada contra o bem jurí-


dico, mas que fazia parte do dolo inicial do agente. Pode ser considerado um
exaurimento do crime praticado e, por isso, não será punido. Exemplo: João
subtrai um aparelho celular com a finalidade de vendê-lo e obter lucro. Assim,
após o furto, anuncia e consegue vender o referido aparelho.

Direto do concurso
1. (FGV/PC-MA/DELEGADO/2012) Ocorrido um fato criminoso, às vezes duas
ou mais normas se apresentam para regulá-lo, surgindo o chamado conflito
aparente de normas. A respeito de tal questão, assinale a afirmativa incorreta.
a. A pluralidade de fatos e a pluralidade de normas são pressupostos do con-
flito, que aparentemente com eles se identificam.
b. O princípio da subsidiariedade atua como “soldado de reserva”, aplicando
a norma subsidiária menos grave quando impossível a aplicação da norma
principal mais grave.
c. A questão da progressão criminosa e do crime progressivo é resolvida pelo
princípio da absorção ou consunção.
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d. Na progressão criminosa, o agente inicialmente pretender praticar um cri-


me menos grave, e, depois, resolve progredir para o mais grave.
e. No crime progressivo, o sujeito, para alcançar o crime querido, passa ne-
cessariamente por outro menos grave que aquele desejado.

Comentário
a. A unidade de fatos e a pluralidade de normas são pressupostos do confli-
to, que aparentemente com eles se identificam.

2. (FUNCAB/PC-RJ/DELEGADO/2012) Portando ilegalmente, exclusivamente


para aquela ação, uma arma de fogo de calibre permitido, Norberto constran-
ge um transeunte e, mediante grave ameaça, subtrai para si os seus perten-
ces. Nesse contexto, afirma-se que:
a. o autor responde somente pelo crime de roubo, não pelo de porte de arma
de fogo, pois a pena do crime patrimonial já engloba a reprovabilidade do
delito previsto na lei especial, consequência da unidade fática entre am-
bos, aplicando-se o princípio da consunção.
b. há apenas crime de roubo, solucionando-se o caso pelo princípio da espe-
cialidade, pois o delito patrimonial, ao estabelecer a grave ameaça como
meio executório, insere o porte de arma em sua estrutura típica, acrescido
de elementos especializantes.
c. será o porte de arma absorvido pelo crime de roubo em virtude da subs-
tituição do dolo, característica da progressão criminosa, que determina o
reconhecimento do conflito aparente de normas.
d. aplica-se ao caso o princípio da subsidiariedade, pois nas condutas há
diferentes graus de lesão à mesma objetividade jurídica, em uma relação
de continente e conteúdo.
e. tutelando bens jurídicos distintos, as normas penais referentes aos crimes
de porte de arma de fogo e roubo figurarão em concurso material de deli-
tos, aplicando-se ao caso o sistema do cúmulo material das penas.
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Comentário
Decreto-Lei n. 2.848 de 1940 (Código Penal): Roubo. Art. 157. Subtrair coisa
móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a
pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade
de resistência: (...) § 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): I – Se a
violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;

GABARITO
1. a
2. a

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor Érico Palazzo.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do con-
teúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela
leitura exclusiva deste material.
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