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Proteção e Fundamentos Físicos da Radiologia

Professora: Rejane Oliveira Ferreira


3 – Conceitos Importantes
3.1 – Raio atômico – é à distância do centro do núcleo atômico até o último orbital ocupada por
elétrons. O valor do raio depende da força de atração entre o núcleo e os elétrons. Porém se aumentar o
Z, o raio diminui, e aumentando-se o número de camadas eletrônicas o raio aumenta.
A unidade é o Angstron 1Å = 10-10 m ou 10-8 cm.

3.2 – Raio iônico – é o acréscimo ou o desfalque de elétrons num átomo, modificando o raio do
sistema restante, que é o íon.
Íon positivo (cátions) perde elétron, raio menor.
Íon negativo (ânions) ganha elétrons, raio maior.
O excesso de elétrons aumenta o raio, enquanto que a deficiência de elétrons faz com que a carga
nuclear atue mais intensamente sobre os elétrons restantes, porém reduzindo o raio.

3.3 – Estrutura eletrônica


Os elétrons se distribuem em camadas ou orbitais, sendo que dois elétrons não ocupam o mesmo lugar.
Quanto mais elétrons, mais camadas ele deve ter ou mais complexa será a maneira como eles se
acomodarão.
Quando a camada esta completa, a chamamos de camada fechada.

3.4 – Energia de Ligação eletrônica


Esta energia é caracterizada pela atração do elétron (que é negativo) com o núcleo (que é positivo
devido aos prótons ali existentes) e pela própria repulsão dos elétrons.
A energia consumida neste processo se denomina energia de ligação.
A energia de ligação dos elétrons próximos ao núcleo é bastante grande, já no mais externo são bem
pequenas, por isso os elétrons têm maior facilidade de se mover.
“Quanto maior o raio atômico, mais distante os elétrons estarão do núcleo e, portanto mais fraca será a
atração sobre eles”.

3.5 – Estrutura Nuclear


O núcleo é constituído por nucleons (ou massa atômica)
A=Z+N
No núcleo as forças são intensas e de curto alcance, causando uma interação forte.
“O valor médio da energia de ligação dos nucleons é muito maior que a energia de ligação dos
elétrons”.

3.6 – Núcleon
É cada componente do núcleo, quer dizer o próton é um nucleon e o nêutron também.

3.7 – Nuclídeos
È quando os elementos apresentam diferentes massas, mesmo número de prótons Z e diferentes
números de nêutrons N, semelhantes ao isótopo.
Além dos isótopos ou nuclídeos estáveis, temos também os instáveis, que são radioativos, conhecidos
como radioisótopos ou radionuclídeos.

Exercícios de Fixação
01. Defina raio iônico e raio atômico.
02. Raio atômico teoricamente é à distância do centro do núcleo atômico até o último orbital ocupado
por elétrons. O valor do raio depende da força de atração entre o núcleo e os elétrons. As dimensões
destes raios são da ordem de:
a) 10-7 cm b) 10-8 cm c) 10-9 cm d) 10-10 cm
4 – Transições
É o deslocamento da partícula alvo para estados disponíveis nas estruturas eletrônicas ou nucleares. O
processo é acompanhado pela absorção ou pela emissão de uma quantidade de energia igual à
diferença entre as energias associadas aos estados.

4.1 – Estados Excitados


Quando o átomo está em equilíbrio, tem seus elétrons e seus nucleons em orbitais estacionários. Mas
se partículas ou ondas forem lançadas contra ele, elas poderão colidir com alguns de seus elétrons
(Transição eletrônica) ou com o seu núcleo (Transição nuclear).
“A probabilidade de colisão com os elétrons é muitas vezes superior à probabilidade de colisão com o
núcleo”.
Ao acontecer o choque a radiação transfere a energia provocando uma ionização no átomo ou reação
nuclear no núcleo.
Quando a energia for inferior à energia de ligação, teremos os estados excitados eletrônicos ou
excitados nucleares.
O tempo de permanência deste estado varia entre 10-6 a 10-15 segundos.

Lembre-se: Os fatores que induzem esta colisão são:


Disposição geométrica;
Número de átomos;
Carga elétrica;
Movimento.

4.2 - Transferência de Energia: Total ou Parcial

1º) Se a Energia Transferida for maior que a Energia de ligação


Ocorrerá ionização ou reação nuclear no átomo ou no núcleo.
2º) Se a Energia Transferida for menor que a Energia de ligação
Ocorrerá um deslocamento da partícula alvo para estados disponíveis nas estruturas eletrônicas ou
nucleares, gerando estados excitados eletrônicos ou nucleares.

4.3 – Transição Eletrônica


4.3.1 – Transições de baixa energia: que ocorrem entre os níveis e subníveis mais externos.

4.3.2 – Transições de alta energia: acontece nos níveis mais internos do átomo, originando assim, RX
de alta energia.

4.4 – Transição Nuclear


Acontece quando nucleons são deslocados para estados disponíveis, formando estado excitado, sendo
que no restabelecimento do equilíbrio eles emitem a energia absorvida sob forma de radiação gama.
RAIOS-X = RAIO GAMA
“Para se manter em equilíbrio após uma transição os nucleons emitem a energia sob a forma de
radiação gama”.

Exercícios de Fixação
1. Em relação aos Estados Excitados e transição Eletrônica, as afirmações abaixo estão corretas
EXCETO:
a) Quando o átomo se encontra em equilíbrio, os seus elétrons e seus nucleons se encontram em
orbitais estacionários.
b) Se partículas ou ondas eletromagnéticas forem lançadas contra ele, sob certas condições
físicas, elas poderão colidir com seus elétrons ou com o seu núcleo.
c) No choque, a radiação transfere parcial ou totalmente a sua energia que, se for inferior à
energia de ligação provocará uma ionização ou uma reação nuclear no átomo ou no núcleo,
respectivamente.
d) Quando a energia absorvida for inferior à energia de ligação, ocorrerá um deslocamento da
partícula alvo, para estados disponíveis nas estruturas eletrônicas ou nucleares, gerando os
denominados estados excitados eletrônicos ou nucleares.
e) É possível classificar as transições eletrônicas em dois tipos. O primeiro tipo envolve as
transições de baixa energia (luz) que ocorrem entre os níveis ou subníveis de energia próximos do
contínuo. O segundo, envolvendo os níveis ou subníveis mais internos, originando os rios X
característicos, de alta energia.

5 – Definições
Estabilidade Nuclear – Apenas determinada combinações de prótons e nêutrons resultam em núcleos
estáveis. Para as outras combinações, o núcleo resultante vai possuir excesso de energia e não será
estável. O núcleo instável vai tentar tornar-se estável liberando a energia em excesso, sob a forma de
partículas ou radiação eletromagnética. Estes núcleos instáveis são radioativos e estes isótopos são
conhecidos como radionuclídeos.
Ionização – É o processo de adicionar ou remover elétrons de átomos ou moléculas (grupos de
átomos) neutros.
Nuclídeo – É um determinado átomo caracterizado por seu número atômico, número de massa e
estado de energia. A existência do átomo nesse estado de energia deve ser suficiente para que ele seja
observado.
Radiação – Designação genérica da energia que se propaga de um ponto a outro do espaço, no vácuo
ou em um meio material, podendo ser corpuscular ou eletromagnética. É uma forma de energia.
Radiação Ionizante – Radiação, na forma de partículas ou ondas eletromagnética, que podem causar
ionização, direta ou indiretamente. Exemplos de radiação ionizante incluem partículas alfa (),
partículas betas (), raios gama (), raios-X e nêutrons. À medida que a radiação ionizante atravessa a
matéria, são produzidos íons ao longo de sua trajetória. Os íons produzidos neste processo permitem a
detecção da radiação.
Radiação não Ionizante – Radiação que não tem energia suficiente para ionizar um átomo. A
radiação não ionizante pode também ser capaz de provocar danos biológicos. Exemplos de radiação
não ionizante são ondas de radar, ondas de rádio, micro-ondas e luz visível.
Radiatividade I – É o fenômeno de desintegração espontânea de certos núcleos, em que há emissão de
partículas de diversas naturezas e a transformação do nuclídeo emissor em outro. Essa transformação é
um exemplo do que chamamos de transmutação nuclear.
Radioatividade II – Existe dois tipos de radioatividade nuclear, as naturais e as artificiais ou
(induzidas).
A natural é a radioatividade de átomos já existentes na natureza. Ex: Elementos radioativos que
existem na superfície da Terra ou raios cósmicos que vem do espaço, emitem α (alfa), β(beta) e
γ(gama).
A artificial é produzida em reatores nucleares, ou seja, é necessário à intervenção humana. Ex: O uso
do raio X, as chuvas de partículas radioativas produzidas pelos testes de armas nucleares.
Origem da Radiação
Em 1895, o físico Wilhelm Conrad Röntgen (1845 – 1923) na Alemanha, pesquisava o tubo de raios
catódicos inventado por Crookes anos antes.
Ao ligar o tubo perto de uma placa de cianeto de bário, ela brilhou, ao observar isto e após semanas de
experiências viu que alguma coisa saia do tubo atravessava barreiras e atingia a placa.
Em dezembro do mesmo ano fez a radiação atravessar por 15 minutos a mão da sua mulher, atingindo
uma chapa fotográfica. Revelada viu-se os ossos. Esta foi à primeira radiografia da história.
Os raios-X são ondas eletromagnéticas de comprimento muito curto, muitas vezes menor que um
milímetro.
Em 1896, o físico francês Antoine H. Becquerel percebeu que um sal de urânio era capaz de
sensibilizar o negativo de um filme fotográfico, apresentando assim propriedades semelhantes à dos
raios X.
Exercícios de Fixação
01. Quais são os dois tipos de radioatividade nucleares existentes?
02. Quais são os tipos de radiação que podem ser emitidas por elas?
03. Descreva as radioatividades naturais.

6 – Fótons
São pacotes de energia, ou seja, partículas fundamentais da física que possuem massa em repouso e
carga elétrica nula. Comporta-se, ora como partícula, ora como onda eletromagnética. Quando no
vácuo estas partículas possuem as velocidades iguais a da luz.
6.1 - Cálculo da energia do Fóton
E=h.ƒ
Onde: E é a energia bem definida.
h é a constante de Planck;. h = 6,63 x 10-34 J.s
ƒ é a freqüência.
“Energia de cada fóton era proporcional a freqüência da radiação”

6.2 – Propriedades dos Fótons

6.2.1 – Meia Vida – É o tempo necessário para que num processo de desintegração radioativa, o
número de átomos de um nuclídeo se reduza à metade.

Cálculo da Meia Vida – Como calcular meia Vida?


T½ = 0,693 / 
Exemplos: Fe  11 s
Al  2,24 min
Sr  28,5 anos
U  4,46 . 109 anos.

6.2.2 – Constante de Decaimento – É a medida de probabilidade de um determinado átomo do


nuclídeo, numa amostra, desintegrar-se na unidade de tempo.

Cálculo da Constante de decaimento – Como calcular o decaimento?


(-t )
N = No x exp
Onde: N é o número de átomos do nuclídeo
No é o número de átomos inicial do nuclídeo
 é a constante de desintegração radioativa.

6.2.3 – Atividade de uma amostra (A) – É o número de desintegrações nucleares


espontâneas, por unidade de tempo, verificadas numa amostra que contém um
nuclídeo radioativo ou mais de uma espécie radioativa. Portanto:

A=xN

Cálculo da Atividade de uma amostra – Como calcular Atividade?


(-t)
A = Ao x exp
Onde: A é a atividade depois de decorrido um tempo t.
Ao é a atividade inicial
 é a constante de desintegração radioativa.

Unidade de Atividade
No SI é o Becquerel 1(Bq) = 1/s = s-1
Em alguns aparelhos temos o uso de outra unidade que é o Curie (Ci) em homenagem ao casal Curie.

Ex: 1g Ra  3,7 x 1010 transformações por segundo


226

1 Ci – 3,7 x 1010 Bq

Exercícios de Fixação
01. (UFU Julho/05 - MG) O ano de 2005 foi declarado pela ONU como o Ano Mundial da Física, em
razão do centenário das publicações de trabalho de Albert Einstein que revolucionaram a ciência
moderna. Em um desses trabalhos, Einstein afirma que a quantidade de energia E transportada por um
fóton é diretamente proporcional à freqüência ƒ da radiação, na forma:
E=hƒ

onde h é uma constante física dimensional


Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta corretamente a unidade da constante
h, no sistema internacional de unidade (SI).
a) J.s b) J/s c) J.s/rad d) J

02.A meia-vida do Estado Excitado é o tempo de permanência da partícula no estado excitado e


depende das características que definem os estados iniciais e final, que irão participar da transição. O
seu valor depende da variação do momento angular e paridade orbital do estado excitado, energia e
tipo de transição eletromagnética. Em geral o seu valor é da ordem de:
a) 10-6 e 10-15 segundos.
b) 1 e 60 segundos.
c) 1 e 10 minutos.
d) 1 e 10 horas.
e) 1 e 10 dias.

7 – Radiações Nucleares I
São aquelas partículas ou ondas emitidas pelo núcleo, quando o mesmo tenta se reestruturar.
As radiações nucleares são bem mais energéticas porque as forças ali existentes são bem maiores,
ou melhor, dizendo, as forças nucleares possui maior intensidade do que a força elétrica e
gravitacional.

Unidade de Energia de radiações


É expressa em elétron-Volt.
Um eV (elétron-volt) é a energia cinética adquirida por um elétron ao ser acelerado por uma diferença
de potencial elétrico de 1 Volt.
1 eV = 1,6 x 10-19 J
1 MeV = 106

Unidade de Radiação
Pela Comissão Internacional de Unidades e medidas Radiológicas adotou formalmente o
“Roentgen” como sendo unidade de radiação.
Roentgen é definido como “a quantidade de raios X ou · que, associada a uma emissão corpuscular
de 1cc de ar (0,001293g de ar), produz íons de ambos os sinais que carregam uma unidade eletrostática
de carga (a CNTP)”.
O símbolo da unidade é
“R”
Como Roentgen só servia para medir radiações eletromagnéticas (X ou ) foi criado o RAD
(Radiation Absorved Dose) para medir dose absorvida. Portanto pelo ICRU (Comissão Internacional
de Unidades e medidas Radiológicas).
1 – Exposição às radiações, medidas em Roentgen.
2 – Absorção da radiação, medida em RAD.

Exposição – (Relação entre carga e massa) É a capacidade das radiações de produzir uma ionização no
ar numa dada região. È a dose correspondente à emissão corpuscular associada aos RX ou produzida
em 1 cm3 de ar seco. Sua unidade é o Roentgen. Em outras palavras é a soma de todas as cargas
elétricas e íons produzidos no ar, quando todos os elétrons liberados pelos fótons num elemento de
volume de ar de determinada massa são completamente absorvidos.

Absorção ou Dose Absorvida – É a quantidade de energia liberada por qualquer radiação ionizante na
unidade de matéria irradiada. No ponto considerado a unidade de dose absorvida é o RAD, ela
corresponde a uma absorção de energia de 100 erg por g de matéria. Em outras palavras é a relação
onde uma quantidade de energia é cedida pela radiação ionizante ao meio, a uma quantidade de
volume específico.