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SIRLEI ALVES CHAVES

Matemática Básica

1ª Edição

Brasília/DF - 2018
Autores
Sirlei Alves Chaves

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e
Editoração
Sumário
Organização do Livro Didático........................................................................................................................................4

Introdução...............................................................................................................................................................................6

Capítulo 1
Conjuntos Numéricos....................................................................................................................................................9

Capítulo 2
Produtos Notáveis e Frações................................................................................................................................... 20

Capítulo 3
Potenciação, Radiciação e Racionalização.......................................................................................................... 27

Capítulo 4
Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta)............................................................................... 36

Capítulo 5
Matemática Básica e suas aplicações nas finanças......................................................................................... 47

Capítulo 6
Matemática básica e suas aplicações em Estatística...................................................................................... 61

Referências........................................................................................................................................................................... 68
Organização do Livro Didático
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em capítulos, de forma didática, objetiva e
coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros
recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também,
fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização do Livro Didático.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

Cuidado

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

Importante

Indicado para ressaltar trechos importantes do texto.

Observe a Lei

Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem,
a fonte primária sobre um determinado assunto.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio.
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas
conclusões.

4
Organização do Livro Didático

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Posicionamento do autor

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

5
Introdução
Este livro de estudo se destina aos alunos do curso de graduação a distância da
Faculdade Unyleya. Dessa forma, são apresentados alguns conceitos e definições
fundamentais da disciplina Matemática Básica, tendo como objetivo principal
aplicá-los na resolução de problemas característicos. Acredita-se que, a partir dos
temas apresentados, os futuros getores possam adquirir subsídios matemáticos para
construir uma prática que atenda às novas demandas do mercado de trabalho, isto
é, que vai além do nível descritivo. Sempre que possível, ao longo deste Livro de
Estudos, são postas algumas questões relativas aos conceitos apresentados a fim de
conectá-las a uma abordagem da Gestão. Assim, articulam-se teoria e prática para
estabelecer conceitos e significar objetos matemáticos. A apresentação dos temas
ocorre de forma simples, clara e objetiva e, sempre que possível, é associada a
exemplos e a contextos relacionados à realidade de um gestor. Vale ressaltar que não
há a preocupação de esgotar completamente os conceitos abordados, embora estejam
incluídas referências bibliográficas para aqueles que desejam aprofundar e estudar
mais detalhadamente as noções apresentadas.

Seja bem-vindo à disciplina de Matemática Básica. O objetivo central desta disciplina


é apresentar ferramentas matemáticas que sirvam como instrumentos de análise,
de crítica e de intervenção, a fim de ajudar os futuros gestores a analisar situações,
a definir, explicitar e adotar opções para a resolução de problemas, considerando
sempre múltiplas alternativas para a tomada de decisões acertivas diante do problema
que se tem.

Sendo assim, nesta disciplina, os assuntos estudados assumem caráter formativo


e aplicativo, no âmbito da própria matemática e também num âmbito mais geral.
Nu m p r i m e i ro m o m e n t o, s e r á f e i t a a a p re s e n t a ç ã o d e c o n j u n t o s n u m é r i c o s,
subconjuntos e intervalos.

Você perceberá, ao longo dos capítulos, uma ênfase na resolução de problemas,


que utilizam estratégias de resolução diferenciadas e que visam à compreensão
de conceitos, definições e regras pertinentes aos objetos matemáticos propostos
em cada capítulo.

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Objetivos

Este Livro Didático tem como objetivos:

» Servir de instrumento de reflexão, discussão e problematização em torno de


temas e questões fundamentais na prática dos Gestores.

» Proporcionar aos futuros gestores oportunidades no manuseio de equações


e fórmulas matemáticas para os interessados em ultrapassar o nível apenas
descritivo das situações problema, ou seja, utilizar a matemática como uma
ferramenta que apresenta alternativas e que contribui racionalmente para a
tomada de decisões em diferentes momentos de um processo de gestão.

7
8
CONJUNTOS NUMÉRICOS
CAPÍTULO
1
Introdução

Neste capítulo, trataremos de classificar os conjuntos numéricos. Os conjuntos


numéricos são uma parte essencial da Matemática, notadamente no contexto de
aplicação a outros campos de estudo. Atualmente tais conjuntos englobam os
números naturais, inteiros, racionais, reais e complexos, denotados respectivamente
por ℕ, ℤ, ℚ, , ℝ e .

Tenha uma bom capítulo!

Objetivos

» Fazer operações com os números em todos os conjuntos numéricos.

» Aplicar as operações em conjuntos numéricos na resolução de problemas.

Números naturais

Os núm eros na t u ra is ind ica m u ma co nt a ge m, u ma o rd e m o u um


c ó d i g o. A s e q u ê n c i a d o s n ú m e ro s n a t u ra i s é : 0 , 1 , 2 , 3 , . . . , e o
c onjunto que repre s e nt a e s t a s e q u ê ncia d e nú me ro s é d e not ad o
p el o sím bol o ℕ:

Exemplo: ℕ = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11...}

Dados dois números naturais w e y podemos ter:

9
CAPÍTULO 1 • Conjuntos Numéricos

w = y ou w > y (leia: w maior que y) ou w < y (leia: w menor que y), sendo que:

w > y ⇔ (w – y) ∈ *

w < y ⇔ (w – y) ∉

Exemplos:

a. 8 > 5 = 8 – 5 = 3 e 3 ∈ *

b. 6 < 11 = ((6 – 11 = 5)∉

c. {x ∈ | x > 4} = {5, 6, 7, 8, 9, 10, ...}

d. {x ∈ | x > 4} = {4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, ...}

e. {x ∈ | x < 7} = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6}

f. {x ∈ | x < 7} = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7}

g. {x ∈ | 10 < x < 15} = {11, 12, 13, 14}

Números inteiros

Com o passar dos tempos, os números naturais tornaram-se insuficientes


para a resolução de todos os problemas matemáticos e, na busca de
suprir essas necessidades, foi criado o conjunto dos números inteiros,
que é composto pelos números naturais (inteiros positivos e o zero)
e os números inteiros negativos. O conjunto dos números naturais é
denotado pelo símbolo ℤ.

Exemplo: ℤ = {..., -5, -4, -3, -2, -1, 0, +1, +2, +3, +4, +5 ...}

São subconjuntos impontantes de ℤ:

ℤ – conjunto dos inteiros não nulos: {..., -5, -4, -3, -2, -1, 1, 2, 3, 4, 5 ...}

ℤ+*– conjunto dos inteiros positivos: {1, 2, 3, 4, 5 ...}

ℤ *-– c cconjunto dos inteiros negativos: {..., -5, -4, -3, -2, -1}

ℤ+ – conjunto dos inteiros não negativos: {1, 2, 3, 4, 5 ...}

ℤ- – conjunto dos inteiros não positivos: {..., -5, -4, -3, -2, -1, 0}

10
Conjuntos Numéricos • CAPÍTULO 1

Para dois números inteiros w e y, temos:

w > y ⇔ (w – y) ∈ ℤ+*

w < y ⇔ (w – y) ∉ ℤ *-

Observe que:

w > 0 ⇔ w é positivo w ∈ ℤ+*

w < 0 ⇔ w é negativo w ∉ ℤ *-

Exemplos:

a. 5 > – 7 = (5 – (– 7) = 5 + 7 = 12 > 0)

b. – 3 > – 8 = (– 3 – (–8) = – 3 + 8 = 5 > 0)

c. {x ∈ ℤ | – 5 < x < 2} = {- 5, - 4, - 3, - 2, - 1, 0, 1, 2}

d. {x ∈ ℤ | – 5 < x < 2} = {- 4, - 3, - 2, - 1, 0, 1}

e. {x ∈ ℤ | x < 2} = {...,- 5, - 4, - 3, - 2, - 1, 0, 1}

f. {x ∈ ℤ | x > –3} = {- 2, - 1, 0, 1, 2, 3, 4, ...}

Pode-se observar que o conjunto dos números naturais é um subconjunto do


conjunto dos números inteiros. Nesse caso, diz-se que ℕ está contido em ℤ, em
símbolos, ℕ ⊂ ℤ.

Números racionais
a
Todo número racional é do tipo , com a e b inteiros, sendo b ≠ 0. Fazem
b
parte desse conjunto: os números naturais, inteiros positivos/negativos,
decimais, as frações e as dízimas periódicas.

Frações, dízimas periódicas e números decimais finitos são exemplos


de números racionais. Todos esses números têm uma característica
em comum, ou seja, podem ser escritos como uma razão entre dois
números inteiros. Sendo assim, representando o conjunto dos números racionais
pelo símbolo ℚ.

Exemplo: ℚ = { ..., -3, -2,5, -1, 0, + 1 , +1, +1,8, +2 ...}


2

11
CAPÍTULO 1 • Conjuntos Numéricos

Exemplos:
8
a. 0,8∈ , pois 0,8 =
10
261
b. −2, 61∈ , pois − 2, 61 =
100
4
c. 1,333…∈ , pois1,333… =
3

Um número racional escrito na forma decimal pode apresentar finito de casas decimais
(decimal exato) ou ainda infinito períodico (dízimas períodicas). Note que todo número
inteiro é racional:

Figura 1. Notação de conjuntos.

Fonte: Criação o autor.

w
O número , racional também é chamado de razão w para y.
y

Para verificar se duas razões são iguais, basta aplicarmos a regra da “multiplicação em cruz”:

w x
= ⇔ wz =yx
y z

Logo, a soma, subtração, multiplicação e divisão de dois números racionais será sempre
um número racional, vejamos:

12
Conjuntos Numéricos • CAPÍTULO 1

w x wz + yx w x wx
+ = . =
y z yz y z yz

w x wz − yx w x w z wz
− = :
= =.
y z yz y z y x yx

Exemplos:

6 20 180
a. = ⇔ 6 . x = 9 . 20 ⇔ 6 x = 180 ⇔ x = ⇔ x = 30
9 x 6
3 7 18 +35 53
b. += =
5 6 30 30
c. 9 3 9 8 72
: ⇔ . ⇔ =−6
−4 8 −4 3 −12

Números irracionais

Os números racionais podem ser obtidos por meio da razão entre dois
p
números inteiros, isto é, pelas divisões indicadas por q , sendo p e q inteiros
e q diferente de zero.

Porém, existem números que estão fora dos padrões descritos acima, ou seja,
apresentam representação decimal infinita e não periódica. Nesse caso, tais
representações não podem ser dadas por meio da divisão entre dois números inteiros. Logo,
esse número não é racional.

Os números irracionais não podem ser representados por uma fração, pois possuem infinitas
casas decimais e, por esse motivo, não apresentam período. Os números irracionais são
considerados uma dízima não periódica.

Exemplo: = { -2,345, ...., -1,452, ...., 1,679}

Números reais

O conjuntos dos números reais são formados por todos os números com
representação decimal, ou seja, com casas decimais exatas ou periódicas
(números racionais) e casas decimais não exatas e não periódicas (números
irracionais). O símbolo do conjunto dos números reais é o ℝ.

Desse modo, o conjunto dos números reais (ℝ) é formado pela união do conjunto dos
números racionais (ℚ) com o conjunto dos números irracionais ( ).

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CAPÍTULO 1 • Conjuntos Numéricos

Soma, subtração, multiplicação e divisão, quando for possível a divisão, de dois números
reais sempre terão como resultado um número real. A adição e a multiplicação em números
reais seguem as seguintes propriedades:

1. Comutativa:
∀x ∈ e ∀y ∈ , x + y = y + x e xy = yx

2. Associativa:

, ∀y ∈ e ∀z ∈ , ( x + y ) + z =x + ( y + z ) e ( xy ) z =x ( yz )
∀x ∈ 

3. Elemento neutro:
∀x ∈ , x=
+ 0 x e=
x .1 x

4. Inverso adtivo (oposto) e inverso multiplicativo (inverso):

, ∃ ( − x ) ∈ 
∀x ∈  | x + ( − x ) =0

1 1
∀x ∈ * , ∃  ∈ * | x . =1
a x

5. Distributiva:

, ∀y ∈ e ∀z ∈ , x ( y + z ) = xy + xz
∀x ∈ 

Exemplos:
3 3 3 5
a. O oposto de é − . O inverso de é − .
5 5 5 3
2 2 2 5
b. O oposto de − é+ . O inverso de − é
5 5 5 2
1
c. O oposto de 8 − 5 é − 8 + 5 . O inverso de 8 − 5 é
8− 5

Importante

Nos exemplos b e c, obrigatoriamente temos que racionalizar, no entanto só veremos como fazê-lo no capítulo 3,
racionalização.

Vejamos alguns subconjunto dos números reais.

ℝ+ – conjunto dos reais não negativos, isto é, somente os números positivos.

Exemplo:  ={x ∈ |x ≥ 0}


+

14
Conjuntos Numéricos • CAPÍTULO 1

 − – conjunto dos reais não positivos, isto é, somente os números negativos.


Exemplo:  ={x ∈ |x ≤ 0}

ℝ* – conjunto dos reais não nulos, isto é, sem o zero.

Exemplo: * ={x ∈ |x < 0 e x> 0}


ℝ+*–conjunto dos reais positivos não nulos.

Exemplo: * ={x ∈ |x > 0}


+

ℝ*-– conjunto dos reais negativos não nulos.

Exemplo: * ={x ∈ |x < 0


Figura 2. Representação dos conjuntos numéricos.

Fonte: Elaborada pelo autor.

Em que temos: ℕ ⊂ ℤ ⊂ ℚ ⊂ ℝ e ⊂ ℝ, com ℚ ∪ = ∅

Sintetizando

Resumo das notações utilizadas:

Conjunto dos números naturais: ℕ = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6 , 7, 8, 9, 10, ...}

Conjunto dos números naturais, com execeção do zero: ℕ* = {1, 2, 3, 4, 5, 6 , 7, 8, 9, 10, ...}

Conjunto dos números inteiros: ℤ = {..., -5, -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, 5, ...}

Conjunto dos números inteiros não nulos: ℤ* = {..., -5, -4, -3, -2, -1, 1, 2, 3, 4, 5, ...} = ℤ - {0}

Conjunto dos números inteiros não negativos: ℤ+ = {0, 1, 2, 3, 4, 5, ...}

Conjunto dos números inteiros positivos: ℤ+


*
= {0, 1, 2, 3, 4, 5, ...}

15
CAPÍTULO 1 • Conjuntos Numéricos

Conjunto dos números inteiros não positivos: ℤ- = {..., -5, -4, -3, -2, -1, 0}

Conjunto dos números inteiros positivos: ℤ *- = {..., -5, -4, -3, -2, -1}

Conjunto dos números racionais: ℚ = { ba a ∈ ℤ e b ℤ*}

Atenção

Representação de um conjunto
Um conjunto pode ser denotado por meio de letras maiúsculas, como A, B, C etc., e seus elementos por letras
minúsculas, como a, b, c etc.

Existem três formas fundamentais de representação de um conjunto:

» Representação tabular: nesse caso, os elementos são apresentados entre chaves e separados por vírgulas.

» Representação por meio de diagrama de Venn: os elementos são simbolizados por pontos interiores a uma região
plana, delimitada por uma linha fechada que não se entrelaça.

» Representação por uma propriedade: nessa representação, os elementos de um conjunto A são descritos por meio
de uma propriedade P que os determina.

Exemplos:

A = {a, e, i, o, u} (representação tabular) A = {x| x é vogal} (representação por meio de uma propriedade).

A reta real

Os números reais podem ser representados por pontos de uma reta.

Figura 3. Reta real.

Fonte: Elaborada pelo autor.

A reta acima que representa ℝ é chamada reta real, na qual os números estão ordenados.
Um número a é menor que qualquer número x colocado à sua direita e é maior que qualquer
número x à sua esquerda.

Intervalos reais

Alguns subconjuntos de ℝ podem ser representados de forma “simplificada”, isto é, são


subconjuntos definidos por desigualdades. Para observarmos os diferentes tipos de
intervalos reais, consideramos os números reais a e b, tal que a < b, define-se:

16
Conjuntos Numéricos • CAPÍTULO 1

Figura 4. Intervalos reais.

Fonte: Paiva (2010).

Atenção

O símbolo ∞ significa “infinito”.

A “bolinha cheia” (•) em um extremo do intervalo indica que o número associado a esse extremo pertence ao
intervalo.

A “bolinha vazia” (o) em um extremo do intervalo indica que o número associado a esse extremo não pertence ao
intervalo.

O intervalo sempre será aberto nos extremos + ∞ e - ∞.

Os quatro primeiros exemplos de intervalos da tabela são chamados de intervalos limitados.

Vejamos a seguir alguns exemplos de intervalos:

17
CAPÍTULO 1 • Conjuntos Numéricos

Quadro 1. Exemplos de intervalos.

Representação da reta real Sentença matemática Noções simbólicas


Intervalo aberto

{ x ∈ | a < x < b} ]a,b[ (a,b)

Intervalo fechado

{ x ∈ | a ≤ x ≤ b} [a,b] [a,b]

Intervalo semiaberto à direita

{ x ∈ | a ≤ x < b} [a,b[ [a,b)

Intervalo semiaberto à esquerda

{ x ∈ | a < x ≤ b} ]a,b] (a,b]

Fonte: Elaborada pelo autor.

Dados dois intervalos, pode-se definir entre eles as operações de união, interseção e
diferença. Observe os exemplos a seguir.

Dados os intervalos: A = ]5, 9], B = [7, 11], C = ] -2, + ∞ [ e D = ] - ∞, 8], segue que:

a. A ∪ B

Portanto: A ∪ B = ]5, 11]

b. A ∩ B

Portanto: A ∩ B = [7, 9]

c. C – D

Portanto: C – D = ]-8, + ∞[

18
Conjuntos Numéricos • CAPÍTULO 1

Sintetizando

Vimos até agora:

» Classificação de um número como número natural, inteiro, racional, irracional ou real.

» Relação dos conjuntos numéricos por meio da relação de inclusão.

19
PRODUTOS NOTÁVEIS E FRAÇÕES
CAPÍTULO
2
Introdução

Neste capítulo, apresentaremos três tipos de produtos notáveis, conhecidos como


quadrado da soma de dois termos, quadrado da diferença de dois termos e produto da
soma pela diferença de dois termos. Também dedicaremos atenção às frações, ensinando-
lhe operações e praticando a simplificação de frações algébricas. Temas convergentes,
os produtos notáveis são utilizados para simplificar frações.

Reserve um momento tranquilo para esta leitura e, principalmente, para a resolução dos
problemas e das atividades de aprendizagem.

Sempre que sentir dificuldade, retorne aos conceitos e exemplos apresentados ou contate
seu Professor.

Bons estudos!

Objetivos

» Apresentar as propriedades de produtos notáveis.

» Estudar frações: frações equivalentes; comparação de frações; operações com


frações.

Produtos notáveis

Os produtos notáveis são as operações mais famosas da Matemática e seu uso simplifica
cálculos, diminui o tempo de resolução dos problemas e otimiza aprendizados. Por isso, são
realmente notáveis!

Em muitas expressões matemáticas, é comum chegarmos a algo como (x + 5)2 e, então,


precisarmos calcular o produto (x + 5)⋅(x + 5).

20
Produtos Notáveis e Frações • CAPÍTULO 2

Esses produtos são denominados produtos notáveis.

Primeiro produtos notável

Observe o produto notável (a + b) 2. É chamado de produto notável do quadrado da


soma de dois termos e, sempre que o vemos no meio de uma expressão, podemos
substituí-lo por: a 2 + 2ab + b 2, ou seja, o quadrado da soma de dois termos é igual ao
quadrado do primeiro termo, mais duas vezes o produto do primeiro termo pelo segundo,
mais o quadrado do segundo termo.

Provavelmente você pode estar se perguntando: como chegamos a essa propriedade?


É o que veremos a seguir!

Para calcular um número ao quadrado, multiplicamos esse número por ele mesmo, por
exemplo: 3 2 = 3.3, que é igual a 9. Então, para calcular (a + b) 2, multiplicamos (a + b) por
(a + b), ou seja:

(a + b) =( a + b ) . ( a + b )
2

a.a + a.b + b.a + b.b

a 2 + 2ab + b 2 , pois ab =
ba

(a + b)
2
Portanto, é verdade que: =a 2 + 2ab + b 2 .

Vejamos alguns exemplos do primeiro produto notável:

( )
2 2 2 2
»
x + 4 = x + 2 . x. 4 + 4 ⇔ x + 8 x + 16

» ( 2 x + 3 z ) = ( 2 x ) + 2 . 2 x. 3 z + ( 3 z ) ⇔ 4 x + 12 xz + 9 z
2 2 2 2 2

Conseguiu compreender a noção de produtos notáveis e o primeiro dos três tipos que
vamos estudar nesta disciplina? Caso tenha restado alguma dúvida, não hesite em consultar
seu Professor antes de seguir para o próximo tópico.

Segundo produto notável

O segundo produto notável é muito semelhante ao primeiro. Observe a expressão


(a − b)
2
algébrica: =a 2 − 2ab + b 2 . Logo:
(a − b) =( a − b ) . ( a − b )
2

a.a + a. ( −b ) + ( −b ) .a + ( −b ) . ( −b )

a 2 − 2ab + b 2

21
CAPÍTULO 2 • Produtos Notáveis e Frações

Afinal, a. ( −b ) =( −b ) .a =−ab e ( –b ) . ( −b ) =
b2

Percebeu a diferença entre os dois produtos notáveis apresentados? Muito bem! A única
diferença é o sinal de menos. Então, o que foi apontado sobre o primeiro tipo de produto
notável também é válido para o segundo, ou seja, o quadrado da diferença de dois termos é
igual ao quadrado do primeiro termo, menos duas vezes o produto do primeiro termo pelo
segundo, mais o quadrado do segundo termo.

Vejamos alguns exemplos do segundo produto notável:

( x − 4)
2
» = x 2 − 2 . x. 4 + 42 ⇔ x 2 − 8 x + 16

( 2 x − 3z ) = ( 2 x ) − 2 . 2 x. 3 z + ( 3 z ) ⇔ 4 x 2 − 12 xz + 9 z 2
2 2 2
»

Entendeu? Se ainda tiver dúvidas, consulte seu professor antes de seguir para o tópico
seguinte.

Terceiro produto notável

O terceiro produto notável é conhecido como o produto da soma pela diferença de


dois termos. Observe a expressão: ( a + b ) . ( a − b ) = a 2 − b 2

O produto da soma pela diferença de dois termos é igual ao quadrado do primeiro termo
(a) menos o quadrado do segundo termo (b).

Esse produto é muito fácil de ser calculado. Vejamos:

( a + b ) .( a − b ) = a.a + a. ( −b ) + b.a + b. ( − a )

a 2 − ab + ba + b 2

a 2 − b2

Vejamos alguns exemplos do terceiro produto notável:

» ( x + 7 ) . ( x − 7 ) = x 2 − 7 2 = x 2 − 49
» ( 5 x − 2 ) . ( 5 x + 2 )= (5 x ) − 2 = 25 x − 4
2 2 2

22
Produtos Notáveis e Frações • CAPÍTULO 2

Sintetizando

Vimos até agora as três propriedades dos produtos notáveis:


(a + b)
2
» o quadrado da soma de dois termos:
=a 2 + 2ab + b 2 ;

(a − b)
2
» o quadrado da diferença de dois termos: =a 2 − 2ab + b 2 ;
» o produto da soma pela diferença de dois termos: ( a + b ) .( a − b ) = a 2 − b2 .

Frações

Iniciamos este tópico com uma pergunta: o que é fração? Confira se seu entendimento
está de acordo com o conceito a seguir.

Quando uma unidade, ou um todo, é dividido em partes iguais, uma dessas partes, ou a
reunião de várias, forma o que chamamos de fração.

Para representar uma fração, são necessários dois números inteiros: o primeiro indica
em quantas partes iguais foi dividida a unidade (ou o todo), dá nome a cada parte e é
chamado denominador da fração; o segundo indica o número das partes que foram
reunidas (ou tomadas da unidade) e é chamado numerador da fração.

O numerador e o denominador constituem o que chamamos de termos da fração:


a
b

indica a : b, sendo a (numerador) e b ( denominador) números inteiros e b diferente de


zero (b ≠ 0).

7
Na fração 9 , o numerador é igual a 7, e o denominador é igual a 9, o que pode significar,
por exemplo, que você cortou uma pizza em nove fatias iguais e serviu sete aos seus
colegas.

Para numeradores a partir de 10, a leitura da fração terá a seguinte composição:


devemos ler o numerador e o denominador acrescido da palavra “avos”. Por exemplo:
1
= um doze avos. Observe alguns exemplos de leitura no quadro abaixo:
12

Quadro 2. Leitura das frações.

Fração Leitura
1
Metade
2
9
10 Nove décimos

38
Trinta e oito centésimos
100

23
CAPÍTULO 2 • Produtos Notáveis e Frações

Fração Leitura
9
Nove sétimos
7
5
Cinco vinte avos
20

Fonte: Elaborada pelo autor.

E aí, como está seu entendimento do conteúdo? O domínio do conteúdo é fundamental


para a resolução dos exemplos práticos de frações que apresentamos a seguir.

3
Exemplo: Um livro de Contabilidade Gerencial tem 210 páginas. Uma aluna já leu
7
desse livro. Quantas páginas faltam para terminar a leitura?

Resolução: Esse é um típico exemplo de frações. Para resolvê-lo, prosseguimos assim:

3 3 x 210 630
x 210
= = = 90
7 7 7

Encontramos 3 como sendo 90, ou seja, ela já leu 90 páginas do livro. Como o livro tem
7
210 páginas, logo, 210 − 90 =120 é a resposta; portanto, ainda faltam 120 páginas para
findar a leitura do livro.

Igualdade de frações
a c
Duas frações e com b ≠ 0 e d ≠ 0 são iguais se e somente se a.d = b.c, ou seja, a = c
b d b d
↔ a.d = b.c, com b ≠ 0 e d ≠ 0.

O símbolo ↔ indica equivalência (leia “se e somente se”).


a c
Nesses casos, dizemos que as frações e são equivalentes. Vejamos alguns exemplos
b d
de igualdade de frações:
5 10 , pois 5.12 = 6.10 = 60; logo, as frações 5 10 são equivalentes.
= e
» 6 12 6 12
3 9 , pois 3.21 = 7.9 = 63; logo, as frações 3 9 são equivalentes.
= e
» 7 21 7 21

Operações com frações

Nesta seção, serão apresentadas algumas operações com frações, como soma, diferença,
produto e divisão de frações. Essas operações são importantes para simplificarmos as
frações.

24
Produtos Notáveis e Frações • CAPÍTULO 2

Soma e diferença de frações

Para fazer a soma ou a diferença entre frações, devemos primeiramente verificar se os


denominadores são iguais. Se forem iguais, basta somar ou subtrair o numerador, pois
estamos somando ou subtraindo partes iguais do inteiro. Dessa forma, o resultado será
composto da seguinte maneira:

» Numerador: somar os numeradores das frações.

» Denominador: repetir o denominador, que é igual em todas elas.

Observe os exemplos:
3 2 3+ 2 5
» += =
8 8 8 8
5 3 5−3 2
» − = =
9 9 9 9
Quando os denominadores forem diferentes, devemos encontrar o mínimo múltiplo
comum (MMC) e transformar em frações de mesmo denominador para, depois, efetuar
as operações.

O MMC de dois ou mais números naturais, diferentes de zero, é dado pelo menor valor da
intersecção dos conjuntos dos múltiplos desses números.

Por exemplo, obtenha MMC de 4, 6 e 8, ou seja, MMC (4, 6, 8). Inicialmente, escrevemos o
conjunto dos múltiplos de 4, 6 e 8.

M4 = conjunto dos múltiplos de 4 = {4, 8, 12, 16, 20, 24, 28, 32, 36, 40, 44, 48, ...}

M6 = conjunto dos múltiplos de 6 = {6, 12, 18, 24, 30, 36, 42, 48, 54, ...}

M8 = conjunto dos múltiplos de 8 = {8, 16, 24, 32, 40, 48, 56, ...}

Agora, M4 ∩ M6 ∩ M8 = {24, 48, ...}. Portanto, MMC (4, 6, 8) = 24.

Exemplo: Simplifique a fração: 3 + 1 + 5 .


4 6 8
Resolução: aqui temos a soma de três frações; logo, o MMC de (4, 6, 8) é 24, ou seja, MMC
(4, 6, 8) = 24. Então, a simplificação fica assim:

3 1 5 18 4 15 37
+ + = + + =
4 6 8 24 24 24 24
Resposta: 3 + 1 + 5 =
37
4 6 8 24

25
CAPÍTULO 2 • Produtos Notáveis e Frações

Produto de frações
O produto de frações implica a multiplicação do numerador com numerador e do
denominador com denominador. Se necessário, simplifique o produto para facilitar o
cálculo.

Para b e d diferentes de zero, temos: a . c = ac , em que o símbolo (.) indica o produto


b d bd
de a por. c .
b d
Por exemplo:
5 4 5.4 20
a. .= =
7 3 7.3 21
b. 2 3 1 2.3.1 6
.=. =
5 4 6 5.4.6 120
6 ÷6 1
Podemos simplicar a fração, exemplo b, da seguinte forma, = . Vale ressaltar
120 ÷6 20
que, ao simplificar uma fração, o mesmo número deve dividir tanto o numerador
quanto o denominador.

Divisão de frações
Na divisão de frações, vamos multiplicar a primeira fração pelo inverso da segunda e, se
necessário, vamos simplificá-las.

As frações a e c , com b, c e d diferentes de zero, tem a divisão entre si dada por:


b d
a
b a= d a.d
= .
c b c b.c
d

Vejamos alguns exemplos:

3
5 3 7 3.7 21
= .= =
a. 4 5 4 5.4 20
7
2
b. =7 2 14 2.14 28 , simplificando, temos: 28 ÷ 7 = 4
=. =
3 7 3 7.3 21 21 ÷ 7 3
14

Sintetizando

Vimos até agora:

» Representação matemática das frações, fazendo uso das quatro operações matemáticas, soma, subtração,
multiplicação e divisão.

26
CAPÍTULO
POTENCIAÇÃO, RADICIAÇÃO E
RACIONALIZAÇÃO 3
Introdução

Ne ste cap ít ul o, verem os o es t ud o d a p o t e ncia çã o, ra d icia çã o e ra cio na liz aç ão,


de di can do-se a interp reta r e a e s cre ve r s e u s t ip o s e s u a s p ro p r ie d a d e s, com o
pro pó si to de rea l izar dif erentes o p e ra çõ e s.

Lembre-se de que você está revendo e reconstruindo um saber matemático que o


acompanhará sempre e o ajudará a solidificar sua vida profissional. Se o conteúdo-base
não for plenamente compreendido, você terá mais dificuldades em sua jornada acadêmica,
por isso não hesite em contatar colegas de turma e, principalmente, seu Professor.

Bons estudos!

Objetivos

» Compreender os conceitos de potenciação, aplicação das propriedades.

» Identificar os elementos da radiação. Exemplos de resolução de expressões


utilizando as propriedades da radiciação.

» Racionalizar denominadores com radicais.

Potenciação

A ideia de potência é muito antiga, e suas aplicações facilitam a vida do homem,


auxiliando-o em diferentes tarefas e tornando possíveis muitas representações matemáticas
com elevado grau de complexidade.

A potenciação, ou potência, é uma ferramenta útil para simplificar cálculos com números
grandes e é assim entendida graças às suas propriedades. Os números envolvidos em uma
multiplicação são chamados de fatores, e o resultado da multiplicação é o produto.

27
CAPÍTULO 3 • Potenciação, Radiciação e Racionalização

Quando os fatores são todos iguais, a forma de fazer a representação dessa multiplicação é por
a a . a .… .a , ou seja, n vezes.
meio da potenciação.=
n

Potência de grau n de um número a é o produto de n fatores iguais a a, ou seja: a é a base da


potência; e n é o expoente da potência.

Por exemplo: 64 = 6.6.6.6 = 1.296 (leia-se: seis elevado à quarta potência).

Em que:

6 é a base (fator que se repete);

4 é o expoente (indica o número de fatores iguais); e

1.296 é a potência.

Vejamos outros exemplos:

=
a.
23 2=
.2 .2 8

( −7 ) =( −7 ) . ( −7 ) =49
2
b.

c. −32 =−3 . −3 =−9


2
4 4 4 16
 =  =.
d.  5  5 5 25

Casos particulares

Vamos ver e/ou rever alguns tipos de pontenciação:

» Potência com expoente inteiro positivo – Qualquer número a ≠ 0 elevado ao expoente


1 é igual ao número a, ou seja, a1 = a. Por exemplo:

71 = 7

( −4 )
1
−4
=
1
3 3
  = 
5 5

28
Potenciação, Radiciação e Racionalização • CAPÍTULO 3

» Potência com expoente nulo – Qualquer número a ≠ 0 elevado ao expoente zero é


igual a 1, ou seja, a0 = 1.

100 = 1
( −250 )
0
1
=
0
5
  = 1
3

» Potência com expoente negativo – Qualquer número a ≠ 0 elevado ao expoente


1
negativo n, em que n é um número inteiro e positivo, é igual n , ou seja, a − n =
1
a an
. Por exemplo:

2 1 1
3−= =
32 9
1 1
(−4) −2= 2
=
(−4) 16

» Potência de um número racional com expoente inteiro positivo – Se a ≠ 0, b ≠ 0 e


−n n
n é um número inteiro positivo, logo,  a  =  b  , vejamos:
b a
−3 3 3
2  3  3 27
  =  = = 3
3 2 2 8
−2 2 2
4  7  7 49
  =   = =
2
7  4  4 16

» Potência de base 10 – Toda potência de base 10 é igual a 1, seguida de tantos zeros


quantas forem as unidades do expoente. Por exemplo:

101 = 10

102 = 100

103 = 1000

As potências apresentam algumas aplicações em nosso dia a dia. Por exemplo, os cálculos que
envolvem juros compostos são desenvolvidos baseados na potenciação das taxas de juros.
Observe a resolução do exemplo a seguir.

Exemplo: um capital de R$ 1.500,00 foi aplicado a uma taxa de 1% ao mês, durante


cinco meses, no regime de juros compostos. Determine o valor a ser recebido após o
tempo da aplicação. Resolução: essa é uma situação que envolve juros compostos, por

29
CAPÍTULO 3 • Potenciação, Radiciação e Racionalização

isso ocorre acumulação de capital (C), que deverá ser expressa por uma potenciação
cujo número de meses (n) corresponderá ao expoente, e a base será representada pela
taxa (i). A fórmula para calcular o montante (M) nos juros compostos é:

M = C x (1 + i)n, em que a base é (1 + i) e o exponte é n. Ao substituir o capital de 1.500,00, a


taxa 1% e o tempo da aplicação (5 meses) na fórmula do montante, teremos:

M = C x (1 + i)n
5
M = 1500 x 1 + 1 
100
 
M = 1500 x (1 + 0,01)5

M = 1500 x (1,01)5

M = 1500 x 1,0510

M = 1.576,52

Resposta: o valor a ser recebido após o tempo da aplicação é R$ 1.576,52.

Propriedades de potenciação

Veremos a seguir quatro propriedades de potenciação, utilizadas com bastante frequência


em cálculos matemáticos, com as quais é possível resolver problemas que envolvem esse
tipo de operação.

Potência de uma fração


3 3
2 2 2 2 2 8
Suponha a expressão   , por definição temos:
=   x x
=
5   5 5 5 5 125
n n
Assim, se b ≠ 0 é um número real, e n é um número inteiro positivo, então,  a  = a n , ou
b b
seja, calculamos a potência do numerador e do denominador. Por exemplo:
3
5 53 125
 =
 =
6 63 216

2
2 22 4
 =
 = 2
9 9 81
4
 3  34 81
 =  = 4
 10  10 10000

30
Potenciação, Radiciação e Racionalização • CAPÍTULO 3

Produto de potências de mesma base

Considere a expressão 4 2 x 4 5. Por definição de potência, temos: 4² x 4 5 = (4 x 4) x (4 x 4 x


4 x 4 x 4) = 16.384.

Sendo assim, se a ≠ 0 é um número real, e m e n são números inteiros positivos, então a m


x a n = a m+n, ou seja, conservamos a base e somamos os expoentes. Vejamos:

22 x 2=
5
22+=
5 7
2= 128
2 5 3 2+3 5
3 3 3 3 3 243
x =
      = =
  =5
2 2 2 2 2 32

Divisão de potência de mesma base

Considere a expressão 35
. Por definição de potências, temos:
32

35 3 𝑥𝑥 3 𝑥𝑥 3 𝑥𝑥 3 𝑥𝑥 3 3 𝑥𝑥 3 𝑥𝑥 3
= = = 33 = 27
32 3 𝑥𝑥 3 1
am
Logo, se a ≠ 0 é um número real, e m e n são números inteiros positivos, então, = a m−n ,
an
ou seja, conservamos a base e subtraímos do expoente do numerador o expoente do
denominador. Por exemplo:

54
2
= = 54− 2 = 52 = 25
5
6
5
  6 −5 1 1
 4 =  5  =  5 = 5= 5
5    
5 4 4 41 4
 
4

Potência de outra potência

Considere a expressão (5 2) 3. Pela definição de potência, temos: (5 2) 3 = 5 2 x 5 2 x 5 2 = (5 x 5)


x (5 x 5) x (5 x 5) = 5 6 = 15.625.

Portanto, se a ≠ 0 é um número real, m e n são números inteiros positivos, então, (am)n = am.n,
ou seja, conservamos a base e multiplicamos os expoentes. Por exemplo:

( 3 )=
2 2
32.2= 3=
4
81

2
  2 3   2 3.2  2 6 26 64
   =   =  = =
 5    5  5 56 15625

31
CAPÍTULO 3 • Potenciação, Radiciação e Racionalização

Radiciação

Para que possamos dar continuidade ao estudo de radiciação, é necessário que você
tenha compreendido plenamente o estudo de potenciação, pois a radiciação é uma
operação inversa da potenciação. Sendo assim, caso ainda restem dúvidas, volte ao
tópico anterior, faça uma leitura atenciosa e contate seu Professor.

Imagine um número (x) que, elevado ao cubo ou à terceira potência, seja igual a 8.
Ou seja, (x) 3 = 8. Logo, esse número é o 2, pois 2 3 = 8. Essa é a operação inversa da
potenciação, chamada radiciação.

Denomina-se raiz de índice n (ou raiz enésima) de a o número ou a expressão que, elevado
à potência n, reproduz a. A raiz é representada pelo símbolo √. Sendo assim, podemos dizer
que um número b é chamado de raiz enésima de um número a, isto é, n
a = b , se e somente
se a = b . Em que:
n

√ → é o radical

a → é o radicando

b → é o radicando

n → é o índice da raiz, n ∈ e n ≥ 1 (leia n é maior ou igual a 1)

Vejamos alguns exemplos:

4
16 = 2, pois 24 = 16

3
−27 = 3, pois (-3)3 = -27

 32  2 , pois  2  25 32
5
5
  =   = =
 243  3 3 35 243
A radiciação é uma operação que tem por finalidade, se fornecida à potência de um
número e seu expoente, determinar qual é esse número. É muito utilizada para se obter
soluções de equações e simplificação de expressões aritméticas e algébricas.

32
Potenciação, Radiciação e Racionalização • CAPÍTULO 3

As potências com expoente fracionário podem ser escritas em forma de radical, e o radical
pode ser escrito em forma de potenciação com expoente fracionário. Por exemplo:

1
3 =5 3
5

4
3 4
5 =5 3

1 1 2
25
= 25=
2
( 52 )=
2 5=
2
5

Propriedades da radiciação

As propriedades da radiciação auxiliam nos cálculos de expressões numéricas e equações


que possuam raízes.

Expoente inteiro par


n

( )
n
Se b ≥ 0 e n > 1 (leia maior que 1), e um inteiro par, então: n 1
b = b n= b= b , vejamos:
4

( )
4
1
4
15 = 15=
4
15
= 15

( )
8
1
8
21= 21
=8
21
= 21

Expoente ímpar
n

( )
n
Se b é um número real qualquer e n > 1 um número ímpar, então: n 1
b = b n= b= b,
vejamos:
3

( )
3
1
3
27= 27
= 3
27
= 27

( )
9
1
9
77= 77=
9
77
= 77

Índices inteiros e positivos

Se m, n, p são inteiros e n > 1, p > 1 e m > 1, então temos:


n
ab = n a . n b

a n
a
=n ,b ≠ c
b n
b

33
CAPÍTULO 3 • Potenciação, Radiciação e Racionalização

( )
m
n
a = n am

p n pn
a= a
Vejamos os exemplos abaixo:

3
8 . 27 = 3 8 . 3 27

13 5
13
5 = 5
8 8

( )
2
3
15 = 3 152

3 5
30 3 =
= .5
30 15
30

Racionalização

Ao ouvir a expressão “racionalizar um denominador”, o primeiro pensamento que surge


é “eliminar ou remover” a raiz do denominador de uma fração. Pois bem, isso não está
errado, mas por que será que o nome dessa operação não é simplesmente “Eliminar a
raiz de um denominador”?

Em alguns casos, você pode encontrar raízes no denominador da fração, situação que a
torna irracional. Para prosseguir com os cálculos, é conveniente que você elimine essas
raízes do denominador, por meio de um processo chamado racionalização.

Denominamos fração irracional toda fração constituída por um radical em pelo menos um
de seus termos: numerador ou denominador, por exemplo: 9 , 4 , 47 , 25 .
3

15 5 3 15 49
Racionalizar uma fração é reescrevê-la sem raízes no denominador, ou seja, transformar um
denominador irracional em racional. Sendo assim, a dica é multiplicar tanto o numerador
(parte de cima) quanto o denominador (parte de baixo) por um mesmo número diferente
de zero.

Qualquer número a ≠ 0 multiplicado por 1 é igual ao número a, ou seja, a x 1 = a, por exemplo:


9 x 1 = 9, 4 x 1 = 4 . E toda fração b com a ≠ 0, b ≠ 0 e a = b é igual a 1, por exemplo: 23 8
a
3 3
= 1,= 1 .
23 8
Vamos relembrar alguns conceitos de produtos notáveis estudados na Unidade 2. Dizemos
que (x + y) é conjugado de (x – y) porque (x + y) . (x – y) = x2 – y2.

34
Potenciação, Radiciação e Racionalização • CAPÍTULO 3

Assim:

» O conjugado da soma (x + y) é a diferença (x – y).

» O conjugado da diferença (x – y) é a soma (x + y).

Observe minuciosamente os exemplos de racionalização abaixo:

Exemplo 1: Racionalize a fração 1 .


3
1
Resolução: Multiplicamos ambos os termos da fração por 3 . Simplificando, temos:
3

1 1 3 1. 3 3 3
= =. = =
3 3 3 3 ( ) (
2
32 ) 3

Resposta: 3
3
Exemplo 2: Racionalize a fração 6 .
5− 3
Resolução: Multiplicamos ambos os termos da fração pelo conjugado do denominador. Nesse
exemplo, o conjugado de 5− 3 é 5 + 3 , logo:

=
6 6
= .
5+ 3 6. (= 5 + 3)
=
6( 5 + 3)
5− 3 5− 3 5+ 3 ( 5− 3 ) .( 5 + 3 ) ( 5) −( 3)
2 2

(
6 5+ 3 6 5+ 3) (
6 5+ 3 6 5+ 3 ) ( ) ( )
= = = = 3
52 − 32 25 − 9 5−3 2
( 5+ 3 )
Resposta: 3 ( 5+ 3 )
Sintetizando

Vimos até agora:

» A representação de números na forma de potência facilita a representação de quantidades pequenas ou muito


grandes.

» A radiciação é uma operação inversa da potenciação, sendo utilizada para obter a solução de equações e
simplificação de expressões algébricas.

» A racionalização de denominadores, por meio de conceitos de frações equivalentes.

35
CAPÍTULO
RAZÃO, PROPORÇÃO E REGRA DE TRÊS
( SIMPLES E COMPOSTA ) 4
Introdução

O que você vai aprender neste capítulo tem grande importância para a Matemática e
para o seu cotidiano pessoal, acadêmico e profissional. Os assuntos são relacionados
à aplicação dos conceitos de razão, proporção e porcentagem, por meio de problemas
simples e rápidos, como o desconto numa loja em liquidação, e de problemas mais
complexos relacionados à inflação ou à taxa de juros, por exemplo.

Leia atentamente este capítulo, pesquise os temas em diferentes suportes didáticos,


interaja no AVA, resolva os problemas e exemplos disponibilizados e realize as
atividades de aprendizagem propostas.

Bons estudos!

Objetivos

» Introduzir os conceitos de razão e proporção, suas aplicações e resoluções de


problemas.

» Resolução de problemas com grandezas direta e inversamente proporciais, regra


de três simples e composta.

Razão

Razão é um conceito antigo, essencial ao conhecimento matemático e de grande


importância para a compreensão de situações diárias, como a divisão de duas quantidades
ou duas grandezas, tornando possível compararmos vários dados de um problema.

Na sociedade moderna, o conceito de razão é utilizado nos jornais e nas revistas para
comunicar a concentração de pessoas em uma determinada cidade ou o fluxo de carros em
um pedágio, por exemplo, além de estar presente nas mais variadas áreas de conhecimento.

36
Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta) • CAPÍTULO 4

Sendo a e b dois números racionais, com b ≠ 0, denominamos razão entre a e b ou razão de a


para b o quociente b ou a : b.
a

Vamos desenvolver o conceito de razão em alguns exemplos? Acompanhe a seguir.

Exemplo 1: O salário de João Carlos é de R$ 8.000,00, e o de Antonio é R$ 4.000,00. Qual a razão


de um salário para outro?

Resolução: salário de João Carlos ÷ salário de Antonio.

Assim: 8000 = 2 .
4000
Resposta: a razão desse exemplo pode ser lida como a razão de 8.000 para 4.000, ou 8.000
está para 4.000, e é igual a 2, o que equivale a dizer que o salário de João Carlos é o dobro
do salário de Antonio. Por meio da razão, estamos fazendo uma comparação de grandezas
que, nesse caso, são os salários de João Carlos e Antonio. Portanto, a razão de um salário
para outro é igual a 2.

Em toda razão, o primeiro número, a, é denominado antecedente, e o segundo número, b,


é denomidado consequente.

Vejamos: suponha que, em determinada, reunião haja 35 pessoas, sendo 28 homens.


O cálculo da razão entre o número de homens e o total de pessoas na reunião será 28
35
.

Exemplo 2: Dos 200 alunos entrevistados, 70 preferem o professor A. Isto é, 70 = 7 . Ou seja,


200 20
de cada 20 alunos entrevistados, 7 preferem o professor A.

Exemplo 3: Dos 1.200 inscritos para uma vaga de emprego, foram selecionados 240 candidatos.
Isto é, 1200 = 1 . Ou seja, de cada 5 candidatos inscritos, 1 foi selecionado.
240 5
Exemplo 4: Para um concurso público, candidataram-se 48.500 pessoas para concorrer a 50
48500 970
vagas disponíveis. A razão = = 970 , logo, 970 representa o número de candidatos
50 135
por vaga (cada vaga está sendo disputada por 970 candidatos).

Importante

A inversa de uma razão, a , com a ≠ 0 e b ≠ 0, é obtida trocando-se a posição dos termos da razão considerada;
b

assim, a inversa da razão


a b . Por exemplo: a inversa da razão 5 7.
é é
b a 7 5

37
CAPÍTULO 4 • Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta)

Razões especiais

A seguir, serão apresentadas razões especiais entre grandezas diferentes, levando-se


em consideração situações práticas, tais como: velocidade média, consumo médio e
densidade.

Velocidade média

A velocidade média é a razão entre a distância percorrida e o tempo gasto em percorrê-la.


Por exemplo: imagine que um ônibus fez o percurso Rio de Janeiro/RJ-Itaparica/BA (1.150
km) em 12 horas e 30 minutos (lembre-se de que 12 horas e 30 minutos correspondem
a 12,5 horas).

Qual a razão entre as medidas dessas grandezas e o que significa essa razão? Vejamos:

Razão = 1150 km = 92 km / h.
12, 5 h
Ao fazer uso da razão, descobre-se que a cada hora foram percorridos 92 km em média.

Consumo médio

Ao calcular o consumo médio, define-se a média de consumo para dada distância.


Suponha que seu irmão foi de Portao Alegra a Bento Gonçalves (184 km) de carro e
gastou 16 litros de combustível nesse percurso.

Qual a razão entre a distância percorrida e o combustível consumido? O que significa


essa razão?

Razão = 184 km = 11, 5 km / litro.


16 litros
Portanto, a cada litro consumido foram percorridos 11,5 km em média, ou seja, o cálculo
do consumo médio corresponde à distância percorrida dividida pelo combustível gasto.

Densidade demográfica

Densidade demográfica é a razão entre o número de habitantes de uma região e a área dessa
região. Por exemplo, um determinado Estado do Sudeste, com área de 301.388 km2, em um
de seus censos, teve sua população estimada em 15.672.176 habitantes. Determine a razão
entre o número de habitantes e a área desse Estado.

O que significa essa razão? Razão = 15672176 hab = 52 hab / km 2 .


301388 km 2
Essa razão significa que, em cada km2, existem 52 habitantes em média.

38
Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta) • CAPÍTULO 4

Proporção

O estudo da proporção é de muita importância, pois todos os tópicos a serem


desenvolvidos têm seu alicerce nas proporções. Além disso, fazemos uso delas em
nosso dia a dia mesmo sem empregar os símbolos matemáticos.

Dados quatro números racionais a, b, c e d, não nulos, nessa ordem, dizemos que eles
formam uma proporção quando a razão do primeiro para o segundo for igual à razão do
a c
terceiro para o quarto. Logo, = ou a : b e c : d, (leia-se: a está para b assim como c
b d
está para d; e a e c são denominados extremos, enquanto b e d são denominados meios).

Eis alguns exemplos de proporção:

6 54 é uma porporção, pois 6 : 8 = 54 : 72 (leia-se: 6 está para 8 assim como 54 está para 72.
=
8 72
10 20 é uma proporção, pois 10 : 12 = 20 : 24 (leia-se: 10 está para 12 assim como 20 está para 24.
=
12 24
14 28 é uma proporção, pois 14 : 18 = 28 : 36 (leia-se: 14 está para 18 assim como 28 está para 36.
=
18 36

Propriedades

Vejamos algumas propriedades fundamentais da proporção.

» Em toda proporção, o produto dos meios é igual ao produto dos extremos:

a c
=⇔ a . d =
b .c
b d
Observe os exemplos abaixo:

4 8
=⇔ 4 .10 =
5 .8
5 10

6 9
= ⇔ 6 .12 =
8 .9
8 12

Exercitando. O valor de x na proporção 4 = 20 é obtido da seguinte forma:


7 x
2 10 70
= ⇔ 2 . x = 7 .10 ⇔ 2 x = 70 ⇔ x = = 35
7 x 2

» A soma (diferença) dos antecedentes está para a soma (diferença) dos


consequentes, assim como cada antecedente está para o seu consequente,
a c
ou seja, numa proporção = , temos:
b d

39
CAPÍTULO 4 • Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta)

a + c a a + c c a −c a a −c c
= ou = = e ou
=
b + d b b + d d b −d b b −d d
Exemplo: na proporção 12 = 9 , temos:
16 x12

12 + 9 12 12 + 9 9 12 − 9 12 12 − 9 9
= = , ou = , ou = , ou
16 + 12 16 16 + 12 12 16 − 12 16 16 − 12 12

Números proporcionais

Entre os números racionais, existem dois tipos de proporcionalidade: diretamente e


inversamente.

Diretamente proporcional

Os números racionais a, b e c são diretamente proporcionais aos números racionais x, y e z


quando temos: a= b= c= k , e k é uma constante.
x y z
Exemplo 1: Verifique se os números 8, 20 e 60 são diretamente proporcionais aos números 16,
40 e 120.

Resolução: temos a = 8, b = 20 e c = 60; x = 16, y = 40 e z = 120. Assim, temos:=8 1 20 1 60 1


,
= ,=
16 2 40 2 120 2
8 20 60
Como = = , os números 8, 20 e 60 são diretamente proporcionais aos números
16 40 120
16, 40 e 120, e k = 2 .
1

Exemplo 2: Dois amigos da Secretaria Municipal de Finanças da Cidade de Bom


Despacho, MG, apostaram juntos na loteria esportiva. O primeiro entrou com R$
280,00, e o segundo com R$ 440,00. Se eles ganharam um prêmio de R$ 324.000,00,
quanto cada um recebeu?

Resolução: sejam:

x = valor do prêmio que o primeiro amigo recebeu; e

y = valor do prêmio que o segundo amigo recebeu.

Pelo enunciado, x está para 280,00 assim como y está para 440,00, e x + y = 324.000, ou seja:

x y
=
280, 00 440, 00

40
Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta) • CAPÍTULO 4

Assim;

x y x+ y x y
= ⇔ ==
280, 00 440, 00 280, 00 + 440, 00 280, 00 440, 00

324.000, 00 x 324.000, 00 y
= = ou
720, 00 280, 00 720, 00 440, 00

Logo,

324.000, 00 x
= ⇔ 720 x = 324.000, 00 . 280, 00 ⇔ 720 x = 90.720.000, 00
720, 00 280, 00

90.720.000, 00
=x = ⇔ x 126.000, 00
720

Ou seja, x = 126.000,00.

Para saber o valor de y, temos:

324.000, 00 y
= ⇔ 720 y = 324.000, 00 . 440, 00 ⇔ 720 y = 142.560.000, 00
720, 00 440, 00

142.560.000, 00
=y = ⇔ y 198.000, 00
720

Ou seja, y = 198.000,00

Resposta: O primeiro amigo (x) recebeu R$ 126.000,00, e o segundo amigo (y) recebeu
R$ 198.000,00.

Inversamente proporcional
Dizemos que os números racionais a, b e c são inversamente proporcionais aos números
racionais x, y, e z quando temos:

x . a = y . b = z . c = k, e k é uma constante.

Exemplo: Verifique se os números 120, 30 e 16 são inversamente proporcionais aos números


2, 8 e 15.

Resolução: temos a = 120, b = 30 e c = 16; x = 2, y = 8 e z = 15.

Logo, 120 . 2 = 240, 30 . 8 = 240, 16 . 15 = 240.

Resposta: Como 120 . 2 = 30 . 8 = 16 . 15 = 240, os números são inversamente proporcionais,


e k = 240.

41
CAPÍTULO 4 • Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta)

Regra de três simples e regra de três composta

A regra de três simples é um processo para a resolução de problemas que contenham


quatro valores, mas somente três sejam conhecidos. É um procedimento que nos permite
descobrir um valor a partir dos três já conhecidos. Podemos dizer também que é um
método para a resolução de problemas com grandezas proporcionais;

Já regra de três composta é uma técnica para a resolução de problemas com mais de
duas grandezas.

Se duas grandezas variam sempre na mesma razão, dizemos que essas grandezas são
diretamente proporcionais. Quando variam sempre uma na razão inversa da outra,
dizemos que essas grandezas são inversamente proporcionais.

Exemplo: Um automóvel percorre um espaço de 480 km em 2 horas. Quantos quilômetros


ele percorrerá em 10 horas?

Resolução:

Grandeza 1: distância percorrida / Grandeza 2: tempo necessário

Distância 1 = 120 km em 2 horas. / Distância 2 = ? km – 10 horas

120 km = 2 horas

x km = 10 horas

Lembre-se: O produto dos meios é igual ao produto dos extremos, logo:

1200
120 .10 = 2.x ⇔ 2 x = 1200 ⇔ x = ⇔ x = 600
2

A distância que será percorrida em 10 horas é de 600 km.

Passos utilizados numa regra de três simples


Vejamos os três passos utilizados em uma regra de três simples:

1. Primeiro passo: construir uma tabela, agrupando as grandezas da mesma


espécie em colunas e, na mesma linha, as grandezas de espécies diferentes em
correspondência.

2. Segundo passo: identificar se as grandezas são direta ou inversamente


proporcionais.

3. Terceiro passo: montar a proporção para determinar o valor desconhecido.

42
Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta) • CAPÍTULO 4

É indispensável o uso de uma seta para baixo na coluna que contém a grandeza procurada.
Nas demais colunas, se as grandezas forem diretamente proporcionais, coloque a seta na
mesma direção e, para as grandezas inversamente proporcionais, as setas devem estar na
direção oposta.

Exemplo 1: Um trator faz 250 m de estrada em 30 dias. Trabalhando do mesmo modo, em


quantos dias fará 450 m de estrada?

Resolução:

30

Ao aumentarmos o comprimento da estrada, o tempo também aumentará; sendo assim,


as grandezas comprimento e tempo são diretamente proporcionais, ou seja, os números
250 e 450 são diretamente proporcionais aos números 30 e x:

250 30
=
450 x

Logo,

250 30
= ⇔ 250 . x =
450 . 30 ⇔ 250 x =
13500
450 x

13500
=x x 54
⇔=
250

Resposta: Trabalhando do mesmo modo, o trator fará 450 metros de estrada em 54 dias.

Exemplo 2: Com a velocidade de 75 km/h, um motociclista faz o percurso entre a sua casa
e seu local de trabalho em 40 minutos. Devido a um pequeno congestionamento, esse
motociclita fez o percurso de volta em 50 minutos. Qual a velocidade média no percurso
de volta para casa?

Resolução:

43
CAPÍTULO 4 • Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta)

As grandezas velocidade do motociclista e tempo para fazer o percurso são inversamente


proporcionais. Assim, os números 40 e 50 são inversamente proporcionais aos números
75 e x: 75 . 40 = x . 50

Logo,

3000
75 . 40= x . 50 ⇔ 3000= 50 x ⇔ x= ⇔ x= 60
50

Resposta: A velocidade média desse ônibus no percurso de volta é 60 km/h.

Vamos complicar um pouco. Agora o objetivo é resolver problemas com mais de duas
grandezas, direta ou inversamente proporcionais. Para isso, devemos utilizar a regra de três
composta. Veja alguns exemplos.

Exemplo 3: Trabalhando durante 24 dias, 20 operários produzem 1.600 peças da marca


XYZ. Quantas peças desse mesmo tipo serão produzidas por 28 operários trabalhando
durante 36 dias?

Resolução:

Fixando a grandeza número de operários, ao relacioná-la às grandezas número de dias e


número de peças:

» Ao aumentar o número de dias, o número de peças também aumentará; assim,


essas grandezas são diretamente proporcionais.

Fixando a grandeza número de dias, ao relacioná-la as grandezas número de operários e número


de peças:

» Ao aumentar o número de operários, o número de peças também aumentará;


assim, essas grandezas são diretamente proporcionais.

Sendo assim, as grandezas número de peças, número de operários e número de dias


são diretamente proporcionais, consequentemente seus valores serão diretamente
proporcionais aos produtos dos valores das grandezas número de operários e número
de dias:

20 24 1600
. =
28 36 x

44
Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta) • CAPÍTULO 4

Logo,

20 24 1600 480 1600


. = ⇔ = ⇔ 480 . x =1008 .1600
28 36 x 1008 x

1612800
480
= x 1612800=
⇔x ⇔ x 3360
=
480

Resposta: Os 28 operários produzirão 3.360 peças em 36 dias.

Exemplo 4: Uma família resolve fazer uma viagem no final de semana, saem de carro
e percorrem 250 km em 2 dias se rodar 5 horas por dia. Em quantos dias essa família
percorrerá 750 km se rodar 6 horas por dia?

Resolução:

Fixando a grandeza número de km, ao relacioná-la às grandezas número de h/dia e número


de dias:

» Se a família aumentar o número de horas que roda por dia, o número de dias
diminuirá; assim, as grandezas número de h/dia e número de dias são inversamente
proporcionais.

Fixando a grandeza número de horas por dia, ao relacioná-la às grandezas número de


km e número de dias:

» Se a família aumentar o número de km percorr idos, o número de dias


também aumentará; assim, as grandezas número de km e número de dias
são diretamente proporcionais.

Logo, a grandeza número de dias é diretamente proporcional à grandeza número de


km e inversamente proporcional à grandeza número de horas por dia. Sendo assim,
a grandeza número de horas por dias deve ser escrita na razão inversa dos valores
que representam.

45
CAPÍTULO 4 • Razão, Proporção e Regra de três (simples e composta)

Logo,

250 6 2 1500 2
. = ⇔ =⇔ 1500 . x =
3750 . 2
750 5 x 3750 x

7500
1500=
x 7500 ⇔ =
x x 5
⇔=
1500

Resposta: Para percorrer 750 km, a família levará 5 dias.

Sintetizando

Vimos até agora:

» Conceitos básicos sobre razão e proporção, em que a proporção é a igualdade entre duas razões, suas aplicações e
propriedades.

» As diferenças entre as regras de três simples e composta, resolução de atividades com uso de razão inversa e sua
utilização em situações envolvendo proporções entre grandezas.

46
CAPÍTULO
MATEMÁTICA BÁSICA E SUAS
APLICAÇÕES NAS FINANÇAS 5
Introdução

Neste capítulo, você estudará os juros simples e compostos. Então, o que significa “juros”?
Diz-se que juros é o termo utilizado para designar o “preço do dinheiro no tempo”, ou
melhor, é o “preço” que alguém paga por ficar com a posse do dinheiro de outra pessoa
por algum tempo. Quando você pega certa quantia emprestada no banco, ele cobrará
uma remuneração em cima do valor que ele te emprestou, pelo fato de deixar você ficar
na posse desse dinheiro (que era dele) por certo tempo. Essa remuneração é expressa
pela taxa de juros. Existem duas formas principais, ou regimes, de cobrança de juros:
juros simples e juros compostos.

O regime de juros simples tem um viés mais teórico, sua utilização é voltada mais para
fins didáticos do que para fins práticos. No cotidiano, a maioria das operações é realizada
segundo o regime de juros compostos (ex.: poupança, empréstimos e financiamentos de
automóveis e casa própria etc.). As operações de curto prazo, tais como os cálculos de
multas por atraso no pagamento de conta telefônica etc., fazem uso de juros simples,
pois se trata de um valor fixo por dia de atraso.

Objetivos

» Calcular porcentagens, descontos e acréscimos sucessivos.

» Compreender uma transação no regime de juro simples por meio dos termos que a
compõe e realizar operações financeiras no regime de juro simples.

» Compreender uma transação no regime de juro compostos por meio dos termos que a
compõe e realizar operações financeiras no regime de juro compostos.

Porcentagem

Vamos exercitar um pouco. Observe os exemplos abaixo:

47
CAPÍTULO 5 • Matemática Básica e suas aplicações nas finanças

Exemplo 1: Em uma sala de aula do curso de Licenciatura em Matemática, há 25 alunos,


sendo que, desses, 16 são do sexo feminino. Podemos determinar de diferentes maneiras a
taxa percentual (porcentagem) de alunos do sexo feminino da sala:

1o Como 16 em cada 25 alunos são do sexo feminino, temos como fração 16


25
.

Escrevendo em fração equivalente a 16


25
com denominador igual a 100, temos:

16 16 . 4 64
= = = 64%
25 25 . 4 100

2o Utilizando número decimal:

16 64
= 0,=
64 = 64%
25 100

3o Fazendo uso da regra de três:

16 x 1600
= ⇔ 25 x= 1600 ⇔ x= = 64
25 100 25

Resposta: A taxa percentual (porcentagem) de alunos do sexo feminino corresponde a 64%.

Exemplo 2: O tanque de combustível de um ônibus, com capacidade de 90 litros de óleo


diesel, estava cheio. Desse total, foram consumidos 36 litros. Qual foi a taxa percentual de
óleo diesel consumido?

Podemos determinar a taxa percentual do combustível consumido da seguinte forma:

36
Como 36 litros de 90 foram consumidos, temos como fração 90
, logo:

36 4
= 0,=
4 = 4%
90 100

Sendo assim, a taxa percentual de óleo diesel consumido foi de 40%.

Exemplo 3: A mensalidade do curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais) do mês de janeiro


era de R$ 360,00. Para o mês seguinte, o valor da mensalidade sofrerá um acréscimo de 9%
na mensalidade. Qual será o valor da mensalidade após o acréscimo?

O novo valor da mensalidade pode ser calculado de duas maneiras, observe:

1ª Calcula-se o valor correspondente a 9% da mensalidade antes do acréscimo. Em


seguinda, basta adicionar o valor obtido ao da mensalidade de janeiro.

48
Matemática Básica e suas aplicações nas finanças • CAPÍTULO 5

9
9% de 360 ⇔ . 360 ⇔ 0, 9 . 360 = 32, 4∴ 360 + 32, 4 = 392, 40
100

2ª Considera-se o valor da mensalidade antes do acréscimo como 100%. Após o acréscimo,


passou a ser 100% + 9% = 109%, então:

109
109% de 360 ⇔ . 360 ⇔ 1, 09 . 360 =
392, 4
100

Portanto, a partir do mês seguinte, devido ao acréscimo, a mensalidade será R$ 392,40.

Os cálculos de porcentagens são muito usados na indústria, nas finanças e nas ciências
para avaliar resultados. É comum pessoas e empresas usarem expressões de acréscimo ou
de redução nos preços de produtos ou serviços, números ou quantidades, sempre tomando
por base 100 unidades.

Confira alguns exemplos:

» O arroz teve aumento de 15%. Isso quer dizer que, em cada R$ 100,00, o arroz teve um
acréscimo de R$ 15,00.

» Um cliente ganhou desconto de 35% na compra de uma bermuda jeans. Isso quer dizer
que, em cada R$ 100,00, a loja deu um desconto de R$ 35,00.

» Se, na empresa Jurujuba, a cada 100 funcionários 85 são dedicados ao trabalho; podemos
dizer que, dos funcionários que trabalham na empresa Jurujuba, 85% são dedicados.

Também observamos exemplos de porcentagem em nosso dia a dia:

» O desconto na grande liquidação de inverno é de até 35%.

» A gasolina teve um aumento de 15%.

» O rendimento da caderneta de poupança foi de 3,65% no trimestre.

» 45% da população da cidade A prefere o candidato B na eleição para presidente da


república.

Todas essas expressões envolvem uma razão especial, à qual damos o nome de
porcentagem, ou percentagem.

Razão centesimal e taxa percentual

Suponha que, em um concurso para Escriturário da Petrobras, um aluno tenha


acertado 12 das 15 questões de Matemática apresentadas no exame. A razão entre
12
o número de questões acertadas e o número total de questões é 15
. Sabemos que
essa razão pode ser representada por uma infinidade de números racionais:

49
CAPÍTULO 5 • Matemática Básica e suas aplicações nas finanças

12 4 20 80
= = = =…
15 5 25 100

Portanto, denomina-se razão centesimal toda a razão que tem para consequente
80
(denominador) o número 100; em nosso exemplo, é a razão centesimal. Veja outros
100
exemplos:

8 12 24 77 80 90
, , , , ,
100 100 100 100 100 100

A razão centesimal pode ser representada de outra forma, observe:

8
08 8% ( leia − se : oito por cento ) ;
= 0,=
100

12
= 12% ( leia − se : doze por cento ) ;
= 0,12
100

21
21 21% ( leia − se : vinte e um por cento ) ;
= 0,=
100

77
77 77% ( leia − se : setenta e sete por cento ) ;
= 0,=
100

80
= 80% ( leia − se : oitenta por cento ) ;
= 0,80
100

95
95 95% ( leia − se : noventa e cinco por cento ) ;
= 0,=
100

125
25 125% ( leia − se : cento e trinta e cinco por cento ) .
= 1,=
100

As expressões 8%, 12%, 21%, 77%, 80%, 95% e 125% são chamadas taxas percentuais.

Exemplo 1: Escreva a razão 86 em forma de taxa percentual.

Resolução:

6 x
= ⇔ 8 . x = 6 .100 ⇔ 8 x = 600
8 100

600
x= ⇔ x= 75
8

50
Matemática Básica e suas aplicações nas finanças • CAPÍTULO 5

Resposta: A razão 86 na forma de taxa percentual é 75%.

Exemplo 2: Escreva 2,5% em forma de razão irredutível.

Resolução: 2, 2, 5 1
= 5 =
100 40
Resposta: 2,5% na forma de razão é 1
40
.

Cálculo de porcentagem

Para calcular a porcentagem p% de certo valor V, multiplica-se a fração p por V, ou seja:


100
p
p % deV = .V
100

Exemplo 1: Calcule 18% de 760.

Resolução: 15% de 750= 15 15 . 750 11250


. 750 ⇔ ⇔ = 112, 5
100 100 100
Resposta: 15% de 750 equivalem a 112,50.

A taxa é o valor que representa a quantidade de unidades tomadas em 100. Notação: i.

A percentagem é o valor que representa a quantidade tomada de outra, proporcionalmente a


uma taxa. Notação: p (minúsculo).

Já o principal é o valor da grandeza da qual se calcula a percentagem. Notação: P (maiúsculo).

Sendo assim, a percentagem e a taxa são os elementos do cálculo percentual. E, genericamente,


temos que: p = i .
P 100
Exemplo 1: Uma vendedora recebe 5% de comissão sobre cada venda que faz. Qual será sua
comissão numa venda de R$ 5.750,00?

Resolução: P = 5.750,00, i = 5 e p = ?.

Assim:

p 5 5750 . 5 28750
= ⇔ p= ⇔ p= ⇔ p = 287, 5
5750 100 100 100

Resposta: A comissão da vendedora é de R$ 287,50. Resolver o exemplo é o mesmo que


calcular 5% de R$ 5.750,00, conforme estudado no cálculo de porcentagem, e você obtém o
mesmo resultado. Observe:

51
CAPÍTULO 5 • Matemática Básica e suas aplicações nas finanças

5 5 . 5750 28750
5% de=
5750 . 5750
= = = 287,5
100 100 100

Agora, aplicando os conhecimentos adquiridos até aqui e utilizando a regra de três simples,
vamos resolver novamente o exemplo 1.

Resolução:

As grandezas valores (venda e comissão) e porcentagem são diretamente proporcionais, e


os números 5750 e x são diretamente proporcionais aos números 5 e 100.

5750 100 28750


= ⇔ 100 . x= 5750 . 5 ⇔ 100 x= 28750 ⇔ x= ⇔ x= 287, 5
x 5 100

Exemplo 2: Em uma rede de hipermercado, o preço de um pacote de farinha de trigo com 5


quilos, marca ZKW, subiu de R$ 6,84 para R$ 7,25. Obtenha o percentual de aumento.

Resolução: Para obter o aumento, calculamos 7,25 – 6,84 = 0,41, ou seja, o pacote de farinha de
trigo subiu R$ 0,41; logo, R$ 0,41 está para R$ 6,84 assim como x está para 100, e x é o percentual
de aumento. Aplicando a regra de três, temos:

0, 41 x
=
6,84 100

Logo;

0, 41 x 41
= ⇔ 0, 41 .100= 6,84 . x ⇔ 41= 6,84 x ⇔ x= ⇔ x= 5, 99
6,84 100 6,84

Resposta: O percentual de aumento do pacote de farinha de trigo foi de 5,99%.

Juro

Ao realizar um empréstimo no banco, paga-se, além do valor emprestado, uma quantia


a mais, referente ao juro, ou seja, um tipo de “aluguel” pelo período em que o dinheiro
permaneceu emprestado.

52
Matemática Básica e suas aplicações nas finanças • CAPÍTULO 5

Quando se faz um aplicação, popupança ou outra aplicação, também ocorre juro, no


entanto você o recebe de acordo com o período em que essa quantia permaneceu aplicada.

Se uma fatura for paga com atraso, será acrescido ao valor o juro correspondente ao tempo
de atraso.

Juros simples

O regime de capitalização é simples quando o juro incide apenas sobre o valor do capital
inicial (C) ou valor presente (PV ).

Vejamos um exemplo:

Exemplo 1: Suponha que um adolescente resolve aplicar parte da sua mesada em uma
instituição financeira sob o regime de juros simples, capital de R$ 1.000,00 a uma taxa de 2%
ao mês, durante 3 meses. A evolução da aplicação, no regime de juros simples, seria a seguinte:

Tabela 1. Cálculo de juros simples.

Mês Juro (2%) Montante ou Valor Futuro


0 - 1000
1 1000 . 0,02 = 20 1000 + 20 = 1020
2 1000 . 0,02 = 20 1020 + 20 = 1040
3 1000 . 0,02 = 20 1040 + 20 = 1060
Fonte: Elaborada pelo autor.

Nota-se que, no final do período, ou seja, 3 meses, no regime de juros simples, o adolescente
terá um montante de R$ 1.060,00. Veja que, nesse caso, o juro incide sempre SOMENTE
sobre o valor de R$ 1.000,00, Capital.

Exemplo 2: Renata fez uma aplicação no valor de R$ 1.500,00 durante 7 meses, à taxa de
juros de 0,65% a.m. (ao mês). Podemos calcular o montante alcançado por Renata ao final
da aplicação da seguinte forma:

Capital (C) – valor da aplicação: R$ 1.500,00 → C = 1500

Tempo (t) – período de da aplicação: 7 meses → t = 7

Taxa de juro (i): 0,65% a.m. → i = 0,65% = 0,0065

Cálculo do juro simples:

0, 65
0, 65% de1000 ⇔ .1000 ⇔ 0, 0065 .1000 =
6,5 =
R$ 6,50
100

53
CAPÍTULO 5 • Matemática Básica e suas aplicações nas finanças

O capital foi aplicado por 7 meses. Logo, multiplicando-se o juro de um mês por 7, temos:

6,5=
. 7 45,5
= R$ 45,50

Observe que, para encontrar o valor do juro, multiplicamos o valor do investimento pela taxa
de juro e pelo tempo de aplicação, portanto:

J = C. i . t

J = 1000 . 0,0065 . 7 = 45,5

Mas, como o nosso objetivo é encontrar o montante, somamos o capital e o juro.

M=C+J

M = 1000 + 45,5 = 1045,5

Portanto, o montante adquirido por Renata no período de 7 meses é R$ 1.045,50.

No demontração acima, calculamos o juro simples e o montante. Para a resolução, foram


utilizadas duas fórmulas:

Juro simples → J = C . i . t

J = Juro

C = Capital

i = Taxa de juro simples

t = Perído de tempo

Montante → M = C + J → M = C + C . i . t → M = C(1 + i . t)

Ao usar as fórmulas apresentadas, é necessário verificar se as taxas, o juro e o período de


tempo estão na mesma unidade de tempo. Por exemplo, quando a taxa de juro é oferecida
ao ano, o período de tempo também deve ser oferecido em anos. Quando isso não ocorre,
deve-se transformar o período ou a taxa na mesma unidade de tempo.

No juro simples, uma taxa de 3,1% a.m. é equivalente a 37,2% a.a, pois 0,031 . 12 = 0,372.
Semelhantemente, uma taxa de 48% a.a. é equivante a 4% a.m., pois 0,48 : 12 = 0,04.

Importante

Duas taxas só são equivalentes quando, se aplicadas em um mesmo capital e durante um mesmo tempo, produzem
montantes idênticos.

54
Matemática Básica e suas aplicações nas finanças • CAPÍTULO 5

Vamos exercitar mais um pouco. Observe os exemplos a seguir.

Exemplo 1: Determine o juro simples obtido com a aplicação de um capital de R$ 2.250,23


durante 6 meses com a taxa de 6,5% ao mês.

Dados:

C = 2250,23

t = 5 meses

6,5
i = 6,5% a.m., 100
= 0,0065

J=?

As unidades de tempo são iguais.

Solução algébrica:

J=C.i.t

J = 2250, 23 . 0,0065 . 5

J = 73,13

Exemplo 2: Jhenifer pagou ao Banco de automóveis S/A a importância de R$ 2,14 de juros


simples por dia, por um atraso sobre uma prestação de R$ 537,17 do seu carro. Qual foi a
taxa mensal de juros aplicada pelo banco?

Dados:

C = 537,17

t = 1 dia

i=?

J = 2,14

As unidades de tempo precisam ser iguais.

Solução algébrica:

J 2,14
J= C . i . t ⇔ =
i i
⇔= i 0, 00398… . 30 (1 mes )
⇔=
C .t 537,17 .1

i = 11,95% ao mês

55
CAPÍTULO 5 • Matemática Básica e suas aplicações nas finanças

Exemplo 3: Qual o valor do resgate de uma aplicação de R$ 109.975,00, aplicados em um


CDB de 120 dias a uma taxa de 1,45% ao mês?

Dados:

M=?

C = 109.975,00

t = 120 dias, ou seja, 4 meses

1, 45
i = 1,45% a.m , = 0,0145
100

As unidades de tempo precisam ser iguais.

Solução algébrica:

M C (1 + i . t ) ⇔
= = M 109975 (1 + 0, 0145 . 4 ) ⇔
= M 109975 (1 + 0, 058 )

=M 109975 (1, 058


= ) ⇔ M 116353, 55

Exemplo 4: Determine o valor da aplicação cujo valor de resgate foi de R$ 98.548,00 por
um período de 6 meses, sabendo que a taxa de aplicação a juros simples foi de 1,77% ao
mês.

Dados:

M = 98548,00

C=?

t = 6 meses

1, 77
i = 1,77% a.m. 100
= 0,0177

As unidades de tempo precisam ser iguais.

Solução algébrica:

M 98548 98548
M = C (1 + i . t ) ⇔ C= ⇔ C= ⇔ C=
(1 + t.i ) (1 + 0, 0177 . 6 ) (1, 0177 . 6 )
98548
C
= C 16139, 01
⇔=
6,1062

56
Matemática Básica e suas aplicações nas finanças • CAPÍTULO 5

Juros compostos

O financeiro utiliza o regime de juros compostos, pois oferece maior rendimento em


comparação ao regime de juros simples, em que o valor dos rendimentos torna-se fixo. Os
juros compostos são adicionados ao capital para o cálculo de novos juros posteriores, ou seja,
prática do juro sobre juro. Os financiamentos de imóveis e automóveis, por exemplo, são
calculados de acordo com esse modelo de investimento, pois oferece maior rentabilidade,
logo, mais lucro.

Para o cálculo de juros compostos, é necessário o uso da seguinte expressão:

M = C . (1 + i)t , onde:

M = montante

C = capital

i = taxa

t = tempo

Observe os exemplos a seguir:

Exemplo 1: Bruno aplicou R$ 600,00 num banco que paga juros compostos de 3% ao mês. Qual
será seu montante após o período de 6 meses?

Tabela 2. Cálculo de juros compostos.

Mês Montante no início do mês Juros ao mês Montante no final do mês


1o 600 3% de 600 = 18 618
2o 618 3% de 618 = 18,54 636,54
3o 636,54 3% de 636,54 ≅ 19,10 655,64
4o 655,64 3% de 655,64 ≅ 19,67 675,31
5o 675,31 3% de 675,31 ≅ 20,26 695,57
6o 695,57 3% de 695,57 ≅ 20,88 716,45

Fonte: Elaborada pelo autor.

M = C . (1 + i)t

Dados:

M=?

C = 600

3
i = 3% a.m, 100
= 0,03

t=6

57
CAPÍTULO 5 • Matemática Básica e suas aplicações nas finanças

M = 600 . (1 + 0,03)6 → M = 600 . (1,03)6 → M = 600 . 1,19 → M ≅ 716,45

O montante após 6 meses será de R$ 716,45.

Exemplo 2: Qual foi o capital que, aplicado a uma taxa de 2% ao mês, produziu em 10 meses
um montante de R$ 15.237,43?

M = R$ 15.237,43

t = 10

2
i = 2% a.m., 100
= 0,02

M = C * (1 + i)t

15237,43 = C . (1 + 0,02)10

15237,43 = C . (1,02)10

15237,43 = C . 1,218994

C = 15237, 43
1, 218994
C = 12.500,00

Exemplo 3: Qual será o montante de um investimento de R$ 12.000,00 aplicado ao período


de 3 anos em um banco sobre o regime de juros compostos a uma taxa de 1,5% a.m.?

M=?

C = 12.000

i = 1,5% → 1,5 = 0,015


100
t = 3 anos = 36 meses (pois a taxa de juros é mensal)

M = C . (1 + i)t

M = 12000 . (1 + 0,015)36

M = 12000 . 1,01536

M = 12000 . 1,70914

M = 20.509,68

O montante será de R$ 20.509,68.

58
Matemática Básica e suas aplicações nas finanças • CAPÍTULO 5

Acréscimos e descontos sucessivos

Em porcentagem, vimos exemplos envolvendo acréscimos e descontos. Tanto os acréscimos


quanto os descontos ocorriam sobre o valor inicial. Agora, veremos algumas situações
que envolvem acréscimos e descontos suscessivos. Observe alguns exemplos:

Exemplo 1: Em uma loja de lubrificantes automotivo, 1 litro do óleo de freio da marca


Macqueen custava R$ 3,80. Devido à grande procura, o produto teve, no período de três
semanas, acréscimos de 5%, 2% e 3%, respectivamente.

Podemos calcular o preço do litro de óleo de freio após o acréscimo das seguintes maneiras:

1o acréscimo 5%: 105% de 3,8 ⇔ 105 . 3,8 ⇔ 1, 05 . 3,8 =


3, 99
100
2o acréscimo 2%: 102% de 3, 99 ⇔ 102 . 3, 99 ⇔ 1, 02 . 3, 99 ≅ 4, 07
100
3o acréscimo 3%: 103% de 4, 07 ⇔ 103 . 4, 07 ⇔ 1, 03 . 4, 07 = 4,19
100
A segunda for ma de conseguir o preço do litro do óleo é obtendo uma única
porcentagem equivalente aos três acréscimos. Assim, basta achar o produto dos
fatores, isto é:

1,05 .1,02.1
= ,03 1,10313
= 110,313%

Agora, basta efetuarmos o cálculo:

110,313
110,313% de 3,8 ⇔ . 3,8 ⇔ 1,10313 . 3,8 =
4,19
100

Portanto, o preço de 1 litro de óleo de freio nessa loja após os três acréscimos é R$ 4,19.

Importante

Observe que a porcentagem de acréscimo deve ser calculada sempre sobre o valor obtido anteriomente.

Exemplo 2: As Casas Bahia estão realizando uma mega liquidação. Uma TV LED 4K Ultra
HD 42 polegadas, que inicialmente custava R$ 2.500,00, sofreu um desconto de 20%; se o
cliente pagar à vista, há mais 10% de desconto sobre o valor de liquidação. Qual será o preço
do televisor após os descontos?

Podemos calcular o preço da TV pago à vista de várias formas. Calculamos o preço após
cada desconto, vejamos:

59
CAPÍTULO 5 • Matemática Básica e suas aplicações nas finanças

1o desconto 20%, logo, 100% - 20% = 80%:

80
80% de 2500 ⇔ . 2500 ⇔ 0,8 . 2500 =
2000
100

2o desconto 10%, logo, 100% - 10% = 90%:

90
90% de 2000 ⇔ . 2500 ⇔ 0, 9 . 2000 =
1800
100

Outra forma de calcular o preço da TV é obtendo uma única porcentagem


equivalente aos dois descontos. Para isso, basta calcular o produto dos fatores,
ou seja: 0,8 .=
0,9 0,72
= 72%
Agora, basta efetuarmos o cálculo:

72
72% de 2500 ⇔ . 2500 ⇔ 0, 72 . 2500 =
1800
100

Portanto, o preço da TV nas Casas Bahia após os dois descontos é R$ 1.800,00.

Sintetizando

Vimos até agora:

» A porcentagem é uma razão entre dois números, em que o denominador sempre será 100.

» A Matemática é importante no que tange a finanças, pois estabelece métodos para quantificar a variação de
capitais.

» É possível fazer um planejamento entre o que se recebe e o se pode gastar, fazendo aplicações com o objetivo de
gerar lucros e evitar possíveis prejuízos.

60
CAPÍTULO
MATEMÁTICA BÁSICA E SUAS
APLICAÇÕES EM ESTATÍSTICA 6
Introdução

Os métodos estatísticos envolvem a análise e a interpretação de números, tais como


renda anual, vendas mensais, quantidade de peças defeituosas, porcentagem de respostas
favoráveis a um questionamento etc. Para analisar os dados corretamente, é preciso
primeiramente organizá-los.

O processamento dos dados reduz a quantidade de detalhes e facilita a verificação de


relações. A organização transforma os dados em informações; logo, elimina detalhes
menores e enfatiza os aspectos mais relevantes dos dados.

Objetivos

» Estudar as variáveis qualitativas e quantitativas.

» Conceituar população e amostra.

» Aplicar média aritmética, mediana e moda na resolução de problemas.

Variáveis estatística

Quando o IBGE realiza os censos, procurando obter dados da população brasileira de


uma região específica do país ou de Estados, essas informações são denominadas de
Variáveis Estatísticas. As variáveis são observadas para se tirar algum tipo de conclusão.
Comumente, as variáveis para estudo são selecionadas por processos de amostragem,
tais como: idade, cor dos olhos, quantidade de filhos, renda etc.

Para decidirmos como organizar os dados, é necessário saber com que tipo de variáveis
trabalharemos. Os tipos de variáveis são:

» quantitativas, que podem ser discretas ou contínuas;

» qualitativas, que podem ser ordinais ou nominais.

61
CAPÍTULO 6 • Matemática básica e suas aplicações em Estatística

Vejamos o esquema abaixo:

Figura 5. Diagrama das variáveis.

Fonte: Elaborada pelo autor.

Se a variável estiver relacionada a número, tais como altura de pessoas, número de


espécie de aves em um zoológico, é denominada de variável quantitaiva. Quando estiver
relacionada a qualidade ou uma característica, como grau de instrução ou sexo de um
indivíduo, é denominada de variável qualitativa.

As variáveis classificam-se da seguinte forma:

» Variáveis Quantitativas: são representadas por medidas em uma escala


quantitativa, ou seja, são resultados de uma mensuração ou contagem. Podem
ser contínuas ou discretas.

› Variáveis discretas: os valores são enumerados ou representam conjunto


finito, somente fazem sentido valores inteiros. Em regra, são o resultado de
contagens. Exemplos: número de filhos, número de copos de refrigerante
tomados por dia.

› Variáveis contínuas: mensuráveis e assumem valores em um intervalo real,


cujos valores fracionados fazem sentido. Geralmente devem ser medidas
por meio de algum instrumento. Exemplos: peso (balança), altura (régua),
tempo (relógio), pressão arterial, etc.

» Variáveis Qualitativas: caracterizam um atributo (qualidade), ou seja,


representam uma classificação dos indivíduos e não possuem valores
quantitativos. Essas variáveis podem ser ordinal e nominal.

› Variáveis ordinais: categorizada, existe uma ordenação, mesmo em alguns


casos não sendo numéricas entre as categorias. Exemplos: escolaridade (1 o,
2 o, 3 o graus), estágio da doença (inicial, intermediário, terminal), mês de
observação (janeiro, fevereiro,…, dezembro).

› Variáveis nominais: não existe ordenação subjetiva e não é numérica . Exemplos:


cor dos automóveis vendidos na Fiat, sexo, esporte preferido de uma pessoa, cor dos
olhos, fumante/não fumante, doente/sadio.

62
Matemática básica e suas aplicações em Estatística • CAPÍTULO 6

Observe o exemplo a seguir:

Suponha que você é um pesquisador e está interessado em estudar aspectos


socioeconômicos dos atletas de um time de voleibol. Foram coletados dados do
departamento de pessoal do clube, e o seguinte quadro foi construído:

Quadro 3.

Variável Valores Tipo de variável


Estado civil Solteiro, casado, separado... Qualitativa Nominal
Grau de instrução Ensino fundamental, médio, superior Qualitativa Ordinal
Número de filhos 1, 2, 3, ... Quantitativa Discreta
Salário R$ 1100,32; R$ 5465,99 Quantitativa Contínua
Idade 14, 20, 34, ... Quantitativa Discreta
Classe social Alta, média, baixa Qualitativa Ordinal

Observações: A variável idade, quando analisada por anos completos, é quantitativa


(contínua), no entanto, ao ser avaliada por faixas etárias (10 a 18 anos, 69 anos etc.), é
qualitativa (ordinal). Isso tudo depende da forma como os dados serão coletados.

População estatística

Em uma coleta de dados sobre determinado assunto, chama-se população estatística o


conjunto formado por todos os elementos que oferecem dados relativos a um assunto
específico. A População é o conjunto de todos os eventos que se pretende estudar. Observe
os exemplos a seguir.

a. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga, frequentemente,


um estudo sobre o salário médio dos trabalhadores brasileiros. A população,
nesse caso, é o conjunto de todos os assalariados brasileiros.

b. Em uma pesquisa sobre a audiência das estações de rádios de uma cidade, o


universo estatístico (população) é o conjunto de todos os ouvintes dessa cidade.

c. Deseja-se conhecer o consumo total de energia elétrica em MWH nos


condomínios comerciais da cidade do Rio de Janeiro no ano de 2019. A
população são todos os condomínios que estavam ligados à rede elétrica
no Rio de Janeiro (dados obtidos com a companhia de energia – no Rio de
janeiro, é a LIGTH).

Amostra estatística

A amostra é a parte ou porção de um todo que permite conhecer a qualidade e/ou


quantidade desse total. A amostra é a parte representativa da população, aquela que
realmente é estudada, ou seja, é o subconjunto de uma população-alvo. Sendo assim,

63
CAPÍTULO 6 • Matemática básica e suas aplicações em Estatística

as amostras permitem alcançar as propriedades da totalidade do conjunto. Vejamos os


exemplos a seguir:

a. Em janeiro, solicitei uma amostra do nova fragância de perfume que divulgaram


na televisão.

b. Pediram-me uma amostra do meu trabalho gastronômico para uma revista de


culinária.

c. Em uma pesquisa realizada por uma rede de televisão, pretende-se saber a intenção
de votos para presidente da república, em que foram ouvidas quatrocentas pessoas.
Esse grupo de quatrocentas pessoas é uma amostra.

Figura 6. Demonstração de população e amostra.

Fonte: Elaborada pelo autor.

Vamos exercitar um pouco.

Exemplo: Uma fábrica de motocicletas (Honda) pretende produzir mensalmente 8.000


unidades de um novo modelo de moto esportiva. Porém, com o objetivo de testar os
itens de segurança, a Honda realizará uma pesquisa simulando acidentes com essas
motocicletas. Para os testes, o fabricante deve utilizar a população ou a amostra desses
modelos?

Resposta: A Honda deve utilizar uma amostra, pois seria inviável uma simulação com a
população de 8.000 motocilcetas

Medidas de tendência central

As medidas de tendência central correspondem a um número central que representa o


conjunto de valores. A seguir, veremos a Média, a Moda e a Mediana, as principais medidas
de tendência central usadas; a diferenã entre elas e como calculá-las!

64
Matemática básica e suas aplicações em Estatística • CAPÍTULO 6

Média aritmética µ

Média (µ) é chamada também de média aritmética simples. Para calcularmos a média,
basta somar todas as informações do conjunto de dados e dividir pelo quantitativo de
informações que foram somadas. Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 1: A tabela abaixo mostra o quantidade de gols marcados nos jogos da terceira
rodada do campeonato Espanhol.

Jogo I II III IV V VI

Número de gols 4 2 6 4 3 3

Para obtermos o número médio de gols marcados por jogo, basta dividir o total de gols pelo
número de jogos dessa rodada, isto é:

4+ 2+ 6+ 4+3+3
=µ ≅ 3, 6
6
A média de gols por jogo nessa rodada foi de 3,6. Logo, chamamos de média artimética dos
números 4, 2, 6, 4, 3 e 3.

Exemplo 2: Em um grupo de dez pessoas, temos as seguintes idades: 18, 24, 19, 22, 19, 48,
46, 55, 62 e 73. Qual a média de idade desse grupo?

18 + 19 + 19 + 22 + 24 + 46 + 48 + 55 + 62 + 73
µ = 38, 6
10

Portanto, a média de idades do grupo é de 38,6 anos.

Média ponderada µp

Diferentemente da média aritmética, na qual todos os valores têm o mesmo peso, na


média ponderada para cada valor leva-se em conta o seu peso. Vejamos:

Exemplo: A empresa WXY produções é constituída de 80 funcionários, e seus salários são


representados no quadro abaixo:
Quadro 4.

Número de funcionários Salários em reais (R$)


40 465
30 930
10 1395

Qual o salário médio dos funcionários dessa empresa?

65
CAPÍTULO 6 • Matemática básica e suas aplicações em Estatística

Para calcularmos, devemos seguir os seguintes passos:

1o Multiplicar as informações cuja média necessita ser calculada por seus respectivos pesos:

40 . 465 = 18600

30 . 930 = 27900

10 .1395 = 13950

2o Somar os resultados dessas multiplicações:

18600 + 27900 + 13950 =


60450

3o Dividir o resultado pela soma dos pesos usados:

60450
µ=
p ⇔ µ p ≅ 755, 63
80

O salário médio da empresa WXY produções é, aproximadamente, R$ 755,63.

Moda (Mo)

A moda de um conjunto de dados é o valor que aparece com mais frequência, ou seja, é
aquele que mais se repete. Quando dois ou mais valores apresentarem a mesma frequência,
a distribuição será bimodal (duas modas), trimodais e ainda multimodais. Quando as
frequências forem exatamente iguais, não há moda, pois nenhumna se destacou. Sendo
assim, chama-se amodal.

Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1: Ao realizarmos a distribuição dos alunos do curso de Pedagogia por sexo,


obtivemos que 85% são meninas.

Portanto, podemos afirmar que a moda (Mo) é o sexo feminino, pois tal categoria
apresentou maior frequência.

Exemplo 2: Vamos usar a tabela que mostra a quantidade de gols marcados nos jogos da
terceira rodada do campeonato Espanhol.

Jogo I II III IV V VI
Número de gols 4 2 6 4 3 3

As modas são 3 e 4 (bimodal), pois são os valores que possuem mais frequências.

66
Matemática básica e suas aplicações em Estatística • CAPÍTULO 6

Mediana (Md)

Temos duas maneiras de obter a mediana. Vejamos:

1ª Quando a quantidade de valores do conjunto de dados for ímpar, coloca-se os valores em


ordem, e a mediana será o termo central. Vejamos:

Exemplo 1: A tabela abaixo apresenta em ordem não descrescente o comprimento (em centímetros)
de 11 peixes criados pelo Sr. Genival, piscicultor.

14 15 16 16 17 18 21 23 29 32 33

Observe que o comprimento 18 se encontra no centro; logo, 18 é a mediana.

Para encontramos a posição em que se encontra a mediana, basta realizar o seguinte


n +1
cálculo: 2 ., n é a quantidade de valores do coinjunto (ímpar), logo:

11 + 1
= 6 ⇔ 6º posição
2

2 o Quando a quantidade de valores do conjunto de dados for par, colocam-se os valores


em ordem. No entanto, para acharmos a mediana, é necessário calcular a média artimética
entre os dois dados centrais. Vejamos:

Exemplo 2: A tabela abaixo indica, em rol, o tamanho (MB – Megabytes) de 14 arquivos


gravados em um DVD.

51,3 77
80,4 100,3 145,2 162,7 177,3 188,1 202,7 254,8 263,9 289,1 331,5 385.7

177,3 + 188,1 365, 4


M d= ⇔ M d= ⇔ M d= 182, 7
2 2

Portanto, a mediana do tamanho dos arquivos é 182,7 MB.

Sintetizando

Vimos até agora:

» As variáveis estatísticas são valores que assumem características em uma pesquisa, podendo ser classificadas em
variáveis qualitativas (nominais e ordinais) e quantitativas (discretas e contínuas).

» A amostra é um subconjunto de uma população, fração ou parte de um grupo.

» As medidas de tendência central (média, mediana e moda) são diferentes medidas centrais de um conjunto de
dados numéricos, diante das suas particularidades; cada uma representa um dado típico em um conjunto.

67
Referências
ANDRINI, Álvaro. Praticando Matemática – 7ª série. São Paulo: Editora Brasil, 1989.

ALENCAR FILHO, Edgar de. Teoria elementar dos conjuntos. 15. ed. São Paulo: Nobel, 1974.

BEZERRA, Manuel J. Matemática. São Paulo: Scipione, 1996.

CABRAL, Luiz Cláudio; NUNES, Mauro César. Matemática básica explicada passo a passo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

CRESPO, A. A. Matemática Comercial e Financeira. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

GARCIA, Jacqueline da Silva Ribeiro; SOUZA, Joamir Roberto de. #Contato Matemática. 3o ano. São Paulo: FTD, 2016.

GIOVANI, José Ruy; CASTRUCCI, Benedito; GIOVANI JR, José Ruy. A conquista da matemática: teoria e aplicação.
São Paulo: FTD, 1992.

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