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COMPÊNDIO DE TEOLOGIA

Contendo

Uma Sinopse das Evidências, Doutrinas, Moral e


Instituições do Cristianismo

Pelo

REV. AMOS BINNEY

Ajudado na revisão pelo

REV. DANIEL STEELE, D. D.

VERSÃO PORTUGUESA POR C. G. S. S.


J. J. RANSOM, Editor
ÍNDICE

PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO BRASILEIRA


NOTA–PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA
PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO
PREFÁCIO AO COMPÊNDIO DE TEOLOGIA DE BINNEY (melhorado)

PRIMEIRA PARTE

EVIDÊNCIAS DA RELIGIÃO

I A REVELAÇÃO DIVINA
1) Necessidade
2) A Revelação Oral e Escrita
3) A Genuinidade e Autenticidade
4) O Modo de Inspiração

II A BÍBLIA
1) Nomes e Divisões
2) Versões Inglesas
3) Versões Portuguesas
4) O Valor da Bíblia

III EVIDÊNCIAS CRISTÃS CLASSIFICADAS


(A) A Evidência Externa ou Histórica
1) Milagres do Antigo Testamento
2) Milagres do Novo Testamento
Ressurreição de Jesus Cristo
Evidência Histórica (continuação)
Evidência Externa (continuação)
(B) Evidência Interna
(C) Evidência Experimental
(D) Evidências Colaterais

SEGUNDA PARTE

DOUTRINAS DO CRISTIANISMO

I A EXISTÊNCIA DE DEUS
II ATRIBUTOS DE DEUS
III A TRINDADE
IV JESUS CRISTO
V O ESPÍRITO SANTO
VI OS ANJOS
VII O DEMÔNIO E SEUS ANJOS
VIII O HOMEM – A HUMANIDADE
Livre Agência
IX REDENÇÃO – PROPICIAÇÃO
X A JUSTIFICAÇÃO
XI A FÉ SALVADORA
XII A REGENERAÇÃO
XIII A ADOÇÃO
XIV A CONVERSÃO
XV A SANTIDADE – SANTIFICAÇÃO
XVI A PERSEVERANÇA – APOSTASIA
XVII ÚLTIMAS COISAS

TERCEIRA PARTE

A MORAL DO CRISTIANISMO

A LEI MORAL
I DEVERES PARA COM DEUS
II DEVERES PARA COM O PRÓXIMO
III DEVERES PARA CONOSCO

QUARTA PARTE

INSTITUIÇÕES DO CRISTIANISMO

I O CASAMENTO
II O DOMINGO
III A IGREJA
IV OS SACRAMENTOS
V O GOVERNO DA IGREJA
VI ANÚNCIOS
PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO BRASILEIRA

Esta obra, que virá aumentar o caudal da literatura teológica em português,


está sendo apresentada, com grande júbilo, pela Igreja do Nazareno do Brasil,
gentilmente autorizada pela Gerência da Imprensa Metodista de São Paulo.

Indubitavelmente o seu reaparecimento muito contribuirá na formação de


uma nova geração de obreiros que bem poderão impressionar o nosso mundo,
como os grandes metodistas Binney e Steele, que também adotaram pontos que
ainda hoje fazem parte das próprias regras de fé da Igreja do Nazareno, a saber:

Nós cremos:

1 – Num só Deus – o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

2 – Na inspiração divina das Escrituras do Velho e do Novo Testamentos e


que elas contêm toda a verdade necessária à fé e à vida cristãs.

3 – Que o homem nasce com uma natureza decaída e é, portanto, de


contínuo inclinado para o mal.

4 – Que aquele que morre impenitente perde-se sem esperança e


eternamente.

5 – Que a expiação por Cristo é para toda a raça humana; e que todo
aquele que se arrepende e crê no Senhor Jesus Cristo é justificado e regenerado e
salvo do domínio do pecado.

6 – Que os crentes devem ser totalmente santificados, depois da sua


conversão, mediante fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

7 – Que o Espírito Santo testifica do novo nascimento e também da inteira


santificação dos crentes.

8 – Na Segunda Vinda do Nosso Senhor, na Ressurreição dos mortos e no


Juízo Final.

Expressamos nossa gratidão aos irmãos Cel. Theodoro de Almeida Pupo e,


sua esposa, D. Maria Luiza Pupo, e Dr. Ernesto Alves Filho, todos de Campinas,
São Paulo, pela esplêndida obra de revisão do manuscrito em português.

Queira o Senhor, portanto, abençoar esta obra e usá-la numa esfera bem
ampla, possibilitando assim a volta daquele espírito que tanto influira nos destinos
da Igreja Primitiva e doutras épocas marcantes.
Joaquim A. Lima,
Reitor do Seminário e Instituto
Bíblico da Igreja do Nazareno
do Brasil
NOTA-PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA

A presente obra é publicada de conformidade com o desejo dos ministros


metodistas episcopais da “Brazil Mission,” que em janeiro de 1885 elegeram ao
abaixo-assinado seu Editor oficial, pedindo-lhe, ao mesmo tempo, que publicasse,
durante o presente ano, 1) um Compêndio de Teologia Cristã destinado aos jovens
irmãos estudantes para o ministério metodista; 2) O Livro da Disciplina da Igreja;
3) A História do Metodismo.

Ninguém procure neste livro mais do que um esboço da vasta ciência da


teologia, despido, aliás, de todos os ornatos da retórica, e apoiando-se unicamente
na Palavra de Deus. Mais tarde, haverá necessidade de uma obra menos
elementar que entre também em considerações mais ou menos extensas da
história das doutrinas.

Ao tradutor deve a Igreja seus agradecimentos pela prontidão e boa


vontade com que executou seu trabalho; ao editor será suficiente recompensa
saber que este livrinho vai ser de proveito ao crescente número de jovens irmãos
estudantes para o ministério metodista.

Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1885.

J. J. Ransom, Editor.
PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO

Este livrinho é de humildes pretensões. Seu fim é lançar os fundamentos de


uma crença firme na religião cristã, e especialmente fornecer à mocidade os
principais fundamentos de sua fé.

Muitos compêndios de incredulidade e heresias circulam no meio de todas


as comunidades, especialmente no seio da nossa mocidade, e milhares estão
sendo arrastados a fatais enganos.

Tais atentados hostis devem ser combatidos com obras capazes de fortificar
o espírito da mocidade com declarações concisas e claras dos principais
argumentos em favor do Cristianismo.

Já se publicaram muitos tratados desse gênero. É, porém, evidente que


falta sobre esse assunto alguma coisa mais breve, mais barata, e em uma forma
mais familiar.

Tendo isto em vista, o autor procurou reunir e simplificar em pequeno


espaço, os argumentos mais fortes dos nossos melhores escritores, adicionando
algumas notas suas que lhe pareceram úteis.

Deve muito, portanto, esta obrinha, a esses escritores; e seu autor deseja,
desde já, transmitir a cada um deles seu fraco reconhecimento.

Esta obra é preparada especialmente para a instrução da mocidade;


entretanto, considerada como uma espécie de recapitulação das evidências,
doutrinas e deveres do Cristianismo, ela pode ser de alguma utilidade para os de
mais madura idade.

Com isto em vista, a matéria é dada em orações breves, claras e distintas;


arranjo este mais conveniente para instruir a mocidade, mais próprio para auxiliar-
lhe a memória, para fazer impressões mais fortes e duráveis em seu espírito, bem
como para tornar mais fáceis de compreender e de reter na memória as
importantes verdades da religião.

As grandes verdades da religião são expostas com clareza e concisão, e


ordenadas de modo que sua conexão e dependência mútuas são apanhadas logo,
e, o que é de mais conseqüência, são sustentadas a cada passo por citações da
Palavra infalível de Deus.

Na preparação deste livrinho, foi pedido o auxílio de Deus; e ao publicá-lo


agora, é invocada a bênção do Senhor.
Que o Espírito da inspiração aceite este fraco esforço para manifestar a sua
glória e promover a sua causa!

1º de junho de 1839.
PREFÁCIO AO COMPÊNDIO DE TEOLOGIA DE BINNEY
(MELHORADO)

O Compêndio Teológico, que serve de base a este livro, obteve do público


inesperada aceitação. Em trinta e cinco anos, pelo menos trinta e cinco mil
exemplares publicados em inglês vêm sendo usados por pregadores, professores e
estudantes da Bíblia em todo o mundo onde é falado o inglês. Sua exposição
compreensível e, ao mesmo tempo, concisa, da verdade cristã, tem-se verificado
eminentemente adaptada para o uso das missões no estrangeiro. Daí a sua
tradução para as línguas alemã, sueca, arábica, chinesa e outras.

A emancipação de quatro milhões de escravos na América criou uma


avultada extração deste livro, utilíssimo na preparação de professores para as
Escolas Dominicais e de pregadores entre os libertos. O autor, prevendo que o
livro, detentor de crescente popularidade por quase quarenta anos, lhe
sobreviverá, e advogará a verdade do Evangelho de Jesus Cristo quando já a sua
boca estiver silenciosa no túmulo, determinou fazer esta contribuição à literatura
teológica tão perfeita quanto possível por uma revisão minuciosa da obra inteira.
Tem sido propósito não aumentar materialmente o tamanho do livro, mas abrir
lugar para matéria nova, omitindo partes que segundo seu critério, eram de menor
valor. Os conhecimentos teológicos do autor, aprofundados durante a sua longa
carreira ministerial, e, especialmente, seus estudos no Novo Testamento durante
os quinze anos, em que sua única ocupação tem sido a preparação de um
comentário popular, o qualificaram não só para rever e enriquecer seu compêndio,
mas também a dar mais força a suas exposições por meio de mais abundantes
referências à Palavra de Deus. Ele procurou também precaver o leitor contra as
novas formas em que a verdade cristã é atacada nos dias de hoje. Ele não achou
nada essencialmente novo, na teologia. Daí, o leitor que procure novidades ficará
desapontado. O cristianismo não é uma ciência progressiva, mas sim um sistema
de verdade objetiva, legada do céu, o dom perfeito do seu perfeito Doador.

O autor deseja aqui agradecer, publicamente, por todos os melhoramentos


apontados pelos amigos da verdade cristã, e, especialmente, a seu genro, o Rev.
Dr. Daniel Steele, pelo auxílio valioso por ele prestado em todas as partes do
trabalho de revisão.

E agora mais uma vez invoco a presença do Espírito de verdade: que ele te
acompanhe, a ti meu livro, que agora envio a pregar o glorioso Evangelho, que
minha língua paralisada já não pode mais proclamar. Tu não me voltarás mais aqui
na terra para receber vestes novas com que possas viajar a todas as terras
levando a tua alegre mensagem. Que eu encontre, entre aquela multidão
purificada no céu, muitos que, entre as contradições tumultuosas do erro,
souberam ouvir tua fraca voz, e creram em Jesus, o Filho de Deus e Salvador dos
homens.
New Haven, 1º de junho de 1874.
COMPÊNDIO DE TEOLOGIA

PRIMEIRA PARTE

EVIDÊNCIAS DA RELIGIÃO

I. A REVELAÇÃO DIVINA

Por revelação divina entende-se uma comunicação sobrenatural da verdade


de Deus ao homem. Por sobrenatural entende-se aquilo que está além da natureza
ou da razão.

Todos os que crêem em um Deus de infinita sabedoria, poder e bondade,


não podem deixar de admitir a possibilidade de ele revelar-se aos homens da
maneira que lhe apraza e que sirva para convencer e asseverar-lhes que tal
comunicação vem dele.

A probabilidade da revelação divina aparece desde que consideremos,


primeiro, que os homens têm, em todas as épocas, confessado uma necessidade
dela e, segundo, que é um pai muito desnatural aquele que nunca fale a seus
filhos. Alguns dos mais sábios filósofos, como Sócrates, manifestaram suas
esperanças de tal revelação, enquanto que os mais ignorantes deram crédito a
pretensas revelações. Isto prova que a alma humana tem uma sede natural e
implacável de uma revelação escrita da verdade religiosa. A maior parte das
formas do paganismo se exprime por meio de livros.

1. NECESSIDADE

A necessidade desta revelação é manifesta de várias considerações.

1) As opiniões humanas não são um guia de vida suficiente, nem regra de


conduta, pois que são várias e contraditórias.

2) A razão humana é insuficiente, porque entre aqueles que professam ser


guiados por ela, alguns há que adoram o verdadeiro Deus; outros, as obras dele; e
outros, suas próprias obras. E outros existem que não adoram Deus algum,
embora todas as idades tenham o mesmo livro da natureza e o mesmo poder
donde derivar regras morais. Não obstante alguns filósofos terem chegado a
conceitos sublimes acerca de Deus, a massa dos pagãos era degradada
imoralmente, mesmo nas eras mais florescentes da civilização grega e romana. At
17.18-23; Rm 1.18-23.

3) A lei de Deus, que é a única regra suficiente, só pode ser perfeitamente


conhecida por meio de revelação.
Portanto, a revelação é necessária para fornecer motivos adequados para a
virtude e piedade.

4) O caráter moral de Deus, o modelo de toda a excelência moral, não pode


ser plenamente descoberto no mundo material, nem mais do que o do mecânico
pode ser claramente revelado na máquina que ele fez.

5) A condição moral do antigo pagão é uma prova desta necessidade. A isto


os escritores sagrados, no caráter meramente de historiadores, dão testemunho.
Rm 1.21-31; 3.9-18; 1Co 6.9-10; Ef 2.2-3.

Os próprios escritores pagãos testificam que os maiores crimes eram


apoiados pelos argumentos e exemplos de seus moralistas e filósofos. O
infanticídio, o roubo e os crimes contra a natureza, que o recato proíbe enumerar
em detalhe, não só eram tolerados, mas até mandados por seus legisladores e
louvados por seus poetas. Isto não teria sido assim se a opinião pública não desse
o seu consentimento e, até certo ponto, não os instigasse.

Até as suas religiões sancionavam crimes grosseiros. Em Corinto havia um


templo de Vênus com mil mulheres devotas que traziam ao seu tesouro os lucros
de sua impureza. Os babilônios tinham um templo ao qual obrigavam
religiosamente a toda a virgem a ir para fins obscenos.

Sócrates fazia da moral o assunto único da sua filosofia, e ainda assim


recomendava a adivinhação, e era ele próprio entregue à fornicação.

Platão, o grande discípulo de Sócrates, ensinava que mentir era coisa


honrosa.

Cícero, um espécime tão favorável de excelência pagã quanto se pode


achar, defende a fornicação, e recomenda, e afinal pratica o suicídio.

Catão, exaltado como o mais perfeito modelo de virtude, foi réu de


prostituição e embriaguez, advogou, e mais tarde praticou o suicídio.

Tal era a condição moral dos antigos gentios, e daí tiramos o nosso
argumento a favor da necessidade de alguma coisa melhor do que a religião da
natureza.

A condição moral dos pagãos de hoje é mais uma prova desta necessidade.
Os habitantes do Ceilão adoram demônios.
Os Indus reconhecem um Ente Supremo, mas nunca o adoram. Seus
escritos animam o suicídio, os sacrifícios humanos, e a cremação de viúvas, de um
modo assustador.

Os chineses queimam papel de ouro diante dos seus ídolos, na suposição de


que esse ouro se mudará em dinheiro no outro mundo, e servirá aos pobres que
morrem para pagarem a sua entrada no céu.

Os habitantes de Bengala reconhecem trezentos e trinta milhões de deuses,


entre os quais está o macaco, a serpente, pedações de pau, etc. Eles crêem que
depois da morte o homem torna a surgir em forma de um gato, cão, verme, etc.

Os Thugs da Índia armam ciladas e assassinam os estranhos como ato de


dever religioso. Sua impureza excede limites. São destros na calúnia e no engano.
Suas mulheres são desprezadas logo que nascem; entre algumas tribos são
imediatamente entregues à morte. Não recebem nenhuma educação ou instrução;
morto o marido, a mulher ou é sepultada viva ou queimada na fogueira fúnebre.

Os selvagens da Nova Zelândia deleitam-se na guerra. Matam e comem os


seus prisioneiros, e acreditam que o Ente Supremo é um grande antropófago
invisível. Em algumas partes eles se penduram por grandes ganchos atravessando
as costas. Outros atiram-se de cima de uma plataforma sobre facas cortantes
metidas em balas de algodão.

É somente a Bíblia que nos faz diferir de todas estas nações. Sem ela, nós
nos tornaríamos, em breve, semelhantes a elas: ignorantes, supersticiosos,
impuros e cruéis. Sl 19.7-11; 118.9; Pv 6.20-23.

Provamos isto com os caracteres que, entre nós, se têm, tanto quanto
possível, subtraído à influência da Bíblia. Vejam-se as vidas de Herbert, Hobbes,
Bolingbroke, Hume, Rousseau e Paine.

2. A REVELAÇÃO ORAL E ESCRITA

A revelação se divide em ORAL e ESCRITA. Por oral entende-se a tradicional


ou a que é transmitida de boca em boca de um século a outro.

Tais foram as revelações feitas aos patriarcas, e a longevidade peculiar a


este tempo serviu para preservá-la da corrupção.

Estas verdades primitivas foram, por este modo, transmitidas a Moisés, que,
por mandato de Deus no monte Sinai, escreveu-as em cinco livros, chamados o
Pentateuco.
Os fatos mais importantes do Pentateuco são: a Criação do mundo, do
Homem, sua felicidade primitiva, sua Queda, a promessa de um Salvador, o
Dilúvio, a preservação de uns poucos, Babel, o chamado de Abraão, o Cativeiro de
Israel no Egito, a Saída e a promulgação da Lei.

Tudo isto tem o apoio de todo o testemunho da tradição universal, da


história e da ciência moderna.

Uma grande parte do que Moisés relata foi presenciada por ele
pessoalmente.

Dos fatos que procederam ao seu tempo, teve Moisés amplos meios de
informação na longevidade dos antigos.

Ele foi contemporâneo dos contemporâneos de Abraão, Abraão dos de Noé,


e Noé, dos contemporâneos de Adão.

Desta maneira, sob a direção divina, os importantes fatos do mundo ante-


diluviano foram concatenados por Moisés. Quanto aos que se deram antes da
criação do homem, deve ter havido, necessariamente, comunicação direta de
Deus.

3. GENUINIDADE E AUTENTICIDADE

Livro genuíno é aquele que é escrito realmente por aqueles aos quais se
atribue a autoria.

Temos uma prova ocular de que a Bíblia existe. Ela foi escrita por alguém;
se não foi por aqueles cujos nomes ela menciona, difícil se torna saber-se quem foi
então.

Não é provável que homens ímpios tivessem produzido um livro como a


Bíblia, que os está sempre condenando. Jó 20.4-7, 29; Sl 7.11; 9.17; 11.5-6;
50.16-22; Is 57.20-21; Fp 3.19; 2Ts 1.8-9; 2Pe 2.1-19; Ap 22.12-19.

Homens bons não podiam cometer o crime de impor suas próprias obras ao
mundo, como se fossem elas obra de Deus.

Os registros da Igreja estão acordes em declarar que foram os profetas e os


apóstolos que escreveram as Escrituras. E a Igreja Cristã tem a mesma prova da
existência de seus pais que nós temos da existência de nossos avós.

Um livro autêntico é aquele em que os fatos são relatados como realmente


eles se deram.
Os escritores sagrados constantemente asseveram que eles escreveram por
inspiração de Deus. Is 8.1; Jr 2.1; Ez 1.3. Paulo, por certos trechos nas suas
epístolas, “não por mandamento,” dá a entender que elas são inspiradas. 1Co 7.6;
2Co 8.8; 11.17, e reclama isto em Rm 9.1.

Para confirmar a verdade de suas asserções eles apontavam os MILAGRES,


que eram feitos publicamente e universalmente reconhecidos, naquele tempo,
como reais. 2Pe 1.16-18.

Por isso também eles sofreram tudo, inclusive a morte. E isto não teriam
feito para sustentar o que eles soubessem ser mera fábula.

4. O MODO DE INSPIRAÇÃO

Quanto à MANEIRA especial da inspiração divina existem duas opiniões:

1. Que o Espírito de Deus inspirava os pensamentos mas que aos escritores


foi deixado se expressarem com palavras e frases suas, guiados, não obstante, de
modo a não cair em erros teológicos.

2. Que cada PALAVRA lhes era dada pelo Espírito de Deus, e que eles não
faziam mais que escrevê-las. Essa é a inspiração verbal.

As seguintes passagens parecem favorecer mais a última opinião:

“O Espírito Santo predisse por boca de Davi.” At 1.16. “Bem falou pois o
Espírito Santo, pelo Profeta Isaías.” At 28.25. “Os homens santos de Deus é que
falaram, inspirados pelo Espírito Santo.” 2Pe 1.21. “O Espírito manifestamente diz”
(por palavras expressas). 1Tm 4.1.

Ambas as maneiras de ver põem as Escrituras a salvo de todo o erro.

A UNIFORMIDADE DE ESTILO E MODO dos diferentes escritores não era de


modo algum essencial a esta sorte de inspiração, que se pode chamar plena, isto
é, por extenso. Deus pode falar em tantos estilos quantos os trinta e cinco ou mais
diferentes escritores dos sessenta e seis livros da Bíblia.

O estilo particular de cada escritor, em lugar de ser tirado, foi


provavelmente enriquecido e apropriado pelo Espírito Santo ao seu próprio
desígnio.

II. A BÍBLIA
1. NOMES E DIVISÕES

A palavra BÍBLIA significa livro. ESCRITA é um termo que no seu sentido


primário inclui todo o escrito. A BÍBLIA e as ESCRITURAS são assim chamadas
como por excelência, como os mais importantes de todos os livros e escritos.

A Bíblia consta de duas partes: O ANTIGO e NOVO TESTAMENTOS, isto é,


CONCERTOS ou PACTOS. No Novo Testamento o termo ORÁCULOS significa
verdades reveladas de modo sobrenatural, é um outro nome para as Escritas
Sagradas. Rm 3.2. No Antigo Testamento ORÁCULO significa o lugar onde Jeová
revelava a sua vontade – em geral o “santo dos santos.” 2Sm 16.23.

Os diversos livros do Antigo Testamento foram escritos por diferentes


homens INSPIRADOS em diferentes tempos, e foram reunidos em um volume por
Esdras, célebre pontífice e escriba.

A ORDEM do cânone de ambos os Testamentos respeita menos a ÉPOCA


em que foram escritos do que os ASSUNTOS de que trata cada livro. Os livros do
Antigo Testamento foram escritos entre 1490 A. C., data dos cinco livros de
Moisés, e 420 A. C., data de Malaquias, o último dos profetas. O Novo Testamento
foi escrito entre 38 A. C., data provável do Evangelho de S. Mateus, e 96 A. D.,
data do Apocalipse, de modo que ficou completado sessenta anos depois da
crucificação de Cristo. O primeiro Evangelho parece ter sido escrito dois ou três
anos depois deste acontecimento. A palavra CÂNONE significa “vara reta,” daí
RÉGUA ou PADRÃO. Todos os livros são chamados APÓCRIFOS ou espúrios. Pode-
se concluir o que é CÂNONE SAGRADO dos pontos em que os Apócrifos são
deficientes.

1. Eles não se dão por inspirados. 2. Os judeus nunca os reconheceram


como tais. 3. Nunca são citados por Cristo e seus apóstolos. 4. Foram
universalmente rejeitados pelos primeiros cristãos. 5. Eles não se harmonizam nem
entre si nem com as Sagradas Escrituras. Os livros Apócrifos do Novo Testamento
nunca foram reconhecidos pela Igreja como inspirados, e foram cedo desprezados
como espúrios.

A Bíblia foi originalmente escrita em letras maiúsculas, sem a divisão em


capítulos e versos, sem pontuação nem espaço entre as palavras, como LIVRO DA
GERAÇÃO, Mt 1.1. Essas divisões foram invenções recentes de homens não
inspirados com o fim de facilitar o estudo, posto que em muitos casos os editores
não foram tão judiciosos como era para desejar. Muitas vezes o capítulo finda
antes da narrativa, de maneira que se perde a conexão e se separa no fim do
capítulo. Is 8.22; 9.1-7; 10.1-4; Mt 19.30; 20.1-16; Mc 8.36; 9.1; Lc 45-47; 21.1-4;
At 21; 2Co 4.18; 5.1.
A divisão em versos é igualmente imprópria, e de maneira nenhuma deve
guiar o sentido que muitas vezes é prejudicado, senão totalmente destruído por
ela. 1Pe 1.4, 5; 1Co 2.9, 10.

As NOTAS anexas às epístolas do Novo Testamento não são inspiradas,


porém foram adicionadas por pessoas ou em extremo ignorantes ou perversas;
porque elas contradizem tanto a cronologia como a história.

Os TÓPICOS no começo dos capítulos não são inspirados, e, por isso,


podem conter erros de doutrina.

A maneira de ESCREVER os NOMES no Novo Testamento difere muitas


vezes da do Antigo. A razão é que este foi escrito originalmente em hebraico e
aquele em grego.

As APARENTES IMPRECAÇÕES que se acham em 1Co 16.22; e 2Tm 4.14, e


em muitas outras partes da Escritura, especialmente nos Salmos, são antes
predições do que anatemas, ou são declarações da vontade divina feitas no
interesse da ordem e da justiça.

As IMPERFEIÇÕES que se contam de certos eminentes caracteres da


Escritura, como a embriaguez de Noé, a dissimulação de Abraão, a mentira de
Jacó, a idolatria de Arão, o adultério e homicídio de Davi, a idolatria e luxúria de
Salomão, são relatadas como simples fatos históricos. Eles estão escritos não para
nós os imitarmos, mas para nos servir de admoestação. E o estarem eles
registrados é uma prova da imparcialidade dos escritores.

A DESTRUIÇÃO dos Egípcios, Cananeus, e outras nações, são fatos


históricos, registrados para mostrar a perfeição do governo divino. Foram
castigados, e não são mais inconsistentes com o atributo de misericórdia do que a
peste e a fome.

As aparentes grosserias da Bíblia desaparecem quando consideramos a


mudança que sofre o uso dos termos. Palavras que hoje taxamos de imoderadas
não o eram dantes.

Assim, achamos que as Escrituras têm suas dificuldades; mas essas não
lhes são particulares; todos os escritos antigos as possuem em abundância.

Estas dificuldades são geralmente em proporção à antiguidade do escrito,


por causa dos costumes, maneiras e linguagem da raça humana estarem
constantemente mudando.
Um pouco de conhecimento das línguas originais das Escrituras, e dos
tempos, ocasiões, e objetos dos diferentes livros, assim como dos costumes dos
países em que se deram as cenas, em geral removerá todas as dificuldades.

As CIRCUNSTÂNCIAS HISTÓRICAS são um importante auxílio à


compreensão perfeita dos escritores sagrados. Por elas queremos dizer a ORDEM,
o TÍTULO, o AUTOR, a DATA e o LUGAR do escrito.

A GEOGRAFIA sagrada e os livros de viagens às terras bíblicas são úteis


para elucidar as Sagradas Escrituras, e para se sentir melhor a realidade dos
acontecimentos.

A consideração do ALCANCE ou DESÍGNIO de qualquer autor facilitará


extraordinariamente o estudo da Bíblia.

Outro importante auxílio é a consideração do CONTEXTO, ou a comparação


das partes precedente e subseqüente de um discurso.

A comparação de PASSAGENS PARALELAS é um outro grande adjutório para


a interpretação da Escritura.

Toda a vez que uma doutrina é manifesta, ou por todo o teor da Escritura
ou pelo seu alcance, ela não deve ser enfraquecida por poucas passagens.

Como todos os princípios essenciais da religião são manifestos por mais de


um verso, não se deve fundamentar nenhuma doutrina em um verso único ou
sentença.

Quando duas passagens parecem estar em contradição, se se puder


claramente verificar o sentido de uma, isto regulará a interpretação da outra.

Uma passagem obscura, ambígua ou figurada não deve ser interpretada de


modo a contradizer uma que é clara.

A linguagem figurada, que teve seu princípio nas idades mais remotas da
humanidade, foi usada com mais freqüência pelos escritores sagrados. Algum
conhecimento dela é um importante auxílio para chegar-se ao sentido da Escritura.

De todas as figuras de retórica, a metáfora é a mais usada na Bíblia e em


toda a linguagem. Veja-se Mt 5.13, 14.

A alegoria, que não é mais que a precedente continuada ou mais extensa, é


outra figura empregada na Escritura. Veja-se Sl 18.
A hipérbole consiste em aumentar ou diminuir um objeto fora de seus
limites; ela ocorre freqüentemente na Escritura. Veja-se Gn 13.16; Dt 1.28; Nm
13.33; Jo 21.25.

A ironia é outra figura usada, pela qual se diz uma coisa significando o
contrário. Serve para dar mais força e veemência ao sentido. 2Rs 18.27; 22.15; Jó
12.2.

Sinédoque é quando o todo é usado por uma parte e vice-versa. Como o


mundo em vez do Império Romano, em At 14.5; Ap 3.10. Em vez da terra, 2Pe
3.6; Rm 1.8.

Algumas vezes uma parte é usada em vez do todo. Como a tarde e a


manhã em vez do dia inteiro, Gn 1.5, 8, etc.; a alma em vez do homem inteiro, At
27.37. (Almeida).

A palavra aborrecer ou desprezar, quando empregada com referência a


indivíduos ou comunidades, muitas vezes não quer dizer mais que amar menos. Gn
29.39, 31; Ml 1.2, 3; Lc 14.26; Rm 9.13.

Acontecimentos que forçosamente hão de suceder são, muitas vezes,


mencionados como já se tendo dado. Is 9.6; 60.1-8; 65.1.

2. VERSÕES INGLESAS – A DO REI JAMES I

As traduções das Escrituras para diferentes línguas, antigas e modernas,


são muito numerosas. Elas são o único livro universal que se tem escrito.

As traduções de mais interesse para nós são as que se têm feito em nossa
língua vernácula (Inglês).

A mais antiga versão inglesa das Escrituras que se sabe existir foi executada
por pessoa desconhecida, em fins do século XIII. Está ainda em manuscrito.

A primeira edição impressa de qualquer parte da Bíblia em Inglês foi o Novo


Testamento, de William Tindal, em 1526. A última versão inglesa da Bíblia inteira
foi feita sob a direção de James I, rei da Inglaterra.

Ele, para isto, nomeou cinquenta e quatro homens distintos por seu talento
e piedade. Só quarenta e sete destes tomaram parte definitivamente. Isto foi em
1607, e, em 1611, o trabalho completou-se.

De todas as versões modernas, esta, no todo, é considerada a mais exata e


fiel. O uso tem-na feito familiar, e o tempo a tem tornado sagrada.
Contudo esta tradução é defeituosa em alguns pontos, e precisa ser revista
(Publicou-se uma revisão, 1880-1885. – Editor). Há interpretações errôneas dadas
a algumas palavras do original, enquanto que idiotismo particulares têm sido
esquecidos; os tempos dos verbos estão trocados em alguns lugares; alguns
números estão exagerados; diversas palavras em Inglês são usadas para traduzir
uma só do original, e uma só em Inglês está em lugar de diversas no original;
algumas palavras e expressões são antiquadas e não têm mais o sentido que lhes
davam os tradutores, dando motivo a objeções levantadas pelos céticos; algumas
palavras não foram traduzidas, como “aleluia,” “hosana,” etc.

NOTA DO EDITOR

Versões portuguesas – A primeira versão portuguesa das Sagradas


Escrituras é a de João Ferreira de Almeida, que saiu à luz em 1712-1748, sendo
que Almeida só verteu o Novo Testamento; do Velho, só até os últimos capítulos
de Ezequiel. Foi Jacó Opden Akker que completou a versão do Velho Testamento.
Esta tradução é de sumo valor crítico e literário, e tem sido a base de quase todas
as revisões e versões protestantes em Português.

O padre Antônio Pereira de Figueiredo publicou em 1778-1790 sua versão


das Sagradas Escrituras, obra que prima pelo Português, mas que não passa, em
muitos lugares, de péssima paráfrase do original, e que tem mais a desvantagem
de levar “notas” explicativas que desdizem o texto. A obra de Pereira tem sido a
base de muitas edições das Sagradas Escrituras, algumas sem as notas.

Estas são as duas únicas independentes e completas versões portuguesas


que até agora têm aparecido. A obra de Fr. Francisco de Jesus Maria Sarmento
(1777-1785) tem uma ou mais vezes aparecido sob o título “A Bíblia Sagrada.” Não
é tradução, mas sim paráfrase, e foi intitulada pelo autor “História Bíblica,” etc.

Assim se vê que até agora a única fiel tradução das Sagradas Escrituras
para o Português, foi por protestantes, publicada no estrangeiro, na Holanda e nas
Índias Orientais. A Igreja Romana tem medo da Palavra de Deus.

3. O VALOR DA BÍBLIA

Mesmo como composição literária, as Sagradas Escrituras constituem o livro


mais notável que o mundo jamais viu. De todos os escritos, elas são os mais
antigos, e contêm uma memória de mais vivo interesse. A história de sua
influência é a história da civilização e do progresso. Não se pode apontar quase
nenhuma passagem deste admirável livro que não tenha trazido instrução ou
conforto a milhares. Sob este ponto de vista único, merece a Bíblia a nossa
particular atenção e reverente respeito.
Cada um dos Testamentos aumenta o valor de outro. Como uma prova da
estreita relação entre as duas dispensações, e da sanção dada, no Novo
Testamento, ao Antigo, contém o primeiro duzentas e sessenta CITAÇÕES
DIRETAS tiradas do último, dando cerca da metade delas mais o sentido do que as
palavras textuais; e as alusões são ainda mais numerosas, sendo o seu número
talvez maior do que trezentos e cinqüenta.

Os dois Testamentos contêm apenas um plano de religião; nenhuma das


partes pode ser entendida sem a outra. Tratam apenas de um assunto do princípio
até o fim; porém nossa compreensão é esclarecida por uma revelação progressiva.
As verdades de Deus em si são insuscetíveis de progresso, mas são assim a
revelação delas; o progresso não está na verdade, mas sim na clareza e na força
de impressão com que as Escrituras a revelam.

Pode haver nelas passagens cuja significação completa não se tenha ainda
descoberto, e que talvez estejam reservadas para extinguir alguma futura heresia,
ou alguma dúvida ainda não formada, ou para provar, por algum novo
cumprimento de profecia, que a Bíblia veio de Deus. A Escritura é como o oceano,
extremamente límpida, mas insondável. Ela parece dizer aos milhares que a
estudam: “Meus tesouros são inexauríveis; nunca me ponhais de lado, mas
examinai-me incessantemente.”

Os mais ricos tesouros da palavra de Deus não se podem descobrir se o


Espírito Santo não os revelar. Sl 119.18; Lc 24.45; Jo 16.13; 1Co 2.9-16. A última
referência contém, no original, as palavras, “que o Espírito Santo ensina,
explicando coisas espirituais a homens espirituais.” É com a sua luz que ficamos
convencidos da verdade da Bíblia, ou da verdadeira significação de certas
passagens. Jo 7.17; 1Co 2.13. O Intérprete, em cuja casa o Peregrino de Bunyan
viu tantas maravilhas, é o Espírito Santo. Além disso, a Escritura interpreta a
própria Escritura. Não há uma só passagem que, obscura mas contendo alguma
verdade importante, não seja explicada em algum outro lugar.

A harmonia e perfeição das Santas Escrituras tornam-se especialmente mais


evidentes pela constante alusão de todos os seus escritores a nosso Senhor Jesus
Cristo. Tirai-o dos Oráculos Sagrados e eles se tornam em uma confusão de vozes
ininteligíveis e discordantes. Lc 22.27, 44; Jo 1.45; At 3.20-24; 10.43; 13.23-37;
17.23.

As Santas Escrituras, escritas sob a direção dAquele a quem todos os


corações são descobertos e que prevê todos os acontecimentos, são próprias para
proveito da humanidade em todos os sentidos e em todo o tempo. Rm 11.4; 1Co
10.11; 2Tm 3.15-17. Elas sempre conduzirão como progresso humano. As
melhores produções de um sábio, depois de algumas leituras, como as flores
colhidas, murcham em nossas mãos e perdem a sua fragrância; mas estas flores
imortais da verdade divina tornam-se cada vez mais belas aos nossos olhos,
emitindo diariamente novos perfumes e suave cheiro, e aquele que uma vez o
tenha sentido, deseja-o sentir de novo, e aquele que sinta mais vezes, sabe
apreciá-los mais. Sl 1.2; 119.11, 97; Jó 23.12; Jr 15.16. A este respeito, as
Escrituras assemelham-se ao jardim do Éden, onde se acha toda a espécie de
árvore que é agradável à vista e boa para alimento espiritual, inclusive a Árvore da
Vida, que é dada para a salvação das pessoas. Pv 3.13-18; Ap 22.2.

Aqueles que negligenciam a sua Bíblia não imaginam o prazer que perdem
por não voltarem os seus olhos à contemplação do objeto mais sublime e mais
encantador dos que produz o universo inteiro.

Em um museu em Dresden, entre muitas outras jóias e preciosidades,


existe um ovo de prata, o qual, tocando-se em uma mola, abre-se e descobre uma
gema de ouro. Dentro desta está escondido um pinto, cuja asa, sendo calcada,
abre-se também descobrindo uma esplêndida coroa de ouro guarnecida de jóias.
Nem isto é tudo; tocando-se em uma outra mola oculta, acha-se escondido no
centro um magnífico anel de brilhante. Assim é toda a verdade e promessa na
Palavra de Deus: um tesouro dentro de um tesouro. Quanto mais a examinamos,
tanto mais rica a achamos.

Mas quão poucos, comparativamente, são os que como o Salmista, se dão


ao trabalho de tocar nas molas! Sl 119.96-100.

III. EVIDÊNCIAS CRISTÃS CLASSIFICADAS

Em geral, elas se dividem em duas classes: externas ou históricas, e


internas.

A estas alguns têm adicionado uma terceira classe chamada a experimental,


e uma quarta, a colateral.

O Cristianismo foi introduzido entre os homens em circunstâncias muito


notáveis. Obraram-se milagres, e predisseram-se acontecimentos futuros, em
atestado de sua origem divina. Isto constitui a evidência histórica.

Quando examinamos o livro, suas verdades, suas doutrinas, seu espírito,


nós o achamos ser, em sua natureza e tendência, tal como poderíamos esperar
que fosse uma mensagem de Deus a nós. A isto chama-se a evidência interna.

E quando passamos a considerar os efeitos produzidos pela Bíblia nos


corações e nos caracteres dos crentes, nós verificamos que ela preenche o fim a
que foi mandada. Chamamos a isso a evidência experimental.
A maravilhosa divulgação do Cristianismo, pela fraca agência de alguns
homens indoutos, destituídos de poder e riqueza, vencendo a hostilidade tanto dos
judeus como dos gentios, juntamente com a alta civilização e poder das nações
cristãs, e os reconhecimentos de céticos, constituem a evidência colateral.

As três primeiras espécies de evidência são bem distintas em sua natureza e


podem se comparar ao seguinte:

Tendes uma substância que julgais ser fósforo, porque, em primeiro lugar,
um rapaz, em quem tendes confiança, a trouxe do farmacêutico, que disse ser ela
fósforo. Esta é a evidência histórica.

Em segundo lugar vós a examinais, e ela parece ser fósforo; sua cor, sua
consistência, e forma, tudo concorda. Esta é a evidência interna.

Em terceiro lugar a experimentais. Ela queima com uma chama brilhante e


ativa, etc. Esta é a evidência experimental.

Se se descobrisse que ela era um preservativo contra a cólera, a febre


amarela, a peste, a varíola, e que todas as nações que dela fizessem uso
estivessem quase ou inteiramente livres destas pestes, e o uso fosse se
generalizando apesar da oposição de todas as escolas médicas estabelecidas, isto
constituiria um ramo da evidência colateral.

Das quatro, as duas últimas são as melhores. Nada importa haver dúvidas e
hesitações a respeito da primeira e segunda evidências, se a substância sujeita à
experiência revela as suas propriedades, e está em virtude de sua reconhecida
excelência, beneficiando a humanidade e tornando-se universal.

Se alguém vos dissesse: “Eu não confio na honestidade de seu


mensageiro;” ou, “Esta substância não parece exatamente fósforo, é muito escura,
ou muito dura;” vossa resposta seria: “Senhor, não pode haver dúvida: veja como
queima; veja também seus efeitos medicinais.”

(A) A EVIDÊNCIA EXTERNA OU HISTÓRICA

I. Milagres. Entende-se por milagres um acontecimento que sai fora do


curso estabelecido pela natureza, obrado pela intervenção do próprio Deus, para
atestar alguma verdade divina, ou a autoridade de algum mensageiro divino.
Geralmente ele é acompanhado de um aviso prévio de que é feito conforme a
vontade e o poder de Deus.
Aquele que tem o poder de estabelecer as leis da natureza, pode, pelo
mesmo princípio, suspendê-las à vontade. Acontecimentos comuns são chamados
naturais. Acontecimentos fora do comum se dizem milagres.

Parece razoável que uma revelação de uma Divindade seja apoiada por
milagres. Esses são o seu selo, pelo qual se prova ser a comunicação divina. 1Re
17.21-24; Jo 9.29-33; 10.37, 38.

Os milagres registrados na Bíblia SÃO FATOS REAIS, capazes de serem


verificados, como quaisquer outros fatos históricos.

1. “Estas cousas não se fizeram A UM CANTO,” mas PUBLICAMENTE,


algumas vezes na presença de milhares de testemunhas. Por exemplo, as pragas
do Egito e a destruição do exército do Faraó, no Antigo Testamento (Êx 7.19;
10.20; 12.29, 30; 14.27, 28), a transformação da água em vinho (Jo 2.1-11), e o
provimento de comida a mais de cinco mil pessoas, no Novo Testamento: Mt
14.17-21.

2. NUNCA foram eles CONTESTADOS por aqueles que os presenciaram, os


quais certamente eram melhores juízes: não eram tão ignorantes a ponto de não
saberem quando os mudos falavam, os cegos viam e os mortos eram
ressuscitados. E até mesmo aqueles que rejeitavam a revelação por eles
autenticadas NÃO NEGAVAM os milagres. Jo 9.24; 11.47; 12.9-11; Mt 12.24.

3. Seu NÚMERO foi muito avultado. A história evangélica está cheia deles.
Quarenta dos milagres de Cristo são contados por extenso e São João diz que
muitos milagres que foram obrados não foram escritos. Jo 21.25.

4. A sua VARIEDADE é grande.

Foram feitos em benefício de cegos, de surdos, de mudos, de coxos, de


enfermos, de lunáticos, de mortos, e através de uma série de anos, para que
pudessem ser e tornar a ser examinados, como muitos deles o foram. Lc 8.2; Mt
4.23, 24; Jo 12.1, 2, 9-11.

5. Eles foram operados por pessoas reconhecidas pobres, sem instrução, de


baixa condição e privadas de amigos de influência, de protetores poderosos. At
3.6, 7; 4.13-16.

6. Eles eram declarados de antemão, eram realizados e se apelava para


eles; e isto na presença dos grandes e nobres de uma idade instruída, os quais,
por conseguinte, não podiam ser facilmente iludidos.
Como, portanto, os milagres requerem uma prova mais comum, os da Bíblia
têm esta evidência fortíssima e extraordinária.

1. MILAGRES DO ANTIGO TESTAMENTO

Os principais milagres mencionados no Antigo Testamento são em número


de cinquenta e quatro, compreendendo uma grande variedade na demonstração
do poder onipotente. Eles não se apoiavam em ocasiões triviais, como os prodígios
da mitologia grega e romana, e sim em ocasiões dignas de intervenção divina. Eles
são absolutamente necessários para explicar a existência da nação judaica, tão
intimamente envolvidos estão com a sua origem e história.

2. MILAGRES NO NOVO TESTAMENTO

Os principais milagres mencionados no Novo Testamento são cinquenta e


um, além de muitos não especificados, mas de que se fala por junto. Obrados para
certificar uma revelação, são eles, todavia, quase todos obras de misericórdia e
bondade para a humanidade padecente.

Eles são tão entrelaçados com a história evangélica que de modo algum
podem ser dela separados e deixar ainda algum resto de verdade cristã. É claro
que ou temos um Salvador histórico e sobrenatural, ou não temos nenhum.

Os milagres da Bíblia, no seu conjunto, podem suportar a prova de Leslie no


seu “Método breve e fácil de tratar com os deístas.” Suas quatro regras célebres
para determinar a veracidade dos fatos em geral são: 1) Que o fato seja tal que
com os sentidos exteriores, os olhos, os ouvidos – os homens possam julgar dele.
2) Que ele se dê publicamente em face do mundo. 3) Que não somente se erijam
monumentos públicos em sua memória, mas se execute alguma ação exterior. 4)
Que tais monumentos, tais ações e observâncias sejam instituídos e comecem do
tempo em que o fato se deu.”

O Judaísmo com seus ritos, e o Cristianismo com seus sacramentos, são


fatos e monumentos e observâncias desta ordem.

RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO

O mais notável de todos os milagres é a ressurreição de Jesus Cristo de


entre os mortos; portanto, merece um exame separado.

Os seguintes fatos do caso são aceitos por amigos e inimigos:

1) Jesus Cristo predisse por várias vezes as circunstâncias de sua morte. Jo


2.19-21; Mt 20.18, 19. 2) Ele morreu de fato. Mc 15.37, 44, 45; Jo 19.33. 3) Foi
sepultado. Jo 19.41, 42. 4) Não foi achado no túmulo, tendo sido o túmulo
guardado pelos guardas para conservar os discípulos honestos, e selado para
conservar os guardas honestos. Mt 28.6-13; 27.62-66.

Não há senão três maneiras concebíveis pelas quais seu corpo poderia ser
removido do sepulcro. Ou por seus INIMIGOS, ou por seus AMIGOS, ou por SI
MESMO, como predissera. Mt 27.63.

Se por seus INIMIGOS, seu motivo não pode ser senão expor o corpo e por
aí afrontar os apostólos, e convencê-los de fraude em seu Mestre. Mas, o corpo
não foi exposto por eles.

Se por seus AMIGOS, não vemos por que razão. O cadáver não podia servir
de prova, para eles ou para os outros, de que ele tivesse ressurgido; ao contrário,
seria sempre uma prova visível contra eles.

É verdade, seus inimigos denunciaram que ele tinha sido roubado pelos
amigos. Mt 28.11-15. Mas, examinando-se o boato, verifica-se que é falso.

1. Tão manifestamente improvável é a notícia que Mateus, relatando


fielmente todos os fatos, não dá uma palavra em refutação.

2. Os discípulos eram poucos em número, e despidos de coragem própria.

Eles, em geral, ficaram todos desanimados e terrificados com o fatal fim de


seu Mestre. Quando ele foi preso, todos o abandonaram e fugiram. Pedro o seguiu
de longe, e, sendo acusado de ser um dos discípulos, negou-o três vezes com
veemência e deprecações. Mt 26.56-58, 69-74. Nenhum o acompanhou diante do
tribunal. E quando foi crucificado, as únicas pessoas que ousaram ficar perto de
sua cruz, foram sua mãe, duas ou três outras mulheres e João. Jo 19.25, 26. Não
é, portanto, provável que eles se deixassem surpreender neste trabalho,
especialmente naquela ocasião porque:

3. Era a ocasião da grande festa – a Páscoa – quando Jerusalém devia estar


cheia de gente. Diz-se também que era tempo de lua cheia.

4. Não é possível que uma guarda de sessenta homens fossem toda tomada
de sono ao mesmo tempo, especialmente estando a céu aberto.

5. Se eles dormiram, não podiam testemunhar nada do que se passou,


exceto que a sepultura foi desocupada sem eles saberem como. Testemunhas e
dormindo!
Eles não podiam saber que o corpo foi subtraído; ou, se o tivesse sido, por
quem.

6. Achando-se soldados romanos dormindo em guarda, era morte certa.


Logo, se eles tivessem dormindo, não o confessariam voluntariamente. Se se
tivesse dado crédito à notícia por eles divulgada, os governadores os teriam
punido. Isto eles nunca fizeram. Mt 28.12-15.

7. Se os soldados tivessem crido na sua própria história, eles teriam lançado


isso em rosto aos discípulos, depois. Não consta que eles tenham feito isto.

Se, portanto, o corpo não podia ser removido de nenhum outro modo, ele
deve ter sido PELO SEU PRÓPRIO PODER, como ele havia predito. Jo 10.17, 18.

A prova mais DIRETA deste grande milagre se acha nos seguintes


pormenores.

1. Houve doze manifestações distintas de Cristo depois do seu enterro –


cinco no primeiro dia depois da ressurreição e cinco mais, antes da ascensão; uma
vez a Saulo na sua conversão, e uma a João, em Patmos. 1Co 15.5-9; At 9.5; Ap
1.9-18. Foram em horas diferentes do dia, em lugares diversos, e, em uma
ocasião, a mais de quinhentas pessoas.

2. Ele não lhes aparecia em silêncio, mas falava e comia com eles, mostrava
as suas mãos e pés, fazia-os apalpá-los, etc.; teve muitas e longas conversações
com eles, e por fim subiu ao céu, em presença deles. Lc 24.13-51; Jo 20.19-29;
21.4-23; At 1.3-11.

3. As testemunhas, pertencendo a uma classe de homens ignorantes e


desprezados, não tentariam uma imposição.

4. Eles não eram crédulos, antes tardos para crer na ressurreição de seu
Mestre. “Alguns duvidaram,” para que nós nunca duvidássemos. Mt 28.17; Jo
20.25-29.

5. Houve uma notável mudança na disposição e na conduta dos discípulos;


de homens tão tímidos que eram, tornaram-se, de repente, corajosos e intrépidos.

Eles começaram a pregar aquele mesmo Jesus que, havia pouco, eles
tinham abandonado na maior angústia, e isto, nas sinagogas de Jerusalém, onde
ele fora crucificado poucos dias antes. Mc 16.20; At 2.14; 9.20, etc.
E posto que eles tivessem uma recordação ainda viva da crucificação, e
tivessem toda a razão para esperar um fim igual, não deixam de confessar a sua
ressurreição. At 2.22-36.

6. A CEIA DO SENHOR foi instituída em perpétua memória de sua morte, e


a festividade do DIA DO SENHOR, em comemoração de sua ressurreição. Mt
26.26, etc.; 1Co 11.23-26.

Estas memórias foram instituídas na ocasião em que as circunstâncias a que


se referem aconteceram, e têm sido observadas desde esse tempo no mundo
cristão, preenchendo, assim, os quatro quesitos de Leslie a respeito de milagres.
Veja-se pág. 43.

A ressurreição de nosso Senhor fica assim estabelecida, e é prova suficiente


da sua missão divina. Rm 1.4.

O Salvador, muitas vezes, apelava para a sua ressurreição como a prova


capital de sua missão, e seus discípulos constantemente se referiam a ela como o
fundamento de sua fé. Mc 8.31; Jo 2.19-21; At 17.31; 1Co 15.20; 1Pe 1.3.

Finalmente, este grande acontecimento reúne em seu favor prova tanto de


milagres como de profecia. As profecias nele cumpridas se acham em Sl 16.10; Jo
2.19, 22; At 2.25-36.

EVIDÊNCIA HISTÓRICA, CONTINUAÇÃO

II. Profecia é um milagre de conhecimento, predição extraordinária de


algum acontecimento futuro, isto é, em circunstâncias tais que as faculdades
humanas jamais poderiam prover nem calcular.

As profecias da Bíblia formam um sistema regular, e podem-se classificar do


seguinte modo:

I. Profecias relativas à Nação Judaica.

1. Concernente à posteridade de Abraão.

Profecia: Gn 12.1-3; 13.16; 15.5; 17.2, 4-6; 22.17, 18; 28.14; 32.12.

Cumprimento, com referência somente aos judeus. Êx 1.7-12; Nm 23.10; Dt


1.10, 11; Hb 11.12.
Em menos de quinhentos anos depois da primeira destas profecias o
número de israelitas montavam somente a oitocentos mil homens, além de
mulheres e crianças. 2Sm 24.9.

2. Concernente a Ismael. Veja-se Gn 16.1-12. Dele descendem as várias


tribos dos árabes, cujo número e maneira de viver têm sido desde esse tempo
uma confirmação dos textos.

3. Concernente aos judeus. Dt 28.

Cumprimento, em três particularidades:

1) Sua sujeição, por Sisac, rei do Egito, Salmanazar, rei da Assíria;


Nabucodonozor e muitos outros.

2) As fomes, seiscentos anos depois de Moisés, entre os israelitas.

Outra vez, novecentos anos depois, entre os judeus. E finalmente, mil e


quinhentos anos depois.

3) Sua redução, testemunhada por todas as nações por onde eles foram
dispersos. Ainda assim eles continuam um povo separado, e o seu nome tem-se
tornado um de desprezo entre todos os povos. “Judiar” significa “maltratar,”
“enganar.”

Um rei da Inglaterra perguntou ao seu capelão:

– “Qual é a prova mais convincente da veracidade da Bíblia?”

– “Os judeus, Majestade!”, que, sem pátria por mil e oitocentos anos, têm
não só cumprido as profecias, conservando sua distinta nacionalidade, mas
resistindo a todas as tendências de assimilação e absorção.

II. Profecias relativas a outras nações.

Tiro. Ez 26. Egito, Is 19; Jr 43; 46; Ez 29; 30. Etiópia, Is 18.1-6; 20.3-5; Ez
30.4. Nínive, Na 1; 2; 3. Babilônia, Is 13; Jr 1; 51. Os quatro grandes impérios da
antiguidade, o babilônio, o pérsico, o grego e o romano.

Profecias: Dn 2.39, 40; 7; 8. Toda a história mostra o seu cumprimento


literal.

III. Profecias relativas ao Messias.


1. Que Ele haveria de vir.

Profecia: Gn 3.15; Dt 18.15, 18; Is 9.6; Sl 1.7; Ag 2.7.

Cumprimento: Lc 2.11; Jo 1.14; Gl 4.4; 1Jo 3.8.

2. O tempo em que haveria de vir.

Profecia: Gn 49.10; Ag 2.6-9; Dn 9.23-25; Ml 3.1.

Cumprimento: Comparai Mt 22.20, 21; Lc 2.1-5; Jo 19.10-15. Pela


expectação dos judeus, vejam-se Mt 2.46; Lc 2.25, 38.

3. De quem haveria de descender.

Profecia: Gn 3.15; 12.3; 18.18; 49.10; Is 7.14; 9.6, 7; 11.1; Jr 23.5, 6.

Cumprimento: Mt 1.1, 23; Lc 1.32, 33; Jo 7.42; Gl 4.4; At 3.25, 26; 13.32,
33; Rm 15.8-12.

4. Seria nascido de uma virgem.

Profecia: Is 7.14; Jr 31.22.

Cumprimento: Mt 1.22-25; Lc 1.26-35.

5. Lugar de seu nascimento.

Profecia: Mq 5.2.

Cumprimento: Lc 2.4-7; Mt 2.4-8, etc.

6. Concernente ao precursor.

Profecia: Ml 3.1; 4.5; Is 40.3.

Cumprimento: Mt 3.1-3; Lc 1.13-17.

7. Deveria pregar primeiro na Galiléia.

Profecia: Is 9.1, 2.

Cumprimento: Mt 4.12-17.
8. Haveria de operar milagres.

Profecia: Is 35.5, 6.

Cumprimento: Mt 11.5.

9. Sua entrada triunfante em Jerusalém.

Profecia: Zc 9.9.

Cumprimento: Mt 21.5-11.

10. Circunstâncias de sua paixão e morte.

1) Profecia: Is 53.3; Sl 41.9; Lv 12-14; Zc 11.12, 13.

Cumprimento: Lc 8.53; 16.14; Mt 26.14, 15; 27.3.

2) Profecia: Is 1.6; 53.5-8.

Cumprimento: Mt 27.30; Lc 23.34; Jo 19.1, 2; 1Pe 2.23, 24.

3) Profecia: Sl 22.7, 8.

Cumprimento: Mt 27.39, etc.; Lc 23.35, etc.

4) Profecia: Sl 69.21; 22.18.

Cumprimento: Mt 27.34; Mc 15.36; 19.23-29.

5) Profecia: Is 34.20; Zc 12.10.

Cumprimento: Jo 19.32, 36.

6) Profecia: Is 53.9.

Cumprimento: Mt 27.57, 60.

11. Ressurreição e Ascensão.

Profecia: Sl 16.9, 10. Pelo próprio Cristo. Mc 8.31; 10.34; Lc 9.22; Jo 2.19,
21; 10.17.
Cumprimento: Mt 28.5, 6; At 1.3; 2.25-36; 13.34-37; Lc 24.5-7, 51; At 1.9-
11; 1Tm 3.16.

12. Jesus mandaria o Espírito Santo.

Profecia: Jl 2.28. Por ele mesmo. Jo 7.38, 39; 14.16; 15.26; 16.7, 13.

Cumprimento: At 2.1-4, 33; 4.31; 10.44, etc.

13. Salvação somente por Cristo.

Profecia: Zc 13.1; Ml 4.2; Is 53.11; 59.20; Sl 118.22.

Cumprimento: Mt 1.21; Lc 1.76-78; 2.27-32; 24.47; At 4.10-12; 10.43;


13.38; 1Tm 2.4-6; 4.10.

14. Importância da fé nEle.

Profecia: Dt 18.18, 19.

Cumprimento: Mt 17.5; At 3.22, 23; Jo 3.18, 36; 2Ts 1.7, 8.

IV. Profecias feitas por Cristo e seus apóstolos.

1. Cristo prediz as circunstâncias de sua morte. Mt 16.21; 26.23, 31.

2. Ressurreição: Mt 16.21; 26.32.

3. Descida do Espírito Santo: Lc 24.49; Jo 14.16, 17, 26; 16.7, 13.

Cumprimento: At 2.1-4; 10.44.

4. Destruição de Jerusalém, com todos os sinais precursores e as


circunstâncias concomitantes: Mt 24.1-26; Mc 13.1-23; Lc 21.5-24.

A mesma geração que ouviu as predições viveu para presenciar miserável o


seu cumprimento.

EVIDÊNCIA EXTERNA, CONTINUAÇÃO

4) A maravilhosa preservação da Escritura é mais uma evidência externa de


sua origem divina.
Os judeus, desde o princípio, têm conservado o Velho Testamento com
diligência sagrada.

A tribo inteira de Levi era encarregada de guardar o Livro da Lei. Dt 31.25,


26.

Além dos exemplares em uso nas sinagogas, exemplares sobressalentes


conservavam-se cuidadosamente nos arquivos do templo, onde ninguém era
admitido. 2Re 22.8; At 15.21.

Os manuscritos eram copiados com grande cuidado e exatidão. A troca de


uma letra condenaria a cópia às chamas. Os judeus registravam o número de
palavras e letras em cada manuscrito, e marcavam a letra do meio como recurso
de segurança contra a corrupção.

Todo o Antigo Testamento foi traduzido do hebraico e do caldeu para o


grego, em Alexandria, quase trezentos anos antes da era cristã. Esta tradução é
chamada a Septuaginta, e ainda existe.

O Pentateuco samaritano, que ainda existe, é também muito antigo, e


concorda essencialmente com o dos judeus.

Quando consideramos a inimizade existente entre os judeus e samaritanos,


esta concordância entre os seus exemplares é confirmação valiosa de sua
genuinidade. Os MSS autógrafos da Escritura Hebraica estão todos perdidos. Os
mais antigos existentes pertencem ao oitavo e nono século. Contudo,
circunstâncias há que, acompanhando sua preservação e transmissão, comprovam
sua genuinidade com quase a mesma certeza como se os exemplares originais
ainda existissem. Circunstâncias estas tais como: (1) A concordância entre
exemplares espalhados a grandes distâncias; (2) entre versões primitivas; (3)
entre citações de escritores antigos. A invenção da arte de imprimir resultou em
grande proteção do texto; primeiro, pela multiplicação do número de exemplares;
segundo, pela dificuldade que há em alterar a impressão com a pena.

Os antigos MSS do Novo Testamento, e da Septuaginta ou versão grega do


Antigo, têm quase mil e quinhentos anos de idade. Destes, o de Alexandria está
agora no British Museum; o “Vaticano” está na Biblioteca Vaticana, em Roma; o
Sinaítico, descoberto no Monte Sinai (1859), está em S. Petersburgo. Homens de
letras eminentes têm dedicado a sua vida a um exame crítico destes e de
centenares de outros MSS, e têm achado muitas divergências insignificantes,
porém, concordância na essência. Nenhuma doutrina da Igreja é, por leve que
seja, abalada pelas diferentes versões. Por exemplo, a importante Epístola aos
Romanos, que possui quatrocentos e trinta versos, tem apenas quatro variações
dignas de nota, a saber: Cap 7.6. Em alguns MSS, lê-se: “estando para aquela;”
em outros, “para que sendo mortos.” Cap 5.6, a última parte do verso é omitida
(Tradução de Almeida). No Cap 12.11, algumas Bíblias têm tempo em lugar de
Senhor – a diferença no Grego é apenas de uma letra. No Cap. 16.5, deve-se ler
“Ásia” em vez de “Acaia” (Tradução de Almeida).

Quando, portanto, ouvimos falar das cento e vinte mil divergências notadas
por Dr. Kennicott, no Novo Testamento, devemos entender que elas são
insignificiantes, tanto quanto diz respeito à significação, e devemos lembrar-nos de
que nos escritos de Terêncio (seis textos somente), há três mil divergências, e eles
têm sido copiados muito menos vezes. Bengel diz ao seu discípulo: “Comei em
simplicidade o pão da Escritura, tal como a possuís, e não vos inquieteis se aqui ou
ali encontrardes algum grão de areia que a mó tenha deixado passar. Se nas
Santas Escrituras que têm sido copiadas tantas vezes, não se achasse nenhuma
divergência, seria isto um milagre tão grande que a fé nelas já não seria mais fé.
Eu me admiro, ao contrário, de como de todas essas transcrições não tenha
resultado maior número de variações.”

Se os judeus tivessem bulido nas Escrituras, eles teriam apagado os seus


crimes, suas idolatrias e rebeliões contra Jeová.

Não há quase uma passagem do Novo Testamento que não seja citada
pelos padres, ou por outros escritores dos três primeiros séculos.

Os cristãos primitivos eram divididos em diversas seitas. Estas


necessariamente não teriam permitido umas às outras alterar o texto.

Observai a rivalidade constante entre judeus e samaritanos; entre essênios,


saduceus e fariseus, e entre as diferentes seitas cristãs de todas as idades.

Não seria possível a um Calvinista, ou a um Batista, ou a um Metodista, ou


a um Unitariano, alterar a Bíblia por menos que fosse para adaptá-la à sua seita,
sem ser logo apanhado e desmascarado.

Cópias do Novo Testamento foram cedo espalhadas por várias partes do


mundo. Muitos desses manuscritos ainda existem, e em essência concordam com
os outros.

Durante o primeiro e segundo séculos, como foi profetizado, levantaram-se


por toda a parte falsos Cristos, falsos evangelhos e falsas epístolas. Mc 13.22; Lc
1.1; Gl 1.6-9. 2Ts 2.2-12; 1Jo 2.18. Todos eles foram de curta duração.

A integridade das Santas Escrituras tem provas dez vezes mais variadas,
copiosas, e conclusivas do que qualquer outro livro antigo, mesmo os mais
apreciados clássicos gregos e latinos. Se, portanto, os fatos relativos à origem, à
natureza e ao progresso do Cristianismo não são verídicos, nada então da história
do mundo merece fé.

Enquanto milhões de livros, hoje ignorados, que prometiam imortalidade a


seus autores, já caíram no esquecimento, a Bíblia tem sobrevivido mesmo através
de oposição tal como nenhum outro jamais conheceu.

As mais altas pretensões de sabedoria, de ciência e de filosofia; as artes


mais malévolas do engenho, da sátira e do impropério, têm sido empregadas
contra a Bíblia mas em vão.

Milhares de vezes tem ela sido condenada, banida e queimada. Ainda assim
ela vive e sobreviverá à dissolução de mundos. 1Pe 1.24, 25.

(B) EVIDÊNCIA INTERNA

Esta sorte de evidência se acha no conteúdo da própria Bíblia. Semelhante


evidência deve ser examinada com muita cautela. Porque, se o livro é realmente
de Deus, deve ele ser aceito qualquer que seja o seu conteúdo.

1. Considerai a harmonia entre suas diferentes partes. A Bíblia é mais uma


biblioteca do que um livro. Ela consta de muitos livros distintos, encadernados
juntos.

Foi escrita por pelo menos quarenta diferentes autores, homens de grande
variedade de talento, de gênio e instrução, em várias partes da terra, sem existir
entre eles prévio acordo, aliás em diferentes épocas, ocupando um espaço de
tempo de mil e quinhentos anos. E, não obstante, uma perfeita harmonia de
sentimento reina em todo ele. Quão diferentes dos outros escritos a esse respeito!

2. A simplicidade de todo o seu desígnio. A Bíblia tem um único e simples


objeto em vista do princípio ao fim: a história da redenção da espécie humana por
Jesus Cristo. Este fio de ouro reúne em um todos os livros.

Este objeto uniforme é tanto mais notável quando consideramos o número


de escritores e o espaço de tempo decorrido entre cada um deles.

Logo em um dos primeiros capítulos da Bíblia se prediz a vinda do Salvador.


Desde esse tempo a história sagrada aponta e segue a linha de sucessão que
conduz a Cristo. Gn 3.15; Lc 24.27, 44.

No tempo em que os israelitas jaziam em cativeiro no Egito, existiam muitas


outras nações, pelo menos em embrião, cuja história é muito mais importante,
salvo em um ponto, do que a dos judeus.
Havia os egípcios, os assírios e os persas. A história sagrada os deixa a
todos de lado e limita toda a sua atenção a um grupo de escravos egípcios, – e por
quê? Porque entre esses escravos há o ascendente do futuro Messias.

Os numerosos sacrifícios entre os judeus foram instituídos e


constantemente observados, com o mesmo simples desígnio: – familiarizar os
escritos dos homens com a idéia da necessidade de mais alguma coisa, além da
penitência, para expiar os pecados. Todos eles apontam para Cristo, o Cordeiro de
Deus. Jo 1.29.

A nação donde havia de vir o Salvador prometido é acompanhada em suas


várias dificuldades e aventuras, até se estabelecer definitivamente no país onde o
Messias devia aparecer, e aí é deixada.

Não pode haver prova mais convincente de que a Bíblia tem como fim único
a história de Cristo.

3. A Bíblia está em harmonia com a luz da natureza. Isto é um ponto


fundamental e deve ser bem observado.

Está incontestavelmente provado pelo bispo Butler, em sua “Analogia,” que


todas as objeções contra o Cristianismo podem ser levantadas, com igual força de
argumento, contra a constituição e o curso da natureza, a qual todos, excetuando
os ateus, admitem proceder de Deus.

A Bíblia não é a única fonte de instrução religiosa. A natureza e a


Providência têm voz neste assunto. Sl 19; Rm 1.20.

A luz da natureza, porém, comparada com a da revelação, é como a luz da


Lua ou de uma estrela comparada com a do Sol.

A Bíblia nunca eclipsa as luzes menores, senão por seu brilho superior. Em
lugar de vendar-nos os olhos às manifestações de Deus, reveladas na natureza, ela
nos faz ver mais claramente. Sl 19.1-8.

A natureza mostra que o Autor do nosso ser é o mais benevolente possível


no seu caráter.

A Bíblia corresponde – “Deus é amor.” 1Jo 4.8, 16.

Toda a natureza o representa como mui resoluto e eficiente no seu


governo: irando-se contra o pecado e julgando-o com terrível severidade. A Bíblia
corresponde – “Deus é um fogo consumidor,” é como um fogo devorador para os
ímpios. Hb 12.29; 10.27; 2Ts 2.8. Comparai: Dt 4.24; 9.3.

“O Senhor reina, regozije-se a terra” “O Senhor reina, tremam os povos.” Sl


97.1; 99.1.

Assim a Bíblia revela os mesmos princípios de governo moral que são


revelados pela natureza, somente de um modo mais claro.

E, em adição, ela descobre outras verdades, de muito mais valor para nós.
Ela nos ensina que Deus é santo, que o homem é imortal, que o pecado é um mal
infinito, que só pode ser perdoado pela fé em Jesus Cristo.

(C) EVIDÊNCIA EXPERIMENTAL

Esta espécie de evidência é de todas a mais convincente. Ela consiste no


seu poder moral sobre o coração humano. A Bíblia é conhecida por seus frutos.

Para dar uma demonstração: suponhamos que uma terrível praga se


levantasse na cidade do Rio de Janeiro e se espalhasse por toda a República,
levando consigo a consternação e a morte a milhares de famílias.

Depois que ela grassasse no país durante muitos meses, aparecesse uma
notícia de que na China se descobrira determinada planta, remédio eficaz contra
esta moléstia.

Nosso governo teria tomado a resolução de mandar um navio para fazer um


carregamento de tal planta, e nossos cidadãos estariam, por toda parte, ansiosos
pela chegada do navio. Chegando afinal, o artigo entra em plena circulação.

Ora, a pergunta é: Que nos interessaria mais? Seria um exame da prova de


que o navio realmente teria ido à China, ou que o seu carregamento consistiria do
idêntico artigo que se mandou buscar? Não estaríamos, antes, ansiosos por saber
se o remédio cura?

Suponhamos que um indivíduo, interessado na continuação da peste,


afirmasse não passar tudo isso senão de imposturas. – “Vejamos,” diria ele, “como
sabeis que este remédio é legítimo? Aquele navio nunca foi à China. Os oficiais e a
tripulação forjaram uma falsidade. Examinais os seus papéis e verificareis que tudo
não passa de ilusão.”

A massa do povo seria influenciada por tais objeções? Não. Sua resposta
seria: “Deixamos isso para os oficiais da Alfândega. Agora não temos tempo para
indagar dessa questão. O remédio tem curado a milhares. Está agora curando a
milhares mais. Sim, nós estávamos enfermos e ele nos curou. Nossos vizinhos e
amigos estão morrendo e não há outra coisa a experimentar.”

Assim, nós confiamos na prova que temos. Ela é direta. É suficiente. Nós
temos razão para acreditar que o remédio cura. Seria este o teor de sua resposta e
aqueles que desejam ser salvos do pecado deveriam fazer o mesmo.

Onde quer que abramos o sagrado volume, achamos alguma admoestação,


que, sendo seguida direito, nos fará bons cidadãos, bons vizinhos, bons amigos e
bons homens.

Em toda a parte onde ele tem sido aceito e obedecido, têm-se seguido
efeitos benéficos.

Todas as nações de todo o tempo através das quais ele nos tem sido
transmitido, têm sido abençoadas por ele.

Os lugares mais dotados no globo, em todos os sentidos – intelectual,


social, civil, moral e religioso – têm sido sempre aqueles onde a Bíblia foi mais
honrada e obedecida.

Onde quer que missionários cristãos tenham ido, as nações mais bárbaras
têm sido civilizadas e salvas.

Os antigos habitantes da Alemanha, da Hungria, da Dinamarca, da Suécia,


da Bretanha e da Irlanda, assim como os das Américas Setentrional e Meridional,
das Índias Orientais e Ocidentais, da Groelândia, da África Meridional e Ocidental,
etc., são todos dignos monumentos dos benéficos efeitos da Bíblia.

Outro efeito que as Escrituras produzem onde elas são devidamente


respeitadas, é a resignação e a paz diante da morte. Esta é uma hora honesta.

Enquanto os mais notáveis incrédulos muitas vezes renegam seus sistemas


de infidelidade, mostrando por aí a sua insinceridade, o crente cristão mais do que
nunca se apega ao livro que lhe revela a vida eterna.

Outra manifestação dos bons resultados da Bíblia é o tratamento que ela


recebe das mãos de homens imorais.

Onde é que a Bíblia é desprezada e sua autoridade rejeitada? É entre os


ignorantes e viciosos.

Onde é ela insultada e tratada com tanto desprezo, senão nas casas de
jogo, de bebidas e em outros lugares viciados?
Quais são os que falam com desdém das indecências da Bíblia senão
aqueles cuja imaginação e coração estão propensos a essas coisas?

Como, portanto, toda incredulidade tem antes uma causa moral no coração
depravado do que uma causa intelectual na não satisfação da razão humana, é de
mais proveito aplicar as pungentes verdades do Cristianismo aos corações dos
incrédulos do que discutir acerca de suas evidências. Sl 14.1; Jo 9.27.

Examinando o assunto e suas evidências, devemos, primeiro que tudo, fazer


a pergunta: “Estou eu disposto a sujeitar-me a tudo que o Cristianismo requer,
contanto que se possa provar que vem do céu?” Quem puder responder a isto na
afirmativa achará removidos todos os obstáculos à mais plena fé.

Nossa confiança nas verdades da religião revelada está quase em uma


proporção exata com a fidelidade com que cumpramos com o nosso dever. Jo
7.17.

Se deixarmos de lado o cumprimento dos nossos deveres,


experimentaremos trevas e dúvidas. Voltando ao nosso dever, logo nos vem luz
para o entendimento e paz para o coração.

Finalmente, não há em todo o mundo a menor partícula de evidência contra


serem as Escrituras de inspiração divina.

“What none can prove a forgery may be true. What none but bad men wish
exploded must.”

“O que ninguém pode provar ser falso pode ser verdadeiro; o que somente
os homens maus desejam ver acabado com certeza o é.”

(D) EVIDÊNCIAS COLATERAIS

1. A influência da Bíblia na formação dos caracteres mais nobres nos anais


da história.

Exemplos: “Tenho lido a Bíblia de manhã, ao meio dia e à noite, e desde


então me sinto um homem mais feliz e melhor por causa desta leitura.” – Edmund
Burk.

“A Bíblia é o melhor livro do mundo: Ela contém mais de minha parca


filosofia do que todas as bibliotecas que tenho visto.” – John Adams, segundo
presidente dos Estados Unidos, a Thomas Jeferson, terceiro presidente.
“Não há livro como a Bíblia para excelente instrução, sabedoria e uso.” – Sir
Matthew Hale, juiz-supremo da Inglaterra.

“Lede a Bíblia, lede a Bíblia.” – Últimas palavras de William Wilberforce, no


seu leito de morte.

“A Bíblia é adaptada às necessidades e enfermidades de todo o ser humano.


Nenhum outro livro jamais se dirigiu com tanta autoridade e de modo tão patético
ao juízo e senso moral do gênero humano.” – Chanceler James Kent.

“Uma corrente onde tanto o elefante pode nadar como o cordeiro vadear.”
– Gregório, o Grande.

“Grato eu aceito e me regozijo na luz da revelação, que me tem dado


descanso em muitas coisas, de que maneira minha pobre razão de nenhum modo
me pode descobrir.” – John Locke, filósofo.

“Na verdade, a Bíblia é entre os livros o que o diamante é entre as pedras –


o mais precioso e o mais brilhante; o mais apto para refletir a luz, e todavia o mais
sólido e o melhor para fazer impressões.” – Robert Boyle, filósofo cristão.

“O estudante mais sabido, mais perspicaz e mais aplicado não pode, na vida
mais comprida, chegar a um conhecimento perfeito deste único volume. Quanto
mais profundamente ele trabalhar nesta mina, mais rico e mais abundante ele
acha o metal. Não há senão um livro – a Bíblia.” – Sir Walter Scott.

“Tenho lido com regularidade e atenção as Santas Escrituras e sou de


opinião que este volume, independentemente de sua origem divina, contém mais
verdadeira sublimidade, mais rara beleza, mais pura moralidade, mais importante
história e mais belos trechos tanto de poesia como de eloquência, do que se
poderia compilar de todos os outros livros.” – Sir William Jones, grande
orientalista.

“O livro mais maravilhoso que existe é, fora de toda a dúvida, a Bíblia.” –


Professor O. M. Mitchell. LL. D., astrônomo, general e patriota.

“Dizei ao príncipe que este (um exemplar de valor da Bíblia) é o segredo da


grandeza da Inglaterra.” – Mensagem da Rainha Vitória a um príncipe africano que
mandara uma embaixada para aprender o segredo do poder britânico.

2. A homenagem prestada por pessoas eminentes à Bíblia.


“É a Bíblia, a própria Bíblia, que combate e vence mais eficazmente na
guerra contra a incredulidade e a crendice.” – Mr. F. P. G. Guizot, estadista e
historiador.

“Eu chamo a isto, independente de todas as teorias a seu respeito, uma das
coisas mais grandiosas jamais escritas com a pena. Um livro nobre! O livro de
todos os homens!” – Thomas Carlyle, sobre o livro de Jó.

“Sobre tudo, a luz pura e benigna da Revelação têm exercido uma influência
salutar sobre a humanidade e aumentado as bênçãos da sociedade.” – Jorge
Washington.

“Eu não creio que a sociedade humana, incluindo não um pequeno número
de pessoas em alguma localidade, mas grandes massas de homens, tenha
atingido, ou venha jamais a atingir, um elevado estado de inteligência, virtude,
segurança, liberdade ou felicidade, sem as Santas Escrituras.” – William H.
Seward.

“Eu tenho lido todo ele muitas vezes. Agora meu costume é lê-lo todo uma
vez em cada ano. Ele é o livro dos livros tanto para os advogados como para os
teólogos. Eu tenho pena do homem que não pode achar nele uma fonte rica de
pensamentos e regras de conduta.” – Daniel Webster.

“Eu descubro na Bíblia marcas de autenticidade mais certas do que em


qualquer história profana.” – Sir Isaac Newton, filósofo e astrônomo.

“Eu sei que a Bíblia é inspirada, porque ela me sonda mais profundamente
do que qualquer outro livro.” – S. T. Coleridge.

“Tuas criaturas têm sido meus livros, mas tuas Escrituras, muito mais.” –
Lord Bacon.

“Cristo provou que ele era o Filho do Eterno pelo seu menosprezo ao
tempo. Todas as suas doutrinas significam uma única e a mesma cousa: a
eternidade.” – Napoleão Bonaparte.

3. As admissões dos céticos a respeito da Bíblia:

“Eu vos confesso que a grandeza das Escrituras me enche de admiração,


assim como a pureza do Evangelho tem sua influência no meu coração.” – Jean
Jacques Rousseau.
“Tenho sempre dito e sempre direi, que o estudo cuidadoso do sagrado
volume fará melhores cidadãos, melhores pais, e melhores maridos.” – Thomas
Jefferson.

“Eu desafio a todos quantos aqui se encontram, a preparar uma história tão
simples e tão tocante como a história da paixão e morte de Jesus Cristo, cuja
influência seja a mesma depois de tantos séculos.” – Denis Diderot, ateu francês.

“Encarada sob qualquer ponto de vista, a Bíblia é um fenômeno


surpreendente. Os homens têm nela suas esperanças mais caras. Ela lhes fala de
Deus e do seu bendito Filho, dos deveres seculares e do descanso celestial.” –
Theodore Parker, panteísta.

4. A notável divulgação do Cristianismo, contra a oposição de todo o


mundo, por intermédio de alguns poucos discípulos sem instrução, sem posição,
sem a influência de riqueza e sem o auxílio dos poderes civis.

5. A atual relação fundamental do Cristianismo com as artes, ciências,


liberdades, leis e progresso, especialmente o fato de que as nações mais cristãs
são as mais adiantadas em inteligência e poder, demonstra que o sistema é
apropriado para assegurar a maior felicidade do homem neste mundo.
SEGUNDA PARTE

DOUTRINAS DO CRISTIANISMO

I. A EXISTÊNCIA DE DEUS

Tendo já estabelecido a autoridade divina das Escrituras, examinaremos


agora as doutrinas nelas contidas.

A doutrina que a primeira frase da Bíblia revela é, a que HÁ UM DEUS, O


CRIADOR de todas as cousas. Gn 1.1.

A crença nessa doutrina é o PRINCÍPIO primeiro e FUNDAMENTAL de toda a


religião verdadeira, e portanto exige a nossa primeira consideração. Hb 11.6.

Os escritores inspirados ACEITAM ESTA DOUTRINA como verdade


conhecida e admitida. Por isso eles não se ocupam em dar nenhuma prova formal
dela.

A existência de Deus se prova pela NOSSA PRÓPRIA EXISTÊNCIA, e pela


existência do que se vê ao redor de nós, assim como pelo que as Escrituras
declaram.

Todas as cousas que se vêem COMEÇARAM A EXISTIR. Ora, ou elas se


criaram a si próprias, ou tiveram existência por mero acaso, ou foram criadas por
outro ente.

SER CRIADA POR SI é uma contradição, pois pressupõe que um ente pode
agir antes de existir, ou que um efeito é a sua própria causa. Daí o escrever
matéria com M maiúsculo e chamá-la Deus não remove nenhuma dificuldade, e
cria muitas.

CRIAÇÃO POR ACASO é um absurdo; porque dizer que uma cousa é


produzida, e que não há causa de sua produção, é dizer que alguma cousa se
efetua quando não é efetuada por nada; isto é, nunca se efetua.

Todas as cousas que aparecem foram então necessariamente criadas por


outro Ente – ESTE ENTE É DEUS. Gn 1.1; At 14.15; 17.24; Hb 3.4; 11.3.

O PLANO, também, que se descobre na constituição, na harmonia, e no


governo do universo visível prova a existência de Deus.

As provas deste plano são óbvias demais para serem negadas. Plano implica
haver um planejador; e este planejador tem de existir antes da cousa planejada.
Este PLANEJADOR É DEUS. Se a teoria moderna da EVOLUÇÃO dos homens e dos
animais de algum germe fosse verdadeira, deve ter havido um criador deste
germe. Evolução implica num Evolucionador. ESTE É DEUS.

Donde as OBRAS DA CRIAÇÃO provam a existência de Deus. Sl 19.1; 95.3-


5; 100.3; Is 11.12; Zc 12.1; At 17.24; Rm 1.20.

A existência de VIDA sobre a terra prova um Criador inteligente. A geologia


nos leva ao remoto período em que a terra, apenas então esfriada do seu estado
de massa em fusão, não tinha nenhum sinal de vida. Nenhum traço de vida se
pode achar nas rochas mais antigas ou rochas ígneas. Mas, nas rochas de
formação d’água que lhes ficam logo próximas, descobrem-se os primeiros
vestígios de vida orgânica. O abismo entre a matéria morta e a vida orgânica é
infinitamente profundo. Ele pode ser atravessado, não por alguma lei natural, mas
somente pela intervenção de um ato de poder onipotente em criação. Nas épocas
geológicas há muitos destes pontos em que raças antigas são destruídas e outras
novas introduzidas, tão diferentes das primeiras que de modo algum podiam ter-se
originado delas, e portanto devem ter sido criações diretas.

Esta doutrina tem mais como prova de sua verdade os chamados


ACONTECIMENTOS DA PROVIDÊNCIA. Êx 5.1; 7.12; 8.16, 22; 14.3, 29; 18.10;
20.18, 22; 29.46; Dt 4.32-39; Sl 9.16.

O termo DEUS acha-se radicalmente no Sânscrito, e nos vem do grego e do


latim, assim: DEUS (Port.); DEUS (Latino); THEÓS (Grego); DYU ou DYAUS
(Sânscrito); e no Sânscrito, diz Max Muller, significa O CÉU, O ESPAÇO LUMINOSO,
O SOL. Quando o termo chega ao Português, nos vem já impregnado do sentido O
ENTE SUPREMO, o DISPONIDOR, O JUIZ (Editor); e é aplicável, em sentido
subordinado, a outros entes. Dt 10.17; Sl 97.7 (Almeida); Is 41.23; Jo 10.35; 1Co
8.5.

Este nome, entretanto, é dado por excelência ao autor de nossa existência,


e só a ele é devido este nome. Dt 6.4; 1Co 8.4-6. Seu nome mais apropriado é
JEOVÁ, que não é um nome acidental, sem significação, e sim um nome adotado
por Deus mesmo, e dado a Israel para exprimir o mistério de seu ser. No Antigo
Testamento ele está em geral traduzido SENHOR, de modo que o nome memorial
não é reparado pelo leitor. Êx 3.14, 15; Sl 83.18; Is 26.4. Ele denota existência
eterna. Os hebreus tinham por ele tanta reverência que não o pronunciavam. Ap
1.8; 4.8; 11.17.
Aqueles que crêem em um Deus pessoal, Autor da revelação, distinto do
mundo natural, sobre o qual ele preside, são chamados TEÍSTAS.1

Os crentes em um Deus pessoal, que não têm falado ao homem por uma
revelação sobrenatural, são chamados DEÍSTAS. Aqueles que negam uma
personalidade distinta em Deus e o identificam com o universo são os
PANTEÍSTAS. Alguns destes crêem que a matéria é a única cousa que existe: são
os PANTEÍSTAS MATERIALISTAS. Outros negam a existência da matéria, e
resolvem tudo em idéias. Estes são os PANTEÍSTAS IDEALISTAS. Para o Panteísta,
a personalidade humana e sua responsabilidade moral são ilusões. Se o homem
não é mais que uma parte de Deus ele não pode pecar. Aqueles que negam a
existência de Deus são os ATEUS. Todos que não são teístas rejeitam a Bíblia
como a vontade revelada de Deus. O deísmo, panteísmo e ateísmo são cada um
deles uma credulidade da maior espécie, disfarçada como for nas vestes da
filosofia, igualmente degradante ao entendimento e ao coração. Sl 14.1; 10.4;
82.5; Jó 21.14, 15.

II. ATRIBUTOS DE DEUS

Os atributos de Deus são as diversas qualidades ou perfeições da natureza


divina; ou, em outras palavras, as diferentes partes do seu caráter. Estas são
chamadas atributos porque Deus as atribui a si, e perfeições porque eles são as
diferentes representações daquela uma perfeição, que é ele próprio.

Estes atributos se dividem em duas classes, os NATURAIS e os MORAIS.

Os atributos NATURAIS são aquelas qualidades que não incluem


imediatamente a noção de ação moral, sendo independentes da vontade.

Os atributos MORAIS são os que dão merecimento a todas as suas


perfeições, fazendo-o infinitamente glorioso. Eles implicam no exercício de uma
vontade. Assim como um homem não exerce a sua vontade para ter seis pés de
alto mais sim exerce-a para ser honesto, assim Deus não exerce a sua vontade
para ser eterno, e sim para ser justo. Se isto não é assim, Deus tem só atributos
naturais e falta-lhe o caráter moral.

1. ATRIBUTOS NATURAIS

Quanto à natureza ou substância de Deus, o testemunho da Escritura é


muito explícito. Jo 4.24; 2Co 3.17.

1
As palavras “teísmo” e “deísmo” são radicalmente idênticas, mas o uso tem admitido uma
distinção prática. Teísmo, propriamente, é a fé da razão precedendo a revelação; enquanto que
Deísmo é a fé na razão, contestando a revelação.
1. Sua UNIDADE está em primeiro lugar entre os seus atributos naturais.
Deus é um. Dt 4.35; 6.4; 32.39; 2Sa 7.22; 2Re 19.15; Is 44.6, 8; 45.5; Jo 17.3;
1Co 8.4, 6; Ef 4.6; 1Tm 1.17; Tg 2.19.

O Dualismo é a crença em duas deidades antagônicas e eternas, uma boa e


outra má. Seu culto acarreta a confusão de todas as distinções morais.

O Politeísmo, ou uma pluralidade de deuses, é um erro perigosíssimo,


porque envolve o culto de concepções da imaginação, sanguinolentas e impuras,
que por uma lei da nossa natureza assimila o adorador à cousa adorada.

2. A Eternidade, existência passada e futura sem fim. Dt 33.27; Sl 90.2;


93.2; 102.24, 27; Is 44.6; 57.15; Hb 1.12; 1Tm 1.17; Ap 1.4, 8.

3. Onipresença, existência em toda a parte, não por uma extensão de suas


partes, mas pela essência do seu ser. 1Re 8.27; Sl 139.7-10; Jr 23.23, 24; Ef 1.23.
“Dize-me onde está Deus,” disse um ateu a uma criança. “Eu digo,” respondeu a
criança, “se me disserdes onde ele não está.”

4. Onisciência, ou o conhecimento de todas as cousas e todos os


acontecimentos. 2Cr 16.9; Jó 34.21, 22; 37.16; Sl 139.1-6; 147.5; Pv 15.3, 11;
24.11, 12; Is 40.28; 42.9; Ez 11.5; Dn 2.22; Jo 21.17; At 1.24; 15.18; Hb 4.13;
1Jo 3.20. Este atributo abarca o que se tem chamado a presciência ou
conhecimento prévio de Deus. Estes termos, todavia, aplicados a Deus, são
impróprios. Eles se aplicam só a inteligências finitas. Para Jeová nada,
rigorosamente falando, é futuro ou passado, mas o que ele sabe sabe como a
cousa é e não como há de ser. Duração, passado e futuro, é uma armação dentro
da qual se limita todo o pensamento humano. Não existe uma semelhante
limitação para a inteligência de Deus. Não há com ele sucessão de pensamentos,
nem processos lógicos. Ele vê todas as verdades intuitivamente. Hb 4.13.

O simples fato de Deus ter ciência das cousas não influi em nada, nem de
modo algum muda a natureza das cousas, pela simples razão de que é CIÊNCIA, e
NÃO INFLUÊNCIA, NEM CAUSA.

Algumas ações são necessárias, como o respirar e o dormir, outras são


livres, e como tais são conhecidas por Deus. Se qualquer causa fosse diversa do
que é, o seu conhecimento dela seria diverso. A ciência origina-se do ato e não o
ato da ciência, assim como a impressão do selo, e não o selo da impressão. Como
Deus conhece as decisões futuras de um agente livre nos é um mistério, como o
são todas as percepções do espírito infinito. Jó 5.9; 26.14; Is 55.8, 9; Sl 139.6; Rm
11.33, 34.
5. Onipotência, ou poder de fazer qualquer cousa que de natureza não é
absurdo nem repugnante à sua natureza. Gn 17.1; Jó 9.12; Is 26.4; 43.13; Jr
27.5; 32.17; Dn 4.35; Mt 19.26; Ap 1.8; 19.6.

Este atributo é representado em uma variedade de formas, para o duplo fim


de infundir temor e reprimir aos ímpios, e proporcionar forças e consolação aos
justos. Sl 1.21, 22; Rm 4.20, 21; 8.31.

6. Imutabilidade. Este atributo é indicado no seu augusto e majestoso


títulos. “Eu sou.” Êx 3.14; Jo 8.58. Comparai Nm 23.19; 1Sm 15.29; Jó 23.13; Sl
102.27; Is 26.4 (no hebraico lê-se ROCHA DAS IDADES); Ml 3.6; Tg 1.17.

Infere-se também a sua imutabilidade da ordem geral da natureza: a


revolução dos corpos celestes, a sucessão das estações, as leis da produção
animal e vegetal, e a perpetuação de toda espécie de ser. Não se deve interpretar
este atributo como significado que suas OPERAÇÕES não admitem nenhuma
mudança ou contrariedade sob quaisquer circunstâncias. Êx 32.14; Ez 18.20-30.

Ele cria e ele destrói, ele ama e ele aborrece, etc. Isto é prova, não de
mudança em Deus mas de PRINCÍPIOS imutáveis.

Sua imutabilidade o qualifica para Supremo Governador de tudo, porque as


cousas nos reinos da natureza e da graça são governadas por LEIS FIXAS. Se
fosse doutro modo não haveria segurança em nada, nem nenhum curso uniforme
da natureza.

Este atributo de Deus é a grande fonte de terror para os impenitentes, e de


animação para os que são de coração contrito. Sl 1.21, 22; Rm 2.2-11; 4.20, 21;
1Ts 5.24.

7. Invisibilidade. Êx 33.2-23; Jo 1.18; Cl 1.15; 1Tm 6.16; Hb 11.27.

8. Incompreensibilidade. Não se pode compreendê-lo com uma inteligência


finita. Jó 11.7, 8; 26.14; 36.26; 37.23; Sl 145.3; Rm 11.33.

2. ATRIBUTOS MORAIS

1. A Sabedoria de Deus. Entre os seus atributos morais este ocupa o


primeiro lugar. Ele é em parte natural e em parte moral, visto que é um conjunto
de ciência e benevolência.

Esta perfeição se prova pelas obras da criação, providência, redenção, e de


declarações expressas das Escrituras. Êx 34.6; Sl 104.24; Pv 3.19; 8.14; Jr 10.12;
Dn 2.20; Rm 11.33; 1Co 3.19; Cl 2.3; Jd 25; Ap 5.12.
2. Bondade, ou benevolência, é a disposição de Deus para conferir a maior
felicidade. Prova-se da mesma maneira que a sabedoria. Êx 34.5; Sl 33.5; 52.1;
107.8; 119.68; 145.7, 9; Mt 19.17; Tg 1.17.

3. Santidade, ou sua perfeita pureza absoluta e retidão de natureza. A


prova disto acha-se no seu tratamento uniforme a todo ser moral, e também na
sua Palavra. Êx 15.11; Lv 11.44; Js 24.19; Sl 22.3; 111.9; 145.17; Is 6.3; 1Pe
1.15, 16; Ap 15.4.

4. Justiça, a expressão da santidade pelas ações, ou a sua disposição para


dar a cada um o que este mereça. Prova-se isto pelo que se vê no mundo moral, e
pela Bíblia. Êx 34.6; Dt 32.4; Ne 9.13; Jó 8.3; Sl 89.14; Is 45.21; Ap 15.3.

5. Misericórdia denota a sua disposição para compadecer-se do miserável, e


especialmente para perdoar àqueles que o tenham ofendido. Desde que depende
da existência do pecado, não é este um atributo essencial, mas uma corrente que
emana da bondade. Prova-se pelo dom de seu Filho, pelo provimento dos meios
de graça, e pelas Escrituras. Êx 34.6, 7; Nm 14.18; Dt 4.31; Sl 62.12; 86.15;
100.5; 103.8; 116.5; 138.8; Lm 3.22; Jn 4.2; Mq 7.18; Rm 8.32; 2Co 1.3; Ef 2.4.

6. Verdade, ou perfeita veracidade. Sua fidelidade em cumprir as suas


predições, em cumprir as suas promessas, em executar as suas ameaças, é a
evidência desta perfeição. Ela é também declarada em sua Palavra. Êx 34.6; Nm
23.19; Dt 32.4; Sl 100.5; 146.6; Is 25.1; 2Tm 2.13; Tt 1.2; Ap 15.3.

III. A TRINDADE

Pela Trindade, entende-se a união de três pessoas em uma só; Deus: o Pai,
o Filho e o Espírito Santo. Mt 3.16, 17; 28.19; Jo 14.16, 17, 26; 15.26; 2Co 13.14;
Ef 2.18; Hb 9.14; 1Pe 1.2.

Quase todas as nações pagãs da antiguidade reconheciam uma trindade, o


que constitui pequena evidência da verdade desta doutrina.

Quase todo o mundo cristão está acorde neste ponto, não importa quanto
difira em outros – os Episcopais, os Presbiterianos, os Metodistas, os Batistas, os
Luteranos, os Independentes, os Congregacionalistas, os Valdenses, e muitas
outras denominações menores, juntas com as Igrejas extensivas, Grega e
Romana.

A principal, senão a única, objeção levantada contra esta doutrina é que ela
é absurda e contraditória. Mas, não é tal, nem mais que a doutrina que ensina a
sua existência eterna.
Ela é, na verdade, um mistério, e necessariamente assim permanecerá para
nós. A sua incompreensibilidade, contudo, apenas prova que nós somos entes
finitos, e Deus não.

A doutrina não envolve nenhum absurdo nem contradição; porque,


independente das Escrituras, ela tem a razão e a analogia do seu lado.

Tome-se, por exemplo, o Sol no firmamento, e achar-se-á que ele é três em


um. Há o orbe, a luz e o calor. A cada uma destas partes chamamos Sol.

Quando se diz que o Sol tem quase novecentas mil milhas de diâmetro,
fala-se do orbe; quando se diz que o Sol está brilhando, fala-se da luz; quando se
diz que o Sol está quente, fala-se do calor.

O orbe é Sol, a luz é Sol e o calor é Sol; estas partes são cousas diversas, e,
entretanto, há só um Sol.

Por outro lado, examinemos o homem, e acharemos mais um exemplo


desta mesma verdade. Todo homem vivente é exemplo de uma trindade e unidade
em sua própria pessoa. Ele tem uma alma, um espírito racional, e o corpo, e
chamamos a cada um pelo mesmo nome, homem.

Quando dizemos: “O homem é imortal,” falamos da sua alma; quando


dizemos: “O homem é douto,” falamos do seu espírito; quando dizemos: “O
homem está doente ou morto,” falamos do seu corpo. A cada uma destas partes
chamamos “homem.” Elas são todas diferentes uma das outras, e contudo não há
três homens, mas um só.

No próprio espírito discerne-se uma espécie de trindade. Há o juízo, a


memória e a imaginação; três faculdades, cada uma das quais chamamos espírito.
O rol de cada uma é distinto; a imaginação inventa idéias, a memória as retém e o
juízo compara e decide. Ora, cada parte é chamada espírito, e não há três
espíritos, mas um só.

Outra prova da trindade se acha numa notável particularidade da língua


hebraica, a qual não tem paralelo em qualquer outra língua.

De imediato, a primeira e mais comum denominação da divindade nas


Escrituras originais é Eloim. Que esta palavra é plural não resta dúvida, não só
pela sua formação, como também porque aparece unida a outras palavras no
plural.
O primeiro exemplo ocorre logo no primeiro período da Bíblia, e pelo menos
em dois mil e quinhentos outros lugares.

Esta particularidade de idioma supõe-se ter originado de um desígnio de


imitar a pluralidade na natureza da Divindade, e assim excitar e preparar os
espíritos dos homens para a plena declaração deste mistério que Deus tencionava
fazer.

Não há outra razão a dar desta particularidade; e, enquanto ela por si só


não é prova suficiente, como a doutrina aparece em outras partes, ela constitui
pelo menos um importante auxílio.

Posto que a mais forte tentação dos patriarcas e dos hebreus era abraçar o
politeísmo predominante, ainda assim Deus se lhes revelou por um nome plural,
quando o nome singular JEOVÁ era mais adaptado ao monoteísmo. Donde
concluímos que o nome plural foi escolhido para prognosticar a futura revelação da
Trindade, da qual Jeová é uma das pessoas. Deveria haver por força alguma razão
importante para tanto arriscar a fé na Unidade de Deus.

A forma da bênção sacerdotal (Nm 6.24-26) é tríplice, como a bênção


apostólica. 2Co 13.14.

As três pessoas em um só Deus, posto que distintas, não são separadas.


Dá-se o mesmo com o corpo e a alma do homem enquanto ele vive neste mundo,
e assim também é com as faculdades do espírito.

Como no Sol material, a luz e o calor procedem do orbe, e contudo os três


têm a mesma duração, assim na Divindade, o Filho e o Espírito procedem do Pai e
todos os três têm a mesma duração.

Os mesmos ATRIBUTOS e ATOS, nas Escrituras, são dados a cada uma das
três pessoas sem distinção. ETERNIDADE. Dt 33.27; Hb 1.8; 9.14. ONIPRESENÇA.
Jr 23.24; Sl 139.7; Mt 18.20. ONISCIÊNCIA. At 15.18; Jo 21.17; 1Co 2.10.
ONIPOTÊNCIA. Gn 17.1; Mt 28.18; Ap 11.11. SABEDORIA. Dn 2.20; Cl 2.3; Ef
1.17. INSPIRAÇÃO. 2Tm 3.16; 1Pe 1.11; 2Pe 1.21. SANTIFICAÇÃO. 1Ts 5.23; Hb
13.12; 1Pe 1.2. O ato da CRIAÇÃO. Gn 1.27; Jó 33.4; Jo 1.3. DOADOR DA VIDA.
At 17.25; 2Co 3.6; Cl 3.4.

Em uma palavra, TODAS as operações divinas são atribuídas à mesma


adorável Trindade (Ver 1Co 12.6; Cl 3.11).

A palavra “trindade” não se acha nas Escrituras nem mais que as palavras
“onipresença,” “ubiquidade,” etc. As doutrinas expressas por esses termos não
são, entretanto, menos escriturísticas por isso.
Na teologia, os cinco livros de Moisés são chamados o Pentateuco, e os dez
mandamentos o Decálogo. Estes livros e leis não são menos reais pelo fato de não
serem da Escritura os termos pelos quais são conhecidos.

Os discípulos foram primeiro chamados cristãos em Antioquia, A. D. 42 ou


43. Mas de certo eles eram tão verdadeiros cristãos muito antes de lhes ser dado
este nome, quanto o foram depois.

Os principais erros com relação à Trindade são:

1. O Sabelianismo, ou doutrina dos Quakers modernos, que afirma haver só


uma Pessoa, manifestando-se em três influências, operações ou ofícios. Esta
doutrina conserva a divindade do Filho e do Espírito Santo, sacrificando a sua
personalidade.

2. O Swedenborgionismo, que afirma haver três essências em uma só


Pessoa – Jesus Cristo. Isto sustenta a divindade suprema do Filho, sacrificando a
personalidade do Pai e do Espírito.

3. O Arianismo, que nega a Trindade, fazendo o Filho e o Espírito criaturas


exaltadas de Deus. Sua personalidade é conservada, com sacrifício de sua
divindade.

O moderno Unitarianismo, ou assim chamado Cristianismo Liberal, considera


o Espírito Santo como uma influência, e Jesus Cristo como um simples homem,
filho de José, de grande excelência moral, que é possível igualarmos e até mesmo
excedermos.

IV. JESUS CRISTO

Posto que as Escrituras que tratam do caráter de Jesus Cristo não tenham a
forma de um sistema regular, quando colecionadas, elas nos apresentam três
classes particulares, cada uma das quais sustenta a sua proposição
correspondente.

I. A primeira classe sustenta a seguinte proposição, a saber, Jesus Cristo é


real e verdadeiramente homem.

Eis aqui algumas das passagens desta classe: “O Filho do homem,” oitenta
vezes; “feito carne,” Jo 1.14; “nascido de mulher,” Gl 4.4; “semelhante aos
homens,” Fl 2.7, 8; “criança nasceu” (Almeida), Is 9.6; 7.14; Mt 1.18-25; “crescia,”
Lc 2.52; “varão de dores,” Is 53.3; Mt 26.38; “teve fome,” Mt 4.2; “fatigado,” Jo
4.6; “tentado,” Mt 4.2; “suor,” Lc 22.44; “chorou,” Jo 11.35; “ninguém sabe,” Mc
13.32; “indignado e condoído,” Mc 3.5; “morto,” Jo 19.33; “enterraram,” Jo 19.42.

Finalmente, todas as passagens falam de seus sofrimentos e morte, ou


indicam de qualquer modo a sua inferioridade, são todas elas provas de sua
verdadeira humanidade.

Elas não provam que ele fosse meramente homem, como alguns têm
suposto, nem que ele fosse um anjo ou arcanjo, como querem outros; mas elas
provam que ele foi realmente homem, possuidor como os demais homens, de um
corpo e alma humanos.

II. A segunda classe sustenta a seguinte proposição, a saber, Jesus Cristo é


o próprio Deus sem princípio. As seguintes são algumas destas passagens:

1. As que falam dele como Deus. Jo 1.1; 20.28; At 20.28; Rm 9.5; Cl 1.9; Fl
2.6; 1Tm 3.16; Tt 2.10; Hb 1.8; 1Jo 5.20.

2. As que falam dos seus ATRIBUTOS.

Sua eternidade: Is 9.6; Mq 5.2; Jo 1.1; 8.58; Cl 1.17; Hb 7.3; 13.8; Ap 1.8.

Títulos divinos: “Alfa e Ômega”: Ap 1.8; 21.6; 22.13; “Emanuel”: Mt 1.23;


“Primeiro e o Último”: Ap 1.17; “Pai Eterno”: Is 9.6; “Deus Poderoso”: Is 9.6;
“Condutor”: Mt 2.6; “O Santo”: Lc 4.34; At 3.14; “O Justo”: At 7.52; “Rei eterno”:
Lc 1.33; “Rei dos reis e Senhor dos senhores”: 1Tm 6.15; “Deus da Glória”: 1Co
2.8; “Autor da vida”: At 3.15; “Salvador”: Lc 2.11; “Filho do Altíssimo”: Lc 1.32;
“Filho de Deus”: Mt 16.16; e muitas outras passagens.

Onipresença: Mt 18.20; Jo 3.13.

Onisciência: Mt 9.4; Mc 2.8; Jo 2.24; 6.64; 16.30; 21.17; At 1.24.

Onipotência: Is 9.6; Mt 28.18; Jo 3.31; 10.18; Rm 9.5; Ef 1.21; Cl 1.16-18;


2.10; Hb 1.3; Ap 1.8.

Sabedoria: Cl 2.3.

Santidade: Mc 1.24.

Justiça: At 22.14.

Verdade: Jo 14.6.
Bondade: At 10.38.

3. As que falam de seus atos.

Criação: Jo 1.3, 10; Cl 1.16; 1Co 8.6; Hb 1.2.

Inspiração: 1Pe 1.11; Jo 14.26; 18.37.

Salvação: Comparai Is 45.21, 22; 1Tm 4.10; At 4.12; Hb 5.9; 7.25.

Ressurreição: Jo 5.21, 28, 29; 6.40; 11.25.

Juízo: Mt 24.30; 25.31; At 17.31; Rm 14.10; 2Co 5.10; 2Tm 4.1.

4. As que falam de suas honras.

Adoração: Comparai Mt 2.11; 14.33; Lc 24.52; Hb 1.6; Jo 5.23; Ap 5.12, 13.


A palavra adoração em geral significa homenagem suprema; como tal é aplicada
quinze vezes no Novo Testamento a Jesus Cristo, e em nenhum caso há
exprobação, como quando a adoração é oferecida a uma criatura. At 14.13-18; Ap
19.10. Desde que noventa e nove centésimos de todos os cristãos, de todas as
idades, têm prestado adoração divina a Cristo, segue-se que ou a ele é devida a
adoração, ou ele tem, como educador religioso, falhado tanto na sua missão de
maneira a conduzir a quase totalidade de seus discípulos à idolatria de adoração à
criatura. O embaixador de Deus a uma raça pecaminosa perverteu de modo tal o
seu ofício a ponto de assegurar aliança a si, e não à Autoridade Suprema por
quem ele foi comissionado. Em outras palavras, se Jesus não é digno de honras
divinas, ele tem, então, com sucesso, rivalizado com Deus em chamar a si o amor
e a homenagem da humanidade. Tal conclusão destrói a sua integridade moral.

III. A terceira classe de escrituras sustenta a seguinte proposição, a saber:


uma divindade em essência e uma humanidade real acham-se combinadas na
pessoa de Jesus Cristo.

1. O próprio nome Jesus Cristo é prova suficiente. Sendo JESUS, Salvador, a


apelação humana, e CRISTO, o Ungido, seu título oficial. “Emanuel”: Mt 1.23.
Comparai também 1Tm 3.16; Jo 1.14.

2. Outra vez: “De quem descende também Cristo segundo a carne” (aqui
está a sua humanidade), que é Deus sobre todas as cousas bendito por todos os
séculos” (aqui está a sua divindade). Rm 9.5.
Uma distinção semelhante acha-se em Rm 1.3, 4: “Segundo a carne”
(humanidade), “segundo o Espírito de santificação,” ou o espírito cujo atributo é a
santidade (divindade).

3. Como Deus, ele é a raiz, fonte ou origem da família e do reino de Davi.


Como homem, ele descendeu dos lombos de Davi. Ap 22.16.

4. Como homem, ele chora à sepultura de Lázaro. Como Deus, ele o levanta
dos mortos. Jo 11.35, 43, 44.

5. Como homem, ele sofre e morre. Mc 14.34, 35; 15.34, 37. Mas como
Deus, ele levanta o seu próprio corpo da sepultura. Jo 10.18.

Não há mais razão para negar a divindade de Cristo, pelo fato de que há
tantos textos que falam de sua humanidade, do que negar a sua humanidade
porque há tantos textos que falam de sua divindade.

Como essas duas naturezas estão unidas nele, ele tem necessariamente
dois modos de falar de si. E isto tem alguma analogia conosco. Por exemplo,
quando dizemos: “Estou doente,” falamos do nosso corpo; quando dizemos:
“Estou contente,” falamos de nossa alma, etc.

Como pensaríeis se alguém tomasse metade de vossas palavras, não


fazendo caso do resto, e assim procurasse provar que não éreis tanto mortal como
imortal? É justamente neste erro que caem os homens a respeito de Jesus Cristo.

Jesus abertamente apropria a si a divindade suprema quando diz a Filipe,


“Aquele que tem visto ao Pai.” Jo 14.9. Isto é, visto ao Pai tanto quanto ele pode
ser visto por mortais. Jesus era a personificação humana de Deus invisível. Assim
como a alma, que é invisível, é revelada pelo que ela faz por meio do corpo, assim
o Pai é visto somente no Filho. Jo 1.18. Jesus acidentalmente arroga a si posição
igual à do Pai, fazendo uso dos pronomes NÓS e NOS, o que seria cúmulo da
presenção a uma criatura fazer. Jo 14.23; 17.21, 22.

As escrituras citadas contra esta doutrina são Jo 14.28, “Meu Pai é maior do
que eu sou.”

No seu ofício de Mediador, sendo mandado, ele era inferior ao Pai, que o
mandou. Jesus não se refere à sua natureza mas ao seu ofício. Jesus por estas
mesmas palavras dá a entender, de algum modo, uma igualdade divina, porque
que homem iria dizer, “Deus é maior do que eu”!

Outra citação é Mc 10.18. Aqui o Unitário cai neste dilema – ou, “Não há
nenhum bom senão Deus: Cristo é bom; logo ele É DEUS;” ou, “Não há nenhum
bom senão Deus: Cristo não é Deus; logo, ele NÃO É BOM.” Em vista das muitas
passagens em que Cristo diz ser Deus, ou ele é Deus ou não é um homem bom.
Por isso aqueles que começam negando a suprema divindade de Cristo, acabam
logicamente atacando a sua integridade moral.

Em Mc 13.32, sua ignorância do dia e hora da vinda do Filho do homem não


prova nada contra a sua divindade, desde que pode ter sido uma parte de sua
humilhação no seu ofício mediatório o ser isto oculto dele. Suas preces ao Pai não
provam uma inferioridade em essência. Ele não podia ser um exemplo perfeito
para nós sem piedade, e ele não podia mostrar a sua piedade sem oração, louvor
e culto ao seu Pai Celestial.

PRINCIPAIS ERROS a respeito da Pessoa de Jesus Cristo.

1. OS DOCETISTAS, “os aparentistas,” ensinavam que a humanidade de


Jesus não era real, mas aparente, e que ele sofreu e morreu só na aparência.

2. Apolinário ensinava que Jesus só tinha um corpo humano dotado com


uma alma capaz de sentir, mas não racional, e que a Divindade supria a falta da
inteligência humana.

3. Os Monotelistas ensinavam que Jesus só tinha uma vontade nas suas


duas naturezas.

4. Aqueles que negam a Filiação eterna ensinam que o Logos, ou o Verbo


(Jo 1.1, 14), não foi filho de Deus senão quando o foi de Maria. Esta opinião nunca
foi aceita como ortodoxa, nem tão pouco a seguinte:

5. Que o Logos se tornou Filho de Deus unindo-se a uma alma humana


preexistente séculos antes de ele incarnar-se, da qual alma ele, no fim, se
separará.

A preexistência de almas humanas não é ensinada nas Escrituras, mas é


uma parte da transmigração das almas encontradas na antiga mitologia.

MEDITAÇÃO. A união das duas naturezas inteiras e perfeitas, a Divindade e


a Humanidade, qualificam a Jesus Cristo para ser o Mediador, isto é, para
representar perfeitamente Deus ao pecador e o homem decaído a Deus, e prova,
pelo derramamento do seu sangue e pela agência do Espírito Santo, uma
reconciliação entre eles. 1Tm 2.5; Hb 8.6; 9.15; 12.24.

V. O ESPÍRITO SANTO
Existem três erros principais e fundamentais que dizem respeito ao Espírito
Santo:

1. Ele é simplesmente outro nome para o Pai.

2. É mera figura de retórica para a influência da Divindade.

O autor do “Ecce Homo” considera o Espírito Santo como o “Esprit de


corps,” ou o entusiasmo da Sociedade de Cristãos.

As várias formas do Racionalismo consideram-no como uma energia de


Deus e não como uma pessoa, isto é, como ente racional e inteligente.

3. É mera criatura.

Em refutação dos dois primeiros erros, nossa atenção depara com o


importante fato que frequentemente este Espírito é associado, nas Escrituras, com
o Pai e o Filho, de ambos os quais não se nega a personalidade distinta. Vejam-se
os argumentos sobre a Trindade.

Sua personalidade é indicada não só pelo batizar-se e abençoar-se em seu


NOME, Mt 28.19; 2Co 13.14, como também pelo seu amor sentimental, Rm 15.30,
e dor, Ef 4.30; pelo seu ato de permissão, At 14.16; presença, Jo 14.16; ensino, Jo
14.26; 1Jo 2.27; nomeação, At 13.2; mandato, At 13.4; intercessão, Rm 8.26;
convicção do pecado, Jo 16.8; regeneração, Jo 6.63; Tt 3.5; testemunho, Rm 8.16;
santificação, 1Co 6.11; inspiração, 2Pe 1.21; e especialmente pelo fato de que o
pecado contra ele é imperdoável, Mt 12.31.

Em refutação da terceira heresia, a terceira pessoa na associação tem todos


os nomes, perfeições e obras peculiares à Divindade, imputadas a ela, e é,
portanto, essencialmente divina.

O Espírito é chamado Deus, At 5.3, 4; Senhor, 2Co 3.17; Ele é Eterno, Hb


9.14; onipresente, Sl 139.7; 1Co 3.16; onisciente, 1Co 2.10; onipotente, 1Co 12.4-
11.

A Ele é atribuída a sabedoria, Ef 1.17; bondade, Sl 143.10; criação, Jó


26.13; 33.4; especialmente da natureza humana de Jesus Cristo, Mt 1.20; Lc 1.35;
inspiração, 2Pe 1.21; ressurreição de Cristo, Rm 8.11; 1Pe 3.18.

Tanto a divindade como a personalidade do Espírito Santo são provadas


fazendo-se ver que o Jeová do Antigo Testamento e o Espírito Santo do Novo
Testamento são a mesma pessoa. Comparai At 28.25-27 com Is 6.8, 9; também,
Hb 3.7 com Êx 17.7; finalmente Hb 10.15, 16 com Jr 31.31-34.
Mas como a divindade do Espírito Santo é inseparavelmente ligada ao
assunto da Trindade, seria supérfluo estender mais longe esta evidência.

A Igreja grega nega que o Espírito Santo proceda do Filho (Filioque), e


ensina que ele procede somente do Pai. Refutada em Jo 15.26; 20.22; Rm 8.9.

VI. OS ANJOS

Estes são inteligências espirituais, os primeiros entre os entes criados em


posição e quanto ao tempo. Jó 38.7; Sl 8.5; Hb 2.5, 7; 2Pe 2.11. Os povos de
todas as idades, nações e religiões têm crido na sua existência. Nas Escrituras eles
são chamados por vários nomes, como anjos ou espíritos administradores, Hb 1.7,
14; filhos de Deus ou estrelas da manhã, Jó 38.7; serafins, Is 6.2-6; querubins, Ez
11.22; vigias, Dn 4.13, 17; principados e poderes, Rm 8.38; Ef 1.21; 6.12. Eles são
representados como inumeráveis. Hb 12.22; Mt 26.53; Sl 68.17. Como
empregados de Deus a favor dos justos na terra. Gn 19.15-22; Sl 34.7; 103.20,
21; Dn 6.22; 9.21, 22; At 12.7; 27.23; Lc 16.22; Hb 1.14; 12.22. Para executar os
seus juízos contra os ímpios e por isso chamados anjos maus. Sl 78.49; Is 37.36;
At 12.23; Ap 15.6. Eles foram ordenados por Deus para anunciar a vinda do
Messias, Lc 2.9-14; para adorá-lo, Hb 1.6; para administrar-lhe nas suas
tentações, Mt 4.11; 26.53; Lc 22.43; para assistir a sua ascenção e anunciar a
segunda vinda, At 1.9-11; quando eles o acompanharão e lhe servirão como seus
agentes no juízo final, Dn 7.9, 10; Mt 13.39, 41, 49; 16.27; 24.31; 2Ts 1.7, etc.

Alguns anjos são chamados os eleitos, isto é, anjos santos, 1Tm 5.21, para
distingui-los dos réprobos, anjos pecadores, 2Pe 2.4; Jd 6. O chefe ou príncipe dos
anjos é chamado o arcanjo, e se aplica a Miguel, cuja posição e ofício são tais que
indicam ser o Messias o significado. Comparai Dn 10.13, 21; Ap 12.7-11; 1Ts 4.16.
Alguns julgam que ele é o mesmo que Gabriel. Dn 8.16; 9.21; Lc 1.19, 26.

Eles não devem ser adorados. Jz 13.16; Cl 2.18; Ap 19.10; 22.9.

As Escrituras favorecem a opinião de sua existência anterior à formação do


nosso sistema solar. Jó 38.4-7.

Os anjos foram constituídos noviços, e a regra de sua conduta foi


provavelmente a mesma em substância que a dada ao homem na sua inocência. Sl
103.19, 20; Mt 6.10; Jd 6.

VII. O DEMÔNIO E SEUS ANJOS

No Novo Testamento a palavra demônios é frequente e erroneamente


empregada em vez de anjos maus. Sl 78.49; Mt 4.24; Lc 8.27, etc. Daí a frase o
demônio e seus anjos, Mt 25.41; Ap 12.7, 9: o primeiro, significando o chefe ou
príncipe dos demônios. Mt 12.24.

A crença geral da Igreja tem sempre sido que eles foram anjos apóstatas
expulsos do céu, ou de algum lugar de provação por rebelião contra Deus. A
tradição de sua queda se acha em todos os países e em todas as religiões, e é
claramente ensinada nas Escrituras. Jó 4.18; Jo 8.44; 1Jo 3.8; 2Pe 2.4; Jd 6; Ap
12.7-12.

Aqueles que rejeitam esta opinião não estão de acordo quanto à sua fé
neste ponto. Alguns supõem que por “demônio” se deseja significar um princípio
de mal personificado; outros, as más inclinações dos homens; e outros, qualquer
inimigo.

Estes três erros contradizem-se e destroem-se mutuamente e esta mesma


contenda é prova não pequena da exposição da Escritura de um demônio real e
pessoal. Consideremos:

1. Algumas pessoas que foram tentadas não tinham propensão para o mal,
a saber, Adão, Gn 3.13; Cristo, Mt 4.1.

2. Alguns tinham muitos demônios em si. Lc 8.2, 30. E estes foram


transferidos do homem para animais. Lc 8.33.

3. Atos, atributos e paixões são atribuídos ao demônio e a anjos maus. 1Sm


16.14, 23; Lc 8.31; 22.3; Tg 2.19; 1Pe 5.8.

Quanto aos seus nomes, eles em geral são chamados demônios; o cabeça
ou chefe deles é distinguido por outros títulos tais como “Satanás” e “Abaddon,”
no hebraico, e “Demônio” ou “Apollyon,” no grego. Ele é chamado também o “anjo
do abismo,” Ap 9.11. “Acusador,” Ap 12.10. “Belial,” 2Co 6.15. “Adversário,” 1Pe
5.8. “Besta,” Ap 19.19. “Belzebu,” Mt 12.34. “Enganador,” Ap 12.9. “Dragão,” Ap
12.7. “Deus deste mundo,” 2Co 4.4. “Mentiroso e homicida,” Jo 8.44. “Príncipe
deste mundo,” Jo 12.31. “Príncipe das potestades deste ar,” Ef 2.2. “Serpente,” Ap
12.9. “Tentador,” 1Ts 3.5. “O mau,” Mt 13.19, 38.

Alguns dos estratagemas do demônio usados para perder os homens são


notados. Gn 3.1-13; 2Co 2.11; 11.3, 14; Jó 1.6, etc.; Mt 13.19-39; Jo 8.44; 13.2;
At 5.3; 2Ts 2.9; 1Tm 4.1-3; Ap 16.14.

Visto que toda espécie humana é tentada pelo demônio, seu dever é vigiar
e resistir aos seus estratagemas para não ser por ele subjugado. 1Co 10.12, 13;
2Co 11.13; Ef 4.27; 6.11-18; 2Tm 2.26; Tg 4.7; 1Pe 5.8, 9.
O próprio Cristo sendo manifestado para destruir as obras do demônio, 1Jo
3.8, foi tentado em todos os pontos como nós somos e deixou-nos um exemplo de
resistir a ele eficazmente, Mt 4.1-11, e auxiliará qualquer que lhe pedir e resistir-
lhe igualmente. 1Co 10.13; 2Co 12.7-9; Hb 2.18; 4.15, 16; Ap 12.9-11.

De tudo que é dito sobre o seu número infere-se ser ele muito grande. Ef
2.2. Eles são tantos que uma legião, seis mil, se apoderara de uma só pessoa. Mc
5.9. Por isto pode-se supor que eles excedem em número os habitantes da terra.
Isto explica a aparente onipresença do tentador.

Seus nomes dão a conhecer a sua natureza, e suas ocupações


correspondem. Ap 20.2; Mt 4.1; 13.38; Lc 8.12; 22.31; Jo 13.27; At 5.3; 2Co 4.4;
Ef 2.2; 1Tm 4.1; 1Jo 3.8; Ap 12.9. Eles nada podem fazer sem a permissão de
Deus. Jz 9.23; 1Re 22.22; Jó 1.12; Mt 10.1; 2Ts 2.11.

Eles serão encarcerados durante o milênio, depois por certo tempo soltos,
e, finalmente, serão punidos. Ap 20.1-10; Mt 25.41.

A obra de mediação de Cristo não os abrange. Mt 25.41.

Os mesmos princípios de interpretação que eliminam da Bíblia um demônio


individual corresponderiam à negação de todo o ente invisível, não excetuando a
Deus, e também à rejeição das verdades fundamentais da Bíblia. Êx 5.2; Jó 21.14,
15; Sl 14.1; Jd 4; 2Pe 2.1; 3.3-5.

VIII. O HOMEM – A HUMANIDADE

Este termo genérico abrange toda a raça ou espécie de entes humanos,


descendentes de Adão e Eva. Que a raça tem uma origem comum e que todas as
variedades do homem têm a mesma natureza é ensinado nos seguintes textos. Gn
1.27, 28; 2.7, 18, 21-24; 3.20; Ml 2.10; At 17.26; Rm 5.12; 1Co 15.22, 45.

O homem é um ente composto, tendo um corpo mortal, e um espírito


destituído de qualidades materiais, imortal, continuando a viver depois da
separação do corpo em um estado de cônscia existência. Ec 3.21; 1Re 17.21, 22;
Lc 8.55; 16.22, 23; 23.43; Mt 10.28; 22.32; At 7.59; 2Co 5.8; Fp 1.23; Ap 6.9-11;
14.13.

O corpo é formado do pó da terra dotado dos sentidos de tato, gosto,


olfato, audição e vista. O espírito é racional, tendo entendimento, afeição e
vontades. Gn 2.7; Ec 12.7.

Paulo fala de um terceiro elemento, a alma. 1Ts 5.23. Por ela quer ele falar
do psiquê, a alma inferior ou animal, dotada de paixões e desejos a qual nós
temos em comum com os animais, Ec 3.19-21, mas no cristão esta alma é
enobrecida e espiritualizada. O espírito é aquela parte por onde podemos receber
o Espírito Santo. No incrédulo, ela é subjugada e subordinada à alma animal e daí
o homem é chamado “natural” ou meramente animal. 1Co 2.14; Jd 19.

O homem foi feito reto, Ec 7.29, isto é, em um sentido moral, por natureza
semelhante a Deus, tendo retidão moral, chamado a imagem de Deus, Gn 1.27;
explicado em Ef 4.24. Mas também foi feito agente responsável livre e noviço,
colocado sob a lei divina, quebrando a qual, ele incorreu na pena da morte
temporal e espiritual. Gn 2.16, 17; Rm 5.12; 6.23; Hb 2.14.

O primeiro pecado do primeiro homem mudou toda a sua natureza moral de


santa para um estado de pecado, da qual condição mudada, sendo ela hereditária,
tem participado todos os seus descendentes. Rm 5.12; 1Co 15.22; Ef 2.3, 5; Jó
15.14; Sl 14.2, 3; Sl 51.5; 58.3. Contudo cada um é responsável pelos seus
pecados. Dt 24.16; 2Re 14.6; Pv 11.19; Ed 18.4, 20; Jr 31.30; Rm 1.20, 21; Jo
3.19, 20.

LIVRE AGÊNCIA

Posto que o homem tenha caído e esteja lamentavelmente depravado, de


modo que há na sua natureza uma forte tendência para o pecado, todavia ele
ainda retém o atributo divino da liberdade. Em toda opção de natureza moral, tem
ele a liberdade de agir como lhe parece. Nenhum decreto de Deus, nenhuma
combinação de elementos na sua constituição, o coage em sua ação moral.

O auxílio gracioso do Espírito Santo é somente persuasivo, não obrigatório.


At 7.51; Ef 4.30; 1Ts 5.19. A vontade livre é uma causa original, determinadora de
si mesma2 e não efeito de causa nas suas opções. Ela é uma nova e responsável
fonte de causa no universo.

2
“Determinadora de si mesma.” – A expressão é infeliz e tem sido justamente criticada na
controvérsia calvinista. A vontade é determinadora, não “de si mesma,” pois ela não precisa ser
determinada, mas da conduta, do proceder duma criatura responsável.
Originou-se a expressão no argumento calvinista: “a vontade só opera à vista de motivos, portanto
ela é motivada, ou determinada.” A resposta era: “não, ela é determinadora de si mesma.”
Mas, não éramos obrigados a escolher entre “uma vontade determinada por motivos” e “uma
vontade determinadora de si mesma.” Optamos por uma vontade livre, causa simples e final. A
vontade de Deus não é “determinadora de Si mesma,” ela determina, “e está acabado.” Assim, pela
graça e sabedoria de Deus, o homem é dotado de uma vontade livre, simples, e, absolutamente,
em certa esfera uma nova causa final no universo de Deus: uma vontade determinadora.
Sem motivos para exercer-se a vontade nunca se exerceria, justamente como Deus mesmo, sem
causas para decidir, nunca poderia exercer a justiça, mas, em um e outro caso, resta sempre a
capacidade de querer e a capacidade de ser justo. Deus nos deu uma faculdade de determinar: é a
vontade.
Provas: 1. Consciência: “Eu sei que sou livre e está acabado.” – Dr. Samuel
Johnson.

2. Semelhante liberdade é inferida do sentimento de obrigação moral e da


convicção de culpa pelos nossos delitos.

“Se o homem tem de ser punido no futuro estado, Deus é quem há de


punir.

“Se é Deus que pune, o castigo é justo.

“Se o castigo é justo, é porque o castigado podia ter obrado de outro modo.

“Se o castigado podia ter obrado de modo diverso, ele era agente livre.

“Portanto, se os homens têm de ser punidos no mundo vindouro, eles não


podem deixar de ser agentes livres neste.”

3. As Escrituras em qualquer parte presumem que os homens são livres


para obedecer à lei de Deus e conformarem-se às condições da salvação. Pv 1.23-
31; Mt 23.37; Jo 7.17.

4. Se os atos morais dos homens são efeitos de causas determinadas por


Deus, então Deus ou é o autor do pecado, ou seus próprios atos, sendo os efeitos
de alguma coisa irresistível, tal como o motivo mais forte, ou a constituição de sua
natureza. O universo está debaixo da lei de ferro do acaso e o pecado é uma
ilusão e uma impossibilidade.

IX. REDENÇÃO-PROPICIAÇÃO

Pela redenção entende-se a libertação do homem do pecado e da morte


pela obediência e sacrifício de Jesus Cristo, que por isso é chamado o Redentor. Is
59.20; 60.16; Rm 3.24-26; Gl 3.13; Ef 1.7; 1Pe 1.18-19.

A culpa do pecado original é coberta pela propiciação e não é imputada a


nenhum dos descendentes de Adão, senão quando o seu remédio é,
voluntariamente, rejeitado. Portanto todos os que morrem na infância são salvos
por Cristo, o segundo Adão, de toda conseqüência penal do pecado do primeiro
Adão. Rm 5.18, 19; 1Co 15.22.

A propiciação impediu a extinção da raça humana e a propagação desta


depois da Queda é sob as provisões da graça. Gn 3.15; Hb 2.14.

A causa atuante da redenção é o amor de Deus. Jo 3.16; 1Jo 4.9.


A causa eficiente é a morte propiciadora de Cristo. Mt 20.28; 2Co 5.21; 1Tm
2.5, 6; Hb 2.9, 10; 9.12-15; 1Pe 1.18, 19.

O fim da redenção é libertar o homem da ira da lei do pecado, da morte e


do inferno e enchê-lo de bem-aventurança eterna. Jó 19.25, etc; Is 15; 9.11; Jo
3.15, 35; 10.10; 17.12, 3.

Pela propiciação entende-se a satisfação dada à justiça divina por Jesus


Cristo, que pagou pela sua paixão e morte, a pena devida aos nossos pecados. Is
43.4-8; Gl 3.13; 4.4, 5.

A palavra hebraica significa cobertura e dá a entender que as nossas


ofensas são, por uma propiciação adequada, postas ao abrigo da justiça vingativa
de Deus. Sl 32.1, 2; Rm 4.7, 8. As seguintes passagens ensinam clara e
distintamente esta doutrina. Mt 20.28; Jo 1.29; Rm 3.25, 26; 1Co 15.3; 2Co 5.18-
21; 1Tm 2.5, 6; Hb 2.10-14; 1Jo 2.2; 4.10.

A propiciação era necessária para que Deus pudesse mostrar seu ódio ao
pecado e seu amor à santidade, e para que ele pudesse ser honrado e justo, e,
todavia, misericordioso. Rm 3.25, 26. Foi designada para ser satisfatória a Deus e
de influência com o homem, removendo de diante de ambos todos os obstáculos a
uma completa reconciliação do crente penitente. Jo 14.6; Ef 2.15, 16; Cl 2.13-15.

Se a propiciação não fora necessária, nem o Pai nem o Filho teriam


consentido na morte do último para efetuá-la. Mt 26.39; Hb 2.10; 9.22, 28; Ap
5.9; 7.14.

O arrependimento, posto que acompanhado de obediência presente e


futura, não pode expiar os pecados passados, nem mais do que a obediência
passada pode expiar os pecados presentes e futuros. Jo 22.3; Sl 24.7; Lc 17.10.

A propiciação é universal e não particularizada; isto é, ela estende a sua


eficácia condicional a todos os pecados do gênero humano, e não aos pecados de
somente uns poucos chamados eleitos.

Vê-se isto pelo caráter de Cristo, pessoa de dignidade infinita.

Por isso sua paixão e morte são de infinito valor e eficácia. Concluir de
modo diverso seria duvidar do caráter do divino Redentor.

Fica isto mais evidente considerando-se mandamentos, convites e


exortações da Escritura. Deus é sincero e não podia tentar as suas criaturas. Mc
16.15, 16; At 17.30; Is 45.22; 55.1; Ap 22.17; At 2.21; 1Tm 2.1.
As Escrituras ensinam esta doutrina por declarações expressas. 1Jo 2.2; Hb
2.9; 1Tm 2.6; 2Co 5.14, 15; Jo 1.29. Entre todas as variedades de entes no
universo, Cristo é o único qualificado para fazer a propiciação, sendo ele mesmo
ao mesmo tempo divino e humano. Jo 1.18; 1Tm 2.5, 6; 3.16; Hb 2.9-18.

Há uma diferença entre a propiciação e a redenção. A propiciação é pelo


pecado; a redenção é do pecado e do sofrimento. Podemos fazer distinção entre a
propiciação e a sua aplicação, mas não entre a redenção e a sua aplicação.
Podemos orar pedindo a redenção, mas não podemos pedir a propiciação.

É muito importante que se faça esta distinção: o não fazê-la dá origem a


graves erros. Fazendo-se esta distinção, ninguém cairia na doutrina da salvação
universal baseada na extensão universal da propiciação.

Existe grande diferença entre fazer-se uma festa e participar desta festa.
Assim também há muita diferença entre a suficiência da propiciação e a sua
eficácia. Ela é suficiente para o mundo inteiro, mas só é eficaz para a salvação
daqueles que se arrependem e crêem. Lc 13.3; Mc 16.16; Jo 1.11, 12; 3.14-18;
5.38, 40; Rm 3.22-26; 1Tm 2.4-6; 4.10.

A propiciação é uma doutrina fundamental do Evangelho. O Cristo


crucificado é o tema e a glória do Evangelho. Rm 1.15, 16; 1Co 1.23, 24; 22.2; Gl
6.14.

A doutrina da propiciação é toda tirada das Sagradas Escrituras. É ela que


distingue o Cristianismo do Deísmo, do Maometismo, do Paganismo e de todas as
outras religiões.

Erros a respeito da propiciação:

1. Que a ira do Pai contra os pecadores é aplacada pelos sofrimentos de


Cristo, que derramou seu sangue para satisfazer a exigência pessoal do Pai.
Refutação: a propiciação originou-se do Pai. Jo 3.16; Rm 5.8; Tt 2.11.

2. Que na propiciação não há satisfação e sim uma exposição da


misericórdia de Deus como uma forte persuasão moral para atrair o pecador dos
seus pecados, vestida na linguagem figurada do sistema sacrificatório dos hebreus.
Refutado em Jo 1.29; At 20.28; Ef 1.7; Cl 1.14; Hb 9.12, 14; 1Jo 1.7; 2.2; Ap 1.5;
5.9. “A doutrina da Epístola aos Hebreus é, portanto, clara, isto é, que os
sacrifícios legais eram alusão à grande e final propiciação operada pelo sangue de
Cristo, e não que esta fosse uma alusão ÀQUELES.” – Butler, bispo.
3. Que os sofrimentos de Cristo são exatamente iguais à miséria eterna de
todos os pecadores da família humana, e que, portanto, é injusto punir tanto o
pecador como o seu substituto. Refutação: não há equação algébrica entre os
sofrimentos de Cristo e os pecados do mundo. A propiciação foi o estabelecimento
de um novo princípio sob o reinado da lei, a demonstração do fato que Deus pode
“ser justo e justificador daqueles que crêem.” Rm 3.26. O mesmo sofrimento seria
necessário para remir um pecador como para remir mil milhões.

X. A JUSTIFICAÇÃO

No sentido teológico, ela é legal ou evangélica. É de importância que se


observe esta diferença.

A justificação legal é a que demanda estritamente a lei. Os anjos santos são


justificados deste modo, como podia ter sido a humanidade se ela nunca tivesse
pecado. Qualquer tentativa para o pecador justificar-se pela lei é em vão. Sl 119.3,
4; 142.2; Rm 3.20, 28.

Entretanto, o crente, que já foi perdoado, ou justificado, pela fé em Cristo,


se diz ser justificado pelas obras quando Deus aprova as suas obras como prova
da genuinidade da sua fé. Tg 2.14-26.

Aquela justificação de que tratam as Escrituras principalmente, e que toca o


caso do pecador, é chamada justificação evangélica ou perdão; pelo que se quer
dizer a aceitação por Deus de alguém, que é e que se confessa culpado e que se
arrepende e crê em Jesus Cristo. Mc 1.14, 15; 16.16; Rm 1.16, 17; 4.3-7; 5.1; Gl
2.16, 17.

Quanto ao método da justificação, há três causas a considerar: a causa


originadora, a meritória e a instrumental. A causa originadora é a graça de Deus,
que levou quando estávamos expostos à morte, como conseqüência da nossa
ofensa, a prover um substituto em seu Filho. Rm 3.24-26; 2Co 5.18-21; Gl 2.16-
20; Ef 2.4-8, 15, 16; 5.2; Tt 3.4-7.

Este substituto é a causa meritória da nossa justificação. O que Jesus Cristo


fez em obediência aos preceitos da lei, e o que ele sofreu em satisfação à
penalidade dela, constituem a base de nosso perdão e da nossa justificação,
perante Deus. At 13.38, 39; Rm 3.21, 22.

Quanto à causa instrumental da nossa justificação, o mérito de Cristo não


opera de modo a produzir o perdão como um efeito necessário e inevitável, mas
pela instrumentalidade da fé.

XI. A FÉ SALVADORA
A fé pela qual somos justificados é a fé presente; uma fé existindo e
exercida presentemente. Jo 1.12; 3.18, 36.

Nós não somos justificados pela fé de amanhã prevista, porque isto


implicaria numa justificação desde a eternidade. Nem também somos justificados
pela fé de ontem recordada ou lembrada, porque isto implicaria numa justificação
que não é reversível. Ez 18.24; 33.12, 13.

Os atos desta fé são três. Eles são distintos e todavia exercitados


simultaneamente pelo espírito.

1. O assentimento do entendimento à verdade de Deus no Evangelho,


especialmente aquela parte que se refere à morte de Cristo como um sacrifício
pelo pecado.

2. O consentimento da vontade e das afeições a este plano de salvação;


uma aprovação e escolha dela tal que indique a renunciação de todo outro refúgio.

3. Deste assentimento da inteligência esclarecida, e do consentimento da


vontade retificada, resulta uma confiança real no Salvador, e na apropriação
pessoal de seus méritos. Isto necessariamente é precedido por um verdadeiro
arrependimento. Mc 1.15; Lc 24.47; At 2.38; 3.19; 20.20, 21.

2. Erros relativos à fé salvadora:

1. Que ela não é um ato do penitente auxiliado da graça divina, mas sim o
dom de Deus, concedido com soberania quando e a quem ele quer. Refutado em
Mc 16.16; 2Ts 2.12; Hb 3.18. Em 1Co 12.9, a fé não é uma graça, mas uma
milagrosa doação. Em Ef 2.8, o dom não é fé, mas a salvação pela graça.

2. Que os não regenerados são incapazes do ato da fé salvadora, e que ela


não precede à regeneração como condição, mas segue-se como um resultado.
Refutado em Jo 3.18, 36; At 10.43; Rm 1.16; 3.26; Ef 1.13.

O ARREPENDIMENTO

Isto, conforme a palavra original da Escritura, significa mudança de espírito:


uma vontade fervorosa de que alguma cousa que nós fizemos seja desfeita.
Quando o arrependimento é só quanto às consequências do pecado, como quando
um malfeitor, que ainda ama o seu pecado, se arrepende porque ele o expõe ao
castigo, então ele é algumas vezes chamado arrependimento mundano ou legal,
para distingui-lo do arrependimento segundo Deus ou evangélico. 2Co 7.9-11.
O arrependimento evangélico é chamado o “arrependimento para com
Deus,” porque ele consiste em voltar-se do pecado para a santidade: implica um
sentimento de ódio ao pecado e um amor à santidade.

As provas de um verdadeiro arrependimento salvador encerram a


consciência e a confissão do pecado, assim como uma profunda tristeza pelo
pecado e a sua renunciação de coração. Lv 26.40; Nm 5.7; 2Cr 7.14; 2Re 22.19;
Ed 9.5-7; Sl 32.5; 34.18; 38.4, 18; 51.3, 4, 17; Pv 28.13; Is 55.7; 57.15; 66.2; Jr
3.12, 13, 22; 7.3; Ez 20.43; 36.31; Dn 9.5-8; Jl 2.12, 13; Zc 1.3; Mt 3.2, 8; 4.17;
26.75; Mc 1.15; Lc 13.3; 15.18, 21; 18.13; At 2.38; 3.19; 8.22; 17.30; 20.21;
26.20; 2Co 7.9-11; 1Jo 1.9; Ap 2.5.

XII. A REGENERAÇÃO

Esta é aquela obra do Espírito Santo pela qual experimentamos uma


mudança no coração; a recuperação, no coração, da imagem moral de Deus. Ef
4.23, 24. Esta obra é expressa na Escritura de diversos modos. Dt 30.6; Sl 2.10; Jr
24.7; 31.33; Ez 11.19; 36.25, 26; Jo 1.12, 13; 3.5-8; At 3.19; Rm 12.2; 13.14; 2Co
3.18; 5.17; Cl 1.12-15; 3.10; 1Pe 1.22, 23; 2Pe 1.4.

Que não pode haver salvação independente da regeneração, ficará claro, se


refletirmos:

1. Que todos os homens são pecadores de natureza e por prática, e que


eles não podem se reconstruir inocentes. Sl 51.5-10; Jr 13.23; Rm 3.19; 8.7, 8;
11.32; 2Co 5.17; Gl 3.10-22; 5.19-24; Ef 2.1-5; 4.22-24; 1Pe 1.23; 1Jo 4.7; 5.4.

2. Que Deus é santo, e não pode contemplar entes pecadores com


aprovação e deleite. Ha 1.13; 1Pe 1.15, 16.

3. O céu é um lugar santo, e ninguém senão entes santos estão aptos para
os seus empregos e gozos. Sl 24.3, 4; Hb 12.14.

4. As Escrituras declaram que só os regenerados podem ser salvos. Mt 18.3;


Jo 3.3, 7; Rm 8.7, 8; Gl 6.15; Hb 12.14.

Erros relativos à regeneração:

1. Que ela é idêntica ao batismo pela água administrado por um ministro


apostolicamente ordenado. Refutado em At 13.38, 39; 16.31; Rm 5.1; 10.9; Ef
2.8; 1Jo 5.10.

2. Que ela é uma mudança operada sobre as paixões, pela vontade


humana. Refutação: Gn 5.3; 6.5; Jó 14.4; Sl 51.5; Is 1.5, 6; Jr 13.23; Jo 3.5, 8.
XIII. A ADOÇÃO

Este é um ato pelo qual uma pessoa toma outra para o seio de sua família,
a reconhece como seu filho, e a constitui seu herdeiro.

No sentido teológico, é aquele ato da livre graça de Deus, pelo qual, depois
de justificados e renovados pela fé em Cristo, somos recebidos na família de Deus,
chamados seus filhos e feitos herdeiros da herança celestial. Ef 1.3-14; 1Pe 1.2-5.

O TESTEMUNHO DO ESPÍRITO

É o privilégio e o direito de toda a pessoa assim adotada ter um certo


conhecimento desta sua nova relação para com Deus, como o único fundamento
da verdade, paz, conforto e esperança. Is 26.3; 32.17, 18; Sl 119.165; Rm 5.1-5;
8.1; Fl 4.7; Ef 1.3-14; 1Ts 1.4, 5; 1Pe 1.2-9; 1Jo 2.20, 27.

Esta bênção consiste no testemunho do Espírito Santo ao espírito do crente


da sua filiação e aceitação para com Deus. 1Jo 5.10. Ele é chamado o espírito de
adoção, Rm 8.15, 16; Gl 4.6; o selo e a prenda do Espírito, 2Co 1.22; 5.5; Ef 1.13,
14; 4.30; e perfeita inteligência (Figueiredo) ou inteira certeza de inteligência
(Almeida), Cl 2.2; traduzido de modos diversos em 1Ts 1.5; Hb 6.11; 10.22. Este
testemunho interno é chamado, às vezes, o testemunho direto do Espírito,
distinguindo-o do indireto ou testemunho externo, chamado o fruto do Espírito. Gl
5.22, 23; Ef 5.9.

As duas espécies de testemunhos devem ir juntas. A primeira como guarda


contra a dúvida aflitiva, a segunda para livrar da ilusão e da presunção. Is 26.3;
Rm 8.14.

O selo e a prenda do Espírito implica numa certeza absoluta de salvação


atual: porque, posto que a eficácia do Espírito seja por si mesma suficiente para
garantir a salvação eterna, todo o crente fica livre para conservar este Espírito
selador ou entristecê-lo de tal modo a fazê-lo afinal retirar-se para sempre. Is
63.10; Ef 4.30; Hb 3.7-19; 6.4-6; 10.26-29; 2Pe 2.20.

XIV. A CONVERSÃO

Este termo, no seu sentido restrito, descreve a parte humana da mudança


chamada regeneração, pela qual o pecador é trazido ao reino do céu, Mt 18.3. Em
um sentido mais lato, a conversão é aquela mudança nos pensamentos, desejos,
inclinações e vida do pecador que sucede quando ele é renovado pelo Espírito
Santo, como resultado de ele voltar-se do pecado para Deus, pela fé em Jesus
Cristo. Ez 18.21-23, 30-32; At 9.35; 11.21; 15.3, 19; 26.20; 1Ts 1.9. Esta obra se
diz ser operada por intermédio de outras pessoas. Sl 51.10-13; Lc 1.16; Tg 5.20.

XV. A SANTIDADE – SANTIFICAÇÃO

Este estado é expresso de modos diversos na Escritura, de modo que não


precisamos ater-nos a qualquer frase particular para designá-lo. Ele é chamado
santidade, santificação, pureza, perfeição, plenitude de Deus, e de Cristo e do
Espírito Santo, e inteira certeza da fé (Almeida).

Por estas expressões se entende aquela participação da natureza divina que


exclui do coração toda a depravação original e pecado inato, e enche-o de um
amor perfeito para com Deus e os homens – amor perfeito, a unção do Santo, e o
batismo do Espírito Santo.

A santificação começa quando o princípio de pureza, isto é, o amor de


Deus, é derramado no coração no novo nascimento.

Porém a santificação completa é aquele ato do Espírito Santo pelo qual a


alma justificada é feita santa. Esta obra instantânea do Santificador é geralmente
precedida e seguida de um crescimento gradual em graça. O Espírito certifica esta
purificação. 1Co 2.12. É a vinda da presença do Confortador para a consciência do
crente trazendo consigo a sua própria luz. Jo 14.16, 17. Nós não necessitamos de
uma lâmpada para ver o nascer do Sol. Suas principais evidências inferenciais são
a unificação com Cristo, fácil vitória sobre o pecado, gozo constante, oração sem
intermitência e ação de graças em todas as cousas.

A profissão sem o exame e a certeza destas evidências não é recomendada.


1Ts 5.21; 1Jo 4.1. Depois disto ela é ordenada. Mt 5.16; Rm 10.10; 2Co 1.4.

Deve-se distinguir a pureza da madureza. Quando o pecado inato é


destruído não pode haver crescimento de pureza, mas pode haver um aumento
eterno no amor e em todos os frutos do Espírito. A santificação não é a mesma
cousa que a justificação. Justificação é a mudança de nosso estado de culpa para
o de perdão; santificação é uma mudança da natureza do pecado para a
santidade. Ela tem, com a regeneração, a relação do todo para uma parte.

Esta doutrina não é de modo nenhum envolvida em obscuridade, embora


tenha ela sido o assunto de muita controvérsia e ceticismo na Igreja Cristã.

Todavia, não é tanto o poder chegar-se a este estado, como é o tempo em


que somos autorizados a procurar e esperá-lo, que constitui assunto de debate
entre os cristãos.
Enquanto alguns aderem à doutrina do purgatório, isto é, que é necessário
para as almas de todos aqueles que não merecem o castigo eterno irem, com o
fim de serem purificados, para um suposto lugar ou estado depois da morte,
outros sustentam que este estado de pureza é não só atingível, mas necessário
nesta vida atual. Lc 1.74, 75; Tt 2.12; 1Jo 4.17; Gl 1.4.

1. A doutrina de santificação completa imediata é sustentada por aquelas


passagens da Escritura que exprimem a vontade de Deus. Jo 7.17; Rm 12.1, 2; Ef
5.17, 18; Cl 4.12; 1Ts 4.3; Hb 10.9, 10.

2. Por aquelas que exprimem seu comando. Gn 17.1; Êx 19.6; Lv 11.44;


19.2; 20.7, 26; Dt 6.5; 18.13; 1Re 8.61; Mt 5.48; 22.37; Jo 5.14; Rm 12.1, 2; 2Co
7.1; 13.11; Ef 5.17, 18; Hb 6.1; Tg 1.4; 1Pe 1.15, 16.

3. Por aquelas que exprimem sua promessa. Sl 118.1-3; Is 1.18; Jr 33.8; Hb


7.25; 10.16-22; 1Jo 1.7, 9.

4. Aquelas em que a bênção é procurada em oração. Sl 1.2, 7, 9; Os 14.2;


Mt 6.10; Jo 17.17; 1Ts 5.23.

5. Aquelas que dão exemplo; embora não houvesse exemplos não deixaria
de ser verdadeira por isso, desde que ela é revelada claramente e exigida por
Deus. Gn 6.9; 2Re 20.3; 23.25; Jó 1.1; Sl 36.37; Lc 1.6; 1Co 2.6; Fp 3.15; 1Ts
2.10; Hb 12.23.

6. Aquelas donde se infere a doutrina. Pv 11.5; Ef 3.16, 19; 4.12-16, 22-24;


5.26, 27; Cl 1.28; Tt 2.14; Hb 12.14; Tg 3.2; 1Pe 1.22; 2.9; 2Pe 1.4, etc.; 1Jo 3.3,
9; 4.12, 16-18; Ap 7.14.

Os seguintes trechos são, muitas vezes, citados para mostrar que não há
remissão de todo o pecado nesta vida; que nenhum homem pode viver sem
cometê-lo. 1Re 8.46; Jó 25.4; Pv 29.9; Ec 7.20; Rm 3.20, 23; 1Jo 1.8, 10. Mas um
pouco de atenção para o texto original, e o contexto, provará claramente que eles
apenas ensinam que todos têm pecado, e que estão sujeitos a pecar. Isto está de
acordo com o plano de Jesus, que veio salvar o seu povo dos seus pecados (Mt
1.21), isto é, do poder e da contaminação do pecado, de modo que, de hora em
diante ele seja liberto da escravidão do pecado, e se faça servo de Deus, e
produza fruto para a santidade. Rm 6.1-22; 8.1, 2; 1Pe 2.24; 1Jo 1.7-9; 3.5-9;
5.18.

Erros em juízo, enfermidades do corpo, temores ocasionados por surpresa,


sonhos desagradáveis, pensamentos errantes em oração, ocasiões sem alegria, um
sentimento de ineficácia na obra cristã e fortes tentações, não são de modo
nenhum incompatíveis com o amor perfeito. Contudo os erros necessitam de uma
propiciação. Hb 11.7.

Não há estado de madureza cristã nesta vida que não admita crescimento.
Jó 17.9; Sl 83.8; Pv 4.18; Ml 4.2; Ef 4.15, 16; Fp 3.13-17; Hb 6.1; 1Pe 2.2-5; e
2Pe 3.18.

Todos os crentes que perseveram estão-se adiantando para uma


santificação completa. Estes tais obterão esta graça antes da morte, porquanto a
promessa de vida eterna traz consigo o penhor da parte de Deus, de conceder
toda a graça necessária. Ef 5.27; Fp 1.6; Jd 24.

O fato de muitos cristãos não experimentarem esta graça, senão já próximo


à morte, apenas prova a fraqueza de sua fé ou sua imperfeita compreensão do
sangue purificador de Jesus Cristo. Devemos tomar o cuidado de não medir o
possível pelo existente. “É, portanto, sem dúvida, do vosso dever orar e esperar
por uma perfeita salvação todo dia, toda hora, todo momento, sem esperar até
que tenhais feito ou sofrido mais.” – John Wesley. A santificação perfeita é a
grande salvaguarda contra a apostasia.

Erros sobre a santificação completa:

1. Que ela não pode ter lugar senão quando a morte vem libertar a alma do
corpo, sede presumida do pecado. Refutação: Vejam-se os comandos, promessas,
etc., acima falados.

2. O erro do Dr. Chalmers, que é pelas obras e não pelo sangue de Cristo
aplicado pelo Espírito Santo por meio da fé. Refutado em At 15.9; 2Ts 2.13; Hb
9.14; 1Pe 1.2; 1Jo 1.7-9.

3. A doutrina do Conde Zinzendorf, que ela é idêntica ao novo nascimento.


Refutado em Jo 15.2; 1Co 3.1-3; 2Co 7.1; Gl 5.17; 1Ts 5.23.

4. Que o pecado original ou inato num crente pode desaparecer


imperceptível sem ter-se consciência da operação do Espírito Santo. Refutado
pelos textos do nº 2 acima, e também pela identificação da purificação completa
com a plenitude ou o batismo do Espírito, que é sempre dado instantaneamente.

5. Que a santificação perfeita nunca pode ser certificada pela consciência


porque a natureza da alma está abaixo de contemplá-la, e que ela não pode ser
atestada pelo próprio Santificador porque ela é a testemunha da adoção.
Refutação: 1Co 2.11, 12; 1Jo 2.20, 27.

XVI. A PERSEVERANÇA – APOSTASIA


É do direito de todo o filho de Deus não só ser purificado de todo o pecado
nesta vida, mas também conservar-se isento da corrupção deste mundo, e assim
viver de modo a nunca mais ofender ao seu Mestre. Sl 36.37; Hb 11.5; 7.25; 1Pe
1.5; 1Jo 3.9; 4.7; 5.18; Jd 24.

Contudo o melhor dos crentes está sujeito a apostatar e afinal perecer.


Torna-se isto evidente pela história.

1. De certos anjos. Jó 4.18; 2Pe 2.4; Jd 6.

2. De Adão. Gn 1.27, 31; 3.6-10; Ec 7.29.

3. Dos judeus. 1Co 10.1-12; Hb 3.17-19; Jd 5.

4. De Saul. 1Re 10.9, 10; 15.23, 24; 16.14.

5. De Judas. Sl 40.10; Jó 13.18; Mt 26.24, 25; Jo 17.12; At 1.25.

Os numerosos mandamentos e exortações à perseverança, e as muitas


admoestações contra a apostasia, são outras tantas provas desta doutrina. 1Cr
28.9; Ez 18.24; 33.12, 13, 18; Mt 5.13; Lc 9.62; Jo 15.1-6; Rm 11.20-22; 1Co
9.27; 10.12; 1Tm 1.19, 20; 5.12, 15; 2Tm 1.14, 15; Hb 4.1, 11; 6.4-6; 10.26-29,
38, 39; 12.14, 15; 2Pe 1.3-10; 2.18-22; Ap 2.4, 5; 3.10, 11.

XVII. ÚLTIMAS COUSAS

1. A Morte

Esta é a extinção da vida animal, e a separação da alma do corpo. É o


efeito de uma causa desoladora – esta causa é o pecado. Rm 5.12; Gn 3.19; Ec
7.2; 8.8; Jó 8.9; 14.1, 2; 16.22; 30.23; Sl 88.49; 89.10; Hb 9.27; Tg 4.14.

Achamos na história duas exceções a esta calamidade geral. Estes foram


trasladados da terra. 2Re 2.11; Hb 11.5.

A alma nem morre nem dorme com o corpo. Ec 3.21; 12.7. Veja-se sobre o
HOMEM, pág. 96.

Como a vida temporal do homem é dom de Deus (Gn 2.7; Jó 33.4; At


17.25), todo o homicídio é proibido sob pena de perda de vida temporal e eterna.
Gn 9.6; Lv 24.17, 21; Mt 19.18; 1Jo 3.15; Ap 21.8.
Como esta vida é curta e o tempo da morte é incerto (Jó 8.9; 9.25; Ec
9.12), e como com a morte termina o nosso estado probatório, é muito importante
que estejamos sempre devidamente preparados. Ec 9.10; Sl 89.12; Mt 24.44; Lc
12.35-37; Rm 13.11; etc.; Tt 2.12, 13; 1Pe 4.7; 2Pe 3.11; Ap 22.11.

2. O Estado Intermediário

O termo futuro estado é usado em relação à existência do homem numa


vida futura incluindo a existência separada da alma depois da morte do corpo, e
sua final e eterna reunião com o corpo ressurgido. Aquele estado em que existe a
alma entre a morte e a ressurreição do corpo é chamado estado intermediário.

(A) Estado Intermediário dos Justos

Em alguns lugares chamados paraíso, termo asiático usado para denotar os


parques e jardins dos monarcas do oriente. É usado também na versão grega do
Antigo Testamento, falando do jardim do Eden (Gn 2.8, etc.), e daí veio a ser
usado para designar o céu. Lc 24.43; 2Co 12.2-4; Ap 2.7.

Pensa-se em geral que ele representa o estado intermediário dos justos


entre a morte e a ressurreição (Lc 24.43), como o é a frase “seio de Abraão”. Lc
16.22. Entretanto, as Escrituras, digam o que queiram sobre este estado, nada
falam de um lugar intermediário, isto é, um lugar do céu e distinto dele que é a
morada de Cristo. Comparai Mc 16.19; Ap 7.55, 59; 2Co 5.1-8; Fp 1.23; Hb 9.24.

As almas dos justos que morrem entram imediatamente para este estado.
Lc 16.22; Ap 14.13. Isto é claramente ensinado por Cristo. Lc 23.43. Aqueles que
ensinam a não-imortalidade da alma torcem estas palavras de Cristo fazendo como
se ele dissesse: “O que te digo, e digo hoje”. Mas isto é um absurdo tão grande
como seria perverter do mesmo modo as seguintes passagens: Êx 9.5; Lc 19.9; Tg
4.13; Hb 3.7; 4.7.

(B) Estado Intermediário dos Ímpios

As almas dos ímpios não são lançadas no tanque do fogo senão depois da
ressurreição e do juízo final. Mt 25.41; 2Ts 1.7-10; Ap 14.10, 11; 20.10-15.

Mas, elas permanecem em um estado de sofrimento com consciência como


consequência de seus pecados. Lc 16.22-28.

Consistirá este sofrimento no remorso por causa de suas ações más, e uma
separação dos objetos sensuais em que tinham presos os seus corações (Lc 12.19-
21), e na consciência de perda dos sorrisos de Deus e dos gozos do paraíso. Lc
13.28; 16.26.
Todos os desejos, paixões e propensões pecaminosas subsistindo mas já
não achando gratificação, naturalmente se inflamarão mais e as atormentarão
antes da inflição das penas positivas no dia de Juízo. Pv 14.32; Lc 16.24; Ap 20.11,
12.

3. O Reino do Messias – Seu Progresso e Triunfo Final

A doutrina relativa a este glorioso acontecimento acha-se nas promessas


divinas:

1. Reveladas diretamente a Abraão, Isac e Jacó. Gn 12.3; 13.14-16; 15.1-5;


18.18; 22.17, 18; 26.3, 4; 28.13, 14. Que esta promessa se refere à semente
espiritual de Abraão vê-se comparando Rm 4.13-25; Gl 3.6-29.

2. Expressas pelos profetas inspirados no Antigo Testamento. Gn 49.10; Nm


14.21; 24.17-19; Sl 2.7, 8; 21.27, 28; 71.8, 11, 17, 19; Is 2.2-4; 9.9, 10; Ez 47.1-
22; Dn 2.44; 7.13, 14, 27; Jl 2.28, 29; Mq 4.1-7; Ml 1.11.

3. Expressas naquelas profecias que se referem distintamente à restauração


final dos judeus por sua conversão ao Cristianismo. Dt 30.3-6; Is 1.24-27; 49.5-26;
40.15-22; 42.4-12; Jr 3.12-18; 23.5-8; 31.10-12, 31, 34; 32.37-44; 33.7-16; Ez
20.34, 40, 42; 28.25; 36.24-29; 37.21-28; Os 3.4, 5; Am 9.11-15; Mq 7.18-20; Sf
3.19, 20; Zc 8.1-9. Que estas profecias se referem à salvação deles por Cristo vê-
se comparando Rm 11.26; Gl 3.7-16.

4. A Igreja Cristã é o instrumento escolhido e apropriado para esta obra.


Pela sua oração, como ensinou Cristo. Mt 5.14, 16; Fp 2.15. Pela divulgação
universal do Evangelho. Mt 28.19, 20; 24.14; At 1.8; Ap 14.6; 22.17.

Por menor que seja o começo desta obra e por menos coragem que inspire,
por mais vagaroso e imperceptível que seja o seu progresso ela tem de ser afinal
coroada por um sucesso universal. Comparai Is 60.22; Dn 2.35, 45; Ez 47.3-5; Mt
13.31-33.

Este glorioso período é chamado o milênio, palavra usada para denotar os


mil anos mencionados no Ap 20.4-6, durante os quais Satanás será amarrado, e
Cristo reinará com a sua presença espiritual aqui na terra com os seus santos. Mas
pelos mil anos provavelmente se quer dizer, não exatamente dez vezes cem anos,
mas um período indefinidamente longo, porque este é o uso escriturístico da frase.
Dt 7.9; Sl 83.11; 89.4; Is 60.22; Ec 6.6; 2Pe 3.8.

4. A Segunda Vinda de Cristo


A vinda de Cristo para julgar o mundo em sua forma humana será a
segunda aparição, em relação à sua primeira aparição na terra, com sua natureza
humana. Mt 25.31; At 1.11; 1Ts 4.16; 2Ts 1.7, 8; Hb 9.27, 28. Será uma aparição
corpórea e visível (Ap 1.7), surpreendendo a raça humana entregue às suas
ocupações e prazeres diários. Mt 24.36-51; 25.1-14. O tempo da segunda vinda de
Cristo estava, durante a sua encarnação, como parte da sua humilhação,
encoberto a ele, mas era um segredo com o Pai. Mc 13.32. O motivo de sua vinda
será para ressuscitar os mortos, julgar a família humana, sentenciar os ímpios ao
castigo eterno e reunir os justos para gozarem da recompensa eterna no céu. Mt
25.31-46; Jo 5.28, 29; At 17.31; 2Ts 1.7-10; Ap 20.10-15; 21.8.

É do dever de todo crente viver esperando diariamente este grande


acontecimento (Mc 13.33-36), e amar a vinda de seu Senhor. Rm 8.23; 1Ts 1.10;
Tt 2.13; Hb 9.8; 2Pe 3.11-14; Ap 22.20.

5. A Ressurreição Final

Entende-se por isto o surgirem da morte para a vida os corpos de toda


humanidade incorrutíveis e a reunião deles às suas almas. Os corpos ressurgidos
devem substancialmente ser os mesmos corpos, do contrário o termo ressurreição
seria absurdo; e se Deus desse um corpo inteiramente novo seria isso antes uma
nova criação. Esta doutrina, embora superior à nossa razão, não é contrária a ela,
e, portanto, não menos crível do que a primeira criação. Gn 2.2; At 26.8; 1Co
15.22, 23, 45-58.

Não é mais difícil a Deus mudar as nossas pureza e beleza evangélicas, do


que transformar o carvão em refulgente diamante; porque este difere daquele
apenas no arranjo cristalino dos seus átomos. Há também exemplos que indicam a
ressurreição entre os insetos, vegetais e árvores de ano para ano. Enquanto estes
ensinam a possibilidade e probabilidade da ressurreição do homem, a Bíblia
declara explicitamente a doutrina. Jó 14.12-15; 19.25-27; Sl 15.9-11; Is 26.19; Dn
12.2; Os 13.14; Mt 22.28-32; Jo 5.28, 29; At 17.31, 32; 24.14, 15; 26.8; 1Co
15.12-55; 2Co 5.1-10; Fp 3.20, 21; 1Ts 4.13-17; Ap 20.12, 13.

A doutrina da ressurreição é fundamental ao Cristianismo porquanto o


Evangelho inteiro é baseado na verdade dela, especialmente na de Cristo. At 2.23-
36; 13.3-37; Rm 1.4; 1Co 15.12, etc.

O termo “ressurreição” é usado também num sentido simbólico para


significar a mudança das almas de um estado de pecado para um estado de vida
de verdadeira santidade. Ez 37.1-14; Jo 5.21, 25; Rm 6.1-7; Ef 2.1, 5, 6. Mas a
ressurreição do corpo é sempre representada como sendo para o futuro e a da
alma no tempo presente.
6. O Juízo Final

Entende-se por isto aquele importante período que deve terminar o


presente estado de existência e no qual haverá um julgamento geral dos anjos,
dos homens justos e ímpios. At 17.31; 24.15; Jd 6, 7, 14, 15.

As evidências de um tal dia são:

1. A justiça de Deus o requer, porque este atributo não é claro e


plenamente revelado nesta vida presente. Ed 9.13; Sl 72.1-19; 91.8; 102.10; Jó
21.7-34; Ec 8.11, 14; Lc 6.24, 25; 16.25; Rm 9.22.

2. Os ditames da consciência e da razão o pedem. At 24.25; Rm 2.15, 16.

3. A ressurreição de Cristo é uma prova dele. At 17.31; Rm 14.9; Fp 3.10,


11.

4. Aquelas passagens que limitam o juízo a um tempo futuro e definido. Ec


11.9; 12.14; Ml 3.16-18; 4.1; Mt 12.36; 13.38-43; 16.27; 25.31, etc.; Jo 5.28, 29;
12.48; At 17.31; 24.25; Rm 2.5-16; 1Co 3.13; 4.5; 2Co 5.10; 2Tm 4.1; 2Pe 2.9;
3.7; Jd 6; Ap 20.12, 13.

5. Aquelas que falam de gerações anteriores reservadas para o juízo. Mt


10.15; 11.23, 24; Lc 11.31, 32; Jd 6, 7, 14, 15.

O dia de juízo deve ser considerado como o mais sublime, solene e


interessante de todos os acontecimentos. Então o tempo e a provação humana
terminarão. Ap 10.6; 22.11, 12. O mundo material será mudado, e os homens e os
demônios receberão a sua sentença irrevogável às mãos do justo Juiz. 2Pe 2.7-12;
Jd 6, 14, 15; Ap 20.10-15.

7. O Céu

As Escrituras usam desta palavra em três sentidos diferentes: 1) pela


atmosfera que nos cerca, onde se vêem as nuvens e as aves. Gn 1.7, 8, 20; Mt
24.30. 2) Por este espaço incomensurável no qual estão estacionados o Sol e as
estrelas. Gn 1.14, etc; 15.5; Js 10.13. 3) Por aquela morada gloriosa, onde habita
mais especialmente o onipotente Deus, chamado o terceiro céu, 2Co 12.2; o céu
dos céus. Dt 10.14; 1Re 8.27; Ne 9.6; Sl 67.34; o estado e o lugar de bem-
aventurança para o qual vão os santos depois desta vida. 2Re 2.1, 11; 2Co 5.1, 2;
Hb 10.34; 11.16.

Quanto à localidade exata deste lugar, a Escritura não fala, e as conjecturas


humanas são várias e se contradizem. Em geral ele é representado como sendo
em algum lugar separado desta terra, e portanto para cima no sentido mais
rigoroso da palavra. Mc 16.19; Lc 24.51; Jo 3.13; 6.63; At 1.9-11; Ef 3.10; 1Ts
4.16, 17; 1Tm 3.16; Hb 9.24.

Nada é revelado deste mundo celeste para satisfazer a nossa curiosidade


nesta vida; mesmo aos espíritos dos mortos, ao voltar para a terra, não tem sido
permitido revelar o que se lhes fora desvendado. Comparai Mt 17.3; 27.52; Lc
7.15; Jo 11.44; 2Co 12.4; todavia, sabe-se o bastante para despertar em nós
desejos sinceros por este estado celestial e a fim de preparar-nos para ele. 2Co
5.1-8; Fp 1.21-23; Hb 11.13-16; 1Jo 3.2, 3.

Os caracteres proeminentes dessa vida bem-aventurada são a sua


santidade, sua felicidade e a presença do Senhor. Sl 15.10; 16.15; Jó 19.26, 27; Jo
14.1-3; 17.24; 1Co 13.9-12; 2Co 5.1-8; Fp 3.20, 21; 1Ts 4.16, 17; Hb 12.14; 1Jo
3.2, 3; Ap 3.21; 21.3, 4, 7, 22-27; 22.1-5.

O céu foi preparado para os justos desde o princípio, Mt 25.34; e Jesus está
lá com o fim de aperfeiçoá-lo e preparar o caminho, por sua mediação, para todos
os que vão a ele. Jo 14.1-3, 6; Hb 7.25.

Há diferentes graus de glória no céu – chamados moradas, Jo 14.2 –


adaptados às diferentes capacidades e aquisições morais dos fiéis. Dn 12.2; Mt
18.4; 20.23; 1Co 15.41.

John Newton, uma vez, disse que se ele um dia chegar ao céu,
provavelmente encontrará lá três grandes maravilhas: 1) Em achar alguns que ele
não supunha estivessem lá. 2) Em não achar alguns que ele supunha estarem. 3)
E mais que tudo em achar-se a si próprio lá. “O Senhor não vê como os homens
vêem”. 1Re 16. 6, 7; Ml 3.17, 18; 2Tm 2.19.

8. O Inferno

Esta palavra traduzida do hebraico sheol, e do grego hades, originalmente


significa o lugar escondido, o estado ou condição de todos os espíritos dos mortos,
quer dos justos quer dos ímpios, e, portanto, não designa necessariamente um
lugar de tormento. Comparai At 2.27, 31; Lc 16.23.

Quando se trata do lugar do castigo final ele é designado por outras


palavras, tais como gehnna, Mt 5.22, 29, 30; 10.28; 18.9; 23.15, 33; Mc 9.43, 45,
47; Lc 12.5; Tg 3.6; e tartarus, 2Pe 2.4 (Grego).

Posto que muitos dos termos e das palavras usadas na Escritura para
descrever este castigo são metafóricos, eles representam uma medonha realidade,
e são calculados para dar a idéia dos maiores e mais terríveis tormentos possíveis.
Sl 9.18; 49.22; Ml 4.1; Mt 3.12; 8.12; 13.42; 25.41, 46; Mc 9.43, 44; Lc 13.28;
16.24, 28; Rm 2.8, 9; 2Ts 1.8, 9; Jc 13-15; Ap 6.15-17; 14.10, 11; 20.14, 15;
21.8.

Os termos mais fortes possíveis são usados para exprimir a duração eterna
deste castigo. Mt 25.41, 46; Mc 3.29; 9.43-48; Lc 16.26; 2Ts 1.9; Jd 7.13; Ap
20.10.

Os mesmos termos são algumas vezes aplicados em sentido limitado a


cousas tais que devem certamente ter um fim; como parece comparando-se os
seguintes textos: Gn 49.26; Hc 3.6; 2Pe 3.10; Ap 6.14; 16.20.

A representação do castigo dos ímpios é de tal modo ligada à da felicidade


dos justos quanto ao tempo e duração que prova ser ele futuro e eterno. Dn 12.2;
Is 45.16, 17; Mt 25.46; Jo 5.28, 29; Rm 2.5-11; Ap 22.11, 12.

A grande solicitude de Cristo e dos seus Apóstolos pela salvação dos


homens mostra que os ímpios estão expostos a um castigo eterno. Dt 30.15-19;
32.29; Jr 8.18-22; 9.1, 2; Ez 18.30-32; Lc 13.24-28, 34; At 20.17-31; 21.13; Rm
9.1-3; 2Co 6.1-9; 8.9; 1Pe 2.21-24; 3.17, 18; Ap 6.9-11.

Sócrates e Platão, expositores da mais elevada razão humana não inspirada,


ensinavam a doutrina do sofrimento interminável para as almas incorrigíveis. Nisto
eles concordavam com a antiga mitologia. Daí o dogma não é irrazoável,
porquanto ele é um princípio da religião natural, e da filosofia moral, resultante da
perversão da livre agência. Comparai Pv 1.31, 32; Gl 6.7, 8; Ap 22.11, 12.

A aplicação do sofrimento como pena pelo pecado não está em desacordo


com a misericórdia divina, mas é antes uma amostra dessa misericórdia que
merece um louvor adequado. Êx 15.1-21; 34.6, 7; Sl 57.11, 12; 61.12; 135.1, 10,
15, etc.; 148.5-9.

Se, portanto, em todos os tempos a misericórdia divina tem não só


permitido mas até infligido o sofrimento como um castigo aos pecadores, assim
como meio de disciplina e correção, por que não pode o castigo eterno ser
compatível com a misericórdia divina? Lv 24.10-16; Nm 15.30-36; Js 7.1-9; Is
66.24; 1Co 10.5-11; 2Pe 2.6; Jd 7; Ap 9.1-6.

O castigo futuro não pode significar o aniquilamento, extinção ou não-


existência, porque o que cessa de ser cessa de sofrer, enquanto que o sofrer
implica uma existência consciente continuada: por isso chamado castigo eterno. Mt
25.46; 2Ts 1.9; Jd 7.
No aniquilamento não pode haver mais nem menos; é, portanto,
incompatível com a doutrina da Escritura de diferentes graus de castigo. Mt 10.15;
11.22-24; 12.41, 42; 13.14; Lc 12.47, 48; Hb 10.26-29.

Os partidários modernos do aniquilamento sustentam que a alma morre


como o corpo; que esta morte constitui o castigo do pecado; e que esta é a
condição de todos os mortos, a de uma não-existência. Que a única diferença
entre os justos e os ímpios é que os justos são castigados deste modo, alguns por
milhares de anos, até que Cristo os ressuscite para a imortalidade; enquanto que
os ímpios permanecem na morte eterna. Esta doutrina é contrária às Escrituras em
geral, especialmente às seguintes: Sl 16.10; Dn 12.2; Lc 15.22-28; 23.43; Jo 5.28,
29; At 7.55, 59; 2Co 5.1-8; Fp 1.21-23; Ap 14.10-13; Mt 22.32.

Alguns querem afirmar que o castigo do pecado está, na maior parte, no


remorso da consciência, e que todo o pecador sofre em proporção à sua culpa, e
no tempo da transgressão.

Esta doutrina não pode ser verdadeira. – 1. Porque nem em todos os


indivíduos a consciência é a mesma; enquanto em um ela o condena por fazer
cousas que em si estão certas, em outro ela o absolve na prática de ações
realmente injustas. At 26.9, etc; 1Tm 1.13.

2. Porque quanto mais um indivíduo peca mais se torna insensível a ele;


enquanto o primeiro desvio do caminho do dever é acompanhado de um
sentimento profundo de culpa, na segunda ofensa a consciência sente menos, e
assim até que ela seja adormecida. Ef 4.19; 1Tm 4.2; Tt 1.15.

Se não há castigo depois desta vida, e se todos os que morrem ficam logo
felizes, então se pode concluir de sua administração que Deus é mais o amigo dos
pecadores do que dos justos. Assim os ante-diluvianos e os Sodomitas foram
levados do meio dos seus crimes diretamente para o céu, enquanto que o justo
Noé e Lot foram deixados para atuar mais tribulações e sofrimentos nesta vida.
Mas veja-se 2Pe 2.4-9.

Se, depois do castigo, pode-se ser admitido às recompensas do céu, então


pode haver salvação sem ser pelo sangue de Cristo, e a sua cruz é tornada de
nenhum efeito. Jo 14.6; Hb 9.12-28; Ap 1.5.
TERCEIRA PARTE

A MORAL DO CRISTIANISMO

A LEI MORAL

Esta é aquela revelação da vontade divina que diz respeito aos deveres dos
homens para com o seu Criador e para com seus semelhantes ou próximos, como
é explicado em Lc 10.33-37.

Esta lei é espiritual e perfeita, estendendo-se a todas as criações internas e


as ações externas dos homens, e nunca poderá ser mudada nem aniquilada. Sl
18.8, 9; Pv 30.5, 6; Rm 7.12, 14; Ap 22.18, 19.

Esta lei foi primeiramente escrita nos corações e nas consciências dos
homens, de maneira que por um uso próprio de suas faculdades racionais e morais
eles pudessem chegar ao conhecimento de todo o seu dever. Jo 1.9; 3.19, 20; Rm
1.19, 20; 2.14, 15.

“Duas cousas há que quanto mais vezes e com mais atenção as


consideramos, tanto mais nos enchem o espírito de uma sempre nova e crescente
admiração e respeito: o CÉU ESTRELADO acima; a LEI MORAL interior.” – Emanuel
Kant.

Para conformar essa lei original da natureza, ela foi escrita pelo dedo de
Deus em forma de dez mandamentos, e entregue a Moisés no monte Sinai. Êx
20.1-17; 21.12; 31.18; 32.15, 16.

O sumário desta lei, como foi explicado por Cristo e seus apóstolos, é o
amor supremo a Deus, o amor imparcial aos homens. Mt 22.36-40; Lc 10.35-37;
Rm 13.9, 10; Tg 2.8.

“Do seio Universal a síntese se exala: –


Se a Deus folgas amar de toda a devoção,
Consiste o teu amor na humanidade inteira,
O bem que anseias faze, a ti, a teu irmão;

Deleita, é tão doce e simples isso é bom,


Tão fácil de atrair, quão leve relembrar;
Que nos renove o ser do Ser-divino a graça
Que simples é cumprir melhor que o desejar.”
(J. de S. Gayozo).

I. DEVERES PARA COM DEUS


Estes deveres são internos e externos; isto é, há uns que se referem aos
nossos princípios e disposições internos, e há outros que dizem respeito às nossas
ações externas, quer públicas, quer privadas.

1. Os deveres internos são:

1) A submissão a Deus. 1Re 3.18; Jó 1.21, 22; Sl 38.10; Is 45.9, 23; Tg 4.7,
16.

2) O amor a Deus. Dt 6.5; Js 22.5; Pv 8.17; Jo 14.21; Rm 8.28; Ef 1.4; Jd


21.

3) A confiança em Deus. Sl 4.6; 36.3; 54.23; 61.8; Pv 3.5; 16.3; 29.25; Is


26.4; 1Pe 4.19.

4) O temor de Deus. Dt 6.21; 10.12; Js 24.14; Sl 32.8; 95.4, 9; Pv 23.17; Ec


12.13; Mt 10.28.

2. Os deveres externos incluem todos os meios apontados para promover a


sua religião. Tais como o culto a Deus, público e social, inclusive a leitura e a
pregação de sua palavra, a exortação, a conversão mútua, o sacramento, o canto
e a oração. Ne 8.1-12; Sl 99.1-4; 149.3-6; Ml 3.16; Mt 18.20; 28.19, 20; Lc 4.15-
21; At 16.13; 17.1-13; 1Co 11.23-27; Cl 3.16; Hb 10.25; 1Tm 4.11-16.

Estes meios de graça são todos indispensáveis, mais especialmente a


oração, pela qual se entende a apresentação a Deus dos nossos desejos pelas
cousas agradáveis à sua vontade. Ez 36.37; Jr 29.12, 13; 1Jo 5.14, 15.

A importância deste dever é manifestado dos mandamentos expressos e


das promessas de Deus. Is 62.6, 7; 65.24; Jr 33.3; Ez 36.37; Jl 2.32; Mt 6.9-13;
7.7-11; Lc 18.1-8; Rm 10.12, 13; Fl 4.6; Cl 4.2, 3; Tg 1.5; 5.13-16.

O dever geral da oração inclui quarto espécies ou classes:

a) A oração mental, chamada a oração da alma, e do coração, distinta da


que é chamada vocal. 1Re 1.12, 13, 15; Sl 61.9.

A principal importância desta espécie de oração é que pode ser oferecida


em todas as ocasiões, em qualquer lugar, e por todos.

Ela é especialmnete mencionada em Lc 18.1, 7; At 10.2; Rm 12.12; Ef 6.18;


1Ts 5.17.
Nenhuma posição particular do corpo é recomendada como essencial à
oração aceitável.

Os judeus usavam tanto o sentar-se como o estar de pé. 2Sm 7.18; Jz


20.28; Mt 6.5; Lc 18.11; exceto em ocasiões de grande comoção, quando o
ajoelhar ou o prostrar-se era comum. Jó 1.20; 2Cr 6.13; Es 9.5; Sl 94.6; Dn 6.10.
Este era também o uso com Cristo e entre os cristãos primitivos. Mt 26.39; Lc
22.41; At 7.59; 20.36; 21.5; Ef 3.14.

b) A oração privada: cujo valor particular está em podermos aproximar-nos


de Deus com mais liberdade, e lhe abrirmos o nosso coração, melhor do que de
qualquer outro modo.

Entre nós e Deus há interesses privados e pessoais; pecados a confessar,


necessidades por serem satisfeitas, que seria impróprio descobrir ao mundo.

Este dever é reforçado pelo exemplo dos homens bons de todos os tempos.
Gn 32.25, etc.; 2Re 4.33; At 10.2, 9, 30; e especialmente pelo ensino e exemplo
de Jesus. Mt 6.6; 11.23; 26.36; etc.; Mc 1.35; Lc 5.16.

c) A oração de família. A falta de um preceito expresso sobre o culto de


família tem sido solicitada contra a obrigação que temos de sustentá-los. Mas não
há necessidade de semelhante preceito, desde que esse dever está claramente
incluído no mandamento geral de inculcar a religião na família, que tem sido
praticado pela Igreja de todos os tempos. Gn 18.19; Dt 6.6, 7; At 10.2; 16.31-33;
Ef 6.4.

d) A oração pública e social: uma importante parte do culto público. Vejam-


se os deveres externos para com Deus, referidos.

As orações de pecadores impenitentes são desprezadas por Deus. Sl 49.16;


Pv 1.28, 29; 28.1; Is 1.15; Jo 9.31; Tg 4.3. Ele ouve ao penitente. Lc 15.17, etc.;
18.9-14.

II. OS DEVERES PARA COM O PRÓXIMO

Por aquela bela parábola do bom Samaritano se nos ensina que o termo
próximo compreende todo o ente humano. Lc 10.25-37.

Esta relação é independente de nacionalidade, vizinhança ou religião. Ml


2.10; Pv 22.2; At 17.26; Gl 3.28.

Todo o dever para com o nosso próximo encerra-se no que se tem com
razão chamado a lei régia. Tg 2.8; e a regra de ouro de nosso Salvador. Mt 7.12.
O fim óbvio desta regra é, sendo guiado pela justiça e pela misericórdia,
fazer aos outros o que queriamos que eles nos fizessem a nós, se as circunstâncias
deles e nossas fossem invertidas. Esta lei, portanto, em um sentido tanto positivo
como negativo, abrange um campo muito largo. Sl 119.96.

1. Esta lei de amor universal proíbe que nos entreguemos a qualquer


disposição ou sentimento menos santo para com o nosso próximo tais como: o
ódio, Lv 19.17; 1Jo 3.14, 15; 4.20. A inveja, Pv 24.1; Sl 37.1; Rm 13.13; 1Pe 1. A
malícia, 1Co 5.8; 14.20; Ef 4.31; Cl 3.8. A ira, Ec 7.9; Mt 5.22; Ef 4.31; Cl 3.8. A
cólera, Rm 12.19; Ef 4.26, 31; Tg 1.19. A vingança, Lv 19.18; Pv 24.29; Zc 7.10;
Rm 12.19. A cobiça, Êx 20.17; Lc 12.15; Ef 5.3; Cl 3.5.

2. Ela proíbe toda a conduta pecaminosa para com o nosso próximo como:
o homicídio, Êx 20.13; Mt 5.21, 22; 19.18. A mentira e o falso testemunho, Êx
20.16; Pv 24.28; Zc 8.16, 17; Ml 3.5; Ef 4.25; Cl 3.9. O furto, Êx 20.15; Lv 19.11;
Mt 19.18; Ef 4.28. A disputa e as contendas, Gn 13.8; Pv 20.3; 25.8; Rm 13.8; Cl
3.13; Tt 3.9. A prostituição e embriaguês, Êx 20.14; Jó 31.1; Pv 6.25, 29, 32;
23.20, 31-33; Is 5.11, 22; Hc 2.15, 16; Mt 5.27, 28; Rm 13.13; 14.21; 1Pe 2.11. O
falar mal e contumélia, At 23.5; Ef 4.31; Tg 4.11. A opressão, Sl 12.5; Pv 24.11,
12; Is 1.17; 58.6; Ml 3.5; Am 4.1; Zc 7.10; Tg 5.4. O pagar-se o mal com o mal,
Lv 19.18; Pv 24.29; 1Ts 5.15; Mt 5.39-44.

3. Ela manda que cultivemos todos os sentimentos e disposições santas


para com o nosso próximo, tais como: o amor, Lv 19.18, 34; Mt 5.44; Jo 13.34;
Rm 12.10; 13.8; 1Co 13.1-8; Gl 5.13, 14; Cl 3.14; Hb 10.24; 13.1; 1Pe 2.17; 1Jo
3.18; 4.7, 8, 20, 21. A longanimidade, Pv 19.11; 1Co 13.4-7; Ef 4.2; Cl 3.13; 1Pe
2.19-23.

4. Ela requer a prática de todas as ações boas para com o nosso próximo,
tais como: o bom exemplo, Ne 5.9; Mt 5.16; Cl 4.5; 1Tm 4.12; Tt 2.7, 8. A honra,
Rm 12.10; 13.7; Fp 2.3; 1Pe 2.17. A misericórdia, Dn 4.27; Mq 6.8; Lc 6.36; Cl
3.12. A compaixão, Lc 10.33-37; 1Pe 3.8; Jo 3.17.

5. Ela, com especialidade, designa o nosso comportamento para com certas


classes particulares de nossos próximos, tais como: os governadores, At 23.5; Rm
13.1-7; Hb 13.7; 1Ts 5.12, 13; 1Tm 2.1-3; Tt 3.1; 1Pe 2.13-17. Senhores e servos,
Ef 6.5-9; Cl 3.22; 4.1. Pais e filhos, Ef 6.1-4; Cl 3.20, 21. Maridos e mulheres, Ef
5.22-25; Cl 3.18, 19. Os velhos, Lv 19.32; 1Tm 5.1, 2; 1Pe 5.5. Viúvas e órfãos, Êx
22.22-24; 1Tm 5.3; Tg 1.27. Os enfermos, Tg 1.27; 5.14. Os estrangeiros, Êx
22.21; Hb 13.2. Os inimigos, Mt 5.44; Rm 12.20. Os ímpios, Lv 19.17; 1Sm 12.20,
23. Os gentios, Mt 9.38; 28.19, 20.

III. DEVERES PARA CONOSCO


1. A DEFESA própria contra as forças da natureza, os animais ferozes e
homens maliciosos, até o tempo de tirar a vida a outro para salvar a nossa. Nm
35.22-24.

2. PRESERVAÇÃO PRóPRIA. Devemos evitar o mutilar-nos, a não ser para


preservar a vida e a destruição própria. Lv 19.28; Jr 16.6, 7; 47.5.

É do nosso dever suportar todos os males da vida como para disciplina e


correção das nossas naturezas espirituais. Hb 12.5-11; Ap 3.19.

Temos o dever de evitar o torturar-nos a nós mesmos e as austeridades


rígidas e jejuns prejudiciais à saúde da alma e do corpo. 1Tm 4.1-5.

3. A MODERAÇÃO. Temos o dever moral de conter nossos apetites naturais


e legítimos dentro dos limites da razão e da consciência. O desejo de comida e de
bebida só deve ser satisfeito até onde não seja prejudicial à saúde. A inclinação
sexual só deve ser satisfeita nos limites do casamento legal; e, ainda assim, não
em dano do corpo, do espírito e da natureza espiritual. 1Co 6.19; 9.27.

A lei de moderação proíbe o criar-se e entregar-se a apetites artificiais


escravisadores e degradantes tais como os que resultam do uso de ópio, fumo e
bebidas embriagantes. A natureza imperiosa destes apetites os põe em direto
antagonismo com a lei da pureza, que manda que as partes inferiores da natureza
sejam sujeitas às superiores. Rm 6.12, 13; 12.1, 2; 1Co 6.9-13; Fl 3.19; 1Pe 2.5.

Nenhuma menção se faz, na Bíblia, de espíritos destilados ou alcoólicos,


porque estes são de invenção mais recente. As bebidas fortes, frequentemente
mencionadas são a cidra e a cerveja embriagantes dos tempos modernos. Estas,
bem como o vinho embriagante como bebida, são sempre condenadas, seja
positiva, seja implicitamente: Lv 10.9; Nm 6.3, 4; Dt 29.6; 32.33; Jz 13.4, 7, 14;
1Re 1.13-15; 25.36-38; 2Re 13.28; Et 1.10; 7.7; Pv 20.1; 23.29-32; 31.4, 5; Is
5.11, 22; 24.9; 28.1, 7; 56.12; Jr 35.5, 6; Ez 44.21; Dn 1.8; 5.1-4; Os 3.1; Jl 1.5;
3.3; Mq 2.11; 6.15; Hc 2.5, 15, 16; Lc 1.15; 21.34; Rm 13.13; 1Co 6.10; Gl 5.21;
Ef 5.18; 1Tm 3.3, 8.

Que se fazia uso de certos vinhos nos tempos das Escrituras que não eram
embriagantes nem prejudiciais, mas simplesrnentes confortantes e promotores da
saúde, se observa, primeiro, por serem eles designados por uma palavra hebraica
diferente; e em segundo lugar, pela alusão favorável a tais vinhos, Jz 9.13; Sl 103.
15; Ct 8.2; Is 55.1 e especialmente por serem recomendados aos enfermos como
um tônico ocasional ou para algum fim curativo mas não como bebida habitual.
1Tm 5.23.
O uso do vinho como bebida é por alguns defendido pelo ato de Jesus em
sancionar a prática fornecendo-o milagrosamente nas bodas de Caná. Jo 2.1-11.
Mas não parece que o vinho que se usou primeiro naquela festa fosse
embriagante; e muito menos o que Jesus forneceu, chamado o bom vinho. É
muito mais provável que fosse uma amostra daquele que o Deus da natureza faz
na videira, chamado o puro licor de uva. Dt 32.14.

O dever da abstinência total de toda a bebida embriagante é fundado não


na lei da moralidade absoluta, mas nas exigências de uma moralidade de
prudência. Isto proíbe atos em si mesmos não pecaminosos, mas que se tornam
em pecado quando praticados habitualmente por nós, ou por outros seguindo o
nosso exemplo. Rm 14.21; 1Co 8.9-13; 10.31-33.

O uso do fumo e do ópio, como meio de satisfação própria, é condenado


por todas as Escrituras que requerem santidade ou pureza, tanto física como
espiritual, e que comamos e bebamos para a maior glória de Deus. Rm 12.1, 2;
1Co 10.31; 2Co 7.1; Ef 5.4; Tg 1.21.

O dever da moderação requer a supressão da ambição ou o desejo


desordenado de honra e poder; também a extinção da cobiça ou o desejo de
amontoar riquezas com fins egoístas, Êx 20.17; Js 7.21; Lc 12.15; Cl 3.5.

Este dever também requer o domínio perfeito das nossas paixões e gênio
como prejudiciais a nossa perfeição espiritual. Ef 4.31; Cl 3.8; Tg 3.14; 2Pe 1.6.

4. A EDUCAÇÃO PRÓPRIA. Isto abranje o devido cuidado e exercício do


corpo, como a habitação da alma; e a devida atenção à dieta, à vestimenta, à
limpeza e sono, e à educação das faculdades intelectuais; alargando assim a nossa
capacidade para utilidade e gozo. Nossa natureza ou consciência moral deve ser
desenvolvida, nas suas faculdades tanto descriminativas como impulsivas, pelo
bom proceder e pelo estudo de imitação dos melhores exemplos; enquanto que a
nossa natureza espiritual deve ser desenvolvida e purificada pela habitação do
Espírito Santo em nós. 1Ts 5.23; Hb 5.14.
QUARTA PARTE

INSTITUIÇÕES DO CRISTIANISMO

I. O CASAMENTO

Quando Deus fez o homem disse, “não é bem que ele esteja só” e, por isso,
lhe fez um “adjutório semelhante” a ele; isto é, como se fosse a contraparte do
homem, um ente exatamente adaptado a ele em corpo e espírito; não um ente
separado, mas feito parte dele próprio; de maneira que, sendo-lhe apresentado,
ele viu na pessoa um segundo ele tendo a mesma natureza, as mesmas faculdades
e os mesmos direitos inalienáveis. Gn 2.7, 18, 21-24. Adão, portanto, chamou à
sua companheira virago, diferindo ela do homem apenas no sexo e não em
natureza e qualidade. Ambos têm em comum o nome de Adão ou homem (vir). Gn
1.26, 27; 5.2.

Descobrimos nesse arranjo a causa e a origem do casamento: 1. Deus


pronunciou não ser um estado bom o do celibatário, Gn 2.18.

2. Ele tirou a mulher do homem para que o homem sempre a considerasse


e a tratasse como parte de si próprio, Gn 2.23, 24; Ef 5.28, 29, 33.

3. O casamento é portanto uma coisa boa, Pv 18.22; e que deve ser


honrado por todos, Hb 13.4.

Ensinar e praticar o contrário é dar ouvidos a espíritos sedutores e a


doutrina de demônios, 1Tm 4.1-3. Pode haver com alguns, boas razões para se
absterem do casamento; mas esses casos são exceções da regra geral, Mt 19.10-
12; 1Co 7.2, 7-9, 28. Deus não proibia o entrelaçamento de nenhuma família
humana por motivo de raça, posição ou cor; mas ao contrário, ele, de um modo
assinalado, denunciou todo o preconceito contra a prática, Nm 12; Dt 24.9.

O cristianismo coloca todos no mesmo nível, Cl 3.11.

A proibição do entrelaçamento entre parentes próximos em Lv 18.6-18,


baseada como é em princípios universais e estáveis não foi revogada por Cristo.
Toda a parte moral da lei levítica está ainda em vigor. Esta proibição é um tanto
moral.

O casamento se limita a um homem com uma mulher, isto é, ao mesmo


tempo, Mt 19.5; Ef 5.31; 1Tm 3.2, 12; e a poligamia é, por força, rigorosamente
proibida, Dt 17.17; 1Rs 11.1-4; assim também o divórcio, a não ser por uma causa
única, Mt 5.32; 19.6-9; Rm 7.2, 3; contudo, o separaram-se sem tornar a casar é,
em certos casos extremos, permitido, 1Co 7.10-17; Pv 21.19; Am 3.3.
II. O DOMINGO

Por isto se entende:

1. O dia ordenado por Deus, no fim da criação, para ser observado pelos
homens como um dia de descanso de toda a ocupação secular, porque nesse dia o
próprio Deus descansou de sua obra, Gn 2.1-3. Não que o descanso de Deus fosse
necessário pela fadiga, Is 40.28; mas ele descansou, isto é, cessou de trabalhar no
sétimo dia, como exemplo para os homens; por isso ele deu-o como uma razão
pela qual os homens devam descansar nesse dia, Êx 20.11; 31.17. Deus,
santificando e abençoando o dia, quis significar que ele o separava do uso comum
para um religioso, para ser uma memória perpétua ou sinal de que todos os que o
guardassem se mostrariam adoradores daquele Deus que criou o mundo em seis
dias e descansou no sétimo, Êx 20.8, 11; 31.16, 17; Is 6, 7.

2. O Domingo é indispensável ao homem, promovendo o seu bem estar


físico, intelectual, social, espiritual e eterno. Daí a sua observância é feita a melhor
das promessas, e a sua violação é seguida das mais severas penas, Êx 23.12;
31.12-18; Ne 13.15-22; Is 56.2-7; 58.13, 14; Jr 17.21-27; Ez 20.12, 13; 22.26-31.
A sua santidade é claramente marcada na colheita do maná, Êx 16.22-30.

3. A lei primitiva do Descanso foi renovada e feita parte proeminente da lei


moral ou decálogo, dada por intermédio de Moisés no monte Sinai, Êx 20.8-11.

4. Este Descanso do sétimo dia foi rigorosamente observado por Cristo e os


seus apóstolos antes da sua crucificação, Mc 6.2; Lc 4.16, 31; 13.10; At 1.12-14;
13.14, 42; 17.2; 18.4.

5. Jesus, depois da sua ressurreição, mudou o dia santificado do sétimo


para o primeiro da semana, mostrando assim a sua autoridade como Senhor até
do Sábado (Mt 12.8), não com o fim de ab-rogá-lo ou quebrantá-lo, mas para
presidir sobre ele e modifícá-lo, ou dar-lhe nova forma, para que passassem a
comemorar a sua ressurreição, quando ele cessou da sua obra de redenção assim
como Deus cessara da sua criação, Hb 4.10. Sobre quando tenha Jesus dado
instruções para esta mudança não nos é dito, mas provavelmente terá sido
durante o tempo em que ele falou aos seus apóstolos das cousas pertencentes ao
seu reino, Tt 1.3. Esta é provavelmente uma das muitas cousas que Jesus fez e
que não foram escritas, Jo 20.30; 21.25.

6. Que o Sábado foi de fato mudado passando-se a celebrar o primeiro dia


da semana, vê-se pelo exemplo dos apóstolos, que depois da ressurreição de
Cristo, celebravam o primeiro dia como o dia santificado, Jo 20.19, 26; At 20.7;
1Co 16.2. Daí ficou ele chamado O dia do Senhor, Ap 1.10. Neste apareceu Jesus
aos seus apóstolos uma semana depois da sua ressurreição.

O Espírito Santo foi dado neste dia na festa de Pentecostes; a ceia do


Senhor era celebrada neste dia, 1Co 11.20; 16.1, 2; At 20.6-11.

Em Cl 2.16, 17, Paulo diz claramente que os discípulos de Jesus não têm
obrigação de observar o sétimo dia ou Sábado judaico. Com tudo isto não lhes
tirava a obrigação de guardar um Sábado, desde que a sua instituição era divina e
dada à espécie humana nas pessoas de Adão e Eva. O dia do Senhor é o único dia
santo da primitiva Igreja Cristã.

7. Em nenhum lugar se nos diz em que hora do dia deve começar o


Domingo, pela razão de que o mesmo dia não começa ao mesmo tempo em todas
as partes da terra. Em semelhantes circunstâncias, é seguro e expediente que nos
conformemos à contagem dos dias que se usa no país em que vivemos, Rm 14.5,
6.

8. Todas as obras de misericórdia e de necessidade, tais como o aliviar o


sofrimento dos homens ou dos animais, quando essas obras não se podem com
justiça adiar, são compatíveis com a observância do Domingo, Mc 2.23-27; 3.2-5;
Lc 13.10-17; Jo 5.17, 20; 7.22, 23.

O Domingo, como dia de descanso e serviço santo, é um tipo do céu, no


qual ninguém senão os fiéis santos podem entrar, Hb 4.1-11; 12.14; Ap 14.13;
22.14, 15.

É do dever do poder civil proteger os cristãos contra a perturbação no seu


culto religioso. Mas o poder intromete-se na prerrogativa divina quando assume o
direito de obrigar o cidadão a adorar a Deus, ou de abster-se daquelas ocupações
que não perturbam aos outros. O guardar o Domingo é um dever eminentemente
moral, e por isso ele deve ser um serviço voluntário prestado sob a influência de
persuações morais somente.

Como o Domingo é de vasta utilidade em preservar o conhecimento e o


culto de Deus, e por aí promover a prosperidade secular e espiritual, a felicidade
presente e futura da humanidade, é do nosso dever fazer todo o esforço para
prevenir a sua violação, inculcando aqueles princípios morais que são a base de
sua observância aceitável.

Ao mesmo tempo devemos evitar condenar sem caridade aqueles que


foram educados em países cristãos onde o rigor dos Puritanos a respeito do
Domingo não prevalece. Em nenhuma questão moral há lugar para se exercer um
juízo caritativo e relevar tanto como neste ponto.
III. A IGREJA

A Igreja de Deus, em seu caráter distintivo, deve ser considerada como


geral ou particular, visivel ou invisível, militante ou triunfante.

A Igreja geral é o corpo inteiro dos crentes cristãos de todas as épocas no


céu e na terra, Ef 3.15.

Por uma Igreja particular se entende uma reunião de cristãos de qualquer


denominação particular, congregados para render culto a Deus de acordo com as
suas vistas particulares, 1Co 12.12, 25, 27.

Por Igreja visível se entende todos aqueles que aberta e francamente


professam o Cristianismo, e que têm entrado em um pacto com Deus e com o seu
povo por conseguinte, 1Co 1.2; 16.1-19.

A Igreja invisível é constituída por aqueles que são conhecidos de Cristo


como pertencentes a ele, quer tenham quer não se tenham unido à Igreja visível,
2Tm 2.19.

O povo de Deus na terra é chamado a Igreja Militante, e aquele no céu, a


Igreja Triunfante, Ef 3.15; Hb 12.22-24.

A verdadeira Igreja, tanto na terra como no céu, é composta somente de


cristãos verdadeiros, aqueles que se conformaram a Cristo perfeitamente, Ef 4.12,
13; 5.26, 27; Hb 12.22-24; 1Jo 3.2, 3; Ap 19.7, 8.

Aqueles pertencentes à Igreja Militante, que são cristãos meramente no


nome, serão excluídos da Igreja Triunfante, Mt 13.36-43, 47-50; 12.1-14.

O objeto da Igreja é promover a religião cristã em todo o mundo, pelo


exemplo santo dos crentes e pela pregação do Evangelho.

O fundamento e a cabeça da Igreja é Cristo, Mt 16.18; 1Co 3.11; Ef 1.22;


2.20-22; 5.23-24. Seus apóstolos foram fundamento em um sentido secundário,
Ap 21.14; como o foram todos os profetas; isto é, toda a classe de pregadores
cristãos, Ef 2.20; 4.11. Estes formam a verdadeira Igreja que é a coluna e base da
verdade, 1Tm 3.15; isto é, o meio indicado para sustentar e propagar a verdade
cristã no mundo, Mt 5.13-16; 28.19, 20; 1Co 3.9, 10; Ef 4.11-16; Rm 10.14-17; Ap
22.17.

IV. OS SACRAMENTOS
1. O Batismo

O batismo é a aplicação da água a uma pessoa como um sacramento ou


cerimônia religiosa. Uma espécie de batismo ou ablução era praticada entre os
judeus como símbolo de purificação, 2Re 5.10-14. Isto era exigido especialmente
daqueles que entravam para o exercício sacerdotal. Êx 19.4; Lv 8.5, 6; Nm 8.5-7.

Foi para se conformar com esta lei que Jesus foi batizado, Mt 3.13-15, e por
isso não foi senão já com trinta anos de idade. Comparai Nm 4.3, 47; Lc 3.21, 23.

O batismo de João pela água foi introdutório ao batismo mais excelente do


Espírito Santo, instituído por Cristo, Mt 3.11; At 1.5; 19.3-5. Ele foi chamado o
Batista ou batizador, por ter sido enviado especialmente para este fim. Jo 1.33.

Cristo, logo em princípio de sua carreira ministerial, batizou com água por
intermédio dos seus discípulos, Jo 3.22, 26; 4.1, 2; e pouco antes da sua ascensão
mandou-os fazer prosélitos em todas as nações batizando-as em nome da Santa
Trindade, Mt 28.19, 20.

Daí em diante a prática sempre existiu como um rito ou cerimônia de


admissão à Igreja visível de Cristo, At 2.38, 41; 8.36-38; 10.47, 48; 1Co 12.13.

É do dever, portanto, de todos os que têm uma fé verdadeira em Cristo


unir-se à sua Igreja visível, e nisto fazer aquela “confissão diante dos homens”
tanto recomendada por Cristo, a cabeça da Igreja, Mt 10.32, 33.

Além disso, atendendo a este dever nós nos habilitamos a partilhar das
ordenações exteriores do Evangelho que Cristo mandou seus discípulos receber, e
estamos acelerando o cumprimento daquelas promessas que dizem respeito ao
destino final da Igreja, Is 2.1-4; Mt 16.18; Sl 2.8, etc.

Entrando para a Igreja pelo batismo, estamos contribuindo para fazer o


Cristianismo uma instituição visível sobre a terra, como foi a intenção do seu divino
fundador, Mt 5.14-16; 18.17; At 2.41-47; Fl 2.15, 16.

Quanto aos candidatos para o batismo, tanto as crianças como os adultos


crentes, que já não foram batizados, são considerados próprios.

Que os adultos devem ser crentes para receber o batismo é evidente pelo
fato de que as Escrituras exigem deles a fé, e de que os que creram foram
batizados, Mc 16.16; At 2.41; 8.12, 37; 16.31-33.
Quando as Escrituras falam da fé como necessária para o batismo, ou para
a salvação, se referem somente aos adultos, ou àqueles que têm a capacidade
para crer, Mc 16.16.

Que não se exige a fé nas crianças é evidente pelo fato de que a falta de
verdadeira fé, que desqualifica uma pessoa para o batismo, também a exclui da
salvação, Mc 16.16; Jo 3.18, 36.

Que as criancinhas são candidatos próprios para o batismo é claro, porque:

1. A Igreja cristã é continuação da Igreja judaica, e o pacto subsiste o


mesmo, embora o selo, ou sinal dele, tenha sido mudado, Hb 8.6-13.

2. O sinal do concerto na primeira Igreja era a circuncisão, que, por


mandato divino, era administrada às crianças, constituindo-as assim membros da
Igreja. 17.9-14.

3. O batismo substitui agora a circuncisão; e como direito das crianças a


serem membros da Igreja nunca foi revogado, deduz-se que elas ainda devem
receber o sinal da aliança, Cl 2.10-12. Se os filhos dos judeus crentes tivessem
sido excluídos do novo pacto, uma tão grande diminuição nos direitos teria dado
motivo à discussão; mas enquanto matérias de menor importância foram
discutidas, esta grande questão nunca se originou, At 21.20; donde se infere que
as crianças não foram excluídas do novo pacto.

4. Que se devem receber as crianças para a Igreja, e como tais batizá-las,


deduz-se também das seguintes passagens: Is 44.3; 59.21; Jl 2.28; Mt 18.1-4;
19.13, 14; At 2.38, 39; 1Co 7.34.

5. A prática dos apóstolos constitui ainda outra prova, como se vê da


relação de seus batismos – não menos de quatro famílias estão registradas como
tendo recebido o batismo: a de Cornélio, a de Lídia, a do Carcereiro e a de
Estéfanes. Quando consideramos que os velhos não são fáceis de converter,
veremos que há grande probabilidade de que esses que acabamos de enumerar
eram comparativamente moços, e que entre eles havia crianças, At 16.15, 33; 1Co
1.16.

6. Todos os escritores antigos de alguma nota fazem alusão a esta prática


pelos apóstolos; e nem foi ela negada nem discutida senão no século XII depois de
Cristo, tempo em que uma seita, a dos Valdenses, negou o rito às crianças, na
crença de que todas estas estavam debaixo de condenação – doutrina esta
certamente não de Cristo, Lc 18.15-17, mas do demônio, 1Tm 4.1; 2Pe 2.1.
7. Apenas cento e cinquenta anos depois da morte de S. João, um concílio
de sessenta e seis bispos decidiu unânimemente que “o batismo das crianças não
precisava ser demorado até o oitavo dia depois do nascimento, como fora com a
circuncisão, mas podia ser administrado a qualquer tempo antes”. A questão que
eles decidiram foi, não se as crianças deviam ser batizadas, mas se se devia
batizá-las antes de terem oito dias.

8. É verdade que não há nenhum mandamento positivo para batizarem-se


as crianças, e também não há nenhum contra, como deveria haver se Cristo
tivesse querido diminuir os direitos dos pais judeus sob a velha dispensação. Não
há tão pouco nenhum mandamenlo para se santificar o primeiro dia da semana,
nem para o culto de família, nem para que as mulheres participem da ceia do
Senhor. As razões são claras; não havia controvérsia, em nenhum desses pontos,
que desse motivo para isto.

9. Supõe-se que todos que assim dedicam seus filhos a Deus, ou pela
circuncisão ou pelo batismo, tomam sobre si as obrigações necessárias de educá-
los para o serviço de Deus, ensinando-lhes todas as doutrinas e os deveres da
verdadeira religião, Dt 6.7; Gn 18.19; Ef 6.1, 4.

As Escrituras em nenhum lugar falam de algum modo especial de


administrar-se o batismo. O mandamento é para batizar, sem designar a maneira
de o fazer. O modo, portanto, não é essencial, ou, se é, parece que o
derramamento ou a aspersão deveria ser o adequado, porque o batismo pela água
é símbolo do batismo espiritual do qual se fala sempre por estes termos, Is 44.3;
Ez 36.25; Jl 2.28; At 2.18, 33; 1Co 10.1, 2; Tt 3.5-6; Hb 10.22; 12.24.

O modo de imersão é desfavorável à prática universal, enquanto que os


outros modos podem ser usados em qualquer lugar, em qualquer tempo ou
estação do ano, e a qualquer pessoa: na solidão do deserto, ou no meio da cidade
apertada; ao lado do Jordão, na casa de Cornélio, na prisão de Filipos, na cruz do
penitente, ou na cama do enfermo ou do moribundo.

Além disso, o batismo pela afusão ou aspersão pode sempre realizar-se com
decência, modéstia e segurança, o que não se pode dizer da imersão, como muitos
poderiam testificar.

Diz-se (Mt 3.6) que João batizava “no Jordão”, mas a palavra grega
traduzida aqui em é muitas vezes, e com mais acerto, traduzida a ou junto,
especialmente em conexão com um rio, como é o caso aqui. 1Re 17.3, 5; 2Re 2.6,
7; 23.6. As palavras indicam portanto não o modo, mas o lugar onde se batizava,
isto é, uma das ribanceiras do Jordão, das quais há diversas, Js 3.15; 4.18; 1Cr
12.15.
As frases “entraram” e “saíram da água”, (At 8.38, 39), não constituem
provas da imersão, porque as expressões se aplicam igualmente ao eunuco e a
Felipe, o batizando e o batizador. Assim também no caso do batismo de Cristo, Mt
3.16.

A frase “sepultados com Cristo pelo batismo” (Rm 6.4; Cl 2.12) é figurada,
como o são as expressões “plantados” e “crucificados” com ele, todas significando
apenas a completa união espiritual do crente com Cristo, na qual ele é feito
participante dos seus sofrimentos, sua morte e ressurreição, Rm 6.3-8; Fl 3.10, 11;
Cl 2.12.

2. A Ceia do Senhor

É aquela instituição santa na qual se comemoram os sofrimentos e a morte


de Cristo instituída pelo próprio Cristo naquela noite memorável em que ele foi
traído, 1Co 11.23, etc.

Os elementos usados nesta instituição são o pão e o vinho, que designados


para representar o corpo quebrado e o sangue derramado de Jesus Cristo em
benefício dos pecadores, 1Co 11.23, etc.

O fim especial desta instituição é preservar uma memória grata e afetuosa


do bendito Salvador. Ela é uma memória de sua morte e exprime a culpa e a
miséria do homem bem como a graça de Deus em salvá-lo.

As obrigações de observar esta instituição são a gratidão, o benefício


pessoal, a honra e o mandato de Cristo, e a prática dos apóstolos e dos cristãos
primitivos, Sl 115.12, 13; Mt 10.32, 33; Lc 22.19.

Este sacramento deve ser administrado por ministros do Evangelho


constituídos regularmente, os quais devem fazê-lo em sua capacidade oficial.

Este rito é privativo dos cristãos visíveis em plena comunhão com a sua
Igreja, de qualquer denominação.

Para que participemos dignamente desta ceia, é bom que haja meditações
apropriadas, não só antes, como na ocasião e depois da participação, 1Co 5.7, 8;
10.21; 11.28; 2Co 13.5.

Participar desta ceia “indignamente” é fazer como fizeram os Coríntios, sem


distinguir entre essa e a sua comida ordinária; e mais especialmente, pelo uso
excessivamente desordenado dos elementos, 1Co 11.20-22, 27-30.
O falo de os Coríntios estarem embriagados nessas ocasiões, mostram que
o vinho que eles usavam era embriagante; e não que tal vinho fosse de ordinário
uso, ou considerado adequado à legítima observância deste sacramento. O eles
serem repreendidos mostra antes que a sua prática era exceção à regra geral, não
tendo-se eles convertido inteiramente de suas orgias e de outras práticas pagãs,
1Co 8.7; 5.1, 7, 8.

O vinho usado na ceia por Cristo é chamado por ele o fruto da vide, Mt
26.29; evidentemente, referindo-se ao que é chamado o licor sanguíneo da uva, Dt
23.14. A idéia de que ele usasse o vinho fermentado ou embriagante é
inconsistente com a proibição do pão levedado ou fermentado no sacramento.
Comparai Mt 26.17 com Êx 12.18-20. Veja-se o artigo sobre vinho pág. 151.

A hora do dia para celebrar este rito não é de importância e a posição do


corpo em recebê-la é, de si, indiferente. As Escrituras não acentuam estes pontos.
Nossa escolha e conveniência têm de determiná-los.

A doutrina da transubstanciação, ou que o pão e o vinho ficam literalmente


convertidos no corpo e sangue de Cristo, é um dos absurdos grosseiros da Igreja
romana, por isso que o pão é chamado pão tanto anles como depois da
consagração, 1Co 11.27, 28.

Esta doutrina supõe que Cristo participou do seu próprio corpo e sangue, e
que o idêntico corpo humano do crucificado está presente em todas as ocasiões do
sacramento.

A doutrina da consubstanciação, ou a presença real e substancial do corpo


de Cristo com o pão e vinho, de modo que o comungante participa do corpo e é
beneficiado pelos elementos materiais, é um erro e uma ilusão, que destroem a
espiritualidade.

A doutrina dos ritualistas, que a presença espiritual de Jesus Cristo penetra


o pão e o vinho de modo tal a dar-lhes uma eficácia salvadora e torná-las dignos
de adoração, é uma perversão abominável do símbolo simples da santa eucarístia
designada para ser uma memória impressiva do corpo quebrado e do sangue
derramado do adorável Salvador.

V. O GOVERNO DA IGREJA

Pelo governo e disciplina da Igreja se entendem a forma e a ordem pelas


quais seus interesses espirituais são dirigidos.

A forma exata do governo e disciplina eclesiásticos, em todas as


particularidades e para todas as ocasiões, tem de ser determinada pelos cristãos
seguindo as regras e princípios gerais estabelecidos na palavra de Deus, e por
considerações de experiência.

Qualquer forma particular de governo eclesiástico convencionada pelos


oficiais da Igreja e de acordo com as regras gerais da Escritura, pode ser
considerada escriturística.

Donde, se uma forma de governo é conforme à palavra, não se segue que


outra não seja, ou porque uma é legal, outra seja ilegal.

Em qualquer caso, deve-se adotar aquela forma de governo que for melhor
calculada a promover a prosperidade da Igreja e no seu estado atual.

Os funcionários próprios da Igreja são chamados na Escritura por diferentes


nomes, provavelmente com o fim de indicar os vários e importantes deveres de
seu ofício.

Eles são chamados bispos ou presbíteros, pela inspeção que lhes cabe e
pelo exemplo sério e prudente que eles têm de dar; pastores, pela alimentação
espiritual que eles têm de administrar; ministros, pelo serviço que têm de prestar;
vigias, pela vigilância que têm de exercer; mestres, pela instrução que têm de dar;
embaixadores, pelo tralado de reconciliação e de paz que eles são enviados a
efetuar, 1Tm 3.1; At 20.28; Jr 3.15; 1Co 4.1; Ez 3.17; 1Pe 5.1; Ef 4.11; 2Co 5.20.

Paulo reconhece apenas duas ordens no ministério cristão abaixo dos


apóstolos: a do diácono e a do presbítero ou bispo, 1Tm 3.1-13; Tt 1.5-7; Fp 1.1.

Estes oficiais têm de ser encarregados do seu ofício pela ordenação, ou pela
oração e imposição de mãos de ministros apropriados do evangelho, 1Tm 4.14; At
23.2, 3.

Os oficiais da Igreja podem, de entre si, constituir um oficial, que, na


qualidade de oficial, seja superior a qualquer dos outros que constituíram.

Os oficiais da Igreja têm o direito a serem mantidos pelo povo que partilha
dos seus serviços. Não se deve encarar isto como uma esmola ou presente, mas
como uma dívida justa e honrada, Mt 10.9, 10; 1Co 9.7, 11, 14; 1Tm 5.18; Gl 6.6.

O poder de dispensar a economia temporal da Igreja pertence ou a Igreja


como um corpo, ou àqueles que a Igreja nomear para este fim, At 6.2-16.

A disciplina conveniente da Igreja deve ser deduzida daquelas passagens da


Escritura relativas a este assunto, que se acham espalhadas por todo o sagrado
volume.
Cada Igreja especial deve colecionar, arranjar e explicar essas passagens
por escrito, com o fim de instruir os seus membros, e para que haja uniformidade
na administração.

O objetivo em vista com a disciplina da Igreja é a correção de ofensores,


livrar a Igreja do vitupério e inspirar a todos o medo de ofender.

Toda Igreja deve julgar da aptidão daqueles que se oferecem para ser
membros e deve admitir ou rejeitar os que ela julgar convenientes, Mt 16.19.

Todas as pessoas, antes de serem admitidas para a Igreja, devem ser


examinadas a respeito de suas crenças doutrinais e de sua experiência religiosa. E
ninguém deve ser admitido senão os que estiverem de acordo com o evangelho
em ambos os respeitos. Todavia, a crentes sinceros em Cristo mesmo que tenham
opiniões errôneas não manifestamente prejudiciais à vida espiritual, não se deve
negar o direito de irmandade na Igreja. A regra a seguir deve ser: “Em pontos não
essenciais, liberdade; nos essenciais, unidade; e em todas as coisas, caridade”.

O dever dos membros da Igreja uns para com os outros é vigiarem uns aos
outros para o bem; e, quando o exigir a ocasião, repreenderem, censurarem e
admoestarem, 1Tm 5.20; Gl 6.1.

Os membros da Igreja são sujeitos à disciplina e à excomunhão por


imoralidades e heresia em doutrina, 1Co 5.11; Tt 3.10.

Nosso Salvador deu uma regra especial, para disciplina da Igreja a qual
deve ser rigorosamente observada em todos os casos, Mt 18.15-17.

Os ofensores da Igreja, sob confissão e reforma convenientes, devem ser


readimitidos à irmandade da Igreja, Mt 18.21, 22; Lc 17.3, 4; 2Co 2.6-8.

A excomunhão consiste em privar um membro de todos os direitos e


privilégios da Igreja. Deve-se considerar este um ato muito solene, tanto pela
Igreja que o executa, como pelo indivíduo expulso. Nunca se deve fazer isto sem
muita deliberação e oração.

Porquanto a comunhão é com a Igreja como um corpo, e não com


indivíduos, ninguém é justificado em ausentar-se de comunhão por motivo de
ofensas existentes entre ele e um outro membro da Igreja.

Em todas as decisões da Igreja, posto que a unanimidade seja para desejar-


se, contudo a maioria deve governar e a minoria divergir com amor, mansidão e
disposição para submeter-se. Um procedimento tal é cristão e tende para prevenir
muitos males, At 15.1-31.

O PAPEL DA MULHER NA IGREJA

O papel da mulher não se limita aos deveres da família, por isso que ela é
muitas vezes, por sua natureza e graça, eminentemente apta para um serviço mais
vasto.

Por isso empregavam-se mulheres como profetisas, isto é, no sentido de


mestras públicas religiosas, inclusive os cargos mais elevados do ministério, como
parece pela posição logo abaixo dos Apóstolos. 1Co 12.28; Ef 4.11. Comparai At
2.17, 28; 21.9; Rm 16.1, 2. Assim no Antigo Testamento. Êx 15.20; Jz 4.4; 2Re
22.14; Nm 11.29. Comparai também Sl 67.12, onde a tradução exata é, das
mulheres pregadores havia grande número; que concorda com o desejo de Moisés,
Nm 11.29, e de Paulo, 1Co 14.5.

Alguns entendem que Paulo proíbe às mulheres de ensinarem. 1Co 14.34,


35; 1Tm 2.11, 12. Mas evidentemente ele se refere somente àquelas que oravam
e profetizavam sem véu, como se vê de 1Co 11.5-13. Paulo, nisto, se referia
meramente ao uso da sociedade, como era o seu costume em matérias de
indiferença, 1Co 9.19-23. Dizer que a sua proibição se aplica igualmente a todos os
tempos e condições da sociedade, é dizer que os regulamentos prudentes para
conter um povo pagão degradado, há mil e novecentos anos passados, são
universalmente obrigatórios e que o cristianismo a esse respeito não tem operado
mudança nenhuma no mundo que ele veio reformar. Paulo de certo fazia um juízo
diferente do préstimo da mulher. Rm 16.1-7, 12-15. O seu primeiro discurso
público, na Europa, foi em uma reunião de mulheres e a sua primeira convertida e
hospedeira foi uma mulher. Tt 16.9-15.

Há prova escriturística e indisputável de que mulheres ocuparam posições


oficiais secundárias na Igreja apostólica:

1. A tradução exata de Rm 16.1, 2, mostra que Febe era diaconisa da Igreja


e patrona de muitos – o original de patrona sendo radicalmente o mesmo que é
traduzido, o que preside, em Rm 12.8. Os diáconos não só ministravam aos
enfermos e necessitados, mas de Fl 1.1 e 1Tm 3.2, 8, se infere que eles pregavam
e desempenhavam outras funções espirituais subordinadas aos presbíteros ou
bispos, que correspondem aos pastores do tempo presente.

2. As regras de conduta dada às mulheres em 1Tm 3.11 e Tt 2.3, têm sido


aplicadas às díaconisas por uma série de comentadores desde Crísóstomo até
Alford.
3. Dr. Schaff e outros escritores interpretaram as palavras, “a viúva seja
eleita não tendo menos, etc”, 1Tm 5.9: uma viúva não seja eleita e ordenada com
menos de sessenta anos de idade.

4. De Tt 2.3, 4, aprendemos que se empregavam mulheres como mestras


no ensino direto pessoal da verdade cristã.

5. Plínio, poucos anos mais tarde, fala da classe de diaconisas como


exercendo, entre o seu sexo, funções análogas às dos diáconos.

A história da primitiva Igreja cristã confirma esta esserção, e ajunta,


também, que as mulheres batizavam.

Honras assinaladas são registradas da devoção de mulheres a Cristo e a sua


causa. Mt 26.6-13; Mc 12.41-44; Lc 10.38-42. Ela foi a primeira a pregar a vinda
real do Messias prometido, tanto aos judeus como aos samaritanos. Lc 2.36-38; Jo
4.28, etc; e primeira a pregar o Salvador ressuscitado a seus discípulos duvidosos.
Mt 29.7-9, 17.

“Não foi a ela, que, traidora, o Salvador beijou; Lc 22.47, 48.


Não foi ela que, com língua ímpia, ao mestre negou; Mt 26.69-75.
Onde recua o apóstolo, ela o perigo arrosta; Mt 26.56.
Última a deixar a cruz, e a primeira ao sepulcro”. Mt 27.55, 56; 28.1.

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