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Deivinson

Bignon

CRISTÃOS CONECTADOS
[Como ser cristão na pós-modernidade]
Copyright 2017 por Deivinson Bignon

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

BIGNON, Deivinson G. Cristãos conectados: Como ser cristão na pós-


modernidade. Rio de Janeiro: Contextualizar, 2017.

Gerência editorial e de produção

Editora Contextualizar

1ª edição: Fevereiro/2017

É proibida a reprodução total ou parcial do texto deste livro por quaisquer meios
(mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos etc), a não ser em citações
breves, com indicação da fonte bibliográfica. Este livro está de acordo com as
mudanças propostas pelo novo Acordo Ortográfico, em vigor desde janeiro de
2009.
AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Pai amoroso, que tanta misericórdia tem exercido sobre a


minha vida e ministério pastoral e à minha linda esposa, Márcia Cristina, por me
mostrar que o amor tudo pode e tudo espera.
INTRODUÇÃO | O QUE É A PÓS-MODERNIDADE
Romanos 12.1-8

Você se considera uma pessoa alienada? O alienado é aquele que se mostra


indiferente em relação a tudo o que acontece ao redor. É aquele que está sempre
dormindo quando tudo acontece à sua volta.

Quando Paulo disse que os crentes devem despertar do sono – “Façam isso,
compreendendo o tempo em que vivemos. Chegou a hora de vocês despertarem
do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando
cremos” (Rm 13.11) –, ele tinha em mente a sonolência espiritual dos que
negligenciavam sua própria fé, e, por causa disso, não perceberam que tudo
mudou à sua volta.

Mas, como ouvir o recado de Deus para as questões difíceis de nossa


época? Vivemos a chamada pós-modernidade. Para ouvir a voz de Deus,
primeiramente você precisará entender bem o conceito de pós-modernidade e
suas contradições, para que, depois, possa definir a sua posição como seguidor
de Cristo: “desde que continuem alicerçados e firmes na fé, sem se afastarem da
esperança do evangelho, que vocês ouviram e que tem sido proclamado a todos
os que estão debaixo do céu. Esse é o evangelho do qual eu, Paulo, me tornei
ministro” (Cl 1.23).

ENTENDENDO A PÓS-MODERNIDADE

Pós-modernidade é o termo usado para caracterizar o momento em que


vivemos, marcado pela rebeldia e pela cultura individualista, onde tudo gira em
torno do prazer e da fragmentação dos valores cristãos. Mas, que são valores?
São os princípios ou padrões sociais aceitos e mantidos por um indivíduo ou
grupo social. Pós-modernidade quer dizer, literalmente, após a modernidade, ou
ainda, após o modernismo.

Mas, o que foi o modernismo? O modernismo foi o período da história


humana que aconteceu depois da “Idade das Trevas” (ou Idade Média). Nesta
época a ciência e a razão foram novamente valorizadas, o que caracterizou o
abandono de Deus como o centro da humanidade e a inauguração de uma nova
visão, em que o homem passa a ser o centro da cultura e ciências do mundo.
A partir desses acontecimentos, o homem passou a confiar apenas em si
mesmo e a achar que estava sozinho no universo. Portanto, o ateísmo (crença de
que Deus não existe) cresceu assustadoramente na época modernista.

Hoje, a pós-modernidade baseia-se em três filosofias principais que vieram


do modernismo.

A BUSCA INCESSANTE DO PRAZER

Existe uma filosofia que diz que o prazer é a fonte principal da felicidade
humana. Ela parte da suposição de que o homem vive para buscar a realização
dos seus prazeres mais íntimos.

O homem é visto por esta forma de pensar como um ser extremamente


egoísta, que busca apenas a realização do seu prazer individual.

Hoje, as pessoas são cada vez mais preocupadas consigo mesmas, e, por
causa disso, têm muita dificuldade para olhar as necessidades do próximo.

Os meios de comunicação aproveitaram essa característica do ser humano e


padronizaram ainda mais o egoísmo, promovendo produtos supérfluos como se
fossem gêneros de primeira necessidade. Por exemplo, muitos jovens de classe
média e alta gastam fortunas na compra de um tênis da moda, enquanto tantos
outros jovens pobres morrem de fome, sem ter sequer um prato de comida à
mesa.

Essa filosofia de vida valoriza somente o aqui e agora em sua constante


busca pelo prazer. Ela considera como importante apenas o momento presente e
não está interessada nas consequências futuras das ações humanas.

Você tem seguido essa filosofia? Para vencer essa forma de pensar é preciso
que reconheça esta tendência que a humanidade tem para o egoísmo, e, depois,
não tomar a forma do mundo, ou seja, não ter um estilo de vida igual ao das
pessoas não cristãs (Rm 12.1,2).

UMA UTILIDADE PRÁTICA PARA TUDO

Um filósofo chamado John Dewey dizia que todas as atitudes humanas


precisavam ser feitas com alguma utilidade prática, visando sempre ao bem da
maioria.

A frase preferida daquele que segue esta filosofia de vida é a seguinte:


“tempo é dinheiro”. Basta olhar para os Estados Unidos da América que você
verá isso em pleno funcionamento. O pensamento americano está estampado nos
filmes de Hollywood, nas séries de TV e no próprio estilo de vida nacional.

Temos que constatar um horrível fato: aqui no Brasil sempre tivemos uma
espécie de “torcicolo cultural”, pois sempre “viramos o rosto” buscando a
cultura de outros povos, ditos de primeiro mundo (nos primórdios, começamos
copiando os europeus; agora, copiamos os americanos). Deste modo, é fácil
perceber na prática que a sociedade brasileira tenta desesperadamente absorver
cada vez mais do estilo de vida norte-americano, tornando-se escrava,
econômica e culturalmente, dos Estados Unidos.

Como vencer a guerra contra esta filosofia? A Bíblia nos dá alguns


princípios gerais bastante úteis:

1. Há tempo para todas as coisas (Ec 3.1);

2. O trabalho é uma coisa passageira (Ec 1.14; 2.11,17,23).

3. Os que querem ficar ricos a qualquer custo são reprovados por Deus (Ec
5.10; 1Tm 6.9,10,17).

A EXISTÊNCIA VEM ANTES DA ESSÊNCIA

O filósofo Jean Paul Sartre defendia a noção de que o homem constrói a


história de sua vida eliminando a existência anterior de valores imutáveis. Sartre
propôs uma filosofia que toma o modo de ser próprio do homem como ponto de
partida da sua reflexão mental.

Essa filosofia tem influenciado grandemente a sociedade pós-moderna, pois


reafirma a liberdade humana, estimulando dessa maneira o individualismo.
Sartre nega qualquer influência fora do ser humano (como a Bíblia, por
exemplo) para a formação dos valores humanos. O homem é senhor de si, e
adota os valores que ele próprio cria. Nisso, Deus não tem participação alguma
sobre as decisões humanas, pois o homem está no centro de tudo.
O remédio para esse pensamento é uma dose generosa de humildade e
dependência de Deus (Sl 46.10; Tg 4.10; 1Pe 5.6).

Talvez você esteja pensando: “o que eu tenho a ver com tudo isso?” ou “que
proveito prático eu posso tirar disso para a minha felicidade pessoal?”.

Somos todos influenciados pela filosofia de vida dominante na sociedade


que fazemos parte. No entanto, você é que escolhe o nível de influência que
receberá desta sociedade (Cl 2.8; Rm 12.2).

O cristão não pode se deixar influenciar totalmente pelo que o mundo


impõe como sendo a conduta ideal. Não pode tomar a forma de sua filosofia
demoníaca, mas, pelo contrário, deve influenciar positivamente o mundo como
sal da terra e luz do mundo que é – “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder
o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora
e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma
cidade construída sobre um monte” (Mt 5.13,14). 
1 | A ÉTICA CRISTÃ
Jeremias 23.9-40

Falar sobre ética no mundo da pós-modernidade é uma tarefa desafiadora,


já que os valores e os costumes da sociedade atual vêm se modificado com uma
enorme rapidez. Mas também é uma tarefa importante e urgente. Você poderá
observar no seu dia-a-dia, de uma forma bem simples, que a sociedade se conduz
cada vez mais para longe dos padrões ideais de moralidade.

Como a igreja evangélica tem se posicionado mediante tanta injustiça e


corrupção? Os valores e a postura da sociedade não estão se tornando influências
comuns dentro da igreja? Qual o papel da Igreja dentro deste mundo
corrompido? Alguns afirmam que é mais difícil ser cristão nos dias de hoje, esta
afirmação é verdadeira?

Vivemos dias em que muito se fala em “unção profética”, com declarações


“proféticas” bombásticas “a torto e a direito”; mas, poucos realmente entendem
o que é profecia. Entenderemos primeiro o que é profecia na Bíblia para, depois,
resgatar a natureza profética da Igreja de Cristo.

PROFECIA NA BÍBLIA

Como entender a voz profética nos dias atuais? Seria apenas sair
“profetizando bênçãos a torto e a direito”? É claro que não! Para que possamos
ter a certeza de que somos, de fato, profetas de Deus – de que a palavra proferida
por nós é profética –, é preciso ter uma base concreta: a profecia das profecias, a
Bíblia Sagrada. Mas, antes de vermos as referências bíblicas para a ação
profética, convém verificarmos uma definição bastante interessante feita por um
autor muito conceituado no meio teológico: “O que faz de alguém um profeta é a
vocação divina, a ordem para comunicar a outros a revelação divina”. Assim,
não adianta sair “profetizando” bênçãos por aí! Tem de haver o chamamento
divino para que o dom profético seja exercido segundo a vontade de Deus.

ASSIM DIZ O SENHOR!

O profeta, no Antigo Testamento, é descrito com três palavras hebraicas:


nabi (ocorre mais de 300 vezes), roeh (ocorre 12 vezes) e hozeh (ocorre 19
vezes).

Nabi é uma palavra que significa aquele que anuncia as mensagens de


Deus, por revelação direta ou por discernimento intuitivo. Nabi é muito usada
para designar a missão profética. Roeh e hozeh são palavras que servem para
designar a qualidade dos profetas terem visões, portanto, significam “vidente”.

Veja algumas referências bíblicas onde aparece a palavra nabi: Gênesis


20.7; Êxodo 7.1; Números 12.6; Deuteronômio 13.1; Juízes 6.8; 1Samuel 3.20;
2Samuel 7.2; 1Reis 1.8; 2Reis 3.11; Esdras 5.1; Salmo 74.9; Jeremias 1.5;
Ezequiel 2.5 e Miqueias 2.11.

Ainda segundo o Antigo Testamento, outros títulos são atribuídos àquele


que exerce a missão profética: Atalaia (em hebraico, sophim – Jr 6.16; Ez 3.17) e
pastor (em hebraico, raah – Zc 11.5,16).

__

A Bíblia apresenta os seguintes ofícios dos profetas:

1) Recebimento de orientações divinas particulares (também chamadas de


oráculos);

2) Ensinamento sobre pecado e retidão (incluindo a denúncia dos pecados


do povo – Is 58.1; Ez 22.2; 43.10; Mq 3.8);

3) Pastoreio, consolação, aviso do juízo divino e chamada ao


arrependimento (Is 40.1,2);

4) Trabalho dos atalaias (vigias – Ez 3.17; 33.7-9);

5) Obra de um embaixador (leia todo o livro de Jonas);

6) Alguns profetas desempenhavam funções sacerdotais (1Sm 16.6-13);

7) Aconselhamento de reis e outros oficiais civis (função de estadistas –


2Sm 7.3-16);
8) Preservação da identidade nacional, seguindo os passos de Moisés, o
primeiro profeta nacional (Is 45.20-22; 60.3; 65.25; Ex 2.11ss; Dt 24.19-22; Mq
5.4);

9) Registro da Palavra de Deus nas Sagradas Escrituras.

___

O Espírito Santo era o inspirador dos profetas (Nm 11.17,25; 1Sm 10.6;
19.20; 2Pe 1.21). A inspiração se dava pelos seguintes modos: revelação direta
de Deus (2Rs 3.15; 1Sm 10.5; 1Cr 25.1); sonhos e visões (Nm 12.6); palavra de
autoridade divina: “assim diz o Senhor” (Jr 1.8,19; 2.19; 30.11; Am 2.11; 4.5;
7.3); e por revelações súbitas e estranhas (Nm 22.31; 2Rs 6.15-17).

Mas, apesar de todo o cuidado, existiam os falsos profetas – eram aqueles


que se denominavam profetas de Deus sem, de fato, o serem (Jr 14.14; 23.21).
Esses falsos profetas falavam por sua própria imaginação ou interesses (Jr 23.16;
Ez 13.3). Reconhecer os falsos profetas era algo muito importante para a nação
de Israel, pois a profecia era vista como uma intervenção divina no curso da
história humana (Is 45.20-22; Ex 2.11ss; Dt 24.19-22).

Outro detalhe interessante é que o ofício profético poderia vir seguido de


prodígios especiais operados por Deus (Ex 4.8; Is 7.11,14). Mas, os prodígios
também podem acontecer por uma obra do acaso ou ser produto de artimanhas
humanas ou malignas (Dt 13.1,2; Ex 7.11,22; 2Ts 2.9).

As maiores e mais completas profecias bíblicas são denominadas profecias


messiânicas – pois apontavam para Jesus, o Messias de Deus (Gn 3.15; 12.3;
49.10; Dt 18.15; Sl 2.2; 45.2; 68.18; 69.21; 110.1; 118.22; 132.11; Is 2.4; 7.14;
9.2,7; 11.10; 25.8; 28.16; 42.1; 49.6; 52.14; 53.2; 55.4; 59.16; 61.1; 62.11; 63.1;
Jr 23.5; Ez 17.22; Dn 2.34,44; 7.13; 9.25; Mq 5.2; Ag 2.7; Zc 3.8; 6.12; 9.9;
11.12; 12.10; 13.7; Ml 3.1). Veja também: Mateus 1.22; 2.4,15; 8.17; Marcos
1.2,70; 4.17; 18.31; 24:27,44; João 1.45; 4.25; 5.39,46; 8.18; 19.28; Atos 2.30;
3.18,24, 7.37; 8.32; 10.43; 13.32; 17.3; 18.28; 26.6,22; Romanos 1.2; 9.4; 15.8;
16.26; Gálatas 3.23; 1Pedro 1.11.

O DOM DE PROFECIA
O profeta, no Novo Testamento, é descrito com uma única palavra grega:
prophétes. Se desmembrarmos essa palavra, teremos pro (antes, em favor de) e
phemi (falar). Assim, o profeta do Novo Testamento é aquele que fala em favor
de Deus, o intérprete da vontade de Deus para o povo. Prophéte ocorre 149
vezes em todo o Novo Testamento. Veja algumas passagens mais significativas:
Mateus 1.22; 2.5,16; Marcos 8.28; Lucas 1.70,76; 7.16; João 1.21,23; 3.18,21;
Romanos 1.2; 11.3; 1Coríntios 12.28,29; 14.29,32,37; Efésios 2.20; Tiago 5.10;
1Pedro 1.10; 2Pedro 2.16; 3.2; Apocalipse 10.7; 11.10.

Na igreja do Novo testamento havia profetas (1Co 12.28), mas não


formavam uma classe regular de homens como no Antigo Testamento ou como
os apóstolos e presbíteros. Homens e mulheres recebiam influências especiais
para falarem a revelação divina (At 21.9). Eles falavam predizendo o futuro, sob
o poder do Espírito Santo (At 11.27,28; 21.10,11); ensinavam e exortavam,
edificando grandemente a igreja (1Co 14.3,4,24).

No exercício dos dons espirituais, os profetas ocupavam posição inferior


somente em relação aos apóstolos, conforme se entende de 1Coríntios 12.28;
Efésios 2.20; 3.5; 4.11 e Apocalipse 22.9. Apesar da importância dos profetas,
alguns se deixavam arrastar pelo seu entusiasmo e causavam desordem no culto
público (1Co 14.29,30). Também no Novo Testamento poderia acontecer de
alguma profecia proceder de fonte maligna (1Jo 4.1; 1Ts 5.20,21). Mateus 7.20
nos dá uma dica para sabermos a procedência de uma profecia.

O padrão do Novo Testamento para as profecias é a consolidação e a


edificação da igreja local, além de também servir para convencer os incrédulos
sobre as verdades do Evangelho. Assim, o dom da profecia inclui: a predição do
futuro (Atos 21.10ss); uma elevada autoridade, abaixo apenas do dom de
apóstolo; o caos, quando o dom é exercido de forma inautêntica (1Co 14.29ss); e
o avanço espiritual da igreja (Ef 4.11ss).

Perceba que os profetas trabalhavam sempre dentro do contexto das igrejas,


nunca fora delas (At 13.1,2). Isso talvez seja porque, junto com os apóstolos, os
profetas eram considerados os alicerces humanos da igreja (Ef 2.20). Atuavam
em grupos especiais (At 11.27; 13.1; Ap 19.10; 22.9; 1Co 12.29) e tinham os
seus pronunciamentos proféticos totalmente influenciados pela Palavra de Deus
(At cap. 7; Rm 11.27; 1Co 15.51,54,55).

As profecias bíblicas têm cumprimento absolutamente confiável e seguro,


garantido por Deus (1Rs 8.56; Sl 93.5; 111.7; Ez 12.25; Dn 9.12; Mt 5.18; Lc
21.33; Rm 4.16).

Agora, você poderia perguntar: “como saber se alguém é realmente usado


por Deus para me entregar determinada profecia?”. Duas atitudes serão
extremamente úteis para você ter a certeza de que o Senhor realmente usou
alguém para falar com você.

1) Seja meio cético – não aceite de imediato determinada profecia;

2) Espere com paciência pelo cumprimento da palavra recebida. Só depois,


caso seja cumprida, considere-a como verdadeira (Dt 18.21,22).

ÉTICA E PROFECIA BÍBLICA

A palavra “ética” vem do grego hethos, que significa “hábito”, “costume”,


“uso”. Trata-se de uma parte da filosofia que se ocupa com as regras ideais para
que você governe com acerto a sua vida. Em outras palavras: ética é o conjunto
de princípios que levam um grupo social a viver honrosamente.

Profecia é a mensagem de Deus anunciada por meio de um profeta a


respeito da vida religiosa e moral do seu povo (2Pe 1.20,21). As profecias
tratam, às vezes, do futuro, mas geralmente se prendem às necessidades
presentes das pessoas.

O objetivo da ética profética é estabelecer uma conduta, uma lista dos


valores desejáveis ou ideais de uma sociedade, baseados na Palavra de Deus. A
Bíblia faz inúmeras referências à importância da ética, veja apenas alguns
exemplos:

1. “Ele retribui ao homem conforme o que este fez, e lhe dá o que a sua
conduta merece” (Jó 34.11).

2. “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a
conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!” (Sl 1.1).

3. “O Senhor firma os passos de um homem, quando a conduta deste o


agrada” (Sl 37.23).
4. “Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo
com a tua palavra” (Sl 119.9).

5. “Eu sou o Senhor que sonda o coração e examina a mente, para


recompensar a cada um de acordo com a sua conduta, de acordo com as suas
obras” (Jr 17.10).

Além disso, Paulo demonstrou preocupação ética quando escreveu ao jovem


pastor Timóteo: “Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um
exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza”
(1Tm 4.12).

O QUE É MORALIDADE?

A moralidade é a harmonia do comportamento humano com os bons


costumes nas relações com os seus semelhantes. Por bons costumes podemos
entender o bom modo de proceder dos homens. Alguns filósofos entendem que a
moral não muda, nem com o tempo, nem com o espaço, nem com a cultura.
Afirmam que ela tem princípios eternos e, do ponto de vista cristão, ditados por
Deus, podendo até ser chamada de uma “ciência teológica”.

A LEI MORAL

Lei moral é uma lei de conduta que pode ser verificada dentro da mente de
um ser humano quando ele examina o mundo natural e a finalidade da própria
humanidade. É a lei que regula o comportamento humano em seu convívio
social e vai até o mais íntimo de sua consciência. A liberdade de escolha torna o
ser humano capaz de não cumprir essa lei moral e daí é que se originam as
noções de mérito, de culpa e de responsabilidade; exclusivas do ser humano.

A lei moral é superior à lei jurídica. A lei moral regula o comportamento


humano até o mais íntimo e profundo de sua consciência. A lei jurídica regula
apenas tudo aquilo que é um direito ou uma obrigação entre pessoas ou
empresas. Dar esmola, por exemplo, pode ser uma obrigação moral; pagar uma
dívida, além de ser uma obrigação moral, é também uma responsabilidade
jurídica. Dar esmolas não é uma atitude obrigatória; saldar uma dívida
certamente o é.
CONCEITOS MORAIS CRISTÃOS (A ÉTICA DE JESUS)

Jesus é a completa revelação da vontade de Deus. Nele os ensinos morais


da lei de Moisés e dos profetas se cumprem e são aperfeiçoados.

1. Jesus é o principal Mestre da moralidade, pois sempre esteve interessado


na salvação do homem e também no seu comportamento. Além disso, Jesus
ensinou princípios éticos e não apenas regras (isso deu ao seu ensino grande
valor e firmeza). Os ideais de Cristo são sempre atuais, pois abrangem toda a
humanidade, apelam para o comportamento interno do ser humano e são
baseados no amor.

2. O Reino de Deus é o centro da mensagem de Jesus e é o objetivo de sua


missão. O Evangelho de Jesus é o Evangelho do Reino – “Jesus foi por toda a
Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e
curando todas as enfermidades e doenças entre o povo” (Mt 4.23). O Reino de
Deus é o reino espiritual de Cristo em cada cristão. É uma realidade presente que
se transforma também numa esperança futura.

3. O conteúdo da ética de Cristo pode ser resumido no Sermão do Monte


(veja os capítulos 5 a 7 de Mateus).

PADRÕES ÉTICOS PARA O CRISTÃO PÓS-MODERNO

O cristão que vive uma ética fundamentada na Palavra de Deus se torna um


agente transformador da sociedade. Foi isto que aconteceu nos países
protestantes que foram profundamente influenciados pela ética cristã. Neles a
democracia e a justiça tornaram-se fundamentos básicos da sociedade. Observe,
agora, alguns padrões éticos para o cristão moderno:

1. Ética centralizada em Deus – A ética cristã está fundamentada na


Revelação de Deus e de sua vontade, que está nas Escrituras. A questão básica é
o que Deus quer da vida dos cristãos, e isto está declarado em sua Palavra (Dt
8.1; Mq 6.8).

2. Ética cristã – Está condicionada a Cristo, em quem você encontra a mais


perfeita revelação da vontade de Deus. A conduta correta torna cada crente um
imitador de Cristo, e deve resultar em transformação, conforme a sua imagem
(2Co 3.18; Ef 4.11-13). Uma ética que torna o cristão apenas diferente do
mundo, mas não o aproxima da imagem de Cristo, não é uma ética cristã.

3. Ética evangélica – As suas atitudes revelam às pessoas o que Deus fez


em sua vida e o amor de Deus pelo ser humano. O mundo não está capacitado
para discutir as doutrinas do evangelho, mas pode avaliar tranquilamente a
atitude dos evangélicos. Ou seja, o que você faz fala tão alto que as pessoas não
ouvem o que você diz. Em resumo, as pessoas precisam ver o evangelho em
ação através de sua vida (Mt 5.14-16; 1Pe 3.14-17).

4. Ética imutável – Os princípios morais que foram fixados por Deus são
válidos para todas as épocas, sendo um referencial para os cristãos que vivem em
uma sociedade em constante mudança (Mt 5.17,18; Tg 1.17; 1Pe 1.24,25).

5. Ética universal – Todos os homens estão debaixo das normas da lei de


Deus, e a quebra desta lei torna-se pecado (1Jo 3.4). Os homens são pecadores
por não viverem de acordo com esta lei universal (Rm 3.22).

6. Ética abrangente – Não existe uma área sequer da vida humana para a
qual Deus não tenha deixado normas. No texto de Colossenses 3, você poderá
identificar as áreas em que a ética cristã envolve a sua vida: (a) vida pessoal (vv.
5-11); (b) vida na igreja (vv. 12-16); (c) vida em família (vv. 18-21); (d) vida
profissional (vv. 22-25); (e) todas as suas ações pessoais (vv. 17 e 23).

Você já entendeu aqui o significado de profecia e o de ética. Já estudou os


padrões bíblicos para esses dois assuntos. Observe criticamente, agora, se os
líderes da Igreja evangélica estão mesmo exercendo a autoridade profética
denunciadora, como no Antigo Testamento, ou se estão praticando o dom de
profecia completamente aos moldes da ética do Novo Testamento. 
2 | AS FACES DA MORTE

ABORTO, EUTANÁSIA, SUICÍDIO E PENA DE MORTE


Jó 14.1-22

Qual resposta você daria às seguintes perguntas?

1. O ser humano tem o direito de tirar a vida de outra pessoa?

2. Pode-se tirar a vida de alguém que ainda não é capaz de viver?

3. E a sua própria vida, o homem tem o poder de tirar?

Muitos cristãos nunca tomaram posição a respeito destas questões. Como


você poderá viver sem conhecer a resposta bíblica, num mundo em que
problemas éticos como estes são largamente debatidos?

As Escrituras têm resposta para os dilemas da humanidade. Basta que você


invista seu tempo no estudo e aprofundamento de suas páginas inspiradas por
Deus.

Antes de responder às questões levantadas aqui, você precisará


compreender exatamente o que está sendo discutido atualmente.

O PRINCÍPIO GERAL DA BÍBLIA

O princípio geral contido nas Escrituras é o seguinte: só o Senhor tem a


autoridade de tirar a vida humana, pois somente ele é o doador da vida (1Sm 2.6;
Jó 14.1-22; Sl 139.13-16). O homem, portanto, não tem o poder de impor um
limite à vida, nem à sua própria nem à dos outros.

Veja o que o Senhor Jesus ensinou ao perguntar: “Quem de vocês, por mais
que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (Mt 6.27).
Assim como ninguém pode acrescentar uma hora sequer ao tempo de vida que
Deus determinou, também não pode encurtar a vida de qualquer ser humano sem
que o Pai autorize.
O QUE É O ABORTO?

Aborto é a interrupção da gravidez antes que o feto se torne capaz de viver,


ou seja, antes que tenha condições de vida fora do útero. Uma das grandes
conquistas da medicina moderna é a grande redução das ocorrências de aborto
natural (ou aborto espontâneo), graças a uma atitude preventiva. O
acompanhamento pré-natal – em que periodicamente se avalia a saúde da mãe,
importante para o desenvolvimento do feto – tem papel central na prevenção de
problemas que possam levar ao aborto.

Do ponto de vista de sua causa, podemos classificar o aborto em dois tipos


principais: espontâneo e provocado. O aborto espontâneo ocorre em
consequência de causas naturais. O aborto provocado é o resultado de um ato
decidido pela própria gestante ou de outra pessoa.

Os principais sintomas do aborto espontâneo são dores no ventre e perda de


sangue. As dores são causadas pelas contrações com que o organismo tenta
expulsar o óvulo. Ao fim do processo, essas dores tornam-se cólicas fortes.

ABORTO PROVOCADO

A forma de encarar o aborto provocado variou muito ao longo do tempo e


de cultura para cultura. Na antiguidade, registraram-se leis jurídicas indiferentes
a essa questão e outras que puniam quem causava aborto à gestante, porque isso
não permitia que o pai mantivesse de forma duradoura a sua descendência.

O cristianismo bíblico entende que o feto possui o mesmo valor que o ser
humano já formado e vem inspirando diversas Leis jurídicas radicalmente
contrárias ao aborto provocado. Algumas Leis chegam a igualar o aborto ao
assassinato. As Leis contrárias ao aborto sempre contaram com o apoio de
diferentes igrejas cristãs, que se opõem fortemente a todas as tentativas de
legalizar essa prática.

A grande transformação das ideias e dos costumes levou muitas pessoas a


assumirem uma nova postura, baseadas no entendimento de que a mulher tem o
direito de controlar o seu próprio corpo e, portanto, é livre para decidir a
interrupção da própria gravidez.

Mas, como toda intervenção cirúrgica, o aborto provocado, praticado em


condições deficientes, pode trazer vários problemas. O maior deles é a
perfuração do útero, que pode causar peritonite (inflamação do peritônio,
membrana que reveste o abdome) e morte. Outros riscos são a hemorragia e uma
série de infecções que podem se revelar graves e até mortais. Além dos riscos
físicos, o aborto provocado pode causar uma reação psicológica muito grave.

O ABORTO PROVOCADO E A BÍBLIA

Convém notar que a Palavra de Deus se refere ao feto humano como um


futuro ser humano; uma pessoa em “processo de fabricação”. Não dá, portanto,
nenhuma base aos que defendem o aborto como um direito da mãe sobre o seu
corpo (Sl 139.13-16).

O feto não é uma mera extensão do corpo da mãe, mas um ser humano em
potencial. Permanece, portanto, o princípio geral apresentado pela Bíblia: “não
matarás”.

A EUTANÁSIA

O termo “eutanásia” designa a prática pela qual se decide abreviar, sem


sofrimento, a vida de uma pessoa que sofre de uma enfermidade dolorosa e sem
esperança de cura, por decisão do próprio paciente ou de seus parentes.

Até metade do século passado (século 20) se entendia que a morte ocorria
por meio de uma parada cardíaca. Com o avanço da medicina moderna, surgiu
um novo conceito de morte: a morte clínica (ou morte cerebral). A partir daí a
medicina passou a entender que a morte cerebral é determinada pela morte dos
neurônios, enquanto que a morte biológica é o resultado do não funcionamento
do coração.

Atualmente, a eutanásia é aceita em alguns países, enquanto que em outros


é encarada como um assassinato. Temos, então, um problema ético: a vida é a
última coisa que o homem deseja perder e o direito à vida é mundialmente
reconhecido. Um argumento parecido pode ser usado pelos que defendem a
eutanásia: o direito à liberdade inclui o direito de decidir sobre a própria vida
diante de uma lenta e dolorosa agonia.

O progresso da tecnologia médica tornou ainda mais difícil a discussão


sobre a eutanásia. Os aparelhos eletrônicos são capazes de garantir o
prolongamento da vida, ainda que de forma inconsciente, aos doentes de fase
terminal, mantendo artificialmente suas funções vitais por muito tempo.

Também para a eutanásia prevalece o princípio geral de que as pessoas, por


mais bem intencionadas que estejam, não podem assumir uma responsabilidade
que cabe somente a Deus. Ele é o autor da vida. Só ele poderá julgar sobre o
tempo de vida do ser humano.

O SUICÍDIO

Suicídio é o ato pelo qual o indivíduo procura a própria morte. O Direito


moderno diferencia, de acordo com os resultados do ato suicida, entre o suicídio
completado e a tentativa de suicídio. Os métodos utilizados com maior
frequência para o suicídio, embora variem de acordo com os costumes de cada
país, são o envenenamento, armas de fogo, enforcamento e afogamento.

Estudos recentes estabeleceram o perfil típico do suicida. As causas são


variadas, como o sexo (os homens são de três a cinco vezes mais inclinados para
esta causa do que as mulheres); o estado civil (maior ocorrência de solteiros,
divorciados e viúvos entre os suicidas); a condição social (verifica-se maior
ocorrência de suicídio entre as classes de poder aquisitivo mais elevado); e meio
social (a ocorrência de suicídios é maior nas cidades e sociedades industriais do
que nas zonas rurais).

O SUICÍDIO E A BÍBLIA

O Antigo Testamento menciona quatro casos de suicídio, os mais


conhecidos dos quais são os de Sansão (Jz 16.23-31) e do rei Saul (1Sm 31.1-
13), que se mataram para escapar à tortura ou à morte em mãos de inimigos. Mas
o fato de a Bíblia mencionar estes casos isolados não significa que ela aprova o
suicídio. Pelo contrário, em toda a Escritura você encontrará palavras que
valorizam a vida dada por Deus (Ex 20.13; 1Sm 2.1-10; Sl 139.13-18; Ec 8.8;
Mt 6.25-34).

Não é o suicídio uma fuga das dificuldades e da dor? Paulo forneceu um


argumento importante sobre a questão das dificuldades da vida: “Sabemos que
Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram
chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Foi ele mesmo quem
declarou que “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8.31).

Paulo tinha motivos para desistir da vida. Ele sofreu por amor a Cristo mais
do que eu e você sofremos hoje em dia (2Co 11.23-33), mas ele não tirou a sua
própria vida: “Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo,
o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu
permaneça no corpo” (Fp 1.23,24).

A PENA DE MORTE NA BÍBLIA

Pena de morte é a decisão judicial de condenação à morte por algum crime


grave como assassinato ou traição à pátria. A pena de morte também é conhecida
como pena capital.

Tirar a vida deve ser usado como penalidade de algum crime? O que a
Bíblia diz sobre o assunto?

Esse é um tema bastante polêmico, pois a Bíblia parece dar base para os
que apoiam e também para os que rejeitam a pena de morte.

A primeira referência à pena de morte está em Gênesis 9.6: “Quem


derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à
imagem de Deus foi o homem criado”. Na Lei de Moisés, a pena de morte foi
confirmada (Ex 21.23-25). As pessoas que adulterassem deveriam receber a pena
de morte por apedrejamento (Lv 20.10). Até mesmo um filho teimoso que não
aceitasse a correção deveria ser apedrejado (Dt 21.18-21).

Paulo escreveu sobre a justiça dos governantes: “... mas se você praticar o
mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus,
agente da justiça para punir quem pratica o mal” (Rm 13.4).

Jesus não veio para anular a Lei, mas para cumpri-la (Mt 5.17).
Provavelmente Jesus estava reafirmando também o princípio da pena de morte
pelas autoridades judiciais (Mt 5.21,22). Ele também reconheceu a autoridade,
dada por Deus aos governantes, de tirar a vida de outras pessoas (Jo 19.10,11).

Mas, apesar de todas as passagens bíblicas apresentadas acima, a pena de


morte não leva em conta a graça de Deus que perdoa. Na verdade, Deus não
deseja castigar os homens até a morte, mas perdoá-los através de Cristo (Mt
5.17; Gl 3.13; Ef 2.15,16).

O cristão não deve, portanto, buscar a justiça humana através da pena de


morte, pois Deus é quem detém a autoridade para dar e tirar a vida das pessoas.
Além disso, a justiça de Deus já foi cumprida pelo sacrifício de Cristo na cruz.
Em Cristo sempre haverá espaço para o arrependimento e o perdão (Lc 23.42).
3 | AS FACES DA VIDA

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E RESSURREIÇÃO


1Coríntios 15.1-58

Neste capítulo, estudaremos assuntos de suma importância para a


manutenção da vida criada por Deus. Assuntos estes que ainda se constituem a
crista da onda das discussões em nossa sociedade pós-moderna.

Prepare-se para conhecer as faces da vida.

A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS HUMANOS

“Como ressuscitam os mortos? Com que espécie de corpo virão?” (1Co


15.35).

O que a Bíblia fala sobre a doação de órgãos? Diretamente, ela não fala
nada, pois nos tempos antigos a medicina ainda não estava evoluída a esse
ponto.

Além dos problemas éticos comuns nesse tipo de discussão, o grande


dilema que aparece entre os cristãos é: como se processará a ressurreição, se
nosso corpo físico tiver seus órgãos retirados para implante em outra pessoa?

A Bíblia nos traz alguns princípios gerais, que veremos agora.

O CRISTÃO É UM SER SOCIAL

O que você faria se visse alguém gravemente ferido à beira da estrada? Em


Lucas 10.30-36 vemos uma belíssima história sobre este dilema. É triste como os
mais religiosos não se moveram para ajudar ao homem que morria de tanta dor;
somente o samaritano se aproximou. Como servo de Deus, o cristão tem
responsabilidades sociais para com todos os homens (Gl 6.9; Hb 13.16; Tg 4.17).

A doação de órgãos é uma forma moderna de ajudar a tantas pessoas que


esperam numa fila para terem uma vida melhor, mais saudável, aqui na terra. O
cristão não pode se descuidar de uma oportunidade tão maravilhosa que a
medicina tem proporcionado para ajudar ao próximo.

Veja ainda algumas razões para você praticar o bem social:

1. A benevolência social é um bom testemunho de Cristo (Rm 13.5; 1Pe


2.13,15). Com ela, o cristão testemunha, na prática, que o amor de Cristo está
acima de qualquer entendimento humano.

2. Aquilo que é feito para os necessitados é feito a Cristo (Mt 25.40,45; Cl


3.23,24). Esse princípio foi ensinado pelo próprio Jesus. Um simples copo
d’água que você entregar a um necessitado funciona como se estivesse
entregando ao próprio Senhor.

3. O bem social pode ajudar a ganhar os homens para Cristo (1Co 9.22;
10.33). Essa é uma motivação que deve ser constante em seu dia a dia. Lembre-
se: quem ganha almas, sábio é.

4. Fazendo o bem por amor a este próprio bem (Tg 1.17). O simples fato de
estar buscando o bem já é uma grande recompensa para o verdadeiro cristão.
Assim como o Senhor, todos os Seus servos também têm prazer em fazer o bem,
sem esperar nada em troca.

Por mais polêmica que seja a questão da doação de órgãos, ela é parte da
lista de boas ações modernas que o cristão pode fazer em favor do próximo.
Mas, existe algum problema de doutrina? É o que você verá agora.

A SUA RESSURREIÇÃO

Ressurreição é o mesmo que tornar a viver; ressurgir depois da morte física.


As Escrituras são claras em prometer ressurreição aos seres humanos. Essa
verdade foi ensinada no Antigo Testamento (Sl 16.10; Os 6.2; Ez 37.1-14; Is
26.13-19; Dn 12.2), sustentada no Novo Testamento (Mc 12.24-27; At 2.24-32;
13.32-37; Hb 11.9) e foi uma das doutrinas mais comentadas pelo apóstolo Paulo
(1Co 15.1-58; 2Co 5.15-17; 1Ts 4.16ss). O Novo Testamento, em resumo, afirma
com ênfase que Deus vai ressuscitar os mortos e que isso não é considerado algo
difícil demais para Ele fazer (At 26.8).
A realidade de sua ressurreição é ensinada por dois fatos:

1. Jesus foi ressuscitado no mesmo corpo em que Ele morreu (Lc 23.39).
Houve uma transformação do corpo do Senhor. Aconteceu uma ressurreição
diferente daquelas que a Bíblia já havia relatado anteriormente, pois todos os que
foram ressuscitados antes de Cristo voltaram a morrer. Foi apenas o retorno do
fôlego de vida (respiração); não houve qualquer tipo de transformação
permanente. No caso de Jesus, houve transformação permanente. Ele vagou
durante algum tempo aqui com um corpo especial, e não voltou a morrer, pois
subiu ao céu (At 1.6-11), e está sentado, hoje, à direita do Pai (Mt 6.64; Mc
14.62; Hb 12.2). Por essa razão, Paulo se referiu a Ele como o primeiro daqueles
que dormem (1Co 15.20,23).

2. Você terá um corpo igual ao corpo ressuscitado de Cristo (1Co 15.21).


Essa é uma realidade que muito alegra o cristão. Durante toda a vida aqui na
terra, o cristão se esforça para ser como o Senhor Jesus, imitando-o em tudo,
procurando pensar como ele pensou (1Co 2.16), emitindo o seu perfume (2Co
2.14). Quando for ressuscitado por Ele, essa será uma realidade eterna para o
cristão. A perfeição espiritual e física já será algo permanente no seu corpo, que
antes era imperfeito. Você será como Ele agora o é. O seu corpo ressuscitado
será um corpo perfeito, sem corrupção, poderoso e glorioso (1Co 15.35-58).

A POSIÇÃO CRISTÃ SOBRE A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS HUMANOS

A doação de órgãos é um procedimento médico moderno que não é


mencionado na Bíblia. Algumas pessoas se opõem a ele simplesmente porque é
“novo” e “diferente”, mas esta não é a base correta para julgar a questão. Deus
deu ao homem a capacidade de pensar e inventar (veja Gn 4.20-22), e não
condenou o progresso tecnológico humano.

O homem pode usar sua capacidade de imaginação para o mal. Quando


assim o faz, é condenado por Deus (Gn 6.5). Mas ele também pode usar esta
capacidade para o bem.

Já que e Bíblia não fala da doação de órgãos, o cristão precisa aplicar os


princípios que o Senhor ensina para julgar este método moderno de salvar vidas.
Doar para o benefício de outros é sempre bom (At 20.35). Arriscar, ou mesmo
sacrificar, a própria vida para salvar outra é visto como o mais elevado ato de
amor (Jo 15.13).
A doação de órgãos deve ser acompanhada pela família do indivíduo
cristão, a fim de impedir que este gesto desinteressado seja desvirtuado por um
interesse comercial ou errado. A Lei brasileira permite este direito aos familiares.
Se houver fortes indícios de que os órgãos serão retirados por pessoas sem
qualquer credibilidade, os familiares cristãos têm o direito e devem recusar a
retirada dos órgãos do ente querido falecido. A Bíblia diz que o cristão tudo deve
fazer sem problema de consciência (Rm 14.23), não consentindo com os que
praticam o pecado.

Os cristãos jamais devem participar de qualquer atividade que, direta ou


indiretamente, represente a venda de órgãos, tecidos ou partes do corpo humano
ou ainda obter qualquer vantagem financeira com tais ações. Além de ser
considerado crime pela Lei brasileira, isto é uma transgressão da Lei de Deus e
uma demonstração de avareza e de amor ao dinheiro, que é a raiz de toda a
espécie de males (1Tm 6.9,10); além de ser uma total desconsideração para com
o próximo, comprovando que o amor de Deus não está naquele que lucra com a
venda de órgãos humanos (1Jo 4.7,8,21).

Sobre a ressurreição, Deus é Todo-poderoso. Não há, portanto, nada


impossível para Ele fazer (Mt 19.26). Não sabemos como Ele ressuscitará
aqueles que já foram completamente comidos pelos vermes, ou se ele juntará
novamente as partes e órgãos do corpo humano para a ressurreição, pois isso
pertence à Sua sabedoria eterna. Cabe aos cristãos apenas aceitarem pela fé a
realidade da ressurreição, como um mistério de Deus (Dt 29.29). Para o cristão,
basta saber que a ressurreição é uma promessa de Deus, e o que Deus promete
será cumprido: “Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para
que se arrependa. Acaso ele fala, e deixa de agir? Acaso promete, e deixa de
cumprir?” (Nm 23.19; confira ainda Is 55.11; 2Tm 2.13). 
4 | AS FACES DA VIDA

CLONAGEM HUMANA E BIOÉTICA


Gênesis 2.4-17

No capítulo anterior estudamos sobre a doação de órgãos e a nossa


ressurreição. As faces da vida continuam, especialmente com o assunto da
clonagem humana e os estudos da bioética. Preste bem atenção e conheça o
posicionamento que o cristão deve ter sobre estes assuntos, sempre com base nos
princípios da Palavra de Deus.

A CLONAGEM HUMANA

A possibilidade de produzir clones humanos traz à discussão questões éticas


de fundamental importância, como a escolha das características genéticas que
permanecerão no futuro ser humano e o extraordinário poder político que teria o
grupo autorizado a manipular a “evolução” do gênero humano.

A palavra clone vem do grego klon, e significa “broto”. É o conjunto de


organismos que possuem código genético idêntico e que se originaram por
métodos artificiais de um mesmo indivíduo. Essa técnica de reprodução é usada
comumente na agricultura. Vários exemplares de cada vegetal podem se originar
de uma única planta e compartilharem os mesmos genes. Esses vegetais são
chamados de transgênicos.

Em 1997, pesquisadores escoceses apresentaram o surpreendente resultado


de suas pesquisas sobre clonagem: a ovelha Dolly, que foi o primeiro mamífero
gerado por clonagem. Para produzir essa ovelha, os pesquisadores colheram
células da glândula mamária de uma ovelha de seis anos, eliminaram o núcleo de
uma dessas células – pois no núcleo se encontra o material genético, que define
as características do indivíduo – e implantaram o núcleo da primeira ovelha no
óvulo de uma segunda ovelha, da qual já haviam eliminado o núcleo original. O
embrião em desenvolvimento foi implantado no útero de uma terceira ovelha,
que deu à luz Dolly, filhote perfeito e saudável, geneticamente igual à primeira
ovelha, a doadora do núcleo da célula que serviu de base para o clone.
A CLONAGEM HUMANA E A BÍBLIA

Estamos perto de testemunhar a criação do primeiro clone humano. Este


tema tem gerado sérios debates, principalmente no meio cristão. Os próprios
cristãos têm dificuldade em se posicionar a respeito do assunto, beirando à
superstição.

E como basear este fato na Bíblia? Pode o homem realmente criar a vida?
Deus o proíbe? A Bíblia nos fala algo a esse respeito?

Em primeiro lugar, veja que um dos princípios básicos adotados pelos


evangélicos é o da exclusividade da Palavra de Deus, ou seja, a Bíblia é o
exclusivo meio de Deus para nos transmitir Suas palavras. O que está na Bíblia é
suficiente para conhecer a Lei de Deus, e, por consequência, o que não aparece
na Bíblia não foi proibido. O cristão não tem, através da Bíblia, o conhecimento
total da vontade de Deus, somente o suficiente (1Co 13.12). Quando você estiver
no Paraíso Celestial, saberá tudo por completo. Mas o Senhor não omitiu nada
que seja importante, não se equivocou nem omitiu sua Lei, ela está escrita e é
suficiente para o servo de Deus.

Você poderá achar na Bíblia referências à clonagem humana, ou temas que


sejam relacionados? A resposta é simples e direta: não. Mas você poderá
caminhar mais adiante, pois fazer clonagem significa mexer com a vida, e a
Bíblia tem muito a dizer sobre a vida.

A NATUREZA ESPIRITUAL DADA POR DEUS

O homem recebeu de Deus um espírito de sabedoria incomparável, pois foi


criado à imagem e semelhança dele. A criatividade, a imaginação, a noção de
beleza, o entendimento da música e das artes são características próprias do ser
humano. Muitos cientistas tentam explicar o instinto como algo físico, afirmando
ser uma memória genética que foi passada ao homem pelos seus genes. Mas a
Bíblia afirma que esse conhecimento básico de todo ser que respira é fornecido
por Deus, quando nos dá o espírito de vida (Gn 2.7). O espírito que habita em
você já possui a informação básica e necessária para que você possa viver no
mundo que Deus criou. Assim é a sua natureza espiritual.

Segundo as palavras de Jesus, homem algum pode criar ou matar a natureza


espiritual, pois ela fica sob o julgamento de Deus: “Não tenham medo dos que
matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que
pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10.28) – “Em sua mão
está a vida de cada criatura e o fôlego de toda a humanidade” (Jó 12.10). A vida
pertence a Deus e está em Suas mãos.

Como entender, então, o assunto da clonagem humana? Como você já viu, a


vida humana não é representada apenas pela parte física, é composta também
pela parte espiritual, que a ciência não tem o menor poder. Como a clonagem
significa apenas copiar células, reproduzi-las de forma artificial; sem que Deus
coloque no corpo a natureza espiritual, como o clone sobreviveria? A ciência
médica não tem condições de criar a vida, mesmo que copie o corpo físico. Este
suposto corpo humano clonado, se sobreviver, terá seu próprio espírito dado por
Deus. Será, portanto, uma pessoa diferente da primeira e não uma cópia – apesar
de fisicamente ser uma réplica idêntica. Sua parte espiritual responderá a Deus
pelos seus pecados e lhe será concedida autonomia sob suas decisões. Se não
sobreviver, é porque Deus não lhe soprou o fôlego de vida (espírito), e “... o
corpo sem espírito está morto...” (Tg 2.26).

A NECESSIDADE DE UMA BIOÉTICA CRISTÃ

A bioética é uma ciência nova. Teve início na década de 1970, quando a


humanidade começou a ver que o avanço das tecnologias necessitava de um
acompanhamento ético, sobretudo as ciências biológicas. Criou-se a palavra
bioética justamente para poder fazer com que estas ciências relacionadas à vida e
às tecnologias possam servir ao ser humano. Hoje, a palavra bioética abrange
toda a preocupação voltada à vida, mas também alcança seres não vivos, numa
visão de toda a criação.

A clonagem deve ser condenada pelos cristãos e por qualquer pessoa de


bom senso. Manipular um embrião oferece altos riscos de deformação para o
futuro ser humano. E a clonagem com objetivos médicos, que trata o embrião
como se fosse um material descartável, merece todo o nosso repúdio.

A vida humana é sagrada. Ninguém pode manipulá-la ou eliminá-la. A


vinda de uma pessoa ao mundo não é uma realidade apenas física; mas é um
evento físico, emocional e espiritual. Abrange o próprio poder criador de Deus.
Não dá para os homens ficarem assim brincando de Deus.
5 | EVANGELHO HIGH-TECH

AS NOVAS TECNOLOGIAS E A MÍDIA


Colossenses 4.2-6

O que é tecnologia? Tecnologia é o conjunto de princípios, métodos,


instrumentos e processos determinados pela ciência, com o objetivo de produzir
bens mais eficientes e mais baratos.

Podemos definir novas tecnologias como a aplicação das novas descobertas


da ciência aos objetivos da vida prática. De fato, o avanço da tecnologia trouxe
inúmeros benefícios para o homem, dos quais o principal foi tornar o trabalho
mais fácil e mais produtivo.

A INFORMÁTICA

Em poucos anos a informática revolucionou a atividade humana em todos


os níveis. Com o acelerado progresso obtido no campo da tecnologia dos
computadores, a informática deixou de ser uma área reservada a especialistas e
se encontra cada vez mais presente no dia-a-dia do cristão; o que permite, entre
outras vantagens, o acesso a um volume cada vez maior de informação.

Mas, o que é informática? Você poderá entender a informática como a


ciência e a tecnologia que se ocupa do armazenamento e tratamento da
informação, através da utilização de equipamentos e procedimentos da área de
processamento (organização) de dados virtuais (informações apresentadas por
meio eletrônico).

Todo computador possui duas partes fundamentais que se complementam.


De um lado, o equipamento físico do sistema, chamado hardware; de outro,
todos os programas que dirigem o funcionamento do computador, o software.

Ainda que o hardware seja de última geração, o seu computador ainda não
poderá funcionar, pois um sistema de informática necessita do software.
Acredite, sem ele o computador seria incapaz de realizar qualquer tarefa, por
mais simples que fosse. O software compreende basicamente os sistemas
operacionais, as linguagens de programação e os programas propriamente ditos.
O sistema operacional é o organizador de todas as atividades realizadas pelo
computador. Programa é o conjunto de instruções transmitidas a um computador
para a execução de uma tarefa específica. Os programas indicam ao computador
a tarefa a realizar e como efetuá-la, mas para isso é preciso codificar essas
ordens numa linguagem que o sistema possa entender. Essa linguagem
denomina-se linguagem de programação.

A INFORMÁTICA NAS SOCIEDADES MODERNAS

As aplicações da informática transformaram profundamente e continuam


transformando quase todas as atividades humanas. A informática converteu-se
numa maravilhosa ferramenta de trabalho em terrenos tão diversos quanto as
comunicações, o ensino, a medicina e a saúde, o desenho industrial, a editoração
de jornais e revistas e as artes gráficas.

O contínuo progresso e a constante queda de preço dos equipamentos de


informática abriram caminho para a chamada informática doméstica. Com o uso
dos computadores pessoais, a informática deixou de ser uma área reservada aos
especialistas e profissionais e se faz cada vez mais presente na vida cotidiana, o
que abre acesso a quantidades cada vez maiores de informação.

O EVANGELHO NA MÍDIA

Mídia é a palavra que dá nome ao conjunto dos meios de comunicação


populares, como jornais, revistas, rádio, cinema e televisão. Refere-se também
ao setor das agências de propaganda encarregado da veiculação de anúncios.

Por que devemos propagar o Evangelho usando os meios de comunicação


modernos? O meio tradicional (boca a boca) não é o único legítimo para
anunciar a salvação?

Há alguma vantagem para o Reino de Deus ao se usar a mídia com o


objetivo de anunciar o evangelho?

Essas são perguntas bastante atuais, já que a mídia evangélica ultimamente


tem dado um grande passo para tornar-se mais profissional. As vantagens são
inúmeras, mas também existem situações difíceis.
APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES

Em Colossenses 4.5, você poderá ler: “Sejam sábios no procedimento para


com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades”. É interessante
que o apóstolo Paulo afirma que é sábia a pessoa que consegue aproveitar bem
as oportunidades para dar bom testemunho e pregar o evangelho aos descrentes.

O princípio de aproveitar da melhor maneira possível as oportunidades se


aplica às facilidades apresentadas pela tecnologia moderna? Certamente.
Ganhamos tempo quando aproveitamos as inúmeras facilidades da pregação em
massa, pois mais pessoas poderão ser atingidas pela mensagem de salvação e o
Reino de Deus poderá experimentar um crescimento numérico progressivo.

Alguém, no entanto, poderia argumentar que o mais importante é a


qualidade, e não a quantidade de pessoas. Evidentemente que não poderemos
abrir mão da qualidade; sem ela o serviço cristão não seria condigno com os
padrões divinos: “Pois eu sou o SENHOR, o Deus de vocês; consagrem-se e
sejam santos, porque eu sou santo” (Levítico 11.44). Mas, apesar desta verdade,
pode haver qualidade sem quantidade? O evangelho teria alcançado com
qualidade o mundo se os apóstolos não tivessem pregado às massas
populacionais? Você estaria salvo, hoje, se diversos missionários de outros
países não tivessem pregado o Evangelho aqui, visando o maior número de
pessoas possível?

Creio que, se o apóstolo Paulo vivesse em nossos dias, ele estaria usando as
estações de TV, ou a imprensa, para pregar a Palavra de Deus. Alguém duvida
que Paulo trabalharia usando computadores para produzir material doutrinário
para as igrejas, por exemplo? O que Paulo não conseguiria fazer em sua época,
se tivesse as facilidades que temos hoje para comunicar a Palavra de Deus?
Como já disse Carneiro de Azevedo: “Uns esperam a oportunidade, outros a
buscam”.

AS EPÍSTOLAS ERAM A TECNOLOGIA DE PONTA DA ÉPOCA

Os apóstolos pregaram o evangelho e acompanharam as igrejas, várias


vezes, por meio de cartas; que era a forma mais dinâmica que conheciam
naquela época, quando não podiam viajar pessoalmente (1Co 5.9; 2Co 3.2; 7.8;
10.10,11; Cl 4.16; 2Ts 3.14; 2Pe 3.1). Não é interessante que foram justamente
as cartas que permaneceram vivas por séculos e hoje também compõem a
Palavra de Deus para nós? Suas palavras e sua teologia só foram resgatadas
porque podemos usufruir hoje de seus escritos. O que eles – e também Jesus –
falaram teria se perdido caso não houvesse um meio de se registrar tudo.

Naquela época a língua falada mundialmente era o grego – devido ao


domínio cultural que os gregos ainda exerciam sobre os romanos. Esse detalhe
foi um recurso que muito facilitou a propagação do evangelho pela igreja
primitiva. Isso porque todos os Evangelhos, o livro de Atos, as Epístolas e o
Apocalipse foram escritos numa forma popular do grego clássico (conhecido
como grego koinê). Se os apóstolos tivessem algum tipo de restrição em usar
cartas escritas num grego popular, teríamos hoje o registro de como viviam e
criam os cristãos primitivos? Naturalmente que não.

Deixar de aproveitar as oportunidades dos meios de comunicação modernos


seria mais ou menos como se os apóstolos não quisessem escrever cartas e
deixassem inúmeras igrejas sem direção em sua época; e não teríamos hoje a
riqueza de conhecimento doutrinário e espiritual da igreja apostólica; ou mesmo
dos evangelhos, com o registro da vida de Cristo.

Além disso, hoje em dia muitas pessoas estão recebendo a salvação com a
pregação da Palavra de Deus através do rádio, TV, internet etc. É o evangelho
rompendo novamente as barreiras geográficas e culturais para alcançar vidas.
Foi Louis Pasteur quem disse: “A oportunidade favorece uma mente preparada”.
6 | CUIDADO COM OS ESCÂNDALOS!
2Timóteo 2.1-13

Quando usamos os recursos da mídia na propagação do evangelho,


lucramos com uma melhora substancial na qualidade do modo como pregamos a
mensagem.

Mediante o planejamento do tipo de abordagem da mensagem que


desejamos transmitir ao nosso público-alvo (não somente por sermões, mas
através de publicidade, programas de rádio ou TV, e outros meios de
divulgação), a nossa Igreja local poderá melhorar a eficiência e a eficácia de sua
comunicação. Poderemos, assim, chamar atenção das pessoas mais
persuasivamente para o que é a Igreja e como podem se beneficiar com o que ela
lhes oferece.

A ÉTICA NA MÍDIA

Alguns princípios éticos, no entanto, precisam ser respeitados no uso dos


veículos de massa:

1. É preciso que cumpramos tudo aquilo que prometemos. Portanto, não


podemos, jamais, prometer algo que o evangelho claramente não promete.

2. É preciso saber passar a imagem certa do que é ser um cristão.

3. É preciso ter cuidado para não chocar as pessoas meramente pelo desejo
de polemizar.

4. A comunicação será mais eficiente se o interlocutor conseguir estabelecer


uma relação de simpatia com o público.

VIGIAR PARA NÃO CAIR

“Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto,
mas a carne é fraca” (Mt 26.41).
“Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que
deseja agradar aquele que o alistou” (2Tm 2.4).

Você verá agora que a principal dificuldade para o evangelho na mídia é a


ocorrência de escândalos, que vão contra o próprio evangelho. Além disso, outra
desvantagem é a facilidade para a propagação de heresias e falsas doutrinas
como se fossem princípios bíblicos.

Não é fácil viver a vida cristã com sinceridade de coração. Os espinhos são
grandes, mas a vitória final é garantida pelo Senhor: “Mas, em todas estas coisas
somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37).

Na frente da luta que o cristão enfrenta no dia a dia, está a batalha contra as
tentações carnais. Paulo já disse: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o
mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Rm 7.19).

Como lidar com a tendência ao erro que ainda permanece no servo de


Deus? A Bíblia diz que “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que
não caia!” (1Co 10.12). Diz ainda que o cristão não deve ser pedra de tropeço
para ninguém (Mt 13.41,42; Rm 14.13; 1Co 8.9,13; 10.32; 1Jo 2.10).

O princípio da pedra de tropeço talvez seja o mais negligenciado quando o


assunto é a propagação do evangelho através da mídia. É quando alguém se
torna a causa de outra pessoa deixar a fé cristã; ou ainda quando este mesmo
alguém se torna um obstáculo para que os incrédulos cheguem à fé em Cristo. Se
todos os comunicadores cristãos soubessem o poder que a mídia tem de “puxar o
tapete”, ao mesmo tempo em que eleva grandemente o alcance da mensagem
pregada, teriam mais cuidado com sua própria vida pessoal!

Quando os líderes evangélicos estão envolvidos com a mídia, o perigo de


queda parece ser maior, pois existem mais oportunidades de serem tentados
quanto ao poder e às riquezas. E quando alguém que está na mídia cai, causa
muitos escândalos, pois estará em evidência. E, consequentemente, será pedra de
tropeço para muita gente.

DEUS RESISTE AOS SOBERBOS

O orgulho é uma arma muito eficiente nas mãos de Satanás para fazer
grandes líderes caírem. Quando um servo de Deus se expõe excessivamente à
mídia, poderá estar permitindo que o Diabo o cegue, implantando um sentimento
de orgulho ou soberba e, nesse caso, poderá tropeçar, levando muitos com ele.

Em Tiago 4.6, você verá que Deus resiste (ou se opõe) aos soberbos. A
palavra “soberbo” significa: arrogante, orgulhoso, alguém que se vangloria de
sua posição e menospreza os outros. Facilmente um servo de Deus poderá se
esquecer de sua condição de escravo de Cristo, para achar que é superior aos
outros pelo simples fato de ser famoso. Tantos homens e mulheres de Deus
caíram por causa deste pecado!

O antídoto mais eficaz para as armadilhas do sucesso na mídia é a


humildade. No entanto, o cristão não deve ser “capacho” dos outros. O servo de
Deus também possui amor próprio, e deve fazer uma sábia diferença entre ter
uma atitude humilde e deixar-se humilhar por pessoas orgulhosas. Na verdade,
ser humilde é o mesmo que portar-se humildemente; ser submisso a Deus e
moderado para com o próximo (2Co 10.1). Esta atitude é essencial para o
cidadão do Reino de Deus (Sl 138.6; Mt 5.3; 11.29; 18.4; Rm 12.16; Ef 4.2; Fp
2.3; Cl 2.23; 1Pe 3.8).

ACAUTELAI-VOS...

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de


ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores” (Mt 7.15).

A realidade estampada nos meios de comunicação populares infelizmente é


a rápida propagação de heresias destruidoras da fé bíblica. Líderes carismáticos
que se apresentam como enviados de Deus, mas que introduzem de forma
encoberta falsos ensinos.

Quem poderá negar, por exemplo, que há tantas práticas destoantes dos
saudáveis ensinos da Palavra de Deus? Parece até que a “coceira nos ouvidos”
ficou crônica e chegou para ficar no meio evangélico (2Tm 4.3). Verdadeiras
aberrações são pregadas a cada dia, misturadas ao genuíno evangelho de Cristo.
Esse tipo de mensagem adulterada tem causado grandes prejuízos ao Reino de
Deus.
Mas essa realidade já foi predita na Bíblia (Mt 24.11,24; Mc 13.22; 2Pe 2.1;
1Jo 4.1), e devemos ter muito cuidado com aquilo que ouvimos e aprendemos,
sejam doutrinas ou práticas estranhas ao evangelho (Ef 4.14; Gl 1.8,9; 1Ts 5.21).

Como precaver-se contra a pregação de falsas doutrinas? Na Bíblia, você


verá que o povo hebreu constantemente errava ao esquecer as Leis de Deus (Dt
8.20; Is 65.11,12; Jr 2.32; 3.21; 23.26,27; Os 13.6), e que os profetas foram
levantados para exortar o povo a se arrepender e voltar a obedecer à vontade do
Senhor (1Sm 15.22; Is 22.12; Ez 18.31; 33.11; Os 14.2; Jl 2.12; Ml 3.7).
Portanto, você deverá ter contato constante com a Palavra de Deus para que
possa estar imune às heresias pregadas na mídia moderna.

Mas, como você poderá buscar contato com a Palavra de Deus? Pelo andar
da carruagem, toda urgência é pouca. Mais do que nunca você deverá procurar
intimidade com a sua Bíblia. Deverá estudá-la e interpretá-la de modo correto,
obedecendo às regras básicas do contexto (versículos que aparecessem antes e
depois do texto estudado) para que possa ter alguma segurança quanto ao
significado da mensagem que Deus quer lhe passar. Não basta simplesmente ler
a Bíblia. É preciso estudá-la com método e insistência.

O que dizer do avanço humano na área da informática com computadores


atuando em velocidades cada vez maiores? E da robótica? Ou da cibernética –
que já aponta para a possibilidade de um ciborgue (homem-robô) num tempo
não muito distante?

Realmente, grandes foram as conquistas do ser humano, mas não podemos


dizer que o homem é melhor do que o era na idade média. Criamos tecnologias,
avanços científicos, forjamos tratados, mas não conseguimos nos erguer de
nossas dificuldades pessoais.

Qual a resposta cristã para tal situação? É simples: “sem mim vocês não
podem fazer coisa alguma” (Jo 15.5). Qualquer tentativa de progresso sem a
ação transformadora de Jesus no coração humano é vazia. Sem Jesus, o ser
humano jamais irá conseguir se levantar de suas enfermidades. Então, o que
fazer? Vamos jogar fora todas essas tentativas e esforços? Não, de modo algum.
Apenas mostrar que é puro sonho a pretensão de um progresso sem Deus. As
novas tecnologias podem ser boas aliadas do evangelho, mas são péssimas
substitutas.
O cristão deve buscar o equilíbrio espiritual e não fazer da tecnologia e da
mídia a solução imediata para todos os problemas evangélicos, e nem torná-las
as vilãs e únicas causadoras de suas mazelas. Aconselho apenas ter cuidado com
os perigos que a tecnologia apresenta, utilizando-a responsavelmente em prol do
Reino de Deus.
7 | O CRISTÃO COMO PROFETA SOCIAL
Ezequiel 3.17-21

O que é patriotismo? O patriota é a pessoa que ama a pátria e procura servi-


la. A melhor maneira de servir à nação brasileira é tendo consciência política.
Não podemos deixar que o Governo faça tudo o que desejar, sem que estejamos
acompanhando de perto e cobrando soluções.

Hoje em dia, onde está a postura denunciadora dos erros de governantes


que os profetas do passado exerciam? Os líderes evangélicos têm buscado
manter-se fora dos círculos do poder político para ter autonomia de exercer o
ministério profético denunciador ou têm se prostituído com os poderes terrenos?

O PROFETISMO SOCIAL

Quando falamos em profetas e profecias, geralmente as pessoas se


confundem, achando que a única função deles é predizer o futuro. Na verdade,
biblicamente, os profetas eram aqueles que transmitiam o recado de Deus sobre
os assuntos contemporâneos e, esporadicamente, previam o futuro. Os profetas
deveriam ser: ousados e inflexíveis (Ez 2.6; 3.8,9), vigilantes e fiéis (Ez 3.17-
21), atentos às palavras recebidas (Ez 3.10), fiéis para transmitir apenas o
recebido (Dt 18.20), obedientes na transmissão da palavra (Jr 26.2) e escreviam
e narravam as mensagens recebidas (2Cr 21.12; Jr 36.2; Lc 4.17; At 13.15).

Segundo penso, a conscientização política é a verdadeira missão profética


do cristão nos tempos pós-modernos. O povo de Deus tem de amar e servir à
pátria com responsabilidade. Atentando para os aspectos sociais, políticos e
religiosos. Não pode deixar, no entanto, que a Igreja de Cristo se corrompa com
tantas falcatruas do meio político partidário.

A POLÍTICA À LUZ DA BÍBLIA

“Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos
de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil,
de cem, de cinquenta e de dez” (Ex 18.21).
O que a Bíblia tem a dizer sobre política? Na verdade você não encontrará
na Bíblia a palavra “política”, porque a Palavra de Deus não é um manual ou
tratado político. Apesar disso, a arte de bem governar e administrar com
competência são exigências constantes de Deus. Basta você ler, por exemplo, o
livro do profeta Isaías, o “profeta da justiça social”.

A causa das crises mundiais está numa política defeituosa. A maioria dos
líderes políticos está querendo dirigir o mundo sem Deus e sem a Bíblia (Dt
17.18-20).

O maior exemplo de consciência política que a Bíblia nos apresenta foi


dado pelo Senhor Jesus Cristo. Certa ocasião o Mestre foi questionado por
pessoas mal intencionadas sobre a o pagamento de impostos ao imperador
romano. Jesus ensinou que honrar a Deus não significa desonrar a autoridade
política (Mt 22.15-22).

Os apóstolos Pedro e Paulo enfatizaram a importância da obediência e


honra às autoridades políticas, porque são “ministros de Deus”, conforme a
expressão usada por Paulo (Rm 13.1-7; 1Tm 2.1,2; 1Pe 2.11-17). A
desobediência civil só é justificada na Bíblia quando as autoridades
intencionalmente se opõem ao evangelho de Jesus para cometer injustiças (At
4.18,19).

Observe que, de acordo com a Bíblia, a política em si é boa porque foi


instituída por Deus. Mas ela pode se tornar má, pois nem sempre a política é
devidamente utilizada. Deve, então, o cristão brasileiro participar da política
partidária, concorrendo a um cargo público?

Há inúmeros exemplos bíblicos de servos de Deus que se envolveram com


questões de Estado, José e o profeta Daniel são apenas alguns exemplos. Eles
foram bênção em suas funções. Contudo, penso que, na atual situação político-
partidária brasileira, o cristão autêntico que deseja exercer o Governo como um
ministério dado por Deus, precisará ter muito cuidado; pois a atuação dos
políticos evangélicos que conheci, até agora, têm deixado muito a desejar,
mostrando que pensam mais em seus próprios interesses que nos do povo. Além
disso, há os frequentes escândalos que aparecem protagonizados pela classe
política institucionalizada. Muito particularmente, creio que as igrejas
evangélicas fariam melhor se não se envolvessem tanto com políticos, ainda que
sejam cristãos sinceros, pois esse envolvimento impede que a Igreja exerça a sua
função profética denunciadora das mazelas sociais.

O CRISTÃO E A GUERRA

Basicamente, há três pontos de vista adotados pelos cristãos.


Primeiramente, há os que sustentam que o cristão deve ir para todas as guerras
em obediência ao seu Governo, porque o Governo é ordenado por Deus. Em
segundo lugar, há os que argumentam que os cristãos não devem participar em
guerra alguma, pois Deus ordenou aos homens para nunca tirarem a vida de
outra pessoa. Finalmente, há os que argumentam que os cristãos devem
participar de algumas guerras, das guerras justas, porque fazer de outra forma
seria uma recusa de se fazer o bem maior que Deus ordenou.

O Governo é de Deus (Rm 13.1-7); embora a forma de Governo Teocrático


tenha mudado desde o Antigo Testamento, permanece o princípio de que o
Governo é de Deus. Quando Israel estabeleceu sua monarquia, de modo
contrário ao plano de Deus (1Sm 8.7), o Senhor ungiu o rei que escolheu (1Sm
8.7-10,22). Mais tarde, Samuel disse que o SENHOR escolheu o rei (1Sm
10.24). Davi, até mesmo antes de ser rei, recebeu a ordem no sentido de lutar
contra os filisteus que estavam despojando Israel (1Sm 23.1-2).

A autoridade civil dada por Deus foi reconhecida por Jesus, diante de
Pilatos (Jo 19.11). Paulo ensina a seus pupilos, Timóteo e Tito, que deveriam
respeitar as autoridades (1Tm 2.1-2; Tt 3.1).

Por outro lado, há muitos aspectos no argumento do pacifista cristão contra


as guerras. Há pelo menos dois princípios bíblicos por detrás de todos eles: “Não
matarás” (Ex 20.13) e “Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face
direita, ofereça-lhe também a outra” (Mt 5.39).

UMA POSTURA EQUILIBRADA

Há aqueles que argumentam que, em princípio, algumas guerras são


injustas e outras não. A Bíblia ensina que nem sempre é certo obedecer ao
Governo em tudo quanto ordena, especialmente quando suas ordens contradizem
as Leis espirituais superiores de Deus.

1. Os três jovens hebreus desobedeceram ao mandamento do rei: não


adoraram a um ídolo (Dn 3).

2. Daniel violou a Lei que proibia a oração a Deus (Dn 6).

3. Os apóstolos desobedeceram às ordens que interditavam a pregação do


Evangelho de Cristo (At 4 e 5).

4. As parteiras hebreias no Egito desobedeceram ao mandamento que


determinava a morte dos recém-nascidos do sexo masculino (Ex 1.17,19-21).

Esta última passagem ensina claramente que é errado tirar a vida de um ser
humano inocente, ainda que o Governo humano o determine. Os pais humanos
de Jesus mostraram a mesma convicção de que o Governo não tinha direitos
sobre a vida humana inocente, visto que, sob a orientação de Deus, fugiram
diante da tentativa de Herodes de matar o menino Jesus (Mt 2.13,14).

Contudo, as Escrituras também ensinam que nem todas as guerras são


necessariamente más. Tirar uma vida foi frequentemente ordenado por Deus,
tanto dentro de uma nação quanto entre nações. Nem sempre tirar a vida é
assassinato. Às vezes, Deus delega a autoridade para que seja derramado o
sangue humano.

Vemos isso registrado:

1. No livro de Gênesis (9.6);

2. Na Lei para Israel (Ex 21.26);

3. Paulo reafirmou-o como sendo o poder que residia no imperador de


Roma (Rm 13.4);

4. Jesus, diante de Pilatos (Jo 19.11).

O cristão, portanto, reconhece que o Governo é instituído por Deus e que


deve sempre se submeter a ele debaixo de Deus (1Pe 2.13). Na eventualidade de
um conflito entre Deus e o Governo, o cristão está pronto a obedecer a Deus em
vez do homem.
8 | A HOMOSSEXUALIDADE SEGUNDO A BÍBLIA
Romanos 1.18-32

Hoje em dia a “pedra de toque” da cultura pós-moderna parece ser a


questão homossexual. Por isso, teremos duas lições sobre este assunto
extremamente polêmico e atual.

Fala-se muito em homofobia sem que, necessariamente, haja um


entendimento adequado sobre este termo.

O prefixo latino homo significa “igual”. Assim, o termo homossexual faz


referência ao desejo sexual por pessoas do mesmo sexo. Já o termo homofobia, a
rigor, significa “medo do igual”, o que é um absurdo, pois as pessoas não têm
medo dos iguais. O que quiseram dizer quando cunharam este termo é o “medo
do homossexual”.

Contudo, nem sempre a rejeição do estio de vida homossexual traz como


consequência a violência contra gays, como insistem em afirmar na mídia.

Neste capítulo, vamos estabelecer como a Bíblia realmente se posiciona


sobre a questão homossexual, visto haver ainda tanta confusão em grupos ditos
“evangélicos”, como a famigerada Igreja Contemporânea.

O QUE DIZ A BÍBLIA

Logo no início, precisamos entender que Deus ama o homossexual, assim


como ama igualmente a todos os homens (Jo 3.16).

O homossexualismo não é tratado na Bíblia como um fator “genético”, e


sim, como pecado (Lv 18.22; 20.13). Observe ainda: “E chamaram a Ló, e
disseram-lhe: Onde estão os varões que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a
nós, para que os conheçamos” (Gn 19.5). Noutra tradução, diz claramente: “para
que tenhamos relações com eles”.

Agora, leia todo o texto de Gênesis 19.1-11 e entenda porque o termo


“sodomia” é sinônimo de “homossexualismo”. A Bíblia diz: “Ora eram maus os
varões de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13.13).
O TEXTO BÍBLICO QUE OS GAYS QUEREM RASGAR

O pecado do homossexualismo, de acordo com a Bíblia, é o estágio final da


queda moral e espiritual de uma sociedade que rejeita a revelação de Deus (Rm
1.21-25).

Analisaremos agora este texto profundamente claro e, por isso, divisor de


águas. Primeiro: “Conheceram a Deus” – não são ignorantes, nem, inocentes (vv.
19,20). Segundo: “não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças”. São
culpados dos pecados de “ingratidão” e “falta de louvor”. Terceiro: “... e o seu
coração insensato se obscureceu”. Desceram para o estágio da “cegueira
espiritual”. Quarto: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”. São acusados de
“demência espiritual”. Quinto: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em
semelhança da imagem do homem corruptível”. Afundaram-se no pecado da
idolatria (v. 25). Sexto: As expressões “Deus os entregou... Deus os abandonou
às paixões infames”, significam que Deus tirou a “cerca” natural que existia nas
suas consciências, que os impedia de praticar aberrações, liberando-os
completamente para a prática do pecado. Essa é a razão porque a maioria dos
homossexuais não se contenta com a prática normal do sexo, são exibicionistas,
gostam de provocar a família, a sociedade e a igreja, aparecendo nus em público,
com gestos obscenos e trajes sensualmente provocativos. Eles têm prazer de
profanar símbolos religiosos. Enfim, não há limites para suas ações. Sétimo: “...
E recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (v.27). O
homossexualismo, além de ser um pecado, é também uma punição divina à
incredulidade, à ingratidão e à prática da idolatria. Pesquisas científicas
comprovam que a Aids teve a sua origem entre os homossexuais. Oitavo: Dentro
de Romanos 1.24-32, a prática do homossexualismo é chamada de: a.
Concupiscência do coração; b. Imundícia (v. 24); c. Paixões infames (v. 26); d.
Torpeza (v. 27); e. Sentimento perverso, e, f. Coisas que não convêm (v. 28).

Certa vez um ativista do Movimento Gay declarou: “Todas as leis que


proíbem a atividade homossexual serão revogadas. A unidade da família – o
terreno de criação de mentiras, traições, mediocridade, hipocrisia e violência –
será abolida. Todas as igrejas que nos condenam serão fechadas” (Michael Swift,
um revolucionário gay. Boletim Gay Community News).

Outro declarou: “Vamos forçar vocês (cristãos) a se retratarem de tudo o


que vocês têm crido e dito acerca da sexualidade. Finalmente queremos apagar
muitas passagens de suas Escrituras e reescrever outras eliminando o tratamento
preferencial dado ao casamento e usando palavras que permitirão que as
passagens sejam interpretadas de acordo com os interesses homossexuais. Já
capturamos as instituições liberais e a imprensa. Já derrotamos vocês em muitos
campos de batalhas. E temos o espírito da era do nosso lado. Vocês não têm nem
fé nem força para lutar contra nós. Portanto, bem que vocês poderiam se render
agora mesmo” (Steve Warren, porta-voz do polêmico grupo homossexual ACT
UP, em seu artigo intitulado: “Aviso aos Homófobos”, na The Advocate, uma
revista para o público gay).

DEUS ODEIA O HOMOSSEXUALISMO

Deus odeia o pecado do homossexualismo, assim como odeia igualmente


outros tipos de pecado. Observe os textos bíblicos abaixo:

“Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem


multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito” (Gn 18.20).

“Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem engrossado
diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo” (Gn 19.13).

“Levanta-te, toma tua mulher, e tuas duas filhas que aqui estão, para que
não pereças na injustiça dessa cidade” (Gn 19.15).

“Então o Senhor fez chover enxofre e fogo do Senhor desde os céus, sobre
Sodoma e Gomorra. E derribou aquelas cidades, e toda aquela campina, e todos
os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra” (Gn 19.24,25).

“E toda a sua terra abrasada com enxofre e sal, de sorte que não será
semeada, e nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma, assim foi a
destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o Senhor
destruiu na sua ira e no seu furor” (Dt 29.23).

“Quando também um homem se deitar com outro homem, como com


mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue é sobre
eles” (Lv 20.13).

Leia ainda: Lucas 17.29; 2Pedro 2.6-8; Judas 7.

O homossexualismo é contrário à natureza e à criação original de Deus.


Ninguém nasce homossexual. Não existe ordem cromossômica homossexual. O
macho heterossexual e o macho homossexual têm a mesma ordem
cromossômica. A fêmea heterossexual e a fêmea homossexual também.

Nenhum médico entrega o bebê recém-nascido para a mãe e diz-lhe: “Seu


bebê é homossexual!”. Não! Cientificamente só existem machos e fêmeas.

UMA QUESTÃO COMPORTAMENTAL

Todos nós nascemos homem ou mulher por determinação genética.


Homossexual é um homem ou uma mulher que, por escolha voluntária ou
influência externa, escolhe ser homossexual. É uma opção aprendida ou imposta.

Muitas pessoas que antes eram heterossexuais deixaram de ser, e se


tornaram homossexuais por preferência e escolha pessoal. Outras que já foram
homossexuais deixaram de ser por convicções religiosas e escolha pessoal, e se
tornaram heterossexuais.

Deus não cria ninguém com desejos homossexuais. A Bíblia nos diz que a
pessoa se torna homossexual por causa do pecado (Rm 1.24-27), e
definitivamente por sua própria escolha. A pessoa pode nascer com grande
tendência à homossexualidade, da mesma forma como algumas pessoas nascem
com tendências à violência e outros pecados. Mas isto não é desculpa para
escolher o pecado, cedendo aos próprios desejos pecaminosos. Se uma pessoa
nasce com grande tendência à ira, isto faz com que ela esteja certa e, então,
poderá ceder a esses desejos? Claro que não! O mesmo é verdade com relação à
homossexualidade.

ESTERILIDADE DA VIDA HOMOSSEXUAL

Em síntese, homossexualismo não é a regra da vida e nem dos


relacionamentos humanos. Não é o modelo divino para a sociedade. Por quê?

Porque a união homossexual é estéril – é incapaz de cumprir o desígnio de


Deus para a sociedade humana.

Deus não criou Eva e Eva, nem Adão e Adão, mas Adão e Eva: “Macho e
fêmea os criou, e os abençoou” (Gn 1.27; 5.2) e ordenou-lhes, dizendo:
“Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra...” (Gn 1.28).

O cumprimento desta ordem só é possível por meio do relacionamento


heterossexual.

Escolha 50 casais homossexuais masculinos ou femininos, com a idade


média de 40 anos, e coloquem-nos numa ilha. Cerquem-nos de todos os
cuidados: alimentação, saúde, instrução, diversão, tecnologia, conforto etc. Mas
mantenha-os isolados do restante da sociedade. Quarenta anos depois veja o que
restou desta civilização. Não haverá qualquer vestígio de seres humanos na ilha,
porque a homossexualidade é estéril!

Se a homossexualidade fosse adotada como modelo, a humanidade estaria


cometendo um verdadeiro “suicídio social”. Bastaria apenas o tempo de uma
geração para ser totalmente extinta.

Quando querem “adotar” as crianças que os heterossexuais geram, não


sabem eles quais implicações morais e psicológicas poderão ser geradas na
criança. Afinal, a imagem feminina jamais será substituída no subconsciente de
uma criança por nenhum macho, mesmo que efeminado. E da mesma forma, a
figura masculina jamais será substituída na formação psicológica da criança por
nenhuma fêmea, mesmo que masculinizada.

O HOMOSSEXUALISMO É O PECADO DO VÍCIO DO SEXO

A obsessão pelo sexo se tornou num vício tão grave quanto os outros tipos
de vícios.

O que é uma pessoa viciada? É uma pessoa que não se contenta com aquilo
que é normal e necessário. Por exemplo: O corpo humano necessita de álcool.
Para suprir esta necessidade, Deus colocou nos alimentos que ingerimos (batata,
beterraba, uva etc.) a quantidade necessária de álcool que precisamos. O
alcoólatra é aquela pessoa que não se contenta com o que é necessário e normal,
por isso, ingere quantidades excessivas de álcool. O sexo é necessário à vida.
Para suprir esta necessidade, Deus estabeleceu o casamento com as seguintes
bases: a. O casamento heterossexual – Ou seja, a união entre o macho e a fêmea
apenas (Gn 1.27). b. O casamento monogâmico – Deus criou apenas um homem
para uma mulher. c. O casamento indissolúvel – “Até que a morte os separe” (Mt
19.6).

O homossexualismo é a prática excessiva e anormal do sexo. É o


desequilíbrio da manifestação dos desejos e do prazer sexual projetado por Deus
para ser desfrutado dentro do casamento.

Quando o desejo passa a ter tal domínio sobre a mente e o corpo do homem,
este se torna “escravo” de suas paixões. O que era bom se torna mal.

Na passagem de Gênesis 19.8,9, os homens de Sodoma estavam tão


obcecados pelo vício do homossexualismo que rejeitaram as filhas de Ló,
preferindo, antes, o relacionamento com os seus hóspedes (anjos). Do desejo
desenfreado partiram para a prática da violência. Se não fora a intervenção
divina, cegando-os, teriam assassinado a Ló.

O desejo desenfreado leva a muitos outros tipos de anomalias. O homem


não pode ser “sexocêntrico”. Isto também é idolatria! Somente Cristo deve
ocupar o centro da vida, nada mais.

OS HOMOSSEXUAIS TÊM DIREITOS?

Como o homossexualismo é um vício, as Sagradas Escrituras não hesitam


em incluir os homossexuais entre os que não herdarão o Reino de Deus (1Co
6.9,10).

Nessa passagem, o apóstolo usa duas palavras para designar os


homossexuais: malakói (efeminados) e arsenokóitai (sodomitas).

Será que nenhum dos que foram enumerados acima têm direitos?
Certamente têm. O empregado que trabalhou para mim durante um mês tem
direito a receber seu salário, mesmo que lamentavelmente se tenha embriagado.
O ladrão que furtou meu dinheiro conserva seu direito à vida (e por isso eu não
posso matá-lo).
Mas o ladrão não tem direito à vida como ladrão, e sim como pessoa. Da
mesma forma, o bêbado não tem direito ao salário como bêbado, e sim como
trabalhador.

Assim, se o homossexual tem algum direito, não o tem como homossexual,


mas como pessoa. E assim como não faz sentido elaborar uma Carta dos Direitos
dos Ladrões ou uma Declaração dos Direitos dos Bêbados, é absurdo uma lei
que defenda os “Direitos dos Homossexuais”. Sendo um vício (e um vício contra
a natureza!), o homossexualismo não acrescenta direitos à pessoa. Ao contrário,
priva-a de direitos, a começar pelo direito ao Reino de Deus.

EXISTE PRECONCEITO CONTRA O HOMOSSEXUAL?

Preconceito é um conceito antecipado, um juízo emitido antes de um real


conhecimento dos fatos. Comete preconceito quem afirma que os negros são
ladrões, que as crianças anencéfalas não são pessoas, que as mulheres são
assassinas. Pois não há razão alguma para afirmar que os que têm pele escura
não respeitam a propriedade alheia, que os bebês gravemente deficientes não têm
direitos, que as mulheres se comprazem em matar seus filhos. Dizer, porém, os
assassinos são maus não é preconceito, mas um conceito verdadeiro. Isso porque
a malícia está na essência do assassinato.

Da mesma forma, dizer que o homossexual é alguém que pratica um vício


não é preconceito, mas um conceito verdadeiro. Isso porque o vício está na
essência do homossexualismo.

O impulso ou tendência homossexual é uma disfunção que pode ter várias


causas. Segundo o psicólogo holandês Gerard J. M. Van Den Aardweg, “as
evidências todas no campo biológico mostram uma causalidade não fisiológica,
não biológica”. Para ele, os sentimentos de autocompaixão e inferioridade que
caracterizam o homossexual têm origem na relação com os pais e com os
companheiros na infância e na adolescência.

No entanto, a causa direta dos atos de homossexualidade é a livre vontade


humana. Nesse sentido, é correto dizer que o homossexualismo é uma opção.
Uma opção má, mas uma opção. O homossexual é alguém que,
lamentavelmente, optou pelo vício da luxúria. E entre as espécies de luxúria,
escolheu uma que contraria não apenas a reta razão, mas a própria natureza.
9 | CULTURA E FÉ CRISTÃ
Hebreus 11.1-40

Todos os povos, mesmo os mais primitivos, tiveram e têm uma cultura,


transmitida no tempo, de geração a geração. Cultura é o modo de vida de um
povo, o ambiente que um grupo de seres humanos ocupantes de um território
comum criou na forma de ideias, instituições, linguagem, instrumentos, serviços
e sentimentos.

Só o homem é possuidor de cultura. Só ele cria cultura, a possui e a


transmite a outros. Os hábitos, ideias, técnicas, compõem um conjunto, dentro do
qual os diferentes membros de uma sociedade convivem e se relacionam.

CONCEITO DE CULTURA

A cultura é uma herança que o homem recebe ao nascer. Desde o momento


em que é posta no mundo, a criança começa a receber uma série de influências
do grupo em que nasceu: as maneiras de alimentar-se, o vestuário, a cama ou a
rede para dormir, a língua falada, a identificação de um pai e de uma mãe, e
assim por diante. À proporção que vai crescendo, a criança recebe novas
influências desse mesmo grupo, de modo a incluí-la na sociedade como uma
personalidade.

A herança cultural não deve ser confundida, porém, com a herança


biológica. O homem ao nascer recebe essas duas heranças: a herança cultural,
que lhe transmite hábitos e costumes; e a herança biológica, que lhe transmite as
características físicas ou genéticas de seu grupo humano.

Além desses hábitos e costumes que recebe de seu grupo, o homem vai
ampliando seus horizontes, e passa a ter novos contatos com grupos diferentes
em hábitos, costumes ou língua. Esses contatos farão com que o homem adquira
alguns desses hábitos ou costumes. Trata-se da aquisição pelo contato.

É certo que essa transmissão pelo contato não abrange toda a cultura do
outro grupo. Somente alguns traços se transmitem e se incorporam à cultura que
recebe. O processo de transculturação – ou seja, a troca mútua de valores
culturais – leva o homem a adquirir novos elementos culturais e enriquece sua
cultura pessoal.

Esses elementos, que compõem o conceito de cultura, permitem mostrar


que ela está ligada à vida do homem, de um lado, e, de outro, se encontra em
estado de permanente movimento. A cultura se aperfeiçoa, se desenvolve, se
modifica constantemente, de uma forma em que nem sempre pode ser percebida
pelos membros do próprio grupo. É justamente isso que contribui para seu
enriquecimento constante, por meio de novas criações da própria sociedade e
ainda do que é adquirido de outros grupos.

A FÉ CRISTÃ

“Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não
vemos” (Hb 11.1).

“Crer é imediatamente um ato do entendimento, porque seu objeto é a


verdade, que propriamente pertence a este” (Tomás de Aquino).

Fé é a aceitação total do homem a uma ideia que o ultrapassa, uma crença


fervorosa que está acima do conhecimento intelectual: “Ora, a fé é a certeza
daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hb 11.1). Essa
convicção se baseia não na evidência ou no raciocínio lógico, mas num profundo
sentimento íntimo de certeza.

Para a teologia cristã, a fé é como se fosse uma filosofia de vida em que o


homem se envolve sem resistência ao Deus soberano, convencendo-se da sua
realidade invisível por meio de uma experiência espiritual profunda. A fé tem
como fundamento a própria Palavra de Deus e não o testemunho humano. A fé
cristã é a aceitação do espírito do homem das verdades reveladas por Deus. É
também uma virtude, porque exige submissão e confiança na revelação divina.

No Antigo Testamento, a fé é descrita como a submissão do homem ao


Deus universal da justiça (Dt 6.4,5). O judeu crente esperava que essa justiça se
estendesse a toda a criação e que a fraternidade acabasse reinando entre todos os
homens (Sl 100.1). O Novo Testamento descreve esse mesmo envolvimento de
amor intenso: o Deus invisível do povo de Israel torna-se visível na pessoa de
Jesus Cristo (Jo 1.17,18; Hb 1.1-4).

TEMAS POLÊMICOS E A FÉ CRISTÃ

São palavras de D. L. Moody: “Empunhe a sua Bíblia inteira; não uma


parte dela. Um guerreiro não se engaja em uma batalha apenas com um pedaço
da espada”.

No entanto, o que frequentemente pode-se observar no meio evangélico?


Crentes que opinam sobre temas polêmicos sem buscar uma sólida base bíblica
para suas argumentações. Manejam a Bíblia com deficiência e, por isso mesmo,
emitem opiniões incoerentes com a fé cristã: “Procure apresentar-se a Deus
aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja
corretamente a palavra da verdade” (2Tm 2.15).

Como lidar com assuntos que fogem à sua compreensão? Como entender os
temas atuais que a Bíblia pouco fala ou simplesmente não se pronuncia?

POR QUE TRATAR DE ASSUNTOS POLÊMICOS?

Talvez você esteja se perguntando se vale à pena o cristão se envolver com


assuntos de difícil esclarecimento bíblico. Alguns acham que seria melhor se o
servo de Deus se conformasse com o seguinte versículo: “As coisas encobertas
pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos
nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei” (Dt
29.29). Você verá que isso não é tão simples, por dois motivos:

1. Para atender a uma exigência da verdade. A Bíblia tem bastante a dizer


sobre todo o grande tema da atualidade. Como cristão, é seu dever saber o que a
Bíblia está ensinando sobre os assuntos polêmicos e atuais, para que possa ser
sal e luz para um mundo cada vez mais corrompido pelo pecado (Mt 5.13-16).
Apesar de existirem certos assuntos que a Bíblia não menciona em suas páginas
– provavelmente por serem temas que não existiam naquela época histórica – ela
fornece princípios gerais para que os crentes firmem posição sobre eles.

2. Para atender a uma exigência das pessoas. Se você observar as rádios


evangélicas, por exemplo, verá que os programas que fazem maior sucesso são
os de debates de temas atuais e complicados. Seus vizinhos, amigos ou irmãos
da igreja se envolvem com questões polêmicas no dia a dia, e se você é um
cristão consciente, vai querer estar preparado para ajudá-los a vencer esses
conflitos modernos (1Pe 3.15). O que você diria, por exemplo, a um amigo
descrente, caso fosse indagado sobre o que acha da doação de órgãos? Não seria
sincero de sua parte “fugir pela tangente”, citando simplesmente Deuteronômio
29.29. O cristão deve, portanto, abandonar toda ingenuidade cultural e assumir
posições seguras, baseadas na Bíblia; ainda que esta retomada de postura
signifique discordar da opinião da maioria.

BUSCANDO A MATURIDADE NAS QUESTÕES POLÊMICAS

Na maioria das vezes as contendas surgem quando os servos de Deus


debatem assuntos sem fundamento bíblico. Quando querem fazer prevalecer sua
opinião e não a Palavra de Deus. Como vencer essa barreira? Veja alguns passos
para emitir opiniões biblicamente equilibradas diante de temas polêmicos.

1. Reflita sobre o tema em debate, considerando todas as opiniões


existentes como opiniões de pessoas, que podem estar certas ou não. Não se
deixe influenciar por fatores emocionais ou grau de amizade. Procure ser o mais
imparcial possível nessa análise.

2. Confronte as ideias atuais com o ensino bíblico, buscando passagens que


confirmem ou negam as opiniões já existentes. Tenha cuidado, porém, para não
se deixar levar pelos preconceitos pessoais. Ouça a Palavra de Deus e assuma
uma opinião que seja coerente com ela.

3. Faça perguntas ao texto bíblico: Que assunto está sendo tratado? Como
está sendo tratado? Por que o autor bíblico utilizou determinado argumento para
escrever sobre o assunto? Como está sendo desenvolvido o conteúdo doutrinário
do texto bíblico? Procure respondê-las com honestidade, não inventando fatos
inexistentes ou criando saídas pouco coerentes para as aparentes contradições
textuais.

4. Interprete os textos bíblicos dentro do seu contexto geral e imediato,


segundo um método adequado. O método de Estudo Bíblico Indutivo é um bom
começo para sua interpretação bíblica. Ele consiste de quatro passos bastante
simples: observar, interpretar, correlacionar e aplicar. Para mais detalhes sobre o
método, leia o livro “Voltando para a Bíblia”, de minha autoria.
5. Informe os dados bíblicos aos que precisam de mais detalhes para formar
uma opinião coerente. Seu objetivo deve ser, após ter chegado ao princípio
bíblico sobre determinado tema polêmico, comunicar o resultado de suas
pesquisas aos debatedores, a fim de convencê-los a mudar de opinião.

Na conclusão, falarei mais sobre como devemos lidar com assuntos


polêmicos. Apenas lembre-se: a Bíblia não se posiciona diretamente sobre
determinados assuntos cotidianos, mas ela traz princípios espirituais que
norteiam nossa busca por respostas. Deus jamais deixará seus filhos sem direção.
CONCLUSÃO | E O DEBATE CONTINUA...
Atos 17.10-14

Cultura versus fé cristã. Muitos cristãos acham que a fé cristã deve


“enburrecer-nos”, de tão contrários que são à busca pelo bom conhecimento
cultural. Felizmente isto está mudando.

Já há uma tendência cada vez maior no meio evangélico pelo conhecimento


cultural. Nas prateleiras das livrarias já há diversos livros bons sobre os temas
polêmicos e atuais à luz da Bíblia. Alguns deles estão elencados no final desta
obra. Basta dar uma olhada e cavar fundo nos temas que você tiver mais
interesse.

Contudo, como debater tais temas difíceis? Como abordá-los sem furtar a
ética? É precisamente sobre este assunto que falarei aqui.

PRINCÍPIOS PARA DISCUSSÃO DE TEMAS QUE A BÍBLIA NÃO TRATA


DIRETAMENTE

Como lidar com textos obscuros da Bíblia? Quando a informação bíblica


sobre o tema em discussão é insuficiente, os debates costumam girar em torno de
opiniões pessoais, às vezes são opiniões até absurdas. Veja, agora, alguns
princípios para discussão de temas obscuros:

1. Defenda a todo custo as convicções que distinguem o cristão de quem


não é cristão. Essas convicções devem ser mantidas a qualquer custo. Como
exemplo, podemos citar a salvação pela graça de Deus, mediante o sacrifício de
Cristo, ou a fé em um único Deus (Dt 6.4,5).

2. Pregue convicções pessoais, mas aceite outros pontos de vista. As


pessoas pensam diferente e frequentemente assumem opiniões divergentes sobre
questões não essenciais da fé cristã. Aprenda a ser humilde e a respeitar as
opiniões diferentes das suas, desde que as opiniões divergentes não firam
doutrinas fundamentais da fé.

3. Não se agarre “com unhas e dentes” às suas preferências pessoais. A


Bíblia abre espaço para uma variedade de preferências e devemos nos lembrar
disso sempre que houver algum início de contenda por diferença de opinião.
Como exemplo de preferência pessoal, temos o estilo de culto, uso de roupas e
enfeites corporais etc.

ERROS A SER EVITADOS NUM DEBATE

1. Agir como se a sua opinião fosse a autoridade final em questões de fé. A


única regra de fé e prática para o cristão é a Palavra de Deus. A ela você terá que
recorrer sempre que houver dificuldades numa polêmica, como o belíssimo
exemplo deixado pelos cristãos de Bereia: “Os bereanos eram mais nobres do
que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse,
examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (At
17.11).

2. Tornar público, num debate, assuntos particulares de outra pessoa. Nunca


exponha um dado pessoal de alguém para fundamentar uma argumentação sem o
seu expresso consentimento. Isso evitará maiores aborrecimentos. Respeite
sempre a privacidade dos outros, assim como você deseja que respeitem a sua:
“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois
esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12).

3. Desfazer das experiências espirituais dos outros. Apesar de a Bíblia ser a


autoridade final em questões de fé, as experiências pessoais são reais e precisam
ser respeitadas e levadas a sério. Por isso, jamais diminua ou ridicularize as
experiências dos outros. O princípio bíblico de Mateus 7.12 também deve ser
repetido aqui.

Não é nada fácil tratar de temas polêmicos. No entanto, é bom abordá-los,


pois eles afetam direta ou indiretamente a sua vida.

APOLOGÉTICA CRISTÃ

Para terminar estes estudos, vamos abordar aqui a importância da


apologética cristã nos debates.

A palavra “apologia” vem de uma palavra grega, que significa “fazer uma
defesa”. Apologética cristã, então, é a ciência de fazer uma defesa da fé cristã.
Há muitos céticos que duvidam da existência de Deus e/ou atacam a crença no
Deus da Bíblia. Há muitos críticos que atacam a inspiração e a inerrância da
Bíblia. Há muitos falsos professores que promovem doutrinas falsas e negam as
verdades básicas da fé Cristã. A missão da apologética cristã é combater esses
movimentos e promover o Deus cristão e a verdade cristã.

O versículo chave para a apologética cristã é provavelmente 1Pedro


3.15,16: "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando
sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da
esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor...". Não há
nenhuma desculpa para um cristão ser completamente incapaz de defender sua
fé. Todo Cristão deve ser capaz de, pelo menos, dar uma apresentação razoável
de sua fé em Cristo.

Nem todo cristão precisa ser um especialista em apologética. Todo cristão,


no entanto, deve saber o que acredita, por que acredita, como compartilhar sua fé
com outras pessoas, e como defendê-la contra mentiras e ataques.

Um segundo aspecto de apologética cristã que é ignorado com frequência é


a primeira parte de 1Pedro 3.16: “fazendo-o, todavia, com mansidão e temor...”.
Defender a fé cristã com apologética nunca deve envolver ser rude, furioso ou
desrespeitoso. Quando praticarmos a apologética cristã, devemos tentar ser
fortes em nossa defesa e, ao mesmo tempo, imitar a humildade de Cristo em
nossa apresentação. Se, ao ganharmos um debate, levamos uma pessoa ainda
mais longe de Cristo pela nossa atitude, perdemos o verdadeiro propósito da
apologética cristã.

Há dois métodos básicos de apologética cristã. O primeiro, conhecido como


apologética clássica, envolve compartilhar provas e evidências de que a
mensagem cristã é verdadeira. O segundo, conhecido como apologética
pressuposicional, envolve confrontar as pressuposições (ideias pré-concebidas,
suposições) por trás das posições anticristãs. Proponentes dos dois métodos de
apologética cristã geralmente discutem entre si sobre qual método é o mais
eficiente. Parece ser bem mais produtivo usar os dois métodos, dependendo da
pessoa e da situação.

Apologética cristã é simplesmente apresentar uma defesa básica da fé cristã


e da verdade cristã àqueles que delas discordam. Apologética cristã é um aspecto
necessário da vida cristã. Somos todos comandados a estarmos prontos e
equipados a proclamar o evangelho e defender nossa fé (Mt 28.18-20; 1Pe 3.15).
Essa é a essência da apologética cristã.
SOBRE O AUTOR

Deivinson Bignon é pastor evangélico, mestre em Ciências da Religião,


teólogo, professor, escritor, integrou a equipe de revisores da Bíblia de Estudo
Mathew Henry e é publisher da Editora Contextualizar, com vasta experiência
em publicação e marketing para autores iniciantes. É casado com Márcia
Cristina Bignon.

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Table of Contents
CRISTÃOS CONECTADOS
FICHA TÉCNICA
AGRADECIMENTOS
INTRODUÇÃO | O QUE É A PÓS-MODERNIDADE
1 | A ÉTICA CRISTÃ
2 | AS FACES DA MORTE
3 | AS FACES DA VIDA
4 | AS FACES DA VIDA
5 | EVANGELHO HIGH-TECH
6 | CUIDADO COM OS ESCÂNDALOS!
7 | O CRISTÃO COMO PROFETA SOCIAL
8 | A HOMOSSEXUALIDADE SEGUNDO A BÍBLIA
9 | CULTURA E FÉ CRISTÃ
CONCLUSÃO | E O DEBATE CONTINUA...
SOBRE O AUTOR