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Diferentes perspectivas do processo de alfabetização em


crianças dos primeiros anos do Ensino Fundamental

Universidade Cruzeiro do Sul | www.cruzeirodosul.edu.br


Unidade: Diferentes perspectivas do processo de alfabetização em crianças dos
primeiros anos do Ensino Fundamental

Unidade: Diferentes perspectivas do processo de alfabetização em crianças dos


primeiros anos do Ensino Fundamental

MATERIAL TEÓRICO

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Dra. Laura Marisa Carnielo Calejon

Revisão Textual:
Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcante

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Unidade: Diferentes perspectivas do processo de alfabetização em crianças dos
primeiros anos do Ensino Fundamental

Processo de aprendizagem – Alfabetização

Wadsworth (1996), baseado na teoria de Piaget, afirma que o desenvolvimento


intelectual assemelha-se ao desenvolvimento biológico. O sujeito estará apto a
aprender se apresentar as condições neurológicas necessárias para
determinado aprendizado. É a partir da adaptação ao meio, conceito
emprestado da Biologia, que o sujeito organiza suas experiências e aprende de
fato.

A atuação da criança sobre o meio em que está inserida é essencial, na


abordagem cognitivista, para que as estruturas cognitivas se desenvolvam
conforme a maturidade da mesma. O desenvolvimento, dessa forma,
pressupõe a experiência, se não há experiência não há desenvolvimento, pois
esta é quem vai oferecer aspectos conflitantes através dos quais as estruturas
cognitivas se reorganizem de forma a acomodar um novo conhecimento.

Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo e afetivo


são os correlatos intelectuais da adaptação
biológica ao ambiente. Assim como nós nos
adaptamos biologicamente ao meio, também nos
adaptamos intelectualmente. O mundo que nos
cerca é organizado e estruturado através de
assimilação e acomodação. Os esquemas
cognitivos são os produtos da organização e
construção do mundo exterior (WADSWORTH,
1996, p. 141).
A psicologia cognitivista caracteriza o desenvolvimento da inteligência como
resultado de um processo através do qual a criança, a partir da experiência
com o meio, tem estruturas cognitivas acionadas, as quais exercem o papel de
reguladoras dessa ação de modo que a acomodação da informação seja
efetivada.

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O avanço dessa abordagem é chamar atenção para a idéia de que o


desenvolvimento depende exclusivamente da ação do sujeito sobre o meio,
bem como a possibilidade de se observar a interação da criança com o meio
subsidiada por um referencial extremamente detalhado em relação aos
estágios de desenvolvimento infantil.

A psicologia cognitivista, apesar de trazer avanços para o entendimento sobre


o desenvolvimento humano, não leva em consideração a necessidade da
interação com o meio social e cultural para que o indivíduo se desenvolva
plenamente. Quando se pensa no papel da cultura e do social para o
desenvolvimento da inteligência, acredita-se que a maturação das estruturas
cognitivas não é suficiente para oferecer possibilidades de construção de
conhecimento, esta é uma questão que será amplamente discutida no decorrer
do nosso cursoi.

Na atualidade a educação Brasileira encontra embasamento teórico para as


propostas de alfabetização, na abordagem de desenvolvimento construtivista.
Porém, existem no cenário da educação brasileira aqueles que defendem o
método Fônico de alfabetização, adotado por inúmeras escolas da rede
privada.

O Construtivismo
Emília Ferreiro, sob orientação de Jean Piaget, remete-nos a concepção de
aprendizagem, intitulada construtivista. A psicogênese da aquisição da
escrita, abordagem conceitual no campo da alfabetização, sistematizada por
Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1985), reverteram à ênfase no método de
ensino para o processo de aprendizagem do educando, ou seja, é fundamental
compreender os conhecimentos prévios da criança e a partir destes promover
situações didáticas que irão auxiliar o processo de aprendizagem. A aquisição
da língua escrita é concebida como a construção que a criança faz diante das
possibilidades, das oportunidades, de contato com o objeto de construção que

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é a língua escrita. . Telma Weisz, defensora do construtivismo no Brasil diz


que:

De uma perspectiva construtivista, o conhecimento


não é concebido como uma cópia do real,
incorporado diretamente pelo sujeito: pressupõe
uma atividade, por parte de quem aprende que
organiza e integra novos conhecimentos aos já
existentes. Isso vale tanto para o aluno quanto para
o professor em processo de transformação. (Weisz,
2001, p. 58)

A autora, criticando a concepção empirista que concebe o indivíduo como algo


“vazio” de conhecimento, em quem, ao poucos se acrescenta informações que
se somando a outras vai sendo “preenchido”, como na educação bancária,
criticada por Paulo Freire, afirma que no construtivismo cada conhecimento
adquirido tem por base um conhecimento prévio, e que a aprendizagem não
pode ser concebida a partir do “nada”, mas que o conhecimento está sempre
em transformação e, a partir de um conhecimento que já existe.
Para Ferreiro (2001), observar a construção da escrita feita pela criança é
muito importante, pois esta não se constitui uma mera reprodução. Desta forma
é necessário que os professores conheçam o processo de aquisição da escrita
como uma forma particular de representar a linguagem.
Segundo Emília Ferreiro, (1984) a criança elabora hipóteses sobre a escrita.
Os níveis estruturais da linguagem escrita podem explicar as diferenças
individuais e os diferentes ritmos dos alunos, são eles:
Nível Pré-
Não estabelece relação entre a escrita e os aspectos
Silábico
sonoros da fala, as hipóteses das crianças são
estabelecidas em torno do tipo e da quantidade de grafismo.
A criança tenta nesse nível:

 Diferenciar entre desenho e escrita.

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 Utilizar no mínimo duas ou três letras para poder


escrever palavras.

 Reproduzir os traços da escrita, de acordo com seu


contato com as formas gráficas (imprensa ou
cursiva), escolhendo a que lhe é mais familiar para
usar nas suas hipóteses de escrita.

 Percebe que é preciso variar os caracteres para


obter palavras diferentes.

Exemplo: LAORPA - (GATO)


Nível Silábico
Percebem a correspondência entre as partes sonoras da
fala (sons) e a escrita. Considerando que para cada som
corresponde uma letra, sendo que as letras podem ter ou
não o valor sonoro convencional. Utiliza os símbolos
gráficos de forma aleatória, ora usando apenas consoante,
ora apenas vogal, ora letras inventadas e repetindo-as de
acordo com o número de sílabas das palavras.

Exemplo: AO - (GATO)

Nível
A criança agora entende o período de transição entre a
Silábico-
hipótese silábica e a alfabética. Descobrem que não basta
alfabético
uma letra por sílaba, conquistam a base alfabética (sistema
de representação) e passam a considerar a possibilidade da
sílaba (som) ser escrita com uma, duas, três ou mais letras,
porém ainda não sabem como grafar os sons.

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 A sílaba não pode ser considerada uma unidade;

 A identificação do som não é garantia da


identificação da letra, o que pode gerar as famosas
dificuldades ortográficas;

 A escrita supõe a necessidade da análise fonética


das palavras.

Exemplo: ATO - (GATO)


Nível Alfabético
As escritas passam a ter correspondência entre fonemas e
letras.

Exemplo: GATO - (GATO)

Segundo Ferreiro, os "erros" das crianças podem ser trabalhados, ao contrário


do que a maioria das escolas pensa, esses "erros" demonstram uma
construção, e com o tempo vão diminuindo, pois as crianças começam a se
preocupar com outras coisas (como ortografia) que não se preocupavam antes,
pois estavam apenas descobrindo a escrita.

Weisz (1984) afirma "Não é porque o aluno participa de forma direta da


construção do seu conhecimento que o professor não precisa ensiná-lo”, ou
seja, cabe ao professor organizar atividades que favoreçam a reflexão da
criança sobre a escrita, porque é pensando que ela aprende.

Os alunos “se alfabetizam” participando de práticas sociais de leitura e de


escrita, a referência de texto para eles não é mais uma cartilha, com frases
sem sentido. Ferreiro (1984) salienta “minha contribuição foi encontrar uma
explicação segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que
olham, dos ouvidos que escutam,há uma criança que pensa".

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No processo de aprendizagem descrito, o sujeito da aprendizagem é aquele


que constrói o conhecimento pela sua ação. Nesse processo de aprendizagem
o ambiente também exerce seu papel, pois, o sujeito que conhece faz parte de
um determinado ambiente cultural.
Se você ficou em dúvida sobre a prática pedagógica da professora
apresentada no vídeo de abertura, a resposta é “Teoria Construtivista”.

Método Fônico de Alfabetização

O método fônico consiste no aprendizado através da associação entre fonemas


e grafemas, ou seja, sons e letras. Esse método de ensino permite primeiro
descobrir o princípio alfabético e, progressivamente, dominar o conhecimento
ortográfico próprio de sua língua, através de textos produzidos especificamente
para este fim

Em entrevista para Folha Dirigida, cujo tema é Alfabetização no Brasil - Uma


metodologia ultrapassada - Fernando César Capovilla, especialista em
distúrbios da comunicação e da linguagem, argumenta a favor do Método
Fônico.

Leia a entrevista em

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/print.php?itemid=87

(consultado em 10/03/2009)

Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, leia o artigo abaixo indicado

http://alfabetiza.hd1.com.br/textos/metodo%20fonico%20capovilla%20parte1.pdf

(consultado em 10/03/2009)

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Anotações
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Referências

ARIAS BEATÓN, Guillermo Inteligência e Educação, São Paulo: Terceira


Margem, 2006.
CAPOVILLA, Fernanda. Desenvolvimento da leitura e da escrita.
http://www.portalensinando.com.br/ensinando/principal/conteudo.asp?id=4548
FERREIRO, Emilia. Alfabetização em processo. São Paulo: Cortez, 1991.
FERREIRO, Emilia & TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua escrita. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1985.
FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 1990.
MIRANDA, M. G. Pedagogias Psicológicas e Reforma Educacional. In:
DUARTE, N. (org.). Sobre o Construtivismo – polêmicas do nosso tempo. 2ª
ed., Campinas, Autores Associados, 2005.
ROSSLER, J. H. Construtivismo e Alienação: as origens do poder de atração
do ideário construtivista. In: DUARTE, N. (org.). Sobre o Construtivismo –
polêmicas do nosso tempo. 2ª ed., Campinas, Autores Associados, 2005.
WADSWORTH, Barry. Inteligência e Afetividade da Criança. 4. Ed. São Paulo:
Enio Matheus Guazzelli, 1996.
WEISZ, Telma. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo, Ática,
2002.

WEISZ, T. Repensando a prática de alfabetização. As idéias de Emília Ferreiro


na sala de aula. Cadernos de Pesquisa. São Paulo: Fundação Carlos Chagas,
v. 52, p. 113-119, Fev. 1985.

Caso queira conhecer melhor sobre a questão leia: ARIAS BEATÓN, Guillermo
i

Inteligência e Educação, São Paulo: Terceira Margem, 2006.

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