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032 de Julho de 2018

TADEL – Pib Comodoro.

Mantendo a fome e sede por Deus


Salmo 63
Para pensar.
Neste Salmo Davi faz uma verdadeira declaração de amor ao Senhor Deus. Ele nos mostra claramente o
quanto anseia pela presença de Deus, o quanto deseja estar perto dele. Qual era o tamanho do seu desejo de
estar na presença do Senhor.
Suas palavras são apaixonadas: “Ó Deus, tu és o meu Deus, eu te busco intensamente; a minha
alma tem sede de ti! Todo o meu ser anseia por ti, numa terra seca, exausta e sem água”.
Davi deseja a Deus mais do que a qualquer outro bem ou necessidade. Nele o Salmista encontra a 1
razão da sua vida. Por isso, diz: “O teu amor é melhor do que a vida!”.
Há pelo menos duas referências no texto que nos indicam a ocasião em que o salmo foi escrito. Em
primeiro lugar, o título mostra que Davi estava no deserto de Judá. Já que ele se refere a inimigos que queriam
lhe tirar a vida (v.9), entende-se que Davi estava em fuga. Em segundo, Davi se refere a si mesmo como “rei”
(v.11), eliminando seus dias de fuga de Saul como momento histórico do salmo. O contexto, assim, recai sobre
o golpe de estado de Absalão, do qual Davi teve de fugir de Jerusalém, “seguindo o caminho do deserto” (2Sm
15.23).
As palavras do Salmo 63 vêm do contexto de 2Samuel 15. Davi em que estava cercado de conflitos de
relacionamento. Já tinha sido perseguido por Saul. Teve um envolvimento adúltero com Beteseba (2Samuel
11.1-10). Tinha sido repreendido severamente por seu amigo, o profeta Natã (II Samuel 12.1-15). Amom seu
filho havia abusado da irmã Tamar (II Samuel 13.1-10). Seu filho Absalão matou o irmão Amnom pelo que fez
à moça (II Samuel 13.19-32). A partir de então Absalão persegue Davi para lhe tomar o trono (II Samuel 15.1-
20).
Mas, mesmo diante de tamanha tribulação Davi expressa o seu desejo por Deus: “Ó Deus, tu és o meu
Deus, eu te busco intensamente; a minha alma tem sede de ti! Todo o meu ser anseia por ti, numa terra
seca, exausta e sem água”. V.1 NVI
Essa é uma expressão de desejo de alguém que se vê privado daquilo que anseia, visto que, no v.2, ele se
refere ao tabernáculo do Senhor que estava em Jerusalém, e que abrigava a arca, a qual, na fuga, Davi teve de
deixar para trás (2Sm.15.24,25).
Apesar de Deus estar em toda parte, Davi se refere à adoração do Senhor nos seguintes termos: “Quero
contemplar-te no santuário e avistar o teu poder e a tua glória”. v.2 NVI. Isso porque o tabernáculo e a arca
simbolizavam a presença de Deus no meio de Israel como povo eleito. Para Davi, se afastar da arca era,
também, se afastar do lugar especial em que Deus podia ser encontrado e adorado pelos israelitas. Esse
afastamento foi extremamente doloroso para o salmista e seu desejo mais profundo era retornar à presença do
Senhor.
A intensidade da fome de Davi por Deus.
O desejo de estar com Deus pode ser visto no fato de que a ausência do tabernáculo e da arca, para o
salmista, era pior do que outras carências óbvias de quem está no meio de um deserto em fuga a fim de salvar
sua vida. É interessante como o desejo pela presença de Deus para Davi supera o seu desejo por suas
necessidades básicas. Isso mostra a prioridade e mostra a importância que Davi dava à necessidade de viver na
presença do Senhor.
Davi deseja o Senhor mais do que saciar a sede no deserto: “Minha alma tem sede de ti,
meu corpo desfalece por ti, em terra seca e árida, sem água”. V. Na verdade, o corpo de Davi devia estar
desfalecido por falta de água, por ter de consumi-la de modo racionado. Esse era um procedimento normal em
uma travessia ou estadia em lugares desérticos.
Porém, Davi lança mão desse anseio por água para se referir ao que realmente o preocupava: a distância
da arca e da presença do Senhor. A distância dessa presença afligia Davi mais que a sede no deserto.

Pib Comodoro/MT
032 de Julho de 2018
TADEL – Pib Comodoro.
Davi deseja o Senhor mais do que conservar sua vida. Sua fuga de Absalão e dos demais
traidores se devia ao risco de ele cair nas mãos dos inimigos e ser morto. Estava no meio do deserto porque
queria proteger sua vida. Mas nem a vida superava a importância de Deus para o salmista, que diz: “Porque o
teu amor é melhor que a vida”. v.4 A palavra hesed (amor) é usada muitas vezes dentro do conceito das
alianças para se referir à “fidelidade” de Deus de fazer o que prometeu para com o povo de Israel quando eles
mereciam o oposto. No caso da aliança que Deus fez com Davi (2Sm 7.11-16), o hesed de Deus é a causa de ele
garantir a descendência davídica no trono de Israel. Por isso, Davi o valoriza mais que sua própria vida. Se o
salmista não tem certeza de quanto ainda vai viver, ele tem plena certeza de como vai viver até que a morte o
encontre: “Por isso, eu te bendirei enquanto eu viver”. v.4
Davi deseja o Senhor mais do que ter alimento. Em um deserto, o racionamento
obrigatório para manter o grupo vivo não era apenas de água. A comida também era racionada. O profeta 2
Ezequiel falou do que aconteceria aos moradores de Jerusalém ao sofrerem um cerco pelo exército
babilônico assim: “Comerão o pão por peso e [...] beberão a água por medida” (Ez 4.16). Com Davi
e seus homens, não devia ser diferente. Eles não se deleitavam mais das boas comidas a que estavam
acostumados.
Entretanto, se fisicamente Davi não se fartava de alimentos, espiritualmente ele se vê saciado, pelo que
diz: "As tuas bênçãos são como alimentos gostosos; elas me satisfazem, e por isso canto alegremente
canções de louvor a ti." v.5 NTLH. A pergunta é: saciado com o quê? A resposta vem na sequência: “A minha
alma ficará satisfeita como de rico banquete; com lábios jubilosos a minha boca te louvará...” NVI Em
lugar de mastigar alimentos saborosos, a boca de Davi estava cheia de louvores ao nome do Senhor.
Davi deseja o Senhor mais do que o tempo de descanso : “Quando eu me lembro de ti, no
meu leito, passo vigílias meditando em ti”. v.6 EP. Davi não está relatando um caso de insônia por causa de
preocupações com o risco de morrer. Ele, em outro salmo escrito na mesma ocasião de fuga diante do golpe de
estado de Absalão, diz que se deitava e descansava em paz: “Deito-me e pego no sono” (Sl 3.5a). Entretanto,
quando pensava em Deus, ele não achava um fardo ficar meditando sobre o Senhor, ainda que seu corpo
pedisse por descanso após um dia em circunstâncias adversas. Davi trocava o tempo de descanso a fim de se
aproximar de Deus na meditação noturna.
Davi deseja o Senhor mais do que a segurança pessoal. A segurança de um rei vinha do seu
exército e das fortes muralhas de sua cidade. Quanto ao exército, Davi fugiu com um contingente reduzido que
permaneceu fiel a ele. Quanto às muralhas, Jerusalém ficou para trás e agora estava sob o controle de Absalão,
enquanto o salmista está desprotegido no meio do deserto. Ainda assim, Davi adora o Senhor e diz a razão do
seu louvor: “porque sempre me tens ajudado. Na sombra das tuas asas eu canto de alegria...”. v.7 NTLH
Tal proteção é descrita na forma figurada de uma ave que protege seus filhotes. Se para Davi Deus valia mais
que a proteção de uma muralha, também valia mais que a espada empunhada dos seus soldados, visto que diz
no verso 8: “A tua mão direita me segura bem firme, e eu me apego a ti...”. NTLH Não é para menos que
Davi deseja tanto estar na presença de Deus. Ele vê o Senhor como fonte da alegria e segurança, ao mesmo
tempo que sabe que os inimigos não são capazes diante do soberano (vv.9-11).
Mas note bem, nenhum desses valores que Davi subvalorizou é ruim. Ao contrário, são tão bons que
Deus abençoava Israel por meio deles (Dt 28.15-67). Na verdade, o próprio rei os valorizava, mas nunca os
colocava na frente do seu relacionamento com o Senhor. Assim, é chocante e inspirador ver que ele trocaria
tudo o que lhe dava segurança e conforto para andar com Deus e louvá-lo no lugar onde, representativamente,
habitava no meio de Israel.
Porém, mais chocante ainda é observar que, em nossos dias, a busca por esses bens é frequentemente a
causa de pessoas abandonarem o Senhor ou deixarem-no em segundo plano. Por causa de conforto, segurança,
descanso e lucros financeiros, já vi muitos crentes que serviam a Deus com afinco irem se afastando aos poucos
até que não sentissem mais qualquer necessidade de comunhão com o Senhor ou com sua igreja; até que não
tivessem a terrível sensação de um vazio interior quando não louvavam seu Deus, nem aprendiam sua Palavra;
até que a única recordação que tinham de seu salvador fosse a de que servi-lo cansava muito e gastava tempo
demais. Algumas vezes, nem sei direito o que dizer para tais pessoas, tamanha a insensibilidade que acalentam
em seus corações. Só sei dizer que suas vidas estão tão secas e áridas quanto o deserto em que Davi esteve.

Pib Comodoro/MT
032 de Julho de 2018
TADEL – Pib Comodoro.
Nossos apetites direcionam nossa vida - quer sejam as súplicas de nosso estômago, o desejo ardente por
posses ou poder, ou os anseios de nosso espírito por Deus. Para o cristão, a fome por qualquer coisa além de
Deus pode ser um arqui-inimigo, que o levará a frieza e apostasia espiritual.
Homens famintos por Deus geraram grandes avivamentos e trouxeram a presença de Deus para as suas
gerações no passado. Você é capaz de imaginar o que pode acontecer em nossa geração se todos buscarem a
Deus como a mesma fome de John Wesley, Martinho Lutero, D.L Moody, Pedro, Paulo, João, Moisés, Isaías,
Jeremias?
Nossa maior necessidade não são as bênçãos de Deus, mas o Deus das bênçãos. Nossa alma tem fome e
sede dele, pois ele colocou a eternidade em nosso coração e só ele pode satisfazer a nossa alma.
Você tem sentido uma fome insaciável por Deus? Como Davi a sua alma tem sede de Deus e o seu
corpo almeja por sua presença? Qual é a prioridade que Deus ocupa em sua vida? Você já se perguntou o
por que não tem experimentado essa fome em sua vida ultimamente? 3

Alguns não estão mais famintos por Deus porque permitiram que algumas barreiras se
levantassem em sua vida e sufocassem a sua fome por Deus.
Empecilhos à sede e fome por Deus.
Jesus em Lucas capitulo oito, na explicação da parábola do semeador nos fala sobre algumas coisas que
podem obstruir, ser um empecilho para nossa fome de Deus:
"Este é o significado da parábola: A semente é a palavra de Deus. As que caíram à beira do caminho são os
que ouvem, e então vem o diabo e tira a palavra dos seus corações, para que não creiam e não sejam salvos.
As que caíram sobre as pedras são os que recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não têm raiz.
Crêem durante algum tempo, mas desistem na hora da provação. As que caíram entre espinhos são os que
ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres
desta vida, e não amadurecem. Mas as que caíram em boa terra são os que, com coração bom e generoso,
ouvem a palavra, a retêm e dão fruto, com perseverança". Lc.8.11-15 NVI

O nosso inimigo, Satanás:.


“As que caíram à beira do caminho são os que ouvem, e então vem o diabo e tira a palavra dos
seus corações, para que não creiam e não sejam salvos”. v.12 NVI

As perseguições da fé.
“As que caíram sobre as pedras são os que recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas
não têm raiz. Crêem durante algum tempo, mas desistem na hora da provação”. V.13 NVI
Há pessoas que só tem fome de Deus em momentos de alegria, mas diante da perseguição logo
abandonam a fé. Fazem parte dos que não querem pagar o preço do discipulado.

Preocupações, Prosperidade, Prazeres da vida.


“As que caíram entre espinhos são os que ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados
pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não amadurecem”. V.14 NVI
As preocupações da vida - Essas preocupações são muitas vezes coisas licitas, mas que disputam o
primeiro lugar com Deus em nossa vida: Trabalho, estudo, sonhos, projetos, alvos, relacionamentos, família etc.
A prosperidade financeira - Infelizmente, percebemos com muita facilidade que muitos se
afastam de Deus mais em tempos de abundância que de escassez.
Há dois períodos extremamente difíceis na vida do cristão: o da adversidade e o da prosperidade; dos
dois, o ultimo e mais difícil. É muito fácil termos a nossa fome por Deus sufocada em tempos de fartura.
Os prazeres desta vida - Não são necessariamente coisas más em si mesmas. Não são vícios. São
dons de Deus. Essas coisas podem ser a nossa refeição básica, leitura, viagens, negócios, televisão, internet,
compras, exercícios, esportes, namoro, casamento. Todas elas, boas em si mesmas, podem ser mortais
substitutas de Deus para a nossa alma.

Pib Comodoro/MT
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TADEL – Pib Comodoro.
Nosso amor por Deus é provado não apenas por palavras, mas, sobretudo, pelo sacrifício.
O apostolo Tiago e João em suas cartas ainda nos alerta sobre mais um outro empecilho a nossa
fome por Deus:
A amizade com mundo
“Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser
amigo do mundo faz-se inimigo de Deus”. Tg.4.4 NVI
“Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.
Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não
provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus
permanece para sempre”. 1Jo.2.15-17 NVI
Muitos por desejarem seguir o mundo com seus valores, costumes e princípios corruptos não têm 4

mais fome por Deus. Quando um cristão deseja o estilo de vida igual ao do mundo, se comporta de um
modo caracteristicamente mudado, ele demonstra que Deus não tem sido mais o alvo de sua fome.

Como manter a sua fome por Deus.


Se quisermos aprender a manter a nossa fome por Deus precisamos observar algumas atitudes na vida de
Moisés.
Ame a presença de Deus mais do que tudo em sua vida.
“Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar.”
Êxodo. 33.15 RA
Enquanto os outros queriam apenas os sonhos, as promessas, Moisés queria mais, queria a Presença
Continua do Senhor com ele.
Para ele não interessava o anjo, não interessa a terra, a destruição de seus inimigos. Se o Senhor não
estivesse com Ele nada mais tinha sentido.

Tenha um lugar de encontro diário com o Senhor.


“Sempre que o povo de Israel acampava, Moisés costumava armar a Tenda Sagrada a certa
distância fora do acampamento. Ela era chamada de “Tenda da Presença de Deus... Quando Moisés saía
para ir à Tenda, o povo ficava na porta das suas barracas olhando Moisés até que ele entrasse.”
Êxodo. 33.7-8 NTLH

Se você deixa tudo para estar com Deus, Ele também deixará tudo para estar com você.

Abra mão de tudo aquilo que concorre com Deus em sua


vida.
Porquanto o SENHOR tinha dito a Moisés: Dize aos filhos de Israel: És povo de dura cerviz; se por
um momento eu subir no meio de ti, te consumirei; tira, pois, de ti os atavios, para que eu saiba o que te
hei de fazer. Êxodo 33.5 RA

Quando o Senhor manda tirar os atavios, Ele está dizendo que não devemos buscar outra glória que não
seja a Glória da sua presença sobre a nossa vida. Se você deixa tudo para estar com Deus, Ele também deixará
tudo para estar com você. Quanto mais profundamente nós andamos com Cristo, mais fome de Cristo nós
sentimos, mais saudade do céu sentimos, mais desejo da plenitude de Deus nós temos.

Hora da decisão.

Pib Comodoro/MT
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TADEL – Pib Comodoro.
O Senhor está buscando pessoas que tenham fome, apetite por Ele. Pois pessoas que são
verdadeiramente insaciáveis, apaixonadas e famintas pelo Senhor trazem a glória de sua presença em sua
geração. John Piper diz que há um apetite por Deus em nossas almas, e Deus colocou a eternidade em nossos
corações e somente Ele pode satisfazer tal necessidade.
E se nós não sentimos fortes desejos de buscar mais de Deus, não é porque estamos profundamente
satisfeitos por ter bebido dos mananciais de Deus mas porque temos buscado saciar nossa alma nos banquetes
do mundo.

Pib Comodoro/MT