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Literatura Russa I

Leituras
Pushkin, Alexander - A dama de espadas
Púchkin e o Começo da Literatura Russa – Aurora Bernardini
Breves noções da literatura russa antiga.

Questões formais
● Período clássico, tradição oral. Transcrito apenas no sec XVIII

Misturam verso e prosa:


● Skaz
● Slouv
● Skazka
Apenas em prosa
● Poviest
Sempre em versos
● Bylina

A variação de pessoa narrativa é comum na literatura russa mas pouco significa


em termos qualitativos.
O russo (slav eclesiástico) é muito rico para descrever a questão sentimental
mas pouco para a abstração.

Questão histórica
● Ivan, primeiro monarca a ser czar, importante na conformação do exército
russo.
– Autocrata tido como divino.
● O usurpador se torna arquétipo da literatura russa e surge a partir de
Dimitri, que se diz filho de Ivan, morto quando jovem e possivelmente
morto por Boris.

Questão social
– Seguiam a igreja, que dominava o comportamento do povo russo.
– A cerimônia religiosa da ortodoxia russa se dá de forma secreta, ou seja, o
sacerdote está isolado em uma sala e o ritual é descrito por um coro.
Enquanto a missa acontece, o público trata de seu interesse com o santo
de seu interesse, o que demonstra um caráter informal da relação do povo
com a divindade no início do culto ortodoxo.
– O sacerdote é tido como um igual pela população e paga por erros, sejam
religiosos, ou sociais.
– O caráter informal do culto vai caracterizar o povo russo.
– A divisão entre crentes e não crentes era intensa. Ainda que no âmbito
pessoal a crença e a descrença era intrínseca, ainda que não fosse
expresso.
– O povo não tinha acesso ao texto sagrado, tanto por questões linguísticas
quanto por questões sociais, portanto, a interpretação do texto era feita
unicamente pela igreja, pelo sacerdote.

Duvidas:
Como se observa a estrutra da divina comedia em almas mortas
Questão dos nomes em a dama de espadas.
Relacao binaria em Dostoiévski (idiota ok, mas em memórias, bobok,
recordando o vale…)

Puchkin

– Grande centralizador da cultura russa, até hoje é adorado em todas as


classes. Intocável
– Formador da literatura russa de fato e tomar pela primeira vez a lingua
russa como ela é falada.
– Fez prosa, poesia lirica e narrativa. Sendo a narrativa feita com
personagens contemporâneos ou longo anteriores. Retoma as lendas de
tradição oral de lingua eslava, sem autoria, o que leva os russos a dizerem
não saber se conhecem o folclore pela tradição oral ou pela escrita de
Puchkin.
– Consegue tratar de forma elevada usando linguagem simples.
– Com tudo isso, se tornou popular ja em vida.
– Antes de Karamizin, a lingua russa não era considerada para a literatura.
– É influenciado também pela influencia europeia. Ele equacionou tudo o que
era possível ali, a tradição oral russa e eslava, a pripria lingua russa e
escassa literatura, mas tambem a literatura europeia com o classissismo, o
romantismo e o começo do realismo.
● Puchkin ja é realista, de forma geral
– Contemporâneo de Gogol, com quem trocou muitas ideias.
– 1825, quando Nicolau I assume, acontece a revolta dezembrista.
– Sob o olhar da censura, Puchkin se utiliza de ferramentas literarias para
burlar-la
– A filha do Capitão, romance histórico sob essa perspectiva da censura
– Morre num duelo pois um francês teria cortejado sua mulher. Puchkin é
ferido no duelo e morre por isso. Duelo esse, ate certo ponto, suspeito.
Talvez armado pelo Tzar
– Liermontov faz um poema por sua morte e, pelo poema, acaba tendo que
deixar a russa. Se torna um segundo Bardo da literatura russa. Liermontov
morre também num duelo suspeito

Dama de Espadas
– A condessa pergunta se há literatura russa ao receber um livro, o que

indica o que foi exposto antes sobre o autor.
– Hermann é um alemão russificado. Calculista e impulsuvo, masca a
ambivalência psicológica dos personagens. Sua ambivalência se da por ser
um alemão russificado. Um protótipo do homem supérfluo, dessa tensão
que cria no homem russo um homem muito mais complexo que a literatura
ate ali poderia entender. Não é só a relação de classes. Essa ambiguidade
pode ser traduzida no jogo: calcul esrtategia e o impulso como a sorte.
– Lisavieta enquanto russia do campesinato, e, a condessa enquanto a russia
aristocrática
– Puchkin tende a trazer para a prosa aspectos da poesia lirica. Como a
harmonia e o equlibrio. Nisso, o Hermann fica sempre entremeios, o que
seria crime não o é, o plano racional de conquistar Lisa para obter o
segredo se torna paixão…
– Há algo de diabólico em Hermann pro Tomsky. Ele é comparado a Napoleão
e a Mefistofoles. Ambos inimigos, um no plano histórico, outro no
fantástico. Influencia da literatura romântica.
– Do ponto de vista russo, Napoleão foi quem mostrou a possibilidade
estratégica da Russia, ate hoje tratado como um inimigo reverenciado.
– Um elemento assustador, Napoleão, e um sedutor, mefistofoles.
– Tanto Tomsky quanto Lisa têm Hermann de uma forma romântica e
ingênua, diferente de como é apresentado ao leitor, muito mais complexo,
uma visão critica do romantismo.

Enredo:
Herman começa dominando seu destino, calculista
Num segundo momento a ideia inicial dele é quebrada e a sorte é quem dá as
cartas. Ele passa a ficar instigado à enriquecer pelo jogo
Dialetica de dominação do destino e dominado pelo destino. O que acaba pela
dominação do destino. Presença da concepção grega do destino, moira. A
intervenção extra material, pelo fantasma da condessa.
Na concepção russa, o destino está também relacionado com a aristocracia e a
burocracia, lutar contra o destino pode ser metáfora para a luta contra o
sistema aristocrático.

Tiro
– Silvio tem uma vida cercada de mistério, “parecia russo, mas usava nome
estrangeiro” mais um paralelo com Hermann.
– Destino tambem relativo à um jogo, que depende de sorte e habilidade.
– Silvio não dá informações sobre si… Lembra Jacobino em o espelho,
machado, ambos influenciados por Hoffman.
– Silvio domina a tecnica nesse jogo.
– Distinções entre Silvio e Hermann. Silvio domina a tecnica, não fica entre a
razão e o impulso.
– O misterio em torno do Silvio o faz romântico para o narrador. Ainda que
ele não o seja.
– 3 narradores.
– Silvio não se utiliza do destino, mas da tecnica e do conhecimento, e
decide não matar nos 3 duelos.
● Silvio é inspirado num oficial russo, I. P. Liprandi, que viveu de 1790 à 1880.
Filho de italiano. Oficial importante nas batalhas do império russo no sec
XIX. Mas, em 25, foi acusado de ser acusado de participacao no
movimento dezembrista. Há indícios de ter sido um espião dos rebeldes
dezembrista.
– O misterio em torno de Silvio indica um espião, nunca devolve os livros que
pega emprestado, parece estar arrecadando informações.
– No fim do conto, Silvio vai defender povos que desejavam a independência,
o que indica uma característica revoltosa.
– Se opõe ao Hermann, se comporta como rebelde e domina o destino.
Domina o arbítrio.
– Quando da o tiro no quadro demonstra que quem venceu foi a técnica.

Lermontov

– Em essência, poeta lírico. Porém, seu único livro em prosa é um dos mais
importantes da formação da prosa russa.
– Escreve um poema para Puchkin, sem citá-lo, e é exilado por isso, no
Cáucaso. E tambem pq era o tipo de escritor que provoca o poder. Algo do
poeta romantico, de forma geral.
– Muito de sua literatura é autobibliografica
– Revolta com sua geração, chamada de gado.
– Se personifica no diabo exilado e em Pietchorin.
– Geração de 40 x geração de 60 (Pais e filhos de Turgueniev), a primeira
reformista, reprimida por Nicolau e a segunda revolucionaria. O autor
retrata a de 40.

Prefacio Herói de nosso tempo


– Feito por Liermontov numa segunda edição
– Se dirige diretamente ao leitor de forma invectiva
– O tom do prefacio é perceptível na voz do personagem principal

O Fatalista
– O fatalista tende a aceitar a predestinação do destino
– Relação do jogo, novamente
– Heroi solitario, lida com o destino sozinho
– Quase sempre o destino é posto de forma filosófica
– Jogo de ambiguidades, ambivalência, também contida em Puchkin
– Pietchori é conjunto de penhascos
– Oficial que crer no destino e o narrador que vai atras do livre arbítrio.
– Vulitch é servir, mais uma vez a presença de um não russo.
– Cossacos vem da antiga russa, ainda na Ucrânia, começam como
mercenários que defendiam o território russo na fronteira com a Polônia e
outras fronteiras. Uma das marcas do povo guerreiro russo mais autêntico.
– Pietchorin fica sozinho para resolver a narrativa, após a morte de Vulitch
– Se refere a propria geração como uma geração indiferente, de homens sem
ideais, sem caráter para luta, não conseguem agir, ficam apenas nas
elocubrações.
– Desilusão da geração com a geração anterior mas também do narrador
com sua própria geração. Critica mas se inclui.
– Procura experimentar o destino, mas para isso, elabora um plano bem feito,
racional.
– Esse homem de ação ressoará em toda a literatura russa posterior
– Narrativa de transição
– Grande ambivalência entre a sorte e a razão, e o jogo com esses dois,
diferente de o tiro, a personagem procura jogar com os dois
– O problema da personagem, posto na introdução tbm, é q, apesar de agir,
ele age sozinho e suas ideias de livre arbítrio sevem sempre ao individual

Gogol
– Contemporâneo de Puchkin, com quem trocou ideias.
– Ucraniano, ainda que a Ucrânia fizesse parte da grande russia, ele não é
propriamente russo.
– Segundo Dostoiévski, toda a literatura russa nasce do Capote
– Almas Mortas teria surgido de uma sugestão de Puchkin
– Ciclo ucraniano, historias folclóricas russas, de bruxa, sereias… De onde o
Gogol traz muito, algo do romantismo, voltar às raizes.
– Se Pushkin tomou a lingua russa, Gogol tomou a tradição folclórica
– Sua linguagem ;e quase sempre poetica e extremamente dificil, quase
impossibilitando a tradução. Uma linguagem fantástica
– Gostava de recitar sua obra, indicando o forte teor oral da composição que
continha elementos de rima, aliteração, musica.
– A partir de Gogol nasce uma tendencia que esta ate hoje, o uso do
sobrenatural para descrever e pensar o real
– Tem em Victor Pelevin e Bulgakov e a primeira fase de Dostoievski, dois
exemplos da ampla influencia de Gogol.

Almas Mortas
– Se Pushkin chama sua narrativa em versos de Romance, Gogol chama
Almas mortas de poema, e, de fato, remete a um anti épico, uma parodia do
genero épico. A personagem encontra diversas figuras caricatas, e a
descrição grotesca é crítica.
– Em uma de suas crises, ja na loucura, Gogol queima a segunda parte do
romance que só seria publicado incompleto
– Figura do farsante no herói
– Porem, aqueles que vendem almas mortas tambem seriam farsantes, e,
mais ainda, a farsa se expandiria para toda a russa, que cobra taxas por
almas que morriam, posto que a contagem que levava ao imposto só
acontecia de 5 em 5 anos.
– Um jogo de tentativa de enganos
– Na critica sobre Gogol leva a palavra de “impostura”
– Para muitos russos, a russia é Gogoliana e o humor Gogoliano.
– O que acontece em almas mortas, não é o fantastico, mas tem a ver com a
impostura, com o impostor. O herói é impostor mas os vendedores e o
governo russo tambem. Há a projeção absurda da força, as relações
deixam de funcionar.
– Todos os nomes em Gogol são mascaras linguisticas
– O Herói em almas mortas tem varias, pode vir do ucraniano antigo, matar
alguém a facadas
– No inspetor geral, chicotear

Capote
– Introdução do homem mais baixo, humilhado, como matéria da literatura
– Forte presença do grotesco.
– Todos no conto são enganadores, menos Akaki
– Gogol tem como leitor justamente o oficialato que descrever, e, portanto,
está dizendo para o leitor sobre o vazio de sua função na sociedade
burocrática.
– Faz da própria realidade a caricatura, acaba sendo realista nesse sentido
● Deformação: elementos subordinantes deformando o restados elementos,
que serão subordinados a ele. Em Gogol, a linguagem é o próprio elemento
subordinante. Linguagem em aspectos distintos, “semântica fônica” muita
força da questão rítmica tbm.
– Enquanto Puchkin usa a linguagem coloquial, Gogol ta criando sua própria
linguagem poética, deformando provérbios, formulando nomes…
● Escola natural russa: anos 40, impulsionada pela critica, principalmente por
Bieleinski. Ponta pé inicial do realismo russo que dominara até o final do
sec XIX. Objetiva uma literatura social e tem como objeto homem simples,
como Akaki.
● Ainda que Gogol tenha o homem simples como objeto, sua estética se
distanciamento da escola natural, ainda que muitos o coloquem nessa
escola. Pelo contrário, a sociedade que retrata é deformada, caricatural.
Quem dá o passo inicial, por outro lado, é Gogol.
– O sobrenatural traz uma sociedade mais ordenada do que a real.

Nariz
– Elementos comicos vindos do teatro de feira (sétimo selo), ao teatro
popular… Riso critico, porém, a sátira em Gogol vem da sátira menipeia.
– Para Bahktin, essa volta ao antigo é o que faz De Gogol um arcaísta.
– Gogol se utiliza muito do comigo-serio, genero de sátira com cunho crítico.
– Temos no personagem principal, um general de media patente que se auto
denomina major, que subir na carreira.
– Possibilidade do nariz como símbolo fálico
– De qualquer forma, é uma representação de poder
– A perda do nariz é a perda da mascara social
– O nariz como conselheiro de estado é a própria mascara andante
– N tradição folclórica eslava, a noite de quinta pra sexta é o momento em
que acontecem coisas magicas
– A personagem utiliza uma falsa mascara, a patente que forma sua persona
não lhe cabe, ele n é major
– Forte ironia no fim do conto

Intro II
Memorias, pais e filhos, Ivan ilitch

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