Você está na página 1de 5

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


DEPARTAMENTO DE ODONTOLOGIA
CURSO DE EXTENSÃO EM DENTÍSTICA

TÓPICOS EM DENTISTICA 2

Discente: Débora Goldbarg

Natal/RN

Julho de 2020
Aula 1 – Tratamento não restaurador da doença cárie dentária

A prevenção da cárie dentária é o melhor tratamento possível. O controle


mecânico do biofilme é o meio mais simples, de menor custo e com o melhor benefício
para tal. Vários estudos comprovam que a escovação, em conjunto com o uso de
dentifrício fluoretado, é indispensável para o controle da perda mineral e da progressão
das lesões de cárie.

Dessa forma, uma etapa primordial do tratamento odontológico é a adequação


do meio bucal. Essa etapa do tratamento consiste no controle da doença cárie através de
instrução de higiene, aconselhamento de dieta e remoção de fatores retentivos. A parte
reabilitadora do tratamento só deve ser realizada quando a doença cárie estiver
controlada, quando não houver fatores retentivos e quando o paciente estiver seguindo
as orientações de higiene e dieta. O melhor tratamento restaurador não cumprirá seu
propósito se o paciente permanecer doente de cárie.

Então, o paciente deverá ser orientado quanto a frequência das escovações, tipo
de escova dentária e frequência de troca, técnica da escovação com uso de dentifrício
fluoretado e uso adequado do fio dentário. Também deverá ser feito um diário alimentar
para basear as orientações quanto ao consumo de carboidratos, especialmente a
sacarose, e o consumo de alimentos protetores.

Quando a doença cárie estiver instalada em seu estágio inicial, o cirurgião-


dentista pode realizar o tratamento de forma não invasiva com o uso de fluoretos. Além
do uso do fluoreto no dentifrício, para inativação de lesões ativas de cárie e sua
remineralização, o dentista possui algumas opções como o bochecho fluoretado,
aplicação de flúor profissional feita em consultório com flúor acidulado 1,23% ou flúor
neutro 2%, aplicação de verniz, espuma ou gel a depender de cada caso. Também é feito
o uso do flúor em materiais restauradores temporários ao retirar fatores retentivos ou
uma escavação em massa, como o cimento de ionômero de vidro.

Além disso, existe a opção de controle da cárie através de produtos não


fluoretados como agente antimicrobianos, agentes naturais, probióticos, óleos
essenciais, triclosan entre outros.
A cárie é uma das doenças mais prevalentes no mundo, mas sua progressão pode
ser controlada pela desorganização do biofilme dental, consumo de açúcar consciente e
uso racional de fluoretos.

Aula 2 – Remoção de cárie minimamente invasiva

O International Caries Consensus Collaboration (ICCC) estabeleceu


recomendações específicas de terminologia, remoção de tecido cariado e manejo de
lesões cariosas cavitadas.

Prevenir lesões de cárie significa controlar a doença, o processo carioso, e é


necessário a participação tanto do paciente quanto do dentista. Quando o dentista
consegue realizar o controle de lesões já existentes, ou preveni-las, ele preserva os
tecidos dentais e evita que o paciente entre no ciclo restaurador destrutivo. O ICCC
estabelece intervenções minimamente invasivas que preservem ao máximo a estrutura
dental do paciente.

Dessa forma, quando a lesão de cárie não causou cavitação, a depender de sua
extensão vista na radiografia, a conduta adequada vai do controle do biofilme e uso de
fluoretos ao selamento de fóssulas e fissuras com selante resinoso e controle adequado.
Quando a lesão causou uma cavitação que leva ao acúmulo de biofilme e o selamento
não é mais uma opção viável, uma intervenção restauradora minimamente invasiva é
recomendada.

O objetivo da restauração é possibilitar o controle do biofilme, proteger o


complexo dentina-polpa, além de devolver forma, função e estética. A remoção de
tecido carioso serve para criar condições para realização de uma restauração que dure e
preserve o remanescente dentário. Em lesões profundas em que a polpa se encontra
vital, preservar a vitalidade pulpar deve ser a prioridade, realizando-se a remoção
seletiva de dentina amolecida. Também é considerado que o tratamento expectante
poderá ser realizado em uma única etapa sem prejuízo. Já em cavidades rasas e
moderadas a longevidade da restauração deve ser priorizada, com remoção tanto da
dentina afetada quanto da infectada.
Aula 3 – Critérios clínicos para a decisão entre substituição ou reparo de restaurações
em resina composta

Atualmente, a grande maioria das restaurações têm sido feitas em resina


composta, e o amálgama tem sido cada vez menos utilizado. Apesar da grande evolução
nas propriedades da resina, ela ainda apresenta uma série de falhas que diminuem a
longevidade da restauração. Portanto, foram criados critérios afim de embasar a tomada
de decisão do cirurgião-dentista pela substituição ou reparo de restaurações.

A decisão pelo reparo de restaurações ao invés de sua substituição traz muitas


vantagens, como menor custo, tempo clínico e preservação de tecido sadio. O United
States Public Health Service (USPHS) estabeleceu critérios objetivos que podem ajudar
o dentista a optar por não fazer a substituição de todas as restaurações com defeitos, e
sim, quando adequado, optar pela substituição.

Os cinco critérios principais que devem ser avaliados são: cor da restauração,
alteração da cor da margem cavo-superficial, forma anatômica, adaptação marginal e
diagnóstico de cárie dentária. De acordo com esses critérios a restauração pode ser
classificada em Alfa, Bravo, Charlie e Delta. Quando a restauração se encontra no
escore alfa não é necessário realizar reparos, ela está em boas condições e apenas a
manutenção é feita. No escore Bravo, o reparo é necessário, e nos escores Charlie e
Delta a substituição da restauração está indicada.

Aula 4 – Restaurações diretas e indiretas

Muitas restaurações são realizadas todos os dias majoritariamente para consertar


defeitos causados por cáries, assim como desgaste mecânico e erosivo.
Tradicionalmente, a escolha por restaurações indiretas se baseia na duração, no tamanho
da destruição dental e preparos subgengivais. Entretanto, evidências mostram que essas
razões não justificam plenamente a escolha por restaurações indiretas. O sistema
adesivo teve grande evolução das suas propriedades, e é passível de uso mesmo frente a
grandes destruições dentárias ou preparos subgengivais.
O uso da técnica indireta mostra-se justificável em situações de reabilitações de
grande extensão por permitir um planejamento prévio com previsão de oclusão e
dimensão vertical. Também em casos em que a exigência estética é muito grande ou
quando existe dificuldade do operador realizar a técnica direta.

A técnica direta é preferível quando se deseja mínima invasão, quando é


necessário que o tratamento tenha um menor custo e quando o operador possui destreza
manual.