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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ARAGUAÍNA

ESCOLA DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA

REVISÃO DE LITERATURA

BRUCELOSE E TUBERCULOSE

Juliana Rabelo de Souza Dias

ARAGUAÍNA/TO

2016

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ARAGUAÍNA

ESCOLA DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA

REVISÃO DE LITERATURA

BRUCELOSE E TUBERCULOSE BOVINA

Juliana Rabelo de Souza Dias

Revisão de literatura apresentado ao


Supervisor do Estágio Curricular Obrigatório,
MV. Alessandro José Ferreira dos Santos,
como Atividade Avaliativa.

Orientadora: Bruna Alexandrino


Supervisor: Alessandro José Ferreira dos Santos

ARAGUAÍNA/TO

2016

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO....................................................................................................... 2
2. REVISÃO DE LITERATURA................................................................................. 4

2.1 Tuberculose.................................................................................................. 4
2.2 Brucelose...................................................................................................... 7
3. CONCLUSÃO....................................................................................................... 11
4. REFERÊNCIAS BÍBLIOGRÁFICAS.................................................................... 12

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1. INTRODUÇÃO

No Brasil e em outros países da América Latina, onde a febre aftosa está em


fase avançada de erradicação, o controle da tuberculose e da brucelose está se
tornando prioritário, pois se espera que elas sejam as próximas doenças a tornarem-
se alvo de exigências sanitárias internacionais (LÔBO, 2008). Assim, essas
enfermidades devem ter controle prioritário nos sistemas produtivos de bovinos.
A brucelose e a tuberculose bovina são doenças infecciosas de grande impacto
para a cadeia produtiva da pecuária bovina no Brasil e no mundo, pois, além de
determinarem sérios prejuízos diretos e indiretos ao sistema produtivo, constituem
importantes zoonoses, cujas distribuição e dispersão têm aumentado a cada ano.
Como forma de minimizar os prejuízos e os impactos negativos determinados pela
brucelose e tuberculose bovina, é necessária também a transferência de
conhecimentos, tecnologias e soluções no âmbito das questões de epidemiologia,
controle e diagnóstico dessas enfermidades, com o propósito de contribuir para o
seu controle e sua erradicação (ALMEIDA et al, 2004).
Restringindo-se aos danos causados aos sistemas produtivos, ambas as
doenças são crônicas e causam reduzida mortalidade, fato que colabora para a
baixa percepção dos pecuaristas quanto aos prejuízos que são capazes de gerar.
Entretanto, são responsáveis por deteriorar a capacidade produtiva e reprodutiva dos
animais, além de influenciar os custos de produção por aumento de gastos com
medicamentos, principalmente os dirigidos aos tratamentos secundários à infecção.
De acordo com a legislação, os animais com diagnóstico positivo não devem ser
tratados e, sim, eliminados do plantel (VALENTE et al, 2011).
Embora apresentem importância econômica, essas doenças ainda não são muito
discutidas em termos de sanções dos mercados internacionais, apesar de a União
Europeia e a Rússia terem exigências sanitárias relativas a elas. As barreiras
sanitárias são reguladas pelo Acordo SPS ( Acordo Sobre a Aplicação de Medidas
sanitárias e Fitossanitárias) da Organização Mundial do Comércio, o qual, apesar de
permitir que países apliquem medidas restritivas Determinantes do Uso de Medidas
Sanitárias de Controle da Brucelose e Tuberculose Bovinas visando proteger a
saúde humana, animal ou vegetal, institui que, com relação a regulamentos técnicos,
os produtos importados do território de qualquer outra nação devem ter tratamento
não menos favorável que o concedido a produtos similares de origem nacional e a
produtos similares originários de qualquer outro país. Dessa forma, países que não
atingiram certo status sanitário não podem exigi-lo dos países de origem (VALENTE
et al, 2011).
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Assim, o Brasil deve tomar as medidas necessárias para se equiparar a eles,
visando evitar possíveis sanções comerciais no futuro. Com isso em vista, o
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou, em 2001, o
Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal
(PNCEBT). Seus principais objetivos são a redução da prevalência e incidência de
novos focos de brucelose e tuberculose e a criação de um número significativo de
propriedades certificadas livres ou monitoradas, de modo a oferecer ao consumidor
produtos de baixo risco sanitário (BRASIL, 2006).

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2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Tuberculose bovina

A tuberculose é uma enfermidade infecciosa e crônica de bovinos, que


acomete outras espécies de animais de exploração zootécnica, animais silvestres
livres ou em cativeiro, e também o homem. É caracterizada por uma evolução inicial,
em geral subclínica, evidenciando sintomas apenas quando os órgãos atingidos
apresentarem comprometimentos (GUTIÉRREZ et al., 1998).
O agente etiológico da tuberculose bovina é o Mycobacterium bovis,
pertencente ao gênero Mycobacterium, como as espécies M. tuberculosis e M.
avium. É uma doença infectocontagiosa, crônica, granulomatosa, caracterizada por
formações específicas denominadas granulomas. Trata-se de uma doença antiga,
disseminada pelo mundo inteiro e extremamente importante sob o ponto de vista de
saúde pública, principalmente nos animais portadores da tuberculose mamária
(ROXO, 2008). Apresentam-se como bacilos pequenos e sem mobilidade, aeróbios,
não esporulados, não capsulados e não flagelados. São bacilos álcool-ácidos
resistentes, ou seja, quando corados pela fuccina a quente, resistem à descoloração
com álcool-ácido (coloração de Ziehl-Neelsen), sendo esta sua característica mais
comum (CORNER, 1994).

Epidemiologia

Inclui mamíferos domésticos e silvestres, como primatas e espécies exóticas


de vida livre ou em cativeiro. Entre as espécies de animais domésticos, os bovinos e
suínos são os principais hospedeiros de M. bovis. No Brasil e na Argentina, onde a
tuberculose bovina é um problema importante, a infecção de porcos domésticos por
M. bovis é comum e representa um reservatório adicional da doença (MORRIS et al.,
1994; GUTIÉRREZ et al., 1998).
A transmissão entre os animais ocorre principalmente a partir de aerossóis
oriundos de animais infectados (OLIVEIRA et al., 2008) em aproximadamente 90%
das infecções. Cerca de 90% das infecções pelo M. bovis em bovinos e bubalinos se
dá pela via respiratória através da inalação de aerossóis contaminados com o micro-
organismo. (PACHECO et al, 2009). A transmissão da tuberculose bovina pela via
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respiratória é facilitada pela convivência natural, em especial em rebanhos com alta
densidade animal e substancial movimento deles dentro da propriedade, entre
propriedades e por meio de eventos agropecuários (MORRIS et al., 1994).
A infecção cutânea requer contaminação de uma lesão primária pelo bacilo
da tuberculose. Nos casos de infecção congênita, a transmissão se dá a partir do
útero contaminado da mãe, por meio dos vasos umbilicais. Em raras ocasiões,
quando o sêmen e os órgãos sexuais do macho ou da fêmea estão infectados, pode
ocorrer transmissão genital. Uma grande quantidade de bacilos é eliminada para o
meio ambiente pelas fezes e pela urina, porém, pastos e alimentos contaminados
são de menor importância na transmissão da doença (MORRIS et al., 1994).

Patogenia: Aproximadamente 90% das infecções pelo m. bovis em bovinos e bubalinos


ocorrem pela via respiratória através da inalação de aerossóis contaminados com o
microorganismo. Uma vez atingido o alvéolo, o bacilo é capturado por macrófagos, sendo o
seu destino determinado pelos seguintes fatores: virulência do microorganismo, carga
infectante e resistência do hospedeiro. Na fase seguinte, caso não sejam destruídos os
bacilos multiplicar-se-ão dentro dos macrófagos recém-chegados da corrente circulatória,
atraídos por fatores quimiotáticos liberados pelos próprios bacilos. A terceira fase começa
quando cessa essa multiplicação, cerca de duas a três semanas após a inalação do agente
infeccioso, e é caracterizada por resposta imune mediada por células e reação de
hipersensibilidade retardada. Nessa fase, em decorrência da reação de hipersensibilidade
retardada, o hospedeiro destrói seus próprios tecidos através da necrose de caseificação
para conter o crescimento intracelular das micobactérias. Com medição dos linfócitos T,
ocorre a migração de novas células de defesa, culminando com a formação de granulomas.
Tais granulomas são constituídos por uma parte central, por vezes com uma área de
necrose de caseificação, circundada por células epitelióides, células gigantes, linfócitos,
macrófagos e uma camada periférica de fibroblastos. Os bacilos da lesão tuberculosa do
parênquima pulmonar propagam-se ao linfonodo satélite, onde desencadeiam a formação
de novo granuloma, constituindo, assim, o complexo primário (CORREIA & CORREIA, 1992;
BEER, 1998).
A disseminação da infecção para outros órgãos pode ocorrer precocemente durante o
desenvolvimento da doença, ou numa fase tardia, provavelmente em função de uma queda
na imunidade do animal. A generalização da infecção pode assumir duas formas:
1) miliar, quando ocorre de maneira abrupta e maciça, com entrada de um grande
número de bacilos na circulação;

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2) protraída, mais comum, que se dá por via linfática ou sanguínea, acometendo o
próprio pulmão, linfonodos, fígado, baço, úbere, ossos, rins, sistema nervoso central,
disseminando-se por, praticamente, todos os tecidos. As lesões macroscópicas têm,
em geral, coloração amarelada em bovinos, e ligeiramente esbranquiçadas em
búfalos; apresentam-se na forma de nódulos de 1 a 3 cm de diâmetro, ou mais, que
podem ser confluentes, de aspecto purulento ou caseoso, com presença de cápsula
fibrosa, podendo apresentar necrose de caseificação no centro da lesão ou, ainda,
calcificação nos casos mais avançados. Embora possam estar presentes em qualquer
tecido do animal, as lesões são encontradas com mais frequência em linfonodos
(mediastínicos, retrofaríngeos, bronquiais, parotídeos, cervicais, inguinais superficiais
e mesentéricos), em pulmão e fígado. (BRASIL, 2006)

O bacilo pode ser eliminado pela respiração, leite, fezes, corrimento nasal,
urina, secreções vaginais e uterinas e pelo sêmen (ABRAHÃO, 1999; JÚNIOR &
SOUZA, 2008)
Sendo uma doença de evolução muito lenta, os sinais clínicos são pouco
frequentes em bovinos e bubalinos. Em estágios avançados, e dependendo da
localização das lesões, os bovinos podem apresentar caquexia progressiva,
hiperplasia de linfonodos superficiais e/ou profundos, dispneia, tosse, secreção
nasal.
O diagnóstico da tuberculose pode ser efetuado através de métodos diretos e
indiretos. Nos diretos há a detecção e identificação do agente etiológico no material
biológico enquanto que nos métodos indiretos é pesquisada uma resposta
imunológica do hospedeiro ao agente etiológico, que pode ser humoral (produção de
anticorpos circulantes) ou celular (medida por linfócitos e macrófagos). A
tuberculinização é uma medida de imunidade celular contra o M. bovis por uma
reação de hipersensibilidade retardada (tipo IV) (PACHECO et al. 2009).
O diagnóstico alérgico-cutâneo com tuberculina é o instrumento básico do
programa de controle e erradicação da tuberculose bovina em todo o mundo,
considerado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como técnica de
referência (BRASIL, 2006). O teste da tuberculina é baseado na reação de
hipersensibilidade do tipo tardio (tipo IV), detectável, geralmente em bovinos, de 30 a
50 dias após a infecção (QUINN et al., 2005). Os métodos de tuberculinização
preconizados pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e
Tuberculose (PNCEBT) são os Testes da Prega Caudal (TPC) utilizado
exclusivamente em pecuária de corte e o Teste Cervical Simples (TCS), teste mais

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sensível que o TPC, utilizado como triagem, na pecuária de leite. O Teste Cervical
Comparativo (TCC), por se tratar de um teste mais específico, é o teste confirmatório
que ajuda a eliminar a maior causa de falsos positivos, oriundos de infecções por
micobactérias ambientais (BRASIL, 2006).
O tratamento com izoniazida é considerado econômico demonstrando ser
uma solução plausível em rebanhos de alto valor zootécnico ou com elevada
prevalência (MOTA et al. 2004). Para os animais pelo tempo de duração, alto custo
do tratamento e frequente recorrência da doença quando da interrupção do mesmo
além da possibilidade de desenvolvimento de cepas multidroga-resistentes, o
tratamento não é recomendado, sendo indicado o sacrifício dos animais positivos
(ABRAHÃO, 1999).
A erradicação da tuberculose bovina é indispensável para a proteção da
saúde humana. No Brasil seu controle visa principalmente reduzir o impacto desta
enfermidade no comércio nacional e internacional de animais e produtos de origem
animal, certificando os rebanhos, visando garantir a qualidade na origem (ROXO,
2008).
No que se refere à transmissão da enfermidade pela ingestão do leite
contaminado, esta pode ser reduzida significativamente pela pasteurização do leite,
mas apenas a completa erradicação da doença poderá proteger o criador e sua
família (CASTRO et al., 2009). Medidas visando a prevenção da transmissão da
infecção devem ser primordiais aliadas a existência de profissionais de saúde pública
capacitados, educação em saúde e adoção de práticas de higiene. Programas com
base no teste e eliminação de animais positivos são mais apropriados em áreas com
baixa prevalência da tuberculose e um controle efetivo do trânsito de animais
(COSIVI et al., 1998).
A vacinação de animais contra tuberculose, ainda que não seja considerada
uma medida relevante em programas de eliminação da doença em rebanhos, pode
ser uma estratégia viável em duas situações de controle da doença: em animais
domésticos em países em desenvolvimento e em reservatórios selvagens e de vida
livre em países industrializados onde programas de teste de animais e eliminação
dos positivos falharam no objetivo de eliminação da doença. Contudo, vários
aspectos ainda devem ser levados em consideração antes da vacinação se tornar
uma opção real para o controle da enfermidade em bovinos e outros animais
(COSIVI et al., 1998).

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De acordo com a legislação em vigor, a Instrução Normativa nº 06, de 08 de
janeiro de 2004, é fundamental que os animais positivos sejam encaminhados ao
abate sanitário, ou, destruídos na própria propriedade (BRASIL, 2004).

2.2 Brucelose
A brucelose é uma enfermidade que acomete animais domésticos e
silvestres. O agente etiológico da Brucelose bovina é a Brucella abortus, que são
bactérias Gram-negativas, coram-se em vermelho pelo método de Ziehl-Neelsen
modificado, sendo caracterizadas como cocobacilos, imóveis, aeróbias, catalase e
oxidase positiva. Como regra geral, as brucellas tem predileção por órgãos
reprodutivos de animais machos e fêmeas, sexualmente maduros, servindo como
reservatório de infecção que persiste indefinidamente (QUINN et al., 2005). Resistem
bem à inativação no meio ambiente. Se as condições de pH, temperatura e luz são
favoráveis, elas resistem vários meses na água, fetos, restos de placenta, fezes, lã,
feno, materiais e vestimentas e, também, em locais secos (pó, solo) e a baixas
temperaturas. No leite e produtos lácteos sua sobrevivência depende da quantidade
de água, temperatura, pH e presença de outros microorganismos. Quando em baixa
concentração, as Brucellas são facilmente destruídas pelo calor (LAGE, 2008).
Sérios prejuízos econômicos são causados em função, principalmente, de
abortos, em geral no terço final da gestação, com retenção de placenta e descargas
uterinas, e consequente eliminação de brucelas por via vaginal. Isso contribui para a
infecção dos animais que entram em contato com essas secreções. Nos machos, em
menor extensão, causa orquite-epididimite e infecção das glândulas anexas. Em
ambos os sexos, determina infertilidade (RADOSTITIS et al., 1994).
A susceptibilidade de bovinos a B. abortus é influenciada pela idade, sexo e
estágio reprodutivo do animal. Animais sexualmente maduros e vacas prenhes são
mais sensíveis à infecção do que animais imaturos de qualquer sexo, sendo a
brucelose, portanto, mais relacionada com a maturidade sexual do que com a idade.
A susceptibilidade aumenta com a gestação, principalmente em seu terço final. Esse
fato pode ser explicado pelo aumento da concentração de eritritol no útero com o
avançar da gestação, que desempenha um papel importante no tropismo da bactéria
para esse órgão (KEPPIE et al., 1965; SAMARTINO & ENRIGHT, 1992;
RADOSTITIS et al., 1994).

Epidemiologia

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Acomete animais domésticos e silvestres. Entre os domésticos, acometem
bovinos, suínos, ovinos, caprinos e caninos, e o homem.
A B. abortus pode ser transmitida para os animais pelo contato com a
placenta, feto, fluidos fetais e descargas vaginais de animais infectados pelos
fômites, incluindo alimentação e água. No leite, urina, sêmen e fezes também podem
ser encontrados a B. abortus. Em condições de alta umidade, temperaturas baixas e
sem luz solar, o microrganismo pode permanecer viável por vários meses na água,
em fetos abortados, adubos, lã, feno, equipamentos e roupas (BRASIL, 2006;
CFSPH, 2007).
Pastos, cochos de alimentos e águas contaminadas pelas secreções,
membranas fetais, fetos abortados ou bezerros recém-nascidos acometidos pela
doença são considerados os principais meios de disseminação.
A brucelose pode manifestar-se de maneira distinta conforme o hospedeiro.
Nos bovinos e bubalinos, a principal manifestação clínica é o aborto, que ocorre em
torno do sétimo mês de gestação. Após a infecção, o aborto quase sempre acontece
na primeira gestação, mas, em decorrência do desenvolvimento da imunidade
celular, é pouco frequente na segunda gestação após a infecção, e muito raro nas
subsequentes. Os animais infectados apresentam uma placentite necrótica, sendo
comum a retenção de placenta. Após o primeiro aborto, são mais frequentes a
presença de natimortos e o nascimento de bezerros fracos. Nos machos existe uma
fase inflamatória aguda, seguida de cronificação, frequentemente assintomática. As
bactérias podem instalar-se nos testículos, epidídimos e vesículas seminais. Um dos
possíveis sinais é a orquite uni ou bilateral, transitória ou permanente, com aumento
ou diminuição do volume dos testículos. Em outros casos, o testículo pode
apresentar um aspecto amolecido e cheio de pus. Lesões articulares também podem
ser observadas. (BRASIL, 2006)
A brucelose pode ser diagnosticada por meio de diferentes métodos, de
forma isolada ou em conjunto. O diagnóstico clínico baseia-se na presença de sinais
como aborto, nascimento de bezerros fracos, retenção de placenta e esterilidade de
machos e fêmeas. O epidemiológico, no histórico dos rebanhos nas propriedades e o
laboratorial, no isolamento e identificação do agente etiológico, na detecção do DNA
dos microrganismos, e na presença de anticorpos nos fluidos orgânicos (BRASIL,
2006; LAGE et al., 2008)
Métodos indiretos ou sorológicos: detectam os anticorpos contra Brucella spp
presentes em diversos fluidos corporais como soro sanguíneo, muco vaginal, sêmen
e leite. (POESTER et al., 2005). Dentre os testes sorológicos empregados no

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diagnóstico da enfermidade, destacam-se o de Soroaglutinação Lenta em Tubo
(SAT), Soroaglutinação Rápida em Placa (SAR), 2- Mercaptoetanol (2-ME), Antígeno
Acidificado Tamponado (AAT), Fixação de Complemento (FC), Rivanol e o ELISA
(Enzyme Linked Immunosorbent Assay) (OLIVEIRA, 2003; NIELSEN et al., 2004). O
Plano Nacional de Combate a Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) definiu como
oficiais os testes do Antígeno Acidificado Tamponado (AAT) e o teste de Anel em
Leite (TAL), como provas de triagem. Já como testes confirmatórios estabeleceu o
teste do 2- Mercaptoetanol (2-ME) e a reação de Fixação do Complemento (FC) para
detecção de antígenos pelo emprego de anticorpos específicos, com o objetivo de
detectar uma exposição prévia do animal ao agente (BRASIL, 2006).
Os métodos diretos de diagnóstico para brucelose incluem o isolamento e a
identificação do agente, a imunohistoquímica e os métodos de detecção de ácidos
nucleicos, pela reação em cadeia da polimerase (PCR). Geralmente, estes métodos
são utilizados após a manifestação dos sinais clínicos, momento este em que a
bactéria já se encontra disseminada no rebanho, sendo importante a confirmação de
focos da doença e a caracterização do agente (VEJARANO RUIBAL, 2009;
MATRONE, 2009).
Não há tratamento para brucelose, sendo indicado o abate dos animais
acometidos.
As estratégias de combate são bastante conhecidas e podem ser resumidas
em vacinação, certificação de propriedades livres por rotinas de testes indiretos,
controle da movimentação de animais e sistema de vigilância específico (POESTER
et al., 2009).
A vacinação é recomendada para fêmeas de 3 a 8 meses de idade, com a
vacina B19, associada a vacinação com RB51 em fêmeas com idade superior a 8
meses, com isso há aumento da cobertura vacinal, diminuindo a percentagem de
indivíduos susceptíveis da população, diminuindo a taxa de abortos e,
consequentemente, diminuindo a taxa de infecção (LAGE, 2008).
O segundo ponto no controle da doença é a eliminação do rebanho de
animais positivos aos testes diagnósticos, para se evitar que permaneçam como
fontes de infecção para os animais susceptíveis. Estes animais devem ser separados
do rebanho logo após o diagnóstico, evitando-se que eles abortem ou venham a parir
junto aos animais negativos. Associadas a estas duas estratégias, a aquisição
criteriosa de animais, sempre com exames negativos para brucelose, é uma medida
que deve ser adotada para se evitar a entrada de animais infectados na propriedade
(LAGE, 2008).

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3. CONCLUSÃO

A importância econômica atribuída a brucelose e tuberculose baseia-se nas


perdas de morte dos animais, diminuição do peso e produção de leite, e ainda no descarte
de animais com valor zootécnico considerado, bem como na perda de prestígio e
credibilidade dos criadores.
Os testes diagnósticos, vigilância epidemiológica em matadouros, controles
sanitários, são de extrema importância para o controle e erradicação dessas doenças. O
Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal tem
apresentado bons resultados, como por exemplo, aumento de medidas sanitárias
empregadas nas propriedades. Aliada a esse programa, as agências de defesa

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agropecuária, também tem seu papel importante pois acompanha e garante que este seja
executado de forma eficiente.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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