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1. Que significa afirmar que uma norma “N” é válida?

Diferençar: (i) validade, (ii)


vigência; (iii) eficácia jurídica; (iv) eficácia técnica e (v) eficácia social.

(i) Conforme Paulo de Barros, utilizarei a linha normativista para identificar e diferenciar uma
norma válida de uma inválida. Normas possuem valência própria. Serão válidas ou inválidas, de
acordo com a referencia do sistema que fazem parte. Então será válida a norma que pertencer a um
sistema posta por órgão legitimado a produzi-la, mediante procedimento estabelecido para tal.

(ii) Validade é o vinculo que se estabelece entre a proposição normativa e o sistema do direito
positivo, ou seja, quando falamos que tal norma é válida, automaticamente estamos afirmando que
ela pertence a determinado sistema.

(iii) Vigência é atributo de norma jurídica que determina o tempo em que esta irá atuar,
produzindo efeitos para os quais está preordenada.

(iv) Eficácia jurídica é quando ocorre quando efetiva-se o fato previsto no antecedente e
projetam-se os efeitos prescritos no consequente, o que se chama de casualidade jurídica.

(v) Eficácia técnica é a condição que a norma possui em descrever acontecimentos ocorridos no
plano real-social que tenham a capacidade de gerar efeitos jurídicos.

(vi) Eficácia social é o acatamento da sociedade para tal norma, assim como seu cumprimento.

2. Descreva o percurso gerador de sentido dos textos jurídicos explicando os planos:


(i) dos enunciados tomados no plano da expressão (S1); (ii) dos conteúdos de
significação dos enunciados prescritivos (S2); (iii) das significações normativas
(S3); (iv) das relações entre normas (S4).

(i) O plano dos enunciados tomados no plano da expressão é o primeiro com o que o interprete
se depara, iniciando o processo de interpretação construindo os conteúdos significativos legislados,
ordenando-os de forma estrutural de normas jurídicas, articulando essas entidades para constituir um
domínio.

(ii) Os conteúdos de significação dos enunciados prescritivos é o momento em que o interprete já


passou pelo processo inicial de interpretação, e encontra-se em momento intermediário onde na sua
mente já foi construído o material composto pelas significações.

(iii) As significações normativas, será o plano onde se junta as significações, algumas no tópico de
antecedente, e outras no lugar de consequente para constituir as entidades com sentido completo,
formando desse modo as unidades normativas, regras ou normas jurídicas articuladas em relação de
coordenação e subordinação irão compor o sistema normativo.

(iv) As relações entre normas, significa que depois que chegou-se a construção da norma, onde o
interprete irá encaixá-la dentro do seu próprio plano de significações estabelecendo relações de
coordenação e subordinação.

3. Há um sentido correto para os textos jurídicos? Faça uma crítica aos métodos
hermenêuticos tradicionais. É possível falar em interpretação teleológica e literal no
direito tributário? E em interpretação econômica? Justifique. (Vide anexos I e II).
Não, não há sentido correto, pois são diretamente relacionados com seu interprete condicionados as
suas experiencias, valores, e culturas específicas.

Como disse Aurora, “um juiz pode construir vários juízos normativos durante um processo, cada um
deles resultante de atos de interpretação diversos, no entanto, só será autentica aquela valoração da
qual resultar sentido positivado da sentença”.

Os métodos hermenêuticos tradicionais são aplicados para construção do sentido dos textos jurídicos,
onde o interprete se preocupa com a literalidade do texto, restrigindo-se ao significado de base dos
signos, entretanto todo processo de interpretação construído na mente humana a fim de um sentido
de significações, não há literalidade, pois pressupõe um processo gerador onde influem valorações
condicionadas as vivencias culturais do interprete. A significação é construída na mente do interprete
e nunca expressa na letra do texto.

Sim é possível e importante utilizar a interpretação Teleológica e literal no direito, entretanto não são
suficientes para chegar a uma conclusão, já que visa chegar a direção da prescrição jurídica posta
pelo legislador e não deixam de ser uma valoração do interprete, assim como a interpretação
econômica. Todas podem ser utilizadas, e isso dependerá do seu interprete. Entretanto devemos
utilizar o método sistemático de interpretação, pois neste modelo nos permite a análise de todos os
planos de linguagem jurídica, seus planos sintático, semântico e pragmático.

4. A Lei “A” foi promulgada no dia 01/06/12 e publicada no dia 30 de junho desse
mesmo mês e ano. A Lei “B” foi promulgada no dia 10/06/12, tendo sido publicada
no dia 20 desse mesmo mês e ano. Na hipótese de antinomia entre os dois diplomas
normativos, qual deles deve prevalecer? Justificar.

Levando em consideração que uma norma entra no sistema jurídico quando são publicadas, a que
deve prevalecer é a Lei “A” por mais que tenha sido criada antes, mas sua validade foi a partir da
comunicação da mesma, sobrepondo a data de publicação da Lei “B”.

5. Compete ao legislativo a positivação de interpretações? Existe lei puramente


interpretativa? Tem aplicabilidade o art. 106, I, do CTN ao dispor que a lei tributária
interpretativa se aplica ao fato pretérito? Como confrontar este dispositivo do CTN
com o princípio da irretroatividade? (Vide anexos III e IV).

Sim, compete ao legislativo, pois antes da interpretação não há norma, nem sentido. Através da
construção interpretativa do legislativo é que são criadas normas a serem positivadas.

Sendo a interpretação uma atividade construtiva de normas, acredito que não haverá lei puramente
interpretativa.

Entendo que sim, conforme a CTN, dentro de seus moldes para beneficiar o contribuinte. Se a
retroprojeção não vai gerar nenhum gravame, nada impede que o Estado edite e prescreva atos
normativos com efeito retroativo.
Levando em consideração o que diz o próprio CTN que poderá ter retroatividade desde que seja em
benefício do contribuinte. E como diz o anexo III, “o sistema jurídico-constitucional brasileiro, não
assentou como postulado absoluto, incondicional e inderrogável o principio de irretroatividade”.

6. Dada a seguinte lei fictícia, responder às questões que seguem:

Lei ordinária federal n. 10.001, de 10/10/2015 (DO de 01/11/2015)

Art. 1º Esta taxa de licenciamento de veículo tem como fato gerador a


propriedade de veículo automotor com registro de domicílio no território
nacional.
Art. 2º A base de cálculo dessa taxa é o valor venal do veículo.
Parágrafo único. A alíquota é de 1%.
Art. 3º Contribuinte é o proprietário do veículo.
Art. 4º Dá-se a incidência dessa taxa no primeiro dia do quarto mês de
cada exercício, devendo o contribuinte que se encontrar na situação
descrita pelo art. 1º dessa lei, desde logo, informar até o décimo dia
deste mesmo mês, em formulário próprio (FORMGFA043), o valor venal, o tipo,
a marca, o ano e a cilindrada do respectivo veículo.
Art. 5º A importância devida, a título de taxa, deve ser recolhida até o
décimo dia do mês subsequente, sob pena de multa de 10% sobre o valor do
tributo devido.
Art. 6º Diante da não emissão do formulário (FORMGFA043) na data aprazada,
poderá, a autoridade fiscal competente lavrar Auto de Infração e Imposição
de Multa, em decorrência da não observância dessa obrigação, impondo multa
de 50% sobre o valor do tributo devido.
(...)
a) Em 01/06/2017, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em ação direta (com efeito erga
omnes), pela inconstitucionalidade desta lei federal. Identificar nas datas abaixo
fixadas, segundo os critérios indicados, a situação jurídica da regra que instituiu o
tributo, justificando cada uma das situações:
Critérios\ 11/10/2015 01/11/2015 01/02/2016 01/04/2016 01/07/2017
datas

É válida Sim Sim Sim Sim Não


É vigente Não Sim Sim Sim Não
Incide Não Não Não Sim Não
Apresenta Não Não Sim Sim Não
eficácia
jurídica

A Lei será válida a partir do momento que é inserida no sistema produzida por órgão credenciado e na
conformidade com o procedimento também previsto pela ordenação total. Então será válida de
11/10/2015 até 31/05/2017, pois em 01/06/2017 ela foi revogada.

Será vigente entre 01/11/2015 a 31/05/2017, ou seja, de quando foi publicada até sua revogação.

Incidirá, conforme o texto da norma, no primeiro dia do quarto mês do exercício, ou seja, no
01/04/2016, quando o contribuinte terá que, obrigatoriamente, recolher a taxa.
Apresenta eficácia jurídica a partir de 10/11/2015 onde o contribuinte fica obrigado a pagar a taxa em
referencia e terá eficácia até 10/05/2017, que é a ultima data estipulada antes de sua revogação.

7. Uma lei inconstitucional (produzida materialmente em desacordo com a Constituição


Federal – porém ainda não submetida ao controle de constitucionalidade) é válida?
O vício de inconstitucionalidade pode ser sanado por emenda constitucional
posterior? (Vide anexo V).

Sim, será válida, considerando que já faz parte do sistema, ou que contem relação de pertencialidade
entre a norma e o ordamento jurídico.

Entendo que não, pois o sistema brasileiro não comtempla a figura da constitucionalidade
superveniente.