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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO 3°

JUIZADO ESPECIAL CIVEL DA COMARCA DE NATAL – RN

479/2020—67

Processo n. 0811787-86.2020.8.20.5004
Gianne Do Socorro Da Silva De Souza

TELEFONICA BRASIL S/A - VIVO, pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ sob o n.º 02.558.157/0001-62, com sede social na Avenida
Engenheiro Luiz Carlos Berrini, n° 1376, Bairro Cidade Monções, São Paulo/SP, CEP
04571-936, por intermédio de seus advogados, vem perante Vossa Excelência
apresentar CONTESTAÇÃO, com fundamento no artigo 30 da lei 9.9099/95 e
demais legislações pertinentes ao tema, pelas razões de fato e de direito a seguir
expostas

RESUMO DA DEFESA

PRELIMINARMENTE

- Da conexão;
- Inépcia da inicial – ausência de comprovante indispensável à propositura da ação;
- Inépcia da inicial – da ausência de consulta pessoal extraída no balcão dos órgãos de
proteção ao crédito;
- Captação de clientes – fatos genéricos;

DO MÉRITO

- Do real cenário contratual do autor


- Da aceitação de telas sistêmicas e eletrônicas como meio de prova
- Não cabimento da inversão do ônus da prova
- Da ausência de dano moral
- Da improcedência do pedido de declaração de inexistência dos débitos
I - DO BREVE RESUMO DAS ALEGAÇÕES

A parte autora alega que teve seu nome inserido nos cadastros
restritivos de crédito por um débito no valor de R$ 120,91 (cento e vinte reais e
noventa e um centavos), referente ao contrato de número 2146501007.

Informa ainda que desconhece a origem da dívida que gerou essa


negativação, bem como a contratação, afirmando não possuir vínculo com o réu.

Assim, diante de tais considerações, com as devidas vênias, a versão


autoral não corresponde à verdade dos fatos, tal como será demonstrado a seguir,
com o indispensável rigor.

II – PRELIMINAR
A – DA CONEXÃO E DA LITISPENDÊNCIA

A litispendência significa “pendência da causa” que começa a existir


quando de sua propositura e se encerra com a sua extinção. Haverá litispendência
quando dois ou mais processos idênticos existirem concomitantemente,
caracterizando-se a identidade pela verificação no caso concreto, nas palavras do
ilustre professor Daniel Amorim Assumpção Neves, na sua obra Manual de Direito
Processual Civil, Volume Único, Ed. 2018, na página 663, o seguinte:
“(...)
A identidade pela verificação no caso concreto da
tríplice identidade – MESMAS PARTES, MESMA CAUSA DE
PEDIR E MESMO PEDIDO. É bastante claro ser a litispendência
uma defesa processual peremptória, considerando-se que a
necessidade de manutenção de apenas um processo está baseada em
dois importantes fatores: economia processual e harmonização de
julgados. NÃO HÁ QUALQUER SENTIDO NA MANUTENÇÃO
DE DOIS PROCESSOS IDÊNTICOS, COM REALIZAÇÃO
DUPLICADA DE ATOS E GASTOS DESNECESSÁRIOS DE
ENERGIA. Além disso, a manutenção de processos idênticos poderia
levar a decisões contraditórias, o que, além de desprestígio ao Poder
Judiciário, poderá gerar no caso concreto problemas sérios de
incompatibilidade lógica ou prática de julgados contraditórios” (Grifo
nosso).

1
Deste modo, verifica-se que a parte Autora está demandando
judicialmente a Requerida em diversos outros processos que tramitam perante este
mesmo Juizado, sob o nº: 0009802-92.2019.827.2729, contendo AS MESMAS
PARTES, FATOS, CAUSA DE PEDIR E PEDIDO, portanto, os eventos aqui
abordados são idênticos ao caso ali em comento.

Nesse sentido, além da fundamentação doutrinária sobre o tema, a


própria legislação processual, no seu artigo 337, VI, §§1º à 3º, afirma
categoricamente que a litispendência é:

“Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o


mérito, alegar:
(...)
VI - litispendência;
(...)
§ 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se
reproduz ação anteriormente ajuizada.
§ 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas
partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.
§ 3º Há litispendência quando se repete ação que está em
curso” (Grifo nosso).

Não há qualquer fato descrito nas Peças de Ingresso que possam dar
sentido diverso a aplicação do instituto supramencionado. Em que pese os números
de negativações apontados serem diversos, tratam-se de números de notas fiscais das
faturas emitidas em nome Requerente, portanto, não são números de contrato
diversos, mas sim do mesmo contrato!

Ocorre que, o SPC/SERASA cadastra os números das notas fiscais


erroneamente como contrato, induzindo o consumidor ao erro, frisa-se que os
números cadastrados pelo SPC/SERASA e apontados pelo Embargado como
contratos são na realidade, referentes aos números das notas fiscais das faturas
emitidas em nome do litigante. Portanto, a litispendência constitui pressuposto de
validade da relação processual e, por isso, a sua infração acarreta a nulidade da ação
proposta, passível de ser decretada em qualquer fase do processo, até mesmo de
ofício, conforme o artigo 485, V, §3º do NCPC.

2
Nesse sentido, forçoso é o reconhecimento da identidade de ações, a
reclamar a EXTINÇÃO DO FEITO em razão da litispendência, na forma do art.
485, V, do NCPC, e isto é o que desde já se requer.

- DA CONEXÃO PROCESSUAL

Ademais, caso este Juízo ainda considere como inaplicável o instituto


da litispendência, A APLICAÇÃO DA CONEXÃO DEVERÁ SERVIR DE BASE,
uma vez que se trata de um fenômeno previsto no artigo 55, caput, do NCPC,
afirmando que:

“Art. 55. Reputam-se conexas 2


(duas) ou mais ações quando lhes for comum o
pedido ou a causa de pedir.
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos
para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido
sentenciado” (Grifo nosso).

Assim, verificado que entre as ações de n’sº: 0811787-


86.2020.8.20.5004 e 0811792-11.2020.8.20.5004 possuem a mesma causa de
pedir, pedido e direcionado contra a mesma empresa, haverá a incidência do
fenômeno da CONEXÃO, ou seja, deveriam os processos serem reunidos perante o
mesmo Juízo para O JULGAMENTO EM CONJUNTO. Nesse sentido, o ilustre
professor Daniel Amorim Assumpção Neves, na sua obra Manual de Direito
Processual Civil, Volume Único, Ed. 2018, na página 266 à 267, afirma o seguinte:

“Questão digna de relevo diz respeito ao preenchimento dos requisitos


previstos pelo art. 55, caput do Novo CPC. A identidade exigida pelo
legislador deve ser absoluta? Dividindo-se a causa de pedir em
próxima e remota e o pedido em mediato e imediato, haverá conexão
somente com a identidade parcial desses elementos ou exige-se a
identidade total?
No tocando à causa de pedir, A DOUTRINA
VEM ENTENDENDO BASTAR QUE UM DE SEUS
ELEMENTOS SEJA COINCIDENTE PARA QUE HAJA
CONEXÃO ENTRE AS AÇÕES (seja dos fatos ou dos fundamentos
jurídicos) (...) SERIA PERNICIOSO AO PRÓPRIO SISTEMA A
ADOÇÃO DE ENTENDIMENTO RESTRITIVO, EM
VIRTUDADE DA RARIDADE EM QUE SE VERIFICA NA
PRAXE FORENSE A SITUAÇÃO DE DUAS AÇÕES COM

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PEDIDOS DIFERENTES E EXATAMENTE A MESMA CAUSA
DE PEDIR” (Grifo nosso).

Na mesma linha de raciocínio, destaca-se o entendimento do artigo


55, §3º do NCPC, no qual afirma que, serão reunidos para:

“Serão reunidos para JULGAMENTO


CONJUNTO OS PROCESSOS QUE POSSAM gerar risco de
prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos
separadamente, MESMO SEM CONEXÃO ENTRE ELES” (Grifo
nosso).

Deste modo, pugna para que este Juízo reúna as ações de n’sº:
0811787-86.2020.8.20.5004 e 0811792-11.2020.8.20.5004 para
JULGAMENTO EM CONJUNTO, conforme disponibiliza o artigo 55, §3º, do
NCPC, proferindo uma só Sentença, tudo no intuito de se evitar contradições entre as
mesmas, fixando um único Dano Moral, se for o caso, para tanto.

A - AUSÊNCIA DE DOCUMENTO INDISPENSÁVEL PARA A


PROPOSITURA DA DEMANDA - COMPROVANTE DE

Relativamente ao endereço, constata-se que a Parte Autora não


apresenta comprovante de residência recente em seu nome, limitando-se a juntar aos
autos documento em nome de terceiro:

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Analisando a situação, de fato é de se causar estranheza o
fato de a parte autora não possuir outros documentos que possam
demonstrar seu domicílio, nem mesmo comprovantes bancários, ao
ponto de recorrer a declarações emitidas unilateralmente por terceiros.

Salienta-se que o comprovante de residência atualizado em nome da


Parte Autora é documento indispensável à propositura da demanda, pois é por meio
dele que se afere a competência do MM. Juízo para processar e julgar a demanda.

Sendo tal conduta combatida por vários juízes do Tribunal de Justiça


do Amazonas que estão fazendo pesquisas no Sistema de Informações Eleitorais –
SIEL, vinculado à Justiça Eleitoral com o intuito de se certificar se o endereço da
inicial coincide com o apresentado nas petições que acabam determinando o juízo da
causa por questão de territorialidade.

Portanto, requer-se que seja intimado o autor para apresentar um


comprovante de endereço EM SEU NOME, sob pena de indeferimento da inicial e
extinção do feito, em atenção ao artigo 321 do Código de Processo Civil.

- DO HISTÓRICO DE CRÉDITO (CREDIT SCORING)

O documento acostado pela parte Autora faz referência a um suposto


comprovante de negativação de seu nome. Todavia, compulsando minuciosamente os
autos, tem-se que a documentação não fora emitida em consulta pessoal por
nenhum órgão de proteção ao crédito, com a finalidade implantada na Peça
Vestibular.
Na realidade, o documento acostado pela parte Autora possui
natureza confidencial e destina-se à composição de histórico de crédito, ou
seja, scoring. O scoring nada mais é que a utilização interna das empresas, não se
confundindo com o cadastro negativo. De fato, tem-se que o documento se
enquadra dentre aqueles previstos na Lei de nº 12.414/2011, no artigo 2º, Lei do
Consumidor Positivo.

5
Portanto, diante do entendimento supramencionado e com base no
artigo 3º e seguintes da Lei do Consumidor Positivo, deve a parte Autora demonstrar
a ocorrência da violação e/ou ofensa a sua honra, nos termos do artigo 373, I, do
NCPC, apresentando cabalmente o fato constitutivo de seu direito, eis que a mera
alegação e a juntada de “Histórico de Crédito” não é o suficiência para
demonstrar qualquer tipo de macula a sua essência como pessoa humana.

Deste modo, o Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso


Repetitivo (REsp 1419697/RS), já considera legítimo o credit scoring, afirmando
que o mesmo não enseja dano moral presumido, ou seja, não cabe a
argumentação de que o documento acostado pela parte Autora, poderia trazer
qualquer tipo de Dano Moral na modalidade in re ipsa somente ensejando o
respectivo dano moral no caso de demonstração de violação das limitações
estipuladas pela Corte Superior, quais sejam:

a) veracidade; b) clareza; c) objetividade; d) vedação de


informações excessivas e e) vedação de informações sensíveis. Desta forma e diante
da ausência de qualquer documento comprobatório, torna-se INAPLICÁVEL O
INSTITUTO DOS DANOS MORAIS.

“RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA


(ART. 543-C DO CPC). TEMA 710/STJ. DIREITO DO CONSUMIDOR.
ARQUIVOS DE CRÉDITO. SISTEMA "CREDIT SCORING".
COMPATIBILIDADE COM O DIREITO BRASILEIRO. LIMITES.
DANO MORAL. I – TESES: 1) O sistema "credit scoring" é um método
desenvolvido para avaliação do risco de concessão de crédito, a partir
de modelos estatísticos, considerando diversas variáveis, com
atribuição de uma pontuação ao consumidor avaliado (nota do risco
de crédito). 2) Essa prática comercial é lícita, estando autorizada pelo
art. 5o, IV, e pelo art. 7o, I, da Lei n. 12.414/2011 (lei do cadastro
positivo). 3) Na avaliação do risco de crédito, devem ser respeitados os
limites estabelecidos pelo sistema de proteção do consumidor no
sentido da tutela da privacidade e da máxima transparência nas
relações negociais, conforme previsão do CDC e da Lei n. 12.414/2011.
4) Apesar de desnecessário o consentimento do consumidor
consultado, devem ser a ele fornecidos esclarecimentos, caso
solicitados, acerca das fontes dos dados considerados (histórico de
crédito), bem como as informações pessoais valoradas. 5) O
desrespeito aos limites legais na utilização do sistema "credit scoring",
configurando abuso no exercício desse direito (art. 187 do CC), pode

6
ensejar a responsabilidade objetiva e solidária do fornecedor do
serviço, do responsável pelo banco de dados, da fonte e do consulente
(art. 16 da Lei n. 12.414/2011) pela ocorrência de danos morais nas
hipóteses de utilização de informações excessivas ou sensíveis (art. 3o,
§ 3o, I e II, da Lei n. 12.414/2011), bem como nos casos de
comprovada recusa indevida de crédito pelo uso de dados incorretos
ou desatualizados. II – CASO CONCRETO: 1) Não conhecimento do
agravo regimental e dos embargos declaratórios interpostos no curso
do processamento do presente recurso representativo de controvérsia;
2) Inocorrência de violação ao art. 535, II, do CPC. 3) Não
reconhecimento de ofensa ao art. 267, VI, e ao art. 333, II, do CPC. 4)
Acolhimento da alegação de inocorrência de dano moral "in re ipsa".
5) Não reconhecimento pelas instâncias ordinárias da comprovação de
recusa efetiva do crédito ao consumidor recorrido, não sendo possível
afirmar a ocorrência de dano moral na espécie. 6) Demanda
indenizatória improcedente. III - NÃO CONHECIMENTO DO
AGRAVO REGIMENTAL E DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, E
RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. (REsp 1419697 /
RS RECURSO ESPECIAL 2013/0386285-0, Relator(a) Ministro
PAULO DE TARSO SANSEVERINO (1144), Órgão Julgador S2 -
SEGUNDA SEÇÃO, Data do Julgamento 12/11/2014 Data da
Publicação/Fonte DJe 17/11/2014).

Ao final, sendo tema pacífico no Superior Tribunal de Justiça e


em razão da não demonstração do Dano Moral pela parte Autora, nos termos do
artigo 373, I, do NCPC, tem-se que os pedidos formulados na Peça Vestibular, devam
ser julgados TOTALMENTE IMPROCEDENTES.

B - DIVERSAS AÇÕES IDÊNTICAS DISTRIBUÍDAS - OBTENÇÃO DE


VANTAGEM ILÍCTA - POSSÍVEIS PRÁTICAS DE CRIMES - CAPTAÇÃO
DE CLIENTES

No caso em epígrafe o patrono da requerente, conta inúmeros


processos distribuídos no TJAM e TJRN o que seria no mínimo estranho conseguir
receber essa quantidade de clientes em seu escritório, sendo que sequer é desta
Comarca.

Além do mais, é no mínimo estranho que pessoas com negativações


antigas, dos quais alegam ser indevidas não tenham procurado à época das restrições
um advogado local, se valendo agora do patrocínio de um advogado que não é desta
cidade, dos quais as partes sequer o conhecem e/ou sequer levou os documentos para
ele.

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RICARDO ALEXANDRE VIEIRA DA COSTA

1° OAB originária do Mato Grosso;

2° Ações idênticas – fatos genéricos sem negar o contrato, apenas o


débito para evitar condenações de litigância de má fé em ações que
empresa apresenta contrato/gravação;

3° Ações com negativações antigas – superiores há seis meses quando a


ANATEL libera as operadoras da manutenção das gravações das
migrações de pré pago para controle ou pós pago;

4° Elevado número de ações em comarcas onde não está presente,


demonstrando um flagrante mecanismo de captação de clientes por meio
de Credit Scoring;

5° Nunca há tentativa de resolução via Administrativamente;

6° Número de ações somente no Estado RN é de mais 1640 e quase


sempre por suposta inclusão indevida nos órgãos de proteção ao crédito;

8
7° Número de processos contra a Telefônica supera 90 ações somente no
RN.

9
N° SEQUENCIAL AUTOR PROCESSO

54/2020--67 SEBASTIANA CLAUDETE DA SILVA 08001870820208205121

68/2020--67 JOSE SALATIEL DE LIMA GONCALVES 08010124020208205124

846/2019--67 DIANA DE FIGUEIREDO SILVA 08140254320198205124

12/2020--67 ANTONIO CUSTODIO JUNIOR 08000984520208205101

875/2019--67 MANOEL FREIRE DE LIMA 08143606220198205124

240/2020--67 ERIKA PEDRO DA SILVA DE LIMA 08002713720208205144

133/2020--67 GILVAN DA SILVA DANTAS JUNIOR 08035142120208205004

272/2020--67 OZENILDA DA SILVA FERREIRA 08003440620208205145

194/2020--67 WILDICLEY SILVA DE MEDEIROS 08055608020208205004

288/2020--67 MICHELE CRISTINE DOS SANTOS 08002774420208205144

243/2020--67 FLAVINELLE DO NASCIMENTO DA SILVA 08075622320208205004

152/2020--67 FRANCISCO MIGUEL DA SILVA 08044071220208205004

186/2020--67 MARIA DE LOURDES ALCANTARA DA SILVA 08054221620208205004

180/2020--67 ROBERTO DIOGO DE OLIVEIRA 08004615420208205126

257/2019--67 RANIELI DO NASCIMENTO 08008612820188205162

257/2020--67 ADRIANA INACIO DE OLIVEIRA 08077700720208205004

306/2020--67 ROGERIO SILVA DE LIMA 08054389520208205124

230/2020--67 SAULO CASSEMIRO JESUS DE ARAUJO 08064459420208205004

428/2019--67 FRANCISCA DA SILVA BARBOSA 08005193420198205145

342/2020--67 TATIANE DE OLIVEIRA SOUZA 08052267420208205124

110/2020--67 ROSEMERY MEDEIROS 08000568520208205136

201/2020--67 VALDEMIR DA SILVA PONTES 08006808220208205121

244/2020--67 ADRIANA PRISCILA MAIA DE LIMA 08016536420208205112

200/2020--67 RICARDO HENRIQUE TEIXEIRA DA SILVA 08003694520208205104

303/2020--67 MOACIR RIBEIRO PEREIRA 08053886920208205124

100/2020--67 JESSICA RODRIGUES LOPES DA SILVA 08015139120208205124

430/2019--67 AVANALDO FERREIRA JUNIOR 08003162120198205162

102/2020--67 BISMARCK DE OLIVEIRA CAVALCANTE JUNIOR 08029755520208205004

219/2020--67 ALDEMIR CARLOS DO NASCIMENTO 08069829020208205004

265/2020--67 MATEUS FELIPE FONSECA SILVA 08081710620208205004

361/2020--67 WAGNER FERREIRA ALBANO 08010625120208205129

83/2020--67 ERNANI BOTI MARTINEZ 08023078420208205004

291/2020--67 VALTER DO NASCIMENTO 08078471620208205004

326/2020--67 JACKSON DOUGLAS PEREIRA FERNANDES 08087236820208205004

878/2019--67 JULIO CESAR TENORIO DA SILVA 08144411120198205124

245/2020--67 ROSANA SILVA MARTINS 08076523120208205004

229/2020--67 JOAO MARIA GOMES DA SILVA 08064476420208205004

195/2020--67 FERNANDO DA LUZ 08054931820208205004

339/2020--67 JOAO MARIA VARELA DA COSTA 08008096320208205129

196/2020--67 FERNANDO DA LUZ 08054923320208205004

873/2019--67 PRISCILLA PRATA DA SILVA 08143510320198205124

247/2020--67 RAMON FRANKLIN DA SILVA 08077371720208205004

80/2020--67 MARTA BARBOSA DA SILVA 08002840820208205121

10
281/2020--67 ANTONIO EUGENIO DA SILVA 08031949620208205124

216/2020--67 RENATA SABINO DOS SANTOS 08067022220208205004

254/2020--67 GECIGALDO AZEVEDO COSTA 08003345920208205145

322/2020--67 MARCELO ROQUE DE LIMA 08087193120208205004

132/2019--67 JOSINALVA FERREIRA DE ASSIS 08023375620198205004

366/2020--67 MARIA SONIA DA SILVA VERISSIMO 08011534420208205129

175/2020--67 ALCIANA TEREZA ATAIDE PESSOA 08006002120208205121

233/2020--67 JOAO PAULO MACEDO DA SILVA 08008115720208205121

879/2019--67 FRANCISCO QUERINO DA SILVA 08004091720198205151

451/2020--67 Leosvaldo Rodrigues Maia 08001644420208205127

457/2020--67 Gleydson Franklin Dantas 08074828720208205124

456/2020--67 Gleydson Franklin Dantas 08074810520208205124

459/2020--67 MARIA DA PIEDADE FERREIRA DOS SANTOS 08129665520208205004

463/2020--67 MARCELO GABRIEL DE OLIVEIRA SANTANA 08005151420208205128

464/2020--67 RAMON RODRIGUES CORREIA 08130332020208205004

476/2020--67 Duarte Santana Gadelha Marinho 08006948120208205116

489/2020--67 FABIO DOS SANTOS FREIRE 08060295720208205124

486/2020--67 Cicero Antonio Da Silva 08002884620208205153

485/2020--67 Marliete Claudino Rodrigues 08011606020208205121

481/2020--67 JAIR HENRIQUE DA SILVA FERREIRA 08009245920208205105

497/2020--67 MAYALISON DO NASCIMENTO SILVA 08012169320208205121

480/2020--67 Maria Jose Da Silva 08064678320208205124

479/2020--67 GIANNE DO SOCORRO DA SILVA DE SOUZA 08117878620208205004

484/2020--67 MARIA DOS PRAZERES FERREIRA 08006039420208205114

494/2020--67 Rita De Cassia Ferreira De Souza 08058511120208205124

493/2020--67 Juci Keli Correa Maciel 08063040620208205124

490/2020--67 Maria Da Conceicao Teixeira De Moura 08057991520208205124

341/2020--67 MATEUS IVO DA SILVA 08094156720208205004

393/2020--67 LAZARO EDUARDO DA SILVA 08099491120208205004

318/2020--67 ERIVAM ARAUJO DA SILVA 08095906120208205004

349/2020--67 MARIA DAS DORES COSTA DE LIMA 08004224520208205130

397/2020--67 MARIA DA CONCEICAO TEIXEIRA DE MOURA 08058009720208205124

225/2020--67 ALDO FERREIRA DA SILVA 08041302420208205124

500/2020--67 Marilia Da Paz Nobre 08004727120208205130

506/2020--67 Gianne Do Socorro Da Silva De Souza 08117921120208205004

503/2020--67 ROBERTO FELIX SILVA DE LIMA 08109815120208205004

508/2020--67 Valderis Souza Dos Santos 08060287220208205124

438/2020--67 CARLOS ANDRE LUIZ 08072516020208205124

362/2020--67 FLAVIO VITAL DA SILVA 08057316520208205124

523/2020--67 ERBSON ACIOLE PEREIRA PONTES 08006216720208205130

526/2020--67 ANDREIZA MARIA DA SILVA 08134507020208205004

415/2020--67 JOAO BATISTA DA SILVA 08005268920208205145

418/2020--67 JOSE AGENALDO NARCISO DOS SANTOS 08006489820208205114

351/2020--67 ADRIANO CARRILHO DE FRANCA 08013239720208205102

11
185/2020--67 SEBASTIAO AVELINO SOARES DA SILVA 08003431720208205114

346/2020--67 FRANCISCA APARECIDA DA SILVA PEREIRA 08052621920208205124

389/2020--67 MOACIR RIBEIRO PEREIRA 08068390420208205004

Diante disso, verifica-se que o presente caso, como tantos outros,


infelizmente se trata dessa demanda repetitiva, com alegações genéricas, dos
quais são apresentados argumentos alterando a verdade dos fatos, pleiteando,
indevidamente reparação civil, mas que, na realidade, existem provas de que existiu
uma contratação, bastando para tanto que as provas apresentadas sejam
consideradas como válidas.

Portanto, a Requerida clama pela atenção de Vossa


Excelência para a análise do processo em epígrafe, haja vista que existem
nos autos documentos probatórios suficientes para comprovar a relação
contratual, conforme tese abaixo.

III - DO MÉRITO

A - DO REAL CENÁRIO CONTRATUAL DA AUTORA

Caso ultrapassado a análise das preliminares apresentadas, por amor ao


debate ainda conhecemos da clara improcedência dos pedidos autorais, conforme se
demonstrará.

Em sua inicial, a parte autora afirma desconhecer a contratação e o


débito que originaram a restrição nos órgãos de proteção ao crédito, julgando abusiva
e indevida a negativação em seu nome, porém, os documentos desta defesa
comprovam a existência de vínculo.

No caso em questão, consta nos sistemas da empresa ré que a parte


contratou os serviços de telefonia móvel à linha número 92 993037477,
vinculados a conta 2146501007, em 02/11/2014, sendo esta cancelado em

12
27/08/2016 em razão de débitos, conforme será demonstrado. Origem pré paga
com migração;

Como dito, a partir da aceitação da contratação de um novo


plano a parte autora começou receber faturas mensais, eis que fez um upgrade
nos serviços de telefonia, passando usufruir de um Plano de internet e ligações
ilimitadas (inserir as informações do plano).

Então a primeira questão que certamente surge é: por que a empresa não
junta a gravação da referida migração de plano para demonstrar a
contratação?

A justificativa para a não apresentação da gravação


dessa contratação do Plano Controle/Pós-pago se dá pelo fato de que estas são
guardadas pelo prazo de 6 meses, a contar do aceite pelo consumidor.

A Resolução 632, de 7 de março de 2014, da Anatel,


prevê que o período obrigatório da manutenção da gravação é de no mínimo 6
meses da data da realização, nos termos do art. 26.
“Art. 26. É obrigatória a gravação das interações entre Prestadora e
Consumidor realizadas por meio de Atendimento Telefônico,
independentemente do originador da interação.
(...)
§ 2º. É obrigatória a manutenção da gravação pelo prazo
mínimo de 6 (seis) meses da data de sua realização,
durante o qual o Consumidor poderá requerer cópia do seu
conteúdo.” (Grifado)
Desta forma, se o consumidor entendia ser indevida
qualquer troca de serviço, caberia reclamar da referida falha assim que ocorreu
a troca supostamente indevida, cabendo solicitar a gravação em 6 meses, fato
este que não ocorreu no caso concreto, uma vez que a contratação do novo
plano foi verdadeiramente assentida pela parte autora.

13
E para corroborar com a contratação e a utilização do serviço
verifica-se que a parte autora chegou efetuar inúmeros pagamentos de diversas
faturas telefônicas de 05/2014 até 29/04/2016, conforme demonstra a tela
que segue:

Ressalte-se que tais pagamento foram realizados via Débito


Automático pelo Banco do Brasil, vejamos:

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Em contrapartida, o consumidor restou inadimplente constante na
tela do sistema da empresa.

15
Ademais cumpre mencionar que a autor chegou a
receber cartas de cobrança no endereço abaixo, o mesmo do
sistema da ré do SERASA

16
Cartas de cobrança

17
Tendo em vista a comprovada inadimplência da parte autora, o serviço
contratado foi bloqueado e posteriormente cancelado, medidas estas respaldadas nos
artigos 90 a 103 da Resolução nº. 632/2014 da Anatel.

Diante do exposto, resta claro que não há postura ilícita por


parte da empresa ré no caso em tela, e, portanto, conclui-se indevida a
pretensão autoral de indenização por danos morais.

Assim, inexistindo o ato ilícito e não sendo comprovado o dano, não se


faz presente, por questões lógicas, o nexo de causalidade, tornando ainda mais tênue
qualquer percepção de responsabilidade civil da ré no caso dos autos em razão da
cobrança realizada.

Diante dos esclarecimentos, aplica-se o princípio estampado no art. 188,


I, do CC, que não considera ilícito o ato praticado no regular exercício de um direito.
A ora contestante apenas agiu no exercício regular do seu direito, tendo agido em
conformidade com o contrato celebrado, cobrando nada a mais do que foi aderido
pela parte autora.

B - DA ACEITAÇÃO DE TELAS SISTÊMICAS E ELETRÔNICAS COMO


MEIO DE PROVA

Importa à ré ressaltar que, para comprovação dos fatos, apresenta telas


extraídas de seu sistema.

Dito isto, é importante salientar que a prova pode ser representada por
qualquer meio legal apto a demonstrar a autenticidade dos fatos alegados.
Considerando isto, qualquer documento pode ser utilizado como prova, inclusive
documentos em formato exclusivamente digital.

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Cuide–se, ainda, que na inteligência do art. 225 do Código Civil, os
legisladores se atentaram para os avanços tecnológicos, o que foi corroborado pela
inteligência do art. 422 do Novo Código de Processo Civil.

Neste sentido, a tese ora sustentada pela ré encontra conforto na


jurisprudência abaixo, conforme decisão do STF abaixo reproduzida:

EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PENAL. ABUSO DE


PODER. REVOGAÇÃO DO ART. 350 DO CÓDIGO PENAL PELA LEI N. 4.895/65.
INOCORRÊNCIA. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. SOLUÇÃO. PRETENSÃO
DE QUE O TERMO "DOCUMENTO" SE REFIRA A "QUALQUER ESCRITO OU
PAPEL". IMPROCEDÊNCIA: CONCEITO ABRANGENTE. 1. (...). 2. O termo
"documento" não se restringe "a qualquer escrito ou papel". O legislador do novo
Código Civil, atento aos avanços atuais, conferiu-lhe maior amplitude, ao dispor, no
art. 225 que "[a]s reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros
fonográficos e, em geral, quaisquer outras reproduções mecânicas ou
eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte,
contra quem forem exibidos, não lhes impugnar a exatidão". Ordem denegada.(RHC
95689, EROS GRAU, STF)

Tendo em vista o mencionado acima, bem como a jurisprudência


colacionada e considerando que a postulação do Réu é pertinente, se esta vier
acompanhada de contestações plausíveis dos fatos, não poderá o Magistrado
dispensa-lo de provar o que alega pelo simples fato dos documentos serem telas de
computador.

C - NÃO CABIMENTO DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

A inversão do ônus da prova (art. 6º, VIII, CDC) é admitida somente


quando presentes os seus pressupostos.

No caso, não se vislumbra verossimilhança nas alegações da parte


autora, visto que a falha na prestação dos serviços contratados não foi comprovada,
não havendo, sob qualquer hipótese, possibilidade de se vislumbrar que as suas meras
alegações possuem o condão de promover a veracidade dos fatos alegados.

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O instituto da inversão do ônus probatório somente tem cabimento em
situações quando devidamente comprovada a hipossuficiência da parte autora, não se
eximindo a parte autora de apresentar prova mínima do seu direito, o que não
ocorreu no caso em tela, deixando, portanto, de atender ao determinado no art. 373, I
do Código de Processo Civil.

Portanto, não há que se falar na aplicabilidade dos princípios e regras


norteadoras do CDC, tampouco em inversão do ônus da prova no caso em epígrafe,
devendo o mesmo ser indeferido.

D - DA IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MORAIS

A empresa ré demonstrou de forma cabal que não cometeu


qualquer ilícito capaz de gerar o dever de indenizar, tanto é que além de
evidenciar a existência da contratação e do uso da linha, a parte autora
EM NENHUM MOMENTO, realizou contato prévio em nenhum dos
canais de atendimento disponibilizados pela ré, para tentar resolver
amigavelmente.

O dano alegado não se afigura in re ipsa, assim, cabia à parte autora


provar a suposta ofensa grave e lesiva ao seu moral que justificasse eventual
indenização, o que não o fez.

Este, inclusive, é o direcionamento conferido pelo Superior Tribunal de


Justiça, que possui consolidado entendimento de que “o mero dissabor não pode ser
alçado ao patamar do dano moral, mas somente aquela agressão que exacerba a
naturalidade dos fatos da vida, causando fundadas aflições ou angústias no espírito
de quem ela se dirige.” (REsp 714611/PB, Quarta Turma, Rel. Min. Cesar Asfor
Rocha, DJ em 02/10/2006).

20
Ainda, o valor pleiteado pela parte autora a título de indenização não é
condizente com a baixa gravidade do aborrecimento e a pouca repercussão do fato.
Ao quantificar a indenização, deve-se ter em mente que ela tem natureza
exclusivamente compensatória e, portanto, seu valor deve se limitar a apenas o
suficiente para compensar o eventual dano. Decorrente disso, temos que ela também
não pode servir como forma de enriquecimento ilícito.

Todavia, caso eventualmente seja reconhecida a sua responsabilidade,


tem-se da leitura sóbria dos fatos descritos e da documentação acostada à peça
exordial, que a parte autora não logrou êxito em comprovar o dano à sua honra
objetiva, ou seja, não comprovou o abalo a sua imagem.

O dano moral só será admitido quando houver a violação da sua


imagem capaz de ofender a sua honra objetiva e, por conseguinte, causar-lhe
prejuízos morais o que indubitavelmente não correu no caso vertente.

Dessa feita, inafastável é a improcedência do pedido de reparação pelos


danos morais, eis que a situação vivenciada pela parte autora constitui mero
aborrecimento, insuficiente à configuração do dano moral, sendo este último o único
incentivo para a propositura da presente ação judicial.

E - DA IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO DE DECLARAÇÃO DE


INEXISTÊNCIA DOS DÉBITOS

Conforme amplamente explanado na presente peça, o negócio jurídico


havido entre as partes é válido, sendo os agentes capazes, o objeto lícito, possível e
determinado, cuja forma é prescrita e não defesa em lei.

Ou seja, todos os requisitos elencados no artigo 104 do Código Civil se


fazem presentes ao caso, não podendo esse Juízo deferir o pedido de inexistência dos
débitos oriundos da relação jurídica entre as partes.

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Ora Exa. conforme documentos juntados aos autos fica claro a
existência de contrato entre as partes.

Assim verifica-se que a parte autora deixou de pagar algumas faturas,


sendo de sua responsabilidade, inexistindo desta forma a possibilidade de declarar
inexistente tais débitos.

Assim resta claro que a autora não foi vítima de qualquer fraude, sendo
de sua responsabilidade todos os débitos questionados.

Tendo em vista que a ré exerceu, tão somente, um direito que lhe é


assegurado, o de inscrever o nome de devedor inadimplente nos cadastros restritivos
de crédito, aliado ao fato de a autora ter dado causa ao surgimento desse direito
potestativo, não há alternativa a não ser a mais absoluta improcedência do pedido de
inexistência do débito.

Desta feita, incabível a anulação ou a inexigibilidade do débito cobrado


e inscrito, pois agiu a requerida tanto na cobrança, quanto na inscrição, de forma
legítima.

Assim, diante das telas juntadas, fica impossível não julgar a presente
demanda improcedente, pois provado está a relação jurídica entre as partes, bem
como a inadimplência da parte autora.

F - DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO

Pugna a Requerida que no caso vertente seja designada Audiência


de Instrução e Julgamento a fim de colher o depoimento pessoal da parte
Autora, sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório
elencados no artigo 5º, LV, da Constituição Federal e do artigo 358 do Código de
Processo Civil.

22
G - DO ENRIQUECIMENTO INDEVIDO

Concluir pela ocorrência de lesão moral na presente hipótese


equivaleria ao enriquecimento sem causa da parte autora, o que é vedado em nosso
ordenamento jurídico. Ainda mais considerando o absurdo valor pleiteado pela parte
autora.

A esse respeito, a ré se socorre dos ensinamentos do Professor


Orlando Gomes, que assim discorre sobre o tema:

“(...) há enriquecimento ilícito quando alguém, às expensas de outrem, obtém


vantagem patrimonial sem causa, isto é, sem que tal vantagem se funde em
dispositivo de lei ou em negócio jurídico anterior.” (In Obrigações, 6ª edição,
Editora Forense, pág. 250).

Portanto, o eventual acolhimento do pleito indenizatório formulado


na petição inicial, configurará vantagem patrimonial sem causa por parte da autora.

Em face do exposto, improcede inteiramente o pedido de indenização


por danos morais pleiteados pela parte autora, uma vez que em nenhum dos
argumentos elencados resta demonstrado o dano sofrido, bem como não há o nexo
de causalidade entre o suposto dano e a conduta da requerida.

Caso assim não entenda, o dano moral deve ser mensurado


de forma a atender os princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade,
pautando-se na extensão do dano, nos termos do art. 944 do Código Civil.

H – DOS JUROS DE MORA A PARTIR DO ARBITRAMENTO

Na presente ação, caso V. Excelência entenda que a requerida


praticou ato ilícito, gerando ofensa moral à parte postulante, desde já requer seja
aplicado o entendimento do STJ, no tocante à incidência de juros a contar do
respectivo arbitramento.

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No caso da indenização por Dano Moral, não há falar em aplicação da
Súmula 54/STJ. Isso porque, em tese, não houve o prejuízo aferido por violação
extracontratual ou contratual, mas somente um dano estimado ou presumido. Desta
forma, o dever de indenizar estará atrelado à decisão judicial que institui o dano e o
quantifica, pois não se poderia cogitar a sua certeza em oportunidade anterior, como
é o caso dos autos.

O dano somente foi concretizado e caracterizado por força da


sentença, do qual, em oportunidade anterior, tem-se que a empresa, até então, agiu
dentro do regular exercício do seu direito. Por corolário, não se pode afirmar que o
ofensor, no caso a requerida, estaria cometendo ato ilícito, não podendo ser exigido
juros de mora a contar do suposto evento danoso, o que afastaria de plano a hipótese
da aplicação da Súmula 54 do STJ.

Deveras, tal entendimento foi proferido pelo STJ, cuja Ministra


Isabel Galotti assim proferiu voto:

"Em se tratando de danos morais, contudo, que somente assumem


expressão patrimonial com o arbitramento de seu valor em dinheiro
na sentença de mérito (até mesmo o pedido do autor é considerado
pela jurisprudência do STJ mera estimativa, que não lhe acarretará
ônus de sucumbência, caso o valor da indenização seja bastante
inferior ao pedido, conforme a súmula 326), a ausência de seu
pagamento desde a data do ilícito não pode ser considerada como
omissão imputável ao devedor, para o efeito de tê-lo em mora, pois,
mesmo que o quisesse o devedor, não teria como satisfazer obrigação
decorrente de dano moral não traduzida em dinheiro nem por
sentença judicial, nem por arbitramento e nem por acordo (CC/1916,
art. 1.064 e cc/2002, art. 407)".

Inclusive, no tocante à correção monetária o próprio STJ já


reconheceu que deverá incidir a partir da data do arbitramento do dano moral.
Portanto, entendimento diverso em relação aos juros é um verdadeiro contrassenso,
já que a obrigação (dever de indenizar) não se constitui em dívida quando da
negativação, porquanto depende de decisão judicial para reconhecer que houve ato
ilícito praticado.

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Pelo exposto, requer sejam os juros aplicados somente a contar da
sentença que reconheceu o ato ilícito praticado pela requerida.

IV - DOS PEDIDOS

Ante o exposto, a Requerida pleiteia:

a) A IMPROCEDÊNCIA DE TODOS OS PEDIDOS


FORMULADOS NA INICIAL, haja vista se tratar de culpa única e exclusivamente
do consumidor. Caso não seja este o entendimento deste Juízo, pugna pela
condenação em valores compatíveis com os princípios da razoabilidade e
proporcionalidade;

b) Requer, ainda, que seja designada audiência de instrução e


julgamento, sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório
elencados no artigo 5º, LV, da Constituição Federal e do artigo 358 do Código de
Processo Civil;

Ao final, pugna em provas as teses aqui levantadas por todos os


meios de provas admitidos pelo direito, notadamente pelo depoimento pessoal da
parte Autora, sob pena de confissão, caso não compareça ou comparecimento se
recuse a depor, tal como suas respectivas testemunhas se foram o caso.

Termos que, pede deferimento.

Natal, 11 de September de 2020.

JOSE ALBERTO COUTO MACIEL

OAB/DF 513

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