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Aula 08

Noções de Contabilidade p/ Agente da Polícia Federal (com videoaulas)

Professores: Gabriel Rabelo, Júlio Cardozo, Luciano Rosa


Noções de Contabilidade para Agente de Polícia Federal
Teoria e exercícios comentados
Profs. Gabriel Rabelo e Luciano Rosa – Aula 08

AULA 08: PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS DO CPC

SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO ...................................................................................................................... 2
2 CPC 01 - REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS ............................................................ 3
2.1 OBJETIVO ........................................................................................................................ 3
2.2 DEFINIÇÕES..................................................................................................................... 4
2.3 PERIODICIDADE DE REALIZAÇÃO DO IMPAIRMENT TEST ....................................................... 6
2.4 IDENTIFICAÇÃO DE QUE UM ATIVO PODE ESTAR DESVALORIZADO ........................................ 8
2.5 MENSURAÇÃO DO VALOR RECUPERÁVEL ............................................................................. 9
2.5.1 VALOR JUSTO LÍQUIDO DE DESPESAS DE VENDA ....................................................... 9
2.5.2 VALOR DE USO ....................................................................................................... 9
2.6 RECONHECIMENTO DA PERDA POR DESVALORIZAÇÃO ........................................................ 10
2.7 REVERSÃO DA PERDA POR DESVALORIZAÇÃO .................................................................... 10
3 CPC 04 - ATIVO INTANGÍVEL (REVISÃO 1) ............................................................................... 13
3.1 DEFINIÇÕES................................................................................................................... 14
3.2 ATIVO INTANGÍVEL ......................................................................................................... 14
3.2.1 IDENTIFICAÇÃO ................................................................................................... 16
3.2.2 CONTROLE ........................................................................................................... 16
3.2.3 BENEFÍCIO ECONÔMICO FUTURO ........................................................................... 17
3.3 RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO .................................................................................. 17
3.4 FUNDO DE COMÉRCIO – GOODWILL GERADO INTERNAMENTE. ............................................ 17
3.5 ATIVO INTANGÍVEL GERADO INTERNAMENTE ..................................................................... 18
3.5.1 FASE DE PESQUISA............................................................................................... 18
3.5.2 FASE DE DESENVOLVIMENTO ................................................................................. 19
3.5.3 CUSTO DE ATIVO INTANGÍVEL GERADO INTERNAMENTE ........................................... 20
3.6 VIDA ÚTIL ...................................................................................................................... 20
4 CPC 07 – SUBVENçÃO E ASSISTÊNCIA GOVERNAMENTAL .......................................................... 20
4.1 DEFINIÇÕES................................................................................................................... 21
4.2 RECONHECIMENTO DA SUBVENÇÃO .................................................................................. 21
4.3 CONTABILIZAÇÃO ........................................................................................................... 22
5 CPC 12 – AJUSTE A VALOR PRESENTE ..................................................................................... 24
5.1 ALCANCE ....................................................................................................................... 25
5.2 MENSURAÇÃO ................................................................................................................ 25
5.3 DIRETRIZES MAIS ESPECÍFICAS ....................................................................................... 26
6 CPC 23 – POLÍTICAS CONTÁBEIS, MUDANÇA DE ESTIMATIVA E RETIFICAÇÃO DE ERRO ................ 29
7 CPC 25 - PROVISÕES............................................................................................................. 32
8 PROVISÃO E OUTROS PASSIVOS ............................................................................................ 33
9 CPC 26 – APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ................................................... 37
9.1 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO ABRANGENTE ................................................................. 37
10 CPC 28 – PROPRIEDADES PARA INVESTIMENTO ..................................................................... 40
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10.1 RECONHECIMENTO DE UMA PROPRIEDADE PARA INVESTIMENTO...................................... 43


10.2 MENSURAÇÃO NO RECONHECIMENTO ............................................................................ 44
10.3 MENSURAÇÃO APÓS O RECONHECIMENTO INICIAL ......................................................... 44
10.3.1 MÉTODO DO VALOR JUSTO .................................................................................... 45
10.3.2 MÉTODO DO CUSTO .............................................................................................. 46
10.4 TRANSFERÊNCIA ......................................................................................................... 47
10.5 ALIENAÇÃO................................................................................................................. 47
10.6 DIVULGAÇÃO .............................................................................................................. 47
11 CPC 31 - ATIVO NÃO CIRCULANTE MANTIDO PARA VENDA E OPERAÇÃO DESCONTINUADA ......... 48
11.1 OBJETIVO ................................................................................................................... 48
11.2 ALCANCE ....................................................................................................................... 48
11.3 DEFINIÇÕES ............................................................................................................... 49
11.4 CLASSIFICAÇÃO DE ATIVO NÃO CIRCULANTE COMO MANTIDO PARA VENDA ...................... 50
11.5 MENSURAÇÃO DE ATIVO NÃO CIRCULANTE CLASSIFICADO COMO MANTIDO PARA VENDA ... 51
11.6 APRESENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO .................................................................................... 54
11.7 APRESENTAÇÃO DE OPERAÇÃO DESCONTINUADA ........................................................... 54
11.8 APRESENTAÇÃO DE OPERAÇÕES DESCONTINUADAS NA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO .. 59
12 CPC 24 - EVENTOS SUBSEQUENTES ..................................................................................... 60

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12.1 OBJETIVO ................................................................................................................... 60


12.2 DEFINIÇÕES ............................................................................................................... 60
12.3 DATA DA CONCLUSÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS............................................ 61
12.4 QUANDO EFETUAR AJUSTES ......................................................................................... 62
12.5 QUANDO NÃO EFETUAR AJUSTES .................................................................................. 63
12.6 DIVIDENDOS .............................................................................................................. 64
12.7 DIVULGAÇÕES NECESSÁRIAS EM NOTAS EXPLICATIVAS .................................................. 64
13 RESUMOS DESTA AULA ....................................................................................................... 66
13.1 RESUMO – TESTE DE RECUPERABILIDADE ...................................................................... 66
13.2 RESUMO – INTANGÍVEL ................................................................................................ 68
13.3 RESUMO – SUBVENÇÃO E ASSISTÊNCIA GOVERNAMENTAL. ............................................. 69
13.4 RESUMO – AJUSTE A VALOR PRESENTE .......................................................................... 69
13.5 RESUMO – POLÍTICAS CONTÁBEIS, MUDANÇA DE ESTIMATIVA E RETIFICAÇÃO DE ERRO. ... 70
13.6 RESUMO – PROVISÕES ................................................................................................ 71
13.7 RESUMO – PROPRIEDADE PARA INVESTIMENTO .............................................................. 72
13.8 RESUMO – EVENTOS SUBSEQUENTES ........................................................................... 72
14 QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................... 75
15 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ................................................................................. 98
16 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ........................................................ 104

1 APRESENTAÇÃO

Olá, meus amigos. Como estão?!

É com um imenso prazer que estamos aqui, para mais uma aula de Noções de
Contabilidade para o concurso de Agente de Polícia Federal.

Chegamos em um momento crucial do curso. Estudaremos agora os chamados


Pronunciamentos Contábeis, que estão sendo maciçamente cobrados em
provas de concurso.

De uma forma geral, qualquer item de qualquer CPC poderá ser questionado
(quase 50 ao todo, com uma média de 50 páginas cada). Ou seja, para um
concurseiro humano, seria extremamente dificultoso estudar todo o conteúdo
destes regulamentos, que estariam envoltos em torno de 2.500 páginas.
Convenhamos que até para nós, que ministramos diariamente por horas esta
disciplina, seria uma tarefa muito difícil.
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Mas, aqui, daremos o pulo-do-gato. Como? Simples, iremos passar de cada um


dos principais Pronunciamentos apenas aqueles aspectos que vão cair em
prova, com, digamos, 70% de chance. Poxa, professor, e os outros 30%? Os
outros 30% não compensa estudar, pois não apresentam boa relação custo-
benefício.

É isso! Vamos começar a nossa batalha?! Forte abraço!

Gabriel Rabelo/Luciano Rosa.

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2 CPC 01 - REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS

A redução ao valor recuperável de ativos aplica-se aos ativos imobilizados e


intangíveis. Na Lei 6.404/76, a sua previsão consta do artigo 183, parágrafo
terceiro.

Art. 183. § 3o A companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a


recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível, a fim de que
sejam: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

I – registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de


interromper os empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou quando
comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação
desse valor; ou (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007)
II – revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil
econômica estimada e para cálculo da depreciação, exaustão e amortização.
(Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007)

Nos Pronunciamentos Contábeis, a redução ao valor recuperável de ativos, ou


teste de recuperabilidade, está prevista no CPC 01. Este é, indubitavelmente,
um dos Pronunciamentos Contábeis mais cobrados em concursos. Estudemos
seus aspectos mais importantes para concursos.

2.1 OBJETIVO

1. O objetivo deste Pronunciamento Técnico é estabelecer procedimentos que a


entidade deve aplicar para assegurar que seus ativos estejam registrados
contabilmente por valor que não exceda seus valores de recuperação. Um
ativo está registrado contabilmente por valor que excede seu valor de
recuperação se o seu valor contábil exceder o montante a ser
recuperado pelo uso ou pela venda do ativo. Se esse for o caso, o ativo é
caracterizado como sujeito ao reconhecimento de perdas, e o Pronunciamento
Técnico requer que a entidade reconheça um ajuste para perdas por
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desvalorização. O Pronunciamento Técnico também especifica quando a


entidade deve reverter um ajuste para perdas por desvalorização e estabelece
as divulgações requeridas.

O teste de recuperabilidade (também conhecido por “impairment test”) tem


como finalidade principal apresentar o valor real pelo qual um ativo será
realizado. Essa realização poderá ser feita tanto pela venda do bem, quanto
pela sua utilização nas atividades empresariais. Vejam que a norma fala em:
assegurar que seus ativos estejam registrados contabilmente por valor
que não exceda seus valores de recuperação.

Se Valor Contábil > Valor Recuperável  Teste de Recuperabilidade

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2.2 DEFINIÇÕES

A seguir, uma série de definições previstas no CPC 01


que são extremamente importantes para a prova!
Temos de saber, a fim de conseguirmos realizar os
cálculos do valor recuperável!

Valor recuperável de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa é o


maior (repita-se: maior) valor entre o valor líquido de venda de um ativo e seu
valor em uso.

É simples! Inicialmente faremos alguns cálculos e análises para achar o valor


líquido de venda de um ativo e, também, o seu valor em uso. Após, o maior,
dentre esses dois valores, será utilizado como valor recuperável.

Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados que


devam advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa.

Para achar o valor em uso, temos de conhecer as receitas que serão esperadas
pela utilização do ativo. Desse valor subtraímos todos os custos que estejam
relacionados às receitas.

Por exemplo, uma máquina gerará, em sua vida útil, receitas de R$


1.000.000,00, com custos esperados de R$ 400.000,00. O seu valor em uso
será, grosso modo, no montante de R$ 600.000,00 (1 milhão – 400.000,00).

Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria
pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre
participantes do mercado na data de mensuração.

Em suma: é o valor acertado pelas partes para a negociação do bem, diminuído


de gastos como frete, montagem, etc.

Não se incluem nas despesas de venda as despesas financeiras e de


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impostos sobre o resultado gerado. Veja que a norma diz impostos sobre o
resultado gerado. Os impostos e taxas sobre a venda são considerados
normalmente.

Como exemplo, se a mesma máquina citada acima pudesse ser vendida pelo
valor de R$ 600.000,00, com despesas de venda no valor de R$ 200.000,00. O
valor líquido de venda seria neste caso de R$ 400.000,00 (600.000 – 200.000).

Voltando ao conceito de valor recuperável, podemos dizer que, após realizado


os passos acima, devemos proceder da seguinte forma para encontrá-lo:

1) Qual o valor de uso? R$ 600.000,00.


2) Qual o valor líquido de venda? R$ 400.000,00.

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3) Conhecidos os dois dados indagamos: Qual o valor recuperável? Exato! R$


600.000,00, que é o maior entre o valor de uso e o valor líquido de venda.
Entenderam? Esses conceitos são importantíssimos para a prova.

Perda por desvalorização é o montante pelo qual o valor contábil de um


ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável.

Veja que o conceito diz que o valor contábil excede o valor recuperável.
Valor Contábil é o valor pelo qual um ativo está reconhecido no balanço depois
da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão
acumulada e provisão para perdas.

Podemos inferir dessa leitura que temos de comparar os dois valores, o


contábil e o recuperável, para achar a perda. No exemplo acima, se o valor
contábil do bem fosse R$ 800.000,00, qual seria a perda por desvalorização?
Basta subtrairmos dos R$ 800.000,00 o valor recuperável, de R$ 600.000,00.
Achamos o valor de R$ 200.000,00. É essa a nossa perda!

Essa perda será registrada da seguinte forma:

D – Outras Despesas – Perda com desvalorização de ativo 200.000,00


C – Provisão para perda com desvalorização de ativo 200.000,00

Ao revés, se o valor de realização do ativo é maior que o seu valor contábil,


nenhum registro há que ser feito, em homenagem ao princípio contábil da
prudência.

Importante para concursos:

Valor Contábil > Valor Recuperável  Reconhece-se uma perda por


desvalorização.
Valor Recuperável > Valor Contábil  Nada há de ser feito.

Vamos resumir tudo o que foi dito acima. 10556374274

1º) Encontramos o valor contábil do ativo: Valor de


aquisição – despesa de depreciação ou amortização ou
exaustão – perda por recuperabilidade anteriores.
2º) Encontramos o valor recuperável: o valor recuperável é o maior entre o
valor em uso e o valor justo líquido de despesa de venda. Portanto, fazemos os
cálculos destes valores.
3º) Comparamos o valor contábil com o valor recuperável: se o valor
contábil é maior do que o valor recuperável, vamos lançar uma perda por
desvalorização. Se o valor recuperável é maior que o valor contábil, não
fazemos nada, em homenagem ao princípio da prudência.

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2.3 PERIODICIDADE DE REALIZAÇÃO DO IMPAIRMENT TEST

A entidade deve avaliar ao fim de cada período de reporte se há alguma


indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se houver alguma
indicação, a entidade deve estimar o valor recuperável do ativo.

Em síntese, funciona assim:

Para os ativos em geral (como os imobilizados), a empresa deve verificar se


há indícios de desvalorização no final do período de reporte (exercício social).

Havendo indícios, a empresa faz uma estimativa formal da recuperabilidade.


Não havendo, esta estimativa formal está dispensada.

Todavia, existem três ativos que devem ser avaliados formalmente, ainda que
não haja indícios de perda. São eles:

- Goodwill
- Intangível com vida indefinida
- Intangível que ainda não está em uso.

Mas, professores, por que essas exceções à regra? A explicação é simples.

Os ativos em geral, como os imobilizados, por exemplo, têm reduções em seus


valores ao longo do tempo. Então, mesmo que um ativo imobilizado esteja
avaliado contabilmente por um valor superior ao seu valor recuperável, a
redução em seu valor com o decurso de sua vida útil, gerada, por exemplo, pela
depreciação, vai acabar por diminuir o seu valor contábil, o que atenua esse
registro contábil por valor superior ao recuperável.

Ao revés, o goodwill, o intangível com vida útil indefinida e o ativo intangível


são ativos que têm a característica comum de não sofrer amortização. Isto é, o
seus valores não diminuem com o curso do tempo, como ocorre com os outros
ativos que têm amortização, depreciação, exaustão, etc.
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Com efeito, caso o registro destes três tipos de ativos estejam por valores
superiores aos seus valores recuperáveis, permaneceriam assim caso nenhuma
providência fosse tomada.

Por este motivo o CFC/CPC dispensou atenção maior a estes ativos, dispondo:

10. Independentemente de existir, ou não, qualquer indicação de redução ao


valor recuperável, a entidade deve:

(a) testar, no mínimo anualmente, a redução ao valor recuperável de um ativo


intangível com vida útil indefinida ou de um ativo intangível ainda não
disponível para uso, comparando o seu valor contábil com seu valor

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recuperável. Esse teste de redução ao valor recuperável pode ser executado a


qualquer momento no período de um ano, desde que seja executado, todo ano,
no mesmo período. Ativos intangíveis diferentes podem ter o valor recuperável
testado em períodos diferentes. Entretanto, se tais ativos intangíveis foram
inicialmente reconhecidos durante o ano corrente, devem ter a redução ao valor
recuperável testada antes do fim do ano corrente; e

(b) testar, anualmente, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura


(goodwill) em combinação de negócios, de acordo com os itens 80 a 99.

Uma explicação sobre os intangíveis. São ativos intangíveis os direitos que


tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia
ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. Para
que uma entidade reconheça um ativo intangível ele deve atender
conjuntamente a três critérios:

1) Ser separável;
2) Ser proveniente de direitos contratuais ou legais;
3) Ter o seu valor determinado com segurança. Atendendo-se aos critérios de
reconhecimento pode-se passar a mensuração do ativo intangível.

Existem dois métodos distintos para a mensuração do ativo intangível trazidos


pelo CPC 04, Método de Custo e Método de Reavaliação, a saber:

Método de Custo: Posteriormente ao reconhecimento inicial o ativo intangível


deve ser apresentado ao custo, menos a amortização acumulada e a perda
acumulada (se houver).

Método de reavaliação: Após o reconhecimento, se permitido legalmente, um


ativo intangível pode ser apresentado pelo seu valor reavaliado, correspondente
ao valor justo na data da reavaliação.

Apesar do CPC 04 trazer as duas definições, ressaltamos que a contabilização


pela reavaliação não mais existe no ordenamento pátrio, portanto, não deve ser
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aplicada nas demonstrações contábeis.

Após a mensuração, a Cia deverá avaliar se se trata de um ativo intangível de


vida útil indefinida ou definida. Para os ativos intangíveis de vida útil
indefinida a amortização torna-se proibida, afinal, não temos um prazo para
calcular, não saberemos apurar a amortização senão de forma arbitrária (como
utilizamos para achar o valor de depreciação no imobilizado, exemplo: 10 anos
de depreciação sem valor residual = 10% ao ano).

Contudo, falar que um ativo intangível tem vida útil indefinida não significa
dizer que ele tenha vida útil infinita, eterna. Esses ativos estarão sujeitos à
análise de impairment anual.

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Já para os intangíveis de vida útil determinada mantém-se a prática de alocar


seu custo de aquisição ao resultado com base no período determinado e se
houver meios de determinar o valor residual para fins de amortização este
deverá ser utilizado.

Frequência para realização do teste de recuperabilidade


Se houver evidência, ao término do período de
Ativos em geral
reporte
Goodwill
Ao término do exercício social, ainda que não haja
Intangível com vida útil indefinida
indícios de perda
Intangível que ainda não está em uso

2.4 IDENTIFICAÇÃO DE QUE UM ATIVO PODE ESTAR DESVALORIZADO

Como dito, a desvalorização se dá quando o valor contábil excede o valor


recuperável. A entidade deve avaliar ao fim de cada período de reporte se
há alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se
houver alguma indicação, a entidade deve fazer uma estimativa formal do
valor recuperável do ativo. Não havendo indícios dessa desvalorização,
dispensada está essa estimativa formal.

Mas como as empresas avaliam se o ativo está ou não desvalorizado? Quais


seriam os fatores que indicam? Bem, a Resolução do CFC trouxe alguns
indicadores, não exaustivos, ou seja, sem prejuízo de outros apurados, que
podem ser tanto internos quanto externos. São eles:

Indicadores Externos

1) O valor do ativo no mercado diminuiu mais do que deveria diminuir em


situações normais.
2) Mudanças nos mercado, como, por exemplo, ambiente tecnológico.
Exemplo: As empresas que fabricavam apenas videocassetes, quando do
surgimento dos DVDs players.
3) As taxas de juros ou outras taxas do mercado aumentaram
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demasiadamente. Esse aumento pode provocar a diminuição do valor de uso,


como se verá adiante, quando fizermos cálculos mais aprofundados na matéria.
4) O valor contábil do patrimônio líquido da entidade é maior do que o valor
de suas ações no mercado.

Indicadores Internos

1) Evidência de dano físico no ativo.


2) Mudanças significativas na entidade, por exemplo, a chegada de uma
nova tecnologia, que faz com que uma máquina antiga tenha sua utilização
diminuída.
3) Relatório interno, que indique que o desempenho econômico de um ativo
é ou será pior que o esperado.

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Se, depois de feita a estimativa formal para um ativo intangível, houver


razoável certeza de que o valor recuperável é maior do que o valor contábil,
não há necessidade de se proceder à nova avaliação nos períodos que se
seguem, se não houver vestígios de mudança neste cenário ou se o valor
recuperável deste ativo for pouco elástico em relação a mudanças no ambiente.

Se houver uma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização, isso
pode indicar que a vida útil remanescente, o método de depreciação,
amortização e exaustão ou o valor residual para o ativo necessitem ser
revisados e ajustados, mesmo que os cálculos posteriormente indiquem não ser
necessário reconhecer uma desvalorização para o ativo.

2.5 MENSURAÇÃO DO VALOR RECUPERÁVEL

Lembremo-nos:

Valor Recuperável  Maior valor entre: a) valor líquido de despesas de venda;


b) valor de uso.

2.5.1 VALOR JUSTO LÍQUIDO DE DESPESAS DE VENDA

28. As despesas com a baixa, exceto as que já foram reconhecidas como


passivo, devem ser deduzidas ao se mensurar o valor justo líquido de despesas
de alienação. Exemplos desses tipos de despesas são as despesas legais,
tributos, despesas com a remoção do ativo e gastos diretos incrementais para
deixar o ativo em condição de venda. Entretanto, as despesas com demissão de
empregados e as associadas à redução ou reorganização de um negócio em
seguida à baixa de um ativo não são despesas incrementais para baixa do
ativo. (Alterado pela Revisão CPC 03).

2.5.2 VALOR DE USO

O valor de uso de um ativo é o valor de caixa gerado – na verdade, é o valor


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que se espera gerar - pela utilização do bem em sua vida útil ajustado a valor
presente por uma taxa de desconto.

Se o uso de um ativo em separado não criar, por si só,


entradas de caixa independentes de outros ativos, o
procedimento deve ser realizado em relação ao grupo de
ativos (ao qual o ativo em comento pertença), cujo uso gere
caixa, de forma independente dos demais ativos, esse grupo de ativos é
denominado unidade geradora de caixa.

A estimativa do valor em uso de um ativo envolve os seguintes passos:

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(a) estimar futuras entradas e saídas de caixa decorrentes de uso contínuo do


ativo e de sua baixa final; e
(b) aplicar taxa de desconto adequada a esses fluxos de caixa futuros.

As estimativas de fluxos de caixa para se achar o valor de uso devem ser


razoáveis, com análise econômica mais profunda sobre o ambiente externo. A
análise do fluxo de caixa também deve se basear em políticas mais recentes
adotadas pela empresa e abranger um período máximo de 5 anos adiante
(salvo se se justificar período mais longo).

Exemplo: Supondo que estamos no ano de X0 e que se espera que um ativo


gere receitas para os anos de X1 e X2 no valor de $ 100.000,00, ao final de
cada ano. Qual será o valor de uso, supondo uma taxa de desconto de 10%?

Resposta: O valor de uso será encontrado através da seguinte fórmula:

Valor de uso: (Receita Esperada em n/(1+i)^n.)

Logo, o nosso valor de uso na questão será: 100.000/1,1^1 + 100.000/1,1^2


= 90.909,10 + 82.644,60 = $ 173.553,70.

2.6 RECONHECIMENTO DA PERDA POR DESVALORIZAÇÃO

Segundo o CPC 01:

60. A perda por desvalorização do ativo deve ser reconhecida imediatamente na


demonstração do resultado, a menos que o ativo tenha sido reavaliado.
Qualquer desvalorização de ativo reavaliado deve ser tratada como diminuição
do saldo da reavaliação.

Com efeito, a perda por desvalorização é reconhecida no resultado. Todavia, se


o ativo tiver sido reavaliado, vamos diminuir o valor da reserva de reavaliação.
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Lançamento:

D – Despesa com redução ao valor recuperável ou reserva de reavaliação


C – Ajuste para redução ao valor recuperável de ativo (redutora ativo)

2.7 REVERSÃO DA PERDA POR DESVALORIZAÇÃO

A entidade deve avaliar, ao término de cada período de reporte, se há alguma


indicação de que a perda por desvalorização reconhecida em períodos
anteriores para um ativo, exceto o ágio por expectativa de rentabilidade futura
(goodwill), possa não mais existir ou ter diminuído. Se existir alguma indicação,
a entidade deve estimar o valor recuperável desse ativo.

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Ou seja, haverá uma suspeita de que após a avaliação da perda, noutro


exercício, ela deixara de existir ou possa ter diminuído. Procederemos, neste
caso, à estimativa do valor recuperável do ativo.

Ao avaliar se há alguma indicação de que uma perda por desvalorização,


reconhecida em períodos anteriores para um ativo, possa ter diminuído ou
possa não mais existir, a entidade deve considerar, no mínimo, as seguintes
indicações:

Fontes externas de informação

(a) o valor de mercado do ativo tenha aumentado significativamente durante o


período;
(b) mudanças significativas, com efeito favorável sobre a entidade, tenham
ocorrido durante o período, ou ocorrerão em futuro próximo, no ambiente
tecnológico, de mercado, econômico ou legal no qual ela opera ou no mercado
para o qual o ativo é destinado;
(c) as taxas de juros de mercado ou outras taxas de mercado de retorno sobre
investimentos tenham diminuído durante o período, e essas diminuições
possivelmente tenham afetado a taxa de desconto utilizada no cálculo do valor
em uso do ativo e aumentado seu valor recuperável materialmente;

Fontes internas de informação

(d) mudanças significativas, com efeito favorável sobre a entidade, tenham


ocorrido durante o período, ou se espera que ocorram em futuro próximo, na
extensão ou na maneira por meio da qual o ativo é utilizado ou se espera que
seja utilizado. Essas mudanças incluem custos incorridos durante o período para
melhorar ou aprimorar o desempenho do ativo ou para reestruturar a operação
à qual o ativo pertence;
(e) há evidência disponível advinda dos relatórios internos que indica que o
desempenho econômico do ativo é ou será melhor do que o esperado.

Vejam que são todos indicadores contrários àqueles que utilizamos para
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apreciar a desvalorização do ativo. Lá, falávamos que a taxa de juros subiu,


aqui, falamos que ela caiu. Lá, falávamos que o relatório indicava desempenho
pior que o esperado. Aqui, o desempenho se saiu melhor que o esperado, e
assim por diante.

Se houver indicação de que uma desvalorização reconhecida para um ativo


pode vir a não mais existir ou tenha diminuído, isso pode indicar que a vida útil
remanescente, o método de depreciação, amortização ou exaustão ou o valor
residual podem requerer revisão e ajustes, mesmo se não houver reversão
da perda por desvalorização para o ativo.

Segundo a norma, a perda por desvalorização reconhecida em anos anteriores


para um ativo, exceto o ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura,

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só será revertida se existiu uma mudança nas estimativas usadas para


determinar o seu valor recuperável após a data em que a última desvalorização
foi reconhecida. Se esse for o caso, o valor contábil do ativo deve ser
aumentado, aumento este que ocorrerá pela reversão da perda por
desvalorização.

Exemplificando. Um ativo tinha valor contábil de R$ 100.000,00. Em 31.12.X1


ficou claro que a entidade não conseguiria recuperar o valor, pois o valor em
uso estimado era de R$ 80.000,00, e o valor justo líquido de despesa de venda
era de R$ 70.000,00. Faremos uma redução para R$ 80.000,00 (o maior dos
dois). O motivo da desvalorização foi a entrada de um novo concorrente no
mercado. Esperava-se que a nova tecnologia torna-se obsoleta os produtos
fabricados pelo ativo. Todavia, passado um ano, a nova tecnologia não teve
confirmação do mercado e estimou-se que a empresa conseguiria recuperar R$
90.000,00. Deste modo, procederemos à reversão do valor recuperável. Obs:
desconsideramos a depreciação, somente para fins didáticos.

A reversão da perda por desvalorização não pode resultar em elevação


do valor contábil do ativo acima do valor original. Qualquer aumento no
valor contábil de um ativo acima do seu valor contábil que seria determinado,
líquido de depreciação, amortização ou exaustão, caso não tivesse sido
reconhecida, em anos anteriores, a perda por sua desvalorização, é considerado
uma reavaliação, procedimento extinto pela Lei 11.638/2007.

A reversão será reconhecida no resultado (como


receita) ou como reversão da reserva de reavaliação,
se o ativo tiver sido reavaliado.

Após reconhecer a reversão da perda com desvalorização, a despesa de


depreciação, amortização ou exaustão para o ativo deve ser ajustada em
períodos futuros, para apropriar o valor contábil revisado do ativo menos, se
aplicável, seu valor residual, em base sistemática sobre sua vida útil
remanescente.
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Exemplo. Ativo X.

Valor contábil em X1: 100.000,00


Valor recuperável em X1: 80.000,00
Redução em X1: 20.000,00 (ficará no balanço com valor de R$ 80.000,00)

Balanço patrimonial

Ativo X 100.000,00
(-) Ajuste ao valor recuperável (20.000,00)
Valor contábil 80.000,00

O lançamento para registar a perda foi:

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D – Despesa com ajuste ao valor recuperável de ativos (despesa) 20.000


C – Ajuste ao valor recuperável – ativo x (redutora do ativo) 20.000

Em X2, houve reversão desta desvalorização, pois as causas que ensejaram a


diminuição deixaram de existir. O ativo deverá ficar com o valor contábil de R$
90.000,00. O lançamento será:

D – Ajuste ao valor recuperável – ativo x (redutora do ativo) 10.000


C – Reversão do ajuste ao valor recuperável (receita) 10.000

No balanço, ficará assim:

Ativo X 100.000,00
(-) Ajuste ao valor recuperável (10.000,00)
Valor contábil 90.000,00

Se o ativo era reavaliado, isto é, tinha uma reserva de reavaliação anterior


reconhecida, a reversão da perda será feita contra a reversão da reserva de
reavaliação.

D – Ajuste ao valor recuperável – ativo x (redutora do ativo) 10.000


C – Reversão da reserva de reavaliação (PL) 10.000

Sobre o CPC 01 era isso que tínhamos a tratar. Vejamos agora o resumo e
depois vamos a outro tema...

3 CPC 04 - ATIVO INTANGÍVEL (REVISÃO 1)

O que são ativos intangíveis? São aqueles ativos que não têm existência
física. Como exemplos de intangíveis, temos os direitos de exploração de
serviços públicos mediante concessão ou permissão do Poder Público, marcas e
patentes, fundo de comércio adquirido.
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Vamos tratar agora dos principais aspectos contidos no CPC 04, com ênfase nos
aspectos com maior probabilidade de cobrança em provas.

A Resolução do Intangível só é válida se outra norma mais específica não tratar


do tema. Além disso, para se reconhecer um intangível, alguns critérios
(estudados adiante) devem ser atendidos. Sempre que houver uma norma
específica tratando sobre determinado ativo intangível, prevalecerá o
conteúdo da norma específica.

Alguns ativos intangíveis podem estar contidos em


elementos que possuem substância física, como um disco
(como no caso de software), documentação jurídica (no
caso de licença ou patente) ou em um filme. Para saber se

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um ativo que contém elementos intangíveis e tangíveis deve ser tratado como
ativo imobilizado ou como ativo intangível a entidade avalia qual elemento é
mais significativo. Por exemplo, um software de uma máquina-ferramenta
controlada por computador que não funciona sem esse software específico é
parte integrante do referido equipamento, devendo ser tratado como ativo
imobilizado. O mesmo se aplica ao sistema operacional de um computador.

Quando o software não é parte integrante do respectivo hardware, ele deve ser
tratado como ativo intangível.

O CPC 04 aplica-se a gastos com propaganda, marcas, patentes,


treinamento, início das operações (também denominados pré-
operacionais) e atividades de pesquisa e desenvolvimento.

3.1 DEFINIÇÕES

O CFC trouxe algumas definições que podem ser objeto de cobrança em


concurso. Vejamos as principais:

- Amortização é a alocação sistemática do valor amortizável de ativo


intangível ao longo da sua vida útil.

Assim como ocorre com a depreciação, a contabilização da amortização dos


bens do intangível também é registrada a débito de uma conta de despesa em
contrapartida a uma conta retificadora do ativo:

D – Despesa com amortização


C – Amortização acumulada

- Valor amortizável é o custo de um ativo ou outro valor que substitua o


custo, menos o seu valor residual.

Importantíssimo: Ativo intangível é um ativo não monetário


identificável sem substância física. 10556374274

- Valor residual de um ativo intangível é o valor estimado que uma entidade


obteria com a venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda,
caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida
útil.

3.2 ATIVO INTANGÍVEL

Exemplos de itens que se enquadram nessas categorias amplas são: softwares,


patentes, direitos autorais, direitos sobre filmes cinematográficos, listas de
clientes, direitos sobre hipotecas, licenças de pesca, quotas de importação,
franquias, relacionamentos com clientes ou fornecedores, fidelidade de clientes,
participação no mercado e direitos de comercialização.

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Segundo o CPC, três são as condições para que os itens acima sejam
considerados ativos intangíveis, a saber:

Identificável
Ativo
Intangível
Controlável

Gerador de Benefícios
Em suma, é isto o que vocês precisam saber: um item será
Econômicos Futuros
intangível quando atenda esses três requisitos
cumulativamente: seja identificável; seja controlável;
seja gerador de benefícios futuros.

Por exemplo, um cursinho está sendo vendido. Junto dele há uma lista de 1.000
alunos que a entidade considera como clientela fiel. Essa clientela será
considerada intangível? Analisemos. É identificável? Sim! São 1.000 alunos.
Gera benefícios futuros? Sim! Gera receitas para a empresa, através do
pagamento de mensalidades e matrículas. É controlável? Não. Não é
controlável. Logo, podemos concluir que não devemos considerar como
intangível.

Nem todos os itens descritos no item anterior (softwares, patentes, etc) se


enquadram na definição de ativo intangível, ou seja, são identificáveis,
controláveis e geradores de benefícios econômicos futuros.

Atenção! Caso um item abrangido pelo presente CPC não atenda à definição de
ativo intangível, o gasto incorrido na sua aquisição ou geração interna deve ser
reconhecido como despesa quando incorrido. No entanto, se o item for
adquirido em uma combinação de negócios, passa a fazer parte do ágio
derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) reconhecido na data
da aquisição.
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O ágio por expectativa de rentabilidade futura é o excesso de preço pago pela


compra de um empreendimento ou patrimônio sobre o valor de mercado de
seus ativos líquidos.

Vejamos um exemplo. Suponha que uma empresa seja avaliada pelo valor de
mercado em $ 100.000. Todavia, um comprador, interessado no negócio,
examinando a situação da empresa resolve pagar $ 120.000. Nesta situação
temos um goodwill de $ 20.000. Não podemos identificar individualmente os
itens que compõem este ágio. O ágio, neste caso, pode ser considerado como o
somatório de vários itens não identificáveis como, por exemplo, capital
intelectual, marca, tecnologia, lealdade dos clientes.

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Gravem para a prova! É esta a diferença entre o intangível e o ágio de


expectativa futura: o intangível pode ser reconhecido individualmente,
o ágio não.

Vejam se ficou mais fácil compreender o texto abaixo:

3.2.1 IDENTIFICAÇÃO

11. A definição de ativo intangível requer que ele seja identificável, para
diferenciá-lo do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill).
O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) reconhecido
em uma combinação de negócios é um ativo que representa benefícios
econômicos futuros gerados por outros ativos adquiridos em uma combinação
de negócios, que não são identificados individualmente e reconhecidos
separadamente.

É só lembrar o exemplo da compra de uma sociedade empresária no seu todo


citado acima que a compreensão fica facílima. Os ativos em sinergia valorizam
a sociedade como um todo, sendo que individualmente falando não
chegaríamos a este valor. Para quem estuda direito empresarial, este é o
chamado aviamento.

12. Um ativo satisfaz o critério de identificação, em termos de definição de


um ativo intangível, quando:

(a) for separável, ou seja, puder ser separado da entidade e vendido,


transferido, licenciado, alugado ou trocado, individualmente ou junto com um
contrato, ativo ou passivo relacionado, independente da intenção de uso pela
entidade; (Obs: Podemos novamente citar como exemplo a aquisição de um
software)
(b) resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais,
independentemente de tais direitos serem transferíveis ou separáveis da
entidade ou de outros direitos e obrigações. (Obs: Podemos citar como exemplo
uma licença de pesca). 10556374274

Ativo é identificável quando:

- For separável.
- Resultar de contrato ou direito legal.

3.2.2 CONTROLE

13. A entidade controla um ativo quando detém o poder de obter benefícios


econômicos futuros gerados pelo recurso subjacente e de restringir o acesso de
terceiros a esses benefícios. Normalmente, a capacidade da entidade de
controlar os benefícios econômicos futuros de ativo intangível advém de
direitos legais que possam ser exercidos num tribunal. A ausência de

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direitos legais dificulta a comprovação do controle. No entanto, a imposição


legal de um direito não é uma condição imprescindível para o controle, visto
que a entidade pode controlar benefícios econômicos futuros de outra forma.

Vejam que, em regra, o controle de um ativo é comprovado pelo exercício do


seu direito em um tribunal.

Como exemplo, uma sociedade tem direito à utilização exclusiva de uma marca
X, muito conhecida no cenário nacional. Assim, caso um terceiro queira lograr
proveito desta condição, lançando no mercado produtos de mesmo nome, o
prejudicado poderá requerer o quê de direito em um tribunal. A simples
possibilidade de poder se valer do juízo para persecução de direitos, comprova
que a sociedade exerce o controle sob o ativo.

3.2.3 BENEFÍCIO ECONÔMICO FUTURO

17. Os benefícios econômicos futuros gerados por ativo intangível podem incluir
a receita da venda de produtos ou serviços, redução de custos ou outros
benefícios resultantes do uso do ativo pela entidade. Por exemplo, o uso da
propriedade intelectual em um processo de produção pode reduzir os custos de
produção futuros em vez de aumentar as receitas futuras.

Portanto, repita-se! O benefício econômico futuro não inclui apenas as


receitas. Podem incluir a redução de custos ou consistir em outros benefícios
para a entidade.

3.3 RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO

Importante

Um intangível será reconhecido se, cumulativamente, atender aos seguintes


critérios:

- Atender ao conceito de intangível, ou seja, ser não monetário identificável


10556374274

sem substância física;


- Ser identificável, controlável e gerar benefícios futuros.

Atenção  O exposto acima é aplicável a custos incorridos inicialmente para


adquirir (comprar) ou gerar internamente um ativo intangível e aos custos
incorridos posteriormente para acrescentar algo, substituir parte ou recolocá-lo
em condições de uso.

Importantíssimo: um ativo intangível deve ser


reconhecido inicialmente ao custo.

3.4 FUNDO DE COMÉRCIO – GOODWILL GERADO INTERNAMENTE.

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O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill)


gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo (item 48). Em
alguns casos incorre-se em gastos para gerar benefícios econômicos futuros,
mas que não resultam na criação de um ativo intangível que se enquadre nos
critérios de reconhecimento estabelecidos. Esses gastos costumam ser descritos
como contribuições para o ágio (goodwill) gerado internamente, o qual não é
reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é
separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais)
controlado pela entidade que pode ser mensurado com segurança ao custo.

50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu


patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores
que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam
o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade.

3.5 ATIVO INTANGÍVEL GERADO INTERNAMENTE

Por vezes é difícil avaliar se um ativo intangível gerado internamente se


qualifica para reconhecimento, devido às dificuldades para, por exemplo,
avaliar se o ativo gerará benefícios futuros, ou para determinar seu custo com
segurança.

Lembrem-se do que diz o item 21:

21.Um ativo intangível deve ser reconhecido apenas se:

(a) for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao


ativo serão gerados em favor da entidade; e
(b) o custo do ativo possa ser mensurado com segurança.

Assim, para que um intangível gerado internamente seja registrado, os


requisitos já citados devem ser atendidos (controlável, identificável, gerador de
benefícios futuros, seu custo deve ser estimado com segurança), além disso,
outros requisitos específicos para ativos gerados internamente
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também devem ser atendidos.

Existem duas fases para a geração de ativo intangível interno:

1) fase de pesquisa; e
2) fase de desenvolvimento.

3.5.1 FASE DE PESQUISA

Pesquisa é a investigação original e planejada realizada com a expectativa de


adquirir novo conhecimento e entendimento científico ou técnico. Os gastos
com pesquisa devem ser reconhecidos como despesa quando
incorridos.

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54. Nenhum ativo intangível resultante de pesquisa (ou da fase de pesquisa de


projeto interno) deve ser reconhecido. Os gastos com pesquisa (ou da fase
de pesquisa de projeto interno) devem ser reconhecidos como despesa
quando incorridos.

Gastos com pesquisa  Despesa quando incorridos.

55. Durante a fase de pesquisa de projeto interno, a entidade não está apta a
demonstrar a existência de ativo intangível que gerará prováveis benefícios
econômicos futuros. Portanto, tais gastos são reconhecidos como despesa
quando incorridos.

São exemplos de atividades de pesquisa: a) atividades destinadas à obtenção


de novo conhecimento; b) busca de alternativas para materiais, dispositivos,
produtos, processos, sistemas ou serviços; c) busca, avaliação e seleção final
das aplicações dos resultados de pesquisa ou outros conhecimentos; e d)
formulação, projeto, avaliação e seleção final de alternativas possíveis para
materiais, dispositivos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou
aperfeiçoados.

3.5.2 FASE DE DESENVOLVIMENTO

Importante: Na fase de desenvolvimento podemos reconhecer um ativo


intangível gerado internamente, na fase de pesquisa não podemos!

57. Um ativo intangível resultante de desenvolvimento (ou da fase de


desenvolvimento de projeto interno) deve ser reconhecido somente se a
entidade puder demonstrar todos os aspectos a seguir enumerados:

(a) viabilidade técnica para concluir o ativo intangível de forma que ele seja
disponibilizado para uso ou venda;

Por exemplo, uma microempresa tem viabilidade técnica para montar um


10556374274

software que concorra com a Microsoft? Depende de quem estamos falando! Se


for a empresa fundo de quintal do Zé, não! Agora, se estivermos falando de
uma companhia do tamanho da Apple, ok!

(b) intenção de concluir o ativo intangível e de usá-lo ou vendê-lo;


(c) capacidade para usar ou vender o ativo intangível;
(d) forma como o ativo intangível deve gerar benefícios econômicos futuros.

Entre outros aspectos, a entidade deve demonstrar a existência de mercado


para os produtos do ativo intangível ou para o próprio ativo intangível ou, caso
este se destine ao uso interno, a sua utilidade;

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(e) disponibilidade de recursos técnicos, financeiros e outros recursos


adequados para concluir seu desenvolvimento e usar ou vender o ativo
intangível; e
(f) capacidade de mensurar com segurança os gastos atribuíveis ao ativo
intangível durante seu desenvolvimento.

Exemplos de atividades de desenvolvimento: projeto, construção e teste de


protótipos e modelos pré-produção ou pré-utilização; projeto de ferramentas,
gabaritos, moldes e matrizes que envolvam nova tecnologia.

Atenção: Marcas, títulos de publicações, listas de clientes e outros itens


similares, gerados internamente, não devem ser reconhecidos como ativos
intangíveis.

64. Os gastos incorridos com marcas, títulos de publicações, listas de clientes e


outros itens similares não podem ser separados dos custos relacionados ao
desenvolvimento do negócio como um todo. Dessa forma, esses itens não são
reconhecidos como ativos intangíveis.

3.5.3 CUSTO DE ATIVO INTANGÍVEL GERADO INTERNAMENTE

Dissemos anteriormente que um ativo intangível deve ser reconhecido


inicialmente ao custo.

Os custos do ativo intangível serão computados a partir do momento em que

1) for provável que serão gerados benefícios econômicos futuros a favor da


entidade;
2) o custo do ativo puder ser mensurado com segurança;
3) atender aos requisitos previstos no item 57 acima estudado.

O custo de ativo intangível gerado internamente inclui todos os gastos


diretamente atribuíveis, necessários à criação, produção e preparação do ativo
para ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração.
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3.6 VIDA ÚTIL

A contabilização de ativo intangível baseia-se na sua vida útil. Um ativo


intangível com vida útil definida deve ser amortizado, enquanto a de um ativo
intangível com vida útil indefinida não deve ser amortizado.

4 CPC 07 – SUBVENÇÃO E ASSISTÊNCIA GOVERNAMENTAL

A subvenção governamental é, por exemplo, uma doação que determinada


empresa recebe do governo. Se o Governo X se compromete a doar o terreno Y
para a companhia Z, então essa subvenção estará regrada pela CPC 07.

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4.1 DEFINIÇÕES

Importante:

Assistência governamental é a ação de um governo destinada a fornecer


benefício econômico específico a uma entidade ou a um grupo de entidades
que atendam a critérios estabelecidos. Não inclui os benefícios
proporcionados única e indiretamente por meio de ações que afetam as
condições comerciais gerais, tais como o fornecimento de infra-estruturas em
áreas em desenvolvimento ou a imposição de restrições comerciais sobre
concorrentes.

Subvenção governamental é uma assistência governamental


geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não
só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do
cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades
operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não
podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o
governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da
entidade.

Primeiro aspecto digno de nota: a assistência governamental gera benefício


econômico específico. Não se considera assistência os benefícios gerais, como
a melhoria por parte do governo de um centro comercial que beneficiará a
todos os empresários do local.

Outro ponto. A assistência governamental é gênero de cuja subvenção


governamental é espécie. A norma diz “subvenção governamental é uma
assistência governamental”.

4. A assistência governamental toma muitas formas, variando sua


natureza ou condições. O propósito da assistência pode ser o de encorajar a
entidade a seguir certo rumo que ela normalmente não teria tomado se a
assistência não fosse proporcionada. A contabilização deve sempre seguir a
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essência econômica.

4.2 RECONHECIMENTO DA SUBVENÇÃO

7. Subvenção governamental, inclusive subvenção não monetária a valor justo,


não deve ser reconhecida até que exista segurança de que:

(a) a entidade cumprirá todas as condições estabelecidas; e


(b) a subvenção será recebida.

O simples recebimento da subvenção não é prova conclusiva de que as


condições a ela vinculadas tenham sido ou serão cumpridas.

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4.3 CONTABILIZAÇÃO

12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao


longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em
base sistemática, desde que atendidas às condições desta Norma. A
subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no
patrimônio líquido.

Exemplificando: uma subvenção que transfira a propriedade definitiva de um


terreno pode ter como condição a construção de uma planta industrial e é
apropriada como receita na mesma proporção da depreciação dessa planta.

Poderão existir situações em que essa correlação exija que parcelas da


subvenção sejam reconhecidas segundo critérios diferentes.

15A. Enquanto não atendidos os requisitos para reconhecimento da receita com


subvenção na demonstração do resultado, a contrapartida da subvenção
governamental registrada no ativo deve ser feita em conta específica do
passivo.

Vamos exemplificar: A Cia. Poente recebe da prefeitura do município X um


terreno avaliado em R$ 1.000.000,00, assumindo o compromisso de instalar
nessa propriedade um parque fabril modular no valor de R$ 15.000.000,00,
com vida útil estimada em 10 anos.

O registro contábil da subvenção deve ser feito como débito em conta de


Imobilizado, pelo registro do terreno, e crédito em conta de Passivo, pela
obrigação assumida em razão da subvenção recebida. Este foi o gabarito da
questão. Como o terreno ainda não pertence à empresa, pois ela deve instalar
um parque fabril, não podemos reconhecer esta subvenção (doação) no
resultado. Se a empresa não instalar o parque fabril, ela deverá devolver o
terreno. O lançamento do registro inicial é o que se segue:

D - Imobilizado - Terreno 10556374274

R$ 1.000.000,00
C - Passivo - Doações e subvenções R$ 1.000.000,00

15B. Há situações em que é necessário que o valor da subvenção


governamental não seja distribuído ou de qualquer forma repassado aos sócios,
fazendo-se necessária a retenção, após trânsito pelo resultado, em conta
apropriada de patrimônio líquido para comprovação do atendimento dessa
condição. Nessas situações, tal valor, após ter sido reconhecido no resultado,
pode ser creditado à reserva própria (Reserva de Incentivos Fiscais), a
partir da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados.

A lei 11.638/07 criou a reserva de incentivo fiscal que poderá ser constituída,
com a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções

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governamentais para investimentos, que ainda poderá ser excluída da base de


cálculo do dividendo obrigatório. Esquematicamente, fica assim:

Demonstração do Resultado do Exercício

Receitas
+ Doações ou subvenções governamentais para investimentos = 10.000
(-) Despesas
Lucro Líquido do Exercício
Lucros ou Prejuízo Acumulado (PL)  Reserva de Incentivo Fiscal = 10.000

16. É fundamental, pelo regime de competência, que a receita de subvenção


governamental seja reconhecida em bases sistemáticas e racionais, ao longo do
período necessário e confrontada com as despesas correspondentes. Assim, o
reconhecimento da receita de subvenção governamental no momento de seu
recebimento somente é admitido nos casos em que não há base de alocação da
subvenção ao longo dos períodos beneficiados.

No exemplo citado acima, vamos supor que a empresa tenha instalado o parque
fabril (ao custo de 15.000.000, e com vida útil estimada em 10 anos).

Após a instalação, a empresa "ganhou" o terreno (cumpriu a condição


necessária).

Assim, deve ser feita a seguinte contabilização:

D - Passivo - Doações e subvenções 1.000.000


C - Receita diferida (PNC) 1.000.000

Após cumprir as condições, o valor da doação passa para receita diferida (já
pertence à empresa). Mas o reconhecimento da receita deve ser realizado por
competência, conforme orienta o item 16 da norma.

17. Na maioria dos casos essa correlação pode ser feita, e a subvenção é
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reconhecida em confronto com as despesas correspondentes.


Semelhantemente, subvenção relacionada a ativo depreciável deve ser
reconhecida como receita ao longo do período da vida útil do bem e na mesma
proporção de sua depreciação.

18. Subvenção relacionada a ativo não depreciável pode requerer o


cumprimento de certas obrigações. O reconhecimento como receita deve então
acompanhar a apropriação das despesas necessárias ao cumprimento das
obrigações.

Exemplificando: uma subvenção que transfira a propriedade definitiva de um


terreno pode ter como condição a construção de uma planta industrial e é
apropriada como receita na mesma proporção da depreciação dessa planta.

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Poderão existir situações em que essa correlação exija que parcelas da


subvenção sejam reconhecidas segundo critérios diferentes.

Continuando o nosso exemplo. Após um ano, a empresa terá reconhecido como


despesa de depreciação da unidade fabril, o valor de R$ 1.500.000.

E deverá reconhecer também a receita da subvenção (doação do terreno), na


mesma proporção.

Portanto:

Pela depreciação da fábrica:

D - Depreciação (resultado) 1.500.000,00


C - Depreciação acumulada (ANC) 1.500.000,00

Pelo reconhecimento da receita de subvenção (1/10 do total = 10%)

D - Receita diferida (PNC) 100.000,00


C - Outras receitas (resultado) 100.000,00

E assim por diante, até reconhecer toda a receita em 10 anos.

20. Uma subvenção governamental na forma de compensação por gastos ou


perdas já incorridos ou para finalidade de dar suporte financeiro imediato à
entidade sem qualquer despesa futura relacionada deve ser reconhecida como
receita no período em que se tornar recebível.

Assim, se o governo anuncia que os empresários de um determinado local


receberão uma subvenção para melhoria no esgoto local, essa subvenção será
considerada como receita do período em que se tornar recebível. Atente-se
para o fato de que a norma diz recebível, e não a partir do momento em que
efetivamente se receber. Portanto, se o governo diz que providenciará a
subvenção do período de 2005 a 2010, e a empresa recebe em 2008, quando
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será contabilizada como receita? Ora, em 2005.

5 CPC 12 – AJUSTE A VALOR PRESENTE

Ajustar algo a valor presente é, em lição comezinha, trazer um valor que está
previsto para se realizar em data futura a termos monetários de hoje.

Valor presente também pode ser definido como o montante ajustado em função
do tempo a transcorrer entre as datas da operação e do vencimento, de crédito
ou obrigação de financiamento, ou de outra transação usual da entidade,
mediante dedução dos encargos financeiros respectivos, com base na taxa
contratada ou na taxa média de encargos financeiros, praticada no mercado.

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As vendas e as compras, quando feitas a prazo, inserem no valor da operação,


juros e encargos financeiros referentes à remuneração de um capital no futuro.

Assim, a contabilização pelo valor nominal faz com que essas operações sejam
demonstradas de forma superavaliada no Balanço Patrimonial. Fica difícil,
também, diferenciar o resultado financeiro do resultado realmente apurado com
operações da atividade empresarial. O ajuste a valor presente (AVP) veio para
que possamos dirimir esse problema.

Assim, se determinada empresa compra mercadorias para pagar daqui a três


anos, no montante de R$ 150.000,00, com encargos de R$ 25.000,00, qual o
seu valor presente, isto é, hoje? Resposta: R$ 150.000,00 – R$ 25.000,00 = R$
125.000,00. Lógico que não é tão simples assim, mas segue esta linha.

5.1 ALCANCE

5. Nesse sentido, no presente Pronunciamento determina-se que a


mensuração contábil a valor presente seja aplicada no reconhecimento
inicial de ativos e passivos. Apenas em certas situações excepcionais, como
a que é adotada numa renegociação de dívida em que novos termos são
estabelecidos, o ajuste a valor presente deve ser aplicado como se fosse nova
medição de ativos e passivos. É de se ressaltar que essas situações de nova
medição de ativos e passivos são raras e são matéria para julgamento daqueles
que preparam e auditam demonstrações contábeis, vis-à-vis normas
específicas.

Importante: mensuração a VP  feita no reconhecimento inicial

Faz-se necessário observar que a aplicação do conceito de ajuste a valor


presente nem sempre equipara o ativo ou o passivo a seu valor justo. Por isso,
valor presente e valor justo não são sinônimos.

Por exemplo, a compra financiada de um veículo por um cliente especial que,


por causa dessa situação, obtenha taxa não de mercado para esse
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financiamento, faz com que a aplicação do conceito de valor presente com a


taxa característica da transação e do risco desse cliente leve o ativo, no
comprador, a um valor inferior ao seu valor justo; nesse caso prevalece
contabilmente o valor calculado a valor presente, inferior ao valor justo, por
representar melhor o efetivo custo de aquisição para o comprador. Em
contrapartida o vendedor reconhece a contrapartida do ajuste a valor presente
do seu recebível como redução da receita, evidenciando que, nesse caso, terá
obtido um valor de venda inferior ao praticado no mercado.

5.2 MENSURAÇÃO

8. Em termos de meta a ser alcançada, ao se aplicar o conceito de valor


presente deve-se associar tal procedimento à mensuração de ativos e passivos

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levando-se em consideração o valor do dinheiro no tempo e as incertezas a


eles associados. Desse modo, as informações prestadas possibilitam a análise
e a tomada de decisões econômicas que resultam na melhor avaliação e
alocação de recursos escassos. Para tanto, diferenças econômicas entre ativos e
passivos precisam ser refletidas adequadamente pela Contabilidade a fim de
que os agentes econômicos possam definir com menor margem de erro os
prêmios requeridos em contrapartida aos riscos assumidos.

Em síntese: o ajuste a valor presente auxilia na tomada de decisões na gestão


de uma empresa. Através dele os usuários, administradores, entre outros,
podem analisar a melhor forma de se investir o capital, qual a verdadeira
situação de uma empresa, líquida de encargos financeiros.

9. Ativos e passivos monetários com juros implícitos ou explícitos embutidos


devem ser mensurados pelo seu valor presente quando do seu
reconhecimento inicial, por ser este o valor de custo original dentro da
filosofia de valor justo (fair value). Por isso, quando aplicável, o custo de ativos
não monetários deve ser ajustado em contrapartida; ou então a conta de
receita, despesa ou outra conforme a situação. A esse respeito, uma vez
ajustado o item não monetário, não deve mais ser submetido a ajustes
subsequentes no que respeita à figura de juros embutidos. Ressalte-se que nem
todo ativo ou passivo não-monetário está sujeito ao efeito do ajuste a valor
presente; por exemplo, um item não monetário que, pela sua natureza, não
está sujeito ao ajuste a valor presente é o adiantamento em dinheiro para
recebimento ou pagamento em bens e serviços.

Ativo monetário é aquele representado por dinheiro ou por direitos a serem


recebidos em dinheiro. Ora, interpretando a contrario sensu, ativo não
monetário é aquele que não é representado por dinheiro ou direito a ser
recebido em dinheiro. Uma máquina é representada por dinheiro ou direito a
ser recebido em dinheiro? Não! Logo, é um ativo não monetário.

5.3 DIRETRIZES MAIS ESPECÍFICAS


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21. Os elementos integrantes do ativo e do passivo decorrentes de operações


de longo prazo, ou de curto prazo quando houver efeito relevante, devem ser
ajustados a valor presente com base em taxas de desconto que reflitam as
melhores avaliações do mercado quanto ao valor do dinheiro no tempo e os
riscos específicos do ativo e do passivo em suas datas originais.

22. A quantificação do ajuste a valor presente deve ser realizada em base


exponencial "pro rata die", a partir da origem de cada transação, sendo os seus
efeitos apropriados nas contas a que se vinculam.

23. As reversões dos ajustes a valor presente dos ativos e passivos monetários
qualificáveis devem ser apropriadas como receitas ou despesas financeiras, a
não ser que a entidade possa devidamente fundamentar que o financiamento

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feito a seus clientes faça parte de suas atividades operacionais, quando então
as reversões serão apropriadas como receita operacional. Esse é o caso, por
exemplo, quando a entidade opera em dois segmentos distintos: (i) venda de
produtos e serviços e (ii) financiamento das vendas a prazo, e desde que sejam
relevantes esse ajuste e os efeitos de sua evidenciação.

Aprenderemos a fazer essa contabilização e a entender esses itens através de


um pequeno exemplo. Vejamos:

Exemplo 1: Contabilização do ajuste a valor presente na venda.

Venda a prazo: A empresa KLS vendeu mercadorias para receber após 24


meses, no valor de 50.000,00.

Informações adicionais:

Taxa de juros: 2% ao mês = 1,02 ^24 = 1,6084


Valor presente: 50.000/1,6084 = 31.086

Observação: 1,02^24  leia-se “um vírgula zero dois elevado à vigésima


quarta potência”.

Contabilização:

No momento inicial

D – Contas a Receber (ANC - RLP) 50.000


D – Despesa com ajuste a valor presente (resultado) 18.914
C – Provisão para Ajuste a VP (Redutora - ANC – Realizável a LP) 18.914
C – Receita de Vendas (resultado) 50.000

Passado um mês, há a contabilização de uma receita financeira, apropriada por


competência, e seguindo o método exponencial:
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D - Provisão para Ajuste a Valor presente (RLP) 622


C – Receita Financiamento de vendas (resultado) 622

E assim mês a mês, até o recebimento.

Mês Principal Juros Total


1 31.086 622 31.708
2 31.708 634 32.342
3 32.342 647 32.989

Podemos calcular estes juros, para reconhecê-los mês a mês, da seguinte


forma:

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No mês 1: 31.086,00 x 0,02 = 622.


No mês 2: 31.708 x 0,02 = 634.

E assim por diante, até reconhecer toda a receita. Essa tabela, ou pelo menos
os dados para seu cálculo, tem que ser fornecida em prova, não se preocupem.

Vamos supor que, após um ano, as condições de mercado se alterem e a taxa


de juros passe para 1% ao mês.

Nesse caso, devemos alterar a taxa de juros que será utilizado no restante
desta operação? NÃO. A taxa de juros é definida no início da operação, e não
mais se altera, a não ser que haja uma renegociação. Naturalmente, as novas
operações serão calculadas pela taxa de juros mais adequada na época do seu
reconhecimento.

Exemplo 2: Contabilização do ajuste a valor presente na compra.

Compra a prazo: A empresa KLS comprou mercadorias para pagar após 24


meses, no valor de R$ 50.000,00.

Informações adicionais:

Taxa de juros: 2% ao mês = 1,02 ^24 = 1,6084


Valor presente: 50.000/1,6084 = 31.086

Contabilização:

No momento inicial

D – Mercadoria (Ativo circulante) 31.086


D – Provisão para ajuste a valor presente (PNC - ELP) 18.914
C – Fornecedores (PNC - ELP) 50.000

Após um mês, apropriamos os encargos financeiros:


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D – Despesa Financeira – financiamento de compras (resultado) 622


C - Provisão para ajuste a valor presente (PNC - ELP) 622

Ao final dos 24 meses, a conta “Provisão para ajuste a valor presente” estará
zerada, e todo o seu valor terá sido transferido para resultado.

Notem que não podemos calcular 18.914/24 = R$ 788, e apropriar este valor
para todos os meses. Devemos usar o método exponencial. Pois o mercado
dificilmente utilizará juros simples para uma operação de financiamento.

Se alguma banca cobrar este assunto, deverá fornecer a tabela de controle, ou


pedir uma informação que possa ser calculada facilmente (por exemplo, qual o

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valor apropriado como receita financeira no segundo mês? Segundo a tabela


acima, será 634. Cálculo: 31.086 x 1,02 = 31.708; 31.708 x 0,02 = 634).

Continuando os exemplos.

Exemplo 3:

Valor contábil de um ativo de vida útil de 5 anos R$ 400.000,00


Taxa de juros anual de mercado 5%

Valor presente do ativo  Para calcular o valor presente, devemos utilizar a


fórmula: Valor nominal/(1+i)^n

Onde,

i = taxa de juros
n = tempo
R$ 400.000,00/(1 + 0,05)^5

Tem-se, então, o valor de $ 313.410,50 (Valor presente do ativo)

Para fazer a contabilização devemos criar a conta redutora do ativo,


denominada Ajuste a Valor Presente (credora), sendo que a contrapartida será
uma conta devedora de resultado.

Conforme o transcorrer do prazo para vencimento do ativo, será feito um


reajuste no valor presente.

No exemplo citado, quando faltar 4 anos para o vencimento do ativo, o fator de


valor atual é menor, ou seja, (1 + 0,05)^4, que é igual a 1,215. O valor
presente passará a ser R$ 400.000,00/1,215 = R$ 329.218,00. Logo, será feito
um ajuste positivo no valor do ativo correspondente à diferença, ou seja, R$
329.218,00 - R$ 313.410,50 = R$ 15.807,50. A contrapartida credora será feita
na conta de Resultado de Ajustes a Valor Presente.
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6 CPC 23 – POLÍTICAS CONTÁBEIS, MUDANÇA DE ESTIMATIVA E


RETIFICAÇÃO DE ERRO

Segundo a Lei 6.404/76:

Art. 186. § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas


os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de
erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser
atribuídos a fatos subsequentes.

Ademais, tal assunto está tratado no CPC - Políticas Contábeis, Mudança de


Estimativa e Retificação de Erro.

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Temos de saber discernir entre as políticas contábeis, estimativas contábeis e


retificação de erro. Senão vejamos, de acordo com o CPC 23:

Políticas contábeis são os princípios, as bases, as convenções, as regras e as


práticas específicas aplicados pela entidade na elaboração e na apresentação de
demonstrações contábeis.

Mudança na estimativa contábil é um ajuste nos saldos contábeis de ativo


ou de passivo, ou nos montantes relativos ao consumo periódico de ativo, que
decorre da avaliação da situação atual e das obrigações e dos benefícios futuros
esperados associados aos ativos e passivos. As alterações nas estimativas
contábeis decorrem de nova informação ou inovações e, portanto, não são
retificações de erros.

Erros de períodos anteriores são omissões e incorreções nas demonstrações


contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores decorrentes da falta
de uso, ou uso incorreto, de informação confiável que:

(a) estava disponível quando da autorização para divulgação das


demonstrações contábeis desses períodos; e
(b) pudesse ter sido razoavelmente obtida e levada em consideração na
elaboração e na apresentação dessas demonstrações contábeis.

Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos, erros na aplicação de


políticas contábeis, descuidos ou interpretações incorretas de fatos e fraudes.

As políticas são mais amplas e gerais que as estimativas. Referem-se à escolha


da base de avaliação, das regras que a entidade irá usar para elaboração das
suas demonstrações contábeis.

Assim, alteração na política contábil configura uma mudança na forma de


avaliação, em virtude de alteração em princípios, bases, convenções, regras
ou práticas específicas aplicadas. Por exemplo, mudar do PEPS para o Custo
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Médio Ponderado para a avaliação de estoques é uma mudança de política


contábil.

A mudança na estimativa contábil é um ajuste nos saldos contábeis de


ativo ou de passivo, ou nos montantes relativos ao consumo periódico de ativo,
que decorre da avaliação da situação atual e das obrigações e dos
benefícios futuros esperados associados aos ativos e passivos.

Ou seja, a empresa faz uma estimativa baseada na última informação


disponível. Passado algum tempo, novas informações estão disponíveis, mais
atualizadas, que podem evidenciar a necessidade de alterar a estimativa
anterior. Nesse sentido, uma revisão de estimativa não é retificação de erro.

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Não houve erro na estimativa anterior, que foi feita com a melhor informação
então disponível.

Por exemplo, uma empresa estima que um veículo terá vida útil de seis anos,
com valor residual de XX. Após três anos de uso, a empresa verifica que o
veículo está sendo utilizado em condições mais severas, e que irá durar cinco
anos, em vez de seis. Trata-se de uma mudança de estimativa, que vale para
aquele veículo em particular.

E não é retificação de erro. A estimativa inicial (feita com as informações da


época) não está errada. É impossível acertar exatamente o desgaste de todos
os ativos da empresa. Portanto, alterações posteriores são mudanças de
estimativa, e não correção de erros.

É importante ressaltar que serão realizadas apenas as alterações de estimativas


que sejam relevantes, que possam afetar a decisão do usuário.

Erros de períodos anteriores são omissões e incorreções nas demonstrações


contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores decorrentes da falta
de uso, ou uso incorreto, de informação confiável que estava disponível que ou
poderia ser razoavelmente obtida. Tais erros incluem os efeitos de erros
matemáticos, erros na aplicação de políticas contábeis, descuidos ou
interpretações incorretas de fatos e fraudes.

Vale ressaltar ainda a diferença entre aplicação retrospectiva e aplicação


prospectiva.

Aplicação retrospectiva é a aplicação de nova política contábil, como se essa


política tivesse sido sempre aplicada. Refere-se portanto a ajustes de
transações e eventos passados. Por exemplo, se a empresa muda o método de
avaliação de estoques, de PEPS para custo médio ponderado, deve ajustar o
estoque inicial, como se já utilizasse o custo médio ponderado no final do
exercício anterior.
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Aplicação prospectiva de mudança em política contábil e de reconhecimento


do efeito de mudança em estimativa contábil representa, respectivamente:

(a) a aplicação da nova política contábil a transações, a outros eventos e


a condições que ocorram após a data em que a política é alterada; e
(b) o reconhecimento do efeito da mudança na estimativa contábil nos
períodos corrente e futuro afetados pela mudança.

Podemos adiantar que as alterações nas Políticas Contábeis devem ter


aplicação retrospectiva, a não ser que isso seja impraticável.

As alterações nas estimativas contábeis devem ser aplicadas de forma


prospectiva.

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E quanto à correção de erros:

A) Erros materiais (que podem alterar a decisão dos usuários das


demonstrações contábeis) devem ser ajustados de forma retrospectiva;
B) Erros decorrentes de fraudes (material ou imaterial) devem ter
aplicação retrospectiva.

Então, supondo que tenha sido feita erroneamente a contabilização de uma


despesa de juros, cujo valor correto monta a R$ 100.000,00, mas fora
contabilizada por R$ 1.000.000,00.

O lançamento para correção deve ser feito diretamente à conta de lucros ou


prejuízos acumulados.

Quando do lançamento original (o incorreto):

D – Despesa de juros (resultado) 1.000.000


C – Juros a pagar (passivo) 1.000.000

Pela correção do erro, lançaremos:

D – Juros a pagar (passivo) 900.000


C – Lucros ou prejuízos acumulados (PL) 900.000

Vejam que os juros não podem ser lançados na DRE no exercício posterior, pois
não fazem parte das despesas daquele período. A correção se dá diretamente
na conta lucros ou prejuízos acumulados.

7 CPC 25 - PROVISÕES

O Pronunciamento Técnico CPC 25 - Provisões, Passivos Contingentes e Ativos


Contingentes oferece as seguintes definições:
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10. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento, com os significados


especificados:

Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.

Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já


ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da
entidade capazes de gerar benefícios econômicos.

Passivo contingente é:

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(a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência
será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros
incertos não totalmente sob controle da entidade; ou
(b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é
reconhecida porque:
(i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios
econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou
(ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade.

Já estudamos a definição de passivo. Agora, considerando as definições acima,


principalmente que provisão é um passivo de prazo ou valor incerto, e que
passivo é uma obrigação presente da entidade, vemos que a expressão
“provisão para devedores duvidosos” está incorreta.

Vamos supor que a empresa possua um valor a receber de, digamos, R$


100.000,00. Com base em experiências passadas, sabe que é mais provável
que vá receber R% 97.000,00 (apresenta um índice de inadimplência de 3%).

Esta situação iria gerar o seguinte lançamento:

D – Despesa com devedores duvidosos (resultado) 3.000,00


C – Provisão para Devedores Duvidosos (Ret. Ativo) 3.000,00

Mas esse valor não será pago a ninguém. Não é um passivo, é apenas uma
redução do valor esperado dos recebimentos. Assim, o mais correto seria
chamar essa conta de “perdas estimadas com devedores duvidosos” ou “ajuste
para perdas com devedores duvidosos”, ou outra denominação semelhante.

Mas, como já está consagrada a expressão “provisão para devedores


duvidosos”, vamos utilizá-la, embora a natureza desta conta não seja de
provisão, e sim de ajuste.

Conforme o CPC 25:


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7. Este Pronunciamento Técnico define provisão como passivo de prazo ou valor


incertos. Em alguns países o termo “provisão” é também usado no contexto de
itens tais como depreciação, redução ao valor recuperável de ativos e créditos
de liquidação duvidosa: estes são ajustes dos valores contábeis de ativos e não
são tratados neste Pronunciamento Técnico.

8 PROVISÃO E OUTROS PASSIVOS

A diferença entre as provisões e os outros passivos referem-se à incerteza


sobre o prazo ou o valor do desembolso necessário para sua liquidação.

Assim, as contas a pagar são passivos a pagar por conta de bens ou serviços
fornecidos ou recebidos e que tenham sido faturados ou formalmente acordados

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com o fornecedor. Não há incerteza sobre o prazo ou o valor do pagamento.


Portanto, temos contas a pagar ou fornecedores, mas não provisão para
pagamento de estoques ou provisão para fornecedores.

Da mesma forma, há alguns passivos derivados da apropriação pelo regime de


competência (também chamados accruals), que também se constituem em
passivo, e não em provisão.

Como exemplo, podemos citar a apropriação das despesas de férias por


competência. A cada mês trabalhado, o funcionário adquire direito a 1/12 avos
de férias. Portanto, deve ser reconhecido um Passivo, referente a eventos
passados (o mês já trabalhado) e de cuja liquidação se espera a saída de
recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Assim, essa
apropriação por competência deveria ser chamada de “Férias a Pagar”, e não de
“Provisão para Férias”.

Embora algumas vezes seja necessário estimar o valor ou prazo desses


passivos, a incerteza é geralmente muito menor do que nas provisões.

No caso de Provisão, há incerteza quanto ao prazo de pagamento ou ao valor.


Mas, como já é amplamente usado na contabilidade, vamos aceitar as
expressões “Provisão para Férias” e “Provisão para 13º”, embora,
tecnicamente, sejam incorretas.

Texto do Pronunciamento 25:

Relação entre provisão e passivo contingente

12. Em sentido geral, todas as provisões são contingentes porque são incertas
quanto ao seu prazo ou valor. Porém, neste Pronunciamento Técnico o termo
“contingente” é usado para passivos e ativos que não sejam reconhecidos
porque a sua existência somente será confirmada pela ocorrência ou não de um
ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob o controle da entidade.
Adicionalmente, o termo passivo contingente é usado para passivos que não
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satisfaçam os critérios de reconhecimento.

13. Este Pronunciamento Técnico distingue entre:

(a) provisões – que são reconhecidas como passivo (presumindo-se que possa
ser feita uma estimativa confiável) porque são obrigações presentes e é
provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja
necessária para liquidar a obrigação; e
(b) passivos contingentes – que não são reconhecidos como passivo porque
são:
(i) obrigações possíveis, visto que ainda há de ser confirmado se a entidade
tem ou não uma obrigação presente que possa conduzir a uma saída de
recursos que incorporam benefícios econômicos, ou

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(ii) obrigações presentes que não satisfazem os critérios de reconhecimento


deste Pronunciamento Técnico (porque não é provável que seja necessária uma
saída de recursos que incorporem benefícios econômicos para liquidar a
obrigação, ou não pode ser feita uma estimativa suficientemente confiável do
valor da obrigação).

Há, portanto, uma diferença fundamental entre Provisão e Passivo Contingente:

As provisões são contabilizadas, e os passivos contingentes não são.

Os passivos contingentes não são contabilizados, pois:

1) Ainda há de ser confirmado se a entidade tem ou não uma obrigação


presente;
2) Ou existe a obrigação presente, mas não é provável que seja necessária
uma saída de recursos para liquidá-la;
3) Ou não pode ser feita uma estimativa suficientemente confiável do valor
da obrigação.

Veremos, a seguir, as condições para que uma provisão seja reconhecida


(contabilizada). Conforme o pronunciamento 25:

Reconhecimento

Provisão

14. Uma provisão deve ser reconhecida quando:

(a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como
resultado de evento passado;
(b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam
benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e
(c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação.
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Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser


reconhecida.

Vamos examinar estas condições através de alguns exemplos:

Exemplo 1 – Garantia

Um fabricante dá garantias no momento da venda para os compradores do seu


produto. De acordo com os termos do contrato de venda, o fabricante
compromete a consertar, por reparo ou substituição, defeitos de produtos que
se tornarem aparentes dentro de três anos desde a data da venda. De acordo
com a experiência passada, é provável (ou seja, mais provável que sim do que
não) que haverá algumas reclamações dentro das garantias.

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Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação –


O evento que gera a obrigação é a venda do produto com a garantia, o que dá
origem a uma obrigação legal.

Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação – Provável para


as garantias como um todo. Ou seja, ainda que a possibilidade de um
determinado produto quebrar seja pequena, a possibilidade de que alguns
quebrarão durante o período da garantia é alta, considerando-se o conjunto de
todos os produtos vendidos.

Conclusão – A provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos para


consertos de produtos com garantia vendidos antes da data do balanço.

Exemplo 2A – Terreno contaminado – é praticamente certo que a


legislação será aprovada

Uma entidade do setor de petróleo causa contaminação, mas efetua a limpeza


apenas quando é requerida a fazê-la nos termos da legislação de um país em
particular no qual ela opera. O país no qual ela opera não possui legislação
requerendo a limpeza, e a entidade vem contaminando o terreno nesse país há
diversos anos. Em 31 de dezembro de 20X0 é praticamente certo que um
projeto de lei requerendo a limpeza do terreno já contaminado será aprovado
rapidamente após o final do ano.

Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação –


O evento que gera a obrigação é a contaminação do terreno, pois é
praticamente certo que a legislação requeira a limpeza.

Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação – Provável.

Conclusão – Uma provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos de


limpeza.
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Nesse exemplo, é importante ressaltar que, antes da aprovação da legislação


requerendo a limpeza, havia um passivo contingente, o qual não era
reconhecido contabilmente (não era contabilizado).

A mudança da legislação, exigindo a limpeza, transforma o passivo contingente


em provisão, a qual deve ser reconhecida pela melhor estimativa.

Vejamos, a seguir, um outro aspecto que pode ser cobrado em concursos.

Vamos supor que uma empresa esteja sendo processada por ex-funcionário.

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O evento passado já ocorreu: a propositura da ação judicial. Também é possível


estimar a saída de recursos. A questão que se coloca é se esta ação deve ser
contabilizada ou não.

Temos três possíveis situações:

1) Se a saída futura de recursos for provável, deve ser


contabilizado e divulgado em nota explicativa - Provisão.
2) Se a saída for possível (mas não provável), não
deve ser contabilizado, mas deve ser divulgado em nota
explicativa – Passivo contingente divulgado.
3) Se a possibilidade de saída de recursos for remota, não deve ser nem
contabilizado e nem divulgado – Passivo contingente não divulgado.

A grande dificuldade reside na avaliação da possibilidade de saída de recursos.


Uma vez estabelecido que a saída é provável, possível ou remota, fica simples
estabelecer o correto tratamento contábil.

Para gravar:

Se a saída de recursos for:

Provável: contabiliza e divulga.


Possível: não contabiliza, mas divulga.
Remota: não contabiliza e nem divulga.

9 CPC 26 – APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

9.1 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO ABRANGENTE

Como resultados abrangentes, devemos entender os seguintes:

a) variações na reserva de reavaliação, quando permitidas legalmente (ver


Pronunciamentos Técnicos CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 04 – Ativo
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Intangível);
(b) ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido
reconhecidos conforme item 93A do Pronunciamento Técnico CPC 33 –
Benefícios a Empregados;
(c) ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de
operações no exterior (ver Pronunciamento Técnico CPC 02 – Efeitos das
Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis);
(d) ganhos e perdas na remensuração de ativos financeiros disponíveis para
venda (ver Pronunciamento Técnico CPC 38 – Instrumentos Financeiros:
Reconhecimento e Mensuração);
(e) parcela efetiva de ganhos ou perdas advindos de instrumentos de hedge em
operação de hedge de fluxo de caixa (ver Pronunciamento Técnico CPC 38).

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A demonstração de resultados abrangentes deve conter as seguintes


informações:

(a) o total do resultado (do período);


(b) total de outros resultados abrangentes;
(c) resultado abrangente do período, sendo o total do resultado e de outros
resultados abrangentes.

Apresentaremos, adiante, um exemplo de demonstrações de resultados


abrangentes, para que possamos melhor entender o assunto.

O CPC 26 permitia a apresentação da Demonstração do Resultado


Abrangente (DRA) em um relatório separado ou dentro da
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

Isso foi alterado na primeira revisão, de 02.12.2011. Atualmente, não se


admite mais a DRA incluída apenas na DMPL. Deve ser elaborada
separadamente. Em diversos outros países, a DRA pode ser apresentada
como extensão da DRE. Todavia, no Brasil essa ideia não foi recepcionada.

Ao ser elaborada em quadro próprio, a DRA tem como início o resultado líquido
do período apurada na demonstração do resultado do exercício. Em seguida,
constaremos os outros resultados abrangentes, conforme os itens de “b” a “d”
citados acima.

Exemplo de demonstração das mutações do patrimônio líquido com


evidenciação dos outros resultados abrangentes e da demonstração do
resultado abrangente.

O exemplo a seguir é ilustrativo de como poderia ser apresentada a


demonstração de resultados abrangentes do período, utilizando-se a DMPL que
já é usualmente elaborada no Brasil.

O CPC 26 define resultado abrangente como a mutação que ocorre no


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patrimônio líquido durante um período que resulta de transações e


outros eventos que não derivados de transações com os sócios na sua
qualidade de proprietários.

Ou seja, todas as mutações patrimoniais, que não as transações de capital com


os sócios, integram a Demonstração do Resultado Abrangente. A mutação do
patrimônio líquido é formada por apenas dois conjuntos de valores: transações
de capital com os sócios (na sua qualidade de proprietários) e resultado
abrangente total. E o resultado abrangente total é formado, por sua vez, de
três componentes: o resultado líquido do período, os outros resultados
abrangentes e o efeito de reclassificações dos outros resultados abrangentes
para o resultado do período. Veja-se como isso está evidenciado no exemplo.

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Finalmente, o Pronunciamento exige que tanto o resultado líquido do período


quanto os outros resultados abrangentes sejam evidenciados com relação a
quanto pertence aos sócios da entidade controladora e quanto aos sócios não
controladores nas controladas.

Entenda-se! As receitas e despesas de uma entidade devem figurar na


demonstração do resultado do exercício. Por seu turno, as outras variações do
patrimônio líquido, que, futuramente, poderão transitar pelo resultado ou irem
para lucros ou prejuízos acumulados são apresentadas como outros
resultados abrangentes, na chamada demonstração de resultados
abrangentes.

Como exemplo de resultados abrangentes temos: ajustes de conversão do


período e acumulados e os tributos sobre ajustes de conversão do período e
ajuste de avaliação patrimonial.

No exemplo a seguir esses valores ficam automaticamente divulgados.

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O patrimônio líquido consolidado (última coluna) evoluiu de $ 1.808.000 para $


2.520.400 em função de apenas dois conjuntos de fatores: as transações de
capital com os sócios ($ 269.800) e o resultado abrangente ($ 442.600).

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E o resultado abrangente é formado de três componentes: resultado líquido do


período ($ 272.000), outros resultados abrangentes ($ 160.000) e mais o efeito
de uma reclassificação ($ 10.600).

É interessante notar que as reclassificações para o resultado do período não


alteram, na verdade, o patrimônio líquido total da entidade, mas, por
aumentarem ou diminuírem o resultado líquido, precisam ter a contrapartida
evidenciada.

No exemplo dado, há uma transferência de $ 10.600 de prejuízo que constava


como outros resultados abrangentes para o resultado do período.
Imediatamente antes da transferência, o resultado líquido era de $ 260.600
que, diminuído do prejuízo de $ 10.600 agora reconhecido no resultado, passou
a $ 250.000; e o saldo dos outros resultados abrangentes, que estava em $
404.000, passou para $ 414.600.

Assim, a transferência do prejuízo de $ 10.600 dos outros resultados


abrangentes para o resultado do período não muda, efetivamente, o total do
patrimônio líquido, mas como o resultado líquido é mostrado pelo valor
diminuído dessa importância, é necessário recolocá-la na mutação do
patrimônio líquido.

Na demonstração do resultado do período, a última linha será mostrada por $


272.000, porque, a partir desse Pronunciamento Técnico CPC 26 –
Apresentação das Demonstrações Contábeis, o lucro líquido consolidado do
período é o global, incluindo a parte pertencente aos não controladores no
resultado das controladas, mas é obrigatória a evidenciação de ambos os
valores: o pertencente aos sócios da controladora e o pertencente aos que são
sócios apenas nas controladas, como se vê na mutação acima ($ 250.000 e $
22.000, respectivamente nas antepenúltima e penúltima colunas).

O Pronunciamento exige a mesma evidenciação quanto ao resultado abrangente


total, o que está evidenciado também no exemplo acima: $ 414.600 é a parte
dos sócios da controladora e $ 28.000 a parte dos sócios não controladores nas
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controladas, totalizando $ 442.600 para o período.

As mutações que aparecem após o resultado abrangente total correspondem a


mutações internas do patrimônio líquido, que não alteram, efetivamente, seu
total.

Poderia inclusive esse conjunto ser intitulado “mutações internas do patrimônio


líquido” ou semelhante, ou ficar sem título como está no próprio exemplo.

10 CPC 28 – PROPRIEDADES PARA INVESTIMENTO

O primeiro aspecto a se salientar é que o tema veio insculpido no


Pronunciamento Técnico n. 28 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis.

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Estudaremos os aspectos mais importantes para concursos, que é o que nos


interessa.

Alguns conceitos importantes são definidos pela norma. Senão vejamos:

- Valor contábil é o montante pelo qual um ativo é reconhecido no


balanço patrimonial.

Assim, um ativo que esteja reconhecido no balanço pelo valor de R$


100.000,00, deduzido de uma provisão para ajuste ao valor de mercado de R$
20.000,00, terá valor contábil de R$ 80.000,00.

- Propriedade para investimento é a propriedade (terreno ou edifício – ou


parte de edifício – ou ambos) mantida (pelo proprietário ou pelo arrendatário
em arrendamento financeiro) para auferir aluguel ou para valorização do
capital ou para ambas, e não para:

(a) uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades


administrativas; ou
(b) venda no curso ordinário do negócio.

Portanto, este é, indubitavelmente, um dos pontos mais importantes para nossa


prova, saber discernir uma propriedade para investimento.

O CPC a define como aquela que é mantida para auferir aluguel ou para
valorização (ou ambas), contanto que não sejam utilizadas para finalidades
administrativas e nem sejam vendidas como curso ordinário do negócio.

Outro aspecto que merece destaque é o fato de que a propriedade para


investimento não necessita ser juridicamente da entidade que está reportando
as demonstrações contábeis. Pode, também, ser de um arrendatário, no caso
de arrendamento mercantil financeiro (cuidado: arrendamento operacional, em
regra, não!). Trata-se, aqui, da primazia da essência sobre a forma, tão
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propalada nos estudos da contabilidade.

Caso a propriedade seja mantida para uso na produção ou para fornecimento


de bens ou serviços, ou, ainda, para finalidades administrativas, recebe o nome
de propriedade ocupada pelo proprietário.

O grande diferencial, portanto, entre a propriedade mantida para investimento


e a propriedade ocupada pelo proprietário é a classificação. Enquanto a primeira
é contabilizada dentro do ativo não circulante – investimentos, a segunda é
classificada no ativo não circulante – imobilizado (regendo-se eminentemente
pelo CPC 27). Ademais, aquela gera fluxos de caixas altamente independentes
dos outros ativos da sociedade, por deles não depender. Por seu turno, a

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propriedade ocupada pelo proprietário gera fluxos de caixas mais dependentes,


por estarem trabalhando em harmonia dentro da entidade.

Alguns exemplos de propriedade para investimento enunciados pelo CPC são


(item 08):

(a) terrenos mantidos para valorização de capital a longo prazo e não para
venda a curto prazo no curso ordinário dos negócios;
(b) terrenos mantidos para futuro uso correntemente indeterminado (se a
entidade não tiver determinado que usará o terreno como propriedade ocupada
pelo proprietário ou para venda a curto prazo no curso ordinário do negócio, o
terreno é considerado como mantido para valorização do capital);
(c) edifício que seja propriedade da entidade (ou mantido pela entidade em
arrendamento financeiro) e que seja arrendado sob um ou mais arrendamentos
operacionais;
(d) edifício que esteja desocupado, mas mantido para ser arrendado sob um ou
mais arrendamentos operacionais;
(e) propriedade que esteja sendo construída ou desenvolvida para futura
utilização como propriedade para investimento.

Ao revés, não são consideradas propriedades para investimento, ainda segundo


a norma (item 09):

(a) propriedade destinada à venda no decurso ordinário das atividades ou em


vias de construção ou desenvolvimento para tal venda, como, por exemplo,
propriedade adquirida exclusivamente com vista à alienação subsequente no
futuro próximo ou para desenvolvimento e revenda;
(b) propriedade em construção ou desenvolvimento por conta de terceiros;
(c) propriedade ocupada pelo proprietário (como explicamos acima), incluindo
(entre outras coisas) propriedade mantida para uso futuro como propriedade
ocupada pelo proprietário, propriedade mantida para desenvolvimento futuro e
uso subsequente como propriedade ocupada pelo proprietário, propriedade
ocupada por empregados (paguem ou não aluguéis a taxas de mercado)
e propriedade ocupada pelo proprietário no aguardo de alienação;
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(d) propriedade que é arrendada a outra entidade sob arrendamento financeiro.

Outro trecho importante do Pronunciamento é o destacado a seguir:

10. Algumas propriedades compreendem uma parte que é mantida para obter
rendimentos ou para valorização de capital e outra parte que é mantida para
uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades
administrativas. Se essas partes puderem ser vendidas separadamente (ou
arrendadas separadamente sob arrendamento financeiro), a entidade
contabiliza as partes separadamente. Se as partes não puderem ser vendidas
separadamente, a propriedade só é propriedade para investimento se uma
parte insignificante for mantida para uso na produção ou fornecimento de bens
ou serviços ou para finalidades administrativas.

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Em síntese, a propriedade que seja utilizada concomitantemente para


valorização e para uso nas atividades da entidade deverá ser assim analisada:

10.1 RECONHECIMENTO DE UMA PROPRIEDADE PARA INVESTIMENTO

16. A propriedade para investimento deve ser reconhecida como ativo quando,
e apenas quando:

(a) for provável que os benefícios econômicos futuros associados à propriedade


para investimento fluirão para a entidade; e
(b) o custo da propriedade para investimento possa ser mensurado
confiavelmente.

Assim, se a entidade adquire uma propriedade para investimento no valor de


R$ 100.000,00, deverá contabilizá-la por este valor.

Todavia, gastos que se fizerem ulteriormente na propriedade, como custos para


mantê-la, tais como serviços diários, mão-de-obra, bens consumidos na
propriedade, pequenas peças, reparos e manutenção, são reconhecidos na
demonstração do resultado do exercício, como despesa, não devendo ser
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ativados.

Agora, imagine-se que as paredes da propriedade comecem a ruir, tendo a


entidade de substituí-las. Estima-se que o valor da perda seja de R$ 20.000,00
e que as paredes novas custem R$ 15.000,00. O procedimento correto,
segundo o item que transcrevemos a seguir do CPC, é dar baixa no valor que
sofreu perda (R$ 20.000,00), ativando o valor de R$ 15.000,00.

Desconsiderando-se, assim, qualquer outro lançamento, teremos que o ativo


ficará avaliado por R$ 100.000,00 – R$ 20.000,00 + R$ 15.000,00 = R$
95.000,00.

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19. Partes de propriedades para investimento podem ter sido adquiridas por
substituição. Por exemplo, as paredes interiores podem ser substituições das
paredes originais. Segundo o princípio do reconhecimento, a entidade
reconhece no valor contábil de propriedade para investimento o custo da parte
de substituição da propriedade para investimento existente no momento em
que o custo é incorrido se os critérios de reconhecimento forem cumpridos. O
valor contábil das partes que são substituídas é baixado de acordo com as
disposições de baixa deste Pronunciamento.

10.2 MENSURAÇÃO NO RECONHECIMENTO

A propriedade para investimento deve ser inicialmente


mensurada pelo seu custo. Os custos de transação devem
ser incluídos na mensuração inicial (CPC 28, item 20).

O custo de uma propriedade para investimento comprada compreende


o seu preço de compra e qualquer dispêndio diretamente atribuível. Os
dispêndios diretamente atribuíveis incluem, por exemplo, as remunerações
profissionais de serviços legais, impostos de transferência de propriedade e
outros custos de transação (CPC 28, item 21).

24. Se o pagamento de uma propriedade para investimento for a prazo,


o seu custo é o equivalente ao valor à vista. A diferença entre esta quantia
e os pagamentos totais é reconhecida como despesa financeira durante o
período do crédito.

Exemplifiquemos.

Uma propriedade para investimento é adquirida pelo montante de R$


100.000,00, para pagamento em 4 parcelas mensais de R$ 30.000,00 (R$
5.000,00 de juros por parcela – considerando juros simples). Ignore qualquer
outro tipo de custo. Como contabilizar?

D – Propriedade para investimento (ANC – investimento)


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100.000,00
D – Encargos financeiros a transcorrer (Ret. do passivo) 20.000,00
C – Financiamentos a pagar (Passivo) 120.000,00

Com a quitação de cada uma das parcelas, lançamos:

D – Financiamentos a pagar (Passivo) 30.000,00


C – Caixa (Ativo) 30.000,00

D – Despesas com encargos financeiros (Resultado) 5.000,00


C – Encargos financeiros a transcorrer 5.000,00

10.3 MENSURAÇÃO APÓS O RECONHECIMENTO INICIAL

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Dissemos que, inicialmente, a propriedade para investimento é avaliada


pelo custo, como manda o princípio do registro pelo valor original.
Todavia, o custo histórico pode sofrer variações subsequentes.

Assim, a entidade deve adotar, para mensurações posteriores, ou o método do


valor justo ou o método do custo, utilizando-se, assim, dessa política
contábil para todas as suas propriedades para investimento. A entidade escolhe
o método que utilizará.

Propriedade para investimento:

Reconhecimento inicial  Custo.


Mensuração subsequente  Custo ou valor justo.

Repetimos. As propriedades mantidas para investimento, após o registro inicial


pelo custo, podem ser avaliadas pelo valor justo ou pelo custo.

Se forem pelo valor justo, não há depreciação. Pelo custo, são


depreciadas normalmente.

10.3.1 MÉTODO DO VALOR JUSTO

Valor justo é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado entre partes
interessadas, conhecedoras do negócio e independentes entre si, com ausência
de fatores que pressionem para a liquidação da transação ou que caracterizem
uma transação compulsória. O valor justo pode, grosso modo, ser também
conhecido como valor de mercado.

33. Após o reconhecimento inicial, a entidade que escolhe o método do valor


justo deve mensurar todas as suas propriedades para investimento pelo valor
justo, exceto nos casos descritos no item 53.

O ganho ou a perda proveniente de alteração no valor justo de propriedade


para investimento deve ser reconhecido no resultado do período em que ocorra
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(item 35).

Assim, imagine-se uma propriedade para investimento adquirida pelo valor de


R$ 100.000,00. Um ano após, seu valor justo é avaliado em R$ 90.000,00.
Houve uma variação a valor justo no valor de R$ 10.000,00. O lançamento é o
que se segue:

D – Despesa com ajuste a valor justo 10.000,00


C – Ajuste a valor justo (redutora ANC – Investimentos) 10.000,00

53. Há presunção refutável de que a entidade pode confiavelmente mensurar o


valor justo de propriedade para investimento em base contínua. Porém, em
casos excepcionais, quando a entidade adquire pela primeira vez uma

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propriedade para investimento (ou quando a propriedade existente se torne


pela primeira vez propriedade para investimento na sequência da conclusão da
construção ou do desenvolvimento, ou após a alteração de uso), há clara
evidência de que o valor justo da propriedade para investimento não é
mensurável com confiabilidade em base contínua. Isso ocorre quando, e apenas
quando, o mercado de propriedades comparáveis está inativo (por exemplo, há
poucas transações recentes, preços cotados não são atuais ou preços de
transação observadas indicam que o vendedor foi forçado a vender) e quando
não estão disponíveis mensurações alternativas confiáveis de valor justo (por
exemplo, com base em projeções de fluxos de caixa descontados). Se a
entidade concluir que o valor justo de propriedade para investimento em
construção não é mensurável com confiabilidade, mas for esperado que o valor
justo da propriedade seja mensurável com confiabilidade quando a construção
for concluída, a propriedade para investimento em construção deve ser
mensurada ao custo até que seu valor justo se torne confiavelmente
mensurável ou a construção seja concluída (o que ocorrer primeiro). Se a
entidade concluir que o valor justo de propriedade para investimento (outra que
não uma propriedade para investimento em construção) não é confiavelmente
mensurável, a entidade deve mensurar essa propriedade para investimento
usando o método do custo do Pronunciamento Técnico CPC 27 – Ativo
Imobilizado. O valor residual da propriedade para investimento deve ser
assumido como sendo zero. A entidade deve aplicar o Pronunciamento Técnico
CPC 27 até a alienação da propriedade para investimento. (Alterado pela
Revisão CPC 03)

A entidade que escolhe avaliar uma propriedade para investimento a valor justo
deve fazê-lo, havendo presunção de que este valor é possível de ser
determinado. Algumas vezes, contudo, não poderemos determina-lo facilmente.

Nestas hipóteses, manteremos o ativo mensurado pelo custo até que o valor
justo possa ser estimado.

10.3.2 MÉTODO DO CUSTO


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56. Após o reconhecimento inicial, a entidade que escolher o método do custo


deve mensurar todas as suas propriedades para investimento de acordo com os
requisitos do Pronunciamento Técnico CPC 27 para esse método, exceto aquelas
que satisfaçam os critérios de classificação como mantidas para venda (ou que
estejam incluídas em grupo para alienação que esteja classificado como
mantido para venda) de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo
Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada. As propriedades
para investimento que satisfaçam os critérios de classificação como mantidas
para venda (ou que estejam incluídas em um grupo para alienação que esteja
classificado como mantido para venda) devem ser mensuradas de acordo com
esse Pronunciamento.

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10.4 TRANSFERÊNCIA

Uma propriedade para investimento pode vir a se tornar uma propriedade


utilizada pelo proprietário e vice-versa. As transferências para ou de
propriedades para investimento devem ser feitas quando, e apenas quando,
houver alteração de uso, evidenciada pelo seguinte:

(a) início de ocupação pelo proprietário, para transferência de propriedade para


investimento para propriedade ocupada pelo proprietário;
(b) início de desenvolvimento com objetivo de venda, para transferência de
propriedade para investimento para estoque;
(c) fim de ocupação pelo proprietário, para transferência de propriedade
ocupada pelo proprietário para propriedade para investimento;
(d) começo de arrendamento operacional para outra entidade, para
transferência de estoques para propriedade para investimento.

10.5 ALIENAÇÃO

A propriedade para investimento deve ser baixada (eliminada do balanço


patrimonial) na alienação ou quando a propriedade para investimento for
permanentemente retirada de uso e nenhum benefício econômico for esperado
da sua alienação (item 66).

A alienação de propriedade para investimento pode ser alcançada pela venda ou


pela celebração de arrendamento financeiro.

Ganhos ou perdas provenientes da retirada ou alienação de propriedades para


investimento devem ser determinados como a diferença entre os valores
líquidos da alienação e o valor contábil do ativo e devem ser reconhecidos no
resultado.

Segundo a norma:

70. O montante a ser recebido com a alienação de uma propriedade para


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investimento é inicialmente reconhecido pelo valor justo. Em particular, se o


pagamento de uma propriedade para investimento for diferido, a
contraprestação recebida é reconhecida inicialmente pelo equivalente ao preço
à vista. A diferença entre a quantia nominal da contraprestação e o equivalente
ao preço a dinheiro é reconhecida como receita de juros de acordo com o
Pronunciamento Técnico CPC 30 – Receitas usando o método do juro efetivo.

10.6 DIVULGAÇÃO

A entidade deve divulgar se avalia as suas propriedades para investimento pelo


valor justo ou pelo valor de custo.

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11 CPC 31 - ATIVO NÃO CIRCULANTE MANTIDO PARA VENDA E


OPERAÇÃO DESCONTINUADA

11.1 OBJETIVO

Texto do CPC 31:

1. O objetivo deste Pronunciamento Técnico é estabelecer a contabilização de


ativos não circulantes mantidos para venda (colocados à venda) e a
apresentação e a divulgação de operações descontinuadas. Em particular, o
Pronunciamento exige que os ativos que satisfazem aos critérios de
classificação como mantidos para venda sejam:

(a) mensurados pelo menor entre o valor contábil até então registrado e o valor
justo menos as despesas de venda, e que a depreciação ou a amortização
desses ativos cesse;
(b) apresentados separadamente no balanço patrimonial e que os resultados
das operações descontinuadas sejam apresentados separadamente na
demonstração do resultado.

A entidade deve classificar um ativo não circulante como mantido para venda se
o seu valor contábil vai ser recuperado, principalmente, por meio de transação
de venda em vez do uso contínuo. Por exemplo, uma transportadora decide
vender, digamos, 20 caminhões que serão substituídos por veículos novos.
Nesse caso, trata-se se ativo não circulante mantido para venda.

Vamos destacar os seguintes pontos:

1) Os ativos não circulantes mantidos para venda devem ser mensurados pelo
menor entre o valor contábil e o valor justo menos as despesas de vendas.
2) Não devem ser depreciados ou amortizados.
3) devem ser apresentados separadamente no balanço patrimonial .
4) Os resultados das operações descontinuadas devem ser apresentados
separadamente na DRE. 10556374274

Veremos esses pontos com maiores detalhes adiante.

11.2 ALCANCE

Os requisitos de classificação e de apresentação do Pronunciamento Técnico


CPC 31 aplicam-se a todos os ativos não circulantes reconhecidos e a todos os
grupos de ativos mantidos para venda da entidade.

Os requisitos de mensuração deste Pronunciamento aplicam-se a todos os


ativos não circulantes reconhecidos e aos grupos de ativos mantidos para
venda, com exceção dos ativos listados no item 5, que devem continuar a ser
mensurados de acordo com os pronunciamentos específicos aplicáveis.

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Os ativos classificados como não circulantes não devem ser reclassificados para
ativos circulantes enquanto não satisfizerem aos critérios de classificação como
mantidos para venda.

Por vezes, a entidade coloca à venda um grupo de ativos, possivelmente com


alguns passivos diretamente associados, em conjunto numa única transação.
Um grupo de ativos mantido para venda pode ser um grupo de unidades
geradoras de caixa, uma única unidade geradora de caixa ou parte de uma
unidade geradora de caixa

11.3 DEFINIÇÕES

Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos que gera


fluxos de entrada de caixa e que seja amplamente independente dos fluxos de
entrada de caixa de outros ativos ou grupos de ativos.

Componente de uma entidade é a operação e o fluxo de caixa que podem


ser claramente distinguidos, operacionalmente e para fins de demonstrações
contábeis, do resto da entidade.

Despesa de venda é a despesa incremental diretamente atribuível à alienação


de ativo ou grupo de ativos mantido para venda, excluindo despesa financeira e
tributo sobre o lucro.

Ativo circulante é o ativo que satisfaz a qualquer um dos seguintes critérios:

(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou


consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade;
(b) é mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
(c) espera-se que seja realizado no período de até doze meses após a data do
balanço; ou
(d) é caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou seu uso tenha
limitações para a liquidação de passivo durante, pelo menos, doze meses após
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a data do balanço.

Operação descontinuada é o componente da entidade que tenha sido


alienado ou esteja classificado como mantido para venda e:

(a) representa uma importante linha separada de negócios ou área geográfica


de operações;
(b) é parte integrante de um único plano coordenado para vender uma
importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; ou
(c) é uma controlada adquirida exclusivamente com o objetivo de revenda.

Grupo de ativos mantido para venda (colocado à venda) é um grupo de


ativos a ser alienado, por venda ou de outra forma, em conjunto como um

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grupo de ativos em uma só transação, e passivos diretamente associados a


esses ativos que serão transferidos na transação. O grupo de ativos inclui ágio
por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) adquirido em combinação de
negócios se o grupo de ativos for uma unidade geradora de caixa à qual tenha
sido alocado ágio (goodwill) de acordo com os requisitos dos itens 77 a 83 do
Pronunciamento Técnico CPC 01 - Redução ao Valor Recuperável de Ativos ou
se for uma operação dentro dessa unidade geradora de caixa.

Valor justo é o montante pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo
liquidado, entre partes independentes com conhecimento do negócio e interesse
em realizá-lo, em transação em que não há favorecidos.

Compromisso firme de compra é um acordo com uma parte não relacionada,


vinculando ambas as partes e geralmente com vínculo jurídico, que

(a) especifica todos os termos significativos, incluindo o preço e o cronograma


da transação, e
(b) inclui uma penalidade por não desempenho, que é suficientemente grande
para tornar o desempenho altamente provável.

Altamente provável significa mais provável que simplesmente provável.

Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo


circulante.

Provável é o que tem mais chance de ocorrer do que de não ocorrer.

Montante recuperável é o valor mais alto entre o valor justo de um ativo


menos as despesas de venda e o seu valor de uso.

Valor de uso é o valor presente dos fluxos de caixa futuros estimados que se
espera que surjam do uso contínuo de um ativo e da sua disposição ao final da
sua vida útil.
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11.4 CLASSIFICAÇÃO DE ATIVO NÃO CIRCULANTE COMO MANTIDO


PARA VENDA

6. A entidade deve classificar um ativo não circulante como mantido para venda
se o seu valor contábil vai ser recuperado, principalmente, por meio de
transação de venda em vez do uso contínuo.

7. Para que esse seja o caso, o ativo ou o grupo de ativos mantido para venda
deve estar disponível para venda imediata em suas condições atuais,
sujeito apenas aos termos que sejam habituais e costumeiros para venda de
tais ativos mantidos para venda. Com isso, a sua venda deve ser altamente
provável.

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8. Para que a venda seja altamente provável, o nível hierárquico de


gestão apropriado deve estar comprometido com o plano de venda do
ativo, e deve ter sido iniciado um programa firme para localizar um
comprador e concluir o plano. Além disso, o ativo mantido para venda deve
ser efetivamente colocado à venda por preço que seja razoável em relação ao
seu valor justo corrente. Ainda, deve-se esperar que a venda se qualifique
como concluída em até um ano a partir da data da classificação, com exceção
do que é permitido pelo item 9, e as ações necessárias para concluir o plano
devem indicar que é improvável que possa haver alterações significativas no
plano ou que o plano possa ser abandonado.

9. Acontecimentos ou circunstâncias podem estender o período de conclusão da


venda para além de um ano. A extensão do período durante o qual se exige que
a venda seja concluída não impede que o ativo seja classificado como mantido
para venda se o atraso for causado por acontecimentos ou circunstâncias fora
do controle da entidade e se houver evidência suficiente de que a entidade
continua comprometida com o seu plano de venda do ativo. Esse é o caso
quando os critérios do Apêndice B forem satisfeitos.

Para classificar um ativo não circulante como mantido para venda, é necessário
que o ativo esteja disponível para venda imediata, e que esta seja altamente
provável.

Para que a venda seja altamente provável, a alta direção da empresa deve
estar comprometida com o plano de venda no ativo. Espera-se que a venda
esteja concluída no prazo de um ano a partir da data da classificação.

O prazo de um ano pode ser estendido, sem alterar a classificação de ativo


mantido para a venda, se o atraso foi causado por acontecimento ou
circunstância fora do controle da entidade.

11.5 MENSURAÇÃO DE ATIVO NÃO CIRCULANTE CLASSIFICADO COMO


MANTIDO PARA VENDA
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15. A entidade deve mensurar o ativo ou o grupo de ativos não circulantes


classificado como mantido para venda pelo menor entre o seu valor contábil
e o valor justo menos as despesas de venda.

15A. A entidade deve mensurar o ativo não circulante (ou grupo de ativos)
mantido para distribuição aos sócios pelo menor entre seu valor contábil e seu
valor justo diminuído das despesas de distribuição(*). (*) Despesas de
distribuição são as despesas incrementais diretamente atribuíveis à distribuição,
excluídos as financeiras e os tributos sobre o lucro.

Mensuração do ativo não circulante mantido para venda:

Menor valor entre valor contábil e valor justo – despesas de vendas.

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Os ativos não circulante são avaliados pelo valor original, menos a depreciação,
amortização ou exaustão acumulada. Além disso, devem ser submetidos ao
Teste de Recuperabilidade.

No Teste de recuperabilidade, comparamos o valor recuperável com o valor


contábil.

O valor recuperável é o maior entre o valor de uso e o valor líquido de venda.

Mas, no caso de ativo não circulante mantido para venda, o valor do


ativo será recuperável apenas através da venda, e não mais do uso.

Assim, o ativo nesta situação deve ser avaliado pelo valor contábil ou
pelo valor justo menos as despesas de vendas, dos dois o menor. Repare
que é idêntico ao procedimento para o teste de recuperabilidade, com o
abandono do valor de uso.

A entidade deve reconhecer a perda por redução ao valor recuperável


relativamente a qualquer redução inicial ou posterior do ativo ou do grupo de
ativo mantido para venda ao valor justo menos as despesas de venda.

A entidade deve também reconhecer o ganho para qualquer aumento posterior


no valor justo menos as despesas de venda de um ativo, limitado à perda por
redução ao valor recuperável acumulada que tenha sido reconhecida.

25. A entidade não deve depreciar (ou amortizar) o ativo não circulante
enquanto estiver classificado como mantido para venda ou enquanto fizer
parte de grupo de ativos classificado como mantido para venda. Os juros e os
outros gastos atribuíveis aos passivos de grupo de ativos classificado como
mantido para venda devem continuar a ser reconhecidos.

Esta é uma importante alteração na mensuração dos ativos não circulantes


mantidos para venda. A depreciação ou amortização de tais ativos deve
10556374274

cessar.

Alteração em plano de venda

26. Se a entidade tiver classificado um ativo como mantido para venda, mas os
critérios dos itens 7 a 9 já não estiverem mais satisfeitos, a entidade deve
deixar de classificar o ativo como mantido para venda.

27. A entidade deve mensurar o ativo não circulante que deixa de ser
classificado como mantido para venda (ou deixa de ser incluído em grupo de
ativos classificado como mantido para venda) pelo valor mais baixo entre:

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(a) o seu valor contábil antes de o ativo ou o grupo de ativos ser classificado
como mantido para venda, ajustado por qualquer depreciação, amortização ou
reavaliação (se permitida legalmente) que teria sido reconhecida se o ativo ou o
grupo de ativos não estivesse classificado como mantido para venda; e
(b) o seu montante recuperável à data da decisão posterior de não vender.

Se o ativo mantido para venda não atende mais aos critérios para classificação
(ou seja, que o ativo esteja disponível para venda, que a venda seja altamente
provável no prazo de um ano, que o nível hierárquico esteja comprometido com
a venda), a entidade deve retirar o ativo dessa classificação.

Nesse caso, o ativo que deixar de ser contabilizado como mantido para a venda
deve ser avaliado pelo menor valor entre o valor justo ou o valor contábil,
ajustado pela depreciação ou amortização que teria sido reconhecida se o ativo
não fosse classificado como mantido para a venda.

28. A entidade deve incluir qualquer ajuste exigido no valor contábil de ativo
não circulante que deixe de ser classificado como mantido para venda no
resultado (*) de operações em continuidade no período em que os critérios dos
itens 7 a 9 já não estiverem mais satisfeitos. Demonstrações contábeis relativas
aos períodos desde a classificação como mantido para venda devem ser
alteradas, se o ativo não circulante que deixar de ser classificado como mantido
para venda for controlada, operação em conjunto, empreendimento controlado
em conjunto, coligada, ou parcela de participação em empreendimento
controlado em conjunto ou em coligada. A entidade deve apresentar esse ajuste
na mesma linha da demonstração do resultado usada para apresentar o ganho
ou a perda, se houver, reconhecida de acordo com o item 37. (Alterado pela
Revisão CPC 03)

(*) A não ser que o ativo seja um imobilizado ou um intangível que tenha sido
reavaliado (se permitido legalmente) de acordo com o Pronunciamento Técnico
CPC 04 ou CPC 27 antes da classificação como mantido para venda, quando o
ajuste deve ser tratado como acréscimo ou decréscimo da reavaliação.
(Alterado pela Revisão CPC 03 10556374274

Se o ativo não circulante deixar de ser classificado como mantido para venda,
qualquer ajuste necessário no seu valor contábil deve ser incluído no resultado
de operações em continuidade.

Com relação à reavaliação:

A Lei nº 11.638/07 eliminou a possibilidade de reavaliação espontânea de bens.

Assim, os saldos existentes nas reservas de reavaliação constituídas antes da


vigência dessa Lei, inclusive as reavaliações reflexas de controladas e coligadas,
devem:

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(a) ser mantidos até sua efetiva realização; ou


(b) ser estornados até o término do exercício social de 2008.

As empresas que optaram em manter a reavaliação até a sua efetiva realização


devem proceder da seguinte forma:

1) A perda de recuperabilidade deve afetar primeiro o valor da reserva de


reavaliação; no que exceder, irá afetar o resultado.
2) A reversão de perda anterior de recuperabilidade deve recompor o valor do
ativo, contra resultado; o que exceder, irá recompor o valor da reserva de
reavaliação.

11.6 APRESENTAÇÃO E DIVULGAÇÃO

30. A entidade deve apresentar e divulgar informação que permita aos usuários
das demonstrações contábeis avaliarem os efeitos financeiros das
operações descontinuadas e das baixas de ativos não circulantes
mantidos para venda.

O objetivo das demonstrações contábeis é fornecer informações úteis para os


seus usuários. No caso das operações descontinuadas e das baixas de ativo não
circulante, a entidade deve divulgar informações sobre o impacto de tais
medidas no Resultado e na geração de caixa.

11.7 APRESENTAÇÃO DE OPERAÇÃO DESCONTINUADA

31. Um componente da entidade compreende operações e fluxos de caixa que


podem ser claramente distinguidos, operacionalmente e para fins de divulgação
nas demonstrações contábeis, do resto da entidade. Em outras palavras, um
componente da entidade terá sido uma unidade geradora de caixa ou um grupo
de unidades geradoras de caixa enquanto mantido em uso.

32. Uma operação descontinuada é um componente da entidade que foi


baixado ou está classificado como mantido para venda e
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(a) representa uma importante linha separada de negócios ou área geográfica


de operações;
(b) é parte integrante de um único plano coordenado para venda de uma
importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações; ou
(c) é uma controlada adquirida exclusivamente com o objetivo da revenda.

Ativo não circulante mantido para venda x operações descontinuadas

Devemos entender a diferença entra “ativo não


circulante mantido para venda” e “operações
descontinuadas”.

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No primeiro caso (ativo não circulante mantido para venda), a empresa pode
alienar alguns ativos e substituir por outros novos. Não afeta a sua operação.
Por exemplo, uma transportadora decide vender, digamos, 20 caminhões que
serão substituídos por veículos novos. Nesse caso, trata-se se ativo não
circulante mantido para venda.

No caso das operações descontinuadas, a empresa decide vender uma


importante linha separada de negócios ou área geográfica de operações.

Por exemplo, uma transportadora decide não operar mais na região Norte. Por
conta dessa decisão, coloca 20 caminhões à venda, os quais não serão
substituídos. Nesse caso, há uma operação descontinuada.

33. A entidade deve evidenciar:

(a) um montante único na demonstração do resultado compreendendo:

(i) o resultado total após o imposto de renda das operações descontinuadas; e


(ii) os ganhos ou as perdas após o imposto de renda reconhecidos na
mensuração pelo valor justo menos as despesas de venda ou na baixa de ativos
ou de grupo de ativos(s) mantidos para venda que constituam a operação
descontinuada.

(b) análise da quantia única referida na alínea (a) com:

(i) as receitas, as despesas e o resultado antes dos tributos das operações


descontinuadas;
(ii) as despesas com os tributos sobre o lucro relacionadas conforme exigido
pelo item 81(h) do Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro;
(iii) os ganhos ou as perdas reconhecidas na mensuração pelo valor justo
menos as despesas de venda ou na alienação de ativos ou de grupo de ativos
mantidos para venda que constitua a operação descontinuada; e
(iv) as despesas de imposto de renda relacionadas conforme exigido pelo item
81(h) do Pronunciamento Técnico CPC 32 - Tributos sobre o Lucro.
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A análise pode ser apresentada nas notas explicativas ou na demonstração do


resultado. Se for na demonstração do resultado, deve ser apresentada em
seção identificada e que esteja relacionada com as operações descontinuadas,
isto é, separadamente das operações em continuidade. A análise não é exigida
para grupos de ativos mantidos para venda que sejam controladas recém-
adquiridas que satisfaçam aos critérios de classificação como destinadas à
venda no momento da aquisição (ver item 11).

(c) os fluxos de caixa líquidos atribuíveis às atividades operacionais, de


investimento e de financiamento das operações descontinuadas. Essas
evidenciações podem ser apresentadas nas notas explicativas ou nos quadros
das demonstrações contábeis. Essas evidenciações não são exigidas para

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grupos de ativos mantidos para venda que sejam controladas recém-adquiridas


que satisfaçam aos critérios de classificação como destinadas à venda no
momento da aquisição (ver item 11);

(d) o montante do resultado das operações continuadas e o das operações


descontinuadas atribuível aos acionistas controladores. Essa evidenciação pode
ser apresentada alternativamente em notas explicativas que tratam do
resultado.

Ativo não circulante mantido para venda x operações descontinuadas –


aspectos contábeis.

Vejamos agora as diferenças contábeis entre os ativos não circulantes mantidos


para a venda e as operações descontinuadas.

Os resultados do período de uma operação


descontinuada são apresentados numa única linha na
demonstração do resultado, separadamente das
receitas de despesas operacionais continuadas, no final da
demonstração. Nessa mesma linha deve estar também somado o resultado
líquido do tributo na operação de vendas. Todos os detalhes relativos a essa
linha devem ser explicitados preferencialmente em nota explicativa.

A entidade deve divulgar os fluxos de caixa líquidos das atividades operacionais,


de investimento e de financiamento das operações descontinuadas.

A entidade deve ajustar os períodos anteriores apresentados nas


demonstrações contábeis, demonstrando o resultado das operações que tenham
sido descontinuadas à data do balanço do último período apresentado.

36. Se a entidade deixar de classificar um componente da entidade como


mantido para venda, os resultados das operações do componente
anteriormente apresentado em operações descontinuadas, de acordo com os
itens 33 a 35, devem ser reclassificados e incluídos no resultado das operações
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em continuidade em todos os períodos apresentados. Os montantes relativos a


períodos anteriores devem ser descritos como tendo sido novamente
apresentados.

37. Qualquer ganho ou perda relativa à remensuração de ativo não circulante


classificado como mantido para venda que não satisfaça à definição de
operação descontinuada deve ser incluído nos resultados das operações em
continuidade

Os resultados dos componentes da entidade mantidos para venda que deixarem


essa classificação devem ser incluídos novamente no resultado das operações
em continuidade em todos os períodos apresentados.

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Apresentação de ativo não circulante classificado como mantido para


venda

38. A entidade deve apresentar o ativo não circulante classificado como


mantido para venda separadamente dos outros ativos no balanço
patrimonial. Os passivos de grupo de ativos classificado como mantido para
venda devem ser apresentados separadamente dos outros passivos no balanço
patrimonial. Esses ativos e passivos não devem ser compensados nem
apresentados em um único montante. As principais classes de ativos e passivos
classificados como mantidos para venda devem ser divulgadas separadamente
no balanço patrimonial ou nas notas explicativas, exceto conforme permitido
pelo item 39.

A entidade deve apresentar separadamente qualquer receita ou


despesa acumulada reconhecida diretamente no patrimônio líquido
(outros resultados abrangentes) relacionada a um ativo não circulante
ou a um grupo de ativos classificado como mantido para venda.

40. A entidade não deve reclassificar ou reapresentar montantes divulgados de


ativos não circulantes ou de ativos e passivos de grupos de ativos classificados
como mantidos para venda nos balanços de períodos anteriores para refletir a
classificação no balanço do último período apresentado.

Os pontos principais são:

1) O ativo não circulante mantido para venda deve ser apresentado


separadamente dos outros ativos no balanço patrimonial.
2) Os passivos de grupo de ativos classificado como mantido para venda
também devem ser apresentados separadamente.
3) Esses ativos e passivos não devem ser compensados nem apresentados em
um único montante.
4) Quaisquer valores reconhecidos (contabilizados) diretamente no Patrimônio
Líquido (outros resultados abrangentes) relacionados a um ativo não
circulante ou a um grupo de ativos classificado como mantido para venda
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deve ser demonstrado separadamente no balanço patrimonial.

Vamos a um exemplo, para ilustrar melhor a apresentação dos ativos não


circulantes mantidos para venda:

Suponha que uma empresa decida vender parte de seus ativos (e passivos
relacionados), cujos valores contábeis, após a classificação como mantidos para
venda sejam os seguintes:

Imobilizado 10.000
Ativo Financeiro 2.500
Passivos - 5.500
Valor contábil líquido do grupo de ativos 7.000

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Vamos supor, também, que do valor do Ativo Financeiro, $1.000 tenha sido
reconhecido (contabilizado) no Patrimônio Líquido, em outros resultados
abrangentes.

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A apresentação destes valores no balanço patrimonial fica assim:

ATIVO PASSIVO E PL
Ativos Circulantes X Passivo Circulantes X

Ativos não
circulantes
mantidos para Passivos diretamente associados a ativos
venda 12.500 não circulantes classificados para vendas 5.500

Ativo não circulante X Passivo Não circulantes X


Realizável a longo
prazo X
Investimento X Patrimônio Líquido X
Imobilizado X Capital Social X
Intangível X Reservas de Capital X
Ajustes de Avaliação Patrimonial X
Reservas de Lucro X
Valores reconhecidos em outros
resultados abrangentes relacionados a
ativos não circulantes mantidos para
venda 1.000
Ações em tesouraria X
TOTAL DO ATIVO X TOTAL DO PASSIVO E PL X

Observação: exemplo baseado no “Manual de Contabilidade Societária”, de


Sérgio de Iudícibus e outros, 1ª edição, Editora Atlas.

11.8 APRESENTAÇÃO DE OPERAÇÕES DESCONTINUADAS NA


DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO

O item 33 do Pronunciamento exige que a entidade divulgue um valor único na


demonstração do resultado para operações descontinuadas com uma análise
nas notas explicativas ou em uma seção da demonstração do resultado das
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operações em continuidade. O exemplo abaixo ilustra como esses requisitos


podem ser cumpridos.

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Exemplo: Grupo XYZ – Demonstração do resultado do exercício findo em


31 de dezembro de 20X2 (ilustrando a classificação de despesas por
função)

(Em milhares de $) 20X2 20X1


Operações em continuidade
Receita
Custo dos produtos vendidos (X) (X)
Lucro bruto X X
Outras receitas X X
Despesas de distribuição (X) (X)
Despesas administrativas (X) (X)
Outras despesas (X) (X)
Participação no lucro de coligadas X X
Lucro antes das despesas financeiras X X
Despesas financeiras (X) (X)
Lucro antes dos tributos X X
Despesa de imposto de renda e contribuição social (X) (X)
Lucro do período proveniente de operações em continuidade X X
Operações descontinuadas
Lucro do período proveniente de operações descontinuadas (a) X X
Lucro líquido do período X X

12 CPC 24 - EVENTOS SUBSEQUENTES

12.1 OBJETIVO

O objetivo deste Pronunciamento é determinar:

(a) quando a entidade deve ajustar suas demonstrações contábeis com


respeito a eventos subsequentes ao período contábil a que se referem essas
demonstrações; e
(b) as informações que a entidade deve divulgar sobre a data em que é
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concedida a autorização para emissão das demonstrações contábeis e sobre os


eventos subsequentes ao período contábil a que se referem essas
demonstrações.

12.2 DEFINIÇÕES

Os termos abaixo são usados neste Pronunciamento com os seguintes


significados:

Evento subsequente ao período a que se referem as


demonstrações contábeis é aquele evento, favorável ou
desfavorável, que ocorre entre a data final do período a
que se referem as demonstrações contábeis e a data na

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qual é autorizada a emissão dessas demonstrações. Dois tipos de eventos


podem ser identificados:

(a) os que evidenciam condições que já existiam na data final do período


a que se referem as demonstrações contábeis (evento subsequente ao período
contábil a que se referem as demonstrações que originam ajustes);
(b) os que são indicadores de condições que surgiram subsequentemente
ao período contábil a que se referem as demonstrações contábeis (evento
subsequente ao período contábil a que se referem as demonstrações que não
originam ajustes).

12.3 DATA DA CONCLUSÃO DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS.

4. O processo envolvido na autorização da emissão das demonstrações


contábeis varia dependendo da estrutura da administração, das exigências
legais e estatutárias, bem como dos procedimentos seguidos na preparação e
na finalização dessas demonstrações.

5. Em algumas circunstâncias, as entidades têm que submeter suas


demonstrações contábeis à aprovação de seus acionistas após sua emissão. Em
tais casos, consideram-se as demonstrações contábeis como autorizadas
para emissão na data da emissão e não na data em que os acionistas
aprovam as demonstrações

Exemplo: A administração da entidade conclui, em 28 de fevereiro de 20x2, a


sua minuta das demonstrações contábeis referentes ao período contábil
encerrado em 31 de dezembro de 20x1. Em 18 de março de 20x2, a diretoria
examina as demonstrações e autoriza a sua emissão. A entidade anuncia, em
19 de março de 20x2, o seu lucro e outras informações financeiras
selecionadas. As demonstrações contábeis são disponibilizadas aos acionistas e
a outras partes interessadas em 31 de março de 20x2. Os acionistas aprovam
as demonstrações contábeis na sua reunião anual em 30 de abril de 20x2, e as
demonstrações contábeis aprovadas são em seguida encaminhadas para
registro no órgão competente em 17 de maio de 20x2.
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As demonstrações contábeis são autorizadas para emissão em 18 de


março de 20x2 (data da autorização da diretoria para emissão).

6. Em alguns casos, exige-se que a administração da entidade submeta suas


demonstrações contábeis à aprovação do conselho de administração e/ou
conselho fiscal e/ou comitê de auditoria (formados apenas por não executivos),
se houver. Em tais casos, consideram-se as demonstrações contábeis
autorizadas para emissão quando a administração autoriza sua apresentação a
esse conselho e/ou comitê.

Exemplo: Em 18 de março de 20x2, a diretoria executiva da entidade autoriza a


emissão de demonstrações contábeis para o seu conselho. O conselho é

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constituído exclusivamente por não executivos e pode incluir representantes de


empregados e de outros interessados. O conselho aprova as demonstrações
contábeis em 26 de março de 20x2. As demonstrações contábeis são
disponibilizadas aos acionistas e a outras partes interessadas em 31 de março
de 20x2. Os acionistas aprovam as demonstrações contábeis na sua reunião
anual em 30 de abril de 20x2, e as demonstrações contábeis são encaminhadas
para registro no órgão competente em 17 de maio de 20x2.

As demonstrações contábeis são autorizadas para emissão em 18 de


março de 20x2 (data da autorização da administração para submissão
das demonstrações à apreciação do conselho).

12.4 QUANDO EFETUAR AJUSTES

Texto do Pronunciamento CPC 24

Evento subsequente ao período contábil a que se referem as


demonstrações contábeis que originam ajustes

8. A entidade deve ajustar os valores reconhecidos em suas demonstrações


contábeis para que reflitam os eventos subsequentes que evidenciem
condições que já existiam na data final do período contábil a que se
referem as demonstrações contábeis.

9. A seguir são apresentados exemplos de eventos subsequentes ao período


contábil a que se referem as demonstrações contábeis que exigem que a
entidade ajuste os valores reconhecidos em suas demonstrações ou reconheça
itens que não tenham sido previamente reconhecidos:

(a) decisão ou pagamento em processo judicial após o final do período


contábil a que se referem as demonstrações contábeis, confirmando que a
entidade já tinha a obrigação presente ao final daquele período contábil. A
entidade deve ajustar qualquer provisão relacionada ao processo anteriormente
reconhecida de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões,
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Passivos Contingentes e Ativos Contingentes ou registrar nova provisão. A


entidade não divulga meramente um passivo contingente porque a decisão
proporciona provas adicionais que seriam consideradas de acordo com o item
16 do Pronunciamento Técnico CPC 25;
(b) obtenção de informação após o período contábil a que se referem as
demonstrações contábeis, indicando que um ativo estava desvalorizado ao
final daquele período contábil ou que o montante da perda por
desvalorização previamente reconhecida em relação àquele ativo precisa ser
ajustada. Por exemplo:
(i) falência de cliente ocorrida após o período contábil a que se referem
as demonstrações contábeis normalmente confirma que já existia um prejuízo
na conta a receber ao final daquele período, e que a entidade precisa ajustar o
valor contábil da conta a receber; e

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(ii) venda de estoque após o período contábil a que se referem as


demonstrações contábeis pode proporcionar evidência sobre o valor de
realização líquido desses estoques ao final daquele período;
(c) determinação, após o período contábil a que se referem as demonstrações
contábeis, do custo de ativos comprados ou do valor de ativos recebidos
em troca de ativos vendidos antes do final daquele período;
(d) determinação, após o período contábil a que se referem as demonstrações
contábeis, do valor referente ao pagamento de participação nos lucros
ou referente às gratificações, no caso de a entidade ter, ao final do período a
que se referem as demonstrações, uma obrigação presente legal ou construtiva
de fazer tais pagamentos em decorrência de eventos ocorridos antes daquela
data (ver Pronunciamento Técnico CPC 33 – Benefícios a Empregados); e
(e) descoberta de fraude ou erros que mostram que as demonstrações
contábeis estavam incorretas.

12.5 QUANDO NÃO EFETUAR AJUSTES

Evento subsequente ao período contábil a que se referem as


demonstrações contábeis que não originam ajustes

10. A entidade não deve ajustar os valores reconhecidos em suas


demonstrações contábeis por eventos subsequentes que são indicadores de
condições que surgiram após o período contábil a que se referem as
demonstrações.

11. Um exemplo de evento subsequente ao período contábil a que se referem


as demonstrações contábeis que não origina ajustes é o declínio do valor de
mercado de investimentos ocorrido no período compreendido entre o final do
período contábil a que se referem as demonstrações e a data de autorização de
emissão dessas demonstrações. O declínio do valor de mercado não se
relaciona normalmente à condição dos investimentos no final do período
contábil a que se referem as demonstrações contábeis, mas reflete
circunstâncias que surgiram no período seguinte. Portanto, a entidade não
ajusta os valores reconhecidos para os investimentos em suas demonstrações
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contábeis. Igualmente, a entidade não atualiza os valores divulgados para os


investimentos na data do balanço, embora possa necessitar dar divulgação
adicional conforme o item 21.

Importante! O ponto principal para definir se um evento subseqüente será


ajustado ou não é o seguinte:

- Eventos que já existiam na data final do período contábil: devem ser


ajustados.
- Eventos que surgiram após o período contábil: não devem ser
ajustados.

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12.6 DIVIDENDOS

Se a entidade declarar dividendos aos acionistas após o período contábil a que


se referem as demonstrações contábeis, tais dividendos não devem ser
reconhecidos como passivo ao final daquele período.

13. Se forem declarados dividendos após o período contábil a que se referem as


demonstrações contábeis, mas antes da data da autorização de emissão dessas
demonstrações esses dividendos não devem ser reconhecidos como passivo ao
final daquele período, em virtude de não atenderem aos critérios de obrigação
presente na data das demonstrações contábeis como definido no
Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos
Contingentes.

Esses dividendos devem ser divulgados em notas explicativas.

Por outro lado, os dividendos que forem declarados antes da data base das
demonstrações contábeis atendem aos requisitos de obrigação presente e,
portanto, se não pagos devem figurar no passivo da entidade como uma
obrigação.

Mas apenas os dividendos obrigatórios ficam contabilizados no Passivo. Os


dividendos adicionais ficam contabilizados no Patrimônio Líquido, até que a
Assembléia aprove a sua distribuição.

Esta diferença na contabilização ocorre porque a Entidade deve distribuir os


dividendos obrigatórios, mas pode distribuir ou não os dividendos adicionais.
Assim, a mera proposta de distribuição dos dividendos adicionais, antes de sua
aprovação pela Assembléia, não caracteriza uma obrigação, já que a
Assembléia pode determinar pela não distribuição.

Após a aprovação, os dividendos adicionais são transferidos do PL para o


Passivo.
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Dividendo:

- Proposto antes da data de encerramento do balanço:


- Obrigatório: contabilizado no Passivo
- Adicionais: contabilizados no Patrimônio Líquido, até que sejam aprovados
- Propostos após a data de encerramento do balanço:
- Não são contabilizados, são apenas divulgados em Nota Explicativa.

12.7 DIVULGAÇÕES NECESSÁRIAS EM NOTAS EXPLICATIVAS

Data de autorização para emissão

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17. A entidade deve divulgar a data em que foi concedida a autorização


para emissão das demonstrações contábeis e quem forneceu tal autorização. Se
os sócios da entidade ou outros tiverem o poder de alterar as demonstrações
contábeis após sua emissão, a entidade deve divulgar esse fato.

18. É importante que os usuários saibam quando foi autorizada a emissão das
demonstrações contábeis, já que elas não refletem eventos posteriores a essa
data.

Atualização da divulgação sobre condições existentes ao final do


período a que se referem as demonstrações contábeis

19. Se a entidade, após o período a que se referem as demonstrações


contábeis, receber informações sobre condições que existiam até aquela
data, deve atualizar a divulgação que se relaciona a essas condições, à luz
das novas informações.

20. Em alguns casos, a entidade precisa atualizar a divulgação de suas


demonstrações contábeis de modo que reflitam as informações recebidas após
o período contábil a que se referem as demonstrações contábeis, mesmo
quando as informações não afetam os valores reconhecidos nessas
demonstrações. Um exemplo da necessidade de atualização de divulgação é
quando fica disponível, após o período contábil a que se referem as
demonstrações, evidência de contingência passiva que existia ao final do
período contábil a que se referem as demonstrações contábeis. Além de
considerar se deve reconhecer ou modificar uma provisão com base no
Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos
Contingentes, a entidade deve atualizar sua divulgação sobre a contingência
passiva à luz daquela evidência.

Evento subsequente ao período contábil a que se referem as


demonstrações contábeis que não originam ajustes

21. Se os eventos subsequentes ao período contábil a que se referem as


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demonstrações contábeis são significativos, mas não originam ajustes, sua


não divulgação pode influenciar as decisões econômicas a serem tomadas pelos
usuários com base nessas demonstrações. Consequentemente, a entidade
deve divulgar as seguintes informações para cada categoria significativa de
eventos subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações
contábeis que não originam ajustes:

(a) a natureza do evento;


(b) a estimativa de seu efeito financeiro ou uma declaração de que tal
estimativa não pode ser feita.

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22. A seguir, estão relacionados exemplos de eventos subsequentes ao


período contábil a que se referem as demonstrações contábeis que não
originam ajustes, os quais normalmente resultam em divulgação:

(a) combinação de negócios importante após o período contábil a que se


referem as demonstrações contábeis (o Pronunciamento Técnico CPC 15 –
Combinação de Negócios exige divulgação específica em tais casos) ou a
alienação de uma subsidiária importante;
(b) anúncio de plano para descontinuar uma operação;
(c) compras importantes de ativos, classificação de ativos como
mantidos para venda de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 31 –
Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada, outras
alienações de ativos ou desapropriações de ativos importantes pelo
governo;
(d) destruição por incêndio de instalação de produção importante após o
período contábil a que se referem as demonstrações contábeis;
(e) anúncio ou início da implementação de reestruturação importante
(ver Pronunciamento Técnico CPC 25 - Provisões, Passivos Contingentes e
Ativos Contingentes);
(f) transações importantes, efetivas e potenciais, envolvendo ações
ordinárias subsequentes ao período contábil a que se referem as demonstrações
contábeis;
(g) alterações extraordinariamente grandes nos preços dos ativos ou
nas taxas de câmbio após o período contábil a que se referem as
demonstrações contábeis;
(h) alterações nas alíquotas de impostos ou na legislação tributária,
promulgadas ou anunciadas após o período contábil a que se referem as
demonstrações contábeis que tenham efeito significativo sobre os ativos e
passivos fiscais correntes e diferidos (ver Pronunciamento Técnico CPC 32 –
Tributos sobre o Lucro);
(i) assunção de compromissos ou de contingência passiva significativa,
por exemplo, por meio da concessão de garantias significativas;
(j) início de litígio importante, proveniente exclusivamente de eventos que
aconteceram após o período contábil a que se referem as demonstrações
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contábeis

13 RESUMOS DESTA AULA

13.1 RESUMO – TESTE DE RECUPERABILIDADE

1. O teste de recuperabilidade (também conhecido por “impairment test”) tem


como finalidade principal apresentar o valor real pelo qual um ativo será
realizado. Essa realização poderá ser feita tanto pela venda do bem, quanto
pela sua utilização nas atividades empresariais. Vejam que a norma fala em:
assegurar que seus ativos estejam registrados contabilmente por valor
que não exceda seus valores de recuperação.

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Se Valor Contábil > Valor Recuperável  Teste de Recuperabilidade

2. Valor recuperável de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa é o


maior (repita-se: maior) valor entre o valor justo líquido de venda de um ativo
e seu valor em uso.

3. Valor em uso é o valor presente de fluxos de caixa futuros esperados que


devem advir de um ativo ou de unidade geradora de caixa.

4. Valor justo líquido de despesa de venda é o montante a ser obtido pela


venda de um ativo, menos as despesas estimadas de venda.

5. Perda por desvalorização é o montante pelo qual o valor contábil de um


ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável.

6. IMPORTANTE PARA CONCURSOS:

Valor Contábil > Valor Recuperável  Reconhece-se uma perda por


desvalorização.
Valor Recuperável > Valor Contábil  Nada há de ser feito.

7. A entidade deve avaliar ao fim de cada ano se há alguma indicação de que


um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se houver alguma indicação, a
entidade deve estimar o valor recuperável do ativo.

8. Existem três ativos que devem ser avaliados formalmente, ainda que não
haja indícios de perda. São eles:
- Goodwill
- Intangível com vida indefinida
- Intangível que ainda não está em uso.

9. Valor em uso: as estimativas de fluxos de caixa para se achar o valor de


uso devem ser razoáveis, com análise econômica mais profunda sobre o
ambiente externo. A análise do fluxo de caixa também deve se basear em
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políticas mais recentes adotadas pela empresa e abranger um período máximo


de 5 anos adiante (salvo se se justificar período mais longo).

10. A entidade deve avaliar, ao término de cada período de reporte, se há


alguma indicação de que a perda por desvalorização reconhecida em períodos
anteriores para um ativo, exceto o ágio por expectativa de rentabilidade
futura (goodwill), possa não mais existir ou ter diminuído. Se existir alguma
indicação, a entidade deve estimar o valor recuperável desse ativo.

11. A reversão da perda por desvalorização não pode resultar em elevação


do valor contábil do ativo acima do valor original.

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13.2 RESUMO – INTANGÍVEL

1. Ativo intangível é um ativo não monetário, identificável, e sem


substância física.

2. Três são as condições para que os itens acima sejam considerados ativos
intangíveis, a saber:

Identificável
Ativo
Intangível
Controláv
el
Gerador de Benefícios
Econômicos Futuros

Assim, um item será intangível quando atenda esses três requisitos


cumulativamente: seja identificável; seja controlável; seja gerador de
benefícios futuros.

3. Um intangível será reconhecido se, cumulativamente, atender aos seguintes


critérios:
- Atender ao conceito de intangível, ou seja, ser não monetário identificável
sem substância física;
- Ser identificável, controlável e gerar benefícios futuros.

4. Um ativo intangível deve ser reconhecido inicialmente ao custo.

5. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado


internamente não deve ser reconhecido como ativo.

6. Um ativo intangível deve ser reconhecido apenas se:


(a) for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao
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ativo serão gerados em favor da entidade; e


(b) o custo do ativo possa ser mensurado com segurança.

7. Pesquisa é a investigação original e planejada realizada com a expectativa


de adquirir novo conhecimento e entendimento científico ou técnico. Os gastos
com pesquisa devem ser reconhecidos como despesa quando incorridos.

8. Um ativo intangível resultante de desenvolvimento deve ser reconhecido


somente se a entidade puder demonstrar todos os aspectos a seguir
enumerados:
a) viabilidade técnica para concluir o ativo intangível de forma que ele seja
disponibilizado para uso ou venda;
(b) intenção de concluir o ativo intangível e de usá-lo ou vendê-lo;

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(c) capacidade para usar ou vender o ativo intangível;


(d) forma como o ativo intangível deve gerar benefícios econômicos futuros.
(e) disponibilidade de recursos técnicos, financeiros e outros recursos
adequados para concluir seu desenvolvimento e usar ou vender o ativo
intangível; e
(f) capacidade de mensurar com segurança os gastos atribuíveis ao ativo
intangível durante seu desenvolvimento.

9. O custo de ativo intangível gerado internamente inclui todos os gastos


diretamente atribuíveis, necessários à criação, produção e preparação do ativo
para ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração.

10. A contabilização de ativo intangível baseia-se na sua vida útil. Um ativo


intangível com vida útil definida deve ser amortizado, enquanto a de um
ativo intangível com vida útil indefinida não deve ser amortizado.

13.3 RESUMO – SUBVENÇÃO E ASSISTÊNCIA GOVERNAMENTAL.

1 - Subvenção governamental, inclusive subvenção não monetária a valor justo,


não deve ser reconhecida até que exista segurança de que:
(a) a entidade cumprirá todas as condições estabelecidas; e
(b) a subvenção será recebida.

2 - Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao


longo do período confrontada com as despesas que pretende compensar, em
base sistemática, desde que atendidas às condições desta Norma. A
subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no
patrimônio líquido.

3 - Enquanto não atendidos os requisitos para reconhecimento da receita com


subvenção na demonstração do resultado, a contrapartida da subvenção
governamental registrada no ativo deve ser feita em conta específica do
passivo.

4 – A receita de subvenção aumenta o Resultado do Exercício. Para não pagar


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Imposto de Renda, a empresa poderá constituir a Reserva de Incentivos Fiscais,


a qual será excluída da base de cálculo dos dividendos.

5 - A receita de subvenção governamental deve ser reconhecida em bases


sistemáticas e racionais, ao longo do período necessário e confrontada com as
despesas correspondentes.

13.4 RESUMO – AJUSTE A VALOR PRESENTE

1 - A mensuração contábil a valor presente deve ser aplicada no


reconhecimento inicial de ativos e passivos.

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2 - Ativos e passivos monetários com juros implícitos ou explícitos


embutidos devem ser mensurados pelo seu valor presente quando do seu
reconhecimento inicial, por ser este o valor de custo original dentro da
filosofia de valor justo (fair value).

3 - Os elementos integrantes do ativo e do passivo decorrentes de operações de


longo prazo, ou de curto prazo quando houver efeito relevante, devem ser
ajustados a valor presente.

4 - A quantificação do ajuste a valor presente deve ser realizada em base


exponencial "pro rata die", ou seja, conforme a passagem do tempo.

5 - As reversões dos ajustes a valor presente dos ativos e passivos monetários


qualificáveis devem ser apropriadas como receitas ou despesas financeiras,
a não ser que a entidade possa devidamente fundamentar que o financiamento
feito a seus clientes faça parte de suas atividades operacionais, quando então
as reversões serão apropriadas como receita operacional.

6 – Transação com sócio (captação de capital próprio): não afeta o resultado.


Vai afetar apenas o Patrimônio Líquido.

7 – Transação com terceiro: afeta o resultado do exercício.

13.5 RESUMO – POLÍTICAS CONTÁBEIS, MUDANÇA DE ESTIMATIVA E


RETIFICAÇÃO DE ERRO.

1 - Políticas contábeis são os princípios, as bases, as convenções, as regras e


as práticas específicas aplicados pela entidade na elaboração e na apresentação
de demonstrações contábeis.

2 - Mudança na estimativa contábil é um ajuste nos saldos contábeis de


ativo ou de passivo, ou nos montantes relativos ao consumo periódico de ativo,
que decorre da avaliação da situação atual e das obrigações e dos benefícios
futuros esperados associados aos ativos e passivos. As alterações nas
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estimativas contábeis decorrem de nova informação ou inovações e, portanto,


não são retificações de erros.

3 - Erros de períodos anteriores são omissões e incorreções nas


demonstrações contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores
decorrentes da falta de uso, ou uso incorreto, de informação confiável que:

(a) estava disponível quando da autorização para divulgação das


demonstrações contábeis desses períodos; e
(b) pudesse ter sido razoavelmente obtida e levada em consideração na
elaboração e na apresentação dessas demonstrações contábeis.

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Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos, erros na aplicação de


políticas contábeis, descuidos ou interpretações incorretas de fatos e fraudes.

4 - Aplicação retrospectiva é a aplicação de nova política contábil, como se


essa política tivesse sido sempre aplicada.

5 - Aplicação prospectiva de mudança em política contábil e de


reconhecimento do efeito de mudança em estimativa contábil representa,
respectivamente:

(a) a aplicação da nova política contábil a transações, a outros eventos e


a condições que ocorram após a data em que a política é alterada; e
(b) o reconhecimento do efeito da mudança na estimativa contábil nos
períodos corrente e futuro afetados pela mudança.

6 – Alteração na política contábil tem aplicação retrospectiva.

7 – Alteração em estimativa contábil tem aplicação prospectiva.

8 - Quanto à correção de erros:


A) Erros materiais (que podem alterar a decisão dos usuários das
demonstrações contábeis) devem ser ajustados de forma retrospectiva;
B) Erros decorrentes de fraudes (material ou imaterial) devem ter
aplicação retrospectiva.

13.6 RESUMO – PROVISÕES

1 - Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.

2 - Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já


ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da
entidade capazes de gerar benefícios econômicos.

3 - Passivo contingente é: 10556374274

(a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência
será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros
incertos não totalmente sob controle da entidade; ou
(b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é
reconhecida porque:
(i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios
econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou
(ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade.

4 - As provisões são contabilizadas, e os passivos contingentes não são.

5 - Uma provisão deve ser reconhecida quando:

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(a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como
resultado de evento passado;
(b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam
benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e
(c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação.

Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser


reconhecida.

6 - Se a saída de recursos for:

Provável: contabiliza e divulga.


Possível: não contabiliza, mas divulga.
Remota: não contabiliza e nem divulga.

13.7 RESUMO – PROPRIEDADE PARA INVESTIMENTO

1 - Propriedade para investimento é a propriedade (terreno ou edifício –


ou parte de edifício – ou ambos) mantida (pelo proprietário ou pelo
arrendatário em arrendamento financeiro) para auferir aluguel ou para
valorização do capital ou para ambas, e não para:

(a) uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades


administrativas; ou
(b) venda no curso ordinário do negócio.

2 – Mensuração:

Propriedade para investimento:

Reconhecimento inicial  Custo.


Mensuração subsequente  Custo ou valor justo.

13.8 RESUMO – EVENTOS SUBSEQUENTES


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1) Evento subsequente ao período a que se referem as demonstrações


contábeis é aquele evento, favorável ou desfavorável, que ocorre entre a data
final do período a que se referem as demonstrações contábeis e a data na
qual é autorizada a emissão dessas demonstrações.

2) A entidade deve ajustar os valores reconhecidos em suas demonstrações


contábeis para que reflitam os eventos subsequentes que evidenciem
condições que já existiam na data final do período contábil a que se
referem as demonstrações contábeis.

3) Exemplos de eventos subseqüentes que devem ser ajustados:

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(a) decisão ou pagamento em processo judicial;

(b) informação que um ativo estava desvalorizado ao final daquele


período contábil ou que o montante da perda por desvalorização previamente
reconhecida em relação àquele ativo precisa ser ajustada. Por exemplo:

i) falência de cliente confirma que já existia um prejuízo na conta a receber


ao final daquele período, e que a entidade precisa ajustar o valor contábil da
conta a receber; e
(ii) venda de estoque após o período contábil a que se referem as
demonstrações contábeis pode proporcionar evidência sobre o valor de
realização líquido desses estoques ao final daquele período.
(c) determinação, após o período contábil a que se referem as demonstrações
contábeis, do custo de ativos comprados ou do valor de ativos recebidos
em troca de ativos vendidos.
d) determinação do valor referente ao pagamento de participação nos
lucros ou referente às gratificações.
(e) descoberta de fraude ou erros.

4) A entidade não deve ajustar os valores reconhecidos em suas


demonstrações contábeis por eventos subsequentes que são indicadores de
condições que surgiram após o período contábil a que se referem as
demonstrações. Exemplo: declínio do valor de mercado de investimentos
ocorrido no período compreendido entre o final do período contábil a que se
referem as demonstrações e a data de autorização de emissão dessas
demonstrações.

5) Se o evento subseqüente não resulta em ajuste, mas é relevante, deve ser


divulgado em nota explicativa.

6) Exemplos de eventos que não originam ajustes, mas que devem ser
divulgados:
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a) combinação de negócios importante;


b) anúncio de plano para descontinuar uma operação
c) compras importantes de ativos, classificação de ativos como mantidos
para venda, outras alienações de ativos ou desapropriações de ativos
importantes pelo governo;
d) destruição por incêndio de instalação de produção importante
e) anúncio ou início da implementação de reestruturação importante
f) transações importantes, efetivas e potenciais, envolvendo ações
ordinárias
g) alterações extraordinariamente grandes nos preços dos ativos ou nas
taxas de câmbio
h) alterações nas alíquotas de impostos ou na legislação tributária

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i) assunção de compromissos ou de contingência passiva significativa,


por exemplo, por meio da concessão de garantias significativas;
j) início de litígio importante, proveniente exclusivamente de eventos que
aconteceram após o período contábil a que se referem as demonstrações
contábeis

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14 QUESTÕES COMENTADAS

1. (CESPE/Analista/Área 2/ANP/2013) Os ativos intangíveis estão sujeitos


à amortização com base na sua vida útil, que pode sofrer influência tanto de
fatores econômicos quanto de fatores legais. Ativos intangíveis com vida útil
indefinida, no entanto, devem ser amortizados no prazo máximo de dez anos.

Comentários

Como dito, a contabilização de ativo intangível baseia-se na sua vida útil. Um


ativo intangível com vida útil definida deve ser amortizado, enquanto a de um
ativo intangível com vida útil indefinida não deve ser amortizado, sujeitando-se,
todavia, ao teste de recuperabilidade.

Gabarito  Errado.

2. (CESPE/Analista/Área 2/ANP/2013) A legislação societária estabelece


que as obrigações classificadas no passivo não circulante devem ser
apresentadas no balanço patrimonial pelo seu valor presente, desde que o
efeito desse ajuste seja relevante.

Comentários

Art. 184. No balanço, os elementos do passivo serão avaliados de acordo com


os seguintes critérios:

III – as obrigações, os encargos e os riscos classificados no passivo não


circulante serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados
quando houver efeito relevante. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

O item está incorreto. Os elementos do passivo não circulante devem ser


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ajustados. Os do passivo circulante, somente se houver efeito relevante.

Gabarito  Errado.

3. (CESPE/Analista Administrativo/ANP/2013) As doações e as


subvenções para incentivos fiscais recebidas por sociedades anônimas devem
ser registradas como reservas de capital no balanço patrimonial.

Comentários

Conforme dissemos, com as modificações recentes ocorridas na contabilidade


(Leis 11.638 e 11.941) as doações e subvenções para investimento e os

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prêmios na emissão de debêntures não serão mais classificados como


reservas de capital, devendo ser registrados como receitas do exercício, de
acordo com o Princípio da Competência.

Posteriormente, a empresa pode constituir a Reserva de Incentivos Fiscais, para


evitar o pagamento do Imposto de Renda. A Reserva de Incentivos Fiscais é
reserva de lucro, eis que as doações e subvenções para investimento
transitaram pelo resultado do exercício.

Gabarito  Errado.

4. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Os pronunciamentos do CPC


determinam que, na fase em que o ativo intangível ainda não está disponível
para uso, sua capacidade de gerar benefícios econômicos futuros para
recuperar seu valor contábil é, usualmente, sujeita a maior incerteza que na
fase em que ele já está disponível para ser utilizado. Portanto, é necessário que
a entidade proceda, no mínimo anualmente, ao teste por desvalorização de
ativo intangível que ainda não esteja disponível para uso.

Comentários

Questão que trata a um só tempo do CPC 01 (teste de recuperabilidade) e do


CPC 04 (ativo intangível).

A entidade deve avaliar ao fim de cada período de reporte se há alguma


indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se houver alguma
indicação, a entidade deve estimar o valor recuperável do ativo.

Em síntese, funciona assim:

Para os ativos em geral (como os imobilizados), a empresa deve verificar se


há indícios de desvalorização no final do período de reporte (exercício social).
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Havendo indícios, a empresa faz uma estimativa formal da recuperabilidade.


Não havendo, esta estimativa formal está dispensada.

Todavia, existem três ativos que devem ser avaliados formalmente, ainda que
não haja indícios de perda. São eles:

- Goodwill
- Intangível com vida indefinida
- Intangível que ainda não está em uso.

Mas, professores, por que essas exceções à regra? A explicação é simples.

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Os ativos em geral, como os imobilizados, por exemplo, têm reduções em seus


valores ao longo do tempo. Então, mesmo que um ativo imobilizado esteja
avaliado contabilmente por um valor superior ao seu valor recuperável, a
redução em seu valor com o decurso de sua vida útil, gerada, por exemplo, pela
depreciação, vai acabar por diminuir o seu valor contábil, o que atenua esse
registro contábil por valor superior ao recuperável.

Ao revés, o goodwill, o intangível com vida útil indefinida e o ativo intangível


que ainda não está em uso são ativos que têm a característica comum de não
sofrer amortização. Isto é, o seus valores não diminuem com o curso do tempo,
como ocorre com os outros ativos que têm amortização, depreciação, exaustão,
etc.

Com efeito, caso o registro destes três tipos de ativos estejam por valores
superiores aos seus valores recuperáveis, permaneceriam assim caso nenhuma
providência fosse tomada.

Gabarito  Correto.

5. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Ao se efetuar o registro dos ativos


intangíveis, seguindo o que preconiza os pronunciamentos do CPC, os gastos
subsequentes com marcas, títulos de publicações e logomarcas, sempre devem
ser reconhecidos no ativo, uma vez que não devem ser segregados de outros
gastos incorridos no desenvolvimento do negócio como um todo.

Comentários

Segundo o CPC 04 (R1):

20. A natureza dos ativos intangíveis implica, em muitos casos, não haver o que
ser adicionado ao ativo nem se poder substituir parte dele. Por conseguinte, a
maioria dos gastos subsequentes provavelmente são efetuados para manter a
expectativa de benefícios econômicos futuros incorporados ao ativo intangível
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existente, e não atendem à definição de ativo intangível, tampouco aos critérios


de reconhecimento da presente Norma. Além disso, dificilmente gastos
subsequentes são atribuídos diretamente a determinado ativo intangível em vez
da entidade como um todo. Portanto, somente em raras ocasiões os gastos
subsequentes (incorridos após o reconhecimento inicial de ativo intangível
adquirido ou a conclusão de item gerado internamente) devem ser reconhecidos
no valor contábil de um ativo. Em conformidade com o item 63, gastos
subsequentes com marcas, títulos de publicações, logomarcas, listas de
clientes e itens de natureza similar (quer sejam eles adquiridos
externamente ou gerados internamente) sempre devem ser
reconhecidos no resultado, quando incorridos, uma vez que não se
consegue separá-los de outros gastos incorridos no desenvolvimento
do negócio como um todo.

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Gabarito  Errado.

6. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) O reconhecimento de ajustes


decorrentes de omissões e erros de registros ocorridos em anos anteriores ou
de mudanças de critérios contábeis deve ser realizado em contas de resultado.

Comentários

Segundo o CPC 23, erros de períodos anteriores são omissões e incorreções


nas demonstrações contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores
decorrentes da falta de uso, ou uso incorreto, de informação confiável que
estava disponível que ou poderia ser razoavelmente obtida. Tais erros incluem
os efeitos de erros matemáticos, erros na aplicação de políticas
contábeis, descuidos ou interpretações incorretas de fatos e fraudes.

Então, supondo que tenha sido feita erroneamente a contabilização de uma


despesa de juros, cujo valor correto monta a R$ 100.000,00, mas fora
contabilizada por R$ 1.000.000,00.

O lançamento para correção deve ser feito diretamente à conta de lucros ou


prejuízos acumulados.

Quando do lançamento original (o incorreto):

D – Despesa de juros (resultado) 1.000.000


C – Juros a pagar (passivo) 1.000.000

Pela correção do erro, lançaremos:

D – Juros a pagar (passivo) 900.000


C – Lucros ou prejuízos acumulados (PL) 900.000
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Vejam que os juros não podem ser lançados na DRE no exercício posterior, pois
não fazem parte das despesas daquele período. A correção se dá diretamente
na conta lucros ou prejuízos acumulados.

Gabarito  Errado.

7. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Quando não houver expectativa de


benefícios econômicos futuros ou serviços potenciais com a sua utilização ou
alienação, o ativo intangível deve ser baixado.

Comentários

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Nos termos do Pronunciamento Técnico - CPC 04 (R1):

112. O ativo intangível deve ser baixado:

(a) por ocasião de sua alienação; ou


(b) quando não são esperados benefícios econômicos futuros com a sua
utilização ou alienação.

Gabarito  Correto.

8. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Como na fase de pesquisa a


entidade não está apta a demonstrar a existência de ativo intangível, os gastos,
quando incorridos, devem ser reconhecidos em contas de resultado.

Comentários

As fases de pesquisa e desenvolvimento de um ativo intangível, anteriormente,


eram tratados como uma coisa só.

Mas o Pronunciamento CPC 04 – Ativo Intangível estabelece tratamentos


distintos para a pesquisa e para o desenvolvimento de produtos.

Vejamos sua definição, conforme o Pronunciamento CPC 04:

Pesquisa é a investigação original e planejada realizada com a expectativa de


adquirir novo conhecimento e entendimento científico ou técnico.

Desenvolvimento é a aplicação dos resultados da pesquisa ou de outros


conhecimentos em um plano ou projeto visando à produção de materiais,
dispositivos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou
substancialmente aprimorados, antes do início da sua produção comercial ou do
seu uso.
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A diferença de contabilização é a seguinte:

Pesquisa: nenhum ativo intangível resultante de pesquisa deve ser


reconhecido. Os gastos com pesquisa devem ser reconhecidos como despesa
quando incorridos.

Desenvolvimentos: com relação aos projetos de desenvolvimento, a empresa


deve atender às seguintes condições:

(a) viabilidade técnica para concluir o ativo intangível de forma que ele seja
disponibilizado para uso ou venda;
(b) intenção de concluir o ativo intangível e de usá-lo ou vendê-lo;
(c) capacidade para usar ou vender o ativo intangível;

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(d) forma como o ativo intangível deve gerar benefícios econômicos futuros.
Entre outros aspectos, a entidade deve demonstrar a existência de mercado
para os produtos do ativo intangível ou para o próprio ativo intangível ou, caso
este se destine ao uso interno, a sua utilidade;
(e) disponibilidade de recursos técnicos, financeiros e outros recursos
adequados para concluir seu desenvolvimento e usar ou vender o ativo
intangível; e
(f) capacidade de mensurar com confiabilidade os gastos atribuíveis ao ativo
intangível durante seu desenvolvimento.

Se a empresa demonstrar que atende a estas condições, os gastos com o


projeto de desenvolvimento são reconhecidos (contabilizados) no Intangível. Do
contrário, vão para despesa quando incorridos.

Os critérios acima se aplicam a pesquisa e desenvolvimento internos. Se a


empresa adquirir um projeto de pesquisa de outra empresa, deverá classificá-lo
como intangível.

Gabarito  Correto.

9. (CESPE/Analista Contábil/TRT/10ª/2013) Os gastos incorridos com


marcas, títulos de publicações, listas de clientes e outros itens similares
gerados internamente não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis,
ainda que a entidade demonstre que esses gastos possam gerar benefícios
econômicos futuros.

Comentários

Segundo o CPC 04 (R1):

63. Marcas, títulos de publicações, listas de clientes e outros itens similares,


gerados internamente, não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis.
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64. Os gastos incorridos com marcas, títulos de publicações, listas de clientes e


outros itens similares não podem ser separados dos custos relacionados ao
desenvolvimento do negócio como um todo. Dessa forma, esses itens não
devem ser reconhecidos como ativos intangíveis.

Gabarito  Correto.

10. (CESPE/Analista Contábil/TRT/10ª/2013) Deve-se reconhecer uma


provisão para passivo contingente, caso a entidade preveja a necessidade,
ainda que remota, de uma saída de recursos que incorporem benefícios
econômicos para liquidar determinada obrigação.

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Comentários

Temos três possíveis situações:

1. Se a saída futura de recursos for provável, deve ser contabilizado e


divulgado em nota explicativa - Provisão.
2. Se a saída for possível (mas não provável), não deve ser contabilizado, mas
deve ser divulgado em nota explicativa – Passivo contingente divulgado.
3. Se a possibilidade de saída de recursos for remota, não deve ser nem
contabilizado e nem divulgado – Passivo contingente não divulgado.

Portanto, uma vez que a possibilidade de saída de recursos é remota, temos


hipótese de passivo contingente, o que não será divulgado, nem contabilizado.

Gabarito  Errado.

(CESPE/Oficial Inteligência/ABIN/2010)

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Considere que as informações acima tenham sido obtidas da Demonstração das


mutações do patrimônio líquido de uma empresa hipotética, referentes ao ano
de 2009. Com base apenas nessas informações e sem considerar quaisquer
outros efeitos fiscais, julgue os itens a seguir.

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11. O saldo final da conta capital social aumentou R$ 400 mil em relação ao
início do período.
12. O resultado abrangente do período acrescentou R$ 40 mil ao saldo inicial da
conta.
13. Os eventos do período aumentaram as contas de reserva de capital e de
reserva de lucros e reduziram a conta ações em tesouraria.
14. Os dividendos propostos reduzem o patrimônio líquido em R$ 180 mil.
15. O patrimônio líquido total aumentou R$ 300 mil em relação ao início do
período.

Comentários

Montemos a demonstração das mutações do patrimônio líquido, tal como foi


dado no exercício.

DMPL - EM R$
Outros Lucros ou
Capital R. de Ações em Reserva
Contas/Fatos resultados prejuízos Total
Social Capital tesouraria de lucro
abrangentes acumulados
Saldo inicial
2410 150 220 -100 620 - 3300
(31.12.2008)
Aumento de
400 -40 -210 150
capital
Ações em tes.
-20 -20
Adquiridas
Ações em tes.
60 60
Vendidas
Gastos com
emissão de -6 -6
ações
Perdas não
realizadas em
-34 -34
instrumentos
financeiros
Realização da
reserva de -52 10556374274

52 0
reavaliação
Reversão de
0
reservas
Lucro Líquido do
330 330
Exercício
Constituição de
202 -202 0
reservas
Dividendos
-180 -180
propostos
Saldo em
2810 64 174 -60 612 0 3600
31.12.2009

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O gasto na emissão de ações deve ser contabilizado em conta retificadora do


grupo capital social, ou na reserva de capital que registre o prêmio recebido na
emissão de novas ações.

A reserva de reavaliação tratava-se reavaliar os ativos a valor de mercado. Tal


conta fora extinta com as mudanças recentes da contabilidade. Assim, se um
bem estava registrado a R$ 100.000,00 e tivesse valor de mercado de R$
150.000,00, o valor poderia ser ajustado, desde que atendidos determinados
critérios.

A reavaliação foi extinta com a Lei 11.638/2007. A reserva de reavaliação é


considerada realizada na proporção em que se realizarem os bens reavaliados,
devendo ser transferida para lucros ou prejuízos acumulados, sem transitar
pelas contas do resultado.

Lembrem-se de que dissemos que compõem os outros resultados abrangentes


as seguintes operações:

(a) variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (veja


Pronunciamentos Técnicos CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 04 – Ativo
Intangível);
(b) ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido
reconhecidos conforme item 93A do Pronunciamento Técnico CPC 33 –
Benefícios a Empregados;
(c) ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de
operações no exterior (ver Pronunciamento Técnico CPC 02 – Efeitos das
Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis);
(d) ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas na
remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda (ver
Pronunciamento Técnico CPC 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e
Mensuração);

A perda não realizada em instrumento financeiro é nada mais do que uma


perda que ocorreu em instrumento financeiro e que vai circular pela conta
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ajuste de avaliação patrimonial.

Assim, já podemos responder nossos itens:

11. O saldo final da conta capital social aumentou R$ 400 mil em


relação ao início do período.

Correto. Passou de R$ 2.410,00 para R$ 2.810,00.

12. O resultado abrangente do período acrescentou R$ 40 mil ao saldo


inicial da conta.

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Errado, dissemos que o resultado abrangente começa pelo lucro líquido do


exercício e inclui outros resultados abrangentes.

Resultado abrangente total: 330 – 34 – 52 = R$ 244,00.

13. Os eventos do período aumentaram as contas de reserva de capital


e de reserva de lucros e reduziram a conta ações em tesouraria.

Errado. Os três grupos tiveram seus saldos diminuídos de valor.

14. Os dividendos propostos reduzem o patrimônio líquido em R$ 180


mil.

Correto. A contabilização reduz o patrimônio líquido neste valor, em


contrapartida a conta de passivo exigível.

15. O patrimônio líquido total aumentou R$ 300 mil em relação ao início


do período.

Correto. O saldo em 31.12.2008 era R$ 330.000,00 e passou para R$


360.000,00

16. (CESPE/Ciências Contábeis/ABIN/2010) Determinada entidade, ao


realizar os testes para a recuperabilidade de seus ativos, não encontrou
mercado ativo para sua unidade geradora de caixa, estimando, porém, que o
correspondente valor em uso era de R$ 10 milhões. O valor contábil líquido da
unidade geradora de caixa registrava R$ 12 milhões. Nessa situação, a entidade
deveria reconhecer o fato com reduções no ativo e no resultado do período pelo
valor da diferença de R$ 2 milhões.

Comentários

O item está correto. Como o valor contábil é maior do que o valor recuperável,
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reconhece-se uma perda por desvalorização no valor de R$ 2 milhões, devendo


o lançamento ser feito a débito de conta de resultado e a crédito de conta
retificadora do ativo imobilizado.

Gabarito  Correto.

17. (CESPE/Ciências Contábeis/ABIN/2010) Ao realizar os testes para a


recuperabilidade de seus ativos, determinada entidade realizou as estimativas
para o valor recuperável de sua unidade geradora de caixa, encontrando um
valor realizável líquido de R$ 3,5 milhões e um valor de uso de R$ 3 milhões. O
valor contábil líquido da unidade geradora de caixa está registrado como R$ 4

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milhões. Nessa situação, a entidade deverá reconhecer uma perda ao valor


recuperável de R$ 1 milhão.

Comentários

O item está incorreto. O valor recuperável é o maior valor entre o valor em uso
e o valor justo líquido de despesas de vendas. Neste caso, o maior é R$ 3,5
milhões. A perda a ser reconhecida é, portanto, de R$ 500.000,00.

Gabarito  Errada.

18. (CESPE/Especialista Contábil/Eletrobrás/2013) O custo de um bem


deve ser reconhecido como ativo imobilizado se houver previsão de que os
futuros benefícios econômicos associados ao bem retornarão à entidade e de
que o custo do bem será mensurado confiavelmente.

Comentários

Segundo o CPC 27:

7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se,
e apenas se:

(a) for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item


fluirão para a entidade; e
(b) o custo do item puder ser mensurado confiavelmente.

Gabarito  Correto.

19. (CESPE/Especialista Contábil/Eletrobrás/2013) A possibilidade de o


custo de determinado item do ativo imobilizado ser mensurado com
confiabilidade está entre as condições para que esse item seja reconhecido
como ativo.
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Comentários

Segundo o CPC 27:

7. O custo de um item de ativo imobilizado deve ser reconhecido como ativo se,
e apenas se:

(a) for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item


fluirão para a entidade; e
(b) o custo do item puder ser mensurado confiavelmente.

Gabarito  Correto.

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20. (CESPE/Analista/Contabilidade/CNJ/2013) Uma entidade não deve


reconhecer os custos da manutenção periódica de um item do ativo imobilizado
no valor contábil desse item. Pelo contrário, quando incorridos, esses custos são
reconhecidos no resultado.

Comentários

Segundo o CPC 27:

12. Segundo o princípio de reconhecimento do item 7, a entidade não


reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado os custos
da manutenção periódica do item. Pelo contrário, esses custos são
reconhecidos no resultado quando incorridos. Os custos da manutenção
periódica são principalmente os custos de mão-de-obra e de produtos
consumíveis, e podem incluir o custo de pequenas peças. A finalidade desses
gastos é muitas vezes descrita como sendo para “reparo e manutenção” de
item do ativo imobilizado.

Os gastos subsequentes podem ser divididos em manutenção periódica (que


vai para despesa) e as paradas programadas (que são ativadas, isto é, o
valor gasto é contabilizado no custo do ativo, e passa a ser depreciado).

Gabarito  Correto.

21. (CESPE/Analista/Contabilidade/CNJ/2013) Atualmente, o


reconhecimento dos custos no valor contábil de um item do ativo imobilizado
cessa quando o item está no local e nas condições operacionais pretendidas
pela administração. Entretanto, os custos incorridos no uso, na transferência ou
na reinstalação de um item são incluídos no seu valor contábil, como, por
exemplo, os custos de realocação ou reorganização de parte das operações da
entidade.

Comentários 10556374274

O reconhecimento dos custos no valor contábil de um item do ativo imobilizado


cessa quando o item está no local e nas condições operacionais
pretendidas pela administração. Portanto, os custos incorridos no uso ou na
transferência ou reinstalação de um item não são incluídos no seu valor
contábil, como, por exemplo, os seguintes custos:

(a) custos incorridos durante o período em que o ativo capaz de operar nas
condições operacionais pretendidas pela administração não é utilizado ou está
sendo operado a uma capacidade inferior à sua capacidade total;
(b) prejuízos operacionais iniciais, tais como os incorridos enquanto a demanda
pelos produtos do ativo é estabelecida; e

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(c) custos de realocação ou reorganização de parte ou de todas as operações da


entidade.

Gabarito  Errado.

22. (CESPE/Analista Administrativo/ANP/2013) O reparo e a manutenção


de um ativo podem preservar suas condições originais, mas não evitam a
necessidade de depreciá-lo. No entanto, o programa de reparos e de
manutenção é considerado na determinação da vida útil do ativo, exercendo,
assim, influência sobre o valor da depreciação.

Comentários

Segundo o CPC 27:

56. Os benefícios econômicos futuros incorporados no ativo são consumidos


pela entidade principalmente por meio do seu uso. Porém, outros fatores, tais
como obsolescência técnica ou comercial e desgaste normal enquanto o ativo
permanece ocioso, muitas vezes dão origem à diminuição dos benefícios
econômicos que poderiam ter sido obtidos do ativo. Consequentemente, todos
os seguintes fatores são considerados na determinação da vida útil de
um ativo:

(a) uso esperado do ativo que é avaliado com base na capacidade ou


produção física esperadas do ativo;
(b) desgaste físico normal esperado, que depende de fatores operacionais tais
como o número de turnos durante os quais o ativo será usado, o programa de
reparos e manutenção e o cuidado e a manutenção do ativo enquanto estiver
ocioso;
(c) obsolescência técnica ou comercial proveniente de mudanças ou
melhorias na produção, ou de mudança na demanda do mercado para o
produto ou serviço derivado do ativo;
(d) limites legais ou semelhantes no uso do ativo, tais como as datas de
término dos contratos de arrendamento mercantil relativos ao ativo.
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Gabarito  Correto.

23. (CESPE/Analista Ministerial/MPE/PI/2012) A possibilidade de


ocorrência de um evento futuro que afete negativamente o patrimônio de uma
entidade deve ser registrada como um passivo dessa entidade.

Comentários

Incorreto. A questão trouxe à tona o conceito de passivo contingente, já que


alude somente à possibilidade de saída de recursos.

Gabarito  Errado.

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24. (CESPE/Analista Ministerial/MPE/PI/2012) O teste de


recuperabilidade de ativos deve ser realizado anualmente para ativos
intangíveis com vida útil indefinida.

Comentários

Segundo o CPC 01:

10. Independentemente de existir, ou não, qualquer indicação de redução ao


valor recuperável, a entidade deve:

(a) testar, no mínimo anualmente, a redução ao valor recuperável de um ativo


intangível com vida útil indefinida ou de um ativo intangível ainda não
disponível para uso, comparando o seu valor contábil com seu valor
recuperável. Esse teste de redução ao valor recuperável pode ser executado a
qualquer momento no período de um ano, desde que seja executado, todo ano,
no mesmo período. Ativos intangíveis diferentes podem ter o valor recuperável
testado em períodos diferentes. Entretanto, se tais ativos intangíveis foram
inicialmente reconhecidos durante o ano corrente, devem ter a redução ao valor
recuperável testada antes do fim do ano corrente; e
(b) testar, anualmente, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura
(goodwill) em combinação de negócios, de acordo com os itens 80 a 99.

Gabarito  Correto.

25. (CESPE/Técnico de Controle Interno/MPU/2010) Os gastos incorridos


na fase de pesquisa de novos produtos devem ser reconhecidos como ativo
intangível, uma vez que esses gastos atendem às condições de reconhecimento
de um ativo, sobretudo no que diz respeito à garantia mínima de provável
geração de benefícios futuros.

Comentários
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Já vimos que o item está incorreto, uma vez que nenhum ativo intangível deve
ser reconhecido em fase de pesquisa.

Gabarito  Errado.

26. (CESPE/Agente/Polícia Federal/2012) O valor amortizável de ativo


intangível com vida útil indefinida deverá ser amortizado de modo a refletir o
padrão de consumo, pela entidade, dos benefícios econômicos futuros.

Comentários

O item está incorreto.

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A contabilização de ativo intangível baseia-se na sua vida útil. Um ativo


intangível com vida útil definida deve ser amortizado, enquanto a de um ativo
intangível com vida útil indefinida não deve ser amortizado, sujeitando-se,
porém, ao teste de recuperabilidade.

Gabarito  Errado.

27. (CESPE/Técnico em Contabilidade/MPU/2010) A propriedade para


investimento deve ser mensurada, inicialmente, pelo valor médio de mercado,
que é seu valor justo na ocasião.

Comentários

Inicialmente, a propriedade para investimento é avaliado pelo custo, como


manda o princípio do registro pelo valor original. Todavia, o custo histórico pode
sofrer variações subsequentes.

Assim, a entidade deve adotar, para mensurações posteriores, ou o método do


valor justo ou o método do custo, utilizando-se, assim, dessa política contábil
para todas as suas propriedades para investimento.

Gabarito  Errado.

28. (CESPE/ABIN/Oficial de Inteligência/2010) Julgue o item a seguir,


relativo ao reconhecimento e à mensuração de contas patrimoniais.

A determinação do custo inicial do direito de uso de uma propriedade, para


investimento obtido por meio de um arrendamento financeiro, deve ser feita
pelo menor entre o valor justo do direito de uso sobre a propriedade e o valor
dos pagamentos mínimos do arrendamento.

Comentários

O item está incorreto. Segundo o CPC 28: 10556374274

25. O custo inicial do interesse em propriedade mantido em arrendamento e


classificado como propriedade para investimento deve ser o estabelecido para
arrendamento financeiro no item 20 do Pronunciamento Técnico CPC 06 –
Operações de Arrendamento Mercantil, isto é, o ativo deve ser reconhecido pelo
menor entre o valor justo da propriedade e o valor presente dos pagamentos
mínimos do arrendamento. Montante equivalente deve ser reconhecido como
passivo de acordo com o mesmo item.

Portanto, a comparação se dá com o valor presente dos pagamentos mínimos e


não com o valor nominal, como propôs o item.

Gabarito  Errado.

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29. (CESPE/Técnico em Contabilidade/MPU/2010) Os ativos intangíveis


com vida útil definida, embora sejam objeto de amortização periódica em
resultado para reconhecimento de sua realização contábil, estão sujeitos à
avaliação do seu valor de recuperação.

Comentários

O item está correto. Embora tenhamos dito que o ativo intangível com vida útil
definida está sujeito à amortização, deverá ele também se sujeitar ao teste de
recuperabilidade, para análise se será possível recuperar o valor contábil deste
ativo. Tal disposição encontra-se posta no FIPECAFI, com a seguinte redação:
os ativos intangíveis com vida útil definida, embora sejam objeto de
amortização periódica em resultado para reconhecimento de sua realização
contábil, estão sujeitos, como todo e qualquer ativo, à avaliação do seu valor de
recuperação.

Gabarito  Correto.

30. (CESPE/Analista de Correio/Contador/2011) A divulgação de um


passivo contingente é feita no grupo de passivos não circulantes.

Comentários

Esta é uma hipótese de passivo contingente, que não é contabilizado no


passivo.

Os passivos contingentes são divulgados somente em notas explicativos.

Gabarito  Errado.

31. (CESPE/CADE/Contador/2014) Os benefícios econômicos futuros


gerados por ativo intangível podem influenciar a DRE em contas de receitas ou
10556374274

despesas/custos. Tal flexibilidade ocorre porque esses benefícios podem


aumentar a receita da venda de produtos ou serviços ou reduzir os custos
resultantes do uso do ativo pela entidade.

Comentário:

Conforme o CPC 04 (R1) – Ativo Intangível

17. Os benefícios econômicos futuros gerados por ativo intangível podem incluir
a receita da venda de produtos ou serviços, redução de custos ou
outros benefícios resultantes do uso do ativo pela entidade. Por exemplo,
o uso da propriedade intelectual em um processo de produção pode reduzir os
custos de produção futuros em vez de aumentar as receitas futuras.

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Portanto, repita-se! O benefício econômico futuro não inclui apenas as


receitas. Podem incluir a redução de custos ou consistir em outros benefícios
para a entidade.

Gabarito  Correto.

Com base nos pronunciamentos do CPC e nos seus reflexos na elaboração e


divulgação das demonstrações contábeis, julgue o item a seguir.

32. (CESPE/CADE/Contador/2014) A distinção básica entre ativo intangível


e goodwill reside no fato de o primeiro ser, necessariamente, identificável, ao
passo que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) não
é identificado individualmente apesar de ser um ativo que representa benefícios
econômicos futuros, gerados por outros ativos adquiridos em uma combinação
de negócios.

Comentário:

Vejamos um exemplo. Suponha que uma empresa seja avaliada pelo valor de
mercado em $ 100.000. Todavia, um comprador, interessado no negócio,
examinando a situação da empresa resolve pagar $ 120.000. Nesta situação
temos um goodwill de $ 20.000. Não podemos identificar individualmente os
itens que compõem este ágio. O ágio, neste caso, pode ser considerado como o
somatório de vários itens não identificáveis como, por exemplo, capital
intelectual, marca, tecnologia, lealdade dos clientes.

Gravem para a prova! É esta a diferença entre o intangível e o ágio de


expectativa futura: o intangível pode ser reconhecido individualmente,
o ágio não.

Vejam se ficou mais fácil compreender o texto abaixo, do CPC 04 – Ativo


Intangível:
10556374274

11. A definição de ativo intangível requer que ele seja identificável, para
diferenciá-lo do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill).
O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) reconhecido
em uma combinação de negócios é um ativo que representa benefícios
econômicos futuros gerados por outros ativos adquiridos em uma combinação
de negócios, que não são identificados individualmente e reconhecidos
separadamente.

É só lembrar o exemplo da compra de uma sociedade empresária no seu todo


citado acima que a compreensão fica facílima. Os ativos em sinergia valorizam
a sociedade como um todo, sendo que individualmente falando não
chegaríamos a este valor.

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Gabarito  Correto.

Com relação aos pronunciamentos técnicos do Comitê de Pronunciamentos


Contábeis (CPC), julgue o item a seguir.

33. (CESPE/PF/Contabilidade/2014) O intangível gerado internamente


somente deve ser reconhecido como ativo quando se encontrar na fase de
desenvolvimento e a entidade que detiver o seu controle puder demonstrar uma
série de aspectos exigidos pelo CPC, destinados a indicar que esse intangível é
capaz de gerar benefícios econômicos futuros.

Comentário:

Devemos lembrar a diferença entre as fases de Pesquisa e Desenvolvimento:

54. Nenhum ativo intangível resultante de pesquisa (ou da fase de pesquisa de


projeto interno) deve ser reconhecido. Os gastos com pesquisa (ou da fase
de pesquisa de projeto interno) devem ser reconhecidos como despesa
quando incorridos.

Gastos com Despesa quando


Pesquisa incorridos

55. Durante a fase de pesquisa de projeto interno, a entidade não está apta a
demonstrar a existência de ativo intangível que gerará prováveis benefícios
econômicos futuros. Portanto, tais gastos são reconhecidos como despesa
quando incorridos.

São exemplos de atividades de pesquisa: a) atividades destinadas à obtenção


de novo conhecimento; b) busca de alternativas para materiais, dispositivos,
produtos, processos, sistemas ou serviços; c) busca, avaliação e seleção final
das aplicações dos resultados de pesquisa ou outros conhecimentos; e d)
formulação, projeto, avaliação e seleção final de alternativas possíveis para
10556374274

materiais, dispositivos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou


aperfeiçoados.

Desenvolvimento:

57. Um ativo intangível resultante de desenvolvimento (ou da fase de


desenvolvimento de projeto interno) deve ser reconhecido somente se a
entidade puder demonstrar todos os aspectos a seguir enumerados:
(a) viabilidade técnica para concluir o ativo intangível de forma que ele seja
disponibilizado para uso ou venda;
(b) intenção de concluir o ativo intangível e de usá-lo ou vendê-lo;
(c) capacidade para usar ou vender o ativo intangível;
(d) forma como o ativo intangível deve gerar benefícios econômicos futuros.

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(e) disponibilidade de recursos técnicos, financeiros e outros recursos


adequados para concluir seu desenvolvimento e usar ou vender o ativo
intangível; e
(f) capacidade de mensurar com segurança os gastos atribuíveis ao ativo
intangível durante seu desenvolvimento.

Portanto, na fase de desenvolvimento, o ativo intangível deve ser reconhecido


(contabilizado), desde que a empresa possa demonstrar uma série de aspectos
destinados a indicar que esse intangível é capaz de gerar benefícios econômicos
futuros.

Gabarito  Correto.

Acerca dos ativos intangíveis e do teste de impairment, julgue o item a seguir.

34. (CESPE/ANATEL/Contabilidade/2014) Os gastos com pesquisa e


desenvolvimento de um ativo intangível são tratados, respectivamente, como
despesa no resultado do período e ativo, caso demonstrem, entre outros
aspectos, capacidade de gerar benefícios econômicos futuros.

Comentário:

Pesquisa: nenhum gasto com pesquisa deve ser ativado. Os gastos com
pesquisa devem ser contabilizados como despesa quando incorridos.

Desenvolvimento: na fase de desenvolvimento, os gastos podem ser


contabilizados como ativo intangível, desde que a empresa consiga demonstrar
que irá atender a alguns aspectos que indicam a viabilidade econômica do ativo.

Gabarito  Correto.

35. (CESPE/TJ CE/Técnico – Ciências Contábeis/2014)

valores em reais
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Gastos Gastos Gastos


incorridos incorridos projetados
em 2012 em 2013 para 2014
Projeto 1 200.000 300.000 300.000
Projeto 2 50.000 200.000 150.000
Projeto 3 - 100.000 200.000
250.000 600.000 650.000

Suponha que a Cia. ABC mantenha três projetos internos em fase de pesquisa e
apresente os gastos incorridos e estimados expostos na tabela acima. Suponha,
ainda, que a Cia. ABC tenha encerrado o exercício social em 31 de dezembro de

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2013. Com base nessa situação hipotética e considerando os pronunciamentos


técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, os relatórios contábil-
financeiros de 2013 da Cia. ABC apresentarão o reconhecimento de

A) R$ 850.000 em ativos intangíveis — projetos internos em fase de pesquisa.


B) R$ 850.000 em ativos intangíveis — projetos internos — e R$ 650.000 em
despesas a realizar.
C) R$ 600.000 em despesas de projetos internos em fase de pesquisa.
D) R$ 850.000 em despesas de projetos internos em fase de pesquisa.
E) R$ 600.000 em ativos intangíveis — projetos internos em fase de pesquisa.

Comentário:

Pesquisa: nenhum gasto com pesquisa deve ser ativado. Os gastos com
pesquisa devem ser contabilizados como despesa quando incorridos.

Desenvolvimento: na fase de desenvolvimento, os gastos podem ser


contabilizados como ativo intangível, desde que a empresa consiga demonstrar
que irá atender a alguns aspectos que indicam a viabilidade econômica do ativo.

A Cia ABC tem três projetos de pesquisa. Portanto, deverá classificar como
despesas o gasto de 2013. As despesas de 2012 já foram contabilizadas no ano
anterior; os gastos projetados para 2014 deverão ser contabilizados quando
incorridos.

Assim, a empresa irá contabilizar 600.000 como despesa, em 2013.

Gabarito  C

Acerca das regras contábeis que envolvem ativos intangíveis de companhias


abertas, julgue o item que se segue.

36. (CESPE/PF/Contabilidade/2014) Ativos monetários identificáveis e sem


substância física devem ser classificados contabilmente como ativos intangíveis.
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Comentário:

IMPORTANTÍSSIMO: Ativo intangível é um ativo não monetário


identificável sem substância física.

A questão menciona “ativo monetário”. Está, portanto, errada.

Gabarito  Errado

Acerca dos ativos intangíveis e do teste de impairment, julgue o item a seguir.

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37. (CESPE/ANATEL/Contabilidade/2014) Um ativo intangível consiste em


um direito monetário não identificável e não dotado de substância física.

Comentário:

De novo? Conforme já mencionamos:

IMPORTANTÍSSIMO: Ativo intangível é um ativo não monetário


identificável sem substância física.

A questão menciona “direito monetário” e “não identificável”. Está, portanto,


errada. Deveria ser “não monetário” e “identificável”.

Gabarito  Errado

38. (CESPE/Auditor Federal de Controle Externo/TCU/2015) No fim do


exercício social, determinada empresa estimou os seguintes valores para os
processos judiciais em que figurava como ré em relação aos quais os
especialistas consideravam haver probabilidades de perda.

Nesse caso, o montante de R$ 124,971 milhões deverá ser reconhecido no


balanço patrimonial do exercício, em contas classificadas no passivo exigível,
em subgrupos de provisões e de acordo com os prazos de liquidação.

Comentários: 10556374274

Segundo o CPC 25:

Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos.

Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já


ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da
entidade capazes de gerar benefícios econômicos.

Passivo contingente é:

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(a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência
será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros
incertos não totalmente sob controle da entidade; ou
(b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é
reconhecida porque:
(i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios
econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou
(ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade.

Ainda, nos termos do Pronunciamento:

Reconhecimento

Provisão

14. Uma provisão deve ser reconhecida quando:

(a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como
resultado de evento passado;
(b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam
benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e
(c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação.

Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser


reconhecida.

Como o item asseverou que “os especialistas consideravam haver


probabilidades de perda”, não sabemos se essa possibilidade de perda é
provável (provisão), possível (passivo contingente divulgado) ou remota
(passivo contingente não divulgado). O termo probabilidade, por si só, é muito
fraco para que possamos dizer se é ou não caso de constituição de provisão.
A banca anulou a questão, com a seguinte justificativa:

Deferido c/ anulação A utilização do termo “haver probabilidade” prejudicou o


10556374274

julgamento objetivo do item.

Gabarito preliminar  Errada.


Gabarito definitivo  Anulada.

39. (CESPE/Auditor Federal de Controle Externo/TCU/2015) Ao final de


2014, determinada companhia estimou o valor em uso do seu imobilizado em
R$ 2 milhões e o valor líquido de venda em R$ 1,7 milhão. Na mesma data, o
valor contábil líquido desse imobilizado era de R$ 1,5 milhão.

Nesse caso, a companhia deve fazer um lançamento contábil para redução ao


valor recuperável, cujo débito será em conta de resultado, resultando em
redução da situação líquida da companhia.

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Comentários

O item está incorreto.

O teste de recuperabilidade consiste em apurar o maior entre os dois valores


acima e compará-lo com o valor contábil. Se o valor recuperável do ativo for
maior que o valor contábil, não é necessário nenhuma contabilização.

Mas, se ocorre o contrário, ou seja, o valor contábil é maior que o valor


recuperável, aí devemos reconhecer (contabilizar) uma perda.
Nesse caso, temos:

- Valor contábil: 1,5 milhão

- Valor em uso: 2 milhões


- Valor realizável justo líquido de despesa de venda: 1,7 milhão

Portanto, o valor recuperável é de R$ 2 milhões, superior ao valor contábil.


Nenhum registro há que ser feito, em homenagem ao princípio da prudência.

Gabarito  Errado.

10556374274

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15 QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

1. (CESPE/Analista/Área 2/ANP/2013) Os ativos intangíveis estão sujeitos


à amortização com base na sua vida útil, que pode sofrer influência tanto de
fatores econômicos quanto de fatores legais. Ativos intangíveis com vida útil
indefinida, no entanto, devem ser amortizados no prazo máximo de dez anos.

2. (CESPE/Analista/Área 2/ANP/2013) A legislação societária estabelece


que as obrigações classificadas no passivo não circulante devem ser
apresentadas no balanço patrimonial pelo seu valor presente, desde que o
efeito desse ajuste seja relevante.

3. (CESPE/Analista Administrativo/ANP/2013) As doações e as


subvenções para incentivos fiscais recebidas por sociedades anônimas devem
ser registradas como reservas de capital no balanço patrimonial.

4. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Os pronunciamentos do CPC


determinam que, na fase em que o ativo intangível ainda não está disponível
para uso, sua capacidade de gerar benefícios econômicos futuros para
recuperar seu valor contábil é, usualmente, sujeita a maior incerteza que na
fase em que ele já está disponível para ser utilizado. Portanto, é necessário que
a entidade proceda, no mínimo anualmente, ao teste por desvalorização de
ativo intangível que ainda não esteja disponível para uso.

5. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Ao se efetuar o registro dos ativos


intangíveis, seguindo o que preconiza os pronunciamentos do CPC, os gastos
subsequentes com marcas, títulos de publicações e logomarcas, sempre devem
ser reconhecidos no ativo, uma vez que não devem ser segregados de outros
gastos incorridos no desenvolvimento do negócio como um todo.

6. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) O reconhecimento de ajustes


decorrentes de omissões e erros de registros ocorridos em anos anteriores ou
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de mudanças de critérios contábeis deve ser realizado em contas de resultado.

7. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Quando não houver expectativa de


benefícios econômicos futuros ou serviços potenciais com a sua utilização ou
alienação, o ativo intangível deve ser baixado.

8. (CESPE/Analista Contábil/CNJ/2013) Como na fase de pesquisa a


entidade não está apta a demonstrar a existência de ativo intangível, os gastos,
quando incorridos, devem ser reconhecidos em contas de resultado.

9. (CESPE/Analista Contábil/TRT/10ª/2013) Os gastos incorridos com


marcas, títulos de publicações, listas de clientes e outros itens similares
gerados internamente não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis,

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ainda que a entidade demonstre que esses gastos possam gerar benefícios
econômicos futuros.

10. (CESPE/Analista Contábil/TRT/10ª/2013) Deve-se reconhecer uma


provisão para passivo contingente, caso a entidade preveja a necessidade,
ainda que remota, de uma saída de recursos que incorporem benefícios
econômicos para liquidar determinada obrigação.

(CESPE/Oficial Inteligência/ABIN/2010)

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Considere que as informações acima tenham sido obtidas da Demonstração das


mutações do patrimônio líquido de uma empresa hipotética, referentes ao ano
de 2009. Com base apenas nessas informações e sem considerar quaisquer
outros efeitos fiscais, julgue os itens a seguir.

11. O saldo final da conta capital social aumentou R$ 400 mil em relação ao
início do período.
12. O resultado abrangente do período acrescentou R$ 40 mil ao saldo inicial da
conta.
13. Os eventos do período aumentaram as contas de reserva de capital e de
reserva de lucros e reduziram a conta ações em tesouraria.
14. Os dividendos propostos reduzem o patrimônio líquido em R$ 180 mil.

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15. O patrimônio líquido total aumentou R$ 300 mil em relação ao início do


período.

16. (CESPE/Ciências Contábeis/ABIN/2010) Determinada entidade, ao


realizar os testes para a recuperabilidade de seus ativos, não encontrou
mercado ativo para sua unidade geradora de caixa, estimando, porém, que o
correspondente valor em uso era de R$ 10 milhões. O valor contábil líquido da
unidade geradora de caixa registrava R$ 12 milhões. Nessa situação, a entidade
deveria reconhecer o fato com reduções no ativo e no resultado do período pelo
valor da diferença de R$ 2 milhões.

17. (CESPE/Ciências Contábeis/ABIN/2010) Ao realizar os testes para a


recuperabilidade de seus ativos, determinada entidade realizou as estimativas
para o valor recuperável de sua unidade geradora de caixa, encontrando um
valor realizável líquido de R$ 3,5 milhões e um valor de uso de R$ 3 milhões. O
valor contábil líquido da unidade geradora de caixa está registrado como R$ 4
milhões. Nessa situação, a entidade deverá reconhecer uma perda ao valor
recuperável de R$ 1 milhão.

18. (CESPE/Especialista Contábil/Eletrobrás/2013) O custo de um bem


deve ser reconhecido como ativo imobilizado se houver previsão de que os
futuros benefícios econômicos associados ao bem retornarão à entidade e de
que o custo do bem será mensurado confiavelmente.

19. (CESPE/Especialista Contábil/Eletrobrás/2013) A possibilidade de o


custo de determinado item do ativo imobilizado ser mensurado com
confiabilidade está entre as condições para que esse item seja reconhecido
como ativo.

20. (CESPE/Analista/Contabilidade/CNJ/2013) Uma entidade não deve


reconhecer os custos da manutenção periódica de um item do ativo imobilizado
no valor contábil desse item. Pelo contrário, quando incorridos, esses custos são
reconhecidos no resultado.
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21. (CESPE/Analista/Contabilidade/CNJ/2013) Atualmente, o


reconhecimento dos custos no valor contábil de um item do ativo imobilizado
cessa quando o item está no local e nas condições operacionais pretendidas
pela administração. Entretanto, os custos incorridos no uso, na transferência ou
na reinstalação de um item são incluídos no seu valor contábil, como, por
exemplo, os custos de realocação ou reorganização de parte das operações da
entidade.

22. (CESPE/Analista Administrativo/ANP/2013) O reparo e a manutenção


de um ativo podem preservar suas condições originais, mas não evitam a
necessidade de depreciá-lo. No entanto, o programa de reparos e de
manutenção é considerado na determinação da vida útil do ativo, exercendo,
assim, influência sobre o valor da depreciação.

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23. (CESPE/Analista Ministerial/MPE/PI/2012) A possibilidade de


ocorrência de um evento futuro que afete negativamente o patrimônio de uma
entidade deve ser registrada como um passivo dessa entidade.

24. (CESPE/Analista Ministerial/MPE/PI/2012) O teste de


recuperabilidade de ativos deve ser realizado anualmente para ativos
intangíveis com vida útil indefinida.

25. (CESPE/Técnico de Controle Interno/MPU/2010) Os gastos incorridos


na fase de pesquisa de novos produtos devem ser reconhecidos como ativo
intangível, uma vez que esses gastos atendem às condições de reconhecimento
de um ativo, sobretudo no que diz respeito à garantia mínima de provável
geração de benefícios futuros.

26. (CESPE/Agente/Polícia Federal/2012) O valor amortizável de ativo


intangível com vida útil indefinida deverá ser amortizado de modo a refletir o
padrão de consumo, pela entidade, dos benefícios econômicos futuros.

27. (CESPE/Técnico em Contabilidade/MPU/2010) A propriedade para


investimento deve ser mensurada, inicialmente, pelo valor médio de mercado,
que é seu valor justo na ocasião.

28. (CESPE/ABIN/Oficial de Inteligência/2010) Julgue o item a seguir,


relativo ao reconhecimento e à mensuração de contas patrimoniais.

A determinação do custo inicial do direito de uso de uma propriedade, para


investimento obtido por meio de um arrendamento financeiro, deve ser feita
pelo menor entre o valor justo do direito de uso sobre a propriedade e o valor
dos pagamentos mínimos do arrendamento.

29. (CESPE/Técnico em Contabilidade/MPU/2010) Os ativos intangíveis


com vida útil definida, embora sejam objeto de amortização periódica em
resultado para reconhecimento de sua realização contábil, estão sujeitos à
10556374274

avaliação do seu valor de recuperação.

30. (CESPE/Analista de Correio/Contador/2011) A divulgação de um


passivo contingente é feita no grupo de passivos não circulantes.

31. (CESPE/CADE/Contador/2014) Os benefícios econômicos futuros


gerados por ativo intangível podem influenciar a DRE em contas de receitas ou
despesas/custos. Tal flexibilidade ocorre porque esses benefícios podem
aumentar a receita da venda de produtos ou serviços ou reduzir os custos
resultantes do uso do ativo pela entidade.

Com base nos pronunciamentos do CPC e nos seus reflexos na elaboração e


divulgação das demonstrações contábeis, julgue o item a seguir.

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32. (CESPE/CADE/Contador/2014) A distinção básica entre ativo intangível


e goodwill reside no fato de o primeiro ser, necessariamente, identificável, ao
passo que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) não
é identificado individualmente apesar de ser um ativo que representa benefícios
econômicos futuros, gerados por outros ativos adquiridos em uma combinação
de negócios.

Com relação aos pronunciamentos técnicos do Comitê de Pronunciamentos


Contábeis (CPC), julgue o item a seguir.

33. (CESPE/PF/Contabilidade/2014) O intangível gerado internamente


somente deve ser reconhecido como ativo quando se encontrar na fase de
desenvolvimento e a entidade que detiver o seu controle puder demonstrar uma
série de aspectos exigidos pelo CPC, destinados a indicar que esse intangível é
capaz de gerar benefícios econômicos futuros.

Acerca dos ativos intangíveis e do teste de impairment, julgue o item a seguir.

34. (CESPE/ANATEL/Contabilidade/2014) Os gastos com pesquisa e


desenvolvimento de um ativo intangível são tratados, respectivamente, como
despesa no resultado do período e ativo, caso demonstrem, entre outros
aspectos, capacidade de gerar benefícios econômicos futuros.

35. (CESPE/TJ CE/Técnico – Ciências Contábeis/2014)

valores em reais
Gastos Gastos Gastos
incorridos incorridos projetados
em 2012 em 2013 para 2014
Projeto 1 200.000 300.000 300.000
Projeto 2 50.000 200.000 150.000
Projeto 3 - 100.000 200.000
10556374274

250.000 600.000 650.000

Suponha que a Cia. ABC mantenha três projetos internos em fase de pesquisa e
apresente os gastos incorridos e estimados expostos na tabela acima. Suponha,
ainda, que a Cia. ABC tenha encerrado o exercício social em 31 de dezembro de
2013. Com base nessa situação hipotética e considerando os pronunciamentos
técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, os relatórios contábil-
financeiros de 2013 da Cia. ABC apresentarão o reconhecimento de

A) R$ 850.000 em ativos intangíveis — projetos internos em fase de pesquisa.


B) R$ 850.000 em ativos intangíveis — projetos internos — e R$ 650.000 em
despesas a realizar.

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C) R$ 600.000 em despesas de projetos internos em fase de pesquisa.


D) R$ 850.000 em despesas de projetos internos em fase de pesquisa.
E) R$ 600.000 em ativos intangíveis — projetos internos em fase de pesquisa.

Acerca das regras contábeis que envolvem ativos intangíveis de companhias


abertas, julgue o item que se segue.

36. (CESPE/PF/Contabilidade/2014) Ativos monetários identificáveis e sem


substância física devem ser classificados contabilmente como ativos intangíveis.

Acerca dos ativos intangíveis e do teste de impairment, julgue o item a seguir.

37. (CESPE/ANATEL/Contabilidade/2014) Um ativo intangível consiste em


um direito monetário não identificável e não dotado de substância física.

38. (CESPE/Auditor Federal de Controle Externo/TCU/2015) No fim do


exercício social, determinada empresa estimou os seguintes valores para os
processos judiciais em que figurava como ré em relação aos quais os
especialistas consideravam haver probabilidades de perda.

Nesse caso, o montante de R$ 124,971 milhões deverá ser reconhecido no


balanço patrimonial do exercício, em contas classificadas no passivo exigível,
em subgrupos de provisões e de acordo com os prazos de liquidação.

39. (CESPE/Auditor Federal de Controle Externo/TCU/2015) Ao final de


10556374274

2014, determinada companhia estimou o valor em uso do seu imobilizado em


R$ 2 milhões e o valor líquido de venda em R$ 1,7 milhão. Na mesma data, o
valor contábil líquido desse imobilizado era de R$ 1,5 milhão.

Nesse caso, a companhia deve fazer um lançamento contábil para redução ao


valor recuperável, cujo débito será em conta de resultado, resultando em
redução da situação líquida da companhia.

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16 GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

QUESTÃO GABARITO QUESTÃO GABARITO


1 E 21 E
2 E 22 C
3 E 23 E
4 C 24 C
5 E 25 E
6 E 26 E
7 C 27 E
8 C 28 E
9 C 29 C
10 E 30 E
11 C 31 C
12 E 32 C
13 E 33 C
14 C 34 C
15 C 35 C
16 C 36 E
17 E 37 E
18 C 38 ANULADA
19 C 39 E
20 C

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