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LUCAS KRAUSPENHAR

AO JUÍZO DA 8ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA CIRCUNSCRIÇÃO


JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL.

COM PEDIDO LIMINAR

Distribuído por dependência aos Autos nº 0702653-10.2020.8.07.0018

ALANA SANTOS BRASILEIRA


BRASILEIRA, brasileira, solteira, estudante,, portadora do RG nº
21161750 PC/MG,
MG, inscrita no CPF/MF sob nº 048.025.921-67,
67, residente e domiciliada
na Sqn 208, bloco A, apto 303, Brasília DF. CEP 70853010 (DOC 1.1, p.2);
p.2)
ANA TERRA MORENO REBOUÇAS
REBOUÇAS, brasileira, solteira, estudante,
estudante portadora do
RG nº 2.765.404 SSP/DF,
DF, inscrita no CPF/MF sob o nº 029.672.831-42,
029.672.831 residente e
domiciliada na SQN 410 Bloco N apto 302 Asa Norte - Brasília- DF CEP 70865-140
70865
(DOC 1.1, p. 5);
DOMINGOS DA COSTA NUNES
NUNES,, brasileiro, casado, estudante, portador do RG nº
09842 CBM/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 658.511.881-20,, residente e domiciliado
em CLN 314 Bloco C sala 103 Asa Norte Brasília DF CEP 70767
70767-530 (DOC
( 1.1, p. 7);
EMANOEL JUNIO EDUARDO
EDUARDO, brasileiro, solteiro, estudante, portador do RG nº
2.315.256 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 732.325.721-20
20, residente e
domiciliado na Quadra 20 con
conjunto B Casa 20, Planaltina, Brasília-DF,
DF, CEP 73358-002
73358
(DOC 1.1, p. 10)
ERISSON YURI DA SILVA PEREIRA
PEREIRA, brasileiro, solteiro, estudante, portador do
RG nº 3.053.048 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 044.920.081-79,
044.920.081 residente e
domiciliado na QN 16 Conjunto 06, casa 06, Riacho Fundo 2, Brasília, DF. CEP 71881-
71881
666 (DOC 1.1, p. 13);
FERNANDO BRITO DO AMARAL FILHO
FILHO, brasileiro, solteiro, estudante, portador
do RG nº 027410522004--3 SSP/MA,, inscrito no CPF/MF sob o nº 607.307.163-92,
residente e domiciliado na SQSW 102 Bloco I ap. 304, Sudoeste,, Brasília - DF / CEP
70670-204 (DOC 1.1, p. 15)
15);
GABRIEL CORDEIRO SCHIMIDT
SCHIMIDT, brasileiro, solteiro, estudante, portador do RG
nº 3.044.371 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 052.034.051.58,
052.034.051.58 residente e
domiciliado na SQS 413 Bloco R ap 201, Asa Sul, Brasília
Brasília-DF,
DF, CEP 70296-180
70296 (DOC
1.2, p. 1);
GABRIEL FIRMINO FERREIRA
FERREIRA, brasileiro, solteiro, estudante, portador do RG nº
2.769.954 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 044.302.911-36
36, residente e

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domiciliado na Rua 50, Casa 70, Bairro Vila Nova (São Sebastião), Brasília, Distrito
Federal, CEP 71693-153 (DOC
DOC 1.2
1.2, p. 3);
GABRIELLA SANTARÉM PEREIRA
PEREIRA, brasileira, solteira, estudante,
estudante portadora do
RG nº 3.428.814 SSP/DF,
DF, inscrita no CPF/MF sob o nº 061.040.431-86,
061.040.431 residente e
domiciliada na QND 03 casa 21 Taguatinga
Taguatinga-norte CEP 72120-030 (DOC
DOC 1.2,
1.2 p. 5);
GABRYEL CORDEIRO DE LIMA
LIMA, brasileiro,
leiro, solteiro, estudante, portador do RG nº
3.079.758 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 046.353.781-52
52, residente e
domiciliado na QR 210 conjunto 11 casa 10 - Samambaia Norte - CEP: 72.316-212
72.316
(DOC 1.2, p.7);
IAGO
AGO BARBOSA PINTO RODRIGUES
RODRIGUES, brasileiro, solteiro, estudante,
ante, portador do
RG nº 2.906.940 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 036.334.831-01,
036.334.831 residente e
domiciliado na Quadra QNL 13 Conjunto F Casa 7, Taguatinga Norte (Taguatinga),
Brasília, DF - CEP 72151-306
306 (DOC 1.2, p. 9);
JEYSON ANTONELLI DE SOUZA
SOUZA, brasileiro, solteiro, estudante, portador do RG nº
3.079.452 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 036.943.341-65
65, residente e
domiciliado na SQN 102 BL B Apto 105 - Asa Norte, Brasília/DF CEP 70722-020
70722
(DOC 1.2, p. 11);
JULIO CESAR DE SOUSA FREITAS
FREITAS, brasileiro, casado,, estudante, portador do RG
nº 1.809.445 SSP/DF,, inscrito no CPF/MF sob o nº 871.117.721--72, residente e
domiciliado na QNP 25 Conjunto H casa 18 P Norte/ Ceilândia CEP 72242
72242-117 (DOC
1.3, p. 1);
KAILHANY ALVES PINTO
PINTO, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº
2.844.923 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 036.336.041-70
70, residente e
domiciliada na QNP12 Conjunto V Casa 02, P.Sul/ Ceilândia CEP: 72231
72231-222 (DOC
1.3, p. 3);
LARA LETÍCIA BRITO,, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº 3.098.158
SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 047.480.491-70, residente
dente e domiciliada na CNB
09 lote 14 apto 601 Taguatinga Norte - CEP: 72115-933 (DOC 1.3, p. 6));
LETICE FERNANDES LOPES
LOPES, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº
10.995.681-3 SSP/PR,, inscrita no CPF/MF sob o nº 053.022.481--07, residente e
domiciliada na SQN 1022 BL D Apto 105 - Asa Norte, Brasília/DF CEP 70722-040
70722
(DOC 1.3, p. 8);

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LORENNA FERREIRA BARBALHO
BARBALHO, brasileira, divorciada,, estudante, portadora do
RG nº 2.505.371 SESP/DF
DF, inscrita no CPF/MF sob o nº 037.050.931-50,
037.050.931 residente e
domiciliada na Q.1 Lotes 1700/1780, Res. Gam
Gamaggiore,
aggiore, apto 1706-2,
1706 Setor Leste
Industrial, Gama-DF,
DF, CEP 72445
72445-010 (DOC 1.3, p. 11);
LOUIZI OLIVEIRA SOUZA
SOUZA, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº
3.079.257 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 045.278.971-01
01, residente e
domiciliada na QR1A Conjunto U casa 004, Candangolândia-DF,
DF, CEP: 71727-121(DOC
71727
1.3, p. 13);
LUDMILA ULHOA NASCIMENTO
NASCIMENTO, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG
nº 3.020.673 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 043.212.661--90, residente e
domiciliada no Condominio Estância Jardim Botânico, cj J casa 82 - Jardim Botânico
DF; CEP 71680-365 (DOC 1.4
1.4, p. 1);
MARCOS VINÍCIUS SANTANA SILVA
SILVA, brasileiro, solteiro,, estudante, portador do
RG nº 3.315.422 SSP/DF, inscrito no CPF/MF sob o nº 056.083.861
056.083.861-16, residente e
domiciliado na SHSN VC 311 CH 2 LOTE 11 - St. P - Ceilândia, Brasília
sília - DF, 72240-
540 (DOC 1.4, p. 3);
MARTA RODRIGUES FÉLIX
FÉLIX, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº
33.094.591 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 047.165.601--12, residente e
domiciliada na QNL 04 conjunto H casa 6 - Taguatinga Norte - CEP 72155-408
72155 (DOC
1.4, p. 5);
MELINA DE OLIVEIRA MARCHÃO SIQUEIRA
SIQUEIRA, brasileira, casada, estudante,
portadora do RG nº 2.010.959 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 957.195.631-72,
residente e domiciliada na DF 140 Condomínio Reserva Santa Mônica - Travessa
Bentivis, 22 - CEP 72596-756
756 (DOC 1.5, p. 1);
PRISCILA
A VANESSA COSTA
COSTA, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº
2.824.901 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 046.674.021-21
21, residente e
domiciliada na Qn 01 conjunto 26 casa 05 Riacho Fundo I CEP: 71805
71805-126 (DOC 1.5,
p. 4);
RAY COSTA PORTELA
PORTELA, brasileiro, solteiro, estudante, portador do RG nº 3.048.077
SSP/DF, inscrito no CPF/MF sob o nº 045.094.501
045.094.501-41,
41, residente e domiciliado na CNN
2 BLOCO B SL 106 - 2 Ceilândia centro. CEP: 72220
72220-502 (DOC 1.5,, p. 6);

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REBECCA SANTANA ALONSO
ALONSO, brasileira, solteira, estudante, portadora do RG nº
3.138.591 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 048.759.921-73
73, residente e
domiciliada na QE 17 conjunto F casa 1 - Guará II - CEP 71050-062 (DOC 1.5,
1. p. 9);
SÉRGIO HENRIQUE FERNANDES CARVALHO
CARVALHO, brasileiro, solteiro, estudante,
portador do RG nº 3.314.739 SSP/DF, inscrito no C
CPF/MF
PF/MF sob o nº 054.024.451-17,
054.024.451
residente e domiciliado na CAS 118 CASA 09 - VICENTE PIRES TRECHO 03 -
CEP:72001-700 (DOC 1.6,, p. 1);
STHEFINY MAISA ANTONELLI DE SOUZA
SOUZA, brasileira, solteira, estudante,
portadora do RG nº 2.863.628 SSP/DF,, inscrita no CPF/MF sob o nº 047.716.591-50,
residente e domiciliada na SQN 102 BL B Apto 105 - Asa Norte, Brasília/DF CEP
70722-020 (DOC 1.6, p. 3)); e
WILLAMI VAGNER DE OLIVEIRA FIGUEIREDO
FIGUEIREDO, brasileiro, solteiro, estudante,
portador do RG nº 3.039.265 SSP/DF, inscrito no CPF/MF sob o nº 044.176.651.09,
residente
ente e domiciliado na Quadra 1303 bloco B, apto 302 - Cruzeiro Novo CEP:
70658-332 (DOC 1.6, p. 5));
Vêm, respeitosamente, perante a Vossa ínclita presença, por intermédio de seu
patrono subscritor, Sr. Lucas Krauspenhar, inscrito na OAB/DF sob o nº 56.854, com
contatos e domicílio profissional discriminado
discriminados no rodapé,, nos termos do art. 5º, inciso
LXIX, da CONSTITUIÇÃO FEDERAL
FEDERAL, c/c art. 1º da Lei 12.016/09,, impetrar
MANDADO DE SEGURANÇA
COM PEDIDO LIMINAR

Em face do ato da Excelentíssima Senhora DIRETORA DA FUNDAÇÃO DE


ENSINO E PESQUISA EM CIÊNCIAS DA SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL
FEDERAL,
com sede administrativa SMHN Quadra 03, conjunto A, Bloco 1 Edifício FEPECS ,
Brasília-DF, CEP – 70710
70710-907, devido à clara violação do direito líquido e certo dos
Impetrantes, nos termos a seguir expostos.

1 CONSIDERAÇÕES PRELIM
PRELIMINARES
As questões abordadas neste tópico são essenciais para esclarecer os motivos
que desaguaram na propositura da presente ação mandamental.
Os impetrantess são estudantes regulares do 6º ano do curso de medicina da
Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) e, atualmente, est
estão
ão em regime de

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internato, cursando o estágio denominado E
Estágio
stágio Curricular Obrigatório 4 (ECO 4),
penúltimo estágio do curso (DOC 2).
No dia 1º de Abril de 2020, foi editada a Medida Provisória nº 934,
934 que
estabeleceu normas excepcionais sobre o ano letivo do ensino superior diante do atual
cenário pandêmico. Dentre outra
outras concessões, a Medida permitiu a abreviação do curso
de Medicina aos estudantes que tenham cumprido o correspondente a 75% da carga
horária do internato (art. 2º, p.ún, inc. I). Confira
Confira-se (grifo nosso):
“Art.
Art. 2º As instituições de educação superior ficam dispensadas, em caráter
excepcional, da obrigatoriedade de observância ao mínimo de dias de efetivo
trabalho acadêmico, nos termos do disposto no caput e no § 3o do art. 47 da Lei
nº 9.394, de 1996
1996, para o ano letivo afetado pelas
las medidas para enfrentamento
da situação de emergência de saúde pública de que trata a Lei nº 13.979, de
2020,, observadas as normas a serem editadas pelos respectivos si sistemas de
ensino.
Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput,, a instituição de educação
superior poderá abreviar a duração dos cursos de Medicina,Medicina Farmácia,
Enfermagem e Fisioterapia, desde que o aluno, observadas as regras a serem
editadas pelo re
respectivo
spectivo sistema de ensino, cumpra, no mínimo:
I - setenta e cinco por cento da carga horária do internato do curso de
medicina; ou [...]
[...]”
Após o período legal de vigência, no dia 18 de agosto de 2020, a referida medida
foi convertida em Lei (nº 14.040) e o direito de abreviação do curso não fora objeto de
veto pelas Casas do Congresso Nacional, mantendo
mantendo-se,
se, portanto, o texto original no art.
3º, §2º, inciso I, da Lei 14.040/2020, nos seguintes termos (grifo nosso)
nosso)::
“[...]§ 2º Na hipótese de que trata o caput deste artigo, a instituição de
educação superior poderá antecipar a conclusão dos cursos superiores de
medicina,, farmácia, enfermagem, fisioterapia e odontologia, desde que o aluno,
observadas as normas a serem editadas pelo respectivo sistema de ensinensino e
pelos órgãos superiores da instituição, cumpra, no mínimo:
I – 75 % (setenta e cinco por cento) da carga horária do internato do curso
de medicina;; ou [...]”
Por outro lado, a Resolução n. 02/2007
02/2007-MEC
MEC dispõe que a carga horária mínima
para integralização
ão do curso de Medicina é 7.200h, e que o estágio para a formação
médica, etapa obrigatória à formação do profissional, deverá ter duração mínima de
2.700h (DOC 3, p.8).
No caso concreto, conforme será demonstrado em momento oportuno, os
Impetrantes já integralizaram
izaram 9.092 horas, de 9.692 h do curso de Medicina ofertado
pela ESCS, sendo 2.900 horas referentes a estágios supervisionados.
Embasadas na referida norma e cientes de que a inclusão de novos profissionais
no mercado de trabalho auxiliará o combate à pandemia, a UNB, o UniCeub, a

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FACIPLAC e a UCB concederam a outorga antecipada aos estudantes de medicina que
cumpriram o requisito estabelecido pela Lei. Conforme se extrai da matéria publicada
na imprensa (DOC 4),
), a medida acarretou a inserção de 127 novos médicos no Sistema
de Saúde.
Contudo, a autoridade coatora insiste em negar a antecipação da colação de grau
aos seus discentes, sem qualquer justificativa plausível para consubstanciar o ato
administrativo. Conforme será abordado em tópico específico a ne
negativa
gativa vai de encontro
a princípios econômicos e sociais, na medida em que onera a Administração Pública
com o custeio do curso e impede que o sistema de saúde, que possui déficit de
profissionais, conte com o auxílio de novos médicos.
Em
m situação análoga a dos impetrantes, a estudante de medicina do 6º ano da
ESCS, JULIANA NARCISO DE ALMEIDA SANTIAGO
SANTIAGO, obteve, através do MS
distribuído sob o nº 0702653
0702653-10.2020.8.07.0018,, perante a 8ª Vara da Fazenda Pública
do DF, autorização para colação de grau antecipada
antecipada. Na ocasião, o Juízo reconheceu que
a estudante, por cumprir os requisitos objetivos elencados na norma, faria jus à
concessão da segurança para antecipara a sua colação de grau. Transcreve
Transcrevem-se abaixo
trechos da sentença proferida naqueles autos ((grifo nosso):
“[...]Estabeleceu
Estabeleceu-se,
se, assim, em um cenário de urgência e
excepcionalidade, oriundo da gravíssima situação vivenciada pelos
sistemas público e privado de saúde do país, decorrente dos efeitos da
pandemia da COVIC 19 que a ambos assola, um mecanismo de
d
antecipação da duração dos cursos superiores da área de saúde, entre eles
o de Medicina, como forma de cooptar material humano capacitado a
auxiliar no enfrentamento à doença.
Para tanto, exige
exige-se
se observância às regras editadas pelo respectivo
sistema de ensino e, no caso do curso de Medicina, que o aluno tenha
frequentado no mínimo 75% da carga horária do internato
internato.
É o caso da impetrante.
impetrante.[...]
Destarte, o critério quantitativo trazido pela legislação provisória se
encontra satisfatoriamente preenchido. [...]
Logo, não se divisa razão jurídica que justifique a negativa
manifestada pela instituição de ensino, mormente quando se tem em

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conta que a impetrante desistiu de mandado de segurança anteriormente
proposto – que teria sido utilizado como fundamento para
p o
indeferimento do pleito, conquanto se fundasse em causa de pedir
absolutamente distinta [...]”
Trata-se,
se, a bem da verdade, de direito individual homogêneo,, na medida em que
tanto os impetrantes quanto o paradigma apresentado possuem as mesmas condiçõ
condições,
qual seja: ambos atingiram o critério objetivo delimitado pelo legislador, possuindo
mais de 75% do internato. A bem da verdade, o cerceamento dos impetrantes à
antecipação da colação de grau fere o tratamento isonômico entre indivíduos que estão
na mesma situação.
Assim, o objeto da presente ação mandamental limita-se
se à concessão da
segurança para determinar à autoridade coatora que adote as providências
necessárias para a expedição do certificado de conclusão do curso do
dos impetrantes.

2 DA DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA


Como se sabe, a conexão entre duas ou mais ações se define mediante o exame
de seus pedidos e causa de pedir. No caso em tela, a causa de pedir e o pedido
identificam-se
se com a que fora objeto do Mandado de Segurança nº 0702653-
10.2020.8.07.0018,, distribuído perante 8ª VFP, impetrado pela estudante JULIANA
NARCISO DE ALMEIDA SANTIAGO
SANTIAGO,, que também era aluna regular do 6º ano do
curso de Medicina da ESCS Tanto.
Na hipótese, a causa de pedir remota é idêntica, na medida em que, em ambos os
casos,, houve indeferimento administrativo pela Instituição de Ensino e se busca a
aplicabilidade da Lei 14.040/2020, que concede a antecipação de outorga aos estudantes
do 6º ano do curso de medicina que tenham concluído 75% do internato.
Assim como na situaçã
situaçãoo paradigmática, no vertente caso, os Impetrantes
perseguem, com o mesmo embasamento legal, a antecipação da colação de grau,
impugnando o mesmo ato administrativo.
No vertente caso, a prevenção do Juízo da 8ª Vara de Fazenda Pública,
certamente, evitará decisões
ecisões contraditórias sobre questões conexas, que exigem unidade
de juízo lógico-jurídico
jurídico sobre os elementos que lhes são comuns. Importa dizer que, a
concessão do pedido a um autor e a rejeição a outro, sobre questões conexas, são

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provimentos inconciliáveis
eis que revelam desarmonia na jurisprudência e produzem
justificável perplexidade e insegurança jurídica aos jurisdicionados.
Tecidas essas considerações, tem
tem-se
se que possível a distribuição por dependência
ao Mandado de Segurança impetrado por JULIANA NARCISO
ISO DE ALMEIDA
SANTIAGO, obteve, através do MS distribuído sob o nº 0702653-10.2020.8.07.0018
10.2020.8.07.0018,
perante a 8ª Vara da Fazenda Pública
Pública.

3 QUANTO AOS FATOS QUE CIRCUNDAM A IMPETRAÇÃO


IMPETRAÇ
DO WRIT
Em apertada síntese, após procurar o departamento administrativo do curso para
exercer o seu direito de colação de grau antecipada, oos impetrantes foram
fo notificados
via mensagem de aplicativo pela Diretora da ESCS, Dra. Marta David Rocha de Moura,
Moura
que o Colegiado,
legiado, através da Resolução 002/2020 (DOC 5, p. 39), já havia aprovado
novo calendário acadêmico, negando, portanto, o pedido de antecipação
cipação da colação.
colação A
Diretora esclareceu ainda que, na ocasião da referida Resolução, o Colegiado decidiu
pela redução daa carga horária do internato de 3.720 horas para 3.500 horas.
No caso em tela, tan
tanto a mensagem enviada pela coordenadora,
coordenadora registrada em
Ata Notarial,, quanto a publicidade de nota concedida à imprensa são suficientes para
demonstrar o indeferimento do pedido administrativo (DOC 6).
). Colaciona-se
Colaciona abaixo o
trecho da matéria que cita a postura da faculdade quanto à antecipação da colação de
grau:1

1
Fonte:
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2020
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2020/05/15/interna_cidadesdf,855002/covid
/05/15/interna_cidadesdf,855002/covid-
19-183-estudantes-do-df-da-area
area-de-saude-tem-a-formatura-anteci.shtml

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Fato é que, desde o indeferimento do pedido administrativo, a faculdade tem
criado entraves aos discentes, expedindo documentos contraditórios que não condizem
com a realidade acadêmica e exigin
exigindo
do prazos desarrazoados para a sua emissão,
justamente para obstar a judicialização da matéria. A título de exemplo, os discentes
solicitaram a emissão de Declaração detalhada de carga horária no dia 10/08/2020
10/08/2020,
ocasião em que foram informados que apenas nno dia 27/08/2020 seria possível emitir a
Declaração contendo os estágios ECO 2 e ECO 33.
Muito embora emitida no dia 27/08/2020, a Declaração fornecida não condiz
com a realidade, uma vez que: 1º) considera apenas o primeiro mó
módulo
dulo do estágio,
denominado ECO 1, cujo início se deu em 06/01/2020 e o término em 08/03/2020, ou
seja, omite a conclusão dos Módulos ECO 2 e ECO 3 (que ocorreram em 12/07/2020
e 30/08/2020, respectivamente
respectivamente); e 2º) A carga horária de cada estágio descrita na
declaração não condiz com aquela descrita no
o calendário acadêmico aprovado pelo
conselho no dia 18/06/2020
18/06/2020. Confira abaixo trecho da aludida declaração e, em seguida,
do calendário aprovado pela comissão (DOCS 7 e 8, respectivamente):

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Nesse descortino, percebe


percebe-se que, ao contrário
rio do que dispõe a Declaração
fornecida no dia 27/08/2020, devido à alteração do calendário acadêmico (aprovado em
junho de 2020), os estágios ECO 2 e ECO 3 não possuem duração de 9 semanas (ou
360 horas), mas de 8 semanas (320 horas) e 7 semanas (280 hor
horas),
respectivamente,, conforme destacado na imagem acima. A omissão destas informações
na Declaração, a nosso sentir, sobressalta a má-fé
fé da autoridade coatora, configurando
claro abuso de direito.
A títulos de esclarecimento, de acordo com as informações extraídas do novo
calendário, o internato do 6º ano do curso de Medicina da ESCS é subdividido em 5
blocos, assim denominados:
ECO 1- Com
om duração de 9 (nove) semanas,, com início em 06/01/2020 e
término em 08/03/2020 (cor rosa no calendário),, perfazendo um total de
360 horas;
ECO 2- Com
om duração de 8 (oito) semanas, que se iniciou em 09/03/2020
e terminou em 12/07
12/07/2020 (cor azul no calendário),, perfazendo um total
de 340 horas
horas;

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ECO 3- Com
om duração de 7 (sete) semanas,, que se iniciou em 13/07/2020
e terminou em 30/08/2020 (cor amarela no calendário)), perfazendo um
total de 280 horas
horas;
ECO 4- Com
om duração de 7 (sete) semanas,, que iniciou em 31/08/2020 e
terminará em 18/10/2020 (cor verde no calendário),, perfazendo um
total de 280 horas
horas;
ECO 5- Com
om duração de 8 (oito) semanas,, que iniciará em 19/10/2020 e
terminará em 11/12/2020 (cor roxa no calendário),, perfazendo um total
de 320 horas
horas.
À vista dessas considerações, cconforme se extrai do
o art. 3º do Anexo da
Resolução nº 7/2017 (DOC 5 – pag. 2), o programa de Estágio
tágio Curricular Obrigatório
(ECO) possui carga horária de 40 horas semanais. Logo, considerando que o ECO 1
teve duração de 9 semanas (360 horas), o E
ECO
CO 2 teve duração de 8 semanas e meia (340
horas) e que o ECO 3 teve duração de 7 semanas (280 horas), verifica
rifica-se que, ao
contrário do que dispõe a declaração, o total de horas cumpridas pelo impetrante
corresponde a 980 horas.
Com o intuito de facilitar a compreensão, colaciona
colaciona-se
se abaixo tabela explicativa:
MÓDULO SEMANAS CARGA SEMANAS DATA DA TOTAL DE
HORÁRIA CUMPRIDAS CONCLUSÃO HORAS
POR CUMPRIDAS
SEMANA
ECO 1 9 40 h 9 08/03/2020 360
ECO 2 8,5 40 h 8,5 12/07/2020 340
ECO 3 7 40 h 7 30/08/2020 280
Total 980 horas

Embora a Declaração não ateste o cumprimento dos estágios ECO 2 e ECO 3, os


Relatórios SEI-GDF
GDF n.º 21/2020 - FEPECS/DE/ESCS/CCM/GEM e SEI-GDF n.º
29/2020 - FEPECS/DE/ESCS/CCM/GEM (DOC 10 c/c DOC 14),
14 assinados
eletronicamente pelos professores
professores, demonstram que os impetrantes
impetrante obtiveram
100% de presença nos referidos estágios e menção satisfatória.
Não
ão obstante, para fins de cálculo do total de percentual cumprido em regime de
internato até o presente momento
momento,, há que se considerar ainda a carga horária cumprida
no 5º ano. Conforme se extrai da Declaração (DOC 7),
), no 5º ano, o internato possui
duração de 48 semanas, de 40 horas cada ((nos termos do art. 3º do Anexo da Resolução

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nº 7/2017 - DOC 8 – pag. 33), as quais, por óbvio, foram integralmente cumpridas pelos
pelo
impetrantes,, correspondendo a 1.920 horas.
Por conseguinte, a soma de todas as horas cumpridas no 5º e 6º ano equivale a
2.900 horas, que corresponde a 82,85%
82,85%,, considerando a redução da carga horária total
do estágio para 3.500 horas de acordo com o novo calendário. Ainda
inda que se despreze o
novo total e se considere o antigo calendário, que previa o mínimo
nimo de 3.720 horas, o
percentual cumprido peloss impetrantes corresponderia a 77,96%. Confira o quadro
explicativo:
SEMANAS CARGA SEMANAS TOTAL DE PERCENTUAL PERCENTUAL
MÓDULO HORÁRIA CUMPRIDAS HORAS SOBRE 3.720 SOBRE 3.500
POR CUMPRIDAS HORAS HORAS
SEMANA
ECO 5º 48 40 h 48 1.920 51,61 54,86
ANO
ECO601 9 40 h 9 360 9,68 10,28
ECO602 8,5 40 h 8,5 340 9,14 9,71
ECO603 7 40 h 7 280 7,53 8
Total 2.900 77,96 % 82,85%

Importa dizer que, seja considerando o calendário anterior ou o novo calendário,


os impetrantes atendem aos requisitos legais para obter a antecipação da outorga.
Ademais, quanto ao cumprimento integral do curso, tem
tem-se
se que, com a redução
estipulada no novo calendário, a carga horária total passou a ser de 9.692 horas. A
Declaração (DOC 7) atesta
esta que, do 1º ao 5º ano, os impetrantess cumpriram 8.112 horas,
isso sem considerar as horas cumpridas no internato do 6º ano. Levando em conta as
980 horas já cumpridas no internato do 6º ano pelo impetrante, tem
tem-se
se o cumprimento
de 9.092 horas, que corresponde
esponde a 93,81% do curso integral de Medicina.
Tecidas essas considerações, verifica
verifica-se
se que o abuso de direito da autoridade
coatora consiste tanto no indeferimento discricionário da antecipação da outorga, quanto
nos obstáculos criados, que se evidenciam desde a morosidade para expedição de
documentos à inserção de dados que não condizem com a realidade acadêmica do
dos
impetrantes.
Por outro lado, o direito líquido e certo do
dos impetrantes encontra amparo na
n Lei
14.040/2020,, que permite a antecipação de out
outorga
orga aos estudantes que cumpriram 75%
do regime de internato.
No vertente caso, o cumprimento da carga horária e do rendimento
satisfatório do impetrante está demonstrado:: 1º) pela declaração de matrícula de aluno
regular do 6º ano, que atesta o cumprimen
cumprimento
to da carga horária integral do internato do 5º

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ano (1.920 horas) – DOC 77;; 2º) pela Declaração expedida pela faculdade, que certifica o
cumprimento do internato ECO 1, com duração de 360 horas; 3º) pelos documentos
document
extraídos do sistema SEI, assinados eletronicamente
onicamente pelos professores, que atestam o
cumprimento
imento dos estágios ECO 2 e ECO 3,, que possuem 340 e 280 horas,
respectivamente (DOC 10)..
Com o intuito de corroborar com a localização dos documentos
os comprobatórios,
elaborou-se planilha que aponta categoricamente os documentos e suas respectivas
páginas que demonstram o cumprimento das horas do internato por cada um dos
impetrantes (DOC 14).
Por fim, conforme será aprofundado em tópico específico, é de suma
importância ressaltar que a Faculdade e os hospi
hospitais
tais não dispõem de Equipamentos de
Proteção Individual (EPI) suficientes para atender a todos os alunos,, tanto é que alguns
estudantes já tiveram aulas de internato canceladas em virtude da insuficiência de
material. Ou seja, a Faculdade sequer dispõe de recursos para viabilizar o cumprimento
adequado de suas atividades no atual cenário pandêmico
pandêmico,, colocando em risco a vida dos
estudantes e de seus familiares.

4 DO LITISCONSÓRCIO AT
ATIVO
IVO MULTITUDINÁRIO
Todos os impetrantes estão se encontram na mesma situação acadêmica,
cadêmica, com a
mesma carga horária cumprida e foram afetados pelo mesmo ato da autoridade coatora,
ou seja, estão vinculados à mesma relação jurídica base.

5 QUANTO AO MÉRITO
Em consonância ao disposto no art. 1º da Lei 12.016/19
12.016/19,, o Mandado de
Segurança possui
ssui natureza residual, na medida em que busca tutelar qualquer direito
líquido e certo que não seja matéria amparada por Habeas Corpus ou Habeas Data. A
hipótese de cabimento da ação mandamental é delineada pela violação a direito líquido
e certo por autoridade,, exercida ilegalmente ou com abuso de poder.
No caso em tela, a situação fática e a tutela jurisdicional excluem qualquer
possibilidade de restrição de liberdade ou de acesso a dados pessoais do impetrante
impetrante,
razão pela qual não se vislumbra matéria aamparada
mparada por Habeas Corpus ou Habeas Data.
Data
O direito líquido e certo do autor encontra amparo na Lei 14.040/2020, a qual
confere em seu artigo 3º, §2º, inciso I, o direito de abreviação do curso aos estudantes
de Medicina que concluíram 75% do internato. Co
Conforme
nforme exposto de modo reiterado,

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embora a declaração emitida pela faculdade não contenha expressament
expressamente a conclusão
dos estágios ECO 2 e ECO 3, os documentos extraídos do sistema SEI demonstram que
o impetrante obteve presença e rendimento satisfatório em ambos os estágios (DOC 10
c/c DOC 14),
), tendo cumprido o percentual de 82,85% do total de horas exigidas no
internato de medicina, observando, portanto, o requisito objetivo estabelecido pelo
Legislador.
Não bastasse isso, das 9.692 horas totais do curso, o impetrante cumpriu 9.092
horas, que correspondem ao percentual de 93,81% do curso integral de Medicina. A
esse respeito, a Resolução n. 02/2007
02/2007-MEC
MEC dispõe que a carga horária mínima para
integralização do curso de Medicina é 7.200h, e que o estágio para a formação m
médica,
etapa obrigatória à formação do profissional, deverá ter duração mínima de 2.700h
(DOC 3, p.8). No caso concreto, os Impetrantes já integralizaram 9.092 horas, de 9.692
h do curso de Medicina ofertado pela ESCS, sendo 2.900 horas referentes a estágios
supervisionados.
Nesse sentido, trilhou o Desembargador Federal, Dr. JIRAIR ARAM
MEGUERIAN, em decisão monocrática proferida no bojo do agravo de instrumento
interposto perante o TRF da 1ª Região (AI nº 1013113
1013113-38.2020.4.01.0000,
38.2020.4.01.0000, 6ª Turma, E-
E
DJF1 11/05/2020),, vejamos (DOC 11):
“(...)
(...) Assim, em face da realidade do momento atual de pandemia em
que vivemos, adotei o entendimento no sentido de que autorizar a
participação de todos os profissionais médicos que já tenham
condição de atuar na área
área, inclusive os alunos de instituições
stituições de ensino
privado que atendam aos requisitos estabelecidos na Portaria n. 374/2020
– MEC, é uma questão de responsabilidade social, ocial, razão pela qual
deferi medida de urgência e determinei a antecipação de colação de
grau àqueles aluno que atendam aos requisitos da Resolução n.
02/2017-MEC.
MEC. (grifo nosso)”
De igual modo, em situação análoga, decidiu o Juízo da 8ª Vara de Fazenda
Pública do Distrito Federal nos autos do processo nº 0702653-10.2020.8.07.0018
10.2020.8.07.0018 (DOC
11):
“[...]Estabeleceu
Estabeleceu-se, assim, em um cenário de urgência e
excepcionalidade, oriundo da gravíssima situação vivenciada pelos
sistemas público e privado de saúde do país, decorrente dos efeitos da
pandemia da COVIC 19 que a ambos assola, um mecanismo de
antecipação da duração dos cursos superiores da área de saúde, entre eles
o de Medicina, como forma de cooptar material humano capacitado a
auxiliar no enfrentamento à doença.

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Para tanto, exige
exige-se
se observância às regras editadas pelo respectivo
sistema de ensino e, no caso do curso de Medicina, que o al aluno tenha
frequentado no mínimo 75% da carga horária do internato
internato.
É o caso da impetrante.
impetrante.[...]
Destarte, o critério quantitativo trazido pela legislação provisória se
encontra satisfatoriamente preenchido. [...]
Logo, não se divisa razão jurídica que just justifique
ifique a negativa
manifestada pela instituição de ensino, mormente quando se tem em
conta que a impetrante desistiu de mandado de segurança anteriormente
proposto – que teria sido utilizado como fundamento para o
indeferimento do pleito, conquanto se funda fundasse
sse em causa de pedir
absolutamente distinta [...]”
O abuso de direito, por sua vez, resta configurado na medida em que a faculdade
se abstém à concessão da antecipação de outorga de modo discricionário e omite dados
em documentos acadêmicos com o escopo ttão somente de prejudicar os estudantes. Isso
porque, conforme narrado, a Declaração emitida pela faculdade no dia 27/08/2020:
27/08/2020
1º) Omite a conclusão dos estágios ECO 2 e ECO 3, apesar de constar
expressamente no sistema SEI a freqüência e o rendimento do impetrante
i nos
aludidos estágios;
2º) É contraditória, pois, ao tempo em que atesta ser o impetrante aluno regular
“cursando ECO”, dispõe tão somente de horas que foram concluídas em
MARÇO do corrente ano. Ora,, se o estudante é aluno regular, por óbvio,
está
tá cumprindo a carga horária dos estágios descritos no novo calendário;
3º) Contém informações que não coadunam com o novo calendário acadêmico
aprovado pelo próprio Conselho
Conselho, na medida em que, de forma genérica, dispõe
que a duração de cada estágio contém 9 semanas, ao passo que,
que a bem da
verdade, com a redução da carga horária, os estágios passaram a ter 7 e 8
semanas;
Não bastasse isso, tamanha a má
má-fé
fé da autoridade coatora que, ao tratar da
quantidade total de horas cumpridas pelo
pelos discentes, fez constar tão somente as horas
cumpridas do 1º ao 5º ano, omitindo as do 6º ano.
Como é cediço, os atos administrativos devem ser motivados. O dever de
exposição de motivos confere maior segurança aos administrados, tendo em vista que
permite ao interessado compreender os fundamentos que ensejaram a decisão
administrativa. No caso em tela, o pedido do
dos impetrantes foi negado sem qualquer
justificativa plausível, inclusive, oos impetrantes foram instruídos pela própria Diretora,

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Dra. Marta David Rocha de Moura
Moura, a “judicializar” a questão. Confira trecho da
conversa registrada em ata notarial (DOC 6):

A situação se agrava quando os alunos são colocados na linha de frente no


combate ao vírus sem que lhes sejam disponibilizados equipamentos de proteção
individuais (EPI). Inclusive,
clusive, em algumas ocasiões os estudantes tiveram suas aulas
canceladas devido á falta dos EPI’s. Acerca disso, colaciona
colaciona-se
se abaixo trechos das
conversas com o professor responsável pelo estágio à época (registradas em ata notarial,
conforme DOC 12):

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Na maioria das vezes, com o intuito de cumprir a carga horária dos estágios, os
próprios estudantes estão comprando os EPI’s, conforme notas fiscais em anexo (DOC
13).
Ou seja, a autoridade coatora insiste em negar imotivadamente o pedido de
antecipaçãoo de colação de grau dos impetrantes e, em contrapartida, sequer oferta
condições adequadas para o cumprimento dos estágios. A medida prejudica não
somente os estudantes, que são diariamente submetidos ao risco de contágio do vírus,
mas a própria administração
ação pública que deixa de receber novos profissionais e
despende valores vultosos para arcar com as despesas da graduação.
Tecidas essas considerações, verifica
verifica-se
se que o direito líquido e certo dos
impetrantes encontra amparo na Lei 14.040/2020 e o cumprimento
nto das horas dos
estágios ECO 2 e ECO 3, apesar de não conter na declaração emitida pela faculdade,
resta consubstanciado nos documentos extraídos do sistema SEI (DOC 10). Por outro
lado, a violação reside no abuso de direito exercido pela autoridade coa
coatora
tora no momento
em que nega a antecipação de colação de grau aos estudantes e emite documentos que
não condizem com a realidade acadêmica dos impetrantes.

6 ANÁLISE SOCIAL E ECO


ECONÔMICA
NÔMICA DA CONCESSÃO DA
SEGURANÇA
Desde o início do corrente ano, a humanidade é aassolada
ssolada pelo Coronavírus. Até
mundo.2 Em
o momento, o total de óbitos beira 900.000 mil pessoas espalhadas pelo mundo

2
Fonte: https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBD_pt
https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBD_pt-
PTBR799BR799&sxsrf=ALeKk000vJSuqRMVDboiwwxKa_ssZ3Z8SA%3A1599596818344&ei=EulX
X-G5FKq85OUP-
ciUsAw&q=mortes+confirmadas+covid&oq=mortes+confirmadas+covid&gs_lcp=CgZwc3ktYWIQAzI

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razão disso, todos os países adotaram medidas extremas para conter o surto pandêmico,
dentre elas: suspensão de atividades não essenciais, eleva
elevado
do investimento no setor da
saúde para tratar os infectados e auxílio de renda aos mais necessitados
necessitados.
No Brasil, esse cenário não foi diferente. A Medida Provisória nº 934/2020,
convertida em lei em agosto do corrente ano (14.040/2020), nada mais é do que outra
alternativa, proposta pelo Executivo e encampada pelo Legislativo, para auxiliar o
combate ao vírus, na medida em que busca inserir no sistema de saúde mais
profissionais capacitados.
Especificamente no Distrito Federal, o déficit de profissionais da saúde é um
problema que antecede a pandemia e se agravou com ela. Apenas no ano passado, 347
médicos deixaram a rede pública de saúde do Distrito Federal, ocasião em que se previa
um déficit de 2,5 mil médicos na rede pública. Acerca disso, colaciona
colaciona-se abaixo
matéria jornalística:3

CCAAyAggAMgIIADIGCAAQCB
CCAAyAggAMgIIADIGCAAQCBAeMgYIABAIEB46BAgjECdQ72lY72lgpGxoAHAAeACAAZsBiA
AeMgYIABAIEB46BAgjECdQ72lY72lgpGxoAHAAeACAAZsBiA
GtApIBAzAuMpgBAKABAaoBB2d3cy13aXrAAQE&sclient=psy
GtApIBAzAuMpgBAKABAaoBB2d3cy13aXrAAQE&sclient=psy-
ab&ved=0ahUKEwjhipDBstrrAhUqHrkGHXkkBcYQ4dUDCA0&uact=5
3
Fonte: https://www.metropoles.com/distrito
https://www.metropoles.com/distrito-federal/saude-df/saude-despedacada-hospitais
hospitais-publicos-do-
df-perdem-347-medicos

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Durante a pandemia, no dia 15/07/2020, após receber denúncia sobre as


péssimas condições de trabalho, o CRM
CRM-DF
DF visitou o HRC, em Ceilândia, e constatou
“escassez de mão de obra médica”, confira:4

Diante destas circuns


circunstâncias, indaga-se:
se: Se todas as demais faculdades de
Brasília concederam a antecipação de outorga aos estudantes de medicina que
cumpriram o requisito legal estipulado pelo Legislador, por qual motivo apenas a ESCS
insiste em negar o benefício?

4
Fonte: http://www.crmdf.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21922:2020
http://www.crmdf.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21922:2020-07-16-
19-36-33&catid=3

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Ora, tal ato, sem sombra de dúvidas, configura claro retrocesso em face de todas
as medidas adotadas pelo país para conter os efeitos do vírus. A concessão da medida
reverberará diretamente em aspectos sociais e econômicos
econômicos, haja vista que:
que ao tempo em
que ofertará profissionais
rofissionais capacitados para atender aos anseios da sociedade, exonerará
os cofres públicos das
as despesas oriundas da manutenção do ensino superior.
superior De igual
modo, possibilitará maior dedicação dos professores
professores, que são servidores da Secretaria
de Saúde do Distrito Federal, ao Sistema Único de Saúde.
Assim, em face da realidade do momento atual de pandemia em que vivemos,
conceder a antecipação de outorga aos estudantes de medicina é uma questão de
responsabilidade social.
Em situação análoga, trilhou o Desembargador
embargador Federal JIRAIR ARAM
MEGUERIAN, em decisão monocrática proferida no bojo do agravo de instrumento
interposto perante o TRF da 1ª Região (AI nº 1013113
1013113-38.2020.4.01.0000,
38.2020.4.01.0000, 6ª Turma, E-
E
DJF1 11/05/2020), vejamos:
“(...) Assim, em face da realidade do momento atual de pandemia em que
vivemos, adotei o entendimento no sentido de que autorizar a participação
de todos os profissionais médicos que já tenham condição de atuar na área,
área
inclusive os alunos de instituições de ensino privado que atendam aos requisitos
req
estabelecidos na Portaria n. 374/2020 – MEC, é uma questão de
responsabilidade ssocial,
ocial, razão pela qual deferi medida de urgência e
determinei a antecipação de colação de grau àqueles aluno que atendam aos
requisitos da Resolução n. 02/2017
02/2017-MEC. (grifo nosso)”
A sociedade passa por tempos difíceis, com novos desafios exigindo decisões
inéditas para corroborar com o enfrentamento da pandemia. As instituições devem
trabalhar em conjunto, visando o bem
bem-estar
estar social, e não alimentar o retrocesso a todas
as medidas já adotadas pelo país no combate ao COVID 19.

7 DO PEDIDO LIMINAR
O art. 7º, inciso III, da Lei 12.016/09, estabelece que poderá ser concedida
medida liminar em Mandado de Segurança quando houver relevante fundamento e do
ato impugnado puder resultar
ltar ineficácia da medida, acaso esta seja deferida somente ao
final do processo.

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No vertente caso, o pedido encontra amparo no art. 3º, §2º, da Lei nº
14.040/2020, que permite, excepcionalmente, a colação de grau antecipada dos
estudantes de Medicina que cumpriram 75% do regime de internato. Conforme narrado
exaustivamente, os documentos que instruem a exordial são suficientes para demonstrar
o cumprimento de três estágios pelos impetrantes, quais sejam: ECO 1, ECO 2 e ECO 3.
A conclusão dos três estágios do 6º ano, somados aos estágios realizados no 5º ano,
perfazem 2.900 horas, o que corresponde a 82,85% do total de horas exigidas no
internato (3.500).
É importante ressaltar que, muito embora a Declaração emitida pela faculdade
contenha tão somente
nte a con
conclusão do estágio ECO 1, oss documentos extraídos do
sistema SEI demonstram que os impetrantes obtiveram presença e rendimentos
satisfatórios nos estágios ECO 2 e ECO 3.
A Resolução n. 02/2007
02/2007-MEC
MEC dispõe que a carga horária mínima para
integralização do curso
rso de Medicina é 7.200h, e que o estágio para a formação médica,
etapa obrigatória à formação do profissional, deverá ter duração mínima de 2.700h
(DOC 3, p.8).
Na situação dos autos
autos, os Impetrantes já integralizaram 9.092 horas (93,81%), de
9.692 h do curso de Medicina ofertado pela ESCS, sendo 2.900 horas referentes a
estágios supervisionados.
Importa dizer que, seja considerando a situação excepcional trazida pelo
legislador no bojo da Lei nº 14.040/2020 ou pela Resolução nº 0002/2017 do MEC, os
Impetrantess cumpriram todos os requisitos para fazer jus à antecipação da colação de
grau.
Por outro lado, o cerceamento ao exercício regular da profissão repercute
diretamente na saúde coletiva da sociedade
sociedade,, visto que contraria todas as medidas
empenhadas pelo paíss no combate à pandemia. Trata
Trata-se, pois, de situação excepcional
que exige providencias atípicas, caso contrário, não seria necessário a edição de MP e,
posteriormente, sua conversão em Lei.
A sociedade clama por mais médicos e, enquanto a medida não se co
concretizar,
maior será o número de pessoas que pagarão com as próprias vidas. Enquanto se
discute a possibilidade de antecipação da colação de grau de estudantes com

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93,82% do curso de medicina completo, o sistema de saúde permanece com déficit
de profissionais
nais e o maior prejudicado será sempre a sociedade
sociedade.
Assim, a urgência da medida consiste em inserir no Sistema de Saúde 28 novos
profissionais, os quais, sem sombra de dúvidas
dúvidas,, possuem plena capacidade técnica para
auxiliar a sociedade
dade no combate à pandemia.

8 DOS PEDIDOS
Tecidas essas considerações,
iderações, pugnam os impetrantes:
1º) pela concessão da liminar, inaudita altera pars,, para que, independentemente
de qualquer exigência burocrática ou de cunho curricular, a Instituição de Ensino Escola
Superior de Ciências da Saúde (ESCS) antecipe a cola
colação
ção de grau dos impetrantes,
expedindo no prazo de 48 horas, em caráter de urgência, a declaração ou certidão de
conclusão do curso de medicina, assim como a expedição dos respectivos diplomas, sob
pena de multa diária por descumprimento, em valor a ser determinado
terminado por este d. Juízo.
J
a) Ainda em caráter de urgência, seja expedido ofício ao Conselho
Regional de Medicina do Distrito Federal, para que expeça o documento
de inscrição no respectivo conselho da classe, sob pena de multa diária
por descumprimento, em valor a ser determinado por este d. Juízo.
J
2º) Pela notificação da autoridade coatora, para que,, no prazo legal, preste as
informações que julgar necessárias, nos termos do artigo 7º, inciso I, da Lei nº
12.016/09;
3º) Ato contínuo, pela ciência da pre
presente
sente ação mandamental ao órgão de
representação judicial da pessoa jurídica interessada, para que ingresse no feito, nos
moldes do artigo 7º, inciso II, da Lei 12.016/09;
4º) Ao final, sejam remetidos os autos ao Ministério Público, que deverá intervir
naa condição de fiscal da ordem jurídica;
5º) Após o regular processamento do feito nos termos da legislação especial,
pugnam
m os impetrantes pela concessão dda segurança para determinar à autoridade
coatora que adote as providências necessárias para a expediç
expedição
ão do certificado de
conclusão do curso.
Nestes termos, pedem e esperam deferimento.

E-mail:
mail: adv.lucaskrauspenhar@gmail.com Contato: (61) 98120-0624
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LUCAS KRAUSPENHAR
Atribui-se
se à causa o valor de R$ 500,00 (quinhentos reais),, para fins meramente
fiscais.
Brasília, 11 de setembro de 2020.

LUCAS KRAUSPENHAR
Advogado – OAB/DF nº 56.854.

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