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MARINHA DO BRASIL

DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS


ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO

CURSO ESPECIAL BÁSICO DE


NAVIOS-TANQUE PARA GÁS LIQUEFEITO
(EBGL)
(ON-LINE)

1ª.edição
Rio de Janeiro
2013

1
© 2013 direitos reservados à Diretoria de Portos e Costas

Autor: CLC Sérgio Andrade dos Anjos

Revisão Pedagógica: Pedagoga Maria Elisa Dutra Costa


Pedagoga Cleo Soares Fernandes Antunes
Revisão ortográfica: Professor Luiz Fernando da Silva
Diagramação/Digitação: Maria da Conceição de Sousa Lima Martins

Coordenação Geral:

____________ exemplares

Diretoria de Portos e Costas


Rua Teófilo Otoni, n. 4 – Centro
Rio de Janeiro, RJ
20090-070
http://www.dpc.mar.mil.br
secom@dpc.mar.mil.br

Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto no 1825, de 20 de dezembro de 1907


IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL
2
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ................................................................................................................ 7

M E T O D O L O G I A – C o m o U s a r o M a t e r i a l D i d á t i c o .............................................. 9

UNIDADE 1 – OS NAVIOS GASEIROS ............................................................................... 13


1.1 NAVIOS-TANQUE TRANSPORTADORES DE GÁS LIQUEFEITO A GRANEL ........... 13
1.1.1 Tipos de navios ............................................................................................................ 14
1.1.2 Capacidade de sobrevivência e localização dos tanques ............................................. 16
1.2 TIPOS DE CARGA ......................................................................................................... 17
1.2.1 GNL (gás natural liquefeito) .......................................................................................... 17
1.2.2 GLP (gás liquefeito de petróleo) ................................................................................... 18
1.2.3 Gases químicos............................................................................................................... 19
1.2.4 Outras substâncias .................................................................................................... 19
1.3 PROPRIEDADES FÍSICAS E QUÍMICAS DAS CARGAS .............................................. 19
1.3.1 Relação entre pressão de vapor e temperatura ........................................................... 19
1.3.2 Propriedades físicas das cargas .................................................................................. 20
1.3.2.1 Transformações químicas .......................................................................................... 21
1.3.3 Propriedades químicas ................................................................................................. 25
1.3.3.1 Estrutura dos hidrocarbonetos ................................................................................... 25
1.3.4 Utilização dos gases liquefeitos ................................................................................... 27
1.4 NORMATIZAÇÃO ........................................................................................................... 29
1.4.1 Regras internacionais ................................................................................................... 29
1.4.1.1 Os códigos de gás da IMO ........................................................................................ 30
1.4.2 Regras nacionais ...................................................................................................... 30
Teste de autoavaliação da unidade 1 ................................................................................... 31
UNIDADE 2 – EQUIPAMENTOS DE CARGA E MANUSEIO DA CARGA ......................... 33.
2.1 ARRANJO GERAL DE UM NAVIO DE GÁS .................................................................. 34
2.1.1 Espaços e zonas com perigo de gás ............................................................................ 34
2.1.2 Air lock .......................................................................................................................... 35
2.2 SISTEMAS DE CONTENÇÃO DE CARGA .................................................................... 37
2.2.1 Tanques independentes ............................................................................................... 37
2.2.2 Tanques de membrana ................................................................................................. 39
2.2.3 Tanques de semimembrana ......................................................................................... 40
2.2.4 Tanques integrais ......................................................................................................... 40
2.2.5 Tanques com isolamento interno ................................................................................ 41
2.3 TANQUES DE CARGA, REDES E VÁLVULAS.............................................................. 42
2.3.1 Materiais de construção ............................................................................................... 42
2.3.2 Domos e redes dos tanques de carga .......................................................................... 42
2.3.2.1 Rede de retirada de amostras (amostragem) ............................................................ 43
2.3.2.2 Rede de vapor ............................................................................................................ 43
2.3.2.3 Rede de condensado ................................................................................................ 44
2.3.2.4 Rede de dreno ........................................................................................................... 44
2.3.2.5 Rede de descarga de líquido .................................................................................... 44
3
2.3.2.6 Rede de enchimento de líquido.................................................................................. 44
2.3.2.7 Rede de borrifo (spray line) ....................................................................................... 44
2.3.2.8 Rede de ventilação .................................................................................................... 44
2.3.3 Pressão dos tanques de carga de porões .................................................................... 45
2.3.4 Sistema de parada de emergência (ESDS ................................................................... 45
2.3.4.1 Ondas de pressão...................................................................................................... 45
2.3.4.2 ESDS em viagem ....................................................................................................... 46
2.3.4.3 ESDS no porto ........................................................................................................... 47
2.3.5 Sistema de proteção (alivio de pressão) ...................................................................... 47
2.3.6 Sistema de ventilação .................................................................................................. 48
2.4 BOMBAS DE CARGA E SISTEMAS DE DESCARGA .................................................. 49
2.4.1 Bombas de carga ......................................................................................................... 49
2.4.2 Bombas de recalque (booster pump) ........................................................................... 50
2.4.3 Aquecedor de carga ...................................................................................................... 51
2.4.4 Vaporizador de carga ................................................................................................... 52
2.4.5 Sistema de reliquefação e controle de boil-off gas (BOG) ........................................... 53
2.4.6 Compressores de carga ................................................................................................ 53
2.4.7 Instrumentação ............................................................................................................. 54
2.4.7.1 Medidores de nível .................................................................................................... 54
2.4.7.2 Controle de transbordamento .................................................................................... 55
2.4.7.3 Monitoramento de pressão e temperatura ................................................................. 56
2.4.7.4 Sistema de detecção de gases .................................................................................. 56
2.5 GÁS INERTE E NITROGÊNIO ....................................................................................... 57
2.5.1 Gás inerte ..................................................................................................................... 57
2.5.2 Nitrogênio (planta de produção de nitrogênio a bordo) ................................................ 59
2.6 MANUSEIO DA CARGA ................................................................................................. 61
2.6.1 Controle ambiental dos tanques ................................................................................... 61
2.6.1.1 Aquecimento (secagem) ............................................................................................ 62
2.6.1.2 Inertização .................................................................................................................. 62
2.6.1.3 Desgaseificação ......................................................................................................... 63
2.6.1.4 Purga ......................................................................................................................... 63
2.6.1.5 Resfriamento ............................................................................................................. 63
2.6.2 Segregação (de carga) ................................................................................................. 64
2.6.3 Carregamento e descarregamento ............................................................................... 64
2.7 CUIDADOS DURANTE A VIAGEM ................................................................................ 66
Teste de autoavaliação da unidade 2 ................................................................................... 67
UNIDADE 3 – SEGURANÇA OPERACIONAL .................................................................... 69
3.1 RISCOS E PERIGOS ...................................................................................................... 70
3.2 PERIGOS À SAÚDE ....................................................................................................... 70
3.2.1 Asfixia (sufocação) ....................................................................................................... 71
3.2.2 Toxicidade (envenenamento) ....................................................................................... 72
3.2.2.1 Primeiros socorros e tratamento médico ................................................................... 72
3.2.3 Baixas temperaturas ..................................................................................................... 73
3.2.3.1 Congelamento (Frostbite) .......................................................................................... 74

4
3.2.3.2 Fratura frágil (Brittle Fracture) ................................................................................... 75
3.2.4 Queimaduras químicas ................................................................................................. 75
3.2.5 Reatividade .................................................................................................................. 76
3.2.5.1 Reação com ele próprio ............................................................................................. 77
3.2.5.2 Reação com o ar ........................................................................................................ 77
3.2.5.3 Reação com a água .................................................................................................. 78
3.2.5.4 Reação com outras cargas ........................................................................................ 78
3.2.5.5 Reação com outros materiais .................................................................................... 78
3.2.6 Inflamabilidade .............................................................................................................. 78
3.2.6.1 Combustão ................................................................................................................. 79
3.2.6.2 Incêndio ..................................................................................................................... 79
3.2.6.3 Explosão .................................................................................................................... 80
3.2.6.4 Faixa inflamável ......................................................................................................... 80
3.2.6.5 Ponto de fulgor .......................................................................................................... 80
3.2.6.6 Temperatura de autoignição ...................................................................................... 80
3.2.6.7 Mistura pobre ............................................................................................................. 81
3.2.6.8 Mistura rica ................................................................................................................ 81
3.3 RISCOS DE INCÊNDIO E EXPLOSÃO ......................................................................... 82
3.3.1 O fumo .......................................................................................................................... 82
3.3.2 Trabalho a quente e trabalho a frio ............................................................................... 82
3.3.3 Ferramentas anticentelha ............................................................................................. 82
3.3.4 Eletricidade estática ..................................................................................................... 82
3.3.5 Aterramento .................................................................................................................. 82
3.3.6 Prevenção de incêndios ............................................................................................... 83
3.4 PERIGOS DE CORROSIVIDADE ................................................................................... 84
3.5 RISCOS DE DERRAMAMENTOS ................................................................................... 85
3.5.1 BLEVE ............................................................................................................................ 86
3.5.2 Nuvem de vapor ............................................................................................................. 87
3.5.3 Rollover …………………………...............…………………………………………………. 87
3.6 PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO ........................................................................................ 88
3.6.1 Poluição operacional e poluição acidental ................................................................... 88
3.6.2 Prevenção da poluição por gás liquefeito ..................................................................... 89
3.6.3 Medidas em caso de derramamento ............................................................................. 90
Teste de autoavaliação da unidade 3 ................................................................................... 93
UNIDADE 4 – SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO .................................................... 95
4.1 CUIDADOS COM OS PERIGOS DAS CARGAS .......................................................... 96
4.2 Avaliação da atmosfera do tanque (equipamentos de medição) .............................. 97
4.2.1 Avaliação quanto a vapores inflamáveis ...................................................................... 97
4.2.1.1 Indicador de gás combustível (explosímetro) ........................................................... 98
4.2.1.2 Tankscop .................................................................................................................. 100
4.2.2 Vapores tóxicos ........................................................................................................... 100
4.2.2.1 Medidores de gases tóxicos ...................................................................................... 100
4.2.2.2 Analisadores CMS ..................................................................................................... 101
4.2.3 Asfixia .......................................................................................................................... 103

5
4.2.3.1 Analisadores de oxigênio .......................................................................................... 103
4.3 EQUIPAMENTOS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO .................................................... 105
4.3.1 Equipamentos de proteção respiratória (evacuação e resgate) .................................. 105
4.3.1.1 Equipamentos de proteção respiratória de curta duração ......................................... 105
4.3.1.2 Equipamentos de proteção respiratória que utiliza ar preso ..................................... 106
4.3.1.3 Equipamentos de proteção respiratória de ar respirável comprimido ........................ 107
4.3.1.4 Equipamentos de proteção respiratória tipo filtro ....................................................... 108
4.3.2 Roupas e equipamentos de proteção ........................................................................... 108
4.3.2.1 Armazenamento e manutenção dos equipamentos de segurança e proteção ......... 109
4.3.2.2 Conjunto completo de equipamentos de segurança ................................................. 109
4.3.3 Ressuscitadores ........................................................................................................... 110
4.3.4 Equipamentos de salvamento e escape ...................................................................... 111
4.4 PRÁTICAS E PROCEDIMENTOS DE TRABALHO SEGURO ....................................... 112
4.4.1 Espaços confinados ..................................................................................................... 113
4.4.2 Prevenção de acidentes antes e durante reparos e de manutenção ............................ 116
4.4.2.1 Trabalho a quente ...................................................................................................... 117
4.4.2.2 Trabalho a frio ........................................................................................................... 118
4.4.3 Segurança em trabalhos com eletricidade ................................................................... 118
4.4.4 Lista de verificação de segurança navio/terminal ......................................................... 119
4.4.4.1 Orientação de uso .................................................................................................... 119
4.4.4.2 Composição da Lista de Verificação ......................................................................... 120
4.4.4.3 Código dos Itens ........................................................................................................ 120
4.5 OPERAÇÕES DE COMBATE A INCÊNDIOS ................................................................. 121
4.5.1 Prevenção de incêndios ............................................................................................... 121
4.5.2 Agentes de extinção de incêndio em gases liquefeitos .................................................. 122
4.5.3 Extinção de incêndios ................................................................................................... 122
4.5.3.1 Classificação dos incêndios ....................................................................................... 123
4.5.3 2 Fontes de ignição ...................................................................................................... 125
4.5.3.3 Procedimentos básicos para o controle dos incêndios .............................................. 126
4.5.3.4 Métodos de combate a incêndio ................................................................................ 127
4.5.3.5 Equipamento de bombeiro ........................................................................................ 132
4.6 REAÇÃO A EMERGÊNCIAS ......................................................................................... 133
4.6.1 Estrutura organizacional e planejamento ..................................................................... 133
4.6.2 Alarmes ........................................................................................................................ 134
4.6.3 Procedimentos de emergência ..................................................................................... 135
4.6.4 Retirada do navio do berço .......................................................................................... 136
4.6.5 Primeiros socorros ........................................................................................................ 136
Teste de autoavaliação da unidade 4 ................................................................................... 138
Chave de respostas das tarefas e dos testes de autoavaliação de todas as unidades ......... 141
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 149
Anexo 1 – Glossário ............................................................................................................. 151
Anexo 2 – Abreviaturas. ..................................................................................................... 161
Anexo 3 – Ficha de informação de segurança de produto químico (FISPQ) ................. 163
Anexo 4 – Tabela mestra .................................................................................................... 165

6
APRESENTAÇÃO

Este material foi elaborado levando-se em consideração as regras previstas nas


convenções MARPOL e SOLAS e nas importantes recomendações constantes de publicações
específicas para o transporte e manuseio do gás liquefeito por navios, como o Liquefied Gas
Handling Principles on Ships and in Terminal – SIGTTO, Tanker Safety Guide (Liquefied Gas) –
ICS e o Ship to Ship Transfer Guide (Liquefied Gas) – ICS/OCIMF. Somando-se a isso,
também traz a experiência do autor no transporte de petróleo e derivados, produtos químicos e
gases liquefeitos por navios.

Sobretudo, o presente estudo tem por objetivo oferecer conhecimentos básicos sobre as
operações e o transporte de gases liquefeitos a granel por navios e dos sistemas operacionais
existentes a bordo. O conhecimento adquirido com o estudo deste material vai auxiliá-lo na
identificação de riscos e perigos da sua atividade profissional de forma que você saiba se
proteger e colaborar nas boas práticas de segurança, meio ambiente e saúde (SMS).

Vale destacar que, o aquaviário capaz de identificar riscos e perigos e que apresente
pronta iniciativa nas emergências fará a diferença entre os demais e contribuirá com a
segurança das pessoas, do meio ambiente e da propriedade, considerando tanto o próprio
navio quanto sua carga e a circunvizinhança.

Procure tirar maior proveito de todas essas informações contidas aqui e transformá-las
em conhecimento e aprendizagem significativa, não só em suas atividades laborais como em
sua vida pessoal.

Lembre-se: estudar a distância requer, disciplina, determinação e muita autonomia para


administrar o tempo.

Bom estudo!

7
8
Vamos dar início ao nosso estudo!

COMO USAR O MATERIAL DIDÁTICO

I – Qual é o objetivo deste material?

Propiciar ao aluno conhecimentos básicos necessários para realizar de forma segura


suas tarefas, atribuições e responsabilidades relativas às operações realizadas a bordo do
navio de gás liquefeito, conforme estabelecido na regra V/1-2 da Convenção STCW-78 e na
tabela A-V/1-2-1 do Código STCW-78, como emendados Manila 2010.

II – Como está organizado o material?

O material do Curso Especial Básico de Navios-Tanque para Gás Liquefeito (EBGL)


foi estruturado em quatro Unidades de estudo. Os conteúdos obedecem a uma sequência
lógica e, ao término de cada Unidade, o aluno fará um teste de autoavaliação.

III – Como você deve estudar cada unidade?

 Ler a visão geral da unidade.


 Estudar os conceitos da unidade.
 Responder às questões para reflexão.
 Realizar a autoavaliação.
 Realizar as tarefas.
 Comparar a chave de respostas do teste de avaliação.

1. Visão geral da unidade

A visão geral do assunto apresenta os objetivos específicos da unidade, mostrando um


panorama do assunto a ser desenvolvido.

2. Conteúdos da unidade

Leia com atenção o conteúdo, procurando entender e fixar os conceitos por meio dos
exercícios propostos. Se você não entender, refaça a leitura e os exercícios. É muito
importante que você entenda e domine os conceitos.

3. Questões para reflexão

São questões que ressaltam a ideia principal do texto, levando-o a refletir sobre os temas
mais importantes deste material.

4. Autoavaliação

São testes que o ajudarão a se autoavaliar, evidenciando o seu progresso. Realize-os à


medida que apareçam e, se houver qualquer dúvida, volte ao conteúdo e reestude-o.

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5. Tarefa

Dá a oportunidade de você colocar em prática o que já foi ensinado, testando seu


desempenho de aprendizagem.

6. Respostas dos testes de autoavaliação


Dá a oportunidade de você verificar o seu desempenho, comparando as respostas com o
gabarito que se encontra no fim deste material.

IV – Objetivos das Unidades

Unidade 1: OS NAVIOS GASEIROS

Nesta primeira Unidade, abordaremos conhecimentos básicos sobre os tipos de navios


de gás liquefeito e as cargas que esses navios estão autorizados a transportar e sua utilização,
as principais propriedades físicas e químicas dessas cargas e as regras nacionais e
internacionais que normatizam o transporte de gases liquefeitos por navios. Também traz os
principais termos que serão utilizados durante todo o curso o que facilitará a sua compreensão.
O aprendizado dos conteúdos da Unidade 01 servirá de base para as Unidades seguintes.

Unidade 2: EQUIPAMENTOS DE CARGA E MANUSEIO DA CARGA

Nesta Unidade, estudaremos sobre os equipamentos que constituem o navio, como são
separados dos espaços seguros para as pessoas, os locais onde a carga é armazenada e
transportada e como aplicar as técnicas de transportes, bem como o manuseio seguro da
carga.

Unidade 3: SEGURANÇA OPERACIONAL

Nesta Unidade, abordaremos a segurança do transporte e das operações de carga dos


navios transportadores de gases liquefeitos, a qualificação e experiência das pessoas
envolvidas e a correta identificação dos riscos e perigos inerentes a essa atividade. O principal
objetivo é dar aos alunos conhecimentos suficientes para identificar esses riscos e perigos
quando se encontrarem embarcados nesse tipo de navio.

Unidade 4: SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO

Nesta Unidade, estudaremos as precauções e medidas de controle que podem colaborar


com a saúde e segurança do trabalho. Também veremos as ações mitigadoras caso ocorram
acidentes. As atividades de operação e manutenção em navios estão sujeitas a riscos, os
quais, se não forem bem controlados, podem resultar em acidentes com sérias consequências
para as pessoas, meio ambiente e bens materiais. Logo, os profissionais precisam de
treinamentos adequados e cumprimento de procedimentos específicos para as atividades
realizadas a bordo.

10
V – Avaliação do material

Após a realização das tarefas no decorrer do material e dos testes de autoavaliação, o


aluno poderá verificar seus erros e acertos, bem como o seu desempenho, consultando os
Gabaritos que se encontram na Chave de Resposta, ao final deste material.

VI – Símbolos utilizados

Existem alguns símbolos no manual para guiá-lo em seus estudos. Observe o que cada
um quer dizer ou significa.

Este lhe diz que há uma visão geral da Unidade e do que ela trata.

Este lhe diz que há, no texto, uma pergunta para você pensar e responder a
re s p e i t o d o a s s u n t o .

Este lhe diz para anotar ou lembrar-se de um ponto importante.

Este lhe diz que há uma tarefa a ser feita por escrito.

Este lhe diz que há um exercício resolvido.

Este lhe diz que há um teste de autoavaliação para você fazer.

Este lhe diz que esta é a chave das respostas para as tarefas e os testes de
autoavaliação.

11
12
UNIDADE 1

OS NAVIOS GASEIROS

Ao final desta Unidade, você deverá ser capaz de:

 identificar os tipos de navios-tanque que transportam gás liquefeito a


granel e a capacidade de sobrevivência e a localização dos tanques de
carga;
 distinguir os diferentes tipos de carga, seus códigos e forma de
armazenamento;
 identificar as propriedades físicas e químicas das cargas;
 reconhecer a importância das normatizações referentes ao transporte de
gases liquefeitos;
 conhecer as definições das principais nomenclaturas utilizadas nos
navios gaseiros, abreviaturas e símbolos químicos.

“Shell constrói o 1º navio plataforma de produção de gás liquefeito - 18/10/2012”.

A Shell anunciou nesta quinta-feira (18) o corte de aço inicial para a


construção do primeiro navio plataforma do mundo com tecnologia
integrada para liquefação de gás natural. A companhia anglo-holandesa
deu início às primeiras etapas para a fabricação do Prelude Floating
Liquefied Natural Gas (FLNG), instalação que irá explorar campos de
gás a 200 quilômetros da costa da Austrália e converter a substância
para a forma líquida ainda em alto mar, dispensando o uso de gasodutos
para conversão em unidades terrestres e posterior transporte. (TN
Petróleo, 2012). Disponível em:
<http://www.synergiaeditora.com.br/noticia/shell-constroi-do-1-navio-
plataforma-de-producao-de-gas-liquefeito>

Ao ler essa reportagem, você pôde perceber o quão significativo são os avanços
tecnológicos e o quanto esses crescimentos trazem benefícios à economia do país e do
mundo. Logo, para darmos conta de tanto conhecimento e nos mantermos habilitados para o
mercado de trabalho, urge a necessidade de novas aprendizagens. Dessa forma, convido você
para navegarmos juntos nesse “navio gaseiro” carregado de informações.

1 . 1 NAVIOS-TANQUE TRANSPORTADORES DE GÁS LIQUEFEITO A GRANEL

Você sabia que os gases mais comumente transportados por navios gaseiros são o gás
natural liquefeito (GNL) e o gás liquefeito de petróleo (GLP)? Eles são mantidos na forma

13
líquida por alta pressão, baixa temperatura ou por uma combinação desses dois fatores.

Vejamos um pouco dessa história!

O transporte de gás por navios teve início no final dos anos 20, transportando butano e
propano em vasos de pressão na temperatura ambiente.

O transporte de gases na forma líquida começou em 1959 e tem aumentado


regularmente desde então. Por volta de 1963, navios totalmente refrigerados para GLP, GNL e
alguns gases químicos entraram em operação, transportando a carga à pressão atmosférica.
Logo, os navios especializados são utilizados para transportar diferentes gases em uma
variedade de sistemas de tanques e arranjos para pressurização e refrigeração.

1.1.1 Tipos de navios

É importante que você saiba que os navios transportadores de gases liquefeitos são
conhecidos pelo tipo de carga que estão autorizados a transportar ou de acordo com as
condições que transportam essas cargas.

1.1.1.1 De acordo com o tipo de carga

Amplie seu conhecimento com a descrição de cada navio conforme a carga que
transposta. Pois bem, de acordo com o tipo de carga que estão autorizados a transportar, os
navios de gás liquefeito são chamados de:
 navios de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo);

 navios de GEL (Gás Etileno/Eteno Liquefeito);

 navios de GNL (Gás Natural Liquefeito);

 navios de Cloro (Cloro liquefeito); e

 navios de GEL/GLP/Gases Químicos.

Figura 1.1: Navio de GNL.

14
1.1.1.2 De acordo com as condições de transporte

De acordo com as condições que transportam suas cargas, os navios de gás liquefeito
estão divididos em três categorias distintas:

1. navios totalmente pressurizados: transportam à temperatura ambiente;

2. navios semirrefrigerados: transportam a carga resfriada à temperatura entre a


ambiente e a de ebulição do gás à pressão atmosférica; e

3. navios totalmente refrigerados: transportam à pressão próxima a atmosférica.

Continue estudando e conheça os navios e as condições em que se transportam as


cargas.

 Totalmente pressurizados

Os navios totalmente pressurizados transportam sua carga em tanques cilíndricos de


aço. São projetados para uma pressão de trabalho de 17,5 kg/cm² que corresponde à pressão
de vapor do propileno a 45ºC (temperatura máxima de operação).

Nesse sentido, os tanques dos navios totalmente pressurizados para o transporte de GLP
são classificados quanto à pressão de trabalho, segundo a IMO, como Tanques Independentes
Tipo C que são tanques cilíndricos ou esféricos, normalmente sem isolamento e não equipados
com plantas de refrigeração.

Logo, esses navios são classificados quanto à periculosidade do gás transportado como
2G / 2PG, o que implica normas de segurança específicas, que veremos mais adiante.

 Semirrefrigerados

O transporte por navios semirrefrigerados ou semipressurizados utiliza tanques cilíndricos


ou esféricos tipo C. São projetados para uma temperatura mínima de trabalho de –48ºC, a uma
pressão que varia de 5 a 8 kg/cm². Quando o navio possui planta de reliquefação, a espessura
das chapas dos tanques pode ser reduzida. Transportam mais carga para uma mesma
capacidade volumétrica do que os navios totalmente pressurizados, uma vez que a densidade
aumenta com a redução da temperatura.

Nessa perspectiva, o transporte por navios semirrefrigerados são considerados


economicamente viáveis apenas para volumes de carga superiores a 15.000m³ por
apresentarem um custo muito mais elevado que os totalmente pressurizados.

 Totalmente refrigerados

Podem ser construídos grandes navios com esse sistema, e o aproveitamento da região
de carga é muito melhor do que nos navios anteriormente citados. A configuração mais
utilizada é o tanque independente com simples blindagem lateral, sendo o próprio tanque uma
unidade prismática do Tipo A, autosuportado, capaz de resistir a uma pressão máxima de
trabalho abaixo de 0,7bar. Os tanques são construídos com aços resistentes às baixas
temperaturas para permitir o transporte a temperaturas de até –162ºC, correspondente ao gás
natural liquefeito à pressão atmosférica.

15
Os tanques prismáticos podem apresentar uma antepara longitudinal ao longo da linha de
centro para reduzir o efeito de superfície livre e, consequentemente, aumentar a estabilidade
transversal do navio. Esses tanques devem sempre ser isolados e equipados com planta de
refrigeração capaz de manter a carga à pressão próxima à atmosférica.

1.1.2 Capacidade de sobrevivência e localização dos tanques de carga

Assim como os seres humanos os navios também possuem uma capacidade de


sobrevivência. Vejamos!

Os códigos de gás da IMO também classificam os navios de gás em quatro categorias:


navios do tipo 1G, 2G, 2PG e 3G. Essa divisão serve para representar os graus de perigos das
cargas que serão transportadas e que tem como base a capacidade de sobrevivência do navio
(não afundar) a avarias causadas por colisão ou encalhe e a capacidade dos tanques em
conter a carga após essas avarias.

Para facilitar o seu entendimento, tomei como exemplo um navio do Tipo 1G, que é um
navio de gás preparado para transportar produtos que apresentam os maiores perigos à
segurança e pode provocar poluição, como o cloro. Já os navios tipo 2G, 2PG e 3G,
progressivamente estão preparados para transportar produtos que oferecem menores perigos.

A maioria das cargas comuns tais como GNL, GLP e etileno, deve ser
transportada em navios tipo 2G ou 2PG. Os navios do tipo 3G são
autorizados a transportar somente nitrogênio e gases refrigerantes.

Que tal dar uma parada para verificar o que você aprendeu?

Tarefa 1.1

Com base no que você estudou até aqui, faça o que se pede.

1.1.1) Qual é a temperatura da carga transportada pelos navios totalmente


pressurizados?
_____________________________________________________________________________

1.1.2) Qual é a pressão dos tanques dos navios que transportam cargas totalmente
refrigeradas?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

Agora sim, você está pronto para avançar para o próximo assunto sobre tipos de
carga.

16
1.2 TIPOS DE CARGA

O gás natural é liberado como um dos resultados do processo de perfuração. É um gás


formado por uma mistura de metano, etano, propano, butano e pentano. Os gases mais
pesados – propano e butano – são chamados de “gases de petróleo” e os demais, na maioria
metano, são chamados de “gás natural”. As propriedades e comportamentos desses dois
grupos básicos variam consideravelmente, requerendo diferentes meios de acondicionamento
e armazenamento durante a viagem.

As cargas transportadas pelos navios gaseiros estão classificadas nos Códigos de Gás
da IMO, em quatro grupos:

1. Gás Natural Liquefeito – GNL (Liquefied Natural Gas – LNG);


2. Gás Liquefeito de Petróleo – GLP (Liquefied Petroleum Gas – LPG);
3. Gás Eteno Liquefeito – GEL, (Liquefied Ethylene Gas – LEG); e,
4. Gases Químicos e Outras Substâncias (Chemical Gases and Certain Other
Substances).

A figura a seguir, bem como a descrição de cada gás natural liquefeito, vai ajudá-lo
na compreensão desse assunto. Confira!

Figura 1.2: Cargas transportadas por navios gaseiros.

1.2.1 GNL (gás natural liquefeito)

Fique atento às definições abaixo, referentes aos gases.

De maneira geral, gás liquefeito é a forma líquida de uma substância que, na temperatura
ambiente e pressão atmosférica, seria um gás. É definido pelos códigos de gás da IMO como
uma substância que tem pressão de vapor superior a 2.8 bar na temperatura de 37.8oC

O GNL é o gás natural resfriado a temperaturas inferiores a –160°C para transformá-lo


em líquido e, assim, possibilitar sua transferência e estocagem. É composto
17
predominantemente de metano, podendo conter outros componentes normalmente
encontrados no gás natural.

GNV (gás natural veicular) é uma mistura combustível gasosa proveniente do gás
natural ou do biogás, destinada ao uso veicular e cujo componente principal é o metano,
observadas as especificações estabelecidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

GNC (gás natural comprimido) é todo gás natural processado em uma estação de
compressão para armazenamento em ampolas ou cilindros, transportados até estações de
descompressão localizadas nas plantas dos clientes industriais ou nos postos onde são
distribuídos para os consumidores.

1.2.2 GLP

O GLP (gás liquefeito de petróleo), mais conhecido como gás de cozinha, pode ser
separado das frações mais leves de petróleo ou das mais pesadas de gás natural. À pressão
atmosférica e temperatura ambiente, é um produto gasoso, inflamável, inodoro e asfixiante,
quando aspirado em altas concentrações. À temperatura ambiente, mas submetido à pressão
na faixa de 3 a 15 kgf/cm2, apresenta-se na forma líquida.

O GLP não é mais do que uma mistura de proporção variável de butano e propano. Na
verdade, trata-se de uma falsa mistura uma vez que, na realidade, apenas partilham o mesmo
espaço. Ou seja, se tivermos uma proporção de 40% de propano e 60% de butano a uma
temperatura externa inferior ao ponto de ebulição do butano, consumiremos exclusivamente o
Propano. Após esgotar o propano, o fornecimento de gás será interrompido até que a
temperatura exterior suba além do ponto de ebulição do butano, que passará então a ser
consumido.

O GLP é obtido na primeira etapa do processo de refino que é a destilação atmosférica.


Nela, o petróleo é aquecido e fracionado em uma torre, de onde são extraídos, por ordem
crescente de densidade, gases combustíveis, GLP, gasolina, nafta, solventes e querosenes,
óleo diesel e um óleo pesado, chamado de resíduo atmosférico, extraído pelo fundo da torre.

Outro processo de onde é extraída parte do GLP consumido no País é o que ocorre nas
Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGN), nas quais as frações mais pesadas do
gás são separadas da corrente produzindo GLP e um derivado na faixa da gasolina.

Você sabia que o gás canalizado, também conhecido como gás de rua, é produzido a
partir da nafta?

É isso mesmo: da nafta, que é um derivado do petróleo também conhecido como nafta
petroquímica. Isso se dá através de processo industrial, e distribuído nos centros urbanos
através das redes de distribuição das companhias estaduais de gás para consumo
predominantemente residencial. A maior parte dessas redes de distribuição já substituiu o gás
de nafta pelo gás natural. Já o gás eteno liquefeito é produzido pelo craqueamento do GLP.

Continue estudando sobre os gases! Veja agora.

18
1.2.3 Gases químicos

Os gases químicos formam um grupo de gases liquefeitos produzidos através de


processo químico, tais como o cloro, a amônia e o monômero de cloreto de vinila (VCM).

1.2.4 Outras substâncias

Outras substâncias, como o óxido de propileno e o acetaldeído, são substâncias que se


encontram na faixa entre um gás liquefeito e um produto químico e são transportadas em
navios de gás.

Continue nessa trilha de aprendizagem. Veja, a seguir, as propriedades físicas e


químicas das cargas.

1.3 PROPRIEDADES FÍSICAS E QUÍMICAS DAS CARGAS

Certamente, você já aprendeu sobre os gases e sua composição. Veja, agora, as


propriedades físicas e químicas das cargas.

Para refletir, preste atenção a esta pergunta:

Quais são os três processos porque passam os gases liquefeitos?

Os gases podem ser liquefeitos por três processos:

 Liquefação por remoção do calor (resfriamento): esse método resulta na redução de


sua pressão de vapor, e o gás será transportado a uma pressão próxima da
atmosférica, ou seja, na temperatura de ebulição do gás. O calor removido da carga
até sua liquefação é chamado de calor latente de condensação. Esse é um método
utilizado por navios que possuem planta de reliquefação;

 Liquefação por pressurização, na temperatura ambiente. Já esse método é utilizado


para navios totalmente pressurizados; e

 Pela combinação desses dois processos.

Vejamos agora!

1.3.1 Relação entre pressão de vapor e temperatura

O conjunto de moléculas de um líquido que evapora exerce pressão em todas as


direções, inclusive sobre a superfície do próprio líquido. Essa pressão recebe o nome de
pressão de vapor do líquido a uma determinada temperatura. Líquidos distintos têm pressão de
vapor diferente a uma determinada temperatura.

Na temperatura de 25ºC, a maioria dos líquidos evapora lentamente. Se você colocar


100 ml de água num recipiente, cobri-lo com uma placa de vidro e mantiver a temperatura da
água constante durante várias horas, observará que, após esse intervalo de tempo, o volume

19
do líquido praticamente não variará e que a pressão de vapor da água depois desse mesmo
intervalo de tempo permanecerá constante apesar da continuação da evaporação. A
explicação desse fenômeno é que há sempre certo número de moléculas que estão
evaporando enquanto outras estão retornando ao estado líquido.

O fato de o volume do líquido manter-se constante e o espaço acima dele estar saturado
de moléculas na fase gasosa quer dizer que existe um vaivém ininterrupto de moléculas,
passando de uma fase a outra. Logo, estabelece-se uma situação de equilíbrio entre o líquido e
seu vapor. Não se observa nenhuma transformação macroscópica porque os dois fenômenos
ocorrem ao mesmo tempo e com a mesma velocidade.

Quando a temperatura de um líquido aumenta é porque o calor fornecido aumentou a


energia cinética média das moléculas do líquido. Isso faz crescer o número de moléculas que
deixam a fase líquida e passam para a fase gasosa, de modo cada vez mais rápido à medida
que aumenta a temperatura. Nesse caso, a pressão de vapor aumentará rapidamente.

A pressão de vapor de um líquido só depende da temperatura em que ele se encontra. A


uma dada temperatura, a pressão de vapor do líquido torna-se igual à pressão atmosférica.
Nesse momento, o líquido começa a ferver e essa temperatura é conhecida como temperatura
de ebulição desse líquido. Assim, podemos dizer que a temperatura de ebulição de um líquido
é a temperatura na qual a pressão de vapor desse líquido torna-se igual à pressão atmosférica.

Considera-se como ponto de ebulição de um líquido puro a temperatura em que a


pressão de vapor do líquido se iguala à pressão atmosférica ao nível do mar, isto é, vale 1 atm
ou 760 mmHg.

Vale destacar:

A pressão atmosférica varia na razão inversa da altitude. Por causa disso, a


temperatura de ebulição de um líquido varia de lugar para lugar.

1.3.2 Propriedades Físicas das Cargas

O transporte seguro das cargas dos navios gaseiros exige das pessoas envolvidas
conhecimento das propriedades físicas e químicas das cargas, capacidade na identificação dos
riscos e dos perigos dessa atividade é também o conhecimento das ações de controle a serem
tomadas em situações de emergência.

Hora de dar mais uma parada para verificar o que você aprendeu.

Tarefa 1.2

Com base no que você estudou até aqui, faça o que se pede.

1.2.1) O que são gases químicos?


_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

20
1.2.2) O que é GNL (gás natural liquefeito)?
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

Siga em frente. Estude sobre as transformações químicas.

1.3.2.1 Transformações químicas

São as transformações de materiais estudadas no campo da química.

Aprender a produzir o fogo talvez tenha sido a primeira transformação química realizada
pelo homem. Ao tentar queimar determinadas rochas e minerais, o homem percebeu que
alguns deles se transformavam, pela ação do calor, em novos materiais como, por exemplo, os
minérios de cobre. A argila, depois de cozida, perdia água e endurecia, e esse fato permitiu a
fabricação de tijolos e utensílios para armazenar água e alimentos.

Transformação significa mudança, alteração, modificação. Quando se pretende


estudar um corpo ou um conjunto de corpos a fim de verificar se ele está se transformando,
deve-se isolar esse corpo ou conjunto de corpos para melhor estudá-lo, constituindo-se, dessa
forma, um sistema.

Quando, em um dado momento, damos a descrição completa de um sistema, estamos


definindo o estado dele naquele momento. São algumas observações usadas para a descrição
que define o estado do sistema, tais como:
COR, CHEIRO, BRILHO, SABOR, DUREZA, VOLUME, FORMA, MASSA e TEMPERATURA.

Quando descrevemos completamente um sistema em dois momentos diferentes,


chamamos a primeira descrição de estado inicial e a segunda de estado final. Se observarmos
alguma diferença ao compararmos o estado inicial e final, dizemos que o sistema se
transformou.

Veja, por exemplo, o que acontece com o açúcar de cana quando ele é aquecido em uma
panela durante o tempo necessário para queimá-lo. Antes do aquecimento, o estado inicial da
porção de açúcar apresenta-se como um sólido branco, com sabor doce, inodoro e solúvel em
água. No estado final, depois que o açúcar ficou completamente queimado, teremos um sólido
preto, amorfo, com sabor amargo, inodoro e insolúvel em água.

Como você pode perceber, nas transformações químicas, os materiais que constituem os
sistemas antes e depois da ocorrência da transformação não são os mesmos.

Conheça agora outros estados físicos ou fases da matéria.

a) Estados de Agregação

Os estados de agregação são também denominados estados físicos ou fases da matéria,


que são: sólido, líquido e gasoso.

No estado sólido, a força de coesão é maior do que a força de repulsão fazendo com que
o corpo apresente forma própria e volume constante. No estado líquido, as forças de coesão e
de repulsão são aproximadamente iguais, fazendo com que o corpo não tenha forma própria,

21
embora mantenha o volume constante. No estado gasoso, a força de coesão é menor do que a
de repulsão, o que faz com que o corpo não tenha forma própria nem volume constante.

Merece destaque!

As mudanças de estados físicos são:


 Fusão (sólido para líquido);
 Vaporização (líquido para vapor);
 Condensação ou liquefação (gasoso para líquido);
 Solidificação (líquido para sólido); e
 Sublimação (sólido para gasoso e vice-versa).

b) Ponto de fusão e ponto de ebulição

São propriedades físicas freqüentemente usadas para identificar os vários materiais


puros. Já sabemos que os materiais são encontrados em três estados físicos que são definidos
pela temperatura em que eles se encontram.

A água é encontrada normalmente no estado líquido, porém, conhecemos o gelo que é a


água no estado sólido e o vapor d’água que é a água no estado gasoso. Se você colocar gelo
em um copo, depois de algum tempo, o gelo derrete transformando-se em água na sua forma
líquida. Essa mudança de estado físico recebe o nome de fusão. A fusão do gelo ocorre
quando o ambiente fornece calor suficiente para que o gelo passe para o estado líquido. A
temperatura na qual ocorre a fusão de uma substância pura recebe o nome de ponto de
fusão.

Portanto, qualquer que seja a quantidade ou a procedência de uma substância pura, seu
ponto de fusão será sempre o mesmo. O ponto de fusão serve também para classificar os
materiais em duas categorias: as substâncias e as misturas.

A fusão de material sólido puro ocorre em temperatura constante e os materiais que se


comportam dessa maneira recebem o nome de substâncias puras ou simplesmente
substâncias. A sacarose, o oxigênio, o ferro e a vitamina C são exemplos de substâncias.

Quando os materiais sólidos são misturas, a temperatura ao final da fusão é diferente da


temperatura no início dessa transformação. Elas se caracterizam por apresentar uma faixa de
temperaturas onde ocorre a fusão. O ponto de fusão, sozinho, não é suficiente para diferenciar
as substâncias das misturas. Existem, ainda, misturas chamadas “eutéticas” que durante o
processo de fusão se comportam como se fossem substâncias puras, ou seja, a temperatura
se mantém inalterada do início ao fim da fusão.

Por favor, destaque aqui o significado da palavra eutéticas.

Para refletir!

O q u e é p o n to d e e b u l i ç ã o ?

Pensou? Vejamos! O ponto de ebulição é outra propriedade usada para identificar


substâncias, particularmente, no estado líquido. Ao aquecer um líquido, quando ele atinge uma
22
determinada temperatura, começa a ferver, ou seja, entra em ebulição transformando-se em
vapor. Essa transformação física do líquido em vapor é chamada de vaporização. A
temperatura na qual ocorre a ebulição de um líquido é chamada de ponto de ebulição. A
água pura, por exemplo, ao nível do mar, entra em ebulição a temperatura de 100ºC.

Nas mesmas condições, se dois materiais puros têm pontos de ebulição diferentes,
então, eles são materiais diferentes. Diferenciar materiais líquidos por meio da comparação de
seus pontos de ebulição é uma importante aplicação dessa propriedade.

Quando um material líquido é constituído de uma única substância, sua ebulição ocorre
em uma única temperatura, como por exemplo, a água, a acetona, o éter, etc.

Quando os materiais líquidos são misturas, a temperatura ao final da ebulição é diferente


da temperatura no início dessa transformação. As misturas se caracterizam por apresentar um
faixa de temperatura onde ocorre a vaporização, enquanto que as substâncias mantêm uma
única temperatura durante essa mudança de estado físico.

Existem misturas líquidas chamadas misturas azeotrópicas, que apresentam ponto de


ebulição constante, como o álcool comprado em supermercados, que contém 96% da
substância álcool etílico e 4% de água.

Cabe destacar que:

O ponto de fusão e o ponto de ebulição são duas importantes propriedades


que, se analisadas em conjunto, servem para caracterizar e classificar os
diferentes materiais.

O ponto de fusão e o ponto de ebulição são duas importantes propriedades que, se


analisadas em conjunto, servem para caracterizar e classificar os diferentes materiais.

Figura 1.3: Estado de agregação ilustrado em um diagrama de temperatura e pressão.


Um gás (A) pode ser liquefeito pela remoção de calor ou pelo aumento da pressão.

c) Densidade absoluta do líquido

É uma propriedade física empregada quando o ponto de fusão e o ponto de ebulição não
puderem ser usados para caracterizar as substâncias e diferenciá-las das misturas.

23
Qualquer porção, de qualquer material, possui massa e tem volume. Quando
estabelecemos a razão entre a massa e o volume da porção de um determinado material, essa
razão recebe o nome de densidade ou massa específica desse material.

A expressão matemática da densidade é:

massa
densidade = -----------
volume

É importante notar que, quando temos volumes iguais de materiais


diferentes, o material de maior densidade apresenta maior massa. Isso
significa que a massa e a densidade são grandezas diretamente
proporcionais. Quando temos massas iguais de materiais diferentes, o
material de menor densidade apresenta o maior volume, o que significa dizer
que a densidade e o volume são grandezas inversamente proporcionais.

d) Densidade relativa do líquido

É a relação entre o peso de um volume de uma substância na temperatura t1 e o peso de


igual volume de água doce em uma temperatura t2. A densidade relativa inclui o efeito do
deslocamento do ar. Apresentamos, a seguir, algumas densidades relativas da água:
4ºC = 1000; 15ºC = 0,9982; 20ºC = 0,9913.

e) Densidade do vapor

É o peso do vapor comparado com o peso de igual volume de ar, ambos em condições
normais de temperatura e pressão. Assim, a densidade de 2,9 significa que o vapor é 2,9 vezes
mais pesado que igual volume de ar, sob as mesmas condições físicas.

f) Pressão de vapor

É a pressão exercida pelo vapor na superfície do líquido a uma determinada temperatura.


É expressa como pressão absoluta.

g) Pressão parcial

É a pressão exercida por um dos constituintes da mistura de gás e vapor como se os


demais constituintes não estivessem presentes. Geralmente, essa pressão não pode ser
medida diretamente, porém pode ser obtida pela análise do gás ou vapor e calculada,
utilizando-se a lei de Dalton.

h) Viscosidade

A coesão molecular é a causa do atrito interno, isto é, da resistência ao deslocamento de


camadas de moléculas líquidas uma sobre as outras. Como a viscosidade traduz de certo
modo uma resistência ao escoamento, pode ser expressa e medida pelo tempo que o líquido
leva para escoar-se pelo gargalo de um frasco de dimensões pré-estabelecidas, ou seja, pelo
tempo no qual se escoa um dado volume. Assim, o grau de viscosidade tem o nome do
idealizador do frasco ou viscosímetro.

24
Nos Estados Unidos, usa-se o Saybolt Seconds Universal (SSU), para viscosidades
médias e Seconds Saybolt Furol (SSF), para viscosidades altas. Na indústria de automóvel, a
viscosidade dos óleos é dada em unidades SAE (Society of Automotive Engineers). A
viscosidade de muitos líquidos diminui com o aumento da temperatura.

Antes de estudar sobre as propriedades químicas das cargas, dê uma parada para
um copo de água, um alongamento e em seguida teste seu conhecimento sobre o que
você estudou.

Tarefa 1.3

Faça o que se pede.

1.3.1) O que significa ponto de ebulição?


_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

1.3.2) O que você entende por pressão de vapor?


_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

Vejamos as propriedades químicas da carga e suas estruturas.

1.3.3 Propriedades Químicas das Cargas

1.3.3.1 Estrutura dos Hidrocarboneto

Você sabe por que as moléculas são chamadas de leves ou pesadas?

Confira neste parágrafo a resposta para essa pergunta.

O óleo cru é uma mistura de um grande número de diferentes moléculas de


hidrocarbonetos. Estas moléculas são chamadas de leves ou pesadas de acordo com o
número de átomos de carbono que as formam. O petróleo cru, ou petróleo no estado natural, é
a mistura de hidrocarbonetos associados a pequenas quantidades de enxofre, nitrogênio,
oxigênio e impurezas diversas. As impurezas presentes no óleo cru tais como o enxofre,
nitrogênio, oxigênio e as outras impurezas são indesejáveis nos produtos, daí a necessidade
da sua eliminação durante o processo de refino.

Os componentes dessa mistura, nas condições ambientais de temperatura e pressão,


são substâncias que, em função do número de átomos de carbono que constituem suas
respectivas moléculas, são gases, líquidos ou sólidos. Cada um dos hidrocarbonetos
constituídos do petróleo recebe a denominação da fração de petróleo. Cada uma dessas
frações tem propriedades físicas e químicas distintas.

As moléculas muito leves como as do metano, butano e propano são gases sob
condições atmosféricas normais. As moléculas muito pesadas como as do asfalto são sólidas

25
sob condições atmosféricas normais. Já as moléculas intermediárias, tais como as do óleo
diesel, são líquidos sob condições atmosféricas normais.

Observe a seguir na figura 1.4 a representação da estrutura dos hidrocarbonetos.

Figura 1.4: Representação da estrutura dos hidrocarbonetos.

O processo inicial, utilizado nas refinarias, para separação dos componentes da fração de
óleo cru, é a destilação. Esse processo se aplica à separação dos hidrocarbonetos mais leves
dos mais pesados, entre seus pontos moleculares.

Para um composto com grande número de átomos de carbono, utiliza-se um processo


denominado craqueamento, em que essas moléculas são divididas e têm seus átomos
reorganizados.

O processo de craqueamento do petróleo é constituído fundamentalmente de uma reação


de quebra (cracking) de moléculas de alto peso molecular e de baixo valor comercial, em
moléculas de menor peso molecular e com alto valor comercial. O processo pode ser
puramente térmico, ou pode ser realizado na presença de catalisador. Em razão do processo
exigir altas temperaturas, utiliza-se o processo catalítico que ainda sim exige temperaturas na
faixa de 500ºC a 550ºC. A presença do catalisador também permite obtenção de maiores
seletividades e, portanto, maior rendimento dos produtos desejados.

Graças aos processos de craqueamento, do petróleo bruto, são retirados certos produtos
em muito maior proporção do que aquela fornecida pela própria natureza. Se tivéssemos que
depender da quantidade de gasolina extraída do petróleo bruto, jamais obteríamos o
rendimento necessário do precioso combustível para a movimentação dos nossos carros. O
craqueamento soluciona o problema, permitindo a obtenção do produto em maior escala.

Gasosos até 6 átomos de carbono, por molécula;

Líquidos até 25 átomos de carbono, por molécula;

Sólidos mais do que 25 átomos de carbono, por molécula.

Estude com muita atenção a utilização dos gases liquefeitos.

26
1.3.4 Utilização dos gases liquefeitos

 GNL (Metano CH4; Etano C2H6)

O metano é importante para geração de eletricidade uma vez que é utilizado como
combustível de turbinas a gás ou em caldeiras a vapor. Quando comparado com outros
hidrocarbonetos combustíveis, o metano gera menos dióxido de carbono durante a queima por
unidade de calor produzido. O calor da combustão do metano é mais baixo do que de qualquer
outro hidrocarboneto. A chama da queima do metano é muito limpa e tem menos partículas do
que outros hidrocarbonetos. O metano é distribuído através de tubulações para uso doméstico
(aquecimento e cozinha).

 Gás Natural Veicular (GNV)

Quem ainda não ouviu falar no GNV? Esse gás é muito conhecido, pois é utilizado para
movimentar motores em terra como no mar. O Gás Natural Veicular (GNV), cujas propriedades
químicas o qualificam como um substituto de combustíveis tradicionais como a gasolina e o
álcool hidratado, é utilizado em motores que funcionam através da ignição por centelhamento.

 Gás Liquefeito de Petróleo (GLP)

O GLP é largamente utilizado como combustível devido à facilidade de armazenamento e


transporte a partir do seu engarrafamento em botijões apropriados. Para facilitar a identificação
de vazamentos, o GLP é odorizado com compostos à base de enxofre que são adicionados em
quantidades controladas, fornecendo ao gás um odor característico.

 Propano (C3H8)

Somente nos Estados Unidos 6,5 milhões de lares usam o propano como combustível
para aquecimento. Também é usado como combustível de ônibus, empilhadeiras e táxis e seu
uso vem aumentando como combustível de automóveis particulares. Sua outra utilização é
como propelente de aerossóis, principalmente depois da proibição dos CFCs.

 Butano (C4H10)

O gás butano é um coletivo usado para o normal butano (n-butano). É vendido


engarrafado em bujões como combustível de aquecedores e de fogões de cozinha até nos
locais mais remotos. É um importante alimentador de plantas petroquímicas. Também é
utilizado como combustível de isqueiros e como propelente de aerossóis. Comercialmente, é
conhecido como GLP.

 Etileno (C2H4)

O etileno é usado primariamente como um produto intermediário na fabricação de outros


produtos químicos, especialmente os plásticos. Pode ser polimerizado para produzir o
polietileno (também conhecido como polieteno ou politeno), que é o plástico mais utilizado
mundialmente.

O etileno pode ser clorado para produzir o ethylene dichloride (1,2-Dichloroethane), um


precursor do plástico polyvinyl chloride, ou combinado com o benzene para produzir
ethylbenzene, o qual é usado na fabricação do polystyrene, outro plástico importante.

27
Pequenas quantidades de ethylene são oxidadas para produzir produtos
químicos, incluindo o ethylene oxide, ethanol, e polyvinyl acetate.

 Propileno (C3H6)

O principal uso do propylene está na produção do polypropylene.

 Butileno (C4H8)

O butylene é usado na produção da borracha sintética, além de outras utilizações como


intermediário petroquímico. O isobutylene também é usado para a produção de isooctane, o
qual melhora a qualidade da combustão da gasolina.

 Butadieno (C4H6)

A maioria do butadiene é polimerizado para produzir borracha sintética. Enquanto o


polybutadiene é muito macio, quase líquido, polímeros preparados a partir de misturas de
butadiene com styrene ou acrylonitrile, tais como ABS, ambos são duros e elásticos. Borracha
de styrene-butadiene é o material mais comumente usado para a produção de pneus
veiculares.

 Vynil Chloride Monomer (VCM)

O vynil chloride é manufaturado em escala industrial de sthylene e chloride na presença


de cloreto de ferro como catalisador. O VCM é primeiramente utilizado na produção de PVC.

 Amônia Anidra (NH3)

O mais importante uso da amônia está na produção de ácido nítrico que, por sua vez, é
utilizado na fabricação de fertilizantes e de explosivos. Adicionalmente, também serve como
ingrediente para a produção de fertilizantes, além de ser usada como fertilizante direto na
formação de uma solução com água para irrigação sem processos químicos adicionais.

A amônia possui propriedades termodinâmicas que permitem que seja utilizada como um
gás refrigerante. Como pode ser liquefeita sob pressão, era virtualmente usada em todas as
unidades de refrigeração antes do advento dos haloalcanos como o freon. Entretanto, a amônia
é um produto tóxico e irritante, além de corrosivo a qualquer liga de cobre, aumentando, o risco
de um vazamentos indesejáveis, o que pode desenvolver potencial perigo à saúde.

 Cloro (CI)

O cloro é uma importante substância química usada em alguns processos como o de


purificação da água, fabricação de desinfetantes e alvejantes. É usado (na forma de hipoclorito
ácido) para matar bactérias e outros micróbios. Muitos produtos que utilizam água em sua
fabricação atualmente são habitualmente clorados.

Depois de estudar sobre os componentes químicos da carga, está na hora de dar mais
uma parada para um alongamento, um copo de água, respirar um ar puro e testar seu
conhecimento.

28
Tarefa 1.4

Faça o que se pede.

1.4.1) Até quantos átomos de carbono constituem as moléculas das substâncias


gasosas?
_____________________________________________________________________________

1.4.2) Até quantos átomos de carbono constituem as moléculas das substâncias


líquidas?
_____________________________________________________________________________

Com as definições dos diferentes gases e sua utilização, é importante conhecer as


Regras nacionais e internacionais e Códigos no que se refere ao transporte de gás liquefeito.
De um modo geral, as pessoas são resistentes quanto ao estudo das normatizações. Contudo,
conhecê-las é fundamental na profissão do marítimo.

Confira!

1.4 NORMATIZAÇÃO

1.4.1 Regras Internacionais

O transporte de gases liquefeitos por navios é regulamentado, internacionalmente,


observando-se critérios de segurança e prevenção da poluição através de convenções
adotadas pela Organização Marítima Internacional (IMO). O resultado esperado é que não
ocorram acidentes nessa atividade que venham a acarretar perdas, ou seja, lesão às pessoas,
danos à propriedade, poluição do meio ambiente e interrupções nos processos.

Os requisitos dessas convenções são suplementados por recomendações,


especificações e códigos adotados pela IMO. As convenções adotadas para o transporte
seguro de gás liquefeito, por navios são:

1. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA SALVAGUARDA DA VIDA HUMANA NO MAR


(SOLAS) 1974, COMO EMENDADA;

2. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA A PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO POR NAVIOS, 1973,


COMO MODIFICADA PELO PROTOCOLO 1978 (MARPOL 73/78), COMO EMENDADA;

3. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE NORMAS DE TREINAMENTO DE MARÍTIMOS,


EXPEDIÇÃO DE CERTIFICADOS E SERVIÇO DE QUARTO, COMO EMENDADA.

Todos os navios de 500 GRT (toneladas brutas de arqueação) ou superior devem cumprir
o Código ISM (Código Internacional de Gerenciamento para Operações Seguras e Prevenção
da Poluição), que é parte integrante da Convenção SOLAS, compondo o Capítulo IX.

29
1.4.1.1 Os códigos de gás da IMO

Para os navios transportadores de gás liquefeito, os códigos e padronizações para o


modelo, construção e outras medidas de segurança são encontrados nos Códigos de Gás da
IMO (IMO’s Gas Carrier Codes).

Os códigos de gás da IMO têm por finalidade prover um padrão internacional para o
transporte marítimo seguro de gases liquefeitos a granel e outras substâncias e se aplicam a
todos os navios de gás independente do seu tamanho. Há três Códigos de Gás em vigor,
conforme é descrito a seguir.

1. Código para navios de gás construídos antes de 1977

Código para Navios Existentes Transportadores de Gases Liquefeitos a Granel, o Código


EGC (The Code for Existing Ships Carrying Liquefied Gases in Bulk, the EGC Code) foi
adotado através da Resolução A.329 (ix), em 12 de novembro de 1975, e se aplica aos navios
de gás construídos ou contratados antes de 31 de outubro de 1976. Esse Código é uma
recomendação da IMO para navios mais antigos não sendo, entretanto, obrigatório.

2. Código para navios de gás construídos entre 1976 e 1986

O Código para Construção e Equipamentos para Navios que Transportam Gás Liquefeito
a Granel, o Código GC (The Code for the Construction and Equipment for Ships Carrying
Liquefied Gases in Bulk, the GC Code), foi adotado pela Resolução A.328 (ix), em 12 de
novembro de 1975, e se aplica aos navios de gás construídos entre 31 de outubro de 1976 e
30 de junho de 1986.

3. Código para navios de gás construídos após junho de 1986

O Código Internacional para Construção e Equipamentos de Navios que Transportam


Gases Liquefeitos a Granel, o Código IGC (The International Code for the Construction and
Equipment of Ships Carrying Liquefied Gás in Bulk, the IGC Code), foi adotado pela Resolução
MSC.5(48), em 17 de junho de 1983, como emendado pela Convenção SOLAS, que se aplica
aos navios de gás construídos em/ou após 1º de julho de 1986.

A base filosófica do IGC Code é relacionar o tipo de navio aos riscos de cada produto
coberto pelo Código, incluindo os transportados em condições criogênicas ou pressurizadas. O
Código está baseado na arquitetura naval e em princípios de engenharia juntamente com a
melhor percepção e entendimento dos riscos inerentes aos produtos. O Código não é um
documento estático e reflete continuamente o desenvolvimento da tecnologia dos navios de
gás.

1.4.2 Regras nacionais

Essa atividade também é controlada por Regulamentos Nacionais como a NORMAM 01


Capítulo 5 Seção I: Transporte de Cargas Perigosas, da DPC; pelas Regras das Sociedades
Classificadoras: ABS, BV, DNV, LR, etc., e o Code Federal Regulations (CFR – USA).

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Os símbolos e as abreviaturas estão presentes em todas as áreas de nossas vidas, seja
em nossas atividades educacionais, profissionais, lazer e outras. Por vezes, até gostamos,
memorizamos e nos adaptamos bem a elas. Mas, no geral, as pessoas sentem dificuldades em
lidar com essas formas de comunicação. Nesse caso, quero destacar que a bordo é essencial
que você conheça as definições de termos técnicos, as abreviaturas e os símbolos químicos.
É importante saber que os símbolos químicos utilizados a bordo constam do IMDG Code.

SAIBA MAIS, LEIA OS ANEXOS:

Anexo 1. Glossário; e
Anexo 2. Abreviaturas.

Considerações Finais

No decorrer desta Unidade, fizemos uma viagem num oceano de novas informações que
certamente contribuíram para a sua aprendizagem significativa.

Com essa nova “bagagem” você agora pode identificar os tipos de navios-tanque que
transportam gás liquefeito a granel, os diferentes tipos de carga, seus códigos e forma de
armazenamento, as propriedades físicas e químicas das cargas. Sobretudo, reconhecer a
importância das normatizações referentes ao transporte de gases liquefeito, as definições e
principais nomenclaturas utilizadas nos navios gaseiros, abreviaturas e símbolos químicos.

Lembre-se aprender é um ato dinâmico, portanto, estude sempre, pesquise, não se


contente apenas com as informações contidas aqui, seja autônomo do seu conhecimento, pois
a competência profissional faz diferença no mundo do trabalho.

Após esta intensa e proveitosa jornada de estudos, está na hora de você mostrar o
que realmente aprendeu. Portanto, leia com atenção e responda às perguntas do Teste
de autoavaliação.

Teste de autoavaliação da Unidade 1

1.1) Qual a finalidade dos códigos de gás da IMO?


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1.2) Qual é o significado da sigla MARVS?


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1.3) Por que são adicionados odorizantes às cargas de GLP?
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1.4) Quais são as vantagens do uso do GNL para o meio ambiente?


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1.5) O que é criogenia?


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1.6) O que vem a ser gás liquefeito de petróleo (GLP)?


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1.7) De acordo com as condições de transporte, em quais categorias estão divididos os


navios de gás liquefeito?
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1.8) Quais são os métodos utilizados para liquefação de gases?


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Parabéns!
Você concluiu brilhantemente a primeira Unidade. Portanto, vamos
continuar navegando nesse “navio gaseiro” rumo à Unidade 2, que
trata de Equipamentos de Carga e Manuseio de Carga.
Vamos lá!

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