Você está na página 1de 67

PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.

1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950


17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ
COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA - FORO CENTRAL DE CURITIBA
1ª VARA PLENÁRIO DO TRIBUNAL DO JÚRI DE CURITIBA - PROJUDI
Praça Nossa Senhora de Salete, S/n - Centro Cívico - Curitiba/PR - CEP: 80.530-912 - Fone: (41)
3200-4856

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Autos nº. 0007414-38.2013.8.16.0013

Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013
Classe Processual: Ação Penal de Competência do Júri
Assunto Principal: Homicídio Simples
Data da Infração: 18/09/2005
Autor(s): Ministério Público do Estado do Paraná
Vítima(s): RENAN LOPES LUCIO
WILLIAN CEZAR MARTINS CARDOSO
Réu(s): ANDERSON MARONDES DE SOUZA
ANDRE LIPNHARSKI
BRUNO PAESE FADEL
DRAHOMIRO MICHEL ROMANOWSKI CARVALHO
ESTELA HERMAN HEISE
FERNANDA KELLY SENS
RAUL ASTUTTE FILHO

SENTENÇA

1. Sinopse

O Ministério Público ofertou denúncia (movs. 1.2 – autos 2005.10703-3 e 1.6 – fls. 224/231 – autos
2005.10748-3) em desfavor de Eduardo Toniolo Del Segue, Edwiges Francis Barroso, Bruno Paese Fadel, Raul Astutte
Filho, Drahomiro Michel Romanowski Carvalho, Anderson Marondes de Souza, André Lipnharski, Fernanda Kely Sens,
Estela Herman Heise, José Carlos Domingues dos Santos e Lilian Regina de Brito, na forma a seguir:

a) Eduardo Toniolo Del Segue, Edwiges Francis Barroso, Bruno Paese Fadel, Raul Atutte Filho
, Drahomiro Michel Romanowski Carvalho, Anderson Marondes de Souza e André Lipnharski, pela prática das condutas
tipificadas no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89, no art. 288, parágrafo único, e no art. 121, § 2º, incisos I e IV, c/c o art. 14,
inciso II (por duas vezes), todos do Código Penal.

b) Fernanda Kely Sens, Estela Herman Heise e Lilian Regina de Brito pela prática das condutas
tipificadas no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89 e no art. 288, parágrafo único, do Código Penal.

b) José Carlos Domingues dos Santos pela prática das condutas tipificadas no art. 20, caput e
§1º, da Lei 7.716/89, no art. 288, parágrafo único, e no art. 157, § 2º, inciso II, ambos do Código Penal.

Em razão do critério de prevenção, foi distribuído para este Juízo processo oriundo da 3º Vara
Criminal (autos n° 10.748-3 - mov. 64), ante o reconhecimento da conexão, uma vez que os mesmos réus praticaram, em tese,
com a mesma motivação, os crimes narrados nas denúncias daqueles e destes autos.

Assim, na decisão de mov. 1.6 – fl. 214 e fl. 222, foi determinada a fusão dos feitos.

Sobreveio decisão de mov. 1.39, a qual:

a) pronunciou os réus Anderson Marondes de Souza, Eduardo Toniolo Del Segue e André
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Lipnharski, submetendo-os a julgamento em plenário como incursos nas sanções do art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c o art. 14,
inciso II, (por duas vezes), ambos do Código Penal (1º e 2º fatos – autos 2005.10703-3), do art. 288, parágrafo único, do
Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e do art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89 (2º e 3º fatos – autos 2005.10748-3).

b) pronunciou o réu Raul Astutte Filho, submetendo-o a julgamento em plenário como incursos
nas sanções do art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c o art. 14, inciso II, (por duas vezes), ambos do Código Penal (1º e 2º fatos –

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


autos 2005.10703-3), do art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e do art. 20, §1º, da Lei
7.716/89 (3º fato – autos 2005.10748-3), e declarou extinta a punibilidade com relação ao crime previsto no art. 20, caput, da
Lei 7.716/89 (2º fato – autos 2005.10748-3), com fundamento nos arts. 109, inciso IV e 115 do Código Penal.

c) pronunciou o réu Bruno Paese Fadel, submetendo-o a julgamento em plenário como incursos
nas sanções do art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e do art. 20, caput, da Lei 7.716/89
(2º fato – autos 2005.10748-3), impronunciando-o, portanto, quanto à imputação referente ao 1º e 2º fatos da denúncia dos
autos 2005.10703-3 e ao 3º fato da denúncia dos autos 2005.10748-3.

d) pronunciou o réu Drahomiro Michel Romanowski Carvalho, submetendo-o a julgamento em


plenário como incursos nas sanções do art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e do art. 20,
caput e §1º, da Lei 7.716/89 (2º e 3º fatos – autos 2005.10748-3), impronunciando-o, portanto, quanto à imputação referente
ao 1º e 2º fatos da denúncia dos autos 2005.10703-3.

e) pronunciou a ré Estela Herman Heise, submetendo-a a julgamento em plenário como incursa


nas sanções do art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3), impronunciou-a quanto à
imputação referente ao 3º fato da denúncia dos autos 2005.10748-3 e declarou extinta a punibilidade com relação ao crime
previsto no art. 20, caput, da Lei 7.716/89 (2º fato – autos 2005.10748-3), com fundamento nos arts. 109, inciso IV e 115 do
Código Penal.

f) pronunciou as rés Fernanda Kely Sens e Lílian Regina de Brito, submetendo-as a julgamento
em plenário como incursas nas sanções do art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e do art.
20, caput, da Lei 7.716/89 (2º fato – autos 2005.10748-3), impronunciando-as quanto à imputação referente ao 3º fato da
denúncia dos autos 2005.10748-3.

g) pronunciou a ré Edwiges Francis Barroso, submetendo-a a julgamento em plenário como


incursa nas sanções do art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e do art. 20, caput, da Lei
7.716/89 (2º fato – autos 2005.10748-3), impronunciando-a quanto à imputação referente ao 1º e 2º fatos da denúncia dos
autos 2005.10703-3 e ao 3º fato da denúncia dos autos 2005.10748-3.

h) pronunciou o réu José Carlos Domingues dos Santos, submetendo-o a julgamento em


plenário como incursos nas sanções do art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e do art. 20,
caput e §1º, da Lei 7.716/89 (2º e 3º fatos – autos 2005.10748-3), impronunciando-o quanto à imputação referente ao 4º fato
da denúncia dos autos 2005.10748-3.

Inconformados com a decisão, os réus Edwiges Francis Barroso (movs. 1.40 – fls. 1890 e 1901 e
mov. 1.47), Bruno Paese Fadel (movs. 1.40 – fl. 1903 e 1.42), Raul Astutte Filho (movs. 1.44 – fl. 1940 e mov. 1.42), Drahomiro
Michel Romanowski Carvalho (movs. 1.40 – fl. 1879 e 1.41), Anderson Marondes de Souza (movs. 1.40 – fls. 1899 e 1904 e
mov. 1.49), André Lipnharski (movs. 1.46 – fl. 1948 e 1.50), Fernanda Kely Sens (mov. 1.40 – fl. 1892 e movs. 1.43 e 1.45) e
Estela Herman Heise (mov. 1.46 – fl. 1957 e mov. 1.42) interpuseram recursos em sentido estrito.

Em decisão de mov. 1.52 – fls. 2049/2053, este Juízo acolheu a defesa do réu Bruno Paese Fadel e,
portanto, em reforma da decisão de pronúncia, declarou extinta a punibilidade com relação ao crime previsto no art. 20,
caput, da Lei 7.716/89 (2º fato – autos 2005.10748-3), com fundamento nos arts. 109, inciso IV e 115 do Código Penal.

No mov. 1.57, o Tribunal de Justiça negou provimento aos recursos em sentido estrito interpostos
pelos réus Edwiges Francis Barroso, Bruno Paese Fadel, Estela Herman Heise e Fernanda Kely Sens e deu parcial provimento
aos recursos interpostos pelos réus Anderson Marondes de Souza, Drahomiro Michel Romanowski Carvalho, André Lipnharski
e Raul Atutte Filho, apenas para despronunciá-los com relação ao crime previsto art. 20, §1º, da Lei 7.716/89 (3º fato – autos
2005.10748-3).
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Conforme certidão de mov. 1.46 – fl. 1978, decorreu o prazo para recorrer dos réus Eduardo Toniolo
Del Segue, José Carlos Domingues dos Santos e Lílian Regina de Brito, havendo a preclusão com relação a eles.

Irresignados, os réus Bruno Paese Fadel, Raul Astutte Filho e Estela Herman Heise interpuseram
recurso especial no mov. 1.69, o réu Anderson Marondes de Souza no mov. 1.71, a ré Edwiges Francis Barroso no mov. 1.74 e

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


o Ministério Público no mov. 1.76, aos quais foi negado seguimento pelo Tribunal de Justiça (mov. 1.84).

A ré Edwiges Francis Barroso também interpôs recurso extraordinário no mov. 1.72, ao qual também
negou seguimento o Tribunal de Justiça (mov. 1.84).

Insatisfeitos, os réus (Edwiges Francis Barroso, Bruno Paese Fadel, Raul Astutte Filho e Estela
Herman Heise) interpuseram agravo em recurso especial (mov. 1.85 e mov. 1.87 – respectivamente).

Na sequência, o Superior Tribunal de Justiça não conheceu do recurso especial dos réus Bruno
Paese Fadel, Raul Astutte Filho e Estela Herman Heise e negou provimento ao recurso especial da ré Edwiges Francis Barroso
(mov. 1.91).

A ré Edwiges Francis Barroso interpôs agravo em recurso extraordinário (mov. 1.86), o qual não foi
provido pelo Supremo Tribunal Federal (mov. 1.92).

Tendo em vista que prosseguiu o feito com relação aos réus que não recorreram da pronúncia
(Eduardo Toniolo Del Segue, José Carlos Domingues dos Santos e Lílian Regina de Brito), houve o desmembramento dos
autos com relação a esses réus (mov. 59.1).

Na sequência, considerando o deferimento da liminar em sede de Habeas Corpus (mov. 787), os


autos foram desmembrados também com relação a ré Edwiges Francis Barroso, remanescendo, neste feito, portanto, os réus
Anderson, André, Raul, Bruno, Drahomiro, Estela e Fernanda.

No dia de hoje, ouviram-se vítima e testemunhas.

Interrogaram-se os réus. O Ministério Público pediu a desclassificação para lesão corporal com
relação aos réus Anderson Marondes de Souza, André Lipnharski e Raul Astutte Filho e pugnou pela condenação de todos os
réus quanto aos demais crimes a eles imputados.

As defesas dos réus Anderson Marondes de Souza e André Lipnharski pugnaram pela absolvição
dos acusados, ante a ausência de materialidade, a negativa de autoria, a ausência de provas e pelo reconhecimento do
princípio do “in dubio pro reo”, com relação aos demais crimes a eles imputados. Alternativamente, requereram a
desclassificação dos crimes de tentativas de homicídios para delitos de lesões corporais.

As defesas dos réus Raul Astutte Filho, Estela Herman Heise, Bruno Paese Fadel, Drahomiro Michel
Romanowski Carvalho e Fernanda Kely Sens pugnaram pela absolvição dos acusados, sustentando a ausência de
materialidade, a negativa de autoria e a ausência de provas, bem como requereram o reconhecimento do princípio do “in dubio
pro reo” com relação a todos os crimes a eles imputados.

2. Fundamentação

• Réu Anderson Marondes de Souza

- Art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal (vítima Renan Lopes
Lúcio)

Ao responderem a série de quesitos, os jurados chegaram à seguinte conclusão:


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
a) Reconheceram a materialidade do fato;

b) Atribuíram a autoria ao réu;

c) Não reconheceram o dolo de matar.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Prejudicados os demais quesitos (art. 490, parágrafo único, do CPP).

Considerando que na hipótese dos autos os jurados optaram por afastar da conduta do acusado o
elemento subjetivo que lhes autorizaria emitir o julgamento ou, em outras palavras, tendo havido a desclassificação do crime
doloso contra a vida inicialmente imputado, a competência para julgamento do feito passa para o juiz singular (art. 492, § 1º, do
Código de Processo Penal), o que se fará a seguir.

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de exame de


lesões corporais (mov. 1.6 – fls. 268/269) e pelo boletim de ocorrência mov. 1.3 – fl. 120, associado ao depoimento da vítima
prestado em juízo (mov. 663.9).

Tudo aponta que, no dia, horário e local descritos na denúncia, a vítima recebeu diversas agressões
e golpes de faca, os quais lhe causaram diversas lesões e resultaram em deformidade permanente, vez que a musculatura da
sua face não voltou ao normal desde o acontecido (mov. 663.9).

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

O réu, na fase policial (mov. 1.3 – fls. 91/93) e em plenário, não negou a autoria. Informou que fazia
parte do movimento Skinhead. Relatou que na data dos fatos estava com o grupo em uma reunião na casa de um dos
integrantes e após saíram para encontrar uns amigos em um bar. Declarou que estavam em uma lanchonete nas proximidades
da Rua 24 Horas e a vítima chegou pedindo cigarros. Anotou que, depois disso, tem um lapso na memória e que somente
lembra de que esfaqueou a vítima com uma butterfly, espécie de canivete. Confirmou que a vítima estava sozinha.

Ainda, destaca-se que, em seu depoimento (mov. 663.9), a vítima relatou que estava em um banco
esperando o ônibus, perto da Rua 24 Horas. Disse que viu aproximadamente 6 (seis) ou 7 (sete) pessoas se aproximando e
pediu um isqueiro emprestado, momento em que o réu Anderson lhe deu um chute no rosto e todos do grupo começaram a
agredi-la, vez que caiu no chão e ficou desacordada. Confirmou que o primeiro que o agrediu foi o réu Anderson. Discorreu que
levou facadas e golpe na cabeça e que não sabe explicar o motivo das agressões, pois não ofendeu ninguém. Informou, ainda,
de que foram mais de duas pessoas que o agrediram e que não conseguiu identificar, pois tentava se defender.

Consoante os depoimentos testemunhais e os interrogatórios, é incontroverso que a vítima e o réu


estavam no mesmo local, nas proximidades da Rua 24 Horas, momento em que o réu e o grupo do qual confessou ser
integrante atacou o ofendido, que foi atingido com um chute no rosto, tendo caído e ficado no chão, momento em que os
demais passaram a agredi-lo com chutes e golpes de faca, não possuindo, portanto, chances de defesa.

Dessa forma, não é viável lançar dúvida sobre a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa, da qual resultou lesão de
natureza gravíssima.

Há, ainda, perfeita adequação àquilo que dispõe o art. 129, § 2º, IV, do Código Penal.

Essa conclusão está presente no laudo juntado no mov. 1.6 – fls. 268/269 e no depoimento prestado

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


pela vítima em Juízo (mov. 663.9). Salienta-se que apesar de o laudo do exame de lesões corporais não ter sido concluído com
relação à deformidade permanente, vez que o perito solicitou prazo para melhor responder ao quarto e quintos quesitos,
verifica-se que elenca os ferimentos que a vítima possuía. Ainda, o ofendido relatou em Juízo que possui cicatrizes, danos
psicológicos e que a sua musculatura da face não tinha voltado à normalidade desde o dia dos fatos.

Ademais, destaca-se que não foi realizado novo exame na vítima, com o fim da realização de laudo
de lesões definitivo – que corroborasse o depoimento –, tendo em vista o seu óbito.

Configurado, pois, o inciso IV do art. 129, §2º, do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, estado de necessidade, legítima defesa, estrito
cumprimento dever legal, exercício regular de um direito ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

- Art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal (vítima Willian Cezar
Martins Cardoso)

Ao responderem a série de quesitos, os jurados chegaram à seguinte conclusão:

a) Reconheceram a materialidade do fato;

b) Atribuíram a autoria ao réu;

c) Não reconheceram o dolo de matar.

Prejudicados os demais quesitos (art. 490, parágrafo único, do CPP).

Considerando que na hipótese dos autos os jurados optaram por afastar da conduta do acusado o
elemento subjetivo que lhes autorizaria emitir o julgamento ou, em outras palavras, tendo havido a desclassificação do crime
doloso contra a vida inicialmente imputado, a competência para julgamento do feito passa para o juiz singular (art. 492, § 1º, do
Código de Processo Penal), o que se fará a seguir.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de exame de


lesões corporais (mov. 793.1), pela declaração e prontuário médico (movs. 1.3 – fl. 14 e 1.6 – fls. 243/264) e pelo boletim de

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


ocorrência mov. 1.3 – fl. 03, associado ao depoimento da vítima prestado em Juízo (mov. 663.2).

Tudo aponta que, no dia, horário e local descritos na denúncia, a vítima recebeu diversas agressões
e um golpe de faca, os quais lhe causaram diversas lesões, incapacitando-o para as ocupações habituais por mais de trinta
dias, bem como resultando em lesão permanente (hérnia incisional) e deformidade permanente.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

No boletim de ocorrência (mov. 1.3, p. 2), ao registrar o fato pela primeira vez, o ofendido apontou
que 5 (cinco) seriam os agressores, todos homens, e que reconheceu Neuci Vieira na companhia deles, prestando-lhes auxílio.

Na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 94/95), a vítima relatou que saiu de uma casa noturna e se dirigiu a
uma padaria, tendo, depois que saiu de lá, caminhado até a Praça Osório, com o intuito de pegar um ônibus, quando se
deparou com 6 (seis) pessoas, 5 (cinco) homens e 1 (uma) mulher. Disse que referido o grupo se aproximou e começou a
agredi-la, oportunidade em que recebeu uma facada no abdômen. Esclareceu que os indivíduos afirmavam que gays e negros
tinham que morrer e que um deles ainda lhe deu um soco no rosto com um soco inglês. Anotou que conseguiu correr até um
módulo policial e, enquanto corria, o grupo lhe atirava pedras.

Na mesma ocasião do depoimento, foi realizado procedimento de reconhecimento pessoal


fotográfico, quando a vítima apontou o réu Eduardo Toniolo Del Segue como um de seus agressores, precisamente como o
responsável por desferir a facada. Reconheceu a ré Edwiges Francis Barroso, relatando que ela incitava o restante do grupo a
continuar as agressões, com a afirmação de que acabariam com todos os gays e negros que encontrassem. Reconheceu
também o réu Raul Astute Filho, com 70% de certeza (mov. 1.3 – fl. 96), e o réu Anderson Marondes de Souza, com 100% de
certeza (mov. 1.3 – fl. 97).

Em outra ocasião, após realizado procedimento de reconhecimento pessoal fotográfico, a vítima


reconheceu as pessoas de Eduardo Toniolo Del Segue, Edwiges Francis Barroso, Anderson Marondes de Souza, Bruno Paese
e Drahomiro Michel ROmanowski de Souza como seus agressores (mov. 1.3 – fl. 148).

Já em juízo (mov. 663.2) a vítima declarou que, após sair da panificadora, a caminho da Praça
Osório, um grupo de 6 (seis) pessoas, 5 (cinco) homens e 1 (uma) mulher, atacou-a. Narrou que um deles lhe deu uma rasteira
e logo em seguida o feriu no abdômen, com algo que aparentemente era uma tesoura. Argumentou que um deles lhe falou que
gays e negros teriam que morrer, mas não se recorda qual. Apontou que a ré Edwiges Francis Barroso e o réu Eduardo Toniolo
Del Segue estavam juntos no dia dos fatos. Explicou que nenhum do grupo a agrediu além do autor da facada. Em seguida, ao
ser questionado se conseguiria apontar o autor da facada entre os presentes na audiência, o depoente apontou para o réu Raul
Astute Filho, chamando-o de Bruno, ressalvando que não consegue falar nada com 100% de certeza.

Por sua vez, em seu depoimento em plenário (mov. 830.1), a vítima informou que a maioria do grupo
era homens, havendo 1 (uma) ou 2 (duas) mulheres. Expôs que tentaram derrubá-la, mas como não conseguiram, com o
destaque de um deles tirou um canivete e a feriu na região do abdômen. Relatou que no momento em que a agrediam tinha
uma pessoa que falava que gays e negros teriam que morrer. Ao ser questionado acerca das contradições com relação aos
reconhecimentos dos réus, discorreu que prefere não falar por medo e para não cometer injustiça. Aduziu que uns dias antes
do fato teve uma briga feia com uma prostituta chamada Nelci Vieira, em que houve ameaças, motivo pelo qual a apontou
como possível autora das agressões que sofreu. Ao ser perguntado se lembrava do réu Drahomiro, disse que não se recorda
como um dos agressores e nem se recorda desse nome. Relatou que no dia dos fatos havia em torno de 6 (seis) a 7 (sete)
pessoas,e que não se lembra de o réu André Lipnharski estar entre elas. Na sequência, indicou que havia 5 (cinco) homens e
somente 1 (uma) mulher e que apenas uma pessoa o golpeou com o canivete/tesoura. Explicitou, então, que com exceção do
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
réu Eduardo e da ré Edwiges, não reconhece nenhum réu como presente no local dos fatos. Finalizou dizendo que, após ser
ferido, conseguiu correr e que ninguém o perseguiu.

Diante disso, é possível verificar que os depoimentos da vítima, perante a autoridade policial (mov.
1.3 – fls. 94/95), em juízo (mov. 663.2) e em plenário (mov. 830.1), divergem bastante com relação ao número de pessoas que
a atacaram e no tocante ao reconhecimento dos réus. Em contrapartida, todos os réus negaram a autoria com relação a estes

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


fatos.

O réu Anderson, na fase policial (mov. 1.3 – fls. 91/93) e em plenário (mov. 830.15), não negou a
participação no grupo Skinhead e não negou autoria com relação ao primeiro fato. Por sua vez, quanto ao segundo fato, relatou
que faz uso de antidepressivos de uso controlado e que havia bebido muito, razão pela qual não se recorda do que aconteceu.

Dessa forma, à vista do que se produziu no feito, não se vislumbra conjunto probatório viável,
restando, dúvidas, portanto, sobre a autoria.

Assim, cabível a absolvição do réu, ante a ausência de provas quanto à autoria.

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de mov. 1.12 – fls.
695/706 e pelos autos de busca e apreensão (movs. 1.8 e 1.9 – objetos parcialmente descritos na fundamentação do crime de
racismo), associado ao depoimentos testemunhais e interrogatórios.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Ainda, não se deve desprezar que em diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados diversos objetos, como CD’s, livros, bandeiras, adesivos, cadernos e vestimentas (movs. 1.8 e 1.9 – objetos
parcialmente descritos na fundamentação do crime de racismo), os quais fazem alusão ao nazismo e ao preconceito,
reforçando, portanto, qual era ideologia pregada pelo grupo e que se reuniam principalmente para a prática do crime descrito
no art. 20, caput, da Lei 7.716/89.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa do réu em se associar, em
quadrilha armada, com o fim de cometer diversos crimes, principalmente os previstos no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Destaca-se que no delito de associação criminosa pouco importa se os delitos para os quais foi
constituída a associação foram ou não praticados. Cuida-se de crime de natureza formal, que se consuma com a simples
associação estável e permanente de três ou mais pessoas para a prática de infrações penais, ainda que no futuro nenhum
delito seja efetivamente praticado.

Diante do conjunto probatório, é nítido que os réus, agindo em conjunto, associaram-se, de forma

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


estável, para o fim específico de cometer crimes, havendo, portanto, perfeita adequação àquilo que dispõe o parágrafo único do
art. 288 do CP. Valiam-se, inclusive, de armas brancas, como facas e soco inglês.

Configurado, pois, o parágrafo único do art. 288 do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pela prova oral produzida,
bem como pelos documentos que instruíram a investigação criminal, tais como:

a) objetos apreendidos na residência de Eduardo Toniolo Del Segue e Edwiges Francis Barroso
(mov. 1.8 – fl. 399):

- Desenho em grafite de Hitler;

- 1 (uma) balaclava de lã preta com símbolo Cruz Celta;

- Alianças com símbolos Cruz Celta e Swástica;

- Bandeira na cor preta com inscrições 88 e caveira;

- CD’s de Bandas musicais como: 88; Zurzr, Faustrecht, Acción Obrera Skinheads;

- Bottons, negativos e fotografias;

- Recortes de jornais referentes às notícias sobre agressões a homossexuais e distribuição de


adesivos com conotação racista e preconceituosa;
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Manuscritos e material impresso de conteúdo nazista, nacional socialista, letras de músicas racistas
e preconceituosas;

- Desenhos de suástica, Cruz Celta, Skinheads;

- 4 (quatro) livros: A Linguagem da Cruz; Sol Negro – Cultos Arianos; Nazismo Esotérico e Políticas

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


de Identidade; Almanaque Eu Sei Tudo – 1959; Manual de Formação de um Soldado – 1983;

- Camisetas com estampas de cruz celta, suástica, skinheads;

- 1 (uma) jaqueta com estampa White Soul – Skinheads – 88/14; entre outros.

b) Objetos apreendidos na residência de André Lipnharski (mov. 1.9 – fl. 401):

- CD da Banda 88;

- 01 (um) simulacro de arma de fogo;

- Botton com a inscrição “White Power”;

- CD com músicas de conteúdo racistas; entre outros.

c) objetos apreendidos na residência de Bruno Paese Fadel (mov. 1.9 – fl. 402):

- 01 (um) porta objetos em madeira, contendo na parte inferior da tampa o símbolo nazista da
suástica;

- 01 (um) CPU de computador sem marca.

d) objetos apreendidos na residência de Estela Herman Heise (mov. 1.9 – fls. 403/404):

- 01 (uma) cópia impressa do livro de Fridrich Nietzsche, intitulado “The Antichrist”;

- 2 (duas) revistas com reportagens referentes ao Nazismo e a Hitler;

- 01 (um) caderno de anotações com diversas referências ao nazismo e à adoração satânica,


desenhos da suástica, desenho do símbolo satânico da capa do arquivo “The Satanic Bible”; entre outros.

e) objetos apreendidos na residência de Drahomiro Michel Romanoski Carvalho (mov. 1.9 – fls. 407):

- 1 (um) quadro com fotos contendo símbolos nazistas e discriminatórios;

- Bottons de skinheads e nazistas;

- Livro “A Bíblia do Skinhead”;

- Cadernod com desenhos de símbolos nazistas e discriminatórios;

- Recorte de jornal mencionando a morte de um rapaz no centro histórico por grupo de Skinhead;
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Adesivos de skinhead e nazistas;

- 01 (uma) tela para confecção de camisetas com lembrança do nazismo;

- Camisetas do nazismo e Skinhead;

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- Foto do grupo Skinhead;

- CD’s de conteúdo nazista e com desenhos de pessoas armadas;

- Fitas com conteúdo nazistas e com desenhos de pessoas armadas;

- Quadro com emblema dos Skinheads e pessoas encapuzadas; entre outros.

f) objetos apreendidos na residência de Fernanda Kelly Sens (mov. 1.9 – fls. 408):

- Reportagem relativa a agressões a homossexuais;

- Camiseta com a inscrição “White Power”;

- CD’s da Banda Zurzir e Faustrecht;

- Suástica talhada em madeira;

- 2 (dois) convites para um evento em homenagem a Hitler;

- Folheto sobre Skinheads;

- Livros: Sol Negro e Minha Luta – Autos: Hitler.

- Adesivo “100% Branco”; entre outros.

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

O réu, na fase policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), não negou a autoria. Informou que fazia parte do
movimento Skinhead, que já foi nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

Consoante os depoimentos testemunhais e os interrogatórios, é incontroverso que o réu fazia parte


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
do grupo Skinhead, que praticava, induzia e incitava preconceito contra negros, judeus e homossexuais.

Ainda, verifica-se que após realizada diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados os diversos objetos acima mencionados, os quais exprimem a ideologia praticada pelo grupo.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa, uma vez que o réu possuía
vontade livre e consciente de praticar e incitar a discriminação e preconceito de raça e etnia, contra negros e judeus, vez que
era integrante do grupo de Skinheads, que discrimina pessoas em razão de sua cor, religião e sexualidade

Nota-se que para tanto o réu e os demais participantes do grupo se muniam de símbolos diversos,
trajavam vestimentas específicas, típicas de associação neo-nazistas e praticavam atos violentos contra vítimas.

Inclusive, como supra elencado, o grupo possuía amplo material, os quais comportavam objetos com
símbolos, bandeiras, CD’s, camisetas, adesivos e livros.

Portanto, o réu com seu modo de proceder agiu com dolo de ofender uma coletividade de indivíduos,
com o intuito de segregá-los, inferiorizando-os, extrapolando os limites da liberdade de expressão.

A propósito, o Supremo Tribunal Federal proferiu julgamento no sentido de que “As liberdades
públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica, observados os limites definidas na
própria Constituição Federal (CF, art. 5º, §2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra
o ‘direito à incitação ao racismo’ dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas,
como sucede com os delitos contra a honra. Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade
jurídica”. (HC-QO 82.424-RD, rel. Min. Moreira Alves, rel. p/ acórdão Min. Maurício Corrêa, 17.09.2003).

Nesse sentido, a Constituição Federal adotou a nítida postura de afastar comportamentos


reprováveis como esses, trazendo como objetivo fundamental a promoção do bem de todos, sem qualquer preconceito. Por tal
razão, a Lei 7.716/89 define os chamados Crimes Resultantes de Preconceito de Raça ou Cor.

Assim, a conduta do réu se amolda perfeitamente aos núcleos do tipo “praticar” e “incitar” a
discriminação em razão da cor, previsto no caput do artigo 20 da Lei 7.716/89.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
• Réu André Lipnharski

- Art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal (vítima Renan Lopes
Lúcio)

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Ao responderem a série de quesitos, os jurados chegaram à seguinte conclusão:

a) Reconheceram a materialidade do fato;

b) Atribuíram a autoria ao réu;

c) Não reconheceram o dolo de matar.

Prejudicados os demais quesitos (art. 490, parágrafo único, do CPP).

Considerando que na hipótese dos autos os jurados optaram por afastar da conduta do acusado o
elemento subjetivo que lhes autorizaria emitir o julgamento ou, em outras palavras, tendo havido a desclassificação do crime
doloso contra a vida inicialmente imputado, a competência para julgamento do feito passa para o juiz singular (art. 492, § 1º, do
Código de Processo Penal), o que se fará a seguir.

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de exame de


lesões corporais (mov. 1.6 – fls. 268/269) e pelo boletim de ocorrência mov. 1.3 – fl. 120, associado ao depoimento da vítima
prestado em juízo (mov. 663.9).

Tudo aponta que, no dia, horário e local descritos na denúncia, a vítima recebeu diversas agressões
e golpes de faca, os quais lhe causaram diversas lesões e resultaram em deformidade permanente, vez que a musculatura da
sua face não voltou ao normal desde o acontecido (mov. 663.9).

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

O réu, na fase policial (mov. 1.3 – fls. 91/93) e em plenário, relatou que na data dos fatos estava com
o grupo em uma reunião na casa de um dos integrantes e após saíram para encontrar uns amigos em um bar. Declarou que
estavam em uma lanchonete nas proximidades da Rua 24 Horas e a vítima chegou pedindo cigarros.

Ainda, destaca-se que em seu depoimento (mov. 663.9) a vítima relatou que estava em um banco
esperando o ônibus, perto da Rua 24 Horas, e que viu aproximadamente 6 (seis) ou 7 (sete) pessoas se aproximando e pediu
um isqueiro emprestado, momento em que o réu Anderson lhe deu um chute no rosto, então todos do grupo começaram a
agredir, vez que caiu no chão e ficou desacordado. Confirmou que o primeiro que o agrediu foi o réu Anderson. Discorreu que
levou facadas e golpe na cabeça. Prosseguiu dizendo que não sabe explicar o motivo das agressões, pois não ofendeu
ninguém. Informou, ainda, que foram mais de duas pessoas que o agrediram e que não conseguiu identificar pois estava
tentando se defender, porém, afirmou que, quando estava caída no chão, o réu André o puxou pelo capuz de seu moletom e o
colocou em um canto na parede, onde ficou até o socorro chegar. Em seguida, ao ser questionado sobre como poderia afirmar
que era o André, o depoente respondeu que o viu quando este o puxou pelo capuz e que possui cem por centro de certeza de
que era ele.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Consoante os depoimentos testemunhais e os interrogatórios, é incontroverso que a vítima e o réu
estavam no mesmo local, nas proximidades da Rua 24 Horas, momento em que o réu e o grupo do qual confessou ser
integrante atacou o ofendido, que foi atingido com um chute no rosto, tendo caído e ficado no chão, momento em que os
demais integrantes passaram a agredi-lo com chutes e recebeu golpes de faca, não possuindo, portanto, chances de defesa.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Dessa forma, viável atribuir autoria ao réu.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa, da qual resultou em lesão de
natureza gravíssima.

Há, ainda, perfeita adequação àquilo que dispõe o art. 129, §2º, IV, do Código Penal.

Essa conclusão está presente no laudo juntado no mov. 1.6 – fls. 268/269 e no depoimento prestado
pela vítima em juízo (mov. 663.9). Salienta-se que apesar de o laudo do exame de lesões corporais estar inacabado com
relação à deformidade permanente, vez que o perito solicitou prazo para melhor responder ao quarto e quintos quesitos,
verifica-se que elenca os ferimentos que a vítima possuía. Ainda, a vítima relatou em juízo que possui cicatrizes, danos
psicológicos e que a sua musculatura da face não voltou à normalidade desde o dia dos fatos.

Ademais, destaca-se que não foi realizado novo exame na vítima, com o fim da realização de laudo
de lesões definitivo – que corroborasse o depoimento –, tendo em vista o seu óbito.

Configurado, pois, o inciso IV do art. 129, §2º, do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, estado de necessidade, legítima defesa, estrito
cumprimento dever legal, exercício regular de um direito ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

- Art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal (vítima Willian Cezar
Martins Cardoso)

Ao responderem a série de quesitos, os jurados chegaram à seguinte conclusão:

a) Reconheceram a materialidade do fato;

b) Não atribuíram a autoria ao réu;


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Prejudicados os demais quesitos (art. 490, parágrafo único, do CPP).

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de mov. 1.12 – fls.
695/706 e pelos autos de busca e apreensão (movs. 1.8 e 1.9 – objetos parcialmente descritos na fundamentação do crime de
racismo), associado ao depoimentos testemunhais e interrogatórios.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Ainda, não se deve desprezar que em diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados diversos objetos, como CD’s, livros, bandeiras, adesivos, cadernos e vestimentas (movs. 1.8 e 1.9 – objetos
parcialmente descritos na fundamentação do crime de racismo), os quais fazem alusão ao nazismo e ao preconceito,
reforçando, portanto, qual era ideologia pregada pelo grupo e que se reuniam principalmente para a prática do crime descrito
no art. 20, caput, da Lei 7.716/89.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa do réu em se associar, em
quadrilha armada, com o fim de cometer diversos crimes, principalmente os previstos no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89.

Destaca-se que no delito de associação criminosa pouco importa se os delitos para os quais foi
constituída a associação foram ou não praticados. Cuida-se de crime de natureza formal, que se consuma com a simples
associação estável e permanente de três ou mais pessoas para a prática de infrações penais, ainda que no futuro nenhum
delito seja efetivamente praticado.

Diante do conjunto probatório, é nítido que os réus, agindo em conjunto, associaram-se, de forma
estável, para o fim específico de cometer crimes, havendo, portanto, perfeita adequação àquilo que dispõe o parágrafo único do
art. 288 do CP. Valiam-se, inclusive, de armas brancas, como facas e soco inglês.

Configurado, pois, o parágrafo único do art. 288 do CP.


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pela prova oral produzida,
bem como pelos documentos que instruíram a investigação criminal, tais como:

a) objetos apreendidos na residência de Eduardo Toniolo Del Segue e Edwiges Francis Barroso
(mov. 1.8 – fl. 399):

- Desenho em grafite de Hitler;

- 1 (uma) balaclava de lã preta com símbolo Cruz Celta;

- Alianças com símbolos Cruz Celta e Swástica;

- Bandeira na cor preta com inscrições 88 e caveira;

- CD’s de Bandas musicais como: 88; Zurzr, Faustrecht, Acción Obrera Skinheads;

- Bottons, negativos e fotografias;

- Recortes de jornais referentes às notícias sobre agressões a homossexuais e distribuição de


adesivos com conotação racista e preconceituosa;

- Manuscritos e material impresso de conteúdo nazista, nacional socialista, letras de músicas racistas
e preconceituosas;

- Desenhos de suástica, Cruz Celta, Skinheads;

- 4 (quatro) livros: A Linguagem da Cruz; Sol Negro – Cultos Arianos; Nazismo Esotérico e Políticas
de Identidade; Almanaque Eu Sei Tudo – 1959; Manual de Formação de um Soldado – 1983;

- Camisetas com estampas de cruz celta, suástica, skinheads;

- 1 (uma) jaqueta com estampa White Soul – Skinheads – 88/14; entre outros.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
b) Objetos apreendidos na residência de André Lipnharski (mov. 1.9 – fl. 401):

- CD da Banda 88;

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- 01 (um) simulacro de arma de fogo;

- Botton com a inscrição “White Power”;

- CD com músicas de conteúdo racistas; entre outros.

c) objetos apreendidos na residência de Bruno Paese Fadel (mov. 1.9 – fl. 402):

- 01 (um) porta objetos em madeira, contendo na parte inferior da tampa o símbolo nazista da
suástica;

- 01 (um) CPU de computador sem marca.

d) objetos apreendidos na residência de Estela Herman Heise (mov. 1.9 – fls. 403/404):

- 01 (uma) cópia impressa do livro de Fridrich Nietzsche, intitulado “The Antichrist”;

- 2 (duas) revistas com reportagens referentes ao Nazismo e a Hitler;

- 01 (um) caderno de anotações com diversas referências ao nazismo e à adoração satânica,


desenhos da suástica, desenho do símbolo satânico da capa do arquivo “The Satanic Bible”; entre outros.

e) objetos apreendidos na residência de Drahomiro Michel Romanoski Carvalho (mov. 1.9 – fls. 407):

- 1 (um) quadro com fotos contendo símbolos nazistas e discriminatórios;

- Bottons de skinheads e nazistas;

- Livro “A Bíblia do Skinhead”;

- Cadernod com desenhos de símbolos nazistas e discriminatórios;

- Recorte de jornal mencionando a morte de um rapaz no centro histórico por grupo de Skinhead;

- Adesivos de skinhead e nazistas;

- 01 (uma) tela para confecção de camisetas com lembrança do nazismo;

- Camisetas do nazismo e Skinhead;

- Foto do grupo Skinhead;

- CD’s de conteúdo nazista e com desenhos de pessoas armadas;

- Fitas com conteúdo nazistas e com desenhos de pessoas armadas;


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Quadro com emblema dos Skinheads e pessoas encapuzadas; entre outros.

f) objetos apreendidos na residência de Fernanda Kelly Sens (mov. 1.9 – fls. 408):

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- Reportagem relativa a agressões a homossexuais;

- Camiseta com a inscrição “White Power”;

- CD’s da Banda Zurzir e Faustrecht;

- Suástica talhada em madeira;

- 2 (dois) convites para um evento em homenagem a Hitler;

- Folheto sobre Skinheads;

- Livros: Sol Negro e Minha Luta – Autos: Hitler.

- Adesivo “100% Branco”; entre outros.

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

O réu, na fase policial (mov, 1.3 – fls. 101/102), não negou a autoria. Confessou que já fez parte do
grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu Drahomiro). Esclareceu que a ideologia
do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

Consoante os depoimentos testemunhais e os interrogatórios, é incontroverso que o réu fazia parte


do grupo Skinhead, que praticava, induzia e incitava preconceito contra negros, judeus e homossexuais.

Ainda, verifica-se que após realizada diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados os diversos objetos acima mencionados, os quais exprimem a ideologia praticada pelo grupo.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria, portanto.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa, uma vez que o réu possuía
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
vontade livre e consciente de praticar e incitar a discriminação e preconceito de raça e etnia, contra negros e judeus, vez que
era integrante do grupo de Skinheads, que discrimina pessoas em razão de sua cor, religião e sexualidade

Nota-se que para tanto o réu e os demais participantes do grupo se muniam de símbolos diversos,
trajavam vestimentas específicas, típicas de associação neo-nazistas e praticavam atos violentos contra vítimas.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Inclusive, como supra elencado, o grupo possuía amplo material, os quais comportavam objetos com
símbolos, bandeiras, CD’s, camisetas, adesivos e livros.

Portanto, o réu com seu modo de proceder agiu com dolo de ofender uma coletividade de indivíduos,
com o intuito de segregá-los, inferiorizando-os, extrapolando os limites da liberdade de expressão.

A propósito, o Supremo Tribunal Federal proferiu julgamento no sentido de que “As liberdades
públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica, observados os limites definidas na
própria Constituição Federal (CF, art. 5º, §2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra
o ‘direito à incitação ao racismo’ dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas,
como sucede com os delitos contra a honra. Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade
jurídica”. (HC-QO 82.424-RD, rel. Min. Moreira Alves, rel. p/ acórdão Min. Maurício Corrêa, 17.09.2003).

Nesse sentido, a Constituição Federal adotou a nítida postura de afastar comportamentos


reprováveis como esses, trazendo como objetivo fundamental a promoção do bem de todos, sem qualquer preconceito. Por tal
razão, a Lei 7.716/89 define os chamados Crimes Resultantes de Preconceito de Raça ou Cor.

Assim, a conduta do réu se amolda perfeitamente aos núcleos do tipo “praticar” e “incitar” a
discriminação em razão da cor, previsto no caput do artigo 20 da Lei 7.716/89.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

• Réu Raul Astutte Filho

- Art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal (vítima Renan Lopes
Lúcio)

Ao responderem a série de quesitos, os jurados chegaram à seguinte conclusão:

a) Reconheceram a materialidade do fato;

b) Atribuíram a autoria ao réu;


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
b) Atribuíram a autoria ao réu;

c) Não reconheceram o dolo de matar.

Prejudicados os demais quesitos (art. 490, parágrafo único, do CPP).

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Considerando que na hipótese dos autos os jurados optaram por afastar da conduta do acusado o
elemento subjetivo que lhes autorizaria emitir o julgamento ou, em outras palavras, tendo havido a desclassificação do crime
doloso contra a vida inicialmente imputado, a competência para julgamento do feito passa para o juiz singular (art. 492, § 1º, do
Código de Processo Penal), o que se fará a seguir.

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de exame de


lesões corporais (mov. 1.6 – fls. 268/269) e pelo boletim de ocorrência mov. 1.3 – fl. 120, associado ao depoimento da vítima
prestado em juízo (mov. 663.9).

Tudo aponta que, no dia, horário e local descritos na denúncia, a vítima recebeu diversas agressões
e golpes de faca, os quais lhe causaram diversas lesões e resultaram em deformidade permanente, vez que a musculatura da
sua face não voltou ao normal desde o acontecido (mov. 663.9).

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

O réu, na fase policial (mov. 1.3 – fls. 76/78), negou a autoria, informando apenas que, quando
encontrou o grupo na Rua 24 Horas e quando estavam indo embora, cruzaram com uns rapazes que gritaram “filhos de Hitler”,
momento em que os integrantes do grupo correram e alcançaram um dos rapazes, o qual acabou foi agredido. Apontou que
após se encontraram no carro do réu Anderson, que mostrou para todos que portava uma arma branca, tipo canivete, que
estava sujo de sangue.

Ainda, destaca-se que, em seu depoimento (mov. 663.9), a vítima relatou que estava em um banco
esperando o ônibus, perto da Rua 24 Horas. Disse que viu aproximadamente 6 (seis) ou 7 (sete) pessoas se aproximando e
pediu um isqueiro emprestado, momento em que o réu Anderson lhe deu um chute no rosto e todos do grupo começaram a
agredi-la, vez que caiu no chão e ficou desacordada. Confirmou que o primeiro que o agrediu foi o réu Anderson. Discorreu que
levou facadas e golpe na cabeça e que não sabe explicar o motivo das agressões, pois não ofendeu ninguém. Informou, ainda,
de que foram mais de duas pessoas que o agrediram e que não conseguiu identificar, pois tentava se defender.

Consoante os depoimentos testemunhais e os interrogatórios, é incontroverso que a vítima e o réu


estavam no mesmo local, nas proximidades da Rua 24 Horas, momento em que o réu e o grupo do qual confessou ser
integrante atacou o ofendido, que foi atingido com um chute no rosto, tendo caído e ficado no chão, momento em que os
demais passaram a agredi-lo com chutes e golpes de faca, não possuindo, portanto, chances de defesa.

Dessa forma, não é viável lançar dúvida sobre a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa, da qual resultou lesão de
natureza gravíssima.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Há, ainda, perfeita adequação àquilo que dispõe o art. 129, § 2º, IV, do Código Penal.

Essa conclusão está presente no laudo juntado no mov. 1.6 – fls. 268/269 e no depoimento prestado
pela vítima em Juízo (mov. 663.9). Salienta-se que apesar de o laudo do exame de lesões corporais não ter sido concluído com
relação à deformidade permanente, vez que o perito solicitou prazo para melhor responder ao quarto e quintos quesitos,
verifica-se que elenca os ferimentos que a vítima possuía. Ainda, o ofendido relatou em Juízo que possui cicatrizes, danos

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


psicológicos e que a sua musculatura da face não tinha voltado à normalidade desde o dia dos fatos.

Ademais, destaca-se que não foi realizado novo exame na vítima, com o fim da realização de laudo
de lesões definitivo – que corroborasse o depoimento –, tendo em vista o seu óbito.

Configurado, pois, o inciso IV do art. 129, §2º, do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, estado de necessidade, legítima defesa, estrito
cumprimento dever legal, exercício regular de um direito ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

- Art. 121, §2º, incisos I e IV, c/c art. 14, inciso II, ambos do Código Penal (vítima Willian Cezar
Martins Cardoso)

Ao responderem a série de quesitos, os jurados chegaram à seguinte conclusão:

a) Reconheceram a materialidade do fato;

b) Atribuíram a autoria ao réu;

c) Não reconheceram o dolo de matar.

Prejudicados os demais quesitos (art. 490, parágrafo único, do CPP).

Considerando que na hipótese dos autos os jurados optaram por afastar da conduta do acusado o
elemento subjetivo que lhes autorizaria emitir o julgamento ou, em outras palavras, tendo havido a desclassificação do crime
doloso contra a vida inicialmente imputado, a competência para julgamento do feito passa para o juiz singular (art. 492, § 1º, do
Código de Processo Penal), o que se fará a seguir.

- Materialidade
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de exame de
lesões corporais (mov. 793.1), pela declaração e prontuário médico (movs. 1.3 – fl. 14 e 1.6 – fls. 243/264) e pelo boletim de
ocorrência mov. 1.3 – fl. 03, associado ao depoimento da vítima prestado em Juízo (mov. 663.2).

Tudo aponta que, no dia, horário e local descritos na denúncia, a vítima recebeu diversas agressões

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


e um golpe de faca, os quais lhe causaram diversas lesões, incapacitando-o para as ocupações habituais por mais de trinta
dias, bem como resultando em lesão permanente (hérnia incisional) e deformidade permanente.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

No boletim de ocorrência (mov. 1.3, p. 2), ao registrar o fato pela primeira vez, o ofendido apontou
que 5 (cinco) seriam os agressores, todos homens, e que reconheceu Neuci Vieira na companhia deles, prestando-lhes auxílio.

Na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 94/95), a vítima relatou que saiu de uma casa noturna e se dirigiu a
uma padaria, tendo, depois que saiu de lá, caminhado até a Praça Osório, com o intuito de pegar um ônibus, quando se
deparou com 6 (seis) pessoas, 5 (cinco) homens e 1 (uma) mulher. Disse que referido o grupo se aproximou e começou a
agredi-la, oportunidade em que recebeu uma facada no abdômen. Esclareceu que os indivíduos afirmavam que gays e negros
tinham que morrer e que um deles ainda lhe deu um soco no rosto com um soco inglês. Anotou que conseguiu correr até um
módulo policial e, enquanto corria, o grupo lhe atirava pedras.

Na mesma ocasião do depoimento, foi realizado procedimento de reconhecimento pessoal


fotográfico, quando a vítima apontou o réu Eduardo Toniolo Del Segue como um de seus agressores, precisamente como o
responsável por desferir a facada. Reconheceu a ré Edwiges Francis Barroso, relatando que ela incitava o restante do grupo a
continuar as agressões, com a afirmação de que acabariam com todos os gays e negros que encontrassem. Reconheceu
também o réu Raul Astute Filho, com 70% de certeza (mov. 1.3 – fl. 96), e o réu Anderson Marondes de Souza, com 100% de
certeza (mov. 1.3 – fl. 97).

Em outra ocasião, após realizado procedimento de reconhecimento pessoal fotográfico, a vítima


reconheceu as pessoas de Eduardo Toniolo Del Segue, Edwiges Francis Barroso, Anderson Marondes de Souza, Bruno Paese
e Drahomiro Michel ROmanowski de Souza como seus agressores (mov. 1.3 – fl. 148).

Já em juízo (mov. 663.2) a vítima declarou que, após sair da panificadora, a caminho da Praça
Osório, um grupo de 6 (seis) pessoas, 5 (cinco) homens e 1 (uma) mulher, atacou-a. Narrou que um deles lhe deu uma rasteira
e logo em seguida o feriu no abdômen, com algo que aparentemente era uma tesoura. Argumentou que um deles lhe falou que
gays e negros teriam que morrer, mas não se recorda qual. Apontou que a ré Edwiges Francis Barroso e o réu Eduardo Toniolo
Del Segue estavam juntos no dia dos fatos. Explicou que nenhum do grupo a agrediu além do autor da facada. Em seguida, ao
ser questionado se conseguiria apontar o autor da facada entre os presentes na audiência, o depoente apontou para o réu Raul
Astute Filho, chamando-o de Bruno, ressalvando que não consegue falar nada com 100% de certeza.

Por sua vez, em seu depoimento em plenário (mov. 830.1), a vítima informou que a maioria do grupo
era homens, havendo 1 (uma) ou 2 (duas) mulheres. Expôs que tentaram derrubá-la, mas como não conseguiram, com o
destaque de um deles tirou um canivete e a feriu na região do abdômen. Relatou que no momento em que a agrediam tinha
uma pessoa que falava que gays e negros teriam que morrer. Ao ser questionado acerca das contradições com relação aos
reconhecimentos dos réus, discorreu que prefere não falar por medo e para não cometer injustiça. Aduziu que uns dias antes
do fato teve uma briga feia com uma prostituta chamada Nelci Vieira, em que houve ameaças, motivo pelo qual a apontou
como possível autora das agressões que sofreu. Ao ser perguntado se lembrava do réu Drahomiro, disse que não se recorda
como um dos agressores e nem se recorda desse nome. Relatou que no dia dos fatos havia em torno de 6 (seis) a 7 (sete)
pessoas,e que não se lembra de o réu André Lipnharski estar entre elas. Na sequência, indicou que havia 5 (cinco) homens e
somente 1 (uma) mulher e que apenas uma pessoa o golpeou com o canivete/tesoura. Explicitou, então, que com exceção do
réu Eduardo e da ré Edwiges, não reconhece nenhum réu como presente no local dos fatos. Finalizou dizendo que, após ser
ferido, conseguiu correr e que ninguém o perseguiu.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Diante disso, é possível verificar que os depoimentos da vítima, perante a autoridade policial (mov.
1.3 – fls. 94/95), em juízo (mov. 663.2) e em plenário (mov. 830.1), divergem bastante com relação ao número de pessoas que
a atacaram e no tocante ao reconhecimento dos réus. Em contrapartida, todos os réus negaram a autoria com relação a estes
fatos.

Dessa forma, à vista do que se produziu no feito, não se vislumbra conjunto probatório viável,

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


restando, dúvidas, portanto, sobre a autoria.

Assim, entende-se pela absolvição do réu, ante a ausência de provas quanto à autoria.

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de mov. 1.12 – fls.
695/706 e pelos autos de busca e apreensão (movs. 1.8 e 1.9 – objetos parcialmente descritos na fundamentação do crime de
racismo), associado ao depoimentos testemunhais e interrogatórios.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Ainda, não se deve desprezar que em diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados diversos objetos, como CD’s, livros, bandeiras, adesivos, cadernos e vestimentas (movs. 1.8 e 1.9 – objetos
parcialmente descritos na fundamentação do crime de racismo), os quais fazem alusão ao nazismo e ao preconceito,
reforçando, portanto, qual era ideologia pregada pelo grupo e que se reuniam principalmente para a prática do crime descrito
no art. 20, caput, da Lei 7.716/89.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa do réu em se associar, em
quadrilha armada, com o fim de cometer diversos crimes, principalmente os previstos no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89.

Destaca-se que no delito de associação criminosa pouco importa se os delitos para os quais foi
constituída a associação foram ou não praticados. Cuida-se de crime de natureza formal, que se consuma com a simples
associação estável e permanente de três ou mais pessoas para a prática de infrações penais, ainda que no futuro nenhum
delito seja efetivamente praticado.

Diante do conjunto probatório, é nítido que os réus, agindo em conjunto, associaram-se, de forma
estável, para o fim específico de cometer crimes, havendo, portanto, perfeita adequação àquilo que dispõe o parágrafo único do
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
art. 288 do CP. Valiam-se, inclusive, de armas brancas, como facas e soco inglês.

Configurado, pois, o parágrafo único do art. 288 do CP.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

• Réu Bruno Paese Fadel

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de mov. 1.12 – fls.
695/706 e pelos autos de busca e apreensão (movs. 1.8 e 1.9 – objetos parcialmente descritos na fundamentação do crime de
racismo), associado ao depoimentos testemunhais e interrogatórios.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Ainda, não se deve desprezar que em diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados diversos objetos, como CD’s, livros, bandeiras, adesivos, cadernos e vestimentas (movs. 1.8 e 1.9 – objetos
parcialmente descritos na fundamentação do crime de racismo), os quais fazem alusão ao nazismo e ao preconceito,
reforçando, portanto, qual era ideologia pregada pelo grupo e que se reuniam principalmente para a prática do crime descrito
no art. 20, caput, da Lei 7.716/89.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa do réu em se associar, em
quadrilha armada, com o fim de cometer diversos crimes, principalmente os previstos no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Destaca-se que no delito de associação criminosa pouco importa se os delitos para os quais foi
constituída a associação foram ou não praticados. Cuida-se de crime de natureza formal, que se consuma com a simples
associação estável e permanente de três ou mais pessoas para a prática de infrações penais, ainda que no futuro nenhum
delito seja efetivamente praticado.

Diante do conjunto probatório, é nítido que os réus, agindo em conjunto, associaram-se, de forma
estável, para o fim específico de cometer crimes, havendo, portanto, perfeita adequação àquilo que dispõe o parágrafo único do
art. 288 do CP. Valiam-se, inclusive, de armas brancas, como facas e soco inglês.

Configurado, pois, o parágrafo único do art. 288 do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

• Réu Drahomiro Michel Romanowski Carvalho

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de mov. 1.12 – fls.
695/706 e pelos autos de busca e apreensão (movs. 1.8 e 1.9 – objetos parcialmente descritos na fundamentação do crime de
racismo), associado ao depoimentos testemunhais e interrogatórios.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Ainda, não se deve desprezar que em diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


encontrados diversos objetos, como CD’s, livros, bandeiras, adesivos, cadernos e vestimentas (movs. 1.8 e 1.9 – objetos
parcialmente descritos na fundamentação do crime de racismo), os quais fazem alusão ao nazismo e ao preconceito,
reforçando, portanto, qual era ideologia pregada pelo grupo e que se reuniam principalmente para a prática do crime descrito
no art. 20, caput, da Lei 7.716/89.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa do réu em se associar, em
quadrilha armada, com o fim de cometer diversos crimes, principalmente os previstos no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89.

Destaca-se que no delito de associação criminosa pouco importa se os delitos para os quais foi
constituída a associação foram ou não praticados. Cuida-se de crime de natureza formal, que se consuma com a simples
associação estável e permanente de três ou mais pessoas para a prática de infrações penais, ainda que no futuro nenhum
delito seja efetivamente praticado.

Diante do conjunto probatório, é nítido que os réus, agindo em conjunto, associaram-se, de forma
estável, para o fim específico de cometer crimes, havendo, portanto, perfeita adequação àquilo que dispõe o parágrafo único do
art. 288 do CP. Valiam-se, inclusive, de armas brancas, como facas e soco inglês.

Configurado, pois, o parágrafo único do art. 288 do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pela prova oral produzida,
bem como pelos documentos que instruíram a investigação criminal, tais como:
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
a) objetos apreendidos na residência de Eduardo Toniolo Del Segue e Edwiges Francis Barroso
(mov. 1.8 – fl. 399):

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- Desenho em grafite de Hitler;

- 1 (uma) balaclava de lã preta com símbolo Cruz Celta;

- Alianças com símbolos Cruz Celta e Swástica;

- Bandeira na cor preta com inscrições 88 e caveira;

- CD’s de Bandas musicais como: 88; Zurzr, Faustrecht, Acción Obrera Skinheads;

- Bottons, negativos e fotografias;

- Recortes de jornais referentes às notícias sobre agressões a homossexuais e distribuição de


adesivos com conotação racista e preconceituosa;

- Manuscritos e material impresso de conteúdo nazista, nacional socialista, letras de músicas racistas
e preconceituosas;

- Desenhos de suástica, Cruz Celta, Skinheads;

- 4 (quatro) livros: A Linguagem da Cruz; Sol Negro – Cultos Arianos; Nazismo Esotérico e Políticas
de Identidade; Almanaque Eu Sei Tudo – 1959; Manual de Formação de um Soldado – 1983;

- Camisetas com estampas de cruz celta, suástica, skinheads;

- 1 (uma) jaqueta com estampa White Soul – Skinheads – 88/14; entre outros.

b) Objetos apreendidos na residência de André Lipnharski (mov. 1.9 – fl. 401):

- CD da Banda 88;

- 01 (um) simulacro de arma de fogo;

- Botton com a inscrição “White Power”;

- CD com músicas de conteúdo racistas; entre outros.

c) objetos apreendidos na residência de Bruno Paese Fadel (mov. 1.9 – fl. 402):

- 01 (um) porta objetos em madeira, contendo na parte inferior da tampa o símbolo nazista da
suástica;

- 01 (um) CPU de computador sem marca.

d) objetos apreendidos na residência de Estela Herman Heise (mov. 1.9 – fls. 403/404):
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- 01 (uma) cópia impressa do livro de Fridrich Nietzsche, intitulado “The Antichrist”;

- 2 (duas) revistas com reportagens referentes ao Nazismo e a Hitler;

- 01 (um) caderno de anotações com diversas referências ao nazismo e à adoração satânica,

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


desenhos da suástica, desenho do símbolo satânico da capa do arquivo “The Satanic Bible”; entre outros.

e) objetos apreendidos na residência de Drahomiro Michel Romanoski Carvalho (mov. 1.9 – fls. 407):

- 1 (um) quadro com fotos contendo símbolos nazistas e discriminatórios;

- Bottons de skinheads e nazistas;

- Livro “A Bíblia do Skinhead”;

- Cadernod com desenhos de símbolos nazistas e discriminatórios;

- Recorte de jornal mencionando a morte de um rapaz no centro histórico por grupo de Skinhead;

- Adesivos de skinhead e nazistas;

- 01 (uma) tela para confecção de camisetas com lembrança do nazismo;

- Camisetas do nazismo e Skinhead;

- Foto do grupo Skinhead;

- CD’s de conteúdo nazista e com desenhos de pessoas armadas;

- Fitas com conteúdo nazistas e com desenhos de pessoas armadas;

- Quadro com emblema dos Skinheads e pessoas encapuzadas; entre outros.

f) objetos apreendidos na residência de Fernanda Kelly Sens (mov. 1.9 – fls. 408):

- Reportagem relativa a agressões a homossexuais;

- Camiseta com a inscrição “White Power”;

- CD’s da Banda Zurzir e Faustrecht;

- Suástica talhada em madeira;

- 2 (dois) convites para um evento em homenagem a Hitler;

- Folheto sobre Skinheads;

- Livros: Sol Negro e Minha Luta – Autos: Hitler.

- Adesivo “100% Branco”; entre outros.


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Consoante os depoimentos testemunhais e os interrogatórios, é incontroverso que o réu fazia parte


do grupo Skinhead, que praticava, induzia e incitava preconceito contra negros, judeus e homossexuais.

Ainda, verifica-se que após realizada diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados os diversos objetos acima mencionados, os quais exprimem a ideologia praticada pelo grupo.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa, uma vez que o réu possuía
vontade livre e consciente de praticar e incitar a discriminação e preconceito de raça e etnia, contra negros e judeus, vez que
era integrante do grupo de Skinheads, que discrimina pessoas em razão de sua cor, religião e sexualidade

Nota-se que para tanto o réu e os demais participantes do grupo se muniam de símbolos diversos,
trajavam vestimentas específicas, típicas de associação neo-nazistas e praticavam atos violentos contra vítimas.

Inclusive, como supra elencado, o grupo possuía amplo material, os quais comportavam objetos com
símbolos, bandeiras, CD’s, camisetas, adesivos e livros.

Portanto, o réu com seu modo de proceder agiu com dolo de ofender uma coletividade de indivíduos,
com o intuito de segregá-los, inferiorizando-os, extrapolando os limites da liberdade de expressão.

A propósito, o Supremo Tribunal Federal proferiu julgamento no sentido de que “As liberdades
públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica, observados os limites definidas na
própria Constituição Federal (CF, art. 5º, §2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra
o ‘direito à incitação ao racismo’ dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas,
como sucede com os delitos contra a honra. Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade
jurídica”. (HC-QO 82.424-RD, rel. Min. Moreira Alves, rel. p/ acórdão Min. Maurício Corrêa, 17.09.2003).

Nesse sentido, a Constituição Federal adotou a nítida postura de afastar comportamentos


reprováveis como esses, trazendo como objetivo fundamental a promoção do bem de todos, sem qualquer preconceito. Por tal
razão, a Lei 7.716/89 define os chamados Crimes Resultantes de Preconceito de Raça ou Cor.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Assim, a conduta do réu se amolda perfeitamente aos núcleos do tipo “praticar” e “incitar” a
discriminação em razão da cor, previsto no caput do artigo 20 da Lei 7.716/89.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

• Ré Estela Herman Heise

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de mov. 1.12 – fls.
695/706 e pelos autos de busca e apreensão (movs. 1.8 e 1.9 – objetos parcialmente descritos na fundamentação do crime de
racismo), associado ao depoimentos testemunhais e interrogatórios.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Ainda, não se deve desprezar que em diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados diversos objetos, como CD’s, livros, bandeiras, adesivos, cadernos e vestimentas (movs. 1.8 e 1.9 – objetos
parcialmente descritos na fundamentação do crime de racismo), os quais fazem alusão ao nazismo e ao preconceito,
reforçando, portanto, qual era ideologia pregada pelo grupo e que se reuniam principalmente para a prática do crime descrito
no art. 20, caput, da Lei 7.716/89.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa do réu em se associar, em
quadrilha armada, com o fim de cometer diversos crimes, principalmente os previstos no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Destaca-se que no delito de associação criminosa pouco importa se os delitos para os quais foi
constituída a associação foram ou não praticados. Cuida-se de crime de natureza formal, que se consuma com a simples
associação estável e permanente de três ou mais pessoas para a prática de infrações penais, ainda que no futuro nenhum
delito seja efetivamente praticado.

Diante do conjunto probatório, é nítido que os réus, agindo em conjunto, associaram-se, de forma
estável, para o fim específico de cometer crimes, havendo, portanto, perfeita adequação àquilo que dispõe o parágrafo único do
art. 288 do CP. Valiam-se, inclusive, de armas brancas, como facas e soco inglês.

Configurado, pois, o parágrafo único do art. 288 do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

• Ré Fernanda Kely Sens

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pelo laudo de mov. 1.12 – fls.
695/706 e pelos autos de busca e apreensão (movs. 1.8 e 1.9 – objetos parcialmente descritos na fundamentação do crime de
racismo), associado ao depoimentos testemunhais e interrogatórios.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do
grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a
associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Ainda, não se deve desprezar que em diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


encontrados diversos objetos, como CD’s, livros, bandeiras, adesivos, cadernos e vestimentas (movs. 1.8 e 1.9 – objetos
parcialmente descritos na fundamentação do crime de racismo), os quais fazem alusão ao nazismo e ao preconceito,
reforçando, portanto, qual era ideologia pregada pelo grupo e que se reuniam principalmente para a prática do crime descrito
no art. 20, caput, da Lei 7.716/89.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa do réu em se associar, em
quadrilha armada, com o fim de cometer diversos crimes, principalmente os previstos no art. 20, caput e §1º, da Lei 7.716/89.

Destaca-se que no delito de associação criminosa pouco importa se os delitos para os quais foi
constituída a associação foram ou não praticados. Cuida-se de crime de natureza formal, que se consuma com a simples
associação estável e permanente de três ou mais pessoas para a prática de infrações penais, ainda que no futuro nenhum
delito seja efetivamente praticado.

Diante do conjunto probatório, é nítido que os réus, agindo em conjunto, associaram-se, de forma
estável, para o fim específico de cometer crimes, havendo, portanto, perfeita adequação àquilo que dispõe o parágrafo único do
art. 288 do CP. Valiam-se, inclusive, de armas brancas, como facas e soco inglês.

Configurado, pois, o parágrafo único do art. 288 do CP.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

- Materialidade

A materialidade do fato versado na denúncia se encontra comprovada pela prova oral produzida,
bem como pelos documentos que instruíram a investigação criminal, tais como:
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
a) objetos apreendidos na residência de Eduardo Toniolo Del Segue e Edwiges Francis Barroso
(mov. 1.8 – fl. 399):

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


- Desenho em grafite de Hitler;

- 1 (uma) balaclava de lã preta com símbolo Cruz Celta;

- Alianças com símbolos Cruz Celta e Swástica;

- Bandeira na cor preta com inscrições 88 e caveira;

- CD’s de Bandas musicais como: 88; Zurzr, Faustrecht, Acción Obrera Skinheads;

- Bottons, negativos e fotografias;

- Recortes de jornais referentes às notícias sobre agressões a homossexuais e distribuição de


adesivos com conotação racista e preconceituosa;

- Manuscritos e material impresso de conteúdo nazista, nacional socialista, letras de músicas racistas
e preconceituosas;

- Desenhos de suástica, Cruz Celta, Skinheads;

- 4 (quatro) livros: A Linguagem da Cruz; Sol Negro – Cultos Arianos; Nazismo Esotérico e Políticas
de Identidade; Almanaque Eu Sei Tudo – 1959; Manual de Formação de um Soldado – 1983;

- Camisetas com estampas de cruz celta, suástica, skinheads;

- 1 (uma) jaqueta com estampa White Soul – Skinheads – 88/14; entre outros.

b) Objetos apreendidos na residência de André Lipnharski (mov. 1.9 – fl. 401):

- CD da Banda 88;

- 01 (um) simulacro de arma de fogo;

- Botton com a inscrição “White Power”;

- CD com músicas de conteúdo racistas; entre outros.

c) objetos apreendidos na residência de Bruno Paese Fadel (mov. 1.9 – fl. 402):

- 01 (um) porta objetos em madeira, contendo na parte inferior da tampa o símbolo nazista da
suástica;

- 01 (um) CPU de computador sem marca.

d) objetos apreendidos na residência de Estela Herman Heise (mov. 1.9 – fls. 403/404):
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- 01 (uma) cópia impressa do livro de Fridrich Nietzsche, intitulado “The Antichrist”;

- 2 (duas) revistas com reportagens referentes ao Nazismo e a Hitler;

- 01 (um) caderno de anotações com diversas referências ao nazismo e à adoração satânica,

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


desenhos da suástica, desenho do símbolo satânico da capa do arquivo “The Satanic Bible”; entre outros.

e) objetos apreendidos na residência de Drahomiro Michel Romanoski Carvalho (mov. 1.9 – fls. 407):

- 1 (um) quadro com fotos contendo símbolos nazistas e discriminatórios;

- Bottons de skinheads e nazistas;

- Livro “A Bíblia do Skinhead”;

- Cadernod com desenhos de símbolos nazistas e discriminatórios;

- Recorte de jornal mencionando a morte de um rapaz no centro histórico por grupo de Skinhead;

- Adesivos de skinhead e nazistas;

- 01 (uma) tela para confecção de camisetas com lembrança do nazismo;

- Camisetas do nazismo e Skinhead;

- Foto do grupo Skinhead;

- CD’s de conteúdo nazista e com desenhos de pessoas armadas;

- Fitas com conteúdo nazistas e com desenhos de pessoas armadas;

- Quadro com emblema dos Skinheads e pessoas encapuzadas; entre outros.

f) objetos apreendidos na residência de Fernanda Kelly Sens (mov. 1.9 – fls. 408):

- Reportagem relativa a agressões a homossexuais;

- Camiseta com a inscrição “White Power”;

- CD’s da Banda Zurzir e Faustrecht;

- Suástica talhada em madeira;

- 2 (dois) convites para um evento em homenagem a Hitler;

- Folheto sobre Skinheads;

- Livros: Sol Negro e Minha Luta – Autos: Hitler.

- Adesivo “100% Branco”; entre outros.


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Em seu depoimento (mov. 663.5), Joelma Maia de Andrade relatou: que já foi integrante do grupo
Skinheads apenas para poder reconhecer a pessoa que a agrediu; que a convidaram para fazer parte do grupo; que foi
agredida, pois estava com duas pessoas de cor negra; que já presenciou várias agressões do grupo, basicamente eram contra
lésbicas, gays e negros; que a ideologia do grupo era ser uma raça única; que os encontros eram realizados basicamente no
Largo da Ordem; que o líder do grupo era o Cazé; que além da depoente, havia mais menores de idade como integrantes do

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


grupo; que já sofreu ameaças de pessoas do grupo, a mando do réu Brasil (Eduardo).

Em seu interrogatório perante a autoridade policial (mov. 1.3 – fls. 91/93), o réu Anderson Marondes
confessou que já foi Skinhead, nazista e admirador de Hitler. Relatou que conheceu os integrantes do grupo no Largo da
Ordem, notadamente as pessoas de Brasil (réu Eduardo), Fran (ré Edwiges), Gavião (réu Drahomiro), Cazé (José Carlos
Domingues dos Santos), Pinduka (réu André), Raul, Bruno e Estela.

O réu Drahomiro Michel Romanowski, na Delegacia (mov. 1.3 – fls. 80/82), informou que pertence ao
grupo Skinheads Nasi Wp há 6 (seis) anos e seus membros se encontram na Praça Rui Barbosa, no Largo da Ordem, na Rua
24 Horas ou nas casas de Brasil (réu Eduardo), Bruno, Maurício e Anderson. Disse que não existe líder, pois o verdadeiro líder
é Hitler. Apontou que o grupo prega a não mistura de raças, é contrário ao judaísmo, aos homossexuais e negros e acreditam
que a raça ariana é superior às demais. Confirmou ter confeccionado camisetas com os dizeres “Skinheads Curitiba”.

Já o réu André Lipnharski (mov, 1.3 – fls. 101/102), em seu depoimento perante a autoridade policial,
também confessou que já fez parte do grupo Skinhead, tendo conhecido as pessoas de Eduardo Brasil, Cazé e Gavião (réu
Drahomiro). Esclareceu que a ideologia do grupo é no sentido de abominar homossexuais e negros.

O réu Raul (mov. 1.3 – fls. 76/78) negou ser Skinhead, mas que é apenas simpatizante da história da
2ª Guerra Mundial. Especificou que conhecia um grupo de simpatizantes do nazismo, composto por Cazé, Brasil, Anderson,
André Pinduka, Bruna, Estela, Fernanda, Fran e Jeff, além dos adolescentes Jairo Fischer e Marina Forcadell.

Por sua vez, o réu Bruno Paese Fadel (mov. 1.3 – fls. 69/70) afirmou que não é Skinhead e que
conheceu alguns integrantes do grupo há 2 (dois) anos. Anotou que conheceu Cazé, Gavião, Brasil, Fran, Anderson, Pinduka,
Raul e Mariana e que essas pessoas eram Skinheads na época em que as conheceu.

A ré Estela Herman Heise (mov. 64.3 – fls. 81/82), relatou que não é Skinhead e nem nazista.
Discorreu que conhece alguns integrantes do grupo Skinheads, tais como Fran (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio,
Anderson, Gavião (réu Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno
Paese Fadel.

Além disso, na qualificação da ré Estela em delegacia, constatou-se tatuagem de uma Cruz Celta no
braço, que é símbolo de grupos extremistas.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

A infante Marina Forcadell (mov. 1.3 – fl. 95) informou: que faz parte de um grupo Skinhead, o qual é
liderado pela pessoa de Eduardo Brasil; que namora com André Lipnharski, que também faz parte do grupo; que no grupo
conheceu Brasil, Fran, Bruno, Estela, Jairo Fischer, Vinicius, Janine e Everton; que o grupo é adepto da ideologia nazista de
Hitler, razão pela qual não gostam de negros, homossexuais e judeus; que os Skinheads são violentos e batem em
homossexuais e negros.

Quanto à ré Fernanda Kelly Sens (mov. 64.2 – fls. 75/76), discorreu que não é Skinhead, mas que
conhece alguns integrantes do grupo como Brasil, Raul, Anderson (que aparece na fotografia mostrada com a cabeça raspada
e cavanhaque), Pinduka, Marina Forcadell, Mariana, Fran, Estela, Bruno, Fischer, Cazé, Lilian e Gavião.

Todavia, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré Fernanda (mov. 1.4 – fls.
1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler” entre outras fotos e arquivos e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut, na qual se apresenta/descreve como:
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, apesar de alguns réus negarem a efetiva participação no grupo de Skinheads e a

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


associação criminosa e a despeito de alguns terem divergido em depoimentos prestados na delegacia e em plenário, é possível
verificar que uns apontam aos outros como integrantes do grupo.

Assim, nada se controverte quanto à materialidade.

- Autoria

A ré Estela Herman Heise, na fase policial (mov. 64.3 – fls. 81/82), discorreu que conhece alguns
integrantes do grupo Skinheads, tais como Franciele (ré Edwiges), Brasil (réu Eduardo), Véio, Anderson, Gavião (réu
Drahomiro), Pinduka (réu André), Marina Forcadell, Fischer, Cazé, Lilian, Felipe, Fernando e Bruno Paese Fadel.

O réu Eduardo Toniolo Del Segue (mov. 64.3 – fls. 84/87), em seu depoimento, relatou que
Anderson fazia parte do grupo e que tanto Jeff quanto Mariana foram apresentadas ao grupo por Fernanda Sens, também
Skinhead.

Ainda, como supramencionado, o laudo da perícia realizada no sistema do desktop da ré (mov. 1.4 –
fls. 1037/1052) apresentou o arquivo do livro “Minha Luta (Mein Kampf) Adolf Hitler”, entre outras fotos e arquivos, e o conteúdo
descrito no perfil da rede social Orkut da ré, na qual se apresenta como:

“Bom, vou deixar aqui para as dúvidas mais polêmicas sobre o meu perfil. Não sou racista, sou
apenas Racialista. Tenho orgulho de minhas raízes europeias. Sou branca sim e me orgulho disso” Nesse País há brancos e
eu sou um deles. E aprecio o Nazismo e tudo que vem dele. E consequentemente, não suporto o (ilegível). Sou homofóbica,
não sou amiga de viado/lésbica (...)”

Nesse sentido, é possível constatar que apesar de a ré Fernanda negar participação no grupo
Skinhead (mov. 64.2 – fls. 75/76), é apontada por outros réus como integrante do grupo.

Dessa forma, consoante os depoimentos testemunhais, os interrogatórios, e as provas documentais


colhidas, é incontroverso que a ré fazia parte do grupo Skinhead, que praticava, induzia e incitava preconceito contra negros,
judeus e homossexuais.

Ainda, verifica-se que após realizada diligências de busca e apreensão na casa dos réus foram
encontrados os diversos objetos acima mencionados, os quais exprimem a ideologia praticada pelo grupo.

Dessa forma, nem por elucubração, à vista do que se produziu no feito, é viável lançar dúvida sobre
a autoria, portanto.

- Fato típico (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade)

A partir do descrito acima, verifica-se que houve uma conduta dolosa, uma vez que o réu possuía
vontade livre e consciente de praticar e incitar a discriminação e preconceito de raça e etnia, contra negros e judeus, vez que
era integrante do grupo de Skinheads, que discrimina pessoas em razão de sua cor, religião e sexualidade

Nota-se que para tanto o réu e os demais participantes do grupo se muniam de símbolos diversos,
trajavam vestimentas específicas, típicas de associação neo-nazistas e praticavam atos violentos contra vítimas.

Inclusive, como supra elencado, o grupo possuía amplo material, os quais comportavam objetos com
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
símbolos, bandeiras, CD’s, camisetas, adesivos e livros.

Portanto, o réu com seu modo de proceder agiu com dolo de ofender uma coletividade de indivíduos,
com o intuito de segregá-los, inferiorizando-os, extrapolando os limites da liberdade de expressão.

A propósito, o Supremo Tribunal Federal proferiu julgamento no sentido de que “As liberdades

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica, observados os limites definidas na
própria Constituição Federal (CF, art. 5º, §2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra
o ‘direito à incitação ao racismo’ dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas,
como sucede com os delitos contra a honra. Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade
jurídica”. (HC-QO 82.424-RD, rel. Min. Moreira Alves, rel. p/ acórdão Min. Maurício Corrêa, 17.09.2003).

Nesse sentido, a Constituição Federal adotou a nítida postura de afastar comportamentos


reprováveis como esses, trazendo como objetivo fundamental a promoção do bem de todos, sem qualquer preconceito. Por tal
razão, a Lei 7.716/89 define os chamados Crimes Resultantes de Preconceito de Raça ou Cor.

Assim, a conduta do réu se amolda perfeitamente aos núcleos do tipo “praticar” e “incitar” a
discriminação em razão da cor, previsto no caput do artigo 20 da Lei 7.716/89.

- Ilicitude do fato

O reconhecimento do fato típico traz, ínsita, a presunção de ilicitude, que aqui não conta com
elementos a afastá-la.

De fato, não se vislumbra, até porque não alegados, qualquer causa de exclusão de tipicidade,
ilicitude ou outra circunstância excludente.

- Culpabilidade

O agente é culpável, porquanto imputável e consciente da ilicitude de seu comportamento,


impondo-se, ainda, que adotasse, no caso, conduta diversa.

3. Dispositivo

Diante do exposto, em atenção à soberania do Conselho de Sentença, julga-se PARCIALMENTE


PROCEDENTE a denúncia, a efeito de:

a) CONDENAR o réu Anderson Marondes de Souza pela prática das condutas previstas no art.
129, §2º, inciso IV (com relação à vítima Renan), do Código Penal (1º fato – autos 2005.10703-3), no art. 288, parágrafo único,
do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e no art. 20, caput, da Lei 7.716/89 (3º fato – autos 2005.10748-3).

a1) ABSOLVER o réu Anderson Marondes de Souza pela prática da conduta prevista no art. 129,
§2º, incisos II e IV (com relação à vítima Willian), do Código Penal (2º fato – autos 2005.10703-3).

b) CONDENAR o réu André Lipnharski pela prática das condutas previstas no art. 129, §2º, inciso
IV (com relação à vítima Renan), do Código Penal (1º fato – autos 2005.10703-3), no art. 288, parágrafo único, do Código
Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e no art. 20, caput, da Lei 7.716/89 (3º fato – autos 2005.10748-3).
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e no art. 20, caput, da Lei 7.716/89 (3º fato – autos 2005.10748-3).

b1) ABSOLVER o réu André Lipnharski pela prática da conduta prevista no art. 121, §2º, incisos I e
IV (com relação à vítima Willian), do Código Penal (2º fato – autos 2005.10703-3).

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


c) CONDENAR o réu Raul Astutte Filho pela prática das condutas previstas no art. 129, §2º, inciso
IV (com relação à vítima Renan), do Código Penal (1º fato – autos 2005.10703-3) e no art. 288, parágrafo único, do Código
Penal (1º fato – autos 2005.10748-3).

c1) ABSOLVER o réu Raul Astutte Filho pela prática da conduta prevista no art. 129, §2º, incisos II
e IV (com relação à vítima Willian), do Código Penal (2º fato – autos 2005.10703-3).

d) CONDENAR o réu Bruno Paese Fadel pela prática da conduta prevista no art. 288, parágrafo
único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3).

e) CONDENAR o réu Drahomiro Michel Romanowski Carvalho pela prática das condutas
previstas no art. 288, parágrafo único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e no art. 20, caput, da Lei 7.716/89 (3º
fato – autos 2005.10748-3).

f) CONDENAR a ré Estela Herman Heise pela prática da conduta prevista no art. 288, parágrafo
único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3).

g) CONDENAR a ré Fernanda Kely Sens pela prática das condutas previstas no art. 288, parágrafo
único, do Código Penal (1º fato – autos 2005.10748-3) e no art. 20, caput, da Lei 7.716/89 (2º fato – autos 2005.10748-3).

4. Dosimetria da pena

• Réu Anderson Marondes de Souza

- Art. 129, §2º, inciso IV, do Código Penal (vítima Renan Lopes Lúcio)

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, a culpabilidade, as circunstâncias e as


consequências do crime.

Em relação à culpabilidade, aferida pelas particularidades do fato e do agente, verifica-se que o


delito foi praticado por pelo menos 6 (seis) pessoas, em concurso, com visível covardia, já que a vítima se encontrava sozinha.
Além disso, a compleição física do ofendido, como se pôde ver no vídeo da audiência realizada na fase do sumário da culpa,
ainda que não houvesse superioridade numérica, não faria frente à estrutura física do acusado, que, aliás, estava em grupo
armado. Isso facilita a execução e justifica a majoração da pena-base, conforme jurisprudência da 1ª Câmara Criminal do TJPR
e do Superior Tribunal de Justiça[1].

No que se refere às circunstâncias, o crime foi praticado à vista de outras pessoas, em via pública,
no centro da cidade, em local reconhecidamente movimentado, mesmo de madrugada. Esse fato que resta corroborado pelo
depoimento da vítima Renan no mov. 663.9, que relatou que havia diversas pessoas no local, citando inclusive o motorista de
ônibus, que acha que foi ele quem chamou o socorro (Siate). A presença de diversas pessoas, portanto, não inibiu a infração
penal, revelando maior destemor por parte do acusado. A jurisprudência, sobre o tema, é tranquila, reconhecendo que é
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
possível, nessas situações, aumentar a pena-base sob o fundamento das circunstâncias. Cita-se, a propósito, precedente com
os mesmos contornos: “A prática de homicídio em local com maior aglomeração de pessoas justifica a análise desfavorável das
circunstâncias do crime” (REsp 1493789/MA, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
03/11/2015, DJe 19/11/2015).

No que se refere às consequências, os ferimentos causados pelas agressões e pelos golpes de faca

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


desferidos submeteram a vítima a internação hospitalar, o que lhe causou sofrimento acima da média. Essa conclusão
independe de estudo especializado ou congênere, demandando mero exercício de empatia e observação. Assim, diante das
graves consequências do delito, fixa-se a pena-base acima do mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (2 anos),


aumentam-se 9 (nove) meses de reclusão, totalizando sanção base de 4 (quatro) anos e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[2]
por este magistrado .

Na segunda etapa, reconhece-se a atenuante da confissão espontânea prevista no art. 65, inciso III,
“d”, do Código Penal, tendo em vista que se utilizou a admissão dos fatos na fundamentação desta sentença condenatória
(Súmula nº 545 do STJ).

Quanto às agravantes, incide a de motivo torpe (art. 61, II, “a”, do CP), vez que o réu agrediu a
vítima em razão de sua intolerância e preconceito, pois ele (réu) é integrante de grupo Skinheads. Destaca-se que a vítima
possuía a pele de cor escura.

Incide, ainda, a agravante de emprego de recurso que dificultou a defesa (art. 61, II, “c”, do CP),
pois, conforme narrou a vítima em audiência, foi pedir um isqueiro emprestado, momento em que foi atacado de inopino, sem
que pudesse esperar. Além disso, após desferirem socos e chutes na vítima, quando esta já estava caída ao chão,
desacordada, aplicaram golpes de faca.

Dessa forma, compensam-se a atenuante com a agravante do motivo torpe, persistindo, portanto, a
agravante do recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Agrava-se a pena, então, em 1/6 (um sexto), montante inúmeras vezes considerado adequado pela
[3]
jurisprudência , salvo excepcionalidade concreta, aqui não verificada, que justifique patamar diverso.

Pena intermediária, então, de 4 (quatro) anos, 11 (onze) meses e 15 (quinze) dias de reclusão.

Na terceira etapa, não se vislumbram minorantes ou majorantes.

Pena definitiva, então, de 4 (quatro) anos, 11 (onze) meses e 15 (quinze) dias de reclusão.

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, as circunstâncias.

Em relação às circunstâncias, constata-se que entre os integrantes do grupo de Skinheads existiam


menores de idade, conforme depoimento da testemunha Joelma Maia de Andrade, de 16 (dezesseis) anos, que narrou que já
fez parte do grupo e que também tem conhecimento de outra adolescente integrante. Ademais, em seu interrogatório, o réu
André Lipnharski confirmou que namorava a menor Marina Forcadell, que também fazia parte do grupo. Dessa forma,
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
considerando a ideologia e que se reuniam com a intenção de praticar determinados crimes, a presença de menores de idade
justifica a majoração da pena-base. Destaque-se que, na época dos fatos, inexistia previsão específica para aumento de pena
para essa situação (atual redação do art. 288, parágrafo único, do CP), razão pela qual não se aplica a participação de infante
como causa de aumento na 3ª fase da dosimetria. Desse modo, atentando-se para a peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento e, ainda, tendo em vista a ideologia propagada pelo grupo de Skinheads, fixa-se a pena base acima do
mínimo legal.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (1 ano),


aumentam-se 3 (três) meses de reclusão, totalizando sanção base de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[4]
por este magistrado .

Na segunda etapa, não há atenuantes ou agravantes.

Pena intermediária, portanto, de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na época do crime, havia previsão de que “A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é
armado” (art. 288, parágrafo único, do CP). Com a Lei nº 12.850/2013, alterou-se o dispositivo, que hoje dispõe que “A pena
aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente”.

Assim, em vista do art. 5º, XL, da CF, incide a lei atual, com imposição de metade.

Veja-se que a lei prevê “até a metade”, patamar máximo que aqui se justifica.

Embora a associação criminosa tenha por finalidade a prática de crimes, não se pode considerar
essa particularidade para aumentar a pena-base. Entretanto, sob o ponto de vista da Constituição da República, é indiscutível
que alguns delitos, por sua natureza - e não necessariamente em relação ao montante da sanção -, ostentam carga negativa
distinta. É o caso da prática de preconceito e racismo. Veja-se que a República tem por fundamentos, entre outros, a
dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o que está expresso, de logo, já no dispositivo que inaugura a
Constituição Federal (art. 1º, III e V, da CF). Antes disso, aliás, o preâmbulo, que constitui espécie de “carta de intenções”,
conquanto não tenha “força normativa”[5], tem por pressuposto que “a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (destacou-se). Em seguida, de forma até repetitiva, enumera que um dos
objetivos da mesma República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação” (destacou-se). Prossegue, reafirmando o que dissera, que, também nas relações
internacionais, adotará postura de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Ilustrativamente, prevê que a lei reprimirá, inclusive
sob a ótica penal, quaisquer formas de discriminação (art. 5º, XLII e XLI, da CF).

Esse arrazoado, em evidente tautologia, para além de destacar o que o próprio constituinte fez
questão de distinguir, realça que, embora tenha outras várias disposições de conteúdo penal, a Constituição, que por natureza
transforma em jurídicos valores políticos, teve especial preocupação em assegurar o convívio das diferenças. Não se impede a
adoção de pensamento contrário a determinada orientação, mas, de outro lado, não se tolera a imposição de opiniões e nem
tampouco a exclusão daquelas com as quais, por qualquer motivo, não se concorde, sobretudo se, para isso, houver o uso de
violência.

Assim, sopesadas essas variáveis, a majoração de 1/2 (um meio) mostra-se adequada.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Dessa forma, com o aumento mencionado, chega-se à pena definitiva de 1 (um) ano, 10 (dez)
meses e 15 (quinze) dias de reclusão.

- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Na primeira fase, não há circunstância judicial negativa a considerar.

Ou as circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal não superam os limites do
próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Nessa linha, pena mínima, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

Na segunda fase, não existem agravantes ou atenuantes.

Na terceira etapa, não se vislumbram minorantes ou majorantes.

Pena definitiva, então, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

- Concurso de crimes, regime inicial de cumprimento, substituição e suspensão da pena


privativa de liberdade

Incide o concurso material, de acordo com o art. 69, caput, do Código Penal, somando-se as penas.

Então, pena total de 7 (sete) anos, 10 (dez) meses de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

Embora o montante da pena não recomende (art. 33, § 2º, “b”, do Código Penal), considerando as
circunstâncias judiciais desfavoráveis (art. 59, III, do Código Penal), fixa-se o regime inicial fechado.

Não há prisão cadastrada, o que inviabiliza eventual aplicação do art. 387, §2º, do CPP.

Não cabe substituição por restritiva de direitos (art. 44, I, do Código Penal) nem suspensão
condicional da pena (art. 77, caput, do Código Penal), porque a quantidade da sanção, por si só, impede a concessão do
benefício.

Fixa-se o valor do dia-multa, na ausência de comprovações quanto à renda do sentenciado, no


mínimo legal (1/30 do salário mínimo nacional vigente na época dos fatos).

• Réu André Lipnharski,

- Art. 129, §2º, inciso IV, do Código Penal (vítima Renan Lopes Lúcio)

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, a culpabilidade, as circunstâncias e as


consequências do crime.

Em relação à culpabilidade, aferida pelas particularidades do fato e do agente, verifica-se que o


delito foi praticado por pelo menos 6 (seis) pessoas, em concurso, com visível covardia, já que a vítima se encontrava sozinha.
Além disso, a compleição física do ofendido, como se pôde ver no vídeo da audiência realizada na fase do sumário da culpa,
ainda que não houvesse superioridade numérica, não faria frente à estrutura física do acusado, que, aliás, estava em grupo
armado. Isso facilita a execução e justifica a majoração da pena-base, conforme jurisprudência da 1ª Câmara Criminal do TJPR
e do Superior Tribunal de Justiça[6].
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
No que se refere às circunstâncias, o crime foi praticado à vista de outras pessoas, em via pública,
no centro da cidade, em local reconhecidamente movimentado, mesmo de madrugada. Esse fato que resta corroborado pelo
depoimento da vítima Renan no mov. 663.9, que relatou que havia diversas pessoas no local, citando inclusive o motorista de
ônibus, que acha que foi ele quem chamou o socorro (Siate). A presença de diversas pessoas, portanto, não inibiu a infração
penal, revelando maior destemor por parte do acusado. A jurisprudência, sobre o tema, é tranquila, reconhecendo que é
possível, nessas situações, aumentar a pena-base sob o fundamento das circunstâncias. Cita-se, a propósito, precedente com

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


os mesmos contornos: “A prática de homicídio em local com maior aglomeração de pessoas justifica a análise desfavorável das
circunstâncias do crime” (REsp 1493789/MA, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
03/11/2015, DJe 19/11/2015).

No que se refere às consequências, os ferimentos causados pelas agressões e pelos golpes de faca
desferidos submeteram a vítima a internação hospitalar, o que lhe causou sofrimento acima da média. Essa conclusão
independe de estudo especializado ou congênere, demandando mero exercício de empatia e observação. Assim, diante das
graves consequências do delito, fixa-se a pena-base acima do mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (2 anos),


aumentam-se 9 (nove) meses de reclusão, totalizando sanção base de 4 (quatro) anos e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[7]
por este magistrado .

Quanto às agravantes, incide a de motivo torpe (art. 61, II, “a”, do CP), vez que o réu agrediu a
vítima em razão de sua intolerância e preconceito, pois ele (réu) é integrante de grupo Skinheads. Destaca-se que a vítima
possuía a pele de cor escura.

Incide, ainda, a agravante de emprego de recurso que dificultou a defesa (art. 61, II, “c”, do CP),
pois, conforme narrou a vítima em audiência, foi pedir um isqueiro emprestado, momento em que foi atacado de inopino, sem
que pudesse esperar. Além disso, após desferirem socos e chutes na vítima, quando esta já estava caída ao chão,
desacordada, aplicaram golpes de faca.

Agrava-se a pena, então, em 1/3 (1/6 para cada agravante), montante inúmeras vezes considerado
adequado pela jurisprudência, salvo excepcionalidade concreta, aqui não verificada, que justifique patamar diverso.

Pena intermediária, então, de 5 (cinco) anos e 8 (oito) meses de reclusão.

Na terceira etapa, não se vislumbram minorantes ou majorantes.

Pena definitiva, então, de 5 (cinco) anos e 8 (oito) meses de reclusão.

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, as circunstâncias.

Em relação às circunstâncias constata-se que entre os integrantes do grupo de Skinheads existiam


menores de idade, conforme depoimento da testemunha Joelma Maia de Andrade, de 16 (dezesseis) anos, que narrou que já
fez parte do grupo e que também tem conhecimento de outra adolescente integrante. Ademais, em seu interrogatório, o réu
André Lipnharski confirmou que namorava a menor Marina Forcadell, que também fazia parte do grupo. Dessa forma,
considerando a ideologia e que se reuniam com a intenção de praticar determinados crimes, a presença de menores de idade
justifica a majoração da pena-base. Destaque-se que, na época dos fatos, inexistia previsão específica para aumento de pena
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
para essa situação (atual redação do art. 288, parágrafo único, do CP), razão pela qual não se aplica a participação de infante
como causa de aumento na 3ª fase da dosimetria. Desse modo, atentando-se para a peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento e, ainda, tendo em vista a ideologia propagada pelo grupo de Skinheads, fixa-se a pena base acima do
mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (1 ano),


aumentam-se 3 (três) meses de reclusão, totalizando sanção base de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[8]
por este magistrado .

Na segunda etapa, não há atenuantes ou agravantes.

Pena intermediária, portanto, de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na época do crime, havia previsão de que “A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é
armado” (art. 288, parágrafo único, do CP). Com a Lei nº 12.850/2013, alterou-se o dispositivo, que hoje dispõe que “A pena
aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente”.

Assim, em vista do art. 5º, XL, da CF, incide a lei atual, com imposição de metade.

Veja-se que a lei prevê “até a metade”, patamar máximo que aqui se justifica.

Embora a associação criminosa tenha por finalidade a prática de crimes, não se pode considerar
essa particularidade para aumentar a pena-base. Entretanto, sob o ponto de vista da Constituição da República, é indiscutível
que alguns delitos, por sua natureza - e não necessariamente em relação ao montante da sanção -, ostentam carga negativa
distinta. É o caso da prática de preconceito e racismo. Veja-se que a República tem por fundamentos, entre outros, a
dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o que está expresso, de logo, já no dispositivo que inaugura a
Constituição Federal (art. 1º, III e V, da CF). Antes disso, aliás, o preâmbulo, que constitui espécie de “carta de intenções”,
conquanto não tenha “força normativa”[9], tem por pressuposto que “a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (destacou-se). Em seguida, de forma até repetitiva, enumera que um dos
objetivos da mesma República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação” (destacou-se). Prossegue, reafirmando o que dissera, que, também nas relações
internacionais, adotará postura de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Ilustrativamente, prevê que a lei reprimirá, inclusive
sob a ótica penal, quaisquer formas de discriminação (art. 5º, XLII e XLI, da CF).

Esse arrazoado, em evidente tautologia, para além de destacar o que o próprio constituinte fez
questão de distinguir, realça que, embora tenha outras várias disposições de conteúdo penal, a Constituição, que por natureza
transforma em jurídicos valores políticos, teve especial preocupação em assegurar o convívio das diferenças. Não se impede a
adoção de pensamento contrário a determinada orientação, mas, de outro lado, não se tolera a imposição de opiniões e nem
tampouco a exclusão daquelas com as quais, por qualquer motivo, não se concorde, sobretudo se, para isso, houver o uso de
violência.

Assim, sopesadas essas variáveis, a majoração de 1/2 (um meio) mostra-se adequada.

Dessa forma, com o aumento mencionado, chega-se à pena definitiva de 1 (um) ano, 10 (dez)
meses e 15 (quinze) dias de reclusão.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

Na primeira fase, não há circunstância judicial negativa a considerar.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Ou as circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal não superam os limites do
próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Nessa linha, pena mínima, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

Na segunda fase, não existem agravantes ou atenuantes.

Na terceira etapa, não se vislumbram minorantes ou majorantes.

Pena definitiva, então, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

- Concurso de crimes, regime de cumprimento e substituição ou suspensão da pena privativa


de liberdade

Incide o concurso material, de acordo com o art. 69, caput, do Código Penal, somando-se as penas.

Então, pena total de 8 (oito) anos, 6 (seis) meses e 15 (quinze) dias de reclusão e 10 (dez)
dias-multa.

As circunstâncias judiciais desfavoráveis (art. 59, III, do Código Penal) e, ainda, o montante da pena
(art. 33, § 2º, “a”, do Código Penal) recomendam o regime inicial fechado.

Apesar da existência de prisão cadastrada nestes autos, a aplicação do art. 387, § 2º, do Código de
[10]
Processo Penal, que não encerra possibilidade de detração ou de progressão de regime na própria sentença (vide incidente
[11]
de inconstitucionalidade nº 1.064.153-1/01 - TJPR ), não interfere no regime ora fixado. É que o montante da pena, mesmo
se abatido o período de prisão provisória, não fica abaixo dos 8 (oito) anos (art. 33, § 2º, “a”, do Código Penal).

No mais, na medida em que o regime inicial não teve por base, apenas, a quantidade da pena, mas
também o art. 59, III, do Código Penal, se superado o argumento acima, não haveria, igualmente, como se invocar o art. 387, §
2º, do Código Processo Penal para revê-lo nesta sentença.

Não cabe substituição por restritiva de direitos (art. 44, I, do Código Penal) nem suspensão
condicional da pena (art. 77, caput, do Código Penal), porque a quantidade da sanção, por si só, impede a concessão do
benefício.

Fixa-se o valor do dia-multa, na ausência de comprovações quanto à renda do sentenciado, no


mínimo legal (1/30 do salário mínimo nacional vigente na época dos fatos).

• Réu Raul Astutte Filho

- Art. 129, §2º, inciso IV, do Código Penal (vítima Renan Lopes Lúcio)

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, a culpabilidade, as circunstâncias e as


consequências do crime.

Em relação à culpabilidade, aferida pelas particularidades do fato e do agente, verifica-se que o


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
delito foi praticado por pelo menos 6 (seis) pessoas, em concurso, com visível covardia, já que a vítima se encontrava sozinha.
Além disso, a compleição física do ofendido, como se pôde ver no vídeo da audiência realizada na fase do sumário da culpa,
ainda que não houvesse superioridade numérica, não faria frente à estrutura física do acusado, que, aliás, estava em grupo
armado. Isso facilita a execução e justifica a majoração da pena-base, conforme jurisprudência da 1ª Câmara Criminal do TJPR
e do Superior Tribunal de Justiça[12].

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


No que se refere às circunstâncias, o crime foi praticado à vista de outras pessoas, em via pública,
no centro da cidade, em local reconhecidamente movimentado, mesmo de madrugada. Esse fato que resta corroborado pelo
depoimento da vítima Renan no mov. 663.9, que relatou que havia diversas pessoas no local, citando inclusive o motorista de
ônibus, que acha que foi ele quem chamou o socorro (Siate). A presença de diversas pessoas, portanto, não inibiu a infração
penal, revelando maior destemor por parte do acusado. A jurisprudência, sobre o tema, é tranquila, reconhecendo que é
possível, nessas situações, aumentar a pena-base sob o fundamento das circunstâncias. Cita-se, a propósito, precedente com
os mesmos contornos: “A prática de homicídio em local com maior aglomeração de pessoas justifica a análise desfavorável das
circunstâncias do crime” (REsp 1493789/MA, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em
03/11/2015, DJe 19/11/2015).

No que se refere às consequências, os ferimentos causados pelas agressões e pelos golpes de faca
desferidos submeteram a vítima a internação hospitalar, o que lhe causou sofrimento acima da média. Essa conclusão
independe de estudo especializado ou congênere, demandando mero exercício de empatia e observação. Assim, diante das
graves consequências do delito, fixa-se a pena-base acima do mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (2 anos),


aumentam-se 9 (nove) meses de reclusão, totalizando sanção base de 4 (quatro) anos e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[13]
por este magistrado .

Na segunda etapa, incide a atenuante da menoridade relativa prevista no art. 65, inciso I, do Código
Penal, uma vez que o réu possuía à época dos fatos menos de 21 anos de idade.

Quanto às agravantes, incide a de motivo torpe (art. 61, II, “a”, do CP), vez que o réu agrediu a
vítima em razão de sua intolerância e preconceito, pois ele (réu) é integrante de grupo Skinheads. Destaca-se que a vítima
possuía a pele de cor escura.

Incide, ainda, a agravante de emprego de recurso que dificultou a defesa (art. 61, II, “c”, do CP),
pois, conforme narrou a vítima em audiência, foi pedir um isqueiro emprestado, momento em que foi atacado de inopino, sem
que pudesse esperar. Além disso, após desferirem socos e chutes na vítima, quando esta já estava caída ao chão,
desacordada, aplicaram golpes de faca.

Dessa forma, compensam-se a atenuante com a agravante do motivo torpe, persistindo, portanto, a
agravante do recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Agrava-se a pena, então, em 1/6 (um sexto), montante inúmeras vezes considerado adequado pela
[14]
jurisprudência , salvo excepcionalidade concreta, aqui não verificada, que justifique patamar diverso.

Pena intermediária, então, de 4 (quatro) anos, 11 (onze) meses e 15 (quinze) dias de reclusão.

Na terceira etapa, não se vislumbram minorantes ou majorantes.

Pena definitiva, então, de 4 (quatro) anos, 11 (onze) meses e 15 (quinze) dias de reclusão.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

Na primeira fase, destaca-se, negativamente, as circunstâncias.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Em relação às circunstâncias constata-se que entre os integrantes do grupo de Skinheads existiam
menores de idade, conforme depoimento da testemunha Joelma Maia de Andrade, de 16 (dezesseis) anos, que narrou que já
fez parte do grupo e que também tem conhecimento de outra adolescente integrante. Ademais, em seu interrogatório, o réu
André Lipnharski confirmou que namorava a menor Marina Forcadell, que também fazia parte do grupo. Dessa forma,
considerando a ideologia e que se reuniam com a intenção de praticar determinados crimes, a presença de menores de idade
justifica a majoração da pena-base. Destaque-se que, na época dos fatos, inexistia previsão específica para aumento de pena
para essa situação (atual redação do art. 288, parágrafo único, do CP), razão pela qual não se aplica a participação de infante
como causa de aumento na 3ª fase da dosimetria. Desse modo, atentando-se para a peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento e, ainda, tendo em vista a ideologia propagada pelo grupo de Skinheads, fixa-se a pena base acima do
mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (1 ano),


aumentam-se 3 (três) meses de reclusão, totalizando sanção base de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[15]
por este magistrado .

Na segunda etapa, incide a atenuante da menoridade relativa prevista no art. 65, inciso I, do Código
Penal, uma vez que o réu possuía à época dos fatos menos de 21 anos de idade.

Atenua-se a pena, então, em 1/6 (um sexto), montante inúmeras vezes considerado adequado pela
jurisprudência, salvo excepcionalidade concreta, aqui não verificada, que justifique patamar diverso.

Pena intermediária, portanto, de 1 (um) ano e 15 (quinze) dias de reclusão.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na época do crime, havia previsão de que “A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é
armado” (art. 288, parágrafo único, do CP). Com a Lei nº 12.850/2013, alterou-se o dispositivo, que hoje dispõe que “A pena
aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente”.

Assim, em vista do art. 5º, XL, da CF, incide a lei atual, com imposição de metade.

Veja-se que a lei prevê “até a metade”, patamar máximo que aqui se justifica.

Embora a associação criminosa tenha por finalidade a prática de crimes, não se pode considerar
essa particularidade para aumentar a pena-base. Entretanto, sob o ponto de vista da Constituição da República, é indiscutível
que alguns delitos, por sua natureza - e não necessariamente em relação ao montante da sanção -, ostentam carga negativa
distinta. É o caso da prática de preconceito e racismo. Veja-se que a República tem por fundamentos, entre outros, a
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o que está expresso, de logo, já no dispositivo que inaugura a
Constituição Federal (art. 1º, III e V, da CF). Antes disso, aliás, o preâmbulo, que constitui espécie de “carta de intenções”,
conquanto não tenha “força normativa”[16], tem por pressuposto que “a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (destacou-se). Em seguida, de forma até repetitiva, enumera que um dos
objetivos da mesma República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação” (destacou-se). Prossegue, reafirmando o que dissera, que, também nas relações

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


internacionais, adotará postura de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Ilustrativamente, prevê que a lei reprimirá, inclusive
sob a ótica penal, quaisquer formas de discriminação (art. 5º, XLII e XLI, da CF).

Esse arrazoado, em evidente tautologia, para além de destacar o que o próprio constituinte fez
questão de distinguir, realça que, embora tenha outras várias disposições de conteúdo penal, a Constituição, que por natureza
transforma em jurídicos valores políticos, teve especial preocupação em assegurar o convívio das diferenças. Não se impede a
adoção de pensamento contrário a determinada orientação, mas, de outro lado, não se tolera a imposição de opiniões e nem
tampouco a exclusão daquelas com as quais, por qualquer motivo, não se concorde, sobretudo se, para isso, houver o uso de
violência.

Assim, sopesadas essas variáveis, a majoração de 1/2 (um meio) mostra-se adequada.

Dessa forma, com o aumento mencionado, chega-se à pena definitiva de 1 (um) ano, 6 (seis)
meses e 22 (vinte e dois) dias de reclusão.

- Concurso de crimes, regime de cumprimento e substituição ou suspensão da pena privativa


de liberdade

Incide o concurso material, de acordo com o art. 69, caput, do Código Penal, somando-se as penas.

Então, pena total de 6 (seis) anos, 6 (seis) meses e 7 (sete) dias de reclusão.

Embora o montante da pena não recomende (art. 33, § 2º, “b”, do Código Penal), considerando as
circunstâncias judiciais desfavoráveis (art. 59, III, do Código Penal), fixa-se o regime inicial fechado.

Apesar da existência de prisão cadastrada nestes autos, a aplicação do art. 387, § 2º, do Código de
[17]
Processo Penal, que não encerra possibilidade de detração ou de progressão de regime na própria sentença (vide incidente
[18]
de inconstitucionalidade nº 1.064.153-1/01 - TJPR ), não interfere no regime ora fixado. É que o montante da pena, mesmo
se abatido o período de prisão provisória, não fica abaixo dos 8 (oito) anos (art. 33, § 2º, “a”, do Código Penal).

No mais, na medida em que o regime inicial não teve por base, apenas, a quantidade da pena, mas
também o art. 59, III, do Código Penal, se superado o argumento acima, não haveria, igualmente, como se invocar o art. 387, §
2º, do Código Processo Penal para revê-lo nesta sentença.

Não cabe substituição por restritiva de direitos (art. 44, I, do Código Penal) nem suspensão
condicional da pena (art. 77, caput, do Código Penal), porque a quantidade da sanção, por si só, impede a concessão do
benefício.

• Réu Bruno Paese Fadel

Na primeira fase, destaca-se, negativamente, a culpabilidade, as circunstâncias.

Em relação às circunstâncias constata-se que entre os integrantes do grupo de Skinheads existiam


menores de idade, conforme depoimento da testemunha Joelma Maia de Andrade, de 16 (dezesseis) anos, que narrou que já
fez parte do grupo e que também tem conhecimento de outra adolescente integrante. Ademais, em seu interrogatório, o réu
André Lipnharski confirmou que namorava a menor Marina Forcadell, que também fazia parte do grupo. Dessa forma,
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
considerando a ideologia e que se reuniam com a intenção de praticar determinados crimes, a presença de menores de idade
justifica a majoração da pena-base. Destaque-se que, na época dos fatos, inexistia previsão específica para aumento de pena
para essa situação (atual redação do art. 288, parágrafo único, do CP), razão pela qual não se aplica a participação de infante
como causa de aumento na 3ª fase da dosimetria. Desse modo, atentando-se para a peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento e, ainda, tendo em vista a ideologia propagada pelo grupo de Skinheads, fixa-se a pena base acima do
mínimo legal.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (1 ano),


aumentam-se 3 (três) meses de reclusão, totalizando sanção base de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[19]
por este magistrado .

Na segunda etapa, incide a atenuante da menoridade relativa prevista no art. 65, inciso I, do Código
Penal, uma vez que o réu possuía à época dos fatos menos de 21 anos de idade.

Atenua-se a pena, então, em 1/6 (um sexto), montante inúmeras vezes considerado adequado pela
jurisprudência, salvo excepcionalidade concreta, aqui não verificada, que justifique patamar diverso.

Pena intermediária, portanto, de 1 (um) ano e 15 (quinze) dias de reclusão.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na época do crime, havia previsão de que “A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é
armado” (art. 288, parágrafo único, do CP). Com a Lei nº 12.850/2013, alterou-se o dispositivo, que hoje dispõe que “A pena
aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente”.

Assim, em vista do art. 5º, XL, da CF, incide a lei atual, com imposição de metade.

Veja-se que a lei prevê “até a metade”, patamar máximo que aqui se justifica.

Embora a associação criminosa tenha por finalidade a prática de crimes, não se pode considerar
essa particularidade para aumentar a pena-base. Entretanto, sob o ponto de vista da Constituição da República, é indiscutível
que alguns delitos, por sua natureza - e não necessariamente em relação ao montante da sanção -, ostentam carga negativa
distinta. É o caso da prática de preconceito e racismo. Veja-se que a República tem por fundamentos, entre outros, a
dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o que está expresso, de logo, já no dispositivo que inaugura a
Constituição Federal (art. 1º, III e V, da CF). Antes disso, aliás, o preâmbulo, que constitui espécie de “carta de intenções”,
conquanto não tenha “força normativa”[20], tem por pressuposto que “a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (destacou-se). Em seguida, de forma até repetitiva, enumera que um dos
objetivos da mesma República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação” (destacou-se). Prossegue, reafirmando o que dissera, que, também nas relações
internacionais, adotará postura de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Ilustrativamente, prevê que a lei reprimirá, inclusive
sob a ótica penal, quaisquer formas de discriminação (art. 5º, XLII e XLI, da CF).

Esse arrazoado, em evidente tautologia, para além de destacar o que o próprio constituinte fez
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
questão de distinguir, realça que, embora tenha outras várias disposições de conteúdo penal, a Constituição, que por natureza
transforma em jurídicos valores políticos, teve especial preocupação em assegurar o convívio das diferenças. Não se impede a
adoção de pensamento contrário a determinada orientação, mas, de outro lado, não se tolera a imposição de opiniões e nem
tampouco a exclusão daquelas com as quais, por qualquer motivo, não se concorde, sobretudo se, para isso, houver o uso de
violência.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Assim, sopesadas essas variáveis, a majoração de 1/2 (um meio) mostra-se adequada.

Dessa forma, com o aumento mencionado, chega-se à pena definitiva de 1 (um) ano, 6 (seis)
meses e 22 (vinte e dois) dias de reclusão.

Em vista, sobretudo, da quantidade da pena (art. 33, §2º, “c”, do Código Penal), impõe-se o regime
inicial aberto.

Não cabe, porém, substituição por restritiva de direitos, em virtude das circunstâncias judiciais
desfavoráveis (art. 44, III, do Código Penal), nem, pelo mesmo motivo (art. 77, II, do Código Penal), suspensão condicional da
pena.

• Réu Drahomiro Michel Romanowski Carvalho

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, as circunstâncias.

Em relação às circunstâncias constata-se que entre os integrantes do grupo de Skinheads existiam


menores de idade, conforme depoimento da testemunha Joelma Maia de Andrade, de 16 (dezesseis) anos, que narrou que já
fez parte do grupo e que também tem conhecimento de outra adolescente integrante. Ademais, em seu interrogatório, o réu
André Lipnharski confirmou que namorava a menor Marina Forcadell, que também fazia parte do grupo. Dessa forma,
considerando a ideologia e que se reuniam com a intenção de praticar determinados crimes, a presença de menores de idade
justifica a majoração da pena-base. Destaque-se que, na época dos fatos, inexistia previsão específica para aumento de pena
para essa situação (atual redação do art. 288, parágrafo único, do CP), razão pela qual não se aplica a participação de infante
como causa de aumento na 3ª fase da dosimetria. Desse modo, atentando-se para a peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento e, ainda, tendo em vista a ideologia propagada pelo grupo de Skinheads, fixa-se a pena base acima do
mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (1 ano),


aumentam-se 3 (três) meses de reclusão, totalizando sanção base de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[21]
por este magistrado .

Na segunda etapa, não há atenuantes ou agravantes.

Pena intermediária, portanto, de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na época do crime, havia previsão de que “A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é
armado” (art. 288, parágrafo único, do CP). Com a Lei nº 12.850/2013, alterou-se o dispositivo, que hoje dispõe que “A pena
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente”.

Assim, em vista do art. 5º, XL, da CF, incide a lei atual, com imposição de metade.

Veja-se que a lei prevê “até a metade”, patamar máximo que aqui se justifica.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Embora a associação criminosa tenha por finalidade a prática de crimes, não se pode considerar
essa particularidade para aumentar a pena-base. Entretanto, sob o ponto de vista da Constituição da República, é indiscutível
que alguns delitos, por sua natureza - e não necessariamente em relação ao montante da sanção -, ostentam carga negativa
distinta. É o caso da prática de preconceito e racismo. Veja-se que a República tem por fundamentos, entre outros, a
dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o que está expresso, de logo, já no dispositivo que inaugura a
Constituição Federal (art. 1º, III e V, da CF). Antes disso, aliás, o preâmbulo, que constitui espécie de “carta de intenções”,
conquanto não tenha “força normativa”[22], tem por pressuposto que “a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (destacou-se). Em seguida, de forma até repetitiva, enumera que um dos
objetivos da mesma República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação” (destacou-se). Prossegue, reafirmando o que dissera, que, também nas relações
internacionais, adotará postura de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Ilustrativamente, prevê que a lei reprimirá, inclusive
sob a ótica penal, quaisquer formas de discriminação (art. 5º, XLII e XLI, da CF).

Esse arrazoado, em evidente tautologia, para além de destacar o que o próprio constituinte fez
questão de distinguir, realça que, embora tenha outras várias disposições de conteúdo penal, a Constituição, que por natureza
transforma em jurídicos valores políticos, teve especial preocupação em assegurar o convívio das diferenças. Não se impede a
adoção de pensamento contrário a determinada orientação, mas, de outro lado, não se tolera a imposição de opiniões e nem
tampouco a exclusão daquelas com as quais, por qualquer motivo, não se concorde, sobretudo se, para isso, houver o uso de
violência.

Assim, sopesadas essas variáveis, a majoração de 1/2 (um meio) mostra-se adequada.

Dessa forma, com o aumento mencionado, chega-se à pena definitiva de 1 (um) ano, 10 (dez)
meses e 15 (quinze) dias de reclusão.

- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

Na primeira fase, não há circunstância judicial negativa a considerar.

Ou as circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal não superam os limites do
próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Nessa linha, pena mínima, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

Na segunda fase, não existem agravantes ou atenuantes.

Na terceira etapa, não se vislumbram minorantes ou majorantes.

Pena definitiva, então, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

- Concurso de crimes, regime inicial de cumprimento, substituição e suspensão da pena


privativa de liberdade

Incide o concurso material, de acordo com o art. 69, caput, do Código Penal, somando-se as penas.

Então, pena total de 2 (dois) anos, 10 (dez) meses e 15 (quinze) dias de reclusão e 10 (dez)
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
dias-multa.

Em vista, sobretudo, da quantidade da pena (art. 33, §2º, “c”, do Código Penal), impõe-se o regime
inicial aberto.

Não cabe, porém, substituição por restritiva de direitos, em virtude das circunstâncias judiciais

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


desfavoráveis (art. 44, III, do Código Penal), nem, pelo mesmo motivo (art. 77, II, do Código Penal), suspensão condicional da
pena.

Fixa-se o valor do dia-multa, na ausência de comprovações quanto à renda do sentenciado, no


mínimo legal (1/30 do salário mínimo nacional vigente na época dos fatos).

• Ré Estela Herman Heise

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, as circunstâncias.

Em relação às circunstâncias constata-se que entre os integrantes do grupo de Skinheads existiam


menores de idade, conforme depoimento da testemunha Joelma Maia de Andrade, de 16 (dezesseis) anos, que narrou que já
fez parte do grupo e que também tem conhecimento de outra adolescente integrante. Ademais, em seu interrogatório, o réu
André Lipnharski confirmou que namorava a menor Marina Forcadell, que também fazia parte do grupo. Dessa forma,
considerando a ideologia e que se reuniam com a intenção de praticar determinados crimes, a presença de menores de idade
justifica a majoração da pena-base. Destaque-se que, na época dos fatos, inexistia previsão específica para aumento de pena
para essa situação (atual redação do art. 288, parágrafo único, do CP), razão pela qual não se aplica a participação de infante
como causa de aumento na 3ª fase da dosimetria. Desse modo, atentando-se para a peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento e, ainda, tendo em vista a ideologia propagada pelo grupo de Skinheads, fixa-se a pena base acima do
mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites
do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (1 ano),


aumentam-se 3 (três) meses de reclusão, totalizando sanção base de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[23]
por este magistrado .

Na segunda etapa, incide a atenuante da menoridade relativa prevista no art. 65, inciso I, do Código
Penal, uma vez que o réu possuía à época dos fatos menos de 21 anos de idade.

Atenua-se a pena, então, em 1/6 (um sexto), montante inúmeras vezes considerado adequado pela
jurisprudência, salvo excepcionalidade concreta, aqui não verificada, que justifique patamar diverso.

Pena intermediária, portanto, de 1 (um) ano e 15 (quinze) dias de reclusão.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na época do crime, havia previsão de que “A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é
armado” (art. 288, parágrafo único, do CP). Com a Lei nº 12.850/2013, alterou-se o dispositivo, que hoje dispõe que “A pena
aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente”.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Assim, em vista do art. 5º, XL, da CF, incide a lei atual, com imposição de metade.

Veja-se que a lei prevê “até a metade”, patamar máximo que aqui se justifica.

Embora a associação criminosa tenha por finalidade a prática de crimes, não se pode considerar
essa particularidade para aumentar a pena-base. Entretanto, sob o ponto de vista da Constituição da República, é indiscutível
que alguns delitos, por sua natureza - e não necessariamente em relação ao montante da sanção -, ostentam carga negativa
distinta. É o caso da prática de preconceito e racismo. Veja-se que a República tem por fundamentos, entre outros, a
dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o que está expresso, de logo, já no dispositivo que inaugura a
Constituição Federal (art. 1º, III e V, da CF). Antes disso, aliás, o preâmbulo, que constitui espécie de “carta de intenções”,
conquanto não tenha “força normativa”[24], tem por pressuposto que “a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (destacou-se). Em seguida, de forma até repetitiva, enumera que um dos
objetivos da mesma República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação” (destacou-se). Prossegue, reafirmando o que dissera, que, também nas relações
internacionais, adotará postura de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Ilustrativamente, prevê que a lei reprimirá, inclusive
sob a ótica penal, quaisquer formas de discriminação (art. 5º, XLII e XLI, da CF).

Esse arrazoado, em evidente tautologia, para além de destacar o que o próprio constituinte fez
questão de distinguir, realça que, embora tenha outras várias disposições de conteúdo penal, a Constituição, que por natureza
transforma em jurídicos valores políticos, teve especial preocupação em assegurar o convívio das diferenças. Não se impede a
adoção de pensamento contrário a determinada orientação, mas, de outro lado, não se tolera a imposição de opiniões e nem
tampouco a exclusão daquelas com as quais, por qualquer motivo, não se concorde, sobretudo se, para isso, houver o uso de
violência.

Assim, sopesadas essas variáveis, a majoração de 1/2 (um meio) mostra-se adequada.

Dessa forma, com o aumento mencionado, chega-se à pena definitiva de 1 (um) ano, 6 (seis)
meses e 22 (vinte e dois) dias de reclusão.

Em vista, sobretudo, da quantidade da pena (art. 33, §2º, “c”, do Código Penal), impõe-se o regime
inicial aberto.

Não cabe, porém, substituição por restritiva de direitos, em virtude das circunstâncias judiciais
desfavoráveis (art. 44, III, do Código Penal), nem, pelo mesmo motivo (art. 77, II, do Código Penal), suspensão condicional da
pena.

• Ré Fernanda Kely Sens

- Art. 288, parágrafo único, do Código Penal

Na primeira fase, destacam-se, negativamente, as circunstâncias.

Em relação às circunstâncias constata-se que entre os integrantes do grupo de Skinheads existiam


menores de idade, conforme depoimento da testemunha Joelma Maia de Andrade, de 16 (dezesseis) anos, que narrou que já
fez parte do grupo e que também tem conhecimento de outra adolescente integrante. Ademais, em seu interrogatório, o réu
André Lipnharski confirmou que namorava a menor Marina Forcadell, que também fazia parte do grupo. Dessa forma,
considerando a ideologia e que se reuniam com a intenção de praticar determinados crimes, a presença de menores de idade
justifica a majoração da pena-base. Destaque-se que, na época dos fatos, inexistia previsão específica para aumento de pena
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
para essa situação (atual redação do art. 288, parágrafo único, do CP), razão pela qual não se aplica a participação de infante
como causa de aumento na 3ª fase da dosimetria. Desse modo, atentando-se para a peculiar condição de pessoa em
desenvolvimento e, ainda, tendo em vista a ideologia propagada pelo grupo de Skinheads, fixa-se a pena base acima do
mínimo legal.

As demais circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal ou não superam os limites

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


do próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Para cada circunstância desfavorável e partindo-se do mínimo abstratamente previsto (1 ano),


aumentam-se 3 (três) meses de reclusão, totalizando sanção base de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Esclarece-se que referido montante é extraído de simples cálculo matemático. Dividiu-se o intervalo
entre a pena mínima e a máxima pelo número de circunstâncias judiciais indicadas no art. 59, caput, do Código Penal (8
circunstâncias) – sistemática inúmeras vezes endossada pelo Tribunal de Justiça, inclusive ao examinar sentenças proferidas
[25]
por este magistrado .

Na segunda etapa, não há atenuantes ou agravantes.

Pena intermediária, portanto, de 1 (um) ano e 3 (três) meses de reclusão.

Na terceira etapa, não se visualizam minorantes.

Incide a majorante do parágrafo único do art. 288 do Código Penal.

Na época do crime, havia previsão de que “A pena aplica-se em dobro, se a quadrilha ou bando é
armado” (art. 288, parágrafo único, do CP). Com a Lei nº 12.850/2013, alterou-se o dispositivo, que hoje dispõe que “A pena
aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente”.

Assim, em vista do art. 5º, XL, da CF, incide a lei atual, com imposição de metade.

Veja-se que a lei prevê “até a metade”, patamar máximo que aqui se justifica.

Embora a associação criminosa tenha por finalidade a prática de crimes, não se pode considerar
essa particularidade para aumentar a pena-base. Entretanto, sob o ponto de vista da Constituição da República, é indiscutível
que alguns delitos, por sua natureza - e não necessariamente em relação ao montante da sanção -, ostentam carga negativa
distinta. É o caso da prática de preconceito e racismo. Veja-se que a República tem por fundamentos, entre outros, a
dignidade da pessoa humana e o pluralismo político, o que está expresso, de logo, já no dispositivo que inaugura a
Constituição Federal (art. 1º, III e V, da CF). Antes disso, aliás, o preâmbulo, que constitui espécie de “carta de intenções”,
conquanto não tenha “força normativa”[26], tem por pressuposto que “a igualdade e a justiça como valores supremos de uma
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos” (destacou-se). Em seguida, de forma até repetitiva, enumera que um dos
objetivos da mesma República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação” (destacou-se). Prossegue, reafirmando o que dissera, que, também nas relações
internacionais, adotará postura de “repúdio ao terrorismo e ao racismo”. Ilustrativamente, prevê que a lei reprimirá, inclusive
sob a ótica penal, quaisquer formas de discriminação (art. 5º, XLII e XLI, da CF).

Esse arrazoado, em evidente tautologia, para além de destacar o que o próprio constituinte fez
questão de distinguir, realça que, embora tenha outras várias disposições de conteúdo penal, a Constituição, que por natureza
transforma em jurídicos valores políticos, teve especial preocupação em assegurar o convívio das diferenças. Não se impede a
adoção de pensamento contrário a determinada orientação, mas, de outro lado, não se tolera a imposição de opiniões e nem
tampouco a exclusão daquelas com as quais, por qualquer motivo, não se concorde, sobretudo se, para isso, houver o uso de
violência.

Assim, sopesadas essas variáveis, a majoração de 1/2 (um meio) mostra-se adequada.

Dessa forma, com o aumento mencionado, chega-se à pena definitiva de 1 (um) ano, 10 (dez)
meses e 15 (quinze) dias de reclusão.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
- Art. 20, caput, da Lei nº 7.716/89

Na primeira fase, não há circunstância judicial negativa a considerar.

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Ou as circunstâncias enumeradas no art. 59, caput, do Código Penal não superam os limites do
próprio tipo penal ou não gozam de dados concretos, no processo, para avaliação.

Nessa linha, pena mínima, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

Na segunda fase, não existem agravantes ou atenuantes.

Na terceira etapa, não se vislumbram minorantes ou majorantes.

Pena definitiva, então, de 1 (um) ano de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

- Concurso de crimes, regime inicial de cumprimento, substituição e suspensão da pena


privativa de liberdade

Incide o concurso material, de acordo com o art. 69, caput, do Código Penal, somando-se as penas.

Então, pena total de 2 (dois) anos, 10 (dez) meses e 15 (quinze) dias de reclusão e 10 (dez)
dias-multa.

Em vista, sobretudo, da quantidade da pena (art. 33, §2º, “c”, do Código Penal), impõe-se o regime
inicial aberto.

Não cabe, porém, substituição por restritiva de direitos, em virtude das circunstâncias judiciais
desfavoráveis (art. 44, III, do Código Penal), nem, pelo mesmo motivo (art. 77, II, do Código Penal), suspensão condicional da
pena.

Fixa-se o valor do dia-multa, na ausência de comprovações quanto à renda do sentenciado, no


mínimo legal (1/30 do salário mínimo nacional vigente na época dos fatos).

5. Direito de recorrer em liberdade

Na medida em que não há, atualmente, fundamento para um decreto preventivo, deixa-se de assim
proceder.

Dessa forma, concede-se o direito de recorrer em liberdade.

6. Disposições finais

Deixa-se de fixar indenização mínima (art. 387, IV, do CPP), ainda que por dano moral[27]
presumível, porque inexistente pedido expresso do Ministério Público na denúncia, dos familiares do ofendido ou da assistência
de acusação[28].

Ainda: a) lance-se o nome do réu no rol dos culpados; b) cobrem-se as custas (art. 804 do CPP); c)
comunique-se à Justiça Eleitoral (art. 15, III, da CF); d) expeça-se guia de recolhimento.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Não pagas as custas, comunique-se ao Funjus.

7. Apreensões

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


Vinculem-se eventuais apreensões aos autos desmembrados com relação à ré Edwiges Francis
Barroso.

8. Recebimento de recurso

Recebem-se os recursos interpostos pelos réus no mov. 835.8.

Recebe-se, ainda, o recurso interposto pelo Ministério Público no mov. 842.1.

Intimem-se para que apresentem as razões.

Colhidas as razões, intimem-se para que ofereçam contrarrazões.

Por oportuno, se houver pedido de apresentação de razões em 2ª instância, proceda-se conforme


requerido, ressalvando-se posicionamento pessoal deste juiz no sentido de que o art. 600, § 4º, do CPP não foi recepcionado
pela CF.

Em seguida, ao Tribunal de Justiça.

Publique-se.

Registre-se.

Intime-se.

Cumpra-se, no mais e no que couber, o Código de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça.

Curitiba/PR, plenário do Tribunal do Júri, 01 e 02 de agosto de 2019.

Thiago Flôres Carvalho

Juiz de Direito Substituto – Presidente


PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
[1] No caso, o acórdão recorrido se firmou em fundamentos suficientes e idôneos para exasperar a
pena-base, salientando que o delito foi perpetrado em concurso de pessoas, o que extrapola o fato típico e as circunstâncias
normais à espécie (AgRg no AgRg no AgRg no AREsp 854.538/RS, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 27/06/2017, DJe 01/08/2017).

[2] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[3] O ordenamento jurídico não estabelece um critério matemático para a alteração da pena, na
segunda fase da dosimetria, tampouco as circunstâncias agravantes ou atenuantes denotam qualquer baliza objetiva nesse
sentido. Apenas previu o legislador que a incidência daquelas hipóteses sempre alteraria a reprimenda, agravando-a ou
atenuando-a. A fração de 1/6 tem sido a usualmente adotada pela jurisprudência desta Corte, ressalvada fundamentação
concreta que justifique outro patamar. Precedentes.

[4] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[5] (ADI 2076, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 15/08/2002, DJ
08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218)

[6] No caso, o acórdão recorrido se firmou em fundamentos suficientes e idôneos para exasperar a
pena-base, salientando que o delito foi perpetrado em concurso de pessoas, o que extrapola o fato típico e as circunstâncias
normais à espécie (AgRg no AgRg no AgRg no AREsp 854.538/RS, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 27/06/2017, DJe 01/08/2017).

[7] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[8] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[9] (ADI 2076, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 15/08/2002, DJ
08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218)

[10] Este magistrado, durante tempos, aplicou referido dispositivo como espécie de progressão de
regime na própria sentença. Ainda, por motivos que não cabem levantar nesta oportunidade, entende dessa maneira. No
entanto, sem prejuízo do registro da ressalva pessoal que ora se faz, curva-se ao julgamento do incidente de declaração de
inconstitucionalidade citado.

[11] INCIDENTE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGADA


INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 12736/2012, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 387 DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL, ESTABELECENDO, EM SEU § 2º, QUE "O TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA, DE PRISÃO
ADMINISTRATIVA OU DE INTERNAÇÃO, NO BRASIL OU NO ESTRANGEIRO, SERÁ COMPUTADO PARA FINS DE
DETERMINAÇÃO DO REGIME INICIAL DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE". INSTITUTO QUE NÃO SE CONFUNDE
COM A DETRAÇÃO, DISCIPLINADA NO ARTIGO 42 DO CÓDIGO PENAL, TAMPOUCO COM A PROGRESSÃO DE
REGIME, AMBAS DE ANÁLISE AFETA AO JUÍZO DA EXECUÇÃO PENAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS
DA ISONOMIA, JUIZ NATURAL E INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. PRECEDENTES. IMPROCEDÊNCIA DO INCIDENTE.
(TJPR – OE – Rel. Des. Maria José Teixeira – julgado em 18 de agosto de 2014).

[12] No caso, o acórdão recorrido se firmou em fundamentos suficientes e idôneos para exasperar a
pena-base, salientando que o delito foi perpetrado em concurso de pessoas, o que extrapola o fato típico e as circunstâncias
normais à espécie (AgRg no AgRg no AgRg no AREsp 854.538/RS, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 27/06/2017, DJe 01/08/2017).
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
[13] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -
0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[14] O ordenamento jurídico não estabelece um critério matemático para a alteração da pena, na

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


segunda fase da dosimetria, tampouco as circunstâncias agravantes ou atenuantes denotam qualquer baliza objetiva nesse
sentido. Apenas previu o legislador que a incidência daquelas hipóteses sempre alteraria a reprimenda, agravando-a ou
atenuando-a. A fração de 1/6 tem sido a usualmente adotada pela jurisprudência desta Corte, ressalvada fundamentação
concreta que justifique outro patamar. Precedentes.

[15] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[16] (ADI 2076, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 15/08/2002, DJ
08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218)

[17] Este magistrado, durante tempos, aplicou referido dispositivo como espécie de progressão de
regime na própria sentença. Ainda, por motivos que não cabem levantar nesta oportunidade, entende dessa maneira. No
entanto, sem prejuízo do registro da ressalva pessoal que ora se faz, curva-se ao julgamento do incidente de declaração de
inconstitucionalidade citado.

[18] INCIDENTE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGADA


INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 12736/2012, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 387 DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL, ESTABELECENDO, EM SEU § 2º, QUE "O TEMPO DE PRISÃO PROVISÓRIA, DE PRISÃO
ADMINISTRATIVA OU DE INTERNAÇÃO, NO BRASIL OU NO ESTRANGEIRO, SERÁ COMPUTADO PARA FINS DE
DETERMINAÇÃO DO REGIME INICIAL DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE". INSTITUTO QUE NÃO SE CONFUNDE
COM A DETRAÇÃO, DISCIPLINADA NO ARTIGO 42 DO CÓDIGO PENAL, TAMPOUCO COM A PROGRESSÃO DE
REGIME, AMBAS DE ANÁLISE AFETA AO JUÍZO DA EXECUÇÃO PENAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS
DA ISONOMIA, JUIZ NATURAL E INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. PRECEDENTES. IMPROCEDÊNCIA DO INCIDENTE.
(TJPR – OE – Rel. Des. Maria José Teixeira – julgado em 18 de agosto de 2014).

[19] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[20] (ADI 2076, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 15/08/2002, DJ
08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218)

[21] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[22] (ADI 2076, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 15/08/2002, DJ
08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218)

[23] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.

[24] (ADI 2076, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 15/08/2002, DJ
08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218)

[25] Vide, exemplificativamente, o acórdão proferido no seguinte caso: TJPR - 1ª C.Criminal -


0011782-03.2012.8.16.0021 - Curitiba - Rel.: Juiz Subst. 2ºGrau Naor Ribeiro de Macedo Neto - Rel.Desig. p/ o Acórdão:
Antonio Loyola Vieira - J. 27.02.2019.
PROJUDI - Processo: 0007414-38.2013.8.16.0013 - Ref. mov. 858.1 - Assinado digitalmente por Thiago Flores Carvalho:10950
17/04/2020: PROFERIDA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
[26] (ADI 2076, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 15/08/2002, DJ
08-08-2003 PP-00086 EMENT VOL-02118-01 PP-00218)

[27] (...) Considerando que a norma não limitou e nem regulamentou como será quantificado o valor
mínimo para a indenização e considerando que a legislação penal sempre priorizou o ressarcimento da vítima em relação aos
prejuízos sofridos, o juiz que se sentir apto, diante de um caso concreto, a quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJ8KP UJTC4 GVHAL NFWZK


moral sofrido pela vítima, não poderá ser impedido de fazê-lo. (STJ – REsp 1.756.178-AC Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS
JÚNIOR. DJe 26/10/2018.

[28] [...] a jurisprudência desta Corte é assente no sentido de ser possível a fixação de valor mínimo,
inclusive para indenizar os danos morais sofridos pela vítima, com base no art. 387, IV do CPP, desde que haja pedido
expresso na denúncia. (...) (REsp 1.800.465/SC, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 22/03/2019, DJe
25/03/2019).