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Parte I.

Introdução

1.As comunidades europeias


1.1. Antecedentes

Ideia da unificação política da Europa (sécs. XIV a XVIII). Muito utópicas.


Experiências históricas relevantes: (1) República Cristã da Idade Média. Natureza super
estatal do Papado. Supremacia da Igreja. (2) Santa Aliança. Coordenação dos países
associados. Posteriormente Concerto Europeu. Não constituiu uma verdade federação ou
confederação europeia e sim, um equilíbrio de potências que compunham a Tetrarquia e a
Pentarquia.
Decurso do séc. XIX → começo das formulações (Victor Hugo, Saint-Simon).
Séc XX → Manifesto Pan-Europeu (1924) do conde Coudenhove-Kalergi. Memorando sobre
a organização de um regime de união federal europeia (1929 - Aristides Briand).
Assembleia das Sociedades das Nações (S.D.N.). Princípio de uma união moral europeia,
em que o federalismo não afetaria os direitos soberanos dos Estados-membros. Muito
impreciso, foco na questão política. Não chegou a vingar.
Após 2ª guerra mundial. Reconstrução das áreas e economia. Movimento de solidariedade
para reconquistar a grandeza, influência e poder econômico à escala universal. Textos
importantes: Declaração das Resistências Europeias (1944), ​discurso de Churchill (1946) e
a Mensagem aos Europeus lida no fim do Congresso Europeu de Haia (1948). O contexto
histórico pós-guerra explica, pelo menos em parte, a razão por que a primeira das
organizações europeias foi concebida numa base de cooperação intergovernamental e não
sob a forma de uma comunidade integrada e ainda menos de uma federação.
União Ocidental → Tratado de Bruxelas (março/1948). Bélgica, França, Luxemburgo,
Países-Baixos e Reino Unido. Aliança militar, cujo tratado de colaboração econômica, social
e cultural e de defesa coletiva. Por força da Bélgica e da França criam um Conselho da
Europa.
Organização Europeia de Cooperação Econômica - OECE (abril/1948) → agrupamento dos
16 signatários da Convenção de Paris para aplicação do Plano Marshall.
Congresso Europeu → inicia os seus trabalhos em maio/1948 em Haia sob a presidência de
Churchill. No seio do Congresso verifica-se, contudo, uma clivagem entre os partidários da
federação europeia e os defensores de uma simples cooperação intergovernamental,
clivagem essa protagonizada respetivamente por franceses e ingleses. O Congresso adota
várias resoluções no sentido da criação de uma união política e econômica, na qual os
Estados devem aceitar pôr em comum alguns dos seus direitos soberanos,apelando à
convocação de uma assembleia europeia para que haja a elaboração da Carta dos Direitos
do Homem fiscalizada por um Tribunal Europeu de Direitos do Homem.

1.2. Evolução histórica


Declaração de Schuman (1950). Proposta do que vem a ser criado como Tratado da
C.E.C.A. em 1951, assinado pelos 6 países originários (França, Alemanha, Bélgica, Itália,
Luxemburgo e Países Baixos). A Comunidade Europeia do Carvão e do Aço uma
organização conjunta da produção franco-alemã de carvão e aço sob uma alta autoridade
comum aberta à participação dos demais países, cuja decisões sejam em prol da união e
preservação da paz. Entrada em vigor em 25/07/1952.
Tentativas frustradas da época: (1)Comunidade Europeia de Defesa - CED (maio/1952).
Previa a criação de um verdadeiro exército europeu. Rejeitado pela Assembleia Nacional
francesa. (2) Comunidade Política Europeia - CPE (março/1953).
Relançamento europeu → criação de um comitê intergovernamental de peritos, presididos
por Spaak, encarregado de estudar a possibilidade de criar um mercado comum geral.
Gerou o Relatório de Bruxelas, aceito pelos Ministros em maio/1956 como uma base para
negociações para celebrar um tratado que estabeleça um Mercado Comum, bem como um
tratado que crie uma organização europeia para a energia atômica. Negociações
culminaram nos tratados constitutivos da Comunidade Econômica Europeia - CEE e da
Comunidade Europeia de Energia Atômica - CEEA que entraram em vigor em 01/01/1958.
Além disso, foi assinado no mesmo dia (25/03/1957) a Convenção relativa a certas
Instituições comuns às Comunidades Europeias que estabeleceu como instituições comuns
a estas duas Comunidades e à Comunidade anterior, a Assembleia, o Tribunal de Justiça e
o Comitê Econômico e Social.
Tratado de Fusão das Instituições comunitárias assinado em 8/4/1965. Instituiu um
Conselho e Comissão únicos.

1.3. Alargamentos (total = 7)


Transição de 6 para 28 membros.
1 → Adesão/entrada em vigor em ​1973​. Reino Unido, Irlanda, Dinamarca e Noruega.
Iniciou-se em 1970 e assinaram em 22/01/1972. Porém a Noruega não entrou por referendo
interno negativo (logo, apenas os outros 3 entraram).
2 → Adesão em ​1981​. Grécia.
3 → Adesão em ​1986​. Portugal e Espanha.
4 → Adesão em ​1995​. Áustria, Finlândia e Suécia. E mais uma vez a Noruega não entrou
por questões internas.
5 → Assinado em ​2003​. Contexto europeu de abertura aos Países da Europa Central e
Oriental - PECO. 10 novos Estados-membros: Chipre e Malta (mediterrâneo) e Polônia,
República Checa, Hungria, República Eslovaca, Lituânia, Letônia, Eslovênia e Estônia
(Europa Central e Oriental).
6 → Assinatura em ​2005​, entrada em vigor em 2007. Romênia e Bulgária.
7 → Assinado em ​2011​, com efeitos a partir de 2013. República da Croácia.
Procedimento de adesão.
Tratado da União Europeia. Art. 49º. Requisitos: 1. territorial → apenas Estados europeus e
2. valores comuns → respeito aos valores do art. 2º (dignidade da pessoa humana,
liberdade, igualdade entre homens e mulheres, democracia e Estado de Direito, etc).
Para admissão, deve ter unanimidade do Conselho Europeu.
Para além dos requisitos de caráter político (organização política interna democrática e
respeito dos direitos do homem) e jurídico (aceitação do acervo comunitário), também se
torna necessário dispor de um sistema econômico que permita a integração (economia de
mercado e razoável situação econômica).
Até ao último alargamento, os tratados de adesão compreenderam diversos instrumentos
com valor jurídico idêntico: um tratado de adesão de articulado curto, um ato de adesão
longo e complexo no qual se integram as condições de adesão, completado por diversos
anexos e protocolos. No ato de adesão incluem-se, numa primeira parte, os princípios que
implicam o respeito pelo novo Estado do acervo comunitário, numa segunda parte, as
adaptações dos tratados constitutivos ditadas pela adesão, e numa terceira parte, as regras
relativas ao período transitório necessárias para a incorporação plena do novo Estado da
União Europeia.

1.4. Retirada do Estado-membro

2017. Solicitação de retirada da Grã-Bretanha devido a um referendo nacional negativo. Art.


50º, TUE.
Procedimento: i) notificação da intenção ao Conselho Europeu; ii) orientações para as
negociações do acordo com o Estado sobre as condições de saída e as futuras relações
com a União; iii) acordo nos termos do art. 208º, nº 3, TFUE, celebrado pelo Conselho em
nome da União por deliberação por maioria qualificada e após aprovação do Parlamento
Europeu (art. 50º, nº2).
Caso ele queira retornar, aplica-se o procedimento de adesão. Art. 49º.

1.5. Aprofundamentos

Ato Único Europeu​. Entrada em vigor em 1987. Realização do mercado interno até
31/12/1992; introdução da coesão económica e social; institucionalização da Cooperação
Política Europeia; instituição de um processo de cooperação entre o Parlamento Europeu e
o Conselho; consagração do parecer favorável do Parlamento Europeu para os tratados de
adesão e para os acordos de associação; criação de políticas comuns novas ou
desenvolvimentos das já existentes.
Tratado da União Europeia/Tratado de Maastricht. Entrada em vigor em 1993. Criação
de uma estrutura de 3 pilares: i) constituído pelas Comunidades Europeias, nas quais se
funda a União Europeia. Reforço das 3 C.E., em especial a C.E.E. (a qual muda para C.E.).
Instituição da cidadania europeia. Instituição de uma União Económica e Monetária -
adoção de política monetária única. Maioria qualificada como regra geral de decisão.
Repartição do poder de decisão entre Parlamento e Conselho de Ministros. Livre circulação
de trabalhadores, mercado interno, redes transeuropeias e ambiente; ii) políticas e formas
de cooperação intergovernamental em matéria de política externa e de segurança comum
(PESC) e; iii) domínio da justiça e dos assuntos internos (JAI).
Tratado de revisão de Amsterdão​. Entrada em vigor em 1999. Caracteriza-se sobretudo
por ter iniciado um processo de simplificação do direito primário destinado a melhorar a
legibilidade dos tratados comunitários através da revogação e da supressão das
disposições caducas. Renumeração dos artigos.
Tratado de Nice. Entrada em vigor em 2003. Assinaram e proclamaram solenemente a
Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia, a qual não tendo sido integrada nos
tratados comunitários, acabou por se configurar como um texto sem caráter jurídico
vinculativo. Introduziu as modificações necessárias para efetuar o alargamento aos 12
Estados candidatos e referentes sobretudo à composição da Comissão, à ponderação de
votos no Conselho e à adoção de decisões por maioria qualificada. Além disso,
introduziram-se alterações mais significativas no sistema jurisdicional comunitário, ditadas
pelo quinto alargamento, e pela sobrecarga no Tribunal de Justiça das Comunidades
Europeias e de menor relevo noutras instituições e órgãos comunitários. Também introduziu
modificações de fundo, para além da cooperação reforçada, na PESC, na política comercial
comum, etc.
Tratado de Roma. Assinado em 2004, nunca entrou em vigor. Propunha em Constituição
para a Europa. Visou simplificar o direito comunitário primário, torná-lo acessível, mais
transparente, integrar a Carta dos Direitos Fundamentais, clarificar e reclassificar o quadro
legislativo e regulamentar dos atos comunitários.
Tratado de Lisboa. Entrada em vigor em 2009. É a partir deste que se estuda a União
Europeia. Altera os tratados comunitários, mas sem os substituir.
Tratado sobre estabilidade, coordenação e governação da União Económica e
Monetária.​ Assinado em 2012.

2. A União Europeia: o Tratado da União


Europeia e o Tratado sobre o Funcionamento
da União Europeia
2.1. Considerações gerais
2.2. Valores, objetivos e princípios
2.3. As cooperações reforçadas
2.4. A ação externa e a Política externa e de Segurança
Comum (PESC)