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ALISON GABRIEL MOREIRA GUERREIRO 
ANDERSON FABIANO PEREIRA 
AUGUSTO DE PAULA SOUZA 
DHANDARA EMMANUELY MESSIAS 
GABRIELA DE ANDRADE NUNES 
GABRIELE MELO LEONARDI DOS SANTOS 
ISABELA NIZER 
LARISSA FERREIRA DE FRANÇA 
LUCAS JOSÉ NEVES 

Circuito dos Grupos de Teatro em Curitiba 

Trabalho  apresentado  ao  Curso  de  Comunicação  Organizacional  da  Universidade 


Tecnológica  Federal  do  Paraná  como 
requisito  parcial  para  aprovação  na 
disciplina  de  Projeto  Integrador  2,  sob  a 
orientação  geral  da  Prof.ª  Dra.  Valéria 
Oliveira Santos. 

Curitiba, 2018 
   
Lista de Figuras 
F​IGURA​ 1 - A N​EO​V​IDA​ ​CONTEMPORÂNEA​ ​COMO​ ​ELA​ ​É​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 25 

F​IGURA​ 2 - S.E.M M​ULHER​ M​ONSTRO​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 26 

F​IGURA​ 3 - GRUTA - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 27 

F​IGURA​ 4 - IBB - P​AZCOA​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 28 

F​IGURA​ 5 - T​UA​ A​ÇÃO​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 29 

F​IGURA​ 6 - L​ANTERI​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 30 

F​IGURA​ 7 - A​RTE​ ​E​ ​VIDA​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​RÓPRIO​, 2019. 31 

F​IGURA​ 8 - C​RÂNIO​ Y​ORICK​ - F​ONTE​: A​CERVO​ P​ESSOAL​, 2019 54 

F​IGURA​ 9 - I​NFOGRÁFICO 63 

F​IGURA​ 10 - "P​ALETAS​" 64

   
Lista de abreviaturas e siglas 
CCCEP   Corpo Cênico do Colégio Estadual do Paraná 

CEP  Colégio estadual do Paraná 

CEEP   Colégio Estadual de Ensino Profissional 

CIA Companhia 

DANCEP  Grupo de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do 


Paraná 

DJ  Disc Jockey ​(em inglês) ou “​disco-jóquei” (em 


português) 

FAP  Faculdade de Artes do Paraná 

GTCC  Grupo de Teatro do Clube Curitibano 

G.A.T.A Grupo Adulto de Teatro Amador 

GRUTA   Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná 

GRUTUN  Grupo de Teatro do ​UniBrasil Centro 


Universitário 

IBB  Igreja Batista do Bacacheri 

ITECNE  Instituto Tecnológico Educacional de Curitiba 

PIB  Primeira Igreja Batista de Curitiba 

S.E.M ​CIA de teatro   Sentimento, Estéticas e Movimento 

TETEF   Teatro da Escola Técnica Federal 

TECEFET   Teatro do CEFET 

TGCEP   Teatro Grego do Colégio Estadual do Paraná 

TUT  Teatro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná 

USP  Universidade de São Paulo 

UTFPR  Universidade Tecnológica Federal do Paraná 

 
   
Sumário 
 

C​APÍTULO​ 1 – A​PRESENTAÇÃO​ ​DO​ C​IRCUITO 10 

1.1 A​PRESENTAÇÃO​ ​DA​ C​ATEGORIA​ C​IRCUITO 10 


1.2 A​PRESENTAÇÃO​ ​DAS​ C​ARACTERÍSTICAS​ G​ERAIS​ ​DO​ C​IRCUITO 11 
1.3 A​PRESENTAÇÃO​ ​DE​ D​ADOS​ S​ECUNDÁRIOS​ L​EVANTADOS 16 

C​APÍTULO​ 02 – P​ANORAMA​, ​ATORES​ ​E​ ​REGRAS 24 

2.1 PANORAMA: ​UMA​ ​ANÁLISE​ ​GERAL​ ​DOS​ G​RUPOS​ ​DE​ T​EATRO​ ​EM​ C​URITIBA 31 
2.2 ATORES 32 
2.3 REGRAS 35 

C​APÍTULO​ 03 – A​NÁLISE​ ​DA​ ​CULTURA​ ​ORGANIZACIONAL​ ​DO​ G.R.U.T.A. 44 

3.1 C​ONTEXTUALIZAÇÃO​ ​SOBRE​ C​ULTURA​ O​RGANIZACIONAL​ ​E​ M​EMÓRIA​ O​RGANIZACIONAL 44 


3.2 C​OMUNICAÇÃO​ ​NAS​ R​ELAÇÕES​ ​DE​ T​RABALHO​ ​DA​ O​RGANIZAÇÃO 54 

C​APÍTULO​ 04 – R​EPRESENTAÇÃO​ V​ISUAL 60 

4.1 A​SPECTOS​ V​ISUAIS​ ​DOS​ ​ESPAÇOS​ ​DO​ ​CIRCUITO 60 


4.2 P​RODUTOS​ V​ISUAIS 62 

C​APÍTULO​ 05 – C​ONSIDERAÇÕES​ F​INAIS 68 

R​EFERÊNCIAS​ ​BIBLIOGRÁFICAS 70 

 
   
 
Capítulo 1 – Apresentação do Circuito 

1.1 Apresentação da Categoria Circuito 

Para  entender  o  contexto  deste  trabalho,  é  primeiramente  preciso 


compreender  o  significado  da  categoria  circuito. Como explica Magnani, o conceito 
está relacionado às pessoas: 

Trata-se  de  uma  categoria  que  descreve  o  exercício  de  uma  prática  ou  a  oferta  de  determinado 
serviço  em  estabelecimentos,  equipamentos  e  espaços  que  não  mantêm 
entre  si  uma  relação  de  contiguidade  espacial,  sendo  reconhecido  em  seu 
conjunto  pelos  usuários  habituais:  por  exemplo,  o  circuito  gay,  o  circuito 
dos  cinemas  de  arte,  o  circuito  neoesotérico,  dos  salões  de dança e shows 
black,  do  povo-de-santo,  dos  clubbers,  dos  evangélicos  gospel  e  tantos 
outros (MAGNANI, 2012 p. 97). 

Circuito  está  também  relacionado  ao  espaço  –  não  somente  como  local  ou 
cenário,  mas  como  parte  de  um  compartilhamento  de  certas  práticas  e  de 
atribuição  de  sentido  entre  um  grupo  e  uma  localidade.  Nesses  espaços, 
determinadas  pessoas  se  permitem  criar  relações,  permitem-se  falar,  agir  e 
expressar  suas  similaridades  de  maneira  mais  profunda,  ou  seja,  o  circuito  é  um 
espaço de sociabilidade.  

No  entanto,  um  circuito  não  está  delimitado  fisicamente  por  um  ou  mais 
estabelecimentos  ou  espaços;  pode  mudar  geograficamente,  de  maneira dinâmica, 
a  depender  das  pessoas,  sazonalidade,  entre  outras  variáveis.  Mesmo  não  havendo 
proximidade,  as  pessoas se reconhecem dentro do circuito de maneira orgânica. Ou 
seja,  o  circuito  acaba  não  sendo  um  território  demarcado  em  um  mapa  ou  a  área 
de  uma  construção;  cada  um  abrange  inúmeros  lugares  diferentes  e  separados 
fisicamente. 

Sendo  assim,  é  importante  entender  o  circuito  como  algo  vivo  e  em 


constante  mutação,  por  ação  dos  atores  que  o  constituem.  É  também  válido 
ressaltar  sua  permeabilidade:  um  circuito  pode  englobar  sub-circuitos  e  dividir 
espaços  e  características  uns  com  os  outros  –  ou  seja,  são  reconhecidos  pelas 
similaridades e fazem sentido dentro de um circuito maior, único. 

1.2 Apresentação das Características Gerais do Circuito  

O circuito que será estudado neste trabalho é o dos Grupos ou Companhias 
de  Teatro  em  Curitiba.  A  cidade  abriga  diversas  atividades  relacionadas  ao 
universo  teatral,  como  escolas,  montagens  de  espetáculos  e  ainda  entre  os 
1
meses  de  março  e abril é palco do tradicional Festival de Teatro de Curitiba . O 
evento  conta  com  a  participação  de  artistas  de  todo  o  país  e  com  espetáculos 
dos  mais  variados  gêneros,  porém  os  elementos  mais  importantes  para  a  sua 
realização são justamente os grupos de teatro curitibanos. 

A  edição  de  2019  trouxe  cerca  de  400  espetáculos  de  treze  estados 
brasileiros  e  cinco  países  diferentes,  totalizando  mais  de  1700  apresentações 
que  mobilizaram  2500  artistas,  para  um  público  estimado  de  200  mil  pessoas, 
sendo  40  mil  turistas.  As  apresentações  ocorreram  em  80  espaços  diferentes, 
como  teatros,  praças,  parques  ruas  etc.  Em  decorrência  do  festival,  foram 
criados  aproximadamente  1700  postos  de  trabalho,  sendo  700  diretos  e  1000 
indiretos  (ROSA,  2019a).  O  festival  é  dividido  em vários segmentos, dentre eles 
a Mostra Oficial e o Fringe. 

A  ​Mostra  Oficial  conta  com  espetáculos  selecionados  por  uma  curadoria, 


com  o  objetivo  de  trazer  o  que  há  de  mais  relevante  e  diverso  no  cenário 
nacional  e  internacional.  A  edição  de 2019 contou com a curadoria dos atores e 
diretores  Guilherme  Weber  e  Marcio  Abreu,  que  selecionaram  27  espetáculos 
diferentes (FESTIVAL DE CURITIBA, 2019b). 

O  ​Fringe ​é um festival alternativo de teatro, presente em diversos lugares 
2
do  mundo,  que  ocorre  sempre de forma paralela aos festivais oficiais . O Fringe 

1
Criado em 1992, o Festival de Teatro de Curitiba tem como fonte de inspiração o Festival Internacional de Edimburgo, que é considerado
o maior e mais antigo festival teatral do mundo. Em 2019, o Festival de Teatro de Curitiba completou a sua 28º edição em 2019, e de
acordo com seu diretor, Leandro Knopfholz, é o maior evento nacional dedicado às artes cênicas, levando em conta “a oferta de
espetáculos, a quantidade de público, o número de artistas que movimenta e a duração” (MOSER, 2018).
2
Surgiu de forma espontânea no ano de 1947, na cidade de Edimburgo, na Escócia, criado por companhias que não estavam na
programação do Festival Internacional de Edimburgo (CIA AMADEUS, 2010)
Curitiba  nasceu  no  ano  de  1998,  na  sétima  edição  do  Festival  de  Teatro  de 
Curitiba,  como  um  espaço  aberto  e  sem  curadoria.  Qualquer  grupo  ou 
companhia  que  tenha  interesse  pode  participar,  desde  que  80%  dos  seus 
integrantes  possuam  o DRT, que é o registro profissional da categoria (FESTIVAL 
3
DE CURITIBA, 2019a) .  

Na  edição  de  2019,  centenas  de  peças  estiveram  na  programação  do 
Fringe:  espetáculos  de  diversas  linguagens  e  gêneros,  realizados  em  vários 
locais  de  Curitiba.  Sua  divulgação  sempre  está  presente  no  guia  oficial  da 
programação  do  Festival  de  Teatro  de  Curitiba  e  atualmente  ele  é  considerado 
uma de suas frentes. 

O  teatro  de  rua  também  está  presente  no  Fringe.  Nessa  modalidade,  os 
atores  encenam  o  espetáculo  em  espaço  aberto.  Segundo  o  produtor  Fábio  de 
Souza,  essa  prática  reforça  a  ideia  de  democratização  e acessibilidade da arte, 
pois  atinge  um  público  variado,  “aqueles  que  não  tem  o  costume  de  ir  ao 
teatro,  estão  na  correria  o  dia  todo,  passam  aqui,  esquecem  a  rotina,  e  se 
divertem  um  pouquinho,  nem que seja por 20 minutos” (ROSA, 2019b). Segundo 
o  produtor,  as  pessoas  que estão passando e se deparam com o teatro de rua se 
interessam e pedem informações sobre os locais de outras apresentações. 

Curitiba  também  é  sede,  desde  o  ano  de  2016,  do  ​Festival  de  Teatro 
Estudantil.​   O  evento  é  realizado  pela  Cia  Teatral  Jully  Grisbach,  com  o  apoio 
do  Centro  Cultural  Teatro  Guaíra,  através  do  Teatro  Zé  Maria.  Em  sua  terceira 
edição,  contou  com  a  participação  de  14  instituições  de  ensino,  entre  públicas 
e privadas, de Curitiba, Região Metropolitana e de fora do estado (BEM PARANÁ, 
2018).  O  grande  objetivo  do  festival  é  incentivar  e  promover as aulas de teatro 
em  instituições  de  ensino,  além  de  promover  o  debate  no  âmbito  educacional 
sobre  a  importância  das  artes  cênicas  para  a  juventude  (FESTIVAL  DE  TEATRO 
ESTUDANTIL, 2019). 

3
A ideia desse festival é proporcionar espaço para grupos que não estão na Mostra Oficial, além de democratizar a arte, levando-a para
mais perto do público e com bilheteria acessível. São apresentadas peças gratuitas, com modelo “pague quanto vale” e com valores de no
máximo R$ 60,00.
Não  foram  localizados  dados  estatísticos  que  apontassem  um  número 
preciso  de  grupos  de  teatro  existentes  em  Curitiba,  porém  através  do 
levantamento  de  dados  realizado  na  internet,  verificamos  que  há  uma  grande 
variedade de grupos, de diferentes gêneros, estéticas e propostas.  

De  acordo  com  a  doutora  em  Artes  Cênicas  pela  USP,  Verônica  Gonçalves 
Veloso,  um  grupo  de  teatro  não  é  apenas  um  “amontoado”  de  gente,  é  um 
coletivo  com  um  interesse  em  comum.  O  termo  “grupo”  ganhou  destaque  em 
meados  da  década  de  1960,  e  é  entendido  como uma união de longo prazo, em 
que  a  vivência  dos  seus  membros  não  está  ligada  apenas  à  execução  de  um  ou 
dois projetos (VELOSO, 2008). 

O  conjunto  de  pessoas  com  interesses  comuns  que  caracteriza  o  grupo teatral tem como modelo 


de  estruturação  grupos  de  longa  vida,  aqueles  que 
permanecem  juntos  vinte,  trinta  anos.  Talvez  a  principal 
característica  desses  agrupamentos  seja  sua  relação  com  o 
tempo,  sua  formatação  duradoura.  Esse  modelo  de  grupo 
estável,  com  atestado  de  qualidade  garantido  pelo  tempo  de 
trabalho  tem  um  papel  muito  importante  na  organização  dos 
artistas enquanto classe de trabalhadores. (VELOSO, 2008, p.2)  

Por  outro  lado,  coletivo  de  teatro  está  mais  ligado  à  ideia  de  uma  união 
menos  estável, focada em projetos específicos, e por isso, não possui a vivência 
de  grupo.  Segundo  Veloso,  “o  coletivo  sobrevive  o  tempo  que  dura  a 
empreitada,  tem  hora  de  começar  e  de  acabar”.  Veloso  compara  grupo  a  um 
casamento, e coletivo a um namoro (VELOSO, 2008)  

No  levantamento  realizado,  podemos  destacar  alguns  grupos  teatrais 


curitibanos  que  apostam  em  diferentes  linguagens.  Dentre  esses  grupos,  uma 
parcela  é  formada  por  profissionais,  outra  mescla atores profissionais e artistas 
amadores, e outras são exclusivamente de grupos amadores. 

O  ​Estábulo  de  Luxo  ​é  um  grupo  profissional,  criado  em  2011  pelos 
artistas  Danielle  Campos  e  Ricardo  Nolasco,  filiado  à  Selvática  Ações  Artísticas 
(MACHADO,  2014).  É  um  dos  vários  grupos  que  ocupam  o  Espaço  Cultural  Casa 
Selvática,  localizado  na  rua  Nunes  Machado,  950,  no  bairro  do  Rebouças.  O 
grupo  discute  temas  como  gênero,  identidade,  desconstrução  da  padronização 
dos  corpos,  e  busca  o  desenvolvimento  de  uma  linguagem  particular,  por  meio 
de  experimentações.  Tem  como  referências  artísticas  as  vanguardas  do  início 
do  séc.  XX,  a  antropofagia,  a  literatura  e  dramaturgia  clássica,  o  teatro  de 
revista.  O  grupo  tem  uma  pesquisa  contínua  sobre  o  formato  cabaré.  Os 
espetáculos  “Momo  –  Para  Gilda  com  Ardor”  e  “Cabaret  Macchina”,  foram 
destaques,  e  integraram  a  Mostra  Oficial  do  Festival  de  Teatro de Curitiba, nas 
edições de 2017 e 2018 (SELVÁTICA, 2019). 

O  grupo  ​Antropofocus  ​existe  desde  o  ano  2000.  O  grupo  tem  como 


objetivo  criar  um  humor  criativo,  que  fuja  do  lugar  comum,  e  com  criações 
coletivas,  em  que  todos  os  membros  possam  contribuir  com  ideias,  através  de 
coautoria.  Nesses  quase  20  anos  de  existência,  o  Antropofocus  já  realizou 
estudos  das  mais  diversas  linguagens,  como  esquetes,  improvisações,  formatos 
lineares,  dramaturgia  sem  uso  de  som,  voltado  ao  público  cego,  entre  outros. 
Possui  sua  sede  na  rua  Sete  de  Setembro,  2620,  sala  05,  no  centro.  O  local, 
além  de  abrigar  o espaço de criação, também é uma escola de teatro, onde são 
oferecidos diversos cursos (ANTROPOFOCUS, 2019). 

A  ​Comparsaria  Cênica ​é um grupo de circo-teatro curitibano formado por 
atores  profissionais  e  amadores,  atualmente  sediado  na  rua  Camões,  no  bairro 
Alto  da  XV.  Tem  como  objetivo  levar  bem-estar  e  qualidade  de  vida  por  meio 
do  teatro  e  pelo  uso  da  linguagem  circo-teatral.  Quem  dirige  os  comparsas 
(como  são  chamados  seus  integrantes)  é  o  professor  e  diretor  Helio  de  Aquino. 
O  início  de  suas  atividades  foi  em  2013, no bairro Bom Retiro. No ano seguinte, 
o  grupo  se  mudou  para  uma  casa  no  bairro  Vista  Alegre.  Na  nova  sede, 
montaram  espetáculos  em  que  convidava  o  público  a  acompanhá-los  pelos 
diversos  cômodos  da  residência,  com  o  objetivo  de  aproximar  o  espectador  da 
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narrativa da peça (COMPARSARIA CÊNICA, 2019) . 

4
O grupo oferece também o Teatro-escola, que é a montagem adaptada do seu repertório em espaços escolares e peças de cunho
pedagógico, com temas relacionados à infância e adolescência. Há também o projeto “​Clownparsas​”, que são intervenções com palhaços
em eventos de empresas e confraternizações. Outra atividade é o “​Playback”​ , que consiste na improvisação e criação de cenas a partir de
histórias contadas pela plateia. Esse projeto visa à reflexão de situações e problemas que podem ocorrer em uma organização, e para isso
contam com a assessoria de um profissional da psicologia. Além disso, ministram oficinas e cursos de circo-teatro, os quais disponibilizam
O  ​Grupo  Lanteri  ​possui  mais  de  40  anos  de  existência.  Foi  fundado  em 
1978,  na  Paróquia  São  Paulo  Apóstolo,  no  bairro  São  João  em Curitiba. O grupo 
é  responsável  pela  montagem  da  já  tradicional  encenação  “Paixão  de  Cristo”, 
que  ocorre  todos  os  anos  na  páscoa.  O  grupo  também  encena  diversas  outras 
peças  com  temáticas  religiosas,  de  viés  católico.  As  apresentações  sempre  são 
abertas  ao  público  e  são  realizadas,  em  grande  parte,  em  locais  de  grande 
circulação  –  como  terminais,  ruas  da  cidadania  e  praças.  Define-se  como  um 
grupo  de  “teatro  feito pelo povo e para o povo”. Conta com atores profissionais 
e  amadores.  Os  seus  integrantes  são  voluntários,  e  apesar  das  temáticas 
católicas, aceita pessoas de todas as religiões (GRUPO LANTERI, 2019). 

Em  Curitiba,  existem  ainda  grupos  teatrais  que  são  organizados  por 
instituições  de  ensino.  Além  de  envolver  os  estudantes  das  escolas, 
universidades  e  faculdades  responsáveis,  esses grupos, em sua maioria, incluem 
também a comunidade.  

Dentre  os  grupos,  estão  incluídos  o  ​TUT  ​(Teatro  da  Universidade 


Tecnológica  Federal  do  Paraná),  o  ​GRUTA  ​(Grupo  de  Teatro  Amador  do Colégio 
Estadual  do  Paraná),  o  GRUTUN  (Grupo  de  Teatro  do  ​UniBrasil  Centro 
Universitário),  ​o  ​Grupo  de  Teatro  da  FAE  ​e  a ​PalavrAção (​ Companhia de Teatro 
da  UFPR)  os  quais  terão  suas  principais  informações  –  como  datas,  locais  de 
funcionamento e formas de ingresso – apresentadas a seguir:  

O  ​TUT  foi fundado em 1972. Ao longo dos anos, o grupo teve vários nomes 
diferentes,  sempre  acompanhando  as  alterações  da  própria  instituição,  a  qual 
faz  parte.  Até  o  ano  de  1978,  se  chamava  ​TETEF  (​ Teatro  da  Escola  Técnica 
Federal),  posteriormente  passou  a  se  chamar  TECEFET  (​ Teatro  do  CEFET),  e 
apenas  em  2005,  adotou  o  atual  nome,  quando  se  firmou  como  um  grupo  de 
teatro  universitário  (UTFPR,  2018).  Sediado  no  Campus Curitiba, na Av. Sete de 
Setembro,  3165,  Rebouças,  o  grupo  abre  seleções  de  elenco  para  toda  a 
comunidade,  com  prioridades para estudantes e servidores da UTFPR, em forma 

inscrições pelo site que mantém com notícias e informações sobre o grupo. No Festival de Teatro de Curitiba de 2019, o grupo participou
do Fringe, apresentando onze espetáculos em parceria com outros grupos de circo-teatro (COMPARSARIA CÊNICA, 2019).
de  extensão  universitária.  Realiza  as  suas  principais  atividades  durante  a 
semana, nas segundas e quartas-feiras das 18h30 às 22h (EVEN3, 2019). 

Localizado  na  Av.  João  Gualberto,  250,  Alto  da  Glória  o  ​GRUTA  ​realiza 
suas  atividades  nas  sextas-feiras  das  13h50  às  17h30  e  nas  terças  e 
quartas-feiras  das  18h35  às  21h15.  Não  é  exclusivo  para  estudantes:  a 
comunidade  também  pode  fazer  parte,  sendo  necessário  realizar  a  inscrição, 
ter  no  mínimo  15  anos  e  estar  cursando  o  segundo  ano  do  ensino  médio  (CEP, 
2017).  

Criado  em 2007, o grupo ​GRUTUN,​  que realiza suas atividades aos sábados 


na  Rua  Konrad  Adenauer,  442,  Tarumã  das  13h30  às  16h,  possui  mais  de  20 
peças  realizadas.  O  grupo  é  exclusivo  para  alunos,  egressos  e  funcionários  do 
Centro Universitário UniBrasil (UNIBRASIL, 2018). 

Em  2009,  foi  criado  o  ​Grupo  de  Teatro  da  FAE,​  o


​  grupo já se apresentou 
em  eventos  e  festivais,  e  para  melhorar  suas  técnicas  utiliza  adaptações  de 
textos  dramatúrgicos  nacionais  e  internacionais.  Suas  atividades  ocorrem  aos 
sábados,  das  9h  ao  12h  no  Colégio  Bom  Jesus  Lourdes,  Rua  Fioravante  Dalla 
Stella,  90,  Cristo  Rei.  O  grupo  é  aberto  tanto  para  alunos da instituição quanto 
para  a  comunidade,  para  participar  é  necessário  passar  por  um  processo 
seletivo (FAE, 2019).  

A  Companhia  ​PalavrAção  ​foi  fundada  no  ano  de  1995  e  tem  como 
principal  objetivo  a  formação  e  preparação  do  ator.  Os  ensaios  da  Companhia 
ocorrem  de  segunda  a  quinta  das  19h  às  22h,  na  Rua  XV  de  Novembro,  695, 
Centro.  Para  integrar  a  equipe,  é  necessário  passar  por  um  processo  seletivo 
(COMPANHIA DE TEATRO DA UFPR, 2019).  

1.3 Apresentação de Dados Secundários Levantados 

Inicialmente,  o  grupo  mobilizou-se  para  reunir  conhecimentos  a  respeito  do 


grupo  social  “estudantes  de  teatro  em  Curitiba”,  no  entanto,  nesse  processo  de 
investigação,  concluímos  que  o  projeto  seria  muito  mais  enriquecedor,  tanto  do 
ponto  de  vista  de  volume  informativo  disponível,  quanto  de  interesse  pelo  assunto 
por  parte  dos  integrantes,  se  o  tema  principal  fosse  alterado  para 
“grupos/companhias  de  teatro  em  Curitiba”.  Para  que  o  leitor  possa  compreender 
como  essa  alteração  se  mostra  mais  proveitosa,  o  grupo  concordou  em  manter, 
apenas  neste  tópico,  os  resultados  da  pesquisa  inicial,  sobre  os  estudantes.  Nesse 
levantamento, nosso grupo deparou-se com artigos de diversas perspectivas. 

O  artigo  “Teatro  de  grupo  contra  o  deserto  do  mercado”  de  Iná  Camargo 
Costa  (2007)  reflete  sobre  os  motivos  pelos  quais  os  teatros  de  grupo  no  Brasil 
perderam  força  nas  últimas  décadas  em  comparação  com  seu  início,  já que, desde 
que  o  país  adotou  a  linha  neoliberal,  a  arte  passou  a  ser  mero  produto  comercial. 
Na  década de 90, surgiu o movimento “Arte contra a Barbárie”, formado por grupos 
teatrais  e  personagens  atuantes  da  arte  em  São  Paulo,  a  fim  de  contestar  a 
instauração  da  Lei  Rouanet  (estavam  inconformados  com  os  critérios  de  seleção 
para  a  obtenção  de  recursos)  e  propor  outras  críticas,  como  ao  baixo  orçamento 
destinado  ao  Ministério  da  Cultura,  além  de  lutar  por  políticas  públicas  para  a 
cultura (COSTA, 2007). 

No  artigo  “Investigando  a  recepção  em  um  projeto  de  teatro  na 
comunidade”,  Beatriz  Ângela  Vieira  Cabral  e  Dan  Olsen  analisaram  o  projeto  de 
pesquisa  “Teatro  em  Trânsito  –  formas  interativas  de  teatro  em  comunidade”.  Os 
autores  avaliaram  a  recepção  do  espetáculo  por  três  grupos  distintos  de 
participantes:  atores  com  experiência  anterior  (alunos  e  professores  de  teatro), 
atores  sem  experiência  anterior  (participantes  da  comunidade)  e  espectadores. 
(CABRAL; OLSEN, 2005). 

Com  os  resultados  da  pesquisa,  notou-se  que  os  estudantes  de  teatro  e  os 
atores  com  e  sem  experiência  concordaram  com  o  aspecto  que  causou  mais 
impacto  na  montagem:  a  dramaturgia, considerando as situações inesperadas como 
característica  mais  importante  da narrativa. Os espectadores também acharam que 
o  maior  impacto  foi  causado  pela  dramaturgia,  mas  apontaram  como  primeira 
opção  a  variável  “possibilidade  de  interpretações  distintas”  –  contrariando  a 
expectativa  inicial  de  que  haveria  uma  distinção  significativa  entre  a recepção por 
parte dos alunos de teatro e por parte dos espectadores. (CABRAL; OLSEN, 2005). 
No  artigo  “Teatro,  corpo,  experiência  e  sentido:  análise  de  protocolos 
teatrais  verbo-visuais”,  Jean  Carlos  Gonçalves  (2015)  apresenta  uma  nova 
abordagem  educacional  para  teatro  de  maneira  que  desse  voz para os alunos, para 
que  pudessem  expressar  as  experiências  vivenciadas  nas  aulas,  preparar-se  para  a 
experiência  cênica  e  exercer  sua  criatividade.  Essa  nova  proposta  envolveu  a 
metodologia  de  “protocolos”,  entendida  como  espécie  de  registro  de 
aula/depoimento.  Gonçalves  reconheceu  que  o  trabalho  com  os  protocolos  se 
mostrou  útil  para  instigar  o  diálogo  entre  professor  e  alunos  sobre  as  experiências 
cênicas  vivenciadas  e  todos  os  alunos-autores  concordaram  que  a  corporeidade  é 
um  dos  aspectos  mais  importantes  durante  a  aula  de  teatro  e  durante  a  execução 
da  peça.  O  contato  com  o  próprio  corpo  e  com  os  demais  corpos  facilita  e 
possibilita  a  interação entre os atores e entre o ator e o público, sendo o teatro um 
ato vivo (GONÇALVES, 2015). 

Dois  dos  artigos  estudados  destacam  o  teatro  como  “ação  pedagógica”,  em 
“Avaliação  em  Teatro:  Reflexões  a  Partir  das  Vozes  do  Aluno”,  também  de  Jean 
Carlos  Gonçalves,  é  repensado  o  relacionamento  entre  professor  e  aluno  de  teatro 
no  contexto  de  avaliador  e  avaliado.  Gonçalves  afirma  que  o  professor  está 
interligado  com  a  criação  dos  alunos,  agindo  de  maneira  similar  a  um  diretor 
cênico,  que  está  ao  mesmo  tempo  avaliando  e  ensinando  os  atores.  Gonçalves 
conclui  que  “em  teatro,  a  melhor  forma  de  avaliação  acontece  em  meio  ao 
diálogo” (GONÇALVES, 2014, p.90). 

Já  Vera  Lúcia  Bertoni  Dos Santos fomenta, em seu artigo “Formação docente 


em  Teatro:  pesquisa  aliada  à  ação  pedagógica”,  uma  reflexão  sobre  as  questões  e 
problemas  acerca  dos  interesses  pessoais  dos  estudantes  de graduação. Ao analisar 
os  resultados  obtidos,  Dos  Santos  pôde  observar  os  impactos  práticos  na  formação 
da  identidade  do  docente  de  maneira  crítica:  tais  como  a  importância  da 
espontaneidade  na  prática  e no ensino teatral, as práticas pedagógicas empregadas 
e  sua  efetividade,  e  demais  questões  de  ensino. Além disso, também foi observada 
a  importância  da  troca  de  conhecimentos  e  experiências  durante  o  estudo 
empírico,  que  mudaram  a  visão  de  mundo  dos  atores  sociais  envolvidos  e 
possibilitaram um ganho de referenciais (SANTOS, 2018). 

Ao  buscar  mais  informações  sobre  a  saúde  dos estudantes de teatro, o grupo 


encontrou  o  artigo  “Atores  profissionais  e  estudantes  de  teatro:  aspectos  vocais 
relacionados  à  prática”  escrito  por  Juliana  Richinitti  Vilanova,  Jair  Mendes 
Marques,  Vanessa  Veis  Ribeiro,  Amanda  Gabriela  de  Oliveira,  Lídia  Teles  e  Kelly 
Cristina  Alves  Silverio,  que  apresenta  um  estudo  comparativo  entre  a  prática 
teatral  e  suas  implicações  na  voz  de  atores  profissionais  e  estudantes  de  teatro. 
Foram  analisados  os  resultados  de  uma  pesquisa  quantitativa,  feita  através  de 
aplicações  de  quatro  questionários  onde  foram  divididos  em  quatro  tópicos: 
aspectos  relacionados  à  prática  profissional;  aspectos  relacionados  à  voz;  hábitos 
vocais,  de  saúde  e  condições  ambientais;  e  cuidados  com  a  voz  (OLIVEIRA; 
MARQUES; RIBEIRO; SILVÉRIO; TELES; VILANOVA; 2016). 

O  estudo  constatou  que,  entre  os  estudantes,  houve  menor  incidência  de 
problemas  na  fala  –  como  rouquidão,  afonia  e  outros.  Além  disso,  as  estatísticas 
desses  dados  mostraram  maior  incidência  entre  os  profissionais  de  práticas 
inadequadas em relação à saúde, uso da voz e condições ambientais, como o uso da 
voz  enquanto  estavam  gripados,  com  respiração  inadequada  e  maior  permanência 
em  locais  fechados,  com  mofo,  poluição  ou  pouca  ventilação.  Além  disso, também 
ensaiavam  em  locais  com  condições  acústicas  diferentes  do  local  em  que  é 
realizada  a  apresentação  (OLIVEIRA;  MARQUES;  RIBEIRO;  SILVÉRIO;  TELES; 
VILANOVA; 2016). 

Já  Edson  Simões,  no  artigo  “A  Construção  da  Personagem  no  Teatro  pelo 
olhar  da  Psicologia  Social”,  afirma  que  o  comportamento  social  é  essencial  para 
que  o  ator  execute  seu  trabalho,  pois  a  partir  da relação estabelecida entre o ator 
e  o  outro  é  que  o  seu  trabalho  se  concretiza.  Simões  conclui  considerando  que  a 
formação  de  um  personagem,  além  da  relação  com  o outro, dá-se também a partir 
de  relações  sociais  em  que  o  ator,  independentemente  de  seu  personagem,  está 
inserido.  Dessa  maneira,  ele  reproduz  a  realidade  em  volta  de  si  mesmo  e  de  seu 
personagem (SIMÕES, 2010). 
Com  o  objetivo  de melhorar o entendimento do conteúdo explorado, a partir 
deste  parágrafo,  seguiremos  apresentando  somente  referências  encontradas  pelo 
grupo  que  abordam  o  objeto  atual  de  nossa  pesquisa:  “grupos/companhias  de 
teatro em Curitiba”.  

O  artigo  “Um  novo  cenário:  conquistas  e  contradições  do  atual  teatro  de 
grupo  brasileiro”  de  Christina  Streva  apresenta  características  do  teatro  de  grupo 
no  Brasil  nas  últimas  décadas,  além  de  informações  sobre  como  é  o  cenário  dos 
grupos  de  teatro  no  Brasil.  A  autora  afirmou  que  os  grupos  de  teatros  vêm 
conquistando  grande  crescimento  e  fortalecimento  nacional,  já que, devido à “boa 
fase”  da  economia  a  partir  de  2000,  os  grupos  foram  obtendo  conquistas  em 
relação  ao  Estado.  Pode-se  citar  –  novamente  –  como  um  grande  exemplo  o 
movimento  “Arte  contra  a  Barbárie”,  que  resultou  na  Lei  de  Fomento  ao  Teatro 
(Lei 13.279/02) (STREVA, 2014). 

Segundo  Streva,  encontram-se  no  país  diversos  grupos  de  teatro  estáveis  e 
consolidados,  porém  ainda  é  grande  o  número  de  grupos  brasileiros  que  não 
possuem  condições  de  manter  plenamente  o  grupo  de  teatro  em  atividade.  Para 
que  houvesse  uma  continuidade  dos  grupos  teatrais  e  para  diminuir  o  número  de 
“desistentes”,  foram  adotadas  estratégias,  como:  turnês,  apresentações  em 
festivais,  vendas  de  produtos relacionados à peça, além de tudo o que envolvesse a 
parte administrativa de um grupo teatral (STREVA, 2014). 

Já  em  “Reflexões  sobre  os  vinte  anos  de  experiência  do  grupo  de  teatro  Tá 
na  Rua”  de  Amir  Haddad  (2001),  é  refletido  a  importância  do  teatro  de 
manifestação  pública  em  oposição  ao  teatro  formal  de  recinto  fechado.  Haddad 
notou  que, quando o grupo Tá na Rua partiu para a prática teatral pública, o teatro 
havia  conquistado  uma  nova  linguagem,  praticando  uma  interação  mais direta com 
a  plateia  –  algo  bastante  incomum  na época, quando lugar de teatro era no palco e 
não nas ruas (HADDAD, 2001). 

Essa  forma  de  teatro  popular  foi  a  maneira  de  os  grupos  de  teatro  se 
rebelarem  contra  o  estabelecido.  Assim,  eles  romperam  seus  laços  com  os 
“procedimentos  éticos  da  burguesia  capitalista  protestante”  (2001,  p.  157), 
focando-se  em  dar  às  pessoas  comuns  a  chance  de  participar  da  festa,  permitindo 
que  a  plateia  se  sentisse  mais  à  vontade  e  sem  medo  de  interferir  no  show.  Pelo 
fato  de  o  teatro  estar  na  rua,  os  indivíduos  poderiam  sair  da  rotina  de  trabalho  e 
esboçar  seu  lado  criativo  e  lúdico,  como  um  ser  humano  pleno  e  livre  –  e  isto 
reforça a cidadania. (HADDAD, 2001). 

A  respeito  da  participação  dos  grupos  e  companhias  de  teatro  no  cenário 
curitibano  e,  pelo  estudo  da  história,  percebeu-se  que  o  teatro  se  tornou  uma 
forma  de  resistência  política,  conforme  aborda  a  dissertação  “Arte  e  política:  O 
teatro  como  prática  de  liberdade  –  Curitiba  (1950-1978)”  de  Reinaldo  Cerqueira 
Sousa.  Conforme  é  relatado  pelo  autor,  no  período  de  regime  militar,  a  arte  e  a 
cultura  se  mantiveram  firmes  e  constantes em volume e abundância: mesmo com a 
proposta  política  de  que  a  ordem  e  o  progresso  viriam  por  meio  da  força,  da 
violência  e  de  variadas  técnicas  de  torturas,  o  teatro  era  um  divisor  de águas para 
a  cultura,  para  a  política  e  para  os  livres  pensadores.  Foi  um  espaço  para  a 
compreensão  da  arte  da  cultura  e  da  política,  um  lugar para os desabafos sociais e 
de  renovação  das  forças.  Na  década  de  50,  Curitiba  teve  seus  espaços  públicos  e 
teatros tomados pela população de artistas, músicos e eruditos. (SOUSA, 2010). 

Em  “Visões  de  Curitiba  em  Cena”,  Costa  relata  que,  quando  inaugurado  o 
Auditório  Bento  Munhoz  Neto  –  o  Guairão  –  em  12  de  dezembro  de  1974,  estava 
presente  o  então  presidente  da  República:  Ernesto  Geisel.  Nesse  período,  foram 
criados  e  produzidos  textos  e  musicais  com  discursos  ufanistas,  em  tentativa  de 
silenciar  as  vozes  das  Revistas  (peças  teatrais  que  aliavam  a sátira política e social 
ao  cômico  e  modismos  em  uma  composição  capaz  de  reproduzir,  sob  uma  ótica 
crítica,  o  cotidiano  da  realidade  social)  que  eram  levadas  aos  palcos,  e  que  até 
então,  eram  críticas  políticas  em  tons  humorísticos  (como,  por  exemplo,  a  peça 
“Maria  Bueno”, de Oraci Gemba, que trazia a narrativa da mulher que luta contra a 
opressão e a favor da liberdade) (DA COSTA, 1998). 

Nos  textos  e  encenações  dramatúrgicos  teatrais,  Curitiba  não  era  tida  só 
como  lugar  de  palco,  mas  também  como  cenário  ou  tema  central.  Foram  criados 
enredos  de  peças  que  tinham  como  intuito  evidenciar  a  Curitiba  hipócrita,  sem 
virtudes,  mordaz  ou  a  capital  da  perdição.  Outras  peças  representavam  uma 
Curitiba  ingênua,  lírica,  com  belas  paisagens,  retratando  pontos  da  cidade  e 
costumes  tipicamente  curitibanos. Essas batalhas idealistas por meio de palavras se 
davam,  na  maior  parte  das  vezes,  graças  a uma rivalidade que existia na época em 
que foram escritas entre a capital e cidades interioranas (COSTA, 1998). 

Sendo  assim,  após  o  levantamento  de  dados,  conclui-se  que,  a  respeito  do 
nosso  objetivo  de  pesquisa  em  si  (grupos/companhias  de  teatro  em  Curitiba):  os 
grupos  de  teatro  são,  na  verdade,  mais  que  um  “amontoado”  de  gente  e  sim 
pessoas  que se juntam para expressarem seus desejos, angústias e críticas por meio 
da  arte,  trazendo  diversão,  lazer  e  reflexão  a  todos  envolvidos  no  espetáculo. No 
entanto,  ainda  há  diversos  grupos  que  não  têm  a  oportunidade  de  se estabilizar. A 
prática  teatral  tornou-se  mais  democrática  ao  começar a ser realizada também em 
espaços  públicos,  nas  ruas,  tornando  essa  arte  de  todos,  influenciando  e  sendo 
influenciada por todos. 

   
   
Capítulo 02 – Panorama, atores e regras 

Este  capítulo  tem  como  objetivo  destacar  alguns  aspectos  que  compõem  uma 
pequena  amostra  do  universo  dos  Grupos  de  Teatro em Curitiba, identificados pela 
nossa equipe. Sua realização se deu a partir dos dados coletados durante a pesquisa 
de  campo  ocorrida  no  mês  de  abril  de  2019,  período  no  qual  a  equipe  visitou  9 
grupos  de  teatro  vinculados  a  escolas,  clubes,  igrejas  (de  caráter  religioso)  ou 
independentes.  Destacamos  o  fato  de  que  todas  as  análises  foram  realizadas  a 
partir  de  um  brevíssimo  contato  com  os  grupos,  pois  eles  só  puderam  ser  visitados 
uma única vez. 

Durante  esse  mês  de  pesquisa,  totalizaram-se  7  espetáculos  e  5  ensaios 


acompanhados, e, dentre eles, estão: 

Espetáculo do​ Grupo Adulto de Teatro Amador - G.A.T.A.  

Assistimos  à  apresentação  da  peça  “A  Neovida  contemporânea  como  ela  é”  do 
​ o 
grupo  ​G.A.T.A.  (que  surgiu  a  partir  do  processo  de  criação  e produção da peça) n
dia  3  de  abril,  às  20h,  no  miniauditório  da  Universidade  Tecnológica  Federal  do 
Paraná.  Ao  final,  participamos  de  um  bate-papo  com  o  diretor  Diego  Monteiro  Von 
Ancken,  com  o  elenco  e  com  a  equipe  de  apoio  a  respeito  do  processo  de criação. 
O  acesso  ao  evento  e  à  conversa  foi  fácil,  pois  a  programação  fazia  parte  do 
Festival  de  Teatro  de  Curitiba  2019  e  nas  dependências  de  nossa  própria 
universidade. O elenco era pequeno. O grupo é independente 
.

Figura 1 - A NeoVida contemporânea como ela é - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 

​ spetáculo da ​Comparsaria Cênica 


E

Assistimos  à  apresentação  da  peça  “O  Craque  do Futebol” no próprio espaço 


da  ​Comparsaria  Cênica  no  Alto  da  XV  dia  3  de  abril  às  20h.  Fizemos  contato  e 
conversamos  com  o  diretor  Hélio  de  Aquino  e  o  ator  Felipe  Baluta.  O  grupo  é 
pequeno,  no  dia  apresentava  em  torno  de  7  atores,  além  do  diretor  e  mais  2 
assistentes. O grupo é independente. 

Espetáculo do​ Grupo S.E.M Cia de Teatro (Sentimento, Estéticas e Movimento) 

Fomos  assistir  à  apresentação  da  peça  “A  Mulher  Monstro”  do  ​Grupo  S.E.M 
​ ue  ocorreu  de  modo  improvisado nas ruínas do São Francisco às 20h 
Cia  de  Teatro  q
do  dia  04  de  abril.  O  grupo,  formado em Recife, esteve na capital paranaense para 
apresentar-se  no  Festival  de  Teatro  de  Curitiba.  O  contato  foi  feito  por  meio  do 
ator  e  fundador  do  grupo  José  Neto,  tendo  sido  um  acesso  fácil;  fomos  bem 
recebidos.  Na  apresentação,  o  grupo  era  pequeno,  com  apenas  4  pessoas.  O  grupo 
é independente. 
Figura 2 - S.E.M Mulher Monstro - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 

Ensaio  e  Espetáculo do ​Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná 
– GRUTA 

Acompanhamos  o  ensaio  do  musical  “Now  It  Goes”  do  ​GRUTA  no  Colégio 
Estadual  do  Paraná  (CEP),  no  dia  11  de  abril  às  19h45,  e assistimos à apresentação 
no  Teatro  Guairinha,  dias  21  às  16h30 e 20h00 e 22 de abril às 20h30. O espetáculo 
era  inspirado  em  musicais  da  Broadway,  com  texto  inédito,  canto,  dança  e 
atuação.  Nosso  principal  contato  foi  com  o  diretor  Lau  Bark,  que  recepcionou-nos 
calorosamente  desde  a  troca  de  mensagens  até  nos  dias  de ensaio e apresentação. 
Deste modo, o grupo é vinculado a uma escola, ao CEP. 
Figura 3 - GRUTA - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 

Espetáculo do ​Grupo de Teatro do Clube Curitibano – GTCC 

Assistimos  à  apresentação  da  peça  “Sherazade”  do  grupo  de  teatro  amador 
do  Clube  Curitibano  na  sede  Concórdia  no  dia  30  de  março,  às  20h30.  Em  cartaz 
durante  o  Fringe  do  Festival  de  Teatro  de  Curitiba,  o  espetáculo  foi  inspirado  nas 
histórias  de  “As  Mil  e  Uma  Noites”.  O  grupo  de  teatro  ​adulto  do  Clube  Curitibano 
recebe  os  associados  do  clube  ​na  sede  Concórdia  para  montagem,  pré-produção  e 
ensaios  de  peças  teatrais​.  ​A  equipe  da  apresentação  era  composta  por  11  atores, 
sendo  que  um  deles  era  o  diretor.  Além  dos  atores,  havia  três  músicos  e  a  equipe 
técnica.  O  grupo  é,  portanto,  vinculado  a  um  clube.  Por  ter  sido  anterior  ao 
trabalho  de  campo  em  si,  a  análise  feita  foi  muito  mais  da  perspectiva  de  um 
espectador  do  que  de  um  pesquisador  e  não  foi  feito  contato  direto  com  nenhum 
dos integrantes do ​GTCC.​    

Ensaio: ​Cia de Teatro IBB (“Cena”) 

​ a  Cia 
Acompanhamos  o  ensaio-geral  do  musical  de  Páscoa  ​“Eu  Encontrei”  d
de  Teatro  da  Igreja  Batista  do  Bacacheri  (​Cia  de  Teatro  IBB  ou  ​“Cena”​),  ​que  faz 
parte  do  evento  anual  da  igreja  conhecido  como  “​Pazcoa  Cidade​”.  A  peça  era 
ambientada  na  Alemanha  Nazista  no  período  da  Segunda  Guerra  Mundial.  O  ensaio 
foi  no  dia  16  de  abril,  na  própria  igreja  e  teve  início  às  20h.  O  contato  foi 
estabelecido  por  meio  da  ex-professora  de  Ed.  Física  de  uma  integrante  do  nosso 
grupo:  Simone  Daldin,  que  fazia  parte  do elenco e foi com quem mais conversamos 
devido à correria do ensaio. O acesso foi fácil, mas não foi possível conversar com o 
diretor ou com o elenco sem atrapalhar o andamento.  

Figura 4 - IBB - Pazcoa - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 

Ensaio do ​Grupo A Tua Ação 

Fomos  ao  ensaio-geral  e  à  apresentação  do  musical  de  Páscoa  “Ressurreto” 


com  o  tema  “Amor  Real”  do  ​Grupo  A  Tua  Ação  vinculado  à  Primeira  Igreja  Batista 
de  Curitiba  (PIB  Curitiba).  Ambos  aconteceram  na  sede  da  igreja,  sendo  que  o 
ensaio  ocorreu  no  dia  17  de  abril  às  20h  e a apresentação dia 20 às 19h30. O grupo 
é  um  dos  grupos  de  teatro  amador  da  PIB  e  é  formado  por  membros  da  igreja, 
sendo  a  maioria dos integrantes adolescentes. Conversamos com o diretor do Grupo 
A  Tua  Ação,  Marlon  Valério,  e  fomos  muito  bem  recebidos;  ele  respondeu  a  todas 
as  nossas  dúvidas  a  respeito  do  grupo.  O  elenco  para  esse  espetáculo  reuniu  16 
pessoas, sendo apenas 14 do grupo de teatro. 
Figura 5 - Tua Ação - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 

Ensaio do ​Grupo Lanteri 

Visitamos  um  ensaio  da  peça  “A  Paixão  de  Cristo”  do ​Grupo Lanteri no CEEP 
–  Colégio  Estadual  de  Ensino  Profissional,  no  bairro  Boqueirão  de  Curitiba.  Ela  é 
encenada  todos  os  anos  e  conta  a  história  da  morte  e  ressurreição  de  Cristo,  mas, 
apesar  disso,  há  novidades  a  cada  vez  em  que  é  apresentada.  Neste  ano,  a 
inovação  foi  que  a  história  foi  contada  pelo  apóstolo  João  –  considerado,  nas 
escrituras  cristãs, o discípulo mais próximo de Jesus. A encenação do Grupo ​Lanteri 
é  considerada  a  segunda  maior  ao  ar  livre  do  Brasil (CULTURA 930, 2019). O ensaio 
ocorreu  dia  06  de  abril e teve início às 19h45. Conversamos com Aparecido Massi, o 
fundador  do  grupo,  e  com alguns dos integrantes, que foram todos bem receptivos. 
O grupo apresenta caráter religioso. 
Figura 6 - Lanteri - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 

Ensaio e Espetáculo do ​Grupo Arte e Vida 

O  Grupo  ​Arte e Vida tem como foco principal a realização de peças em datas 
comemorativas  cristãs.  Assistimos  ao  ensaio  e  à  apresentação  do  espetáculo 
“Paixão  de  Cristo”  e  ambos  aconteceram  na  Rua  da  Cidadania  do  Bairro  Novo.  O 
ensaio  foi dia 6 de abril às 16h e a apresentação às 20h do dia 19 de abril. No dia 6, 
havia  algo  próximo  de  200  pessoas  compondo  toda  a  equipe.  O  contato  foi  fácil, 
com  a  coordenadora  geral  Claudia  Barreto,  com  o  coordenador  adjunto  Gilberto 
Silva  e  com  o  idealizador  e  líder  vereador  Marcos  Vieira.  O  espetáculo,  que  teve 
duração  de  aproximadamente  3  horas,  foi  assistido  por  cerca  de  8  mil  pessoas  na 
Rua  da  Cidadania,  local  onde  a  peça  é  encenada,  tradicionalmente,  há  20  anos.  O 
grupo apresenta caráter religioso. 
Figura 7 - Arte e vida - Fonte: Acervo Próprio, 2019. 

2.1 PANORAMA: uma análise geral dos Grupos de Teatro em Curitiba 

Com  a  finalidade de garantir uma melhor compreensão a respeito do circuito 
pesquisado,  traçaremos  um  panorama  geral  dos  grupos  de  Teatro  em  Curitiba 
visitados. 

À  grosso  modo,  os  grupos  ​independentes  (​G.A.T.A.,  Grupo  S.E.M.  Cia  de 
​   Comparsaria  Cênica​),  com  exceção  da  ​Comparsaria​,  apresentaram-se 
Teatro  e
trabalhando  em  situações  provisórias  e  utilizando  espaços  e  elementos  cedidos. Os 
​   S.E.M.  Cia  de  Teatro  f​ oram 
atos  das  peças  teatrais  dos  grupos  ​G.A.T.A.  e
apresentados  em  um  único  cenário durante todo o decorrer da encenação – cenário 
com  mesas  espalhadas  pelo  palco  e  cenário  com  uma  jaula,  respectivamente.  No 
caso  do  ​G.A.T.A.​,  a  apresentação  aconteceu  num  espaço  cedido  pelo  professor 
Ismael  Scheffler  do  Teatro  da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (TUT), e 
no  do  ​Grupo  S.E.M.  Cia  de  Teatro,​   a  apresentação  teve  de  ser  realocada  para  um 
local  público.  O  espaço  que  a  Comparsaria  Cênica  utiliza  é  alugado (um local atrás 
de  um  café  no  Alto  da  XV)  e  arrecadam  dinheiro  por  meio  de  programações, como 
oficinas, e também por meio do incentivo público.  
Os  grupos ​vinculados a escolas e a clubes se resumem ao ​GRUTA e ao ​GTCC,​  
e  ambos  utilizavam  espaços  próprios.  Normalmente,  o  primeiro  utiliza  uma  sala 
própria  e  o  auditório  do  Colégio  Estadual  do  Paraná  para  seus  ensaios  e 
apresentações,  mas  esses  espaços  estavam  em  reforma.  Portanto,  o  grupo  estava 
utilizando  uma  sala  compartilhada  com  outras  áreas  (de  desenho  e  de  pintura)  e 
que  possui  condições  precárias,  improvisadas  e  inadequadas  à  prática  teatral.  O 
GRUTA  é  sustentado  por  meio  do  colégio,  mas  também  através  de  patrocínios, 
contando  com  um  amplo  apoio  da  comunidade  teatral.  Já  o  ​GTCC  é  um  grupo  que 
utiliza  as  diferentes  sedes  do  Clube  Curitibano  para  apresentar-se  e  se  mantém 
pelo dinheiro do clube.  

Os  grupos  ​religiosos  ​analisados  (​Cia de Teatro IBB, Grupo A Tua Ação, Grupo 


​   Arte  e  Vida)​   mostraram  receber  amplo  apoio  da  comunidade,  tendo  em 
Lanteri  e
vista  o  número  de  dias  de  apresentação  e  a  participação  que  era,  geralmente, 
aberta  a  quem  quisesse  –  com  um  viés  mais amador. A ​Cia de Teatro IBB ​e o ​Grupo 
A  Tua  Ação  pertencem  a  igrejas  e,  por  isso,  elas  são  seus  espaços  próprios  para os 
ensaios,  mas  o  ​Lanteri  ​e  ao  ​Arte  e  Vida  emprestaram  locais  ou  utilizaram  locais 
públicos. 

2.2 ATORES 

Tendo  em  vista que estamos aqui tratando do circuito composto pelos grupos 


de  teatro  de  Curitiba  e  região metropolitana, chamamos de “atores” todos aqueles 
que  participam  da  prática  em  questão.  Tratamos,  portanto,  dos  atores  sociais  que 
contrapõem  o  circuito  dos  grupos  de  teatro  e  contemplamos,  entre  eles,  atrizes  e 
atores  que  encenam  os  espetáculos,  interpretando  determinados  papéis.  Seguindo 
esse  conceito,  os  atores  que  compõem  o  cenário  teatral  em  Curitiba  podem  e,  no 
presente  trabalho,  serão  subdivididos  em:  Diretores;  Atores  (elenco);  e  Equipe  de 
Apoio.  

Diretores 

De  um  modo  geral,  os  diretores  (e,  às  vezes,  os  produtores)  dos  grupos 
independentes  ​analisados  participavam  das  peças  também  como  atores.  No  caso 
do  grupo  ​S.E.M.  Cia  de  Teatro,​  a peça ​“A Mulher Monstro” era um monólogo sendo 
interpretado  pelo  próprio  diretor  José  Barbosa.  A  respeito  da  ​Comparsaria  Cênica​, 
o  produtor  Hamilton  Maia  também  é  ator  e  participa  de  todas  as  peças  da 
companhia.  Entre os grupos pesquisados, apenas o diretor do grupo ​G.A.T.A. (Diego 
Monteiro  Von  Ancken)  não  fez  parte  do  elenco  da  peça  assistida  “​A  NeoVida 
contemporânea como ela é”. 

Nos  grupos  ​vinculados  a  escolas  e  clubes​,  observou-se  que  os  diretores 


também  tiveram  participação  direta no elenco dos espetáculos. O Lau Bark, diretor 
do  grupo  ​GRUTA,​  foi o idealizador do musical ​“Now It Goes”,​  mas também atuou. A 
peça  “Sherazade”  do  ​GTCC  –  Grupo  de  Teatro  do  Clube  Curitibano  contou  com  a 
atuação  de  Enéas  Lour,  que  também  realizou  a  dramaturgia,  cenografia,  texto  e 
direção.  

A  maioria  dos  4  diretores  dos  grupos  de  teatro  ​religiosos  tiveram  a  grande 
tarefa  de  dirigir  elencos  compostos  por  mais  de  cem  pessoas.  Nem  todos  os  atores 
eram  personagens  principais,  mas  todos  os  integrantes  do  elenco  precisavam  ser 
instruídos  pelo  diretor  –  o  que  atribuiu a esse cargo muita responsabilidade. Nestes 
casos,  os  diretores  não  participaram  do  elenco.  A  respeito  dos  diretores  de  cada 
grupo  teatral,  ​o  diretor  da  ​Cia  de  Teatro  IBB  (ou  “Cena”)  era  Rodrigo  Lara  e  o  do 
musical  “Ressurreto  2019”  apresentado  pelo  grupo  ​A  Tua  Ação  era  Samuel  Barros. 
Na  peça  “A  Paixão  de  Cristo”  do  ​Grupo  Lanteri,​   a  direção  artística  geral  foi 
realizada  pelo  fundador  Aparecido  Izabel  Massi,  que,  na  fundação  do  grupo,  era 
seminarista  e  gostava  de  trabalhar  com  projetos  voltados para jovens adolescentes 
de  sua  comunidade  –  e  o  ​Lanteri  nasceu  a  partir  desse  sentimento.  Massi  continua 
na liderança do grupo e na direção artística dos espetáculos até hoje. 

Atores 

A  maior  parte  dos  elencos  estudados  era  composto  por  atores  amadores.  No 
caso  dos  grupos  ​independentes​,  havia  uma  mescla  entre  atores  profissionais  e 
​ UT 
amadores.  Uma  parte ​do elenco do grupo ​G.A.T.A. iniciou a carreira teatral no T
(Teatro  da  Universidade  Tecnológica  Federal  do  Paraná)  e  outra  através  do  curso 
técnico  de  teatro  subsequente  ofertado  no  Colégio  Estadual  do  Paraná  (CEP).  O 
grupo  englobava  também  pessoas  das  mais  variadas  formações:  advocacia, 
medicina,  engenharia  civil,  educação  física,  economia  etc.  O  grupo  ​Comparsaria 
Cênica  ​é  formado  por,  aproximadamente,  dez  integrantes  fixos,  entre  eles  atores 
profissionais  e  amadores.  O  conjunto  das  pessoas  que  fazem  parte  do  grupo  é 
denominado  “Os  Comparsas”.  O  diretor  Hélio  de  Aquino  também  é  professor 
graduado  em  Artes  Cênicas  pela  FAP  (Faculdade  de  Artes  do  Paraná)  e 
pós-graduado  em  Ensino  da  Arte  pelo  ITECNE  (Instituto Tecnológico Educacional de 
Curitiba).  Uma  das  figuras  mais  marcantes  do  grupo  é  o  palhaço  “Borracha”, 
interpretado  pelo  ator  Felipe  Baluta.  O  Borracha  aparece  em  todas  as  peças 
interpretando diversos personagens e é considerado a estrela do grupo.  

Os  elencos  dos grupos ​vinculados a escolas e clubes eram pequenos, com no 


máximo  15  atores,  sendo  que,  no  caso  do  ​GTCC  -  Grupo  de  Teatro  do  Clube 
Curitibano,​   alguns  atores  interpretaram  mais  de  um  personagem.  Uma  das  atrizes 
do  musical  “Now  It  Goes!”  do  ​GRUTA  interpretou,  também,  uma  personagem 
“ninfeta”  da  peça  ​“A  NeoVida  contemporânea  como  ela  é”,  do  Grupo  ​G.A.T.A..​  
Com isso, percebemos que os grupos de teatro se relacionam e migram atores entre 
si. 

Os  grupos  ​religiosos  apresentaram  elencos  enormes,  com  mais  de  cem 
pessoas,  e  das  mais  variadas  faixas  etárias  (tendo  como  única  exceção  o  grupo  ​A 
Tua  Ação​,  com  um  elenco  de  16  pessoas):  desde  crianças  e  pré-adolescentes  até 
adultos  e  idosos.  Em  especial,  no  caso  da  ​Cia  de  Teatro  IBB  (ou  “Cena”)​,  o  coral 
era  inteiramente  completo  por  pessoas  entre  50  e  85  anos  e  os  personagens 
principais foram interpretados por pré-adolescentes e por adultos.  

Equipe de Apoio 

Os  grupos  ​independentes  apresentaram  equipes  de  apoio  compostas  por 


amigos  dos  integrantes  e  por  alguns  dos  próprios  integrantes  que,  além  de 
participar  dos  grupos  na  condição  de  atores,  também realizam outras atividades. A 
maquiagem  dos  atores  do  ​G.A.T.A.  foi  feita  gratuitamente  por  uma  amiga  do 
elenco  e  a  montagem  do  palco  pelo  professor  Ismael  Scheffler  do  TUT  (Teatro  da 
Universidade  Tecnológica  Federal  do  Paraná).  A  sonoplastia  do grupo ​S.E.M. Cia de 
Teatro  foi  feita  por  um  DJ  e  um  ator  –  que  não  atuou  na  peça  assistida  –  ficou 
responsável  pela  iluminação.  Na  ​Comparsaria  Cênica,​   uma  das  atrizes  cuida  do 
figurino  e  um  dos  atores  da  assessoria  de  imprensa.  O  grupo  valoriza  muito  o 
trabalho  colaborativo  entre  eles  e  até  mesmo  os  alunos  das  oficinas  oferecidas 
participam de algumas peças quando é necessário substituição.  

A  equipe  de  apoio  dos  grupos  ​vinculados  a  escolas  ou  clubes  era  diversa  e 
mais  profissionalizada.  A  subdivisão  para  o  espetáculo  ​“Now  It  Goes!”  do  ​GRUTA 
era:  publicidade  e assessoria técnica, fotografia, operação, gravação e mixagem de 
som,  adereços  e  figurino,  iluminação  e  cenografia,  preparação  musical  e  vocal, 
direção  musical  e  coreografia.  Além  dos  atores  do  ​GTCC,​   havia  quatro  músicos  e a 
equipe  técnica.  Essa  equipe  de apoio era subvividida em: maquiagem, composições 
musicais, iluminação, figurino etc. 

A  respeito  dos grupos ​religiosos​, as equipes de apoio eram mais visíveis, com 
forte  presença  nos  ensaios  e  com  responsabilidades  bem  divididas.  Na  ​Cia  de 
Teatro  I​ BB,​   a  equipe  de  produção  envolvia  ​os  responsáveis  pela  gravação,  pela 
projeção  das  letras de música, pelo som, luz e pela tradução em Libras. No grupo ​A 
Tua  Ação​,  havia  a  equipe  de  multimídia,  de  sonoplastia,  de  efeitos  especiais, 
tradutores  de  libras  etc.  A  equipe  de  apoio  do  ​Grupo  Lanteri  é  organizada  em 
núcleos:  o  de  atuação,  que  é  liderado  por  uma  pessoa;  maquiagem,  que  se  divide 
em  subnúcleos  de  envelhecimento,  penteados  e  geral;  produção,  que  se divide em 
subnúcleos  de  cenários,  adereços  e  esculturas;  figurino;  sonoplastia;  e 
comunicação.  No  caso  do  grupo  ​Arte  e  Vida​,  a  equipe  se  organizava  através  de 
orientações  passadas  por  membros  mais  antigos.  Oficialmente,  o  grupo  é 
coordenado  por  um  coordenador  geral,  oito  coordenadores  de  texto,  seis  de 
maquiagem  e  figurino,  cinquenta  pessoas  responsáveis  pela  iluminação, 
manutenção de som e equipamentos, além de vinte pessoas dando apoio de palco.  
2.3 REGRAS 

Os  aspectos  aqui  abordados  e  analisados  serão  relacionados  às  regras  e 


convenções  observadas  durante  o  trabalho  de  campo.  Essas  regras  serão 
organizadas  nos  seguintes  tópicos:  interação;  dificuldades;  e  outros  aspectos  que 
caracterizam o circuito de grupos de teatro em Curitiba. 

Interação 

Ao  considerarmos  o  tema  interação,  foi  possível caracterizá-lo em 2 tópicos, 


sendo  eles:  autoridade/hierarquia  e  afetividade/amizade.  Ambos  estão  presentes 
nas  relações  entre  os  integrantes  dos  grupos  de  teatro  e  na  maneira  como  são 
organizados. 

Autoridade/Hierarquia 

De  modo  geral  todos  os  grupos,  sendo  eles  os  ​independentes  (​G.A.T.A., 
Grupo  S.E.M.  Cia  de  Teatro  e  Comparsaria  Cênica)​ ,  grupos  ​vinculados  a  escolas  e 
a  clubes  (​GRUTA  ​e  GTCC)​   ou  os  ​religiosos  ​(​Cia  de  Teatro  IBB,  Grupo  A  Tua  Ação, 
​   Arte  e  Vida​)  demonstraram  que  possuíam  sim  uma  hierarquia,  e 
Grupo  Lanteri  e
ela  era  caracterizada  pela  presença  dos  diretores  de  cada  grupo. Porém, em todos 
os  grupos  era  perceptível  que  os  ensaio/espetáculos  eram  constituídos  pela  união 
das ideias e opiniões de todos que participavam do grupo.  

O  diretor  do  grupo  ​G.A.T.A  (Diego  Monteiro)  contou,  durante  a  roda  de 
conversa  que  participamos  após  a  apresentação,  que  a  construção  da  peça  ​“A 
NeoVida  contemporânea  como  ela  é”  ​foi  realizada  em  parceria  com  os  atores 
(principalmente  atrizes,  pois  o  tema  abordava  as  diversas  lutas  que  a  mulher 
enfrentou  e  ainda  enfrenta  na sociedade ao longo dos anos). Ele contou que muitas 
cenas  foram  baseadas  em  experiências  vividas  pelas  atrizes  e  que  essa  troca  de 
informações,  assim  como  a  criação  e inserção de falas e ações, fez com que a peça 
se tornasse mais condizente com a realidade. Isso demonstrou que, apesar de haver 
uma  “autoridade” do diretor sobre as tomadas de decisão, o processo de criação da 
peça era bem democrático e aberto para contribuições.  
A  relação marcante entre os integrantes do grupo ​S.E.M Cia de Teatro ​era de 
trabalharem  juntos  para  a  melhoria  e  o  aperfeiçoamento  da  peça,  por  isso,  os 
integrantes  tinham  liberdade  para  contribuir  dentro  de  sua  função  –  o  que 
demonstrava  a  confiança  que  o  diretor José Barbosa tinha nos integrantes. Porém, 
sempre  que  era  necessário  realizar  alguma  mudança,  eles  pediam  a  opinião  do 
diretor.  Isso  evidenciou  que,  mesmo  com  a  liberdade  que  os  integrantes  do  grupo 
tinham,  havia  uma  hierarquia,  pois  as  decisões  do  diretor  (e  também  ator)  José 
Barbosa predominavam, tornando-o essencial na produção da peça. 

Quanto  ao  grupo  ​GRUTA,​   a  hierarquia  estava  presente  em  relação  às 
decisões  a  respeito  do  funcionamento  da  peça  (como  músicas selecionadas e falas) 
e  durante  o  ensaio,  que  era comandado e controlado pelo diretor, produtor e pelas 
professoras  de  canto  e  de  jazz.  Tanto  os  atores  quanto  o  diretor  e  as  professoras 
atuavam  no  musical,  o  que  tornou  a  hierarquia  praticamente  não  perceptível.  No 
entanto,  a  professora  de  jazz  era  tão  próxima  dos  atores  (em  suas  conversas  e 
práticas)  que  uma pessoa de fora não perceberia a relação professor-aluno; parecia 
ser algo “de igual para igual”.  

Os  grupos  religiosos  ​Cia  de  Teatro  IBB  e  ​A  Tua  Ação  ​eram  integrados  por 
pessoas  que  frequentam,  respectivamente, a Igreja Batista do Bacacheri e Primeira 
Igreja  Batista  de  Curitiba  e  isso  faz  com  que  os  membros  da  equipe  possuam  uma 
relação  forte  de  amizade  dentro  e  fora  dos  palcos.  Porém,  durante  o  ensaio  do 
grupo  ​Cia  de  Teatro  IBB,  essa  intimidade  que  existia  entre  os integrantes do grupo 
destacou,  em  determinado  momento,  a  hierarquia  existente  na  equipe,  pois  o 
maestro  usou  a  ironia  para  chamar  a  atenção  de  algumas  pessoas,  mostrando  sua 
superioridade  em  relação às outras que estavam ali. Ele disse: “vamos fingir que eu 
sou  o  maestro  e  vocês  olham  para  mim?”  ​e  em  seguida  o  ensaio  fluiu  de  uma 
melhor  maneira,  pois os integrantes do musical passaram a prestar mais atenção no 
andamento do ensaio. 

Afetividade/Amizade 
A  relação  interpessoal  dos  grupos  visitados  se  destacava  pela  cumplicidade 
entre  os  integrantes. Dentre os grupos ​independentes​, o ​G.A.T.A destacou-se, pois 
a  relação  entre  os  integrantes  durante  a  roda de conversa aparentou ser de grande 
respeito:  ​todos  os  integrantes  tiveram  a  oportunidade  de  responder  às perguntas a 
partir  de  seus  pontos  de  vista,  contando  sempre  com  o  respeito  e  apoio  dos 
companheiros de equipe. 

  Nos  grupos  ​vinculados  a  escolas  e  a  clubes​,  ​podemos  citar  o  ​GRUTA  como 


exemplo  dessa  cumplicidade,  pois  seus  integrantes  demonstraram  possuir  uma 
grande  liberdade  e  amizade  entre  si.  Antes  e  durante  o  ensaio  ocorreram 
brincadeiras  e  piadas  que  evidenciaram  a  grande  parceria  que  há  entre  os  atores 
tanto  dentro  quanto  fora  dos  palcos.  Todos  pareciam  se  conhecer  e  estarem 
confortáveis  uns  com  os  outros.  Algo  que  se  destacou  foi  que, durante o ensaio, os 
integrantes  do  grupo  se  abraçavam  muito  e  essa  demonstração  de  afeto  não  era 
“exclusiva”  aos  atores,  mas  houve  momentos  em  que  eles permaneciam abraçados 
também  com  o  produtor  do  musical,  diretores  e  outros  integrantes  da  equipe. 
Notamos  que  a  interação  foi  crescendo  conforme  o  ensaio,  pois,  no  início,  os 
integrantes  estavam  mais  divididos  e  depois  mais  próximos,  com  muita  risada  e 
carinho  fora  do  ensaio  e  com  muito  contato visual dentro dele. No entanto, em um 
determinado  momento  a  professora de canto chamou a atenção: “interajam mais!” 
e então o contato físico tornou-se mais forte nas cenas.  

Quanto  aos  grupos  ​religiosos​,  ​na  ​Cia  de  Teatro  IBB  os  integrantes  possuíam 
grande  amizade  proveniente da vivência fora dos palcos nos cultos da Igreja Batista 
do  Bacacheri.  Durante  o  ensaio,  eles  chamavam  uns  aos  outros  de  “irmãos”.  O 
diretor  Rodrigo  Lara,  que  também  era  o  maestro  responsável  pelo  comando  do 
ensaio,  conhecia  todas  as  centenas  de  pessoas  que  estavam  ali  presentes  e  as 
chamava  pelo  nome.  As  pessoas  no  ensaio  aparentavam  estar  bem  confortáveis, 
muitas  vezes  fazendo  piadas  internas  e  ajudando  uns aos outros. No grupo ​Lanteri,​  
muitos  membros  se  conhecem  há  muitos anos e mantém, entre si, um vínculo forte 
de  amizade.  Há  membros  que  participam  do  grupo  há  mais  de  30  anos,  levando 
seus  filhos  e  até  netos  para  participarem  também.  Durante  o  ensaio,  era  fácil 
perceber  o  clima  de  cumplicidade  entre  os  membros  do  grupo.  A  familiaridade  foi 
um aspecto positivo para que a interação teatral fosse mais profunda e real. 

Dificuldades  

Dentre  os  grupos  de  teatro  analisados,  as  maiores  dificuldades  apresentadas 
foram:  a  falta  de  verba  para  a  montagem  e  apresentação  dos espetáculos e peças, 
o  que  limitava  as  ações  dos  grupos  e  fazia  com  que  eles  passassem  a  depender  de 
empréstimos  (de  roupas,  cenários  e  lugares  para  ensaio  e  apresentações),  e  da 
ajuda  de  amigos  e  dos  próprios integrantes do grupo para a confecção de figurinos, 
cenários  e  maquiagens  dos  espetáculos;  falta  de  tempo  para  ensaios,  pois  por 
serem,  em  sua  maioria,  compostos  por  voluntários,  os  grupos  de  teatro  acabam 
ficando  em  segundo  plano  na  rotina  dos  atores,  que  só  podem  ensaiar  em  horários 
limitados,  além  disso,  ocorre  que  muitas  vezes  os  horários  de  disponibilidade  dos 
integrantes  para  os  ensaios  não  coincidem,  o  que  dificulta  a  sua  organização;  a 
grande  rotatividade  de  atores,  que  muitas  vezes  desistem  meses  antes  da  estréia 
ou  apresentam-se  por  apenas  uma  temporada  e  depois  se  desligam  do  grupo;  e 
falta  de  espaço  para  o  ensaio  e  para  a  quantidade  de  pessoas  envolvidas  na 
produção  do  espetáculo  (atores  e  equipes  de  produção  criando  cenários  e 
figurinos).  Isso  faz  com  que  os  grupos  ensaiem  em  locais  inadequados  (pequenos) 
para a prática teatral ou emprestem locais maiores. 

Em  relação  às  dificuldades  encontradas  pelos  grupos  ​vinculados  a  escolas  e  a 


clubes​,  pode-se  destacar  o  fato  de  o  Colégio  Estadual  do  Paraná  (CEP)  estar 
passando  por  uma  reforma  e,  como  o  GRUTA está vinculado a ele, as dependências 
onde  normalmente  ocorrem  os  ensaios  do  grupo  também  estão  sendo  reformadas. 
Dessa  forma,  a  equipe  está  ensaiando  em  uma  sala  pequena  que  é  dividida  com 
outros  setores  do  CEP  e,  durante  o  ensaio,  os  atores  batiam,  chutavam  e 
esbarravam  em  coisas.  O  diretor  sempre  buscava  conseguir  bons  locais  de  ensaio, 
pois  o  CEP  não  era  suficiente.  Para  a  apresentação,  o  grupo  conseguiu  o  Teatro 
Guairinha.  Lá,  diferentemente  do  local  onde  estava  ocorrendo  o  ensaio,  era 
excelente para a prática teatral. 
Alguns  grupos  entram  como  exceção  às  dificuldades  apresentadas:  os  grupos 
religiosos  ​Cia  de  Teatro  IBB  e  Grupo  A  Tua  Ação  ​possuíam  um  local  grande  e 
adequado  para  os  ensaios.  Por  serem  provenientes  de  igrejas,  esses  grupos 
possuíam  um grande aparato de luz e som para serem utilizados durante os ensaios, 
além  de  conseguirem  bancar  seus  ensaios  e apresentações com a ajuda de todos os 
membros.  

Outros aspectos: relação entre os grupos e o público 

Em  sua  maioria,  os  grupos  de  teatro  estudados  apresentaram  grande 
interação  e  abertura  para  o  público.  Como  destaque,  pode-se  citar  os  grupos: 
G.A.T.A, GRUTA e Arte e Vida.  

Como  já  comentado,  após  a  apresentação  da  peça  ​“A  NeoVida 


​ o  grupo  ​G.A.T.A,  ​houve  uma  roda  de  conversa  em 
contemporânea  como  ela  é”  d
que  a  equipe  de  atores  e  diretores  responderam  questionamentos  feitos  pelo 
público.  Eles  tiraram  as  dúvidas  das  pessoas  que  ali estavam de maneira próxima e 
acessível.  Algumas  perguntas faziam fortes críticas à peça, mas, mesmo assim, eles 
responderam de forma educada e respeitosa. 

O  grupo  ​GRUTA​,  durante  seu  ensaio,  demonstrou  grande  interesse  em 


responder  aos  questionamentos  que  realizávamos  –  como  pesquisadores  –  em 
relação  ao  trabalho  deles.  Muitas vezes, o Lau (diretor) parava o ensaio e vinha até 
onde  estávamos  e  perguntava  se  tínhamos  algum  questionamento  sobre  o  grupo,  o 
ensaio ou sobre sua história.   

O  ensaio  do  grupo  ​Arte  e  Vida  ocorreu em uma Rua da Cidadania e, por isso, 


era  visível  para  as  pessoas  que  passavam  a  pé,  de  carro  e  de  ônibus.  A  interação 
que  ganhou  destaque  foi  aquela  entre  os atores e os transeuntes na rua, pois a Rua 
da  Cidadania  não  foi  interditada  para  a  peça até o dia da apresentação e, por isso, 
o  contato  com  os  passantes era direto e constante. Muitos paravam admirados para 
assistir  ao  ensaio  da  peça  e  até  mesmo  dar  opiniões  sobre  o  andamento do ensaio, 
e os atores tinham que lidar com isso em meio à prática.  
Durante  o  trabalho de campo, observou-se uma situação delicada em relação 
à  apresentação  do  espetáculo  “Sherazade”  encenado  pelo  ​Grupo  de  Teatro  do 
Clube  Curitibano​.  O  grupo,  de  certa  forma,  dificultou  o  acesso  do  público  à 
apresentação  de  sua  peça,  pois  o  clube  informou no guia do Festival de Teatro que 
a  apresentação seria gratuita naquele dia, porém, quando o público tentava fazer a 
retirada dos ingressos gratuitamente, os balconistas do local queriam cobrar o valor 
de  R$  15,00.  Os  ingressos  só  foram  cedidos  de  forma  gratuita  após  provar  que 
estava  anunciada  no  guia  do  Festival  a  gratuidade  do  espetáculo.  E,  após  o 
ocorrido,  pediram  para  que  as  pessoas  que  tinham  percebido  o  equívoco  não 
divulgassem a informação (a gratuidade informada no guia) para outras pessoas.  

 
   
   
Capítulo 03 – Análise da cultura organizacional do G.R.U.T.A. 

3.1 Contextualização sobre Cultura Organizacional e Memória Organizacional  

O  tópico  inicial  desta  seção  tem  a  intenção  de  apresentar  uma  breve 
contextualização  do  que  se  entende,  dentro  dos  estudos  de  Comunicação 
Organizacional,  por  Cultura  Organizacional,  Memória  Organizacional  e  por  Formas 
da  Gestão  do  Trabalho,  a  fim  de  embasar  teoricamente  os  demais  conteúdos 
desenvolvidos  no  capítulo.  Após  a  realização  da  pesquisa  de  campo  e,  tendo  em 
vista  a  recepção  e  tempo  de  vida  organizacional,  o  grupo  decidiu  focar  os  estudos 
de  modo  mais  específico  no  ​Grupo  de  Teatro  Amador  do  Colégio  Estadual  do 
Paraná  (GRUTA)​.  Nesse  sentido,  esforçamo-nos  inicialmente  pela  construção  de 
uma  explicação  clara  a  respeito  desses  termos  que  fazem  parte  do  universo  da 
Comunicação Organizacional.  

Antes  de  tudo,  é  preciso  compreender  “cultura”  sob  a  perspectiva 


antropológica  do  termo.  Não  levando  em  consideração  o  entendimento  do  senso 
comum  de  que  o  indivíduo  é  passível  de  ser  mais  ou menos dotado de cultura, mas 
sim  a  percepção  encontrada  na  literatura  científica,  em  que  a  cultura  é 
apresentada  como  sendo  algo  intrinsicamente  humano,  como  tudo aquilo que o ser 
humano  consegue  aprender,  fazer,  usar, produzir e conhecer nos grupos sociais aos 
quais pertence (DIAS, 2013). 

Sendo  assim,  compreende-se  que  todos  os  indivíduos  e  grupos  sociais 


possuem  sua  própria  cultura  que  as  distinguem  dos  demais.  Essa  bagagem  cultural 
perpassa  pelas  gerações  desses  grupos através da herança social e dos processos de 
socialização. Logo, como explicita Dias: 

  (...)  o  ser  humano  é  o  resultado  cultural  do  meio  em  que  foi  socializado.  Ele  é  o  herdeiro  de  um 
longo  processo  acumulativo  que  reflete  todo  conhecimento  e  experiências 
adquiridas  pelas  numerosas  gerações  que  o  antecederam  (DIAS,  2013, 
p.42).  
A  respeito  disso,  Bronislaw  Malinowski  (1970)  foi  quem  introduziu  a  ideia  de 
existirem  “subculturas”  dentro  de  culturas,  como,  por  exemplo:  as  culturas 
regionais, em comparação com as nacionais, conferem subculturas.  

Toda  cultura  possui  membros  que  compartilham  significados  comuns.  Isso 


facilita  a  convivência,  a  comunicação  e  a  sobrevivência.  Para  conhecer  uma 
cultura,  é  preciso  observar suas relações interpessoais, a vida material, o idioma, a 
visão  estética,  a  religião,  a  força  da  identidade  cultural,  as  manifestações 
folclóricas etc. (DIAS, 2013). 

Em  suma,  a  área  de  Comunicação  Organizacional  adota  o  conceito 


antropológico  do  termo:  cultura  é  toda  produção  humana  transmitida  pela 
socialização.  Isto  é,  compreende  a  totalidade  das  criações  humanas  (tanto  os 
aspectos  tangíveis/materiais  como  os  intangíveis/imateriais),  é  uma  característica 
exclusiva  dos  humanos  (excluindo  os  animais),  e  é  transmitida  pela  herança  social 
(e não pela biológica) (DIAS, 2013). 

Partindo  dessas  interpretações,  Cultura  Organizacional  passa  a  ser 


entendida,  basicamente,  como  a  composição  das  culturas  locais,  regionais  e 
nacionais  dos  contextos  sociais  onde  as  organizações  estão  inseridas  e também das 
culturas  individuais  –  levando  em  consideração  que  as  organizações  se  constituem 
por  pessoas.  Por  esse  motivo,  não  há  apenas  uma  definição  única  disponível,  mas, 
no  geral, Cultura Organizacional é entendida como um sistema de valores e crenças 
compartilhadas  que  geram  efeitos  sobre  os  comportamentos  em  uma  organização. 
É ela quem guia as escolhas e dá significado às atividades. (DIAS, 2013) 

Dentre  as  funções  da  Cultura  Organizacional,  é  possível  identificar: 


transmitir  sentimento  de  identidade  aos  membros;  facilitar  com  que  as  pessoas 
assumam  um  compromisso  com  algo  maior  do  que  si  mesmas;  contribuir  para 
fortalecer  a  estabilidade  do  sistema  social;  e  oferecer  normas  que  facilitem  a 
tomada de decisão. (DIAS, 2013)  

Didaticamente,  existem  alguns  elementos  que  dão  sustentação  à  Cultura 


Organizacional  e  que  facilitam  e  conduzem  ao enfrentamento de problemas, sendo 
chamados  de  “elementos  estruturantes”.  Eles  podem  ser  analisados  tanto  no  nível 
organizacional  como  em  grupos  ou  subculturas.  Edgar  Schein  foi  um  dos  autores 
que  classificou  esses  elementos  entre  aqueles  que  fazem  parte  do  Núcleo  Central 
(Crenças,  Valores  e  Pressupostos  Básicos)  e  os  que  conferem  Formas  Visíveis  e 
Expressíveis  (Artefatos,  Condutas,  Heróis,  Linguagem,  Ritos  e  Rituais,  Símbolos  e 
Slogans).  As  Formas  Visíveis  e  Expressíveis  determinam  os  elementos  do  Núcleo 
Central (DIAS, 2013).  

É  possível  pensar  uma  organização  como  uma  entidade  que  possui  “vida” 
própria,  afinal,  ela  é  constituída  por  pessoas.  Através  da  celebração  e  valorização 
de  experiências  passadas  e  marcos  históricos próprios, uma organização é capaz de 
formar  uma  identidade  institucional,  por  meio  da  relação  com  seus  variados 
públicos. 

Segundo  a  autora  Lucia  Santa  Cruz  (2014),  ao  se  analisar  os  materiais 
disponíveis  que  tratam  sobre  a  temática  de  memória  nos  estudos  de  Comunicação 
Organizacional,  é  perceptível  que  existe  uma  tendência  à  instrumentalização  do 
tema,  como  uma  estratégia  de  comunicação.  Essa  chave  conceitual,  de  memória 
como  estratégia,  é  apenas  uma  dentre  as  cinco  existentes,  sendo  elas:  memória 
como  cultura  organizacional,  como  auxiliar  na  formação  da  identidade 
organizacional;  memória  como  gestão  do  conhecimento;  memória  como  trajetória 
institucional; e memória como saber coletivo. É fundamental reforçar o fato de que 
memória  organizacional  não  se  trata  de  um  sinônimo  para  os  instrumentos  e 
ferramentas de memória.  

A  memória  de  uma  organização,  com  seus  elementos  e  significados,  é  um 


importante  recurso  adotado  pela  Comunicação  Organizacional  como  protagonista e 
intermediadora  das  diversas  relações  das  organizações,  para  auxiliar  na tomada de 
decisões  assertivas.  Além  da  identidade  institucional,  a memória perpetua valores, 
sentidos  e  outros  elementos  intangíveis,  ou  seja,  não  se  restringe  a  datas 
comemorativas e a celebrações vazias. (COSTA, 2006) 

3.1.1 Dados Gerais da Organização 


  O  GRUTA  (Grupo  de  Teatro  Amador)  é  um  projeto  da  Escolinha  de  Arte  no 
CEP  (Colégio  Estadual do Paraná) na Avenida João Gualberto, Nº 250, Alto da Glória 
de  Curitiba.  É  possível  entrar  em  contato  com  o  grupo  através  do  e-mail 
escolinhadearte@cep.pr.gov.br,  assim  como  através  do  telefone  (41)  3234-5665. 
Também  é  possível  conseguir  mais  informações  através  do  site  institucional  do 
grupo: http://www.cep.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=99.  

O  GRUTA  oferece  aulas  de  teatro  amador  desde  às  crianças,  aos 
adolescentes  e  até  aos  adultos,  permitindo-os  que  subam  no  palco  e  realizem  sua 
primeira  peça.  O  grupo  se  divide  em  subgrupos  focados  em  idades  diferentes, 
sendo eles:  

● Grutinha, para crianças de até 14 anos  


● Gruta Adolescente, de 15 a 17 anos 
5
● Gruta, de 15 a 40 anos  

Apesar  de  fazer  parte  do  Colégio  Estadual  do  Paraná,  não  há  a  necessidade 
de  ser  estudante  do CEP para se participar do GRUTA. As aulas ocorrem de segunda 
à sexta nos horários mais variados, dependendo do grupo e da peça sendo ensaiada. 

3.1.2 Elementos da Cultura e da Memória Organizacional 

O  GRUTA  (Grupo  de  Teatro  Amador  do  Colégio  Estadual  do  Paraná)  foi 
fundado  em  1966,  porém,  sua  história  inicia-se no ano de 1952, quando o professor 
Norberto  Teixeira  criou  o  CCCEP  (Corpo  Cênico  do  Colégio  Estadual  do  Paraná). 
Sete  anos  depois,  Silvio  Jair  Kormann  criou  o  Teatro  Experimental  do  Colégio 
Estadual  do  Paraná,  e  em  1963  foi formado outro grupo: o TGCEP (Teatro Grego do 
Colégio  Estadual  do  Paraná),  pela  professora  Maria  Lambros  Comninos  (COLÉGIO 
ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 

A  pedido  de  alunos  e  de  ex-alunos  do  TGCEP,  o  professor  e  então  diretor 
geral  Ernani  Straub  convocou  o  ator  Telmo  Faria  (primeiro  ator  profissional  do 

5
O gruta é o único grupo que possui atores não amadores em conjunto com os amadores. Além disso, devido
às especificidades de shows musicais, eles pretendem criar um novo grupo chamado Gruta Musical.
Paraná)  para  tomar  a  criação  e  direção  artística  do  GRUTA  em  1966.  Logo  em 
seguida,  Telmo  convidou  o  dentista  e  amante  da  arte  Aluízio  Cherobim  para 
participar  do  grupo  e  essa  parceria,  que  tinha  como  intuito  levar  à  cena  uma 
dramaturgia  eclética,  gerou  ​“O  Julgamento  de  Joana”,  de  Eddy  Franciosi  e  ​“A 
Moratória”,​ de Jorge Andrade (COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 

Na  década  de  80,  Aluízio  e  Luciana  Cherobim  criaram  o  Curso  Técnico  de 
Teatro  e  Ator  e,  a  partir  desse  momento,  o  teatro  no  CEP  passou  a  ser 
profissionalizante,  sendo  possível  habilitar-se  de  duas  maneiras  diferentes:  como 
ator  ou  como  técnico  de  teatro.  O curso foi coordenado pelos professores Armando 
Maranhão,  Luís  Afonso  Burigo  e  Guaraci  Martins.  Mas,  no  início  dos  anos  2000, 
formou-se  a  última  turma;  nela,  formaram-se  a  atriz  Marjorie  Estiano  e  o  ator 
Leonardo Miggiorin (COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 

Grande  parte  da  história  do  teatro  paranaense  passou  pelas  salas do Colégio 
Estadual  do  Paraná,  mas  também  outras  histórias  por  ali  passaram.  Do  curso  de 
formação  de  atores  da  instituição,  formaram-se  profissionais  dos  palcos  (como  o 
iluminador  Beto  Bruel,  a  atriz  Odelair  Rodrigues,  Luís  Melo  e  Ranieri  González)  e 
também  aqueles  que  se  consagraram  na  televisão,  como  Ary  Fontoura  (COLÉGIO 
ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 

Depois  de  quase  uma  década  sem  os  cursos  técnicos,  somente  com  as 
produções  do  grupo  amador,  em  2009  os  cursos  técnicos  retornaram  por  meio  da 
diretora  Maria  Madselva  que,  com  a  ajuda  da  professora  Raquel  Júlio  Mastey,  deu 
início ao ingresso dos novos cursos técnicos em teatro no CEP. Desde então, o grupo 
vem  formando  atores,  atrizes  e  plateia  regularmente.  ​O  Teatro  Experimental  e  a 
Pesquisa  Teatral  são  ramificações  do  ensino  do  teatro  amador  presentes  até  hoje 
no ensino do CEP ​(COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 

O  ano  de  2018 foi marcado pelo início das obras para a ampliação e melhoria 


da  estrutura do CEP e essas obras se estendem até o ano de 2019. As aplicações das 
aulas  estão  sendo  de  maneira  improvisada  na  sala  emprestada  pelo  Dancep (Grupo 
de  Dança  Contemporânea  do  Colégio  Estadual  do  Paraná)  e  no saguão do CEP. Esse 
saguão,  onde  os  ensaios  estão  ocorrendo,  é  pequeno  e  apertado  para  a  prática 
teatral, algo que inibe e limita as atividades do grupo. 

  Já  são  cinco  décadas  em  que  o  GRUTA  desenvolve  espetáculos  baseados nos 
trabalhos  de  atores,  com  cenários  enxutos  e textos de criação própria, tendo como 
base  a  cultura  popular  paraense  e  impactos  políticos  e  sociais.  Além  disso,  é  um 
grupo  que  “descobriu”  vários  atores  que,  atualmente,  são  de  extrema importância 
no cenário nacional. 

Valores Organizacionais 

  Os  valores  se  constituem  como  um  elemento  comum  e  fundamental  em 
todas  as  definições  e  conceituações  de  cultura  organizacional.  Eles  são  aquelas 
percepções  compartilhadas  a  respeito  do  que  é  importante,  desejável,  aceito, 
correto  ou  não.  Pode-se  citar  como  exemplo  o  respeito  à  natureza, a honestidade, 
a postura de “tirar vantagem” etc. (DIAS, 2013). 

Em  nossas  observações  e conversas com alguns dos membros do GRUTA como 


professores  e  coordenadores,  pudemos  notar  alguns  valores  que  estão  presentes 
nesta  organização.  Identificamos  que  o  grupo  tem  como  valores  essenciais:  a 
aprendizagem,  a  descoberta  e  o  oferecimento  de  experiência  estética  do  fazer 
teatral;  a  formação  e  valorização  da  plateia;  o  pertencimento  à  organização;  a 
valorização  da  experiência  do  outro;  o  trabalho  em  conjunto;  e  a  busca  por 
inovação.  

Missão do GRUTA 

“Missão”  é  a  razão  de  ser  de  uma  organização,  é  a  fundamentação  de  seu 
propósito  (DIAS,  2013).  Identificamos,  portanto,  que  o  GRUTA  tem  como  propósito 
colaborar  e  ensinar  sobre  a  arte,  ensinar  a  trabalhar  em  coletivo,  formar plateia e 
possibilitar  a  oportunidade  de  a  comunidade  possuir  uma  experiência  estética  do 
fazer  teatral.  Tendo  isso  em  vista,  a  organização  tem  como  missão  levar  essa 
proposta  para  a  formação  de  alunos.  Para  o  professor  ​Lau  Bark  do  GRUTA,  é 
importante: 
(...)  A  formação  de  plateia,  ​dar  experiência  estética  do  fazer  teatral  ​(tem  gente  que  sempre  quis 
fazer  teatro  e  nunca  teve  coragem),  oportunidade de fazer teatro – já que 
o  curso  é  de graça, financiado pelo governo – experiência [...] de conhecer 
a  linguagem  teatral.  [..]  É  da  nossa  responsabilidade  preparar  o  ator,  dar 
um  pouco  de  prática  para  que  ele  suba  no  palco  e  apresente  um 
espetáculo. 

Identificamos  que  o  GRUTA  também  tem  como  missão  fazer  com  que  os 
alunos  se  envolvam  em  todos  os  processos  da  arte  através  de  sua  participação  em 
toda  a  produção  por  trás  do  projeto.  Assim,  os  alunos  participam  da  produção  dos 
figurinos,  dos  processos  didáticos,  da  maquiagem,  dos  sons  e  da  montagem  dos 
espetáculos.  Com  isso,  o  grupo  visa  a  incentivar  o  trabalho  em  conjunto  entre  os 
estudantes,  professores,  produtores  e  diretores  e  que  tudo  isso  seja  usado  na 
formação humana dos alunos.  

Visão da Organização 

A  visão  organizacional  define  o  que  a  organização  deseja  ser  no  futuro,  ou 
seja,  o  que  ela  vislumbra  atingir.  Assim,  através  da sua missão e de seus valores, a 
visão  orienta  as  ações  de  todos  que  compõem a organização, além de ​direcioná-los 
para que a organização possa alcançar os objetivos que almeja (DIAS, 2013). 

O  GRUTA  tem  como  visão  a  expansão  da  escolinha  de  teatro,  passando  a 
abordar  também  outras  esferas  do  teatro  (como,  por  exemplo,  o  musical)  e  ​trazer 
peças  de  autores  pouco  conhecidos  para  dentro  do  cenário  de  teatro  curitibano. O 
grupo  busca,  através  de  seus  espetáculos  e  aulas,  ​proporcionar  aos  alunos  a 
oportunidade  de  se  desenvolverem  como  cidadãos,  além  de  dar  a  eles  a  opção  de 
passar pela experiência teatral.  

Ritos e Rituais 

  Os  ritos  ​são  práticas  recorrentes  que  representam  os  valores  e  têm  relação 
com  os  mitos  e  heróis  e  os  rituais  são  eventos  que  geralmente  marcam  transições 
de etapas, atividades coletivas e, por vezes, supérfluas (DIAS, 2013). 
Conseguimos  identificar  alguns  ritos  e  rituais  no  GRUTA.  Um  deles  é  a 
“leitura  de  mesa”,  que  é  quando  os  integrantes  do  grupo  sentam,  leem  e 
interpretam  os  textos  para  criar  os  personagens;  essa  leitura  ocorre  em  todas  as 
audições  para  as  peças.  Outro  exemplo  é  o  “Café  com  Persona”  que  é  uma 
confraternização  onde  cada  um  traz  um  prato  de  comida  e  eles  se  reúnem  para 
comer  e  conversar  sobre  os  personagens,  a  personalidade  de  cada  um  etc.  Além 
disso,  os  alunos  vão  juntos  assistir  a  algumas  peças  teatrais  quando  recebem 
convite. 

Lemas 

Os  lemas  são  as  curtas  expressões  que,  de  maneira  sucinta  e  resumida, 
contém  uma  ideia  central  na  cultura  da  organização.  Eles  também  expressam  os 
valores  da  organização  (DIAS,  2013).  ​O  GRUTA possui como lema “Dar ao estudante 
a  experiência do fazer teatral e a formação de plateia” que, de certo modo, condiz 
com  os  seus  valores  que  são  pautados  em  ensinar  jovens  inexperientes  a  ter  uma 
experiência  no  teatro  e em valorizar a plateia para que as pessoas gostem cada vez 
mais de frequentar o teatro. Por meio desse lema, seus integrantes tentam traduzir 
que,  através  do  GRUTA,  as  pessoas  têm  a  oportunidade  de  conhecer diversos lados 
de uma produção teatral – desde a escrita da peça até a atuação.  

Jargões 

Jargões  são  ​o  conjunto  de  formas  de fala que carregam significados e que só 


são  compreendidas  pelos  membros  da  organização.  Não se referem somente ao uso 
das  palavras, mas também ao significado que expressam dentro do contexto. É pela 
linguagem que o novato aprenderá sobre como a organização funciona (DIAS, 2013).  

No  GRUTA,  os  jargões  utilizados  por  seus  membros  são  evidentes  na  fala. 
Alguns  jargões  observados  são  os  termos  “SIR”,  que  é  utilizado  para  identificar  os 
personagens  da  peça  que  tem  sotaque  caipira,  e  “rubrica”,  que  um  texto  entre 
parênteses  que  não  é  lido/falado,  mas  encontra-se  no  roteiro  como  forma  de 
indicação  do  que  o  personagem  deve  fazer  ou  como deve agir. ​Esses jargões só são 
entendidos  por  quem  está  familiarizado  com  as  palavras  técnicas  do  teatro  e  por 
quem está em contato contínuo com a prática teatral.  

Condutas 

As  condutas  englobam  os  modos  de  agir,  vestir,  comer,  descansar  e  reunir. 
As  condutas  são  naturalmente  copiadas pelos novatos no processo de socialização e 
podem,  por  vezes,  manter  esses  comportamentos  mesmo  fora  do  ambiente  de 
trabalho (DIAS, 2013). 

Algumas  condutas  observadas  no  GRUTA  foram  em  relação  à  forma  de  os 
integrantes  se  vestirem  e  se  relacionarem.  O  que  se  destacou  foi  a  maneira 
informal como se encontram. 

Quanto  à  vestimenta,  é  necessário  que  eles  estejam  vestidos  de  roupas 


confortáveis  para  a prática do teatro, porém isso fica a critério de cada integrante. 
Nos  ensaios  em  que visitamos, havia, por exemplo, atores com uniformes dos locais 
onde estudam.  

O  comportamento  entre  os  integrantes  do  grupo  é  caracterizado  por  uma 


grande  intimidade;  durante  os  ensaios,  os  atores  se  abraçavam,  riam  e  faziam 
piadas,  mostrando  que,  no  GRUTA,  existe  uma  relação  de  cumplicidade  entre  seus 
membros.  

Personagens 

Os  personagens  são  símbolos  sociais,  pessoas  que  são  referências,  modelos 
da  boa  personificação  dos  valores  essenciais  da  organização.  Servem  de  exemplo 
para  os  demais.  Exemplos  de  personagens  podem  ser  os  fundadores,  os  heróis 
(exemplos de superação) e líderes formais ou informais (DIAS, 2013). 

Um  dos  personagens  do  GRUTA  é  já  citado  Telmo  Faria,  considerado  o 
primeiro  ator  profissional  do  estado  do  Paraná.  ​Faria  criou  e  organizou  o  grupo, 
levando  para  o  Colégio  Estadual  do  Paraná  uma  dramaturgia  mais  eclética  e 
acessível,  ​fazendo  com  que  ele  seja  até  hoje  uma  figura  marcante  na  organização 
(COLÉGIO ESTADUAL DO PARANÁ, 2010). 

Armando Maranhão (1929-2007) e Luís Afonso Burigo (1942-2018) também são 
considerados  heróis:  foram  dois  atores  que  faziam  parte  do  GRUTA  quando  ele 
ainda  era  vinculado  à  escola  técnica.  Até  morrerem,  ambos  traziam  e  contavam 
histórias das décadas de 50, 60 e 70 do grupo de teatro para os alunos. 

Outros  personagens  de  destaque  na  instituição  são  os  professores ​Lau Bark e 


Adriana  de  Cristo,  que  são  os  encarregados  de  cuidar,  organizar  e  ensinar  na 
Escolinha  de Arte do GRUTA. ​São considerados líderes do grupo e são ​admirados por 
grande parte dos alunos e de seus pais. 

Artefatos Materiais 

Os  “artefatos  materiais”  são  os  elementos  tangíveis  e  simbólicos  da  cultura 
organizacional  que  manifestam  mensagens  aos  membros  ou  aos  públicos.  O 
relógio-ponto,  os  prêmios,  as  decorações,  as  bandeiras;  todos  esses  são  exemplos 
de artefatos materiais (DIAS, 2013). 

Inicialmente,  é  importante  relembrar  que  a sala original das aulas do GRUTA 


se  encontra  em  reforma,  fazendo  com  que  só nos fosse possível ter acesso a alguns 
artefatos de pequeno porte que poderiam ser transportados com facilidade.  

Diante  disso,  identificamos  um  elemento  bem  evidente  na  organização:  um 
crânio  chamado  “Yorick”,  cujo  nome  faz  referência  a  Hamlet  e,  conforme  as 
explicações  do  diretor e professor Lau Bark, Yorick, dentro de sua peça original, foi 
um  bobo  da  corte  que  criou  e  cuidou  de  Hamlet  dentro  do  castelo.  Para  o GRUTA, 
ele significa “a essência humana, essência do que nós somos.”  

O  crânio  está  com  o  grupo  desde  2010  e  foi feito por um artista plástico que 


é  pai  de  uma  ex-aluna  e,  inicialmente,  iria  ser  utilizado  em  apenas  uma 
apresentação,  mas  acabou  ficando  com  o  grupo.  Frequentemente,  o  Yorick  é 
utilizado  em  exercícios  teatrais.  Segundo  Lau,  ele  faz  parte  do  “currículo”  das 
aulas  de  teatro,  estando  inserido  em  um  exercício  intitulado  “Máscara  Essencial”, 
no  qual  o  crânio  representa  a  essência  do  ser  humano  em contraponto com as suas 
máscaras físicas (aquelas que são utilizadas no dia a dia). 

No  teatro,  o  grupo  utiliza  o  Yorick  em  suas  produções  e,  segundo  o  diretor, 
“no  final  do  ano  [de  2019],  em  duas  produções,  ele  vai  estar  em  cena  novamente 
como  um  símbolo,  representando  nossa  essência,  como  testemunha,  [...]  e  o  que 
nós  devemos  procurar  de  novo,  já  que,  neste  começo  de  século  XXI,  a  nossa 
essência está bem perturbada”. 

Figura 8 - Crânio Yorick - Fonte: Acervo Pessoal, 2019 

3.2 Comunicação nas Relações de Trabalho da Organização 

Neste  tópico,  buscamos  analisar  como  acontece  a  comunicação  entre  os 


integrantes  do  GRUTA  e  a  influência  que  ela  exerce nas relações de trabalho dessa 
organização.  De  acordo  com  Roseli  Figaro  “estudar  o  mundo  do  trabalho  e  a 
atividade  de  trabalho  por  meio  da  linguagem  e  da  comunicação  dos  sujeitos 
(corpo-si)  é  a  maneira  mais  eficiente  de  se  aproximar  da  realidade  do  trabalho” 
(FIGARO,  2008).  Para  tanto,  foram  feitas  observações  através  de  visitas  e 
entrevistas com os integrantes do grupo.  

O  diretor  relatou  que,  durante  o  processo  de  montagem,  o  trabalho  é 


cooperativo  tanto  no  palco,  quanto  nos  bastidores.  O  próprio  diretor  é  o 
responsável  pelo  funcionamento  de  todas  as  atividades,  mas  os  atores  acabam 
colaborando  com  a  produção  de  cenário,  figurino,  iluminação,  cabelo  e 
maquiagem,  pois  os  recursos  disponíveis  para  o  grupo  são  muito  limitados.  Apesar 
de  o  colégio  dispor de alguns funcionários dedicados a determinadas funções (como 
iluminação  e  sonoplastia),  nem  sempre  é  possível  ter  pessoas  atuando 
exclusivamente nessas áreas.  

Lau  ressaltou  que  a  cooperação  dos  envolvidos,  assim  como  o  próprio 


funcionamento  do  grupo,  dá-se  de  forma  voluntária;  cada  integrante  contribui 
como  pode  e,  por  isso,  há  diferentes  níveis  de  engajamento.  Ronaldo,  um  dos 
atores  presentes,  contou  que  trabalha  na  administração  do  Colégio  Estadual  do 
Paraná  e  que,  muitas  vezes,  auxilia  o  grupo  em  questões  administrativas  e 
burocráticas, uma vez que o GRUTA está sob o guarda-chuva da instituição. 

Como  o  GRUTA  possui  divisões  internas,  com  equipes  de  diferentes  faixas 
etárias  e  níveis  de  experiência,  a  dinâmica  de  trabalho  e  de  comunicação  varia 
muito.  Lau  relatou  que,  quando  está  reunido  com  o  grupo  formado  por  estudantes 
do  ensino  médio  (adolescentes  com  idade  entre  os  14  e  17  anos)  acaba 
desempenhando  mais  a  função  de  professor  do  que  de  diretor,  e  nessa  posição,  a 
comunicação  é  mais  verticalizada.  Nesses  casos,  ele  precisa  ser  mais  incisivo,  dar 
instruções  mais  precisa  aos  atores  e  interferir  de  forma  direta  para  corrigir  erros 
básicos  que  um  ator  mais  experiente  não  cometeria  –  como,  por  exemplo,  má 
postura corporal ou dificuldade de projeção vocal.  

Por  outro  lado,  isso  muda  quando  o  elenco  é  formado  por  atores  com  mais 
experiência  ou  profissionais,  como  no  ensaio  que  acompanhamos.  A  sua 
interferência  foi  mínima:  ele  deu  orientações  gerais,  mas  os  atores  tiveram 
liberdade  na  criação  do  personagem  e  na  adaptação  do  texto.  Lau  ressaltou  que, 
quando  algo  está  dando  certo,  mesmo  que  esteja  diferente  do  que  havia  sido 
proposto  inicialmente,  ele  não  interfere  no  desenvolvimento  e  apenas  ao  final 
propõe suas mudanças e faz questionamentos, para poder dar rumo à peça. 
Nessa  dinâmica,  é  muito  fácil  verificar  que  o  diretor  é  o  responsável  pela 
tomada  de  decisões,  mas  que  no  desenvolvimento  da  atividade  ela  é  pensada  e 
experimentada  por  cada  integrante  do  grupo,  tornando  o  fazer  teatral  uma 
atividade colaborativa, em que todos podem dar sugestões.  

A  interação  entre  os  membros  é  bastante  descontraída  e  informal.  A faixa etária é 


variada  e,  como  a  formação  dos  elencos  muda  a  cada  produção,  existe  uma  certa 
rotatividade  dentro  do  grupo,  o  que  faz  com  que  os  integrantes  sempre  conheçam 
outros  atores.  É  possível  notar  que  muitos  atores  já  se  conhecem,  mantêm  uma 
relação de amizade fora do GRUTA e participam de outras companhias de teatro. 

Mesmo  entre  eles,  algo fundamental é a troca de ideias no processo criativo, 


por  isso,  toda  crítica  ou  sugestão  que  é  feita,  seja  por  parte  do  professor  ou  de 
outro  integrante  do  grupo,  colabora  com  o  trabalho  individual.  É  de  acordo  com 
esse  valor  que  toma  forma  a  chamada  “leitura  de  mesa”,  que,  como  já  vimos, 
consiste na passagem e discussão do texto fora dos palcos.  

Além  da  “leitura  de  mesa”  e  dos  outros  ensaios,  o  grupo  promove  uma 
atividade  chamada  “Café  com  Persona”  (também  já  comentada),  em  que  os 
integrantes  se  reúnem  para  tomar  um  café  e  apresentam  a  sua  personagem  ao 
restante  do  elenco.  Nessa  atividade,  o  ator  incorpora  o  seu  papel  e  age  de  acordo 
com  os  trejeitos,  as  manias  e  até  mesmo  cria  uma  história  para  seu  personagem. 
Através  dessa  experiência,  os  integrantes  do  grupo  discutem  e  colaboram 
mutuamente  para  o  desenvolvimento  das  personas.  Essa  é  mais  uma  característica 
do  trabalho  colaborativo  que  o  próprio  fazer  teatral  proporciona,  promovendo  a 
troca de experiências entre eles.  

De  acordo  com  o  diretor  Lau,  a  principal  ferramenta  de  comunicação 


utilizada  entre  os  integrantes fora dos encontros presenciais é as redes sociais – em 
especial,  o  WhatsApp.  Ele  relatou  que  são  mantidos  ativos  diversos  grupos  de 
discussão,  cada  um  destinado  a  um  público  específico;  por  exemplo,  há  um  grupo 
entre  professores,  há  um  grupo  com  os  atores  do  período  da  tarde, e outro com os 
atores  do  noturno,  há  um  grupo  entre  a  equipe  técnica  e  assim  por  diante.  A 
comunicação  na  rede  social  segue  a  mesma  dinâmica  dos  encontros  pessoais.  Há 
uma  grande  informalidade  e  descontração,  os integrantes têm liberdade para fazer 
brincadeiras,  porém,  é  dado  foco  ao  trabalho,  e  por  isso, há determinados limites. 
Quando  alguém  eventualmente  comete  algum  excesso  ou  tem  uma  postura 
inadequada,  é  feita  uma  conversa  de  forma  privada,  para  evitar  expor  esse 
integrante. 

Por  meio  desse  estudo,  pudemos  observar  que  o processo comunicacional do 


GRUTA  é,  em  grande  parte,  horizontalizado,  podendo  apresentar  variações  de 
acordo  com  as  divisões  internas  do  grupo.  Atores  com  mais  experiência  têm  maior 
autonomia  para  desenvolver  as  suas  atividades. Quando o elenco é formado por um 
grupo  mais  jovem  e  inexperiente,  o  diretor  atua  de  forma  mais  efetiva,  fazendo 
apontamentos  e  dando  instruções,  porém  sem  privar  a  liberdade  criativa. 
Observamos,  também,  que  há  uma  grande  informalidade  nas  relações.  Não  foram 
raros  os  momentos  em  que  os  integrantes  fizeram  brincadeiras,  riram,  se 
abraçaram e se ajudaram – isso revela que há um ambiente agradável, que estimula 
o coleguismo e valoriza a cooperação mútua.  

Embora  o  GRUTA  apresente  uma  hierarquia  bem  definida,  o  diretor  é  o 


responsável pela tomada de decisões, toda a atividade é pensada e desenvolvida de 
forma  coletiva,  com  sugestões  e  troca  de  ideias,  de  modo  que  cada  integrante 
participa ativamente do processo criativo. 

   
   
Capítulo 04 – Representação Visual 

4.1 Aspectos Visuais dos espaços do circuito 

Durante  a  pesquisa  de  campo,  foi  possível  observar  que  os  grupos  de teatro em 
Curitiba  possuem  elementos  visuais  em  comum  que  constituem  uma  estética 
própria  da  atividade  teatral.  Além  disso,  os  grupos  compartilham  certos  valores, 
sendo um dos mais visíveis a importância da plateia para o fazer teatral.  

Cada um desses grupos foi analisado segundo dez categorias visuais: proporções; 
cores;  iluminação;  formas;  textura;  composição;  perspectiva;  profusão  ou 
simplicidade;  opacidade  ou  transparência;  e  elementos  principais  vs  contexto 
(figura  vs  fundo).  O  resultado  dessa  análise  pode  ser  conferido  detalhadamente no 
anexo  (inserir  anexo),  sendo  apresentado  abaixo  o  resultado  dos  aspectos  em 
comum entre os grupos de cada categoria:  

PROPORÇÕES:  concluímos  que,  na  maioria  dos  cenários,  as  proporções  são 
parecidas,  sendo  locais  apropriados  para  a  prática  teatral,  que  possibilitam 
movimentos  e  uma  boa  exploração  do  palco.  A  exceção  foi  a  sala  do  Colégio 
Estadual  do  Paraná,  que  era  inadequada,  pois  era  um  local  pequeno  e  apertado 
para  a  quantidade  de  pessoas.  Houve  grande  variação  dos  locais  em  relação  aos 
públicos;  em  alguns,  as  pessoas  eram  pequenas  em  comparação  ao  pé  direito  do 
local e em outros as pessoas davam a impressão de serem grandes diante do palco. 

CORES:  em  sua  maioria,  os  ensaios  tinham  a  tendência  de  usar  cores  quentes 
(como  laranja,  amarelo  e  vermelho)  além  de variações de branco, preto cinza e de 
tons  pasteis.  As  cores  nos  ensaios  modificavam-se  no  decorrer  da  peça,  o  que 
proporcionava  uma  grande  diversidade  na  paleta  de  cores.  No  entanto,  por  conta 
das  sombras  o  preto  era  uma  cor  predonimante  no  pano  de  fundo,  fazendo  as 
outras  cores  se  destacarem  em  pontos  específicos.  Por  isso a cor preta também foi 
utilizada  no  fundo  dos  produtos  visuais  e  as  informações  foram  destacadas  com  o 
uso de cores claras.  
ILUMINAÇÃO:  os  ensaios,  assim  como  as  apresentações,  usavam  sombras  muito 
fortes  em  contraste  com  os  focos  de  luz  em  locais  específicos  para  demarcar  a 
passagem  de  uma  cena  para  outra  e  o  local no qual ela acontece no palco, por isso 
os  ambientes  eram,  em  geral,  escuros.  Apenas  o  ensaio  da  Rua  da  Cidadania  tinha 
luz  clara  natural;  do  restante,  os  que  eram  bem  iluminados,  era  por  conta  da 
iluminação  artificial  com  lâmpadas  de  luz  branca  e  amarela.  Em  grande  parte,  as 
luzes  eram  confusas,  mas  seguiam  de  acordo  com  o  sentimento  que  a  encenação 
esperava transmitir. O contraste forte provocado pelo jogo de luz dura e sombra foi 
outro  elemento  utilizado  nos  produtos  visuais  fazendo  alusão  à  dinâmica  de  focos 
de  luz  bem  demarcados  presente  no  teatro,  destacando  as  informações 
apresentadas por eles.  

FORMAS:  os  locais  dos  ensaios  possuíam  tendência  de  explorar  mais  as  formas 
retas,  sem  grande  destaque  para  as  formas  arredondadas,  com  paredes 
convencionais.  Somente  no  salão  de  culto  da  Igreja  Batista  do  Bacacheri  havia 
pontos  de  curva.  O  mesmo  ocorre  com  os  locais  de  apresentação,  que  as  vezes 
apresentavam uma leve curvatura na forma das poltronas ou da ponta do palco. Por 
causa  desse  fundo,  até  o  mais  leve  movimento  das  formas  humanas,  opostas  ao 
caráter retilíneo dos locais por si só, se destacava.  

TEXTURA:  as  texturas  predominantes  nos  ensaios  são  as lisas, nas paredes e nos 


tecidos, mas por vezes aparecia lona, camurça e algodão.  

COMPOSIÇÃO:  a  composição  dos  ensaios  contava  com  poucos  espaços  vazios  no 
palco,  com  poucos  elementos  e  várias  pessoas,  mas  em  uma  distribuição  bem 
planejada  –  não  transmitindo,  assim,  a  impressão  de  caos.  Essa  forma  de 
organização  na  distribuição  dos  elementos  também  foi  utilizada  na  apresentação 
das informações contidas nos produtos visuais.  

PERSPECTIVA: os palcos eram, na maioria, próximos ao público, porém, cada um 
passava  ao  público  uma  perspectiva  diferente.  Por  permitirem  grande  interação 
entre  atores  e  cenário,  passavam  uma  impressão  de  profundidade  e  sensação  de 
cumplicidade.  A  maioria  dos  ensaios  podia  ser  assistida  por  mais  de  uma 
perspectiva, sendo a partir do olhar direto dos espectadores ou da maneira como as 
pessoas  que  cuidavam  das  câmeras  desejavam que a peça fosse assistida. Às vezes, 
era  mais  fácil  de  enxergar  de  longe  ou  do  centro,  não  sendo  possível  assistir  pelos 
lados – como no caso da peça “A Mulher Monstro”. 

PROFUSÃO  OU  SIMPLICIDADE: houve a predominância da simplicidade durante os 


ensaios  e  peças.  O  espaço  cênico geralmente contava com um cenário versátil para 
ser  utilizado  em  diversas  cenas,  assim  não  havia  nele  muitos  detalhes  e  objetos, 
deixando  espaços  vazios.  Os  produtos  visuais  desenvolvidos  abordam  essa  ideia 
deixando o contexto simples em função das informações que são apresentadas.  

OPACIDADE  OU  TRANSPARÊNCIA:  não  foi  encontrada nenhuma transparência nos 


ensaios e nem nas peças; em ambos, era predominante o uso de objetos opacos.  

ELEMENTOS  PRINCIPAIS  X  CONTEXTO:  os  elementos  principais  eram  os  atores, 


palhaços,  cantores  ou  dançarinos.  O  cenário,  elementos  do  palco,  o  coral,  a 
decoração e a arquitetura eram o contexto.  

4.2 Produtos Visuais  

Com  a  finalidade  de  simplificar  a  exposição  das  informações sobre os grupos 


de  teatro  envolvidos  neste  projeto,  elaboramos  um  infográfico  com  um  visual 
criativo  inspirado  nas  categorias  analisadas  anteriormente,  dando  destaque  para  o 
contraste  entre  as  cores,  a  dinâmica  da  iluminação,  a  composição  e  a  relação  dos 
elementos principais com o contexto.  

Percebendo  que  o  contraste  é  um  aspecto  visual  determinante  no  teatro 


(sendo  que  o  fundo  é,  geralmente,  constituído  de  sombras  e  cores  neutras  e  as 
figuras  são  destacadas  pelos  focos  de  luz  e cores marcantes), nossa proposta visual 
envolveu  o  uso  do  contraste  para  demarcar  a  “cena”,  como  numa  apresentação 
teatral.  As  informações  são  apresentadas  com  cores  claras  e  um  formato 
geométrico  que  se  destaca  do  fundo  liso  e  neutro,  que  por  sua  vez  é 
predominantemente  preto  para  causar  o  contraste  ideal  com  a  claridade  dos 
elementos  que  são  destacados.  A  montagem  circular  e  o  uso  dos  círculos  são 
justificados  pela  configuração  do  “Teatro  de  Arena”,  em  que  o  palco  fica  no  meio 
da  plateia,  a  qual  pode  observar  as  cenas  a  partir  de  quaisquer  ângulos.  Como  o 
objetivo  é  informar  sobre  os  grupos  de  teatro  na  cidade  de  Curitiba,  foi  utilizado 
um  mapa  que  também  se  apresenta  como  fundo  com  predominância  de preto para 
ilustrar  a  localização  deles  e  “pins”  coloridos  se  destacando  como  figuras  para 
identificar os grupos no mapa e sinalizar as informações sobre cada um deles.  
 
Também  desenvolvemos  um  catálogo  utilizando  os  mesmos  princípios  de 
contraste,  composição,  iluminação  e  relação  de  figura  e  fundo  com  o  propósito  de 
informar  e  ressaltar  a  importância  dos  grupos  para  a  cena  teatral  curitibana. Ele é 
composto  por  lâminas  de tamanho 15x7 cm e montado como um leque que abre em 
360  graus  formando  um  círculo,  remetindo  também  ao  “Teatro  de  Arena”  para 
trazer a ideia de que o espetáculo pode ser visto de qualquer ângulo. 

Segue a representação das lâminas na figura abaixo:  


 
   
   
Capítulo 05 – Considerações Finais 
Ao  encerrar  este  projeto integrador a respeito do circuito “Grupos de Teatro 
em  Curitiba”,  foram  obtidos  conhecimentos  e  experiências  sobre  a  forma  de 
trabalho  e  organização  dos  grupos  teatrais  curitibanos  e  sobre  sua  importância  na 
composição do universo teatral da cidade.  

A  partir  dos  estudos  realizados  sobre  o  Grupo  de  Teatro  Amador  do  Colégio 
Estadual  do  Paraná  (GRUTA)  –  organização  analisada  no  Capítulo  C  –,  pudemos 
perceber  que  a  relação  estabelecida  entre  o  grupo  e  o  circuito  está, 
principalmente,  ligada  aos  seus  integrantes.  Muitos  deles  participam  de  outros 
grupos  que  compõem  o  circuito  em  Curitiba,  fazendo  com  que  haja  troca  de 
conhecimentos,  amizade  entre  os  atores,  além  de  constituir  uma  ligação  entre 
eles.  Mesmo  de  maneira  involuntária,  essas  pessoas  passam  a  compartilhar de uma 
visão  parecida  sobre  o  que  o  circuito  dos  grupos  de  teatro  significa  e  como  ele 
influencia em seus dia-a-dias.  

Outra  característica  identificada  é  a  de  que  a  plateia  é  de  extrema 


importância  para  os  grupos  de  teatro,  pois,  muitas  vezes,  é  a  única  maneira  pela 
qual  o  público em geral pode estabelecer um contato com esse circuito. Na maioria 
das  vezes,  a  plateia  não  faz  parte  desses  grupos,  isto  é,  não  participa  ativamente 
deles,  sendo  as  apresentações  dos  espetáculos  o único contato que ocorre. Isso, de 
certa  forma,  limita  a  visão  do  público  sobre  esse  circuito,  pois,  a  partir  das 
pesquisas  realizadas,  ficou  evidenciado  que:  as  peças  e  espetáculos  são  uma 
pequena  parte  de  tudo  o  que  circunda  e  compõe  um  grupo  de  teatro;  e  eles 
enfrentam  muitos  desafios  para  conseguir  chegar  até  o  “produto  final” 
(espetáculos e peças). 

Apesar  de  os  grupos  de  teatro  estarem  inseridos  em  diferentes  contextos 
sociais  (vinculados  a  escolas,  a  clubes,  religiosos,  circenses...),  eles  possuem 
similaridades  que  os  interligam  formando  um  vínculo  de  técnicas,  interesses  e 
experiências que ajudam a construir, constituir e caracterizar o circuito.  
Uma  dificuldade  que  encontramos  em  relação  à  consolidação  do  Circuito  de 
Grupos  de  Teatro  em  Curitiba  é  o  engajamento  do  público,  apesar  de os grupos de 
teatro  fazerem  peças  acessíveis,  o  teatro  não  é  algo  bem  difundido  na  sociedade 
em  geral.  Para  assistir  a  uma  peça  ou  participar  de  um  grupo,  é  preciso  nutrir  um 
interesse profundo pelo fazer teatral e isso é algo que é difícil nos dias de hoje. Um 
grande exemplo disso é que ao apresentarmos a proposta do presente trabalho para 
o  diretor/produtor/ator  do  GRUTA,  Lau  Bark,  ele  prontamente  aceitou  afirmando 
que “o grupo estava mesmo precisando de todo e qualquer tipo de divulgação”.  

Ao  fim  destes  meses  de  pesquisa,  compreendemos  a  complexidade  dos 


circuitos  e  a  dificuldade  do  nosso  trabalho  como  profissionais  de  Comunicação 
Organizacional  em  nos  inserirmos  nesses  meios  para  compreender  melhor  os 
públicos  que  os  constituem  –  especialmente  quando  lidando  com  circuitos  que,  às 
vezes,  não  são  de  tanto  interesse  para  as  organizações  a  qual  o  comunicador  está 
vinculado  ou  para  ele  próprio.  Entretanto,  aprendemos  a  importância  dessa 
interação,  de  buscar  conhecer  e  entender  os  interesses,  vontades  e  ânsias  dos 
membros  do  circuito  para  que  possamos  mostrar  às  organizações  como  elas  os 
afetam e como elas podem afetar os circuitos de maneira positiva.  

A  importância  de  compreender  os  circuitos  se  mostra  clara  em  nossa 
pesquisa  com  o  GRUTA,  que  possui  contato  com  seus  membros  e  atores  vindos  de 
contextos  diferentes,  sem  a  necessidade  de  serem  atores  profissionais;  um  amplo 
circuito  de  teatro  que  é  abraçado  pela  organização  já  há  décadas,  criando  uma 
cultura positiva e informal com seus públicos.  

Neste  projeto,  observamos  a  reunião  de  indivíduos  que  compõem  Grupos  de 
Teatro,  seja  em  ensaios,  festivais  ou  no  palco,  assim  como  notamos  que  vários 
atores,  professores  e  técnicos  participam  de  diferentes  shows  ao  mesmo  tempo, 
conectando-os  com  outros  grupos.  Portanto,  concluímos  que  os  Grupos  de  Teatro 
em  Curitiba  são  de  fato  um  circuito  e  que,  de  acordo  com  Magnani  (2012),  a 
definição  de  um  circuito  não  é  apenas  a  existência  de  algo  em  comum  ou o uso de 
uma  localidade  física,  mas  sim,  a  interação  e  integração  entre  os  indivíduos  que 
compartilham de uma mesma prática.  

   
Referências Bibliográficas 
Referências bibliográficas 
REFERÊNCIAS ONLINE 

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