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ENTRE CONTOS E

HISTÓRIAS ESCOLARES DE
ARREPIAR OS CABELOS
ENTRE CONTOS E
HISTÓRIAS ESCOLARES DE
ARREPIAR OS CABELOS
Nadia Farias dos Santos
Jaylton Edney Maia de Sousa
(organizadores)

Ideia – João Pessoa – 2020


Todos os direitos e responsabilidades sobre
textos e imagens são dos organizadores.

Diagramação / Capa
Magno Nicolau

Revisão
Josefa Bidô Chagas
Nadia Farias dos Santos
Jaylton Edney Maia de Sousa

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD

E612 Entre contos e histórias escolares de arrepiar os cabelos. –


Organizadores: Nadia Farias dos Santos, Jaylton
Edney Maia de Sousa. João Pessoa: Ideia, 2020.
118p.

ISBN 978-85-463-0518-6
1. Literatura brasileira – contos. 2. Contos brasilei-
ros - antologia. 3. Texto literário – escola. I. Santos,
Nadia Farias dos. II. Sousa, Jaylton Edney Maia de. III.
Título.

CDU: 82-34 (08)

Ficha Catalográfica elaborada pela Bibliotecária Gilvanedja Mendes, CRB 15/810

EDITORA
www.ideiaeditora.com.br

Impresso no Brasil - Feito o Depósito Legal


A todos que sonham com...
Uma sociedade melhor,
Um país melhor e realmente para todos,
Uma vida melhor e feliz,
Uma escola melhor e de excelência,
Uma educação melhor.

A todos que sonham e os realizam!


“Ensinar não é transferir conhecimento,
mas criar as possibilidades para a sua
própria produção ou a sua construção”.

Paulo Freire
A todas as pessoas que direta ou indiretamente
contribuíram para a realização deste livro, sejam
pessoas físicas, institucionais ou comerciais. O nosso
mais profundo agradecimento!

Agradecimentos especiais, aos alunos da turma de


Didática (4º período/Noite) do Curso de Licenciatura
em Química por aceitar o desafio e não pouparem
esforços para a concretização desse projeto da
disciplina.
Sumário

NOTAS INTRODUTÓRIAS, 17
Nadia Farias dos Santos

PARTE I
HISTÓRIAS ESCOLARES DE ARREPIAR OS CABELOS

DAS BRINCADEIRAS À PREGUIÇA DE ESTUDAR:


minhas memórias da escola, 21
Ana Claúdia da Silva Costa

UMA VIAGEM INTERESSANTE, 23


Anibal Aurélio de Gois

O ENSINO, O TRANSPORTE E O LANCHE, 24


Bruna Iosnay Silva Viana Freire

A ESCOLA E OS BANHOS DE ÁGUA FRIA, 26


Daniel Freitas de Lima

A EDUCAÇÃO MOVE O MUNDO, 28


Dinarte Rodrigues de Oliveira Filho

A ESCOLA É UM LUGAR DE ENCANTAMENTO, 29


Francisco Elivanildo Pessoa da cunha

AMIZADES PARA ALÉM DA ESCOLA, 31


Karla Vitória Arruda de Andrade

NEM TUDO FOI COMO EU PENSEI QUE SERIA, 32


Keffson Kelf da Silva
TERMINEI O ENSINO MÉDIO, MAS A VIDA ACADÊMICA
CONTINUA..., 34
Lidia Libini Oliveira Morais

QUANDO TUDO ERA UMA FESTA!, 38


Luana Cristina Viana Ferreira

A HISTÓRIA DE LUAN E SUA TRAJETÓRIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA, 39


Luan Emanuel da Silva Pinto

A EDUCAÇÃO PÚBLICA ME PROPORCIONOU NOVAS


OPORTUNIDADES, 43
Lucas Emanuel do Rosário

E APESAR DAS DIFICULDADES, EU SEGUIREI EM FRENTE!, 45


Manoel Batista de Lima Neto

UM AMONTADO DE LETRAS E UM SONHO DOCENTE, 47


Maria Clara Medeiros de Andrade

A RÉGUA, O GRITO E A BARRACA DE LONA MÓVEL, 50


Matias de Sousa Libânio

MINHAS MEMÓRIAS, MINHAS HISTÓRIAS, 53


Mayara Beatriz de Oliveira Moreira

QUANDO A ESCOLA NOS TRANSFORMA, 54


Neelson Alves da Costa

EU, A ESCOLA E MUITAS TRAQUINAGENS, 56


Tarcísio Ferreira de Farias Filho

ESTUDAR É UMA GRANDE AVENTURA!, 60


Tatiana Karla Paiva Sizenando Rufino
MINHA PRINCIPAL INFLUÊNCIA: O PROFESSOR DE QUÍMICA, 65
Tiago José Souza Freire

ENTRE AMIZADES, AMORES, CONFUSÕES E A LOIRA


DO BANHEIRO, 68
Walkineia Geycielle da Silva

ENFRENTAR E VENCER!, 72
Nadia Farias dos Santos

PARTE II –
UMA ESCOLA PARA O BEM VIVER

UMA BELA PROFESSORA E SUAS AULAS AO LUAR, 77


Ana Claúdia da Silva Costa

MEMÓRIAS DE OUTRO PLANETA, 79


Anibal Aurélio de Gois

UMA MENINA DO FUTURO NO PRESENTE, 81


Bruna Iosnay Silva Viana Freire

A ESCOLA DOS SONHOS, 82


Daniel Freitas de Lima

A ESCOLA DO FUTURO, 84
Dinarte Rodrigues de Oliveira Filho

A MANHÃ DE CECÍLIA NA ESCOLA NOVA, 86


Karla Vitória Arruda de Andrade

O JOVEM JONES E UMA ESCOLA PARA TODOS, 87


Keffson Kelf da Silva
UMA VONTADE IMENSA DE MUDAR TUDO, 88
Lidia Libini Oliveira Morais

O IFRN, UMA INSTITUIÇÃO DIGNA DOS SONHOS, 91


Luana Cristina Viana Ferreira

DAVI E A ESCOLA DAS GENTILZAS, 93


Luan Emanuel da Silva Pinto

UMA CERTA NOITE SONHEI COM A ESCOLA DO FUTURO, 97


Manoel Batista de Lima Neto

ERA UMA ESCOLA MUITO ENGRAÇADA, 99


Maria Clara Medeiros de Andrade

TUDO NÃO PASSOU DE UM SONHO, 101


Matias de Sousa Libânio

SOBRE AULAS NO JARDIM, 103


Mayara Beatriz de Oliveira

ESSA ESCOLA REALMENTE EXISTE?, 105


Neelson Alves da Costa

DE FILHO PARA PAI: UMA ESCOLA PARA TODOS!, 107


Tarcísio Ferreira de Farias Filho

A ESCOLA QUE PODERIA CONSERTAR O MUNDO, 109


Tatiana Karla Paiva Sizenando Rufino

ERA UMA VEZ UMA ESCOLA EM QUE TODOS SONHAVAM


EM ESTUDAR, 111
Tiago José Souza Freire
A ESCOLA DE ALICE, 112
Walkineia Geycielle da Silva

A MELHOR ESCOLA DO MUNDO, 114


Nadia Farias dos Santos

NOTAS FINAIS, 117


Nadia Farias dos Santos
NOTAS INTRODUTÓRIAS
“Não há docência sem discência.”
Paulo Freire

Eu não sei quantas vezes, no ano em curso, escrevi


que amo a docência. Não porque precise me convencer
disso, mas porque tenho, a cada dia, me realizado junto a
profissão que me escolheu para exercê-la. Não, você não leu
errado! A docência me escolheu num tempo, em que se quer
eu tinha maturidade para entender. Hoje eu entendo
perfeitamente, tanto que escrevo, livre e despreocupada-
mente, que amo a docência! Amo ver nos olhos de meus
alunos, o brilho e o prazer das descobertas, das
aprendizagens, das possibilidades que uma sala de aula pode
revelar. E o quanto é possível aprender quando nos abrimos,
quando permitimos que os saberes nos adentrem das mais
diversas formas.
É nesse contexto, que esse livro foi gestado e agora
nasce para fazer parte da história dos alunos do quarto
período do curso noturno de Licenciatura em Química do
Instituto Federal do Rio Grande do Norte, Campus Apodi.
É um livro que foi construído a muitas mãos, principal-
mente, as mãos e mentes dos graduandos que depositaram
nesse projeto suas histórias, memórias, vivências e sonhos
escolares.

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Os cafés pedagógicos, prática comum nas disciplinas
que leciono, tem por finalidade oferecer aos alunos, espaço
não formais de aprendizagens permeados por leituras,
debates e apresentações de textos aliados ao costume
nordestino de tomar café. Costume cotidiano em nossos
lares e sob o qual as conversas familiares e fraternas
acontecem descontraidamente. No caso das disciplinas, as
conversas são de cunho acadêmico-pedagógica.
Esse livro é fruto de dois desses cafés. No primeiro,
socializamos uma atividade iniciada em sala de aula que
consistiu na escrita de um memorial escolar, o qual os alunos
foram instigados a escrever suas memórias do tempo de
escola. No segundo, a proposta foi a escrita de um conto
sobre “A escola para o bem viver”, no qual os graduandos
trariam em seus textos a escola ideal, dos sonhos. Ambas as
atividades foram socializadas durante a realização dos cafés
pedagógicos.
Da alegria e empolgação das contações e escritas das
memórias e dos contos, surgiu a ideia de publicar esse livro
que é a síntese dos nossos esforços em contribuir com a
reflexão e o debate sobre a educação a partir de nossas
histórias e memórias.
Desejamos que esse livro cheio de histórias de
arrepiar os cabelos e contos carregados de sonhos de uma
escola para o bem viver, possa trazer à tona suas próprias
memórias e sonhos de um mundo melhor. Bem como, a
certeza de que a educação é e será sempre um sonho
possível.

Nadia Farias dos Santos


Professora de Didática/IFRN
Novembro, 2019, Apodi – RN.

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PARTE I

HISTÓRIAS ESCOLARES
DE ARREPIAR OS CABELOS
DAS BRINCADEIRAS À PREGUIÇA DE
ESTUDAR: minhas memórias da escola
Ana Claúdia da Silva Costa

Meu primeiro contato com a sala de aula foi aos três


anos, numa creche da zona rural de Apodi onde residia.
Lembro-me que não foi tão fácil me acostumar com essa
nova rotina, mas aos poucos fui me adaptando. Estudava
pela manhã, no entanto, para mim, eram mais brincadeiras
do que atividades. Nessa mesma escola, estudei até a quarta
série (quinto ano). Era um Colégio pequeno e todas as
séries/anos eram juntas na mesma sala, da primeira a
quarta, sendo que as atividades eram diferentes para cada
série/ano, porém, a professora era a mesmo para todos.
A partir da quinta série (sexto ano) fomos transferidos
para outra escola, só que na cidade, onde seria tudo novo
para a gente, um colégio maior, com salas divididas, uma
para cada série/ano e um professor para cada matéria.
Estudei no Colégio Municipal Lourdes Mota até o oitavo
ano, tendo que ir estudar em outra cidade para dar
continuidade aos estudos no Ensino Médio.
Essa nova etapa aconteceu no Colégio Estadual Rui
Barbosa em Tibau – RN. Estudei o primeiro ano lá. Os
professores eram muito bons, assim como a metodologia
também, além de muito relevante. Mas tive que voltar para
minha cidade e continuar os estudos no Colégio Estadual
Professor Antônio Dantas. O Ensino Médio era um pouco
complicado e teríamos que estudar mais. Os professores
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eram mais rígidos e cobravam mais. A forma de avaliação
era realizada, geralmente, em duas provas por bimestre
somados com alguns pontos de atividades. No quarto
bimestre, havia a Feira de Ciências, a qual passávamos o ano
inteiro esperando por ela. Ficávamos muito felizes, porque
sempre ganhávamos quatro pontos que eram essenciais para
passar de ano.
No terceiro ano, tive que ser transferida para estudar
à noite, pois tinha que trabalhar, no entanto, tudo muda! A
metodologia já não era mais a mesma, exceto os professores
que estimulavam os alunos mais ainda. Mas, a gente só
queria que as aulas acabassem logo, para irmos embora mais
cedo. Enfim, foram anos de aprendizagens e de muitas
aventuras, apesar de sempre ser uma aluna bem calma, era
um pouco preguiçosa para estudar.

 22 
UMA VIAGEM INTERESSANTE
Anibal Aurélio de Gois

No meu sétimo ano, viajei com a minha turma à


Natal para conhecer o Cajueiro e o Forte dos Reis Magos.
Fomos pela madrugada e voltamos à noite. Mas nesse meio
tempo, quando o ônibus fez uma parada num posto, saí para
comprar algo e ao voltar percebi que o ônibus começara a
andar, foi quando corri o máximo que pude para alcançá-lo.
Logo parou e prosseguimos a viagem, mas a ideia de que eu
poderia ter ficado para trás, me fez chorar e rir ao mesmo
tempo.

 23 
O ENSINO, O TRANSPORTE E O LANCHE
Bruna Iosnay Silva Viana Freire

Iniciei minha caminhada escolar na creche, não te-


nho muitas recordações. Cursei todo o Ensino Fundamental
na escola Faustino Franco de Oliveira, localizada no Sítio
Retiro, no município de Apodi/RN. A escola ficava pró-
xima a minha casa, íamos de bicicleta ou mesmo a pé. Lem-
bro que a escola tinha apenas uma sala de aula e dois qua-
dros, um de cada lado da sala, mas não lembro como as tur-
mas eram divididas.
Nessa época, minhas professoras foram Dona Zita,
Dona Toinha e Dona Zilma. Dona Toinha era a professora
de ensino religioso, era sagrado todos os dias às 7 horas da
manhã, estarmos todos reunidos na sala para cantar o hino
“cinco letras maravilhosas que são: j, e, s, u, s, j, e, s, u, s, de
Jesus, Jesus”. Essas grandes profissionais foram essenciais
nos meus primeiros anos de vida escolar. Foi lá que conheci
as primeiras letras, aprendi a escrever meu nome e iniciei
meu processo de socialização, pois comecei a conviver com
pessoas da mesma idade que eu, iniciei meus círculos de
amizade que me acompanham até hoje. Sempre quando
sinto cheiro de mingau ou vejo pratos de plásticos azuis, me
vem as lembranças desse tempo tão bom.
Eu iniciei o Ensino Fundamental – anos finais na es-
cola Isabel Aurélia Tôrres no distrito de Córrego em Apodi.
Cursando a quinta série (sexto ano), tudo era muito novo. O
ensino era completamente diferente, tinha várias turmas e

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um professor para cada disciplina. Lá tive vários professores
que também contribuíram para o meu aprendizado. Nessa
época, participava de tudo que acontecia na escola. As festas
juninas, sempre as melhores! Não perdia uma quadrilha por
nada. Apresentações de danças, desfile de 7 de setembro,
JERN´s e tantas outras atividades. Quando a escola ia fazer
uma viagem, passávamos a semana toda nos organizando
(risos), pois essas viagens eram uma grande aventura e diver-
são.
Cursei até a sétima série (oitavo ano) nessa escola,
sendo transferida para uma outra na cidade, onde conclui o
Ensino Fundamental. Por motivos de desavenças com a di-
retora, eu e mais duas primas pedimos a transferência. De-
pois desse episódio, fomos estudar na Escola Estadual Ze-
nilda Gama, onde concluímos o primeiro ano do Ensino
Médio. Lá participei de gincanas, peças e danças. O trans-
porte escolar já não era mais o mesmo, era ônibus no lugar
do “pau de arara” dos anos anteriores.
Concluí o ensino médio na escola Estadual Professor
Antônio Dantas. Na hora do intervalo, não tinha mais negó-
cio de pegar fila para o lanche. A galera se reunia lá no qui-
osque, na confeiteira de Raimundo e ainda tinha os dindins
de negão (risos). Tudo havia mudado, o ensino, o transporte
e o lanche. Que bom que as coisas mudam...

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A ESCOLA E OS BANHOS DE ÁGUA FRIA
Daniel Freitas de Lima

O meu período escolar foi bom, principalmente da


primeira à quarta série (primeiro ao quinto ano), o qual eu
estudava em escola na zona rural. Me lembro bem dos
banhos com água fria todos os dias, antes de ir para a escola
no sítio onde morava. Lembro das brincadeiras na hora do
recreio com os meus colegas. Nós brincávamos de futebol no
patamar da igreja, que ficava bem próximo a escola. Me
recordo de um episódio bem específico na segunda série
(terceiro ano). Aconteceu o seguinte, na escola que estudava
a gente bebia água em um filtro de barro. Eu e meus amigos
decidimos que iríamos beber toda água do filtro até secar e
assim o fizemos. O resultado disso foi que bebemos água
toda, mas ficamos com dor na barriga de tanto beber água.
No período da quinta a oitava série (sexto ao nono
ano), eu fui estudar na cidade, no entanto, continuaram os
banhos com água fria, principalmente quando tinha horário
de verão e tinha que acordar uma hora mais cedo. Em
relação às minhas avaliações na escola eram basicamente
provas e algumas gincanas nas aulas de inglês.
No Ensino Médio, finalmente acabaram os banhos
frios porque eu estudava à noite. Quanto as minhas
avaliações, nesse período, na escola eram na sua maioria
provas, seminários e algumas gincanas nas aulas de Inglês e
redações nas de Português. Em geral, meu período escolar

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foi muito bom, mais a melhor parte foi da primeira à quarta
série (primeiro ao quinto ano) porque brincava muito com
os meus amigos e não tinha preocupações nem responsa-
bilidades.

 27 
A EDUCAÇÃO MOVE O MUNDO
Dinarte Rodrigues de Oliveira Filho

No início é tudo simples, um pouco inocente. E


assim, vamos surgindo no mundo educacional aos poucos,
tudo se construindo e tendo significado a cada aprendizado.
Cada etapa é uma vida nova, uma vitória e um alívio, pois o
presente é que vai construir o futuro. Sempre fui um aluno
dedicado aos estudos, a cada ano amadurecendo e vendo a
necessidade da frequência escolar, sendo grato por cada
profissional que fez de tudo para transmitir bons frutos para
o futuro dos alunos. Em meio ao caos no sistema educa-
cional, sempre tentava ser o melhor para mim mesmo, pois
me preparava para cada ciclo da vida. Hoje tendo em mente
cada dificuldade, cada conquista, tenho cada vez mais a
certeza de que a educação move o mundo.

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A ESCOLA É UM LUGAR DE ENCANTAMENTO
Francisco Elivanildo Pessoa da Cunha

A minha professora do primário (primeiro ao quinto


ano) queria mesmo ser professora. Lembro-me, embora
vagamente, que o objetivo de muitos, senão de todos, era ser
bom o suficiente para receber um elogio da professora
Divanete, minha primeira e eterna professora, ainda viva. A
escola Isolada de Boágua ainda está lá.
Nirinha, minha professora da terceira série (quarto
ano) me ensinou entre outras coisas, que todo mundo gosta
de ler, mas nem todos gostam de ler a mesma coisa e por isso
sempre tinha uma história diferente a contar. Sim, ela
ensinou-me o gosto pela leitura.
A Ilma me ensinou a ler de verdade, a me transportar
para história, a vivenciar o que estava lendo e de longe foi
um dos maiores presentes que já ganhei. O período entre a
antiga quinta e a oitava série, hoje do sexto ao nono ano, foi
um período interessante. Época dos jogos, muitos amigos,
namoros... Foi também nesse período que conheci um dos
maiores nomes da literatura Apodiense, Walter de Brito
Guerra, autor da obra “Apodi no passado e no presente”.
No segundo grau (Ensino Médio) enamorei-me pela
Matemática, graças ao professor França. Aqui certamente
faltaria espaço para falar de Genildo, Magda, Francilene
Ladimires e muitos outros. Contudo, uma coisa se sobressai:
um período de extrema dificuldade, sem recursos para
material escolar, sem fardas, sem transporte escolar, muitas

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vezes, sem merenda, professores com péssimos salários,
geralmente, recebendo atrasado, às vezes chego a pensar que
o ruim de hoje era o bom de ontem.
Curiosamente, nem Divanete nem Nirinha ou Ilma,
as responsáveis diretas por ensinar-me a ler e escrever,
deixaram de alcançar seus objetivos. Ironicamente, elas
jamais seriam professores hoje! Pois pelas regras
estabelecidas por aqueles que hoje não sabem ensinar a ler e
escrever, tais professores “velhos e ultrapassados” não
seriam bons o suficiente, embora os fracassados, sejam
justamente alguns, que esbanjam títulos e mais títulos de
especialistas como prova de competência.

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AMIZADES PARA ALÉM DA ESCOLA
Karla Vitória Arruda de Andrade

As minhas memórias escolares se iniciam na


alfabetização com a primeira "turminha" de amigos de sala
que ficou completa somente na sexta série, o que hoje é
equivalente ao sétimo ano. Seguimos juntas até o Ensino
Médio. Éramos quatro alunas e amigas que fazíamos tudo
juntas, uma amizade para além da escola. Nossa
convivência era ótima, ficávamos juntas não apenas na
escola, como também nos fins de semana, quando nos
reuníamos sempre na casa de uma de nós. Durante o Ensino
Fundamental, um ponto positivo foi o método de ensino dos
professores que explicavam muito bem, no entanto, ao
chegar no Ensino Médio, tudo passou a ser um pouco
diferente, principalmente nas avaliações. Ocorria que o
professor de uma disciplina também lecionava outras três
que não era de sua área de formação, assim sendo, não
dominavam bem os assuntos, o que não favorecia que
compreendêssemos bem o que era ensinado.

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NEM TUDO FOI COMO EU
PENSEI QUE SERIA
Keffson Kelf da Silva

Na época em que eu cursava o Ensino Fundamental


do primeiro ao quinto ano na Escola Estadual Antônio
Francisco, eu achava a escola legal e estudava pela manhã,
um horário mais frio. Eu tinha colegas legais, assim como as
aulas. As melhores eram as de Educação Física, porque a
gente jogava bola e nas de Artes porque desenhávamos. O
melhor horário era o intervalo, eu saía correndo para
merendar na cantina. Uma coisa que eu não gostava era a
hora de voltar para casa, pois na maioria das vezes não
chegava a tempo de assistir os melhores desenhos.
Já no Fundamental maior (sexto ao nono ano),
comecei o ano letivo chateado, pois fui transferido dessa
escola para a Escola Municipal Professor José do Patrocínio
Barra. Lá eu tive que estudar no horário da tarde e eu não
gostava. Entrei numa turma com pessoas que eu não
conhecia. No início foi ruim, mas depois fui fazendo
amizades com a galera e me acostumando. Uma coisa que
não mudou foi o horário do intervalo que todos gostavam e
principalmente eu.
Minha turma participou da Feira de Ciências com
uma sala temática, em que os grupos formados ficavam com
um determinado tema, o meu grupo ficou com
“Ferramentas pré-históricas”. Nossa turma foi considerada
uma das melhores, tem até vídeo no YouTube. Quando
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tinha aula vaga nos reuníamos de baixo de uns “pés de
mangueira” ao lado da escola e ficávamos lá conversando e
brincando.
Ao chegar no Ensino Médio fui novamente
transferido de escola, voltei para o colégio em que tinha
cursado o Fundamental, reencontrando velhos amigos e
fazendo novas amizades. Estudei o Ensino Médio todo à
tarde, muitas vezes, nós íamos embora no intervalo, no
entanto, as aulas não duravam até às cinco horas da tarde.
Assim como antes, as melhores aulas continuavam sendo as
de Educação Física, porque éramos levados para a quadra
de esportes para jogar bola.
O Ensino Médio não foi como eu achei que seria. Eu
pensei que seria mais cobrado, que haveria avaliações mais
rigorosas. Na realidade foi a época que eu menos me
interessei, não sei se foi por conta dos professores não
cobrarem tanto ou por minha falta de dedicação, na verdade
acho que foi um pouco dos dois.

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TERMINEI O ENSINO MÉDIO, MAS A VIDA
ACADÊMICA CONTINUA...
Lidia Libini Oliveira Morais

A primeira memória da minha vida escolar foi na


escola “Betel” quando iniciei o pré-escolar um. Foi nessa
escola que fiz meus amigos de infância, tive a chance de
aprender e conhecer jogos de quebra cabeça, memória. A
melhor hora dessa época era abrir a lancheira no
intervalo. Logo depois, fui para o pré-escolar dois e
aprendi a cobrir as vogais, os números e a colorir
desenhos. Nessa escola passei apenas esses dois anos.
Em seguida, eu fui para outra escola que se chamava
“Escola Lar da Criança Pobre de Apodi”. Comecei na
alfabetização, lá fiz novas amizades e conheci novos
professores. Essa escola não era pública, mas também
não era privada, pois não tinha pagamento mensal, ela
era sustentada por freiras de outras cidades, se não me
engano, conhecida como uma entidade filantrópica.
Uma escola bastante religiosa, pois ao chegar tinha um
pátio onde todos os dias, eram feitas orações antes de
irmos para as salas de aulas e foi lá que também aprendi
a rezar.
Após as orações, íamos para a sala de aula, onde os
professores eram todos sempre muito atenciosos. Eles
me ensinaram as letras do alfabeto, vogais, números. Na
alfabetização já comecei a aprender as sílabas. O lugar

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não tinha estrutura, mas lá aprendi muita coisa, tanto da
vida escolar como pessoal.
Em seguida, passei para a primeira série (segundo
ano), na qual comecei aos poucos a ler. Lá, as avaliações
sempre eram um trabalho e depois uma prova, e no fim
do ano tinha uma Feira de Ciências, baseada em
histórias dos santos. Eu nesse ano, ainda lembro que
expliquei sobre o Frei Damião. Logo em seguida, dei
início a segunda série (terceiro ano), foi nela que pela
primeira vez, eu só poderia entrar na escola se fosse com
a mãe, pois briguei com uma colega de sala e trocamos
murros. Para a surpresa de todos, pois nunca tinha me
acontecido algo parecido.
O medo começou a aparecer, pois as matérias não
eram tão fáceis como as demais. Tudo começou a ficar
mais sério, mesmo assim foi nessa série/ano que comecei
a entender o que era letra maiúscula e minúscula,
diferença entre vogais e consoantes, sinais de pontuação
e a mais temida, a Matemática. No entanto, me
ensinaram as sequências dos números, a adição,
subtração, divisão e multiplicação. Para mim, era tudo
muito confuso, mas no fim deu tudo certo. Eu
compreendi e mais uma vez passei de ano, mal sabia eu,
que era só o início de uma jornada de aprendizagem.
A terceira série (quarto ano) chegou e as matérias se
expandiam cada vez mais, porém, eu já sabia de muitas
coisas. Só que, a cada série/ano passada, os assuntos iam
ficando mais complexos, extensos e evoluídos, e as aulas
sempre mais teóricas. Nessa escola, as aulas eram
tradicionais. Porém, foi nela que estudei até a quinta
série (sexto ano) regular, e sou grata até hoje por tudo
que aprendi lá... A ler e entender um pouco sobre as
matérias básicas do Ensino Fundamental. Essa escola
hoje em dia não existe mais.

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Após passar para a sexta série fui para outra escola, a
“Professor Antônio Dantas”. Essa era uma escola
pública e antigamente ainda tinha Ensino Fundamental.
Hoje em dia, ela é somente de Ensino Médio. No começo
eu achava tudo mais difícil do que na outra escola. Mas,
com passar dos dias fui me adaptando ao local e lá
comecei a estudar com as amigas da minha vizinhança.
Foi uma das escolas em que mais gostei de estudar. As
avaliações era duas provas e tinha alguns trabalhos em
grupos, assim como a outra, também tinha uma Feira de
Ciência que era uma das mais populares da cidade e que
até hoje é conhecida como SEACAD. Nós ganhávamos
dez pontos em cada matéria ao participarmos desse
evento, que acontecia apenas no último bimestre do ano
letivo.
Enfim, passei para a sétima série (oitavo ano) nessa
nova escola, mas houve uma mudança na qual a série
passou a ser ano. Nessa escola, conclui o Ensino
Fundamental e o Ensino Médio também.
Quando entrei no primeiro ano do Ensino Médio,
começou mais uma etapa de medo. Afinal, as matérias
iam ser ainda mais complicadas. Uma das que mais tive
dificuldade foi a Matemática. Além dela, tinha uma nova
que comecei a temer, a famosa Física. Porém, apesar das
dificuldades encontradas passei com notas boas.
No segundo ano, me apareceu uma ótima notícia, eu
tinha sido selecionada como uma das alunas com
melhores notas para participar de uma entrevista de
trabalho, para atuar como bolsista no Banco do
Nordeste. Poxa, fiquei muito feliz e se eu passasse na
entrevista iria trabalhar em um banco. Passei na e fiquei
mais feliz ainda.
No entanto, comecei a trabalhar e estudar ao mesmo
tempo. Além de tudo, tinha que manter as notas boas

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para continuar sendo bolsista, isso durou dois anos, até
acabar o Ensino Médio. Estudava pela manhã e
trabalhava à tarde. Na minha sala sempre fui aquela
gaiata, porém, sempre soube separar a hora de brincar e
de estudar.
Por fim, cheguei ao terceiro ano. O professor de
Português, o qual tirava onda com ele o tempo todo na
sala, começou a trabalhar a redação. Eu não sabia de
nada e meus textos eram muitos ruins. Não sei como
tirava notas boas, por ser terceiro ano começaram a
aparecer assuntos diferentes e no ano seguinte já era para
fazer o vestibular. Diante de tudo isso, a escola não tinha
um ensino de boa qualidade, mas sou grata até hoje por
tudo que aprendi com os professores. Terminei o Ensino
Médio, mas a vida acadêmica continua...

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QUANDO TUDO ERA UMA FESTA!
Luana Cristina Viana Ferreira

No meu período escolar, as coisas eram bem


diferentes de como são hoje em dia. As atividades que os
professores passavam em sala de aula eram feitas em
cartolinas e nós apresentávamos sem nenhum medo. Nós
tínhamos mais diálogo! As atividades de pesquisa eram
realizadas por meio dos livros e não por celular ou
computador como fazemos no tempo presente. Nós
costumávamos nos sentar na parte de fora das salas de aula
e falávamos sobre tudo. Escutávamos mais, conhecíamos
mais as pessoas com quem estudávamos. E assim,
acabávamos sabendo da vida de cada um. Saíamos juntos e
tudo era mais divertido. Creio que a chegada das tecnologias
afastou mais essas convivências das pessoas. Ah, tinha as
maravilhosas Feiras de Ciências que participávamos. Nós
vivíamos na biblioteca conversando ou lendo. Na aquela
época líamos mais do que hoje. A gente também viaja com
a turma para outras cidades e tudo era uma festa.

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A HISTÓRIA DE LUAN E SUA TRAJETÓRIA NA
EDUCAÇÃO BÁSICA
Luan Emanuel da Silva Pinto

Luan iniciou sua Educação Básica em 2002, aos três


anos de idade, no Centro Educacional Pequeno Príncipe,
que mudou de nome para Colégio Luz Pequeno Príncipe,
onde cursou as séries da Educação Infantil e todo o Ensino
Fundamental. Era um estudante bem preguiçoso, pode-se
dizer. Estudava porque era sua única obrigação, era daqueles
que fingia estar doente para não ir para aula, essa tática às
vezes dava certo outras vezes não. Ele gostava muito de
brincar, passou muito tempo tentando se encaixar numa
turma, mas não deu certo, na maioria das vezes era excluído.
De certa forma, isso o ajudou muito a ser quem é
hoje. Uma das coisas que Luan mais se arrepende é o fato de
só ter começado a dar mais importância aos estudos nos
últimos anos do Ensino Fundamental, e mesmo assim não
ter aproveitado tanto os anos de estudos seguintes. Em meio
a toda essa preguiça, vale ressaltar que nunca reprovou nem
ficou em recuperação.
A trajetória de estudos de Luan iniciou-se no
chamado Jardim II, ao invés do Jardim I, devido algumas
das professoras falarem que podia colocá-lo naquela turma
que não teria problema, entre outros motivos que não se
lembra.
Ao final do ano letivo, ele e seus pais se depararam
com uma situação um tanto inusitada. As mesmas pessoas
 39 
que disseram que não teria problema em iniciar no Jardim
II, disseram também que teria que repeti-lo, pois não poderia
cursar a série seguinte sem ter cursado o Jardim I. Assim, ele
repetiu o Jardim II, o que para não teve muito problema,
devido gostar muito das professoras, Tia Jusciana e
Jaqueline. A primeira era brincalhona, um tanto estressada,
e gritava muito. Já a segunda era mais séria, um pouco mais
calma. Ao repetir o Jardim II, começou a estudar com
colegas que permaneceram até o último ano do
Fundamental II.
Após os dois anos letivos no Jardim II, passou para a
Alfabetização, na qual já começou a ler suas primeiras
palavras e com a paciência que Tia Célia tinha para ensinar,
ficava ainda mais fácil aprender. Ao final da Alfabetização,
teve sua primeira formatura, a do ABC. Nesse momento, já
tinha seus sete anos de idade, já sabia ler e escrevia algumas
palavras com sua letra enorme e garranchosa. Passou por
todo o Fundamental I, aprendendo só o necessário,
brincando e não levando os estudos muito a sério.
Em toda sua carreira de estudos, foi chamado apenas
uma vez na diretoria, ainda no Ensino Fundamental I. Ele
era brincalhão, mas comportado, morria de medo dos pais,
professores e pessoas adultas que podiam brigar com ele.
Morria de medo do comportamento na agenda não ser Bom
ou Ótimo. Ele passou por professores que gostava e outros
não. A Tia Elane do 5º ano foi uma professora que marcou
seu ano letivo e era maravilhosa com seus alunos.
Ao final do quinto ano, se despediu da turma, não iria
estudar mais no Pequeno Príncipe, mudaria de escola. Isso
o deixou muito triste, como também seus colegas, pois tinha
conseguido fazer vários amigos e era muito querido.
Durante as férias de início de ano de 2010, Luan
estava muito triste, vendo seus pais buscando matriculá-lo
em outra escola, mas ele não sabia que preparavam uma

 40 
surpresa. No dia que começavam as aulas, até então sua
antiga escola, seus pais inventaram algo e o levaram até lá,
disseram que ele continuaria estudando no Pequeno
Príncipe, foi uma alegria tão grande para ele e seus colegas,
foi um dos melhores anos.
Nesse momento começou a estudar à tarde. Era
diferente porque agora os alunos das outras turmas já eram
grandes, adolescentes. No Fundamental II era muito bom,
pois cada disciplina tinha um professor e tinha as gincanas
que envolviam todos os alunos a partir do sexto ano (para
ficar claro, a turma dele nunca ganhou uma gincana, mas
eram os mais criativos).
Nos anos que se passavam, Luan teve bastante
dificuldade no sétimo ano, e foi a partir disso, que ele deu
um pouquinho mais de importância aos estudos. Passou por
tudo até chegar ao nono ano, uns dos melhores anos em
relação aos estudos e aprendizados. Foi um final difícil, era
o ano da despedida dos colegas, uns iam embora, outros
mudar de escola, assim como ele também, mas dessa vez não
teve surpresa, ele realmente foi para outra escola.
O ano era 2014, Luan estava entrando no Ensino
Médio na Escola Estadual Professor Antônio Dantas. Para
ele, um “mundo” totalmente novo, estava no início de sua
adolescência, conhecendo nesse momento o mundo real,
pode-se dizer que tinha saído de uma bolha, convivendo com
pessoas novas, que tinham realidades totalmente diferentes
das dele. Foi estudar com pessoas mais velhas que não
tinham o mínimo de interesse pelos estudos, entre tantas
outras coisas, que chocaram por muitas vezes sua mente
ingênua. Tudo isso foi estranho para ele, mesmo assim, não
apresentou nenhuma dificuldade para se adaptar a sua nova
realidade.
Em relação aos estudos, relembra que não sentiu
dificuldade nas disciplinas, pensou que seria mais pesado, já

 41 
que estava no Ensino Médio, mas que não foi como ele
imaginava. A partir disso, se tornou um aluno exemplar,
com notas altas, muito quieto, mas que tinha consciência de
que não precisava de muito esforço para conseguir ser esse
tipo de estudante.
Naqueles anos, isso era ótimo, mas hoje sente que
poderia ter aproveitado mais, em relação aos conhecimentos
que podia ter adquirido. Enfim, os anos passaram e Luan já
estava muito bem familiarizado com a escola, já não tinha
vergonha de nada, dava importância aos estudos, mas não
era tão quieto como no primeiro ano. Entre as coisas felizes
que relembra durante seu Ensino médio estão: as Feiras de
Ciências todo ano, mais conhecida com SEACAD, a
quantidade de pontos que ganhava e era maravilhoso para
deixar as notas o mais alto possível; o curso técnico de
Manutenção e Suporte em Informática, que teve a
oportunidade de fazer; os professores com quem teve
oportunidade de estudar e os colegas que fizera.
Ao final dessa fase, Luan já tinha amadurecido
bastante, finalizou o semestre um mês antes do que o
normal, devido ter sido lançado um edital para um curso
superior que ele tinha vontade de fazer, mas que não
conseguiu passar, conseguindo somente no semestre
seguinte, mas essa já é uma história para outro momento.
Esse foi um relato de tudo que Luan conseguiu lembrar de
sua Educação Básica, desde sua Educação Infantil até seu
Ensino Médio.

 42 
A EDUCAÇÃO PÚBLICA ME PROPORCIONOU
NOVAS OPORTUNIDADES
Lucas Emanuel do Rosário

Eu tinha três anos de idade quando fui estudar no


Colégio Pequeno Príncipe na cidade de Apodi - RN. Era
uma instituição privada, considerada uma das melhores e
meus pais se esforçaram muito para me manter nela. Lá
cursei quase todo o meu período da educação infantil e
vivenciei um dos melhores momentos da minha vida.
Seguindo para o Ensino Fundamental – anos iniciais,
permaneci na mesma instituição e aprendi novos conteúdos
por meio de matérias mais específicas. Recebi mais
conhecimentos, embora tenha apresentado várias dificul-
dades, principalmente em Matemática, mas sempre tive um
bom acompanhamento. Em função disso, meus pais me
colocaram em uma escola de reforço, o que me ajudou a
melhorar, passei quatro anos por lá.
No Ensino Fundamental do sexto ao nono ano, o
turno mudou, os conteúdos avançaram ainda mais e tudo
parecia mais difícil. É nessa fase que chega a adolescência e
com ela, novas forma de pensar. A rebeldia começava a se
fazer presente. Nesse período, assim como aprendi também
me diverti muito. Vivi momentos únicos e construí amizades
que cultivo até hoje. Mas, nem tudo é uma maravilha, além
da rebeldia, dificuldades nas disciplinas, enfrentei alguns
preconceitos por ser de família pobre e notei certas rejeições

 43 
em relação a isso. Foi nesse período que fui vítima de vários
casos de bullying.
Com todo o esforço para me manter numa escola
“melhor” e sinceramente com pouca dedicação da minha
parte, meus pais resolveram não pagar mais por um ensino
privado. Assim, iniciei o Ensino Médio na Escola Estadual
Prof. Antônio Dantas em Apodi. Enfrentei algumas
barreiras, por não estar acostumado com uma gestão pública
um pouco diferenciada, uma demanda de alunos tão
numerosa e de uma diversidade totalmente inovadora. Com
o passar do tempo, comecei a me adaptar e a me sentir em
casa. Era um lugar agradável, com professores e servidores
ótimos. Porém, também havia alguns problemas, tanto na
infraestrutura quanto nos aspectos didáticos.
Por fim, a educação pública, mesmo com suas falhas
me proporcionou diversas novas oportunidades, como o
Ensino Médio inovador, no qual participei de projetos de
arte, cultura e ciência, viagens, cursos gratuitos como
espanhol e auxiliar administrativo. Sem esquecer das
melhores chances de ingressar no Ensino Superior por meio
das cotas para a escola pública. Lá, também conheci pessoas
maravilhosas que ainda fazem parte da minha vida. No ano
de 2015, conclui o Ensino Médio com sucesso e no início de
2017 ingressei no IFRN-Campus Apodi, por meio do Enem
para cursar Licenciatura em Química, local onde estudo
atualmente e escrevo essa belíssima história.

 44 
E APESAR DAS DIFICULDADES, EU
SEGUIREI EM FRENTE!
Manoel Batista de Lima Neto

No meu período escolar tive a oportunidade de


aprender com vários professores, muito bons, sem dúvida,
eles contribuíram muito para meu aprendizado. Até hoje sou
grato a isso, mas também convivi com alguns que prefiro não
comentar. Na escola em que eu estudava, muitas vezes
faltavam recursos, mas os excelentes profissionais davam
seus jeitinhos para fazer com que não faltasse o mínimo
possível de "coisas" para o aprendizado dos alunos.
Durante esse período de Ensino Fundamental e
Médio, passei por várias coisas que até hoje lembro como se
tivesse acontecido ontem. Uma delas, foi que um coleguinha
de sala cortou minha camisa com uma tesoura, fui dizer a
minha professora. Eu precisei falar três vezes para ela
entender o que tinha acontecido. Ela quase endoidou.
Imediatamente o expulsou da sala de aula e foi suspenso por
três dias.
O dia de quinta-feira feira era o mais animado, todos
contavam os minutos para chegar a hora da merenda. Nesse
dia, era servido cuscuz e eu acho que tinha aluno que só ia
para a escola nesse dia, porque eu via gente que nem sabia
que estudava lá. Sempre gostei de participar das atividades
do Colégio. Eu adorava competir! Uma vez ganhei um bingo
na aula de inglês, o prêmio era uma caixa de chocolate que
até hoje não vi. Canetas novas? Era mesmo que mostrar
 45 
dinheiro a ladrão. Meus amigos quebravam logo o bocal.
Então, do meio para o fim, eu quando comprava uma caneta
nova, quebrava logo o bocal em casa, só para não dar o gosto
a eles.
Vanda Lúcia, era minha professora de Matemática e
Ciências no Ensino Fundamental, sem dúvidas era umas das
professoras que eu mais gostava. Eu sempre tirava notas
boas e ela também gostava muito de mim. Nunca fui um
aluno nota dez, gostava de brincadeiras, mas quando era
preciso estudar, eu estudava mesmo! nunca fiz recuperação
de nenhuma matéria, sempre passava por média.
Então é isso, esse é um pequeno relato dos meus
estudos. Meu Ensino Fundamental e Médio não foi dos
melhores, mas me "contento" quando comparo com outras
escolas das cidades vizinhas, uma vez que já ouvi relatos não
tão bons sobre elas. Apesar das dificuldades que
encontramos nesse período, eu gosto de estudar, hoje faço
Licenciatura em Química e estou orgulhoso disso. Me sinto
bem quando estou dentro de um laboratório, quando escuto
toda história da Química até chegar os dias atuais. Agora
faltam, em média, dois anos e meio para eu terminar a
graduação, e sei que ainda vou passar por muitas
dificuldades, mas até isso acontecer, eu seguirei em frente
com a fé em Deus.

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UM AMONTADO DE LETRAS
E UM SONHO DOCENTE
Maria Clara Medeiros de Andrade

A vida escolar de Maria Clara começou cedo, com


pouco mais de dois anos de idade, em uma escola tradicional
da cidade. O colégio era um dos poucos particulares de
Apodi naquela época. O colégio era grande, com parquinho,
escadas (que os pequenos só podiam subir quando fossem
para o Ensino Fundamental), roseiras, pátio e tudo aquilo
que se podia ter em uma escola, isso há dezoito anos. O
Centro Educacional Pequeno Príncipe tinha lá suas
particularidades, o almoxarifado era temido pelos estu-
dantes, pela sua aparência escura e seu cheiro de mofo. Os
comunicados para reuniões de pais e os boletins vinham com
um cheiro especial de cigarro, após a diretora que era
fumante assiná-los um a um. Uma assinatura que até hoje é
lembrada por ela, Clara.
O nome Maria Neuma Fernandes era escrito
pequeno e cheio de voltinhas que mais parecia um
amontoado de letras “e”. A escola era tão aconchegante e
cativante, que alguns estudantes até recebia apelidos
carinhosos dos funcionários. Foi naquela escola que recebeu
a primeira influência para entrar na docência.
Após passar por anos marcantes no Pequeno
Príncipe, foi concluir o Ensino Fundamental numa escola
pública municipal. Ao chegar na Lindaura Silva, as coisas
eram bem diferentes. Os colegas não eram os mesmos e as
 47 
professoras já não tinham o mesmo carinho e atenção pelos
alunos. A mudança foi grande e talvez por falta de
entendimento, Clara resolveu que não queria mais lecionar.
O sonho de ser professora ficou adormecido por mais ou
menos cinco anos. A licenciatura já não enchia mais os seus
olhos. Apesar de todas as coisas não legais da escola Lindau-
ra Silva, fez grandes amigos, que leva com ela até hoje.
Com o passar do tempo, ingressou no Ensino Médio,
tendo que mudar, dessa vez, para uma escola estadual. A
mudança e a adaptação não foi nada difícil, com ela iam
todos os amigos e colegas de classe. A Escola Estadual
Professor Antônio Dantas era uma escola grande, com um
quadro de alunos enorme, professores excelentes e parecia
uma espécie de grande família. Ela lembra muito bem de
todos os professores com quem ela fez amizade e que estão
na vida dela até hoje. Lembra de cada detalhe da escola, dos
campeonatos de handebol (a parte que ela mais gostava), das
aulas de Filosofia com um professor que não filosofava
direito, do professor de Artes que corrigia as traduções dos
textos em inglês como se fosse uma redação para sua matéria
e de muitas outras particularidades que fazia dela uma escola
única.
Logo, o desejo pela docência foi despertado
novamente em Maria Clara. Ao chegar no terceiro ano do
Ensino Médio, decide que vai fazer Letras – Português. Ao
fazer o ENEM consegue ingressar na UFERSA, no curso
desejado, mas ao sair de casa tão cedo, o que nunca foi o
desejo dela, e com alguns meses morando fora, ela voltou e
desistiu do curso. Fez ENEM novamente e escolheu uma
faculdade perto de casa, o problema é que o curso de
Licenciatura em Química não tem muito a ver com ela, e
cada vez s que ela paga matérias pedagógicas, sabe que o seu
lugar é na Licenciatura em Pedagogia. Isso está perto de
acontecer e Maria Clara tem certeza de que lá será o lugar

 48 
dela, e se não for, ela não se importa nem um pouco em
procurar outra faculdade, porque o que ela faz de melhor é
se reinventar.

 49 
A RÉGUA, O GRITO E
A BARRACA DE LONA MÓVEL
Matias de Sousa Libânio

Os meus primeiros anos de escola foram marcados


por momentos alegres, de aventuras, brincadeiras e
aprendizados. A primeira escola em que estudei, era muito
pequena, composta apenas por uma sala de aula e formada
por duas turmas de alfabetização. Dessa forma, o espaço era
dividido e tinha apenas duas professoras que eram
responsáveis por dar aulas de todas as disciplinas e exerciam,
também, o cargo de diretoras.
A escola ficava próxima a uma baixa que dividia o
sítio, formado por pequenas casas e uma população
composta por primos, tios, pais e avós, parentes que viviam
uma vida simples, mas que carregavam em seus semblantes
a felicidade e o sossego de um lugar calmo. Em época de
inverno, aquele vale se transformava num imenso riacho
com fortes correntezas, que nos deixava impossibilitados de
atravessar, e ficávamos dias sem ir à escola e à cidade.
Somente após as águas baixarem, a rotina de estudante
continuava: acordar às seis horas da manhã, se arrumar,
tomar café e ir para a parada esperar o carro.
A turma era composta por uma cambada de alunos
travessos, que na maioria das vezes tiravam a paciência da
professora. Nada os intimidavam e nem os deixava com
tanto medo, a não ser uma grande régua de ferro que a
professora ao sentir-se incomodada, batia forte sobre a mesa,
 50 
levando as mãos à cabeça em sinal de desespero. Durante o
intervalo a professora falava: – Vocês têm dez minutos de
recreio! Eles eram os minutos mais bem aproveitados,
pensávamos. Após o lanche ser servido, a diversão era
completa! Subíamos em árvores, no muro da escola e muitas
vezes no telhado. Brigávamos uns com os outros... Íamos
tomar banho no riacho e esquecíamos dos dez minutos de
intervalo, que há muito já havia se esgotado. Até que de
repente, ouvia-se os gritos da professora a nos chamar, e os
ecos de sua voz por entre os carnaubais, atravessando as
árvores.
O medo da régua de ferro que estava à espera para
esquentar nossas mãos, após um banho gelado era tão
grande, que muitos dos meus colegas não voltavam mais
para a aula e fugiam para casa fazendo veredas por entre o
mato. Terminadas as aulas, pouco dos assuntos que a
professora falava, era absorvido porque sua metodologia não
nos atraía. Nos outros dias, acontecia a mesma coisa: ditado
de palavras, bingo, brigas entre colegas, professora
apartando, travessuras, banho no riacho, régua nas mãos,
puxão de orelhas... O descontrole era tanto, que muitas
vezes a professora chorava de desespero.
Diante de tudo isso, e percebendo que os alunos iam
de mal a pior, a professora resolveu tirar uma licença para
descansar e cuidar de sua saúde. Como consequência, a
pequena escola fechou as portas e fomos transferidos
para uma escola maior. A escola Municipal Isabel Aurélia
Torres nos recebeu e aquela pequena turma de outrora,
agora estava separada e nas suas respectivas séries do Ensino
Fundamental.
Nessa escola, as regras eram mais rigorosas, já que
havia profissionais de educação para cada área específica,
mas, mesmo assim não impedia que houvesse brigas entre
alunos e alguns desentendimentos entre professores e

 51 
alunos. O transporte escolar utilizado era o “pau de arara”
coberto com uma lona amarela, para nos guardar do sol e da
chuva quando esta caía sobre aquele barraco de lona móvel.
Aparentemente, estávamos seguros e nada nos impediria
de chegar à escola – Só que não! Algumas vezes, o transporte
escolar quebrava no caminho e tínhamos que continuar o
trajeto a pé, pois era raro passar um carro para pegarmos
uma carona.
Nesse tempo, muitos pensavam assim: – Ainda bem
que no ano que vem, vamos estudar no IFRN se passarmos
na prova do Proitec! E se não passarmos, estudaremos em
Apodi e o transporte vai ser melhor, porque vamos de busão!
Chegou o final do ano e muitos foram reprovados. Alguns
desistiram da escola para trabalhar, outros passaram e foram
estudar no IF ou em escolas do Estado para continuarem os
estudos.

 52 
MINHAS MEMÓRIAS, MINHAS HISTÓRIAS
Mayara Beatriz de Oliveira Moreira

Eu comecei a estudar aos três anos de idade numa


escola próxima a minha casa, onde fiz o Jardim I. No ano
seguinte, eu fui para o CAIC onde estudei o Jardim II e a
alfabetização. Não lembro muito desse período, apenas que
comecei a conhecer algumas letras e números. Iniciei o
Ensino Fundamental I em outra escola, a Lindaura Silva,
pois meus pais acreditavam que eu iria aprender mais, e
realmente aprendi! Foi lá, onde comecei a ler e escrever e
estudei os dois primeiros anos, pois a escola era muito longe
da minha casa.
Então, fui para a escola Ferreira Pinto, que era mais
próximo da minha casa. Lá, continuei do terceiro ao início
do sétimo ano (Fundamental II), porque eu estava sofrendo
bullying e meus pais decidiram me colocar no Gerson Lopes,
onde conheci pessoas maravilhosas, que fizeram eu me
sentir bem. Fiquei nessa escola até o nono ano, quando fiz a
prova para ingressar no IFRN, campus Apodi, no curso de
Zootecnia.
Fiz todo o meu Ensino Médio nessa instituição, que
me fez aprender muitas coisas e ter lembranças que jamais
serão esquecidas. O IF me fez conhecer muitos lugares e
pessoas que marcaram minha vida. Consegui concluir o
integrado, mas não consegui passar logo na faculdade. No
SISU 2017.2 consegui passar para Ciência e Tecnologia,
onde não me identifiquei acabei trancando. Logo em
seguida, consegui passar para Licenciatura em Química, e
estou nela até agora.
 53 
QUANDO A ESCOLA NOS TRANSFORMA
Neelson Alves da Costa

No início, aos meus três anos de idade comecei os


estudos. Eu era muito danado, vivia correndo pela escola e
ao merendar me sentia privilegiado. Estudei com alguns de
meus colegas do primeiro ao terceiro ano do Ensino Médio.
Quando eu estava no sétimo ano no Colégio Francisco
Targino, eu era considerado o pior aluno, não somente da
escola como também da sociedade local onde vivo até hoje.
Eu e meu pessoal fazíamos muitas ruindades somente para
disputar a vaga de pior aluno. Eu acabei conseguindo o
primeiro lugar, após jogar excrementos na cara de um
cidadão. No entanto, ganhei a fama e com ela, tudo o que
acontecia de ruim era minha culpa, mesmo sem que eu
estivesse presente nos atos de vandalismo ou coisas do
gênero.
Durante o sétimo ano, participamos da primeira
gincana, a qual fomos campeões e começamos gostar de
sermos competitivos. Ao chegarmos ao nono ano, fui
expulso junto com a minha turma, porque após sermos
copiados na apresentação, ficamos irados, derrubamos o
som e discutimos com os professores. Insatisfeitos, ainda
queríamos dar o troco e ao chegarmos na sala pegamos os
ventiladores de teto e amassamos em formato decoração
cada um deles, além de quebrarmos o quadro negro.
Então, chegamos ao Ensino Médio na Escola
Estadual Zenilda Gama e fomos considerados uma sala

 54 
especial, devido tudo o que aconteceu durante o Ensino
Fundamental. Mas, aos poucos fomos conquistando os
professores, mudando o nosso comportamento e em meio a
essa transformação fomos considerados a melhor sala dessa
escola. Ainda sinto saudades de uma família que começou
lá, no início da vida escolar e trago comigo na memória até
hoje.

 55 
EU, A ESCOLA E MUITAS TRAQUINAGENS
Tarcísio Ferreira de Farias Filho

Eu vou começar falando um pouco do meu Ensino


Fundamental na Escola Lar da Criança Podre de Apodi/RN
onde estudei até a quarta série (quinto ano). Foi lá onde
aprendi a ler e escrever. No Lar, nós tínhamos como tradição
rezar no pátio do recreio antes de ir para a sala de aula. Era
uma escola custeada por freiras holandesas que nos
visitavam uma vez por ano. Eu adorava a escola que era
perto de minha casa, tinha uma locadora de vídeo game ao
lado e sempre após a aula, ficava muito tempo por lá. A
melhor hora era a do intervalo, porque lanchava e corria sem
parar, brincando de barata e bola, sem contar nas
brincadeiras de mexer com as meninas e até tomar merenda
dos outros. Eu era danado e sempre voltava para casa com o
recado da professora no caderno para meus pais. O nome da
minha professora era Vilza, eu a chamava de tia e até hoje
tenho carinho muito grande por ela.
Eu me lembro de uma Feira de Ciências em que fiz o
papel de prefeito, vestido com paletó e gravata, e para me
zoar os colegas e amigos que vinham na feira costumavam
me pedir dinheiro, eles sabiam que eu era cavaquista e
tiravam onda de propósito. Nessa escola, tinha uma área na
areia em que jogava bola e uma serraria onde fazia
brinquedos como pião, sinuca e taco de betes. Eu também
fazia pulseiras, com os fios de energia que os homens da

 56 
COSERN deixavam nos postes, quando vinham fazer algum
serviço. Tudo isso junto com meus colegas.
Nessa escola só tinha até a quarta série, então, logo
foi preciso ir para a Escola Estadual Professor Gérson Lopes.
Quando cheguei lá, rapidamente fiz novas amizades e
reencontrei alguns colegas do Lar da Criança Pobre. No
Gérson Lopes tinha uma praça em frente, onde a gente corria
de batalhão, jogava bola e andava de bicicleta, era bom
demais. Me lembro dos períodos em que o Gerson estava em
reformas e tivemos que passar um tempo nas escolas CAIC
e Lindaura Silva. Esta última, era uma escola menor, porém,
tinha uma praça em frente igual que tinha no Gérson Lopes,
o que ajudou bastante a gente a se acostumar. Já no CAIC
era diferente, tinha uma quadra de esporte, coisa que as
outras escolas que estudei não tinham. Naquela época, não
ligava para os estudos e o que importava mesmo era ficar no
time da escola e jogar o JERN’s e o Interclasse. Lembro que
ganhamos um JERNE’s e ficamos em segundo lugar numa
olimpíada, entre as escolas municipais e estaduais.
A época mais importante no Gérson Lopes era o
“arraiá” durante o período dos festejos juninos. Eu era quase
obrigado a dançar as quadrilhas porque precisava dos pontos
que os professores davam para quem dançava, eram eles que
me ajudavam a passar de ano. Uma coisa muito importante,
era que nesses “arraiás” aconteciam os primeiros namoros,
e como era bom! Me recordo também das Feiras de Ciências
que me ajudavam com as notas e, também das aulas de vídeo
porque a sala tinha ar condicionado.
Eu fazia muita bagunça junto com meus colegas,
como colocar cuscuz nos ventiladores de teto para sujar
tudo, na hora que a professora estivesse entrando na sala, às
vezes, colocávamos o apagador também. Outra traquinagem
que fazíamos era colocar uma borracha no sino para ele não
tocar no fim das aulas e confundir os horários. Eu também

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colocava “quisuque” e corretivo nos bebedouros, soltava
bomba no banheiro, atirava as cenouras que vinham na sopa
com a colher de plástico para sujar os outros, ficava no fundo
da sala fazendo baderna e outras coisas mais. Tudo isso me
fazia ser suspenso quase todos os dias. Além dessas coisas,
eu matava muitas aulas para ir jogar torneios de vídeo game
em locadoras, quando não saía mais cedo e ia correndo para
chegar em casa a tempo de assistir os desenhos, o meu
preferido era Dragon Ball Z.
Uma das marcas do Gérson Lopes era o Giga Bayt,
onde eu ficava nos intervalos e nas aulas vagas. Lá, a gente
via o movimento do centro da cidade, lanchava e ficávamos
conversando por muito tempo, isso quando não estávamos
aprontando algo. Outra coisa legal, era quando chegava o
parque na cidade, a praça ficava bonita, passávamos o dia
“curiando” e mexendo em tudo e quando o dono não estava,
nós aproveitávamos para brincar nos brinquedos.
No final da oitava série (nono ano) saí do Gérson
Lopes e fui estudar na Escola Estadual Professor Antônio
Dantas, não que lá não tivesse Ensino Médio, mas porque
gostava mesmo era de estudar pela manhã. No Antônio
Dantas reencontrei colegas tanto do Gérson Lopes quanto
do Lar da Criança Pobre e pude fazer novas amizades.
No Antônio Dantas não era muito diferente, eu não
ligava muito para estudar, só queria mesmo fazer bagunça e
jogar bola. Não respeitava os professores e tinhas uns que eu
fazia raiva mesmo. Até hoje, quando alguns deles me veem
devem se lembrar das ruindades que eu fazia. Na hora do
intervalo tinha as cachorradas, falava de futebol, mexia com
os outros e tentava bagunçar a fila da merenda, tudo isso
com meus colegas que também era bagunceiros. Passávamos
trote em nome da escola pedindo para vir deixar botijões de
gás e algumas coisas de supermercado, secava os pneus das
motos dos professores, enganava o homem dos “dindins” e

 58 
etcetera. Tudo isso, eu fazia de ruim junto com meus amigos,
por isso, fomos suspensos algumas vezes e até fomos
ameaçados de perder a vaga na escola. A gente parava
mesmo, quando ameaçavam nos deixar de fora dos
Interclasses e JERN’s.
As duas principais épocas do Antônio Dantas, eram
a CEACAD e o Arraial do Teretetê, nos quais eu me
empenhava porque precisava dos pontos para passar de ano.
Na CEACAD todas as escolas vinham nos visitar e o
“arraiá” era o maior de todas as escolas. Me Lembro de uma
CEACAD que o projeto do meu grupo era um jornal, a
professora responsável não sabia que a gente ia aprontar com
esse projeto. No segundo dia da feira, o jornal veio ao ar com
uma manchete falando da briga que houve na sala dos
professores, foi a maior confusão! O diretor queria expulsar
a turma toda por expor daquela forma os problemas internos
da escola. Falávamos de namoros escondidos e muitas
outras coisas, esse projeto de jornal deu o que falar.
Assim, foi minha época de estudante até o ensino
médio, pouco estudo e muita bagunça. Acho que os
professores torciam para eu faltasse, só para ter uma aula
mais tranquila. Entretanto, dificilmente eu faltava, por mais
que não gostasse de estudar, achava bom demais ir para
escola. No final das aulas, ficávamos pedindo carona na BR
para voltar para casa, fazendo mais resenhas, às vezes
pegávamos caronas e os motoristas de propósito passavam
direto, porque já conhecia a gente, e nos deixavam ainda
mais longe de casa, era o castigo que a gente recebia pelas
ruindades que fazíamos no dia todo.

 59 
ESTUDAR É UMA GRANDE AVENTURA!
Tatiana Karla Paiva Sizenando Rufino

Iniciei minha vida escolar aos cinco anos na Escola


Educandário Mundo da Criança. Uma escola da rede
privada, a única na época, a qual guardo muitas lembranças.
Estudava no jardim e desse período não tenho muitas
recordações. Aos seis anos fui para a primeira série (segundo
ano) e tinha a amável professora Tia Sula (In memoriam)
como professora. Ela era uma senhora doce e amável,
sempre cuidava e educava muito bem todos os alunos,
inclusive os que não eram da sua turma. Estava sempre
disposta a ajudar e era muito atenciosa. Éramos uma turma
pequena com apenas doze alunos, que permaneceram
unidos até o Ensino Médio. Na segunda série (atual terceiro
ano), já lendo e escrevendo o meu nome completo, sentia-
me vitoriosa, embora a professora já não era a mesma, me
deixando desanimada, e muitas vezes, sem querer ir para
aula. Foi difícil me adaptar a mudança de professora.
Os anos seguintes me reservaram muitos desafios,
pois na terceira série (quarto ano) minha professora foi a
temida Tia Lúcia (In memoriam). Ela era muito rígida e
usava em sua metodologia de ensino o castigo, ou seja,
punições. Na quarta série (quinto ano) estudava com Tia
Nova, uma professora atenciosa, porém não tanto flexível.
Tinha um jeitão grosseiro, mas no fim das contas era muito
carinhosa. Minha turma não era agitada e nem fazíamos

 60 
muitas travessuras, por isso as lembranças que tenho da
minha primeira fase escolar são bem tranquilas. O que
guardei mesmo na recordação foi aquela velha foto que
todos os alunos tiravam quando concluíam o Ensino
Primário, na mesa do professor, fardada e com as imagens
das bandeiras do Brasil, do Estado e do Município.
Quando fui cursar o ginásio, fiquei muito feliz, pois
ia estudar na Escola Gerson Lopes, uma escola estadual, na
qual minha mãe trabalhava e que tinha um mingau, nos dias
de terça e quinta, que era maravilhoso. Até hoje guardo esse
sabor comigo, hum! Mas, a minha alegria durou muito
pouco, nesse mesmo ano, surgiu em Apodi a primeira escola
privada com turmas para o ginásio (Ensino Fundamental II)
– o Colégio Nossa Senhora da Conceição, a qual eu faço
parte da história, pois fui uma das primeiras alunas
matriculadas. Esse fato ocorreu “porque a minha mãe
também trabalhava na secretária do colégio”. Fiquei triste,
pois não iria realizar o sonho de estudar no Gerson Lopes,
ao mesmo tempo feliz, porque a minha antiga turma estava
toda matriculada e continuamos nossa amizade e com-
panheirismo por todo o ginásio.
Nessa fase, vivi muitas aventuras junto com os
colegas, inclusive quando um colega chateado com uma
supervisora das turmas, colocou um sapo no bebedouro para
amedrontá-la, pois sabia que ela tinha pavor a criatura. Deu
certo, a coitada passou mal quando viu a “presepada” e ele
levou uma suspensão de três dias. Outro fato relevante sobre
essa temporada, foi na sexta série (sétimo ano) quando um
colega meu pegou a minha prova de Matemática toda
respondida, trocou pela prova dele em branco e ainda
ameaçou, que se eu falasse ia dizer ao professor que eu
estava colando. Absurdo! Eu sempre tive medo dessas

 61 
situações e logo resolvi a parada, comuniquei tudo para
minha mãe e nas provas seguintes ela ia para sala aplicar
junto com o professor.
Na sétima série (oitavo ano hoje), vivenciei expe-
riências inovadoras e marcantes, pois nossa turma participa-
va sempre de gincanas culturais e eventos dentro e fora da
escola. Lembro bem, quando imitei a Angélica na dança
“Blue Jeans”, hilário demais, eu morena imitando uma loira
(risos). Participamos também com a peça do “Sítio do Pica
Pau Amarelo”, dessa vez, eu fui a Tia Anastácia, lembro
quando trituramos o carvão e espalhamos por todo o meu
corpo para que eu pudesse ficar negra, porque eu era mais
clara que a personagem. Na oitava série (nono ano) comecei
a me interessar mais pelos jogos escolares. Tudo naquele
momento, para mim era mais atrativo e inovador, pois como
em Apodi não tinha uma boa quadra de esportes, íamos para
Pau dos Ferros, Itaú e Umarizal disputar os jogos. E sempre
a minha equipe se classificava para as finais dos campeona-
tos que aconteciam em Natal. Foram muitas resenhas. O
primeiro jogo perdemos de 61 x 1. Uma surra no placar, mas
não nos abalamos, pois o que mais importava naquele
momento era aproveitar o passeio e as novas aventuras.
No ano seguinte fui cursar o Ensino Médio. Os dois
primeiros anos na mesma escola e com a mesma turma e
cinco novos alunos. Essa fase da nossa vida é interessante
porque começamos a despertar outros interesses na escola
além dos estudos. Surgem as paqueras, as fofocas mudam
completamente o rumo da história. E mesmo assim ainda
conseguimos guardar grandes recordações.
Enfim, fui uma aluna muito privilegiada por ter como
base no meu aprendizado e na minha vida, professores
excepcionais. Cada um do seu jeito, mas um deles mora até

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hoje no meu coração e não paga aluguel – o professor
“feinho”, apelido carinhoso dado ao nosso professor de
Educação Física, Francisquinho. Mas, como nada é para
sempre, no ano seguinte tive que me separar da minha turma
e fui morar na capital, onde fui cursar o terceiro ano no
Hipócrates Colégio e Curso. Lá tudo era novo para mim, a
começar pelo fato de morar longe da minha mãe. No início
éramos só meu tio Elson, meu primo Isaque e eu, em um
apartamento na zona sul da capital.
Logo nos primeiros dias, tive que me adaptar a tudo
por lá e aprender a me virar, pois meu primo no segundo dia
de aula se encabulou no colégio com a paquera, foi embora
e me deixou para voltar para casa sozinha. Fiz logo amizade
com o porteiro Gilson, que por incrível que pareça ainda
trabalha no mesmo posto e na mesma sede da escola.
Como tive uma boa base inicial, não senti muita
dificuldade no ensino da capital, só estranhei porque tudo
praticamente duplicou ou triplicou. Eu tinha três professores
de Matemática, três de Biologia, dois de Língua Portu-
guesas, dois de Literatura, três de Química, três de Física,
dois de História, dois de Geografia, um de Redação, um de
Conhecimentos Gerais e um de artes. Minhas aulas eram de
segunda a sábado e um domingo sim outro não, tínhamos
simulados com todos os conteúdos cumulativos.
Por um instante, pensei em desistir e voltar para o
interior, mas por outro lado veio a minha cabeça a enorme
oportunidade que a vida estava me dando de seguir em frente
e ir rumo ao curso universitário dos meus sonhos, que de
início era odontologia. Embora, todos os testes vocacionais
que eu fizesse só dissessem que minha área era de humanas
ou exatas.

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Eu demorei para aceitar, mas hoje estou realizada no
curso. Em 2012 fui convocada pelo IFRN em primeiro lugar
geral, para cursar a licenciatura em Química, no entanto, por
falta de atenção, não vi a convocação e acabei deixando
passar despercebido. Creio que seja o destino, pois eu tinha
que estar justamente na turma de 2018, para poder vivenciar
as maravilhas do companheirismo com uma turma maravi-
lhosa e ter o prazer de conhecer professores excepcionais a
qual guardarei eternamente nas lembranças.

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MINHA PRINCIPAL INFLUÊNCIA:
O PROFESSOR DE QUÍMICA
Tiago José Souza Freire

Minha vida escolar começou em uma creche


comunitária, em um sítio que ficava “perto” da minha casa.
Foram os meus primeiros anos na escola, lembro de pouca
coisa dessa época. Em seguida, tive que mudar de escola,
para fazer a alfabetização, pois a outra era apenas uma
creche. Foi lá que eu aprendi a ler e escrever (não lembro a
minha idade) e onde fiz meus primeiros amigos. Lembro que
nessa escola todas as séries eram juntas numa sala só, devido
a pequena quantidade de alunos, e muitas vezes faltava
merenda.
Alguns anos depois, tive que ir estudar no CAIC na
cidade e lá cursei o primeiro ano do Ensino Fundamental.
Lembro de alguns momentos ruins, como a falta de
segurança da escola, uma vez que usuários de drogas viviam
pela escola judiando de crianças pequenas (como eu). Os
tempos eram difíceis, nós tínhamos que acordar muito cedo
para ir de bicicleta até a parada, depois pegar um pau-de-
arara para ir e na volta era ainda pior, porque o sol era muito
quente.
Logo após, fui para a Escola Estadual Ferreira Pinto,
e cursei do segundo ao nono ano do Ensino Fundamental.
Tudo era muito novo para mim, coisas novas, colegas. Mas,
foi um pouco mais fácil de adaptar-me a essa nova escola,
porque fiz um monte de amizades novas, entre colegas e
 65 
professores. Eu era considerado um ótimo aluno, nunca
reprovei e minhas notas eram ótimas. A melhor parte do ano
eram os desfiles, como o 7 de setembro, pois eu fazia parte
da banda marcial da escola, e saíamos pela cidade tocando,
era muito legal.
Devido alguns problemas com o transporte escolar,
tive que deixar de estudar na cidade para ir estudar numa
escola do sítio vizinho. Cursei todo o Ensino Médio na
Escola Estadual Valdemiro Pedro Viana e mais uma vez tive
que me adaptar a uma escola nova. Pensei que seria difícil,
mas depois de alguns dias, reencontrei alguns amigos, fiz
muitas amizades, as quais eu tenho até hoje. Houve muitos
momentos bons, como as brincadeiras e as zueiras na sala de
aula, outros ruins, como brigas feias. Um dos momentos
mais engraçados, foi quando eu e meus colegas disparamos
um extintor de incêndio dentro do laboratório de Química
(quase morremos sem ar).
Um dos momentos que eu mais gostava eram as
Feiras de Ciências, nas quais fazíamos um projeto para
apresentar. As minhas aulas favoritas eram as de Química,
porque o professor sempre dava um jeito de fazer uma
experiência. Ele improvisava beckers com copos de extrato de
tomate ou pegava algo emprestado quando não tinha na
escola. Ele sempre nos aconselhava a estudarmos para fazer
um curso legal, mas eu não dava muita bola. Eu fiz uma
amizade muito forte com esse professor e o tenho como a
minha principal influência em Química.
Chegou o terceiro ano do Ensino Médio e com ele
veio a dúvida: O que eu vou fazer quando isso acabar?
Comecei a seguir os conselhos desse meu professor.
Comecei a estudar em casa para o ENEM e participei de
algumas aulas beneficentes realizadas pela igreja. Fiz o
Enem sem nenhuma expectativa de tirar uma nota boa.
Assim que as notas saíram, me inscrevi para o curso de

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Letras e de Licenciatura em Química. Como as notas não
foram suficientes para letras, coloquei então para
informática, passei na primeira chamada e fiz a inscrição,
porém, o resultado de Química saiu e fui chamado, tranquei
o curso de informática e fui fazer a Licenciatura em
Química, e estou nela até hoje.

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ENTRE AMIZADES, AMORES, CONFUSÕES E
A LOIRA DO BANHEIRO
Walkineia Geycielle da Silva

Tudo começou no jardim de infância, e não me lembro


de nada que aconteceu no período que eu estava lá. Depois,
veio o Ensino Fundamental e eu comecei a estudar na
primeira série/ano aos seis anos de idade. Me lembro que eu
era muito envergonhada, sempre ficava quieta no meu
canto. Não me recordo das pessoas que estudavam comigo,
porque nunca fui de ter muitos amigos. Mas com o passar
do tempo, eu fui me adaptando ao novo ambiente até fazer
novos amigos.
Eram engraçadas as carteiras da escola. Eu sempre
tinha dificuldade para sentar devido eu ser baixa e magra e
elas se tornavam um pouco alta para mim. Uma coisa boa
era que pai sempre ia me buscar na escola e às vezes rolava
uma briguinha, porque eu sempre queria ir no tanque da
moto e Kefin também, no final acabava que nenhum dos
dois iam (risos) e isso já era um motivo de briga para quando
chegasse em casa.
As coisas começaram a melhorar quando eu mudei de
escola. Eu tinha mais amigos e mais cachorrada. No
intervalo, era correria para cima e pra baixo, quase todo dia
era um carão, porque a escola era de primeiro andar e
ficávamos correndo pelas escadas. Teve uma coisa que foi
muito engraçada, tinha um canal na televisão que contava
histórias de terror. Uma delas era sobre a loira do banheiro
 68 
e passou à noite. No dia seguinte, eu e mais duas meninas
fomos ao banheiro para tentar fazer o que tínhamos
assistido. Nós tentamos chamar a loira do banheiro, só que
a porta do banheiro não era muito boa. Então resolvemos
encostar a porta enquanto uma ficava “pastorando” e as
outras duas iam chamar a loira do banheiro. Mas, a
engraçadinha que ficou de olho na porta, resolveu nos fazer
medo e trancou a porta por fora (ela saiu sem a gente
perceber). Quando a porta bateu e a gente se virou e não a
vimos, começamos a gritar e a pedir para ela abrir a porta, e
ela nem aí. Eu comecei logo a chorar e a porta travou. Ela
não conseguia abrir e foi preciso chamar o porteiro,
enquanto eu morria de chorar. Depois disso, passei um bom
tempo sem ir ao banheiro da escola.
Nessa nova escola todo ano tinha Feira de Ciências.
Em um dos anos teve uma disputa e ganhava uma caixa de
chocolate quem dançasse melhor, nisso apareceu meninas
de tudo quanto foi canto para participar. E eu não iria perder
essa. A música escolhida foi a do creu. Começamos a dançar
e os jurados foram a plateia. Cada vez que a música parava,
uma era eliminada até que restaram apenas três meninas e
eu era uma delas. Adivinhe quem ganhou a disputa?
Euzinha, no final da música, as pessoas aplaudiram para
quem eles tivessem gostado mais.
Um dos momentos mais marcantes do nono ano foi
quando eu conheci Allisson (amor da minha vida). Eu o vi
passando na praça e já me encantei. Ele tinha uma prima que
eu conhecia e estudava na mesma escola que eu. Quando
passei no corredor e a vi, já fui logo falar com ela. A primeira
coisa que eu disse foi “ainda vou namorar com seu primo”.
Ela começou a rir e ficamos conversando até terminar o
intervalo. Acho que esse é um dos momentos que eu nunca
vou esquecer, porque de uma brincadeira virou realidade.

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Esses foram alguns dos momentos que eu lembro que
aconteceram durante meu Ensino Fundamental.
O próximo passo foi o Ensino Médio. Eu tive que
mudar de escola novamente, porque na escola em que eu
estava só tinha até o nono ano. Comecei o primeiro ano com
quatorze anos de idade numa turma que eu não conhecia
quase ninguém. Mas logo fiz amizades com duas meninas
bem especiais. Tudo a gente fazia juntas, trabalhos,
atividades, sempre estávamos juntas. Nesse primeiro ano
não me lembro de ter acontecido algo especial.
Mas, no segundo ano, eu lembro de uma aula que foi
muito marcante. Era uma aula de Biologia e a pessoa que foi
dar a aula era uma substituta porque a professora não pode
ir nesse dia. Eu não lembro direito qual era o assunto que ela
deu, mas pediu para gente escrever todos os nomes popu-
lares que conhecíamos sobre as partes íntimas masculinas e
femininas. Depois pediu para que cada um lesse o que tinha
escrito, e nessa hora me deu uma coisa... Eu saí da sala
chorando (não entendo até hoje o porquê dessa reação). Só
sei que no outro dia a turma toda ficou rindo disso.
Pelo que eu me lembro, o segundo ano, foi o mais
tranquilo porque já conhecia todos e, fora isso, o que eu
contei a pouco, não lembro de mais nada tão marcante. E
por fim, o terceiro e último ano, no qual a maioria das
conversas eram sobre meninos, preparação para a prova
mais temida que era o ENEM. Havia muitas discussões em
sala, esse ano foi o mais movimentado. Eu me lembro de
discutir muito com uma menina, ela chegou quase no meio
de ano, e gostava muito de uma confusão. Mas só queria
brigar com as meninas menores, devido ela não ser tão alta,
e como eu era bem atrevida, tudo que ela falava eu
respondia, e era assim quase toda semana até que ela foi
embora, não terminou o terceiro ano com a gente.

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Eu lembro que eu e as meninas nos sentávamos no
fundão. Era tanta cachorrada, tanta coisa, era tão bom não
ter que me preocupar com nada, a não ser ir para escola
estudar. Enfim, esses são os momentos que eu lembro ter me
marcado durante o período na escola.

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ENFRENTAR E VENCER!
Nadia Farias dos Santos

Eu sempre adorei estudar. Lembro de ouvir minha


mãe contando que aos quatro anos de idade, eu chorava para
ir à escola sempre que via as crianças passando com suas
mochilas nas costas à caminho dela. E de tanto aperrear,
acabou me colocando numa, não antes de brigar bastante
para me aceitarem, porque naquela época não era comum
entrar na escola tão jovem assim.
A escola sempre foi um lugar de grandes aventuras,
ainda hoje é. Estar na turma do jardim era um grande feito.
Eu adorava tudo e principalmente a atenção, pois eu era, e
quase a vida toda fui, a mais nova nas turmas em que fui
matriculada. Um dos momentos mais maravilhosos do dia
era a hora do recreio, não me lembro muito bem das
brincadeiras, mas não esqueço da farofa de amendoim. Eu
simplesmente adorava. E caía no choro quando esquecia
meu copo em casa. Me batia um desespero, porque ela era
servida nos copos de cada um. A professora comovida e por
saber o quanto eu gostava, fazia um cone com uma folha de
papel para que eu não perdesse o lanche preferido.
Durante o primário (Ensino fundamental – anos
iniciais) tenho muitas lembranças legais. Meus professores
eram muito bons, e eu me dava bem, apesar de não ser tão
boa em Matemática. Quem nunca teve um probleminha
com essa disciplina que atire a primeira pedra. Eu era muito
certinha, não gostava de chegar atrasada, faltar a aula ou

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tirar notas baixas, para isso, eu me esforçava bastante. Para
além disso, a escola era um lugar de diversão. Uma simples
ida ao banheiro era mais assustadora que um filme de terror,
afinal, toda escola tem a “mulher do algodão” ou a “loira do
banheiro”. Nenhuma menina ia ao banheiro sozinha, essa
era uma regra básica de sobrevivência.
Esse período foi muito legal. Tinha as brincadeiras
com os colegas. Brincávamos de jogar pedrinhas, de corda,
matada, barra bandeira e tantas outras. Na pausa, íamos até
a rua do meio comprar sobras de cocada carolina, que era
simplesmente deliciosa, porque vinha com as raspas do coco
queimado. Uma das escolas em que estudei, creio que estava
na terceira série (quarto ano) na época, era numa casa velha
e quando chovia a gente tinha que se amontar nos cantos
para escapar das goteiras da sala.
Ao chegar na quinta séria (sexto ano) fui para a maior
e melhor escola da minha cidade e minha mãe novamente
teve que brigar para me matricularem, porque eu estava
adiantada na idade e eles não queriam aceitar alunos tão
novos. Mas, como sempre, minha mãe, que era muito
esperta consegue resolver a situação. Então vieram longos e
bons anos. Construí laços de amizade que duram até hoje.
Me diverti, estudei bastante, tive excelentes professores,
outros nem tão bons assim. Mas deu para chegar ao Ensino
Médio, embora a Matemática tenha me marcado até a oitava
série (nono ano) quando conheci a professora que me fez
esquecer todo o sofrimento que essa disciplina me causou
(eu fui para a final em Matemática na quinta série, uma
tragédia para mim). Ela nos chamava de estrelinhas e dizia
que todos podem aprender Matemática e eu aprendi! Pelo
menos, o suficiente para passar de ano com folga.
No científico, hoje Ensino Médio, vieram as preocu-
pações com o futuro, a profissão a escolher e os vestibulares.
Os estudos foram reforçados para que pudéssemos chegar à

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universidade. Eu como sempre era uma das “estudiosas da
sala”, estava entre os melhores alunos em comportamento e
notas, exceto quando minha turma foi suspensa porque a
turma vizinha empilhou as carteiras e nós levamos a culpa,
ou quando fui expulsa da aula de Biologia porque discordei
do professor. Ah, e só para constar, eu estava certa em
discordar, porque a informação que ele deu estava mesmo
errada. Toda a turma sabia, mas com medo, não falaram
nada e assim fui embora da sala aos prantos, pois era uma
vergonha para mim essa situação. Depois desse episódio, o
professor me perseguiu e estava determinado a me reprovar.
Mas, como eu estudava demais, ele teve muita dificuldade,
tendo que prejudicar a turma inteira para me atingir, mas
não funcionou, porque passei direto, sem ir para a final,
embora a maioria da turma tenha ido, lamentavelmente.
Eu teria muitas histórias engraçadas para contar,
outras nem tanto, mas o importante é que a escola sempre
foi um espaço de aventuras, diversão e aprendizados.
Sempre amei estudar e sempre gostei da escola pública,
mesmo ela não sendo perfeita, mesmo com toda a sua
precariedade e deficiências. Sempre acreditei nela e acredito
até hoje. Acredito tanto, que hoje sou, com muito orgulho
professora da escola pública e quero fazer para os meus
alunos o que ela fez por mim. Me fez sonhar e acreditar que
há sonhos possíveis. Não sem luta e sem enfrentar as
barreiras das desigualdades sociais, econômicas, de oportu-
nidades... Enfrentar e vencer!

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PARTE II

UMA ESCOLA PARA O BEM VIVER


UMA BELA PROFESSORA E
SUAS AULAS AO LUAR
Ana Claúdia da Silva Costa

Sempre sonhei ingressar na faculdade, e em meus


sonhos era tudo perfeito. Um lugar onde eu passaria a maior
parte do dia, teria os melhores professores, as melhores salas
de aulas, laboratórios equipados, jardins para caminhar e
exalar o cheiro das flores, pracinha para conversar e
encontrar paqueras.
Os anos foram passando e eu consegui ingressar nela.
No entanto, não era exatamente tudo aquilo que tinha
sonhado, mas era um lugar legal. Eu e meus colegas sempre
nos reuníamos nas horas do intervalo para conversamos
sobre a nossa vida acadêmica, e na maioria das vezes
discutíamos o decorrer do processo da educação no Brasil e
o rumo dela ao longo do tempo. Podíamos notar que houve
um avanço metodológico na forma de ensinar, mas que
ainda existe uma grande parte de escolas com modelos
tradicionais de ensino, professores presos àquelas velhas
formas de ensinar e sem interesse algum de buscar novos
métodos.
E em uma noite estrelada, uma lua radiante que
estava a nos iluminar, voltávamos de umas belas férias,
quando surgiu o comentário que uma professora nova estava
chegando na escola, todos ficamos ansiosos:
– Será que essa professora e boazinha? Perguntei.

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– Como será sua metodologia? Era o que Sabrina queria
saber.
Então, o dia da aula dela chegou. No primeiro dia de
aula, ela já transmitia uma energia tão boa que todos ficamos
encantados. Foi o dia em que novos métodos de ensino
foram aplicados. Então, percebemos que poderíamos sim,
aprender de várias formas, que não precisava só de conteúdo
e prova para compreender os assuntos abordados em sala.
Era assim que queríamos uma escola para o bem viver. As
aulas não eram mais as mesmas. A forma com que os alunos
compreendiam o conteúdo era significativa. Eles interagiam
uns com os outros, e a cada aula, novas formas de ensino.
A Metodologia que mais que chamava atenção, e que
todos mais gostavam eram os cafés metodológicos, que
acontecia ao ar livre, onde podíamos apreciar aquele
magníssimo luar que brilhava enquanto aprendíamos de
forma espontânea e alegre. Mas como tudo nessa vida não é
só flores, a gente tinha que lidar com a gula da professora.
Ela sempre chantageava os alunos por comida, ou trazíamos
ou ficaríamos reprovados, mas isso nunca iria acontecer,
pois éramos mais gulosos do que ela, e sempre nos
esbanjávamos de comidas.

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MEMÓRIAS DE OUTRO PLANETA
Anibal Aurélio de Gois

Eis que aqui vos fala quem já morreu. E vim contar


um pouco da história do tempo em que eu era vivo! Naquela
terra em que me abrigara de uma forte tempestade, onde eu
e meus companheiros – no total de seis contando comigo –
estávamos numa expedição à procura espécimes valiosos
para o mercado clandestino. Mas o que encontrara ali, foi
outro tipo de tesouro... Dos que me seguiam, todos
acabaram por encontrar a morte rapidamente durante a
excursão. Só restou tentar voltar a salvo e velar pela morte
deles.
Para isso, eu teria que reunir forças para escapar com
vida, mas tudo parecia incerto. Foi quando pensei que
morreria durante a última investida de fuga, atravessando
uma ponte que ligava um lado do penhasco a outro, numa
selva inóspita, cruzando um rio, que seria a estrada que me
levaria de volta para casa. Porém, ocorreu uma forte
tempestade e ela foi derrubada. Já não havia outra solução a
não ser enfrentar a morte.
No entanto, quando já estava nas últimas forças,
apareceu, subitamente, alguém trajado com roupas nada
convencionais que me acolheu, tratou dos meus ferimentos
e do estado deplorável em que me encontrava. Hoje, morto,
percebi que se tratava de uma espaçonave que aterrissara
justo no mesmo local.

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Quando votei a mim, deparei-me dentro de um
dirigível que logo aterrissara em uma área segura: Bem-
viver. Havia ali uma megalópole. Pela hospitalidade em ter
me acolhido, eu pressentia ali um vínculo de respeito mútuo
para com seus integrantes, jovens, velhos, crianças... Enfim,
uma comunidade em que se aprendia tudo junto.
Era uma sociedade na qual o crescimento era
trabalhado de modo a respeitar não só o ambiente, mas as
pessoas ao seu redor. O conhecimento mais valioso se dava
com o aproveitamento do tempo: ócio nem pensar!
Dinâmicas de grupo, jogos, excursões, etcetera. Os jovens
passavam o dia aprendendo sobre o mundo fora da área
onde fui parar.
Contudo não era um lugar isolado, várias outras
pessoas podiam visitá-lo, era bastante populoso devido a sua
estrutura e principalmente a qualidade de ensino. As aulas
eram ao ar livre ou dentro de um dos digeríveis disponíveis
na cidade. Havia um professor, mas este restringia-se a
orientar o conteúdo. Após o momento teórico, seus alunos
iam à natureza investigar de forma prática e instigante a
relação do conteúdo com o que ocorre na vida real.
Quando todas as minhas feridas cicatrizam, o que
levou um pouco de tempo, consegui aprender muito com
essa civilização alienígena sobre educação, saúde, cuidados
com a natureza e a vida. Eu não tinha noção de que o fator
tempo era contado de forma diferente, mesmo curado das
feridas, morri de causas naturais, pois meu corpo envelheceu
rapidamente nesse novo mundo. Eu gostaria de voltar para
a terra, pois não puder deixar de notar o quão longe
estávamos dessa civilização. Quem sabe algum dia a gente
consiga evoluir e termos um mundo melhor e que a escola
seja o lugar de aprender a construir mundos possíveis. Pena
que não poderei ver, uma vez que já estou morto.

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UMA MENINA DO FUTURO NO PRESENTE
Bruna Iosnay Silva Viana Freire

Exatamente em outubro de 2019, uma garotinha


chega nesse mundo trazendo uma bagagem de mensagens
sobre a escola do futuro. Ela fala que a escola vai ser para
todos como um projeto de inclusão, para que toda e qualquer
criança tenha oportunidade de estudar.
Ela também diz que a escola será um ambiente bonito
e rico, um espaço acolhedor, cheio de estímulos, e não um
local feio e desagradável. Da sua bagagem, ela também retira
mensagens, dizendo que a escola será aberta e terá a
capacidade de escutar e aprender com os alunos. No futuro,
não vai existir salas de aulas, e sim oficinas de escrita, de
leitura, de Química entre tantas outras.
Ao ver o mundo atual, a garotinha ficou decepcio-
nada. Horrorizada com a desigualdade social e a falta de
segurança. Mas, apesar de tudo ela resolve ficar e vivenciar
toda essa loucura.

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A ESCOLA DOS SONHOS
Daniel Freitas de Lima

Essa é a história de um aluno chamado Jota e de


como ele escreveu o seu primeiro conto. Jota é um estudante
do Ensino Médio muito alegre e extrovertido. Estuda o
suficiente para atingir a média e ser aprovado nas disciplinas.
Entretanto, não gosta de escrever, pois tem muita
dificuldade. Na segunda-feira chega à sala de aula e encontra
Maria, sua nova professora de Português, que acaba de
chegar, vindo da cidade de Fortaleza do Estado do Ceará.
Quando são sete horas em ponto, Jota e seus colegas entram
na sala de aula e sentam-se nas carteiras. Maria se
apresentou para a turma: – Sou sua nova professora de
Português. Em seguida chamou a turma para sentarem-se no
pátio da escola.
E Jota por sua vez, achou muito estranho se
encaminharem para fora da sala durante o horário da aula.
Chegando no pátio, todos se sentaram embaixo de uma
craibeira. A professora Maria apresentou para Jota e seus
colegas sua metodologia de ensino, que era diferente das que
eles conheciam até então. Primeiro, ela falou que não fazia
provas para avaliar seus alunos. Jota riu junto com a turma
e falou: – A melhor professora! Maria continuou explicando:
– Eu não faço prova, mas ao invés disso, faço várias
atividades como gincanas, vídeos, mímicas, contos e cafés
pedagógicos. Jota perguntou para a professora o que era um
café pedagógico. Maria respondeu que era um café com

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comida no qual se fazia um debate, uma conversa sobre um
tema. Jota riu mais uma vez junto com seus colegas: –
Ótimo, comida!
A professora Maria retirou de sua mochila um
pequeno livro e falou: – Pessoal, vocês sabem o que é um
conto? E Jota respondeu que não. A professora disse: Conto
é uma história curta com diálogos, narrativas e etcetera. Em
seguida a professora Maria abriu o livro e leu alguns contos
para Jota e a turma. No final da aula, a professora pediu para
que todos escreverem um conto sobre “A escola para o bem
viver”. Jota ficou um pouco triste, porque teria que escrever
um conto, pois tem dificuldade para escrever. O sinal tocou
e Jota foi para casa.
No sábado Jota sentou-se, pegou o caderno e a
caneta, mas não conseguiu escrever nada. Contudo, na noite
de sábado, alguns dias depois, ele teve um sonho no qual ele
visitou todas as escolas em que já estudou. Ele viu carteiras
e ventiladores quebrados, salas muito quentes e com muitos
alunos, às vezes de séries diferentes dividindo a mesma sala,
sem merenda...
E assim, tudo vai se construindo na cabeça de Jota.
No domingo ele acorda e escreve sobre “A escola que eu
quero para o futuro”, uma escola com boa estrutura, alegre,
divertida e que não falte merenda, com diferentes
metodologias de ensino em que o professor não fique só
dentro da sala de aula. E que se for possível, tenham várias
viagens com observações e sem que seja, necessariamente,
exigido relatórios escritos. Na segunda seguinte, ele leu o seu
conto para a professora Maria e seus colegas, sentados no
pátio da escola debaixo da craibeira num gostoso café
pedagógico.

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A ESCOLA DO FUTURO
Dinarte Rodrigues de Oliveira Filho

Há muito tempo, havia uma esperança nos olhos de


alguém que sempre sonhou em ter oportunidade de adquirir
conhecimento para sua vida pessoal e profissional. E isso era
nítido nas atitudes daquele jovem, o que ele desejava para si.
Sua conduta transbordava o desejo de participar de uma
escola “modelo”, onde ali fosse transmitido o saber por meio
dos seus profissionais diretamente para os alunos. E que os
estudantes frequentassem a instituição com estímulo e
prazer. Exaustos da relação entre estes e o colégio, as
reclamações serviram de base para a transformação, para a
mudança, tudo foi sendo reformulado, desde a formação do
profissional aos métodos de ensino e aprendizagem.
E esse aluno, após concluir sua etapa inicial de
educação em escola pública de ensino e ingressar na
formação profissional numa Licenciatura, todo o seu
pensamento começou a se desenvolver em sua preparação
para se tornar professor e contribuir para a instituição do
futuro. O seu ânimo é estimulado a fazer aquilo que desejava
antes, toda a mudança para o porvir começaria ali, naquela
fase de preparação, como aluno.
E para esse aluno, a Didática estudada era indispen-
sável e primordial, para os primeiros passos na escola que se
esperava para o amanhã. Os métodos de ensino, o diferen-
cial do profissional encontrava-se no momento da formação,
através de profissionais qualificados que ministravam disci-

 84 
plinas indispensáveis para a construção de qualquer
conhecimento. Após a formação profissional, na qual foi
totalmente modificada, atendendo as necessidades dos
futuros projetos.
E implantados todos esses projetos, a escola do futuro
recebeu um ser humano altamente qualificado com um
método “diferente” de ensino, utilizando as novas
tecnologias como aliadas. Fugiu do padrão de ensino e usou
o dia a dia como ferramenta crucial para estimular a
presença do aluno, mudando o posicionamento dos
estudantes em sala de aula. O que antes acontecia numa sala
fechada, passou a ser em círculos para facilitar a participação
de todos. A troca de conhecimento entre professor e aluno
passou a acontecer com mais facilidade.
Por fim, essa escola esperada e com todo o esforço
para se tornar realidade chega e os alunos tornam a
instituição a sua casa, e ali quando nela, sentem-se em
perfeito bem-estar e assim sendo, tudo fluiu como o modelo
de Educação tão sonhado por todos, tornando-se real.

 85 
A MANHÃ DE CECÍLIA NA ESCOLA NOVA
Karla Vitória Arruda de Andrade

Em uma bela manhã ensolarada, Cecília acorda para


mais um dia. Ela estuda pela manhã, e nos seus dias de aula
ela acorda às seis horas. Ao acordar, se arruma, merenda e
vai andando para sua escola que fica a duas ruas da sua casa.
É uma escola do século XXII e que só tem aulas de segunda
a quinta. A sua estrutura já não é mais a mesma do século
anterior, aquela com salas de quatro paredes, repartindo as
turmas, mas uma nova escola que deixa os alunos mais à
vontade. Suas salas são abertas e ao ar livre, não precisa mais
de ventiladores, pois a escola é bem arborizada e ventilada.
Já não há mais aquelas aulas cansativas e repetitivas e todos
os professores já estão adequados aos novos métodos, cheios
de descontração e todos os alunos gostam de participar das
aulas. Mas, embaixo das árvores ainda existiam quadros
com conteúdo, pois certos assuntos necessitavam deles. E
depois de mais uma manhã de aula na sua nova escola,
Cecília retorna para casa, sabendo que terá muitos dias
assim.

 86 
O JOVEM JONES E UMA
ESCOLA PARA TODOS
Keffson Kelf da Silva

O jovem Jones sonhava com uma escola na qual os


conteúdos fossem ministrados utilizando diversas formas
diferentes e não apenas a maneira tradicional. Um espaço
em que os professores não achassem que os alunos eram
submissos a eles, mas que também poderiam aprender com
os alunos. Uma escola na qual a teoria andaria lado a lado
com a prática, tornando o aprendizado mais eficaz. Que as
aulas não fossem apenas entre as quatro paredes da sala, mas
também ao ar livre. Uma escola que os alunos respeitassem
mais os professores e que o inverso também acontecesse, em
alguns casos a voz do aluno também fosse ouvida, e
principalmente não houvesse distinção ou privilégios por
conta de títulos acumulados. Um lugar para respeitar e
conviver com as diferenças dos nossos colegas, pois, todos
somos diferentes, é isso é o que nos torna únicos. Lembrando
sempre que precisamos uns dos outros, ninguém é
independente o suficiente para nunca precisar da ajuda ou
apoio do outro. Essa seria, na humilde e singela opinião do
jovem Jones uma escola para o bem viver.

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UMA VONTADE IMENSA DE MUDAR TUDO
Lidia Libini Oliveira Morais

Um belo dia com um sol lindo, um menino chamado


João acordou com uma vontade imensa de mudar tudo que
acontecia em sua escola. Todos os dias, ele acordava com
uma tristeza imensa ao lembrar que ia para essa escola, na
qual ele e seus amigos sofriam bullying. Mas, justo nesse
lindo dia, ele acordou com uma missão em mente, ele queria
que isso de bullying, xingamentos indevidos parassem de
ocorrer, para que houvesse harmonia e bem viver para todos
que ali conviviam.
Quando João chegou na escola notou que não seria
fácil para que isso acontecesse, mesmo assim, contou todo o
seu plano para os poucos amigos que tinha. Ele sonhava com
o dia que parassem de zoar e fazer brincadeiras chatas e sem
propósito com ele e seus amigos. Apesar da dificuldade que
enfrentava, teve todo o apoio dos colegas.
Enquanto eles falavam sobre isso um menino
chamado Erick se aproximou deles e disse:
– E aí, gordinhos, chegaram para mais um dia de terror na
vida de vocês?
Após essas palavras, ele saiu dando gargalhadas, mas
dessa vez foi diferente de todas as outras.
– Hoje não vamos aceitar tudo isso que você faz conosco.
Nós iremos até a diretoria dizer tudo que acontece, tudo o
que você faz. – Disse João, bastante bravo.

 88 
– Se vocês fizerem isso eu pego vocês lá fora e vão se
arrepender do que falarem. – Disse Erick com a voz alterada.
Apesar do que Erick tinha falado para João e seus
amigos, ele não desanimou. Esse foi o dia que ele acordou
disposto a fazer diferente, então, apesar do medo que o
tomou, ele deu um passo à frente. Não falou com a diretora,
mas com uma professora sobre todo o bullying que já tinha
passado na escola. A professora ficou bastante impressio-
nada e começou a realizar projetos contra esse tipo de
acontecimentos.
O primeiro deles foi uma palestra contra bullying, que
em princípio, alguns alunos ficaram realmente pensativos e
com vontade de ajudar as pessoas que sofrem com isso.
Assim, João ficou muito feliz, pois nesse momento ele
começou a ter mais pessoas que o apoiassem a mudar aquela
escola para melhor e então chegar na desejada escola dos
sonhos.
No dia seguinte, João chegou novamente na escola e
viu que apesar da palestra, Erick continuava do mesmo jeito,
para ele, nada do que tinha sido falado naquela palestra
tinha mudado o seu conceito sobre essas brincadeiras. Até
que a professora deu a ideia de um outro projeto, que era
unir todos os alunos e fazer uma roda de conversa, na qual
cada um poderia falar sobre sua vida escolar. Essa roda de
conversa ajudou muito a unir os colegas, cada um conheceu
um pouco mais sobre os outros. Nesse dia, Erick ficou
pensativo sobre tudo que estava fazendo, já não tinha mais
amigos e todos estavam se afastando dele.
João notou a tristeza dele e foi falar com ele;
– Erick porque não se senta conosco, para conversarmos.
– Você ainda quer conversar comigo, apesar de tudo que fiz?
Respondeu Erick cabisbaixo.

 89 
– Sim, meu propósito era que percebesse que tudo o que você
estava fazendo não era legal e causava tristeza em nós –
Respondeu João.
– Me desculpa João, depois de tudo que foi contado aqui
quero mudar, podemos ser amigos?
– Claro que sim, e repito meu principal objetivo era não ter
mais essas brincadeiras que magoam as pessoas. Nós
estamos aqui para estudar e sermos boas pessoas e bons
cidadãos. Respondeu João entusiasmado.
Depois de toda essa conversa eles ficaram amigos, e
a professora ficou bastante feliz por ter ajudado a João nessa
missão. Após todos esses projetos realizados, nunca mais
houve bullying, assim alcançando a escola do bem viver que
ele tanto queria. Até porque para João, uma escola sem
bullying na qual todos podiam ser amigos e conviver bem
uns com os outros, era tudo que ele sempre quis. E diante de
tudo isso, João mostrou a importância da comunicação entre
aluno e professor.

 90 
O IFRN, UMA INSTITUIÇÃO
DIGNA DOS SONHOS
Luana Cristina Viana Ferreira

Eu me chamo Luana e estudo no IFRN, Campus


Apodi-RN no curso de Licenciatura em Química e vou
contar para vocês como gostaria que fosse a escola do futuro.
Na verdade, boa parte do que penso sobre escola ideal já
existe e tenho o privilégio de ser discente dela. Eu faço parte
de uma instituição digna dos sonhos, na qual posso ser quem
sou e aprender um universo inteiro de coisas legais.
E é, exatamente, numa escola assim que desejo fazer
minha carreira, na qual eu possa quebrar barreiras, aliviar
aquele peso da disciplina. Poder ter diálogo com os alunos,
tendo eu, uma aparência séria ou não, um lugar que além de
aprender com as disciplinas obrigatórias, também prepare o
cidadão para a vida. Quer seja em sala de aula ou no campo,
pela internet ou presencial, mas que seja levado conhe-
cimento a cada aluno e que esse possa transmiti-lo ao outro.
E dessa forma, poder me tornar realmente feliz com a
profissão docente. A escola precisa ter alunos, professores,
mas também, deve ser constituída por amigos, colegas,
pessoas que possam, além de nos ensinar os conhecimentos
também nos ensine a ser pessoas de bem.
Gostaria de uma escola estruturada, como já citado
acima, igual àquela da qual faço parte. E ser pelo menos
como a metade dos professores que conheço aqui, dignos de

 91 
admiração e que me inspiram todos os dias a ser um bom
professor, que além de ser escola seja a nossa segunda casa.
Os funcionários como se fossem, um pouco, nossos
pais, nos ensinando, fazendo o papel de nossos amigos e
familiares, porque passamos tanto tempo juntos que
acabamos sabemos um pouco de cada um, suas preferências
e histórias de vida.
Penso que consegui compartilhar meu pensamento
de escola para o bem viver, claro que melhorias sempre serão
bem-vindas. Precisamos lutar por muita coisa ainda para
chegarmos à escola ideal, mas um pouco do que imagino ser
escola para o bem viver já existe e fazemos parte dela.
Gostaria que minha filha chegasse até aqui e que estudasse e
amasse tudo isso, como eu. Às vezes, esse é o momento do
dia que mais gosto, porque estarei aqui com vocês em algum
lugar do campus, lendo ou fazendo alguma atividade da
professora Nádia, como estou agora, e que além de estar
aprendendo, estou fazendo o que mais gosto: estar entre
amigos. Ah! E logo estaremos mais uma vez em algum lugar
do campus, fazendo isso novamente. Até a próxima, amigos!

 92 
DAVI E A ESCOLA DAS GENTILZAS
Luan Emanuel da Silva Pinto

Essa história se passa nos anos de 3600 depois de


Cristo. Todo o mundo é tecnológico. Uma tecnologia que o
homem nunca imaginou alcançar. Todas as coisas estão
voltadas para ela. A escola está totalmente diferente, não
existe mais interação entre alunos, professores. Agora a
Educação é totalmente à distância, em frente a um com-
putador que é o responsável por todo repasse de informação
e avaliação do aluno.
Nesse mundo, existe um garotinho chamado Davi de
dez anos de idade. Ele é totalmente diferente das outras
crianças e até mesmo das pessoas desse milênio. Desde
novo, ele não se encaixa nesse mundo tecnológico. E sonha
todos os dias com um mundo diferente, no qual as pessoas
interagem umas com as outras, se divertem, são amigas e
gentis. Ele fica muito impressionado com as histórias que
são contadas de seus antepassados, que viveram nos anos
2000. De como era a vida no milênio passado, as pessoas e
principalmente a escola, devido gostar muito de aprender,
conhecer e estudar.
Davi tem um interesse muito grande de conhecer as
formas de ensino. Ele sempre está estudando e buscando
conhecer as escolas e os métodos de ensino dos vários
séculos anteriores. Mas por incrível que pareça, ele nunca
está satisfeito com o que descobre, acredita que muitas das

 93 
escolas e métodos de ensino que ele descobriu, são eficientes
e bons, mas nada chega aos pés da escola que ele imagina.
Em uma certa noite, Davi quase não consegue dormir
pensando no modelo ideal de escola, que vai muito, muito
além da estrutura física. É um conjunto de pessoas e ações,
que fazem, para ele, uma total diferença na forma de
aprender. Enfim, depois de tanto refletir, ele consegue
dormir.
Ao amanhecer ele acorda com a voz de sua mãe...
– Davi, Davi, acorda você está atrasado para a
escola.
Davi acorda sem entender nada e com sua mãe ao
lado apressando-o. Ele corre para se ajeitar! Quando a
questiona:
– Mãe o que está acontecendo, que escola é essa?
– A escola que você tanto sonhou. Agora está
colocando dificuldade filho? Respondeu sua mãe.
– Não estou reclamando mãe, só estou sem entender
nada.
Davi se apressa, e ao passar pela cozinha seu pai o
chamava, mais uma vez estranha o que está acontecendo.
Ao ver seu pai esperando-o para tomar café todos juntos e
depois levá-lo para escola. Mais uma vez, Davi pergunta o
que está acontecendo, se aquilo realmente estava aconte-
cendo em plenos anos 3600. Algo que nunca aconteceu, que
para ele era um conto de fadas. Seus pais ao mesmo tempo
responderam:
– Davi, aproveita seu dia, você ainda não viu nada.
Então Davi só concordou em viver intensamente
cada minuto daquele dia, nada comum. Tomaram café da
manhã e seus pais foram deixá-lo na escola. No caminho
Davi estava admirado com tudo que via, as ruas muito
arborizadas, um ar puro que ao entrar por suas narinas trazia

 94 
paz para a sua alma. Davi estava gostando muito de tudo
isso. Ao se aproximar da escola sua mãe o interroga:
– Está preparado para chegar na escola filho?
–Estou sim, mãe, muito empolgado. Respondeu
Davi, mesmo ainda sem entender o que estava acontecendo.
Ao chegarem, ele desce do carro e ao ver a fachada
da escola se impressiona e grita:
– UAU! Era uma fachada muito linda, com muitas
plantas, árvores e flores em frente, como se fosse um jardim.
A parede branca destacava logo o nome: “Escola do Bem
Viver”, feito de rosas vermelhas, azuis e roxas.
– Mãe, essa é a frente da escola que eu tanto desejei.
Será se tudo dentro dessa escola vai ser como eu sempre
imaginei? Perguntou Davi empolgado.
– Aproveita seu dia filho, voltaremos para te pegar –
Falou o pai entrando no carro.
Davi se aproxima da entrada, quando um homem e
uma mulher, com grandes sorrisos em seus rostos, se
aproximaram e falaram: – Seja bem-vindo Davi à escola do
bem viver, siga em frente que você se encontrará com seus
coleguinhas.
Ele segue em frente e vê o lindo interior da escola,
cheio de jardins, árvores, muita grama. Um pouco mais a
frente vê todos os novos colegas, uns estavam brincando,
outros lendo e outros descansando na grama verdinha que
tinha no pátio da escola. Ele se aproximou do grupo que
estava brincando e ficou lá até aparecer a professora, e com
grande simpatia convida a todos para acompanhá-la até a
sala de aula. Ao chegar na sala, ele se depara com um espaço
circular em que as carteiras acolchoadas arrumadas também
em círculo. A professora tinha uma maneira singela e
agradável, alternando o modo de ensinar, uma hora ela
falava, outra ela fazia com que todos comentassem o assunto
discutido. E foi assim até a hora do intervalo.

 95 
No intervalo todos os alunos e funcionários da escola
estavam no pátio para repartir o alimento. Era um grande
piquenique, no qual todos estavam de igual para igual.
Ninguém era mais do que ninguém, naquele momento e em
todos os outros momentos também.
Ao finalizar o intervalo, voltaram para sala, agora
com um professor, a gentileza dele é o que deixava tudo mais
harmonioso. Sua forma de ensinar era alternada igual ao da
professora, deixando o aprender muito mais dinâmico e
fácil. Ao término das aulas, todos os alunos seguem para o
almoço e da mesma maneira do intervalo, todos reunidos de
igual para igual para almoçar.
Após o almoço todos se cumprimentam, se abraçam
agradecendo pelos ensinamentos do dia. Os pais começam a
chegar para buscar seus filhos. A mãe de Davi acena e ele
vai correndo ao seu encontro com um sorriso no rosto.
– Mãe, hoje foi o melhor dia da minha vida, fiz
amizades com meus colegas, professores e funcionários da
escola. Comentou Davi entusiasmado.
Entram no carro e voltam para casa. Davi dormiu no
banco e quando acorda, está em seu quarto, seus pais não
estavam em casa e o computador ligado avisando o horário
que ia começar os estudos do dia. Tudo tinha voltado ao
normal, toda a rotina tecnológica e desinteressante dos anos
3600 tinha voltado e isso o entristeceu demais.
Davi é um garotinho muito esperto e tem em sua
mente que vai fazer história construindo sua Escola do Bem
Viver. Seu legado será a construção dessa escola, já que para
ele, o que é mais importa são as relações, a empatia pelo
próximo, a gentileza das pessoas, o carinho e cuidados que
cada um tem no meio escolar e na vida também. A forma de
ver o outro e entendê-lo, vale muito para quem quer passar
conhecimento. E que uma escola como a que ele deseja, seja
mais que um simples sonho.

 96 
UMA CERTA NOITE SONHEI
COM A ESCOLA DO FUTURO
Manoel Batista de Lima Neto

Uma certa noite, sonhei com a escola do futuro, na


qual eu era um dos professores dela. Ela tinha um ambiente
muito aconchegante com jardins e diversas árvores, cada
uma delas com belos frutos, uns melhores que outros, as
salas de aulas não tinham paredes, mas apenas pilares e um
teto.
Isso tudo para dar uma certa liberdade para os alunos
e não fazer com que eles pensassem que estavam presos entre
quatro paredes. Eu era o professor que eles mais gostavam,
bem, é o que diziam na minha presença. Isso tudo, porque
eu não aplicava somente teorias, mas também, fazia várias
brincadeiras e práticas de ensino diferentes com eles. Os
laboratórios de química eram bem evoluídos, praticamente
não faltavam nada, assim facilitava meu ensinamento
durante as práticas, tinha esquecido de dizer, eu era o
professor de Química dessa escola.
Nos dias de aplicar as teorias, eu dava intervalos entre
cada aula, para que os meus alunos se alimentarem dos
frutos das árvores, e também para que não houvesse a
impressão de que estaria forçando o aprendizado deles, pois,
acreditava que é melhor aprender pouco a pouco o
conhecimento do que com muita informação.
Apesar de toda essa liberdade, os alunos eram
respeitadores, não desobedeciam aos professores, pelo
 97 
contrário, eram gentis e bem-educados, por isso, quase não
havia reuniões com os pais, até porque não existia essa
necessidade.
A relação entre alunos e professores era bastante
interessante, pois ambos tinham total consciência de que
estavam ali para ensinar e aprender, apesar de ser professor
eu também aprendia muito com meus alunos e isso me
deixava bastante feliz.
Enfim, a escola não era perfeita, até porque acredito
que não existe nada perfeito realizado pelo homem, mas era
um lugar muito gratificante. Ás vezes, eu falava para os
meus alunos o quão eram privilegiados por terem tudo
aquilo em mãos, coisas que eu nunca cheguei perto de ter.
Foi nesse momento que acordei e já eram nove horas da
manhã e estava atrasado, tinha que ir para o IFRN, fazer as
análises de solo do dia anterior que ficaram por concluir.

 98 
ERA UMA ESCOLA MUITO ENGRAÇADA
Maria Clara Medeiros de Andrade

Desde quando me entendo por gente que sou


estudante. E um estudante comportado na maioria das
vezes, mas, na minoria das vezes, eu sempre gosto de brincar
do lado de fora da escola. E imaginar que sou um ser
totalmente livre, assim como os macacos que pulam de
galho em galho, conhecendo todas as árvores da floresta ou
uma abelha que percorre os mais bonitos e extensos campos
colhendo o pólen das mais cheirosas e variadas flores.
E então, depois de viver esse lindo sonho imaginário,
o sinal toca e retorno para a sala, para a caixa com quadro
negro, cadeiras enfileiradas e a tia lá na frente, em cima de
um batente ditando as regras, nos dizendo o que é certo e
errado. E dizendo, também, todas àquelas regras de Língua
Portuguesa e Matemática que nem mesmo o Einstein
decorou. Quase nada disso faz muito sentido. Ora, para que
eu quero saber o porquê do número dois ser primo do
dezessete e muito menos, saber a quem a oração é
subordinada? Mas, o meu pai sempre me diz para eu não
questionar e desrespeitar a professora, não arrumar confusão
com os colegas e em hipótese alguma causar danos a
estrutura da escola. Vai ver, ele diz isso pelo simples fato dele
ser o diretor da escola.
Um dia, com muita cautela e respeito, sugeri ao meu
pai que nos perguntasse o que seria a escola do bem viver,
como queríamos que fosse a nossa escola perfeita? E ele que

 99 
não podia perder a oportunidade de nos fazer estudar, nos
pediu uma redação ou (re)leitura de algum livro com as
nossas sugestões para a escola. Eu não pensei duas vezes. Eu
pensei fora da caixa e fiz uma releitura de uma música antiga
de Vinícius de Moraes e ficou mais ou menos assim:

“Era uma escola


Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada.
Ninguém podia
Ficar de fora não
Porque não tinha seleção”

E assim minha paródia foi fluindo e logo meu pai me


perguntou: – Mas o que você realmente espera de uma
escola, meu filho, que ela seja uma árvore? Eu suspirei e
rapidamente respondi: – Claro que sim, assim eu seria um
macaco bem livre!

 100 
TUDO NÃO PASSOU DE UM SONHO
Matias de Sousa Libânio

Da janela da minha casa estava a observar os últimos


reflexos do sol, que aos poucos desaparecia e dava lugar a
noite fria e iluminada pela a lua e as estrelas. Eu ficava
observando os movimentos das pessoas nas ruas e o trânsito
dos automóveis que subiam e desciam nas pequenas vielas
daquela cidade, que há anos foi marcada por revoluções e
disputa de poder. Não podíamos expressar nossas opiniões e
reivindicar nossos direitos, pois vivíamos numa ditadura.
De repente, a situação começou a mudar e eu via
tudo se transformar de uma forma extraordinária diante de
mim, e eu continuava a observar da janela aquele espetáculo
alucinante. A cidade começou a se desenvolver. Não havia
criminalidade nas ruas, nem mortes e o foco estava na
educação de qualidade que se tornou uma prioridade.
Escolas e instituições foram desenvolvidas e cheias de
oportunidades davam asas aos estudantes daquela cidade.
Com a educação de qualidade e livre de qualquer ameaça
por parte dos que estavam no poder, não havia frustrações e
o futuro dos estudantes estava garantido, pois esse era o tipo
de educação que eles desejavam e que estavam vivendo: uma
escola para o bem viver!
Nessa escola, o ensino não ficava apenas entre quatro
paredes, mas se expandia para muito além e era refletido na
saúde de qualidade, na segurança e no modo de viver.
Alucinado com o que estava vendo diante de mim, com o

 101 
mundo como eu nunca o tinha visto, com pessoas unidas,
sem violência, com educação de ótima qualidade. Acordei e
vi que tudo não passava de um sonho.

 102 
SOBRE AULAS NO JARDIM
Mayara Beatriz de Oliveira

14 de outubro de 2019
Querido diário, hoje me acordei com minha mãe
gritando:
– Acorda Gabi, você vai se atrasar!
Eu me levantei da cama, tomei um banho bem
rápido, peguei minha mochila e saí correndo. Eram
08h50min e o ônibus já estava me esperando lá fora. Me
despedi de mainha e peguei minha lancheira. O ônibus era
rosa e tinha um senhorzinho muito legal. Todos estavam
bem animados, pois teríamos aula de Artes. Chegamos à
escola, e a professora nos esperava no portão. A escola era
linda, rodeada de árvores e muitas flores, era tudo bem
colorido. Teca veio me receber:
– Oi Gabi, trouxe seu desenho?
–Trouxe sim, e fiz com muito carinho.
E a professora disse: – Bom dia, crianças. Hoje será
um lindo dia, vamos todos levar nossas comidinhas e nossos
desenhos para o jardim.
Todas as crianças foram correndo para o jardim, lá
estavam nossos amiguinhos: flor, sol, lua e mar. São dois
cachorrinhos e dois passarinhos. Eles nos acompanham em
todas as aulas, nos ajudam a aprender sobre o amor e muitas
outras coisas. Flor é uma cachorrinha muito dócil, ela é
pequena e foi encontrada pela professora no caminho da
escola. Sol é um cachorrinho, ele é quase do meu tamanho,

 103 
e foi adotado pela diretora. Lua e mar, sãos os dois
passarinhos que vem nos visitar todas as manhãs, depois da
aula eles vão embora.
Todos os dias, nossas aulas são no jardim. A
professora fala sobre o mundo e nos ensina as cores, as letras,
os números. Nos fala sobre os sentimentos, como ajudar ao
próximo e a importância de aprender. É tudo muito novo
para mim, tenho apenas nove anos, e cheguei recentemente
nessa escola. Antes, eu estudava em outra completamente
diferente. Aqui, todos os dias, além de aprender, brincamos
e nos divertimos muito.
Depois que lanchamos, a professora nos ensinou
Matemática. Ela trouxe algumas frutas e as usou para nos
ajudar a somar, dividir, multiplicar e subtrair. Depois da
aula, fui para o ônibus com minha amiguinha, a Teca.
Quando cheguei em casa, minha mãe estava me esperando
para almoçar. Durante a tarde, fiz minha tarefa de casa e
depois fui brincar, acabei de jantar e agora vou dormir.

 104 
ESSA ESCOLA REALMENTE EXISTE?
Neelson Alves da Costa

Um belo dia ao acordar Sam se arrumou, tomou café


e saiu para a escola. No caminho, ele pegava sempre dois
ônibus para chegar à escola tão especial. Mas, um certo dia,
um senhor chamando Ronald que sempre pegava os mesmos
ônibus que Sam, perguntou onde ele morava e observando
aquele senhor que parecia estar bastante curioso, respondeu
dizendo: – Sou da cidade de Mania, a mesma cidade do
senhor. Vendo que era muito distante da escola para sua
casa, o senhor perguntou novamente: – Meu filho, por que
você sai da sua cidade para estudar tão longe? Já que Sam se
deslocava, sempre, de uma cidade para outra. Dessa vez, ele
sorriu e respondeu novamente ao senhor: – Porque as escolas
da minha cidade não são especiais como essa!
O senhor sabendo que em sua cidade havia muitos
professores qualificados, perguntou mais uma vez a Sam: –
Qual a diferença meu jovem? E Sam explicou tudo naquela
manhã. Ele disse que sua escola se chama “Escola do
Futuro”, mas os professores não são qualificados, pois essa
palavra não consegue descrever o quanto eles são excelentes.
Eles nos incentivam a participar de todas as oportunidades
que aparecem. A escola nos inspira, pois, suas aulas não são
aquelas comuns, em que nos sentamos numa cadeira e
vemos nossos professores explicando num quadro. Eles
utilizam diversos meios para nos envolver, sempre com
brincadeiras, charadas e tudo que o senhor possa imaginar.

 105 
Eles fazem reuniões com a turma em outros ambientes, fora
da sala de aula, motivando a todos a estudar e ao mesmo
tempo se divertir, criando assim uma maior união e para que
ninguém tenha vergonha de se expressar na frente dos
colegas. Eles, muitas vezes, se deslocam de suas casas em
dias de fim de semana, para ajudar a tirar dúvidas dos alunos
e assim, fazer com que todos estejam entendendo o assunto
que está sendo passado para todos.
E ainda olhando para aquele senhor, Sam disse: –
Basicamente, eles são uma inspiração para um futuro
melhor, pois aquela rotina de sempre, que era de casa para
escola, valia muito a pena porque os professores sabiam que
não era só a turma que aprendia com a aulas, mas eles
também aprendiam com todos nós. E aquele senhor
admirado com tudo que ouvia falou: – Meu filho, essa escola
realmente existe? Mas antes de Sam conseguir responder, ele
acordou e percebeu que tudo o que ele viveu naquela escola
não passava de um sonho, mas isso trouxe esperança de que
um dia essa escola tão especial realmente chegue a existir.

 106 
DE FILHO PARA PAI:
uma escola para todos!
Tarcísio Ferreira de Farias Filho

Um dia um menino chamado Joãozinho, brincava


sozinho no quintal de sua casa. Era um dia de domingo,
estava ensolarado e ele andava triste e cabisbaixo. Seu pai,
Manuel, ao perceber que o comportamento de Joãozinho
estava diferente, aproximou-se de seu filho e teve com ele
uma longa conversa.
Perguntou-lhe seu pai: – Joãozinho o que está
acontecendo? Por que está tão triste filho?
Respondeu-lhe Joãozinho: – Pai, estou assim, porque
queria estar na escola.
Perguntou-lhe seu pai, novamente: –Mas Por quê? O
que há de tão bom na sua escola?
Respondeu-lhe Joãozinho mais uma vez: – Lá nós
brincamos, fazemos amizades e aprendemos muito. É uma
escola bonita, cheia de jardins e que tem salas de aulas
específicas para cada disciplina, assim pai, a gente fica mais
perto da realidade do que estamos estudando.
E disse-lhe Manuel: – Eu não estou entendendo,
explique isso Joãozinho.
E Joãozinho respondeu-lhe que lá tem laboratórios
para aulas de Biologia e Química, aprendem História,
Filosofia e Sociologia em templos sem paredes. Tem ginásio
para aulas de Educação Física, tem florestas e assistem aulas
ao ar livre. Além disso, lá também é uma escola para todas
 107 
as pessoas, sejam elas com deficiência, de outras religiões,
pessoas de outras classes sociais e tantas mais.
– Lá, pai, é um lugar sem preconceito, que trata todas
as pessoas de forma igual! Nessa escola, os professores e
alunos se respeitam como se fossem amigos. Lá aprendemos
não somente o conteúdo, mas a ser uma pessoa melhor.
Aprendemos a respeitar o próximo, a cuidar da saúde e a
zelar pelo meio ambiente!
O pai de Joãozinho sem acreditar que a escola de seu
filho era perfeita, resolveu no dia seguinte levar Joãozinho
até a escola para ver de perto, se tudo aquilo que seu filho
tinha lhe falado era verdade. Ao chegar na escola, Manuel
viu de perto tudo que Joãozinho tinha relatado e entendeu o
porquê de seu filho se sentir tão feliz naquela escola. Seu
filho não tinha exagerado em nada! Manuel percebeu que
naquela escola Joãozinho se sentia mais livre do que na sua
própria casa. Percebeu que ele aprendia até enquanto
brincava. Manuel só não sabia, que naquela escola também
estudava adultos. Sendo assim, logo, sentiu despertar o
desejo de continuar seus estudos para aumentar ainda mais
a felicidade de Joãozinho. Agora, pai e filho estudam na
mesma escola, melhorando ainda mais o relacionamento
entre eles.

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A ESCOLA QUE PODERIA
CONSERTAR O MUNDO
Tatiana Karla Paiva Sizenando Rufino

Certo dia, a pequena Liz chegou triste e cabisbaixa


em casa, pois um coleguinha a chamou de “Ravengá
pretinha” por ela ser negra e ter os cabelos crespos. Esse fato
deixou a garota muito desestimulada para continuar naquela
escola. Mas sua mãe não deu bola, pensando ser mais
preguiça do que qualquer outra coisa. E assim, sem a devida
atenção da mãe, ela continuou por todo o Ensino
fundamental e Médio naquela escola.
Os anos passaram e Liz já uma mulher linda e
formada, adivinha em quê? Sim, em Pedagogia claro!
Escolheu essa profissão com o objetivo de mudar o rumo do
racismo e do bulliyng dentro das escolas. Liz se tornou a
Educadora mais querida por todos os alunos e a equipe
pedagógica, pois tinha em seus princípios que a escola dos
seus sonhos era aquela em que poderia consertar o mundo.
E assim ela fez, começando a trabalhar junto com a
família, exigindo sempre a presença no dia a dia da escola e
consequentemente, no cotidiano dos alunos. Cobrando bons
comportamentos na escola e em casa. Como se fosse uma
grande família, e na verdade era, convivendo sempre em
harmonia. Dando, também, a liberdade para que os alunos
e professores construíssem os seus conhecimentos e saberes,
num ambiente prazeroso, gratificante e que pudessem ser

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vistos e tratados com igualdade. Valorizando sempre os
professores, bem como a opinião dos alunos.
Com todos esses preceitos, a escola se tornou
referência para toda as outras do Estado, pois, além de
ensinar, ela também educava e ajudava a construir o caráter
para que todos se tornassem seres incríveis, e acima de tudo:
humanos. Uma escola sem competição, preconceito ou
egoísmo. Mas com profissionais reconhecidos, bem
remunerados, dispostos a sempre cumprir a missão de
educar e formar cidadãos conscientes. Essa sim! Era a tão
sonhada escola da qual Liz tanto se orgulhava em fazer
parte.

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ERA UMA VEZ UMA ESCOLA EM QUE TODOS
SONHAVAM EM ESTUDAR
Tiago José Souza Freire

Era uma vez uma escola em que todos sonhavam em


estudar. Era uma escola bonita, não existia confusão e nem
bagunça, era tudo bem organizado. Os alunos eram felizes e
estudiosos, os professores gostavam muito de ensinar e
ajudavam seus alunos quando tinham problemas.
Cada um tinha um jeitinho especial de ensinar, entre
eles, tinha uma que se destacava com o seu jeito mais que os
outros, um exemplo disso eram suas rodas de conversas, que
fazia com que os alunos debatessem e refletissem sobre
determinados assuntos, além de que ficassem mais unidos.
Essa era apenas uma, entre tantas formas que ela usava para
ensinar e conquistar seus alunos.
Essa escola era bem espaçosa, tinha um bosque para
as crianças brincarem e comerem as frutas durante o
intervalo. As suas refeições eram frutas e legumes frescos e
colhidos na própria escola. Além das matérias normais, os
alunos também tinham aulas de música, artes e pintura.
Todos aprendiam o valor e a força da amizade, a valorizar e
ajudar ao próximo, pois poderiam resolver tudo sem
violência, apenas fazendo uso da conversa, do diálogo.

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A ESCOLA DE ALICE
Walkineia Geycielle da Silva

Era uma vez uma menina chamada Alice que segue


a mesma rotina todos os dias. Ela sempre acorda às seis
horas da manhã. Se arruma e toma seu café para ir à escola.
Ela sempre contava o que sonhava para os seus pais e assim,
eles conversam bastante antes do seu pai deixá-la na escola.
Ela se despedia de sua mãe e eles seguiam juntos.
Chegando à escola, ela se despede do pai e entra.
Uma escola que por fora parece igual a qualquer outra, mas
por dentre é como se fosse um parque, tinha um gramado
bem verde, uma sala de aula ao ar livre, na qual se podia
sentir o ar fresco. As turmas são divididas por idade, de doze
a quatorze anos ou de quinze a dezessete e assim por diante.
Alice é uma menina muito simpática, ela conhece
todo mundo e fala com todos. A primeira coisa que ela faz
ao entrar na escola é deixar suas coisas no armário reservado
para não ficar carregando tanto peso, já que passa o dia por
lá. Em seguida, Alice caminha para a aula e se senta em
poltronas bem confortáveis. Então chega a professora dando
bom dia, com um belo sorriso no rosto. A primeira coisa que
ela faz é perguntar como estão os alunos, e todos respondem
de uma só vez, num lindo coral dizendo que “está tudo
bem!”. Ela começa a ministrar sua aula e sempre faz uma
surpresa para os alunos, sempre traz uma dinâmica em que
eles se divertem muito.

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E assim, segue descontraidamente, pois sempre é
assim na escola de Alice. As aulas acontecem das sete e meia
as onze horas, com intervalo de 20 minutos. Nesse intervalo,
sempre passam duas pessoas servindo a merenda em cada
turma, com várias opções de refeições para escolher. Alice é
a mais gulosa, pega logo todas as opções de comida de uma
vez e se senta para comer sem se importar com a opinião dos
outros. Após o intervalo, a professora volta a ministrar sua
aula e passado o tempo chega a hora do almoço.
Os alunos vão para o refeitório. Alice vai para a fila e
prepara seu prato e almoça, para em seguida ir à sala de
descanso e por lá fica deitada até a hora de ir para o ensaio
das líderes de torcida. Nessa escola, todo semestre tem um
campeonato entre equipes de outras escolas, e então Alice
criou um grupo para animar na hora dos jogos.
Após o ensaio, ela vai para a natação e depois se
arruma para esperar o seu pai buscá-la para retornar a sua
casa. Ela chega em casa as seis e meia da noite, se deita no
sofá para esperar sua mãe aprontar o jantar. Depois da ceia,
ela se prepara para dormir depois de um dia cansativo. E
nesse cansaço prazeroso do dia a dia, entre idas e vindas, de
casa para escola, é a vida de Alice, uma menina de dezesseis
anos que está sempre pronta para um novo dia.

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A MELHOR ESCOLA DO MUNDO
Nadia Farias dos Santos

Houve um tempo em que as escolas eram perseguidas


por serem espaços de liberdade de pensamento. Antes desse
tempo tenebroso, elas vinham sendo sucateadas, cerceadas
em seus recursos com a finalidade de manter a massa
aprisionada nas “verdades” ditas e escritas na letra da lei, por
uma parcela que detinha o poder. Muito lentamente, as
pessoas começaram a perceber que a escola, a educação de
qualidade, seria o caminho para uma sociedade mais justa e
igualitária. Então, uma grande transformação começou a
acontecer, lentamente, muito lentamente. Porém, não sem
antes piorar, quando os donos do poder, reunidos,
engendraram planos de contenção das ideias de liberdade e
igualdade. Mesmo em tempos difíceis, foi possível encontrar
caminhos para mudar o mundo.
Passaram muitos anos de luta e principalmente, de
reconstrução social, quando as pessoas criaram a escola para
o bem viver. Elas tinham como princípio básico valorizar a
pessoa, o ser humano em sua totalidade. Respeito às
subjetividades, aos modos que cada um escolhia como forma
de ser e estar no mundo. Suas histórias, vivências e
necessidades, vinham antes de qualquer conteúdo a ser
aprendido. A primeira de todas a coisas a se aprender, era a

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ser você mesmo, a ser gente. E partir disso, aprender o
mundo, aprender a conviver e a respeitar os outros.
Nessa escola não havia salas de aulas limitadas por
quatro paredes, mas espaços coletivos de aprendizagem, que
eram grandes áreas em espaços abertos ou fechados, esses
últimos parecidos com bibliotecas enormes, nos quais havia
livros, computadores avançados e toda a sorte de equipa-
mentos, ferramentas pedagógicas, modelos e materiais para
construir o que a imaginação fosse capaz de criar. Os grupos
para estudos eram criados a partir daquilo que se quisesse
aprender ou descobrir, eram os grupos de interesse. Não
importava a idade, exceto que o conhecimento a ser
mobilizado, ainda não estivesse ao alcance dos interessados,
respeitando os saberes individuais e condição para a
colaboração de cada um, pois todos eram essenciais para o
sucesso das aprendizagens desejadas. Não havia disciplinas
estanques, mas problemáticas ou situações problemas que
precisariam dos conhecimentos e tecnologias das diferentes
áreas do saber. E não havia uma área mais importante que a
outra. Todas eram essenciais e necessárias para o futuro dos
estudantes, da sociedade e do mundo.
A escola era um espaço de convivência que acolhia a
todos, independe de sua origem, cor, gênero, religião,
nacionalidade ou qualquer outra coisa. A diferença era
acolhida como uma riqueza a ser conhecida, valorizada e
respeitada. O importante era aprender com o outro, com a
história, com as ciências. Ah, nessa escola todos eram
cientistas, todos colaboravam a seu modo, para que novas
descobertas surgissem para ajudar as pessoas. As inovações
científicas começavam na escola e seguiam rumo à

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universidade para serem aperfeiçoadas e depois socializadas
com a população.
Essa escola que teve seu início numa época em que
era desvalorizada e a serviço de poucos, se transformou na
mola propulsora da sociedade do futuro. E ao se transfor-
mar, ao se refazer, ao se reconstruir, sem esquecer suas
histórias e lutas, ajudou a humanidade a se redescobrir, se
reinventar, maior, melhor, mais sólida e carregada de
respeito, amor fraterno e planetário. Ela mudou o mundo!

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NOTAS FINAIS
“Daria para escrever um livro se eu fosse contar”
Cora Coralina

Nesta frase de Cora Coralina encontramos a motiva-


ção que nos possibilitou a escrita desse livro. Ao ouvir as
histórias escolares dos alunos e a riqueza de informações que
os memoriais e os contos nos traziam, quase que imediata-
mente, surgiu a ideia do livro. Assim, como a Cora, pensa-
mos “daria para escrever um livro” com todas as aventuras,
peripécias, traquinagens, alegrias, aprendizagens, prazeres...
Realmente, deu um livro.
Com uma imensa alegria, cada um de nós – autores,
revisores e todos os envolvidos na produção desta obra,
entregamos ao mundo, e especialmente, ao mundo da
educação o livro: ENTRE CONTOS E HISTÓRIAS ES-
COLARES DE ARREPIAR OS CABELOS na esperança
que ele tenha despertado suas memórias do tempo escolar e
suscitado ações, vivências, reflexões sobre ser docente e
discente no campo do ensino, numa sociedade que ainda
não reconhece a importância e a necessidade de uma
educação de qualidade, pautada nos princípios democrá-
ticos, na liberdade de cátedra e na valorização da educação
como caminho para a construção de um mundo melhor.
Que os nossos cafés pedagógicos e esse livro, fruto
das atividades da disciplina de Didática do curso de
Licenciatura em Química do Instituto Federal de Educação

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do Rio Grande do Norte tenha lhe proporcionado relembrar
o seu tempo de escola.

Nadia Farias dos Santos


Professora de Didática do IFRN/Apodi

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