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TECP - Nesp - DB431

Unidade 1 (Ciência Política)


1.2 Conceitos Fundamentais: ação, interação e
instituições políticas
[Estado, Instituições e políticas na Teoria Política
Contemporânea]

Professores:
Estefânia Maria de Queiroz Barboza
Fabricio Ricardo de Limas Tomio
Heloisa Fernandes Câmara
1.2 Conceitos Fundamentais: ação,
interação e instituições políticas
[Estado, Instituições e políticas na
Teoria Política Contemporânea]

Bibliografia BÁSICA (OBRIGATÓRIA):


(1.2) ELSTER, Jon. Peças e Engrenagens das Ciências
Sociais. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994 [capítulos I, II,
III, IV, X, XII e XV].
Ação, interação e
instituições
políticas (ELSTER)

PARTE 1
Jon ELSTER (AÇÃO - INTERAÇÃO)

AÇÃO Expectativas -
como os
outros agirão

DESEJOS CRENÇAS

EVIDÊNCIAS

INSTITUIÇÕES
Jon ELSTER (Explicação por MECANISMOS)

 “Explicar INSTITUIÇÕES
SOCIAIS e MUDANÇA SOCIAL é
mostrar como elas surgem
como resultado da AÇÃO e
INTERAÇÃO de INDIVÍDUOS”.
(p.29)
Ação, Interação e Instituições (Parte I)

 Dois PONTOS básicos para ELSTER:


(1) A Premissa do INDIVIDUALISMO
METODOLÓGICO: “a ação individual é
a unidade elementar da vida social”.
(2) As Ciências Sociais devem oferecer
EXPLICAÇÕES INTENCIONAIS-CAUSAIS
(“Explicação intencional da ação dos
indivíduos e explicação causal da
interação entre os indivíduos”).
Jon ELSTER (Explicação por MECANISMOS)
 Explicação por MECANISMOS
causais (categoria intermediária entre
TEORIA e DESCRIÇÃO)
Dois MECANISMOS principais:
(1) ESCOLHA RACIONAL e (2) NORMAS SOCIAIS
 “... ao tentar explicar a participação na
ação coletiva devemos iniciar com o
tipo de motivação logicamente mais
simples: a CONDUTA RACIONAL,
EGOÍSTA e ORIENTADA PELAS SUAS
CONSEQUÊNCIAS.” (p.10)
Jon ELSTER (Explicação por MECANISMOS)

 “EXPLICAR EVENTOS É
LOGICAMENTE ANTERIOR A
EXPLICAR FATOS” (p. 17)
 Proposições que pretendem explicar (por
mecanismos) um evento DEVEM SER
DISTINGUIDAS de outros tipos de
proposições, como:
(1) PROPOSIÇÕES CAUSAIS
VERDADEIRAS (deve-se sugerir o
mecanismo causal);
(2) AFIRMAÇÕES SOBRE CORRELAÇÃO;
(3) AFIRMAÇÕES SOBRE NECESSITAÇÃO;
(4) CONTAR HISTÓRIAS;
(5) PREDIÇÕES.
Jon ELSTER (AÇÃO - ESCOLHA RACIONAL)

 “... o que explica a AÇÃO


são os DESEJOS DA PESSOA
JUNTAMENTE COM SUAS
CRENÇAS A RESPEITO DAS
OPORTUNIDADES”. (p.37)
Jon ELSTER (AÇÃO - ESCOLHA RACIONAL)

AÇÃO

DESEJOS CRENÇAS

EVIDÊNCIAS
 MECANISMO - ESCOLHA
RACIONAL: “Quando
defrontadas com vários
CURSOS DE AÇÃO, as
pessoas comumente
fazem o que acreditam
levará ao MELHOR
RESULTADO GLOBAL”
(p.38)
 “A ESCOLHA RACIONAL é
INSTRUMENTAL” (guiada
pelo resultado da ação)

 “A noção de ESCOLHA
RACIONAL é definida para
um INDIVÍDUO, NÃO para
uma COLETIVIDADE”. (p. 46)
 “Uma ação para ser racional deve ser
o resultado de três decisões ótimas...”
(1) deve ser o melhor modo de realizar o
DESEJO de uma pessoa, dada as suas
CRENÇAS;
(2) essas CRENÇAS devem ser elas
mesmas ÓTIMAS, dadas as
EVIDÊNCIAS disponíveis à pessoa;
(3) a pessoa deve reunir uma quantidade
ótima de EVIDÊNCIAS (dependente
de seus DESEJOS e CRENÇAS).
Jon ELSTER (AÇÃO - ESCOLHA RACIONAL)

AÇÃO

DESEJOS CRENÇAS

EVIDÊNCIAS
 “Teoria da Escolha Racional
tem o objetivo de explicar o
comportamento humano”
(p. 47) por DOIS PASSOS:
(1) determinando o que uma
pessoa racional faria em
determinada circunstância;
(2) verificando se foi isto que
realmente uma pessoa fez.
 A teoria pode falhar:
(1) as pessoas podem agir
IRRACIONALMENTE;
(2) INDETERMINAÇÃO – pode
haver diversas ações que
sejam igualmente boas, ou
pode não haver nenhuma
ação que seja ao menos
tão boa quanto as demais.
 “As CRENÇAS são
INDETERMINADAS quando a
EVIDÊNCIA é insuficiente para
justificar um julgamento sobre a
probabilidade dos vários
resultados da ação” (INCERTEZA,
INTERAÇÃO ESTRATÉGICA) (p. 50)

 “Quando a ESCOLHA RACIONAL é


INDETERMINADA algum outro
MECANISMO deve preencher a
brecha”
(CONSEQÜENCIAS NÃO
INTENCIONAIS –
INTERAÇÃO SOCIAL)
Jon ELSTER (CONSEQÜENCIAS NÃO
INTENCIONAIS – INTERAÇÃO SOCIAL)

DESEJOS Mudança não-intencional


de DESEJOS

AÇÃO Resultado Pretendido

OPORTU- Mudança não-intencional


de OPORTUNIDADES
NIDADES
Jon ELSTER (EQUILÍBRIO-INTERAÇÃO SOCIAL)

 COOPERAÇÃO e
COORDENAÇÃO podem surgir:

(1) pela AÇÃO DESCENTRALIZADA,


não compulsória;
(2) centralmente impostos por
INSTITUIÇÕES SOCIAIS e pela
FORÇA.
Jon ELSTER (EQUILÍBRIO-INTERAÇÃO SOCIAL)

 EQUILÍBRIO – “estado no
qual os planos das
pessoas são consistentes
entre si”
Jon ELSTER (NORMAS SOCIAIS)

 “A ação orientada por


NORMAS SOCIAIS não é
orientada por
RESULTADOS” (p. 137):
Jon ELSTER (NORMAS SOCIAIS)

“Para que as normas sejam sociais


elas devem ser compartilhadas
por outras pessoas e em parte
sustentadas por sua aprovação
e desaprovação”
- CONVENÇÕES
- CÓDIGOS DE HONRA
- “ISSO NÃO SE FAZ”
- NORMAS DE COOPERAÇÃO.
Jon ELSTER (AÇÃO - INTERAÇÃO)

AÇÃO Expectativas -
como os
outros agirão

DESEJOS CRENÇAS

EVIDÊNCIAS

INSTITUIÇÕES
Jon ELSTER (CONSEQÜENCIAS NÃO
INTENCIONAIS – INTERAÇÃO SOCIAL)

DESEJOS Mudança não-intencional


de DESEJOS

AÇÃO Resultado Pretendido

OPORTU- Mudança não-intencional


de OPORTUNIDADES
NIDADES
Instituições
políticas (ELSTER)

PARTE 2
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

As INSTITUIÇÕES formam a estrutura da


sociedade e se apresentam como se
tivessem DUAS FACES: “parece agir,
escolher e decidir como se fora um
grande indivíduo, mas também é criada
e formada por indivíduos” (p.174).
(1ª Face) As instituições como um
mecanismo de imposição de regras que
governam o comportamento de um
grupo definido de pessoas, por meio de
SANÇÕES EXTERNAS E FORMAIS.
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

Segundo a NATUREZA das SANÇÕES, as


instituições podem ser:
(1) PRIVADAS (empresas, sindicatos,
organizações religiosas, universidades,
etc.), que tem como principal sanção
a expulsão do grupo;
(2) PÚBLICAS (ligadas ao Estado), cujas
sanções se mantém por um sistema
de aplicação de leis que incluem
subsídios, taxas, multas e prisão.
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

As INSTITUIÇÕES modificam o


comportamento através de vários
mecanismos:
(1) pelo uso da “FORÇA” (“qualquer
ação designada a tornar uma
prática indesejável mais cara para
aqueles que poderiam sentir-se
tentados a empenhar-se nela”),
tornando o comportamento
indesejável mais dispendioso;....
As INSTITUIÇÕES modificam o
comportamento...

(2) pela INDUÇÃO, tornando o


comportamento desejável
menos dispendioso;
(3) como CAPACITADORAS
(para permitir as pessoas fazer
certas coisas) ou restritivas
(que tornam difícil desfazer
compromissos), geralmente leis
contratuais;
As INSTITUIÇÕES modificam o
comportamento através...
(4) pela ALTERAÇÃO DO
CONTEXTO DAS
NEGOCIAÇÕES ENTRE OS
INDIVÍDUOS, através da
imposição de limites ou
arbitragens externas.
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

As instituições podem produzir cinco


tipos de EFEITOS (quanto ao bem-
estar das pessoas):
(1) puramente eficientes (fazem com
que todos fiquem melhores);
(2) puramente redistributivos
(transferem renda sem qualquer
desperdício);
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

EFEITOS (bem-estar das pessoas):


(3) redistribuição ao custo de certo
desperdício;
(4) eficiência com prejuízo do objetivo
redistributivo;
(5) puramente destrutivos (deixando
todos em situação pior).
Os efeitos produzidos pelas Instituições
podem ser INTENCIONAIS ou NÃO-
INTENCIONAIS.
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

(2ª Face) As INSTITUIÇÕES NÃO


FAZEM OU PRETENDEM, apenas os
INDIVÍDUOS PODEM AGIR OU
PRETENDER. As instituições são
compostas de indivíduos que
podem ter - e normalmente tem -
INTERESSES DIVERGENTES.
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

As instituições podem ser


dirigidas em linhas DITATORIAIS
ou DEMOCRÁTICAS. No
segundo caso, torna-se mais
complexa a compreensão dos
resultados produzidos pela
instituição devido à distribuição
de PREFERÊNCIAS individuais.
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

Como não há coerência na


distribuição de preferências, uma forma
de restringi-las ou direcioná-las para
determinado resultado ou para se
precaver quanto a resultados
motivados pelo auto-interesse de
alguns indivíduos, estaria na definição
de um “BOM” DESENHO INSTITUCIONAL.
Contudo, isto não parece ser suficiente,
visto que nem as instituições são
monolíticas nem a definição do que é
“BOM” é possível...
TEOREMA DA IMPOSSIBILIDADE DE ARROW
(PARADOXO DA VOTAÇÃO)
(ARROW, Kenneth. Social Choice and Individual Values, 2ª ed. New
Haven: Yale University Press, 1963.)

“O método descreve apenas que a passagem de


preferência do indivíduo para gostos [tastes] coletivos
não conseguem satisfazer a condição de
racionalidade, como nós normalmente entendemos.

Podemos encontrar outros métodos de agregação de


gostos [preferências] individuais que implicam um
comportamento racional por parte da comunidade e
que será satisfatório de outras maneiras? (...)
TEOREMA DA IMPOSSIBILIDADE DE ARROW
(ARROW, Kenneth. Social Choice and Individual Values, 2ª ed. New
Haven: Yale University Press, 1963.)

“O problema de atingir um máximo social


derivado de desejos individuais é precisamente
o problema que tem sido fundamental para o
campo do bem-estar econômico [e político].”
“… não existe qualquer mecanismo de escolha
social que de fato pode satisfazer os juízos de
valor feitos”

INSTITUIÇÕES (imposição/acordo) buscam


solucionar o Paradoxo da “Votação” (ARROW).
TEOREMA DA IMPOSSIBILIDADE DE ARROW
(ARROW, Kenneth. Social Choice and Individual Values, 2ª ed. New
Haven: Yale University Press, 1963.)

“Paradox of voting”

1 2 3
AxB A B C
B C A
C A B
TEOREMA DA IMPOSSIBILIDADE DE ARROW
(ARROW, Kenneth. Social Choice and Individual Values, 2ª ed. New
Haven: Yale University Press, 1963.)

“Paradox of voting”

1 2 3
BxC A B C
B C A
C A B
TEOREMA DA IMPOSSIBILIDADE DE ARROW
(ARROW, Kenneth. Social Choice and Individual Values, 2ª ed. New
Haven: Yale University Press, 1963.)

“Paradox of voting”
CxA 1 2 3
A, B e C (escolhas)
podem ser vitoriosos
A B C
três ou mais “eleitores” B C A
em um conjunto de

(1, 2, 3, n) … este é o
paradoxo da votação C A B
Jon ELSTER (INSTITUIÇÕES POLÍTICAS)

... Ou como diz o resignado ELSTER


seguindo uma opção do
individualismo metodológico:
“Falar sobre instituições é apenas falar
sobre indivíduos que interagem uns
com os outros e com pessoas de fora
das instituições. Seja qual for o
resultado da interação, ela deve ser
explicada em termos dos motivos e
oportunidades desses indivíduos”
(p. 186).