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2010

ARROZ DO CÉU
– GUIÃO DE LEITURA

ESCOLA EB2,3/SEC DE PENACOVA


30-12-2010
Guião de leitura do conto “Arroz do Céu”
de José Rodrigues Miguéis, Gente da Terceira
Classe

Ao longo dos passeios de Nova York, por sobre as estações e galerias do


subway, abrem-se grandes respiradouros gradeados por onde cai de
tudo: o sol e a chuva, o luar e a neve, luvas, lunetas e botões, papelada.
chewing gum, tacões de sapatos de mulheres que ficam entalados, e
até dinheiro. Às vezes, lá no fundo, no lixo acumulado ou em poças de
água estagnada, brilham moedas de níquel e mesmo de prata. Os
garotos ajoelham de nariz colado às grades, tentando lobrigar tesouros
na obscuridade donde sopra um hálito húmido e oleoso e o cheiro dos
freios queimados. Fazem prodígios de habilidade e obstinação para
pescar as moedas perdidas. Alguns têm êxito nisso, mas depois
engalfinham-se em disputas tremendas sobre a posse e a partilha do
tesouro: nunca se sabe quem foi que viu primeiro.

Outros, quando a colheita promete, chegam a arriscar nisso algum


capital: juntam as posses, e entram dois, é quanto basta, no subway;
uma vez lá dentro, trepam sub-repticiamente aos respiradouros, o que é uma difícil operação
de acrobacia, para colher aquele dinheiro-de-ninguém, enquanto um ou mais camaradas
vigilantes os vão guiando cá de fora. Também os há que entram sem pagar, por entre as
pernas da freguesia e agachando-se por baixo dos torniquetes.

O limpa-vias trabalhava há muitos anos no subway, sempre de olhos no chão. Uma toupeira,
um rato dos canos. Picava papéis na ponta de um pau com um prego, e metia-os no saco.
Varria milhões de pontas de cigarros, na maioria quase intactos, de fumadores impacientes,
raspava das plataformas o chewing gum odioso, limpava as latrinas, espalhava
desinfectantes, ajudava a pôr graxa nas calhas, polvilhava as vias de um pó branco e
misterioso, e todas as vezes que o camarada da lanterna soltava um apito estrídulo – lá vem
o comboio! – Ele encolhia-se contra a parede negra, onde escorriam águas de infiltração, na
estreita passagem de serviço. Até já tinha ajudado a recolher pedaços
de cadáveres, de gente que se atirava para debaixo dos trens, e a
transportar os corpos exangues de velhos que de repente se
lembravam de morrer de ataque cardíaco, nas horas de maior
ajuntamento, uns e outros perturbando o horário e provocando a
curiosidade casual e momentânea dos passageiros apressados.
Sempre de olhos no chão, bisonho e calado, como quem nada espera
do Alto, e não esperava. A vida dele vinha toda do chão imundo e
viscoso. Nem sequer olhava a lívida claridade que resvala dos
respiradouros para o negrume interior, onde tremeluzem lâmpadas
eléctricas, entre as pilastras inumeráveis daquela floresta subterrânea
metalizada: nunca lhos tinham mandado limpar. Eram provavelmente
o domínio exclusivo de operários especializados, membros de outro
sindicato, que ele não conhecia. Nem talvez soubesse que existiam os
respiradouros. Era estrangeiro, imigrante, como tanta gente. Não
brincara nem vadiara na voragem empolgante das ruas da grande cidade, e vivia
perfeitamente resignado à sua obscuridade. Devia aquele emprego a um camarada que era
membro dum clube onde mandavam homens de peso, mas ele de política não entendia nada,
nem fazia perguntas. Como tinha nascido na Lituânia, ou talvez na Estónia, só falava em
monossílabos; e, debaixo da pátina oleosa e negra que o ar do subway nela imprimira com o
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tempo, a sua face era incolor e a raça indistinta. Antes disso tinha trabalhado em escavações,
um «toupeira». Este emprego era muito melhor, embora também fosse subterrâneo. E não
tinha que falar o inglês, que mal entendia.

Ora, à esquina de certa rua, no Uptown, há uma igreja, a de São João Baptista e do Santíssimo
Sacramento, a todo o comprimento de cuja fachada barroca e cinzenta os respiradouros do
subway formam uma longa plataforma de aço arrendado. Os casamentos são frequentes, ali,
por ser chique a paróquia e imponente a igreja. O arroz chove às cabazadas em cima dos
noivos, à saída da cerimónia, num grande estrago de alegria. Metade dele some-se logo pelas
grelhas dos respiradouros, outra parte fica espalhada nas placas de cimento do passeio.
Depois dos casamentos, o sacristão ou porteiro da igreja, de cigarro ao canto da boca, varre o
arroz para dentro das grades, por comodidade. Provavelmente é irlandês, o arroz não lhe
interessa, nem se ocupa de pombos: pombos é lá com os italianos, que, apesar de se dizerem
católicos, são uma espécie de pagãos. O que se derramou no pavimento da rua, lá fica: é com
os varredores municipais.

Volta e meia há casório, sobretudo no bom tempo, ou aos domingos. E um desperdício de


arroz, não sei donde vem o costume: talvez seja um prenúncio votivo de abundância, ou um
símbolo do «crescei e multiplicai-vos» (como arroz). A gente pára a olhar, e tem vontade de
perguntar: «A como está hoje o arroz de primeira cá na freguesia?»

Aquela chuva de grãos atravessa as grades, resvala no plano


inclinado do respiradouro, e, se não adere à sujidade pegajosa ou ao
chewing gum (o bairro é pouco dado a mastigar o chicle), ressalta
para dentro do subterrâneo, numa estreita passagem de serviço
vedada aos passageiros.

A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os


bagos a estalar-lhe debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso;
varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico, com um
aro na boca. Mas como ia agora por ali com mais frequência, notou que a coisa se repetia. O
arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. O
homem matutou: donde é que viria tanto arroz? Intrigado, ergueu os olhos pela primeira vez
para o Alto, e avistou a vaga luz de masmorra que escorria da parede. Mas o respiradouro, se
bem me compreendem, obliquava como uma chaminé, e a grade, ela própria, ficava-lhe
invisível do interior. Era dali, com certeza, que caía o arroz, como as moedas, a poeira, a água
da chuva e o resto. O limpa-vias encolheu os ombros, sem entender. Desconhecia os ritos e
as elegâncias. No casamento dele não tinha havido arroz de qualidade nenhuma, nem cru,
nem doce, nem de galinha.

Até que um dia, depois de olhar em roda, não andasse alguém a


espiá-lo, abaixou-se, ajuntou os bagos com a mão, num montículo, e
encheu com eles um bolso do macaco. Chegado a casa, a mulher
cruzou as mãos de assombro: alvo, carolino, de primeira! Dias depois,
sempre sozinho, varreu o arroz para dentro de um cartucho que
apanhara abandonado num cesto de lixo da estação, e levou-o para
casa. Pobres, aquela fartura de arroz enchia-lhes a barriga, a ele, à
patroa e aos seis ou sete filhos. Ela habituou-se, e às vezes dizia-lhe:
«Vê lá se hoje há arroz, acabou-se-nos o que tínhamos em casa.»
Confiada naquele remedeio de vida!

O limpa-vias nunca perguntou donde é que chovia tanto grão, sobretudo no bom tempo, pelo
Verão, e aos domingos, que até parecia uma colheita regular. Embrulhava-o num jornal ou
metia-o num cartucho, e assim o levava à família. Ignorando que lá em cima era a Igreja de
São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, e como tal de bom-tom, não sabia a que

3 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


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atribuir o fenómeno. Pelo lado da raiz, no subway, os palácios, os casebres e os templos não
se distinguem.

E foi assim que aquela chuva benéfica, de arroz polido, carolino, de primeira, acabou por lhe
dar a noção concreta de uma Providência. O arroz vinha do Céu, como a chuva, a neve, o sol
e o raio. Deus, no Alto, pensava no limpa-vias, tão pobre e calado, e mandava-lhe aquele
maná para encher a barriga aos filhos. Sem ele ter pedido nada. Guardou segredo – é mau
contar os prodígios com que a graça divina nos favorece. Resignou-se a ser o objecto da
vontade misericordiosa do Senhor. E começou a rezar-lhe fervorosamente, à noite, o que
nunca fizera: ao lado da mulher. Arroz do Céu...

O Céu do limpa-vias é a rua que os outros pisam.

In Gente da Terceira Classe, Lisboa, Editorial Estúdios Cor, 1971, pp. 67-71 (1ª ed.
1962)

TESTE DE COMPREENSÃO DO CONTO

"ARROZ DO CÉU" DE JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS

Depois de teres ouvido / lido o conto, resolve a seguinte ficha para verificar se o
compreendeste bem.

A. Indica se as seguintes afirmações são verdadeiras ou falsas CORRIGINDO AS FALSAS:

1. O limpa-vias é um homem que varre as ruas da cidade.


2. A família do limpa-vias é composta por ele, mulher, 3 filhos e uma avó.
3. A primeira vez que o limpa-vias viu o arroz, apanhou-o e levou-o para casa.
4. O limpa-vias costuma apanhar o arroz e leva-o para casa para a família comer.
5. O arroz que o limpa-vias apanha vem de um armazém de arroz.
6. Para o limpa-vias o arroz é uma dádiva do Céu.

B. Selecciona a melhor opção das apresentadas:

1. O limpa-vias é originário da: 4. O limpa-vias costumava levar o arroz


a) Alabama ou Alasca. para casa:
b) Polónia ou Letónia. a) no boné.
c) Ucrânia ou Geórgia. b) num balde.
d) Estónia ou Lituânia c) num cartucho de papel.
d) no bolso.
2. Nos respiradouros caem: 5. Pelos respiradouros do metropolitano
a) peúgas, latrinas, neve. caía arroz proveniente de:
b) luvas, botões, pastilha elástica, a)um mercado abastecedor da cidade;
dinheiro. b) uma igreja de fachada barroca;
c) botões, papeladas, óculos.
c) um armazém de arroz.
d) luvas, sapatos, latas.
3. Devido ao seu trabalho, a sua face era: 6. A família do limpa-vias ficou:
a) incolor e a raça indistinta. a) pouco satisfeita pois não gostava de
b) de cor amarela e a raça oriental. arroz.
c) de cor negra e a raça africana. b) pouco satisfeita pois já comia
d) de raça cigana. muito arroz.
4 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora
Graça Viais
c) satisfeita, pois assim não passava
fome.
d) satisfeita, porque só comia arroz.

C. Para saberes se compreendeste bem o conto "Arroz do Céu", preenche a seguinte grelha:

ESPAÇO DA ACÇÃO

PRINCIPAIS
MOMENTOS DA
ACÇÃO DO CONTO.

I. ESTRUTURA / ACÇÃO

1. O conto “Arroz do Céu” pode ser dividido em cinco partes. Delimita cada uma dessas
partes e distingue o assunto de cada uma delas.

Parágrafos do Assunto
texto

1.2.Delimita as seguintes partes da narrativa :


introdução (ou situação inicial), desenvolvimento (ponto culminante) e conclusão
(desenlace).

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Graça Viais
Segmentos do Assunto
texto

INTRODUÇÃO
(Acontecimento
s principais
-situação inicial:
o dia-a-dia de
um limpa-vias )

DESENVOLVIMEN
TO
(acontecimento
inesperado:
-mudança na
vida familiar)

CONCLUSÃO
(situação final)

ESPAÇO
1. No início do conto é feita a localização espacial da acção. Indica-a.
2. Por que razão é que os garotos dedicam tanto tempo aos respiradores?
2.1. Que estratégias utilizam os garotos para alcançar o que se encontra lá em baixo?

3. Os respiradouros por onde cai o arroz são o elemento de ligação entre o


subway e o Uptown.
Contudo, o arroz não tem a mesma importância para estas duas partes da
cidade.
3.1. Faz corresponder as
seguintes expressões ao
subway e ao Uptown, tendo
em conta o significado que o
arroz tem em cada um desses
espaços.
“chuva benéfica”, “trabalho”, “obscuridade”, “prenúncio votivo de abundância”, “mundo abastado”,
“imponente igreja”, “chão imundo e viscoso” , “cerimónias”, “enchia-lhes a barriga”, “sustento”,
“lívida claridade”, “símbolo do “crescei e multiplicai-vos” , ” maná”, “desperdício”, pobreza”, “grande
estrago de alegria”, “arroz carolino, de primeira”, “negrume interior”

6 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
CONCLUSÃO:
A acção deste conto passa-se em Nova Iorque, e dentro da cidade são
apresentados dois espaços distintos.
Subway
Uptown


Símbolo do mundo ao Símbolo do
mundo ao
qual o Limpa-vias pertence qual o Limpa-
vias não pertence


O LIMPA-VIAS RECOLHE O MUNDO
ABASTADO
QUE OUTROS DESPERDIÇAM QUE
DESPERDIÇA

SÃO DOIS MUNDOS QUE SE TOCAM, MAS NUNCA SE


MISTURAM.

EMPRÉSTIMOS
São elementos lexicais que podem ser internos a uma língua ou estrangeirismos
adoptados por essa língua.
A palavra janela é um empréstimo da própria língua, porque além do seu significado
comum (Abre a janela para arejar a casa), passou a designar também uma área do
ecrã do computador, por tradução do inglês window. O mesmo se passa com o
vocábulo rato (o animal e o periférico de entrada que envia informação para o
computador).
Os estrangeirismos são palavras que a língua não conseguiu adaptar: marketing,
software, ballet, croissant… Na língua portuguesa, os estrangeirismos mais
significativos são os anglicismos e os galicismos, palavras inglesas e francesas.
7 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora
Graça Viais
1. No conto “Arroz do céu” surge ainda outro estrangeirismo. Identifica-o e diz qual
o seu significado.
2. Repara no seguinte exemplo: O meu hobby preferido é fazer natação.
O meu passatempo preferido é fazer
natação.
2.1. O estrangeirismo foi substituído por uma palavra portuguesa. Tendo em
conta este exemplo, reescreve as seguintes frases:
a) Tens que utilizar uma password para aceder ao programa.
b) O staff da minha empresa é muito competente.
c) Hoje, a Luísa foi a um casting.
d) Este produto tem um bom slogan.
3. Completa as seguintes frases com as palavras que te são dadas:
Paparazzi; performance; bluff; skinhead, stock; check up; check in
a) O António fez ____________ no jogo de cartas.
b) Amanhã vou fazer um ____________ de rotina para ficar mais descansada.
c) No jornal, informaram que dois jovens foram incomodados por um indivíduo que
pertencia a um grupo______________ .
d) Tenho que chegar ao aeroporto duas horas mais cedo para fazer o ____________.
e) A loja de discos tem pouco _________ .
f) Adorei a ____________ do actor principal da peça de teatro.
g) Os actores de Hollywood normalmente são perseguidos pelos ________________.

AS PERSONAGENS
1. Faz o levantamento das personagens do conto, inscrevendo-as no quadro
que se segue:

PERSONAGENS PERSONAGENS PERSONAGENS


PRINCIPAIS SECUNDÁRIAS FIGURANTES

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Graça Viais
Personagens mais Personagens menos personagens que estão
importantes, cujas acções importantes, cujas acções não presentes mas não intervêm
têm importância para o têm tanta importância para o nos acontecimentos da
desenrolar dos desenrolar dos acontecimentos; história: têm como único
acontecimentos, modificando são normalmente adjuvantes objectivo ilustrar o ambiente
/ alterando de alguma forma ou oponentes da personagem e o espaço social, cultural,…
a situação inicial da história. principal.
É o herói.

2. Na primeira apresentação da personagem principal é aqui feita, ficamos a saber:

a sua profissão o local onde é exercida o trabalho diário do limpa-


vias.

.
3. Para caracterizar o Limpa-vias, o narrador utiliza a expressão “uma toupeira,
um rato dos canos”. Isto significa que…
a) O Limpa-vias gostava de andar dentro dos canos.
b) O Limpa-vias passava muito tempo no subterrâneo.
c) O Limpa-vias era peludo e cheirava mal.

. Identifica o recurso estilístico presente na expressão acima mencionada.

2. Transforma-o de modo a obteres uma comparação.

3.1. De acordo com a informação que se segue, identifica o modo de


caracterização presente na expressão acima referida:

A Caracterização
Caracterização Directa
As personagens são Indirecta
caracterizadas directamente, é inferida pelo leitor a partir
quando as suas características dos actos, atitudes e
são apresentadas comportamentos da
explicitamente pelo narrador, personagem ao longo da
por outras personagens ou por acção.
elas próprias. O retrato é traçado,
4. Caracteriza o limpa-vias, utilizando principalmente o psicológico e
as seguintes expressões do conto: o social, recorrendo a factos
e / ou atitudes.
“estrangeiro”, “raça indistinta”, “imigrante”,
“só falava em monossílabos”, “pobre”, “patina oleosa e negra”, “face incolor”, “sempre
de olhos no chão”, “bisonho e calado”, “resignado”

Retrato físico Retrato psicológico Condição social


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Graça Viais
- Indicação de particularidades
como hábitos, sentimentos,
- Indicação de temperamento, relacionamento - Indicação de particularidades
particularidades como com os outros… como profissão, estatuto
altura, estatura, cor dos - A caracterização psicológica económico, nível cultural…
olhos.. feita de forma directa, é, - A caracterização social feita de
- É geralmente feita de normalmente, realizada através forma directa, é, normalmente,
forma directa, mas o de adjectivos como sensato, realizada através de adjectivos
facto de a personagem teimoso, obstinado, perspicaz, como rico, pobre, culto,
ser apresentada a tolerante, agressivo… desfavorecido, desempregado…
carregar grandes pesos - Quando é realizada de forma - Quando é realizada de forma
indica uma constituição indirecta é ao leitor que cabe a indirecta, é o leitor que tem de
física robusta, dando- atribuição das qualidades de inferir a qualidade de pobreza em
nos, assim, uma corajosa a uma personagem que relação a uma personagem que
característica física de é apresentada a salvar sozinha a mora numa rua estreita, sem sol e
forma indirecta. sua casa em chamas, quando com as casas em ruína.
todas as outras já haviam
desistido
Ao longo do conto, o Limpa-vias mostra desconhecer algumas das utilidades do arroz.
5. Atenta nos 7º, 8º e 9º parágrafos e preenche o quadro:
5.1. Assinalando tudo o que o Limpa-vias desconhecia.
5.2. Apontando as razões para o desconhecimento dos aspectos apresentados.

5.1 O Limpa-vias desconhecia… 5.2 porque…

o que ficava por cima da galeria

6. O desconhecimento destes aspectos levou o Limpa-vias à mudança: quer a nível


das atitudes perante o concreto, quer a nível das suas crenças.
6.1. Completa o esquema com a evolução das suas reacções relativamente ao
arroz, de acordo com o modelo.
A primeira vez  ignorou-o porque considerou-o lixo

Vezes seguintes  …………………………… porque ………………………………………...

Um10dia guião
 ……………………………………… porque
leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis ………………………………………...
Professora
Graça Viais
A partir desse dia  ……………………………. porque ………………………………………...


7. A evolução do Limpa-vias teve outras consequências. Recorda a frase “Sempre
de olhos no chão (…) como quem nada espera do Alto e não espera.”
7.1. Justifica a utilização de maiúscula na palavra Alto.
7.2. Que podemos concluir relativamente à fé do Limpa-vias?
7.3. Comprova com elementos do texto que a importância do arroz conduziu o
Limpa-vias a uma mudança relativamente à sua fé.
7.4. Esta mudança implicou ainda outras atitudes. Completa as frases com
palavras tuas.

Guardou segredo, pois…


Resignou-se à vontade de Deus porque…
Começou a rezar-lhe para …

8. Sublinha, neste excerto, a frase que caracteriza o arroz.


“A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os bagos a estalar-
lhe debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso; varreu-os com o resto do lixo
para dentro do saco cilíndrico, com um aro na boca. Mas como ia agora por ali com
mais frequência, notou que a coisa se repetia. O arroz limpo e polido brilhava como as
pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. O homem matutou: donde é que
viria tanto arroz?”
8.1. Qual o recurso estilístico presente na frase que sublinhaste? Completa a
frase que se segue:
O arroz é descrito de uma forma muito sugestiva, trata-se de uma
_______________. O arroz é ______________ a pérolas, realçando o que ambos têm
em comum: a brancura e o brilho.
4.2. Se pensares um pouco existem outras coisas igualmente brilhantes:
lâmpadas, estrelas, velas. Tudo isto brilha intensamente no escuro.
4.2.1. O narrador compara o arroz a pérolas e não a lâmpadas, velas
ou estrelas porque…
a) …as lâmpadas e as velas são pouco brilhantes.
b) …as pérolas são mais raras e muito valiosas.
c) …as estrelas estão demasiado longe.
4.2.2. A comparação entre as pérolas e o arroz significa que…
a) para o Limpa-vias o arroz era tão raro e tão valioso como pérolas.
b) o Limpa-vias encontrava colares de pérolas desfeitos junto com o arroz.
c) o sonho do Limpa-vias era ter muitas pérolas.
9. O “arroz do céu” teve duas consequências na vida do limpa-vias: uma, é de
ordem material; outra, espiritual. Indica uma e outra.

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Graça Viais
10. Assim, a imagem que o limpa-vias tem do arroz também muda ao longo da
acção. Completa o texto com palavras / expressões retiradas do quadro 2.

Texto lacunar quadro 2

Primeiro, o arroz foi visto como ……………………………….


……..…, mas começa a destacar-se porque era
…………………………………..…….…, polido e brilhava, ao
contrário dos detritos. Depois, passou a ser um …………. divina / limpo
…………………..…: alvo, carolino, de primeira! A lixo / maná
importância que ganhou na subsistência da família e a sua alimento de
origem possivelmente …………………….……………..…, deu- qualidade
lhe uma imagem de …………………………………………., isto
é, de alimento dado pelos deuses.

11. Como deves ter reparado, os últimos parágrafos do conto têm


várias expressões com significado religioso. Relê-os atentamente e,
seguidamente, escreve nos espaços vazios as palavras ou expressões
ligadas à religião, preenchendo o esquema.

Campo
lexical

Ao
seleccionares
as palavras e
ao agrupá-las
em volta do
conceito de
religião,
acabaste de
criar um
campo lexical.
Como podes
ver, trata-se
de um
conjunto de
palavras que
se podem
associar à
volta de uma
ideia, conceito
ou realidade.

12 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
Imigrante Emigrante
▼ ▼
pessoa que imigra: que vem estabelecer-se pessoa que emigra; que
deixa o seu país
num país que não é o seu. para se estabelecer
noutro.
Estados Unidos da América ← Estónia ou Lituânia

Palavras parónimas: são palavras semelhantes a nível fónico e a nível gráfico, mas
que não são equivalentes a nível do significado ( têm grafia e som semelhantes e são passíveis
de confusão dada essa semelhança).
1. Faz corresponder as seguintes palavras e o seu significado correcto, de
modo a obteres pares de palavras parónimas.
( sono, ascender, emergir, extracto largura, incidente, evadir, ilegível, iminente,
rebelar,
cumprimento, crer, parecer, apreender, discrição, mandado, assassínio )
PARÓNIMAS SIGNIFICADO SENTIDOS PARÓNIMAS SIGNIFICADO
compriment INSTRUIR-SE / ASSIMILAR
sonho
o
HOMICIDA / HOMICÍDIO
MOSTRAR / INSURGIR
descrição VIR À SUPERFÍCIE / MERGULHAR mandato
MEDIDA / SAUDAÇÃO

assassino DESCREVER / DISCRETO perecer


PERÍODO DE ACÇÃO POLÍTICA / ORDEM

querer FUGIR / APODERAR-SE aprender


QUE NÃO SE PODE LER / SER

elegível VONTADE DE DORMIR / SONHAR imergir


PRESTES A ACONTECER / ELEVADO

eminente ACREDITAR / PRETENDER invadir


ILUMINAR / ELEVAR

revelar QUE PODE SER ELEITO acender


MORRER / APARENTAR

estrato CAMADA / ALGO EXTRAÍDO, SEPARADO acidente


ACONTECIMENTO CASUAL GRAVE /
ACONTECIMENTO CASUAL SEM
GRAVIDADE
2. Atenta nas frases seguintes e classifica as palavras sublinhadas:
a) A mulher do limpa-vias comprou uma saia linda. O limpa-vias saía muito tarde do
trabalho.
13 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora
Graça Viais
b) O limpa-vias está sem dinheiro. Os seus pais deram-lhe cem euros.
c) A sua mulher foi ao banco pedir um empréstimo. O limpa-vias sentou-se num banco a
descansar.
d) O limpa-vias arrumou o arroz na despensa. Ele vai pedir dispensa do serviço nocturno.

ACERCA DE – CERCA DE- HÁ CERCA DE


1. Escreve-se ACERCA DE: com o sentido de “a respeito de” (O limpa-vias falou
acerca do arroz à mulher.)
2. Escreve-se CERCA DE: com o sentido de “mais ou menos” (Ele recolheu cerca de
um quilo de arroz.)
3. Escreve-se HÁ CERCA DE: com o sentido de “intervalo de tempo” (O limpa-vias
trabalha há cerca de 3 meses no subway.)
Exercícios:
Falámos ___________________ tudo e Foi _________________ de três dias que ele
mais alguma coisa. reparou no arroz.
Não sei nada _______________ disso. Portugal tem _______________ de 10 milhões de
Estive em Nova-Iorque ____________ habitantes.
de um mês. Foi um grande casamento: estavam lá
O seminário foi _______________ da ___________ 500 pessoas.
pobreza. O seu trabalho é _________________ de quê?
O que me dizes _________________ de Já não ando de metro ______________ de 6
irmos de metro? meses.

CONTUDO – COM TUDO


1. Escreve-se CONTUDO:- quando se trata da conjunção adversativa (tal como
“MAS”, “PORÉM”)
O limpa-vias trabalha, contudo não ganha o suficiente para sustentar a família.
2. Escreve-se COM TUDO:- quando se trata de uma preposição seguida de um
pronome indefinido.
Naquele dia, o limpa-vias ficou tão feliz que se esqueceu do saco com tudo lá dentro!
Nasci à beira-mar, ___________ não sei ________ isto desarrumado, nem penses que
nadar. vais sair!
Arruma o quarto_________ como ________ o que tens feito, bem mereces um
estava. descanso.
__________ o que reuni na Internet, já Estudei bastante, __________ parece que não
posso fazer um bom trabalho; sei nada.
__________ não me posso limitar a Fiquei transtornada ___________ o que me
copiar o que encontrei. contaste.
Tenho dinheiro e ____________ não sou feliz.

DEMAIS – DE MAIS
1. Escreve-se DEMAIS: com o sentido de “os outros”, “os restantes”
O limpa-vias e os demais emigrantes vivem com muitas dificuldades.
2. Escreve-se DE MAIS: com o sentido de “demasiado”, “a mais”
O limpa-vias trabalha de mais.
Isto é ______________________. Não corras ____________________ que ficas
o aluno saiu da sala e os _______ ficaram com dor de barriga.
lá dentro. Portugal e os _________________ países da
Estou cansada ______________ para te Europa são muito procurados pelos
aturar. Estás a comer emigrantes.
________________________.

14 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
SE NÃO - SENÃO
1. Escreve-se SE NÃO: quando SE é uma conjunção e NÃO é um advérbio ( com o
sentido de “caso não”. (Se não tivesse encontrado o arroz, passaria fome.)
2. Escreve-se SENÃO: com o sentido de “apenas”, “excepto” (Ninguém ligava àquele
arroz, senão o limpa-vias.)
Perdes o comboio, ______________ te Não sei nadar ________________ de costas.
apressares. Não tinham nada para comer,
______________ encontrar arroz, a família ______________ arroz.
não terá jantar. Não dizes ________________ asneiras.
__________________ percebes, diz.

A CARTA
Querida mãe, querido pai. Então que Espero que não demorem a mandar
tal?
Nós andamos do jeito que Deus quer Novidade na volta do correio
Entre dias que passam menos mal A ribeira corre bem ou vai secar?
Em vem um que nos dá mais que fazer Como estão as oliveiras de
"candeio"?
Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida Já não tenho mais assunto pra
O rapaz estuda nos computadores escrever
Dizem que é um emprego com saída Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos
Cá chegou direitinha a encomenda quer
Pelo "expresso" que parou na Piedade Sou capaz de ir aí pelo Natal
Pão de trigo e linguiça pra merenda
Sempre dá para enganar a saudade
1. Acabaste de ouvir uma canção que se chama “POSTAL DOS CORREIOS”;
observa a estrutura da carta e rescreve a canção, obedecendo a essa
estrutura e introduzindo os elementos necessários.

- para saudar
ou apresentar
brevemente
o objectivo da
carta;

- para - para
tratar com
encerrar o
algum
pormenor o assunto e
assunto fazer
principal, despedidas
introduzir
outros
assuntos e
apresentar
15 guião leitura
argumento Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora
s, se Graça Viais
necessário;
Além da necessidade de respeitar a estrutura da carta, é fundamental a utilização das fórmulas
de tratamento e dos registos de língua adequados ao destinatário e à situação

2. Como sabes, o limpa-vias é imigrante em Nova Iorque. O seu país de


origem é a Estónia ou a Lituânia e, provavelmente, deixou lá alguns
familiares. Hoje, ele resolveu escrever uma carta à mãe, contando a sua
nova vida em Nova York.
2.1. Redige a carta que o limpa-vias escreveu à mãe.

O NARRADOR
Para se partilhar uma história é necessário contá-la.
O narrador é uma entidade imaginária que conta a história. É uma das três
entidades da história, sendo as outras o autor e o leitor. O leitor e o autor habitam
o mundo real. A função do autor é criar um mundo alternativo, com personagens,
cenários e acontecimentos que formem a história. A função do leitor é entender e
interpretar a história. Já o narrador existe no mundo da história (e apenas nele) e
aparece de uma forma que o leitor possa compreendê-lo.
1. Lê o seguinte excerto:
“Volta e meia há casório, sobretudo no bom tempo, ou aos domingos. É um desperdício
de arroz, não sei donde vem o costume: talvez seja um prenúncio votivo de abundância,
ou um símbolo do «crescei e multiplicai-vos» (como arroz). A gente pára a olhar, e tem
vontade de perguntar: «A como está hoje o arroz de primeira cá na freguesia?»
“Aquela chuva de grãos atravessa as grades, resvala no plano inclinado do respiradouro,
e, se não adere à sujidade pegajosa ou ao chewing gum (o bairro é pouco dado a
mastigar o chicle), ressalta para dentro do subterrâneo, numa estreita passagem de
serviço vedada aos passageiros.”

2. Quem conta este excerto da história do limpa-vias?


a) O limpa-vias b) O autor c) O sacristão d)
O narrador

Narrador participante / não participante


O narrador pode contar a história de diferentes maneiras. Completa o texto
com o vocabulário que te é dado.
1. Pode participar na história que está a VOCABULÁRIO 2. Pode contar uma
narrar e nesse caso é um narrador história na qual não
_______________. Assim, se for a NÃO PARTICIPANTE participa e nesse caso
personagem principal da história que PARTICIPANTE é um narrador
conta, é um narrador de 3ª PESSOA ____________________.
_______________. Se for apenas uma das 1ª PESSOA Este narrador narra a
personagens secundárias é um narrador acção na _____________
de ____________________. pessoa.
1. Identifica no excerto as oito formas verbais que te indicam que estamos na
presença de um narrador não participante.

16 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
“A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os bagos a estalar-lhe
debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso; varreu-os com o resto do lixo para dentro
do saco cilíndrico, com um aro na boca. Mas como ia agora por ali com mais frequência, notou
que a coisa se repetia. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares
desfeitos no escuro da galeria. O homem matutou: donde é que viria tanto arroz?”
2. Se o narrador fosse o limpa-vias as formas verbais passariam para a 1ª
pessoa e estaríamos perante um narrador participante. Imagina então que o
narrador é o limpa-vias e transforma o texto.
“A primeira vez que ________ aquele arroz derramado no chão, e __________ os bagos a
___________ debaixo das botifarras, não ________ caso; __________ com o resto do lixo para
dentro do saco cilíndrico, com um aro na boca. Mas como _________ agora por ali com mais
frequência, ___________ que a coisa se repetia.
O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria.
E _______________: donde é que viria tanto arroz?”

Posição objectivo subjectivo


do não toma posição face aos toma posição, declara ou sugere a sua
acontecimentos: é isento e posição de adesão ou recusa, fazendo
narrado imparcial. comentários, revelando a sua opinião; é
r parcial.
3. Relê o conto e transcreve passagens do texto onde sejam evidentes cada
uma destas posições.

CLASSE DOS VERBOS


Os verbos são palavras variáveis que exprimem:
1. Acções – “Intrigado, ergueu os olhos pela primeira vez para o
DEFINIÇÃO alto”
2. Qualidades – “O arroz limpo e polido brilhava como as
pérolas de mil colares”
FLEXÃO MODOS TEMPOS NÚMERO PESSOAS

MODOS TEMPOS
PRESENT PRETÉRIT PRETÉRIT PRETÉRIT FUTURO Existem
E O O O MAIS IMPERFEI ainda as
IMPERFEIT PERFEIT QUE TO formas
O O PERFEIT verbais
O não
eu eu eu eu eu finitas:
INDICATIVO
estudo estudava estudei estudara estudarei *Infinitiv
que eu que eu se/quand o
CONJUNTIVO estude estudasse o eu (pessoal
estudar e
eu impessoa
CONDICIONAL l)
estudaria
estuda / *gerúndi
estude o
/estudem *particípi
IMPERATIVO o
os /
estudai / passado
estudem
CONJUGAÇÃO VERBOS REGULARES: MANTÉM O RADICAL
17 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora
Graça Viais
1ª CONJUGAÇÃO 2ª CONJUGAÇÃO 3ª CONJUGAÇÃO
Verbos de tema em Verbos de tema em Verbos de tema em -i
–a -e
FORMAS ESPECIAIS DE CONJUGAÇÃO
Conjugação Conjugação verbos defectivos
Pronominal Pronominal Reflexa (Verbos que só se
(Verbo conjugado (Verbo conjugado conjugam em algumas
com pronome com pronome pessoas. EXº chover)
pessoal. EXº: amá- reflexo. EXº: lavar-
lo) se)
VERBOS IRREGULARES: NÃO MANTÊM O RADICAL
verbos verbos verbos verbos transitivos verbos
intransitiv transitivo transitivos DIRECTOS E copulativ
SUBCLASSES os s INDIRECTO INDIRECTOS os
DIRECTO S
S
TPC: Copia o seguinte quadro no caderno diário e
conjuga os verbos REPETIR e VARRER
PRESENTE PRETÉRITO PRETÉRITO PRETÉRITO FUTURO
IMPERFEITO PERFEITO MAIS QUE IMPERFEITO
PERFEITO
INDICATIV
O
CONJUNTIV
O
CONDICIO
NAL
IMPERATIV
O

CONJUGAÇÃO PRONOMINAL
1. As formas verbais sublinhadas, no seguinte excerto, encontram-se na conjugação
pronominal.

“A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os bagos a estalar-lhe
debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso; varreu-os com o resto do lixo para
dentro do saco cilíndrico…”
“Embrulhava-o num jornal ou metia-o num cartucho, e assim o levava à família.”

1.1. Rescreve o texto substituindo os pronomes pessoais pelas palavras que lhes
correspondem.
1.2. Identifica a função dessas palavras, nas frases que escreveste.

Pronome pessoal:
O pronome pessoal refere-se aos participantes do discurso, através de uma das três
pessoas gramaticais, ou representa um nome anteriormente expresso. Varia quanto à
pessoa, ao número, ao género e à função. No quadro que se segue encontram-se todas
as formas do pronome pessoal e as funções sintácticas que podem desempenhar:
18 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora
Graça Viais
Pronomes pessoais

FUNÇÕES SINTÁCTICAS
Número Pessoa COMPLEMENTO COMPLEMENTO
SUJEITO
DIRECTO INDIRECTO

primeira eu me mim, comigo


singular segunda tu te ti, contigo
terceira ele, ela o, a, lhe, se ele, ela, si, consigo

primeira nós nos nós, connosco


plural segunda vós vos vós, convosco
terceira eles, elas os, as, lhes, se eles, elas, si, consigo

19 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
2. Sublinha os pronomes pessoais presentes nas seguintes frases:
a) trepam sub-repticiamente aos respiradouros (…)para colher aquele dinheiro-de-
ninguém, enquanto um ou mais camaradas vigilantes os vão guiando cá de fora.
Também os há que entram sem pagar, por entre as pernas da freguesia (..).
b) Ele picava papéis na ponta de um pau com um prego, e metia-os no saco.
c) Nem sequer olhava a lívida claridade que resvala dos respiradouros (…) nunca lhos
tinham mandado limpar.
d) Até que um dia, depois de olhar em roda, não andasse alguém a espiá-lo, abaixou-se,
ajuntou os bagos com a mão, num montículo, e encheu com eles um bolso do macaco.

2.1. Preenche o quadro com os pronomes pessoais que sublinhaste,


colocando-os na coluna adequada, consoante a sua função
sintáctica.

SUJEITO COMPLEMENTO DIRECTO COMPLEMENTO INDIRECTO

CONJUGAÇÃO PRONOMINAL ( transformações dos pronomes o, a, os, as )

20 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
Quando juntamos pronomes aos verbos, há algumas regras que temos
que ter em conta:
1 – Quando a forma verbal termina em vogal, o pronome não sofre
alterações.
ex: Vi o filme. > Vi-o verbo + lo,
2 - Quando a forma verbal termina em R, S, ou Z, estas consoantes la, los, las
caem e o pronome pessoal passa a ser: -lo, -la, -los, -las.
ex: Vou ver o Luís. > Vou vê-lo.
Tu contas histórias. > Tu conta-las.
Ele faz os trabalhos de casa. > Ele fá-los. verbo +
no, na,
3 - Se a forma verbal terminar em M ou em ditongo nasal (õe, ão), nos, nas
o pronome tomará as formas: -no, -na -nos, -nas.
ex: Os alunos viram o filme. > Os alunos viram-no
O João põe o livro na estante. > O João põe-no na estante.verbo +
pronome
4 – Quando a forma verbal estiver no modo condicional, o pronome + ia,
coloca-se entre o radi-cal do verbo e as terminações verbais (-ia, ias, ia,
-ias, -ia, -íamos, -íeis, –iam). No entanto, como o radical termina íamos,
em R, este cai e o pronome ganha um L, tomando a forma -lo, -la, íeis, iam.
-los, -las.
ex: Eu levaria a bicicleta para a escola. > Eu levá-la-ia para a
escola. verbo +
Tu convidarias os teus amigos para a festa. > Tu convidá-los- pronome
ias para a festa. + ei, ás,
á, emos,
5 - Quando a forma verbal estiver no futuro, o pronome coloca-se eis, ão.
entre o radical do verbo e as terminações verbais (-á, -ás, -á,
-emos, -eis, –ão). No entanto, como o radical termina em «R», este
cai e o pronome ganha um L, tomando a forma -lo, -la, -los, -las.
ex: Ele entregará a encomenda a tempo. > Ele entregá-la-á a
tempo.
Eles pedirão a prenda à mãe. > Eles pedi-la-ão à mãe.
6 – Se a frase estiver na negativa, o pronome vai para antes do
verbo, sem sofrer alterações (tal como nalguns casos em que a
_!
( formas
frase está na forma interrogativa). contraíd
as )
ex: Ele não levou o livro para a aula. > Ele não o levou para a aula

Já leste o livro todo?. > Já o leste todo?


CASOS ESPECIAIS:
Sempre que na frase se encontrem em contacto duas formas de
pronome pessoal, complemento directo e indirecto, elas contraem-se
formando uma só palavra (em qualquer tempo verbal).
ex: Já li o livro. Posso emprestar-to ( te o )
Encontraste a peça? Então dá-ma. (me a)
6. Substitui as expressões destacadas pelo pronome correspondente e faz as alterações necessárias:
21 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora
Graça Viais
Os rapazes tiraram as moedas do respiradouro. ele pôs o arroz dentro do saco.
Ele levará o arroz para casa. Aquele arroz mataria a fome à família e si próprio.
O limpa-vias contou tudo à mulher. A mulher pediu-lhe arroz.
Os colegas do limpa-vias não viram o lixo no O limpa-vias vai arrumar o arroz na despensa.
chão. O sacristão não varre o arroz quando acabam os
O limpa-vias metia os papéis no saco. casamentos.

Desenlace do conto “Arroz do


Céu”
O “arroz do céu” teve duas consequências na vida do limpa-vias: uma, é de ordem material;
outra, espiritual.
1.1. Indica uma e outra.

.
“O céu do limpa-vias é a
rua que os outros pisam”

M
A frase final é profundamente irónica,U dando a entender que há um Céu para os ricos
N mais baixo) paraSUBWAY
e outro Céu (muito os pobres.
Preenche UPTOWN
o esquema-síntese do conto com D
M
palavras/expressões
U ABUNDÂNCIA
QUE OS CARACTERIZEM, O
MUNDO DO LIMPA-VIAS
OPONDO-OS,
N segundo o modelo:
__________________________
D __________________________ D
O CONSUMISMO O OBSCURIDADE

D __________________________ L __________________________
O I FOME
ALEGRIA M
S
O LUXO P __________________________
U A
22 guião leitura Arroz do céu de José __________________________Professora
Rodrigues Miguéis
T _________________________
Graça Viais V
R _________________________ I
REMEDEIO
O A
S DESPERDÍCIO
RESIGNAÇÃO
S
NARRATIVA ABERTA VS NARRATIVA FECHADA
História completa — Geralmente a
história começa por preparar o leitor
para o que se vai passar em algumas
linhas iniciais (introdução). Só então se
narram os acontecimentos
(desenvolvimento) e, finalmente,
também em poucas linhas, o leitor Pode acontecer que o
destino das personagens
sente, através de um desenlace fique suspenso,
( conclusão), opinião ou parecer, que incompleto, A história não
é totalmente solucionada
termina a história (conclusão ou final). (não se conhecendo o
final) ou permitindo ao
leitor imaginar uma
Narrativa fechada — A este tipo de continuação ou um final.
narrativa com introdução, Sendo assim, trata-se de
uma narrativa aberta.
desenvolvimento e conclusão, damos o
nome de narrativa fechada porque
sabemos a sorte final das personagens.
È uma narrativa fechada porque a
história foi solucionada até ao
pormenor, até um ponto que sentimos
como acabada.

1. De acordo com a informação acima, podemos considerar que o


conto “ARROZ DO CÉU” permite-nos imaginar uma continuação
da história.

23 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
1.1. Imagina a continuação da história, escrevendo um desenlace
para este conto de modo a torná-lo numa narrativa fechada.

Lê um possível desenlace para o conto Arroz do


Céu:
Confiado naquele remedeio de vida, o limpa-vias vivia agora obcecado
por aquele arroz que Deus, lá no Alto, lhe mandava para encher a barriga dos
filhos.
Todos os dias, levava um saco no bolso e apanhava, fervorosamente,
todo o arroz que encontrava.
Mas, certo dia, embrenhado na recolha do arroz, só tendo olhos para os
bagos alvos, não se apercebeu da chegada fatal do metropolitano das 17
horas.
Ajoelhado no meio da via, repentinamente, viu iluminarem-se os bagos;
agora, nas suas mãos, os bagos pareciam ouro!
Depois, um violento embate, sombras, trevas, uma sensação de
entorpecimento, a lembrança da mulher e dos filhos à espera do arroz do
céu.
Em casa, a mulher e os filhos daí a pouco saberiam: aquela chuva de
arroz polido, carolino, de primeira, nunca mais os alegraria.

1. Um director de jornal enviou, ao local do sinistro, um jornalista pouco experiente


que, embora tenha recolhido todos os dados, tem muitas dificuldades em
redigir uma notícia bem estruturada.
1.1. Partindo dos apontamentos do jovem jornalista e da informação sobre as
características da notícia, na página seguinte, ajuda-o a escrever a notícia.

O limpa-vias Antunius Juri de A reforçar esta hipótese foi


Eram 17 horas quando 43 anos de idade imigrante foi adiantado o facto de ter
de repente o condutor atropelado por um sido encontrado no local
do metropolitano John metropolitano tendo morte do sinistro arroz espalhado
Smith, se deu conta de imediata. pelo chão assim como um
um vulto na via; saco com arroz na mão do
travou de imediato sinistrado.
mas não conseguiu O limpa-vias que residia num dos
evitar o embate. subúrbios de Nova Iorque deixa a As circunstâncias
mulher e os sete filhos sem desta morte
quaisquer recursos. permanecem
Um limpa-vias
obscuras: as
sucumbiu ontem à
autoridades locais
tarde na linha do O condutor afirma ainda que o referem a
metro em Nova limpa-vias nem sequer se possibilidade de o
Iorque. apercebeu da aproximação do limpa-vias ter
veículo
24 guião leitura Arroz do céu de José pois queMiguéis
Rodrigues não fez tropeçadoProfessora
e caído na
Graça Viais qualquer tentativa de fuga. linha aí permanecendo
inconsciente.
1.2. Como reparaste, o jornalista também não pontuou o seu texto. Ajuda-o
novamente.

1.3. Dá um título preciso e sugestivo à notícia.

A NOTÍCIA
Notícia - estrutura e linguagem

A notícia é um texto de carácter informativo do domínio da Comunicação Social. Caracteriza-


se pela actualidade, objectividade, brevidade e interesse geral. Relata, por vezes, situações
pouco habituais. É redigida na 3.a pessoa. As informações são, geralmente, apresentadas por
ordem decrescente de importância.

A estrutura da notícia

Uma notícia bem estruturada deve ser constituída por:


1. A notícia é encabeçada por um TÍTULO que deve ser muito preciso e expressivo, para
chamar a atenção do leitor. Este título relaciona-se, habitualmente, com o que é
tratado no LEAD e pode ser acompanhado por um antetítulo ou por um subtítulo.

2. LEAD, CABEÇA ou PARÁGRAFO-GUIA - primeiro parágrafo, no qual se resume o


que aconteceu. É a parte mais importante da notícia e o seu objectivo é, não só captar
a atenção do leitor, mas ainda fornecer-lhe as informações fundamentais.
Neste parágrafo deverá ser dada resposta às seguintes perguntas essenciais: quem?, o
quê?, onde?, quando?

3. CORPO DA NOTÍCIA - desenvolvimento da notícia, onde se faz a descrição


pormenorizada do que aconteceu.
Nesta segunda parte, deverá responder-se às perguntas: como?, porquê?

ANTETÍTULO
TÍTULO
SUBTÍTULO
quem?
LEAD  o quê?
onde?
quando?
NOTÍCIA
CORPO DA como?
 porquê?
consequências?
etc.…

25 guião leitura Arroz do céu de José Rodrigues Miguéis Professora


Graça Viais
O esquema acima refere-se à técnica da pirâmide invertida - é habitual representar-se
graficamente a notícia por esta pirâmide invertida.
Na prática, aparecem muitas notícias que não respeitam a estrutura atrás apresentada.

Características da linguagem da notícia

A linguagem a utilizar na notícia deverá respeitar os seguintes princípios:


- ser simples, clara, concisa e acessível, utilizando vocabulário corrente e frases curtas;
- recorrer prioritariamente ao nome e ao verbo, evitando sobretudo os adjectivos
valorativos;

Este guião foi elaborado com base na seguinte bibliografia:


Uma análise do conto “Arroz do Céu” Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos
Ilustrações a partir da Escola Virtual, Porto Editora
ficha formativa da Professora Paula do Aido Almeida
Manual: Oficina da língua 7, Carla Marques e outros, edições Asa

Algumas soluções / sugestões:

Nova Iorque, 19 de Novembro de 2006


Querida mãe,
Espero que, quando receberes esta carta, estejas de perfeita saúde.
Bem sei que esperavas notícias minhas mais cedo, mas nem sempre posso
escrever quando quero. A nossa vida por cá continua muito difícil. Ainda não
entendo muito bem o inglês e sinto-me muito sozinho. Além disso, o dinheiro
é pouco e quase não chega para comer. Mas ultimamente temos tido uma
ajuda vinda do Céu. Tem caído muito arroz para dentro da estação de metro
onde trabalho. Não sei bem o que se passa, mas acho que Deus não se
esqueceu de nós…
Gostávamos muito de ir passar o Natal convosco, mas infelizmente não temos
dinheiro para a viagem. Pelo menos, este ano temos arroz com fartura para a
ceia de Natal.
Tenho de terminar. Estou cheio de saudades vossas e mal posso esperar pela
hora de vos voltar a ver e a abraçar.
Um grande abraço cheio de saudade

O teu filho
MORTE NA LINHA DO METRO
Um limpa-vias sucumbiu ontem à tarde na linha do metro em Nova Iorque.
O limpa-vias Antunius Juri de 43 anos de idade imigrante foi atropelado por um metropolitano
tendo morte imediata.
Eram 17 horas quando de repente o condutor do metropolitano John Smith, se deu conta de um
vulto na via; travou de imediato mas não conseguiu evitar o embate. O condutor afirma ainda
que o limpa-vias nem sequer se apercebeu da aproximação do veículo pois que não fez qualquer
tentativa de fuga.
As circunstâncias desta morte permanecem obscuras: as autoridades locais referem a
possibilidade de o limpa-vias ter tropeçado e caído na linha aí permanecendo inconsciente. A
reforçar esta hipótese foi adiantado o facto de ter sido encontrado no local do sinistro arroz
26 guião
espalhado leitura
pelo chãoArroz
assimdocomo
céu de
umJosé
sacoRodrigues
com arrozMiguéis
na mão do sinistrado. Professora
Graça Viais
O limpa-vias que residia num dos subúrbios de Nova Iorque deixa a mulher e os sete filhos sem
quaisquer recursos.