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PROPOSTAS DE RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES DOS GUIÕES DE LEITURA

A Consequência dos Semáforos – pág. 3

Leitura do texto

1. Esta apresentação diz-nos que o tema abordado é o sentimento do cronista em relação ao que ele enuncia –
os semáforos. Por esta introdução supomos que no desenvolvimento ele irá explicar por que motivo odeia os
semáforos, especificar as razões que o levam a um sentimento tão forte e perentório.

2. A primeira parte corresponde ao primeiro parágrafo, a segunda ao resto do texto.


É a segunda parte. Ele próprio diz, ao iniciar este segundo momento, “a segunda e principal razão que me
leva a odiar os semáforos...”. É, portanto, aqui, que ele irá apresentar os aspetos mais relevantes para justificar
o seu ódio pelos semáforos.

3. A cor que tem consequências menos graves é o verde. O único inconveniente é o verde aparecer, exatamente,
quando ele não tem pressa nenhuma.
3.1 Primeiro, hesitante, ele ora avança, ora para, de modo que uma furgoneta choca com o seu carro. Juntam-se
de imediato os habituais espectadores de acidentes; ainda por cima o dono da furgoneta, furioso, insulta-o e
ameaça-o. Posteriormente um perito da companhia de seguros pede-lhe que mude de seguradora, de modo
que o autor fica sem carro durante uma semana. Por isso tem de andar de táxi e gasta um dinheirão.
[sugestão]
3.2 b)

4. Quando está parado no sinal vermelho o cronista é abordado por toda a espécie de pessoas a vender ou a
pedir alguma coisa.
4.1 Resulta que o cronista depois de dar tudo o que tinha, inclusive o carro, acaba por ir aumentar o número de
pedintes e chega atrasado aos seus compromissos.

5. Há uma crítica à impaciência ou até agressividade dos automobilistas que não admitem hesitações dos outros.
Há igualmente uma crítica ainda mais óbvia à multiplicidade de pedintes e peditórios. Um desfilar de desgraças
a que o automobilista, imobilizado pelo sinal, não pode fugir (nem acudir).
5.1 O tom é humorístico como se nota, entre outros aspetos, pelo exagero. Um exagero crescente comprovado
pelo último período do texto: “Em média mudo cinco vezes de vestimenta e de carro até chegar ao meu
destino, e quando chego, ao volante de um camião Tir, a dançar numas calças enormes, os meus amigos
queixam-se de eu não ser pontual.”

Gramática

1. Nomes comuns – ambulância, finalistas, capa, batina, viagem, fim, curso, heroína, leitor, cassetes, dia
Nomes coletivos – grupo, rapaziada
Nomes próprios – Bombeiros Voluntários, Coimbra, Birmânia

2. A palavra “volto” (forma do verbo voltar). As palavras polissémicas têm mais do que um significado, que só
podemos identificar no contexto em que a palavra é usada.
3.1 A palavra é derivada por prefixação. À palavra base “colante” antepôs-se o prefixo auto-.
3.2 “autobiográfico”, “autorretrato”, “autoconfiança” (exemplos).

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História sem palavras – pág. 6

Oralidade

Pretende-se que o aluno se aperceba, por um lado, das múltiplas interpretações que podem ser suscitadas por
um título, por outro que um título expressivo traduz de forma simples o essencial da história. A cronista constata
que é possível, faz até parte de uma rotina a que nos habituamos, estar horas entre pessoas, fazer compras, voltar
a casa sem ter trocado uma palavra com alguém. O título indica exatamente isso: há uma ação que decorre num
determinado período de tempo, em espaços diversos; há personagens – só não há palavras.

Leitura do texto

1.1 Nesse período de tempo, a cronista vai apanhar o metropolitano, compra o bilhete, faz o seu percurso, sai do
metropolitano, volta à superfície, entra numa loja, escolhe e compra o que quer e paga a conta.
1.2 A primeira transcrição revela que a autora ouve um barulho indefinido, que não lhe é agradável. Um barulho
intenso onde falta o som das vozes de seres humanos. A segunda transcrição revela igualmente o desagrado,
o desconforto de se sentir como uma formiga num túnel de toupeiras. A cronista não se sente pessoa
individual, mas apenas um elemento no meio de tantos outros que se movimentam acima ou abaixo do solo.
2. Não diz nada porque não tem nada para dizer. A menina da caixa registadora fez, automaticamente, todos os
gestos necessários, a máquina fez as contas. Estava tudo certo, sem necessidade de qualquer reparo ou
esclarecimento.
3. Há uns anos atrás teria de pedir o bilhete ao cobrador do autocarro ou do elétrico. Teria de trocar umas
palavras com o merceeiro, mesmo que a conversa fosse sem importância nenhuma.
4. Ela sente que esta falta de comunicação entre as pessoas se acentuou nos últimos tempos e antevê que o
avanço tecnológico, a automatização dos serviços, as mudanças que se vão operando no dia a dia das
pessoas tenderão a acentuar a falta de comunicação entre elas. Ser, cada vez mais o Homem, a máquina e a
ausência de palavras.

Gramática

1. Noutros tempos, ela chegava, parava, partia.


Há poucos instantes, ela chegou, parou, partiu.
Já falta pouco, para que ela chegue, pare, parta.
2.1 É constituída por três orações.
2.2 Orações coordenadas copulativas assindéticas.
3.1 As meninas das máquinas também sabem (o que fazem).
3.2 Se omitirmos a oração “o que fazem” a frase será simples. Se registarmos todo o predicado que está omisso,
teremos uma frase complexa, constituída por duas orações.
3.3 O sujeito da frase é “as meninas das máquinas” e é um sujeito simples.
4. Não me sinto no futuro.
5.1 Moedas, notas, tostões.
5.2 Do mesmo campo lexical: troco, dinheiro.
6.1 Tem o significado de “bilhete”.
6.2 Pretende-se mostrar a insignificância do que foi recebido.

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Amores proibidos – pág. 9

Leitura do texto

1. Foram felizes nos três meses de verão e outono de 1812, quando namoravam às escondidas nas matas, nos
montes, nas margens do rio Tâmega…

2.1 Estava-lhe destinada a carreira de frade.

2.2 O pai, Cristóvão de Queirós.


2.3 Optou pela carreira militar.

2.4 O facto de se ter apaixonado por Josefa.


2.5 Esta declaração justifica-se, embora pareça excessiva, porque António Queirós sabia que o pai nunca
consentiria que ele casasse com Josefa.

3.1 António confiou no vigário, na sua caridade cristã, na descrição que devia cumprir como homem da igreja.
Contou-lhe que Josefa estava grávida e pediu-lhe que os recebesse. O vigário foi denunciar, de imediato, a
situação a Cristóvão Queirós. Achava que devia ser leal com o pai pois o filho estava a desonrar a linhagem da
família Queirós, ao querer casar com uma rapariga do campo, filha de lavradores.

3.2 O pai de Josefa não toma decisão nenhuma, finge ignorar o namoro, porque sabe que a mulher ficaria furiosa
se soubesse e castigaria severamente a rapariga. Toma esta atitude, não para proteger a filha, mas por estar
sem posição social entre os dois, por acharem que o rapaz apenas queria “desgraçar” a rapariga pois o pai
dele nunca autorizaria que se casassem.

3.3 O pai é contra a relação do filho com Josefa, por a rapariga ser de condição humilde. Pretende que o filho faça
um casamento rico e socialmente prestigiante. Arranja-lhe uma noiva e obriga o filho a ir conhecê-la de
imediato. Perante a recusa do rapaz, que o informa que quer casar com Josefa, o pai proíbe-o de usar o seu
apelido, retém-no no quarto e no dia seguinte consegue que o prendam no Limoeiro. Só assim consegue
domar, embora não como desejava, a vontade do filho.

4. Porque além de ter de enfrentar a fúria da mãe quando souber que ela vai ter um filho, não pode contar com o
apoio de ninguém e, pelo contrário, tem de proteger a criança que vai nascer.

5.1 O fidalgo parecia estar muito doente e já não ter muito tempo para aborrecer a família. “Pobres pais” cuja morte
é desejada. Passados os cinco meses que os médicos lhe davam de vida, Cristóvão desinchou, ao contrário de
Josefa cada vez mais inchada pela gravidez. Parecia que o destino estava a castigar os jovens e a troçar
deles.

5.2 Há ironia nas palavras do narrador, mas, possivelmente, também lamenta que haja pais que não percebem
que a sua tirania os torna incómodos, detestados mesmo, e que quem está sob as suas ordens só pode
esperar que a sua morte lhes dê a liberdade.

Gramática
1. O pai começa a tratar o filho por “tu” e depois passa para “você” porque quer marcar de forma evidente o
distanciamento entre os dois.
A forma como o filho se dirige ao pai (Meu pai, Vossa senhoria…) mostra um discurso oral muito formal
comparado com o dos nossos dias.
A utilização de vocábulos como “arquejou”, “lacaios”, “ultraje” não é de uso corrente nos nossos dias.

2. – Escolhi-te mulher – disse Cristóvão. – É ainda tua parente por Meneses. (…) É preciso que a visites hoje
comigo.
– Pai – respondeu António com respeitosa serenidade –, pode dispor da minha vida; mas do meu coração já eu
dispus. Ou caso com uma rapariga (de baixa condição) com quem já estou comprometido (por quem estou
apaixonado; com quem quero casar) ou não caso nunca.

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O velho ficou um tempo sem fôlego, e disse por fim:

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– Duvido que sejas meu filho. Proíbo-te que assines «Queirós de Meneses.» Adota outro apelido qualquer.
António levantou a cabeça e respondeu:
– Não ofenda a memória da minha mãe.
[São apresentadas algumas alternativas (fundo cinza) mas todo o texto é apenas uma sugestão. São de admitir
algumas variantes que não alterem o sentido do diálogo.]
3.1 Os verbos “dizer”, “responder”.
3.2 O tom de voz e a expressão do pai eram mais próximos do rugir de um leão do que de voz humana. Exprime
portanto a fúria do locutor.

Oralidade

Será oportuno chamar a atenção de que o contexto sociocultural que envolve as personagens camilianas é
completamente diverso do dos nossos dias. A relação pais filhos alterou-se significativamente, as próprias leis
protegem os jovens de prepotências ou maus tratos familiares e a sociedade aceita como normais situações que
há um século eram escandalosas e puníveis.

O Fantasma de Canterville – pág. 14

Leitura do texto

1.1 Não, porque um bom negociante não ia assustar o comprador avisando-o que na casa que estavam a negociar
havia uma assombração.
1.2 Utiliza o argumento de vários testemunhos que podem comprovar a veracidade das suas afirmações. O susto
que a sua tia avó tinha apanhado quando vira duas mãos de esqueleto nos seus ombros; o facto de várias
pessoas, incluindo o reitor da paróquia, terem visto o fantasma e, por fim, a circunstância de a atual Lady
Canterville não conseguir dormir de noite com os ruídos estranhos que ouvia, vindos da biblioteca.
1.3 Lorde Canterville, que era um homem extremamente escrupuloso em matéria de honra. Lorde Canterville fazia
questão que a sua honra nunca fosse posta em causa. Preferia não conseguir comprador para Canterville
Chase do que ser acusado de desonestidade ao não revelar a existência do fantasma.

2. Não, não é a coragem que está aqui em causa. O que a sua atitude prova é que não acredita em nada do que
está a ouvir, ou melhor, que as visões e ruídos que as testemunhas ouviam, tinham, necessariamente, alguma
explicação lógica ou científica.
2.1 O ministro americano brinca com a situação quando diz que se houvesse algum fantasma em Inglaterra os
americanos já o tinham comprado e sobretudo quando se propõe comprar a mansão com a mobília e o fan-
tasma incluídos.

3. A mulher do ministro, Lucretia Tapen, era uma mulher de meia-idade, muito bonita, com uns belos olhos e uma
aparência saudável e vigorosa.
O filho mais velho, Washington, era um belo rapaz, loiro, muito sensível e excelente dançarino.
Virgínia, a única rapariga, tinha quinze anos, era ágil e encantadora e tinha uma habilidade excecional para
amazona.
Os gémeos eram rapazes encantadores e possivelmente muito traquinas, pois estavam sempre a ser
castigados.

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4. O último parágrafo do texto é predominantemente descritivo.


4.1 Descreve o percurso da estação de Ascot para Canterville Chase.
4.2 A primeira impressão que nos é transmitida é a de um espaço maravilhoso. Desde o aroma dos pinhais, ao
arrulho dos pombos, do sussurro dos fetos às corridinhas dos coelhos de cauda branca, tudo era paradisíaco.
4.3 Sim, o céu a enevoar-se, o silêncio estranho como se não houvesse vida, as gralhas silenciosas a partir e
grossos pingos de chuva a receberem a família era o ambiente ideal para chegar a uma casa assombrada.

5. A única conclusão que não é possível fundamentar é a da alínea a).

Gramática

1.1 se houvesse um fantasma;


… teve um ataque, do qual nunca conseguiu recuperar;
… vêm divertir-se;
… correra no seu pónei;
… um grande bando de gralhas passou;
… o céu ficou coberto de nuvens.
1.2 neste lugar (noção de espaço)
a sete milhas de Ascot (noção de espaço)
de volta para Eton… (noção de espaço)
2. Quando o Sr. Otis, ministro americano, viu Canterville Chase pela primeira vez, decidiu que era aquela a
residência que queria adquirir em Inglaterra. Embora toda a gente lhe dissesse que havia outras alternativas
mais aconselháveis, pois aquele lugar era assombrado, o Sr. Otis manteve a sua decisão.
O próprio Lorde Canterville, para que ninguém se queixasse de ter sido enganado, tomou a iniciativa de
mencionar a existência do fantasma ao Sr. Otis antes de fazer o acordo sobre as condições da venda.
3. Mobília.
Mobília é o hiperónimo dos outros vocábulos, que por sua vez são hipónimos do primeiro. O significado do
hiperónimo abarca os outros (todos fazem parte de “mobília”).

Felicidade clandestina – pág. 19

Com as questões prévias colocadas, pretende-se despertar a curiosidade para o significado que “felicidade
clandestina” terá neste contexto.
Ao interpretar o texto a questão deverá ser retomada.

Leitura do texto

1.1 “Ela” é uma menina gorda, baixa, sardenta com cabelos arruivados e encarapinhados. Tinha um busto grande
e estava sempre a comer guloseimas. É com estas características que a narradora a apresenta.
1.2 “Nos” refere-se à narradora e a outras meninas, provavelmente colegas de escola da personagem referida
apenas como “ela”.
1.3 A menina, cujo pai era dono de uma livraria, tinha possibilidades económicas muito superiores às das outras.
Sabia que com isso podia conquistar a simpatia delas dando-lhes ou emprestando-lhes livros, por exemplo. No
entanto, o máximo que lhes oferecia de prenda de anos era um postal da loja do pai. Parecia odiar as
companheiras, pois a atitude que tinha em relação a elas era provocatória e vingativa. Esse ódio e,
simultaneamente, esse desejo de vingança advinham, na perspetiva da narradora, de elas serem ”bonitinhas,

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esguias, altinhas, de cabelos livres”. A menina “gorda, baixa, sardenta e de (...) cabelos crespos” não gostava
da sua imagem e não perdoava às outras a beleza que ela não tinha.

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2. Situação inicial – desenrola-se entre as linhas 16 e 23. Promessa de empréstimo de um livro muito desejado
Sucessão de eventos:
Entre as linhas e 24 e 35 – Empréstimo adiado
Entre as linhas e 35 e 56 – O empréstimo é adiado dia após dia, para grande sofrimento da narradora
Entre as linhas 56 e 76 – A mãe fica a saber do ocorrido e obriga a filha a cumprir o prometido
Desenlace – linhas 77 a 86 – Estratégias da narradora para prolongar a sensação de felicidade que lhe
causava ter o livro consigo.
A ação é aberta. Não sabemos por quanto tempo a narradora irá prolongar esta felicidade de ter o livro. Não
sabemos quando o irá devolver. Não sabemos se a paixão por este livro não será substituída por outra. (Há
muitas possibilidades de resposta.)
3. A ação desenrola-se no Recife, cidade onde viviam todas as personagens.
4. A característica essencial da narradora é a sua paixão pelos livros, pela leitura. Usando a sua própria
terminologia era uma “devoradora de histórias”. Essa paixão leva-a, sem ter bem consciência disso, a humilhar-
se, pedindo à filha do dono da livraria livros emprestados, já que não tinha possibilidades económicas para os
comprar. E esse banal pedido era humilhante porque a outra não os emprestava. Quando, certo dia, a “menina
gorda” prometeu emprestar-lhe um livro que a narradora adoraria ter, ou pelo menos ler, nem imaginava a
humilhação por que a outra a queria fazer passar. A sua alegria era tanta que lhe parecia estar a viver um
sonho. E nem mesmo o primeiro adiamento lhe tirou o sorriso e a esperança. Só o passar o tempo a fez
convencer que talvez não chegasse a ter o livro. Mas mesmo sofrendo, nunca desistiu de o ir buscar. E
quando, finalmente, por interferência da mãe da “menina gorda”, o livro lhe foi emprestado, então conheceu a
felicidade. Uma felicidade tão intensa que quis prolongá-la por tempo indefinido. Quis repetir, sempre que
possível, aquela sensação única de ser completamente feliz.
5. c)

Gramática

1. Disse-me (ela):
– Passa pela minha casa amanhã que eu empresto-to.
ou
Passa pela minha casa amanhã que eu empresto-to – disse-me ela.
2. Quando tive o livro na mão não consegui dizer nada. Possivelmente estava envergonhada, mas também não
me ocorreu nada para dizer. Tanto eu como a mãe sabíamos o que se tinha passado. Fiquei com pena da
senhora.
3. Ao chegar a casa, não comecei a ler.
4. Palavras características do português do Brasil: um busto enorme; enchia os dois bolsos da blusa (...) com
balas
Construções frásicas que se afastam da norma do português de Europa: ela nos entregava em mãos (l. 7)
(ela entregava-nos em mão); Como essa menina devia nos odiar (l. 12) (Como essa menina nos devia odiar).
Era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. (ll. 19-20) (Era um livro para se ficar a viver
com ele, a comê-lo, a dormir com ele.)

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A pérola – pág. 23

Leitura do texto

Capítulo Um
1. 3.º Coyotito é mordido por um escorpião e a mãe socorre-o de imediato sugando o veneno fatal.
4.º Joana decide levar a criança à cidade, ao médico, já que este não se deslocaria à aldeia apesar da
gravidade da situação.

2.1 Ao acordar, antes do sol nascer, Kino olha para Joana, deitada ao seu lado, já acordada. A mulher levanta-se e
vai ver Coyotito, o filho de ambos, que dorme num caixote suspenso. Em seguida, Joana acende o fogo e
começa a preparar os bolos de milho que irão comer. Kino senta-se à porta da cabana a ver o nascer do dia e
as pequenas coisas que o rodeiam. Lá dentro, Joana trata de Coyotito, põe-no de novo no caixote – berço para
pentear os longos cabelos negros. Kino toma o pequeno-almoço. Este é o ritual de todas as manhãs.
2.2 Na Canção da Família está presente o amor, a ternura, a paz, a tranquilidade. Em suma, uma sensação de
felicidade assente nestes sentimentos diversos.

3. Um escorpião desce pela corda que sustenta o caixote – berço de Coyotito.


3.1 No íntimo de Kino soa agora a Canção do Mal. Consiste numa melodia selvagem, perigosa que põe em risco a
família. É a Canção do Inimigo, seja ele qual for.
3.2 Kino preparava-se para proteger o filho agarrando o escorpião, mas, com os movimentos da criança, o caixote
abanou e o escorpião caiu em cima do ombro do bebé e picou-o. Kino não teve tempo de fazer nada.

4. Em vez de se lamentar, Joana atua e isso pode ter sido a salvação do filho. Joana tem a sabedoria da natureza
e da vida, a força da maternidade. Sabe que o veneno do escorpião pode ser fatal, sobretudo para uma
criança. Rapidamente segura no filho e suga todo o veneno que consegue. É a única coisa que pode ser feita
de momento e ela não hesita.
Mas, além disso, ela sabe que a ajuda médica pode reforçar o que já foi feito e, como o médico nunca está
disponível para vir às cabanas dos pescadores, ela toma uma decisão – pega no filho e vai com ele, à cidade,
a casa do médico.

5.1 Kino deu um murro no portão de casa do médico por raiva e impotência. Sabia que o médico só mandara dizer
que não estava porque os pescadores raramente tinham dinheiro para pagar os seus serviços. Kino tinha a
vida do filho em perigo e a pessoa que, eventualmente, o podia salvar, recusava ajuda por ele ser pobre.
5.2 Não foi um ato injustificado ou exagerado, embora Kino se tenha ferido. A dor física aliviava, dentro do
possível, a dor psíquica. Foi um ato de revolta de um pai desesperado, um ato de raiva e impotência perante a
injustiça de ser humilhado por ser pobre.

6. Coyotito ter sido mordido por um escorpião é o aspeto nuclear deste primeiro capítulo. Tudo seguia a sua
rotina habitual até o acidente acontecer e, muito provavelmente, tudo seguiria essa rotina se o acidente não
tivesse acontecido.

Capítulo Dois
1. − O casal e a criança vão, como habitualmente, para a praia onde está o barco de Kino.
− Joana faz uma aplicação de algas sobre o ombro inchado do bebé.
− Já no mar, Kino prepara-se para a sua tarefa diária – pescar pérolas.
− Kino pesca uma pérola enorme e rara.
− O inchaço do ombro do bebé diminui sob o efeito das algas.
2. A Pérola Sonhada

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(É apenas uma sugestão.)

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Capítulo Três

1. 1.ª sequência – (1) Desde o início até “a cidade inchava e ofegava sob a sua pressão” (pág. 31)
2.ª sequência – (2) “Mas Kino e Joana não sabiam destas coisas.” (pág. 31) até “que vais fazer, agora que é
um homem rico?”(pág. 32)
3.ª sequência – (3) “Kino olhou para a sua pérola...” (pág. 32) até “o padre vem aí”. (pág. 35)
4.ª sequência – (4) “Os homens descobriram-se e afastaram-se da porta” (pág. 35) até “as pessoas afastaram-
se para o deixarem passar” (pág. 36)
5.ª sequência – (5) “Mas a mão de Kino fechara-se de novo com força...” (pág. 36) até “sondavam o perigo
antes que ele surgisse.” (pág. 37)
6.ª sequência – (6) “Enquanto estava ao pé da porta...” (pág. 38) até “o criado seguiu-o com a lanterna” (pág.
40)
7.ª sequência – (7) “Joana aconchegou o filho...” (pág. 40) até “com a ajuda de um gole de pulque” (pág. 41)
8.ª sequência – (8) “Kino tinha terminado a comida...” (pág. 40) até “Joana fitou-o com adoração” (pág. 43)
9.ª sequência – (9) “O médico, enquanto fechava a maleta...” (pág. 43) até “perto do poste lateral da cabana”
(pág. 44)
10.ª sequência – (10) “Depois de o médico ter partido...” (pág. 44) até “crescia dentro dele um ódio surdo”
(pág. 46)
11.ª sequência – (11) “Nessa altura...” (pág. 47) até ao fim do capítulo.

2.1 As personagens individuais que passaram a interessar-se por Kino foram o padre e o médico. O padre viu
neste súbito enriquecimento do pescador uma possibilidade de o convencer a fazer as reparações de que a
igreja necessitava. O médico, aproveitando a circunstância do filho de Kino ter sido mordido por um escorpião
e de a família ter procurado os seus serviços, fingiu-se preocupado com o seu “cliente” e já se imaginava
senhor de uma pequena fortuna que lhe permitiria voltar a Paris, em circunstâncias bem diferentes daquelas
em que já lá vivera.
Kino passou a ser motivo de interesse também para grupos tipo como os mendigos que esperavam que o
pescador, um pobre que enriquecera, fosse caridoso nas esmolas.
Os compradores de pérolas eram, naturalmente, outro grupo de personagens interessado em Kino. Estavam
ansiosos por discutir o preço da pérola e pagar o menos possível, o que agradaria ao patrão. Na verdade,
todos eles trabalhavam para a mesma pessoa, mas fingiam ser compradores independentes para simular
concorrência.

3.1 A partir do momento em que Kino encontrou a Pérola do Mundo, a pérola que todos gostariam de encontrar,
cada um idealizou o que faria com ela. Todos pensaram nos sonhos que a pérola lhes permitiria concretizar.
Só que ela tinha um dono. Kino era o detentor de uma preciosidade que todos ambicionavam, o inimigo que
lhes viera relembrar sonhos adormecidos e que só para ele se tinham tornado viáveis.

4.1 Os sonhos de Kino eram casar, comprar roupas novas para a mulher e o filho, nomeadamente para a
cerimónia do casamento. Admitiu ainda vir a comprar uma espingarda. Mas o grande sonho, o que lhe dava
mais prazer, era por Coyotito numa escola. Vê-lo com livros, vê-lo a escrever, a ler, a aprender. Para Kino isso
significava a liberdade que o conhecimento proporciona. Seria a liberdade do filho e, através dele, dos próprios
pais.
4.2 Revela que Kino, tal como os outros pescadores de pérolas, vivia numa pobreza extrema. Ele e a família
tinham a roupa esfarrapada e minimamente indispensável para cobrir o corpo; comiam pouco e pouca
variedade de alimentos. Do mundo pouco ou nada sabiam. Kino e os restantes pescadores de pérolas viviam
em cabanas, longe da cidade, numa extremidade da praia. O mar, com as suas ostras, era o seu meio de
sobrevivência e, como não tinham forma de sair desta miséria, os filhos estavam condenados a viver como os
pais.

5. O médico foi a casa de Kino quando soube que ele tinha apanhado uma pérola fabulosa. Tinha um bom
pretexto para lá ir: ver como estava a criança que for picada pelo escorpião. Como viu que o problema se
estava a resolver sem a sua intervenção, aproveitou-se da ingenuidade e ignorância dos pais para os enganar.
Disse-lhes que o pior do efeito da picada ainda estava para vir e ministrou-lhe, um suposto medicamento, cuja
função só ele conhecia bem. Esperou, tranquilamente, em casa, que os efeitos se começassem a fazer sentir e

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acorreu de imediato a “salvar” o bebé. Com isso ganhou a adoração da mãe, que viu nele o salvador, mas não
conseguiu ultrapassar a desconfiança de Kino, que não era apenas pessoal, mas geracional.

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6. A “Canção do Mal” está ligada ao inimigo. É a canção que põe a família em perigo. Kino ouviu-a porque sentiu
que tinha, agora, inimigos. Tinha à sua volta muita gente que o queria prejudicar. Sabia que eram muitos a
invejar-lhe a sorte, a querer roubá-lo, e, entre eles, gente poderosa, como o médico. Kino sentiu-se indefeso,
sem saber muito bem com que armas lutar para se proteger, a si e à sua família, do “mal” que o envolvia. Um
mal indefinido que abarcava tudo e todos.

7. Depois de a sua cabana ter sido invadida durante a noite por alguém desconhecido que procurava a pérola e
de Kino ter sido ferido ao atacar o inimigo invisível, Joana convenceu-se que a pérola era como um símbolo do
mal. Preferia prescindir de tudo o que ela lhe podia dar para poder voltar a ter a paz, a tranquilidade, a rotina
serena em que vivera até então.

Capítulo Quatro

1. Fazem parte do cortejo Kino, Joana e Coyotito. À frente segue Kino com o irmão mais velho, Juan Tomás.
Todos os vizinhos que viviam nas cabanas da praia se incorporaram no cortejo. Já na cidade juntaram-se-lhes
os mendigos, os clientes das tabernas e os respetivos proprietários que fechavam as portas por falta de
clientes.

1.1 Uma movimentação muito semelhante já havia ocorrido quando Joana decidira levar o filho, mordido pelo
escorpião, a casa do médico, na cidade.

1.2 Um misto de sentimentos contraditórios. Por um lado, a solidariedade de grupo, que funciona como um todo
nos bons e maus momentos. A unidade ditada pela miséria. Por outro, a curiosidade, o desejo de presenciar a
vitória ou a derrota de um dos seus perante os grandes.

1.3 Duvidam que os compradores lhes deem pelas pérolas o preço justo, aquilo que elas efetivamente valem. Os
próprios pescadores sabem que é fácil enganarem-nos porque eles nunca saíram dali, não têm noção do valor
real das pérolas que vendem. Poderiam ir vendê-las a uma cidade próxima, comparar preços num e noutro
local, mas, teriam de fazer o percurso a pé pois não tinham meios, nem recursos para se deslocarem. Já
tinham tentado, por mais do que uma vez, que um agente levasse todas as pérolas e as vendesse, a troco de
uma comissão. Mas os agentes tinham levado as pérolas e nunca mais ninguém os vira.
Segundo os padres, as pérolas eram uma tentação do Inferno porque cada Homem nasce num posto que Deus
lhe destinou na terra. Uns nascem para ser ricos e poderosos, outros para ser pobres e menosprezados. Se
esta hierarquia for quebrada, o Inferno triunfará sobre a harmonia concebida por Deus. Por isso, cada pescador
pobre que enriquecesse, mesmo à custa do seu esforço, estava a aliar-se ao mal, a enfraquecer as forças do
Bem, tal como Deus as tinha estabelecido.

2.1 Os argumentos foram diversos. O primeiro comprador disse-lhe que a pérola era grande demais, que ninguém
quereria comprá-la a menos que fosse para peça de museu. Ofereceu-lhe mil pesos por ela. Como Kino
rejeitasse, mandou chamar os outros compradores. Um deles mostrou-se logo desinteressado do negócio e um
outro mostrou-lhe, com uma lupa o aspeto estranho da pérola ampliada. A oferta desceu para quinhentos
pesos, mas como Kino pegou na pérola e se dispôs a guardá-la, o primeiro comerciante, vendo o negócio a
fugir, subiu o preço para mil e quinhentos pesos. Kino nem hesitou. Teve a certeza de que estava a ser
enganado e recusou qualquer nova oferta.

2.2 Todos sabiam que a pérola valia muito mais do que aquilo que tinha sido ofertado. Mas, como para quem nada
tem mil e quinhentos pesos já era muito dinheiro, alguns achavam que Kino estava a ser teimoso e corria o
risco de não arranjar comprador em lado nenhum. Achavam que mais valia jogar pelo seguro e vender a
pérola, mesmo consciente de que estava a ser roubado. Outros dos que iam com ele, pensavam, pelo
contrário, que Kino estava a ser corajoso ao não se deixar enganar e ao enfrentar as regras de um jogo viciado
de que os grandes saiam sempre a ganhar. Talvez, com a atitude de Kino, todos viessem a beneficiar pois os
compradores não queriam perder clientes e tornar-se-iam mais cuidadosos nas ofertas.

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PROPOSTAS DE RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES DOS GUIÕES DE LEITURA

Trava-se entre estas personagens um dilema transversal a todas as sociedades. O que é melhor? Qual a
melhor atitude? A resignação, o conformismo, a aceitação de que injustiças existem e existirão sempre e
portanto não vale a pena lutar contra forças poderosas? Ou, pelo contrário, é indispensável lutar contra essas
forças, correndo riscos, falhando e recomeçando, mas agindo, em nome da justiça.
Será bom que os alunos tomem (ou comecem a tomar) consciência de que esta dualidade existe, quer na
sociedade, quer em cada um de nós, em diferentes momentos da vida.

2.3 João Tomás apoia o irmão, mas partilha das incertezas dos mais timoratos. Sabe que o irmão foi corajoso, que
enfrentou uma das muitas injustiças que sobre eles recaem há séculos, mas também sabe que estes desafios
se pagam caro e receia pelo irmão. Sabe que o Kino agora não voltará atrás, mas não sabe o que o futuro lhe
reserva.

2.4 O que lhe dá forças é o desejo de vencer o inimigo. O desejo de se sentir um homem que não foge aos
obstáculos e não deixa que outros lhe roubem a sorte e o sonho.

3. A Canção do Mal intensifica-se porque Kino sabe que o inimigo ganha força e intensifica o ataque. Agora Kino
pressente o perigo em todo o lado e sabe que está sozinho para o enfrentar. Nem a melodia da família que
Joana canta baixinho lhe consegue trazer aquela segurança, aquele amor, aquela unidade que tantas vezes
sentira. E tem razão, porque mais uma vez é atacado e ferido, agora com muito mais gravidade. Um ataque a
coberto da escuridão o que não lhe permite defender-se, nem identificar o(s) atacante(s).
Estes atacantes noturnos que parecem sombras estão representados simbolicamente na “Canção do Mal”: são
o inimigo, o perigo indefinido, sem rosto, desconhecido. Torna-se por isso muito mais difícil montar um
esquema de proteção ou autodefesa. Nunca se sabe como e quando vai atacar.

Capítulo cinco

1. O combate que Kino e agora também Joana travam com o inimigo é desigual porque este atua de forma
cobarde e em várias frentes. Atua como uma sombra noturna ou aproveitando a ausência das suas vítimas.

2.1 O que a movia era a vontade de recuperar a paz, a tranquilidade, o sossego familiar perdidos desde que a
pérola estava com a família. Para ela a pérola era o símbolo do mal. Talvez lhe pudesse trazer riquezas, mas a
que preço? Não estava disposta a perder a família pelo dinheiro.

2.2 Da primeira vez que tentou atirar a pérola ao mar foi Kino que a impediu, com violência.

2.3 Da segunda vez em que o podia ter feito, não a atirou deliberadamente porque tinha percebido o que a pérola
representava agora para Kino. Já não era apenas a concretização de um sonho era a sua condição de homem
que estava em jogo. Quando o pescador dissera “eu vou lutar”, “eu hei de ganhar”, “eu sou um homem”
(pág. 65), queria, segundo a mulher, dizer que tinha tanto de louco como de deus. Que estava disposto a travar
lutas de que era impossível sair vencedor, mas tinha de tentar. Joana sentiu que não tinha o direito de lhe tirar
o que já era uma parte da vida do seu homem.

3. Porque o inimigo cercara Kino por todos os lados. Era agora um homem encurralado. Matara um homem, em
legítima defesa, mas que provas tinha de ter sido atacado primeiro? Quem acreditaria na palavra de um
pescador pobre? Além disso tinham-lhe destruído a casa e todos os seus bens. Joana chegara a tempo de
salvar apenas Coyotito. A canoa, que já pertencera ao avô e era o ganha-pão do pescador de pérolas, também

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ela tinha sido destruída. A “Canção do Mal” ouvia-se agora como nunca. Mas Kino ainda tinha a família e a
pérola que, como ele próprio diz ao irmão, é a sua desgraça e a sua vida. (pág. 75)

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Capítulo seis

1. Foi uma mudança gradual que se foi intensificando há medida que Kino ia tomando consciência do perigo cres-
cente que envolvia a família. A paz diminuía à medida que Kino pressentia o perigo mais próximo e a sua maior
dificuldade em proteger os seus. Mas a mudança para o grito feroz, o grito de guerra foi súbita. A mudança
radical deu-se quando se viu perseguido por batedores, acossado como um animal selvagem. Aí agiu como
uma fera encurralada – era preciso matar para não morrer. Foi o grito de guerra.

2. Um dos vigias ouviu um som que não soube identificar; o outro, admitindo que fosse um ruído feito por um
coiote disparou na direção donde vinha o som, para o(s) fazer calar. Atirou exatamente para a gruta onde se
encontravam Joana e Coyotito. O bebé morreu de um tiro que não lhe era destinado, um tiro ao acaso.

3. Devolveu a pérola ao mar porque se convenceu de que não valia a pena lutar contra forças invisíveis, que
agiam pela sombra, mas que eram poderosíssimas. Joana tinha-se apercebido de que ele estava disposto a
lutar contra montanhas e mares porque era um homem, e um homem não quer ver desfeitos os seus sonhos
ou ser vencido sem luta. Ao devolver a pérola ao mar, Kino desiste da luta, resigna-se, rende-se à maldição.
Devolve-a, possivelmente, com a raiva acumulada de séculos. Com a revolta daqueles a quem não foi dado
sequer o direito de sonhar, porque até isso é perigoso. O sonho custou-lhe a vida de Coyotito, mas, pelo futuro
do filho valia pena acreditar. Com ele morto, já não fazia sentido desafiar sozinho tudo e todos.

Títulos

I. Kino é um pobre pescador de pérolas.


II. Kino encontra a Pérola do Mundo.
III. Kino tem consigo a Pérola que todos, ricos ou pobres, sonhavam ter.
IV. Kino conserva a Pérola pois recusa ser explorado pelos compradores.
V. Kino foge com a Pérola depois de lhe destruírem o pouco que tinha.
VI. Kino resiste ao roubo da Pérola, mas devolve-a ao mar depois da morte do filho.

Tempo

1. Desde a sequência inicial, em que a família desperta para mais um dia igual a tantos outros, até ao desenlace,
em que Kino devolve a pérola ao mar tendo a seu lado a mulher e o corpo morto do filho, decorrem cerca de
quatro dias.

1.1 Para os protagonistas, estes quatro dias tiveram, por certo, uma duração imensa. Nesse curto espaço de
tempo os acontecimentos sucederam-se a um ritmo tão rápido e tão intenso que Kino e Joana mal tinham
tempo de parar para refletir sobre tudo o que lhes estava a acontecer. Nesses quatro dias conheceram a maior
alegria, a de ter apanhado a Pérola Sonhada, e a mais profunda tristeza – ter perdido, por causa dela, o seu
único filho.

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Oralidade

Debate

Haverá por certo opiniões muito contraditórias sobre as atitudes de Kino e até de Joana. A narrativa presta-se
a isso e a um debate que aborde vários aspetos; daí a advertência feita na página 27.

De salientar que esta é uma obra sobre o homem e a vida com todas as contradições inerentes.

Kino, graças ao seu esforço diário e à sorte, tinha alcançado a possibilidade de satisfazer os sonhos de uma
vida melhor. Mas foi duramente punido por ter desafiado normas sociais preestabelecidas. A sociedade, com
maior ou menor dureza, conforme as regiões e os tempos, não aceita que um pobre, neste caso pobre e índio,
possa ter ganho o direito a ser rico, a mudar o rumo da sua vida. Não o aceitam os ricos que lhe disputam a
fortuna, representada na pérola, não o aceita a igreja porque apoia a hierarquia social estabelecida, não o
aceitam sequer os da sua classe social, por inveja.

Kino desafiou poderes muito fortes, com coragem, mas sem a noção exata da desproporção de forças.
Contava apenas com o apoio da família, com a ajuda da mulher, embora ela pressentisse, com mais lucidez do
que ele, que travavam uma luta perdida. Nem os seus companheiros, que só teriam a ganhar se um dos do seu
meio triunfasse sobre a exploração, sobre as humilhações, a miséria a que estavam sujeitos, nem esses o
protegeram quando precisou deles. Foram solidários até ao ponto em que isso se tornou incómodo ou perigoso
para eles.

Kino atirou a pérola ao mar quando se convenceu que não podia lutar contra o mundo. Mas talvez a sua luta
e o seu sacrifício não tivessem sido em vão. Talvez os compradores passassem a ser mais cautelosos – afinal a
ganância levou-os a não ganhar nada com a pérola. Talvez alguns senhores da cidade tenham percebido que os
pobres pescadores índios também sabiam impor a sua vontade. Talvez um dia conseguissem impô-la...

Esta é uma leitura possível de A Pérola, com alguns tópicos que poderão surgir no debate.

Ler e dizer poesia

Sugestão de alguns temas: o amor, com múltiplas variantes – fonte de felicidade ou de sofrimento, o ciúme, a
descoberta do amor, o afastamento, o fim do amor; a amizade, a saudade, a despedida; a família, a mãe, o pai,
os afetos; o mar, a praia, a montanha, o luar, o sol, a nuvem, a chuva, a flor, a cor; o sonho, os medos, a
desilusão...

O livro

Na capa dão-nos indicação do nome do autor, do nome da obra e da editora, através do logótipo.
O texto de contracapa faz uma breve apreciação sobre a obra, seguida de um breve apontamento sobre o
assunto da mesma.
A badana da capa foi aproveitada para registar uma biografia do autor.
A outra tem títulos de obras publicadas nesta coleção. Devia informar (mas não o faz) que todas essas obras
são de John Steinbeck.

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João Sem Medo – pág. 29

Oralidade
(Livro do Professor, pág. 103)

Locais referidos

– pequena aldeia chamada Chora-Que-Logo-Bebes;


– aldeia encostada a um Muro que cerca a Floresta Branca;
– a Floresta Branca é uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos.

Personagens

coletivas
– os habitantes da aldeia, os choraquelogobebenses, que passavam a vida a lamentar-se, a choramingar;
– os que viviam na Floresta Branca, seres imaginários que povoam a fantasia e os medos dos humanos;

individuais
– João, um jovem a quem chamavam João Sem Medo e sua mãe;
– a fada dos dois caminhos.

A decisão do protagonista

– sair da pequena povoação em que vivia, saltando o Muro que a separava da Floresta Branca.

Percurso

– monótonos quilómetros de marcha, sem nada de inesperado, até chegar a uma clareira cheia de sol.
Da clareira partiam dois caminhos, como acontece frequentemente nas histórias de encantar.
João ficou à espera que aparecesse a inevitável fada dessas histórias.

O aparecimento da fada

– para espanto de João a fada apareceu mesmo, o que lhe provocou alguma desconfiança.
João decide, como também é habitual nas histórias tradicionais, seguir o caminho mais bonito e mais cómodo.
A fada avisou o guarda do Caminho da Felicidade que João iria seguir esse caminho (este pormenor é próprio
das sociedades cheias de burocracias e não das histórias de fadas).
Um automóvel viria buscá-lo, anunciou a fada antes de desaparecer na floresta (este aspeto é ainda mais
estranho numa história que parecia de encantar).

Antes de ler

O Muro pode simbolizar a defesa que os homens constroem para se proteger dos seus sonhos, das suas
fantasias, dos seus medos. Sentem-se assim mais seguros, mas também muito mais infelizes, sem nada que dê
alegria, estímulo, colorido às suas vidas.

A Floresta Branca é o desconhecido, um mundo cheio de imprevistos, que obriga o ser humano a enfrentar a
insegurança, o medo.

Os dois caminhos representam as opções que temos que ir fazendo na vida. Uma vida aparentemente fácil,
sem por nada em causa, aceitando tudo passivamente; uma existência só com momentos de alegria, sem esforço
para conseguir nada, sem ter o prazer de ultrapassar obstáculos será o caminho da felicidade? Talvez pareça,

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mas é quase impossível passar pela vida sem ter conhecido as emoções, a dor, a esperança, o desejo de lutar e
vencer na conquista da felicidade. Ela não dura sempre, é preciso recomeçar, procurar sempre novos caminhos;
ora acertando ora errando, construir a sua própria felicidade.

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PROPOSTAS DE RESOLUÇÃO
PROPOSTAS
DAS QUESTÕES DOS GUIÕES
DE RESOLUÇÃO DASDE LEITURADOS GUIÕES DE LEITURA
QUESTÕES

Leitura do texto

1.1 O que há de muito estranho, desde logo, é o próprio transporte. O carro que veio buscar João Sem Medo era
todo em ouro e não tinha condutor. Antes que o rapaz tivesse tempo de entrar no veículo, dois braços
mecânicos pegaram nele e sentaram-no cuidadosa e comodamente.
2. Uma vida boa era uma vida de divertimento e de fartura. Portanto uma vida sem problemas, sem sofrimento,
sem preocupações económicas, com tudo o que é necessário para o Homem sentir que não lhe falta nada.
3. Para percorrer o agradável caminho da Felicidade Completa, tinha de se submeter a uma operação. Tinha de
ficar sem cabeça para não pensar, para não ter ideias perigosas. Além disso, teria de andar de pés e mão
atados com correntes de ouro.
4. Não aceitou porque não estava disposto a viver sem pensar e sem liberdade.
5. Desistiu de ser feliz segundo as condições que lhe apresentaram. Não desistiu de ser feliz, mas escolhendo o
seu próprio caminho, fazendo as suas opções, pensando no que queria para si. Para isso precisava da cabeça.
João optou por uma felicidade conquistada, procurada e não oferecida a troco do que tinha de mais precioso –
a sua liberdade de pensar e de percorrer os caminhos que escolhesse.
6. Teve medo, mas ocultou-o como sempre tinha feito. Sabia que ia encontrar dificuldades, que podia vir a sofrer,
que o caminho podia ser terrível, mas estava a disposto a ser feliz e iria lutar por isso. Com essa determinação
deixara a sua aldeia e continuava a recusar ser infeliz. Por isso grita, enfrentando o medo, “juro que não hei de
ser infeliz PORQUE NÃO QUERO”.
6.1 Pensa que ele é realmente um jovem corajoso, porque a verdadeira valentia dos “homens verdadeiros” está em
ocultar o medo e enfrentá-lo.
7. É uma narrativa aberta. João Sem Medo ainda agora está a começar o seu percurso. Poderá ter de viver ainda
muitas peripécias, muitas aventuras.

Gramática

1. É uma forma de destacar, graficamente, a vontade, a força, a determinação com que estas palavras são ditas.
As maiúsculas representam, assim, a entoação vigorosa da fala.
2.1 Chamamento.
2.2 Predomina a frase exclamativa.
2.3 Encontram-se no modo imperativo.
2.4 O emissor quer convencer o recetor a não se ir embora.
2.5 Oh! Não esperes, não esperes! Não te vás embora ainda. Não escutes. (...) Não esperes. Não ouças.
3.1 O adjetivo “suspeitoso” é formado por derivação. A partir da forma de base “suspeito”, acrescentando-lhe o
sufixo “-oso”, formou-se a palavra suspeitoso.
3.2 Nome – a suspeita; verbo – suspeitar.
3.3 “Que operação? – interrogou João Sem Medo, desconfiado.
“Que operação? – interrogou João Sem Medo, confiante.”

4. a) Se nunca tomamos decisões por nós próprios, somos mais felizes?


b) Tenho liberdade de agir, porque tenho liberdade de pensar.
c) Há caminhos diferentes, para que possamos escolher o nosso percurso de vida.

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