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ÓRGÃO ESPECIAL

MANDADO DE SEGURANÇA Nº 83132/2008 -


CLASSE CNJ - 120 - COMARCA
CAPITAL (CONTINUAÇÃO DE
JULGAMENTO)
Fl. 1 de 14
TJ
Fls.------
-
IMPETRANTE: LUCIANO AUGUSTO NEVES
IMPETRADO: EXMO. SR. PRESIDENTE DO
TRIBUNAL DE CONTAS DO
ESTADO DE MATO GROSSO
Número do Protocolo: 83132/2008
Data de Julgamento: 26-02-2009

EMENTA
MANDADO DE SEGURANÇA - ATO DO
PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE CONTAS -
INCLUSÃO DE NOME EM ROL DE
INELEGÍVEIS - LISTAGEM DE RESPONSÁVEIS
POR RESSARCIMENTO DE VALORES AOS
COFRES PÚBLICOS - CONTAS JULGADAS
IRREGULARES - INELEGIBILIDADE POR
CINcO ANOS A CONTAR DA
DATA DA DECISÃO (ARTIGO 1º, I, “G”, LEI
64/90) – SEGURANÇA DENEGADA.
É inelegível por cinco anos aquele que teve suas
contas relativas aexercício de cargos ou funções
públicas rejeitadas por irregularidades e por decisão
irrecorrível do Órgão competente, contados da data
da sua prolação.

ÓRGÃO ESPECIAL
MANDADO DE SEGURANÇA Nº 83132/2008 -
CLASSE CNJ - 120 - COMARCA
CAPITAL (CONTINUAÇÃO DE
JULGAMENTO)
Fl. 2 de 14
TJ
Fls.------
-
IMPETRANTE: LUCIANO AUGUSTO NEVES
IMPETRADO: EXMO. SR. PRESIDENTE DO
TRIBUNAL DE CONTAS DO
ESTADO DE MATO GROSSO

RELATÓRIO
EXMO. SR. DES. JOSÉ SILVÉRIO GOMES
Egrégio Plenário:
Trata-se de Mandado de Segurança impetrado por
Luciano Augusto Neves contra ato tido como coator
manejado pelo Sr Presidente do Tribunal de Contas
do Estado de Mato Grosso, consubstanciado no
envio de seu nome no rol dos inelegíveis para a
Justiça Eleitoral.
Alega o impetrante que se encontra efetivamente em
pleno exercício de seus direitos políticos motivo
pelo qual, sustenta que não poderia o seu nome
figurar na lista dos responsáveis pelo aludido
ressarcimento de valores aos cofres públicos, posto
que certidão do próprio TCE consta:
“(...) ‘Sr. LUCIANO AUGUSTO NEVES não obteve
parecer contrárioà aprovação de contas anuais ou
contas julgadas irregulares’. Inobstante o teor da
Certidão nº 3690/2008, o IMPETRADO enviou o
nome do IMPETRANTE no ‘rol dos inelegíveis’ ao
Tribunal Regional Eleitoral, listagem dos
Responsáveis por ressarcimento de valores aos
cofres públicos,
conforme documento em anexo. (...)”. (fl. 05)
Alega ainda pendência de multa e que as multas
impingidas são de natureza extra tributária, o que
não resulta em sua inelegibilidade.
A liminar fora deferida conforme demonstram as
folhas 36/37. As informações foram devidamente
prestadas pela autoridade coatora rebatendo todas as
alegações do impetrante. (fls. 54/60).

A douta Procuradoria-Geral de Justiça, em judicioso


parecer, manifestou-se pela denegação da segurança.
(fls. 69/74).
É o relatório.
PARECER (ORAL)
O SR. DR. VIVALDINO FERREIRA DE
OLIVEIRA
Ratifico o parecer escrito.

VOTO
EXMO. SR. DES. JOSÉ SILVÉRIO GOMES
(RELATOR)
Egrégio Plenário:
Ao postular o pedido, sustentou o impetrante:
“(...) As contas da Câmara de Chapada dos
Guimarães de 1999,quando o Impetrante era
Presidente, foram rejeitadas; todavia, como o
próprioIMPETRADO reconhece na Certidão nº
3690/2008, no interregno legal de 05
(cinco) anos, ‘o Sr. Luciano Augusto Neves não
obteve parecer prévio contrário à aprovação de
contas anuais ou contas julgadas irregulares’.
Inobstante o teor da Certidão nº 3690/2008, o
Impetrado enviou onome do IMPETRANTE no ‘rol
dos inelegíveis’ encaminhada ao Tribunal
Regional Eleitoral, através da listagem dos
Responsáveis por ressarcimento de
valores aos cofres públicos, conforme documento
em anexo. (...)”. (sic - fl. 05)
No entanto, ao prestar informações, a autoridade
apontada coatora esclarece que:
“(...) Inicialmente é importante esclarecer que as
contas anuais, referente ao exercício de 1999, do Sr.
Luciano Augusto Neves, como Presidente da
Câmara Municipal de Chapada dos Guimarães/MT
foram julgadas irregularesconforme Acórdão
986/2002 e Acórdão nº 045/2004 (Recurso de
Reconsideração ao Acórdão 986/2002), pelo fato de
terem sido encontradas 14 (catorze)
irregularidades, decisão essa que foi mantida pelo
Acórdão nº 045/2004 (docs. nº01 e 02).
Justamente por essas razões - Irregularidades das
contas referente aoexercício de 1999 - é que o
Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso
incluiuo nome do impetrante na lista dos inelegíveis,
que deve ser encaminhada ao Tribunal Regional
Eleitoral, cumprindo, por conseqüência, o disposto
no artigo 1º.
Da lei Complementar nº 64/1990, ‘in verbis’:
‘Art. 1º. São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:
(...)
g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício
de cargos oufunções públicas rejeitadas por
irregularidade insanável e por decisão
irrecorrível, do órgão competente, salvo se a
questão houver sido ou estiver sendo submetida à
apreciação do Poder Judiciário, para as eleições
que se realizarem nos 5 (cinco) anos seguintes,
contados a partir da data da decisão;’.
Denota-se, pela leitura do texto legal acima
transcrito que o prazo de 05 (cinco) anos começa a
fluir a partir da publicação da decisão irrecorrível
que somente ocorreu, no caso em tela, na data de
17-3-2004.
Em face disso, o nome do Sr. Luciano Augusto
Neves deve ocupar a lista dos inelegíveis até 17-3-
2009.
Ademais, a Lei nº 9.504/1997, fixa prazos limites
para registro dos candidatos e para que o Tribunal
de Contas encaminhe a lista dos gestores que
tiveram suas contas rejeitadas, nos seguintes
termos:
‘Art. 11 Os partidos e coligações solicitarão à
Justiça Eleitoral o registro de seus candidatos até
as dezenove horas do dias 05 de julho do ano
em que se realizarem as eleições.
(...)

-
§ 5º Até a data a que se refere este artigo, os
Tribunais eConselhos de Contas deverão tornar
disponíveis à Justiça Eleitoral relação
dos que tiveram suas contas relativas ao exercício
de cargos ou funçõespúblicas rejeitadas por
irregularidade insanável e por decisão irrecorrível
do órgão competente, ressalvados os casos em que a
questão estiver sendo submetida à apreciação do
Poder Judiciário, ou que haja sentença judicial
favorável ao interessado’.
Outro ponto a ser esclarecido é com relação à
restituição aos cofres públicos municipais de
valores impostos ao impetrante.
Essa modalidade de sanção demonstra que tais
recursos foram desviados em detrimento dos
serviços públicos, ou melhor dizendo, de toda a
sociedade.
Sabe-se que a finalidade do disposto no art. 1º, inc.
I, alínea ‘g’, da LC64/90, é evitar a improbidade
administrativa e primar pela legalidade e
moralidade na gestão de recursos públicos. (...)”.
(fls. 55/56)
Como se vê, comprovou a autoridade impetrada que
o impetrante teve sim as contas julgadas irregulares
no período em que foi Presidente da Câmara de
Vereadoresde Chapada dos Guimarães, como
demonstram os Acórdãos juntados às fls. 61/65.
Logo, se o impetrante teve as contas relativas ao
exercício do cargopúblico rejeitadas, como
demonstram os autos, com período inferiores a cinco
anos da data dadecisão às eleições que pretende
concorrer, é portanto, inelegível como prescreve
artigo 1º, I,Letra “g”, da Lei Complementar nº
64/90.
Nesse sentido o bem lançado parecer da douta
Procuradoria-Geral deJustiça:
“(...) Extrai-se dos autos, que o impetrante teve suas
contas reprovadaspelo Tribunal de Contas em 17-3-
04, durante a presidência da Câmara Municipal
de Chapada dos Guimarães no exercício de 1999,
resultando na aplicação dediversas multas.
Diante disso, teve seu nome elencado na lista de
gestores que tiveram
-
suas contas reprovadas, cujo rol foi encaminhado à
Justiça Eleitoral, como manda o § 5º, do art. 11, Lei
9.504/97:
‘Art. 11. Os partidos e coligações solicitarão à
Justiça Eleitoralo registro de seus candidatos até as
dezenove horas do dia 5 de julho do ano em que se
realizarem as eleições.
(...)
§ 5º. Até a data a que se refere este artigo, os
Tribunais eConselhos de Contas deverão tornar
disponíveis à Justiça Eleitoral relação dos que
tiveram suas contas relativas ao exercício de cargos
ou funções públicas rejeitadas por irregularidade
insanável e por decisão irrecorrível do órgão
competente, ressalvados os casos em que a questão
estiver sendo submetida à apreciação do Poder
Judiciário, ou que haja sentença judicial
favorável ao interessado.’
Assim, verifica-se que inexiste qualquer ato violador
a direito líquido ecerto do impetrante, vez que a
autoridade impetrada percorreu a estrada da
legalidade na medida em que, ocorrida a rejeição
das contas e, por sua vez,ensejada a sua
inelegibilidade, não restou outra alternativa a não
ser remeter adecisão colegiada à Corte Eleitoral, a
fim de proceder o cadastramento doimpetrante na
relação da Justiça Eleitoral.
Ademais, revela-se dos autos que a decisão final do
Tribunal de Contasfoi publicada no dia 17-3-04 (fl.
64-TJ). Dessa forma, a partir desse período é que
se inicia o prazo de inelegibilidade, consoante
expressamente preceitua o art. 1º, I,
‘g’, ‘in fine’, da Lei Complementar 64/90:
‘Art. 1º. São inelegíveis:
I - para qualquer cargo:
(...)
g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício
de cargos ou
funções públicas rejeitadas por irregularidade
insanável e por decisãoirrecorrível do órgão
competente, salvo se a questão houver sido ou
estiversendo submetida à apreciação do Poder
Judiciário, para as eleições que serealizarem nos 5
(cinco) anos seguintes, contados a partir da data da
decisão.’ (destaquei) (‘sic’).
Registra-se que a decisão do Tribunal de Contas
não precisa submeterseao Parlamento para ser
referendada e, conseqüentemente, adquirir plena
eficácia do seu julgamento, vez que na hipótese não
se tratava de questão relativaà gestão
orçamentária, cuja competência pertence á
respectiva Casa Legislativa;versava, na realidade,
sobre questões direcionadas à ordenação de
despesasalheias ao interesse público, matéria afeta
ao Tribunal de Contas, conforme art.
71, II, da CF. (...)”. (fls.70/72)
Com essas considerações, DENEGA-SE a ordem
com revogação daliminar deferida inicialmente.
Comunicar a Justiça Eleitoral.
Sem custas e honorários.
Publicar.
Intimar.
Arquivar.
É como voto.

VOTO
EXMA. SRA. DESA. SHELMA LOMBARDI DE
KATO (2ª VOGAL)
Acompanho o douto Relator.
VOTO
EXMO. SR. DES. JURACY PERSIANI (3º
VOGAL)
Voto com o relator.
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CLASSE CNJ - 120 - COMARCA
CAPITAL (CONTINUAÇÃO DE
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Fl. 8 de 14
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VOTO
EXMO. SR. DES. JOSÉ FERREIRA LEITE (4º
VOGAL)
Egrégia Turma:
Acompanho o douto relator. Todavia, gostaria de
fazer a seguinte
ressalva por ser este o meu entendimento com
relação à questão trazida no mandamus e
julgamento.
O Tribunal de Contas não julga as contas das
autoridades municipais,
ele simplesmente emite um parecer que poderá ser
ou não acolhido pela Câmara Municipal,
tanto em relação à conta do Executivo Municipal
como em relação ao próprio Legislativo
daquele município.
Parece-me que, em situação como essa, haveria
necessidade, e talvez o
impetrante assim não o fez, de trazer o documento
da Câmara Municipal, constando se rejeitou
ou não a conta para que o parecer prévio do Tribunal
de Contas pudesse ter uma consistência
jurídica e servir de elementos de informações para o
Tribunal Regional Eleitoral.
Essa é a sistemática, segundo penso, e daí por que
não obstante por
acompanhar o douto relator, faço a ressalva, nesta
oportunidade.
É como voto.
VOTO
EXMO. SR. DES. DIOCLES DE FIGUEIREDO (5º
VOGAL)
Acompanho o relator.
VOTO
EXMO. SR. DES. LUIZ FERREIRA DA SILVA (6º
VOGAL)
Acompanho o relator.
ÓRGÃO ESPECIAL
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VOTO
EXMO. SR. DES. JOSÉ TADEU CURY (7º
VOGAL)
De acordo com o eminente Relator.
VOTO
EXMO. SR. DES. JURANDIR FLORÊNCIO DE
CASTILHO (9º
VOGAL)
Acompanho o relator.
VOTO
EXMO. SR. DES. MANOEL ORNELLAS DE
ALMEIDA (10º
VOGAL)
Senhor Presidente:
Divirjo do voto do eminente relator para conceder a
ordem pelos
seguintes motivos.
As contas que foram remetidas são as do ano de
1999 e 2000. O
Tribunal de Contas deveria ter encaminhado essas
contas na eleição de 2006, porque o art. 11
da Lei nº 9.504/1997, que regula a matéria, faz
remissão ao art. 1º da Lei Complementar nº
64/1990, dizendo o seguinte:
“Art. 11
Os partidos e coligações solicitarão à Justiça
Eleitoral o registro de
seus candidatos até as dezenove horas do dia 5 de
julho do ano em que se
realizarem as eleições.
(...)
§ 5º - até a data a que se refere este artigo, os
Tribunais e Conselhos
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CAPITAL (CONTINUAÇÃO DE
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Fl. 10 de 14
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de Contas deverão tornar disponíveis à Justiça
Eleitoral relação dos que tiveram
suas contas relativas ao exercício de cargos ou
funções públicas rejeitadas por
irregularidade insanável e por decisão irrecorrível
do órgão competente,
ressalvados os casos em que a questão estiver sendo
submetida à apreciação do
Poder Judiciário, ou que haja sentença judicial
favorável ao interessado”.
A lei quer que, na eleição, todos saibam quem tem a
conta no Tribunal
de Justiça com trânsito em julgado, sem intervenção
do Poder Judiciário para que nesses 03
(três) anos impeça o registro de candidatura, e não
ficar, eternamente, mandando como é o
caso, talvez por isso tenha sido concedido a liminar.
É como voto.
VOTO
EXMO. SR. DES. DONATO FORTUNATO
OJEDA (11º VOGAL)
Senhor Presidente:
Após ouvir o voto do eminente Des. Manoel
Ornellas de Almeida,
cheguei à conclusão que devo conceder a ordem
valendo-me dos seus argumentos, ressaltando
que o Tribunal de Contas não é competente para
julgar a presente matéria, haja vista que as
contas não foram apreciadas por ninguém. Logo, não
há que se falar em ação de
inexigibilidade.
Assim, peço vênia ao douto Relator para conceder a
ordem.
É como voto.
VOTO
EXMO. SR. DES. PAULO DA CUNHA (12º
VOGAL)
Peço vista dos autos para melhor examinar a
matéria.
ÓRGÃO ESPECIAL
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Fl. 11 de 14
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EM 22 DE JANEIRO DE 2009.
ADIADA A CONCLUSÃO DO JULGAMENTO
EM FACE DO
PEDIDO DE VISTA FORMULADO PELO 12º
VOGAL - DES. PAULO DA
CUNHA. O RELATOR DENEGOU A
SEGURANÇA, SENDO
ACOMPANHADO PELOS 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º E 9º
VOGAIS. OS 10º E 11º
VOGAIS A CONCEDERAM.
VOTO
EXMO. SR. DES. PAULO DA CUNHA (12º
VOGAL)
Egrégio Plenário:
Cuida-se de ação constitucional de mandado de
segurança impetrada
por LUCIANO AUGUSTO NEVES, ex-Presidente
da Câmara de Vereadores de Chapada dos
Guimarães entre 1999/2000 e atual vereador no
Município, contra ato supostamente ilegal
praticado pelo EXCELENTÍSSIMO SENHOR
CONSELHEIRO PRESIDENTE DO
TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE
MATO GROSSO, consistente na inscrição de
seu nome no cadastro de inadimplentes da Corte de
Contas e no enviou a aludida listagem ao
Tribunal Regional Eleitoral para fins de
inelegibilidade.
A tese do Impetrante é no sentido de que há
ilegalidade no ato do
Tribunal de Contas porque, consoante certidão
expedida por este mesmo tribunal no ano de
2008 (CERTIDÃO nº 3690/2008), não obteve
parecer prévio contrário à aprovação de contas
anuais ou contas julgadas irregulares nos últimos 05
(cinco) anos.
Assevera que, se não teve contas rejeitadas por
irregularidades
insanáveis e por decisão irrecorrível, o ato do
Tribunal de Contas - de inscrever seu nome em
lista de inelegíveis e encaminhá-la à Justiça Eleitoral
- não encontra respaldo no art. 11, § 5º,
da Lei nº 9.504/97 (“Lei das Eleições”). Ao
contrário. Afronta o aludido dispositivo, revelando
a ilegalidade do ato impugnado.
ÓRGÃO ESPECIAL
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Fl. 12 de 14
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Com as informações prestadas pelo Tribunal de
Contas restou
esclarecido que, diversamente do que consta na
CERTIDÃO Nº 3690/2008, o ora Impetrante
teve contas julgadas irregulares por decisão
irrecorrível, publicada em 17-3-2004 e
devidamente juntada aos autos do presente writ.
Neste contexto, desaba por terra a tese do
Impetrante. Pois, se a causa
de pedir era a ilegalidade da inscrição e seu nome no
rol de inadimplentes (e quiçá inelegíveis)
- porque não havia decisão irrecorrível do TCE
julgando irregular suas contas -,
comprovada nos autos a existência de tal decisão
administrativa, impõe-se reconhecer a
inexistência da ilegalidade afirmada pelo Impetrante
na petição inicial.
Registro ser prescindível à solução da controvérsia
tecer maiores
considerações sobre os efeitos desta inscrição do
nome do Impetrante na listagem dos
inadimplentes com o Tribunal de Contas - se esta
inscrição importa inelegibilidade imediata ou
se este juízo compete exclusivamente à Justiça
Eleitoral -, bem assim se a decisão sobre as
contas de presidente do Legislativo Municipal está
ou não subordinada à confirmação pela
Câmara de Vereadores. É dispensável adentrar
nestas questões porque a conduta do Tribunal
de Contas, ora impugnada pelo Impetrante, seguiu a
risca o prescrito pelo art. 11 da Lei nº
9.504/97.
Todavia, recordo Vossas Excelências que o STF, em
várias
oportunidades, já afirmou incumbir à Justiça
Eleitoral a formulação de juízo de valor a respeito
das irregularidades apontas pelo Tribunal de Contas.
Logo, afirmou que é da Justiça Eleitoral a
competência para definir que irregularidades
configuram ou não inelegibilidade (MS
22.087/DF, rel. Min. CARLOS VELLOSO, DJ 10-
5-96 e MS 24.991-9/DF, rel. Min.
GILMAR MENDES, DJ 20-10-2006).
Em outras palavras, a Corte de Contas apresenta a
informação sobre o
administrador público, mas o juízo quanto à
sanabilidade ou não da irregularidade constatada
(e conseqüente elegibilidade ou inelegibilidade)
incumbe apenas à Justiça Eleitoral.
Como o Impetrante não está impugnando nestes
autos sua
inelegibilidade, mas, tão-somente, sua inscrição pelo
Tribunal de Contas em lista de pretensos
ÓRGÃO ESPECIAL
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inelegíveis (a juízo da Justiça Eleitoral), a temática
sequer precisaria ser enfrentada, salvo a
título de curiosidade.
Ante o exposto, pedindo vênia aos Eminentes
Desembargadores
MANOEL ORNELLAS DE ALMEIDA e
DONATO FORNATO OJEDA, acompanho na
íntegra o voto do Relator, Des. JOSÉ SILVÉRIO
GOMES, para denegar a segurança e cassar a
liminar anteriormente deferida.
É como voto.
M A N I F E S T A Ç Ã O (ORAL)
O SR. DES. BENEDITO PEREIRA DO
NASCIMENTO (1º VOGAL)
Senhor Presidente:
Não me sinto habilitado a proferir voto uma vez que
não participei da
sessão anterior.
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GEACOR
TJ
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ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, o
ÓRGÃO
ESPECIAL do Tribunal de Justiça do Estado de
Mato Grosso, sob a Presidência do DES.
RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS FILHO,
composto pelo DES. JOSÉ SILVÉRIO GOMES
(Relator), DESA. SHELMA LOMBARDI DE
KATO (2ªVogal), DES. JURACY PERSIANI
(3º Vogal convocado), DES. JOSÉ FERREIRA
LEITE (4º Vogal), DES. DIOCLES DE
FIGUEIREDO (5º Vogal convocado), DES. LUIZ
FERREIRA DA SILVA (6º Vogal
convocado), DES. JOSÉ TADEU CURY (7º Vogal),
DES. JURANDIR FLORÊNCIO DE
CASTILHO (9º Vogal), DES. MANOEL
ORNELLAS DE ALMEIDA (10º Vogal), DES.
DONATO FORTUNATO OJEDA (11º Vogal) e
DES. PAULO DA CUNHA (12º Vogal),
proferiu a seguinte decisão: POR MAIORIA,
DENEGARAM A SEGURANÇA, NOS
TERMOS DO VOTO DO RELATOR.
VENCIDOS OS 10º E 11º VOGAIS.
Cuiabá, 26 de fevereiro de 2009.
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DESEMBARGADOR RUBENS DE OLIVEIRA
SANTOS FILHO -
PRESIDENTE DO ÓRGÃO ESPECIAL EM
SUBSTITUIÇÃO LEGAL
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DESEMBARGADOR JOSÉ SILVÉRIO GOMES -
RELATOR
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PROCURADOR DE JUSTIÇA