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SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE

Tipo do Documento: Protocolo Clínico PRO.MED-GIN.038 - Página 1/9

RASTREIO E INTERPRETAÇÃO Emissão: 10/07/2018


Título do Documento:
DO LAUDO CITOLÓGICO CÉRVICO VAGINAL Revisão Nº: -

1. AUTORES
 Gizelle Sampaio
 Karla Maria Rêgo Leopoldo Melo
 Nadiejda Mendonça Aguiar Nobre
 Raquel Autran Coelho

2. INTRODUÇÃO

A nomenclatura para laudos citopatológicos cervicais utilizada no Brasil é baseada no Sistema de


Bethesda. Sua utilização objetiva padronizar o laudo citopatológico para orientar condutas, bem como permitir
maior comunicação entre os laboratórios e os clínicos.
A realização periódica do exame citopatológico é a estratégia adotada para rastreamento de câncer de
colo do útero e suas lesões precursoras. O resultado do exame define a necessidade de encaminhamento ao
serviço especializado ou acompanhamento em nível de atenção básica.
A diminuição da incidência e mortalidade por câncer de colo do útero depende de uma alta cobertura
populacional no rastreamento.

3. RECOMENDAÇÃO PARA RASTREAMENTO

Quadro 1: Diretrizes brasileiras para rastreamento do câncer de colo do útero - Ministério da Saúde/INCA,
2016

Rastreamento inicial* 25 anos de idade, para mulheres que já iniciaram atividade sexual
Método Exame citopatológico
Uma vez por ano e, após dois exames anuais consecutivos negativos, a cada três
Intervalo
anos.
Aos 64 anos; nas mulheres que tiveram pelo menos dois exames negativos
consecutivos nos últimos cinco anos.
Interromper
Mulheres de 64 anos ou mais que nunca realizaram citologia, fazer 2 exames, com
intervalo de 1 a 3 anos e, se negativos, dispensar de exames adicionais

Histerectomia total: se realizada por doença benigna, sem histórico de lesões


cervicais de alto grau, não é necessário seguir rastreamento, desde que haja exames
anteriores normais. Se histerectomia por câncer ou lesão precursora,
Situações especiais acompanhamento de acordo com a lesão tratada
Pacientes virgens: não há indicação de rastreamento!
Imunossuprimidas: Iniciar rastreio após o início da atividade sexual, semestral no
primeiro ano e, se normais, manter seguimento anual (enquanto se mantiver a
imunossupressão)

* O rastreamento em mulheres com menos de 25 anos não tem impacto na redução da incidência ou
mortalidade por câncer do colo do útero.
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4. TIPOS DE AMOSTRA
a. Convencional
b. Meio Líquido

5. ADEQUABILIDADE DA AMOSTRA
 Insatisfatória

Leitura prejudicada por natureza da técnica ou Material acelular ou hipocelular (<10% do


amostragem celular esfregaço)

INSATISFATÓRIA

> 75 % esfregaço com sangue, piócitos, artefatos


de dessecamento, contaminação, intensa Lâmina danificada, ausente ou não identificada
superposição celular

O exame deve ser repetido em 6 a 12 semanas com correção, quando possível, do problema que
motivou o resultado insatisfatório.

 Satisfatória
Células em quantidade representativa, bem distribuídas, fixadas e coradas.
 Epitélios que podem estar representados na amostra:
Escamoso;
Glandular (não inclui endometrial);
Metaplásico.
A presença de células endocervicais ou metaplásicas é uma boa indicadora de qualidade na coleta, já
que na junção escamo-colunar é onde se originam a maioria dos cânceres de colo do útero. Recomenda-se,
portanto, que mulheres com esfregaços normais somente com células escamosas repitam exame com intervalo
de um ano.

6. DIAGNÓSTICO DESCRITIVO
a. Dentro dos limites da normalidade;
b. Alterações celulares benignas (ativas ou reparativas);
c. Atipias celulares.

7. INTERPRETAÇÃO E CONDUTA
7.1. Dentro dos limites da normalidade
Seguir rotina de rastreamento citológico.
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7.2. Alterações celulares benignas


Quadro2: Alterações celulares benignas.
Seguir rotina de rastreamento citológico. Se sintomatologia ou
Inflamação sem identificação agente
corrimento no exame ginecológico, tratar.

Metaplasia escamosa imatura Seguir rotina de rastreamento citológico. Não requer tratamento
Seguir rotina de rastreamento citológico. Fase final do processo

Reparação inflamatório, pode promover falsos negativos e falsos positivos.


Não requer tratamento.
Seguir rotina de rastreamento citológico. Pode requerer uso de
Atrofia com inflamação (vaginite atrófica) estrogênio tópico.
Seguir a rotina de rastreamento citológico. Mencionar na
Radiação e quimioterapia requisição.
Seguir rotina de rastreamento citológico.
Microbiota normal: lactobacilos, cocos, bacilos.

Achados microbiológicos Tratar se sintomatologia e achados de: Gardnerella, Mobiluncus


sp, Trichomonas vaginalis, Candida sp, Actinomyces sp, vírus
do grupo herpes.
Seguir rotina de rastreamento citológico.

Células endometriais normais Fora do período menstrual e pós menopausa sem uso de
terapia hormonal requer investigação endometrial.

7.3. Atipias celulares


7.3.1. Células escamosas
 Células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC):
• Possivelmente não neoplásicas (ASC-US);
• Não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau (ASC-H);
 Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL);
 Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL);
 Lesão intraepitelial escamosa de alto grau, não podendo excluir microinvasão;
 Carcinoma epidermóide invasor.

7.3.2. Células glandulares


 Células glandulares atípicas de significado indeterminado (AGC):
• Possivelmente não neoplásicas (AGC-US);
• Não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau (AGC-H);
 Adenocarcinoma in situ (AIS);
 Adenocarcinoma invasor.
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7.3.3. Outras

 Células atípicas de origem indefinida;


 Células endometriais (mulheres acima dos 40 anos de idade).

8. MANEJO DE RESULTADOS CITOLÓGICOS ANORMAIS

8.1. Citologia insatisfatória

Repetir citologia com 2 a 4 meses (Tratar atrofia ou inflamação se necessário).

8.2. ASC-US (células escamosas atípicas de significado indeterminado)


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2ª Opção (Após 1º resultado ASC-US)

Observação: DNA-HPV não é disponibilizado no SUS.

Situações especiais:
 Mulheres < 25 anos: Repetir citologia com 3 anos;
 Gestantes: acompanhar igual a não gestantes. Biópsia apenas se suspeita de invasão. Reavaliar
90 dias após o parto.
 Pós-menopausa: repetir citologia 1 semana após 21 dias de uso de estrogênio tópico.
 Imunossuprimidas: Colposcopia imediato. Acompanhamento citológico semestral até 2 resultados
consecutivos negativos.

8.3. ASC-H (células escamosas atípicas não podendon excluir HSIL)


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Situações especiais:

 Mulheres < 25 anos: Biópsia se achados maiores. Ver e Tratar é inaceitável.


 Gestantes: Biópsia apenas se suspeita de invasão. Reavaliar 90 dias após o parto.
 Pós-menopausa: Estrogênio tópico antes da colposcopia.
 Imunossuprimidas: Conduta não difere das demais mulheres.

Teste de DNA HPV pode ser utilizado nos casos de colposcopia normal. Deve-se solicitar revisão de
lâminas se colposcopia e estudo endocervical normais.
Todos os casos devem ser encaminhados para colposcopia e escovado endocervical.
Avaliação endometrial deve ser realizada em mulheres com mais de 35 anos, nos casos de
sangramento uterino anormal ou citologia sugestiva de origem endometrial.

8.4. Células glandulares atípicas (AGC):


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8.5. LSIL (Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau)

ASCCP (American Society for Colposcopy and


MINISTÉRIO DA SAÚDE
Cervical Pathology )

O Ministério da Saúde recomenda seguimento citológico em 6 meses. Já a ASCCP recomenda


colposcopia após um único exame citopatológico com resultado de LSIL.

Situações especiais:
 Mulheres < 25 anos: citologia trienal, se normal reiniciar rastreio com 25 anos.
 Gestantes: Não recomendado colposcopia.
 Pós-menopausa: Não difere das demais. Estrogênio tópico antes da próxima citologia.
 Imunossuprimidas: Encaminhar logo para colposcopia. Quando indicado tratamento deve ser
excisional e acompanhamento anual com citologia.

8.6. HSIL (Lesão intraepitelial escamosa de alto grau)

Situações especiais:
 Mulheres < 25 anos: Ver e tratar é inaceitável. Se achado maior, biopsiar e seguir conforme
resultado. Se NICII, seguir com colpocitologia por até 2 anos, pois pode haver regressão
espontânea. Se NIC III, indicado EZT (preferível) ou seguimento colpocitológico por 2 anos.
 Gestantes: colposcopia imediato. Biópsia de lesões sugestivos de invasão. Reavaliação 90 dias
após o parto. Não contraindica parto vaginal.
 Imunossuprimidas: Colposcopia imediata. Quando indicado, preferir tratamento excisional.
Acompanhamento anual com citologia.
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9. LESÃO INTRAEPITELIAL ESCAMOSA DE ALTO GRAU, NÃO PODENDO EXCLUIR


MICROINVASÃO OU CARCINOMA EPIDERMOIDE INVASOR

Todas as pacientes com este resultado citológico devem ser encaminhadas imediatamente à
colposcopia. Se este exame for sugestivo de invasão, uma biópsia deve ser realizada. Se confirmado câncer,
encaminhar para tratamento específico.
Quando a colposcopia não tem achados sugestivos de invasão, a paciente deve ser submetida a
procedimento excisional conforme a zona de transformação. O tratamento vai depender do resultado do
histopatológico.

10. ADENOCARCINOMA IN SITU (AIS) OU ADENOCARCINOMA INVASOR


Pacientes com este resultado citológico devem ser encaminhadas imediatamente à colposcopia.
Avaliação endometrial é recomendada em mulheres com mais de 35 anos ou sangramento uterino anormal.
Na colposcopia, se houver achado sugestivo de invasão, deve ser realizada a biópsia. Se confirmado
câncer, encaminhar para tratamento específico; caso a biópsia descarte invasão, encaminhar para excisão tipo
3 (preferencialmente cone frio).
Se durante a colposcopia, não houver achado sugestivo de invasão, a paciente deve ser submetida a
procedimento excisional e tratada conforme resultado.

11. MANEJO APÓS TRATAMENTO


11.1. Histerectomizada com HSIL
Mulheres submetidas a histerectomia com história prévia de tratamento por NIC II ou NIC III tem maior
risco de desenvolvimento de NIVA ou câncer de vagina, portanto devem ser seguidas conforme fluxograma:
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11.2. Pós-tratamento NICII ou NICIII

Pacientes submetidas a tratamento excisional por NICII ou NICIII devem ter seguimento colpocitológico
semestral por 1 ano, quando margens livres, ou 2 anos se margens comprometidas. Após este período, passam
a ter seguimento com citologia anual por 5 anos, retornando a seguir para rastreio trienal.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Diretrizes brasileiras para o rastreamento do


câncer do colo do útero. - 2. ed. rev. atual. - Rio de Janeiro: INCA, 2016.
2. MASSAD, L. STEWART, et al. 2012 updated consensus guidelines for the management of
abnormal cervical cancer screening tests and cancer precursors. Obstetrics &amp;
Gynecology 121.4 (2013): 829-846.
3. E. J. MAYEAUX, JR. MD; J. THOMAS COX, MD. Tratado e atlas de colposcopia moderna.
ASCCP. Terceira edição 2012.
4. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Nomenclatura brasileira para laudos cervicais e
condutas preconizadas: recomendações para profissionais de saúde. - 2. ed. - Rio de Janeiro:
INCA, 2006.

Revisado por: Data:


Fernanda Macedo de Oliveira Neves 08/03/2018

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