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INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE GAZA

FACULDADE DE AGRICULTURA

CURSO DE ENGENHARIA FLORESTAL

PROJECTO FINAL

AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE REGENERAÇÃO DE COLOPHOSPERMUM MOPANE NA


FLORESTA DE MOPANE COMUNIDADE DE MWAMANDZELE NO DISTRITO DE
MABALANE

Relatório final de Monografia, apresentado e defendido como requisito para a obtenção do grau
de Licenciatura em Engenharia Florestal

Autor: Rosália Ernesto Cossa

Tutor: Eleutério Mapsanganhe

Lionde, Outubro de 2019


INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE GAZA

Projecto de licenciatura sobre Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane


na floresta de Mopane comunidade de Mwamandzele no distrito de Mabalane, apresentado
ao Curso de Engenharia Florestal na Faculdade de Agricultura no Instituto Superior Politécnico
de Gaza, como requisito para obtenção do grau de Licenciatura em Engenharia Florestal.

Autor: Rosália Ernesto Cossa

Tutor: Eleutério Mapsanganhe

i
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

Índice
ÍNDICE DE TABELAS .................................................................................................................. v
ÍNDICE DE FIGURAS................................................................................................................... v
ÍNDICE DE GRÁFICOS ................................................................................................................ v
DECLARAÇÃO ............................................................................................................................ vi
DEDICATÓRIA ........................................................................................................................... vii
AGRADECIMENTOS ................................................................................................................ viii
RESUMO ....................................................................................................................................... ix
ABSTRACT .................................................................................................................................... x
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 1
1.1. PROBLEMA E JUSTIFICATIVA .................................................................................. 3
1.2. OBJECTIVOS .................................................................................................................. 4
1.2.1. Geral .......................................................................................................................... 4
1.2.2. Específicos ................................................................................................................ 4
1.2.3. HIPÓTESES ............................................................................................................. 4
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................................ 5
2.1. Caracterização da comunidade vegetal de mopane .......................................................... 5
2.2. Descrição botânica de colophospermum mopane ............................................................ 5
2.2.1. Caracterização e ocorrência de Colophospermum mopane ...................................... 6
2.3. Exploração de combustível lenhoso (lenha e carvão vegetal).......................................... 6
2.4. Regeneração natural ......................................................................................................... 7
2.4.1. Métodos de avaliação da Regeneração natural ......................................................... 7
2.5. Estrutura e composição florística ..................................................................................... 7
2.6. Conservação dos recursos florestais ................................................................................. 8
2.6.1. Método de avaliação da conservação dos recursos florestais: .................................. 8
2.7. Técnicas de colecta de dados ........................................................................................... 9
2.7.1. Método de observação directa .................................................................................. 9
2.7.2. Método de inventário florestal .................................................................................. 9
2.8. Procedimentos e Métodos de Amostragem de Vegetação ............................................... 9
2.8.1. Amostragem de Área Fixa ........................................................................................ 9
2.8.2. Amostragem de Área Variável................................................................................ 10

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

2.9. Processos de amostragem ............................................................................................... 11


2.9.1. Amostragem Aleatória ............................................................................................ 11
2.9.2. Amostragem Estratificada ....................................................................................... 11
2.9.3. Amostragem Sistemática ........................................................................................ 11
2.10. Métodos de Levantamento Fitossociológico .............................................................. 12
2.10.1. Métodos qualitativos ............................................................................................... 12
2.10.2. Métodos quantitativos ............................................................................................. 12
2.11. Parâmetros para determinar a fitossociologia ............................................................. 12
2.11.1. Frequências ............................................................................................................. 12
2.11.2. Abundância ............................................................................................................. 12
2.11.3. Dominâncias ........................................................................................................... 12
2.11.4. Ìndice de valor de importância (IVI) ...................................................................... 13
3. METODOLOGIA .................................................................................................................. 14
3.1. Localização Geográfica comunidade ............................................................................. 14
3.2. Topografia ...................................................................................................................... 15
3.3. Relevo............................................................................................................................. 15
3.4. Solos ............................................................................................................................... 15
3.5. Clima .............................................................................................................................. 15
3.6. Hidrografia ..................................................................................................................... 15
3.7. Vegetação ....................................................................................................................... 16
3.8. Materiais e métodos ....................................................................................................... 17
3.9. Alocação das parcelas para colecta de dados ................................................................. 17
3.9.1. Layout das Parcelas................................................................................................. 18
3.10. Levantamento de dados dendrométricos .................................................................... 19
3.11. Análise de dados ......................................................................................................... 19
3.11.1. Estrutura horizontal ................................................................................................. 19
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................................................... 22
4.1. Regeneração não estabelecida ........................................................................................ 23
4.1.1. Composição florística ............................................................................................. 23
4.1.2. Abundância ............................................................................................................. 25

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

4.1.3. Frequência ............................................................................................................... 26


4.2. Regeneração estabelecida ............................................................................................... 27
4.2.1. Abundância ............................................................................................................. 28
4.2.2. Dominância ............................................................................................................. 28
4.2.3. Frequência ............................................................................................................... 28
4.2.4. Índice de valor de importância ................................................................................ 29
4.3. Distribuição diamétrica .................................................................................................. 30
4.4. Estado de conservação do Mopane ................................................................................ 31
4.5. Percentagem de forma de regeneração natural do C.mopane em função da área
amostrada .................................................................................................................................. 32
4.6. Medidas de precisão do inventário ................................................................................. 33
5. CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 34
6. RECOMENDAÇÕES ............................................................................................................ 35
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 36
8. ANEXOS .................................................................................................................................. 40

iv
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1: Lista do material necessário para realização das actividades. ...................................... 17
Tabela 2: Medidas de precisão de inventário, nomeadamente: média variância, erro padrão, erro
de amostragem (absoluto e relativo) e intervalo de confiança para a média. ........................ 33

ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1: Mapa da área de estudo ................................................................................................. 14
Figura 2: Esquema das parcelas para o levantamento dos dados dendrométricos, onde: (1) parcela
de 100x20 m2 (árvores adultas, DAP ≥ 10 cm); (2) parcela de 10x15m2 metros (regeneração
estabelecida). ......................................................................................................................... 18

ÍNDICE DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Distribuição diamétrica do Mopane. ........................................................................... 30
Gráfico 2: Formas de regeneração do Colophospermum mopane. ............................................... 32

ÍNDICE DE ANEXOS

Anexo 1: Estado de conservação do Mopane com base no Quociente de Licourt, N-número de


indivíduos, q-quociente de Licourt. ....................................................................................... 40
Anexo 2: Imagens de formas de regeneração, A- via semente; B-via semente/rebroto; C-via
rebroto. ................................................................................................................................... 41
Anexo 3: Fornos abandonados. ..................................................................................................... 41
Anexo 4: Ficha técnica de colecta de dados ................................................................................. 42

v
INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE GAZA

DECLARAÇÃO
Declaro por minha honra que este trabalho de culminação do curso é resultado da minha
investigação pessoal e das orientações do meu tutor, o seu conteúdo é original e todas as fontes
consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia final. Declaro
ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para propósito
semelhante ou obtenção de qualquer grau académico.

Lionde, _______de __________________de 2019

_______________________________________

(Rosália Ernesto Cossa)

vi
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho completamente ao meu pai Ernesto Salvador Cossa, por ser o melhor pai
do mundo.

Aos meus irmãos Anastância Cossa, Herminio Cossa, Rosa Cossa e em especial a mana
Rostalina Cossa por tudo que sou, ao meu sobrinho Osvaldo Manjate pela cumplicidade,
finalmente missão cumprida! Por tudo que vocês incondicionalmente fizeram por mim a esta
conquista vos dedico.

De uma forma especial, dedico este trabalho ao meu companheiro da vida Heleutério
Costantino Sitoe pelo amor, força, confiança e apoio, obrigado, que Deus abençoe ricamente.

PLANOS DE DEUS NUNCA FALHAM

vii
AGRADECIMENTOS
A Deus umnipotente, pela graça, perseverança e por me guiar nos momentos mais difíceis da
minha carreira, muito obrigada pai!
Ao projecto da FAO pelo apoio financeiro para a realização do presente trabalho, aos docentes
Arão Finiasse, Pedro Wate, Sérgio Bila, Edson Massingue, Emídio Matusse e Severino Macôo e
aos colegas Neves Manjate, Augusto Tembe, Ailton Mungueleze, Evans Master, Jonas
Vilanculos, Herminio Massuque, Johane Rui, pelo apoio durante o trabalho de recolha de dados
no campo e pela presença durante toda a formação.

Ao meu tutor dr. Eleutério Mapsanganhe pela proposta do tema e pelas orientações, disposição,
paciência, dedicação e principalmente compreensão ao longo da elaboração do presente trabalho.

Ao ISPG (Instituto Superior Politécnico de Gaza) pela oportunidade de fazer a minha


licenciatura, a Faculdade de Agricultura e ao corpo docente do curso de Engenharia florestal em
geral, em especial ao Eng°. (Macôo, Matusse) pela coragem na transmissão do
conhecimentodurante a formação, o meu muito obrigado.

Á toda a família, em especial á minha mãe (Elisa Ussenga) que descanse em paz, pelo amor,
carinho, ensinamentos ainda em vidae ao meu pai (Ernesto Cossa) por tudo que tem feito por
mim para que se realize todos os meus sonhos, pois sem ele jamais conseguiria.

Aos meus amigos, em especial ao Augusto, Neves, Herminio, Primo Jonas, Ailton,Emerson Pale,
Áurio, Jaime,Income, Adelina pela amizade, companheirismo e solidariedade.

Aos colegas da turma de 2015 do curso de engenharia florestal em geral, em especial


BelsonAbaco, Beto Tenente, LídiaManjate, CéliaChandamela, Adelina Pelembe, Edmilson
Nhautse, Arrone Teles, Justino, Denílson, SaideBalane, VálterRungo, e em particular Jaime
Mazuze, OquerMunhame, Milton Income, e a todos aqui não mencionados mas que, pelo seu
carinho e pelos momentos agradáveis de convívio contribuíram para o sucesso da formação, os
meus agradecimentos!

viii
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

RESUMO
O estudo, teve como objectivo avaliar o nível de regeneração natural da Colophospermum
mopane na comunidade de Mwamandzele no distrito de Mabalane. Para realização deste estudo
foram estabelecidos 22 clusters que corresponde 88 parcelas, cada parcela tinha um tamanho de
100x20 m e dentro de cada parcela estabeleceu-se,sub-parcela de 10mx15m para regeneração
estabelecida (com DAP entre 5 - 10 cm), e outrasub-parcela de 5mx5m para contagem de todos
os indivíduos em regeneração não estabelecida (estes comDAP <5 cm). Os dados obtidos foram
processados usando uma planilha Microsoft excel 2010, onde foi avaliado a estrutura horizontal
da vegetação através do cálculo de: frequência relativa (FR), abundância relativa (ABR),
dominância relativa (DOR), índice de valor de importância (IVI). Aárea de estudo é formada
pela floresta de Mopane onde foram registadas um total de 36 espécies pertencentes a 10
famílias. A regeneração natural é dominada pelos indivíduos de espécie colophospermum
mopane. Na análise da regeneração não estabelecida e estabelecida, a espécie colophospermum
mopane apresentou maior abundância, maior frequência, maior dominância e maior indice de
valor de importância em relação as outras espécies em regeneração. Para a estrutura diamétrica
da vegetação, verificou-se uma curva característica das florestas naturais (`j` invertido), com
grande concentração de indivíduos nas classes inferiores de diâmetro. Portanto, o potencial de
reposição da colophospermum mopane após a perturbação (antrópica ou natural) dos indivíduos
adultos é alto, embora haja desequilíbrio na conservação. Este estudo é de extrema importância
pois pode servir de base na definição de estratégias de recuperação e conservação florestal, como
também na elaboração do plano de maneio nessa comunidade.

Palavras-chave: Colophospermum mopane, Regeneração natural, Levantamento


fitossociológico, Estado de Conservação.

ix
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

ABSTRACT
The study aimed to evaluate the level of natural regeneration of Mopane in the Mwamandzele
community in Mabalane district. For this study 22 clusters corresponding to 88 plots were
established, each plot had a size of 100x20 m and within each plot was established, 10mx15m
subplot for established regeneration (with DBH between 5 - 10 cm), and another subplot. -
5mx5m plot for counting all individuals in regeneration not established (these with DBH <5 cm).
The data obtained were processed using a Microsoft excel 2010 spreadsheet, where the
horizontal structure of the vegetation was evaluated by calculating: relative frequency (FR),
relative abundance (ABR), relative dominance (DOR), importance value index (IVI) ). The study
area is formed by the Mopane forest where a total of 36 species belonging to 10 families were
recorded. Natural regeneration is dominated by individuals of the colophospermum mopane
species. In the analysis of regeneration not established the species colophospermum mopane
showed higher abundance and more frequently, for the established regeneration the species
colophospermum mopane compared to other species showed higher abundance, dominance and
frequency. For the diameter structure of the vegetation, a characteristic curve of the natural
forests (inverted) was verified, with great concentration of individuals in the lower classes of
diameter. Therefore, the potential for colophospermum mopane replacement after disturbance
(anthropic or natural) in adult individuals is high, but there is an imbalance in conservation. This
study is extremely important because it will serve as a basis for the definition of forest recovery
and conservation strategies, as well as the elaboration of the management plan in this
community.

Keywords: Colophospermum mopane, Natural regeneration, Phytosociological survey,


Conservation status.

x
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

1. INTRODUÇÃO
Segundo Gama et al., (2002) a regeneração natural decorre da interação de processos naturais de
restabelecimento do ecossistema florestal. Para Fonseca et al., (2013) a regeneração faz parte do
ciclo de crescimento da floresta que se reflecte nas fases iniciais de estabelecimento e
desenvolvimento.
A regeneração natural também pode ser interpretada como um dos extratos da floresta, formado
pelo banco de plântulas e indivíduos jovens, e também como o processo em que as florestas se
regeneram após distúrbios (Victoria, 2014). O sucesso da regeneração natural dependerá
principalmente da capacidade dos propágulos de fontes florestais adjacentes alcançarem a área
em restauração, sendo que a fauna dispersora de sementes é apontada como o principal agente
para que isso aconteça com sucesso (Volpado et al., 2012).

Em alguns dos ambientes antropizados, o processo de regeneração natural pode ser observado
ocorrendo de forma lenta e dependente de fatores como: condições ambientais (clima e
declividade), tipo, intensidade de distúrbio, distância, e fonte de propágulos (Venturoli et al.,
2011). Nos ambientes onde as condições são favoráveis, o processo de regeneração acontece de
forma mais espontânea, sendo ordenado e previsível por meio da dinâmica de sucessão das
espécies vegetais envolvidas (Silveira e Silva, 2010).

Conhecer a flora e a estrutura comunitária da vegetação natural é importante para o


desenvolvimento de modelos de conservação e maneio de áreas remanescentes, bem como para a
recuperação de áreas perturbadas ou degradadas (Rodrigues e Araújo, 1997). Tais estudos podem
fornecer informações necessárias para a realização de futuros reflorestamentos (Gomes et al.,
2004).

A regeneração natural é de extrema importância para a restauração florestal de novas áreas que
necessitam de uma recuperação ambiental e também em fragmentos florestais já estabelecidos,
pois a mesma auxilia no processo de renovação da composição florística do local e a manutenção
das espécies nativas de uma determinada região (Huller, 2011).

Entretanto, o aproveitamento das florestas não seguem padrões e processos universais


estabelecidos, eles têm sido acelerados de forma desordenada e resultam na eliminação de

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

biomas inteiros. Porém existem boas práticas que podem ser seguidas, isto é, buscar alternativas
de um uso mais sustentável e, em alguns casos prover a recuperação das mesmas (Moran, 2009).

O Mopane é caracterizado pela dominância da espécie Colophospermummopane, sendo esta,


uma espécie que distribui-se habitualmente em unidades descontínuas (EBM, 2010).

A vegetação de Mopane é constituída predominantemente por estratos arbóreos e arbustivos,


sendo os principais tipos de vegetação as savanas secas com árvores decíduas e as savanas
secundárias de média e baixa altitude. Outras espécies presentes neste tipo de vegetação para
além do Mopane, incluem a Sclerocaryabirrea, o Combretumsp., a Terminaliasericea, o
Strychnossp e outras (Bila e Mabjaia, 2012).

Estudos instalados em florestas têm permitido uma melhor compreensão sobre os aspectos
dinâmicos dos ecossistemas, podendo levar a uma estratégia adequada de maneio e conservação
dos ecossistemas. Portanto, tornou-se necessária a avaliação da regeneração do mopane, pois por
meio dessa informação, pode chegar-se a soluções confiáveis, por meio do desenvolvimento de
plano de maneio apropriado e assim, permitir o monitoramento e a compreensão das mudanças
mais significativas neste ecossistema, baseando-se na quantidade de indivíduos em processo de
regeneração.

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

1.1.PROBLEMA E JUSTIFICATIVA
A exploração de recursos florestais para diferentes fins e principalmente a exploração de
biomassa lenhosa e madeireira das florestas naturais, não está a ser realizada com base
numconhecimento da ecologia e requisitos das espécies nativas (sua capacidade de regeneração e
taxas de incremento, e nos processos de evolução e sucessão florestal após perturbação). Isto
resulta na degradação dos ecossistemas, pondo em causa a sustentabilidade do recurso florestal
(IIAM, 2009)
Esta insustentabilidade no uso e aproveitamento dos recursos florestais é notável no distrito de
Mabalane na floresta de mopane, dominada pelo Colophospemum mopane. O distrito é um dos
potenciais produtores de carvão vegetal da zona sul do país, dada à presença do
Colophospermum mopane, espécie preferida pelos compradores, pela sua capacidade de produzir
carvão de alta qualidade. E apesar do contributo socioeconómico desta actividade para a
população do distrito, o ritmo com que a espécie está sendo explorada pode comprometer a
sustentabilidade dos recursos florestais existentes no distrito (MAE, 2005; BILA, 2005; MICOA,
2006). Contudo, a exploração insustentável de Colophospemum mopane pode, reduzir a renda
familiar da comunidade e aumentar os índices de pobreza e fome, visto que muitas famílias
dependem da exploração de carvão vegetal para a sobrevivência. Uma vez que o crescimento de
Colophospermum mopane é relativamente lento sendo ela uma espécie nativa, o estudo vem
avaliar o nível de regeneração para que sirva de base na determinação das possíveis vias que
podem ser usadas para maximizar o sucesso da regeneração natural desta espécie, como também
na definição de estratégias de recuperação florestal.

Dado ao desconhecimento quase generalizado do nível de regeneração natural do C. mopane, sua


magnitude, far-se-à este estudo de forma a fornecer dados para se conhecer o retorno do que se é
tirado, com vista a traçar caminhos ou técnicas para a conservação e uso dos recursos florestais
no país.

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

1.2.OBJECTIVOS
1.2.1. Geral
 Avaliar o nível de Regeneração natural do Colophospermum mopane na comunidade de
Mwamandzeleno distrito de Mabalane.

1.2.2. Específicos

 Caracterizar a composição florística da vegetação do Mopanena comunidade de


Mwamandzele;
 Determinar a abundância, frequência, dominância, e índice de valor de importância do
Mopane na comunidade de Mwamandzele;
 Caracterizar a forma de regeneração do Colophospermum mopane;
 Determinar a estrutura diamétrica da vegetação do mopane;
 Avaliar o estado de conservação do Colosphospermum mopane.

1.2.3. HIPÓTESES
 H0- A Colophospermum mopane na comunidade de Mwamandzele apresenta um bom
nível de regeneração natural;
 H1- A Colophospermum mopane na comunidade de Mwamandzele não apresenta um
bom nível de regeneração natural.

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1.Caracterização da comunidade vegetal de mopane


A vegetação de Mopane é constituída predominantemente por estratos arbóreos e arbustivos
sendo os principais tipos de vegetação secas, árvores decíduas e as savanas secundárias de média
e baixa altitude (Ribeiro e Nhabanga, 2009).Por outro lado, o Mopane é um recurso importante
ecológica e economicamente, sendo útil para a diversidade de várias espécies de mamíferos além
de ser endémica para alguns répteis e aves.

Mopane constitui alimento importante para ruminantes e esta espécie arbórea é hospedeira da
lagarta Gonimbrasia belina (Westwood) (Lepidoptera: Saturniidae), fonte de proteína para as
populações locais e igualmente relevante para a economia local. Adicionalmente, do Mopane
obtêm-se madeira para construção e fonte de energia a partir da extracção da lenha e produção de
carvão vegetal, fonte importante de renda nas economias rurais além de consumo doméstico.

Adicionalmente, a árvore é hospedeira da mais importante larva sazonal, a larva do mopane


(Gonimbrasia belina, da família Saturniidae e ordem Lepidoptera) - uma importante fonte de
proteína e de economia local (Estratégia e plano de acção para a conservação da diversidade
biológica de Moçambique. 2003)

O género Colosphermum ocorre na região da África Austral em Zimbabwe, Botswana, Zâmbia,


Angola, Malawi e Moçambique, na região ecológica, caracterizada por chuvas tropicais de verão,
com 450 700 mm por ano entre as temperaturas de -4°C a 46°C e em altitudes de 200 a 600m
(Muzime, 2015).
Segundo MICOA (1998), a floresta de Mopane é o segundo tipo de floresta mais extenso no país,
pois ocupa especialmente a área do Limpopo- Save e a parte alta do Vale do Zambeze, e é
caracterizada predominantemente pela ocorrência de árvores e arbustos. Porém, ocorre
largamente no vale do Limpopo, em toda a região Noroeste da província de Gaza desde o
Chókwe até ligeiramente ao norte do rio Save (Sitoe, 2001).

2.2.Descrição botânica de colophospermum mopane


Colophospermum mopane é uma espécie florestal da família Fabaceace, subfamília
Caesalpinioideae, conhecida vulgarmente como Mopane (Bila, 2012). Esta espécie se desenvolve

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

em regiões quentes e secas, de baixa altitude e ocorre em solos argilosos, mas pode crescer em
solos aluviais entre outros (Bila e Mabjaia, 2012).Em Moçambique Colophospermummopane é
conhecida como mopane, e em Gaza particularmente em Mabalane “como xanatsi” (Muzime,
2015).

2.2.1. Caracterização e ocorrência de Colophospermum mopane


A colophospermum mopane apresenta-se como árvore de pequeno ou médio porte e atinge uma
altura entre 4 e 18 m de altura. A sua madeira dura, de cor vermelha, resistente ao tempo, é
utilizada para fins decorativos para pisos ou como isolante térmico, mas também é usada para a
fabricação de instrumentos musicais e como combustível lenhoso (lenha e carvão). O tronco das
árvores maiores é usado como postes, pilares na construção de moradia rural típica moçambicana
e cercas (Bila, 2012). As suas folhas e ramos novos são comidos pelos elefantes e camelos. Serve
também para a alimentação de larvas de Imbrasia belina, esta última usada como fonte de
proteínas para as populações. Ramos e cinzas desta espécie são usados pelas comunidades rurais
como creme dental para a limpeza dos dentes, sendo C. mopane também usada como planta
medicinal para o tratamento de várias doenças humanas (Bila, 2012).

2.3.Exploração de combustível lenhoso (lenha e carvão vegetal)


O consumo de combustíveis lenhosos (lenha e carvão vegetal) foi estimado em cerca de 9.3 e 5.5
milhões de toneladas por ano na zona rural e urbana, respectivamente, totalizando 14.8 milhões
de toneladas a nível nacional (Sitoeet, al. 2007). Estas estimativas são equivalentes a um
consumo per capita de 1-1.2 m3 por ano. O preocupante comrespeito à sustentabilidade da
exploração de lenha ecarvão é que este valor está muito acima do volumede corte anual
admissível para madeiras comerciais.
A produção de carvão vegetal está associada a um maior impacto ambiental do que a de lenha,
tem sido referida como uma das principais causas do desmatamento na África (Cuvilas et al.
2010).Isto ocorre porque o carvão é geralmente feito de troncos ou grandes ramos e exige corte
de árvores (Girard 2002). A indústria de carvão vegetal que abastece aglomerações urbanas
opera em grandes áreas, deslocando-se quando as áreas de produção estão esgotadas (Pereira et
al. 2001).

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

2.4.Regeneração natural
Segundo Pantaleão (2008) a regeneração natural das espécies florestais no ecossistema constitui
o apoio ecológico de sua sobrevivência.

No processo de regeneração da floresta, a geração de novos indivíduos se dá através de


propágulos oriundos da dispersão (chuva de sementes), pelo banco de sementes ou plântulas ou
ainda a partir da reprodução vegetativa (Rodrigueset al., 2004).

2.4.1. Métodos de avaliação da Regeneração natural


Os elementos mais importantes na avaliação da regeneração natural são: a abundância e a
distribuição das plantas. Isto porque a nova população deve ter um número suficiente de plantas
por unidade de área, além de apresentar uniformidade na distribuição, de forma que, não se
apresentem grandes áreas vazias (Rodrigues et al., 2004).

2.4.1.1.Método de abundância das plantas


Segundo Tadeu (1996) a abundância, número de plantas por unidade de área, é o método de
avaliação mais antigo que se conhece. Atualmente, praticamente toda pesquisa de regeneração
natural contém dados sobre a abundância de plantas. Este tipo de avaliação apresenta resultados
importantes, no entanto, é um método trabalhoso e que por si só não consegue avaliar
satisfatoriamente as condições em que se encontra o processo regenerativo. O levantamento da
abundância é feito através de parcelas que podem ser de forma quadrada, retangular ou circular.

2.4.1.2.Método das distâncias das plantas


O método das distâncias tem por base a distância entre as plantas. Esta distância pode ser medida
entre uma planta e sua vizinha mais próxima ou entre um ponto marcado sistematicamente a
planta mais próxima, as plantas devem ser numeradas e sorteadas ao acaso o que consome mais
tempo (Matney e Hodges, 1991). Este método das distâncias é prático e eficiente, pois com o
auxílio do diagrama de áreas vazias pode-se obter facilmente o tamanho das áreas desocupadas e
sua frequência, o que permite uma análise apurada sobre a distribuição das plantas.

2.5.Estrutura e composição florística


Segundo Bila (2012) a composição e estrutura de uma floresta determinam as características
peculiares que as diferenciam das outras formações vegetais. A estrutura de uma floresta é

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

definida como sendo a combinação da estrutura vertical e a estrutura horizontal sobre uma
determinada área (Sitoe, 1996). Segundo o mesmo autor a estrutura vertical está relacionada aos
estratos neste caso, as plantas herbáceas, subarbustivas, arbustivas, subarbóreas e arbóreas,
enquanto que a estrutura horizontal está relacionada com a abundância, dominância, frequência
relativa e absoluta.

Na estrutura vertical considera-se a posição sociológica ou expansão vertical das espécies, que
fornece a composição florística dos diferentes estratos do povoamento, e um parâmetro definido
como regeneração natural relativa, que diz respeito somente às plantas jovens, ou seja, aquelas
cujas dimensões estão entre 10 cm de altura e ou 15 cm de DAP, ou até o limite de diâmetro pré-
estabelecido (Finol 1971).

Para determinar o parâmetro regeneração natural relativa (RNR) é necessário calcular a


abundância, a frequência e as classes de tamanho, nas quais ocorre a regeneração natural juvenil.
A determinação da estrutura horizontal possibilita o cálculo do Índice do Valor de Importância
(lVI), que, segundo Finol (1971), melhor caracteriza a importância fitossociológica de cada
espécie dentro da floresta, por somar parâmetros horizontais e verticais.

2.6.Conservação dos recursos florestais


A conservação dos recursos florestais é do facto de que, os mesmos são limitados e de que existe
um nível acima do qual a capacidade de regeneração e reconstrução do ecossistema podeficar
ameaçado, torna-se ainda mais desafiador quando os recursos florestais são abundantes na área
sob gestão comunitária, tal como é actualmente o caso de Moçambique (Jamisse, 2013).

2.6.1. Método de avaliação da conservação dos recursos florestais:


2.6.1.1.Distribuição diamétrica usando quociente De Liocourt.
A distribuição diamétrica em correspondência com o quociente de DeLiocourt tem sido usada
para avaliar o estado de conservação dos recursos florestais, servindo para caracterizar tipologias
vegetais (formações florestais, formações campestres), estágios sucessionais, regimes de maneio,
processos de dinâmicas de crescimento e produção, e sobretudo, como verificador de
sustentabilidade ambiental de maneio (Júnior, 2007).

8
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

2.7.Técnicas de colecta de dados


 Inquérito;
 Observação directa;
 Inventário florestal.

2.7.1. Método de observação directa


Segundo Barbosa (2008), os métodos de observação directa constituem os únicos métodos de
investigação social que captam os comportamentos no momento em que eles se produzem e em
si mesmo, sem a mediação de um documento ou de um testemunho. A observação pode assumir
formas diferentes, participante do tipo etnológico, ou, não participante.

2.7.2. Método de inventário florestal


O Inventário Florestal é definido como sendo uma actividade que visa obter informações
qualitativas e quantitativas dos recursos naturais e ou socio económicos, existentes em uma área
pré-estabelecida, a qual denomina-se de população, com o objectivo de bem administrá-la e
servir de base para bem planejar sua utilização racional, e ou sua recuperação ambiental se for o
caso (Barros, 2008).

2.8.Procedimentos e Métodos de Amostragem de Vegetação


A amostragem da vegetação é uma ferramenta extremamente útil aplicada em diferentes estudos
(composição florística, fitogeografia, maneio, dinâmica). No entanto, procedimentos distintos
são necessários para atender, com sucesso, diferentes objetivos de um estudo. Planear a
amostragem é o primeiro passo de um estudo de qualidade, uma vez definida a sua pergunta,
hipótese e objetivo (Nara et al., 2013).

Os métodos de amostragem para vegetação podem ser divididos em dois tipos básicos: os de área
fixa (como as parcelas) e os de área variável (como o ponto-quadrante).

2.8.1. Amostragem de Área Fixa


As amostragens de área fixa são utilizadas mais amplamente quando comparadas às amostragens
de área variável, uma vez que ela possui área definida, permitindo análises quantitativas mais
diretas (Nettoe Brena, 1997).

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

Segundo Naraetal., (2013), quanto à forma, encontramos três tipos básicos: retangulares,
quadradas e circulares, sendo a primeira com maior efeito de borda, decaindo respectivamente
em direção à última. A forma retangular capta melhor os efeitos de gradiente e facilita a
orientação dos trabalhos de parcela. Já as circulares, apesar de sofrerem pouco com o efeito de
borda, possuem um grau de dificuldade de delimitação extremamente elevado.

Os métodos de parcelas são os mais utilizados em trabalhos de fitossociologia, podendo ser


aplicado em estudos com espécies herbáceas ou lenhosas. Parcela geralmente é um quadrado ou
retângulo com uma área conhecida que é estabelecido na vegetação, restringindo a área de coleta
de dados, e que contém as propriedades que se querem estudar.

Geralmente, estudos fitossociológicos com espécies lenhosas utilizam 1ha da vegetação como
área de amostragem (Moro e Martins 2011). Para ecossistemas muito ricos em espécies,
entretanto, essa área geralmente é suficiente para fornecerboa estimativa dos atributos
fitossociológicos, mas dará apenas uma ideia superficial da riqueza de espécies do local.

2.8.1.1.Parcelas Permanentes
Esse método é usado em estudos que desejam conhecer a dinâmica da comunidade vegetal.
Quantas plantas morrem, quantas ingressam na menor classe de tamanho, etc. Nesses casos,
inventários fitossociológicos são realizados periodicamente nas mesmas parcelas para captar as
mudanças na comunidade ao longo do tempo.

2.8.2. Amostragem de Área Variável

É um método com limitações para estudos de dinâmica. Entretanto, tem-se mostrado um bom
método para estimar a riquezaflorística. O método de quadrantes é um dos mais comumente
utilizados em estudoscom área variável (Felfiliet al. 2011).O método de quadrantes, também
chamado de pontos-quadrantes, consiste em usar uma vara para marcar um ponto no meio da
vegetação. Uma vez estabelecido o ponto, divide-se a área ao redor dele em quatro quadrantes, e
mede se a distância do centro ao ponto até a árvore ou arbusto mais próximo em cada quadrante,
registando os atributos desse indivíduo mais próximo (Moro e Martins 2011).

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

Devido à baixa amostragem em cada ponto (apenas quatro indivíduos), para incluir uma porção
significativa da comunidade será necessário um número maior de pontos amostrados quando
comparado com o método de parcelas fixas.

2.9.Processos de amostragem
Segundo Narav et al., (2013) o processos de amostragem subdividem se em:

2.9.1. Amostragem Aleatória


Todas as unidades amostrais têm a mesma probabilidade de ocorrência. A área de estudo deve
ser dividida em parcelas de igual tamanho e forma, tendo cada uma a mesma chance de ocorrer
por sorteio. É amplamente utilizada em universos amostrais com populações homogêneas e
claramente definidas.

2.9.2. Amostragem Estratificada


Em um universo amostral com diferentes fisionomias, recomenda-se fazer uma amostragem
estratificada que consiste nasubdivisão dos estratos, seguida da amostragem aleatória em cada
um dos mesmos. As médias e desvios-padrão deverão ser calculadas para cada estrato. O cálculo
da intensidade amostral, erros amostrais e intervalos de confiança seguem os mesmos princípios
para amostragem aleatória. O fator limitante para aplicação da amostragem estratificada é o não
conhecimento de todos os estratos que compõem a área de estudo ou universo amostral.

2.9.3. Amostragem Sistemática


A primeira unidade é alocada aleatoriamente ou arbitrariamente, seguida da alocação das demais
unidades amostrais em intervalos com espaços regulares. É indicada para amostragens com forte
gradiente ambiental ou quando há dificuldades de acesso. É uma das amostragens mais
implementadas em inventários quantitativos devido à facilidade de alocação das parcelas em
campo, bem como são mais “representativas” dentro do universo amostral. O maior problema em
relação à amostragem sistemática deve-se ao fato de não poder cumprir a premissa de todas as
unidades amostrais terem a mesma chance de serem amostradas.

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

2.10. Métodos de Levantamento Fitossociológico

2.10.1. Métodos qualitativos


Os estudos qualitativos também fornecem importantes informações sobre as espécies (hábito,
habitat, possíveis ameaças, amplitude de distribuição), subsidiando a elaboração de listas de
espécies ameaçadas, bem como a elaboração da política nacional sobre o uso e ocupação do solo.

2.10.2. Métodos quantitativos


Em adição aos inventários florísticos, que visam a qualificar a riqueza local de espécies, os
estudos quantitativos buscam compreender a estrutura ou fisionomia da comunidade vegetal
(Moro e Martins 2011).

2.11. Parâmetros para determinar a fitossociologia


Para descrever a estrutura das comunidades e das populações foram utilizados os parâmetros
fitossociológicos conforme Dombois (1974):

2.11.1. Frequências
Frequência (Fr): considera o número de parcelas em que uma espécie ocorre, indica a dispersão
média de cada espécie (sempre em %) (Franczak, 2006).
Frequência Absoluta: é a relação entre o número de parcelas em que uma espécie ocorre e o
número total de parcelas amostradas.

2.11.2. Abundância
Segundo Schneider e Finger (2000), a abundância avalia o grau de participação das diferentes
espécies identificadas na composição vegetal. É obtida pela razão entre o número total de
indivíduos da espécie e o número de unidades de amostra ocupadas por esses indivíduos.
Abundância absoluta (Abs): é simplesmente o número de árvores de cada espécie relacionado
por unidade amostral.
Abundância relativa (Abrel): é a percentagem do número de árvores que corresponde a cada
espécie por unidade amostral (Norton, 1978).

2.11.3. Dominâncias
A dominância expressa a proporção de tamanho, biomassa, volume ou de cobertura de cada
espécie, em relação ao espaço ou volume ocupado pela comunidade (Schneider e Finger, 2000).

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

De acordo com Lamprecht (1990), a dominância é o grau de cobertura das espécies como
expressão do espaço por elas requerido. As áreas basais são calculadas a partir das medidas de
diâmetro ou circunferência dos caules das árvores e arbustos. Este parâmetro pode ser estimado
na forma absoluta e relativa (Nappo, 1999).

Dominância Absoluta: expressa a área basal de uma espécie i na área.

Dominância relativa (Dorel): é a percentagem da área basal que corresponde a cada espécie, em
relação à área basal total/amostra (Longhi, 1980).

2.11.4. Ìndice de valor de importância (IVI)


IVI é calculado pela soma dos valores relativos da abundância, frequência e dominância por
espécie (Medeiros, 2004).

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

3. METODOLOGIA

3.1.Localização Geográfica comunidade


O estudo foi realizado na comunidade de Mwamandzele, no distrito de Mabalane, na província
de Gaza que está localizado no norte da província, fazendo fronteira a Norte com o distrito de
Mapai, a Sul com os distritos de Guijá e Chókwé, a Este com os distritos de Chigubo e Guijá e a
Oeste com Massingir (MAE, 2005). O distrito de Mabalanepossue uma extensão de área de cerca
de 9107 km2 (MAE, 2005).

Concretamente a comunidade de Mwamadzele esta delimitado a norte pelo povoados de


Mabuapasse e Matenga, a sul pelas comunidades de Djodjo e Mungige, a Este pela comunidade
de Mavale, a Oeste com o povoado de Tindzawene, e é atravessado pelo rio Chichacuare na
regiao mais sudoeste.

Figura 1:Mapa da área de estudo

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

3.2.Topografia
A maior parte do distrito tem altitudes inferiores a 200m, podendo, contudo, ao longo dos limites
com o Chicualacuala e Massingir as cotas atingirem altitudes entre os 200 e 500m (Branco de
1983, Smith 1998). A estas manchas correspondem terrenos geralmente quase plano a ondulado,
tornando-se, por vezes, acidentado junto dos limites com os distritos supracitados (INIA-DTA,
1995).

3.3.Relevo
Segundo MAE (2005), o relevo do distrito de Mabalane ligeiramente acidentado, mas com
altitudes inferiores a 200m, é caracterizada por três principais unidades de solos com base
principalmente na fisiografia do terreno, na textura e na cor: argilosos localizados nas zonas
baixas e nas encostas inferiores; arenosos, localizados nas zonas altas; e solos franco argilosos,
localizados nas zonas intermédias.

3.4.Solos
Os solos predominantes na faixa fronteiriça são arenosos característicos da cobertura arenosa de
espessura variável sobre os depósitos de Mananga, de solos vermelhos e pardos, derivados de
calcários, e de solos cinzentos (arenosos, argilosos e hidromórficos). Ao longo da planície de
Limpopo ocorrem solos aluviares, que são férteis para a agricultura, os solos do tipo Mananga
dominam a superfície do distrito e variam desde mananga de coluviões argilosos até a manangas
com cobertura arenosa (Bila e Mabjaia, 2012).

3.5.Clima
Segundo a classificação de Koppen, o clima do distrito é do tipo tropical seco com duas estações,
uma quente e chuvosa de Novembro a Março e outra seca e fria de Abril a Outubro. A
precipitação média anual é inferior a 500 mm, temperaturas médias anuais superiores a 24 ºC e
inferiores a 26 ºC e humidade média anual entre 60 a 65%. A evapotranspiração potencial de
referência (ETo) geralmente superior a 1500 mm e, a maior parte da região apresenta
temperaturas médias anuais superiores a 24°C, que agravam consideravelmente as condições de
fraca precipitação provocando deficiências de água superiores a 800mm anuais (MAE, 2005).

3.6.Hidrografia
O Distrito é atravessado de norte a sul, na sua faixa ocidental, pelo rio Limpopo. O relevo do
distrito, ligeiramente acidentado, favorece o percurso de vários cursos de água não

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

perma0nentes, sendo de destacar os rios Chigombe, a Norte, o rio Sungutane no centro e os rios
Chichakware e ramos do rio Mbalavala, a Sul. Na zona Oeste do distrito correm os rios Japé e
Nhimbaingue. A maior parte do Distrito de Mabalane é composto por aquíferos profundos (com
mais de 100 metros), mostrando uma variação de alta a baixa produtividade com ocorrência
nalgumas vezes de água salobre. (PEDDM, 2008).

3.7.Vegetação

Segundo Maposse (2003), destaca cinco tipos de vegetação no distrito de Mabalane


nomeadamente, a floresta galeria e mata aberta ou fechada que se desenvolve em solos de
aluviões, a pradaria e mata brenhosa que incluem a chanatse (Colophospemum mopane) que
apresenta aproximadamente 80% da vegetação de todo distrito e desenvolvem-se em solos de
coluviões argilosos de mananga, a mata arbustiva mediana dos solos pouco profundos, a mata
aberta oumatagal dos solos de mananga e as savanas ou pradarias que se desenvolvem em solos
arenosos não especificados.

O Distrito de Mabalane possui como espécies predominantes o Colophospermum mopanee a


Androstachis johnsonii, bem como outras menos predominantes, como Terminalia sericea,
Afzelia quanzenzis, Strychnos madagascarensis, Vangueria infauta e Adansonia digitata
(Instituto Nacional de Investigação Agrária, 1999; Citados por Bila e Mabjaia, 2012).
A relação entre a flora e o tipo de solo revela que, nos solos mais arenosos predominam a
TerminaliasericeaeRhigozumsp. e, à medida que o solo se torna mais fraco, verifica-se um
aumento de espécies dos géneros Acacia, Commiphora, Grewia e Combretum. Por outro lado, à
medida que o solo se torna mais argiloso, o tipo de vegetação transita para o Colophospermum
mopane (Instituto Nacional de Investigação Agrária, 1999; Citados por Bila e Mabjaia, 2012).

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

3.8.Materiais e métodos
O estudo sobre o nível de regeneração natural, foi realizado num período de 2 semanas. Para a
colecta de dados foram usados os seguintes materiais:
Tabela 1:Lista do material necessário para realização das actividades.

Tipo de material Função


Suta Para a medição do DAP.
Fita métrica Para o dimensionamento das parcelas
Gps Para a localização dos pontos e marcação das coordenadas nas
parcelas
Corda Para delimitar as parcelas
Vara de 3m Auxílio na medição da altura
Tesoura de poda Corte de espécimes para identificação
Folhas do campo Para o registo das árvores no campo
Caneta Registo
Máquina fotográfica Fotografar a actividade
Marcador Marcação dos pontos

3.9. Alocação de pontos de amostragem na área de estudo


Para a colecta de dados primeiramente, foram alocados pontos amostrais na àrea de estudo com
auxílio do programa Quantum GIS e Google Earth.

3.10. Alocação das parcelas para colecta de dados


Para colecta de dados, primeiramente foram seleccionados pontos de amostragem aleatoriamente
no mapa da àrea de estudo. Os pontos de amostragem foram alocados na àrea de estudo
previamente com auxílio de Google Earth. Cada ponto amostral, correspondia um cluster. Na
àrea de estudo, foram alocadas 22 clusters que correspondem 88 parcelas de forma rectangular
de 0,2 ha cada (100 x 20 m), obedecendo uma distribuição aleatória.

A primeira parcela do cluster, foi estabelecida obedecendo a orientação “Norte” do GPS. Dentro
de cada parcela estabeleceu-se sub-parcela de 10mx15m para regeneração estabelecida ( com
DAP 5 - 10 cm), e outrasub-parcela de 5mx5m para contagem de todos os indivíduos em
regeneração não estabelecida (estes com DAP< 5 cm). As parcelas subsequentes foram

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

estabelecidas obedecendo uma distância de 300 m uma da outra, partindo da primeira parcela
formando um cluster.

3.10.1. Layout das Parcelas


A figura 2 mostra layout usado para alocação dos clusters no local de colecta de dados assim
como as respectivas distâncias usadas durante o processo.

O esquema das parcelas encontrava-se disposto da seguinte maneira:

Figura 2: Esquema das parcelas para o levantamento dos dados dendrométricos, onde: (1)
parcela de 100x20 m2 (árvores adultas, DAP ≥ 10 cm); (2) parcela de 10x15m2 metros
(regeneração estabelecida).

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

3.11. Levantamento de dados dendrométricos


Em cada parcela estabelecida foram colhidos e registados dados referentes a um dosprincipais
parâmetros dendrométricos, nomeadamente, Diâmetro a altura do peito (DAP), de todas as
árvores adultas (com DAP superior a 10 cm) inclusas na parcela principal (100 x 20 metros).
Para amostragem da regeneração, nas sub-parcelas de 5mx5m foi feita a contagem de todas as
plantas em regeneração não estabelecida (plantas com DAP <5 cm), no caso rebrotação de cepós,
contava se cada rebroto como uma árvore individual, também colhia-se informação referente a
forma de regenerar (semente/rebroto) e nas sub-parcela de 10mx15 m foi feita a medição de
DAP, da regeneração estabelecida (plantas com DAP entre 5 a 10 cm) .
O DAP foi medido com auxílio da suta, a 1.3 metros da superfície do solo, sendo que, no caso de
uma bifurcação abaixo de 1.3 m, considerou-se cada bifurcação como uma árvore individual.

3.12. Análise de dados

Os dados foram analisados na planilha electrónica Microsoft Office Excel 2010, onde foram
calculados os valores dos seguintes parâmetros relativos à estrutura horizontal: abundância (Ab);
frequência (Fr); dominância (Dor); assim como o índice de valor de importância (IVI). Todos os
parâmetros, foram calculados com base nas seguintes equações:

3.12.1. Estrutura horizontal


A análise da estrutura horizontal consiste na avaliação da distribuição espacial de todas as
espécies que compõem a população, considerando a participação de cada espécie em relação as
outras. E é expressa pelos seguintes parâmetros quantitativos: Abundância, Dominância e
Frequência, expressos em termos absolutos e relativos, que no seu conjunto expressam a
importância de cada espécie na floresta, dada pelo Índice de Valor de Importância – IVI (Husch,
et al., 1982).

3.12.1.1. Abundância absoluta


A Abundância absoluta foi determinada com base na equação (2), onde a partir do número total
dos indivíduos de cada espécie foi dividido por unidade de área, de modo a obter o número de
indivíduos de cada espécie em função da área.
ni
𝐴𝑏 = areaEquação (1)

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

Sendo: ni = número de indivíduos da espécie i.

3.12.1.2. Abundância Relativa (Abr)


A abundância relativa foi determinada com base na equação (3), onde dividiu-se o número dos
indivíduos de cada espécie com o total dos indivíduos pertencentes a área multiplicando pelo 100
transformando-se assim em valores percentuais.
ni
𝐴𝑏𝑟 = ∗ 100 Equação (2).
N

Sendo: ni = número de indivíduos da espécie i.

N = número total de indivíduos.

3.12.1.3. Frequências
A frequência absoluta foi calculada com base na equação (4), onde dividiu-se o número de
parcelas em que uma espécie ocorre com o número total de parcelas amostradas multiplicado por
100, assim sendo, a dispersão média de cada espécie foi (expressa em %).

Pi
𝐹𝑎 = ∗ 100 Equação (3)
P

Sendo: Pi = número de parcelas com ocorrência da espécie i.

P = número total de parcelas.

Frequência relativa determinou-se pela divisão da frequência absoluta de cada especie com a
soma de todas as frequências absolutas das parcelas, este que se considera igual a 100% com
base na equação (4).

Fai
𝐹𝑟 = ∑ 𝐹𝑎Equação (5)

Sendo: Fai = frequência absoluta da espécie i.

ΣFa = somatório das frequências absolutas de todas as espécies.

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

3.12.1.4. Dominâncias
A dominância absoluta foi calculada com base nas equações (6 e 7), onde dividiu-se a área basal
de uma determinada espéce pela área, de modo a obter o somatório da área basal dos indivíduos
pertencentes a uma determinada espécie.

gi
𝐷𝑜𝑎 = areaEquação (6)

π
𝑔𝑖 = 4 ∗ 𝐷𝐴𝑃2 Equação (7)

Onde:
gi=área basal da espécie i.
DAP= diâmetro a 1.3m acima do nível do solo de cada indivíduo.

Dominância relativa determinou-se pela relação em percentagem, da área basal total de uma
determinada espécie pela área basal total (soma das áreas basais) de todas as espécies
amostradas, com base na equação (8).

gi
𝐷𝑜𝑟 = G *100 Equação (8)

Sendo: G = Σgi

3.12.1.5. Índice de valor de importância (IVI)


O Índice de Valor de Importância (IVI), calculou-se com base na equação (9), onde fez-se o
somatório dos valores relativos de abundância, dominância e frequência de cada espécie.

Onde:

IVI= ABr+Fr+DorEquação (9)


ABr- abundância relativa;
Fr- frequência relativa;
Dor- dominância relativa.

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

3.12.1.6. Medidas de precisão do inventário florestal

Com base nos parâmetros dendrométricos serão determinados parâmetros estatísticos como:
Média, Variância, Desvio padrão,Variância da média, Erro padrão, Coeficiente de variação, Erro
de amostragem absoluto e relativo, como mostram as formulas na tabela 3:

Tabela 2:Formulas estatísticas para analise de precisão dos métodos

Parâmetro Formula Discrição


𝑦𝑖 = variável de interesse;
∑𝑛𝑖(𝑦𝑖 − ȳ) ȳ = média;
Variância 𝑆𝑦2 =
𝑛−1 n = número de unidades amostradas ou medidas.

Desvio Padrão 𝑆𝑦 = √𝑆𝑌2 𝑆𝑌2 = Variancia.


𝑦𝑖 = variável de interesse;
Variância da ∑𝑖𝑛(𝑦𝑖 −ȳ)2 ȳ = média;
𝑆ȳ2 =
media 𝑛∗(𝑛−1) n = número de unidades amostradas ou medidas.

Erro padrão 𝑆ȳ = √𝑆ȳ2 𝑆ȳ2 = variância da media


Coeficiente de 𝑆𝑦 𝑆𝑦 = Desvio padrão
𝐶𝑉 = 𝑥100% n = número de unidades amostradas ou medidas.
variação 𝑛

t = valor t tabelado, da distribuição de Student, em


Erro absoluto Ea= ±t*𝑆ȳ função dos graus de liberdade;
𝑆ȳ = Erro padrão
t = valor t tabelado, da distribuição de Student, em
t∗𝑆ȳ função dos graus de liberdade;
Erro relativo Er=± ∗ 100 𝑆ȳ = Erro padrão,
ȳ
ȳ = media.
Intervalo de ȳ = media.
IC= ȳ±Ea
confiança Ea- Erro absoluto

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1.1. Composição florística


Durante o estudo foram registadas 33 espécies no total pertecentes a 17 familias. A família mais
dominante, foi a Fabaceae, que esteve representada por 8 espécies e outras famílias mais
predominantes incluem ( Anacardeaceae, Capparaceae e Combretaceae) representadas por 3
espécies,como apresentado na (tabela 3) abaixo.

4.1.2. Regeneração não estabelecida


Em relação à regeneração não estabelecida encontrou-se 27 espécies pertecentes a 15 famílias.
Portanto, obteve-se resultados referentes a composição florística e a estrutura horizontal que
cingiu-se apenas a abundância e frequência, os quais encontram-se na tabela 3 abaixo.

Tabela 3: Espécies em regeneração não estabelecida indivíduos e suas respectivas famílias,


frequência(FR), e abundância(AB).

Nomes cientificos
Família AB.ab AB.R% FR.ABS F %
Acacia nigrescens
Fabaceae 1.69 0.51 0.01 0.86
Acacia nilotica
Fabaceae 0.28 0.08 0.01 0.86
Albizia petersiana
Fabaceae 1.13 0.34 0.01 0.86
Boscia albitrunca
Capparaceae 0.56 0.17 0.01 0.86
Cladostemon kirkii
Capparaceae 0.56 0.17 0.01 0.86
Colophospermum mopane
Fabaceae 159.72 47.81 0.46 28.45
Combretum apiculatum
Combretaceae 51.27 15.35 0.31 18.97
Combretum celastroides
Combretaceae 5.07 1.52 0.03 1.72
Commiphora pyracanthoides
Burseraceae 4.79 1.43 0.04 2.59
Dichrostachy cinerea
Fabaceae 3.10 0.93 0.04 2.59
Euclea natalensis
Ebenaceae 8.17 2.45 0.01 0.86
Euclea sp
Ebenaceae 0.56 0.17 0.03 1.72

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comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

Flueggea virosa
Phyllanthaceae 0.85 0.25 0.01 0.86
Grewia hexamita
Malvaceae 2.54 0.76 0.03 1.72
Guibourtia conjugata
Fabaceae 67.89 20.32 0.31 18.97
Lannea sp
Anacardiaceae 0.85 0.25 0.03 1.72
Maerua parvifolia
Capparaceae 3.38 1.01 0.01 0.86
Manilkara mochisia
Sapotaceae 0.28 0.08 0.01 0.86
Pterocarpus lucenes
Fabaceae 2.25 0.67 0.01 0.86
Spirostachys africaus
Euphorbiaceae 1.13 0.34 0.01 0.86
Sterculia sp
Sterculiaceae 0.28 0.08 0.01 0.86
Strychnos madagascariensis
Strychnaceae 1.13 0.34 0.03 1.72
Strychnos spinosa
Strychnaceae 4.23 1.26 0.08 5.17
Terminalia sericea
Combretaceae 5.63 1.69 0.01 0.86
IDENT.
- 0.28 0.08 0.01 0.86
Uvaria sp
Annonaceae 0.85 0.25 0.01 0.86
Ximenia americana
Olaceae 5.07 1.52 0.01 0.86
Zanthoxylum humile
Rutaceae 0.56 0.17 0.01 0.86
-
Total 334.08 100.00 1.63 100.00

24
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane
Segundo Queiroz (2009), essa alta capacidade de distribuição da família Fabaceae confere a
família uma relevante importância ecológica, já que se configuram como espécies dominantes
em diversos ambientes. A amplitude da distribuição de Fabaceae em parte se explica devido ao
estabelecimento de associações simbióticas entre as suas espécies e bactérias fixadoras de
nitrogênio, principalmente as do gênero Rhizobium. Essas associações permitem uma melhor
assimilação de compostos nitrogenados, fundamentais ao crescimento das plantas, facilitando a
sua colonização em ambientes com solos pouco férteis (Amorim, 2014).

Resultados encontrados no presente estudo mostraram similaridade com os do trabalho realizado


por Massuanganhe (2013), na avaliação da diversidade de espécies vegetais, onde, a família
Fabaceae esteve em destaque, porém espécies diferentes. Bila, et al. (2012) estudaram o
crescimento e fitossociologia de uma floresta com Colophospermum mopane e encontraram as
mesmas espécies encontradas no presente estudo, com excepção de Kirkia acuminata que não foi
encontrado no presente estudo, tratando-se de uma espécie da família Simaroubaceae. No estudo
feito por Muzime (2015) na avaliação da estrutura da vegetação do Mopane e sua relação com o
nível de degradação em Mabalane, as espécies por ele encontradas não diferem tanto das
encontradas no presente estudo. De acordo com Sagor, et al. (2003), a perturbação causada pelo
corte da madeira pode provocar o desaparecimento de algumas espécies seguida de
reaparecimento de outras nem sempre necessárias.

4.1.3. Abundância
Os resultados da tabela em relação à estrutura horizontal para a regeneração não estabelecida,
mostram que o Colophospermum mopane é que mais se destacou em termos de abundância.
Muzime (2015), na avaliação da estrutura da vegetação do Mopane, também obteve maior
abundância para a espécie Colophospermum mopane ( 58%), observa-se que não houve grande
diferença entre os valores da abundância encontrada neste estudo 159.72 (47.81%), apesar do
seu estudo ter usado a estratificação em função da área. Contudo, para Joaquim (2018) num
estudo realizado em Angola sobre, “exploração de Colophospermum mopane (mutiaty) e o
paradigma de conservação dos ecossistemas” a estrutura da vegetação observada apresentou uma
abundância bastante baixa, sendo a espécie mais representada Colophospermum mopane
(mutiaty) a destacar-se com 39,1 %, podendo se explicar pelo facto das duas áreas deferirem em

25
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

termo da localização e das condições fitogeográfica da região, mas ele avalia este fenómeno
como resultante da exploração do recurso florestal.

4.1.4. Frequência
A frequência é um descritor pouco adequado porque não depende apenas do tamanho da amostra
como também da abundância e do padrão de dispersão das espécies. Como se pode observar na
(tabela 2) com base na avaliação da RNE no ecossistema, a espécie Colophospermum mopane
mostrou-se como sendo a mais frequente (28,45%) em relação as outras espécies existentes, isto
era esperado pois trata-se de um ecossistema dominado por esta espécie. Esta informação
corabora com a obtida por Muzime (2015) na avaliação da estrutura da vegetação do Mopane, o
qual em seu estudo obteve a mesma espécie como a mais frequente sendo que esta apresentava
uma frequência de 25%, esta frequência esta abaixo da obtida no presente estudo. Embora todas
as espécies incluídas no levantamento tenham sido observadas crescendo espontaneamente no
local, é notável a diferença entre as suas frequências, sendo algumas muito comuns, e outras
bastante raras. Isso pode ser justificada provavelmente, pelos diferentes níveis de tolerância aos
ambientes e distúrbios antrópicos. Para Kanieski (2010), a frequência depende do tamanho da
unidade amostral e do número de indivíduos. Quanto maior o tamanho da unidade amostral, bem
como o número de indivíduos, maior será a frequência.

26
Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane
4.2.Regeneração estabelecida
Durante o estudo, foram registadas 16 espécies em regeneração estabelecida, pertencentes a 10
famílias (ver a tabela 4). As famílias com maior número de espécies foram
Fabaceae/Anacardiaceae. Segundo Amorim (2014) o sucesso ecológico de Fabaceae também
pode ser atribuído às suas estratégias reprodutivas e de defesa. A presença de acúleos e taninos
se destaca estes últimos particularmente importantes devido ao seu papel como fago-inibidores
ou como agentes antimicrobianos que agem contra herbívoros e microrganismos patogênicos,
respectivamente (Monteiro; Albuquerque; Araújo, 2005).

Tabela4:Parâmetros fitossociológicos amostradas em regeneração estabelecida onde Ababs/Ab


(%)=abundância absoluta/ relativa (%), Fr.abs = frequência absoluta, Fr(%) = frequência relativa
(%), DoA = dominância absoluta (m2/.ha) e DoR = dominância relativa (%),valor de importância
(IVI).

Abundância Frequência Dominância


Família N.cientifico Aabs Ab(%) Fr. Fr. Dabs Drel IVI
Abs Rela
Anacardiace Lannea sp 1.52 1.493 0.039 3.125 0.003 0.760 5.377
ae
Fabaceae Colophospermum 40.91 40.299 0.490 39.06 0.147 37.420 116.781
mopane 3
Fabaceae Acacia sp 3.03 2.985 0.039 3.125 0.011 2.770 8.880
Combretace Combretum 13.64 13.433 0.157 12.50 0.058 14.689 40.622
ae apiculatum 0
Fabaceae Albizia 0.76 0.746 0.020 1.563 0.002 0.411 2.720
anthelmintica
Capparaceae Cladostemon kirkii 0.76 0.746 0.020 1.563 0.001 0.380 2.689
Euphorbiace Spirostachys 0.76 0.746 0.020 1.563 0.005 1.231 3.540
ae africaus
Ehretiaceae Ehretia sp 2.27 2.239 0.020 1.563 0.006 1.474 5.275
Fabaceae Albizia petersiana 1.52 1.493 0.039 3.125 0.007 1.717 6.335
Fabaceae Acacia nigrescens 2.27 2.239 0.020 1.563 0.007 1.839 5.640
Strychnacea Strychnos 7.58 7.463 0.078 6.250 0.027 6.933 20.646
e madagascariensis
Sapotaceae Manilkara sp 2.27 2.239 0.039 3.125 0.008 2.131 7.495
Annonaceae Monanthotaxis 2.27 2.239 0.020 1.563 0.007 1.672 5.473
cafrra
Fabaceae Pterocarpus lucenes 3.79 3.731 0.039 3.125 0.021 5.470 12.327
Fabaceae Guibourtia 15.91 15.672 0.176 14.06 0.074 18.946 48.680
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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

conjugata 3
Capparaceae Boscia albitrunca 2.27 2.239 0.039 3.125 0.008 2.158 7.522
Total 100.00 1.255 100.00 0.392 100.00 100.00
0 0 0

4.2.1. Abundância
Com base na tabela 3 verifica-se que, das espécies que apresentaram maior abundância em
regeneração estabelecida destaca-se Colophospermum mopane com maior abundância (40.29%);
G. conjugata (15.67%) e C. apiculatum (13.43%). Esta maior abundância de C. mopane pode ser
justificada, pela tolerância desta espécie em locais com solos arenosos e baixa precipitação.
Muzime (2015) avaliando estrutura da vegetação do Mopane e sua relação com o nível de
degradação em Mabalane, aponta também espécie mais representativaem termo de abundância a
Colophospermum mopane com (41.49%) valor aproximado ao encontrado no presente estudo,
isto é, a espécie C.mopane teve maior participação. Kalaba et al. (2013) consideram que a
diferenciação da composição florística nas florestas está relacionado ao estágio sucessional, ao
histórico de perturbação por atividade humana e às condições climáticas. Assim sendo, pode se
dizer que esse comportamento da vegetação observado no presente estudo deve se também a
esses factores que contribuem na pertubação do ecossistema.

4.2.2. Dominância

Os resultados da tabela 2 mostram que na regeneração estabelecida a espécieque apresentou


maior dominânciaem valores relativos foi ColophospermumMopane (37.42%). A maior
dominância desta espécie, pode ser justificada, por estas se adaptarem facilmente em condições
de baixa fertilidade do solo. Portanto, a mesma espécie notabilizou-se a mais dominante com
75% num estudo feito por Bila et al (2012) sobre o crescimento e fitossociologia de uma floresta
com Colophospermum mopane.

4.2.3. Frequência
Em relação a frequência, a espécie colophospermum mopane destacou-se com a maior
frequência absoluta e relativa, uma participação de cerca de 39.06% de todas as espécies em
unidade de área, dados esses que se assemelham aos do (Bila, 2012) que também apresentou a
espécie colophospermum mopane com maior participação com cerca de 100% do total das

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

espécies amostradas. Asdiferenças nos valores obtidos devem-se, provavelmente, a diferença de


tamanho amostral e distúrbios antrópicos.

A frequência é uma medida da uniformidade de distribuição de uma espécie dentro de uma área,
assim uma baixa frequência indica que a espécie é irregularmente distribuída. Em espécies de
mesma abundânciaquanto mais baixa a frequência mais desigual ou contagiosa é a distribuição
(Muzime, 2015). De acordo com a IIAM (2014), estudando cadeia de valor do carvão vegetal no
sul do país, na avaliação da frequência de preferência das espécies para produção do carvão
vegetal, apontam C.mopane como a espécie mais preferida a cerca de 60%, razões estas que
explicam a baixa percentagem encontrada no presente estudo; apesar de esta, continuar ainda em
destaque em relação a outras espécies.

4.2.4. Índice de valor de importância


No que se refere à estrutura horizontal, os valores de índice de valor de importância revelam que
as espécies mais importantes (com maior destaque) na floresta em estudo são Colophospermum
mopane, Guibourtia conjugata e Combretum apiculatumcom o índice de valor de importância de
116.78%, 48.68% e 40.62%, respectivamente. Similares valores foram encontrados por Muzime
(2015), avaliando a estrutura da vegetação do Mopane, onde destaca C.mopane com maior índice
de valor de importância dado por 194.03%. Porém diferem dos dados encontrados por Bila et al
(2018) estudando distribuição diamétrica e principais espécies arbóreas presentes nos
ecossistemas de (Miombo, Mopane e Mecrusse) em Moçambique, onde apresenta Mopane com
IVI de 86.68% para a espécie C.mopane, isto é, essa diferença deve se ao número de
individuosinventariados, mas também pela área. Segundo Matavela (2017) na avaliação do valor
financeiro de floresta nativa da província de Inhambane, este, apesar da variedade de espécie
encontrada, ainda apresenta em destaque a C.mopane como a segunda espécie mais importante
do ecossistema, com cerca de 18%, essa percentagem encontra se baixa comparativamente aos
valores por outros encontrados, pois se trata de um ecossistema indiferenciado onde cada espécie
apresenta suas exigências para a sua sobrevivência, mas olhando para esse factor a C.mopane
ainda apresenta-se importante. Portanto, pode se assumir que na floresta de Mopane, assim que
predomina o género Colosphermum eis a razão de ser o mesmo mais importante. Apesar, de Pais
(2015) estudando o efeito do fogo na estrutura e nos padrões de distribuição das formações
vegetais no Parque Nacional do Limpopo que constata-se que a espécie colophospermum
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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

mopane reduz o IVI quando submetido a alta frequência de fogo, este, ainda continua sendo a
mais importante, mas este factor de frequência de fogo pode ter sido a razão da redução do índice
encontrado por (Muzime 2015) e o índice encontrado nesse presente estudo, pois com a
actividade de mineração da comunidade na produção de carvão vegetal que contribui também
nas queimadas pode aumentar o nível de redução do índice no ecossistema estudado.

4.3.Distribuição diamétrica
A distribuição diamétrica apresentou-se dentro dos padrões esperados para uma floresta nativa,
uma vez que o número de árvores decresceu de forma regular dos indivíduos de menor para os
de maior diâmetro. Ográfico (1) a baixo mostra a distribuição diamétricadoMopane observada no
campo.

Distribuição diamétrica da Colophospermum mopane

16

14

12

10
N/ha

0
<5 [5-10[ [10-15[ [15-20[ [20-25[ [25-30[ [30-35[ [35-40[ [40-45[ [45-50[ >50
N/ha 14.0388 3.06818 13.125 4.26136 2.55682 0.85227 0.39773 0.22727 0.28409 0.05682 0.05682

Gráfico1: Distribuição diamétrica do C.mopane.


Geralmente, em florestas naturais equilibradas, segundo Husch et al. (1982), cada classe
diamétrica subsequente apresenta menos árvores que a precedente, isto devido a mortalidade à
medida que as árvores vão crescendo. Porém, no presente estudo, este comportamento, só se
observou a partir da classe de 10-15(indivíduos adultos), onde a curva de distribuição diamétrica

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

da floresta é do tipo “J” invertido, o ideial em situações normais duma floresta nativa em bom
estado de conservação. Este comportamento mostra uma perturbação das árvores com diâmetro
entre 5 a 10 cm, onde pode ser justificado pela exploração para produção de estacas, lenha e
carvão(visto que não optam no corte seletivo).

Lamprechet (1990) e Natasha et al. (2002) afirmam que nas florestas tropicais naturais o maior
número de indivíduos concentra-se nas menores classes e vai decrescendo nas classes de maior
diâmetro revelando uma distribuição em “j invertido.

De acordo com Nunes et al, (2003), afirma que a grande quantidade de indivíduos nas classes
inferiores pode indicar a ocorrência de severas perturbações no passado, o que se explica para o
presente estudo, que devido a exploração para produção do carvão vegetal, ouve perda da
vegetação, resultando em maior quantidade de indivíduos nas classes inferiores.

A distribuição diamétrica é um dos principais indicadores do estado da floresta, ela proporciona


informação sobre o número de indivíduos por unidade de área existentes na floresta, para cada
classe de tamanho das árvores. No presente estudo, a distribuição diamétrica foi avaliada
considerando um intervalo de classe de 5 centímetros, e foram estabelecidas 11 classes de
tamanho, conforme se pode observar no gráfico 1.

4.4.Estado de conservação do Mopane


Segundo Souza e Soares (2013) a distribuição diamétrica pode ser usada para avaliar estados de
conservação, regimes de maneio, processos de dinâmicas de crescimento e produção. Assim
sendo, de acordo com a distribuição diamétrica da vegetação do mopane (gráfico 1), está
apresenta maior número de indivíduos na primeira classe de diâmetro (regeneração não
estabelecida), e na classe seguinte mostra uma redução drástica da vegetação porém volta a se
restabelecer na classe de [10-15 [, onde toma a orientaçãonormal da floresta nativa, apresentando
poucos indivíduos nas classes superiores. Portanto, Ribeiro et al. (2002), diz que esse tipo de
curva de distribuição diamétrica, em que as classes diamétricas mais jovens são abundantemente
representadas, significaque o potencial de reposição da floresta após a morte (natural ou não) dos
indivíduos adultos é alto e típico de uma floresta natural em bom estado de
conservação.Contudo, com base no quociente de Liocourt que apresentou variações nos valores

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

de “q” (Anexo1) significa que há desequilíbrio na estrutura do povoamento, sinal de perturbação


resultando em mau estado de conservação.

4.5.Percentagem de forma de regeneração natural do C.mopane em função da área


amostrada
De acordo com a realidade do terreno obteve-se duas vias de regeneração do Colophosphemum
mopane conforme demonstrado no gráfico 7 abaixo.

REBROTO
SEMENTE REBROTO
63%
37% 63%

Gráfico2:Formas de regeneração do Colophospermum mopane.


Quanto a forma de regenerar, verificou-se que o Mopane apresenta maior número de indivíduos
regenerantes por via de rebroto com 63% da área amostrada, visto que este processo resulta da
capacidade de sobrevivência das raízes da planta-mãe. No que concerne a exploração do
Colophospermum mopane para produção do carvão, observa-se que este, infelizmente não chega
a garantir o retorno da vegetação por via da semente, pois, outros indivíduos explorados não
completam seu ciclo de reprodução, assim sendo, apresenta se com baixa percentagem de novos
indivíduosprovenientes das próprias sementes com apenas 37%. Timberlake (1999), acrescenta
que a espécie C. mopane produz rebrotos provenientes das raízes quando danificada pela acção
de fogos, seca ou pisoteio. Para WorldBank (2010), as queimadas descontroladas são
consideradas um factor de perda de vegetação e madeira para construção e lenha, sendo que Pais
(2015),afirma que esse factor influencia no aumento da importância da espécie em estudo.

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4.6.Medidas de precisão do inventário


Tabela 2:Medidas de precisão de inventário, nomeadamente: média variância, erro padrão, erro
de amostragem (absoluto e relativo) e intervalo de confiança para a média.

Parâmetros N/ha G/ha


Média 126,4368 3,3467
Variância 6549,4253 6,2047
Desvio padrão 80,9285 2,4909
Variância da média 75,2808 0,0713
Erro Padrão 8,6764 0,2671
Erro absoluto 17,2482 0,5309
Erro relativo 13,6418 15,8631
Limite inferior 109,1886 2,8158
Limite superior 143,6850 3,8776
Amostra necessária 40 55

Para o presente estudo, foi estabelecido um limite de erro máximo de 20%. Portanto, os
resultados apresentados na tabela acima mostram que a precisão requerida no inventário foi
alcançada na estimativa de número de indivíduos e área basal, visto que o erro de amostragem
relativo esta abaixo de 20%, sendo que seriam necessários apenas 40, 55 e 75 unidades amostrais
respectivamente.

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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

5. CONCLUSÃO
De acordo com os resultados apresentados e discutidos no presente trabalho conclui que:
 Na floresta de Mopane, em Mwamandzele, a espécie de Colophospermum mopane,
apresenta maior frequência, abundância, e dominância entre todas as espécies em
regeneração estabelecida e não estabelecida.
 A forma mais frequente de regeneração de C.mopane foi a rebrotação.
 A floresta do Mopane apresentou uma perturbação na sua distribuição diamétrica.
 Com base na estrutura diamétrica e no quociente de liocourt a floresta de Mopane
apresentou um desequilíbrio da estrutura do povoamento, isto é, um mau estado de
conservação.
 Com base na análise da estrutura horizontal da vegetação do mopane, conclui quenhá um
bom nivel de regeneração natural,

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6. RECOMENDAÇÕES
Recomenda-se controlo dos níveis de exploração dos recursos florestais através de regulamentos
florestais e leis tradicionais visando garantir a sustentabilidade dos recursos florestais em
particular para o C.mopane a espécie preferida para a produção de carvão, estacas e lenha.

Que se realize um estudo similar mais detalhado, com um maior número de unidades amostrais e
que se possa incluir a ocorrência da fauna no local factor principal para a propagação da
semente.

Que se faça estudos do poder calorífico das outras espécies para serem fontes alternativas que
substitua C.mopane na produção de carvão, como forma de minimizar o desmatamento.

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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Avaliação do nível de regeneração de Colophospermum mopane na floresta de mopane
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comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

8. ANEXOS
Anexo 1:Estado de conservação do Mopane com base no Quociente de Licourt, N-número de
indivíduos, q-quociente de Licourt.
Classes N/ha Q=N1/N2
<5 1235.417 8.917
[5-10[ 270 0.114
[10-15[ 1155 2.237
[15-20[ 375 2.067
[20-25[ 225 2.024
[25-30[ 75 2.273
[30-35[ 35 1.719
[35-40[ 20 2.462
[40-45[ 25 1.444
[45-50[ 5 0.429
>50 5
Total 23.685
Media 2.153

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comunidade de mwamandzele no distrito de mabalane

Anexo 2:Imagens de formas de regeneração, A- via semente; B-via semente/rebroto; C-via


rebroto.

Anexo 3: Fornos abandonados.

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Anexo 4: Ficha técnica de colecta de dados

Nome da Espécie DAP (cm) HC


Nr HT(m) Observação
Científico Local D1 D2 (m)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
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