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LÍDIA MEDEIROS

SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE LUXOS

Acompanhante de Luxo
O CASAMENTO

1ª EDIÇÃO

2017
Copyright © 2017 by Lídia Medeiros
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998.

Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da autora, poderá ser reproduzida ou
transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou
quaisquer outros.

Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

PREPARAÇÃO
Elidiane Medeiros

REVISÃO
Milena Assis

DIAGRAMAÇÃO E CAPA
Design: Lídia Medeiros
Imagem: Diamond
Fotografo: © | http://www.pixabay.com.br

CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)


Ficha Catalográfica feita pela Editora.
L714 Medeiros, Lídia - 1990
Acompanhante de Luxo – O casamento / Lídia Medeiros – São Paulo: 2017.
266p.

ISBN: 9781521250969

1.Literatura Brasileira. 2. Romance. I. Título.


CDD B869.3
CDU 821.134.3(81)
Para todas as minhas leitoras, obrigada pela paciência,
por esperar pelos últimos 2 anos em que estive a escrever o
final desta história. Obrigada ao marido pela paciência de
todos os dias, obrigada a todos, sem vocês eu não seria nada!
Capítulo 1
Kate
Um novo dia se iniciava na movimentada Nova York, Nathan estava
deitado, dormindo ao meu lado, enquanto eu me levantava mais uma vez para
ir ao banheiro para fazer xixi. Ficar grávida é algo divino, exceto pelo fato de
ter que ir ao banheiro a cada 10 minutos com uma bexiga cheia de líquido para
esvaziar. Levantei devagar da cama, na minha condição, não há como correr,
estou mais inchada a cada dia. Fui ao banheiro e fiz minhas necessidades
básicas, escovei os dentes e tomei uma ducha rápida, voltei ao quarto vestida
em um roupão felpudo. Meu príncipe continuava dormindo com o peitoral de
fora, Nathan ainda está se recuperando do tiro que levou, a marca da cirurgia
realizada para tirar os fragmentos da bala deixou uma cicatriz que não sumiria
com o tempo. Mesmo com uma cicatriz ali, seu peito não deixava de ser lindo,
Nathan não poderia deixar de ser lindo nem se houvessem destruído seu rosto,
talvez deixasse de ser fisicamente, mas, por dentro, ele continuaria lindo para
mim.
— Bom dia, meu amor — falo ao me sentar ao seu lado na cama e
acariciar sua cicatriz. Ele abre os olhos e sorri.
— Bom dia! — Sua voz pela manhã é grave. Sua mão alcança, por
instinto, a minha, tirando-a de cima do seu peito. Sim, ele estava com uma
espécie de "síndrome do não toque aqui".
— Dormiu bem? — pergunto, olhando-o. Ele assente, levantando-se.
Fico de pé e entro no closet para pegar algo para vestir.
— Vou tomar um banho — Nathan fala antes de entrar no banheiro e
fechar a porta.
Às vezes, acho que ele precisa de um psicólogo, de algum tipo de
ajuda, desde que acordou, voltamos a nossa vida normalmente, mas sinto que
algo o incomoda, e muito. Eu gostaria de ampará-lo, mas sempre que tento
tocar no assunto, ele desconversa ou sai, fingindo não ouvir minha investida no
tema. Então acabo deixando de lado.
Termino de me arrumar enquanto o vejo entrar no closet e começar a se
vestir.
— Você não me respondeu se dormiu bem — falo, olhando-o.
— Sim, meu amor, dormi bem. — Nathan passa por mim e me dá um
beijo na testa.
— O que acha de sairmos hoje à noite para um jantar romântico? —
pergunto.
— É uma ótima ideia, vou trabalhar um pouco no escritório, em casa,
mas, se precisar de algo, basta ir lá, ok?
— Não vai tomar café da manhã?
— Peça a Ana que leve algo para que eu possa comer lá, por favor. —
E então ele sai, me deixando sozinha no quarto. Vou à cozinha e peço que Ana
prepare algo e leve para ele no escritório, me sento e como meu nutritivo café
da manhã.
Contei que estou inchada? Pois é, meus passos estão mais lentos com o
sexto mês de gestação, e já me disseram que a tendência é piorar, inchar mais
ainda. A barriga está enorme, também pudera, são duas aqui dentro, e
começaram a mexer e me chutar. Andar dentro do apartamento do Nathan, em
alguns momentos, se torna cansativo e entediante, mas, com o tal do George
ainda solto, Nathan não quer me deixar sair sozinha, está superprotetor, com
medo de que algo possa acontecer. A polícia não resolve o caso, o FBI
também não, enquanto isso, tenho que andar com diversos seguranças sempre
que preciso sair, não que eu me importe com isso, eu realmente não fico
chateada, pois sei que é para minha própria proteção e das meninas, mas às
vezes é chato. Alice e Amanda estão aqui, sempre que possível, para me
entregar as matérias da escola, faltam alguns meses para finalmente terminar o
ano letivo e elas estão sendo maravilhosas ao me ajudarem com isso.

Nathan
Desde que acordei no hospital, meu único pensamento tem sido
prender ou matar aquele infeliz, precisei reforçar a segurança a fim de ficar
mais tranquilo, ainda mais agora com a gestação de Kate avançando. O FBI
encontrou duas casas em nome do George, em que mulheres trabalhavam se
prostituindo, descobriu também outros dois lugares onde mulheres eram
vendidas em leilões clandestinos e transformadas em escravas sexuais de seus
compradores, mas infelizmente não conseguiu prender o mandante da coisa
toda. Eu pensei que George não fosse tão poderoso, mas ele é, e eu sei que só
eu conseguirei tirá-lo desse pedestal de merda que ele construiu.
Meus dias em casa têm sido excelentes, Kate é atenciosa, mas sei que
ela precisa de algo a mais, e minha cabeça, no momento, está inteiramente
focada em caçar e matar o George, porque ele merece, principalmente depois
de me deixar para morrer no Central Park.
Coloquei diversos homens atrás dele, mas não obtive sucesso,
provavelmente aquele filho da puta saiu do país novamente. Hoje estou
novamente no escritório de casa, Kate está andando pelo apartamento
procurando algo para fazer, já que não tenho permitido que ela saia por aí
sozinha. Eu amo essa mulher com todo o meu coração e a protegerei de tudo e
todos se for possível. Helena não tem entrado em contato e nem sequer
procurou a Kate novamente, o que é estranho, tenho quase certeza de que
quando o dinheiro que dei acabar, ela virá atrás de mais. Como um anjo como
Kate pode ter nascido de uma mulher como aquela?
— Amor? — Kate põe a cabeça para dentro do escritório.
— Oi, minha linda — respondo.
— Trouxe seu café, posso entrar? — Ela sabe que pode entrar em
qualquer cômodo desta casa, mas ela prefere sempre perguntar antes.
— Claro, você sabe que sim. — Vejo-a entrar com uma pequena
bandeja de café. — Tudo isso para mim? — pergunto.
— Sim, quero você cada dia mais forte, você sabe, cuidado redobrado,
ainda mais porque faz pouco tempo que voltou do hospital — ela responde, me
olhando e pondo a bandeja de café sob a mesa de centro que fica próxima ao
sofá. — O que está fazendo aí? — Ela se aproxima da mesa do escritório
enquanto pergunta e abaixa a tela do notebook, me levanto e a encontro no
meio do caminho, dando-lhe um beijo e trazendo-a para perto de mim, as
meninas chutam em protesto pelo abraço, acredito eu.
— Elas parecem agitadas hoje — comento, puxando-a para meu colo
no sofá e pondo a mão sobre seu ventre arredondado.
— Sim, elas parecem agitadas. — Sorrio e coloco sua mão sob a
minha.
— O que pensa em fazer hoje durante o dia? — questiono.
— Bem, de acordo com minha agenda, tenho um encontro com suas
amadas irmãs. — ela fala e morde um pedaço de torrada.
— Ah! As espertinhas estão vindo para cá?
— Sim, estão, vamos à piscina hoje.
— Isso é bom, você estará em boa companhia com elas — falo
debochando e rindo. — Ótima companhia, por sinal.
— Sei... — ela sorri e levanta. — Vou me aprontar para a piscina,
aproveitar que o sol está agradável hoje.
— Tudo bem, se precisar de mim, estarei aqui trabalhando. — Levanto
e dou um beijo em sua testa.
Vejo Kate sair do escritório, pego a xícara de café e levo para a mesa,
levanto a tela do meu Macbook e volto ao que estava fazendo, novas pesquisas
sobre George e, claro, fico de olho em novos investimentos.
Kate
Às vezes, eu odeio o Nathan pela forma como está me tratando, como
se fosse meu pai, cuidadoso demais com tudo, de olho em tudo e todos, como
se eu fosse algo frágil e quebrável, saí do escritório e o deixei trabalhar,
voltei à nossa suíte e me troquei, vestindo um maiô bege com flores
vermelhas. Em uma hora, Amanda e Alice estariam aqui, a piscina fica no
terraço, e hoje está um sol maravilhoso, saí do quarto.
— Ana, estou subindo para a piscina, quando as meninas chegarem,
ofereça algo para elas comerem e peça para elas subirem, estarei aguando-as
lá.
— Tudo bem, senhora. — Sorrio e subo as escadas.
A piscina é cercada por pilares em tom de bege e coberta até a metade,
tem cerca de 100 metros, o Nathan adora dar algumas braçadas todo início de
dia, mas hoje ele não fez isso. A parte descoberta pode ser coberta durante a
noite através de um simples clique, o Nathan mexe e tudo se fecha,
transformando o local em uma enorme fortaleza. Ele sabia que eu veria as
meninas hoje, nem sei por que ele me perguntou o que eu faria hoje se ele já
sabia. Nathan conhece toda a minha agenda, desde as consultas com o obstetra
aos trabalhos como modelo que continuo fazendo.
— Chegamos! — Amanda grita das escadas, eu sorrio, ela é sempre
escandalosa.
— Finalmente — falo com a mão na cintura, fazendo-me de chateada
por esperar demais.
— Nos atrasamos por causa desse trânsito dos infernos que é a Quinta
Avenida, KitKat.
— Você sabe que eu odeio quando me chama assim, não é, Amanda.
Oi, Alice. — Ela dá uma gargalhada.
— Eu sei.
— Oie! Como está? — Alice pergunta. — Nem acredito que teremos
mais gêmeas na família. Nathan está ferrado, cercado por mulheres.
— Sim, está, além de vocês, tem mais duas vindo.
— E como ele está? — Amanda indaga.
— Quem? O seu irmão? Bem, ele está naquela de não sair do
escritório, não sei como está sendo para vocês, mas, para mim, estou ficando
louca com os seguranças no meu pé constantemente. Se vou à esquina, tem
quatro seguranças, dois à frente e dois atrás.
— Sei como é, nosso pai colocou mais seguranças em nosso encalço
também, na escola principalmente, falando em escola, trouxemos os deveres
da semana. Você sabe que tem que ir fazer as provas, né, porque acredito que
não trarão até você. — Alice fala.
— Eu sei, terei que ir lá de qualquer jeito. — Entro na piscina e tento
flutuar.
— Você sabe que está pesada demais para flutuar, KitKat.
— Está me chamando de gorda, Amanda? — Olho para ela meio
indignada, meio rindo e jogo água em sua direção, ela se afasta. — Não quer
se molhar? Tem muita sorte de eu estar grávida, senão subiria aí e derrubaria
você na água.
— Fiz escova no cabelo hoje — Amanda diz rindo. — Não vou entrar
na água.
— Jogue ela aqui, Alice — falo rindo, olhando para Alice.
Capítulo 2
Kate
E assim seguiu nossa manhã e o começo da tarde, cheios de risadas, no
fim, Amanda, no fim das contas, molhou o cabelo. Ana trouxe nosso almoço e
comemos juntas, às 15h eu já estava cansada e com sono. Elas também,
acredito eu, ou me viram com cara de sono e deram a desculpa de que
precisavam ir embora, eu apenas aceitei e voltei para meu quarto. Tomei um
banho e deitei na cama, acabei adormecendo. Despertei com falta de ar, uma
dor insuportável para respirar.
— Isso não é normal — disse para mim mesma. — Nathan! — tento
gritar, mas a dor para respirar é maior. Levanto e vou andando devagar até seu
escritório. — Preciso de você — falo, escancarando a porta. — Estou com
falta de ar. — Vejo Nathan arregalar os olhos e pular de sua cadeira para me
alcançar. Ele me pega nos braços e me leva até o sofá.
— Diga-me o que está sentindo — ele pede.
— Estou sentindo dores cada vez que respiro fundo. Não estava assim
antes.
— Não foi o esforço que fez na piscina? — ele pergunta.
— Não, eu não fiz esforço algum.
— Vou ligar para a sua médica. — Ele levanta, e eu me ajoelho no sofá
e sento-me sobre minhas pernas, começo a respirar calmamente. As gêmeas
estão quietas, não chutaram uma única vez, algo está errado.
— Ela não atendeu, vou levar você ao hospital mais próximo.
— Ok! — Levanto com certa dificuldade. Nathan me pega no colo com
facilidade e saímos do escritório.
— Ana, se alguém ligar, peça para me chamar no celular, estou indo ao
hospital com a Kate — ele fala assim que a vê.
— Tudo bem, senhor. — Saímos do apartamento e pegamos o elevador
com ele ainda me segurando em seus braços.
— Eu sou pesada, amor, ponha-me no chão, mesmo com a dor, consigo
andar — falo.
— Não — ele afirma assim que o elevador para, seguimos para o
estacionamento, ele destrava o carro, e eu abro a porta, Nathan me põe no
banco do passageiro e corre para o lado do motorista. — Só fique calma até
chegarmos lá, ok?
Ele sai feito louco do estacionamento, fomos ao hospital mais próximo,
ao chegarmos, ele estacionou e descemos. Fomos à portaria do hospital e a
enfermeira que estava ali não nos deixou entrar.
— Sinto muito, mas todos os leitos da maternidade estão cheios,
busquem outro hospital.
— Mas ela está com dor — Nathan grita.
— Sinto muito, mas ela não será atendida — a enfermeira fala, e eu o
puxo.
— Vamos. — Saímos de lá, e eu comecei a chorar com medo de que
algo pudesse estar acontecendo com minhas filhas.
— Como assim, não podem atender, eu vou processar vocês por não
atenderem minha mulher. — Nathan grita e me pega no colo, voltamos ao
carro. — Fique calma. — Assinto. Vinte minutos mais tarde, demos entrada
em outro hospital, onde prontamente fizeram uma ficha e me colocaram em
uma cadeira de rodas, fui levada para a ala da maternidade, aferiram minha
pressão e, aparentemente, tudo estava bem, mas a dor não passava. Um
ginecologista obstetra me atendeu, fez um exame de toque.
— Seu útero está muito bem fechado, seu bebê não irá nascer hoje.
Agora, vamos escutar o coração.
— São duas — falo para ele. — Duas meninas.
— Ah, sim. — Em seguida, a sala é tomada pelo som dos corações das
bebês, e eu sinto um alívio passar por mim, como se houvessem tirado um
peso das minhas costas. A enfermeira me ajuda a sentar, começo a me vestir
enquanto o médico faz algumas perguntas.
— Fez algum esforço físico, pegou peso ou qualquer coisa do tipo?
Sentiu dores assim antes de hoje?
— Não senti nenhuma dor, quanto ao esforço, eu apenas tomei banho
de piscina, nada que pudesse prejudicar a gestação — respondo.
— Vou pedir um exame de sangue e urina para vermos se pode ser
infecção urinária devido ao local onde descreveu estar sentido as dores — o
médico falou. — Aqui está o pedido, leve ao segundo andar e faça os exames,
volte aqui assim que saírem, quero ver os resultados. Não posso receitar
nenhuma medicação sem saber o que pode ser. — Assinto.
— Tudo bem. — Saio da sala e avisto o Nathan. — Ele pediu exames,
vamos descer e fazer, enquanto isso, continuo com dor. — Descemos ao
segundo andar e faço o exame de sangue; depois, o de urina.
Uma hora mais tarde, com os exames em mãos, volto ao médico.
— E então? — pergunto.
— Aparentemente, seus exames estão bons, apenas uma alteração em
suas plaquetas, elas estão muito baixas, foi identificada uma plaquetopenia,
devido a contagem estar em apenas 85 mil, e o mínimo é 150 mil, além de ter
dado uma leve alteração em sua urina, mas não é uma infecção grave que
possa ter causado o que você está sentindo, vou receitar soro e outro remédio
para que possa tomar e aliviar a dor, passe na enfermaria quando sair, as
enfermeiras já aplicarão o medicamento e irá aliviar a dor em minutos.
— E o que é isso? Plaquetopenia? — perguntei.
— A plaquetopenia é a diminuição do número de plaquetas no sangue.
As plaquetas estão envolvidas no processo de coagulação do sangue, ou seja,
se você começar a sangrar, pode vir a óbito porque suas plaquetas não estão
presentes para poder ajudar a estancar o sangue. Mantenha a calma, faça um
acompanhamento com seu obstetra e busque um hematologista para ver o que
pode ter ocorrido para suas plaquetas terem caído tanto.
— Tudo bem — respondo com a receita em mãos, me encaminhei para
o posto de enfermagem no mesmo andar, e uma das enfermeiras aplicou o
remédio, foi alívio imediato, até senti um arrepio passar nas costas enquanto o
remédio entrava em minha veia. Saí de lá trinta minutos mais tarde, não sentia
mais nenhuma dor. Nathan que estava na sala de espera, quando me viu bem,
ficou todo feliz.
— A dor passou? — ele pergunta.
— Sim, passou, não sinto mais nada, agora podemos ir para a casa.
— E o que o médico disse?
— Que estou com algo chamado plaquetopenia, ele explicou, mas não
entendi direito o que é, pediu que buscasse um hematologista e acompanhasse
de perto com a ginecologista, pois pode se tornar algo realmente grave. Vamos
para casa, odeio esse cheiro de hospital — peço a ele. Ele segura minha mão,
e saímos do hospital.
Chegamos em casa e estava tudo bem, Ana trouxe um chá de camomila
para que eu tomasse. Nathan me pôs na cama.
— Achei que você já fosse ter as meninas, mas depois pensei e
lembrei que está muito cedo para nascerem.
— Eu pensei a mesma coisa. A dor estava se tornando insuportável.
Mas, quando ouvi os corações delas baterem, eu senti, em meu coração, que
elas estão bem agora. — Nathan me abraçou.
— Eu tive tanto medo por vocês três, e aquele hospital que nem sequer
as atendeu, estou tão indignado com isso, e com a sua médica que não atendeu
a ligação que fiz, eu nem sei o que faria com ela se algo acontecesse a vocês.
Vou falar com minha mãe sobre o ocorrido depois.
— Não se preocupe mais, estamos bem agora, estamos em casa com
você. — Sua mão para em meu ventre.
— Desculpe por não estar lhe dando a atenção necessária...
— Me conte o que faz trancado no escritório todos os dias — peço.
— Tenho investigado os passos de George no país.
— Como assim? — pergunto.
— Como as investigações da polícia não tem sido eficientes, resolvi
investigar por conta própria, coloquei vários detetives no encalço do George,
já o achamos, resta dar o flagrante e prendê-lo.
— Nathan, isso é perigoso. — Levanto lentamente e o encaro.
— Eu sei, mas preciso fazer isso, só terei paz quando ele estiver
devidamente preso e condenado à prisão perpétua.
— Não quero me preocupar de acontecer algo com você, amor — falo
apreensiva.
— Nada irá acontecer, eu prometo — ele responde.
— Acredito em você. — Mesmo não acreditando, eu queria acreditar
que o que ele dizia era verdade, eu estava preocupada com a obsessão dele
por esse tal de George, eu nem o conheço, mas eu o odeio pelo que faz ao
Nathan.
Capítulo 3
Nathan
Fiz carinho na minha amada até que adormecesse, ela estava
preocupada, assim como eu, talvez tenha sido isso que causou essas dores
nela, eu quase coloquei meu coração pela boca quando a vi entrar no
escritório passando mal. Deus, eu nem sei o que faria se algo acontecesse com
ela. Levanto lentamente e volto ao escritório, as buscas não podem parar,
sento e ligo o Mac, o aviso de mensagem recebida apita na tela, clico para ler
e visualizo fotos de George, várias fotos.
"Prezado Sr. King,
George foi encontrado no litoral de Miami, montou uma casa
noturna por aqui e usa o nome de Alejandro, seguem fotos tiradas dele na
casa noturna.
Att,
Mitchel."
O texto simples e sucinto, finalmente o encontraram. Respondo
imediatamente:
"Prezado Mitchel,
Fique de olho nesse bastardo, elaborarei uma forma de o pegarmos
desprevenido, enquanto isso, manteremos contato.
Obrigado!
Att,
Sr. King."
Se George for preso, eu poderei respirar livremente e ter minha esposa
caminhando calmamente com minhas filhas por aí sem ter medo de que algo
aconteça a elas. Pedi a outro investigador para que encontrasse Jéssica, ela
havia sumido do mapa após o escândalo que fez na festa dos meus pais. Eles a
encontraram nas Bahamas curtindo a vida com um cara que me disseram ser
rico. Que ela faça bom proveito disso e nunca mais volte e, se voltar, eu
saberei, qualquer passo em falso que ela der, eu saberei.
Helena, a mãe de Katherine, estava sob a mira do meu pai, ele abriu
um processo contra ela, acusando-a de aliciamento de menores, o processo
estava correndo e esperávamos o resultado sair, Katherine ainda não sabia se
haveria audiência ou não, mas, possivelmente, a mãe irá para a cadeia pelo
que fez com a filha. Fecho meu notebook e volto para o quarto, deito ao lado
da minha futura esposa e durmo, dessa vez, feliz por ter encontrado George e
por saber que logo mais ele estará atrás das grades.

Kate
Acordo com um zumbido, abro um olho e vejo meu celular dançando
sobre o criado mudo, ele está vibrando, pego e observo o número, é meu pai,
olho para o lado e constato a hora, passa das 10h, atendo.
— Bom dia, princesa.
— Bom dia, pai. — Sim, eu já o chamava de pai, ainda estranhava,
mas o chamava, ele pediu muito, não custou nada aceitar.
— Ainda na cama, sua dorminhoca, seu irmão e eu queremos saber se
gostaria de ir ao cinema conosco? — Cinema? A essa hora da manhã?
— Agora? — pergunto.
— Não, filha, a sessão começa por volta das 17h, no finalzinho da
tarde. O que me diz? — Ele parece animado.
— Ok, eu vou. Mas, só para constar, eu escolho o filme, ok? — falo,
sorrindo.
— Tudo bem, filha, preciso ir. Bom dia! — E desligou.
Ele era assim, imprevisível, liga do nada e me chama para sair, ou
aparece no meio do dia para me dar um abraço, acho que está tentando
compensar todos esses anos sem saber que eu realmente existia.
Levanto espreguiçando-me e vou para o banheiro, nem olho se o
Nathan estava dormindo, pela hora não estaria, ligo o chuveiro e espero a água
esquentar um pouco, tiro o pijama e entro, entre o processo de lavar o cabelo e
passar o condicionador, começo a refletir sobre tudo o que aconteceu nos
últimos seis meses da minha vida: a pressão que minha mãe fez para eu entrar
no mesmo ramo que ela; como conheci o Nathan. Pergunto-me: se eu não
houvesse colocado minhas fotos naquele site, nós estaríamos juntos hoje?
Possivelmente, nunca iriamos sequer nos conhecer, classes e vidas totalmente
diferentes, rumos diferentes, ou talvez não, com as gêmeas estudando na
mesma escola e na mesma sala, provavelmente teríamos nos conhecido em
uma das minhas visitas a casa delas. Talvez, ele nem tivesse olhado para mim,
uma adolescente, afinal, ele é um homem feito. Pergunto-me também o que ele
viu em mim de tão especial, não sou tão bonita assim, não sou a pessoa mais
carinhosa do mundo, nem a melhor em cozinhar. Passo a mão em minha barriga
bastante evidente e sinto um leve chute.
— Sim, mamãe está aqui! — Coloco a mão e sinto outro chute no
mesmo local.
Minhas pequenas estavam em ótimo desenvolvimento, as consultas do
pré-natal iam bem, tudo estava ótimo até eu sentir aquelas dores horríveis para
respirar, talvez seja o peso delas que meu corpo pequeno já não esteja
aguentando carregar. Escovo os dentes e termino o banho, saio do banheiro
envolta no roupão que já não cabe direito em mim. Visto uma calça moletom
nada sexy, uma das camisas do Nathan e as pantufas, deixo o quarto, passo na
cozinha, tomo um café rápido e vou em busca dele, o encontro no escritório,
abro a porta e o vejo sentado em frente ao computador, estava em um dos seus
ternos sexys e, devido ao áudio, deveria estar em alguma videoconferência,
ele me vê e sorri, levantando a mão e pedindo um minuto. Assinto sorrindo,
entro silenciosamente e sento no sofá.
Fico ali, admirando meu amado futuro marido enquanto ele termina sua
videoconferência.
— Pronto! — ele diz, aproximando-se e abrindo o paletó.
— Eu pensei... ahn... bem... eu não sei como iniciar uma conversa
desse tipo — falo corando.
— Pelas suas bochechas vermelhas, eu só posso supor que seja uma
coisa. — Ele ri, e eu fico sem palavras. Sua mão vem de encontro ao meu
rosto e me puxa para um beijo. — Adoro o gosto de café na sua boca. — Ele
sussurra durante nosso beijo.
Retribuo o beijo com paixão, suas duas mãos estão em mim, uma,
segurando minha nuca e a outra, havia passado por minha cintura, me puxando
para ele, a barriga não ajudava muito nessas horas. Ele me empurrou um pouco
e me deitou lentamente sobre o sofá, fazendo carinho em meu corpo, desceu
meu pescoço com beijos, abriu, pouco a pouco, os botões da camisa que eu
vestia, mostrando meus seios, ele os sugou forte, e eu gemi com isso. Minhas
mãos arrancam rapidamente seu paletó, e começo a abrir os botões de sua
camisa, ele segura minhas mãos.
— Não! Deixe que eu mesmo tiro — faço uma careta e ele volta às
carícias, finjo que não ouvi aquilo. Suas mãos foram descendo e logo minha
calça havia sumido, a camisa estava aberta, meus seios ficaram livres e minha
barriga... bem, minha barriga permanecia entre nós. — Você é a mulher mais
linda da face da terra, Kate.
— Obrigada, Sr. King. — Sorri, olhando-o.
Seus beijos voltaram, primeiro, um beijo ardente na boca, eu já estava
molhada por ele, com aqueles beijos, ele sabia como me deixar pronta para
receber seu pau dentro de mim. Eu tinha pensamentos tão desbocados. Minhas
mãos não conseguiam ficar quietas. Sento, empurrando-o no sofá, ele cai
deitado e eu rapidamente levo minha mão ao volume que havia dentro de suas
calças, eu o achava muito sexy quando ele estava de terno, era como ver um
deus grego na minha frente. Eu desafivelo seu cinto e estava abrindo o botão
da calça quando uma batida na porta nos interrompe, a porta é aberta, sou
empurrada sobre o sofá e Nathan fica na minha frente.
— Oh, filho, perdão. — Ouço a voz da minha sogra, caramba, eu
estava quase nua, e ele também. — Não sabia que estava com a Katherine.
— Tudo bem, mãe, me dê 5 minutos. — A porta é fechada e eu caio na
gargalhada pelo nervosismo. Nathan me olha. — O que é engraçado?
— Nós... essa situação. Sua mãe, ela nos pegou no flagra. Eu nem sei
se posso olhar para ela depois disso. — Começo a abotoar minha blusa, e
Nathan a se arrumar.
— Nem lembrava que ela vinha hoje aqui.
— Nem eu... — Estava me abaixando para pegar a calça no chão
quando ele desce e pega. — Peça ajuda quando ver que não pode — ele me
repreende. — Não quero ver você passando mal novamente.
— Eu sei, desculpe... — Meu rosto queimava com o tesão, meus lábios
estavam meio torpes pelos beijos e os olhos do Nathan brilhavam me olhando.
— Terminamos assim que minha mãe se for. — Não era um aviso, era
mais que isso, era uma promessa, sorrio e abro a porta.
— Pode entrar, Sra. King — falo sem graça. Ela entra, olha para o
Nathan e depois para mim.
— Obrigada, criança. — Ela sorri, me olhando. — Como está você, e
minhas netas?
— Bem, obrigada por perguntar. Agora vou me retirar, vocês devem
ter coisas importantes a conversar. Volto depois.
— Tudo bem, Katherine. — Ela se vira, e eu saio, fechando a porta.
Deus, eu estava tão envergonhada e deveria estar vermelha como um
pimentão. Fui direto para o nosso quarto e fiquei em frente ao espelho, meus
cabelos, antes arrumados, agora estavam embaraçados, meus lábios inchados e
minhas bochechas vermelhas, de vergonha e tesão.
Capítulo 4
Almoçamos com minha querida sogra, ela trouxe alguns papeis ao
Nathan, já que ela nos visitaria.
— Soube que esteve no hospital, o que aconteceu? — Ana pergunta.
— Apenas algumas dores, deve ser normal, acredito eu, por conta de
serem duas meninas e eu ser pequena — respondo enquanto comemos.
— Sim, eu tive sangramentos quando estava grávida de Amanda e
Alice, elas eram bem grandes e eu, bem, não sou tão maior que você e, se um
na barriga já pesa, dois, então, nem se fala — ela comenta, sorrindo. — Se
precisar de algo, ligue lá em casa, estaremos aqui o mais rápido possível,
apesar de ser um pouco distante.
— Mãe, eu estou sempre em casa, então, estarei de olho — Nathan
responde.
— Eu sei, mas pode acontecer de você não estar em algum momento, e
ela não teria a quem recorrer em um apartamento enorme desse e sozinha.
— Eu sei, mãe, mas, por enquanto, não tem com que se preocupar —
Nathan rebate.
— Sua mãe só está preocupada com as netas dela, meu amor — digo,
sorrindo e colocando a mão sobre a sua na mesa.
O resto do almoço foi silencioso, depois sentamos na sala de estar,
tomamos café e logo Ana se despediu, dizendo que tinha coisas a resolver no
período da tarde. Nathan levantou-se do sofá, pediu licença e voltou ao seu
escritório, e eu, bem, fiquei sozinha novamente, é chato isso. Ele só fica lá e
eu aqui, sem nada para fazer. Pego meu celular e envio uma mensagem para
Alex:
Estou entediada, tem trabalho para mim?
“Você anda lendo meus pensamentos, gata? Estava exatamente
pegando o celular para ligar para você, temos uma campanha para uma loja
de departamentos, fotos de gestante, lembra que havia comentado quando
me contou sobre a gravidez, agora com sua barriga evidente *-*, já falei
que você está linda!”
Não enrole, Alex, estou querendo sair de casa.
“Você está brava? Sim, voltando ao que dizia, eles querem você para
as fotos, será amanhã à tarde, esteja pronta, passarei para pegá-la as 13h
em ponto.”
Não estou brava. Ok! Vou só avisar ao Nathan.
“Ok, bjs. Vejo você amanhã, não se atrase.”
Levanto de onde estou, sento-me no divã perto da janela e fico olhando
para fora, o barulho dos carros lá embaixo é pouco audível, pareciam
miniaturas de uma maquete, o Central Park visto de cima é lindo, é como um
grande parque verde perdido no meio de tantos prédios e carros. Eu gosto do
apartamento do Nathan, é grande, espaçoso, tem de tudo, mas, ultimamente,
sinto falta do meu, talvez eu esteja um tanto sentimental por conta da gravidez,
eu ando querendo atenção, mas Nathan está sempre ocupado, as meninas já
estão estudando novamente e não podem vir sempre, meu pai e meu irmão
aparecem sempre que possível, meu pai é bem ocupado e tem um tempo que
não vejo minha mãe. Fico ali, sentada por um tempo, olhando o tempo passar,
admirando a paisagem que eu tenho decorada, a campainha toca, são 15:00h,
deve ser David com a minha lição de casa, ele sempre passa nesse horário
para me entregar as lições de casa da escola. Levanto e vou até a porta, abro e
lá está David.
— Boa tarde, senhorita! — Ele sorri. — Trouxe seus deveres de casa.
— Boa tarde, David, muito obrigada! — Retribuo o sorriso e pego os
cadernos de sua mão. — Entre e vá tomar um café na cozinha com a Ana, ela
deve estar terminando de passar o café pelo cheiro que vem de lá — falo,
convidando-o, David se dirige para a cozinha, e eu vou para um pequeno
escritório criado para mim no nosso quarto.
Coloco o material sobre a mesa e sento, separando caneta, lápis e meu
caderno, começo a estudar, às 16:30h meu celular desperta com um aviso na
tela: Encontro com o papai às 17h.
Levanto e tiro a roupa indo para o banho, logo meu pai estaria lá
embaixo para me pegar e eu nem havia avisado ao Nathan que sairia. Tomo um
banho rápido, visto uma meia calça quentinha com certa dificuldade devido a
barriga, ponho um vestido e um sapato baixinho, apanho uma bolsa e coloco
minha carteira e celular dentro.
Depois de arrumada, sigo para o escritório, bato à porta e coloco a
cabeça para vê-lo.
— Estou de saída — aviso, olhando-o de trás do computador.
— Vai para onde? — ele perguntou.
— Sair, meu pai ligou hoje de manhã me chamando para ir ao cinema
— respondo.
— Tudo bem, leve um dos seguranças com você — ele fala e volta sua
atenção para o notebook.
— Ok! — respondo e fecho a porta novamente, não vou levar
segurança nenhum, quero ir ao cinema em paz, fazer compras no shopping,
pois sei que meu pai vai querer comprar coisas para as gêmeas.
Nathan devia estar em algo realmente muito importante, normalmente,
ele me encheria de perguntas ou iria comigo, talvez seja porque estou indo
com meu pai, e ele o conhece, talvez seja isso, ou sei lá, eu tenho é que parar
de pensar besteiras, porque minha mente só tem pensado besteiras
ultimamente. Meu celular toca quando já estava no elevador.
— Estou aqui embaixo, filha.
— Ok, pai! — respondo e desligo.
Chego ao saguão do edifício e o porteiro abre a porta.
— Senhora King. — Sorrio para ele que também abre a porta da
limusine que está à frente, entro e sento-me ao lado do meu pai, meu irmão
está no banco à nossa frente.
— Oi, filha! — Meu pai cumprimenta-me alegre, me dando um beijo
no rosto.
— Oi! — meu irmão fala meio tímido.
— Não se preocupe, ele ainda está se acostumando com você — meu
pai sussurra em meu ouvido, eu assinto.
— Olá, Dhex. — Sorrio para meu irmão que retribui tímido. — Então,
que filme vamos assistir? — pergunto.
— Você disse que ia escolher, então, não escolhemos nenhum — meu
pai diz.
— Por favor, nenhum de romance — meu irmão pede fazendo uma
careta. — Garotas são problemáticas, e eu não quero nenhuma se atirando em
mim, ou achando que sou bichinha por estar assistindo um filme de romance.
— De repente ele tinha resolvido falar? Sorrio.
— Tudo bem, nada de romance.
Duas horas mais tarde, saímos do cinema dando risadas, escolhemos
uma comédia, meu pai não sabia onde colocava a cara em cada palavrão que
escutava durante o filme, e meu irmão, ele só ria, e eu também, acho que com
esse filme aprendi muitos palavrões que nem conhecia.
— Vamos comer antes de levá-la para casa. Não quero entregá-la sem
que tenha comido. — Assinto e fomos escolher o que comer, meu irmão opta
por um lanche do McDonald's, eu vou para o lado do sushi, elejo um temaki e
outros, meu pai prefere uma salada leve.
— Vai comer só isso, pai? — pergunto quando sentamos à mesa.
— Sim, preciso manter minha forma, como bem sabe. Já não tenho
mais 20 anos e, se eu quiser manter o porte que tenho, preciso me esforçar
para isso. — Meu irmão ri.
— Isso é porque ele está de olho na minha professora. Então, está todo
de saladas e tal.
— Dhex. — Vi ali um tom de repreensão na voz de meu pai.
— Sério? E sua mãe Dhex, por onde ela anda? — pergunto ao meu
irmão.
— Ela morreu no parto — meu pai responde.
— Oh! Desculpe-me, eu não queria... — falo sem graça e corando.
— Tudo bem, eu não a conheci, mas, pela quantidade de fotos que
temos em casa, posso dizer que a conheço melhor que ele. — Dhex apontou
para nosso pai.
— Desculpe — falo novamente.
— Não se desculpe, eu provoquei sua morte — Dhex diz.
— Não fale besteiras, Dhex — John repreende. — Sua mãe morreu por
escolha dela mesma. — Ele me olha. — Ela tinha câncer e, quando descobriu
que estava grávida, teve que parar a quimioterapia ou perderia o bebê, e ela
escolheu ter o bebê, o que acabou com a possibilidade de sobrevivência dela.
— ele confessa, sua cabeça agora está baixa, ele come a salada em silêncio.
— Foi o que eu falei, eu provoquei sua morte, se não fosse por mim,
ela estaria aqui, e você seria feliz — Dhex afirma para nosso pai.
— Não diga isso, ela escolheu você acima de si própria e quem sou eu
para dizer que ela não podia, ela o desejou muito, e eu também, mas ambos
sabíamos que ela não poderia com a quimioterapia e, quando ela se viu
grávida, foi uma chance em mil, e eu tinha certeza que ela preferiria continuar
a gravidez a ter que interrompê-la, eu fui apenas um espectador, vendo-a
definhar a cada dia, mas, ao mesmo tempo, eu via uma nova vida nascendo e,
quando você veio ao mundo, Dhex, eu disse a mim mesmo que ia amá-lo mais
que qualquer coisa no mundo, porque você é uma parte dela e porque ela o
queria tanto que morreu por você. — Meus olhos estavam cheios de lágrimas,
meu irmão estava calado, comendo seu lanche.
— Desculpe, eu vou... com licença, vou ao banheiro. — Levanto e vou
ao banheiro mais próximo.
Capítulo 5
Entro no banheiro e, por sorte, há um vazio, adentro e deixo as
lágrimas virem. Dhex não tinha conhecido a mãe, assim como eu não conheci
meu pai, isso é triste, como a vida pode ser assim tão cruel? A minha sorte, se
puder dizer assim, é que meu pai ainda está vivo, e eu o estou conhecendo aos
poucos, já ele, nunca terá essa chance. Faço minhas necessidades e saio, lavo
o rosto, percebo os olhos inchados, tinha feito meus olhos ficarem vermelhos e
meu nariz, agora de batatinha por ter engordado com a gravidez, rosadinho.
Sorrio ao me olhar no espelho, pareço uma louca, arrumo meu cabelo e limpo
o rosto, o vermelho das bochechas ainda está ali, lavo as mãos e volto para a
mesa.
— Desculpem — peço assim que me sento.
— Eu que peço desculpas, eu a fiz chorar — Dhex diz me olhando. —
Desculpe por isso.
— Não, eu que comecei, e você não me fez chorar. Eu sinto muito por
sua mamãe, Dhex, muito mesmo.
— Tudo bem, eu já me acostumei — ele responde, terminando seu
lanche.
— Vamos, já está tarde, são quase 22h, e seu noivo, ou seria marido,
ele já deve estar preocupado — John afirma sorrindo, levantamos e vamos
para o estacionamento. Meu pai e Dhex passam na faixa de pedestre, e eu vou
logo atrás, tentando pegar meu telefone que está chamando e, de repente,
escuto meu pai gritando meu nome e me puxando. Um carro passou raspando
em mim, os pneus fizeram barulho quando ele fez a volta.
— Eu quase morri agora, Katherine — meu pai fala ainda abraçado
comigo.
— Eu... estou bem, foi só um susto — respondo com o coração a mil,
olho o carro que quase havia me atropelado, ele havia parado pouco mais à
frente. John segura minha mão e me leva até o carro.
— Entre! — Assim o faço e Dhex segue logo atrás, John entra por
último, ele conversa algo com o motorista lá fora. Meu coração ainda está
batendo descompassado, eu havia caído em mim, quase fui atropelada porque
estava distraída, tentando pegar a porra do telefone na bolsa.
— Você está bem? — Dhex pergunta. — Quer água? — Eu assinto, ele
se inclina e pega na minigeladeira da limusine e me passa uma garrafa de água.
— Aqui! — Pego e tomo.
— Estamos indo para casa agora — meu pai avisa, fechando a porta.
— Você está bem? — Ele me olha preocupado.
— Sim, eu estou bem. Agora que meu coração acelerou, por me dar
conta de quase ter sido atropelada por pura irresponsabilidade minha.
— Não acredito que tenha sido irresponsabilidade sua, Katherine. —
Olho para John, o que ele quer dizer com isso?
— O quê?
— Vou ter que subir e conversar com seu marido, Katherine — John
explica.
— Não! — eu respondo.
— Por que não? — ele questiona.
— Porque, se contar que isso aconteceu, eu jamais poderei sair sem
um guarda-costas insuportável atrás de mim. — Cruzo os braços.
— Mas ele está certo em pôr um guarda-costas para cuidar de você,
Katherine. Não faça cara de menina mimada e malcriada. Eu conheço essa
cara, pois já vi muitas vezes no rosto do seu irmão — John afirma, e eu olho
para fora. — Vou subir para conversar com ele, sim, e ponto final.
— Você não manda em mim — retruco.
— Desde quando eu inseri o meu nome na sua certidão de nascimento
como seu pai eu mando, sim, independentemente de você ser maior de idade
ou não. — Eu o olho chateada. Eu estava sendo malcriada com uma pessoa
que só quer o meu bem.
— Desculpe — peço baixinho e sinto uma lágrima descer por meu
rosto. John me puxa para seus braços.
— Oh, meu amor, não peça desculpas, eu estou tão nervoso, eu fiquei
horrorizado com a cena que eu vi e que agora se repete na minha mente — ele
explica, me abraçando.
Minutos mais tarde, o carro estava parando e meu pai desceu, estendeu
a mão e me ajudou a sair do carro, entramos no edifício e seguimos para o
elevador, logo estávamos na cobertura.
— Amor, cheguei — praticamente grito para que pudesse ser ouvida
por Nathan que provavelmente estaria no escritório. — Já volto, podem
esperar na sala, por favor — falo mirando meu pai e meu irmão. Vou até o
escritório, bato à porta e entro.
— Oi, vida. — Ele me olha, levantando. — Já está de volta!?
— Sim, estou, e você ainda aqui. Eu pensei que você tinha saído para
comer algo ou sei lá — digo, olhando-o, ele me dá um beijo no rosto. — Meu
pai está na sala de estar esperando para conversar com você.
— Sério? Ele veio conversar sobre o quê? — Ele me observa com
uma sobrancelha arqueada.
— Algo que aconteceu enquanto estávamos no shopping — esclareço,
olhando para os lados e me virando para sair.
— O que aconteceu, Kate? — Nathan pergunta, segurando minha mão,
eu fito da minha mão até seu rosto.
— Venha, vamos até a sala. — Puxo-o, saindo do escritório. Andamos
até a sala, meu pai contemplava a paisagem através do grande vidro, suas
mãos repousavam no bolso, meu irmão estava sentado confortavelmente no
sofá.
— Bela vista, Nathan — John comenta.
— Obrigada — Nathan responde. — A que devo a honra da visita?
— Precisamos conversar sobre a segurança da minha filha. — Meu pai
virou-se e encarou Nathan.
— Ela está segura aqui, como bem sabe.
— Sim, mas a segurança precisa ser além da fortaleza da sua casa. —
John começaria uma briga, eu tenho certeza.
— John, não venha tentar mandar em algo que vai além do seu alcance
de pai — Nathan retruca.
— Não estou tentando mandar, eu estou alertando, Katherine quase foi
atropelada na saída do shopping e, não por acaso ou descuido da parte dela,
talvez, em parte, sim, mas, com certeza, quem estava atrás do volante a
esperava para acelerar. — John encara Nathan sério. Eu lembro que não olhei
meu celular, pego-o na bolsa para ver a ligação e na tela estava "número
desconhecido", estranho, poucas pessoas têm meu número.
— Onde estavam os guarda-costas que contratei, Kate? — Nathan
virou para me perguntar, e eu levantei os olhos.
— Eu... eu saí sem eles e, antes que você os demita, eu estava saindo
com meu pai e não pensei que precisaria deles.
— Droga, Katherine! — Nathan fica nervoso. — Você precisa me
obedecer e seguir as regras dessa casa, quando eu disse que você só deveria
sair com um deles no seu encalço, eu falei sério, exatamente para evitarmos
problemas.
— Ok! Desculpe! Não achei que houvesse problema ficar sem eles.
Desculpe — digo sem graça.
— Desculpe, John, mas eu já contratei homens para cuidar da
segurança dela, só resta Katherine fazer sua parte. — Nathan me encara de
cara feia. — Agora me explique o que acha que viu.
— Eu não acho que vi, eu vi, quem estava atrás daquele volante queria
matá-la. Você está escondendo algo que eu deveria saber? Porque, há pouco
tempo, você foi baleado, saíram notícias sobre isso, a polícia ainda buscava o
suspeito de atirar. Será que quem estava atrás daquele volante não era o
mesmo que atirara em você? — John pergunta.
— Não! — Nathan afirma.
— E como pode ter tanta certeza?
— Porque o homem que atirou em mim está em outra cidade, bem
distante daqui. — Nathan responde, olhando para John como se quisesse bater
nele.
— Eu não teria tanta certeza disso, Nathan. Eu estou confiando a vida
da minha filha que eu comecei a conhecer a você e espero que você cuide
dela.
— Ok! Chega, vocês não podem falar de mim sem lembrar que eu
ainda estou aqui. Sim, foi um pequeno descuido meu, mas nada de mais, não
aconteceu nada, e eu ainda estou aqui — falo para os dois. — Eu estou bem,
pai! — Olho para Dhex. — Leve nosso pai para casa. — Dhex levanta.
— Vamos, pai, eles precisam conversar — diz e o puxa para a porta.
— Eu estou de olho em vocês, Nathan, se algo acontecer a minha filha,
eu venho buscar você — meu pai ameaça. Nathan vira-se indo para cima do
meu pai, mas eu entro no meio.
— Não!!! Por favor! Acalme-se. Vá embora, pai, depois conversamos
— exijo quase gritando, a porta é fechada e bate forte. Abraço Nathan, seu
coração está a mil. — Desculpe! Desculpe-me, eu não quis ser descuidada. —
Ele se afasta.
— Você entende que, quando é descuidada, não põe apenas sua vida
em risco, mas a vida das meninas que ainda estão por nascer.
— Desculpe-me — eu peço novamente, as lágrimas ameaçando cair
com tudo, engulo, sentindo a garganta doer pelas lágrimas que eu segurava.
— Droga, Katherine! Eu só quero a porra da sua segurança. George
está em algum lugar lá fora e pode, a qualquer momento, fazer algo realmente
ruim. — Nathan está nervoso, andando de um lado para o outro.
— Desculpe. — Eu sento, e ele se abaixa à minha frente.
— Ei, meu amor, eu só quero você segura — ele sussurra, levanto o
olhar e noto um Nathan com lágrimas nos olhos.
Capítulo 6
Kate
— Eu sou tão burra, idiota! — falo, olhando-o. — Perdoe-me, eu
coloquei nós três em risco por causa de uma coisa boba, eu só queria respirar
um pouco e quase fui atropelada. Pura irresponsabilidade minha, desculpe-me.
— Katherine, eu a entendo, você tem apenas 18 anos, quer ter a
liberdade que tinha antes, mas as coisas não são mais como eram, tem um
criminoso lá fora que poderia fazer mal a você, ou a mim, ou a nossa família.
— Eu sei!! Desculpe-me. — Abraço-o e sinto o soluço que estava
preso em sua garganta, ele está chorando. — Perdão, meu amor, eu não queria
ser irresponsável, eu não...
— Shhhh... Tudo bem, eu entendo você. — Observo-o, limpo suas
lágrimas e beijo seus lábios.
— Desculpe-me. — Ele acaricia minha barriga.
— Seu pai saiu daqui chateado — Nathan diz com um meio sorriso. —
Eu não queria brigar com o homem, mas ele veio todo autoritário para cima de
mim e, caramba, dentro da minha casa mando eu, e sou eu que tenho que
defender você.
— Sim, ele saiu chateado, acredito que pelo fato de estar me
conhecendo agora e não querer perder a filha que ele nem sabia que existia —
afirmo baixinho.
— Sim, eu, como pai, o entendo, sei que, se fosse eu em seu lugar,
faria o mesmo, defenderia minha filha a todo custo — Nathan fala me olhando
nos olhos.
— Novamente, peço desculpas, foi pura irresponsabilidade minha —
digo.
— Sim, foi, mas agora vamos para o quarto, vou lhe dar um banho para
que possa relaxar. — Ele me pega no colo.
— Você sabe, eu não sou mais tão leve quanto antes — confesso
sorrindo para ele.
— Eu sei, mas não tem problema, eu posso carregá-la sem cair, por
enquanto. — Ele ri.
— Está me chamando de gorda? — pergunto franzindo a testa em meio
a um risinho.
— Não!
— Como não, acabou de dizer “por enquanto”, quer dizer que, se
engordar mais no próximo mês, você não poderá mais comigo — questiono
enquanto ele me coloca no chão e me ajuda a tirar a roupa.
— Eu vou carregá-la, não importa o seu peso. Eu sou forte! — Ele
mostra seu bíceps, e eu rio.
— Convencido! — Ele tirou a roupa e nos leva para o banheiro, para
uma banheira enchendo com água quentinha.
Nathan me senta na borda da banheira e faz carinho na minha barriga,
um chute me atinge bem onde sua mão pousa.
— Parece que alguém gostou do seu carinho — digo sorrindo, ele
passa a mão e para novamente, outro chute surge ali. — Continue! Elas
gostam.
A banheira enche e ele põe a mão para sentir a temperatura.
— A água parece estar mais quente do que realmente está, ponha as
pernas para dentro da banheira para senti-la antes de estar totalmente dentro
— ele sugere e eu o faço, sim, a água parecia mais quente do que realmente
estava, meu corpo estava frio devido a estar na rua há minutos, ou poderiam
ser horas? O inverno em Nova York é pesado, sento-me aos poucos e sinto a
água esquentando minhas partes íntimas e logo a barriga, ficando pouco acima
dos seios. — Vá um pouco para frente, vou sentar atrás de você. — E assim o
faço.
— Eu gosto quando ficamos assim — afirmo sorrindo enquanto ele se
posiciona atrás de mim, em seguida, sinto uma esponja passar por meus
ombros.
— Eu também gosto de banhá-la, ainda mais agora, pois sei que você
relaxa, eu andei lendo muito nas últimas semanas e imagino que as gêmeas
estejam pesando.
— Sim, estão, principalmente sobre a minha bexiga — falo enquanto
fecho os olhos e relaxo sob as mãos dele, que massageavam minhas costas
com a bucha.
— Eu percebi, vejo você levantar várias vezes à noite, você acha que
estou dormindo, mas, com você ao lado e com o medo de que entre em
trabalho de parto a qualquer momento, meu sono fica leve até demais — ele
comenta, dando um beijo em meu ombro.
— Vai demorar ainda, pelo menos uns três meses, para elas nascerem,
meu amor, pode dormir sossegado. — A esponja vem sobre meus seios e logo
sobre minha barriga, ele me banhou completamente. Em minutos, eu estava na
cama quentinha, em um pijama confortável e sob o edredom fofinho e quente.
— Eu sinto sua falta!
— Eu também sinto, mas, depois do seu mal-estar do outro dia, em que
fomos ao hospital, eu fiquei apreensivo de fazer algo — Nathan responde. —
Você sabe, eu quero muito, e sei que percebe que, sempre que está perto de
mim, meu pau fica animado e querendo pular das minhas calças.
— Sim, eu percebo — confirmo sorrindo e bocejando. — O sono quer
me pegar.
— Você precisa descansar.
— Promete que não vai ao escritório mais hoje — peço em meio a
sonolência. — Por favor! Fique comigo aqui. Não vá trabalhar a madrugada
inteira.
— Tudo bem! Eu prometo — ele prometeu e, em menos de um minuto,
a escuridão me leva para um sono relaxante.

Nathan
Quando John começou a falar sobre o quase acidente da Kate, foi como
perder uma batida do meu coração, o que seria de mim se algo acontecesse
com ela e com as bebês, eu estaria tão perdido quanto um peixe fora d'água.
Às vezes, Kate é tão impulsiva e se coloca em cada situação que me dá medo
quando ela sai de casa. Eu tento, eu juro que tento ser o melhor para ela.
Talvez isso tenha me feito abrir os olhos para o que eu estou fazendo com ela,
eu estou negligenciando-a, deixando-a de lado para me enfiar na droga
daquele escritório e foi assim durante todo o último mês, depois da alta do
hospital, logo voltarei a trabalhar fora de casa todos os dias, e ela estará cada
vez mais sozinha.
Olhando-a agora, enquanto ela dorme, eu percebo que sou tão burro a
ponto de não enxergar que ela só queria um pouco de atenção e liberdade ao
sair de casa, que ela queria que eu estivesse lá.
— Eu sou um idiota, e você é tão linda, não merece alguém tão fodido
como eu — sussurro para mim mesmo enquanto faço carinho em seu rosto. Eu
tenho um passado tão ruim com pessoas que podem machucá-la e, mesmo com
tudo isso, eu não teria coragem de mantê-la longe por muito tempo, porque eu
sou egoísta, tão egoísta que a trouxe para morar comigo sem sermos casados.
Eu preciso fazer algo sobre isso urgentemente, antes das gêmeas nascerem.
Preciso por George atrás das grades antes delas nascerem também e ter a
convicção de que minhas filhas estarão seguras.
Pelo menos minha investigação está se saindo melhor do que a dos
investigadores do FBI, que parecem ter sumido do mapa. George está em
Miami, necessito descobrir uma forma de prendê-lo antes que ele fuja ou suma
do mapa novamente. Apesar de ter sido fácil achá-lo, ele é tão idiota que não
consegue se esconder por muito tempo e peca quando sai em busca de
meninas, ludibriando-as para que ele possa se dar bem às custas delas,
vendendo-as. Ele tem uma forma de tornar qualquer jovem cega com apenas
algumas palavras, mas eu ainda vou vê-lo atrás das grades. E sei que terei que
pagar também por ter participado do tráfico anos atrás. Jéssica também pagará
por seus erros.
Tenho que descobrir quem foi que atentou contra a vida de Katherine,
se não foi o George ou a Jéssica, a única pessoa possível seria Helena, a
própria mãe da minha mulher, seria muito baixo da parte dela fazer algo assim
contra a própria filha.
Se tiver sido Helena, eu a farei pagar caro, o processo por aliciamento
de menores na prostituição ainda está rolando, e estamos esperando ela ser
intimada para depor, Kate ainda não sabe, mas terá que depor contra a mãe, e
eu também, por dormir com ela sem saber que ela ainda era menor de idade.
Isso vai ser constrangedor para nós, mas quero fazer essa mulher infeliz que se
diz mãe pagar por fazer isso com a própria filha.
Capítulo 7
Kate
Acordo confortavelmente nos braços do meu amor, sua mão está sobre
minha enorme barriga, o zumbido de um telefone me incomodava, olho para o
criado-mudo ao meu lado, é meu telefone, o sol fraco da manhã entra pela
enorme janela de nosso quarto. Pego o telefone e vejo uma mensagem de Alex:
"Gata, tenho novidades, uma revista quer uma entrevista com você
e com o Nathan King, querem também fazer seu book gestante especial. Se
aceitar, me responda, preciso dar a resposta até o final da tarde.
Beijos, pequena Blue."
Esse Alex não tem limites, gente, o Nathan nunca vai aceitar uma
entrevista para uma revista. Levanto lentamente e vou ao banheiro, faço minha
higiene pessoal e volto ao quarto, Nathan ainda dorme como um anjo. Sigo até
a sacada para receber o novo dia que se inicia e agradecer a Deus por mais
um dia em que acordo, recebo um chute de uma das meninas em meu ventre e
lágrimas descem por meu rosto, eu nem tinha percebido que estava chorando
enquanto fazia minha prece silenciosamente, olhando para o céu de olhos
fechados e apenas com o pijama, sentindo o calor do sol de inverno
intensificar-se sobre minha pele.
— Obrigada por mais um dia!
— O que faz aqui fora, Katherine? — A voz de Nathan chega aos meus
ouvidos, e eu limpo rapidamente o meu rosto.
— Bom dia, meu amor! — Sorrio, virando-me para ele. Nathan segura
meu rosto.
— Você estava chorando? Por que, meu amor?
— Não é nada, foi apenas um sentimento bom, quando conversamos
com Deus. — respondo sorrindo, ele beija minha testa e me puxa para um
abraço. — Desculpe-me, são os hormônios da gravidez. — Então o soluço
vem com força e não seguro o choro.
— Ei, meu amor, não precisa chorar, nada vai acontecer, mantenha a
calma, não é bom para as bebês e você sabe. — Ele limpa minhas lágrimas e
beija meus lábios. — Eu estou aqui, não estou?
— Eu sei que está, mas... o medo de perdê-lo ainda está aqui dentro.
— Aponto para o meu coração.
— Você não vai me perder, meu amor. — Ele me dá aquele sorriso que
só ele tinha, que derrete meu coração.
— Eu queria perguntar algo.
— Pergunte, mas venha para dentro, aqui fora está frio. — Ele me leva
para dentro e fecha a porta da sacada.
— Alex me mandou uma mensagem avisando que uma revista famosa
quer nos entrevistar, e querem fazer um book gestante meu. E eu queria saber,
você dará a entrevista comigo? Ou direi que não posso para ele? — pergunto.
— Veja qual revista é e conversaremos a respeito, quero as perguntas
primeiro, antes de virem aqui. Vou lê-las e, se ver que estão adequadas,
daremos a entrevista. Tudo bem assim? — ele fala, olhando-me com aquele
sorriso. Assinto. — Ok, vou me trocar e hoje vamos dar um passeio, só eu,
você e as meninas. — Sorrio concordando e o vejo entrar no banheiro.

Nathan
Katherine está chorosa, talvez sejam os hormônios da gravidez, ou
apenas a deixei de lado por tanto tempo que ela ficou assim, e eu nem percebi.
Entro no chuveiro e tomo uma ducha, enquanto me enxugo, lá fora escuto-a
ligar o som, toca “Say Ok” da Vanessa Hudgens, abro a porta do banheiro
devagar, ela dança lentamente, ouvindo e cantando a música. E eu percebo,
minha Katherine é ainda uma menina, uma adolescente assumindo
responsabilidades maiores do que outras assumiriam em sua idade.
Saio do banheiro só de toalha, afinando a voz, começo a cantar e
dançar como ela. Ela vira rindo e me olhando.
— Eu não fugir, não vou a lugar nenhum. — Abraço-a — Eu vou
sempre fazer você se sentir melhor, não importam as circunstâncias. — Ela ri
e me empurra.
— Acreditando no senhor, Sr. King. Vá se trocar, precisamos ir comer,
duas mocinhas aqui dentro estão famintas.
— Eu estou faminto por outra coisa — respondo, olhando-a.
— Eu também, mas a fome delas é maior — ela diz rindo e abre a
porta. — Espero você na cozinha para o nosso café da manhã. — E sai, me
deixando sozinho, corro até o armário e me troco rapidamente, pego um
casaco para ela e outro para mim. Vou à cozinha, e ela conversa com Ana.
— Bom dia, Sr. King — Ana cumprimenta-me sorrindo.
— Bom dia, Ana — respondo pegando uma xícara de café fumegante e
vendo Ana sair da cozinha, nos deixando sozinhos. Katherine está
abocanhando uma rosquinha com geleia de morango.
— Que mistura, Katherine.
— Amo geleia de morango. Ou, pelo menos, passei a amar — ela
confessa sorrindo.
— Está sujinho aqui — Passo o dedo para limpar o canto de sua boca,
ela sorri e segura minha mão, depositando um beijo na palma.
— Obrigada.
— Pelo quê? — pergunto.
— Por ser quem você é, por me querer, mesmo eu tendo mentido minha
idade, por ter me aceitado como sou, por não me jogar fora por ser apenas
uma adolescente.
— Alguns diriam que estou criando você — brinco, e ela joga sua
rosquinha cheia de geleia em mim, sujando meu rosto. — Ah, é assim?
— Eu estou agradecendo e você fica aí tirando com a minha cara —
ela responde com cara de brava, eu pego uma colher de geleia de morango,
jogo o conteúdo em sua direção e sujo sua bochecha. — Não acredito! — Ela
mostra-se indignada, pega outra rosquinha e joga em minha direção. E assim
começa uma guerra de comida em minha cozinha. Quando ela para, dando uma
gargalhada gostosa, seu vestido que era bege agora está uma mistura de rosa
com vermelho, de tanta geleia de morango grudada nele, minha camisa que era
amarela, está em um tom que não saberia explicar, seu cabelo está grudado
com alguma coisa que não posso distinguir, e meu rosto, bem, deve estar tão
lindo quanto o dela.
— Vamos ter que tomar banho novamente.
— Literalmente. — Ela gargalha.
— Do que está rindo? — pergunto.
— De você, quem diria um cara de quase 32 anos se envolveria em
uma guerra de comida com uma adolescente — ela explica e cai na gargalhada
novamente. — Se suas irmãs vissem, diriam que você ficou louco. Oh, eu
preciso registrar isso. — Ela levanta com um raio e corre, voltando com o
celular na mão.
— Ah, não, você não vai tirar uma foto minha nesse estado. —
Caminho em sua direção. E vejo o flash da câmera do celular ser ativado.
— Você ficou lindo. — Ela ri, me aproximo.
— Dê-me esse celular, mocinha. Vou apagar já essa foto.
— Não, não! — Ela coloca o celular atrás de si, e eu vou em buscá-lo,
mas a barriga fica entre nós.
— Você ganhou, só dessa vez, deixo você ganhar! — Eu rio e beijo
seus lábios, esquecendo do celular ou qualquer outra coisa.
— Você sempre me deixa ganhar! — ela constata enquanto nos
beijamos.
— Sim, eu sempre deixo porque amo você!
Capítulo 8
Kate
Seguimos até o banheiro, Nathan me ajuda a tirar o vestido enquanto retira
suas roupas, entramos juntos no chuveiro, rindo, ele começa a lavar o próprio
cabelo enquanto eu me ensaboo.
— Vire-se — ele pede, e eu acato. Logo suas mãos estão massageando
meu cabelo e ensaboando-o com shampoo.
— Ana vai ficar tão brava quando ver nossa bagunça — comento.
— Sim, ela vai.
— Tenho fotos para fazer hoje à tarde, você quer ir? — pergunto.
— Onde serão? Que fotos são essas que não me avisou antes?
— Alex mandou mensagem avisando, é para uma loja de roupas de
gestantes. E tenho que estar pronta às 13h, Alex vai passar para me pegar —
explico enquanto ele me coloca embaixo do chuveiro e enxagua meu cabelo.
— Entendi, vou com você, então. — Sorrio. Nathan pega o roupão e
me ajuda a colocá-lo, depois, pega uma toalha e seca meu cabelo. Eu saio do
banheiro e ele vem logo atrás, enrolado em uma toalha e com outra na mão,
enxugando o próprio cabelo, eu tenho tanta sorte de tê-lo só para mim.
Ele busca um vestido, meias e uma sapatilha preta para mim. Traz no
braço, também, uma calça jeans e uma camisa de seda, os sapatos e as meias.
Homem eficiente, penso, sorrindo, vendo-o colocar tudo em cima da cama.
— Muito eficiente! — falo rindo.
— Ao seu dispor, madame — ele ri, fazendo uma mesura. — Afinal,
quero que esteja confortável e sei que algumas coisas, com uma barriga
enorme como a sua está, são difíceis de fazer.
— Sim, isso é verdade. — Vejo-o voltar e pegar dois casacos e traz
também minha lingerie. Ele coloca os casacos sobre a poltrona, vem até mim
com a calcinha na mão e abaixa-se.
— Coloque suas lindas pernas aqui! — ele pede, sorrindo, me
olhando, apoio em seu ombro para me segurar e poder entrar na calcinha, ele a
sobe delicadamente enquanto acaricia minhas pernas.
— Sabe que, se continuar assim, irei me atrasar para a sessão de fotos
por sua culpa! — falo, mordendo o lábio inferior.
— Não seria má ideia. — Ele ri e beija minha coxa, depois, minha
barriga, seios e encontra minha boca. Minhas mãos encontram seus cabelos,
trazendo-o para junto de mim com minha barriga entre nós.
Horas mais tarde, passo pelo hall de entrada do edifício com um Alex
muito ansioso nos esperando em pé, ao lado da porta do carro.
— Achei que não desceria — ele diz assim que me vê.
— Não seja dramático, Alex — falo sorrindo e dou-lhe um beijo no
rosto.
— Está desculpada! — Ele ri e me ajuda a entrar no carro. — Como
vai, Nathan? — Alex cumprimenta ao vê-lo entrar em seguida senta-se à nossa
frente e pega uma taça de champanhe.
— Eu estou bem, Alex, e a agência, está indo bem? — Nathan
pergunta.
— Sim, muito bem, tenho tantos trabalhos para a Katherine — Alex
afirma enquanto toma um gole do champanhe. — Querida, eu ofereceria a
você, mas, como está em estado interessante, não pode tomar.
— Estado interessante? — questiono, olhando-o sem entender.
— Sim, é um modo bonito de dizer que está gravida — ele sorri. —
Quer champanhe, Nathan?
— Não, obrigado! — Nathan responde.
— Então, Katherine falou com você sobre a entrevista para a revista?
— Alex indaga.
— Sim, ela comentou. E eu expliquei que aceito se puder ver as
perguntas primeiro.
— Entendo, conversarei com a editora deles e pedirei as perguntas,
envio via e-mail, assim podem analisá-las melhor.
— Agradeço se o fizer — Nathan diz.
— Eu que agradeço por permitir que ela ainda trabalhe — Alex
declara, me olhando.
— Ei, eu ainda estou aqui. — Sorrio, encarando-os.
— Nós sabemos — Nathan segura meu queixo e dá-me um selinho nos
lábios.
— Bem, pombinhos, chegamos! — Alex anuncia, abrindo a porta e já
saindo, Nathan vai logo atrás dele e me ajuda a descer.
Era um prédio enorme, com vitrines que mostravam diversas roupas de
gestantes, além de carrinhos de bebê e outras coisas mais, entramos e Alex foi
logo dando ordens para quem estava lá, colocando todos em seus lugares.
— Vick, esta será sua princesa hoje! Cuide dela, pois temos pessoas
nos olhando. — ele ordena olhando para Nathan, que está encostado em um
pilar.
— Oi! — Dou um sorriso tímido para o cara com a câmera na mão.
— Muito prazer, Katherine, ouvi muito falar de você, o meu chefe
quase me colocou louco dizendo que queria você como representante de suas
roupas. — Sorrio lisonjeada.
— Nossa, falando assim, sinto-me honrada por estar aqui.
— Você pode se trocar naquela porta, tem três pessoas lá para ajudá-la
a se vestir. — Vick indica o local, e eu encaminho-me.
Minutos mais tarde, eu estava de volta, agora com um vestido florido,
me indicaram a cadeira para sentar e fizeram, rapidamente, uma maquiagem
neutra. Olhei ao redor e o ambiente estava aconchegante, o aquecedor foi
ligado, foi montado um quarto de bebê que não estava ali quando cheguei, ou
talvez eu não tenha prestado atenção na hora.
— Estou pronta! — falo, aproximando-me de Vick, que estava
concentrado mexendo em sua câmera.
— Vamos começar! — ele grita para alguém, me encaminha até o
centro do pequeno cenário e me entrega um ursinho marrom. E então começa
uma música que eu já conhecia, pois tenho em meu Ipod, “Love me Like You
do”. — Respire fundo e sinta-se mãe, acaricie a barriga, sorria, faça essas
coisas que as mulheres fazem quando pensam no rosto do seu futuro bebê. —
Eu rio e o flash dispara. — Isso mesmo, essa coisa espontânea que só você
faz.
Uma sequência de músicas é tocada ao fundo da sessão de fotos, troco
de roupa várias vezes, quando meus pés começaram a protestar por estar em
pé a muitas horas, peço para sentar. Em seguida, começa a sessão de fotos
mostrando a barriga.
— Podemos dar uma pausa — peço. — Por favor!
— Sim, claro. Aproveite e coma algo, vou colocar as fotos já tiradas
no computador e volto depois. — Sorrio em agradecimento.
Sento-me na poltrona do cenário e o Nathan se aproxima, olhando-me.
— Trouxe para você! — Ele me entrega um suco de laranja. — Você
realmente gosta desse trabalho? É tão cansativo. As gêmeas vão protestar.
— Elas já protestaram e estão protestando. Acho que é a música, sei
lá. E meus pés já estão doendo — confesso, tomando meu suco.
— Eu sei, já está acabando, falta só uma troca de roupa, e você estará
liberada — Alex explica, passando do meu lado.
— Amém! — praguejo rindo, terminando meu suco de laranja.
— Já são quase 20:00h e você precisa jantar.
— Eu sei, como o Alex disse, falta só mais uma troca e estarei
liberada. — Levanto e vou me trocar. Volto o mais rápido que posso e chamo
Vick. — Estou pronta!
— Ótimo! — E voltamos à sessão de fotos.

Após uma hora e meia, David nos aguardava na porta da loja com a
porta já aberta.
— Alex, obrigada! Realmente adorei a sessão de fotos, mas estou tão
cansada que, se sentar por cinco minutos em silêncio, consigo dormir — falo
para Alex que caminha conosco.
— Eu a entendo e posso imaginar como deve estar cansada. Vou deixá-
la ir logo, ainda precisa jantar.
— Obrigada! Qualquer coisa, me chame pelo WhatsApp.
— Tudo bem, querida! Até mais! — Ele me dá um beijo no rosto, e
olho para Nathan, que entrega algumas sacolas para o David pôr no porta-
malas do carro, acabei ganhando algumas roupas, e Nathan comprou outras na
loja, além de algumas para as bebês.
— Vamos! — ele fala e me entrega o urso, depois me ajuda a
acomodar-me no carro e entra logo depois. — Vou fazer uma massagem em
seus pés assim que chegarmos em casa, mas, antes, passaremos para comprar
algo para comermos. O que quer, comida japonesa ou tailandesa?
— Japonesa, alguns sushis cairiam bem — respondo.
— David, passe em um restaurante japonês, por favor — Nathan
ordena ao David.
— Ok! — Eu fecho os olhos por alguns momentos, estavam com sono.
— Amor, chegamos em casa. — Ouço Nathan falar enquanto desperto.
— Desculpe, devo ter dormido.
— Você está cansada, é normal cair no sono — ele fala, sorrindo. —
Venha! — Ele me ajuda a descer, me leva para o elevador e aperta nosso
andar. — Eu poderia levá-la no colo, mas você irá comer primeiro, antes de ir
dormir.
— Eu sei, tenho que comer. — Sorrio, encostando a cabeça no ombro
dele enquanto o elevador subia. — Foi bom ter sua companhia durante a
sessão de fotos, me senti tão protegida. Obrigada!
— Não precisa agradecer, sempre que possível, estarei presente. — O
elevador para em nosso andar. Saímos e ele abre a porta.
— A comida? — pergunto.
— David subiu no outro elevador com ela, deve estar chegando nesse
exato momento — ele esclarece e a porta do elevador se abre, revelando um
David cheio de sacolas e um barco de comida japonesa.
— Não acredito que você comprou o barco todo — constato,
admirando-o. — Você é tão exagerado.
— Eu não sabia o tamanho da sua fome. — Ele pega o barco e o
coloca sobre a mesa de jantar. — David, ponha as sacolas no sofá e está
liberado, pode ir descansar.
— Boa noite, senhora Watson; boa noite, senhor King.
— Boa noite, David. Durma bem — falo, e ele deixa o cômodo.
Sentamos à mesa e, com os hashis na mão, saboreamos nosso banquete
de comida japonesa. Eu estou entre a vontade de comer e o sono, ambos tão
fortes. Como o máximo que consigo e quase durmo na cadeira.
— Sono a define, minha futura senhora King — Nathan fala sorrindo,
me pegando no colo.
— Sim, sono me define, literalmente.
— Mas, primeiro, vamos escovar os dentes e tomar uma ducha rápida,
antes de dormir, ok. — Assinto, ele me leva para o banheiro, fazemos nossa
higiene pessoal, tomamos uma ducha juntos, e ele me leva para a cama, cobre-
me com o edredom e eu durmo, saciada e tranquila, com o homem dos meus
sonhos me abraçando por trás.
Capítulo 9
Nathan
Os dias passam devagar, quase se arrastando, o meu notebook mostra as fotos
recentes tiradas de George em Miami, já está tudo pronto para pegá-lo com a
boca cheia e finalmente levá-lo à cadeia. O FBI vem ajudando bem pouco com
a localização do George, meu detetive particular fez a maior parte do trabalho
e é ele quem vem alimentando meu e-mail com essas fotos, semanalmente,
sobre a rotina daquele filho da puta miserável. Se o FBI não estivesse tão
envolvido, eu já teria ido a Miami e enfiado uma bala na cabeça dele.
Um zumbido em cima da mesa chama a minha atenção, olho para a tela
do meu celular, vejo escrito "número desconhecido", atendo.
— Pronto!
— Então, quer dizer que esteve me procurando? — Eu nunca
esqueceria essa voz.
— Filho da mãe, o que quer?
— A bala que entrou em seu peito não foi o suficiente para lhe conter?
Você quer uma na sua testa, bem entre seus olhos? — Que filho da puta!
— Quem vai levar uma bala assim é você, George. Eu estou cansado
de suas ameaças. Eu vou achar você, custe o que custar. — Ele não poderia
saber que eu já o achei, ou poderia? É claro que ele não sabe.
— E você ainda não me achou?
— Se eu tivesse achado, você já estaria morto, pode ter certeza disso.
— Ele dá uma gargalhada do outro lado da linha.
— Não tente me achar, Nathan. Será melhor para você e sua família.
— Não ameace a minha família! — quase grito.
— Sua esposa foi quase atropelada, pelo o que soube — ele diz.
— Como... como você sabe? — pergunto hesitante.
— Eu sei de tudo, Nathan. Tudo o que envolve sua família.
— Você é um bastardo, George, dos piores e, se um dia ficarmos
novamente frente a frente, eu vou matar você.
— Não me ameace, pois eu posso atirar na sua linda e querida
Katherine agora mesmo, eu a tenho sobre o meu alvo. Ela está saindo de uma
loja de roupas de bebê e está com uma barriga enorme, por sinal. Seus
seguranças não servem de nada se eu a tenho sob a minha mira.
— Seu filho da puta, se fizer algo com ela, eu mato você. — Pego o
telefone de casa e disco o número da Katherine. Desligo a ligação com George
assim que ela atende.
— Onde você está? — perguntei.
— Saindo da loja de bebês, por quê?
— Entre no carro agora! — exijo.
— O que está acontecendo? — ela pergunta.
— Entre na droga do carro, Katherine. — grito no telefone.
— Ok! Um momento. — Ouço um barulho. — Obrigada! Pronto, já
estou dentro do carro, agora pode me contar o que está acontecendo? — Eu
respiro aliviado.
— George está na cidade, e ele tinha você sob a mira dele, ele ia
atirar, Katherine, você entende isso? Quero você em casa já! — Desligo.
Ligo para o detetive e cai na caixa postal.
— Droga! — Levanto da mesa do meu escritório de casa e derrubo
parte dos papeis que ali estão, passo a mão pelos cabelos desesperado. Se
George está na cidade novamente, é porque veio em busca de algo e, se ele
veio para tirar o que é meu, eu preciso encontrá-lo e, desta vez, matá-lo.

Kate
Saio às nove da manhã para um passeio pelo Central Park e, depois,
umas compras, entro em uma loja de roupas de gestantes e compro alguns
vestidos, saio e sigo para uma loja de roupas para bebês, pego algumas peças
iguais para as meninas e algumas bonecas de pano que me apaixonei. Na saída
da loja, o telefone toca, é o Nathan. Sua voz é de raiva ou estresse ao falar
comigo, pede para ir direto para casa e estou aqui, no elevador, subindo. Abro
a porta do apartamento e dois dos seguranças ficam na porta enquanto David
entra com as sacolas das compras.
— Onde coloco? — David pergunta.
— Deixe no sofá, depois levo para o quarto. Obrigada — agradeço.
— É sempre um prazer — David fala e sai. Nathan caminha em minha
direção, saindo do escritório.
— Como assim, George está na cidade? — Ele me abraça apertado.
— Desculpe pela forma que falei com você ao telefone.
— Conte o que aconteceu! — peço a ele, Nathan me leva ao escritório.
— Ele ligou para o meu celular, falando um monte de coisas e, depois,
começou a falar de você, que você estava muito bonita, que ele a tinha sob a
mira da arma e que podia atirar se eu não parasse de procurá-lo.
— Aquele filho de uma... — Ele coloca o dedo na minha boca,
fazendo-me calar.
— Não quero que fique assustada, amor, mas vou precisar que não saia
mais de casa, pelo menos por uns dias, vou virar essa cidade do avesso e vou
encontrá-lo. Não vou descansar. Eu não quero perder você. — Ele segura meu
rosto, me olhando nos olhos. — Você me entende, não é? Você entende que tem
que ficar em casa para sua segurança e das nossas meninas, não entende?
— Sim, eu entendo, Nathan! Eu entendo.
— Por favor, não saia. Por nada no mundo, nem mesmo se eu chamar,
ok! — Eu assinto, olhando-o. — Obrigado! — Ele me encara e se afasta. —
Preciso achar meu detetive, depois conversamos melhor, tudo bem?
— Sim. — Ele volta ao seu escritório. Levo minha mão à barriga e
percebo o risco que corri, se o George realmente me tinha em sua mira e
tivesse atirado, provavelmente, eu estaria agora morta e as meninas também.
— Quando esse pesadelo vai acabar? — falo comigo mesma, pegando as
sacolas e levando para o quarto.
Tiro parte das coisas e coloco sobre a cama, separo as minhas e levo
para a lavanderia para lavar. As roupinhas das gêmeas separo e levo ao quarto
delas. Coloco sobre a mesinha, onde guardei todas que comprei, precisava
lavar todas, e logo. Se elas vierem antes do previsto, preciso estar preparada,
com tudo pronto para recebê-las, o quarto está quase todo arrumado, faltam
alguns pequenos ajustes, como bonecas e alguns enfeites mais femininos. Hoje,
comprei duas bonecas de pano que achei lindas. Elas ficarão na prateleira
sobre os berços das meninas. Na parede, coloquei dois quadros grandes com
fotos minhas e do Nathan.
Eu estava me distraindo com coisas para as meninas, porque não quero
ficar preocupada com o que poderá acontecer com o Nathan se ele voltar a
cruzar com o George, eu já fico estressada só de saber que ele pode estar por
perto, não quero que isso influencie no meu parto ou faça mal as meninas.
Sento-me na poltrona do quarto delas e fico com a boneca de pano no colo,
pensando em como posso ajudar o Nathan nessa situação. Ajudá-lo sem
atrapalhar, será que é possível? Sinto um chute e sorrio.
— Sim, meus amores, mamãe está aqui! — Fecho os olhos por um
breve instante, respirando fundo, imaginando o rosto delas, elas serão lindas
de qualquer jeito, parecendo comigo ou com ele, elas serão lindas. A porta do
quarto se abre alguns minutos mais tarde.
— Vamos almoçar? — A voz do Nathan chega aos meus ouvidos, e eu
abro os olhos, devo ter adormecido. Ele entra no quarto e me ajuda a levantar
da poltrona. — Você está bem?
— Sim, só sentei um pouco para pensar nas coisas e acabei
adormecendo, é o sono infinito da gravidez — afirmo, sorrindo para ele.
— Posso imaginar. O almoço está pronto já faz uma hora, mas, como
estava ocupado, acabei não indo comer, quando fui à cozinha, Ana contou que
você também não havia aparecido para comer, então imaginei que estivesse
aqui e resolvi buscá-la para comer, pois você sabe que não pode ficar sem se
alimentar, ainda mais agora, não é?
— Sim, eu sei, eu só cochilei. Vamos almoçar. — Saio do quarto com
ele e seguimos para a cozinha. Ouço o celular do Nathan tocar, vejo-o pegar e
olhar o visor.
— Desculpe, preciso atender. — E ele sai, deixando-me sozinha
novamente.
— Tudo bem! — respondo para o nada, sento e começo a comer. —
Tudo bem! — falo para mim mesma, sabendo que as coisas não estão bem,
mas tento acreditar nisso. Eu estava preocupada com o que aconteceria nos
próximos dias se o Nathan realmente encontrar o George.
Capítulo 10
Kate

Tudo o que eu desejava era que essa coisa entre o George e o

Nathan se resolvesse, o estresse que meu amor está passando não é bom para

quem, recentemente, esteve internado. Eu tento não me preocupar, mas não é

possível, é muita pressão para uma pessoa só, o Nathan se tranca naquele

escritório tentando fazer tudo ao mesmo tempo, comandar a empresa da

família, cuidar de mim, me dar atenção e ainda ter a capacidade de pôr um

detetive atrás do monstro do George, uma hora ou outra, o Nathan vai pirar, e

eu espero ser madura o suficiente para segurá-lo no momento em que ele mais

precisará de mim. Almoço sozinha, preparo uma bandeja e levo o almoço até

ele, deixo ao lado da sua mesa no escritório, a campainha toca e vou atender, é

apenas a entrega das correspondências, pego-as e agradeço ao entregador.

Fecho a porta e as verifico, são contas básicas do apartamento, fatura do


cartão de crédito do Nathan ou coisas do tipo, em sua maioria, ando até o

escritório do Nathan, bato e entro, ele está ao telefone, conversa em francês,

pelo o que pude entender, ele sorri ao me ver, levanto as correspondências,

mostrando-as, e ele pede que deixe em sua mesa, as coloco ao lado do

notebook, enquanto ele vira para a janela, pondo a mão no bolso de sua calça

Armani, dou uma olhada rápida na tela do seu notebook, vejo a foto de um

homem e várias outras imagens do mesmo homem, algumas com data e hora,

como se fossem tiradas de uma câmera de segurança.

— O que é isso? — pergunto. Nathan se vira para mim arregalando os


olhos e rapidamente baixando a tela do computador. — Esse é o George? —
Nathan me olha sério, respirando fundo. — Fale comigo! Por favor! — peço.
— Sim!
— E ele está realmente aqui? Digo, em Nova York?
— Parece que sim. — Nathan baixa a vista e suspira.
— Você sabe que, se não me contar o que está realmente acontecendo
aqui, eu vou começar a vasculhar, a mexer nas coisas, e eu odiarei ter que
fazer isso, ainda mais quando eu estou em uma casa que não é minha. — Seus
olhos arregalam-se.
— Tudo isso é seu!
— Não, nada do que tem aqui é meu, apenas as roupas que comprei
com meu dinheiro, o resto é tudo seu. Olha, Nathan, eu odeio quando você
esconde coisas de mim e brigamos, da última vez que fez isso, você levou um
tiro, e eu quase fiquei louca, achando que jamais o veria acordado novamente.
— Não tem com que se preocupar!
— Você está se comportando como um tremendo filho da puta,
trancando-se aqui, falando em outra língua, se tudo isso é para tentar esconder
de mim que algo realmente ruim está acontecendo, então seu plano não está
funcionando. Eu sou madura o suficiente para escutar o que tem a me dizer. —
Ainda em pé, encarando-o, Nathan puxa sua cadeira.
— Sente-se!
— Não quero sentar.
— Sente-se, Katherine, agora! — Seu tom era controlado, mas eu sabia
que havia ido longe com minhas exigências. Sento-me em sua cadeira e ele
levanta a tela do MacBook. — Este é George, como já sabe, trabalhei com ele
em coisas ilícitas, foi mais investigação do que trabalho, mas eu ganhei muito
dinheiro com aquilo. — Há muitas imagens do tal George na tela.
— Por que ainda o procura? — pergunto. — Deixe que a polícia faça
seu trabalho, é por isso que pagamos nossos impostos, para termos esse
dinheiro pago devolvido em forma de segurança.
— Não, Katherine, você não entende, a polícia não vai prender o
George, ele tem contatos e muitos.
— Oh, ele tem pessoas dentro da polícia. Isso é realmente ruim.
— Eu não queria envolvê-la nisso, você sabe, por você e pelas
meninas, ainda mais com esse problema das suas plaquetas que surgiu, quase
esqueci de avisar, recebi uma chamada da Dra. Veneci, ela quer vê-la o mais
rápido possível.
— Não mude de assunto, apenas continue, se George tem contatos,
como ele poderá ir para a cadeia?
— É nisso que estou trabalhando, contratei detetives e o encontrei em
Miami, ele estava recrutando belas moças para manipulá-las e depois vender.
Consegui fotos e até seu endereço, mas aí aquele filho da puta descobriu e
veio para cá, ameaçando você. — O telefone do escritório toca, e eu o atendo
enquanto o Nathan olha lá para fora.
— Srta. Watson, há um oficial de justiça aqui embaixo procurando pela
senhora, disse se tratar de algo importante — a recepcionista avisa.
— Mande-o subir — peço e desligamos.
— Quem está subindo? — Nathan indaga, me olhando.
— Um oficial de justiça está subindo. Há algo que deva me contar que
eu ainda não esteja sabendo? Você vai ser preso? — Começo a enchê-lo de
perguntas. — Você vai ser preso ou algo assim?
— Não, claro que não! — Eu me viro, dando-lhe as costas, ao ouvir a
campainha tocar.
— Vou atender. — Saio do escritório e ele me acompanha, abro a
porta.
— Srta. Watson? — o oficial pergunta.
— Sim, sou eu. — Ele me avalia dos pés à cabeça.
— Eu sinto muito pela notícia que venho lhe dar, mas sua mãe foi
assassinada essa madrugada.
— Oh, meu Deus! — O choque faz minhas pernas tremerem e ando
para trás, encontrando o peito de Nathan, ele segura meus braços. — Oh, meu
Deus! — Levo a mão à boca, sentindo meus olhos arderem quando o choro se
forma, um soluço escapa e tento manter a compostura, engulo o choro e sinto a
garganta doer.
— Mantenha a calma — Nathan sussurra ao meu ouvido.
— Srta. Watson, eu realmente sinto muito pela notícia, mas preciso que
venha comigo para que possa reconhecer o corpo.
— Ela não vai! — Nathan diz.
— Desculpe, Sr. King, mas ela é a única parente próxima e realmente
precisa me acompanhar. — Viro-me para olhá-lo.
— Está tudo bem, eu posso ir — afirmo mais para mim do que para
ele, eu precisava garantir para mim mesma que estava tudo bem.
— Eu vou com ela, se puder nos aguardar alguns minutos, ela irá se
trocar e já descemos. — O oficial concorda e vai embora. Outro soluço
escapa e eu me permito chorar.
— Ela… morreu! — falo em meio aos soluços.
— Sim, meu amor, respire. — Ele me abraça, e eu coloco minha
cabeça em seu peito. — Temos que ir, vou pegar seu casaco. — Ele caminha
pelo corredor rumo ao quarto, voltando pouco depois, vestido em seu casaco
negro, coloca o meu sobre meus ombros e me ajuda a vestir. Abotoa o casaco
e dá um laço na tira pouco acima da minha barriga.
Descemos e encontramos o oficial nos esperando, ele levanta e nós o
seguimos, um SUV preto nos aguarda, ele abre a porta, o Nathan me ajuda a
entrar e acomoda-se logo em seguida. O trajeto até onde está o corpo da minha
mãe é tenso.
— Como ela morreu? — pergunto ao entrar no IML.
— Ela foi afogada, a encontramos na banheira de um motel — o oficial
fala assim que entramos naquele lugar frio, uma espécie de cama de metal e
um corpo em cima, coberto por um pano branco. Aproximo-me e levanto o
lençol, sua pele, antes muito maquiada como sempre a tinha visto, azulada.
— Sim, é a minha mãe! — confirmo com a voz embargada pelo choro
que volta com força, abraço o Nathan. — Eu estou sozinha.
— Ei, shhh! Você tem a mim, tem as nossas meninas que logo nascerão
e tem seu pai também agora — Nathan diz baixinho em meu ouvido. — Vamos
sair daqui. Mandarei buscarem o corpo para o enterro.
— Tudo bem, Sr. King — alguém responde. — Avisaremos assim que
liberarem o corpo, ainda farão a autópsia para saber a real causa da morte,
como a encontramos submersa na banheira, achamos que foi afogamento, mas
ainda precisamos confirmar. — Vejo Nathan balançar a cabeça em
concordância.
Saio dali sendo guiada pelo Nathan, por mais desprezível que ela
fosse, foi ela quem me criou, quem fez tudo por mim, quem estava lá quando
eu acordava no meio da noite ao ter um pesadelo. Por pior que fosse e tivesse
sido ao me colocar no mundo da prostituição, nada teria me preparado para
sua morte, nada mesmo. Eu estava em choque e no piloto automático, apenas
seguindo as orientações do Nathan.
Capítulo 11
Nathan
Saber da morte da mãe, para a Katherine, foi um baque, e ela estava
tão triste, Helena era interesseira, sim, mas, ainda assim, era a mãe da minha
mulher. E vê-la assim, desolada, deixa-me sem chão, porque eu não sei o que
fazer, após ela ver sua mãe no IML, observei minha mulher entrar em torpor,
apenas obedecendo a comandos básicos que eu dava, chegando em casa,
coloquei-a na cama e tirei sua roupa, deixando-a o mais confortável possível.
Esperei ela adormecer, velei seu precioso sono até lembrar de que precisava
fazer uma ligação importante.
— Como vai meu genro, a que devo a honra de sua ligação?
— Helena está morta, morreu esta madrugada na banheira de um motel.
— Como assim?
— É isso mesmo, ela morreu, mas ainda não sabemos ao certo se foi
assassinada, a homicídios de Nova York está investigando. Katherine está
arrasada e entrou em choque, eu pensei que, se você estivesse por perto nesse
momento, ajudaria, ainda mais agora que ela perdeu a mãe.
— Tudo bem, estou indo para aí.
— Agradeço! — Despedimo-nos e desligo.
Peço que a Ana prepare uma sopa para a Katherine comer, enquanto
espero, volto ao meu escritório, olhando novamente as fotos de George que
ainda estavam no mesmo lugar que deixei quando eu e ela fomos atender a
porta. A caixa do correio eletrônico acende assim que passo o dedo no mouse
do Macbook. Clico em cima e constato que é um e-mail da homicídios,
avisando que o laudo da perícia só sairá em 20 dias, pego meu celular
rapidamente e ligo para meu advogado, peço que ele consiga esse laudo antes
do prazo que a homicídios informou.
— Eu preciso desse laudo logo, antes desses 20 dias.
— Mas, por quê?
— Eu quero ter certeza de que o George não está metido nessa merda.
— Ah, sim, claro! Tudo bem, vou ver o que posso fazer e o informo.
— Não veja o que pode fazer, apenas consiga, Ok!? — falo e nos
despedimos.
Eu precisava certificar-me de que George não estava envolvido,
porque, se ele estivesse, eu teria que ter muito mais cuidado, pois, se ele foi
capaz de chegar até a Helena, seria também capaz de fazer algo com
Katherine.
Há uma batida à porta, e a Ana entra.
— A sopa está pronta, Sr. King.
— Ok! Obrigado!
— A bandeja já está no quarto, mas não acordei a Srta. Katherine —
Ana comenta.
— Tudo bem, eu mesmo irei acordá-la. Obrigado novamente! — Saio
do escritório e caminho até o quarto, onde Katherine dorme profundamente. —
Amor! — Chamo devagar.
— Hummm… — ela faz alguns sons, balbucia algumas coisas
ininteligíveis.
— Amor, você precisa comer um pouco. — Balanço-a um pouco e
passo a mão em sua barriga. — Vamos, acorde.
— Eu estou acordada! — ela responde ainda de olhos fechados.
— Ana fez sopa de legumes para você — falo, olhando-a se mexer e
pôr-se sentada na cama. Arrumo os travesseiros em suas costas e, com olhos
vermelhos de chorar, ela encara meus olhos.
— Eu sinto muito! — ela começa.
— Ei, não tem razão para desculpar-se, é natural chorar quando se
perde alguém querido. — Conforto-a em um abraço, sinto-a tremer, é o choro
novamente, eu odeio vê-la assim, eu choraria por ela se pudesse.
— Eu ainda não acredito que ela se foi. — Solto-a por um instante
enquanto pego a bandeja de madeira e coloco sobre suas pernas.
— Trouxe a sopa.
— Eu não quero comer nada — ela responde fungando e limpando a
lateral do rosto.
— Você precisa se alimentar, não esqueça das nossas filhas, elas
precisam que você coma, por você e por elas. — Lembro-a.
— Ok! — Ela dá um meio sorriso e acaricia a barriga. — Eu vou
comer. — Aproximo-me com o prato e a colher nas mãos.
— Vou alimentá-la.
— Eu posso comer sozinha, você sabe.
— Mas eu quero fazer isso, alimentar você. Por favor! — peço
carinhoso e levanto uma colher cheia de sopa. — Olha o aviãozinho. — Ela
abre a boca e consome todo o conteúdo da colher, depois, solta uma risada
que eu, particularmente, adoro.
— Aviãozinho. De onde tirou isso? — pergunta rindo e limpando o
resto das lágrimas que teimam em rolar por seu rosto.
— Olha o aviãozinho. — E lá se foi mais uma colher com sopa em sua
boca e outra risada.
— Eu não gosto de vê-la triste, prefiro ver esse sorriso em seus lábios
a suas lágrimas de tristeza. Quanto à onde aprendi, bem… foi com a babá das
gêmeas, ela sempre fazia isso para fazer Amanda ficar quieta e abrir a boca.
— Você fará isso com nossas filhas? — ela indaga enquanto eu ofereço
mais uma colher de sopa.
— Provavelmente, não sei, talvez… bem, sim, farei. — respondo,
rindo.
— Eu vou esperar para ver e ainda vou filmar e soltar no meu
Instagram.
— Não, você não vai fazer isso.
— Ah, então espere para ver. — Ela sorri e eu retribuo, era isso que
eu queria, tirar aquela cara de tristeza de seu rosto, porque sua alegria é a
minha.
O som do interfone soa alto através do apartamento silencioso, e eu
sabia quem poderia ser. Era John, veio ver a filha, uma batida na porta do
quarto e Ana entra.
— Boa noite, o seu pai está na sala, Srta. Katherine — Ana avisa.
— Tudo bem, obrigado, Ana, diga que ela já está indo.
Essa é a minha deixa, eles precisam conversar, agora ela não tem mais
a mãe, de certa forma, já não tinha há um tempo e agora não tem de verdade
porque a mãe estava morta.
— Vou deixar você conversar com seu pai a sós, vou à sala pedir que
ele a encontre aqui. Não se levante dessa cama, ouviu bem? — Ela assente. —
Ótimo. — Entrego o suco de laranja a ela e pego a bandeja. — Não saia da
cama — aviso novamente. — Saio do quarto, passo pela sala e avisto John
sentado com Dhex. — Boa noite!
— Boa noite, Nathan! Como ela está? — John pergunta.
— Bem, eu acho, pelo menos, a fiz sorrir um pouco. Podem entrar, ela
está no quarto, fica no final do corredor — Indico com a cabeça e sigo para a
cozinha para deixar a bandeja, eu darei espaço para eles conversarem. Fará
bem a ela saber que é amada por todos.
Capítulo 12
Kate
A relação com a minha mãe nunca foi das melhores, mas foi ela que fez
tudo por mim, que me criou, que presenciou cada tombo quando aprendi a
andar, que testemunhou quando eu caí a primeira vez que andei de bicicleta,
ela não era um exemplo de mãe, mas era ela que estava presente sempre que
precisei. Eu não queria visitas, não queria ver ninguém, só queria espaço para
pensar em como minha vida mudou em menos de um ano. Quando Nathan saiu,
me deixando aqui sozinha, para que meu pai viesse, eu não sei, meu único
pensamento era: por favor, vá embora!
— Oi — meu pai entra sorrindo. — Como está meu pequeno raio de
sol?
— Bem, eu acho! — respondo.
— Posso sentar aqui? — ele pergunta ao apontar para o canto da cama
onde eu estou.
— Sim, claro.
— Eu sei que não é a melhor hora, mas eu queria dizer que sinto muito
por sua mãe.
— Eu sei. — Um soluço escapou e lágrimas brotam queimando sobre
meu rosto. — Dói. Ela não era a melhor mãe, mas era a minha mãe.
— Eu sei, filha, ao menos você ainda tem um pai que está tentando de
tudo para conquistar e recuperar os últimos dezoito anos de sua vida.
— Desculpe-me! Eu... — As lágrimas descem por meu rosto e um peso
se instaura em meu peito, meu pai se aproxima e me afaga.
— Você tem a mim, a partir de agora, você tem a mim, ao Dhex e,
principalmente, ao Nathan, que a ama muito, filha.
— Eu sei... Eu só não consigo parar... — Um sorriso, em meio ao
choro, aparece em meus lábios. — Eu sou tão idiota por chorar por alguém
que... — Eu sabia que John conhecia a história de como Nathan me conheceu,
por que foi o meu tio que me encontrou e contou a ele onde eu estava. —
Desculpe, eu só quero ficar sozinha.
— Tudo bem, mas não esqueça, você tem uma família que está ao seu
lado para o que der e vier.
— Obrigada, pai!
— Eu que agradeço por me chamar de pai. — Ele levanta. — Vou
deixá-la descansar e, se precisar de algo, sabe onde me encontrar, basta
apenas uma chamada no celular que estarei aqui no minuto seguinte. — John
sorri e dá um beijo na minha testa. — Eu amo você!
— Eu também, dê um beijo em Dhex por mim.
— Darei. — Vejo-o sair e me aconchego mais ainda nos travesseiros.
Eu preciso sair desse luto, não é bom para as meninas.
O resto do dia foi mais como um borrão para mim, Nathan me ajudou
com o banho, a trocar de roupa e comer. O dia seguinte, veio com uma
tempestade sobre o céu de Nova York, levantei devagar para ir ao banheiro,
fiz minhas necessidades e voltei para o quarto, Nathan estava com sua bela
bunda para cima, completamente nu, esparramado pela cama. Eu tenho sorte
em tê-lo em minha vida, nenhuma mulher no mundo tem tanta sorte quanto eu.
Sento ao seu lado e o acordo, ele senta na cama assustado.
— Está na hora? As meninas estão querendo nascer? — Sorrio ao vê-
lo tão desesperado.
— Não, calma. Está tudo bem... — Nathan coloca a mão sobre minha
barriga.
— Tem certeza?
— Sim, está tudo bem! Hoje é o enterro dela, e não quero me atrasar.
— Tudo bem! — Ele pula da cama e segue para o banheiro, minutos
depois, escuto o barulho do chuveiro sendo ligado.
Entro no closet e visto uma calcinha, sento-me no banco acolchoado
que temos no meio do closet e calço a meia calça preta, as sapatilhas vieram
depois, e o vestido por último. Amarro meu cabelo em um rabo de cavalo
simples e apenas utilizo um pouco de gloss nos lábios, pego minha bolsa com
documentos e entro no quarto. Nathan está saindo do banho com uma toalha na
cintura e outra enxugando os cabelos, incrivelmente sexy, eu poderia dizer.
— Tão lindo! — falo, sorrindo e olhando para ele.
— Eu sei! — Ele ri e entra no closet.
— Convencido — digo e deixo o quarto, indo em direção à cozinha.
Eu não podia ficar desanimada, nem triste, não quero que isso influencie
minhas meninas. Helena foi uma boa mãe, na medida do possível, conseguiu
me criar e, se hoje tenho valores morais, é porque ela soube ensiná-los a mim
em algum momento de sua criação. — Bom dia, Ana — Sorrio ao vê-la.
— Bom dia, querida, fico muito feliz que tenha levantado da cama e
esteja disposta hoje, apesar da chuva que está lá fora.
— Sim, eu também fico feliz — respondo, sentando à mesa da cozinha,
pego um mamão e começo a comer, estava quase terminando quando Nathan
entrou na cozinha em um terno preto. O homem tinha uma coisa que o deixava
lindo de qualquer forma, ou talvez fossem os hormônios da gravidez, ou amor,
ou seja lá o que for, mas meus olhos sobre ele me faziam feliz por tê-lo só
para mim.
— Bom dia, Ana! — Nathan fala bem-humorado e senta-se para tomar
seu café, pega o jornal e começa a ler. — Vamos ao enterro de sua mãe e
depois vamos à casa de meus pais, tudo bem? — Nathan avisa.
— Sim, por mim, está bem — respondo enquanto ataco meu cereal
preferido.
— Você parece melhor hoje, e fico tão feliz com isso. Não quero vê-la
triste e é por isso que vamos para a casa dos meus pais hoje. — Sorrio em
concordância.
Saímos de casa às 8h da manhã para estarmos no cemitério às 9h, ao
chegarmos, David abre o guarda-chuva e me ajuda a descer do carro, Nathan
desce logo atrás com um outro guarda-chuva.
— Eu assumo daqui. — Ouço dizer ao David, sinto a mão do Nathan
em meu ombro enquanto andamos pela grama do cemitério rumo ao caixão da
minha mãe, nos aproximamos, devido à chuva, só apareceram meu pai, Alice e
Amanda, os pais do Nathan e nós. Também não acredito que minha mãe
possuísse amigos que gostassem tanto assim dela para que viessem ao seu
enterro. Eu permito-me chorar, saio do abraço do Nathan e a chuva cai sobre
mim, lavando meu rosto, as lágrimas se misturam às gotas que caem sobre meu
rosto.
Nada no mundo me prepararia para esse momento, ela é minha mãe,
afinal, foi quem me criou, do seu jeito. Foi por culpa dela que conheci o
homem da minha vida e, por mais que ela fosse uma cadela às vezes, ela ainda
era minha mãe. As vidas dentro de mim escolhem esse momento para se mexer
e mostrar que eu jamais estarei sozinha. O padre recita palavras de consolo
lendo sua bíblia, mas eu não ouço nada, somos apenas eu e a chuva, como se
não houvesse mais ninguém, além do caixão, eu e a chuva. Eu choro lembrando
todas as coisas que Helena realizava para me fazer sorrir quando era criança,
como ela beijava meus machucados quando eu caia, como o seu sorriso era
contagiante, eu estava parada na chuva com Nathan falando algo, mas eu só
podia pensar em como alguém poderia ser uma mãe atenciosa e amável na
minha infância e, na adolescência, ter se tornado alguém que eu odiava.
— Desculpe, mãe! — Eu estava me desculpando por não ter estado
com ela mais vezes, eu estava me desculpando por não ter dado o dinheiro que
ela pediu, talvez eu a tivesse feito sobreviver mais um pouco. Ou talvez não!
— Katherine, vamos! Você está encharcada, pegará um resfriado e não
é bom para você e nem para as meninas. — A voz do Nathan chega insistente
em meus ouvidos, eu levanto a cabeça e olho ao redor, todos haviam ido,
ficando apenas eu e ele.
Nathan me abraça, me puxa para baixo do guarda-chuva e colocou seu
casaco sobre mim.
— Você está ensopada! No que estava pensando, Katherine? — ele me
repreende.
— Desculpe... — respondo ainda com lágrimas no rosto.
— Vamos! — David abre a porta do carro, e eu entramos, Nathan
acomoda-se e me puxa para os seus braços, me abraçando e beijando minha
cabeça. — Você é meu bem mais precioso, não quero vê-la doente por causa
dela.
— Desculpe! — eu digo novamente, fechando os olhos e sentindo
como meu corpo se convertia em arrepios de frio.
Capítulo 13
Kate
Chegamos à casa dos pais do Nathan, eu tremia de frio, descemos do
carro e Nathan me pegou no colo, subindo os degraus da entrada quase
correndo.
— Mãe? — ouço ele falar. — Preciso de um cobertor, rápido, e de
alguém que encha a banheira com água quente urgente! — Nathan grita ordens
para quem está por perto.
— O que aconteceu, filho? Nós os deixamos ainda pouco no cemitério
e estava tudo bem! — Ana fala com o filho enquanto me observa, Nathan me
leva para a sala e coloca-me sentada em seu colo, olho-a sem graça.
— Eu me molhei, eu fui descuidada — respondo para ela e para todos
que estavam ao meu redor, uma empregada traz um cobertor e Nathan coloca
sobre mim, tentando me aquecer, os calafrios passam pela minha espinha, e eu
tremo.
— O que pensou que estava fazendo, KitKat? — Amanda pergunta, me
olhando, eu até revidaria, porque odeio esse apelido, mas o frio está refletindo
até nos meus ossos.
— Eu estava em algum outro lugar em meus pensamentos, eu não senti
a chuva, eu não sentia nada — justifico e, instantaneamente, meus olhos
enchem de lágrimas.
— Por favor, não chore mais! — Nathan pede enquanto me abraça em
seu colo, tentando me aquecer. — Eu não suporto vê-la chorar e não poder
fazer nada para que possa melhorar.
— Desculpe-me, eu sou tão irresponsável, como serei uma boa mãe?
— Você será, você será... — Nathan responde, dando um beijo em
minha testa.
— Nathan, a banheira está cheia no seu antigo quarto. — Ouço a Alice
falar.
— Vamos subir! — Nathan fala comigo e me pega no colo novamente.
— Vou mandar preparar uma sopa quente! — Ana afirma enquanto
Nathan sobe as escadas comigo.
— Ok, mãe.
Entramos em seu quarto, e ele me coloca de pé ao lado da banheira,
estamos só nós dois, ele me ajuda a tirar o vestido, as sapatilhas, a meia calça
e logo minha calcinha, tudo ensopado, meu corpo arrepia-se inteiro quando a
calcinha escorrega por minhas pernas.
— Entre, a água está morna, ajudará a aquecê-la mais rápido —
Nathan pede, segurando minha mão, passo um pé para dentro da banheira e
logo o outro. Sento-me aos poucos, ele acomoda-se no chão do banheiro ao
lado da banheira, tira o elástico do meu cabelo, o solta e coloca de lado, com
uma esponja, ele lava minhas costas. — Você precisa parar de fazer essas
coisas, Katherine. É prejudicial a você e nossas bebês, eu entendo que você
esteja triste porque sua mãe morreu, mas precisa pensar em alguém mais que
em si mesma, precisa pensar que somos pais agora e que temos outras duas
pessoinhas com quem nos preocupar.
— Desculpe!
— Não adianta pedir desculpas se não fizer o seu papel nisso, amor.
Sempre que faz algo errado, pede desculpas, o que precisa realmente fazer é
parar de ser irresponsável e pensar em si mesma, pare de ser egoísta. — O
soluço preenche minha garganta, ele continua a lavar minhas costas. — E não
estou falando isso para que você comece a chorar novamente, eu estou falando
para o seu bem e o de nossas meninas, ou você quer que elas nasçam doentes?
Ou nasçam antes do previsto por alguma coisa que você tenha feito? Pense
nelas antes de pensar em fazer qualquer coisa, elas ainda estão dentro de você,
é seu dever protegê-las. E meu dever como pai proteger a elas e a você. —
Vejo ele levantar e começar a tirar as roupas, ficando nu, posiciona-se atrás de
mim e me puxa para ele e começa a passar a esponja suavemente em minha
barriga bastante grande e redonda.
— Eu sei... Eu sou tão idiota.
— Não, você não é idiota, pare com isso! — Ouço ele falar enquanto
me banha e passa a bucha em todo o meu corpo. — Você é tão linda, meu
amor, é tão perfeita, tanto por dentro como por fora, tem um coração enorme
cheio de amor para dar, mas precisa aprender a ser responsável.
— Eu sempre fui responsável, durante toda a minha vida, eu sempre fui
a senhora perfeita, porque minha mãe desejava assim... — começo a falar.
— Então quer dizer que, agora que eu me responsabilizo por você,
você vai bancar a irresponsável, é isso mesmo? — ele diz em tom brincalhão.
— Não necessariamente... talvez um pouco, para tirar toda essa
responsabilidade das minhas costas — confesso, fechando os olhos enquanto o
som de sua gargalhada gostosa preenche meus ouvidos.
— Eu não acredito... você fez tudo isso de caso pensado para que eu
cuide de você assim? — Eu podia sentir a movimentação de seu peito por
causa do riso nas minhas costas. — Você realmente não fez, fez?
— Não, eu não fiz, mas eu queria, sim, sua atenção e, se só me dá sua
atenção dessa forma, então, que seja. Eu quero isso e vou fazer isso, ficar toda
chorosa para obter um pouco da sua atenção.
— Você é tão boba, Katherine. Mulher, eu amo você e eu faria
qualquer coisa por você, até mesmo entregar meu coração para que
sobrevivesse, caso fosse compatível.
— Cuidado com o que oferece, eu posso aceitar — Rio.
— Você é minha vida, Katherine. Eu vou sempre cuidar de você, não
importa o motivo.
— Ok! Agora eu já posso sair da banheira, meus dedos já estão
enrugados. — Escuto sua gargalhada.
— Mas eu acabei de entrar — ele protesta sorrindo e me dá um beijo
no pescoço. — Deixe-me fazê-la feliz e tirar toda essa tensão de cima de
você. — Seus beijos começam a se espalhar enquanto sua mão larga a bucha
de lado e desce, passando por minha barriga, rumo a minha boceta. Nossa,
quanto tempo eu não o sentia tocar-me assim, tão intimamente, nós estávamos
mais amigos que realmente um casal.
Sua mão alcança minha boceta e toca o pequeno botão que me faz
vibrar, meu corpo responde quase automaticamente, eu esqueço o dia ruim que
tive hoje ao enterrar minha mãe, eu esqueço todos os nossos problemas, deixei
tudo de lado para relaxar um pouco com ele, meu amado e querido futuro
marido. O gemido que escapa da minha boca é quase inaudível.
— Como eu senti sua falta — ele sussurra em meu ouvido, em seguida
lambe minha nuca, enviando arrepios por todo o meu corpo e, ao mesmo
tempo, acaricia meu clitóris, criando uma mistura de sensações que há muito
eu não sentia.
Os meus gemidos enchem o banheiro e seus ouvidos, sua ereção está
crescendo em minhas costas e eu posso senti-la dura como aço. Sua mão faz
mágica em minha boceta, um dedo entra e me faz gemer mais alto.
— Deus, como isso é bom! — sussurro em meio a um orgasmo.
— Eu também amo quando aperta meu dedo assim, ou o meu pau! —
Nathan murmura em meu ouvido. — Vá para frente — ele pediu e eu acato,
Nathan sai de trás de mim, pega uma toalha e a coloca na cintura, mas não
consegue esconder sua enorme ereção embaixo dela, estende a mão para mim
e me ajuda a sair da banheira, leva-me até a cama onde me sento e sua toalha
some.
— Vamos molhar tudo, Nathan!
— E quem se importa? — Ele ri enquanto vem para cima de mim. Sua
boca estava em todo os lugares possíveis, passeando entre a minha nuca e
meus seios que agora estão maiores, a barriga entre nós não o impediu de
continuar, seus beijos descem até que sua boca esteja sobre minha boceta
molhada. — Seu gosto é tão bom! — ele diz antes de passar a língua em toda a
minha boceta, eu gemo e remexo meus quadris em busca de mais do que ele
poderia me dar, eu gozo em sua boca, e ele sorri, beijando minha barriga.
Nathan deita-se ao meu lado, em minhas costas, coloca seu braço embaixo do
meu pescoço, puxa-me de lado e entra em mim, eu gemo, sentindo-o ir fundo.
— Como eu senti sua falta! Oh, porra, você é tão apertada. Eu amo a forma
como sua boceta ordenha meu pau — Escuto-o dizer.
Eu estava perdida em algum lugar durante o gozo e não tinha voltado
ainda, sentia-o entrar e sair enquanto outro orgasmo se construía em meu
ventre. Gemia a cada estocada que ele dava, uma de suas mãos segurava a
minha enquanto a outra, acariciava meu seio, segurando-o forte, meus gemidos
preenchiam o quarto, o barulho de seu corpo encontrando o meu fez o meu
tesão se intensificar, e eu gozei com ele estocando forte dentro de mim,
gemendo em meu ouvido, dizendo o quanto me amava e que jamais me
deixaria ir. E para onde eu iria se meu lugar é ao lado dele, em sua cama, com
nossa família. A mão dele descansa sobre minha enorme barriga, e ele sorri
em minha nuca.
— Durma um pouco, fará bem a você. — Nathan murmura em meu
ouvido, e eu realmente descanso, acabo dormindo em seus braços, que é onde
eu sempre estarei.

Capítulo 14
Kate
Acordo bem-humorada com o sol do final da tarde entrando pela
janela, por um momento, fico atordoada, sem saber onde estou, mas então sinto
um beijo em meu ouvido.
— Oi, dorminhoca!
— Oi — falo me espreguiçando. Viro para ver o grande amor da minha
vida e percebo que ele havia tomado banho novamente, seu cabelo está
molhado e ele sorria como um anjo para mim.
— Você dormiu como um anjo, como se sente? — ele pergunta me
analisando.
— Bem, eu acho, exceto por uma pequena dor no corpo.
— Oh, eu sabia que você ia ficar doente, vou pedir a Dra. Veneci para
vir lhe ver imediatamente. — Nathan se vira, pegando o celular.
— Ei, calma. É só uma dor no corpo, não estou doente, não é nada
demais. — Eu tento acalmá-lo.
— É demais, sim, já não basta o seu problema com as tais plaquetas,
agora ficar resfriada, isso não é bom. Vou ligar para a Dra. Veneci, ok!? — Ele
ergue-se da cama já falando ao celular, eu me levanto lentamente, agora minha
cabeça parece explodir, é, realmente não estou bem. Sentando-me, sinto o
mundo girar e caio para trás na cama, Nathan se vira ao ouvir o barulho. —
Preciso desligar, venha o mais rápido que puder. Oh, meu Deus! O que está
sentindo? — Ele estava quase em cima de mim.
— É apenas uma tontura — respondo um pouco enjoada. — Preciso ir
ao banheiro. — Levanto novamente e me apoio na parede, logo Nathan está
atrás de mim, me segurando para que possamos chegar ao banheiro. Entrando
no banheiro, me dobro ao meio e ponho para fora o que há em meu estômago,
ou seja, quase nada, pois já se passaram horas desde o café da manhã.
— Agora estou realmente preocupado! — Nathan fala, segurando meus
cabelos e amarrando-os com uma liga. Limpo minha boca com a mão e olho
para ele. — Você está pálida.
— Eu vou ficar bem, é só uma gripe devido à chuva, eu sou tão
irresponsável, só faço coisas erradas, eu só me coloco em situações de risco.
— Eiii, pode parar! Não é se recriminando ou falando assim que vai
melhorar algo, você está doente, nós vamos cuidar disso, e você vai ficar boa,
venha, vou ajudá-la a escovar os dentes. — Ele me ajuda a levantar e ficar de
pé na pia, escovo os dentes lentamente enquanto minha mente entra em stand-
by, fazendo as coisas no automático, volto para a cama, e ele me oferece uns
biscoitinhos salgados.
— Ainda estou enjoada.
— Eu sei, a Dra. Veneci está chegando — assinto, olhando-o.
— Eu vou precisar de um cesto ou qualquer coisa para que eu possa
vomitar dentro — peço.
— Tudo bem! — Ele levanta e entra no banheiro, quando volta, tem o
cesto de lixo nas mãos. — Se precisar, use isso, eu já volto — Nathan diz e
sai do quarto, me deixando sozinha, eu posso ouvi-lo falando do outro lado da
porta com alguém, falam sobre mim e depois sobre o George, algo não está
bem, algo está acontecendo. E talvez eu seja a única que não sabe realmente
das coisas, porque o Nathan sempre tenta me proteger de tudo e todos. A ânsia
de vômito surge novamente, e eu coloco tudo para fora mais uma vez, o cesto
ao meu lado ajudou muito. Além do enjoo, uma dor começa a se manifestar
embaixo das minhas costelas, como se as meninas estivessem empurrando de
alguma forma, parece tão ruim, coloco os pés no chão e levanto, apoiando-me
na madeira da cama dossel.
Seguro com as duas mãos quando a dor aperta, e eu quase perco os
sentidos diante da dor, a porta se abre e eu solto um grito.
— Porra!
— Katherine! — A voz de Cecilia chega aos meus ouvidos e suas
mãos logo depois encostam-se em minhas costas. — O que está sentindo,
querida?
— Dor, dor e mais dor, enjoo, dor... — falo, fechando os olhos ainda
segurando na madeira da cama.
— É muito cedo para elas virem ao mundo, onde está sentindo dor? —
Pergunta idiota, eu pensei diante da dor que eu sentia.
— Dói embaixo das minhas costelas, como se elas estivessem enfiando
seus pés embaixo ou algo assim — respondo, soltando um gemido quando a
pontada de dor vem mais forte.
— Isso é um bom sinal, ao menos não são contrações do parto. Nathan,
coloque-a na cama.
— Não — eu grito — Não toque em mim, eu só quero que pare a dor.
— Trinco os dentes ante outra pontada, minha vista escurece e eu sinto mãos
me ampararem, tudo fica realmente escuro.

Nathan
Katherine estava estranha, talvez fosse apenas uma gripe ou não,
poderia algo ser bem mais grave, e eu não queria pagar para ver, liguei
imediatamente para a Dra. Veneci, e ela veio prontamente, quando entramos no
quarto, minha mulher estava em pé, segurando firmemente na madeira da cama,
de costas para a porta, seu rosto demonstrava dor e, conforme ela falava, mais
preocupado eu ficava, quando me aproximei, a ouvi pedir que não a tocasse,
seu corpo amoleceu e ela apagou, a correria foi grande, coloquei-a na cama, e
a Cecília já foi logo aferindo a pressão da Kate.
— A pressão dela está alta, precisamos de uma ambulância agora —
ela quase grita, me jogando o telefone do criado-mudo para que eu ligasse e
pedisse a ambulância. — Diga que sou eu que estou pedindo, é um caso grave.
— Cecília vira-se e começa a mexer na barriga da Kate.
— Preciso de uma ambulância na casa dos King agora, sim. Isso! A
Dra. Veneci está aqui, é caso de vida ou morte.
— Os bebês não se mexem. — Quando eu ouvi aquilo o telefone fugiu
da minha mão e caiu no chão, tudo se transformou em câmera lenta, eu nunca
pensei que existisse isso de câmera lenta, pois só havia visto nos poucos
filmes que assisti, mas agora eu percebo que realmente existe quando sua
mente assume o risco para entender o que está acontecendo.
— Como assim? — Chego mais perto da médica e acaricio o ventre da
Kate. — Explique por que não mexem? — pergunto alterado.
— Estou estimulando-os, a pressão dela está muito alta e, como os
bebês não se mexem, pode haver qualquer coisa acontecendo que eu não estou
vendo, preciso do hospital para começar os exames o mais rápido possível. É
necessário um ultrassom e exames de sangue, pois só assim poderei dizer o
que há com as meninas, devo colocá-la no soro e receitar medicamentos para
baixar a pressão.
— Porra! Isso não deveria estar acontecendo logo hoje! Caramba, logo
hoje! Mãe! — grito.
— Estou aqui! — Ana entra correndo no quarto.
— A ambulância já chegou? — pergunto.
— Sim, acabou de chegar. O que ela tem? — minha mãe pergunta
enquanto eu pego Katherine no colo e desço às pressas com ela.
— Eu não sei, preciso da senhora no hospital, por favor! — peço,
coloco a Kate na maca e entro na ambulância com a Cecília.
A Cecília começa seu trabalho imediatamente, aplica algo na veia da
Katherine e a coloca no soro. A sirene da ambulância está alta, ou pode ser
meu nervosismo por algo ruim estar acontecendo com a minha mulher e minhas
filhas.
Logo hoje que o George finalmente seria preso.
Capítulo 15
Por que demora tanto? Caramba, o hospital não fica tão distante da
casa dos meus pais, apesar deles morarem nos Hamptons, olho no relógio
enquanto vejo a Dra. Veneci trabalhar em cima da Katherine, quando
finalmente a ambulância para e a porta é aberta, vários médicos vestidos de
azul a esperam.
— Eu preciso de uma ultrassonografia e uma monitoração fetal
contínua, os bebês não estão mexendo ao toque — Cecilia fala com os
médicos enquanto levam Katherine pelo corredor do hospital. E acompanho
tudo aquilo de perto, minha mente está a mil, as meninas podem estar
morrendo, assim como a Katherine, eu poderia perder as três ao mesmo tempo,
como eu não percebi que essa coisa das plaquetas poderia ser algo tão sério,
como? A maca passa por uma porta cinza-escura feita de plástico se não me
engano. — Espere aqui! — a Dra. Veneci pede, e eu paro, olhando pela parte
transparente da porta, eles movem a Katherine de uma maca para outra, sua
roupa é levantada até os seios, e eu posso ver a Cecilia fazer manobras em sua
barriga, ela esperava que as meninas mexessem, eu sinto algo descer por
minha bochecha e minha visão ficar turva, eu chorava porque a minha mulher
estava lá dentro com as minhas filhas.
Começo a andar de um lado para o outro, eu não sabia o que fazer, eu
não podia ajudar agora, mais lágrimas rolavam pelo meu rosto, me abaixei
naquele corredor branco do hospital e percebi que nada na minha vida
importava mais que minha mulher e minhas filhas, passo a mão pelos cabelos e
choro como uma criança inconformada por não poder ajudar. Sinto uma mão
amparar-me em meu ombro.
— Como ela está? — pergunto ao ver a Dra. Veneci, me levantar e
limpar o rosto.
— Katherine apresentou um caso de pré-eclâmpsia grave e a pressão
está muito alta, já a coloquei no sulfato de magnésio para tentarmos estabilizá-
la e uma sonda para que ela não precise levantar para urinar, já coletamos
sangue para verificarmos a contagem de plaquetas, a ultrassonografia está
sendo providenciada, estou esperando trazerem a máquina de ultrassom para
fazermos.
— Como ela está? — pergunto novamente.
— Katherine apresenta um quadro grave de Hellp Síndrome e pré-
eclâmpsia, em que mãe e bebês podem ir a óbito.
— Mas o que... — Eu já li sobre isso quando pesquisei sobre as
possíveis causas das plaquetas da Katherine terem baixado. — O que isso
quer dizer?
— Quer dizer que, se não controlarmos a pressão dela, tudo pode
piorar e perderemos as três. Devido as plaquetas baixas, não posso levá-la
para mesa de cirurgia, pois ela pode não sobreviver.
— E as meninas? O que acontece agora?
— Eu gostaria de fazer o parto o mais rápido possível, mas, com a
baixa de plaquetas da Katherine, isso é impossível, então iremos induzir o
parto normal e tirá-las o mais rápido que eu puder, nesse momento, estamos
tentando controlar a pressão para que não afete as gêmeas.
— Se ela morrer ou qualquer uma das meninas, será culpa sua, ouviu
bem? Você entende que será sua culpa por ter saído da cidade sem avisar. —
Eu estava desesperado.
— Eu não devo satisfação a você quando preciso viajar.
— Claro que deve, ainda mais quando assumiu que cuidaria da
gestação da minha mulher — grito.
— Controle-se, estamos em um hospital — Cecília recomenda, me
olhando nos olhos. — Estou fazendo tudo por ela, o máximo que posso.
— Faça mais, você é bem paga para isso... — eu exijo, segurando o
braço da Dra. Veneci.
— Nathan! — A voz de meu pai chega a mim tão rápido quanto suas
mãos, me separando da médica. — Pare.
— Não me diga o que fazer, não é você que tem a mulher e as filhas lá
dentro — aponto para a sala de emergência gritando.
— Nathan, acalme-se. — Minha mãe entrou em meu campo de visão
enquanto a médica some novamente pela porta da emergência.
— Como posso me acalmar, eu tenho a Katherine e as minhas filhas lá
dentro, ela pode morrer, mãe — digo, chorando. — E ainda tem o George lá
fora, hoje iam finalmente pegá-lo com a boca na botija e prendê-lo.
— Acalme-se, filho, vai dá tudo certo! — Minha mãe me abraça.
— Eu não sei, mãe! Não sei se dará tudo certo.
— Mantenha a fé, filho.
Durante as três horas seguintes, eu fiquei na sala de espera com os
meus pais, aguardando uma mísera notícia do que poderia estar ocorrendo lá
dentro. Mas a médica não dizia nada, eu parava qualquer enfermeira que
passava pela sala de espera e perguntava pela minha mulher e nenhuma sabia
dizer algo. Eu estava enjaulado dentro de um hospital sem ter como ajudar a
mulher da minha vida.

Kate
Acordo atordoada com vozes por toda parte, olho para o meu braço e
vejo uma agulha, eu estava tomando soro? Abro mais os olhos e percebo que
eu estou no hospital, olho para o lado e noto uma outra moça tentando coletar
meu sangue, tento falar, mas a minha garganta está tão seca.
— Água! — peço e a moça levanta a cabeça, logo eu sou cercada por
um monte de médicos e enfermeiros que eu nunca vi na vida, a única que posso
reconhecer é a Dra. Veneci.
— Oi, querida, finalmente acordou. Você está no hospital há cerca de
três horas, estamos realizando uma bateria de exames e administrando
remédios para baixar sua pressão que está alta.
— As meninas? — pergunto rouca.
— Aparentemente, bem, estamos monitorando os batimentos cardíacos
delas.
— Água! — solicito.
— Infelizmente, não poderá beber água, estamos preparando você para
uma cirurgia — a médica fala, logo ela se afasta de mim e pega uma prancheta
que foi entregue por um dos enfermeiros, a vejo levar a mão à boca e fazer
cara de espanto, algo está muito errado.
— Eu quero ver o Nathan — peço.
— Vou pedir para chamá-lo — uma das moças que estava ao meu lado
falou.
— Katherine, infelizmente nós não poderemos fazer um parto cesárea
em você, suas plaquetas estão em 30 mil e, mesmo que fizéssemos uma
transfusão de plaquetas agora, ainda não seria possível fazer uma cirurgia, sua
pressão também não baixou e, por isso, vamos induzir o parto normal.
— Elas são pequenas demais! — falo, olhando-a.
— Sim, eu sei, mas hoje temos toda a tecnologia a nosso favor, elas
irão sobreviver.
— Eu quero ver o Nathan! — peço novamente.
— Ok! — Minutos mais tarde, o Nathan está ao meu lado com os olhos
vermelhos.
— Oi! — falo, sentindo a garganta seca.
— Não fale muito, me disseram que você não poderá tomar água, pois
pretendem operá-la.
— Eles não vão me operar, irão induzir o parto para que seja normal,
minhas plaquetas estão muito baixas e disseram que eu posso não voltar viva
da cirurgia — falo mesmo assim, ele segura minha mão e a beija.
— Ei, não se preocupe, vai tudo dar certo, eu estarei aqui. — E eu
pude ver em seus olhos que ele dizia a verdade, que nada no mundo o faria
sair de perto de mim e de nossas meninas.
— Nathan, eu preciso de sua autorização para fazer a indução do parto
dela. — A médica se aproxima de nós.
— Quais os riscos? — ele pergunta.
— Sempre há risco quando temos bebês prematuros, mas o risco maior
é não fazemos esse parto e perdermos a Katherine e as meninas. — Ela
realmente disse isso na minha frente?
— O quão grave é, e o que está me escondendo? — Nathan pergunta.
— Nathan, se eu não começar agora a indução com os comprimidos, as
meninas podem não sobreviver, Katherine está com os órgãos inchados devido
a síndrome HELLP, descobri que a dor que ela sentia na casa dos seus pais era
devido ao pulmão estar inchado por conta do corpo estar tentando rejeitar a
placenta. Autorize logo. — Escuto-a falar, Nathan pega a prancheta de suas
mãos e assina algo.
— Se algo acontecer a elas, você morre! — ele diz, olhando-a, a
médica sai e me deixa sozinha com ele. — Vai tudo correr bem, meu anjo.
— Eu espero que sim — falo receosa.
Capítulo 16
Nas horas seguintes, eu fui espetada por mais e mais agulhas, a sonda
que colocaram em mim estava incomodando, como se estivesse sugando meu
xixi, meu braço estava inchado e já não conseguiam encontrar uma veia sequer,
os comprimidos foram introduzidos em minha vagina e começaram a surtir
efeito, sobretudo uma dorzinha leve nas costas, eu podia ouvir os batimentos
cardíacos das meninas pelos bips emitidos pelos aparelhos a que estava
conectada.
Sinto um calafrio passar por minhas costas e começo a tremer, talvez
fosse a dor das contrações se intensificando. A porta do quarto é aberta e uma
enfermeira entra.
— Boa noite, estou aqui para colocar mais um comprimido e ver
quanto de dilatação você já possui.
— Ok! Você viu meu noivo? — pergunto.
— O gatão que está lá fora, sim, eu o vi conversando com a médica, e
a coisa está bem quente entre eles, tenho quase certeza de que ele está prestes
a matá-la ela pela cara de mal que ele fazia quando entrei aqui.
— É, ele pode ser bem convincente! — falo após ela introduzir mais
um comprimido em minha vagina.
— Você está com 4 de dilatação, se tudo correr bem, essas meninas
vêm ao mundo até o começo da manhã — a enfermeira informa. — Vou sair e
pedir que o senhor gatão entre — ela comenta sorrindo e sai. A porta abre
novamente e o Nathan entra, o incômodo nas minhas costas só aumenta, são as
contrações do parto, agora eu tenho certeza, o meio das minhas costas doí
tanto.
— Oi, meu amor! — ele diz sorridente enquanto eu esboço uma careta
de dor.
— Oh, como é estranho — afirmo, olhando-o, a porta abre e, de
repente, a médica entra.
— Os novos exames estão prontos, suas plaquetas continuam baixas, a
enfermeira trouxe, do banco de sangue, duas bolsas de plasma e uma de
plaquetas, você começará a tomar agora — a Dra. Veneci informa.
— Ela está muito inchada, não é possível encontrar um acesso nela
dessa forma. — Ouço a enfermeira falar.
— Encontre um acesso na virilha! — a médica orienta.
— Não! — eu digo exaltada. — Em qualquer outro lugar, mas na
virilha não, já não basta a dor que estou sentindo, essa sonda em mim, não,
definitivamente, não — reclamo.
— Tudo bem, então, que seja no pescoço.
— Ok! — respondo, o Nathan senta ao meu lado e segura em minha
mão, viro a cabeça para olhá-lo, estava deitada enquanto a enfermeira fazia o
tal acesso e pendurava as bolsas com plaquetas e plasma no suporte de aço ao
lado da cama. Uma nova contração vem com tudo e faço uma careta. — Oh! —
Sinto algo descer dentro de mim e um novo calafrio passa por minhas costas.
— Acho que algo desceu aqui dentro.
— Vou fazer um novo toque, ok!? — A médica coloca a luva e introduz
os dedos para sentir o colo do útero, nesse instante, ela puxa algo e eu sinto
como se fizesse xixi, a cama fica toda molhada e a dor intensifica-se em
minhas costas. — A bolsa estourou, é um bom sinal, sua dilatação está maior e
logo teremos uma das meninas nascendo — ela explica e retira a luva, em
seguida, deixa o quarto com a enfermeira.
— Finalmente! — falo aliviada. Mas, uma nova contração forte
irrompe e seguro a mão do Nathan. — Ela está vindo. — Digo olhando-o.
— Como assim, está vindo? — ele pergunta.
— Porra, está nascendo, eu estou sentindo ela passar. — Caralho, eu
estava sendo partida ao meio, uma cabeça passava pela minha vagina e
ninguém fazia nada.
— Enfermeira! Cecília! — Nathan grita, e vejo a enfermeira adentrar o
quarto. — Estão nascendo.
— Não, a Dra. Veneci acabou de fazer o toque — a enfermeira fala e,
ao levantar o lençol que estava sobre as minhas pernas, fica surpresa. — Oh,
meu Deus! — ela exclama e sai correndo em busca da médica.
A dor vem mais forte, e eu sinto vontade de empurrar e é isso que eu
faço.
— Deus! — eu grito quando a médica entra no quarto correndo, já
vestida com um avental azul, várias outras mulheres chegam, um médico passa
com uma incubadora pequena, seguido por mais enfermeiras. — Tire ela, pelo
amor de Deus! — grito, segurando a grade da cama e a mão do Nathan.
— Está vindo! — Cecília anuncia, eu sinto uma nova onda de dor e
empurro, logo o choro invade a sala, eu começo a chorar, não sei se pela dor
ou pela emoção. Vejo levarem a bebê para o outro lado da sala para o asseio
enquanto uma nova onda de contração emerge e sinto outra cabeça começar a
atravessar a minha vagina.
— Por Deus! Nunca mais quero ter um bebê! — falo entre um gemido
de dor e outro, empurrando forte.
— Respire, Katherine. — Ouço a médica falar. — Sua pressão está
alta, então, mantenha a calma e só empurre quando sentir a contração chegar,
ok!? — Assinto, olhando para ela.
— Ok! — falo, sentindo uma nova contração e começo a empurrar.
— Está coroando novamente, empurre, Katherine! — a médica pede e
eu empurro. Sinto quando a minha outra menina vem ao mundo, mas não há
choro. Naquele momento, eu só podia pensar em como era bom não sentir mais
dor.
— Graças a Deus! — falo, mirando para o Nathan enquanto sinto
minhas forças irem embora.
— Vamos tirar a placenta agora, Katherine — a médica avisa. —
Droga! — Ouço-a reclamar pouco depois.
— Ela está ardendo em febre doutora — escuto alguém comunicar.
— Febre? Como assim, febre? — Nathan fala e toca meu rosto. —
Deus! Você está quente. O que está acontecendo, Dra. Veneci?
— Enfermeira, acione a anestesista, estamos levando a Katherine para
o centro cirúrgico agora! — Cecília orienta e meus olhos começam a ficar
pesados.
— Explique, porra, o que está acontecendo? Por que ela está com
febre? — Escuto Nathan gritar ao longe. — Por favor, meu amor, não durma
agora — ele murmura ao meu ouvido.
— A febre acontece quando o organismo está combatendo alguma
infecção — alguém explica, abro meus olhos e encontro os lindos olhos do
Nathan.
— Ei, nada vai acontecer comigo, eu estou bem, a dor foi embora, e as
meninas estão bem — falo gentilmente, acalmando-o.
— Fique comigo, ok? — ele pede enquanto eu sou levada pelos
corredores do hospital.
— Eu vou ficar, você sabe! Para sempre, eu prometi — digo sorrindo
no instante em que meus olhos fecham novamente.
Quando acordo, uma médica que eu nunca vira estava ao meu lado.
— Katherine, eu vou colocar isso no seu nariz, é apenas oxigênio,
infelizmente, não foi possível fazermos uma aplicação da anestesia raquidiana,
uma vez que você está muito inchada devido à pressão alta e à síndrome
HELLP. — Ela insere dois tubinhos em meu nariz. — Respire fundo. — Assim
o fiz, na terceira vez, eu apaguei e não vi mais nada.
Nathan
A Katherine seguiu para o centro cirúrgico, e eu ainda não consegui ir
ver as minhas filhas de tão preocupado que estou com ela, se eu perder essa
mulher, eu não sei o que será de mim, meu telefone toca.
— George está preso! — É a voz do meu detetive. — Ele está sob a
custódia do FBI, vai ser interrogado e ficará preso até o julgamento, foi pego
em flagrante dentro de uma casa de prostituição de menores, várias meninas
foram encontradas, eles estavam preparando-as para um leilão.
— Deus! Ao menos uma notícia boa nesse dia dos infernos — falo.
— Preciso desligar, estou pegando novas informações — o detetive
despede-se e encerra a ligação.
— Obrigado, meu Deus! — Continuo andando de um lado para o outro
na porta do centro cirúrgico esperando por notícias.
Quase uma hora depois de ficar para lá e para cá, uma médica vem ao
meu encontro.
— Ela está bem, controlamos a febre, está dormindo devido à
anestesia geral que aplicamos, em algumas horas, ela deve acordar, por
enquanto, encontra-se em observação na ala de pós-parto do centro cirúrgico,
se desejar vê-la, terá que ser rápido, pois visitas não são permitidas, em
virtude de questões de higiene e infecções. — Assinto e então a médica me
leva a uma sala e me ajuda a vestir uma roupa azul, a calçar uma espécie de
touca para os pés, luvas, touca no cabelo, todo empacotado para evitar
contaminação
Quando entramos, vejo a minha pequena loira deitada, dormindo
calmamente em uma das macas com grande levantada.
— Por que as grades estão levantadas? — pergunto.
— Para evitar quedas — a médica responde. — Você tem 5 minutos.
— Oi, minha vida, eu estou aqui, nunca esqueça disso, ainda não vi
nossas filhas, pois queria estar aqui quando você acordasse, infelizmente, não
poderei ficar muito, mas volto assim que souber que acordou. Amo você! —
falo enquanto acaricio sua mão. Seu rosto está inchado, as mãos também,
parecem as de uma criança gordinha. No suporte do soro, encontram-se três
bolsas diferentes de medicação. Aparentemente, a febre baixou, fico meus
preciosos cinco minutos e sou escoltado para fora do setor. Novamente, a
médica vem conversar comigo.
— Vamos transferir a Katherine para a UTI devido ao problema da
pré-eclâmpsia e síndrome HELLP, lá ela será melhor monitorada, tudo bem?
— ela pergunta.
— Sim, por mim tudo bem! — respondo, em seguida, ela retorna ao
setor do pós-parto.
Capítulo 17
Nathan
Quanto mais eu andava de um lado para o outro, mais eu achava que as
horas não passavam. Andando pelo hospital, fui ao berçário e constatei que
minhas filhas não estavam lá com os outros bebês, não encontrei a Dra. Veneci
novamente, provavelmente, fora descansar.
Comecei a perambular pelo hospital até descobrir para onde as
meninas foram levadas, o primeiro lugar que procurei, após o berçário, foi a
UTI neonatal, elas são pequenas e prematuras.
— Devem estar aqui! — digo para mim mesmo enquanto bato à porta
do setor da UTI neonatal.
— Posso ajudá-lo? — Uma moça de cabelos escuros abre a porta
levemente.
— Sou o pai das gêmeas que nasceram ainda pouco, gostaria de vê-las
— falo e vejo seu rosto ficar branco.
— As gêmeas!
— Sim, as gêmeas! — repito.
— É que elas ainda não chegaram aqui — explica.
— Como assim, ainda não chegaram aqui, aqui é a UTI neonatal, se
elas são prematuras, elas deveriam vir direto para cá, para onde levaram as
minhas filhas? — Já estava alterado, será que sequestraram as minhas filhas?
— Encontre-as, agora! — quase grito.
— Um momento! — Vejo a moça fechar a porta da UTI neonatal,
começo a rodar pelo hospital atrás de alguém que pudesse me dizer algo sobre
as meninas.
Pego meu celular e ligo para a Dra. Veneci.
— Cecília, para onde foram minhas filhas? Não estão na UTI neonatal.
— Não? Eu acabei de deixar o hospital e sua esposa encaminhava-se
para UTI adulto e as gêmeas já estavam na UTI neonatal — Cecilia afirma.
— Acabei de bater à porta da UTI e a pessoa que me atendeu disse que
não elas ainda não haviam chegado.
— Estou voltando para aí, acione a segurança! — Escutei barulhos de
pneus, e a ligação cai.
Meu coração bate tão rápido agora que eu tenho certeza de que sairá
pela boca, não penso duas vezes, começo a bater fortemente na porta da UTI
neonatal que parece estar trancada.
— Abram a porta! — grito, as pessoas que passam no corredor se
assustam e rapidamente um segurança aparece.
— Senhor, peço que não grite.
— Minhas filhas ainda não estão na UTI neonatal, elas são prematuras
de seis meses — começo a falar. — Onde elas estão?
— Calma, senhor, tenho certeza de que logo alguém sairá lá de dentro
e nos dirá o que pode estar ocorrendo — o segurança diz.
— Quero vê-las agora, porra! Como se abre essa porta? — pergunto.
— Somente por dentro, senhor!
— Por quê? Porra!
— Somente por dentro, a porta da UTI só abre por dentro, é um
mecanismo de defesa, há sempre alguém lá dentro, os bebês nunca ficam
sozinhos, e evita-se contaminação quando é travada dessa forma — um dos
médicos responde enquanto se aproxima.
— Uma mulher de cabelos escuros abriu a porta ainda pouco e disse
que minhas filhas não vieram para UTI, mas eu falei com a médica que fez o
parto da minha esposa, e ela disse que verificou as meninas há poucos minutos
e já estavam instaladas na UTI neonatal — informo ao médico e ao segurança.
— Então deve haver algum mal-entendido — o segurança diz.
— Não, não tem nenhum mal-entendido nessa porra, estão tentando
matar as minhas filhas, eu tenho certeza. Eu sou Nathan King, caso ainda não
tenha me reconhecido. Meu pai faz doações enormes para esse maldito
hospital todos os anos e, se as minhas filhas morrerem, essa porcaria vai
fechar.
— Droga! Eu não havia reconhecido, desculpe-me, senhor King — o
segurança diz já batendo à porta. — Abram a porta! É a segurança.
— Há câmeras de segurança lá dentro? — pergunto.
— Sim, em todos os lugares do hospital há câmeras de segurança — o
médico responde.
— Quero vê-las agora! — ordeno nervoso. — Não saia dessa porta —
digo ao segurança, pego meu celular e ligo para a polícia.
— Quero uma unidade da polícia no hospital dos Hamptons agora! —
falo com quem atende a chamada. — É uma emergência, estão sequestrando as
minhas filhas — falo nervoso com quem está do outro lado da linha.
— Ok, senhor! Estamos encaminhando uma viatura para checar o local.
— Escuto a chamada.
— Ala da maternidade, UTI neonatal — falo e continuo escutando o
que a pessoa que me atendeu fala enquanto ando até a área das câmeras,
acompanhando o médico e outro segurança.
— Fique aqui! — O segurança abre uma porta e entro, vejo vários
televisores que monitoram todo o hospital.
— Câmeras da UTI neonatal — pede, ou melhor, exige.
— Monitor 4. — O segurança aponta.
Só há duas mulheres no local, a de cabelos escuros olhando as
incubadoras, checando algo, e outra mulher, esta, por sua vez, olha diretamente
para a câmera, e eu reconheço seus olhos instantaneamente, mesmo com a
máscara de proteção no rosto, é a Jéssica.
— Filha da mãe! Porra! — esbravejo. — Ela vai matar minhas filhas,
é a vadia da minha ex — falo enquanto corro de volta para a porta da UTI
neonatal, encontro com um dos policiais que havia solicitado no corredor. —
A minha ex está lá dentro com minhas filhas que acabaram de nascer, eu tenho
certeza de que ela matará minhas meninas — informo nervoso, chego à frente
da UTI neonatal e esmurro a porta.
— Senhor, calma!
— Calma nada, porra! Não são suas filhas que estão correndo risco de
vida! — grito. Golpeio a porta com mais força. — Jessica! — grito. — Eu sei
que está aí, Jessica, se fizer algo com as minhas filhas, eu vou matar você, sua
filha da mãe. Eu dei outra chance a você, a deixei ir em paz — eu gritava
enquanto esmurrava a porta de aço da UTI. — Há outra forma de entrar? —
pergunto ao segurança.
— Só se quebrarmos o vidro do outro lado, é uma enorme janela
coberta por uma cortina, só é aberta uma vez por dia, às 10 da manhã.
— Inferno! — brado, chutando a porta. — Eu vou quebrar.
— Não, se quebrar, poderá contaminar todos os bebês. — O segurança
entrou na minha frente.
— Que seja, melhor contaminar do que a louca que está lá dentro matar
todos eles até descobrir quais são meus — falo empurrando o segurança.
— Pensando assim! — O policial vem atrás de mim. Encontro a tal
janela de vidro, olho de um lado para o outro buscando algo que pudesse
quebrar a janela, mas não há cadeiras no local, é um corredor branco cheio de
portas e nada mais. Chego perto do policial e puxo seu revólver do coldre.
— Desculpe! — peço ao segurar a arma, todos levantam as mãos
achando que eu vou matar alguém, eu só pensava em matar uma pessoa, e essa
pessoa era a Jéssica, aponto para o canto inferior do vidro, assim não correria
o risco de acertar nenhum bebê lá dentro, puxo o gatilho e o vidro se parte em
mil pedaços.
Ouço gritos e pulo para dentro da UTI neonatal, empurro a cortina para
que eu possa ver o que está acontecendo, e então eu vejo.
Jéssica está com as mãos dentro da incubadora de um bebê, a qual está
com o nome King escrito em negrito.
— Porra! — brado.
— Não se preocupe, meu amor, mamãe agora está aqui! — ela fala.
— Afaste-se da minha filha — ordeno baixo, olhando para elas.
— Você nem sabe se ela é realmente sua filha. — Jéssica debocha.
— É claro que é! — respondo. — Tire as mãos de dentro da
incubadora da minha filha — ordeno novamente.
— Senhor King, não atire, há bebês aqui dentro — uma voz masculina
fala, é o policial, eu tenho certeza.
— Por que está fazendo isso, Jéssica? Eu dei uma segunda chance a
você, a deixei ir embora.
— Eu não queria ir embora! — ela grita. — Eu queria ter um bebê seu,
um bebê nosso, mas você me trocou por aquela vadia loira. — Minha filha
desperta e começa a chorar, sua pele é avermelhada e tem uma espécie de
óculos branco nos olhos, tão pequena.
— Vou pedir mais uma vez, Jéssica, afaste-se da minha filha.
— Oh, bebê linda, você puxou ao seu papai, tão linda quanto ele, nós
vamos ficar bem, você e eu, em outra cidade, em outro lugar, só nós duas se o
papai não quiser. — ela diz enquanto acaricia o corpo da minha filha.
— Jéssica, saia de perto dela — peço novamente.
— Só se você jurar que voltará para mim — ela questiona me
encarando, ainda com as mãos dentro da incubadora.
— Você ficou louca? — pergunto.
— Não, você sabe, essa criança deveria ser minha e sua, nós dois e
uma linda menina, podemos ir embora e deixar tudo para trás, basta você me
aceitar de volta, eu prometo, serei uma boa menina e farei tudo o que você
quiser, e não mais gritarei. — Ela falava e falava, e eu não sabia o que fazer,
como negociar com ela para que ela saísse de perto da minha filha.
— Tudo bem! Venha aqui! Vamos conversar, vamos planejar nossa
vida juntos — sugiro, me aproximando dela. Onde está a outra mulher?
Pergunto-me mentalmente. — Venha aqui, meu amor, me dê um abraço. Você
sabe, eu ainda amo você, a Kate é apenas uma puta que eu contratei por uma
noite, nada mais. Ela vai embora das nossas vidas. — Por mais que eu odiasse
falar essas coisas sobre a minha mulher, eu precisava, senão eu poderia ficar
sem a minha filha. Vejo Jessica dar um passo para trás e tirar as mãos da
incubadora. — Venha aqui, meu amor! — chamo novamente, olho para trás e
vejo o segurança e dois policiais que haviam entrado pela janela. — Venha
aqui, iremos planejar nossa vida juntos, com nossa filha. — Jéssica se
aproxima de mim e me abraça apertado. Minha vontade era de matá-la com
minhas próprias mãos. Abracei-a e continuei com o teatro. Vi um dos policiais
passar rapidamente por mim e abrir a porta da UTI neonatal, outros policiais
entram, eu levanto as mãos e, em seguida, Jéssica é tirada dos meus braços, a
arma que utilizei o policial levou.
— Me soltem! Nathan, não deixe que me levem, por favor! — Jéssica
pede enquanto se debate, os policiais a levam, as crianças nas incubadoras
choram aos berros.
— Desculpem, bebês! — falo quase em um sussurro quando me
ajoelho próximo a minha pequena, onde a Jéssica tinha as mãos há poucos
minutos, sinto toda a adrenalina deixar meu corpo e choro, agradecendo a
Deus por ela não ter feito nada com a minha filha.
Capítulo 18
Kate
Acordo um tanto atordoada, olhando em volta, avisto um relógio na
parede, mas não consigo enxergar a hora, ouço alguém falar comigo.
— Katherine, me ouve? — Escuto chamarem. — Você está no centro
cirúrgico, logo será encaminhada para a UTI.
— Hum... — resmungo.
— Sente isso? — Sinto uma leve pontada no pé. — E isso, pode
sentir?
— Hum... — resmungo novamente e tento levantar.
— Não levante a cabeça! — relaxo onde eu estou. — Sua anestesia
está passando. Sou sua enfermeira por hora, me chamo Alessandra. Sente suas
mãos? Mexa os dedos dos pés e das mãos. — Eu o faço, mexo os dedos dos
pés e depois das mãos. — Ótimo, correu tudo bem, você ainda está no centro
cirúrgico. — Ao fundo, ouço um choro alto de criança e meus olhos enchem de
lágrimas ao me lembrar que não ouvi o segundo choro na sala de parto, algo
ruim aconteceu com a minha outra filha, eu posso sentir isso em meu coração.
— Minhas filhas?! — questiono enquanto sinto as lágrimas descerem
pela lateral do meu rosto e minha cabeça explodir de dor.
— Elas estão na UTI neonatal agora. Mas foi por pouco — a
enfermeira explica. — Não chore, sua pressão ainda continua alta. Não fique
assim, elas estão bem agora!
— Quero água! — peço, tentando engolir o choro, mas minha garganta
doí tanto pela sede. — Por favor! E estou com fome.
— Não posso lhe dar água agora, a médica ainda não liberou sua dieta.
— Balanço a cabeça em concordância, virando o rosto para o lado, meu nariz
estava começando a ficar entupido, lágrimas desciam na lateral do meu rosto,
eu queria limpá-las, mas as minhas mãos estavam cheias de agulhas e nem
dava para movê-las direito. Após alguns minutos, eu adormeci novamente,
sentindo uma forte dor de cabeça.
Acredito que horas mais tarde eu acordei, olhando em volta, percebo
que não estou no centro cirúrgico, noto o barulho dos bips e máquinas de
monitoramento, sei lá como se chamam. Abrindo melhor meus olhos, vejo
médicos sentados em uma mesa distante, eu estava em uma cama alta com
coisas grudadas em meu peito e uma espécie de respirador em meu nariz.
— Ela acordou! — Ouço alguém falar. Viro o rosto para quem fala e
vejo a minha médica. — Bem-vinda de volta, Katherine.
— Onde estou? — pergunto devagar.
— Você está na UTI adulto — a Dra. Veneci diz. — Você deve estar
com fome e sede.
— Sim, muita! — falo baixinho.
— A comida virá logo e uma das técnicas de enfermagem já trará água
para você — ela explica.
— Ok! Minhas filhas onde estão? — perguntei.
— Agora, na UTI neonatal. Estão bem, Nathan está com elas nesse
instante, pois você não pode receber visitas, somente às 15:00 horas — ela
fala e eu percebo que já deve ter passado um dia que eu estou aqui.
— Há quanto tempo estou aqui? — pergunto.
— Três dias, Katherine! A enfermeira me chamou no centro cirúrgico
quando você começou a chorar, sua pressão estava nas alturas, quando
cheguei, você havia adormecido, transferimos você para cá imediatamente
para os cuidados intensivos, você foi entubada para que seus pulmões
trabalhassem sem peso, retiramos hoje cedo.
— Três dias? — indago. — Quero Água! — peço novamente. Vejo a
Dra. Veneci ir a algum lugar e voltar com um copo e um canudo.
— Beba devagar, seu corpo está sem água há alguns dias, mas está
hidratado devido ao soro que estava tomando, então, beba devagar para que
não se engasgue. — Concordo e começo a beber, nunca desejei tanto beber
água como agora, parecia a melhor coisa do mundo. Afastando o copo, olho
para ela.
— Quando poderei ver minhas filhas? — pergunto.
— Assim que receber alta da UTI, queremos deixá-la mais um dia aqui
para observação e depois iremos transferi-la para um dos apartamentos, você
pegou uma infecção e teremos que tratá-la aqui no hospital. Então, depois que
transferirmos você para um dos apartamentos, você ficará mais uns 7 dias
antes de voltar para casa, a medicação é forte e precisa ser intravenosa para
combater a infecção que você pegou, foi por isso que você veio parar na UTI
adulto, seu estado era realmente crítico, além do que, sua pressão não baixou,
mesmo depois de tirarmos a placenta, você estava queimando em febre durante
a curetagem. Garota, você teve sorte! — afirma.
— E minhas filhas? Elas tiveram a mesma sorte? — ela baixa a
cabeça, olha para o lado e, depois, para mim.
— Sim, elas tiveram a mesma sorte — ela informa com um sorriso
falso. — Preciso ir agora, preciso ver outros pacientes.
— Ok!
— Nathan virá às 15 :00 horas vê-la, são apenas vinte minutos de
visita, então, aproveitem — ela fala e se retira. Olho para a parede ao lado da
minha cama, um relógio marca 11h30 a.m., falta pouco para vê-lo de novo.
Fecho os olhos por um breve momento, apenas para descansar, mas acabo
adormecendo.
Sou acordada por uma voz que me chama ao longe.
— Querida, seu almoço chegou! — Ouço a voz falar. — Acorde! —
Abro os olhos lentamente. — Sua comida chegou! — Escuto. — Estou
colocando em cima da mesinha, quando for comer, aperte o botão que está em
sua mão, ok?
— Ok! — falo enquanto desperto. Eu devo estar toda desarrumada,
tenho certeza disso, olho para o lado, a UTI está aparentemente tranquila,
aperto o botão que a senhora indicou e logo uma moça está ao meu lado.
— O que precisa, Sra. King?
— Comer — respondo, só então me dou conta de que fui chamada de
Senhora King. Isso é tão estranho.
— Tudo bem, vou subir a parte de trás da cama para que fique sentada
e possa comer melhor. — Ouço a enfermeira falar, e logo a cama estava
subindo, me posicionando sentada. O carrinho com a bandeja é colocado à
minha frente, a refeição é uma sopa.
— Eu estou com tanta fome e me trazem uma sopa, sério isso? — falo
mais para mim do que para a mulher ao meu lado.
— A senhora acabou de acordar e não come há três dias ou mais e, por
enquanto, seu cardápio será só com alimentos líquidos, até seu intestino voltar
ao pleno funcionamento, depois do almoço, virão banhá-la.
— Obrigada! — agradeço sorrindo enquanto pego a colher ao lado do
prato e começo a saborear a sopa mais gostosa da minha vida, tantos legumes
e verduras, eu comi bem rápido, tamanha fome em meu estômago, ao lado do
prato, está uma gelatina vermelha, que eu tenho certeza ser de morango. Sorrio
pegando-a para comer, na primeira colher em minha boca, eu suspirei ao sentir
o sabor, era maravilhosa, ou talvez fosse a fome, pois falam que comida de
hospital é horrível, mas essa, com certeza, não é ruim, está boa até demais.
Uma delícia! Comi tudo e bebi meu suco de laranja, logo a bandeja foi
retirada e a moça saiu do meu campo de vista, deixando-me ainda sentada.
Eu me sentia bem, a cabeça não doía mais, mas meu coração estava
apertado, querendo ver minhas filhas e meu noivo, eu nunca senti tanta falta
dele como agora, sim, eu já senti, quando ele esteve aqui no meu lugar, deitado
em uma cama em um coma induzido para se recuperar mais rápido. Fiquei ali
olhando os médicos trabalharem, ouvindo os diversos bips de máquinas,
alguns mais altos que os outros. Eu nunca mais quero entrar em um hospital,
esses bips não me trazem memórias boas. Encostada em meu travesseiro,
observo um rapaz se aproximar sorrindo.
— Boa tarde, Sra. King, sou Charles, e vou banhá-la junto com a
Rosalinda — ele comunica apontando para a moça que agora entra em meu
campo de visão.
— Tudo bem! — falo, estranhando um pouco, um homem ia me banhar,
ver minhas partes intimas. Quando ele puxa minhas cobertas, eu percebo que
uso fralda. — Por que estou de fralda? — pergunto.
— As fraldas são colocadas para o caso da senhora fazer o número
dois, assim, será mais fácil limpá-la.
— Oh, entendi! — Minha barriga protesta um pouco. — Eu acho que
vou fazer o número dois, se importam se eu fizer? — pergunto sem graça.
— À vontade, senhora, faça e, quando terminar, voltamos. — Ele me
cobre novamente e sai com a Rosalinda, deixando-me em paz por alguns
minutos.
— Terminei — falo baixo, mas tenho certeza de que escutaram, pois
logo estão perto de mim.
— Não se sinta envergonhada, nós já fizemos isso milhões de vezes e a
trataremos com todo respeito, senhora. — Charles fala sorrindo enquanto tira
a fralda, Rosalinda puxa a camisola por minha cabeça.
— Nós vamos lavar seu cabelo, tudo bem? — ela diz sorrindo.
— Sim, tudo bem! E eu gostaria de escovar meus dentes se for
possível. — falo, olhando para ela.
— Claro! — ela sorri enquanto deita a cama para ter meus cabelos
para fora do colchão e poder lavá-los, no início, eu me senti envergonhada,
por mais um homem me ver nua, ainda mais dessa forma.
— Senhora, vou lhe dar um paninho para que possa limpar suas partes
íntimas, sei o quanto será constrangedor se eu o fizer, então, acredito que a
senhora se sentirá melhor se fizer por si só. — Assinto enquanto pego uma
espécie de gaze molhada com sabonete líquido, me limpo com ela, Charles
joga água morna sobre minhas partes íntimas para que a espuma vá embora,
depois me dá outra gaze para me limpar um pouco mais e joga água em
seguida. — Pronto, agora vamos trocar sua roupa de cama — ele informa e me
pergunto como eles fariam isso comigo deitada naquela cama, mas foi
possível, eles enrolaram a roupa de cama de um lado, depois me viraram de
lado, enxugando minhas costas, me viraram novamente, tiraram a roupa
molhada e já vinham colocando outra seca, uma nova fralda foi colocada em
mim e uma camisola seca e limpa também. Meus cabelos molhados agora são
secos por um secador e, depois, penteados, um novo cobertor cheirosinho é
colocado sobre minhas pernas. Charles me entrega uma escova de dentes e um
copo com água. — Escove os dentes, senhora. — E eu fiz, escovei meus
dentes e cuspi dentro da bacia que ele tinha posto em meu colo, limpei a boca
e devolvi a escova de dentes com o copo seco para ele, a bacia sumiu, e
Charles e Rosalinda também.
— Obrigada! — agradeço para o nada, agora eu me sinto limpa, me
sentia uma nova Katherine. Eu estava limpa novamente, olhando para o
relógio, me dei conta de que faltava minutos para o horário da visita. Daqui a
pouco eu veria meu grande amor. Uma sirene toca e várias pessoas começam a
entrar, uma após a outra, e nada do Nathan chegar, estranho quando vejo mais
pessoas entrando e indo ver as pessoas em suas camas e o Nathan não aparece
em meu campo de visão. Meus olhos começam a arder e minha garganta a se
fechar, ele não veio. — Ele não veio! — falo para mim mesma enquanto sinto
as lágrimas começarem a descer pelo meu rosto, baixo a cabeça para esconder
o choro dos visitantes que entravam e viam minha cama assim que passavam
pela porta. — Ele não veio — sussurro enquanto um soluço escapa pelo meu
peito, o choro vem forte. — Ninguém veio, eu estou sozinha novamente! —
afirmo para mim mesma, mesmo que eu soubesse que não estava sozinha. —
Eles devem estar ocupados — justifico limpando as lágrimas com a mão e
sorrio sem graça.
Então, para não ver aquele monte de gente vindo para os outros e
ninguém para mim, eu fecho os olhos e adormeço.
Capítulo 19
Kate
Acordo novamente escutando alguém falar, ao abrir os olhos, encontro
Amanda ao meu lado conversando com a Dra. Veneci.
— Oi, lindona, está pronta para ir para o novo quarto? — Amanda
pergunta sorrindo. — A Dra. já liberou você da UTI e estamos a levando para
um novo quarto.
— Por que ninguém veio na visita das 15 :00 horas? — questiono a
Amanda.
— Estávamos conhecendo as meninas, desculpe por isso, e o Nathan,
bem, ele precisou sair e ir resolver algumas coisas com a polícia!
— Polícia, como assim? — pergunto já começando a me alterar.
— Ei, calma aí, não é nada demais, parece que o tal do George foi
preso, e ele precisou ir até lá para formalizar a queixa. — Amanda diz, me
olhando. — Eu vou sair agora, que bom que acordou, eu estarei lá fora para
acompanhá-la ao novo quarto. Não posso ficar muito tempo aqui na UTI, eles
não deixam — ela fala, apontando para médicos que nos observam.
— Ok! — Vejo-a sair e a Dra. Veneci acompanhá-la, várias pessoas se
aproximam da minha cama e começaram a desligar alguns aparelhos, tirar os
adesivos grudados em mim, uma enfermeira troca meu curativo.
— Vou tirar a sonda de você, tudo bem? — alguém informa.
— Ok!
— Você vai sentir um pequeno incômodo, mas logo estará melhor. —
Esperei o incômodo, mas eu já havia me acostumado, depois de três dias com
a sonda, não me incomodava mais, porém doeu um pouco quando ela foi
tirada, foi realmente estranho.
Minutos mais tarde, minha cama era removida da UTI, e eu fui levada
pelo corredor, vi a Amanda me acompanhar de perto por todo o trajeto até o
novo quarto que me aguardava, assim que a cama passou pela porta, percebi o
quão grande aquele quarto era, estava cheio de balões de parabéns e flores por
todo o lado. Meus olhos encheram-se de lágrimas.
— Ei, mocinha, não chore! Nós não podíamos entrar com toda essa
parafernália lá na UTI, não deixaram, falaram que poderia conter bactérias e
essas outras doenças que ouvimos falar em hospitais — Amanda falava rindo
e, a partir dali, eu percebi que eles não me esqueceram, mas que não podiam
entrar com tudo isso na UTI para não agravar meu estado, ou dos demais
pacientes que estavam lá.
— Desculpe! — falo, limpando as lágrimas. — Eu estou tão chorosa,
ainda não vi o Nathan desde o nascimento das meninas, e nem sequer vi o
rosto delas, não pude ver se são perfeitas.
— Elas são perfeitas, KitKat. — Amanda sorri enquanto eu sou
transferida de cama e acomodo-me. Logo estamos só nós duas no quarto
enorme. — Tão perfeitas como dois bebês recém-nascidos podem ser, com
cara de joelho!
— Você é tão boba! Um dia terá os seus e verá que eles não têm cara
de joelho. — Rio.
— É claro que tem! — Amanda fala, e ouvimos uma batida na porta.
— Entre! — A porta se abre e Alice entra.
— Oi, mamãe — ela diz, sorrindo — Acabei de ver as meninas na UTI
neonatal, elas são lindas, pequenas, mas lindas de qualquer forma.
— Obrigada! — Sorrio, olhando-as. Uma nova batida na porta e a Dra.
Veneci entra.
— Olá, Katherine, estou passando para saber se está se sentindo bem,
se sente alguma dor em algum lugar, meu plantão deve acabar em algumas
horas, e estou passando para ver meus pacientes, e você, claro.
— Obrigada, eu só estou com um pouco de dor de cabeça, mas deve
ser apenas porque eu estou ansiosa para ver minhas filhas.
— Infelizmente, hoje você não poderá vê-las, mas amanhã cedo, às 8
horas, virei buscá-la pessoalmente para que possa vê-las na UTI neonatal, elas
são bem pequenas e frágeis demais, ficarão conosco por pelo menos 90 dias
até ganharem peso e estarem bem para ir para casa.
— Entendo, eu pensei que as veria hoje — comento.
— A UTI neonatal é bem rigorosa quanto as visitas, mas não se
preocupe, suas meninas estão bem! — Por que será que eu sentia que todos
estavam me escondendo algo? A voz da médica soava um tanto fingida quando
dizia que elas estavam realmente bem.
— Com que peso elas nasceram? — pergunto.
— 680 e 650 gramas.
— Gramas? Sério? Oh, meu Deus! — Meus olhos enchem de lágrimas.
— São muito pequenas! Elas vão sobreviver, não vão? — pergunto chorosa.
— Sim, elas vão, nós temos a tecnologia a nosso favor, não se
preocupe — a médica fala, e eu limpo minhas lágrimas.
— Estou confiando em você, Cecília! Cuide das minhas meninas.
— Eu estou cuidando! — ela responde. — Agora já vou, tenha uma
boa noite. — E ela sai, me deixando com Alice e Amanda.
— Então, me contem, o que aconteceu enquanto eu estava dormindo
por longos três dias.
— Er... bem, achamos melhor o próprio Nathan contar, isso é algo que
diz respeito a apenas vocês dois! — Amanda responde sem graça e Alice fica
calada.
— Entendo, e quando o verei? — pergunto. — Ele deveria estar aqui,
certo?
— Sim, ele deve estar chegando em algum momento! — Alice
responde. — Trouxemos um pijama para você, shampoo, condicionador,
sabonete, calcinhas e absorventes. A Dra. pediu que trouxéssemos, na verdade,
ela pediu ao Nathan e ele pediu para nós pegarmos, trouxemos de casa. —
Sorrio, olhando-as.
— Obrigada!
— Por nada, não é mais do que nossa obrigação, KitKat.
— Você sabe, né? Eu odeio esse apelido! — falo, rindo para Amanda
enquanto limpo os resquícios das lágrimas do meu rosto.
— É por isso que adoro provocar. — Todas rimos ao mesmo tempo.
— Você é realmente muito boba! — eu digo.
— Eu sei, e sou tão boba que até coloquei um sorriso em seu rosto. —
Amanda sorri e olha no relógio. — Bem, precisamos ir, Alice. Voltamos
amanhã no horário de visitas novamente. Você precisa descansar.
— Eu já descansei demais, quero sair logo daqui e ter minhas filhas
em casa.
— Acho que você vai ficar conosco por mais uns dias, nos aturando
aqui todos os dias. — Alice fala sorrindo, depois dá um beijo em minha testa.
— Espero vê-la logo em casa, descanse, assim, ficará boa logo.
— Obrigada!
— Vamos, Alice, estamos atrasadas para o jantar com a mamãe e o
papai. — Amanda diz. — Volto amanhã com ela. — Amanda aponta para a
Alice.
— Boba! — respondo, rindo enquanto elas saem pela porta.
E lá estava eu, sozinha novamente, sentei na cama, agora eu tinha
apenas um soro ligado a minha veia, no braço esquerdo, olhei meus pés,
pareciam pães, ainda inchados, ri de mim mesma, eu deveria estar tão feia.
Passei a mão pelo meu cabelo que estava embaraçado por estar deitada há
muito tempo, um chinelo rosa estava no chão e havia uma pequena escada de
dois degraus para descer da cama, me apoiei na cama e desci o primeiro
degrau e, depois, o outro, coloquei o pé no chinelo e fiquei em pé. Olhei para
cima, ficando realmente apoiada em meus pés, andando devagar, passei pela
cama e cheguei até o ferro que segurava a medicação, me apoiei nele, a porta
foi aberta e um enorme urso de pelúcia bege apareceu em meu campo de
visão.
— Entrega especial para a Sra. King! — Uma voz tão conhecida
preencheu meus ouvidos, eu sorri de orelha a orelha quando o dono da voz
apareceu por trás do enorme urso de pelúcia. — Oi! — ele sussurrou.
— Oi! — E meu coração começou a acelerar dentro do peito. A
emoção de vê-lo deixou qualquer tristeza longe de mim. Nathan entrou
sorrindo, colocou o grande urso sobre o sofá que havia no quarto e veio até
mim, segurou meu rosto e tocou meus lábios com os seus.
— Desculpe! — ele disse e meu coração acelerou ainda mais. — Eu
não pude vir mais cedo, mas agora estou aqui e já comprei briga com a
administração do hospital, vou passar a noite aqui com você, o meu sorriso
aumentou mais ainda.
— Eu não estou tão apresentável quanto você — comentei, baixando a
cabeça.
— Para mim, você está tão linda quanto sempre foi, brilhando ainda
mais que antes — ele disse, sorrindo. — E o que a senhora faz fora da cama?
— Oh, eu estava testando meus limites — falei, sorrindo, olhando-o
nos olhos.
— Sei! Mas, já que está de pé, vou ajudá-la a tomar banho, arrumar
seu cabelo, secá-lo e trocar você.
— Bem, Sr. King, eu agradeço se puder fazer isso por mim, porque já
estou me sentindo suja com essa fralda enorme.
— Posso imaginar! Espere um pouco, eu já volto, ok? — ele disse e
saiu pela porta, voltando minutos mais tarde risonho. — Pronto, estou de
volta, fui conversar com a enfermeira e avisar que irei banhar você, assim,
depois ela virá trocar o seu soro e aplicar a medicação.
— Ah, entendi! — Olhei-o, ele se afastou e começou a pegar algumas
coisas em algumas sacolas que eu não havia percebido que estavam ali, eu
devia estar distraída conversando com as meninas, ah, sim, as meninas, elas
sabiam que ele estava chegando, foi por isso que elas saíram com a desculpa
de ter um jantar com os pais. — Que espertinhas! — falei sozinha.
— O quê? — Nathan me olhou perguntando.
— Nada, estava pensando alto. — Andei devagar, levando comigo o
ferro que segurava meu soro.
Chegando perto da porta do banheiro, Nathan esperou que eu entrasse e
depois passou por mim, colocando, ao lado da banheira, diversos produtos.
Ele ligou a torneira e a banheira começou a encher.
— Eu posso tomar banho sozinha, você sabe, certo? — falei com
vergonha de que ele me visse suja, como eu deveria estar naquela fralda
estranha.
— Eu sei que pode, mas eu não vou deixar, você sabe, certo? — Ele
voltou minhas palavras para mim, e eu sorri. — Não há nada aqui que eu não
tenha visto antes. Quer dizer, algumas pequenas coisas, mas nada que vá me
assustar e me fazer sair correndo deste quarto. — Assenti.
Enquanto a banheira enchia, ele se aproximou e levantou a camisola,
tirando-a primeiro por um braço e, depois, segurando a bolsa de soro na mão,
tirou por meu outro braço, me deixando apenas com a fralda. A camisola foi
para o chão e o soro voltou para o seu lugar. Então olhei para baixo enquanto
Nathan puxava um lado do adesivo da fralda e depois o outro, quando olhei,
havia sangue na fralda e eu senti meu rosto arder de vergonha.
— Não tem que sentir vergonha por isso! — Ouvi Nathan falar, ele
enrolou a fralda e jogou no lixo, virou-se e colocou sais de banho na banheira.
— Venha, vou ajudá-la a entrar na banheira. — Eu segurei em sua mão e
passei uma perna para dentro da banheira e, depois, a outra. — Sente-se
devagar. — Acomodei-me, o braço que estava com o soro ficou para fora, não
podia ser molhado.
— Obrigada!
— Não me agradeça, você é minha mulher, isso é o mínimo que eu
poderia fazer. Eu amo você, Katherine, e sempre vou cuidar de você — ele
disse, sorrindo. E, naquele momento, eu sabia que eu tinha encontrado o
homem certo para minha vida, mesmo que de um jeito errado, eu havia
encontrado a minha outra metade.
Capítulo 20
Kate
Após tomar banho e escovar os dentes, Nathan me ajudou a sair da
banheira, me enxugou com uma toalha felpuda e macia, e me auxiliou a vestir
um roupão que apareceu do nada ali, ou talvez já estivesse ali e eu não o tinha
visto.
— Eu preciso fazer xixi, você pode me dar licença, por favor — pedi,
sorrindo, e ele se virou, saindo do banheiro. Eu fiz xixi, me lavei com a
duchinha ao lado do vaso e me enxuguei. — Pronto! — falei, e o Nathan
voltou para o banheiro, em suas mãos, uma calcinha e um absorvente.
— Chegue mais perto, vou vestir você — ele disse, e eu me aproximei
devagar, Nathan se abaixou, ficando de joelhos, e abriu o pacotinho do
absorvente. — Eu nunca fiz isso, então, se eu estiver colocando errado, por
favor, diga. — Eu ri, observando-o.
— Eu posso fazer isso!
— Eu sei que pode, mas eu quero fazer por você! — Eu sorri, ele
posicionou a calcinha para eu poder passar as pernas por ela e subiu até
minhas coxas, então abriu as abas do absorvente, o colocou na calcinha,
grudando-as.
— Você esqueceu de retirar a outra fita do absorvente, onde ele gruda
na calcinha.
— Sério? — Ele riu e tirou o absorvente para poder retirar o adesivo
e colocá-lo novamente. — Agora está certo, Sra. King? — ele perguntou com
um sorriso maroto no rosto.
— Sim, agora está certo! — falei, rindo dele. — Parabéns, você
colocou direitinho o absorvente, obrigada!
— Por nada, venha! Vamos vestir o pijama. — Saímos do banheiro e
entramos no quarto, ele pegou a camisa do pijama e me ajudou a vesti-la, fez o
mesmo com a calça, e então acomodou-me na cama, sorrindo para mim. —
Você é tão linda, Kate!
— Eu sei!
— Convencida. — Nathan pegou uma escova de cabelo e posicionou-
se atrás de mim para desembaraçar meu cabelo.
— Eu senti sua falta! — falei enquanto ele mexia no meu cabelo.
— Eu também senti, meu amor.
— Conte-me, o que aconteceu depois do nascimento das meninas? —
perguntei.
— Você teve complicações e foi levada às pressas para o centro
cirúrgico, pegou alguma infecção, ainda não entendi como isso aconteceu, o
cordão umbilical se rompeu quando a médica puxou para a placenta sair e, por
isso, você foi para o centro cirúrgico. Além do que, uma das nossas filhas
precisou ser reanimada. — Ele parou de mexer nos meus cabelos quando eu
me virei para olhá-lo.
— Como assim? — perguntei, encarando-o. — Ela está viva? Diga a
verdade! Não minta!
— A primeira bebê nasceu chorando a plenos pulmões, perfeita! Já a
segunda, ela nasceu roxa, os lábios estavam roxos, uma massagem cardíaca foi
necessária para reanimá-la. Eu não sei o que aconteceu, eu só olhei para as
meninas quando você adormeceu, os enfermeiros e médicos gritavam uns com
os outros sobre reanimar a criança antes que fosse tarde. — Eu olhava para
ele séria, vi seus olhos encherem de lágrimas.
— Minha filha! Ela morreu, Nathan? É isso que está tentando me
dizer? — perguntei aflita, sentindo a mistura de sensações chegar com tudo em
meu peito, deixando escapar um soluço. — Responda! — gritei com ele.
— Ela foi reanimada, voltou a respirar e seu coração está batendo,
durante o parto, o cordão enrolou em seu pescoço e, por isso, ela nasceu
morta.
— Oh, meu Deus! — Levei a mão à boca para conter um soluço. —
Minha filha!
— Ela está viva, Katherine, agora ambas estão na incubadora, na UTI
neonatal, ambas estão bem. As duas, me ouviu? — Eu ouvi, mas, ainda assim,
estava chorando. — Kate elas estão bem, estão bem agora, as duas respiram e
estão vivas! Kate?
— Eu ouvi, eu só estou em choque, minha filha nasceu sem vida, mas
agora ela está bem, certo?
— Sim, elas estão bem, eu acabei de dizer isso, elas estão vivas,
esperando por você na UTI, elas estão sendo amamentadas pelo banco de leite
do hospital, as enfermeiras da UTI estão esperando que você possa dar o seu
leite para elas em alguns dias. — Só então parei e toquei meus seios, estavam
inchados, mas não saia nada pelo bico, talvez só saia quando elas sugarem.
Olhei, através do decote da camisa do pijama, e notei meus seios com veias à
mostra, bastante inchados.
— Também aconteceram outras coisas que contarei futuramente,
quando você receber alta.
— O que mais pode ter acontecido?
— George foi preso, por isso, não vim para a visita das 15 horas na
UTI, precisei ir até a delegacia conversar com os agentes que efetuaram a
prisão dele, George foi preso em flagrante quando vendia mais uma menina em
um leilão para homens ricos, esses homens também responderão processos por
participar desse tipo de leilão ilícito.
— Isso é uma boa notícia, certo? Com ele preso, poderemos respirar
mais aliviados agora, não é? — perguntei.
— Sim, eu acredito que sim! Jéssica também foi presa, mas o
advogado dela a apresentou como louca, e ela ficará em uma clínica
psiquiátrica por longos anos.
— Nossa! O que ela fez para isso acontecer?
— Tentou matar alguém da minha família — ele falou calmamente. —
Agora, vire-se para que eu possa terminar de pentear seu cabelo. — Virei, e
ele continuou a mexer em meu cabelo.
— Eu sabia que algo havia acontecido quando acordei no centro
cirúrgico e senti aquela sensação ruim em meu peito — falei comigo mesma,
ele terminou de pentear meu cabelo e parou à minha frente.
— Kate, não pense mais sobre isso, as meninas estão bem, são muito
pequenas e precisam de cuidados especiais, mas elas vão sair logo dessa e,
em alguns meses, estarão em casa. — Ele segurou meu rosto em suas mãos e
me deu um beijo nos lábios, e eu o segurei ali, abracei-o, passando meus
braços por sua cintura e coloquei minha cabeça em seu peito.
— Eu prometo ser melhor em tudo a partir de agora, ser mais
responsável, perceber melhor as coisas a minha volta, cuidar mais de mim, de
você e das meninas.
— Você não tem que me prometer nada, meu amor! Eu amo você como
você é, eu que exijo demais de você sabendo que é apenas uma adolescente
lidando com tudo isso ao mesmo tempo: uma gravidez, um maluco tentando
nos matar, a minha família, a perda da mãe, a descoberta de um pai. Apenas
uma adolescente lidando com a fase mais perturbadora de sua vida. Quem tem
que prometer algo aqui sou eu, eu prometo cuidar mais de você, ver tudo o que
acontece com você sem deixar passar nada, porque o adulto aqui sou eu, eu
que devo prometer sempre estar de olho em você, amá-la mais que tudo,
cuidar de você e das nossas meninas. — Permanecemos abraçados por longos
minutos até baterem na porta e eu me virar para ver quem era, uma enfermeira
de branco entrou sorrindo.
— Desculpe atrapalhar, vim trocar o acesso em sua veia e aplicar a
medicação. O jantar logo estará aqui também.
— Obrigada! — agradeci, deitando na cama, estiquei o braço para que
ela fizesse sua mágica. Foi rápido, ela trocou e saiu.
Pouco tempo depois, o jantar chegou, duas bandejas sendo empurradas
em um carrinho.
— O cheiro está bom — falei animada.
— O jantar chegou, espero que tenham uma ótima refeição. — A
senhora deixa o carrinho e se retira.
Eu parecia mais estar em um hotel do que em um hospital de verdade,
talvez fosse apenas todo o dinheiro da família King fazendo efeito sobre mim.
Nathan se aproximou do carrinho e pegou uma bandeja, a colocou sobre outro
carrinho que fica próximo à cama e posicionou para o prato ficar à minha
frente, ajustou o leito e fiquei bem sentada para comer, tirou a tampa que
cobria a refeição e vi, finalmente, uma comida de verdade à minha frente,
salada, macarrão e carne com batata. Foi uma evolução, a bebida ainda
permanecia sendo suco e a sobremesa, pudim, eu amo pudim.
Comecei logo a comer, estava com fome, mas, claro, comecei pelo
pudim. Nathan me olhou, rindo.
— Por que o pudim primeiro? — ele perguntou.
— Ué, se eu morrer engasgada com a comida, pelo menos eu já comi o
melhor, que é a sobremesa. — Ele deu uma gargalhada, eu amo essa risada.
— Vou fazer o mesmo, então! — Ele pegou seu pudim e começou a
comer, me acompanhando.
Depois do pudim, demos início ao nosso jantar de verdade, o sorriso
que ele tinha no rosto fazia meu coração acelerar de felicidade por ele estar
ali comigo, eu estava muito contente por tê-lo por perto. Ele é a minha
felicidade e sempre será, enquanto eu viver, espero que seja assim.
Ele se mexeu, pegando o celular no bolso e apontando para mim
enquanto eu comia, o barulho de uma sequência de fotos me pegou de surpresa.
— Você está tirando fotos minhas? Eu não estou bonita!
— Você sempre está bonita! Sempre. Estou mandando fotos para nossa
família, meus pais, as meninas e, claro, seu pai e irmão, que estão ansiosos
para vê-la, eles estão com saudades de você. — Ele riu e chegou mais perto,
tirando uma selfie de nós dois, eu ri alto enquanto ele tirava várias fotos.
— Só você para me fazer sorrir assim, me trazer felicidade, somente
você.
— Você é a menina dos meus olhos, Katherine! — Sorri e voltei a
comer, e ele fez o mesmo. Eu sempre vou amá-lo, por todos os dias da minha
vida, independentemente do que aconteça, sempre vou amá-lo.
Capítulo 21
Kate
Em algum momento, eu adormeci, sonhei que segurava duas meninas
lindas em meu colo, duas princesas de cabelos negros e olhos tão azuis quanto
os do pai, acordei com Nathan fazendo carinho em meu rosto.
— Bom dia! — Ele sorriu, seu cabelo molhado indicava que ele havia
tomado banho, tinha feito a barba, pois o cheiro da loção pós-barba encheu
meu nariz.
— Bom dia! Hoje vou ver minhas meninas — falei, sorrindo, já me
sentando.
— Sim, hoje vamos vê-las, já preparei meu celular, deixei-o
carregando porque vou filmar tudo, desde a sua entrada até você segurá-las em
seu colo.
— Obrigada! Preciso me arrumar.
— Claro! — Ele me ajudou a descer da cama e me levou até o
banheiro.
Trinta minutos mais tarde, eu estava em um novo pijama, perfumada e
de cabelos amarrados em um rabo de cavalo. Tomei meu café da manhã e
sentei na beirada da cama ansiosa, esperando a médica. Uma batida na porta e
a Dra. Veneci entrou contente.
— Cheguei para buscá-la!
— Finalmente! — falei com um sorriso de orelha a orelha, finalmente
eu conheceria o rosto das minhas filhas.
— Vamos! — Ela sorriu e saiu andando, eu e o Nathan a
acompanhamos, ele me abraçava e me ajudava a levar a barra de ferro que
continha o meu soro. Depois de três corredores extensos, chegamos à UTI
neonatal, a médica bateu e abriram, ela entrou e nós a seguimos.
— Olá, mamãe! — Uma enfermeira me cumprimentou brevemente. —
Você pode lavar suas mãos aqui, utilizando esses produtos, depois, passe
álcool gel, ponha a touca e os protetores dos pés, e então pode entrar para ver
suas filhas — ela nos instruiu, e eu fiz exatamente o que recomendara, não
queria levar nenhuma doença para minhas meninas, Nathan fez o mesmo, e
logo entrávamos na UTI de verdade, o barulho dos bips da sala encheram
meus ouvidos, ali havia uma tranquilidade quase que impossível de manter se
tratando de bebês.
Caminhei lentamente, passando pela primeira incubadora, e depois
outra, e mais outra, até chegar na que a Dra. Veneci observava e sorria.
— Essas são suas meninas, Katherine. — Eu parei e senti minha vista
embaçar, as lágrimas já estavam lá, enchendo meus olhos, eram tantos fios, o
barulho do bip, do respirador elétrico.
— Elas são tão pequenas. — Aproximei-me, ficando entre as duas
incubadoras, tantos fios e coisas ligados a elas, eu não sabia para qual dar
atenção primeiro, eu queria poder dar atenção para as duas ao mesmo tempo,
mas eu já sabia que sempre seria assim, pelo resto de nossas vidas, uma
sempre ganharia um pouco mais de atenção do que a outra. Virei-me para uma
delas, sorrindo com lágrimas nos olhos, pela emoção de vê-las pela primeira
vez. — Oi, meu amor, é a mamãe falando! — Coloquei a mão em um dos
buracos da incubadora e toquei seu pequeno pezinho, Deus, como era pequeno,
a fralda em seu corpinho parecia enorme, e eu tinha certeza de que aquela era
a menor delas. A pele dela era um tanto avermelhada, e ela tinha um gorro rosa
sobre sua pequenina cabeça; havia um tubo de respirar em seu nariz e sua
boquinha estava aberta com outro bem fino que devia ser para alimentá-la;
uma fita branca rodeava seu pé e um soro ligava-se a ele; em seu peito, um
monte desses adesivos redondos monitoravam seus batimentos cardíacos.
Tirei minha mão e virei-me para o outro lado para dar atenção a minha outra
pequena. — Oi, meu coração, é a mamãe! — Sorri, sentindo as lágrimas
descerem por meu rosto, elas eram tão pequenas e, ao mesmo tempo, tão
perfeitas, mais lágrimas rolaram pela minha face. — Eu sinto muito, meus
amores — falei para elas. — Mamãe sente muito por ser irresponsável.
— Você pode segurá-las se quiser. Ambas são saudáveis, só precisam
de tempo para ganhar peso e para que o pulmão se desenvolva, para que
possam respirar sozinhas — a Dra. Veneci informa.
— Eu posso pegá-las? Mas são tão pequenas.
— Sim, Katherine. E, segurando-as, elas perceberão que estão seguras
e amparadas e isso pode ajudar no desenvolvimento delas. Sente-se na
poltrona que vamos ajudá-la a ter seus bebês nos braços. — Sorri ainda mais
e sentei-me na poltrona que estava entre as incubadoras. Vi uma das
enfermeiras abrir a parte superior transparente da incubadora.
— Venha aqui, mamãe, pegue-a, vamos ajudar você — a enfermeira
disse, ela tinha luvas azuis em suas mãos e mostrou-me como colocar as mãos
para pegar minha pequena menina no colo com tantos fios ligados a ela.
Peguei-a e coloquei sobre o meu peito. — Agora, devagar, sente-se na
poltrona enquanto acomodamos as coisas da bebê. — A enfermeira instruiu e
sentei devagar. Levantei a cabeça para ver onde o Nathan estava e o encontrei
com o celular voltado para mim, ele estava tirando fotos de nós ou nos
filmando.
— Pronto! — Eu disse já acomodada, a enfermeira veio e colocou a
outra menina em meu peito, ao lado de sua irmã e, sobre elas, um pequeno
cobertor, os bips na sala aumentaram. — O que está... — eu comecei a
perguntar nervosa.
— Elas estão sentindo o seu calor de mãe, o coração está acelerado, é
felicidade, mamãe. Não há nada com que se preocupar. — Cecília disse,
sorrindo. Então eu relaxei com as duas meninas sobre meu peito, ambas com
suas cabecinhas direcionadas uma para outra, mas de olhos fechadinhos. Eu
sorri, fazendo carinho nas costas das duas com uma mão enquanto, com a
outra, as apoiava, a poltrona foi um pouco inclinada para melhorar minha
posição, e eu agradeci.
Procurando novamente pelo Nathan, sorri para ele, que filmava tudo,
um soluço ficou preso na minha garganta, as lágrimas vieram como chuva em
meus olhos, e eu chorei sentindo-as sobre mim.
— Desculpem-me! Perdoem-me! — eu implorava baixinho a elas,
pedindo perdão pelas imprudências durante a gestação, por ser tão desastrada,
por não ficar quieta. Eu chorava em silêncio enquanto conversava com elas
baixinho.

Nathan
Acompanhei Katherine até a UTI neonatal, eu estive lá antes, em
circunstâncias nada boas, consegui que colocassem o vidro no mesmo dia em
que o quebrei, meu pai fez uma grande doação ao hospital como forma de
pedir desculpas pelo ocorrido, assim como o hospital passou a tratar as
minhas filhas como prioridade dentro daquela UTI. Vi a Katherine olhar para
as meninas e se emocionar, era um encontro de mãe e filhas acontecendo ali,
ouvi a Dra. Veneci falar e, quando a Kate sentou na poltrona, eu liguei a
câmera do meu celular, porque eu não poderia perder mais nenhum minuto da
nossa história que agora estava espelhada em duas pequenas pessoinhas que
encontravam-se na incubadora nesse momento, as meninas foram colocadas
sobre o peito da Kate, e ela sorriu, me procurando com o olhar, eu vi, em seus
olhos, que ela estava feliz por as meninas estarem bem, mas também havia um
pedido velado de desculpas neles, os vi encherem de lágrimas e ela chorou
ali, com nossas meninas em seu colo, enquanto conversava com elas.
A Cecília disse que, em alguns dias, a Katherine poderia ir para casa,
mas eu tinha certeza de que ela não iria querer, eu podia ver isso em suas
ações. Ficamos ali por mais de três horas; ela, com nossas meninas e eu,
fazendo pequenos trechos em vídeo, usando a câmera do celular, eu precisava
comprar uma câmera de verdade para filmar tudo o que elas aprontarão.

10 dias mais tarde...


Hoje a Katherine pode receber alta, mas ainda não é certo, pois,
segundo a Dra. Veneci, ela ainda precisa de alguns antibióticos. Durantes
esses últimos dias, eu tenho ficado o máximo de tempo possível com ela,
conversei com uma nova pediatra para as meninas, elas já estão inclusive
tomando 1 ml do leite da Katherine via sonda, o que é um grande avanço por
serem tão pequenas, e até ganharam peso, coisa de gramas, mas que já fez
grande diferença para os nós. As meninas ainda estão com aquela mascara
estranha no rosto, um tal de CPAP, que, há alguns dias, descobri ser um
ventiladorzinho que as ajuda a lembrar de respirar.
Katherine está superfeliz porque nossas pequenas ganham peso a cada
dia que passa, são bem-comportadas, só dormem e ganham peso. Isso é
maravilhoso para nós, pais de primeira viagem que estão agora mais que
animados de tê-las em casa. Eu estou voltando de casa, fui tomar um banho,
cheguei ontem às 22 horas, depois de passar dia inteiro no hospital com elas
na UTI neonatal e agora já estou voltando.
— E os negócios? — Meu inconsciente lembrou.
— Quem lembra de negócios quando se tem duas pequenas
preciosidades precisando de todo o carinho e colo do mundo para ficarem
boas e irem logo para casa? Pois é, nem eu sei mais o que são negócios. —
Sorri, respondendo a minha própria pergunta. Estou ficando meio louco,
converso sozinho, imaginando mil e uma possibilidades para quando as
gêmeas estiverem em casa, se forem tão travessas quanto as minhas irmãs
foram, eu vou ver meus cabelos brancos aparecerem rapidamente. Eu tenho
fotos delas por toda a casa, no escritório, na sala, no quarto, até no banheiro.
Elas estão presentes em todos os lugares. Depois de algumas conversas,
escolhemos os nomes delas, Vitória e Valentina, pois ambas são valentes e,
além de tudo, vitoriosas.
Capítulo 22
Nathan
Foram os dez dias mais difíceis da minha vida, entre idas e vindas ao
hospital e trabalho, entrando e saindo da UTI neonatal, as meninas ganharam
peso, escolhemos seus nomes, porque não dava para ficar chamando de bebê 1
e bebê 2, e, enfim, o nome delas foi colocado na incubadora, nos próximos
dias, segundo o pediatra, elas devem ser promovidas para a UTI 2, o que
significa que já estarão, digamos, mais independentes e que poderão “receber”
visitas, estamos preparando o quarto de UTI 2, será um quarto para as duas, já
está quase pronto, bonecas, paredes cor de rosa e duas incubadoras as
aguardam.
Katherine está animada por receber alta, mas, ao mesmo tempo, triste
por ainda não poder levá-las para casa.
— Oi, princesa! — falei, entrando na UTI neonatal e a vendo segurar
uma das meninas em seu colo. — Como elas estão?
— Indo bem, ganharam mais algumas gramas, e o pulmão está
trabalhando como deve. — Katherine responde.
— A Cecília informou que você já está de alta, eu, inclusive, já
assinei, você só precisa assinar para podermos ir.
— Eu não quero deixá-las aqui.
— Eu sei que não, meu amor, mas você recebeu alta e não pode mais
ficar no hospital, nós viremos todos os dias para cá, ficaremos com elas, será
como se estivesse aqui, a diferença é que irá dormir em casa a partir de agora.
— Isso é tão complicado — ela disse. — Ok, tudo bem. — Assentiu
para a enfermeira, que pegou nossa pequena e colocou de volta na incubadora.
— Mamãe vai, mas volta, está bem? — ela falava para as meninas.
— Vamos, meu amor. — Segurei em seu ombro enquanto saíamos da
UTI neonatal, passamos pelo quarto e pegamos suas coisas, ela se trocou e
fomos para a sala de alta, ela assinou os papéis que precisava, e caminhamos
rumo ao estacionamento. David nos esperava, ele abriu a porta para ela, e a
ajudei a se acomodar, entrei logo em seguida. O carro começou a andar, e
percebi que ela estava muito calada, observando-a, vi que lágrimas desciam
por seu rosto, Katherine estava chorando em silêncio, talvez eu, como homem,
não entenda o que ela sente, mas tenho certeza de que ela chora porque deixou
nossas filhas no hospital. Peguei meu celular e filmei suas lágrimas caírem
pelo seu rosto, ela estava tão absorta em seus pensamentos que nem percebeu.
Eu estou fazendo vários vídeos pequenos de nossa rotina diária no hospital
com as meninas e, quando elas receberem alta, vou juntar todos e salvar em
um DVD para, no futuro, elas poderem assistir.
— Chegamos, amor! — falei, tocando na Katherine.
— O quê?
— Chegamos!
— Ah, ok! — Ajudei-a a descer do carro e pegamos o elevador para o
nosso apartamento. Entramos e levei-a até o quarto.
— Se quiser tomar banho, posso pedir para a Ana preparar um
quentinho para você — falei, olhando-a.
— Sim, seria bom — Katherine respondeu olhando ao redor como se
estivesse perdida. Abracei-a por trás.
— Ei, não se preocupe, elas estão sendo bem cuidadas.
— Eu sei, eu só… queria elas em casa também, comigo.
— Eu sei, minha vida, pense que logo elas estarão aqui. Vai passar
rápido, eu prometo.

17º dia
Hoje as pequenas estão sendo promovidas para seu novo quarto, a UTI
2, e, a partir de agora, poderão receber visitas, Alice e Amanda estão
enchendo meu saco para poder conhecer as meninas, elas já viram por foto,
mas querem ver de perto.

18º dia
Ontem consegui pegá-las no colo pela primeira vez, o que precisou de
muita logística da minha parte, enfim eu consegui estar presente para esse
momento do colo, já que tem hora marcada. Fiquei tenso, pois é muita força
para corpos tão pequenos e frágeis, no futuro, quando precisar banhá-las, eu
terei medo, com certeza, elas são frágeis demais. Enquanto as segurava, uma
delas me olhou, e eu me senti um homem maravilhado, vendo os olhos da
minha filha pela primeira vez, agora, sim, eu me considero um pai de verdade.
Cantei para elas até dormirem. Depois do progresso de ontem, sou um homem
renovado, um homem novo. Agora, um pai de verdade. Ah, e eu nem contei,
estou escrevendo um pequeno diário de nossos dias, além de, é claro, filmar
tudo o que posso para compor esse registro.

Kate
Receber alta sem levar minhas filhas para casa foi como receber um
soco no estômago. Por mais que a minha mente soubesse que elas
necessitavam de cuidados especiais e, por isso, precisam ficar no hospital, o
meu coração de mãe não entendia e queria elas em seus berços, no quarto que
foi preparado carinhosamente para elas. Eu chorei calada enquanto ia para
casa depois de receber alta. Meu coração estava partido, e eu sentia-me
inteiramente responsável por isso, era culpa minha e de mais ninguém.
Faz nove dias em casa sem elas, indo e voltando para hospital, o
trajeto demora cerca de uma hora de carro, uma vez que elas ainda estão nos
Hamptons, mas a vantagem é que agora elas têm uma UTI só delas, ou seja, um
quarto lindo, todo decorado, que arrumamos para elas lá no hospital. Hoje é
dia de visita, Ana e Joseph querem conhecer as netas, e eu estou me
preparando para ir vê-las.
— Você está pronta? — Nathan perguntou da porta do quarto, virei-me
animada.
— Sim estou pronta. — Peguei minha bolsa e saímos do apartamento.
— Meu pai está muito ansioso para conhecê-las, diz que a Alice não
para de falar nelas e que através de foto do celular não é a mesma coisa.
— Eu sei, eu também fico na expectativa de que o dia inicie novamente
para poder voltar a vê-las. — Sim, eu andava só pensando nelas.
Chegamos ao hospital, encontrei com Ana e Joseph na sala de espera.
— Como estão? — perguntei.
— Bem ansiosos para conhecê-las.
— Como sabem, por serem pequenas, poderão ficar no máximo uma
hora, mas acredito que dá para ter um gostinho do que é estar com elas o dia
todo — falei olhando para eles enquanto andávamos rumo ao quarto das
meninas, na porta estava escrito o nome delas e, logo abaixo, UTI neonatal.
— Bom dia! — Nathan falou ao abrir a porta e encontrar a enfermeira
segurando a Valentina para pesá-la.
— Como foi a noite delas? — perguntei.
— Maravilhosa, mamãe. Não houve quedinhas, está tudo perfeito. —
Quando ouço sobre não ter as quedinhas, seguidas de “foi tudo perfeito”, eu só
posso ser grata e agradecer a Deus, o que quer dizer que a temperatura
corporal não baixou e logo elas não precisarão ficar a todo o tempo na
incubadora, me aproximei das meninas e sorri.
— Oi, meus amores, mamãe voltou, e hoje vocês têm visitas, duas
pessoas que querem muito conhecê-las, o vovô Joseph e a vovó Ana. —
Chamei-os para perto com a mão, e vi se aproximarem. — Essa é Vitória e
essa é Valentina. — Eles sorriram, olhando-as.
— São tão pequenas quanto as nossas, Joseph — Ana comentou.
— Sim, verdade. Alice e Amanda, quando nasceram, eram pequenas
também — Joseph disse admirando as netas. — Elas são lindas, parabéns,
filho. — Se aproximou e abraçou o Nathan.
— Elas são realmente lindas, pai, e supercomportadas, segundo a
pediatra, elas só dormem e comem. Assim, ganham peso rápido — Nathan
falou todo orgulhoso das filhas.
— Elas são perfeitas, Katherine, parabéns. Fico muito feliz de saber
que logo elas estarão em casa e irei lá todos dias para ajudá-la no que
precisar.
— Não tem que se preocupar, Ana. Tenho a outra Ana também para
ajudar — falei.
— Ah, sim, mas eu estarei lá de qualquer forma, não perderei os
primeiros dias delas em casa por nada, será como estar com as minhas no colo
novamente. O tempo passa tão rápido, logo elas estarão paquerando os
meninos mais bonitos da escola, indo para a faculdade.
— De jeito nenhum, para isso, terão que pedir permissão. E eu
pensarei muito sobre quando elas poderão namorar, talvez depois dos 30. —
Todos rimos do que o Nathan disse.
— Seu bobo, quando elas tiverem 30 anos, nós já estaremos tão velhos
que nem ligaremos mais para o que fazem.
— Você quer dizer: eu estarei, porque você ainda será uma mocinha —
Nathan respondeu, sorrindo.
— Se você diz. — E assim seguiu a visita dos avós a nossas pequenas,
nossas preciosidades.

Nathan
27º dia
Uma coisa que ajuda muito aos pais de bebês prematuros, sejam eles
de primeira viagem como eu, ou aqueles experientes, que já tem outros filhos,
é buscar e pesquisar sites que falem ou tenham relatos de outros pais que
passaram pela mesma coisa, isso ajuda a fortalecer internamente. Além de
conter outras informações pertinentes, como vacinação, amamentação e muito
mais.

31º dia
Hoje é o mesversário das gêmeas. Cheguei ao hospital e elas já
estavam acordadas, agora pesando cerca de 1.600kg cada uma, estavam
animadas, as perninhas no ar balançando ao som de Mozart, deixei um pen
drive com a enfermeira para que elas escutassem no quarto, à noite e o dia
todo, a coleção que montei das melhores músicas só para elas. Do pai elas
ganharam de presente o colo acolhedor e quentinho logo pela manhã. Da
mamãe elas ganharão acesso direto ao produtor de leite, o pediatra liberou. E
a melhor notícia, segundo o pediatra: com a evolução que elas estão tento, sem
nenhuma intercorrência ou quedinha, ele acredita que não irá demorar mais
que 10 ou 20 dias para que elas possam ir para casa.
Eu estou contando os minutos, que dirá a Katherine, está tão feliz que
até esqueceu que tinha consulta com a Dra. Veneci hoje. Vamos ter que
remarcar, ela provavelmente dará alta, o resguardo acabou, eu acho. E espero
que sim, pois não vejo a hora de tê-la em meus braços novamente. Nesta
mesma noite o laudo da morte da Helena saiu, e foi overdose acidental, ela
usou cocaína e outras drogas sintéticas. Claro, nem comentei com a Katherine,
assim não a faria sofrer mais ainda.
Capítulo 23
Kate
Estou tão animada, logo terei minhas meninas em casa, em mais ou
menos 20 dias, torço para que tudo corra bem, assim, poderemos ir para casa
sem nenhum problema. Fiquei tão feliz que perdi a hora, não fui nem para a
visita de rotina a Dra. Veneci, acredito que hoje ela me liberaria de vez, pois
acabou o resguardo.
— Boa tarde, a Dra. Veneci, por favor. — Liguei para o consultório.
— Um momento, quem gostaria? — perguntou a secretária.
— Diga que é Katherine Watson.
— Só um momento. — Ouvi um clique e a ligação ficou muda.
— Olá, querida, esqueceu da nossa consulta? — A voz da Dra. Veneci
se fez presente na linha.
— Realmente esqueci, conversei com o pediatra das gêmeas, elas
foram promovidas para a UTI 2 e estão ganhando peso, graças a Deus, ele deu
um prazo de até 20 dias para elas saírem e as levarmos para casa.
— Isso é ótimo, Katherine. Mas, então, sobre nossa consulta, queria
refazer alguns exames de sangue para vermos como andam suas plaquetas,
coisas de rotina, se puder vir amanhã às 7:30, será ótimo.
— Tudo bem, eu irei e não vou esquecer dessa vez — falei, olhando
para as meninas na incubadora.
— Sem problemas, aguardo você. — E ela desligou.
Fiquei ali o restante do dia, até Nathan me buscar para irmos para o
apartamento, eu estava preocupada com as meninas, mas também estava de
olho no comportamento do meu noivo, ele parecia muito calado, pouco
conversava comigo e retirava-se do quarto quando eu ficava nua, mas hoje,
independente da Dra. Veneci ter me liberado do resguardo ou não, eu vou
pegá-lo. Não aguento mais!
Entramos em casa, coloquei meu casaco no armário ao lado da porta, e
ele também.
— Vou tomar banho! — ele disse enquanto ia para o quarto.
— Certo! — respondi. Passei na cozinha e retirei do forno a carne que
a Ana deixou preparada para nossa refeição e levei para a sala de jantar,
voltei à cozinha, peguei a salada, o arroz e coloquei na mesa já semipronta.
Amo quando a Ana deixa tudo assim. O vinho estava na porta da geladeira,
tirei-o e deixei no balcão, ia tomar um banho rápido no banheiro do quarto de
hóspedes. E foi o que fiz, tomei um bom banho para ficar cheirosa, amarrei
meus cabelos em um coque e, apenas vestida com um roupão, voltei à cozinha
para pegar o vinho e duas taças, estava entrando na sala de jantar quando
Nathan apareceu.
— Não estou com fome — ele disse.
— Tem certeza? A Ana preparou tudo com o maior gosto, não faça essa
desfeita e me acompanhe — falei enquanto nos servia uma taça de vinho, eu
havia retirado leite para as meninas no hospital, então não teria que me
preocupar com isso amanhã, poderia beber sem medo essa noite.
Nathan pegou uma taça e sentou-se à mesa. Andei até o aparador da
sala de jantar e apertei o botão do controle do som, uma música do velho
grupo N’SYNC começou, eu podia ser nova, mas eu amava essas músicas
antigas, me faziam pensar no Nathan sempre, em como eu amo esse homem, em
como eu faria qualquer coisa por ele. Observei ele sorrir diante da música que
começou a tocar, sentei ao seu lado e comemos em silêncio.
— Vou pegar a sobremesa — falei sorrindo quando notei que ele havia
terminado e segui para a cozinha. Tirei o roupão e peguei o chocolate
derretido no micro-ondas. Andei até a porta que dividia a cozinha da sala de
jantar nua, com o pote de chocolate derretido nas mãos. — Tem chocolate,
você quer? — Nathan que estava com a cabeça baixa olhando celular levantou
e me olhou, eu passei um dedo no chocolate e levei à boca, alguns fios de
chocolate caíram em meus seios.
— Katherine... — Seus olhos me contemplavam dos pés à cabeça,
aquele olhar de desejo que só eu conhecia. — Isso é… mais do que eu posso
suportar. Você ainda está de resguardo.
— Teoricamente… — eu disse rindo e me lambuzando com o
chocolate. — Você pode vir aqui e comer chocolate comigo.
— Se eu me levantar daqui, não comerei o chocolate, e sim você. E
comerei muito, pode ter certeza disso.
— Isso é uma ameaça? — perguntei maliciosa.
— Sim, é.
— Então, venha e me coma! — Tentei ser o mais provocante possível,
se é que eu sei fazer isso com um homem. Nathan levantou da mesa, e eu pude
ver o volume enorme em sua calça de moletom. Ele estava excitado, muito,
por sinal, não tive tempo de pensar quando ele me agarrou, o beijo foi de tirar
o fôlego, a sua boca deixou a minha apenas para lamber o chocolate dos meus
seios. Minha boceta doía em antecipação, pedindo atenção. Sua boca veio
sobre a minha novamente e mordeu meu lábio inferior.
— Você é uma diaba. — Soltei uma gargalhada quando ele me pegou e
colocou-me sobre seu ombro. — Vou comer você de todas as formas
possíveis, tenha certeza disso, Katherine, e foda-se o resguardo.
— Adorooooo! — gritei quando fui jogada na cama, o vi se livrar da
camiseta e a calça moletom e vir para cama como um leopardo em busca de
sua presa, lentamente. Ele puxou minha perna para me deixar na beirada da
cama e sua boca caiu sobre minha boceta, sugando-a e causando arrepios pelo
meu corpo. — Oh, meu Deus!
— Eu vou fazer você gritar! — ele disse antes de entrar em mim com
uma única estocada. Deus, eu havia esquecido em como ele é grande e grosso,
porra, minha boceta não estava pronta para tanto, sim, ela estava, mas não para
um tão grosso e grande pau. Eu podia sentir as paredes da minha boceta se
contraírem em volta do pau dele. — Eu li que, após o parto, elas ficam mais
largas. Mas, porra, se isso for larga, eu não quero saber como é ter uma
virgem de novo. Caralho, você está agarrada ao meu pau como um punho
fechado, me ordenhando.
— Apenas foda-me — pedi, e ele me atendeu, movimentando-se sobre
mim, meus olhos nos dele enquanto ele fazia sua mágica em meu corpo. Os
lábios e mãos por toda parte. Seu pau batendo fundo dentro de mim, quando o
primeiro orgasmo veio com tudo, eu gritei. — Porra! — Eu não tinha a boca
tão suja, mas eu estive lendo alguns livros eróticos durante o resguardo e eu só
posso dizer que, porra, os caras dos livros não chegavam aos pés do homem
que eu tinha em cima de mim agora.
— Eu vou gozar, meu amor — ele falou enquanto se derramava dentro
de mim e continuou bombando forte. Minhas mãos em suas costas arranhando-
o, após o seu gozo, ele me colocou sobre ele ainda com seu pau dentro de
mim, e eu não queria parar, continuei me mexendo, agora cavalgando-o. —
Caralho, eu vou gozar de novo — Nathan disse quase em um sussurro no
instante em que eu senti ele me encher de novo.
— Venha mais uma vez — eu convidei sorrindo, continuava rebolando
em cima dele, porque eu queria mais, eu gozei novamente enquanto ele
estimulava meu clitóris.
— Nathan… mais! — eu pedi, ele segurou meu quadril e começou a
bombar para cima, logo eu estava me desfazendo em mais um orgasmo, ele
gozava mais uma vez e, essa última, parecia não ter fim. Deitei em seu peito
sorrindo, com os olhos pesando pelo sono. Seu pau ainda pulsava dentro de
mim, eu fechei os olhos brevemente, só por uns segundos.
— Meu amor, acorda! Você precisa tomar a pílula do dia seguinte ou
nós teremos novos bebês em alguns meses, porque, porra, foi muito e você
está bem cheia.
— Eu estou bem cheia — disse meio grogue pelo sono.
— Vou ligar para o David, já volto. — Ele saiu debaixo de mim e eu
me agarrei ao seu travesseiro e apenas adormeci.

Nathan
Porra, caralho, foram três gozadas, eu me descontrolei, a ataquei em
pleno resguardo, tenho que comprar os comprimidos antes que ela fique
grávida de novo, e acho que dessa vez serão uns seis. Eu ri da minha própria
idiotice, vesti minha calça de moletom enquanto a via dormir na cama, nua.
Peguei o celular e disquei para David.
— Pronto! — Ele atendeu.
— David, busque para mim uma caixinha de comprimidos na farmácia,
essa caixa é conhecida como pílula do dia seguinte, por favor.
— Ok! Já levo ao apartamento.
— Obrigado! — Desliguei e sentei no sofá para esperar David chegar,
a porta da frente se abriu e o vi entrar.
— Aqui, trouxe duas, para o caso de precisar de mais — ele disse
rindo. É claro que ele sabia para o que servia. — Boa noite! — Ele se retirou.
— Obrigado! — falei para o ar, pois ele sumiu, e eu nem percebi,
passei na cozinha e vi o roupão na cadeira do balcão e o coloquei sobre o
ombro, peguei um copo de água e levei para a Kate. — Amor, o comprimido.
— Hum… — ela respondeu grogue, mas levantou, pegou o copo e o
comprimido, tomou e deitou novamente.
— Hum, ok! — Deixei o copo no criado-mudo, o roupão no banheiro e
voltei para cama, abracei o corpo nu da minha mulher, e o cansaço me venceu.
Capítulo 24
Kate
Acordei revigorada depois de uma noite maravilhosa de sono, passei a
mão pela cama e Nathan não estava mais lá, virei para conferir a hora no
relógio, ainda eram cinco horas da manhã, e eu ainda tinha duas horas para me
vestir e chegar no consultório da Dra. Veneci. O barulho do chuveiro chamou
minha atenção, Nathan tomava banho, minutos depois, ele saiu do banheiro
com uma toalha na cintura e enxugando seu lindo cabelo com outra. Deus,
como ele é lindo! Eu tenho uma sorte enorme, nasci com a bunda virada para a
lua, com certeza.
— Bom dia, princesa! — ele disse bem-humorado vendo que eu estava
acordada.
— Bom dia, príncipe! — Sorri respondendo, sentei na cama e deixei
cair o lençol mostrando meus seios.
— Você sabe... se continuar com essa exibição, serão mais três
rodadas como ontem — Nathan disse me olhando.
— Não posso, hoje tenho consulta com a Dra. Veneci.
— Então, banho e vestir-se — ele falou e entrou no closet, pulei da
cama e fui para o banheiro, tomei um banho rápido e o encontrei no closet
terminando de colocar a gravata.
— Deixe que eu o ajudo. — Arrumei o nó da gravata e, ficando na
ponta dos pés, dei um beijo em seus lábios. — Vou me vestir. — Virei para
abrir uma gaveta e pegar uma lingerie. Senti suas mãos agarrarem minha
cintura, voltando-me para ele, ele levantou-me e sentou-me em meio as minhas
roupas.
— Uma rapidinha, porque eu não posso resistir — ele disse antes de
entrar em mim com tudo. Porra! Eu não podia esperar pela invasão, doeu. Eu
só pude gemer, sua boca baixou sobre a minha e senti que ele havia parado de
se mexer. — Desculpe, eu machuquei você?
— Um pouco... mas nada que...
— Desculpe! — ele disse me enchendo de beijos, sua mão passou
entre nós, alcançando meu clitóris, estimulando-o, sua boca sugava meus
lábios e língua, e eu só podia corresponder, porque ele sabia como tocar e
como me deixar molhada em minutos. Sua boca deixou a minha, e ele se
abaixou, e então veio a primeira lambida em minha boceta, e eu me derreti,
gemendo seu nome.
— Nathan...
Sua boca fazia magia em meu ponto mais sensível, atingiu-me
fortemente, meu corpo inteiro tremeu com o orgasmo, ele, então, voltou a
posicionar-se em minha entrada e entrou devagar.
— Desculpe, meu amor — ele pediu novamente, e eu, segurando seu
rosto, beijei sua boca.
— Está tudo bem... — Beijei-o enquanto investia profundamente em
mim, agarrei seu quadril com minhas pernas e suas mãos fixaram em minha
bunda, me puxando de encontro a ele. As sensações do meu corpo, a cada vez
que ele entrava e saía de mim, eram indescritíveis, eu estava em outra
dimensão, gozando novamente, forte, enquanto ele me enchia com seu gozo e
chamava meu nome.
Trinta minutos depois e após um novo banho, estávamos tomando café,
Ana preparou um desjejum para nós, não comi, pois precisava fazer exames de
sangue, mas Nathan saboreou e até esqueceu de ler o jornal do dia. Comemos
rapidamente e saímos rumo ao carro.
— Vou deixá-la na clínica da Dra. Veneci e depois vou para o trabalho,
David voltará para pegá-la e levá-la ao hospital — ele disse enquanto
entravamos no carro.
— Tudo bem.
Minutos mais tarde, o carro parou em frente à clínica, e dei um beijo
em Nathan e desci do carro.
— Vejo você mais tarde. — Ele baixou o vidro enquanto falava.
— Até! — respondi e dei as costas para entrar na clínica. — Bom dia!
— Bom dia, Sra. Watson, a Dra. Veneci está lhe esperando — a
secretária informou, assenti e bati à porta.
— Entre! — Entrei e fechei a porta. — Bom Dia, Katherine.
— Bom dia, Cecília! — Sorri, sentando-me.
— Veio em jejum?
— Sim — respondi.
— Ótimo, vamos dar início aos exames de sangue para ver se suas
plaquetas voltaram ao normal. E faremos outros exames de rotina.
— Tudo bem.
— Acompanhe-me. — Saímos da sala dela e caminhamos por um
corredor, entramos em outra sala e uma auxiliar de enfermagem nos aguardava.
— Sente-se, ela irá coletar seu sangue e já enviará para o laboratório, em mais
ou menos uma hora, os primeiros exames devem estar prontos, os demais, só
depois de 10 dias.
— Tudo bem. — Sentei e coloquei o braço sobre um suspensório de
metal, foi colocado uma liga em meu braço e logo eu senti a agulha, virei o
rosto para o outro lado, eu odeio agulhas. Foi rápido, ela coletou cerca de
nove frascos de sangue e me deu um lanche para comer após isso. Minha
pressão foi aferida, e meu coração auscultado. Voltei para a sala da Dra.
Veneci.
— Troque de roupa, deite-se na maca e coloque os pés aqui. —
Cecília instruiu, e eu acatei. — Vamos fazer uma transvaginal para ver como
está seu útero.
— Er... eu tenho algo a dizer antes.
— Você transou, não foi? — Como ela sabia? Ouvi sua risada. — Não
se preocupe, todas as minhas pacientes o fazem antes de receber a alta, elas
não aguentam. É perfeitamente normal, você usou camisinha?
— Er... não, eu tomei a pílula do dia seguinte — respondi.
— Eu recomendo o uso de camisinha pelos próximos 15 dias, não tome
a pílula novamente, ela poderá alterar seus hormônios. Vamos ao exame. —
Ela colocou uma camisinha e derramou gel em um objeto parecido com um
pênis e introduziu em mim, eu senti um breve desconforto. — Sua menstruação
deve descer em um ou dois dias, o seu útero aparentemente está voltando ao
tamanho normal e tem a espessura normal. Aconselho a começar a tomar o
anticoncepcional hoje, uma vez que pode menstruar hoje no fim do dia ou
amanhã. Se preferir, pode tomar injetável.
— Eu não gosto muito de agulhas, mas o injetável pode me ajudar a
não esquecer as pequenas pílulas — constatei.
— Sim, acredito que seja o melhor, suas meninas devem estar em casa
em alguns dias, e você pode acabar esquecendo com a correria que terá com
elas lá. — Dra. Veneci comentou enquanto terminava o exame e retirava as
luvas. — Pode ir se trocar. — Levantei e fui me trocar, quando sentava na
cadeira em frente a médica, ouvi uma batida à porta.
— Os exames ficaram prontos, Dra. — Era uma das auxiliares da
clínica.
— Obrigada, Rebecca. — Vi a médica pegar os exames e levar à
mesa, abrindo-os. Ela os leu e sorriu. — Bom, pelo o que tudo indica, a
questão da pré-eclâmpsia e síndrome HELLP foi apenas um episódio da
gravidez, suas plaquetas estão normais, com cerca de 200 mil, é um número
ótimo, mas vamos monitorar sua pressão, uma vez que ainda está alta, vou
prescrever um remédio para a pressão, tome um por dia e, em caso de dores
de cabeça, tome um Advil. Ah, e já estou receitando o anticoncepcional
injetável, passe em uma farmácia e, se possível, já tome. — Vi a médica
escrever no receituário e me entregar a receita. — Fora isso, você está de alta
para namorar, só, por favor, use camisinha pelo resto do mês, até a próxima
menstruação, para que não corra o risco de ter um novo bebê a caminho, tudo
bem?
— Sim, obrigada. — Sorri e deixei a sala. Saí do prédio da clínica,
David me esperava lá fora, assim que me viu, abriu a porta.
— David.
— Srta. Watson. — Nos cumprimentamos rapidamente, e eu entrei no
carro.
Seguimos para o hospital.
— David, passe em uma farmácia, por favor, preciso comprar alguns
remédios — pedi.
— Sim, senhora. — Minutos depois, eu já estava comprando os
remédios prescritos e tomando minha injeção. E, posteriormente, seguimos
para o hospital, eu precisava ver minhas meninas.

Nathan
41º dia
Hoje, Valentina e Vitória bateram o recorde diário de peso, foram 40g
a mais que ontem, elas chegam ao 2.0, Valentina com 2.018 kg e Vitória com
2.050 kg, a notícia maior é que agora elas sairão da incubadora e ficarão no
berço e, além disso, estão mamando no seio da Katherine com vontade,
aprenderam nos últimos dez dias, foi difícil, mas conseguiram. Torço para que
elas consigam manter a temperatura fora da incubadora e continuem a mamar
com tudo, logo mais estaremos longe do hospital, em casa.

43º dia
Minhas princesas só ganham peso, Katherine está tão feliz, em breve
poderá levá-las para casa. Hoje, assisti a aplicação das duas primeiras
vacinas, cada uma delas recebeu uma vacina na coxa e uma BCG no bracinho
pequeno. Foi um choro só, e eu tive que segurá-las, pois a Katherine disse não
ter capacidade para isso, imagino como será nas próximas vacinas.
Capítulo 25
Nathan
60º dia
É hoje, porra!!! Elas finalmente receberão alta, Valentina está pesando
2.340 kg e medindo 48 cm, Vitória pesa 2.270 kg e mede 45 cm, é uma
diferença bem pequena, e elas são idênticas, já até imagino como elas irão
pregar peças em mim e na mãe usando essa semelhança. Katherine está
radiante, precisei comprar um novo carro para nos adaptarmos a elas, um
Brabus Viano da Mercedes Benz, Kate ainda não viu, mas tenho certeza de
que ela vai achar um exagero, é uma minivan. Mas não tem problema, o
importante é minhas princesas estarem confortáveis, isso é o que importa.
Cheguei às 15h para pegá-las, David me ajudou com os dois bebês-conforto, e
entramos no hospital. Fui direto para o quarto das minhas princesas.
— Papai chegou! — falei assim que abri a porta. Kate estava com uma
no colo, e a enfermeira terminava de vestir a outra.
— Oi, meu amor!
— Trouxe os bebês-conforto para colocá-las — falei, mostrando,
coloquei um bebê conforto sobre a cama do quarto e o outro, na poltrona.
— Obrigada, meu amor! — Kate agradeceu enquanto me dava um
selinho, ela andou até a poltrona e acomodou delicadamente a Valentina no
bebê conforto e afivelou o cinto para fixá-la. A enfermeira colocou a Vitória
no outro. — Você precisa assinar a alta delas, Nathan. — Katherine disse
apontando o papel sobre a cama.
— Ok! — Aproximei-me e assinei. — Podemos ir?
— Acredito que sim, já peguei tudo.
— David, por favor, pegue as malas das meninas — pedi, e David
prontamente pegou as malas. Saímos do hospital rumo ao estacionamento, eu
ainda estava com certo receio de tirá-las de lá por conta da poluição e
contaminação que pode afetá-las facilmente.
David parou próximo ao carro e abriu a porta, Katherine que andava
ao meu lado parou.
— Mas... o quê?
— Eu tive que comprar, a família cresceu.
— Mas é um exagero. — Ela se aproximou, entregando uma das
meninas para David, que acomodou o bebê conforto em um dos bancos.
— Eu imaginei que você fosse dizer que é um exagero — falei
acomodando a outra no banco ao lado e, depois, sentando em frente a elas. —
É prático e temos até um pequeno micro-ondas para esquentar alguma coisa
para as meninas.
— É uma van, não precisávamos de uma van. — Katherine entrou e
sentou-se. — Você é tão exagerado.
— Eu prezo pela segurança. De todos nós! — falei, David fechou a
porta e, segundo depois, o carro já estava andando.

Kate
Nathan é sempre tão exagerado, para que um carro desse tamanho e
toda essa estrutura, o carro novo nada mais é que uma van na cor preta, o
estofado é todo em couro bege, há inclusive uma TV integrada ao vidro
traseiro.
— Eu sei...
— Estou um pouco ansioso por tê-las em casa, será uma experiência
nova, eu não perco por nada.
— Quero ouvir você dizer isso daqui a algumas semanas — falei,
rindo, já pensando nas noites mal dormidas que teremos.
— Você ouvirá, pode ter certeza disso. — Eu sorri, olhando-o, tirei a
sorte grande.
O carro parou e logo a porta foi aberta, eu desci do carro e peguei
Valentina, Nathan me seguiu com Vitória, e David carregava as malas. Agora
tínhamos nossas preciosidades em casa, entramos no elevador com Nathan
sorrindo de orelha a orelha, assim que entramos em casa, havia uma faixa de
bem-vindas, Valentina e Vitória, na sala de estar, a família estava reunida para
receber nossas meninas.
— Finalmente, estava cansada de esperar! — Amanda chegou perto já
tirando Valentina do bebê conforto e levando-a para os outros olharem, nem
tive tempo de falar nada.
— Chegaram, hein, pensei que não vinham mais. — Alice falou
enquanto me dava um abraço. Nathan já estava com Vitória no colo, babando
por ela.
— As minhas netas mais lindas do mundo chegaram — Ana, mãe do
Nathan, falou sorrindo enquanto me cumprimentava. — E você, está bem?
— Sim, estou ótima. Obrigada pela recepção.
— Não tem que agradecer, foi de última hora, mas o importante é que
estamos todos juntos, e eu vou poder babar muito por elas — ela disse, já indo
de encontro ao Nathan para roubar a neta do colo do filho. E foi o que ela fez,
pegou Vitória e levou para perto de Joseph, que estava sentado em um dos
sofás, Nathan se aproximou.
— Eu tenho uma família que ama uma festa — ele afirmou alegre,
colocando sua mão em minha cintura.
— Percebi.
— Não fique brava, elas não ficarão doentes, falei para minha mãe não
deixar ninguém doente chegar perto delas, e ela checou todos antes de deixar
entrarem. — Nathan sorriu, me olhando nos olhos. — Quanto a nós, vamos ali
no quarto enquanto as atenções estão voltadas para as gêmeas.
— Seu pervertido... — Ele me puxou, e eu corri, acompanhando-o,
acredito que ninguém tenha nos visto sair, uma vez que toda a atenção estava
nas meninas.
Entramos no quarto, e ele foi logo arrancando a minha roupa, e eu a
sua, a camisa que ele usava foi parar em algum lugar e o meu vestido foi para
o chão, a calcinha sumiu em algum momento, antes de eu cair sobre a cama, e
ele vir para cima de mim.
— Somos dois pervertidos — ele disse enquanto passava a língua pela
minha orelha.
— Somos... — sussurrei. — Completamente loucos...
— Eu sou completamente louco por você... — Senti seu pau encher
minha boceta, o gemido foi involuntário, saiu sem eu perceber, porque, Deus,
ele tem toda essa pegada que eu nem sei explicar, mas que me deixa molhada.
Suas estocadas me deixavam zonza de tesão, suas mãos passeavam pela minha
coxa, fui levantada, ele virou comigo em seu colo e deitou, eu caí sentada em
seu pau. — Rebole em mim, baby.
— Oh... — estremeci sentindo-o se contrair dentro da minha boceta,
balancei em seu pau para frente e para trás, apoiando minhas mãos em seu
peito. — Eu... vou...
— Eu sei que vai, gatinha. — Fazia muito tempo que não ouvia ele me
chamar assim, sua mão desceu em meu clitóris e fez uma maravilha em mim,
circulando e pressionando na medida certa. E, porra, eu gozei gostoso em seu
pau, gemendo como uma louca, mesmo com a casa cheia de pessoas.
Nathan agarrou meu cabelo e puxou-me de encontro a ele, seus lábios
pegaram o meu, seu outro braço me prendeu junto a seu corpo, senti ele
levantar o quadril várias vezes, o barulho de nossos corpos batendo um contra
o outro era afrodisíaco para mim, seu pau batia bem no fundo, e eu gozei
novamente com isso.
— Porra, eu vou gozar e vou encher você todinha com meu gozo — ele
falou antes de encher minha boceta de porra. Deixamos a camisinha de lado há
dois dias, não que já tivesse passado o primeiro mês do anticoncepcional, mas
é porque, bem, camisinha é um saco.
Eu sorria ofegante enquanto beijava os lábios dele, Nathan nos virou e
ficou em cima de mim.
— Eu amo tanto você que às vezes chega a doer.
— Eu também amo muito você.
— Precisamos casar. — Ele disse sorrindo.
— Isso é um pedido? — perguntei, olhando-o.
— Talvez, mas só se você aceitar. — Ele sorriu, saindo de dentro de
mim. — Eu também poderia fazer formalmente se quiser.
— Eu quero o pedido formal, então — falei fazendo biquinho. — Você
sabe, do tipo que fica de joelhos e pede a namorada em casamento e tal.
— Ah, certo, tudo bem então, você terá seu pedido. — Ele sorriu e
caminhou para o banheiro.
Levantei da cama e entrei no banheiro, compartilhamos o box e
tomamos um banho rápido, sai envolta em um roupão e ele, na toalha, Nathan
entrou no closet e voltou já vestido com uma calça jeans justa e uma camisa
azul. Trouxe consigo um vestido floral para mim, me deu a calcinha, e eu me
arrumei. Entrei no closet apenas para pegar uma sandália, precisava ficar
bonita, já que todos estavam na sala de casa dando uma pequena festa, fiz uma
maquiagem leve e prendi o cabelo.
— Vamos, estão nos esperando — Nathan falou da porta.
— Vamos! — Passei por ele e o acompanhei, entramos na sala
contentes.
— Aí está o casal — Amanda falou, rindo. — Não precisam falar
nada.
— Amanda, por favor! — Nathan a repreendeu, e eu, bem, fiquei
vermelha como um pimentão, sentindo meu rosto queimar de vergonha.
— O jantar será servido — a mãe de Nathan anunciou, e eu, feliz, fui
olhar minhas meninas enquanto todos sentavam à mesa. Uma moça de branco,
de mais ou menos uns trinta anos, se aproximou.
— Boa noite, Sra. King, sou a babá, chamo-me Eva. — Ela estendeu a
mão educadamente, cumprimentei-a. — Vou assumi-las a partir de agora, pode
ir comer. Aviso quando estiverem com fome. — Nathan contratou uma babá e
não me falou nada.
— Tudo bem. Só... cuidado, por favor!
— Não se preocupe! — Não me preocupar, são minhas filhas e
acabaram de sair do hospital, você acha que não vou me preocupar, até
parece. Andei até a mesa e sentei ao lado do Nathan.
O jantar transcorreu bem, fiquei de olho na nova babá, comia
observando o que ela estava fazia, eu precisava ficar de olho nela, não a
conheço e tenho receio de que algo ruim aconteça com as minhas filhas. Um
tintilar de uma taça chamou minha atenção e vi Nathan em pé.
— Eu quero fazer um brinde. — Ele elevou a taça que tinha em sua
mão.
— Ahhh... — o coro em volta da mesa foi ouvido.
— Eu quero agradecer a minha doce e amada Katherine pela paciência
em estar ao meu lado e por me dar duas belas meninas e brindar à vida delas.
E claro... — ele sorriu, me olhando, colocou a taça na mesa, sua mãe foi ao
bolso e retirou algo, e então se abaixou meio de joelhos à minha frente.
— Oh, meu Deus! — Amanda se fez ouvir.
— Quero pedi-la em casamento oficialmente. Katherine, passe o resto
da sua vida comigo, você aceita se casar comigo? — Nathan disse, abrindo a
caixinha em suas mãos, e o que diabos eu poderia dizer? É claro que sim.
Meus olhos encheram-se de lágrimas, era o meu pedido formal.
— Sim! — falei enquanto ele se levantava e me levava para um abraço
e muitos beijos. — Sim! — respondi mais uma vez, sentindo as lágrimas
descerem por meu rosto.
— Uhul! Agora vai! — Alice disse, rindo. — Um brinde aos noivos!
— E todos bateram palmas.
— Ah, e só para avisar, o casamento é daqui a uma semana! —
Amanda disse, e eu arregalei os olhos encarando o Nathan.
— Ela está falando sério? — Ele sorriu, assentindo.
— Oh, meu Deus! — Eu não sabia o que dizer, e Nathan me salvou,
roubando um beijo de tirar o meu fôlego.
— Em uma semana, você será minha para todo o sempre! — ele
sussurrou em meu ouvido e meu coração explodiu em felicidade.
Capítulo 26
Kate
Depois que todos foram embora, apenas a babá ficou. Eu estava tão
feliz com o pedido de casamento e tudo o que isso envolvia. Em uma semana,
eu seria a Sra. King.
— Pode ir, eu assumo a partir de agora — falei para a babá.
— Ok! — Ela saiu meio cabisbaixa, será que ela notou que não fui
com a cara dela? Ah, vai saber. Peguei Vitória no colo e chamei o Nathan.
— Nathan... — chamei-o, assim que o vi no corredor. — Pegue a
Valentina para mim, por favor!
— Aonde foi a babá que contratei? — ele questionou.
— Eu a dispensei, não vi a necessidade de uma agora — respondi
dando de ombros.
— Tudo bem, se você acha.
— Vamos levá-las para o quarto. — O quarto foi todo preparado para
recebê-las enquanto estavam no hospital. Andamos pelo corredor até o quarto
delas, Nathan trazia Valentina no colo e a admirava dormindo, entramos no
quarto e coloquei, cuidadosamente, no berço, a pequena Vitória enquanto
Nathan fazia o mesmo com Valentina. Ele veio e me abraçou por trás.
— Elas são tão lindas, Kate.
— Sim, realmente são. E são a cara do pai, cabelos escuros e os olhos
azuis como o céu.
— Os olhos podem ser seus também, afinal, você tem os olhos mais
lindos que já vi em toda a minha vida. — Senti seus lábios em minha
bochecha. — Eu sou um homem realizado por ter vocês três em minha vida,
um homem completamente realizado. — Virei-me, ficando de frente para ele.
— E eu sou o quê? Realizada de muitas formas.
— Ainda falta muito para que seja uma mulher completamente
realizada, Kate. Você é jovem e há muito o que conhecer, irá ver que perdeu
tantas coisas. — Será que ele ainda não entende que eu estou feliz com o que
tenho com ele?
— Não, sim, eu posso ser jovem, mas eu sei o que quero, e eu quero
isso, nós, nossas meninas, nossa casa!
Ele me abraçou e seus lábios desceram sobre os meus, o melhor beijo
do mundo, o melhor lugar do mundo para estar é em seus braços. Saímos
silenciosamente do quarto das meninas através da porta de comunicação que
há entre os quartos, Nathan levava a babá eletrônica no bolso. Assim que
passamos pela porta e ela foi fechada, Nathan me pegou no colo enquanto
sorria maliciosamente.
— Agora somos só nós dois e precisamos comemorar, afinal, você me
deu o sim mais esperado de todos — ele falava enquanto me levava para a
cama, colocou-me sobre ela e começou a tirar a roupa.
— Você falou sério? Em uma semana estaremos casados? — perguntei
enquanto ele me ajudava a me livrar das minhas roupas, logo minha calcinha
estava em suas mãos, e ele descia beijando minhas pernas.
— Sim, falei muito sério — ele respondeu com seu rosto a centímetros
da minha boceta, o calor de sua boca desceu sobre ela, gemi
involuntariamente. — Sempre tão gostosa, seu gosto é único. Único e feito
exclusivamente para mim.
— Oh, Deus! — gemi, segurando o lençol da cama enquanto ele sugava
meu ponto sensível, fazendo vibrações passarem por todo o meu corpo, minhas
pernas se fecham em torno de sua cabeça.
— Não faça isso!
— É involuntário — falei em meio ao gemido.
— Vou ter que amarrar você, então. — Ele levantou e passou por mim,
meus olhos o seguindo, entrou no closet e voltou com algumas tiras pretas na
mão.
— O que você... — Nathan se aproximou, puxou minha perna e
colocou uma das tiras, percebi, pelo roçar em minha pele, ser de couro,
agarrou meu tornozelo, se abaixou e amarrou à cama. — Sério? — Ele puxou
o outro pé e, abrindo-me mais, atou ao outro pé da cama. — Isso é loucura!
— Nada! — Ele riu e pegou minha mão, amarrando à cabeceira e
repetiu com a outra, uma venda cobriu meus olhos e minha respiração ficou
mais rápida só de imaginar o que viria depois.
— Nathan... — sussurrei seu nome.
— Estou aqui, minha vida... — Sua voz veio da minha lateral
esquerda, seus dedos passaram por meus lábios e senti o gosto de algo
salgado.
— Você já gozou? — O que ele passou em meus lábios pensei ser seu
gozo.
— Ainda não, mas estou quase lá — ele disse, e escutei sua risada. —
Agora você será minha e gozará sem correr para nenhum lugar. — E então,
senti sua boca sobre minha boceta novamente, mas muito mais intenso agora
que não podia ver nada, apenas sentir. Ele sugava com afinco, e eu só podia
gemer, por Deus, ele estava me deixando louca.
— Nathan, eu vou gozar e gritar alto, as meninas....
— Você vai gozar caladinha, princesa. Senão, haverá consequências...
— A ameaça em sua voz me deixou ainda mais excitada, se é que isso era
possível.
— Senhor... — eu queria juntar minhas pernas, mas era impossível, o
orgasmo que se construiu em meu ventre aflorou tão violento que eu precisei
morder o lábio para não gritar, meu corpo inteiro tremeu com o orgasmo.
Senti deixar minha boceta e subir beijando minha barriga, sugou meus
seios e escutei sua gargalhada.
— Tem gosto de leite, mas continua bom do mesmo jeito. — Seu
trajeto continuou até minha boca enquanto seu pau fazia caminho entre minhas
pernas. — Agora, sim... cheguei em casa. — E entrou em mim, fazendo-me
arfar. Tirou a venda de meus olhos e começou a se mover em cima de mim,
suas mãos soltaram as minhas, e eu agarrei seus ombros, gemendo a cada
estocada que ele dava. Nathan saiu de mim só para soltar meus pés e me pôr
de quatro, uma palmada na minha bunda me fez dar um gritinho e, sem demora,
estava dentro de mim novamente.
E nossa noite foi assim... amando um ao outro, até alguém choramingar
na babá eletrônica, e eu levantar em um pulo, entrei no quarto das meninas e
Valentina estava de olhos bem abertos, eu sabia que, se não a pegasse logo, o
berro acordaria sua irmã, que ainda dormia como um anjo.
Peguei Valentina no colo e a levei ao trocador, comecei a abrir sua
roupinha para trocá-la, aprendi no hospital, tinha que aprender, afinal, uma
hora eu as teria em casa e precisava fazer isso de qualquer forma.
Após trocar sua fralda, deixando-a sequinha, limpei o seio e sentei na
poltrona para amamentá-la, ela pegou facilmente, mordi o lábio com a fricção
de sua boca pequena no meu mamilo, no início, sempre incomoda um pouco,
mas depois ela mama tranquila, e eu também fico tranquila. Uma mamada de
trinta minutos e Valentina adormeceu novamente, coloquei-a em pé no colo
para que arrotasse, a enfermeira do hospital disse ser imprescindível para não
ocorrer de vomitar durante a noite e se engasgar. Deitei-a confortavelmente no
berço novamente e peguei a Vitória, que agora estava de olhos abertos, ainda
bem que uma dava tempo para a outra mamar, senão o choro correria solto
aqui dentro de casa.
Depois da mamada de Vitória e de trocá-la, voltei ao quarto para
deitar junto ao Nathan, olhei o relógio no criado-mudo, ele marcada 3:30 AM.
Voltei a dormir, foi só fechar os olhos por alguns minutos que um novo
choramingo me acordou, olhei no relógio, 4:30h, mas eu acabei de amamentar
as duas — pensei comigo mesma. Levantei devagar, olhei o Nathan dormindo
profundamente, passei pela porta de comunicação, Vitória estava acordada,
chorando a plenos pulmões, peguei-a no colo.
— O que foi meu amor? A fralda está cheia? — perguntei sabendo que
não teria resposta. Deitei-a sobre o trocador e comecei a tirar sua roupinha, a
fralda estava sequinha, e ela continuava a chorar. Vesti-a novamente e sentei
na poltrona, tentando dar o peito novamente, mas ela balançava a cabeça e não
queria meu seio. O choro estava ficando mais alto, e eu já me via sem saber o
que fazer, Valentina agora havia acordado e estava choramingando no berço.
— Não tem jeito, vou ter que acordá-lo — falei enquanto levava uma
Vitória chorando muito através da porta de comunicação do nosso quarto.
— O quê? Ahn, o que foi? — Nathan estava muito desperto agora,
devido ao choro da nossa filha. Meus olhos já estavam cheios de lágrimas.
— Ela não para de chorar, tentei dar de mamar, ela não quer, a fralda
está seca, tentei balançá-la para fazê-la dormir, mas nada, ela não... para de
chorar — falei, abraçando Vitória, que ainda chorava a plenos pulmões.
Nathan jogou os lençóis de lado e levantou da cama, vestiu a calça moletom
que estava ao lado na poltrona e veio até mim. — Eu já tentei de tudo com ela,
Valentina acordou também e está no berço.
— Vou ligar para minha mãe. Ok? — Ele me olhou e beijou minha testa
enquanto pegava o celular e entrava no quarto das meninas, voltou segundos
depois com Valentina no colo bem acordada.

Nathan
Acordei atordoado com o choro estridente de bebê vindo da babá
eletrônica, olhei para o lado e Katherine não estava, menos mal, mas quando
virei para frente, vi uma Katherine chorosa e um bebê aos berros. E quando
minha esposa disse que já não sabia o que fazer, só pensei em uma pessoa para
ligar, minha mãe. Fui ao quarto das meninas pegar Valentina, ainda não entendi
como ela consegue diferenciar ambas, mas, tudo bem, se ela sabe, para mim
está ótimo, assim que minha mãe atendeu, falei:
— Mãe, eu sei que é tarde! Desculpe, mas é que uma das meninas está
chorando muito. E já não sabemos o que fazer?
— Já viu se ela está trocada e seca? — minha mãe perguntou.
— Ela está trocada, Kate? — perguntei a Kate que estava sentada na
nossa cama.
— Sim, trocada, limpa, já comeu e continua chorando.
— Sim, mãe, ela está trocada, seca e inclusive já comeu, mas, mesmo
assim, não para de chorar — respondi para minha mãe pelo celular.
— Ela pode estar com cólica, filho.
— Cólica, mãe, sério?
— Sim, filho. E o pior é que não tem muito o que fazer por bebê com
cólica, a não ser esperar passar. Tente dar um banho morno nela e deitá-la em
cima da sua barriga.
— Certo, algo mais? — perguntei, porque, bem, pais de primeira
viagem com gêmeas em casa é risco na certa.
— Nathan, quando for deitá-la sobre você, tire a camisa e a roupinha
dela, deixando-a só de fralda. Seu pai fazia isso com você e com suas irmãs
quando estavam com cólica e, se possível, cante para ela, o som da sua voz
pode acalmá-la.
— Tudo bem, mãe. Obrigado.
— Mas, se nada disso der certo, me ligue que vou até aí, OK?
— OK, mãe. Obrigado! Tchau!
— Tchau, filho. Boa sorte. — Realmente precisaria de sorte.
— E então? — Katherine perguntou, olhando-me preocupada, nossa
filha ainda chorava, mas agora mais baixo, acredito que a garganta deva estar
doendo de tanto gritar e chorar.
— Minha mãe disse para preparar um banho quentinho para ela e
depois deitá-la sobre minha barriga, algo assim — respondi. Deitei a
Valentina sobre a nossa cama e peguei a Vitória do colo da Kate.
— Tem certeza? Eu posso chamar um médico.
— Não se preocupe, vamos fazer o que minha mãe disse e depois, se
não resolver, chamamos um médico, certo?
— Tudo bem! — ela respondeu, pegando Valentina no colo.
— Vamos, princesa, papai agora vai cuidar de você. — Passei perto
do termostato do nosso quarto e aumentei a temperatura para deixar o quarto
quentinho para elas. Entrei no banheiro do quarto delas e enchi a banheira
pequena preparada para ambas com água morna, tirei com cuidado suas
minúsculas roupas e fralda, a coloquei devagar na água, molhando sua
barriguinha e fazendo massagem, lembro de ter lido sobre massagens serem
boas para a cólica de bebês. O choro havia passado e agora Vitória
observava-me sonolenta, tirei-a do banho e sequei-a, passei pomada para
assaduras, coloquei a fralda descartável e voltei ao quarto onde estavam Kate
e Valentina. — Será que demoramos muito? — perguntei, olhando para
Vitória, sobre a cama, Kate dormia com Valentina ao seu lado. Deitei ao lado
delas com Vitória em eu peito, coloquei um manto sobre nós dois e comecei a
cantar baixinho uma música adaptada para Vitória.
“Venha, Vitória, em minha máquina de voar
Subindo, ela vai! Vai subindo! ”
Enquanto eu cantava, via os olhinhos se fecharem, caindo em um sono
profundo. E eu fazia o mesmo, ia caindo em um sono bom, adormeci com
minha filha no colo.
Capítulo 27
Kate
Despertei assustada, achando que havia esmagado minha filha, o sono
de uma mãe é leve demais, e eu descobri isso nessa primeira noite com elas
em casa, olhei para meu bebê na cama ainda dormindo encostadinha em mim,
levantei meus olhos e sorri para Nathan dormindo de barriga para cima com
nossa outra pequena em cima de seu peito. Ambos estavam lindos, aproveitei,
peguei meu celular e tirei uma foto deles dormindo juntos, o rosto do meu
amado futuro marido estava tão tranquilo e nossa pequena dormia
profundamente. Valentina choramingou, e eu voltei à minha posição, de lado, e
a virei para mim, colocando meu seio em sua boca, ela sugou avidamente.
— Bom dia! — A voz do Nathan atingiu meus ouvidos, e eu o olhei.
— Bom dia!
— Ela não para de sugar — ele comentou, olhando para Valentina
encantado. Segurando delicadamente, deitou de lado para que Vitória se
acomodasse na cama, levantou devagar e colocou um travesseiro de cada lado
da nossa filha.
— Sim, ela é esfomeada e choraminga por minha atenção, é bem
exigente, se você não a pega logo, começa a choramingar — falei enquanto
fazia carinho na cabeça da Valentina.
— Percebi! Vou tomar um banho, preciso ir trabalhar.
— Tudo bem, pode ir. Estamos bem! — falei, sorrindo. Nathan, então,
foi para o banheiro, e eu continuei com a mamada da Valentina.
Alguns minutos depois, o vejo em um terno preto, gravata listrada em
tons de cinza e preto, e o cabelo totalmente penteado para trás.
— Eu estou pronto, você precisa de ajuda com as meninas? Posso
ajudar antes de sair.
— Não, meu amor. Pode ir, estamos bem, de verdade! — disse já me
levantando com a Valentina no colo para que ela arrotasse. — Pode ir, meu
amor!
— Tudo bem! — Ele se aproxima e vem me dar um beijo, eu me
afasto.
— Ainda não escovei os dentes.
— Não tem problema. — Nathan sorri e segura meu rosto, colando
seus lábios nos meus de leve. — Bom dia! — E se afasta. — Qualquer coisa,
o que for, me ligue, OK?
— OK! — Ele sai, espero Valentina arrotar e a coloco no bebê
conforto. Vou ao banheiro e escovo os dentes, limpo meu rosto e volto para o
quarto, pego Vitória e coloco-a, ainda dormindo, no bebê conforto também.
Visto um roupão e uma pantufa, pego um bebê conforto e ando com uma até a
sala de estar e volto para pegar a outra.
— Ana, a babá chegou? — perguntei assim que a Ana apareceu em
meu campo de visão.
— Sim, chegou, e a outra babá também. Ela não pôde vir ontem, mas
estará presente hoje — Ana falou enquanto pegava uma Valentina muito
acordada no colo.
— Outra babá? — questionei.
— Sim, o Sr. King contratou duas, uma para cada menina, não entendi
bem, mas quem sou eu para questionar, não é? — ela disse e seguiu com
Valentina para cozinha.
— Bom dia, Sra. King, chamo-me Rebecca- e estou aqui, junto com a
Eva, para ajudar a senhora no que for preciso com as gêmeas. — Ela estendeu
a mão para mim, e eu cumprimentei-a.
— Muito prazer, Rebecca, seja bem-vinda, apesar de achar que não
precisamos de babá, mas tudo bem. Seja bem-vinda mesmo assim — falei
sinceramente, tanto Eva quanto Rebecca aparentavam ter pelo menos trinta e
poucos anos. E eu era só uma adolescente cercada por pessoas mais velhas e
cheia de responsabilidade. — Valentina já comeu, Vitória teve cólicas nessa
madrugada e ainda não acordou, nem mamou, estou esperando ela despertar.
Eu vou aproveitar para tomar meu café, tudo bem?
— Tudo bem, assim que ela acordar, aviso. — Entro na cozinha e vejo
a bancada da cheia com um café da manhã delicioso que só a Ana poderia
fazer.
— Nathan já foi? — perguntei para a Ana, que brincava com a
Valentina.
— Sim, saiu ainda pouco — ela respondeu sorridente.
— Certo, obrigada, Ana. — Começo a saborear meu café da manhã
reforçado, porque eu preciso produzir muito leite para amamentar duas
pessoinhas exigentes. Tomei meu desjejum enquanto lia o jornal que Nathan
deixou sobre a mesa, a reportagem da capa era: GRANDE TRAFICANTE DE
MULHERES É ENCONTRADO MORTO NA PRISÃO. Meu celular tocou,
peguei e atendi.
— Kate, ligue a TV — Nathan falou e peguei o controle para ligar o
pequeno aparelho que havia na cozinha. — Ponha no canal da CNN. — E eu
fiz.
A manchete era: TRAFICANTE DE MULHERES É ENCONTRADO
MORTO EM SUA CELA.
De acordo com a reportagem, a morte foi súbita e, aparentemente,
morreu dormindo, não foram encontrados sinais de estrangulamento, nem
asfixia e foi descartado assassinato. Meus olhos encheram-se de lágrimas.
— Oh, meu Deus, Nathan. Agora estamos livres, não é? Diga que sim!
— Sim, meu amor. Agora podemos respirar de verdade, ele está morto.
— Oh, meu Deus! — eu gritei sem saber se ria ou se chorava. — Deus,
Nathan, eu não acredito.
— Nem eu estou acreditando, Kate.
— Como você soube? — perguntei.
— Assim que sai de casa hoje, recebi uma ligação de Mitchel, pedindo
para pôr no canal da CNN, mas eu estava indo para o escritório e só consegui
ver quando cheguei lá. Meu amor, é como se fosse um sonho, e eu jamais
quero acordar.
— Eu também não, Nathan.

Dias depois...
Se eu contasse que o grande dia chegou, você acreditaria em mim?
Pois é, chegou, Alice e Amanda estão comido aqui em casa, mas meninas
estão com as babás enquanto eu sou paparicada por uma manicure e um
cabeleireiro, o maquiador deve chegar daqui a pouco também. Cada uma de
nós está com um profissional diferente, elas vieram a meu pedido, porque eu
não queria ficar só nesse dia.
Nathan disse que seria uma cerimônia pequena e simples, mas eu não
confio muito nele quando sai de sua boca algo com as palavras pequena e
simples na mesma frase.
— Tudo está tão lindo, KitKat. — Amanda falou enquanto era
maquiada.
— Odeio esse apelido, você sabe, se não quiser borrar sua maquiagem
e estragar seu penteado, não comece — ameacei.
— Ui, hoje você está nervosinha!
— Estou mais que nervosa. Não fiquei dois segundos com minhas
filhas hoje, nem pude dar de mamar.
— Elas entendem, Katherine, que é por um bem maior — Alice falou,
sorrindo.
— Não sei, não. — Não consegui ver minhas filhas direito hoje, as
babás as levaram elas para longe, tudo para que eu ficasse tranquila até a
cerimônia, mas eu estava uma pilha de nervos. Um vestido foi escolhido pela
mãe do Nathan, e eu ainda não o vi, espero que dê em mim, afinal, muitas das
roupas de antes da gravidez não entram mais em mim.
A senhora King entrou no quarto sorrindo, trazendo consigo uma caixa
nas mãos e atrás dela David entrava com outras caixas.
— Desculpem a demora, o trânsito está um inferno e parar na Quinta
Avenida é difícil — Ana justificou.
— Não se preocupe, eu sei que pode ser difícil mesmo.
David colocou uma caixa maior sobre a cama e Ana tirou a tampa.
— Pode ir, David. — Ela o dispensou e David logo saiu.
— Agora, vamos vesti-la. — Virei-me para ver Ana, e ela tirava um
corpete lindo de dentro da caixa, a luz do sol que passava pela janela brilhava
nas pedrinhas do vestido, colocou sobre a cama e abriu outra caixa, tirando
uma saia. — É um vestido princesa. — E a saia é enorme.
— Oh, mãe, é lindo! — Alice falou, chegando perto e tocando no
tecido. — E olha esse bordado nas pontas. — Ana se aproximou de mim e
outras pessoas que estavam ali ajudaram a me vestir, alguns ajustes aqui e ali,
e eu estava pronta, trajava um vestido de noiva ao estilo princesa. Ana abriu
outra caixa menor e sorriu lindamente.
— Esse foi um presente de Joseph quando nos casamentos, era da mãe
dele e, hoje, estou dando a você! — Ela tirou um colar de dentro da caixa. —
Este é um autêntico Neil Lane’s Diamond, são, ao todo, 140 quilates de
diamante. Pesa um pouco, mas você se acostuma.
— Eu... não... posso aceitar! É uma relíquia da família King.
— Você não só irá aceitar como, um dia, passará para uma das meninas
ou, quem sabe, para as duas usarem em seus casamentos. — Ana falou. —
Vire-se. — Assim o fiz, ela colocou o colar em mim, em frente ao espelho. —
Espere, falta o toque final. — Ela virou-se e tirou, de dentro da caixa, uma
nova joia, dessa vez, uma tiara com o mesmo brilho do colar. — Ela também é
feita com diamantes, mas, por ser herança de família, fica sempre em nosso
cofre, hoje, você a usará, no futuro, pode ser a Alice ou a Amanda, vai
depender de quem casar primeiro — Ana disse rindo.
— Eu não vou casar — Amanda disse, virando-se para o outro lado.
— Espere e verá! — Ana falou. — Abaixe-se um pouco. — Obedeci,
e ela depositou em minha cabeça a tiara. — Ficou perfeita. Agora, senhor
Laurent, termine o penteado. — O cabeleireiro terminou de prender meu
cabelo em um penteado que deixava os meus ombros à mostra.
Minutos mais tarde, eu estava sozinha em frente ao espelho, no quarto
em que eu e Nathan compartilhamos, e eu não reconhecia a pessoa que eu via.
Eu estava no vestido perfeito, com o colar perfeito, com a tiara perfeita, a
maquiagem perfeita e um lindo buquê de rosas azul turquesa nas mãos. Não
entendi muito a cor do buquê, mas eu adorei mesmo assim. Alice e Amanda
saíram há alguns minutos com vestidos na mesma cor do meu buquê, e estavam
lindas. Ouvi uma batida à porta.
— Está pronta! — A cabeça do meu pai apareceu pela fresta aberta.
— Sim, pai. Estou pronta!
— Ótimo, porque eu tenho um Nathan muito nervoso ao telefone
querendo falar com você. — Ele me passou o celular.
— Você desistiu? — Foi a primeira coisa que ouvi do outro lado da
linha.
— Não seja bobo, eu estou indo. Espere um pouco mais, você esperou
todo esse tempo, mais alguns minutos não farão diferença, certo? — falei em
tom zombeteiro.
— Estou esperando! E Kate, não se atrase, por favor, senão eu vou
entrar em pânico com toda essa gente me olhando, e você sem entra nessa
igreja.
— Igreja? Oh, meu Deus! Sério?! Você disse que era algo simples.
— Porra, não era para eu ter falado — praguejou do outro lado. — Era
uma surpresa, mas agora já foi. Venha logo, estou esperando!
— Sim, senhor! — respondi, rindo e desligando. — Vamos, pai, antes
que ele tenha uma síncope.
Capítulo 28
Kate
Ninguém me preparou para a festa, foi mais como uma surpresa, eu
sabia que ia casar, e Nathan disse-me que seria algo simples, o que realmente
não parece, a igreja escolhida fica a minutos do nosso apartamento, na própria
Quinta Avenida, entre 50th e 51st, é conhecida como a Catedral de St. Patrick,
o carro parou em frente à entrada cercada por fotógrafos e portões
posicionados como barreiras para que ninguém da impressa entrasse durante a
cerimônia, seguranças por todos os lados. Eu estava me sentindo uma
verdadeira estrela com tanta gente presente.
Meu pai desceu do carro e estendeu a mão para me ajudar a sair,
quando meu pé tocou o chão, os flashes das câmeras me cegaram
momentaneamente e fiquei assustada, mas, imediatamente, meu pai me puxou
para perto dele, e começamos a andar até a porta de entrada da igreja.
— Esta noite um dos solteiros mais cobiçados de Nova York se casa.
— Ouvi um repórter falar e virei para olhar, ele estava ao vivo em alguma
central de televisão.
Atravessamos a primeira porta da catedral, e encontrei Alice e
Amanda, que nos aguardavam junto a Dhex e Andrew.
— Finalmente, achei que havia desistido.
— Talvez — brinquei.
— Nem brinque, senão ele enfarta — Amanda falou, apontando para a
outra porta da igreja.
A marcha nupcial começou e a porta foi aberta, Alice entrou primeiro,
depois Amanda, e eu fui logo atrás, segurando o braço do meu pai.
— Não me deixe cair — pedi ao meu pai.
— Eu não vou, prometo! — Ele sorriu, olhei para cima, o teto era tão
alto, eu ainda não conseguia ver o Nathan, pois o corredor até ele era enorme,
Alice chegou ao altar com Andrew e Amanda com Dhex e se colocaram ao
lado do altar, só então pude ver o Nathan, ele estava em um terno branco, com
o cabelo totalmente para trás, o homem mais lindo do mundo, para ser sincera,
eu não tinha olhos para mais nada além dele.
Aproximamo-nos e Nathan desceu os três degraus do altar para me
pegar, meu pai beijou minha testa.
— Estou entregando minha preciosidade a você. Cuide bem! — meu
pai falou olhando Nathan, cumprimentaram-se, e vi meu pai se afastar, Nathan
aproximou-se e também beijou minha testa.
— Está linda! — Eu sorri emocionada, olhando em seus olhos.
Caminhamos juntos até o padre, que começou seu pequeno discurso
sobre o amor e todas as maravilhas que esse sentimento traz consigo.
— Katherine Watson, é de livre e espontânea vontade que veio aqui
hoje, onde irá prometer honrar seu marido e cuidar da educação dos filhos que
tiverem? — o padre perguntou, me olhando e direcionou o microfone a mim.
— Sim! — respondi, sorrindo.
— Nathan King, é de livre e espontânea vontade que veio aqui hoje,
onde irá prometer honrar sua esposa e cuidar da educação dos filhos que
tiverem? — o padre perguntou ao Nathan.
— Sim! — ele respondeu.
— Uma vez que é vosso propósito contrair o santo matrimônio, fiquem
de frente um para o outro, uni as mãos direitas e manifestai o vosso
consentimento diante de Deus e da igreja. Agora, noivo, repita comigo: Eu,
Nathan King, recebo-te por minha mulher...
— Eu, Nathan King, recebo-te por minha mulher a ti, Katherine, e
prometo-lhe ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e
na doença, enquanto eu viver.
— Agora a noiva! — O padre sorriu, me olhando. — Eu, Katherine
Watson, recebo-te por meu marido a ti, Nathan...
— Eu, Katherine Watson... — Conforme o padre falava, eu repetia
olhando nos olhos do Nathan. — Prometo te amar e respeitar, na alegria e na
tristeza, na saúde e na doença, enquanto eu viver.
— Podem entrar as alianças! — o padre comunicou sorrindo, e a porta
da igreja se abriu novamente, em seguida, Alice, bem contente trazia as
alianças. Ela as entregou ao padre que as benzeu com água benta e continuou a
discursar sobre os motivos de um casamento. — Nathan, segure a aliança e
coloque no dedo de sua esposa, dizendo: Katherine, receba esta...
— Katherine, receba esta aliança como prova do meu amor e da minha
fidelidade, em nome do pai, do filho e do espirito santo. Amém! — Peguei a
aliança.
— Nathan, receba esta aliança como prova do meu amor e da minha
fidelidade, em nome do pai, do filho e do espírito santo. Amém!
Após a troca das alianças, vi Nathan pegar o microfone da mão do
Dhex.
— Estes são os meus votos! — E eu nem tinha preparado os meus, oh,
meu Deus! Arregalei os olhos, surpresa, e ele riu. — Eu sei, você não
preparou os seus, mas não se preocupe, os meus votos valem por nós dois.
Uma noite, há algum tempo, eu estava me sentindo sozinho nessa cidade
enorme chamada Nova York mesmo tendo minha família por perto. Eu tinha
tudo o que qualquer homem poderia desejar, uma boa família, dinheiro, um
trabalho bem-sucedido, mas eu não tinha o principal e, nessa noite, eu liguei
para um número e, do outro lado da linha, estava você. Katherine, eu fiz muitas
coisas erradas nessa vida, mas, se eu tivesse que as fazer novamente só para
ter a chance de estar aqui, sim, eu as faria, pode ter certeza disso. — Meus
olhos estavam enchendo-se de lágrimas, ele continuou. — Eu aprendi que o
amor não pode ser comprado, que ele deve ser conquistado no dia a dia,
através de pequenas coisas, e foi você que me ensinou. E, mesmo com nossa
diferença de idade, eu não podia me afastar, porque, com você, eu passei a
sentir coisas que jamais vivenciei com qualquer outra mulher, você foi a
agulha no palheiro que eu achei aqui em Nova York, a menina dos meus olhos
que eu encontrei sem querer e que se tornou a parte mais importante da minha
vida. — Lágrimas desciam por minha bochecha. — Katherine, eu prometo
amá-la, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, enquanto eu viver,
porque esse tipo de amor é sentido apenas uma vez na vida. Eu prometo fazê-
la feliz e estar sempre preparado para ser seu porto seguro, em todos os
momentos da nossa vida.
— Oh, meu Deus! — Eu recebi um microfone. — Eu estou chorando.
— Limpei minhas lágrimas com a mão. — Eu estou simplesmente sem
palavras, mas três palavras podem definir esse momento: eu amo você! — Eu
poderia dizer mais coisas, mas os soluços não permitiriam.
— Então, pelo poder a mim concedido, eu vos declaro marido e
mulher — o padre disse. — Pode beijar a noiva! — E foi exatamente isso que
o Nathan fez, ele me puxou pela cintura e seus lábios desceram sobre os meus.
O beijo mais apaixonado de toda a história de Nova York. Os aplausos
vieram, e eu sorri sem graça, olhando-o nos olhos enquanto nos separávamos
e, só então, olhei para todos ali presentes, até a diretora da minha escola veio.
Saímos da igreja, David nos esperava com a limusine parada à frente,
um monte de fotógrafos capturava nosso momento, queriam conversar com o
Nathan sobre o casamento, nós simplesmente corremos para o carro.
— Finalmente senhora King. — Nathan me puxou para ele, e nossos
lábios se juntaram. O carro começou a se movimentar. — Você é minha para
sempre!
— Para sempre! — sussurrei em meio aos beijos.
— Minha mãe preparou uma festa para você.
— Você disse, pequeno e simples — questionei.
— Eu sei, mas nada é pequeno e simples para minha mãe, quando falei
a palavra casamento, ela pirou e disse que faria tudo, que não precisava me
preocupar com nada. A festa vai ser na casa dela no Hamptons, mas tem suas
vantagens, depois, poderemos voltar para nossa casa, e vai estar limpinha nos
esperando enquanto lá estará uma bagunça — explica.
— É, eu sei!
Alguns minutos depois, passamos pelos portões da propriedade dos
King e, por Deus...
— De onde veio tudo isso? — perguntei mais a mim mesma, eram
muitos carros, pessoas entrando pela porta da frente, vários manobristas
estacionando os carros, observo a movimentação enquanto estávamos na fila,
esperando.
A iluminação que vinha de dentro da casa era uma mistura de azul e
lilás.
— A festa é no jardim, perto da piscina — Nathan comentou. O carro
parou e David desceu, alguns segundos depois, Nathan descia e me ajudava a
sair do carro.
Entramos na casa, estava um turbilhão de acontecimentos, passamos
pela porta que dá acesso ao jardim, e então eu vi toda a iluminação e
decoração em tons de azul turquesa e roxo, parecia mais um conto de fadas,
agora eu entendi por que meu buquê era azul turquesa.
— Que lindo! — sussurrei, observando cada detalhe.
— Os noivos chegaram! — Ouvi uma pessoa falar ao microfone
enquanto entrávamos no jardim todo decorado, a noite havia caído e as luzes
acesas nos tons azul turquesa e roxo deixaram o jardim ainda mais bonito, uma
enorme mesa estava posta no meio da área, coberta por uma bela toalha no
mesmo tom de azul e flores nos tons de roxo, os cristais e porcelanas ficavam
ainda mais bonitos com esses dois tons fortes juntos.
Passamos a cumprimentar os convidados antes de sentarem para o
jantar, eu carregava a calda do vestido no braço para não cair no jardim. Eu
queria ver minhas filhas, estava há quase dez horas sem vê-las.
— Onde elas estão Nathan? — perguntei.
— Quem? As meninas? Logo ali, veja, perto da pista de dança. — E
então eu vi as duas babás com as pequenas, trajavam vestidos em azul turquesa
com uma faixa roxa na cintura, duas princesas. Deixei o Nathan conversando e
fui vê-las.
— Oi, meus amores. — Cheguei já pegando Valentina no colo e
enchendo-a de beijos. — Como senti sua falta, pequena. — Cheirei sua cabeça
e o cheiro de bebê invadiu minhas narinas, eu amo esse cheiro. Devolvi
Valentina para Rebecca e peguei Vitória. — Oi, meu raio de sol. — Enchi ela
de beijinhos. — Mamãe sentiu tanta saudade.
— Foram só algumas horas, amor. — Ouvi Nathan falar atrás de mim.
— Pareceu a eternidade.
— Vamos, temos que terminar de cumprimentar os convidados e
depois sentaremos para jantar.
— Tudo bem! Cuidem bem das minhas meninas, hein! — falei para
Rebecca e Eva.
Nos afastamos e fomos terminar os cumprimentos, quarenta minutos
mais tarde, sentávamos todos à mesa para o jantar. A comida, divina como
sempre, assim como tudo o que a mamãe King tocava, jantamos dando boas
risadas das conversas ao nosso redor, uma aura de amor estava no ar, talvez
fosse o meu amor por ele, ou o dele por mim, ou talvez fossem todos ali
presentes.
Nathan levantou sorrindo e, segurando minha mão, falou:
— Concede-me a honra desta dança, minha querida esposa.
— Claro, meu marido — respondi na mesma sintonia. Ele me levou
para a pista de dança montada no jardim, peguei a ponta da minha cauda e
prendi no pulso através de um pequeno cordão, a música começou e
dançamos.
— A música eu que escolhi, porque espero que ela represente um
pouco do que sinto em meu coração. — Fomos embalados pela voz de Ed
Sheeran, com a música “Thinking Out Loud”, ele riu e me rodopiou para, em
seguida, me trazer para perto enquanto cantava trechos da música em meu
ouvido, meu sorriso de alegria não podia ser contido.
— Obrigada! — agradeci ainda sorrindo, olhando-o nos olhos, quase
ao final da música. — Obrigada por fazer parte da minha vida! Obrigada por
ligar naquela noite!
— Não me agradeça, esse é só o começo da nossa real felicidade,
agora eu estou completo, você é minha esposa, como eu sempre sonhei que
seria. — Nathan falou e beijou meus lábios. — Minha esposa!
E, realmente, eu sabia que ali começaria uma nova etapa em nossas
vidas que nos mudaria para melhor...
Capítulo 29
Nathan
O quarto de hotel em que a conheci foi todo preparado para nos
receber, nossa noite de núpcias será lá, no mesmo quarto onde passamos nossa
primeira noite, onde eu tirei sua virgindade, onde ela se tornou minha.
Consegui o quarto por duas noites, sei que Katherine não vai querer ficar
longe das meninas por todo esse tempo, mas será por nós, e eu farei qualquer
coisa para tê-la só para mim por duas preciosas noites.
A festa organizada pela minha mãe estava maravilhosa, saímos à
francesa com Katherine enchendo meus ouvidos sobre deixarmos as meninas
com minha mãe, entramos no carro, e David nos levou direto ao The
Península, onde tudo começou. Eu vendei seus olhos para que fosse surpresa.
— Para onde está me levando? — ela perguntou curiosa.
— Uma surpresa! Já estamos chegando — falei, dando um beijo em
seus lábios. Assim que chegamos, David abriu a porta, e eu saí, segurei a mão
de Kate e a trouxe para fora. Segundos depois, eu subia com ela em meus
braços pelo elevador. — Obrigada, David! — agradeci por ele abrir a porta
do quarto. — Está dispensado, ligo se precisar. — Ele assentiu e se foi,
coloquei-a de pé. — Não tire a venda ainda, ok?
— Tudo bem! Por que tanto mistério? — Ah, se ela soubesse...
— Logo saberá! — Levei-a até o meio da sala de estar da suíte onde
nos conhecemos. — Gostaria de uma bebida? — perguntei enquanto me dirigia
ao bar, tirando meu paletó e gravata do casamento.
— Não, eu... — Ela tirou a venda dos olhos. — Não bebo! Oh, meu
Deus, Nathan.
— Nem água? — Sorri, observando sua reação enquanto tomava um
gole do meu whisky.
— Sim. Água eu aceito. — Ela riu, e eu entreguei uma garrafinha de
água a ela. — Obrigada. — Eu estava recriando a nossa primeira noite. —
Como você... você está recriando nossa primeira noite?
— Sim, é o que pretendo! — Sorri ainda mais, me aproximando dela,
agarrando-a pela cintura e tocando seus lábios com os meus. — Claro, com
algumas adaptações, agora que você é minha mulher. Mas, você não me disse
quanto cobra, ainda! — Afastei-me desabotoando a camiseta, e ela deu uma
gargalhada antes de responder.
— Um milhão de dólares por hora, Sr. King.
— Um tanto cara, mas eu posso pagar! Sem problemas. Bem, como
sabe, eu acabei de chegar de um casamento e já passa da meia noite. Vou paro
o chuveiro, você gostaria de tomar um banho comigo? — Será que ela ainda
lembra? É claro que sim. Comecei a tirar a calça, desafivelando o cinto, e os
sapatos, me aproximei dela, abraçando-a. — Vamos, diga que tomará um
banho quentinho comigo. — Falei tão próximo da sua boca que a vi suspirar e
sua respiração acelerar.
— Sim — ela respondeu, olhando-me nos olhos.
— Ótimo! Vamos...
Peguei Kate no colo, ela deu um gritinho de satisfação e surpresa,
levei-a para o quarto todo decorado com um coração feito com pétalas de
rosas sobre a cama, escrito “MINHA”.
— Oh, meu Deus! — ela disse assim que viu a cama. Ao lado da cama,
um balde com champanhe aguardava por nós.
— Você sabe, precisamos sumir com esse vestido — falei em seu
ouvido antes de desce-la lentamente.
— Eu sei!
— Vire-se! — Ela virou-se, me dando as costas e comecei a tirar o
véu; depois, a tiara; e então, o vestido, deixando-a só com uma lingerie e
cinta-liga brancas, uma calcinha fio-dental que quase me matou. — Você está
maravilhosa! — sussurrei em seu ouvido. — Adorei a lingerie, mas quero que
tire e deite-se na cama, eu já volto. — Assim, fiz como foi na nossa primeira
vez, saí e busquei as algemas que ainda estavam lá, voltei, sorrindo.
— Oh, meu Deus! Sério?
— Sério! Vire-se de quatro para mim e segure-se na cabeceira da
cama. — Aproximei-me assim que ela se posicionou, passei a mão por sua
boceta, subi pelo meio de sua bunda e logo acarinhei suas costas e nuca.
Peguei sua mão e coloquei a algema, passei a corrente pela cabeceira da cama
e prendi a outra mão. Beijei sua nuca como fiz em nossa primeira noite e
percebi o arrepio que causei nela. — Não tenha medo. Não irei lhe machucar.
— Eu agradeço. — Ela deu uma gargalhada. — É claro que eu sei que
não irá me machucar.
— Shhh, agora abra suas pernas e empine esse lindo bumbum redondo
para mim. — falei, dando um tapa em sua bunda, e ela deu um gritinho de
surpresa.
— Oh, meu Deus, Nathan! — ela gemeu quando passei a língua por sua
fenda rosada, lambi o meio do seu bumbum e desci para lamber seu clitóris,
ela rebolou em meu rosto e senti meu pau pulsar, querendo seu lugar especial.
Suguei seu clitóris e a ouvi gemer alto. — Nathan! — Continuei até senti-la
estremecer, gozando em minha boca. — Por Deus! — Assim que ela gozou,
peguei o gel que trouxe comigo e derramei em seu cu, deixando-o bem melado.
— Agora, vou foder aqui! — Coloquei um dedo para a ajudar a se
acostumar.
— Oh! — ela gemeu.
— Relaxe, meu amor, você sabe que é bom! — Empurrei meu dedo,
entrando totalmente em seu cu, tirei devagar e comecei um vai e vem gostoso.
— Tão apertado quanto eu me lembrava. — Tirei meu dedo e embebi mais
com o gel e agora começava a entrar nela com dois dedos.
— Oh, Deus! — Empurrei, entrando e saindo de dentro dela, o metal
das algemas tintilou e eu sorri, sentindo a cabeça do meu pau melada, a
querendo, toquei seu clitóris para provocá-la a gozar novamente e, segundos
depois, ela gemia alto novamente. — Eu vou gozar novamente — ela gritou
enquanto seu corpo estremecia. Senti seu corpo tremer e apertar meus dedos
dentro dela.
— Gatinha, agora eu vou foder você de verdade! — Coloquei a
camisinha e passei gel por toda a extensão do meu pau, posicionei-me e
comecei a entrar em seu cu, um gemido saiu da minha boca involuntariamente
porque eu estava no paraíso, Katherine gemeu alto enquanto eu a enchia
completamente, logo eu estava me movimentando, entrando e saindo de sua
bunda.
— Deus, Nathan! — ela gemia e gritava ao mesmo tempo. — Fode,
porra!
— Boca suja! — Dei um tapa em seu bumbum enquanto bombeava
dentro dele. Socando tudo até o talo, em questão minutos, eu enchia a
camisinha, gozando feito louco enquanto beijava sua nuca.

Kate
Nathan sabia como agradar uma mulher e, caralho, eu já havia gozado
duas vezes e estava querendo mais, senti quando ele gozou dentro de mim, sua
respiração pesada em minha nuca enquanto nossos corpos balançavam e
batiam um no outro, fazendo aquele som maravilhoso de sexo. Ele parou de
socar em mim e gemeu alto.
— Porra! — Senti seu pau pulsar, e eu sabia ele estava gozando e
muito, enchendo a camisinha. Suspirou e, um segundo depois, retirou-se de
mim, indo para o banheiro, eu só pude me abaixar e fechar os olhos por alguns
segundos. — Voltei — ele disse rindo, retirou as algemas e soltou minhas
mãos, virei-me e deitei na cama de barriga para cima.
— Você é louco! — eu disse, sorrindo.
— Eu, louco? Só se for por você, porque minha sanidade foi embora
no minuto em que você entrou por aquela porta há quase um ano.
— Sim, nós dois somos loucos.
— E, agora, loucos como marido e mulher, ligados para sempre por
duas pessoas lindas e maravilhosas.
— Você está ficando meloso demais, Dr. King! — debochei, ele pulou
em cima de mim.
— Ah, meloso, sei! Vamos ver se me acha meloso agora!? — Ele
levantou minhas pernas e seu pau entrou em minha boceta.
— Oh! — gemi, e ele começou a socar com força em minha boceta.
— Gostosa! Como eu te amo e vou amar por toda a minha vida.
— Eu também — respondi em um sussurro enquanto gemia por suas
estocadas e abraçava seu corpo com minhas pernas.
E assim passamos a noite toda, revivendo a nossa primeira noite, cada
detalhe...
Nathan me trouxe para a suíte onde nos conhecemos, onde tivemos
nossa primeira noite e onde as meninas foram concebidas, foi uma surpresa e
tanto, não achei que me hospedaria nessa suíte novamente, mas aqui estou com
uma suíte toda decorada para nós dois, como recém-casados, agora é para
sempre. Nathan é a personificação do homem perfeito para qualquer mulher,
amoroso, carinhoso, atento a tudo ao seu redor, um bom pai e um bom marido.
Nessa noite, a nossa vida como casados começa, como uma família
feliz, desejando que nada de mais aconteça daqui para frente, mas quem sabe o
que o futuro nos reserva, só podemos nos desejar sorte e esperar que tudo
corra bem. Eu já estou até me preparando psicologicamente para quando as
meninas forem adolescentes e quiserem trazer os namorados em casa, Nathan
jogará os meninos para fora no primeiro instante em que os vir, mas, claro,
isso é coisa para uma outra história, anos à frente. E eu assistirei de camarote
cada novo passo que daremos rumo ao nosso felizes para sempre.
Capítulo 30
Nathan
Estava terminando de abotoar a minha camisa à frente do espelho
quando vi Kate passar e entrar no quarto das meninas.
— Kate, onde está aquela gravata cinza com listras? — perguntei.
— Na segunda gaveta do lado direito do closet, na quarta fileira, ela é
a segunda. — Kate se tornou uma eficiente dona de casa e mãe em poucos
meses, as meninas agora têm 10 meses, estão sentando e quase andando,
compramos aqueles andadores de crianças, e elas rodopiam pela casa,
batendo pelas paredes, damos boas risadas enquanto as vemos tentar pegar os
porta-retratos espalhados por todos os lugares.
— Achei! — falei, voltando à frente do espelho e terminando de pôr a
gravata.
— Recebi uma carta da Universidade Columbia — ouvi Kate falar
enquanto uma de nossas filhas passava correndo com o andador pelo nosso
quarto. — Eles me aceitaram, pelas minhas boas notas e tudo mais.
— Isso é maravilhoso, meu amor! — falei, olhando para ela e
sorrindo.
— Você não parece tão feliz — Kate falou, aproximando-se de mim.
— Não é isso, é só que... eu não vou ter mais você só para mim, vou
ter que dividi-la com outros estudantes, e caras mais novos, e mais charmosos,
e os jogadores de futebol, e tem muitas outras coisas mais que vem junto com a
entrada na universidade.
— Está com ciúmes, Nathan? — ela perguntou erguendo uma
sobrancelha.
— Quem, eu? Não, imagina se terei ciúmes de um bando de pirralhos.
— É claro que eu estava com ciúmes, mas eu ainda a teria por um semestre
inteiro, até as aulas na Columbia iniciarem.
— É claro que está. — Ela riu, abraçando minha cintura. — Eu amo
você, Nathan. Nada no mundo irá mudar isso. É apenas mais um sonho a ser
realizado.
— E já escolheu o que vai cursar? — perguntei.
— Ainda não, estou pensando, talvez algo relacionado a área de
administração, assim posso lhe ajudar na empresa.
— Parece uma boa ideia, mas não escolha por mim, escolha por você.
Você sabe, o que escolher, eu apoiarei. — Sorri para ela, virando-me e
segurando seu rosto. — Você é minha preciosidade, o que escolher, eu vou
apoiar.
— Eu sei! — Beijei seus lábios.
— Preciso ir, se eu ficar mais alguns minutos, vou jogar você nessa
cama e nós dois sabemos que não conseguiremos sair dela tão cedo. — Ela
riu, mexendo em minha gravata.
— Pronto, agora está certa! Bom dia, meu amor! — Beijei seus lábios
novamente e saí do quarto, levando o paletó e a pasta de trabalho na mão,
encontrei com a Valentina muito chateada, presa na entrada da sala de estar,
devido ao tapete atrapalhar seu andador. Levantei-a com andador e tudo, dei-
lhe um beijo na bochecha rosada e a mudei de direção.
— Já vai, Sr. King? — Eva entrou com Vitória na sala.
— Sim, estou indo. — Dei um beijo na bochecha da minha filha. —
Cuide bem das minhas meninas, Eva.
— Sim, senhor. — Ela foi se juntar a Valentina, que corria pela casa
em seu andador, e eu, bem, fui para o trabalho, porque alguém precisa
trabalhar nessa casa.
— Bom dia, David!
— Bom dia, Sr. King! Feliz? — David perguntou ao ver meu sorriso
pelo retrovisor, olhando para a rua, minha mente prende-se à mulher que
deixei em casa, para qual volto todas as noites. Eu tenho a família perfeita.
— Sim, não poderia estar mais feliz, tenho tudo o que necessito, uma
esposa maravilhosa que eu amo mais que tudo, duas meninas sapecas que
rodopiam pela casa em seus primeiros passos no andador, o que mais poderia
me fazer feliz?
— Nada, senhor. — O vi sorrir, e seguimos para a empresa.

Kate
Nathan é o marido que qualquer mulher no mundo pediria a Deus, tudo
o que peço, ele faz por mim, as meninas estão quase andando e derrubando
tudo pelo nosso apartamento. Consegui terminar a escola com boas notas e
comecei a enviar as solicitações para entrar nas universidades mais próximas
e uma delas era a Columbia que, por sorte, fui aceita, resta agora escolher o
que irei cursar, ainda não me decidi. Vi Nathan se despedir de nossa filha e
sair pela porta.
— Bom dia, Sra. King.
— Bom dia, Eva — falo, olhando-a e indo para a cozinha. — Bom dia,
Ana!
— Bom dia, Katherine. Sente-se para tomar o desjejum. — Sentei à
mesa e logo Ana colocou um prato como ovos mexidos e bacon à minha frente.
— Bom apetite, querida.
Tomei meu café da manhã e fui cuidar das minhas meninas, peguei
Valentina e levei-a para o quarto, era a hora do banho, apesar das babás, quem
sempre as banha sou eu, liguei o chuveiro, enchi a banheira com água morna e
deite-a no trocador para retirar suas roupinhas.
— Princesa da mamãe vai tomar banho, vai? — Valentina deu uma
risadinha, e eu mordi sua mãozinha, ela estava tão gorduchinha que nem
parecia ter nascido de seis meses e meio. Deixei a toalha a postos e molhei-a
aos poucos, para, em seguida, colocá-la sentada na banheira, ela passou a
bater as mãozinhas na água, e logo o banheiro estava todo molhado e a mamãe
com a camisa ensopada. Lavei sua cabecinha enquanto ela mordia o patinho
amarelo, ela soltou o patinho e começou a tagarelar coisas ininteligíveis. —
Sério, meu amor? Verdade! — falei dando risada, como se eu a entendesse, e
Valentina me olhou sorrindo.
— Ma-ma! — ela balbuciou e quase cai para trás!
— Mamãe? Isso, meu amor? Ah, meu Deus, ela disse a primeira
palavra — constatei em êxtase.
— Ma-ma! — ela disse novamente e levantou os bracinhos para mim.
Levantei-a, coloquei a toalha em sua cabeça e enrolei-a. Peguei o celular no
bolso de trás do meu short e disquei o número do celular do Nathan.
— Ela disse mamãe! — falei assim que ele atendeu.
— Quem disse mamãe? — ele perguntou.
— A Valentina, ela disse mamãe enquanto eu a banhava, ainda a pouco.
— Sério, meu amor? Isso é ótimo. — Nathan deu risada do outro lado
da linha.
— Sim, sim! Eu estou tão feliz, elas estão se desenvolvendo tão rápido
— afirmei, colocando Valentina sobre a cama enquanto segurava o celular
entre o ombro e a orelha.
— Nós dois estamos, meu amor, agora preciso ir, tenho uma reunião
importante, à noite, estarei em casa e quero ouvir a Valentina dizer mamãe.
— Eu espero que ela diga — falei sorrindo. — Ok, boa reunião. Amo
você!
— Também amo você, princesa! — Desliguei e dei atenção a minha
pequena, vesti-a e fiz o mesmo com a Vitória, banho e uma nova muda de
roupa.
Sentei-as no chão do quarto delas sobre o tapete branco e coloquei os
brinquedos ali para brincarmos um pouco, elas se olhavam e falavam coisas
que os adultos jamais entenderiam, eu parei para admirá-las. Minhas filhas são
realmente lindas e perfeitas.

Dois meses mais tarde...


Hoje é aniversário das meninas, uma grande festa está acontecendo no
jardim da mansão dos King, várias pessoas importantes compareceram, eu
estou com Vitória no colo, vestida de branco com uma faixa vermelha na
cabeça enquanto Valentina está de vermelho com uma faixa branca em sua
cabeça, ambas fofas demais, aprenderam a andar e agora, se deixarmos,
correm para todos os lados.
— Ma-ma! – Vitória diz rindo e apertando meu rosto entre suas
pequenas mãos. — Ma-ma.
— Sim, é a mamãe! — falo, sorrindo para ela, Valentina está no colo
do Nathan. — Sua mãe sabe como dar uma festa, hein!
— Sim, ela realmente sabe! — ele disse, rindo, enquanto faz cócegas
em Valentina, que dá gritinhos de alegria. — Vamos! — Entramos no jardim
juntos, e todos começaram a bater palmas para as meninas, a música da
“Dora, a Aventureira” começa tocar, ambas agora batem palmas junto com
todos, um bolo enorme é colocado à nossa frente e todos cantam parabéns.
— Vamos apagar a vela, Vi? — falo, olhando-a, ela ri, batendo
palmas. Aproximo-a do bolo para apagarmos a vela, e Nathan faz o mesmo
com a Valentina. Após apagar a vela, todos gritam parabéns e batam palmas,
eu sorrio, olhando para o Nathan.
— Pronto, agora elas são nossas! — Ouço Amanda falar antes de
Vitória ser arrancada de mim e Valentina, dos braços do Nathan. Nathan segura
minha mão e me leva para perto da piscina.
— Parabéns, meu amor!
— Pelo quê? — pergunto, colocando minhas mãos em seu pescoço e
olhando-o nos olhos.
— Por sobreviver, por me querer, por me aceitar, por estar comigo
para tudo, por ser essa mulher maravilhosa, mesmo ainda sendo uma menina.
— Não sou mais uma menina, já tenho 19 anos.
— Boba! Ainda é uma menina, a maioridade é só aos 21 anos.
— Olhe aqui, senhor King, sou esposa, dona de casa, estudante e
muitas outras que você sabe, então, não sou mais uma menina.
— Vai sempre ser a minha menina, você sabe, aquela menina/mulher
que me olhou nos olhos quando abri a porta no The Península há quase dois
anos e que me aceitou como esposa há quase um ano. E eu sou o homem mais
feliz da face da terra.
— Que bom, fico feliz!
— Eu amo você, senhora King.
— Eu amo você, senhor King, e vou amar por toda a eternidade
enquanto durarem as nossas vidas.
E foi assim que, mais uma vez, me vi tão feliz nos braços do homem
que eu amo, sou uma garota de sorte, encontrei o amor em meu primeiro
encontro como Acompanhante de Luxo, mas isso não acontece com todas,
não pense que, tornando-se uma, você também poderá encontrar um homem
assim, porque a realidade é bem diferente da ficção.
Epílogo
Nathan
Entro em casa e tenho duas lindas princesas de três anos correndo para
me encontrar.
— Papai!!! — gritam juntas.
— Princesas. — Sorrio, pegando-as no colo. — Como foi o dia de
vocês?
— Ótimo, papai — responderam em uníssono.
— O dia delas foi maravilhoso, papai. — Kate aproxima-se sorrindo e
dando-me um selinho nos lábios. — E o seu como foi?
— Bem puxado. — Beijei o rosto de cada uma das meninas e as
coloquei no chão, rapidamente retornaram aos seus lugares, no chão da sala,
onde estavam espalhados diversos brinquedos e papeis com rabiscos de todas
as cores imagináveis.
— O jantar será servido daqui a pouco — Kate avisa indo em direção
à cozinha, vou até a suíte, tomar um banho e me trocar.

Kate
Nathan ainda não sabe, mas as meninas preparam uma surpresa linda
para ele de dia dos pais, agora que elas já entendem melhor o que é o dia
representa, sim, claro, eu expliquei. E, lógico, eu estava supervisionando tudo,
elas o amam e o veneram como se fosse um Deus, eu particularmente acho
lindo, tenho ciúmes, é claro, pois sou eu que fico a maior parte do tempo com
elas. Mas, mesmo assim, elas ainda preferem a ele para contar a história antes
de dormir, para sentar no sofá e assistir desenho até dormirem, para dar
comida durante o jantar.
E, de alguma forma, eu só posso agradecer a ele por ter me ajudado
tanto desde o nascimento delas. Nathan se tornou um superpai, supercuidadoso
e como mima essas garotinhas. O mais engraçado é que elas parecerem tanto
com ele, os olhos, a cor dos cabelos, tudo. Sinceramente, elas não têm nada
meu, e eu acho lindo assim. Amo-as com todo o meu coração.
Com a ajuda de Maria, coloquei a refeição na mesa.
— O jantar está pronto! — gritei, e elas vieram correndo, batendo os
pés, como se fosse uma manada de touros passando pela casa.
— Vou sentar do lado do papai. — Ouvi uma das meninas falar.
— Não! Eu vou. — E era sempre isso durante o jantar, a briga antes de
saber quem sentaria ao lado do Nathan.
— Ambas sentarão ao lado do papai — falei assim que as vi, puxei o
cadeirão e as acomodei. — Pronto, logo o pai de vocês estará aqui.

Nathan
Saí do banho, vesti uma calça de moletom e uma camisa, deixei o
quarto rumo à sala de jantar enquanto ouvia a pequena discussão das meninas
para saber quem sentaria ao meu lado, essas meninas são demais. Ser pai de
uma menina é difícil, imagina só de duas como eu sou, duas meninas que
querem atenção imediatamente e a disputam constantemente. Eu sou um pai
afortunado por isso, eu sei. Sou realmente feliz com a família que tenho,
principalmente agora que vem mais um por aí, Kate desfila bem grávida pela
casa com sua barriga de cinco meses. Uma mulher linda de todas as formas.
Considero-me feliz e abençoado.
— Cheguei!
— Papai!!! — elas gritaram juntas e bateram palmas. Eu ri e sentei
entre as duas cadeiras em que elas estavam.
— Vamos comer? — Sorri.
— Simmmmmmm!! — elas gritaram. E, mais uma noite, me revezava
para dar comida a elas, pois só queriam que eu desse.
Kate comia quietinha e nos observava, ela está linda, a pele
branquinha dela está incrivelmente corada com a nova gravidez. Mais linda do
que nunca, talvez seja também pelo fato de eu amar vê-la grávida, ela fica
maravilhosa, a barriga e a bunda redonda, nossa, dá um tesão.

Kate
Após a refeição, sentamos no sofá para ver desenhos no Cartoon
Network, assistiram desenho até adormecerem, uma de cada lado do colo do
Nathan. Peguei uma no colo e Nathan a outra, e fomos colocá-las em suas
camas que ficavam no quarto ao lado do nosso, as acomodamos e beijamos
suas testas, saímos do quarto, indo para o nosso.
— Estou com uma dor nas costas — comentei.
— Eu imagino, você não para de pegá-las no colo, sabe que elas são
pesadas para você, ainda mais agora, no quinto mês da gravidez — Nathan me
repreendeu.
— Eu sei, mas eu não consigo evitar, você sabe, coisa de mãe —
respondi.
— Eu sei.
Entrei no closet e troquei de roupa, vestindo uma camisola, voltei e
sentei-me à beira da cama, de costas para o Nathan, que estava já deitado.
— Vou lhe fazer uma massagem — Nathan fala ao mesmo tempo em
que se aproxima e dá um beijo em minha nuca que me faz arrepiar.
— Seria bom. Eu amo suas massagens.
— Vamos nos livrar dessa camisola.
Ele falou sorrindo e puxando minha camisola, tirando-a. Vejo-o pegar
o óleo de amêndoas que está sobre o criado mudo e, lentamente, começou a
passar em minhas costas, fazendo-me relaxar. Amo quando ele faz essas
massagens, tem mãos maravilhosas. Ele, então, deitou-me de lado e continuou
massageando, adormeci ali mesmo.
Quando acordei, já era dia, ele ainda dormia ao meu lado, saí de
fininho da cama e fui ao quarto das minhas bagunceiras. Elas já estavam
acordadas, olhei no relógio. Seis da manhã.
— Mamãe, vamos preparar o café da manhã do papai.
— Sim, meu amor, vamos. — Hoje faríamos um café especial para o
Nathan, afinal, é dia dos pais.
Ajudei a escovarem os dentes e se trocarem, fiz o mesmo no banheiro
de outro quarto para não acordar o Nathan. Fomos para a sala de jantar e
montamos os cartazes que elas tinham feito e pintado para ele. Comprei uma
placa de FELIZ DIA DOS PAIS e coloquei na parede, logo abaixo, enchi de
fotos nossas e das meninas desde que nasceram.
De lá, fomos para a cozinha preparar panquecas, ele ama panquecas,
sentei uma no balcão e a outra subiu na cadeira para ficar com a irmã enquanto
separávamos os ingredientes. Depois de muita bagunça, seus rostos e meus
cabelos cheios de farinha de trigo por causa de uma pequena briga de comida
na cozinha, conseguimos fazer as tão sonhadas panquecas. Peguei a travessa e
levei para a mesa da sala de jantar, onde já estava quase tudo pronto, pois a
Ana havia preparado antes de sair.
— Vamos acordar o papai e entregar seu presente? — falei, e elas
correram, cada uma com seu presente, pelo corredor rumo ao meu quarto.
— Papai! Papai — gritaram, e vi Nathan despertar espantado.
— O quê? O quê? A mãe de vocês está bem? — ele perguntou,
procurando-me pelo quarto.
— Sim, meu amor, eu estou bem. — respondi da porta, encostando-me
e cruzando os braços. Nathan cai para trás e suspira.
— Que bom! — As meninas pulam em cima dele.
— Papai, feliz dia dos pais! — elas falam e entregam seus presentes.
— Obrigado, meninas! — Nathan fala, sorrindo e abraçando-as.
— Abra! — falei, aproximando-me. Ele abriu e, em uma das caixinhas,
havia alguns desenhos, ou melhor, rabiscos e um relógio e na outra, mais
rabiscos e uma corrente com um pingente com o nome das duas.
— Obrigada, meus amores!! Agora deem um abraço no papai. — E
então elas pularam em cima dele.
— Vamos, deixem o pai de vocês se trocar — falei, elas saíram da
cama e fomos para a sala esperar por ele.
Dez minutos mais tarde, um Nathan com o cabelo penteado e muito
cheiroso entrava na sala de jantar.
— Feliz dia dos pais, meu amor — parabenizei contente e lhe
entreguei uma pequena caixinha. Ele sorriu e abriu a caixinha; dentro, coloquei
um par de sapinhos azuis, sim, nosso próximo bebê seria um meninão.
— Sério?
— Sim...
— É maravilhoso! — ele falou e me deu um abraço, puxando-me para
um beijo.
— As crianças, meu amor... — ele riu. — Veja, fizemos para você. —
Mostrei a parede com as diversas fotos que eu montei com as pequenas.
— São lindas. — Ele se aproximou da parede e começou a ver as
fotos. — Veja essa, eu lembro, foi assim que elas nasceram, Amanda me
perturbou tanto naquele dia que eu tive que tirar essa foto para mostrar a ela
pelo WhatsApp. — Sorri olhando-o, as meninas estavam já sentadas à mesa.
— Vamos comer, estou faminto.
— Fizemos panquecas, papai.
— Isso é ótimo, esse é o melhor dia dos pais do mundo!! E eu sou o
homem mais feliz desse universo por ter filhas lindas como vocês e uma
esposa maravilhosa como você, Kate. Obrigado!
Sim, eu me tornei mãe em tempo integral, as babás que antes estavam
sempre por aqui, não estão mais, e a faculdade, bem, ficou de lado por mais
algum tempo. Talvez, daqui alguns anos eu tente novamente, quem sabe.

Fim
Sobre a Autora
Lídia Medeiros é o pseudônimo usado pela Elidiane Medeiros, a autora
também têm outras histórias que ainda serão esse ano, dentre elas estão:
Sangue do meu Sangue e Três Luas. Além de outras histórias já publicadas
como Acompanhante de Luxo – Livro 1 e A Virgem. Nascida em Fortaleza,
hoje mora na capital paulista com o esposo, é uma amante da leitura, e não fica
um dia se quer sem estar lendo alguma história. Se quiser saber mais sobre a
autora, entre em contato.
Instagram: @lidiamedeiros90
Facebook: https://www.facebook.com/autoralidiamedeiros
E-mail: elidianemedeiros@gmail.com

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