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15/09/2020 Reforma administrativa massacra servidores e não corrige distorções | Partido dos Trabalhadores

BRASIL | POLÍTICA

Reforma administrativa massacra


servidores e não corrige distorções
Guedes e Bolsonaro propõem extinguir a estabilidade no serviço público federal, mas não tocam
nos supersalários do Judiciário e do Legislativo. “Proposta do Planalto protege os de cima e quer
acabar com qualquer estabilidade de emprego”, critica Gleisi. O pior é a falácia sobre a
necessidade da reforma e da comparação do número de servidores no Brasil e outros países.
Estado brasileiro gasta três vezes menos que a média dos países desenvolvidos com
funcionalismo

15/09/2020 12h20

O governo de Jair Bolsonaro, seguindo a agenda


econômica destrutiva de Paulo Guedes, prepara o Leia mais
desmonte do aparelho do Estado brasileiro. Na proposta
Reforma administrativa de Guedes parte de mentiras
de reforma administrativa, enviada ao Congresso
Campanha pelo fim do teto de gastos ganha mais
Nacional no início do mês, o Palácio do Planalto se
adesões
propõe a suspender concursos públicos e estrangular os
salários da maioria dos servidores públicos, embora deixe Relaxamento no combate à pandemia pode levar a nova
de lado o topo do funcionalismo, ocupado pelos onda de contágio
servidores do Legislativo e do Judiciário. A presidenta
nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR),
acusa Bolsonaro de querer “proteger os de cima e acabar com qualquer estabilidade de emprego”.

“O ministro Paulo Guedes falou que acha muito pouco um procurador ganhar R$ 38 mil”, denuncia Gleisi. “Por aí a gente vê
a concepção de Estado que eles têm”. A declaração foi dada pela deputada em entrevista ao programa Poder 360, transmitido
na noite de domingo (14), pelo SBT. “Não se pode precarizar o serviço público e colocar os servidores públicos como vilões,
porque eles acabam agora virando criminosos”, lamentou. A crítica de Gleisi é justa. O governo não incluiu na proposta de
emenda constitucional da reforma administrativa nem juízes ou procuradores. A média de salários no Judiciário brasileiro gira
em torno de R$ 12 mil, conforme dados do IPEA(veja quadro abaixo). No Legislativo, é de R$ 6 mil. E no Executivo, R$ 4
mil.

Na avaliação do PT, a PEC promove mais arrocho fiscal, além de pôr em risco as condições exigidas para o funcionamento da
própria administração pública ao extinguir a estabilidade dos servidores, ameaçando a prestação dos serviços à sociedade.
Como não toca nos servidores do Legislativo e do Judiciário, o risco é de extinção de serviços básicos prestados pelo
Executivo, incluindo áreas essenciais para o desenvolvimento do país e para a maioria da população, como saúde e educação.

Na avaliação de dirigentes sindicais a imposição de um serviço público sem estabilidade, sem carreira e sem vínculo é um
retorno ao clientelismo e ao coronelismo do início do século passado. A reforma como está representa um retrocesso. O
governo arrota que o Estado é inchado e o número de servidores é excessivo, mas a afirmação não se ampara em dados reais,
na comparação entre o Brasil e outras nações.

De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a organização
intergovernamental com 37 países membros e que Bolsonaro sonha em aderir, o Brasil tem hoje 12,1% dos trabalhadores no
serviço público em relação ao mercado de trabalho (veja o quadro abaixo). A média da OCDE é de 21,3%. Na Dinamarca, o
percentual é de 34,9%. Na França, 19,8%. Na Espanha, 17,3%. Em Portugal, 16,4%. O quadro comparativo revela, portanto,
que o problema do país não é o número de servidores, mas a desigualdade dentro do próprio serviço público e a qualidade dos

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serviços prestados à sociedade.

No Ministério da Economia, a comparação sobre a realidade brasileira em relação aos gastos com o funcionalismo Estados
Unidos não é justa. E nem correta, porque compara realidades distintas. Na terra de Donald Trump, as políticas públicas em
áreas essenciais – como saúde e educação – não são universais. O SUSnão existe nos EUA, e mesmo na educação, apenas o
ensino fundamental é assegurado pelo Estado. Uma tentativa de implantar um programa de saúde amplo – o chamado
Obamacare –, instituído pelo democrata Barack Obama, ficou sob bombardeio no governo de Trump. Desde que chegou na
Casa Branca, uma ofensiva dos Republicanos no Judiciário vem desidratando o programa, que hoje está completamente
desfigurado.

Também a realidade desmonta outro argumento do ministro Paulo Guedes no encaminhamento da reforma administrativa
sobre os gastos do Estado brasileiro com os servidores públicos, que ele considera excessivos. É mentira. Dados comparativos
do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2016 (veja quadro abaixo) mostram que o Estado brasileiro gasta três vezes
menos que a média dos países desenvolvidos. A União desembolsou naquele ano US$ 5,6 mil per capita com servidores
públicos na ativa, enquanto nos EUA o desembolso foi de US$ 19 mil. A média dos países desenvolvidos – que incluem
Suécia, França, Alemanha, EUA, Austrália, Japão e Portugal – é de US$ 17,1 mil dólares.

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“Esse projeto de reforma administrativo não é sério, a não ser no sentido de que encaminha a destruição do Estado e de que
protege a elite do funcionalismo”, criticou o economista Sérgio Mendonça, ex-secretário de Recursos Humanos do serviço
público federal nos governos Lula e Dilma, em entrevista à revista Carta Capital. Ele avalia que ao extinguir a estabilidade,
elimina-se o poder de o Estado atrair quadros qualificados. O argumento é que, se o funcionário pode ser demitido como
qualquer trabalhador do setor privado, para quê fazer concurso público, onde a atividade é burocratizada e a responsabilidade
é grande?

Mendonça lembra que, nos governos do PT, houve concurso público para 250 mil vagas na administração federal, dos quais
60% na área da educação, em universidades e institutos federais. “Queríamos fortalecer o Estado por esse viés. Então havia
uma concepção”, ressalta o economista. Ainda assim, estudo comparativo do IPEA mostra que, desde 2013, as despesas com
servidores públicos no país foi em média 14,5% do PIB, algo em torno de R$ 740 bilhões por ano (veja o quadro abaixo).

Da Redação

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