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Olá

Esse é um ebook gratuito que faz parte da coleção de 9


livretos Escutando as Crianças do Hand in Hand.

Chamamos de livretos porque são ebooks que vão direto


ao assunto, são fáceis e rápidos de ler e profundos.

A Coleção Escutando as Crianças foi escrita pela Patty


Wipfler, fundadora do Hand in Hand Parenting e traduzido
e adaptado por mim, Vanessa Galvani. Sou mãe da Alice e
da Amanda, pedagoga, mestre em educação e instrutora
brasileira do Hand in Hand Parenting. No final do livreto
eu falo mais sobre o Hand in Hand Parenting.

A abordagem de Conexão e Escuta é baseada nas mais


recentes pesquisas da Neurociência e da Neurobiologia, e
te ensina como funcionam as emoções no seu filho.
Então, quando o seu filho tiver comportamentos
desafiadores, você vai saber porque ele faz isso, o que
você pode fazer para ajudá-lo e vai entender que não
tem nada de errado com o seu filho. 

Quando você sabe o que o seu filho precisa e o que fazer


você se sente calma, leve e confiante e o seu filho vai
crescendo emocionalmente saudável.

Boa leitura!
Beijos
Van

É proibida a cópia, redistribuição ou exploração comercialmente de qualquer


parte deste documento sem a permissão expressa dos autores.
Copyright Hand in Hand - Todos os direitos reservados
Um novo conjunto de suposições

A maioria de nós que somos pais avaliamos a


nossa competência de uma maneira muito direta.

Quando nossos filhos são felizes, cooperativos,


amorosos e educados, nós podemos nos orgulhar
de nossa forma de educar e, consequentemente,
nos orgulhamos deles.

Quando nossos filhos estão infelizes ou irracionais,


nós nos culpamos ou culpamos nossos filhos.
Temos a tendência de agir considerando uma
suposição amplamente compartilhada de que os
transtornos das crianças são ruins. Com forte
persuasão ou força, pressionamos nossos filhos a
serem bons novamente, porque não queremos nos
sentir como pais maus com filhos ruins.

Há uma nova abordagem, no entanto, que alivia


mães e pais do trabalho desagradável e difícil de
tentar fazer as crianças serem boas. Essa
abordagem baseia-se nas seguintes suposições
abundantes e bem fundamentadas:

As crianças são naturalmente descontraídas,


amorosas, cooperativas e ansiosas por
aprender.

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A natureza boa das crianças pode ser
obscurecida por sentimentos ruins.
Quando as crianças estão tristes, assustadas,
frustradas, envergonhadas, ou quando se
sentem sozinhas ou não apreciadas, sua
natureza boa pode ser obscurecida. Essas
tensões fazem com que o comportamento
da criança fique fora da linha, e afastam a
confiança, a cooperação e o entusiasmo dela.

Os sentimentos de mágoa confinam a


criança a comportamentos sem amor,
medrosos ou inflexíveis, o que é um claro
pedido de ajuda.
Uma criança que está chateada ou inflexível
irá se recompor de seus sentimentos de
mágoa se um adulto atencioso se aproximar
de forma amorosa e escutar enquanto ela
expulsa sua irritação.
Os pais que adotam essa nova abordagem
em momentos difíceis logo descobrem que a
perturbação de uma criança, que antes
parecia indicar uma falha grave, agora
simplesmente indica a necessidade de
alguma escuta.

A atenção gentil dos pais encoraja a criança a


sentir a dor completamente. Com grande
energia, ela vai chorar, fazer birra, tremer ou
rir até que ela libere os sentimentos que a
3
desviaram do seu
julgamento. As
explosões emocionais
das crianças são um
processo natural de
recuperação que
restaura sua
capacidade de
relaxar, amar e aprender.
Descobrimos que as crianças cujos
sentimentos profundos são escutados
desenvolvem confiança em sua própria força
e inteligência, assim como confiança no amor
de seus pais. Esperança e afeto nascem no
coração de uma criança depois que seus
sentimentos barulhentos e infelizes foram
vigorosamente dissolvidos.

Em particular, a frustração é um problema comum


que aflige qualquer um que esteja ansiosamente
aprendendo novas habilidades. As crianças se
aproximam da aprendizagem com uma atitude de
"É claro que posso fazer isso!" e uma verdadeira
paixão pelo sucesso. Suas ideias sobre o que
querem fazer são ótimas, mas as habilidades das
crianças só crescem por meio do processo confuso
de tentativa e erro. Sentimentos de frustração são
um obstáculo diário no processo de aprendizagem,
um resultado natural do choque entre o que as
crianças esperam e o que elas são capazes de
fazer.
4
Frustração bloqueia o processo de
aprendizagem

A frustração é um inimigo perturbador e


impactante para crianças e adultos de todas as
idades. A frustração acontece porque a criança não
consegue fazer as coisas do jeito dela e, pela sua
natureza ela não desistirá de tentar. Finalmente,
em algum momento ela perde sua capacidade de
desenvolver novas maneiras de tentar. Ela quer ter
sucesso, mas não consegue descobrir como.
Ela se sente tão
frustrada como se
tivesse saindo de sua
pele. Sugestões de um
adulto bem-
intencionado não vão
ajudar, porque os
sentimentos da criança
sobrecarregam sua
capacidade de pensar.
Neste ponto, se as birras forem proibidas, a criança
vai acabar abandonando sua tentativa de aprender.
A frustração eriça como um porco-espinho toda
vez que ela enfrenta situações semelhantes ou
tarefas de aprendizado semelhantes.
As explosões emocionais das crianças são um
processo natural de recuperação que restaura sua
capacidade de relaxar, amar e aprender.
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Como as crianças se recuperam da frustração

Quando uma criança frustrada se sente segura, ela


começa a fazer uma birra, que é o processo de
recuperação que expulsa a frustração. Estourando
em muito barulho e movimento, seu corpo fica
quente, e pode haver lágrimas e transpiração
também. Uma criança muitas vezes se joga no
chão, com seus braços e pernas voando, ou se
empurra contra um objeto imóvel e continua
empurrando sem sucesso.

As birras geralmente não são direcionadas a


ninguém em particular. As crianças não são
mesquinhas ou rancorosas. A explosão da criança
será uma liberação acalorada de tensão que se
acende em um instante.

As birras não são bonitas para a maioria dos pais,


mas você irá apreciá-las quando perceber o quanto
elas aliviam seu filho.

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A maioria de nós nunca viu uma birra restaurar a
capacidade de pensar e aprender de uma criança
porque estamos cercados por pessoas que
intimidam e ficam com raiva ou ameaçam quando
as crianças demonstram seus sentimentos. Fomos
ensinados que as crianças não devem fazer birras,
embora todas as crianças saudáveis tentem de
novo e de novo aliviar a frustração dessa maneira. 

Uma birra não significa necessariamente que algo


está errado com você, com a situação ou com seu
filho. Birras repetidas, em situações semelhantes
podem significar, no entanto, que expectativas ou
limitações inadequadas estão sendo impostas ao
comportamento do seu filho.
Por exemplo, esperar
que uma criança
pequena faça uma
rodada de compras no
shopping sem tocar
em nada pode resultar
em frustração. As
crianças pequenas não
conseguem conter o
desejo instintivo de aprender e elas aprendem
tocando. Mesmo quando nossas expectativas se
ajustam bem aos nossos filhos, eles ficam
frustrados às vezes. Suas esperanças e ideias
ultrapassam suas habilidades. As birras são a
maneira como as crianças enfrentam essa
frustração, se livram dela e retornam à uma vida
satisfatória.
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Quando permitimos que a birra de uma criança siga
seu curso completo, ela fica livre da tensão que
bloqueia seu processo de aprendizagem. Uma
criança frustrada comete os mesmos erros várias
vezes. Ela não pode aceitar a ajuda de ninguém.
Depois de uma birra saudável, a criança relaxa e
retorna às alegrias de aprender e cooperar.
As birras desempenham um papel importante em
manter as crianças esperançosas sobre sua
capacidade de aprender. E, por isso, elas não
precisam se afastar dos desafios sempre que o
processo de aprendizagem se torna difícil.
Quando permitimos que a birra de uma criança
siga seu curso completo, ela fica livre da tensão
que bloqueia seu processo de aprendizagem.

Escutando as birras do seu filho

Você provavelmente pode pensar em várias


situações que regularmente frustram seu filho.
Às vezes, é um evento que provoca um transtorno,
como ser colocado na cadeirinha do carro, quando
o irmão ou o coleguinha pega um brinquedo ou a
professora pedir para desenhar algo para a escola.
Às vezes, as birras parecem estar mais ligadas a
uma hora do dia do que a um tipo particular de
atividade. Por exemplo, voltar para casa depois da
escola ou sair de casa de manhã pode ser um
momento delicado para as crianças, porque elas
não têm muito poder de escolha nesses
momentos.
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Depois de identificar esses horários ou atividades,
prepare-se. Em vez de esperar que esse problema
persistente desapareça da noite para o dia, você
pode concluir que ele provavelmente entrará em
erupção, como de costume. Quando seu filho ficar
nervoso, aproxime-se. Se ele está perto de desistir
de um esforço frustrante, gentilmente o ajude a
ficar onde está. Silenciosamente, ajude-o a encarar
o quanto ele se sente mal.

Às vezes, a parte inicial de escutar uma birra de


uma criança envolve decidir não acalmar ou distrair
sua criança chateada. Se a sua filha tiver escolhido
um vestido para usar na escola, mas começar uma
birra quando tentar vesti-lo, você poderá perguntar
qual vestido ela quer. Se ela começar a reclamar do
segundo vestido que ela escolheu, você pode ter
certeza de que sua filha está buscando o alívio em
uma birra. Tudo o que você precisa fazer para
ajudar sua filha a se recuperar é parar de encontrar
novas roupas. Diga gentilmente: "Acho que você
precisa escolher um desses vestidos que você já
pegou". Isso dá permissão para sua filha começar a
liberar.

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Escutar as birras de seu filho não é muito diferente
de escutar um bom choro, uma vez que você tenha
a sensação dele (veja o livreto O Choro, da Coleção
Escutando as Crianças). É simplesmente o lado do
trovão e do relâmpago do sistema meteorológico
interno de uma criança.
Aqui estão algumas diretrizes gerais:
Fique perto do seu filho,
mas não tente consolá-lo.
Uma birra é cheia de barulho e movimento. Seu
filho vai ficar muito quente e pode transpirar
bastante. Ele precisa se contorcer, se agitar e se
lançar para os lados para tirar a frustração do seu
sistema. Você pode ser o gerente de segurança,
certificando-se de que ele não bata em nada
enquanto prossegue. Todo aquele pisar, barulho e
luta com forças invisíveis está ajudando-o a se
recuperar do insulto de não poder fazer suas
próprias ideias funcionarem (você conhece o
sentimento!). Deixe ele se mexer. 

A maioria das birras é relativamente curta. Você


pode esperar por cinco a quinze minutos. Uma vez
escutada, a birra desaparece rapidamente, talvez
com alguns risos e afeição amorosa entre a criança
e quem a está escutando. Essa transformação de
sua criança parcialmente esgotada em uma pessoa
gentilmente razoável é uma das maravilhas reais
que a escuta pode produzir. A criança costuma
ganhar um grande estoque de paciência, que você
vai adorar, durante as próximas horas ou dias. 10
Se você estiver em um lugar público, você
pode querer levar seu filho com cuidado
para o seu carro ou outro local mais seguro
para enfrentar a tempestade.
As crianças tendem a ter birras em público. Isso
pode ser porque a atenção dos pais foi atraída para
a mecânica de organizar as coisas e chegar até o
local. No momento em que chegam, a criança se
sente desconectada e fora do normal. 

Muitas vezes, vale a pena levar sua criança se


contorcendo para um local mais privado, para que
você se sinta mais à vontade para lidar com as
coisas com cuidado. Se você não estiver com o seu
carro por perto, você pode ir para uma seção da
loja ou do supermercado que esteja mais vazia, ou
os degraus da frente do templo ou da igreja
podem servir de um refúgio improvisado enquanto
seu filho trabalha os sentimentos dele. Peça ajuda
se precisar: "Você moveria meu carrinho de
compras para o lado? Volto em alguns minutos.”
Se você conseguir, um toque de humor ajuda:
“Parece que temos dificuldades técnicas! Eu quero
comprar essas folhas: voltarei quando meu amigo
aqui se sentir melhor."

A maioria dos espectadores ficará feliz em saber


que você sabe o que está fazendo. De fato, a
maioria dos espectadores, uma vez ou outra,
enfrentaram a mesma situação que você está
enfrentando. Não se preocupe muito com eles.
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Sabemos da história de um pai que estava com seu
filho de dois anos numa loja de brinquedos lotada
no centro da cidade e o filho começou a fazer uma
birra completa. Ele não tinha um lugar bom para ir,
então ele andou pelas ruas carregando seu filho
gritando e se contorcendo por dez minutos. Sua
esposa, envergonhada pela situação, foi andando
atrás deles mas mantendo uma certa distância.
Quando acabou, eles esperavam que o filho
estivesse cansado e irritado, como ele ficava
normalmente no início da tarde. Eles ousaram
entrar em um café para almoçar, seu filho sentou-
se contente e alerta e teve uma refeição pacífica,
até a garçonete ficou encantada com o menino.

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INDIGNAÇÃO

Outra emoção que nossos pais tiveram pouca


tolerância é a indignação. Algumas vezes é difícil
distinguir entre frustração e indignação, porque
ambas são barulhentas e ambas estão além dos
limites das boas maneiras e do autocontrole que
foram ensinados para a maioria de nós.

A indignação é uma resposta espontânea e


saudável à injustiça. É uma daquelas expressões
culturalmente proibidas que, quando
compreendidas e escutadas, servirão muito bem
tanto ao seu filho quanto à sua família.

Às vezes, nossos filhos têm boas razões para


ficarem indignados com o tratamento que recebem
de nós, de outros adultos e de seus colegas. O
desrespeito pelas crianças é generalizado em
nossa sociedade. Quando crianças confiantes são
injustiçadas, elas protestam. Sua resposta é
imediata, fresca, alta e não visa machucar ninguém.
Elas pretendem ser escutadas e consertar as
coisas. Uma criança indignada dirá a você (ou a
outra pessoa), em termos claros, o que ela acha
que foi imprudente ou injusto. "Não fale assim com
meu irmão! Você está sendo malvado com ele.
Apenas fique quieto!"

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"Você não pode me
chamar de idiota só
porque eu perdi
meu dever de casa!
Eu não sou estúpido!
Nunca mais diga
isso!"

"Você acha que todos os jovens que têm cortes de


cabelo punk são delinquentes! Você está muito
errado! Eu quero que você pare de insultar meus
amigos! Eu não aguento mais!'' Estes são exemplos
de como um jovem vai defender o que ele acha
que é certo. Bebês e crianças também vão insistir
em um tratamento respeitoso, sem palavras, mas
com total seriedade de propósito. As pessoas
parecem ter nascido com uma expectativa inata de
amor e respeito. Apenas doença ou maus-tratos
repetidos desgastam a vontade de uma pessoa de
lutar pelo que é certo.

Quando nós, os pais, estamos a ponto do


esgotamento no processo de criação dos filhos,
pode ser um alívio que nossos filhos nos detenham
quando estamos sendo duros ou injustos. Em
última análise, queremos que nossos filhos
mantenham seu senso de justiça e insistam no
respeito que merecem, mesmo que eles estejam
desafiando nossa postura. Eles fazem bem em se
defender contra nossas palavras e ações cansadas,
irracionais e perturbadas.

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Escutando a Indignação

Quando uma criança pensa que ela ou alguém que


ela se preocupa foi injustiçado, e ela fica indignada,
a melhor coisa que podemos fazer é escutar.
O que ela está dizendo?
Ela está certa?
O que pode ser feito
sobre isso?

Quando uma pessoa


indignada encontra-se
com uma boa escuta e
soluções genuínas, o incidente logo acaba e a
chateação é resolvida. Um pedido de desculpas,
uma mudança de decisão ou uma promessa de
uma discussão completa sobre o assunto são os
tipos de soluções que podemos oferecer. Se você
escutar e depois trabalhar com seu filho para
acertar as coisas, ele ficará satisfeito e contente
consigo mesmo e com você.

Por exemplo, quando meus dois filhos entravam


em suas inevitáveis discussões, às vezes eu
escutava e ficava convencida de que um dos meus
filhos era culpado. Eu entrava furiosamente na
briga, culpando um e defendendo o outro. Muitas
vezes, o filho que eu estava defendendo virava
para mim e gritava: "Saia daqui, mãe! Você está
culpando ele, e você não sabe nada sobre isso!
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Você ir para cima dele só piora as coisas. Esta é a
nossa discussão!'' Eu me afastava, ficava com raiva,
me sentia insultada, claro, e surpresa. Eles
voltavam a discutir, bravos um com o outro
novamente, mas sem o meu transtorno para lidar.

Eles foram legais comigo? Não, eles foram justos.


Eles se defenderam por um bom motivo? Sim, eles
estavam buscando uma solução e eu estava
aumentando o problema.
Eles gritam comigo toda vez que eu digo alguma
coisa no meio de uma briga? Não, se eu for
sensata e fizer perguntas pertinentes, ao invés de
atribuir culpas, eles geralmente usarão minha
ajuda. A indignação dos nossos filhos pode nos
impedir de negligenciar nosso tratamento com eles
e com outros. Seu senso de justiça afinado pode
ser um verdadeiro presente em nossas vidas.

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Esta abordagem de escuta é muito permissiva?

Por muitas vezes, temos a sensação que os


transtornos que surgem são caóticos. Então você
pode estar se perguntando: se eu escutar todas as
vezes, a vida não será um alvoroço? Eu não estaria
reforçando a falta de controle? Como vou suportar
esses comportamentos? Mas a questão que
realmente importa é: se eu escutar as birras e a
indignação, meu filho irá se comportar bem
novamente?

Permitir que as birras de uma criança sigam o seu


rumo, ou permitir que a indignação seja ouvida,
pode de fato ser arrepiante para os pais nas
primeiras vezes. Pode alimentar nossos medos de
caos e, muitas vezes, nos irrita ao ver sentimentos
tão puros. Nós levamos os sentimentos de uma
criança para o lado pessoal, como se o nosso filho
estivesse nos dando uma nota negativa na nossa
maternidade/paternidade. Nossas interpretações
de birras e indignação são fortes e negativas, e
precisamos de uma estratégia para lidar com o que
acontece dentro de nós.
Parcerias de Escuta entre pais são uma excelente
maneira de progredir no difícil papel de escutar. Em
uma Parceria de Escuta, dois pais estabelecem um
horário, longe dos filhos, para se concentrarem no
trabalho de ser pais. Cada uma tem a sua vez de
falar sobre o que está indo bem e o que é difícil na
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criação dos filhos.
É hora de encararmos
nossos próprios
sentimentos sobre ter
uma criança frustrada
ou indignada. Dada a
chance de focar nas
situações que
tormentam nossa paciência, podemos entrar no
auge da situação ou retomar a questão com
cabeça mais fria, nos sentindo mais leves e
tranquilas e ter uma abordagem mais intencional.

Muitos pais que se atreveram a escutar as birras e


a indignação de seus filhos encontram seus filhos
ansiosos para liberar essas tensões. Se o seu filho
estiver no limite poderão ocorrer várias explosões
por dia. Mas quando seu estoque de sentimentos
frustrados se esvaziar, você verá uma criança
muito mais feliz e resistente emergindo.
Ela certamente irá se deparar com novas situações
que a frustram, porque ela é uma aprendiz ansiosa.
No entanto, uma vez que ela é escutada, ela não se
irrita com a tensão em todas as situações
desafiadoras. As crianças gostam de estar em bom
contato com os outros. Elas amam estar seguras
de si mesmas para se mover de uma aventura para
outra sem se chatear. Elas têm birras apenas
quando precisam se curar de uma aventura que
sobrecarrega sua confiança.

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Uma mãe que conheço lamentava a entrada do
filho nos terríveis dois anos. Ele tinha sido inflexível,
rígido e teimoso por uma semana ou duas,
querendo que cada detalhe da vida fosse assim,
sem interferência de adultos. Quando ela se
aproximou e escutou, ele teve várias birras ao
longo de um período de três ou quatro dias, e
depois retornou aos seus habituais modos
descontraídos. Sua mudança de personalidade
tinha sido simplesmente a necessidade de tirar
algumas coisas de seu peito antes que ele pudesse
restabelecer seu prazer em si mesmo e nos
outros. 

As crianças não escolhem momentos e lugares


fáceis para ter suas birras ou expressar sua
indignação, por isso não espere que sua boa
escuta resulte em uma criança perfeitamente
educada. Enquanto seu filho é jovem, ele vai fazer
birra sempre que precisar. No entanto, as crianças
cujos pais as escutaram dessa maneira não
entraram na adolescência desmoronando com
cada pequena frustração. Eles tiraram proveito
dessa oportunidade durante a infância e reuniram
muita flexibilidade e confiança. 

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Usando essa abordagem, você pode esperar que
seu filho se torne cada vez mais capaz de enfrentar
desafios importantes. Ele persistirá em aprender
mesmo quando tiver dificuldades e defenderá sua
integridade diante da irracionalidade. Esses pontos
fortes o manterão em um lugar muito melhor ao
longo de sua vida do que a adesão estrita às regras
de etiqueta. Aliviado da tensão, ele poderá ficar
genuinamente satisfeito com as pessoas na maior
parte do tempo. Ele manterá uma verdadeira
empatia pelos outros, porque você tratou os
sentimentos dele com respeito, confiando que ele
voltaria a pensar o mais rápido que pudesse.

20
Coleção Escutando as Crianças
A coleção de livretos Escutando as Crianças 
em breve estará disponível em português no site
vanessagalvani.com.br.
Os 9 livretos são vendidos juntos, exceto esse
ebook de Birras e Indignação que é um ebook
gratuito.

21
Uma palavra final
Lembre-se que o nosso trabalho é importante
O trabalho que nós, mães e pais, fazemos é um
dos trabalhos mais interessantes e gratificantes
que o mundo pode oferecer.

Nossas crianças nos lembram que alegria, diversão,


entusiasmo e determinação para conseguir as
coisas também são nosso direito de nascença.

É hora de voltar nossa atenção para o prazer de


nossas crianças e nossa parentalidade. É hora de
começar a trabalhar na construção de redes de
relacionamentos afetivos, nos quais nós e nossas
famílias possamos prosperar. É hora de trabalhar
com outros pais para construir uma sociedade
comprometida com o apoio de pais e jovens.

É hora de construir uma sociedade onde nenhuma


criança seja criada na pobreza, nenhuma criança
seja alvo de racismo, nenhum pai fique com o
coração partido porque ele ou ela não tem os
recursos necessários para maternar ou paternar
bem.

E é importante não fazer esse trabalho vital


sozinho.

22
Abordagem de Conexão e Escuta
Hand in Hand Parenting
A Abordagem de Conexão e Escuta foi
desenvolvida pela Patty Wiffler que é a fundadora
do Instituto sem fins lucrativos Hand in Hand
Parenting.

O Hand in Hand existe há mais de 30 anos, no Palo


Alto na Califórnia, nos Estados Unidos, e já atendeu
e apoia mais de 2 milhões de pais e mães no
mundo inteiro.

A Abordagem se baseia em estudos científicos


sobre o cérebro pela neurociência e neurobiologia,
onde podemos compreender claramente como
funciona os sistema emocional das crianças e do
ser humano, e dessa forma entender qual é a
necessidade emocional da criança que ela nos
demonstra através do seu comportamento.

A abordagem de Conexão e Escuta foi a grande


resposta para todas as questões da maternidade
que eu considerava não ter uma saída. Isso porque
ela trabalha na causa: as emoções.

Todos os comportamentos, nossos e dos nossos


filhos são baseados em nossas emoções. E quando
você aprende e atende as necessidades emocionais
do seu filho você vai ter uma maternidade mais leve
porque seu filho volta a ser quem ele
verdadeiramente é: uma criança boa, feliz, educada
e que coopera.
23
Nossa Missão
Nossa missão é fornecer aos pais informações,
habilidades e apoio de que precisam para escutar e
se conectar com seus filhos de uma maneira que
permita que cada criança prospere.

Para aprender mais sobre a abordagem de Conexão


e Escuta para pais e profissionais, contate:

EUA
www.handinhandparenting.org

Brasil
@vanessagalvanioficial
Youtube.com/c/VanessaGalvani
Vanessa Galvani
www.vanessagalvani.com.br

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Para aprender duas ferramentas de Conexão e Escuta
cadastre-se na Websérie online e gratuita - Por que as
crianças têm comportamentos desafiadores?
Clique no link abaixo:
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Para aprender a abordagem completa de Conexão e
Escuta, como funciona o sistema emocional do seu
filho, ter meu acompanhamento e apoio inscreva-se no
Curso fechado e online Educação Emocional Essencial.
Mais informações no site.

24
Você precisa saber que você tem feito um
trabalho vital em cada minuto que você
passa com seus filhos.
Você é o sol, a lua e as estrelas aos olhos
dos seus filhos. No seu amor é onde eles
crescem.
Por isso ache pessoas que amam e
respeitem você, que possam escutar os seus
pensamentos, entender os seus sentimentos
e te apoiar.
Porque é muito, muito importante que você
encha o tanque do seu filho de amor com a
conexão.
Te reconheço por você chegar até aqui
nesse ebook e muito obrigada por todo
esforço que você faz na sua maternidade.