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6 – 1 João 2.

3-6 - Como saber que O conhecemos


1Jo 2:3-6 (AlmeidaXXI)
(2:3) E sabemos que o conhecemos, se guardarmos seus mandamentos.
(2:4) Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade
não está nele;
(2:5) mas todo o que guarda a sua palavra, neste o amor de Deus tem de fato se aperfeiçoado. E
assim sabemos que estamos nele.
(2:6) Quem afirma estar nele também deve andar como ele andou.

Há algumas coisas na nossa vida que queremos ter a certeza, porque


muito depende do resultado delas. A salvação é uma dessas coisas. Não
queremos correr riscos sobre a eternidade. Visto que a Bíblia adverte que
muitos estão enganados sobre este assunto crucial, há a necessidade de saber
que conhecemos Jesus Cristo como nosso Salvador e Senhor.
Na semana passada, o texto concentrou-se na graça abundante de
Deus ao perdoar todos os nossos pecados. Se pecarmos, temos um
Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo. Mas há sempre o perigo de que
as pessoas erroneamente “que mudam a graça de nosso Deus em
libertinagem e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.” A
verdadeira graça de Deus ensina-nos a “ensinando-nos para que,
renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos neste mundo de
maneira sóbria, justa e piedosa,” (Tito 2:12). Então, depois de expor a graça
de Deus, João continua a mostrar que aqueles que realmente experimentaram
isso, irão demonstrá-lo ao viverem em obediência à Sua Palavra. João dá isto
como o primeiro teste de como podemos saber que conhecemos a Jesus
Cristo:
Podemos saber que realmente conhecemos a Cristo se andamos em
obediência à Sua Palavra.
Nosso texto nos ensina-nos, primeiro, que ...

1. Deus quer que nós o conheçamos.

O cristianismo não é apenas sobre saber de Deus, conhecer certas


doutrinas ou seguir certos preceitos morais. É essencialmente conhecer a
Deus. Jesus disse (João 17: 3): “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o
único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste.” O cristianismo no
seu cerne é, conhecer a Deus pessoalmente através de Jesus Cristo, que nos
revelou Deus. Se não o conhecemos, não somos cristãos, não importa quão

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correcta seja a doutrina ou quão frequente sejam as nossas idas à igreja.
Podemos ter sido criados na igreja e sempre pode ter seguido a moralidade
cristã. Mas se não conhecemos a Deus pessoalmente, não estamos salvos.
Existe uma grande diferença entre saber sobre uma pessoa e conhecer
essa pessoa. Eu posso saber muitas coisas sobre o presidente da República
ao ler as notícias ou ao assistir a TV. Mas eu não o conheço pessoalmente.
Eu nunca o conheci ou passei algum tempo com ele. Do mesmo modo,
posso saber muito sobre Deus, mas se não entro num relacionamento pessoal
com Ele através da fé em Jesus Cristo, não conheço a Deus pessoalmente.
O apóstolo Paulo era um estudante rabínico mergulhado no judaísmo.
Ele conhecia as Escrituras Hebraicas. Ele cumpria fastidiosamente os rituais
e festas judaicas. Quanto à justiça da lei, ele disse que ele era irrepreensível.
Mas ele escreveu (Filipenses 3: 8), “Sim, de fato também considero todas as
coisas como perda, comparadas com a superioridade do conhecimento de
Cristo Jesus, meu Senhor, pelo qual perdi todas essas coisas. Eu as considero
como esterco, para que possa ganhar Cristo,”. Paulo sabia muito sobre Deus,
mas ele não conheceu Deus pessoalmente até que ele teve a fé em Jesus
Cristo.
A questão é: conhece a Deus pessoalmente através de Cristo? Isto é
fundamental. Começa tudo aqui.

2. Deus quer que saibamos que o conhecemos.

João escreve (2.3): “E sabemos que o conhecemos...” Há uma


diferença entre conhecer e saber que conhecemos. É fácil afirmar que o
conhecemos, mas também é fácil estar enganado. João menciona (2.4)
alguém que afirma: "Eu o conheço", mas João diz claramente que esta
pessoa "é um mentiroso, e a verdade não está nele". Já que estamos a falar
sobre a eternidade, nós não queremos estar enganados sobre este tema
crucial!
Porque este assunto é tão importante, não é de surpreender que o
inimigo das nossas almas tenha criado uma grande confusão sobre isto nos
nossos dias. Há muitos evangélicos que ensinam que se uma pessoa professa
fé em Cristo, ela é salva eternamente e deve ter certeza da sua salvação,
mesmo que a sua vida não demonstre frutos para apoiar sua reivindicação.
Eles argumentam que se a fé deve ser validada por qualquer outra evidência,
então não é somente a fé que salva.

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O livreto popular Quatro Leis Espirituais também promove a ideia de
dar garantia imediata de salvação a uma pessoa que ora para receber a
Cristo. Ele usa 1 João 5:13, "Eu vos escrevo essas coisas, a vós que credes
no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna.". A
lógica diz: "Acabaste de orar para receber Jesus, indicando que acredita nele.
Portanto, deves saber que tem vida eterna e que nada pode tirar isso de ti”.
Mas o livreto ignora que “essas coisas” se refere a tudo que João escreveu,
que inclui os três testes de fé genuína: obediência, amor e a sã doutrina
Esta visão de segurança instantânea baseada na profissão de fé de uma
pessoa é estranha ao que a maioria dos homens piedosos da história da igreja
ensinou. Eu diria que é estranho à Primeira João, Hebreus, Tiago e muitas
outras Escrituras. Na parábola do semeador, aqueles representados pelo solo
pedregoso que recebia a palavra com alegria certamente teria afirmado
acreditar. O mesmo seria verdade para o solo espinhoso. Mas somente o
quarto tipo, o bom solo, produziu fruto com perseverança (Lucas 8: 5-15).
Esta parábola mostra que, se uma pessoa realmente acredita, ela suportará
provações e erradicará as ervas daninhas do mundo. Mas leva algum tempo
para determinar isso. Como podemos saber se uma recente profissão de fé é
genuína, uma fé salvífica? Olhem para o fruto que vem dela. Mas o fruto
leva tempo para crescer.
Em 2 Pedro 1:10, o apóstolo nos exorta a “esforçai-vos cada vez mais
por firmar vosso chamado e eleição…” Por que alguém precisaria ser
diligente para ter certeza disso, se a garantia é algo que acompanha a fé
inicial? Pedro indica que certificar-se de qua a nossa chamado e eleição está
de certa forma ligada aos nossos actos subsequentes à fé inicial. Ele
acrescenta (2Pe 1: 10-11), “porque, fazendo isso (as qualidades que ele
acabou de listar), não tropeçareis jamais. Pois assim vos será amplamente
concedida a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo.”
Assim, Deus quer que nós não apenas o conheçamos pela fé em Jesus
Cristo, mas também que saibamos que o conhecemos. Mas, como muitas
Escrituras indicam, essa certeza está ligada ao modo como vivemos depois
de nossa profissão de fé. João mostra...

3. A maneira que sabemos que realmente conhecemos a Deus é andar


em obediência à Sua Palavra.

João usa três ideias sobrepostas aqui, mas parece haver uma
progressão nelas.

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A. Guardar os mandamentos de Deus é uma evidência de que nós o
conhecemos (2: 3-4).
Ele escreve (2: 3), “E sabemos que o conhecemos, se guardarmos seus
mandamentos.” João (2: 4), em seguida, afirma o outro lado, expondo as
falsas alegações dos hereges, “Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda
seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele;” João não usa
aquela linguagem diplomática, que nos deixa a pensar: “O que ele quis
dizer?” Que parte do mentiroso não entendemos?
Precisamos ter cuidado, no entanto, em não inverter a ordem das
Escrituras. Nós não somos salvos por guardar os mandamentos de Deus.
Somos salvos somente pela fé, mas a genuína fé salvadora necessariamente
resulta numa vida de obediência a Jesus Cristo. Como João Calvino coloca
(Comentários de Calvino [Baker], em 1 João 2: 3, p. 174), “O conhecimento
de Deus é eficaz”. Ele quer dizer que conhecer a Deus necessariamente
muda o nosso coração e a nossa vida.
Por trás do nosso texto na mente de João estavam as palavras de Jesus
no Cenáculo. Jesus disse (João 14:15): “Se me amais, guardareis os meus
mandamentos”. Ele acrescentou (14:21): “Quem tem os meus mandamentos
e os guarda é quem me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e
eu o amarei e me revelarei a ele”. Se não percebemos, Ele repete (14.23-24):
“Se alguém me ama, guardará a Minha palavra; e meu Pai o amará, e nós
viremos a ele e faremos nossa morada com ele. Quem não me ama não
guarda as minhas palavras; e a palavra que ouves não é Minha, mas do Pai
que Me enviou.” Apenas algumas frases depois, Jesus enfatizou (João
15:10): “Se guardares os meus mandamentos, permanecereis no meu amor;
assim como guardei os mandamentos de Meu Pai e permaneço em Seu
amor.”
Poderíamos ter várias mensagens sobre estas importantes palavras de
Jesus, mas notemos algumas coisas. Primeiro, o facto de que João, como um
homem de idade, ainda recita estas palavras de Jesus que ele tinha ouvido
cerca de sessenta anos antes, isto deveria ensinar-nos algo! Ele não
conseguia tirar da sua vida as palavras de Jesus. Os ensinos de Jesus não é
algo que se lê e esquece. O Seu ensino incide na nossa própria existência, de
modo que molda o nosso pensar e viver para o resto das nossas vidas.
Como Jesus afirmou, as Suas palavras não são apenas Suas palavras,
mas as palavras do Pai que O enviou. Se não estivermos totalmente
identificados com o ensino de Jesus, ele não afectará as nossas vidas. Não
obedeceremos às Suas palavras se não as conhecermos. Como as palavras de

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Jesus são as palavras de Deus, devemos estudá-las e conhecê-las para que
elas influenciem tudo o que fazemos.
Segundo, notemos que Jesus não dá dicas úteis para uma vida feliz.
Ele não é um terapeuta no céu, que sugere que podemos experimentar as
suas técnicas para ver se funcionam connosco. Ele emite mandamentos! Isto
significa que não estamos livre para escolher os mandamentos de Jesus que
se ajustam à nossa agenda. Ele é o Senhor, que fala as palavras de Deus. Os
Seus mandamentos são mandamentos.
Terceiro, guardar os Seus mandamentos implica diligência e esforço.
A palavra “guarda”, como hoje, também era usada para uma sentinela que
anda no seu posto. Isto implica que o inimigo está a tentar invadir e dominar
a nossa vida com tentações que irão destruir-nos. Para lhe resistir, a
vigilância é necessária tal como obedecer aos mandamentos que Jesus deu.
Uma sentinela fiel não é relaxada. Ela está alerta e diligente.
Uma quarta observação é que conhecer a Deus e guardar os Seus
mandamentos está intrinsecamente interligado. João afirma que guardar os
Seus mandamentos é um modo de sabermos que o conhecemos. Jesus disse
que se alguém guardar os seus mandamentos, Ele e o Pai o amarão e Jesus se
revelará a essa pessoa. Muitas vezes ouvimos sobre o amor incondicional de
Deus, e faz sentido que seja assim. Mas Jesus aponta para um aspecto
condicional do Seu amor, a saber, que depende de ter e guardar os Seus
mandamentos. Na medida em que nós obedecemos a Jesus (e somente nessa
medida) experimentaremos o Seu amor e, nessa medida, verdadeiramente O
conheceremos.
B. Guardar a Palavra de Deus mostra que o amor de Deus foi
aperfeiçoado em nós (2: 5a).
A primeira parte do versículo 5 repete o que João acabou de dizer,
mas também parece ir um pouco mais além. João passa de conhecer a Deus
para o amor de Deus e de guardar os Seus mandamentos para manter a Sua
palavra, que parece ser mais amplo. A Bíblia contém muitos mandamentos
específicos sobre como devemos viver, mas também inclui muitos princípios
gerais que se relacionam com o modo como nós pensamos, os nossos
motivos e os nossos objectivos. Então devemos obedecer a toda a Palavra de
Deus.
A frase “o amor de Deus” é ambígua. Pode significar “o amor de Deus
por nós”, ou “o nosso amor por Deus”. Os académicos são divididos entre
estas duas opções e é difícil decidir. Mas talvez isto não seja realmente
importante, pois se o amor de Deus por nós for aperfeiçoado em nós,

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também amaremos a Deus. E ninguém pode realmente amar a Deus sem
primeiro experimentar o Seu amor. Então os dois conceitos estão
interligados. “Aperfeiçoado em nós” significa “amadurecido”. Significa que
o amor de Deus “cumpriu sua missão” ou “alcançou seu objectivo” quando é
consumado na nossa obediência (Robert Law, The Tests of Life [ Baker,
pág. 213).
João Calvino entende que a frase se refere, principalmente, ao nosso
amor por Deus. Ele aponta que Moisés disse a mesma coisa (Deuteronómio
10: 12-13): “Ó Israel, o que é que o SENHOR, teu Deus, exige de ti agora,
excepto que temas o SENHOR, teu Deus, que andes em todos os seus
caminhos e ames e sirvas o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda
a alma, que guardes os mandamentos do SENHOR e os seus estatutos, que
hoje te ordeno para o teu bem?” Calvino diz (p. 176) que “a lei, que é
espiritual, não ordena somente obras externas, mas ordena isto em especial,
amar a Deus com todo o coração.” Assim, a nossa obediência mostra que
verdadeiramente amamos a Deus e fomos apanhados por Seu amor.
C. Caminhar como Jesus caminhou mostra que nós permanecemos Nele
(2: 5b-6).
Embora alguns tomem a última frase do versículo 5 para apontar de
volta para a ideia do versículo 4, eu entendo que aponta para o versículo 6:
“Quem afirma estar nele também deve andar como ele andou.”. João usa o
estar “Nele” semelhantemente a “permanecer n’Ele”. “Permanecer” é o
termo que João usa para comunhão ou um relacionamento próximo e íntimo.
Tal como acontece com as frases: “guardando os seus mandamentos” e “o
amor de Deus”, assim também o termo “permanecer” remonta às palavras de
Jesus sobre a videira e os ramos. Lá Jesus disse (João 15: 4): “Permanecei
em mim, e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si
mesmo, se não permanecer na videira; assim também vós, se não
permanecerdes em mim.”
O Dr. James Rosscup dedica um livro inteiro ao tema de permanecer
em Cristo como se encontra em João 15. Ele resume o conceito de
permanecer de três modos (Permanecendo em Cristo [Zondervan], pág. 116,
itálico dele): “Permanecer envolve que uma pessoa está a se relacionar com
Cristo, a videira, a sua pessoa e o seu propósito; rejeitar atitudes, palavras,
acções ou interesses que a Palavra de Cristo revela que Ele não pode
compartilhar; e receber a essência da qualidade da vida comunicada de
Cristo para a realização autêntica.”

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No nosso texto, João diz que, se estivermos em Cristo, andaremos
como ele andou. Isto significa que Ele é nosso exemplo supremo de vida.
Jesus nos mostrou como devemos viver em total dependência do Pai e em
completa submissão à Sua vontade, por mais difícil que seja. Jesus afirmou
(João 5:19): “Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer
de si mesmo, a menos que seja algo que Ele veja o Pai fazer; porque tudo o
que o Pai faz, estas coisas o Filho também faz da mesma maneira.” Ele
também disse (João 8:29), “…porque eu sempre faço as coisas que são
agradáveis a Ele.”
Embora ninguém possa fazer afirmações semelhantes, todos que
afirmam permanecer em Cristo devem ter o mesmo foco e direcção, não agir
independentemente de Deus, mas na total dependência d’Ele. Nós não
devemos viver para nos agradar à parte de Deus, mas para fazer as coisas
que Lhe são agradáveis.
Além disso, as palavras de João mostram-nos que a vida cristã é uma
caminhada. Essa é uma metáfora que o apóstolo Paulo usa com muita
frequência (Ef 2.10; 4. 1, 17; 5. 1, 8, 15; Col. 1.10; 1 Tessalonicenses 2.12).
Caminhar não é tão espectacular ou rápido como correr, pular ou voar, mas é
um movimento firme e seguro numa direcção. Implica progresso em
direcção a um destino ou objectivo. Uma caminhada é composta por muitos
passos específicos, mas aponta para o teor geral ou a qualidade geral de uma
vida, não para qualquer passo.
Andar como Jesus caminha significa que a nossa vida deve ser
caracterizada pela dependência diária de Deus, submissão e obediência à Sua
vontade. O nosso objectivo geral na vida será buscar primeiro o Seu reino e
justiça. Buscaremos agradá-lo pelos nossos pensamentos, palavras e acções.
Embora nunca andemos perfeitamente como Jesus andou, deve ser o nosso
objectivo e constante esforço o fazer.

Conclusão

Assim, João está a dizer que podemos saber que realmente


conhecemos a Cristo se andamos em obediência à Sua Palavra. Mas alguém
pode dizer: “Acredito em Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador. Eu
procuro obedecê-lo. Mas muitas vezes fico aquém. Se nunca posso andar de
um modo perfeito nesta vida, como posso ter certeza absoluta de que eu
realmente o conheço?
Calvino, que não era apenas um teólogo, mas também um pastor,
responde de duas modos. Ele aponta que não há ninguém na história

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humana, excepto Jesus Cristo, que guardou perfeitamente os mandamentos
de Deus. Se a obediência perfeita fosse a exigência, ninguém jamais poderia
dizer confiantemente: “Eu O conheço”. Assim, Calvino diz que guardar os
Seus mandamentos refere-se a “esforçar-se, de acordo com a capacidade da
enfermidade humana, de formar a sua vida em conformidade com a vontade
de Deus. Pois sempre que a Escritura fala da justiça dos fiéis, não exclui a
remissão de pecados, mas pelo contrário, começa com ela” (p. 175).
Sobre o facto de que ninguém ama a Deus perfeitamente, Calvino
responde, “que é suficiente, desde que todos aspirem a esta perfeição de
acordo com a medida de graça que lhe foi dada. Enquanto isso, a definição é
que o perfeito amor de Deus é a manutenção completa da sua lei. Para
progredir nisto, como no conhecimento, é o que devemos fazer” (p. 176).
Então a questão é o propósito, direcção e foco. Se o propósito e
direcção da nossa vida é agradar a Deus pela obediência aos Seus
mandamentos, podemos saber que o conhecemos. Isto não significa que
nunca falhamos, mas quando o fazemos, levantamo-nos e continuamos a
andar em obediência, buscando agradar a Deus com toda a nossa vida.
O Dr. Martyn Lloyd-Jones resume estes versículos (Caminhando com
Deus [Crossway Books], pg. 53): “Se tem a vida, ela está fadada a se
mostrar, e se isso não acontecer, então não tem a vida. … Não pode estar a
receber a vida de Cristo sem se tornar como Ele. Não pode andar com Deus
sem guardar os mandamentos. Não pode conhecer a Deus sem
imediatamente, e automaticamente amar. O amor sempre se manifesta
fazendo o que o objecto de seu amor deseja ”.
Então, pergunte a si mesmo: “Conheço a Cristo?” Confiou nele como
a propiciação pelos seus pecados? Se sim, pergunte: “Eu sei que o
conheço?”, “Eu obedeço a Sua Palavra e procuro andar como Jesus andou?”
Se essa é a direcção e o foco da sua vida, então, sim, pode saber que o
conhece.

Perguntas de aplicação

1. Por que a garantia da salvação é importante? Quais benefícios


práticos existem se tiver essa segurança? Quais desvantagens se
não tiver?
2. A Garantia de salvação não é algo para compartilhar
imediatamente com um novo convertido. Concorda/discorda?
Aponte base bíblica.

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3. Alguns dizem que, se a certeza depende de qualquer coisa em nós
(excepto a fé), nós caímos na salvação das obras.
Concorda/discorda?
4. Alguns dizem que, se enfatiza a obediência aos mandamentos de
Deus, cai no legalismo? Concorda/discorda?