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O AUDIOVISUAL COMO ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO EM MÚLTIPLAS

TELAS

Renata Fonseca Antunes

Resumo: Por meio de recursos audiovisuais torna-se possível emitir informações em diversas
telas e criar variadas formas de entretenimento com o público. Este artigo propõe uma
discussão sobre o audiovisual como estratégia de comunicação em múltiplas telas. Tem como
objetivo justificar porque se torna relevante apostar nas ferramentas desse setor como estratégia
de comunicação. Justifica-se pelo fato de que nos dias atuais as organizações necessitam
planejar processos de comunicação e precisam divulgar produtos/serviços de forma criativa e
diferenciada para se destacarem da concorrência; para gerarem conhecimento sobre
produtos/serviços e; criarem uma aproximação com o público, garantindo com isso seu sucesso
e sobrevivência. Para este estudo foi realizado um aporte teórico sobre questões que envolvem
a evolução tecnológica, o setor audiovisual e as multiplicidades de telas existentes nos dias
atuais, através de concepções propostas por autores como e Manuel Castells (1999) Lipovetski
(2009); Jenkins (2008) e pela UNCTAD (2012). É possível contar com uma considerável
quantidade de pontos positivos para apostar no setor audiovisual, como por ser considerado um
dos motores da economia criativa e por possibilitar múltiplas formas de entretenimento com o
público.

Palavras-chave: audiovisual, comunicação organizacional, interação.

O cenário social modifica-se conforme surgem novas tendências e as organizações


procuram se adequar a esses novos panoramas para atender diferentes demandas. Em razão dos
avanços da tecnologia os meios de comunicação adquirem melhores recursos, tornando-se mais
dinâmicos, com maior alcance (GONÇALVES, 2008). As novas tecnologias de comunicação
trazem a informação de forma diversificada através de produções musicais, cinematográficas,
literárias e outras que se difundem na sociedade. Uma forma de as empresas interagirem com
seu público se encontra por meio de recursos audiovisuais. Através do audiovisual é possível
criar múltiplas formas de entretenimento com o público. Há uma quantidade considerável de
pontos positivos para apostar nesse setor.


GT Comunicação e Indústria Criativa.

Mestranda no programa de pós-graduação em Comunicação e Indústria Criativa da Universidade Federal do
Pampa, campus São Borja – RS. E-mail: renataantunes182@hotmail.com.

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Este artigo propõe uma discussão sobre o audiovisual como estratégia de comunicação
em múltiplas telas, trazendo exemplos de como materiais audiovisuais podem ser utilizados
para divulgar produtos/serviços e gerar interação entre empresas e sociedade. Tem como
objetivo justificar porque se torna relevante apostar nas ferramentas do setor como estratégia
de comunicação e justifica-se pelo fato de que nos dias atuais as organizações necessitam
planejar processos de comunicação e divulgar produtos/serviços de forma criativa e
diferenciada para se destacarem da concorrência; para gerarem conhecimento sobre
produtos/serviços e; criarem uma aproximação com o público, garantindo com isso seu sucesso
e sobrevivência (PINHO, 2006).

Desde que a digitalização passou a ganhar lugar nos negócios foi sendo possível
transmitir informações e conteúdo de forma rápida e em diversas plataformas, possibilitando
com isso novas formas de comunicar (RELATÓRIO, 2012). Através de conteúdos criativos
digitais é possível dar maior visibilidade aos negócios e através de materiais audiovisuais torna-
se possível criar múltiplas formas de entretenimento e interação com o público.

Tendo em vista isso chega-se a uma questão problemática que se refere a como utilizar
o audiovisual no processo de comunicação entre organizações e sociedade. Para organização
deste estudo foi realizado um aporte teórico sobre a revolução tecnológica, as multiplicidades
de telas existentes e diversidade de conteúdos veiculados nos dias atuais, através de concepções
propostas por autores como Lipovetski (2009) e Manuel Castells (1999) e Jenkins (2008); sobre
o setor audiovisual enquanto indústria criativa de acordo com a UNCTAD (2012); entre outros
que auxiliassem no desenvolvimento do trabalho.

A revolução tecnológica e as multiplicidades de telas

Ao observar o passado é possível notar as mudanças e avanços de origem humana que


resultam da procura por algo novo, que satisfaça necessidades e desejos. A sociedade vai
presenciando transformações históricas, descobertas, eventos que visam aprimorar as formas
de vivencia. De acordo com Boaventura (1995) a sociedade é constituída por testemunhos das
transformações, sempre indo a diante com novas perspectivas e novos conhecimentos.

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Acontecimentos históricos foram modificando o panorama social, como a revolução
tecnológica que segundo Manuel Castells (1999, p. 39) “começou a remodelar a base material
da sociedade em ritmo acelerado”, com interação através de redes de computadores crescendo
rapidamente abrindo espaço para novas formas de comunicação.

A revolução tecnológica da informação vai penetrando nas esferas das atividades


humanas, não determinando a sociedade, mas fatores como da criatividade que intervém no
processo de inovação em tecnologia, “as novas tecnologias da informação explodiram em todos
os tipos de aplicações e usos que, por sua vez, produziram inovação tecnológica, acelerando a
velocidade e ampliando o escopo das transformações tecnológicas, bem como diversificando
suas fontes” (CASTELLS, 2000, p. 44). A tecnologia passa a ser fator importante para
informar, “a transformação do mundo em conectado e dinâmico aconteceu com a ajuda de um
conhecido sistema global de redes de computadores interligadas, a internet” (BRUSSI, 2014,
p. 5), os indivíduos sofrem influência de aspectos impulsionados pelas novas tecnologias, como
os virtuais.

Segundo Gonçalves (2008), a indústria cultural foi fomentando uma espécie de cultura
de massa, através de produções musicais, cinematográficas, literárias que se difundem por
diversos grupos na sociedade. Veículos de comunicação vão se adequando e se transformando
para atender diferentes tipos de públicos. As novas tecnologias de comunicação trazem a
informação de forma diversificada, levando em consideração a recepção, o contexto, o gosto e
estilo dos receptores, visando a inclusão e abrangência das diversas expressões culturais.
Os indivíduos vão em busca de informações captando aquilo que consideram
interessante e importante, selecionando e descartando conteúdos, comentando, comparando
“um número cada vez maior de indivíduos tem acesso as mídias de maneira
hiperindividualista” (LIPOVETSKY, 2009, p. 259), selecionando os conteúdos de acordo com
seus gostos.

Nos dias atuais é possível contar com mais velocidade de informações e ter acesso a
infinitos dados comunicacionais através de uma multiplicidade de telas, telas de celular, de
cinema, de computador, etc. “A época hipermoderna é contemporânea de uma verdadeira
inflação de telas” (LIPOVETSKY, 2009, p. 255) e isso ocorre por conta da tecnologia que se
estende e se acelera cada vez mais. É possível ler um jornal através de uma tela, um livro,
assistir a um programa de televisão através de uma tela de bolso, ter acesso a telas planas e

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portáteis. É possível ter acesso a inúmeros dados de informações através delas, como localizar
um local pelo GPS, saber o que acontece em outros locais através de noticiários da televisão, é
tamanha a explosão de telas que podem gerar uma interface fornecedora de informações que
facilita a venda de produtos serviços.

De acordo com Jenkins (2008) vivemos presenciando uma cultura da convergência


onde é possível veicular informações através de diversos meios comerciais e alternativos. É
possível ter acesso a conteúdo e informações através de múltiplos suportes midiáticos. Nesse
processo a audiência vai em busca de entretenimento cruzando seu olhar sobre múltiplos
suportes de mídia.

Nesse processo a circulação de conteúdos irá depender da participação dos


consumidores. Para que uma empresa torne seus produtos/serviços conhecidos é necessário
incentivar os consumidores a irem em busca dessas informações (JENKINS, 2008). É
necessário planejar primeiramente um conteúdo atrativo para depois pensar na sua emissão em
múltiplas telas. Através das diversas telas o audiovisual vem ganhando destaque.

O setor audiovisual

O setor audiovisual pode ser visto como uma indústria criativa. De acordo com a
UNCTAD as indústrias criativas podem ser classificadas em quatro grandes grupos conhecidos
como patrimônio, artes, mídia e criações funcionais, que se dividem em nove subgrupos, entre
eles se encontra o audiovisual. O setor envolve a produção de filmes, televisão, rádio e demais
radiodifusões. Trata-se de um campo em constante crescimento que auxilia na geração de uma
economia criativa e pode ser utilizado como uma ferramenta no processo de comunicação
organizacional, como forma de promover interação entre empresas e seu público. O setor
apresenta produtos heterogêneos com características marcantes como seu caráter cultural,
criativo, econômico e comercial (RELATÓRIO, 2012). Cada produto audiovisual tem como
diferencial sua singularidade.

O audiovisual, de acordo com o Relatório de economia criativa, pode ser visto como
um “dos motores da economia criativa” (2012, p. 149), o que pode ser percebido através do

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aumento da produção de filmes digitais por exemplo, que facilita a distribuição em nível global
gerando economia para produtores de cinema, “a América Latina está vivenciando um
renascimento da produção cinematográfica, principalmente na Argentina, no Brasil e no
México” (RELATÓRIO, 2012, p. 151), na América Latina produções e distribuições
independentes se destacam visando integração social, cultural e econômica.
É possível observar um grande aumento no comercio internacional de audiovisuais no
período de 2002 a 2008 como mostra o Relatório de economia criativa (2012), as exportações
de audiovisuais apresentam um aumento de $ 14,1 bilhões para $ 27,2 bilhões nesses anos.
Economias desenvolvidas vão dominando esse mercado adquirindo cerca de 90% das
exportações mundiais de audiovisuais, com os Estados Unidos como principal exportador de
serviços audiovisuais em 2008. Nas economias em desenvolvimento as exportações desses
serviços totalizaram $ 1,37 bilhões em 2008, com a Argentina sendo o principal exportador,
depois dela a China.
Em relação aos produtos audiovisuais o aumento foi de $ 462 milhões em 2002 para $
811 milhões em 2008, os países desenvolvidos participando 89,5% no mercado mundial e os
em desenvolvimento com 9,2%. Exportações de produtos audiovisuais dos países
desenvolvidos chegaram a $ 706 milhões em 2008 e as dos países em desenvolvimento a $ 75
milhões (Relatório de economia criativa, 2012). Sendo possível perceber, através desses dados,
o audiovisual como um dos pilares da economia criativa.
Os maiores produtores de serviços e produtos criativos na economia global, em termo
de valores de produtos, são centrados principalmente no ramo audiovisual e editorial. “Os
serviços audiovisuais compreendem os serviços de cinema de projeção, a produção
cinematográfica e de vídeo e seus serviços de distribuição, serviços de rádio e televisão e
serviços de transmissão” (RELATÓRIO, 2012, p. 161). Trata-se de um setor criativo que tem
a capacidade de expressar identidades culturais através de seus conteúdos.
A indústria audiovisual brasileira apresenta perceptível desenvolvimento nas últimas
décadas no Brasil “desde o advento dos primeiros veículos de comunicação e entretenimento
nacionais, os produtores, diretores e equipes trabalham para oferecer ao público produtos de
qualidade e que também sejam rentáveis às empresas envolvidas” (BARBOSA, 2013, p. 46).
Trata-se de um setor que se desenvolve de forma satisfatória e que pode ser considerado uma
forma criativa e diferenciada de divulgar produtos/serviços.

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A adoção de ferramentas audiovisuais para fomentar interação entre empresas e
sociedade

Como dito anteriormente o setor audiovisual apresenta um crescente desenvolvimento


e se faz presente cada vez mais na vida das pessoas podendo ser adotado como forma de
estratégia de comunicação organizacional, já que as empresas precisam utilizar estratégias de
comunicação para tornar seus produtos e serviços conhecidos (PINHO, 2006). Para Lipovetski
(2009) as pessoas vão em busca de informações captando aquilo que consideram interessante
e importante, por isso é necessário apostar em formas diferenciadas de interagir com o público.

Os consumidores podem ser cortejados por múltiplos suportes de mídia, onde há a


veiculação de conteúdo planejado através de estratégias mas para que o público se interesse é
necessário planejar antes um conteúdo criativo e diferenciado para depois esquematizar a sua
distribuição por diferentes formatos (JENKIS, 2008).

Tomemos como exemplo o curso superior em Sistemas de Informação do Instituto


Federal Farroupilha campus São Borja – RS, que capacita alunos a criarem, implementarem e
manusearem sistemas de informação através de projetos de softwares ergonomicamente
concebidos (PPC, 2012). Os alunos desenvolverem, implementam e manuseiam a base
tecnológica de informação, intervindo na realidade de modo empreendedor e criativo.

O bacharelado pode ser visto como uma indústria criativa produtora de softwares que
deve ser valorizada pelo seu talento e potencial e para que isso seja possível é necessário pensar
em estratégias de comunicação para divulgar essas criações. Porém é possível perceber certa
falta de ações comunicacionais. Através da realização de uma pesquisa exploratória foi possível
constar que o curso conta com uma página no site SIGAA (Sistema Integrado de Gestão de
Atividades Acadêmicas) que apresenta informações gerais do curso; um blog contendo
informações limitadas ou ainda inexistentes; o site da instituição que transmite informações de
todos os cursos e eventos relacionados a eles e; dados mais específicos se encontram através
do PPC do curso disponível na web.

Os alunos planejam sistemas de informação para suprir necessidades da sociedade e


organizações parecendo carecer de um sistema que divulgue suas próprias produções. Após
planejar um processo de comunicação essa divulgação pode ser realizada por meio de materiais
audiovisuais difundidos em múltiplas telas.

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Atualmente as empresas vão apostando nas plataformas de vídeo com a intenção de
inovar, disponibilizando conteúdo de forma digital. De acordo com Massarolo e Mesquita
(2016), distribuir informações de forma online é um modo de aproximação com o público e as
empresas de mídia estão apostando cada vez nesse modelo, veiculando conteúdos de forma
diferenciada, personalizada, fácil de compreender, de localizar, com textos circulando de forma
rápida e barata, tornando-se acessíveis em qualquer local, em múltiplas telas.

Com a popularização da Internet, as imagens e principalmente os vídeos ganharam


maior força no mercado da comunicação e do marketing (LIPOVETSKY, 2009, p. 288). Isso
possibilitou uma maior eficiência e abrangência no sistema de distribuição e exibição do
produto audiovisual, estimulando a criação e divulgação dos mesmos.

Uma pesquisa realizada no ano de 2015 pela TIC domicílios – Tecnologia da


Informação e Comunicação, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da
Sociedade da Informação, que mede o uso e o acesso das tecnologias da informação e
comunicação da população brasileira – apresenta que pelo menos 66% da população já acessou
a internet e 58% a utiliza nos três últimos meses, 60% utilizam a internet para enviar e-mails,
85% para mandar mensagens em redes sociais, 77% para utilizar as redes sociais (TIC, 2015).
É possível notar o uso frequente da internet por considerável parte da população brasileira e a
quantidade relevante do uso de redes sociais, dado que pode ser levado em consideração na
propagação de informações por meio de audiovisuais.

Meios de comunicação

A Deloitte Touche Tohmatsu Limited – uma marca de firmas independentes em todo o


mundo que presta serviços de Auditoria, Consultoria, Assessoria Financeira e serviços
relacionados – realizou a pesquisa Global Mobile Consumer Survey em 2016 com 53 mil
consumidores em 31 países, apresentando as tendências do mercado móvel. No Brasil, em uma
amostra de 2.005 pessoas, 80% delas apresentam o smartphone como o aparelho mais utilizado
e desejado. De acordo com a pesquisa, oito em cada dez brasileiros carregam ou já carregaram
consigo smartphones, o crescimento é de, em comparação ao ano anterior de 2015, três pontos

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percentuais. Os celulares são o aparelho mais utilizados pelos brasileiros, após eles os dados
indicam, com percentual de 65%, os laptops e 41% os tablets. Através de dados como esse é
possível perceber a importância de pensar em formatos que possam ser veiculados através
desses aparelhos.

A Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM) relata – através de um método quantitativo face-


a-face domiciliar realizado no período de 23 de março à 11 de abril de 2016 com pessoas de 16
anos ou mais, em uma amostra de 15.050 entrevistas no país – que 72% das pessoas que
participaram da entrevista costumam utilizar a internet pelo celular, 25% pelo computador e
3% pelo tablet. Nota-se que maior parte desses entrevistados utilizam a internet pelo celular.

Em relação ao uso de televisão, rádio e outros aparelhos, de acordo com o Centro


Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC) – através
de dados obtidos por meio de entrevistas realizadas no ano de 2015, em uma amostra de 23.465
domicílios com classes sociais A, B, C, D e E, em 350 municípios – pelo menos 97% dos
domicílios brasileiros possuem televisão, 70% possuem rádio, 93% possuem pelo menos um
celular, 25% possuem computador de mesa e 32% possuem computador portátil, 19% possuem
tablet e 51% têm acesso à internet. Dados que indicam a quantidade de pessoas que podem
receber informações através de aparelhos como computador, rádio, celular, televisão.

Os usos dos meios de comunicação vão se integrando cada vez mais às tecnologias
móveis e às múltiplas telas, possibilitando ao público a forma de visualização conectada,
permitindo relações entre indivíduos e textos midiáticos por meio do espaço digital. Através
das telas é possível criar múltiplas formas de entretenimento com o público, criando novas
práticas de visualização do conteúdo audiovisual (MASSAROLO, MESQUITA, 2016), os
meios de comunicação se integrando as tecnologias criam uma forma de interação entre o
emissor e receptor através do conteúdo disponibilizado no espaço digital.

É possível notar, através de pesquisas como essas, que nos dias atuais os meios de
informação e comunicação se fazem cada vez mais presentes na vida das pessoas, tanto como
uma forma de interação através de redes sociais por exemplo, quanto para obtenção de
informações através de jornais, revistas, televisão, rádio, etc. Isso abre portas para novas e
diferenciadas formas de comunicar.

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Conteúdo em múltiplas plataformas

Através da internet é possível difundir conteúdos de diferentes formas e formatos


audiovisuais podem ser consideradas uma poderosa opção para realizar esse processo. É
possível compartilhar vídeos informativos através de redes sociais explicando conceitos de
forma visual, o que facilita o entendimento da mensagem que se deseja transmitir. Outra forma
de interagir com o público transmitindo informações se encontra através da plataforma do
youtube, que permite a criação de canais que podem ser utilizados para esclarecer dados
(MASSAROLO, MESQUITA, 2016).

Uma ferramenta que também pode ser utilizada na propagação de informações é a


Webinar, uma forma de transmitir seminários através da internet, trata-se de uma palestra
online que fica disponível na internet, através dela é possível discutir por exemplo áreas de
atuação, como dados sobre o bacharelado de Sistema de Informação citado anteriormente, a
Webinar se refere a divulgação de dados que servem como esclarecimento.

Infográficos também são bem-vindos quando se deseja transmitir uma ideia através de
uma quantidade relevante de informações, torna fácil a compreensão de dados através de
elementos gráfico-visuais, como fotografia, desenho, diagrama estatístico, entre outros. Serve
para transmitir uma informação de forma menos cansativa do que se fosse comunicada em
formato de texto.

Podcasts e videocasts podem ser vistos como uma boa forma de abordagem, trata-se de
uma mídia que transmite informações como um programa de rádio. Serve para tratar de uma
notícia de forma descontraída. Quando transmitidos ao vivo permitem interação do público
receptor que pode mandar opiniões e comentários sobre o assunto que está sendo discutido
(VIDAL, 2013).

Além dessas, há uma quantidade abrangente de ferramentas que podem ser vistas como
relevantes para divulgar conteúdos de forma interativa e diferenciada, podendo propiciar com
isso um conhecimento mais eficiente.

É importante ressaltar que, na criação de audiovisuais, um ponto que não se deve deixar
de levar em consideração é a questão da acessibilidade. Uma possibilidade que já está sendo

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utilizada por algumas produtoras é a audiodescrição “uma técnica de tradução intersemiótica
que visa munir com informação sonora pessoas que encontram dificuldades perceptivas e
cognitivas no consumo de imagens” (MAYER, 2012, p. 6), trata-se de um recurso orientado
para pessoas com deficiência visual. O processo se refere a uma conversão do visual em textos
verbais que resultam em uma faixa de áudio extra integrada ao som do produto.

É interessante apostar em conteúdos audiovisuais pois há uma multiplicidade de formas


de distribuição e formatos que circulam de forma rápida, barata e abrangente (Massarolo,
Mesquita, 2016). Também é de grande importância estar por dentro do que é visto como uma
tendência no cenário atual e levar em conta no setor audiovisual a incerteza, segundo Santos-
Duisenberg (2009, p.47) “nunca se sabe se uma música, um programa de TV ou um filme fará
sucesso ou não”, o grau de demanda de um produto é incerto, é difícil prever a reação das
pessoas já que seu comportamento é imprevisível, por isso é necessário investir em outras
ferramentas de comunicação também. “No caso da indústria cinematográfica, assegurar uma
boa distribuição é fundamental” (2009, p.47), é preciso se empenhar na comercialização,
utilizar diversas estratégias de vendas.

Considerações

É possível observar que há uma multiplicidade de telas que possibilitam diversas formas
de interação entre organizações e sociedade. Nota-se a importância de primeiramente pensar
em informações criativas e instigantes, já que a audiência se interessa antes de tudo pelo
conteúdo (JENKIS, 2008).

Cada vez mais a audiência procura informações por conta do conteúdo em si, “a
crescente onda das redes sociais pela internet e a variada gama de plataformas disponíveis,
analógicas e digitais, trazem a força que podem ter, acima de tudo, o conteúdo em detrimento
de múltiplos dispositivos de exibição” (ANGELUCI, CASTRO, 2010, p. 10), é necessário
primeiramente dar ênfase ao conteúdo que precisa ser pensado de forma instigante. Conteúdos
podem ser veiculados através de múltiplas plataformas para tentar atingir o público por meio
de diversos ângulos, como através do youtube, Webinar, Podcasts e videocasts, etc.

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Através de audiovisuais torna-se possível divulgar e criar diferenciadas formas de
interação com o público. Como dito anteriormente, é relevante apostar nesse setor que
apresenta constante crescimento, podendo ser considerado como um “dos motores da economia
criativa” (RELATÓRIO, 2012, p. 149), apresenta produtos singulares, heterogêneos com
características marcantes, possui caráter cultural, criativo, econômico e comercial. São
consideráveis os pontos positivos para apostar no setor.

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