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Manual Simulações

Pedagógicas Iniciais

Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores

2020
Manual de

Índice
ÍNDICE .............................................................................................................................................................................. 2
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................... 3
UNIDADE I ........................................................................................................................................................................ 3
A AUTOSCOPIA ................................................................................................................................................................. 4
1.1 - A AUTOSCOPIA COMO CONCEITO CIENTÍFICO.................................................................................................. 4
1.2 - OS OBJETIVOS DA UTILIZAÇÃO DO AUDIOVISUAL NA FORMAÇÃO .................................................................... 4
1.3 - CARACTERÍSTICAS DA AUTOSCOPIA................................................................................................................. 5
UNIDADE II ....................................................................................................................................................................... 6
O MOMENTO DA AUTOSCOPIA ........................................................................................................................................ 6
2.1 - O PÂNICO DA CÂMARA.................................................................................................................................... 7
2.2 – METODOLOGIA .............................................................................................................................................. 8
2.3 – ALGUMAS (DES)ILUSÕES DO FORMADOR........................................................................................................ 9
2.4 – COMO CONCEBER E ORGANIZAR UMA SESSÃO DE FORMAÇÃO ..................................................................... 10
Planeamento da Sessão .......................................................................................................................................... 10
Preparação da Sessão ............................................................................................................................................. 10
Desenvolvimento da Sessão .................................................................................................................................... 12
Conclusão da Sessão ............................................................................................................................................... 13
2.5 – LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA PREPARAR UMA SESSÃO DE FORMAÇÃO ....................................................... 13
Como Atuar para Dirigir Eficazmente uma Sessão ................................................................................................... 13
A Abertura da Sessão .............................................................................................................................................. 14
O Desenvolvimento da Sessão ................................................................................................................................. 15
O Papel e as Técnicas do Animador ......................................................................................................................... 15
UNIDADE III .................................................................................................................................................................... 15
COMPORTAMENTOS E PERFIL DO FORMADOR ............................................................................................................... 15
NOTA FINAL .................................................................................................................................................................... 20
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................................................. 22

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INTRODUÇÃO

A utilização dos meios técnicos e audiovisuais ao serviço da formação profissional é hoje uma realidade
inequívoca.

Conscientes da eficácia dos resultados, os responsáveis pela conceção e execução de cursos de Formação
de Formadores cedo introduziram o circuito fechado de televisão e vídeo na componente prática dos seus
programas.

O uso da televisão através da utilização específica do vídeo como “espelho” estará sempre associado à
necessidade de transformação intencional e programada de determinados comportamentos, assim como a
aceitação e gestão da própria imagem por parte do sujeito, ou seja, do formando que se candidata a ser
futuro Formador.

Este aspeto é tanto mais importante quanto sabemos que a imagem física é um dos elementos
preponderantes e básicos do autoconceito.

O valor da imagem é inegável como uma riquíssima fonte de dados para o estudo da personalidade
individual, assim como para a dinâmica grupal e em geral para todo o tipo de interações.

Seria interessante considerar, ao mesmo tempo, o estudo da comunicação verbal e não verbal e analisar
todos os sistemas/processos de interação comunicativa entre grupos de Formação.

A opção pela videoscopia, centrada no ato pedagógico, ilustra bem a vontade política do reforço da
Qualidade da Formação prática dos nossos futuros formadores. Esta técnica de aperfeiçoamento das
performances pedagógicas dos nossos formandos (candidatos ao exercício da atividade de Formadores)
assume-se como um excelente e eficaz meio de análise e exploração das interações pedagógicas.

Claro que esta opção de Formação prática se apoia naturalmente num conjunto de grelhas de observação
pedagógica, em que, com o máximo de objetividade e analisando o mais exaustivamente possível todos os
aspetos relacionados com a animação de sessões de Formação, se procura descrever rigorosamente os
traços de comportamento evidenciados pelos Formandos (futuros-Formadores).

UNIDADE I

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A AUTOSCOPIA

OBJETIVOS:

No final da unidade, o Formando deverá:

 Inferir o conceito de autoscopia;


 Reconhecer a autoscopia como método de Formação prática e experimentação pedagógica;
 Identificar o ato pedagógico como objeto de análise da simulação videogravada;
 Reconhecer a autoscopia como processo eficaz de auto-observação e da consciência de si;
 Enumerar as vantagens da utilização do audiovisual na Formação.

1.1 - A AUTOSCOPIA COMO CONCEITO CIENTÍFICO

Definição:
Do grego “scopeo” (ver) e “autos” (a si mesmo), este conceito desde sempre esteve associado ao mundo da
hipnose. Daqui, à ideia de alucinação, foi um passo, chegando mesmo alguns pacientes a afirmar conseguir
ver os seus próprios órgãos internos. O próprio dicionário insuspeito de Petit Robert refere-se como
“hallucination par laquelle on croit se voir soi- même”.

É interessante a abrangência deste conceito, mas, neste momento, ocupar-nos-emos dele exclusivamente
como técnica audiovisual de Formação que assenta no estudo em grupo da sua própria imagem filmada.

A autoscopia pode considerar-se como um processo através do qual nos vemos ao espelho, numa situação
de comunicação e interação. Simultaneamente, e o que é mais interessante do ponto de vista pedagógico,
consiste não apenas em “ver-se”, mas também em “ser visto pelos outros”. Assim, permite-nos, não só
conhecermo-nos melhor como também estabelecermos um paralelo com as exigências profissionais
específicas da atividade de Formador que pretendemos desenvolver.
A videoscopia, ou seja, a gravação em vídeo de uma simulação de microensino, afigura-se-nos um método
altamente eficaz de experimentação pedagógica e um instrumento privilegiado de auto-observação e da
consciência de si próprio.

1.2 - OS OBJETIVOS DA UTILIZAÇÃO DO AUDIOVISUAL NA FORMAÇÃO

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A autoscopia consiste em filmar em vídeo pessoas, neste caso indivíduos em situação de Formação
pedagógica, para que possam observar e analisar o seu comportamento, a voz, o olhar, os gestos, a
expressão oral e facial, etc.

Ela permite trabalhar e aperfeiçoar a imagem de nós próprios de forma a despistar alguns “tiques” e
“manias” que bloqueavam ou dificultavam as nossas relações comunicacionais com ou outros.

Assim, a técnica de autoscopia tem como objetivos específicos fundamentais:

 Confrontar o Formando com uma simulação videogravada;


 Levar o Formando a tomar consciência da sua imagem num contexto de micro-ensino;
 Ser capaz de utilizar e conceber instrumentos de observação de comportamentos pedagógicos ou
profissionais;
 Permitir ao formando adquirir e treinar progressivamente a gestão de situações de Formação.
 Permitir o feedback e a auto e heteroanálise reflexiva sobre o “saber-fazer” pedagógico.

1.3 - CARACTERÍSTICAS DA AUTOSCOPIA

A prática pedagógica videogravada permite-nos adquirir, enquanto profissionais:

 A capacidade de refletir sobre a nossa ação;


 Aperfeiçoar a nossa intervenção e fazer evoluir a técnica subjacente ao ato pedagógico;

MÓDULO: SIMULAÇÃO PEDAGÓGICA INICIAL

 Por último, e de uma maneira clara, objetiva e coerente, apresentarmos, por escrito e
/ou oralmente, uma síntese apreciativa e crítica do nosso trabalho.

A autoscopia não consegue evitar alguns aspetos menos positivos como sejam o sentimento de insegurança
e angústia dos futuros formadores, a experimentação de cenários reais de formação, a aplicação de
modelos de formação multidisciplinar, etc. No entanto, a pesquisa nesta área continua a ser feita e
aguardamos os resultados para podermos testá-los brevemente em contexto favorável à formação
pedagógica de formadores.

A autoscopia deve a sua principal vantagem à eficácia do feedback. Alguns autores sublinham mesmo, que
os Formandos aceitam melhor o olhar crítico dos seus pares do que o do monitor supervisor.
Se bem que a qualidade e eficácia pedagógica sejam uniformes, cada futuro Formador deve tentar descobrir
o seu próprio estilo de ensino e postura pedagógica adaptada à sua personalidade.

A videoformação afigura-se-nos como uma das formas mais interessantes para demonstrar e analisar as
competências e performances do Formador em Formação.
A força do vídeo reside fundamentalmente na oportunidade de permitir ao utilizador constatar por si mesmo
a diferença entre a performance desejada e a performance conseguida. Esta perceção cria um estado

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psicológico que leva o sujeito a sentir vontade de modificar o seu comportamento. Ora, aqui temos uma
condição essencial para o aperfeiçoamento da Formação.

Esta é uma técnica de Formação pedagógica em que a sessão de Formação, simulada num formato de
micro-ensino, proporciona uma estratégia de objetivação das competências a adquirir e permite diversos
tipos de feedback, da parte do supervisor, dos seus pares e de si próprio.

A observação de uma experiência simulada, permitindo aos formandos rever e refletir sobre o seu próprio
trabalho, pode consciencializá-lo dos comportamentos adequados à sua personalidade e ao desempenho
da sua função.

A heteroavaliação traz a vantagem de, pela observação de outros métodos e de outros meios, se poder fazer
uma transferência dessas estratégias para as suas próprias sessões e, desta forma, construir novas
experiências.

UNIDADE II

O MOMENTO DA AUTOSCOPIA

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OBJETIVOS:

No final da unidade, o Formando deverá:

 Identificar os fatores de inibição do audiovisual;


 Identificar os fatores de inibição do audiovisual;
 Enumerar e articular logicamente as várias fases do processo de autoscopia;
 Conhecer, e refletir antecipadamente sobre alguns fatores de desilusão do Formado enquanto
profissional;
 Conceber e organizar uma sessão de Formação;
 Conhecer as características de todas as fases deste processo;
 Refletir sobre os vários papéis que o Formador deve assumir;
 Dominar eficazmente a técnica de fazer perguntas ao grupo de Formação.

2.1 - O PÂNICO DA CÂMARA


Uma primeira questão que deve ser colocada a todos os intervenientes neste processo: vocês já foram
“autoscopiados”? Aí está um termo bárbaro para designar a ação de filmar alguém, pensarão imediatamente;
iniciado o processo, toda a timidez e nervosismo iniciais terão desaparecido; onde está o problema, então?
Com certeza residirá na diferença entre o filmar e o ser filmado. Antes de mais, quem vai filmar e como vai
fazê-lo?

Será que vai fazer grandes planos indiscretos das vossas expressões faciais, “será que vai tornar percetível a
vossa angústia?” “Será que vai afastar-se demasiado, será que vai colar-se ao seu nariz que tantos complexos
já vos causam?” “Que atitude devo tomar?” Tudo depende do grau de autoconfiança na situação que vai
enfrentar...

“E depois, que vai dizer?” “De que maneira?” “E se se engana?” “E se a câmara regista a
mão direita que não para de tremer?” “Para onde vai olhar?”.

Estas são algumas das dúvidas e questões que nos colocamos antes do derradeiro momento da simulação
videogravada e que nos perseguem até, pelo menos, aos primeiros minutos da sessão...

Vem, então, o momento de “nos vermos” e, não o esqueçamos, de “nos ouvirmos”: “esta é a minha
voz?”...Bem... tanto trabalho com a preparação, com o ensaio, da postura a adotar, para agora toda a gente
reparar que eu não me sentia à vontade, que estava nervoso...” Algumas reações diferentes, mais narcísicas,
se manifestarão, mas cada um, pelo menos pela primeira vez, terá oportunidade de confrontar-se consigo
próprio. É nestes momentos que o olhar dos outros é importante.

Quer se trate de tentar aperfeiçoar comportamentos individuais ou de grupos, ou treinar melhores técnicas
de expressão geral ou aplicadas a determinada atividade, através do vídeo, é prudente tentar adquirir um
mínimo de experiência destas técnicas, o que nos propiciará um maior à vontade na situação.

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2.2 – METODOLOGIA
O momento da simulação, sobretudo a inicial, é sempre um momento de alguma ansiedade e de um certo
nervosismo. Algumas das razões já foram apresentadas anteriormente, mas convém fazer uma breve
abordagem aos aspetos fundamentais a ter em conta:

Cada Formando, nesta simulação inicial, vai ser convidado a dinamizar uma micro- sessão (10 minutos) de
Formação, a apresentar aos restantes elementos do grupo de Formação que “simularão” ser o público-alvo
pré-definido pelo colega “ em demonstração”;

Esta sessão deve obedecer a um tema, a um assunto de caráter geral, preferencialmente (Por ex. a
poluição; como preparar uma receita culinária; etc.);

Dentro do tema selecionado, deve optar pelo aspeto temático que “encaixe” no tempo disponível e esteja
adaptado às características desta atividade;

Para a apresentação, deve selecionar ou conceber o material que julgue útil, interessante e /ou motivador
para o assunto específico da sua sessão;

Deve antecipadamente pensar e fazer opções quanto aos auxiliares pedagógicos que tenciona vir a utilizar:
quadro; retroprojetor; vídeo; computador; etc...;

Se sentir que a sua sessão está a levar um rumo que não foi ao traçado por si ou que se está a desviar do
plano elaborado, só tem um caminho a seguir: abandone o plano de sessão e...IMPROVISE! Se os “seus
Formandos” o conduziram para um aspeto lateral... deixe-se ser conduzido!

Convém ter sempre em carteira alguma (s) atividade (s) para o caso de ter esgotado o assunto e não o
tempo disponível;

Esta situação ocorre em menos de 10% dos casos que pensavam vir a acontecer-lhes; habitualmente, os
Formandos em autoscopia não desenvolvem mais de 50 ou 75% do que planificaram; pelo menos nesta
simulação inicial, sem qualquer experiência ou referências anteriores;

Todos os Formandos apresentam as suas simulações, numa ordem sequencial definida com o animador do
módulo em sala de Formação;

Terminada a fase de captação de imagem, ou seja, terminada a videogravação de todas as simulações,


passa-se à fase do visionamento e avaliação qualitativa das mesmas, preenchendo para o efeito uma das
grelhas que mais à frente apresentaremos;

Todos os intervenientes neste processo farão uma apreciação das várias sessões videogravadas, fazendo
salientar os pontos ou aspetos considerados mais ou menos alcançados;

Nesta fase, a metodologia que se recomenda, definindo previamente uma ordem lógica das intervenções
orais, é a seguinte:

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Em primeiro lugar, intervêm todos os Formandos que constituíram o público-alvo presencial;

Em segundo lugar, intervém o animador do módulo, que sintetiza os aspetos mais salientes e pertinentes
das intervenções anteriores e apresenta o seu próprio comentário; terminada esta parte da heteroscopia,
passamos ao formando que dinamizou a simulação em observação e que sintetizará em dois momentos a
sua opinião relativamente: 1) comentários à heterocrítica que lhe foi feita e 2) autocrítica, com base no que
viu, ou seja, à forma como “se viu”.

2.3 – ALGUMAS (DES)ILUSÕES DO FORMADOR

Passemos agora a algumas (des) ilusões dos Formadores, passando em revista os aspetos subjacentes e
identificando os elementos “desviantes” destas ideias feitas com as quais os Formadores se apresentam a
dinamizar as sessões de Formação:

“Quanto mais se fala, mais os Formandos aprendem” – Em média só se retém 10% do que se ouve; não
dizemos que o “povo” tenha 100% razão com o aforismo “entra-lhes por um ouvido e sai-lhes pelo outro”
mas é certo que a capacidade humana de retenção de informação oral é diminuta; o Formador deve
diversificar os veículos de transmissão de informação (registos no quadro; imagens; acetatos, etc.) deve
propor aos Formandos atividades práticas que os levem a compreender a matéria; os assuntos ficarão
mais bem consolidados se forem eles a concluir e a chegar ao essencial da matéria;

“Esta matéria é tão fácil e interessante que não é possível alguém não gostar” – Nem tudo o que lhe parece
a si, é para de igual modo percecionado pelos outros; aquilo que nós consideramos muito interessante,
pode ser completamente desinteressante para as outras pessoas; cada um é dono da sua vontade e da
verdade; experimente colocar-se empaticamente no lugar do outro e pense o que sentiria, como
reagiria...naquela situação; cabe ao Formador encontrar meios facilitadores da apreensão da matéria e
motivar os seus Formandos para aquele assunto.

“Isto está a correr bem: estão todos tão atentos!”– As aparências iludem!... A única certeza que pode ter é
que estão a olhar para si; se não dialogar com eles e não se certificar de que estão a acompanhar a
matéria, é muito possível que venha a ficar (desagradavelmente) surpreendido!...

“Consegui dar o programa todo” – O importante não é o ensino, o debitar incessante de matéria, mas sim
a aprendizagem; o que conta não é aquilo que você disse mas aquilo que eles conseguiram aprender; a
aprendizagem é mais importante que o ensino, do ponto de vista pedagógico.

“Se eles não aprenderam... a culpa é deles!” – Se os Formandos não aprenderam é porque os métodos e
estratégias utilizados não foram eficazes ou adequados à matéria ou às características dos Formandos.

“Fui tão claro que os Formandos nem me colocaram questões” – Em pedagogia o ditado: “quem cala
consente” não é valido; o Formador deve confirmar se o silêncio é sinónimo de compreensão da matéria
ou indiferença ou até mesmo desmotivação.

“Distribuí imensa documentação” – “Quem lhe garante que a vão ler?” “Como verificou se eles assimilaram
toda a informação?” O importante não é a quantidade de informação distribuída por minuto mas o
equilíbrio e pertinência dessa mesma documentação para a matéria em estudo; por exemplo: nunca devem

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ser distribuídos mais de um documento ao mesmo tempo, sob pena de criarmos dispersão da atenção dos
nossos Formandos.

“Utilizei todos os audiovisuais” – Cuidado!... Também aqui a regra do bom senso e do equilíbrio é
imprescindível. Os audiovisuais não devem substituir o Formador, devem complementar o seu papel,
devem prestar auxílio, não atrapalhar...

Este levantamento de ideias não pretendeu ser exaustivo, mas apenas exemplificativo de algumas ideias
que se registaram ao longo da nossa própria experiência, quer com futuros Formadores com Formação
pedagógica, quer com Formadores com larga experiência, com ou até mesmo sem Formação pedagógica.

2.4 – COMO CONCEBER E ORGANIZAR UMA SESSÃO DE FORMAÇÃO

A criatividade e a inspiração, apoiadas por uma motivação eficaz, são fatores imprescindíveis para os
profissionais da Formação, mas o rigor técnico e científico não é menos importante, pelo que uns e outros
não podem deixar de ser considerados, aquando da conceção e estruturação das atividades de uma sessão
de Formação. Quando se organiza uma sessão de Formação, é importante ter em conta cinco fases:

Planeamento da Sessão

Na fase do planeamento, deverá haver preocupação de considerar os aspetos logísticos: a sala ou o local
onde vai decorrer a formação, a disposição das mesas, o quadro, o retroprojetor, data-show,
televisão, vídeo, etc., bem como os aspetos humanos, isto é, a população-alvo a que se destina a
Formação, por forma a adequar, na fase da preparação da sessão, os conteúdos e a linguagem a ser
utilizada e os pré-requisitos.

Deve entender-se por pré-requisito todo o conhecimento requerido pela nova aprendizagem que se vai
realizar. Este pré-requisito é diferente da aprendizagem anterior, porque o participante pode ter adquirido
muitas aprendizagens, mas só algumas serem pré-requisitos para aquela matéria.

Preparação da Sessão

Na preparação da sessão, é altura de se elaborar o plano de sessão e nele deverão estar definidos a ordem
e a estruturação dos assuntos a abordar ao longo da sessão, como, os aspetos a ressaltar, o tempo da sessão,
fazendo referência à sua gestão de acordo com os vários passos da sessão e os meios didáticos que vão ser
utilizados, bem como as atividades e estratégias a desenvolver.

Funções do Plano de Sessão

A elaboração do plano de sessão é importante porque:

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 Inspira confiança ao Formador;


 Permite uma apresentação ordenada;
 Ajuda o Formador a ver a sessão por todos os prismas, como um todo;
 Serve de “cábula” para qualquer imprevisto ou falha momentânea de memória;
 Indica a lista dos auxiliares pedagógicos e a ordem por que devem ser utilizados;
 Permite dar coerência à sessão;
 Auxilia na avaliação da estratégia escolhida quanto aos métodos e técnicas;
 Permite o regresso à linha estabelecida quando há afastamentos ou desvios.

Uma boa preparação da sessão dá-nos segurança e permite:

 Dominar o receio ou nervosismo;


 Maior concentração sobre o modo como se vai falar;
 Impressionar favoravelmente o grupo;
 Sentir maior prazer em fazer a exposição;
 Convencer e fazer agir.

A base de toda a preparação consiste na reflexão. Ela permite reunir os factos e as ideias, depois é só filtrá-
las e ordená-las, tendo sempre presente o que se pretende transmitir, de modo a fazer convergir os
argumentos para o objetivo a atingir.
Deverá ter-se presente que as questões iniciais deverão levar o grupo a refletir antes de fazer um julgamento
das afirmações do Formador. Assim, este terá à sua frente pessoas que refletem e não pessoas que julgam.

Assim, na preparação da sessão, deverá:

 Decidir-se o que vai constar da exposição;


 Recolher o máximo de elementos que for possível;
 Selecionar as ideias mais interessantes.

Preparação do Grupo

Na preparação do grupo, deve-se ter em atenção o modo como se pretende cativar a atenção dos
Formandos para um determinado tema. Para isso, o Formador deve procurar adaptar-se aos Formandos:

 Ter o cuidado de tratar uma fase importante de cada vez; fazer descobrir; salientar os pontos-chave;
 Evitar o recurso a expressões do tipo: “aula”, “aluno”; “professor” ou outras que façam lembrar um
regresso à escola.

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 Deverá estimular o trabalho do grupo e evitar o isolamento de um formando, colocando-lhe questões a


que ele possa responder.
Evitar que um indivíduo seja o centro da discussão. Para isso pode fazer-se diretamente perguntas aos outros
participantes ou fazer-lhe uma pergunta muito objetiva que o obrigue a responder sem divagações.
Por último, deverá ainda, ser capaz de ultrapassar outros momentos difíceis, tais como:

 Intervenções imoderadas (realizar reformulações simples após a intervenção, lembrar-lhe o tempo


disponível e a importância de dar oportunidade de todos se exprimirem, solicitar que seja breve, ou,
ainda, interromper o Formando e solicitar a participação de outros que em intervenções anteriores
tenham relevado ideias contrastantes).

 Fugas do grupo (quando se trata de pontos delicados há lugar a “fugas”, isto é, o grupo recusa um
obstáculo por receio de ser julgado, de se “queimar”, ou por medo das conclusões a que poderia chegar.
Logo que o Formador localize o problema deve intervir, formulando-o de forma impessoal, assinalando
o quanto a questão é delicada e difícil de ser abordada e propondo que se descubra porque a questão é
deixada de lado, através da listagem dos riscos que ela comporta).

 Desviante: quando um participante insiste com teimosia em desviar o grupo para assuntos fora dos
conteúdos da sessão. O Formador deve reformular a questão e levar os participantes a pronunciarem-
se.

 Líder: indivíduo que tenta monopolizar e controlar os conteúdos e o grupo. O Formador deve reformular
as suas intervenções, agradecer-lhe, mas acentuar que todos têm de expressar a sua opinião pessoal e
questionar se alguém tem uma opinião diferente).

 Silêncios prolongados de um participante: deve-se apelar à sua participação, dirigindo-lhe perguntas


concretas ou pedindo a sua opinião sobre o assunto.

 Reforçar positivamente as suas intervenções: quando estes silêncios se estabelecem no grupo (é


importante que o Formador o respeite e deixe que seja um Formando a rompê-lo. Se o considerar
excessivo, deverá questionar o grupo sobre o seu significado).

Desenvolvimento da Sessão

No desenvolvimento da sessão, o Formador deverá preocupar-se com o modo como expõe a matéria e, por
isso, não pode descurar: o tom de voz, os gestos, as atitudes corporais, a expressão do rosto, a citação dos
nomes dos formandos, as imagens, os exemplos, o sentido de humor e o uso de analogias ou metáforas de
sentido facilmente alcançável.

Deverá ainda, ter em atenção o modo como faz participar o grupo e a utilização dos suportes audiovisuais
para explicar, mostrar e exemplificar. Na condução da discussão do grupo deve ter presente que a utilização
de métodos ativos não é o diálogo com um participante, pelo que deverá dar particular atenção ao modo
como dirige, anima e desenvolve a sessão. Isso implica que ele aproveite as diferentes opiniões dos

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Formandos, mas sem perder de vista os objetivos fixados, pois, caso contrário, a Formação pode não passar
de uma troca anárquica de palavras sem qualquer interesse.

Ter presente que toda a exposição tem:

 Um Começo;
 Um Desenvolvimento;
 Um Fim.

Considerando o A B C de uma boa exposição, ela deve ser:

 Ajustada;
 Breve;
 Clara.

Conclusão da Sessão

Momento de extrema importância é a conclusão da sessão. Uma boa conclusão é fundamental. Por isso, ela
deve prender a atenção, pelo que lhe devem ser dispensados cuidados especiais. Uma sessão, para resultar
eficazmente, necessita de um bom final.

Não é de bom tom chegar ao fim da intervenção e dizer simplesmente “terminei”. Há Formadores que têm
pouco cuidado com o final das suas intervenções, e há outros que dizem tudo o que têm a dizer e não sabem
quando terminar.

O Formador, por vezes, por mais que se esforce, acaba por andar à volta e, claro, deixar má impressão.

O final deve ser o ponto estratégico da exposição, do que se diz. As palavras finais são, sem dúvida, as que
se recordam por mais tempo e as que ficam mais facilmente no ouvido.

Assim, deverão ser salientadas, de modo sucinto, as fases importantes. Deverá obter-se “feedback”, fazendo
falar os participantes sobre a sessão para verificar se o grupo consegue resolver os problemas que lhe são
colocados, porque é preciso não esquecer que o essencial deve estar na conclusão.

2.5 – LINHAS DE ORIENTAÇÃO PARA PREPARAR UMA SESSÃO DE FORMAÇÃO

Como Atuar para Dirigir Eficazmente uma Sessão

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A sessão bem dirigida baseia-se na participação ativa dos Formandos e não numa exibição pessoal do
Formador.

O animador, para além de ser um “especialista” nos assuntos apresentados ou em debate, é- lhe também
exigido que seja uma pessoa hábil, capaz de dirigir com firmeza e segurança uma discussão ou uma sessão
de Formação.

Se for capaz de dirigir com imparcialidade uma sessão onde estejam pessoas com diferentes opiniões e a
conseguir manter em termos cordiais sem perder de vista o assunto e atingir os objetivos previstos, será, sem
dúvida, um bom dinamizador.

Durante a sessão, o Formador deve procurar:

Deve fazê-lo sem que os Formandos o sintam, o que implica ser:

Algumas indicações sobre a técnica de fazer perguntas.

Se assumir o seu papel mais de Formador/mediador que de participante na sessão, o orientador pode
empregar as perguntas dos mais diversos modos. Surgirão, com efeito, muitas situações que requerem a sua
orientação, porém, se essa orientação se converter em domínio ou imposição, o seu efeito resulta
perversamente.
Em vez de uma afirmação direta e taxativa, pode, muitas vezes, obter o mesmo resultado por via indireta,
expondo as suas ideias sob a forma de pergunta, tornando, assim, mais subtil e agradável a sua ação.

Para terminar, apresentamos algumas sugestões que podem ajudar a ter um perfeito domínio nos diversos
tipos de perguntas:

As perguntas devem ser formuladas de modo a implicar uma resposta. Não é de ético fazer perguntas que
ponham em evidência a ignorância dos presentes;
Expressar as perguntas com palavras simples. Os Formandos devem compreender o que se pretende;
A questão posta não deve ser tão fácil que não incite à reflexão, nem tão difícil que desanime, impedindo o
esforço. Deve constituir um estímulo ao pensamento;
A pergunta deve ser formulada de forma natural, em linguagem adequada à Formação dos elementos do
grupo e em tom que implique confiança na capacidade da pessoa para responder.

Deve ter uma finalidade bem definida:


a) Para obter uma informação;
b) Para salientar determinados pormenores;
c) Para estimular o pensamento, promovendo a discussão.

A Abertura da Sessão

Mesmo em situação de simulação, o Formador em Formação deve cumprimentar os formandos/público e


dar conhecimento do tema ou assunto específico que vai ser tratado ao longo da sessão;
O Formador comunica então os objetivos da sessão e define de maneira clara o modo como pretende
organizar e conduzir a sessão;

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O Formador apresenta a seguir, consoante a especificidade do tema a abordar, uma breve Introdução ao
tema, através de uma motivação interessante e rápida, como por exemplo, fazendo a exploração, com o
grupo, de uma imagem, um cartaz, etc, alusivos ao tema.

O Desenvolvimento da Sessão

Nesta fase, o “animador” é o responsável:

Pela produção do grupo;


Por facilitar a participação de todos;
Pela regulação do processo em geral.

O Papel e as Técnicas do Animador

A primeira preocupação do animador consiste:

Reformulação das opiniões individuais, facto que facilita a expressão, dá importância a quem as emite e
conduz a que os outros oiçam as ideias emitidas e estimula as interações;
Síntese, de importância fundamental e que se executa em todos os níveis: reformulação síntese de uma
intervenção que seja mais longa, síntese de duas ou mais intervenções:

 Síntese por fase;


 Síntese parcial em cada ponto do plano;
 Síntese final.

UNIDADE III

COMPORTAMENTOS E PERFIL DO FORMADOR

OBJETIVOS:

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No final da unidade, o Formando deverá:


 Reconhecer os comportamentos pedagógicos a privilegiar na sessão;
 Refletir sobre o perfil desejável do Formador, enquanto animador de uma sessão de Formação;
 Conhecer os itens de observação do Relatório de Autoscopia;
 Utilizar grelhas de controlo e avaliação de uma sessão/ “Check-list” da sessão de Formação.

3.1 - O PERFIL DO FORMADOR

Neste momento, já refletimos sobre o conceito e as características da autoscopia, já abordámos a conceção


e organização do plano de sessão e já salientámos alguns aspetos práticos relacionados com a condução e
animação de sessões de formação.

Com certeza, todos eles são importantes e constituem fatores de alguma preocupação para os Formandos
que veem o momento da simulação inicial aproximar-se. Mas, diz-nos a experiência, o que constitui maior
fator de nervosismo e alguma perturbação natural dos candidatos a Formadores é o que se relaciona com o
seu desempenho e saber sobre que aspetos essenciais vão recair a sua avaliação.

Compreendemos, naturalmente, esta inquietação legítima e pensamos vir a contribuir para a esbater, assim
como outros sentimentos como a preocupação e a angústia. Conhecemos perfeitamente as questões que,
nesta fase, “assaltam” os nossos Formandos: “Será que eles vão perceber que estou nervoso?” “E se me
enganar?” “Será que vou conseguir fazer-me ouvir?” “Que tom de voz utilizar?” “Será que tenho matéria e
atividades suficientes?” “E se o computador não funcionar?" “Como devo dirigir-me aos formandos?” “Para
onde olhar?”...
Estas são apenas algumas questões que nos colocamos na fase de pré-videogravação. Procuraremos,
seguidamente, debruçar-nos sobre os comportamentos e atitudes fundamentais que devemos enfatizar e
sobre os quais vai incidir a atenção dos outros (público-alvo e Formador) – este guião facilitar-nos-á a
observação e análise das simulações. Apresentaremos, ainda, alguns questionários que poderão ajudar a
preparar com êxito uma sessão de Formação e verificar se nada foi esquecido no plano de sessão.

3.2 - CONTRIBUTOS PARA A DESCRIÇÃO DOS TRAÇOS DE COMPORTAMENTO DO FORMADOR

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 Pouco audível;  Rosto hermético, fechado;


 Gestos embaraçosos;  Comportamento indolente;
 Rigidez de atitude;  Falar monótono /estilo oral compassado;
 Não olhar os Formandos;  Ausente;
 Elocução clara, nítida;  Empenhamento;
 À vontade entre os formandos;  Aproveitar as intervenções dos
 Fácil integração no grupo de Formandos;
Formandos;  Despertar o interesse dos Formandos;
 Variedade de formas de expressão.  Comunicação expressiva;
 Presença agradável.

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 Fácil irritação;  Corta a palavra e as reações dos
 Agressividade verbal; Formandos, bloqueando as reações do
 Nervosismo; grupo;
 Comenta e faz observações  Dirigismo;
frequentemente;  Não vê, não ouve e não responde às
 Auto domínio; intervenções;
 Paciência;  Encoraja os formandos a apresentar os
 Intervenções pedagógicas; seus pontos de vista e a tomarem
 Domina as suas reações impulsivas. iniciativas;
 Promove o debate de ideias e a
discussão;
 Utiliza pedagogicamente as reações dos
Formandos;
 Sintetiza gradualmente os contributos do
grupo.

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 O grupo é para ele como uma massa  Revela embaraço;


anónima, não localizando as intervenções;  Hesitante, confuso nas respostas;
5  Não se aproxima dos formandos para  Remete para mais tarde a resposta à
seguir o seu trabalho ou para apoiar a sua pergunta feita;
atividade;  Utiliza pedagogicamente as situações
 Não propõe nem solicita qualquer tipo criadas;
de organização;  Adota uma atitude sensata perante o
 Centra a sua atenção apenas numa parte comportamento imprevisto de um
do grupo; formando ou material.
 O Formador em Formação é um
animador, facilita as interações, criando
um clima de grupo;
 Acompanha, como facilitador, o trabalho
dos
Formandos;
 Organiza a atividade de forma ordenada
todo o grupo merece a sua atenção;

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 Linguagem científica e técnica  Não utiliza ou utiliza pouco o quadro;
 O assunto é mal introduzido;  No início da sessão, perde tempo a
imprecisa, definições pesadas,  Permanece longos períodos de costas
 Ausência de fio condutor/ articulação preparar o material, classificar as suas
incompletas ou vagas; voltadas para os Formandos;
entre os aspetos focados; fichas, notas, apontamentos... Parece que
 Linguagem imprópria, incorreta; nunca  Escrita ilegível;
 Deficiências na conceção/ planificação não preparou a sessão;
usa a forma interrogativa;  Esquema e registos desproporcionais,
da sessão;  Condução deficiente dos trabalhos,
 Tendência para cair na linguagem descuidados;
 Conclusões e síntese finais pouco experiências;
familiar; nem sempre encontra a palavra  Negligencia os meios audiovisuais à sua
consistentes;  A sessão apresenta muitos tempos
certa; disposição;
 A motivação funcionou; mortos;
 Utilização incorreta da forma  Não explora convenientemente os
 Conhece e articula os objetivos;  Preocupação com aspetos de pormenor,
interrogativa; documentos escolhidos e projetados;
 No decurso da sessão, recorre ao em detrimento do essencial;
 Escolha apropriada e rigorosa dos  Interage frequentemente com os
flashback e sínteses parciais;  Indicações precisas;
termos a utilizar; Formandos;
 Síntese final articulada com a sessão.  Controla a utilização do tempo;
 Construção frásica correta;  Regista com nitidez e precisão o plano e
 Distingue o essencial do acessório;
 Faz adequar equilibradamente a sua as ideias essenciais;
 Gestão eficaz e equilibrada do tempo;
linguagem e competência linguística ao  Faz esquemas muito legíveis e
 Termina a sessão com o ritmo
nível dos formandos. cuidados;
equilibrado.
 Preparou bons documentos para
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projetar (diapositivos, transparências) e
explora-os eficazmente;
 Os audiovisuais são um instrumento de
apoio para o Formador, não substituindo
este.

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 Ao longo destas páginas, tentámos apresentar alguns elementos de uma estratégia de Formação,
abrindo caminho à auto-Formação de Formadores, visando desenvolver a sua capacidade de
autoanálise.

 Consideramos que um Formador profissional deve ser capaz de analisar as situações da Formação
vivenciadas no seu dia a dia da atividade profissional, a fim de poder selecionar as soluções pedagógicas
mais ajustadas.

 Diariamente, o Formador enfrenta situações com componentes imprevistos, fator que o obriga a resolver
problemas, em situação real, de que não conhece necessariamente todos os elementos. Tirar proveito
destas experiências profissionais a fim de as tornar formativas constitui um dos maiores desafios da
nossa profissão – Formador profissional. Claro que a prática, por si só, não constitui fator único de
aprendizagem desta atividade; a componente cognitiva, de que nos ocupámos através das grelhas de
observação e análise das situações de Formação; não menos importante, temos, ainda, a componente
afetiva, indissociável de todo este processo de simulação videogravada de situações de micro-ensino.

 Todos estes instrumentos ao dispor dos Formandos de nada servirão se não forem capazes de pôr em
causa a prática de aceitar a mudança, as ruturas, os desequilíbrios detetados.Assim, pretendemos ajudar
os Formadores em Formação a compreender melhor a sua prática, a torná-la significativa, a colocar-se
no papel de gestor de uma situação de Formação e, enquanto tal, aceitar e interpretar o feedback
fornecido.

 A capacidade de mudar os comportamentos profissionais, não se resume a uma compreensão da sua


prática, ela implica também a capacidade de compreender as transformações contextuais (sociais,
políticas, empresariais, educativas...).

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NOTA FINAL

Talvez propositadamente, não apresentámos, neste momento, qualquer proposta de grelha de planificação.
Esta, intencionalidade implícita, prende-se com as características específicas desta fase da Formação
pedagógica de futuros Formadores.

Assim, devem os Formandos socorrer-se de um roteiro de planificação e desenvolver o plano de sessão, de


forma descritiva, sem se preocuparem exageradamente com o aspeto gráfico e estético. Neste momento, o
plano de sessão assume-se como um instrumento indispensável ao Formando, de utilidade fundamental no
contexto da sessão.

Nesta fase preparar uma sessão resume-se a responder a um conjunto de perguntas que vamos lançando:

O quê? Para quê?


 “Qual vai ser a matéria que vou  “O que pretendo que os formandos
apresentar?” atinjam?”
 “Que assunto se vai estudar?”  “Para quê levar a cabo este trabalho?”
 “Que aspetos são essenciais?”  “Quais as capacidades que pretendo
(Aqui, definimos os CONTEÚDOS da desenvolver junto dos formandos?”
sessão) (Estamos no campo dos OBJETIVOS a
atingir)
Como? Com quê?
 “Com que atividades pretendo atingir os  “Que recursos vou utilizar?”

objetivos definidos?”  “Que materiais vou apresentar?”


 “O que pretendo fazer com os formandos  “Que auxiliares pedagógicos serão mais
ao longo da sessão?” eficazes ou resultarão melhor?”
 “Como vou facilitar o processo de (A seleção adequada dos MATERIAIS é de
aprendizagem?” extraordinária importância...)
 “Como posso tornar atrativa e
interessante esta matéria?”
(Acabámos de selecionar as
ESTRATÉGIAS que melhor se adaptam à
sessão)
Quanto tempo? Para quem?

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 “Que tempo tenho?”


 “Como vou “gastá-lo”?”
 “Será que não vou gastar demasiado
tempo com aspetos secundários?”  “Quem será o meu público?”
 “Vou ter tempo para tudo o que pretendo  “Que conhecimentos prévios deve ter?”
fazer?”  “Que características tem: idade,
 “Será que tenho atividades suficientes profissão, cargo...”
para toda a sessão?” (O nosso PÚBLICO-ALVO já foi
(A eterna questão da gestão do Tempo convidado... após termos definido os PRÉ-
persegue-nos; não a descuremos... dela REQUISITOS que deve apresentar; vamos
dependerá o ritmo e o equilíbrio da recebê-lo condignamente e não o
sessão). desiludamos!)

AVALIAÇÃO
“Em que medida foram atingidos os objetivos propostos?”

“Como ou com que instrumentos verificarei se os formandos ficaram a saber a matéria


ou são capazes de fazer o que vou exemplificar ou demonstrar?”

“Será que através da observação do grupo, vou conseguir “perceber” quem está ou não
a acompanhar a matéria?”

Não se esqueça que o seu plano de sessão deve obedecer a duas regras que se complementam – UNIDADE
e FLEXIBILIDADE.

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BIBLIOGRAFIA

Donnay, J., Charlier E. - “Comprendre des Situations de Formation – Formation de Formateurs à L’analyse”.

Lecoint, Michel - “S’assoir Pour se Regarder Marcher”.

Silva, Maria Gabriela Silva – “Autoscopia”, CNS, 1997

Tarrinha, Abílio – “Formador: Estatutos e Papeis”, CNS, 1997

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