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Exercícios

1. Validade e efetividade das normas jurídicas


Cleonice, dona-de-casa, mãe de quatro filhos, cansada de ser agredida fisicamente pelo seu marido,
Luvanor, resolve tomar providências. Todavia, ao procurar a delegacia de sua cidade, situada no
interior do Ceará, a fim de registrar a ocorrência da mais recente agressão, fica sabendo que, caso
desse prosseguimento ao registro, haveria a possibilidade de decretação de prisão preventiva de
Luvanor. Sendo este o único provedor da casa, preferiu Cleonice abdicar de fazer a ocorrência,
temerosa de vir ela e seus filhos a passarem necessidades materiais.
Sobre esse tema, o mundo jurídico vem debatendo A revista RT Informa (ano VIII, n. 49, maio/junho,
Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 16) tratou do tema, apresentando alguns pontos divergentes,
mas bastante interessantes. Vejamos:
Os números da violência contra a mulher no ambiente doméstico são alarmantes. Segundo pesquisa
sobre a condição feminina em 54 países, organizada em 2004 pela Sociedade de Vitimologia,
instituição com sede na Holanda, as mulheres brasileiras são as que mais sofrem: 23% estão sujeitas à
violência doméstica(...). Segundo Rogério Sanches Cunha, membro do Ministério Público de São
Paulo e co-autor do livro Violência Doméstica, a lei cria mecanismos para coibir a violência
doméstica e familiar contra as mulheres, nos termos do parágrafo 8º, do artigo 226, da Constituição
Federal (...). O autor acredita que os mecanismos legais até então existentes se revelaram inaptos para
fazer frente à criminalidade contra as mulheres. Assim, foi opção do legislador adotar critérios mais
rígidos de punição, prevendo, por exemplo, a possibilidade de decretação de prisão preventiva, a
retirada das ações do âmbito dos Juizados Especiais Criminais, a desistência da ação apenas perante o
juiz e a proibição de aplicação de medidas despenalizadoras (...).
Após quase um ano em vigor, a lei ainda gera divergência sobre sua efetividade. “Uma corrente de
profissionais diz, por exemplo, que a ameaça de decretação da prisão preventiva acarretou uma
redução ao número de agressões contra as mulheres. Outra, porém, afirma que os ataques continuam,
mas, na verdade, é a vítima que deixou de denunciar o fato, temerosa com a possibilidade de prisão do
agressor; capaz de acarretar-lhe privações de ordem econômica, emocional ou afetiva”. Segundo
Ronaldo Pinto, também membro do Ministério Público de São Paulo e co-autor do livro Violência
Doméstica, “O fato é que já tivemos casos de agressores presos em flagrante e o número de agressões
diminuiu”. Os autores admitem que essa nova lei colabora para um sentimento de maior proteção, mas
há longo caminho a percorrer. Apesar dos esforços, segundo pesquisa do Data Senado, após seis
meses da promulgação da Lei Maria da Penha, apenas 40% das mulheres submetidas a situações de
violência denunciaram o agressor.
a) Estabeleça a distinção entre os conceitos de validade formal (vigência), validade social (eficácia) e
validade ética (legitimidade) da norma jurídica.
R: Sobre validade formal: se refere aos requisitos que devem ser cumpridos para uma regra se tornar
obrigatória. Preiodo em que sua norma se torna válida. O órgão que vai fazer a regra tem que ser
competente para isso. A Constituição Federal determina as competências relacionadas a realização
legislativa.
Validade formal ou vigência é uma propriedade que diz respeito à competência dos órgãos e aos
processos de produção e reconhecimento do Direito no plano normativo.
Sobre validade social: é aquela que determina se uma lei tem eficácia e efetividade. Ou seja, se ela é
aceita e reconhecida pela sociedade. A eficácia se refere à aplicação ou execução da norma jurídica, é
a regra jurídica enquanto momento da conduta humana. A sociedade deve viver o Direito e como tal
reconhecê-lo.
A eficácia tem um caráter experimental, porquanto se refere ao cumprimento efetivo do Direito por
parte de uma sociedade, ao “reconhecimento” do Direito pela comunidade, no plano social, ou aos
efeitos sociais que uma regra suscita através de seu cumprimento.
Sobre validade ética: é aquela que envolve o problema do fundamento, a razão de ser, o motivo pelo
qual a lei foi criada. Qual o valor que aquela Lei irá defender com a sua criação. Pode-se dizer que toda
regra jurídica, além de eficácia e validade, deve ter um fundamento. O fundamento é o valor ou fim
objetivado pela regra de direito. é a razão de ser da norma.
A apreciação feita sobre vigência, eficácia e fundamento vem reafirmar a estrutura tridimensional do
Direito, pois a vigência se refere à norma, a eficácia se reporta ao fato, e o fundamento expressa sempre
a exigência de um valor.
b) A Lei Maria da Penha tem o propósito de proteger mulheres, como Cleonice, das agressões de seus
maridos. Diante do fato de que muitas vítimas hoje deixam de denunciar as agressões sofridas, com
temor de que a prisão de seus agressores possa acarretar-lhes privações de ordem econômica, emocional
e afetiva, seria a Lei Maria da Penha eficaz? Justifique.

R: Sim. A Lei Maria da Penha é eficaz, por mais que existe o medo das mulheres em
denunciarem seus maridos, a Lei não perde eficácia. Pois são opções que determinadas
mulheres fazem e não todas. Entretanto, se a Lei fosse adequada para o caso de mulheres como
essa, dando-lhe algum recurso para que não deixasse desamparadas financeiramente, com
certeza o número de mulheres denunciantes aumentariam.

c) Pode uma norma jurídica ser válida sem ser eficaz? E o contrário?

R: Sim. Aquelas que dependem de regulamentação para funcionarem. O contrário também, nos
casos de normas que tiveram sua constitucionalidade declaradas após sua promulgação,
produziriam efeitos válidos nesse lapso.

2. Revogação da lei ab-rogação e derrogação


O artigo 2.045, do Código Civil, diz o seguinte: “Revogam-se a Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916
— Código Civil — e a Parte Primeira do Código Comercial, Lei nº 556, de 25 de junho de 1850”. O
artigo 2º do Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, Lei de Introdução ao Código Civil, diz o
seguinte: “Não se destinando à vigência temporária, a Lei terá vigor até que outra a modifique ou a
revogue”.
Analisando os textos dos artigos mencionados, tanto do Código Civil, quanto da Lei de Introdução ao
Código Civil, responda o que se segue:
a) Explique o que é a revogação de uma lei. Fundamente.

R: A revogação é o fenômeno pelo qual uma lei perde a sua vigência. Esse fenômeno deve
ocorrer haja vista o dinamismo da vida social e a complexidade das relações, se fazendo
necessárias inúmeras adaptações da Ordem Jurídica.

Uma lei perde sua vigência em algumas situações específicas, quais sejam: revogação por outra
lei, desuso e decurso de tempo.

Quando for revogada por outra lei: nesse caso a nova lei terá algumas opções, podendo revogar
a totalidade do conteúdo da lei anterior, (resultando a ab- rogação) ou revogar tão somente
alguma parte determinada (verificando a derrogação).
Poderá a nova lei, também, ser expressa quanto à revogação, dizendo claramente qual lei ou
parte dela que perderá seus efeitos, ou tácita, quando a lei nova não diz expressamente o que
veio revogar, mas se mostra incompatível com a norma existente (lei posterior revoga a
anterior), ou a lei nova regulamenta a totalidade do assunto abordado em uma anterior (lei
especial prevalece sobre lei geral). (JurisWay)

b) Qual(is) é (são) a(s) forma(s) de revogação de uma lei. Justifique.

R: A derrogação é a revogação parcial de uma lei, ou seja, somente uma parte da lei é
revogada e o restante continua em vigor.
A ab-rogação é a revogação total de uma lei. Ou seja, toda a lei é suprimida. Logo, todos os
dispositivos daquela lei não serão mais usados e nem válidos.
A revogação expressa ocorre quando a nova lei declara que a antiga lei será total ou
parcialmente extinta (art. 2º, § 1º, primeira parte).
A revogação tácita ocorre quando a nova lei não contém declaração no sentido de revogar a
lei antiga, mas isto ocorre porque a nova legislação se mostra incompatível com a antiga ou
regula por inteiro a matéria de que tratava a lei anterior (art. 2º, § 1º, última parte).

c) Que espécies de revogação estão consignadas no artigo 2.045, do Código Civil Brasileiro?
R: A derrogação e a ab-rogação. Derrogação se tratando da modificação de apenas uma parte do Código
Comercial e Ab-rogação, revogando toda a Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 — Código Civil.
3. Início e término de vigência das leis
Manuel Augusto, estagiário do escritório Cançado & Cançado Advogados Associados, chega ofegante
à porta do Fórum de sua cidade, depois de uma corrida louca contra o tempo. Constata, quase em
lágrimas, que, para seu desespero, o relógio marca 17:33 horas. Ou seja, o expediente do Fórum
encerrou as 17:30 horas e ele não conseguiu chegar a tempo de protocolar a petição que seu patrão,
Dr. Cançado, tanto recomendara, pois o prazo terminava justo hoje, sexta-feira, 27.06.99. Depois de
ficar alguns instantes quieto, Manuel Augusto abre um enorme sorriso ao se lembrar de que já está em
vigor a Lei nº 9.800, de 26.05.99, cujo art 1º estabeleceu: “Art. 10 — É permitida às partes a
utilização de sistema de transmissão de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar, para a
prática de atos processuais que dependam de petição escrita” . Além do que dispõe seu art. 6º: “Art. 6º
— Esta Lei entra em vigor trinta dias após a data de sua publicação”.
O final feliz deste caso dependerá dos conhecimentos de Manuel Augusto sobre o início e o término
da vigência das leis. Vamos ajudá-lo, respondendo o que se pede:
Como se denomina o período de tempo decorrido entre a publicação da lei e o início da sua vigência?

R: Vacatio legis.

Vacatio Legis é uma expressão latina que significa “vacância da lei”, é o prazo legal que a lei
demora para entrar em vigor, ou seja, o período que decorre entre o dia de sua publicação até
sua vigência, devendo seu cumprimento ser obrigatório a partir dessa data. Ela existe para que
haja tempo de assimilação de seu conteúdo, bem como de sua existência.

Para que serve a fixação do referido prazo? Fundamente.

R: É o prazo entre a publicação da lei e a sua vigência, necessário para o conhecimento da lei
pelos administrados e sua adequação por parte da Administração. Durante esse período vigora
a lei velha
No intervalo entre a publicação da lei nova e o início da sua vigência, que lei deverá ser observada?
Fundamente.

R: Durante a vacância de uma nova lei, continua vigorando a lei antiga, até que esse prazo
seja decorrido.
Como deverá ser contado o referido prazo? Justifique.

R: O prazo de Vacatio legis é de 45 dias, mas o período de Vacatio legis da lei brasileira no
âmbito internacional difere da regra geral de 45 dias e passa a ser de 3 meses depois de
oficialmente publicada.
Quando se dará o término da vigência da Lei nº 9.800, de 26 de maio de 1999? Fundamente.
R: A menos que a nova Lei expresse em seu texto que passe a vigorar em determinada data, o término
da vigência da Lei 9800, de maio de 1999 seria 11 de julho de 1999.
Poderá Manuel Augusto valer-se da nova Lei e conseguir cumprir a tarefa que lhe havia sido dada por
Dr. Cançado? Como?
R: Se a nova Lei expressar que seu vigor não necessita esperar o prazo de vacatio legis, poderá Manoel
valer-se dela e utilizar o sistema de transmissão de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar,
para cumpri a tarefa.
4. Tema: Validade das normas – técnico-formal ou vigência, social e ética.
João da Silva, casado com Maria da Silva, vinha desconfiando de que sua mulher mantinha um
relacionamento extraconjugal com Antônio, amigo do casal. Certo dia, voltando mais cedo do
trabalho, encontrou sua mulher trocando carícias com o suposto amigo. Indignado, João da Silva
abandona o lar conjugal e ingressa imediatamente com a separação judicial, bem como com a queixa-
crime em face de sua mulher e de Antônio para ver apurado o cometimento do delito de adultério,
cuja pena é de detenção de 15 dias a seis meses. O juiz criminal condenou os réus ao mínimo da pena,
em razão da evidência do conjunto probatório.
a) Analise a decisão do magistrado sob o ângulo da eficácia da lei (técnico-formal e social) e do
costume contra legem como fonte do direito.

R: Não resta dúvida que, mesmo diante de tantas discussões sobre a adequação da norma acima
aos valores sociais, a lei não é revogada pelo costume contra legem. No máximo, poder-se-ia
admitir que o costume contra legem é fonte material do direito, já que pode inspirar a criação
de uma lei, que venha a revogar aquela que estaria, até então, em vigor.
A norma, atendendo às exigências formais para sua existência (validade formal ou técnico-
jurídica = vigência); sendo aplicada no âmbito social e, ainda, sendo observada pela sociedade
(validade social = eficácia ou efetividade); e possuindo fundamento ético (validade ética =
fundamento axiológico), é válida.
Questões objetivas (Respostas justificadas)
5. É publicada no Diário Oficial Federal lei dispondo sobre a proteção ambiental. Quanto à vigência,
validade e eficácia social desta lei, pode-se afirmar que sua vigência:
a) não se inicia no dia da publicação, salvo se ela assim o determinar, sendo válida e eficaz se
efetivamente obedecida e aplicada.
b) se inicia necessariamente 45 dias após a publicação, sendo válida se compatível com a
Constituição, observado o procedimento legislativo estabelecido para a sua produção e eficaz se
efetivamente obedecida e aplicada.
c) não se inicia no dia da publicação, salvo se ela assim o determinar, sendo válida se compatível com
a Constituição, observado o procedimento legislativo estabelecido para a sua produção e eficaz se
efetivamente obedecida e aplicada.
d) não se inicia no dia da publicação, salvo se ela assim o determinar, sendo válida e eficaz se
produzida por órgão competente, observado o procedimento legislativo estabelecido para a sua
produção.
e) se inicia necessariamente no dia da publicação, sendo válida se efetivamente obedecida e aplicada e
eficaz se produzida por órgão competente, observado o procedimento legislativo estabelecido para a
sua produção.
6. A Lei 9.307, de 23 de setembro de 1996, que dispõe sobre arbitragem, em seu artigo 44,
estabeleceu: “Ficam revogados os artigos 1.037 a 1.048 da Lei 3.071, de 1º de janeiro de 1916,
Código Civil Brasileiro; os artigos 101 e 1.072 a 1.102 da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código
de Processo Civil.”
Neste caso, é possível dizer então que ocorreu:
a) revogação tácita.
b) ab-rogação expressa.
c) derrogação expressa.
d) repristinação.