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Fichamento A Sociedade de Corte – Etiqueta e cerimonial: comportamento e

mentalidade dos homens como funções da estrutura de poder de sua sociedade –


Norbert Elias
 Reinado de Luís XIV – a corte não era apenas o centro de convívio social, assim
o rei não aprovava a fragmentação desse núcleo social e da sua constituição;
 Foi um processo gradual de descentralização desse círculo fechado de convívio
social, fato que aconteceu após sua morte;
 Sob o Reinado de Luís XV, esse centro da corte passou dos palácios para os
chamados hôtels dos nobres da corte, produzindo então a cultura de salão;
 Com Luís XVI o aumento das riquezas nas mãos dos burgueses aumentou,
fazendo com que a corte predesse ainda mais importância no convívio social,
dispersando-se ainda mais;
 Palácio do rei foi o verdadeiro centro da corte e da sociedade de corte; Palácio
de Versailles, complexo capaz de abrigar milhares de pessoas; Casa do rei e o
abrigo da sociedade de corte;
 Descrição das grandes proporções do castelo do Rei, que apresenta sua função
nas necessidades práticas, mas também potencializa os símbolos de poder do rei,
tal como seu prestígio;
 Aposento cental do primeiro andar era o quarto de dormir do rei – mostra como
o rei dono da casa, na verdade, toda a infraestrutura é voltada para tal;
 Cerimônias nos aposentos reais, tal como o lever do rei – cada atitude das
cerimônias demobnstrava um sinal de prestígio, simbolizando a divisão de poder
na época – tal como a função de cada súdito do rei monstrava sua importância na
corte
 Assim como a etiqueta tinha uma função simbólica de grande importância na
estrutura dessa sociedade e dessa forma de governo;
 Atos de etiqueta como fetiches de prestigio passou a se manifestar de modo
totalmente explicito;
 Fazendo com que a etiqueta ultrapassasse as funções primarias, se tornando
somente um caminho para se obter prestigio;
 Esse cerimonial que obrigava a todos a seguirem se tornou um fardo para todos;
violar essas práticas era um tabu para essa sociedade – o Rei exigia o
cumprimento das etiquetas, mas a própria existência social dos indivíduos
envolvidos estava ligada a ela;
 Assim, era um circulo vicioso, pois a pressão dos que estavam a um nível
inferior obrigava os que usufruíam de direitos a conservaram seus privilégios.
Já, a pressão que vinha de cima forçava quem estava sujeito a ela a empenhar-se
para escapar;
 Pressão e contrapressão, a engrenagem socal se mantinha em um equilíbrio
instável. Era a etiqueta que expressava esse estado de equilíbrio. Pra quem
estava envolvido era uma garantia de sua existência social e de seu prestígio;
 Luís XIV não foi o criador desse sistema cerimonial, mas foi ele que ampliou e
consolidou;
 Posição real de um indivíduo: o nível social e a posição vigente, mas o segundo
era o mais importante para o comportamento dos cortesões – assim cada
promoção significava o recuo de algum outro;
 A racionalidade da corte deriva, em primeiro lugar, do planejamento calculado
da estratégis de comportamento em relação a possíveis perdas e ganhos de status
e prestigio sob a pressão de uma competição continua pelo poder;
 Outro fator importante é que na boa sociedade o indivíduo só pertence a ela se
os outros acham que faz, somente enquanto os outros o consideram um membro;
 Assim chegamos no conceito de Honra, pois perder a honra é perder a condição
de membro da boa sociedade;
 Tal como ser membro da boa sociedade estava relacionada a identidade social e
a honra. Pois de fato, era comum trocar a vida pela honra nessa sociedade;
 A honra é um valor em si, ela glorifica a existência de seu detentor e não precisa
nem é passível de nenhuma fundamentação externa;
 No caso alemão, há uma heterogeneidade nas elites alemãs de boa sociedade e
uma ausência de uma ordem relativamente unificada de nível e status, nas “boas
sociedades” burguesas das cidades; Assim como havia uma educação que
mantinha cada geração a par das descendências, do status na complexa
hierarquia aristocrática e do prestígio de todas as famílias nobres;
 A capacidade de ‘pedir satisfação”, era a proposta para um duelo armado quando
havia alguma ofensa, trata-se então da noção de honra pessoal – assim, todos
desde a alta nobreza até os estudantes burgueses e os veteranos, membros de
corporações, das associações aceitas socialmente, e mesmo comerciantes, caso
fossem oficiais da reserva, eram capazes de pedir satisfação. Esse aspecto os
separava das camadas inferiores;
 Concorrência constante por prestígio, mas não é qualquer prestígio, mas sim
aquele que abria portas para uma ascensão hierárquica, as chamadas chances de
prestígio hierarquizadas;
 A etiqueta não precisa de explicação em termos de utilidade, pois com a mesma,
a corte procede à sua auto-apresentação, cada pessoa se distinguindo das demais
com o seu valor individual;
 A arte de observar pessoas e a si mesmo, pois essa arte também era uma arte de
descrever pessoas e de uma auto avaliação diante de seus atos para alcançar cada
vez mais prestigio;
 Com isso, foi desenvolvido nas memórias, cartas e aforismos a arte de descrever
os indivíduos, alcançando um alto grau de perfeição
 Tal como a arte de lidar com as pessoas era importante para uma possível
ascensão social para todos os indivíduos que visavam isso;
 Assim concluímos que a sociedade de corte era um campo de disputas por
prestigio, que se auto apresentava pelas etiquetas e cerimoniais que ali eram
realizados nos espaços inerentes ao convívio social da boa sociedade.

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