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FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE SOBRESP


CURSO SUPERIOR EM PSICOLOGIA

DÉBORAH SAMPAIO GOMES


LUISE WEBER SEGATTO

ABUSO SEXUAL INFANTIL

SANTA MARIA, RS, BRASIL


2020
DÉBORAH SAMPAIO GOMES
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LUISE WEBER SEGATTO

ABUSO SEXUAL INFANTIL

Projeto de Pesquisa apresentado à disciplina de


Metodologia da Pesquisa do Curso de Psicologia
da Faculdade Sobresp.

Orientador (a): Prof. (ª) Vanessa Nogueira

SANTA MARIA, RS, BRASIL


2020
SUMÁRIO
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1 TEMA..........................................................................................................................4

2 PROBLEMA...............................................................................................................4

3 OBJETIVO.................................................................................................................4

4 JUSTIFICATIVAS ....................................................................................................5

5 REFERENCIAL TEÓRICO ....................................................................................5

6 METODOLOGIA ......................................................................................................9

7 CRONOGRAMA .......................................................................................................10

8 REFERÊNCIAS .........................................................................................................11

TEMA
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O estudo do abuso sexual infantil para obter conhecimento e compreensão do tema


abordado.

PROBLEMA

Quais as consequências físicas e psicológicas causadas em crianças e adolescentes


pelo abuso sexual e quais os métodos que podem ser utilizados para a recuperação dessas
crianças?

OBJETIVO

Este projeto tem por objetivo principal mostrar o atual cenário brasileiro, em relação a
violência sexual infantil, apresentando esse flagelo social, em seus principais aspectos
estruturais, sociológicos e psicológicos; estando a família no centro da problemática,
abordando as suas responsabilidades sociais perante esse trauma gravíssimo que traz sequelas
difíceis de serem diagnosticadas e tratadas ao longo da vida destas crianças e adolescentes que
sofrem violência sexual.
Trazendo informações pertinentes sobre o tema, onde estes dados mostram as
ocorrências do abuso, a frequência, a idade das vítimas entre outras, poderemos esclarecer
para a sociedade a importância da denúncia do abuso sexual para evitar a repetição do ato e
prevenir futuras ocorrências entre crianças e adolescentes, bem como cessar a ocorrência de
novas reincidências.
Outro importante propósito da referente pesquisa seria elencar formas de tratar os
abusos ocorridos, buscando o bem-estar dos menores e a minimização do sofrimento psíquico,
bem como buscar o enfrentamento da situação na tentativa de uma ressocialização do menor
no meio social.
Estudar e ser conhecedor da temática do abuso sexual infantil nos possibilita ajudar na
prevenção e erradicação desta violência, porque é algo que acontece comumente em muitos
lares brasileiros, necessitando de um olhar mais apurado e sensivelmente ativo para este dano
social.

JUSTIFICATIVA
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Por que precisamos estudar sobre o abuso sexual infantil?


A razão da problemática sobre os constantes abusos que se apresentam dia a dia na
sociedade é o silêncio das vítimas ante estes atos, e em se tratando de menores e incapazes, o
medo, o desconhecimento e a desinformação são aliados para que seja pouco denunciado este
crime.
Um assunto grave, com um alto índice de incidência, porém com um baixíssimo
número de denúncias efetivadas. A maioria das pesquisas mostram que o abuso ocorre dentro
da própria casa das vítimas, por pessoas do círculo familiar ou de convivência. E muitas
vezes, as próprias famílias acobertam tal situação, para “proteger a sua família”, ou tratam a
evitação como alternativa para um menor sofrimento emocional.
Precisa-se informar e instruir as pessoas, do quanto impactante o abuso vai ser na vida
da vítima e da comunidade que a cerca, gerando mortes, traumas físicos e inúmeros danos
emocionais, e que a geratriz em que a sociedade forma a família, precisa urgentemente ser
desmistificada, gerando saúde física e mental, para que realmente ocorra a proteção real das
crianças e adolescentes, principalmente os que se encontram em situação de vulnerabilidade e
risco social.
De acordo com o art. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente, (Lei n.8.069, de 13
de julho de 1990), são consideradas crianças todas as pessoas que tenham até doze anos
incompletos. A partir desta idade até completarem 18 anos de idade, serão as pessoas
consideradas adolescentes. (BRASIL, 1990).

REFERENCIAL TEÓRICO

Vamos falar primeiramente sobre o que é o abuso sexual infantil e sobre sua evolução
durante o passar dos anos. Trazer essas informações, de um assunto ainda tão omisso dentro
da sociedade, tornou-se um desafio.
Onde um assunto é escondido, esconde-se também a verdadeira situação da criança e
adolescente abusadas (os). Vivemos em uma sociedade em que a omissão do abuso vem em
primeiro lugar. O medo de destruir a família leva a uma trágica sequência de traumas, sejam
elas físicas ou psicológicas e podem acarretar a sérios problemas psicossociais da criança ou
adolescente abusado.
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Observa-se, nas últimas décadas, uma explosão discursiva em torno


do tema, acompanhada da censura ao “silêncio”, entendido como “omissão” e
“conivência”. Frente a essa nova tagarelice e ao aumento de denúncias,
aparecem duas possibilidades de interpretação: uma mais pessimista, que
acredita que estamos vivendo uma “epidemia” de “abusos sexuais” de crianças
e outra mais otimista, que considera que a maior visibilidade não decorre do
aumento repentino de atos, mas da ruptura do antigo “tabu do silêncio”
(LOWENKRON, 2010, p.11).

O abuso sexual infantil tem uma definição muito ampla. Muitas pessoas entendem por
abuso sexual, quando ocorre o ato sexual em si, mas esse tema tem uma abordagem extensa,
pois além do ato considera-se abuso sexual desde carícias, fotos, exibicionismo, carícias,
linguagem inapropriada referente ao sexo, aliciamento de menores, sexo oral, entre outras
formas de agressão no âmbito e contexto de cunho sexual.
A violência sexual consiste não só numa violação à liberdade sexual do outro, mas
também numa violação aos direitos humanos de crianças e adolescentes. É praticada sem o
consentimento da pessoa vitimizada. Quando é cometida contra as crianças, representa um
crime ainda mais grave. (LONGO, 2019, p. 261).
O abuso sexual infantil, embora não citado diretamente, pode ser compreendido desde
a era medieval até os tempos modernos. Diversos relatos de autores e demais estudiosos
trazem informações muito relevantes para ampliarmos nossos conhecimentos.
Historicamente falando, podemos afirmar que a estrutura familiar, consanguínea e
parental possui a finalidade básica de proteção e cuidados aos infantes, em tenra idade. Estes
princípios são transmitidos de diversas formas, pela educação, religião, conceitos familiares,
conforme regras sociais que vão sendo passadas de geração em geração através dos tempos,
em nossa sociedade, criando-se ao longo do tempo a cultura de proteção aos mais frágeis
socialmente.
Entretanto, verificamos também ao longo da história em várias gerações, o domínio
dos mais fortes sobre os mais fracos, em diversos âmbitos políticos sociais e familiares.
Observamos em muitos casos, uma forte opressão patriarcal estabelecida nos lares pelo poder
e pela força. Somando-se a essa dominação sobre elos mais vulneráveis, temos como um
retrato social adoecido, desde os tempos remotos a lascívia, a busca desenfreada por prazeres
sexuais de formas abruptas, e em diferentes modalidades, gerando anormalidades no campo
da perversão sexual, muitas vezes familiar. Neste contexto, aliado ao uso de substâncias
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químicas e entorpecentes, ou aliado a comportamentos disfuncionais gerados por pessoas com


maior desenvolvimento psicossexual, e em condições superiores, vemos a dominação chegar a
patamares de gerar perversidades, em práticas eróticas e sexuais impostas à criança ou ao
adolescente pela violência física, por ameaças ou pela indução de sua vontade, no âmbito das
agressões veladas.
Segundo Freud, em Totem y Tabú2, para as duas primeiras relações parentais, as
normas legais de cuidados existem desde as mais remotas eras, antes mesmo das
leis, onde dois princípios fundamentais sempre regeram a convivência entre as
pessoas — a proibição do canibalismo e a proibição do incesto. (PFEIFFER,2005,
Jornal da Pediatria)
A violência sexual é antes de tudo, uma violação aos direitos humanos fundamentais.
Crianças e adolescentes no Brasil, são pragmaticamente protegidos pela Constituição
Federal vigente e normas institucionais jurídicas, contra a violência sexual, pelo menos na
letra da Lei, possuindo garantias legais para coibir tais atos perniciosos.
A Carta Magna em seu artigo 227 prescreve que “ É dever da família, da sociedade e
do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à
vida, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de
toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, criado pela Lei Federal 8069/90, tem como
primazia fundamental assegurar os interesses das crianças e adolescentes, garantindo bem
estar e preservação de seus direitos básicos a saúde e bem estar social.
A agressão sexual e suas consequências representam uma violação grave aos direitos
dos menores, representando um sério problema de saúde pública social e configurando-se
crime sexual contra vulneráveis, regidas suas penalidades junto ao Direito Penal Brasileiro.
Os abusos diversos, realizados em classes menos favorecidas são mais visíveis nas
sofridas consultas médicas realizadas nos postos de saúde da rede pública, ou percebidos pela
maneira comportamental, geralmente estampada no rosto dos menores abusados, nas escolas
da rede municipal ou estadual, em relatos de denúncias feitos pelos professores aos conselhos
tutelares ou em delegacias de polícia, percebidos pela rede assistencial pública. A violência
nas classes sociais mais favorecidas é mais velada, sendo guardados muitas vezes em
consultas sigilosas aos hospitais particulares, ou tão somente expostos após longos anos a fio,
quando a própria vítima ao atingir a maioridade penal, resolve quebrar esse silêncio de
sofrimento psíquico e emocional, gerado por longos e doridos anos de abuso e violação.
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Com base nas informações coletadas pelo Ministério Público do Paraná, a cada hora
três crianças ou adolescentes são abusados no Brasil, números do ano de 2018, onde foram
registrados em torno de 32 (trinta e dois) mil casos, sendo o maior número já registrado pelo
ministério da saúde. O crescente número assusta, em 2011 foram registrados 13.378 (treze
mil trezentos e setenta e oito) notificações de abuso. Já em 2014 registrava-se 21.361 (vinte e
um mil trezentos e sessenta e um) casos, chegando em 2017 com 27.971 (vinte e sete mil
novecentos e setenta e um) casos.
No âmbito do cuidado e prevenção, existem algumas formas de minimizar as
consequências devastas da violência sexual infanto-juvenil, conscientizando as pessoas em
situação de risco social na tomada de decisões proativas de forma a ressignificar e reestruturar
a saúde e cuidados físico-mentais dos abusados. Percebemos a importância de tornar o círculo
de convivência da criança e do adolescente um ambiente saudável, em que a criança se sinta
segura e acolhida, em que a segurança possibilite parâmetros de diálogo e compreensão.
Crianças que possuem cuidadores receptivos, que dialogam e ouvem a criança,
favorecem que a comunicação seja mais rápida e efetiva na convivência familiar,
possibilitando assim que a criança se expresse em seus sentimentos e emoções vivenciadas,
comunicando comportamentos menos sociais e perversos sexualmente em torno do menor.
Dialogar sobre as partes íntimas do corpo do menor, ensinando corretamente os
nomes, e mencionando que o corpo da criança não deve ser tocado por outrem é a forma de
conscientizar a criança para sua própria integridade física, explicando sobre os limites de seu
corpo, para que o menor não aceite barganhas e ameaças emocionais em troca do silêncio.
O interesse na vida familiar é grande propiciador de segurança e ajuda aos menores
tutelados, pois é dever dos pais e responsáveis saber das pessoas e dos lugares em que estes
jovens e menores transitam na sua rotina diária. E principalmente, é de mister importância que
os cuidadores observem os comportamentos emocionais e comportamentais dos menores,
tendo em vista que o comportamento muda quando uma criança está sendo abusada
sexualmente, demonstrando sintomas físicos de grande inquietação, agitação ansiedade, dores
de cabeça, e agressividade. Então, diante de uma constatação abusiva, necessário se faz
fornecer todo apoio emocional e compreensão à criança abusada, buscando ajuda social e
amparo psicológico para o enfrentamento deste mal causado ao menor.
Medidas legais devem ser imediatamente tomadas neste enfrentamento, para afastar o
abusador do convívio com a criança lesada. Romper o silêncio é uma forma ativa de quebrar
um círculo de agressão sexual velada.
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Socialmente, campanhas contra o abuso sexual devem ser veiculadas. Grupos de ajuda
e apoio devem ser criados em todos os órgãos da Federação Brasileira.
Uma sociedade que não tem cuidado com seus menores e adolescentes, é uma
sociedade adoentada, fragmentada. O Brasil tem obrigações legais com a manutenção de seus
menores, sendo os direitos de proteção, vida, segurança, dentre outros direitos básicos,
assegurados pelo poder constituinte, estando a escola, a comunidade, e toda a sociedade
inseridas neste processo de educação e ressocialização dos menores, em práticas positivas tais
quais possibilitar a sensibilização dos familiares e responsáveis para ter um olhar mais atento,
possibilitar explicações às crianças sobre o respeito ao seu corpo, prover cursos aos
educadores e facilitadores, como forma de ajudar na identificação dos possíveis casos de
abuso.

METODOLOGIA

Este trabalho foi realizado por meio de pesquisas bibliográficas, sendo a maioria delas
realizadas em bibliotecas online, sites de referências científicas como o Scielo, jornais
informativos, consulta à legislação brasileira e normas vigentes, entre outros. Sendo todos
com fontes confiáveis e referenciadas.

CRONOGRAMA

Atividades Março/2020 Abril/2020 Maio/2020 Junho/2020


Definição do tema X

Leituras X X X
complementares
Pesquisas X X X
Bibliográficas
Início do Projeto X
Elaboração do X X
Projeto
Envio do Projeto X
para revisão
Complementação e X
configuração
Envio final para X
avaliação
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de


1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso
em: 26 de maio de 2020.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO (CNMP). Relatório da


Infância e Juventude – Resolução nº 71/2011: Um olhar mais atento aos serviços de
acolhimento de crianças e adolescentes no País. Brasília: Conselho Nacional do
Ministério Público, 2013
Estatuto da criança e do adolescente, Brasília, 2017, disponível em
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/534718/eca_1ed.pdf acesso em
12/05/2019.
LONGO, Marcia. Abuso sexual na infância: como lidar com isso? São Paulo. 2019.
Ministério público do Paraná. Paraná, 2020. Disponível em:
http://www.crianca.mppr.mp.br/2020/03/231
PFEIFFER, Luci. Visão atual do abuso sexual na infância e adolescência, J.
Pediatra. (Rio J.) vol.81 no.5 suppl.0 Porto Alegre nov. 2005, disponível em:
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572005000700010

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