FACULDADE NATALENSE PARA O DESENVOLVIMENTO DO RIO GRANDE DO NORTE CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL V (PROCEDIMENTOS

ESPECIAIS) PROFESSOR: ANDERSON BRITO (andersonbrito@tjrn.jus.br)

ROTEIRO DE AULA Nº 09 AÇÕES DE DIVISÃO E DEMARCAÇÃO DE TERRAS PARTICULARES

1. GENERALIDADES:  As ações de divisão e demarcação, disciplinadas pelo Código de Processo Civil (arts. 946 a 981), referem-se exclusivamente aos imóveis particulares. Quanto às terras devolutas, cabível será a ação discriminatória, disciplinada pela Lei nº 6.383/76.  Segundo ANTONIO CARLOS MARCATO, “caso envolvam terras devolutas, adequada será a aludida ação discriminatória, ajuizada pelo Poder Público e processada no rito sumário, com os objetivos de (a) reconhecer o domínio público, ainda incerto, em relação a imóvel não suficientemente extremado do domínio particular, e (b) demarcar a área discriminada”.  Disposições gerais acerca de ambas as ações: arts. 946 a 949 do CPC.  Normas acerca da ação demarcatória: arts. 950 a 966 do CPC.  Normas acerca da ação divisória: arts. 967 a 981 do CPC.

2. PRETENSÃO DEMARCATÓRIA:  Art. 1297 do Código Civil: “O proprietário tem o direito a cercar, murar, valar ou tapar de qualquer modo o seu prédio, urbano ou rural, e pode constranger o seu confinante a proceder com ele à demarcação entre os dois prédios, a aviventar rumos apagados e a renovar marcos destruídos ou arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas despesas”.  O art. 946, inciso I, do CPC, dispõe que é cabível “a ação de demarcação ao proprietário para obrigar o seu confinante a estremar os respectivos prédios, fixando-se novos limites entre eles ou aviventando-se os já apagados”.  Por óbvio, tem-se que só será cabível a ação demarcatória se os confinantes não realizarem a demarcação em comum acordo e extrajudicialmente, repartindo proporcionalmente entre os interessados as despesas pela fixação dos limites novos ou pelo aviventar dos rumos apagados.  Para ORLANDO GOMES, a pretensão demarcatória tem por objeto a “sinalização de limites incontroversos, como acontece quando a linha divisória passa a ser assinalada com marcos. No caso de controvérsia ou confusão, torna-se necessário determinar os limites, o que se faz em conformidade com a posse. Visa, pois, a ação de demarcação a fixar ou restabelecer os marcos da linha divisória de dois prédios confinantes. Seu objeto é a
Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. Prof. Anderson Brito. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares
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com a divisão da coisa comum entre os condôminos.  Assim. Prof. pedidos estes que serão tratados mais adiante. ao condômino para obrigar os demais consortes. respondendo o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas da divisão”. a ação de divisão pretende a extinção do condomínio. 4. 946.  Total: Demarcação de todo o perímetro do imóvel do autor. 95 do CPC – foro da situação do imóvel (forum rei sitae) – competência absoluta. devendo haver a venda da coisa comum ou a adjudicação por um dos condôminos. do CPC. 107 do CPC).  O art. 5.322 do Código Civil. FORO COMPETENTE PARA AS AÇÕES DIVISÓRIA E DEMARCATÓRIA:  Art. 219 do CPC).  Situando-se o imóvel em mais de uma Comarca ou Estado. deixando a coisa de ser comum e indivisa. 3.  Art. 504 e 1. estendendo-se a sua competência à totalidade do imóvel (art. titulares de direito real sobre o mesmo bem).fixação de rumos novos ou aviventação dos existentes”. Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. aplicando-se as normas dos arts. deverá valer-se da própria contestação. PRETENSÃO DIVISÓRIA:  A ação divisória pressupõe a existência de um condomínio (várias pessoas. simultaneamente. NATUREZA DÚPLICE DAS AÇÕES DIVISÓRIA E DEMARCATÓRIA:  Para que o réu deduza pretensão demarcatória ou divisória contra o autor. a partilhar a coisa comum”. não se admite reconvenção nas ações demarcatória e divisória para dedução de tais pretensões.  Mesma regra de competência aplicável às ações possessórias e à usucapião de imóveis. com queixa de esbulho ou turbação. toda vez que a divisão amigável tornar-se inviável.  Qualificada: Quanto se pretende a demarcação.  A ação de divisão não será cabível quando objeto for coisa que não possa ser dividida ou que a sua divisão a torne imprópria aos fins que se destina. inciso II. 1. tornando-se prevento o juízo que primeiro efetuar a citação válida (art. de modo que a rejeição da pretensão autoral será suficiente para garantir resultado favorável ao réu.  Assim. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 2 . Anderson Brito. define-se a competência pela prevenção. bem como à nunciação de obra nova. dispõe que é cabível “a ação de divisão.320 do Código Civil: “A todo tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa comum. em razão da ausência de interesse processual (interesse-adequação).  Parcial: Demarcação de parte dos limites do imóvel do autor.  Classificação da pretensão demarcatória:  Simples: Pretende-se apenas a demarcação de terras particulares.

é comunheiro no imóvel integrante da herança e. primeiro será processada a pretensão demarcatória e. assim como os demais condôminos. co-proprietário. na realidade. no todo ou nas partes duvidosas. por meio de demarcação. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 3 . a linha perimétrica do imóvel dividendo não estiver assinalada no terreno. deve-se ao processo divisório cumular o demarcatório. pode requerer e promover tudo o que for a bem da comunhão. 946) e o CC (art. Prof.  Se. porém. citando-se os confinantes e condôminos”.  Para PAULO CEZAR PINHERO CARNEIRO.  Espólio é a universalidade patrimonial deixada pelo “de cujus” enquanto não ultimada a partilha entre os herdeiros e sucessores. em razão da pretensão demarcatória. supõe clara e conhecida a linha perimétrica do imóvel dividendo. para evitar tumulto processual. E. através da divisão da coisa comum. por meio de rumos certos e incontestes. enquanto não ultimada a partilha. permite que um condômino pretenda. ou por qualquer outro motivo. CUMULAÇÃO DE DEMANDAS:  O art. Não resta dúvida de que o co-herdeiro.  Eis a redação do dispositivo legal mencionado acima: “É lícita a cumulação destas ações. na qual intervirão os confrontantes. entre outros). mas. trata-se. de cumulação de procedimentos em caráter sucessivo num mesmo processo. 948 do CPC). usufrutuário. como o é a demarcação de Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. se achar confusa ou por falta de anterior constituição de divisas certas. e não propriamente uma cumulação de pedidos.  Deverão ser citados os confinantes da linha demarcatória do imóvel em condomínio.  OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA informa que é necessário observar que as demarcações promovidas pelos titulares de direitos reais limitados somente produzirão efeito de coisa julgada entre aqueles que houverem integrado a relação processual como litisconsortes. de modo que também estes têm legitimidade para propor a ação de demarcação do prédio sobre o qual incide o seu direito real. em um mesmo processo. em regra. nesta qualidade. de modo a ficarem os confrontantes estranhos ao processo divisório (art. 947 CPC. extinguir o condomínio. LEGITIMIDADES ATIVA E PASSIVA:  Quando o CPC (art. estes em virtude da pretensão divisória. no todo ou em parte. a divisória. ao mesmo tempo. demarcar o imóvel objeto do condomínio em relação a seus confinantes e. Anderson Brito. a fim de serem preliminarmente estabelecidas as várias linhas separativas do imóvel em relação aos imóveis confinantes. caso em que deverá processar-se primeiramente a demarcação total ou parcial da coisa comum. 1297) falam em proprietário não tiveram a preocupação de distinguir o proprietário pleno do proprietário limitado (nu-proprietário. somente depois de definitivamente constituída a linha perimétrica demarcatória. Todavia.6. só depois. é que se procederá à divisão dos quinhões. ou por invasão de terrenos. AÇÃO DEMARCATÓRIA 1.  A divisão.

Só assim a sentença prevalecerá perante todos os possíveis interessados. propugna a doutrina que seja requerida a citação tanto do possuidor em nome próprio como do titular do domínio que figura no Registro de Imóveis. Ressalta a jurisprudência (TJRS – AgInstr nº 70001651249 – 19ª Câmara Cível – Relator: Des. PETIÇÃO INICIAL:  Além dos requisitos do art. pois a pretensão demarcatória pode ser parcial) no pólo passivo da demanda.  A demarcação de domínio só cabe ao proprietário.  Descrição dos limites (não precisa ser minuciosa. a qual terá curso normal apenas com a presença do inventariante.12. Trata-se de questão possessória e deve ser solucionada em juízo como tal. Entretanto. Solar Natal. Luís Augusto Coelho Braga. já que a descrição minuciosa é função da perícia que será necessariamente realizada na ação demarcatória) do imóvel a demarcar (lembre-se de que nem sempre a demarcação será total). IX). os possuidores têm ação de demarcação de posse.  Inclusão dos confinantes da linha demarcatória (que não necessariamente serão todos os confinantes do imóvel. carecendo dela o simples possuidor.  Assim. Anderson Brito. Julgado em 12/06/2001). pois podem perfeitamente dois possuidores vizinhos se deparar com a necessidade de demarcar as suas posses. art. Prof.  Admite-se a legitimidade ativa do promitente-comprador de imóvel. 950 do CPC.  Instruirá a petição inicial a Certidão do Registro Imobiliário (não basta a Escritura Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. a petição inicial da ação demarcatória deve obedecer às disposições do art. etc). desde que o compromisso de compra e venda encontre-se registrado/averbado no Cartório de Registro Imobiliário.  Digamos que o promovente apenas cite o possuidor. 282 do CPC.  Como se resolve a questão da legitimidade passiva? Certo é que a demarcação não tem a característica de ser um procedimento entre proprietários. O problema que surge em casos de imóveis tidos por meros possuidores está na eficácia da sentença. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 4 . Fazenda São José. a ele não será oponível a coisa julgada por não ter participado no processo demarcatório. este estará obrigado a respeitar a autoridade da coisa julgada no que diz respeito à linha demarcada. percebe-se que a disputa de limites não é privilégio dos proprietários. 2. Mas se o verdadeiro dono recuperar a posse.seus limites. razão pela qual se torna desnecessária a citação de todos os herdeiros para a ação demarcatória promovida contra o espólio. devendo conter obrigatoriamente:  Descrição do imóvel pela situação e denominação (por exemplo.  Salienta-se que a representação do espólio se dá pelo inventariante (CPC. sempre que o promovente de uma ação demarcatória encontrar uma situação difícil de posse e domínio na área vizinha à linha demarcada. Granja Nova Esperança. Assim.

Assim. podendo o autor formular. também serão citados os demais condôminos. Prof.  Todavia. 951 do CPC possibilita a pretensão demarcatória com queixa de esbulho ou de turbação. seguindo-se o procedimento previsto para a primeira. Até porque a legitimidade ativa para a ação demarcatória é do proprietário.  No Código de Processo Civil não há dispositivo especial a respeito da participação do conjuge no procedimento em exame. só que de coisa comum) do autor e. Ademais. com quem concordamos. o qual também é proprietário. ainda que os réus não residam na Comarca. Anderson Brito. também. mas sim na propriedade. mas tenham endereço certo. a fim de que se constate a condição de proprietário (ou de condômino. quando a ação for ajuizada por um condômino.  Há dois casos em que a citação inicial é desnecessária. antes de receber a convocação para o processo.  Em razão do caráter dúplice da ação demarcatória.  Para ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. e se manifestam sobre o pedido do promovente (CPC.  No procedimento demarcatório.  Art. além dos rendimentos dele oriundos.Pública de compra e venda) referente ao imóvel cujos limites se pretende demarcar. quais sejam: (a) quando. 219 e 264 do CPC. 952 do CPC). pedido de restituição do imóvel invadido. CITAÇÕES E RESPOSTAS DOS RÉUS:  Serão citados os confinantes da linha demarcatória (art. §1º) e (b) quando todos os interessados na demarcação formulam o pedido em conjunto. 214. a doutrina entende que devem ser citados por Carta Precatória ou até por mandado (caso a Comarca seja contígua). ao passo que na possessória é do possuidor e sabemos que proprietário e possuidor nem sempre são a mesma pessoa. não havendo a quem citar. art. os demais. 953 do CPC: “Os réus que residirem na comarca serão citados pessoalmente. ou a indenização dos danos decorrentes da usurpação verificada. estes para integrarem litisconsórcio ativo necessário (art. por edital”. Mas. em se tratando a demarcatória de típica ação Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. 950 do CPC) e. espontaneamente. por conseguinte. a doutrina não é uníssona. 3. CLÓVIS DO COUTO E SILVA e HAMILTON DE MORAIS E BARROS afirmam que se trata de cumulação das pretensões demarcatória e possessória.  Critica-se a redação de tal dispositivo legal. a restituição do imóvel buscada pelo autor não se dá com fundamento na posse. a sua legitimidade para propor a ação demarcatória. não se trata de cumulação de pretensões demarcatória e possessória.  O art. a citação válida produz os mesmos efeitos do arts. os réus comparecem. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 5 . haja vista que a citação por edital somente deve ser utilizada em relação aos réus em lugar incerto e não sabido. poderá o réu apresentar queixa de esbulho ou turbação na pretensão que venha a deduzir contra o autor na própria contestação.

 Outra controvérsia doutrinária diz respeito à aplicabilidade do art. devendo a incompetência ser arguida pelo réu. dado o caráter dúplice da ação. discordamos do doutrinador. inciso II. diverge a doutrina quanto ao prazo para apresentar as exceções processuais. De acordo com tal corrente doutrinária. 95 do CPC) tem caráter absoluto. e não só para contestar a pretensão autoral. há os que entendem que não se pode presumir que o legislador haja pretendido abrir tal exceção.  Admite-se. CLÓVIS DO COUTO E SILVA e HAMILTON DE MORAES E BARROS. preferencialmente. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 6 . Segundo ANTONIO CARLOS MARCATO e DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO NEVES. 954 do CPC: “Feitas as citações. 954 do CPC é para a parte ré apresentar resposta (contestar e excepcionar). a parte ré dispõe de 20 (vinte) dias.  Nesse particular. previsto no art. haja vista que a competência para a ação demarcatória (foro da situação do imóvel – art. Prof. de modo a considerar que. 241 do CPC). Assim. há uma controvérsia: parte da doutrina. contados a partir da juntada aos autos do último mandado cumprido ou finda a dilação quando a citação por edital (vide art. a cujo entendimento nos filiamos. para contestar. necessário se faz a intervenção de ambos os cônjuges.  Por outro lado.  Todavia. entendem que o prazo de 20 (vinte) dias mencionado no art. em razão do litisconsórcio passivo necessário (CPC. ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS e ANTONIO CARLOS MARCATO. pois o adjetivo “comum” inserido no art. quando os réus tiverem advogados diferentes. art. 954 do CPC restritivamente. acredita que só tem aplicação o prazo dilatado de 20 dias quando houver mais de um réu. do CPC). ainda que só haja um réu. incluindo PONTES DE MIRANDA. mas para excepcionar só dispõe de 15 (quinze) dias. 191 do CPC (prazo em dobro para contestar quando houver litisconsortes passivos com diferentes procuradores) à ação demarcatória. HAMILTON DE MORAES E BARROS interpreta o art. terão os réus o prazo comum de vinte dias para contestar”. dentre os quais OVIDIO BAPTISTA DA SILVA. tanto na propositura (litisconsórcio ativo ou outorga uxória/marital) como na citação. não há que se falar na aplicação do prazo em dobro para contestar. 191 do CPC. a possibilidade de apresentação das exceções de impedimento e suspeição como respostas do réu. Anderson Brito. a qual serve à alegação de incompetência relativa. 10. ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS e ANTONIO CARLOS MARCATO. há quem entenda aplicável à ação Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. como o prazo é “comum”. em preliminar da contestação (art. também não teria aplicabilidade à espécie. Particularmente. Todavia. havendo apenas um réu o prazo seria de 15 (quinze) dias. A exceção de incompetência.  Art. o prazo será de 20 (vinte) dias.  O prazo para defesa é de vinte (20) dias. 301. não sendo possível a reconvenção para as pretensões divisória e demarcatória (mas é possível para queixa de esbulhou ou turbação e para pedido de perdas e danos).real imobiliária. a cujo entendimento nos filiamos. 954 indicaria que a lei estaria abrindo uma exceção à regra geral somente quando houvesse mais de um réu. outrossim. §1º).

ficando a cargo do juiz a decisão final. 956). Prof. Anderson Brito. o juiz. antes de proferir a sentença definitiva.demarcatória a regra do art. É de se concluir que o efeito da revelia é o de dispensar a prova dos fatos alegados pelo autor e de todas as circunstâncias arroladas por ele que possam influir na definição da linha por ele pretendida. de plano. 191 do CPC. nomeados livremente pelo juiz. oportunizando-se às partes a indicação de assistentes técnicos e formulação de quesitos. a ação deve prosseguir pelo rito ordinário (art. 4. bem como o memorial descritivo das operações de campo. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 7 .  A perícia é realizada por um agrimensor e dois arbitradores. o juiz julgará imediatamente (art. não pode. que trata do julgamento antecipado da lide.  Após a juntada aos autos do laudo pericial. inciso II. onde se descreverá o traçado investigado. Se o juiz entender razoável alguma impugnação mandará ouvir os peritos antes de decidi-la. art. Trata-se de diligência indispensável. havendo contestação. através de perícia por meio de agrimensor e dois arbitradores a fim de levantar-se o traçado da linha demarcanda (CPC. 955 do CPC). art. terão as partes o prazo comum de 10 dias para apresentar as alegações que julgarem convenientes. o artigo em exame manda aplicar o art. parágrafo único). A ouvida das partes é regra geral que deve ser observada tanto nos casos de demarcatória contestada ou não. Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. 958 do CPC). julgar procedente o pedido e determinar. Esses dois documentos devem ser anexados ao laudo pericial. 330. do CPC. art. Não havendo impugnação. cujo resultado constará de um laudo. contudo. 319).(CPC. art. planta e memorial. o exato traçado da linha.  A perícia é dividida da seguinte forma: a) aos arbitradores compete os estudos de todos os elementos materiais e documentais que possam contribuir para a definição do traçado da linha. 957. Pode haver divergência entre os arbitradores.956).  Assim sendo.  Encerrada a fase da resposta do réu.  No caso da demarcatória não contestada. desde logo. b) ao agrimensor compete a elaboração da planta da região em que se levantou a linha demarcanda.  Ocorre que. em cinco dias. o dever de nomear agrimensor e arbitradores para o levantamento da linha demarcanda. o processo demarcatório exige conhecimentos técnicos para que a linha seja levantada com precisão. o juiz ordenará a prova pericial tendente a obter o traçado da linha demarcanda (CPC. INSTRUÇÃO E PROCEDIMENTO ORDINÁRIO:  O CPC determina que. com destaque para OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. cuja inobservância acarreta a nulidade da sentença. mesmo no caso de revelia. tornando-se dispensável a dilação probatória porque a não-contestação do réu importa a presunção de veracidade dos fatos afirmados pelo autor (CPC. impondo-se ao juiz.

a de dar certeza jurídica àquilo que já se procedeu anteriormente em presença das partes e sob a fiscalização da Justiça. no mérito. situação essa regulada por uma sentença homologatória de natureza eminentemente declaratória (CPC. porém.  Relatório dos arbitradores. Corrigindose o que for necessário. O que sobra para a fase executiva é apenas a marcação material da linha sobre o terreno. 960 a 964 do CPC cuidam de dar disciplina legal aos trabalhos dos peritos. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 8 . a efetiva colocação dos marcos sobre o solo. 958 deverá decidir a respeito. quer por falta de condições da ação ou quando o pedido.  Sentença homologatória final: A sentença final do art.5. ou seja. tornando-se impossível discutir-se sobre ele após o trânsito em julgado da decisão. manifestações das partes e auto de demarcação: Depois de anexos o relatório dos arbitradores. o juiz ouvirá as partes sobre a conclusão pericial. impondo-lhes a observância de regras técnicas que a ciência e a experiência recomendam. ou seja. tratá-la como declaratória.  Obviamente. adverte OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. podendo o juiz aceitar ou não as conclusões dos peritos. 966). embora tais cargas eficaciais possam existir. 966 não tem força preponderante nem de condenação. o traçado da linha demarcanda deverá ser determinado justamente na sentença que encerra a primeira fase da ação julgada procedente. Havendo ou não contestação. o parecer dos técnicos. nem de constituição. O auto de demarcação. certo também é que foi precedida de atos materiais que fizeram da primeira sentença uma realidade fática concreta com notável alteração no mundo exterior com a eliminação da Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. com prévia liquidação do dano.  Segunda fase (executiva): Os arts. art. de extinção do processo. a sentença do art. JULGAMENTO. a ser complementada pela segunda sentença – igualmente de mérito. a sentença se baseará na delimitação da linha demarcanda conforme os resultados constantes do laudo dos arbitradores. EXECUÇÃO DA DEMARCAÇÃO E SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA:  Sentença de encerramento e coisa julgada: A sentença do art. observando-se. Anderson Brito. a sentença também pode ser negativa.  Resumindo. que sua natureza marcante é. É comum. sem dúvida.  Se o promovente houver cumulado o pedido das indenizações previsto no art. tão logo passe em julgado. Prof. não retira do procedimento demarcatório o caráter executivo lato sensu. a execução por quantia certa. assim como a planta e o memorial descritivo são peças fundamentais do processo demarcatório. Torna-se evidente. Eventuais controvérsias porventura existentes na aplicação de tais dispositivos legais deverão ser resolvidas pelo juiz. 958 tem o sentido de “sentença parcial de mérito”. portanto.958). 966 do CPC. procedendo-se. se necessário for. Portanto. determinará o juiz que o escrivão lavre o auto de demarcação. deve solucionar todas as dúvidas sobre o traçado da linha demarcanda.  Isto.951 do CPC. a de declarar. pois.prevista no art. pois embora a sentença final tenha a função predominantemente declarativa. no que couber. for improcedente. a primeira sentença (a do art.

AÇÃO DIVISÓRIA 1. usufruto e uso. como pensa Ernani Fidélis do Santos.  A apelação é admissível. denominação. art. do CPC. 10.  A divisão da posse comum entre os compossuidores também é admitida pela doutrina.  É uma sentença homologatória porque o seu conteúdo principal não é ditado pelo juiz no ato de decidir. em litisconsórcio passivo determinado pelo art.  A sentença do art. pois pode haver eficácia diferenciada para os participantes da lide. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 9 . sem efeito suspensivo (CPC. PETIÇÃO INICIAL:  Além dos requisitos do art. 282 do CPC. pois tratase. caso contrário. A modificação será transcrita no Registro de Imóveis (Lei nº 6.confusão de limites. serão estranhos ao procedimento em questão. Prof.  Os terceiros confrontantes: Somente deverão ser citados os terceiros confrontantes se houver cumulação da ação de divisão com a demarcação (CPC.947). então pode ser rescindida (CPC. quer a comunhão se refira a propriedade (comproprietários). 2. 520. de litisconsórcio passivo necessário previsto no art. Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. e conter obrigatoriamente:  Descrição do imóvel pela situação. inciso I).485). Anderson Brito.  A eficácia da divisão só ocorre se todos os condôminos participarem do processo ou forem cientificados regularmente da sua existência. quer a qualquer outro direito real (por exemplo. a petição inicial da ação divisória deve obedecer às disposições do art. deverá formar litisconsórcio ativo com o cônjuge ou dele obter outorga uxória/marital.  O autor. limites e características.199 do Código Civil. ocasião em que deverá ser citado o proprietário do imóvel).  Embora alguns entendam que o litisconsórcio passivo necessário seja unitário. art. 1. sob pena de nulidade do processo. pois.015/73). na hipótese. LEGITIMIDADES ATIVA PASSIVA:  São ativa e passivamente legitimados os co-titulares do direito real sobre a coisa comum. entendemos não ser o caso.47 do CPC. mas é tomado de empréstimo ao trabalho dos peritos sintetizado no auto de demarcação. se casado. 966 faz coisa julgada material a respeito das linhas assinaladas e homologadas. devendo ser instruída com a comprovação do título de domínio ou de direito real limitado (inexigível na composse) e da condição de condômino do autor. com base no art. § 1º. além da origem do condomínio. contudo. 967 do CPC. Da mesma forma. os cônjuges dos réus casados também deverão ser incluídos no pólo passivo. art.

a regra contida no art. RESPOSTAS DOS RÉUS E JULGAMENTO DA PRETENSÃO DIVISÓRIA:  O procedimento da ação divisória. os trabalhos de campo somente ocorrerão com o trânsito em julgado da sentença que encerrar a primeira fase. não sendo o caso de extinção do processo – por deficiência de pressupostos processuais ou por falta das condições da ação – terá sempre de solucionar o mérito da causa. do CPC). estabelecido pelo art. na qual é reconhecida pretensão divisória.  Aspecto importante a ser salientado é que o art. as suas sentenças diferenciam-se. 968 CPC recomenda que se aplique à ação divisória o disposto nos artigos 953. eliminando-se a audiência de instrução e julgamento por não ser o caso de produção de prova oral. Anderson Brito.  Da sentença de procedência. respectivamente. por assim dizer. Nesses casos. Prof. entretanto. pois a falta deles só tem o efeito processual de abreviar a solução da primeira fase.  A indicação das benfeitorias comuns a todos os condôminos. em não havendo colidência de interesses entre os condôminos na escolha de seus quinhões. portanto. determinará o juiz que se proceda à imediata divisão geodésica do imóvel. 955. inclusive quanto ao procedimento das citações que o art.  Marco inicial: O art.  Contudo. Pode ocorrer. nos efeitos devolutivo e suspensivo (art. 4. 953. 954. caberá apelação.  Pelo parágrafo único do art. 520.  O contencioso da divisão. Nome. que dois ou mais condôminos manifestem suas preferências por um mesmo quinhão. 968 limita-se a remeter ao art. termina. necessariamente. com todas as discussões doutrinárias citadas acima. especificando qual deles possui benfeitorias e culturas no imóvel comum. 956 (realização de perícia pelos arbitradores e pelo agrimensor antes da prolação da sentença intermediária) do mesmo diploma legal. nem impugnação de algum título. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 10 . EXECUÇÃO MATERIAL DA DIVISÃO:  Na fase executiva do procedimento divisório realizam-se as operações técnicas e jurídicas: a cargo dos peritos e do juiz. por sentença que. E a da ação de divisão. sobre o qual já rendemos críticas anteriormente. CITAÇÕES. caput. qualificação e residência de todos os condôminos. irrelevante a revelia ou falta de resposta do réu. deixando de fora. acolhendo ou rejeitando o pedido de divisão.  Diante da aplicabilidade do art. obedece às regras prescritas pelo CPC para a ação demarcatória. 954 e 955 do CPC. 972 do CPC menciona que à medição nada mais é do que a operação por meio da qual o agrimensor levanta sua linha perimetral e calcula a área do imóvel. pois na demarcatória a sentença deve determinar o traçado da linha demarcanda tendo em vista o trabalho pericial já realizado. por exemplo. 971.  O prazo para contestar é de 20 (vinte) dias. 3. deverá o juiz decidir segundo alguns princípios básicos do Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. na primeira fase. Há portanto similitudes das ações de demarcação e divisão ( primeira fase).

origem e qualidade de cada um deles para que possa comparálos entre si. somente deverá ser feito no momento em que os peritos passarem ao estudo do plano de divisão. agravável. pois estaria o mesmo legitimado a intervir no processo de divisão com a ação de embargos de terceiro. após concluídos os trabalhos preliminares. medidas cautelares etc. devendo o confrontante valerse dos embargos de terceiros ou dos interditos possessórios se a ofensa viesse a juízo. em não comportando divisão cômoda.  Trabalhos técnicos e o plano de divisão: O CPC nos artigos 975 a 978 trata sobre as regras técnicas a serem observadas pelos peritos.  No CPC. Tudo no intuito de orientar os técnicos na elaboração de seus laudos.processo divisório e que estão contidas no art. caberá ao juiz investigar a natureza. nesse momento é que ele vai decidir sobre o destino de certas benfeitorias e acessões que. art. 520. justamente porque os vizinhos não são parte no processo e assim não podem sofrer as conseqüências jurídicas de atos processuais que só interessam aos condôminos em litígio. no levantamento da linha perimétrica. homologada a divisão. Daí é que tirará se houve um aumento ou uma redução das áreas correspondentes a cada título.  Trata-se de decisão interlocutória. 960 a 963 do CPC. 978 CPC. deverão ser adjudicadas a um ou mais condôminos. seguido de uma folha de pagamento para cada condômino. apenas no efeito devolutivo (art. contra a qual caberá apelação.  Cumpre lembrar que. Esse cálculo consiste numa das operações mais importantes no procedimento de execução do processo divisório. diz que o confinante do imóvel dividendo poderá demandar a restituição dos terrenos que lhes foram usurpados é confirmar a regra geral de proteção ao direito de propriedade contida no art. que deverá ser assinado pelo juiz. É que o cálculo correspondente a cada título a que se refere o artigo. contra a qual caberá recurso de agravo.  Havendo litígio quanto aos títulos ou quanto ao modo de serem interpretados. agrimensor e arbitradores sendo ao final. por sentença.  E se o lindeiro atingido pelo processo divisório não for o proprietário? Diante do preceito do art. agrimensor e arbitradores.1228 do Código Civil. mas a marcação da linha divisória não força a demarcatória. 979. As disposições visam evitar o nascimento de uma lide paralela ao processo divisório eventualmente instaurada pelo possuidor de tais benfeitorias. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 11 . sentença homologatória da divisão e coisa julgada: Compete ao agrimensor o memorial descritivo (art.  Levantamentos e benfeitorias: Estão reguladas no CPC as eventuais repercussões causadas pelo processo divisório sobre as propriedades limítrofes.  Tudo obedece às regras contidas nos arts.  Memorial descritivo.1228 acima comentado. 980 do CPC) e ao escrivão a lavra do auto de divisão. Principalmente o art. Depois de ouvidas as partes o juiz pronunciar-se-á sobre a partilha. 978 contém matéria importante para determinar a natureza executiva do procedimento divisório. Anderson Brito.  Manifestação das partes e a partilha: O do CPC ressalta a fase executória da ação de divisão. atribuindo-lhes o valor que lhe parecer justo. Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. o agrimensor deverá ater-se ao que ficou decidido na sentença que encerrou a primeira fase do procedimento divisório. Prof.  Já o art. auto de divisão. 974. a reivindicação estaria afastada.

contra a qual caberá apelação. por sentença. por exemplo: questões dominiais.não. ela faz coisa julgada material somente podendo ser desconstituída mediante ação rescisória.  De outra banda. e. sobre o direito de propriedade”. inciso I. Direito Processual Civil V – Procedimentos Especiais. pois faz a extinguir a comunhão. Anderson Brito. será homologada a divisão. Roteiro de aula 09: Ações de Divisão e Demarcação de Terras Particulares 12 . 5.  OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA propugna que a sentença que homologa a divisão é preponderantemente executiva..inciso I. 520. constituem verdadeiro formal de partilha para os efeitos de transcrição no Registro Imobiliário. Contudo. do CPC). substituindo-se por uma nova situação jurídica para os excomunheiros. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DA DIVISÃO E REGISTRO IMOBILIÁRIO:  Ao final do procedimento acima mencionado. A folha juntamente com a sentença que homologou a divisão e a certidão do seu trânsito em julgado. do CPC). com relevante eficácia constitutiva e declaratória a ponto de produzir coisa julgada e só poder ser desconstituída por ação rescisória.  Título e inscrição no Registro Imobiliário: Serve como título declaratório da propriedade a folha de pagamento que resultou do processo divisório. a “eficácia da coisa julgada será somente quanto à declaração dos quinhões. se não se discutiu na fase contenciosa do procedimento divisório. concorda o autor com o OVÍDIO BAPTISTA ao declarar que em sendo a homologatória uma sentença de mérito. Prof. a invalidade ou validade dos títulos dos comunheiros etc. no plano essencial do procedimento divisório. de natureza constitutiva.  Já PONTES DE MIRANDA afirma que. apenas no efeito devolutivo (art. HUMBERTO THEODORO JUNIOR diz que a sentença que homologa a divisão é.

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