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I - VETORES

GEOMETRIA ANALÍTICA
Autora: Fabiane Regina da Cunha Dantas Araújo GA
Governo Federal
Ministro de Educação
Aloizio Mercadante Oliva

Universidade Aberta do Brasil


Responsável pela Diretoria da Educação a Distância
João Carlos Teatini de Souza Clímaco

Universidade Federal Rural do Semi-Árido


Reitor
José de Arimatea de Matos

Pró-Reitor de Graduação
Augusto Carlos Pavão

Núcleo de Educação a Distância


Coordenadora UAB
Kátia Cilene da Silva

Equipe multidisciplinar Equipe administrativa


Antônio Charleskson Lopes Pinheiro - Coordenador de Rafaela Cristina Alves de Freitas – Assistente em Administração
Produção de Material Didático Iriane Teresa de Araújo – Responsável pelo fomento
Ulisses de Melo Furtado – Designer Instrucional Lucas Vinicius Martins Cunha – Estagiário
Nayra Maria da Costa Lima – Assessora Pedagógica Equipe de apoio
Celeneh Rocha de Castro - Coordenadora de Ana Mara Alves de Freitas – Revisor Linguístico
Formação Continuada Nayra Maria da Costa Lima – Revisor de Didática
Thiago Henrique Freire de Oliveira – Gerente de Rede Antônia Jocivânia Pinheiro - Revisor Matemático
Edinaldo de Queiroz Fonseca Junior – Webdesigner Flaviana Moreira de Souza Amorim - Revisor Matemático
Adriana Mara Guimarães de Farias – Programadora Tiago Mendonça Lucena de Veras - Revisor Matemático
Felipe de Araújo Alves – Designer Gráfico Josenildo Ferreira Galdino – Revisor Matemático
Renato Cássio Arruda Alves – Designer Gráfico Serviços técnicos especializados
Paulo Victor Maciel de Morais - Diagramador Urbanóide Comunicação & Design
Marcos Aurélio Oliveira Ribeiro - Diagramador
Ramon Ribeiro Vitorino Rodrigues - Diagramador Edição
EDUFERSA
Arte da capa Impressão
Felipe de Araújo Alves Imprima Soluções Gráfica Ltda/ME

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Biblioteca Central Orlando Teixeira – BCOT/UFERSA


Setor de Processos Técnicos – Ficha Catalográfica
A659g Araújo, Fabiane Regina da Cunha Dantas.

Geometria analítica / Fabiane Regina da Cunha


Dantas Araújo. – Mossoró : EdUFERSA, 2013.
96 p. : il.

ISBN: 978-85-63145-38-3

1. Matemática. 2. Geometria analítica. I. Título.

RN/UFERSA/BCOT CDD: 516.3

Bibliotecário-Documentalista
Mário Gaudêncio – CRB-15/476

http://nead.ufersa.edu.br/
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Caro aluno (a),

A Geometria Analítica relaciona elementos da álgebra e da geometria em geral.


Os estudos iniciais estão ligados ao matemático francês René Descartes, criador do
sistema de coordenadas cartesianas e consistem em associar elementos da álgebra
e da geometria, dando suporte na resolução e interpretação de problemas geomé-
tricos, como também de problemas algébricos, sendo de grande contribuição no
auxílio de disciplinas como:
- Cálculo Diferencial e Integral;
- Álgebra;
- Análise Matemática;
- Física;
- Computação Gráfica.
A disciplina Geometria Analítica possibilita ao profissional recursos para definir
formas geométricas de modo objetivo e extrair informações numéricas dessas repre-
sentações em diferentes áreas do conhecimento e vice-versa. Com a geometria, o
profissional desenvolve um raciocínio visual. Por exemplo: suponha que você tenha
uma reta, um círculo qualquer. Então que tipo de equação você pode estar asso-
ciando a estes elementos? Essa equação seria a forma algébrica desses elementos
geométricos. Caso contrário, dada uma determinada equação, qual será sua repre-
sentação geométrica?
No decorrer do nosso curso, você encontrará a resposta para essa indagação
por meio de conhecimentos obtidos nesta disciplina que tem como objetivo utilizar
a Geometria Analítica para desenvolver o raciocínio lógico do aluno, dando-lhe fer-
ramentas matemáticas necessárias para a solução de problemas e aplicações.
Bons estudos e seja bem-vindo!

Fabiane Regina.
SOBRE A AUTORA

Olá! Meu nome é Fabiane Regina e desde muito cedo, já me identificava com
a arte de ensinar e, com isso não tive dúvidas ao escolher a minha profissão: ser
professora.
Por ter afinidade com a área de exatas, ao prestar vestibular, escolhi o curso
Licenciatura em Matemática o qual cursei na Universidade Estadual da Paraíba
(UEPB). Durante os anos da graduação fui descobrindo que a matemática está
presente em diversas áreas afins e, por isso, resolvi fazer minha pós-graduação
em Meteorologia, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Atuo
tanto na área de Matemática, quanto na área de Meteorologia, com ênfase em
Climatologia Estatística e Sensoriamento Remoto.
Ingressei na docência no ano de 2004 como professora estagiária de mate-
mática no SESI, em Campina Grande, na Paraiba, onde atuei por um ano e meio
nos ensinos fundamental e médio. Em 2006, ingressei na Escola Estadual Maria
Emília, também em Campina Grande, na qual ministrei a disciplina de matemática
para turmas do nível fundamental.
Desde o ano de 2010, sou professora adjunta do Departamento de Ciências
Exatas e Naturais na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), minis-
trando disciplinas como Geometria Analítica e Cálculo II.
SUMÁRIO

UNIDADE I

VETORES

RETA ORIENTADA  13

SEGMENTO  13

• Medida de um segmento  14

• Direção e sentido  14

VETOR  15

• Tipos de vetores  15

• Operações com vetores  16

• Ângulo de dois vetores  18

VETORES NO PLANO  19

• Operações com vetores  20

• Vetor definido por dois pontos  21

• Ponto médio  21

• Paralelismo de dois vetores  22

• Módulo de um vetor  23

DEPENDÊNCIA E INDEPENDÊNCIA LINEAR  24

• Visão geométrica da dependência linear  26

BASE  27

• Consequências  28

PRODUTOS DE VETORES  28

• Produto escalar  28

• Produto vetorial  32

• Produto misto  34
UNIDADE II

RETAS E PLANOS

EQUAÇÕES DE RETAS E PLANOS  39

• Equação geral da reta  39

• Equação reduzida da reta  40

• Equação vetorial da reta  41

• Equações paramétricas da reta  42

• Reta definida por dois pontos  42

• Equações simétricas da reta  43

• Equação vetorial do plano  44

• Equações paramétricas do plano  45

• Equação geral do plano  45

POSIÇÃO RELATIVA DE RETAS E PLANOS  49

• Posição relativa entre retas  49

• Retas paralelas  49

• Retas coincidentes  49

• Retas concorrentes  50

• Retas reversas  51

• Posição relativa entre planos  53

• Planos paralelos  53

• Planos concorrentes  53

• Posição relativa entre reta e plano  56

• Reta paralela ao plano  56

• Reta concorrente ao plano  57

DISTÂNCIAS  59

• Distância entre dois pontos  59

• Distância de um ponto a uma reta  59

• Distância de um ponto a um plano  60


• Distâncias entre retas  62

• Retas coincidentes e concorrentes  62

• Retas paralelas  62

• Retas reversas  63

• Distância entre uma reta e um plano  64

• Distância entre dois planos  65

UNIDADE III

CÔNICAS

UMA BREVE INTRODUÇÃO ÀS CÔNICAS  69

• Expressão geral de uma cônica  69

• Circunferência  70

• Elipse  71

• Equação reduzida da elipse  72

• Excentricidade da elipse  74

HIPÉRBOLE  76

• Equação reduzida da hipérbole  77

PARÁBOLA  80

TRANSLAÇÃO E ROTAÇÃO DE EIXOS  85

• Translação de eixos no  85

• Rotação de eixos no  88
I VETORES

Nesta unidade estudaremos os vetores, que é um conteúdo


de grande relevância em estudos da Geometria Analítica, da Fí-
sica, das Engenharias em geral, da Computação, dentre outras
áreas das Ciências Exatas. Abordaremos ainda os conceitos ele-
mentares sobre vetores, operações, propriedades, dependência
e independência linear e produtos de vetores.

Objetivos:

• Compreender o conceito de vetores e suas propriedades;

• Efetuar operações com vetores;

• Estudar a dependência linear de vetores e base para auxiliar


no estudo das posições relativas entre retas e planos;

• Introduzir os tipos de produtos entre vetores: escalar, veto-


rial e misto.
I - VETORES

Reta orientada
UN 01

Dizemos que uma reta r é orientada quando fixamos um sentido para ela, podendo ser positivo ou negativo,
conforme a figura a seguir:

Figura 1.1: Retas Orientadas

IMPORTANTE
i) O sentido negativo da reta orientada é chamado de oposto.

ii) A uma reta orientada dá-se o nome de Eixo.

Segmento
UN 01 13
Segmento é uma parte da reta compreendida entre dois de seus pontos denominados extremos. Vejamos
a seguir os tipos de segmentos:

• Segmento Orientado: Dizemos que um segmento é orientado quando se determina um par ordenado
de pontos, onde o primeiro determina a origem do segmento e o segundo determina a sua extremidade.

O segmento orientado é representado por uma reta que determina o sentido do segmento. Veja sua represen-
tação gráfica na figura abaixo:

Figura 1.2: Segmento Orientado

A B

O segmento orientado será representado por AB, onde A é a origem e B a extremidade.

• Segmento Nulo: um segmento orientado do tipo AA é aquele em que a extremidade coincide com a origem.

• Segmentos Opostos: dado o segmento orientado AB, dizemos que o segmento BA é oposto de AB, isto é
possuem sinais opostos e sentidos contrários.

Exemplo:
Figura 1.3: Segmento Nulo e Oposto

B
A

GEOMETRIA ANALÍTICA
Autora: Fabiane Regina da Cunha Dantas Araújo GA
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Medida de um segmento

Representada por , a medida do segmento orientado é dada pelo seu comprimento também chamado
módulo.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Represente o segmento AB cujo comprimento é de 3 unidades.

DICA
A unidade de A B
comprimento
é representada 1u 1u 1u
por u.c.

IMPORTANTE
i) O segmento nulo possui comprimento igual a zero.

ii) O segmento AB é igual a seu oposto é BA, isto é AB = BA.

Direção e sentido
14
Dizemos que dois segmentos orientados AB e CD, não nulos, possuem mesma direção se suas retas auxi-
liares são paralelas ou coincidem, como mostram as figuras a seguir:

Figura 1.4: Segmentos Paralelos

A B

C D

Figura 1.5: Segmentos Coincidentes

A B C D

IMPORTANTE
i) Dois segmentos orientados só podem ser comparados se possuírem mesma direção. Se esses
segmentos tiverem mesma direção, mesmo sentido e mesmo comprimento serão chamados
segmentos equipolentes e podem ser representados por AB ~ CD. Existem três propriedades
para a equipolência de segmentos. São elas:

a) Reflexiva: AB~BA

b) Simétrica: Se AB~CD, então CD~AB

c) Transitiva: Se AB~CD e CD~EF, então AB~EF

ii) Dois segmentos orientados opostos possuem sentidos opostos.

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GA Autora: Fabiane Regina da Cunha Dantas Araújo
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Vetor
UN 01

Chamamos de vetor o conjunto de todos os segmentos orientados que possuem mesmo módulo, direção e
sentido, ou seja, equipolentes a AB. Podemos representar um vetor pelas seguintes notações ou B–A ou
ou graficamente, de acordo com a seguinte figura:

Figura 1.6: Representação gráfica de um vetor

A B

IMPORTANTE
(i) O módulo de um vetor indica o comprimento do segmento orientado e pode ser denotado
por .
(ii) O módulo de um vetor é também chamado de magnitude.

Tipos de vetores

De acordo com a definição de vetor estabelecida anteriormente, os vetores podem ser classificados como:

• Vetores Iguais: Dois vetores e são iguais se, e somente se, são equipolentes entre si.

• Vetor Nulo: É um vetor determinado por segmentos nulos equipolentes entre si.
15
• Vetores Opostos: Seja um vetor , dizemos que o vetor é oposto de e representa-se por
– ou – .

• Vetor Unitário: Um vetor é unitário se o seu módulo for igual a 1, isto é, . Um vetor
unitário que possui mesma direção e sentido é chamado versor.

• Vetores Colineares: Dados dois vetores e , dizemos que eles são colineares se possuírem mesma
direção podendo pertencer a uma mesma reta ou a retas paralelas de acordo com a figura abaixo:

Figura 1.7: Vetores e colineares pertencentes a uma mesma reta (coincidentes)

u v

A B C D

Figura 1.8: Vetores e colineares pertencentes a retas paralelas

A B

C D

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• Vetores Coplanares: Sejam os vetores , e não nulos, dizemos que eles são coplanares se perten-
cerem a um mesmo plano π conforme a seguinte figura:
DICA
Considerou-se Figura 1.9: Vetores , e coplanares
neste caso apenas
três vetores,
porém não importa
a quantidade. B
A

F
C
E
D π

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Considere o vetor de módulo 4, conforme a figura a seguir:

v1
v2

Pergunta-se: Os vetores e são versores de ?

16 Solução: Os vetores e são unitários por terem módulo 1, entretanto, apenas tem mesma
direção e mesmo sentido de . Logo, é versor de .

Operações com vetores

• ADIÇÃO

Consideremos os vetores e representados pelos seguintes segmentos orientados AB e BC e indicados


na figura abaixo:
Figura 1.10: Soma dos vetores
B

u
v

A C
s
O vetor determinado pelos pontos A e C é a soma dos vetores e , isto é, .

Propriedades da adição

i) Comutativa:

ii) Associativa:

iii) Elemento Neutro: Para todo , existe um vetor nulo denotado por , tal que .

iv) Elemento Oposto: Para todo , onde , existe um vetor oposto a , denotado por , onde
tal que .

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• DIFERENÇA

Consideremos os vetores e . O vetor diferença denotado por é dado pela soma do vetor com o
oposto do vetor , isto é, DICA
Na diferença de
A Figura 1.10 mostra os vetores e , representados pelos segmentos AB e AC, respectivamente. Observa- vetores não vale
-se aqui, que o segmento AD representa a soma (diagonal maior do paralelogramo) enquanto CB a propriedade
representa a diferença (diagonal menor do paralelogramo). comutativa.

Figura 1.11: (a) Soma de Vetores e (b) Diferença de vetores

v
B
D -v
B
D
u w
u
d
u
u
A v C A
v C

a) b)

• MULTIPLICAÇÃO POR UM NÚMERO REAL (OU ESCALAR)

Na multiplicação de um vetor por um número real k≠0, obtém-se o vetor , de modo que satisfaça
as seguintes condições:

i) Se k=0 ou , então ; 17
ii) Se k≠0 e , o vetor tem como características:

• é paralelo a ,

• e são de mesmo sentido se k>0,

• e são de sentidos contrários se k<0 e,

A figura 1.12 mostra os vetores = v e AB = 3v. AC

Figura 1.12: Multiplicação de Vetores

B C
v
A

3v
A

Propriedades da multiplicação por um escalar

Consideremos os vetores e quaisquer e os escalares a e b. Para a multiplicação envolvendo vetores e


números reais valem as seguintes propriedades:

i) Associativa: ;

ii) Distributiva em relação a adição de escalares: ;

iii) Distributiva em relação a adição de vetores: ;

iv) Identidade: 1 .

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EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dados os vetores , e , conforme a figura abaixo, construir o vetor .

-2v
3w
u

v w
u

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Dados os vetores , e , conforme a figura abaixo, construir os vetores:

a)

b) u

v
c)

18
Ângulo de dois vetores

O ângulo α formado pelos segmentos OA e OB é dado pelo ângulo e não nulos, conforme a figura 1.13,
tal que 0 ≤ α ≤ π obedecendo as considerações a seguir:

Figura 1.13: Ângulo de dois vetores

A
u

v
B

i) Quando α = π, e terão mesma direção, porém sentidos opostos;

ii) Quando α = 0, e terão mesma direção e sentido;

iii) Quando α = , e serão ortogonais, denotado por ⊥ .

iv) O vetor nulo será sempre ortogonal a qualquer outro vetor.

v) Quando e forem ortogonais entre si, considerando-se um escalar k qualquer, teremos ⊥ k .

vi) O suplemento do ângulo α formado por e será o ângulo formado pelos vetores e – , dado por π–α.

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EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dado o ângulo entre os vetores e , α=30°, determine o ângulo formado entre os vetores e – .

Solução: Se o ângulo formado entre e é igual a 30°, então o ângulo entre e – será dado pelo
suplemento de e , ou seja, 180°–30°=150°.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Determine o ângulo formado pelos vetores e considerando que entre si formam ângulo de 70°.

a) – e ;

b) –2 e – ;

c) 3 e – ;

Vetores no plano
UN 01

Dados dois vetores, num plano, e quaisquer e não paralelos, para cada vetor representado neste mesmo
plano, se existirem escalares a e b podemos escrevê-los como:
19

Geometricamente, podemos representar a situação acima conforme a figura 1.14:

Figura 1.14: Vetores no Plano

bv2 v

v2

v1 av1

• IGUALDADE DE VETORES

Sejam os vetores e , dizemos que eles são iguais se, e somente se, x1=x2 e y1=y2.

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EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Sejam os vetores e . Encontre x e y sabendo que .

Solução: Usando a igualdade de vetores, temos: x+2=1 e y–3=2. Logo, x=–1 e y=5.

Operações com vetores

Dados dois vetores e e k ∈R, podemos definir:

i)

ii)

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dados dois vetores e , determine . Faça a representação geométrica.

Solução: Temos que, 4.(1,–1)+(2,3)=(4,–4)+(2,3)=(6,–1).

20
3

v2

6 x
v1 1 4v1+v2
2
-1

2. Encontre o vetor na igualdade , sendo e .

Solução: Sejam . Sendo assim, temos:

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Agora, reescrevendo as equações de (I) e (II), temos:

Portanto,

EXERCÍCIO PROPOSTO

1. Dados os vetores e , determine e represente geometricamente os vetores.

2. Determinar o vetor na igualdade , sendo e .

Vetor definido por dois pontos

Seja o vetor cuja origem é o ponto e extremidade o ponto , então o vetor definido
pelos pontos A e B será dado por:

21
EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determinar , sendo A(0,1) e B(8,7).

Solução: Temos que,

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Encontre , sendo A(0,3) e B(5,4).

2. Dados os pontos A(3,4), B(0,5) e C(–1,–3), determine o ponto D de maneira que .

Ponto médio

Dados os pontos, A(xA,yA) e B(xB,yB), conforme a figura a seguir:

Figura 1.15: Ponto Médio

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Queremos obter as coordenadas do ponto médio em função de xA, yA,xB e yB. Note que M é o
ponto médio do segmento de extremos A e B, então:

= ,

na qual, = e

Logo,

Igualdade de vetores

Daí, temos:

Portanto,

Paralelismo de dois vetores

Dois vetores e são paralelos, se existe um k ∈ R tal que , ou seja,


ou . Usando a igualdade de vetores, temos: e .

Portanto,
22

A figura abaixo mostra dois vetores paralelos.

Figura 1.16: Vetores paralelos

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Verifique se os vetores =(–1,3) e =(3,-9) são paralelos:

Solução: Temos que,

Logo, os vetores e são paralelos.

2. Verifique se os vetores são paralelos.

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Solução: Temos que,

Note que

Como , concluímos que não são paralelos.

IMPORTANTE
O vetor nulo 0 =(0,0) é paralelo a qualquer vetor.

Módulo de um vetor

Considere a figura abaixo:


Figura 1.17: Módulo de um Vetor

23
v

0 x x

Seja o vetor =(x,y). Pelo Teorema de Pitágoras, temos que o módulo ou comprimento de será:

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dado =(3,–2), encontre | |.

Solução: 1 u.c

IMPORTANTE
As definições e conclusões estudadas no plano (R2) são análogas para os vetores no espaço (Rn).

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Dados os vetores =(2,–3) e =(0,1), calcule:

a) | |;

b) | |;

c) |3 – |.

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Dependência e Independência Linear


UN 01

Antes de estudarmos o conteúdo Dependência e Independência Linear, é importante saber se um vetor é


combinação linear dos outros vetores. E o que seria esta combinação?

Seja { , …, } um conjunto com n vetores. Dizemos que um vetor é combinação linear desses n vetores,
se existirem escalares a1, a2,…, an ϵ R tais que:

, ou seja,

Um exemplo é o vetor nulo que pode ser escrito como combinação linear de qualquer vetor, ou seja,

Esta expressão do vetor nulo é conhecida como trivial.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Considere os vetores =(–2,5), =(2,2) e =(1,0). Escreva, se possível, o vetor como combinação
linear de e .

Solução: Para que seja combinação linear dos vetores { , }, é necessário que existam escalares a1,
a2 e R tais que então:
24 (–2,5) = a1 (2,2) + a2(1,0)
Multiplicação Multiplicação
por escalar por escalar

(–2,5) = (2a1, 2a1) + (a2, 0)


Adição de vetores

(–2,5) = (2a1+ a2, 2a1)

Daí temos: Igualdade de vetores

Resolvendo-se este sistema, obtém-se

Portanto, podemos escrever como combinação linear de e .

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Escrever, se possível, o vetor como combinação linear de =(1,1) e =(–4,0).

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Vejamos agora, o que vem a ser vetores linearmente dependentes e linearmente independentes:

Dados n vetores , …, dizemos que eles são linearmente dependentes (LD) se existem escalares
a1, a2,…, an não todos nulos, tais que:

Quando os vetores , …, , não são linearmente dependentes, dizemos que eles são linearmente
independentes (LI).

Pode-se, então, verificar que os vetores , …, são linearmente dependentes quando o vetor resultante
de sua combinação linear for nulo.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Verificar a dependência linear dos vetores:

=(1,2) e =(3,1)

Solução: Para verificar a dependência linear entre vetores, devemos verificar se a1(1,2)+a2(3,1)=0.

a1(1,2) + a2(3,1) = (0,0)


Multiplicação Multiplicação
por escalar por escalar

(a1, 2a1) + (3a2, a2) = (0,0)


Adição de vetores

(a1 + 3a2, 2a1 + a2) = (0,0)


Igualdade de vetores 25
Daí temos:

a1 + 3a2 = 0

2a1 + a2 = 0

Resolvendo-se esse sistema obtemos: a1=0 e a2=0. Portanto, como os escalares a1 e a2 são nulos,
então os vetores são linearmente independentes(LI).

2. Dados os vetores = (1,-1), = (1,0) e = (1,1) mostre que eles são linearmente dependentes.

Solução: Para verificar a dependência linear entre vetores, devemos encontrar escalares a1, a2, a3 não
todos nulos, tais que

a1 (1,-1) + a2(1,0) + a3(1,1) = (0,0)

Daí, temos:

a1 + a2+ a3 = 0

-a1+ a3 = 0

Para a3 = 1, temos: a1 = 1 e a2= -4. Portanto, como os escalares não são todos nulos, então os vetores
são linearmente dependentes.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Verifique se os vetores =(2,1,1), =(1,3,1), =(–2,1,3) são linearmente independentes.

2. Verifique se os vetores =(1,–2–1), =(–1,1,0), =(1,0,1) são linearmente dependentes.

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Visão geométrica da dependência linear

Geometricamente, podemos verificar quando um ou mais vetores são linearmente dependentes, conforme
as seguintes definições:

1º) Um único vetor é linearmente dependente (LD) se =0.

2º) Dois vetores são linearmente dependentes (LD) se eles forem paralelos.

3º) Três vetores são linearmente dependentes (LD) se eles forem coplanares.

4º) Qualquer sequência de elementos com quatro, ou mais, vetores é linearmente dependente.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Seja n=2 e n=3 nas figuras abaixo. Use LD para vetores linearmente dependentes e LI para vetores
linearmente independentes:

a) ( , ) b) ( , )

𝑢𝑢
�⃗ 𝑢𝑢
�⃗

𝑣𝑣⃗ 𝑣𝑣⃗

26 c) ( , , ) d) ( , , )
𝑣𝑣⃗

𝑤𝑤
��⃗ 𝑤𝑤
��⃗

𝑣𝑣⃗

𝑢𝑢
�⃗
𝑢𝑢
�⃗

Solução:

a) Os vetores são LD, pois eles são paralelos.

b) Os vetores são LI, pois eles não são paralelos.

c) Os vetores são LD, pois eles são coplanares.

d) Os vetores são LI, pois não são coplanares.

2. Observando o cubo abaixo, classifique as afirmações em falsa (F) ou verdadeira (V):

H G
a) ( ) EH e CB são LD.
E F
b) ( ) AB e FG são LD.

D
c) ( ) EA, AB e EB são LD.
C
d) ( ) FE, EH, FH, FG e HG são LI.
A B

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Solução:

a) ( V ) EH e CB são LD, pois os vetores são paralelos.

b) ( F ) AB e FG são LD, pois os vetores não são paralelos.

c) ( V ) EA, AB e EB são LD, pois os vetores são coplanares.

d) ( F ) FE, EH, FH, FG e HG são LI, pois qualquer combinação de quatro ou mais vetores é linearmente
dependente.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Classifique os vetores abaixo em lineamente dependentes (LD) ou linearmente independentes (LI)
observando a figura:
𝑘𝑘�⃗
a) ( ) e

b) ( ) e

c) ( ) , e 𝑢𝑢
�⃗
𝑤𝑤
��⃗

𝑗𝑗⃗ 𝑣𝑣⃗

27
Base
UN 01

Seja B={ , …, } um conjunto de vetores de um espaço qualquer, dizemos que B é uma base desse espaço
se for linearmente independente (LI) e gera esse espaço.

IMPORTANTE
Dizer que uma base B gera o espaço significa que qualquer vetor v desse espaço é escrito
como combinação linear dos vetores de B, isto é, v = {a1v1, a2v2, …, anvn}.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Mostre que B={(–3,4),(1,2)} é base do R2.

Solução: Dois vetores são L,D, se forem paralelos. Sejam = (-3.4) e = (1.2). Nesse caso, temos:
x1=-3, y1=4, x2=1 e y2=2. Daí,

Como , concluímos que os vetores e não são paralelos. Portanto, e são LI. Devemos
verificar se estes vetores geram o espaço R2.

De fato, pode ser escrito como uma combinação linear de e , isto é,

= a1 v1 + a2 v2

(x,y) = a1(-3,4) + a2(1,2)

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Daí,

x = -3 a1 + a2

y = 4 a1 + 2 a2

Resolvendo-se esse sistema, obtém-se:

a1= a2=
,

Logo, existem a1 e a2 , tais que, = a1 (-3,4) + a2 (1,2), isso prova que B gera o espaço R2, e portan-
to, B é base para R2.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Mostre que B={(1,1,0),(1,0,0),(1,1,1)} é base do R3.

Consequências

i) No R2 qualquer conjunto LI de dois vetores forma uma base.

ii) No R3 qualquer conjunto LI de três vetores forma uma base.

28 iii) Das infinitas bases do R2e R3, a mais simples delas chama-se base canônica, isto é, no R2 a base canônica
é dada por B={(1,0),(0,1)} e no R3 a base canônica é dada por B={(1,0,0),(0,1,0),(0,0,1)}.

Produtos de vetores
UN 01

Existem três tipos de produtos envolvendo vetores. São eles:

Produto escalar

O produto escalar u.v (“ lê-se u escalar v ”) dos vetores u=(u1, u2, u3) e v=(v1, v2, v3) é dado pelo número real,

u1.v1 + u2.v2 + u3.v3

IMPORTANTE
O produto escalar é também chamado de produto interno, são assim chamados, porque o pro-
duto resulta em um escalar.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dados dois vetores u=(2,2,-3) e v=(2,-1,2). Determinar o produto escalar de u.v.

Solução: Temos que, u.v = (2,2,-3) . (2,-1,2)

u.v = 2.2 + 2.(-1) + (-3).2

u.v = 4 - 2 - 6

u.v = -4

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EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Determine o produto escalar entre e .

2. Encontre o valor de m tal que , utilize e da questão anterior.

A seguir, estudaremos elementos e propriedades do produto escalar:

Módulo de um vetor

O módulo de um vetor v=(x, y, z) é dado por:

Utilizando em coordenadas no R3, temos;

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dado =(3,–2,1), determine o módulo de .

Solução: Segue que,

29
Propriedades do produto escalar

Algumas considerações devem ser observadas quando se trata de produtos escalares.

Dados os vetores , ,e , e k∈R, verifica-se que:

i) Se , temos e ;

ii) Comutativa: ;

iii) Distributiva em relação a adição de vetores: ;

iv) ;

v)

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Mostre que .

Solução: Sejam

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Demontre que, .

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Ângulo de dois vetores

Como já foi visto, o ângulo entre dois vetores não nulos e varia de 0° a 180°. Contudo, existe uma forma fácil
e prática de relacionar o produto escalar de dois vetores e o ângulo α formado entre eles, através da expressão:

Figura 1.18: Ângulo de dois Vetores

u u-v

A B
v
Utilizando a Lei dos Cossenos, temos:

De acordo com as propriedades ii, iii e iv do item 1.19.3, teremos:

Comparando as expressões:

30 IMPORTANTE
O produto escalar de dois vetores u e v é o produto dos seus módulos pelo cosseno do ângulo
entre eles.

Algumas observações podem ser inferidas ao se tratar de ângulo entre dois vetores.

i) O ângulo α será agudo ou nulo, se > 0, isto é, cosα > 0, implicando 0° ≤ α < 90°;

ii) O ângulo α será obtuso ou raso, quando < 0, isto é, cosα < 0, implicando 90° ≤ α < 180°;

iii) O ângulo α será reto, se = 0, isto é, cosα = 0, implicando α = 90°.

Cálculo do Ângulo entre Dois Vetores

Analisando a fórmula , chegamos a:

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determine o ângulo entre os vetores =(–1,2,2) e =(1,1,4).

Solução: Usamos na determinação do ângulo,

Logo, o ângulo entre e será:

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EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Dados os vetores =(2,2,8) e =(–2,4,4). Determine o ângulo compreendido entre eles.

2. Um determinado vetor =(4,2,–2) forma um ângulo de 60° com um vetor determinado pelos pontos
A =(6,2,–4) e B =(4,0,K). Encontre o valor de K.

Projeção de um vetor

Para calcularmos o vetor que representa a projeção de sobre , com ≠0, ≠0 e α sendo o ângulo formado
entre eles, existem duas situações: α pode ser ângulo agudo ou obtuso (vide figura 1.18).

Figura 1.19: Projeção de um Vetor

u
u

w v w v

O vetor projeção de sobre é dado por:

IMPORTANTE
31
Até aqui todas as considerações são válidas no R2 e R3.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Encontre o vetor projeção de =(4,6,8) sobre =(2,–2,0).

Solução: Encontramos a projeção fazendo;

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Determine a projeção de sobre .

2. Dados os pontos A(2,4,–2), B(–2,0,–2) e C(4,2,4), determine a projeção de AB sobre BC.

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Produto vetorial
O produto vetorial representado por × , sendo é dado por :

Para facilitação dos cálculos, utiliza-se:

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dados os vetores e , determine × .

Solução: O produto vetorial é encontrado fazendo:

32 EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Encontre o produto vetorial de e , sendo e , em seguida encontre × .

SAIBA MAIS
Para melhor compreensão sobre o conteúdo “produto vetorial”, acesse o link da seguinte
videoaula:

http://www.youtube.com/watch?v=69Il0JmApNI

Vejamos, a seguir, algumas propriedades e a interpretação geométrica do produto vetorial.

Propriedades do produto vetorial

i) Para qualquer que seja , o produto vetorial × =0;

ii) Para qualquer que seja e , tem-se, × =– × ;

iii) Para qualquer que seja , e , têm-se × ( + )= × + × ;

iv) Dado um número k e os vetores e , temos (k )× =k( × );

v) Dados os vetores e se um deles for nulo ou se e forem colineares, teremos × =0;

vi) O produto vetorial × será simultaneamente ortogonal aos vetores e ;

vii) | × |2=| |2 | |2 – ( – )2;

viii) Sendo α o ângulo dos vetores ≠ e ≠ , têm-se: | × |=| || |sen α;

ix) O produto vetorial não é associativo, ou seja: × ( × )≠( × ) × .

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Interpretação geométrica do módulo do produto vetorial de dois vetores

Considerando os vetores e na figura 1.19, a área do paralelogramo ABCD determina o mó-


dulo do produto vetorial dos vetores e .

Figura 1.20: Interpretação Geométrica do Produto Vetorial

C
D

v
h

A B
u

Calculando a área ABCD, temos:

ABCD=| |h

Como, h= | |sen α,

ABCD=| || |sen α

Foi visto anteriormente que:

| × |=| || |sen α
33
Logo,

ABCD=| × |

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Encontre um vetor unitário que seja simultaneamente ortogonal aos vetores =(1,–3,1) e =(2,1,1).

Solução: Resolvendo,

Calculando o versor correspondente, temos:

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EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Dados os vetores =( ,–2,3) e =(2,0,1). Determinar um vetor unitário simultaneamente ortogonal a e .

2. Calcule a área do paralelogramo determinado pelos vetores 4 e –u, onde =(2,4,–2) e =(0,–2,6).

Produto misto

Determina-se como produto misto dos vetores necessaria-


mente nessa ordem, o número real .

Levando em conta as definições de produto vetorial abaixo discriminado e do produto escalar comentado
inicialmente, temos:

Teremos o valor de dado por:

ou simplesmente:
34

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Encontre o produto misto dos vetores , e .

Solução: Temos,

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Dados os vetores , e , encontre o produto misto dos
vetores.

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Propriedades do produto misto

i) Teremos ( , , )=0, nas seguintes condições:

a) Quando for nulo,

b) Quando nem nem forem nulos, mas se e forem coplanares,

c) Quando , e forem coplanares, o vetor × , será ortogonal a .

ii) O produto misto não dependerá da ordem circular dos vetores, ou seja, ( , , ) = ( , , ) = ( , , ).
No entanto, na troca de posições de dois vetores consecutivos, deve-se ter o cuidado em mudar também
o sinal do produto misto, ou seja, ( , , ) = –( , , ). Para verificar essa propriedade, basta atribuir va-
lores aos vetores , e e resolver o determinante, em seguida, troque de posições dois destes vetores.

iii) ( , , + )=( , , ) + ( , , );

iv) ( , , k ) = ( , k , ) = (k , , ) = k( , , ).

IMPORTANTE
O produto vetorial e o produto misto não são definidos no R2.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Dados os vetores = (1,–1, 2), = (2, 2, 1) e = (1, 2, 3). Verifique se eles são coplanares.

Solução: Para verificarmos se três vetores são coplanares, o produto misto entre eles deverá ser igual 35
a zero. Assim,

13

Como ( , , ) ≠ 0, os vetores não são coplanares.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Verifique se os vetores, =(–3,3,–3) =(0,2, ) e =(–1,–2,3) são coplanares.

2. Qual deve ser o valor de k para que os vetores =(–k,3,2) =(–1,2,3) e =(–1,–2,–3) sejam coplanares.

3. Para que valores de K os pontos A(K,1,2), B(2,–2,–3), C(5,–1,1) e D(3,–2,–2) são coplanares?

DICA
A interpretação geométrica do conteúdo “produto misto” (embora não te-
nha sido abordada neste caderno didático) pode ser visualizada acessando
o link com a videoaula:

http://www.youtube.com/watch?v=LAcfWWupHXw

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II - RETAS E PLANOS

II RETAS E PLANOS

Nesta unidade, estudaremos retas e planos utilizando a


teoria de vetores para caracterizar. Apresentaremos, a se-
guir, um estudo das retas e planos aplicado ao conceito de
vetores e suas características.

Objetivos:

• Reconhecer as principais formas da equação de uma


reta e de um plano;
• Identificar a posição relativa de retas e planos;
• Calcular as distâncias entre pontos, entre ponto e pla-
no, entre ponto e reta, entre retas, entre reta e plano
37
e entre planos.

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38

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II - RETAS E PLANOS

Equações de retas e planos


UN 02

Uma reta pode ser representada por uma equação escrita de diversas formas, são elas: equação geral,
equação reduzida, equação vetorial, equação paramétrica e equação simétrica. Um plano pode ser
representado nas formas: vetorial, paramétrica e geral.

Equação geral da reta

Na Geometria Analítica, é possível descrever uma reta r através de uma equação. Assim, toda reta r do
plano cartesiano expressa por:

r: ax + by + c = 0

é denominada equação geral da reta, onde a, b e c são números reais e a e b não são, simultaneamente,
nulos.

Dados dois pontos A(xA, yA) e B(xB, yB) não coincidentes de r podemos obter a equação geral desta reta.
Basta usar a condição de alinhamento de A e B com um ponto genérico do tipo P (x,y) de r.

Para verificarmos se três pontos estão alinhados (Figura 2.1), podemos montar a seguinte matriz dos

coeficientes e calcular seu determinante. Se obtivermos igualdade igual a zero os pontos

estão alinhados, isto é:


39
Esta é a
Equação
Geral da Reta. Figura 2.1: Pontos alinhados
y

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determine a equação geral da reta r que passa pelos pontos A (1,4) e B (3,2).

Solução: Temos que,

Portanto, r: 2x+2y–10 = 0 é a equação geral da reta que passa pelos pontos A (1,4) e B (3,2).

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II - RETAS E PLANOS

Equação reduzida da reta

Seja r uma reta não-paralela ao eixo Oy, conforme figura 2.2.

Figura 2.2: Reta não-paralela ao eixo Oy

0 x
DICA r
O coeficiente angular nos
dá a inclinação da reta
em relação ao eixo Ox e
o coeficiente linear é
o ponto onde a reta
intercepta o eixo Fazendo, e , obtemos:
dos y.

40 Essa equação é denominada equação reduzida da reta, em que é o coeficiente angular da reta e
n é o seu coeficiente linear.

Quando a reta for paralela ao eixo Oy, não existe a equação na forma reduzida.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Escreva a equação reduzida da reta que passa pelos pontos A (3,1) e B (1,2) e determine o seu
coeficiente angular.

Solução: Temos que,

Assim, r: x–2y+5 = 0 é a equação geral da reta. Isolando y nessa equação obtemos:

que é a equação reduzida que passa pelos pontos A (3,1) e B(1,2) e seu coeficiente angular será

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II - RETAS E PLANOS

Equação vetorial da reta

Consideremos um vetor diretor de uma reta r e um ponto A de r.

Um ponto P pertence a r se, e somente se, o vetor AP é paralelo a , conforme Figura 2.3, ou seja,
com t ∈ R.
Figura 2.3: Vetor AP paralelo a
r DICA
Qualquer vetor
P não-nulo paralelo a
uma reta é chamado
A vetor diretor.

Fazendo, e isolando P, temos: Esta é a


Equação Vetorial
da Reta r.

Se considerarmos os eixos coordenados x, y e z, sendo P(x, y, z), A(x0, y0, z0) e = (a,b,c), podemos escrever
esta equação como:

r:(x,y,z)=(x0,y0,z0)+t(a,b,c)

onde t é chamado parâmetro.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Qual a equação vetorial da reta que passa pelo ponto A (2,–2, 8) e tem a direção =(1, 4, 1)? Obtenha
41
três pontos P1, P2 e P3 de r.

Solução: Temos que, a equação vetorial de r é dada por:

r:(x, y, z) = (2,–2, 8) + t (1, 4, 1).

Para obter pontos de r, basta atribuir valores para t. Por exemplo:

Para t = 1, temos: (x, y, z) = (2,–2, 8)+1.(1, 4, 1) = (3,2,9) e, portanto, P1 (3,2,9)∈r.

Para t = 2, temos: (x, y, z) = (2,–2, 8)+2.(1, 4, 1) = (4,6,10) e, portanto, P2 (4,6,10)∈r.

Para t = 3, temos: (x, y, z) = (2,–2, 8)+3.(1, 4, 1) = (5,10,11) e, portanto, P3 (5,10,11)∈r.

Podemos representar os pontos obtidos no eixo de coordenadas, como mostra a figura abaixo:

Pontos obtidos com seus correspondentes parâmetros

P
P
P
A

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Equações paramétricas da reta

Consideremos a equação vetorial da reta (x, y, z) = (x0, y0, z0 )+t (a, b, c). Fazendo r:(x, y, z) = (x0+at, y0+bt,
z0+ct) e utilizando a condição de igualdade, temos:

Estas são as
Equações
Paramétricas
da reta.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Quais as equações paramétricas da reta r que passa por A (1, 3, 5) e tem direção =(3,–4, 6)? Obtenha
dois pontos P1 e P2 de r de parâmetros t = 0 e t = 1, respectivamente.

Solução: Temos que, as equações paramétricas de r serão dadas por:

r:

Para obter pontos de r, basta atribuir valores para t. Por exemplo:

42 Para t = 0, temos:

r: Portanto, P1 (1, 3, 5)∈r.

Para t = 1, temos:

r: Portanto, P2 (4,–1, 11)∈r.

Reta definida por dois pontos

Sejam dois pontos, A e B. Dizemos que uma reta é definida por dois pontos se passa por A e B e tem direção
do vetor .

Exemplo: Determinar equações paramétricas da reta r que passa por A(1,–2, 2) e B(2, 3, 5).

Solução: Se escolhermos o ponto A e o vetor , temos:

r:

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II - RETAS E PLANOS

Equações simétricas da reta

Consideremos as seguintes equações paramétricas:

x = x0+at, y = y0+bt, z = z0+ct.

Se nenhuma das coordenadas do vetor diretor é nula, podemos isolar t no primeiro membro dessas
equações e obter: Estas são as
Equações
Simétricas
da reta.

IMPORTANTE
Essas equações significam que, a reta r passa pelo ponto A(x0, y0, z0) e tem direção = (a, b, c).

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determine as equações simétricas da reta que passa pelo ponto A (0, 1, 2) e tem direção do vetor =
(1, 1, –2). Obtenha um outro ponto da reta r, fazendo y = 3.

Solução: Temos que, as equações simétricas de r são:

43
Para obter outros pontos de r, basta atribuir um valor qualquer a uma das variáveis. Como foi dado
y=3, temos:

Portanto, o ponto (2, 3, –2) pertence a r.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Determine a equação geral da reta que passa pelos pontos A (–1, 1) e B (2, 3).

2. Escreva a equação reduzida da reta que passa pelos pontos A (1, 3) e B (2, 4) e determine o seu coefi-
ciente angular.

3. Qual a equação vetorial da reta r que passa pelo ponto A (1, 2, 3) e tem direção =(2, 1, 3). Obtenha
dois pontos de r.

4. Quais as equações paramétricas da reta r que passa por A (1, 3, 5) e tem direção =(2, 4, 6). Obtenha
três pontos de r de parâmetros t = 1, t = 2 e t = 3.

5. Determine as equações simétricas da reta que passa por A (2, 0, –4) e tem direção do vetor =(1, 1,–2).
Obtenha um outro ponto da reta fazendo y = 2.

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Equação vetorial do plano

Sejam =(a1, a2, a3) e =(b1, b2, b3) vetores diretores de um plano π, A(x0, y0, z0) um ponto fixo de π e P um
ponto genérico de π.

IMPORTANTE

Dois vetores e são ditos diretores de um planopse forem linearmente dependentes (LI) e
paralelos a esse plano.

Note que, , e são LD, pois são coplanares, conforme Figura 2.4.

Figura 2.4: Vetores linearmente dependentes (LD)

P
A

Esta é a
Equação Vetorial
Como e são LI, temos que, , ou seja, do Plano.

44 , com ,

Se considerarmos os eixos coordenados x, y e z, podemos escrever esta equação como:

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Qual a equação vetorial do plano π que passa pelo ponto A(3, 3, –1) e é paralelo aos vetores = (–1,2,3)
e = (2, 3, 6)? Obtenha algum ponto pertencente a esse plano.

Solução: Temos que, a equação vetorial de π é dada por:

π:(x, y, z) = (3, 3,–1)+α(–1, 2, 3)+β(2, 3, 6).

Para obter algum ponto de π, basta atribuir valores para α e β. Por exemplo:

Para α = 1 e β = 0, temos π:(x, y, z) = (3, 3,–1)+1(–1, 2, 3)+0(2, 3, 6) = (2, 5, 2). Logo, o


ponto (2, 5, 2) ∈ ao plano π.

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II - RETAS E PLANOS

Equações paramétricas do plano

Dada a equação vetorial do plano π, em coordenadas, e considerando a condição de igualdade, obtemos:

Estas são
as Equações
Paramétricas
do Plano.

IMPORTANTE
Nessas equações, os parâmetros (alpha) e (Beta) são variáveis auxiliares, (x, y, z) é um ponto
genérico e (x0, y0, z0) é um ponto dado.

Exemplo: A partir da equação vetorial do plano π:(x, y, z) = (3, 3,–1)+α(–1, 2, 3)+β(2, 3, 6,), determine
um sistema de equações paramétricas de π.

Solução: Temos que, as equações paramétricas de π serão dadas por:

45
Equação geral do plano

Como vimos, da equação vetorial do plano, os vetores , e são LD, pois são coplanares. Assim, pela
condição de coplanaridade temos que:

=0

Desenvolvendo este determinante, obtemos:

+ =0

a= ,b=
Fazendo ec= , podemos reescrever a equação acima como:

Considerando d = –(ax0+ by0+ cz0), segue que,


Esta é a Equação
Geral do Plano.

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II - RETAS E PLANOS

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Obtenha a equação geral de um plano π que passa pelo ponto A (1, 1,–2) e é paralelo aos vetores =
(3,–2, 2) e = (1, 2, 3).

Solução: Temos que, , e são coplanares conforme:

Vetores coplanares

A P

Logo,

Resolvendo o determinante obtemos:

–6(x–1) + 2(y–1) + 6(z+2) + 2(z+2) – 9(y–1) – 4(x–1) = 0

46 –6x + 6 + 2y – 2 + 6z + 12 + 2z + 4 – 9y + 9 – 4x + 4 = 0

– 10x – 7y + 8z + 33 = 0

Portanto temos que π: –10x – 7y + 8z + 33 = 0 é a Equação Geral do Plano.

IMPORTANTE
Existe outra maneira de representar a Equação Geral de um Plano π baseado no vetor normal .

Seja um vetor normal ortogonal a um plano π , então será ortogonal a qualquer


vetor de π (Figura 2.5).

Figura 2.5: Vetor normal ortogonal a um plano π

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II - RETAS E PLANOS

Se um vetor é ortogonal a , então (a, b, c) . (P – A). Sendo P(x, y, z) e A(x0, y0, z0) = 0
pontos pertencentes a π, segue que:

(a, b, c) . (x–x0, y–y0, z–z0) = 0

a(x–xo ) +b(y–yo) +c(z–zo) = 0

ax + by + cz – (ax0+by0+cz0) = 0

Fazendo d = – (ax0+by0+cz0) obtemos a Equação Geral do Plano π a partir do vetor normal dada por:

π: ax + by + cz + d = 0

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Qual a equação geral do plano π que passa pelo ponto A (4, 1, 3) e tem = (2, 3, 4) como vetor normal.

Solução: Temos que, as coordenadas do vetor correspondem aos coeficientes da Equação Geral do
Plano, isto é;

π: 2x + 3y + 4z + d = 0

Se A é um ponto do plano, podemos determinar d substituindo suas coordenadas na equação:

2.4+3.1+4.3+d=0

d = –23

Assim,

π: 2x + 3y + 4z – 23 = 0
47
Se um ou mais coeficientes na Equação Geral do Plano forem nulos, teremos os seguintes casos particulares
da equação geral do plano:

1º caso:

• Se d = 0, ax + by + cz = 0 (o plano passa pela origem).

2º caso:

• Se a = 0, by + cz + d = 0 (o plano é paralelo ao eixo dos x);

• Se b = 0, ax + cz + d = 0 (o plano é paralelo ao eixo dos y);

• Se c = 0, ax + by + d = 0 (o plano é paralelo ao eixo dos z).

3º caso:

• Se a = d = 0, by + cz = 0 (o plano contém o eixo dos x);

• Se b = d, ax + cz = 0 (o plano contém o eixo dos y);

• Se c = d, ax + by = 0 (o plano contém o eixo dos z).

4º caso:

• Se a = b = 0, cz + d = 0 (o plano é paralelo ao plano xy);

• Se a = c = 0, bz + d = 0 (o plano é paralelo ao plano xz);

• Se b = c = 0, ax + d = 0 (o plano é paralelo ao plano yz).

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II - RETAS E PLANOS

Exemplos: Indique a posição de cada plano em relação ao sistema cartesiano.

Solução:

a) 2x + y – 3z = 0 (o plano passa pela origem);

b) 3x + 2z + 3 = 0 (o plano é paralelo ao eixo y);

c) 8x + 4y = 0 (o plano contém o eixo dos z).

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Qual a equação vetorial do plano que passa pelo ponto A (2, 2,–4) e é paralelo aos vetores =(–3, 2, 1)
e = (–3, 3, 4)? Obtenha algum ponto pertencente a π.

2. Dada a equação vetorial do plano π: (x, y, z) = (0, 2, 4) + α(–1,–3,–5) + β (2, 4, 6) determinar um sistema
paramétrico de π.

3. Obtenha a equação geral de π que passa pelo ponto A (–1,–1, 0) e é paralelo aos vetores =(1, 0,–1)
e = (2, 3, 5).

4. Qual a equação geral do plano π que passa pelo ponto A (3, 4, 1) e tem = (4, 3, 2) como vetor normal?

5. De acordo com os casos particulares da equação geral do plano, indique a posição de cada plano em
relação ao sistema cartesiano:

a) 3x + y – 2 = 0

48 b) 8z + 8 = 0

c) 6x + 6y – 9z = 0

INDICAÇÃO DE LEITURA
Para um maior aprofundamento sobre o conteúdo abordado nesta unidade, sugerimos a você
a seguinte literatura:

STEINBRUCH, A. & WINTERLE, P. Geometria Analítica. São Paulo: Makron Books, 1987.

GEOMETRIA ANALÍTICA
GA Autora: Fabiane Regina da Cunha Dantas Araújo
II - RETAS E PLANOS

Posição relativa de retas e planos


UN 02

Podemos determinar a posição relativa de retas e planos a partir de informações obtidas de suas
equações. As posições relativas apresentam diferentes características e podem ser entre retas, entre
planos ou entre reta e plano.

Posição relativa entre retas

Dadas duas retas e , podemos classificá-las em coplanares e não-coplanares.

As retas coplanares se dividem em paralelas, coincidentes, concorrentes e perpendiculares. Já as retas não


coplanares se dividem em reversas e ortogonais.

Para determinar se as retas são coplanares, basta usar a condição de coplanaridade, ou seja,
.

Retas paralelas

São retas coplanares e que não se interceptam.


Figura 2.6: Retas Paralelas

r 49
s

Notação: r//s

As retas paralelas satisfazem as seguintes condições:

i. são LD e paralelos;

ii. são LI e não paralelos;

iii. são LI e não paralelos;

iv. Ângulo entre r e s: θ = 00.

Retas coincidentes

São retas coplanares que possuem todos os pontos em comum e uma está sobreposta à outra.

Figura 2.7: Retas Coincidentes

r=s

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II - RETAS E PLANOS

Notação: r = s

As retas coincidentes satisfazem as seguintes condições:

i. são LD e paralelos;

ii. são LD e paralelos;

iii. são LD e paralelos;

iv. Ângulo entre r e s: θ = 00.

Retas concorrentes

São retas coplanares que se interceptam em um ponto P. Considere duas retas r e s contidas num plano π.

Se o ângulo θ formado entre r e s for diferente de 90° temos retas concorrentes, conforme a figura a seguir:

Figura 2.8: Retas Concorrentes

𝑣𝑣2
����⃗ 𝑣𝑣
����⃗1 r

𝜃𝜃
P
s
𝜋𝜋

50 Notação: r × s

As retas concorrentes satisfazem as seguintes condições:

i. são LI e não paralelos;

ii. ;
iii. Ângulo entre r e s: θ = 900.

Se o ângulo θ formado entre r e s for igual 90 graus temos retas perpendiculares (caso particular das retas
concorrentes), conforme a figura a seguir:

Figura 2.9: Retas Perpendiculares

v2
P
s

v1

Notação: r ⊥ s

As retas perpendiculares satisfazem as seguintes condições:

i. são LI e não paralelos;

ii. = 0;

iii. Ângulo entre r e s: θ = 900.

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II - RETAS E PLANOS

Retas reversas

São retas não coplanares que não se interceptam.

Figura 2.10: Retas Reservas

e são reversas.

Características das retas reversas

i. são LI;

ii. ≠ 0;

iii. Ângulo entre r e s: θ ≠ 900.


51
Um caso particular das retas reversas são as Retas Ortogonais, conforme figura abaixo:

Figura 2.11: Retas Ortogonais

v1

v2
s

v1

As retas ortogonais satisfazem as seguintes condições:

i. são LI e não paralelos;

ii. = 0;

iii. Ângulo entre r e s: θ = 900.

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II - RETAS E PLANOS

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Verificar a posição relativa entre as retas
e nos seguintes casos:

a) , , e

Solução: Primeiramente, temos que saber se as retas r e s são coplanares, fazendo:

= = = 128 + 96 – 192 -96 +192 -128 = 0

Assim, r e s são coplanares e, portanto, só poderão ser paralelas, concorrentes, coincidentes ou


perpendiculares.

Para isto verifiquemos se são LD ou LI, isto é;

a(4, 2,–6) + b(–4, 4, 8) = 0

Logo, os vetores são LI.

Testemos agora o produto escalar

Como r e s são coplanares, são LI (não paralelos) e , concluímos que as retas dadas
52 são concorrentes.

b) , , e

Solução: Fazendo,

Logo, r e s não são coplanares, então só poderão ser reversas ou ortogonais. Vejamos:

são LI e não paralelos e

Portanto, r e s são reversas.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. As retas e se classificam em coplanares e não-coplanares. Como elas se dividem
e quais suas características?

2. Verifique a posição relativa entre as retas r: (x,y,z) = (1,2,3) + t(2,6,2) e s: (x,y,z) = (0,2,4) + t(–2,10,1).

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II - RETAS E PLANOS

Posição relativa entre planos

Dados dois planos e e seus vetores normais


e , respectivamente, podemos classificá-los em paralelos e concorrentes.

Existem, ainda, os casos particulares coincidentes e perpendiculares. O primeiro refere-se a planos paralelos
e o segundo a planos concorrentes.

Vejamos, agora a diferença entre cada um desses planos.

Planos paralelos

São planos que não se interceptam.


Figura 2.12: Planos Paralelos

w1

w2

53
2

Os planos paralelos satisfazem as seguintes condições:

i. são LD e paralelos;

ii. As equações dos planos π1 e π2 são proporcionais, ou seja, ;


iii. Ângulo entre π1 e π2: θ=0°.

Planos concorrentes

Neste caso, os planos se interceptam.


Figura 2.13: Planos Concorrentes

w1

w2

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II - RETAS E PLANOS

Os planos concorrentes satisfazem as seguintes condições:

i. são LI;

ii. ≠ 0;

iii. Ângulo entre π1 e π2: θ ≠ 90°.

Existem, ainda, alguns casos particulares da posição relativa entre planos. São eles:

Um caso particular dos planos paralelos são os Planos Coincidentes que possuem todos os pontos em
comum, conforme figura a seguir:

Figura 2.14: Planos Coincidentes

w1
w2

1= 2

Características dos planos coincidentes

54 i. são LD e paralelos;

ii. As equações dos planos π1 e π2 são proporcionais, ou seja, ;


iii. Ângulo entre π1 e π2: θ=0°.

Um caso particular dos planos concorrentes são os Planos Perpendiculares, conforme figura a seguir:

Figura 2.15: Planos Perpendiculares

w1

w2

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II - RETAS E PLANOS

Os planos perpendiculares satisfazem as seguintes condições:

i. são LI e não paralelos;

ii. ≠ 0;

iii. Ângulo entre π1 e π2: θ ≠ 90°.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Verifique a posição relativa entre os planos π1: a1 x+b1 y+c1 z+d1= 0 e π2: a2 x+b2 y+c2 z+d2= 0 nos
seguintes casos:

a) π1: 4x+6y–8 = 0s e π2: 4x+18y+8z = 0

Solução: Temos que, =(4,6,0) e =(4,18,8) são LI, pois a(4,6,0)+b(4,18,8)=0,


4a + 4b =0
6a + 18 = 0
8b = 0

logo a=b=0 e =4.4+6.18+0.8=124≠0, os planos são, portanto, concorrentes.

b) π1: 3x+5y+3z–1 = 0 e π2: 6x+10y+6z+2 = 0

Solução: Temos que, =(3,5,3) e =(6,10,6) são LD, pois a (3,5,3)+b (6,10,6) = 0

3a + 6b =0
5a + 10b = 0
3a + 6b = 0 55
Resolvendo o sistema linear obtemos a solução geral a=–2b,∀b∈R. Se escolhermos b=0 é evidente que
a=0, porém, esta não é uma solução única, ou seja, existem infinitas soluções em que os escalares a e
b não são todos nulos, logo e são LD e paralelos.

Uma vez que, e são LD, vamos verificar se as equações π1 e π2 são proporcionais ou não, isto é;

Como não é equivalente a e , então π1 e π2 não são proporcionais.

Portanto, os planos π1 e π2 são paralelos.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Como podemos classificar a posição relativa entre os planos π1: a1 x+b1 y+c1 z+d1=0 e π2: a2 x+b2 y+c2
z+d2=0. Caracterize cada caso, incluindo os particulares.

2. Verifique a posição relativa entre os planos π1: 2x+3y–4=0 e π2: 2x+9y+4z=0.

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II - RETAS E PLANOS

Posição relativa entre reta e plano

As posições relativas entre uma reta e um plano dividem-se em: reta paralela ao plano e reta concorrente
ao plano.

Casos particulares:

• Reta contida no plano: é o caso particular de reta paralela ao plano;

• Reta perpendicular ao plano: é o caso particular de reta concorrente ao plano.

Consideremos uma reta , um plano de equação geral e um


vetor normal ao plano π. Vamos determinar as posições relativas entre uma reta e um plano
logo em seguida.

Reta paralela ao plano

A reta r e o plano π não se interceptam

Figura 2.16: Reta Paralela ao Plano


A v
r

56

A reta paralela ao plano satisfaz as seguintes condições:

i. são LI e não paralelos;

ii. A ∉ π;

iii. Ângulo entre r e π: θ = 0°.

Um caso particular da reta paralela ao plano é reta contida no plano onde a reta r e o plano π se in-
terceptam e esta interseção é a própria reta r, conforme a figura abaixo:

Figura 2.17: Reta contida no Plano


w

A v
r

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II - RETAS E PLANOS

A reta contida no plano satisfaz as seguintes condições:

i. são LI e não paralelos;

ii. A ∈ π;

iii. Ângulo entre r e π: θ = 0°.

Reta concorrente ao plano

A reta r e o plano π se interceptam no ponto P.

Figura 2.18: Reta Concorrente ao Plano

w
v

r
57
A reta concorrente ao plano satisfaz as seguintes condições:

i. ≠0;

ii. são LI e não paralelos;

iii. Ângulo entre r e π: θ ≠ 90°.

Um caso particular da reta concorrente ao plano é a reta perpendicular ao plano que forma ângulo de 90°
com qualquer outra reta do plano, conforme mostra a figura a seguir:

Figura 2.19: Reta Perpendicular ao Plano

w v

r
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II - RETAS E PLANOS

IMPORTANTE
Caso o ângulo entre r e π não forme 90°, então a reta será apenas secante ou concorrente.

A reta perpendicular ao plano satisfaz as seguintes condições:

i. ≠0;

ii. são LD e paralelos;

iii. Ângulo entre r e π: θ = 90°.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determine a posição relativa da reta r:P = (1,2,4) + t(1,3,2) e o plano π:2x + 4y + 2z – 2 = 0.

Solução: Temos da equação da reta A (1,2,4) e = (1,3,2) e da equação do plano = (2,4,2), logo:

= 1.2 + 3.4 + 2.2 = 18 ≠ 0

Vejamos agora a dependência linear de :

a(1, 3, 2) + b(2, 4, 2) = 0

58

Como a e b são nulos são LI e não paralelos. Portanto, a reta r é concorrente ao plano π.

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Como se dividem as posições relativas entre uma reta e um plano?

2. Verifique a posição relativa da reta r:(x, y, z) = (1, 2, 4) + t(1, 3, 2) e o plano π: x + 4y + 2z – 1 = 0.

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Distâncias
UN 02

Podemos determinar a distância de retas e planos a partir de conhecimentos, vistos anteriormente, tais
como produtos escalar, vetorial e misto e posições realtivas de retas e planos. As distâncias apresentam
diferentes características e podem ser entre pontos, de ponto à reta, de ponto a plano, entre retas, entre
reta e plano e entre planos.

Distância entre dois pontos

Dados os pontos A1 (x1, y1, z1) e A2 (x2, y2, z2) temos que a distância entre eles é:

Figura 2.20 – Distância entre dois pontos

Esta é a
Isto é, . Distância entre
dois pontos.
Assim,

59
EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Calcular a distância entre A1 (1,–3, 2) e A2 (3,–3, 6).

Solução: Temos que,


u.c - Unidades
de Comprimento.

Distância de um ponto a uma reta

Sejam P um ponto qualquer no espaço e uma reta r dada por . Vamos determinar a distância
de P à r, ou seja, d(P,r).

Consideremos um ponto A em r e um vetor diretor dado por . A distância a d(P,r) corresponde à altura de
um paralelogramo determinado pelos vetores e . Observe a figura em seguida:

Figura 2.21: Distância de Ponto a Reta

d (P,r)=h

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II - RETAS E PLANOS

Sabemos que da geometria plana, a área do paralelogramo é dada pela seguinte fórmula:

Do cálculo vetorial, temos:

ou

E, por fim, comparando i) e ii), obtemos:


Esta é a
Distância de
um Ponto a
uma Reta.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determinar a distância do ponto P(1, 2, 3) à reta r: (x, y, z) = (1, 3, 5) + t(0, 1, 3).

Solução: Temos que, a reta r passa por A(1, 3, 5) e tem direção do vetor = (0, 1, 3) e ainda, =
P – A = (0,–1,–2).

Vamos determinar o produto vetorial

Portanto,

60

Distância de um ponto a um plano

Dado P0 (x0, y0, z0) um ponto que não está contido no plano π: ax+ by+ cz+ d = 0. Vamos calcular a dis-
tância de P0 a π, ou seja, d(P0, π).

Consideremos um ponto A de π e um vetor normal a π. Assim, a distância d(P0, π) será o módulo da


projeção ortogonal do vetor na direção w.

Figura 2.22: Distância de ponto a Plano


P0

AP 0 = d(P0 , )

Seja podemos fazer =(x0- x1,y0- y1,z0- z1 ). Os vetores e são paralelos, então =α
e como é ortogonal a , temos:

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Substituindo α em , obtemos,

Assim, se d(P0, π) é o módulo da projeção ortogonal de , temos:

Fazendo as devidas substituições na fórmula anterior, e considerando-se , obtém-se:

Resolvendo,

Da equação geral do plano, tem-se que,

61
Por fim, concluímos que:
Lembre-se que
esta equação
representa a
Distância de um
Ponto a um Plano.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Calcular a distância do ponto P0 (2, 4,–6) ao plano π: x + 2y – 3z + 4 = 0.

Solução: Temos que,

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Distâncias entre retas

Considere as retas r e s na figura abaixo:


Figura 2.23: Distância entre Retas
P
r

d(r,s)

Como calcular a distância entre elas?

Para isto, é necessário definir distância entre retas. Vejamos:

A distância entre r e s denotada por d(r,s) é definida como sendo a menor distância entre um ponto de r e
um ponto de s. Consideremos as retas e e analisemos os seguintes casos
para determinar a distância entre elas.

Retas coincidentes e concorrentes

Se as retas r e s forem coincidentes ou concorrentes, conforme figura (a) e (b), temos d(r,s)=0.

62 Figura 2.24: (a) Retas Coincidentes e (b) Retas Concorrentes

r=S S
r
V2
V1 V2
V1

(a) (b)

Retas paralelas

A distância entre duas retas paralelas é constante e pode ser determinada calculando-se a distância de um
ponto qualquer de uma delas, isto é:

Esta é a
Distância entre
Retas Paralelas.
Figura 2.25: Distância entre Retas Paralelas

A2 V1
r

d(r,s)

S
A1 V2

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EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determine a distância entre as retas r:(x, y, z) = (0, 2,–4) + t(6, 4,–2) e s:(x, y, z) = (2, 0,–2) + t(–3,–2, 1)

Solução: As retas r e s são paralelas. Assim, vamos determinar a distância do ponto A2 à reta s pela
expressão:

Logo, e;

Concluímos que:

Retas reversas

A distância entre as retas r e s reversas, coincide com a altura do paralelepípedo determinado pelos veto-
res diretores e e pelo vetor . 63
Figira 2.26: Distância entre Retas Reversas

Segundo a geometria espacial, o volume do paralelepípedo é Vp= Ab. h onde, Ab é a área da base do sólido e
h a sua altura. Do cálculo vetorial, este volume é formado pelos vetores , e . Observando a figura
podemos notar que a área da base Ab é a área de um paralelogramo determinado pelos vetores e ea
altura h = d(r,s).

Assim,

Para calcular o volume Vp, além da expressão anterior, sabemos que esse volume corresponde ao módulo
do produto misto dos vetores que determinam os seus lados, ou seja,

Igualando as duas relações, segue que:

Esta é a
Distância entre
Retas Reversas.

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EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determinar a distância entre r:(x, y, z) = (1,–3, 1) + t(–1, 2,–1) e s:(x, y, z) = (0, 3,–1) + t(–1,–1, 1).

Solução: As retas são reversas. Assim vamos determinar a distância d(r,s) pela expressão:

Logo,

Calculando o produto vetorial, temos:

Por fim, concluímos que:

Distância entre uma reta e um plano

Sejam uma reta e um plano π:ax+by+cz+d=0. Escolhendo um vetor diretor da reta e um


64 vetor normal ao plano, podemos calcular e analisar os seguintes casos:

a) Se ≠ 0, r é transversal a π e assim, r e π se interceptam. Logo, d(r, π) = 0, como podemos observar


na figura abaixo:
Figura 2.27: Distância de uma reta r transversal a um Plano π
w
r

b) Se = 0, r está contida em π e d(r, π) = 0.

Figura 2.28: Distância de uma reta r contida em um Plano π


w

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II - RETAS E PLANOS

c) Se r é paralela a π ( =0), d(r,π) será a distância de um ponto qualquer de r ao plano π.

Figura 2.29: Distância de uma reta r paralela a um Plano π

v
r
A

d (A, )

Logo,

Esta é a
Distância de
uma reta Paralela
a um Plano.

65
EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Calcule a distância entre a reta r: P = (2, 4, 3) + t(1, 1, 1) e o plano π: x + y – 2z + 10 = 0.

Solução: Temos que, =(1,1,1) é um vetor diretor da reta r e =(1,1,–2) é um vetor normal do
plano π. Assim, (1,1,1).(1,1,–2)=1+1–2=0. Como o ponto A(2,4,3)∈r e não a π e =0 a reta é
paralela ao plano. Portanto, calculando a distância de r a π, basta fazer:

Distância entre dois planos

Sejam os planos π1: a1 x + b1 y + c1 z + d1= 0 e π2: a2 x + b2 y + c2 z + d2= 0. Analisando a dependência


linear de seus vetores normais e temos os seguintes casos:

a) Se é LI, então π1 e π2 são transversais e os planos se interceptam, logo d(π1,π2)=0.

b) Se é LD, então π1 e π2 são paralelos. Assim, a distância d(π1,π2 ) é dada pela distância de
qualquer ponto de um ao outro, ou seja,

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II - RETAS E PLANOS

Observe também a figura abaixo:

Figura 2.30: Distância entre Planos Paralelos

d( 1, 2 )

Exemplo: Para determinar a distância entre os planos π1: x + 2y + z = 0 e π2: 4x + 2y – 2 = 0, temos que:

Solução: =(1,2,1) e =(4,2,0). Como , são LI os planos não são paralelos e, portanto se
interceptam. Logo, d(π1,π2)=0.

66 EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Encontre a distância entre os pontos:

a) P1 (–1, 0, 2) e P2 (2,–1, 3);

b) P (2, 3,–1) à reta r:(x, y, z) = (3, 0, 1) + t(1,–2–2);

2. Calcule a distância do ponto P0 (1, 2,–3) ao plano π: x + y – z + 2 = 0.

3. Determine a distância entre as retas:

a) r: X = (1, 2,–1) + t(–1, 2, 4) e s: X = (5, 0, 3) + t(2 – 4 – 8).

b) r: X = (5, 2, 1) + t(2 – 2, 3) e s: X = (1, 2, 2) + t(1, 5,–1).

4. Determine a distância entre a reta r: P (1, 2, 6) + t(2, 2, 2) e o plano π: x + y – 6z + 5 = 0.

5. Encontre a distância entre os planos π: 2x + y + 2z = 0 e π: 2x + 4y – 1 = 0.

SAIBA MAIS
Para melhor compreensão do conteúdo “distâncias entre dois pontos” assista a
videoaula acessando o link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=aIXcuud7QUo

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III CÔNICAS

Nesta unidade, estudaremos as Seções Cônicas, ou


apenas Cônicas, que são curvas geradas ou encontradas na
interseção de um plano que corta um cone de revolução,
podendo ser uma Elipse, uma Hipérbole ou uma Parábola.
Embora não seja considerada uma cônica, a Circunferência
pode ser obtida por uma seção que corta um cone. Devido
a isto, introduziremos também nesta unidade, o estudo da
Circunferência pelo seu importante papel na matemática,
em especial na geometria e em áreas afins.

Objetivos:

• Apresentar o estudo das Cônicas (Elipse, Hipérbole
e Parábola) e da Circunferência e suas propriedades;
• Classificar as cônicas por meio de suas equações e
estudar a translação e rotação de eixos no R2.
III - CÔNICAS

Uma breve introdução às cônicas


UN 03

Apresentaremos, a seguir, um estudo da Circunferência e das seções cônicas: Elipse, Hipérbole e Parábola
aplicando conhecimentos da Geometria Analítica.
Figura 3.1: (a) Circunferência, (b) Elipse, (c) Parábola e (d) Hipérbole

a) b) c) d)

Expressão geral de uma cônica

Por se tratar de curvas planas, estudaremos as Cônicas e a Circunferência no plano cartesiano.


69
A expressão geral de uma cônica é dada por uma equação quadrática da forma:

Ax2+Bxy+Cy2+Dx+Ey+F=0

A, B, C, D, E e F são os coeficientes da equação e xy é chamado termo retângulo. Assim, se a equação apre-


sentar o termo retângulo, podemos denominá-la de equação geral degenerada. Caso contrário, será deno-
minada equação geral não-degenerada.

Uma maneira prática de identificarmos uma cônica, a partir de sua equação geral, é através do discrimi-
nante ∆=B2-4 AC, isto é,

se ∆<0, a cônica será uma elipse.

se ∆>0, a cônica será uma hipérbole.

se ∆=0, a cônica será uma parábola.

Exemplos:

a) 10x2+3xy+10y2-2x+2y-2=0

Temos que, ∆=B2-4AC=32-4.10.10=-391<0. Logo, a cônica é uma elipse.

b) 2x2+xy-2y2+x+2y+6=0
Temos que, ∆=B2-4AC=12-4.2.(-2)=17>0. Logo, a cônica é uma hipérbole.

c) 2x2-4xy+2y2+3x-5y+3=0

Temos que, ∆=B2-4AC=(-4)2-4.2.2=0. Logo, a cônica é uma parábola.

Faremos, inicialmente, um estudo das cônicas que apresentam equação geral não-degenerada.

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III - CÔNICAS

Circunferência

Definição: Sejam π um plano, O(a,b) e r>0. O conjunto dos pontos X ϵ π tais que d(X,O)=r é chamado
circunferência de centro O e raio r.

Teorema: Sejam os pontos O=(a,b) e r>0 fixos. O conjunto dos pontos (x, y) que satisfazem a equação
(x-a)2+(y-b)2=r2 é a circunferência de centro O e raio r. Vejamos a figura:

Figura 3.2: Circunferência centrada em O

Esta é a y
Equação
Reduzida
da Reta.

b r
0

a x

A partir da Equação Reduzida da Circunferência, podemos obter a Equação Geral da Circunferência, basta
desenvolvermos os seus termos, ou seja:

70 Esta é a
(x-a)2+(y-b)2=r2
Equação x2-2xa+a2+y2-2yb+b2-r2=0
Geral da
Circunferência. x2+y2-2ax-2by+a2+b2-r2=0

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Encontre a equação da circunferência de centro (-1,4) e raio 7.

Solução:
Como o centro da circunferência tem coordenadas (-1,4) e raio 7, sua equação será dada
por (x+1)2+(y-4)2=49.

2. Determine a equação geral da circunferência do exercício 1.

Solução:
No exercício anterior, encontramos a equação reduzida da circunferência (x+1)2+(y-4)2=49.
Para determinar sua equação geral, basta desenvolver os seus termos, sendo assim, temos:

x2 + 2x +1+ y2 -8y +16 -49 = 0


x2 + y2 + 2x - 8y -32 = 0

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III - CÔNICAS

EXERCÍCIO PROPOSTO

1. Encontre a equação da circunferência de centro (-3,1) e raio 5. Faça um esboço no plano cartesiano.

2. Obtenha a circunferência de centro (1,2) e raio 4 e esboçe o gráfico no plano cartesiano.

3. Determine a equação reduzida e geral da circunferência de centro (2,2) e raio 3.

Elipse

Definição: Consideremos num plano, dois pontos F1 e F2 e seja 2c a distância entre eles. Chamamos elipse
ao conjunto dos pontos do plano cuja soma das distâncias à F1 e F2 é a constante 2a (2a>2c), ou seja,

d(P,F1 )+d(P,F2 )=2a

Elementos da Elipse:

Figura 3.3: Elementos da Elipse

B2

b
a
71
A1 F1 O c F2 A2 x

B1

F1 e F2: Focos - pontos fixos equidistantes do centro da elipse.


O: Centro da elipse – ponto médio do segmento F1 F2.
2c: Distância Focal – distância entre os focos.
2a: Eixo maior – segmento de reta que passa pelos dois focos.
2b: Eixo menor – segmento de reta perpendicular ao eixo maior que passa pelo ponto médio.
c/a: Excentricidade – determina a forma da elipse.

Relação notável: Do triângulo retângulo B2OF2, obtemos a relação notável:

a2=b2+c2

Os parâmetros
a e b são
os semi-eixos
da elipse.

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III - CÔNICAS

Equação reduzida da elipse

Consideremos a elipse de centro (0,0), conforme a figura a seguir:

Figura 3.4: Sistema ortogonal

Assim, dada a igualdade, d(P,F1 )+d(P,F2 )=2a e sendo P=(x,y), temos que:

72

a 2 x 2 + a 2 y 2 − 2a 2 cx + a 2 c 2 =−
a 4 2a 2 cx + c 2 x 2
a2 x 2 − c2 x 2 + a2 y 2 =
a 4 − a2 c2
(a 2 − c 2 ) x 2 + a 2 y 2 = a 2 (a 2 − c 2 )

Seja a2-c2=b2, temos:

Esta é a
Equação
reduzida
da Elipse.

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III - CÔNICAS

Caso 1: Elipse com focos sobre o eixo x.

Figura 3.5: Elipse com focos sobre o eixo x

B2

a
b

A1 F1 O c F2 A2 x

B1

Nesse caso, os focos têm coordenadas F1 (-c,0) e F2 (c,0). Assim, a equação reduzida da elipse centrada na
origem do sistema cartesiano e com focos sobre o eixo x será dada por:

Elipse com focos sobre o eixo y.


73
Figura 3.6: Elipse com focos sobre o eixo y

A2
F2

a
c

B2 O b B1 x

F1

A1

Nesse caso, os focos têm coordenadas F1 (0,-c) e F2 (0,c). Logo, a equação reduzida da elipse centrada na
origem do sistema cartesiano e com focos sobre o eixo y r será dada por:

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Excentricidade da elipse

A excentricidade da elipse é o número real:

A excentricidade nos fornece a forma da elipse, isto é, as elipses com excentricidade próxima de 0 (zero)
são aproximadamente circulares e próxima de 1 (um) são achatadas.

FIQUE ATENTO

Acesse o site do Banco Internacional de Objetos Educacionais. Ele contém uma discussão entre
um professor de matemática e alguns ouvintes, sobre o significado da palavra ELIPSE na geome-
tria. Além disso, fornece alguns esclarecimentos sobre esse assunto.

http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/17196show=full

74 EXERCÍCIO RESOLVIDO

1. Determine a equação reduzida da elipse com focos sobre o eixo x, com eixo maior medindo 8 e eixo
menor igual a 4.

Solução:

2a = 8 ⟹ a =4
2b = 4 ⟹ b = 2.

Pela relação notável da elipse, temos:


a2 = b 2 + c 2 ⟹ c2 = a 2 - b 2
Daí, .

Assim, a equação da elipse será:

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2. Determine a equação reduzida da elipse de focos F1(0,3) e F2(0,-3) e o eixo menor medindo 8.

Solução:
Como o eixo menor mede 8, temos 2b=8⟹b=4. Pela posição das coordenadas dos focos a elip-
se está centrada no eixo Oy e, assim, 2c=3-(-3)⟹c=3. Pela relação notável a2=b2+c2, obtemos:
a2=42+32⟹a2=16+9⟹a2=25⟹a=5. Logo, a equação reduzida da elipse será:

3. Determinar a excentricidade da elipse 2x2+8y2=64.

Solução:
Temos que expressar 2x2+8y2=64 na forma reduzida. Para isto, basta dividir ambos os membros
por 64. Assim,

Sabendo que, a2=32⟹a=√32 e b2=1⟹b=1, temos que, substituindo na expressão


a2=b2+c2⟹(√32)2=12+c2⟹c2=(√32)2-1⟹c=31.

Portanto, a excentricidade da elipse será:

75
EXERCÍCIO PROPOSTO

1. Determine a equação reduzida da elipse de focos F1 (1,0) e F2 (-1,0) e o eixo maior medindo 2
(elipse com focos sobre o eixo Ox). Faça um esboço da cônica.

2. Determine a equação reduzida da elipse de focos F1 (0,-2) e F2 (0,2) e o eixo menor medindo 6
(elipse com focos sobre o eixo Oy). Faça um esboço da cônica.

3. Dada a elipse 4x2+y2=16, determine:

a) a medida dos semi-eixos;


b) a excentricidade;

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Hipérbole
UN 03

Definição: Consideremos num plano dois pontos F1 e F2 e seja 2c a distância entre eles. Chamamos hi-
pérbole ao conjunto dos pontos do plano cuja diferença em módulo das distâncias à F1 e F2 é a constante
2a (0<2a<2c), ou seja,

|d(P,F1 )-d(P,F2)|=2a.

Elementos da Hipérbole:

Figura 3.7: Elementos da Hipérbole

r y s
B2

c
b

F1 A1 O a A2 F2 x

76 B1

F1 e F2: Focos - pontos fixos equidistantes do centro da hipérbole;

O: Centro da hipérbole - ponto médio do segmento (F1 F2 ) ;

2c: Distância Focal - distância entre os focos;

2a: Eixo transverso ou real - segmento de reta que passa pelos dois focos;

2b: Eixo conjugado ou imaginário - segmento de reta perpendicular ao eixo transverso que passa pelo ponto médio;

c/a: Excentricidade - determina a forma da hipérbole;

r e s: Assíntotas – retas que se interceptam no centro da hipérbole de equações

Relação notável:

Do triângulo retângulo B2 OA2, obtemos a relação notável:

c2=a2+b2

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Equação reduzida da hipérbole

Consideremos a hipérbole de centro (0,0) conforme a figura a seguir:

Figura 3.8: Sistema ortogonal

y
P(x,y)

F1(-c,0) A1 A2 F2(c,0) x

Assim, da igualdade |d(P,F1 )-d(P,F2)|=2a e sendo P=(x,y) temos que,

De maneira análoga, ao que foi mostrado na dedução da elipse e lembrando a relação notável
77
c2=a2+b2, temos a equação:

SAIBA MAIS

Para melhor compreensão sobre o conteúdo “equação reduzida da hipérbo- le”,


acesse o link com a videoaula:

http://www.youtube.com/watch?v=RNZlWsJCfv

Caso 1: Hipérbole com focos sobre o eixo x.

Figura 3.9: Hipérbole com focos sobre o eixo x

B2

c
b
a a
F1 A1 0 A2 F2 x

B1

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Nesse caso, os focos têm coordenadas F1 (-c,0) e F2 (c,0). Assim, a equação reduzida da elipse centrada na
origem do sistema cartesiano e com focos sobre o eixo x (no gráfico abaixo) será dada por:

Caso 2: Hipérbole com focos sobre o eixo y

Figura 3.10: Hipérbole com focos sobre o eixo y

F2

A2

c
a

B1 O b B2 x

78
A1

F1

Nesse caso, os focos têm coordenadas F1 (0,-c) e F2 (0,c). Logo, a equação reduzida da elipse centrada na
origem do sistema cartesiano e com focos sobre o eixo y será dada por:

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Determinar a equação reduzida da hipérbole e sua excentricidade, sabendo que ela tem focos F1 (-√12,0)
e F2 (√12,0) e do eixo transverso 6.

Solução:
Como o eixo transverso mede 6 e os focos tem coordenadas e temos que,
2a=6⟹a=3 e 2c= -(- )⟹2c=2 ⟹c= . Daí, pela relação notável da hipérbole
c =a +b obtemos b=
2 2 2
⟹b= ⟹b= ⟹b= . Assim, a equação reduzida
da hipérbole é:

Nesse caso, a excentricidade será dada por:

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2. Determinar a equação reduzida da hipérbole e sua excentricidade, sabendo que ela tem focos F1 (0,-3)
e F2 (0,3) e do eixo conjugado 4.

Solução:
Como o eixo conjugado mede 4 e os focos têm coordenadas F1 (0,–3) e F2 (0,3) temos que, 2b=4⟹b=2
e 2c=3–(–3)⟹2c=6⟹c=3. Daí, pela relação notável da hipérbole obtemos a= ⟹a=
⟹a= ⟹a= . Assim, a equação reduzida da hipérbole é:

Nesse caso, a excentricidade será dada por:

3. Determine a equação reduzida da hipérbole com focos sobre o eixo x, com eixo transverso medindo 12
e eixo conjugado medindo 10, em seguida encontre as equações das assíntotas.

Solução:
Dado o eixo transverso e o eixo conjugado, respectivamente, podemos fazer 2a = 12 ⟹ a =6 e 2b = 10
⟹ b = 5. Assim, a equação reduzida da hipérbole será:

79
Logo, as assíntotas serão obtidas pelas equações Portanto,

EXERCÍCIO PROPOSTO

1. Determine a equação reduzida da hipérbole e sua excentricidade, cujos focos são F1(– ,0) e F2( ,0) e
o eixo transverso 14 (hipérbole com focos sobre o eixo Ox). Faça um esboço do gráfico da hipérbole.

2. Determine a equação reduzida da hipérbole e sua excentricidade, cujos focos são F1 (0,–18) e F2 (0,18)
e o eixo conjugado 12 (hipérbole com focos sobre o eixo Oy). Faça um esboço do gráfico da hipérbole.

3. Determine as equações das assíntotas, resultantes das duas questões anteriores deste exercício.

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Parábola
UN 03

Definição: Consideremos num plano um ponto F e uma reta r, F∉r. Chamamos parábola ao conjunto dos
pontos do plano equidistantes de F e r.

Figura 3.11: Parábola com foco sobre o eixo x

Eixo de Simetria
V F

80 Elementos da Parábola:

F: Foco - ponto fixo

r: Diretriz – reta perpendicular ao eixo de simetria que está afastada do vértice da parábola e que possui a
mesma distância do vértice ao foco

Eixo de simetria - reta perpendicular à reta diretriz e que passa pelo foco F

V: Vértice – interseção da parábola com seu eixo de simetria

Equação reduzida da parábola

Consideremos um sistema ortogonal como mostra o gráfico abaixo:

Figura 3.12: Sistema Ortogonal com foco sobre o eixo x

y
r
P(x,y)

0 x
F(p,0)

p p

Seja 2p=d(F,r). Neste caso, o foco tem coordenadas F=(p,0) e a equação da reta diretriz é dada por r:x=-p
ou r:x+p=0. Assim, o ponto P(x,y) está na parábola se, e somente se d(P,F)=d(P,r), isto é,

Logo, y2=4px

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IMPORTANTE
Na equação acima, d(P,F) é a distância entre os pontos P e F e d(P,r) é a distância do ponto P a reta r.

Da análise anterior e, considerando que, o vértice da parábola pertence à origem do sistema de coordena-
das cartesianas com vértice (0,0) temos os seguintes casos:

Caso 1: O Foco F está à direita da reta diretriz r.

Neste caso, a equação reduzida da parábola é dada por y² = 4px. O foco tem coordenadas F=(p,0) e a
diretriz é a reta r:x=-p.
Figura 3.13: Parábola com foco à direita da reta diretriz

O F x

Caso 2: O Foco F está à esquerda da reta diretriz r

Neste caso, a equação reduzida da parábola é dada por y² = -4py. O foco tem coordenadas F=(-p,0) e a
diretriz é a reta r:x=p:
81
Figura 3.14: Parábola com foco à esquerda da reta diretriz

F O x

Caso 3: O Foco F está acima da reta diretriz r

Neste caso, a equação reduzida da parábola é dada por x² = 4py. O foco tem coordenadas F=(0,p) e a
diretriz é a reta r:y=-p .
Figura 3.15: Parábola com foco acima da reta diretriz
y

O x

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Caso 4: O Foco F está abaixo da reta diretriz r

Neste caso, a equação reduzida da parábola é dada por x² = -4py. O foco tem coordenadas F=(0,-p) e
a diretriz é a reta r:y=p.

Figura 3.16: Parábola com foco à esquerda da reta diretriz


y

r
O
x

IMPORTANTE
O número p é denominado parâmetro da parábola e determina a distância do foco à reta diretriz.
Assim, analisando os casos anteriores 1 e 2, podemos fazer as seguintes conclusões: como px≥0,
então o parâmetro p e a abscissa x possuem mesmos sinais. Se p>0, então a parábola tem con-
cavidade voltada para a direita (Figura 3.13) e se p<0, então a concavidade da parábola é voltada
para a esquerda (Figura 3.14). Da mesma forma, procedem os casos 3 e 4: Como py≥0, então o
82 parâmetro p e a ordenada y possuem mesmos sinais. Se p>0, então a parábola tem concavidade
voltada para cima (Figura 3.15) e se p<0, então a concavidade da parábola é voltada para baixo.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1. Obtenha a distância do foco à diretriz da parábola y2=5x.

Solução:
A distância do foco à diretriz é dada por 2p=d(F,r). Vamos, então, encontrar o valor do parâmetro p.
Considerando que, y2=5x é equivalente a equação do caso 1 y2=4px podemos igualar as duas equações
e determinar p. Assim,

Logo,

2. Dada a equação da parábola x2=4y:

a) Encontre o foco dessa parábola;

Solução:
Como a equação x2=4y é equivalente a equação x2=4py (caso 3), podemos igualá-las e determinar o
parâmetro p. Assim,
4py=4y⟹p=1
Como p=1, temos que, o foco da parábola será F(0,1).

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b) Defina a equação da parábola;

Solução:
Como p=1, temos que, o foco da parábola será F(0,1) e, assim a reta diretriz será dada por: r:y=-1.

c) Construa o gráfico da parábola;

Solução:

F=(0,1)

x
0

r
-1

3. Determine a equação da parábola e traçar um esboço do gráfico que satisfaça as seguintes condições

a) vértice V(0,0) e foco F(2,0)

Solução:
Pela posição das coordenadas do foco, a parábola é da forma y2=4px (recorre-se ao caso 1). Como p=2,
83
temos que, sua equação reduzida será y2=8x.


y
p>0

0 F=(2,0) x

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b) vértice V(0,0) e diretriz y=-4

Solução:
Se a reta diretriz é y=-4, então a parábola é da forma x2=4py (caso 3) e, assim o foco tem coordenadas
F(0,4). Logo, o parâmetro p será igual a 4 e a equação reduzida será dada por x2=16y.

F=(0,4)

x
0

EXERCÍCIO PROPOSTO
1. Construa o gráfico, encontre o foco e a equação da diretriz das seguintes parábolas:
84 a) x2=9y

b) x= y2

c) y2+5x=0

d) x2+7y=0

2. Determine a equação da parábola e traçe um esboço do gráfico que satisfaça as seguinte condições:

a) vértice V(0,0) e foco F(0,3)

b) vértice V(0,0) e foco F(4,0)

c) vértice V(0,0) e foco F(0,-5)

d) vértice V(0,0) e foco F(-1,0)

e) vértice V(0,0) e diretriz y=-2

f) vértice V(0,0) e diretriz y=4

g) vértice V(0,0) e diretriz x=-3

h) vértice V(0,0) e diretriz x=6

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Translação e rotação de eixos


UN 03

Até agora, estudamos a equação de uma cônica não-degenerada. Trataremos a seguir, o caso da equação de
uma cônica degenerada a partir da translação e rotação de eixos.

Translação de eixos no R2

A translação de eixos serve para eliminar os termos lineares (x e y) da equação de uma cônica.
Seja o plano cartesiano xOy.

Figura 3.17: Plano xOy

x
O
85
Façamos uma translação do plano xOy para uma nova posição, onde teremos um outro plano cartesiano o
qual denominamos, por (x' O' y'), de maneira que, os novos eixos x’ e y’ sejam paralelas aos antigos eixos
x e y, respectivamente no gráfico abaixo:

Figura 3.18: Translação do eixo xOy para x’O’y’

y
y’

O’ x’

x
O

Relacionemos, agora as coordenadas dos dois planos xOy e x'O'y' considerando que as coordenadas de O'
no plano xOy sejam (u,v) e as coordenadas de P em x'O'y' sejam (a,b). Assim, as coordenadas de P no plano
xOy serão dadas por (u+a,v+b), como segue no gráfico a seguir:

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Figura 3.19: Eixos transladados e suas respectivas coordenadas

y y’

b P
v+b

v x’
0’ a

x
0 u u+a

Definição: Seja o plano xOy e O'=(u,v) um ponto pertencente a esse plano. Consideremos também o plano
x' O' y', de maneira que, os eixos x' e y' sejam paralelos aos respectivos eixos x e y. Sendo P(x',y') um ponto
de x' O' y' e esse mesmo ponto tem coordenadas (x',y') no plano xOy, então temos as seguintes equações:

Sistema Antigo

Sistema Novo

86
EXERCÍCIO RESOLVIDO

1. Encontre as coordenadas do ponto P(4,-2), após a translação de eixos para a nova origem O’(-2,1).

Solução:
Do sistema de equações de translação temos:

Logo, as coordenadas após a translação para a nova origem são (6,-3). A seguir, vemos um esboço
dessa translação.

y
y’

1
x’
6
x
-2 4

-3 P(4,-2) = P(6,-3)
-2

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2. Seja uma elipse de equação x2+2y2-2x+12y+15=0. Translade os eixos do plano xOy para o plano x'O'y'
de maneira que, a equação dessa elipse seja reduzida para . Faça um esboço da cônica no
plano 𝑥𝑂𝑦.

Solução:
Sabendo que a nova origem 𝑂′𝑢,𝑣 tem coordenadas em 𝑥𝑂𝑦 e efetuando a translação desse plano
para 𝑥′𝑂′𝑦′ obtemos:

Fazendo a substituição dessas expressões na equação da elipse dada, temos que:

Sabendo que a equação reduzida da elipse só envolverá os termos x' e y' temos:

Fazendo:

Obtemos as coordenadas do centro da elipse C(1,-3) que substituindo em (*) têm-se: 87


x'2+2y'2-4=0

e organizando a equação anterior temos:


Equação
reduzida da
elipse no plano
x'O'y'.

Esboço:
Observe que o eixo maior mede 4 e o eixo menor mede 2. De fato,

a2=4⟹a=√4⟹a=2

Como 2a é a medida do eixo maior da elipse temos 2.2=4

Temos também:

b2=2⟹b=√2

Como 2b corresponde a medida do eixo menor da elipse temos 2.√2=2√2.

Assim, o esboço será:


y
y’

x
1

c x’
-3

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EXERCÍCIO PROPOSTO

1. Encontre as coordenadas do ponto P(6,1) após a translação de eixos para a nova origem O' (2,3).

2. Determine a equação reduzida da hipérbole 3x2-y2+12x+6y-9=0 após uma translação de eixos do pla-
no xOy para o plano x'O'y' e esboce o gráfico da elipse no plano xOy.

3. Classifique a cônica 3x2+y2-18x+18y-3=0 e encontre a equação reduzida da mesma, após uma transla-
ção de eixos do plano xOy para o plano x'O'y'.

DICA
Para classificar o
tipo da cônica, basta
usar as condições do
discriminante.
Rotação de eixos no R2

Considere o plano cartesiano xOy abaixo:

Figura 3.20: Plano xOy

88

x
O

Fazendo uma rotação de eixos no plano cartesiano xOy para outra posição no sentido anti-horário obteremos
um novo plano x’Oy’, de maneira que esse plano possua a mesma origem do anterior conforme figura abaixo.

Figura 3.21: Rotação de eixos no plano xOy

y
y1 x1

x
0

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Consideremos, agora, as coordenadas do ponto P no eixo xOy dadas por (m,n) e no eixo x’Oy’ dadas
por (r,q) como mostra a figura a seguir:

y1 P x1
n
∝ N
rsen ∝ r
Q

q

m rcos ∝

Figura 3.22: Coordenadas do ponto R no eixo x’Oy’

Podemos relacionar as coordenadas de P em xOy e em x’Oy’ a partir das seguintes identidades:

m=r.cosα-q.senα
n=r.sen α+q.cos α

onde (NQ) =q.sen α e (PQ) =q.cosα.

Agora, consideremos os planos xOy e x’Oy’de maneira que x’Oy’ seja obtido por rotação de eixos. Se 89
um ponto P em x’Oy’ tem coordenadas (x’,y’) e esse mesmo ponto em xOy tem coordenadas (x,y),
então temos os seguintes sistemas:

x=x'.cos α-y'.sen α

y=x'.sen α+y'.cos α

ou Estes sistemas
são chamados
x'=x.cos α+y.sen α Equações de
Rotação no
y'=-x.sen α+y.cos α .
O ângulo α, segundo o qual, os eixos coordenados devem ser rotacionados para eliminar o termo retângu-
lo xy, pode ser determinado pela relação trigonométrica .Para demonstrá-la, deve-se fazer a
substituição das equações de rotação na equação cônica.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

1. Determine as coordenadas no ponto P(-1,3) após uma rotação de 60° dos eixos coordenados.

Solução:
Usando as equações:

x’=x.cos α+y.sen α
y’=-x.sen α+y.cos α

e substituindo as coordenadas do ponto P temos:

x’=-1.cos60 °+3.sen60°
y’=1.sen 60°+3.cos 60°

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Como e , podemos substituir esses resultados no sistema anterior e obter:

Portanto, o ponto P tem coordenadas

2. Determine o ângulo, no qual os eixos coordenados devem ser rotacionados para eliminar o termo retângulo
xy na equação 2x2– xy+5y2= 8.

Solução:
Pela relação , temos A=2, B= -√3 e C= 5 e substituindo estes coeficientes obtemos:

(*)

Aplicando a função inversa à tangente em ambos os membros de (*) e sabendo que arctg ( ) = 30º
temos que: 2α=30°⟹α=15°.

90
Conforme mencionado no início do capítulo, uma maneira prática de identificar a cônica através de sua
equação geral é através do discriminante ∆=B2-4AC, isto é,

se ∆<0, a cônica será uma elipse


se ∆>0, a cônica será uma hipérbole
se ∆=0, a cônica será uma parábola

Assim, no exercício 2, a cônica 2x2-√3 xy+5y2= 8 é uma elipse, pois ∆=(-√3)2-4.2.5=-37<0.

IMPORTANTE
Não abordaremos a redução de termos da equação geral da cônica Ax2+Bxy+Cy2+Dx+Ey+F=0
a sua forma mais simples, entretanto, como sugestão nesse caso, devemos primeiramente eli-
minar os termos de primeiro grau (x e y) pela translação de eixos e em seguida eliminar o termo
retângulo xy por rotação de um ângulo α, através da relação

EXERCÍCIO PROPOSTO

1. Determine as coordenadas no ponto P(3,2) após uma rotação de 45° dos eixos coordenados.

2. Determine o ângulo, no qual os eixos coordenados devem ser rotacionados para eliminar o termo
retângulo xy na equação 4x2-xy-5y2= 10.

3. Classifique a cônica do exercício 2 pelo método prático do discriminante.

GEOMETRIA ANALÍTICA
GA Autora: Fabiane Regina da Cunha Dantas Araújo
III - CÔNICAS

REFERÊNCIAS

CAMARGO, I.; BOULOS, P. Geometria Analítica: um tratamento vetorial, 3ª Edição. São Paulo: Prentice Hall,
2005.

CAROLI, A.; CALLIOLI, C. A; FEITOSA, M. O. Matrizes, Vetores e Geometria Analítica, 9ª. edição, São Paulo:
Nobel, 1978.

MENDONÇA, L. A. S. Vetores Paralelos e Ortogonais. Disponível em:<http://dc109.4shared.com/doc/


qW7KxZn1/pre iew.html> Acesso em: 30 ago. 2012.

SIMMONS, G. F. Cálculo com Geometria Analítica, Volume 1, São Paulo: Makron Books do Brasil, 1987.

WINTERLE, P. Vetores e Geometria Analítica, São Paulo: Makron Books do Brasil, 2000.

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GEOMETRIA ANALÍTICA
Autora: Fabiane Regina da Cunha Dantas Araújo GA
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