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Introdução aos Estudos da Educação: Enfoque Histórico

Rafael Dutra Dumangin Paes


Nº 10354101
Profª Dra. Maurilane de Souza Biccas

AULA 4 - Unidade I - O lugar da escola na sociedade brasileira.

FARIA FILHO, Luciano Mendes de; VIDAL, Gonçalves Diana. Os tempos e


os espaços escolares no processo de institucionalização da escola
primária no Brasil. Revista Brasileira de Educação, Mai/Jun/Jul/Ago 2000
Nº 14.

Houve grandes modificações dos espaços escolares no decorrer dos


anos, bem como sua influência sobre a realidade escolar.
Em concordância com o desenvolvimento social e as demandas da
população, ou, até mesmo, apenas para satisfazer o ego da administração
pública, o espaço e o tempo escolar foram sendo desenvolvidos de diferentes
maneiras ao longo da história. As mudanças no programa escolar ocorreram
acompanhando a organização e o uso do tempo na escola, que, por sua vez,
tiveram estreitas relações com o desenvolvimento dos métodos e dos materiais
pedagógicos e com a construção desses espaços escolares. Com isso,
diferentes tipos de escolas se estabeleceram em determinados períodos.
Contudo, atualmente, há uma exclusão e precariedade nos espaços
escolares, e o “[...] tempo escolar [...] não conseguiu se impor totalmente.
Apesar de associado intimamente à escola, o tempo de estudo não é uma
realidade para todas as crianças brasileiras (FARIA FILHO; VIDAL, 2000, p.
32).” A composição de uma escola de qualidade é, ainda, um grande desafio.

Muitos do que ainda são os valores, atributos e modelos de edificação


do espaço escolar provém de um modelo antigo, o das escolas funcionais.
As escolas funcionais pregavam o patriotismo e foram desenvolvidas em
prédios com o distintivo brasileiro. A escola deveria ser construída de acordo
com as necessidades pedagógicas, estéticas e nacionalizantes. O ambiente
deveria ser educativo, alegre, aprazível, pitoresco e com paisagem envolvente.
O tempo de permanência do aluno na escola deveria ser integral. Deveriam
conter espaços para educação física, instalações médicas e dentárias,
chuveiros e hortas para os estudos de botânica e higiene escolar. Pensava-se
numa crescente simplicidade e economia dos espaços escolares para o
governo.
Além disso, foi nesse modelo que as diretrizes gerais sobre a educação
no Brasil começaram a ser emanadas de um órgão central, o Ministério da
Educação e Saúde, homogeneizando conteúdos, métodos, tempos e espaços
escolares.

VÍDEO: Os Primeiros Tempos: A Educação pelos Jesuítas.

As ações missionárias dos jesuítas usavam a educação para expandir a


religião cristã. No Brasil, tinham o intuito de destruir a cultura dos povos
indígenas e empregar a vida do branco europeu cristão, moldando segundo a
civilização ocidental cristã, mais especificadamente a cultura portuguesa. Eles
instruíam os nativos por entenderem que estes eram mais suscetíveis aos
valores cristãos que seriam ensinados.
Logo que chegaram ao Brasil, os padres jesuítas lançaram as bases da
catequização, com a criação das primeiras escolas. Além disso, os padres
jesuítas exerceram forte influência na sociedade, principalmente burguesa,
para a qual as primeiras escolas eram orientadas.
Portanto, é no espírito da evangelização que se desenvolve o sentido de
educação formal, que influencia substancialmente a formação da sociedade
brasileira e o desenvolvimento dos processos educativos.

AULA 6 - Tema 3 - Educação no Estado Novo e a Reforma Capanema.

FILHO, João Cardoso Palma. A Educação Brasileira no Período de 1930 a


1960: a Era Vargas. UNIVESP-SP

Por meio do documento escrito “Manifesto dos Pioneiros da Educação


Nova”, os signatários enfrentam os problemas que se lhes apresentavam na
elaboração de um projeto educacional para o país e, ao fazê-lo, contribuem
para revelar as diferentes perspectivas sociais e políticas com as quais os
homens de sua época se debatiam na busca de soluções para esses
problemas.
Em síntese, o Manifesto foi expressão do debate que permeou a defesa
recorrente da reforma na educação nacional e que tomou corpo com as
reformas implantadas em diversos Estados na década de 1930. A Revolução
Russa de 1917, a ascensão de Adolf Hitler ao poder (1919), a consolidação do
Fascismo na Itália (1922), o desenvolvimento da indústria nacional, o
crescimento urbano, o surgimento de novos setores sociais na cena política,
social e cultural do país colocaram na ordem do dia a necessidade de uma
reforma educacional abrangente.

*
Foi a Constituição de 1934 que colocou a educação como direito de
todos e a estabelece como de competência da União, além de colocar, em
linhas gerais, uma previsão para que fosse elaborado um Plano Nacional de
Educação. A moral religiosa volta a ser destaque, já que o Ensino Religioso,
abolido com a Proclamação da República, volta ser inserido, embora
facultativo. Cabe destacar, ainda, a melhoria na qualidade de prestação do
serviço educacional pelo Estado, que pela primeira vez destinou aplicação de
receitas de cada ente da Federação para sua implantação.
A Constituição de 1937, outorgada durante o Estado Novo contribuiu
para que o ensino fosse oferecido tanto por escolas públicas como particulares,
além de determinar que apenas o Ensino Primário teria obrigatoriedade de
oferta.

A preocupação com a educação profissionalizante dizia menos a


respeito do interesse na educação integral do homem e mais a respeito do
ideário desenvolvimentista do governo Vargas, um dos usos da educação
como instrumento político. A Reforma Capanema continuou o trabalho de
Francisco Campos no sentido de que a escola virou uma fábrica de robôs para
a indústria e o comércio, pois havia uma grande necessidade de mão de obra
qualificada para a industrialização. Em virtude do caráter elitista do ensino
secundário, os pobres eram obrigados a escolher o ensino profissionalizante
para que pudessem ingressar e continuar na escola, sendo posteriormente
vetados de ingressar no ensino superior.
A educação que forma para a atuação no mercado de trabalho visa
responder as demandas do capital, que acaba por legitimar as desigualdades
sociais, o que acentua as diferenças entre a educação para a elite e a
educação para a massa, distinguindo o trabalho intelectual do trabalho manual.

AULA 7 - Tema 4 – Educação Desenvolvimentista e a LDB 1961.

XAVIER, Libânia Nacif. Oscilações do público e do privado na história da


educação brasileira. Revista Brasileira de História da Educação, jan/jul
2003, n. 5, pp. 233-251.

Ao longo dos anos, desde o surgimento da primeira LDB, diversas foram


as emendas que alteraram o texto regulamentar e legislatório da lei 4.024/61,
bem como das subsequentes, marcando o progresso das diretrizes e bases
nacionais da educação. Por conseguinte, alguns projetos de lei foram
propostos à Assembléia Constituinte na tentativa de aperfeiçoar a LDB. Deste
modo, foram realizadas discussões sobre as necessidades da educação entre
professores e demais profissionais da área, num sistema de interesses tanto do
âmbito público quanto privado.
As dificuldades encontradas no sistema de educação pública são
consequências da inexistência de uma indicação oficial acerca das
modificações propostas pela LDB ao longo do tempo. No decorrer do tempo as
necessidades da educação nacional foram se modificando, porém o processo
de ajustes sofrido pela LDB não acompanhou essa transformação, imputando
assim, algumas deficiências e ambiguidades na redação legislativa de cada
reforma.

DOCUMENTÁRIO: A Educação Brasileira no Período Nacional-


Desenvolvimentista (1945-1964)

Durante o Período Nacional-Desenvolvimentista (1945-1964), o Estado


esteve de maneira contundente na realidade brasileira, em toda sua
engrenagem de funcionamento sob o prisma da tecnocracia e do
patrimonialismo. Na ótica de um Estado liberal, a racionalidade dos meios
sufocou a educação em nome da lógica quantitativa. A concepção liberal,
impressa no planejamento da educação, esteve pautada na estrutura de um
projeto econômico.
O protagonismo do Estado brasileiro subordinou as decisões da esfera
educacional aos requisitos técnicos da ordem econômica e política. O
planejamento pelo governo federal deu‐se como instrumento instaurador para
elevar o país à condição de Estado moderno, com nuances fortes do nacional‐
desenvolvimentismo. A educação aferrava‐se na sistemática do planejamento
setorial e global do sistema capitalista.

De 1956 a 1961, o Brasil passou por um momento crucial, que


sistematizou o plano setorial e global, e a educação foi pauta de um plano
setorial do governo.
No governo de Kubitschek, em 1956, a defesa do desenvolvimentismo
se converteu na implementação do Conselho Nacional de Desenvolvimento. A
partir da CND começou a ser arquitetado um Plano Econômico, conhecido
comumente como Plano de Metas, que passa a considerar a educação como
parte dos setores do Conselho de Desenvolvimento. Uma das posições
proeminentes, que se colocou nesse período, foi o pensamento segundo o qual
a relação entre educação e desenvolvimento era condição indispensável para a
plataforma de metas, pois a produção econômica gerava a necessidade de
formação de técnicos em diversos níveis e áreas.

AULA 8 - Tema 5 - Educação na ditadura militar Lei 5692/71.


BOUTIN, Aldamira Catarina Brito Delabona; CAMARGO, Carla Roseane
Sales. A Educação na ditadura militar e as estratégias reformistas em
favor do capital. EDUCERE, outubro de 2015.

A ditadura militar no Brasil foi um período de vivência de conflitos entre


projetos políticos opostos e de experiência de sofrimento. A necessidade de
reconhecer que ocorria uma violência crescente, sistemática, exercida e
legitimada por parte do Estado brasileiro em relação a distintos grupos sociais
como os militantes de diferentes agremiações consideradas subversivas ou
identificadas com a esquerda política e camponeses favoráveis à reforma
agrária, estudantes mobilizados contra a reforma universitária e/ou
reivindicando mais democracia nos espaços educativos, trabalhadores e
sindicalistas reivindicadores de direitos sociais têm pautado diversas ações no
sentido de trazer à tona não somente os registros genéricos dessas ações
repressoras, mas, também, o reconhecimento de que, no presente, ainda há
pessoas que sofrem as heranças dessas ações.

A partir da legitimação de uma pedagogia tecnicista que provoca


precariedade no ensino de 2º grau da rede pública, abre-se uma nova fonte de
capital para as classes dominantes que é o aumento pelo ensino na esfera
privada, estimulando uma segregação social de forma dissimulada em que
apenas os que não têm condições são condicionados ao ensino de má
qualidade oferecido pelo Estado, reservando para a camada popular a
execução dos serviços que a classe dominante não tem apreço nenhum.
A execução desta política fundamentada na questão profissionalizante
não obteve sucesso na questão da inovação pedagógica, mas conquistou
sucesso no quesito de ensino ineficiente para a classe popular.

DOCUMENTÁRIO: 1964 O Golpe.

Devido à Guerra Fria, a América do Sul sofreu ação do governo


estadunidense em todo o panorama político, econômico e social da região.
Surge uma época na qual eclodem violentos conflitos de caráter político e boa
parte dos países sul americanos passaram por sucessivos governos ditatoriais
militares, a maioria deles de caráter conservador e altamente repressivo, em
geral apoiados e até mesmo subsidiados pelos EUA.
No Brasil, o golpe militar foi planejado e financiado por empresas norte
americanas e pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. A CIA
detinha agentes infiltrados em todos os setores políticos organizados da
esquerda, assim como na “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”,
promovidas em 1964 por associações femininas católicas.
AULA 10 - Tema 7 - Reformas Educacionais no Governo Lula:
movimentos sociais e os novos sujeitos da educação.

OLIVEIRA, Dalila Andrade. As políticas educacionais no governo Lula:


rupturas e permanências. RBPAE – v.25, n.2, p. 197-209, mai./ago. 2009.

O Plano de Desenvolvimento da Educação, composto por programas e


ações também com o objetivo declarado de promover a melhoria da qualidade
da educação básica brasileira, é operacionalizado, assim, pelo plano de metas
Compromisso Todos pela Educação”, que prevê o estabelecimento de
convênios entre os municípios e a União, por meio da elaboração local do PAR.
Através do convênio, os municípios se comprometem com as metas do PDE e
implementação de programas e ações no campo educacional e, em
contrapartida, podem contar com duas benesses: transferência de recursos e
assessoria técnica da União. Criado para abrigar uma série de ações já
existentes e outras novas, gestadas e executadas pelo próprio Ministério da
Educação (MEC), o PDE é considerado um grande guarda-chuva da educação.
Constitui-se, pois, de um conjunto de programas e medidas reunidas, previstas
para todos os níveis de ensino e para diferentes necessidades institucionais,
visando romper o que qualifica como falsas oposições entre educação
fundamental e educação superior, entre educação fundamental e os outros
níveis de ensino da educação básica, entre o ensino médio e a educação
profissional, além de outras.

MOTTA, Thalita Cunha; AZEVEDO, Janete Maria Lins. Uma análise de


conjuntura dos governos FHC e Lula e suas políticas Educacionais.

No governo FHC, se destaca a reforma do Estado promovida nos seus


dois mandatos, a reforma Administrativa, a implementação de mudanças
profundas na vida econômica e nos demais setores da sociedade brasileira,
passando de um Estado provedor ao Estado gestor, moldado ao gosto
neoliberal, regido pelos organismos internacionais. A reforma educativa é uma
parcela dos setores que foram transformados no País. O executivo tratou e
interviu diretamente na elaboração e aprovação de documentos que seriam de
base, a exemplo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
FHC implantou as medidas necessárias para o Brasil e os brasileiros
precisaram sacrificar-se em nome de uma nova ordem imposta, a ordem
neoliberal seguida na geopolítica mundial, que se manifesta na educação e na
qualificação.

Pode-se considerar que no governo Lula as políticas públicas de


educação foram concebidas e formuladas no sentido de atender as demandas
econômicas, sociais e políticas do País. Ressalta-se que essas demandas se
articulam de forma explícita com as estratégias dos organismos internacionais
que enfatizam: focalização em grupos vulneráveis, ênfase na avaliação
educacional e planejamento, formação de professores e gestores, preocupação
com a formação profissional, programas de inclusão social e, sobretudo, forte
acento na educação para a diversidade e para a democracia, tendo em vista a
preocupação mundial com os direitos humanos. Tudo isto certamente contribui
para transformar a educação em uma questão e uma prioridade nacionais.
Assim, é inegável que as mudanças estabelecidas, dado o contexto nacional,
foram tomadas na direção correta.

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