Você está na página 1de 246

Aprofundamento

Humanas
Semana 7

Este conteúdo pertence ao Descomplica. Está vedada a cópia ou a reprodução


não autorizada previamente e por escrito. Todos os direitos reservados.
Geografia

Blocos Econômicos

Resumo

Os blocos econômicos correspondem a associações regionais com objetivo de facilitar e incentivar o livre
comércio entre os países, derrubando ou reduzindo as barreiras econômicas. A partir de diferentes medidas,
como a redução de tarifas, impostos ou exigências alfandegárias, é possível aumentar a fluidez de capitais,
bens e pessoas entre os países membros. São uma resposta dos países ao processo de globalização, mas
nem todos os blocos são iguais. Existem diferentes níveis de integração e, portanto, diferenças significativas
em seus objetivos. Do mais simples ao mais complexo, sempre incorporando a característica do anterior, é
possível classificá-los como:
• Zona de Livre Comércio: busca facilitar a livre circulação de mercadorias e capitais dentro dos limites
do bloco, estabelecendo uma tarifa interna comum (TIC). O Nafta, atualmente denominado UMSCA,
é um grande exemplo.
• União Aduaneira: Além da existência da TIC, é definida uma tarifa externa comum (TEC). Além de
facilitar a livre circulação de mercadorias entre os países membros, busca definir tarifas únicas para
negociar com outros países. O que possibilita esse tipo de bloco negociar com outros países ou
outros blocos, buscando vantagens econômicas. O Mercosul é um exemplo.
• Mercado Comum: possui todas as características dos blocos anteriores, porém apresenta uma
integração mais ambiciosa, buscando-se uma padronização da legislação econômica, fiscal e
trabalhista. O objetivo é a livre circulação de capitais, serviços e pessoas.
• União Monetária e Política: é o maior nível de integração dos blocos. Além de possuir uma moeda
única e consequentemente a criação de um Banco Central, busca também uma unificação legislativa
profunda, superando os limites dos Estados. O único exemplo é a União Europeia e o tão famoso
Banco Central Europeu, bem como o Parlamento Europeu.

Esquema representativo dos níveis de integração dos blocos econômicos.

1
Geografia

União Europeia (UE)


União Monetária e Política formalmente criado em 1992, a partir do Tratado de Maastricht para estabelecer
uma cooperação econômica e política entre os países europeus. É um dos exemplos de blocos mais
avançados apresentando uma integração econômica, social e política, moeda comum, livre circulação de
pessoas e funcionamento de um parlamento único. Recentemente, com a crise de migração enfrentada pelo
velho continente, observou-se a criação de uma polícia de fronteiras. O bloco é composto por 28 países
membros. Em junho de 2016, através de um plebiscito, o Reino Unido decretou a saída do bloco econômico,
que deve ocorrer em 31 de janeiro de 2020.
O embrião do bloco surgiu em meados de 1957, com a criação da Comunidade Econômica Europeia (CEE).
Era formada apenas pela: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Esta organização
também era chamada de “Europa dos 6”. O contexto de criação da CEE foi na Guerra Fria, momento em que
o mundo vivia a bipolarização entre os norte-americanos e soviéticos. O maior objetivo era formar uma aliança
para fortalecer as comunidades europeias, recuperar suas economias e enfrentar o avanço da influência
norte-americana. Nesse mesmo contexto, a Europa buscava se reconstruir dos danos da Segunda Guerra
Mundial e, bem como, garantir a paz. Dessa forma, outra intenção foi construir uma força militar e de
segurança. Na década de 1980 outros países integraram a CEE como a: Reino Unido, Grécia, Espanha,
Dinamarca, Irlanda e Portugal. Com a adesão destes países, a comunidade europeia se chamaria de “Europa
dos 12”.
Tratado de Maastricht (1992) propôs uma integração e cooperação econômica, buscando harmonizar os
preços e as taxas de importação. Em 1999 foi projetada a união monetária, a qual consistia na criação de um
Banco central e da moeda única, o Euro. Esta nova moeda foi capaz de gerar profundas mudanças no cenário
geopolítico e pode dar condições de fortalecer a economia. Nem todos os países membros são permitidos
adotar o Euro ou eles mesmos não desejam, como o caso do Reino Unido que manteve a libra esterlina como
moeda principal. Outro acordo interno é o Espaço Schengen, no qual estabelece a livre circulação de pessoas,
novamente, nem todos os países que pertencem a União Europeia fazem parte desse acordo.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Europeia

2
Geografia

Mercado Comum do Sul (Mercosul)


União Aduaneira criada a partir do Tratado de Assunção, em 1991, pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Seu objetivo é futuramente formar um Mercado Comum, com livre circulação de pessoas, porém as
disparidades econômicas entre os membros, a baixa cooperação regional do Brasil e Argentina, além do
caráter primário da maioria das exportações dos países membros, dificultam o desenvolvimento do bloco.
A Venezuela foi efetivada ao posto de quinto membro
efetivo do bloco, em 2012, após uma verdadeira crise
política no governo de Dom Fernando Lugo, no Paraguai.
Esse país se posicionava contra a entrada da Venezuela,
porém devido à suspensão do Paraguai em meio à crise
política, a entrada da Venezuela foi aprovada. Hoje, a
Venezuela se encontra suspensa desde 2017 por ruptura
da ordem democrática. A Bolívia é outro país que possui
interesse em fazer parte do Mercosul, manifestando seu
interesse formalmente desde 2015. Sua entrada já está
aprovada por todos os países, todavia falta a efetivação
pelo Congresso brasileiro.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_Comum_do_Sul

North American Free Trade (NAFTA)


Zona de Livre Comércio, criada em 1992, por Canadá, Estados Unidos e México. Denominado Tratado de Livre
Comércio das Américas esse bloco busca reduzir as tarifas alfandegárias entre os países membros. Desde
sua criação a troca entre os países cresceu vertiginosamente, criando uma grande dependência do Canadá e
do México para com os Estados Unidos. Desde a Crise de 2008 que afetou a economia americana e o mundo,
o acordo é questionado, uma vez que as duas menores economias do bloco tiveram que procurar maior
diversificação dos seus mercados. Mais recentemente, Donald Trump, pressionando ambas as economias,
buscou a renegociação desse acordo, agora denominado USCAM, simplesmente a junção das siglas dos
respectivos países. Todavia, para o acordo entrar em vigor, em 2020, falta apenas a assinatura do congresso
americano, que impõem certas dificuldades aos projetos do republicano.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Norte-Americano_de_Livre_Com%C3%A9rcio

3
Geografia

Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)


É uma organização intergovenamental criada em 1967, a partir do Tratado de Amizade e Cooperação. A partir
de 1992, foi implantada uma zona de livre comércio entre os países membros. É composto por Tailândia,
Filipinas, Malásia, Cingapura, Indonésia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos e Camboja. Seus principais objetivos
são estimular o comércio entre os países membros, além de garantir uma estabilidade política e econômica
na região.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Associa%C3%A7%C3%A3o_de_Na%C3%A7%C3%B5es_do_Sudeste_Asi%C3%A1tico

Aprofundando nos blocos econômicos atuais

Acordo Mercosul – União Europeia


É um acordo que propõem a redução ou anulamento de tarifas no comércio entre os países membros.
Sabemos que, de modo geral, a União Europeia é possui maior poder econômico do que os países que
compõem o Mercosul. Isso implica dizer que os produtos do Mercosul estão associados sobretudo aos
commodities, produtos que funcionam como matéria prima, enquanto os produtos europeus possuem maior
valor agregado. Juntos, esses países representam 25% da produção de bens e serviços do mundo, e um
mercado de 780 milhões de pessoas. Com a redução de tarifas, os produtos europeus entrarão no mercado
brasileiro a preço mais competitivo. O produto brasileiro, sobretudo no que tange o setor agrícola, chegará
com vantagens de preço no mercado europeu, o que estimula nossa produção nesse setor. Com isso, alguns
especialistas temem que haja redução do nosso potencial industrial, uma vez que temos muito o que
desenvolver para produzir a nível competitivo com o produto europeu, que estará mais acessível em território
nacional. Nesse sentido, será nosso setor primário que será muito estimulado, recebendo vantagens. Das
contradições desse processo, pode-se citar a exigência por qualidade como o padrão para redução dos
agrotóxicos e proteção de terras indígenas, por exemplo. Digo contradição porque o mercado europeu, por
meio da compra, estimulará o crescimento do agronegócio no Brasil, e também porque são empresas muitas
das vezes europeias que fornecem os pesticidas utilizados no Brasil, mas proibidos no território europeu.

ProSul- Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul


O Prosul é um fórum regional de diálogo que teve sua formação no dia 22 de março de 2019 com a assinatura
da "Declaração Presidencial sobre a Renovação e o Fortalecimento da Integração na América do Sul" ou
Declaração de Santiago, e que se propõem a ser implementado e organizado gradualmente. A proposta para
formação do bloco veio do Chile, onde foi assinado o tratado, e da Colômbia.

4
Geografia

Esse bloco surge no momento de enfraquecimento do Unasul, que surgiu quando a américa do sul tinha
predominancia de governos de esquerda. O Prosul, no sentido oposto, surge no momento da ascenção da
direita na América Latina. Assinaram a Declaração de Santiago os países: Argentina (Mauricio Macri), Brasil
(Jair Bolsonaro), Chile (Sebastián Piñera), Colômbia (Iván Duque), Equador (Lenín Moreno), Guiana
(embaixador George Talbot), Paraguai (Mario Abdo Benítez) e Peru (Martín Vizcarra). Bolívia, Uruguai e
Suriname não assinaram a declaração, mas se mostraram abertos ao diálogo uma vez que estiveram
presentes na reunião. A Venezuela, por conta de sua grave crise político economica, ficou de fora do acordo.
O vice-chanceler Uruguaio deu uma declaração explicando porque não assinou. Ele disse que não acredita
que esse bloco será responsável por resolver os problemas de integração que a América do Sul passa, uma
vez que o bloco, assim como a Unasul, também parece ter orientação ideológica. Apesar disso, os dois
idealizadoras do Prosul negam o caratér ideológico e ressaltam a importância democrática e da união dos
países membros. Como propósitos estão citados:
1. Cooperação e coordenação: “Construir e consolidar espaço regional de coordenação e cooperação,
sem exclusões, para avançar em direção a uma integração mais efetiva que permita contribuir para o
crescimento, o progresso e o desenvolvimento dos países da América do Sul.”
2. Diálogo: “Criar um espaço de diálogo e colaboração sul-americano.”
3. Implementação gradual e flexibilidade na estrutura: ”Que este espaço deverá ser implementado
gradualmente, ter estrutura fléxivel, leve, que não seja custosa, com regras de funcionamento claras
e com mecanismo ágil de tomada de decisões.”
4. Integração infraestrutural: “Que este espaço abordará de maneira flexível e com caráter prioritário
temas de integração em matéria de infraestrutura, energia, saúde, defesa, segurança e combate ao
crime, prevenção de e resposta a desastres naturais.”
5. Requisitos de participação: “Que os requisitos essenciais para participar deste espaõ serão a plena
vigência da democracia e das respectivas ordens constitucionais, o respeito ao princípio de
separação dos poderes do estado, e a promoção, proteção e respeito e garantia dos direitos humanos
e das liberdades fundamentais, assim como a soberania e a integridade territorial dos estados, em
respeito ao direito internacional.”
Disponível em: https://www.politize.com.br/prosul/

USMCA – O Novo Nafta


O USMCA corresponde a uma modernização do tratado de livre comércio entre EUA, Canadá e México. A
renovação desse acordo aconteceu em 2018 e aconteceu por um pedido do Donald Trump, que alegou estar
passando por um déficit no comércio na relação com o México, sobretudo pelas transferências industriais
que ocorreram anteriormente ao seu mandato. Esse acordo reflete uma postura do protecionismo econômico
presente na política do presidente Donald Trump.
O Nafta foi um acordo que durou vinte e quatro anos facilitando o comércio entre os três países. Ele não prevê
a livre circulação de pessoas, mas de bens e produtos, com redução ou finalização das barreiras comerciais.
Das críticas que o acordo sofria, a forte dependência mexicana da econômia americana era ressaltada com
o acordo.
O México, já vinha demonstrando insatisfação quanto as vantagens que os EUA teriam sobre o preço dos
produtos agrícolas, enquanto os EUA acreditam que sua economia estava sofrendo com o deslocamento
industrial para Canadá e México, devido as vantagens locacionais e atrativos econômicos como mão de obra
mais barata e redução de impostos. Das diferenças na renovação do acordo devemos citar:

5
Geografia

SOUSA, Rafaela. "USMCA"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/usmca.htm. Acesso em 14 de


fevereiro de 2020.

6
Geografia

Exercícios

1. (FGV 2015) É grande a preocupação com o bloco tanto pelo imobilismo de suas regras quanto pelo
isolamento em relação aos acordos comerciais. A paralisia do grupo regional e as crescentes medidas
protecionistas da Argentina preocupam o setor privado brasileiro, o maior prejudicado por essa
situação. É previsível a continuada oposição da Argentina e da Venezuela à flexibilização das regras do
bloco. É do interesse brasileiro ignorar essa oposição e assumir a liderança nas tratativas para retomar
os entendimentos com a UE e aceitar a ampliação na negociação externa com países mais
desenvolvidos, como o Canadá e a Coreia do Sul. A Espanha defendeu abertamente uma opção
pragmática para que as conversações entre a União Europeia e o bloco possam avançar.
(O Estado de S.Paulo, 9 jun. 2015. Adaptado)
O texto refere-se ao bloco
a) MERCOSUL
b) ALADI
c) UNASUL.
d) BRICS.
e) FMI.

2. (UNESPAR 2016) O surgimento dos blocos econômicos coincide com a mudança exercida pelo Estado.
Em um primeiro momento, a ideia dos blocos econômicos era de diminuir a influência do Estado na
economia e comércio mundiais. Mas, a formação destas organizações supranacionais fez com que o
estado passasse a garantir a paz e o crescimento em períodos de grave crise econômica. Assim, a
iniciativa de maior sucesso até hoje foi a experiência vivida pelos europeus.
Disponível em:< http://educacao.globo.com/artigo/globalizacao-comercio-mundial-formacao-de-blocos-
economicos.html> Acesso em: 22 out. 2015.

Sobre o tema central em destaque, é correto afirmar:


a) Os BRICs figuram como o mais novo bloco econômico mundial, formado por países emergentes,
direcionando-se para uma unificação monetária;
b) A evolução e prosperidade do Mercosul pode ser vista pelo desenvolvimento socioeconômico dos
países emergentes que formam o bloco, assim como pela ampliação do número de países
membros;
c) A União Europeia é o mais antigo dos blocos econômicos mundiais, atualmente vem sofrendo
vários impactos relacionados a crises que assolam alguns países membros;
d) Por ser o mais consolidado dos blocos econômicos, a União Europeia efetivou a unificação
monetária em todos os países membros, e se direciona para criar um cidadão único, tanto na
Europa ocidental como na oriental;
e) O Nafta, Associação de Livre Comércio da América do Norte, é formada por três países com alto
poder de produção, consumo e grande população absoluta dentro do mundo.

7
Geografia

3. (UFRGS 2019) O BRICS (grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que
realiza cúpulas anuais desde 2009, prevê
a) a atuação na esfera da governança econômico-financeira e também da governança política.
b) a diminuição das tarifas alfandegárias para quase todos os itens de comércio entre os países
associados, mas não a livre circulação de pessoas e investimentos.
c) a formação da Cúpula da América Latina, Ásia e União Europeia e visa à integração regional, à
redemocratização e à reaproximação dos países.
d) a livre circulação de pessoas e investimentos.
e) a resolução da crise na Síria e das tensões geopolíticas na Crimeia.

4. (UNESP 2017) Em 03.04.2017, o jornal El País publicou matéria que pode ser assim resumida:
Os países ________ não têm poder político sobre os demais Estados Partes, mas possuem ferramentas
para tentar reconduzir a situação de um membro, caso esse se afaste dos princípios do Tratado de
Assunção, assinado em 1991. Nessa perspectiva, insere-se a aplicação da cláusula democrática do
bloco sobre a ___________, em função da crise política, institucional, social, de abastecimento e
econômica que atravessa o país.
As lacunas do excerto devem ser preenchidas por
a) do Nafta – Argentina.
b) do Mercosul – Bolívia.
c) da ALADI – Venezuela.
d) da ALADI – Bolívia.
e) do Mercosul – Venezuela.

5. (UDESC 2018) Sobre o G20, analise as proposições.


I. É formado pela União Europeia e mais 19 países, com economias mundialmente importantes.
II. Da América do Sul, apenas Argentina e Brasil participam do G20.
III. Neste ano, a cúpula do G20 será na Argentina. É a primeira vez que um país da América do Sul
preside o bloco.
IV. No G20 os eixos temáticos discutidos são: o futuro do trabalho, a infraestrutura para
desenvolvimento e o futuro alimentar sustentável.
V. Apesar de a Espanha não fazer parte do G20, é uma convidada permanente para os encontros da
cúpula.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras
b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
d) Somente a afirmativa I é verdadeira.
e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

8
Geografia

Gabarito

1. A
O texto cita que fazem parte do bloco Argentina e suas tensões com Venezuela. Além disso, posiciona a
relação do Brasil no comércio internacional. Além disso, a União Europeia tem tentando estabelecer uma
relação de proximidade com o bloco do Mercosul, a fim de estabelecer a livre circulação de mercadorias.

2. C
A União Europeia tem passado por vários conflitos dos chamados “eurocéticos”. Sua definião pol´tiica e
não apenas econômica contraria muitas das vezes a vontade dos líderes nacionais. Essa contraposição
tem gerado atritos no que tange por exemplo a questão dos refugiados, e se intensificou com a saída do
Reino Unido do bloco.

3. A
O BRICS é um bloco sobretudo político, por prever em sua criação uma contra hegemonia aos países
dominantes. Ele representa os países em ascenção econômica, que muitas das vezes não se veem
representados de fato pelas principais instituições financeiras do mundo capitalista globalizado como o
FMI, o Banco Mundial e a própria ONU.

4. E
A questão fala sobre a saída da Venezuela do Mercosul. Desde a crise político economica que assombra
o país, muitos líderes regionais da América do Sul tem imposto restrições a participação, por conta da
perda do caráter democrático.

5. E
O G20 é um grupo que abrange as principais econômias do mundo, entre as desenvolvidas e os
emergentes. É um importante bloco de cooperação comercial e política, e busca realizar discussões
pertinentes sobre a realidade financeira atual.

9
História

América Portuguesa nos séculos XVI e XVII

Resumo

As primeiras expedições portuguesas

A chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, em 1500, não despertou um planejamento imediato de
colonização do novo território encontrado pelos portugueses. A conquista da rota para as Índias por Vasco
da Gama, em 1498, atraiu muito mais o interesse lusitano, visto que os altos
lucros obtidos com as especiarias do oriente e com o comércio na África
deixavam de lado maiores investimentos na América.Apesar dessa negligência
inicial, que marca o período conhecido popularmente como “Pré-Colonial”,
expedições exploradoras não deixaram de acontecer durante o século XVI. Já
em 1501, uma expedição chefiada por Gaspar de Lemos confirmou a existência
e o valor do pau-brasil, pelo qual era possível a extração de tinta vermelha, muito
preciosa na Europa. Inicialmente, a exploração da madeira foi realizada através
do uso de mão de obra indígena, que cortavam e carregavam o pau-brasil em
troca de objetos europeus (escambo), mas, logo essa mão de obra nativa passou
a ser escravizada e o chamado “negro da terra” (nativo-americano) também se
tornou uma moeda de troca entre tribos e portugueses.
Essa escravidão indígena foi utilizada no Brasil durante décadas, no entanto, comparada à colonização
espanhola, a lusitana dependeu muito mais do negro africano do que do nativo-americano. Afinal, os
indígenas que ocupavam a colônia portuguesa viviam muito mais dispersos e, muitas vezes, em lugares de
difícil acesso, resistindo à escravidão. Outro fator importante também foi o genocídio das tribos que viviam
no litoral, o trabalho dos jesuítas, que impediam a captura de nativos nos aldeamentos indígenas e, enfim, o
lucro obtido com o tráfico de africanos escravizados era tão exorbitante que essa mão de obra passou a ser
mais valorizada.
Tendo em vista essa exploração do pau-brasil, já em 1503, uma expedição comandada por Gonçalo Coelho
estabeleceu as primeiras feitorias no litoral, com o objetivo de armazenar alimentos, equipamentos e
conservar a madeira para exportação que, a partir do estabelecimento do estanco, passou a ter a exploração
monopolizada por Portugal. Essa medida visava proteger o produto das investidas “estrangeiras”, ou seja,
europeus que não pertenciam ao Império Português e que já realizavam assaltos e contrabandos no litoral.
Essas investidas de franceses, holandeses e espanhóis no território português, naturalmente, despertaram a
preocupação da Coroa portuguesa quanto a manutenção e proteção do território brasileiro, afinal, apesar do
Tratado de Tordesilhas, contrabandistas e colonos de países rivais poderiam facilmente ocupar e colonizar o
vasto território que os portugueses reivindicavam.
Tendo em vista essa preocupação, apenas em 1531 que Martim Afonso de Souza foi enviado para realizar a
primeira expedição colonizadora oficial de Portugal no Brasil. O colono deveria ocupar e povoar a terra,
descobrir riquezas e combater estrangeiros, sendo essa administração realizada através da doação de terras
chamadas de sesmarias (lotes de terra). Assim, Martim Afonso de Souza, no Brasil, fundou os primeiros
núcleos de colonização, as vilas de São Vicente e Santo André da Borda do Campo, onde hoje conhecemos
como o território de São Paulo.

1
História

A administração colonial portuguesa

Durante a expansão portuguesa pelo Oceano Atlântico, algumas ilhas conquistadas receberam um modelo
administrativo baseado na divisão do território e na doação de faixas de terras para donatários, modelo que
ficou conhecido como capitanias hereditárias. As capitanias eram doadas aos capitães-donatários por meio
de forais e cartas de doação e o donatário que recebesse a faixa de terra deveria proteger o território e seus
colonos, fundar vilas, estimular a exploração do pau-brasil e descobrir novas riquezas.
Entre 1534 e 1536, 15 capitanias foram criadas e doadas para seus administradores, no entanto, apenas duas
prosperaram, Pernambuco e São Vicente, graças ao rico cultivo da cana-de-açúcar, que se tornaria o produto
mais importante da colonização portuguesa no Brasil e base da civilização colonial. O fracasso das outras
capitanias, no entanto, deve-se às dificuldades encontradas pelos donatários na colonização e pelo
desinteresse de muitos outros que nem chegaram a sair de Portugal. Assim, tendo em vista os problemas
que se desencadearam por conta da descentralização provocada pelas capitanias, em 1548, o governo
português decidiu fortalecer sua autoridade sobre a colônia centralizando a administração nas mãos de um
governador-geral.
O primeiro encarregado dessa função foi Tomé de Souza, que se estabeleceu em Salvador, em 1549, com a
missão de garantir as condições necessárias para uma boa colonização portuguesa das novas terras, a
proteção contra os ataques de nativos e estrangeiros, a construção de feitorias e
fortalezas e o estímulo da economia açucareira. Para realizar essa missão, Tomé de
Souza trouxe para o Brasil africanos escravizados, mulheres e um grupo de jesuítas que
estabeleceu os primeiros colégios da colônia.
Em 1554, os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta fundaram o colégio de São
Paulo, que se tornou um embrião da atual cidade brasileira. A permanência dos jesuítas
no Brasil gerou uma série de conflitos entre os colonos, que desejavam expandir seus
negócios e escravizar indígenas, e os próprios jesuítas, que acreditavam na possibilidade
da catequização dos nativos.

A civilização do açúcar e a escravidão na colônia


Se a colonização espanhola na América se concentrou nas riquezas minerais e na exploração da mão de obra
indígena, na colônia portuguesa, como visto, a escravidão de africanos e o projeto agrícola foram as bases da
colonização lusitana. O historiador Sérgio Buarque de Holanda, ao analisar as diferenças entre as duas
colonizações compara a aventura portuguesa ao trabalho dos semeadores e a ocupação espanhola ao
esforço dos ladrilhadores.
Para o autor, os lusitanos com seu espírito aventureiro encaravam a colonização na América como uma fonte
de exploração rápida dos seus bens, ou seja, como um semeador, os portugueses apostaram na agricultura
e realizaram a ocupação de forma dispersa, sem um planejamento e visando lucros rápidos. Os espanhóis,
por sua vez, como os ladrilhadores, investiram na colonização urbana e racionalizada que, apesar de mais
lenta, levou a uma ocupação muito mais sólida e menos voltada para a agricultura.
Essa forma de colonização portuguesa, além de justificada pelo espírito aventureiro português, que buscava
muito mais a exploração do que o sedentarismo, também pode ser explicado pelas condições demográficas
e pela qualidade da terra. A baixa quantidade de portugueses dispostos a colonizar diversas partes isoladas
do território brasileiro dificultava esse sedentarismo, assim como emperrou o próprio desenvolvimento das
capitanias hereditárias e “atrasou” as descobertas de metais preciosos. Além do mais, a fertilidade da terra
no litoral brasileiro, sobretudo no Nordeste, permitiu a criação de uma sociedade agrária que obteve um rápido
sucesso em diversos pontos, principalmente com o cultivo da cana-de-açúcar.

2
História

O cultivo da cana já era realizado por Portugal a décadas em outras colônias no Atlântico, como nos engenhos
da Ilha da Madeira. Graças a essas experiências, os portugueses que aqui chegaram com as primeiras mudas
já sabiam as melhores formas de investir nesse cultivo. Já em 1610, cerca de 400 engenhos estavam
espalhados pela costa brasileira e movimentando a produção e exportação do açúcar para a Europa, grande
apreciador e comprador do produto. O açúcar, assim, logo se tornou o principal produto da colônia e os
engenhos verdadeiros núcleos de colonização, comandados pela figura do senhor de engenho, que detinha
um grande poder local, um membro quase nobre da “açucarocracia” e que deu origem, no Brasil, ao modelo
de sociedade patriarcal. Nesse modelo de sociedade, a figura do homem era central na tomada de decisões,
deslocando as mulheres para afazeres domésticos e religiosos. No Brasil, esses homens ainda estabeleciam
relacionamentos baseados no apadrinhamento, que ligava famílias mais ricas às mais pobres, ou senhores
de engenho a homens que os dedicavam fidelidade, respeito e trocas de favores.
O senhor de engenho, portanto, era uma figura central nessa lógica açucareira e, vivendo na chamada Casa
Grande, submetia aos seus mandos diversos homens livres, como padres, capatazes, feitores, comerciantes
e até mesmo políticos. Nas câmaras municipais, onde eram resolvidos os problemas jurídicos,
administrativos e fiscais das regiões colonizadas, os senhores de engenho exerciam forte influência para que
seus interesses sempre fossem respeitados. Muitas vezes, os próprios senhores ou proprietários de terras
menores realizavam os trabalhos administrativos diretamente na vila, sendo chamados de homens bons.

Exportação de açúcar (1570 - 1760)


70
Milhares de toneladas

60
50
40
30
20
10
0
1570 1580 1600 1610 1630 1640 1650 1670 1710 1760
Ano

Açúcar

Fonte: GÂNDAVO, Pêro de Magalhães. Tratado da terra do Brasil (1571). In: VIANNA, Hélio. História do
Brasil. São Paulo: Melhoramentos, 1972, p.125 apud VICENTINO, Cláudio. História para o Ensino Médio:
história geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2005, p. 157.

Toda essa estrutura era garantida pelo chamado pacto colonial, que firmava o domínio português sobre os
colonos em uma relação de exclusividade entre a metrópole e a colônia. Logo, apesar da autonomia e do
poder dessas figuras, ao fim, ainda precisavam respeitar os mandos da Coroa e da metrópole. Também vale
destacar que, para o completo funcionamento dessa lógica agrícola e para render os altos lucros que o gráfico
acima revela, os engenhos de açúcar, portanto, funcionavam em um modelo agrícola conhecido como
plantation, que era um padrão de exploração voltado para a monocultura, a exportação dos produtos e o uso
da mão de obra escravizada em grandes latifúndios (doação de sesmarias por donatários).
Assim, no latifúndio, enquanto os senhores de engenho viviam na chamada Casa Grande, de onde partia o
controle econômico da produção, às margens se localizavam as senzalas, local destinado aos negros
escravizados e onde ficavam os braços do trabalho agrícola. A escravidão africana se tornou o motor dessa
estrutura de exploração açucareira e, graças aos escravizados, os portugueses conseguiram superar o
problema demográfico e produzir e exportar em grandes quantidades.

3
História

Visto isso, a riqueza da colônia brasileira desde o início da ocupação portuguesa, tanto pelo pau-brasil, quanto
pelo tráfico de africanos escravizados e pela agricultura, logo despertou os interesses “estrangeiros”. Já no
século XVI a necessidade de colonizar para defender o território se mostrou importante, visto que piratas e
corsários atuavam constantemente no litoral.

França Antártica
Os franceses, mesmo antes de Cabral, já conheciam o litoral brasileiro e comercializavam com
os índios alguns gêneros tropicais, no entanto, em 1555, a primeira empreitada patrocinada
pela coroa francesa teve como destino a baía de Guanabara. Liderados por Durand de
Villegnon, 600 colonos franceses católicos e protestantes começaram uma colônia no
atlântico sul.
A colônia tinha o objetivo de participar do comércio de especiarias com os nativos que era exclusivo dos
portugueses, os colonos passaram por diversas dificuldades como doenças e fomes, o que gerou inúmeras
deserções dos franceses para as tribos indígenas. Villegnon chegou a proibir o contato e a união entre
franceses e indígenas. Dois anos depois chegaram mais colonos, mas, desta vez, somente protestantes, que
acabaram refletindo no Novo Mundo os conflitos religiosos do continente. Assim, a empreitada fracassou e,
em 1565, os portugueses liderados por Estácio de Sá, em companhia de José de Anchieta, retomaram a região
e fundaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

União Ibérica

A crise que gerou a união das duas coroas começou em 1578, quando o jovem rei D. Sebastião se aventurou
em uma batalha na região de Alcácer-Quibir no Marrocos, contra os árabes. Além de seu entusiasmo
cruzadístico, o rei tinha interesses em reabrir rotas comerciais no norte da África, porém, durante as
expedições, D. Sebastião desapareceu em combate, deixando o trono vago, já que não tinha herdeiros. A figura
de Dom Sebastião virou um símbolo de esperança, pois muitos súditos ainda acreditavam na volta do rei para
enfim governar novamente. Há relatos de pessoas entrevistadas pela inquisição que diziam ter sonhado com
o monarca e, o próprio Antônio Conselheiro, líder do Arraial de Canudos, era um adepto do Sebastianismo,
tendo profetizado o retorno do rei.
Assim, o Cardeal D. Henrique, tio avô de D. Sebastião, assumiu o trono lusitano, no entanto a dinastia de Avis
estava com os dias contados, já que o novo rei não poderia deixar herdeiros. Henrique I veio a falecer em
1580, deixando novamente o trono em Lisboa vazio e, desta vez, abrindo caminho para um grande temor dos
portugueses, a ascensão de Filipe II, rei da Espanha, que, por fim, assumiu o trono sob a ameaça de uma
invasão militar espanhola. Filipe era neto de D. Manoel I e o mais próximo na linha sucessória.
O monarca espanhol viu em Portugal a possibilidade de recuperação dos cofres do
Estado, acessando o mercado de escravos que era controlado pelos portugueses, já que
estes tinham possessões na costa atlântica da África, e podendo ampliar o domínio
colonial na América, já que agora as coroas se uniriam. O rei, mesmo que impopular, foi
aceito pelos nobres e burgueses de Portugal, já que o monarca não tardou em assinar o
Tratado de Tomar em 1581, dando exclusividade para navios portugueses no comércio com as colônias e
mantendo as autoridades metropolitanas e coloniais do Estado português.
Em 1640 os portugueses retomaram o seu domínio político sobre Portugal com o período conhecido como a
Restauração. Nesta fase, sobe ao poder a dinastia dos Bragança, que expulsaram a presença espanhola da
metrópole e da colônia. A restauração surgiu depois de Portugal se aliar à República das Províncias Unidas
(Países Baixos) para terminar com a União. Assim, os portugueses retomaram o poder com o rei D. João IV.

4
História

Brasil Holandês

Com a União Ibérica, Portugal, assim como suas colônias, também viraram alvos dos inimigos da Espanha. O
Brasil no período da união vivia o auge da economia açucareira, com o principal polo econômico no Nordeste.
Logo, os Países Baixos lançaram os olhos sobre essa região da colônia a fim de reaver o comércio açucareiro
entre Holanda e Portugal. O que fora proibido por Felipe II.
Assim, em 1624, os holandeses mandaram uma expedição que ocupou Salvador por um ano, mas Jacob
Willekens e seus 1500 homens foram expulsos pelos espanhóis no ano seguinte. Mesmo derrotados, o ímpeto
dos holandeses não cessou e estes invadiram, em 1630, a cidade de Olinda. Os invasores seguiram em
direção ao interior e dominaram a capitania de Pernambuco, retomando o comércio açucareiro depois de uma
forte resistência lusitana.
Depois de estabelecidos, os holandeses instalaram um governo no local, liderado pelo Conde Maurício de
Nassau, que reestruturou a colônia após a guerra, remontando engenhos destruídos e liberando crédito a
senhores luso-brasileiros, principalmente de Olinda. Além disso, Nassau inovou a fabricação do açúcar,
modernizou a cidade com diversas construções (inclusive um observatório astronômico e um zoológico) e
também incentivou a vinda de diversos botânicos e artistas para a colônia.
O fim da dominação holandesa veio logo após o desgaste das relações entre Portugal e Holanda se
aprofundar. Os dois países, que acabaram juntos com a dominação espanhola, agora disputavam as terras
em Pernambuco. Em 1654 os portugueses conseguiram reaver a região com a ajuda dos ingleses, no entanto
o açúcar começa a perder a importância na Europa gerando uma crise nesse ramo da economia colonial.

5
História

Exercícios

1. (UNIOESTE PR/2014) Leia o fragmento do poema abaixo:


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
[...]
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e
tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana


e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
[...]
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã
em Ipanema.
GULLAR, Ferreira. O açúcar. In: _____. Dentro da Noite Veloz. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.

A presença de canaviais no Brasil é tema de importantes debates sobre as relações comerciais e as


condições de trabalho que, historicamente, vincularam-se a essa prática e à sua expansão pelo meio
rural brasileiro. Diante disso, é INCORRETO afirmar que:
a) a produção sucroalcooleira ganhou incentivo estatal nas últimas décadas e ocupou
extensivamente a paisagem rural no País. A indicação, fortemente positivada, do etanol como
biocombustível procura amenizar aspectos questionáveis que envolvem seu processo produtivo.
b) a produção açucareira no "Brasil Colonial" sugeria um universo rentável e um mercado
internacional em expansão, utilizando como principal mão de obra o trabalho escravo. A alta
exploração do trabalho nessa atividade promovia tensões que envolviam o controle dos escravos.
c) a movimentação de trabalhadores em direção às regiões do País com maior empregabilidade em
canaviais e usinas, na atualidade, aponta a força desse setor na economia e, também, as
desigualdades e pressões sociais que motivam a decisão por esse trabalho.
d) a produção nos engenhos no "Brasil Colonial" enfrentou certas instabilidades, relacionadas à
fragilidade de acordos financeiros e comerciais, bem como à concorrência com os holandeses.
e) o debate recente sobre a atuação da agroindústria canavieira, no que diz respeito ao
estabelecimento de colheita mecanizada e fiscalização das condições de trabalho, indica que
houve superação dos problemas ambientais e da negligência relacionada aos direitos trabalhistas
no setor.

6
História

2. (UEM PR/2015) No período colonial predominava no Nordeste brasileiro uma sociedade patriarcal.
Sobre essa sociedade é correto afirmar que:
(01) Na sociedade patriarcal prevalecia a democracia familiar, onde os problemas econômico-sociais
eram resolvidos pelos pais e pelos filhos com idade acima de 18 anos.
(02) Cabiam à mulher os trabalhos domésticos e a educação dos filhos nos preceitos cristãos.
(04) A sociedade patriarcal se organizava em torno da figura do Senhor de Engenho e o engenho, ou a
grande fazenda, era mais que uma unidade produtiva, polarizando a vida social.
(08) Na sociedade patriarcal predominava o trabalho assalariado; contudo, os trabalhos domésticos
eram realizados por escravos.
(16) Por meio do compadrio se estabelecia uma rede de parentesco que promovia dependências e
privilégios entre os grandes proprietários de terras.
Soma: ( )

3. (UEL PR/2014) Leia o texto a seguir. Tocadas em 1500 pelos homens de Pedro Álvares Cabral, as terras
que hoje são brasileiras foram desde então oficialmente incorporadas à coroa portuguesa. Se haviam
sido frequentadas antes, como sugere o Esmeraldo de Situ Orbis, e defendem alguns historiadores
portugueses, disso não ficou maior registro, e não há, pois, como fugir da data consagrada e
recentemente celebrada – para o bem e para o mal – por brasileiros e portugueses. Descoberto
oficialmente, pois, em 1500, sob o pontificado de Alexandre VI Borgia, não se pode dizer, a rigor, que
existisse, então, nem Brasil nem brasileiros. Vários são os sentidos dessa não existência.
(Adaptado de: SOUZA, L. M. O nome do Brasil. Revista de História. São Paulo, 2001. n.145. p.61-86. Disponível em: .
Acesso em: 7 jun. 2013.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, responda aos itens a seguir.

a) Cite e explique 2 fatores que possibilitaram o pioneirismo do Estado português nas Grandes
Navegações.
b) Explique o que a historiadora e autora desse texto, Laura de Mello e Souza, quer dizer com a
seguinte passagem: “não se pode dizer, a rigor, que existisse, então, nem Brasil nem brasileiros.”.

7
História

4. (UEPA/2014) A assim chamada "Diáspora Africana", em direção a vários pontos do continente


americano, ocorreu a partir do século XV, com o estabelecimento de entrepostos comerciais europeus,
inicialmente ao longo da costa ocidental africana. As trocas comerciais ocorriam, nestes entrepostos,
entre europeus, chefes tribais e representantes de reinos do interior do continente. Entre os “produtos”
comercializados, como ouro, tecidos, armas de fogo, dentre outros, estavam homens e mulheres
escravizados em guerras tribais ou em conquistas militares de reinos africanos. A motivação
econômica europeia pelo comércio de seres humanos reduzidos à escravidão, se baseava
principalmente no(a):
a) dinamização econômica das colônias americanas, condição básica para o desenvolvimento
industrial das metrópoles.
b) abastecimento de mão de obra aos proprietários de grandes propriedades rurais monocultoras
nas colônias americanas.
c) necessidade de produzir a acumulação primitiva de capital que alimentasse a engrenagem
econômica mercantilista.
d) crença da supremacia racial europeia frente aos povos de outros continentes, que poderiam ser
reduzidos à mera condição de mão de obra.
e) inserção da população escravizada, trazida para o Novo Mundo, no mercado consumidor colonial,
abastecido pelos manufaturados metropolitanos.

5. TEXTO I
E pois que em outra coisa nesta parte não me posso vingar do demônio, admoesto da parte da cruz de
Cristo Jesus a todos que este lugar lerem, que deem a esta terra o nome que com tanta solenidade lhe
foi posto, sob pena de a mesma cruz que nos há de ser mostrada no dia final, os acusar de mais devotos
do pau-brasil que dela.
Barros,J.In: Sousa,L.M.Inferno atlântico: demonologia e colonização:séculos XVI-XVIII, São Paulo:Cia das Letras,1993.

TEXTO II
E deste modo se hão os povoadores, os quais, por mais arraigados que na terra estejam e mais ricos
que sejam, tudo pretendem levar a Portugal, e, se as fazendas e bens que possuem souberem falar,
também lhes houveram de ensinar a dizer como os papagaios, aos quais a primeira coisa que ensinam
é: papagaio real para Portugal, porque tudo querem para lá.
Salvador.F.V.In:Sousa, L.M. (Org.). História da vida privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América portuguesa. São
Paulo:Cia das Letras,1997.

As críticas desses cronistas ao processo de colonização portuguesa na América estavam relacionadas


à:
a) Utilização do trabalho escravo.
b) implantação de polos urbanos.
c) devastação de áreas naturais.
d) ocupação de terras indígenas.
e) expropriação de riquezas locais.

8
História

Gabarito

1. E
A letra E está incorreta, pois até hoje os problemas ambientais causados pela exploração da cana-de-
açúcar através de canaviais em latifúndios não foram resolvidos, assim como, mesmo com a abolição da
escravidão, muitos trabalhadores desse setor ainda são submetidos a jornadas e condições análogas à
escravidão. Assim, essa opção está incorreta.

2. 02 + 04 + 16 = 22
A afirmativa 01 está incorreta pois não havia democracia neste período, sobretudo no modelo patriarcal,
onde as ordens do senhor eram as palavras finais, visto isso, podemos afirmar que a 02 está correta, pois
a mulher era limitada aos mandos do senhor e marginalizada nas tarefas domésticas e religiosas. Como
visto, a sociedade colonial girava em torno do engenho e da figura do senhor, logo, a afirmativa 04 também
está correta, enquanto a 08 podemos considerar incorreta, pois não predominava o trabalho assalariado
e sim o escravizado, principalmente na agricultura. Enfim, a 16 está correta, pois o compadrio, ou o
apadrinhamento, de fato, era uma forma de relação estabelecida neste período.

3.
a) O aluno pode citar, dentre os motivos: o pioneirismo português na centralização política, que permitiu
a formação de um Estado Moderno forte o bastante para planejar e incentivar as expedições
marítimas; a formação de uma classe burguesa sólida e interessada na busca de rotas comerciais
alternativas ao mediterrâneo; a posição geográfica portuguesa, que facilitava a aventura atlântica; o
desenvolvimento de uma cultura naval, herdada dos árabes e centralizada na figura do Infante D.
Henrique e da escola de Sagres.

b) A autora quer dizer que associar o Brasil de hoje ao que existia em 1500 é anacrônico, pois os povos
indígenas que viviam nessa região não apresentavam uma unidade cultural e nem se identificavam
com portugueses e africanos que aqui chegavam. A formação de uma nação só foi possível no século
XIX, como um projeto político pós-independência, logo, não existia ainda brasil ou brasileiros em um
contexto de colonização, visto que não havia uma identidade nacional.

4. B
Com a adoção do modelo de plantation nas colônias americanas, a demanda por mão de obra escravizada
fez crescer de forma exorbitante os lucros dos traficantes no atlântico. Era justamente para preencher
essa demanda que esse tráfico era realizado.

5. E
Conforme expresso no texto, os cronistas portugueses criticavam a expropriação das riquezas locais.
Isso pode ser percebido em trechos como “mais devotos do pau-brasil do que dela” e “porque tudo querem
para lá”. Questão duvidosa uma vez que a “expropriação de riquezas” não era uma preocupação da época.
O primeiro texto, inclusive, faz uma crítica de caráter religioso, não material.

9
Português

Elementos coesivos: pronome e conjunção

Resumo

Os elementos coesivos
Pronome
O pronome é uma palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou acompanha o nome (ou
substantivo), indicando a relação entre os seres e as pessoas do discurso.
As pessoas do discurso são as que estão participando da situação comunicativa, em outras palavras, estão
envolvidas ao ato de comunicação: quem fala (eu), a pessoa com quem se fala (tu) e a pessoa/objeto de
quem se fala (ele).
1ª PESSOA – quem fala (emissor)
2ª PESSOA – com quem se fala (receptor)
3ª PESSOA – de quem/que se fala (referente)

É importante ressaltar, nesse caso, que o termo “pessoa” não se refere, necessariamente, a um ser humano.
Trata-se de um conceito da gramática, que indica as funções que as coisas e seres humanos desempenham
em uma situação de relação comunicativa. Quando o pronome substitui o substantivo, é chamado de
pronome substantivo; já quando acompanha o adjetivo, é chamado de pronome adjetivo.

Classificação dos pronomes


Há, de acordo com a gramática, seis tipos de pronome, são eles: pessoal, possessivo, demonstrativo,
indefinidos, interrogativos, relativos e de tratamentos.

a) Pronome pessoal: É aquele que substitui o substantiv; apresentam-se como pronomes pessoais do caso
reto e do caso oblíquo.

Pessoas do discurso Pronomes retos Pronomes Oblíquos


átonos tônicos
1ª pessoa do sing. eu me mim, comigo
2ª pessoa do sing. tu te ti, contigo
3ª pessoa do sing. ele o, a, se, lhe ele, ela, si, consigo
1ª pessoa do plural nós nos nós, conosco
2ª pessoa do plural vós vos vós, convosco
3ª pessoa do plural eles os, as, se, lhes eles, elas, si, consigo

Obs: é importante destacar que, embora o pronome você seja de tratamento, destinado a pessoa com quem
se fala, na gramática normativa ele é classificado como a terceira pessoa do discurso.

1
Português

Átonos x Tônicos
Os pronomes oblíquos podem ser átonos ou tônicos. O primeiro caso deve ser utilizado quando não há o
auxílio da preposição e pronunciado com menor intensidade, enquanto o segundo deve ser empregado com
o auxílio de preposição e pronunciado com maior intensidade.
Ele me emprestou os livros – caso átono (sem auxílio da preposição)
Ele empresou os livros para mim – caso tônico (com o auxílio da preposição “para”)

Pronome pessoal – observações mais importantes


• O pronome pessoal do caso reto, apesar de ser utilizado como sujeito nas orações, pode ser omitido em
determinadas situações, uma vez que a desinência verbal consegue indicar a pessoa do discurso.

Comi uma maçã estraga na última sexta-feira. (“eu” comi – 1ª pessoa do singular)

• Os pronomes eu e tu não podem vir precedidos de preposição e são substituídos por seus
correspondentes mim e ti (caso oblíquo).
Guardei o último pedaço de pizza para ti.

• Se o pronome exercer a função de sujeito na oração, deverá ser obrigatório o uso das formas eu e tu.

As tarefas domésticas são para eu fazer.

• Os pronomes pessoais retos de 3ª pessoa podem contrair-se com as preposições de ou em.

De + ele(a) = dele/dela
em + ele(a) = nele/nela

• Os pronomes oblíquos o, a, os, as, precedidos das formas verbais terminadas em ditongos nasais am,
õe e ão são substituídos por no, na , nos e nas.

Compraram o bolo na manhã de ontem.


Compraram-no.

• Quando substituindo o complemento verbal, os pronomes o, a, os, as exercem a função de objeto direto.
Vi as mudas de planta morrerem lentamente.
Vi-as morrerem lentamente.

• Os pronomes pessoais oblíquos podem exercer a função de sujeito.

Obriguei que ele comesse.


Obriguei-o a comer.

2
Português

b) Pronome possessivo: o pronome possessivo atribui a ideia de posse a cada uma das três pessoas do
discurso. Indica a posse de algo que pertence ao possuidor.

Pessoa do discurso Pronome possessivo


1ª pessoa do sing. Meu, minha, meus, minhas
2ª pessoa do sing. Teu, tua, teus, tuas
3ª pessoa do sing. Seu, sua, seus, suas
1ª pessoa do plural Nosso, nossa, nossos, nossas
2ª pessoa do plural Vosso, vossa, vossos, vossas
3ª pessoa do plural Seu, sua, seus, suas

Obs: o pronome possessivo da terceira pessoa pode causar ambiguidade na leitura quando não empregado
corretamente. Veja o exemplo abaixo:

A mãe pediu ao filho que comesse seu bolo.

A dúvida está estabelecida ao não saber de quem é a comida, de fato. Nesse sentido, é importante e possível
dubstituir o “seu” por “dele”, ou também –caso o pronome possessivo seja destinado a outra pessoa – “dela”,
evitando desentendimentos.

A mãe pediu ao filho que comesse o bolo dele.


A mãe pediu ao filho que comesse o bolo dela.

Para complementar a fixação do conteúdo, veja abaixo o mapa mental da equipe Descomplica com as
principais conjunções e definições mais importantes sobre o tema.

c) Pronome de tratamento: Representam a forma de tratamento que se aplica a alguns grupos de pessoas de
modo formalizado, de acordo com seus cargos, funções, etc.

São pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a senhorita, Vossa Alteza (para príncipes, princesas,
duques), Vossa Eminência (para cardeais), Vossa Excelência (altas altoridades, como gorvernadores,
presidentes,etc), Vossa Majestade (reis e rainhas), Vossa Meritíssima (juízes), Vossa Senhoria (cargos
importantes, como coronel, cônsul, etc), Vossa Santidade (papa).

d) Pronome demonstrativo: Informa a posição do ser no espaço e no tempo em relação às pessoas do


discurso.

pessoa variáveis invariáveis


1ª pessoa este, esta, estes, estas isto
2ª pessoa esse, essa, esses, essas isso
3ª pessoa aquele, aquela, aqueles, aquelas aquilo

3
Português

Por haver variabilidade nos pronomes demonstrativos, eles podem também ser utilizados como pronomes
substantivos e como pronomes adjetivos; já as formas invariáveis só podem ser utilizadas como pronomes
substantivos.
Este livro pertence a você.
este – pronome adjetivo – acompanhado do subs. livro

O meu livro não é este.


este – pronome substantivo – substitui o subs. livro

Isto é inadmissível.
isto – pronome substantivo

Como os artigos, os pronomes demonstrativos também combinam ou contraem juntamente com as


preposições a, de, em:

preposição demonstrativo combinação


a+ aquele(s), aquela(s), aquilo àquele(s), àquela(s), àquilo
de + este(s), esta(s), esse(s), essa(s), deste(s), desta(s), desse(s),
aquele(s), aquela(s), isto, isso, dessa(s), daquele(s), daquela(s),
aquilo disto, disso, daquilo
em + este(s), esta(s), esse(s), essa(s), neste(s), nesta(s), nesse(s),
aquele(s), aquela(s), isto, isso, nessa(s), naquele(s), naquela(s),
aquilo nisto, nisso, naquilo

e) Pronomes indefinidos: fazem referência à terceira pessoa do discurso, atribuindo-lhes sentidos vagos,
expressando indeterminação. Embora sejam capazes de indicar seres, não necessariamente conseguem
defini-los. Classificam-se em:

• Substantivos: Fazem o papel do ser ou da quantidade aproximada de seres na oração. São eles: algo,
alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo, etc.
Alguém me mandou mensagem na noite passada.

• Adjetivos: Qualificam, de modo inexato, um ser inserido na oração. São eles: cada, certo(s), certa(s).
Certas empresas deveriam analisar melhor seus funcionários.

4
Português

Os pronomes indefinidos também podem ser classificados em variáveis e invariáveis. Analise a tabela abaixo:

Variáveis
Singular Plural Invariáveis
Masculino Feminino Masculino Feminino
algum alguma alguns algumas
nenhum nenhuma nenhuns nenhumas alguém
todo toda todos todas ninguém
muito muita muitos muitas outrem
pouco pouca poucos poucas tudo
vário vária vários várias nada
tanto tanta tantos tantas algo
outro outra outros outras cada
quanto quanta quantos quantas
qualquer quaisquer

Ademais, é válido ressaltar que essa classificação pronominal também possui locuções, são algumas delas:
cada qual, cada um, qualquer um, quem quer, seja quem for, seja qual for, todo tal qual, uma ou outra, etc.

f) Pronomes interrogativos: são utilizados para a formulação de perguntas ou questionamentos, referindo-se


à terceira pessoa do discurso. Podem ser: que, quem, qual, quanto.

Quantas roupas você possui em seu armário?


Que papel fará na nova novela das 20h?

g) Pronomes relativos: refere-se a um substantivo já expresso e inicia uma oração dependente da anterior
(subordinativas). Podem ser:

variáveis invariáveis
o qual, a qual, os quais, as quais que
cujo, cuja, cujos, cujas quem
quanto, quanta, quantos, quantas onde

Pronome relativo – observações


• Os pronomes relativos podem ser precedidos de preposição, de acordo com a regência do verbo.
• Os pronomes relativos o qual, a qual, os quais, as quais podem ser substituídos pelo pronome relativo
que quando se referirem a pessoas ou coisas.
O corpo que eu beijei partiu. (= o qual)
A casa que construí fora demolida ontem. (= a qual)
Os casos que você representou terminaram em sucesso. (= os quais)
As mulheres que vocês beijaram não estão mais aqui. (= as quais)

5
Português

• Os pronomes cujo, cuja, cujos, cujas são empregados como pronomes adjetivos, garantindo-lhes sentido
de posse, não permitindo artigo para anteceder.
Os pais cujos filhos são desobedientes já chegaram na sala.

• O pronome relativo onde informa um lugar fixo, possuindo o mesmo significado de em que e no qual.

Onde você morava em 2006? (lugar fixo, não fictício e estático)

Para saber mais, separamos um mapa mental para contribuir na associação de conteúdo, de modo claro e
objetivo. Veja abaixo:

Quer assistir ao vídeo desse mapa mental? Basta acessar aqui: https://youtu.be/C7bRtQ7m__M

6
Português

Conjunção
Também sendo uma palavra invariável, a conjunção possui como objetivo ligar termos ou orações de mesma
função sintática. Elas podem ser classificadas como coordenativas ou subordinativas, dependendo da
relação que elas estabeleçam entre as orações. Possuem fundamental importância na coesão textual,
podendo ser também chamadas de “conectivos”, termos essenciais para elaborar um texto coerente de
palavras e ideias. Além disso, há a locução conjuntiva, que é a união de duas ou mais palavras estabelecidas
para ligar orações. Veja o exemplo abaixo:
Ele chegou em casa e foi para a cozinha quando viu a pia com louças a lavar.

No exemplo acima, são vistas três orações “Ele chegou em casa”, “foi para a cozinha” e “viu a pia com louças
a lavar”. Embora representem ações diferentes, demonstram certa sequencialidade, atribuição garantida
pelas conjunções “e” e “quando”.
As conjunções devem ser analisadas nas perspectivas sintática, morfológica e semântica.
a) Perspectiva sintática: devemos analisar se a conjunção está conectando duas orações independentes
sintaticamente (coordenativa) ou introduzindo uma oração que exerce função sintática em relação à
outra (subordinativa).
b) Perspectiva morfológica: devemos entender que as conjunções são uma classe de palavras invariáveis,
ou seja, não sofrem flexão. Podem ser representadas por uma ou mais palavras (locução).
c) Perspectiva semântica: essa á a principal análise que devemos fazer sobre essa classe gramatical e é a
mais cobrada nos vestibulares. As conjunções ajudam a estabelecer diferentes relações semânticas entre
os termos ou orações ligados por elas. Essas relações podem ser de adição, adversidade, alternância,
conclusão, explicação, causa, consequência, comparação, condição, concessão, conformidade,
finalidade, proporção e temporalidade.

Valores das coordenativas


As conjunções ou locuções conjuntivas coordenativas são:
• Aditiva (relação de soma ou adição): e, nem, não só...mas também
• Adversativa (relação de oposição): mas, porém, contudo, entretanto, etc.
• Alternativa (ou alternância, escolha): ou, ou...ou, ora...ora, etc.
• Conclusiva (expressando conclusão): logo, portanto, pois (após o verbo), etc.
• Explicativa (relação de explicação, motivo): porque, que, pois, etc.

Valores das subordinativas


As conjunções ou locuções conjuntivas subordinativas são:
• As conjunções ou locuções conjuntivas subordinativas são:
• Causal (exprime causa): porque, que, como, pois que, etc.
• Comparativa (comparação referente à oração principal): como, que, qual, como se, tanto como, etc.
• Concessiva (expressam uma ideia que se admite, mesmo oposta à oração principal): embora, conquanto,
mesmo que, ainda que, etc.
• Condicional (relação de conformidade): como, conforme, consoante, etc.
• Consecutiva (expressam consequência relacionada à oração principal): tão, tanto, tal, etc.
• Final (exprimem uma finalidade; objetivo): a fim de que, para que, etc.

7
Português

• Proporcional (demonstram uma relação de proporcionalidade): à medida que, ao passo que, etc.
• Temporal (expressam noção de tempo): quando, enquanto, desde que, depois que, logo que, etc.

Obs: Existem as conjunções integrantes (“que” e “se”), que são conjunções subordinativas e introduzem as
orações substantivas, atuando como um substantivo na frase e podendo, também, exercer o papel de:
funções de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicado nominal e aposto.

8
Português

Exercícios

1. (ITA) Filme bom é filme antigo? Lógico que não, mas ‘‘A Múmia’’, de 1932, põe a frase em xeque. Sua
refilmagem, com Brendan Fraser no elenco, ainda corre nos cinemas brasileiros, repleta de humor e
efeitos visuais. Na de Karl Freund, há a vantagem de Boris Karloff no papel-título, compondo uma
múmia aterrorizadora, fiel ao terror dos anos 30. Apesar de alguma precariedade, lança um clima de
mistério que a versão 1999 não conseguiu, tal a ênfase dada à embalagem. Daí ‘‘nem sempre cinema
bom são efeitos especiais’’ deveria ser a tal frase.
(A precária e misteriosa múmia de 32, Folha de S. Paulo, Caderno Ilustrada, 4/8/1999.)

Em: ‘‘tal a ênfase dada à embalagem’’ e ‘‘deveria ser a tal frase’’, os termos em destaque nas duas
frases podem ser substituídos, respectivamente, por:
a) semelhante; aquela.
b) tamanha; essa.
c) tamanha; aquela.
d) semelhante; essa.
e) essa; aquela.

2. Miss Universo: “As pessoas racistas devem procurar ajuda”


SÃO PAULO – Leila Lopes, de 25 anos, não é a primeira negra a receber a faixa de Miss Universo. A
primazia coube a Janelle “Penny” Commissiong, de Trinidad e Tobago, vencedora do concurso em 1977.
Depois dela vieram Chelsi Smith, dos Estados Unidos, em 1995; Wendy Fitzwilliam, também de Trindad
e Tobago, em 1998, e Mpule Kwelagobe, de Botswana, em 1999. Em 1986, a gaúcha Deise Nunes, que
foi a primeira negra a se eleger Miss Brasil, ficou em sexto lugar na classificação geral. Ainda assim a
estupidez humana faz com que, vez ou outra, surjam manifestações preconceituosas como a de um
site brasileiro que, às vésperas da competição, e se valendo do anonimato de quem o criou, emitiu
opiniões do tipo “Como alguém consegue achar uma preta bonita?” Após receber o título, a mulher mais
linda do mundo – que tem o português como língua materna e também fala fluentemente o inglês –
disse o que pensa de atitudes como essa e também sobre como sua conquista pode ajudar os
necessitados de Angola e de outros países.
COSTA, D. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 10 set 2011 (adaptado)

O uso da expressão “ainda assim” presente nesse texto tem como finalidade
a) criticar o teor das informações fatuais até ali veiculadas.
b) questionar a validade das ideias apresentadas anteriormente.
c) comprovar a veracidade das informações expressas anteriormente.
d) introduzir argumentos que reforçam o que foi dito anteriormente.
e) enfatizar o contrassenso entre o que é dito antes e o que vem em seguida.

9
Português

3. (ENEM) Da timidez
Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório.
Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que
atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os
outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É
como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar
um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
[...]
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para
o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma plateia,
o tímido não pensa nos membros da plateia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada
indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta
pedir para a plateia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido
pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo,
e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Entre as estratégias de progressão textual presentes nesse trecho, identifica-se o emprego de


elementos conectores. Os elementos que evidenciam noções semelhantes estão destacados em:
a) “Se ficou notório por ser tímido "e "[...] então tem que se explicar".
b) “[...] então tem que se explicar" e "[...] quando as estrelas virarem pó".
c) "[...] ficou notório apesar de ser tímido[...]" e "[...] mas isto não é vantagem [...]".
d) “[...] um estratagema para ser notado [...]" e "Tão secreto que nem ele sabe".
e) “[...] como no paradoxo psicanalítico [...]" e "[...] porque só ele acha [...]"

4. (FUVEST) Não era e não podia o pequeno reino lusitano ser uma potência colonizadora à feição da
antiga Grécia. O surto marítimo que enche sua história do século XV não resultara do extravasamento
de nenhum excesso de população, mas fora apenas provocado por uma burguesia comercial sedenta
de lucros, e que não encontrava no reduzido território pátrio satisfação à sua desmedida ambição. A
ascensão do fundador da Casa de Avis ao trono português trouxe esta burguesia para um primeiro
plano. Fora ela quem, para se livrar da ameaça castelhana e do poder da nobreza, representado pela
Rainha Leonor Teles, cingira o Mestre de Avis com a coroa lusitana. Era ela, portanto, quem devia
merecer do novo rei o melhor das suas atenções. Esgotadas as possibilidades do reino com as pródigas
dádivas reais, restou apenas o recurso da expansão externa para contentar os insaciáveis
companheiros de D. João I.
Caio Prado Júnior, Evolução política do Brasil. Adaptado
O pronome "ela" da frase "Era ela, portanto, quem devia merecer do novo rei o melhor das suas
atenções", refere-se a
a) “desmedida ambição”.
b) “Casa de Avis”.
c) “esta burguesia”.
d) “ameaça castelhana”.
e) “Rainha Leonor Teles”.

10
Português

5. (COMVEST) Atrás dos olhos das meninas sérias Mas poderei dizer-vos que elas ousam? Ou vão, por
injunções muito mais sérias, lustrar pecados que jamais repousam?
O texto acima encontra-se no livro A teus pés, de Ana Cristina Cesar. Leia-o atentamente e responda às
questões.
a) Indique a quem se referem, no texto, a segunda pessoa do plural (“vos”) e a terceira pessoa do
plural (“elas”).
b) Por meio da partícula “Ou”, o poema estabelece uma alternativa entre duas situações: a ousadia e
a ação de “lustrar pecados”. Explique de que maneira a primeira situação é diferente da segunda,
levando em consideração o título do poema

11
Português

Gabarito

1. C
Em "tal a ênfase...", "tal" é um adjetivo que faz referência a ser tão grande. Em "deveria ser a tal frase", "tal"
é um pronome demonstrativo que se refere a esse(a), aquele(a), aquilo. Assim, o contexto faz referência
a uma frase dita anteriormente, "Filme bom é filme antigo? Lógico que não". Por se tratar de uma frase
distante do momento de seu discurso, deve ser substituída por “aquela”.

2. E
No contexto em questão, a expressão “ainda assim” possui valor adversativo, enfatizando o contrassenso
entre o que é dito anteriormente e o que será enunciado em seguida.

3. C
A alternativa C responde o enunciado, porque é a única que apresenta conectivos que indicam
semanticamente a ideia de oposição, contraste, contrariedade.

4. C
Ao mencionar uma primeira vez o termo “burguesia”, em “trouxe esta burguesia para um primeiro plano.”,
o autor dá continidade a sua reflexão sobre o substantivo, de modo a realizar a substituição para efeitos
coesivos.

5.
a) O pronome de terceira pessoa do plural (“elas”) refere-se às “meninas sérias” do título. O pronome de
segunda pessoa do plural (“vos”) refere-se aos interlocutores do eu lírico, os leitores pluralizados. A
opção pela segunda pessoa do plural sugere uma crítica irônica ao tom religioso.

b) O título “Atrás dos olhos das meninas sérias“ pode evidenciar que a postura de aparente seriedade
seja apenas uma máscara social. Ao iniciar o poema com a conjunção “Mas”, a poeta nega essa
seriedade e apresenta aos leitores, em forma de perguntas, duas alternativas separadas pela
conjunção “ou”. A poeta parece discordar de que “elas” não são sérias por ousadia. A outra
possibilidade é mais plausível: devido às fortes imposições sociais, “elas” sucumbem instintivamente
aos naturais pecados humanos, disfarçados “atrás dos olhos das meninas sérias”

12
Sociologia

Émile Durkheim

Resumo

Divisão Social do trabalho e fato social


Durkheim, tal como Comte, pensava que o homem é fortemente moldado pela sociedade em que ele vive
(expressando-se de maneira técnica, ele diz que a consciência individual é sempre moldada e condiciona
pela consciência coletiva, isto é, pela mentalidade média da sociedade, seu conjunto de valores e ideias
dominantes) e que por isso o interesse do sociólogo deve voltar-se apenas para os padrões sociais. Por
essas e outras raízes, aliás, é que Durkheim é considerado um autor positivista e o mais famoso continuador
da perspectiva comteana. De fato, não obstante criticar vários aspectos secundários do pensamento de
Comte (em especial, a incerteza de suas ideias, a religião da humanidade e o projeto político positivista),
Durkheim assumiu como suas as ideias-chaves do seu predecessor: a necessidade de um conhecimento
social capaz de compreender as características da sociedade moderna, a crença na incapacidade da filosofia
de cumprir esse papel, o projeto de construção de uma ciência da sociedade independente da filosofia, a
ideia de que esta ciência deve tomar como modelo as ciências naturais e a tese de que o trabalho do
sociólogo deve focar-se nos padrões sociais.
Do ponto de vista do método, como vimos, Durkheim considerava que o sociólogo deve, tal como o físico e
o químico, buscar por padrões de regularidade, que, no caso dele, seriam os fatos sociais. Além disso,
fortemente influenciado pelas ciências naturais - seu modelo de pensamento -, o sociólogo francês afirmava
que as virtudes principais de um pesquisador social são a neutralidade e a objetividade. Na prática, isto
significa que um sociólogo jamais deve permitir que os seus valores pessoais ou a sua visão de mundo
interfiram no seu trabalho. Sua análise deve ser meramente descritiva, nunca avaliativa, concentrada apenas
em compreender a sociedade que está pesquisando, não em julgá-la ou classificá-la.
Tal como Comte e todo os demais grandes nomes da sociologia, Émile Durkheim destacou-se pela
explicação que desenvolveu para o origem da sociedade capitalista moderna. Diferente, porém, de seu
predecessor, que via no surgimento da sociedade moderna a passagem de um estado metafísico, dominado
por explicações filosóficas, para um estado positivo, dominado por explicações científicas, Durkheim via na
passagem das sociedades tradicionais para a Modernidade acima de tudo uma mudança na solidariedade
social, isto é, no mecanismo de coesão e unidade da sociedade.
De acordo com Durkheim, nas sociedades tradicionais, pré-modernas, anteriores ao capitalismo, a divisão
social do trabalho, isto é, a especialização profissional era pequena. Isto ocasionava poucas diferenças entre
os indivíduos e fazia da sociedade algo mais homogêneo. Assim, a coesão social era realizada e garantida
através do compartilhamento de uma mesma visão de mundo, de um mesmo conjunto de ideias e valores
dominantes. Foi o caso, por exemplo, da Idade Média ocidental, onde a fé católica era o eixo unificador da
sociedade, e do Egito Antigo, onde a cosmovisão daquela sociedade é que unia todos os seus membros. Este
modelo de coesão social é chamado por Durkheim de solidariedade mecânica.
Nas sociedades modernas, por sua vez, o capitalismo promoveu uma enorme acentuação na divisão social
do trabalho. Isso exacerbou a especialização profissional e, portanto, a individualidade. Por isso, a sociedade
moderna é heterogênea, contando com grande diversidade de religiões e de visões de mundo no interior de
um mesmo contexto social. Daí também porque, na Modernidade, o que une e congrega a sociedade não é
o fato das pessoas partilharem uma mesma visão de mundo, mas sim o fato de elas serem mais
interdependentes no mundo do trabalho. De fato, o aumento da especialização profissional, vigente no
capitalismo, torna as pessoas mais interdependentes, uma vez que elas exercem funções mais específicas

1
Sociologia

e, portanto, são mais difíceis de serem substituídas no mundo do trabalho. A consequência disso é que a
sociedade capitalista não precisa do compartilhamento de uma mesma visão de mundo para que os
indivíduos vivam coesos nela: o que os une são os laços de interdependência econômica. É o que Durkheim
chamava de solidariedade orgânica.

2
Sociologia

Exercícios

Exercícios

1. A sociologia ainda não ultrapassou a era das construções e das sínteses filosóficas. Em vez de
assumir a tarefa de lançar luz sobre uma parcela restrita do campo social, ela prefere buscar as
brilhantes generalidades em que todas as questões são levantadas sem que nenhuma seja
expressamente tratada. Não é com exames sumários e por meio de intuições rápidas que se pode
chegar a descobrir as leis de uma realidade tão complexa. Sobretudo, generalizações às vezes tão
amplas e tão apressadas não são suscetíveis de nenhum tipo de prova.
DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

O texto expressa o esforço de Èmile Durkheim em construir uma sociologia com base na
a) vinculação com a filosofia como saber unificado.
b) reunião de percepções intuitivas para demonstração.
c) formulação de hipóteses subjetivas sobre a vida social.
d) adesão aos padrões de investigação típicos das ciências naturais.
e) incorporação de um conhecimento alimentado pelo engajamento político.

2. Um dos livros muito conhecidos do sociólogo Emile Durkheim é o “Da divisão do trabalho social”, obra
publicada em 1893. Nesse livro, o autor identifica o surgimento de um novo método de trabalho que
conduzia a uma nova fonte de interação social. Sobre a função da divisão do trabalho em Durkheim,
assinale V para as afirmativas verdadeiras e F, para as falsas.
( ) A especialização das profissões e a divisão do trabalho baseiam-se em uma ética asceta que
leva os indivíduos a buscarem acumulação e eficiência e a evitarem o desperdício e a preguiça.
( ) Os resultados econômicos da divisão do trabalho são de menor importância, pois o efeito moral,
o sentimento de solidariedade que essa produz é a sua verdadeira função.
( ) Um arranjo social com classes dominantes e classes dominadas em constante conflito entre si é
uma das principais implicações da divisão social do trabalho.
( ) A divisão do trabalho possibilita a coesão social, garantindo o funcionamento harmônico do
organismo social.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
a) VVVF
b) FVVV
c) FVFF
d) FVFV
e) VFFF

3
Sociologia

3. Arrependimentos terminais
Em Antes de partir, uma cuidadora especializada em doentes terminais fala do que eles mais se
arrependem na hora de morrer. “Não deveria ter trabalhado tanto”, diz um dos pacientes. “Desejaria
ter ficado em contato com meus amigos”, lembra outro. “Desejaria ter coragem de expressar meus
sentimentos.” “Não deveria ter levado a vida baseando-me no que esperavam de mim”, diz um terceiro.
Há cem anos ou cinquenta, quem sabe, sem dúvida seriam outros os arrependimentos terminais.
“Gostaria de ter sido mais útil à minha pátria.” “Deveria ter sido mais obediente a Deus.” “Gostaria de
ter deixado mais patrimônio aos meus descendentes.”
COELHO, M. Folha de São Paulo, 2 jan. 2013.

O texto compara hipoteticamente dois padrões morais que divergem por se basearem
respectivamente em
a) satisfação pessoal e valores tradicionais.
b) relativismo cultural e postura ecumênica.
c) tranquilidade espiritual e costumes liberais.
d) realização profissional e culto à personalidade.
e) engajamento político e princípios nacionalistas.

4. O saber da comunidade, aquilo que todos conhecem de algum modo; o saber próprio dos homens e
das mulheres, de crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos; o saber de guerreiros e esposas; o
saber que faz o artesão, o sacerdote, o feiticeiro, o navegador e outros tantos especialistas, envolve,
portanto, situações pedagógicas interpessoais, familiares e comunitárias, em que ainda não surgiram
técnicas pedagógicas escolares, acompanhadas de seus profissionais de aplicação exclusiva.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação? São Paulo: Brasiliense, 2007, p. 20.

O tema discutido no texto é uma preocupação nos estudos da Sociologia desde a sua consolidação
como ciência. Nos trabalhos de Émile Durkheim, esse tema ganhou um destaque por considerar uma
forma de integração dos indivíduos e de perpetuação dos hábitos e costumes do grupo, ou seja, dos
fatos sociais. Sobre isso, assinale a alternativa que NÃO indica uma característica do tipo de
transmissão do conhecimento.
a) A aprendizagem acontece sem que haja um planejamento específico e, muitas vezes, sem que os
sujeitos se deem conta.
b) O processo de construção do conhecimento é permanente, contínuo e não previamente
organizado, desenvolvendo-se ao longo da vida.
c) O conhecimento transmitido permite ao sujeito resolver situações referentes aos processos de
socialização e àqueles relacionados às imposições da natureza para sobrevivência do grupo.
d) A percepção gestual, a moral e a comportamental, provenientes de meios familiares de amizade,
de trabalho e de socialização midiática, fazem parte do rol de aprendizagens e conhecimentos.
e) O conhecimento e a habilidade são transmitidos por meio de um currículo pré-definido em
ambientes especializados, num processo conhecido como escolarização.

4
Sociologia

5. O Brasil, entre abril e maio de 2017, uma espécie de jogo conhecido como “Baleia Azul” causou
alvoroço nas redes sociais digitais. Trata-se de uma série de desafios que culmina no suicídio do
“jogador”, geralmente um indivíduo jovem. As reações, principalmente das famílias e das escolas,
alertavam para a necessidade de reforçar os laços sociais e as regras de convívio coletivo. Também
se disseminaram opiniões sobre a necessidade de os jovens concentrarem-se nos estudos e no
trabalho como forma de manutenção do equilíbrio social. Mas o assunto não é novo em Sociologia.
Os aspectos sociológicos do suicídio foram analisados por um autor clássico, Émile Durkheim, que,
em 1897, publicou a obra “O Suicídio: estudo de sociologia”. Com base na teoria de Durkheim,
caracterize o “suicídio anômico” como um tipo de suicídio específico das sociedades modernas.

5
Sociologia

Gabarito

1. D
Durkheim foi fortemente influenciado por Comte e o positivismo, que defendia uma ciência social dotada
de métodos e espírito semelhante aos das ciências naturais. Por isso, sua teoria funcionalista é
caracterizada pela tentativa formulação de leis gerais e teorias abrangentes, além da coleta metódica
de dados e informações sobre os fenômenos estudados.

2. D
I. falsa. Ascese é uma característica da ética protestante, parte da teoria weberiana não apontada por
Durkheim.
II. Verdadeira. A coesão social produzida pela divisão do trabalho é o que importa para Durkheim. Ela
é a responsável por manter a estrutura social funcionando.
III. Falsa. Mais uma vez temos uma teoria de outro clássico da Sociologia e não de Durkheim. O conflito
no arranjo social é parte da teoria marxiana, já que Durkheim compreende o conflito como sintoma
da anomia e o desenvolvimento social gerado pela divisão social do trabalho deve ser ordenado.
IV. Verdadeira. Para Durkheim, a divisão social do trabalho é a organização que nos permite
permanecer unidos. Seja pela semelhança, na solidariedade mecânica, ou pela diferença, na
solidariedade orgânica, é o trabalho e a produção da vida que dá forma à estrutura social

3. A
Como podemos observar, o enunciado aponta a mudança no interior de uma sociedade do conjunto de
valores normativos que guiam a ação dos indivíduos no interior da sociedade. Apesar de acreditarmos
estarmos conscientes e livres em nossas escolhas, os padrões apresentados na questão remontam à
teoria Durkheimiana, que afirma haver um padrão de comportamento imposto pela sociedade e que há
um consenso entre os indivíduos em torno dos objetivos do grupo social.

4. E
Durkheim não limita passagem de conhecimento à escola e ao ensino formal. Na verdade, podemos
interpretar de sua teoria que essa modalidade de educação representa uma pequena parte de todo o
conhecimento necessário para a socialização do sujeito. O conjunto de valores, normas e regras
necessários para a integração dos indivíduos da conta de um vasto repertório de normativas e
imposições sociais.

5. Durkheim verifica, por meio de estatísticas, certa regularidade de taxas de suicídio em intervalos de
tempo determinados. Por vezes, essas taxas aumentam, estabilizam-se ou diminuem. A hipótese de
Durkheim é que as causas dessas taxas de suicídio encontram-se na sociedade e, portanto, são
exteriores às consciências individuais. No caso do suicídio anômico, é justamente o estado anômico a
origem dos suicídios. Anomia, para Durkheim, refere-se ao enfraquecimento das regras morais,
coercitivas e reguladoras das paixões individuais. Em um estado anômico, a sociedade deixa de
funcionar como freio moral às paixões individuais. O desregramento social provocado por uma crise
econômica, por exemplo, faz com que alguns indivíduos, cujas limitações de desejo eram menores
devido a uma condição econômica mais elevada, cometam suicídio. E é nas sociedades modernas,
caracterizadas pela solidariedade orgânica, nas quais o freio moral (coercitivo) encontra-se equilibrado
com a divisão do trabalho como forma de coesão social, que o suicídio anômico tende a surgir como
uma espécie de manifestação do desequilíbrio social.

6
Enem
Semana 7

gora vai!
A 20
e m 20
En
Biologia

Vitaminas

Resumo

São compostos orgânicos essenciais ao funcionamento pleno do organismo, em quantidades apropriadas (baixa
quantidade por dia). O organismo é incapaz de sintetizar estes nutrientes, e, portanto, devem ser obtidos a partir
da alimentação. São substâncias que não sofrem digestão, e, ao serem absorvidas, podem atuar associado a
enzima (coenzimas) e como antioxidantes, reduzindo a concentração de radicais livres na célula. Podem ser
classificados de acordo com a solubilidade, entre hidrossolúveis e lipossolúveis.
• As lipossolúveis, por se dissolverem na gordura, são mais facilmente armazenadas pelo corpo, havendo
então riscos de hipervitaminoses. Entre elas, podemos destacar as vitaminas A, D, E e K.
• As hidrossolúveis, por se dissolverem na água, são mais facilmente eliminadas pelo corpo, havendo então
riscos de hipovitaminoses. Entre elas, podemos destacar a vitamina C e as do Complexo B. O excesso a longo
prazo pode causar danos aos rins.
Abaixo, uma tabela mostrando algumas vitaminas, suas fontes, as consequências da falta delas no organismo
(hipovitaminoses ou avitaminose) e suas funções no organismo:

Doenças provocadas pela carência


Vitaminas Fontes Funções no organismo
(avitaminoses)
Fígado de aves, Problemas de visão, secura da pele, Combate radicais livres,
A animais e cenoura diminuição de glóbulos vermelhos, formação dos ossos, pele;
formação de cálculos renais funções da retina
Óleo de peixe, fígado, Raquitismo e osteoporose Regulação do cálcilo do
D
geme de ovos sangue e dos ossos
Verduras, azeite e Dificuldades visuais e alterações Atua como agente
E
vegetais neurológicas antioxidante
Fígado e verduras de Deficiência na coagulação do Atua na coagulação do
folhas verdes, abacate sangue, hemorragias sangue, previne osteoporose,
K ativa a osteocalcina
(importante proteína dos
ossos)
Cereais, carnes, Beribéri Atua no metabolismo
B1 verduras, levedo de energético dos açúcares
cerveja
Leites, carnes, Inflamações na língua, anemias Atua no metabolismo de
B2 verduras seborreia enzimas, proteção no
sistema nervoso
Fígado, cogumelos, Fadigas, cãibras musculares, Metabolismo de proteínas,
B5 milho, abacate, ovos, insônia gorduras e açúcares
leite, vegetais
Carnes, frutas, Seborreia, anemia, disturbios de Crescimento, proteção
verduras e cereais crescimento celular, metabolismo de
B6
gorduras e proteínas,
produção dos hormônios
Fígado, carnes Anemia perniciosa Formação de hemácias e
B12
multiplicação celular

1
Biologia

Curiosidades
• Super alimentos: fígado, ovo, nozes, sardinha
• Os nomes que as vitaminas recebem é devido a ordem de descoberta de cada uma.
• As vitaminas A, C e E são antioxidantes e combatem os radicais livres
• Os alimentos fornecem a pró-vitamina D, que são convertidas em calciferol no homem através da
incidência de luz solar (raios UV) na pele.

1
Biologia

Exercícios

1. A obesidade, que nos países desenvolvidos já é tratada como epidemia, começa a preocupar
especialistas no Brasil. Os últimos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada entre 2002
e 2003 pelo IBGE, mostram que 40,6% da população brasileira estão acima do peso, ou seja, 38,8
milhões de adultos. Desse total, 10,5 milhões são considerados obesos. Várias são as dietas e os
remédios que prometem um emagrecimento rápido e sem riscos. Há alguns anos foi lançado no
mercado brasileiro um remédio de ação diferente dos demais, pois inibe a ação das lipases, enzimas
que aceleram a reação de quebra de gorduras. Sem serem quebradas elas não são absorvidas pelo
intestino, e parte das gorduras ingeridas é eliminada com as fezes. Como os lipídios são altamente
energéticos, a pessoa tende a emagrecer. No entanto, esse remédio apresenta algumas contra-
indicações, pois a gordura não absorvida lubrifica o intestino, causando desagradáveis diarreias. Além
do mais, podem ocorrer casos de baixa absorção de vitaminas lipossolúveis, como as A, D, E e K, pois
a) essas vitaminas, por serem mais energéticas que as demais, precisam de lipídios para sua
absorção.
b) a ausência dos lipídios torna a absorção dessas vitaminas desnecessária.
c) essas vitaminas reagem com o remédio, transformando-se em outras vitaminas.
d) as lipases também desdobram as vitaminas para que essas sejam absorvidas.
e) essas vitaminas se dissolvem nos lipídios e só são absorvidas junto com eles.

2. De acordo com o Ministério de Saúde, a cegueira noturna ou nictalopia é uma doença caracterizada
pela dificuldade de se enxergar em ambientes com baixa luminosidade. Sua ocorrência pode estar
relacionada a uma alteração ocular congênita ou a problemas nutricionais. Com esses sintomas, uma
senhora dirigiu-se ao serviço de saúde e seu médico sugeriu a ingestão de vegetais ricos em
carotenoides, como a cenoura.
Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br. Acesso em: 1 mar. 2012 (adaptado).
Essa indicação médica deve-se ao fato de que os carotenoides são precursores de
a) hormônios, estimulantes da regeneração celular da retina.
b) enzimas, utilizadas na geração de ATP pela respiração celular.
c) vitamina A, necessária para a formação de estruturas fotorreceptoras.
d) tocoferol, uma vitamina com função na propagação dos impulsos nervosos.
e) vitamina C, substância antioxidante que diminui a degeneração dos cones e bastonetes.

2
Biologia

3. A avitaminose (ou hipovitaminose) é causada pela falta ou deficiência de importantes vitaminas no


organismo humano. A sua carência pode ser devida a uma alimentação deficiente, mas também pode
surgir em função de outros problemas de saúde. No combate à avitaminose, deve-se consumir a
vitamina
a) A ou retinol, que é encontrada na laranja, no limão e na acerola, podendo a sua carência provocar
escorbuto.
b) B12, abundante nas carnes, como, por exemplo, fígado, atuando na formação de hemácias e na
multiplicação celular.
c) C, que é encontrada no leite, nas carnes e em verduras, podendo a sua falta provocar fadiga,
insônia e câimbras musculares.
d) D, que é encontrada no óleo de peixe, fígado e gema de ovo, provocando a sua carência raquitismo
e osteoporose.
e) K, que atua no crescimento e na proteção celular, no metabolismo das gorduras e proteínas, e na
produção de hormônios.

4. Vitaminas do complexo B podem desempenhar a função de co-fatores enzimáticos, e sua carência


pode provocar uma série de enfermidades. Um exemplo de doença provocada pela carência de
vitaminas do complexo B é
a) Escorbuto.
b) Raquitismo.
c) Xeroftalmia.
d) Esterilidade.
e) Beribéri.

5. Algumas vitaminas precisam ser ingeridas diariamente, em outras, entretanto, não há essa necessidade,
pois ficam armazenadas no tecido adiposo. Dentre as vitaminas que necessitam de ingestão diária,
podemos citar:
a) vitamina A e C.
b) vitamina D e E.
c) vitamina C e as do complexo B.
d) vitamina K e as do complexo B.
e) vitamina C e E.

6. Tomando uma grande dose de vitamina A, uma pessoa pode suprir suas necessidades por vários dias;
porém, se fizer o mesmo em relação à vitamina C, não terá o mesmo efeito, necessitando de reposições
diárias dessa vitamina. Essa diferença na forma de administração se deve ao fato de a vitamina:
a) A ser necessária em menor quantidade.
b) A ser sintetizada no próprio organismo.
c) A ser lipossolúvel e ficar armazenada no fígado.
d) C ser mais importante para o organismo.
e) C fornecer energia para as reações metabólicas

3
Biologia

7. O arroz-dourado é uma planta transgênica capaz de produzir quantidades significativas de


betacaroteno, que é ausente na variedade branca. A presença dessa substância torna os grãos
amarelados, o que justifica seu nome.
a) fragilidade óssea
b) fraqueza muscular
c) problemas de visão
d) alterações da tireoide
e) sangramento gengival

8. As vitaminas são compostos orgânicos, necessários em pequenas quantidades, sendo essenciais para
a realização de muitos dos processos que ocorrem no nosso organismo. Várias doenças são causadas
por uma deficiência em vitaminas. O Escorbuto, o Beribéri e a Anemia perniciosa são doenças
associadas à carência de quais vitaminas, respectivamente?
a) A, B1 e B5
b) E, B6 e B9
c) C, B2 e B9
d) C, B1 e B12
e) E, B12 e B9

9. Nos navios que partiam para terras distantes, mais da metade dos membros de sua tripulação morreria
durante a viagem. Os adversários não eram nativos furiosos, navios inimigos ou saudades da terra natal,
e sim uma enfermidade misteriosa. Os homens acometidos pela doença ficavam letárgicos e
deprimidos, e suas gengivas e outros tecidos moles sangravam. À medida que a doença avançava, seus
dentes caíam, surgiam feridas abertas, e eles ficavam febris, amarelados e perdiam o controle dos
membros. Estima-se que, entre os séculos XVI e XVIII, 2 milhões de marinheiros morreram por causa
da doença. A situação mudou em 1947, quando um médico britânico, James Lind, realizou um
experimento controlado em marinheiros que sofriam da doença. Ele os separou em grupos e deu a cada
grupo um tratamento diferente. Um dos grupos de teste foi instruído a ingerir frutas cítricas, que fizeram
com que os pacientes se recuperassem rapidamente.
(Yuval Noah Harari. Sapiens – Uma breve história da humanidade, 2017. Adaptado.)
O texto faz referência a problemas que surgem no corpo humano quando há deficiência de:
a) vitamina C.
b) vitamina B12.
c) vitamina D.
d) vitamina A.
e) vitamina E.

4
Biologia

10. As pessoas que sofrem de osteoporose apresentam uma redução do nível de cálcio no organismo, o
que leva à fragilidade dos ossos e pode causar fraturas. O tratamento consiste em uma dieta à base de
alimentos ricos em cálcio, medicamentos, nos casos mais sérios, e exercícios físicos. Mas, para o
tratamento surtir efeito, é necessário que o paciente tome sol diariamente para uma melhor absorção
do cálcio. A necessidade de exposição ao sol está relacionada à atividade da:
a) Vitamina A.
b) Vitamina B.
c) Vitamina E.
d) Vitamina D.
e) Vitamina K.

5
Biologia

Gabarito

1. E
As vitaminas lipossolúveis dissolvem-se nos lipídios e são absorvidas junto com eles. Pelo fato de não
serem solúveis em água, não são eliminadas com a urina.

2. C
Os carotenoides são precursores da vitamina A. Esta vitamina atua na visão favorecendo o processo de
formação das estruturas fotorreceptoras.

3. D
O raquitismo é causado pela deficiência de vitamina D no organismo.

4. E
A beribéri é causada pela deficiência de vitamina B1 (tiamina) no organismo, levando a problemas como
fraqueza muscular, perda de sensibilidade, dor, paralisia.

5. C
As vitaminas chamadas de hidrossolúveis (vitamina C e as do complexo B) necessitam de ingestão diária,
pois são armazenadas em quantidades muito pequenas. As lipossolúveis, por sua vez, não precisam ser
ingeridas todos os dias.

6. C
A vitamina A é lipossolúvel e a vitamina C é hidrossolúvel. Quando a vitamina A é ingerida ela se combina
com a gordura e é armazenada no fígado, já a vitamina C é rapidamente utilizada pelo corpo.

7. C
Os carotenoides são lipídios precursores da vitamina A, cuja carência provoca cegueira noturna.

8. D
A vitamina C é importante para a formação de colágeno para evitar o escorbuto. Já a vitamina B1 é
necessária para o funcionamento do sistema nervoso e sua falta causa o beribéri. Por fim, a falta de
vitamina B12 leva a anemia perniciosa.

9. A
A falta da vitamina C impede a produção de colágeno, causando sangramento gengival e feridas, uma
doença chamada escorbuto.

10. D
Apesar da alimentação e da exposição solar serem complementares, o sol garante entre 80 e 90% da
síntese de vitamina D. Essa vitamina aumenta a absorção do cálcio no aparelho gastrintestinal e estimula
sua deposição nos ossos.

6
Biologia

Biociclos e biomas

Resumo

Biociclos
São subdivisões da Biosfera onde se distribuem os seres vivos. São divididos em:

Talassociclo, que é o ambiente com água salgada. É o maior biociclo da Terra (os mares e oceanos formam
o maior biociclo, cobrindo cerca de 70% do globo terrestre).

Limnociclo, que é o conjunto de ecossistemas de água doce. É o menor dos biociclos e pode ser dividido em
ambiente lêntico (águas paradas) ou lótico (águas em movimento, com correnteza).

1
Biologia

Ambientes aquáticos
Os organismos que vivem em ambientes aquáticos podem ser divididos de acordo com sua capacidade
de locomoção:

• Plâncton: seres que se deslocam passivamente na água, arrastados pelas ondas e correntes
marinhas. Podem ser heterotróficos (zooplâncton) ou autotróficos (fitoplâncton). Ex: protozoários,
algas microscópicas, microcrustáceos, larvas de vários animais.
• Nécton: seres que se deslocam ativamente pela coluna d’água. Ex: tartarugas, peixes, golfinhos.
• Bêntos: seres que vivem associados ao fundo do mar e substratos marinhos. Podem ser fixos
(sésseis) ou móveis. Ex: fixos como as macroalgas, as esponjas e as cracas ou movem-se no fundo
como as estrelas-do-mar, caranguejos, caramujos, entre outros.

Epinociclo, que é o ambiente terrestre, correspondente aos continentes, ilhas e terras emersas. Possui a maior
biodiversidade de espécies, assim como a maior variedade climática e presença de bareriras geográficas.

Epinociclo: campos (savana e estepe).

Biomas
O Epinociclo pode ser dividido em diferentes biomas. Dentre os biomas internacionais podemos citar a tundra,
a taiga e as florestas temperadas, presentes em locais de clima frio, e deserto e savanas, com clima seco e
temperaturas altas.
Fatores como latitude, pluviosidade, temperatura, tipo de solo etc., influenciam os tipos de plantas e animais
característicos de cada bioma.

Dos biomas brasileiros, temos:


Caatinga: localiza-se no sertão nordestino, com clima quente e seco, com uma vegetação formada por plantas
xerófitas (adaptadas a clima seco e quente, com raízes largas e profundas).

2
Biologia

Cerrado: é o segundo maior bioma brasileiro, localizado na região centro-oeste. Possui estação seca e
chuvosa bem definida. A vegetação possui adaptações para captação de água.

Floresta Amazônica: maior bioma do Brasil, localizado na região norte e de clima quente e úmido. Possui a
maior biodiversidade do planeta, tanto de fauna quanto de flora.

Manguezal: bioma ecótono entre rios e mares, sofre frequentes inundações. Sua vegetação adaptada para o
solo encharcado e salino. É uma região de berçário de espécies marinhas.

Mata Atlântica: Presente em quase todo o litoral brasileiro. Possui um clima quente e úmido, além de uma
alta riqueza de espécies, alto endemismo e epifitismo.

3
Biologia

Mata de Araucárias: localizada na região Sul do país, caracteriza-se pela presença de pinheiros,
principalmente o pinheiro-do-paraná, também conhecido como Araucária.

Mata dos Cocais: zona de transição entre Caatinga e Amazônia.

Pampas: localizado no sul, é uma região de alta produtividade primária líquida e muitas gramíneas.

Pantanal: ocorre uma divisão de estações seca e chuvosa bem definida. Nas estações chuvosas há muitos
alagamentos de suas planícies. Possui uma alta biodiversidade.

4
Biologia

Dos biomas internacionais, temos:


Tundra: presente nas regiões do pólo norte, que permanece gelada a maior parte do tempo. Apenas durante
o verão, a neve derrete e possibilita o surgimento de uma vegetação rasteira constituída de musgos, liquens
e capins.

Taiga: também conhecida como floresta de coníferas, está localizada ao sul da tundra. Posicionada abaixo
da linha do equador, a taiga recebe maior quantidade de luz solar que a tundra.

Florestas temperadas: características de clima temperado com quatro estações bem definidas. As árvores
da floresta temperada são decíduas ou caducifólias (suas folhas adquirem coloração amarelada ou
alaranjada e começam a cair nas estações frias).

5
Biologia

Florestas tropicais: possuem altos índices de chuvas e temperaturas elevadas. Apresenta vegetação verde
abundante e que nunca perdem as folhas de uma só vez em uma estação específica. As árvores são
geralmente grandes e a fauna é rica.

Campos: são áreas abertas com predomínio de gramíneas.

Desertos: áreas com baixa pluviosidade e baixa umidade do ar. Durante o dia as temperaturas são altas, já
durante a noite a temperatura pode cair muito. É composta de gramíneas e cactos, que apresentam
adaptações para períodos de seca (capacidade de armazenamento de água).

6
Biologia

Exercícios

1. A biomassa aquática pode ser dividida em três grupos:


I. Organismos que nadam ativamente.

II. Organismos flutuadores ou que se deslocam passivamente na água.

III. Organismos do fundo, que podem ser fixos ou rastejantes.

Os grupos I, II e III são denominados, respectivamente:


a) Plâncton, nécton e bentos.
b) Plâncton, bentos e nécton.
c) Bentos, plâncton e nécton.
d) Bentos, nécton e plâncton.
e) Nécton, plâncton e bentos.

2. Leia as afirmações seguintes.


I. Ambiente aquático continental, com densidade baixa de plâncton. Grande parte das cadeias
alimentares é sustentada pela entrada de matéria orgânica proveniente do ambiente terrestre.
II. Ambiente aquático continental, com densidade elevada de plâncton. Grande parte das cadeias
alimentares é sustentada pela produção primária do fitoplâncton.
Escolha a alternativa que relaciona corretamente as afirmações ao tipo de ambiente.
a) I: Rio, pois a correnteza existente nesses ambientes não permite, por muito tempo, o
estabelecimento de populações planctônicas. II: Lago, pois a água parada permite às
comunidades planctônicas se estabelecerem e aí permanecerem
b) I: Rio, pois as comunidades fluviais são muito pobres, seno que os animais precisam sealimentar
de matéria orgânica que cai no rio. II: Oceano, que apresenta rica biodiversidade.
c) I: Lago, pois a situação da água parada faz com que esse ambiente seja pobre em nutrientes e em
organismos. II: Rio, cuja correnteza faz com que o ambiente seja rico e sustente uma diversificada
comunidade planctônica.
d) I: Oceano, cuja elevada profundidade faz com que os nutrientes fiquem concentrados no fundo,
não permitindo o estabelecimento das comunidades planctônicas. II: Lago, que normalmente é
raso, fazendo com que os nutrientes estejam disponíveis às comunidades lanctônicas que aí se
estabelecem.
e) I: Rio, pois o sombreamento das matas ciliares não permite o estabelecimento do fitoplâncton. II:
Lago, pois a baixa densidade de peixes fluviais nesses locais permite que o plâncton se estabeleça.

7
Biologia

3. Mata de terra firme, mata de várzea e igapó são formações vegetais típicas deste bioma. Em razão do
processo de uso e ocupação do território brasileiro e das ações dirigidas à preservação dos recursos
naturais realizadas nas últimas décadas, este bioma constitui-se também naquele que guarda as
maiores extensões de floresta nativa no Brasil, ainda que seu desmatamento não tenha sido
completamente cessado. O texto refere-se ao bioma:
a) Cerrado.
b) Mata Atlântica.
c) Pampa.
d) Caatinga.
e) Amazônico

4. A análise de esporos de samambaias e de pólen fossilizados contidos em sedimentos pode fornecer


pistas sobre as formações vegetais de outras épocas. No esquema a seguir, que ilustra a análise de
uma amostra de camadas contínuas de sedimentos, as camadas mais antigas encontram-se mais
distantes da superfície.

Essa análise permite supor-se que o local em que foi colhida a amostra deve ter sido ocupado,
sucessivamente, por
a) floresta úmida, campos cerrados e caatinga.
b) floresta úmida, floresta temperada e campos cerrados.
c) campos cerrados, caatinga e floresta úmida.
d) caatinga, floresta úmida e campos cerrados.
e) campos cerrados, caatinga e floresta temperada.

8
Biologia

5. Apesar da riqueza das florestas tropicais, elas estão geralmente baseadas em solos inférteis e
improdutivos. Grande parte dos nutrientes é armazenada nas folhas que caem sobre o solo, não no
solo propriamente dito. Quando esse ambiente é intensamente modificado pelo ser humano, a
vegetação desaparece, o ciclo dos nutrientes é alterado e a terra se torna rapidamente infértil.
CORSON, Walter H, Manual Global de Ecologia, 1993.
No texto anterior, pode parecer uma contradição a existência de florestas tropicais exuberantes sobre
solos pobres. No entanto, este fato é explicado pela
a) profundidade do solo, pois, embora pobre, sua espessura garante a disponibilidade de nutrientes
para a sustentação dos vegetais da região.
b) boa iluminação das regiões tropicais, uma vez que a duração regular do dia e da noite garante os
ciclos dos nutrientes nas folhas dos vegetais da região.
c) existência de grande diversidade animal, com número expressivo de populações que, com seus
dejetos, fertilizam o solo.
d) capacidade de produção abundante de oxigênio pelas plantas das florestas tropicais, considerado
os “pulmões do mundo”
e) rápida reciclagem dos nutrientes potencializada pelo calor e umidade das florestas tropicais, o que
favorece a vida dos decompositores.

6. Em um estudo, foram avaliadas quatro amostras encontradas em diferentes locais, representados na


figura abaixo.

Amostra A: há foraminíferos, algas e dinoflagelados.


Amostra B: há pólen e não existem seres marinhos.
Amostra C: há grande concentração de plâncton.
Amostra D: há grande concentração de bentos.
Assinale a alternativa que associa corretamente o local de coleta com a característica da amostra.
a) A amostra A contém seres típicos da plataforma abissal, onde há menor concentração de sal e
não há luz solar.
b) A amostra B foi encontrada em plataforma abissal, sendo que ventos teriam levado pólen até
essa área, onde não há seres vivos.
c) A amostra C foi retirada da plataforma continental, já que contém seres que se movimentam
ativamente e vivem entre ambientes terrestre e marinho.
d) A amostra D contém espécies encontradas no declive continental, que se fixam no substrato dos
ecossistemas aquáticos.

9
Biologia

7. A tabela lista características bióticas e abióticas associadas a alguns biomas brasileiros.

Escolha a alternativa que lista os biomas corretos, na ordem em que aparecem nas linhas da tabela (I
a IV).
a) I‐Floresta Amazônica; II‐Cerrado; III‐Mata Atlântica; IV‐Caatinga.
b) I‐ Floresta Amazônica; II‐Pampas; III‐Mata Atlântica; IV‐Cerrado.
c) I‐Mata Atlântica; II‐Cerrado; III‐Floresta Amazônica; IV‐Caatinga.
d) I‐Mata Atlântica; II‐Pampas; III‐Floresta Amazônica; IV‐Cerrado.
e) I‐Pampas; II‐Mata Atlântica; III‐Cerrado; IV‐ Floresta Amazônica.

8. Os seres vivos não são entidades isoladas. Eles interagem em seu ambiente com outros seres vivos e
com componentes físicos e químicos. São afetados pelas condições desse ambiente. Com relação ao
ecossistema marinho, assinale a alternativa correta.
a) O Zooplâncton e o Fitoplâncton representam os organismos produtores (autotróficos) nas cadeias
alimentares marinhas.
b) Os consumidores secundários e terciários, nos mares, são representados principalmente por
peixes.
c) No ambiente marinho, não existem decompositores.
d) As diatomáceas são os principais representantes do Zooplâncton.
e) Todos os seres do Zooplâncton marinho são macroscópicos.

10
Biologia

9. [...] Então, a travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de uma estepe nua. Nesta, ao
menos, o viajante tem o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das planuras francas. Ao passo
que a outra o afoga; abrevia-lhe o olhar; agride-o e estonteia-o; enlaça-o na trama espinescente e não o
atrai; repulsa-o com as folhas urticantes, com o espinho, com os gravetos estalados em lanças, e
desdobra-se- lhe na frente léguas e léguas, imutáveis no aspecto desolado; árvore sem folhas, de galhos
estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos
pelo solo, lembrando um bracejar imenso, de tortura, da flora agonizante [...]
CUNHA, E. Os sertões. Disponível em http://pt.scribd.com. Acesso em: 02 junho, 2012.

Os elementos da paisagem descritos no texto correspondem a aspectos biogeográficos presentes na


a) composição de vegetação xerófila.
b) formação de florestas latifoliadas.
c) transição para mata de grande porte.
d) adaptação à elevada salinidade.
e) homogeneização da cobertura perenifólia.

10. Dentre outras características, uma determinada vegetação apresenta folhas durante três a quatro
meses ao ano, com limbo reduzido, mecanismo rápido de abertura e fechamento dos estômatos e caule
suculento. Essas são algumas características adaptativas das plantas ao bioma onde se encontram.
Que fator ambiental é o responsável pela ocorrência dessas características adaptativas?
a) Escassez de nutrientes no solo.
b) Estratificação da vegetação
c) Elevada insolação.
d) Baixo pH do solo.
e) Escassez de água.

11
Biologia

Gabarito

1. E
Organismos que nadam ativamente são considerados nectonicos . Flutuadores são plânctons e aqueles
que vivem fixos ou rastejantes no fundo do ambiente aquático são considerados bentônicos.

2. A
A correnteza dificulta o aumento da densidade dos plânctons, pois eles são facilmente levados. Assim,
o ambiente 1 é o Rio. O ambiente 2 é um lago, pois é um ambiente aquático CONTINENTAL (exclui-se o
oceano), cuja água parada permite o grande desenvolvimento das cominidades planctônicas.

3. E
O bioma amazônico é composto por vários ecossistemas distintos, como a Mata de terra firme, Mata de
Várzea e o Igapó. Trata-se do mais bioma brasileiro que ainda tem o menor desmatamento.

4. A
As camadas mais antigas são formadas por florestas úmidas, pela grande presença de esporos
fossilizados de samambaias, pteridófitas dependentes de água para a reprodução. A camada
intermediária pode pertencer ao cerrado, pelas gramíneas (o mais clássico é a presença de arbustos
retorcidos), por fim, a camada mais superficial se refere à caatinga, pela presença de pólen de cactos.

5. E
Os solos de florestas tropicais é infértil e improdutivo sem a presença do material orgânico rapidamente
reciclado que cai sobre o solo, processo realizado pelos decompositores.

6. D
A plataforma continental está exemplificada na amostra A, em que algas; já na amostra B, o ambiente
terrestre (plantas e grãos de pólen); o ambiente C apresenta plânctons; a amostra D apresenta seres
classificados como bentos: se fixam ao substrato marinho.

7. D
A mata atlântica tem o estrato arbóreo e fica situada na região litorânea do Brasil, na região tropical e
subtropical. Já os pampas, situados na região sul do país predomina o estrato herbáceio típico de uma
região mais temperada. A floresta amazônica fica situada na região equatorial e assim como a mata
atlântica, possui um estrato arbóreo. O cerrado por sua vez possuem os três tipos de estratos e fica
situado na região central do Brasil, clima tropical.

8. B
Os peixes são consumidores secundários e terciários, visto que os principais produtores são
fitoplânctons e principais consumidores primários são os zooplânctons.

9. A
Os sertões, de Euclides da cunha, retrata o bioma da caatinga, característica por apresentar vegetais com
adaptação aos ambientes secos, conhecidas como xerófilas.

10. E
Essas são adaptações ao ambiente seco, permitindo a sobrevivência desses vegetais nas condições de
escassez de água.

12
Filosofia

Período Helenista

Resumo

Na época em que Alexandre Magno conquistou a Grécia, o Egito e todo o Oriente Médio, construindo um
verdadeiro império intercontinental e dando início ao período histórico conhecimento
como helenismo, a filosofia antiga passou por
grandes transformações. Aristóteles, o último
grande filósofo do período sistemático, havia
morrido e, após ele, o que se formou foi uma série
de correntes filosóficas divergentes, conhecidas
como filosofias helenísticas. Tais correntes
constituíram a última fase da filosofia antiga e duraram desde o século IV a.C. até o
século
VI d. C., depois da queda do Império Romano do Ocidente, quando o imperador bizantino Justiniano proibiu
definitivamente a promoção de qualquer vertente de pensamento pagã.
Antes de tratarmos de cada uma dessas correntes em específico, é necessário compreender o que todas
elas tinham em comum: tratavam-se de vertentes filosóficas fundamentalmente éticas, isto é, voltadas para
a questão da conduta e da ação humanas. Suas preocupações, muito mais do que com problemas teóricos
e especulativos, como a origem do mundo, o fundamento do conhecimento e a ordem do universo, era com
questões práticas, em particular aquela que diz respeito à boa vida, isto é, à felicidade humana. Para os
helenísticos, não é que as questões teóricas não fossem relevantes ou que a realidade não devesse ser
compreendida, mas sim que estas coisas são importantes apenas porque ajudam o homem a viver melhor -
e não o contrário.
No plano político, a antiga liberdade do cidadão grego, exercida no contexto de autonomia de suas cidades,
foi abalada pelo domínio macedônico, ocorrendo um declínio da participação do cidadão nos destinos da
pólis. As preocupações coletivas da pólis cederam lugar às preocupações pessoais, a reflexão política
enfraqueceu-se e a vida privada tornou-se o centro das investigações filosóficas. As principais correntes
filosóficas desse período vão tratar da intimidade, da vida pessoal e interior do ser humano. Formulam-se,
então, diversos modelos de conduta, “artes de viver”, “filosofias de vida”.
Parece que a principal preocupação dos filósofos era proporcionar às pessoas desorientadas e inseguras
com a vida social alguma forma de paz de espírito, de felicidade interior em meio àsatribulações da época.
um dos principais filósofos desse período, epicuro, aconselhava que as pessoas se afastassem dos perigos
e da intranquilidade da vida política e buscassem a felicidade em sua vida privada. “Viva oculto” era um de
seus mandamentos. Dentre as correntes helenistas podemos destacar o epicurismo, o estoicismo, o
pirronismo e o cinismo.

1
Filosofia

Para o epicurismo, o homem vive dividido entre duas possibilidades básicas: o prazer e a dor. Sua felicidade,
assim, consiste em obter o maior prazer e a menor dor
possíveis. Isto, porém, não significa que o epicurismo
seja hedonismo, ou seja, uma busca desenfreada por
prazer. Ao contrário, segundo Epicuro, fundador da
escola, há muitas dores passageiras que, a longo prazo,
geram prazeres enormes (como estudar muito para
passar no vestibular), assim como há prazeres intensos
que depois promovem dores maiores (como beber muito
e ficar de ressaca). A busca pelo prazer e a fuga da dor,
portanto, não deve ser impulsiva e irracional, mas
ponderada e equilibrada. Atomistas, os epicuristas diferenciavam-se de Demócrito, porque não achavam
que tudo é determinado pela constituição dos átomos, mas sim que o homem é livre em sua decisões.
Para alcançar a felicidade, um estado de ausência de dor (denominado ataraxia), os epicuristas defendiam
então que era preciso aprender a desfrutar dos prazeres concretos, perenes. Para isso, era preciso aprender
a dominar o imediatismo e os prazeres exagerados da paixão, como medo, apego, cobiça etc. Esse estado
de impertubabilidade da alma só poderia ser alcançado com a prática dos prazeres que encantam o espírito,
como a contemplação das artes em geral e boa conversação.
O estoicismo é a corrente filosófica de maior influência do período helenista.
Para o estocismo, a felicidade humana consiste na ataraxia, tranquilidade da
alma, ou apatheia, ausência de perturbações. Tal tranquilidade é obtida quando
o homem, guiando-se por sua razão, vence o poder das paixões e sentimentos
sobre seu ânimo. Toda a realidade é guiada pela razão (toda a natureza, os
indivíduos, os seres), sendo assim, um desencontro com a razão (entrega as
paixões) traz infelicidade. Até aquilo que chamamos de Deus é racioanl, sendo
a fonte dos princípios que regem a realidae. Este guiar-se pela razão é a grande
meta da filosofia estóica e se obtém, segundo Zenão, fundador da escola,
a partir do momento em que o homem reconhece que essa razão
universal
e divina que rege e conduz o mundo. Ao reconhecer que o mundo é mantido pela Razão, o ser humano
percebe que a realidade possui uma estrutura lógica e coerente à qual o homem, para ser feliz, precisa
vincular-se.
Integrado à natureza, não há para onde o ser humano fugir nem onde se esconder, além do mundo onde
vivemos. Reconehcendo a razão que guia o mundo, o dever do homem é seguir essa razão para alcançar a
felicidade. Frente aos sobressaltos da vida, é preciso aceitar e compreender os princípios racionais que
regem a existência. Os estoicos defendiam que essa serenidade se obtém através de uma atitude de
austeridade física e moral, baseada em virtudescomo a resistência ante o sofrimento, a coragem ante o
perigo, a indiferença ante as riquezas materiais.
Para o ceticismo, que tem Pirro como seu principal expoente (sendo a
corrente chamada també de pirronismo) a ataraxia, tranquilidade da alma, é
obtida através da suspensão do juízo, isto é, do abandono de toda e qualquer
convicção substantiva. Com efeito, para os céticos, tudo é duvidoso,
questionável e não se pode ter certeza de coisa alguma. Assim, as
crenças convictas e firmes, seja no atomismo, na razão universal ou em
qualquer outra coisa, muito mais do que satisfação, geram dor e
incômodo, uma vez que podem sempre ser postas em xeque. A felicidade,
portanto,

2
Filosofia

encontra-se não em agarrar-se a uma visão de mundo específica, mas


em perceber a relatividade de todas as crenças e suspender o juízo
a
respeito de tudo. Para Pirro, o verdadeiro sábio é aquele que se fecha em si mesmo e silencia, isto é não
emite nenhum juízo. Só isso lhe trará felicidade. É possível relacionar o pensamento ceticismo com o
pensamento sofista, principalmente a Górgias, considerado pai do ceticismo absoluto.

Para o cinismo, a felicidade é obtida pela autarkeia: a


autossuficiência, o autodomínio. No seu entendimento, por sua
vez, isto só se consegue mediante uma vida totalmente
dedicada à prática filosófica e um rompimento radical com os
padrões morais e sociais estabelecidos. levavam ao extremo a
tese socrática de que o ser humano deve procurar conhecer a si
mesmo e desprezar todos os bens materiais. Tais pensadores,
por isso, viviam de maneira totalmente anárquica: sem teto, nas ruas, como mendigos. Diógenes, por
exemplo, o mais famoso membro da escola, era conhecido como o “Sócrates louco”, pois extremou a atitude
irônica questionando os transeuntes sobre convenções sociais e vivia conforme seus estritos padõres
morais. Morava em um barril, masturbava-se em público e perambulava pelas ruas com uma lamparina
dizendo estar à procura de um único homem honesto. Por este comportamento subversivo, tais filósofos
foram comparados a cães (kynos), o que explica o nome da corrente e que não tem nada a ver com o sentido
que damos hoje ao termo “cinismo”.

3
Filosofia

Exercícios

1. XI. Jamais, a respeito de coisa alguma, digas: “Eu a perdi”, mas sim: “eu a restituí”. O filho morreu? Foi
restituído. A mulher morreu? Foi restituída. “A propriedade me foi subtraída”, então também foi
restituída. “Mas quem a subtraiu é mau”. O que te importa por meio de quem aquele que te dá a pede
de volta? Na medida em que ele der, faz uso do mesmo modo de quem cuida das coisas de outrem.
Do mesmo modo como fazem os que se instalam em uma hospedaria.
EPICTETO. Encheirídion. In: DINUCCI, A. Introdução ao Manual de Epicteto. São Cristóvão: UFS, 2012 (adaptado).

A característica do estoicismo presente nessa citação do filósofo grego Epicteto é


a) explicar o mundo com números.
b) identificar a felicidade com o prazer.
c) aceitar os sofrimentos com serenidade.
d) questionar o saber científico com veemência.
e) considerar as convenções sociais com desprezo.

2. Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma maneira, nada
existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas segundo a lei e o costume, nada
sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta doutrina, nada procurando evitar
e não se desviando do que quer que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães,
nada deixando ao arbítrio dos sentidos.
LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças dos filósofos Ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988.

O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por:


a) Desprezar quaisquer convenções e obrigações da sociedade.
b) Atingir o verdadeiro prazer como o princípio e o fim da vida feliz.
c) Defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma certeza.
d) Aceitar o determinismo e ocupar-se com a esperança transcendente.
e) Agir de forma virtuosa e sábia a fim de enaltecer o homem bom e belo.

3. Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem
naturais nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor se não
satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente desfeito, quando é difícil obter
sua satisfação ou parecem geradores de dano.
EPICURO DE SAMOS. Doutrinas principais. In: SANSON, V. F. Textos de filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 1974.

No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim


a) alcançar o prazer moderado e a felicidade.
b) valorizar os deveres e as obrigações sociais.
c) aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação.
d) refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.
e) defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.

4
Filosofia

4. Em meados do século IV a.C., Alexandre Magno assumiu o trono da Macedônia e iniciou uma série de
conquistas e, a partir daí, construiu um vasto império que incluía, entre outros territórios, a Grécia.
Essa dominação só teve fim com o desenvolvimento de outro império, o romano. Esse período ficou
conhecido como helenístico e representou uma transformação radical na cultura grega. Nessa época,
um pensador nascido em Élis, chamado Pirro, defendia os fundamentos do ceticismo. Ele fundou uma
escola filosófica que pregava a ideia de que:
a) seria impossível conhecer a verdade.
b) seria inadmissível permanecer na mera opinião.
c) os princípios morais devem ser inferidos da natureza.
d) os princípios morais devem basear-se na busca pelo prazer.
e) que os princípios morais são definidos por Deus.

5. O mundo me condena, e ninguém tem pena


Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia.

Assinale a sentença do filósofo grego Epicuro cujo significado é o mais próximo da letra da canção
“Filosofia”, composta em 1933 por Noel Rosa, em parceria com André Filho.
a) É verdadeiro tanto o que vemos com os olhos como aquilo que apreendemos pela intuição mental.
b) Para sermos felizes, o essencial é o que se passa em nosso interior, pois é deste que nós somos
donos.
c) Para se explicar os fenômenos naturais, não se deve recorrer nunca à divindade, mas se deve
deixá-la livre de todo encargo, em sua completa felicidade.
d) As leis existem para os sábios, não para impedir que cometam injustiças, mas para impedir que
as sofram.
e) A natureza é a mesma para todos os seres, por isso ela não fez os seres humanos nobres ou
ignóbeis, e, sim suas ações e intenções.

5
Filosofia

6. Em relação às Escolas Helenísticas e Imperiais, enumere a segunda coluna de acordo com a primeira.
1 - Cinismo.
2 - Epicurismo.
3 - Estoicismo.
4 - Ceticismo.

( ) Fundada por Zenão de Citium, ensinava em Atenas na Stoa Poikilê. Entre seus representantes na
Roma Imperial, destacaram-se Sêneca, Epíteto e Marco Aurélio.
( ) Desenvolveu uma argumentação para mostrar que é necessário suspender o juízo, recusar sua
adesão a todo dogma e alcançar, assim, a tranquilidade da alma. Em Roma, Sexto Empírico foi
considerado um dos seus representantes e escreveu Esboços Pirrônicos.
( ) Devedora da cosmologia desenvolvida por Demócrito de Abdera, construiu uma física materialista
e explicou que o Universo é formado por átomos e pelo vazio. Em Atenas, tinha sua Escola no local
chamado Jardim. Lucrécio foi seu grande representante em Roma.
( ) Seus membros menosprezaram as regras sociais, não se preocupando com normas de condutas.
Destacaram-se como alguns de seus maiores representantes, Diógenes de Sínope e Hipárquia.
A sequência correta é

a) 1, 2, 3, 4.
b) 3, 4, 2, 1.
c) 3, 1, 4, 2.
d) 3, 2, 1, 4.
e) 4, 1, 2, 3.

7. A quem não basta pouco, nada basta.


EPICURO. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985.

Remanescente do período helenístico, a máxima apresentada valoriza a seguinte virtude:

a) Esperança, tida como confiança no porvir.


b) Justiça, interpretada como retidão de caráter.
c) Temperança, marcada pelo domínio da vontade.
d) Coragem, definida como fortitude na dificuldade.
e) Prudência, caracterizada pelo correto uso da razão.

6
Filosofia

8. É preciso dar-se conta de que dentre nossos desejos uns são naturais, os outros vãos, e que dentre
os primeiros há os que são necessários e outros que são somente naturais. Dentre os necessários, há
os que o são para a felicidade, outros para a tranquilidade contínua do corpo, outros, enfim, para a
própria vida. Uma teoria não errônea desses desejos sabe, com efeito, reportar toda preferência e toda
aversão à saúde do corpo e à tranquilidade da alma, posto que aí reside a própria perfeição da vida
feliz. Porque todos os nossos atos visam afastar de nós o sofrimento e o medo [...]
(Epicuro, Doutrinas e máximas. In: VV.AA. Os filósofos através dos textos. São Paulo, Paulus, 1997, p. 43)

De acordo com o filósofo hedonista Epicuro (341-270 a.C) para garantir uma vida feliz e ter uma boa
saúde é necessário cultivar o hábito de...
a) ... buscar o prazer nos exercícios espirituais e na mortificação do corpo.
b) ... evitar as perturbações da alma, cultivar amizades e preservar a liberdade.
c) ... rejeitar a maneira simples e pouco custosa de viver.
d) ... gozar todos os prazeres em todas as circunstâncias.
e) ... conquistar tudo o que se deseja e viver sem contrariedades.

9. “Alexandre desembarca lá onde foi fundada a atual cidade de Alexandria. Pareceu-lhe que o lugar era
muito bonito para fundar uma cidade e que ela iria prosperar. A vontade de colocar mãos à obra fez
com que ele próprio traçasse o plano da cidade, o local da Ágora, dos santuários da deusa egípcia Ísis,
dos deuses gregos e do muro externo.”
Flávio Arriano. Anabasis Alexandri (séc. I d.C.).

Desse trecho de Arriano, sobre a fundação de Alexandria, é possível depreender

a) o significado do helenismo, caracterizado pela fusão da cultura grega com a egípcia e as do


Oriente Médio.
b) a incorporação do processo de urbanização egípcio, para efetivar o domínio de Alexandre na
região.
c) a implantação dos princípios fundamentais da democracia ateniense e do helenismo no Egito.
d) a permanência da racionalidade urbana egípcia na organização de cidades no Império helênico.
e) o impacto da arquitetura e da religião dos egípcios, na Grécia, após as conquistas de Alexandre.

7
Filosofia

10. A respeito da civilização helenística escreveu o erudito Paul Petit: “Não se poderá negar a originalidade
da civilização helenística; basta comparar a acrópole de Pérgamo à de Atenas, a história de Políbio à
de Tucídides, o estoicismo ao platonismo.”
(Idel Becker. Pequena História da Civilização Ocidental)

Quanto ao estoicismo, mencionado no texto, uma das escolas filosóficas mais importantes, em se
tratando da filosofia helenística, é correto afirmar que:
a) considerava que a felicidade do homem consistia no prazer, mas distinguia entre os falsos
prazeres materiais e o verdadeiro prazer que se pode alcançar pela renúncia àqueles.
b) julgava que as coisas do mundo físico, que se percebem pelos sentidos, nada mais são do que
cópias das idéias, modelos perfeitos e eternos que só podem ser percebidos pelo espírito.
c) considerava que o mundo material existia objetivamente e a natureza não dependia de idéia
alguma, assim as formas não se situavam num mundo exterior mais elevado e acima dos
fenômenos, mas existiam nas próprias coisas.
d) propunha que o segredo da felicidade residia, não na procura sôfrega do prazer, mas no perfeito
equilíbrio do espírito, que permite aceitar com a mesma serenidade a sorte ou a desgraça, a
riqueza ou a pobreza, o prazer ou a dor.
e) duvidava de tudo e negava que o homem pudesse alcançar a verdade, sendo assim o homem
deveria desistir das infrutíferas cogitações sobre a verdade absoluta e deixar de preocupar-se,
meditando sobre o bem e o mal. Só a renúncia a toda e qualquer certeza pode trazer a felicidade.

8
Filosofia

Gabarito

1. C
A principal característica do estoicismo que está presente neste trecho citado na questão é a aceitação
do destino com resignação, com serenidade.

2. C
O ceticismo é uma corrente de conhecimento que defende que o homem não é capaz de alcançar
nenhuma certeza sobre a verdade, o que causa uma dúvida constante e uma incapacidade de conhecer
qualquer tema.

3. A
A doutrina epicurista é uma doutrina do prazer. O caminho da felicidade está na tranquilidade e na
ausência da dor. Mas não se trata de buscar irrefreadamente o prazer. A satisfação ilimitada e imeditada
de desejos causa mais dor que felicidade. Então o prazer epicurista está submetido a racionalidade, a
natureza e a necessidade. Por isso, o prazer deve ser moderado pela crítica da razão humana.

4. A
Também chamado de ceticismo prático, o pirronismo baseia-se na ideia de que é impossível conhecer
a realidade, que é sempre contingente e mutável. Assim, o que restaria ao homem seria renunciar a
busca pela verdade, exatamente como se afirma na alternativa A.

5. B
Fica evidente na canção de Noel Rosa que a forma como o sambista propõe uma conduta e uma postura
frente a vida está conectada com desejo considerados necessários para o epcurismo. Dedicando-se a
si, sua elevação e à música, o sambista admite uma conduta livre de falsas necessidades como riqueza
e poder, que não trazem alegria.

6. B
1 - Cinismo - Doutrina que defende o menosprezo pelas regras sociais, que se configuram como formas
de limitar o homem de alcançar seu próprio estatuto de ser humano, já que o distancia de sua natureza
e faz com que viva sob a égide de hipocrisias e incoerências. Ter riqueza, prestígio e poder não levam à
felcicidade, ao contrário, nos afastam de seu caminho
2 - Epicurismo - Defende que a felicidade se alcança pela satisfação de desejos. No entanto, essa
doutrina recohece que os desejos imediatos, submetidos à paixão e ilimitados são nocivos, pois nos
prendem num ciclo de satisfação inquebrável, levando à frustração. Devemos nos concentrar naquilo
que está ao nosso alcance e no que é simples, básico, indispensável.
3 - Estoicismo. - Essa doutrina defende que o mundo é regido por uma ordem lógica comparável à um
divindade, o que torna o destino produto da ação dessa ordem. Assim, agir contra o destino lutando por
nossos desejos e, principalmente, pelo que está fora do nosso alcance, é irracional e traz dor. Devemos
amar o destino, pois ele vem da logos e tudo que é racional é bom.
4 - Ceticismo. Não existe possibilidade de encontrar uma verdade absoluta para o cético. Isso significa
que qualquer afirmação ou julgamento sobre algo que não seja evidente e imediatamente demonstrável
não faz sentido. Devemos então suspender o juízo sobre essas coisas e focar em compreender aquilo
que podemos realmente conhecer, uma parcela limitada da verdade.

7. C

9
Filosofia

A máxima da proposta epicurista visa a ataraxia (imperturbabilidade da alma) através da busca pelos
prazeres. Porém, este prazer deveria ser alcançado através da virtude da temperança que demonstra a
moderação da vontade e dos prazeres.

8. B
O epicurismo estabelece que a felicidade só pode ser alcançada através dos desejos. No entanto,
destaca que a entrega às paixões e aso desejos exagerados e imediatos afastam o homem da condição
de ataraxia. Para alcançar a plenitude, é importante hierarquizar a vontade, controlar as paixões e se
dedicar a atividades agradáveis ao intelecto, como a postura descrita na alternativa B

9. A
O ponto de partida para a formação das filosofias helenistas foi um fator histórico muito concreto: o
domínio de Alexandre Magno sobre a Grécia e todo Oriente, sepultando o regime das cidades-Estado e
fundindo a cultura grega com as orientais.

10. D
A realidade, ou existência, ou mundo, qualquer das concepções da experiência humana é regida por uma
razão superior para os estoicos. A própria ideia de Deus para eles é a fonte da razão que ordena as
ideias e o mundo. Sendo assim, não há para onde ir, para onde fugir e como se esconder dessa ordem.
O que aceontece no mundo e conosco segue essa ordem. Lutar contra ela é é ínutil e causa dor. Ocorre
que essa ordem nem sempre segue nossos desejos, então o que devemo fazer para ser feliz é negar os
desejos e não se afetar, seja pelo que consideramos bom ou ruim para nós.

10
Física

Transmissão de movimento

Resumo

Disco ou polia em rotação uniforme


Considere um disco ou uma polia em rotação uniforme em torno do eixo E:

Fonte: Tópicos de Física – Vol.1 – 12ª Ed. 2012

Perceba que A e B são dois pontos quaisquer situados fora do eixo de rotação. Enquanto A percorre ∆SA, B
percorre ∆SB, sendo ∆SA > ∆SB e, portanto, vA > vB. O deslocamento angular ∆φ, entretanto, é igual para os
dois pontos. Então:
𝜔a = 𝜔b

Consequentemente:
TA = T B e fA = f B

Obs.: A velocidade angular da polia é a velocidade angular de qualquer um de seus pontos.

Acoplamento de polias e rodas dentadas


Polias podem ser acopladas por meio de correias ou por contato direto, de modo que uma polia rotando pode
fazer a outra rotar também. Da mesma forma, rodas dentadas podem ser acopladas por contato direto ou por
meio de correntes.
A figura ao lado representa duas polias de raios RA e RB que rotam no mesmo sentido, acopladas por uma
correia que não desliza sobre elas.

1
Física

Fonte: Tópicos de Física – Vol.1 – 12ª Ed. 2012

Aqui, os pontos A e B estão nas periferias das polias. Enquanto A se desloca ∆SA, B se desloca ∆SB. Como
∆SA = ∆SB, temos que:
vA = vB
Observe na figura a seguir que, ao contrário da situação descrita anteriormente, duas polias (ou rodas
dentadas) de raios RA e RB rotam em sentidos contrários, acopladas por contato direto.

Fonte: Tópicos de Física – Vol.1 – 12ª Ed. 2012

Nesse caso, os pontos A e B também estão nas periferias das polias. Enquanto A se desloca ∆SA, B se desloca
∆SB. Não havendo escorregamento na região de contato, cada ponto da periferia de uma polia faz contato
com um único ponto da periferia da outra polia. Assim, ∆SA = ∆SB; portanto:

vA = vB

Perceba que, nas duas situações, temos:

𝜔𝐴 𝑅𝐴 = 𝜔𝐵 𝑅𝐵  2𝜋 fA RA = 2𝜋 fB RB  fA RA = fB RB

2
Física

Exercícios

1. O acoplamento de engrenagens por correia C, como o que é encontrado nas bicicletas, pode ser
esquematicamente representado por:

Considerando-se que a correia em movimento não deslize em relação às rodas A e B, enquanto elas
giram, é correto afirmar que
a) a velocidade angular das duas rodas é a mesma.
b) o módulo da aceleração centrípeta dos pontos periféricos de ambas as rodas tem o mesmo valor.
c) a frequência do movimento de cada polia é inversamente proporcional ao seu raio.
d) as duas rodas executam o mesmo número de voltas no mesmo intervalo de tempo.
e) o módulo da velocidade dos pontos periféricos das rodas é diferente do módulo da velocidade da
correia.

2. Na figura abaixo, temos duas polias de raios R1 e R2 , que giram no sentido horário, acopladas a uma
correia que não desliza sobre as polias.

Com base no enunciado acima e na ilustração, é correto afirmar que:


a) a velocidade angular da polia 1 é numericamente igual à velocidade angular da polia 2.
b) a frequência da polia 1 é numericamente igual à frequência da polia 2.
c) o módulo da velocidade na borda da polia 1 é numericamente igual ao módulo da velocidade na
borda da polia 2.
d) o período da polia 1 é numericamente igual ao período da polia 2.
e) a velocidade da correia é diferente da velocidade da polia 1.

3
Física

3. Em uma obra de construção civil, uma carga de tijolos é elevada com uso de uma corda que passa com
velocidade constante de 13,5 m s e sem deslizar por duas polias de raios 27 cm e 54 cm. A razão
entre a velocidade angular da polia grande e da polia menor é
a) 3.
b) 2.
c) 2 3.
d) 1 2.

4. A figura a seguir ilustra três polias A, B e C executando um movimento circular uniforme. A polia B está
fixada à polia C e estas ligadas à polia A por meio de uma correia que faz o sistema girar sem deslizar.
Sobre o assunto, assinale o que for incorreto.

a) A velocidade escalar do ponto 1 é maior que a do ponto 2.


b) A velocidade angular da polia B é igual a da polia C.
c) A velocidade escalar do ponto 3 é maior que a velocidade escalar do ponto 1.
d) A velocidade angular da polia C é maior do que a velocidade angular da polia A.
e) A velocidade escalar da polia B é igual a da polia A.

5. Considere uma polia girando em torno de seu eixo central, conforme figura abaixo. A velocidade dos
pontos A e B são, respectivamente, 60 cm s e 0,3 m s.

A distância AB vale 10 cm. O diâmetro e a velocidade angular da polia, respectivamente, valem:

a) 10 cm e 1,0 rad s
b) 20 cm e 1,5 rad s
c) 40 cm e 3,0 rad s
d) 50 cm e 0,5 rad s
e) 60 cm e 2,0 rad s

4
Física

6. A figura a seguir ilustra duas catracas fixas, cujos dentes têm o mesmo passo, da roda traseira de uma
bicicleta de marchas que se desloca com velocidade constante, pela ação do ciclista.

Os dentes P e Q estão sempre alinhados e localizados a distâncias RP e RQ (RP > RQ) em relação ao eixo
da roda.
As grandezas , , , e a, representam, respectivamente, a velocidade angular, a velocidade tangencial,
a aceleração angular e a aceleração centrípeta. As duas grandezas físicas que variam linearmente com
o raio e a razão de cada uma delas entre as posições Q e P são:
a) ,  e 0,7
b) a,  e 1,4
c) ,  e 1,4
d) , a e 0,7
e) ,  e 1,4

7. Duas polias estão acopladas por uma correia que não desliza. Sabendo-se que o raio da polia menor é
de 20 cm e sua frequência de rotação f1 é de 3.600 rpm, qual é a frequência de rotação f2 da polia
maior, em rpm, cujo raio vale 50 cm?

a) 9.000
b) 7.200
c) 1.440
d) 720

5
Física

8. O disco da figura gira em torno do centro O com movimento circular uniforme. Nessa situação, o
módulo da velocidade linear do ponto A é ................... ao do ponto B, e o módulo da velocidade angular
do ponto A ............... ao do ponto B. Qual a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima?

a) igual – superior
b) superior – inferior
c) superior – igual
d) inferior – igual
e) inferior – inferior

9. Um pequeno motor a pilha é utilizado para movimentar um carrinho de brinquedo. Um sistema de


engrenagens transforma a velocidade de rotação desse motor na velocidade de rotação adequada às
rodas do carrinho. Esse sistema é formado por quatro engrenagens, A, B, C e D, sendo que A está
presa ao eixo do motor, B e C estão presas a um segundo eixo e D a um terceiro eixo, no qual também
estão presas duas das quatro rodas do carrinho.

Nessas condições, quando o motor girar com frequência fM, as duas rodas do carrinho girarão com
frequência fR . Sabendo que as engrenagens A e C possuem 8 dentes, que as engrenagens B e D
possuem 24 dentes, que não há escorregamento entre elas e que fM = 13,5 Hz, é correto afirmar que
fR , em Hz, é igual a

a) 1,5.

b) 3,0.

c) 2,0.

d) 1,0.

e) 2,5.

6
Física

10. Um ciclista movimenta-se com sua bicicleta em linha reta a uma velocidade constante de 18 km/h. O
pneu, devidamente montado na roda, possui diâmetro igual a 70 cm. No centro da roda traseira, presa
ao eixo, há uma roda dentada de diâmetro 7,0 cm. Junto ao pedal e preso ao seu eixo há outra roda
dentada de diâmetro 20 cm. As duas rodas dentadas estão unidas por uma corrente, conforme mostra
a figura. Não há deslizamento entre a corrente e as rodas dentadas. Supondo que o ciclista imprima
aos pedais um movimento circular uniforme, assinale a alternativa correta para o= número de voltas
por minuto que ele impõe aos pedais durante esse movimento. Nesta questão, considere  = 3 .

a) 0,25 rpm.

b) 2,50 rpm.

c) 5,00 rpm.

d) 25,0 rpm.

e) 50,0 rpm.

7
Física

Gabarito

1. C
Nesse tipo de acoplamento (tangencial) as polias e a correia têm a mesma velocidade linear (v).
Lembrando que v = R e que = 2 f, temos:
vA = vB ARA = BRB (2 fA) RA = (2 fB) RB fARA = fBRB. Grandezas que apresentam produto
constante são inversamente proporcionais, ou seja: quanto menor o raio da polia maior será a sua
frequência de rotação.

2. C
Como não há deslizamento, as velocidades lineares ou tangenciais dos pontos periféricos das polias são
iguais em módulo, iguais à velocidade linear da correia.

3. D
A velocidade linear é a mesma para as duas polias.

4. A
As polias A e B apresentam acoplamento tangencial (por correia): v1 = v2 e B > A.
As polias C e B estão acopladas coaxialmente (mesmo eixo): B = C > A e v3 > v2.= v1.

5. C
Dados: v A = 60cm s; vB = 0,3m s = 30cm s; AB = 10cm.
Da figura dada: RA = RB + AB  RB = RA − 10.
Os dois pontos têm mesma velocidade angular.
vA v 60 30
ωA = ωB  = B  =  2 (RA − 10 ) = RA  RA = 20 cm.
RA RB RA RA − 10
O diâmetro da polia é igual ao dobro do raio do ponto

D = 2 RA  D = 40 cm.

A velocidade angular da polia é igual à do ponto


vA 60
ω = ωA = =  ω = 3 rad s.
RA 20

6. D
Os dentes das duas engrenagens têm o mesmo passo (ou o mesmo comprimento) (p). O número de
dentes (N) de uma engrenagem é dado pela razão entre o comprimento da circunferência e o passo dos
dentes. Ou seja:
2 R
N= .
p
As engrenagens maior e menor têm 20 dentes 14 dentes, respectivamente. Então:
2RQ 2 R P
NQ = e NP = .
p p

8
Física

Fazendo a razão entre essas expressões:


NQ 2RQ p 14 RQ RQ
=   =  = 0,7.
NP p 2RP 20 RP RP
Como as engrenagens estão acopladas coaxialmente (mesmo eixo) as duas têm mesma velocidade
angular ().
Q = P.
Como o movimento é uniforme, a aceleração angular () é nula.
Q = P = 0

A velocidade tangencial (v) é diretamente proporcional ao raio: v =  R.


A aceleração centrípeta (a) é diretamente proporcional ao raio: a = 2 R.
Assim, fazendo as razões pedidas:
vQ  RQ RQ
= = = 0,7.
vP  RP RP

aQ 2 RQ RQ
= = = 0,7.
aP  RP
2
RP

7. C
Nesse tipo de acoplamento, as duas polias têm mesma velocidade linear:
 v1 = 2  π  R1  f1
  v1 = v 2  2  π  R1  f1 = 2  π  R 2  f2  R1  f1 = R 2  f2 
 v 2 = 2  π  R 2  f2
R f 20  3.600
f2 = 1 1  f2 =  f2 = 1.440 rpm.
R2 50

8. D
Como todos os pontos compartilham o mesmo ponto de giro, podemos dizer que a velocidade angular
deles é igual, logo, 𝝎𝑨 = 𝝎𝑩
A equação que relaciona a velocidade angular e a velocidade linear é: 𝒗 = 𝝎𝑹. Sendo R o raio.
Como o raio de B é maior que o raio de A. Podemos dizer que 𝒗𝑨 < 𝒗𝑩

9. A
Os raios das engrenagens (R) e os números de dentes (n) são diretamente proporcionais. Assim:
RA RC nA 8 1
= = = = .
RB RD nB 24 3
- A e B estão acopladas tangencialmente:
v A = v B  2 π fA R A = 2 π f B R B  fA R A = f B R B .
RA 1 fM
Mas : fA = f M  f M R A = f B R B  fB = fM = fM  fB = .
RB 3 3

- B e C estão acopladas coaxialmente:

9
Física

fM
fC = f B = .
3

- C e D estão acopladas tangencialmente:


v C = vD  2 π f C R C = 2 π f D R D  fC RC = f D R D .
RC fM 1 fM
Mas : f D = f R  f C RC = f R R D  fR = fC  fR =  fR = 
RD 3 3 9
13,5
FR =  f R = 1,5 Hz.
9

10. E
A figura abaixo mostra os diversos componentes do mecanismo e suas dimensões.
Denominemos a velocidade angular da coroa e a velocidade angular da catraca e consequentemente
da roda, já que elas rodam solidárias.
Como a coroa e a catraca são interligadas por uma correia podemos dizer que as velocidades lineares
de suas periferias são iguais.

10
Física

Vetores

Resumo

Na Física, temos como objetivo explicar a natureza e, para isso, fazendo diversas medições. Essas medidas
podem ser grandezas escalares ou vetoriais. Vetores são grandezas que apresentam: Modulo, Direção e
Sentido. Vamos entender isso melhor...

• Modulo: Representa a intensidade daquele vetor, podemos pensar nele como o número atrelado aquele
vetor. Normalmente, representamos o modulo do vetor através do “tamanho” desse vetor. Assim se você
encontrar um vetor grandão, é porque esse vetor tem um modulo grande.

• Direção: Representa o eixo onde esse vetor está posicionado. Inicialmente, vamos separar em duas
direções: Horizontal e Vertical. Mais para frente vamos analisar vetores em diagonal e, também, vetores
em direções perpendiculares (para situações em 3D). Mas calma... tudo ao seu tempo.

• Sentido: Representa o sentido para onde esse vetor aponta. Pense que dizer que um vetor está na
horizontal não é o bastante, precisamos dizer se ele está apontando para esquerda ou para direita, por
exemplo.

Dica: Pense que na representação vetorial (o desenho do vetor), a direção e a “traço” e o sentido e a “seta”.
Isso pode ajudar a lembrar. Assim, oh:

O objetivo dessa aula está em entender o que é um vetor e como fazer operações com esses vetores.

Operações Vetoriais
Multiplicação de um escalar por um vetor
Supondo o vetor abaixo:

⟶𝑎⃗
Esse vetor apresenta as seguintes características:
• Direção: Horizontal
• Sentido: Para direita
• Módulo ou intensidade: a = 1 unidade de medida (u.m.)

(para simplificar vamos escrever o módulo do vetor apenas como a.)

1
Física

Dado um vetor 𝑏, vetor esse que apresenta um modulo igual a 3 vezes o modulo do vetor 𝑎. Calculando o
módulo do vetor b, podemos dizer que b = 3a. Logo:

𝑎 ⃗⃗⃗
𝑎 ⃗⃗⃗
𝑎

𝑏⃗ = 3𝑎

Pode-se concluir que o resultado do módulo de b vale 3 unidades.

Obs.: É importante notar que quando se multiplica um vetor por um número escalar, sua direção e sentido não
são alterados, porém caso o escalar seja negativo, a direção do vetor permanece a mesma, mas seu sentido
será invertido.

Adição de vetores
Mesma direção e sentido
Quando efetuamos uma soma de dois vetores que apresentam a mesma direção e sentido, basta fazer a
soma algébrica dos vetores.

𝑎 = 1 𝑢. 𝑚.
𝑏 = 2 𝑢. 𝑚.
𝑆 = 𝑎 + 𝑏 = 3 𝑢. 𝑚.

Mesma direção e sentidos opostos


Quando efetuamos uma soma de dois vetores que apresentam mesma direçao, mas sentidos opostos, a
soma se torna uma subtraçao.

𝑆 = 𝑏 – 𝑎 = 1 𝑢. 𝑚.

2
Física

Obs.: Embora a conta seja uma conta de subtração o desenho é o vetor soma. Isto acontece porque a soma
vetorial não representa uma soma escalar comum. Note também que adotamos sinais para representar
sentidos. O vetor 𝑏 ganhou um sinal + e o vetor 𝑎 ganhou um sinal -.

Direções perpendiculares

𝑎 = 3 𝑢. 𝑚.
𝑏 = 4 𝑢. 𝑚.

O vetor soma é dado pela junção dos vetores, sempre colocando a ponta do primeiro vetor junto do final do
2° vetor como na figura abaixo:

O vetor soma (S) será representado graficamente como uma seta que liga o início do 1° vetor ao final do 2°
vetor. Assim:

Esse método recebe o nome de regra do polígono, mas também podemos utilizar uma outra regra equivalente:
A regra do paralelogramo. A regra do paralelogramo consiste em traçar retas paralelas aos vetores. Assim:

3
Física

Para calcular o valor do vetor S (seu módulo) é preciso usar o Teorema de Pitágoras:

𝑆² = 𝑎² + 𝑏²
𝑆 = 3 + 42 = 9 + 16 = 25
2 2

𝑆 = 5 𝑢. 𝑚.

Direções quaisquer

Aplicando a regra dos paralelogramos, podemos efetuar a soma vetorial dos vetores acima.

São traçadas retas paralelas aos vetores;

O vetor S será o vetor que tem como origem o encontro das origens dos demais vetores e como fim o encontro
das retas paralelas aos vetores.

Desta forma é possível calcular o módulo de S utilizando a fórmula a seguir:

𝑆² = 𝑎² + 𝑏² + 2. 𝑎. 𝑏. 𝑐𝑜𝑠 𝜃

Obs.: Decomposição Vetorial. Fazer a decomposição é projetar o vetor em suas componentes ortogonais
(eixo x e y).

4
Física

Considere um vetor 𝑣0 formando um ângulo 𝛼 em relação a uma direção qualquer. Este vetor pode ser sempre
decomposto em duas direções perpendiculares, sendo:

• 𝑣0 𝑥 componente de 𝑣0 na direção x
• 𝑣0 𝑦 componente de 𝑣0 na direção y

Os módulos destas duas componentes serão dados por:


• 𝑣0 𝑥 = 𝑣0 . cos 𝜃
• 𝑣0 𝑦 = 𝑣0 . sin 𝜃

Subtração de vetores
A operação de subtração de vetores pode ser feita pelas mesmas regras da adição.

Regra do Paralelogramo
1.º Faça linhas paralelas a cada um dos vetores, formando um paralelogramo.
2.º De seguida, faça o vetor resultante, que é o vetor que se encontra na diagonal desse paralelogramo.
3.º Faça a subtração, considerando que A é o vetor oposto de -B.

5
Física

Regra da Poligonal
1.º Junte os vetores, um pela origem, outro pela extremidade (ponta). Faça assim sucessivamente, conforme
o número de vetores que precisa somar.
2.º Faça uma linha perpendicular entre a origem do 1.º vetor e a extremidade do último vetor.
3.º Faça a subtração da linha perpendicular, considerando que A é o vetor oposto de -B.

6
Física

Exercícios

1. É dado o diagrama vetorial da figura. Qual a expressão correta?

a) ⃗ + 𝐶 = −𝐴
𝐵
b) ⃗ =𝐶
𝐴+𝐵
c) ⃗ =𝐴
𝐶−𝐵
d) ⃗ −𝐴=𝐶
𝐵
e) ⃗ +𝐶 =𝐴
𝐵

2.

Uma partícula move-se do ponto P1 ao P4 em três deslocamentos vetoriais sucessivos, 𝑎 , 𝑏⃗ 𝑒 𝑑 . Então o


vetor de deslocamento 𝑑 é
a) c – (𝑎 + 𝑏⃗)
b) 𝑎 + 𝑏⃗ + c
c) (𝑎 + ⃗⃗⃗
c) - 𝑏⃗
d) 𝑎 - 𝑏⃗ + c
e) c - 𝑎 + 𝑏⃗

7
Física

3. Analisando a disposição dos vetores BA, EA, CB, CD e DE, conforme figura a seguir, assinale a
alternativa que contém a relação vetorial correta.

a) CB + CD + DE = BA + EA
b) BA + EA + CB = DE + CD
c) EA – DE + CB = BA + CD
d) EA – CB + DE = BA – CD
e) BA – DE – CB = EA + CD

4. Os vetores 𝑢
⃗ e 𝑣 , representados a seguir, têm módulos, respectivamente, iguais a 8 e 4, e o ângulo Θ
mede 120º.

Qual o módulo do vetor 𝑢


⃗ −𝑣?
a) 3√7
b) 4√7
c) 5√7
d) 3√5
e) 4√5

8
Física

5. Considere a árvore de natal de vetores, montada conforme a figura a seguir.

A alternativa correta que apresenta o módulo, em cm, do vetor resultante é:


a) 4
b) 0
c) 2
d) 6

6. Um foguete foi lançado do marco zero de uma estação e após alguns segundos atingiu a posição (6,6,7)
no espaço, conforme mostra figura. As distâncias são medidas em quilômetros.

Considerando que o foguete continuou sua trajetória, mas se deslocou 2 km para frente na direção do
eixo-x, 3 km para trás na direção do eixo-y, e 11 km para frente, na direção do eixo-z, então o foguete
atingiu a posição.
a) (17, 3, 9)
b) (8, 3, 18)
c) (6, 18, 3)
d) (4, 9, -4)
e) (3, 8, 18)

9
Física

7. Uma pessoa sai para dar um passeio pela cidade, fazendo o seguinte percurso: sai de casa e anda 2
quarteirões para o Norte; dobra à esquerda andando mais 2 quarteirões para Oeste, virando, a seguir,
novamente à esquerda e andando mais dois quarteirões para o Sul. Sabendo que cada quarteirão mede
100m, o deslocamento da pessoa é:
a) 700m para Sudeste
b) 200m para Oeste
c) 200m para Norte
d) 700m em direções variadas
e) 0m

8. Os ponteiros de hora e minuto de um relógio suíço têm, respectivamente, 1 cm e 2 cm. Supondo que
cada ponteiro do relógio é um vetor que sai do centro do relógio e aponta na direção dos números na
extremidade do relógio, determine o vetor resultante da soma dos dois vetores correspondentes aos
ponteiros de hora e minuto quando o relógio marca 6 horas.
a) O vetor tem módulo 1 cm e aponta na direção do número 12 do relógio.
b) O vetor tem módulo 2 cm e aponta na direção do número 12 do relógio.
c) O vetor tem módulo 1 cm e aponta na direção do número 6 do relógio.
d) O vetor tem módulo 2 cm e aponta na direção do número 6 do relógio.
e) O vetor tem módulo 1,5 cm e aponta na direção do número 6 do relógio.

9. Com seis vetores de módulos iguais a 8u, construiu-se o hexágono regular abaixo.

O módulo do vetor resultante desses seis vetores é igual a:


a) 64u
b) 32u
c) 16u
d) 8u
e) zero

10
Física

10. Um homem segue este itinerário: Parte de sua casa, percorre quatro quadras para leste, três quadras
para o norte, três quadras para leste, seis quadras para o sul, três quadras para oeste, três quadras para
o sul, três quadras para o oeste, três quadras para o sul, duas quadras para leste, duas quadras para o
sul, oito quadras para oeste, seis quadras para o norte, e duas quadras para leste. A que distância e em
que direção está ele de seu lar?
a) 3,4 quadras
b) 4,2 quadras
c) 5,8 quadras
d) 8,5 quadras
e) 9,8 quadras

11
Física

Gabarito

1. D
Quando o vetor inverte o sinal, inverte tambem o sentido. Com isso, basta fazer a soma vetorial com o
sentido do vetor invertido.

2. A
Aqui temos uma soma vetorial em que para determinarmos o vetor resultante, utilizamos a regra do
polígono da seguinte forma:
⃗ + ⃗𝒃 + ⃗𝒅 = 𝒄
𝒂 ⃗

Logo, isolando o vetor ⃗𝒅 da equação, temos a resposta:


⃗𝒅 = 𝒄
⃗ − (𝒂 ⃗)
⃗ + 𝒃

3. D
CD + DE + EA = CB + BA ⟶ EA – CB +DE = BA – CD

4. B
Considere a figura

5. C
A questão é puramente uma questão de vetores. Para resolvê-la, basta utilizar a regra do polígono, que
diz que o vetor soma de n vetores consecutivos é dada pela união entre o início do primeiro vetor com o
final do último. Assim, pela figura, o módulo do vetor soma é de 2cm.

6. B
Supondo que “para trás” signifique um deslocamento no sentido negativo, e “para frente” corresponda a
um deslocamento no sentido positivo de cada eixo, segue que a posição atingida pelo foguete é dada por
(6+2, 6-3, 7+11) = (8,3,18).

7. B
O descolamento significa a diferença da posição final pela posição inicial.Observando a figura abaixo,
podemos concluir que a distância entre a posição final e a posição inicial foi de dois quarteirões, ou seja,
2 . 100 m = 200 m. Para Oeste.

12
Física

8. A

⃗2−v
v ⃗ 1 = ∆v

2 − 1 = 1cm, direção vertical, para cima.

9. B
Podemos primeiro somar 𝒗
⃗ 𝟏, 𝒗 ⃗ 𝟑 e depois 𝒗
⃗ 𝟐𝒆𝒗 ⃗ 𝟒, 𝒗
⃗ 𝟓𝒆𝒗
⃗𝟔
Por geometria vemos que essas duas somas resultam em dois vetores com módulo igual a 16u.

Dessa forma, o módulo do vetor resultante é igual a 16u + 16u = 32u.

10. C
Temos então:
4L + 3N + 3L + 6S + 3O + 3S + 3O + 3S + 2L + 2S + 80 + 6N + 2L = 11L + 9N + 14S + 14O
Como:
O = -L
S = -N
Temos que:
11L + 9N +14(-N) + 14(-L) = -3L -5N
Como estas direções são perpendiculares entre si a solução é dada pelo teorema de Pitágoras:
𝐝 = √𝟑𝟐 + 𝟓𝟐 = √𝟑𝟒 ≅ 𝟓, 𝟖 𝐪𝐮𝐚𝐝𝐫𝐚𝐬

13
Física

Exercícios sobre calorimetria

Exercícios

1. As altas temperaturas de combustão e o atrito entre suas peças móveis são alguns dos fatores que
provocam o aquecimento dos motores à combustão interna. Para evitar o superaquecimento e
consequentes danos a esses motores, foram desenvolvidos os atuais sistemas de refrigeração, em
que um fluido arrefecedor com propriedades especiais circula pelo interior do motor, absorvendo o
calor que, ao passar pelo radiador, é transferido para a atmosfera.
Qual propriedade o fluido arrefecedor deve possuir para cumprir seu objetivo com maior eficiência?
a) Alto calor específico.
b) Alto calor latente de fusão.
c) Baixa condutividade térmica.
d) Baixa temperatura de ebulição.
e) Alto coeficiente de dilatação térmica.

2. Churros é uma composição que normalmente consiste em um tubo de massa de farinha de trigo
recheado com um doce. Suponha que a mãe prepara para a filha, no forno, churros com recheio de
doce de leite. O churros é servido no prato e a menina consegue pegar a parte da massa com a mão,
mas ao abocanhar o churros, afasta-o rapidamente da boca porque sente que o recheio de doce de
leite está bem mais quente que a massa. Assumindo que no instante da retirada de dentro do forno
todas as partes do churros estavam na mesma temperatura, que a parte do doce de leite e a parte da
massa possuem a mesma quantidade de gramas, e que houve fluxo de calor para fora do churros
desse instante até o momento que a menina é servida, a diferença de temperatura entre a massa e o
recheio, quando a menina mordeu, ocorreu porque o

a) calor específico do doce de leite é maior do que o calor específico da massa.


b) calor latente de sublimação do doce de leite é maior do que o calor latente de sublimação da
massa.
c) coeficiente de dilatação térmica da massa é maior do que o coeficiente de dilatação térmica do
doce de leite.
d) calor latente de sublimação do doce de leite é menor do que o calor latente de sublimação da
massa.
e) o coeficiente de dilatação térmica do doce de leite é maior do que o coeficiente de dilatação
térmica da massa.

1
Física

3. Uma garrafa térmica tem como função evitar a troca de calor entre o líquido nela contido e o ambiente,
mantendo a temperatura de seu conteúdo constante. Uma forma de orientar os consumidores na
compra de uma garrafa térmica seria criar um selo de qualidade, como se faz atualmente para informar
o consumo de energia de eletrodomésticos. O selo identificaria cinco categorias e informaria a
variação de temperatura do conteúdo da garrafa, depois de decorridas seis horas de seu fechamento,
por meio de uma porcentagem do valor inicial da temperatura de equilíbrio do líquido na garrafa.
O quadro apresenta as categorias e os intervalos de variação percentual da temperatura.

Para atribuir uma categoria a um modelo de garrafa térmica, são preparadas e misturadas, em uma
garrafa, duas amostras de água, uma a 10ºC e outra a 40ºC, na proporção de um terço de água fria
para dois terços de água quente. A garrafa é fechada. Seis horas depois, abre-se a garrafa e mede-se
a temperatura da água, obtendo-se 16ºC.

Qual selo deveria ser posto na garrafa térmica testada?


a) A
b) B
c) C
d) D
e) E

4. Num dia em que a temperatura ambiente é de 37ºC, uma pessoa, com essa mesma temperatura
corporal, repousa à sombra. Para regular sua temperatura corporal e mantê-la constante, a pessoa
libera calor através da evaporação do suor. Considere que a potência necessária para manter seu
metabolismo é 120 W e que, nessas condições, 20% dessa energia é dissipada pelo suor, cujo valor de
vaporização é igual ao da água (540 cal/g). Utilize 1 cal igual a 4 J.
Após duas horas nessa situação, que quantidade de água essa pessoa deve ingerir para repor a perda
pela transpiração?
a) 0,08 g.
b) 0,44 g.
c) 1,30 g.
d) 1,80 g.
e) 80,0 g.

2
Física

5. Clarice colocou em uma xícara 50 mL de café a 80 ºC, 100 mL de leite a 50 ºC e, para cuidar de sua
forma física, adoçou com 2 mL de adoçante líquido a 20 ºC. Sabe-se que o calor específico do café
vale 1 cal/gºC, do leite vale 0,9 cal/gºC, do adoçante vale 2 cal/gºC e que a capacidade térmica da
xícara é desprezível.

Considerando que as densidades do leite, do café e do adoçante sejam iguais e que a perda de calor
para a atmosfera é desprezível, depois de atingido o equilíbrio térmico, a temperatura final da bebida
de Clarice, em ºC, estava entre
a) 75,0 e 85,0
b) 65,0 e 74,9
c) 55,0 e 64,9
d) 45,0 e 54,9
e) 35,0 e 44,9

6.

Quais são os processos de propagação de calor relacionados à fala de cada personagem?


a) Convecção e condução.
b) Convecção e irradiação.
c) Condução e convecção.
d) Irradiação e convecção.
e) Irradiação e condução.

3
Física

7. Uma quantidade m do material A, de calor específico desconhecido, foi posta em contato térmico com
igual quantidade m do material B, cujo calor específico é cB = 0,22 cal/g.°C. Os materiais em contato
foram isolados termicamente da vizinhança, e a temperatura de cada um foi medida ao longo do tempo
até o equilíbrio térmico entre eles ser atingido. A figura mostra os gráficos de temperatura versus
tempo, resultantes dessas medidas.

O calor específico cA do material A vale:

a) 0,44 cal/g °C

b) 0,33 cal/g °C

c) 0,22 cal/g °C

d) 0,11 cal/g °C

e) 0,06 cal/g °C

8. A água de uma piscina tem 2,0 m de profundidade e superfície com 50 m² de área. Se a intensidade
da radiação solar absorvida pela água dessa piscina for igual a 800 W/m², o tempo, em horas, para a
temperatura da água subir de 20 ºC para 22 ºC, por efeito dessa radiação, será, aproximadamente,
igual a

Dados:
Densidade da água = 1 g/cm³;
Calor específico da água = 1 cal/gºC;
1 cal = 4 J

a) 0,8
b) 5,6
c) 1,6
d) 11
e) 2,8

4
Física

9. Foi realizada uma experiência em que se utilizava uma lâmpada de incandescência para, ao mesmo
tempo, aquecer 100 g de água e 100 g de areia. Sabe-se que, aproximadamente, 1 cal = 4 J e que o
calor específico da água é de 1 cal / gºC e o da areia é 0,2 cal / gºC. Durante 1 hora, a água e a areia
receberam a mesma quantidade de energia da lâmpada, 3,6 kJ, e verificou-se que a água variou sua
temperatura em 8 ºC e a areia em 30 ºC. Podemos afirmar que a água e a areia, durante essa hora,
perderam, respectivamente, a quantidade de energia para o meio, em kJ, igual a
a) 0,4 e 3,0.
b) 2,4 e 3,6.
c) 0,4 e 1,2.
d) 1,2 e 0,4.
e) 3,6 e 2,4.

10. O gráfico mostra o fluxo térmico do ser humano em função da temperatura ambiente em um
experimento no qual o metabolismo basal foi mantido constante. A linha azul representa o calor
trocado com o meio por evaporação (E) e a linha vermelha, o calor trocado com o meio por radiação e
convecção (RC).

Sabendo que os valores positivos indicam calor recebido pelo corpo e os valores negativos indicam o
calor perdido pelo corpo, conclui-se que:
a) em temperaturas entre 36ºC e 40ºC, o corpo recebe mais calor do ambiente do que perde.
b) à temperatura de 20ºC, a perda de calor por evaporação é maior que por radiação e convecção.
c) a maior perda de calor ocorre à temperatura de 32ºC.
d) a perda de calor por evaporação se aproxima de zero para temperaturas inferiores a 20ºC.
e) à temperatura de 36ºC, não há fluxo de calor entre o corpo e o meio.

5
Física

Gabarito

1. A
Da expressão:
𝑸
𝑸 = 𝒎𝒄∆𝜽 → ∆𝜽 =
𝒎𝒄
O fluido arrefecedor deve recebe calor e não sofrer sobreaquecimento. Então, o fluido deve ter alto calor
específico.

2. A
O calor específico do recheio é maior do que a da massa, variando menos rapidamente sua temperatura.

3. D
Desprezando a capacidade térmica da garrafa, pela equação do sistema termicamente isolado
calculamos a temperatura de equilíbrio (Te):
𝒎 𝟐𝒎
∑ 𝑸 = 𝟎 → 𝑸𝒇𝒓𝒊𝒂 + 𝑸𝒒𝒖𝒆𝒏𝒕𝒆 = 𝟎 → 𝒄(𝑻𝒆 − 𝟏𝟎) + 𝒄(𝑻𝒆 − 𝟒𝟎) = 𝟎
𝟑 𝟑
𝑻𝒆 = 𝟑𝟎°𝑪

O módulo da variação de temperatura é:


|∆𝑻| = |𝑻𝒇 − 𝑻𝒆 | = |𝟏𝟔 − 𝟑𝟎| = 𝟏𝟒°𝑪

Calculando a variação percentual:


|∆𝑻| 𝟏𝟒
. 𝟏𝟎𝟎 = . 𝟏𝟎𝟎 ≈ 𝟒𝟔, 𝟕%
𝑻𝒆 𝟑𝟎

4. E
A potência utilizada (PU) na evaporação da água é 20% da potência total (P T) necessária para manter o
metabolismo.
𝑷𝑼 = 𝟎, 𝟐. 𝟏𝟐𝟎 = 𝟐𝟒𝑾

Sabendo que:
𝑸 = 𝑷𝑼 . ∆𝒕 𝒆 𝑸 = 𝒎𝑳
𝒎𝑳 = 𝑷𝑼 ∆𝒕
𝑷𝑼 ∆𝒕 𝟐𝟒(𝟐. 𝟑𝟔𝟎𝟎)
𝒎= = = 𝟖𝟎𝒈
𝑳 𝟓𝟒𝟎. 𝟒

5. C
Considerando sistema termicamente isolado:
𝑸𝒄𝒂𝒇é + 𝑸𝒍𝒆𝒊𝒕𝒆 + 𝑸𝒂𝒅𝒐ç𝒂𝒏𝒕𝒆 = 𝟎
(𝒅𝑽𝒄∆𝜽)𝒄𝒂𝒇é + (𝒅𝑽𝒄∆𝜽)𝒍𝒆𝒊𝒕𝒆 + (𝒅𝑽𝒄∆𝜽)𝒂𝒅𝒐ç𝒂𝒏𝒕𝒆 = 𝟎
𝟓𝟎. 𝟏. (𝜽 − 𝟖𝟎) + 𝟏𝟎𝟎. 𝟎, 𝟗. (𝜽 − 𝟓𝟎) + 𝟐. 𝟐. (𝜽 − 𝟐𝟎) = 𝟎
𝟖𝟓𝟖𝟎
𝜽= ≈ 𝟓𝟗, 𝟔°𝑪
𝟏𝟒𝟒

6
Física

6. E
A propagação de energia oriunda do Sol é por irradiação.
As luvas são feitas de materiais isolantes térmicos, dificultando a condução de calor.

7. D
𝑄𝐴 + 𝑄𝐵 = 0
𝑚𝑐𝐴 (20 − 100) + 𝑚. 0,22. (20 − (−20)) = 0
𝑐𝑎𝑙
𝑐𝐴 = 0,11
𝑔°𝐶

8. B
Calculando a massa de água:
𝑉 = 𝐴𝑏𝑎𝑠𝑒 ℎ
𝑚
𝑑=
𝑉
𝑚
𝑑= → 𝑚 = 𝑑𝐴𝑏𝑎𝑠𝑒 ℎ = 103 . 50.2 = 105 𝑘𝑔
𝐴𝑏𝑎𝑠𝑒 ℎ

Calculando a potência absorvida:


𝑃
𝐼 = → 𝑃 = 𝐼𝐴 = 800.50 = 4. 104 𝑊
𝐴

Da definição de potência e da equação do calor sensível:


𝑄
𝑃 = → 𝑄 = 𝑃∆𝑡
∆t
𝑄 = 𝑚𝑐∆𝜃
𝑚𝑐∆𝜃 105 . 4. 103 . 2
∆𝑡 = = = 2. 104 𝑠
𝑃 4. 104
20000
∆𝑡 = ℎ ≈ 5,6ℎ
3600

9. C
Calculando a quantidade de calor absorvida por cada uma das amostras:
𝑄á𝑔𝑢𝑎 = (𝑚. 𝑐. ∆𝜃)á𝑔𝑢𝑎 = 100.4.8 = 3200𝐽 = 3,2𝑘𝐽
𝑄𝑎𝑟𝑒𝑖𝑎 = (𝑚. 𝑐. ∆𝜃)𝑎𝑟𝑒𝑖𝑎 = 100.0,8.30 = 2400𝐽 = 2,4𝑘𝐽

As quantidades de energias perdidas são:


𝐸á𝑔𝑢𝑎 = 3,6 − 3,2 = 0,4𝑘𝐽
𝐸𝑎𝑟𝑒𝑖𝑎 = 3,6 − 2,4 = 1,2𝑘𝐽

10. D
Análise gráfica.
O gráfico indica que as perdas de calor por evaporação (linha azul, curva E) decrescem com a diminuição
da temperatura ambiente. Mantido o comportamento monotônico associado a essa função, espera-se
que essas perdas se aproximem de zero para temperaturas inferiores a 20 ºC, tal como sugere a
alternativa D.

7
Geografia

Blocos econômicos mundiais

Resumo

Os blocos econômicos correspondem a associações regionais com objetivo de facilitar e incentivar o livre
comércio entre os países, derrubando ou reduzindo as barreiras econômicas. A partir de diferentes medidas,
como a redução de tarifas, impostos ou exigências alfandegárias, é possível aumentar a fluidez de capitais,
bens e pessoas entre os países membros. São uma resposta dos países ao processo de globalização, mas
nem todos os blocos são iguais. Existem diferentes níveis de integração e, portanto, diferenças significativas
em seus objetivos. Do mais simples ao mais complexo, sempre incorporando a característica do anterior, é
possível classificá-los como:
• Zona de Livre Comércio: busca facilitar a livre circulação de mercadorias e capitais dentro dos limites
do bloco, estabelecendo uma tarifa interna comum (TIC). O Nafta, atualmente denominado UMSCA,
é um grande exemplo.
• União Aduaneira: Além da existência da TIC, é definida uma tarifa externa comum (TEC). Além de
facilitar a livre circulação de mercadorias entre os países membros, busca definir tarifas únicas para
negociar com outros países. O que possibilita esse tipo de bloco negociar com outros países ou
outros blocos, buscando vantagens econômicas. O Mercosul é um exemplo.
• Mercado Comum: possui todas as características dos blocos anteriores, porém apresenta uma
integração mais ambiciosa, buscando-se uma padronização da legislação econômica, fiscal e
trabalhista. O objetivo é a livre circulação de capitais, serviços e pessoas.
• União Monetária e Política: é o maior nível de integração dos blocos. Além de possuir uma moeda
única e consequentemente a criação de um Banco Central, busca também uma unificação legislativa
profunda, superando os limites dos Estados. O único exemplo é a União Europeia e o tão famoso
Banco Central Europeu, bem como o Parlamento Europeu.

Esquema representativo dos níveis de integração dos blocos econômicos.

1
Geografia

União Europeia (UE)


União Monetária e Política formalmente criado em 1992, a partir do Tratado de Maastricht para estabelecer
uma cooperação econômica e política entre os países europeus. É um dos exemplos de blocos mais
avançados apresentando uma integração econômica, social e política, moeda comum, livre circulação de
pessoas e funcionamento de um parlamento único. Recentemente, com a crise de migração enfrentada pelo
velho continente, observou-se a criação de uma polícia de fronteiras. O bloco é composto por 28 países
membros. Em junho de 2016, através de um plebiscito, o Reino Unido decretou a saída do bloco econômico,
que deve ocorrer em 31 de janeiro de 2020.
O embrião do bloco surgiu em meados de 1957, com a criação da Comunidade Econômica Europeia (CEE).
Era formada apenas pela: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Esta organização
também era chamada de “Europa dos 6”. O contexto de criação da CEE foi na Guerra Fria, momento em que
o mundo vivia a bipolarização entre os norte-americanos e soviéticos. O maior objetivo era formar uma aliança
para fortalecer as comunidades europeias, recuperar suas economias e enfrentar o avanço da influência
norte-americana. Nesse mesmo contexto, a Europa buscava se reconstruir dos danos da Segunda Guerra
Mundial e, bem como, garantir a paz. Dessa forma, outra intenção foi construir uma força militar e de
segurança. Na década de 1980 outros países integraram a CEE como a: Reino Unido, Grécia, Espanha,
Dinamarca, Irlanda e Portugal. Com a adesão destes países, a comunidade europeia se chamaria de “Europa
dos 12”.
Tratado de Maastricht (1992) propôs uma integração e cooperação econômica, buscando harmonizar os
preços e as taxas de importação. Em 1999 foi projetada a união monetária, a qual consistia na criação de um
Banco central e da moeda única, o Euro. Esta nova moeda foi capaz de gerar profundas mudanças no cenário
geopolítico e pode dar condições de fortalecer a economia. Nem todos os países membros são permitidos
adotar o Euro ou eles mesmos não desejam, como o caso do Reino Unido que manteve a libra esterlina como
moeda principal. Outro acordo interno é o Espaço Schengen, no qual estabelece a livre circulação de pessoas,
novamente, nem todos os países que pertencem a União Europeia fazem parte desse acordo.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Europeia

2
Geografia

Mercado Comum do Sul (Mercosul)


União Aduaneira criada a partir do Tratado de Assunção, em 1991, pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Seu objetivo é futuramente formar um Mercado Comum, com livre circulação de pessoas, porém as
disparidades econômicas entre os membros, a baixa cooperação regional do Brasil e Argentina, além do
caráter primário da maioria das exportações dos países membros, dificultam o desenvolvimento do bloco.
A Venezuela foi efetivada ao posto de quinto membro
efetivo do bloco, em 2012, após uma verdadeira crise
política no governo de Dom Fernando Lugo, no Paraguai.
Esse país se posicionava contra a entrada da Venezuela,
porém devido à suspensão do Paraguai em meio à crise
política, a entrada da Venezuela foi aprovada. Hoje, a
Venezuela se encontra suspensa desde 2017 por ruptura
da ordem democrática. A Bolívia é outro país que possui
interesse em fazer parte do Mercosul, manifestando seu
interesse formalmente desde 2015. Sua entrada já está
aprovada por todos os países, todavia falta a efetivação
pelo Congresso brasileiro.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_Comum_do_Sul

North American Free Trade (NAFTA)


Zona de Livre Comércio, criada em 1992, por Canadá, Estados Unidos e México. Denominado Tratado de Livre
Comércio das Américas esse bloco busca reduzir as tarifas alfandegárias entre os países membros. Desde
sua criação a troca entre os países cresceu vertiginosamente, criando uma grande dependência do Canadá e
do México para com os Estados Unidos. Desde a Crise de 2008 que afetou a economia americana e o mundo,
o acordo é questionado, uma vez que as duas menores economias do bloco tiveram que procurar maior
diversificação dos seus mercados. Mais recentemente, Donald Trump, pressionando ambas as economias,
buscou a renegociação desse acordo, agora denominado USCAM, simplesmente a junção das siglas dos
respectivos países. Todavia, para o acordo entrar em vigor, em 2020, falta apenas a assinatura do congresso
americano, que impõem certas dificuldades aos projetos do republicano.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Norte-Americano_de_Livre_Com%C3%A9rcio

3
Geografia

Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN)


É uma organização intergovenamental criada em 1967, a partir do Tratado de Amizade e Cooperação. A partir
de 1992, foi implantada uma zona de livre comércio entre os países membros. É composto por Tailândia,
Filipinas, Malásia, Cingapura, Indonésia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos e Camboja. Seus principais objetivos
são estimular o comércio entre os países membros, além de garantir uma estabilidade política e econômica
na região.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Associa%C3%A7%C3%A3o_de_Na%C3%A7%C3%B5es_do_Sudeste_Asi%C3%A1tico

4
Geografia

Exercícios

1. México, Colômbia, Peru e Chile decidiram seguir um caminho mais curto para a integração regional. Os
quatro países, em meados de 2012, criaram a Aliança do Pacífico e eliminaram, em 2013, as tarifas
aduaneiras de 90% do total de produtos comercializados entre suas fronteiras.
OLIVEIRA, E. Aliança do Pacífico se fortalece e Mercosul fica à sua sombra. O Globo, 24 fev. 2013 (adaptado).

O acordo descrito no texto teve como objetivo econômico para os países-membros


a) promover a livre circulação de trabalhadores.
b) fomentar a competitividade no mercado externo.
c) restringir investimentos de empresas multinacionais.
d) adotar medidas cambiais para subsidiar o setor agrícola.
e) reduzir a fiscalização alfandegária para incentivar o consumo.

2. “As recentes crises entre o Brasil e a Argentina mostram o esgotamento do modelo mercantilista no
Mercosul", afirma o diretor-geral do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri). A imposição
argentina de cotas para produtos brasileiros, como os de linha branca, e a ameaça de adoção de
salvaguardas comerciais indicam que o Mercosul foi construído sobre bases equivocadas. Segundo o
diretor, a noção de que é possível exportar "sem limites” para um determinado parceiro comercial
representa uma mentalidade “fenícia", ou seja, uma visão comercial de curto prazo.
JULIBONI, M. Disponível em: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 7 dez. 2012 (adaptado).

Nas últimas décadas foram adotadas várias medidas que objetivavam pôr fim às desconfianças
mútuas existentes entre o Brasil e a Argentina. Os conflitos no interior do bloco têm se intensificado,
como na relação analisada, caracterizada pela
a) saturação dos produtos industriais brasileiros, que o mercado argentino tem demonstrado.
b) adoção de barreiras por parte da Argentina, que intenciona proteger o seu setor industrial.
c) tendência de equilíbrio no comércio entre os dois países, que indica estabilidade no curto prazo.
d) política de importação da Argentina, que demonstra interesse em buscar outros parceiros
comerciais.
e) estratégia da indústria brasileira, que buscou acompanhar as demandas do mercado consumidor
argentino.

5
Geografia

3. Em 1 de Janeiro de 1994, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) entrou em vigor.
O NAFTA criou uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, que agora liga 450 milhões de
pessoas que produzem 17 trilhões de dólares em bens e serviços. O comércio entre os países do
NAFTA vem crescendo desde que o acordo entrou em vigor.
Disponível em: http://www.ustr.gov. Acesso em: 08/12/2013

O NAFTA se tornou um dos mais importantes blocos econômicos do mundo, apesar de fazer parte dele
apenas
a) EUA, Canadá, Venezuela e Brasil.
b) EUA, Canadá e Inglaterra.
c) EUA, Canadá, Brasil e Argentina.
d) EUA, Canadá e México.
e) EUA, Canadá, México e Brasil.

4. A abertura comercial e a livre circulação de capitais e serviços em escala mundial, um fenômeno da


globalização, gerou disputas acirradas entre empresas e países no âmbito do mercado global, o que
favoreceu a formação de blocos econômicos regionais - alianças econômicas em que os parceiros
estabelecem relações econômicas privilegiadas. O bloco econômico que, sem adotar uma moeda única,
busca a livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e serviços dos seus países membros e, ao
mesmo tempo, elimina as tarifas aduaneiras internas e adota tarifas comuns para o mercado fora do
bloco, pode ser classificado como:
a) Associação de livre-comércio;
b) União aduaneira;
c) União econômica e monetária;
d) Zona de preferência tarifária;
e) Mercado comum.

5. O afastamento do Reino Unido da União Europeia, que ficou conhecido como Brexit, foi aprovado em
plebiscito em junho de 2016, depois de longas polêmicas acerca das campanhas relacionadas ao
movimento. Sobre o Brexit, é correto afirmar que
a) é um movimento que questiona a globalização e o internacionalismo liberal, defendendo, em seu
lugar, um forte regionalismo ou o fechamento comercial de fronteiras nacionais.
b) se trata de um movimento político realizado pelo Reino Unido, que se afasta da União Europeia para
liderar uma cooperação internacional mútua de países emergentes.
c) acentua a tendência cada vez maior do Reino Unido de expandir suas relações comerciais globais,
principalmente ao sair da União Europeia e dominar outros continentes.
d) demarca o ressurgimento radical de ideias derivadas do liberalismo econômico no Reino Unido,
que busca se afastar da União Europeia, em função do programa governamental socialdemocrata
dos países que formam esse bloco.
e) consolida o projeto de integração da Europa a partir da independência econômica do Reino Unido,
fortalecendo a economia do continente, mesmo que não participe do bloco.

6
Geografia

6. Os arrependidos do Brexit

Painel do artista Banksy na cidade britânica de Dover, onde chegam os navios que cruzam o Canal da Mancha,
provenientes da França

O britânico Will Dry, estudante de política e economia, tinha 18 anos quando votou pela saída do Reino
Unido da União Europeia (UE) no plebiscito de 2016. Dry faz parte de um grupo de arrependidos,
identificados pela hashtag "Bregret" (combinação de "Brexit" e regrei, arrependimento). São eleitores
que se dizem enganados pelas promessas da campanha em defesa da retirada britânica da UE,
principal mente a ideia de que o Reino Unido poderia manter o status de inserção e influência no plano
europeu e mundial sem ter de se submeter à burocracia de uma entidade supranacional.
Adaptado de epoca.globo.com, 02/05/2018.

No âmbito das novas relações com o bloco europeu, parte da população britânica que votou a favor do
Brexit não dimensionou adequadamente a seguinte consequência dessa decisão:
a) ameaças à defesa do território
b) restrições à circulação de riqueza
c) limitações à autonomia do governo
d) riscos à continuidade da democracia
e) obrigação da utilização do euro

7. O Tratado da União Europeia estabelece que qualquer país europeu pode se candidatar à adesão ao
bloco. Porém, um país só pode entrar na União Europeia se cumprir alguns critérios de adesão.
Um país que se candidate a membro desse bloco econômico deve necessariamente
a) ser republicano e possuir economia de mercado, porém submetida a controles constantes por parte
do Fundo Monetário Internacional (FMI).
b) permanecer fiel à legislação do bloco e delegar suas questões de segurança nacional à
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
c) possuir regime monarquista de governo, aceitar a política econômica do bloco e se comprometer
a utilizar o Euro.
d) estar situado na Europa Ocidental e substituir sua Câmara de Deputados e seu Senado pelo
Parlamento Europeu.
e) ter instituições estáveis que garantam a democracia, o Estado de direito e o respeito aos direitos
humanos.

7
Geografia

8. Interpretando o gráfico a seguir podemos constatar que:

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e comércio exterior. Balança comercial Mercosul 2014. Disponível em:
<http://www.mdlc.gov.br/sitio/interna.php?area5&menurefr=2081>.

a) o Brasil apresenta superávit em relação ao Mercosul.


b) a Argentina apresenta superávit em relação ao Mercosul.
c) o Paraguai apresenta déficit em relação ao Mercosul.
d) o Brasil apresenta déficit em relação ao Paraguai.
e) o Uruguai apresenta superávit em relação ao Brasil.

9. Observe a figura a seguir:

Fonte: <https://commons.wkimedia.org/wiki/File:Map_of_NAFTA.png>. Acesso em: 17 ago. 2016.

A região em destaque no mapa representa os países membros do seguinte megabloco econômico:


a) CEE
b) ALCA
c) APEC
d) NAFTA
e) MERCOSUL

8
Geografia

10. Mercosul, NAFTA, União Europeia são os exemplos mais conhecidos de blocos econômicos ou
organizações internacionais definidas por um processo de integração econômica. Para que o processo
se concretize, a teoria do comércio internacional define quatro situações clássicas de integração
econômica. São elas:
a) União Aduaneira, Mercado Comum, polos de atração de investimentos do mundo e Zona de
Preferências Tarifárias.
b) Zona de Livre Comércio, potencial agrícola, investimentos na área de infraestrutura física e União
Aduaneira.
c) União Econômica e Monetária, Zona de Preferências Tarifárias, Zona de Livre Comércio,
investimentos na área de infraestrutura física.
d) Zona de Preferências Tarifárias, Zona de Livre Comércio, União Aduaneira e polos de atração de
investimentos do mundo.
e) Zona de Livre Comércio, União Aduaneira, Mercado Comum e União Econômica e Monetária.

9
Geografia

Gabarito

1. B
A Aliança do Pacífico possui como objetivo gerar uma maior integração econômica entre países,
reduzindo os entraves fiscais que encarecem ou dificultam a circulação de mercadorias. Assim, sem
esses obstáculos, será alcançada, também, uma maior competitividade no mercado externo, já que o país
que conseguir oferecer a produção mais barata terá vantagem significativa.

2. B
Com a criação do Mercosul a partir da década de 1990 intensificou-se o comércio entre os países
membros. O objetivo inicial era criar apenas uma Zona de Livre Comércio, decorrente de um resultado
satisfatório evoluiria para uma União Aduaneira, o que aconteceu em 1994 com o Tratado de Ouro Preto.
Todavia, o bloco apresenta problemas como divergências comerciais, principalmente entre brasileiros e
argentinos, com algumas medidas protecionistas.

3. D
O Nafta reúne três países no qual um se insere de forma periférica. A participação do México no Nafta é
diferente se comparada aos outros dois membros, pois existem muitas diferenças socioeconômicas
entre ele e os Estados Unidos e Canadá.

4. E
As características referem-se a um dos tipos existentes de blocos econômicos, o chamado Mercado
Comum.

5. A
O Brexit constitui o processo de salda do Reino Unido da União Europeia, definido em referendo em 2016.
Trata-se de uma evidência do enfraquecimento do processo de globalização através de blocos
econômicos comerciais. Revela o crescimento da extrema direita populista, nacionalista e xenófoba em
relação aos imigrantes, além do avanço de tendências protecionistas e antiliberais que caracterizam a
desglobalização.

6. B
O resultado inesperado da votação optando pela saída do Reino Unido foi decorrente do alto
comparecimento de idosos, conservadores, extrema direita e outros grupos insatisfeitos com as
condições socioeconômicas, além do temor da entrada de mais imigrantes, a xenofobia. A saída de um
bloco econômico apresenta consequências muito graves para a economia britânica, a perda de parceiros
comerciais, a saída de empresas em direção a outros países europeus, o desemprego, problemas
comerciais em fronteiras (Irlanda / Irlanda do Norte), além das dificuldades para os britânicos que
trabalham em outros países da União Europeia.

7. E
A União Europeia surgiu com o Tratado de Roma em 1957, trata-se do bloco econômico mais sofisticado
em termos de integração (Mercado Comum e União Monetária), uma vez que apresenta princípios além
da interdependência comercial. Para serem aceitos, os países devem ser democracias que apresentem
legislação de proteção aos direitos humanos. O processo de adesão ao bloco e a introdução da moeda
única (euro) passam por consulta à população do país, ou seja, a União Europeia é a organização que
apresenta características democráticas.

10
Geografia

8. A
O Mercosul foi criado em 1991 pelo Tratado de Assunção. Desde então, aumentou bastante o fluxo
comercial entre os países membros. Os membros plenos do bloco adotam a união aduaneira, são: Brasil,
Argentina, Paraguai e Uruguai. Para o Brasil, o Mercosul é vantajoso, uma vez que apresenta superávit
comercial com os demais membros, ou seja, exportações superam importações. A América Latina,
incluindo o Mercosul, é importante importadora de produtos industrializados brasileiros.

9. D
O mapa sinaliza os seguintes países: México, Canadá e Estados Unidos. Eles compõem um bloco
econômico de livre comércio denominado NAFTA - North American Free Trade Agreement (indicado
inclusive na fonte da imagem).

10. E
Os quatro níveis de integração: Zona de Livre Comércio, União Aduaneira, Mercado Comum e União
Econômica e Monetária.

11
Geografia

Economias emergentes, G20 e BRICS

Resumo

O cenário global envolve disputas de poder entre os países. Todos querem ter um bom desenvolvimento,
oferecendo serviços essenciais a sua população, mas as relações geopolíticas interferem muito no
cenário.Os países ricos ou centrais são os que têm bom desenvolvimento econômico e alto índice de
qualidade de vida, medido pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Esse índice é composto por três
indicadores, que de forma gerla, podemos associar às taxas de alfabetização, de esperança de vida ao nascer
e de renda per capita (renda total do país divida pelo número de habitantes). O PIB (Produto Interno Bruto)
também é um índice que ajuda a diferenciar os países ricos dos pobres. Ele mede o total produzido pelo país
nos diferentes setores da economia. Os países periféricos ou pobres são os que tem baixo desenvolvimento
econômico e baixo índice de qualidade de vida. Existem também os países semiperiféricos ou emergentes
que estão subindo, isto é, grande crescimento econômico em contraste com médio e baixo IDH.

O que seria então uma economia emergente?


São países que apresentam um crescente avanço econômico, mas com um IDH baixo ou médio. É muito
comum que os países emergentes tenham uma camada de desigualdade e concentração de renda elevada.
A tríade do capitalismo no cenário de poder no mundo era composta por EUA, Europa e Ásia, sendo o grupo
que mais influenciava as decisões mundiais. Esse bloco de poder cresceu e passou a ser denominado G7,
composto por EUA, Canadá, Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Japão. Depois, ocorreu uma nova expansão
e teve origem o G20, grupo formado pelas principais economias centrais, economias emergentes e países da
União Europeia, cujas as vantagens para os países integrantes vão desde facilitação nas relações comerciais
entre eles à criação de fóruns de discussão para a tomada de decisões conjuntas. Trata-se do bloco dos
países mais influentes do mundo, entre desenvolvidos e emergentes. Esse grupo busca promover a
estabilidade financeira possuindo poder de influenciar e modernizar a estrutura financeira mundial. É
composto por Arábia Saudita, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Japão, África do Sul, Alemanha, França,
Itália, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia (representada pelo Presidente do Conselho Europeu),
Argentina, Brasil, Canadá, Estados Unidos, México e Austrália.

O termo “mercados emergentes” foi criado em 1981, por Antoine Van Agtmael, economista que queria
incentivar as sociedades financeiras a investir no mercado asiático, com forte crescimento nessa época. O
sucesso desse primeiro investimento em mercados emergentes foi enorme e se confirmou durante toda a
década de 80. Esses mercados eram mais rentáveis tanto a curto quanto a longo prazo.

Esse sucesso atraiu a curiosidade dos economistas que se interessaram por dados e parâmetros reais da
economia (como produção industrial, consumo interno, PIB, políticas econômicas) para estudar esses países
e o porquê do sucesso vigoroso. No fim dos anos 90, a expressão “economia emergente” ganha o cunho,
portanto, não somente por seus aspectos financeiros, mas principalmente em suas dinâmicas e perspectivas
de crescimento. As principais organizações financeiras internacionais (Banco Mundial e FMI) se utilizaram
desse vocábulo, usando-o para países a torto e direito. Mas, a academia acabou por definir e precisar quais
seriam as características necessárias para um país ter uma economia chamada emergente.

1
Geografia

As quatro principais seriam:


• Renda intermediária: A renda por habitante teria de ser razoável, com seu valor situado entre o dos países
menos avançados e o dos países ricos. Principalmente no que diz respeito ao poder de consumo. Por
exemplo: a renda média da Índia é quatro vezes menor do que a de muitos outros países emergentes
(principalmente no leste europeu), mas possui paridade no poder de compra que essa renda média
possibilita.
• Dinâmica de recuperação: O crescimento desses países recentemente elevou as economias emergentes
a um nível próximo das já estabelecidas. Para isso, o crescimento do PIB deve ser superior, ou igual, à
média internacional, durante os últimos dez anos.
• Transformações e abertura: No período recente, esses países conheceram transformações
institucionais e estruturais que contribuíram para os inserir de uma maneira inédita na economia mundial.
Essas economias realizam cada vez mais trocas com o resto do mundo, e se beneficiam de
investimentos industriais e dos serviços de empresas multinacionais. Algumas, e aqui vamos lembrar
das empreiteiras brasileiras, desenvolvem elas mesmas uma capacidade de investimento (ou têm auxilio
governamental com empréstimos de juros subsidiados, como, de novo, no caso brasileiro) e atuam no
estrangeiro, contribuindo de maneira ativa na globalização.
• Potencial de crescimento: Tendo em vista o pequeno abismo que separa, ainda, o nível de vida dos países
desenvolvidos dos países emergentes, a economia destes se beneficia de um potencial enorme de
crescimento (principalmente pelo aumento da capacidade de consumo). Essa capacidade de produção
e consumo, pouco a pouco, vai superando a dos países mais desenvolvidos. No final da década de 90
aconteceram várias crises econômicas que afetaram México, Rússia e até o Japão. Houve uma crise
muito importante em 1999 nos EUA que alterou as referências de investimento a nível global, fazendo
com que os mercados emergentes fossem vistos como um potencial significativo de crescimento e
referência em investimento.

A influência e os desafios atuais dos países emergentes


O crescimento econômico possante é uma das principais armas de negociação dos países. Será que esse
crescimento também não é perigoso, tanto para a estabilidade das relações econômicas internacionais,
quanto para suas respectivas sociedades e para a natureza em geral?

As relações dos países emergentes com os países já industrializados são intensas. O mundo globalizado
implica no conceito de multipolaridade: o surgimento de outras potências. Houve um crescimento dos blocos
de poder mundial de países emergentes que inclui a criação do G20, que são os países ricos junto com os
emergentes, consolidando a multipolaridade do mundo atual.

Ao mesmo tempo em que há uma interdependência bastante forte, grande parte pelo capital financeiro
internacional e a globalização, há também uma desigualdade no que diz respeito aos armamentos e acesso
à tecnologia. Os velhos centros industriais ainda concentram certos tipos de atividades, principalmente as de
pesquisa tecnológica para patentes. Mesmo assim, vê-se crescer nos países emergentes, principalmente na
Índia e na China, grandes investimentos na capacitação profissional e na construção de tecnopólos, buscando
reverter esse quadro. Ao mesmo tempo, Índia, Rússia e China possuem armamento nuclear, e suspeita-se que
a África do Sul também, o que faz pender um pouco a balança.

2
Geografia

Os desafios principais desses países emergentes consistem em reverter esses ganhos políticos e
econômicos para a população. Em praticamente todos esses países, os indicadores econômicos são
excelentes, mas os sociais não. A qualidade de vida e o padrão de consumo dos países emergentes são bem
inferiores aos dos países já industrializados. Isso leva, alguns especialistas acreditam, a uma crescente
insatisfação popular e luta por direitos, que pode ser observada em todos esses países. Como os governos
respondem a essa demanda interna fica em questão. Ao mesmo tempo, elevar o consumo da população
residente ao mesmo patamar da população americana, por exemplo, vai exaurir os recursos naturais. Muitos
ambientalistas se preocupam com essa emergência econômica, porque ela vem acompanhada de poluição,
de uso de recursos, etc. Então fica outra questão no ar: quem tem mais direito a “usar” esses recursos? Os
países emergentes, na iminência de desastres ambientais, teriam de frear seu crescimento? O clima, a
natureza, os recursos e os desastres são novos debates e assuntos na geopolítica mundial, acompanhados
pela ascensão dos emergentes.

Outros grupos além do G20


O G's são grupos de países que se reúnem para debater questões geopolíticas de interesse comum,
estreitando laços estratégicos no cenário internacional. A letra “G” se refere a “grupo” e o número reflete a
quantidade de países que participam dessas reuniões. Esses encontros podem ou não estar vinculados a
ONU (Organização das Nações Unidas).

• G4 Teve sua origem em 2006, é composto por Índia, Japão, Alemanha e Brasil. Trata-se da reunião dos
quatro principais países que buscam reformar o Conselho de Segurança da ONU, a fim de se tornarem
membros permanentes podendo usufruir dessas vantagens, como possuir poder de veto em
determinadas decisões. Este poder atualmente é restrito a 5 países - Estados Unidos, Rússia, Reino Unido,
França e China. O principal argumento é que o grande poder dado a esses 5 países não reflete a ordem
multipolar que o mundo se encontra atualmente nas instâncias decisórias, o que pode revelar um caráter
a ONU como um órgão não imparcial politicamente.
• G5 Formado em 2005, composto por China, Índia, África do Sul, Brasil e México, trata-se do grupo dos
países em desenvolvimento se articulando para possuir maior coesão política perante as nações
desenvolvidas, como o G8.
• G7 Criado em 1976, trata-se dos 7 países mais ricos do mundo e os representantes da União Europeia. É
composto por Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos. Com a entrada da
Rússia em 1997 tornou-se G8, porém, o país foi suspenso em 2014 em virtude do conflito na Crimeia.
• G10 Com sua origem em 1962, é composto por Japão, Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália, Reino
Unido, Suécia, Suíça, Canadá e Estados Unidos. Trata-se da reunião dos países assinantes do Acordo
Geral para Obtenção de Empréstimos, que visa auxiliar os empréstimos oferecidos pelo FMI (Fundo
Monetário Internacional) aos países emergentes sobretudo.
• G15 A partir de 1989 cria-se o grupo, que se reúne por serem os países em desenvolvimento que ficaram
relativamente isentos, pouco envolvidos com a parcialidade do mundo bipolar durante a Guerra Fria. Por
isso, buscaram se apoiar no desenvolvimento econômico, fortalecendo suas relações internas. É
composto por Índia, Indonésia, Irã, Malásia, Sri Lanka, Argélia, Egito, Nigéria, Quênia, Senegal, Zimbábue,
Argentina, Brasil, Chile, Jamaica, México e Venezuela.

3
Geografia

• G24 A partir de 1971, se reúnem 24 países em desenvolvimento a fim de garantir a representação dos
seus interesses nas instancias de organização financeira internacional como FMI e ONU. É composto por
Filipinas, Índia, Irã, Líbano, Paquistão, Síria, Sri Lanka, África do Sul, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Etiópia,
Gabão, Gana, Marrocos, Nigéria, Quênia, República Democrática do Congo, Argentina, Brasil, Colômbia,
Guatemala, Haiti, México, Peru, Trindad e Tobago, Venezuela e Equador.
• Existe ainda um grande Grupo denominado G77, onde se reúnem representantes dos países emergentes
do Hemisfério Sul da ONU. Esse encontro tem por objetivo aumentar o poder de barganha, organizar
estratégias políticas de votação aos interesses econômicos desses países dentro dos fóruns da ONU.

BRICS
O termo “BRIC” foi criado em 2001, por Jim O’Neil, destacando possíveis economias emergentes, como o
Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2009, os chefes de Estado desses quatro países decidiram criar a “Cúpula
do BRIC”, se reunindo a cada ano para debater assuntos econômicos e geopolíticos de interesse comum. A
partir de 2011, a África do Sul foi incorporada ao grupo, que passou a ser denominado BRICS.

As razões para o grande crescimento desses países no início do século XXI são: enorme mercado consumidor,
cujo tamanho representa 40% da população mundial, possuem grandes riquezas minerais, apresentam um
crescimento industrial formidável. Entre 2008 e 2013, essas economias representaram até 50% do
crescimento econômico mundial, formando uma forte polarização ao G7, grupo de países economicamente
mais poderosos do mundo, reafirmando o caráter multipolar da Nova Ordem Mundial. É importante destacar
que esse crescimento foi puxado, principalmente, pela China que forçou uma política de crescimento em meio
à Crise de 2008, causando uma alta das commodities. Como Brasil, Rússia e África do Sul são grandes
exportadores de commodities suas economias foram beneficiadas com a alta desses produtos primários.

4
Geografia

Exercícios

1. Brasil, Alemanha, Japão e Índia pedem reforma do Conselho de Segurança


Os representantes do G4 (Brasil, Alemanha, índia e Japão) reiteraram, em setembro de 2018, a defesa
pela ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) durante reunião
em Nova York (Estados Unidos). Em declaração conjunta, de dez itens, os chanceleres destacaram que
o órgão, no formato em que está, com apenas cinco membros permanentes e dez rotativos, não reflete
o século 21. "A reforma do Conselho de Segurança é essencial para enfrentar os desafios complexos
de hoje. Como aspirantes a novos membros permanentes de um conselho reformado, os ministros
reiteraram seu compromisso de trabalhar para fortalecer o funcionamento da ONU e da ordem
multilateral global, bem como seu apoio às respectivas candidaturas", afirma a declaração conjunta.
Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br. Acesso em: 7 dez. 2018 (adaptado).

Os países mencionados no texto justificam sua pretensão com base na seguinte característica comum:
a) Extensividade de área territorial.
b) Protagonismo em escala regional.
c) Investimento em tecnologia militar.
d) Desenvolvimento de energia nuclear.
e) Disponibilidade de recursos minerais

2. A reestruturação global da indústria, condicionada pelas estratégias de gestão global da cadeia de valor
dos grandes grupos transnacionais, promoveu um forte deslocamento do processo produtivo, até
mesmo de plantas industriais inteiras, e redirecionou os fluxos de produção e de investimento.
Entretanto, o aumento da participação dos países em desenvolvimento no produto global deu-se de
forma bastante assimétrica quando se compara o dinamismo dos países do leste asiático com o dos
demais países, sobretudo os latino-americanos, no período 1980-2000.
SARTI, F.; HIRATUKA, C. Indústria mundial: mudanças e tendências recentes. Campinas: Unicamp, n. 186, dez. 2010.

A dinâmica de transformação da geografia das indústrias descrita expõe a complementaridade entre


dispersão espacial e
a) autonomia tecnológica.
b) crises de abastecimento.
c) descentralização política.
d) concentração econômica.
e) compartilhamento de lucros.

5
Geografia

3. O G-20, grupo composto pelos 20 países mais industrializados do mundo, vem discutindo alternativas
energéticas que não sejam nocivas ao meio ambiente, sejam renováveis, tenham um custo acessível e
que permita o desenvolvimento econômico.
VIVER, aprender expandindo: conhecer, sobreviver e conviver: Ensino Médio. v. 1. São Paulo: Global, 2009.

No Brasil, um exemplo de importante fonte energética alternativa dessa natureza, proveniente da


biomassa tropical e utilizada como combustível nos veículos automotivos, é
a) a cana de açúcar, utilizada na produção do álcool.
b) o petróleo, utilizado na produção de energia nuclear.
c) o xisto, utilizado na produção de energia termoelétrica.
d) o urânio, utilizado na produção de energia geotérmica.
e) o carvão mineral, utilizado na produção de energia eólica.

4. G-20 adota linha dura para combater crise


Grupo anuncia maior controle para o sistema financeiro
Cercada de expectativas, a reunião do G-20, grupo que congrega os países mais ricos e os principais
emergentes do mundo, chegou ao fim, em Londres, com o consenso da necessidade de combate aos
paraísos fiscais e da criação de novas regras de fiscalização para o sistema financeiro. Além disso, os
líderes concordaram, dentre várias medidas, em injetar US$ 1,1 trilhão na economia para debelar a crise.
Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br. Adaptado.

A passagem da década de 1980 para a de 1990 ficou marcada como um momento histórico no qual se
esgotou um arranjo geopolítico e teve início uma nova ordem política internacional, cuja configuração
mais clara ainda está em andamento. Conforme se observa na notícia, essa nova geopolítica possui a
seguinte característica marcante:
a) diminuição dos fluxos internacionais de capital
b) aumento do número de polos de poder mundial
c) redução das desigualdades sociais entre o Norte e o Sul
d) crescimento da probabilidade de conflitos entre países centrais e periféricos
e) aumento do protecionismo econômico

5. Os líderes do G20 (Grupo dos 20), reunidos em Seul, manifestaram apoio à reforma do Fundo Monetário
Internacional (FMI) que deu a economias como China e Brasil maior peso de decisão no organismo.
(Disponível em: http://economia.uol.com.br. 12.11.2010. Adaptado)

Acerca de sua composição, é correto afirmar que o G20 reúne:


a) apenas os países que integram o Conselho de Segurança da ONU.
b) os países mais ricos do mundo e os principais emergentes.
c) os países mais pobres do mundo, com economias dependentes.
d) os países que recusam a intervenção do FMI.
e) os países que não fazem parte de outros grupos, como o G8 e o BRIC.

6
Geografia

6. O G-20 é o grupo que reúne os países do G-7, os mais industrializados do mundo (EUA, Japão, Alemanha,
França, Reino Unido, Itália e Canadá), a União Europeia e os principais emergentes (Brasil, Rússia, Índia,
China, África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia).
Esse grupo de países vem ganhando força nos fóruns internacionais de decisão e consulta.
ALLAN, R. Crise global. Disponível em: http://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br. Acesso em: 31 jul. 2010.

Entre os países emergentes que formam o G-20, estão os chamados BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China
e África do Sul), termo criado em 2001 para referir-se aos países que
a) apresentavam características econômicas promissoras para as décadas a partir dos anos 2000.
b) possuem base tecnológica mais elevada.
c) apresentavam índices de igualdade social e econômica mais acentuados.
d) apresentavam diversidade ambiental suficiente para impulsionar a economia global.
e) possuem similaridades culturais capazes de alavancar a economia mundial.

7. Atualmente, as represálias econômicas contra as empresas de informática norte-americanas


continuam. A Alemanha proibiu um aplicativo dos Estados Unidos de compartilhamento de carros; na
China, o governo explicou que os equipamentos e serviços de informática norte-americanos
representam uma ameaça, pedindo que as empresas estatais não recorram a eles.
SCHILLER, D. Disponível em: www.diplomatique.org.br. Acesso em: 11 nov. 2014 (adaptado).

As ações tomadas pelos países contra a espionagem revelam preocupação com o(a)
a) subsídio industrial.
b) hegemonia cultural.
c) protecionismo dos mercados.
d) desemprego tecnológico.
e) segurança dos dados.

7
Geografia

8.

Disponível em: www.ipea.gov.br. Acesso em: 2 ago. 2013.

Na imagem, é ressaltado, em tom mais escuro, um grupo de países que na atualidade possuem
características político-econômicas comuns, no sentido de
a) adotarem o liberalismo político na dinâmica dos seus setores públicos.
b) constituírem modelos de ações decisórias vinculadas à socialdemocracia.
c) instituírem fóruns de discussão sobre intercâmbio multilateral de economias emergentes.
d) promoverem a integração representativa dos diversos povos integrantes de seus territórios.
e) apresentarem uma frente de desalinha mento político aos polos dominantes do sistema-mundo.

9. Leia o texto que segue, em que o autor chama a atenção para algumas diferenças entre os membros
do Bric.
O fim da ilusão dos Brics
Países como China e Índia se distanciaram muito daquelas antigas fontes de bens primários e
bugigangas. A Chíndia exporta também em massa produtos e serviços de alta qualidade. Não há
nenhum outro país ou região comparável. O acrônimo Brics equivale à confusão (...) a partir de uma
invenção do sistema financeiro. Sonhamos em ser um dos grandes emergentes que dominarão a
economia no mundo. É o nosso excepcionalismo. Quanto mais cedo despertarmos melhor. Em comum
com a Chíndia, o Brasil tem apenas o tamanho. Fonte: Marcelo Coutinho. O fim da ilusão dos Bric.
(jornal O Globo, 9 OUT 11, p. 7.)

O acrônimo (sigla), mencionado no texto, refere-se ao conjunto de países caracterizados como Brics
a) subindustrializados.
b) de democracia liberal.
c) economicamente emergentes.
d) os mais populosos do mundo.
e) os maiores exportadores do mundo.

8
Geografia

10. Sobre a formação do BRIC.


O termo Brics foi cunhado pelo economista Jim O'Neill, do Goldman Sachs, em 2001, para descrever o
crescente poder das economias de mercado emergentes. De lá para cá, o grupo dobrou a participação
no comércio mundial. Hoje, os Brics detêm 15% do total de 60,7 trilhões de dólares. Em 2000, a
participação era de 7,2%. Nesse mesmo período de comparação, as exportações do grupo saltaram de
451 bilhões de dólares para 1,8 trilhão de dólares em 2009.
Disponível em: http://veja.abril.com.br - 14/04/20

Marque a alternativa que apresenta todos os países que compõem o BRICS:


a) Bangladesch, Ruanda, Itália, Chile e Suíça.
b) Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
c) Brasil, Rússia, Indonésia, Canadá e Suriname.
d) Bulgária, Reino Unido, Itália, Chile e Suécia.
e) Bolívia, Romênia, Islândia, Camarões, Suíça.

9
Geografia

Gabarito

1. B
O Conselho de Segurança, órgão da ONU responsável pela segurança internacional, é composto por
quinze membros, sendo os rotativos com direito ao voto e os permanentes com direito ao veto. Ao pedir
as reformas com vistas ao aumento dos membros permanentes, os países do G4 justificam sua
importância no cenário mundial por estarem exercendo liderança em nível regional.

2. D
A dispersão espacial da indústria no período apontado, favoreceu o modelo de plataforma de exportação
adotado pelos países do leste asiático em detrimento dos países latino americanos, criando assim a
assimetria mencionada no texto, haja vista que os fortes investimentos e a alavancagem da produção
industrial levam à concentração econômica na Ásia.

3. A
Os países do G20, mais importantes economias mundiais, tem apresentado uma preocupação em investir
em novas fontes de energia, em especial as consideradas limpas, isso porque o crescimento econômico
passa pelo crescimento da produção, o que demanda fontes energéticas. Neste sentido, O Brasil tem
investido na produção de etanol a base de cana de açúcar para a garantia de abastecimento do setor
automotivo.

4. B
A nova ordem geopolítica mundial difere da ordem geopolítica vigente durante a Guerra Fria, sendo
marcada pelo maior número de países que se constituem como polos de poder e que possuem peso
crescente nas decisões mundiais. A formação do G-20 aponta para essa configuração do poder global
contemporâneo, que não está mais restrita a um pequeno grupo de grandes países desenvolvidos, como
no passado.

5. B
É abordada a composição do G20, grupo formado pelas principais economias, países da União Europeia
e países emergentes.

6. A
O G20, é um grupo composto pelas maiores economias mundiais, pelos países da União Europeia e pelos
principais países emergentes, dentre estes os que formam o BRICS. Criado em 2001 pelo economista Jim
O’Neil como BRIC, e em 2011 transformado em BRICS, o termo foi muito utilizado por cientistas políticos
até que se tornou de fato um agrupamento entres estes países considerados economicamente
promissores para as décadas seguintes devido ao crescimento de suas economias.

7. E
As relações entre os países que compõem o G20 nem sempre são amistosas, a exemplo do ocorrido em
2013, com a repercussão do caso envolvendo Edward Snowden, que denunciou programas de
espionagem realizados pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. A denúncia gerou
preocupação em vários governos em relação aos vazamentos de dados sigilosos de seus países.

10
Geografia

8. C
Os países destacados corresponde ao BRICS que a partir de fóruns e acordos multilaterais buscam uma
aproximação comercial e uma maior força expressiva no cenário financeiro contemporâneo.

9. C
BRICS é um grupamento econômico compostos por países considerados emergentes, com grandes
expectativas e possibilidades de crescimento, se constituindo também como uma alternativa a
investimento nos países já desenvolvidos.

10. B
É abordada a composição do agrupamento BRICS, que conta com os principais países emergentes no
início dos anos 2000.

11
Guia do Estudo Perfeito

A programação do seu cérebro

Resumo

A ideia é basicamente unir tudo que aprendemos nas aulas do GEP até agora. Já falamos da importância de
um pré-ritual e uma rotina de estudos, da importância de uma mentalidade de crescimento (Growth Mindset),
bem como de adotar um treinamento intenso e um relaxamento profundo. O objetivo é fazer disso parte da
programação do nosso cérebro, como se fosse algo intrínseco. Assim, esses recursos e conceitos seriam
aplicados no nosso dia a dia de forma natural. Para isso, é necessário aplicar e praticar.

Pense nas rotinas (série de instruções) que te


ajudariam a criar o hábito de estudar. Por exemplo,

Como adotar uma desligar a notificação do celular, preparar um café,


fechar a porta do seu quarto, rever seu quadro de

rotina e definir um objetivos diários e dar início às tarefas. Elabore


uma lista para você com essas instruções,
pré-ritual de estudo adaptando de acordo com seu gosto. Isso vai ser
um primeiro passo para programar seu cérebro
para a hora do estudo.

Primeiro, você precisa ter algum método para


avaliar seu desenvolvimento. Pode ser o
percentual de acertos na lista de exercícios ou as
notas dos simulados. A partir disso, escolha os
Pondo em prática a conteúdos em que você mais teve dificuldade e
comece a se debruçar sobre eles. Isso significa
mentalidade de fazer mais exercícios sobre o assunto e assistir a

crescimento (Growth algumas aulas novamente, caso seja necessário.


Agora, avalie novamente seu desempenho nesse

Mindset) conteúdo. Repita até obter melhores resultados.


Isso é praticamente a definição de Growth
Mindset: o erro faz parte do processo de
aprendizagem, e a dedicação e o esforço irão
garantir melhores resultados.

1
Guia do Estudo Perfeito

Todo atleta se prepara para o seu desafio. Isso


envolve muito tempo, esforço e dedicação. Com
você, não será diferente. Infelizmente, o vestibular
exige muito dos seus candidatos. Por isso, é
importante você assumir essa responsabilidade.
Nesse sentido, adotar a filosofia de treinamento
intenso significa buscar melhores resultados

Adote a filosofia do seguindo uma metodologia. Por exemplo: faça um


resumo sobre a aula, depois, resolva a lista de

treinamento intenso e exercícios e, por fim, tire as dúvidas das questões


que você errou, indo na monitoria ou pesquisando
relaxamento profundo na internet. Faça isso para todos os conteúdos da
semana. Cumpra esses objetivos. A metodologia
foi apenas um exemplo, você poderá definir melhor
como fazer isso. O final de semana será a
recompensa. Se tudo ocorreu como o planejado,
use o sábado e o domingo para relaxar e sair com
os amigos. Revigore-se e volte para mais uma
semana de treinamento intenso.

A ideia dessa aula é pôr em prática tudo que você já aprendeu e reprogramar o seu cérebro. Não adianta ficar
apenas no campo teórico. E aí, você topa esse desafio? Vamos mudar a programação do nosso cérebro?

2
História

A Revolução Industrial

Resumo

A revolução industrial foi uma série de avanços técnicos que permitiu a


invenção e a aplicação de máquinas no modo de produção e ocasionou,
consequentemente, uma mudança estrutural nas relações sociais e
econômicas ao redor do mundo. Nesta revolução, destaca-se o pioneirismo
inglês no desenvolvimento da atividade industrial, que pode ser justificado
pela existência de uma classe burguesa comercial bem consolidada, que
surgiu graças ao livre mercado praticado há muito tempo na Inglaterra, pela
política de cercamento dos campos, que provocou uma migração de
trabalhadores do campo, em massa, para as cidades, e à própria riqueza de
carvão e ferro encontrada na Inglaterra.
Com essa conjuntura organizada e uma burguesia forte, invenções como a
máruina a vapor, de James Watt (1765), por fim, impulsionaram a revolução
e mudaram a vida e o modus operandi do mundo para sempre,
desenvolvendo as indústrias, crescendo e consolidando o capitalismo e
impactando, cada vez mais, na própria relação do homem com o meio
ambiente.

Aspectos políticos e sociais


No aspecto social da revolução industrial podemos evidenciar o surgimento da massa operária nos centros
urbanos pela Europa, principalmente na Inglaterra e França, onde já havia acontecido um êxodo rural e existia
um modelo de produção muito parecido com o que estava por vir, o modelo das manufaturas que eram
gigantescos galpões lotados de artesãos.
Neste período, destaca-se a transformação que o advento das indústrias ocasionou nas classes sociais do
ocidente e em determinados grupos, que passaram a ter maior força e visibilidade, como, por exemplo, a
burguesia industrial, que era formada praticamente pelos mesmos burgueses que já investiam seu capital no
comércio, os operários, que eram neste momento uma parte dos antigos artesãos urbanos, que perderam
seus clientes para as máquinas, e agora iniciavam as organizações como classe e os próprios camponeses,
que viam a entrada de novas técnicas também no campo e, desde o final da idade média, eram expulsos do
campo pelos grandes latifúndios, no caso da Inglaterra pelos cercamentos.
Ainda no século XVIII, não havia direitos ou legislações que regulamentassem as relações entre patrões e
operários, assim, a indústria não oferecia condições de trabalho satisfatórias. As jornadas costumavam
passar de doze horas por dia, os salários eram baixíssimos (mais baixos ainda para mulheres e crianças) e
se encontravam crianças em idade escolar na linha de produção, deixando os operários em condições
miseráveis nas periferias das cidades industriais.
Assim, tendo em vista a extrema precariedade nesta fase da revolução industrial, grupos de operários
passaram a se organizar em associações e sindicatos, inicialmente conhecidos como trade unions, para
reivindicar seus interesses e organizar ações para pressionar o patronato a melhorar suas condições de
trabalho e remuneração (as táticas eram mais comumente as de protestos e greves). Alguns movimentos
tomaram ações mais diretas contra os abusos dos patrões, como o ludismo, movimento inglês muito comum
entre 1811 a 1812, inspirado pelo operário Ned Ludd, que quebrava as máquinas das indústrias contra a
substituição da mão de obra humana. O movimento atingiu seu auge quando, em 1812, o condado de York

1
História

processou sessenta e quatro pessoas por destruírem uma fábrica na região (com treze condenações a morte
e duas deportações para as colônias), o movimento perdeu força com a organização dos sindicatos.
Ainda nos movimentos de luta e reivindicações deste período, destaca-se também a resistência mais legalista,
marcada sobretudo cartismo de 1830. Neste caso, Feargus O’Connor e William Lovett lideraram o movimento
que lutava pelo sufrágio universal masculino, por melhores
salários e condições de trabalho e a representação operária no
parlamento. Estes organizaram uma marcha em 1848 que,
mesmo não tendo atingido as expectativas de adesão, ganhou
apoio no parlamento. Contudo o movimento enfraqueceu
antes da conquista do voto e da representação parlamentar
dos operários, ainda sim estes conseguiram impor outras
reinvindicações como a lei de proteção infantil em 1832, lei de
imprensa em 1836, a reforma do código penal em 1837, a
suspensão da lei dos cereais, a lei permitindo as associações
políticas e a jornada de trabalho de 10 horas.

Aspectos econômicos
Também é importante destacar que, o impacto da industrialização na economia é tão importante que novas
ideias surgem, neste período, para tentar entender o novo modo de produção que surgia e para justificar a
definitiva superação das antigas práticas mercantilistas. Assim, muitos teóricos da época defendiam a visões
sobre política e economia que viria a compor o chamado liberalismo econômico.
Adam Smith no seu clássico “Riqueza das Nações”, por exemplo, defendia que o trabalho humano era a
verdadeira riqueza das nações e para o desenvolvimento das indústrias e desse capital, era necessária a
existência de uma auto regulação do mercado, ou seja, a não intervenção estatal na economia. Apesar de ter
escrito suas ideias no fim do século XVIII, suas diretrizes foram adotadas pelo Estado britânico na segunda
metade do século XIX, um exemplo da sua adoção foi o fim da Lei dos Cereais em 1840, medida protecionista
britânica que taxava os preços dos cerais importados, sua queda seguia o preceito de não intervenção no
mercado.
Outro importante pensador desta geração que também podemos citar, por conta do impacto do seu
pensamento, é Thomas Malthus, que afirmava que o crescimento da população era culpa dos pobres que
tinham muitos filhos, não tendo condição de alimentá-los e, consequentemente, sendo responsáveis pela
geração de mais pobreza. Assim, Malthus era contra a distribuição de renda, pensava que os ricos eram os
únicos responsáveis pelo enriquecimento cultural e científico dos países, portanto era errado cobrar impostos
dos ricos para auxílio social.

2
História

Exercícios

1. (ENEM 2010) “A Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se transformava em lucro. As cidades
tinham sua sujeira lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fumaça lucrativa, sua desordem lucrativa, sua
ignorância lucrativa, seu desespero lucrativo. As novas fábricas e os novos altos-fornos eram como as
Pirâmides, mostrando mais a escravização do homem que seu poder.”
DEANE. P. A Revolução Industrial. Rio de Janeiro: Zahar, 1979 (adaptado).

Qual relação é estabelecida no texto entre os avanços tecnológicos ocorridos no contexto da Revolução
Industrial Inglesa eas características das cidades industriais no início do século XIX?
a) A facilidade em se estabelecer relações lucrativas transformava as cidades em espaços
privilegiados para a livre iniciativa, característica da nova sociedade capitalista.
b) O desenvolvimento de métodos de planejamento urbano aumentava a eficiência do trabalho
industrial.
c) A construção de núcleos urbanos integrados por meios de transporte facilitava o deslocamento
dos trabalhadores das periferias até as fábricas
d) A grandiosidade dos prédios onde se localizavam as fábricas revelava os avanços da engenharia e
da arquitetura do período, transformando as cidades em locais de experimentação estética e
artística.
e) O alto nível de exploração dos trabalhadores industriais ocasionava o surgimento de aglomerados
urbanos marcados por péssimas condições de moradia, saúde e higiene.

2. (ENEM 2010) A evolução do processo de transformação de matérias-primas em produtos acabados


ocorreu em três estágios: artesanato, manufatura e maquinofatura.

Um desses estágios foi o artesanato, em que se


a) trabalhava conforme o ritmo das máquinas e de maneira padronizada.
b) trabalhava geralmente sem o uso de máquinas e de modo diferente do modelo de produção em
série.
c) empregavam fontes de energia abundantes para o funcionamento das máquinas.
d) realizava parte da produção por cada operário, com uso de máquinas e trabalho assalariado.
e) faziam interferência do processo produtivo por técnicos e gerentes com vistas a determinar o ritmo
de produção

3
História

3. No século XVIII, enquanto a Europa Continental era abalada por guerras constantes, na Grã-Bretanha, a
burguesia – camada social que dominava o Parlamento – não era onerada por impostos muito pesados
e:
a) Negava ao estado o direito de intervir diretamente na economia, reservando-lhe, entretanto, o papel
de incentivador dos setores que o capital particular não tinha condições de desenvolver.
b) Propunha reformas que buscavam conciliar a autoridade absoluta do monarca com as propostas
de liberdade.
c) Financiava a instalação de organizações militares, que internamente garantiam a força repressiva
e fiscalizadora necessária ao Estado.
d) Procurava abrandar os vínculos coloniais, a fim de garantir o pleno cumprimento do pacto colonial.
e) Desenvolvera condições de acumular capitais mais rapidamente, o que lhe permitiu investir em
inovações técnicas, possibilitando a eclosão da Revolução Industrial.

4. (ENEM 2010) “Homens da Inglaterra, por que arar para os senhores que vos mantêm na miséria?Por
que tecer com esforços e cuidado as ricas roupas que vossos tiranos vestem?Por que alimentar, vestir
e poupar do berço até o túmulo esses parasitas ingratos que exploram vosso suor —ah, que bebem
vosso sangue?”
SHELLEY. Os homens da Inglaterra Apud HUBERMAN, L. História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro: Zahar,
1982.
A análise do trecho permite identificar que o poeta romântico Shelley (1792-1822) registrou uma
contradição nas condições socioeconômicas da nascente classe trabalhadora inglesa durante a
Revolução Industrial. Tal contradição está identificada
a) na pobreza dos empregados, que estava dissociada na riqueza dos patrões
b) no salário dos operários, que era proporcional aos seus esforços nas indústrias.
c) na burguesia, que tinha seus negócios financiados pelo proletariado.
d) no trabalho, que era considerado uma garantia de liberdade.
e) na riqueza, que não era usufruída por aqueles que a produziam

5. Com pequenas exceções, as principais invenções técnicas da primeira fase industrial não exigiram
conhecimento científico muito avançado. A partir da metade do século XIX, as coisas se modificaram.
O telégrafo estava ligado bem de perto à ciência acadêmica. As tintas artificiais da indústria, um triunfo
de síntese de massa química, nasceram de um laboratório de uma fábrica. Como testemunham as
novelas de Júlio Verne (1828-1905), o professor tornou-se uma figura industrial mais importante do que
nunca: não foi ao grande Louis Pasteur (1822-1895) que os produtores de vinho na França foram
procurar para resolver um difícil problema?
(Eric J. Hobsbawm. A era do capital, 1977. Adaptado.)
No entender do historiador, as invenções de tecnologia industrial, a partir da segunda metade do século
XIX, derivaram da
a) sabedoria no uso das máquinas adquirida pela massa dos operários.
b) atividade de pesquisadores, com formação científica, em laboratórios.
c) preocupação dos Estados em formar trabalhadores especializados.
d) expansão do número de empresas controladas pelos sindicatos.
e) abundância de matérias-primas nas nações industrializadas.

4
História

6. Na revolução industrial, o pioneirismo inglês resultou de uma série de fatores, entre os quais sua
hegemonia marítimo-comercial. A centralização dessa hegemonia ficou evidente quanto a Inglaterra
adotou a seguinte medida:
a) decretou os Atos de Navegação.
b) extinguiu o tráfico de escravos negros.
c) assinou o Tratado de Methuen com Portugal.
d) abriu os portos chineses aos navios ingleses.
e) redefiniu o comércio com o Oriente pela Paz da Haia.

7. O comércio das Índias Orientais, ao proporcionar-nos artigos mais baratos que os nossos, será
provavelmente a causa que nos obrigará a inventar processos e máquinas que nos permitem produzir
com menos mão de obra e despesas menores, reduzindo assim o preço dos objetos manufaturados.”
(Documento inglês anônimo de 1701.)

Este documento parece profético, já que precede de muitas décadas o início da Revolução Industrial
britânica. Ele permite refletir sobre uma das pré-condições que contribuíram para que se
desencadeasse a Revolução Industrial na Inglaterra. Tal pré-condição foi:
a) a expansão do comércio exterior britânico, que tornava necessário enfrentar a competição com
produções manufatureiras locais para preservar o papel da Inglaterra no abastecimento de
mercados mundiais e de seu próprio mercado interno.
b) a redução dos custos da produção industrial pela introdução de novos métodos e máquinas, o que
permite elevar o nível de vida das classes populares britânicas, através do aumento significativo
de seus salários.
c) o orgulho nacional inglês, o qual não podia suportar o fato de que, antes da Revolução Industrial,
asiáticos, que considerava inferiores, pudessem produzir manufaturados melhores e mais baratos
que os seus.
d) o fato de que os donos de manufaturas na Inglaterra, que há muito desejavam introduzir novas
técnicas e métodos de produção, usassem o pretexto da superioridade da produção oriental para
convencer o governo.
e) o fato de que os comerciantes da Índia abriam lojas em Londres e vendiam mais barato que seus
colegas britânicos, os quais então buscaram na industrialização o meio de retomar a iniciativa.

5
História

8. (ENEM 2009) Até o século XVII, as paisagens rurais eram marcadas por atividades rudimentares e de
baixa produtividade. A partir da Revolução Industrial, porém, sobretudo com o advento da revolução
tecnológica, houve um desenvolvimento contínuo do setor agropecuário.
São, portanto, observadas consequências econômicas, sociais e ambientais inter-relacionadas no
período posterior à Revolução Industrial, as quais incluem
a) a erradicação da fome no mundo.
b) o aumento das áreas rurais e a diminuição das áreas urbanas.
c) a maior demanda por recursos naturais, entre os quais os recursos energéticos.
d) a menor necessidade de utilização de adubos e corretivos na agricultura.
e) o contínuo aumento da oferta de emprego no setor primário da economia, em face da mecanização.

9. Observe a imagem a seguir:

Os ludistas eram também chamados de “Quebradores de Máquinas”, pois se caracterizavam pela


invasão das fábricas destruindo os equipamentos existentes como uma forma de protesto contra a
situação dos empregados no ambiente de trabalho.
Disponível em<http://www.portaleducacao.com.br/gestao-e-lideranca/artigos/45840/o-ludismo-e-o-cartismo-revolucao-
industrial> Acesso em 22.abril.2014
O Movimento Ludista ocorreu na Inglaterra em detrimento da:
a) A instabilidade profissional, provocada pela substituição da mão de obra pelo maquinário elétrico.
b) Inexistência de equipamentos de segurança, já que vários operários eram mutilados durante o
manuseio do maquinário.
c) Curta jornada de trabalho, ocasionando baixos salários aos trabalhadores.
d) Mecanização do trabalho proporcionado pelo advento da Revolução industrial.
e) Falta de higienização no interior das fabricas, contribuindo para a disseminação de doenças entre
os trabalhadores.

6
História

10. Assinale a opção que apresenta considerações sobre a real importância da Revolução Industrial na vida
e na história do homem.
a) A Revolução Industrial foi um fenômeno puramente inglês, não provocando mudanças em outras
nações. Desse modo, a Inglaterra transformou-se numa potência hegemônica, desfrutando
padrões de vida inacessíveis ao resto do mundo.
b) Os novos recursos disponíveis após a Revolução Industrial não melhoraram as condições da vida
urbana. Diante dessa nova tecnologia, o homem preferiu voltar a viver no campo.
c) Novos recursos de conforto derivaram-se das mudanças produzidas pela Revolução Industrial do
século XVIII, pois, foi a partir de então, que as inovações tecnológicas passaram a ter aplicações
na vida do homem, promovendo, no entanto, situações que acentuaram as desigualdades sociais.
d) A Revolução Industrial estimulou o ideal socialista da propriedade privada, tornando a vida do
homem uma constante busca de riqueza e de igualdade social e política.
e) Mais luxo e conforto seriam dois resultados diretos da apropriação social das inovações
tecnológicas derivadas da Revolução Industrial e da idéia de progresso. A História, entretanto,
demonstrou que nem mesmo a burguesia industrial conseguiu tirar proveito dessas comodidades,
por serem incompatíveis com os valores liberais.

7
História

Gabarito

1. E
A partir do texto é possível perceber que o autor trabalha a contradição que surge junto com a revolução
industrial onde os donos dos meios de produção lucram cada vez mais com as novas tecnologias e o
proletariado vive em péssimas condições de vida e é cada vez mais explorado.

2. B
No estágio do artesanato os produtos eram feitos de forma individualizada e personalizada sem a
utilização de maquinas.

3. E
A burguesia inglesa acumulou capital através do comércio colonial, do tráfico de escravos e com o corso
o que permitiu os investimentos em novas tecnologias e maquinário.

4. E
A consolidação da produção industrial formou uma imensa massa de proletários que sofria nas periferias
dos centros urbanos, além de serem submetidos a péssimas condições de trabalho, com péssimos
salários e sem usufruir dos lucros produzido pela sua mão de obra.

5. B
As universidades e laboratórios foram fundamentais para que a ocorrência de inovações tecnológicas
durante os séculos.

6. A
Os Atos de Navegação promoveram o acúmulo de capitais por parte da burguesia, fator fundamental para
o pioneirismo inglês na Revolução Industrial.

7. A
A expansão deste comércio foi um elementos necessários para que a Revolução Industrial ocorresse.

8. C
Com o advento da Revolução Industrial o campos, assim como a cidade, vai modificar sua relação de
produção para dar conta das novas tecnologias e da demanda cada vez maior do contingente
populacional exigindo cada vez mais recursos naturais e energéticos.

9. D
O movimento Ludista acreditava que as máquinas eram o principal inimigo dos operários.

10. C
O desenvolvimento da tecnologia sob o regime capitalista promoveu uma melhora de conforto para as
pessoas que podiam arcar com a compra e a manutenção desse conforto, enquanto milhares de
operários tinham suas condições de vida cada vez mais degradadas.

8
História

As Revoluções Inglesas

Resumo

A Inglaterra e o absolutismo
As revoluções inglesas, assim chamada por ser dividida pelos historiadores em duas etapas, primeiro com
a Revolução puritana e, em seguida, com a Revolução Gloriosa, marcaram a história da Europa como
precursoras de um movimento de ascensão da burguesia e de ataques aos privilégios nobiliárquicos e ao
poder monárquico.
No entanto, apesar do absolutismo ter representado um regime político bem difunduido pela Europa durante
a Idade Moderna, na Inglaterra, esse modelo não obteve uma longa estabilidade como em outros Estados
modernos do continente, visto que, já em 1215, a criação da Magna Carta limitava o poder real e frustrava as
tentativas de centralização.
A fragmentação deste poder, assim, no início da Idade Moderna, permitiu não só que as nobrezas regionais
tivessem maior poder como a própria burguesia ascendesse economicamente. Essa descentralização, no
entanto, foi iterrompida apenas no século XVI quando, após a Guerra das Duas Rosas (1455 – 1485), entre
as famílias York e Lancaster pelo trono inglês, acabou enfraquecendo a nobreza e levando ao trono Henrique
VII, da família Tudor e, posteriormente, Henrique VIII (1509-1547), que deu corpo ao absolutismo inglês.
Apesar da postura centralizadora deste rei, o absolutismo não conseguiu se estabilizar na Inglaterra, gerando
assim diversos conflitos com o parlamento e sendo muitas vezes responsável pelo crescimento das tensões
religiosas. O momento mais sensível entre rei e parlamento, no entanto, se configurou com a dinastia Stuart,
com Jaime I (1603 – 1625) e Carlos I (1625 – 1648).

A Revolução Puritana
Durante o século XVII, período de domínio da dinastia Stuart, uma grande imigração provocada pelo
cercamento dos campos, que se desenrolava desde o final da Idade Média, liava os centros urbanos e
enriquecia a aristocracia rural, que concentrava cada vez mais riquezas e terras.
Na questão religiosa, este período também viveu uma continuação das
disputas entre católicos e protestantes, com uma burguesia chamada de
puritana, que defendia as ideias calvinistas presentes no anglicanismo e
uma nobreza que se voltava para a face católica da mesma religião. Esses
conflitos ficavam ainda mais claros no parlamento, com a Câmara dos
Comuns (representando a burguesia e classes populares) e a Câmara dos
Lordes (representando os defensores da nobreza e do rei) lutando por
interesses opostos.
Tendo em vista essas tensões e o receio da Coroa e da nobreza de
perderem espaço para uma nobreza puritana que ascendia, Jaime I
iniciou uma política de combate aos opositores, aumentando os impostos,
interferindo ainda mais no mercado, criando monopólios estatais e
perseguindo puritanos. Por fim, incorporando o autoritarismo absolutista,
Jaime I fechou o parlamento, que ficou inativo entre 1614 e 1622.

1
História

Apesar de reaberto durante o governo de Carlos I, o parlamento e o rei


não cessaram as disputas. Carlos I, defendendo o ideal do direito divino
via na centralização do poder a resposta para os problemas ingleses e
para suas ambições, mas o parlamento, liderado sobretudo pelo líder
Oliver Cromwell, da Câmara dos Comuns, ainda questiovana os poderes
reais. Essa disputa acabou se tornando uma Guerra Civil, entre os
“cavaleiros”, defensores do rei, contra os “cabeças redondas”, exército
formado pela burguesia puritana que reagia contra o absolutismo. No
exército de Cromwell, o chamado New Model Army, destacavam-se os
dois grupos radicais que já faziam oposição ao rei nos campos
(Diggers) e na cidade (Levellers).

Vitoriosa, a burguesia, liderada por Cromwell, decaptou o rei Carlos I no dia 30 de janeiro de 1649, e iniciou a
República, chamada de Commonwealth. No entanto, apesar da ruptura com o modelo absolutista, e da
defesa de interesses econômicos da burguesia, o novo governo de Cromwell se revelou autoritário,
dissolvendo o parlamento e declarando o novo ditador como Lord Protetor da Inglaterra, Irlanda e Escócia.
Além do autoritarismo, o governo de Cromwell também ficou marcado pela criação dos Atos de Navegação,
que trazia maiores lucros aos comerciantes ingleses e aumentava consideravelmente a frota marítima do
país.

A Revolução Gloriosa
Após a morte de Oliver Cromwell e a instabilidade do governo de seu herdeiro, Richard Cromwell, a reação
monarquica contra a burguesia e os puritanos obteve sucesso e restaurou a dinastia Stuart ao poder, em
1660, com Carlos II e, em seguida, com Jaime II. Assim, novamente as tensões entre a nobreza puritana e a
nobreza anglicana, com características católicas, afetavam o país e ampliavam a crise entre rei e parlamento.

O retorno da perseguição puritana e o


fechamento do parlamento em 1681
revelavam o retorno das velhas práticas
absolutistas para uma Inglaterra que, pós
revolução puritana, já apresentava, no entanto,
novas ideias e forças, que não mais aceitavam
absolutismo e os privilégios nobres.
Assim, foi durante o governo de Jaime II, que
beneficiou os católicos e se converteu ao
catolicismo, que os conflitos se acirraram,
iniciando, em 1688 a Revolução Gloriosa, que
complementava a anterior. O novo movimento
burguês, desta vez liderado pelo holandês Guilherme de Orange, casado com Maira II, filha do rei,
caracterizou-se por um evento rápido e sem derramamento de sangue, que depôs Jaime II e selou a vitória
do parlamento contra o absolutismo.
Com a vitória burguesa, o parlamento tratou de implementar a Declaração de Direitos de 1689, a chamada
Bill of Rights, que limitava definitivamente os poderes reais e consolidava a monarquia parlamentarista
inglesa.

2
História

Exercícios

1. (Enem 2012)
“Que é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para suspender as leis ou seu
cumprimento.Que é ilegal toda cobrança de impostos paraa Coroa sem o concurso do Parlamento,
sob pretexto de prerrogativa, ou em época e modo diferentes dos designados por ele próprio.Que é
indispensável convocar com frequência os Parlamentos para satisfazer os agravos, assim como para
corrigir, afirmar e conservar as leis.”
Declaração dos Direitos.Disponível em http://disciplinas.stoa.usp.br. Acesso em: 20 dez. 2011 (adaptado).

No documento de 1689, identifica-‐se uma particularidade da Inglaterra diante dos demais Estados
europeus na Época Moderna. A peculiaridade inglesa e o regime político que predominavam na Europa
continental estão indicados, respectivamente, em:
a) Redução da influência do papa —Teocracia.
b) Limitação do poder do soberano —Absolutismo.
c) Ampliação da dominação da nobreza —República.
d) Expansão da força do presidente —Parlamentarismo.
e) Restrição da competência do congresso —Presidencialismo.

2. No período de 1649 a 1660, desenvolveu-se na Inglaterra o regime republicano. Em 1651 Cromwel


procedeu à unificação da Inglaterra, Irlanda e Escócia, tornando-se lorde protetor da comunidade
britânica. Ainda em 1651, o Parlamento votou os Atos de Navegação, segundo os quais:
a) os dirigentes britânicos buscavam monopolizar o comércio e a navegação nos chamados sete
mares, afetando diretamente a Holanda, detentora até então de enorme poder naval.
b) os dirigentes ingleses determinaram que o transporte de quaisquer produtos de origem colonial,
assim como das espécies monetárias, seria realizado por navios de países europeus.
c) a Inglaterra declarava guerra à Holanda, uma vez que esta, buscando assegurar o poder naval,
aprovou a legislação mercantil que criou as Companhias de Comércio.
d) produtos como açúcar, tabaco, algodão, madeiras tintoriais, produzidos ou fabricados em colônias
inglesas da América, da África ou da Ásia seriam livremente exportados, desde que em navios não
holandeses.
e) ficou determinada a quebra do monopólio inglês sobre a navegação comercial mercantil,
viabilizando a participação dos demais produtores e respectivas colônias, no transporte marítimo
comercial.

3
História

3. Ao longo da Revolução Inglesa, ocorrida no século XVII, emergiu um regime republicano, que durou
cerca de uma década, sob o comando de Oliver Cromwell, o "Lord Protector" da Inglaterra. Sobre esse
período republicano, é correto afirmar
a) a Inglaterra, enfraquecida pela transição de regime, ficou à mercê das demais potências europeias,
às quais foi obrigada a conceder uma série de vantagens comerciais.
b) Cromwell, no intuito de proteger a economia interna, elaborou diversas restrições comerciais que
o colocaram em conflito direto com os holandeses.
c) a morosidade com que Cromwell implantou sua política econômica contribuiu para a curta
duração de seu governo.
d) ele teve como particularidade o retrocesso do puritanismo religioso, característica marcante nos
tempos do monarca Carlos I.
e) ele representou uma fase de distensão entre a Inglaterra e as oposições irlandesas e escocesas.

4. “A Reforma, a despeito de sua hostilidade à magia, estimulara o espírito de profecia. A abolição dos
intermediários entre o homem e a divindade, bem como a ênfase na consciência individual, deixavam
Deus falar diretamente a seus eleitos. Era obrigação destes tornar conhecida a Sua mensagem. E Deus
não fazia acepção de pessoas: preferia falar a John Knox do que à sua rainha, Maria Stuart da Escócia.
O próprio Knox agradeceu a Deus ter-‐lhe dado o dom de profetizar, que assim estabelecia que ele era
um homem de boa-‐fé.Na Inglaterra, as décadas revolucionárias deram ampla difusão ao que
praticamente constituía uma profissão nova –a do profeta, quer na qualidade de intérprete dos astros,
ou dos mitos populares tradicionais, ou, ainda, da Bíblia.”
HILL, Christopher, O mundo de ponta-‐cabeça. Ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640. Trad. Renato Janine
Ribeiro. São Paulo, Companhia das Letras, 1987, p. 103.
O texto se refere ao ambiente político e religioso da Inglaterra no século XVII. A esse respeito é
CORRETO afirmar:
a) A insatisfação popular na Inglaterra era decorrente da perspectiva protestante de manter os
sacerdotes como intermediários entre Deus e os homens.
b) Os revolucionários basearam-‐se em princípios estritamente racionais e científicos, em uma nítida
ruptura com as crenças e o profetismo da época.
c) Apesar de todas as disputas religiosas dos séculos XVI e XVII, os monarcas ingleses mantiveram-
se neutros, o que permitiu a preservação da monarquia.
d) Para os revolucionários ingleses, Deus considerava apenas os parlamentares como pessoas
aptas a transmitir a doutrina e indicar os caminhos da salvação.
e) A movimentação revolucionária esteve vinculada aos conflitos religiosos decorrentes da chamada
Reforma Protestante iniciada no século XVI.

4
História

5. Leia o texto a seguir, sobre algumas das razões que levaram à chamada Revolução Gloriosa, e
responda à questão a seguir.
“Satisfeitos com a política de Carlos II contra a Holanda, os capitalistas ingleses não se sentiam
entretanto contentes com a sua atitude, e ainda menos com a de Jaime II, em relação à França, que se
transformara na mais temível concorrente da Inglaterra no comércio e nas colônias. (...) A luta
econômica contra a França, a luta por uma religião mais adaptada ao espírito capitalista, provocaram
a revolução de 1688. “
MOUSNIER, R. "História geral das civilizações". Os séculos XVI e XVII. São Paulo: Difel, 1973. v. 9 p.324.

Sobre a Revolução Gloriosa de 1688/1689, pode‐se afirmar que ela


a) representou a vitória de setores reacionários no espectro político inglês e o retorno à
descentralização política típica do mundo medieval.
b) significou, após a afirmação temporária de governos protestantes, um retorno à tradição britânica
de governos católicos.
c) foi o momento no qual o anglicanismo afirmou‐se definitivamente como religião de Estado na
Inglaterra.
d) representou uma derrota da teoria do direito divino e o triunfo da teoria do contrato entre o sberano
e o povo.
e) representou a vitória da teoria da separação dos três poderes e de um estado democrático
baseado no sufrágio.

6. “As Revoluções [Inglesas e Francesa], além de outras peculiaridades, são notórias como canteiros de
ideologias, particularmente ideologias populares de protesto. Em cada uma dessas revoluções esteve
presente um elemento popular adicional que também lutava por um lugar ao sol.”
Georges Rude

Assinale a alternativa que confirma a citação acima.


a) Nas Revoluções Inglesas do século XVII participaram não só os líderes do parlamento, os
presbiterianos, mas também os niveladores e os escavadores das classes inferiores ou
subalternas. Na Revolução Francesa, a burguesia e seus aliados aristocratas – liberais tiveram de
fazer frente aos camponeses e sansculotes urbanos.
b) Os girondinos eram o grupo radical mais próximo aos ideais populares durante a Revolução
Francesa e foram os responsáveis pela aprovação da lei do Máximo.
c) Na Revolução Francesa, a nobreza teve que se aliar aos operários de Paris para poder impedir a
onda de terror promovida pelos partidários de Robespierre e, na Inglaterra, Oliver Cromwell foi
obrigado a se aliar aos Yeomene aos Gentry, para poder impedir a formação do protetorado.
d) Durante às Revoluções Inglesas do século XVII, os Gentry se opuseram à nobreza de status e à
aristocracia rural, devido a sua discordância com relação às leis de cercamento.
e) O diretório, liderado pelas forças revolucionárias de Gracco Babeuf, lançou as bases para a
construção de um regime socialista na França. Na Inglaterra, a Revolução Puritana foi responsável
pela Declaração de Direitos, que estabeleceu concessões à classe operária.

5
História

7. No século XVII, a Inglaterra conheceu convulsões revolucionárias que culminaram com a execução de
um rei (1649) e a deposição de outro (1688). Apesar das transformações significativas terem se
verificado na primeira fase, sob Oliver Cromwell, foi o período final que ficou conhecido como
“Revolução Gloriosa”. Isto se explica porque:
a) em 1688, a Inglaterra passara a controlar totalmente o comércio mundial tornando-se a potência
mais rica da Europa.
b) auxiliada pela Holanda, a Inglaterra conseguiu conter em 1688 forças contrarrevolucionárias que,
no continente, ameaçavam as conquistas de Cromwell.
c) mais que a violência da década de 1640, com suas execuções, a tradição liberal inglesa desejou
celebrar a nova monarquia parlamentar consolidada em 1688.
d) as forças radicais do movimento, como Cavadores e Niveladores, que assumiram o controle do
governo, foram destruídas em 1688 por Guilherme de Orange.
e) só então se estabeleceu um pacto entre a aristocracia e a burguesia, anulando-se as aspirações
políticas da “gentry”.

8. A Declaração de Direitos (Bill of Rights) da Inglaterra de 1689, a Declaração de Independência dos


Estados Unidos da América de 1776 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 da
França são documentos que expressam um processo revolucionário abrangente que pode ser
caracterizado como:
a) declínio da aristocracia feudal, fim do poder monárquico e redemocratização dos Estados.
b) ascensão política da burguesia, queda do poder absolutista e fortalecimento do liberalismo.
c) igualdade de direitos para todos, fim das monarquias e difusão das ideias iluministas.
d) fim dos privilégios da nobreza, organização de repúblicas e difusão do positivismo.
e) ampliação dos direitos da burguesia, estabelecimento de democracias e declínio do liberalismo.

9. (…) nenhuma mercadoria produzida ou fabricada na África, Ásia e América será importada na Inglaterra,
Irlanda ou País de Gales, Ilhas Jersey e Guernesey, e cidade de Berwick sobre o Tweed, outros navios
senão nos que pertencem a súditos ingleses, irlandeses ou galeses e que são comandados por
capitães ingleses e tripulados por uma equipagem com três quartos de ingleses (…) nenhuma
mercadoria produzida ou fabricada no estrangeiro e que deve ser importada na Inglaterra, Irlanda, País
de Gales, Ilhas Jersey e Guernesey deverá ser embarcada noutros portos que não sejam aqueles do
país de origem (…)
(English historical documents, Apud Pierre Deyon, O mercantilismo)

Esses são fragmentos do Ato de Navegação, que traz como decorrência para a Inglaterra:
a) a perda de vastos territórios coloniais para a Holanda e Portugal, pois a marinha inglesa de guerra
ficou inferiorizada.
b) o apoio, de forma decisiva, na formação dos Estados Gerais da República das Províncias Unidas,
hoje Holanda.
c) o acirramento das rivalidades econômicas com os holandeses e o fortalecimento do comércio
exterior inglês.
d) o reforço do absolutismo da dinastia Tudor e a eclosão da Revolução Puritana, liderada pelos
levellers.
e) a garantia da presença do capital inglês na exploração do ouro e das pedras preciosas em Minas
Gerais.

6
História

10. Gerald Winstanley, líder dos escavadores da Revolução Puritana na Inglaterra (1640-1660), definiu a
sua época como aquela em que “o velho mundo está rodopiando como pergaminho no fogo”.

Embora os escavadores tenham sido vencidos, a Revolução Inglesa do século XVII trouxe mudanças
significativas, dentre as quais destacam-se a:
a) instituição do sufrágio universal e a ampliação dos direitos das Assembleias populares.
b) separação entre Estado e religião e a anexação das propriedades da Igreja Anglicana.
c) liberação das colônias da Inglaterra e a proibição da exploração da mão de obra escrava.
d) abolição dos domínios feudais e a afirmação da soberania do Parlamento.
e) ampliação das relações internacionais e a concessão de liberdade à Irlanda.

7
História

Gabarito

1. B
A Bill of Rigths garantiu o poder político à burguesia restringindo o poder do monarca inglês enquanto
boa parte dos países europeus mantinham o absolutismo como principal forma de governo.

2. A
Os Atos de Navegação contribuíram para o acúmulo de capitais e o fortalecimento da burguesia.

3. B
Através dos Atos de Navegação, Oliver Cromwell, decretou uma série de imposições que atingiram
diretamente a Holanda.

4. E
A Reforma Protestante na Inglaterra aliou questões políticas e religiosas que com o rompimento com a
Igreja Católica favoreceu a Burguesia e a pratica comercial.

5. D
A Revolução Gloriosa marcou o fim do direito divino na Inglaterra e submeteu o rei ao parlamento através
da monarquia constitucional.

6. A
Tais setores tinham suas próprias reivindicações, que iam de encontro a muitas ideias propostas pela
burguesia.

7. C
A Revolução Gloriosa foi uma manobra política, onde não houve derramamento de sangue, que
consolidou a monarquia parlamentar na Inglaterra.

8. B
Os séculos XVII e XVIII foram fundamentais para a ascensão das ideologias liberais.

9. C
Os Atos tinham como objetivo desbancar a concorrência Holandesa.

10. D
As Revoluções Inglesas marcam a superação da velha ordem feudal, com a ascensão da burguesia ao
poder político.

8
Literatura

Barroco

Resumo

Marcado pelos ideais renascentistas do século XVI, o homem passa a se distanciar, aos poucos, do
pensamento teocêntrico e aproxima-se das influências do antropocentrismo. Neste sentido, essa corrente
literária é marcada pela dualidade ideológica, uma vez que no movimento da Contrarreforma na Europa, no
século XVII, os indivíduos mostram-se divididos entre continuar seguindo os valores cristãos que os regiam,
ou assumirem uma nova visão materialista do mundo e do homem.

Contexto histórico
São inúmeros os acontecimentos que marcaram o período barroco (no século XVII) e fizeram com que os
indivíduos passassem, cada vez mais, a se afastar dos ideais cristãos. Tais fatos nos ajudam a entender a
razão do ressurgimento, durante a Contrarreforma, da Santa Inquisição, atuante sobretudo nos países
ibéricos e em suas colônias ultramarinhas. Dentre eles, devemos ressaltar:
• Renascimento
• Divisão da sociedade em três classes: clero, nobreza e Terceiro Estado;
• Reforma Protestante (iniciada no século XVI);
• Contrarreforma.

Baco, Caravaggio. Disponível em: Cristo crucificado, Diego Velázquez.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Baco_(Caravaggio) Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cristo_
crucificado.jpg

1
Literatura

Pintura sobre O Concílio de Trento, ou também conhecido como Reforma Católica

Características do Barroco
Saiba quais são as características mais marcantes da corrente barroca:
• Conflito entre a visão antropocêntrica e visão teocêntrica;
• Oposição entre o mundo material e o mundo espiritual;
• Idealização amorosa, sensualismo e sentimento de culpa cristã;
• Consciência sobre a efemeridade do tempo;
• Sentimento de morbidez;
• Gosto por raciocínios complexos.

Além disso, os aspectos formais referentes ao Barroco são:


• Uso de figuras de linguagens, tais como antítese, paradoxo e inversão;
• Uso do soneto e versos decassílabos;
• Vocabulário culto;
• Gosto por construções complexas e raras;
• Cultismo (jogo de palavras);
• Conceptismo (jogo de ideias).

O Barroco no Brasil
O Brasil, no século XVII, ainda era uma colônia. Nesse momento, a exploração da cana-de-açúcar e a
exploração do trabalho escravo eram as grandes movimentações econômicas. O Barroco no Brasil estava
dividido em duas classificações: prosa e poesia. Na primeira, os grandes destaques são Padre Antônio Vieira,
Sebastião da Rocha Pita e Nuno Marques Pereira. Já no campo da poesia, os nomes de Gregório de Matos,
Bento Teixeira, Botelho de Oliveira e Frei Itaparica são os representantes da poesia.
Padre Antônio Vieira era conhecido por seus sermões e seu caráter persuasivo. Por meio de sua oratória,
visava resgatar novos fiéis à Igreja, denunciava a realidade social e abordava sobre as causas políticas da
época, o que fez com que criasse muitas inimizades com os governantes. Além disso, suas pregações
abordavam sobre a posição do índio, do domínio inglês sobre a colônia por ocasião da invasão holandesa e
também sobre a educação espiritual.

2
Literatura

Na poesia, o grande nome era Gregório de Matos. O autor abordava três vertentes:

• Poesia lírica: dividida em duas vertentes, ambas marcadas pela exploração de contrastes: as de natureza
filosófica e reflexiva e as de temática amorosa. Na primeira, aparecem o desconcerto do mundo e a
inconstância das coisas. Já na segunda, predominam questões relacionadas ao paradoxo da vida
amorosa e à beleza da mulher contrastada com a efemeridade do tempo. Além disso, o contraste entre o
desejo pela amada com o sentimento de culpa por sentir tal desejo.

• Poesia satírica e obscena (o “Boca do Inferno”): essa é a vertente mais popular de Gregório de Matos. As
suas críticas aos governantes, principalmente à situação da Bahia, lhe conferiram o apelido de “Boca do
Inferno”.

• Religiosa: Essa vertente, embora pouco presente na poesia de Gregório de Matos também deve ser
ressaltada para estudo. Nela, o sujeito poético vive um conflito entre razão e fé.

Textos de apoio

Texto I
“À mesma D. Ângela”
Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e anjo florente,
Em quem, senão em vós se uniformara?

Quem veria uma flor, que a não cortara


De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?

Se como Anjo sois dos meus altares,


Fôreis o meu custódio, e minha guarda
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que tão bela e tão galharda,


Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, Que me tenta, e não me guarda.
Disponível em: http://gregmatoslirico.blogspot.com.br/2012/01/mesma-d-angela.html

3
Literatura

Texto II
A inconstância dos bens do mundo
Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia


Se formosura a Luz e, por que não dura
Como beleza assim se transfigura
Como o gosto da pena assim se fia

Mas no Sol, e na Luz, falte firmeza,


Na formosura não se dê constância.
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,


E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância
Disponível em: http://gregmatoslirico.blogspot.com.br/2012/01/inconstancia-dos-bens-do-mundo.html

Texto III
Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,


Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.


Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

(...)

Matos, Gregório de.Juízo anatômico dos achaques que padecia o corpo da República em todos os membros, e inteira definição do
que em todos os tempos é a Bahia. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1997. P.37

4
Literatura

Texto IV
Buscando a Cristo
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados


De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,


A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,


A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/grego16.html


Texto V
O sermão do bom ladrão
Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à
sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores repreendeu-o muito Alexandre de andar
em tão mau ofício: porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu, porque
roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar
pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os
Alexandres(...)
O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato,
são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo
predicamento distingue muito bem São Basílio Magno. Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas,
ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente
merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o governo das
províncias ou a administração das cidades, os quais já com mancha, já com forças roubam cidades e reinos:
os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo: os outros se furtam, são enforcados,
estes furtam e enforcam.
Diógenes que tudo via com mais aguda vista que os outros homens viu que uma grande tropa de varas e
ministros da justiça levava a enforcar uns ladrões e começou a bradar: lá vão os ladrões grandes a enforcar
os pequenos… Quantas vezes se viu em Roma a enforcar o ladrão por ter furtado um carneiro, e no mesmo
dia ser levado em triunfo um cônsul ou ditador por ter roubado uma província! E quantos ladrões teriam
enforcado estes mesmos ladrões triunfantes?
Padro Antônio Vieira. Disponível em: http://www.filologia.org.br/vicnlf/anais/caderno04-10.html

5
Literatura

Exercícios

1.

(BARDI, P. M. Em torno da escultura no Brasil. São Paulo: Banco Sudameris Brasil, 1989.)

Com contornos assimétricos, riqueza de detalhes nas vestes e nas feições, a escultura barroca no Brasil
tem forte influência do rococó europeu e está representada aqui por um dos profetas do pátio do
Santuário do Bom Jesus de Matosinho, em Congonhas (MG), esculpido em pedra-sabão por
Aleijadinho. Profundamente religiosa, sua obra revela:
a) liberdade, representando a vida de mineiros à procura da salvação.
b) credibilidade, atendendo a encomendas dos nobres de Minas Gerais.
c) simplicidade, demonstrando compromisso com a contemplação do divino.
d) personalidade, modelando uma imagem sacra com feições populares.
e) singularidade, esculpindo personalidades do reinado nas obras divinas.do divino.

6
Literatura

2. Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol as Inconstâncias dos bens do Mundo.


Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?


Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,


Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,


E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(GUERRA, Gregório de Matos. ANTOLOGIA POÉTICA. Rio, Ediouro, 1991. p.84.)
O texto de Gregório de Matos possui muitas antíteses, que são usadas nos textos barrocos para:
a) traduzir o conflito humano.
b) rejeitar o vocabulário popular.
c) personificar seres inanimados.
d) marcar a presença do onírico.
e) detalhar a arte poética.

3. Sermão da sexagésima
Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se
semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em
si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto?
Assim como Deus não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do
que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos
pregadores, por que não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão
importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar pregando-me a mim. A mim será, e
também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que aprendais a ouvir.
VIEIRA, A. Sermões escolhidos. v.2. São Paulo: Edameris, 1965.

No Sermão da Sexagésima, Padre Antônio Vieira questiona a eficácia das pregações. Para tanto,
apresenta como estratégia discursiva sucessivas interrogações, as quais têm por objetivo principal:
a) provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no sermão.
b) conduzir o interlocutor à sua própria reflexão sobre os temas abordados nas pregações.
c) apresentar questionamentos para os quais a Igreja não possuir respostas.
d) inserir argumentos à tese defendida pelo pregador sobre a eficácia das pregações.
e) questionar a importância das pregações feitas pela Igreja durante os sermões.

7
Literatura

4. "Anjo no nome, Angélica na cara!


Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara?"

Na estrofe acima, o jogo de palavras:


a) é recurso de que se serve o poeta para satirizar os desmandos dos governantes de seu tempo;
b) retrata o conflito vivido pelo homem barroco, dividido entre o senso do pecado e o desejo de perdão;
c) expressa a consciência de que o poeta tem do efêmero da existência e o horror pela morte;
d) revela a busca da unidade, por um espírito dividido entre o idealismo e o apelo dos sentidos;
e) permite a manifestação do erotismo do homem, provocado pela crença na efemeridade dos
predicados físicos da natureza humana.

5. O texto a seguir escreve o que era realmente naquele tempo a cidade da Bahia.
A cada canto um grande conselheiro
Que nos quer governar a cabana, e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um frequentado olheiro,


Que a vida do vizinho, e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
Para a levar à Praça, e ao Terreiro.

Muitos Mulatos desavergonhados,


Trazidos pelos pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados,


Todos, os que não furtam, muito pobres,
E eis aqui a cidade da Bahia.
(MATOS, Gregório de. In: BARBOSA, F. (org.) "Clássicos da Poesia Brasileira." RJ: Klick Editora, 1998, p.24/25. 10.)

A crítica à incapacidade dos portugueses de governar o Brasil e a consequente pobreza do povo são
temas presentes nesse poema barroco de Gregório de Matos e representam uma característica
retomada, mais tarde, pelo Romantismo. Essa característica é:
a) o sentimento nativista.
b) a preferência pelo soneto.
c) a denúncia da escravidão.
d) a tendência regionalista.
e) a volta ao passado histórico.

8
Literatura

6. Quando jovem, Antônio Vieira acreditava nas palavras, especialmente nas que eram ditas com fé. No
entanto, todas as palavras que ele dissera, nos púlpitos, na salas de aula, nas reuniões, nas catequeses,
nos corredores, nos ouvidos dos reis, clérigos, inquisidores, duques, marqueses, ouvidores,
governadores, ministros, presidentes, rainhas, príncipes, indígenas, desses milhões de palavras ditas
com esforço de pensamento, poucas - ou nenhuma delas - havia surtido efeito. O mundo continuava
exatamente o de sempre. O homem, igual a si mesmo.
Ana Miranda, BOCA DO INFERNO

Essa passagem do texto faz referência a um traço da linguagem barroca presente na obra de Vieira;
trata-se do:
a) gongorismo, caracterizado pelo jogo de idéias.
b) cultismo, caracterizado pela exploração da sonoridade das palavras.
c) cultismo, caracterizado pelo conflito entre fé e razão.
d) conceptismo, caracterizado pelo vocabulário preciosista e pela exploração de aliterações.
e) conceptismo, caracterizado pela exploração das relações lógicas, da argumentação.

7. Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado porque padeceis em um modo muito semelhante
o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão. A sua cruz foi composta de dois
madeiros, e a vossa em um engenho é de três. Também ali não faltaram as canas, porque duas vezes
entraram na Paixão: uma vez servindo para o cetro de escárnio, e outra vez para a esponja em que lhe
deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são
as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos;
Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os
nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que, se for acompanhada de paciência,
também terá merecimento de martírio.
VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello & Irmão, 1951 (adaptado).

O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira estabelece uma relação entre a Paixão de Cristo e:
a) a atividade dos comerciantes de açúcar nos portos brasileiros.
b) a função dos mestres de açúcar durante a safra de cana.
c) o sofrimento dos jesuítas na conversão dos ameríndios.
d) o papel dos senhores na administração dos engenhos.
e) o trabalho dos escravos na produção de açúcar.

9
Literatura

8. À instabilidade das cousas do mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,


Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?


Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,


Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,


E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Gregório de Matos Guerra)

Sobre o tema central do soneto acima é correto dizer:


a) o eu-lírico aborda a superficialidade sobre as aparências.
b) há uma visão dicotômica entre a grandeza divina e a pequenez do homem.
c) há a preocupação com a efemeridade da vida.
d) o eu-lírico expõe sobre o sofrimento amoroso em função do sentimento de culpa.
e) o eu lírico expõe a dualidade dos sentimentos do homem barroco.

10
Literatura

9. Quando Deus redimiu da tirania


Da mão do Faró endurecido
O Povo Hebreu amado, e esclarecido,
Páscoa ficou da redenção o dia.

Páscoa de flores, dia de alegria


Àquele Povo foi tão afligido
O dia, em que por Deus foi redimido;
Ergo sois vós, Senhor, Deus da Bahia.

Pois mandado pela alta Majestade


Nos remiu de tão triste cativeiro,
Nos livrou de tão vil calamidade.

Quem pode ser senão um verdadeiro


Deus, que veio estirpar desta cidade
O Faraó do povo brasileiro.
(DAMASCENO, D. (Org.). Melhores poemas: Gregório de Matos. São Paulo: Globo, 2006.)

Com uma elaboração de linguagem e uma visão de mundo que apresentam princípios barrocos, o
soneto de Gregório de Matos apresenta temática expressa por:
a) visão cética sobre as relações sociais.
b) preocupação com a identidade brasileira.
c) crítica velada à forma de governo vigente.
d) reflexão sobre os dogmas do cristianismo.
e) questionamento das práticas pagãs na Bahia.

10. “Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os
que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair são os
que se contentam com pregar na pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm
a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir
a semeadura, e hão-lhes de contar os passos. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! Os de cá, achar-vos-ei
com mais paço; os de lá, com mais passos..."

Essa passagem é representativa de uma das tendências estéticas típicas da prosa seiscentista, a saber:
a) Sebastianismo, isto é, a celebração do mito da volta de D.Sebastião, rei de Portugal, morto na batalha
de Alcácer-Quibir.
b) a busca do exotismo e da aventura ultramarina, presentes nas crônicas e narrativas de viagem.
c) a exaltação do heróico e do épico, por meio das metáforas grandiloqüentes da epopéia.
d) lirismo trovadoresco, caracterizado por figuras de estilo passionais e místicas.
e) Conceptismo, caracterizado pela utilização constante dos recursos da dialética

11
Literatura

Gabarito

1. D
A expressão presente na escultura do Aleijadinho, importante artista do período Barroco no Brasil, mostra
personalidade, pois é possível perceber um rompimento com os padrões artísticos anteriores, já que o
escultor modela uma imagem sacra com feições populares. Essa característica demonstra, ainda, a
dualidade entre a religião e a razão.

2. A
As antíteses, muito presentes na poesia barroca, eram utilizadas, principalmente, para representar as
contradições humanas, os contrastes entre fé e razão, e os conflitos existenciais do homem.

3. A
As interrogações são uma estratégia discursiva para estabelecer interlocução e, dessa forma, o
enunciador estabelece contato direto com o interlocutor, despertando sua atenção e interesse sobre o
sermão que vai propor.

4. D
O Barroco questionava bastante a relação entre os sentidos e as ações do homem, mostrando que, muitas
vezes, o indivíduo se deixa levar por eles.

5. A
No poema de Gregório de Matos, é possível perceber a crítica à colonização portuguesa e a sua forma de
governo. Dessa forma, podemos perceber uma visão nacionalista por parte do autor, e essa característica
marcou, posteriormente, o Romantismo, principalmente a 1ª geração.

6. E
Sendo a única alternativa com a definição correta da característica literária, uma vez que o cultismo pode
ser definido pelo jogo de palavras (expoloração das figuras de linguagem) e o conceptismo pelo jogo de
ideias e argumentações, o texto aborda essa segunda forma de expressão, muito presente na escola
barroca.

7. E
Neste fragmento, Padre Antônio Vieira relaciona os maus tratos sofridos pelos escravos nos engenhos
de açúcar à dor de Cristo crucificado.

8. C
Apesar de, em todas alternativas, haver uma característica pertinente ao Barroco, a única abordada no
soneto contido na questão é a preocupação com a efemeridade da vida. Essa fica evidente quando o eu
lírico trata sobre a transformação do dia em noite e aborda a transfiguração da beleza.

9. C
Gregório de Matos utilizava sua poesia para criticar a forma de governo vigente e a sociedade de sua
época. Além de ter esse conhecimento, é necessário, também, perceber as metáforas contidas no poema.

10. E
Sendo o Barroco parte da literatura seiscentista, é importante destacar que o conceptismo fez parte de
suas maiores características, por meio da utilização demasiada da dialética e de modos diferenciados de
conceber a escrita, enfatizando a temática vigente.

12
Matemática

Ângulos na circunferência e propriedades


Resumo

Ângulos na circunferência
Ângulo central: seu vértice está no centro da circunferência.

𝛼 = 𝐴𝐵

Ângulo inscrito: seu vértice é um ponto da circunferência.

𝐴𝐵
𝛼=
2
Ângulo de segmento: formado por uma corda e uma tangente (com vértice no ponto de tangência).

𝐴𝐵
𝛼=
2

1
Matemática

Ângulo excêntrico interno: formado por duas cordas.

𝐴𝐵+𝐶𝐷
𝛼=
2

Ângulo excêntrico externo: formado por duas retas secantes à circunferência.

𝐹𝐺−𝐷𝐸
𝛼=
2

Polígonos inscritíveis:
Quadrilátero
Um quadrilátero é inscritível se, e somente se, seus ângulos opostos são suplementares.

 + =  +

2
Matemática

Triângulo retângulo
Se um triângulo retângulo é inscrito em meia circunferência, então sua hipotenusa coincide com o diâmetro
da circunferência.

3
Matemática

Exercícios

1. Durante seu treinamento, um atleta percorre metade de uma pista circular de raio R, conforme figura a
seguir. A sua largada foi dada na posição representada pela letra L, a chegada está representada pela
letra C e a letra A representa o atleta. O segmento LC é um diâmetro da circunferência e o centro da
circunferência está representado pela letra F. Sabemos que, em qualquer posição que o atleta esteja
na pista, os segmentos LA e AC são perpendiculares. Seja θ o ângulo que o segmento AF faz com
segmento FC.

Quantos graus mede o ângulo θ quando o segmento AC medir R durante a corrida?


a) 15 graus
b) 30 graus
c) 60 graus
d) 90 graus
e) 120 graus

2. Um atleta faz seu treinamento de corrida em uma pista circular que tem 400 metros de diâmetro. Nessa
pista, há seis cones de marcação indicados pelas letras A, B, C, D, E e F, que dividem a circunferência
em seis arcos, cada um medindo 60 graus.
Observe o esquema:

O atleta partiu do ponto correspondente ao cone A em direção a cada um dos outros cones, sempre
correndo em linha reta e retornando ao cone A. Assim, seu percurso correspondeu a ABACADAEAFA.
Considerando 3 = 1, 7 , o total de metros percorridos pelo atleta nesse treino foi igual a:
a) 1480
b) 2960
c) 3080
d) 3120
e) 3240

4
Matemática

3. O ângulo x, na figura a seguir, mede:

a) 60°.
b) 80°.
c) 90°.
d) 100°.
e) 120°.

4. Na figura a seguir, R, S e T são pontos sobre a circunferência de centro O. Se x é o número real, tal que
a = 5x e b = 3x + 42° são as medidas dos ângulos RTS ˆ e ROS ˆ , respectivamente, pode-se dizer que:

a) a = 30° e b = 60°.
b) a = 80° e b = 40°.
c) a = 60° e b = 30°.
d) a = 40° e b = 80°.
e) a = 30° e b = 80°.

5
Matemática

5. A medida do ângulo ADC inscrito na circunferência de centro O é:

a) 125°
b) 110°
c) 120°
d) 100°
e) 135°

6. Na figura, os triângulos ABC e BCD estão inscritos na circunferência. A soma das medidas m + n, em
graus, é:

a) 70.
b) 90.
c) 110.
d) 130.
e) 150.

6
Matemática

7. Na figura, A, B, C e D são pontos de uma circunferência, a corda ˆ e as


CD é bissetriz do ângulo ACB
ˆ mede 40°, a medida α do ângulo
cordas AB e AC têm o mesmo comprimento. Se o ângulo BAD
ˆ é:
BAC

a) 10°.
b) 15°.
c) 20°.
d) 25°.
e) 30°.

8. O triângulo ABV está inscrito em uma circunferência de centro C e o segmento VD tangencia a


ˆ = 30 e que a
circunferência em V, como representado na figura a seguir. Sabendo que a med(AVD)
medida do raio da circunferência é igual a 5 cm, o comprimento do arco VEF, em cm, é:

π
5.
a) 3


5.
b) 3

π
5.
c) 6

d) 2 π.

e) 3 π.

7
Matemática

9. A figura a seguir mostra uma circunferência em que os arcos ADC e AEB são congruentes e medem
160° cada um.

A medida em graus, do ângulo α é:


a) 10°
b) 20°
c) 30°
d) 40°

10. A figura abaixo apresente uma semicircunferência de diâmetro AB, com raio igual a 3 e com o ponto
c sobre a semicunferência.

Sabendo-se que o segmento AC mede 3 cm, o comprimento do arco AC é:

3 3
a) 2 cm
 3
b) 3 cm
4 3
c) 3 cm
2 3
d) 3 cm
e) 3 cm

8
Matemática

Gabarito

1. C

Se AC = R , temos o triângulo AFC equilátero. Logo,  = 60 .

2. B
Se o raio da circunferência mede 200 m, então as medidas em metros dos segmentos AB, AD e AF são,
respectivamente, iguais a 200, 400 e 200.

Os segmentos AC E AE têm a mesma medida do segmento BF, que corresponde ao dobro da altura h de
um triângulo equilátero. Assim,

l 3
BF = 2h = 2   = 200 3 = 200 1, 7 = 340 m
 2 
onde l é a medida do lado do triângulo.

Ao final do treinamento, o atleta percorreu uma distância d, em metros, que corresponde a duas vezes a
soma dos segmentos, considerando os retornos ao cone A. Logo,

(
d = 2 AB + AC + AD + AE + AF )
d = 2 ( 200 + 340 + 400 + 340 + 200 ) = 2960

3. B
O ângulo x é composto pela soma dos ângulos externos, logo, x = 80°.

4. A
De acordo com as propriedades do ângulo inscrito, pode-se escrever que:
b = 2a
3x + 42 = 2  5 x
7 x = 42
x = 6
Logo,
a = 5  6 = 30
b = 3  6 + 42 = 60

5. A
Se CÂB = 35°, então CÔB=70°, pois o ângulo central vale o dobro do ângulo inscrito. O arco CBA mede 180
250
+ 70 = 250. Como ADC é um ângulo inscrito ele vale = 125 .
2

9
Matemática

6. A
O ângulo central, que determina a medida do ângulo do arco AB tem ângulo com medida 2  65 = 130
(ângulo central = 2.ângulo inscrito).
De maneira análoga, a medida do ângulo do arco BC é 2  45 = 90 .
A soma dos ângulos dos arcos de uma circunferência é igual a 360°, assim:

AD + CD + BC + AB = 360
AD + CD = 360 − 120 = 140
Note que:

AD = 2m e CD = 2n
Assim:
2m + 2n = 140
m + n = 70

7. C
O angulo DÂB transcrito na circunferência é o mesmo de DCB, portanto, os dois ângulos equivalem a 40°.
O ângulo DCB é o mesmo de DCA, uma vez que CD é bissetriz, portanto, os dois equivalem a 40° e ,juntos,
equivalem a 80°. O ângulo ABC é o mesmo de BCA, pois o triângulo ABC é isósceles, assim, os dois
equivalem a 80° e juntos equivalem a 160°.
A junção dos três ângulos do triangulo ABC deve ser 180°, se já temos 160°, para 180 faltam 20, portanto
α deverá ser 20°

8. B
Sabendo que todo triângulo inscrito na semicircunferência é retângulo, temos que o triângulo ABV
ˆ = 90, V
possuirá ângulos: A ˆ = 60 e B̂ = 30.

ˆ = 30.
Observe que o ângulo V̂ = 60 é dado, devido a med(AVD)
ˆ será igual a 30, pois AC = CB e assim temos que o
Dessa maneira, temos que o ângulo  ou CAB
ˆ = ECV
ângulo ACB ˆ = 120.

1 2  5
C =  2  5 =
3 3

9. B
O arco de extremos C e B, determinado pelo ângulo x na circunferência mede 2x. Portanto,
2 x + 160 + 160 = 360
2 x = 40
x = 20

10
Matemática

10. D

3 3
sen = =   = 60
2 3 2

11
Matemática

Introdução ao estudo das funções: Produto Cartesiano, relação,


definição de função
Resumo

Antes de definirmos funções, é fundamental que tenhamos conhecimentos prévios sobre alguns pontos
importantes, como, por exemplo:

Par ordenado:
Um par ordenado (x, y) é um par de coordenadas que serve para localizar um determinado ponto num sistema
de eixos coordenados.
A coordenada x se chama abscissa e mede a distância do ponto ao eixo y. Por convenção, dizemos que o
valor de x é positivo quando o ponto está a direita do eixo y e negativa quando está a esquerda.
Já a coordenada y se chama ordenada e mede a distância do ponto ao eixo x. A ordenada y é positiva quando
o ponto está acima do eixo x e é negativa quando está acima.

Produto Cartesiano:
O Produto cartesiano entre dois conjuntos A e B é o conjunto de todos os pares ordenados (x ,y) que podem
ser formados, sendo x pertencendo a A e y pertencente a B.
A x B = { (x, y) | x ϵ A e y ϵ B }
Ex: Sendo A = { 1, 2 } e B = { 3, 4, 5 }
A x B = { (1,3), (1,4), (1,5), (2,3), (2,4), (2,5) }
B x A = { (3,1), (3,2), (4,1), (4,2), (5,1), (5,2) }

Obs:
1. Nota-se que o produto cartesiano de A x B ≠ B x A.
2. Nota-se também que a quantidade de pares ordenados do produto cartesiano é a multiplicação da
quantidade de elementos de cada conjunto.
n(A x B) = n(A) x n(B), que no nosso exemplo é 6 = 2 x 3.
Representações:

1
Matemática

Relação:
Uma relação é um conjunto de pares ordenados cujas coordenadas obedecem a uma lei de formação.
Ex: A = {0,1,2,3} e B = {0,1,2,3,4} e R = { (x, y) ϵ A x B | x² = y }. Assim temos que R = {(0,0), (1,1), (2,4)}

Função:
Uma função é um caso particular muito especial de relação. Uma relação é dita função de A em B se todos
os elementos de A possuírem exatamente uma imagem em B. O conjunto A é chamado Domínio da função e
o conjunto B é chamado Contradomínio. Os valores encontrados em B (contradomínio) mediante os cálculos
(utilizando a lei de formação) pertencem a um subconjunto de B chamado Imagem da função.

Ex: Considere os conjuntos A = {0, 1, 2, 3, 4) e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10} e a relação de A em B definida


por f(x) = 2x. Observe que:
x=0→y=0
x=1→y=2
x=2→y=4
x=3→y=6
x=4→y=8
Dom(f) = A; Cd(f) = B; Im(f) = {0, 2, 4, 6, 8}

Obs:

Esta relação, por exemplo, não é uma função, já que todos os elementos do domínio possuem 3 imagens,
cada.

2
Matemática

Exercícios

1. Os conjuntos A e B têm, respectivamente, 5 − 𝑥 e 3𝑥 elementos e 𝐴 × 𝐵 tem 8𝑥 + 2 elementos. Então,


se pode admitir como verdadeiro que:
a) A tem cinco elementos
b) B tem quatro elementos
c) B tem seis elementos
d) A tem mais de seis elementos
e) B tem menos de três elementos

2. Considere a função real definida por


4 − x2 , se x  1
f(x) =  .
2(x + 1), se x  1

f(3) − f(1)
Então o valor da razão f(2) + f(0) é igual a:

a) 0,5
b) 1,0
c) 1,5
d) 2,0

3. As atividades de comunicação humana são plurais e estão intimamente ligadas às suas necessidades
de sobrevivência. O problema de contagem, por exemplo, se confunde com a própria história humana
no decorrer dos tempos. Assim como para os índios mundurucus, do sul do Pará, os waimiri-atroari,
contam somente de um até cinco, adotando os seguintes vocábulos: awynimi é o número 1, typytyna
é o 2, takynima é o 3, takyninapa é o 4, e, finalmente, warenipa é o 5.
(Texto Adaptado: Scientific American – Brasil, “Etnomatática”. Edição Especial, Nº 11, ISSN 1679-5229)

Considere A o conjunto formado pelos números utilizados no sistema de contagem dos waimiriatroari,
ou seja, 𝐴 = {1,2,3,4,5}. Nestas condições, o número de elementos da relação 𝑅1 = {(𝑥, 𝑦) ∈
𝐴 × 𝐴|𝑦 ≥ 𝑥} é igual a:
a) 5.
b) 10.
c) 15.
d) 20.
e) 25.

3
Matemática

4. Em um certo dia, três mães deram à luz em uma maternidade. A primeira teve gêmeos, a segunda,
trigêmeos e a terceira, um único filho. Considere, para aquele dia, o conjunto das 3 mães, o conjunto
das 6 crianças e as seguintes relações:
I. A que associa cada mãe ao seu filho.
II. A que associa cada filho à sua mãe.
III. A que associa cada criança ao seu irmão.

São funções
a) somente a l.
b) somente a ll.
c) somente a lll.
d) somente a I e II.
e) todas.

5. Considerando K = {1, 2, 3, 4}, marque a opção cuja figura representa o produto cartesiano K × K.

a) c)
b)

d)

4
Matemática

6. Considere a relação f de M em N representada no diagrama abaixo:

Para que f seja uma função de M em N, devemos:


I. apagar a seta 1 e retirar o elemento s.
II. apagar as setas 1 e 4 e apagar o elemento k.
III. retirar os elementos k e s.
IV. apagar a seta 4 e retirar o elemento k.
V. apagar a seta 2 e retirar o elemento k.

Assinale a alternativa correta:


a) Apenas as afirmações I e III estão corretas.
b) Apenas as afirmações IV e V estão corretas.
c) Apenas as afirmações II e V estão corretas.
d) Apenas a afirmação III está correta.
e) Apenas a afirmação IV está correta.

7. Considerando 𝐴 = {𝑥 ∈ ℤ/0 < 𝑥 ≤ 5}, e sendo R a relação em A formada pelos pares (𝑥, 𝑦) tais que𝑦 =
2𝑥 − 1 , o domínio e a imagem dessa relação correspondem, respectivamente, a
a) {0, 1, 2, 3} e {1, 3, 5, 7}
b) {1, 2, 3, 4} e {3, 5, 7, 9}
c) {0, 1, 2, 3, 4} e {0, 2, 4, 6, 8}
d) {1, 2, 3, 4, 5} e {1, 3, 5, 7, 9}
e) {1, 2, 3, 4, 5} e {0, 2, 4, 6, 8}

8. Os pares ordenados (1, 2), (2, 6), (3, 7), (4, 8) e (1, 9) pertencem ao produto cartesiano A×B. Sabendo-
se que A×B tem 20 elementos, é correto afirmar que a soma dos elementos de A é
a) 9
b) 11
c) 10
d) 12
e) 15

5
Matemática

9. A função “f” é definida no conjunto dos inteiros positivos por:

n
 , se n for par
f ( n) =  2
3n + 1, se n for ímpar
O número de soluções da equação f(n) = 25 é
a) 0.
b) 1.
c) 2.
d) 3.
e) Infinito.

10. Qual dos seguintes gráficos não representa uma função f: ℝ → ℝ?

a) c) e)

b) d)

6
Matemática

Gabarito

1. C

Sendo 𝑥 ∈ 𝑅 e sabendo que n(A  B) = n(A)  n(B), temos:


8x + 2 = (5 − x)  3x  3x2 − 7x + 2 = 0
 x = 2.

Portanto, n(B) = 3  2 = 6.

2. A
f(3) = 8; f(1) = 3; f(2) = 6; f(0) = 4
8−3 5
Logo: = = 0,5
6+4 10

3. C

É fácil ver que o resultado pedido é dado por 5 + 4 + 3 + 2 + 1 = 15.

4. B
Uma função apresenta domínio e imagem, onde cada valor do domínio está associado a um único
elemento da imagem. No caso de:
I. A mãe seria o domínio e os filhos seriam a imagem, logo a mãe está relacionada com todos os seus
filhos. Assim, um elemento do domínio está associado a mais de um elemento da imagem, o que
não caracteriza uma função.
II. Os filhos são o domínio e a mãe é a imagem, desta forma, cada elemento do domínio está associado
a um único elemento da imagem, pois todos os filhos estão relacionados a sua mãe, o que
caracteriza uma função.
III. No caso do filho único, ele não teria associação nenhuma, pois não tem irmãos, logo esta não é uma
função.

5. A
Em um produto cartesiano, todos os elementos precisam estar associados a todos os elementos do
conjunto de chegada. Assim, a única resposta é a alternativa da letra A.

6. E
O que impede a relação f de ser uma função é o fato de o elemento x estar associado a dois elementos
em N e o fato de k não estar associado a ninguém. Dessa maneira, precisaríamos apagar uma das setas
de x, 1 ou 4, e retirar o elemento K.

7. D
Como 𝐴 = {𝑥 ∈ ℤ/0 < 𝑥 ≤ 5}, temos que 𝐴 = {1,2,3,4,5}, que é o domínio. Agora, precisamos achar as
imagens, que são dadas por 𝑦 = 2𝑥 − 1:
Imagem = {2(1) − 1,2(2) − 1,2(3) − 1,2(4) − 1,2(5) − 1} = {1,3,5,7,9}.

7
Matemática

8. C
Como A×B tem 20 elementos, temos que 𝑛(𝐴) ⋅ 𝑛(𝐵) = 20 . Analisando os pares ordenados dados no
enunciado, vemos que, no mínimo, 𝐴 = {1,2,3,4} e 𝐵 = {2,6,7,8,9}. Assim, de acordo com esses dados,
temos que 𝑛(𝐴) ⋅ 𝑛(𝐵) = 20 ⇒ 4 ⋅ 5 = 20, o que é verdadeiro. Por fim, 1 + 2 + 3 + 4 = 10.

9. B
Testando para as duas sentenças, temos:
n
= 25  n = 50 (V )
2
3n + 1 = 25  n = 8 ( F ) , pois n deveria ser um número ímpar.
Assim, temos apenas uma solução.

10. E
Para ser função, todo valor de x deve ter um único correspondente em y. Se ao passar uma reta vertical
no gráfico e mais de dois pontos interceptarem a curva não é função. Isso ocorre na alternativa E.

8
Matemática

Problemas envolvendo operações com conjuntos

Resumo

Conjuntos
Indicamos um conjunto, em geral, com uma letra maiúscula: A, B, C; e um elemento pertencente ao conjunto
com uma letra minúscula: a, b, c, d, y, x.

Simbologia Leitura
⊂ Contém
⊄ Não contém
∈ Pertence
∉ Não pertence
∪ União
∩ Intersecção

Utilizamos os símbolos ⊂ e ⊄ quando estamos relacionando conjuntos e utilizamos ∈ e ∉ para relacionar


elementos aos conjuntos.
• Sejam A um conjunto e x um elemento. Se x pertence ao conjunto A, escrevemos: x ∈ A
• Para indicar que x não é elemento do conjunto A, escrevemos: x ∉ A
• Sejam A e B dois conjuntos. Se B está contido em A, escrevemos: B ⊂ A
• Para indicar que B não está contido em A, escrevemos: B ⊄ A

Descrevendo conjuntos
Quando um conjunto é dado devemos indicá-lo escrevendo seus elementos entre chaves. Exemplos:
Conjunto dos números ímpares positivos:
{1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15, ...}

Conjunto dos números primos:


{2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, ...}

Conjunto das vogais:


{a, e, i, o, u}

1
Matemática

Operações com Conjuntos


Sejam os conjuntos A = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7} e B = {2, 4, 6, 8, 10}.
• União (U)
O conjunto união de A com B é formado pelos elementos que pertencem a A e a B, ou seja, a reunião de todos
os elementos dos dois conjuntos:
A U B = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10}

• Intersecção (∩)
O conjunto intersecção de A com B é formado pelos elementos comuns de A e B:
A ∩ B = {2, 4, 6}

Quando não há elementos em comum nos conjuntos relacionados, dizemos que essa intersecção é vazia ou
nula e representamos com os símbolos: { } ou ∅

Exemplo: Uma pesquisa realizada com 100 pessoas em uma pizzaria, revelou que destas, 70 gostam de
pizzas salgadas, 20 gostam de pizzas salgadas e doces. Quantas foram as pessoas que responderam que
gostam apenas de pizzas doces?

Representando a situação na forma de diagrama, retira-se a interseção de cada conjunto e conclui-se que
há 30 pessoas gostando apenas de pizza doce.

2
Matemática

3
Matemática

Exercícios

1. No dia 17 de Maio próximo passado, houve uma campanha de doação de sangue em uma Universidade.
Sabemos que o sangue das pessoas pode ser classificado em quatro tipos quanto a antígenos. Uma
pesquisa feita com um grupo de 100 alunos da Universidade constatou que 42 deles têm o antígeno
A, 36 têm o antígeno B e 12 o antígeno AB. Sendo assim, podemos afirmar que o número de alunos
cujo sangue tem o antígeno O é:
a) 20 alunos
b) 26 alunos
c) 34 alunos
d) 35 alunos
e) 36 alunos

2. Numa creche com 32 crianças:


• 5 crianças moram na Tijuca, vão de ônibus e jantam na creche.
• 3 crianças moram na Tijuca, vão de ônibus, mas não jantam na creche.
• 9 crianças não moram na Tijuca, não vão de ônibus e não jantam na creche.
• 11 crianças moram na Tijuca e jantam na creche.
• 16 crianças moram na Tijuca.
• 9 crianças vão de ônibus e jantam na creche.
• 13 crianças vão de ônibus.

Quantas crianças jantam na creche?


a) 11.
b) 15.
c) 17.
d) 18.

3. Um fabricante de cosméticos decide produzir três diferentes catálogos de seus produtos, visando a
públicos distintos. Como alguns produtos estarão presentes em mais de um catálogo e ocupam uma
página inteira, ele resolve fazer uma contagem para diminuir os gastos com originais de impressão.
Os catálogos C1, C2 e C3 terão, respectivamente, 50, 45 e 40 páginas. Comparando os projetos de cada
catálogo, ele verifica que C1 e C2 terão 10 páginas em comum; C1 e C3 terão 6 páginas em comum;
C2 e C3 terão 5 páginas em comum, das quais 4 também estarão em C1. Efetuando os cálculos
correspondentes, o fabricante concluiu que, para a montagem dos três catálogos, necessitará de um
total de originais de impressão igual a:
a) 135.
b) 126.
c) 118.
d) 114.
e) 110

4
Matemática

4. Uma pesquisa com três marcas concorrentes de refrigerantes, A, B e C, mostrou que 60% das pessoas
entrevistadas gostam de A, 50% gostam de B, 57% gostam de C, 35% gostam de A e C, 18% gostam de
A e B, 24% gostam de B e C, 2% gostam das três marcas e o restante das pessoas não gosta de
nenhuma das três. Sorteando-se aleatoriamente uma dessas pessoas entrevistadas, a probabilidade
de que ela goste de uma única marca de refrigerante ou não goste de marca alguma é de:
a) 16%.
b) 17%.
c) 20%.
d) 25%.
e) 27%

5. Uma determinada empresa de biscoitos realizou uma pesquisa sobre a preferência de seus
consumidores em relação a seus três produtos: biscoitos cream cracker, wafer e recheados. Os
resultados indicaram que:
• 65 pessoas compram cream crackers.
• 85 pessoas compram wafers.
• 170 pessoas compram biscoitos recheados.
• 20 pessoas compram wafers, cream crackers e recheados.
• 50 pessoas compram cream crackers e recheados.
• 30 pessoas compram cream crackers e wafers.
• 60 pessoas compram wafers e recheados.
• 50 pessoas não compram biscoitos dessa empresa.

Determine quantas pessoas responderam a essa pesquisa.


a) 200
b) 250
c) 320
d) 370
e) 530

6. Num grupo de 87 pessoas, 51 possuem automóvel, 42 possuem moto e 5 pessoas não possuem
nenhum dos dois veículos. O número de pessoas desse grupo que possuem automóvel e moto e:
a) 4.
b) 11.
c) 17.
d) 19.

7. Em uma determinada empresa, os trabalhadores devem se especializar em pelo menos uma língua
estrangeira, francês ou inglês. Em uma turma de 76 trabalhadores, tem-se:
• 49 que optaram somente pela língua inglesa;
• 12 que optaram em se especializar nas duas línguas estrangeiras.

O número de trabalhadores que optaram por se especializar em língua francesa foi


a) 15.
b) 27.
c) 39.
d) 44.
e) 64.

5
Matemática

8. Num dado momento, três canais de TV tinham, em sua programação, novelas em seus horários
nobres: a novela A no canal A, a novela B no canal B e a novela C no canal C. Numa pesquisa com
3.000 pessoas, perguntou-se quais novelas agradavam. A tabela a seguir indica o número de
telespectadores que designaram as novelas como agradáveis.

Quantos telespectadores entrevistados não acham agradável nenhuma das três novelas?
a) 300 telespectadores
b) 370 telespectadores
c) 450 telespectadores
d) 470 telespectadores
e) 500 telespectadores

9. Alberto e Daniel são amigos e colecionadores de selos. Eles começaram a colecionar selos ao mesmo
tempo. Alberto já está com 32 selos, enquanto Daniel tem 17. Sabendo que eles têm 8 selos em comum,
quantos selos diferentes eles têm juntos?
a) 41
b) 42
c) 45
d) 48
e) 49

10. Numa festa, foram servidos dois tipos de salgados: um de queijo e outro de frango. Considere que 15
pessoas comeram os dois salgados, 45 não comeram o salgado de queijo, 50 não comeram o salgado
de frango e 70 pessoas comeram pelo menos um dos dois salgados. O número de pessoas presentes
nesta festa que não comeram nenhum dos dois salgados foi:
a) 18.
b) 20.
c) 10.
d) 15.

6
Matemática

Gabarito

1. C
Se 12 pessoas tem o sangue AB, isso quer dizer que:
A= 42
B=36
AB=12, 12 é a interseção dos conjuntos. é o que tem no A e no B ao mesmo tempo..
42 - 12 = 30, então, 30 pessoas possuem somente o tipo A
36 - 12 = 24, então, 24 pessoas possuem somente o tipo B
30 + 24 + 12 = 66
Se são 100 pessoas, menos as 66 = 34 pessoas do tipo O

2. C
Utilizando as informações contidas no problema, podemos construir o seguinte diagrama.

Logo, o número de crianças que jantam na creche será dado por: 5 + 6 + 4 + 2 = 17.
.

3. C

7
Matemática

4. E
Gostam só do refrigerante A: 60 -18-35 + 2 = 9%
Gostam só do refrigerante B: 50-18-24 + 2 =10%
Gostam só do refrigerante C: 57-24 -35 + 2 = 0%
As pessoas que gostam de A e B são as que gostam dos 2 do refrigerante menos as que gostam dos 3,
assim temos: 18 - 2 = 16%
As que gostam só dos refrigerantes A e C: 35 - 2 = 33
As que gostam só dos refrigerantes B e C: 24 -2 = 22%
Dando um total de 92%

Os 8% restantes não gostam de NENHUMA, assim temos: 9% + 10% + 8% = 27%

5. B
A partir do enunciado montamos o seguinte diagrama:

Logo, o número de pessoas que responderam a pesquisa será dado por:


N = 5 + 10 + 30 + 20 + 15 + 40 + 80 + 50 = 250.

6. B
Seja A, o conjunto das pessoas que possuem automóvel, e M o conjunto das pessoas que possuem
moto e x o número de pessoas que possuem automóvel e moto temos:

8
Matemática

Assim o numero de pessoas desse grupo que possuem automóvel e moto é dado por:
51+ x + x + 42 – x+ 5 = 87
98 – x = 87
X = 11.

7. B

Número de trabalhadores que optaram APENAS pela Língua francesa:


x = 76 – 12 – 49 = 15.
Logo, o número de trabalhadores que optaram por se especializar em língua francesa foi de:
x + 12 = 15 + 12 = 27.

8. C
Temos que 100 pessoas acharam agradável as novelas A,B e C.

As que acharam agradável somente A e B, foram: 350 – 100= 250;


AS que acharam agradável somente A e C, foram: 400 – 100 = 300;
As que acharam agradável somente B e C, foram: 300 – 100 = 200;
As que acharam agradável somente A, foram: 1450 – 100 -250 – 300 = 800;
As que acharam agradável somente B, foram: 1150 – 100 – 250 – 200 = 600;
As que acharam agradável somente C, foram: 900 – 100 – 300- 200 = 300;

O total de pessoas que acharam agradável alguma coisa é dado por: T = 100 + 250 + 300 + 200 + 800 +
600 + 300 = 2550 .

Se 3000 pessoas foram entrevistadas e 2550 acharam alguma das novelas agradável , a reposta será
dada por:

3000 – 2550 = 450 pessoas que não acharam agradável.

9
Matemática

9. A
n(A) = 32 (número de selos de Alberto)
n(B) = 17(número de selos de Daniel)
n(AB) = n(A) + n(B) - n(AB)
n(AB) = 32 + 17 - 8
n(AB) = 41
Eles têm juntos 41 selos diferentes.

10. B
Sendo x: as pessoas que não comeram nenhum dos salgados, e já que 45 não comeram salgados de
queijo, podemos dizer que 45 -x pessoas comeram salgados de frango.
Do mesmo modo, podemos dizer que 50 -x pessoas comeram salgados de queijo. Ainda sabendo que
15 pessoas comeram os dois tipos, e que 70 comeram pelo menos 1 deles, podemos equacionar:

Logo, 20 pessoas não comeram nenhum tipo de salgado.

10
Matemática

Inscrição e circunscrição de polígonos

Resumo

Antes de começarmos a falar sobre inscrição e circunscrição de polígonos, precisamos aprender uma
importa definição!

Apótema: em um polígono regular, o apótema é o segmento de reta que parte do centro e vai até um lado.
Além disso, esse segmento é perpendicular a um dos lados.

Veremos a seguir algumas fórmulas que relacionam o raio (R) da circunferência inscrita e circunscrita com
o lado (L) e o apótema (A) de alguns polígonos regulares.

Inscritas
Todo polígono regular pode ser inscrito (posto dentro) em uma circunferência. Observe que todos os vértices
dos polígonos regulares estão em contato com a circunferência.
Triângulo equilátero Quadrado Hexágono

L=R
L=R 3 L=R 2
R 3
A=
R A=
R 2 2
2 A=
2

Circunscritas
Todo polígono regular é circunscrito (fica por fora) à uma circunferência. A circunferência é tangente (toca)
aos lados do polígono.
Triângulo equilátero Quadrado Hexágono

L 3 L L 3
R= R= R=
6 2 2
R=A R=A R=A

1
Matemática

Resumo

2
Matemática

Exercícios

1. O tampo de vidro de uma mesa quebrou-se e deverá ser substituído por outro que tenha a forma de
círculo. O suporte de apoio da mesa tem o formato de um prisma reto, de base em forma de triângulo
equilátero com lados medindo 30 cm.
Uma loja comercializa cinco tipos de tampos de vidro circulares com cortes já padronizados, cujos
raios medem 18 cm, 26 cm, 30 cm, 35 cm e 60 cm. O proprietário da mesa deseja adquirir nessa loja o
tampo de menor diâmetro que seja suficiente para cobrir a base superior do suporte da mesa.
Dados: 1,7 como aproximação para √3.
O tampo a ser escolhido será aquele cujo raio, em centímetros, é igual a
a) 18
b) 26
c) 30
d) 35
e) 60

2. A figura indica um hexágono regular ABCDEF, de área S1, e um hexágono regular GHIJKL, de
vértices nos pontos médios dos apótemas do hexágono ABCDEF e área S2 .

S2
Nas condições descritas, é igual a
S1
3
a)
4
8
b)
25
7
c)
25
1
d)
5
3
e)
16

3
Matemática

3. Um carimbo com o símbolo de uma empresa foi encomendado a uma fábrica. Ele é formado por um
triângulo equilátero que está inscrito numa circunferência e que circunscreve um hexágono regular.
Sabendo-se que o lado do triângulo deve medir 3 cm, então, a soma das medidas, em cm, do lado do
hexágono com o diâmetro da circunferência deve ser:
a) 7

b) 2 3 +1

c) 2 3

d) 3 +1
77
e) 32

4. Numa circunferência inscreve-se um triângulo equilátero cujo lado mede 8 3.


Em seguida, no interior do triângulo constrói-se outro triângulo, também equilátero, cujos lados ficam
afastados 0,5 cm dos lados do primeiro. O apótema do triângulo menor, em cm, mede:
a) 3,5

b) 2 3

c) 3 2

d) 5 3

e) 2

5. A razão entre as áreas de um triângulo equilátero inscrito em um círculo e de um hexágono regular,


cujo apótema mede 10 cm, circunscrito a esse mesmo círculo é:

1
a)
2
b) 1

1
c)
3

3
d)
8
e) n.d.a

4
Matemática

6. Na figura, ABCDEF é um hexágono regular de lado 1 dm, e Q é o centro da circunferência inscrita a ele.

O perímetro do polígono AQCEF, em dm, é igual a:


a) 4+2

b) 4 + √3
c) 6
d) 4+5
e) 2(2 + 2)

7. Qual a razão entre os raios dos círculos circunscrito e inscrito de um triângulo equilátero de lado a?

a) 23

3
b)
2
c) √2
d) 2
1
e)
2

8. O perímetro de um hexágono regular inscrito em um círculo de 25πcm2 de área é igual a


a) 150 cm
b) 75 cm
c) 25 cm
d) 15 cm
e) 30 cm

5
Matemática

9. Qual o comprimento de uma circunferência inscrita em um quadrado cuja diagonal mede 20 cm?
a) 7𝜋√2 𝑐𝑚
b) 9𝜋√2 𝑐𝑚
c) 10𝜋√3 𝑐𝑚
d) 10𝜋√2 𝑐𝑚
e) 5𝜋√2 𝑐𝑚

10. Um marceneiro está construindo um material didático que corresponde ao encaixe de peças de
madeira com 10 cm de altura e formas geométricas variadas, num bloco de madeira em que cada peça
se posicione na perfuração com seu formato correspondente, conforme ilustra a figura. O bloco de
madeira já possui três perfurações prontas de bases distintas: uma quadrada (Q), de lado 4 cm, uma
retangular (R), com base 3 cm e altura 4 cm, e uma em forma de um triângulo equilátero (T), de lado
6,8 cm. Falta realizar uma perfuração de base circular (C). O marceneiro não quer que as outras peças
caibam na perfuração circular e nem que a peça de base circular caiba nas demais perfurações e, para
isso, escolherá o diâmetro do círculo que atenda a tais condições. Procurou em suas ferramentas uma
serra copo (broca com formato circular) para perfurar a base em madeira, encontrando cinco
exemplares, com diferentes medidas de diâmetros, como segue: (I) 3,8 cm; (II) 4,7 cm; (III) 5,6 cm; (IV)
7,2 cm e (V) 9,4 cm.

Considere 1,4 e 1,7 como aproximações para 2 e 3 , respectivamente.


Para que seja atingido o seu objetivo, qual dos exemplares de serra copo o marceneiro deverá
escolher?
a) I
b) II
c) III
d) IV
e) V

6
Matemática

Gabarito

1. A
O raio r do circuito circunscrito a um triângulo equilátero de lado 30 cm é dado por:

Portanto, dentre os tampos disponíveis, o proprietário deverá escolher o de raio a 18cm.

2. E
Calculando:

apótema  a1 = 1 3
2
1  3  3
2 =  1 = 1
2 2 4
2
 13
S2   2
= 4  = 3 = 3
 
S1  1   4  16
 
 

3. B
Triângulo equilátero inscrito na circunferência 1 1
1
Para temos:
1 1

1 1 1 1
O diâmetro vale: d=2r ⇒ 1
1 1
Como o lado do hexágono mede 1cm; 2√𝟑 + 1

4. A
É importante reparar que o apótema do triângulo menor mede 0,5 cm a menos do que o do triângulo
maior. Então, calculando o apótema do triângulo maior:

Sabendo que:

Logo:

7
Matemática

5. D
Seja R o raio da circunferência, então:

6. B
Observe a figura:

Como o hexágono é regular, CQD e EQD são triân gulos equiláteros de lado 1 dm e, portanto,

Assim, o perímetro do polígono AQCEF é

7. D

L 3
Raio da circunferência circunscrita a um triângulo equilátero: R=
3
L 3
Raio da circunferência inscrita a um triângulo equilátero: R ' =
6
R
Portanto, = 2.
R'
8. E
Área do círculo = π𝑹𝟐 → 𝝅𝑹𝟐 = 𝟐𝟓𝝅 → 𝑹𝟐 = 𝟐𝟓 → 𝑹 = 𝟓 𝒄𝒎
Como l = R, l = 5 cm
2p = 5 x 6 = 30 cm

9. 𝐃
10𝜋√2 𝑐𝑚
𝑑 = 𝑙√2 → 𝑙√2 = 20 → 𝑙 = 10√2 𝑐𝑚
𝑙
𝑅 = = 5√2
2
𝐶 = 2𝜋𝑅 = 2𝜋. 5√2 = 10𝜋√2 𝑐𝑚

8
Matemática

10. B
Usando as aproximações fornecidas, concluímos que os diâmetros dos círculos inscrito e circunscrito a
T medem, respectivamente, 4cm e 8cm. Em consequência, os exemplares I e V não satisfazem as
condições, pois T cabe em V e I cabe em T. Por outro lado, pelo Teorema de Pitágoras concluímos
facilmente que a diagonal de R mede 5cm. Em que os diâmetros dos círculos inscrito e circunscrito a R
medem, respectivamnete, 3cm e 5cm. Portanto, os exemplares III e IV também não satisfazem as
condições restanto apenas o exemplar II.

9
Português

Pronomes (possessivos e demonstrativos)


Resumo

Pronomes Possessivos
Enquanto os pronomes pessoais apenas indicam as pessoas gramaticais, os possessivos indicam essas
pessoas para marcar posse. Eles apresentam formas correspondentes à pessoa a que se referem. Observe o
quadro:
Um possuidor Vários possuidores

Um objeto Vários objetos Um objeto Vários objetos

1ª masculino meu meus nosso nossos


pessoa feminino minha minhas nossa nossas

2ª masculino teu teus vosso vossos


pessoa feminino tua tuas vossa vossas

3ª masculino seu seus seu seus


pessoa feminino sua suas sua suas

• O emprego da 3ª pessoa do singular ou do plural pode gerar ambiguidade em uma frase por conta da
dúvida a respeito do possuidor. Para evitar qualquer ambiguidade, a língua portuguesa nos oferece
precisar o possuidor com a utilização das formas: dele(s), dela(s), de você(s), do(s) senhor(es), da(s)
senhora(s), entre outras expressões.

• Obs: para reforçar a ideia de posse visando à clareza e à ênfase, costumam-se utilizar as palavras:
próprio, mesmo. Por exemplo: Era ela mesma; eram os seus mesmos braços.
Vale destacar, no entanto, que "mesmo" e "próprio" não devem ser utilizados isoladamente, mas
apenas como acompanhantes de um substantivo ou de outro pronome.
Veja os exemplos a seguir:
I. Durante séculos, a riqueza brasileira dependia da exploração de matérias-primas. Devido à falta
de investimento em tecnologias, o mesmo se repete na atualidade → uso inadequado
II. Durante séculos, a riqueza brasileira dependia da exploração de matérias-primas. Devido à falta
de investimento em tecnologias, o mesmo processo se repete na atualidade → uso adequado

Pronomes Demonstrativos
São pronomes utilizados para indicar posição de algo (no espaço, no tempo ou no discurso) em relação às
pessoas do discurso.

1º pessoa 2° pessoa 3º pessoa

Esta(s), este(s), isto Esse(s), essa(s), isso Aquele(s), Aquela(s), Aquilo

1
Português

Funções
No tempo kkk
Este ano está perfeito. (presente)
Esse ano foi/será perfeito. (passado ou futuro próximo)
Aquele ano foi perfeito. (passado remoto)

No espaço kkk
Este é meu carro. (próximo de quem fala – locutor)
Esse é meu carro. (próximo de quem recebe a mensagem – interlocutor)
Aquele carro é meu. (distante do emissor e do interlocutor)

No texto
Referência a termos precedentes
O pronome “esse” e suas variações (“esses”, “essa(s)”, “isso”) podem atuar anaforicamente, retomando algo
que já foi mencionado no texto. Já pronome “este” e suas variações atuam cataforicamente, fazendo
referência a algo que ainda será mencionado.
Exemplo: A violência é o principal problema do Rio de Janeiro. Isso deve ser combatido.
Este é principal problema do Rio de Janeiro: a violência.

Quando queremos fazer alusão a dois termos já citados, utilizamos “aquele” e suas variações para o primeiro
termo e “este” e suas variações para o último.
Exemplo:
João e Roberto trabalham na empresa. Aquele (João) é gerente, este (Roberto), secretário.

2
Português

Exercícios

1.

Considerando as frases a seguir:


I. “Minha nova bolsa da Luiz Vitão”.
II. “Pelo tamanho, deve caber todos os seus sonhos”.

a) Na frase II, “tamanho” é um pronome demonstrativo, pois substitui o substantivo “bolsa”.


b) Na frase II, segundo a norma padrão, é inadequada a concordância de número entre o sujeito e o
verbo.
c) Na frase I, as palavras “nova” e “minha” são, respectivamente, advérbio e pronome.
d) Na frase I, é inadequada a concordância do pronome possessivo com o substantivo “Luiz Vitão”.
e) Na frase II, o pronome “seus” faz referência a um terceiro personagem que não aparece na tira.

2. Os donos da comunicação
Os presidentes, os ditadores e os reis da Espanha que se cuidem porque os donos da comunicação
duram muito mais. Os ditadores abrem e fecham a imprensa, os presidentes xingam a TV e os reis da
Espanha cassam o rádio, mas, quando a gente soma tudo, os donos da comunicação ainda tão por
cima. Mandam na economia, mandam nos intelectuais, mandam nas moças fofinhas que querem
aparecer nos shows dos horários nobres e mandam no society que morre se o nome não aparecer nas
colunas. Todo mundo fala mal dos donos da comunicação, mas só de longe. E ninguém fala mal deles
por escrito porque quem fala mal deles por escrito nunca mais vê seu nome e sua cara nos “veículos”
deles. Isso é assim aqui, na Bessarábia e na Baixa Betuanalândia. Parece que é a lei. O que também é
muito justo porque os donos da comunicação são seres lá em cima. Basta ver o seguinte: nós, pra
sabermos umas coisinhas, só sabemos delas pela mídia deles, não é mesmo? Agora vocês já
imaginaram o que sabem os donos da comunicação que só deixam sair 10% do que sabem? Pois é;
tem gente que faz greve, faz revolução, faz terrorismo, todas essas besteiras. Corajoso mesmo, eu
acho, é falar mal de dono de comunicação. Aí tua revolução fica xinfrim, teu terrorismo sai em corpo e
se você morre vai lá pro fundo do jornal em quatro linhas.
(Millôr Fernandes. Que país é este?, 1978.)

3
Português

No último período do texto, a discrepância dos possessivos teu e tua (segunda pessoa do singular)
com relação ao pronome de tratamento você (terceira pessoa do singular) justifica-se como:
a) possibilidade permitida pelo novo sistema ortográfico da língua portuguesa.
b) um modo de escrever característico da linguagem jornalística.
c) emprego perfeitamente correto, segundo a gramática normativa.
d) aproveitamento estilístico de um uso do discurso coloquial.
e) intenção de agredir com mau discurso os donos da comunicação.

3. Inimigo oculto
dizem que
em algum ponto do cosmos

(Le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie)*

um pedaço negro de rocha


do tamanho de uma cidade
- voa em nossa direção –

perdido em meio a muitos milhares de asteroides


impelido pelas curvaturas do
espaço-tempo
extraviado entre órbitas
e campos magnéticos
voa
em nossa direção

e quaisquer que sejam os desvios


e extravios
de seu curso
deles resultará
matematicamente
a inevitável colisão

não se sabe se quarta-feira próxima


ou no ano quatro bilhões e cinquenta e dois
da era cristã

Ferreira Gullar
*(O silêncio eterno desses espaços infinitos me assusta)

4
Português

Identifique a opção que apresenta a explicação adequada para o efeito de sentido resultante do uso
linguístico especificado.
a) Nos versos “um pedaço negro de rocha” / “voa em nossa direção” (versos 4-6), o uso do pronome
possessivo “nossa” rompe o vínculo entre o eu lírico e os leitores.
b) Em “dizem que” (verso 1), a expressão do sujeito gramatical, na terceira pessoa do plural, sem
antecedente textual claro, evidencia que o eu lírico se vale de uma outra voz para expressar o fato.
c) Nos versos “e quaisquer que sejam os desvios / e extravios / de seu curso” (versos 14-16), o
pronome possessivo “seu” se reporta ao verso “em algum ponto do cosmos”. (verso 2)
d) A combinação da preposição “de” com o pronome “eles”, empregado como pronome possessivo
em “deles resultará” (verso 17), encaminha textualmente as consequências das “curvaturas do
espaçotempo”. (versos 8-9)

4. Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de
mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o
objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence
à física. William Blake* sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo
vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da
sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa
decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito
trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo. Adélia Prado disse: "Deus
de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra
e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
(Rubem Alves. A complicada arte de ver. Folha de S.Paulo, 26.10.2004)

* William Blake (1757-1827) foi poeta romântico, pintor e gravador inglês. Autor dos livros de
poemas Song of Innocence e Gates of Paradise.

A respeito do pronome ‘disso’, sublinhado no texto, pode-se dizer que é um:


a) possessivo de segunda pessoa e se refere ao conteúdo do parágrafo anterior.
b) demonstrativo combinado com prefixo e se refere aos ipês floridos citados a seguir.
c) demonstrativo masculino de segunda pessoa e se refere ao poeta William Blake.
d) demonstrativo neutro que tem como referência a última frase do parágrafo anterior.
e) possessivo neutro e se refere a Moisés diante da sarça ardente.

5
Português

5. Convivas de boa memória


Há dessas reminiscências que não descansam antes que a pena ou a língua as publique. Um antigo
dizia arrenegar de conviva que tem boa memória. A vida é cheia de tais convivas, e eu sou acaso um
deles, conquanto a prova de ter a memória fraca seja exatamente não me acudir agora o nome de tal
antigo; mas era um antigo, e basta.
Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém que tivesse vivido por
hospedarias, sem guardar delas nem caras nem nomes, e somente raras circunstâncias. A quem passe
a vida na mesma casa de família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas e afeições, é que
se lhe grava tudo pela continuidade e repetição. Como eu invejo os que não esqueceram a cor das
primeiras calças que vestiram! Eu não atino com a das que enfiei ontem. Juro só que não eram
amarelas porque execro essa cor; mas isso mesmo pode ser olvido e confusão.
E antes seja olvido que confusão; explico-me. Nada se emenda bem nos livros confusos, mas tudo se
pode meter nos livros omissos. Eu, quando leio algum desta outra casta, não me aflijo nunca. O que
faço, em chegando ao fim, é cerrar os olhos e evocar todas as cousas que não achei nele. Quantas
ideias finas me acodem então! Que de reflexões profundas! Os rios, as montanhas, as igrejas que não
vi nas folhas lidas, todos me aparecem agora com as suas águas, as suas árvores, os seus altares, e
os generais sacam das espadas que tinham ficado na bainha, e os clarins soltam as notas que dormiam
no metal, e tudo marcha com uma alma imprevista.
É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes
também preencher as minhas.
(ASSIS, de Machado. Dom Casmurro - Editora Scipione - 1994 - pág 65)
A palavra sublinhada em “...mas isso mesmo pode ser olvido e confusão” se refere:
a) À precária memória do narrador.
b) Às pessoas que viveram em hospedarias.
c) À vida dos convivas.
d) Às pessoas que passam a vida na mesma casa de família.
e) Ao narrador não se lembrar da cor das calças.

6
Português

6. I. Citar pessoas que sejam autoridades reconhecidas em determinada matéria é um recurso excelente
para dar ainda mais credibilidade ao orador. Fácil deduzir.
Se você faz palestra sobre gestão e cita, por exemplo, uma frase de Peter Drucker, que corresponde à
sua forma de pensar, terá grande chance de fortalecer ainda mais a credibilidade da sua mensagem.
Por isso, as citações precisam ser de pessoas que tenham inquestionável autoridade sobre o tema
apresentado. Se a autoridade de quem foi citado é contestada por uma parte do público, haverá risco
de quem o citou também ser contaminado por essa resistência.
No exemplo acima, alguém poderia até não concordar com Peter Drucker, mas dificilmente contestaria
a autoridade dele.
Obs.: Peter Ferdinand Drucker (1909-2005), escritor, professor e consultor administrativo de origem
austríaca; é considerado o pai da administração moderna, tida por ele como a ciência que trata sobre
pessoas nas organizações.
(POLITO, Reinaldo. Citar pessoas num discurso..., economia.uol.com.br. 21/04/2016) II 1 5 10

II. O argumento de prestígio mais nitidamente caracterizado é o argumento de autoridade, o qual utiliza
atos ou juízos de uma pessoa ou de um grupo de pessoas como meio de prova a favor de uma tese.
Para nós [...], o argumento de autoridade é de extrema importância e, embora sempre seja permitido,
numa argumentação particular, contestar-lhe o valor, não se pode, sem mais, descartá-lo como
irrelevante, salvo em casos especiais [...]. O espaço do argumento de autoridade na argumentação é
considerável.
(PERELMAN, Chaïm e OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. Trad. Maria Ermantina de
Almeida Prado Galvão. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 348)

É correta a seguinte afirmação:


a) Em “é um recurso excelente para dar ainda mais credibilidade ao orador” (I), o uso da palavra
“ainda” constitui pleonasmo, pois não acrescenta traço de sentido algum ao já expresso por mais.
b) Em “Se você faz palestra sobre gestão e cita, por exemplo, uma frase de Peter Drucker, que
corresponde à sua forma de pensar” (I), tem-se exemplo de emprego do pronome possessivo que
prejudica a clareza da frase.
c) Em “haverá risco” (I), o emprego da forma verbal respeita as normas da gramática; se o enunciado
fosse outro − “poderão haver riscos” – também estaria correto.
d) Em II (linha 2), a substituição de “o qual” por “cujo” mantém a correção e o sentido originais.

7
Português

7. Lanchinho de avião
A comissária de bordo pede para afivelarmos os cintos e desligarmos os celulares. O comandante avisa
que a decolagem foi autorizada, a aeronave ganha velocidade na pista e levanta voo. Pela janela, São
Paulo vira um paliteiro de prédios espetados um ao lado do outro. Um pouco mais à frente, a periferia
inchada, com ruas tortuosas e casas sem reboque, abraça o centro da cidade como se fosse esganá-
lo.
Em poucos minutos, ouve-se um som agudo, sinal de que os computadores podem ser ligados. Junto
à porta de entrada, as comissárias se levantam e preparam o carrinho de lanches. De fileira em fileira,
perguntam o que cada passageiro deseja beber. No carrinho, acotovelam-se latas de refrigerantes, a
garrafa de café e uma infinidade de pacotes de sucos mais doces do que o sorriso da mulher amada.
O rapaz à minha direita prefere suco de manga; o da esquerda quer um de pêssego. Agradeço, não
quero nada. A moça estranha: “Nada, mesmo?”.
Em seguida, ela nos estende a mão que oferece um objeto ameaçador, embrulhado em papel branco.
Em seu interior, um pão adocicado cortado ao meio abriga uma fatia de queijo e outra retirada do peito
de um peru improvável. No reflexo, encolho as pernas. Se, porventura, um embrulho daqueles lhe
escapa da mão e cai em meu pé, adeus carreira de maratonista. [...]
O comandante informa que em Belo Horizonte o tempo é bom e que nosso voo terá duração de 40
minutos. São dez e meia, é pouco provável que os circunstantes tenham saído de casa em jejum. O que
os leva a devorar no meio da manhã 500 calorias adicionais, com gosto de isopor? Qual é o sentido de
servir comida em voos de 40 minutos?
Cerca de 52% dos brasileiros com mais de 18 anos sofrem com o excesso de peso, taxa que nove anos
atrás era de 43%. Já caíram na faixa da obesidade 18% de nossos conterrâneos. Os que visitam os
Estados Unidos ficam chocados com o padrão e a prevalência da obesidade. Lá, a dieta e a profusão
de alimentos consumidos até em elevadores conseguiram a proeza de engordar todo mundo; não
escapam japoneses, vietnamitas nem indianos.
As silhuetas de mulheres e homens com mais de 120 quilos pelas ruas e shopping centers deixam claro
que existe algo profundamente errado com os hábitos alimentares do país. Nossos números mostram
que caminhamos na esteira deles. Chegaremos lá, é questão de tempo; pouco tempo.
A possibilidade de ganharmos a vida sentados na frente do computador, as comodidades da rotina
diária e a oferta generosa de bebidas e alimentos industrializados repletos de gorduras e açúcares, que
nos oferecem a toda hora, criaram uma combinação perversa que conspira para o acúmulo de gordura
no corpo.
Os que incorporaram as 500 calorias em excesso no caminho para Belo Horizonte só o fizeram porque
o lanche lhes foi servido. Milhões de anos de evolução, num mundo com baixa disponibilidade de
recursos, ensinaram o corpo humano a comer a maior quantidade disponível a cada refeição, única
forma de sobreviver aos dias de jejum que fatalmente viriam.
Engendrado em tempos de miséria, o cérebro humano está mal adaptado à fartura. A saciedade à mesa
só se instala depois de ingerirmos muito mais calorias do que as necessárias para cobrir os gastos
daquele dia. A seleção natural nos ensinou a não desperdiçá-las, o excesso será armazenado sob a
forma de gordura.
O tecido gorduroso não é um reservatório inerte; produz hormônios, libera mediadores químicos que
interferem com o metabolismo e o equilíbrio entre fome e saciedade. E, o mais grave, dá origem a um
processo inflamatório crônico que aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, vários tipos
de câncer e de outros males que infernizam e encurtam a vida moderna.
Por essas e outras razões, caríssimo leitor, é preciso olhar para a comida como fazemos com a bebida:
é bom, mas em excesso faz mal.
Dráuzio Varella

8
Português

A palavra “o”, grifada nas sentenças a seguir, tem uso equivalente ao de um pronome demonstrativo
em:
a) O que os leva a devorar no meio da manhã 500 calorias adicionais, com gosto de isopor?
b) Os que incorporaram as 500 calorias em excesso no caminho para Belo Horizonte só o fizeram
porque o lanche lhes foi servido.
c) As silhuetas de mulheres e homens com mais de 120 quilos pelas ruas e shoppings centers deixam
claro que existe algo profundamente errado com os hábitos alimentares do país.
d) E, o mais grave, dá origem a um processo inflamatório crônico que aumenta o risco de doenças
cardiovasculares, diabetes, vários tipos de câncer e de outros males que infernizam e encurtam a
vida moderna.

8. Como as grandes cidades afetam a qualidade de vida


Uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (USP) foi a fundo para saber que tipo de pane as grandes cidades provocam
no cérebro de quem habita esse cenário. Batízado de São ‘Paulo Megacity, o estudo foi feito com mais
de 5 mil moradores da região metropolitana da capital paulista. Os resultados revelam: quase 30% dos
participantes apresentam transtornos psicológicos. O trabalho, vencedor do Prêmio SAÚDE 2012 na
categoria Saúde Mental e Emocional, é parte de um grande levantamento feito em 24 países. E, na
opinião da psiquiatra Laura Helena Silveira Guerra de Andrade, responsável pelo projeto por aqui, ele
serve de modelo – e de alerta – para outros aglomerados com mais de 10 milhões de habitantes,
incluindo cidades brasileiras que se aproximam dessa dimensão. “Constatamos que, nelas, as
mulheres têm mais distúrbios de ansiedade e humor, enquanto homens ficam propensos a problemas
de controle de impulso e abuso de drogas”, resume a médica. A vulnerabilidade feminina tem
explicação sobretudo em dois fatores. Um deles, aponta Wang Yuan Pang, psiquiatra integrante do SP
Megacity, está na oscilação hormonal. O outro, no excesso de responsabilidade. O perrengue com as
contas no fim do mês engrossa a lista de responsáveis pela fragilidade mental. “Quando o desemprego
é alto, sem renda para o sustento familiar, o risco de compensar a angústia no álcool e nas substâncias
ilícitas se amplia”, explica Pang. “Além disso, muita gente vive em áreas de privação, com infraestrutura
precária e graves problemas de marginalização, o que também contribui para esse quadro”, acrescenta.
Disponível em http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/viver-bem/comograndes-cidades-afetam-qualidade-
vida-735567.shtml

Releia o seguinte trecho do texto: “(...) provocam no cérebro de quem habita esse cenário.”
O pronome demonstrativo sublinhado é usado para recuperar o seguinte termo
a) “tipo de pane.”
b) “no cérebro.”
c) “as grandes cidades.”
d) “Uma pesquisa.”

9
Português

9.

“Inumano seria desejar, aqui, dos morros litorâneos, um cataclismo que sovertesse tão amena,
repousante, discreta e digna forma natural, inventada para as necessidades do ser no momento exato
em que se farta de seus espelhos, amigos como inimigos.” (l. 22-24)

A palavra seus estabelece relação de posse entre “espelhos” e a palavra


a) ser
b) amigos
c) inimigos
d) inumano

10
Português

10.

Mas em que dia da semana tinha aquilo acontecido? (l. 3-4)

No primeiro parágrafo, o narrador se refere ao episódio mais importante que teria ocorrido na vida da
personagem Ana Terra, sem contudo especificá-lo. Conclui-se, assim, que a palavra aquilo se
caracteriza pela:
a) referência a um sentido ambíguo
b) indicação de um valor polissêmico
c) ausência de um significado próprio
d) alusão a um conteúdo contraditório

11
Português

Gabarito

1. B
Na frase II, “tamanho” é substantivo; na frase I, “nova” é adjetivo e “minha” é pronome possessivo; e o
pronome “seus” faz referência a dona da bolsa. A afirmação correta é a letra B, pois o certo seria “devem
caber todos os seus sonhos”.

2. D
É comum no discurso coloquial que os pronomes relacionados às ocorrências de “tu” e “você” se
mesclem. “Teu” e “tua” são referentes à segunda pessoa (tu).

3. B
Na letra A, é incorreta a afirmação que diz que o uso do possessivo “nossa” rompe o vínculo; na verdade,
ele reforça. A afirmação contida na letra C é incorreta, pois o pronome possessivo “seu” retoma “um
pedaço negro de rocha”. O vocábulo “deles” encaminha textualmente as consequências de uma inevitável
colisão.

4. D
O pronome “disso” é anafórico e resumitivo, se referindo ao que foi mencionado anteriormente e
englobando todo o sentido já exposto.

5. E
O pronome “isso” faz referência ao fato de que o autor não se lembra nem da cor das calças que estava
vestindo no dia anterior.

6. B
O pronome “sua” gera ambiguidade na frase, podendo se referir ao interlocutor ou a Peter Drucker.
A letra “a” está incorreta, pois o vocábulo “ainda” não é pleonástico e acrescenta valor enfático.
A letra “c” está incorreta, pois o certo seria “poderá haver riscos”.
A letra “d” está incorreta, pois o pronome “o qual” não ´pode ser substituído por “cujo”, pois “cujo” só pode
denotar valor de posse.

7. B
Podemos substituir o “o”, na letra “B” por “só fizeram ISSO”.
Na primeira sentença, “os” é pronome pessoal do caso oblíquo substituindo o objeto direto do verbo
“levar”; na terceira sentença, “os” é artigo definido e está determinando o substantivo “hábitos”; na quarta
sentença, “o” é artigo definido e está determinando “mais grave”.

8. C
O pronome demonstrativo “esse” retoma o sentido de “grandes cidades” para contextualizar e evitar a
indesejável repetição de termos iguais dentro de um período curto, porque o cenário a que se refere é o
das grandes cidades.
9. A
O pronome possessivo faz referência ao vocábulo “ser” atribuindo a ele valor de possuidor dos espelhos.

10. C
O pronome demonstrativo “aquilo” muitas vezes é utilizado para designar algo que não tenha uma
definição própria, como foi o caso ressaltado no texto.

12
Português

Pronomes: colocação pronominal


Resumo

Colocação pronominal
Observe esta tirinha:

(Rogério Brum. Márcia Neurótica. In:


http://www.marcianeurotica.com.br/2011/01/. Acesso em 6 de agosto de 2017)

Na tirinha, note que foram usados diversos pronomes oblíquos: “me”, “mim”, que marcam a emissora, e “nos”,
que marca a emissora e o chocolate. O pronome “mim” é oblíquo tônico, pois vem antecedido pela preposição
“a”. Já os pronomes “me” e “nos” são oblíquos átonos, pois não vêm antecedidos pela preposição.

Na língua portuguesa, a posição dos pronomes oblíquos átonos é determinada pelas regras que especificam
a posição deles em relação ao verbo. Na tirinha, a personagem emprega o pronome átono “me” três vezes
após os verbos (“Olhe-me”, “Diga-me” e “Beije-me”), caracterizando uma colocação pronominal denominada
ênclise. No último quadrinho, ela emprega o pronome oblíquo átono “nos” antes do verbo (“nos deixam”),
caracterizando outra colocação pronominal chamada próclise.

Chamamos de colocação pronominal a posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. Elas
são três: próclise, mesóclise e ênclise.

Próclise
Denomina-se próclise a colocação do pronome oblíquo átono antes do verbo. A próclise exige que haja, antes
do verbo, um fator de atração do pronome átono.
Vejamos, a seguir, os fatores de atração:
• Pronomes demonstrativos – Ex.: Aquilo me angustiava.
• Pronomes indefinidos – Ex.: Tudo se transforma quando o verão chega.
• Pronomes relativos – Ex.: A música que a deixa feliz tocou no rádio.
• Advérbios – Ex.: Nunca o tolerei.
• Conjunções subordinativas – Ex.: Enquanto nos olhávamos, ficávamos em silêncio.
• Orações exclamativas ou interrogativas com palavra antes do verbo – Ex.: Senhor me ajude!
• Em + gerúndio – Ex.: Em se concordando com essa atitude, as circunstâncias mudam.

1
Português

Ênclise
Como a ordem direta dos termos em língua portuguesa é sujeito – verbo – complemento, e o pronome oblíquo
átono atua como complemento do verbo, define-se que a posição normal do pronome átono com relação ao
verbo é a ênclise. Veja os exemplos:
Levou-me ao desespero.
Amo-o muito.
Refere-se a várias pessoas.
Deixou-me para trás.
Esforçamo-nos para obter boas notas.

Obs.: Adaptações fonéticas entre oblíquos átonos e verbos


Quando os pronomes “o(s)” e “a(s)” se posicionam após determinados verbos, podem assumir formas
especiais. Veja:
• Quando o verbo (ou o pronome) terminar em R, S ou Z, seguido de O, A, OS, AS, corta-se a consoante e
adiciona-se o L.
Ex.: fazer + o = fazê-lo
fiz + a = fi-la

• Quando o verbo termina em som nasal, o pronome assume as formas NO(S) e NA(S).
Ex.: dão + o = dão-no
tem + a = tem-na

Atenção!
Hoje em dia, nos casos em que não há obrigatoriedade de nenhuma regra, recomenda-se o uso da ênclise,
pois é mais “formal”. No entanto, a próclise é admitida. Dessa forma, tudo depende do contexto: tipo textual,
situação comunicacional e receptor da mensagem.
Ex.: João me chamou. (Informal) – João chamou-me. (Formal)
Os ruídos os incomodam. (Informal) – Os ruídos incomodam-nos.

Locução verbal
Quando há locução verbal, a colocação pronominal é mais flexível:
Ex.: Eu vou me calar agora.
Eu me vou calar agora.
Eu vou calar-me agora.

No entanto, quando as locuções constituírem tempos compostos (verbo auxiliar “ter” ou “haver” + particípio)
devemos ter maior cuidado, pois a ênclise não é admitida. Nesse caso, deve-se utilizar o pronome anexo ao
verbo auxiliar ou, ocorrendo algum fator, em próclise ou mesóclise.
Ex.: Os alunos se têm dedicado / têm-se dedicado.
Havia-me arrastado, sem perceber.
Ter-lhe-ia sido desagradável a notícia?
Não o havia demitido ontem?

2
Português

Mesóclise
Denomina-se mesóclise a colocação do pronome oblíquo átono no meio do verbo. A mesóclise exige que o
verbo esteja flexionado no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo.
Ex.: Ajudar-te-ei quando puder. (Futuro do presente)
Tornar-se-ia mais eficiente se procrastinasse menos. (Futuro do pretérito)

Obs.: Se, na frase, for apresentado um fator de próclise e outro de mesóclise, o pronome deve ficar antes do
verbo.
Ex.: Não te perdoarei.
Amanhã nos encontraremos.

3
Português

Exercícios

1. Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(Oswald de Andrade)

Com base nos seus conhecimentos sobre colocação pronominal e na análise do poema de Oswald de
Andrade, assinale a alternativa correta sobre a intenção do autor:
a) O poema defende a importância de respeitar as normas da gramática em relação à posição do
pronome.
b) O autor defende o extermínio das regras gramaticais de colocação pronominal.
c) O autor da a entender que a ênclise em “Dê-me um cigarro” está incorreta do ponto de vista
gramatical.
d) O autor defende a relativização do respeito às regras gramaticais de colocação pronominal
principalmente em relação à formalidade do contexto.
e) A forma correta, do ponto de vista da gramática normativa, seria “Me dê um cigarro”.

2. Assinalar a alternativa na qual o pronome pessoal está empregado de forma incorreta:


a) Estava aqui porque o mandaram visitar esta firma.
b) Tudo transformou-se em tristeza.
c) Mandamos-lhe a encomenda pelo correio.
d) Avisar-lhe-ei a hora da partida.
e) Acuso-o de ambição desmedida.

3. Assinale a opção em que está correto o emprego do pronome pessoal:


a) Os viciados em Web são reais. Precisamos ajudar-lhes.
b) Podemos ter relacionamentos virtuais, mas não devemos priorizá-los.
c) A internet é útil e pode ser produtiva. Não vamos atribuí-la a culpa pelo uso exagerado.
d) Os filhos mais jovens costumam extrapolar o limite de horas na internet. Por isso, os pais devem
orientar-lhes.
e) Os estragos para os jovens que não sabem tirar proveito da web são enormes. Usam-a
compulsivamente, a ponto de perderem os elos com o mundo real.

4
Português

4.

A frase “Recicla-me ou te devoro!!” manifesta, simultaneamente, respeito e desrespeito às regras


gramaticais. O desvio gramatical decorre de
a) o pronome “me” estar em posição de ênclise.
b) os verbos se flexionarem em modos distintos.
c) o pronome “te” estar em posição de próclise.
d) o verbo “devorar” deveria estar no futuro “devorar-te-ei”.

5. (UFSCar) Para responder à questão abaixo, leia o trecho extraído de Gabriela, cravo e canela, obra de
Jorge Amado.
O marinheiro sueco, um loiro de quase dois metros, entrou no bar, soltou um bafo pesado de álcool na
cara de Nacib e apontou com o dedo as garrafas de “Cana de Ilhéus”. Um olhar suplicante, umas
palavras em língua impossível. Já cumprira Nacib, na véspera, seu dever de cidadão, servira cachaça
de graça aos marinheiros. Passou o dedo indicador no polegar, a perguntar pelo dinheiro. Vasculhou os
bolsos o loiro sueco, nem sinal de dinheiro. Mas descobriu um broche engraçado, uma sereia dourada.
No balcão colocou a nórdica mãe-d’água, Yemanjá de Estocolmo. Os olhos do árabe fitavam Gabriela
a dobrar a esquina por detrás da Igreja. Mirou a sereia, seu rabo de peixe. Assim era a anca de Gabriela.
Mulher tão de fogo no mundo não havia, com aquele calor, aquela ternura, aqueles suspiros, aquele
langor. Quanto mais dormia com ela, mais tinha vontade. Parecia feita de canto e dança, de sol e luar,
era de cravo e canela. Nunca mais lhe dera um presente, uma tolice de feira. Tomou da garrafa de
cachaça, encheu um copo grosso de vidro, o marinheiro suspendeu o braço, saudou em sueco,
emborcou em dois tragos, cuspiu. Nacib guardou no bolso a sereia dourada, sorrindo. Gabriela riria
contente, diria a gemer: “precisava não, moço bonito ...” E aqui termina a história de Nacib e Gabriela,
quando renasce a chama do amor de uma brasa dormida nas cinzas do peito.

A oração “Vasculhou os bolsos o loiro sueco,” com a substituição do complemento verbal por um
pronome oblíquo, equivale a
a) Vasculhou-o os bolsos.
b) Vasculhou-se o loiro sueco.
c) Vasculhou-lhe os bolsos.
d) Vasculhou-lhes o loiro sueco.
e) Vasculhou-os o loiro sueco.

5
Português

6. Assinale a alternativa em que a colocação pronominal não corresponde ao que preceitua a gramática:
a) Há muitas estrelas que nos atraem a atenção.
b) Jamais dar-te-ia tanta explicação, se não fosses pessoa de tanto merecimento.
c) A este compete, em se tratando do corpo da Pátria, revigorá-lo com o sangue do trabalho.
d) Não o realizaria, entretanto, se a árvore não se mantivesse verde sob a neve.
e) N.d.a.

7. Leia o poema de Oswald de Andrade:


Senhor feudal
Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia

De acordo com a norma padrão, o último verso assumiria a seguinte forma:


a) Eu boto-lhe na cadeia.
b) Boto-no na cadeia.
c) Eu o boto na cadeia.
d) Eu lhe boto na cadeia.
e) Lhe boto na cadeia.

8. Analise a frase a seguir: “É bem provável que frequentadores de museus não procurem essa
instituição.”

Substituindo-se a expressão em negrito na frase acima pelo pronome que lhe é correspondente,
obtém-se:
a) não lhe procurem;
b) não a procurem;
c) não procurem-a;
d) não procurem-lhe;
e) não procurem-na.

9. (Fuvest) No trecho “mas minha mãe botou ele por promessa”, o pronome pessoal foi empregado em
registro coloquial. É o que também se verifica em:
a) “— E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?”
b) “— E, se me permite, qual é mesmo a sua graça?”
c) “— Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?”
d) “— Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.”
e) “— (...) pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...”

6
Português

10. (Fuvest) - Me disseram...


- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é "disseram-me". Não "me disseram".
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é "digo-te"?
- O quê?
- Digo-te que você...
- O "te" e o "você" não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir
a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem? Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar
certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Me
diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso mais dizer-lote o que dizer-
te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
(Veríssimo, L. F. “Papos”)

"ENSINAR-ME-LO-IAS, se o SOUBESSES, mas não SABES-O."


A frase estaria de acordo com a norma gramatical, usando-se, onde estão as formas em maiúsculo:
a) Ensinar-mo-ias - o soubesses - o sabes
b) Ensinarias-mo - soubesse-lo - sabe-lo
c) Ensinarias-mo - soubesses-o - o sabes
d) Ensinar-mo-ias - soubesses-o - sabe-lo
e) Ensinarias-mo - soubesse-lo - o sabes

7
Português

Gabarito

1. D
Do ponto de vista da gramática normativa, a colocação pronominal correta é “Dê-me um cigarro”. No
entanto, o autor defende que essa construção está associada à formalidade da língua e, por isso, não
deve haver preconceito quando em situações cotidianas for empregada a próclise (Me dê um cigarro) em
vez da ênclise. No entanto, ele não defende o extermínios das normas.

2. B
O pronome indefinido “tudo” é um fator de atração do pronome átono; dessa forma, deveria ter acontecido
a próclise (“se transformou”). As demais alternativas respeitam as regras de colocação pronominal.

3. B
Por se tratar de um verbo transitivo direto, “priorizar” exige o pronome oblíquo átono “o” ao referir-se a
“relacionamentos virtuais” expresso na oração anterior. A forma “los” resulta da supressão do “r”
infinitivo e do uso da modalidade “lo”, conforme as regras ortográficas da linguagem padrão. Assim, a
opção (B) está correta. Nas demais opções, os termos sublinhados deveriam ser substituídos por
“ajuda-los”, “atribuir-lhe”, “orientá-los” e “usam-na”, respectivamente.

4. C
Não há fator de atração; portanto, o pronome deveria estar depois do verbo (“devoro-te”).

5. E
Na oração, “o loiro sueco” é sujeito, e “os bolsos” é o complemento do verbo “vasculhar”, podendo ser,
dessa forma, substituído pelo pronome átono “os”.

6. B
Na letra A, a colocação pronominal está correta, pois o pronome relativo “que” atrai o pronome átono,
validando a próclise.
Na letra B, não cabe o uso da mesóclise, pois se, na frase, for apresentado um fator de próclise (o
advérbio “jamais”) e outro de mesóclise, ocorrerá a próclise.
Na letra C, a colocação pronominal está correta, pois acontece próclise na construção “EM + GERÚNDIO”.
Na letra D, a colocação pronominal está correta, pois o advérbio “não” atrai o pronome.

7. C
O pronome reto “ele” deve assumir a função de sujeito ao invés de objeto, de acordo com a norma padrão.
Neste sentido, o complemento do verbo “botar” deve ser o pronome “o”, pois é complemento direto.

8. B
A forma correta é “não a procurem”, pois o advérbio “não” é um fator de atração do pronome. Por isso, a
próclise é necessária.

9. D
Do ponto de vista da gramática normativa, não devemos iniciar a frase com pronome oblíquo átono, o que
é aceito na coloquialidade. Dessa forma, a ênclise (“Desculpe-me”) deveria ter sido empregada. As demais
alternativas respeitam as normas de colocação pronomial.

8
Português

10. A
A forma correta da mesóclise é “ensinar-mo-ias” (futuro do pretérito); a próclise está correta no segundo
caso, pois a conjunção subordinativa condicional “se” atrai o pronome; a próclise é indicada no último
caso, pois o advérbio “não” atrai o pronome.

9
Química

Funções inorgânicas: óxidos

Resumo

Óxidos são compostos binários (2 elementos) nos quais o oxigênio é o elemento mais eletronegativo.

Por exemplo: H2O, CO2 , Fe2O3 , SO2 , P2O5 etc.

Existem compostos binários com oxigênio onde ele não é o mais eletronegativo, então não pode ser
considerado um óxido, são eles:
OF2 e O2F2 que são considerados sais, pois nesse caso o flúor é o elemento mais eletronegativo, saindo assim
da definição de óxidos.

Classificação dos óxidos


Óxidos básicos: São óxidos que reagem com a água, produzindo uma base, ou reagem com um ácido,
produzindo sal e água, geralmente óxidos onde o metal tem nox +1,+2 ou +3.

Exemplo:

Nomenclatura dos óxidos básicos


Quando o elemento forma apenas um óxido, nomeamos com a palavra óxido + o nome do elemento, exemplo:

Caso o elemento forme mais de um óxido (nox variável), acrescentamos o sufixo ico(maior nox) ou oso
(menor nox) ao nome do metal em questão, exemplo:

1
Química

Podemos representar também com nome escrito com algarismos romanos:

Outra forma de nomear os óxidos é usando algarismos romanos, exemplo:


Fe2O3: Óxido de ferro III
FeO: Óxido de ferro II
CuO: Óxido de cobre II
Cu2O: Óxido de cobre I

Óxidos ácidos ou anidridos: São óxidos que reagem com a água, produzindo um ácido, ou reagem com uma
base, produzindo sal e água, onde o nox do metal (nox possíveis: +5, +6 ou + 7) ou com qualquer ametal
(excluindo os ametais dos óxidos neutros).
Exemplo:

O nome anidrido vem do fato desse tipo de óxido ter a capacidade absorver água e forma seu respectivo
ácido.

Exemplo: SO3 + H2O → H2SO4


Anidrido sulfúrico, óxido de enxofre IV ou trióxido de enxofre + água → Ácido sulfúrico

Nomenclatura dos óxidos ácidos

Obs1 : Quando o elemento possuir 4 anidridos diferentes, ou seja, 4 nox diferentes


Nox+1: Anidrido Hipo....oso
Nox +3: Anidrido....oso
Nox +5: Anidrido....ico
Nox +7: Anidrido Per....ico

2
Química

Exemplos:
Cl2O: Anidrido Hipocloroso
Cl2O3: Anidrido cloroso
Cl2O5: Anidrido clórico
Cl2O7: Anidrido Perclórico

Obs2: Quando o óxido tem apenas um um anidrido, usa-se a terminação ico.


Exemplo:
CO2 — anidrido carbônico
B2O3 — anidrido bórico

Obs3: Podemos usar a terminação já citada utilizando números romanos ou os prefixos mono,di,tri...

Obs4: Alguns anidridos podem reagir com quantidades crescentes de água (hidratação crescente), produzindo
ácidos diferentes. É o caso do anidrido fosfórico (P2O5 ).

Óxidos anfóteros: Podem se comportar ora como óxido básico, ora como óxido ácido, onde o metal pode ter
nox +3 ou +4(exceção do Zn,Pb,Sn) ou o oxigênio estar ligado a um ametal(excluindo os ametais dos óxidos
neutros).

Os óxidos anfóteros são, em geral, sólidos, iônicos, insolúveis na água. Os mais vistos em provas ou
vestibulares são:
ZnO; Al2O3; SnO ; SnO2 ; PbO ; PbO2; As2O3; As2O5; Sb2O3 e Sb2O5 .

Nomenclatura dos óxidos anfóteros


A nomenclatura é idêntica à dos óxidos básicos:
ZnO —óxido de zinco
SnO2 —óxido estânico ou óxido de estanho IV, ou dióxido de estanho
SnO —óxido estanoso ou óxido de estanho II, ou (mono) óxido de estanho

3
Química

Óxidos neutros: São óxidos que não reagem com água, nem com ácidos nem com bases. Existem muito
poucos óxidos com essa classificação, os exemplos mais comuns são:

CO - monóxido de carbono
N2O -óxido nitroso
NO - óxido nítrico

Obs: Muitos autores consideram a água(H2O) um óxido neutro.

Óxidos duplos, mistos ou salinos: São óxidos que se comportam como se fossem formados por dois outros
óxidos, do mesmo elemento químico, onde seu nox equivale a 8/3.
Exemplo:

Para dar nome aos óxidos duplos, mistos ou salinos, devemos seguir esta regra:
Tetraóxido + de + nome do elemento + tri = nome do elemento ligado ao Oxigênio
Exemplos:
Fe3O4 = Tetraóxido de triferro
Pb3O4 = Tetraóxido de trichumbo
Mn3O4 = Tetraóxido de trimanganês

Peróxidos: São óxidos que reagem com a água ou com ácidos diluídos, produzindo água oxigenada (H 2O2).
Exemplo:

A nomenclatura é feita com a própria palavra peróxido. Por exemplo:


Na2O2 - Peróxido de sódio

E os peróxidos mais comuns são os de hidrogênio, e utilizando metais da família 1A e 2A.

Superóxidos: São óxidos onde o nox do oxigênio é -½ (ao invés do comum -2), além de serem formados
por esses compostos são formados por metais alcalinos e metais alcalinos terrosos.
A nomenclatura dos superóxidos baseia-se na seguinte regra:
Superóxido + de + nome do elemento que acompanha o oxigênio
Exemplo:
K2O4: Superóxido de potássio
Na2O4: Superóxido de sódio
CaO4: Superóxido de cálcio
MgO4:Superóxido de magnésio
SrO4: Superóxido de estrôncio

4
Química

Exercícios

1. A água da chuva é naturalmente ácida devido à presença do gás carbônico encontrado na atmosfera.
Esse efeito pode ser agravado com a emissão de gases contendo enxofre, sendo o dióxido e o trióxido
de enxofre os principais poluentes que intensificam esse fenômeno. Um dos prejuízos causados pela
chuva ácida é a elevação do teor de ácido no solo, implicando diretamente a fertilidade na produção
agrícola de alimentos. Para reduzir a acidez provocada por esses óxidos, frequentemente é utilizado o
óxido de cálcio, um óxido básico capaz de neutralizar a acidez do solo.
As fórmulas moleculares dos óxidos citados no texto são, respectivamente,

a) CO, SO, SO2 e CaO2 .

b) CO2 , SO2 , SO3 e CaO.

c) CO2, S2O, S3O e CaO.

d) CO, SO2, SO3 e CaO2 .

e) CO2, S2O, S3O e CaO2 .

2. Diferentes sedimentos podem ser misturados à água e, dependendo de sua natureza, podem formar
soluções, emulsões, ou mesmo uma lama. No caso do mais recente desastre ambiental, ocorrido em
uma barragem em Mariana, no interior de Minas Gerais, o que vazou para o ambiente foi uma lama que
percorreu cerca de 600 km até chegar ao mar, no litoral do Espírito Santo. Mesmo misturando-se à
água do Rio Doce e depois à água do mar, os sedimentos não se separaram da água para se depositar
no solo, provavelmente porque interagem com água.

Com base no conhecimento de Química e considerando a região onde se originou o acidente, pode-se
afirmar corretamente que os sedimentos são provenientes de uma região marcada por
a) serras e cristas do complexo Gnáissico-Magmático e a lama contém majoritariamente areia e
óxidos metálicos.
b) planícies quaternárias com a presença de falésias vivas e a lama contém majoritariamente argila
e óxidos metálicos.
c) serras e cristas do complexo Gnáissico-Magmático e a lama contém majoritariamente argila e
óxidos metálicos.
d) planícies quaternárias com a presença de falésias vivas e a lama contém majoritariamente areia e
óxidos metálicos.
e) planícies quaternárias com a presença de falésias vivas e a lama contém majoritariamente argila
e óxidos ametálicos.

5
Química

3. Considere os seguintes óxidos: CaO, CO, N2 O, CO2 , NO2 e K 2O.


Dentre os óxidos citados, aqueles que interagem com água originando soluções aquosas com pH  7
a 25 C são

a) N2O e NO2

b) CaO e K O
2

c) K 2O e N2O

d) CO2 e NO2

e) CaO e CO

4. Os metais de transição constituem o grande bloco da parte central da Tabela Periódica. Os óxidos
formados por metais de transição são muito importantes na indústria de pigmentos de tintas. Assinale
a alternativa que contém apenas óxidos de metais de transição do bloco d da Tabela Periódica.

a) CdS e Fe2O3

b) A 2O3 e Na2O

c) Cr2O3 e Co2O3

d) ZnO e Mn3 (PO4 )2

e) Ti2O e A 2O3

5. A emissão de óxidos ácidos para a atmosfera vem crescendo cada vez mais nas últimas décadas. Eles
podem ser emitidos através de fontes naturais, tais como a respiração vegetal e animal, erupções
vulcânicas e decomposição de restos vegetais e animais. No entanto, o fator agravante é que alguns
óxidos ácidos são liberados também na combustão de combustíveis fósseis, como os derivados do
petróleo (gasolina, óleo diesel etc.).
FOGAÇA. J. “Óxidos e chuva ácida”. Brasil Escola. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/quimica/Oxidos-chuva-
Acida.htm>.
Sobre óxidos ácidos e suas implicações ambientais, é CORRETO afirmar que:

a) óxidos ácidos são substâncias moleculares, formadas, principalmente, pelo enxofre e pelo
nitrogênio e que, ao entrarem em contato com a água, reagem formando ácidos, por exemplo,
sulfuroso, sulfúrico, nítrico e nitroso.
b) o gás carbônico (CO2 ) e o monóxido de carbono (CO) são exemplos de óxidos que reagem com
a água, formando ácidos.
c) óxidos ácidos são substâncias iônicas, formadas pela ligação de metais (principalmente alcalinos
e alcalinos terrosos) com o oxigênio.
d) o trióxido de enxofre neutraliza o hidróxido de sódio na proporção molar de 1: 1.
e) a chuva ácida é a responsável direta pelo fenômeno conhecido como efeito estufa, cujo
agravamento eleva as temperaturas médias de nosso planeta.

6
Química

6. Os combustíveis fósseis, que têm papel de destaque na matriz energética brasileira, são formados,
dentre outros componentes, por hidrocarbonetos.
A combustão completa dos hidrocarbonetos acarreta a formação de um óxido ácido que vem sendo
considerado o principal responsável pelo efeito estufa.
A fórmula química desse óxido corresponde a

a) CO2
b) SO3
c) H2O
d) Na2O
e) CO

7. Os óxidos de metais de transição podem ter caráter ácido, básico ou anfótero. Assinale a opção que
apresenta o caráter dos seguintes óxidos: CrO, Cr2O3 e CrO3.
a) Ácido, anfótero, básico
b) Ácido, básico, anfótero
c) Anfótero, ácido, básico
d) Básico, ácido, anfótero
e) Básico, anfótero, ácido

8. Representado pela fórmula química CO, o monóxido de carbono é um gás incolor e inodoro
proveniente da combustão incompleta de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural).
Se inalado em altas concentrações pode matar por asfixia. Isso ocorre porque, ao ser inspirado, o
monóxido de carbono é capaz de estabelecer ligações químicas altamente estáveis com a hemoglobina
das hemácias, formando a carboxiemoglobina (HbC), o que as impossibilita de transportar oxigênio
em todo o processo de respiração.
Disponível em: http://www.infoescola.com/quimica/monoxido-de-carbono/.

O óxido citado no trecho anterior pode ser classificado como óxido

a) ácido.
b) básico.
c) neutro.
d) anfótero.
e) salino.

7
Química

9. Filtros contendo óxido de cálcio são utilizados no tratamento de biogás, removendo dele gases
prejudiciais ao meio ambiente. Por ser uma substância com propriedades básicas, o óxido de cálcio é
eficiente na remoção de
a) CO2 e H2S.
b) CO2 e NH3 .

c) NH3 e H2S.

d) CO e NH .
3
e) CO e CO .
2

10. A utilização de chuveiros que funcionam com aquecedor a gás requer uma série de cuidados, entre eles
a boa ventilação do local em que está instalado, do local do banho e a manutenção rigorosa do
aquecedor. Sem esses cuidados, a combustão do gás pode ser incompleta e gerar um gás
extremamente venenoso que pode levar as pessoas à morte – vários casos já ocorreram no Brasil. Esse
gás, que reage com a hemoglobina do sangue, impedindo o transporte de oxigênio para as células, é o
a) dióxido de carbono.
b) monóxido de carbono.
c) metano.
d) butano.
e) dióxido de enxofre

8
Química

Gabarito

1. B
dióxido de carbono (gás carbônico): CO2
dióxido de enxofre: SO2
trióxido de enxofre: SO3
óxido de cálcio: CaO

2. C
A areia sofre sedimentação e se deposita no fundo da mistura.
Tendo em vista que os sedimentos não se separaram da água, ou seja, não sofreram decantação, conclui-
se que a argila presente nos sedimentos é formada, basicamente, por silicatos de alumínio e óxidos
metálicos (ferro e manganês), compostos que tendem a formar suspensões.

3. B
pH  7 a 25 C implica em soluções básicas.
Os óxidos dos grupos 1 e 2 da classificação periódica reagem com água formando soluções aquosas
básicas ou alcalinas, ou seja, são classificados como óxidos básicos.

Dentre os óxidos citados, vem:


CaO + H2O → Ca(OH)2
K 2O + H2O → 2 KOH

4. C
Óxidos são compostos binários onde o elemento mais eletronegativo é o oxigênio. Os metais de transição
são os compostos pertencentes a família B da Tabela Periódica. Assim, satisfazem essas condições os
compostos: Cr2O3 e Co2O3 .

5. A
a) Correta. Óxidos ácidos ao reagirem com água formam ácidos, observe:
SO3 + H2O → H2SO3
SO2 + 12 O2 + H2O → H2SO4
2NO2 + H2O → HNO2 + HNO3

b) Incorreta. O monóxido de carbono (CO), por ser um óxido neutro, ao reagir com água, não formará
um óxido ácido, somente o dióxido de carbono (CO2 ) por ser óxido ácido.

c) Incorreta. Óxidos ácidos são compostos formados por ametais, formando, portanto, ligações
covalentes.
d) Incorreta. A proporção será 1:2:
SO3 + 2NaOH → Na2SO4 + H2O

e) Incorreta. Os principais agentes causadores do efeito estufa são os óxidos ácidos como, por exemplo,
CO2 , NO2 e NO3 .

9
Química

6. A
A reação de combustão completa dos hidrocarbonetos formam dióxido de carbono (CO2) um óxido ácido
e água, conforme a reação:
CxHy + O2 → CO2 + H2O

7. E
A acidez aumenta com a elevação do número de oxidação do cromo:
Cr O Cr Cr O O O Cr O O O
+2 − 2 +3+3−2−2−2 +6 −2−2−2
CrO Cr2O3 CrO3
+2 +3 +6
elevação do Nox
⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯

Conclusão :
CrO : caráter básico
Cr2O3 : caráter anfótero
CrO3 : caráter ácido

8. C
O monóxido de carbono (CO) é classificado como óxido neutro (não reagem com água, nem ácidos, nem
bases) juntamente com o NO e N2O.

9. A
Por ser uma substância com propriedades básicas, o óxido de cálcio é eficiente na remoção de CO2 (óxido ácido)
e H2S (ácido sulfídrico).
CaO + CO2 → CaCO3
CaO + H2S → H2O + CaS

10. B
Esse gás, que reage com a hemoglobina do sangue, formando a carboxihemoglobina, impedindo o
transporte de oxigênio para as células, é o monóxido de carbono.

10
Química

Número de oxidação (nox)

Resumo

O NOX é a carga que um elemento adquire depois de realizar qualquer tipo de ligação para atingir a
estabilidade (regra do octeto) ou de se manter no seu estado fundamental.

Em compostos iônicos, número de oxidação (Nox) é a própria carga elétrica do íon, ou seja, o número de
elétrons que o átomo perdeu ou ganhou.

No caso dos compostos covalentes, por não ter perda ou ganho de elétrons, pode estender o conceito de
número de oxidação, dizendo que seria a carga elétrica teórica que o átomo iria adquirir se houvesse quebra
da ligação covalente, ficando os elétrons com o átomo mais eletronegativo.

Para calcularmos o nox dos elementos de uma substância devemos igualar a soma das cargas à 0. Caso seja
um íon devemos igualar a soma dos nox a carga do íon. E em substâncias simples o nox é sempre igual a 0.

Exemplos (Na2CO3 e K2Cr2O7):

Ou exemplo no caso dos íons (MnO4- e NH4+):

Como nos sabíamos que o nox do Na era +1? Isso foi possível devido a algumas regras. Temos alguns
elementos que apresentam nox fixo. Na tabela a baixo, temos uma lista com esses elementos.

1
Química
Elementos com número de oxidação fixo

Elementos Situação Nox

Metais Alcalinos (Li, Na, K, Rb, Cs


Em substâncias compostas +1
e Fr)
Metais Alcalinoterrosos(Be, Mg,
Em substâncias compostas +2
Ca, Sr, Ba e Ra)
Prata: Ag Em substâncias compostas +1
Zinco: Zn Em substâncias compostas +2
Alumínio: Al Em substâncias compostas +3
Em sulfetos (quando o enxofre
Enxofre: S for o elemento mais -2
eletronegativo)
Ligado a ametais (quando o
Halogênios (F, Cl, Br e l) halogênio for o elemento mais -1
eletronegativo)
Ligado a ametais (quando o
hidrogênio estiver ligaedo a um +1
Hidrogênio: H
elemento mais eletronegativo -1
que ele)
-2
Na maioria das substâncias -1
Oxigênio: O compostas em peróxidos, em
superóxidos e em fluoretos -1/2
+2 ou +1

Nox variável
Alguns elementos de transição (família B) tem nox variável, ou seja, depende com quem ele está ligado, a
seguir temos uma lista dos mais comuns:

Mn +7, +6, +4, +2


Fe, Co, Ni +2, +3
Pb, Pt, Sn +2, +4
Au +1, +3
Cu, Hg +1, +2
Cr +3, +6, +2

2
Química
Número de oxidação compostos orgânicos
Nesse caso, nós iremos olhar para da ligação. O elemento que for mais eletronegativo recebera a carga -1 o
e menos eletronegativo, a carga +1. Caso os elementos sejam iguais, a carga será zero. No caso das ligações
duplas e triplas, devemos colocar -1 ou +1, para cada ligação.
Etanol Ácido acético

Vamos considerar cada carbono separadamente. Primeiro o carbono 1:

Não há diferença de eletronegatividade, porque é uma ligação entre dois carbonos, portanto, nenhum deles
ganha ou perde elétrons nessa ligação e não há interferência no Nox do carbono 1.
Considerando as perdas e ganhos de elétrons do carbono 1, temos:

Etanol:
Ganhos: 3 eletrons de cada hidrogênio;
Perdas: 2 elétrons para cada oxigênio;
Total: Ficou com 1 elétrons a mais, assim, seu Nox = - 1

Ácido acético:
Ganhos: 1 elétrons de cada hidrogênio;
Perdas: 4 elétrons para cada oxigênio;
Total: Ficou com 3 elétrons a menos, assim, seu Nox = +3

Agora vamos considerar o Nox do carbono 2,que é o mesmo tanto no etanol quanto no ácido acético:

Ganhos: 3 elétrons de cada hidrogênio;


Perdas: Nenhuma;
Total: Ficou com 3 elétrons a mais, assim, seu Nox = -3

3
Química
Exercícios

1. Recentemente, foram realizados retratos genéticos e de habitat do mais antigo ancestral universal,
conhecido como LUCA. Acredita-se que esse organismo unicelular teria surgido a 3,8 bilhões de anos
e seria capaz de fixar CO2 , convertendo esse composto inorgânico de carbono em compostos
orgânicos.
Para converter o composto inorgânico de carbono mencionado em metano (CH4 ), a variação do NOX
no carbono é de:
a) 1 unidades.
b) 2 unidades.
c) 4 unidades.
d) 6 unidades.
e) 8 unidades.

2. O sal marinho é composto principalmente por NaC , MgC 2 , CaC 2, e contém traços de mais de 84
outros elementos.
Sobre os sais citados e os elementos químicos que os compõem, é correto afirmar que
a) o Nox do Magnésio é +2.
b) o Cloro nestes sais tem Nox +1.
c) o sódio é um metal alcalino terroso.
d) os sais são formados por ligações covalentes.
e) Cloro tem Nox +6 nestes sais.

3. A chuva ácida ocorre quando existe na atmosfera uma alta concentração de óxidos de enxofre (SO2 )
e óxidos de nitrogênio (NO, NO2 , N2O5 ) que, quando em contato com a água em forma de vapor,
formam ácidos como o HNO3 e H2SO4 .

Os Nox do nitrogênio e do enxofre, nestes ácidos, são respectivamente

a) +5 e +6.

b) +5 e +4.

c) +3 e +6.

d) +6 e +4.

e) +3 e +4.

4
Química
4. A água sanitária, água de cândida ou água de lavadeira, é uma solução aquosa de hipoclorito de sódio,
utilizada como alvejante.
O sal presente nessa solução apresenta na sua estrutura o átomo de cloro com Nox igual a:
a) zero
b) 1 +
c) 1 -
d) 2 +
e) 2 -

5. Em estações de tratamento de água, é feita a adição de compostos de flúor para prevenir a formação
de cáries. Dentre os compostos mais utilizados, destaca-se o ácido fluossilícico, cuja fórmula molecular
corresponde a H2SiF6 .
O número de oxidação do silício nessa molécula é igual a:
a) +1
b) +2
c) +4
d) +6
e) +5

6. O ácido lático, obtido a partir da fermentação do leite, possui a fórmula estrutural:

A seu respeito, está correto afirmar que o nox médio do carbono é:


a) +3
b) +2
c) +1
d) 0
e) -3

5
Química
7. Em 2012, cientistas criaram condições em laboratório para que bactérias produzissem ouro de 24
quilates. As bactérias extremófilas Cupriavidus metallidurans crescidas na presença de cloreto de ouro,
que seria tóxico para a maioria dos seres vivos, sobrevivem porque convertem essa substância em ouro
metálico.
Sabendo-se que a fórmula do cloreto de ouro é AuC 3 ou Au2C 6 , conclui-se que o número de
oxidação do ouro nessa molécula é

a) +6

b) +3

c) +1

d) −1

e) −3

8. Substâncias que contêm um metal de transição podem ser oxidantes. Quanto maior o número de
oxidação desse metal, maior o caráter oxidante da substância.
Em um processo industrial no qual é necessário o uso de um agente oxidante, estão disponíveis apenas
quatro substâncias: FeO, Cu2O, Cr2O3 e KMnO4 . A substância que deve ser utilizada nesse processo,
por apresentar maior caráter oxidante, é:
a) FeO

b) Cu2O

c) Cr2O3

d) KMnO4

e) NaHCO3 ,

9. Dióxido de chumbo, PbO2 , composto empregado na fabricação de baterias automotivas, pode ser
obtido em laboratório a partir de restos de chumbo metálico pela seguinte sequência de reações:
Pb ( s) + 2 CH3COOH (aq) → Pb ( CH3COO )2 aq + H2( g)
( )
Pb ( CH3COO )2 aq + C 2( aq) + 2 Na2CO3( aq) → PbO2( s ) + 2 NaC ( aq) +
( )
2 NaCH3COO ( aq) + 2CO2( g)

No conjunto das duas reações (reação global), partindo-se de Pb(s) e chegando-se a PbO2( s ) , o

número de oxidação do chumbo varia de


a) 0 para + 3.
b) 0 para + 4.
c) + 3 para + 4.
d) − 2 para − 4.
e) − 4 para 0.

6
Química
10. O ferro, na presença de ar úmido ou de água que contém gás oxigênio dissolvido, se transforma num
produto denominado ferrugem que não tem fórmula conhecida, mas que contém a substância Fe2O3 .
O número de oxidação do ferro do composto acima citado é
a) 0

b) +1

c) +2

d) +3

e) +5

7
Química
Gabarito

1. E
Conversão
CO2 ⎯⎯⎯⎯⎯→ CH4
Conversão
C O O ⎯⎯⎯⎯⎯→ C H H H H
+4 −2 −2 −4 +1 +1 +1 +1
4+ − Re dução 4−
C + 8e ⎯⎯⎯⎯⎯
→C
8 unidades

2. A
a) Correta.
+2 −1
MgC 2

b) Incorreta. O Nox do cloro nestes sais é de −1, segundo a regra, os halogênios quando em compostos
binários apresenta carga −1.
c) Incorreta. O sódio pertence ao 1º grupo da tabela periódica, portanto, ao grupo dos metais alcalinos.
d) Incorreta. Os sais que apresentam metais em suas fórmulas são formados, em sua maioria, por
ligações iônicas.

3. A
+1 −6 +2 −8
H NO3 H2 S O4
 
+5 +6

4. B
Hipoclorito de sódio = NaClO
NaClO
+1+x-2 = 0
x = +1

5. C
H2SiF6
H H Si F F F F F F
+1+1+ x −1−1−1−1−1−1
+1 + 1 + x − 1 − 1 − 1 − 1 − 1 − 1 = 0
x = +4

8
Química
6. D
O número de oxidação médio do carbono é zero. Observe:

7. B
O número de oxidação do ouro é três.
AuC 3
Au C C C
+3 − 1 − 1 − 1

8. D
Quanto maior o número de oxidação desse metal, maior o caráter oxidante da substância.
FeO  Fe = +2; O = -2
Cu2O  Cu = +1; O = -2
Cr2O3  Cr = +3; O = −2
KMnO4  K = +1; Mn = +7; O = −2

A substância que deve ser utilizada nesse processo, por apresentar maior caráter oxidante, é o
KMnO4 (Mn = +7).

9. B
Pb − − − − − − PbO2
0 −−−−−− +4

10. D
Fe2 O3
Nox Oxigênio= -2
Logo:
2 . x + 3 . (-2) = 0
x = +3

9
Redação

Exercícios sobre estrutura da dissertação

Exercícios

1. Faça o mesmo com o conjunto de períodos abaixo, retirados da introdução de um texto sobre a
cidadania brasileira diante da corrupção.
a) Entretanto, por mais que esse tipo de atitude dê a impressão de que a sociedade é refém das
instituições políticas, nunca foi tão necessário reafirmar a cidadania.
b) De fato, comportamentos como subornos, quebra de decoro e demagogia estão longe de ser raros,
produzindo um desconforto que quase sempre leva à descrença.
c) Cabe demonstrar o que deve ser feito por cada um, a fim de a sociedade transforme quem a
governa.
d) Quando se discute a situação da política brasileira, são poucos os que apresentam um mínimo de
esperança.
e) Afinal, para cada governante corrupto, existem milhões de cidadãos honestos.

2. Alguns alunos, ao fazer o planejamento de suas redações, optam por criar uma tese bem definida, da
qual derivam os argumentos — e sua sequência. A esse propósito, leia atentamente o exemplo a seguir,
de uma redação nota 10 para o tema identidade da música brasileira:

Quem vai à História descobre logo que o samba não seria o mesmo sem os ritmos africanos e as
danças latinas, o mesmo valendo para outros estilos “tipicamente” brasileiros. Por isso, acaba vendo
como histeria o alarme diante da música americana nas rádios e lojas de CDs. Entretanto, a velocidade
das influências, hoje, é realmente motivo de preocupação. Afinal, embora as trocas estejam na base
de qualquer cultura, os excessos da globalização econômica precisam ser filtrados, a fim de que a
música brasileira mantenha o mosaico que sustenta sua identidade.

a) Identifique a tese do parágrafo acima.


b) Divida a tese em partes, explicitando os três argumentos que serão desenvolvidos.

1
Redação

3. Em uma redação acerca da presença das tecnologias no cotidiano do homem atual, um aluno redigiu
o seguinte parágrafo de desenvolvimento:

Certamente, o século XXI vem sendo marcado pela tecnologia de ponta, vinda através da III
Revolução Industrial. Com isso, houve uma invasão de aparelhos e maquinários no mercado e na vida
das pessoas, facilitando o acesso às informações pela internet, televisão, celular, como também
agilizando situações cotidianas, através de máquinas de lavar roupa, pratos, fazer café e comida. Cabe
considerar, ainda, o papel mais importante da tecnologia, em que com aparelhos ultramodernos foi
possível salvar mais vidas, aliada, também, à ciência.

a) O monitor que corrigiu seu texto afirmou que esse parágrafo apresenta um tom excessivamente
expositivo. O que isso significa?
b) O que o aluno poderia ter feito para melhorar seu parágrafo?

4. Levando em consideração o que aprendemos, discuta e sugira, para o tema “Os impactos da
propaganda no Brasil contemporâneo”, dois a três argumentos - consequentemente, tópicos frasais -
e diferentes estratégias de aprofundamento.

5. A conclusão de um texto dissertativo-argumentativo precisa, necessariamente, cumprir duas


funções: a de retomar a tese e a de apresentar um desfecho criativo, normalmente, por meio de
propostas de intervenção. Considerando essas duas etapas e o seu conhecimento sobre a construção
de cada uma, sugira, no tema abaixo, teses e retomadas para possíveis textos.

Tema: “Os impactos da propaganda no Brasil contemporâneo”.

6. A introdução de um texto dissertativo-argumentativo precisa, necessariamente, cumprir duas


funções: a de contextualizar o tema e a de apresentar uma tese, um posicionamento com relação a
essa temática. Considerando essas duas etapas e o seu conhecimento sobre a construção de cada
uma, sugira, nos temas abaixo, contextualizações e teses para possíveis textos.
a) O valor dos animais de estimação na sociedade contemporânea
b) Os impactos da propaganda no Brasil contemporâneo

Identifique, nas introduções a seguir, as duas funções que não podem deixar de aparecer nesse tipo
de parágrafo e as estratégias utilizadas.

7. Tema: O valor da educação nas transformações sociais do Brasil

A Campanha da Fraternidade, movimento realizado pela Igreja Católica desde 1962, busca trazer à
tona, anualmente, temas que precisam ser debatidos e refletidos. O tema de 2015, “Fraternidade: Igreja
e Sociedade”, tem como discussão a importância da escola nas mudanças de que o mundo precisa.
Tal destaque dado pela campanha evidencia a necessidade de integrar a educação nessas
transformações, relação que, apesar de fundamental, não é tão expressiva na atualidade.

2
Redação

8. Tema: O jeitinho brasileiro em discussão no Brasil

Em ”O que é o Brasil?”, ensaio escrito em 2006, o antropólogo Roberto DaMatta discorre sobre a
identidade da nossa pátria considerando os aspectos mais populares e, claro, um tema
recorrentemente debatido não ficou de fora: o famoso ’’jeitinho brasileiro’’. Embora a expressão esteja
também relacionada à capacidade de o povo tupiniquim se adaptar às situações mais inesperadas, é
o aspecto negativo que se sobressai, uma vez que muitos buscam obter vantagens pessoais
transgredindo regras.

9. Sugira, para o tema “O valor dos animais de estimação na sociedade contemporânea”, com base nas
ideias de introdução do primeiro exercício, tópicos frasais e aprofundamentos para um possível
desenvolvimento.

10. Identifique, no parágrafo abaixo, os tópicos frasais e as estratégias de aprofundamento utilizadas pelo
autor.

Tema: O jeitinho brasileiro em discussão no Brasil

A violação das convenções sociais, além de configurar um desvio de conduta, está na contramão dos
ideais igualitários desejados por todos. Em um momento em que casos de corrupção envolvendo o
governo ganham espaços na mídia, faz-se necessária uma análise das nossas condutas diárias. Para
contribuir com essa reflexão, o Conselho Nacional de Justiça lançou, no ano de 2013, uma campanha
com o intuito de estimular o cidadão a adotar posturas mais éticas em situações cotidianas, nas quais
comportamentos desonestos passam muitas vezes despercebidos. Ao trazer à tona ações tidas
como irregulares, o CNJ lançou um convite à honestidade, valor este que nos dias de hoje encontra-
se cada vez mais escasso.

11. Leia, agora, este outro parágrafo de desenvolvimento, retirado de uma redação sobre o a corrupção no
Brasil:

Agora, o político chega em Brasília, aí vem um empresário e combina com ele de fazer um esquema.
Ele vai, arma tudo e já sabe que ninguém vai descobrir. Desvia dinheiro da merenda das escolas
públicas e compra uma mansão ou uma ilha. Depois se alguém desconfia de alguma coisa ou a
imprensa investiga, ele foge para outro país com muito dinheiro.

Esse parágrafo apresenta muitas falhas. Explique, de forma sintética, quais são os problemas
relativos:
a) à linguagem empregada pelo autor.
b) ao tipo de texto solicitado (dissertação).

3
Redação

12. Reconhecida a estrutura de um parágrafo de desenvolvimento, identifique, no exemplo a seguir, o


tópico frasal e as estratégias utilizadas pelo autor.

Tema: O valor da educação nas transformações sociais do Brasil

Em primeiro lugar, é preciso entender o real valor das instituições de ensino e como elas podem ajudar
a resolver problemas do nosso tempo. Em um contexto de desigualdade, discriminação e crescimento
da violência, começar mudanças pela escola não é só importante, mas essencial. Paulo Freire,
importante educador e filósofo, já confirmou essa relevância quando afirmou que sem a educação a
sociedade não muda. Entretanto, é fácil perceber que essa importância não é tão reconhecida e essa
função da instituição é deixada de lado no nosso país.

13. O seguinte parágrafo constitui a conclusão de uma dissertação sobre os problemas das grandes
cidades brasileiras.

Pode-se concluir que o caos urbano das grandes cidades brasileiras deve-se, em grande parte, à
omissão da própria sociedade. Por isso, é imprescindível que todos os cidadão se conscientizem de
que cada um deve tentar minimizar os problemas urbanos, diminuindo os índices de poluição,
racionalizando o trânsito e participando ativamente em suas comunidades. Só assim se conseguirá
viver humanamente nas cidades modernas.

a) O que está equivocado quanto ao 1º período da conclusão? Sugira uma forma de corrigir essa falha.
b) Além de confirmar a tese desenvolvida, o que mais a conclusão apresentou? Comente.

14. A conclusão de um texto dissertativo-argumentativo precisa, necessariamente, cumprir duas funções:


a de retomar a tese e a de apresentar um desfecho criativo, normalmente, por meio de propostas de
intervenção. Considerando essas duas etapas e o seu conhecimento sobre a construção de cada uma,
sugira, no tema abaixo, teses e retomadas para possíveis textos.

Tema: “O valor dos animais de estimação na sociedade contemporânea”.

4
Redação

Questão Contexto

Leia, a seguir, uma das redações que obtiveram nota mil no ENEM 2017: Desafios para a formação
educacional de surdos no Brasil.
A formação educacional de surdos representa um desafio para uma sociedade alienada e
segregacionista como a brasileira. O desconhecimento da língua brasileira de sinais — LIBRAS — e a visão
inferiorizante que se tem dos surdos podem acabar por excluí-los de processos educacionais e culturais e
mantê-los marginalizados em relação ao mundo atual. Portanto, esses desafios devem ser superados de
imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Em primeiro lugar, a pouca abrangência da língua de sinais entre os mais diversos setores da
sociedade faz dela um ambiente inóspito para os deficientes auditivos. Pesquisas corroboradas por
universidades brasileiras e estrangeiras, como a Unicamp e a Universidade de Harvard, atentam para a
importância da linguagem como principal porta para a convivência social, permitindo uma multiplicidade de
interações interpessoais, como as de educação, cultura, trabalho e lazer. Assim, quando a sociedade se fecha
à comunicação por sinais, justificada pela ignorância, aqueles que dependem dessa linguagem têm
dificuldades de obter educação de qualidade e ficam, muitas vezes, à margem das demais interações sociais.
Além disso, a maioria das escolas brasileiras não incluem os surdos, assim como os demais
portadores de necessidades especiais, em seus programas, estimulando a diferença e o preconceito. Por
mais que a legislação brasileira garanta o ensino inclusivo, a maioria das escolas brasileiras não possuem
estrutura para atender aos deficientes auditivos, principalmente por conta da falta de profissionais
qualificados. A pouca inclusão dos jovens deficientes e não-deficientes valoriza a diferença entre eles,
gerando discriminação e uma sociedade dividida. O renomado geógrafo Milton Santos dizia que uma
sociedade alienada é aquela que enxerga o que separa, mas não o que une seus membros, algo que se
evidencia na exclusão de surdos em todos os níveis de ensino.
Dessarte, visando a uma sociedade mais justa, é mister superar os desafios da educação de
deficientes auditivos. Para que o surdo se integre aos diversos meios sociais, como o educacional, o MEC
deve fazer uma reforma curricular, que contemple o ensino de LIBRAS como obrigatório em todas as escolas,
através de consultas populares na internet para determinação da carga horária. Ademais, com o intuito de
tornar as escolas inclusivas, o MEC e o Ministério do Trabalho devem prover as escolas de profissionais
capacitados, que possam lidar com alunos surdos através de programas de capacitação profissional
oferecidos pelo SESI e SENAC. Dessa forma, o ensino tornará a sociedade brasileira mais unida.
(Maria Clara Delmas Campos)

https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/enem-2017-
leia-uma-redacao-que-tirou-nota-1000-22307655
Após fazer a leitura, identifique no texto:
a) A tese defendida pela autora.
b) O tópico frasal do 1º parágrafo de desenvolvimento.
c) O tópico frasal do 2º parágrafo de desenvolvimento.
d) A retomada da tese na conclusão.
e) Os agentes interventores da problemática proposta.
f) O período de fechamento da conclusão.

5
Redação

Gabarito

1. D, B, A, C, E

2. a) Entretanto, a velocidade das influências, hoje, é realmente motivo de preocupação. Afinal, embora as
trocas estejam na base de qualquer cultura, os excessos da globalização econômica precisam ser
filtrados, a fim de que a música brasileira mantenha o mosaico que sustenta sua identidade.
b) 1º argumento: As trocas de influência fazem parte da história da música e estão na base de todas as
culturas.
2º argumento: Ainda que as trocas sejam naturais, devemos nos preocupar com a velocidade dessas
influências.
3º argumento: A influência exagerada, causada, principalmente, pela globalização, precisa ser filtrada,
para que não fira a identidade da música brasileira. Cabe considerar, ainda, o papel mais importante da
tecnologia, em que com aparelhos ultramodernos foi possível salvar mais vidas, aliada, também, à
ciência.

3. a) Um parágrafo de desenvolvimento de uma dissertação argumentativa não pode, apenas, expor fatos,
mas sim argumentar sobre eles.
b) Para que o parágrafo fique menos expositivo, o autor deve mostrar o posicionamento dele sobre os
fatos que está apresentando, articulando-os à proposta. Para isso, é interessante que ele utilize algumas
estruturas linguísticas que tornam o texto mais argumentativo. Por exemplo, poderíamos reescrever o
último período da seguinte forma: “Cabe considerar, ainda, que a tecnologia possui papel extremamente
importante, principalmente, por possibilitar a existência de aparelhos ultramodernos que são capazes
de salvar cada vez mais vidas, mostrando o quanto os avanços tecnológicos são indispensáveis para a
sociedade.

4. Sugestão de gabarito:
Primeiro argumento: apresentação dos impactos positivos da propaganda no Brasil, hoje, como a
disseminação de ideais interessantes na construção de valores da sociedade e na disseminação de
certos tipos de comportamento.
Segundo argumento: obstáculos que, de alguma maneira, atrapalham a disseminação de ideias positivas
e/ou uso da propaganda de maneira negativa, estimulando o consumo exagerado e criação de dívidas.

5. Família: controlar o gasto dos seus filhos desde cedo, não dando a eles o que não for necessário.
Escola: introduzir discussões sobre a reciclagem e hábitos de consumo.
Governo: investir em pesquisas de desenvolvimento sustentável.
Governo e mídia: trabalhar a ideia de compra responsável, sem desperdícios.

6. Sugestão de gabarito:
a) Como contextualização, pode-se, por exemplo, falar sobre a valorização dos gatos no Egito Antigo,
uma vez que os animais eram responsáveis pela caça aos ratos que acabavam com as plantações dos
faraós. Como tese, pode-se, ao comparar com os dias de hoje, falar sobre o valor desses animais, hoje,

6
Redação

limitado ao ambiente da casa, uma vez que, em pesquisas científicas e até nas ruas, vemos cachorros e
gatos torturados, maltratados e largados em situação de miséria.
b) Como contextualização, é possível mencionar propagandas famosas que causam impacto, como, por
exemplo, a "compre Baton", lembrada até hoje por seu tom apelativo bem exagerado, e outras. Como
tese, pode-se falar dos impactos que, muitas vezes, tornam o indivíduo mais consumista e alimentam
certas compras desnecessárias.

7. Contextualização histórica/cultural: A Campanha da Fraternidade, movimento realizado pela Igreja


Católica desde 1962, busca trazer à tona, anualmente, temas que precisam ser debatidos e refletidos. O
tema de 2015, “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, tem como discussão a importância da escola nas
mudanças de que o mundo precisa.
Tese analítica: Tal destaque dado pela campanha evidencia a necessidade de integrar a educação
nessas transformações, relação que, apesar de fundamental, não é tão expressiva na atualidade.

8. Contextualização cultural: Em ”O que é o Brasil?”, ensaio escrito em 2006, o antropólogo Roberto


DaMatta discorre sobre a identidade da nossa pátria considerando os aspectos mais populares e, claro,
um tema recorrentemente debatido não ficou de fora: o famoso ’’jeitinho brasileiro’’.
Tese analítica: Embora a expressão esteja também relacionada à capacidade de o povo tupiniquim se
adaptar às situações mais inesperadas, é o aspecto negativo que se sobressai, uma vez que muitos
buscam obter vantagens pessoais transgredindo regras.

9. Sugestão de gabarito:
Primeiro argumento: construção da ideia de valorização, levando em consideração os tempos antigos (e
relação do homem com os animais de estimação) e os dias de hoje.
Segundo argumento: apresentação de problemas que, ainda não resolvidos, mostram-se como um
obstáculo na plena valorização desses animais.

10. TF: A violação das convenções sociais, além de configurar um desvio de conduta, está na contramão
dos ideais igualitários desejados por todos.
Estratégias: Exemplificação e apresentação de uma lei que confirma a exemplificação.

11. a) Erro de regência verbal em “Chega em Brasília. “, linguagem extremamente coloquial, falta de vírgula
depois de adjunto adverbial deslocado.
b) A dissertação argumentativa não pode apresentar estrutura narrativa, com traços de oralidade e
coloquialidade.

12. TF: é preciso entender o real valor das instituições de ensino e como elas podem ajudar a resolver
problemas do nosso tempo.
Estratégias: Explicação, apresentação de argumento de autoridade e ressalva.

13. a) A forma “pode- se concluir que” é desgastada. Podemos substituir por “fica claro, portanto”, “fica
evidente, então”, entre outras.
b) Além da retomada da tese, há propostas de intervenção e fechamento.

7
Redação

14. Judiciário: fiscalizar as leis já existentes, aplicando a casos divulgados na mídia.


Mídia: levar mais a discussão às TVs, com ficções engajadas.
ONGs: campanhas de assistência, procurando e oferecendo novos lares aos encontrados em más
condições.

Questão Contexto

a) “Portanto, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja
alcançada.”.
b) “a pouca abrangência da língua de sinais entre os mais diversos setores da sociedade faz dela um
ambiente inóspito para os deficientes auditivos.”.
c) “a maioria das escolas brasileiras não incluem os surdos, assim como os demais portadores de
necessidades especiais, em seus programas, estimulando a diferença e o preconceito.”.
d) “Dessarte, visando a uma sociedade mais justa, é mister superar os desafios da educação de deficientes
auditivos”.
e) MEC, escolas e Ministério do Trabalho.
f) Dessa forma, o ensino tornará a sociedade brasileira mais unida.

8
Sociologia

Weber e o uso legítimo da força

Resumo

Poder, política e Estado


Weber é um importante pensador para a Ciência Política, pelas suas contribuições para as definições de
poder e Estado, amplamente utilizadas na contemporaneidade. Essas definições nos ajudam a desfazer a
confusão que esse tema assume no dia a dia. Em diversas situações no cotidiano a noção de poder, política
e Estado se entrelaçam de tal forma que chega a ser comum nos atrapalharmos para conceituarmos cada
uma dessas noções. No entanto, do ponto de vista sociológico, esses três conceitos, apesar de bem
próximos, possuem significados bem distintos. Entende-se por poder (segundo Weber e outros pensadores)
a possibilidade de exercer influência sobre o comportamento e as atitudes de alguém, seja conhecida ou
não. Não se trata dispor da obediência, o conceito de poder é mais amplo e engloba a possibilidade de impor
sua vontade sobre outro. Por política entendem-se os meios pelos quais um indivíduo ou grupo social exerce
o poder ou o conquista. A política é a arte de conquistar, manter e exercer o poder mediante as condições
socioculturais deste grupo. Já o Estado é um modo específico de exercer o poder e, ao mesmo tempo, a
forma como se organiza o sistema político da maior parte das sociedades. É uma instituição da esfera
política de uma sociedade que requer para si a primazia da tomada de decisões de um povo e determina
politicamente formas de ser e estar no seu território. Pode ser identificado, segundo Weber, pelo monopólio
no uso legítimo da força dentro de um dado espaço. Ou seja, se uma pessoa age de violência no meio social
ela será considerada criminosa, ao passo que, em circunstâncias específicas, um agente do Estado pode
usar de violência. É importante salientar que o poder não é exclusivo ao Estado. Em relações simples, como
a que temos com amigos e familiares, também exercemos poder.

Tipos de Poder
De acordo com o sociólogo Max Weber, o poder refere-se à imposição da própria vontade em uma relação
social, mesmo quando há resistência da pessoa dominada. Quantas vezes não sofremos imposições dentro
do círculo familiar ou mesmo no emprego, mesmo não gostando? Segundo o sociólogo, o poder está
presente em todos os tipos de ambientes, em diferentes esferas da vida humana. Também podemos o
encontrar em sua forma simples (entre dois indivíduos) ou mesmo na complexa (em uma empresa, cidade
ou país). O que há em comum é o desejo de influenciar a conduta alheia.
O poder possui diversas formas de exercício, porém as que mais se destacam para o nosso estudo são: O
poder econômico, cultural e político. O poder econômico se baseia nos bens materiais como forma de
influência, o ideológico na capacidade de formação de ideias das pessoas e o político na possibilidade de
usar infinitos recursos burocráticos para influenciar a coletividade. Essas formas de poder, para Weber,
influenciam na hierarquia social. Quanto mais poder você concentra, mais bem posicionado você está.

O poder legítimo e as formas de dominação


Até o momento falamos, exclusivamente, das relações de poder que todos estão submetidos. A grande
questão para Weber é a da identificação da legitimação ou não do poder. Para ele, é legítimo o poder que a
influência exercida é aceita por quem está sendo influenciado, como por exemplo, o poder exercido por um
governante eleito democraticamente. E não é legítimo o poder que pressupõe o uso da força, como por
exemplo, o poder exercido por um ditador. O exercício legítimo do poder é denominado por Weber como
dominação, e ele a divide em três tipos ideais – a dominação tradicional, a racional-legal e a carismática.

1
Sociologia

A dominação tradicional é aquela que os indivíduos aceitam o poder exercido através dos costumes e
hábitos, por suas crenças difundidas por gerações. É o tipo de dominação das relações feudais e do
patriarcalismo, por exemplo.
A dominação carismática é exercida através da crença de que um determinado indivíduo possui qualidades
excepcionais que lhe permite exercer tal liderança. É uma dominação personalista, baseada na capacidade
do líder de convencer/demonstrar sua habilidade de liderança insubstituível. A dominação carismática poder
tanto conservadora quanto transgressora, já que essa crença extrapola as tradições e costumes
estabelecidos.
Já a dominação racional-legal é aceita por todos com base na racionalidade. As transformações provocadas
pelos eventos da Idade Moderna, especialmente o Iluminismo, elegeram a razão como guia da humanidade.
Assim, não se trata mais de costumes ou características sobrenaturais, mas do consenso de que devemos
seguir regras discutidas e aceitas por todos. Os Estado-nações modernos se baseiam nessa concepção (da
legalidade) para estruturar sua dominação, apoiados na burocracia (que tem um sentido pejorativo
atualmente, mas é o instrumento que torna possível o funcionamento de uma sociedade tão grande de
diversa quanto os países modernos). A obediência aqui se dá pela relação impessoal do Estado com os
cidadãos e pelo estabelecimento de regras gerais convencionadas sem distinção entre os membros do
grupo.

2
Sociologia

Exercícios

1. (Unioeste 2016) Max Weber (1864-1920) afirma que “devemos conceber o Estado contemporâneo
como uma comunidade humana que, dentro dos limites de determinado território […], reivindica o
monopólio do uso legítimo da violência física”
(Weber, Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 2006, p. 56).

Assinale a alternativa CORRETA, a respeito do significado da afirmação de Weber.

a) Para Weber, no caso do Estado contemporâneo, apenas seus agentes podem utilizar a violência
de modo legítimo dentro dos limites do seu território.
b) O Estado foi sempre o único agente que pode utilizar legalmente a violência com o consentimento
dos cidadãos – a violência dos pais contra os filhos, por exemplo, sempre foi ilegal.
c) Atualmente, o Estado é o único agente que utiliza a violência (ameaças, armas de fogo, coação
física) como meio de atingir seus fins – assim a segurança de todos os cidadãos está garantida.
d) Outros grupos também podem utilizar a violência como recurso – por exemplo, as empresas
privadas de vigilância – independente da autorização legal do Estado.
e) Todos os cidadãos reconhecem como legítima qualquer violência praticada pelos agentes do
Estado contemporâneo – por exemplo, quando a polícia usa balas de borracha contra grevistas.

2. (Enem 2011) “Os três tipos de poder representam três diversos tipos de motivações: no poder
tradicional, o motivo da obediência é a crença na sacralidade da pessoa do soberano; no poder
racional, o motivo da obediência deriva da crença na racionalidade do comportamento conforme a
lei; no poder carismático, deriva da crença nos dotes extraordinários do chefe.”
BOBBIO, N. Estado, Governo, Sociedade: para uma teoria geral da política. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (adaptado)

O texto apresenta três tipos de poder que podem ser identificados em momentos históricos distintos.
Identifique o período em que a obediência esteve associada predominantemente ao poder
carismático:
a) República Federalista Norte-Americana.
b) República Fascista Italiana no século XX.
c) Monarquia Teocrática do Egito Antigo.
d) o Monarquia Absoluta Francesa no século XVII.
e) Monarquia Constitucional Brasileira no século XIX.

3
Sociologia

3. (Ufu 2016) Para Weber, “A dominação, ou seja, a probabilidade de encontrar obediência a um


determinado mandato, pode fundar-se em diversos motivos de submissão.” (COHN, 1991. p. 128).
Nesse sentido, as ações de Mahatma Gandhi, líder no movimento de independência da Índia,
representam qual tipo de dominação na análise weberiana?
a) Dominação Legal.
b) Dominação Anômica.
c) Dominação Carismática.
d) Dominação Altruísta.
e) Dominação inteligente.

4. O desenvolvimento da civilização e de seus modos de produção fez aumentar o poder bélico entre
os homens, generalizando no planeta a atitude de permanente violência. No mundo contemporâneo,
a formação dos Estados nacionais fez dos exércitos instituições de defesa de fronteiras e fator
estratégico de permanente disputa entre nações. Nos armamentos militares se concentra o grande
potencial de destruição da humanidade. Cada Estado, em nome da autodefesa e dos interesses do
cidadão comum, desenvolve mecanismos de controle cada vez mais potentes e ostensivos. O uso
da força pelo Estado transforma-se em recurso cotidianamente utilizado no combate à violência e à
criminalidade.
(Adaptado de: COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997. p.283-285.)

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a concepção sociológica weberiana sobre o uso
da força pelo Estado contemporâneo.
a) A força militar contemporânea, por seu poder de persuasão e atributos personalísticos, é um
agente exemplar do tipo de dominação carismática.
b) Na sociedade contemporânea, o poder compartilhado entre cidadãos e Estado, para o uso da
força, define a dominação legítima do tipo racional-legal.
c) O Estado contemporâneo caracteriza-se pela fragmentação do poder de força, conforme o tipo
ideal de dominação carismática, a exemplo do patriarca.
d) O Estado contemporâneo define-se pelo direito de monopólio do uso da força, baseado na
dominação legítima do tipo racional-legal.
e) O tipo ideal de dominação tradicional é exercido com base na legitimidade e na legalidade do
poder de uso democrático da força pelo Estado contemporâneo.

4
Sociologia

5. A dominação, ou seja, a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato, pode


fundar-se em diversos motivos de submissão. Pode depender diretamente de uma constelação de
interesses, ou seja, de considerações utilitárias de vantagens e inconvenientes por parte daquele que
obedece. Pode, também, depender de mero "costume", hábito cego de um comportamento
inveterado. Ou pode fundar-se, finalmente, no puro afeto, na mera inclinação pessoal do súdito [ ... ]
Nas relações entre dominantes e dominados, por outro lado, a dominação costuma apoiar-se
internamente em bases jurídicas, nas quais se funda a sua 'legitimidade' [ ... ] Em forma, totalmente
pura, as 'bases de legitimação' da dominação são somente três, cada uma das quais se acha
entrelaçada - no tipo puro - com uma estrutura sociológica fundamentalmente diversa do quadro e
dos meios administrativos"
(COHN, Gabriel. Max Weber: Sociologia. 2. ed. Ática: São Paulo, 1982). (Coleção Grande Cientistas Sociais n° 13).

A análise sociológica dos tipos de dominação é um dos marcos centrais da sociologia de Max Weber
e sobre os tipos de dominação pode-se afirmar que:
a) as regras jurídicas do direito brasileiro estão pautadas na dominação tradicional.
b) o patriarcalismo presente no coronelismo brasileiro se estruturou a partir da dominação
tradicional.
c) o poder do grande capital advém da dominação econômica.
d) analisando sociologicamente uma empresa compreende-se que a relação mando-obediência é
construída pela dominação carismática.
e) a dominação política é exercida por grupos de interesse organizados.

6. A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República informou nesta quinta-feira


que 35 milhões de brasileiros ascenderam nos últimos dez anos à classe média, composta atualmente
por 104 milhões de pessoas, o que corresponde a 53% do total da população. O estudo classificou
como de classe média as famílias com renda per capita entre R$ 291,00 e R$ 1.019,00 por mês.
(Adaptado de: Exame.com 20 set. 2012. Disponível em: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/35-milhoes-de-
pessoasascenderam-a-classe-media. Acesso em: 18 abr. 2014.)

Pelo menos metade das famílias que moram em favelas e ocupações no Brasil pertence à nova
classe média, segundo levantamento do G1 com base em dados sobre renda do Censo do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números apontam ainda que quase 5% dessa fatia da
população estaria na classe alta.
(G1. Economia. 1 out. 2012. Disponível em: http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/10/nova-classe-media-inclui-
ao-menos50-das-familias-em-favelas-do-pais.html. Acesso em: 18 abr. 2014.)

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o conceito de classe social aplicado no estudo
em tela.
a) A classe social é considerada com base na capacidade de consumo dos indivíduos e das famílias,
via mercado, em conformidade com o sentido dado por Karl Marx à noção de classe social.
b) Classe média corresponde a um conjunto de atributos culturais, padrões de consumo,
comportamento, costumes, valores e práticas culturais que pretendem demarcar as distinções
entre os grupos sociais.
c) Classe média envolve a classificação de indivíduos com situação econômica estável e
independência em relação aos serviços prestados pelo Estado, sendo estes focados na
população em situação de pobreza.
d) Entende-se classe social no sentido marxiano do termo, isto é, são definidas com base nas
relações sociais de produção e separam os proprietários dos meios de produção dos
proprietários da força-de-trabalho.
e) Entende-se classe social no sentido weberiano, isto é, refere-se à estratificação social formada
na ordem econômica e considera a situação de classe equivalente à situação de mercado.

5
Sociologia

7. (Ufu 2002) Na canção Estação derradeira, de Chico Buarque, é apresentada, em breves palavras,
parte de um retrato falado do Rio de Janeiro:
“Rio de Janeiro
Civilização encruzilhada
Cada ribanceira é uma
nação À sua maneira
Com ladrão
Lavadeiras, honra, tradição
Fronteiras, munição pesada”.
CD FRANCISCO, Chico Buarque, RCA, 1987.

Relacione essa composição com a concepção do sociólogo Max Weber a respeito das
características do Estado moderno e aponte a alternativa correta.
a) De acordo com a perspectiva weberiana, a existência de uma “cidade partida”, como o Rio
de Janeiro, seria reflexo de uma “nação partida” em que os meios de violência são monopolizados
pelas classes dominantes para oprimir as classes dominadas.
b) Segundo a concepção weberiana, é típico de toda e qualquer sociedade de classes ou estamental
a concorrência entre poderes armados paralelos que põem, permanentemente, em questão a
possibilidade da existência do monopólio do uso legítimo da violência.
c) De acordo com Weber pode-se afirmar que, no limite, o Estado brasileiro não está inteiramente
constituído como tal, uma vez que não se revela em condições de exercer, em sua plenitude, o
monopólio do uso legítimo da violência.
d) Conforme a ótica weberiana, no Estado moderno, com o surgimento dos exércitos profissionais,
vive-se uma situação em que se tem “o povo em armas”, razão pela qual não seria surpreendente,
para Weber, constatar a situação de violência que campeia, atualmente, nas metrópoles brasileiras.
e) De acordo com Weber pode-se afirmar que, é típico de toda e qualquer sociedade de classes ou
estamental a concorrência entre poderes armados paralelos, em que os meios de violência são
monopolizados pelas classes dominantes para oprimir as classes dominadas.

6
Sociologia

8. Sobre os conceitos de poder político e de autoridade no pensamento de Max Weber, assinale o que
for correto.
I. O poder político se converte em autoridade em governos considerados legítimos por aqueles
que vivem sob as suas ordens.
II. A autoridade de tipo tradicional é própria da sociedade onde impera o princípio da lei e dos
acordos racionalmente estabelecidos.
III. A autoridade pode fundamentar-se no reconhecimento de qualidades excepcionais daquele
que a exerce. Nesse caso, estamos diante de uma autoridade de tipo carismática.
IV. Uma autoridade racional-legal exerce o poder seguindo suas próprias regras, sem interferências
ou controles externos que limitem sua atuação.
V. Em situações concretas, as autoridades de tipos racional-legal e carismático podem se
combinar e garantir legitimidade a um governo.

Assinalar a alternativa correta.

a) I e V estão corretas.
b) I e III estão corretas.
c) I, III e V estão corretas.
d) I, II e III estão corretas.
e) Apenas II está correta.

9. Analise a figura e leia o texto a seguir.

7
Sociologia

“Estou sentada nos ombros de um homem


Ele está afundando sob o fardo (peso)
Eu faria qualquer coisa para ajudá-lo
Exceto descer de suas costas”
(Disponível em: <http://www.aidoh.dk/new-struct/About-Jens- Galschiot/CV-GB-PT.pdf>. Acesso em: 1 set. 2017.)

Com a obra intitulada A sobrevivência dos mais gordos, Jens Galschiot (2002) aborda o tema da
injustiça, uma questão constitutiva da vida social de difícil solução, como indica o texto que
acompanha a obra. O entendimento que uma sociedade produz sobre o que se considera justo e
injusto está fundado em padrões de valoração a respeito da conduta dos indivíduos e dos objetivos
comuns da coletividade, bem como em sua estrutura social. Pode-se considerar que uma das
expressões da justiça ou injustiça é a estratificação social, objeto de estudo de Max Weber.
Segundo o autor, na sociedade moderna ocidental, a estratificação social é
a) estruturada fundamentalmente na base econômica da sociedade, que subordina as esferas
política, jurídica e ideológica de modo a perpetuar a exploração da classe dominante sobre a
dominada.
b) formada pelas dimensões econômica, política e ideológica, as quais estabelecem entre si
relações necessárias que devem ser desvendadas com a descoberta de suas leis gerais
invariáveis.
c) constituída em três dimensões, a econômica, a política e a social, sendo que suas possíveis
afinidades eletivas devem ser analisadas à luz de cada especificidade histórica em questão.
d) composta por múltiplas dimensões, sendo a cultura a determinante para a compreensão
totalizante dos processos históricos de desenvolvimento econômico no Ocidente.
e) estabelecida pela moral social, a qual situa o posicionamento dos indivíduos de acordo com os
papéis sociais por eles cumpridos, tendo em vista o melhor desempenho das funções necessárias
à sociedade.

10. Para a teoria sociológica de Max Weber, em toda sociedade há dominação, que é entendida como
uma “[…] probabilidade de haver obediência para ordens específicas (ou todas) dentro de um
determinado grupo de pessoas […]”.
Fonte: WEBER, M. Tradução de Regis Barbosa e Karen Elsabe Barbosa. Economia e Sociedade, Brasília: Ed. UnB, 1991,
p.139.

De acordo com a teoria sociológica do autor, é correto afirmar que os três tipos puros de dominação
legítima são:
a) Racional, tradicional e carismática.
b) Econômica, social e política.
c) Feudal, capitalista e comunista.
d) Monárquica, absolutista e republicana.
e) Socialista, neoliberal, social-democrata.

8
Sociologia

Gabarito

1. A
Para Weber, a grande característica do Estado moderno é o fato dele operar uma centralização do poder
da violência. Diferente de outras sociedades históricas, no mundo moderno apenas o Estado (ou alguma
instituição sob sua autorização) pode exercer violência sem ser considerado criminoso - o que não quer
dizer que o uso que o Estado faz desse poder não seja eventualmente questionado.

2. B
O fascismo é um claro exemplo de regime baseado na dominação carismática, no qual o líder, no caso
Mussolini, é visto como dotado de habilidades extraordinárias, as quais o tornam singular e digno de
ser obedecido.

3. C
Weber não considerou conceitos como “dominação anômica” e “dominação altruísta”. Por sua vez, a
dominação legal é impessoal, enquanto a liderança de Gandhi era profundamente pessoal.

4. D
No caso específico do Estado, Weber considera que este exerce seu domínio através do monopólio do
uso legítimo da força em determinado território. Essa é uma dominação do tipo racional-legal, por não
ser baseada nem no carisma de um líder, nem na tradição, e sim em um regimento jurídico e
racionalmente reconhecido por todos.

5. B
A dominação baseada no patriarcalismo brasileiro se constituí a partir da crença de que métodos
socialmente aceitos são eficazes para gerir a sociedade. Era habitual considerar o homem como figura
central da sociedade brasileira. E mais, reconhecer a importância e a capacidade de liderança dos
herdeiros dos senhores de engenho. Tanto que, apesar de estruturalmente racional-legal, a república
brasileira recém-inaugurada atribuí “títulos” de coronel para esses homens, num movimento muito
parecido com o da formação dos estamentos do Antigo Regime, guardadas as proporções e
peculiaridades históricas.

6. E
Enquanto a classificação marxiana de classes se baseia na propriedade ou não dos meios de produção,
Weber já produz uma leitura estratificada, que articula prestígio social, poder e capacidade econômica.
Ou seja, em Weber, a renda mensal de um indivíduo deve ser considerado para categorizar sua posição
na hierarquia social

7. C
Para Weber, o que identifica e define o Estado moderno é o monopólio do uso legítimo da força. Assim,
a fragilidade do Estado brasileiro perante os poderes paralelos do crime revela sua não plena realização

8. C
A frase (II) seria perfeita como definição da dominação racional-legal e não da dominação tradicional.
E diferente do que diz (IV), a autoridade racional-legal se exerce de modo impessoal, portanto, está
sempre submetida a regras e não às vontades particulares.

9. C
Segundo Max Weber, a estratificação social possui três dimensões: a social (status), a econômica
(classe) e a política (partido). Somente a partir dessa diferenciação que ele analisa as diferentes formas
de as sociedades estruturarem suas formas de desigualdade.

9
Sociologia

10. A
Como explica Norberto Bobbio, “os três tipos de poder representam três diversos tipos de motivações:
no poder tradicional, o motivo da obediência é a crença na sacralidade da pessoa do soberano; no poder
racional, o motivo da obediência deriva da crença na racionalidade do comportamento conforme a lei;
no poder carismático, deriva da crença nos dotes extraordinários do chefe.”

10

Você também pode gostar