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VADE MECUM

DO SERVIÇO SOCIAL

A MAIS COMPLETA COLETÂNEA


DE LEIS E RESOLUÇÕES
Atualizado 2019
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

BPC
Conteúdo
APRESENTAÇÃO ............................................................................................. 7

CAPÍTULO I: LEGISLAÇÕES E RESOLUÇÕES DO SERVIÇO SOCIAL ........ 9


CÓDIGO DE ÉTICA DO SERVIÇO SOCIAL ................................................ 10
LEI No 8.662, DE 7 DE JUNHO DE 1993 – Lei de Regulamentação da
profissão. ...................................................................................................... 19
RESOLUÇÃO CFESS Nº 383/99 de 29 de março de 1999 - Caracteriza o
assistente social como profissional da saúde ............................................... 23
RESOLUÇÃO CFESS N° 489/2006 de 03 de junho de 2006 - Estabelece
normas vedando condutas discriminatórias ou preconceituosas, por orientação
e expressão sexual por pessoas do mesmo sexo, no exercício profissional do
assistente social ........................................................................................... 24
RESOLUÇÃO CFESS nº 493/2006 de 21 de agosto de 2006 - Dispõe sobre
as condições éticas e técnicas do exercício profissional do assistente social
...................................................................................................................... 26
RESOLUÇÃO CFESS Nº. 512/2007 de 29 de setembro de 2007 - Reformula
as normas gerais para o exercício da Fiscalização Profissional ................... 29
RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 29 de setembro de 2008 - Regulamenta a
SUPERVISÃO DIRETA DE ESTÁGIO no Serviço Social ............................. 36
RESOLUÇÃO CFESS Nº 554/2009 de 15 de setembro de 2009 - Dispõe sobre
o não reconhecimento da inquirição das vítimas crianças e adolescentes no
processo judicial, sob a Metodologia do Depoimento Sem Dano/DSD ........ 41
RESOLUÇÃO CFESS Nº 556/2009 de 15 de setembro de 2009 -
Procedimentos para efeito da Lacração do Material Técnico e Material
Técnico-Sigiloso do Serviço Social ............................................................... 45
RESOLUÇÃO CFESS Nº 557/2009 de 15 de setembro de 2009 - Dispõe sobre
a emissão de pareceres, laudos, opiniões técnicas conjuntos entre o
assistente social e outros profissionais ......................................................... 47
RESOLUÇÃO CFESS N° 559, de 16 de setembro de 2009 - Dispõe sobre a
atuação do Assistente Social, inclusive na qualidade de perito judicial ou
assistente técnico ......................................................................................... 49
RESOLUÇÃO CFESS Nº 569, de 25 de março de 2010 - Dispõe sobre a
VEDAÇÃO da realização de terapias associadas ao título e/ou ao exercício
profissional do assistente social. .................................................................. 52

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RESOLUÇÃO CFESS Nº 594, de 21 de janeiro de 2011 - Altera o Código de
Ética do Assistente Social, introduzindo aperfeiçoamentos formais,
gramaticais e conceituais em seu texto e garantindo a linguagem de gênero.
...................................................................................................................... 55
RESOLUÇÃO CFESS N° 615, de 8 de setembro de 2011 - Dispõe sobre a
inclusão e uso do nome social da assistente social travesti e do(a) assistente
social transexual nos documentos de identidade profissional. ..................... 57
RESOLUÇÃO CFESS Nº 627, de 9 de abril de 2012 - Dispõe sobre a vedação
de utilização de símbolos, imagens e escritos religiosos .............................. 59
RESOLUÇÃO CFESS nº 785, de 22 de dezembro de 2016 - Dispõe sobre a
inclusão e uso do nome social da assistente social travesti e da/do assistente
social transexual no Documento de Identidade Profissional. ........................ 61
RESOLUÇÃO CFESS Nº 845, de 26 de fevereiro de 2018 - Dispõe sobre
atuação profissional do/a assistente social em relação ao processo
transexualizador ........................................................................................... 64
RESOLUÇÃO CFESS Nº 861, 11 de junho de 2018 - Dispõe sobre a
publicidade da execução das penalidades de advertência pública, suspensão
e cassação do exercício profissional do/a assistente social ......................... 66

CAPÍTULO II: LEGISLAÇÃO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL ............................. 68


CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - DA ASSISTÊNCIA SOCIAL ........... 69
LEI Nº 8.742, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1993 – Lei Orgânica da Assistência
Social (LOAS) ............................................................................................... 70
POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PNAS) ........................ 82
Resolução nº 145, de 15 de outubro de 2004 ............................................... 82
NORMA OPERACIONAL BÁSICA DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL -NOB/SUAS .................................................................................. 112
TIPIFICAÇÃO NACIONAL DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS ......... 146
NORMA OPERACIONAL BÁSICA DE RECURSOS HUMANOS –
NOBRH/SUAS. ........................................................................................... 188
LEI Nº 12.101, DE 27 DE NOVEMBRO DE 2009 - Dispõe sobre a certificação
das entidades beneficentes de assistência social ...................................... 223
DECRETO Nº 8.242, DE 23 DE MAIO DE 2014 - dispõe sobre o processo de
certificação das entidades beneficentes de assistência social e sobre
procedimentos de isenção das contribuições para a seguridade social ..... 239
DECRETO Nº 6.214, DE 26 DE SETEMBRO DE 2007 - Regulamenta o
benefício de prestação continuada da assistência social devido à pessoa com
deficiência e ao idoso ................................................................................. 258
DECRETO Nº 6.135, DE 26 DE JUNHO DE 2007 - Dispõe sobre o Cadastro
Único para Programas Sociais do Governo Federal ................................... 274
DECRETO Nº 6.307, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2007 - Dispõe sobre os
benefícios eventuais ................................................................................... 277

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LEI No 10.836, DE 9 DE JANEIRO DE 2004 - Cria o Programa Bolsa Família
.................................................................................................................... 280
DECRETO Nº 5.209 DE 17 DE SETEMBRO DE 2004 – Regulamenta o
Programa Bolsa Família ............................................................................. 287

CAPÍTULO III: LEGISLAÇÃO DA SAÚDE .................................................... 306


CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - DA SAÚDE ................................... 307
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990 – Lei Orgânica da Saúde . 309
DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE 2011 – Regulamenta o Sistema
Único de Saúde .......................................................................................... 326
LEI Nº 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990 - Dispõe sobre a participação
da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as
transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde
.................................................................................................................... 334
RESOLUÇÃO Nº 453, DE 10 DE MAIO DE 2012 - Aprova as diretrizes para
instituição, reformulação, reestruturação e funcionamento dos Conselhos de
Saúde ......................................................................................................... 336
LEI No 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos
das pessoas portadoras de transtornos mentais ........................................ 342
LEI Nº 11.343, DE 23 DE AGOSTO DE 2006 - Institui o Sistema Nacional de
Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad ................................................... 344
DECRETO Nº 9.761, DE 11 DE ABRIL DE 2019 - Aprova a Política Nacional
sobre Drogas. ............................................................................................. 370
DECRETO Nº 7.602, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2011 - Dispõe sobre a Política
Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho ............................................ 386
PORTARIA Nº 1.823, DE 23 DE AGOSTO DE 2012 - Institui a Política Nacional
de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. ............................................ 390

CAPÍTULO IV: LEGISLAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL E PREVIDÊNCIA


SOCIAL .......................................................................................................... 409
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - DA SEGURIDADE SOCIAL ......... 410
LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991 – Lei Orgânica da Seguridade Social
.................................................................................................................... 412
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ......... 454
LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991 - Dispõe sobre os Planos de
Benefícios da Previdência Social ................................................................ 457
DECRETO No 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999 – Regulamento da Previdência
Social .......................................................................................................... 500
LEI COMPLEMENTAR Nº 142, DE 8 DE MAIO DE 2013 – Regulamenta a
aposentadoria da pessoa com deficiência .................................................. 620
PORTARIA Nº 9, DE 15 DE JANEIRO DE 2019 – valores 2019. ............... 622

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
CAPÍTULO V: LEGISLAÇÃO DA EDUCAÇÃO ............................................ 625
A EDUCAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – 1988 ............................. 626
LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional ...................................................................... 629
LEI No 6.202, DE 17 DE ABRIL DE 1975. Atribui à estudante em estado de
gestação o regime de exercícios domiciliares ............................................ 658
LEI Nº 10.845, DE 5 DE MARÇO DE 2004. Institui o Programa de
Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas
Portadoras de Deficiência ........................................................................... 659
DECRETO Nº 7.234, DE 19 DE JULHO DE 2010. Dispõe sobre o Programa
Nacional de Assistência Estudantil - PNAES. ............................................. 661
PORTARIA No - 389, DE 9 DE MAIO DE 2013 - Cria o Programa de Bolsa
Permanência............................................................................................... 663

CAPÍTULO VI: DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA ...................... 671


DEECRETO Nº 6.949, DE 25 DE AGOSTO DE 2009 - Promulga a Convenção
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência .................... 672
LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015 – Estatuto da Pessoa com
Deficiência .................................................................................................. 696
LEI Nº 11.126, DE 27 DE JUNHO DE 2005 - Dispõe sobre o direito do portador
de deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo
acompanhado de cão-guia ......................................................................... 730
DECRETO Nº 5.904, DE 21 DE SETEMBRO DE 2006 - Regulamenta a Lei no
11.126, de 27 de junho de 2005 ................................................................. 730
LEI No 10.098, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000 - Estabelece normas gerais
e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras
de deficiência ou com mobilidade reduzida ................................................ 734
LEI Nº 13.835, DE 4 DE JUNHO DE 2019 - assegura às pessoas com
deficiência visual o direito de receber cartões de crédito e de movimentação
de contas bancárias com as informações vertidas em caracteres de
identificação tátil em braile.......................................................................... 740
DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004 - estabelece normas
gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas
portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida .............................. 741
LEI Nº 7.853, DE 24 DE OUTUBRO DE 1989 - Dispõe sobre o apoio às
pessoas portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a
Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência
- Corde ........................................................................................................ 760
DECRETO Nº 3.298, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1999 – Regulamenta a
Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência .. 765
LEI Nº 8.899, DE 29 DE JUNHO DE 1994 - Concede passe livre às pessoas
portadoras de deficiência no sistema de transporte coletivo interestadual . 780

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
DECRETO Nº 3.691, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000 - Regulamenta a Lei
no 8.899, de 29 de junho de 1994 ............................................................... 780

CAPÍTULO VII: DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ............... 781


LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990 – Estatuto da Criança e do
Adolescente - ECA ..................................................................................... 782
LEI Nº 13.715, DE 24 DE SETEMBRO DE 2018. Dispõe sobre hipóteses de
perda do poder familiar pelo autor de determinados crimes ....................... 849
DECRETO Nº 9.579, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2018 - dispõem sobre a
temática do lactente, da criança e do adolescente e do aprendiz, e sobre o
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Fundo
Nacional para a Criança e o Adolescente ................................................... 851
LEI Nº 12.594, DE 18 DE JANEIRO DE 2012 - Institui o Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (Sinase) ........................................................ 881
LEI Nº 13.431, DE 4 DE ABRIL DE 2017 - Estabelece o sistema de garantia
de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência
.................................................................................................................... 903
DECRETO Nº 9.603, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2018 - Regulamenta a Lei nº
13.431, de 4 de abril de 2017 ..................................................................... 910
DECRETO No 99.710, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1990 - Promulga a
Convenção sobre os Direitos da Criança.................................................... 917
REGRAS DE BEIJING - Regras Mínimas das Nações Unidas para a
Administração da Justiça da Infância e da Juventude ................................ 932
DIRETRIZES DE RIAD - Diretrizes das Nações Unidas para Prevenção da
Delinquência Juvenil ................................................................................... 940
Regras Mínimas das Nações Unidas para a Proteção dos Jovens Privados de
Liberdade .................................................................................................... 948

CAPÍTULO VIII: DIREITOS DO IDOSO ......................................................... 961


LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003. Estatuto do Idoso ............ 962
LEI Nº 8.842, DE 4 DE JANEIRO DE 1994. Política Nacional do Idoso ..... 981
DECRETO Nº 9.921, DE 18 DE JULHO DE 2019 – Temática da Pessoa Idosa
.................................................................................................................... 985

CAPÍTULO IX: DIREITO DE FAMÍLIA .......................................................... 997


A FAMÍLIA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – 1988 ................................... 998
DO DIREITO DE FAMÍLIA – CÓDIGO CIVIL.............................................. 999
DA TUTELA, DA CURATELA E DA TOMADA DE DECISÃO APOIADA
.............................................................................................................. 1020
LEI Nº 12.318, DE 26 DE AGOSTO DE 2010. Lei da Alienação Parental 1027

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

CAPÍTULO X: DIREITOS HUMANOS E DIREITOS DA MULHER ............. 1029


Direitos Humanos na Constituição do Brasil – 1988 ................................. 1030
LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. Lei Maria da Penha .......... 1040
LEI Nº 6.001, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1973. Estatuto do Índio ........... 1051
DECRETO Nº 7.037, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2009. Programa Nacional de
Direitos Humanos - PNDH-3 ..................................................................... 1060
DECRETO Nº 6.044, DE 12 DE FEVEREIRO DE 2007. Política Nacional de
Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos - PNPDDH ................... 1063
LEI No 10.048, DE 8 DE NOVEMBRO DE 2000. Prioridade de atendimento
.................................................................................................................. 1064
LEI Nº 12.933, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2013. Dispõe sobre o benefício do
pagamento de meia-entrada para estudantes, idosos, pessoas com deficiência
e jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes em espetáculos
artístico-culturais e esportivos .................................................................. 1065
DECRETO Nº 8.537, DE 5 DE OUTUBRO DE 2015 - dispõe sobre o benefício
da meia-entrada para acesso a eventos artístico-culturais e esportivos e para
estabelecer os procedimentos e os critérios para a reserva de vagas a jovens
de baixa renda nos veículos do sistema de transporte coletivo interestadual.
.................................................................................................................. 1067
DECRETO Nº 4.886, DE 20 DE NOVEMBRO DE 2003. Política Nacional de
Promoção da Igualdade Racial - PNPIR ................................................... 1073

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
APRESENTAÇÃO

Parabéns! Você acaba de adquirir a mais completa coletânea de

Leis e Resoluções aplicadas à prática profissional do Assistente

Social, bem como as legislações mais solicitadas em provas de

concursos de Serviço Social.

O Vade Mecum de Serviço Social está totalmente atualizado,

incluindo as mais recentes modificações realizadas nas

normativas em 2019.

O conteúdo é composto por dez Capítulos, abrangendo as

legislações serapadas por assunto, inclundo as Resoluções do

CFESS mais cobradas em concurso, Legislação da Assistência

Social, Legislação da Seguridade Social e Previdência,

Legislação da Saúde e Educação. Aborda também os direitos da

pessoa com deficência, direitos da criança e do adolescente e

dos idosos, diretos de família, direitos humanos e direitos da

mulher.

Bons estudos!

Nilza Ciciliati

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

Nilza Ciciliati é servidora pública federal, Assistente


Social, Analista do Seguro Social no Instituto Nacional do
Seguro Social – INSS. Graduada em Serviço Social pelo
Centro Universitário da grande Dourados/MS – UNGRAN,
Especialista em Direito Previdenciário pela Faculdade
Internacional Signorelli/RJ e Pós-graduada em Políticas
Públicas e Desenvolvimento Social pela PUCPR.

Copyright © 2019 de Nilza Ciciliati

Todos os direitos reservados. Este ebook ou qualquer parte dele não pode ser reproduzido
ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor, exceto pelo uso
de citações breves em uma resenha do ebook.

Primeira edição, 2019.

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

CAPÍTULO I:
LEGISLAÇÕES E
RESOLUÇÕES DO
SERVIÇO SOCIAL

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
CÓDIGO DE ÉTICA DO SERVIÇO SOCIAL

Art. 2º O Conselho Federal de Serviço Social -


CFESS, deverá incluir nas Carteiras de
RESOLUÇÃO CFESS Nº 273/93
Identidade Profissional o inteiro teor do Código
Institui o Código de Ética Profissional do/a de Ética.
Assistente Social e dá outras providências.
Art. 3º Determinar que o Conselho Federal e os
Conselhos Regionais de Serviço Social
A Presidente do Conselho Federal de Serviço procedam imediata e ampla divulgação do
Social - CFESS, no uso de suas atribuições Código de Ética.
legais e regimentais, e de acordo com a Art. 4º A presente Resolução entrará em vigor
deliberação do Conselho Pleno, em reunião na data de sua publicação no Diário Oficial da
ordinária, realizada em Brasília, em 13 de União, revogadas as disposições em contrário,
março de 1993, em especial, a Resolução CFESS nº 195/86, de
Considerando a avaliação da categoria e das 09.05.86.
entidades do Serviço Social de que o Código
homologado em 1986 apresenta insuficiências;
Brasília, 13 de março de 1993. MARLISE
Considerando as exigências de normatização VINAGRE SILVA A.S. CRESS Nº 3578 7ª
específicas de um Código de Ética Profissional Região/RJ Presidente do CFESS
e sua real operacionalização;
Considerando o compromisso da gestão 90/93
Introdução
do CFESS quanto à necessidade de revisão do
Código de Ética; A história recente da sociedade brasileira,
polarizada pela luta dos setores democráticos
Considerando a posição amplamente assumida
contra a ditadura e, em seguida, pela
pela categoria de que as conquistas políticas
consolidação das liberdades políticas,
expressas no Código de 1986 devem ser
propiciou uma rica experiência para todos os
preservadas;
sujeitos sociais. Valores e práticas até então
Considerando os avanços nos últimos anos secundarizados (a defesa dos direitos civis, o
ocorridos nos debates e produções sobre a reconhecimento positivo das peculiaridades
questão ética, bem como o acúmulo de individuais e sociais, o respeito à diversidade,
reflexões existentes sobre a matéria; etc.) adquiriram novos estatutos, adensando o
Considerando a necessidade de criação de elenco de reivindicações da cidadania.
novos valores éticos, fundamentados na Particularmente para as categorias
definição mais abrangente, de compromisso profissionais, esta experiência ressituou as
com os usuários, com base na liberdade, questões do seu compromisso ético-político e
democracia, cidadania, justiça e igualdade da avaliação da qualidade dos seus serviços.
social; Nestas décadas, o Serviço Social experimentou,
Considerando que o XXI Encontro Nacional no Brasil, um profundo processo de renovação.
CFESS/CRESS referendou a proposta de Na intercorrência de mudanças ocorridas na
reformulação apresentada pelo Conselho sociedade brasileira com o próprio acúmulo
Federal de Serviço Social; profissional, o Serviço Social se desenvolveu
teórica e praticamente, laicizou-se, diferenciou-
RESOLVE: se e, na entrada dos anos noventa, apresenta-se
Art. 1º Instituir o Código de Ética Profissional como profissão reconhecida academicamente e
do assistente social em anexo. legitimada socialmente.

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
A dinâmica deste processo que conduziu à A revisão do texto de 1986 processou-se em
consolidação profissional do Serviço Social dois níveis. Reafirmando os seus valores
materializou-se em conquistas teóricas e fundantes - a liberdade e a justiça social -,
ganhos práticos que se revelaram diversamente articulou-os a partir da exigência democrática:
no universo profissional. No plano da reflexão a democracia é tomada como valor éticopolítico
e da normatização ética, o Código de Ética central, na medida em que é o único padrão de
Profissional de 1986 foi uma expressão organização político-social capaz de assegurar
daquelas conquistas e ganhos, através de dois a explicitação dos valores essenciais da
procedimentos: negação da base filosófica liberdade e da equidade. É ela, ademais, que
tradicional, nitidamente conservadora, que favorece a ultrapassagem das limitações reais
norteava a “ética da neutralidade”, e afirmação que a ordem burguesa impõe ao
de um novo perfil do/a técnico/a, não mais um/a desenvolvimento pleno da cidadania, dos
agente subalterno/a e apenas executivo/a, mas direitos e garantias individuais e sociais e das
um/a profissional competente teórica, técnica e tendências à autonomia e à autogestão social.
politicamente. Em segundo lugar, cuidou-se de precisar a
normatização do exercício profissional de
De fato, construía-se um projeto profissional
modo a permitir que aqueles valores sejam
que, vinculado a um projeto social radicalmente
retraduzidos no relacionamento entre
democrático, redimensionava a inserção do
assistentes sociais, instituições/organizações e
Serviço Social na vida brasileira,
população, preservandose os direitos e deveres
compromissando-o com os interesses históricos
profissionais, a qualidade dos serviços e a
da massa da população trabalhadora. O
responsabilidade diante do/a usuário/a.
amadurecimento deste projeto profissional,
mais as alterações ocorrentes na sociedade A revisão a que se procedeu, compatível com o
brasileira (com destaque para a ordenação espírito do texto de 1986, partiu da
jurídica consagrada na Constituição de 1988), compreensão de que a ética deve ter como
passou a exigir uma melhor explicitação do suporte uma ontologia do ser social: os valores
sentido imanente do Código de 1986. Tratava- são determinações da prática social, resultantes
se de objetivar com mais rigor as implicações da atividade criadora tipificada no processo de
dos princípios conquistados e plasmados trabalho. É mediante o processo de trabalho que
naquele documento, tanto para fundar mais o ser social se constitui, se instaura como
adequadamente os seus parâmetros éticos distinto do ser natural, dispondo de capacidade
quanto para permitir uma melhor teleológica, projetiva, consciente; é por esta
instrumentalização deles na prática cotidiana do socialização que ele se põe como ser capaz de
exercício profissional. liberdade. Esta concepção já contém, em si
mesma, uma projeção de sociedade - aquela em
A necessidade da revisão do Código de 1986
que se propicie aos/às trabalhadores/as um
vinha sendo sentida nos organismos
pleno desenvolvimento para a invenção e
profissionais desde fins dos anos oitenta. Foi
vivência de novos valores, o que,
agendada na plataforma programática da gestão
evidentemente, supõe a erradicação de todos os
1990/1993 do CFESS. Entrou na ordem do dia
processos de exploração, opressão e alienação.
com o I Seminário Nacional de Ética (agosto de
É ao projeto social aí implicado que se conecta
1991) perpassou o VII CBAS (maio de 1992) e
o projeto profissional do Serviço Social - e cabe
culminou no II Seminário Nacional de Ética
pensar a ética como pressuposto teórico-
(novembro de 1992), envolvendo, além do
político que remete ao enfrentamento das
conjunto CFESS/CRESS, a ABESS, a ANAS e
contradições postas à profissão, a partir de uma
a SESSUNE. O grau de ativa participação de
visão crítica, e fundamentada teoricamente, das
assistentes sociais de todo o país assegura que
derivações ético-políticas do agir profissional.
este novo Código, produzido no marco do mais
abrangente debate da categoria, expressa as
aspirações coletivas dos/as profissionais
brasileiros/as.

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Princípios Fundamentais
IX. Articulação com os movimentos de outras
categorias profissionais que partilhem dos
I. Reconhecimento da liberdade como valor princípios deste Código e com a luta geral
ético central e das demandas políticas a ela dos/as trabalhadores/as;
inerentes - autonomia, emancipação e plena
expansão dos indivíduos sociais;
X. Compromisso com a qualidade dos serviços
prestados à população e com o aprimoramento
II. Defesa intransigente dos direitos humanos e intelectual, na perspectiva da competência
recusa do arbítrio e do autoritarismo; profissional;

III. Ampliação e consolidação da cidadania, XI. Exercício do Serviço Social sem ser
considerada tarefa primordial de toda discriminado/a, nem discriminar, por questões
sociedade, com vistas à garantia dos direitos de inserção de classe social, gênero, etnia,
civis sociais e políticos das classes religião, nacionalidade, orientação sexual,
trabalhadoras; identidade de gênero, idade e condição física.

IV. Defesa do aprofundamento da democracia, TÍTULO I


enquanto socialização da participação política e
da riqueza socialmente produzida; DISPOSIÇÕES GERAIS

V. Posicionamento em favor da equidade e Art.1º Compete ao Conselho Federal de


justiça social, que assegure universalidade de Serviço Social:
acesso aos bens e serviços relativos aos a- zelar pela observância dos princípios e
programas e políticas sociais, bem como sua diretrizes deste Código, fiscalizando as ações
gestão democrática; dos Conselhos Regionais e a prática exercida
pelos profissionais, instituições e organizações
na área do Serviço Social;
VI. Empenho na eliminação de todas as formas
de preconceito, incentivando o respeito à b- introduzir alteração neste Código, através de
diversidade, à participação de grupos uma ampla participação da categoria, num
socialmente discriminados e à discussão das processo desenvolvido em ação conjunta com
diferenças; os Conselhos Regionais;
c- como Tribunal Superior de Ética
Profissional, firmar jurisprudência na
VII. Garantia do pluralismo, através do respeito observância deste Código e nos casos omissos.
às correntes profissionais democráticas
existentes e suas expressões teóricas, e Parágrafo único Compete aos Conselhos
compromisso com o constante aprimoramento Regionais, nas áreas de suas respectivas
intelectual; jurisdições, zelar pela observância dos
princípios e diretrizes deste Código, e funcionar
como órgão julgador de primeira instância.
VIII. Opção por um projeto profissional
vinculado ao processo de construção de uma
nova ordem societária, sem dominação,
exploração de classe, etnia e gênero;

12
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
TÍTULO II comportamentos, denunciando sua ocorrência
aos órgãos competentes;
DOS DIREITOS E DAS
RESPONSABILIDADES GERAIS DO/A d- participar de programas de socorro à
ASSISTENTE SOCIAL população em situação de calamidade pública,
no atendimento e defesa de seus interesses e
necessidades.
Art. 2º Constituem direitos do/a assistente
Art. 4º É vedado ao/à assistente social:
social:
a- transgredir qualquer preceito deste Código,
a- garantia e defesa de suas atribuições e
bem como da Lei de Regulamentação da
prerrogativas, estabelecidas na Lei de
Profissão;
Regulamentação da Profissão e dos princípios
firmados neste Código; b- praticar e ser conivente com condutas
antiéticas, crimes ou contravenções penais na
b- livre exercício das atividades inerentes à
prestação de serviços profissionais, com base
Profissão;
nos princípios deste Código, mesmo que estes
c- participação na elaboração e gerenciamento sejam praticados por outros/as profissionais;
das políticas sociais, e na formulação e
c- acatar determinação institucional que fira os
implementação de programas sociais;
princípios e diretrizes deste Código;
d- inviolabilidade do local de trabalho e
d- compactuar com o exercício ilegal da
respectivos arquivos e documentação,
Profissão, inclusive nos casos de estagiários/as
garantindo o sigilo profissional;
que exerçam atribuições específicas, em
e- desagravo público por ofensa que atinja a sua substituição aos/às profissionais;
honra profissional;
e- permitir ou exercer a supervisão de aluno/a
f- aprimoramento profissional de forma de Serviço Social em Instituições Públicas ou
contínua, colocando-o a serviço dos princípios Privadas que não tenham em seu quadro
deste Código; assistente social que realize acompanhamento
g- pronunciamento em matéria de sua direto ao/à aluno/a estagiário/a;
especialidade, sobretudo quando se tratar de f- assumir responsabilidade por atividade para
assuntos de interesse da população; as quais não esteja capacitado/a pessoal e
h- ampla autonomia no exercício da Profissão, tecnicamente;
não sendo obrigado a prestar serviços g- substituir profissional que tenha sido
profissionais incompatíveis com as suas exonerado/a por defender os princípios da ética
atribuições, cargos ou funções; profissional, enquanto perdurar o motivo da
i- liberdade na realização de seus estudos e exoneração, demissão ou transferência;
pesquisas, resguardados os direitos de h- pleitear para si ou para outrem emprego,
participação de indivíduos ou grupos cargo ou função que estejam sendo exercidos
envolvidos em seus trabalhos. por colega;
Art. 3º São deveres do/a assistente social: i- adulterar resultados e fazer declarações
a- desempenhar suas atividades profissionais, falaciosas sobre situações ou estudos de que
com eficiência e responsabilidade, observando tome conhecimento;
a legislação em vigor; j- assinar ou publicar em seu nome ou de
b- utilizar seu número de registro no Conselho outrem trabalhos de terceiros, mesmo que
Regional no exercício da Profissão; executados sob sua orientação.
c- abster-se, no exercício da Profissão, de
práticas que caracterizem a censura, o
cerceamento da liberdade, o policiamento dos

13
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
TÍTULO III a- exercer sua autoridade de maneira a limitar
ou cercear o direito do/a usuário/a de participar
DAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
e decidir livremente sobre seus interesses;
b- aproveitar-se de situações decorrentes da
CAPÍTULO I relação assistente social-usuário/a, para obter
Das Relações com os/as Usuários/as vantagens pessoais ou para terceiros;
c- bloquear o acesso dos/as usuários/as aos
serviços oferecidos pelas instituições, através
Art. 5º São deveres do/a assistente social nas de atitudes que venham coagir e/ou desrespeitar
suas relações com os/as usuários/as: aqueles que buscam o atendimento de seus
a- contribuir para a viabilização da participação direitos.
efetiva da população usuária nas decisões CAPÍTULO II
institucionais;
Das Relações com as Instituições
b- garantir a plena informação e discussão sobre Empregadoras e outras
as possibilidades e consequências das situações
apresentadas, respeitando democraticamente as
decisões dos/as usuários/as, mesmo que sejam Art. 7º Constituem direitos do/a assistente
contrárias aos valores e às crenças individuais social:
dos/as profissionais, resguardados os princípios
a- dispor de condições de trabalho condignas,
deste Código;
seja em entidade pública ou privada, de forma
c- democratizar as informações e o acesso aos a garantir a qualidade do exercício profissional;
programas disponíveis no espaço institucional,
b- ter livre acesso à população usuária;
como um dos mecanismos indispensáveis à
participação dos/as usuários/as; c- ter acesso a informações institucionais que se
relacionem aos programas e políticas sociais e
d- devolver as informações colhidas nos
sejam necessárias ao pleno exercício das
estudos e pesquisas aos/às usuários/as, no
atribuições profissionais;
sentido de que estes possam usá-los para o
fortalecimento dos seus interesses; d- integrar comissões interdisciplinares de ética
nos locais de trabalho do/a profissional, tanto
e- informar à população usuária sobre a
no que se refere à avaliação da conduta
utilização de materiais de registro audiovisual e
profissional, como em relação às decisões
pesquisas a elas referentes e a forma de
quanto às políticas institucionais.
sistematização dos dados obtidos;
Art. 8º São deveres do/a assistente social:
f- fornecer à população usuária, quando
solicitado, informações concernentes ao a- programar, administrar, executar e repassar
trabalho desenvolvido pelo Serviço Social e as os serviços sociais assegurados
suas conclusões, resguardado o sigilo institucionalmente;
profissional; b- denunciar falhas nos regulamentos, normas e
g- contribuir para a criação de mecanismos que programas da instituição em que trabalha,
venham desburocratizar a relação com os/as quando os mesmos estiverem ferindo os
usuários/as, no sentido de agilizar e melhorar os princípios e diretrizes deste Código,
serviços prestados; mobilizando, inclusive, o Conselho Regional,
caso se faça necessário;
h- esclarecer aos/às usuários/as, ao iniciar o
trabalho, sobre os objetivos e a amplitude de c- contribuir para a alteração da correlação de
sua atuação profissional. forças institucionais, apoiando as legítimas
demandas de interesse da população usuária;

Art. 6º É vedado ao/à assistente social:

14
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
d- empenhar-se na viabilização dos direitos objetiva, construtiva e comprovável, assumindo
sociais dos/as usuários/as, através dos sua inteira responsabilidade.
programas e políticas sociais; Art. 11 É vedado ao/à assistente social:
e- empregar com transparência as verbas sob a a- intervir na prestação de serviços que estejam
sua responsabilidade, de acordo com os sendo efetuados por outro/a profissional, salvo
interesses e necessidades coletivas dos/as a pedido desse/a profissional; em caso de
usuários/as. urgência, seguido da imediata comunicação
Art. 9º É vedado ao/à assistente social: ao/à profissional; ou quando se tratar de
trabalho multiprofissional e a intervenção fizer
a- emprestar seu nome e registro profissional a
parte da metodologia adotada;
firmas, organizações ou empresas para
simulação do exercício efetivo do Serviço b- prevalecer-se de cargo de chefia para atos
Social; discriminatórios e de abuso de autoridade;
b- usar ou permitir o tráfico de influência para c- ser conivente com falhas éticas de acordo
obtenção de emprego, desrespeitando concurso com os princípios deste Código e com erros
ou processos seletivos; técnicos praticados por assistente social e
qualquer outro/a profissional;
c- utilizar recursos institucionais (pessoal e/ou
financeiro) para fins partidários, eleitorais e d- prejudicar deliberadamente o trabalho e a
clientelistas. reputação de outro/a profissional.

CAPÍTULO III CAPÍTULO IV


Das Relações com Assistentes Sociais e Das Relações com Entidades da Categoria e
outros/as Profissionais demais organizações da Sociedade Civil

Art. 10 São deveres do/a assistente social: Art.12 Constituem direitos do/a assistente
social:
a- ser solidário/a com outros/as profissionais,
sem, todavia, eximir-se de denunciar atos que a- participar em sociedades científicas e em
contrariem os postulados éticos contidos neste entidades representativas e de organização da
Código; categoria que tenham por finalidade,
respectivamente, a produção de conhecimento,
b- repassar ao seu substituto as informações
a defesa e a fiscalização do exercício
necessárias à continuidade do trabalho;
profissional;
c- mobilizar sua autoridade funcional, ao
b- apoiar e/ou participar dos movimentos
ocupar uma chefia, para a liberação de carga
sociais e organizações populares vinculados à
horária de subordinado/a, para fim de estudos e
luta pela consolidação e ampliação da
pesquisas que visem o aprimoramento
democracia e dos direitos de cidadania.
profissional, bem como de representação ou
delegação de entidade de organização da Art. 13 São deveres do/a assistente social:
categoria e outras, dando igual oportunidade a a- denunciar ao Conselho Regional as
todos/as; instituições públicas ou privadas, onde as
d- incentivar, sempre que possível, a prática condições de trabalho não sejam dignas ou
profissional interdisciplinar; possam prejudicar os/as usuários/as ou
profissionais;
e- respeitar as normas e princípios éticos das
outras profissões; b- denunciar, no exercício da Profissão, às
entidades de organização da categoria, às
f- ao realizar crítica pública a colega e outros/
autoridades e aos órgãos competentes, casos de
as profissionais, fazê-lo sempre de maneira
violação da Lei e dos Direitos Humanos, quanto

15
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
a: corrupção, maus tratos, torturas, ausência de CAPÍTULO VI
condições mínimas de sobrevivência, Das Relações do/a Assistente Social com a
discriminação, preconceito, abuso de Justiça
autoridade individual e institucional, qualquer
forma de agressão ou falta de respeito à
integridade física, social e mental do/a Art. 19 São deveres do/a assistente social:
cidadão/cidadã; c- respeitar a autonomia dos
movimentos populares e das organizações das a- apresentar à justiça, quando convocado na
classes trabalhadoras. qualidade de perito ou testemunha, as
conclusões do seu laudo ou depoimento, sem
Art. 14 É vedado ao/à assistente social valer-se extrapolar o âmbito da competência
de posição ocupada na direção de entidade da profissional e violar os princípios éticos
categoria para obter vantagens pessoais, contidos neste Código;
diretamente ou através de terceiros/as.
b- comparecer perante a autoridade
competente, quando intimado/a a prestar
CAPÍTULO V depoimento, para declarar que está obrigado/a a
guardar sigilo profissional nos termos deste
Do Sigilo Profissional
Código e da Legislação em vigor.
Art. 20 É vedado ao/à assistente social:
Art. 15 Constitui direito do/a assistente social a- depor como testemunha sobre situação
manter o sigilo profissional. sigilosa do/a usuário/a de que tenha
Art. 16 O sigilo protegerá o/a usuário/a em conhecimento no exercício profissional,
tudo aquilo de que o/a assistente social tome mesmo quando autorizado;
conhecimento, como decorrência do exercício b- aceitar nomeação como perito e/ou atuar em
da atividade profissional.
perícia quando a situação não se caracterizar
Parágrafo único Em trabalho multidisciplinar como área de sua competência ou de sua
só poderão ser prestadas informações dentro atribuição profissional, ou quando infringir os
dos limites do estritamente necessário. dispositivos legais relacionados a
impedimentos ou suspeição.
Art. 17 É vedado ao/à assistente social revelar
sigilo profissional.
Art. 18 A quebra do sigilo só é admissível TÍTULO IV
quando se tratarem de situações cuja gravidade Da Observância, Penalidades, Aplicação e
possa, envolvendo ou não fato delituoso, trazer Cumprimento Deste Código
prejuízo aos interesses do/a usuário/a, de
terceiros/as e da coletividade.
Parágrafo único A revelação será feita dentro Art. 21 São deveres do/a assistente social:
do estritamente necessário, quer em relação ao a- cumprir e fazer cumprir este Código;
assunto revelado, quer ao grau e número de
pessoas que dele devam tomar conhecimento. b- denunciar ao Conselho Regional de Serviço
Social, através de comunicação fundamentada,
qualquer forma de exercício irregular da
Profissão, infrações a princípios e diretrizes
deste Código e da legislação profissional;
c- informar, esclarecer e orientar os/as
estudantes, na docência ou supervisão, quanto
aos princípios e normas contidas neste Código.

16
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 22 Constituem infrações disciplinares: inscrição profissional após decorridos três anos
da suspensão.
a- exercer a Profissão quando impedido/a de
fazêlo, ou facilitar, por qualquer meio, o seu Art. 26 Serão considerados na aplicação das
exercício ao/às não inscritos/as ou penas os antecedentes profissionais do/a
impedidos/as; infrator/a e as circunstâncias em que ocorreu a
infração.
b- não cumprir, no prazo estabelecido,
determinação emanada do órgão ou autoridade Art. 27 Salvo nos casos de gravidade
dos Conselhos, em matéria destes, depois de manifesta, que exigem aplicação de
regularmente notificado/a; penalidades mais rigorosas, a imposição das
penas obedecerá à gradação estabelecida pelo
c- deixar de pagar, regularmente, as anuidades
artigo 24.
e contribuições devidas ao Conselho Regional
de Serviço Social a que esteja obrigado/a; Art. 28 Para efeito da fixação da pena serão
considerados especialmente graves as violações
d- participar de instituição que, tendo por objeto
que digam respeito às seguintes disposições:
o Serviço Social, não esteja inscrita no
Conselho Regional; • artigo 3º - alínea c;
e- fazer ou apresentar declaração, documento • artigo 4º - alínea a, b, c, g, i, j;
falso ou adulterado, perante o Conselho • artigo 5º - alínea b, f;
Regional ou Federal. • artigo 6º - alínea a, b, c;
• artigo 8º - alínea b;
• artigo 9º - alínea a, b, c;
Das Penalidades • artigo11 - alínea b, c, d;
• artigo 13 - alínea b;
• artigo 14;
Art. 23 As infrações a este Código acarretarão
• artigo 16;
penalidades, desde a multa à cassação do
• artigo 17;
exercício profissional, na forma dos
dispositivos legais e/ ou regimentais. • Parágrafo único do artigo 18;
• artigo 19 - alínea b;
Art. 24 As penalidades aplicáveis são as • artigo 20 - alínea a, b
seguintes:
Parágrafo único As demais violações não
a- multa; previstas no “caput”, uma vez consideradas
b- advertência reservada; graves, autorizarão aplicação de penalidades
mais severas, em conformidade com o artigo
c- advertência pública; 26.
d- suspensão do exercício profissional; Art. 29 A advertência reservada, ressalvada a
e- cassação do registro profissional. hipótese prevista no artigo 33 será confidencial,
sendo que a advertência pública, suspensão e a
Parágrafo único Serão eliminados/as dos
cassação do exercício profissional serão
quadros dos CRESS aqueles/as que fizerem
efetivadas através de publicação em Diário
falsa prova dos requisitos exigidos nos
Oficial e em outro órgão da imprensa, e afixado
Conselhos.
na sede do Conselho Regional onde estiver
Art. 25 A pena de suspensão acarreta ao/à inserido/a o/a denunciado/a e na Delegacia
assistente social a interdição do exercício Seccional do CRESS da jurisdição de seu
profissional em todo o território nacional, pelo domicílio.
prazo de 30 (trinta) dias a 2 (dois) anos.
Art. 30 Cumpre ao Conselho Regional a
Parágrafo único A suspensão por falta de execução das decisões proferidas nos processos
pagamento de anuidades e taxas só cessará com disciplinares.
a satisfação do débito, podendo ser cassada a

17
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 31 Da imposição de qualquer penalidade Anotações:
caberá recurso com efeito suspensivo ao
CFESS.
Art. 32 A punibilidade do assistente social, por
falta sujeita a processo ético e disciplinar,
prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data
da verificação do fato respectivo.
Art. 33 Na execução da pena de advertência
reservada, não sendo encontrado o/a
penalizado/a ou se este/a, após duas
convocações, não comparecer no prazo fixado
para receber a penalidade, será ela tornada
pública.
§1º A pena de multa, ainda que o/a
penalizado/a compareça para tomar
conhecimento da decisão, será publicada nos
termos do artigo 29 deste Código, se não for
devidamente quitada no prazo de 30 (trinta)
dias, sem prejuízo da cobrança judicial.
§ 2º Em caso de cassação do exercício
profissional, além dos editais e das
comunicações feitas às autoridades
competentes interessadas no assunto, proceder-
se-á a apreensão da Carteira e Cédula de
Identidade Profissional do/a infrator/a .
Art. 34 A pena de multa variará entre o mínimo
correspondente ao valor de uma anuidade e o
máximo do seu décuplo.
Art. 35 As dúvidas na observância deste
Código e os casos omissos serão resolvidos
pelos Conselhos Regionais de Serviço Social
“ad referendum” do Conselho Federal de
Serviço Social, a quem cabe firmar
jurisprudência.
Art. 36 O presente Código entrará em vigor na
data de sua publicação no Diário Oficial da
União, revogando-se as disposições em
contrário.

Brasília, 13 de março de 1993


MARLISE VINAGRE SILVA Presidente do
CFESS

18
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
LEI No 8.662, DE 7 DE JUNHO DE 1993 – Lei de Regulamentação da profissão.
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar
planos, programas e projetos que sejam do
Dispõe sobre a profissão de Assistente Social
âmbito de atuação do Serviço Social com
e dá outras providências
participação da sociedade civil;
III - encaminhar providências, e prestar
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA orientação social a indivíduos, grupos e à
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e população;
eu sanciono a seguinte lei:
IV - (Vetado);
Art. 1º É livre o exercício da profissão de
V - orientar indivíduos e grupos de
Assistente Social em todo o território nacional,
diferentes segmentos sociais no sentido de
observadas as condições estabelecidas nesta lei.
identificar recursos e de fazer uso dos mesmos
Art. 2º Somente poderão exercer a no atendimento e na defesa de seus direitos;
profissão de Assistente Social:
VI - planejar, organizar e administrar
I - Os possuidores de diploma em curso de benefícios e Serviços Sociais;
graduação em Serviço Social, oficialmente
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas
reconhecido, expedido por estabelecimento de
que possam contribuir para a análise da
ensino superior existente no País, devidamente
realidade social e para subsidiar ações
registrado no órgão competente;
profissionais;
II - os possuidores de diploma de curso
VIII - prestar assessoria e consultoria a
superior em Serviço Social, em nível de
órgãos da administração pública direta e
graduação ou equivalente, expedido por
indireta, empresas privadas e outras entidades,
estabelecimento de ensino sediado em países
com relação às matérias relacionadas no inciso
estrangeiros, conveniado ou não com o governo
II deste artigo;
brasileiro, desde que devidamente revalidado e
registrado em órgão competente no Brasil; IX - prestar assessoria e apoio aos
movimentos sociais em matéria relacionada às
III - os agentes sociais, qualquer que seja
políticas sociais, no exercício e na defesa dos
sua denominação com funções nos vários
direitos civis, políticos e sociais da
órgãos públicos, segundo o disposto no art. 14
coletividade;
e seu parágrafo único da Lei nº 1.889, de 13 de
junho de 1953. X - planejamento, organização e
administração de Serviços Sociais e de Unidade
Parágrafo único. O exercício da profissão
de Serviço Social;
de Assistente Social requer prévio registro nos
Conselhos Regionais que tenham jurisdição XI - realizar estudos sócio-econômicos
sobre a área de atuação do interessado nos com os usuários para fins de benefícios e
termos desta lei. serviços sociais junto a órgãos da administração
pública direta e indireta, empresas privadas e
Art. 3º A designação profissional de
outras entidades.
Assistente Social é privativa dos habilitados na
forma da legislação vigente. Art. 5º Constituem atribuições privativas
do Assistente Social:
Art. 4º Constituem competências do
Assistente Social: I - coordenar, elaborar, executar,
supervisionar e avaliar estudos, pesquisas,
I - elaborar, implementar, executar e
planos, programas e projetos na área de Serviço
avaliar políticas sociais junto a órgãos da
Social;
administração pública, direta ou indireta,
empresas, entidades e organizações populares; II - planejar, organizar e administrar
programas e projetos em Unidade de Serviço
Social;

19
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
III - assessoria e consultoria e órgãos da Social (CFESS) e Conselhos Regionais de
Administração Pública direta e indireta, Serviço Social (CRESS).
empresas privadas e outras entidades, em Art. 7º O Conselho Federal de Serviço
matéria de Serviço Social; Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, Serviço Social (CRESS) constituem, em seu
laudos periciais, informações e pareceres sobre conjunto, uma entidade com personalidade
a matéria de Serviço Social; jurídica e forma federativa, com o objetivo
básico de disciplinar e defender o exercício da
V - assumir, no magistério de Serviço
profissão de Assistente Social em todo o
Social tanto a nível de graduação como pós-
território nacional.
graduação, disciplinas e funções que exijam
conhecimentos próprios e adquiridos em curso 1º Os Conselhos Regionais de Serviço
de formação regular; Social (CRESS) são dotados de autonomia
administrativa e financeira, sem prejuízo de sua
VI - treinamento, avaliação e supervisão
vinculação ao Conselho Federal, nos termos da
direta de estagiários de Serviço Social;
legislação em vigor.
VII - dirigir e coordenar Unidades de
2º Cabe ao Conselho Federal de Serviço
Ensino e Cursos de Serviço Social, de
Social (CFESS) e aos Conselhos Regionais de
graduação e pós-graduação;
Serviço Social (CRESS), representar, em juízo
VIII - dirigir e coordenar associações, e fora dele, os interesses gerais e individuais
núcleos, centros de estudo e de pesquisa em dos Assistentes Sociais, no cumprimento desta
Serviço Social; lei.
IX - elaborar provas, presidir e compor Art. 8º Compete ao Conselho Federal de
bancas de exames e comissões julgadoras de Serviço Social (CFESS), na qualidade de órgão
concursos ou outras formas de seleção para normativo de grau superior, o exercício das
Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos seguintes atribuições:
conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
I - orientar, disciplinar, normatizar,
X - coordenar seminários, encontros, fiscalizar e defender o exercício da profissão de
congressos e eventos assemelhados sobre Assistente Social, em conjunto com o CRESS;
assuntos de Serviço Social;
II - assessorar os CRESS sempre que se
XI - fiscalizar o exercício profissional fizer necessário;
através dos Conselhos Federal e Regionais;
III - aprovar os Regimentos Internos dos
XII - dirigir serviços técnicos de Serviço CRESS no fórum máximo de deliberação do
Social em entidades públicas ou privadas; conjunto CFESS/CRESS;
XIII - ocupar cargos e funções de direção IV - aprovar o Código de Ética
e fiscalização da gestão financeira em órgãos e Profissional dos Assistentes Sociais juntamente
entidades representativas da categoria com os CRESS, no fórum máximo de
profissional. deliberação do conjunto CFESS/CRESS;
Art. 5o-A. A duração do trabalho do V - funcionar como Tribunal Superior de
Assistente Social é de 30 (trinta) horas Ética Profissional;
semanais. (Incluído pela Lei nº 12.317, de
VI - julgar, em última instância, os
2010).
recursos contra as sanções impostas pelos
Art. 6º São alteradas as denominações do CRESS;
atual Conselho Federal de Assistentes Sociais
(CFAS) e dos Conselhos Regionais de VII - estabelecer os sistemas de registro
dos profissionais habilitados;
Assistentes Sociais (CRAS), para,
respectivamente, Conselho Federal de Serviço

20
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
VIII - prestar assessoria técnico-consultiva Regional, deverá ser constituída uma delegacia
aos organismos públicos ou privados, em subordinada ao Conselho Regional que
matéria de Serviço Social; oferecer melhores condições de comunicação,
fiscalização e orientação, ouvido o órgão
IX - (Vetado)
regional e com homologação do Conselho
Art. 9º O fórum máximo de deliberação da Federal.
profissão para os fins desta lei dar-se-á nas
2º Os Conselhos Regionais poderão
reuniões conjuntas dos Conselhos Federal e
constituir, dentro de sua própria área de
Regionais, que inclusive fixarão os limites de
jurisdição, delegacias seccionais para
sua competência e sua forma de convocação.
desempenho de suas atribuições executivas e de
Art. 10. Compete aos CRESS, em suas primeira instância nas regiões em que forem
respectivas áreas de jurisdição, na qualidade de instalados, desde que a arrecadação proveniente
órgão executivo e de primeira instância, o dos profissionais nelas atuantes seja suficiente
exercício das seguintes atribuições: para sua própria manutenção.
I - organizar e manter o registro Art. 13. A inscrição nos Conselhos
profissional dos Assistentes Sociais e o Regionais sujeita os Assistentes Sociais ao
cadastro das instituições e obras sociais pagamento das contribuições compulsórias
públicas e privadas, ou de fins filantrópicos; (anuidades), taxas e demais emolumentos que
II - fiscalizar e disciplinar o exercício da forem estabelecidos em regulamentação
profissão de Assistente Social na respectiva baixada pelo Conselho Federal, em deliberação
região; conjunta com os Conselhos Regionais.

III - expedir carteiras profissionais de Art. 14. Cabe às Unidades de Ensino


Assistentes Sociais, fixando a respectiva taxa; credenciar e comunicar aos Conselhos
Regionais de sua jurisdição os campos de
IV - zelar pela observância do Código de estágio de seus alunos e designar os Assistentes
Ética Profissional, funcionando como Sociais responsáveis por sua supervisão.
Tribunais Regionais de Ética Profissional;
Parágrafo único. Somente os estudantes de
V - aplicar as sanções previstas no Código Serviço Social, sob supervisão direta de
de Ética Profissional; Assistente Social em pleno gozo de seus
VI - fixar, em assembléia da categoria, as direitos profissionais, poderão realizar estágio
anuidades que devem ser pagas pelos de Serviço Social.
Assistentes Sociais; Art. 15. É vedado o uso da expressão
VII - elaborar o respectivo Regimento Serviço Social por quaisquer pessoas de direito
Interno e submetê-lo a exame e aprovação do público ou privado que não desenvolvam
fórum máximo de deliberação do conjunto atividades previstas nos arts. 4º e 5º desta lei.
CFESS/CRESS. Parágrafo único. As pessoas de direito
Art. 11. O Conselho Federal de Serviço público ou privado que se encontrem na
Social (CFESS) terá sede e foro no Distrito situação mencionada neste artigo terão o prazo
Federal. de noventa dias, a contar da data da vigência
desta lei, para processarem as modificações que
Art. 12. Em cada capital de Estado, de se fizerem necessárias a seu integral
Território e no Distrito Federal, haverá um cumprimento, sob pena das medidas judiciais
Conselho Regional de Serviço Social (CRESS) cabíveis.
denominado segundo a sua jurisdição, a qual
alcançará, respectivamente, a do Estado, a do Art. 16. Os CRESS aplicarão as seguintes
Território e a do Distrito Federal. penalidades aos infratores dos dispositivos
desta Lei:
1º Nos Estados ou Territórios em que os
profissionais que neles atuam não tenham I - multa no valor de uma a cinco vezes a
possibilidade de instalar um Conselho anuidade vigente;

21
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
II - suspensão de um a dois anos de Eleitoral aprovado pelo fórum instituído pelo
exercício da profissão ao Assistente Social que, art. 9º desta lei.
no âmbito de sua atuação, deixar de cumprir Parágrafo único. As delegacias seccionais
disposições do Código de Ética, tendo em vista contarão com três membros efetivos: um
a gravidade da falta; Delegado, um Secretário e um Tesoureiro, e
III - cancelamento definitivo do registro, três suplentes, eleitos dentre os Assistentes
nos casos de extrema gravidade ou de Sociais da área de sua jurisdição, nas condições
reincidência contumaz. previstas neste artigo.
1º Provada a participação ativa ou Art. 21. (Vetado).
conivência de empresas, entidades, instituições Art. 22. O Conselho Federal e os
ou firmas individuais nas infrações a Conselhos Regionais terão legitimidade para
dispositivos desta lei pelos profissionais delas
agir contra qualquer pessoa que infringir as
dependentes, serão estas também passíveis das disposições que digam respeito às
multas aqui estabelecidas, na proporção de sua prerrogativas, à dignidade e ao prestígio da
responsabilidade, sob pena das medidas profissão de Assistente Social.
judiciais cabíveis.
Art. 23. Esta lei entra em vigor na data de
2º No caso de reincidência na mesma sua publicação.
infração no prazo de dois anos, a multa cabível
será elevada ao dobro. Art. 24. Revogam-se as disposições em
contrário e, em especial, a Lei nº 3.252, de 27
Art. 17. A Carteira de Identificação de agosto de 1957.
Profissional expedida pelos Conselhos
Regionais de Serviço Social (CRESS), servirá
de prova para fins de exercício profissional e de Brasília, 7 de junho de 1993; 172º da
Carteira de Identidade Pessoal, e terá fé pública Independência e 105º da República.
em todo o território nacional.
ITAMAR FRANCO
Art. 18. As organizações que se
registrarem nos CRESS receberão um Walter Barelli
certificado que as habilitará a atuar na área de Este texto não substitui o publicado no D.O.U.
Serviço Social. de 8.7.1993
Art. 19. O Conselho Federal de Serviço
Social (CFESS) será mantido:
I - por contribuições, taxas e emolumentos
arrecadados pelos CRESS, em percentual a ser Anotações:
definido pelo fórum máximo instituído pelo art.
9º desta lei;
II - por doações e legados;
III - por outras rendas.
Art. 20. O Conselho Federal de Serviço
Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de
Serviço Social (CRESS) contarão cada um com
nove membros efetivos: Presidente, Vice-
Presidente, dois Secretários, dois Tesoureiros e
três membros do Conselho Fiscal, e nove
suplentes, eleitos dentre os Assistentes Sociais,
por via direta, para um mandato de três anos, de
acordo com as normas estabelecidas em Código

22
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
condições gerais de vida e da dinâmica das
relações sociais, econômicas e políticas do País;
RESOLUÇÃO CFESS Nº 383/99 de 29
Considerando que, para a consolidação dos
de março de 1999 - Caracteriza o
princípios e objetivos do Sistema Único de
assistente social como profissional da Saúde, é imprescindível a efetivação do
saúde Controle Social e o Assistente Social, com base
no seu compromisso éticopolítico, tem
focalizado suas atividades para uma ação
EMENTA: Caracteriza o assistente social técnicopolítica que contribua para viabilizar a
como profissional da saúde. participação popular, a democratização das
instituições, o fortalecimento dos Conselhos de
Saúde e a ampliação dos direitos sociais;
O Conselho Federal de Serviço Social, no uso
de suas atribuições legais e regimentais; Considerando que o Conselho Nacional de
Saúde, através da Resolução de nº 218 de 06 de
Considerando que a Constituição Federal
março de 1997, reafirmou o Assistente Social,
vigente estabelece a saúde como um direito de
entre outras categorias de nível superior, como
todos e dever do Estado, devendo ser garantido
profissional de saúde;
mediante políticas sociais e econômicas que
visem a redução do risco de doenças e de outros Considerando, ainda, que a antedita Resolução,
agravos e ao acesso universal e igualitário às em seu ítem II, delega aos Conselhos de Classe
ações e serviços para a promoção, proteção e a caracterização como profissional de saúde,
recuperação da saúde; dentre outros, do assistente social;
Considerando que, a partir da 8ª Conferência Considerando que o Serviço Social não é
Nacional de Saúde, um novo conceito de saúde exclusivo da saúde, mas qualifica o profissional
foi construído, ampliando a compreensão da a atuar com competência nas diferentes
relação saúde-doença, como decorrência das dimensões da questão social no âmbito das
condições de vida e de trabalho; políticas sociais, inclusive a saúde;
Considerando que a 10ª Conferência Nacional Considerando a aprovação da presente
de Saúde reafirmou a necessidade de consolidar Resolução pelo Plenário do Conselho Federal
o Sistema Único de Saúde, com todos os seus de Serviço Social, em reunião ordinária
princípios e objetivos; realizada em 27 e 28 de março de 1999;
Considerando que as ações de saúde devem se Resolve:
dar na perspectiva interdisciplinar a fim de Art. 1º - Caracterizar o assistente social como
garantir a atenção a todas as necessidades da profissional de saúde.
população usuária na mediação entre seus
interesses e a prestação de serviços; Art. 2º - O assistente social atua no âmbito das
políticas sociais e, nesta medida, não é um
Considerando que atribui-se ao assistente profissional exclusivamente da área da saúde,
social, enquanto profissional de saúde, a podendo estar inserido em outras áreas,
intervenção junto aos fenômenos sócio- dependendo do local onde atua e da natureza de
culturais e econômicos que reduzam a eficácia suas funções.
dos programas de prestação de serviços nos
níveis de promoção, proteção e/ou recuperação Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor na data
da saúde; de sua publicação.
Considerando que o Assistente Social, em sua VALDETE DE BARROS MARTINS
prática profissional contribui para o PRESIDENTE DO CFESS
atendimento das demandas imediatas da
população, além de facilitar o seu acesso às
informações e ações educativas para que a
saúde possa ser percebida como produto das

23
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS N° 489/2006 de crítica dos direitos humanos, diferenciando-
03 de junho de 2006 - Estabelece a da abordagem liberal – burguesa;
normas vedando condutas
discriminatórias ou preconceituosas, Considerando a materialização de diferentes
por orientação e expressão sexual por modalidades de preconceito e discriminação
pessoas do mesmo sexo, no exercício que se expressam nas relações sociais e
profissional do assistente social profissionais, e, conseqüentemente, na
naturalização da invisibilidade das práticas
afetivos - sexuais entre pessoas do mesmo
Ementa: Estabelece normas vedando sexo;
condutas discriminatórias ou
preconceituosas, por orientação e expressão
sexual por pessoas do mesmo sexo, no Considerando a necessidade de contribuir
exercício profissional do assistente social, para a reflexão e o debate ético sobre o
regulamentando princípio inscrito no sentido da liberdade e a necessidade
Código de Ética Profissional. histórica que têm os indivíduos de decidir
sobre a sua afetividade e sexualidade ;
O Conselho Federal de Serviço Social, no
uso de suas atribuições legais e regimentais, Considerando ser premente a necessidade de
que lhe são conferidas pela lei 8662/93; regulamentar a vedação de práticas e
condutas discriminatórias ou
preconceituosas, que se refiram a livre
Considerando a “Declaração Universal dos orientação ou expressão sexual;
Direitos Humanos” que prevê que todas as
pessoas nascem livres e iguais em dignidade
humana, e a “Declaração de Durban” Considerando ser atribuição do CFESS,
adotada em setembro de 2001 que reafirma dentre outras orientar, disciplinar e
o princípio da igualdade e da não normatizar o exercício profissional do
discriminação; assistente social em todo território Nacional,
em conformidade com o inciso I do artigo
8º da Lei 8662/93;
Considerando a instituição, pelo CFESS, da
Campanha Nacional pela Liberdade de
Orientação e Expressão Sexual; Considerando ser dever do Conselho Federal
de Serviço Social zelar pela observância dos
princípios e diretrizes do Código de Ética
Considerando a aprovação da Campanha Profissional do Serviço Social, baixando
pelo XXXIV Encontro Nacional normas para melhor especificar as
CFESS/CRESS; disposições do Código de Ética do
Assistente Social;
Considerando que tal Campanha está em
sintonia com os princípios e normas do Considerando a aprovação da presente
Código de Ética Profissional do Assistente Resolução pelo Conselho Pleno do CFESS ,
Social, regulamentado pela Resolução em reunião realizada em 03 de junho de
CFESS nº 273/93 de 13 de março de 1993; 2006;

Considerando a dimensão do projeto ético RESOLVE:


político do Serviço Social que sinaliza para
a importância de disseminar uma cultura

24
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 1º - O assistente social no exercício e práticas de discriminação ou preconceito
de sua atividade profissional deverá abster-se a orientação sexual de
de práticas e condutas que caracterizem o pessoas do mesmo sexo, determinando,
policiamento de comportamentos, que sejam imediatamente, os encaminhamentos cabíveis
discriminatórias ou preconceituosas por às autoridades competentes e oferecendo
questões, dentre outras, de orientação sexual; representação, quando cabível, ao Ministério
Público.
Art 2º - O assistente social, deverá
contribuir, inclusive, no âmbito de seu Art. 7º - Os Conselhos Regionais de Serviço
espaço de trabalho, para a reflexão ética Social, deverão aplicar as penalidades
sobre o sentido da liberdade e da previstas pelos artigos 23 e 24 do Código
necessidade do respeito dos indivíduos
de Ética Profissional, ao assistente social,
decidirem sobre a sua sexualidade e que descumprir as normas previstas na
afetividade; presente Resolução, desde que comprovada
a prática de atos discriminatórios ou
preconceituosos que atentem contra a livre
Art. 3º - O assistente social deverá contribuir
orientação e expressão sexual, após o devido
para eliminar, no seu espaço de trabalho,
processo legal e apuração pelos meios
práticas discriminatórias e preconceituosas,
competentes, garantindo-se o direito a defesa
toda vez que presenciar um ato de tal
e ao contraditório.
natureza ou tiver conhecimento comprovado
de violação do princípio inscrito na
Constituição Federal, no seu Código de Art. 8º - A presente Resolução entra em
Ética, quanto a atos de discriminação por vigor na data de sua publicação no Diário
orientação sexual entre pessoas do mesmo
Oficial da União, e complementando as
sexo. disposições do Código de Ética Profissional
do Assistente Social, regulamentado pela
Resolução CFESS nº 273 de 13 de março
Art 4º - É vedado ao assistente social a
de 1993.
utilização de instrumentos e técnicas para
criar, manter ou reforçar preconceitos,
estigmas ou estereótipos de discriminação Brasília, 03 junho de 2006.
em relação a livre orientação sexual
Elisabete Borgianni Presidente do CFESS

Art. 5º- É dever do assistente social


denunciar ao Conselho Regional de Serviço Anotações:
Social, de sua área de ação, as pessoas
jurídicas privadas ou públicas ou pessoas
físicas, sejam assistentes sociais ou não, que
sejam coniventes ou praticarem atos, ou que
manifestarem qualquer conduta relativa a
preconceito e discriminação por orientação
sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Art. 6º - Os Conselhos Regionais de Serviço


Social, deverão receber as denuncias contra
pessoas jurídicas ou contra indivíduos que
não sejam assistentes sociais, relativas a atos

25
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS nº 493/2006 de
21 de agosto de 2006 - Dispõe sobre as Considerando o Parecer Jurídico 15/03,
condições éticas e técnicas do exercício prolatado pela assessoria do CFESS, “que
profissional do assistente social considera ser competência a regulamentação da
matéria pelo CFESS de forma a possibilitar
uma melhor intervenção dos CRESS nas
EMENTA: Dispõe sobre as condições éticas condições de atendimento ao usuário do
e técnicas do exercício profissional do Serviço Social”;
assistente social.

Considerando a aprovação da presente


O CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO Resolução em Reunião Ordinária do Conselho
SOCIAL - CFESS, por sua Presidente no uso de Pleno do CFESS, realizada em 20 de agosto de
suas atribuições legais e regimentais, 2006;

Considerando o que dispõe o artigo 8º da Lei n° RESOLVE:


8.662, de 07 de junho de 1993, que regulamenta
o exercício profissional do assistente social e dá Art. 1º - É condição essencial, portanto
outras providências; obrigatória, para a realização e execução de
qualquer atendimento ao usuário do Serviço
Social a existência de espaço físico, nas
Considerando que na qualidade de órgão condições que esta Resolução estabelecer.
normativo de grau superior, compete ao
Conselho Federal de Serviço Social orientar,
disciplinar fiscalizar e defender o exercício da Art. 2º - O local de atendimento destinado ao
profissão do assistente social, em conjunto com assistente social deve ser dotado de espaço
os CRESS; suficiente, para abordagens individuais ou
coletivas, conforme as características dos
serviços prestados, e deve possuir e garantir as
Considerando a necessidade de instituir seguintes características físicas:
condições e parâmetros normativos, claros e
objetivos, garantindo que o exercício
profissional do assistente social possa ser a- iluminação adequada ao trabalho diurno e
executado de forma qualificada ética e noturno, conforme a organização institucional;
tecnicamente; b- recursos que garantam a privacidade do
usuário naquilo que for revelado durante o
processo de intervenção profissional; c-
Considerando que a ausência de norma que ventilação adequada a atendimentos breves ou
estabeleça parâmetros, principalmente das demorados e com portas fechadas d- espaço
condições técnicas e físicas do exercício adequado para colocação de arquivos para a
profissional do assistente social, tem suscitado adequada guarda de material técnico de caráter
diversas dúvidas, inclusive, para a reservado.
compreensão do assistente social na execução
de seu fazer profissional.
Art. 3º - O atendimento efetuado pelo assistente
social deve ser feito com portas fechadas, de
Considerando a necessidade do cumprimento forma a garantir o sigilo.
rigoroso dos preceitos contidos no Código de
Ética do Assistente Social, em especial nos
artigos 2º, inciso “d”, 7 inciso “a”e 15; Art. 4º - O material técnico utilizado e
produzido no atendimento é de caráter

26
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
reservado, sendo seu uso e acesso restrito aos Art. 8º - Realizada visita de fiscalização pelo
assistentes sociais. CRESS competente, através de agente fiscal ou
Conselheiro, e verificado o descumprimento do
disposto na presente Resolução a Comissão de
Art. 5º - O arquivo do material técnico, Orientação e Fiscalização do Conselho
utilizado pelo assistente social, poderá estar em Regional, a vista das informações contidas no
outro espaço físico, desde que respeitadas as Termo de Fiscalização ou no documento
condições estabelecidas pelo artigo 4º da encaminhado pelo próprio assistente social,
presente Resolução. notificará o
representante legal ou responsável pela pessoa
Art. 6º- É de atribuição dos Conselhos jurídica, para que em prazo determinado
Regionais de Serviço Social, através de seus regularize a situação.
Conselheiros e/ou agentes fiscais, orientar e
fiscalizar as condições éticas e técnicas
Parágrafo único - O assistente social ou
estabelecidas nesta Resolução, bem como em
responsável pela pessoa jurídica deverá
outros instrumentos normativos expedidos pelo
encaminhar ao CRESS, no prazo assinalado na
CFESS, em relação aos assistentes sociais e
notificação, documento escrito informando as
pessoas jurídicas que prestam serviços ociais.
providências que foram adotadas para
adequação da situação notificada.
Art. 7º - O assistente social deve informar por
escrito à entidade, instituição ou órgão que
Art. 9º- Persistindo a situação inadequada,
trabalha ou presta serviços, sob qualquer
constatada através de visita de fiscalização, será
modalidade, acerca das inadequações
registrada no instrumento próprio a situação
constatadas por este, quanto as condições
verificada.
éticas, físicas e técnicas do exercício
profissional, sugerindo alternativas para
melhoria dos serviços prestados. Art 10 - O relato da fiscalização, lavrado em
termo próprio, conforme art. 9º, constatando
inadequação ou irregularidade, será submetido
Parágrafo Primeiro - Esgotados os recursos
ao Conselho Pleno do CRESS, que decidirá
especificados no “caput” do presente artigo e
sobre a adoção de medidas cabíveis
deixando a entidade, instituição ou órgão de
administrativas ou judiciais, objetivando a
tomar qualquer providência ou as medidas
adequação das condições éticas, técnicas e
necessárias para sanar as inadequações, o
físicas, para que o exercício da profissão do
assistente social deverá informar ao CRESS do
assistente social se realize de forma qualificada,
âmbito de sua jurisdição, por escrito, para
em respeito aos usuários e aos princípios éticos
intervir na situação.
que norteiam a profissão.

Parágrafo Segundo - Caso o assistente social


Art. 11- Os casos omissos e aqueles
não cumpra as exigências previstas pelo
concernentes a interpretação abstrata geral da
“caput” e/ou pelo parágrafo primeiro do
norma, serão resolvidos e dirimidos pelo
presente artigo, se omitindo ou sendo conivente
Conselho Pleno do CFESS.
com as inadequações existentes no âmbito da
pessoa jurídica, será notificado a tomar as
medidas cabíveis, sob pena de apuração de sua Art. 12- O CFESS e os CRESS deverão se
responsabilidade tica. incumbir de dar plena e total publicidade a
presente norma, por todos os meios disponíveis,
de forma que ela seja conhecida pelos
assistentes sociais bem como pelas instituições,

27
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
órgãos ou entidades que prestam serviços
sociais.

Art. 13- A presente Resolução entra em vigor,


passando a surtir seus regulares efeitos de
direito após a sua publicação no Diário Oficial
da União.
Brasília, 21 de agosto de 2006
Elisabete Borgianni Presidente do CFESS

Anotações:

28
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº. 512/2007 de democraticamente, deliberadas na Plenária
29 de setembro de 2007 - Reformula Ampliada CFESS/CRESS realizada em abril de
as normas gerais para o exercício da 2007, em Brasília/DF;
Fiscalização Profissional
Considerando que foram incorporadas e
EMENTA: Reformula as normas gerais convalidadas, nesta Resolução, as disposições
para o exercício da Fiscalização Profissional que constavam da Resolução CFESS Nº.
e atualiza a Política Nacional de Fiscalização 382/99, com os aperfeiçoamentos, inclusões e
alterações deliberadas pela Plenária Ampliada;

A Presidente do Conselho Federal de Serviço


Social, no uso de suas atribuições legais e Considerando que a presente Resolução foi
regimentais e cumprindo decisões da Plenária devidamente aprovada em reunião do Conselho
Ampliada, realizada em abril de 2007, em Pleno do CFESS, realizada em 29 de setembro
Brasília/DF; 2007;

Considerando a deliberação do conjunto dos RESOLVE:


assistentes sociais presentes, em setembro de
2006, na ocasião da realização, em Vitória/ES,
Art. 1º - O serviço de orientação e fiscalização
do XXXV Encontro Nacional CFESS/CRESS,
do exercício profissional do Assistente Social
sobre a necessidade e conveniência de revisão e
será desenvolvido seguindo as normas
atualização da Resolução CFESS Nº.382/99,
estabelecidas pela presente Resolução.
que dispõe sobre normas gerais para o exercício
da Fiscalização Profissional e instituí a Política
Nacional de Fiscalização, aprovada no XXVI Art. 2º - Fica instituída a Política Nacional de
Encontro Nacional CFESS/CRESS, realizado Fiscalização conforme documento aprovado
na cidade de Belém - 28/09 a 01/10/97; pela Plenária Ampliada realizada em abril de
2007, em Brasília/DF, em anexo, que passa a
integrar a presente Resolução.
Considerando que o XXXV Encontro Nacional
CFESS/CRESS/2006, delegou à Plenária
Ampliada, realizada em abril de 2007 em Art. 3º - Fica excluído, da presente Resolução,
Brasília/DF, a atribuição de discutir, debater e o Capítulo referente a “Lacração do Material
deliberar sobre as alterações, inclusões e Técnico” que será objeto de uma nova
modificações da Resolução que trata das Resolução específica.
Normas Gerais sobre a Fiscalização do
Exercício Profissional do Assistente Social e
Política Nacional de Fiscalização; Art. 4º - A presente Resolução será publicada
integralmente no Diário Oficial da União, para
que passe a surtir seus regulares efeitos de
Considerando o debate realizado e as direito.
deliberações tomadas no âmbito da Plenária
Ampliada realizada em Brasília/DF, em abril de
2007, em torno da revisão e aperfeiçoamento Da Prevenção, Orientação e Fiscalização do
dos artigos das normas gerais para o exercício Exercício Profissional
de fiscalização;

Art. 5º - Compete aos CRESS fiscalizar o


Considerando que todas as alterações e exercício da profissão do Assistente Social, em
inclusões, tratadas nesta nova Resolução foram, seu âmbito de jurisdição, assegurando a defesa

29
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
do espaço profissional e a melhoria da Art. 9º - Para execução e concretização da
qualidade de atendimento aos usuários do atuação técnico-política da COFI, os CRESS
Serviço Social. deverão priorizar ações que viabilizem meios e
recursos financeiros para estruturação de um
serviço de orientação e fiscalização, integrado
Parágrafo Primeiro – A ação fiscalizadora dos por agente fiscal e funcionários administrativos
CRESS deve ser definida em conformidade que responderão pelas demandas rotineiras do
com a Política Nacional de Fiscalização do setor, em cumprimento ao plano de ação
Conjunto CFESS/CRESS, articulando-se as definido pela COFI e de sua organização
dimensões: afirmativa de princípios e administrativa, sempre sob a direção dessa
compromissos conquistados; político- Comissão.
pedagógica; normativo e disciplinadora.

Art. 10 - As atividades exercidas pelos


Parágrafo Segundo – A execução da integrantes da Comissão de Orientação e
fiscalização se faz em relação ao exercício Fiscalização terão caráter voluntário e não
profissional dos assistentes sociais e às pessoas serão remuneradas, exceto quanto aos agentes
jurídicas que prestam serviços específicos do fiscais.
Serviço Social a terceiros.

Art. 11 – Compete à COFI:


Art. 6º - Para realização da função precípua
estabelecida pelo art. 5º, os CRESS deverão
manter, em caráter permanente, uma Comissão I- Executar a Política Nacional de Fiscalização
de Orientação e Fiscalização – COFI, formada, assegurando seus objetivos e diretrizes;
no mínimo, por três membros, assim II- Realizar, quando possível, em conjunto com
constituída: outras comissões, núcleos temáticos, núcleos
regionais ou grupos de trabalhos do CRESS,
discussões, seminários, reuniões e debates
I. Um Conselheiro, a quem caberá a
sobre temas específicos do Serviço Social, de
coordenação; II. Agentes fiscais concursados;
forma a subsidiar a atuação dos profissionais e
III. Assistentes Sociais inscritos no CRESS, em
identificar questões e implicações ético-
pleno gozo de seus direitos, a convite da direção
políticas no exercício profissional;
do CRESS.
III- Atuar em situações que indiquem a violação
da legislação profissional, com adoção de
Art. 7º - As ações referentes à fiscalização serão procedimentos administrativos necessários;
executadas por Conselheiros, membros das
IV- Fortalecer a articulação programática com
Seccionais e/ou agentes fiscais.
a ABEPSS, ENESSO, Comissão Permanente
de Ética, supervisores e professores das
Parágrafo Único – Os Conselheiros e Unidades de Ensino para o aprofundamento de
coordenadores seccionais são fiscais natos. debates sobre estágio supervisionado e a ética
profissional, visando garantir a qualidade na
formação profissional;
Art. 8º - Para atuação da COFI, os CRESS V- Orientar, informar e esclarecer a população
deverão garantir uma estrutura adequada aos quanto às atividades do assistente social, suas
requisitos técnicos e operacionais necessários à competências a atribuições profissionais, bem
viabilização da PNF. como os direitos dos usuários em relação ao
Serviço Social, utilizando-se dos instrumentos
de publicização da profissão, produzidos pelo
conjunto CFESS/CRESS;

30
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
VI- Orientar a categoria e a sociedade em geral a) Instituições que tenham por objeto a
sobre questões referentes à fiscalização prestação de serviços em assessoria,
profissional e exercício ilegal em casos de consultoria, planejamento, capacitação e outros
denúncia e outras atividades político- da mesma natureza em Serviço Social, a
pedagógica, inclusive por meio de elaboração procederem ao registro de pessoa jurídica
de Parecer. perante o CRESS, sob pena da ação judicial
competente;
VII- Dar encaminhamento às denúncias e
queixas que não sejam de natureza ética, às b) Instituições que tenham por objeto os
declarações pessoais tomadas a termo, matérias serviços em assessoria, consultoria,
veiculadas na mídia e proceder as devidas planejamento, capacitação e outros da mesma
averiguações, determinando as providências natureza em Serviço Social a regularizarem
cabíveis; situações de inadequação física, técnica ou
ética, constatadas pela visita da fiscalização, ou
VIII- Determinar e orientar a realização de
por outro meio, ou a fornecerem documentos
visitas de fiscalização, sejam de rotina, de
atinentes ao Serviço Social;
identificação, de prevenção, de orientação e/ou
de constatação de práticas de exercício ilegal ou c) O assistente social que recusar-se, sem justa
com indícios de violação da legislação da causa, a prestar informações ou se negar a
profissão do assistente social; prestar colaboração no âmbito profissional aos
Conselheiros e agentes fiscais, ou que deixar de
IX- Discutir e avaliar os relatórios de visita de
mencionar o respectivo número de inscrição no
fiscalização, com vistas a adoção de
CRESS, juntamente com sua assinatura ou
providências cabíveis;
rubrica aposta em qualquer documento que diga
X- Convocar assistentes sociais para respeito às atividades do assistente social;
comparecerem à sede do CRESS, a fim de
d) O órgão ou estabelecimento público,
prestarem esclarecimentos e/ou serem
autárquico, de economia mista ou particular que
orientados sobre fatos de que tenham
realize atos ou preste serviços específicos ou
conhecimento ou que estejam envolvidos,
relativos ao Serviço Social, ou tenha a
tomando suas declarações por termo;
denominação de Serviço Social e que não
XI- Convidar profissionais de outras áreas ou disponha de Assistente Social para o
qualquer pessoa a comparecer na sede do desempenho de suas atribuições e competências
CRESS, para prestar esclarecimentos sobre previstas no artigo 4º. e 5º. da Lei 8662-93.
fatos de que tenham conhecimento e que
XV- Sugerir ao Conselho Pleno do CRESS,
envolvam o exercício da profissão do assistente
através de despacho fundamentado:
social;
a) A propositura de ações judiciais, que
XII- Propor ao Conselho Pleno do CRESS
objetivem o registro no CRESS de instituições
representar, perante a autoridade policial ou
que prestem os serviços especificados na alínea
judiciária, a ocorrência de exercício ilegal da
“a” do inciso XIV do presente artigo, ou a
profissão, desde que sejam suficientes os
sustação de tais serviços, exibição de
elementos de prova fornecidos ou colhidos,
documentos, etc;
necessários à configuração, evidência e
comprovação da prática contravencional; b) A aplicação de penalidades previstas às
instituições que, devidamente registradas no
XIII- Acionar todos os meios que visem
CRESS, deixarem de cumprir as determinações
averiguar a procedência de qualquer
emanadas, após notificação.
comunicado ou notícia que comprometa a
imagem da profissão, que cheguem ao seu XVI- Oferecer denúncia “ex-officio” à
conhecimento; Comissão Permanente de Ética do CRESS,
relatando fatos que possam ser caracterizados,
XIV- Oferecer elementos sobre o exercício
em tese, como violadores do Código de Ética
profissional para o encaminhamento de
Profissional do Assistente Social, de que teve
notificação extrajudicial para:

31
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
conhecimento por meio de visitas de esclarecendo e orientando o Assistente Social,
fiscalização, da imprensa, de declarações e instituições, usuários e outros, sobre
outros. procedimentos e dúvidas suscitadas;
Parágrafo Único – A COFI deverá realizar V- Realizar visitas rotineiras de fiscalização em
anualmente o planejamento de atividades, entidades públicas e privadas prestadoras de
orçando os recursos necessários ao pagamento serviços específicos relativos ao Serviço Social
de suas despesas, compatível com o orçamento ou que possuam setores denominados “Serviço
geral do CRESS, garantindo a sua execução Social”;
enquanto ação precípua. VI- Realizar visitas de averiguação de
irregularidades em entidades públicas e
privadas prestadoras de serviços específicos
Art. 12 – Os agentes fiscais serão contratados
relativos ao Serviço Social ou naquelas que
mediante concurso público pelos CRESS
possuam em seus quadros funcionais pessoas
através de processo seletivo, devendo ser
exercendo ilegalmente atribuições de
necessariamente Assistentes Sociais, em pleno
Assistente Social;
gozo de seus direitos, sendo vedada a
contratação daquele que esteja respondendo a VII- Preencher o termo de fiscalização no final
processo disciplinar e/ou ético. da visita, apresentando-o ao entrevistado para
leitura e aposição de sua assinatura, deixando
cópia na instituição;
Parágrafo primeiro – O agente fiscal é um
VIII- Caso haja impedimento da ação
profissional cuja função compreende
fiscalizadora, solicitar a identificação da pessoa
atribuições políticas, técnicas, operacionais
responsável pela obstrução e, ainda no caso
com vistas à consolidação do projeto ético-
desta se negar, descrever suas características
politico do Assistente Social.
físicas e solicitar a presença de testemunhas que
também serão identificadas no termo;
Parágrafo segundo – Os agentes fiscais portarão IX- Verificar, nas visitas de fiscalização, se as
identificação fornecida pelo CRESS atribuições relativas ao Serviço Social estão
competente, que será obrigatoriamente exibida sendo executadas por Assistente Social
no ato da fiscalização ou qualquer outra ação. regularmente inscrito no CRESS, e, em caso
contrário, tomar as medidas cabíveis.
X- Verificar as condições físicas, técnicas e
éticas no exercício profissional do Assistente
Art. 13 – Compete aos Agentes Fiscais: Social, tendo como referência a Lei 8662-93, a
Resolução CFESS 493-06 e outros
instrumentos normativos expedidos pelo
I- Participar como membros integrantes, de CFESS;
todas as reuniões e atividades que forem
pertinentes à COFI; XI- Realizar visitas de fiscalização mesmo no
caso de ausência do Assistente Social por
II- Propor e realizar atividades preventivas de motivo de demissão, exoneração ou
orientação e discussão junto aos profissionais e afastamento, podendo solicitar permissão para
instituições, em consonância com as diretrizes adentrar a instituição, entrevistar pessoas,
da PNF e plano de ação da COFI; inspecionar as instalações, verificar o material
III- Organizar, juntamente com funcionários técnico utilizado e solicitar cópias de
administrativos, prontuários, documentos e documentos que tenham relação direta ou
qualquer expediente ou material pertinente ao indireta com o exercício profissional do
exercício da fiscalização; Assistente Social. No caso de mera ausência do
Assistente Social no ato da visita, o agente
IV- Dar encaminhamentos às rotinas da
fiscal deverá emitir um comunicado a este,
comissão, propondo providências,

32
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
solicitando sua presença na instituição em dia e respeito aos embaraços e obstruções colocadas
hora marcados a fim de proceder à fiscalização. na sua ação fiscalizadora.
Caso o Assistente Social esteja ausente no dia e XIX- Assessorar a Diretoria sobre questões
hora marcados, o agente fiscal poderá tomar referentes ao exercício profissional do
todas as providências aqui citadas sem sua Assistente Social;
presença;
XX- Supervisionar estagiário de Serviço
XII- Realizar a lacração de material sigiloso Social;
caso inexista profissional habilitado para
substituir o Assistente Social demitido,
exonerado ou afastado por qualquer motivo, Art. 14 – Os CRESS deverão prever,
mediante solicitação do Assistente Social que anualmente em seu orçamento, os recursos
está se desvinculando da instituição, da própria necessários ao pagamento das despesas com a
instituição ou por constatação da necessidade Comissão de Orientação e Fiscalização.
de lacração observada na visita de fiscalização.
XIII- Descrever no Termo De Visita De
Fiscalização E Orientação todo fato constatado, Parágrafo Único – Quando as despesas
relatando qualquer irregularidade que excederem o orçamento, o CRESS garantirá a
comprometa a qualidade dos serviços prioridade da fiscalização do exercício
profissionais prestados, anotando nome, profissional no conjunto das suas ações.
endereço e número de RG das pessoas
envolvidas e testemunhas se houver; (Redação
dada pela Resolução CFESS nº 828, de 15 de Art. 15 – Os membros do serviço de
setembro de 2017) Descrever no relatório de fiscalização (agentes fiscais, funcionários
visita de fiscalização todo fato constatado, administrativos, etc), serão contratados na
relatando qualquer irregularidade que forma da legislação vigente, estando impedidos
comprometa a qualidade dos serviços de integrá-lo:
profissionais prestados, anotando nome,
endereço e número de RG das pessoas
a) Conselheiros do CRESS e CFESS, e
envolvidas e testemunhas se houver;
membros de Seccionais, efetivos ou suplentes;
XIV- Remeter todos os relatórios de
b) Profissionais que estejam respondendo a
fiscalização com constatação de irregularidades
processo ético ou disciplinar.
à apreciação da COFI, para as providências
cabíveis;
XV- Elaborar e remeter à COFI relatórios Art. 16 – Os CRESS poderão baixar normas
mensais de atividades de visitas rotineiras de complementares, que tornem a prevenção,
fiscalização para apreciação, discussão e orientação e fiscalização mais eficazes, desde
encaminhamentos; que não colidam com as normas da presente
resolução.
XVI- Propor, em reuniões da COFI, medidas
cabíveis e notificação a profissionais, pessoas e
instituições, após análise da situação constatada Dos Instrumentais da Fiscalização
nas visitas; Profissional
XVII- Cumprir suas funções dentro dos limites
estritamente legais, sem exorbitar o poder de
fiscalização do qual está investido; Art. 17 – Ficam instituídos os instrumentais
básicos a serem utilizados no exercício da ação
XVIII- Abster-se de receber, no exercício de fiscalizadora do Conjunto CFESS/CRESS, a
sua função ou em decorrência dela, favores, saber (Redação dada pela Resolução CFESS nº
presentes, seja em espécie ou numerário, e 828, de 15 de setembro de 2017):
evitando condutas emotivas, mesmo no que diz

33
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
I Relatório de Visita de Orientação e Das Atribuições da Comissão Ampliada de
Fiscalização; Ética
II Termo de Visita de Fiscalização e
Orientação – a ser preenchido em 3 (três) vias, Art. 18 – A Comissão Ampliada de Ética é
sendo uma via do CRESS, e as outras duas integrada pelos membros da Comissão
entregues ao/à entrevistado/a e à instituição, Permanente de Ética – prevista pelo Código
cientificando-os do trabalho realizado, Processual de Ética, instituído pela Resolução
identificando irregularidades e orientações, se CFESS, n.º428-02 por membros da COFI e por
houver, e assinadas pelo/a agente fiscal e pelo/a outros Assistentes Sociais, constituindo um
entrevistado/a. grupo capaz de intensificar o trabalho educativo
e político em torno do Código de Ética e da Lei
de Regulamentação da Profissão.
Parágrafo Primeiro – Os dois novos
instrumentais deverão ser utilizados e aplicados
em sua totalidade, pelos/as agentes de Art. 19 – São atribuições da Comissão
fiscalização e, excepcionalmente, pelos/as Ampliada de Ética:
conselheiros/as do CRESS, na oportunidade da
realização das visitas de fiscalização;
I- Organização de debates e mecanismos de
divulgação do Código de Ética e da Lei de
Parágrafo Segundo - Os instrumentais da Regulamentação da Profissão (Lei 8662-93),
fiscalização profissional poderão ser revistos junto aos profissionais, aos estudantes de
ou acrescidos quando necessário desde que Serviço Social e à sociedade civil;
aprovados pelo Conjunto CFESS-CRESS.
II- Capacitação de profissionais para
operacionalização do Código de Ética
Art. 17 – Ficam instituídos os instrumentais Profissional e do Código Processual de Ética,
básicos a serem utilizados no exercício da ação através de grupos de estudo, treinamentos,
fiscalizadora que constarão como anexo da cursos, palestras, etc;
Política Nacional de Fiscalização, a saber: III- Instrumentalização dos conselheiros do
I- Relatório de Visita de Fiscalização – a ser CRESS e membros das Seccionais para
utilizado pelo agente fiscal ou representante do atuarem como agentes multiplicadores dos
CRESS/ Seccional, nas situações de visitas, preceitos éticos da profissão;
sejam de caráter preventivo ou rotineiro; IV- Articulação com as Unidades de Ensino,
II- Relatório de Averiguação de Irregularidades sobretudo através da disciplina de Ética
– instrumental utilizado pelo Agente Fiscal para Profissional e do setor de estágio
registro de ocorrências que infrinjam a Lei supervisionado;
8662/93 e o Código de Ética;
V- Constituição de um projeto de interiorização
III- Termo de Visita – a ser preenchido e do trabalho político e educativo da Comissão de
entregue à instituição, cientificando-a do Ética, em articulação com as Seccionais;
trabalho realizado, identificando VI- Orientação e esclarecimentos aos
irregularidades, se houver. Assistentes Sociais, usuários e demais
interessados sobre questões de natureza ética;
Parágrafo Único – Os instrumentais da VII- Análise e avaliação do Código de Ética
fiscalização profissional poderão ser revistos Profissional, com base em observação da sua
ou acrescidos quando necessário desde que experimentação prática, na perspectiva de
aprovados pelo Conjunto CFESS-CRESS. garantir a sua eficácia e aperfeiçoar o seu
conteúdo ético-político e normativo.

34
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 20 – Esta Resolução entra em vigor na data
de sua publicação, revogando-se as disposições
em contrário da Resolução CFESS Nº. 382/99.

Art. 21 – Os casos omissos serão resolvidos


pelo Conselho Pleno do CFESS.

Brasília, 29 de setembro de 2007.


ELISABETE BORGIANNI
Presidente do CFESS

Anotações:

35
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 29 de enviadas pelos Conselhos Regionais de Serviço
setembro de 2008 - Regulamenta a Social, que indicaram as principais dificuldades
SUPERVISÃO DIRETA DE ESTÁGIO no encontradas na fiscalização profissional, bem
Serviço Social como sugestões para a regulamentação da
supervisão direta de estágio;

Ementa: Regulamenta a SUPERVISÃO


DIRETA DE ESTÁGIO no Serviço Social CONSIDERANDO a necessidade de
normatizar a relação direta, sistemática e
contínua entre as Instituições de Ensino
O CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO Superior, as instituições campos de estágio e os
SOCIAL, por sua Presidente, no uso de suas Conselhos Regionais de Serviço Social, na
atribuições legais e regimentais; busca da indissociabilidade entre formação e
exercício profissional;

CONSIDERANDO o processo de debate já


acumulado, que teve seu início no XXXII CONSIDERANDO a importância de se
Encontro Nacional CFESS/CRESS realizado garantir a qualidade do exercício profissional
em Salvador, em 2003, com representantes do do assistente social que, para tanto, deve ter
CFESS, da ABEPSS e da ENESSO, que assegurada uma aprendizagem de qualidade,
discutiram a relação do estágio supervisionado por meio da supervisão direta, além de outros
com a Política Nacional de Fiscalização; requisitos necessários à formação profissional;

CONSIDERANDO a necessidade de CONSIDERANDO que “O Estágio


regulamentar a supervisão direta de estágio, no Supervisionado é uma atividade curricular
âmbito do Serviço Social, eis que tal atribuição obrigatória que se configura a partir da inserção
é de competência exclusiva do CFESS, em do aluno no espaço sócioinstitucional,
conformidade com o inciso I do artigo 8º da Lei objetivando capacitá-lo para o exercício
8662/93 e tendo em vista que o exercício de tal profissional, o que pressupõe supervisão
atividade profissional é privativa dos sistemática. Esta supervisão será feita
assistentes sociais, regularmente inscritos nos conjuntamente por professor supervisor e por
Conselhos Regionais de Serviço Social, de sua profissional do campo, com base em planos de
área de ação, nos termos do inciso VI do artigo estágio elaborados em conjunto pelas unidades
5º da lei antedita; de ensino e organizações que oferecem
estágio”, em conformidade com o disposto no
parecer CNE/CES nº 492/2001, homologado
CONSIDERANDO que a norma pelo Ministro de Estado da Educação em 09 de
regulamentadora, acerca da supervisão direta julho de 2001 e consubstanciado na Resolução
de estágio em Serviço Social, deve estar em CNE/CES 15/2002, publicada no Diário Oficial
consonância com os princípios do Código de da União em 09 de abril de 2002, que veio
Ética dos Assistentes Sociais, com as bases aprovar as diretrizes curriculares para o curso
legais da Lei de Regulamentação da Profissão e de Serviço Social;
com as exigências teórico-metodológicas das
Diretrizes Curriculares do Curso de Serviço
Social aprovadas pela ABEPSS, bem como o CONSIDERANDO, ainda, os termos do artigo
disposto na Resolução CNE/CES 15/2002 e na 14 e seu parágrafo único, da Lei 8662/93, que
lei 11.788, de 25 de setembro de 2008; estabelecem: “Cabe às Unidades de Ensino
credenciar e comunicar aos Conselhos
Regionais de sua
CONSIDERANDO o amplo debate em torno
da matéria, que resultou nas contribuições

36
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
jurisdição os campos de estágio de seus alunos CONSIDERANDO a aprovação das normas
e designar os assistentes sociais responsáveis consubstanciadas pela presente Resolução no
por sua supervisão e que somente os estudantes XXXVII Encontro Nacional CFESS/CRESS,
de Serviço Social, sob supervisão direta do realizado em Brasília/DF, no período de 25 a 28
assistente social em pleno gozo de seus direitos de setembro de 2008;
profissionais, poderão realizar estágio em
Serviço Social”.
CONSIDERANDO ademais, a aprovação da
presente Resolução pelo colegiado do CFESS,
CONSIDERANDO as disposições do Código reunido em seu Conselho Pleno, em 29 de
de Ética Profissional do Assistente Social, que setembro de 2008;
veda a prática de estágio sem a supervisão
direta, conforme as alíneas “d” e “e” do artigo
4º do Código de Ética do Assistente Social; RESOLVE:

CONSIDERANDO que a atividade de Art. 1º. As Unidades de Ensino, por meio dos
supervisão direta do estágio em Serviço Social coordenadores de curso, coordenadores de
constitui momento ímpar no processo ensino- estágio e/ou outro profissional de serviço social
aprendizagem, pois se configura como responsável nas respectivas instituições pela
elemento síntese na relação teoriaprática, na abertura de campo de estágio, obrigatório e não
articulação entre pesquisa e intervenção obrigatório, em conformidade com a exigência
profissional e que se consubstancia como determinada pelo artigo 14 da Lei 8662/1993,
exercício teórico-prático, mediante a inserção terão prazo de 30 (trinta) dias, a partir do início
do aluno nos diferentes espaços ocupacionais de cada semestre letivo, para encaminhar aos
das esferas públicas e privadas, com vistas à Conselhos Regionais de Serviço Social de sua
formação profissional, conhecimento da jurisdição, comunicação formal e escrita,
realidade institucional, problematização indicando:
teórico-metodológica; I- Campos credenciados, bem como seus
respectivos endereços e contatos;
CONSIDERANDO que a presente Resolução
representará mais um avanço na criação de II- Nome e número de registro no CRESS dos
condições normativas para fiscalização profissionais responsáveis pela supervisão
exercida pelos CRESS e CFESS e, sobretudo, acadêmica e de campo;
em relação à supervisão direta de estágio em
Serviço Social e para a sociedade que será a
beneficiada com a melhoria da qualidade dos III- Nome do estagiário e semestre em que está
serviços profissionais prestados no âmbito do matriculado.
Serviço Social;

Parágrafo 1º. Para efeito desta Resolução,


CONSIDERANDO os termos do Parecer considera-se estágio curricular obrigatório o
Jurídico nº 12/98, de 17 de março de 1998, de estabelecido nas diretrizes curriculares da
autoria da assessora jurídica do CFESS Sylvia ABEPSS e no Parecer CNE/CES 15/2002, que
Helena Terra, que discorre sobre a deverá constar no projeto pedagógico e na
caracterização da supervisão direta no Serviço política de estágio da instituição de ensino
Social, que subsidiará os termos da presente superior, de forma a garantir maior qualidade à
norma; formação profissional.

37
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Parágrafo 2º. O estágio não obrigatório, Parágrafo único. Para sua realização, a
definido na lei 11.788, de 25 de setembro de instituição campo de estágio deve assegurar os
2008, deverá ocorrer nas condições definidas na seguintes requisitos básicos: espaço físico
referida lei e na presente Resolução. adequado, sigilo profissional, equipamentos
necessários, disponibilidade do supervisor de
campo para acompanhamento presencial da
Parágrafo 3º. A abertura de campos/vagas ao atividade de aprendizagem, dentre outros
longo do semestre/ano letivo deverá ser requisitos, nos termos da Resolução CFESS nº
comunicada ao CRESS até 15 (quinze) dias 493/2006, que dispõe sobre as “condições
após sua abertura. éticas e técnicas do exercício profissional do
assistente social”.

Parágrafo 4º. O não cumprimento do prazo e


das exigências previstas no presente artigo Art. 3º. O desempenho de atividade profissional
ensejará aplicação da penalidade de multa à de supervisão direta de estágio, suas condições,
Unidade de Ensino, no valor de 1 a 5 vezes a bem como a capacidade de estudantes a serem
anuidade de pessoa física vigente, nos termos supervisionados, nos termos dos parâmetros
do parágrafo primeiro do artigo 16 da Lei técnicos e éticos do Serviço Social, é
8662/1993, desde que garantido o direito de prerrogativa do profissional assistente social,
defesa e do contraditório. na hipótese de não haver qualquer convenção
ou acordo escrito que estabeleça tal obrigação
em sua relação de trabalho.
Parágrafo 5º. Cabe ao profissional citado no
caput e ao supervisor de campo averiguar se o
campo de estágio está dentro da área do Serviço Parágrafo único. A definição do número de
Social, se garante as condições necessárias para estagiários a serem supervisionados deve levar
que o posterior exercício profissional seja em conta a carga horária do supervisor de
desempenhado com qualidade e competência campo, as peculiaridades do campo de estágio
técnica e ética e se as atividades desenvolvidas e a complexidade das atividades profissionais,
no campo de estágio correspondem às sendo que o limite máximo não deverá exceder
atribuições e competências específicas 1 (um) estagiário para cada 10 (dez) horas
previstas nos artigos 4 º e 5 º da Lei 8662/1993. semanais de trabalho.

Parágrafo 6º. Compete aos Conselhos Art. 4º. A supervisão direta de estágio em
Regionais de Serviço Social a fiscalização do Serviço Social estabelece-se na relação entre
exercício profissional do assistente social unidade acadêmica e instituição pública ou
supervisor nos referidos campos de estágio. privada que recebe o estudante, sendo que
caberá:

Art. 2º. A supervisão direta de estágio em


Serviço Social é atividade privativa do I) ao supervisor de campo apresentar projeto de
assistente social, em pleno gozo dos seus trabalho à unidade de ensino incluindo sua
direitos profissionais, devidamente inscrito no proposta de supervisão, no momento de
CRESS de sua área de ação, sendo denominado abertura do campo de estágio; II) aos
supervisor de campo o assistente social da supervisores acadêmico e de campo e pelo
instituição campo de estágio e supervisor estagiário construir plano de estágio onde
acadêmico o assistente social professor da constem os papéis, funções, atribuições e
instituição de ensino. dinâmica processual da supervisão, no início de
cada semestre/ano letivo.

38
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Parágrafo 1º. A conjugação entre a atividade de avaliação do estudante no campo de estágio em
aprendizado desenvolvida pelo aluno no campo conformidade com o plano de estágio.
de estágio, sob o acompanhamento direto do
supervisor de campo e a orientação e avaliação
a serem efetivadas pelo supervisor vinculado a Art. 7º. Ao supervisor acadêmico cumpre o
instituição de ensino, resulta na supervisão papel de orientar o estagiário e avaliar seu
direta. aprendizado, visando a qualificação do aluno
durante o processo de formação e
aprendizagem das dimensões
Parágrafo 2º. Compete ao supervisor de campo técnicooperativas, teórico-metodológicas e
manter cópia do plano de estágio, devidamente ético-política da profissão.
subscrito pelos supervisores e estagiários, no
local de realização do mesmo.
Art. 8º. A responsabilidade ética e técnica da
supervisão direta é tanto do supervisor de
Art. 5º. A supervisão direta de estágio de campo, quanto do supervisor acadêmico,
Serviço Social deve ser realizada por assistente cabendo a ambos o dever de:
social funcionário do quadro de pessoal da
instituição em que se ocorre o estágio, em
conformidade com o disposto no inciso III do I. Avaliar conjuntamente a pertinência de
artigo 9º da lei 11.788, de 25 de setembro de abertura e encerramento do campo de estágio;
2008, na mesma instituição e no mesmo local II. Acordar conjuntamente o início do estágio,
onde o estagiário executa suas atividades de a inserção do estudante no campo de estágio,
aprendizado, assegurando seu bem como o número de estagiários por
acompanhamento sistemático, contínuo e supervisor de campo, limitado ao número
permanente, de forma a orientá-lo máximo estabelecido no parágrafo único do
adequadamente. artigo 3º;
III. Planejar conjuntamente as atividades
Parágrafo 1º. Sem as condições previstas no inerentes ao estágio, estabelecer o cronograma
caput a supervisão direta poderá ser de supervisão sistemática e presencial, que
considerada irregular, sujeitando os envolvidos deverá constar no plano de estágio;
à apuração de sua responsabilidade ética, IV. Verificar se o estudante estagiário está
através dos procedimentos processuais devidamente matriculado no semestre
previstos pelo Código Processual de Ética, correspondente ao estágio curricular
garantindo-se o direito de defesa e do obrigatório;
contraditório.
V. Realizar reuniões de orientação, bem como
discutir e formular estratégias para resolver
Parágrafo 2º. A atividade do estagiário sem o problemas e questões atinentes ao estágio;
cumprimento do requisito previsto no caput VI. Atestar/reconhecer as horas de estágio
poderá se caracterizar em exercício ilegal de realizadas pelo estagiário, bem como emitir
profissão regulamentada, conforme previsto no avaliação e nota.
artigo 47, da Lei de Contravenções Penais, que
será apurada pela autoridade policial
competente, mediante representação a esta ou Art. 9º. Os casos omissos e aqueles
ao Ministério Público. concernentes a interpretação geral e abstrata
sobre esta norma serão resolvidos e dirimidos
pelo Conselho Pleno do CFESS.
Art. 6º. Ao supervisor de campo cabe a
inserção, acompanhamento, orientação e

39
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 10. Os CRESS/Seccionais e CFESS
deverão se incumbir de dar plena e ampla
publicidade a presente norma, por todos os
meios disponíveis, de forma que ela seja
conhecida pelas instituições de ensino,
instituições empregadoras, assistentes sociais,
docentes, estudantes e sociedade.

Art. 11. A presente Resolução entra em vigor


na data da sua publicação no Diário Oficial da
União, passando a surtir seus regulares efeitos
de direito.

Ivanete Salete Boschetti


Presidente do CFESS

Anotações:

40
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 554/2009 de 15 reconhecida pelos Conselhos de Fiscalização
de setembro de 2009 - Dispõe sobre o Profissional do Serviço Social;
não reconhecimento da inquirição das
vítimas crianças e adolescentes no Considerando que o profissional assistente
processo judicial, sob a Metodologia do social, devidamente inscrito no Conselho
Depoimento Sem Dano/DSD Regional de Serviço Social de sua área de
(efeitos suspensos por decisão judicial)* atuação, está devidamente habilitado para
exercer as atividades que lhes são privativas e
as de sua competência, nos termos previstos
EMENTA: Dispõe sobre o não pela lei 8662/93, em qualquer campo ou em
reconhecimento da inquirição das vítimas qualquer área;
crianças e adolescentes no processo judicial, Considerando que a presente norma está em
sob a Metodologia do Depoimento Sem conformidade com os princípios do Direito
Dano/DSD, como sendo atribuição ou Administrativo e em conformidade com o
competência do profissional assistente social. interesse público que exige que os serviços
prestados pelo assistente social, ao usuário
sejam efetivados com absoluta qualidade e
A Presidente do Conselho Federal de Serviço
competência ética e técnica e nos limites de sua
Social, no uso de suas atribuições legais e
atribuição profissional;
regimentais, que lhe são conferidas pela lei
8662/93; Considerando que a presente resolução foi
aprovada na Reunião do Conselho Pleno do
CFESS, ocorrida no dia 09 de setembro de
Considerando que a utilização do “Projeto 2009;
Depoimento Sem Dano” ou Inquirição Especial
Considerando que a presente resolução foi
de Crianças e Adolescentes, no âmbito do
democraticamente discutida e aprovada no 38°
Poder Judiciário, constitui função própria da
Encontro Nacional CFESS/CRESS, realizado
magistratura;
nos dias 06 a 09 de setembro de 2009, em
Considerando que a Metodologia do “Projeto Campo Grande/MS.
Depoimento Sem Dano” não possui nenhuma
RESOLVE:
relação com a formação ou conhecimento
profissional do assistente social, obtido em Art. 1º. A atuação de assistentes sociais em
cursos de Serviço Social, ministrados pelas metodologia de inquirição especial de crianças
faculdades e Universidades reconhecidas e não e adolescentes como vítimas e/ou testemunhas
são compatíveis com as qualificações do em processo judicial sob a procedimentalidade
profissional respectivo, nos termos do artigo 4º do “Projeto Depoimento Sem Dano” não é
e 5º da lei 8662/93; reconhecida como atribuição e nem
competência de assistentes sociais.
Considerando que o Conselho Federal de
Serviço Social, usando das atribuições que lhe
confere o artigo 8º. da lei 8662/93 e a partir dos Art. 2º. Fica vedado vincular ou associar ao
pressupostos dos artigos 4º. e 5º é o órgão exercício de Serviço Social e/ou ao título de
competente para expedir norma para assistente social a participação em metodologia
regulamentar o exercício profissional do de inquirição especial sob a procedimentalidade
assistente social; do Projeto de Depoimento Sem Dano, uma vez
Considerando que a metodologia do “Projeto que não é de sua competência e atribuição
Depoimento Sem Dano” não encontra respaldo profissional, em conformidade com os artigos
nas atribuições definidas pela Lei 8662/93, 4º e 5º da Lei 8662/93.
desta forma, não pode ser acolhida ou

41
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 3º. O não cumprimento dos termos da PRES. nº 228/229, comunicando a edição da
presente Resolução implicará, conforme o caso, Resolução CFESS nº 554/2009, de 15 de
na apuração das responsabilidades disciplinares setembro de 2009, a qual dispõe "sobre o não
e/ou éticas do assistente social, nos termos do reconhecimento da inquirição das vítimas
Código de Ética do Assistente Social, crianças e adolescentes no processo judicial,
regulamentado pela Resolução CFESS nº sob a Metodologia do Depoimento Sem
273/93 de 13 de março de 1993. Dano/DSD, como sendo atribuição ou
competência do profissional assistente social".
Não há como negar que a vigência da
Art. 4º. O CFESS e os CRESS deverão se vergastada Resolução produz efeito a modo
incumbir de dar plena e total publicidade a direto sobre as atividades desempenhadas pelo
presente norma, por todos os meios disponíveis, Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do
de forma que ela seja conhecida pelos Sul porquanto a metodologia do DSD é prática
assistentes sociais, bem como pelas arraigada no âmbito do sistema da Infância e
instituições, órgãos ou entidades que Juventude, com a efetiva participação de
mantenham em seus quadros profissionais de assistentes sociais e psicólogos– integrantes de
serviço social. equipe multidisciplinar– à oitiva de crianças e
adolescentes. Assim, considerando que o Poder
Judiciário não possui personalidade jurídica e
Art. 5º. Os profissionais que se encontrem na os seus interesses são representados
situação mencionada nesta Resolução, terão o judicialmente pelo ente político ao qual integra;
prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da data de considerando que a oitiva de crianças e
sua publicação, para processarem as adolescentes no âmbito do sistema da Infância
modificações e adequações que se fizerem e Juventude do Estado do Rio Grande do Sul é
necessárias ao seu integral cumprimento. realizada com a participação de profissionais da
Parágrafo único – A publicação da presente área do serviço social, servidores públicos
Resolução surtirá os efeitos legais da contratados aos fins; considerando que a
NOTIFICAÇÃO, prevista pela alínea “b” do aplicação irrestrita da Resolução CFESS nº
artigo 22 do Código de Ética do Assistente 554/2009 produziria a paralisação momentânea
Social. das audiências do Poder Judiciário Estadual no
âmbito do sistema da Infância e Juventude haja
vista a utilização arraigada da metodologia
Art. 6º. Os casos omissos serão resolvidos pelo DSD; à vista de todos esses fundamentos,
Conselho Pleno do CFESS. verifica-se que o Estado do Rio Grande do Sul,
no presente mandado de segurança, está a
defender direito próprio, consistente na "não
Art. 7º. Esta Resolução entra em vigor na data paralisação" de parte das atividades
de sua publicação, revogando integralmente as desenvolvidas pelo seu Poder Judiciário – no
disposições em contrário. âmbito do sistema da Infância e Juventude–,
Ivanete Salete Boschetti por ato que reputa ilegal. Rigorosamente, o
mandado de segurança visa ao combate dos
Presidente do CFESS efeitos concretos do ato normativo vergastado
em face do Estado do Rio Grande do Sul. Em
tal conformação, pois, o reconhecimento da
* (TRF4, APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº legitimidade ativa do Estado do Rio Grande do
5044769-16.2011.404.7100, 3A. TURMA, DES.
FEDERAL CARLOS EDUARDO THOMPSON Sul ao mandamus é medida que se impõe.
FLORES LENZ, POR UNANIMIDADE, PUBLICADO 2. O Presidente do Conselho Regional de
EM 01.03.2012)
Assistentes Sociais da 10 Região "é parte
1. Em data de 24.09.2009, o Conselho Regional legítima na demanda que visa a condenação em
de Serviço Social encaminhou ao 2º Juizado da abster-se de executar, na sua área de atuação, as
Infância e Juventude de Porto Alegre/RS o Of. diretrizes fixadas pelo Conselho Federal"

42
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
(TRF4, AC 97.04.44244-0, 4ª Turma, Relator leitura prévia do processo, e só após o juiz
João Pedro Gebran Neto, DJ de 06.03.2002). complementar suas questões, estendendo
Além disso, o ato do Presidente do Conselho também essa possibilidade ao representante do
Regional de Assistentes Sociais também é Ministério Público e ao defensor.
coator quando "pratica ou ordena, em concreto, c) Retorno – ao final do depoimento, e já com
a execução das instruções fornecidas pelo os equipamentos desligados, é possibilitada à
Conselho Federal, por intermédio de criança ou ao adolescente falar sobre a
Resoluções genéricas, abstratas e, sobretudo, audiência; é verificado com a família ou
ilegais" (TRF4, AC 2000.71.00.023477-5, 3ª acompanhante da criança algum aspecto
Turma, Relatora Marga Inge Barth Tessler, DJ relevante do depoimento que possa interferir no
de 23.10.2002). seu bem-estar futuro e como estão sendo
3. Presente o fato de que o Presidente do vivenciadas as decorrências do fato que
Conselho Regional do Serviço Social é a originou o processo. Caso seja considerado
autoridade que responde pelos atos concretos necessário, são realizados encaminhamentos
decorrentes da Resolução nº 554/2009, que para acompanhamento na rede de saúde.
atingiram o direito líquido e certo do Estado do 5. À normatização dessa metodologia em
Rio Grande do Sul, então, por decorrência âmbito nacional– criada com supedâneo na
lógica, é ele a autoridade indicada coatora. A disciplina conjugada de regras e de princípios
sede, portanto, da referida autoridade é regional atinentes ao sistema protetivo pátrio à criança e
o que atrai a competência do Juízo Federal da ao adolescente –, tramita perante o Senado
Subseção Judiciária do Rio Grande do Sul para Federal o P.L. n° 35/2007, cuja ementa
processo e julgamento do writ of mandamus. literaliza – Acrescenta a Seção VIII ao Capítulo
4. O projeto Depoimento sem Dano na forma III – Dos Procedimentos – do Título VI– Do
como atualmente é desenvolvido, prevê as Acesso à Justiça – da Parte Especial da Lei nº
seguintes etapas: 8.069, de 13 de julho de 1990 – Estatuto da
Criança e do Adolescente, dispondo sobre a
a) Acolhimento– quando da intimação da
forma de inquirição de testemunhas e produção
criança é solicitada sua presença 30 minutos
antecipada de prova quando se tratar de delitos
antes do inicio da audiência, para evitar o
tipificados no Capítulo I do Título VI do
encontro com o réu e para que inicie o contato
Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de
com a profissional. Nesse momento, junto com
1940– Código Penal, com vítima ou testemunha
o adulto que a acompanha, é realizado o
criança ou adolescente e acrescenta o art. 469-
esclarecimento do objetivo dessa convocação e
A ao Decreto-Lei nº 3.689 de 3 de outubro de
lhe são explicados o funcionamento dos
1941 – Código de Processo Penal. No âmbito
equipamentos eletrônicos, os procedimentos e
do Estado do Rio Grande do Sul, o uso da
quem fará parte da audiência; como o réu
metodologia DSD funda-se nos artigos 150 e
poderá estar presente é-lhe explicado que
151, ambos do Estatuto da Criança e do
poderá, no início da oitiva, solicitar que o
Adolescente, regulamentados pela Lei Estadual
mesmo não permaneça na sala.
n° 9.896/1993.
b) Depoimento propriamente dito – é dado
6. À análise percuciente da competência
início ao depoimento já com o equipamento
atribuída ao Assistente Social, forçoso é o
eletrônico ligado, quando a assistente social ou
reconhecimento de que a Lei n° 8.662/93
psicólogo solicita que a criança/adolescente se
caracteriza-se por uma baixa densidade
manifeste sobre a permanência do réu na sala
normativa– consubstancia típico standard– a
de audiências. No princípio do depoimento são
ensejar elasticidade em sua interpretação.
realizadas pela profissional perguntas gerais e
Rigorosamente, ao meu sentir, a atividade
abertas sobre a situação da criança, sendo
desempenhada pelo profissional do serviço
solicitado seu relato sobre o fato ocorrido.
social na metodologia DSD insere-se na
Nesse momento pode haver a interferência do
disciplina dos artigos 4º, incisos I, III, V, VII e
juiz, mas o mais usual tem sido o profissional
VIII, e 5º, incisos I e III, da Lei n° 8.662/93. E
esgotar suas perguntas, que estão baseadas na

43
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
assim o é à vista das três fases que compõem a
metodologia DSD:
a) acolhimento;
b) depoimento propriamente dito;
c) retorno.
A metodologia DSD é bem mais ampla do que
a mera oitiva da criança e do adolescente; as
fases do acolhimento e do retorno – bem Anotações:
descritas no parecer da Dra. Maria Palma Wolf
(AS Cress 2070) antes transcrito –,
rigorosamente, refogem ao conhecimento
técnico-jurídico, por mais humanizado que se
possa pretender o órgão julgador. O
depoimento, propriamente dito, não se
controverte que seja atividade típica do órgão
julgador. Não se pode olvidar, contudo, que, no
exercício desse mister, o juiz pode valer-se de
técnicos que atuem a modo de intérpretes em
situações especiais. E, em tais situações
especiais, não se cogita que a oitiva realizada
por meio de intérprete importe em delegação de
competência própria do órgão julgador. Assim,
considerando as peculiaridades que envolvem o
universo infanto-juvenil, penso que a oitiva da
pessoa humana em processo de
desenvolvimento com a efetiva observância a
essas peculiaridades– sem lhes exigir a
adaptação a uma estrutura pré-formatada para o
adulto– realiza a sua dignidade e o seu direito à
opinião e à expressão, notadamente à defesa de
seus direitos. E a atividade desempenhada pelo
assistente social nesse processo, rigorosamente,
não desborda da sua competência
deprofissional. Destarte, a Resolução CFESS
n° 554/2009, de 15 de setembro de 2009, está
a impor restrição indevida ao exercício da
atividade profissional do assistente social,
ausente supedâneo na Lei n° 8.662/93 a lhe
emprestar higidez. De rigor, o ato normativo
viola o princípio da legalidade, razão pela
qual a concessão do writ pela v. sentença
recorrida afigura-se incensurável.

Boletim Jurídico nº 122, p. 18-20


Escola da Magistratura do TRF da 4ª Região–
EMAGIS

44
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 556/2009 de disposições que constavam da Resolução
15 de setembro de 2009 - CFESS nº 382/99, quanto ao Capítulo “Da
Procedimentos para efeito da Lacração Lacração do Material Técnico”, atendendo a
do Material Técnico e Material Técnico- deliberação da Plenária Ampliada do Conjunto
CFESS/CRESS, realizada em abril de 2007;
Sigiloso do Serviço Social
Considerando que foram incorporadas
integralmente nesta Resolução, as disposições
EMENTA: Procedimentos para efeito da contidas na Resolução CFESS nº 513/2007, e
Lacração do Material Técnico e Material que sua revisão foi aprovada em reunião do
Técnico-Sigiloso do Serviço Social Conselho Pleno do CFESS em 05 de setembro
de 2009;

A Presidente do Conselho Federal de Serviço


Social, no uso de suas atribuições legais e RESOLVE:
regimentais e cumprindo decisão da Plenária
Art. 1º - A lacração do material técnico, bem
Ampliada, realizada em abril de 2007, em
como o de caráter sigiloso do Serviço Social
Brasília/DF;
será efetivada por meio das normas e
Considerando a deliberação do conjunto dos procedimentos estabelecidos pela presente
assistentes sociais presentes, em setembro de Resolução.
2006, por ocasião do XXXV Encontro Nacional
Art. 2º – Entende-se por material técnico
CFESS/CRESS, realizado em Vitória/ES, sobre
sigiloso toda documentação produzida, que
a necessidade e conveniência de revisão e
pela natureza de seu conteúdo, deva ser de
atualização da Resolução CFESS nº 382/99,
conhecimento restrito e, portanto, requeiram
que dispõe sobre normas gerais para o exercício
medidas especiais de salvaguarda para sua
da Fiscalização Profissional e institui a Política
custódia e divulgação.
Nacional de Fiscalização, aprovada no XXVI
Encontro Nacional CFESS/CRESS, realizado Parágrafo Único - O material técnico sigiloso
na cidade de Belém de 28 de setembro a 01 de caracteriza-se por conter informações sigilosas,
outubro de 1997; cuja divulgação comprometa a imagem, a
dignidade, a segurança, a proteção de interesses
Considerando que o XXXV Encontro Nacional
econômicos, sociais, de saúde, de trabalho, de
CFESS/CRESS de 2006, delegou à Plenária
intimidade e outros, das pessoas envolvidas,
Ampliada, realizada em abril de 2007, em
cujas informações respectivas estejam contidas
Brasília/DF, a atribuição de discutir, debater e
em relatórios de atendimentos, entrevistas,
deliberar sobre as alterações, inclusões e
estudos sociais e pareceres que possam,
modificações da Resolução que trata das
também, colocar os usuários em situação de
normas gerais sobre a Fiscalização do Exercício
risco ou provocar outros danos.
Profissional do Assistente Social e Política
Nacional respectiva; Art. 3º – O assistente social garantirá o caráter
confidencial das informações que vier a receber
Considerando que foi deliberado pela Plenária
em razão de seu trabalho, indicando nos
Ampliada CFESS/CRESS, realizada em abril
documentos sigilosos respectivos a menção:
de 2007 em Brasília/DF, a exclusão do Capítulo
“sigiloso”.
referente à Lacração do Material Técnico, da
Resolução que regulamenta as normas gerais Art. 4º – Entende-se por material técnico o
para o exercício da Fiscalização Profissional e conjunto de instrumentos produzidos para o
a Política Nacional de Fiscalização, remetendo exercício profissional nos espaços sócio-
tal matéria para ser disciplinada por uma ocupacionais, de caráter não sigiloso, que
Resolução específica; viabiliza a continuidade do Serviço Social e a
defesa dos interesses dos usuários, como:
Considerando que foram incorporadas
relatórios de gestão, relatórios técnicos,
integralmente na Resolução 513/2007, as
pesquisas, projetos, planos, programas sociais,

45
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
fichas cadastrais, roteiros de entrevistas, Art. 9º – O ato de deslacração do material
estudos sociais e outros procedimentos técnico, pelo CRESS, será efetuado conforme
operativos. os mesmos procedimentos estabelecidos no
artigo 7º e parágrafo único da presente
Parágrafo Único – Em caso de demissão ou
Resolução, em três vias, sendo que a primeira
exoneração, o assistente social deverá repassar
ficará em poder do agente fiscal ou
todo o material técnico, sigiloso ou não, ao
representante para ser anexada ao prontuário do
assistente social que vier a substituí-lo.
CRESS ou em arquivo próprio, a segunda será
Art. 5º – Na impossibilidade de fazê-lo, o dirigida à instituição e a terceira ao assistente
material deverá ser lacrado na presença de um social responsável.
representante ou fiscal do CRESS, para
Art. 10 – A presente Resolução será publicada
somente vir a ser utilizado pelo assistente social
integralmente no Diário Oficial da União, para
substituto, quando será rompido o lacre,
que passe a surtir seus regulares efeitos de
também na presença de um representante do
Direito.
CRESS.
Art. 11. Os casos omissos serão resolvidos pelo
Parágrafo Único – No caso da impossibilidade
Conselho Pleno do CFESS.
do comparecimento de um fiscal ou
representante do CRESS, o material será
deslacrado pelo assistente social que vier a Art. 12. Esta Resolução entra em vigor na data
assumir o setor de Serviço Social, que remeterá, de sua publicação, revogando integralmente a
logo em seguida, relatório circunstanciado do Resolução CFESS n0 513, de 10 de dezembro
ato do rompimento do lacre, declarando que de 2007.
passará a se responsabilizar pela guarda e sigilo
do material.
Art. 6º – Em caso de extinção do Serviço Social Ivanete Salete Boschetti
da instituição, o material técnico-sigiloso Presidente do CFESS
poderá ser incinerado pelo profissional
responsável por este serviço, até aquela data,
que também procederá a imediata
comunicação, por escrito, ao CRESS.
Anotações:
Art. 7º – O ato de lacração do material técnico
será anotado em “Termo” próprio, constante de
três vias, que deverão ser assinadas pelo
assistente social, agente fiscal ou representante
do CRESS, obrigatoriamente, e testemunhas, se
houver.
Parágrafo Único – A primeira via ficará em
poder do representante ou agente fiscal, para ser
anexada ao prontuário do CRESS, ou em
arquivo próprio. A segunda via será colocada
no pacote lacrado. A terceira via será entregue
à instituição.
Art. 8º – O material técnico deverá ser
embrulhado com papel resistente e lacrado com
fita crepe ou fita gomada, sobre a qual deverão
assinar todos os presentes mencionados nos
Artigos 5o e 7o da presente Resolução, de
forma a garantir a sua inviolabilidade.

46
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 557/2009 de 15 Considerando que o assistente social é o
de setembro de 2009 - Dispõe sobre a profissional graduado em Serviço Social, com a
emissão de pareceres, laudos, opiniões habilitação para o exercício da profissão
técnicas conjuntos entre o assistente mediante inscrição junto ao Conselho Regional
de Serviço Social, tendo suas competências e
social e outros profissionais
atribuições privativas previstas na Lei 8662/93,
sendo vedado que outro profissional subscreva
Ementa: Dispõe sobre a emissão de seu entendimento técnico em matéria de
pareceres, laudos, opiniões técnicas Serviço Social, mesmo considerando a atuação
conjuntos entre o assistente social e outros destes em equipe multiprofissional;
profissionais. Considerando, a necessidade de regulamentar a
matéria em âmbito nacional, para orientar a
prática profissional do assistente social, na sua
A Presidente do Conselho Federal de Serviço atuação em equipes multiprofissionais;
Social, no uso de suas atribuições legais e
regimentais; Considerando as normas previstas no Código
de Ética do Assistente Social, regulamentado
Considerando que o profissional assistente pela Resolução CFESS nº 273/93 de 13 de
social vem trabalhando em equipe março de 1993;
multiprofissional, onde desenvolve sua
atuação, conjuntamente com outros Considerando que é função privativa do
profissionais, buscando compreender o assistente social a realização de vistorias,
indivíduo na sua dimensão de totalidade e, perícias técnicas, laudos periciais, informações,
assim, contribuindo para o enfrentamento das pareceres, ou seja, qualquer manifestação
diferentes expressões da questão social, técnica, sobre matéria de Serviço Social, em
abrangendo os direitos humanos em sua conformidade com o inciso IV do artigo 5º da
integralidade, não só a partir da ótica Lei 8662 de 07 de junho de 1993;
meramente orgânica, mas a partir de todas as Considerando ser de competência exclusiva do
necessidades que estão relacionadas à sua CFESS a regulamentação da presente matéria,
qualidade de vida; conforme previsão do “caput” e de seu inciso I
Considerando a crescente inserção do assistente do artigo 8º da Lei 8662/93;
social em espaços sócio-ocupacionais que exige
a atuação com profissionais de outras áreas,
Considerando a aprovação da presente
requerendo uma intervenção multidisciplinar
Resolução pelo Conselho Pleno do CFESS, em
com competência técnica, teórico-
reunião realizada em 09 de setembro de 2009.
metodológica e ético-política;
Considerando que as leis que prevêem a
atuação multidisciplinar não especificam os Resolve:
limites de cada área profissional no
desenvolvimento e na elaboração dos trabalhos
técnicos conjuntos, cabendo, no caso das Art. 1°. A elaboração, emissão e/ ou subscrição
profissões regulamentadas, serem disciplinados de opinião técnica sobre matéria de SERVIÇO
por seus Conselhos Profissionais respectivos; SOCIAL por meio de pareceres, laudos,
perícias e manifestações é atribuição privativa
Considerando ser inadmissível, juridicamente, do assistente social, devidamente inscrito no
que em uma mesma manifestação técnica, tenha Conselho Regional de Serviço Social de sua
consignado o entendimento conjunto de duas área de atuação, nos termos do parágrafo único
áreas profissionais regulamentadas, sem que se do artigo 1º da Lei 8662/93 e pressupõem a
delimite o objeto de cada uma, tendo em vista, devida e necessária competência técnica,
inclusive, as atribuições privativas de cada teórico-metodológica, autonomia e
profissão; compromisso ético.

47
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art 2°. O assistente social, ao emitir laudos, na apuração das responsabilidades éticas do
pareceres, perícias e qualquer manifestação assistente social por violação do Código de
técnica sobre matéria de Serviço Social, deve Ética do Assistente Social.
atuar com ampla autonomia respeitadas as Art. 6°. O CFESS e os CRESS deverão se
normas legais, técnicas e éticas de sua incumbir de dar plena e total publicidade a
profissão, não sendo obrigado a prestar serviços presente norma, por todos os meios disponíveis,
incompatíveis com suas competências e de forma que ela seja conhecida pelos
atribuições previstas pela Lei 8662/93. assistentes sociais, bem como pelas
Art. 3º. O assistente social deve, sempre que instituições, órgãos ou entidades que mantêm
possível, integrar equipes multiprofissionais, em seus quadros profissionais de Serviço
bem como incentivar e estimular o trabalho Social.
interdisciplinar. Art. 7º. Os casos omissos serão resolvidos pelo
Parágrafo único – Ao atuar em equipes Conselho Pleno do CFESS.
multiprofissionais, o assistente social deverá
respeitar as normas e limites legais, técnicos e
normativos das outras profissões, em Art. 8º. Esta Resolução entra em vigor na data
conformidade com o que estabelece o Código de sua publicação, revogando integralmente as
de Ética do Assistente Social, regulamentado disposições em contrário.
pela Resolução CFESS nº 273, de 13 de março
de 1993.
Ivanete Salete Boschetti
Art. 4°. Ao atuar em equipes
multiprofissionais, o assistente social deverá Presidente do CFESS
garantir a especificidade de sua área de atuação.
Parágrafo primeiro - O entendimento ou
opinião técnica do assistente social sobre o
objeto da intervenção conjunta com outra Anotações:
categoria profissional e/ ou equipe
multiprofissional, deve destacar a sua área de
conhecimento separadamente, delimitar o
âmbito de sua atuação, seu objeto, instrumentos
utilizados, análise social e outros componentes
que devem estar contemplados na opinião
técnica.
Parágrafo segundo - O assistente social deverá
emitir sua opinião técnica somente sobre o que
é de sua área de atuação e de sua atribuição
legal, para qual está habilitado e autorizado a
exercer, assinando e identificando seu número
de inscrição no Conselho Regional de Serviço
Social.
Parágrafo terceiro - No atendimento
multiprofissional a avaliação e discussão da
situação poderá ser multiprofissional,
respeitando a conclusão manifestada por escrito
pelo assistente social, que tem seu âmbito de
intervenção nas suas atribuições privativas.
Art. 5º. O não cumprimento dos termos da
presente Resolução implicará, conforme o caso,

48
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS N° 559, de 16 de profissional competente, diligente, responsável
setembro de 2009 - Dispõe sobre a e ética, comprometida com valores
atuação do Assistente Social, inclusive na democráticos, de justiça, de equidade e
qualidade de perito judicial ou assistente liberdade, não raras vezes, tem sido de absoluta
valia para as decisões judiciais prolatadas por
técnico
nossos juízos de 1ª. Instância e Tribunais;
(efeitos suspensos por decisão judicial)* Considerando que o perito funciona como
auxiliar do juízo, devendo cumprir seu ofício no
prazo estabelecido, empregando seus
EMENTA: Dispõe sobre a atuação do conhecimentos técnicos e toda sua diligência,
Assistente Social, inclusive na qualidade de para subsidiar a decisão sobre a matéria em
perito judicial ou assistente técnico, quando questão;
convocado a prestar depoimento como
testemunha, pela autoridade competente.
Considerando o artigo 433 do Código de
Processo Civil/ CPC, que prevê que somente os
A Presidente do Conselho Federal de Serviço peritos apresentam o laudo perante o cartório
Social, no uso de suas atribuições legais e competente, sendo que os assistentes técnicos
regimentais; apresentam seus pareceres no prazo comum de
dez dias, após intimadas as partes da
apresentação do laudo;
Considerando a importância e a inquestionável
relevância do trabalho que vem sendo
desenvolvido pelos assistentes sociais, no Considerando que a prova pericial e a prova
âmbito do Poder Judiciário; testemunhal não se confundem, possuindo,
cada uma delas, seus pressupostos jurídicos
próprios, bem como finalidade específica;
Considerando as alterações no Código de
Processo Civil introduzidas pela Lei de
8.455/1992, que veio a recolocar e melhor Considerando que a testemunha só depõe sobre
situar a função do assistente técnico, em relação fatos e, nesta medida, qualquer avaliação
às perícias judiciais; técnica não pode ser feita através da oitiva de
testemunha e sim através de prova pericial, que
deve ser requerida e determinada pelo Juízo
Considerando que o assistente técnico, por ser competente;
um profissional que pode ser indicado pelas
partes e conseqüentemente, da confiança
destas, não está mais sujeito a prestar o Considerando que o Conselho Federal de
compromisso ou ser inquinado de suspeição ou Serviço Social, usando das atribuições que lhe
impedimento; Considerando a alteração confere o artigo 8º. da Lei 8.662/93 e a partir
introduzida pela Lei 8.455/92, passando a dos pressupostos dos artigos 4º. e 5º é o órgão
traduzir a concepção correta em relação ao competente para expedir norma para
assistente técnico, na medida em que este não regulamentar o exercício profissional do
deve e não pode se sujeitar as mesmas assistente social;
imposições previstas ao perito, em razão da
forma de inserção deste no processo, que
implica em um vínculo, ainda que contratual, Considerando que o profissional assistente
com a parte que venha a indicá-lo; social, devidamente inscrito no Conselho
Regional de Serviço Social de sua área de
atuação, está devidamente habilitado para
Considerando a atuação técnica de tais exercer as atividades que lhes são privativas e
profissionais, quando pautada em postura as de sua competência, nos termos previstos

49
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
pela Lei 8.662/93, em qualquer campo, ou em
qualquer área; Art. 3º. Quando a perícia consistir apenas na
inquirição, pelo juiz, do perito e do assistente
técnico, por ocasião da audiência de instrução e
Considerando que a presente Resolução traduz
julgamento, o assistente social deverá se
os pressupostos do direito administrativo, que
restringir a emitir sua opinião técnica a respeito
dizem respeito aos interesses públicos e
do que houver avaliado.
coletivos, tendo como objetivo tutelar os
interesses da sociedade, constituída por sujeitos
de direito; Art. 4º. O assistente técnico mesmo sendo
contratado por uma das partes, mesmo não
estando sujeito a prestar compromisso ou a ser
Considerando que a presente norma está em
inquinado de suspeição e impedimento e
conformidade com as normas e princípios do
funcionando como assessor da parte que o
Direito Administrativo e com o interesse
indicou, está obrigado a cumprir todas as
público, que exige que os serviços prestados
normas do Código de Ética do Assistente
pelo assistente social, ao usuário sejam
Social, emitindo seu parecer de forma
efetivados com absoluta qualidade e
fundamentada, sendo vedado fazer declarações
competência ética e técnica e nos limites de sua
falaciosas ou infundadas.
atribuição profissional;

Art. 5º. Quando intimado perante a autoridade


Considerando a aprovação da presente
competente a prestar depoimento como
Resolução pelo Conselho Pleno do CFESS,
testemunha, qualquer profissional assistente
reunido em Campo Grande/MS, em 05 e 06 de
social deverá comparecer e declarar que está
setembro de 2009;
obrigado a guardar sigilo profissional, sendo
VEDADO depor na condição de testemunha.
RESOLVE:
Art. 6º. O CFESS e os CRESS deverão se
Art. 1º. O Assistente Social, na qualidade de incumbir de dar plena e total publicidade a
perito judicial ou assistente técnico, sempre que presente norma, por todos os meios disponíveis,
for convocado a comparecer a audiência, por de forma que ela seja conhecida pelos
determinação ou solicitação do Juiz, Curador, assistentes sociais bem como pelas instituições,
Promotor de Justiça ou das partes se restringirá Poder Judiciário, órgãos ou entidades que
a prestar esclarecimentos, formular sua prestam serviços sociais.
avaliação, emitir suas conclusões sempre de
natureza técnica, sendo vedado, nestas
Art. 7º. A publicação da presente Resolução
circunstâncias, prestar informações sobre fatos,
surtirá os efeitos legais da Notificação, prevista
principalmente em relação aqueles
pela alínea “b” do artigo 22 do Código de Ética
presenciados ou que tomou conhecimento em
do Assistente Social.
decorrência de seu exercício profissional.

Art. 8º. O não cumprimento dos termos da


Art. 2º. O objeto da perícia deverá ser o mesmo
presente Resolução implicará, conforme o caso,
para perito e assistente técnico, que deverão
na apuração das responsabilidades disciplinares
possuir a mesma habilitação profissional, na
hipótese de se manifestarem sobre matéria de e/ou éticas do assistente social por violação ao
Código de Ética do Assistente Social.
Serviço Social, atribuição privativa do
profissional habilitado nos termos das
disposições do artigo 5º. da Lei 8.662/93.

50
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 9º. Os casos omissos serão resolvidos pelo
Conselho Pleno do CFESS.

Art. 10º. Esta Resolução entra em vigor na data


de sua publicação, revogando integralmente as
disposições em contrário.
Ivanete Salete Boschetti
Presidente do CFESS

*Em abril de 2014, a Justiça Federal do Rio


Grande do Sul, em ação civil pública do Estado
do RS, declarou a nulidade da referida
normativa do CFESS.

Anotações:

51
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 569, de 25 de A formação profissional deve viabilizar uma
março de 2010 - Dispõe sobre a capacitação teórico-metodológica e
VEDAÇÃO da realização de terapias éticopolítica, como requisito fundamental para
associadas ao título e/ou ao exercício o exercício de atividades técnico-operativas,
com vistas à:
profissional do assistente social.
• compreensão do significado social da
profissão e de seu desenvolvimento
Ementa: Dispõe sobre a VEDAÇÃO da sóciohistórico, nos cenários internacional e
realização de terapias associadas ao título nacional, desvelando as possibilidades de ação
e/ou ao exercício profissional do assistente contidas na realidade;
social.
• identificação das demandas presentes na
sociedade, visando a formular respostas
O Conselho Federal de Serviço Social - CFESS, profissionais para o enfrentamento da questão
no uso de suas atribuições legais e regimentais social;
que lhe são conferidas pela lei 8.662/93 artigo • utilização dos recursos da informática.
8º, é o órgão competente para regulamentar o
exercício profissional do assistente social;
B) ESPECÍFICAS
A formação profissional deverá desenvolver a
Considerando os artigos 4º e 5º da Lei 8.662/93,
capacidade de:
que definem as competências e as atribuições
privativas do assistente social; • elaborar, executar e avaliar planos, programas
e projetos na área social;
• contribuir para viabilizar a participação dos
Considerando ser competência de cada
usuários nas decisões institucionais;
profissão regulamentada, respeitar os limites de
sua atuação técnica, previstos na respectiva • planejar, organizar e administrar benefícios e
legislação, assegurado o princípio da serviços sociais;
interdisciplinaridade; • realizar pesquisas que subsidiem formulação
de políticas e ações profissionais;
Considerando que a realização de terapias não • prestar assessoria e consultoria a órgãos da
possui relação com a formação profissional administração pública, empresas privadas e
estabelecida nas diretrizes curriculares do curso movimentos sociais em matéria relacionada às
de graduação em Serviço Social, aprovadas políticas sociais e à garantia dos direitos civis,
pela Resolução CNE/CES/MEC nº 15, de 13 de políticos e sociais da coletividade;
março de 2002, sendo incompatíveis com as • orientar a população na identificação de
competências e atribuições estabelecidas na Lei recursos para atendimento e defesa de seus
8.662/93; direitos;
• realizar visitas, perícias técnicas, laudos,
Considerando que a realização de terapias não informações e pareceres sobre matéria de
constitui matéria, conteúdo, ou objeto do curso Serviço Social”.
de graduação em Serviço Social, conforme
estabelece a Resolução CNE/CES/MEC nº 15,
de 13 de março de 2002, citada a seguir, ao Considerando que a realização de terapias não
definir as competências e habilidades do/a está sendo restringida, discriminada, limitada,
assistente social: cerceada pela presente Resolução, pois,
qualquer cidadão poderá exercê-las desde que
“A) GERAL tenha formação para tal, conforme inciso XIII
do artigo 5º da Constituição Federal, eis que

52
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
não são privativas de profissão regulamentada social e/ou ao exercício profissional as
por lei; atividades definidas no artigo 2º desta
Resolução;

Considerando que o profissional assistente


social, para exercer as atividades que lhes são Parágrafo primeiro – O Assistente Social, em
privativas e as de sua competência, nos termos seu trabalho profissional com indivíduos,
previstos pela Lei 8662/93, em qualquer campo grupos e/ou famílias, inclusive em equipe
ou área, está devidamente habilitado a partir de multidisciplinar ou interdisciplinar, deverá
sua inscrição no Conselho Regional de Serviço ater-se às suas habilidades, competências e
Social; atribuições privativas previstas na Lei 8662/93,
que regulamenta a profissão de assistente
social.
Considerando que a presente Resolução está em
conformidade com as normas e princípios do
Direito Administrativo e com o interesse Parágrafo segundo – A presente Resolução
público, os quais exigem que os serviços assegura a atuação profissional com indivíduos,
prestados pelo assistente social ao usuário grupos, famílias e/ou comunidade,
sejam efetivados com absoluta qualidade e fundamentada nas competências e atribuições
competência teórico-metodológica, ético- estabelecidas na Lei 8662/93, nos princípios do
política e técnico-operativa, nos limites de sua Código de Ética do Assistente Social e nos
atribuição profissional; fundamentos históricos, teóricos e
metodológicos do Serviço Social previstos na
Resolução CNE/CES/MEC nº 15, de 13 de
Considerando a discussão e deliberação do março de 2002, garantindo o pluralismo no
XXXVII Encontro Nacional CFESS/CRESS, exercício profissional.
realizada nos dias 25 a 28 de setembro de 2008,
em Brasília/DF, ratificada pelo XXXVIII
Encontro Nacional CFESS/CRESS, realizado Art. 4º. O não cumprimento dos termos da
nos dias 06 a 09 de setembro de 2009, em presente Resolução implicará, conforme o caso,
Campo Grande/MS; na apuração das responsabilidades disciplinares
e/ou éticas, nos termos do Código de Ética do
Assistente Social, regulamentado pela
RESOLVE: Resolução CFESS nº 273/93, de 13 de março de
Art. 1º. A realização de terapias não constitui 1993.
atribuição e competência do assistente social.
Parágrafo único – A apuração da
Art. 2º. Para fins dessa Resolução consideram- responsabilidade disciplinar e/ou ética, de que
se como terapias individuais, grupais e/ou trata o “caput” do presente artigo, dar-se-á por
comunitárias: meio dos procedimentos previstos pelo Código
Processual de Ética, regulamentado pela
a. Intervenção profissional que visa a tratar Resolução CFESS nº 428/2002.
problemas somáticos, psíquicos ou
psicossomáticos, suas causas e seus sintomas;
b. Atividades profissionais e/ou clínicas com Art. 5º. O Conselho Federal de Serviço Social e
fins medicinais, curativos, psicológicos e/ou os Conselhos Regionais de Serviço Social
psicanalíticos que atuem sobre a psique. deverão se incumbir de dar plena e total
publicidade a presente norma, por todos os
meios disponíveis, de forma que ela seja
Art. 3º. Fica vedado ao Assistente Social conhecida pelos assistentes sociais bem como
vincular ou associar ao título de assistente

53
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
pelas instituições, órgãos ou entidades no
âmbito do Serviço Social;

Art. 6º. Os profissionais que se encontrem na


situação mencionada nesta Resolução, terão o
prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da
data de sua publicação, para processarem as
modificações e adequações que se fizerem
necessárias ao seu integral cumprimento, sob
pena de aplicação das medidas cabíveis.

Parágrafo único – A publicação da presente


Resolução surtirá os efeitos legais da
NOTIFICAÇÃO, previstos pela alínea “b” do
artigo 22 do Código de Ética do Assistente
Social.

Art. 7º. Os casos omissos serão resolvidos pelo


Conselho Pleno do Conselho Federal de
Serviço Social.

Art. 8º. Esta Resolução entra em vigor na data


de sua publicação, revogando integralmente as
disposições em contrário.

Ivanete Salete Boschetti


Presidente do CFESS

Anotações:

54
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 594, de 21 de atitude de desconstrução do machismo na
janeiro de 2011 - Altera o Código de linguagem gramatical;
Ética do Assistente Social, introduzindo
aperfeiçoamentos formais, gramaticais e Considerando, ainda, a supremacia da categoria
conceituais em seu texto e garantindo a dos assistentes sociais representada,
linguagem de gênero. nacionalmente por mais de 95% de mulheres;

EMENTA: Altera o Código de Ética do Considerando a aprovação das alterações pelo


Assistente Social, introduzindo Conselho Pleno do CFESS, reunido nos dias 4
aperfeiçoamentos formais, gramaticais e a 7 de novembro de 2010;
conceituais em seu texto e garantindo a
linguagem de gênero.
RESOLVE:

A Presidente do Conselho Federal de Serviço Art. 1º. Numerar em ordem seqüencial, em


Social, no uso de suas atribuições legais e algarismos romanos, os princípios contidos no
regimentais; Código de Ética do Assistente Social, instituído
pela Resolução CFESS nº 273, de 13 de março
de 1993, publicada no Diário Oficial da União
Considerando a necessidade de alterar o Código nº 60, de 30 de março de 1993, Seção 1, páginas
de Ética do Assistente Social, em vigor, 4004 a 4007.
regulamentado pela Resolução CFESS nº 273,
de 13 de março de 1993, com as alterações
introduzidas pelas Resoluções CFESS nº 290, Art.2º. Adotar as correções gramaticais e
de 6 de fevereiro de 1994; nº 293, de 4 de maio ortográficas no Código de Ética do Assistente
de 1994 e nº 333, de 14 de dezembro de 1996; Social de modo a aperfeiçoá-lo e adequá-lo as
novas regras da língua portuguesa.

Considerando a necessidade de
aperfeiçoamentos jurídicos formais, bem como Art. 3º. Substituir a designação “opção sexual”
correções sobre orientação sexual e identidade por “orientação sexual” e no princípio XI
de gênero, no texto do Código de Ética do substituir gênero por “identidade de gênero”
Assistente Social, conforme alterações
apresentadas pela Comissão Nacional de Ética
Art. 4º. Introduzir em todo o texto do Código de
e Direitos Humanos do CFESS;
Ética do Assistente Social, de que trata a
Resolução CFESS nº 273/93, a linguagem de
Considerando a aprovação no 39º Encontro gênero, adotando forma feminina e masculina:
Nacional CFESS CRESS, realizado nos dias 9 “o/a; os/as; trabalhadores/as, etc.”.
a 12 de setembro de 2010, que deliberou pelas
alterações consignadas nesta Resolução;
Art. 5º. A presente Resolução entra em vigor
na data da sua publicação e suas alterações
Considerando, ademais, a necessidade de deverão ser incorporadas ao texto da Resolução
garantir a linguagem de gênero, incluindo nos CFESS nº 273, de 13 de março de 1993, com a
textos do Código de Ética a menção de “ambos seguinte menção: “Resolução atualizada com as
os gêneros”, conforme procedimento que vem alterações introduzidas pelas Resoluções
sendo adotado em todos os textos e publicações CFESS: nº 290, de 06 de fevereiro de 1994; nº
do CFESS, de forma a contribuir com uma 293, de 04 de maio de 1994; nº 333, de 14 de
dezembro de 1996; nº 594, de 21 de janeiro de
2011.”

55
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Ivanete Salete Boschetti
Presidente do CFESS

Anotações:

56
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS N° 615, de 8 de Considerando que toda pessoa tem direito ao
setembro de 2011 - Dispõe sobre a tratamento correspondente a sua identidade de
inclusão e uso do nome social da gênero;
assistente social travesti e do(a)
assistente social transexual nos Considerando que se define identidade de
documentos de identidade gênero como a “experiência interna e individual
profissional. do gênero de cada pessoa, que pode ou não
corresponder ao sexo atribuído no nascimento,
incluindo o senso pessoal do corpo (que pode
EMENTA: Dispõe sobre a inclusão e uso do envolver, por livre escolha, modificação da
nome social da assistente social travesti e aparência ou função corporal por meios
do(a) assistente social transexual nos médicos, cirúrgicos ou outros) e outras
documentos de identidade profissional. expressões de gênero, inclusive vestimenta,
modo de falar e maneirismos” (Princípios de
Yogyakarta, 2006).
O Conselho Federal de Serviço Social no uso
de suas atribuições legais e regimentais, que lhe
são conferidas pela lei 8662/1993; Considerando que a presente Resolução traduz
os pressupostos do Projeto Ético e Político do
Serviço Social que contem a projeção de uma
Considerando o disposto no art. 5°, caput da outra sociabilidade – “aquela em que se
Constituição da República Federativa do Brasil, propicie aos trabalhadores um pleno
que dispõe que todos são iguais perante a lei, desenvolvimento para a invenção e vivência de
sem distinção de qualquer natureza, onde novos valores, o que, evidentemente, supõe a
assegura os direitos fundamentais à igualdade, erradicação de todos os processos de
à liberdade, ao respeito e à dignidade da pessoa exploração, opressão e alienação.” (CFESS,
humana; Código de Ética do(a) Assistente Social, 2011);

Considerando que é objetivo do CFESS a Considerando que a presente norma está em


construção de uma sociedade radicalmente conformidade com os princípios do Direito
justa e democrática sem preconceitos de Administrativo e em conformidade com o
origem, raça, etnia, sexo, orientação sexual, interesse público;
identidade de gênero, cor, idade ou quaisquer
outras formas de discriminação, em
consonância com o Código de Ética do(a) Considerando a aprovação da presente
Assistente Social; Resolução pelo Conselho Pleno do CFESS, em
reunião realizada em 21 de agosto de 2011;
Considerando que os direitos à livre orientação
sexual e à livre identidade de gênero constituem RESOLVE:
direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais,
travestis e transexuais (LGBT), e que a sua
proteção requer ações efetivas das entidades do Art. 1º. Fica assegurado às pessoas travestis e
Serviço Social no sentido de assegurar o pleno transexuais, nos termos desta resolução, o
exercício da cidadania da população LGBT direito à escolha de tratamento nominal a ser
(lésbicas, gays, bissexuais, travestis e inserido na Cédula e na Carteira de Identidade
transexuais); Profissional, bem como nos atos e
procedimentos promovidos no âmbito do
CFESS e dos CRESS;

57
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Parágrafo 1º. As Carteiras e Cédulas de Art. 5º. Os (As) profissionais que se encontrem
Identidade profissional, a partir da nova na situação mencionada nesta Resolução,
expedição pelo CFESS, serão confeccionadas poderão solicitar a substituição de seus
contendo um campo adequado para inserção do documentos profissionais a contar da data de
nome social do(a) assistente social, que assim sua publicação, para processarem as
requererem. modificações e adequações que se fizerem
necessárias;

Parágrafo 2º. Até serem expedidos os novos


documentos profissionais o nome social será Art. 6º. Os casos omissos serão resolvidos pelo
inserido somente na Carteira de Identidade Conselho Pleno do CFESS.
Profissional no campo “Nome”, sendo o nome
civil grafado na linha seguinte.
Art. 7º. Esta Resolução entra em vigor na data
de sua publicação.
Art. 2º. A pessoa interessada solicitará, por
escrito e indicará, no momento da sua inscrição
no Conselho Regional de Serviço Social - Samya Rodrigues Ramos
CRESS, o prenome que corresponda à forma Presidente do CFESS
pela qual se reconheça, é identificada,
reconhecida e denominada por sua comunidade
e em sua inserção social; Anotações:

Parágrafo único – Os(As) Conselheiros(as),


funcionários(as), assessores(as) dos CRESS e
do CFESS deverão tratar a pessoa pelo prenome
indicado, que constará dos atos escritos, de
competência dos mesmos.

Art. 3º. Fica permitida a utilização do nome


social nas assinaturas decorrentes do trabalho
desenvolvido pelo(a) assistente social,
juntamente com o número do registro
profissional.

Parágrafo único – Para efeito de tratamento


profissional do(a) assistente social, a exemplo
de crachás, dentre outros, deverá ser utilizado
somente o nome social e o número de registro.

Art. 4º. O CFESS e os CRESS deverão se


incumbir de dar plena e total publicidade a
presente norma, por todos os meios disponíveis,
de forma que ela seja conhecida pelos/pelas
assistentes sociais bem como pelas instituições,
órgãos ou entidades que prestam serviços
sociais;

58
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 627, de 9 de
abril de 2012 - Dispõe sobre a vedação Considerando que a liberdade de crença ou da
de utilização de símbolos, imagens e ausência de crença de quem não se vê
escritos religiosos representada por qualquer símbolo religioso,
deve ser igualmente respeitada;

Ementa: Dispõe sobre a VEDAÇÃO de


utilização de SÍMBOLOS, IMAGENS E Considerando as normas e princípios do Código
ESCRITOS RELIGIOSOS nas de Ética do Assistente Social, regulamentado
dependências do Conselho Federal; dos pela Resolução CFESS nº 273, de 13 de março
Conselhos Regionais e das Seccionais de de 1993, que adota como seus “valores
Serviço Social. fundantes a liberdade e a justiça social,
articulados a partir da exigência democrática
tomada como valor ético central e o único
O Conselho Federal de Serviço Social no uso padrão de organização politico social capaz de
de suas atribuições legais e regimentais, que lhe assegurar a explicitação dos valores essenciais
são conferidas pela Lei 8662/93; da liberdade e da equidade”; (Introdução ao
Código de Ética do Assistente Social, que faz
parte integrante da Resolução CFESS nº
Considerando o que preceitua a Constituição 273/1993);
Federal em seu art. 5º, que estabelece que
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza, garantindo-se aos Considerando ser de competência, exclusiva,
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País do Conselho Federal de Serviço Social –
a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, CFESS a regulamentação da presente matéria,
à igualdade, à segurança (...): (...) VI – é conforme previsão do “caput” e de seu inciso I
inviolável a liberdade de consciência e de do artigo 8º da Lei 8662/93;
crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a
proteção aos locais de culto e suas liturgias”; Considerando que a regulamentação da
presenta matéria foi aprovada pelo 40º
Encontro Nacional CFESS/CRESS, realizado
Considerando que o Brasil é um Estado Laico, em setembro de 2011 em Brasília/DF e a
que significa: Estado não confessional, sem presente Resolução pelo Conselho Pleno do
religião oficial ou obrigatória. A palavra “laico” CFESS, em reunião realizada em 31 de março
significa, assim, uma atitude crítica e de 2012;
separadora da interferência da religião
organizada na vida pública das sociedades
contemporâneas; RESOLVE:

Considerando que as entidades de fiscalização Art. 1º. Fica vedado ao Conselho Federal de
profissional são entidades públicas defendendo, Serviço Social – CFESS, aos Conselhos
portanto, os interesses da sociedade; ou seja, Regionais de Serviço Social - CRESS e às
pertencente, em última análise, a todos os Seccionais o uso de qualquer símbolo, imagem
cidadãos; e escritos religiosos em suas dependências.

Considerando que o Estado não tem sentimento Art. 2º. A remoção dos símbolos, imagens e
religioso e, laico como é, não deve estabelecer escritos religiosos que, eventualmente, se
preferências ou se manifestar por meio de seus encontrarem nas sedes das entidades
órgãos ou entidades; especificadas, deverá ser feita, no prazo de 30

59
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
(trinta) dias a contar da vigência da presente
Resolução. Anotações:

Art. 3º. O não cumprimento dos termos da


presente Resolução implicará, conforme o caso,
na apuração das responsabilidades dos (as)
dirigentes das entidades, sujeitos (as) à conduta
prevista nesta Resolução, conforme disposições
previstas no Estatuto do Conjunto
CFESS/CRESS e princípios do Código de Ética
do Assistente Social.

Art. 4º. O CFESS e os CRESS e as Seccionais


deverão se incumbir de dar plena e total
publicidade a presente norma, por todos os
meios disponíveis, de forma que ela seja
conhecida por todos(as) os(as)
Conselheiros(as), funcionários(as),
assessores(as) e outros.

Art. 5º. Os casos omissos serão resolvidos pelo


Conselho Pleno do CFESS.

Art. 6º. Esta Resolução entra em vigor na data


de sua publicação, revogando integralmente as
disposições em contrário.

Sâmya Rodrigues Ramos


Presidente do CFESS

60
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS nº 785, de 22 de da União nº 60, de 30 de março de 1993, Seção
dezembro de 2016 - Dispõe sobre a I, que Institui o Código de Ética Profissional
inclusão e uso do nome social da dos Assistentes Sociais;
assistente social travesti e da/do
assistente social transexual no Considerando a Consolidação das Resoluções
Documento de Identidade Profissional. do CFESS, instituída pela Resolução CFESS
nº 582, de 01 de julho de 2010, publicada no
Diário Oficial da União nº 125, de 2 de julho de
EMENTA: Dispõe sobre a inclusão e uso do 2010, Seção 1;
nome social da assistente social travesti e
da/do assistente social transexual no
Documento de Identidade Profissional. Considerando a Resolução CFESS n° 615, de 8
de setembro de 2011, publicada no Diário
Oficial da União nº 174, de 9 de setembro de
O Presidente do Conselho Federal de Serviço 2011, Seção 1, que Dispõe sobre a inclusão e
Social, no uso de suas atribuições legais e uso do nome social da assistente social travesti
regimentais; e do(a) assistente social transexual nos
documentos de identidade profissional;
Considerando o disposto no art. 5°, caput, da
Constituição da República Federativa do Brasil, Considerando a Resolução CFESS nº 696, de
que dispõe que todos são iguais perante a lei, 15 de dezembro de 2014, publicada no Diário
sem distinção de qualquer natureza, onde Oficial da União nº 244, de 17 de dezembro de
assegura os direitos fundamentais à igualdade, 2014, Seção 1, que normatiza o
à liberdade, ao respeito e à dignidade da pessoa recadastramento nacional dos/as assistentes
humana; sociais, a substituição das atuais carteiras e
cédulas de identidade profissional e pesquisa
sobre o perfil do/da assistente social e realidade
Considerando que o artigo 8º da Lei nº 8.662,
do exercício profissional no país.
de 07 de junho de 1993, publicada no Diário
Oficial da União nº 107, de 8 de junho de 1993,
Seção 1, estabelece que compete ao Conselho Considerando a Manifestação Jurídica nº
Federal de Serviço Social, na qualidade de 136/2016-V, de lavra do assessor jurídico Vitor
órgão normativo de grau superior, o exercício, Silva Alencar, acatado pelo colegiado do
dentre outras, da atribuição de orientar, CFESS reunido em 20 de novembro de 2016;
disciplinar e normatizar o exercício da
profissão do assistente social;
Considerando a aprovação da presente
Resolução pelo Conselho Pleno do CFESS de
Considerando a disposição do artigo 17 da Lei 17 de dezembro de 2016;
nº 8.662, de 07 de junho de 1993, que
estabelece, expressamente, que a Carteira de
Identificação Profissional expedida pelos RESOLVE:
Conselhos Regionais de Serviço Social
(CRESS) servirá de prova para fins de exercício
profissional e de Carteira de Identidade Pessoal, Art. 1º Fica assegurado aos profissionais
e terá fé pública em todo o território nacional; travestis e transexuais, nos termos desta
resolução, o direito à escolha de tratamento
nominal a ser inserido no Documento de
Considerando a Resolução CFESS nº 273, de Identidade Profissional da/do Assistente Social,
13 de março 1993, publicada no Diário Oficial bem como nos atos e procedimentos

61
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
promovidos no âmbito do CFESS e dos outros, deverá ser utilizado somente o nome
CRESS. social e o número de registro.

Parágrafo único O direito à inserção do nome Art. 5º As/os profissionais travestis e


social no Documento de Identidade transexuais que fazem jus à inclusão do nome
Profissional da/do Assistente Social previsto na social no Documento de Identidade
presente resolução limita-se tão somente aos Profissional da/do Assistente Social estão
profissionais travestis e transexuais, sendo sujeitos aos procedimentos previstos na
vedada a sua utilização por qualquer outra Resolução CFESS nº 696, de 15 de dezembro
pessoa. de 2014, publicada no Diário Oficial da União
nº 244, de 17 de dezembro de 2014, Seção 1.

Art. 2º As/os profissionais travestis e


transexuais fazem jus à inclusão do nome social § 1o As/os profissionais travestis e transexuais
junto à sua fotografia no anverso do Documento que solicitarem a substituição das atuais
de Identidade Profissional, deslocando-se o Carteiras e Cédulas pelo novo Documento de
nome civil para o verso, respeitadas as demais Identidade Profissional receberão o documento
características previstas no artigo 69 da descrito no artigo 2o tão logo seja concluído o
Resolução CFESS nº 582 de 1 de julho de processo de formulação de layout específico
2010, publicada no Diário Oficial da União nº pela empresa responsável pela emissão dos
125, de 2 de julho de 2010, Seção 1. documentos.

Art. 3º A pessoa interessada solicitará por § 2o As inscrições solicitadas por profissionais


escrito a utilização do nome social no travestis e transexuais, que gerarão
Documento de Identidade Profissional e obrigatoriamente a emissão do novo
indicará, no momento da sua inscrição no Documento de Identidade Profissional,
CRESS, o prenome que corresponda à forma sujeitam-se à regra estabelecida no parágrafo
pela qual se reconheça, é identificada, anterior.
reconhecida e denominada por sua comunidade
e em sua inserção social.
§ 3o Enquanto não tiver sido concluído o
processo descrito no § 1o, as/os profissionais
Parágrafo único As/Os Conselheiras/os, travestis e transexuais que solicitarem a
funcionárias/os e assessoras/es dos CRESS e do inscrição receberão, após a homologação,
CFESS deverão tratar a pessoa pelo prenome declaração do CRESS onde conste o número de
indicado, que constará dos atos escritos de inscrição com validade de 90 dias, prorrogáveis
competência dos mesmos. por igual período quando necessário.

Art. 4º Fica permitida a utilização do nome § 4o Os requerimentos de inscrição ou os


social nas assinaturas decorrentes do trabalho pedidos de substituição das atuais Carteiras e
desenvolvido pelas/os profissionais travestis e Cédulas pelo novo Documento de Identidade
transexuais, juntamente com o número do Profissional realizados por profissionais
registro profissional. travestis e transexuais, no período de 12 de
dezembro de 2016 a 31 de dezembro de 2017,
custarão o valor estabelecido na Resolução
Parágrafo único Para efeito de tratamento CFESS nº 724/2015, ou seja, R$ 79,12
profissional das/dos assistentes sociais travestis (inscrição) e 59,32 (substituição).
e transexuais, a exemplo de crachás, dentre

62
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 6º O CFESS e os CRESS deverão se
incumbir de dar plena e total publicidade à
presente norma, por todos os meios disponíveis,
de forma que ela seja conhecida pelas/os
assistentes sociais e pelas instituições, órgãos
ou entidades que prestam serviços sociais.

Art. 7o Fica revogada a Resolução CFESS n°


615, de 8 de setembro de 2011.

Art. 8º A presente Resolução entra em vigor na


data da sua publicação no Diário Oficial da
União, retroagindo seus efeitos a 12 de
dezembro de 2016.

MAURÍLIO CASTRO DE MATOS


Presidente do CFESS

Anotações:

63
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 845, de 26 de individual do gênero de cada pessoa, que pode
fevereiro de 2018 - Dispõe sobre ou não corresponder ao sexo atribuído no
atuação profissional do/a assistente nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo
social em relação ao processo (que pode envolver, por livre escolha,
modificação da aparência ou função corporal
transexualizador
por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e
outras expressões de gênero, inclusive
EMENTA: Dispõe sobre atuação vestimenta, modo de falar e maneirismos”;
profissional do/a assistente social em relação Considerando as ações promovidas pelo
ao processo transexualizador. Conjunto CFESS/CRESS, dentre outras:
o“Seminário Nacional Serviço Social e
Diversidade Trans: exercício profissional,
O Conselho Federal de Serviço Social orientação sexual e identidade de gênero em
(CFESS), no uso de suas atribuições legais e debate”, realizado em 2015 e a campanha do
regimentais, que lhe são conferidas pela lei CFESS em 2013: “Nem rótulos, nem
8662/93, publicada no Diário Oficial da União preconceito. Quero respeito”;
nº 107, de 8 de junho de 1993, Seção 1;
Considerando a histórica participação de
Considerando o disposto no art. 5°, caput da assistentes sociais na composição de equipe
Constituição da República Federativa do Brasil, multiprofissional, ratificada no denominado
que dispõe que todos são iguais perante a lei, “processo transexualizador” regulado pela
sem distinção de qualquer natureza, onde Portaria do Ministério da Saúde nº 2803/2013;
assegura os direitos fundamentais à igualdade,
à liberdade, à tolerância e à dignidade da pessoa Considerando a mobilização internacional pela
humana; despatologização da transexualidade, os
debates no âmbito da OMS e de profissões da
Considerando que a construção de uma área de saúde, nessa perspectiva;
sociedade radicalmente justa e democrática sem
preconceitos de origem, raça, sexo, orientação Considerando o Decreto Presidencial nº 8727,
sexual, identidade de gênero, cor, idade ou de 28 de abril de 2016, que dispõe sobre o uso
quaisquer outras formas de discriminação é do nome social e o reconhecimento da
princípio inscrito no Código de Ética do(a) identidade de gênero de pessoas travestis e
Assistente Social; transexuais no âmbito da administração pública
federal direta autárquica e fundacional;
Considerando que os direitos da livre
orientação sexual e livre identidade de gênero Considerando a aprovação da presente
constituem direitos humanos de lésbicas, gays, resolução pelo Conselho Pleno do CFESS em
bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), no reunião realizada no dia 24 de Fevereiro de
sentido de assegurar o pleno exercício da 2018;
cidadania e a saúde integral da população
LGBT;
RESOLVE:

Considerando que reconhecer a liberdade como


Art. 1º As(Os) assistentes sociais deverão
um valor ético central implica a defesa de
contribuir, no âmbito de seu espaço de trabalho,
autonomia dos indivíduos sociais sobre seus
para a promoção de uma cultura de respeito à
próprios corpos;
diversidade de expressão e identidade de
Considerando os Princípios de Yogyakarta de gênero, a partir de reflexões críticas acerca dos
2007, referentes à aplicação da legislação padrões de gênero estabelecidos socialmente.
internacional de direitos humanos, que Art. 2º É competência da/o assistente social
compreende a identidade de gênero como: “a prestar acompanhamento a sujeitos que buscam
profundamente sentida experiência interna e

64
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
as transformações corporais em consonância Art. 9° É vedado à(ao) assistente social a
com suas expressões e identidade de gênero. utilização de instrumentos e técnicas que criem,
mantenham ou reforcem preconceitos à
população trans.
Art. 3º As(Os) assistentes sociais, ao realizarem
o atendimento, deverão utilizar de seus
referenciais teórico-metodológicos e ético- Art. 10 O não cumprimento dos termos da
políticos, com base no Código de Ética da/o presente resolução implicará, conforme o caso,
Assistente Social, rejeitando qualquer na apuração das responsabilidades éticas da(o)
avaliação ou modelo patologizado ou corretivo assistente social, nos termos do Código de Ética
da diversidade de expressão e identidade de do(a) assistente social, regulamentado pela
gênero. Resolução CFESS nº 273, de 13 de março de
1993.

Art. 4º A atuação da(o) assistente social deve se


pautar pela integralidade da atenção à saúde e Art. 11 Os casos omissos serão resolvidos pelo
considerar as diversas necessidades das(os) Conselho Pleno do CFESS.
usuárias(os) e o atendimento a seus direitos
tendo em vista que esse acompanhamento não
deve ser focalizado nos procedimentos Art. 12 Esta Resolução entra em vigor na data
hormonais ou cirúrgicos. de sua publicação no Diário Oficial da União,
complementando as disposições do Código de
Ética Profissional do(a) Assistente Social,
Art. 5º Quando pertinente, cabe à(ao) assistente regulamentado pela Resolução CFESS nº 273,
social emitir opinião técnica a respeito de de 13 de março de 1993.
procedimentos relacionados às transformações
corporais.
Art. 13 O CFESS e os CRESS deverão dar
ampla publicidade à presente norma, por todos
Art. 6º A(O) assistente social deverá respeitar o os meios disponíveis de forma que ela seja
direito à autodesignação das/os usuários do conhecida pelas(os) assistentes sociais, pelas
serviço como pessoas trans, travestis, instituições, órgãos e entidades onde haja
transexuais, transgêneros. atuação da(o) assistente social, bem como para
a sociedade.

Art. 7º É dever da(o) assistente social defender


a utilização do nome social das(os) JOSIANE SOARES SANTOS
usuárias(os), na perspectiva do Presidente do CFESS
aprofundamento dos direitos humanos.

Anotações:
Art. 8º Cabe à(ao) assistente social atender e
acompanhar crianças e adolescentes que
manifestem expressões de identidades de
gênero trans, considerando as inúmeras
dificuldades que enfrentam no contexto
familiar, escolar e demais relações sociais nesta
fase peculiar de desenvolvimento na
perspectiva do Código de Ética Profissional
da(o) Assistente Social.

65
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO CFESS Nº 861, 11 de junho Considerando que a publicidade é um
de 2018 - Dispõe sobre a publicidade da pressuposto fundamental na aplicação das
execução das penalidades de advertência penas de Advertência Pública; Suspensão e
pública, suspensão e cassação do Cassação do Exercício Profissional, uma vez
que estas são aplicadas objetivando, também, a
exercício profissional do/a assistente
sua divulgação, na perspectiva de que a
social sociedade tenha ciência do ocorrido e da
punição, no caso concreto.;
EMENTA: Dispõe sobre a publicidade da
execução das penalidades de advertência Considerando que o cumprimento rigoroso dos
pública, suspensão e cassação do exercício parâmetros previstos pelo Código de Ética do/a
profissional do/a assistente social, definindo Assistente Social é pressuposto fundamental
a dimensão jurídica de “ORGÃO DE para que o CRESS e o CFESS não extrapolem
IMPRENSA”, regulamentando o artigo 29 a concepção expressa nesses instrumentos
do Código de ética do/a Assistente Social. normativos, quanto a publicidade de seus atos
(quando de natureza pública) para que a
sociedade tenha conhecimento do mesmo;
O Conselho Federal de Serviço Social, no uso
Considerando a Lei nº 12.527/2011, Lei de
de suas atribuições legais e regimentais, que lhe
Acesso à Informação - LAI, que regulamenta o
são conferidas pela lei 8662/93;
direito de qualquer pessoa solicitar e receber
dos órgãos e entidades públicas, informações
Considerando a necessidade de precisar o públicas por eles/as produzidas ou custodiadas,
significado jurídico e a dimensão da acepção o que corrobora o entendimento de que os
“órgão de imprensa”, para unificar os “sítios” (sites) das entidades públicas são
procedimentos, quanto às formas de execução considerados espaço oficial a prestar, dentre
das penalidades de “Advertência Pública”, outros, informações à sociedade;
“Suspensão” e “Cassação do Exercício
Profissional”, previstas pelo artigo 24 do
Considerando a necessidade de limitar os meios
Código de Ética do/a Assistente Social;
institucionais ou redes sociais que podem ser
Considerando a necessidade de conferir
divulgadas as penalidades de natureza pública,
visibilidade e transparência aos atos
na forma prevista na norma ética;
administrativos praticados pelos conselhos
profissionais de Serviço Social, excetos aqueles
considerados sigilosos; Considerando que os sítios dos CRESS e do
CFESS são caracterizados, também, como
“órgãos oficiais de imprensa” e,
Considerando que o ordenamento normativo do
consequentemente, autorizados a publicar a
conjunto CFESS/CRESS e, especialmente,
penalidade de natureza pública, aplicada a/ao
todo o regramento do Código de Ética do/a
assistente social, depois de transitada em
Assistente Social, inclusive a previsão das
julgado a decisão. Considerando a aprovação
penalidades e sua dosimetria, apontam para a
da presente Resolução pelo Conselho Pleno do
perspectiva democrática, tomada como valor
CFESS, em reunião realizada em 09 de junho
ético central, ou seja, a aplicação dessa
de 2018;
concepção tem que ser garantida pelos
Conselhos Regionais/CRESS e Conselho RESOLVE:
Federal de Serviço Social/CFESS, na execução
das penas;
Art. 1º. A penalidade de Advertência Pública;
de Suspensão do Exercício Profissional e de
Cassação do Registro Profissional, previstas

66
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
pelo artigo 24, alíneas “c”, “d” e “e” do Código postagens de penalidades públicas aplicadas
de Ética Profissional do/a Assistente Social, pelos CRESS, na rede social Facebook ou em
para a sua devida execução, após a certificação outras mídias sociais.
do trânsito em julgado da decisão punitiva do
Conselho Regional de Serviço Social/CRESS,
deverá cumprir os requisitos previstos pelo Art. 5º. Os casos omissos serão resolvidos pelo
artigo 29 do Código de Ética: CFESS. Art. 6º. Esta Resolução entra em vigor
na data de sua publicação, revogando
integralmente as disposições em contrário,
I. Publicação em Diário Oficial do Estado, da devendo ser amplamente divulgada perante os
jurisdição do penalizado; Conselhos Regionais de Serviço Social e
Seccionais.
II Publicação em órgão de imprensa e,
(Jornal, periódico, site do CRESS)
III. Afixação na sede do Conselho Regional Josiane Soares Santos
onde estiver inserido/a o/a denunciado/a e na Presidente do CFESS
Seccional do CRESS da jurisdição de seu
domicílio.
Anotações:
Parágrafo único. A publicação no Diário
Oficial/DO não exclui a publicação no órgão de
imprensa.

Art. 2º. Para efeito da aplicação das penalidades


de Advertência Pública, Suspensão do
Exercício Profissional e Cassação do Registro
Profissional, previstas pelas alíneas “c”, “d” e
“e” do artigo 24 do Código de Ética do
Assistente Social, sem prejuízo dos demais
requisitos previstos pelo artigo 29 do mesmo
instrumento normativo, o sítio (site) dos
Conselhos Regionais de Serviço Social –
CRESS é, também, considerado, para todos os
efeitos de direito, “órgão de imprensa”, ou seja,
espaço oficial para publicação das penalidades
públicas pelo prazo de vinte quatro horas
consecutivas, excluindo-se qualquer rede social
que, por ventura, o CRESS alimente ou
mantenha sob sua responsabilidade.

Art. 3º. Para operacionalização do


procedimento previsto no artigo 2º da presente
Resolução, a publicação efetivada perante o
Diário Oficial do Estado poderá ser “replicada”,
no sítio institucional do CRESS.

Art. 4º. Fica vedado aos Conselhos Regionais


de Serviço Social – CRESS e as Seccionais as

67
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

CAPÍTULO II:
LEGISLAÇÃO DA
ASSISTÊNCIA SOCIAL

68
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 - DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
II - serviço da dívida; (Incluído pela Emenda
Art. 203. A assistência social será prestada a Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
quem dela necessitar, independentemente de
contribuição à seguridade social, e tem por III - qualquer outra despesa corrente não
objetivos: vinculada diretamente aos investimentos ou ações
apoiados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
I - a proteção à família, à maternidade, à 42, de 19.12.2003)
infância, à adolescência e à velhice;

II - o amparo às crianças e adolescentes


carentes;
Anotações:
III - a promoção da integração ao mercado de
trabalho;

IV - a habilitação e reabilitação das pessoas


portadoras de deficiência e a promoção de sua
integração à vida comunitária;

V - a garantia de um salário mínimo de


benefício mensal à pessoa portadora de deficiência
e ao idoso que comprovem não possuir meios de
prover à própria manutenção ou de tê-la provida por
sua família, conforme dispuser a lei.

Art. 204. As ações governamentais na área


da assistência social serão realizadas com recursos
do orçamento da seguridade social, previstos no
art. 195, além de outras fontes, e organizadas com
base nas seguintes diretrizes:

I - descentralização político-administrativa,
cabendo a coordenação e as normas gerais à
esfera federal e a coordenação e a execução dos
respectivos programas às esferas estadual e
municipal, bem como a entidades beneficentes e de
assistência social;

II - participação da população, por meio de


organizações representativas, na formulação das
políticas e no controle das ações em todos os
níveis.

Parágrafo único. É facultado aos Estados e


ao Distrito Federal vincular a programa de apoio à
inclusão e promoção social até cinco décimos por
cento de sua receita tributária líquida, vedada a
aplicação desses recursos no pagamento de:
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

I - despesas com pessoal e encargos sociais;


(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de
19.12.2003)

69
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
LEI Nº 8.742, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1993 – Lei Orgânica da Assistência
Social (LOAS)

Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras providências.

socioassistenciais. (Redação dada


pela Lei nº 12.435, de 2011)
LEI ORGÂNICA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
Parágrafo único. Para o enfrentamento da
pobreza, a assistência social realiza-se de forma
integrada às políticas setoriais, garantindo mínimos
CAPÍTULO I
sociais e provimento de condições para atender
Das Definições e dos Objetivos contingências sociais e promovendo a
universalização dos direitos
Art. 1º A assistência social, direito do cidadão sociais. (Redação dada pela Lei nº
e dever do Estado, é Política de Seguridade Social 12.435, de 2011)
não contributiva, que provê os mínimos sociais,
realizada através de um conjunto integrado de Art. 3o Consideram-se entidades e organizações
ações de iniciativa pública e da sociedade, para de assistência social aquelas sem fins lucrativos
garantir o atendimento às necessidades básicas. que, isolada ou cumulativamente, prestam
atendimento e assessoramento aos beneficiários
Art. 2o A assistência social tem por abrangidos por esta Lei, bem como as que atuam
objetivos: (Redação dada pela Lei nº na defesa e garantia de
12.435, de 2011) direitos. (Redação dada pela Lei nº
I - a proteção social, que visa à garantia da vida, à 12.435, de 2011)
redução de danos e à prevenção da incidência de § 1o São de atendimento aquelas entidades que,
riscos, especialmente: (Redação dada de forma continuada, permanente e planejada,
pela Lei nº 12.435, de 2011) prestam serviços, executam programas ou projetos
a) a proteção à família, à maternidade, à infância, à e concedem benefícios de prestação social básica
adolescência e à velhice; (Incluído pela ou especial, dirigidos às famílias e indivíduos em
Lei nº 12.435, de 2011) situações de vulnerabilidade ou risco social e
pessoal, nos termos desta Lei, e respeitadas as
b) o amparo às crianças e aos adolescentes deliberações do Conselho Nacional de Assistência
carentes; (Incluído pela Lei nº 12.435, de Social (CNAS), de que tratam os incisos I e II do art.
2011) 18. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
c) a promoção da integração ao mercado de 2011)
trabalho; (Incluído pela Lei nº 12.435, § 2o São de assessoramento aquelas que, de
de 2011) forma continuada, permanente e planejada,
d) a habilitação e reabilitação das pessoas com prestam serviços e executam programas ou
deficiência e a promoção de sua integração à vida projetos voltados prioritariamente para o
comunitária; e (Incluído pela Lei nº fortalecimento dos movimentos sociais e das
12.435, de 2011) organizações de usuários, formação e capacitação
de lideranças, dirigidos ao público da política de
e) a garantia de 1 (um) salário-mínimo de benefício assistência social, nos termos desta Lei, e
mensal à pessoa com deficiência e ao idoso que respeitadas as deliberações do CNAS, de que
comprovem não possuir meios de prover a própria tratam os incisos I e II do art. 18. (Incluído
manutenção ou de tê-la provida por sua pela Lei nº 12.435, de 2011)
família; (Incluído pela Lei nº 12.435, de
2011) § 3o São de defesa e garantia de direitos aquelas
que, de forma continuada, permanente e planejada,
II - a vigilância socioassistencial, que visa a analisar prestam serviços e executam programas e projetos
territorialmente a capacidade protetiva das famílias voltados prioritariamente para a defesa e efetivação
e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de dos direitos socioassistenciais, construção de
ameaças, de vitimizações e novos direitos, promoção da cidadania,
danos; (Redação dada pela Lei nº enfrentamento das desigualdades sociais,
12.435, de 2011) articulação com órgãos públicos de defesa de
III - a defesa de direitos, que visa a garantir o pleno direitos, dirigidos ao público da política de
acesso aos direitos no conjunto das provisões assistência social, nos termos desta Lei, e
respeitadas as deliberações do CNAS, de que

70
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
tratam os incisos I e II do art.
18. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
Art. 6o A gestão das ações na área de assistência
2011)
social fica organizada sob a forma de sistema
descentralizado e participativo, denominado
Sistema Único de Assistência Social (Suas), com
CAPÍTULO II
os seguintes objetivos: (Redação dada
Dos Princípios e das Diretrizes pela Lei nº 12.435, de 2011)
I - consolidar a gestão compartilhada, o
cofinanciamento e a cooperação técnica entre os
SEÇÃO I
entes federativos que, de modo articulado, operam
Dos Princípios a proteção social não
contributiva; (Incluído pela Lei nº 12.435,
de 2011)
Art. 4º A assistência social rege-se pelos II - integrar a rede pública e privada de serviços,
seguintes princípios: programas, projetos e benefícios de assistência
I - supremacia do atendimento às social, na forma do art. 6o-C; (Incluído
necessidades sociais sobre as exigências de pela Lei nº 12.435, de 2011)
rentabilidade econômica; III - estabelecer as responsabilidades dos entes
II - universalização dos direitos sociais, a fim federativos na organização, regulação,
de tornar o destinatário da ação assistencial manutenção e expansão das ações de assistência
alcançável pelas demais políticas públicas; social;
III - respeito à dignidade do cidadão, à sua IV - definir os níveis de gestão, respeitadas as
autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços diversidades regionais e
de qualidade, bem como à convivência familiar e municipais; (Incluído pela Lei nº 12.435,
comunitária, vedando-se qualquer comprovação de 2011)
vexatória de necessidade; V - implementar a gestão do trabalho e a educação
IV - igualdade de direitos no acesso ao permanente na assistência
atendimento, sem discriminação de qualquer social; (Incluído pela Lei nº 12.435, de
natureza, garantindo-se equivalência às 2011)
populações urbanas e rurais; VI - estabelecer a gestão integrada de serviços e
V - divulgação ampla dos benefícios, serviços, benefícios; e (Incluído pela Lei nº
programas e projetos assistenciais, bem como dos 12.435, de 2011)
recursos oferecidos pelo Poder Público e dos VII - afiançar a vigilância socioassistencial e a
critérios para sua concessão. garantia de direitos. (Incluído pela Lei nº
SEÇÃO II 12.435, de 2011)
Das Diretrizes § 1o As ações ofertadas no âmbito do Suas têm por
objetivo a proteção à família, à maternidade, à
infância, à adolescência e à velhice e, como base
Art. 5º A organização da assistência social tem de organização, o território. (Incluído pela
como base as seguintes diretrizes: Lei nº 12.435, de 2011)
I - descentralização político-administrativa § 2o O Suas é integrado pelos entes federativos,
para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, pelos respectivos conselhos de assistência social e
e comando único das ações em cada esfera de pelas entidades e organizações de assistência
governo; social abrangidas por esta Lei. (Incluído
pela Lei nº 12.435, de 2011)
II - participação da população, por meio de
organizações representativas, na formulação das § 3o A instância coordenadora da Política Nacional
políticas e no controle das ações em todos os de Assistência Social é o Ministério do
níveis; Desenvolvimento Social e Combate à
Fome. (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011)
III - primazia da responsabilidade do Estado na
condução da política de assistência social em cada § 4º Cabe à instância coordenadora da Política
esfera de governo. Nacional de Assistência Social normatizar e
padronizar o emprego e a divulgação da identidade
visual do Suas. (Incluído pela Lei nº 13.714,
CAPÍTULO III de 2018)

Da Organização e da Gestão

71
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
§ 5º A identidade visual do Suas deverá prevalecer § 3o As entidades e organizações de assistência
na identificação de unidades públicas estatais, social vinculadas ao Suas celebrarão convênios,
entidades e organizações de assistência social, contratos, acordos ou ajustes com o poder público
serviços, programas, projetos e benefícios para a execução, garantido financiamento integral,
vinculados ao Suas. (Incluído pela Lei nº pelo Estado, de serviços, programas, projetos e
13.714, de 2018) ações de assistência social, nos limites da
capacidade instalada, aos beneficiários abrangidos
Art. 6o-A. A assistência social organiza-se pelos
por esta Lei, observando-se as disponibilidades
seguintes tipos de proteção: (Incluído pela
orçamentárias. (Incluído pela Lei nº
Lei nº 12.435, de 2011)
12.435, de 2011)
I - proteção social básica: conjunto de serviços,
§ 4o O cumprimento do disposto no § 3o será
programas, projetos e benefícios da assistência
informado ao Ministério do Desenvolvimento Social
social que visa a prevenir situações de
e Combate à Fome pelo órgão gestor local da
vulnerabilidade e risco social por meio do
assistência social. (Incluído pela Lei nº
desenvolvimento de potencialidades e aquisições e
12.435, de 2011)
do fortalecimento de vínculos familiares e
comunitários; (Incluído pela Lei nº 12.435, Art. 6o-C. As proteções sociais, básica e especial,
de 2011) serão ofertadas precipuamente no Centro de
Referência de Assistência Social (Cras) e no Centro
II - proteção social especial: conjunto de serviços,
de Referência Especializado de Assistência Social
programas e projetos que tem por objetivo
(Creas), respectivamente, e pelas entidades sem
contribuir para a reconstrução de vínculos
fins lucrativos de assistência social de que trata o
familiares e comunitários, a defesa de direito, o
art. 3o desta Lei. (Incluído pela Lei nº
fortalecimento das potencialidades e aquisições e a
12.435, de 2011)
proteção de famílias e indivíduos para o
enfrentamento das situações de violação de § 1o O Cras é a unidade pública municipal, de base
direitos. (Incluído pela Lei nº 12.435, de territorial, localizada em áreas com maiores índices
2011) de vulnerabilidade e risco social, destinada à
articulação dos serviços socioassistenciais no seu
Parágrafo único. A vigilância socioassistencial é
território de abrangência e à prestação de serviços,
um dos instrumentos das proteções da assistência
programas e projetos socioassistenciais de
social que identifica e previne as situações de risco
proteção social básica às
e vulnerabilidade social e seus agravos no
famílias. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
território. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
2011)
2011)
§ 2o O Creas é a unidade pública de abrangência
Art. 6o-B. As proteções sociais básica e especial
e gestão municipal, estadual ou regional, destinada
serão ofertadas pela rede socioassistencial, de
à prestação de serviços a indivíduos e famílias que
forma integrada, diretamente pelos entes públicos
se encontram em situação de risco pessoal ou
e/ou pelas entidades e organizações de assistência
social, por violação de direitos ou contingência, que
social vinculadas ao Suas, respeitadas as
demandam intervenções especializadas da
especificidades de cada ação. (Incluído
proteção social especial. (Incluído pela
pela Lei nº 12.435, de 2011)
Lei nº 12.435, de 2011)
§ 1o A vinculação ao Suas é o reconhecimento pelo
§ 3o Os Cras e os Creas são unidades públicas
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
estatais instituídas no âmbito do Suas, que
Fome de que a entidade de assistência social
possuem interface com as demais políticas públicas
integra a rede socioassistencial. (Incluído
e articulam, coordenam e ofertam os serviços,
pela Lei nº 12.435, de 2011)
programas, projetos e benefícios da assistência
§ 2o Para o reconhecimento referido no § 1o, a social. (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011)
entidade deverá cumprir os seguintes
Art. 6o-D. As instalações dos Cras e dos Creas
requisitos: (Incluído pela Lei nº 12.435, de
devem ser compatíveis com os serviços neles
2011)
ofertados, com espaços para trabalhos em grupo e
I - constituir-se em conformidade com o disposto no ambientes específicos para recepção e
art. 3o; (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011) atendimento reservado das famílias e indivíduos,
assegurada a acessibilidade às pessoas idosas e
II - inscrever-se em Conselho Municipal ou do com deficiência. (Incluído pela Lei nº
Distrito Federal, na forma do art.
12.435, de 2011)
9o; (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011)
Art. 6o-E. Os recursos do cofinanciamento do
III - integrar o sistema de cadastro de entidades de
Suas, destinados à execução das ações
que trata o inciso XI do art. 19. (Incluído
continuadas de assistência social, poderão ser
pela Lei nº 12.435, de 2011) aplicados no pagamento dos profissionais que

72
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
integrarem as equipes de referência, responsáveis Art. 12. Compete à União:
pela organização e oferta daquelas ações,
I - responder pela concessão e manutenção
conforme percentual apresentado pelo Ministério
dos benefícios de prestação continuada definidos
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e
no art. 203 da Constituição Federal;
aprovado pelo CNAS. (Incluído pela Lei nº
12.435, de 2011) II - cofinanciar, por meio de transferência
automática, o aprimoramento da gestão, os
Parágrafo único. A formação das equipes de
serviços, os programas e os projetos de assistência
referência deverá considerar o número de famílias
social em âmbito nacional; (Redação
e indivíduos referenciados, os tipos e modalidades
dada pela Lei nº 12.435, de 2011)
de atendimento e as aquisições que devem ser
garantidas aos usuários, conforme deliberações do III - atender, em conjunto com os Estados, o
CNAS. (Incluído pela Lei nº 12.435, de Distrito Federal e os Municípios, às ações
2011) assistenciais de caráter de emergência.
Art. 7º As ações de assistência social, no IV - realizar o monitoramento e a avaliação da
âmbito das entidades e organizações de política de assistência social e assessorar Estados,
assistência social, observarão as normas Distrito Federal e Municípios para seu
expedidas pelo Conselho Nacional de Assistência desenvolvimento. (Incluído pela Lei nº
Social (CNAS), de que trata o art. 17 desta lei. 12.435, de 2011)
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal Art. 12-A. A União apoiará financeiramente o
e os Municípios, observados os princípios e aprimoramento à gestão descentralizada dos
diretrizes estabelecidos nesta lei, fixarão suas serviços, programas, projetos e benefícios de
respectivas Políticas de Assistência Social. assistência social, por meio do Índice de Gestão
Descentralizada (IGD) do Sistema Único de
Art. 9º O funcionamento das entidades e
Assistência Social (Suas), para a utilização no
organizações de assistência social depende de
âmbito dos Estados, dos Municípios e do Distrito
prévia inscrição no respectivo Conselho Municipal
Federal, destinado, sem prejuízo de outras ações a
de Assistência Social, ou no Conselho de
serem definidas em regulamento,
Assistência Social do Distrito Federal, conforme o
a: (Incluído pela Lei nº 12.435, de 2011)
caso.
I - medir os resultados da gestão descentralizada
§ 1º A regulamentação desta lei definirá os
do Suas, com base na atuação do gestor estadual,
critérios de inscrição e funcionamento das
municipal e do Distrito Federal na implementação,
entidades com atuação em mais de um município
execução e monitoramento dos serviços,
no mesmo Estado, ou em mais de um Estado ou
programas, projetos e benefícios de assistência
Distrito Federal.
social, bem como na articulação
§ 2º Cabe ao Conselho Municipal de intersetorial; (Incluído pela Lei nº 12.435,
Assistência Social e ao Conselho de Assistência de 2011)
Social do Distrito Federal a fiscalização das
II - incentivar a obtenção de resultados qualitativos
entidades referidas no caput na forma prevista em
na gestão estadual, municipal e do Distrito Federal
lei ou regulamento.
do Suas; e (Incluído pela Lei nº 12.435, de
§ 3º (Revogado pela Lei nº 12.101, 2011)
de 2009)
III - calcular o montante de recursos a serem
§ 4º As entidades e organizações de repassados aos entes federados a título de apoio
assistência social podem, para defesa de seus financeiro à gestão do Suas. (Incluído pela
direitos referentes à inscrição e ao funcionamento, Lei nº 12.435, de 2011)
recorrer aos Conselhos Nacional, Estaduais,
§ 1o Os resultados alcançados pelo ente federado
Municipais e do Distrito Federal.
na gestão do Suas, aferidos na forma de
Art. 10. A União, os Estados, os Municípios e regulamento, serão considerados como prestação
o Distrito Federal podem celebrar convênios com de contas dos recursos a serem transferidos a título
entidades e organizações de assistência social, em de apoio financeiro. (Incluído pela Lei nº
conformidade com os Planos aprovados pelos 12.435, de 2011)
respectivos Conselhos.
§ 2o As transferências para apoio à gestão
Art. 11. As ações das três esferas de governo descentralizada do Suas adotarão a sistemática do
na área de assistência social realizam-se de forma Índice de Gestão Descentralizada do Programa
articulada, cabendo a coordenação e as normas Bolsa Família, previsto no art. 8o da Lei no 10.836,
gerais à esfera federal e a coordenação e execução de 9 de janeiro de 2004, e serão efetivadas por
dos programas, em suas respectivas esferas, aos meio de procedimento integrado àquele
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.

73
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
índice. (Incluído pela Lei nº 12.435, de III - executar os projetos de enfrentamento da
2011) pobreza, incluindo a parceria com organizações da
sociedade civil;
§ 3o (VETADO). (Incluído pela Lei nº
12.435, de 2011) IV - atender às ações assistenciais de caráter
de emergência;
§ 4o Para fins de fortalecimento dos Conselhos de
Assistência Social dos Estados, Municípios e V - prestar os serviços assistenciais de que
Distrito Federal, percentual dos recursos trata o art. 23 desta lei.
transferidos deverá ser gasto com atividades de
VI - cofinanciar o aprimoramento da gestão, os
apoio técnico e operacional àqueles colegiados, na
serviços, os programas e os projetos de assistência
forma fixada pelo Ministério do Desenvolvimento
social em âmbito local; (Incluído pela Lei
Social e Combate à Fome, sendo vedada a
nº 12.435, de 2011)
utilização dos recursos para pagamento de pessoal
efetivo e de gratificações de qualquer natureza a VII - realizar o monitoramento e a avaliação da
servidor público estadual, municipal ou do Distrito política de assistência social em seu
Federal. (Incluído pela Lei nº 12.435, de âmbito. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
2011) 2011)
Art. 13. Compete aos Estados: Art. 15. Compete aos Municípios:
I - destinar recursos financeiros aos Municípios, a I - destinar recursos financeiros para custeio do
título de participação no custeio do pagamento dos pagamento dos benefícios eventuais de que trata o
benefícios eventuais de que trata o art. 22, art. 22, mediante critérios estabelecidos pelos
mediante critérios estabelecidos pelos Conselhos Conselhos Municipais de Assistência
Estaduais de Assistência Social; (Redação dada pela Lei nº
Social; (Redação dada pela Lei nº 12.435, de 2011)
12.435, de 2011)
II - efetuar o pagamento dos auxílios
II - cofinanciar, por meio de transferência natalidade e funeral;
automática, o aprimoramento da gestão, os
III - executar os projetos de enfrentamento da
serviços, os programas e os projetos de assistência
pobreza, incluindo a parceria com organizações da
social em âmbito regional ou
local; (Redação dada pela Lei nº 12.435, sociedade civil;
de 2011) IV - atender às ações assistenciais de caráter
de emergência;
III - atender, em conjunto com os Municípios,
às ações assistenciais de caráter de emergência; V - prestar os serviços assistenciais de que
trata o art. 23 desta lei.
IV - estimular e apoiar técnica e
financeiramente as associações e consórcios VI - cofinanciar o aprimoramento da gestão, os
municipais na prestação de serviços de assistência serviços, os programas e os projetos de assistência
social; social em âmbito local; (Incluído pela Lei
nº 12.435, de 2011)
V - prestar os serviços assistenciais cujos
custos ou ausência de demanda municipal VII - realizar o monitoramento e a avaliação da
justifiquem uma rede regional de serviços, política de assistência social em seu
desconcentrada, no âmbito do respectivo Estado. âmbito. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
VI - realizar o monitoramento e a avaliação da 2011)
política de assistência social e assessorar os Art. 16. As instâncias deliberativas do Suas, de
Municípios para seu caráter permanente e composição paritária entre
desenvolvimento. (Incluído pela Lei nº governo e sociedade civil,
12.435, de 2011) são: (Redação dada pela Lei nº 12.435,
Art. 14. Compete ao Distrito Federal: de 2011)

I - destinar recursos financeiros para custeio do I - o Conselho Nacional de Assistência Social;


pagamento dos benefícios eventuais de que trata o II - os Conselhos Estaduais de Assistência
art. 22, mediante critérios estabelecidos pelos Social;
Conselhos de Assistência Social do Distrito
Federal; (Redação dada pela Lei nº III - o Conselho de Assistência Social do
12.435, de 2011) Distrito Federal;

II - efetuar o pagamento dos auxílios IV - os Conselhos Municipais de Assistência


natalidade e funeral; Social.

74
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Parágrafo único. Os Conselhos de Assistência I - aprovar a Política Nacional de Assistência
Social estão vinculados ao órgão gestor de Social;
assistência social, que deve prover a infraestrutura
II - normatizar as ações e regular a prestação
necessária ao seu funcionamento, garantindo
de serviços de natureza pública e privada no campo
recursos materiais, humanos e financeiros,
da assistência social;
inclusive com despesas referentes a passagens e
diárias de conselheiros representantes do governo III - acompanhar e fiscalizar o processo de
ou da sociedade civil, quando estiverem no certificação das entidades e organizações de
exercício de suas atribuições. (Incluído assistência social no Ministério do
pela Lei nº 12.435, de 2011) Desenvolvimento Social e Combate à
Fome; (Redação dada pela Lei nº
Art. 17. Fica instituído o Conselho Nacional de
12.101, de 2009)
Assistência Social (CNAS), órgão superior de
deliberação colegiada, vinculado à estrutura do IV - apreciar relatório anual que conterá a
órgão da Administração Pública Federal relação de entidades e organizações de assistência
responsável pela coordenação da Política Nacional social certificadas como beneficentes e encaminhá-
de Assistência Social, cujos membros, nomeados lo para conhecimento dos Conselhos de
pelo Presidente da República, têm mandato de 2 Assistência Social dos Estados, Municípios e do
(dois) anos, permitida uma única recondução por Distrito Federal; (Redação dada pela
igual período. Lei nº 12.101, de 2009)
§ 1º O Conselho Nacional de Assistência V - zelar pela efetivação do sistema
Social (CNAS) é composto por 18 (dezoito) descentralizado e participativo de assistência
membros e respectivos suplentes, cujos nomes são social;
indicados ao órgão da Administração Pública
Federal responsável pela coordenação da Política VI - a partir da realização da II Conferência
Nacional de Assistência Social, de acordo com os Nacional de Assistência Social em 1997, convocar
ordinariamente a cada quatro anos a Conferência
critérios seguintes:
Nacional de Assistência Social, que terá a
I - 9 (nove) representantes governamentais, atribuição de avaliar a situação da assistência
incluindo 1 (um) representante dos Estados e 1 social e propor diretrizes para o aperfeiçoamento do
(um) dos Municípios; sistema; (Redação dada pela Lei nº
9.720, de 26.4.1991)
II - 9 (nove) representantes da sociedade civil,
dentre representantes dos usuários ou de VII - (Vetado.)
organizações de usuários, das entidades e
VIII - apreciar e aprovar a proposta
organizações de assistência social e dos
orçamentária da Assistência Social a ser
trabalhadores do setor, escolhidos em foro próprio
sob fiscalização do Ministério Público Federal. encaminhada pelo órgão da Administração Pública
Federal responsável pela coordenação da Política
§ 2º O Conselho Nacional de Assistência Nacional de Assistência Social;
Social (CNAS) é presidido por um de seus
IX - aprovar critérios de transferência de
integrantes, eleito dentre seus membros, para
recursos para os Estados, Municípios e Distrito
mandato de 1 (um) ano, permitida uma única
Federal, considerando, para tanto, indicadores que
recondução por igual período.
informem sua regionalização mais eqüitativa, tais
§ 3º O Conselho Nacional de Assistência como: população, renda per capita, mortalidade
Social (CNAS) contará com uma Secretaria infantil e concentração de renda, além de disciplinar
Executiva, a qual terá sua estrutura disciplinada em os procedimentos de repasse de recursos para as
ato do Poder Executivo. entidades e organizações de assistência social,
sem prejuízo das disposições da Lei de Diretrizes
§ 4o Os Conselhos de que tratam os incisos II, III e
Orçamentárias;
IV do art. 16, com competência para acompanhar a
execução da política de assistência social, apreciar X - acompanhar e avaliar a gestão dos
e aprovar a proposta orçamentária, em recursos, bem como os ganhos sociais e o
consonância com as diretrizes das conferências desempenho dos programas e projetos aprovados;
nacionais, estaduais, distrital e municipais, de
XI - estabelecer diretrizes, apreciar e aprovar
acordo com seu âmbito de atuação, deverão ser
instituídos, respectivamente, pelos Estados, pelo os programas anuais e plurianuais do Fundo
Distrito Federal e pelos Municípios, mediante lei Nacional de Assistência Social (FNAS);
específica. (Redação dada pela Lei XII - indicar o representante do Conselho
nº 12.435, de 2011) Nacional de Assistência Social (CNAS) junto ao
Conselho Nacional da Seguridade Social;
Art. 18. Compete ao Conselho Nacional de
Assistência Social: XIII - elaborar e aprovar seu regimento interno;

75
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
XIV - divulgar, no Diário Oficial da União, todas pelo Conselho Nacional de Assistência Social
as suas decisões, bem como as contas do Fundo (CNAS);
Nacional de Assistência Social (FNAS) e os
XIV - elaborar e submeter ao Conselho
respectivos pareceres emitidos.
Nacional de Assistência Social (CNAS) os
Parágrafo único. (Revogado pela programas anuais e plurianuais de aplicação dos
Lei nº 12.101, de 2009) recursos do Fundo Nacional de Assistência Social
(FNAS).
Art. 19. Compete ao órgão da Administração
Pública Federal responsável pela coordenação da Parágrafo único. A atenção integral à saúde,
Política Nacional de Assistência Social: inclusive a dispensação de medicamentos e
produtos de interesse para a saúde, às famílias e
I - coordenar e articular as ações no campo da
indivíduos em situações de vulnerabilidade ou risco
assistência social;
social e pessoal, nos termos desta Lei, dar-se-á
II - propor ao Conselho Nacional de independentemente da apresentação de
Assistência Social (CNAS) a Política Nacional de documentos que comprovem domicílio ou inscrição
Assistência Social, suas normas gerais, bem como no cadastro no Sistema Único de Saúde (SUS), em
os critérios de prioridade e de elegibilidade, além de consonância com a diretriz de articulação das
padrões de qualidade na prestação de benefícios, ações de assistência social e de saúde a que se
serviços, programas e projetos; refere o inciso XII deste artigo. (Incluído
pela Lei nº 13.714, de 2018)
III - prover recursos para o pagamento dos
benefícios de prestação continuada definidos nesta
lei;
IV - elaborar e encaminhar a proposta
CAPÍTULO IV
orçamentária da assistência social, em conjunto
com as demais da Seguridade Social; Dos Benefícios, dos Serviços, dos Programas
e dos Projetos de Assistência Social
V - propor os critérios de transferência dos
recursos de que trata esta lei;
VI - proceder à transferência dos recursos SEÇÃO I
destinados à assistência social, na forma prevista
Do Benefício de Prestação Continuada
nesta lei;
VII - encaminhar à apreciação do Conselho
Nacional de Assistência Social (CNAS) relatórios Art. 20. O benefício de prestação continuada é a
trimestrais e anuais de atividades e de realização garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa
financeira dos recursos; com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e
cinco) anos ou mais que comprovem não possuir
VIII - prestar assessoramento técnico aos
meios de prover a própria manutenção nem de tê-
Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e às
la provida por sua família. (Redação dada
entidades e organizações de assistência social;
pela Lei nº 12.435, de 2011) (Vide Medida
IX - formular política para a qualificação Provisória nº 871, de 2019) (Vigência)
sistemática e continuada de recursos humanos no
§ 1o Para os efeitos do disposto no caput, a família
campo da assistência social;
é composta pelo requerente, o cônjuge ou
X - desenvolver estudos e pesquisas para companheiro, os pais e, na ausência de um deles,
fundamentar as análises de necessidades e a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os
formulação de proposições para a área; filhos e enteados solteiros e os menores tutelados,
desde que vivam sob o mesmo
XI - coordenar e manter atualizado o sistema
teto. (Redação dada pela Lei nº 12.435,
de cadastro de entidades e organizações de
de 2011)
assistência social, em articulação com os Estados,
os Municípios e o Distrito Federal; § 2o Para efeito de concessão do benefício de
prestação continuada, considera-se pessoa com
XII - articular-se com os órgãos responsáveis
deficiência aquela que tem impedimento de longo
pelas políticas de saúde e previdência social, bem
prazo de natureza física, mental, intelectual ou
como com os demais responsáveis pelas políticas
sensorial, o qual, em interação com uma ou mais
sócio-econômicas setoriais, visando à elevação do
barreiras, pode obstruir sua participação plena e
patamar mínimo de atendimento às necessidades
efetiva na sociedade em igualdade de condições
básicas;
com as demais pessoas. (Redação dada
XIII - expedir os atos normativos necessários pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
à gestão do Fundo Nacional de Assistência Social
(FNAS), de acordo com as diretrizes estabelecidas

76
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
§ 3o Considera-se incapaz de prover a manutenção Governo Federal - Cadastro Único, conforme
da pessoa com deficiência ou idosa a família cuja previsto em regulamento. (Incluído pela
renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um Medida Provisória nº 871, de 2019)
quarto) do salário-mínimo. (Redação dada
§ 13. O requerimento, a concessão e a revisão do
pela Lei nº 12.435, de 2011)
benefício ficam condicionados à autorização do
§ 4o O benefício de que trata este artigo não pode requerente para acesso aos seus dados bancários,
ser acumulado pelo beneficiário com qualquer outro nos termos do disposto no inciso V do § 3º do art.
no âmbito da seguridade social ou de outro regime, 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de
salvo os da assistência médica e da pensão 2001 (Redação dada pela Medida
especial de natureza Provisória nº 871, de 2019) (Vigência)
indenizatória. (Redação dada pela Lei nº
12.435, de 2011)
Art. 21. O benefício de prestação continuada deve
§ 5o A condição de acolhimento em instituições de
ser revisto a cada 2 (dois) anos para avaliação da
longa permanência não prejudica o direito do idoso
continuidade das condições que lhe deram
ou da pessoa com deficiência ao benefício de
origem. (Vide Lei nº 9.720, de 30.11.1998)
prestação continuada. (Redação dada
pela Lei nº 12.435, de 2011) § 1º O pagamento do benefício cessa no
momento em que forem superadas as condições
§ 6º A concessão do benefício ficará sujeita à
referidas no caput, ou em caso de morte do
avaliação da deficiência e do grau de impedimento
beneficiário.
de que trata o § 2o, composta por avaliação médica
e avaliação social realizadas por médicos peritos e § 2º O benefício será cancelado quando se
por assistentes sociais do Instituto Nacional de constatar irregularidade na sua concessão ou
Seguro Social - INSS. (Redação dada pela utilização.
Lei nº 12.470, de 2011)
§ 3o O desenvolvimento das capacidades
§ 7o Na hipótese de não existirem serviços no cognitivas, motoras ou educacionais e a realização
município de residência do beneficiário, fica de atividades não remuneradas de habilitação e
assegurado, na forma prevista em regulamento, o reabilitação, entre outras, não constituem motivo de
seu encaminhamento ao município mais próximo suspensão ou cessação do benefício da pessoa
que contar com tal estrutura. (Incluído com deficiência. (Incluído pela Lei nº
pela Lei nº 9.720, de 30.11.1998) 12.435, de 2011)
§ 8o A renda familiar mensal a que se refere o § 4º A cessação do benefício de prestação
§ 3o deverá ser declarada pelo requerente ou seu continuada concedido à pessoa com deficiência
representante legal, sujeitando-se aos demais não impede nova concessão do benefício, desde
procedimentos previstos no regulamento para o que atendidos os requisitos definidos em
deferimento do pedido. (Incluído pela Lei regulamento. (Redação dada pela Lei nº
nº 9.720, de 30.11.1998) 12.470, de 2011)
§ 9o Os rendimentos decorrentes de estágio Art. 21-A. O benefício de prestação continuada
supervisionado e de aprendizagem não serão será suspenso pelo órgão concedente quando a
computados para os fins de cálculo da renda pessoa com deficiência exercer atividade
familiar per capita a que se refere o § 3o deste remunerada, inclusive na condição de
artigo. (Redação dada pela Lei nº microempreendedor
13.146, de 2015) (Vigência) individual. (Incluído pela Lei nº 12.470,
de 2011)
§ 10. Considera-se impedimento de longo prazo,
para os fins do § 2o deste artigo, aquele que § 1o Extinta a relação trabalhista ou a atividade
produza efeitos pelo prazo mínimo de 2 (dois) empreendedora de que trata o caput deste artigo e,
anos. (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011) quando for o caso, encerrado o prazo de
pagamento do seguro-desemprego e não tendo o
§ 11. Para concessão do benefício de que trata o
beneficiário adquirido direito a qualquer benefício
caput deste artigo, poderão ser utilizados outros
previdenciário, poderá ser requerida a continuidade
elementos probatórios da condição de
do pagamento do benefício suspenso, sem
miserabilidade do grupo familiar e da situação de
necessidade de realização de perícia médica ou
vulnerabilidade, conforme
reavaliação da deficiência e do grau de
regulamento. (Incluído pela Lei nº
incapacidade para esse fim, respeitado o período
13.146, de 2015) (Vigência)
de revisão previsto no caput do art.
§ 12. São requisitos para a concessão, a 21. (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011)
manutenção e a revisão do benefício as inscrições
§ 2o A contratação de pessoa com deficiência
no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF e no
como aprendiz não acarreta a suspensão do
Cadastro Único para Programas Sociais do

77
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
benefício de prestação continuada, limitado a 2 § 2o Na organização dos serviços da assistência
(dois) anos o recebimento concomitante da social serão criados programas de amparo, entre
remuneração e do benefício. (Incluído pela Lei nº outros: (Incluído pela Lei nº 12.435, de
12.470, de 2011) 2011)
I - às crianças e adolescentes em situação de risco
pessoal e social, em cumprimento ao disposto no
SEÇÃO II
art. 227 da Constituição Federal e na Lei no 8.069,
Dos Benefícios Eventuais de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente); (Incluído pela Lei nº 12.435, de
2011)
Art. 22. Entendem-se por benefícios eventuais as
II - às pessoas que vivem em situação de
provisões suplementares e provisórias que rua. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
integram organicamente as garantias do Suas e 2011)
são prestadas aos cidadãos e às famílias em
virtude de nascimento, morte, situações de
vulnerabilidade temporária e de calamidade
SEÇÃO IV
pública. (Redação dada pela Lei nº
12.435, de 2011) Dos Programas de Assistência Social
§ 1o A concessão e o valor dos benefícios de que
trata este artigo serão definidos pelos Estados,
Art. 24. Os programas de assistência social
Distrito Federal e Municípios e previstos nas
compreendem ações integradas e complementares
respectivas leis orçamentárias anuais, com base
com objetivos, tempo e área de abrangência
em critérios e prazos definidos pelos respectivos
definidos para qualificar, incentivar e melhorar os
Conselhos de Assistência
benefícios e os serviços assistenciais.
Social. (Redação dada pela Lei nº
12.435, de 2011) § 1º Os programas de que trata este artigo
serão definidos pelos respectivos Conselhos de
§ 2o O CNAS, ouvidas as respectivas
Assistência Social, obedecidos os objetivos e
representações de Estados e Municípios dele
princípios que regem esta lei, com prioridade para
participantes, poderá propor, na medida das
a inserção profissional e social.
disponibilidades orçamentárias das 3 (três) esferas
de governo, a instituição de benefícios subsidiários § 2o Os programas voltados para o idoso e a
no valor de até 25% (vinte e cinco por cento) do integração da pessoa com deficiência serão
salário-mínimo para cada criança de até 6 (seis) devidamente articulados com o benefício de
anos de idade. (Redação dada pela Lei prestação continuada estabelecido no art. 20 desta
nº 12.435, de 2011) Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.435, de
2011)
§ 3o Os benefícios eventuais subsidiários não
poderão ser cumulados com aqueles instituídos Art. 24-A. Fica instituído o Serviço de Proteção e
pelas Leis no 10.954, de 29 de setembro de 2004, e Atendimento Integral à Família (Paif), que integra a
no 10.458, de 14 de maio de proteção social básica e consiste na oferta de
2002. (Redação dada pela Lei nº 12.435, ações e serviços socioassistenciais de prestação
de 2011) continuada, nos Cras, por meio do trabalho social
com famílias em situação de vulnerabilidade social,
com o objetivo de prevenir o rompimento dos
SEÇÃO III vínculos familiares e a violência no âmbito de suas
relações, garantindo o direito à convivência familiar
Dos Serviços
e comunitária. (Incluído pela Lei nº
12.435, de 2011)
Art. 23. Entendem-se por serviços Parágrafo único. Regulamento definirá as
socioassistenciais as atividades continuadas que diretrizes e os procedimentos do
visem à melhoria de vida da população e cujas Paif. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
ações, voltadas para as necessidades básicas, 2011)
observem os objetivos, princípios e diretrizes
Art. 24-B. Fica instituído o Serviço de Proteção e
estabelecidos nesta Lei. (Redação dada
Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos
pela Lei nº 12.435, de 2011)
(Paefi), que integra a proteção social especial e
§ 1o O regulamento instituirá os serviços consiste no apoio, orientação e acompanhamento a
socioassistenciais. (Incluído pela Lei nº famílias e indivíduos em situação de ameaça ou
12.435, de 2011) violação de direitos, articulando os serviços
socioassistenciais com as diversas políticas

78
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
públicas e com órgãos do sistema de garantia de Art. 27. Fica o Fundo Nacional de Ação
direitos. (Incluído pela Lei nº 12.435, de Comunitária (Funac), instituído pelo Decreto nº
2011) 91.970, de 22 de novembro de 1985, ratificado pelo
Decreto Legislativo nº 66, de 18 de dezembro de
Parágrafo único. Regulamento definirá as
1990, transformado no Fundo Nacional de
diretrizes e os procedimentos do
Assistência Social (FNAS).
Paefi. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
2011) Art. 28. O financiamento dos benefícios,
serviços, programas e projetos estabelecidos nesta
Art. 24-C. Fica instituído o Programa de
lei far-se-á com os recursos da União, dos Estados,
Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), de caráter
do Distrito Federal e dos Municípios, das demais
intersetorial, integrante da Política Nacional de
contribuições sociais previstas no art. 195 da
Assistência Social, que, no âmbito do Suas,
Constituição Federal, além daqueles que compõem
compreende transferências de renda, trabalho
o Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).
social com famílias e oferta de serviços
socioeducativos para crianças e adolescentes que § 1o Cabe ao órgão da Administração Pública
se encontrem em situação de responsável pela coordenação da Política de
trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.435, de Assistência Social nas 3 (três) esferas de governo
2011) gerir o Fundo de Assistência Social, sob orientação
e controle dos respectivos Conselhos de
§ 1o O Peti tem abrangência nacional e será
Assistência Social. (Redação dada
desenvolvido de forma articulada pelos entes
pela Lei nº 12.435, de 2011)
federados, com a participação da sociedade civil, e
tem como objetivo contribuir para a retirada de § 2º O Poder Executivo disporá, no prazo de
crianças e adolescentes com idade inferior a 16 180 (cento e oitenta) dias a contar da data de
(dezesseis) anos em situação de trabalho, publicação desta lei, sobre o regulamento e
ressalvada a condição de aprendiz, a partir de 14 funcionamento do Fundo Nacional de Assistência
(quatorze) anos. (Incluído pela Lei nº Social (FNAS).
12.435, de 2011)
§ 3o O financiamento da assistência social no Suas
§ 2o As crianças e os adolescentes em situação de deve ser efetuado mediante cofinanciamento dos 3
trabalho deverão ser identificados e ter os seus (três) entes federados, devendo os recursos
dados inseridos no Cadastro Único para Programas alocados nos fundos de assistência social ser
Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com a voltados à operacionalização, prestação,
devida identificação das situações de trabalho aprimoramento e viabilização dos serviços,
infantil. (Incluído pela Lei nº 12.435, programas, projetos e benefícios desta
de 2011) política. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
2011)
Art. 28-A (Revogado pela
SEÇÃO V
Lei nº 13.813, de 2019)
Dos Projetos de Enfrentamento da Pobreza
Art. 29. Os recursos de responsabilidade da
União destinados à assistência social serão
automaticamente repassados ao Fundo Nacional
Art. 25. Os projetos de enfrentamento da
de Assistência Social (FNAS), à medida que se
pobreza compreendem a instituição de forem realizando as receitas.
investimento econômico-social nos grupos
populares, buscando subsidiar, financeira e Parágrafo único. Os recursos de
tecnicamente, iniciativas que lhes garantam meios, responsabilidade da União destinados ao
capacidade produtiva e de gestão para melhoria financiamento dos benefícios de prestação
das condições gerais de subsistência, elevação do continuada, previstos no art. 20, poderão ser
padrão da qualidade de vida, a preservação do repassados pelo Ministério da Previdência e
meio-ambiente e sua organização social. Assistência Social diretamente ao INSS, órgão
responsável pela sua execução e
Art. 26. O incentivo a projetos de
manutenção. (Incluído pela Lei nº 9.720,
enfrentamento da pobreza assentar-se-á em
de 30.11.1998)
mecanismos de articulação e de participação de
diferentes áreas governamentais e em sistema de Art. 30. É condição para os repasses, aos
cooperação entre organismos governamentais, não Municípios, aos Estados e ao Distrito Federal, dos
governamentais e da sociedade civil. recursos de que trata esta lei, a efetiva instituição e
funcionamento de:
CAPÍTULO V
I - Conselho de Assistência Social, de
Do Financiamento da Assistência Social
composição paritária entre governo e sociedade
civil;

79
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
II - Fundo de Assistência Social, com Das Disposições Gerais e Transitórias
orientação e controle dos respectivos Conselhos de
Assistência Social;
Art. 31. Cabe ao Ministério Público zelar pelo
III - Plano de Assistência Social.
efetivo respeito aos direitos estabelecidos nesta lei.
Parágrafo único. É, ainda, condição para
Art. 32. O Poder Executivo terá o prazo de 60
transferência de recursos do FNAS aos Estados, ao
(sessenta) dias, a partir da publicação desta lei,
Distrito Federal e aos Municípios a comprovação
obedecidas as normas por ela instituídas, para
orçamentária dos recursos próprios destinados à
elaborar e encaminhar projeto de lei dispondo sobre
Assistência Social, alocados em seus respectivos
a extinção e reordenamento dos órgãos de
Fundos de Assistência Social, a partir do exercício
assistência social do Ministério do Bem-Estar
de 1999. (Incluído pela Lei nº 9.720, de
Social.
30.11.1998)
§ 1º O projeto de que trata este artigo definirá
Art. 30-A. O cofinanciamento dos serviços,
formas de transferências de benefícios, serviços,
programas, projetos e benefícios eventuais, no que
programas, projetos, pessoal, bens móveis e
couber, e o aprimoramento da gestão da política de
imóveis para a esfera municipal.
assistência social no Suas se efetuam por meio de
transferências automáticas entre os fundos de § 2º O Ministro de Estado do Bem-Estar Social
assistência social e mediante alocação de recursos indicará Comissão encarregada de elaborar o
próprios nesses fundos nas 3 (três) esferas de projeto de lei de que trata este artigo, que contará
governo. (Incluído pela Lei nº 12.435, de com a participação das organizações dos usuários,
2011) de trabalhadores do setor e de entidades e
organizações de assistência social.
Parágrafo único. As transferências automáticas de
recursos entre os fundos de assistência social Art. 33. Decorrido o prazo de 120 (cento e
efetuadas à conta do orçamento da seguridade vinte) dias da promulgação desta lei, fica extinto o
social, conforme o art. 204 da Constituição Federal, Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS),
caracterizam-se como despesa pública com a revogando-se, em conseqüência, os Decretos-Lei
seguridade social, na forma do art. 24 da Lei nºs 525, de 1º de julho de 1938, e 657, de 22 de
Complementar no 101, de 4 de maio de julho de 1943.
2000. (Incluído pela Lei nº 12.435, de
2011) § 1º O Poder Executivo tomará as
providências necessárias para a instalação do
Art. 30-B. Caberá ao ente federado responsável Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e
pela utilização dos recursos do respectivo Fundo de a transferência das atividades que passarão à sua
Assistência Social o controle e o acompanhamento competência dentro do prazo estabelecido no
dos serviços, programas, projetos e benefícios, por caput, de forma a assegurar não haja solução de
meio dos respectivos órgãos de controle, continuidade.
independentemente de ações do órgão repassador
§ 2º O acervo do órgão de que trata o caput
dos recursos. (Incluído pela Lei nº
será transferido, no prazo de 60 (sessenta) dias,
12.435, de 2011)
para o Conselho Nacional de Assistência Social
Art. 30-C. A utilização dos recursos federais (CNAS), que promoverá, mediante critérios e
descentralizados para os fundos de assistência prazos a serem fixados, a revisão dos processos de
social dos Estados, dos Municípios e do Distrito registro e certificado de entidade de fins
Federal será declarada pelos entes recebedores ao filantrópicos das entidades e organização de
ente transferidor, anualmente, mediante relatório assistência social, observado o disposto no art. 3º
de gestão submetido à apreciação do respectivo desta lei.
Conselho de Assistência Social, que comprove a
execução das ações na forma de Art. 34. A União continuará exercendo papel
regulamento. (Incluído pela Lei nº supletivo nas ações de assistência social, por ela
atualmente executadas diretamente no âmbito dos
12.435, de 2011)
Estados, dos Municípios e do Distrito Federal,
Parágrafo único. Os entes transferidores poderão visando à implementação do disposto nesta lei, por
requisitar informações referentes à aplicação dos prazo máximo de 12 (doze) meses, contados a
recursos oriundos do seu fundo de assistência partir da data da publicação desta lei.
social, para fins de análise e acompanhamento de
sua boa e regular utilização. (Incluído Art. 35. Cabe ao órgão da Administração
Pública Federal responsável pela coordenação da
pela Lei nº 12.435, de 2011)
Política Nacional de Assistência Social operar os
benefícios de prestação continuada de que trata
esta lei, podendo, para tanto, contar com o
CAPÍTULO VI

80
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
concurso de outros órgãos do Governo Federal, na § 2º É assegurado ao maior de setenta anos
forma a ser estabelecida em regulamento. e ao inválido o direito de requerer a renda mensal
vitalícia junto ao INSS até 31 de dezembro de 1995,
Parágrafo único. O regulamento de que trata o
desde que atenda, alternativamente, aos requisitos
caput definirá as formas de comprovação do direito
estabelecidos nos incisos I, II ou III do § 1º do art.
ao benefício, as condições de sua suspensão, os
139 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de
procedimentos em casos de curatela e tutela e o
1991. (Redação dada pela Lei nº 9.711,
órgão de credenciamento, de pagamento e de
de 20.11.1998
fiscalização, dentre outros aspectos.
Art. 40-A. Os benefícios monetários
Art. 36. As entidades e organizações de
decorrentes do disposto nos arts. 22, 24-C e 25
assistência social que incorrerem em
desta Lei serão pagos preferencialmente à mulher
irregularidades na aplicação dos recursos que lhes
responsável pela unidade familiar, quando
foram repassados pelos poderes públicos terão a
cabível. (Incluído pela Lei nº 13.014, de
sua vinculação ao Suas cancelada, sem prejuízo de
2014)
responsabilidade civil e
penal. (Redação dada pela Lei nº Art. 41. Esta lei entra em vigor na data da sua
12.435, de 2011) publicação.
Art. 37. O benefício de prestação continuada Art. 42. Revogam-se as disposições em
será devido após o cumprimento, pelo requerente, contrário.
de todos os requisitos legais e regulamentares
exigidos para a sua concessão, inclusive
apresentação da documentação necessária, Brasília, 7 de dezembro de 1993, 172º da
devendo o seu pagamento ser efetuado em até Independência e 105º da República.
quarenta e cinco dias após cumpridas as
exigências de que trata este ITAMAR FRANCO
artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.720, Jutahy Magalhães Júnior
de 30.11.1998) (Vide Lei nº 9.720, de
30.11.1998)
Parágrafo único. No caso de o primeiro
pagamento ser feito após o prazo previsto no
caput, aplicar-se-á na sua atualização o mesmo
critério adotado pelo INSS na atualização do Anotações:
primeiro pagamento de benefício previdenciário em
atraso. (Incluído pela Lei nº 9.720, de
30.11.1998)
Art. 38. (Revogado pela Lei nº
12.435, de 2011)
Art. 39. O Conselho Nacional de Assistência
Social (CNAS), por decisão da maioria absoluta de
seus membros, respeitados o orçamento da
seguridade social e a disponibilidade do Fundo
Nacional de Assistência Social (FNAS), poderá
propor ao Poder Executivo a alteração dos limites
de renda mensal per capita definidos no § 3º do art.
20 e caput do art. 22.
Art. 40. Com a implantação dos benefícios
previstos nos arts. 20 e 22 desta lei, extinguem-se
a renda mensal vitalícia, o auxílio-natalidade e o
auxílio-funeral existentes no âmbito da Previdência
Social, conforme o disposto na Lei nº 8.213, de 24
de julho de 1991.
§ 1º A transferência dos benefíciários do
sistema previdenciário para a assistência social
deve ser estabelecida de forma que o atendimento
à população não sofra solução de
continuidade. (Redação dada pela Lei nº
9.711, de 20.11.1998

81
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (PNAS)

Resolução nº 145, de 15 de outubro de 2004


dezembro de 2003, e denota o compromisso do
O Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, MDS/SNAS e do CNAS em materializar as
considerando a apresentação de proposta da diretrizes da Lei Orgânica da Assistência Social -
Política Nacional de Assistência Social - PNAS pelo LOAS.
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a
Fome - MDS em 23 de junho, considerando a A versão preliminar foi apresentada ao CNAS, em
realização de Reuniões Descentralizadas e 23 de junho de 2004, pelo MDS/SNAS tendo sido
Ampliadas do Conselho para discussão e amplamente divulgada e discutida em todos os
construção coletiva do texto final da PNAS Estados brasileiros nos diversos encontros,
ocorridas respectivamente em 21 e 22 de julho de seminários, reuniões, oficinas e palestras que
2004 na cidade de Aracaju e em 21 e 22 de garantiram o caráter democrático e descentralizado
setembro de 2004, no Distrito Federal e, do debate envolvendo um grande contingente de
considerando o disposto no artigo 18, incisos I, II, pessoas em cada Estado deste país. Este processo
IV da Lei 8.742 de 7 de dezembro de 1993, culminou com um amplo debate na Reunião
RESOLVE: Descentralizada e Participativa do CNAS realizada
entre os dias 20 e 22 de setembro de 2004, onde
Art. 1º - Aprovar, em reunião do Colegiado de 22 de foi aprovada, por unanimidade, por aquele
setembro de 2004 , por unanimidade dos colegiado.
Conselheiros a Política Nacional de Assistência Ressalta-se a riqueza desse processo, com
Social. inúmeras contribuições recebidas dos Conselhos
de Assistência Social, do Fórum Nacional de
Art. 2º - Aprovar, na reunião do Colegiado de 14 de Secretários de Assistência Social – FONSEAS, do
outubro de 2004, por unanimidade dos Colegiado de Gestores Nacional, Estaduais e
Conselheiros o texto final discutido e elaborado Municipais de Assistência Social, Associações de
pelo grupo de trabalho – GT/PNAS constituído pela Municípios, Fóruns Estaduais, Regionais,
Resolução N.º 78, de 22 de junho de 2004, Governamentais e Não-governamentais,
publicada no D.O.U., de 02 de julho de 2004. Secretarias Estaduais, do Distrito Federal e
Municipais de Assistência Social, Universidades e
Art. 3º - O texto da Política Nacional aprovado Núcleos de Estudos, entidades de assistência
constituirá o Anexo I da presente Resolução. social, estudantes de Escolas de Serviço Social,
Escola de gestores da Assistência Social, além de
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário. pesquisadores, estudiosos da área e demais
sujeitos anônimos.
Art. 5º - Esta Resolução entra em vigor na data de
sua publicação. Tal conquista, em tão breve tempo, leva a uma
rápida constatação: a disponibilidade e o anseio
MARCIA MARIA BIONDI PINHEIRO Presidente do dos atores sociais em efetivá-la como política
CNAS pública de Estado, definida em Lei. Muitos, às
vezes e ainda, confundem a assistência social com
clientelismo, assistencialismo, caridade ou ações
APRESENTAÇÃO pontuais, que nada têm a ver com políticas públicas
e com o compromisso do Estado com a sociedade.
A decisão do Ministério do Desenvolvimento Social O MDS/SNAS e o CNAS estão muito empenhados
e Combate à Fome - MDS, por intermédio da em estabelecer políticas permanentes e agora com
Secretaria Nacional de Assistência Social – SNAS a perspectiva prioritária de implantar o SUAS, para
e do Conselho Nacional de Assistência Social – integrar o governo federal com os Estados, Distrito
CNAS, de elaborar, aprovar e tornar pública a Federal e Municípios em uma ação conjunta. Com
presente Política Nacional de Assistência Social – isso, busca-se impedir políticas de protecionismo,
PNAS, demonstra a intenção de construir garantindo aquelas estabelecidas por meio de
coletivamente o redesenho desta política, na normas jurídicas universais. Este é o compromisso
perspectiva de implementação do Sistema Único do MDS, que integra três frentes de atuação na
de Assistência Social – SUAS. Esta iniciativa, defesa do direito à renda, à segurança alimentar e
decididamente, traduz o cumprimento das à assistência social, compromisso também do
deliberações da IV Conferência Nacional de CNAS.
Assistência Social, realizada em Brasília, em

82
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
A Política Nacional de Assistência Social ora
aprovada expressa exatamente a materialidade do A IV Conferência Nacional de Assistência Social,
conteúdo da Assistência Social como um pilar do realizada em dezembro/2003, em Brasília/DF,
Sistema de Proteção Social Brasileiro no âmbito da apontou como principal deliberação a construção e
Seguridade Social. implementação do Sistema Único da Assistência
Social – SUAS, requisito essencial da LOAS para
Este é um momento histórico e assim devemos dar efetividade à assistência social como política
concebê-lo, ensejando todos os esforços na pública.
operacionalização desta política. Trata-se,
portanto, de transformar em ações diretas os Desencadear a discussão e o processo de
pressupostos da Constituição Federal de 1988 e da reestruturação orgânica da política pública de
LOAS, por meio de definições, de princípios e de assistência social na direção do SUAS, ampliando
diretrizes que nortearão sua implementação, e resignificando o atual sistema descentralizado e
cumprindo uma urgente, necessária e nova agenda participativo, é retrato, portanto, do compromisso
para a cidadania no Brasil. conjunto do Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome e demais gestores da política de
PATRUS ANANIAS DE SOUSA assistência social, à frente das secretarias
Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à estaduais, do Distrito Federal e municipais, da
Fome potencialização de todos os esforços políticos e
MÁRCIA HELENA CARVALHO LOPES Secretária administrativos necessários ao enfrentamento das
Nacional de Assistência Social grandes e crescentes demandas sociais, e dos
inéditos compromissos políticos assumidos pelo
MARCIA MARIA BIONDI PINHEIRO Presidente do novo governo federal. Nessa direção, a presente
Conselho Nacional de Assistência Social Política Nacional de Assistência Social – PNAS
busca incorporar as demandas presentes na
sociedade brasileira no que tange à
INTRODUÇÃO responsabilidade política, objetivando tornar claras
suas diretrizes na efetivação da assistência social
Ao se considerar as condições políticas e como direito de cidadania e responsabilidade do
institucionais, reunidas nestes quase onze anos de Estado. A gestão proposta por esta Política pauta-
LOAS, cabe relembrar os avanços conquistados se no pacto federativo, no qual devem ser
pela sociedade brasileira na construção da política detalhadas as atribuições e competências dos três
de assistência social, decorrência de seu níveis de governo na provisão das ações
reconhecimento como direito do cidadão e de socioassistenciais, em conformidade com o
responsabilidade do Estado. preconizado na LOAS e NOB1, a partir das
indicações e deliberações das Conferências, dos
A última década significou a ampliação do Conselhos e das Comissões de Gestão
reconhecimento pelo Estado, no esteio da luta da Compartilhada (Comissões Intergestoras Tripartite
sociedade brasileira, dos direitos de crianças, e Bipartites – CIT e CIB’s), as quais se constituem
adolescentes, idosos e pessoas com deficiência. em espaços de discussão, negociação e pactuação
Hoje, o Beneficio de Prestação Continuada – BPC, dos instrumentos de gestão e formas de
caminha para a sua universalização, com impactos operacionalização da Política de Assistência
relevantes na redução da pobreza no País. Social. Frente ao desafio de enfrentar a questão
Observa-se um crescimento progressivo dos social, a descentralização permitiu o
gastos públicos, nas três esferas de governo, no desenvolvimento de formas inovadoras e criativas
campo da assistência social. A alta capilaridade na sua implementação, gestão,
institucional descentralizada, alcançada com a 1 A NOB em vigência é a editada no ano de 1999,
implementação de secretarias próprias na grande com base na então Política Nacional. A partir da
maioria dos municípios do país (mais de 4.500), e aprovação desta nova proposta de Política, far-se-
em todos os Estados da federação e no Distrito á imprescindível sua revisão, para que atenda às
Federal, reflete uma expressiva capacidade de previsões instituídas. 8
construção e assimilação progressiva de monitoramento, avaliação e informação. No
procedimentos técnicos e operacionais, entanto, a compreensão de que a gestão
homogêneos e simétricos para a prestação dos democrática vai muito além de inovação gerencial
serviços socioassistenciais, para o financiamento e ou de novas tecnologias é bastante limitada neste
para a gestão da política de assistência social em país. A centralização ainda é uma marca a ser
seus diferentes níveis governamentais: União, superada. Junto ao processo de descentralização,
Estados, Distrito Federal e Municípios. a Política Nacional de Assistência Social traz sua
marca no reconhecimento de que para além das
Contudo, a consolidação da assistência social demandas setoriais e segmentadas, o chão onde
como política pública e direito social, ainda exige o se encontram e se movimentam setores e
enfrentamento de importantes desafios. segmentos, faz diferença no manejo da própria

83
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
política, significando considerar as desigualdades resultados, visando o aprimoramento e a sintonia
socioterritoriais na sua configuração. Faz-se da política com o direito social. Trata-se de pensar
relevante nesse processo, a constituição da rede de políticas de monitoramento e avaliação como
serviços que cabe à assistência social prover, com táticas de ampliação e de fortificação do campo
vistas a conferir maior eficiência, eficácia e assistencial.
efetividade em sua atuação específica e na atuação
intersetorial, uma vez que somente assim se torna
possível estabelecer o que deve ser de iniciativa 1 ANÁLISE SITUACIONAL
desta política pública e em que deve se colocar
como parceira na execução. Para tanto, propõe-se A Assistência Social como política de proteção
a regulamentação dos artigos 2º e 3º, da LOAS, social configura-se como uma nova situação para o
para que se identifiquem as ações de Brasil. Ela significa garantir a todos que dela
responsabilidade direta da assistência social e as necessitam, e sem contribuição prévia a provisão
em que atua em co-responsabilidade. dessa proteção. Essa perspectiva significaria
aportar quem, quantos, quais e onde estão os
A forma de gestão no sistema descentralizado e brasileiros demandatários de serviços e atenções
participativo proposto pela LOAS, em seu capítulo de assistência social. Numa nova situação, não
III, artigo 6º, implica na participação popular, na dispõe de imediato e pronto a análise de sua
autonomia da gestão municipal, potencializando a incidência. A opção que se construiu para exame
divisão de responsabilidades e no co-financiamento da política de assistência social na realidade
entre as esferas de governo e a sociedade civil. brasileira parte então da defesa de um certo modo
Como conseqüência da concepção de Estado de olhar e quantificar a realidade, a partir de:
mínimo e de política pública restritiva de direitos,
deu-se a precarização do trabalho e a falta de ƒ Uma visão social inovadora, dando continuidade
renovação de quadros técnicos, criando enorme ao inaugurado pela Constituição Federal de 1988 e
defasagem de profissionais qualificados; com um pela Lei Orgânica da Assistência Social de 1993,
enorme contingente de pessoal na condição de pautada na dimensão ética de incluir “os invisíveis”,
prestadores de serviços, sem estabilidade de os transformados em casos individuais, enquanto
emprego, sem direitos trabalhistas e sem de fato são parte de uma situação social coletiva;
possibilidade de continuidade das atividades. as diferenças e os diferentes, as disparidades e as
desigualdades.
Essa é uma realidade geral, encontrada tanto em
nível nacional, estadual e municipal. Por fim, a ƒ Uma visão social de proteção, o que supõe
Política Nacional de Assistência Social na conhecer os riscos, as vulnerabilidades sociais a
perspectiva do Sistema Único de Assistência Social que estão sujeitos, bem como os recursos com que
ressalta o campo da informação, monitoramento e conta para enfrentar tais situações com menor dano
avaliação, salientando que as novas tecnologias da pessoal e social possível. Isto supõe conhecer os
informação e a ampliação das possibilidades de riscos e as possibilidades de enfrentá-los.
comunicação contemporânea têm um significado,
um sentido técnico e político, podendo e devendo ƒ Uma visão social capaz de captar as diferenças
ser consideradas como veios estratégicos para sociais, entendendo que as circunstâncias e os
uma melhor atuação no tocante às políticas sociais requisitos sociais circundantes do indivíduo e dele
e a nova concepção do uso da informação, do em sua família são determinantes para sua
monitoramento e da avaliação no campo da política proteção e autonomia. Isto exige confrontar a leitura
de assistência social. macro social com a leitura micro social.

Tal empreendimento deve sobrelevar a prática do ƒ Uma visão social capaz de entender que a
controle social, o que, nessa área em particular, população tem necessidades, mas também
adquire uma relevância crucial, já que o atributo possibilidades ou capacidades que devem e podem
torpe de campo de favores políticos e caridade, ser desenvolvidas. Assim, uma análise de situação
agregado historicamente a esta área, deve ser não pode ser só das ausências, mas também das
minado pelo estabelecimento de um novo estágio, presenças até mesmo como desejos em superar a
feito de estratégias e determinações que suplantem situação atual.
política e tecnicamente o passado. Esta nova
qualidade precisa favorecer um nível maior de ƒ Uma visão social capaz de identificar forças e não
precisão, tanto no que tange ao conhecimento dos fragilidades que as diversas situações de vida
componentes que a geram, e que precisam ser possua.
conhecidos abundantemente, como aos dados e as
conseqüências que a política produz. Isto vai incidir Tudo isso significa que a situação atual para a
em outras condições para a sua ação, no construção da política pública de assistência social
estabelecimento de escopos ampliados, e precisa levar em conta três vertentes de proteção
contribuir para uma outra mensagem de seus

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
social: as pessoas, as suas circunstâncias e dentre informações da Pesquisa Nacional por Amostra de
elas seu núcleo de apoio primeiro, isto é, a família. Domicílios PNAD de 2002, do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística - IBGE, bem como o Atlas
A proteção social exige a capacidade de maior de Desenvolvimento Humano 2002, e tendo a
aproximação possível do cotidiano da vida das Política de Assistência Social assumido a
pessoas, pois é nele que riscos, vulnerabilidades se centralidade sócio-familiar no âmbito de suas
constituem. ações, cabe reconhecer a dinâmica demográfica e
Sob esse princípio é necessário relacionar as sócio-econômica associadas aos processos de
pessoas e seus territórios, no caso os municípios exclusão/inclusão social, vulnerabilidade aos riscos
que, do ponto de vista federal, são a menor escala pessoais e sociais em curso no Brasil, em seus
administrativa governamental. O município, por sua diferentes territórios. Tendo em vista que
vez, poderá ter territorialização intra-urbanas, já na normalmente essas informações permitem no
condição de outra totalidade que não é a nação. A máximo o reconhecimento por estado brasileiro, e
unidade sócio familiar por sua vez, permite o exame considerando o fato de que o modelo de
da realidade a partir das necessidades, mas desigualdade socioterritorial do país se reproduz na
também dos recursos de cada núcleo/domicílio. dinâmica das cidades, também se faz necessário
um panorama desses territórios, espaços
O conhecimento existente sobre as demandas por privilegiados de intervenção da política de
proteção social é genérico, pode medir e classificar assistência social.
as situações do ponto de vista nacional, mas não
explicá-las. Este objetivo deverá ser parte do Dessa forma, a presente análise situacional
alcance da política nacional em articulação com buscará também compreender algumas
estudos e pesquisas. características desse universo de mais de 5.500
cidades brasileiras. Os dados gerais do país
A nova concepção de assistência social como permitem uma análise situacional global e
direito à proteção social, direito à seguridade social, sugerem, ao mesmo tempo, a necessidade de
tem duplo efeito: o de suprir sob dado padrão pré- confrontá-los com a realidade que se passa no
definido um recebimento e o de desenvolver âmbito dos municípios brasileiros, considerando
capacidades para maior autonomia. Neste sentido pelo menos seus grandes grupos:
ela é aliada ao desenvolvimento humano e social e
não tuteladora ou assistencialista, ou ainda, tão só ƒ municípios pequenos 1 : com população até
provedora de necessidades ou vulnerabilidades 20.000 habitantes
sociais. O desenvolvimento depende também de
capacidade de acesso, vale dizer da redistribuição, ƒ municípios pequenos 2 : com população entre
ou melhor, distribuição dos acessos a bens e 20.001 a 50.000 habitantes
recursos; isto implica em um incremento das
capacidades de famílias e indivíduos. ƒ municípios médios: com população entre 50.001
a 100.000 habitantes
A Política Nacional de Assistência Social se
configura necessariamente na perspectiva ƒ municípios grandes: com população entre
socioterritorial, tendo os mais de 5.500 municípios 100.001 a 900.000 habitantes
brasileiros como suas referências privilegiadas de
análise, pois se trata de uma política pública, cujas ƒ metrópoles: com população superior a 900.000
intervenções se dão essencialmente nas habitantes
capilaridades dos territórios. Essa característica
peculiar da política tem exigido cada vez mais um Aspectos Demográficos
reconhecimento da dinâmica que se processa no
cotidiano das populações. A dinâmica populacional é um importante indicador
para a política de assistência social, pois ela está
Por sua vez, ao agir nas capilaridades dos intimamente relacionada com o processo
territórios e se confrontar com a dinâmica do real, econômico estrutural de valorização do solo em
no campo das informações, essa política inaugura todo território nacional, destacando-se a alta taxa
uma outra perspectiva de análise ao tornar visíveis de urbanização, especialmente nos municípios de
aqueles setores da sociedade brasileira médio e grande porte e nas metrópoles. Estes
tradicionalmente tidos como invisíveis ou excluídos últimos espaços urbanos passaram a ser
das estatísticas – população em situação de rua, produtores e reprodutores de um intenso processo
adolescentes em conflito com a lei, indígenas, de precarização das condições de vida e de viver,
quilombolas, idosos, pessoas com deficiência. da presença crescente do desemprego e da
informalidade, de violência, da fragilização dos
Nessa direção, tendo como base informações do vínculos sociais e familiares, ou seja, da produção
Censo Demográfico de 2000 e da Síntese de e reprodução da exclusão social, expondo famílias
Indicadores Sociais - 2003, elaborados a partir das e indivíduos a situações de risco e vulnerabilidade.

85
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
período fértil (número médio de filhos que uma
A Política Nacional de Assistência Social prevê na mulher teria ao final do seu período fértil).
caracterização dos municípios brasileiros a
presença das metrópoles, identificadas como as A queda da fecundidade e natalidade tem
cidades com mais de 900 mil habitantes, que provocado importantes transformações na
embora, numericamente, sejam contadas em composição etária da população brasileira, como
apenas 15 cidades, sua população total estreitamento da base da pirâmide etária, com a
corresponde a 20% de toda população brasileira. redução do contingente de crianças e adolescentes
até 14 anos e o alargamento do topo, com o
Aponta-se também em 20% o percentual dos que aumento da população idosa.
vivem no conjunto dos 4.020 municípios
considerados pequenos (com até O Brasil apresenta um dos maiores índices de
20.000habitantes). Juntos, portanto, esses dois desigualdade do mundo, quaisquer que sejam as
extremos representam 40% de toda população medidas utilizadas. Segundo Instituto de Pesquisas
brasileira. Significa dizer, em outras palavras, que Aplicadas - IPEA, em 2002, os 50% mais pobres
40% da população encontram-se vivendo em dois detinham 14,4% do rendimento e o 1% mais ricos,
contextos totalmente diversos do ponto de vista da 13,5% do rendimento.
concentração populacional, mas seus contextos
apresentam situações de vulnerabilidades e riscos A questão central a ser considerada é que esse
sociais igualmente alarmantes, justamente por modelo de desigualdade do país ganha expressão
apresentarem territórios marcados pela quase total concreta no cotidiano das cidades, cujos territórios
ausência ou precária presença do Estado. internos (bairros, distritos, áreas censitárias ou de
planejamento) tendem a apresentar condições de
Os pequenos municípios expressam uma vida também desiguais.
característica dispersiva no território nacional e
ainda com boa parte de sua população vivendo em Porém, ainda considerando as medidas de pobreza
áreas rurais (45% da população). E as metrópoles (renda per capita inferior a ½ salário mínimo) e
pela complexidade e alta desigualdade interna, indigência (renda per capita inferior a ¼ do salário
privilegiando alguns poucos territórios em mínimo) pelo conjunto dos municípios brasileiros, já
detrimento daqueles especialmente de áreas de é possível observar as diferenças de concentração
fronteira e proteção de mananciais. da renda entre os municípios, o que supõe a
necessidade de conjugar os indicadores de renda a
Seguindo a análise demográfica por município, vale outros relativos às condições de vida de cada
notar que embora a tendência de urbanização se localidade.
verifique na média das regiões brasileiras, a sua
distribuição entre os municípios apresenta um Nota-se que, em termos percentuais, os municípios
comportamento diferenciado, considerando o porte pequenos concentram mais população em
populacional. condição de pobreza e indigência do que os
municípios médios, grandes ou metrópoles.
Além do fato dos municípios de porte pequeno 1
(até 20.000 habitantes) apresentarem ainda 45% Do ponto de vista da concentração absoluta as
de sua população vivendo em áreas rurais, vale diferenças diminuem, mas os pequenos municípios
lembrar também que esses municípios na sua totalidade terminam também concentrando
representam 73% dos municípios brasileiros, ou mais essa população. Porém, considerando que
seja a grande maioria das cidades brasileiras essa população se distribui nos mais de 4.000
caracteriza-se como de pequeno porte. municípios, termina ocorrendo uma dispersão da
concentração, invertendo o grau de concentração
Em contraponto, apenas 3% da população das da população em pobreza e indigência, recaindo
metrópoles encontram-se em áreas consideradas sobre os grandes municípios e as metrópoles.
rurais, ficando 97% dos seus moradores na zona
urbana. Essas nuances demográficas apontam a A Família e Indivíduos
necessidade dos Centros de Referência de
Assistência Social considerarem as dinâmicas A família brasileira vem passando por
internas que cada tipo de município, face à transformações ao longo do tempo. Uma delas
natureza de sua concentração populacional aliada refere-se à pessoa de referência da família. Da
às condições socioeconômicas. década passada até 2002 houve um crescimento
de 30% da participação da mulher como pessoa de
O crescimento relativo da população brasileira vem referência da família.
diminuindo desde a década de 70. A taxa de
natalidade declinou de 1992 a 2002 de 22,8% para Em 1992, elas eram referência para
21%, bem como a taxa de fecundidade total, que aproximadamente 22% das famílias brasileiras, e
declinou de 2,7 para 2,4 filhos por mulher em em 2002, passaram a ser referência para próximo

86
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
de 29% das famílias. Esta tendência de remuneradas representavam o contigente maior,
crescimento ocorreu de forma diferente entre as 56,5% e 47,5% respectivamente.
regiões do País e foi mais acentuada nas regiões
metropolitanas. Em Salvador, 42,2% das famílias As crianças e adolescentes empregados
tinham na mulher sua referência. Em Belém eram representavam o maior contigente no Sudeste,
39,8% e em Recife 37,1%. Entre as Grandes Centro-Oeste e Norte, 54,6%, 50,9 e 38,6%
Regiões, o Norte apresentava a maior proporção de respectivamente. O trabalho doméstico entre as
famílias com este perfil, 33,4% e, o Sul, a menor, crianças e adolescente de 5 a 17 anos de idade era
25,5%. Entre as Unidades Federadas, em um dos mais freqüente na região Norte, Centro-Oeste e
extremos estava o Amapá com 41,1% e, no outro, Sudeste, com taxas acima da média nacional,
o Mato Grosso com 21,9% das famílias cuja pessoa 18,6%, 12,6% e 9,7% respectivamente. No Estado
de referência é a mulher. de Roraima, em 2002, 25,1% das crianças e
adolescente ocupados eram trabalhadores
domésticos. No Amapá eram 23,5% e no Pará
Proteção Integral 19,6%. Entre as Regiões Metropolitanas, a de
Belém se destaca com 22,6% de crianças e
adolescentes trabalhadores domésticos.
• Crianças, adolescentes e jovens

Entre as famílias brasileiras com crianças, 36,3%


tinham rendimento per capita familiar de até 1/2
salário mínimo e 62,6% até 1 salário mínimo. Entre • Gravidez na Adolescência
as crianças de 7 a 14 anos de idade, faixa etária
correspondente ao ensino fundamental, a O comportamento reprodutivo das mulheres
desigualdade era menor entre ricos e pobres. brasileiras vem mudando nos últimos anos, com
aumento da participação das mulheres mais jovens
Entre as crianças de famílias mais pobres, a taxa no padrão de fecundidade do país. Chama a
de escolarização era de 93,2% e, entre as mais atenção o aumento da proporção de mães com
ricas, de 99,7%. Por outro ângulo de análise, morar idades abaixo dos 20 anos. Este aumento é
em municípios com até 100.000 habitantes se tem verificado tanto na faixa de 15 a 19 anos de idade
mais chance de ter crianças de 7 a 14 anos fora da como na de 10 a 14 anos de idade da mãe. A
escola (entre 7 e 8%) do que morar nos grandes gravidez na adolescência é considerada de alto
municípios ou metrópoles, onde o percentual varia risco, com taxas elevadas de mortalidade materna
entre 2 a 4%. e infantil.

Uma variável considerada importante e que Do ponto de vista percentual a distância entre os
influenciaria a defasagem escolar seria o tamanhos dos municípios aparenta não ser
rendimento familiar per capita. Entre a população significativa quanto à concentração de
com 25 anos ou mais, a média de anos de estudo adolescentes mães entre 15 a 17 anos no Brasil,
dos mais pobres era, em 2002, de 3,4 anos e, entre variando entre 7 a 9% do total dessa faixa etária.
os mais ricos de 10,3 anos de estudo. Porém, em concentração absoluta distribuída pelo
total de municípios classificados pelo grupo
Por outro lado, tomando o tamanho dos municípios, populacional, o quadro é bem diferente, ficando 200
a defasagem escolar também varia segundo o vezes maior a presença de adolescentes mães nas
mesmo indicador, sendo maior nos municípios metrópoles do que nos municípios pequenos. Já o
pequenos, onde a média de anos de estudos fica segundo grupo de municípios pequenos (entre
em 4 anos e nos de grande porte ou metrópoles 20.000 a 50.000 habitantes) apresenta 4 vezes
essa média sobe para 6 a quase 8 anos de estudos. mais adolescentes mães do que o primeiro grupo
Ou seja, para além da renda, o tamanho dos de municípios pequenos (até 20.000 habitantes).
municípios também pode interferir no indicador de
defasagem escolar.
Eqüidade
• Trabalho de crianças e adolescentes

Dos 5,4 milhões de crianças e adolescentes • Idosos


ocupados, em 2002, 41,8% estavam em atividades
não remuneradas, 36,1% estavam empregados, Segundo a PNAD - 2002, a população idosa
9% eram trabalhadores domésticos, 6,7% (pessoas com 60 ou mais anos de idade) era
trabalham por conta própria e, apenas 0,1% era aproximadamente de 16 milhões de pessoas,
empregadores. No Nordeste e no Sul as crianças e correspondendo a 9,3% da população brasileira.
adolescentes ocupados em atividades não

87
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Considerando o aumento da expectativa de vida, as enquanto as incapacidades, as doenças mentais,
projeções apontam para uma população de idosos, paraplegias e as mutilações estão mais
em 2020, de 25 milhões de pessoas, representando relacionadas aos problemas de nascença,
11,4% da população total brasileira. acidentes e violência urbana, mais prevalente entre
homens jovens.
Esse aumento considerável da participação da
população idosa, produzirá importantes impactos e Segundo o Censo Demográfico de 2000, 32,02%
transformações nas políticas públicas, da população estava abaixo da linha de pobreza,
principalmente saúde, previdência e assistência ou seja, tinham rendimento familiar per capita
social. A distribuição da população com mais de 65 inferior a 1/2 salário mínimo. Entre as PPDs,
anos nos municípios brasileiros, apresenta uma 29,05% estavam abaixo da linha da pobreza.
média percentual equilibrada em torno de 6%, não Preocupante era a situação das PPIs, com 41,62%
havendo discrepância sob esse ponto de vista entre em situação de pobreza. Entre as PPDs a taxa de
os tamanhos dos municípios. pobreza é inferior à da população total. Este
resultado pode estar associado à atuação do
Em termos absolutos, embora também fiquem na Estado, pela transferência de renda oriundas da
totalidade em torno de 2 milhões de pessoas nos assistência social e da previdência social. Ainda na
grupos dos municípios, quando se distribui essa perspectiva da equidade, a política de assistência
concentração por unidade municipal, a maior social atua com outros segmentos sujeitos a
variação fica entre uma média de 545 idosos nos maiores graus de riscos sociais, como a população
municípios pequenos até 149.000 idosos nas em situação de rua, indígenas, quilombolas,
metrópoles. adolescentes em conflito com a lei, os quais ainda
não fazem parte de uma visão de totalidade da
Em 2002, a maioria dos idosos brasileiros era de sociedade brasileira. Tal ocultamento dificulta a
aposentados ou pensionistas, 77,7%. Muitos ainda construção de uma real perspectiva de sua
trabalham, 30,4%, desempenhando um papel presença no território brasileiro, no sentido de
importante para a manutenção da família. subsidiar o direcionamento de metas das políticas
No Brasil, das pessoas com idade de 60 ou mais públicas.
anos, 64,6% eram referências para as famílias.
Destes, 61,5% eram homens e 38,5% mulheres. • Investimento da assistência social na esfera
Um dado preocupante refere-se ao tipo de família pública
dos idosos. No Brasil, 12,1% dos idosos faziam
parte de famílias unipessoais, ou seja, moravam Com base nas informações disponibilizadas pelo
sozinhos. Tesouro Nacional, considerando somente o
financiamento público nas ações de Assistência
• Pessoas com deficiência Social no Brasil, seguem os números agregados
por entes federativos.
Os dados aqui apresentados são baseados na
publicação Retratos da Deficiência no Brasil, Em 2002, foram investidos R$ 9,9 bilhões de
elaborado em 2003 pelo Centro de Políticas Sociais recursos públicos classificados na função
do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação orçamentária de código 08 - “Assistência Social”4.
Getúlio Vargas, com base nas informações do Destes, os Municípios participaram com R$ 3,1
Censo Demográfico de 2000. Segundo este censo, bilhões, incluídos aqui R$ 1 bilhão que o Fundo
o Brasil possuía, em 2000, aproximadamente 24,6 Nacional de Assistência Social - FNAS transferiu
milhões de pessoas com alguma deficiência, para os Municípios. Os Estados e o Distrito Federal
correspondendo a 14,48% do total da população. A declararam gastos da ordem de R$ 2 bilhões,
região nordeste possuía a maior porcentagem de sendo que, destes, R$ 611 milhões foram recursos
deficientes, 16,8%. O Sudeste, a menor, 13,06% recebidos do FNAS.
(Tabela 8).
O Governo Federal realizou uma execução
Diferentemente dos censos realizados orçamentária de R$ 6,5 bilhões com Assistência
anteriormente, o Censo Demográfico de 2000, Social. Mas como repassou R$ 1,6 bilhões aos
elaborou um levantamento mais detalhado dos Estados, ao Distrito Federal e Municípios, a União
universos das pessoas com deficiência, gastou diretamente R$ 4,9 bilhões na função 08.
introduzindo graus diversos de severidade das Em 2003, foram investidos R$ 12,3 bilhões de
deficiências, incluindo na análise pessoas com recursos públicos classificados na mesma função
alguma dificuldade, grande dificuldade e orçamentária. Destes, os Municípios participaram
incapacidade de ouvir, enxergar e andar, bem como com R$ 3,6 bilhões, incluídos aqui R$ 1 bilhão
as pessoas com limitações mentais e físicas. repassado pelo FNAS.

Considerando as deficiências em geral, sua Os Estados e o Distrito Federal declararam ter


incidência está mais associada aos ciclos de vida, gasto R$ 2,2 bilhões, sendo que, destes, R$ 800

88
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
milhões foram recursos recebidos do FNAS. O para todas as Unidades da Federação. Esta
Governo Federal executou R$ 8,4 bilhões, dos discrepância também acontece quando se analisa
quais gastou diretamente R$ 6,6 bilhões na função o balanço dos Municípios.
08, tendo repassado R$ 1,8 bilhões a Estados,
Distrito Federal e Municípios. Portanto, em termos Em 2002, de 4.825 Municípios que apresentaram
nominais, os Estados (incluindo o Distrito Federal - as contas ao Tesouro Nacional, apenas 1.952
DF) ampliaram em 10% as despesas com apontaram receitas dessa natureza, enquanto o
Assistência Social. Os Municípios, por sua vez, FNAS transferiu recursos para 4.913 Municípios
elevaram em 16% seus gastos; e a União, (88% dos Municípios brasileiros). Em 2003, esse
desconsiderando as transferências, despendeu número foi de 4.856
35% a mais em 2003, comparando-se com 2002. (87% de todos os Municípios), mas somente 2.499
Municípios (dos 4.769 declarantes) registraram ter
Quanto às transferências do FNAS, houve um recebido recursos do FNAS.
crescimento de 11% de um ano para o outro. A
participação relativa dos entes federados nos Se compararmos os gastos públicos com a função
gastos com Assistência Social em 2002 e 2003 Assistência Social em relação ao Produto Interno
variou da seguinte forma: a União ampliou sua Bruto (PIB) medido a preços de mercado pelo
participação de 49,3% para 53,6%; as Unidades da IBGE, notaremos uma ampliação significativa da
Federação reduziram de 19,7% para 17,5%; e os participação.
Municípios de 31% em 2002 para 28,9% em 2003.
A tabela e as representações gráficas a seguir se Em 2002, o PIB medido foi de R$ 1.346.028
referem a essas informações: milhões, dos quais 0,74% refere-se a essa área.
Em 2003, o PIB alcançou R$ 1.514.924 milhões,
Participação dos Entes nos Gastos com Assistência sendo 0,81% relativo aos gastos dos governos com
Social 2002-2003 a política de Assistência Social.

União 49% Quando se compara as despesas com Assistência


Estados 20% Social em relação ao total gasto com a Seguridade
Municípios 31% Social, em cada esfera de governo, que inclui os
totais de despesas com Saúde, Previdência e
Assistência Social, efetuada em cada âmbito,
Participação dos Entes nos Gastos com Assistência observa-se que nos Estados e Distrito Federal, a
Social 2003 média foi de 5,50% em 2002 e 5,38% em 2003.
Entretanto variou entre os Estados o Distrito
União 53% Federal de 1,2% a 25,3%, em 2002, e de 0,75% a
Estados 18% 34,9%, em 2003. Nos Municípios, agregados por
Municípios 29% Estados Distrito Federal, a média foi de 10,86% em
2002 e 10,81% em 2003.
Com relação ao co-financiamento das despesas
com assistência social, observa-se que a Já no âmbito da União, a participação das
participação da União (transferências do FNAS) despesas com Assistência Social na execução6
nas despesas municipais foi de 33,1% em 2002 e orçamentária da Seguridade Social, aumentou de
de 28,4% em 2003, em média. Nota-se que a 3,7% para 4,1%, de 2002 para 2003. Em 2004,
participação dos recursos federais é maior nos esse percentual deverá atingir o valor de 5%, que
Municípios do Nordeste e menor nos Municípios foi recomendado pelas últimas Conferências
dos Estados da Região Sudeste. Nacionais da Assistência Social, cabendo ressaltar
que, para o Orçamento 2005, o Governo Federal
Já a participação da União no financiamento das propôs despesas que ultrapassam um percentual
despesas estaduais (incluindo-se o Distrito de 6% do total da Seguridade Social.
Federal) com Assistência Social foi, em média, de
31,2% em 2002 e de 37,1% em 2003. O Benefício de Prestação Continuada e a Renda
Mensal Vitalícia (benefício configurado como direito
Deve-se ressaltar uma constatação, fruto da adquirido a ser mantido pela assistência social até
análise dos balanços orçamentários dos entes o momento de sua extinção7) tem participação
federados enviados à Secretaria do Tesouro expressiva no total desses orçamentos,
Nacional (STN), referente à discriminação das representando cerca de 88% em 20048 e 87% em
receitas orçamentárias: os entes federados devem 2005.
declarar uma receita denominada “Transferências
de Recursos do Fundo Nacional de Assistência Vale ressaltar que tais benefícios têm seu custeio
Social”, entretanto, apenas cinco Estados praticamente mantido com receitas advindas da
registraram receitas dessa natureza em 2002 e Contribuição para Financiamento da Seguridade
2003, apesar de a União ter repassado recursos Social – COFINS (que representa cerca de 90,28%

89
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
do total do orçamento do Fundo Nacional de Quanto ao financiamento indireto, segundo dados
Assistência Social no exercício de 2004). da Receita Federal e Previdência Social, dos R$2,4
bilhões correspondentes às isenções anuais
Outras fontes de financiamento compõem o concedidas pelo INSS - Instituto Nacional do
orçamento desse fundo, a saber: Seguro Social relativas ao pagamento da cota
• Recursos Ordinários – 2,40%; patronal dos encargos sociais devidos a esse órgão
• Contribuições sobre Concursos de e oportunizadas em razão da certificação com o
Prognósticos – 0,03%; CEAS - Certificado de Entidade Beneficente de
• Alienação de bens Apreendidos – 0,22%; Assistência Social, 51% são de instituições de
• Recursos próprios – Receita de Aluguéis – educação. Interessante notar que as instituições de
0,69%; assistência social são em maior número que as de
• Contribuição Social sobre o Lucro Líquido educação e saúde.
das Pessoas Jurídicas – 0,01%;
• Outras Contribuições Sociais – 0,05% e
• Fundo de Combate e Erradicação da
Pobreza – 6,33%.
2 POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
Com relação às despesas municipais com
assistência social, em comparação com o total de De acordo com o artigo primeiro da LOAS, “a
seu orçamento, verifica-se que a grande parte dos assistência social, direito do cidadão e dever do
municípios dos Estados do Sul e Sudeste gastam Estado, é Política de Seguridade Social não
percentuais abaixo da média nacional, que foi de contributiva, que provê os mínimos sociais,
3,04% em 2002 e 3,12% em 2003. Destacam-se realizada através de um conjunto integrado de
municípios de alguns Estados com despesas da iniciativa pública e da sociedade, para garantir o
ordem entre 5% a 7% de seus orçamentos nos dois atendimento às necessidades básicas”.
anos pesquisados.
A Constituição Federal de 1988 traz uma nova
Ressaltam-se negativamente outros com despesas concepção para a Assistência Social brasileira.
de 1,70% em 2002 e 1,72% em 2003. A pesquisa Incluída no âmbito da Seguridade Social e
Loas+10 também revela que os Estados e os regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência
Municípios majoritariamente alocam recursos Social – LOAS – em dezembro de 1993, como
próprios nas ações dessa política, em política social pública, a assistência social inicia seu
conformidade com as informações acima trânsito para um campo novo: o campo dos direitos,
disponibilizadas pelo Tesouro Nacional. da universalização dos acessos e da
responsabilidade estatal.
Os resultados dessa pesquisa apontam que a
maioria dos Estados, Distrito Federal e Municípios A LOAS cria uma nova matriz para a política de
tem recursos oriundos do orçamento próprio e do assistência social, inserindo-a no sistema do bem-
Fundo Nacional de Assistência Social, apesar de estar social brasileiro concebido como campo de
não ser freqüente o repasse dos recursos de seus Seguridade Social, configurando o triângulo
orçamentos próprios para os respectivos fundos. juntamente com a saúde e a previdência social.

Entretanto, ainda que haja a alocação de recursos A inserção na Seguridade Social aponta, também,
das três esferas de governo, constata-se para seu caráter de política de Proteção Social
descaracterização da concepção relativa ao co- articulada a outras políticas do campo social
financiamento, à medida que muitos Fundos voltadas à garantia de direitos e de condições
Municipais não recebem recursos das três esferas dignas de vida.
de governo.
Segundo Di Giovanni (1998:10), entende-se por
A esfera estadual é a esfera governamental que Proteção Social as formas "institucionalizadas que
menos repassa recursos e, até o momento, todos as sociedades constituem para proteger parte ou o
os recursos da esfera federal são repassados para conjunto de seus membros. Tais sistemas
ações definidas nacionalmente. decorrem de certas vicissitudes da vida natural ou
social, tais como a velhice, a doença, o infortúnio,
Destaca-se também o fato da maior parte dos as privações. (...) Neste conceito, também, tanto as
Estados, Distrito Federal e Municípios assegurar formas seletivas de distribuição e redistribuição de
em legislação e nas leis orçamentárias locais as bens materiais (como a comida e o dinheiro),
fontes de financiamento, embora poucos quanto os bens culturais (como os saberes), que
estabelecem um percentual do orçamento a ser permitirão a sobrevivência e a integração, sob
aplicado na assistência social. várias formas na vida social. Ainda, os princípios
reguladores e as normas que, com intuito de
proteção, fazem parte da vida das coletividades”.

90
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
construções culturais, políticas e, sobretudo, os
Desse modo, a assistência social configura-se processos civilizatórios.
como possibilidade de reconhecimento público da
legitimidade das demandas de seus usuários e As barreiras relacionais criadas por questões
espaço de ampliação de seu protagonismo. individuais, grupais, sociais por discriminação ou
múltiplas inaceitações ou intolerâncias estão no
A proteção social deve garantir as seguintes campo do convívio humano.
seguranças:
• segurança de sobrevivência (de A dimensão multicultural, intergeracional,
rendimento e de autonomia); interterritoriais, intersubjetivas, entre outras, devem
• de acolhida; ser ressaltadas na perspectiva do direito ao
• convívio ou vivência familiar. convívio.

A segurança de rendimentos não é uma Nesse sentido a Política Pública de Assistência


compensação do valor do salário-mínimo Social marca sua especificidade no campo das
inadequado, mas a garantia de que todos tenham políticas sociais, pois configura responsabilidades
uma forma monetária de garantir sua de Estado próprias a serem asseguradas aos
sobrevivência, independentemente de suas cidadãos brasileiros.
limitações para o trabalho ou do desemprego. É o
caso de pessoas com deficiência, idosos, Marcada pelo caráter civilizatório presente na
desempregados, famílias numerosas, famílias consagração de direitos sociais, a LOAS exige que
desprovidas das condições básicas para sua as provisões assistenciais sejam prioritariamente
reprodução social em padrão digno e cidadã. pensadas no âmbito das garantias de cidadania sob
vigilância do Estado, cabendo a este a
Por segurança da acolhida, entende-se como uma universalização da cobertura e a garantia de
das seguranças primordiais da política de direitos e acesso para serviços, programas e
assistência social. Ela opera com a provisão de projetos sob sua responsabilidade.
necessidades humanas que começa com os
direitos à alimentação, ao vestuário, e ao abrigo, 2.1. Princípios
próprios à vida humana em sociedade.
Em consonância com o disposto na LOAS, capítulo
A conquista da autonomia na provisão dessas II, seção I, artigo 4º, a Política Nacional de
necessidades básicas é a orientação desta Assistência Social rege-se pelos seguintes
segurança da assistência social. É possível, princípios democráticos:
todavia, que alguns indivíduos não conquistem por
toda a sua vida, ou por um período dela, a I – Supremacia do atendimento às necessidades
autonomia destas provisões básicas, por exemplo, sociais sobre as exigências de rentabilidade
pela idade – uma criança ou um idoso –, por alguma econômica;
deficiência ou por uma restrição momentânea ou
contínua da saúde física ou mental. Outra situação II - Universalização dos direitos sociais, a fim de
que pode demandar acolhida, nos tempos atuais, é tornar o destinatário da ação assistencial
a necessidade de separação da família ou da alcançável pelas demais políticas públicas;
parentela por múltiplas situações, como violência
familiar ou social, drogadição, alcoolismo, III - Respeito à dignidade do cidadão, à sua
desemprego prolongado e criminalidade. Podem autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços
ocorrer também situações de desastre ou acidentes de qualidade, bem como à convivência familiar e
naturais, além da profunda destituição e abandono comunitária, vedando-se qualquer comprovação
que demandam tal provisão. vexatória de necessidade;

A segurança da vivência familiar ou a segurança do IV - Igualdade de direitos no acesso ao


convívio é uma das necessidades a ser preenchida atendimento, sem discriminação de qualquer
pela política de assistência social. Isto supõe a não natureza, garantindo-se equivalência às
aceitação de situações de reclusão, de situações populações urbanas e rurais;
de perda das relações.
V – Divulgação ampla dos benefícios, serviços,
É próprio da natureza humana o comportamento programas e projetos assistenciais, bem como dos
gregário. É na relação que o ser cria sua identidade recursos oferecidos pelo Poder Público e dos
e reconhece a sua subjetividade. critérios para sua concessão.

A dimensão societária da vida desenvolve 2.2. Diretrizes


potencialidades, subjetividades coletivas,

91
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
A organização da Assistência Social tem as • identidades estigmatizadas em termos
seguintes diretrizes, baseadas na Constituição étnico, cultural e sexual;
Federal de 1988 e na LOAS:
• desvantagem pessoal resultante de
I - Descentralização político-administrativa, deficiências;
cabendo a coordenação e as normas gerais à • exclusão pela pobreza e, ou, no acesso às
esfera federal e a coordenação e execução dos demais políticas públicas;
respectivos programas às esferas estadual e
municipal, bem como a entidades beneficentes e de • uso de substâncias psicoativas;
assistência social, garantindo o comando único das • diferentes formas de violência advinda do
ações em cada esfera de governo, respeitando-se núcleo familiar, grupos e indivíduos;
as diferenças e as características socioterritoriais
locais; • inserção precária ou não inserção no
mercado de trabalho formal e informal;
II - Participação da população, por meio de
• estratégias e alternativas diferenciadas de
organizações representativas, na formulação das
sobrevivência que podem representar risco
políticas e no controle das ações em todos os
pessoal e social.
níveis;

III - Primazia da responsabilidade do Estado na


condução da política de assistência social em cada
esfera de governo; 2.5. Assistência Social e as proteções
IV - Centralidade na família para concepção e afiançadas
implementação dos benefícios, serviços,
programas e projetos.
2.5.1. Proteção Social Básica
2.3. Objetivos
A proteção social básica tem como objetivos
A Política Pública de Assistência Social realiza-se prevenir situações de risco por meio do
de forma integrada às políticas setoriais, desenvolvimento de potencialidades e aquisições,
considerando as desigualdades socioterritoriais, e o fortalecimento de vínculos familiares e
visando seu enfrentamento, à garantia dos mínimos comunitários.
sociais, ao provimento de condições para atender
contingências sociais e à universalização dos Destina-se à população que vive em situação de
direitos sociais. Sob essa perspectiva, objetiva: vulnerabilidade social decorrente da pobreza,
privação (ausência de renda, precário ou nulo
ƒ Prover serviços, programas, projetos e benefícios acesso aos serviços públicos, dentre outros) e, ou,
de proteção social básica e, ou, especial para fragilização de vínculos afetivos - relacionais e de
famílias, indivíduos e grupos que deles pertencimento social (discriminações etárias,
necessitarem; étnicas, de gênero ou por deficiências, dentre
outras).
ƒ Contribuir com a inclusão e a eqüidade dos
usuários e grupos específicos, ampliando o acesso Prevê o desenvolvimento de serviços, programas e
aos bens e serviços socioassistenciais básicos e projetos locais de acolhimento, convivência e
especiais, em áreas urbana e rural; socialização de famílias e de indivíduos, conforme
identificação da situação de vulnerabilidade
ƒ Assegurar que as ações no âmbito da assistência apresentada.
social tenham centralidade na família, e que
garantam a convivência familiar e comunitária; Deverão incluir as pessoas com deficiência e ser
organizados em rede, de modo a inseri-las nas
2.4. Usuários diversas ações ofertadas.

Constitui o público usuário da política de Os benefícios, tanto de prestação continuada como


Assistência Social, cidadãos e grupos que se os eventuais, compõem a proteção social básica,
encontram em situações de vulnerabilidade e dada a natureza de sua realização.
riscos, tais como:
Os programas e projetos são executados pelas três
instâncias de governo e devem ser articulados
• famílias e indivíduos com perda ou
dentro do SUAS.
fragilidade de vínculos de afetividade,
pertencimento e sociabilidade;
Vale destacar o Programa de Atenção Integral à
• ciclos de vida; Família – PAIF – que, pactuado e assumido pelas

92
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
diferentes esferas de governo, surtiu efeitos vulnerabilidades temporárias, em geral
concretos na sociedade brasileira. relacionadas ao ciclo de vida, a situações de
desvantagem pessoal ou a ocorrências de
O BPC constitui uma garantia de renda básica, no incertezas que representam perdas e danos.
valor de um salário mínimo, tendo sido um direito
estabelecido diretamente na Constituição Federal e Hoje os benefícios eventuais são ofertados em
posteriormente regulamentado a partir da LOAS, todos municípios, em geral com recursos próprios
dirigido às pessoas com deficiência e aos idosos a ou da esfera estadual e do Distrito Federal, sendo
partir de 65 anos de idade, observado, para acesso, necessária sua regulamentação mediante definição
o critério de renda previsto na Lei. Tal direito à de critérios e prazos em âmbito nacional.
renda se constituiu como efetiva provisão que
traduziu o princípio da certeza na assistência social, Os serviços, programas, projetos e benefícios de
como política não contributiva de responsabilidade proteção social básica deverão se articular com as
do Estado. Trata-se de prestação direta de demais políticas públicas locais, de forma a garantir
competência do governo federal, presente em a sustentabilidade das ações desenvolvidas e o
todos os municípios. protagonismo das famílias e indivíduos atendidos,
de forma a superar as condições de vulnerabilidade
O aperfeiçoamento da Política Nacional de e a prevenir as situações que indicam risco
Assistência Social compreenderá alterações já potencial. Deverão, ainda, se articular aos serviços
iniciadas no BPC que objetivam aprimorar as de proteção especial, garantindo a efetivação dos
questões de acesso à concessão, visando uma encaminhamentos necessários.
melhor e mais adequada regulação que reduza ou
elimine o grau de arbitrariedade hoje existente e Os serviços de proteção social básica serão
que garanta a sua universalização. Tais alterações executados de forma direta nos Centros de
passam a assumir o real comando de sua gestão Referência da Assistência Social - CRAS e em
pela assistência social. outras unidades básicas e públicas de assistência
social, bem como de forma indireta nas entidades e
Outro desafio é pautar a questão da autonomia do organizações de assistência social da área de
usuário no usufruto do benefício, visando enfrentar abrangência dos CRAS.
problemas como a questão de sua apropriação
pelas entidades privadas de abrigo, em se tratando Centro de Referência da Assistência Social e os
de uma política não contributiva. serviços de proteção básica

Tais problemas somente serão enfrentados com O Centro de Referência da Assistência Social –
um sistema de controle e avaliação que inclua CRAS é uma unidade pública estatal de base
necessariamente Estados, Distrito Federal, territorial, localizado em áreas de vulnerabilidade
Municípios, conselhos de assistência social e o social, que abrange a um total de até 1.000
Ministério Público. Nestes termos, o BPC não deve famílias/ano.
ser tratado como o responsável pelo grande volume
de gasto ou como o dificultador da ampliação do Executa serviços de proteção social básica,
financiamento da assistência social. Deve ser organiza e coordena a rede de serviços sócio-
assumido de fato pela assistência social, sendo assistenciais locais da política de assistência
conhecido e tratado pela sua significativa social.
cobertura, 2,5 milhões de pessoas, pela magnitude
do investimento social, cerca de R$8 bilhões, pelo O CRAS atua com famílias e indivíduos em seu
seu impacto econômico e social e por retirar as contexto comunitário, visando a orientação e o
pessoas do patamar da indigência. convívio sócio-familiar e comunitário.
Neste sentido é responsável pela oferta do
O BPC é processador de inclusão dentro de um Programa de Atenção Integral às Famílias.
patamar civilizatório que dá ao Brasil um lugar
significativo em relação aos demais países que Na proteção básica, o trabalho com famílias deve
possuem programas de renda básica, considerar novas referências para a compreensão
principalmente na América Latina. Trata-se de uma dos diferentes arranjos familiares, superando o
garantia de renda que dá materialidade ao princípio reconhecimento de um modelo único baseado na
da certeza e do direito à assistência social. família nuclear, e partindo do suposto de que são
funções básicas das famílias: prover a proteção e a
Os benefícios eventuais foram tratados no artigo 22 socialização dos seus membros; constituir-se como
da LOAS. Podemos traduzí-los como provisões referências morais, de vínculos afetivos e sociais;
gratuitas implementadas em espécie ou em de identidade grupal, além de ser mediadora das
pecúnia que visam cobrir determinadas relações dos seus membros com outras instituições
necessidades temporárias em razão de sociais e com o Estado.
contingências, relativas a situações de

93
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
O grupo familiar pode ou não se mostrar capaz de ƒ Centros de Convivência para Idosos;
desempenhar suas funções básicas. O importante
é notar que esta capacidade resulta não de uma ƒ Serviços para crianças de 0 a 6 anos, que visem
forma ideal e sim de sua relação com a sociedade, o fortalecimento dos vínculos familiares, o direito de
sua organização interna, seu universo de valores, brincar, ações de socialização e de sensibilização
entre outros fatores, enfim, do estatuto mesmo da para a defesa dos direitos das crianças;
família como grupo cidadão. Em conseqüência,
qualquer forma de atenção e, ou, de intervenção no ƒ Serviços sócio-educativos para crianças,
grupo familiar precisa levar em conta sua adolescentes e jovens na faixa etária de 6 a 24
singularidade, sua vulnerabilidade no contexto anos, visando sua proteção, socialização e o
social, além de seus recursos simbólicos e afetivos, fortalecimento dos vínculos familiares e
bem como sua disponibilidade para se transformar comunitários;
e dar conta de suas atribuições.
ƒ Programas de incentivo ao protagonismo juvenil
Além de ser responsável pelo desenvolvimento do e de fortalecimento dos vínculos familiares e
Programa de Atenção Integral às Famílias - com comunitários;
referência territorializada, que valorize as
heterogeneidades, as particularidades de cada ƒ Centros de informação e de educação para o
grupo familiar, a diversidade de culturas e que trabalho, voltados para jovens e adultos.
promova o fortalecimento dos vínculos familiares e
comunitários – a equipe do CRAS deve prestar 2.5.2. Proteção Social Especial
informação e orientação para a população de sua
área de abrangência, bem como se articular com a Além de privações e diferenciais de acesso a bens
rede de proteção social local no que se refere aos e serviços, a pobreza associada à desigualdade
direitos de cidadania, mantendo ativo um serviço de social e a perversa concentração de renda, revela-
vigilância da exclusão social na produção, se numa dimensão mais complexa: a exclusão
sistematização e divulgação de indicadores da área social.
de abrangência do CRAS, em conexão com outros
territórios. O termo exclusão social confunde-se, comumente,
com desigualdade, miséria, indigência, pobreza
Realiza, ainda, sob orientação do gestor municipal (relativa ou absoluta), apartação social, dentre
de Assistência Social, o mapeamento e a outras.
organização da rede socioassistencial de proteção
básica e promove a inserção das famílias nos Naturalmente existem diferenças e semelhanças
serviços de assistência social local. entre alguns desses conceitos, embora não exista
consenso entre os diversos autores que se dedicam
Promove também o encaminhamento da população ao tema.
local para as demais políticas públicas e sociais,
possibilitando o desenvolvimento de ações Entretanto, diferentemente de pobreza, miséria,
intersetoriais que visem a sustentabilidade, de desigualdade e indigência que são situações, a
forma a romper com o ciclo de reprodução exclusão social é um processo que pode levar ao
intergeracional do processo de exclusão social, e acirramento da desigualdade e da pobreza e,
evitar que estas famílias e indivíduos tenham seus enquanto tal, apresenta-se heterogênea no tempo
direitos violados, recaindo em situações de e no espaço.
vulnerabilidades e riscos.
A realidade brasileira nos mostra que existem
São considerados serviços de proteção básica de famílias com as mais diversas situações sócio-
assistência social aqueles que potencializam a econômicas que induzem à violação dos direitos de
família como unidade de referência, fortalecendo seus membros, em especial, de suas crianças,
seus vínculos internos e externos de solidariedade, adolescentes, jovens, idosos e pessoas com
através do protagonismo de seus membros e da deficiência, além da geração de outros fenômenos
oferta de um conjunto de serviços locais que visam como, por exemplo, pessoas em situação de rua,
a convivência, a socialização e o acolhimento em migrantes, idosos abandonados que estão nesta
famílias cujos vínculos familiar e comunitário não condição não pela ausência de renda, mas por
foram rompidos, bem como a promoção da outras variáveis da exclusão social. Percebe-se
integração ao mercado de trabalho, tais como: que estas situações se agravam justamente nas
parcelas da população onde há maiores índices de
ƒ Programa de Atenção Integral às Famílias; desemprego e de baixa renda dos adultos.

ƒ Programa de inclusão produtiva e projetos de As dificuldades em cumprir com funções de


enfrentamento da pobreza; proteção básica, socialização e mediação,
fragilizam, também, a identidade do grupo familiar,

94
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
tornando mais vulneráveis seus vínculos simbólicos criar condições para adquirirem referências na
e afetivos. A vida dessas famílias não é regida sociedade brasileira, enquanto sujeitos de direito.
apenas pela pressão dos fatores sócio-econômicos
e necessidade de sobrevivência. Elas precisam ser A proteção social especial é a modalidade de
compreendidas em seu contexto cultural, inclusive atendimento assistencial destinada a famílias e
ao se tratar da análise das origens e dos resultados indivíduos que se encontram em situação de risco
de sua situação de risco e de suas dificuldades de pessoal e social, por ocorrência de abandono,
auto-organização e de participação social. maus tratos físicos e, ou, psíquicos, abuso sexual,
uso de substâncias psicoativas, cumprimento de
Assim, as linhas de atuação com as famílias em medidas sócio-educativas, situação de rua,
situação de risco devem abranger, desde o situação de trabalho infantil, entre outras.
provimento de seu acesso a serviços de apoio e
sobrevivência, até sua inclusão em redes sociais de São serviços que requerem acompanhamento
atendimento e de solidariedade. individual, e maior flexibilidade nas soluções
protetivas.
As situações de risco demandarão intervenções em
problemas específicos e, ou, abrangentes. Nesse Da mesma forma, comportam encaminhamentos
sentido, é preciso desencadear estratégias de monitorados, apoios e processos que assegurem
atenção sócio-familiar que visem a reestruturação qualidade na atenção protetiva e efetividade na
do grupo familiar e a elaboração de novas reinserção almejada.
referências morais e afetivas, no sentido de
fortalecê-lo para o exercício de suas funções de Os serviços de proteção especial têm estreita
proteção básica ao lado de sua auto-organização e interface com o sistema de garantia de direito
conquista de autonomia. exigindo, muitas vezes, uma gestão mais complexa
e compartilhada com o Poder Judiciário, Ministério
Longe de significar um retorno à visão tradicional, e Público e outros órgãos e ações do Executivo. Vale
considerando a família como uma instituição em destacar programas que, pactuados e assumidos
transformação, a ética da atenção da proteção pelos três entes federados, surtiram efeitos
especial pressupõe o respeito à cidadania, o concretos na sociedade brasileira, como o
reconhecimento do grupo familiar como referência Programa de Erradicação do Trabalho Infantil –
afetiva e moral e a reestruturação das redes de PETI e o Programa de Combate à Exploração
reciprocidade social. Sexual de Crianças e Adolescentes.

A ênfase da proteção social especial deve priorizar Proteção Social Especial de média
a reestruturação dos serviços de abrigamento dos complexidade
indivíduos que, por uma série de fatores, não
contam mais com a proteção e o cuidado de suas São considerados serviços de média complexidade
famílias, para as novas modalidades de aqueles que oferecem atendimentos às famílias e
atendimento. indivíduos com seus direitos violados, mas cujos
vínculos familiar e comunitário não foram rompidos.
A história dos abrigos e asilos é antiga no Brasil. A Neste sentido, requerem maior estruturação
colocação de crianças, adolescentes, pessoas com técnicooperacional e atenção especializada e mais
deficiências e idosos em instituições para protegê- individualizada, e, ou, acompanhamento
los ou afastá-los do convívio social e familiar foi, sistemático e monitorado, tais como:
durante muito tempo, materializada em grandes
instituições de longa permanência, ou seja, ƒ Serviço de orientação e apoio sócio-familiar;
espaços que atendiam a um grande número de
pessoas, que lá permaneciam por longo período – ƒ Plantão Social;
às vezes a vida toda. São os chamados,
popularmente, como orfanatos, internatos, ƒ Abordagem de Rua;
educandários, asilos, entre outros.
ƒ Cuidado no Domicílio;
São destinados, por exemplo, às crianças, aos
adolescentes, aos jovens, aos idosos, às pessoas ƒ Serviço de Habilitação e Reabilitação na
com deficiência e às pessoas em situação de rua comunidade das pessoas com deficiência;
que tiverem seus direitos violados e, ou,
ameaçados e cuja convivência com a família de ƒ Medidas sócio-educativas em meio-aberto (PSC
origem seja considerada prejudicial a sua proteção – Prestação de Serviços à Comunidade e LA –
e ao seu desenvolvimento. No caso da proteção Liberdade Assistida).
social especial, à população em situação de rua
serão priorizados os serviços que possibilitem a A proteção especial de média complexidade
organização de um novo projeto de vida, visando envolve também o Centro de Referência

95
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Especializado da Assistência Social, visando a técnico-políticas da União, Estados, Distrito Federal
orientação e o convívio sócio-familiar e comunitário. e Municípios, com a participação e mobilização da
sociedade civil e estes têm o papel efetivo na sua
Difere-se da proteção básica por se tratar de um implantação e implementação.
atendimento dirigido às situações de violação de
direitos. O SUAS materializa o conteúdo da LOAS,
cumprindo no tempo histórico dessa política as
Proteção Social Especial de alta complexidade exigências para a realização dos objetivos e
resultados esperados que devem consagrar
Os serviços de proteção social especial de alta direitos de cidadania e inclusão social.
complexidade são aqueles que garantem proteção
integral – moradia, alimentação, higienização e “Trata das condições para a extensão e
trabalho protegido para famílias e indivíduos que se universalização da proteção social aos brasileiros
encontram sem referência e, ou, em situação de através da política de assistência social e para a
ameaça, necessitando ser retirados de seu núcleo organização, responsabilidade e funcionamento de
familiar e, ou, comunitário, tais como: seus serviços e benefícios nas três instâncias de
gestão governamental”.
ƒ Atendimento Integral Institucional; O SUAS define e organiza os elementos essenciais
e imprescindíveis à execução da política de
ƒ Casa Lar; assistência social possibilitando a normatização
dos padrões nos serviços, qualidade no
ƒ República; atendimento, indicadores de avaliação e resultado,
nomenclatura dos serviços e da rede
ƒ Casa de Passagem; socioassistencial e, ainda, os eixos estruturantes
e de subsistemas conforme aqui descritos:
ƒ Albergue;
ƒ Matricialidade Sócio-Familiar;
ƒ Família Substituta;
ƒ Descentralização político-administrativa e
ƒ Família Acolhedora; Territorialização;

ƒ Medidas sócio-educativas restritivas e privativas ƒ Novas bases para a relação entre Estado e
de liberdade (Semi-liberdade, Internação provisória Sociedade Civil;
e sentenciada);
ƒ Financiamento;
ƒ Trabalho protegido.
ƒ Controle Social;

3 GESTÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE ƒ O desafio da participação popular/cidadão


ASSISTÊNCIA SOCIAL NA usuário;
PERSPECTIVA DO SISTEMA ÚNICO DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL – SUAS ƒ A Política de Recursos Humanos;

3.1 Conceito e base de organização do Sistema ƒ A Informação, o Monitoramento e a Avaliação.


Único de Assistência Social - SUAS
Os serviços socioassistenciais no SUAS são
O SUAS, cujo modelo de gestão é descentralizado organizados segundo as seguintes referências:
e participativo, constitui-se na regulação e
organização em todo o território nacional das ações • vigilância social,
socioassistenciais. • proteção social e
• defesa social e institucional.
Os serviços, programas, projetos e benefícios têm
como foco prioritário a atenção às famílias, seus Vigilância Social: refere-se à produção,
membros e indivíduos e o território como base de sistematização de informações, indicadores e
organização, que passam a ser definidos pelas índices territorializados das situações de
funções que desempenham, pelo número de vulnerabilidade e risco pessoal e social que incidem
pessoas que deles necessitam e pela sua sobre:
complexidade. • famílias/pessoas nos diferentes ciclos da
vida (crianças, adolescentes, jovens,
Pressupõe, ainda, gestão compartilhada, adultos e idosos);
cofinanciamento da política pelas três esferas de
governo e definição clara das competências

96
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
• pessoas com redução da capacidade
pessoal, com deficiência ou em abandono; • Direito ao atendimento digno, atencioso e
• crianças e adultos, vítimas de formas de respeitoso, ausente de procedimentos vexatórios e
exploração, de violência e de ameaças; coercitivos;
• vítimas de preconceito por etnia, gênero e
opção pessoal; • Direito ao tempo, de modo a acessar a rede de
• vítimas de apartação social que lhes serviço com reduzida espera e de acordo com a
impossibilite sua autonomia e integridade, necessidade;
fragilizando sua existência;
• vigilância sobre os padrões de serviços de • Direito à informação, enquanto direito primário do
assistência social em especial aqueles que cidadão, sobretudo àqueles com vivência de
operam na forma de albergues, abrigos, barreiras culturais, de leitura, de limitações físicas;
residências, semi-residências, moradias
provisórias para os diversos segmentos • Direito do usuário ao protagonismo e
etários. manifestação de seus interesses;

Os indicadores a serem construídos devem • Direito do usuário à oferta qualificada de serviço;


mensurar no território as situações de riscos sociais
e violação de direitos. • Direito de convivência familiar e comunitária.

Proteção Social: O processo de gestão do SUAS prevê as seguintes


bases organizacionais:
• segurança de sobrevivência ou de rendimento
e de autonomia: através de benefícios 3.1.1. Matricialidade Sócio-Familiar
continuados e eventuais que assegurem: proteção
social básica a idosos e pessoas com deficiência As reconfigurações dos espaços públicos, em
sem fonte de renda e sustento; pessoas e famílias termos dos direitos sociais assegurados pelo
vítimas de calamidades Estado democrático de um lado e, por outro, dos
e emergências; situações de forte fragilidade constrangimentos provenientes da crise econômica
pessoal e familiar, em especial às mulheres chefes e do mundo do trabalho, determinaram
de família e seus filhos; transformações fundamentais na esfera privada,
resignificando as formas de composição e o papel
• segurança de convívio ou vivência familiar: das famílias. Por reconhecer as fortes pressões que
através de ações, cuidados e serviços que os processos de exclusão sócio-cultural geram
restabeleçam vínculos pessoais, familiares, de sobre as famílias brasileiras, acentuando suas
vizinhança, de segmento social, mediante a oferta fragilidades e contradições, faz-se primordial sua
de experiências sócio-educativas, lúdicas, sócio- centralidade no âmbito das ações da política de
culturais, desenvolvidas em rede de núcleos sócio- assistência social, como espaço privilegiado e
educativos e de convivência para os diversos ciclos insubstituível de proteção e socialização primárias,
de vida, suas características e necessidades; provedora de cuidados aos seus membros, mas
que precisa também ser cuidada e protegida. Essa
• segurança de acolhida: através de ações, correta percepção é condizente com a tradução da
cuidados, serviços e projetos operados em rede família na condição de sujeito de direitos, conforme
com unidade de porta de entrada destinada a estabelece a Constituição Federal de 1988, o
proteger e recuperar as situações de abandono e Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei
isolamento de crianças, adolescentes, jovens, Orgânica de Assistência Social e o Estatuto do
adultos e idosos, restaurando sua autonomia, Idoso.
capacidade de convívio e protagonismo mediante a
oferta de condições materiais de abrigo, repouso, A família, independentemente dos formatos ou
alimentação, higienização, vestuário e aquisições modelos que assume é mediadora das relações
pessoais desenvolvidas através de acesso às entre os sujeitos e a coletividade, delimitando,
ações sócio-educativas; continuamente os deslocamentos entre o público e
o privado, bem como geradora de modalidades
Defesa Social e Institucional: a proteção básica e comunitárias de vida.
especial devem ser organizadas de forma a garantir
aos seus usuários o acesso ao conhecimento dos Todavia, não se pode desconsiderar que ela se
direitos socioassistenciais e sua defesa. caracteriza como um espaço contraditório, cuja
dinâmica cotidiana de convivência é marcada por
São direitos socioassistenciais a serem conflitos e geralmente, também, por desigualdades,
assegurados na operação do SUAS a seus além de que nas sociedades capitalistas a família é
usuários: fundamental no âmbito da proteção social.

97
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Em segundo lugar, é preponderante retomar que as postulação se orienta pelo reconhecimento da
novas feições da família estão intrínseca e realidade que temos hoje através de estudos e
dialeticamente condicionadas às transformações análises das mais diferentes áreas e tendências.
societárias contemporâneas, ou seja, às
transformações econômicas e sociais, de hábitos e Pesquisas sobre população e condições de vida
costumes e ao avanço da ciência e da tecnologia. nos informam que as transformações ocorridas na
sociedade contemporânea, relacionadas à ordem
O novo cenário tem remetido à discussão do que econômica, à organização do trabalho, à revolução
seja a família, uma vez que as três dimensões na área da reprodução humana, à mudança de
clássicas de sua definição (sexualidade, procriação valores e à liberalização dos hábitos e dos
e convivência) já não têm o mesmo grau de costumes, bem como ao fortalecimento da lógica
imbricamento que se acreditava outrora. individualista em termos societários, redundaram
em mudanças radicais na organização das famílias.
Nesta perspectiva, podemos dizer que estamos Dentre essas mudanças pode-se observar um
diante de uma família quando encontramos um enxugamento dos grupos familiares (famílias
conjunto de pessoas que se acham unidas por menores), uma variedade de arranjos familiares
laços consangüíneos, afetivos e, ou, de (monoparentais, reconstituídas), além dos
solidariedade. processos de empobrecimento acelerado e da
desterritorialização das famílias gerada pelos
Como resultado das modificações acima movimentos migratórios.
mencionadas, superou-se a referência de tempo e
de lugar para a compreensão do conceito de Essas transformações, que envolvem aspectos
família. positivos e negativos, desencadearam um
processo de fragilização dos vínculos familiares e
O reconhecimento da importância da família no comunitários e tornaram as famílias mais
contexto da vida social está explícito no artigo 226, vulneráveis.
da Constituição Federal do Brasil, quando declara
que a “família, base da sociedade, tem especial A vulnerabilidade à pobreza está relacionada não
proteção do Estado”, endossando, assim, o artigo apenas aos fatores da conjuntura econômica e das
16, da Declaração dos Direitos Humanos, que qualificações específicas dos indivíduos, mas
traduz a família como sendo o núcleo natural e também às tipologias ou arranjos familiares e aos
fundamental da sociedade, e com direito à proteção ciclos de vida das famílias. Portanto, as condições
da sociedade e do Estado. de vida de cada indivíduo dependem menos de sua
situação específica que daquela que caracteriza
No Brasil, tal reconhecimento se reafirma nas sua família.
legislações específicas da Assistência Social –
Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, No entanto, percebe-se que na sociedade
Estatuto do Idoso e na própria Lei Orgânica da brasileira, dada as desigualdades características
Assistência Social – LOAS, entre outras. de sua estrutura social, o grau de vulnerabilidade
vem aumentando e com isso aumenta a exigência
Embora haja o reconhecimento explícito sobre a das famílias desenvolverem complexas estratégias
importância da família na vida social e, portanto, de relações entre seus membros para
merecedora da proteção do Estado, tal proteção sobreviverem.
tem sido cada vez mais discutida, na medida em
que a realidade tem dado sinais cada vez mais Assim, essa perspectiva de análise, reforça a
evidentes de processos de penalização e importância da política de Assistência Social no
desproteção das famílias brasileiras. conjunto protetivo da Seguridade Social, como
direito de cidadania, articulada à lógica da
Nesse contexto, a matricialidade sócio-familiar universalidade. Além disso, há que considerar a
passa a ter papel de destaque no âmbito da Política diversidade sócio-cultural das famílias, na medida
Nacional de Assistência Social – PNAS. Esta em que estas são, muitas vezes, movidas por
ênfase está ancorada na premissa de que a hierarquias consolidadas e por uma solidariedade
centralidade da família e a superação da coativa que redundam em desigualdades e
focalização, no âmbito da política de Assistência opressões.
Social, repousam no pressuposto de que para a
família prevenir, proteger, promover e incluir seus Sendo assim, a política de Assistência Social
membros é necessário, em primeiro lugar, garantir possui papel fundamental no processo de
condições de sustentabilidade para tal. emancipação destas, enquanto sujeito coletivo.
Postula-se, inclusive, uma interpretação mais
Nesse sentido, a formulação da política de ampla do estabelecido na legislação, no sentido de
Assistência Social é pautada nas necessidades das reconhecer que a concessão de benefícios está
famílias, seus membros e dos indivíduos. Essa condicionada à impossibilidade não só do

98
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
beneficiário em prover sua manutenção, mas meios, esforços e recursos, e por um conjunto de
também de sua família. instâncias deliberativas, compostas pelos diversos
setores envolvidos na área. O artigo 8º estabelece
Dentro do princípio da universalidade, portanto, que a União, os Estados, o Distrito Federal e os
objetiva-se a manutenção e a extensão de direitos, Municípios, observados os princípios e diretrizes
em sintonia com as demandas e necessidades estabelecidas nesta Lei, fixarão suas respectivas
particulares expressas pelas famílias. Políticas de Assistência Social.

Nessa ótica, a centralidade da família com vistas à A política de assistência social tem sua expressão
superação da focalização, tanto relacionada a em cada nível da Federação na condição de
situações de risco como a de segmentos, sustenta- comando único, na efetiva implantação e
se a partir da perspectiva postulada. funcionamento de um Conselho de composição
paritária entre sociedade civil e governo, do Fundo,
Ou seja, a centralidade da família é garantida à que centraliza os recursos na área, controlado pelo
medida que na Assistência Social, com base em órgão gestor e fiscalizado pelo conselho, do Plano
indicadores das necessidades familiares, se de Assistência Social que expressa a Política e
desenvolva uma política de cunho universalista, suas inter-relações com as demais políticas
que em conjunto com as transferências de renda setoriais e ainda com a rede socioassistencial.
em patamares aceitáveis se desenvolva,
prioritariamente, em redes socioassistenciais que Portanto, Conselho, Plano e Fundo são os
suportem as tarefas cotidianas de cuidado e que elementos fundamentais de gestão da Política
valorizem a convivência familiar e comunitária. Pública de Assistência Social.

Além disso, a Assistência Social, enquanto política O artigo 11o da LOAS coloca, ainda, que as ações
pública que compõe o tripé da Seguridade Social, e das três esferas de governo na área da assistência
considerando as características da população social realizam-se de forma articulada, cabendo a
atendida por ela, deve fundamentalmente inserir-se coordenação e as normas gerais à esfera federal e
na articulação intersetorial com outras políticas a coordenação e execução dos programas, em
sociais, particularmente, as públicas de Saúde, suas respectivas esferas, aos Estados, ao Distrito
Educação, Cultura, Esporte, Emprego, Habitação, Federal e aos Municípios.
entre outras, para que as ações não sejam
fragmentadas e se mantenha o acesso e a Dessa forma, cabe a cada esfera de governo, em
qualidade dos serviços para todas as famílias e seu âmbito de atuação, respeitando os princípios e
indivíduos. diretrizes estabelecidas na Política Nacional de
Assistência Social, coordenar, formular e co-
A efetivação da política de Assistência Social, financiar além de monitorar, avaliar, capacitar e
caracterizada pela complexidade e sistematizar as informações. Considerando a alta
contraditoriedade que cerca as relações densidade populacional do país e, ao mesmo
intrafamiliares e as relações da família com outras tempo, seu alto grau de heterogeneidade e
esferas da sociedade, especialmente o Estado, desigualdade socioterritorial presentes entre os
colocam desafios tanto em relação a sua seus 5.561 municípios, a vertente territorial faz-se
proposição e formulação quanto a sua execução. urgente e necessária na Política Nacional de
Assistência Social. Ou seja, o princípio da
Os serviços de proteção social, básica e especial, homogeneidade por segmentos na definição de
voltados para a atenção às famílias deverão ser prioridades de serviços, programas e projetos
prestados, preferencialmente, em unidades torna-se insuficiente frente às demandas de uma
próprias dos municípios, através dos Centros de realidade marcada pela alta desigualdade social.
Referência da Assistência Social básico e Exige-se agregar ao conhecimento da realidade a
especializado. Os serviços, programas, projetos de dinâmica demográfica associada à dinâmica
atenção às famílias e indivíduos poderão ser socioterritorial em curso.
executados em parceria com as entidades não-
governamentais de assistência social, integrando a Também, considerando que muitos dos resultados
rede socioassistencial. das ações da política de assistência social
impactam em outras políticas sociais e vice-versa,
3.1.2. Descentralização político-administrativa e é imperioso construir ações territorialmente
Territorialização definidas, juntamente com essas políticas.
Importantes conceitos no campo da
No campo da assistência social, o artigo 6º, da descentralização foram incorporados a partir da
LOAS, dispõe que as ações na área são leitura territorial como expressão do conjunto de
organizadas em sistema descentralizado e relações, condições e acessos inaugurados pelas
participativo, constituído pelas entidades e análises de Milton Santos, que interpreta a cidade
organizações de assistência social, articulando

99
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
com significado vivo a partir dos “atores que dela se Para Menicucci (2002), “a proposta de
utilizam”. planejamento e intervenções intersetoriais envolve
mudanças nas instituições sociais e suas práticas”.
Dirce Koga afirma que “os direcionamentos das
políticas públicas estão intrinsecamente vinculados Significa alterar a forma de articulação das ações
à própria qualidade de vida dos cidadãos. É no em segmentos, privilegiando a universalização da
embate relacional da política pública entre governo proteção social em prejuízo da setorialização e da
e sociedade que se dará a ratificação ou o combate autonomização nos processos de trabalho. Implica,
ao processo de exclusão social em curso. também, em mudanças na cultura e nos valores da
rede socioassistencial, das organizações gestoras
Pensar na política pública a partir do território exige das políticas sociais e das instâncias de
também um exercício de revista à história, ao participação.
cotidiano, ao universo cultural da população que Torna-se necessário, constituir uma forma
vive neste território (...). organizacional mais dinâmica, articulando as
diversas instituições envolvidas.
A perspectiva de totalidade, de integração entre os
setores para uma efetiva ação pública... vontade É essa a perspectiva que esta Política Nacional
política de fazer valer a diversidade e a inter- quer implementar. A concepção da assistência
relação das políticas locais” (2003:25). social como política pública tem como principais
pressupostos a territorialização, a descentralização
Nessa vertente, o objeto da ação pública, buscando e a intersetorialidade aqui expressos.
garantir a qualidade de vida da população,
extravasa os recortes setoriais em que Assim, a operacionalização da política de
tradicionalmente se fragmentaram as políticas assistência social em rede, com base no território,
sociais e em especial a política de assistência constitui um dos caminhos para superar a
social. Menicucci (2002) afirma que “o novo fragmentação na prática dessa política.
paradigma para a gestão pública articula
descentralização e intersetorialidade, uma vez que Trabalhar em rede, nessa concepção territorial
o objetivo visado é promover a inclusão social ou significa ir além da simples adesão, pois há
melhorar a qualidade de vida, resolvendo os necessidade de se romper com velhos paradigmas,
problemas concretos que incidem sobre uma em que as práticas se construíram historicamente
população em determinado território”. Ou seja, ao pautadas na segmentação, na fragmentação e na
invés de metas setoriais a partir de demandas ou focalização, e olhar para a realidade, considerando
necessidades genéricas, trata-se de identificar os os novos desafios colocados pela dimensão do
problemas concretos, as potencialidades e as cotidiano, que se apresenta sob múltiplas
soluções, a partir de recortes territoriais que formatações, exigindo enfrentamento de forma
identifiquem conjuntos populacionais em situações integrada e articulada.
similares, e intervir através das políticas públicas,
com o objetivo de alcançar resultados integrados e Isso expressa a necessidade de se repensar o atual
promover impacto positivo nas condições de vida. desenho da atuação da rede socioassistencial,
O que Aldaíza Sposati tem chamado de atender a redirecionando-a na perspectiva de sua
necessidade e não o necessitado. diversidade, complexidade, cobertura,
financiamento e do número potencial de usuários
Dessa forma, uma maior descentralização, que que dela possam necessitar. A partir daí, a Política
recorte regiões homogêneas, costuma ser pré- Nacional de Assistência Social caracterizará os
requisito para ações integradas na perspectiva da municípios brasileiros de acordo com seu porte
intersetorialidade. demográfico associado aos indicadores
socioterritoriais disponíveis a partir dos dados
Descentralização efetiva com transferência de censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e
poder de decisão, de competências e de recursos, Estatística – IBGE, com maior grau de
e com autonomia das administrações dos desagregação territorial quanto maior a taxa de
microespaços na elaboração de diagnósticos densidade populacional, isto é, quanto maior
sociais, diretrizes, metodologias, formulação, concentração populacional, maior será a
implementação, execução, monitoramento, necessidade de considerar as diferenças e
avaliação e sistema de informação das ações desigualdades existentes entre os vários territórios
definidas, com garantias de canais de participação de um município ou região.
local. Pois, esse processo ganha consistência
quando a população assume papel ativo na A construção de indicadores a partir dessas
reestruturação. parcelas territoriais termina configurando uma
“medida de desigualdade intraurbana”. Esta
medida, portanto, sofrerá variações de abrangência
de acordo com as características de cada cidade,

100
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
exigindo ação articulada entre as três esferas no possuem mais autonomia na estruturação de sua
apoio e subsídio de informações, tendo como base economia, sediam algumas indústrias de
o Sistema Nacional de Informações de Assistência transformação, além de contarem com maior oferta
Social e os censos do IBGE, compondo com os de comércio e serviços. A oferta de empregos
Campos de Vigilância Social, locais e estaduais, as formais, portanto, aumenta tanto no setor
referências necessárias para sua construção. secundário como no de serviços. Esses municípios
necessitam de uma rede mais ampla de serviços de
Porém, faz-se necessária a definição de uma assistência social, particularmente na rede de
metodologia unificada de construção de proteção social básica. Quanto à proteção especial,
alguns índices (exclusão/inclusão social, a realidade de tais municípios se assemelha à dos
vulnerabilidade social) para efeitos de comparação municípios de pequeno porte, no entanto, a
e definição de prioridades da Política Nacional de probabilidade de ocorrerem demandas nessa área
Assistência Social. é maior, o que leva a se considerar a possibilidade
Como forma de caracterização dos grupos de sediarem serviços próprios dessa natureza ou
territoriais da Política Nacional de Assistência de referência regional, agregando municípios de
Social será utilizada como referência a definição de pequeno porte no seu entorno.
municípios como de pequeno, médio e grande porte
utilizada pelo IBGE agregando-se outras • Municípios de grande porte – entende-se por
referências de análise realizadas pelo Centro de municípios de grande porte aqueles cuja população
Estudos das Desigualdades Socioterritoriais, bem é de 101.000 habitantes até 900.000 habitantes
como pelo Centro de Estudos da Metrópole sobre (cerca de 25.000 a 250.000 famílias). São os mais
desigualdades intraurbanas e o contexto específico complexos na sua estruturação econômica, pólos
das metrópoles: de regiões e sedes de serviços mais
especializados. Concentram mais
• Municípios de pequeno porte 1 – entende-se por oportunidades de emprego e oferecem maior
município de pequeno porte 1 aquele cuja número de serviços públicos, contendo também
população chega a 20.000 habitantes (até 5.000 mais infra-estrutura. No entanto, são os municípios
famílias em média. Possuem forte presença de que por congregarem o grande número de
população em zona rural, correspondendo a 45% habitantes e, pelas suas características em
da população total. Na maioria das vezes, possuem atraírem grande parte da população que migra das
como referência municípios de maior porte, regiões onde as oportunidades são consideradas
pertencentes à mesma região em que estão mais escassas, apresentam grande demanda por
localizados. Necessitam de uma rede simplificada e serviços das várias áreas de políticas públicas. Em
reduzida de serviços de proteção social básica, pois razão dessas características, a rede
os níveis de coesão social, as demandas potenciais socioassistencial deve ser mais complexa e
e redes socioassistenciais não justificam serviços diversificada, envolvendo serviços de proteção
de natureza complexa. Em geral, esses municípios social básica, bem como uma ampla rede de
não apresentam demanda significativa de proteção proteção especial (nos níveis de média e alta
social especial, o que aponta para a necessidade complexidade).
de contarem com a referência de serviços dessa
natureza na região, mediante prestação direta pela • Metrópoles – entende-se por metrópole os
esfera estadual, organização de consórcios municípios com mais de 900.000 habitantes
intermunicipais, ou prestação por municípios de (atingindo uma média superior a 250.000 famílias
maior porte, com cofinanciamento das esferas cada). Para além das características dos grandes
estaduais e Federal. municípios, as metrópoles apresentam o agravante
dos chamados territórios de fronteira, que
• Municípios de pequeno porte 2 – entende-se por significam zonas de limites que configuram a região
município de pequeno porte aquele cuja população metropolitana e normalmente com forte ausência
varia de 20.001 a 50.000 habitantes (cerca de 5.000 de serviços do Estado.
a 10.000 famílias em média). Diferenciam-se dos
pequeno porte especialmente no que se refere à A referida classificação tem o propósito de instituir
concentração da população rural que corresponde o Sistema Único de Assistência Social,
a 30% da população total. Quanto às suas identificando as ações de proteção básica de
características relacionais mantém-se as mesmas atendimento que devem ser prestadas na
dos municípios pequenos. totalidade dos municípios brasileiros e as ações de
proteção social especial, de média e alta
• Municípios de médio porte – entende-se por complexidade, que devem ser estruturadas pelos
municípios de médio porte aqueles cuja população municípios de médio, grande porte e metrópoles,
está entre 50.001 a 100.000 habitantes (cerca de bem como pela esfera estadual, por prestação
10.000 a 25.000 famílias). Mesmo ainda precisando direta como referência regional ou pelo
contar com a referência de municípios de grande assessoramento técnico e financeiro na
porte para questões de maior complexidade, já constituição de consórcios intermunicipais.

101
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
entidades e órgãos, além da dispersão de recursos
Levar-se-á em conta, para tanto, a realidade local, humanos, materiais e financeiros.
regional, o porte, a capacidade gerencial e de
arrecadação dos municípios, e o aprimoramento A gravidade dos problemas sociais brasileiros exige
dos instrumentos de gestão, introduzindo o que o Estado estimule a sinergia e gere espaços de
geoprocessamento como ferramenta da Política de colaboração, mobilizando recursos potencialmente
Assistência Social. existentes na sociedade, tornando imprescindível
contar com a sua participação em ações
3.1.3. Novas bases para a relação entre o Estado integradas, de modo a multiplicar seus efeitos e
e a Sociedade Civil chances de sucesso.

O legislador constituinte de 1988 foi claro no art. Desconhecer a crescente importância da atuação
204, ao destacar a participação da sociedade civil das organizações da sociedade nas políticas
tanto na execução dos programas através das sociais é reproduzir a lógica ineficaz e irracional da
entidades beneficentes e de assistência social, fragmentação, descoordenação, superposição e
bem como na participação, na formulação e no isolamento das ações.
controle das ações em todos os níveis.
Na proposta do SUAS, é condição fundamental a
A Lei Orgânica de Assistência Social propõe um reciprocidade das ações da rede de proteção social
conjunto integrado de ações e iniciativas do básica e especial, com centralidade na família,
governo e da sociedade civil para garantir proteção sendo consensado o estabelecimento de fluxo,
social para quem dela necessitar. referência e retaguarda entre as modalidades e as
complexidades de atendimento, bem como a
A gravidade dos problemas sociais brasileiros exige definição de portas de entrada para o sistema.
que o Estado assuma a primazia da
responsabilidade em cada esfera de governo na Assim, a nova relação público e privado deve ser
condução da política. Por outro lado, a sociedade regulada, tendo em vista a definição dos serviços
civil participa como parceira, de forma de proteção básica e especial, a qualidade e o
complementar na oferta de serviços, programas, custo dos serviços, além de padrões e critérios de
projetos e benefícios de Assistência Social. Possui, edificação.
ainda, o papel de exercer o controle social sobre a
mesma. Vale ressaltar a importância dos fóruns de Neste contexto, as entidades prestadoras de
participação popular, específicos e, ou, de assistência social integram o Sistema Único de
articulação da política em todos os níveis de Assistência Social, não só como prestadoras
governo, bem como a união dos conselhos e, ou, complementares de serviços sócio-assistenciais,
congêneres no fortalecimento da sociedade civil mas, como co-gestoras através dos conselhos de
organizada na consolidação da Política Nacional de assistência social e co-responsáveis na luta pela
Assistência Social. garantia dos direitos sociais em garantir direitos dos
usuários da assistência social. Esse
No entanto, somente o Estado dispõe de reconhecimento impõe a necessidade de articular e
mecanismos fortemente estruturados para integrar ações e recursos, tanto na relação intra
coordenar ações capazes de catalisar atores em como interinstitucional, bem como com os demais
torno de propostas abrangentes, que não percam conselhos setoriais e de direitos.
de vista a universalização das políticas, combinada
com a garantia de eqüidade. Esta prerrogativa está Ao invés de substituir a ação do Estado, a rede
assegurada no art. 5º, inciso III, da LOAS. deve ser alavancada a partir de decisões políticas
tomadas pelo poder público em consonância com a
Para tanto, a administração pública deverá sociedade. É condição necessária para o trabalho
desenvolver habilidades específicas, com destaque em rede que o Estado seja o coordenador do
para a formação de redes. A noção de rede tem se processo de articulação e integração entre as
incorporado ao discurso sobre política social. Nos Organizações Não-Governamentais – ONG’s,
anos recentes, novas formas de organização e de Organizações Governamentais – OG’s e os
relacionamento interorganizacional, entre agências segmentos empresariais, em torno de uma situação
estatais e, sobretudo, entre o Estado e a sociedade ou de determinado território, discutindo questões
civil, têm sido propostas pelos atores sociais. O que dizem respeito à vida da população em todos
imperativo de formar redes se faz presente por os seus aspectos.
duas razões fundamentais.
Trata-se, enfim, de uma estratégia de articulação
Primeiramente, conforme já mencionado, porque a política que resulta na integralidade do
história das políticas sociais no Brasil, sobretudo, a atendimento. No caso da assistência social, a
de assistência social, é marcada pela diversidade, constituição de rede pressupõe a presença do
superposição e, ou, paralelismo das ações, Estado como referência global para sua

102
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
consolidação como política pública. Isso supõe que • Do trabalhador e dos demais segurados da
o poder público seja capaz de fazer com que todos previdência social;
os agentes desta política, OG’s e, ou, ONG’s,
transitem do campo da ajuda, filantropia, • Sobre a receita de concursos de prognósticos;
benemerência para o da cidadania e dos direitos. E
aqui está um grande desafio a ser enfrentado pelo • Do importador de bens ou serviços do exterior ou
Plano Nacional, que será construído ao longo do de quem a lei a ele equiparar.
processo de implantação do SUAS. Cabe ao poder
público conferir unidade aos esforços sociais a fim No Sistema Descentralizado e Participativo da
de compor uma rede socioassistencial, rompendo Assistência Social, que toma corpo através da
com a prática das ajudas parciais e fragmentadas, proposta de um Sistema Único, a instância de
caminhando para direitos a serem assegurados de financiamento é representada pelos Fundos de
forma integral, com padrões de qualidade passíveis Assistência Social nas três esferas de governo. No
de avaliação. Essa mudança deverá estar contida âmbito federal, o Fundo Nacional, criado pela LOAS
nas diretrizes da política de supervisão da rede e regulamentado pelo Decreto nº 1605/95, tem o
conveniada que definirá normas e procedimentos seguinte objetivo: “proporcionar recursos e meios
para a oferta de serviços. para financiar o benefício de prestação continuada
e apoiar serviços, programas e projetos de
assistência social” (art. 1º, do Decreto nº 1605/95).
3.1.4. Financiamento
Com base nessa definição, o financiamento dos
A Constituição Federal de 1988, marcada pela benefícios se dá de forma direta aos seus
intensa participação da sociedade no processo destinatários, e o financiamento da rede
constituinte, optou pela articulação entre a socioassistencial se dá mediante aporte próprio e
necessidade de um novo modelo de repasse de recursos fundo a fundo, bem como de
desenvolvimento econômico e um regime de repasses de recursos para projetos e programas
proteção social. que venham a ser considerados relevantes para o
desenvolvimento da política de assistência social
Como resultado desse processo, a Seguridade em cada esfera de governo, de acordo com os
Social foi incluída no texto constitucional, no critérios de partilha e elegibilidade de municípios,
Capítulo II, do Título “Da Ordem Social”. O regiões e, ou, estados e o Distrito Federal,
financiamento da Seguridade Social está previsto pactuados nas comissões intergestoras e
no art. 195, da Constituição Federal de 1988, deliberados nos conselhos de assistência social.
instituindo que, através de Orçamento próprio, as Assim, o propósito é o de respeitar as instâncias de
fontes de custeio das políticas que compõem o tripé gestão compartilhada e de deliberação da política
devem ser financiadas por toda a sociedade, nas definições afetas ao financiamento dos
mediante recursos provenientes dos orçamentos serviços, programas, projetos e benefícios
da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos componentes do Sistema Único de Assistência
Municípios e das contribuições sociais. Social.

Tendo sido a assistência social inserida De acordo com a diretriz da descentralização e, em


constitucionalmente no tripé da Seguridade Social, consonância com o pressuposto do co-
é o financiamento desta a base para o financiamento, essa rede deve contar com a
financiamento da política de assistência social, uma previsão de recursos das três esferas de governo,
vez que este se dá com: em razão da co-responsabilidade que perpassa a
provisão da proteção social brasileira. O
• A participação de toda a sociedade; financiamento deve ter como base os diagnósticos
socioterritoriais apontados pelo Sistema Nacional
• De forma direta e indireta; de Informações de Assistência Social14 que
considerem as demandas e prioridades que se
• Nos orçamentos da União, dos Estados, do apresentam de forma específica, de acordo com as
Distrito Federal e dos Municípios; diversidades e parte de cada região ou território, a
capacidade de gestão e de atendimento e de
• Mediante contribuições sociais: arrecadação de cada município/região, bem como
os diferentes níveis de complexidade dos serviços,
• Do empregador, da empresa e da entidade a ela através de pactuações e deliberações
equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a estabelecidas com os entes federados e os
folha de salários e demais rendimentos do trabalho respectivos conselhos. No entanto,
pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa tradicionalmente, o financiamento da política de
física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo assistência social brasileira tem sido marcado por
empregatício; a receita ou o faturamento; o lucro. práticas centralizadas, genéricas e segmentadas,
que se configuram numa série histórica engessada

103
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
e perpetuada com o passar dos anos. Tal processo
se caracteriza pelo formato de atendimentos Com base nessas reivindicações e, respeitando as
pontuais e, em alguns casos, até paralelos, deliberações da IV Conferência Nacional de
direcionados a programas que, muitas vezes, não Assistência Social, realizada em dezembro de
correspondem às necessidades estaduais, 2003, nova sistemática de financiamento deve ser
regionais e municipais. Tal desenho não fomenta a instituída, ultrapassando o modelo convenial e
capacidade criativa destas esferas e nem permite estabelecendo o repasse automático fundo a fundo
que sejam propostas ações complementares para no caso do financiamento dos serviços, programas
a aplicação dos recursos públicos repassados. e projetos de assistência social. Essa nova
Ainda deve ser ressaltado no modelo de sistemática deverá constar na Norma Operacional
financiamento em vigor, a fixação de valores per Básica que será elaborada com base nos
capita, que atribuem recursos com base no número pressupostos elencados na nova política. Esse
total de atendimentos e não pela conformação do movimento deve extrapolar a tradicional fixação de
serviço às necessidades da população, com valores per capita, passando-se à definição de um
determinada capacidade instalada. Essa modelo de financiamento que atenda ao desenho
orientação, muitas vezes, leva a práticas ora proposto para a Política Nacional, primando
equivocadas, em especial no que tange aos pelo co-financiamento construído a partir do pacto
serviços de longa permanência, que acabam por federativo, baseado em pisos de atenção.
voltar-se para a manutenção irreversível dos
usuários desagregados de vínculos familiares e Tais pisos devem assim ser identificados em função
comunitários. Outro elemento importante nessa dos níveis de complexidade, atentando para a
análise da forma tradicional de financiamento da particularidade dos serviços de média e alta
política de assistência social, são as emendas complexidade, os quais devem ser substituídos
parlamentares que financiam ações definidas em progressivamente pela identificação do
âmbito federal, de forma desarticulada do conjunto atendimento das necessidades das famílias e
das instâncias do sistema descentralizado e indivíduos, frente aos direitos afirmados pela
participativo. Isso se dá, muitas vezes, pela não assistência social.
articulação entre os poderes Legislativo e
Executivo no debate acerca da Política Nacional de Concomitante a esse processo tem-se operado a
Assistência Social, o que se pretende alterar com a revisão dos atuais instrumentos de planejamento
atual proposta. público, em especial o Plano Plurianual, que se
constitui em um guia programático para as ações
Ao longo dos 10 anos de promulgação da LOAS, do Poder Público, e traduz a síntese dos esforços
algumas bandeiras têm sido levantadas em prol do de planejamento de toda a administração para
financiamento da assistência social, construído contemplar os princípios e concepções do SUAS.
sobre bases mais sólidas e em maior consonância
com a realidade brasileira. Essa revisão deve dar conta de duas realidades
que atualmente convivem, ou seja, a construção do
Juntamente com a busca de vinculação novo processo e a preocupação com a não ruptura
constitucional de percentual de recursos para o radical com o que vige atualmente, para que não se
financiamento desta política nas três esferas de caracterize descontinuidade nos atendimentos
governo, figuram reivindicações que, no debate da prestados aos usuários da assistência social.
construção do SUAS, têm protagonizado as
decisões do órgão gestor federal. São elas: Portanto, essa é uma proposta de transição que
vislumbra projeções para a universalização dos
• o financiamento com base no território, serviços de proteção básica, com revisão também
considerando os portes dos municípios e a de suas regulações, ampliação da cobertura da
complexidade dos serviços, pensados de rede de proteção especial, também com base em
maneira hierarquizada e complementar; novas normatizações, bem como a definição de
• a não exigibilidade da Certidão Negativa de diretrizes para a gestão dos benefícios
Débitos junto ao INSS como condição para preconizados pela LOAS.
os repasses desta política;
• a não descontinuidade do financiamento a Ainda compõe o rol das propostas da Política
cada início de exercício financeiro; Nacional de Assistência Social a negociação e a
• o repasse automático de recursos do assinatura de protocolos intersetoriais com as
Fundo Nacional para os Estaduais, do políticas de saúde e de educação, para que seja
Distrito Federal e Municipais para o co- viabilizada a transição do financiamento dos
financiamento das ações afetas a esta serviços afetos a essas áreas, que ainda são
política; assumidos pela política de assistência social, bem
• o estabelecimento de pisos de atenção, como a definição das responsabilidades e papéis
entre outros. das entidades sociais declaradas de utilidade
pública federal, estadual e, ou, municipal e inscritas

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
nos respectivos conselhos de assistência social, no fundamentais e dos princípios democráticos
que tange à prestação de serviços inerentes a esta balizados nos preceitos constitucionais.
política, incluindo-se as organizações que contam
com financiamento indireto mediante isenções Na conformação do Sistema Único de Assistência
oportunizadas pelo Certificado de Entidades Social, os espaços privilegiados onde se efetivará
Beneficentes de Assistência Social - CEAS. essa participação são os conselhos e as
conferências, não sendo, no entanto, os únicos, já
A proposta orçamentária do Ministério do que outras instância somam força a esse processo.
Desenvolvimento Social e Combate à Fome para o
exercício de 2005, em discussão no Congresso As conferências têm o papel de avaliar a situação
Nacional, aponta para um volume de recursos de da assistência social, definir diretrizes para a
6,02% do orçamento da Seguridade Social para a política, verificar os avanços ocorridos num espaço
Assistência Social. de tempo determinado (artigo 18, inciso VI, da
LOAS).
A história demonstra que, nas quatro edições da
Conferência Nacional de Assistência Social, nos Os conselhos têm como principais atribuições a
dez anos desde a promulgação da Lei nº 8.742/93 deliberação e a fiscalização da execução da política
– LOAS –, a proposta pela vinculação constitucional e de seu financiamento, em consonância com as
de, no mínimo, 5% do orçamento da Seguridade diretrizes propostas pela conferência; a aprovação
Social para esta política em âmbito federal e de, do plano; a apreciação e aprovação da proposta
minimamente, 5% dos orçamentos totais de orçamentária para a área e do plano de aplicação
estados, Distrito Federal e municípios, tem sido do fundo, com a definição dos critérios de partilha
recorrente. dos recursos, exercidas em cada instância em que
estão estabelecidos.
Na quarta edição dessa Conferência, realizada em
dezembro de 2003, foi inserido um novo elemento Os conselhos, ainda, normatizam, disciplinam,
às propostas anteriormente apresentadas, ou seja, acompanham, avaliam e fiscalizam os serviços de
que os 5% de vinculação no âmbito federal em assistência social, prestados pela rede
relação ao orçamento da Seguridade Social, seja socioassistencial, definindo os padrões de
calculado para além do BPC. qualidade de atendimento, e estabelecendo os
critérios para o repasse de recursos financeiros
Isso posto, até que se avance na discussão da (artigo 18, da LOAS).
viabilidade e possibilidade de tal vinculação,
recomenda-se que Estados, Distrito Federal e As alianças da sociedade civil com a representação
Municípios invistam, no mínimo, 5% do total da governamental são um elemento fundamental para
arrecadação de seus orçamentos para a área, por o estabelecimento de consensos, o que aponta
considerar a extrema relevância de, efetivamente, para a necessidade de definição de estratégias
se instituir o co-financiamento, em razão da grande políticas a serem adotadas no processo de
demanda e exigência de recursos para esta correlação de forças.
política.
Os conselhos paritários, no campo da assistência
social, têm como representação da sociedade civil,
3.1.5. Controle Social os usuários ou organizações de usuários,
entidades e organizações de assistência social
A participação popular foi efetivada na LOAS (artigo (instituições de defesa de direitos e prestadoras de
5º, inciso II), ao lado de duas outras diretrizes, a serviços), trabalhadores do setor (artigo 17 - ll).
descentralização político-administrativa para
Estados, Distrito Federal e Municípios, o comando É importante assinalar que, cada conselheiro eleito
único em cada esfera de governo (artigo 5º, inciso em foro próprio para representar um segmento,
I), e a primazia da responsabilidade do Estado na estará não só representando sua categoria, mas a
condução da política de assistência social em cada política como um todo em sua instância de governo.
esfera de governo (artigo 5º, inciso III). E o acompanhamento das posições assumidas
deverá ser objeto de ação dos fóruns, se
O controle social tem sua concepção advinda da constituindo estes, também, em espaços de
Constituição Federal de 1988, enquanto controle social.
instrumento de efetivação da participação popular
no processo de gestão políticoadministrativa- A organização dos gestores, em nível municipal e
financeira e técnico-operativa, com caráter estadual, com a discussão dos temas relevantes
democrático e descentralizado. para a política se constitui em espaços de
ampliação do debate.
Dentro dessa lógica, o controle do Estado é
exercido pela sociedade na garantia dos direitos

105
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
As comissões intergestoras Tri e Bipartite são
espaços de pactuação da gestão compartilhada e Assim, é fundamental a promoção de eventos
democratizam o Estado, seguindo as deliberações temáticos que possam trazer usuários para as
dos conselhos de assistência social. discussões da política fomentando o protagonismo
desses atores.
Vale ressaltar que a mobilização nacional Outra linha de proposição é a criação de ouvidorias
conquistada por todos atores sociais desta política por meio das quais o direito possa, em primeira
se efetivou nesses quase onze anos de LOAS. Para instância, se tornar reclamável para os cidadãos
o avanço pretendido, a política aponta para a brasileiros.
construção de uma nova agenda para os conselhos
de assistência social. Uma primeira vertente é a No interior dos conselhos, a descentralização das
articulação do CNAS com ações em instâncias regionais consultivas pode
os conselhos nacionais das políticas sociais torná-los mais próximo da população. Também a
integrando um novo movimento neste país. realização de reuniões itinerantes, nos três níveis
de governo pode garantir maior nível de
Outra é a construção de uma agenda comum dos participação.
conselhos nacional, estaduais, do Distrito Federal e
municipais de assistência social. Esta última tem Outra perspectiva é a organização do conjunto dos
como objetivo organizar pontos comuns e ações conselhos no nível regional, propiciando articulação
convergentes, resguardando as peculiaridades e integração de suas ações, fortalecendo a política
regionais. Para isso, serão necessárias novas de assistência social, já que a troca de experiência
ações ao nível da legislação, do funcionamento e capacita para o exercício do controle social.
da capacitação de conselheiros e dos secretários
executivos. Por fim, é importante ressaltar nesse eixo a
necessidade de informação aos usuários da
O desafio da participação dos usuários nos assistência social para o exercício do controle
conselhos de assistência social social por intermédio do Ministério Público e dos
órgãos de controle do Estado para que efetivem
Para a análise dessa participação são necessárias esta política como direito constitucional.
algumas reflexões. A primeira delas, sobre a
natureza da assistência social, que só em l988 foi
elevada à categoria de política pública.
3.1.6. A Política de Recursos Humanos
A concepção de doação, caridade, favor, bondade
e ajuda que, tradicionalmente, caracterizou essa É sabido que a produtividade e a qualidade dos
ação, reproduz usuários como pessoas serviços oferecidos à sociedade no campo das
dependentes, frágeis, vitimizadas, tuteladas por políticas públicas estão relacionados com a forma e
entidades e organizações que lhes “assistiam” e se as condições como são tratados os recursos
pronunciavam em seu nome. humanos.

Como resultado, esse segmento tem demonstrado O tema recursos humanos não tem sido matéria
baixo nível de atuação propositiva na sociedade e prioritária de debate e formulações, a despeito das
pouco participou das conquistas da Constituição transformações ocorridas no mundo do trabalho e
enquanto sujeitos de direitos. do encolhimento da esfera pública do Estado,
implicando precarização das condições de trabalho
A segunda reflexão a ressaltar é a necessidade de e do atendimento à população.
um amplo processo de formação, capacitação,
investimentos físicos, financeiros, operacionais e A inexistência de debate sobre os recursos
políticos, que envolva esses atores da política de humanos tem dificultado também a compreensão
assistência social. Assim, há que se produzir uma acerca do perfil do servidor da assistência social,
metodologia que se constitua ao mesmo tempo em da constituição e composição de equipes, dos
resgate de participação de indivíduos dispersos e atributos e qualificação necessários às ações de
desorganizados, e habilitação para que a política de planejamento, formulação, execução,
assistência social seja assumida na perspectiva de assessoramento, monitoramento e avaliação de
direitos publicizados e controlados pelos seus serviços, programas, projetos e benefícios, do
usuários. sistema de informação e do atendimento ao usuário
desta política. Além da pouca definição relativa às
Um dos grandes desafios da construção dessa atividades de gestão da política, outro aspecto
política é a criação de mecanismos que venham relevante é o referente ao surgimento permanente
garantir a participação dos usuários nos conselhos de novas “ocupações/funções”. O dinamismo, a
e fóruns enquanto sujeitos não mais sub- diversidade e a complexidade da realidade social
representados. pautam questões sociais que se apresentam sob

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
formas diversas de demandas para a política de A participação e o controle social sobre as ações
assistência social, e que exigem a criação de uma do Estado, estabelecidos na Constituição Federal
gama diversificada de serviços que atendam às de 1988, também requer dos trabalhadores um
especificidades da expressão da exclusão social arcabouço teóricotécnico-operativo de nova
apresentada para esta política. natureza, no propósito de fortalecimento de
práticas e espaços de debate, propositura e
Nesse sentido várias funções/ocupações vão se controle da política na direção da autonomia e
constituindo: monitores e/ou educadores de protagonismo dos usuários, reconstrução de seus
crianças e adolescentes em atividades sócio- projetos de vida e de suas organizações.
educativas, de jovens com medidas sócio-
educativas, para abordagem de rua, cuidadores de Após dez anos de implantação e implementação da
idosos, auxiliares, agentes, assistentes, entre LOAS, avalia-se a necessidade premente de
outros. Tais funções/ocupações necessitam ser requalificar a política de assistência social e
definidas e estruturadas na perspectiva de aperfeiçoar o sistema descentralizado e
qualificar a intervenção social dos trabalhadores. participativo da mesma. Esta gestão apresenta o
SUAS como concepção política, teórica,
Considerando que a assistência social é uma institucional e prática da política na perspectiva de
política que tem seu campo próprio de atuação e ampliar a cobertura e a universalização de direitos,
que se realiza em estreita relação com outras aperfeiçoando a sua gestão, qualificando e
políticas, uma política de recursos humanos deve fortalecendo a participação e o controle social.
pautar-se por reconhecer a natureza e
especificidade do trabalhador, mas, também, o O SUAS propõe o estabelecimento de novas
conteúdo intersetorial de sua atuação. relações entre gestores e técnicos nas três esferas
de governo, destes com dirigentes e técnicos de
Outro aspecto importante no debate sobre recursos entidades prestadoras de serviços, com os
humanos refere-se a um conjunto de leis que conselheiros dos conselhos nacional, estaduais, do
passaram a vigorar com a Constituição Federal de Distrito Federal e municipais, bem como com
1988, sendo ela própria um marco regulatório sem usuários e trabalhadores.
precedentes no Brasil para a assistência social, ao
reconhecê-la como política pública, direito do Portanto, as novas relações a serem estabelecidas
cidadão, dever do Estado, a ser gerida de forma exigirão, além do compromisso com a assistência
descentralizada, participativa e com controle social. social como política pública, qualificação dos
recursos humanos e maior capacidade de gestão
A nova forma de conceber e gerir esta política dos operadores da política. Deve integrar a política
estabelecida, pela Constituição Federal de 1988 e de recursos humanos, uma política de capacitação
pela Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS, dos trabalhadores, gestores e conselheiros da
exige alterações no processo de trabalho dos área, de forma sistemática e continuada. É grande
trabalhadores de modo que a prática profissional o desafio de trabalhar recursos humanos em um
esteja em consonância com os avanços da contexto no qual o Estado foi reformado na
legislação que regula a assistência social assim perspectiva de seu encolhimento, de sua
como as demais políticas sociais (Couto, 1999). desresponsabilização social.
A concepção da assistência social como direito
impõe aos trabalhadores da política que estes O enxugamento realizado na máquina estatal
superem a atuação na vertente de viabilizadores de precarizou seus recursos humanos, financeiros,
programas para a de viabilizadores de direitos. Isso físicos e materiais, fragilizando a política. Assim
muda substancialmente seu processo de trabalho como ocorre em outros setores, a incapacidade de
(idem). Exige também dos trabalhadores o gerar carreira de Estado tem gerado desestímulo
conhecimento profundo da legislação implantada a nos trabalhadores que atuam na área.
partir da Constituição Federal de 1988. “É
impossível trabalhar na ótica dos direitos sem A criação de um plano de carreira é uma questão
conhecê-los e impossível pensar na sua prioritária a ser considerada. O plano de carreira,
implantação se não estiver atento às dificuldades ao contrário de promover atraso gerencial e
de sua implantação” (Couto, 1999:207). inoperância administrativa, como alguns apregoam,
“se bem estruturado e corretamente executado é
A descentralização da gestão da política implica uma garantia de que o trabalhador terá de
novas atribuições para os gestores e trabalhadores vislumbrar uma vida profissional ativa, na qual a
das três esferas de governo e de dirigentes e qualidade técnica e a produtividade seriam
trabalhadores das entidades de assistência social, variáveis chaves para a construção de um sistema
exigindo-lhes novas e capacitadas competências exeqüível” (Plano Nacional de Saúde,
que a autonomia política-administrativa impõe. 2004:172/173).

107
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
A elaboração de uma política de recursos humanos • a mensuração da eficiência e da eficácia
urge inequivocamente. A construção de uma das ações previstas nos Planos de
política nacional de capacitação que promova a Assistência Social;
qualificação de forma sistemática, continuada, • a transparência;
sustentável, participativa, nacionalizada e • o acompanhamento;
descentralizada para os trabalhadores públicos e • a avaliação do sistema e a realização de
privados e conselheiros, configura-se ademais estudos, pesquisas e diagnósticos a fim de
como importante instrumento de uma política de contribuir para a formulação da política
recursos humanos, estando em curso sua pelas três esferas de governo.
formulação. Agregado a isto, a Conferência ainda aponta para
a necessidade de utilização de um sistema de
Também compõe a agenda dessa gestão, a criação informação em orçamento público também para as
de espaços de debate e formulação de propostas três esferas de governo.
de realização de seminários e conferências de
recursos humanos. Valorizar o serviço público e O que se pretende claramente com tal deliberação
seus trabalhadores, priorizando o concurso público, é a implantação de políticas articuladas de
combatendo a precarização do trabalho na direção informação, monitoramento e avaliação que
da universalização da proteção social, ampliando o realmente promovam novos patamares de
acesso aos bens e serviços sociais, ofertando desenvolvimento da política de assistência social
serviços de qualidade com transparência e no Brasil, das ações realizadas e da utilização de
participação na perspectiva da requalifição do recursos, favorecendo a participação, o controle
Estado e do espaço púbico, esta deve ser a social e uma gestão otimizada da política.
perspectiva de uma política de recursos humanos
na assistência social, com ampla participação nas Desenhados de forma a fortalecer a
mesas de negociações. democratização da informação, na amplitude de
circunstâncias que perfazem a política de
Nesta perspectiva, esta política nacional aponta assistência social, estas políticas e as ações
para a necessidade de uma NOB – Norma resultantes deverão pautar-se principalmente na
Operacional Básica para a área de Recursos criação de sistemas de informação, que serão base
Humanos, amplamente discutida com os estruturante e produto do Sistema Único de
trabalhadores, gestores, dirigentes das entidades Assistência Social, e na integração das bases de
prestadoras de serviços, conselheiros, entre outros, dados de interesse para o campo socioassistencial,
definindo composição da equipe (formação, perfil, com a definição de indicadores específicos de tal
atributos, qualificação, etc.). política pública.

A necessidade de implantação de sistemáticas de


monitoramento e avaliação e sistemas de
informações para a área também remontam aos
3.1.7. A Informação, o Monitoramento e a instrumentos de planejamento institucional, onde
Avaliação aparecem como componente estrutural do sistema
descentralizado e participativo, no que diz respeito
A formulação e a implantação de um sistema de aos recursos e sua alocação, aos serviços
monitoramento e avaliação e um sistema de prestados e seus usuários. Desta forma, esta
informação em assistência social são providências requisição começa a ser reconhecida nos
urgentes e ferramentas essenciais a serem documentos normativos básicos da área que
desencadeadas para a consolidação da Política estabelecem os fundamentos do processo
Nacional de Assistência Social e para a políticoadministrativo da Assistência Social, no
implementação do Sistema Único de Assistência âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e
Social - SUAS. dos Municípios.

Trata-se, pois, de construção prioritária e A Política Nacional de Assistência Social de 1999


fundamental que deve ser coletiva e envolver reconheceu, ao realizar a avaliação sobre as
esforços dos três entes da federação. Confirmando situações circunstanciais e conjunturais deste
as deliberações sucessivas desde a I Conferência campo, a dificuldade de identificação de
Nacional de Assistência Social de 1995, a IV informações precisas sobre os segmentos usuários
Conferência Nacional, realizada em 2003, define- da política de Assistência Social, e atribuiu a este
se claramente pela elaboração e implementação de fato, a abordagem preliminar sobre algumas destas
planos de monitoramento e avaliação e pela criação situações, a serem atendidas por essa Política
de um sistema oficial de informação que Pública.
possibilitem:

108
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
A seriedade desta afirmação, inaugurando a Nesse sentido a questão da informação e as
Política Nacional, pode ser uma medida de práticas de monitoramento e avaliação, aportes do
avaliação crucial sobre o significado da informação, novo sistema, devem ser apreendidas como
ou de sua ausência, neste campo. exercícios permanentes e, acima de tudo,
comprometidas com as repercussões da política de
Daí, ressalta-se que a composição de um Sistema assistência social ao longo de sua realização, em
Nacional de Informação da Assistência Social todo o território nacional.
esteja definido como uma das competências dos
órgãos gestores, envolvendo os três níveis de Para além do compromisso com a modernização
governo. administrativa, o desenvolvimento tecnológico,
sobretudo da tecnologia da informação, associado
No que diz respeito a este aspecto, as estratégias à ação dos atores que perfazem a política de
para a nova sistemática, passam, segundo o Assistência Social, deve permitir uma ainda inédita
documento, entre outras providências, pela: construção de ferramentas informacionais para a
construção de um sistema de informações com realização da política pública de Assistência Social
vistas à ampla divulgação dos benefícios, serviços, no Brasil. Tal produção deve ser pautada
programas e projetos da área, contribuindo para o afiançando:
exercício dos direitos da cidadania; utilização de
indicadores para construção do Sistema de 1) A preocupação determinante com o processo de
Avaliação de Impacto e Resultados da Política democratização da política e com a prática radical
Nacional de Assistência Social; e implementação do controle social da administração pública, que,
do sistema de acompanhamento da rede acredita-se, é componente básico do Estado
socioassistencial. Assim, na agenda básica da Democrático de Direito;
Política Nacional de Assistência Social, estas
questões encontraram-se vinculadas ao nível 2) Novos parâmetros de produção, tratamento e
estratégico, definidas pelo escopo de construir um disseminação da informação pública que a
sistema de informação que permita o transforme em informação social válida e útil, que
monitoramento e avaliação de impacto dos efetivamente incida em níveis de visibilidade social,
benefícios, serviços, programas e projetos de de eficácia e que resulte na otimização político-
enfrentamento da pobreza. operacional necessária para a política pública;

Chega-se, deste modo, a 2004, sem a estruturação 3) A construção de um sistema de informações de


de um Sistema Nacional e integrado de informação grande magnitude, integrado com ações de
ou de políticas de monitoramento e avaliação que capacitação e de aporte de metodologias modernas
garantam visibilidade à política e que forneçam de gestão e tomada de decisão, dando o suporte
elementos seguros para o desenvolvimento desta necessário tanto à gestão quanto à operação das
em todo território nacional. políticas assistenciais, seja no âmbito
governamental, em todas as suas esferas, seja no
Os componentes atuais são, efetivamente, ínfimos âmbito da sociedade civil, englobando entidades,
diante da responsabilidade de atender aos instâncias de decisão colegiada e de pactuação;
dispositivos da legislação e favorecer a ação de
gestores, trabalhadores, prestadores de serviços e 4) A maximização da eficiência, eficácia e
a central atuação do controle social. efetividade das ações de assistência social;

Torna-se imperativo para a realização dos 5) O desenvolvimento de sistemáticas específicas


objetivos, princípios e diretrizes definidos nesta de avaliação e monitoramento para o incremento da
Política Nacional, avançar estrategicamente tanto resolutividade das ações, da qualidade dos
no que tange à construção de um Sistema Nacional serviços e dos processos de trabalho na área da
de informação da área como na direção da assistência social, da gestão e do controle social.
integração entre as bases de dados já existentes e
disseminados hoje nas três esferas de governo. É 6) A construção de indicadores de impacto,
também premente neste sentido, uma substancial e implicações e resultados da ação da política e das
decisiva alteração em torno da realização de condições de vida de seus usuários.
políticas estratégicas de monitoramento e
avaliação, a serem desenhados como meio de Desta forma, gerar uma nova, criativa e
aferir e aperfeiçoar os projetos existentes, transformadora utilização da tecnologia da
aprimorar o conhecimento sobre os componentes informação para aperfeiçoar a política de
que perfazem a política e sua execução e contribuir assistência social no país, que resulte em uma
para seu planejamento futuro, tendo como pano de produção de informações e conhecimento para os
fundo sua contribuição aos escopos institucionais. gestores, conselheiros, usuários, trabalhadores e
entidades, que garanta novos espaços e patamares
para a realização do controle social, níveis de

109
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
eficiência e qualidade mensuráveis, através de ƒ Elaboração, apresentação e aprovação do Plano
indicadores, e que incida em um real avanço da Nacional de Assistência Social na perspectiva da
política de assistência social para a população transição do modelo atual para o SUAS;
usuária é o produto esperado com o novo ideário a
ƒ Reelaboração, apresentação e aprovação da
ser inaugurado neste campo específico.
Norma Operacional Básica da Assistência Social,
que disciplina a descentralização político-
É preciso reconhecer, contudo, que a urgência da
administrativa, o financiamento e a relação entre as
temática e a implantação da agenda para esse
três esferas de governo;
setor são vantagens inequívocas na construção e
na condução do Sistema Único de Assistência ƒ Elaboração, apresentação e aprovação da
Social. Ademais a vinculação das políticas do Política Nacional de Regulação da Assistência
campo da Seguridade Social às definições da Social (Proteção Social Básica e Especial)
tecnologia da informação acompanha uma pactuada com as comissões intergestoras Bi e
tendência atual que atinge organizações de todos Tripartite;
os tipos, patrocinadas por diferentes escopos.
ƒ Elaboração e apresentação ao CNAS uma
Política Nacional de Recursos Humanos da
Existe e desenvolve-se hoje no campo da
Seguridade Social uma evolução de base Assistência Social;
tecnológica, disseminada pelas tecnologias da ƒ Elaboração e apresentação ao CNAS da Norma
informação, e seus derivativos, que ocorre com a Operacional Básica de Recursos Humanos da
sua incorporação a todas as dimensões das Assistência Social;
organizações vinculadas à esfera desta política.
A convergência tecnológica na área da informação ƒ Conclusão da Regulamentação da LOAS,
aponta para uma utilização potencialmente priorizando os artigos 2o e 3o;
positiva, com resultados que, entre outros, ƒ Elaboração de uma metodologia de construção
assinalam diminuição de custos, associada ao de índices territorializados de vulnerabilidade ou
aumento significativo das capacidades ofertadas e exclusão/inclusão social de todos os municípios
de um fantástico potencial de programas e brasileiros, que comporá o Sistema Nacional de
sistemas, sobretudo os que dizem respeito a Assistência;
processos específicos de trabalho, visando,
sobretudo, situações estratégicas e gerenciais. ƒ Realização, em 2005, da V Conferência Nacional
de Assistência Social;
Para alcançarmos este propósito é preciso que a ƒ Realização de reuniões conjuntas do CNAS e
informação, a avaliação e o monitoramento no setor conselhos setoriais e de direitos;
de assistência social sejam doravante tratados
como setores estratégicos de gestão, cessando
com uma utilização tradicionalmente circunstancial Tendo em vista que a política de Assistência Social
e tão somente instrumental deste campo, o que é sempre foi espaço privilegiado para operar
central para o ininterrupto aprimoramento da benefícios, serviços, programas e projetos de
política de assistência social no país. enfrentamento à pobreza, considera-se a
erradicação da fome componente fundamental
nesse propósito. A experiência acumulada da área
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS mostra que é preciso articular distribuição de renda
com trabalho social e projetos de geração de renda
A aprovação desta Política pelo CNAS, enseja a com as famílias. É nessa perspectiva que se efetiva
adoção de um conjunto de medidas mediante a interface entre o SUAS, novo modelo de gestão
planejamento estratégico do processo de da política de assistência social, com a política de
implementação da mesma. Portanto, faz-se segurança alimentar e a política de transferência de
necessário uma agenda de prioridades entre a renda, constituindo-se, então, uma Política de
Secretaria Nacional de Assistência Social e o Proteção Social no Brasil de forma integrada a
Conselho Nacional de Assistência Social, partir do território, garantindo sustentabilidade e
contemplando medidas de ordem regulatória, bem compromisso com um novo pacto de democracia e
como medidas de ordem operacional, as quais civilidade.
deverão ser articuladas e objetivadas em um
conjunto de iniciativas, sendo:

ƒ Planejamento de transição da implantação do


SUAS, como estratégias que respeitam as
diferenças regionais e as particularidades da
realidade brasileira;

110
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

Anotações:

111
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
NORMA OPERACIONAL BÁSICA DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
-NOB/SUAS

RESOLUÇÃO Nº 33, DE 12 DE DEZEMBRO DE Art. 4º Revoga-se a Resolução CNAS nº 130, de 15


2012 de julho de 2005, publicada no Diário Oficial da
União de 25 de julho de 2005, que aprova a
Aprova a Norma Operacional Básica do Sistema NOB/SUAS 2005.
Único de Assistência Social -NOB/SUAS.
Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de
O CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA sua publicação.
SOCIAL - CNAS, em reunião ordinária realizada
nos dias 10, 11, 12 e 13 de dezembro de 2012, no LUZIELE MARIA DE SOUZA TAPAJÓS Presidenta
uso da competência que lhe conferem os incisos I, do Conselho
II, V, IX e XIV do artigo 18 da Lei n.º 8.742, de 7 de
dezembro de 1993 - Lei Orgânica da Assistência ANEXO
Social - LOAS,
RESOLUÇÃO Nº 33, DE 12 DE DEZEMBRO DE
RESOLVE: 2012

Art. 1º Aprovar a Norma Operacional Básica da CAPÍTULO I


Assistência Social - NOB/SUAS, anexa,
apresentada pela Comissão Intergestores Tripartite SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
- CIT, apreciada e deliberada pelo Conselho
Nacional de Assistência Social - CNAS. Art. 1º A política de assistência social, que tem por
funções a proteção social, a vigilância
Art. 2º O CNAS divulgará a NOB/SUAS socioassistencial e a defesa de direitos, organiza-
amplamente nos diversos meios de comunicação e se sob a forma de sistema público não contributivo,
a enviará à Presidência da República, ao descentralizado e participativo, denominado
Congresso Nacional e demais entes federados Sistema Único de Assistência Social - SUAS.
para conhecimento, observância e providências
cabíveis. Parágrafo único. A assistência social ocupa-se de
prover proteção à vida, reduzir danos, prevenir a
Art. 3º O CNAS recomenda as seguintes ações incidência de riscos sociais, independente de
referentes à NOB/SUAS. contribuição prévia, e deve ser financiada com
recursos previstos no orçamento da Seguridade
I - ao Ministério do Desenvolvimento Social e Social.
Combate à Fome:

a) divulgá-la amplamente nos diversos meios de Art. 2º São objetivos do SUAS:


comunicação;
b) incluí-la como conteúdo do Plano Nacional de I - consolidar a gestão compartilhada, o
Capacitação; cofinanciamento e a cooperação técnica entre a
c) publicá-la em meio impresso e distribuí-la, União, os Estados, o Distrito Federal e os
inclusive em braile e em meio digital acessível; d) Municípios que, de modo articulado, operam a
regulamentar os blocos de financiamento em tempo proteção social não contributiva e garantem os
hábil para que os municípios possam elaborar os direitos dos usuários;
seus Planos Plurianuais - PPA.
e) regulamentar os processos e procedimentos de II - estabelecer as responsabilidades da União, dos
acompanhamento disposto no art. 36 e da Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na
aplicação das medidas administrativas definidas no organização, regulação, manutenção e expansão
art. 42. das ações de assistência social;

II - aos órgãos gestores da Política de Assistência III - definir os níveis de gestão, de acordo com
Social e aos conselhos de assistência social: estágios de organização da gestão e ofertas de
serviços pactuados nacionalmente;
a) divulgá-la e publicizá-la amplamente nos
diversos meios de comunicação; IV - orientar-se pelo princípio da unidade e regular,
b) incluí-la como conteúdo dos Planos de em todo o território nacional, a hierarquia, os
Capacitação. vínculos e as responsabilidades quanto à oferta dos

112
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
serviços, benefícios, programas e projetos de
assistência social; a)condições de recepção;

V - respeitar as diversidades culturais, étnicas, b)escuta profissional qualificada;


religiosas, socioeconômicas, políticas e territoriais;
c)informação;
VI - reconhecer as especificidades, iniquidades e
desigualdades regionais e municipais no d)referência;
planejamento e execução das ações;
e)concessão de benefícios;
VII - assegurar a oferta dos serviços, programas,
projetos e benefícios da assistência social; f)aquisições materiais e sociais;

VIII - integrar a rede pública e privada, com vínculo g)abordagem em territórios de incidência de
ao SUAS, de serviços, programas, projetos e situações de risco;
benefícios de assistência social;
h) oferta de uma rede de serviços e de locais de
IX - implementar a gestão do trabalho e a educação permanência de indivíduos e famílias sob curta,
permanente na assistência social; média e longa permanência.

X - estabelecer a gestão integrada de serviços e II - renda: operada por meio da concessão de


benefícios; auxílios financeiros e da concessão de benefícios
continuados, nos termos da lei, para cidadãos não
XI - afiançar a vigilância socioassistencial e a incluídos no sistema contributivo de proteção
garantia de direitos como funções da política de social, que apresentem vulnerabilidades
assistência social. decorrentes do ciclo de vida e/ou incapacidade para
a vida independente e para o trabalho;

Art. 3º São princípios organizativos do SUAS: III - convívio ou vivência familiar, comunitária e
social: exige a oferta pública de rede continuada
I - universalidade: todos têm direito à proteção de serviços que garantam oportunidades e ação
socioassistencial, prestada a quem dela necessitar, profissional para:
com respeito à dignidade e à autonomia do
cidadão, sem discriminação de qualquer espécie ou a)a construção, restauração e o fortalecimento de
comprovação vexatória da sua condição; laços de pertencimento, de natureza geracional,
intergeracional, familiar, de vizinhança e interesses
II - gratuidade: a assistência social deve ser comuns e societários;
prestada sem exigência de contribuição ou
contrapartida, observado o que dispõe o art. 35, da b)o exercício capacitador e qualificador de vínculos
Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 - Estatuto sociais e de projetos pessoais e sociais de vida em
do Idoso; sociedade.

III - integralidade da proteção social: oferta das IV - desenvolvimento de autonomia: exige ações
provisões em sua completude, por meio de profissionais e sociais para:
conjunto articulado de serviços, programas,
projetos e benefícios socioassistenciais; a) o desenvolvimento de capacidades e habilidades
para o exercício do protagonismo, da cidadania;
IV – intersetorialidade: integração e articulação da
rede socioassistencial com as demais políticas e b) a conquista de melhores graus de liberdade,
órgãos setoriais; respeito à dignidade humana, protagonismo e
certeza de proteção social para o cidadão e a
V – equidade: respeito às diversidades regionais, cidadã, a família e a sociedade;
culturais, socioeconômicas, políticas e territoriais,
priorizando aqueles que estiverem em situação de c) conquista de maior grau de independência
vulnerabilidade e risco pessoal e social. pessoal e qualidade, nos laços sociais, para os
cidadãos e as cidadãs sob contingências e
Art. 4º São seguranças afiançadas pelo SUAS: vicissitudes.

I - acolhida: provida por meio da oferta pública de V - apoio e auxílio: quando sob riscos
espaços e serviços para a realização da proteção circunstanciais, exige a oferta de auxílios em bens
social básica e especial, devendo as instalações materiais e em pecúnia, em caráter transitório,
físicas e a ação profissional conter:

113
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
denominados de benefícios eventuais para as VIII - proteção à privacidade dos usuários,
famílias, seus membros e indivíduos. observando o sigilo profissional, preservando sua
intimidade e opção e resgatando sua história de
Art. 5º São diretrizes estruturantes da gestão do vida;
SUAS:
IX - garantia de atenção profissional direcionada
para a construção de projetos pessoais e sociais
I - primazia da responsabilidade do Estado na
para autonomia e sustentabilidade do usuário;
condução da política de assistência social;
X - reconhecimento do direito dos usuários de ter
II - descentralização político-administrativa e acesso a benefícios e à renda;
comando único das ações em cada esfera de
governo; XI – garantia incondicional do exercício do direito à
participação democrática dos usuários, com
incentivo e apoio à organização de fóruns,
III - financiamento partilhado entre a União, os
conselhos, movimentos sociais e cooperativas
Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
populares, potencializando práticas participativas;
IV - matricialidade sociofamiliar; XII - acesso à assistência social a quem dela
necessitar, sem discriminação social de qualquer
V - territorialização; natureza, resguardando os critérios de elegibilidade
dos diferentes benefícios e as especificidades dos
VI - fortalecimento da relação democrática entre serviços, programas e projetos;
Estado e sociedade civil;
XIII - garantia aos profissionais das condições
VII – controle social e participação popular. necessárias para a oferta de serviços em local
adequado e acessível aos usuários, com a
Art. 6º São princípios éticos para a oferta da preservação do sigilo sobre as informações
proteção socioassistencial no SUAS: prestadas no atendimento socioassistencial, de
forma a assegurar o compromisso ético e
I - defesa incondicional da liberdade, da dignidade profissional estabelecidos na Norma Operacional
da pessoa humana, da privacidade, da cidadania, Básica de Recurso Humanos do SUAS - NOB-
da integridade física, moral e psicológica e dos RH/SUAS;
direitos socioassistenciais; XIV - disseminação do conhecimento produzido no
âmbito do SUAS, por meio da publicização e
II – defesa do protagonismo e da autonomia dos divulgação das informações colhidas nos estudos e
usuários e a recusa de práticas de caráter pesquisas aos usuários e trabalhadores, no sentido
clientelista, vexatório ou com intuito de benesse ou de que estes possam usá-las na defesa da
ajuda; assistência social, de seus direitos e na melhoria
das qualidade dos serviços, programas, projetos e
III - oferta de serviços, programas, projetos e benefícios;
benefícios públicos gratuitos com qualidade e XV – simplificação dos processos e procedimentos
continuidade, que garantam a oportunidade de na relação com os usuários no acesso aos serviços,
convívio para o fortalecimento de laços familiares e programas, projetos e benefícios, agilizando e
sociais; melhorando sua oferta;
IV - garantia da laicidade na relação entre o cidadão XVI – garantia de acolhida digna, atenciosa,
e o Estado na prestação e divulgação das ações do equitativa, com qualidade, agilidade e continuidade;
SUAS;
XVII – prevalência, no âmbito do SUAS, de ações
V - respeito à pluralidade e diversidade cultural, articuladas e integradas, para garantir a
socioeconômica, política e religiosa; integralidade da proteção socioassistencial aos
VI - combate às discriminações etárias, étnicas, de usuários dos serviços, programas, projetos e
classe social, de gênero, por orientação sexual ou benefícios;
por deficiência, dentre outras; XVIII – garantia aos usuários do direito às
VII – garantia do direito a receber dos órgãos informações do respectivo histórico de
públicos e prestadores de serviços o acesso às atendimentos, devidamente registrados nos
informações e documentos da assistência social, prontuários do SUAS.
de interesse particular, ou coletivo, ou geral - que
serão prestadas dentro do prazo da Lei nº 12.527,
de 18 de novembro de 2011 - Lei de Acesso à Art. 7º A garantia de proteção socioassistencial
Informação - LAI, e a identificação daqueles que o compreende:
atender;

114
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
I - precedência da proteção social básica, com o
objetivo de prevenir situações de risco social e
Art. 9º A União, os Estados, o Distrito Federal e os
pessoal;
Municípios, conforme suas competências, previstas
II - não submissão do usuário a situações de na Constituição Federal e na LOAS, assumem
subalternização; responsabilidades na gestão do sistema e na
garantia de sua organização, qualidade e
III - desenvolvimento de ofertas de serviços e
resultados na prestação dos serviços, programas,
benefícios que favoreçam aos usuários do SUAS a
projetos e benefícios socioassistenciais que serão
autonomia, resiliência, sustentabilidade,
ofertados pela rede socioassistencial.
protagonismo, acesso a oportunidades, condições
de convívio e socialização, de acordo com sua Parágrafo único. Considera-se rede
capacidade, dignidade e projeto pessoal e social; socioassistencial o conjunto integrado da oferta de
serviços, programas, projetos e benefícios de
IV – dimensão proativa que compreende a
assistência social mediante articulação entre todas
intervenção planejada e sistemática para o alcance
as unidades de provisão do SUAS.
dos objetivos do SUAS com absoluta primazia da
responsabilidade estatal na condução da política de
assistência social em cada esfera de governo;
Art. 10. Os Municípios que não aderiram ao SUAS
V – reafirmação da assistência social como política na forma da NOB SUAS, aprovada pela Resolução
de seguridade social e a importância da nº 130, de 15 de julho de 2005, do Conselho
intersetorialidade com as demais políticas públicas Nacional de Assistência Social – CNAS, farão a
para a efetivação da proteção social. adesão por meio da apresentação à Comissão
Intergestores Bipartite - CIB de seu Estado dos
documentos comprobatórios da instituição e
CAPÍTULO II funcionamento do conselho, plano e fundo de
assistência social, bem como da alocação de
GESTÃO DO SISTEMA ÚNICO DE recursos próprios no fundo.
ASSISTÊNCIA SOCIAL

§1º A criação e o funcionamento do conselho de


Art. 8º O SUAS se fundamenta na cooperação entre
assistência social deverão ser demonstrados por:
a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios e estabelece as respectivas I - cópia da lei de sua criação;
competências e responsabilidades comuns e
II - cópia das atas das suas 3 (três) últimas reuniões
específicas.
ordinárias;
III - cópia da publicação da sua atual composição;
§1º As responsabilidades se pautam pela e
ampliação da proteção socioassistencial em todos
IV - cópia da ata que aprova o envio destes
os seus níveis, contribuindo para a erradicação do
documentos à CIB.
trabalho infantil, o enfrentamento da pobreza, da
extrema pobreza e das desigualdades sociais, e
para a garantia dos direitos, conforme disposto na
§2º A criação e existência do fundo de assistência
Constituição Federal e na legislação relativa à
social, assim como a alocação de recursos
assistência social.
próprios, deverão ser demonstradas por:
I - cópia da lei de criação do fundo e de sua
§2º O SUAS comporta quatro tipos de Gestão: regulamentação;
I - da União II - cópia da Lei Orçamentária Anual - LOA;
II - dos Estados; III - balancete do último trimestre do fundo; e
III - do Distrito Federal; IV - cópia da resolução do conselho de assistência
social de aprovação da prestação de contas do ano
IV - dos Municípios.
anterior.

§3º O SUAS é integrado pelos entes federativos,


Art. 11. Serão pactuados pela Comissão
pelos respectivos conselhos de assistência social e
Intergestores Tripartite - CIT parâmetros para a
pelas entidades e organizações de assistência
consolidação da rede de serviços, de
social abrangidas pela Lei nº 8.742, de 7 de
equipamentos, da gestão do SUAS e do
Dezembro de 1993, Lei Orgânica da Assistência
Social – LOAS.

115
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
funcionamento adequado dos conselhos de IX - estimular a mobilização e organização dos
assistência social. usuários e trabalhadores do SUAS para a
participação nas instâncias de controle social da
política de assistência social;
SEÇÃO I
X - promover a participação da sociedade,
RESPONSABILIDADES DOS ENTES especialmente dos usuários, na elaboração da
política de assistência social;
XI - instituir o planejamento contínuo e participativo
Art. 12. Constituem responsabilidades comuns à
no âmbito da política de assistência social;
União, Estados, Distrito Federal e Municípios:
XII - assegurar recursos orçamentários e
I - organizar e coordenar o SUAS em seu âmbito,
financeiros próprios para o financiamento dos
observando as deliberações e pactuações de suas serviços tipificados e benefícios assistenciais de
respectivas instâncias; sua competência, alocando-os no fundo de
II - estabelecer prioridades e metas visando à assistência social;
prevenção e ao enfrentamento da pobreza, da
XIII - garantir que a elaboração da peça
desigualdade, das vulnerabilidades e dos riscos
orçamentária esteja de acordo com os Planos de
sociais;
Assistência Social e compromissos assumidos no
III - normatizar e regular a política de assistência Pacto de Aprimoramento do SUAS;
social em cada esfera de governo, em consonância XIV – dar publicidade ao dispêndio dos recursos
com as normas gerais da União; públicos destinados à assistência social;
IV - elaborar o Pacto de Aprimoramento do SUAS,
XV - formular diretrizes e participar das definições
contendo:
sobre o financiamento e o orçamento da assistência
a) ações de estruturação e aperfeiçoamento do social;
SUAS em seu âmbito; XVI - garantir a integralidade da proteção
b)planejamento e acompanhamento da gestão, socioassistencial à população, primando pela
organização e execução dos serviços, programas, qualificação dos serviços do SUAS, exercendo
projetos e benefícios socioassistenciais; essa responsabilidade de forma compartilhada
entre a União, Estados, Distrito Federal e
V - garantir o comando único das ações do SUAS Municípios;
pelo órgão gestor da política de assistência social,
conforme preconiza a LOAS; XVII - garantir e organizar a oferta dos serviços
socioassistenciais conforme Tipificação Nacional
VI - atender aos requisitos previstos no art. 30 e seu de Serviços Socioassistenciais;
parágrafo único, da LOAS, com a efetiva instituição
e funcionamento do: XVIII – definir os serviços socioassistenciais de alto
custo e as responsabilidades dos entes de
a) conselho de assistência social, de composição financiamento e execução;
paritária entre governo e sociedade civil;
XIX- estruturar, implantar e implementar a
b) fundo de assistência social constituído como Vigilância Socioassistencial;
unidade orçamentária e gestora, vinculado ao
órgão gestor da assistência social, que também XX - definir os fluxos de referência e
deverá ser o responsável pela sua ordenação de contrarreferência do atendimento nos serviços
despesas, e com alocação de recursos financeiros socioassistenciais, com respeito às diversidades
próprios; em todas as suas formas de modo a garantir a
atenção igualitária.
c) Plano de Assistência Social;
XXI – aprimorar a gestão do Programa Bolsa
Família e do Cadastro Único para Programas
VII - prover a infraestrutura necessária ao Sociais do Governo Federal - Cadastro Único;
funcionamento do conselho de assistência social, XXII – gerir, de forma integrada, os serviços,
garantindo recursos materiais, humanos e benefícios e programas de transferência de renda
financeiros, inclusive para as despesas referentes de sua competência;
a passagens e diárias de conselheiros
representantes do governo ou da sociedade civil, XXIII - regulamentar os benefícios eventuais em
no exercício de suas atribuições; consonância com as deliberações do CNAS;
VIII - realizar, em conjunto com os conselhos de XXIV - implementar os protocolos pactuados na
assistência social, as conferências de assistência CIT;
social;

116
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
XXV - promover a articulação intersetorial do SUAS para prevenir e reverter situações de
com as demais políticas públicas e o sistema de vulnerabilidade social e riscos;
garantia de direitos;
IV - realizar o monitoramento e a avaliação da
XXVI - desenvolver, participar e apoiar a realização política de assistência social e assessorar os
de estudos, pesquisas e diagnósticos relacionados Estados, o Distrito Federal e os Municípios para seu
à política de assistência social, em especial para desenvolvimento;
fundamentar a análise de situações de
V - garantir condições financeiras, materiais e
vulnerabilidade e risco dos territórios e o
estruturais para o efetivo funcionamento da CIT e
equacionamento da oferta de serviços em
do CNAS;
conformidade com a tipificação nacional;
VI - regular o acesso às seguranças de proteção
XXVII - implantar sistema de informação,
social, conforme estabelecem a Política Nacional
acompanhamento, monitoramento e avaliação para
de Assistência Social – PNAS e esta NOB SUAS;
promover o aprimoramento, qualificação e
integração contínuos dos serviços da rede VII - definir as condições e o modo de acesso aos
socioassistencial, conforme Pacto de direitos socioassistenciais, visando à sua
Aprimoramento do SUAS e Plano de Assistência universalização;
Social;
VIII - propor diretrizes para a prestação dos
XXVIII - manter atualizado o conjunto de aplicativos serviços socioassistenciais, pactuá-las com os
do Sistema de Informação do Sistema Único de Estados, o Distrito Federal e os Municípios e
Assistência Social – Rede SUAS; submetê-las à aprovação do CNAS;
XXIX - definir, em seu nível de competência, os IX – orientar, acompanhar e monitorar a
indicadores necessários ao processo de implementação dos serviços socioassistenciais
acompanhamento, monitoramento e avaliação; tipificados nacionalmente, objetivando a sua
qualidade;
XXX - elaborar, implantar e executar a política de
recursos humanos, de acordo com a NOB/RH - X - apoiar técnica e financeiramente os Estados, o
SUAS; Distrito Federal e os Municípios na implementação
dos serviços, programas, projetos e benefícios de
XXXI - implementar a gestão do trabalho e a
proteção social básica e especial, dos projetos de
educação permanente;
enfrentamento da pobreza e das ações
XXXII - instituir e garantir capacitação para socioassistenciais de caráter emergencial;
gestores, trabalhadores, dirigentes de entidades e
XI - coordenar e gerir a Rede SUAS;
organizações, usuários e conselheiros de
assistência social; XII – coordenar em nível nacional o Cadastro Único
e o Programa Bolsa Família;
XXXIII - criar ouvidoria do SUAS, preferencialmente
com profissionais do quadro efetivo; XIII - apoiar técnica e financeiramente os Estados,
e o Distrito Federal e Municípios na implantação da
XXXIV - atender às ações socioassistenciais de
vigilância socioassistencial;
caráter de emergência;
XIV - elaborar plano de apoio aos Estados e Distrito
XXXV – assessorar e apoiar as entidades e
Federal com pendências e irregularidades junto ao
organizações visando à adequação dos seus
SUAS, para cumprimento do plano de providências;
serviços, programas, projetos e benefícios de
assistência social às normas do SUAS. XV – coordenar e manter atualizado cadastro de
entidades de assistência social, de que trata o
inciso XI, do art. 19, da LOAS, em articulação com
Art. 13. São responsabilidades da União: os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
I - responder pela concessão e manutenção do XVI – decidir sobre a concessão e renovação da
Benefício de Prestação Continuada - BPC definido certificação de entidade beneficente de assistência
no art. 203 da Constituição Federal; social no âmbito da assistência social;
II - coordenar a gestão do BPC, promovendo XVII – reconhecer as entidades e organizações
estratégias de articulação com os serviços, integrantes da rede socioassistencial, por meio do
programas e projetos socioassistenciais e demais vínculo SUAS;
políticas setoriais;
XVIII – apoiar técnica e financeiramente as
III – regulamentar e cofinanciar, em âmbito entidades de representação nacional dos
nacional, por meio de transferência regular e secretários estaduais e municipais de assistência
automática, na modalidade fundo a fundo, o social;
aprimoramento da gestão, dos serviços, programas
XIX - normatizar o §3º do art. 6º- B da LOAS.
e projetos de proteção social básica e especial,

117
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
XI - coordenar o processo de definição dos fluxos
de referência e contrarreferência dos serviços
Art. 14. A União apoiará financeiramente o
regionalizados, acordado com os Municípios e
aprimoramento à gestão descentralizada do
pactuado na CIB;
Programa Bolsa Família e dos serviços, programas,
projetos e benefícios de assistência social, XII - organizar, coordenar, articular, acompanhar e
respectivamente, por meio do Índice de Gestão monitorar a rede socioassistencial nos âmbitos
Descentralizada do Programa Bolsa Família – IGD estadual e regional;
PBF e do Índice de Gestão Descentralizada do
XIII - instituir ações preventivas e proativas de
Sistema Único de Assistência Social - IGDSUAS,
acompanhamento aos Municípios no cumprimento
para a utilização no âmbito dos Estados, do Distrito
das normativas do SUAS, para o aprimoramento da
Federal e dos Municípios, conforme definido no §2º,
gestão, dos serviços, programas, projetos e
art. 8º da Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004, e no
benefícios socioassistenciais pactuados
art. 12-A da Lei nº 8.742, de 1993.
nacionalmente;
XIV - participar dos mecanismos formais de
Art. 15. São responsabilidades dos Estados: cooperação intergovernamental que viabilizem
técnica e financeiramente os serviços de referência
I - destinar recursos financeiros aos Municípios, a
regional, definindo as competências na gestão e no
título de participação no custeio do pagamento dos
cofinanciamento, a serem pactuadas na CIB;
benefícios eventuais de que trata o art. 22, da
LOAS, mediante critérios estabelecidos pelo XV - elaborar plano de apoio aos Municípios com
Conselho Estadual de Assistência Social – CEAS; pendências e irregularidades junto ao SUAS, para
cumprimento do plano de providências acordado
II - cofinanciar, por meio de transferência regular e
nas respectivas instâncias de pactuação e
automática, na modalidade fundo a fundo os
deliberação;
serviços, programas, projetos e benefícios
eventuais e o aprimoramento da gestão, em âmbito XVI - elaborar e cumprir o plano de providências, no
regional e local; caso de pendências e irregularidades do Estado
junto ao SUAS, aprovado no CEAS e pactuado na
III - estimular e apoiar técnica e financeiramente as
CIT;
associações e consórcios municipais na prestação
de serviços de assistência social; XVII - prestar as informações necessárias para a
União no acompanhamento da gestão estadual;
IV - organizar, coordenar e prestar serviços
regionalizados da proteção social especial de XVIII – zelar pela boa e regular execução dos
média e alta complexidade, de acordo com o recursos da União transferidos aos Estados,
diagnóstico socioterritorial e os critérios pactuados executados direta ou indiretamente por este,
na CIB e deliberados pelo CEAS; inclusive no que tange à prestação de contas;
V - realizar o monitoramento e a avaliação da XIX - aprimorar os equipamentos e serviços
política de assistência social em sua esfera de socioassistenciais, observando os indicadores de
abrangência e assessorar os Municípios para seu monitoramento e avaliação pactuados;
desenvolvimento;
XX – alimentar o Censo do Sistema Único de
VI - garantir condições financeiras, materiais e Assistência Social – Censo SUAS;
estruturais para o funcionamento efetivo da CIB e
XXI - instituir plano estadual de capacitação e
do CEAS;
educação permanente;
VII - apoiar técnica e financeiramente os Municípios
XXII - acompanhar o sistema de cadastro de
na implantação e na organização dos serviços,
entidades e organizações de assistência social, de
programas, projetos e benefícios
que trata o inciso XI, do art. 19, da LOAS, em
socioassistenciais;
articulação com os Municípios de sua área de
VIII - apoiar técnica e financeiramente os abrangência;
Municípios para a implantação e gestão do SUAS,
XXIII - apoiar técnica e financeiramente entidade de
Cadastro Único e Programa Bolsa Família;
representação estadual dos secretários municipais
IX - apoiar técnica e financeiramente os Municípios de assistência social.
na implantação da vigilância socioassistencial;
XXIV – normatizar, em seu âmbito, o financiamento
X - municipalizar os serviços de proteção social integral dos serviços, programas, projetos e
básica executados diretamente pelos Estados, benefícios de assistência social ofertados pelas
assegurando seu cofinanciamento, com exceção entidades vinculadas ao SUAS, conforme §3º do
dos serviços socioassistenciais prestados no art. 6º- B da LOAS e sua regulamentação em
distrito estadual de Pernambuco, Fernando de âmbito federal.
Noronha, até que este seja emancipado;

118
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
XVII - instituir plano de capacitação e educação
permanente do Distrito Federal;
Art. 16. São responsabilidades do Distrito Federal:
XVIII – zelar pela boa e regular execução, direta ou
I - destinar recursos financeiros para custeio dos
indireta, dos recursos da União transferidos ao
benefícios eventuais de que trata o art. 22, da
Distrito Federal, inclusive no que tange à prestação
LOAS, mediante critérios e prazos estabelecidos
de contas;
pelo Conselho de Assistência Social do Distrito
Federal - CASDF; XIX - proceder o preenchimento do sistema de
cadastro de entidades e organizações de
II - efetuar o pagamento do auxílio-natalidade e o
assistência social de que trata o inciso XI do art. 19
auxílio-funeral;
da LOAS;
III - executar os projetos de enfrentamento da
pobreza, incluindo a parceria com organizações da
sociedade civil;
IV - atender às ações socioassistenciais de caráter Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) -
de emergência; 10/41
V - prestar os serviços socioassistenciais de que XX - viabilizar estratégias e mecanismos de
trata o art. 23, da LOAS; organização, reconhecendo o pertencimento das
entidades de assistência social como integrantes
VI - cofinanciar o aprimoramento da gestão, dos
da rede socioassistencial em âmbito local.
serviços, programas e projetos de assistência
social em âmbito local; XXI – normatizar, em seu âmbito, o financiamento
integral dos serviços, programas, projetos e
VII - realizar o monitoramento e a avaliação da
benefícios de assistência social ofertados pelas
política de assistência social em seu âmbito;
entidades vinculadas ao SUAS, conforme §3º do
VIII - aprimorar os equipamentos e serviços art. 6-B da LOAS e sua regulamentação em âmbito
socioassistenciais, observando os indicadores de federal.
monitoramento e avaliação pactuados;
IX - organizar a oferta de serviços de forma
Art. 17. São responsabilidades dos Municípios:
territorializada, em áreas de maior vulnerabilidade
e risco, de acordo com o diagnóstico socioterritorial, I - destinar recursos financeiros para custeio dos
construindo arranjo institucional que permita benefícios eventuais de que trata o art. 22, da
envolver os Municípios da Região Integrada de LOAS, mediante critérios estabelecidos pelos
Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno - Conselhos Municipais de Assistência Social -
RIDE; CMAS;
X - organizar, coordenar, articular, acompanhar e II - efetuar o pagamento do auxílio-natalidade e o
monitorar a rede de serviços da proteção social auxílio-funeral;
básica e especial;
III - executar os projetos de enfrentamento da
XI - participar dos mecanismos formais de pobreza, incluindo a parceria com organizações da
cooperação intergovernamental que viabilizem sociedade civil;
técnica e financeiramente os serviços de referência
IV - atender às ações socioassistenciais de caráter
regional, definindo as competências na gestão e no
de emergência;
cofinanciamento, a serem pactuadas na CIT;
V - prestar os serviços socioassistenciais de que
XII - realizar a gestão local do BPC, garantindo aos
trata o art. 23, da LOAS;
seus beneficiários e famílias o acesso aos serviços,
programas e projetos da rede socioassistencial; VI - cofinanciar o aprimoramento da gestão e dos
serviços, programas e projetos de assistência
XIII – alimentar o Censo SUAS;
social, em âmbito local;
XIV - gerir, no âmbito do Distrito Federal, o
VII - realizar o monitoramento e a avaliação da
Cadastro Único e o Programa Bolsa Família, nos
política de assistência social em seu âmbito;
termos do §1º do art. 8° da Lei nº 10.836, de 2004;
VIII - aprimorar os equipamentos e serviços
XV - elaborar e cumprir o plano de providências, no
socioassistenciais, observando os indicadores de
caso de pendências e irregularidades junto ao
monitoramento e avaliação pactuados;
SUAS, aprovado pelo CASDF e pactuado na CIT;
IX - organizar a oferta de serviços de forma
XVI - prestar as informações necessárias para a
territorializada, em áreas de maior vulnerabilidade
União no acompanhamento da gestão do Distrito
e risco, de acordo com o diagnóstico socioterritorial;
Federal;

119
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
X - organizar, coordenar, articular, acompanhar e norteia a execução da PNAS na perspectiva do
monitorar a rede de serviços da proteção social SUAS.
básica e especial;
XI – alimentar o Censo SUAS;
§1º A elaboração do Plano de Assistência Social é
XII - assumir as atribuições, no que lhe couber, no de responsabilidade do órgão gestor da política que
processo de municipalização dos serviços de o submete à aprovação do conselho de assistência
proteção social básica; social.
XIII - participar dos mecanismos formais de
cooperação intergovernamental que viabilizem
§2º A estrutura do plano é composta por, dentre
técnica e financeiramente os serviços de referência
outros:
regional, definindo as competências na gestão e no
cofinanciamento, a serem pactuadas na CIB; I - diagnóstico socioterritorial;
XIV - realizar a gestão local do BPC, garantindo aos II - objetivos gerais e específicos;
seus beneficiários e famílias o acesso aos serviços,
III - diretrizes e prioridades deliberadas;
programas e projetos da rede socioassistencial;
IV - ações e estratégias correspondentes para sua
XV - gerir, no âmbito municipal, o Cadastro Único e
implementação;
o Programa Bolsa Família, nos termos do §1º do
art. 8° da Lei nº 10.836 de 2004; V - metas estabelecidas;
XVI - elaborar e cumprir o plano de providências, no VI - resultados e impactos esperados;
caso de pendências e irregularidades do Município
junto ao SUAS, aprovado pelo CMAS e pactuado VII - recursos materiais, humanos e financeiros
na CIB; disponíveis e necessários;

XVII - prestar informações que subsidiem o VIII - mecanismos e fontes de financiamento;


acompanhamento estadual e federal da gestão IX - cobertura da rede prestadora de serviços;
municipal;
X - indicadores de monitoramento e avaliação;
XVIII – zelar pela execução direta ou indireta dos
recursos transferidos pela União e pelos Estados XI - espaço temporal de execução;
aos Municípios, inclusive no que tange a prestação
de contas;
Art. 19. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
XIX - proceder o preenchimento do sistema de Municípios deverão elaborar os respectivos Planos
cadastro de entidades e organizações de de Assistência Social a cada 4 (quatro) anos, de
assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 acordo com os períodos de elaboração do Plano
da LOAS; Plurianual - PPA.
XX - viabilizar estratégias e mecanismos de
organização para aferir o pertencimento à rede
socioassistencial, em âmbito local, de serviços, Art. 20. A realização de diagnóstico socioterritorial,
programas, projetos e benefícios socioassistenciais a cada quadriênio, compõe a elaboração dos
ofertados pelas entidades e organizações de Planos de Assistência Social em cada esfera de
acordo com as normativas federais. governo.

XXI – normatizar, em âmbito local, o financiamento Parágrafo único. O diagnóstico tem por base o
integral dos serviços, programas, projetos e conhecimento da realidade a partir da leitura dos
benefícios de assistência social ofertados pelas territórios, microterritórios ou outros recortes
entidades vinculadas ao SUAS, conforme §3º do socioterritoriais que possibilitem identificar as
art. 6º B da LOAS e sua regulamentação em âmbito dinâmicas sociais, econômicas, políticas e culturais
federal. que os caracterizam, reconhecendo as suas
demandas e potencialidades.

Art. 21. A realização de diagnóstico socioterritorial


CAPÍTULO III requer:
PLANOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL I - processo contínuo de investigação das situações
de risco e vulnerabilidade social presentes nos
territórios, acompanhado da interpretação e análise
Art. 18. O Plano de Assistência Social, de que trata da realidade socioterritorial e das demandas sociais
o art. 30 da LOAS, é um instrumento de que estão em constante mutação, estabelecendo
planejamento estratégico que organiza, regula e

120
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
relações e avaliações de resultados e de impacto se materializam as metas e as prioridades
das ações planejadas; nacionais no âmbito do SUAS, e se constitui em
mecanismo de indução do aprimoramento da
II - identificação da rede socioassistencial
gestão, dos serviços, programas, projetos e
disponível no território, bem como de outras
benefícios socioassistenciais.
políticas públicas, com a finalidade de planejar a
articulação das ações em resposta às demandas
identificadas e a implantação de serviços e
§1º A periodicidade de elaboração do Pacto será
equipamentos necessários;
quadrienal, com o acompanhamento e a revisão
III – reconhecimento da oferta e da demanda por anual das prioridades e metas estabelecidas.
serviços socioassistenciais e definição de territórios
prioritários para a atuação da política de assistência
social. §2º A pactuação das prioridades e metas se dará
no último ano de vigência do PPA de cada ente
IV – utilização de dados territorializados disponíveis
federativo.
nos sistemas oficiais de informações. Parágrafo
único. Consideram-se sistemas oficiais de
informações aqueles utilizados no âmbito do SUAS,
§3º A União deverá pactuar na CIT, no último ano
ainda que oriundos de outros órgãos da
de vigência do PPA de cada ente federativo, a cada
administração pública.
4 (quatro anos), as prioridades e metas nacionais
para Estados, Distrito Federal e Municípios.
Art. 22. Os Planos de Assistência Social, além do
que estabelece o §2º do art. 18 desta Norma,
§4º Os Estados deverão pactuar nas CIBs, no
devem observar:
último ano de vigência do PPA dos Municípios, a
I - deliberações das conferências de assistência cada 4 (quatro) anos, as prioridades e metas
social para a União, os Estados, o Distrito Federal regionais e estaduais para os municípios, que
e os Municípios; devem guardar consonância com as prioridades e
metas nacionais.
II – metas nacionais pactuadas, que expressam o
compromisso para o aprimoramento do SUAS para
a União, os Estados, o Distrito Federal e os
§5º A revisão das prioridades e metas ocorrerá
Municípios;
anualmente, sob proposição do Ministério do
III – metas estaduais pactuadas que expressam o Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS,
compromisso para o aprimoramento do SUAS para pactuadas na CIT, a partir de alterações de
Estados e Municípios; indicadores identificados nos sistemas nacionais de
estatística, Censo SUAS, Rede SUAS e outros
IV – ações articuladas e intersetoriais;
sistemas do MDS.
V- ações de apoio técnico e financeiro à gestão
descentralizada do SUAS.
§6º O Pacto e o Plano de Assistência Social devem
Parágrafo único. O apoio técnico e financeiro
guardar correlação entre si.
compreende, entre outras ações:
I - capacitação;
§7º A União e os Estados acompanharão a
II - elaboração de normas e instrumentos;
realização das prioridades e das metas contidas no
III - publicação de materiais informativos e de Pacto.
orientações técnicas;
IV – assessoramento e acompanhamento;
§8º A primeira pactuação das prioridades e metas
V - incentivos financeiros. se dará para:
I – Os Estados e o Distrito Federal no exercício de
2015, com vigência para o quadriênio de
CAPÍTULO IV
2016/2019.
PACTO DE APRIMORAMENTO DO SISTEMA
II - Os Municípios no exercício de 2013, com
ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
vigência para o quadriênio de 2014/2017.

Art. 23. O Pacto de Aprimoramento do SUAS


Art. 24. O Pacto de Aprimoramento do SUAS
firmado entre a União, os Estados, o Distrito
compreende:
Federal e os Municípios é o instrumento pelo qual

121
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
I - definição de indicadores; organização do SUAS em âmbito local, estadual e
distrital.
II – definição de níveis de gestão;
Parágrafo único. O ID SUAS será composto por um
III - fixação de prioridades e metas de
conjunto de indicadores de gestão, serviços,
aprimoramento da gestão, dos serviços,
programas, projetos e benefícios socioassistenciais
programas, projetos e benefícios socioassistenciais
apurados a partir do Censo SUAS, sistemas da
do SUAS;
Rede SUAS e outros sistemas do MDS.
IV – planejamento para o alcance de metas de
aprimoramento da gestão, dos serviços,
programas, projetos e benefícios socioassistenciais Art. 29. Os níveis de gestão correspondem à escala
do SUAS; de aprimoramento, na qual a base representa os
níveis iniciais de implantação do SUAS e o ápice
V - apoio entre a União, os Estados, o Distrito
corresponde aos seus níveis mais avançados, de
Federal e os Municípios, para o alcance das metas
acordo com as normativas em vigor.
pactuadas; e
VI – adoção de mecanismos de acompanhamento
e avaliação. Art. 30. Os níveis de gestão são dinâmicos e as
mudanças ocorrerão automaticamente na medida
em que o ente federativo, quando da apuração
Art. 25. A realização do Pacto de Aprimoramento do anual do ID SUAS, demonstrar o alcance de estágio
SUAS se dará a partir da definição das prioridades mais avançado ou o retrocesso a estágio anterior
e metas nacionais para cada quadriênio e do de organização do SUAS.
preenchimento do instrumento que materializa o
planejamento para o alcance das metas.
SEÇÃO III
PRIORIDADES E METAS DE
Art. 26. As prioridades e metas nacionais referentes
APRIMORAMENTO DO SUAS
a públicos, vulnerabilidade e riscos específicos
poderão ser objeto de pactuação própria.
Art. 31. As prioridades e metas nacionais serão
pactuadas a cada 4 (quatro) anos na CIT, conforme
prevê o §1º do art.23, com base nos indicadores
SEÇÃO I apurados anualmente, a partir das informações
prestadas nos sistemas de informações oficiais do
INDICADORES MDS e sistemas nacionais de estatística, que
nortearão a elaboração dos Pactos de
Aprimoramento do SUAS.
Art. 27. Os indicadores que orientam o processo de
planejamento para o alcance de metas de
aprimoramento do SUAS serão apurados
SEÇÃO IV
anualmente, a partir das informações prestadas
nos sistemas oficiais de informações e sistemas ALCANCE DAS METAS DE APRIMORAMENTO
nacionais de estatística. DO SUAS

§1º Os indicadores nacionais serão instituídos pelo Art. 32. O planejamento para alcance das metas de
MDS. §2º Serão incorporados progressivamente aprimoramento do SUAS será realizado por meio
novos indicadores e dimensões, na medida em que de ferramenta informatizada, a ser disponibilizada
ocorrerem novas pactuações. pela União.

SEÇÃO II §1º Os conselhos de assistência social deliberarão


acerca do planejamento para o alcance das metas.
NÍVEIS DE GESTÃO
§2º A resolução do respectivo conselho de
assistência social referente à aprovação ou revisão
Art. 28. Os Estados, o Distrito Federal e os do planejamento para alcance de metas deverá ser
Municípios serão agrupados em níveis de gestão, a publicada em diário oficial ou jornal de grande
partir da apuração do Índice de Desenvolvimento circulação.
do SUAS - ID SUAS, consoante ao estágio de

122
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SEÇÃO V §1º O processo de acompanhamento se dará pela
União aos Estados e Distrito Federal e pelos
ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO DO
Estados aos respectivos Municípios.
ALCANCE DAS METAS DE APRIMORAMENTO
DO SUAS
§2º O processo de acompanhamento de que trata
o caput se dará por meio do:
Art. 33. O acompanhamento e a avaliação do Pacto
de Aprimoramento do SUAS tem por objetivo I - monitoramento do SUAS;
observar o cumprimento do seu conteúdo e a
II - visitas técnicas;
efetivação dos compromissos assumidos entre a
União, os Estados, o Distrito Federal e os III - análise de dados do Censo SUAS, da Rede
Municípios para a melhoria contínua da gestão, dos SUAS e de outros sistemas do MDS ou dos
serviços, programas, projetos e benefícios Estados;
socioassistenciais, visando à sua adequação
gradativa aos padrões estabelecidos pelo SUAS. IV - apuração de denúncias;
V - fiscalizações e auditorias;
VI - outros que vierem a ser instituídos.
Art. 34. O acompanhamento e a avaliação
possibilitam o acesso às informações sobre a
execução das ações planejadas, as dificuldades
encontradas e os resultados alcançados, §3º A União realizará o monitoramento e a
favorecendo a revisão e a tomada de decisões pelo avaliação da política de assistência social e
gestor. assessorará os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios para seu desenvolvimento.

Art. 35. As informações referentes ao


acompanhamento e à avaliação serão atualizadas Art. 37. Os processos de acompanhamento
anualmente pela União, pelos Estados, pelo Distrito desencadearão ações que objetivam a resolução
Federal e pelos Municípios, para aferição da de dificuldades encontradas, o aprimoramento e a
execução do planejamento que visa o alcance das qualificação da gestão, dos serviços, programas,
respectivas metas. projetos e benefícios socioassistenciais do SUAS,
quais sejam:
Parágrafo único. O acompanhamento dos Pactos
de Aprimoramento do SUAS, que estará a cargo da I - proativas e preventivas;
União e dos Estados, deverá orientar o apoio II - de superação das dificuldades encontradas;
técnico e financeiro à gestão descentralizada para
o alcance das metas de aprimoramento da gestão, III – de avaliação da execução do plano de
dos serviços, programas, projetos e benefícios providências e medidas adotadas. Parágrafo único.
socioassistenciais do SUAS. As ações de que trata o caput destinam-se à União,
aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios e
à rede socioassistencial.
CAPÍTULO V
PROCESSO DE ACOMPANHAMENTO NO Art. 38. As ações de acompanhamento proativas e
SUAS preventivas consistem em procedimentos adotados
na prestação de apoio técnico para o
aprimoramento da gestão, dos serviços,
Art. 36. O processo de acompanhamento da programas, projetos e benefícios
gestão, dos serviços, programas, projetos e socioassistenciais, conforme previsto nas
benefícios socioassistenciais do SUAS, realizado normativas do SUAS e nas pactuações nacionais e
pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e estaduais, prevenindo a ocorrência de situações
pelos Municípios objetiva a verificação: inadequadas.
I – do alcance das metas de pactuação nacional e
estadual e dos indicadores do SUAS, visando ao
reordenamento e à qualificação da gestão, dos §1º Os procedimentos adotados no
serviços, programas, projetos e benefícios acompanhamento proativo e preventivo poderão
socioassistenciais; desencadear:

II – da observância das normativas do SUAS. I - o contato periódico, presencial ou não, da União


com o Distrito Federal e os Estados e destes com
os respectivos Municípios;

123
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
II - o monitoramento presencial sistemático da rede II - aprovados pelos CEAS e pactuados na CIT no
socioassistencial dos Municípios e do Distrito âmbito dos Estados;
Federal;
III - aprovado pelo CASDF e pactuado na CIT no
III - a verificação anual do alcance de metas e de âmbito do Distrito Federal.
indicadores do SUAS e da observância das
normativas vigentes;
§2º A execução dos Planos de Providências será
IV – outros procedimentos.
acompanhada:
I - pelos respectivos conselhos de assistência social
§2º Os órgãos gestores da política de assistência e pelo Estado quanto aos seus Municípios;
social deverão, como parte do processo proativo e
II - pelos respectivos conselhos de assistência
preventivo, elaborar instrumentos informativos e
social e pela União quanto aos Estados e Distrito
publicizá-los amplamente, para subsidiar o
Federal;
aprimoramento do SUAS.

§3º O prazo de vigência do Plano de Providências


Art. 39. As ações para a superação das dificuldades
será estabelecido de acordo com cada caso, sendo
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
considerado concluído após a realização de todas
na execução do previsto nas normativas vigentes,
as ações previstas.
no alcance das metas de pactuação nacional e na
melhoria dos indicadores do SUAS objetivam
solucionar as falhas identificadas e completar o
§4º A União acompanhará a execução do Plano de
ciclo do processo de acompanhamento.
Providências dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios por meio de aplicativos informatizados.
§1º O processo de acompanhamento adotará como
instrumentos de assessoramento os planos de
providências e de apoio. Art. 41. O Plano de Apoio decorre do Plano de
Providências dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios e consiste no instrumento de
planejamento do assessoramento técnico e,
§2º As ações para a superação de dificuldades dos
quando for o caso, financeiro, para a superação das
entes federativos consistem no planejamento que
dificuldades dos entes federados na gestão e
envolva o gestor local, o Estado e a União na
execução dos serviços, programas, projetos e
resolução definitiva dos problemas.
benefícios socioassistenciais.

Art. 40. O Plano de Providências constitui-se em


§1º O Plano de Apoio contém as ações de
instrumento de planejamento das ações para a
acompanhamento, assessoramento técnico e
superação de dificuldades dos entes federados na
financeiro prestadas de acordo com as metas
gestão e execução dos serviços, programas,
estabelecidas no Plano de Providências e deve ser:
projetos e benefícios socioassistenciais, a ser
elaborado pelos Estados, Distrito Federal e I - elaborado:
Municípios, com atribuições, dentre outras, de:
a) pelo Estado quanto aos seus Municípios;
I - identificar as dificuldades apontadas nos
b) pela União quanto aos Estados e ao Distrito
relatórios de auditorias, nas denúncias, no Censo
Federal.
SUAS, entre outros;
II - definir ações para superação das dificuldades II - encaminhado para pactuação na CIB ou CIT, de
acordo com o envolvimento e a responsabilidade de
encontradas;
cada ente federativo.
III - indicar os responsáveis por cada ação e
estabelecer prazos para seu cumprimento.
Art. 42. O descumprimento do Plano de
Providências e de Apoio pelos Estados, Distrito
§1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios Federal e Municípios será comunicado aos
elaborarão seus Planos de Providências, que respectivos conselhos de assistência social e
serão: acarretará a aplicação de medidas administrativas
pela União na forma a ser definida em norma
I - aprovados pelos CMAS e pactuados nas CIBs no
específica.
âmbito dos Municípios;

124
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
§1º Constituem medidas administrativas: Parágrafo único. A elaboração da peça
orçamentária requer:
I - comunicação ao Ministério Público para tomada
de providências cabíveis; I – a definição de diretrizes, objetivos e metas;
II - exclusão das expansões de cofinanciamento II – a previsão da organização das ações;
dos serviços socioassistenciais e equipamentos
III – a provisão de recursos;
públicos;
IV – a definição da forma de acompanhamento das
III – bloqueio ou suspensão dos recursos do
ações; e
cofinanciamento;
V – a revisão crítica das propostas, dos processos
IV - descredenciamento do equipamento da rede
e dos resultados.
socioassistencial.

Art. 47. Constituem princípios do orçamento


§2º O gestor federal comunicará ao gestor
público:
estadual, do Distrito Federal ou municipal as
medidas administrativas adotadas pelo não I - anualidade: o orçamento público deve ser
cumprimento das metas e ações do Plano de elaborado pelo período de um ano, coincidente com
Providências. o ano civil;
II - clareza: o orçamento público deve ser
apresentado em linguagem clara e compreensível
§3º O Fundo Nacional de Assistência Social - FNAS
a todos;
comunicará as Câmaras de Vereadores e às
Assembleias Legislativas os casos de suspensão III - especialidade: as receitas e as despesas
de recursos financeiros. devem constar de maneira discriminada,
pormenorizando a origem dos recursos e a sua
aplicação;
Art. 43. A CIT pactuará as normas complementares
IV - exclusividade: o orçamento público não deve
necessárias para a execução do processo de
conter matéria estranha à previsão da receita e à
acompanhamento pela União, pelos Estados, pelo
fixação da despesa, ressalvadas as exceções
Distrito Federal e pelos Municípios.
legais;
V - legalidade: a arrecadação de receitas e a
CAPÍTULO VI execução de despesas pelo setor público devem
ser precedidas de expressa autorização legislativa;
GESTÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA DO
SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL VI - publicidade: deve ser permitido o amplo acesso
da sociedade a todas as informações relativas ao
orçamento público;
Art. 44. São instrumentos da gestão financeira e
VII - unidade: o orçamento público deve ser
orçamentária do SUAS o orçamento da assistência
elaborado com base numa mesma política
social e os fundos de assistência social.
orçamentária, estruturado de modo uniforme,
sendo vedada toda forma de orçamentos paralelos;
Art. 45. A gestão financeira e orçamentária da VIII - universalidade: todas as receitas e despesas
assistência social implica na observância dos devem ser incluídas na lei orçamentária;
princípios da administração pública, em especial: a
IX - equilíbrio: o orçamento público deve possuir
legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a
equilíbrio financeiro entre receita e despesa;
publicidade e a eficiência.
X - exatidão: as estimativas orçamentárias devem
ser tão exatas quanto possível, a fim de se dotar o
SEÇÃO I orçamento da consistência necessária, para que
possa ser empregado como instrumento de
ORÇAMENTO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
gerência, programação e controle;
XI - flexibilidade: possibilidade de ajuste na
Art. 46. O orçamento é instrumento da execução do orçamento público às contingências
administração pública indispensável para a gestão operacionais e à disponibilidade efetiva de
da política de assistência social e expressa o recursos;
planejamento financeiro das funções de gestão e
XII - programação: o orçamento público deve
da prestação de serviços, programas, projetos e
expressar o programa de trabalho detalhado
benefícios socioassistenciais à população usuária.

125
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
concernente à atuação do setor público durante a devem atender às exigências legais concernentes
execução orçamentária; ao processamento, empenho, liquidação e
efetivação do pagamento, mantendo-se a
XIII - regionalização: o orçamento público deve ser
respectiva documentação administrativa e fiscal
elaborado sobre a base territorial com o maior nível
pelo período legalmente exigido.
de especificação possível, de forma a reduzir as
desigualdades inter-regionais, segundo critério
populacional.
Parágrafo único. Os documentos comprobatórios
das despesas de que trata o caput, tais como notas
fiscais, recibos, faturas, dentre outros legalmente
SEÇÃO II
aceitos, deverão ser arquivados preferencialmente
FUNDOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL na sede da unidade pagadora do Estado, Distrito
Federal ou Município, em boa conservação,
identificados e à disposição do órgão repassador e
Art. 48. Os fundos de assistência social são dos órgãos de controle interno e externo.
instrumentos de gestão orçamentária e financeira
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, nos quais devem ser alocadas as SEÇÃO III
receitas e executadas as despesas relativas ao
COFINANCIAMENTO NO SISTEMA ÚNICO DE
conjunto de ações, serviços, programas, projetos e
ASSISTÊNCIA SOCIAL
benefícios de assistência social.

Art. 50. O modelo de gestão preconizado pelo


§1º Cabe ao órgão da administração pública
SUAS prevê o financiamento compartilhado entre a
responsável pela coordenação da Política de
União, os Estados, o Distrito Federal e os
Assistência Social na União, nos Estados, no
Municípios e é viabilizado por meio de
Distrito Federal e nos Municípios gerir o Fundo de
transferências regulares e automáticas entre os
Assistência Social, sob orientação e controle dos
fundos de assistência social, observando-se a
respectivos Conselhos de Assistência Social.
obrigatoriedade da destinação e alocação de
recursos próprios pelos respectivos entes.
§2º Caracterizam-se como fundos especiais e se
constituem em unidades orçamentárias e gestoras,
Art. 51. O cofinanciamento na gestão
na forma da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964,
compartilhada do SUAS tem por pressupostos:
cabendo o seu gerenciamento aos órgãos
responsáveis pela coordenação da política de I - a definição e o cumprimento das competências e
assistência social. responsabilidades dos entes federativos;
II - a participação orçamentária e financeira de
todos os entes federativos;
§3º Devem ser inscritos no Cadastro Nacional de
Pessoa Jurídica – CNPJ, na condição de Matriz, na III - a implantação e a implementação das
forma das Instruções Normativas da Receita transferências de recursos por meio de repasses na
Federal do Brasil em vigor, com o intuito de modalidade fundo a fundo, de forma regular e
assegurar maior transparência na identificação e no automática;
controle das contas a eles vinculadas, sem, com
IV - o financiamento contínuo de benefícios e de
isso, caracterizar autonomia administrativa e de
serviços socioassistenciais tipificados
gestão.
nacionalmente;
V - o estabelecimento de pisos para os serviços
§4º Os recursos previstos no orçamento para a socioassistenciais e de incentivos para a gestão;
política de assistência social devem ser alocados e
VI - a adoção de critérios transparentes de partilha
executados nos respectivos fundos. §5º Todo o
de recursos, pactuados nas Comissões
recurso repassado aos Fundos seja pela União ou
Intergestores e deliberados pelos respectivos
pelos Estados e os recursos provenientes dos
Conselhos de Assistência Social;
tesouros estaduais, municipais ou do Distrito
Federal deverão ter a sua execução orçamentária VII - o financiamento de programas e projetos.
e financeira realizada pelos respectivos fundos.

Art. 52. São requisitos mínimos para que os


Art. 49. As despesas realizadas com recursos Estados, o Distrito Federal e os Municípios
financeiros recebidos na modalidade fundo a fundo recebam os recursos referentes ao

126
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
cofinanciamento federal, de acordo com o art. 30,
da LOAS:
Art. 55. A União tem por responsabilidade:
I - conselho de assistência social instituído e em
I - o financiamento do Benefício de Prestação
funcionamento;
Continuada – BPC;
II - plano de assistência social elaborado e
II - o financiamento do Programa Bolsa Família –
aprovado pelo conselho de assistência social;
PBF;
III - fundo de assistência social criado em lei e
III - o apoio técnico para os Estados, o Distrito
implantado; e
Federal e os Municípios;
IV - alocação de recursos próprios no fundo de
IV - o cofinanciamento dos serviços, programas e
assistência social.
projetos socioassistenciais, inclusive em casos
emergenciais e de calamidade pública. Parágrafo
único. O cofinanciamento federal poderá se dar
Art. 53. Os Municípios e o Distrito Federal devem
sem a realização de convênios, ajustes ou
destinar recursos próprios para o cumprimento de
congêneres, desde que seja cumprido o art.30, da
suas responsabilidades, em especial:
LOAS.
I - custeio dos benefícios eventuais;
II - cofinanciamento dos serviços, programas e
Art. 56. O cofinanciamento federal de serviços,
projetos socioassistenciais sob sua gestão;
programas e projetos de assistência social e de sua
III - atendimento às situações emergenciais; gestão, no âmbito do SUAS, poderá ser realizado
por meio de Blocos de Financiamento. Parágrafo
IV - execução dos projetos de enfrentamento da
único. Consideram-se Blocos de Financiamento o
pobreza;
conjunto de recursos destinados aos serviços,
V - provimento de infraestrutura necessária ao programas e projetos, devidamente tipificados e
funcionamento do Conselho de Assistência Social agrupados, e à sua gestão, na forma definida em
Municipal ou do Distrito Federal. ato do Ministro de Estado do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome.
Parágrafo único. Os Municípios e o Distrito Federal,
quando instituírem programas de transferência de
renda, poderão fazê-lo, preferencialmente,
Art. 57. Os Blocos de Financiamento se destinam a
integrados ao Programa Bolsa Família.
cofinanciar:
I - as Proteções Sociais Básica e Especial, em seu
Art. 54. Os Estados devem destinar recursos conjunto de serviços socioassistenciais tipificados
próprios para o cumprimento de suas nacionalmente;
responsabilidades, em especial para:
II - a gestão do SUAS;
I – a participação no custeio do pagamento de
III - a gestão do Programa Bolsa Família e do
benefícios eventuais referentes aos respectivos
Cadastro Único; e
municípios;
IV – outros, conforme regulamentação específica.
II – o apoio técnico e financeiro para a prestação de
serviços, programas e projetos em âmbito local e
regional;
§1º Os recursos referentes a cada Bloco de
III – o atendimento às situações emergenciais; Financiamento somente devem ser aplicados nas
ações e nos serviços a eles relacionados, incluindo
IV – a prestação de serviços regionalizados de as despesas de custeio e de investimento em
proteção social especial de média e alta equipamentos públicos, observados os planos de
complexidade, quando os custos e a demanda local
assistência social e a normatização vigente.
não justificarem a implantação de serviços
municipais;
V – o provimento da infraestrutura necessária ao §2º Os repasses fundo a fundo serão efetuados
funcionamento do Conselho Estadual de para cada Bloco de Financiamento, considerando a
Assistência Social; especificidade de seus componentes, com exceção
dos recursos destinados a acordos específicos de
cooperação interfederativa e a programas
Parágrafo único. Os Estados, quando instituírem específicos que contenham regulação própria.
programas de transferência de renda, poderão
fazê-lo, preferencialmente, integrados ao Programa
Bolsa Família.

127
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
§3º Os Blocos de Financiamento poderão ser §1º Os Blocos de Financiamento de que trata o
desdobrados para facilitar a identificação dos caput serão compostos pelo conjunto de pisos
serviços socioassistenciais para os quais se relativos a cada proteção, de acordo com a
destinavam originariamente. Tipificação Nacional dos Serviços
Socioassistenciais.

Art. 58. O detalhamento da forma de aplicação dos


repasses do cofinanciamento, dos critérios de §2º Os recursos transferidos pelos Blocos de
partilha, da prestação de contas do Financiamento de que trata o caput, permitem a
cofinanciamento dos serviços socioassistenciais organização da rede de serviços local e regional,
regionalizados de média e alta complexidade e de com base no planejamento realizado.
outras questões afetas à operacionalização do
cofinanciamento será objeto de ato normativo
específico. §3º Não compõem a forma de repasse por Blocos
de Financiamento de que trata o caput os recursos
destinados ao cofinanciamento por acordos de
Art. 59. Os recursos dos Blocos de Financiamento cooperação interfederativa ou equivalente, para os
dos serviços socioassistenciais tipificados quais serão aplicadas regras específicas de
nacionalmente devem ser aplicados no mesmo transferência, a serem pactuadas e deliberadas nas
nível de proteção social, básica ou especial, desde instâncias competentes.
que componham a rede socioassistencial e que a
matéria seja deliberada pelo respectivo conselho
de assistência social. Art. 62. O cofinanciamento dos serviços
socioassistenciais de proteção social básica e
especial deverá considerar fatores que elevam o
§1º A prestação dos serviços que der origem à custo dos serviços na Região Amazônica, além de
transferência dos recursos deve estar assegurada outras situações e especificidades regionais e
dentro dos padrões e condições normatizados e locais pactuadas na CIT e deliberados pelo CNAS.
aferida por meio dos indicadores definidos pelo
SUAS.
Art. 63. O cofinanciamento da Proteção Social
Básica tem por componentes o Piso Básico Fixo e
§2º Os recursos que formam cada Bloco e seus o Piso Básico Variável.
respectivos componentes, respeitadas as
especificidades, devem ser expressos em forma de
memória de cálculo para registro histórico e Art. 64. O Piso Básico Fixo destina-se ao
monitoramento. acompanhamento e atendimento à família e seus
membros, no desenvolvimento do Serviço de
Proteção e Atendimento Integral à Família - PAIF,
Art. 60. O controle e o acompanhamento das ações necessariamente ofertado pelo Centro de
e serviços subsidiados pelos Blocos de Referência da Assistência Social – CRAS.
Financiamento devem ser efetuados por meio dos
instrumentos específicos adotados pelo MDS no
âmbito do SUAS, cabendo aos Estados, ao Distrito §1º O repasse do Piso de que trata o caput deve se
Federal e aos Municípios a prestação das basear no número de famílias referenciadas ao
informações de forma regular e sistemática. CRAS.

SUBSEÇÃO I §2º A capacidade de referenciamento de um CRAS


está relacionada:
COFINANCIAMENTO DOS SERVIÇOS
SOCIOASSISTENCIAIS I - ao número de famílias do território;
II - à estrutura física da unidade; e
Art. 61. O cofinanciamento dos serviços III - à quantidade de profissionais que atuam na
socioassistenciais se dará por meio do Bloco de unidade, conforme referência da NOB RH.
Financiamento da Proteção Social Básica e do
Bloco de Financiamento da Proteção Social
Especial. §3º Os CRAS serão organizados conforme o
número de famílias a ele referenciadas,
observando-se a seguinte divisão:

128
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
I - até 2.500 famílias; e o apoio técnico e financeiro para a execução
desses serviços.
II - de 2.501 a 3.500 famílias;
III - de 3.501 até 5.000 famílias;
§6º Os valores do Piso de que trata o caput,
destinados à manutenção de embarcações, de
§4º Outras classificações poderão ser outros meios de transporte e das equipes que
estabelecidos, pactuadas na CIT e deliberadas pelo prestam serviços volantes, serão objeto de
CNAS. normatização pela União.

Art. 65. O Piso Básico Variável destina-se: Art. 66. O cofinanciamento da Proteção Social
Especial tem por componentes:
I - ao cofinanciamento dos serviços
complementares e inerentes ao PAIF;
II - ao atendimento de demandas específicas do I - Média Complexidade:
território;
a) o Piso Fixo de Média Complexidade;
III - ao cofinanciamento de outros serviços
b) o Piso Variável de Média Complexidade; e
complementares que se tornem mais onerosos em
razão da extensão territorial e das condições de c) o Piso de Transição de Média Complexidade;
acesso da população;
IV - ao cofinanciamento de serviços executados por
II - Alta Complexidade:
equipes volantes, vinculadas ao CRAS;
a) o Piso Fixo de Alta Complexidade; e
V - a outras prioridades ou metas pactuadas
nacionalmente. b) o Piso Variável de Alta Complexidade.

§1º O Piso Básico Variável poderá ser desdobrado Parágrafo único. Os recursos que compõem o
para permitir o atendimento de situações ou cofinanciamento de que trata o caput devem ser
particularidades, a partir da análise de aplicados segundo a perspectiva socioterritorial,
necessidade, prioridade ou ainda em razão de assegurando-se a provisão de deslocamentos
dispositivos legais específicos. quando necessário.

§2º Os valores para repasse do Piso de que trata o Art. 67. O Piso Fixo de Média Complexidade
caput serão definidos com base em informações destina-se ao cofinanciamento dos serviços
constantes no Cadastro Único, utilizando-se como tipificados nacionalmente que são prestados
referência o número de famílias com presença de exclusivamente no Centro de Referência
idosos, crianças, adolescentes, jovens, incluindo as Especializado para População em Situação de Rua
pessoas com deficiência, para atenção aos ciclos - CENTRO POP e no Centro de Referência
de vida em serviços que complementam a proteção Especializado de Assistência Social – CREAS,
à família no território. como o Serviço de Proteção e Atendimento
Especializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI.

§3º Durante o período de migração dos


beneficiários do BPC para o Cadastro Único, os Art. 68. O Piso Variável de Média Complexidade
dados dos sistemas de informação próprios do BPC destina-se ao cofinanciamento dos serviços
também serão considerados. tipificados nacionalmente, tais como:
I - Serviço Especializado em Abordagem Social;
§4º Outras fontes de informação e parâmetros de II - Serviço de Proteção Social Especial para
cálculo poderão ser utilizados, inclusive para novos Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias;
serviços tipificados nacionalmente, desde que
III - Serviço de Proteção Social a Adolescentes em
previamente pactuados e deliberados.
Cumprimento de Medidas Socioeducativas de
Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à
Comunidade; e
§5º Cabe à União e aos Estados, em atenção aos
princípios da corresponsabilidade e cooperação IV - outros que venham a ser instituídos, conforme
que regem o SUAS, a regulação, o monitoramento as prioridades ou metas pactuadas nacionalmente
e deliberadas pelo CNAS.

129
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
valores e do período de vigência em instrumento
legal próprio.
§1º O Piso de que trata o caput poderá incluir outras
ações ou ser desdobrado para permitir o
atendimento de situações ou particularidades, a
SUBSEÇÃO II
partir da análise de necessidade, prioridade ou
dispositivos legais específicos. INCENTIVOS FINANCEIROS À GESTÃO

§2º Os critérios para definição de valores Art. 72. O apoio à gestão descentralizada do SUAS
diferenciados de cofinanciamento de serviços que e do Programa Bolsa Família se dará por meio do
atendam às especificidades regionais deverão ser Bloco de Financiamento da Gestão do SUAS, do
objeto de pactuação na CIT e deliberação no Programa Bolsa Família e do Cadastro Único.
CNAS.

Art. 73. O incentivo à gestão do SUAS tem como


§3º Os valores de referência a serem adotados componentes o Índice de Gestão Descentralizada
para o cofinanciamento dos diferentes tipos de Estadual do Sistema Único de Assistência Social –
agravos de média complexidade e das situações IGDSUAS-E e o Índice de Gestão Descentralizada
que envolvam a prestação de serviços para Municipal do Sistema Único de Assistência Social –
públicos determinados serão submetidos à IGDSUAS-M;
pactuação na CIT e deliberação no CNAS.

Art. 74. O incentivo à gestão do Programa Bolsa


Art. 69. O Piso de Transição de Média Família tem como componente o Índice de Gestão
Complexidade será objeto de regulação específica. Descentralizada Estadual do Programa Bolsa
Família – IGD PBF-E e o Índice de Gestão
Descentralizada Municipal do Programa Bolsa
Art. 70. O Piso Fixo de Alta Complexidade destina- Família – IGD PBF-M, instituído pelo art. 8º da Lei
se ao cofinanciamento dos serviços tipificados nº 10.836 de 2004.
nacionalmente, voltados ao atendimento
especializado a indivíduos e famílias que, por
diversas situações, necessitem de acolhimento fora Art. 75. Os incentivos à gestão descentralizada
de seu núcleo familiar ou comunitário de origem. visam oferecer o aporte financeiro necessário ao
incremento dos processos de:
I - gestão e prestação de serviços, programas,
projetos e benefícios socioassistenciais em âmbito
Art. 71. O Piso Variável de Alta Complexidade local e regional, tendo por fundamento os
destina-se ao cofinanciamento dos serviços resultados alcançados e os investimentos
tipificados nacionalmente a usuários que, devido ao realizados pelos entes federativos, no caso do
nível de agravamento ou complexidade das IGDSUAS; e
situações vivenciadas, necessitem de atenção
II - gestão do Programa Bolsa Família e do
diferenciada e atendimentos complementares.
Cadastro Único, em âmbito municipal, estadual e
distrital, tendo por fundamento os resultados
alcançados pelos respectivos entes federativos no
Parágrafo único. O Piso de trata o caput poderá ser
caso do IGD PBF, conforme previsto na Lei nº
utilizado para o:
10.836 de 2004, e sua regulamentação.
I - atendimento a especificidades regionais,
prioridades nacionais, incentivos à implementação
de novas modalidades de serviços de acolhimento Art. 76. Os incentivos financeiros com base nos
e equipes responsáveis pelo acompanhamento dos resultados serão calculados por meio dos Índices
serviços de acolhimento e de gestão de vagas, de de Gestão Descentralizada do SUAS – IGDSUAS e
acordo com critérios nacionalmente definidos, com do Programa Bolsa Família - IGDPBF instituídos,
base em legislação própria ou em necessidades respectivamente, na Lei nº 8.742, de 7 de
peculiares. dezembro de 1993, e na Lei nº 10.836, de 9 de
janeiro de 2004.
II - cofinanciamento de serviços de atendimento a
situações emergenciais, desastres ou calamidades,
observadas as provisões e os objetivos
SUBSEÇÃO III
nacionalmente tipificados, podendo ser
especificadas as condições de repasse, dos

130
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
COFINANCIAMENTO DE PROGRAMAS E Estaduais de Assistência Social, à luz da
PROJETOS SOCIOASSISTENCIAIS normatização nacional, e no caso das prioridades
de âmbito municipal e do Distrito Federal, debatidas
e deliberadas em seus respectivos Conselhos de
Art. 77. Os critérios para repasses do Assistência Social.
cofinanciamento de programas e projetos
socioassistenciais constituem objeto de
normatização específica. Parágrafo único. As §4º Para a equalização e universalização da
metas dos programas e projetos serão pactuadas cobertura de que trata o inciso IV, levar-se-ão em
na CIT e deliberadas no CNAS. conta os diagnósticos e os planejamentos
intraurbanos e regionais, devendo ser objeto de
pactuação nas respectivas Comissões
SUBSEÇÃO IV Intergestores quando se tratar de definições em
âmbito nacional e estadual e de deliberação nos
CRITÉRIOS DE PARTILHA PARA O
Conselhos de Assistência Social de cada esfera de
COFINANCIAMENTO
governo.

Art. 78. O cofinanciamento dos serviços


Art. 79. Na Proteção Social Básica, os critérios de
socioassistenciais, observada a disponibilidade partilha de cofinanciamento de serviços
orçamentária e financeira de cada ente federativo, socioassistenciais basear-se-ão:
efetivar-se-á a partir da adoção dos seguintes
objetivos e pressupostos: I - no número de famílias existentes no Município
ou Distrito Federal, de acordo com os dados de
I - implantação e oferta qualificada de serviços
população levantados pelo IBGE;
socioassistenciais nacionalmente tipificados;
II - no número de famílias constantes do Cadastro
II - implantação e oferta qualificada de serviços em Único, tomando como referência os cadastros
territórios de vulnerabilidade e risco social, de válidos de cada Município e do Distrito Federal;
acordo com o diagnóstico das necessidades e
especificidades locais e regionais, considerando os III - na extensão territorial;
parâmetros do teto máximo estabelecido para
IV - nas especificidades locais ou regionais;
cofinanciamento da rede de serviços e do patamar
existente; V - na cobertura de vulnerabilidades por ciclo de
vida; e
III – atendimento das prioridades nacionais e
estaduais pactuadas; VI - em outros indicadores que vierem a ser
pactuados na CIT.
IV - equalização e universalização da cobertura dos
serviços socioassistenciais.
Art. 80. Na proteção social especial, os critérios de
partilha para o cofinanciamento de serviços
§1º Para a aferição do disposto no inciso I serão
socioassistenciais terão como base as situações de
utilizadas as informações constantes no Censo
risco pessoal e social, por violação de direitos, que
SUAS e nos demais sistemas informatizados do
subsidiam a elaboração de parâmetros e o
MDS.
estabelecimento de teto para o repasse de recursos
do cofinanciamento federal, considerando a
estruturação de unidades ou equipes de referência
§2º Para implantação de que trata o inciso II serão para operacionalizar os serviços necessários em
considerados os dados do diagnóstico determinada realidade e território.
socioterritorial e da Vigilância Socioassistencial, por
meio do cruzamento de indicadores, com o objetivo
de estabelecer prioridades progressivas até o
Parágrafo único. As unidades de oferta de serviços
alcance do teto a ser destinado a cada ente
de proteção social especial poderão ter distintas
federativo, por nível de proteção.
capacidades de atendimento e de composição, em
função das dinâmicas territoriais e da relação entre
estas unidades e as situações de risco pessoal e
§3º O atendimento das prioridades de que trata o
social, as quais deverão estar previstas nos planos
inciso III levará em consideração informações e
de assistência social.
cruzamento de indicadores, a partir da análise
global das situações que demandem esforço
concentrado de financiamento, sendo que as
Art. 81. O cofinanciamento da gestão adotará como
prioridades estaduais e regionais devem ser objeto
referência os resultados apurados a partir da
de pactuação na CIB e deliberação nos Conselhos

131
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
mensuração de indicadores, das pactuações nas Art. 84. Os Conselhos de Assistência Social, em
Comissões Intergestores e das deliberação nos seu caráter deliberativo, têm papel estratégico no
Conselhos de Assistência Social. SUAS de agentes participantes da formulação,
avaliação, controle e fiscalização da política, desde
o seu planejamento até o efetivo monitoramento
Art.82. Os critérios de partilha para das ofertas e dos recursos destinados às ações a
cofinanciamento federal destinado a construção de serem desenvolvidas.
equipamentos públicos utilizará como referência os
dados do Censo SUAS e as orientações sobre os
espaços de cada equipamento para a oferta do Parágrafo único. É responsabilidade dos
serviço. Conselhos de Assistência Social a discussão de
metas e prioridades orçamentárias, no âmbito do
Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes
Parágrafo único: Tendo em vista o efeito indutor da Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual,
estruturação da rede de serviços, o critério de podendo para isso realizar audiências públicas.
partilha priorizará, sempre que possível, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios que
estiverem com a execução de serviços em Art. 85. Incumbe aos Conselhos de Assistência
conformidade com as normativas e orientações do Social exercer o controle e a fiscalização dos
SUAS. Fundos de Assistência Social, mediante:
I - aprovação da proposta orçamentária;
SEÇÃO V II - acompanhamento da execução orçamentária e
financeira, de acordo com a periodicidade prevista
PENALIDADES
na Lei de instituição do Fundo ou em seu Decreto
de regulamentação, observando o calendário
elaborado pelos respectivos conselhos;
Art. 83. Serão aplicadas medidas administrativas e
o processo de acompanhamento de que trata o III - análise e deliberação acerca da respectiva
Capítulo V desta Norma quando: prestação de contas.
I - não forem alcançadas as metas de pactuação Art. 86. No controle do financiamento, os
nacional e os indicadores de gestão, serviços, Conselhos de Assistência Social devem observar:
programas, projetos e benefícios
I - o montante e as fontes de financiamento dos
socioassistenciais;
recursos destinados à assistência social e sua
II - não forem observadas as normativas do SUAS. correspondência às demandas;
II - os valores de cofinanciamento da política de
assistência social em nível local;
§1º Cabem as seguintes medidas administrativas
para as transferências relativas ao cofinanciamento III - a compatibilidade entre a aplicação dos
federal dos serviços, incentivos, programas e recursos e o Plano de Assistência Social;
projetos socioassistenciais:
IV - os critérios de partilha e de transferência dos
I - bloqueio temporário, que permitirá o pagamento recursos;
retroativo após regularização dos motivos que
V - a estrutura e a organização do orçamento da
deram causa; ou
assistência social e do fundo de assistência social,
II – suspensão. sendo este na forma de unidade orçamentária, e a
ordenação de despesas deste fundo em âmbito
local;
§2º A aplicação das medidas administrativas e do
VI - a definição e aferição de padrões e indicadores
processo de acompanhamento se dará na forma
de qualidade na prestação dos serviços,
definida em norma específica.
programas, projetos e benefícios socioassistenciais
e os investimentos em gestão que favoreçam seu
incremento;
SEÇÃO VI
VII - a correspondência entre as funções de gestão
FISCALIZAÇÃO DOS FUNDOS DE de cada ente federativo e a destinação
ASSISTÊNCIA SOCIAL PELOS CONSELHOS orçamentária;
DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
VIII - a avaliação de saldos financeiros e sua
implicação na oferta dos serviços e em sua
qualidade;

132
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
IX – a apreciação dos instrumentos, documentos e e subsidiam o processo de planejamento das
sistemas de informações para a prestação de ações.
contas relativas aos recursos destinados à
assistência social;
§2º A Vigilância Socioassistencial deverá cumprir
X - a aplicação dos recursos transferidos como
seus objetivos, fornecendo informações
incentivos de gestão do SUAS e do Programa Bolsa
estruturadas que:
Família e a sua integração aos serviços;
I - contribuam para que as equipes dos serviços
XI - a avaliação da qualidade dos serviços e das
socioassistenciais avaliem sua própria atuação;
necessidades de investimento nessa área;
II - ampliem o conhecimento das equipes dos
XII - a aprovação do plano de aplicação dos
serviços socioassistenciais sobre as características
recursos destinados às ações finalísticas da
da população e do território de forma a melhor
assistência social e o resultado dessa aplicação;
atender às necessidades e demandas existentes;
XIII - o acompanhamento da execução dos
III - proporcionem o planejamento e a execução das
recursos pela rede prestadora de serviços
ações de busca ativa que assegurem a oferta de
socioassistenciais, no âmbito governamental e não
serviços e benefícios às famílias e indivíduos mais
governamental, com vistas ao alcance dos padrões
vulneráveis, superando a atuação pautada
de qualidade estabelecidos em diretrizes, pactos e
exclusivamente pela demanda espontânea.
deliberações das Conferências e demais instâncias
do SUAS.
Art. 89. A Vigilância Socioassistencial deve analisar
as informações relativas às demandas quanto às:
CAPÍTULO VII
I - incidências de riscos e vulnerabilidades e às
VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL
necessidades de proteção da população, no que
concerne à assistência social; e
Art. 87. A Vigilância Socioassistencial é II - características e distribuição da oferta da rede
caracterizada como uma das funções da política de socioassistencial instalada vistas na perspectiva do
assistência social e deve ser realizada por território, considerando a integração entre a
intermédio da produção, sistematização, análise e demanda e a oferta.
disseminação de informações territorializadas, e
trata:
Art. 90. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
I – das situações de vulnerabilidade e risco que
Municípios devem instituir a área da Vigilância
incidem sobre famílias e indivíduos e dos eventos
Socioassistencial diretamente vinculada aos
de violação de direitos em determinados territórios;
órgãos gestores da política de assistência social,
II – do tipo, volume e padrões de qualidade dos dispondo de recursos de incentivo à gestão para
serviços ofertados pela rede socioassistencial. sua estruturação e manutenção.

Parágrafo único. A Vigilância Socioassistencial


constitui como uma área essencialmente dedicada
SEÇÃO I
à gestão da informação, comprometida com:
OPERACIONALIZAÇÃO DA VIGILÂNCIA
I - o apoio efetivo às atividades de planejamento,
SOCIOASSISTENCIAL
gestão, monitoramento, avaliação e execução dos
serviços socioassistenciais, imprimindo caráter
técnico à tomada de decisão; e
Art. 88. A Vigilância Socioassistencial deve manter
estreita relação com as áreas diretamente II - a produção e disseminação de informações,
responsáveis pela oferta de serviços possibilitando conhecimentos que contribuam para
socioassistenciais à população nas Proteções a efetivação do caráter preventivo e proativo da
Sociais Básica e Especial. política de assistência social, assim como para a
redução dos agravos, fortalecendo a função de
proteção social do SUAS.
§1º As unidades que prestam serviços de Proteção
Social Básica ou Especial e Benefícios
socioassistenciais são provedoras de dados e Art. 91. Constituem responsabilidades comuns à
utilizam as informações produzidas e processadas União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
pela Vigilância Socioassistencial sempre que estas Municípios acerca da área de Vigilância
são registradas e armazenadas de forma adequada Socioassistencial:

133
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
I - elaborar e atualizar periodicamente diagnósticos X - responsabilizar-se pela gestão e alimentação de
socioterritoriais que devem ser compatíveis com os outros sistemas de informação que provêm dados
limites territoriais dos respectivos entes federados sobre a rede socioassistencial e sobre os
e devem conter as informações espaciais atendimentos por ela realizados, quando estes não
referentes: forem específicos de um programa, serviço ou
benefício;
a) às vulnerabilidades e aos riscos dos territórios e
da consequente demanda por serviços XI - analisar periodicamente os dados dos sistemas
socioassistenciais de Proteção Social Básica e de informação do SUAS, utilizando-os como base
Proteção Social Especial e de benefícios; para a produção de estudos e indicadores;
b)ao tipo, ao volume e à qualidade das ofertas XII - coordenar o processo de realização anual do
disponíveis e efetivas à população. Censo SUAS, zelando pela qualidade das
informações coletadas;
II - contribuir com as áreas de gestão e de proteção
social básica e especial na elaboração de XIII - estabelecer, com base nas normativas
diagnósticos, planos e outros. existentes e no diálogo com as demais áreas
técnicas, padrões de referência para avaliação da
III - utilizar a base de dados do Cadastro Único
qualidade dos serviços ofertados pela rede
como ferramenta para construção de mapas de
socioassistencial e monitorá-los por meio de
vulnerabilidade social dos territórios, para traçar o
indicadores;
perfil de populações vulneráveis e estimar a
demanda potencial dos serviços de Proteção Social XIV – coordenar, de forma articulada com as áreas
Básica e Especial e sua distribuição no território; de Proteção Social Básica e de Proteção Social
Especial, as atividades de monitoramento da rede
IV - utilizar a base de dados do Cadastro Único
socioassistencial, de forma a avaliar
como instrumento permanente de identificação das
periodicamente a observância dos padrões de
famílias que apresentam características de
referência relativos à qualidade dos serviços
potenciais demandantes dos distintos serviços
ofertados;
socioassistenciais e, com base em tais
informações, planejar, orientar e coordenar ações XV - estabelecer articulações intersetoriais de
de busca ativa a serem executas pelas equipes dos forma a ampliar o conhecimento sobre os riscos e
CRAS e CREAS; as vulnerabilidades que afetam as famílias e os
indivíduos em um dado território, colaborando para
V – implementar o sistema de notificação
o aprimoramento das intervenções realizadas.
compulsória contemplando o registro e a
notificação ao Sistema de Garantia de Direitos
sobre as situações de violência intrafamiliar, abuso
Art. 92. Constituem responsabilidades específicas
ou exploração sexual de crianças e adolescentes e
da União acerca da área da Vigilância
trabalho infantil, além de outras que venham a ser
Socioassistencial:
pactuadas e deliberadas;
I - apoiar tecnicamente a estruturação da Vigilância
VI – utilizar os dados provenientes do Sistema de
Socioassistencial nos estados, DF e municípios;
Notificação das Violações de Direitos para
monitorar a incidência e o atendimento das II - organizar, normatizar e gerir nacionalmente, no
situações de risco pessoal e social pertinentes à âmbito da Política de Assistência Social, o sistema
assistência social; de notificações para eventos de violência e violação
de direitos, estabelecendo instrumentos e fluxos
VII - orientar quanto aos procedimentos de registro
necessários à sua implementação e ao seu
das informações referentes aos atendimentos
funcionamento;
realizados pelas unidades da rede
socioassistencial, zelando pela padronização e III - planejar e coordenar, em âmbito nacional, o
qualidade dos mesmos; processo de realização anual do Censo SUAS,
zelando pela qualidade das informações coletadas;
VIII - coordenar e acompanhar a alimentação dos
sistemas de informação que provêm dados sobre a IV - propor parâmetros nacionais para os registros
rede socioassistencial e sobre os atendimentos por de informações no âmbito do SUAS;
ela realizados, mantendo diálogo permanente com
V - propor indicadores nacionais para o
as áreas de Proteção Social Básica e de Proteção
monitoramento no âmbito do SUAS.
Social Especial, que são diretamente responsáveis
pela provisão dos dados necessários à alimentação
dos sistemas específicos ao seu âmbito de
atuação; Art. 93. Constituem responsabilidades específicas
dos Estados acerca da área da Vigilância
IX - realizar a gestão do cadastro de unidades da Socioassistencial:
rede socioassistencial pública no CadSUAS;

134
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
I - desenvolver estudos para subsidiar a INFORMAÇÃO
regionalização dos serviços de proteção social
especial no âmbito do estado;
Art. 95. A gestão da informação, por meio da
II - apoiar tecnicamente a estruturação da Vigilância
integração entre ferramentas tecnológicas, torna-se
Socioassistencial nos municípios do estado;
um componente estratégico para:
III - coordenar, em âmbito estadual, o processo de
I – a definição do conteúdo da política e seu
realização anual do Censo SUAS, apoiando
planejamento;
tecnicamente os municípios para o preenchimento
dos questionários e zelando pela qualidade das II – o monitoramento e a avaliação da oferta e da
informações coletadas. demanda de serviços socioassistenciais.

Art. 94. Constituem responsabilidades específicas Parágrafo único. Na União, nos Estados, no Distrito
dos Municípios e do Distrito Federal acerca da área Federal e nos Municípios, a gestão da informação
da Vigilância Socioassistencial: e a organização de sistemas de informação devem
ser priorizadas no âmbito da gestão, com
I - elaborar e atualizar, em conjunto com as áreas
destinação de recursos financeiros e técnicos para
de proteção social básica e especial, os
a sua consolidação.
diagnósticos circunscritos aos territórios de
abrangência dos CRAS e CREAS;
II – colaborar com o planejamento das atividades Art. 96. Constituem-se diretrizes para a concepção
pertinentes ao cadastramento e à atualização dos sistemas de informação no SUAS:
cadastral do Cadastro Único em âmbito municipal;
I - compartilhamento da informação na esfera
III - fornecer sistematicamente às unidades da rede federal, estadual, do Distrito Federal e municipal e
socioassistencial, especialmente aos CRAS e entre todos os atores do SUAS - trabalhadores,
CREAS, informações e indicadores conselheiros, usuários e entidades;
territorializados, extraídos do Cadastro Único, que
II - compreensão de que a informação no SUAS não
possam auxiliar as ações de busca ativa e subsidiar
se resume à informatização ou instalação de
as atividades de planejamento e avaliação dos
aplicativos e ferramentas, mas afirma-se também
próprios serviços;
como uma cultura a ser disseminada na gestão e
IV - fornecer sistematicamente aos CRAS e CREAS no controle social;
listagens territorializadas das famílias em
III - disponibilização da informação de maneira
descumprimento de condicionalidades do
compreensível à população;
Programa Bolsa Família, com bloqueio ou
suspensão do benefício, e monitorar a realização IV - transparência e acessibilidade;
da busca ativa destas famílias pelas referidas
unidades e o registro do acompanhamento que V - construção de aplicativos e subsistemas
possibilita a interrupção dos efeitos do flexíveis que respeitem as diversidades e
descumprimento sobre o benefício das famílias; particularidades regionais;

V - fornecer sistematicamente aos CRAS e CREAS VI - interconectividade entre os sistemas.


listagens territorializadas das famílias beneficiárias
do BPC e dos benefícios eventuais e monitorar a
realização da busca ativa destas famílias pelas Art. 97. A Rede SUAS operacionaliza a gestão da
referidas unidades para inserção nos respectivos informação do SUAS por meio de um conjunto de
serviços; aplicativos de suporte à gestão, ao monitoramento,
à avaliação e ao controle social de serviços,
VI - realizar a gestão do cadastro de unidades da programas, projetos e benefícios da assistência
rede socioassistencial privada no CadSUAS, social e ao seu respectivo funcionamento.
quando não houver na estrutura do órgão gestor
área administrativa específica responsável pela
relação com a rede socioassistencial privada; Parágrafo único. São consideradas ferramentas de
VII - coordenar, em âmbito municipal ou do Distrito gestão, que orientam o processo de organização do
Federal, o processo de preenchimento dos SUAS, além dos aplicativos da Rede SUAS:
questionários do Censo SUAS, zelando pela I - o Cadastro Único para Programas Sociais do
qualidade das informações coletadas. Governo Federal;
II - os sistemas e base de dados relacionados à
SEÇÃO II operacionalização do Programa Bolsa Família e do
Benefício de Prestação Continuada, observadas as

135
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
normas sobre sigilo de dados dos respectivos IV - propor a padronização e os protocolos
Cadastros; estaduais de registro e trânsito da informação no
âmbito do SUAS;
III - os sistemas de monitoramento;
V - alimentar e responsabilizar-se pela
IV - o Censo SUAS;
fidedignidade das informações inseridas no sistema
V - outras que vierem a ser instituídas. nacional de informação;
VI - produzir informações, estudos e pesquisas que
subsidiem o monitoramento e avaliação da rede
Art. 98. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
socioassistencial e da qualidade dos serviços e
Municípios possuem responsabilidades específicas
benefícios prestados aos usuários;
na gestão da informação do SUAS.
VII - disseminar o conhecimento produzido pelo
órgão gestor estadual para os Municípios, usuários,
§1º Constituem responsabilidades relativas à trabalhadores, conselheiros e entidades de
gestão da informação do SUAS no âmbito da assistência social;
União:
VIII - criar e manter canais estaduais de
I - coletar, armazenar, processar, analisar e divulgar comunicação entre gestores, técnicos,
dados e informações nacionais relativas ao SUAS; conselheiros, usuários e entidades de assistência
social;
II - organizar e manter a Rede SUAS;
IX - prestar apoio técnico e financeiro aos
III - desenvolver, manter e aperfeiçoar ferramentas Municípios na estruturação dos sistemas de
e aplicativos nacionais para a gestão do SUAS e informações locais;
para os serviços socioassistenciais;
X - disponibilizar os bancos de dados ao órgão
IV - propor a padronização e os protocolos gestor dos Municípios.
nacionais de registro e trânsito das informações no
âmbito do SUAS;
V - produzir informações, estudos e pesquisas que §3º Constituem responsabilidades relativas à
subsidiem o monitoramento e avaliação da rede gestão da informação do SUAS no âmbito dos
socioassistencial e da qualidade dos serviços e Municípios e do Distrito Federal:
benefícios prestados aos usuários;
I - coletar, armazenar, processar, analisar e divulgar
VI - disseminar o conhecimento produzido pelo dados e informações municipais ou do Distrito
órgão gestor federal para os demais entes da Federal relativas ao SUAS;
federação; II - desenvolver, implantar e manter sistemas locais
VII - elaborar o plano nacional de capacitação para de informação;
a área;
III - compatibilizar, em parceria com Estados e/ou
VIII - disponibilizar bancos de dados do órgão União, os sistemas locais de informação com a
gestor federal do SUAS para os Estados, o Distrito Rede SUAS;
Federal e os Municípios; IV - alimentar e responsabilizar-se pela
IX - criar e manter canais nacionais de fidedignidade das informações inseridas nos
comunicação entre gestores, trabalhadores, sistemas estaduais e nacional de informações;
conselheiros e usuários da assistência social.
V - propor a padronização e os protocolos locais de
registro e trânsito da informação no âmbito do
SUAS;
§2º Constituem responsabilidades relativas à
gestão da informação do SUAS no âmbito dos VI - disseminar o conhecimento produzido pelo
Estados: órgão gestor municipal e do Distrito Federal para os
usuários, trabalhadores, conselheiros e entidades
I - coletar, armazenar, processar, analisar e divulgar de assistência social;
dados e informações estaduais relativas ao SUAS;
VII - produzir informações que subsidiem o
II - organizar e manter o sistema estadual de monitoramento e a avaliação da rede
informações do SUAS; socioassistencial e da qualidade dos serviços e
III - compatibilizar, em parceria com a União, os benefícios prestados aos usuários.
sistemas estaduais de informação com a Rede
SUAS;
SEÇÃO III
MONITORAMENTO

136
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Art. 103. Em âmbito estadual, o monitoramento do
SUAS deve conjugar a captura e verificação de
Art. 99. O monitoramento do SUAS constitui função
informações in loco junto aos Municípios e a
inerente à gestão e ao controle social, e consiste no
utilização de dados secundários, fornecidos pelos
acompanhamento contínuo e sistemático do
indicadores do sistema nacional de monitoramento
desenvolvimento dos serviços, programas, projetos
do SUAS ou provenientes dos próprios sistemas de
e benefícios socioassistenciais em relação ao
informação estaduais.
cumprimento de seus objetivos e metas.
Parágrafo único. Realiza-se por meio da produção
regular de indicadores e captura de informações: Art. 104. Em âmbito municipal e do Distrito Federal,
o monitoramento do SUAS deve capturar e verificar
I - in loco;
informações in loco, junto aos serviços prestados
II - em dados provenientes dos sistemas de pela rede socioassistencial, sem prejuízo da
informação; utilização de fontes de dados secundárias
utilizadas pelo monitoramento em nível nacional e
III - em sistemas que coletam informações
estadual.
específicas para os objetivos do monitoramento.

SEÇÃO IV
Art. 100. Os indicadores de monitoramento visam
mensurar as seguintes dimensões: AVALIAÇÃO
I - estrutura ou insumos;
II - processos ou atividades; Art. 105. Caberá à União as seguintes ações de
avaliação da política, sem prejuízo de outras que
III - produtos ou resultados.
venham a ser desenvolvidas:
I - promover continuamente avaliações externas de
Art. 101. O modelo de monitoramento do SUAS âmbito nacional, abordando a gestão, os serviços,
deve conter um conjunto mínimo de indicadores os programas, os projetos e os benefícios
pactuados entre os gestores federal, estaduais, do socioassistenciais;
Distrito Federal e municipais, que permitam
II - estabelecer parcerias com órgãos e instituições
acompanhar:
federais de pesquisa visando à produção de
I - a qualidade e o volume de oferta dos serviços, conhecimentos sobre a política e o Sistema Único
programas, projetos e benefícios de proteção social de Assistência Social;
básica e proteção social especial; III - realizar, em intervalos bianuais, pesquisa
II - o cumprimento do Protocolo de Gestão amostral de abrangência nacional com usuários do
Integrada de Serviços, Benefícios e Transferência SUAS para avaliar aspectos objetivos e subjetivos
de Renda; referentes à qualidade dos serviços prestados.
III - o desempenho da gestão de cada ente
federativo; Art. 106. Os Estados poderão realizar avaliações
IV - o monitoramento do funcionamento dos periódicas da gestão, dos serviços e dos benefícios
Conselhos de Assistência Social e das Comissões socioassistenciais em seu território, visando
Intergestores. subsidiar a elaboração e o acompanhamento dos
planos estaduais de assistência social.

Art. 102. Para o monitoramento do SUAS em


âmbito nacional, as principais fontes de informação Art. 107. O Distrito Federal e os Municípios
são: poderão, sem prejuízo de outras ações de
avaliação que venham a ser desenvolvidas, instituir
I - censo SUAS; práticas participativas de avaliação da gestão e dos
II - sistemas de registro de atendimentos; serviços da rede socioassistencial, envolvendo
trabalhadores, usuários e instâncias de controle
III - cadastros e sistemas gerenciais que integram o social.
SUAS;
IV – outros que vierem a ser instituídos e pactuados
nacionalmente. Art. 108. Para a realização das avaliações a União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
poderão utilizar a contratação de serviços de
órgãos e instituições de pesquisa, visando à

137
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
produção de conhecimentos sobre a política e o
sistema de assistência social.
Art. 111. Cabe a cada ente federativo instituir ou
designar, em sua estrutura administrativa, setor ou
equipe responsável pela gestão do trabalho no
CAPÍTULO VIII
âmbito do SUAS.
GESTÃO DO TRABALHO NO SISTEMA ÚNICO
DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
Art. 112. As despesas que envolvem a gestão do
trabalho devem estar expressas no orçamento e no
financiamento da política de assistência social.
Art. 109. A gestão do trabalho no SUAS
compreende o planejamento, a organização e a
Parágrafo único. Os entes federativos deverão
execução das ações relativas à valorização do
assegurar recursos financeiros específicos para o
trabalhador e à estruturação do processo de
cumprimento das responsabilidades
trabalho institucional, no âmbito da União, dos
compartilhadas.
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

CAPÍTULO IX
§1º Compreende-se por ações relativas à
valorização do trabalhador, na perspectiva da CONTROLE SOCIAL DO SISTEMA ÚNICO DE
desprecarização da relação e das condições de ASSISTÊNCIA SOCIAL
trabalho, dentre outras:
I - a realização de concurso público;
Art. 113. São instâncias de deliberação do SUAS:
II - a instituição de avaliação de desempenho;
I - o Conselho Nacional de Assistência Social;
III - a instituição e implementação de Plano de
II - os Conselhos Estaduais de Assistência Social;
Capacitação e Educação Permanente com
certificação; III - o Conselho de Assistência Social do Distrito
Federal;
IV - a adequação dos perfis profissionais às
necessidades do SUAS; IV - os Conselhos Municipais de Assistência Social.
V – a instituição das Mesas de Negociação;
VI - a instituição de planos de cargos, carreira e Parágrafo único. As Conferências de Assistência
salários (PCCS); Social deliberam as diretrizes para o
aperfeiçoamento da Política de Assistência Social.
VII - a garantia de ambiente de trabalho saudável e
seguro, em consonância às normativas de
segurança e saúde dos trabalhadores;
VIII - a instituição de observatórios de práticas
Art. 114. A participação social deve constituir-se em
profissionais.
estratégia presente na gestão do SUAS, por meio
da adoção de práticas e mecanismos que
favoreçam o processo de planejamento e a
§2º Compreende-se por ações relativas à
execução da política de assistência social de modo
estruturação do processo de trabalho institucional a
democrático e participativo.
instituição de, dentre outras:
I - desenhos organizacionais;
Art. 115. São estratégias para o fortalecimento dos
II - processos de negociação do trabalho;
conselhos e das conferências de assistência social
III - sistemas de informação; e a promoção da participação dos usuários:
IV - supervisão técnica. I - fixação das responsabilidades da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos municípios para
com o controle social;
Art. 110. As ações de gestão do trabalho na União,
II - planejamento das ações do conselho de
nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios
assistência social;
devem observar os eixos previstos na Norma
Operacional Básica de Recursos Humanos do III - participação dos conselhos e dos usuários no
SUAS - NOB-RH/SUAS, nas resoluções do CNAS planejamento local, municipal, estadual, distrital,
e nas regulamentações específicas. regional e nacional;

138
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
IV - convocação periódica das conferências de §1º A participação dos delegados governamentais
assistência social; e não governamentais nas conferências estaduais
e nacional deve ser assegurada de forma
V - ampliação da participação popular;
equânime, incluindo o deslocamento, a estadia e a
VI - valorização da participação dos trabalhadores alimentação.
do SUAS;
VII - valorização da participação das entidades e
§2º Podem ser realizadas etapas preparatórias às
organizações de assistência social.
conferências, mediante a convocação de
préconferências, reuniões ampliadas do conselho
ou audiências públicas, entre outras estratégias de
SEÇÃO I
ampliação da participação popular.
CONFERÊNCIAS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

Art. 116. As conferências de assistência social são


SEÇÃO II
instâncias que têm por atribuições a avaliação da
política de assistência social e a definição de CONSELHOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
diretrizes para o aprimoramento do SUAS,
ocorrendo no âmbito da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios. Art. 119. Os conselhos de assistência social são
instâncias deliberativas colegiadas do SUAS,
vinculadas à estrutura do órgão gestor de
Art. 117. A convocação das conferências de assistência social da União, dos Estados, do
assistência social pelos conselhos de assistência Distrito Federal e dos Municípios, com caráter
social se dará ordinariamente a cada 4 (quatro) permanente e composição paritária entre governo e
anos. sociedade civil.

§1º Poderão ser convocadas Conferências de §1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Assistência Social extraordinárias a cada 02 (dois) Municípios deverão instituir os conselhos por meio
anos, conforme deliberação da maioria dos de edição de lei específica, conforme a LOAS.
membros dos respectivos conselhos.

§2º A lei de criação dos conselhos deve garantir a


§2º Ao convocar a conferência, caberá ao conselho escolha democrática da representação da
de assistência social: sociedade civil, permitindo uma única recondução
por igual período.
I - elaborar as normas de seu funcionamento;
II - constituir comissão organizadora;
§3º No exercício de suas atribuições, os conselhos
III - encaminhar as deliberações da conferência aos normatizam, disciplinam, acompanham, avaliam e
órgãos competentes após sua realização; fiscalizam a gestão e a execução dos serviços,
IV - desenvolver metodologia de acompanhamento programas, projetos e benefícios de assistência
e monitoramento das deliberações das social prestados pela rede socioassistencial.
conferências de assistência social;
V - adotar estratégias e mecanismos que
SUBSEÇÃO I
favoreçam a mais ampla inserção dos usuários, por
meio de linguagem acessível e do uso de PLANEJAMENTO DAS RESPONSABILIDADES
metodologias e dinâmicas que permitam a sua DOS CONSELHOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
participação e manifestação.

Art. 120. Os conselhos devem planejar suas ações


Art. 118. Para a realização das conferências, os de forma a garantir a consecução das suas
órgãos gestores de assistência social da União, dos atribuições e o exercício do controle social,
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios primando pela efetividade e transparência das suas
deverão prever dotação orçamentária e realizar a atividades.
execução financeira, garantindo os recursos e a
infraestrutura necessários.
§1º O planejamento das ações do conselho deve
orientar a construção do orçamento da gestão da

139
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
assistência social para o apoio financeiro e técnico XII - deliberar sobre as prioridades e metas de
às funções do Conselho. desenvolvimento do SUAS em seu âmbito de
competência;
XIII - deliberar sobre planos de providência e planos
§2º O gestor federal deverá disponibilizar
de apoio à gestão descentralizada;
ferramenta informatizada para o planejamento das
atividades dos conselhos, contendo as atividades, XIV - normatizar as ações e regular a prestação de
metas, cronograma de execução e prazos. serviços públicos estatais e não estatais no campo
da assistência social, em consonância com as
normas nacionais;
Art. 121. No planejamento das ações dos conselhos
XV – inscrever e fiscalizar as entidades e
de assistência social devem ser observadas as
organizações de assistência social, bem como os
seguintes atribuições precípuas:
serviços, programas, projetos e benefícios
I - aprovar a política de assistência social, socioassistenciais, conforme parâmetros e
elaborada em consonância com as diretrizes procedimentos nacionalmente estabelecidos.
estabelecidas pelas conferências;
XVI - estabelecer mecanismos de articulação
II - convocar as conferências de assistência social permanente com os demais conselhos de políticas
em sua esfera de governo e acompanhar a públicas e de defesa e garantia de direitos;
execução de suas deliberações;
XVII - estimular e acompanhar a criação de
III - aprovar o plano de assistência social elaborado espaços de participação popular no SUAS;
pelo órgão gestor da política de assistência social;
XVIII - elaborar, aprovar e divulgar seu regimento
IV - aprovar o plano de capacitação, elaborado pelo interno, tendo como conteúdo mínimo:
órgão gestor;
a) competências do Conselho;
V - acompanhar, avaliar e fiscalizar a gestão do
b) atribuições da Secretaria Executiva, Presidência,
Programa Bolsa Família (PBF);
Vice-Presidência e Mesa Diretora;
VI - fiscalizar a gestão e execução dos recursos do
c) criação, composição e funcionamento de
Índice de Gestão Descentralizada do Programa
comissões temáticas e de grupos de trabalho
Bolsa Família – IGD PBF e do Índice de Gestão
permanentes ou temporários;
Descentralizada do Sistema Único de Assistência
Social – IGDSUAS; d) processo eletivo para escolha do conselheiro-
presidente e vice-presidente;
VII - planejar e deliberar sobre os gastos de no
mínimo 3% (três por cento) dos recursos do IGD e) processo de eleição dos conselheiros
PBF e do IGDSUAS destinados ao representantes da sociedade civil, conforme
desenvolvimento das atividades do conselho; prevista na legislação;
VIII – participar da elaboração e aprovar as f) definição de quórum para deliberações e sua
propostas de Lei de Diretrizes Orçamentárias, aplicabilidade;
Plano Plurianual e da Lei Orçamentária Anual no
g) direitos e deveres dos conselheiros;
que se refere à assistência social, bem como o
planejamento e a aplicação dos recursos h) trâmites e hipóteses para substituição de
destinados às ações de assistência social, nas suas conselheiros e perda de mandatos;
respectivas esferas de governo, tanto os recursos
i) periodicidade das reuniões ordinárias do plenário
próprios quanto os oriundos de outros entes
federativos, alocados nos respectivos fundos de e das comissões e os casos de admissão de
assistência social; convocação extraordinária;
j) casos de substituição por impedimento ou
IX - acompanhar, avaliar e fiscalizar a gestão dos
vacância do conselheiro titular;
recursos, bem como os ganhos sociais e o
desempenho dos serviços, programas, projetos e k) procedimento adotado para acompanhar,
benefícios socioassistenciais do SUAS; registrar e publicar as decisões das plenárias.
X - aprovar critérios de partilha de recursos em seu
âmbito de competência, respeitados os parâmetros
adotados na LOAS; Art. 122. O Conselho Nacional de Assistência
Social deve zelar pela aplicação de suas normas e
XI - aprovar o aceite da expansão dos serviços, resoluções junto aos Conselhos Estaduais do
programas e projetos socioassistenciais, objetos de Distrito Federal e dos Municipais.
cofinanciamento;

140
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
§1º O Conselho Nacional de Assistência Social §3º Os órgãos gestores devem promover e
deve prestar assessoramento aos Conselhos de incentivar a capacitação continuada dos
Assistência Social dos Estados e do Distrito conselheiros, conforme planos de capacitação do
Federal. SUAS.

§2º O Conselho Nacional de Assistência Social, em Art. 124. Aos conselheiros devem ser
conformidade com o princípio da descentralização, encaminhados, com a antecedência necessária
deverá, sempre que solicitado, prestar para a devida apreciação, os seguintes
assessoramento aos conselhos municipais, em documentos e informações do órgão gestor da
parceria com os conselhos estaduais de política de assistência social:
Assistência Social.
I - plano de assistência social;
II - propostas da Lei de Diretrizes Orçamentárias,
§3º Os Conselhos Estaduais deverão prestar Lei Orçamentária Anual e do Plano Plurianual,
assessoramento aos conselhos municipais. referentes à assistência social;
III - relatórios trimestrais e anuais de atividades e
de realização financeira dos recursos;
SUBSEÇÃO II
IV - balancetes, balanços e prestação de contas ao
RESPONSABILIDADES DOS ENTES
final de cada exercício;
FEDERATIVOS COM O CONTROLE SOCIAL
V - relatório anual de gestão;
VI - plano de capacitação;
Art. 123. Cabe aos órgãos gestores da política de
assistência social, em cada esfera de governo, VII - plano de providências e plano de apoio à
fornecer apoio técnico e financeiro aos conselhos e gestão descentralizada;
às conferências de assistência social e à
VIII - pactuações das comissões intergestores.
participação social dos usuários no SUAS.

§1º Os órgãos gestores da assistência social


devem: SEÇÃO III
I - prover aos conselhos infraestrutura, recursos PARTICIPAÇÃO DOS USUÁRIOS NO SISTEMA
materiais, humanos e financeiros, arcando com as ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
despesas inerentes ao seu funcionamento, bem
como arcar com despesas de passagens,
traslados, alimentação e hospedagem dos Art. 125. O estímulo à participação e ao
conselheiros governamentais e não protagonismo dos usuários nas instâncias de
governamentais, de forma equânime, no exercício deliberação da política de assistência social, como
de suas atribuições, tanto nas atividades realizadas as conferências e os conselhos, é condição
no seu âmbito de atuação geográfica ou fora dele; fundamental para viabilizar o exercício do controle
II - destinar aos conselhos de assistência social social e garantir os direitos socioassistenciais.
percentual dos recursos oriundos do Índice de
Gestão Descentralizada do SUAS – IGDSUAS e do
Índice de Gestão Descentralizada do Programa Art. 126. Para ampliar o processo participativo dos
Bolsa Família – IGD PBF, na forma da Lei. usuários, além do reforço na articulação com
movimentos sociais e populares, diversos espaços
III - subsidiar os conselhos com informações para o podem ser organizados, tais como:
cumprimento de suas atribuições e para a
deliberação sobre o cofinanciamento dos serviços, I - coletivo de usuários junto aos serviços,
programas, projetos e benefícios programas e projetos socioassistenciais;
socioassistenciais; II - comissão de bairro;
III - fórum;
§2º Os conselhos serão dotados de secretaria IV - entre outros.
executiva, com profissional responsável de nível
superior, e apoio técnico e administrativo para Parágrafo único. Os espaços de que trata o caput
exercer as funções pertinentes ao seu devem desencadear o debate permanente sobre os
funcionamento. problemas enfrentados, o acompanhamento das
ações desenvolvidas e a discussão das estratégias
mais adequadas para o atendimento das

141
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
demandas sociais, com vistas a assegurar o I – União, representada pelo Órgão Gestor Federal
constante aprimoramento das ofertas e prestações da política de assistência social;
do SUAS.
II - Estados e Distrito Federal, representados pelo
Fórum Nacional de Secretários(as) de Estado de
Assistência Social – FONSEAS;
Art. 127. Constituem-se estratégias para o estímulo
à participação dos usuários no SUAS: III – Municípios, representados pelo Colegiado
Nacional de Gestores Municipais de Assistência
I - a previsão no planejamento do conselho ou do
Social – CONGEMAS.
órgão gestor da política de assistência social;
II - a ampla divulgação do cronograma e pautas de
reuniões dos conselhos, das audiências públicas, Art. 130. A CIB é integrada pelos seguintes entes
das conferências e demais atividades, nas federativos:
unidades prestadoras de serviços e nos meios de
I – Estado, representado pelo Órgão Gestor
comunicação local;
Estadual da política de assistência social;
III - a garantia de maior representatividade dos
II – Municípios, representados pelo Colegiado
usuários no processo de eleição dos conselheiros
Estadual de Gestores Municipais de Assistência
não governamentais, de escolha da delegação para
Social – COEGEMAS.
as conferências, e de realização das capacitações;
IV - a constituição de espaços de diálogos entre
gestores, trabalhadores e usuários, garantindo o Art. 131. O FONSEAS e o CONGEMAS são
seu empoderamento. reconhecidos como entidades sem fins lucrativos
que representam, respectivamente, os secretários
estaduais e do Distrito Federal, e os secretários
CAPÍTULO X municipais de assistência social, responsáveis pela
indicação dos seus representantes na CIT.
INSTÂNCIAS DE NEGOCIAÇÃO E PACTUAÇÃO
DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
Art. 132. Os COEGEMAS são reconhecidos como
as entidades sem fins lucrativos que representam
Art. 128. As instâncias de negociação e pactuação
os secretários municipais de assistência social no
entre gestores quanto aos aspectos operacionais
âmbito do Estado, responsáveis pela indicação das
do SUAS são:
suas representações nas CIBs.
I – Comissão Intergestores Tripartite – CIT, no
âmbito nacional;
Parágrafo único. Os COEGEMAS devem estar
II – Comissão Intergestores Bipartite – CIB, no
vinculados institucionalmente ao CONGEMAS, na
âmbito estadual;
forma que dispuser seus estatutos.

§1º Os órgãos gestores federal e estaduais devem


Art. 133. Entende-se por pactuações na gestão da
prover às respectivas comissões intergestores:
política de assistência social as negociações e
infraestrutura e recursos materiais, humanos e
acordos estabelecidos entre os entes federativos
financeiros para viabilizar o seu efetivo
envolvidos por meio de consensos para a
funcionamento, inclusive arcando com as despesas
operacionalização e o aprimoramento do SUAS.
de passagens, traslados, alimentação e
hospedagem de seus membros quando da
realização de reuniões, câmaras técnicas ou
§1º As pactuações de que trata o caput devem ser
comissões e de sua representação em eventos.
formalizadas por meio da publicação do respectivo
ato administrativo, cabendo aos gestores ampla
divulgação das mesmas, em especial na rede
§2º As comissões intergestores devem ser dotadas
articulada de informações para a gestão da
de secretaria executiva, com a atribuição de
assistência social.
exercer as funções administrativas pertinentes ao
seu funcionamento, contando com quadro técnico e
administrativo do órgão gestor correspondente.
§2º As cópias das publicações de que trata o §1º
devem ser encaminhadas às secretarias executivas
da CIT e CIB e por estas arquivadas, incondicional
Art. 129. A CIT é integrada pelos seguintes entes
e regularmente.
federativos:

142
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
§3º As pactuações da CIT e das CIBs devem ser
encaminhadas aos respectivos Conselhos de
Art. 135. Compete à CIT:
Assistência Social para conhecimento e
deliberação dos assuntos de sua competência. I - pactuar estratégias para a implantação, a
operacionalização e o aprimoramento do SUAS;
II - estabelecer acordos acerca de questões
SEÇÃO I
operacionais relativas à implantação e qualificação
COMISSÃO INTERGESTORES TRIPARTITE – dos serviços, programas, projetos e benefícios
CIT socioassistenciais que compõem o SUAS;
III - pactuar instrumentos, parâmetros e
mecanismos de implementação e regulamentação
Art. 134. A CIT é um espaço de articulação e
do SUAS;
interlocução entre os gestores federal, estaduais,
do Distrito Federal e municipais, para viabilizar a IV - pactuar critérios de partilha e procedimentos de
política de assistência social, caracterizando-se transferência de recursos para o cofinanciamento
como instância de negociação e pactuação quanto de serviços, programas, projetos e benefícios da
aos aspectos operacionais da gestão do SUAS, assistência social para os Estados, o Distrito
com a seguinte composição: Federal e os Municípios;
I - 5 (cinco) membros titulares e seus respectivos V - pactuar planos de providência e planos de apoio
suplentes, representando a União, indicados pelo aos Estados e ao Distrito Federal;
Órgão Gestor Federal da política de assistência
VI - pactuar prioridades e metas nacionais de
social;
aprimoramento do SUAS, de prevenção e
II - 5 (cinco) membros titulares e seus respectivos enfrentamento da pobreza, da desigualdade, das
suplentes, representando os Estados e o Distrito vulnerabilidades sociais e dos riscos sociais;
Federal, indicados pelo FONSEAS;
VII - pactuar estratégias e procedimentos de
III - 5 (cinco) membros titulares e seus respectivos contato permanente e assessoramento técnico às
suplentes, representando os Municípios, indicados CIBs e gestores de assistência social;
pelo CONGEMAS.
VIII - pactuar seu regimento interno e as estratégias
para sua divulgação;
§1º Os membros titulares e suplentes IX - publicar e publicizar suas pactuações;
representantes dos:
X - informar ao CNAS sobre suas pactuações;
I – Estados e Distrito Federal deverão contemplar
XI - encaminhar ao CNAS os assuntos que forem
as cinco regiões do país;
de sua competência para deliberação;
II – Municípios deverão contemplar as cinco regiões
XII - pactuar as orientações para estruturação e
do país e os portes dos municípios.
funcionamento das CIBs;
XIII – pactuar os serviços socioassistenciais de alto
§2º Quando da substituição das representações custo e as responsabilidades de financiamento e
dos entes federativos na CIT, deverá ser observada execução.
a rotatividade:
I – entre os Estados da respectiva região do país;
SEÇÃO II
II – entre os Municípios da respectiva região do país
COMISSÃO INTERGESTORES BIPARTITE - CIB
e dos portes de município.

Art. 136. A CIB constitui-se como espaço de


§3º A representação dos Estados, Distrito Federal
articulação e interlocução dos gestores municipais
e Municípios na CIT poderá ser excepcionalizada
e estaduais da política de assistência social,
quando não for possível contemplar na composição
caracterizando-se como instância de negociação e
a integralidade das regiões e dos portes de
pactuação quanto aos aspectos operacionais da
municípios.
gestão do SUAS,

§4º Os membros titulares e suplentes da CIT serão


§1º É requisito para sua constituição a
nomeados por ato normativo do Ministro de Estado
representatividade do Estado e dos municípios,
responsável pela gestão da Política de Assistência
levando em conta o porte dos municípios e sua
em âmbito nacional.
distribuição regional, com a seguinte composição:

143
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
I - 06 (seis) representantes do Estado e seus especial no âmbito do SUAS na sua esfera de
respectivos suplentes, indicados pelo gestor governo;
estadual da política de assistência social;
II - estabelecer acordos acerca de questões
II - 06 (seis) representantes dos Municípios e seus operacionais relativas à implantação e ao
respectivos suplentes, indicados pelo COEGEMAS, aprimoramento dos serviços, programas, projetos e
observando a representação regional e o porte dos benefícios que compõem o SUAS;
municípios, de acordo com o estabelecido na
III - pactuar instrumentos, parâmetros e
Política Nacional de Assistência Social – PNAS,
mecanismos de implementação e regulamentação
sendo:
complementar à legislação vigente, nos aspectos
a) 02 (dois) representantes de municípios de comuns às duas esferas de governo;
pequeno porte I;
IV - pactuar medidas para o aperfeiçoamento da
b) 01 (um) representante de municípios de pequeno organização e do funcionamento do SUAS no
porte II; âmbito regional;
c) 01 (um) representante de municípios de médio V - pactuar a estruturação e a organização da oferta
porte; de serviços de caráter regional;
d) 01 (um) representante de municípios de grande VI - pactuar critérios, estratégias e procedimentos
porte; e de repasse de recursos estaduais para o
cofinanciamento de serviços, programas, projetos e
e) 01 (um) representante da capital do Estado.
benefícios socioassistenciais aos municípios;
VII - pactuar o plano estadual de capacitação;
§2º Os representantes titulares e suplentes deverão
VIII - estabelecer acordos relacionados aos
ser de regiões diferentes, de forma a contemplar as
serviços, programas, projetos e benefícios a serem
diversas regiões do Estado, e observar a
implantados pelo Estado e pelos Municípios
rotatividade, quando da substituição das
enquanto rede de proteção social integrante do
representações dos municípios.
SUAS no Estado;
IX - pactuar planos de providência e planos de
§3º A composição da CIB poderá ser alterada de apoio aos municípios;
acordo com as especificidades estaduais, podendo
X - pactuar prioridades e metas estaduais de
ser ampliada, contemplando uma maior
aprimoramento do SUAS;
representação estadual e municipal, e modificada,
nos casos em que não seja possível contemplar a XI - pactuar estratégias e procedimentos de
proporção de porte de municípios descrita no inciso interlocução permanente com a CIT e as demais
II do §1º. CIBs para aperfeiçoamento do processo de
descentralização, implantação e implementação do
SUAS;
§4º É vedada a redução do número de
XII - observar em suas pactuações as orientações
representantes de cada ente federativo definido
emanadas pela CIT;
nos incisos I e II do §1º.
XIII - pactuar seu regimento interno e as estratégias
para sua divulgação;
§5º Os membros titulares e suplentes da CIB serão
XIV - publicar as pactuações no Diário Oficial
nomeados por ato normativo do Secretário de
estadual;
Estado responsável pela gestão da Política de
Assistência Social. XV - enviar cópia das publicações das pactuações
à Secretaria Técnica da CIT;
§6º Cada CIB definirá em regimento interno o
quórum mínimo qualificado que assegure a XVI - publicar e publicizar as suas pactuações;
paridade entre os entes federativos para a
XVII - informar ao Conselho Estadual de
realização de suas reuniões.
Assistência Social - CEAS sobre suas pactuações;
XVIII - encaminhar ao Conselho Estadual de
Art. 137. Compete à CIB: Assistência Social os assuntos de sua competência
para deliberação.
I - pactuar a organização do Sistema Estadual de
Assistência Social proposto pelo órgão gestor
estadual, definindo estratégias para implementar e
CAPÍTULO XI
operacionalizar a oferta da proteção social básica e
REGRAS DE TRANSIÇÃO

144
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
NOB SUAS/2005, aprovada pela Resolução nº 130
de 2005, passarão automaticamente a respeitar as
Art. 138. A aplicação das Subseções I e II da Seção
regras estabelecidas nesta Norma.
III do Capítulo VI desta NOB SUAS fica
condicionada à edição de ato normativo
complementar referente aos Blocos de
Art. 141. O Plano Nacional de Assistência Social
Financiamento.
referente ao período que compreende a publicação
desta Norma até o ano 2015 consistirá na revisão
do Plano Decenal, em consonância com o PPA e
Parágrafo único. Os repasses de recursos
as prioridades e metas nacionais do Pacto de
continuarão a ser efetuados com base na
Aprimoramento do SUAS.
sistemática implementada pela NOB SUAS de
2005 e portarias posteriores até a regulamentação
dos blocos de financiamento.
Anotações:

Art. 139. A aplicação do Capítulo IV se dará a partir


da implantação efetiva do sistema de informação
que permita o planejamento dos entes federativos
para o alcance das prioridades e metas do Pacto
Aprimoramento do SUAS e o respectivo
acompanhamento.

§1º No período de implantação efetiva do sistema


de que trata o caput, aplicar-se-á:
I – aos municípios: o capítulo II da NOB
SUAS/2005, aprovada pela Resolução nº 130 de
2005 do CNAS, que trata dos Tipos e Níveis de
Gestão do Sistema Único de Assistência Social –
SUAS, que instituiu o modelo de habilitação ao
SUAS e os níveis de gestão inicial, básica e plena;
II - aos Estados e ao Distrito Federal: o Pacto de
Aprimoramento da Gestão dos Estados e do Distrito
Federal, de que trata a resolução n.º 17 de 2010 da
CIT, com as prioridades instituídas para o
quadriênio 2011 – 2014;

§2º O Pacto a que se refere o inciso II do §1º será


revisto em 2013, conforme pactuação na CIT de
prioridades e metas nacionais para os Estados e o
Distrito Federal, permanecendo em vigor até o
exercício de 2015.

§3º Quando da disponibilização do sistema de


informação de que trata o caput, os Estados e o
Distrito Federal deverão inserir o planejamento
para alcance das prioridades e metas de que trata
o inciso II do §1º. §4º No interstício entre a
publicação desta Norma e a primeira pactuação dos
municípios na forma do inciso II do §5º do art. 18,
poderão ser pactuadas as prioridades e metas
específicas.

Art. 140. Os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios que aderiram ao SUAS na forma da

145
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
TIPIFICAÇÃO NACIONAL DE SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS

a) Serviço de Proteção e Atendimento Integral à


Família (PAIF);
RESOLUÇÃO Nº 109, DE 11 DE NOVEMBRO DE
2009 b) Serviço de Convivência e Fortalecimento de
Vínculos;
c) Serviço de Proteção Social Básica no domicílio
Aprova a Tipificação Nacional de Serviços para pessoas com deficiência e idosas.
Socioassistenciais.
O Conselho Nacional de Assistência Social
(CNAS), em reunião ordinária realizada nos dias 11 II - Serviços de Proteção Social Especial de
e 12 de novembro de 2009, no uso da competência Média Complexidade:
que lhe conferem os incisos II, V, IX e XIV do artigo a) Serviço de Proteção e Atendimento
18 da Lei n.º 8.742, de 7 de dezembro de 1993 – Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI);
Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS);
b) Serviço Especializado em Abordagem Social;
Considerando a Resolução CNAS n.º 145, de 15 de
outubro de 2004, que aprova a Política Nacional de c) Serviço de Proteção Social a Adolescentes em
Assistência Social (PNAS); Cumprimento de Medida Socioeducativa de
Liberdade Assistida (LA), e de Prestação de
Considerando a Resolução CNAS n.º 130, de 15 de Serviços à Comunidade (PSC);
julho de 2005, que aprova a Norma Operacional
Básica do Sistema Único de Assistência Social d) Serviço de Proteção Social Especial para
(NOB/SUAS); Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias;
Considerando a Resolução CNAS n.º 269, de 13 de e) Serviço Especializado para Pessoas em
dezembro de 2006, que aprova a Norma Situação de Rua.
Operacional Básica de Recursos Humanos do
Sistema Único de Assistência Social
(NOBRH/SUAS); III - Serviços de Proteção Social Especial de Alta
Complexidade:
Considerando a deliberação da VI Conferência
Nacional de Assistência Social de “Tipificar e a) Serviço de Acolhimento Institucional, nas
consolidar a classificação nacional dos serviços seguintes modalidades:
socioassistenciais”; - abrigo institucional;
Considerando a meta prevista no Plano Decenal de - Casa-Lar;
Assistência Social, de estabelecer bases de
padronização nacional dos serviços e - Casa de Passagem;
equipamentos físicos do SUAS;
- Residência Inclusiva.
Considerando o processo de Consulta Pública
b) Serviço de Acolhimento em República;
realizado no período de julho a setembro de 2009,
coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento c) Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora;
Social e Combate à Fome (MDS);
d) Serviço de Proteção em Situações de
Considerando o processo de discussão e Calamidades Públicas e de Emergências.
pactuação na Comissão Intergestores Tripartite
Art. 2º. Esta Resolução entra em vigor na data de
(CIT) e discussão no âmbito do CNAS da
sua publicação.
Tipificação Nacional de Serviços
Socioassistenciais; MÁRCIA MARIA BIONDI PINHEIRO Presidente do
Conselho
RESOLVE:
Art. 1º. Aprovar a Tipificação Nacional de Serviços
Socioassistenciais, conforme anexos, organizados RESOLUÇÃO CNAS Nº 13, DE 13 DE MAIO DE
por níveis de complexidade do SUAS: Proteção 2014
Social Básica e Proteção Social Especial de Média
e Alta Complexidade, de acordo com a disposição
abaixo: Inclui na Tipificação Nacional de Serviços
Socioassistenciais, aprovada por meio da
Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, do
I - Serviços de Proteção Social Básica: Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS,

146
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
a faixa etária de 18 a 59 anos no Serviço de
Convivência e Fortalecimento de Vínculos.

Anotações:
O CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL - CNAS, em reunião ordinária realizada no
dia 6 de maio de 2014, no uso da competência
conferida pelo art. 18 da Lei nº 8.742, de 7 de
dezembro de 1993 – Lei Orgânica da Assistência
Social – LOAS,
Considerando a Resolução CNAS nº 33, que defi
ne a Promoção da Integração ao Mercado de
Trabalho no campo da assistência social e
estabelece seus requisitos;
Considerando a Resolução CNAS nº 34, que defi
ne a Habilitação e Reabilitação da pessoa com defi
ciência e a promoção de sua integração à vida
comunitária no campo da assistência social e
estabelece seus requisitos; e
Considerando a Resolução CNAS nº 35, que
recomenda a elaboração das adequações relati vas
à regulamentação das alíneas c e d do inciso I, do
arti go 2º da LOAS,

RESOLVE:
Art. 1º Incluir na Tipificação Nacional de Serviços
Socioassistenciais, aprovada por meio da
Resolução nº 109, de 11 de novembro de 2009, do
Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS,
a faixa etária de 18 a 59 anos no Serviço de
Convivência e Fortalecimento de Vínculos, na
forma do anexo.
Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de
sua publicação.
LUZIELE MARIA DE SOUZA TAPAJÓS
Presidenta do Conselho Nacional de Assistência
Social

147
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
1. MATRIZ PADRONIZADA PARA FICHAS DE SERVIÇOS
SOCIOASSISTENCIAIS

NOME DO SERVIÇO Termos utilizados para denominar o serviço de modo a evidenciar sua principal função e os
seus usuários.

DESCRIÇÃO Conteúdo da oferta substantiva do serviço.

USUÁRIOS Relação e detalhamento dos destinatários a quem se destinam as atenções. As situações


identificadas em cada serviço constam de uma lista de vulnerabilidades e riscos contida nesse
documento.

OBJETIVOS Propósitos do serviço e os resultados que dele se esperam.

PROVISÕES As ofertas do trabalho institucional, organizadas em quatro dimensões: ambiente físico,


recursos materiais, recursos humanos e trabalho social essencial ao serviço. Organizados
conforme cada serviço as provisões garantem determinadas aquisições aos cidadãos.

AQUISIÇÕES DOS Trata dos compromissos a serem cumpridos pelos gestores em todos os níveis, para que os
USUÁRIOS serviços prestados no âmbito do SUAS produzam seguranças sociais aos seus usuários,
conforme suas necessidades e a situação de vulnerabilidade e risco em que se encontram.
Podem resultar em medidas da resolutividade e efetividade dos serviços, a serem aferidas
pelos níveis de participação e satisfação dos usuários e pelas mudanças efetivas e duradouras
em sua condição de vida, na perspectiva do fortalecimento de sua autonomia e cidadania. As
aquisições específicas de cada serviço estão organizadas segundo as seguranças sociais que
devem garantir.

CONDIÇÕES E Procedência dos usuários e formas de encaminhamento.


FORMAS DE ACESSO

UNIDADE Equipamento recomendado para a realização do serviço socioassistencial.

PERÍODO DE Horários e dias da semana abertos ao funcionamento para o público.


FUNCIONAMENTO

ABRANGÊNCIA Referência territorializada da procedência dos usuários e do alcance do serviço.

ARTICULAÇÃO EM Sinaliza a completude da atenção hierarquizada em serviços de vigilância social, defesa de


REDE direitos e proteção básica e especial de assistência social e dos serviços de outras políticas
públicas e de organizações privadas. Indica a conexão de cada serviço com outros serviços,
programas, projetos e organizações dos Poderes Executivo e Judiciário e organizações não
governamentais.

IMPACTO SOCIAL Trata dos resultados e dos impactos esperados de cada serviço e do conjunto dos serviços
ESPERADO conectados em rede socioassistencial. Projeta expectativas que vão além das aquisições dos
sujeitos que utilizam os serviços e avançam na direção de mudanças positivas em relação a
indicadores de vulnerabilidades e de riscos sociais.

REGULAMENTAÇÕES Remissão a leis, decretos, normas técnicas e planos nacionais que regulam benefícios e
serviços socioassistenciais e atenções a segmentos específicos que demandam a proteção
social de assistência social.

148
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

2. QUADRO SÍNTESE

1. Serviço de Proteção e Atendimento Integral à


Família (PAIF);
PROTEÇÃO SOCIAL
2. Serviço de Convivência e Fortalecimento de
BÁSICA
Vínculos;
3. Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio
para Pessoas com Deficiência e Idosas.

1. Serviço de Proteção e Atendimento


Especializado a Famílias Indivíduos (PAEFI);
2. Serviço Especializado em Abordagem Social;
3. Serviço de proteção social a adolescentes em
cumprimento de medida socioeducativa de
Média Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de
Complexidade Serviços à Comunidade (PSC);
4. Serviço de Proteção Social Especial para
Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias;
5. Serviço Especializado para Pessoas em
Situação de Rua.
PROTEÇÃO
6. Serviço de Acolhimento Institucional;
SOCIAL ESPECIAL
7. Serviço de Acolhimento em República;
Alta 8. Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora;
Complexidade
9. Serviço de proteção em situações de
calamidades públicas e de emergências.

149
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇOS DA PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA

SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO INTEGRAL À FAMÍLIA - PAIF.


equipes volantes ou mediante a implantação
de unidades de CRAS itinerantes.
DESCRIÇÃO: O Serviço de Proteção e
Atendimento Integral à Família - PAIF Todos os serviços da proteção social básica,
consiste no trabalho social com famílias, de desenvolvidos no território de abrangência
caráter continuado, com a finalidade de do CRAS, em especial os Serviços de
fortalecer a função protetiva das famílias, Convivência e Fortalecimento de Vínculos,
prevenir a ruptura dos seus vínculos, bem como o Serviço de Proteção Social
promover seu acesso e usufruto de direitos Básica no Domicílio para Pessoas com
e contribuir na melhoria de sua qualidade de Deficiência e Idosas, devem ser a ele
vida. referenciados e manter articulação com o
PAIF. É a partir do trabalho com famílias no
Prevê o desenvolvimento de
serviço PAIF que se organizam os serviços
potencialidades e aquisições das famílias e
referenciados ao CRAS. O referenciamento
o fortalecimento de vínculos familiares e
dos serviços socioassistenciais da proteção
comunitários, por meio de ações de caráter
social básica ao CRAS possibilita a
preventivo, protetivo e proativo.
organização e hierarquização da rede
O trabalho social do PAIF deve utilizar-se socioassistencial no território, cumprindo a
também de ações nas áreas culturais para o diretriz de descentralização da política de
cumprimento de seus objetivos, de modo a assistência social.
ampliar universo informacional e
A articulação dos serviços
proporcionar novas vivências às famílias
socioassistenciais do território com o PAIF
usuárias do serviço. As ações do PAIF não
garante o desenvolvimento do trabalho
devem possuir caráter terapêutico.
social com as famílias dos usuários desses
É serviço baseado no respeito à serviços, permitindo identificar suas
heterogeneidade dos arranjos familiares, necessidades e potencialidades dentro da
aos valores, crenças e identidades das perspectiva familiar, rompendo com o
famílias. Fundamenta-se no fortalecimento atendimento segmentado e
da cultura do diálogo, no combate a todas as descontextualizado das situações de
formas de violência, de preconceito, de vulnerabilidade social vivenciadas.
discriminação e de estigmatização nas
O trabalho social com famílias, assim,
relações familiares.
apreende as origens, significados atribuídos
Realiza ações com famílias que possuem e as possibilidades de enfrentamento das
pessoas que precisam de cuidado, com foco situações de vulnerabilidade vivenciadas
na troca de informações sobre questões por toda a família, contribuindo para sua
relativas à primeira infância, a adolescência, proteção de forma integral, materializando a
à juventude, o envelhecimento e matricialidade sociofamiliar no âmbito do
deficiências a fim de promover espaços para SUAS.
troca de experiências, expressão de
USUÁRIOS: Famílias em situação de
dificuldades e reconhecimento de
vulnerabilidade social decorrente da
possibilidades. Tem por princípios
pobreza, do precário ou nulo acesso aos
norteadores a universalidade e gratuidade
serviços públicos, da fragilização de
de atendimento, cabendo exclusivamente à
vínculos de pertencimento e sociabilidade
esfera estatal sua implementação. Serviço
e/ou qualquer outra situação de
ofertado necessariamente no Centro de
vulnerabilidade e risco social residentes nos
Referência de Assistência Social (CRAS).
territórios de abrangência dos CRAS, em
O atendimento às famílias residentes em especial:
territórios de baixa densidade demográfica,
- Famílias beneficiárias de programas de
com espalhamento ou dispersão
transferência de renda e benefícios
populacional (áreas rurais, comunidades
assistenciais;
indígenas, quilombolas, calhas de rios,
assentamentos, dentre outros) pode ser - Famílias que atendem os critérios de
realizado por meio do estabelecimento de elegibilidade a tais programas ou benefícios,
mas que ainda não foram contempladas;

150
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Famílias em situação de vulnerabilidade serviços socioassistenciais; Banco de
em decorrência de dificuldades vivenciadas Dados dos serviços socioassistenciais;
por algum de seus membros; Cadastro Único dos Programas Sociais;
Cadastro de Beneficiários do BPC.
- Pessoas com deficiência e/ou pessoas
idosas que vivenciam situações de RECURSOS HUMANOS: De acordo com a
vulnerabilidade e risco social. NOB-RH/SUAS.
OBJETIVOS:
- Fortalecer a função protetiva da família, TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO
contribuindo na melhoria da sua qualidade SERVIÇO: Acolhida; estudo social; visita
de vida; domiciliar; orientação e encaminhamentos;
grupos de famílias; acompanhamento
- Prevenir a ruptura dos vínculos familiares
familiar; atividades
e comunitários, possibilitando a superação
comunitárias;campanhas socioeducativas;
de situações de fragilidade social
informação, comunicação e defesa de
vivenciadas;
direitos; promoção ao acesso à
- Promover aquisições sociais e materiais às documentação pessoal; mobilização e
famílias, potencializando o protagonismo e a fortalecimento de redes sociais de apoio;
autonomia das famílias e comunidades; desenvolvimento do convívio familiar e
comunitário; mobilização para a cidadania;
- Promover acessos a benefícios,
conhecimento do território; cadastramento
programas de transferência de renda e socioeconômico; elaboração de relatórios
serviços socioassistenciais, contribuindo e/ou prontuários; notificação da ocorrência
para a inserção das famílias na rede de
de situações de vulnerabilidade e risco
proteção social de assistência social;
social; busca ativa.
- Promover acesso aos demais serviços
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS:
setoriais, contribuindo para o usufruto de
direitos; SEGURANÇA DE ACOLHIDA:
- Apoiar famílias que possuem, dentre seus - Ter acolhida suas demandas, interesses,
membros, indivíduos que necessitam de necessidades e possibilidades;
cuidados, por meio da promoção de
- Receber orientações e encaminhamentos,
espaços coletivos de escuta e troca de
com o objetivo de aumentar o acesso a
vivências familiares.
benefícios socioassistenciais e programas
PROVISÕES: de transferência de renda, bem como aos
demais direitos sociais, civis e políticos;
AMBIENTE FÍSICO: Espaços destinados
para recepção, sala(s) de atendimento - Ter acesso a ambiência acolhedora; - Ter
individualizado, sala(s) de atividades assegurada sua privacidade.
coletivas e comunitárias, sala para
SEGURANÇA DE CONVÍVIO FAMILIAR E
atividades administrativas, instalações
COMUNITÁRIO:
sanitárias, com adequada iluminação,
ventilação, conservação, privacidade, - Vivenciar experiências que contribuam
salubridade, limpeza e acessibilidade em para o estabelecimento e fortalecimento de
todos seus ambientes, de acordo com as vínculos familiares e comunitários;
normas da ABNT. O ambiente deve possuir
- Vivenciar experiências de ampliação da
outras características de acordo com a
capacidade protetiva e de superação de
regulação específica do serviço e do Centro
fragilidades sociais;
de Referência de Assistência Social
(CRAS). - Ter acesso a serviços de qualidade,
conforme demandas e necessidades.
RECURSOS MATERIAIS: Materiais
permanentes e materiais de consumo SEGURANÇA DE DESENVOLVIMENTO
necessários ao desenvolvimento do serviço, DA AUTONOMIA:
tais como: mobiliário, computadores, entre
- Vivenciar experiências pautadas pelo
outros.
respeito a si próprio e aos outros,
MATERIAIS SOCIOEDUCATIVOS: Artigos fundamentadas em princípios ético-políticos
pedagógicos, culturais e esportivos; Banco de defesa da cidadania e justiça social;
de Dados de usuários de benefícios e

151
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Vivenciar experiências potencializadoras diurno podendo eventualmente executar
da participação cidadã, tais como espaços atividades complementares a noite, com
de livre expressão de opiniões, de possibilidade de funcionar em feriados e
reivindicação e avaliação das ações finais de semana.
ofertadas, bem como de espaços de
ABRANGÊNCIA: Municipal; e em
estímulo para a participação em fóruns,
metrópoles e municípios de médio e grande
conselhos, movimentos sociais,
porte a abrangência corresponderá ao
organizações comunitárias e outros
território de abrangência do CRAS, de
espaços de organização social;
acordo com a incidência da demanda.
- Vivenciar experiências que contribuam
ARTICULAÇÃO EM REDE:
para a construção de projetos individuais e
coletivos, desenvolvimento da autoestima, - Serviços socioassistenciais de proteção
autonomia e sustentabilidade; social básica e proteção social especial;
- Vivenciar experiências que possibilitem o - Serviços públicos locais de educação,
desenvolvimento de potencialidades e saúde, trabalho, cultura, esporte, segurança
ampliação do universo informacional e pública e outros conforme necessidades;
cultural;
- Conselhos de políticas públicas e de
- Ter reduzido o descumprimento de defesa de direitos de segmentos
condicionalidades do Programa Bolsa específicos;
Família (PBF);
- Instituições de ensino e pesquisa;
- Ter acesso a documentação civil;
- Serviços de enfrentamento à pobreza;
- Ter acesso a experiências de
- Programas e projetos de preparação para
fortalecimento e extensão da cidadania;
o trabalho e de inclusão produtiva; e
- Ter acesso a informações e
- Redes sociais locais: associações de
encaminhamentos a políticas de emprego e
moradores, ONG’s, entre outros.
renda e a programas de associativismo e
cooperativismo. IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO: CONTRIBUIR PARA:
CONDIÇÕES: Famílias territorialmente - Redução da ocorrência de situações de
referenciadas aos CRAS, em especial: vulnerabilidade social no território de
famílias em processo de reconstrução de abrangência do CRAS;
autonomia; famílias em processo de
reconstrução de vínculos; famílias com - Prevenção da ocorrência de riscos sociais,
crianças, adolescentes, jovens e idosos seu agravamento ou reincidência no
inseridos em serviços socioassistenciais, território de abrangência do CRAS;
territorialmente referenciadas ao CRAS; - Aumento de acessos a serviços
famílias com beneficiários do Benefício de socioassistenciais e setoriais;
Prestação Continuada; famílias inseridas
em programas de transferência de renda. - Melhoria da qualidade de vida das famílias
residentes no território de abrangência do
FORMAS DE ACESSO: CRAS.
- Por procura espontânea;
- Por busca ativa;
- Por encaminhamento da rede Anotações:
socioassistencial;
- Por encaminhamento das demais políticas
públicas.
UNIDADE: Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS).
PERÍODO DE FUNCIONAMENTO: Período
mínimo de 5 dias por semana, 8 horas
diárias, sendo que a unidade deverá
necessariamente funcionar no período

152
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL

SERVIÇO DE CONVIVÊNCIA E FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS.

DESCRIÇÃO GERAL: Serviço realizado em uma forma privilegiada de expressão,


grupos, organizado a partir de percursos, de interação e proteção social.
modo a garantir aquisições progressivas
Desenvolve atividades com crianças,
aos seus usuários, de acordo com o seu
inclusive com crianças com deficiência,
ciclo de vida, a fim de complementar o
seus grupos familiares, gestantes e nutrizes.
trabalho social com famílias e prevenir a
ocorrência de situações de risco social. Com as crianças, busca desenvolver
Forma de intervenção social planejada que atividades de convivência, estabelecimento
cria situações desafiadoras, estimula e e fortalecimento de vínculos e socialização
orienta os usuários na construção e centradas na brincadeira, com foco na
reconstrução de suas histórias e vivências garantia das seguranças de acolhida e
individuais e coletivas, na família e no convívio familiar e comunitário, por meio de
território. experiências lúdicas, acesso a brinquedos
favorecedores do desenvolvimento e da
Organiza-se de modo a ampliar trocas
sociabilidade e momentos de brincadeiras
culturais e de vivências, desenvolver o
fortalecedoras do convívio com familiares.
sentimento de pertença e de identidade,
fortalecer vínculos familiares e incentivar a Com as famílias, o serviço busca
socialização e a convivência comunitária. estabelecer discussões reflexivas,
atividades direcionadas ao fortalecimento
Possui caráter preventivo e proativo,
de vínculos e orientação sobre o cuidado
pautado na defesa e afirmação dos direitos
com a criança pequena.
e no desenvolvimento de capacidades e
potencialidades, com vistas ao alcance de Com famílias de crianças com deficiência
alternativas emancipatórias para o inclui ações que envolvem grupos e
enfrentamento da vulnerabilidade social. organizações comunitárias para troca de
informações acerca de direitos da pessoa
Deve prever o desenvolvimento de ações
com deficiência, potenciais das crianças,
intergeracionais e a heterogeneidade na
importância e possibilidades de ações
composição dos grupos por sexo, presença
inclusivas.
de pessoas com deficiência, etnia, raça,
entre outros. Deve possibilitar meios para que as famílias
expressem dificuldades, soluções
Possui articulação com o Serviço de
encontradas e demandas, de modo a
Proteção e Atendimento Integral à Família
construir conjuntamente soluções e
(PAIF), de modo a promover o atendimento
alternativas para as necessidades e os
das famílias dos usuários destes serviços,
problemas enfrentados.
garantindo a matricialidade sociofamiliar da
política de assistência social. DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DO SERVIÇO
PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE
DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DO SERVIÇO
6 A 15 ANOS: Tem por foco a constituição
PARA CRIANÇAS ATÉ 6 ANOS: Tem por
de espaço de convivência, formação para a
foco o desenvolvimento de atividades com
participação e cidadania, desenvolvimento
crianças, familiares e comunidade, para
do protagonismo e da autonomia das
fortalecer vínculos e prevenir ocorrência de
crianças e adolescentes, a partir dos
situações de exclusão social e de risco, em
interesses, demandas e potencialidades
especial a violência doméstica e o trabalho
dessa faixa etária.
infantil, sendo um serviço complementar e
diretamente articulado ao PAIF. As intervenções devem ser pautadas em
experiências lúdicas, culturais e esportivas
Pauta-se no reconhecimento da condição
como formas de expressão, interação,
peculiar de dependência, de
aprendizagem, sociabilidade e proteção
desenvolvimento desse ciclo de vida e pelo
social. Inclui crianças e adolescentes com
cumprimento dos direitos das crianças,
deficiência, retirados do trabalho infantil ou
numa concepção que faz do brincar, da
submetidos a outras violações, cujas
experiência lúdica e da vivência artística
atividades contribuem para re-significar
vivências de isolamento e de violação de

153
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
direitos, bem como propiciar experiências necessidades, motivações, habilidades e
favorecedoras do desenvolvimento de talentos.
sociabilidades e na prevenção de situações
As atividades devem possibilitar o
de risco social.
reconhecimento do trabalho e da formação
DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DO SERVIÇO profissional como direito de cidadania e
PARA ADOLESCENTES E JOVENS DE 15 desenvolver conhecimentos sobre o mundo
A 17 ANOS: Tem por foco o fortalecimento do trabalho e competências específicas
da convivência familiar e comunitária e básicas e contribuir para a inserção,
contribui para o retorno ou permanência dos reinserção e permanência dos jovens no
adolescentes e jovens na escola, por meio sistema educacional e no mundo do
do desenvolvimento de atividades que trabalho, assim como no sistema de saúde
estimulem a convivência social, a básica e complementar, quando for o caso,
participação cidadã e uma formação geral além de propiciar vivências que valorizam as
para o mundo do trabalho. experiências que estimulem e potencializem
a condição de escolher e decidir,
As atividades devem abordar as questões
contribuindo para o desenvolvimento da
relevantes sobre a juventude, contribuindo
autonomia e protagonismo social dos
para a construção de novos conhecimentos
jovens, estimulando a participação na vida
e formação de atitudes e valores que
pública no território, ampliando seu espaço
reflitam no desenvolvimento integral do
de atuação para além do território além de
jovem.
desenvolver competências para a
As atividades também devem desenvolver compreensão crítica da realidade social e do
habilidades gerais, tais como a capacidade mundo contemporâneo.
comunicativa e a inclusão digital de modo a
DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DO SERVIÇO
orientar o jovem para a escolha profissional,
PARA ADULTOS DE 30 A 59 ANOS: Tem
bem como realizar ações com foco na
por foco o fortalecimento de vínculos
convivência social por meio da arte-cultura e
familiares e comunitários, desenvolvendo
esporte-lazer.
ações complementares assegurando
As intervenções devem valorizar a espaços de referência para o convívio
pluralidade e a singularidade da condição grupal, comunitário e social e o
juvenil e suas formas particulares de desenvolvimento de relações de afetividade,
sociabilidade; sensibilizar para os desafios solidariedade e encontros intergeracionais
da realidade social, cultural, ambiental e de modo a desenvolver a sua convivência
política de seu meio social; criar familiar e comunitária.
oportunidades de acesso a direitos;
Contribuir para a ampliação do universo
estimular práticas associativas e as
informacional, artístico e cultural, bem como
diferentes formas de expressão dos
estimular o desenvolvimento de
interesses, posicionamentos e visões de
potencialidades para novos projetos de vida,
mundo de jovens no espaço público.
propiciar sua formação cidadã e detectar
DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DO SERVIÇO necessidades e motivações, habilidades e
PARA JOVENS DE 18 A 29 ANOS: Tem talentos, propiciando vivências para o
por foco o fortalecimento de vínculos alcance de autonomia e protagonismo
familiares e comunitários, na proteção social, estimulando a participação na vida
social, assegurando espaços de referência pública no território, além de desenvolver
para o convívio grupal, comunitário e social competências para a compreensão crítica
e o desenvolvimento de relações de da realidade social e do mundo
afetividade, solidariedade e respeito mútuo, contemporâneo.
de modo a desenvolver a sua convivência
As atividades devem possibilitar o
familiar e comunitária.
reconhecimento do trabalho e da formação
Contribuir para a ampliação do universo profissional como direito de cidadania e
informacional, artístico e cultural dos jovens, desenvolver conhecimentos sobre o mundo
bem como estimular o desenvolvimento de do trabalho e competências específicas
potencialidades para novos projetos de vida, básicas e contribuir para a inserção,
propiciar sua formação cidadã e vivências reinserção e permanência dos adultos no
para o alcance de autonomia e sistema educacional, no mundo do trabalho
protagonismo social, detectar e no sistema de saúde básica e
complementar, quando for o caso, além de

154
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
propiciar vivências que valorizam as reconduzidas ao convívio familiar após
experiências que estimulem e potencializem medida protetiva de acolhimento; e outros;
a condição de escolher e decidir,
- Crianças e adolescentes com deficiência,
contribuindo para o desenvolvimento da
com prioridade para as beneficiárias do
autonomia e protagonismo social,
BPC;
ampliando seu espaço de atuação para
além do território. - Crianças e adolescentes cujas famílias são
beneficiárias de programas de transferência
DESCRIÇÃO ESPECÍFICA DO SERVIÇO
de renda;
PARA IDOSOS: Tem por foco o
desenvolvimento de atividades que - Crianças e adolescentes de famílias com
contribuam no processo de envelhecimento precário acesso a renda e a serviços
saudável, no desenvolvimento da públicos e com dificuldades para manter.
autonomia e de sociabilidades, no
ADOLESCENTES E JOVENS DE 15 A 17
fortalecimento dos vínculos familiares e do
convívio comunitário e na prevenção de ANOS, EM ESPECIAL:
situações de risco social. A intervenção - Adolescentes e Jovens pertencentes às
social deve estar pautada nas famílias beneficiárias de programas de
características, interesses e demandas transferência de renda;
dessa faixa etária e considerar que a
vivência em grupo, as experimentações - Adolescentes e Jovens egressos de
artísticas, culturais, esportivas e de lazer e a medida socioeducativa de internação ou em
valorização das experiências vividas cumprimento de outras medidas
constituem formas privilegiadas de socioeducativas em meio aberto, conforme
expressão, interação e proteção social. disposto na Lei nº 8.069, de 13 de julho de
Devem incluir vivências que valorizam suas 1990
experiências e que estimulem e potencialize - Estatuto da Criança e do Adolescente;
a condição de escolher e decidir.
- Adolescentes e Jovens em cumprimento
USUÁRIOS: ou egressos de medida de proteção,
CRIANÇAS DE ATÉ 6 ANOS, EM conforme disposto na Lei nº 8.069, de 13 de
ESPECIAL: julho de 1990

- Crianças com deficiência, com prioridade - Estatuto da Criança e do Adolescentes


para as beneficiárias do BPC; (ECA);

- Crianças cujas famílias são beneficiárias - Adolescentes e Jovens do Programa de


de programas de transferência de renda; Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) ou
Adolescentes e Jovens egressos ou
- Crianças encaminhadas pelos serviços da vinculados a programas de combate à
proteção social especial: Programa de violência e ao abuso e à exploração sexual;
Erradicação do Trabalho Infantil (PETI);
Serviço de Proteção e Atendimento - Adolescentes e Jovens de famílias com
Especializado a Famílias e Indivíduos; perfil de renda de programas de
reconduzidas ao convívio familiar após transferência de renda;
medida protetiva de acolhimento; e outros; - Jovens com deficiência, em especial
- Crianças residentes em territórios com beneficiários do BPC; - Jovens fora da
ausência ou precariedade na oferta de escola.
serviços e oportunidades de convívio JOVENS DE 18 A 29 ANOS:
familiar e comunitário;
- Jovens pertencentes a famílias
- Crianças que vivenciam situações de beneficiárias de programas de
fragilização de vínculos. transferências de Renda;
CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE 6 A 15 - Jovens em situação de isolamento social;
ANOS, EM ESPECIAL:
- Jovens com vivência de violência e, ou
- Crianças encaminhadas pelos serviços da negligência;
proteção social especial: Programa de
Erradicação do Trabalho Infantil (PETI); - Jovens fora da escola ou com defasagem
Serviço de Proteção e Atendimento escolar superior a 2 (dois) anos;
Especializado a Famílias e Indivíduos; - Jovens em situação de acolhimento;

155
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Jovens egressos de cumprimento de com deficiência, assegurando o direito à
medida socioeducativa em meio aberto; convivência familiar e comunitária;
- Jovens egressos ou vinculados a - Promover acessos a benefícios e serviços
programas de combate à violência, abuso e, socioassistenciais, fortalecendo a rede de
ou exploração sexual; proteção social de assistência social nos
territórios;
- Jovens egressos de medidas de proteção
do Estatuto da Criança e do Adolescente - - Promover acessos a serviços setoriais, em
ECA; especial das políticas de educação, saúde,
cultura, esporte e lazer existentes no
- Jovens em situação de rua;
território, contribuindo para o usufruto dos
- Jovens em situação de vulnerabilidade em usuários aos demais direitos;
consequência de deficiências.
- Oportunizar o acesso às informações
ADULTOS DE 30 A 59 ANOS: sobre direitos e sobre participação cidadã,
estimulando o desenvolvimento do
- Adultos pertencentes a famílias
protagonismo dos usuários;
beneficiárias de programas de
transferências de Renda; - Possibilitar acessos a experiências e
manifestações artísticas, culturais,
- Adultos em situação de isolamento social;
esportivas e de lazer, com vistas ao
- Adultos com vivência de violência e, ou desenvolvimento de novas sociabilidades;
negligência;
- Favorecer o desenvolvimento de
- Adultos com defasagem escolar; atividades intergeracionais, propiciando
trocas de experiências e vivências,
- Adultos em situação de acolhimento; fortalecendo o respeito, a solidariedade e os
- Adultos vítimas e, ou vinculados a vínculos familiares e comunitários.
programas de combate à violência e OBJETIVOS ESPECÍFICOS PARA
exploração sexual; CRIANÇAS DE ATÉ 6 ANOS:
- Adultos em situação de rua; - Complementar as ações de proteção e
- Adultos em situação de vulnerabilidade em desenvolvimento das crianças e o
consequência de deficiências. fortalecimento dos vínculos familiares e
sociais;
IDOSOS(AS) COM IDADE IGUAL OU
SUPERIOR A 60 ANOS, EM SITUAÇÃO - Assegurar espaços de convívio familiar e
DE VULNERABILIDADE SOCIAL, EM comunitário e o desenvolvimento de
ESPECIAL: relações de afetividade e sociabilidade;
- Idosos beneficiários do Benefício de - Fortalecer a interação entre crianças do
Prestação Continuada; mesmo ciclo etário;
- Idosos de famílias beneficiárias de - Valorizar a cultura de famílias e
programas de transferência de renda; comunidades locais, pelo resgate de seus
brinquedos e brincadeiras e a promoção de
- Idosos com vivências de isolamento social vivências lúdicas;
por ausência de acesso a serviços e
oportunidades de convívio familiar e - Desenvolver estratégias para estimular e
comunitário e cujas necessidades, potencializar recursos de crianças com
interesses e disponibilidade indiquem a deficiência e o papel das famílias e
inclusão no serviço. comunidade no processo de proteção
social;
OBJETIVOS GERAIS:
- Criar espaços de reflexão sobre o papel
- Complementar o trabalho social com das famílias na proteção das crianças e no
família, prevenindo a ocorrência de processo de desenvolvimento infantil.
situações de risco social e fortalecendo a
convivência familiar e comunitária; OBJETIVOS ESPECÍFICOS PARA
CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE 6 A 15
- Prevenir a institucionalização e a ANOS:
segregação de crianças, adolescentes,
jovens e idosos, em especial, das pessoas - Complementar as ações da família e
comunidade na proteção e desenvolvimento

156
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
de crianças e adolescentes e no - Complementar as ações da família e
fortalecimento dos vínculos familiares e comunidade na proteção e desenvolvimento
sociais; dos jovens e no fortalecimento dos vínculos
familiares e sociais;
- Assegurar espaços de referência para o
convívio grupal, comunitário e social e o - Assegurar espaços de referência para o
desenvolvimento de relações de afetividade, convívio grupal, comunitário e social e o
solidariedade e respeito mútuo; desenvolvimento de relações de afetividade,
solidariedade e respeito mútuo, de modo a
- Possibilitar a ampliação do universo
desenvolver a sua convivência familiar e
informacional, artístico e cultural das
comunitária;
crianças e adolescentes, bem como
estimular o desenvolvimento de - Possibilitar a ampliação do universo
potencialidades, habilidades, talentos e informacional, artístico e cultural dos jovens,
propiciar sua formação cidadã; bem como estimular o desenvolvimento de
potencialidades para novos projetos de vida,
- Estimular a participação na vida pública do
propiciar sua formação cidadã e vivências
território e desenvolver competências para a
para o alcance de autonomia e
compreensão crítica da realidade social e do
protagonismo social, detectar
mundo contemporâneo;
necessidades, motivações, habilidades e
- Contribuir para a inserção, reinserção e talentos;
permanência do jovem no sistema
- Possibilitar o reconhecimento do trabalho
educacional.
e da formação profissional como direito de
OBJETIVOS ESPECÍFICOS PARA cidadania e desenvolver conhecimentos
ADOLESCENTES E JOVENS DE 15 A 17 sobre o mundo do trabalho e competências
ANOS: específicas básicas;
- Complementar as ações da família, e - Contribuir para a inserção, reinserção e
comunidade na proteção e desenvolvimento permanência dos jovens no sistema
de crianças e adolescentes e no educacional e no mundo do trabalho, assim
fortalecimento dos vínculos familiares e como no sistema de saúde básica e
sociais; complementar, quando for o caso;
- Assegurar espaços de referência para o - Propiciar vivências que valorizam as
convívio grupal, comunitário e social e o experiências que estimulem e potencializem
desenvolvimento de relações de afetividade, a condição de escolher e decidir,
solidariedade e respeito mútuo; contribuindo para o desenvolvimento da
autonomia e protagonismo social dos
- Possibilitar a ampliação do universo
jovens, estimulando a participação na vida
informacional, artístico e cultural dos jovens,
pública no território, ampliando seu espaço
bem como estimular o desenvolvimento de
de atuação para além do território além de
potencialidades, habilidades, talentos e desenvolver competências para a
propiciar sua formação cidadã; compreensão crítica da realidade social e do
- Propiciar vivências para o alcance de mundo contemporâneo.
autonomia e protagonismo social;
- Estimular a participação na vida pública do
OBJETIVOS ESPECÍFICOS PARA
território e desenvolver competências para a
ADULTOS DE 30 A 59 ANOS:
compreensão crítica da realidade social e do
mundo contemporâneo; - Complementar as ações da família e
comunidade na proteção e no fortalecimento
- Possibilitar o reconhecimento do trabalho e
dos vínculos familiares e sociais;
da educação como direito de cidadania e
desenvolver conhecimentos sobre o mundo - Assegurar espaços de referência para o
do trabalho e competências específicas convívio grupal, comunitário e social e o
básicas; desenvolvimento de relações de afetividade,
solidariedade e encontros intergeracionais
- Contribuir para a inserção, reinserção e de modo a desenvolver a sua convivência
permanência do jovem no sistema
familiar e comunitária;
educacional.
- Possibilitar a ampliação do universo
OBJETIVOS ESPECÍFICOS PARA
informacional, artístico e cultural, bem como
JOVENS DE 18 A 29 ANOS:

157
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
estimular o desenvolvimento de iluminação, ventilação, conservação,
potencialidades para novos projetos de vida, privacidade, salubridade, limpeza e
propiciar sua formação cidadã e detectar acessibilidade em todos seus ambientes de
necessidades e motivações, habilidades e acordo com as normas da ABNT. O
talentos; ambiente físico ainda poderá possuir outras
características de acordo com a regulação
- Propiciar vivências para o alcance de
específica do serviço.
autonomia e protagonismo social,
estimulando a participação na vida pública RECURSOS MATERIAIS: Materiais
no território, além de desenvolver permanentes e de consumo necessários ao
competências para a compreensão crítica desenvolvimento do serviço, tais como:
da realidade social e do mundo mobiliário, computadores, entre outros.
contemporâneo;
MATERIAIS SOCIOEDUCATIVOS: artigos
- Possibilitar o reconhecimento do trabalho pedagógicos, culturais e esportivos; banco
e da formação profissional como direito de de dados de usuários(as) de benefícios e
cidadania e desenvolver conhecimentos serviços socioassistenciais; banco de dados
sobre o mundo do trabalho e competências dos serviços socioassistenciais; Cadastro
específicas básicas; Único dos Programas Sociais; Cadastro de
Beneficiários do BPC.
- Contribuir para a inserção, reinserção e
permanência dos adultos no sistema RECURSOS HUMANOS: De acordo com a
educacional, no mundo do trabalho e no NOB-RH/SUAS.
sistema de saúde básica e complementar,
quando for o caso;
TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO
- Propiciar vivências que valorizam as
SERVIÇO: Acolhida; orientação e
experiências que estimulem e potencializem
encaminhamentos; grupos de convívio e
a condição de escolher e decidir,
fortalecimento de vínculos; informação,
contribuindo para o desenvolvimento da
comunicação e defesa de direitos;
autonomia e protagonismo social,
fortalecimento da função protetiva da
ampliando seu espaço de atuação para
família; mobilização e fortalecimento de
além do território.
redes sociais de apoio; informação; banco
de dados de usuários e organizações;
elaboração de relatórios e/ou prontuários;
OBJETIVOS ESPECÍFICOS PARA
desenvolvimento do convívio familiar e
IDOSOS:
comunitário; mobilização para a cidadania.
- Contribuir para um processo de
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS:
envelhecimento ativo, saudável e
autônomo; SEGURANÇA DE ACOLHIDA:
- Assegurar espaço de encontro para os - Ter acolhida suas demandas interesses,
idosos e encontros intergeracionais de necessidades e possibilidades;
modo a promover a sua convivência familiar
- Receber orientações e encaminhamentos
e comunitária;
com o objetivo de aumentar o acesso a
- Detectar necessidades e motivações e benefícios socioassistenciais e programas
desenvolver potencialidades e capacidades de transferência de renda, bem como aos
para novos projetos de vida; demais direitos sociais, civis e políticos;
- Propiciar vivências que valorizam as - Ter acesso a ambiência acolhedora.
experiências e que estimulem e
SEGURANÇA DE CONVÍVIO FAMILIAR E
potencializem a condição de escolher e
COMUNITÁRIO:
decidir, contribuindo para o
desenvolvimento da autonomia e - Vivenciar experiências que contribuam
protagonismo social dos usuários. para o fortalecimento de vínculos familiares
e comunitários;
PROVISÕES:
- Vivenciar experiências que possibilitem
AMBIENTE FÍSICO: Sala(s) de
meios e oportunidades de conhecer o
atendimento individualizado, sala(s) de
território e (re) significá-lo, de acordo com
atividades coletivas e comunitárias e
seus recursos e potencialidades;
instalações sanitárias, com adequada

158
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Ter acesso a serviços, conforme - Ter acesso a informações sobre direitos
demandas e necessidades. sociais, civis e políticos e condições sobre o
seu usufruto;
SEGURANÇA DE DESENVOLVIMENTO
DA AUTONOMIA: - Ter acesso a atividades de lazer, esporte e
manifestações artísticas e culturais do
- Vivenciar experiências pautadas pelo
território e da cidade;
respeito a si próprio e aos outros,
fundamentadas em princípios éticos de - Ter acesso benefícios socioassistenciais e
justiça e cidadania; programas de transferência de renda;
- Vivenciar experiências que possibilitem o - Ter oportunidades de escolha e tomada de
desenvolvimento de potencialidades e decisão;
ampliação do universo informacional e
- Poder avaliar as atenções recebidas,
cultural;
expressar opiniões e reivindicações;
- Vivenciar experiências potencializadoras
- Apresentar níveis de satisfação positivos
da participação social, tais como espaços de
em relação ao serviço;
livre expressão de opiniões, de
reivindicação e avaliação das ações - Ter acesso a experimentações no
ofertadas, bem como de espaços de processo de formação e intercâmbios com
estímulo para a participação em fóruns, grupos de outras localidades e faixa etária
conselhos, movimentos sociais, semelhante.
organizações comunitárias e outros
ESPECÍFICOS:
espaços de organização social;
- Vivenciar experiências que possibilitem o PARA ADOLESCENTES E JOVENS DE 15
A 17 ANOS: adquirir conhecimento e
desenvolvimento de potencialidades e
desenvolver capacidade para a vida
ampliação do universo informacional e
profissional e o acesso ao trabalho.
cultural;
IDOSOS: Vivenciar experiências para o
- Vivenciar experiências que contribuam
para a construção de projetos individuais e autoconhecimento e autocuidado.
coletivos, desenvolvimento da autoestima, CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO:
autonomia e sustentabilidade;
CONDIÇÕES: Usuários territorialmente
- Vivenciar experiências de fortalecimento e referenciados aos CRAS.
extensão da cidadania;
FORMAS DE ACESSO:
- Vivenciar experiências para relacionar-se e
conviver em grupo; - Por procura espontânea; - Por busca ativa;
- Por encaminhamento da rede
- Vivenciar experiências para relacionar-se e socioassistencial; - Por encaminhamento
conviver em grupo, administrar conflitos por das demais políticas públicas.
meio do diálogo, compartilhando outros
modos de pensar, agir, atuar; UNIDADE:

- Vivenciar experiências que possibilitem - Centro de Referência de Assistência Social


lidar de forma construtiva com (CRAS); - Centros da criança, adolescente,
potencialidades e limites; juventude e idosos, referenciados ao CRAS.

- Vivenciar experiências de PERÍODO DE FUNCIONAMENTO:


desenvolvimento de projetos sociais e PARA CRIANÇAS DE ATÉ 6 ANOS:
culturais no território e a oportunidades de Atividades em dias úteis, feriados ou finais
fomento a produções artísticas; de semana, com frequência sequenciada ou
- Ter reduzido o descumprimento das intercalada, de acordo com planejamento
condicionalidades do PBF; - Contribuir para prévio, em turnos de até 1,5 diárias.
o acesso a documentação civil; PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE
- Ter acesso a ampliação da capacidade 06 A 15 ANOS: Atividades em dias úteis,
protetiva da família e a superação de suas feriados ou finais de semana, em turnos
dificuldades de convívio; diários de até quatro horas.
PARA ADOLESCENTES E JOVENS DE 15
A 17 ANOS: Atividades em dias úteis,

159
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
feriados ou finais de semana, em turnos de - Aumento no número de jovens que
até 3 (três) horas, conforme regulamentação conheçam as instâncias de denúncia e
de serviços específicos. recurso em casos de violação de seus
direitos;
PARA IDOSOS: Atividades em dias úteis,
feriados ou finais de semana, em horários - Aumento no número de jovens autônomos
programados, conforme demanda. e participantes na vida familiar e
comunitária, com plena informação sobre
ABRANGÊNCIA: Municipal (corresponderá
seus direitos e deveres;
ao território de abrangência do CRAS, de
acordo com a incidência da demanda). - Reduzir, junto a outras políticas públicas,
índices de: violência entre os jovens;
ARTICULAÇÃO EM REDE: Serviços
uso/abuso de drogas; doenças sexualmente
socioassistenciais da proteção social básica
transmissíveis e gravidez precoce.
e proteção social especial; Serviços
públicos locais de educação, saúde (em - Melhoria da condição de sociabilidade de
especial, programas e serviços de idosos;
reabilitação), cultura, esporte e, meio-
- Redução e Prevenção de situações de
ambiente e outros conforme necessidades;
isolamento social e de institucionalização.
Conselhos de políticas públicas e de defesa
de direitos de segmentos específicos;
Redes sociais; Instituições de ensino e
pesquisa; Conselho Tutelar; Programas e
projetos de desenvolvimento de talentos e
capacidades.
Anotações:
IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
CONTRIBUIR PARA:
- Redução das ocorrências de situações
de vulnerabilidade social;
- Prevenção da ocorrência de riscos
sociais, seu agravamento ou reincidência;
- Aumento de acessos a serviços
socioassistenciais e setoriais;
- Ampliação do acesso aos direitos
socioassistenciais;
- Melhoria da qualidade de vida dos
usuários e suas famílias.

160
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA NO DOMICÍLIO PARA PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA E IDOSAS.

DESCRIÇÃO: O serviço tem por finalidade inserção, habilitação social e comunitária,


a prevenção de agravos que possam em especial:
provocar o rompimento de vínculos
- Beneficiários do Benefício de Prestação
familiares e sociais dos usuários. Visa a
Continuada;
garantia de direitos, o desenvolvimento de
mecanismos para a inclusão social, a - Membros de famílias beneficiárias de
equiparação de oportunidades e a programas de transferência de renda.
participação e o desenvolvimento da
autonomia das pessoas com deficiência e OBJETIVOS:
pessoas idosas, a partir de suas - Prevenir agravos que possam
necessidades e potencialidades individuais desencadear rompimento de vínculos
e sociais, prevenindo situações de risco, a familiares e sociais;
exclusão e o isolamento.
- Prevenir confinamento de idosos e/ou
O serviço deve contribuir com a promoção pessoas com deficiência;
do acesso de pessoas com deficiência e
pessoas idosas aos serviços de convivência - Identificar situações de dependência;
e fortalecimento de vínculos e a toda a rede - Colaborar com redes inclusivas no
socioassistencial, aos serviços de outras território;
políticas públicas, entre elas educação,
trabalho, saúde, transporte especial e - Prevenir o abrigamento institucional de
programas de desenvolvimento de pessoas com deficiência e/ou pessoas
acessibilidade, serviços setoriais e de idosas com vistas a promover a sua inclusão
defesa de direitos e programas social;
especializados de habilitação e reabilitação. - Sensibilizar grupos comunitários sobre
Desenvolve ações extensivas aos direitos e necessidades de inclusão de
familiares, de apoio, informação, orientação pessoas com deficiência e pessoas idosas
e encaminhamento, com foco na qualidade buscando a desconstrução de mitos e
de vida, exercício da cidadania e inclusão na preconceitos;
vida social, sempre ressaltando o caráter
preventivo do serviço. - Desenvolver estratégias para estimular e
potencializar recursos das pessoas com
O planejamento das ações deverá ser deficiência e pessoas idosas, de suas
realizado pelos municípios e pelo Distrito famílias e da comunidade no processo de
Federal, de acordo com a territorialização e habilitação, reabilitação e inclusão social;
a identificação da demanda pelo serviço.
Onde houver CRAS, o serviço será a ele - Oferecer possibilidades de
referenciado. Naqueles locais onde não desenvolvimento de habilidades e
houver CRAS, o serviço será referenciado à potencialidades, a defesa de direitos e o
equipe técnica da Proteção Social Básica, estímulo a participação cidadã;
coordenada pelo órgão gestor. - Incluir usuários e familiares no sistema de
O trabalho realizado será sistematizado e proteção social e serviços públicos,
planejado por meio da elaboração de um conforme necessidades, inclusive pela
Plano de Desenvolvimento do Usuário - indicação de acesso a benefícios e
PDU: instrumento de observação, programas de transferência de renda;
planejamento e acompanhamento das - Contribuir para resgatar e preservar a
ações realizadas. No PDU serão integridade e a melhoria de qualidade de
identificados os objetivos a serem vida dos usuários;
alcançados, as vulnerabilidades e as
potencialidades do usuário. - Contribuir para a construção de contextos
inclusivos.
USUÁRIOS: Pessoas com deficiência e/ou
pessoas idosas que vivenciam situação de PROVISÕES:
vulnerabilidade social pela fragilização de AMBIENTE FÍSICO: Não se aplica.
vínculos familiares e sociais e/ou pela
ausência de acesso a possibilidades de

161
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
RECURSOS MATERIAIS: Materiais família e pelos demais serviços para
permanentes e de consumo necessários ao potencializar a autonomia e possibilitar o
desenvolvimento do serviço; Materiais desenvolvimento de estratégias que
pedagógicos, culturais e esportivos. Banco diminuam a dependência e promovam a
de dados de usuários de benefícios e inserção familiar e social;
serviços socioassistenciais; banco de dados
- Ter vivências de ações pautadas pelo
dos serviços socioassistenciais; Cadastro
respeito a si próprio e aos outros,
Único dos Programas Sociais; Cadastro de
fundamentadas em princípios éticos de
Beneficiários do BPC.
justiça e cidadania;
TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO
- Dispor de atendimento interprofissional
SERVIÇO: Proteção social proativa;
para:
Acolhida; Visita familiar; Escuta;
Encaminhamento para cadastramento - Ser ouvido para expressar necessidades,
socioeconômico; Orientação e interesses e possibilidades;
encaminhamentos; Orientação
sociofamiliar; Desenvolvimento do convívio - Poder avaliar as atenções recebidas,
expressar opiniões, reivindicações e fazer
familiar, grupal e social; Inserção na rede de
suas próprias escolhas;
serviços socioassistenciais e demais
políticas; Informação, comunicação e - Apresentar níveis de satisfação com
defesa de direitos; Fortalecimento da função relação ao serviço;
protetiva da família; Elaboração de
instrumento técnico de acompanhamento e - Construir projetos pessoais e desenvolver
desenvolvimento do usuário; Mobilização autoestima;
para a cidadania; Documentação pessoal. - Ter acesso a serviços e ter indicação de
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS: acesso a benefícios sociais e programas de
transferência de renda;
SEGURANÇA DE ACOLHIDA:
- Acessar documentação civil;
- Ter sua identidade, integridade e história
preservadas; - Alcançar autonomia, independência e
condições de bem estar;
- Ter acolhidas suas demandas, interesses,
necessidades e possibilidades; - Ser informado sobre acessos e direitos;

- Receber orientações e encaminhamentos, - Ter oportunidades de participar de ações


com o objetivo de aumentar o acesso a de defesa de direitos e da construção de
benefícios socioassistenciais e programas políticas inclusivas.
de transferência de renda; CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO:
- Garantir formas de acesso aos direitos CONDIÇÕES: Pessoas com deficiência
sociais. e/ou pessoas idosas.
SEGURANÇA DE CONVÍVIO FAMILIAR E FORMA DE ACESSO: Encaminhamentos
COMUNITÁRIO: realizados pelos CRAS ou pela equipe
- Vivenciar experiências que contribuam técnica de referência da Proteção Social
para o fortalecimento de vínculos familiares Básica do município ou DF.
e comunitários; UNIDADE: Domicílio do Usuário.
- Vivenciar experiências de ampliação da PERÍODO DE FUNCIONAMENTO: Em dias
capacidade protetiva e de superação de úteis e quando a demanda for identificada
fragilidades familiares e sociais; no PDU.
- Ter acesso a serviços, conforme ABRANGÊNCIA: Municipal.
necessidades e a experiências e ações de
fortalecimento de vínculos familiares e ARTICULAÇÃO EM REDE:
comunitários. - Serviços socioassistenciais de proteção
SEGURANÇA DE DESENVOLVIMENTO social básica e especial;
DE AUTONOMIA INDIVIDUAL, FAMILIAR - Serviços públicos de saúde, cultura,
E SOCIAL: esporte, meio-ambiente, trabalho, habitação
- Vivenciar experiências que utilizem de e outros, conforme necessidade;
recursos disponíveis pela comunidade, pela

162
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Conselhos de políticas públicas e de
defesa de direitos de segmentos
específicos;
Anotações:
- Instituições de ensino e pesquisa;
- Organizações e serviços especializados de
saúde, habilitação e reabilitação;
- Programas de educação especial;
- Centros e grupos de convivência.
IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
CONTRIBUIR PARA:
- Prevenção da ocorrência de situações de
risco social tais como o isolamento,
situações de violência e violações de
direitos, e demais riscos identificados pelo
trabalho de caráter preventivo junto aos
usuários;
- Redução e prevenção de situações de
isolamento social e de abrigamento
institucional;
- Redução da ocorrência de riscos sociais,
seu agravamento ou reincidência;
- Famílias protegidas e orientadas;
- Pessoas com deficiência e pessoas idosas
inseridas em serviços e oportunidades;
- Aumento de acessos a serviços
socioassistenciais e setoriais;
- Ampliação do acesso aos direitos
socioassistenciais.

163
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇOS DA PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL - MÉDIA COMPLEXIDADE

SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO A FAMÍLIAS E INDIVÍDUOS


(PAEFI).

a sua condição de vida e os impedem de


usufruir autonomia e bem estar;
DESCRIÇÃO: Serviço de apoio, orientação
e acompanhamento a famílias com um ou - Descumprimento de condicionalidades do
mais de seus membros em situação de PBF e do PETI em decorrência de violação
ameaça ou violação de direitos. de direitos.
Compreende atenções e orientações
OBJETIVOS:
direcionadas para a promoção de direitos, a
preservação e o fortalecimento de vínculos - Contribuir para o fortalecimento da família
familiares, comunitários e sociais e para o no desempenho de sua função protetiva;
fortalecimento da função protetiva das
famílias diante do conjunto de condições - Processar a inclusão das famílias no
sistema de proteção social e nos serviços
que as vulnerabilizam e/ou as submetem a
públicos, conforme necessidades;
situações de risco pessoal e social.
- Contribuir para restaurar e preservar a
O atendimento fundamenta-se no respeito à
integridade e as condições de autonomia
heterogeneidade, potencialidades, valores,
crenças e identidades das famílias. O dos usuários;
serviço articula-se com as atividades e - Contribuir para romper com padrões
atenções prestadas às famílias nos demais violadores de direitos no interior da família;
serviços socioassistenciais, nas diversas
políticas públicas e com os demais órgãos - Contribuir para a reparação de danos e da
do Sistema de Garantia de Direitos. Deve incidência de violação de direitos;
garantir atendimento imediato e - Prevenir a reincidência de violações de
providências necessárias para a inclusão da direitos.
família e seus membros em serviços
socioassistenciais e/ou em programas de PROVISÕES:
transferência de renda, de forma a qualificar AMBIENTE FÍSICO: Espaços destinados à
a intervenção e restaurar o direito. recepção, atendimento individualizado com
USUÁRIOS: Famílias e indivíduos que privacidade, atividades coletivas e
vivenciam violações de direitos por comunitárias, atividades administrativas e
ocorrência de: espaço de convivência. Acessibilidade de
acordo com as normas da ABNT.
- Violência física, psicológica e negligência;
RECURSOS MATERIAIS: Materiais
- Violência sexual: abuso e/ou exploração permanentes e de consumo para o
sexual; desenvolvimento do serviço, tais como:
- Afastamento do convívio familiar devido à mobiliário, computadores, linha telefônica,
aplicação de medida socioeducativa ou dentre outros.
medida de proteção; MATERIAIS SOCIOEDUCATIVOS: artigos
- Tráfico de pessoas; pedagógicos, culturais e esportivos. Banco
de Dados de usuários de benefícios e
- Situação de rua e mendicância; serviços socioassistenciais; Banco de
Dados dos serviços socioassistenciais;
- Abandono;
Cadastro Único dos Programas Sociais;
- Vivência de trabalho infantil; Cadastro de Beneficiários do BPC.
- Discriminação em decorrência da RECURSOS HUMANOS: De acordo com a
orientação sexual e/ou raça/etnia; NOB/RH-SUAS.
- Outras formas de violação de direitos TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO
decorrentes de discriminações/ submissões SERVIÇO: Acolhida; escuta; estudo social;
a situações que provocam danos e agravos diagnóstico socioeconômico;
monitoramento e avaliação do serviço;

164
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
orientação e encaminhamentos para a rede - Ter acesso à documentação civil;
de serviços locais; construção de plano
- Ser ouvido para expressar necessidades e
individual e/ou familiar de atendimento;
interesses;
orientação sociofamiliar; atendimento
psicossocial; orientação jurídico-social; - Poder avaliar as atenções recebidas,
referência e contrarreferência; informação, expressar opiniões e reivindicações;
comunicação e defesa de direitos; apoio à
- Ter acesso a serviços do sistema de
família na sua função protetiva; acesso à
proteção social e indicação de acesso a
documentação pessoal; mobilização,
identificação da família extensa ou benefícios sociais e programas de
ampliada; articulação da rede de serviços transferência de renda;
socioassistenciais; articulação com os - Alcançar autonomia, independência e
serviços de outras políticas públicas condições de bem estar;
setoriais; articulação interinstitucional com
os demais órgãos do Sistema de Garantia - Ser informado sobre seus direitos e como
de Direitos; mobilização para o exercício da acessá-los;
cidadania; trabalho interdisciplinar; - Ter ampliada a capacidade protetiva da
elaboração de relatórios e/ou prontuários; família e a superação das situações de
estímulo ao convívio familiar, grupal e social; violação de direitos;
mobilização e fortalecimento do convívio e
de redes sociais de apoio. - Vivenciar experiências que oportunize
relacionar-se e conviver em grupo,
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS: administrar conflitos por meio do diálogo,
SEGURANÇA DE ACOLHIDA: compartilhando modos não violentos de
pensar, agir e atuar;
- Ser acolhido em condições de dignidade
em ambiente favorecedor da expressão e do - Ter acesso a experiências que possibilitem
diálogo; lidar de forma construtiva com
potencialidades e limites.
- Ser estimulado a expressar necessidades
e interesses; CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO:

- Ter reparados ou minimizados os danos CONDIÇÕES: Famílias e indivíduos que


por vivências de violações e riscos sociais; vivenciam violação de direitos.

- Ter sua identidade, integridade e história FORMAS DE ACESSO:


de vida preservadas; - Por identificação e encaminhamento dos
- Ser orientado e ter garantida efetividade serviços de proteção e vigilância social;
nos encaminhamentos. - Por encaminhamento de outros serviços
SEGURANÇA DE CONVÍVIO OU socioassistenciais, das demais políticas
VIVÊNCIA FAMILIAR, COMUNITÁRIA E públicas setoriais, dos demais órgãos do
SOCIAL: Sistema de Garantia de Direitos e do
Sistema de Segurança Pública;
- Ter assegurado o convívio familiar,
comunitário e social; - Demanda espontânea.

- Ter acesso a serviços de outras políticas UNIDADE: Centro de Referência


públicas setoriais, conforme necessidades. Especializado de Assistência Social
(CREAS).
SEGURANÇA DE DESENVOLVIMENTO
DE AUTONOMIA INDIVIDUAL, FAMILIAR PERÍODO DE FUNCIONAMENTO: Período
E SOCIAL: mínimo de 5 (cinco) dias por semana, 8
(oito) horas diárias, com possibilidade de
- Ter vivência de ações pautadas pelo operar em feriados e finais de semana.
respeito a si próprio e aos outros,
fundamentadas em princípios éticos de
justiça e cidadania; ABRANGÊNCIA: Municipal e/ou Regional.
- Ter oportunidades de superar padrões
violadores de relacionamento;
ARTICULAÇÃO EM REDE:
- Poder construir projetos pessoais e sociais
e desenvolver a autoestima;

165
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Serviços socioassistenciais de Proteção
Social Básica e Proteção Social Especial;
- Serviços das políticas públicas setoriais;
- Sociedade civil organizada;
- Demais órgãos do Sistema de Garantia de
Anotações:
Direitos;
- Sistema de Segurança Pública;
- Instituições de Ensino e Pesquisa;
- Serviços, programas e projetos de
instituições não governamentais e
comunitárias.
IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
CONTRIBUIR PARA:
- Redução das violações dos direitos
socioassistenciais, seus agravamentos ou
reincidência;
- Orientação e proteção social a Famílias e
indivíduos;
- Acesso a serviços socioassistenciais e das
políticas públicas setoriais;
- Identificação de situações de violação de
direitos socioassistenciais;
- Melhoria da qualidade de vida das famílias.

166
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ABORDAGEM SOCIAL.

DESCRIÇÃO: Serviço ofertado, de forma TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO


continuada e programada, com a finalidade SERVIÇO: Proteção social proativa;
de assegurar trabalho social de abordagem conhecimento do território; informação,
e busca ativa que identifique, nos territórios, comunicação e defesa de direitos; escuta;
a incidência de trabalho infantil, exploração orientação e encaminhamentos sobre/para
sexual de crianças e adolescentes, situação a rede de serviços locais com resolutividade;
de rua, dentre outras. Deverão ser articulação da rede de serviços
consideradas praças, entroncamento de socioassistenciais; articulação com os
estradas, fronteiras, espaços públicos onde serviços de políticas públicas setoriais;
se realizam atividades laborais, locais de articulação interinstitucional com os demais
intensa circulação de pessoas e existência órgãos do Sistema de Garantia de Direitos;
de comércio, terminais de ônibus, trens, geoprocessamento e georeferenciamento
metrô e outros. O Serviço deve buscar a de informações; elaboração de relatórios.
resolução de necessidades imediatas e
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS:
promover a inserção na rede de serviços
socioassistenciais e das demais políticas SEGURANÇA DE ACOLHIDA:
públicas na perspectiva da garantia dos
- Ser acolhido nos serviços em condições de
direitos.
dignidade;
USUÁRIOS: Crianças, adolescentes,
jovens, adultos, idosos e famílias que - Ter reparados ou minimizados os danos
utilizam espaços públicos como forma de por vivências de violência e abusos;
moradia e/ou sobrevivência. - Ter sua identidade, integridade e história
de vida preservadas.
OBJETIVOS:
SEGURANÇA DE CONVÍVIO OU
- Construir o processo de saída das ruas e
possibilitar condições de acesso à rede de VIVÊNCIA FAMILIAR, COMUNITÁRIA E
serviços e a benefícios assistenciais; SOCIAL:
- Ter assegurado o convívio familiar,
- Identificar famílias e indivíduos com
comunitário e/ou social;
direitos violados, a natureza das violações,
as condições em que vivem, estratégias de - Ter acesso a serviços socioassistenciais e
sobrevivência, procedências, aspirações, das demais políticas públicas setoriais,
desejos e relações estabelecidas com as conforme necessidades.
instituições;
- Promover ações de sensibilização para
divulgação do trabalho realizado, direitos e CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO:
necessidades de inclusão social e CONDIÇÕES: Famílias e/ou indivíduos que
estabelecimento de parcerias; utilizam os espaços públicos como forma de
- Promover ações para a reinserção familiar moradia e/ ou sobrevivência.
e comunitária. FORMAS DE ACESSO: Por identificação
PROVISÕES: da equipe do serviço.

AMBIENTE FÍSICO: Espaço institucional UNIDADE: Centro de Referência


destinado a atividades administrativas, de Especializado de Assistência Social
planejamento e reuniões de equipe. (CREAS) ou Unidade Específica
Referenciada ao CREAS.
RECURSOS MATERIAIS: Materiais
permanentes e de consumo necessários PERÍODO DE FUNCIONAMENTO:
para a realização do serviço, tais como: Ininterrupto e/ou de acordo com a
telefone móvel e transporte para uso pela especificidade dos territórios.
equipe e pelos usuários. Materiais ABRANGÊNCIA: Municipal e/ou Regional.
pedagógicos para desenvolvimento de
atividades lúdicas e educativas. ARTICULAÇÃO EM REDE:

RECURSOS HUMANOS: De acordo com a - Serviços socioassistenciais de Proteção


NOB-RH/SUAS. Social Básica e Proteção Social Especial;

167
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Serviços de políticas públicas setoriais;
- Sociedade civil organizada;
- Demais órgãos do Sistema de Garantia de
Direitos;
- Instituições de Ensino e Pesquisa;
- Serviços, programas e projetos de
instituições não governamentais e
comunitárias.
IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
CONTRIBUIR PARA:
- Redução das violações dos direitos
socioassistenciais, seus agravamentos ou
reincidência;
- Proteção social a famílias e indivíduos;
- Identificação de situações de violação de
direitos;
- Redução do número de pessoas em
situação de rua.

Anotações:

168
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL A ADOLESCENTES EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA
SOCIOEDUCATIVA DE LIBERDADE ASSISTIDA (LA) E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À
COMUNIDADE (PSC).

DESCRIÇÃO: O serviço tem por finalidade Justiça da Infância e da Juventude ou, na


prover atenção socioassistencial e ausência desta, pela Vara Civil
acompanhamento a adolescentes e jovens correspondente e suas famílias.
em cumprimento de medidas
OBJETIVOS:
socioeducativas em meio aberto,
determinadas judicialmente. Deve contribuir - Realizar acompanhamento social a
para o acesso a direitos e para a adolescentes durante o cumprimento de
resignificação de valores na vida pessoal e medida socioeducativa de Liberdade
social dos adolescentes e jovens. Para a Assistida e de Prestação de Serviços à
oferta do serviço faz-se necessário a Comunidade e sua inserção em outros
observância da responsabilização face ao serviços e programas socioassistenciais e
ato infracional praticado, cujos direitos e de políticas públicas setoriais;
obrigações devem ser assegurados de
- Criar condições para a
acordo com as legislações e normativas
construção/reconstrução de projetos de vida
específicas para o cumprimento da medida.
que visem à ruptura com a prática de ato
Na sua operacionalização é necessário a infracional;
elaboração do Plano Individual de
Atendimento (PlA) com a participação do - Estabelecer contratos com o adolescente a
partir das possibilidades e limites do
adolescente e da família, devendo conter os
trabalho a ser desenvolvido e normas que
objetivos e metas a serem alcançados
regulem o período de cumprimento da
durante o cumprimento da medida,
medida socioeducativa;
perspectivas de vida futura, dentre outros
aspectos a serem acrescidos, de acordo - Contribuir para o estabelecimento da
com as necessidades e interesses do autoconfiança e a capacidade de reflexão
adolescente. sobre as possibilidades de construção de
autonomias;
O acompanhamento social ao adolescente
deve ser realizado de forma sistemática, - Possibilitar acessos e oportunidades para
com frequência mínima semanal que a ampliação do universo informacional e
garanta o acompanhamento contínuo e cultural e o desenvolvimento de habilidades
possibilite o desenvolvimento do PIA. e competências;
No acompanhamento da medida de - Fortalecer a convivência familiar e
Prestação de Serviços à Comunidade o comunitária.
serviço deverá identificar no município os
locais para a prestação de serviços, a PROVISÕES:
exemplo de: entidades sociais, programas AMBIENTE FÍSICO: Espaços destinados à
comunitários, hospitais, escolas e outros recepção, sala de atendimento
serviços governamentais. A prestação dos individualizado com privacidade, para o
serviços deverá se configurar em tarefas desenvolvimento de atividades coletivas e
gratuitas e de interesse geral, com jornada comunitárias, atividades de convivência e
máxima de oito horas semanais, sem atividades administrativas, com
prejuízo da escola ou do trabalho, no caso acessibilidade em todos seus ambientes, de
de adolescentes maiores de 16 anos ou na acordo com as normas da ABNT.
condição de aprendiz a partir dos 14 anos.
A inserção do adolescente em qualquer RECURSOS MATERIAIS: Materiais
dessas alternativas deve ser compatível permanentes e de consumo para o
com suas aptidões e favorecedora de seu desenvolvimento do serviço, tais como:
desenvolvimento pessoal e social. mobiliário, computadores, linha telefônica,
dentre outros.
USUÁRIOS: Adolescentes de 12 a 18 anos
incompletos, ou jovens de 18 a 21 anos, em MATERIAIS SOCIOEDUCATIVOS:
cumprimento de medida socioeducativa de pedagógicos, culturais e esportivos. Banco
Liberdade Assistida e de Prestação de de Dados de usuários de benefícios e
Serviços à Comunidade, aplicada pela serviços socioassistenciais; Banco de
Dados dos serviços socioassistenciais;

169
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
Cadastro Único dos Programas Sociais; - Oportunidades de convívio e de
Cadastro de Beneficiários do BPC. desenvolvimento de potencialidades;
RECURSOS HUMANOS: De acordo com a - Informações sobre direitos sociais, civis e
NOB-RH/SUAS. políticos e condições sobre o seu usufruto;
TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO - Oportunidades de escolha e tomada de
SERVIÇO: Acolhida; escuta; estudo social; decisão;
diagnóstico socioeconômico; referência e
- Experiências para relacionar-se e conviver
contrarreferência; trabalho interdisciplinar;
em grupo, administrar conflitos por meio do
articulação interinstitucional com os demais
diálogo, compartilhando modos de pensar,
órgãos do sistema de garantia de direitos;
agir e atuar coletivamente;
produção de orientações técnicas e
materiais informativos; monitoramento e - Experiências que possibilitem lidar de
avaliação do serviço; proteção social forma construtiva com potencialidades e
proativa; orientação e encaminhamentos limites;
para a rede de serviços locais; construção
de plano individual e familiar de - Possibilidade de avaliar as atenções
recebidas, expressar opiniões e participar
atendimento, considerando as
na construção de regras e definição de
especificidades da adolescência; orientação
responsabilidades.
sociofamiliar; acesso a documentação
pessoal; informação, comunicação e defesa CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO:
de direitos; articulação da rede de serviços
socioassistenciais; articulação com os CONDIÇÕES: Adolescentes e jovens que
serviços de políticas públicas setoriais; estão em cumprimento de medidas
estímulo ao convívio familiar, grupal e social; socioeducativas de Liberdade Assistida e de
mobilização para o exercício da cidadania; Prestação de Serviços à Comunidade.
desenvolvimento de projetos sociais; FORMAS DE ACESSO: Encaminhamento
elaboração de relatórios e/ou prontuários. da Vara da Infância e da Juventude ou, na
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS: ausência desta, pela Vara Civil
correspondente.
SEGURANÇA DE ACOLHIDA:
UNIDADE: Centro de Referência
- Ser acolhido em condições de dignidade Especializado de Assistência Social
em ambiente favorecedor da expressão e do (CREAS).
diálogo;
PERÍODO DE FUNCIONAMENTO: Dias
- Ser estimulado a expressar necessidades úteis, com possibilidade de operar em
e interesses. feriados e finais de semana. Período mínimo
de 5 (cinco) dias por semana, 8 (oito) horas
SEGURANÇA DE CONVÍVIO OU
diárias.
VIVÊNCIA FAMILIAR, COMUNITÁRIA E
SOCIAL: ABRANGÊNCIA: Municipal e/ou Regional.
- Ter acesso a serviços socioassistenciais e ARTICULAÇÃO EM REDE:
das políticas públicas setoriais, conforme
necessidades; - Serviços socioassistenciais de Proteção
Social Básica e Proteção Social Especial;
- Ter assegurado o convívio familiar,
comunitário e social. - Serviços das políticas públicas setoriais; -
Sociedade civil organizada;
SEGURANÇA DE DESENVOLVIMENTO
DE AUTONOMIA INDIVIDUAL, FAMILIAR - Programas e projetos de preparação para
E SOCIAL: o trabalho e de inclusão produtiva;

- Ter assegurado vivências pautadas pelo - Demais órgãos do Sistema de Garantia de


respeito a si próprio e aos outros, Direitos;
fundamentadas em princípios éticos de - Serviços, programas e projetos de
justiça e cidadania. instituições não governamentais e
- Ter acesso a: comunitárias.

- Oportunidades que estimulem e ou


fortaleçam a construção/reconstrução de
seus projetos de vida;

170
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
CONTRIBUIR PARA:
- Vínculos familiares e comunitários
fortalecidos;
- Redução da reincidência da prática do ato
infracional;
- Redução do ciclo da violência e da prática
do ato infracional.

Anotações:

171
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA,
IDOSAS E SUAS FAMÍLIAS.

DESCRIÇÃO: Serviço para a oferta de de dependência da pessoa com deficiência


atendimento especializado a famílias com ou pessoa idosa.
pessoas com deficiência e idosos com
USUÁRIOS: Pessoas com deficiência e
algum grau de dependência, que tiveram
idosas com dependência, seus cuidadores e
suas limitações agravadas por violações de
familiares.
direitos, tais como: exploração da imagem,
isolamento, confinamento, atitudes OBJETIVOS:
discriminatórias e preconceituosas no seio
- Promover a autonomia e a melhoria da
da família, falta de cuidados adequados por
qualidade de vida de pessoas com
parte do cuidador, alto grau de estresse do
deficiência e idosas com dependência, seus
cuidador, desvalorização da
potencialidade/capacidade da pessoa, cuidadores e suas famílias;
dentre outras que agravam a dependência e - Desenvolver ações especializadas para a
comprometem o desenvolvimento da superação das situações violadoras de
autonomia. direitos que contribuem para a
intensificação da dependência;
O serviço tem a finalidade de promover a
autonomia, a inclusão social e a melhoria da - Prevenir o abrigamento e a segregação
qualidade de vida das pessoas dos usuários do serviço, assegurando o
participantes. Deve contar com equipe direito à convivência familiar e comunitária;
específica e habilitada para a prestação de
serviços especializados a pessoas em - Promover acessos a benefícios,
situação de dependência que requeiram programas de transferência de renda e
cuidados permanentes ou temporários. A outros serviços socioassistenciais, das
ação da equipe será sempre pautada no demais políticas públicas setoriais e do
reconhecimento do potencial da família e do Sistema de Garantia de Direitos;
cuidador, na aceitação e valorização da - Promover apoio às famílias na tarefa de
diversidade e na redução da sobrecarga do cuidar, diminuindo a sua sobrecarga de
cuidador, decorrente da prestação de trabalho e utilizando meios de comunicar e
cuidados diários prolongados. cuidar que visem à autonomia dos
As ações devem possibilitar a ampliação da envolvidos e não somente cuidados de
rede de pessoas com quem a família do manutenção;
dependente convive e compartilha cultura, - Acompanhar o deslocamento, viabilizar o
troca vivências e experiências. A partir da desenvolvimento do usuário e o acesso a
identificação das necessidades, deverá ser serviços básicos, tais como: bancos,
viabilizado o acesso a benefícios, mercados, farmácias, etc., conforme
programas de transferência de renda, necessidades;
serviços de políticas públicas setoriais,
atividades culturais e de lazer, sempre - Prevenir situações de sobrecarga e
priorizando o incentivo à autonomia da dupla desgaste de vínculos provenientes da
“cuidador e dependente”. Soma-se a isso o relação de prestação/ demanda de cuidados
fato de que os profissionais da equipe permanentes/prolongados.
poderão identificar demandas do PROVISÕES:
dependente e/ou do cuidador e situações de
violência e/ou violação de direitos e acionar AMBIENTE FÍSICO: Espaço institucional
os mecanismos necessários para resposta a destinado a atividades administrativas, de
tais condições. A intervenção será sempre planejamento e reuniões de equipe.
voltada a diminuir a exclusão social tanto do RECURSOS MATERIAIS: Transporte e
dependente quanto do cuidador, a materiais socioeducativos: pedagógicos,
sobrecarga decorrente da situação de lúdicos, culturais e esportivos.
dependência/prestação de cuidados
prolongados, bem como a interrupção e RECURSOS HUMANOS: De acordo com a
superação das violações de direitos que NOB-RH/SUAS.
fragilizam a autonomia e intensificam o grau TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO
SERVIÇO: Acolhida; escuta; informação,

172
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
comunicação e defesa de direitos; dependência e promovam a inserção
articulação com os serviços de políticas familiar e social.
públicas setoriais; articulação da rede de
CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO:
serviços socioassistenciais; articulação
interinstitucional com o Sistema de Garantia CONDIÇÕES: Pessoas com deficiência e
de Direitos; atividades de convívio e de idosas com dependência, seus cuidadores e
organização da vida cotidiana; orientação e familiares com vivência de violação de
encaminhamento para a rede de serviços direitos que comprometam sua autonomia.
locais; referência e contrarreferência;
construção de plano individual e/ou familiar FORMAS DE ACESSO:
de atendimento; orientação sociofamiliar; - Demanda espontânea de membros da
estudo social; diagnóstico socioeconômico; família e/ou da comunidade;
cuidados pessoais; desenvolvimento do
convívio familiar, grupal e social; acesso à - Busca ativa; - Por encaminhamento dos
documentação pessoal; apoio à família na demais serviços socioassistenciais e das
sua função protetiva; mobilização de família demais políticas públicas setoriais;
extensa ou ampliada; mobilização e - Por encaminhamento dos demais órgãos
fortalecimento do convívio e de redes do Sistema de Garantia de Direitos.
sociais de apoio; mobilização para o
exercício da cidadania; elaboração de UNIDADE: Domicílio do usuário, centro-dia,
relatórios e/ou prontuários. Centro de Referência Especializado de
Assistência Social (CREAS) ou Unidade
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS: Referenciada.
SEGURANÇA DE ACOLHIDA: PERÍODO DE FUNCIONAMENTO:
- Ter acolhida suas demandas, interesses, Funcionamento conforme necessidade e/ou
necessidades e possibilidades; orientações técnicas planejadas em
conjunto com as pessoas com deficiência e
- Garantir formas de acesso aos direitos idosas com dependência atendidas, seus
sociais. cuidadores e seus familiares.
SEGURANÇA DE CONVÍVIO OU ABRANGÊNCIA: Municipal.
VIVÊNCIA FAMILIAR, COMUNITÁRIA E
SOCIAL: ARTICULAÇÃO EM REDE:

- Vivenciar experiências que contribuam - Serviços socioassistenciais da proteção


para o fortalecimento de vínculos familiares; social básica e proteção social especial;

- Vivenciar experiências de ampliação da - Serviços de políticas públicas setoriais; -


capacidade protetiva e de superação de Demais órgãos do Sistema de Garantia de
fragilidades e riscos na tarefa do cuidar; Direitos;

- Ter acesso a serviços socioassistenciais e - Conselhos de políticas públicas e de


das políticas públicas setoriais, conforme defesa de direitos de segmentos
necessidades. específicos;

SEGURANÇA DE DESENVOLVIMENTO - Serviços, programas e projetos de


DA AUTONOMIA: instituições não governamentais e
comunitárias.
- Vivenciar experiências que contribuam
para a construção de projetos individuais e IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
coletivos, desenvolvimento da autoestima, CONTRIBUIR PARA:
autonomia, inserção e sustentabilidade;
- Acessos aos direitos socioassistenciais; -
- Vivenciar experiências que possibilitem o Redução e prevenção de situações de
desenvolvimento de potencialidades e isolamento social e de abrigamento
ampliação do universo informacional e institucional;
cultural;
- Diminuição da sobrecarga dos cuidadores
- Vivenciar experiências que utilizem de advinda da prestação continuada de
recursos disponíveis pela comunidade, cuidados a pessoas com dependência;
família e recursos lúdicos para potencializar
a autonomia e a criação de estratégias que - Fortalecimento da convivência familiar e
diminuam os agravos decorrentes da comunitária;

173
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Melhoria da qualidade de vida familiar; -
Redução dos agravos decorrentes de
situações violadoras de direitos;
- Proteção social e cuidados individuais e
familiares voltados ao desenvolvimento de
autonomias.

Anotações:

174
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇO ESPECIALIZADO PARA PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA.

DESCRIÇÃO: Serviço ofertado para acessibilidade em todos seus ambientes, de


pessoas que utilizam as ruas como espaço acordo com as normas da ABNT.
de moradia e/ou sobrevivência. Tem a
RECURSOS MATERIAIS: Materiais
finalidade de assegurar atendimento e
permanentes e materiais de consumo
atividades direcionadas para o
necessários para o desenvolvimento do
desenvolvimento de sociabilidades, na
serviço, tais como: mobiliário,
perspectiva de fortalecimento de vínculos
computadores, linha telefônica, armários
interpessoais e/ou familiares que
para guardar pertences, alimentação,
oportunizem a construção de novos projetos
artigos de higiene. Materiais pedagógicos,
de vida.
culturais e esportivos. Banco de Dados de
Oferece trabalho técnico para a análise das usuários(as) de benefícios e serviços
demandas dos usuários, orientação socioassistenciais; Banco de Dados dos
individual e grupal e encaminhamentos a serviços socioassistenciais; Cadastro Único
outros serviços socioassistenciais e das dos Programas Sociais; Cadastro de
demais políticas públicas que possam Beneficiários do BPC.
contribuir na construção da autonomia, da
RECURSOS HUMANOS: De acordo com a
inserção social e da proteção às situações
NOB-RH/SUAS.
de violência.
TRABALHO SOCIAL ESSENCIAL AO
Deve promover o acesso a espaços de
SERVIÇO: Acolhida; escuta; estudo social;
guarda de pertences, de higiene pessoal, de
diagnóstico socioeconômico; Informação,
alimentação e provisão de documentação
comunicação e defesa de direitos;
civil. Proporciona endereço institucional
referência e contrarreferência; orientação e
para utilização, como referência, do usuário.
suporte para acesso à documentação
Nesse serviço deve-se realizar a pessoal; orientação e encaminhamentos
alimentação de sistema de registro dos para a rede de serviços locais; articulação
dados de pessoas em situação de rua, da rede de serviços socioassistenciais;
permitindo a localização da/pela família, articulação com outros serviços de políticas
parentes e pessoas de referência, assim públicas setoriais; articulação
como um melhor acompanhamento do interinstitucional com os demais órgãos do
trabalho social. Sistema de Garantia de Direitos;
mobilização de família extensa ou ampliada;
USUÁRIOS: Jovens, adultos, idosos e
mobilização e fortalecimento do convívio e
famílias que utilizam as ruas como espaço
de redes sociais de apoio; mobilização para
de moradia e/ou sobrevivência.
o exercício da cidadania; articulação com
OBJETIVOS: órgãos de capacitação e preparação para o
trabalho; estímulo ao convívio familiar,
- Possibilitar condições de acolhida na rede grupal e social; elaboração de relatórios
socioassistencial; e/ou prontuários.
- Contribuir para a construção de novos
AQUISIÇÕES DOS USUÁRIOS:
projetos de vida, respeitando as escolhas
dos usuários e as especificidades do SEGURANÇA DE ACOLHIDA:
atendimento;
- Ser acolhido nos serviços em condições de
- Contribuir para restaurar e preservar a dignidade;
integridade e a autonomia da população em
- Ter reparados ou minimizados os danos
situação de rua;
por vivências de violências e abusos;
- Promover ações para a reinserção familiar
- Ter sua identidade, integridade e história
e/ou comunitária.
de vida preservadas;
PROVISÕES:
- Ter acesso à alimentação em padrões
AMBIENTE FÍSICO: Espaço para a nutricionais adequados.
realização de atividades coletivas e/ou
SEGURANÇA DE CONVÍVIO OU
comunitárias, higiene pessoal, alimentação
VIVÊNCIA FAMILIAR, COMUNITÁRIA E
e espaço para guarda de pertences,
SOCIAL:
conforme a realidade local, com

175
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Ter assegurado o convívio familiar e/ou feriados, finais de semana e período
comunitário. noturno. Período mínimo de 5 dias por
semana, 8 horas diárias.
- Ter acesso a serviços socioassistenciais e
das demais políticas públicas setoriais, ABRANGÊNCIA: Municipal.
conforme necessidades.
ARTICULAÇÃO EM REDE:
SEGURANÇA DE DESENVOLVIMENTO
- Serviços socioassistenciais de Proteção
DE AUTONOMIA INDIVIDUAL, FAMILIAR
Social Básica e Proteção Social Especial;
E SOCIAL:
- Serviços de políticas públicas setoriais; -
- Ter vivência pautada pelo respeito a si
Redes sociais locais;
próprio e aos outros, fundamentadas em
princípios éticos de justiça e cidadania; - Demais órgãos do Sistema de Garantia de
Direitos;
- Construir projetos pessoais e sociais e
desenvolver a autoestima; - Sistema de Segurança Pública;
- Ter acesso à documentação civil; - Instituições de Ensino e Pesquisa;
- Alcançar autonomia e condições de bem - Serviços, programas e projetos de
estar; instituições não governamentais e
comunitárias.
- Ser ouvido para expressar necessidades,
interesses e possibilidades; IMPACTO SOCIAL ESPERADO:
- Ter acesso a serviços do sistema de CONTRIBUIR PARA:
proteção social e indicação de acesso a
benefícios sociais e programas de - Redução das violações dos direitos
transferência de renda; socioassistenciais, seus agravamentos ou
reincidência;
- Ser informado sobre direitos e como
- Proteção social às famílias e indivíduos;
acessá-los;
- Redução de danos provocados por
- Ter acesso a políticas públicas setoriais;
situações violadoras de direitos;
- Fortalecer o convívio social e comunitário.
- Construção de novos projetos de vida.
CONDIÇÕES E FORMAS DE ACESSO:
CONDIÇÕES: Famílias e indivíduos que
utilizam as ruas como espaço de moradia
e/ou sobrevivência. Anotações:
FORMAS DE ACESSO:
- Encaminhamentos do Serviço
Especializado em Abordagem Social, de
outros serviços socioassistenciais, das
demais políticas públicas setoriais e dos
demais órgãos do Sistema de Garantia de
Direitos;
- Demanda espontânea.
UNIDADE: Centro de Referência
Especializado para População em Situação
de Rua.
PERÍODO DE FUNCIONAMENTO: Dias
úteis, com possibilidade de funcionar em

176
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
SERVIÇOS DA PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL - ALTA COMPLEXIDADE

SERVIÇO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL.

DESCRIÇÃO GERAL: Acolhimento em unidade. O acolhimento será feito até que


diferentes tipos de equipamentos, destinado seja possível o retorno à família de origem
a famílias e/ou indivíduos com vínculos (nuclear ou extensa) ou colocação em
familiares rompidos ou fragilizados, a fim de família substituta.
garantir proteção integral. A organização do
O serviço deverá ser organizado em
serviço deverá garantir privacidade, o
consonância com os princípios, diretrizes e
respeito aos costumes, às tradições e à
orientações do Estatuto da Criança e do
diversidade de: ciclos de vida, arranjos
Adolescente e das “Orientações Técnicas:
familiares, raça/etnia, religião, gênero e
Serviços de Acolhimento para Crianças e
orientação sexual.
Adolescentes”.
O atendimento prestado deve ser
O serviço de acolhimento institucional para
personalizado e em pequenos grupos e
crianças e adolescentes pode ser
favorecer o convívio familiar e comunitário,
desenvolvido nas seguintes modalidades:
bem como a utilização dos equipamentos e
serviços disponíveis na comunidade local. 1. Atendimento em unidade residencial onde
As regras de gestão e de convivência uma pessoa ou casal trabalha como
deverão ser construídas de forma educador/cuidador residente, prestando
participativa e coletiva, a fim de assegurar a cuidados a um grupo de até 10 crianças e/ou
autonomia dos usuários, conforme perfis. adolescentes;
Deve funcionar em unidade inserida na 2. Atendimento em unidade institucional
comunidade com características semelhante a uma residência, destinada ao
residenciais, ambiente acolhedor e estrutura atendimento de grupos de até 20 crianças
física adequada, visando o desenvolvimento e/ou adolescentes. Nessa unidade é
de relações mais próximas do ambiente indicado que os educadores/ cuidadores
familiar. As edificações devem ser trabalhem em turnos fixos diários, a fim de
organizadas de forma a atender aos garantir estabilidade das tarefas de rotina
requisitos previstos nos regulamentos diárias, referência e previsibilidade no
existentes e às necessidades dos usuários, contato com as crianças e adolescentes.
oferecendo condições de habitabilidade, Poderá contar com espaço específico para
higiene, salubridade, segurança, acolhimento imediato e emergencial, com
acessibilidade e privacidade. profissionais preparados para receber a
criança/adolescente, em qualquer horário
DESCRIÇÃO ESPECÍFICA:
do dia ou da noite, enquanto se realiza um
PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: estudo diagnóstico detalhado de cada
situação para os encaminhamentos
Acolhimento provisório e excepcional para
necessários.
crianças e adolescentes de ambos os sexos,
inclusive crianças e adolescentes com PARA ADULTOS E FAMÍLIAS:
deficiência, sob medida de proteção (Art. 98
Acolhimento provisório com estrutura para
do Estatuto da Criança e do Adolescente) e
acolher com privacidade pessoas do mesmo
em situação de risco pessoal e social, cujas
sexo ou grupo familiar. É previsto para
famílias ou responsáveis encontrem-se
pessoas em situação de rua e desabrigo por
temporariamente impossibilitados de
abandono, migração e ausência de
cumprir sua função de cuidado e proteção.
residência ou pessoas em trânsito e sem
As unidades não devem distanciar-se
condições de autossustento.
excessivamente, do ponto de vista
geográfico e socioeconômico, da Deve estar distribuído no espaço urbano de
comunidade de origem das crianças e forma democrática, respeitando o direito de
adolescentes atendidos. permanência e usufruto da cidade com
segurança, igualdade de condições e
Grupos de crianças e adolescentes com
acesso aos serviços públicos.
vínculos de parentesco – irmãos, primos,
etc., devem ser atendidos na mesma

177
VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
O atendimento a indivíduos refugiados ou inclusão social e comunitária e do
em situação de tráfico de pessoas (sem desenvolvimento de capacidades
ameaça de morte) poderá ser desenvolvido adaptativas para a vida diária.
em local específico, a depender da
PARA IDOSOS:
incidência da demanda.
Acolhimento para idosos com 60 anos ou
O serviço de acolhimento institucional para
mais, de ambos os sexos, independentes
adultos e famílias pode ser desenvolvido
e/ou com diversos graus de dependência. A
nas seguintes modalidades:
natureza do acolhimento deverá ser
1. Atendimento em unidade institucional provisória e, excepcionalmente, de longa
semelhante a uma residência com o limite permanência quando esgotadas todas as
máximo de 50 pessoas por unidade e de possibilidades de autossustento e convívio
quatro pessoas por quarto; com os familiares. É previsto para idosos
que não dispõem de condições para
2. Atendimento em unidade institucional de
permanecer com a família, com vivência de
passagem para a oferta de acolhimento
situações de violência e negligência, em
imediato e emergencial, com profissionais
situação de rua e de abandono, com
preparados para receber os usuários em
vínculos familiares fragilizados ou rompidos.
qualquer horário do dia ou da noite,
enquanto se realiza um estudo diagnóstico Idosos com vínculo de parentesco ou
detalhado de cada situação para os afinidade – casais, irmãos, amigos, etc.,
encaminhamentos necessários. devem ser atendidos na mesma unidade.
Preferencialmente, deve ser ofertado aos
PARA MULHERES EM SITUAçãO DE
casais de idosos o compartilhamento do
VIOLÊNCIA:
mesmo quarto. Idosos com deficiência
Acolhimento provisório para mulheres, devem ser incluídos nesse serviço, de modo
acompanhadas ou não de seus filhos, em a prevenir práticas segregacionistas e o
situação de risco de morte ou ameaças em isolamento desse segmento.
razão da violência doméstica e familiar,
O serviço de acolhimento institucional para
causadora de lesão, sofrimento físico,
idosos pode ser desenvolvido nas seguintes
sexual, psicológico ou dano moral.
modalidades:
Deve ser desenvolvido em local sigiloso,
1. Atendimento em unidade residencial onde
com funcionamento em regime de co-
grupos de até 10 idosos são acolhidos. Deve
gestão, que assegure a obrigatoriedade de
contar com pessoal habilitado, treinado e
manter o sigilo quanto à identidade das
supervisionado por equipe técnica
usuárias. Em articulação com rede de
capacitada para auxiliar nas atividades da
serviços socioassistenciais, das demais
vida diária;
políticas públicas e do Sistema de Justiça,
deve ser ofertado atendimento jurídico e 2. Atendimento em unidade institucional
psicológico para a usuárias e seu filhos e/ou com característica domiciliar que acolhe
dependente quando estiver sob sua idosos com diferentes necessidades e graus
responsabilidade. de dependência. Deve assegurar a
convivência com familiares, amigos e
PARA JOVENS E ADULTOS COM
pessoas de referência de forma contínua,
DEFICIÊNCIA:
bem como o acesso às atividades culturais,
Acolhimento destinado a jovens e adultos educativas, lúdicas e de lazer na
com deficiência, cujos vínculos familiares comunidade. A capacidade de atendimento
estejam rompidos ou fragilizados. É previsto das unidades deve seguir as normas da
para jovens e adultos com deficiência que Vigilância Sanitária, devendo ser
não dispõem de condições de assegurado o atendimento de qualidade,
autosustentabilidade, de retaguarda familiar personalizado, com até quatro idosos por
temporária ou permanente ou que estejam quarto.
em processo de desligamento de
USUÁRIOS: Crianças, adolescentes,
instituições de longa permanência.
jovens, adultos, pessoas com deficiência,
Deve ser desenvolvido em Residências idosos e famílias.
Inclusivas inseridas na comunidade,
OBJETIVOS GERAIS:
funcionar em locais com estrutura física
adequada e ter a finalidade de favorecer a - Acolher e garantir proteção integral;
construção progressiva da autonomia, da

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VADE MECUM DO SERVIÇO SOCIAL
- Contribuir para a prevenção do - Promover o acesso à rede de qualificação
agravamento de situações de negligência, e requalificação profissional com vistas à
violência e ruptura de vínculos; inclusão produtiva.
- Restabelecer vínculos familiares e/ou PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA:
sociais;
- Desenvolver capacidades adaptativas para
- Possibilitar a convivência comunitária; a vida diária;
- Promover acesso à rede - Promover a convivência mista entre os
socioassistencial, aos demais órgãos do residentes de diversos graus de
Sistema de Garantia de Direitos e às demais dependência;
políticas públicas setoriais;
- Promover o acesso à rede de qualificação
- Favorecer o surgimento e o e requalificação profissional com vistas à
desenvolvimento de aptidões, capacidades inclusão produtiva.
e oportunidades para que os indivíduos
PARA IDOSOS:
façam escolhas com autonomia;
- Incentivar o desenvolvimento do
- Promover o acesso a programações
protagonismo e de capacidades para a
culturais, de lazer, de esporte e
realização de atividades da vida diária;
ocupacionais internas e externas,
relacionando-as a interesses, vivências, - Desenvolver condições para a
desejos e possibilidades do público. independência e o auto-cuidado;
OBJETIVOS ESPECÍFICOS: - Promover o acesso a renda;
PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: - Promover a convivência mista entre os
residentes de diversos graus de
- Preservar vínculos com a família de
dependência.
origem, salvo determinação judicial em
contrário; PROVISÕES:
- Desenvolver com os adolescentes AMBIENTE FÍSICO: Espaço para moradia,
condições para a independência e o auto- endereço de referência, condições de
cuidado. repouso, espaço de estar e convívio, guarda
de pertences, lavagem e secagem de
PARA ADULTOS E FAMÍLIAS:
roupas, banho e higiene pessoal, vestuário
- Desenvolver condições para a e pertences. Acessibilidade de acordo com
independência e o auto-cuidado; as normas da ABNT.
- Promover o acesso à rede de qualificação ESPECÍFICOS:
e requalificação profissional com vistas à
PARA ADULTOS E FAMÍLIAS: Conforme a
inclusão produtiva.
realidade local.
PARA MULHERES EM SITUAçãO DE
RECURSOS MATERIAIS: Material
VIOLÊNCIA:
permanente e material de consumo
- Proteger mulheres e prevenir a necessário para o desenvolvimento do
continuidade de situações de violência; serviço, tais como: mobiliário, computador,
impressora, telefone, camas, colchões,
- Propiciar condições de segurança física e
roupa de cama e banho, utensílios para
emocional e o fortalecimento da autoestima;
cozinha, alimentos, material de limpeza e
- Identificar situações de violência e suas higiene, vestuário, brinquedos, entre outros.
causas e produzir dados para o sistema de Materiais pedagógicos, culturais e
vigilância socioassistencial; esportivos. Banco de Dados de usuários de
benefícios e serviços socioassistenciais;
- Possibilitar a construção de projetos Banco de Dados dos serviços
pessoais visando à superação da situação
socioassistenciais; Cadastro Único dos
de violência e o desenvolvimento de
Programas Sociais; Cadastro de
capac