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SOLUÇÕES

SOLUÇÕES Por outro lado, na sua convivência diária com outros, o homem
FICHAS DE LEITURA está a desenvolver-se. As experiências que vive acabam por lhe
FICHA 1 – Diário (pp. 36-37) ensinar algo; logo, estas aprendizagens dão-lhe a possibilidade de,
em novas situações, poder agir em função do conhecimento
1. (A); 2. (C); 3. (A); 4. (D); 5. (C).
adquirido e de evoluir.
6. “seria” – condicional presente. Assim, conclui-se que a memória é fundamental para o ser
7. Vocativo. humano, pois permite o seu crescimento psicoemocional e social.
8. Palavra derivada por prefixação. [151 palavras]

FICHA 2 – Memória (pp. 38-39) Proposta 2


1. (D); 2. (B); 3. (A); 4. (C); 5. (B). Os cinco sentidos são ferramentas essenciais para compreen-
dermos o mundo e lidarmos com o meio envolvente.
6. Saramago aponta duas razões que justificam a pouca afetivi-
Qualquer sensação se reveste de enorme importância no
dade com os avós paternos: por um lado, o facto de serem
nosso quotidiano. Pelo olfato, apreendemos os cheiros que nos
pouco carinhosos; e, por outro, a quase total ausência de situa-
recordam momentos agradáveis ou nos alertam para situações de
ções de convivência.
perigo: gás ou fumo, por exemplo. O tato é eficaz na transmissão
7. Ao saber da morte da avó, uma vez que se encontrava perante de afeto e calor humano − através de um abraço − mas é também
a mãe e o diretor da escola, Saramago decidiu agir de forma ra- uma forma de defesa do calor ou do frio em excesso. A audição de
cional, fixando o relógio para registar a hora a que soube do suce- uma boa música ajuda a lidar com o stresse e propicia momentos
dido. No entanto, durante breves momentos, fingiu sentir alguma de inegável prazer, do mesmo modo que o sabor que um paladar
emoção, uma vez que “ficaria bem verter uma lágrima ou duas”. apurado proporciona é considerado dos maiores prazeres da vida.
8. A família vivia de forma bastante humilde. Quando a avó pa- A visão é o sentido que permite captar a beleza e a variedade
terna adoeceu, mudou-se para casa do escritor, que era pequena do mundo que nos envolve.
e obrigou os pais a deixarem de dormir na sua própria cama, para Em suma, a ausência de qualquer um dos sentidos acarretará,
ela a ocupar; Saramago, por seu lado, dormia no chão, noutra divi- inevitavelmente, uma diminuição da qualidade de vida do ser
são. Além de ser um espaço exíguo, a sua casa denota fracas com- humano.
dições dada a “coabitação” com alguns animais como as baratas. [151 palavras]
FICHA 3 – Apreciação crítica (pp. 40-41) FICHA 2 – Apreciação crítica (p. 48)
1. (B); 2. (B); 3. (C); 4. (D); 5. (A). (Apreciação do livro – Se isto é um homem, de Primo Levi, Pu-
6. É uma pintora colombiana; nascida em 1919, em Bogotá, e que blicações Dom Quixote, 2010).
morreu em 2003, em Bordéus; pode afirmar-se que teve uma Se isto é um homem é o primeiro livro do italiano Primo Levi
infância infeliz e foi quase analfabeta até aos 18 anos. que, com 24 anos, foi capturado e enviado para a Polónia.
Escrito na primeira pessoa, este não é apenas mais um livro
7. “a autora escreve quando é adulta, mas quem fala nestas
sobre o Holocausto, esse período terrível da historia da Humani-
linhas é a menina que ela foi.” (ll. 26-28).
dade. Num retrato fabuloso da dureza e da brutalidade das condi-
8. Apesar de todos os problemas por que passou, incluindo a clau-
ções de vida em Auschwitz – a fome, o frio, o medo, o cansaço, a
sura num convento, o conteúdo das cartas não deixa antever uma
incerteza, o horror –, o autor destaca alguns prisioneiros que tudo
mulher fria, ressentida e amargurada com a vida.
fizeram para manter a dignidade que lhes era roubada pela desu-
FICHA 4 – Artigo de opinião (pp. 42-43) manização a que eram sujeitos, transformados numa massa hu-
1. (C); 2. (B); 3. (A); 4. (C); 5. (D). mana que perdera não só o direito ao nome como o direito de
6. Uma educação sólida promove o gosto pelo saber e pelo estudo, viver. E fá-lo num discurso sóbrio, mas cheio de humanidade,
desenvolve hábitos de rigor, de esforço, de respeito pela diversi- revelador de uma sensibilidade quase poética.
dade de pontos de vista e forma cidadãos capazes de compreen- Trata-se, sobretudo, de uma reflexão sobre a condição hu-
derem e intervirem no mundo em que vivemos. mana. É um livro que vale a pena ler e reler pela extraordinária
7. Os adultos enfrentam uma situação de falta de oportunidades forma como prende o leitor.
ao nível da formação contínua, dada a ausência de investimento [151 palavras]
nesta área, pela falta de políticas e de meios financeiros.
8. Na opinião do autor, a sociedade tem uma dívida para com a FICHA 3 – Texto de opinião (p. 49)
geração adulta, pois foi essa geração que se esforçou no sentido
Proposta 1
de permitir às gerações mais jovens terem cada vez mais oportu-
Introdução – Definição do ponto de vista a defender: o ser
nidades educativas.
humano usa a tecnologia para o bem comum.
Desenvolvimento
FICHAS DE ESCRITA 1º argumento – os avanços científicos ao serviço do bem-es-
FICHA 1 – Exposição sobre um tema (p. 47) tar das populações.
Proposta 1 Ex.: novas técnicas e aparelhos usados no diagnóstico ou tra-
Uma vez que não vive isolado, o ser humano interage com di- tamento de doenças até agora incuráveis;
ferentes tipos de pessoas – familiares, amigos – experienciando 2º argumento – os avanços científicos ao serviço da comuni-
momentos que guardará na memória, devido à riqueza que lhe cação entre as pessoas e do desenvolvimento económico e
trouxeram, seja emocional, cultural ou outra. social.
Na verdade, o homem necessita de se relacionar afetiva e so- Ex.: desenvolvimento de tecnologias que permitem um com-
cialmente para ter uma vida plena. A preservação dos momentos tacto mais fácil entre as pessoas a nível social (redes sociais)
vividos é uma forma de manter, ou reforçar, os laços afetivos que oua nível laboral (plataformas que permitem o trabalho ou a
o unem aos que o rodeiam; por vezes, a vida afasta as famílias e aprendizagem à distância).
as amizades. No entanto, as vivências conjuntas permanecerão Conclusão – Necessidade de usar as tecnologias para o bem
através da recordação. comum.

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Proposta 2 2. a. sujeito; complemento oblíquo; b. complemento do nome;


Introdução – A comunicação via Internet é um ato solitário c. complemento direto; d. complemento do adjetivo; modificador
que não implica proximidade física. do nome apositivo.; e. modificador do nome restritivo; predicativo
Desenvolvimento – Interagir através da escrita não é ime- do sujeito; f. complemento do nome; complemento oblíquo;
diato nem tão espontâneo como a interação presencial, física. g. complemento do nome; h. complemento direto; i. predica-
Com efeito, a ausência de contacto visual e a inexistência de co- tivo do complemento direto.
municação não verbal entre os intervenientes dificultam o conhe- FICHA 4 – Frase complexa (p. 57)
cimento do outro e a manifestação espontânea de sentimentos. 1. [A] – [9]; [B] – [2]; [C] – [3]; [D] – [10]; [E] – [2]; [F] – [7];
Assim, habituados a uma comunicação predominantemente rea- [G] – [1]; [H] – [6]; [I] – [11]; [J] – [4]; [K] – [8]; [L] – [7].
lizada através das redes sociais, muitos jovens tornam-se mais
inibidos e menos capazes de desenvolver competências no âmbito FICHA 5 – Coesão e coerência (p. 58)
1
da interação, isolando-se. Coesao lexical (por sinonimia).; 2 Coesao gramatical frasica.; 3
Conclusão – Em suma, ler o que os outros escrevem e respon- Coesao gramatical interfrasica.; 4 Coesao gramatical referencial.;
5
der-lhes não é um ato de comunicação completo, pois não permite Coesao gramatical temporal.
o contacto físico e formas de afetividade mais diretas e intensas. 2. a. “a amiga”; b. “Aquele livro”; c. “uma atividade”; d. “os exer-
cícios”.
FICHA 4 – Síntese (pp. 51-52)
3. “Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa em 1825. Aos 35 anos,
Proposta 1 [95 palavras] o autor enfrentou um grave problema na sua vida: a possibilidade
Atualmente, o mundo virtual das redes sociais facilita a crí- de ser preso, porque vivia um amor adúltero com Ana Plácido. Na
tica e o protesto, a explosão de sentimentos, opiniões e julgamen- tentativa de escapar à justiça, o romancista refugiou-se em casa de
tos de forma imediata, perante uma audiência imensa, o que tem amigos, mas acabou por ser preso na cadeia da Relação do Porto.
consequências no mundo real. Aí escreveu, em quinze dias, aquela que é considerada a sua obra-
Antigamente, a ausência de barreiras entre o crítico e o criti- -prima – O amor de perdição. O escritor acreditava que esse seu
cado, por um lado, e a distanciação temporal que implicava o pro- romance teria grande impacto no seu público feminino, já que o
testo escrito, por outro, permitiam repensar o “insulto” e dosear levaria a chorar.
a indignação, logo, a reação era mais controlada e refletida.
4. a. Não se observa o princípio da progressão e de renovação da
É necessário, pois, que os cidadãos aprendam a conviver com
informação.; b. Há contradição.; c. Não se verifica progressão. Não
esta nova realidade, estabelecendo limites para aquilo que é acei-
se privilegia informação relevante; não há continuidade de sentido.
tável.
Proposta 2 [88 palavras] QUESTÕES DE AULA
Atualmente, verifica-se uma tendência prejudicial para elimi-
1 – FERNANDO PESSOA , POESIA DO ORTÓNIMO (p. 60)
nar alimentos da nossa dieta.
Sabe-se que devemos ter uma dieta variada e feita em casa. 1. a. F; b. V; c. F; d. V; e. V; f. F; g. V; h. F; i. V; j. V; k. F; l. V
Contudo, constata-se que parte da população apresenta doenças 2. 2.1. (B); 2.2. (B); 2.3. (A); 2.4. (C).
causadas por uma má nutrição. Em contrapartida, assiste-se a um 2 – POESIA DOS HETERÓNIMOS E BERNARDO SOARES (pp. 61-
proliferar de gurus das dietas. 62)
Para obtermos o equilíbrio, é necessário mudar comporta- 1. a. F; b. V; c. V; d. F; e. V; f. V; g. F; h. V; i. F; j. V; k. V; l. V;
mentos e cuidar a alimentação. m. F; n. F.
Sophie Deram afirma que é fundamental mudar hábitos e
2. a. V; b. V; c. F; d. V; e. V; f. V; g. F; h. V; i. V.
comer só quando é necessário. Afirma também que é um erro
elimi-nar componentes dos alimentos e que o bom senso é 3. [A] – [2]; [B] – [11]; [C] – [7]; [D] – [13]; [E] – [1]; [F] – [3];
fundamental. [G] – [6]; [H] – [9]; [I] – [8]; [J] – [4].
4. a. F; b. V; c. F; d. V; e. V; f. V; g. F; h. F.
FICHAS DE GRAMÁTICA 3 – FERNANDO PESSOA, MENSAGEM (p. 63)
FICHA 1 – Sequências textuais/Intertextualidade (p. 54) 1. a. três; b. “Brasão”; c. cinco; d. Avis; e. O Infante D. Henrique;
1. [A] Narrativa e dialogal; [B] Descritiva; [C] Explicativa; [D] Ar- f. “Mar português”; g. dos Descobrimentos; h. “Mostrengo”; i. “O
gumentativa. Encoberto”; j. “É a hora!”
2. [A] – [4]; [B] – [5]; [C] – [2]; [D] – [3]; [E] – [1]. 2. 2.1. (B); 2.2. (C); 2.3. (A); 2.4. (A).
FICHA 2 – Valor temporal, aspetual e modal (p. 55) 4 – POETAS CONTEMPORÂNEOS (pp. 64-65)
1. a. Simultaneidade.; b. Anterioridade.; c. Posterioridade. 1. e 1.1. a. V; b. V; c. V; d. F – Para Torga, a criação poética decorre
2. [A] – [4]; [B] – [2]; [C] – [1]; [D] – [5]; [E] – [3]; [F] – [1]; do esforço do poeta, o que implica dedicação e entrega total ao tra-
balho artístico. e. V; f. F – Ana Luísa Amaral explora as potencia-
[G] – [5].
lidades da língua, nomeadamente a musicalidade da linguagem.;
3. a. Modalidade apreciativa.; b. Modalidade epistémica (valor de g. V; h. F – A poesia de Ana Luísa Amaral baseia-se no quotidiano
certeza).; c. Modalidade deôntica (valor de permissão).; d. Moda- doméstico e familiar, mas o sonho e a fantasia são características da
lidade deôntica (valor de obrigação).; e. Modalidade epistémica sua obra.; i. V; j. F – A poesia de Manuel Alegre recupera frequente-
(valor de probabilidade). mente a tradição literária, nomeadamente na linha de Camões
FICHA 3 – Dêixis/Funções sintáticas (p. 56) e das Cantigas de Amigo.; k. V; l. F – Manuel Alegre defende valores
1. a. Deíticos pessoais – “Tu”, “disseste”, “me”, “acabaste”, “tenho”, coletivos, em detrimento de anseios individuais.
“meu”.; b. Deíticos espaciais – “lá”, “aqui”.; c. Deíticos temporais – 2. [A] – [4]; [B] – [1], [7]; [C] – [3], [5]; [D] – [2], [4], [6].
“disseste”, “acabaste”, “ontem”, “hoje”, “tenho”.

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5 – Contos (p. 66) do “eu” por conseguir libertar-se do ato de pensar. Na última
1. [A] – [6]; [B] – [5]; [C] – [7]; [D] – [3]; [E] – [4]. estrofe, correspondendo à segunda parte, o eu lírico constata que,
afinal, não pensar em nada, apesar de trazer felicidade, também
2. [A] – [5]; [B] – [3]; [C] – [4]; [D] – [2]; [E] – [1].
causa desconforto.
6 – O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS (p. 67)
2. “[não pensar em nada] É-me agradável como o ar da noite, /
1.1. (A); 1.2. (C); 1.3. (C); 1.4. (B); 1.5. (D); 1.6. (B); 1.7. (D); 1.8. (A); Fresco em contraste com o verão quente do dia.” Estabelece-se um
1.9. (B); 1.10. (C). paralelismo entre a dureza do ato de pensar, que se compara a um
2. e 2.1. a. F – Ao fim de algum tempo como hóspede do Hotel Bra- dia quente de verão, que custa a suportar, e o ato de não pensar em
gança, Ricardo Reis aluga uma casa no Alto de Santa Catarina.; nada, comparado ao ar fresco da noite, que, naturalmente, traz
b. V; c. V; d. F – O Ricardo Reis saramaguiano apresenta-se quase algum conforto.
como um decalque do heterónimo de Pessoa, quer em termos físi- 3. O sujeito poético sente-se bem, feliz, por não estar a pensar em
cos, quer literários, quer, ainda, em termos de personalidade.; e. F – nada, afirmando que isso é “ter a alma própria e inteira” (v. 7) e
Fernando Pessoa visita várias vezes Ricardo Reis seja no Hotel “viver intimamente” (v. 9). Refere ainda que tem uma dor nas
Bragança seja na sua casa do Alto de Santa Catarina.; f. V; g. V; costas e “um amargo de boca” (v. 14) na alma, o que não o impede
h. F – Marcenda é uma mulher passiva e desistente.; i. F – Ricardo de se sentir liberto, apenas porque, naquele momento, não está a
Reis sente que se meteu num grande sarilho, não sabendo se vai ou pensar em nada.
não perfilhar a criança.; j. V. 4. Os versos referidos são reveladores da satisfação do “eu” por não
QUESTÃO DE AULA 7 – MEMORIAL DO CONVENTO (p. 69) pensar, o que lhe permite sentir a alma liberta, ou seja, sentir-se
despreocupado. Estes versos deixam antever que o pensamento
1.1. (C); 1.2. (C); 1.3. (B); 1.4. (C); 1.5. (A); 1.6. (D); 1.7. (D); 1.8. (D);
atormenta a alma e esta só é sentida como inteira, liberta, se o
1.9. (A); 1.10. (D).
pensamento não atormentar o sujeito poético, tal como acontece
2. a. F – D. João V promete edificar o convento caso a rainha consiga no momento da enunciação.
engravidar no prazo de um ano.; b. F – Foi o Alto da Vela, em
5. Com esta anáfora, consegue acentuar-se o estado de ataraxia em
Mafra.; c. F – Muitos homens foram obrigados a trabalhar na
que o “eu” se encontra e reforçar o prazer que advém de não usar o
construção e as condições a que os trabalhadores do convento
pensamento, sugerindo que o pensar atormenta o sujeito poético e,
estavam sujeitos eram péssimas.; d. V; e. V; f. V; g. F – O padre
por isso, o não estar pensando naquele momento é motivo de
começa a revelar comportamentos estranhos depois da conversa
grande satisfação e algo incomum, que o levam a reforçar
com Scarlatti e da observação de uma gaivota.; h. V.
positivamente esse atual estado de espírito.
GRUPO II
TESTES
1. (D); 2. (C); 3. (A).
TESTE 1 – FERNANDO PESSOA, POESIA DO ORTÓNIMO (pp. 72-73)
4. Verbo auxiliar.
GRUPO I
5. Modalidade epistémica com valor de certeza.
1. O sujeito poético, em jeito de evocação, convoca um domingo sola-
TESTE 3 – FERNANDO PESSOA, BERNARDO SOARES (pp. 76-77)
rengo e a sua rua, aquela onde morou e onde as crianças brincavam
alegremente, tal como se pode ver ao longo da primeira estrofe. GRUPO I
2. No presente, o “eu” sente-se magoado, triste, inseguro, mas 1. O narrador considera que tudo no mundo é “absurdo”: o dinheiro,
certo de que a vida pouco lhe deu e nem esse pouco soube apro- a procura da fama e de coisas de que não se gosta, o vestuário da
veitar. Por isso, as transformações por que passou fazem-no valo- rapariga, o forro dos bancos do elétrico, as atividades por detrás da
rizar o tempo da infância que se pode associar à alegria de viver, à fabricação dessas peças, no fundo, toda a vida da sociedade. Esta
despreocupação, que contrastam com a racionalização excessiva do reflexão ilustra as incoerências do ser humano, o que leva Soares a
presente. descrer num mundo sem sentido.
3. O poema tem como tema “a nostalgia da infância”, uma vez que 2. Através da observação do vestido da rapariga, o autor transporta-
todo ele se baseia na reflexão que o “eu” adulto, no presente, faz -se para um outro mundo, “decompondo o vestido”, imaginando as
sobre o passado, o tempo que viveu, mas de que não disfrutou e fábricas, as máquinas, os operários, as costureiras, as vidas
que teria sido marcado pela alegria só alcançada por quem vive sem domésticas e sociais de todos os implicados na criação do vestido.
consciência ou sem noção da realidade. Este processo de transformação do real é transmitido num registo
poético, em que sobressaem as enumerações (“as máquinas, os
4. O articulador “Mas” marca o regresso à realidade do presente,
operários, as costureiras”, l. 15).
por oposição à reflexão que o sujeito faz acerca do passado.
3. Olhar, reparar é assumido pelo autor como um ato habitual,
5. Os sinais de pontuação predominantes são a exclamação e o
quotidiano (“e estou reparando lentamente, conforme é meu cos-
recurso às reticências, que refletem o caráter emotivo, reflexivo e
tume, em todos os pormenores das pessoas que vão adiante de
nostálgico do poema.
mim.”, ll. 7-8), pois permite-lhe fazer uma leitura do mundo exte-
GRUPO II rior. Neste fragmento, destaca-se a cor do vestido e do bordado,
1. (C); 2. (D); 3. (B). como forma de acentuar a sua inutilidade (“um retrós de seda ver-
4. Oração coordenada adversativa. de-escura fazendo inutilidades”, l. 23), o que confirma a afirmação
5. Valor copulativo. que abre o texto – “Tudo é absurdo”.
4. Para Bernardo Soares, “viver” significa “sonhar” − “Vivi a vida
TESTE 2 – FERNANDO PESSOA, POESIA HETERÓNIMOS (pp. 74-75)
inteira” transmite o cansaço do sujeito, por ter vivido tão intensa-
GRUPO I mente pela imaginação.
1. O poema pode ser dividido em duas partes lógicas. As primeiras 5. O quotidiano urbano, a deambulação, o sonho e a transfiguração
três estrofes corresponderão à primeira, dando conta da felicidade poética do real são as principais temáticas presentes neste fragmento.

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GRUPO II 5. O espaço referido é a região do Douro, para o qual apontam as


1. (B); 2. (A); 3. (B). expressões “doce mar de mosto” (v. 2), “socalcos” (v. 12), “vi-
nhedos” (v. 13), “Doiros desaguados” (v. 15), “cheiro / a terra e
4. Oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
a rosmaninho” (vv. 26-27).
5. É uma palavra derivada por prefixação e sufixação.
GRUPO II
TESTE 4 – FERNANDO PESSOA, MENSAGEM (pp. 78-79) 1. (A); 2. (C); 3. (C).
GRUPO I 4. Coesão lexical por sinonímia.
1. O país encontra-se numa crise de identidade e de fragmentação 5. “Por isso” – valor conclusivo.
(“Tudo é disperso, nada é inteiro”, v. 12), num estado de desalen-
to e de indefinição, onde a ausência de sentido e de força anímica TESTE 6 – “SEMPRE É UMA COMPANHIA ” (pp. 82-83)
imperam (“Ninguém sabe que coisa quer.”, v. 7). Destacam-se as GRUPO I
ausências de brilho e de alma (“fulgor baço”, “brilho sem luz”) 1. O tempo parece passar rapidamente porque o modo de vida
capazes de o “rejuvenescer”. monótono e triste dos ceifeiros alterou-se completamente com
2. O título remete para um estado de falta de clareza e indefinição. a chegada da rádio. O convívio que lhes proporciona, ao fim de
O conteúdo do poema, além de desenvolver esta ideia, enuncia um dia de trabalho, traz-lhes uma felicidade inesperada, o que
as razões pelas quais o estado de Portugal pode ser considerado torna a passagem do tempo menos penosa.
“nebuloso”: falta de vontade e de ânimo dos seus habitantes. 2. A rádio trouxe desenvolvimento a Alcaria. Os ceifeiros, que an-
3. O verso entre parênteses, através da antítese “distante”/“perto”, teriormente não tinham vida social nem meio de se informarem
evoca o passado (“ânsia distante”), como forma de chamar a aten- sobre o que se passava, podem agora reunir-se na venda à volta
ção para o presente (“perto chora”), numa atitude de apelo à re- da rádio e assim tomarem conhecimento das notícias nacionais
flexão, feito em forma de interrogação, com o objetivo de fazer e internacionais, nomeadamente da guerra, através da “determi-
crer que deverá ser recuperada a atitude que no passado levou os nada voz” sempre ansiada.
portugueses às conquistas. 3. O receio dos ceifeiros decorre da possibilidade de o rádio ter de
4. Os pronomes e advérbios de negação permitem pôr em des- ser devolvido. A concretizar-se, implicaria o regresso à “escuridão”
taque a descrição de um país caracterizado pelo desalento, pelo ao isolamento, à tristeza e ao alheamento do mundo. Por isso, os
desânimo, pela ausência de perspetivas, por uma crise social, po- ceifeiros abandonam a venda mudos e taciturnos. A esperança tra-
lítica e de valores – uma visão negativa e pessimista da pátria que zida pelo aparelho morria agora ante a perspetiva da sua devolução.
é necessário mudar. 4. A expressão significa que, sem o “alento” que o rádio trouxe a
5. Atendendo ao caráter exortativo, tratar-se-á de um apelo e de Alcaria, os seus habitantes voltariam à sua maneira de viver –
um incentivo à ação. Perante a constatação do estado de triste e sem perspetivas – o que equivale a dizer que haveria um
“tristeza” em que Portugal se encontra, o sujeito poético exorta à retrocesso no modo como os ceifeiros encaravam a vida.
ação, pois é chegada a hora de os portugueses despertarem e 5. A atitude da mulher de Batola, no final do conto, demonstra
transformarem o “fulgor baço” em brilho claro. que, apesar de resguardada durante um mês, ela observava o que
GRUPO II se passava. Quando se apercebeu de que o marido se preparava
1. (A); 2. (B); 3. (D). para devolver o aparelho, veio pedir-lhe, quase num sussurro,
que ficassem com ele, pois também ela compreendeu que,
4. Nome comum.
naquele “deserto” onde viviam, a rádio era “uma companhia”.
5. Composição morfossintática (palavra+palavra).
GRUPO II
TESTE 5 – POETAS CONTEMPORÂNEOS (pp. 80-81) 1. (B); 2. (C); 3. (D).
GRUPO I 4. Orações coordenadas copulativas.
1. Perante a beleza da terra duriense, pela qual se sente atraído, 5. “A esperança de melhor vida para todos” (l. 16).
S. Leonardo ruma em direção à eternidade com a certeza de que
essa vida eterna (“cais divino”, v. 11) será um desencanto. Esta TESTE 7 – “FAMÍLIAS DESAVINDAS ” (pp. 84-85)
ideia dá continuidade ao verso anterior em que manifesta a sal- GRUPO I
dade da terra que vai deixar. por isso, faz “sem pressa” o seu ca- 1. A ação inicia-se muito anos antes da Segunda Guerra Mundial
minho. (1939-1945) e prolonga-se até depois da revolução do 25 de Abril
2. A expressão “doce mar de mosto” constitui uma metáfora pois (1974), abrangendo várias gerações de semaforeiros e de médi-
estabelece-se um paralelismo entre o rio Douro e o mar quer pela cos. Esta indicação temporal pode ser confirmada pelos seguintes
imensidão quer pela beleza de ambos. Por outro lado, associa-se excertos textuais: “Durante anos e anos o bom do Ramon pedalou e
também o paladar e o cheiro das uvas quando são colhidas, numa comutou. Por alturas da Segunda Grande Guerra foi substituído
clara alusão às vindimas durienses, pelo que também está presen- pelo seu filho Ximenez, pouco depois da revolução de Abril pelo
te a sinestesia – fusão de sensações decorrentes de sentidos neto Asdrúbal, e, um dia destes, pelo bisneto Paco.” (ll. 6-8).
diferentes. 2. Os semaforeiros exercem a sua profissão com grande dedica-
3. O recurso a vocabulário de valoração positiva pertencente ao ção, o que se pode verificar pela “transmissão” do lugar de se-
campo lexical da Natureza é uma constante no poema (“penedos”, maforeiro de geração em geração, apesar do salário baixo que
“doce mar”, “ondas”, “socalcos”, “vinhedos”, “terra”, “rosmaninho”). auferiam (“modesto”, “equivalente ao de um jardineiro”). Por outro
Além disso, a expressividade das metáforas enfatiza a beleza que se lado, a dedicação é notória pelo zelo com que cuidavam do equipa-
pretende destacar: “navio de penedos”, “charcos de luz envelhecida”. mento, uma vez que os elementos das três gerações foram vistos
4. Na primeira estrofe predomina o presente do indicativo, que ca- a “afeiçoar pormenores”, “de ferramenta em riste”.
racteriza o modo como se desenrola a viagem através do rio (“cais 3. O doutor era um médico exageradamente cuidadoso, desempe-
humano”). Na segunda estrofe, o tempo verbal passa a ser o futuro, nhando a sua função com um desvelo fora do comum, o que o le-
pois refere-se ao que o barco encontrará no destino (“cais divino”). vava a dirigir-se diretamente aos transeuntes (“Está doente? Não?

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Tem a certeza? E essas olheiras, hã? Venha daí que eu trato-o.”, assim o sonho de padre Bartolomeu; o par amoroso, Baltasar e
ll. 19-20). Por outro lado, mostrava-se um pouco arrogante com Blimunda, deram um contributo importante para a concretização
Ramon e com o modo como este desempenhava a sua tarefa, o deste objetivo quer na recolha das vontades quer nos trabalhos de
que causou inimizades entre os dois (“A mim, ninguém me diz construção do invento. É também referido que a passarola sobre-
quando devo atravessar uma rua. Sou um cidadão livre e desim- voou as obras do convento, podendo entender-se que a linha de
pedido.”, l. 22). ação referente ao povo que construiu o convento – segunda linha
4. Os semáforos são vistos, por um lado, pela maioria dos há- de ação – se cruza com as outras duas.
bitantes de forma simpática e até benevolente a tal ponto que, 3. As gentes de Mafra que viram a passarola tiveram reações di-
inclusivamente, interagem com o semaforeiro, pedindo que abra vergentes. Uns, os mais céticos, duvidaram de que algum objeto
o sinal. Por outro lado, o médico não aprecia ter de se submeter tivesse cruzado os céus. Outros, os menos destemidos, ajoelha-
à vontade de um sinal para atravessar a rua, o que acabará por ram- se e pediram clemência, imaginando que estariam prestes a
trazer desavenças durante várias gerações. ser punidos por uma entidade divina desconhecida.
5. Ironia. Com este recurso pretende-se fazer um retrato híper- 4. A expressão simboliza, metaforicamente, o momento do ocaso
bólico do modo zeloso e demasiado cumpridor como o médico de- do sol. É, portanto, o final do dia e o início da noite.
sempenhava a sua profissão. 5. O voo da passarola tinha também o objetivo de afastar o padre
GRUPO II Bartolomeu das garras da Inquisição. Contudo, a máquina voa-
1. (D); 2. (A); 3. (B). dora, ao cair, deixaria novamente o padre Bartolomeu vulnerável.
Esta perspetiva amedrontava o Voador, uma vez que percebia
4. Oração subordinada adverbial causal.
muito bem o risco que corria.
5. Valor aspetual habitual.
GRUPO II
TESTE 8 – O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS (pp. 86-87) 1. (D); 2. (B); 3. (A).
GRUPO I 4. Modalidade epistémica (com valor de probabilidade).
1. Ao percorrer as ruas de Lisboa, Ricardo Reis depara-se com a 5. Sujeito.
pobreza que se fazia sentir em Portugal, durante o período sala-
zarista; observa e estranha uma enorme (“mais de mil”) multidão, TESTE GLOBAL 1 – MÓDULO 7 (pp. 92-95)
caracterizada como pobre que espera o bodo do Século, (“tudo GRUPO I – A
gente pobre, dos pátios e barracas, l. 28”) e mal cheirosa (“odor 1. Na primeira estrofe, o “eu” lírico afirma que a nossa vida nos é
de cebola, alho e suor recozido”, ll. 21-22). concedida por um uma entidade divina (“E possuindo a Vida / Por
2. Durante a conversa que mantém com Ricardo Reis, o guarda foi uma autoridade primitiva / E coeva de Jove”, vv. 4-6) e que a
cordial para com ele e tratou-o sempre com deferência (“vossa devemos viver considerando que somos “divindades” exiladas.
senhoria”, l. 27). Contudo, quando se dirige aos pobres, ordena que 2. Os humanos devem viver de forma plácida e serena; embora
abram espaço para que Ricardo Reis possa passar (“como quem aproveitando a vida, devem esquecer as paixões violentas (“o
enxota galinhas”, ll. 38-39) e não o faz de modo simpático, mas estio”) para que, quando chegar a hora da morte, nada possa im-
autoritário, e até usa de alguma agressividade (“não queiram que pedir a serenidade.
trabalhe o sabre”, l. 39). 3. No poema encontram-se referências à impossibilidade de fugir
3. A expressão contém uma comparação que tem como propósito ao destino que controla a nossa existência (“O Destino / É calmo e
salientar a forma desumana e indiferente como os pobres eram inexorável”, vv. 15-16); por isso é sugerida a vivência serena,
tratados pelo regime. evitando as paixões que atormentam (“Usemos a existência / […] /
Para esquecer o estio”, vv. 8 e 10).
4. A deambulação geográfica é visível nos espaços percorridos por
Ricardo Reis e na observação e descrição que faz de GRUPO I – B
determinados aspetos das ruas por onde passa. 4. Os sentidos contribuem para o encantamento que a Natureza
5. O tom coloquial é evidente nos comentários do narrador e na desperta no “eu”, o que lhe traz a felicidade (“Se falo na Natureza
forma como envolve o narratário no discurso através do uso da não é porque saiba o que ela é, / Mas porque a amo, e amo-a por
primeira pessoa do plural, aspetos comprováveis na expressão “ai isso”, vv.20-21). Contudo, de todos os sentidos, no poema é dada
de nós” (l. 5). primazia à visão (“Creio no mundo como um malmequer, /
Porque o vejo.” vv. 13-14).
GRUPO II
5. O sujeito lírico defende a preponderância dos sentidos sobre o
1. (D); 2. (A); 3. (C).
pensamento (“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...”, v. 19), o
4. Oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
que o leva a concluir: “Amar é a eterna inocência, / E toda a
5. Complemento indireto. inocência é não pensar...” (vv. 24-25). Esta atitude é confirmada
TESTE 9 – MEMORIAL DO CONVENTO (pp. 89-90) pelo facto de se referir sempre ao pensar através de vocabulário
de conotação negativa (“Porque pensar é não compreender...”, v.
GRUPO I
15); “(Pensar é estar doente dos olhos”, v. 17), aliando, neste
1. A ação do excerto refere-se ao voo inicial da passarola. Após caso, o pensamento à doença.
ter tomado conhecimento de que era procurado pelo Santo
GRUPO II
Ofício, o padre Bartolomeu dirigiu-se a São Sebastião da Pedreira,
onde, juntamente com Baltasar e Blimunda, fez a passarola 1. (B); 2. (A); 3. (C); 4. (D); 5. (B); 6. (A); 7. (B).
levantar voo, impedindo que a Inquisição os encontrasse e os 8. Valor disjuntivo ou alternativo.
punisse. 9. Oração subordinada adjetiva relativa explicativa.
2. Neste excerto, cruzam-se a terceira e a quarta linhas de ação – 10. Composição morfossintática (palavra + palavra).
relação entre Baltasar e Blimunda; o sonho do padre e o voo da GRUPO III
passarola. A passarola finalmente levanta voo, cumprindo-se

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Resposta pessoal. Sugere-se, contudo, o seguinte plano: Introdução: obrigação de cada um aproveitar a sua passagem
pelo planeta, respeitando as opções dos outros.
Desenvolvimento: as sociedades capitalistas e o incentivo ao Conclusão: O contributo individual na defesa destes valores é
consumo; as dificuldades económicas de muitos cidadãos e o au- importante para a construção de um mundo mais solidário, pro-
mento da pobreza em países desenvolvidos… gressista e menos individualista.
Conclusão: a opção por determinado estilo de vida é uma decisão
pessoal ainda que esta seja condicionada pela sociedade em que TESTE GLOBAL 3 – MÓDULO 9 (pp. 101-105)
nos inserimos.
GRUPO I – A
TESTE GLOBAL 2 – MÓDULO 8 (pp. 96-100) 1. O espaço é apresentado como muito pobre e quase desértico: os
GRUPO I – A campos estendem-se por uma grande vastidão (“que despropósito
1. Sem a ação do homem, o Ato, e a intervenção de Deus, o de plainos sem fim”, l. 10) e as habitações são pequenas e
Destino, os Descobrimentos não teriam ocorrido. Tal como se dispersas (“quinze casinhas desgarradas e nuas”; “algumas só
evidencia no poema, Deus teve de erguer “o facho trémulo e di- mostram o telhado escuro” ll. 6-7).
vino” para iluminar o Homem e, deste modo, afastar o “véu” que 2. Os ceifeiros que habitam na aldeia trabalham nos campos, de
ocultava o desconhecido. Assim, os portugueses foram protago- onde regressam ao fim do dia “exaustos da faina” (ll. 14-15); após
nistas no desvendar o desconhecido graças à Ciência e à Coragem o dia de trabalho, ninguém sai para conviver (“Nenhuma virá até
(“a alma a Ciência e corpo a Ousadia”) de que se muniram. à venda falar um bocado”, ll. 13-14) e vivem sem perspetivas de
2. As mãos representam simbolicamente o Ato e o Destino e é futuro nem ambição (“Breve, a aldeia ficará adormecida,
graças a elas que o mistério é desvendado. Com efeito, se uma afundada nas trevas”, l. 15).
das mãos remete para a intervenção divina na ação do homem 3. Através da personificação, o tempo apresenta características
português, a outra relaciona-se com a ação do Homem que age, de personagem, uma vez que se apresenta “carregado de
desbravando o caminho agora iluminado pela força do Destino. tristeza”; e a noite é mesmo caracterizada como “cansada”, e
3. O poema “Ocidente” integra-se na Parte II de Mensagem, inti- causadora de uma “magoada” penumbra.
tulada “Mar Português” onde se apresentam os heróis envolvidos GRUPO I – B1
nos Descobrimentos e que adquirem uma dimensão mítica na con- 4. Os dois aspetos podem ser, por exemplo, a fome que assolava
quista do mar. Esta Parte II tem uma epígrafe latina (“Possessio Portugal, e que obrigava o governo a tomar medidas para a mino-
Maris” – posse do mar) que justifica plenamente a inserção do rar (“o governo mandou distribuir por todo o país bodo geral”, l. 1)
poema “Ocidente” nesta parte. e, por outro lado, o modo como a religião católica está presente
GRUPO I – B no quotidiano (“reunindo a lembrança católica dos padecimentos
4. O sujeito lírico denuncia a opressão vivida em Portugal durante a e triunfos de Nosso Senhor às satisfações temporárias do
época de ditadura (“Silêncio − é tudo o que tem / quem vive na estômago protestativo”, ll. 2-3).
servidão”, vv. 19-20). Esta situação, que ele classifica como uma 5. O recurso expressivo é a ironia. Pretende-se, através da utili-
desgraça que assola o país (“e o vento cala a desgraça”, v. 3), afeta zação irónica do adjetivo “zelosos” (l. 6) destacar “os olhares” da
sobretudo o povo, que sofre grandes carências (“Eu vi-te crucifi- censura sobre as publicações da época, no sentido de perceber
cada / nos braços negros da fome”, vv. 39-40), ao mesmo tempo textos, veiculando ideias, posições ou informações contrárias às
que contribui para a estagnação do país (“Vi minha pátria parada / à da ideologia do poder salazarista.
beira de um rio triste.”, vv. 43-44) e para a submissão da população GRUPO I – B2
(“em tempo de servidão”, v. 58). No entanto, como o próprio
4. Percebe-se a tirania e a prepotência do rei, observáveis, por
sujeito poético declara, “há sempre alguém que resiste / há sempre
exemplo, no modo como eram recrutados os trabalhadores – os
alguém que diz não.” (vv. 59-60), versos que funcionam como
quadrilheiros procuravam à força os que se escondiam, arran-
metáfora da esperança de que os resistentes ao regime possam um
cando-os das suas casas e das famílias, fossem novos ou velhos,
dia triunfar.
transportando-os atados e amarrados uns aos outros como se
5. Trata-se de uma trova, constituída por 15 quadras, todas elas fossem prisioneiros.
com versos heptassilábicos (redondilha maior). A rima é sempre
5. Os que eram forçados a partir alegavam a proteção e conforto
cruzada, exceto na quinta estrofe, em que o primeiro e o terceiro
que tinham de proporcionar às suas famílias: mães, filhos, esposas –
versos são brancos.
ou a necessidade de contribuírem para a produção e recolha de
GRUPO II alimentos. Os familiares, por seu lado, nomeadamente as mulheres
1. (A); 2. (B); 3. (A); 4. (C); 5. (D); 6. (D); 7. (B). e os filhos, tentavam subornar os corregedores com aquilo de que
8. Oração subordinada adjetiva relativa restritiva. dispunham, em virtude da sua pobreza, – ovos ou galinhas –, sem
perceberem que este tipo de bens era insignificante face à riqueza
9. Enumeração.
do rei.
10. Complemento direto.
GRUPO II
GRUPO III
1. (C); 2. (B); 3. (A); 4. (D); 5. (B); 6. (A); 7. (C).
Resposta pessoal. Sugere-se, contudo, o seguinte plano:
8. “uma baía”.
Introdução: Perante a existência de situações de precaridade em
9. Descritiva.
vários domínios, os valores referidos mantêm a atualidade.
10. Pronome relativo.
Desenvolvimento:
• Contributo da persistência e do trabalho na construção de um GRUPO III
projeto de vida individual. Resposta pessoal. Sugere-se, contudo, o seguinte plano:
• Luta por melhores condições de vida – exemplo de atitudes de Introdução: a vontade e a necessidade de o ser humano encon-
cidadania e de solidariedade, importantes na construção de um trar situações de conforto e de motivação para a sua vida.
sentido de grupo. Desenvolvimento: a importância da felicidade
− na esfera pessoal: a nível das relações humanas e da vida fami-
liar influencia o modo como se reage às adversidades;

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− na esfera profissional: propicia um desempenho das tarefas


com mais facilidade, o que condiciona o modo como se veem os
desafios e a superação de obstáculos.
Conclusão: a perceção de que somos felizes reflete-se no modo
como encaramos a vida e nos níveis de produtividade e de sereni-
dade que evidenciamos.

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