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O fato de cada cristão poder se dirigir pessoalmente a

SOMOS SACERDOTES DO MESMO TEMPLO (1 PE 2:5, 9) Deus e oferecer sacrifícios espirituais não deve servir de
Somos "sacerdócio santo" e "sacerdócio real". Isso incentivo para egoísmo nem "individualismo". Somos
corresponde ao sacerdócio celestial de Cristo, pois ele é sacerdotes juntos, servindo ao mesmo Sumo
Rei e Sacerdote (ver Hb 7). No Antigo Testamento, Sacerdote, ministrando no mesmo templo espiritual. O
nenhum rei de Israel podia servir como sacerdote; fato de haver somente um Sumo Sacerdote e Mediador
o único rei que tentou foi julgado por Deus (2 Cr 26:16- celestial indica unidade no meio do povo de Deus. E
21). O trono celeste de Cristo é um trono de graça do preciso prosseguir na caminhada pessoal com Deus, mas
qual podemos obter, pela fé, o que necessitamos a fim não às custas de outros cristãos, ignorando ou
de viver para o Senhor e lhe servir (Hb 4:14-16). negligenciando os irmãos em Cristo.
No tempo do Antigo Testamento, o povo de Deus Vários estudiosos das ciências sociais escreveram livros
possuía um sacerdócio, mas agora é um sacerdócio. sobre o que chamam de "complexo do eu" na sociedade
Todo cristão tem o privilégio de entrar na presença de moderna. A ênfase de hoje é sobre a necessidade de
Deus (Hb 10:19-25). Ninguém se achega a Deus por meio cuidar de si mesmo e de se esquecer dos outros. Tenho
de alguma pessoa aqui da Terra, mas pelo único observado que a mesma atitude infiltrou-se na Igreja.
Mediador, Jesus Cristo (1 Tm 2:18). Uma vez que ele está Muitos livros e sermões concentram-se na experiência
vivo na glória, intercedendo por nós, é possível ministrar pessoal em detrimento do ministério ao corpo como um
como sacerdotes santos. todo. Sem dúvida, o indivíduo deve cuidar de si mesmo
Isso significa que nossa vida deve ser vivida como se ao ajudar os outros, mas é preciso haver equilíbrio.
fôssemos sacerdotes em um templo. Sem dúvida, é um
grande privilégio servir como sacerdote.
.
Pedro menciona especialmente o privilégio da oferta
dos "sacrifícios espirituais". Os cristãos de hoje não
oferecem sacrifícios de animais como faziam os
adoradores do Antigo Testamento; mas temos nossos
sacrifícios a apresentar a Deus. Devemos oferecer nosso
corpo a ele como sacrifício vivo (Rm 12:1, 2), e também
podemos oferecer o louvor de nossos lábios (Hb 13:15) e
as boas obras que realizamos em favor de outros (Hb
13:16). O dinheiro e outros bens materiais que
compartilhamos com outros no serviço de Deus também
são sacrifícios espirituais (Fp 4:10-20). Até mesmo as
pessoas que ganhamos para Cristo são sacrifícios para
sua glória (Rm 15:16). Oferecemos esses sacrifícios por
meio de Jesus Cristo, pois somente então são aceitáveis
para Deus. Se fizermos quaisquer dessas coisas para o
próprio prazer ou glória, não serão aceitas como
sacrifícios espirituais.
Deus desejava que seu povo, Israel, se tornasse um
"reino de sacerdotes" (Êx 19:6), uma influência espiritual
para promover a piedade; mas Israel falhou. Em vez de
serem uma boa influência para as nações pagãs ao
redor, os israelitas imitaram essas nações e adotaram
suas práticas. Deus teve de disciplinar seu povo várias
vezes por sua idolatria, e, ainda assim, continuaram
pecando. Hoje, Israel não tem templo nem sacerdócio.
E importante que, como sacerdotes de Deus,
mantenhamos a separação deste mundo. Não significa
isolar-se, pois o mundo precisa de nossa influência e
testemunho; mas não devemos permitir que o mundo
nos contamine nem transforme. Separação não é
isolamento; é contato sem contaminação.
A metáfora do templo vivo é agora expandida em ra n d e Pedra viva, um conceito completamente novo.
diversas direções que transcende a qualquer antecipação
importantes, a saber: 1. Além da grande Pedra viva, há vetotestamentária do que significa a salvação e a g lo
outras pedras vivas: rific aç ão . Esse co n ceito é amplamente comentado em
estas possuem vida por meio da agência da Pedra viva. A Col. 2:10. Já que estamos no processo que nos conduzirá
vida que possuem a esse alvo, avançamos de ·glória em glória·, até
é a participação em sua vida. em sua ·modalidade de atingirmos a glória máxima da participação na natureza
vida» (ver as notas divina (ver II Ped. 1:2 e II Cor. 3:18). E nisso que consiste
expositivas a esse respeito, em João 5:25,26 e 6:57). 2. A a mensagem do evangelho. A santificação é um passo
associação dessas necessário cm tudo isso. pois. sem a santidade, ninguém
pedras vivas, com a grande Pedra viva. visa o propósito jamais verá a Deus, quanto menos participará dc sua
de formar um natureza. (Ver Heb. 12:14).
templo espiritual, um lugar onde Deus possa manifestar *...sois ed ifica d o s... * O grego pode se r impe rativ o
a sua glória e o seu ou in d ic a tiv o ; c diferentes intérpretes preferem uma
poder: e isso subentende a comunhão com o Espírito ou outra dessas possibilidades. Ambas tem grande
Santo, para aue os sentido espiritual: em conexão com Cristo, tornamo-nos.
crentes sejam sujeitos ao seu poder transformador, o Dc falo. nesse templo espiritual; porém, precisamos ser
que lhes confere a exortados a tornar isso maisc mais real cm nossa
natureza, os atributos e as perfeições de Cristo. 3. A experiência cristà, através do uso daqueles meios que
formaçào do templo nos tornam mais vivos em C risto , e, por con seg u in te,
sugere 0 ·sacerdócio» que cuida da adoração no mesmo. a in d a mais espirituais c genuínos como pedras vivas.
Todos os crentes Consideremos, a esse respeito, os dois pontos abaixo:
sào sacerdotes do novo templo de Deus. possuidores do 1. A idéia dc ·sermos cdificados» sugere que C risto se to
direito e do poder dc rn o u o fundamento básico de tudo na vida cristã; e isso
se aproximarem de Deus. a fim de receberem a sua é uma maneira figurada de expressar uma dedicação dc
graça e a sua ajuda, na alma completa a ele. naquela atitude que denominamos
inquirição espiritual. 4. Na qualidade de sacerdotes, eles ·fé». (Ver as notas expositivas completas sobre a «fé»,
também têm em Heb. 11:1).
sacrifícios a oferecer, que envolvem a dedicação de si 2. A idéia dc ·sermos cd ificad o s· tam b ém ex p ressa so
mesmos ao mundo lid a ried ad e , segurança e comunhão. Estamos
eterno e à produção da santidade e das boas obras que envolvidos na mesma realidade espiritual cm que está
agradam ao Senhor. envolvida a grande Pedra viva. Cristo e a garantia do
5. O sacerdócio e os sacrifícios oferecidos pelos mesmos, valor duradouro que buscamos.
não sào oferecidos independentemente do grande Sumo ·...casaespiritual...·Emcontraste com o templo material
Sacerdote: mas antes, sào tomados aceitáveis e eficazes dos tempos do
por intermédio dele. pois tudo é feito sob sua direção, e A.T. Os ju d eu s estavam a co s tum ad o s a irem ao tem
por causa de seus elevadíssimos méritos pessoais. plo m a te ria l de
* . . . v ó s mesmos...'· A graça dc Deus, que tra z Jerusalém, a fim de adorarem. Agora o crente é o
elevados privilégios espirituais, foi estendida até próprio templo, e Deus
abarcar-nos também. Cristo é o Redentor da vem nele h a b ita r. Assim se e stab e le c e uma forma
humanidade, e a sua missão foi eficazmente cumprida. A muito su p e rio r de
aplicação do N.T. é sempre diretamente a seus leitores, adoração. (Comparar com Efé. 2:20-22 quanto ao
sempre cm nível individual. E um desafio à santidade mesmo simbolismo).
pessoal, bem como à inquirição espiritual de cada crente Tornamo-nos ·h a b ita ç ã o dc Deus p o r meio do
de per si. Espírito». Isso é o que
*...pedras que vivem...· O contacto com a grande Pedra possibilita ao Espirito Santo duplicar em nós a pessoa dc
viva anima as demais pedras, de tal modo que um novo Cristo, através da
tipo de templo é formado. Nào sc trata mais de um espiritualizaçào real da alma. Portanto, tornamo-nos
templo de pedras e cimento, sujeito à dissolução. Uma seres muito mais
comunidade de pessoas agora sc torna sujeita à exaltados e superiores do que os anjos: tornamo-nos
presença habitadora do ·filhos· de Deus. tal
Espírito Santo. O seu propósito é fazer as pedras vivas como Cristo é o Filho de Deus. (Ver Heb. 2:10 e ss.
compartilharem da natureza e das p ro p ried ad es da g quanto ao conceito da
·participação na filiação»). O conceito de filiação é 1. Em primeiro lugar, o sacerdócio forma uma
apenas uma outramaneira de falar sobre a salvação. fraternidade toda inclusiva. Todos os crentes sào
Tudo isso está envolvido na salvação, sacerdotes, tal como todos eles sào pedras que fazem
podendo também ser descrito sob o título de «filiação». parte do templo espiritual.
Há a participação na 2. Todos esses sacerdotes têm uma dedicaçào suprema a
natureza dc Deus. tal e qual Cristo Jesus dela participa; atingir (ver Rom. 12:1.2).
há a herança como 3. Não somente servem no templo, mas também
membros da família divina (ver Rom. 8:17 c as no tas ex perfazem o próprio templo, e, por conscguintc. sào o
p o sitiv a s ali lugar da habitação dc Deus (ver Efé. 2:20 e ss.).
existentes); há a glorificação dos filhos de Deus, com a 4. Nessa qualidade, é mister que sejam santos (ver Rom.
mesma forma dc 3:21).
glória com que o Filho dc Deus foi glorificado (ver Rom. 5. Nào possuem h e ran ç a , exceto em C risto (ver I Cor.
8:29,30 c as notas 9:13 e D eut.8 : 1,2).
expositivas a respeito; ver também Heb. 2:3. quanto a 6. Constituem eles uma família real. pelo que também
notas expositivas que sào rcis-sacerdotes (ver I Ped. 2:9; Apo. 1:6 c 5:10).
dão o «sumário da salvação»). 7. O clamor da Reforma Protestante, ·Cada crente é um
A igreja cristã, como comunidade, é esse templo sacerdote!» inspirou as vidas de muitos. Esse é um
espiritual, mas. por conceito neotestamentário que nos
igual modo, cada crente individual é um templo de Deus. deveria inspirar perenemente.
(Ver I Cor. 3:16 e
6:19). A ên fase , no texto p re sen te , recai so b re a ex p Esses sacerdotes são santos: Não podemos enfatizar
eriên c ia da demasiadamente o
comunidade, mas cada crente, individualmente, é «imperativo moral» imposto pelo N.T. Os c ren te s sào
participante dessa convocados à
experiência; pelo que ela também é pessoal, e nào ·santidade», porque espera-se que compartilhem da
apenas geral. própria santidade de
Variante Textual·. Os mas KLP e a maioria dos Deus Pa i. (Ver isso com en tad o cm Rom. 1:7 e 3:21). O
manuscritos minúsculos, alvo final c a
principalmente da tradiç-âo bizantina, omitem o termo perfeiçào(ver Mat. 5:48). Esse alvo é extremamente
grego «eis», ante«■ das elevado: nunca poderá
palavras «sacerdócio santo». Porém, os mss P(72), ser atingido plenamente, porquanto Deus é um ser
Aleph. ABC, 5. 88. 307, infinito. Porquanto há
322. 323. 424(c), 436, 441. 467. 623, 916, 1739, 1862. os uma innnitude que deve scr atingida, também deve
escritos de Origenss, haver um enchimento
Eusébio e Cirilo, as contém. Isso dá à declaração a idéia infinito. Assim, a eternidade inteira estará ocupada na
de que somos mesma inquirição
edifteados, formando um santuário santo, com a em auc nos ach amo s agora, mas de m an e ira m u ito
finalidade de nos tomarmos mais elevada e
um sacerdócio santo. O fato que podemos ser feitos um satisfatória. Deus será sempre o alvo dc toda a vida e
templo espiritual existência, neste
«promove* nossa transformação em um sacerdócio mundo terreno ou na dimensão celestial. Sem a
santo. A evidência em favor santidade, entretanto, isso é
dessa idéia é esmagadora. um alvo impossível dc scr atingido. A santificação é o
próprio meio de nosso
Desse modo e que as «pedras» se tornam sacerdotes. bem-estar espiritual, conforme sc lê claramente cm II
Imediatamente antes Tes. 2:13. (Ver as
disso, os crentcs foram descritos como «bebês*, que notas expositivas completas sobre a ·santificação», cm I
precisam dc leite. E Tes. 4:3).
assim. Pedro, tal como Pau lo , nos fornece uma série de No N.T.. todos os ensinamentos ·doutrinários» sào vistos
m etá fo ra s como a base do ensinamento moral. Pelo que,
misturadas, todas elas instrutivas. inevitavelmente, as doutrinas de posição e glória sào seg
Algumas Características Dos Sacerdotes u id as p o r im p e rativ o s morais que repousam sobre
esses privilégios espirituais. Isso demonstra para nós.
com grande ênfase, que os autores sagrados do N.T. Deus como sacrifício vivo; e isso fazem quando dcdicam
pensavam scr imprescindível a santificação. sua vida inteira à inquirição espiritual, à santidade, ao
T ra ta -s e dc uma «necessidade», e n ào de uma opção mundo eterno. Um sacrifício assim não c uma «sombra»,
na in q u iriç ão espiritual. Ninguém c salvo, sc não como eram os sacrifícios do A.T., e nem é
estiver sendo santificado, e isso cada vez. «representativo· ou «simbólico». Antes, é um sacrifício
mais, cm sua experiência diária. A santidade do crente, genuíno, com 0 qual Deus sc agrada, porquanto isso é o
eventualmente, será sem qualquer defeito, como uma que clc exige da parte dos homens. Os crentes devem
extensão da própria santidade de Deus. de tal modo que viver de acordo com a dimensão eterna. Essa é a lição
os filhos dc Deus virão a participar da natureza e da que nos convém aprender neste mundo. O homem nào
expressão de seu Pai celeste. é um mero animal, embora, no presente, esteja cativo a
*...sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus...· Esses um corpo animalcsco. O homem é um espirito; é um scr
sacrifícios são chamados de ■*espirituais» em contraste inerentemente transcendental; pcrtcncc aos mundos
com os ·materiais», oferecidos na d isp en sa çào do A .T. espirituais. Em sua vida espiritual, ele deveria fazer isso
Os sacrifício s de an im a is tin h am dc ser scr uma realidade primeiramente cm seu próprio scr, e,
descontinuados (ver Heb. 9:13 ‫ ־‬ver Heb. 9:23 quanto em seguida, na sua cxpcricncia diária.
aos ·melhores sacrifícios da nova dispensaçào). *...agradáveis...· No grego é usado o termo
Os sacrifícios espirituais envolvem o oferecimento da «euprosdektos», «aceitável»,
própria vida a Deus, para seu agrado e glória. Na «vida *bem acolhido», ·agradável». (Ver Rom. 1S:16,31; II Cor.
oferecida· é que Deus recebe os frutos do serviço, a 6:2 e 8:12 quanto
oferta do louvor, tanto a outros usos dessa mesma palavra no N.T.).
em palavras como em ações. Os próprios sacerdotes se O trabalho ou missão particular de um crente deveriam
tornam, assim, servir dc altar
sacrifícios vivos, conforme se lê em Rom. 12:1. Rom. seu, porquanto c através dos mesmos que ele se
12:2 mostra que essa expressa. A sala de aula do
oferta do próprio «eu· a Deus não pode ser realizada professor deveria scr o seu altar; a biblioteca do erudito
enquanto teimarmos deveria ser o seu
em nos dedicarmos ao mundo, de conformidade com 0 altar; o lar da dona dc casa deveria ser 0 seu altar. Nào
mesmo. Podemos deveríamos fazer
sacrificar-nos ao mundo ou a Deus. Podemos ser distinção entre trabaJho «secular» e trabalho
sacerdotes do diabo ou de «espiritual». Não deveria haver
Deus. Podemos ser sacerdotes do bem ou do mal. A tal coisa como ·Deus em primeiro lugar», e então todas
escolha será sempre as outras coisas em
nossa, e a cada dia estamos reiterando essa escolha, em segundo, em terceiro lugar, etc. Antes, para o homem
detrimento ou em verdadeiramente
beneficio de nossas almas. Isso pode ser confrontado espiritual, Deus é tudo, ocupa todos os lugares na escala
com o trecho de Heb. de valores de sua
13:15, que diz: ·Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a vida.
Deus, sempre, «...por intermédio de Jesus Cristo...· Cristo é a fonte e o
sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que alvo dc toda a
confessam o seu nome». Em existência, conforme se aprende em Col. 1:16. Ele é a
Fil. 4:18, Paulo denominou o su p rim en to de provisões fonte especifica da
física s, que os vida espiritual, tanto nos homens como em todos os
filipenses lhe tinham dado. como «...aroma suave, como demais seres (ver 0
sacrifício aceitável primeiro capitulo da epistola aos Efésios, especialmente
e aprazível a Deus». P o rta n to , a té mesmo a g en os versic. ‫ ׳‬décimo e
erosidade com nossas décimo nono até ao fim). Ele é nosso prande Sumo
possessões físicas é um sacrifício dos sa c erdotes do N.T. Sacerdote, em quem e
Uma vida dedicada, disposta a ser martirizada, sc por causa de quem existe nosso próprio sacerdócio (ver
necessário for, também é um sacrifício a Deus. conforme Heb. 2:17; 4:14 ·
temos cm Fil. 2:17, sendo causa dc grande regozijo, 5:10 e 9:24). Ele é a grande Pedra viva, que nos confere
quando genuína. O trecho de Heb. 9:26 mostra-nos que vida, na qualidade
Cristo eliminou o pocado pela oferta de si mesmo. Assim de pedras vivas. Deus amou ao mundo e entregou seu
também agora dos crentes sc espera que se ofereçam a Filho, para que. por
meio dele, todos os crentes possam scr salvos (ver Joào
3:16). Ο N.T., dc
importante ponto de vista, em sua inteireza, é uma
descrição da missão
medianeira de Cristo. (Ver I Tim. 2:5 acerca dc ■«Cristo
como Mediador»).
Somos a ceitos por Deus no Amado (v e r Efé. 1:6 ). Por
meio de Cristo
«ofcrcccmos· nossos sacrifícios: por meio dele,
igualmente, é que esses
sacrifício s sc to rn am «aceitáveis». Não há n e ce
ssidade de p e n s a r que
«através dc Cristo» é pensamento vinculado apenas a
uma ou outra dessas
idéias. Tudo nos vem por intermédio dele.
Quase toda religião constrói seus templos, seus símbolos
de adoração e sc
in te ressa p o r c e rta s coisas e sp iritu a is . O tem plo
de Hcrodes era
magnificente, erigido com muito mármore branco, puro
como a neve. No
entanto, foi transformado cm pó, c dele chegaram até
nós somente duas
pedras. A fé cristã tem inspirado a construção de
magníficas catedrais, mas
somente a fé cristã no íntimo pode erigir um templo
verdadeiramente
espiritual, o homem crente e a comunidade cristã. Esse
templo, por ser
espiritual, c não material, nunca poderá scr reduzido a
pó. Antes, a sua
magnificência deverá aumentar agora e por toda a
eternidade, até sermos
cheios dc toda a plenitude de Deus.
Os tipos de oferta espirituais eram, naturalmente,
reconhecidos no A.T.
(Ver Sal. 4:5, que fala sobre *sacrifícios de justiça»). Por
igual modo, o
sacerdócio espiritual envolvia alguns poucos indivíduos
selecionados: «...vós
mc sereis reino de sacerdotes e nação santa» (Êxo. 19:6).
(Ver também Apo.
1:6; 5:10 e 20:6, onde todos os crentes sào vistos como
sacerdotes).
«Os sacrifícios espirituais que os crentes devem oferecer
sào seus corpos,
suas almas, suas afeições, suas orações, seus louvores,
suas esmolas e todos
os seus outros deveres». (Matthew Henry. in loc.).
2:9 : Ma· v61 <01( · garaçãa e le ita , · sacerdócio r ea l, a Melquisedeque era sacerdote, mas, igualmente, cra rei
■ação sa n ta , 0 pova dc Salém (ver Heb.
o^u>r»<40, para qve anunciais as grandezas rfa^silt ^ae 7:1,2). E Cristo pertence à ordem sacerdotal dc
vos dwnou das travas para a Melquisedeque (ver Heb.
sua aiarovttosa 1*7; 7:17). A idéia que os sacerdotes cristãos também são
*...vós...* Ecomoseo autor sagrado tivesse dito: ·Vós. reis acrescenta ênfase à elevada posição e ao privilégio
meus leitores...» dc que desfrutam. O trecho de Êxo. 19:6 chama Israel de
cm c o n tra s te com os indivíduos in créd u lo s e irrelig reino de sacerdotes. Em Apo. 1:6 e 5:10, os crentes
io so s, que sc também sào ch am ad o s dc reis e sa c erd o tes. Ali
encaminham para o merecido julgamento. Ao descrever talvez seja in d ic ad o como, na eternidade futura,
o ·novo Israel», a elevadas posições dc governo poderão ser alcançadas,
Igreja, embora essa entidade atualmente se componha tanto no milênio como já no estado eterno, por parte do
principalmente dc povo de Deus. Tal como existem muitos elevados seres
gentios, Pedro agora confere vários títulos à Igreja, que angelicais governantes. Seja como for, o verdadeiro
antes pertenciam ao crentc desde agora já «reina em vida· (ver Rom. 5:17).
antigo povo de Israel. *...nação sa n ta ...· Essa descrição também é extraída dc
·...raça eleita...» Assim é chamado o antigo povo de Exo. 19:6.
Israel, em Isa. 43:20. O term o grego ·laos» (povo, n a çào ), mui
(Quanto à «eleição cristã», ver as notas expositivas em provavelmente nào deve ser
Efé. 1:4 e I Ped. 1:2). entendido noutro sentido que tem o termo ·genos». São
O vocábulo grego «genos» indica ·raça», um meros sinônimos.
agrupamento de gente com vida (Ver, no quinto versículo deste capitulo, onde o
e descendência comuns. Espiritualmente falando, a sacerdócio é chamado
igreja tem uma vida «santo»). A necessidade de santidade, adquirida através
comum, porquanto a vida de Cristo (e, portanto, a vida do processo de santificação, é novamente frisada ante
de Deus Pai) c nossos olhos. E impossível alguém exagerar o imperativo
compartilhada por todos; e também possuem uma moral, porquanto é através da transformação mora)
descendência comum, já que vamos sendo transformados segundo a imagem
3uc todos participam do novo nascimento, 0 que faz metafísica de Cristo. (O leitor pode consultar as notas
deles filhos dc Deus. expositivas sobre o quinto versículo, quanto a
is crentes sào uma nova raça, destinada a habitar na esse tema). Somos «santos» porque fomos «separados»
pátria c na cidadc do mundo, de seus vícios c corrupções. A idéia dc
celestial: a naçâo ideal. Por conseguinte. Israel continua «separação do mal» e de «separaçào para
existindo, a Deus» faz parte inerente do termo grego agios, «santo».
despeito da rejeição ao Messias, por parte da naçào O vocábulo grego
terrena dc Israel. O básico é «agos», que indicava qualquer coisa que
Senhor a in d a não os a b an d o n o u de to d o . e n tre provocava o «respeito»
ta n to , mas an te s, religioso. Essa palavra veio a ser vinculada aos
eventualmente reverterá o erro que cometeram, e isso «sacrifícios» oferecidos aos
visando ao bem-estar deuses, por serem sacrifícios «separados» para esse
eterno dclcs. (Ver Rom. 11:26 e as notas expositivas ali propósito. E assim a
existentes). idéia de «separaçào» pa sso u a faze r p a rte dc seu sig n
*...sacerdócio real...» Já tivemos ocasião dc observar, no ificado. Porém,
quinto versículo, «pureza» de ordem moral e espiritual é a idéia
que todos os crentes sào sacerdotes. Ali eles sào fundamental desse vocábulo,
chamados dc sacerdócio 0 qual, algumas vezes tem. e outras vezes nào tem a
«santo». Neste ponto, sào chamados ·régios». Sào idéia de separaçào. A
sacerdotes que pertencem naçâo santa deve ser uma nação «separada» dc outras
à família real. Notemos como, em Heb. 4:14, o Sumo nações, tanto na
Sacerdote (Cristo) é conduta da vida como na natureza da alma.
visto entronizado, o que dá a idéia de um Rei Sacerdote. ·...p o v o de p ro p ried a d e exc lu siva de D e u s ...» O
Assim também grego diz aq u i,
lite ra lm e n te , ‫■־‬um povo p a ra aquisiçào», ou e n tâ (dos feitos admiráveis) de Deus, que os chamou das
o «um povo p a ra a trevas do paganismo
possessão·. Essa nação devia ·pertencer a Deus* p a ra a m aravilhosa luz d a salvação. Isso pode ser
verazmente, demonstrando comparqado com as palavras de Jesua quando diz: “vós
isso por seus atos agradáveis ao Senhor, ao passo que os sois a luz do mundo...Assim brilhe também vossa luz
povos estrangeiros diante dos homens” Mt 5.14,16
seriam possuídos por forças espirituais da maldade, ·...virtudes... - No grego é ‫׳‬areie*, ·excelência moral·,
conduzindo-se como ·manifestação do
bem entendessem. O povo ·possuído», portanto, deve poder divino», ‫׳‬milagre ‫ ׳‬. (Comparar com Isa. 43:21 c
ser santo, porquanto 42:12: ·...anunciai a
faz parte das possessões de Deus. Idcntico argumento sua glória nas terras do mar·, onde. na Septuaginta, é
pode ser visto em I usado o mesmo
Cor. 6:19.20. Nào «pertencemos a nós mesmos»; em vocábulo grego que se acha aqui).
outras palavras, nào ·O crente deve exibir, em suas palavras e em sua vida.
podemos agir como melhor nos pareça; pelo contrário, nào meramente a
fomos *comprados bondade de Deus. mas também a sua glória, a sua
por preço», a saber, ao custo da expiação pelo sangue dc grandeza, todos os seus
Cristo. Assim nobres atributos, como a justiça, a sabedoria c a força·
sendo, pertencemos a ele. de corpo c alma. Nosso scr, (Bigg, in loc.).
pois, torna-se a Naturalmente, este versículo tem certo sentido
localidade da glória de Deus, porquanto seu Santo evangelizador: a ·exibição»
Espirito habita em nós. das excelências divinas é feita mediante a pregação do
Ver Isa. 43:21. que declara: «... .ao povo que formei para evangelho, por meio
mim, para celebrar do que Deus mostra a sua bondade para conosco, por
o meu louvor». intermédio de Cristo.
Deus torna esse povo remido uma possessão ·...trevas...* Esse é o símbolo do pecado, em seu poder
exclusivamente sua. a fim dc ccgador e em seus
que todos os seres inteligentes possam receber uma efeitos prejudiciais. As m e tá fo ra s da ·luz» e ·trevas»
lição objetiva dc como, são c om en tad a s
cm Cristo, sc acha a vida c a existência de todos. (Ver amplamente cm Efé. 5:8, onde a idéia do p re sen te
Efé. 3:10. e as notas versículo é bem
expositivas ali existentes, quanto a essa verdade). Nisso esclarecida. (Comparar também com Col. 1:13, onde se
Deus demonstra sua lê: ·Ele nos libertou
sublime sabedoria, a qual, finalmente, se mostrará eficaz do império das trevas e nos transportou para o reino do
e operante em Filho do seu amor·).
todas as porções dc sua criação. Entâo Cristo ocupará o O reino do Filho, naturalmente, é o reino da luz. (Ver
lugar que lhe também João 1:9,
convcm, no universo, c será ·tudo em todas as coisas». quanto ao poder iluminador de Cristo, a Luz do Mundo).
(Ver Efé. 1:23). Cristo ilumina aos
*...afim deproclamardes as virtudes daquele que vos crentes, até nos tornarmos filhos da luz, possuidores da
chamou das trevas mesma natureza
para a sua maravilhosa luz...» Essas virtudes declaramos dele. Sua iluminação nos espiritualiza.
agora mediante a Pedro convoca os seus leitores originais a uma ação
p reg aç ão do evan g e lh o ; mas tam b ém a s de claram corajosa. Já vinham sofrendo por apresentarem Cristo e
o s por nossas vidas a sua luz aos homens. Mas agora são
d ed ic ad a s ao Sen h o r. No dia da e te rn id a d e tam exortados a envidarem ainda maiores esforços na
b ém haveremos de exibição clara do que está
p ro c lam á -la s . No d ize r de H u n te r (in lo c.): «Um envolvido nessa lealdade.
privilégio envolve «...maravilhosa luz...» No grego o adjetivo e
responsabilidades: o novo povo de Deus deve tomar a «thaumastos», que significa
peito a sua tarefa, que ·maravilhoso», «admirável·, ·notável», aquilo que causa
nào foi cumprida pelo antigo povo, a saber, a declaração admiração e
das excelências
respeito, devido à sua grandiosidade, poder ou raridade.
Assim é que o
evangelho n a r ra a o b ra e x tra o rd in á ria de Deus p o
r meio de Cristo,
mediante o que foi realizada a redençào.
A idéia oposta à luz, ♦trevas», é usada porque o pecado
é a ignorância dc
Deus, o c o n trá rio e x a to da ilum in a ç ão e sp iritu a l.
O pecado é assim
c h am ad o po rq u e g e ra lm en te é p ra tic a d o em
segredo, escrav izan d o a
impiedade oculta que os olhos puros não podem
contemplar. O pecado é a
privação daquilo que é bom e saudável, cm que o
pecador sc oculta de Deus
c da luz da majestade de sua presença.
Luz. No dizer de Alford (ím loc.): ·Esta expressão
dificilmente significa
apenas a luz dc nossa vida cristã; antes deve indicar
aquela luz da própria
presença dc Deus e de seu Scr. conforme a qual deve ser
amoldado o nosso
próprio andar na luz: a luz à qual aludiu o apóstolo João.
quando disse:
'...se andarmos na luz, como clc está na luz...*».