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EXMO. SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE


BALNEÁRIO CAMBORIÚ – SC.

.... (Qualificação)...., menor impúbere, neste ato


devidamente representado por sua mãe ÁUREA
BARBOSA, brasileira, solteira, desempregada, portadora
do RG nº. 4.775.548-1, residente e domiciliada à Rua
Bento Cunha, nº. 06, Bairro da Barra, Nesta, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, por
intermédio de seu procurador devidamente habilitado
(instrumento de mandato incluso, doc. 1), propor a
presente AÇÃO ORDINÁRIA DE INVESTIGAÇÃO DE
PATERNIDADE, CUMULADA COM PRESTAÇÃO DE
ALIMENTOS,em face de

(qualificação)....,

pelos fatos e argumentos que passa a expender:

I – DOS FATOS:

A representante do peticionário conheceu o requerido em


Balneário Camboriú – SC, há mais ou menos (tantos anos) (desde criança), período
no qual moraram na mesma rua, sem nunca terem sentido atração mútua, seja física
ou afetiva.
Há mais ou menos (tanto tempo), começaram a freqüentar
juntos o culto evangélico do qual ainda participam, interessaram-se um pelo outro, e,
por fim, iniciaram um romance, do qual resultou o nascimento do menor, ora
representado.

No início da gravidez, a representante do menor recebeu


ordem de não divulgar o fato aos pais do requerido, ou aos conhecidos, em virtude do
mesmo estar surpreso e também apreensivo em relação à possível reação de seus
pais.

Na época do nascimento do representado, o requerido


negou a paternidade, revoltando-se contra tal situação. No entanto, quando
questionado por familiares, parentes e amigos, sucumbiu às pressões e admitiu a
concepção, mas nunca promovendo competente auxílio à mãe e ao nascituro.

Quando da confecção do competente registro de


nascimento, a mãe, em momento de reprovável ufania, negou a possibilidade de
inclusão do nome do pai no documento, em virtude das desavenças ocorridas, vindo
a arrepender-se posteriormente.

É intolerável a atitude de um homem, que, sem dar


qualquer satisfação, ou sem apresentar uma razão para tal, exime-se de
responsabilidade para com seu filho e a mãe deste, abstendo-se de prestar quailquer
forma de assistência moral ou financeira, não obstante a permanente situação aflitiva
em que esta se encontra, pela simples negativa de fazê-lo.

Para maior gravame da injustificável omissão do requerido,


é certo que ele percebe “modesta” remuneração da empresa CONSTRUTEL, em
torno de R$ 600,00 (seiscentos reais), no cargo de instalador de telefones, isto sem
mencionar inúmeros bens que possui (docs. 2, 3, 4,.... ).

Tendo em vista referidos antecedentes, vê-se a


representante do peticionário na contingência de vir perante Vossa Excelência, como
de direito, requerer que lhe seja atribuída, a título de pensão, a importância de R$
180,00 (cento e oitenta reais), equivalente à um salário mínimo vigente, a ser paga
mensalmente e com as correções devidas, importância tal perfeitamente assimilável
pelo requerido, eis que, até a presente data, a peticionária vem suportando, com
estoicismo, o sustento do filho, clamando pela fixação da pensão no montante
requerido, suficiente para manter com decência o representado.

Não são necessários grandes esforços de argumentação


para se demonstrar a situação da genitora que arca sozinha para a sobrevivência do
menor, e a recusa, execrável, do requerido à prestar qualquer auxílio material à
mesma, embora esta o tenha procurado para tal, buscando compor a desagradável
situação, de forma satisfatória para ambos os cônjuges.

II - DOS FUNDAMENTOS
Em termos de investigação de paternidade, é pacífica a
admissão de testemunhas para prova do concubinato e das relações sexuais, porque
em relação a um e às outras não ocorre a prova direta.

“No tocante aos filhos não havidos da relação do


casamento (CF, art. 227, § 6º), o estado de filho há de
provir de uma declaração, seja do próprio pai
(reconhecimento espontâneo) seja de um provimento
jurisdicional (reconhecimento compulsório). Neste
segundo caso situa-se a ação de investigação de
paternidade. E esta, ex vi do disposto no art. 363 do
CC, tem cabimento nos casos expressos ali
enunciados: concubinato, rapto, relações sexuais,
escrito do pai reconhecendo expressamente a
paternidade”.

“Do contexto deste artigo resultam duas


conseqüências rigorosamente certas. A primeira é que,
pelo nosso direito a enumeração é taxativa (numerus
clausus) e não simplesmente exemplificativa. A
linguagem do legislador não comporta outra
interpretação. Os filhos ilegítimos (para usar a
linguagem do Código) têm ação contra os pais, e
seguem-se os casos em que a ação é permitida. Daí ter
eu dito: "Enquanto o status legitimitatis contenta-se
simplesmente com a prova do casamento, a condição
de filho ilegítimo requer seja comprovado um fato
certo, de que se possa induzir a relação jurídica"”.

“A segunda conseqüência é que não existe prova


direta de paternidade em nosso Direito. A paternidade
é sempre uma presunção, decorrente da prova de um
fato: o casamento quanto aos filhos "havidos da
relação de casamento", os filhos legítimos segundo o
CC; ou de algum daqueles fatos enumerados do art.
363 quanto aos filhos "não havidos da relação de
casamento"”.

“O CC não conhece outra hipótese de reconhecimento


compulsório de paternidade, ou de ação de
investigação de paternidade. Não existe em nosso
direito ação de investigação de paternidade fundada
exclusivamente em exame de sangue. É pressuposto
essencial da ação um daqueles fatos enunciados no
art. 363. Se vier alguém pleitear o reconhecimento de
paternidade baseado exclusivamente em perícia
hematológica, sem referência a concubinato, rapto,
relações sexuais, ou escrito do pai, o processo
extingue-se de plano, sem julgamento de mérito, dada
a "ausência de pressupostos de constituição e de
desenvolvimento válido e regular do processo" (CPC,
art. 267, nº IV)”. (Caio Mário da Silva Pereira –
Paternidade e sua Prova – 1991).

É direito preliminar do ser humano a sobrevivência, e


constituem meios fundamentais para a sua realização: os alimentos, o vestuário, o
abrigo, e inclusive a assistência médica no momento em caso de doença.

De acordo com o Art. 396 do CC que diz: Podem os


parentes exigir uns dos outros os alimentos, de que necessitam para subsistir.

De acordo com o dispositivo constitucional (CF, Art. 226) e


do Art. 231, IV, do Código Civil, os pais são responsáveis pelo sustento, guarda e
educação dos filhos menores, não só durante a constância da vida em comum como
também nos casos de dissolução desse convívio. Não há, todavia que se falar em
pensão alimentícia enquanto perdurar a convivência familiar: o dever dos pais de
prestar alimentos aos filhos surge com a separação, (aqui entendida como fato de
não mais residirem sob o mesmo teto), seja esta de direito ou de fato e dura até que
a prole não mais necessite do benefício.

Por alimentos entende-se tudo o que seja necessário para


o sustento, vestuário, habitação, educação e instrução; ou melhor, são os auxílios
prestados a uma pessoa, para prover às necessidades da vida.

Ora, vemos aqui, devidamente cabível, a finalidade de tal


instituto, que nada mais é, senão, o de proteger os filhos, evidenciando um munus
público do pátrio poder.

Vemos na presente Ação, a dificuldade que passa a


genitora do Requerente, que ora mantém o filho sob sua proteção, às custas de muito
sacrifício a partir da negação do pai, pois a si cabia o encargo, haja vista a
necessidade da presença da figura materna na formação da personalidade dos filhos
menores.

É de interesse do Estado assegurar a proteção das


gerações novas, pois elas constituem matéria-prima da sociedade futura, e assim se
espera que o Estado venha a dizer o direito aos Requerentes, exercendo desta forma
a jurisdição que lhe compete.

Indeclinável é o dever do Requerido em prestar alimentos


ao filho menor, que necessita atualmente de pelo menos R$ 180,00 (cento e oitenta
reais), para a manutenção e sobrevivência, pois encontra-se em fase lactente, sendo
que o pai tem condições financeiras para satisfazer o valor pedido.

III – DO REQUERIMENTO:

Em face do exposto, o menor...., supraqualificado, neste


ato representado por sua genitora, com fundamento no Art. 363, II, do Código Civil,
propõe perante Vossa Excelência, como de direito, a presente ação ordinária de
investigação de paternidade, cumulada com prestação de alimentos, contra o
requerido ...., requerendo, desde logo, o quanto segue:

a) Citação do requerido, no endereço acima declinado, nos


moldes da Lei 5.478, de 25.7.1968, para responder aos termos desta
ação, sob pena de revelia;

b) Fixação de um pagamento mensal de R$ 180,00 (cento


e oitenta reais) equivalentes à um salário mínimo vigente, pelo
requerido, à representante do peticionário, a título de pensão alimentícia
provisória, a ser julgada definitiva, conforme o disposto na Lei 5.478, de
25.7.1968, tendo em vista as necessidades do requerente representado
e as disponibilidades do requerido;

c) Com fundamento no art. 734 do Código de Processo


Civil, se digne determinar desconto em folha das prestações devidas,
para isto oficiando-se à empresa CONSTRUTEL;

d) Intimação do requerido para prestar depoimento


pessoal, sob pena de confissão;

e) Intimação do Douto Representante do Ministério


Público, para acompanhar a presente, até final;

f) Efetuação, pelo Senhor Oficial de Justiça, das


necessárias diligências, nos moldes do Art. 172, § 2º, do Código de
Processo Civil;

g) Direito de usar o nome do requerido, com averbação


deste no competente registro de nascimento;

h) Que sejam concedidos os benefícios da gratuidade de


Justiça, uma vez que a representante do requerente não tem condições
de pagar as custas do processo, sem prejuízo do sustento próprio e de
seu filho, em conformidade com declaração anexa.

Requer, afinal, a procedência da presente, para que


produza os devidos efeitos, devendo o menor peticionário ser criado e educado pela
mãe que ora o representa, condenando-se o requerido ao pagamento de custas
processuais e honorários advocatícios.

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em


direito admitidos, especialmente inquirição de testemunhas, cujo rol será oferecido
oportunamente, perícias médicas e outras que se fizerem necessárias.

Dando à presente o valor de R$ 2.160,00 (dois mil cento e


sessenta reais).

Pede e Espera Deferimento.


Balneário Camboriú – SC, 29 de agosto de 2001.

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Clécius Ricardo Trizzoto de Andrade.
OAB/SC 14.499