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(Adaptar de acordo com o caso concreto)

AO JUIZO FEDERAL DA _ª VARA FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE XXXX XXXXX


– UF

XXXXXXX, qualificação, vem, por meio dos seus procuradores, perante Vossa
Excelência, propor

AÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE CONCESSÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL

em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), pelos fundamentos


fáticos e jurídicos que ora passa a expor:

I – DOS FATOS E FUNDAMENTOS

O Autor, nascido em XX de dezembro de XXXX (carteira de identidade anexa), filiou-se


à Previdência Social em XX/XX/XXXX. É importante assinalar que durante diversos
interregnos contributivos esteve submetido a agentes nocivos. O quadro a seguir demonstra,
de forma objetiva, as profissões desenvolvidas e o tempo de contribuição de cada período:

Admissão Saída Empregador Cargo Tempo de contribuição


XX/XX/XXX
XX/XX/XXXX xxxxxxx xxxxxx Xx anos, xx meses e xx dias
X
XX/XX/XXX
XX/XX/XXXX XXXXXXXXXXX xxxxxx Xx anos, xx meses e xx dias
X

XX/XX/XXX
XX/XX/XXXX XXXXXXXXXXX xxxxxx Xx anos, xx meses e xx dias
X

XX/XX/XXX
XX/XX/XXXX XXXXXXXXXXX xxxxxx Xx anos, xx meses e xx dias
X
ZAPZAP DO CARLÃO
AJURÍDICA
XX/XX/XXX
XX/XX/XXXX XXXXXXXXXXX xxxxxx Xx anos, xx meses e xx dias
X
Xx anos, xx meses e xx dias
XX/XX/XXX Atividade considerada especial
XX/XX/XXXX XXXXXXXXXXX. Frentista
X com base no Decreto 53.831/64,
item 1.2.11 (tóxicos orgânicos).
xx anos, xx meses e xx dia.
Atividade considerada especial
com base no Decreto 53.831/64,
item 1.2.11 (tóxicos orgânicos) e
XX/XX/XXX Auxiliar de
XX/XX/XXXX XXXXXXXXXXX. nos Decretos 2.172/97 e
X frentista
3.048/99, itens 1.0.3 (benzeno),
1.0.7 (carvão mineral) e 1.0.19
(outras substâncias químicas) e
NR 16.
xx anos, xx meses e xx dias.
Atividade considerada especial
XX/XX/XXX
XX/XX/XXXX XXXXXXXXXXX Frentista com base no Decreto 3.048/99,
X
No Perfil Profissiográfico (item
15).
TEMPO DE SERVIÇO COM EXPOSIÇÃO A AGENTES XX anos, XX meses e XX
NOCIVOS dias
XX anos, XX meses e XX
TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL
dias
NÚMERO DE CONTRIBUIÇÕES XXX meses

A despeito da existência de todos os requisitos ensejadores do benefício de


aposentadoria especial, o Requerente, em via administrativa (comunicação de decisão em
anexo), teve seu pedido indevidamente negado, sob a justificativa infundada de “falta de
tempo de contribuição-atividades(s) descrita(s) no formulário não foram enquadradas pela
Perícia Médica”.

O § 1º do art. 201 da Constituição Federal determina a contagem diferenciada dos


períodos em que os segurados desenvolveram atividades especiais. Por conseguinte, a Lei
8.213/91, regulamentando a previsão constitucional, estabeleceu a necessidade do
desempenho de atividades nocivas durante 15, 20 ou 25 anos para a concessão da
aposentadoria especial, dependendo da profissão e /ou agentes nocivos, conforme previsto
no art. 57 do referido diploma legal.

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AJURÍDICA
É importante destacar que a comprovação da atividade especial até 28 de abril de 1995
era feita com o enquadramento por atividade profissional (situação em que havia presunção
de submissão a agentes nocivos) ou por agente nocivo, cuja comprovação demandava
preenchimento pela empresa de formulários SB40 ou DSS-8030, indicando o agente nocivo
sob o qual o segurado esteve submetido. Todavia, com a nova redação do art. 57 da Lei
8.213/91, dada pela Lei 9.032/95, passou a ser necessária a comprovação real da exposição
aos agentes nocivos, sendo indispensável a apresentação de formulários, independentemente
do tipo de agente especial.

Além disso, a partir do Decreto nº 2.172/97, que regulamentou as disposições


introduzidas no art. 58 da Lei de Benefícios pela Medida Provisória nº 1.523/96 (convertida na
Lei nº 9.528/97), passou-se a exigir a apresentação de formulário-padrão, embasado em
laudo técnico, ou perícia técnica. Entretanto, para o ruído e o calor, sempre foi necessária a
comprovação através de laudo pericial.

No entanto, os segurados que desempenharam atividade considerada especial podem


comprovar tal aspecto observando a legislação vigente à data do labor desenvolvido.

Considerando a evolução a respeito do conjunto probatório para o reconhecimento das


atividades especiais, passa-se à análise da comprovação dos agentes nocivos presentes nos
períodos contributivos requeridos no presente petitório.

Período: XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX e de XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX


Empresa: XXXX / YYYY
Cargo: Frentista / Aux. frentista

Primeiramente, importa mencionar que a empresa XXXX. já encerrou as atividades


(comprovante anexo), sendo impossível a apresentação de laudos ou formulários. Não
obstante, por meio da cópia da carteira de trabalho acostada ao processo administrativo, resta
comprovado que o Autor exerceu a função de frentista em posto de combustíveis, no período
de XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX.:

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Dessa forma, comprovado o exercício da atividade de frentista no período laborado
junto à empresa XXXX., verifica-se a possibilidade de utilização dos documentos
emitidos pela empresa YYYY, para fins de avaliação indireta do ambiente de trabalho,
eis que o cargo desempenhado e o ramo de atividade das empresas são os mesmos.

Feitas essas considerações, passa-se a análise do PPP e do PPRA emitido pela


empresa YYYY (empresa em que o Autor também foi empregado e requer o
reconhecimento do tempo de serviço especial).

Inicialmente, vale conferir a descrição das atividades do Autor constantes no PPP


emitido pelo empregador (Evento X, PPP, pág. 8):

(DOCUMENTO PERTINENTE)

O formulário registra ainda a exposição a agentes químicos, sem a utilização de


equipamentos de proteção:

(DOCUMENTO PERTINENTE)

Ademais, no caso em comento, é indispensável registrar a edição do Decreto 8.123, de


16/10/2013, o qual alterou diversos dispositivos do Decreto 3.048/99, com a seguinte
inovação que merece destaque:

Art. 68. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de


agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de
concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV.
(...)
§ 4o  A presença no ambiente de trabalho, com possibilidade de exposição a ser

apurada na forma dos §§ 2 o e 3o, de agentes nocivos reconhecidamente


cancerígenos em humanos, listados pelo Ministério do Trabalho e

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Emprego, será suficiente para a comprovação de efetiva exposição
do trabalhador. (Redação dada pelo Decreto nº 8.123, de 2013)

Ocorre que a referida lista de agentes cancerígenos foi recentemente editada pelo
Ministério do Trabalho (PORTARIA INTERMINISTERIAL MTE/MS/MPS Nº 9, DE 07 DE
OUTUBRO DE 2014 - DOU 08/10/2014), na qual consta que os óleos minerais são
reconhecidamente cancerígenos.

Ademais, conforme parecer técnico da FUNDACENTRO, os equipamentos de


proteção coletiva e individual não são suficientes para elidir a exposição a esses agentes,
conforme consta inclusive na mais recente instrução normativa do INSS (INSTRUÇÃO
NORMATIVA INSS/PRES Nº 77, DE 21 DE JANEIRO DE 2015):

Art. 284. Para caracterização de período especial por exposição ocupacional a agentes
químicos e a poeiras minerais constantes do Anexo IV do RPS, a análise deverá ser
realizada:
Parágrafo único. Para caracterização de períodos com exposição aos agentes nocivos
reconhecidamente cancerígenos em humanos, listados na Portaria Interministerial n° 9
de 07 de outubro de 2014, Grupo 1 que possuem CAS e que estejam listados no Anexo
IV do Decreto nº 3.048, de 1999, será adotado o critério qualitativo, não sendo
considerados na avaliação os equipamentos de proteção coletiva e ou
individual, uma vez que os mesmos não são suficientes para elidir a
exposição a esses agentes, conforme parecer técnico da FUNDACENTRO,
de 13 de julho de 2010 e alteração do § 4° do art. 68 do  Decreto nº 3.048,
de 1999.

Em resumo, ao se analisar a exposição do Autor a hidrocarbonetos aromáticos /


óleos minerais, descabe a análise da utilização de equipamentos de proteção
individual, e o critério utilizado para caracterização da exposição habitual e permanente
ao agente nocivo cancerígeno merece considerável temperamento.

Tal entendimento foi confirmado pelo TRF da 4ª Região:

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. TEMPO DE SERVIÇO COMUM E ESPECIAL.


APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO. (...). 5.
Conforme se pode extrair da leitura conjugada dos arts. 68, § 4º do
Decreto 3048/99 e 284, § único da IN 77/2015 do INSS, os riscos
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ocupacionais gerados pelos agentes cancerígenos constantes no Grupo I
da LINHAC, estabelecida pela Portaria Interministerial n° 9 de 07 de
outubro de 2014, não requerem a análise quantitativa de sua
concentração ou intensidade máxima e mínima no ambiente de trabalho,
dado que são caracterizados pela avaliação qualitativa, tampouco
importando a adoção de EPI ou EPC, 'uma vez que os mesmos não são
suficientes para elidir a exposição a esses agentes, conforme parecer
técnico da FUNDACENTRO, de 13 de julho de 2010 e alteração do § 4° do
art. 68 do Decreto nº 3.048, de 1999 6. Independentemente da época da
prestação laboral, a agressão ao organismo provocada pelo agente nocivo
asbesto/amianto é a mesma, de modo que o tempo de serviço do autor deve ser
convertido pelo fator 1,5. 7. Recente julgado do Superior Tribunal de Justiça, no RESP
nº 1.310.034-PR, representativo de controvérsia, consagrou que após a Lei nº 9.032/95
somente se admite aposentadoria especial para quem exerceu todo o tempo de serviço
em condições especiais. Inviável, assim, diante dessa nova orientação jurisprudencial,
a conversão do tempo de serviço comum em especial. 8. Somando-se os tempos de
serviço especial reconhecido em juízo com o tempo reconhecido na esfera
administrativa, verifica-se que a parte autora conta com tempo suficiente para a
obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição mediante o acréscimo do tempo
de serviço convertido pelos fatores de multiplicação 1,20 e 1,5.   (TRF4, APELREEX
5004591-33.2013.404.7107, QUINTA TURMA, Relator p/ Acórdão PAULO AFONSO
BRUM VAZ, juntado aos autos em 22/03/2016, grifos acrescidos).

Outrossim, no que concerne à periculosidade, importa mencionar que a jurisprudência


do Tribunal Regional Federal da 4ª Região tem entendimento consolidado de que é devido o
reconhecimento da periculosidade na atividade de frentista. Note-se:

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. TEMPO ESPECIAL. AGENTES NOCIVOS. AGENTES


BIOLÓGICOS. RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE. RISCO DE EXPLOSÃO.
PERICULOSIDADE.  APOSENTADORIA POR TEMPO DE
SERVIÇO/CONTRIBUIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A exposição a agentes
biológicos e radiação não ionizante é prejudicial à saúde, ensejando o reconhecimento
do tempo como especial. 2. Segundo a jurisprudência dominante deste Tribunal, a
exposição a agentes biológicos não precisa ocorrer durante toda a jornada de trabalho,
uma vez que basta a existência de algum contato para que haja risco de contração de
doenças (EIAC nº 1999.04.01.021460-0, 3ª Seção, Rel. Des. Federal Celso Kipper, DJ
de 05-10-2005). 3. A atividade desenvolvida em local onde há o
armazenamento de combustíveis deve ser considerada especial em
razão da periculosidade inerente à exposição a substâncias
inflamáveis, situação em que há risco potencial de  explosão e
incêndio. 4. A parte autora tem direito à concessão da aposentadoria por tempo de
contribuição integral, com a incidência do fator previdenciário, a contar da data do
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requerimento administrativo. 5. O Supremo Tribunal Federal reconheceu repercussão
geral à  questão da constitucionalidade do uso da TR e dos juros da caderneta de
poupança para o cálculo da correção monetária e dos ônus de mora nas dívidas da
Fazenda Pública, e vem determinando, por meio de sucessivas reclamações, e até que
sobrevenha decisão específica, a manutenção da aplicação da Lei 11.960/2009 para
este fim, ressalvando apenas os débitos já inscritos em precatório, cuja atualização
deverá observar o decidido nas ADIs 4.357 e 4.425 e respectiva modulação de
efeitos.  A fim de guardar coerência com as recentes decisões, deverão ser adotados,
por ora, os critérios de atualização e de juros estabelecidos no 1º-F da Lei 9.494/97, na
redação da lei 11.960/2009, sem prejuízo de que se observe, quando da liquidação, o
que vier a ser decidido pelo STF com efeitos expansivos.     (TRF4 5068399-
08.2014.404.7000, SEXTA TURMA, Relator p/ Acórdão (AUXÍLIO SALISE) HERMES S
DA CONCEIÇÃO JR, juntado aos autos em 19/05/2016, grifos acrescidos).

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. TEMPO ESPECIAL. HIDROCARBONETOS.


FRENTISTA. LAUDO TÉCNICO EXTEMPORÂNEO. EPI. JULGAMENTO PELO STF
EM REPERCUSSÃO GERAL. APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS. JUROS
E CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Comprovada a exposição do segurado a agente
nocivo, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, possível
reconhecer-se a especialidade da atividade laboral por ele exercida. 2. A atividade
de frentista em posto de combustíveis deve ser considerada
especial devido à periculosidade decorrente da exposição a
substâncias inflamáveis, hipótese em que é ínsito o risco potencial
de acidente. 3. Os riscos ocupacionais gerados pela exposição a agentes químicos
não requerem a análise quantitativa de concentração ou intensidade máxima e mínima
no ambiente de trabalho, dado que são caracterizados pela avaliação qualitativa. 4. A
jurisprudência posicionou-se no sentido de aceitar a força probante de laudo técnico
extemporâneo, reputando que, à época em que prestado o serviço, o ambiente de
trabalho tinha iguais ou piores condições de salubridade. 5. O uso de equipamentos de
proteção individual - EPI, no caso de exposição a ruído, ainda que reduza os níveis do
agente físico a patamares inferiores aos previstos na legislação previdenciária, não
descaracteriza a especialidade do labor. Quanto aos demais agentes, o uso de EPI
somente descaracteriza a atividade em condições especiais se comprovada, no caso
concreto, a real efetividade, suficiente para afastar completamente a relação nociva a
que o empregado se submete. Entendimento em consonância com o julgamento pelo
STF do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) n. 664.335, com repercussão geral
reconhecida (tema n. 555). 6. No caso dos autos, a parte autora tem direito à
aposentadoria especial, porquanto implementados os requisitos para sua concessão. 7.
As prestações em atraso serão corrigidas pelos índices oficiais, desde o vencimento de
cada parcela, ressalvada a prescrição quinquenal, e, segundo sinalizam as mais
recentes decisões do STF, a partir de 30/06/2009, deve-se aplicar o critério de
atualização estabelecido no art. 1º-F da Lei 9.494/97, na redação da lei 11.960/2009. 8.
Este entendimento não obsta a que o juízo de execução observe, quando da liquidação
e atualização das condenações impostas ao INSS, o que vier a ser decidido pelo STF
em regime de repercussão geral (RE 870.947), bem como eventual regramento de
transição que sobrevenha em sede de modulação de efeitos. 9. Os juros de mora são
devidos a contar da citação, à razão de 1% ao mês (Súmula nº 204 do STJ e Súmula
75 desta Corte) e, desde 01/07/2009 (Lei nº 11.960/2009), passam a ser calculados
com base na taxa de juros aplicáveis à caderneta de poupança (RESP 1.270.439), sem
capitalização. (TRF4, APELREEX 5002884-40.2012.404.7115, SEXTA TURMA,
Relatora p/ Acórdão VÂNIA HACK DE ALMEIDA, juntado aos autos em 11/04/2016,
grifos acrescidos).

No âmbito dos Juizados Especiais Federais, a Turma Nacional de Uniformização


evoluiu recentemente o seu entendimento e reconheceu o tempo de serviço especial para os
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trabalhadores expostos à periculosidade mesmo após a edição do Decreto nº 2.172/97,
processo 0008265-54.2008.4.04.7051, Relator Juiz Federal Rogério Moreira Alves, julgado
em 18/06/2015. Destacam-se alguns trechos do voto vencedor proferido pelo Juiz Federal
João Batista Lazzari:

(...)
4. Sobre a possibilidade de reconhecimento da periculosidde como agente
nocivo após a entrada em vigor do Decreto n. 2.172/97, esta Turma Nacional,
por ocasião do julgamento do PEDILEF n. 50136301820124047001, Relator
Juiz Federal Gláucio Ferreira Maciel Gonçalves, DOU 16/08/2013, firmou tese
de que não se pode contar tempo especial devido à periculosidade, após
05/03/1997, à exceção daquelas previstas em lei específica como
perigosas. (...)
6. No presente caso, pretende-se o reconhecimento do caráter especial da
atividade de transporte de inflamáveis, por meio de caminhão tanque, atividade
reconhecidamente perigosa pela Norma Regulamentadora (...)
11. Dessa forma, considerando a tese uniformizada por esta TNU quando do
julgamento do PEDILEF 50136301820124047001, no sentido de que “não se
pode contar tempo especial pelo agente nocivo perigo, após 05/03/1997,
quando da edição do Decreto 2.172/97, à exceção daquelas previstas em lei
específica como perigosas”, voto no sentido de conhecer e negar
provimento ao incidente de uniformização interposto pelo INSS em
razão da atividade desenvolvida pela parte Autora ser considerada
perigosa tanto pela Norma Regulamentadora 16 como pela
legislação trabalhista em vigor (grifos acrescidos).

Pelo trecho do voto transcrito, infere-se que a TNU reconhece a condição de tempo de
serviço especial, mesmo após a edição do Decreto nº 2.172/97, para as atividades perigosas
previstas em lei específica.

Nesse contexto, destaca-se que a Norma Regulamentadora 16, em seu anexo 2,


considerada que a operação em postos de serviço e bombas de abastecimento de inflamáveis
líquidos é atividade perigosa. In verbis:

São consideradas atividades ou operações perigosas, conferindo aos


trabalhadores que se dedicam a essas atividades ou operações, bem como
aqueles que operam na área de risco adicional de 30 (trinta) por cento, as
realizadas:
m. nas operação em postos de serviço e bombas de abastecimento de
inflamáveis líquidos. Operador de bomba e trabalhadores que operam na
área de risco.

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No mesmo sentido, o artigo 193, inciso I, da CLT, dispõe que as atividades com
exposição a inflamáveis são consideradas perigosas. Veja-se:

Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da


regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que,
por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em
virtude de exposição permanente do trabalhador a:       (Redação dada pela
Lei nº 12.740, de 2012)

I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; (...)

No caso em comento, ao se analisar o PPRA da empresa, verifica-se que há risco


de explosão e incêndio em todo o ambiente do posto de gasolina, o que confirma a
possibilidade de enquadramento da atividade especial também em virtude da periculosidade.

Portanto, comprovada a exposição do Autor aos agentes nocivos, bem como a


periculosidade ínsita à atividade, é imperioso o reconhecimento da atividade especial
desenvolvida nos períodos em que o Autor desenvolveu a atividade de frentista.

DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DA APOSENTADORIA ESPECIAL

No presente caso, torna-se necessária a exposição a agentes nocivos durante 25 anos


para a concessão da aposentadoria especial. Portanto, o Autor adquiriu o direito ao benefício,
haja vista que laborou em condições especiais durante XX anos, XX meses e XX dias.

Quanto à carência, verifica-se que foram realizadas XXX contribuições, número


superior aos 180 meses previstos no art. 25, II, da Lei 8.213/91.

Por todo o exposto, o Autor possui direito à concessão do benefício de aposentadoria


especial.

DA POSSIBILIDADE DO AUTOR PERMANECER EXERCENDO ATIVIDADES NOCIVAS

Inicialmente, é necessário analisar as previsões contidas no parágrafo 8º do art. 57 e


no art. 46 da Lei 8.213/91:

Art. 57.  A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida
nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que

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prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte
e cinco) anos, conforme dispuser a lei. 
(...)
§ 8º Aplica-se o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo
que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos
constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de
11.12.98)

------

Art. 46. O aposentado por invalidez que retornar voluntariamente à atividade


terá sua aposentadoria automaticamente cancelada, a partir da data do
retorno.

Com base nos dispositivos supracitados, verifica-se que a restrição ao trabalho para
os beneficiários de aposentadoria especial está embasada nos mesmos fundamentos da
aposentadoria por invalidez, o que constitui um evidente equívoco do legislador, uma vez que
a vedação ao trabalho imposta ao jubilado por invalidez decorre de ausência de capacidade
laborativa. Assim sendo, o cancelamento do benefício por incapacidade se justifica quando o
segurado retorna às atividades laborativas, à medida que o principal requisito para concessão
do benefício deixa de ser preenchido.

Por outro lado, o beneficiário de aposentadoria especial ainda goza de plena


capacidade laborativa, e a aposentadoria precoce deve tão somente retribuir o desempenho
das atividades nocivas, sem qualquer medida que venha a coibir o livre exercício da sua
profissão, o que constitui um direito previsto no artigo 5º, inciso XIII, da Constituição Federal:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.

Tal previsão é reforçada no art. 6º da Carta Magna:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a


moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade
e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição
(grifos acrescidos).

Deve-se destacar que o § 8º do art. 57 da Lei 8.213/91 não possui caráter protetivo,
haja vista que não há vedação para que o segurado continue exercendo atividades
consideradas nocivas após a concessão da aposentadoria, mas apenas determinação

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para que seja suspenso o pagamento em caso de retorno à atividade. Trata-se,
portanto, de mera previsão punitiva, que restringe direito fundamental e viola o
princípio da dignidade da pessoa humana, esculpido no art. 1º, inciso III, da
Constituição Federal.

Ademais, a aposentadoria especial é prevista no art. 201 da Constituição Federal para


aqueles trabalhadores que exercem atividades em condições que prejudiquem a saúde ou a
integridade física, em consonância com o princípio da máxima efetividade dos direitos
fundamentais, sem qualquer outra condicionante ao gozo do benefício.

Cabe destacar ainda que a Autarquia Previdenciária não sofrerá nenhum prejuízo
em virtude da continuidade do desempenho do trabalho, muito pelo contrário, visto que o
segurado continuará vertendo contribuições à Previdência Social.

Ademais, mesmo em se tratando de aposentadoria especial, a maioria dos segurados


obtém o benefício com RMI bastante inferior ao último salário, pois são consideradas no PBC
as contribuições vertidas desde julho de 1994, período no qual, em regra, o salário mensal era
bastante inferior, em face de menor qualificação profissional. Trata-se de mais um motivo para
que não seja restringido o direito ao trabalho, sob pena de obrigar o segurado a ter a sua
renda diminuída.

Da mesma forma, caso mantida a determinação para o afastamento das atividades,


estaria inviabilizada a aposentadoria especial para os trabalhadores que auferem renda
bastante superior ao teto previdenciário, haja vista que seria necessária uma completa
readequação financeira e social para a manutenção das despesas mensais somente com os
proventos da aposentadoria. Isso porque é inviável exigir a alteração significativa das
atividades de um profissional que laborou a vida inteira na mesma função.

Deve-se considerar ainda o fato de que muitas pessoas deixarão suas profissões em
idade inferior aos cinquenta anos e em pleno auge de capacitação profissional, o que, num
país absolutamente carente de mão de obra qualificada, constitui um completo retrocesso.

Por todas as razões expostas, tal matéria possui natureza de ordem pública, sendo que
a vedação prevista no § 8º do art. 57 da lei 8.213/91 foi julgada inconstitucional pelo pleno
do TRF da 4ª Região. A arguição de inconstitucionalidade restou assim ementada:
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PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUCIONAL. ARGUIÇÃO DE
INCONSTUCIONALIDADE. § 8º DO ARTIGO 57 DA LEI Nº 8.213/91.
APOSENTADORIA ESPECIAL. VEDAÇÃO DE PERCEPÇÃO POR
TRABALHADOR QUE CONTINUA NA ATIVA, DESEMPENHANDO
ATIVIDADE EM CONDIÇÕES ESPECIAIS.1. Comprovado o exercício de
atividade especial por mais de 25 anos, o segurado faz jus à concessão da
aposentadoria especial, nos termos do artigo 57 e § 1º da Lei 8.213, de 24-07-
1991, observado, ainda, o disposto no art. 18, I, "d" c/c 29, II, da LB, a contar
da data do requerimento administrativo. 2. O § 8º do artigo 57 da Lei nº
8.213/91 veda a percepção de aposentadoria especial por parte do trabalhador
que continuar exercendo atividade especial.3. A restrição à continuidade do
desempenho da atividade por parte do trabalhador que obtém
aposentadoria especial cerceia, sem que haja autorização constitucional
para tanto (pois a constituição somente permite restrição relacionada à
qualificação profissional), o desempenho de atividade profissional, e veda
o acesso à previdência social ao segurado que implementou os requisitos
estabelecidos na legislação de regência.4. A regra em questão não possui
caráter protetivo, pois não veda o trabalho especial, ou mesmo sua
continuidade, impedindo apenas o pagamento da aposentadoria. Nada obsta
que o segurado permaneça trabalhando em atividades que impliquem
exposição a agentes nocivos sem requerer aposentadoria especial; ou que
aguarde para se aposentar por tempo de contribuição, a fim de poder cumular
o benefício com a remuneração da atividade, caso mantenha o vínculo; como
nada impede que se aposentando sem a consideração do tempo especial,
peça, quando do afastamento definitivo do trabalho, a conversão da
aposentadoria por tempo de contribuição em aposentadoria especial. A regra,
portanto, não tem por escopo a proteção do trabalhador, ostentando mero
caráter fiscal e cerceando de forma indevida o desempenho de atividade
profissional.4. A interpretação conforme a constituição não tem cabimento
quando conduz a entendimento que contrarie sentido expresso da lei. 5.
Reconhecimento da inconstitucionalidade do § 8º do artigo 57 da Lei nº
8.213/91. (Arguição De Inconstitucionalidade 5001401-77.2012.404.0000, Rel.
Des. Federal Ricardo Teixeira Do Valle Pereira).

Considerando todos os motivos elencados, resta demonstrada a inconstitucionalidade e


a incoerência do parágrafo 8º do Artigo 57 da lei 8.213/91, que veda ao beneficiário de
aposentadoria especial o direito de exercer sua profissão, de forma que é imperioso que seja
garantido o livre exercício profissional após a concessão do benefício.

Por fim, há que se atentar que o Supremo Tribunal Federal reconheceu Repercussão
Geral a respeito da matéria em comento, no julgamento do RE 778.092.

IV – DA AUDIÊNCIA DE MEDIAÇÃO OU DE CONCILIAÇÃO

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Considerando a necessidade de análise detalhada de provas no presente feito, bem
como a política atual de “acordo zero” adotada pelos procuradores federais, o Autor vem
manifestar, em cumprimento ao art. 319, inciso VII, do CPC/2015, que não há interesse na
realização de audiência de conciliação ou mediação, haja vista a iminente ineficácia do
procedimento e a necessidade de que ambas as partes dispensem a sua realização,
conforme previsto no art. 334, §4º, inciso I, do CPC/2015.

IV – DO PEDIDO

ANTE O EXPOSTO, requer:

a) O recebimento e o deferimento da presente peça exordial;

b) A concessão da Gratuidade da Justiça, tendo em vista que o Autor não tem como
suportar as custas judiciais sem o prejuízo do seu sustento próprio e da sua família;

c) A citação da Autarquia, por meio de seu representante legal, para que, querendo,
apresente defesa;

d) A produção de todos os meios de provas em direito admitidos, em especial o testemunhal


e o pericial, bem como a expedição de ofício à empresa XXXX, com endereço na Av.
XXXX, n° XXXX, na cidade de XXXXX/UF, a fim de que apresente formulários PPP’s e
laudos referentes aos períodos de XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX, XX/XX/XXXX a
XX/XX/XXXX, XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX e de XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX;

e) O deferimento da antecipação de tutela, com a apreciação do pedido de implantação do


benefício em sentença;

f) O julgamento da demanda com TOTAL PROCEDÊNCIA, condenando o INSS a:

1) Reconhecer o tempo de serviço especial desenvolvido durante os períodos de


XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX, XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX, XX/XX/XXXX a
XX/XX/XXXX e de XX/XX/XXXX a XX/XX/XXXX;
2) Conceder à Parte Autora a APOSENTADORIA ESPECIAL NB: XXX.XXX.XXX-X,
com a opção de permanecer exercendo atividades sujeitas a agentes nocivos, e a
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condenação ao pagamento das prestações em atraso a partir da DER, em
XX/XX/XXXX, corrigidas na forma da lei, acrescidas de juros de mora desde
quando se tornaram devidas as prestações;
3) Caso não seja reconhecido tempo de serviço especial suficiente até a DER para a
concessão do benefício, o que só se admite hipoteticamente, requer o cômputo dos
períodos posteriores, e a concessão da aposentadoria especial desde a data em
que foram preenchidos os requisitos para o deferimento do benefício, ou,
subsidiariamente, a partir da data do ajuizamento da ação.
4) Subsidiariamente ao item anterior, requer a conversão do tempo de serviço
especial em comum de todos os períodos submetidos a agentes nocivos (fator 1,4),
concedendo à Parte Autora o benefício da aposentadoria por tempo de contribuição
desde a data do requerimento administrativo. Caso não estejam preenchidos os
requisitos do benefício na data indicada, requer a reafirmação da DER, nos
mesmos moldes apontados no item anterior.

Nesses Termos.
Pede Deferimento.

Dá à causa o valor de R$ XX.XXX,XX.

Local, Data.

XXXX
OAB/UF XX.XXX

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